Você está na página 1de 24

Curso: Engenharia

Disciplina: Hidráulica – 60H

Docente: Msc. Engº Alessandro Resende Machado

Aula 08
1
Escoamento Permanente Variado

2
Escoamento Permanente Variado
• Relembrando definições

– Água escoando por um canal longo, de seção constante com condição de escoamento constante
(mesma seção, rugosidade, etc); Escoamento Permanente Uniforme

– Água escoando por um canal de seção molhada variável e com vazão, velocidade crescente ou
decrescente; Escoamento Não Permanente
Escoamento
– Água escoando por um canal de seção crescente e com velocidade variável; Permanente Variado
(não uniforme)

– Água escoando através de um canal de mesma seção reta, com seção molhada constante, mesma
declividade de fundo e mesma rugosidade das paredes Escoamento Permanente Uniforme

Obs: São chamados de canais prismáticos


3
Escoamento Permanente Variado
• Considerações

– Neste tipo de escoamento tem a característica de numa determinada seção transversal, a vazão e
velocidade permanecem constantes ao longo do tempo, porém, o trecho não é uniforme (as
dimensões podem variar);

• Profundidade Crítica (hc)


– Para uma dada vazão constante, pode-se traçar a curva da variação da carga específica em função da
profundidade considerada variável;

𝑉2
𝐻𝑒 = ℎ + Lembrando...
2𝑔
Obs: He é a carga específica resultante da soma da altura de água
com a carga cinética ou energia de velocidade.
4
Escoamento Permanente Variado
• Profundidade Crítica (hc)
– Verifica-se que em uma dada profundidade a carga específica He possui um menor valor, que é
denominada de profundidade crítica (hc);

5
Número de Froude
• Considerações
– O número de Froude (Fr) é uma variável adimensional, podendo ser escrito como que indica o regime
de escoamento de um fluido

𝑉 sendo
𝐴𝑚
𝐹𝑟 = ℎ𝑚 =
𝑔 𝑥 ℎ𝑚 𝑇

Nesse sentido,
- Fr: número de Froude;
- V: velocidade (m/s);
- g: aceleração gravitacional (m/s²);
- hm: profundidade hidráulica (m);
- Am: área molhada (m²);
- T: largura maior da seção molhada (m)
6
Número de Froude
• Considerações
– Com a obtenção do número de Froude pode-se afirmar:

– Fr = 1: Escoamento crítico, quando a energia é mínima. Nesse caso a profundidade de escoamento (y)
é igual à profundidade crítica (yc) ou seja y = yc;

– Fr > 1: Regime de escoamento supercrítico ou torrencial ou rápido (T): ocorre em profundidade do


escoamento (y) menor que a profundidade crítica (yc);

– Fr < 1: Regime de escoamento fluvial ou subcrítico ou lento ou tranquilo (F): ocorre para Fr < 1 e y >yc;

7
Número de Froude

Escoamento Crítico
y = yc Fr = 1 y yc

Escoamento Subcrítico
Y > Yc Fr < 1
y yc

Escoamento Supercrítico
Y < Yc Fr > 1 yc
y

8
Número de Froude
• Exercício 01
– Um canal trapezoidal de inclinação de taludes 2V:1H, de largura de fundo igual a 4,00 m e altura
d’água de 1,00 m, está escoando água a uma vazão de 27,00 m³/s. Adote a aceleração da gravidade
como 9,81 m/s². Calcule o número de Froude para a seção trapezoidal abaixo:

1m 2

1
4m

9
Ressalto e Remanso Hidráulico

10
Ressalto Hidráulico
• Considerações

– Salto ou Ressalto hidráulico é uma sobrelevação brusca da superfície líquida.

– Corresponde a mudança de regime de uma profundidade menor que a crítica (supercrítico) para outra
maior que esta (subcrítico), em consequência do retardamento do escoamento em regime inferior
(rápido).

– É um interessante fenômeno que se observa frequentemente no sopé das barragens, a jusante de


comportas e nas vizinhanças de obstáculos submersos.

Yc

11
Ressalto Hidráulico
• Considerações

– Caracteriza-se por uma elevação abrupta do nível d’água do escoamento;

– Em virtude do aumento do nível d’água passar pelo nível crítico, forma-se uma onda;

– Esta onda é instável, devido à grande turbulência formada que provoca uma grande perda de carga no
escoamento;

– Por este fato, este fenômeno é muito utilizado também em estruturas dissipadoras de energia de
escoamento

12
Ressalto Hidráulico
Figura 1 – Ensaio em laboratório Figura 2 – Estação de tratamento de água (ETA)

Figura 2 – Hidrelétricas

13
Ressalto Hidráulico
• Considerações

– O formato do ressalto hidráulico depende essencialmente do número de Froude a montante deste


(que é maior que 1), sendo possível classifica-lo em ondulado e ordinário:

– Ressalto ondulado: quando o número de Froude for entre 1 e 2 aproximadamente;


• Apresentam o aspecto de uma série de ondas de baixa amplitude, a qual é decrescente para a
jusante até se desvanecerem;
• Nessa situação a superfície é agitada, porém sem redemoinho e sem retorno do líquido;
• Ocorre quando a profundidade inicial não se encontra muito abaixo do valor crítico;

Ressalto ondulado
Ressalto Hidráulico
• Considerações

– O formato do ressalto hidráulico depende essencialmente do número de Froude a montante deste


(que é maior que 1), sendo possível classifica-lo em ondulado e ordinário:

– Ressalto ordinário: a partir de Fr > 2,5, existindo portanto uma zona de transição em que o ressalto é
difícil de caracterizar.
• Salto elevado, com um grande turbilhonamento, que faz certa porção do líquido rolar contra a
corrente;
• Neste caso, o ar entranhado permite uma certa aeração do líquido.
• A maior dissipação de energia (entre 45 e 70%) irá ocorrer com o Fr entre 4,5 e 9,0 – maior
eficiência de projeto.
Ressalto Hidráulico
• Altura do Ressalto hidráulico

– Considerando um canal retangular de largura unitária, a altura do ressalto (h2) pode ser definida pela
equação:

ℎ1 2 𝑥 𝑣12 𝑥 ℎ1 ℎ12
– ℎ2= - +
𝑔
+
4
2

– A perda de carga entre as duas seções pode ser calculada com a equação abaixo:

𝑣12 𝑣22
∆𝐻 = + ℎ1 − + ℎ2
2𝑥𝑔 2𝑥𝑔
Ressalto Hidráulico
• Exercício 02

– Em um canal de seção retangular com 2,5 m de largura e velocidade de 6,1 m/s, forma-se um ressalto
hidráulico. Conhecendo-se a profundidade de 0,9 m a montante, determine:

a) A altura do ressalto;

b) A perda de carga gerada pelo ressalto, considerando a velocidade a jusante de 3,0 m/s;

c) O tipo de ressalto (ordinário ou ondulado) e regime de escoamento a montante;

d) O regime de escoamento a jusante do ressalto


Remanso
• Considerações

– O remanso ocorre quando as condições de um escoamento uniforme com seção de escoamento e


declividade constante deixam de ser contempladas.

– Isso ocorre, por exemplo quando se executa uma barragem em um rio. Nesse caso ocorre uma
sobrelevação das águas, influenciando o nível da água a uma grande distância a montante, tal situação
denomina-se Remanso.

– Essa determinação é fundamental para a delimitação de áreas inundadas, volumes de água


acumulados, variação das profundidades, etc.
Remanso
Remanso
• Dimensionamento

– Sobrelevação do ponto B (𝒛𝒐 ) – é a altura da lâmina d’água tendo como referência o nível H do curso
d’água.

𝑧𝑜=𝑇𝐵+𝑁𝐵 −𝐻

• Sendo:
• TB: altura da barragem (m)
• NB: altura da lâmina d’água (m)
Remanso
• Dimensionamento

– Amplitude do Remanso (𝑬𝑭) – é a distância até onde o remanso pode atingir a montante.

2 𝑥 𝑧𝑜
𝐸𝐹 =
𝐼

• Sendo:
• EF: amplitude do remanso (m);
• I: declividade (m/m)
• 𝑧𝑜 : sobrelevação do nível da água no
ponto B (m);
Ressalto Hidráulico
• Exercício 03

– Em um canal retangular com 2,4 m de largura, 0,001 m/m de declividade, o escoamento normal
ocorre a uma profundidade de 0,65 m e 1,04 m³/s de vazão. Nesse mesmo canal, construiu-se uma
pequena barragem de 0,75 m de altura e 2,4 m de largura da soleira, com uma lâmina d’água sobre a
mesma de 0,4 m determine:

a) Sobrelevação do ponto B;

b) Amplitude do remanso;
Ressalto Hidráulico
• Exercício 04

– Em um determinado canal retangular havia necessidade de reservar a água em uma barragem. O canal
tinha 3,1 m de largura, 0,002 m/m de declividade e 1,0 de profundidade. A barragem por sua vez
possuía uma altura de 2,2 m e uma lâmina d’água sobre a mesma de 0,5 m. Após a barragem a água
escoaria em um canal com a mesma seção, em uma profundidade e velocidade de respectivamente de
0,8 m e 7,4 m/s, provocando um ressalto logo após. Nesse sentido, calcule:

a) Sobrelevação do ponto B;

b) Amplitude do remanso;

c) Altura do ressalto após a barragem


Obrigado!

E-mail do professor: alessandrorm@hotmail.com

24

Você também pode gostar