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Artigo Técnico:

Otimização do transporte vertical na construção civil. Novas tecnologias permitem reduzir a


área destinada aos elevadores e atender ao tráfego vertical nas edificações.

Metodologia para Cálculo de Tráfego de elevadores considerando novas tecnologias.

Autor:

Eng. Mec. Luciano Grando – CREA/RS 88.407

luciano@grandoengenharia.com.br

Porto Alegre – RS - abril/2013

ABEMEC-RS – A Associação Brasileira de Engenheiros


Mecânicos Seção RS é uma sociedade civil sem fins
lucrativos, que tem em seus objetivos congregar os
profissionais engenheiros mecânicos e industriais e suas
modalidades na área da mecânica, afim de promover o
desenvolvimento tecnológico e cientifico, a defesa e a
representação dos interesses profissionais dos mesmos.
Tem atuado no campo social, econômico e político na
busca dos direitos e deveres da classe que representa. A
Entidade foi fundada em 1983, tendo funcionado
ininterruptamente desde aquela época. Entidade
profissional com representatividade no CREA-RS.

@2013 ABEMEC-RS: É autorizada reprodução parcial ou integral deste artigo técnico, desde que
citada a fonte. Publicação em versão eletrônica disponível no site: www.abemec-rs.org.br
Neste artigo técnico abordaremos as inovações na indústria de elevadores que permitem
atender ao tráfego vertical utilizando uma menor área útil da edificação, novas tecnologias que
permitem transportar a mesma quantidade de pessoas utilizando uma menor área útil na edificação.
Também apresentaremos uma proposta de Metodologia para Cálculo de Tráfego dos elevadores,
considerando estas novas tecnologias de transporte vertical.

Responsável técnico: Eng. Luciano Grando – CREA/RS 88.407 - Engenheiro mecânico


formado em 1995 pela UFRGS - Universidade Federal do RS. Diretor técnico da empresa Grando
Engenharia. Presidente da ABEMEC-RS – Associação Brasileira de Engenheiros Mecânicos.
Conselheiro do CREA-RS – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do RS entre os anos de
2007 a 2012. Membro da Comissão de Estudos de Elevadores Elétricos da ABNT. Consultor,
palestrante e conferencista especializado em transporte vertical.

Novas tecnologias em transporte vertical permitem com a mesma área na edificação


aumentar e otimizar o fluxo de pessoas transportadas pelos elevadores.

A construção civil busca em todo o mundo agregar novas tecnologias às edificações,


melhorando o conforto, utilidade e habitabilidade, entretanto, a viabilidade para o emprego destas
“novas tecnologias” é vinculada a uma relação CUSTO X BENEFÍCIO, ou seja, novas tecnologias
somente serão viáveis se a relação custo x benefício justificar o investimento, quer seja pela
valorização do empreendimento, redução de custos, otimização das áreas ou comercialização.

Neste artigo técnico abordaremos as inovações na indústria de elevadores que permitem atender
ao tráfego vertical utilizando uma menor área útil da edificação destinada à caixa de corrida dos
elevadores, ou seja, equipamentos que permitem em uma “mesma área” transportar uma maior
quantidade de pessoas em um determinado intervalo de tempo. Esta relação CUSTO X BENEFÍCIO é
muito importante, pode ser interpretada como a “produtividade” dos elevadores:

PRODUTIVIDADE:
ÁREA ÚTIL UTILIZADA NA EDIFICAÇÃO
X
QUANTIDADE DE PESSOAS TRANSPORTADAS

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Para melhor entendimento temos que avaliar comparativamente as novas tecnologias com as
existentes, ou seja, temos que estabelecer uma forma de mensurar a “produtividade” de um elevador.
Para ilustrarmos faremos uma simulação de cálculo de tráfego considerando diversas relações de
VELOCIDADE E CAPACIDADE de elevadores, as quis são as variáveis principais para
determinarmos o CUSTO DE UM ELEVADOR.

Neste exemplo vamos considerar um edifício hipotético com 20 pavimentos, com portas
automáticas de abertura central e vão livre das portas de 110 cm (AC – 110cm), no qual utilizaremos
um grupo de 6(seis) elevadores que atendem a TODOS os pavimentos. Faremos um cálculo da
quantidade de pessoas transportadas em 5 minutos, ou seja da CAPACIDADE DE TRÁFEGO, para
diversas situações de VELOCIDADE e CAPACIDADE das cabinas, com a respectiva ÁREA ÚTIL
NECESSÁRIAS NA EDIFICAÇÃO para as caixas de corrida dos elevadores.

Dados para projeto:


Elevadores 06(seis) – comando em grupo
Convencional (elétrico de passageiros conforme NM-207)
Caixas de corrida 06(seis), uma caixa de corrida para cada elevador
Portas Automática de abertura Central(AC) - Vão livre 110 cm
Pavimentos 20 (vinte pavimentos atendidos) – 0,1,2,3.....ao 19
Zoneamento Todos os elevadores atendem a todos os pavimentos
Percurso 57 metros (pé direito 3,0 metros)
Área útil (m²) Somatório das áreas necessárias para caixa de corrida dos elevadores
(somatório das áreas internas das caixas de corrida na edificação)
CT (pessoas) Capacidade de tráfego conforme norma NBR 5665. Pessoas transportadas
pelo somatório dos elevadores em um intervalo de tempo de 5 minutos.
IT (segundos) Intervalo de Tráfego conforme norma NBR 5665. Tempo calculado para
atendimento das chamadas de pavimento.
População do Não considerada, pois o objetivo da simulação é calcular a “Produtividade”
edifício do grupo de elevadores, ou seja, determinar uma relação de pessoas
transportadas por m² (Pessoas/m) na edificação.
Norma Técnica NBR 5665 – Cálculo de Tráfego em Elevadores
Produtividade do Relação de pessoas transportadas em 5 minutos pela área útil necessária na
grupo de elevadores edificação para os elevadores (Pessoas/m²)

A simulação será realizada utilizando a mesma metodologia de Cálculo de Tráfego prevista na


norma técnica ABNT NBR 5665, calculando a CT – Capacidade de Transporte dos elevadores em um
intervalo de tempo de 5 minutos, e o IT – Intervalo de Tráfego.

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Na tabela a seguir apresentamos o memorial do cálculo de tráfego para um grupo de 6
elevadores CONVENCIONAIS, com capacidade 20 pessoas e velocidade 4,0 m/seg, conforme dados
do projeto ilustrativo anterior. O memoria de cálculo conforme NBR 5655.
MEMORIAL DE CÁLCULO DE TRÁFEGO DOS ELEVADORES

CÁLCULO DE TRÁFEGO CONFORME NORMA ABNT NBR 5665/83 Elevadores convencionais


CLIENTE Exemplo ilustrativo
Edifício Comercial de Entidade Única
DESTINAÇÃO DE USO
POPULAÇÃO OBS
1 ATENDIMENTO 0, 1, 2,..., 18,1920 pavimentos atendidos
População calculada, conforme item 5.1
2 POPULAÇÃO TOTAL A SER ATENDIDA 1.150,0 da NBR 5665. Dados do projeto.
PERCENTAGEM MINIMA TRANSPORTADA 5 Escritórios de uma única entidade,
3 min 15% conforme item 5.2 da NBR 5665.
4 PESSOAS TRASPORTADAS 5 min 172,50 Capacidade de tráfego requerida
Mais de 4 elevadores, escritórios de
INTERVALO TRÁFEGO MAXIMO entidade única. Conforme Tabela 6 da
5 ADMISSÍVEL seg. 40 norma NBR 5665
ELEVADORES
DIMENSIONAMENTO
ne UNIDADES DO GRUPO 6 Seis Elevadores CONVENCIONAIS
7 CAPACIDADE (PESSOAS) 20 Capacidade das cabinas em Pessoas
8 PARADAS 20 pavimentos atendidos
9 PARADAS PROVÁVEIS 13,56 tabela 5 da norma NBR 5665
10 PERCURSO (m) 57,00 Dados de projeto
11 VELOCIDADES (m/s) 4,00 m/seg
12 ABERTURA PORTAS AC Abertura Central
13 ABERTURA LIVRE PORTAS (m) 1,1 (110 cm)
TEMPOS ADOTADOS (segundos)
Velocidade superior a 2,5 m/seg - tabela
14 ACELERAÇÃO E RETARDAMENTO (s) 6,00 2 da norma NBR 5665
Porta Automática abertura central - AC -
15 ABERTURA E FECHAMENTO PORTAS (s) 3,90 tabela 3 da norma NBR 5665
Porta maior ou igual a 1,10metros -
16 ENTRADA E SAÍDA DE PESSOAS (s) 2,40 tabela 4 da norma NBR 5665
TEMPOS TOTAIS CALCULADOS (segundos) Obs: Tempos calculados
T1 TEMPO DE PERCURSO TOTAL (s) 28,50 Tempo total, ida e volta, sem paradas
T2 ACELERAÇÃO E RETARDAMENTO (s) 40,68
T3 ABERTURA E FECHAMENTO DAS PORTAS (s) 52,88
T4 ENTRADA E A SAÍDA DE PASSAGEIROS (s) 48,00
T TEMPO TOTAL DE VIAGEM (s) 180,15
Ok, inferior ao intervalo máximo
IT INTERVALO DE TRÁFEGO (s) 30,03 admitido
CAPACIDADE DE TRANSPORTE – calculada
CT1 para 1 elevador convencional 33,31
CAPACIDADE DE TRÁFEGO - grupo de 6 Ok, capacidade de tráfego maior que a
CT2 elevadores (convencionais) 199,83 capacidade de tráfego requerida

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No exemplo foram considerados elevadores que possuem o mesmo percurso/paradas, assim
como as mesmas características de acabamentos, botoeiras e indicadores, desta forma o CUSTO DO
EQUIPAMENTO é basicamente determinado pelas variáveis VELOCIDADE e CAPACIDADE, nossa
simulação irá considerar a variação destas duas características principais.

Na tabela a seguir apresentamos o resumo do cálculo de tráfego para o grupo de 6(seis)


elevadores convencionais com base na norma técnica NBR 5665, para as seguintes simulações:

a) Capacidade 16 pessoas – Velocidades de 3,0 m/seg., 4,0 m/seg. e 6,0 m/seg.

b) Capacidade 20 pessoas – Velocidades de 3,0 m/seg., 4,0 m/seg. e 6,0 m/seg.

c) Capacidade 24 pessoas – Velocidades de 3,0 m/seg., 4,0 m/seg. e 6,0 m/seg.

Cálculo de Tráfego conforme norma técnica ABNT NBR 5665, considerando 06(seis)
elevadores conforme os dados do exemplo anterior:
Velocidade Nominal dos Elevadores

Capacidade 3,0 m/seg 4,0 m/seg 6,0 m/seg Obs.

171,72 pessoas 182,04 pessoas 193,68 pessoas CT (5 minutos)


16 pessoas

(6 elevadores - 27,35 m² 31,30 m² 34,12 m² Área útil


Convencionais) 27,95 seg. 26,37 seg. 24,79 seg. IT (segundos)

6,27 pessoas/m² 5,82 pessoas/m² 5,68 pessoas/m² Produtividade

189,84 pessoas 199,83 pessoas 210,96 pessoas CT (5 minutos)


20 pessoas

(6 elevadores - 28,37 m² 32,50 m² 36,01 m² Área útil caixas


Convencionais) 31,61 seg. 30,03 seg. 28,44 seg. IT (segundos)

6,69 pessoas/m² 6,15 pessoas/m² 5,86 pessoas/m² Produtividade

206,40 pessoas 216,18 pessoas 226,98 pessoas CT (5 minutos)


24 pessoas

(6 elevadores - 31,80 m² 33,45 m² 36,90 m² Área útil caixas


Convencionais) 34,89 seg. 33,30 seg. 31,72 seg. IT (segundos)

6,49 pessoas/m² 6,46 pessoas/m² 6,15 pessoas/m² Produtividade

*CT = Capacidade de Transporte dos elevadores em 5 minutos para os 6(seis) elevadores.

*IT = Intervalo de Tráfego, tempo máximo teórico para atendimento das chamadas, em segundos.

* Área útil = Área total em m² necessária para as caixas de corrida dos elevadores, área interna sem considerar
paredes. Área necessária para as caixas de corrida em cada andar (projeção na edificação).

*Produtividade = Relação da CT/Área útil das caixas de corrida.

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Nesta análise o IT - Intervalo de Tráfego e a CT - Capacidade de Tráfego, variáveis calculadas
pelas fórmulas e tabelas estabelecidas pela norma técnica NBR 5665, foram calculados considerando
os dados do exemplo e todos os seis elevadores em um mesmo grupo atendendo a todos os
pavimentos. Com base na população da edificação, considerando os requisitos definidos no item 5 da
norma técnica NBR 5665, podemos verificar que as variáveis calculadas (CT e IT) atendem aos
requisitos mínimos de tráfego vertical estabelecidos pela referida norma técnica para todas as
simulações: CT ≥ 173 pessoas ; IT ≤ 40 seg., entretanto não será objeto de nossa análise a escolha da
“melhor” solução possível.

A “PRODUTIVIDADE” dos elevadores, mensurada com base na área útil necessária para os
elevadores na edificação, mostra que temos uma diferença entre as diversas soluções propostas no
exemplo, indicando um direcionamento para análise da melhor solução a ser utilizada tendo como base
o “custo de aquisição” dos elevadores em cada solução, relação direta com a velocidade e capacidade.
Desta forma poderemos estabelecer uma relação de CUSTO/PESSOA TRANSPORTADA, que poderá
ser utilizada para avaliar a relação CUSTO X BENEFÍCIO em cada solução possível. A avaliação da
relação CUSTO X BENEFÍCIO também deve considerar diversos aspectos, além da capacidade de
transporte e do intervalo de tráfego, principalmente:

a) Requisitos da Legislação Local para dimensionamento e instalação de elevadores;

b) Área disponível na edificação;

c) Custo do m² na edificação, considerando que cada m² de área útil dos elevadores deve ser
multiplicado pela quantidade de pavimentos;

d) Custo de aquisição dos elevadores;

e) Requisitos de projeto e estética;

Desta forma, a determinação da “melhor” solução para o projeto é aquela que melhor ATENDE
a relação CUSTO X BENEFÍCIO, considerando os diversos aspectos do projeto, ressaltando a
OBRIGATORIEDADE de atendimento aos requisitos da legislação local.

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Dimensionamento dos elevadores no Brasil
Considerando a norma NBR 5665, os resultados obtidos no exemplo anterior (CT e IT) serão os
“mesmos” para qualquer marca ou modelo de elevadores a ser instalados no Brasil, ou seja, o cálculo
de tráfego previsto na norma NBR 5665 não considera as diferenças de performance ou de
desempenho, inerentes as diferenças tecnológicas dos produtos de cada fabricante de elevador.

O exemplo anterior ilustra o método utilizado atualmente no Brasil para calcular e especificar
elevadores, conforme cálculo de tráfego previsto na norma técnica NBR 5665. Neste método de
cálculo temos a possibilidade de alterar (definir) somente com as seguintes variáveis de projeto:

a) Quantidade de elevadores – quantidade de cabinas em uma caixa de corrida;

b) Capacidade de carga da cabina (pessoas);

c) Velocidade dos elevadores;

d) Largura das portas e tipo de abertura das portas (AC ou AL);

e) Zoneamento ou agrupamento dos elevadores;

A metodologia utilizada no cálculo de tráfego da norma NBR 5665 considera valores “fixos”
para determinadas características técnicas, as quais deveriam ser inerentes a “performance” de cada
modelo/tipo de equipamento, portanto, o modelo de cálculo utilizado pela norma NBR 5665 não
considera as diferenças existentes na performance e desempenho das diversas marcas e modelos de
elevadores. Por exemplo, no cálculo de tráfego temos a determinação das “paradas prováveis do
elevador” somente com base em sua capacidade e seu percurso, não considerando qualquer diferença
entre os softwares de atendimento, ou mesmo um software de atendimento com chamadas antecipadas,
de cada marca/modelo de elevador.

O modelo de cálculo de tráfego utilizando pela norma técnica NBR 5665 considera variáveis de
desempenho “pré-determinadas” e “definidas em tabelas”, desta forma NÃO considera outras variáveis
inerentes à tecnologia de cada marca/modelo de equipamento, tais como:

a) Diferença de velocidade das portas de cada marca/modelo de equipamento;

b) Aceleração e desaceleração da máquina de tração;

c) Diferença dos tempos de atendimento com base no Software de atendimento das chamadas
de cada marca/modelo de equipamento;

d) Existência de tecnologias, como antecipador de chamadas;


e) Existência de mais de uma cabina em cada caixa de corrida, e outras características técnicas
inerentes a cada modelo/marca de elevador.

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Por exemplo, o modelo de cálculo de tráfego adotado no Brasil, definido na norma técnica
NBR 5665, não considera a possibilidade de utilização de “duas cabinas” em uma mesma caixa de
corrida, tecnologia já utilizada em outros países com elevadores TWIN ou DUBLE DECK.

A utilização de novas tecnologias não permite considerarmos esta “otimização” no cálculo de


tráfego definido na norma NBR 5665, ou seja, mesmo que utilizada nos elevadores as novas
tecnologias não alteraram o “resultado” do cálculo de tráfego previsto na norma técnica NBR 5665.

Portanto, no Brasil, a utilização da norma técnica ABNT NBR 5665, aplicada de forma geral e
irrestrita para qualquer tipo de elevador, não considerando as diferenças tecnológicas e de desempenho
entre as diversas marcas/modelos dos equipamentos, acaba “nivelando” todos os elevadores com base
nas “variáveis pré-definidas” nesta norma técnica. Não considerar o desempenho e performance
inerente as novas tecnologias acaba por “nivelar em um mesmo patamar de desempenho” todo e
qualquer elevador, independente da sua tecnologia embarcada.

No caso de empregarmos novas tecnologias teremos um superdimensionamento da quantidade


e características dos elevadores, acima da real necessidade da edificação, pois teremos que manter no
mínimo a quantidade de elevadores definida através do modelo de cálculo de tráfego da norma técnica
NBR 5665.

Quais são as novas tecnologias disponíveis?

Porque não utilizamos no Brasil?

Voltando ao nosso tema principal, no exemplo anterior demonstramos que atualmente o projeto
dos edifícios considera o atendimento ao tráfego vertical com base na norma técnica ABNT NBR
5665, que possui variáveis pré-definidas para o cálculo, não consideram diferenças técnicas e de
performance inerentes a cada marca/modelo de equipamento e não considera as novas tecnologias em
elevadores. Desta forma no Brasil estamos “nivelando pelo mínimo” os elevadores, como se a
performance fosse exatamente igual e LIMITADA para qualquer marca e modelo, não consideramos
as diferenças entre os equipamentos e as melhorias de tráfego possíveis com o emprego de novas
tecnologias.

Sabemos que a utilização de novas tecnologias depende fortemente da relação CUSTO X


BENEFÍCIO para o empreendimento, ou seja, a viabilidade do emprego de novas tecnologias
dependerá da viabilidade econômica dessas, em última análise a otimização da utilização das áreas de
uma edificação.

Na indústria da construção civil o emprego de novas tecnologias em elevadores passará


necessariamente pela redução das áreas requeridas para instalação dos elevadores na edificação,
permitindo “compensar” o acréscimo de custos com a redução das áreas necessárias para os
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elevadores. A nova tecnologia invariavelmente aumentará o custo de aquisição do equipamento, o que
deve ser “compensado” pela redução das áreas necessárias para os elevadores.

A indústria de Elevadores já possui novas tecnologias que permitem aumentar a quantidade de


pessoas transportada por m² pelos elevadores, ou seja, tecnologias que permitem transportarmos uma
maior quantidade de pessoas para cada m² utilizada pelos elevadores na edificação:

a) TWIN – Dois elevadores em uma mesma caixa de corrida;

b) DUBLE DECK – Duas cabinas (dois andares) em um mesmo elevador;

*TWIN: Tecnologia desenvolvida e registrada pela ThyssenKrupp Elevadores.

Nestas duas tecnologias temos o mesmo objetivo, transportar uma maior quantidade de pessoas
em relação a área útil necessária na edificação, ou seja, melhorar a “produtividade” dos elevadores.
Neste artigo vamos abordar a tecnologia TWIN, apresentando uma proposta de metodologia para
adaptar o cálculo de tráfego com base na norma técnica NBR 5665 para contemplar esta tecnologia.

TWIN

O sistema TWIN é uma tecnologia desenvolvida e patenteada pela empresa ThyssenKrupp


Elevadores, largamente utilizado na Europa, EUA e Ásia, possuindo mais de 130 equipamentos já em
funcionamento. A tecnologia foi inicialmente instalada no ano de 2004 no edifício University
building Stuttgart, city centre na Alemanha, um edifício existente que necessitava “melhorar” o
tráfego vertical e no qual não havia possibilidade de construção de outros locais para os elevadores.

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O elevador TWIN foi desenvolvido com a visão de transportar uma maior quantidade de
pessoas utilizando a mesma área da edificação destinada aos elevadores, ou seja, melhorar a
“PRODUTIVIDADE” da instalação de elevadores. O sistema consiste em dois elevadores utilizando
simultaneamente uma mesma caixa de corrida, ou seja, duas cabinas ocupam o mesmo espaço de
deslocamento vertical na edificação.

*Fotos cortesia ThyssenKrupp Elevadores, proibida divulgação.

Na Europa, Ásia e EUA a forma de “cálculo de tráfego” é diferente do método empregado no


Brasil. Enquanto o método brasileiro com base na NBR 5665, define parâmetros fixos e sem
possibilidade de contemplar novas tecnologias, o método empregado em outros países considera a
performance e o desempenho real do equipamento, ou seja, o cálculo de tráfego é realizado com base
no desempenho efetivo de cada modelo/marca de elevador, considerando todas as variáveis do
equipamento, inclusive a existência de dois elevadores em uma mesma caixa de corrida (sistema
TWIN). O cálculo de tráfego é realizado com base em software dedicado.

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TWIN, Porque não utilizamos no Brasil?

No Brasil o projeto das edificações não considera a possibilidade da utilização de sistemas do


tipo TWIN – Dois Elevadores em uma mesma Caixa de Corrida, pois o método de Cálculo de Tráfego
previsto na norma técnica NBR 5665 não considera essas novas tecnologias.

Em regra, normas técnicas possuem defasagem tecnológica em relação aos equipamentos


disponíveis no mercado, pois a norma é elaborada “após” o projeto do equipamento, ou seja, os
requisitos das normas técnicas são elaborados conforme os equipamentos e produtos “existentes” na
época. Ocorre que a norma técnica ABNT NBR 5665 é bastante antiga e não foi revisada, datando do
ano de 1983, na época de sua edição não estavam disponíveis as tecnologias referenciadas
anteriormente, desta forma a referida norma técnica não é aplicável para estas novas tecnologias, pois
não contempla as mesmas em sua metodologia de cálculo.

A legislação municipal normalmente determina que o “dimensionamento” dos elevadores no


projeto da edificação deve ser realizado conforme normas técnicas da ABNT, ou seja, o Cálculo de
Tráfego deve ser conforme definido na norma técnica NBR 5665. Desta forma vincula diretamente o
emprego da referida norma técnica, inviabilizando qualquer método de cálculo de tráfego diferente
daquele previsto na referida norma.

Novas tecnologias, via de regra, estarão sempre adiante dos requisitos das normas técnicas, pois
a tecnologia é primeiramente desenvolvida e posteriormente padronizada através das normas técnicas.
Necessitamos estabelecer critérios que possibilitem uma “flexibilidade” na aplicação da legislação
municipal, permitindo utilizarmos nestes casos meios inovadores ou alternativos para o
dimensionamento e cálculo de tráfego dos equipamentos, e não “vinculados” somente a uma norma
técnica antiga, e para estes casos também obsoleta e sem aplicação.

Para utilização de novas tecnologias em transporte vertical no Brasil necessitamos que a


legislação municipal permita a utilização de métodos alternativos de cálculo de tráfego, como o
método empregado em outros países, desde que devidamente comprovados e justificados, ou seja,
necessitamos de um processo especial para análise e homologação destes novos equipamentos pelo
poder público. Apresentaremos a seguir uma metodologia de Cálculo de Tráfego adaptando a norma
técnica ABNT NBR 5665, possibilitando a utilização desta norma técnica quando para elevadores com
novas tecnologias, por exemplo um elevador TWIN.

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TWIN – Metodologia de Cálculo de Tráfego (adaptação da norma técnica NBR 5665)

Uma análise geral da metodologia de cálculo determinada na norma técnica ABNT NBR 5665
indica que a mesma pode ser empregada para o sistema TWIN, considerando neste caso 2(dois)
elevadores para cada caixa de corrida, sendo utilizada uma fórmula de cálculo das PARADAS
PROVÁVEIS dos elevadores determinada com base no desempenho comprovado destes
equipamentos.

Os elevadores TWIN possuem capacidade de tráfego equivalente aos elevadores


convencionais, pois apenas o número de paradas prováveis desse sistema pode ser igual ou superior às
paradas prováveis do sistema convencional. Faremos uma “adaptação” da metodologia utilizada pela
norma técnica NBR 5665, realizando o cálculo de tráfego considerando um acréscimo de 20% (vinte
por cento) das paradas prováveis, ou seja, vamos considerar que o sistema TWIN terá uma quantidade
de paradas prováveis 20% superior a um elevador convencional, pois temos dois elevadores em uma
mesma caixa de corrida, calculando o IT – Intervalo de Tráfego e a CT – Capacidade de Tráfego com
base nesta mesma fórmula “adaptada” da norma NBR 5665

A metodologia proposta consiste em duas etapas de cálculo, primeiramente o emprego do


Cálculo de Tráfego da norma ABNT NBR 5665, “adaptando” a fórmula com acréscimo de 20% das
paradas prováveis dos elevadores, a seguir realizamos a “validação” dos resultados obtidos através do
emprego de um software dedicado para CÁLCULO DE TRÁFEGO DE ELEVADORES TWIN,
largamente utilizado na Europa, EUA e Ásia.

Etapas do cálculo de tráfego – Elevador TWIN

I. Cálculo de Tráfego – Metodologia Adaptada da norma ABNT NBR 5665;

II. Validação dos resultados – Emprego de Software dedicado para cálculo de tráfego;

Com relação a Metodologia para cálculo de tráfego de elevadores TWIN, ressaltamos que a
metodologia proposta NÃO ALTERA as demais variáveis e requisitos previstos na norma técnica
NBR 5665, mantendo a mesma sistemática de cálculo para a população da edificação, da
população a ser transportada e dos intervalos de tráfego admitidos.

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1. TWIN - Cálculo de Tráfego – Metodologia Adaptada da norma NBR 5665

1.1. Características fundamentais dos elevadores

As características básicas que definem um elevador de passageiros são sua velocidade nominal
e lotação da cabina (capacidade). Após determinadas essas variáveis, tem-se por consequência
definidos os equipamentos do elevador. A determinação da velocidade e da capacidade dos elevadores
de um edifício é feita através do seu Cálculo de Tráfego, no Brasil normatizado pela NBR 5665.

1.2. Cálculo de Tráfego dos elevadores – NBR 5665

Procedimento de cálculo que permite avaliar e verificar se a quantidade de elevadores, com sua
capacidade e velocidade, definidos na fase de projeto de um edifício serão adequados e compatíveis
com o fluxo de pessoas do edifício. É um procedimento para conferência das especificações básicas
dos elevadores: quantidade, capacidade, atendimento, velocidade. sistema de portas e outros.

A norma ABNT NBR-5665 - Cálculo de Tráfego nos Elevadores, estabelece as condições


mínimas a serem observadas na capacidade de tráfego das instalações de elevadores de passageiros e
equipamentos de transporte vertical (escadas rolantes e esteiras).

Para efetuarmos o cálculo de tráfego previsto na NBR 5665 as seguintes variáveis da instalação
devem ser conhecidas:

 População do edifício (população total e população a ser transportada em 5 min.), variável que
não é alterada no caso de elevadores TWIN;

 Distribuição da população nos pavimentos, destinação dos pavimentos, pavimentos atendidos


por escadas rolantes, forma de cálculo que não é alterada no caso de elevadores TWIN;

 Atendimento dos elevadores (agrupamento, atendimento por zonas), o que pode ser
determinado no caso de elevadores TWIN;

 Paradas dos elevadores (quantidade de pavimentos atendidos), requisito inerente ao projeto da


edificação, que não é alterado no caso de elevadores TWIN;

 Percurso dos elevadores (percurso na caixa de corrida e distância entre os pavimentos),


requisito inerente ao projeto da edificação, que não é alterado no caso de elevadores TWIN;

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 Tipos de portas dos elevadores (AL, AC, largura útil), requisito inerente ao elevador, que pode
ser determinado no caso de elevadores TWIN;

 Capacidade das cabinas (pessoas, considerando 75 kg por pessoa) , requisito inerente ao


elevador, que pode ser determinado no caso de elevadores TWIN, mantendo a capacidade da
cabina proporcional a 75kg por pessoa;

 Velocidade dos elevadores (nominal), requisito inerente aos equipamentos, que pode ser
determinado no caso de elevadores TWIN;

 Quantidade de elevadores (na norma técnica NBR 5665 é considerado um elevador em cada
caixa de corrida), variável que pode ser determinada no caso de elevadores TWIN;

Com estas variáveis podemos dimensionar a instalação de elevadores de uma edificação,


verificando se o projeto proposto atende aos requisitos mínimos estabelecidos na norma técnica NBR
5665, especificamente se os equipamentos de transporte vertical atendem aos dois requisitos:

1º - Capacidade de Tráfego (Ct) – item1.2.1 a seguir;

2º - Intervalo de Tráfego (I) – item 1.2.2 a seguir;

1.2.1. Capacidade de tráfego (Ct)

A capacidade de tráfego (Ct), é definida como a soma das capacidades de transporte de cada
elevador, ou seja, será a quantidade de pessoas transportadas em 5 minutos por todos os elevadores do
edifício.

CT = Ct1 + Ct2 + . . . + Ctn

Se os n elevadores possuírem as mesmas características, suas capacidades de transporte serão


iguais e a capacidade de tráfego será:

CT = n . Ct = 300 . Cn
T

O valor da capacidade de tráfego CT deve ser maior ou igual ao valor para atender aos
preceitos da NBR-5665 quanto ao transporte em 5 minutos, considerando a população total do edifício
e a população a ser transportada em 5 minutos, conforme a destinação do edifício.

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1.2.2. Intervalo de tráfego ( I )

É o Tempo Total de Viagem, dividido pelo número de elevadores, ou seja:

IT = T
n

IT = intervalo de tráfego

T = tempo total de viagem, em segundos

n = número de elevadores do grupo

O intervalo de tráfego pode ser considerado na prática como tempo máximo que um passageiro
pode esperar pelo carro, ou seja, é o máximo tempo de espera que ocorre entre a partida de um
elevador e a chegada de outro em um pavimento.

Tempo total de viagem (T)

É o tempo total gasto pelo elevador por viagem, incluindo todas as manobras. É a soma dos itens a
seguir:

T = T1 + T2 + T3 + T4

Tempo de Percurso total (T1)

É o tempo gasto pela cabina para percorrer o percurso, de ida e volta, sem parar em nenhum
pavimento:

T1 = 2. S = tempo de percurso total


V

S: é o percurso (em metros);

V: é a velocidade do elevador (em metros por segundo);

Artigo técnico: Otimização do Transporte Vertical na Construção Civil Página 15 de 22


Tempo de Aceleração e retardamento (T2)

É o tempo gasto nas operações de aceleração e desaceleração durante todo o percurso. É a metade do
resultado obtido pela multiplicação do “número de paradas prováveis” pelo tempo de aceleração e
retardamento de cada parada (conforme valores previamente definidos na tabela constante na norma
técnica NBR 5665).

Tempo de Abertura e fechamento de portas (T3)

É o tempo gasto nas operações de abertura e fechamento das portas em todo o percurso.

É obtido pela multiplicação do “número de paradas prováveis” pelo tempo de abertura e fechamento
das portas de cada parada (conforme valores previamente definidos na tabela constante na norma
técnica NBR 5665).

Tempo de Entrada e saída de passageiros (T4)

É o tempo gasto para a entrada e saída de passageiros da cabina durante todo o percurso.

É obtido pela multiplicação do valor correspondente à capacidade da cabina pelo tempo de entrada e
saída de cada passageiro (conforme valores previamente definidos na tabela constante na norma
técnica NBR 5665).

1.3. Paradas prováveis – Elevador Convencional

Esta é a única variável que possui alteração no caso de elevador TWIN. A determinação das
“paradas prováveis” é necessária para o cálculo dos tempos T2 e T3, respectivamente: Tempo de
Aceleração e retardamento e Tempo de Abertura e fechamento de portas.

Para elevadores convencionais, nos quais temos um elevador para cada caixa de corrida, o
número de paradas prováveis que o elevador pode efetuar em uma viagem é função somente da
capacidade da cabina (pessoas) e da quantidade de pavimentos (paradas atendidas). As paradas
prováveis são determinadas (estimadas) com base no Cálculo de Probabilidades, através da fórmula
(item 6.2 da NBR-5665) mostrada a seguir:

N = P - (P - 1) x ( P – 2 )©
P–1

Artigo técnico: Otimização do Transporte Vertical na Construção Civil Página 16 de 22


onde:

N = número de paradas prováveis

P = número de paradas do elevador

c = Capacidade da cabina, excluindo o ascensorista se existir (sendo uma potência na fórmula


considerada)

A forma de cálculo prevista na NBR 5665 para determinar as “paradas prováveis” é uma
equação probabilística, pois nesta fórmula as paradas prováveis são somente função do número de
paradas do elevador e da capacidade da cabina. O número de paradas prováveis de um elevador é na
verdade função de diversos fatores, não somente do número de paradas e da lotação da cabina, dentre
os quais poderíamos citar: quantidade de elevadores, tipo de controle, comando em grupo, sistema
antecipador de chamadas, destinação do edifício e zoneamento dos carros, os quais não estão na
equação para cálculo das paradas prováveis definida na norma NBR 5665.

1.4. Paradas prováveis – Elevador TWIN (proposta)

Para o cálculo de tráfego de uma instalação com elevadores do tipo TWIN, a metodologia
proposta consiste em utilizar a mesma fórmula de cálculo determinada na NBR 5665, considerando
dois elevadores em cada caixa de corrida, adaptando somente as paradas prováveis, única variável
divergente no caso de um elevador Twin.

Na metodologia proposta a determinação das “paradas prováveis” foi realizada com base em:

a) Valores efetivamente verificados em instalações existentes – resultados práticos (dados


concretos), que indicam o acréscimo de até 20% nas paradas prováveis dos elevadores do
tipo TWIN;

b) Estabelecimento de um “redutor” da fórmula original de cálculo das paradas prováveis da


norma técnica NBR 5665, com base nos resultados reais obtidos em instalações existentes,
considerando o acréscimo de 20% nas paradas prováveis dos elevadores do tipo TWIN;

Artigo técnico: Otimização do Transporte Vertical na Construção Civil Página 17 de 22


2. VALIDAÇÃO DO CÁLCULO DE TRÁFEGO SISTEMA TWIN:

Os valores obtidos serão validados através da comparação dos resultados obtidos na


metodologia proposta e no cálculo realizado através de software específico (dedicado).

Foto ilustrativa – Utilização de Software dedicado para cálculo de tráfego

A metodologia proposta
consiste em “validar” os
resultados obtidos através
do emprego de software
dedicado e específico para o
cálculo de tráfego de
elevadores TWIN, no caso
será empregado o software
“Elevate”, mundialmente
conhecido, aceito e
largamente utilizado na
Europa, EUA e Ásia.

*Software Elevate propriedade da Elevate Software Inc, EUA.

TWIN – Exemplo de Cálculo de Tráfego (comparativo)

Para ilustrarmos a metodologia proposta vamos considerar o mesmo edifício hipotético do


exemplo inicial, com 20 pavimentos, portas automáticas de abertura central com vão livre de 110cm
(AC – 110cm), no qual utilizaremos um grupo de 7(sete) elevadores que atendem a TODOS os
pavimentos, sendo 3(três) TWIN e um convencional, empregando 4(quatro) caixas de corrida.

Faremos um cálculo da quantidade de pessoas transportadas em 5 minutos para as mesmas


situações de CAPACIDADE das cabinas, com a respectiva ÁREA ÚTIL NECESSÁRIAS NA
EDIFICAÇÃO para as caixas de corrida dos elevadores. Para simplificarmos o resultado iremos
manter fixa a velocidade das cabinas, utilizando equipamentos TWIN com 3,0 m/seg.

Artigo técnico: Otimização do Transporte Vertical na Construção Civil Página 18 de 22


Dados para projeto:
Elevadores 07 Elevadores, sendo:
- 03(três) – TWIN – com duas cabinas em cada caixa de corrida
- 01(um) - Convencional
Caixas de corrida 04(quatro), sendo 3(três) caixas para três elevadores TWIN e uma caixa de
corrida para um elevador convencional
Velocidade 3,0 m/seg. Vamos considerar a velocidade fixa para as cabinas com a
tecnologia TWIN.
Portas Automática de abertura Central(AC) - Vão livre 110 cm
Pavimentos 20 (vinte pavimentos atendidos) – 0,1,2,3.....ao 19
Zoneamento Todos os elevadores atendem a todos os pavimentos
Percurso 57 metros (pé direito 3,0 metros)
Área útil (m²) Somatório das áreas necessárias para caixa de corrida dos elevadores
(somatório das áreas internas das caixas de corrida na edificação)
CT (pessoas) Capacidade de tráfego conforme norma NBR 5665. Pessoas transportadas
pelo somatório dos elevadores em um intervalo de tempo de 5 minutos.
IT (segundos) Intervalo de Tráfego conforme norma NBR 5665. Tempo calculado para
atendimento das chamadas de pavimento.
População do Não considerada, pois o objetivo da simulação é calcular a “Produtividade”
edifício do grupo de elevadores
Norma Técnica NBR 5665 – Cálculo de Tráfego em Elevadores, com “adaptação” da
metodologia de definição das “paradas prováveis”.
Produtividade do Relação de pessoas transportadas em 5 minutos pela área útil necessária na
grupo de elevadores edificação para os elevadores (Pessoas/m²)

MEMORIAL DE CÁLCULO - SIMULAÇÕES


A simulação foi realizada utilizando a metodologia de Cálculo de Tráfego prevista na norma
técnica ABNT NBR 5665, considerando somente a “adaptação” da variável “paradas prováveis”,
considerando neste caso acréscimo de 20% das paradas prováveis, pois na tecnologia TWIN temos
duas cabinas em uma mesma caixa de corrida. Foi calculada a CT – Capacidade de Transporte dos
elevadores em um intervalo de tempo de 5 minutos, o IT – Intervalo de Tráfego em segundos e
também a relação de “produtividade” da solução proposta, considerando neste caso a área útil
necessária na edificação para 4(quatro) caixas de corrida. Para simplificarmos o cálculo, faremos a
consideração de acréscimo de 20% das paradas prováveis também para o elevador convencional, desta
forma temos um grupo de 7(sete) elevadores.

Artigo técnico: Otimização do Transporte Vertical na Construção Civil Página 19 de 22


Na tabela a seguir apresentamos o memorial do cálculo de tráfego para um grupo de 7(sete)
elevadores, sendo 3 TWIN com dois elevadores em cada caixa de corrida e 01(um) elevador
convencional, velocidade 3,0 m/seg. e capacidade de 20(vinte) pessoas.

MEMORIAL DE CÁLCULO DE TRÁFEGO DOS ELEVADORES


CÁLCULO DE TRÁFEGO CONFORME NORMA ABNT NBR 5665/83 Elevadores TWIN
CLIENTE Exemplo ilustrativo
Edifício Comercial de Entidade Única
DESTINAÇÃO DE USO
POPULAÇÃO OBS
1 ATENDIMENTO 0, 1, 2,..., 18,1920 pavimentos atendidos
População calculada, conforme item
2 POPULAÇÃO TOTAL A SER ATENDIDA 1.150,0 5.1 da NBR 5665. Dados do projeto.
PERCENTAGEM MINIMA TRANSPORTADA 5 Escritórios de uma única entidade,
3 min 15% conforme item 5.2 da NBR 5665.
4 PESSOAS TRASPORTADAS 5 min 172,50 Capacidade de tráfego requerida
Mais de 4 elevadores, escritórios de
INTERVALO TRÁFEGO MAXIMO entidade única. Conforme Tabela 6 da
5 ADMISSÍVEL seg. 40 norma NBR 5665
DIMENSIONAMENTO
Sendo 06(seis) TWIN e 01(um)
ne UNIDADES DO GRUPO 7 CONVENCIONAL
7 CAPACIDADE (PESSOAS) 20 Capacidade das cabinas em Pessoas
8 PARADAS 20 pavimentos atendidos
tabela 5 da norma NBR 5665, com
9 PARADAS PROVÁVEIS 16,27 ACRÉSCIMO de 20%
10 PERCURSO (m) 57,00 Dados de projeto
11 VELOCIDADES (m/s) 3,00 m/seg
12 ABERTURA PORTAS AC Abertura Central
13 ABERTURA LIVRE PORTAS (m) 1,1 (110 cm)
TEMPOS ADOTADOS (segundos)
Velocidade superior a 2,5 m/seg -
14 ACELERAÇÃO E RETARDAMENTO (s) 6,00 tabela 2 da norma NBR 5665
Porta Automática abertura central - AC
15 ABERTURA E FECHAMENTO PORTAS (s) 3,90 - tabela 3 da norma NBR 5665
Porta maior ou igual a 1,10metros -
16 ENTRADA E SAÍDA DE PESSOAS (s) 2,40 tabela 4 da norma NBR 5665
TEMPOS TOTAIS CALCULADOS (segundos) Obs: Tempos calculados
T1 TEMPO DE PERCURSO TOTAL (s) 38,00 Tempo total, ida e volta, sem paradas
T2 ACELERAÇÃO E RETARDAMENTO (s) 48,81
T3 ABERTURA E FECHAMENTO DAS PORTAS 63,45
T4 ENTRADA E A SAÍDA DE PASSAGEIROS (s) 48,00
T TEMPO TOTAL DE VIAGEM (s) 209,41
Ok, inferior ao intervalo máximo
IT INTERVALO DE TRÁFEGO (s) 29,92 admitido
CT1 CAPACIDADE DE TRANSPORTE 1 elev. 28,65
CAPACIDADE DE TRÁFEGO - grupo 7 elev. – Ok, capacidade de tráfego maior que a
CT2 6 TWIN e 1 Convencional 200,57 capacidade de tráfego requerida

Artigo técnico: Otimização do Transporte Vertical na Construção Civil Página 20 de 22


Análise comparativa – TWIN x Elevadores Convencionais
A simulação foi realizada utilizando a metodologia de Cálculo de Tráfego prevista na norma
técnica ABNT NBR 5665, considerando somente a “adaptação” da variável “paradas prováveis”, neste
caso um acréscimo de 20% das paradas prováveis, pois na tecnologia TWIN temos duas cabinas em
uma mesma caixa de corrida. Foi calculada a CT – Capacidade de Transporte dos elevadores em um
intervalo de tempo de 5 minutos, o IT – Intervalo de Tráfego em segundos e também a relação de
“produtividade” da solução proposta, considerando neste caso a área útil necessária na edificação para
4(quatro) caixas de corrida.

Apresentamos o resultado do Cálculo de Tráfego com a utilização da metodologia adaptada da


norma técnica ABNT NBR 5665, considerando 07(sete) elevadores, sendo 03(três) TWIN e 01(um)
convencional, total de 04(quatro) caixas de corrida. Neste exemplo a área útil considera a área interna
necessária para estas 4(quatro) caixas de corrida, exceto paredes, permitindo estabelecermos um
comparativo da “produtividade” dos elevadores TWIN em relação ao exemplo dos elevadores
convencionais mostrado no início deste artigo. Para fins ilustrativos e comparativos representamos os
dados anteriormente calculados e na coluna à direita os resultados obtidos para a tecnologia TWIN.

Tabela Comparativa: TWIN x Elevadores Convencionais

Velocidade Nominal dos Elevadores

Capacidade 3,0 m/seg 4,0 m/seg 6,0 m/seg TWIN - 3,0 m/seg

16 pessoas 171,72 pessoas 182,04 pessoas 193,68 pessoas 184,14 pessoas CT (5 min.)

CONV – 06 27,35 m² 31,30 m² 34,12 m² 21,20 m² Área útil


elevadores
27,95 seg. 26,37 seg. 24,79 seg. 26,46 (segundos) IT (segundos)
TWIN – 07
elevadores
6,27 pessoas/m² 5,82 pessoas/m² 5,68 pessoas/m² 8,69 pessoas/m² Produtividade

20 pessoas 189,84 pessoas 199,86 pessoas 210,96 pessoas 200,57 pessoas CT (5 min.)

CONV – 06 28,37 m² 32,50 m² 36,01 m² 22,30 m² Área útil


elevadores
31,61 seg. 30,03 seg. 28,44 seg. 29,92 (segundos) IT (segundos)
TWIN – 07
elevadores
6,69 pessoas/m² 6,15 pessoas/m² 5,86 pessoas/m² 9,13 pessoas/m² Produtividade

24 pessoas 206,40 pessoas 216,18 pessoas 226,98 pessoas 221,48 pessoas CT (5 min.)

CONV – 06 31,80 m² 33,45 m² 36,90 m² 24,60 m² Área útil


elevadores
34,89 seg. 33,30 seg. 31,72 seg. 32,99 (segundos) IT (segundos)
TWIN – 07
elevadores
6,49 pessoas/m² 6,46 pessoas/m² 6,15 pessoas/m² 9,00 pessoas/m² Produtividade

Tecnologia Elevadores Convencionais - 06(seis) caixas de corrida TWIN – 04 caixas

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CONCLUSÃO
Analisando-se a tabela comparativa de resultados: TWIN X Elevadores Convencionais,
percebe-se que a solução TWIN (com sete elevadores) apresenta resultados de CT – Capacidade de
Tráfego - e IT – Intervalo de Tráfego - similares ao grupo de 6(seis) elevadores com velocidade de 4,0
m/seg., entretanto com significativa redução da “área útil” necessária para a instalação dos elevadores,
ou seja, poderemos projetar uma instalação de elevadores com igual performance mas com área útil
aproximadamente 30% inferior.

O emprego da tecnologia TWIN nos projetos dependerá basicamente da relação CUSTO X


BENEFÍCIO dessa solução de engenharia, principalmente com relação à redução da área útil
necessária para os elevadores, o que permitirá disponibilizar áreas úteis na edificação, desta forma
teremos a OTIMIZAÇÃO DO TRANSPORTE VERTICAL NA CONSTRUÇÃO CIVIL.

A tecnologia TWIN permite reduzir a área destinada aos elevadores e atender ao tráfego
vertical nas edificações, entretanto não é empregada no Brasil porque não representa “benefício”
quando da sua especificação no projeto. A metodologia de cálculo de tráfego aceita pelos órgãos
municipais é a norma ABNT NBR 5665, a qual “não contempla” esta nova tecnologia de transporte
vertical, desta forma a tecnologia TWIN não é “considerada” quando da realização do cálculo de
tráfego.

Estas constatações demonstram a necessidade de termos uma “análise especial” dos órgãos
públicos municipais quando tratar-se de novas tecnologias em transporte vertical, não podemos
inviabilizar a utilização de novas tecnologias devido a critérios “engessados em normas técnicas”, uma
vez que as próprias normas técnicas são naturalmente defasadas em relação às inovações tecnológicas,
sendo que muitas inovações sequer são normatizadas.

Em outros países, principalmente na Europa, EUA e Ásia, a metodologia empregada para


dimensionamento da instalação de elevadores e escadas rolantes consiste na utilização de dados “reais”
de desempenho de cada equipamento, através de cálculo de tráfego com o emprego de Software
dedicado.

A Metodologia de Cálculo proposta neste artigo para os elevadores TWIN consiste na


“adaptação” de somente uma das variáveis envolvidas no cálculo de tráfego definido na norma ABNT
NBR 5665, no caso uma adaptação que considera a “redução de 20%” da performance dos elevadores
TWIN em relação aos elevadores convencionais. A adaptação proposta mantém as demais variáveis e
critérios empregados pela norma técnica ABNT NBR 5665, ou seja, aplicamos integralmente os
requisitos da referida norma técnica, somente com exceção das “paradas prováveis”.

Importante ressaltarmos que a metodologia proposta para o cálculo de tráfego possui uma
“validação” dos resultados, através de Software dedicado ao cálculo de tráfego, o que permite verificar
e calcular o “real” desempenho do grupo de elevadores na edificação, utilizando mesmo Software de
cálculo aceito e já empregado em outros países (EUA, Europa e Ásia).
Artigo técnico: Otimização do Transporte Vertical na Construção Civil Página 22 de 22

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