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LEGISLAÇÃO

PENAL ESPECIAL
Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes
de Preconceitos de Raça ou de Cor

SISTEMA DE ENSINO

Livro Eletrônico
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL
Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
Sérgio Bautzer

Crimes de Racismo/Preconceito – Lei n. 7.716/1989.. ......................................................4


Apresentação..................................................................................................................4
Introdução.......................................................................................................................5
Diplomas Legais acerca do Racismo................................................................................5
Alterações Promovidas pela Lei n. 12.288/2010............................................................. 7
Homofobia e Transfobia – Decisão do STF – Crime de Preconceito..................................8
Imprescritibilidade e Inafiançabilidade.. ...........................................................................9
Análise do Artigo 1º – Conceitos.................................................................................... 10
Análise do Artigo 3º – Acesso ou Promoção no Serviço Público.................................... 13
Análise do Artigo 4º – Emprego em Empresa Privada................................................... 15
Análise do Artigo 5º – Acesso ao Estabelecimento Comercial....................................... 18
Análise do Artigo 6º – Ingresso em Instituição de Ensino............................................. 20
Análise do Artigo 7º – Acesso ou Hospedagem em Hotéis e Similares. . .........................22
Análise do Artigo 8º – Acesso a Restaurantes e Similares............................................23
Análise do Artigo 9º – Acesso a Locais de Diversão ou Clubes Sociais..........................25
Análise do Artigo 10 – Acesso a Salões de Cabeleireiros e Similares.............................26
Análise do Artigo 11 – Acesso à Entrada ou Elevador Social......................................... 28
Análise do Artigo 12 – Acesso ou Uso de Transportes Públicos.....................................29
Análise do Artigo 13 – Acesso ao Serviço Público Militar. . ............................................ 30
Análise do Artigo 14 – Casamento ou Convivência Familiar e Social.. .............................32
Análise dos Artigos 16 e 18 – Efeitos da Condenação.. ...................................................33
Análise do Artigo 20 – Tipo Genérico............................................................................35
Mapas Mentais............................................................................................................. 50

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Questões de Concurso................................................................................................... 51
Gabarito........................................................................................................................ 72
Gabarito Comentado. ..................................................................................................... 73
Referências.................................................................................................................. 110

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CRIMES DE RACISMO/PRECONCEITO – LEI N.


7.716/1989
Apresentação

Olá, caro(a) aluno(a)! Eu sou Sérgio Bautzer, professor de Legislação Penal Especial do
Gran Cursos Online. Tenho mais de 15 anos de experiência na elaboração de livros, apostilas e
materiais para concursos públicos. O início do estudo do assunto passa pela leitura da Cons-
tituição Federal. Há dispositivos na Lei Fundamental que tratam do combate ao Preconceito
que devem ser memorizados. Então, a matéria da nossa aula de hoje pode ser cobrada na
parte da prova que versa sobre o Direito Constitucional (não percam as aulas do Professor de
todos nós, Aragonê Fernandes, o Nenê) ou na Legislação Penal Especial. Como eu sempre su-
giro que o aluno leia uma hora por dia a Constituição Federal, você vai tirar de letra o assunto
nas provas. Memorize de antemão que os crimes de Racismo são inafiançáveis, imprescri-
tíveis e punidos com reclusão (não se assuste ao ler a letra da lei, você verá que o legislador
punir um delito com pena alternativa). Se você estiver prestando o Concurso para Procurador
da República, sugiro que se debruce sobre a decisão do STF publicada em 2019, sobre a puni-
ção dos atos de “homofobia” com a aplicação da Lei n. 7.716/1989, até que o Legislador edite
norma que criminalize as condutas que nos deparamos no cotidiano. Por incrível que pareça
o caso Siegfried Ellwanger até hoje é mencionado em assuntos de prova, uma vez que o STF
decidiu por punir o editor gaúcho, quando ele editou um livro que negou o holocausto ocorrido
na 2ª Guerra Mundial. Na prova da AGU, do ano de 2012, o Cespe cobrou duas questões en-
volvendo a matéria em estudo: a letra da lei, por conta de alterações da época, e a questão da
competência do Juízo para se julgar feitos relacionados ao crime de preconceito, praticados
pela internet. As perguntas de provas de 1ª fase até 2019 tinham como alternativa a questão
da falta de previsão da expressão “orientação sexual” na letra da Lei n. 7.716/1989, o que aca-
bou perdendo a razão de ser com a decisão do STF, já mencionada acima, e que será explora-
da ao longo do texto. Por conta de pertencermos a um país de dimensões continentais, é mais
fácil a ocorrência de injúria racial, que está prevista no Código Penal, do que propriamente os

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crimes de Racismo. Ao ler a letra da lei, você precisa tomar cuidado para não confundir al-
guns tipos penais que são parecidos com os previstos nos Estatutos do Idoso e do Portador
de Deficiência. Tenha sempre em mente que crimes de Racismo, punem aquele que pratica
condutas preconceituosas que versam sobre raça, religião, etnia, cor e procedência, além da
orientação sexual. Num momento da letra da lei, ainda são mencionadas a descendência e a
origem nacional ou étnica: Não podemos nos esquecer que a Lei em estudo criminaliza con-
dutas neonazistas, quando nós lemos o art. 20 da letra da Lei. Em caso de dúvida, você poderá
participar da aula por meio do fórum de dúvidas do Gran Cursos Online, o maior, melhor e mais
completo curso preparatório virtual para concursos públicos do país.

Introdução
Para se punir a prática da discriminação ou o preconceito por raça, etnia, cor, religião ou
procedência nacional existem delitos tipificados na Lei n. 7.716/1989, com redação determi-
nada pela Lei n. 9.459/1997.
Tais leis foram editadas de acordo com o disposto no artigo 5º, inciso XLII, da Constitui-
ção Federal, norma constitucional de eficácia limitada, que estabelece em sede constitucio-
nal, que a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de
reclusão.
A Lei n. 8.081/1990 renumerou os artigos 20 e 21 da Lei n. 7.716/1989.
A Lei n. 9.459/1997 alterou o disposto nos artigos 1º e 20 da Lei n. 7.716/1989, e passou
a punir com penas de até cinco anos de reclusão, além de multa, os crimes resultantes de
discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Diplomas Legais acerca do Racismo


O primeiro diploma normativo brasileiro contra o racismo foi a Lei n. 1.390 de 03 de julho
de 1951, conhecida como Lei Afonso Arinos (autor do projeto), editada sob a égide da Consti-
tuição Federal de 1946, que “inclui entre as contravenções penais a prática de atos resultan-
tes de preconceito de raça ou de cor”.1
1
CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Coordenadores Rogério Sanches Cunha, Ronaldo Batista
Pinto, Renee de Ó Souza – 3. ed. ver., atual. e ampl. – Salvador: Ed. JusPodivm, 2020.

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Vejamos o que dispõe a Lei n. 1.390/19512:

Art. 1º Constitui contravenção penal, punida nos termos desta Lei, a recusa, por parte de estabe-
lecimento comercial ou de ensino de qualquer natureza, de hospedar, servir, atender ou receber
cliente, comprador ou aluno, por preconceito de raça ou de cor.
Parágrafo único. Será considerado agente da contravenção o diretor, gerente ou responsável pelo
estabelecimento.
Art. 2º Recusar alguém hospedagem em hotel, pensão, estalagem ou estabelecimento da mesma
finalidade, por preconceito de raça ou de cor. Pena: prisão simples de três meses a um ano e multa
de Cr$ 5.000,00 (cinco mil cruzeiros) a Cr$ 20.000,00 (vinte mil cruzeiros).
Art. 3º Recusar a venda de mercadorias e em lojas de qualquer gênero, ou atender clientes em res-
taurantes, bares, confeitarias e locais semelhantes, abertos ao público, onde se sirvam alimentos,
bebidas, refrigerantes e guloseimas, por preconceito de raça ou de cor. Pena: prisão simples de
quinze dias a três meses ou multa de Cr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros) a Cr$ 5.000,00 (cinco mil
cruzeiros).
Art. 4º Recusar entrada em estabelecimento público, de diversões ou esporte, bem como em salões
de barbearias ou cabeleireiros por preconceito de raça ou de cor. Pena: prisão simples de quinze
dias três meses ou multa de Cr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros) a Cr$ 5.000,00 (cinco mil cruzeiros).
Art. 5º Recusar inscrição de aluno em estabelecimentos de ensino de qualquer curso ou grau, por
preconceito de raça ou de cor. Pena: prisão simples de três meses a um ano ou multa de Cr$500,00
(quinhentos cruzeiros) a Cr$5.000,00 (cinco mil cruzeiros).
Parágrafo único. Se se tratar de estabelecimento oficial de ensino, a pena será a perda do cargo
para o agente, desde que apurada em inquérito regular.
Art. 6º Obstar o acesso de alguém a qualquer cargo do funcionalismo público ou ao serviço em
qualquer ramo das fôrças armadas, por preconceito de raça ou de cor. Pena: perda do cargo, depois
de apurada a responsabilidade em inquérito regular, para o funcionário dirigente de repartição de
que dependa a inscrição no concurso de habilitação dos candidatos.
Art. 7º Negar emprego ou trabalho a alguém em autarquia, sociedade de economia mista, empresa
concessionária de serviço público ou empresa privada, por preconceito de raça ou de cor. Pena:
prisão simples de três meses a um ano e multa de Cr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros) a Cr$ 5.000,00
(cinco mil cruzeiros), no caso de empresa privada; perda do cargo para o responsável pela recusa,
no caso de autarquia, sociedade de economia mista e empresa concessionária de serviço público.
Art. 8º Nos casos de reincidência, havidos em estabelecimentos particulares, poderá o juiz deter-
minar a pena adicional de suspensão do funcionamento por prazo não superior a três meses.

A Constituição Federal de 1988 trouxe em seu artigo 3º, inciso IV, como um de seus obje-
tivos fundamentais:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

2
BRASIL. Lei Afonso Arinos. Instituída pela Lei n. 1.390 de 03 de julho de 1951. Rio de Janeiro, 3 de julho de
1951; 130º da Independência e 63º da República. Presidente Getúlio Vargas. Disponível em: < http://www.pla-
nalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L1390.htm>.

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(…)
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer ou-
tras formas de discriminação.3

Também em seus artigos 215, § 1º, e 216, a CF mencionou a incriminação do racismo e


da discriminação:

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da
cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e
das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, toma-
dos individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos
diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
I – as formas de expressão;
II – os modos de criar, fazer e viver;
III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações
artístico-culturais;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleonto-
lógico, ecológico e científico.
(…)
§ 4º Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei.
§ 5º Ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de reminiscências históricas dos
antigos quilombos.

Em 1989 foi editada a Lei n. 7.716, revogando a antiga Lei Afonso Arinos. A Lei n. 7.716
concretizou os mandamentos constitucionais e compromissos internacionais assumidos
pelo Brasil.
Esta lei, em estudo, não trouxe previsão de vacatio legis, entrando em vigor a partir de sua
publicação, que se deu no dia 06 de janeiro de 1989.

Alterações Promovidas pela Lei n. 12.288/2010

A Lei 12.288/2010 criou o Estatuto da Igualdade Racial e alterou a norma em estudo, sen-
do que os artigos 3º e 4º, passaram a vigorar com a seguinte redação:

3
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Subchefia para Assuntos Jurídicos – Casa
Civil – Presidência da República. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/>.

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Art. 3º ………………………………………………………………
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça, cor, etnia,
religião ou procedência nacional, obstar a promoção funcional. (NR)4
Art. 4º ………………………………………………………………
§ 1º Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça ou de cor ou práticas re-
sultantes do preconceito de descendência ou origem nacional ou étnica:
I – deixar de conceder os equipamentos necessários ao empregado em igualdade de condições
com os demais trabalhadores;
II – impedir a ascensão funcional do empregado ou obstar outra forma de benefício profissional;
III – proporcionar ao empregado tratamento diferenciado no ambiente de trabalho, especialmente
quanto ao salário.
§ 2º Ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo ativida-
des de promoção da igualdade racial, quem, em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento
de trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas ativi-
dades não justifiquem essas exigências. (NR)5

Homofobia e Transfobia – Decisão do STF – Crime de Preconceito6

O Plenário concluiu no dia 13 de junho de 2019 o julgamento das ações que tratam da
matéria e decidiu que, até que o Congresso Nacional edite lei específica, as condutas homo-
fóbicas e transfóbicas se enquadram na tipificação da Lei do Racismo.
O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu que houve omissão inconstitucio-
nal do Congresso Nacional por não editar lei que criminalize atos de homofobia e de transfo-
bia. O julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 26, de relatoria
do ministro Celso de Mello, e do Mandado de Injunção (MI) 4733, relatado pelo ministro Edson
Fachin, foi concluído na tarde desta quinta-feira (13).
Por maioria, a Corte reconheceu a mora do Congresso Nacional para incriminar atos aten-
tatórios a direitos fundamentais dos integrantes da comunidade LGBT. Os ministros Celso
de Mello, Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux,
Cármen Lúcia e Gilmar Mendes votaram pelo enquadramento da homofobia e da transfobia
4
BRASIL. Estatuto da Igualdade Racial. Instituído pela Lei n. 12.288 de 10 de julho de 2010. Brasília, 20 de julho
de 2010; 189º da Independência e 122º da República. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12288.htm>.
5
BRASIL. Estatuto da Igualdade Racial. Op. Cit.
6
BRASIL. Supremo Tribunal Federa. STF enquadra homofobia e transfobia como crimes de racismo ao reconhe-
cer omissão legislativa. Decisão publicada em 13/06/2019 no “Notícias STF”. Disponível em: <http://portal.
stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=414010>.

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como tipo penal definido na Lei do Racismo (Lei n. 7.716/1989) até que o Congresso Nacional
edite lei sobre a matéria. Nesse ponto, ficaram vencidos os ministros Ricardo Lewandowski
e Dias Toffoli, por entenderem que a conduta só pode ser punida mediante lei aprovada pelo
Legislativo. O ministro Marco Aurélio não reconhecia a mora.

Imprescritibilidade e Inafiançabilidade
Conforme o artigo 5º, inciso XLII da Constituição Federal o crime de racismo é inafiançável
e imprescritível:

XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão,
nos termos da lei;7

Portanto, não será concedida liberdade provisória mediante pagamento de fiança. No en-
tanto, pode ser concedida liberdade provisória sem o pagamento de fiança (o que, na prática,
é mais favorável ao autor do delito), quando não estiverem presentes os requisitos da prisão
preventiva, tornando, basicamente, ineficaz o dispositivo que tem assento constitucional ex-
presso.8
Sobre a imprescritibilidade, a pena é perene, não ficando o Estado impedido de punir a
qualquer tempo o autor do delito. O Estado, por expressa disposição constitucional, não perde
o direito de punir o autor do delito.9
Vejamos decisão do STJ acerca do tema:

AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. INDUZIMENTO E INCITAÇÃO À DISCRIMI-


NAÇÃO RACIAL. CRIME IMPRESCRITÍVEL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. Por imposição constitucional, os crimes de racismo são imprescritíveis.
2. Assim, uma vez que o paciente foi condenado por incursão no art.20, § 2º, da Lei n.
7.716/1989, não há que se falar em prescrição da pretensão punitiva. Precedentes do
STJ e do STF.
3. Agravo regimental não provido.10
7
BRASIL. Constituição Federal. Op. Cit.
8
CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Op. Cit.
9
CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Op. Cit.
10
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. AgRg no HC 460.673/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA
TURMA, julgado em 25/06/2019, DJe 01/07/2019. Disponível em: <https://scon.stj.jus.br/SCON/jurispruden-

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Análise do Artigo 1º – Conceitos


Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito
de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)11

Raça

Sobre o emprego da palavra raça assinala Roberta Fragoso Menezes Kaufmann12:

A palavra raça pode ser empregada nas mais diferentes maneiras. Pode ter um sentido de fenóti-
po, a revelar um conjunto de características físicas, como cor da pele, cor e textura do cabelo, cor
e formato dos olhos, formato do nariz e espessura dos lábios. Pode, ainda, significar uma região
específica do planeta, como por exemplo, quando se fala em raça africana, raça oriental, raça oci-
dental. Ou, além, pode ter um sentido biológico, como a reunião de pessoas em grupos de indiví-
duos que possuam características específicas e distintas dos outros grupos. Até o final do século
XIX, os cientistas promoveram diversas tentativas de classificar biologicamente as pessoas em
raças distintas. Mas como afirma o geneticista Cavalli-Sforza: “Os resultados, muitas vezes con-
traditórios, constituem um bom indício da dificuldade do empreendimento. Darwin compreendeu
que a continuidade geográfica frustraria toda tentativa de classificar as raças humanas. Ele obser-
vou um fenômeno recorrente ao longo da história: diferentes antropólogos chegaram a contagens
totalmente discrepantes do número de raças – de três a mais de cem” (CAVALLI-SFORZA, Luigi
Luca.2003: p. 37).
O interesse científico em classificar os homens em raças biologicamente distintas chocava-se
com a mobilidade com que as características raciais mudavam. Nesse sentido, o geneticista Sérgio
Pena explicou que a espécie humana é “demasiadamente jovem e móvel para ter se diferenciado
em grupos tão distintos” (PENA, Sérgio et. al. 2000: p. 17-25). E, ainda que se quisesse fazer uma
aproximação da quantidade de raças existentes no mundo, os números poderiam ultrapassar um
milhão de raças distintas (CAVALLI-SFORZA, Luigi Luca. 2003: p. 52). Nessa óptica, o mapeamento
do genoma humano confirmou a impossibilidade de divisão dos homens em raças.(…)
Na verdade, o conceito de raça subsiste, atualmente, porque, a despeito de não poder ser analisado
sob o espectro biológico, permanece o interesse pela construção cultural do tema (Ver em FER-
REIRA, Nayara. (2007: p. 245). O fato de, biologicamente, não ser possível classificar as pessoas
segundo as raças, não quer dizer que o conceito cultural de raça inexista. A importância da clas-
sificação advém do aspecto social, para estudarmos o modo como cada comunidade classifica
seus indivíduos e analisarmos as razões que justificaram a opção pelos critérios eleitos em cada
sociedade.13
cia/toc.jsp>.
11
BRASIL. Lei dos Crimes de Preconceito de Raça ou Cor. Definidos pela Lei n. 7.716 de 05 de janeiro de 1989.
Brasília, 5 de janeiro de 1989; 168º da Independência e 101º da República. Presidente José Sarney. Disponível
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7716compilado.htm>.
12
KAUFMANN, Roberta Fragoso Menezes. Ações afirmativas à brasileira: necessidade ou mito? R. Jur. UNIJUS. Uberaba-
-MG, V.10, n. 13, p.117-144, novembro, 2007.
13
KAUFMANN, Roberta Fragoso Menezes. Ações afirmativas à brasileira: necessidade ou mito? R. Jur. UNIJUS.
Uberaba-MG, V.10, n. 13, p.117-144, novembro, 2007.

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Cor

Segundo Guilherme de Souza Nucci, valendo-se dos ensinamentos de Christiano Jorge


Santos:

Cor é termo melhor utilizado para definição cromática de qualquer matéria, do que propriamente
para distinção de pessoas, embora seja empregado para definição da pigmentação epidérmica dos
seres humanos. 14

Etnia

Nucci diz que a etnia “é o grupo de pessoas que apresenta homogeneidade cultural ou
linguística15”. Em Ruanda, por exemplo, existem duas etnias: tutsis e os hutus.

Religião

Ainda usando as lições de Nucci, a religião “é a crença em uma existência sobrenatural


ou em uma força divina, que rege o Universo e as relações humanas em geral, embora de um
ponto de vista metafísico, com manifestações através de rituais ou cultos. Ex.: religião cató-
lica” 16.

Procedência Nacional

Guilherme Nucci conceitua procedência nacional: “é a origem de nascimento de algum lu-


gar do Brasil. Exemplos: paulista (nascido em São Paulo), carioca (nascido no Rio de Janeiro),
gaúcho (originário do Rio Grande do Sul)”17.

Racismo

O termo “racismo” geralmente expressa o conjunto de teorias e crenças que estabelecem


uma hierarquia entre raças, entre etnias, ou ainda uma atitude de hostilidade em relação a

14
NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. 4ª ed. São Paulo. Ed. Revista dos Tribunais. 2009.
15
NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Op. Cit.
16
NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Op. Cit.
17
NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Op. Cit.

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determinadas categorias de pessoas. Pode ser classificado como o fenômeno cultural, prati-
camente inseparável da história humana. A “discriminação racial’, por seu turno, expressa a
quebra do princípio da igualdade, como distinção, exclusão, restrição ou preferência, motiva-
do por raça, cor, sexo, idade trabalho, credo religioso ou convicções políticas. Já o “precon-
ceito racial” indica opinião ou sentimento, quer favorável, quer desfavorável, concebido sem
exame crítico, ou ainda atitude, sentimento ou parecer insensato, assumido em consequência
da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio, conduzindo
geralmente à intolerância18.

Preconceito

É o conceito ou opinião formados antecipadamente, sem levar em conta o fato que os


conteste e, por extensão, suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças,
credos, religiões etc. Mais especificamente, pode ser tido como sentimento em relação a uma
raça ou um povo, decorrente da adoção de crenças racistas.19

Discriminação

Ao contrário do preconceito, que é estático, consiste em uma atitude dinâmica de separa-


ção, apartação ou segregação, traduzindo a manifestação fática ou a concretização do pre-
conceito. O artigo 1º, parágrafo único, I, do Estatuto da Igualdade Racial (Lei n. 12.288/2010),
na senda do art. 1º, I, da Convenção Internacional Sobre Eliminação de Todas as Formas
de Discriminação Racial (D. 65.810/1969) conceitua a discriminação racial ou étnico racial
como20:

Art. 1º Esta Lei institui o Estatuto da Igualdade Racial, destinado a garantir à população negra a
efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnicos individuais, coletivos e
difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnica.
Parágrafo único. Para efeito deste Estatuto, considera-se:
I – discriminação racial ou étnico-racial: toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada
em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir

18
ANDREUCCI, Ricardo Antonio. Legislação penal especial. 5 ed. rev. e atual. São Paulo. Saraiva. 2009.
19
BALTAZAR Júnior, José Paulo. Crimes Federais. 11 ed. São Paulo: Saraiva, 2017.
20
BALTAZAR Júnior, José Paulo. Crimes Federais. Op. Cit.

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades


fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da
vida pública ou privada;
(…)21
Artigo I
1. Nesta Convenção, a expressão “discriminação racial” significará qualquer distinção, exclusão
restrição ou preferência baseadas em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que
tem por objetivo ou efeito anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício num mesmo
plano,( em igualdade de condição), de direitos humanos e liberdades fundamentais no domínio
político econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio de vida pública.22

Análise do Artigo 3º – Acesso ou Promoção no Serviço Público


Art. 3º Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Admi-
nistração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos.
Pena – reclusão de dois a cinco anos.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça, cor, etnia, reli-
gião ou procedência nacional, obstar a promoção funcional. (Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010)23

Bem Jurídico Tutelado

O artigo objetiva proteger o tratamento igualitário aos postulantes a cargos no serviço


público.
Tutela o direito à igualdade, o respeito à personalidade e à dignidade da pessoa.

Objeto Material

O acesso a qualquer cargo da administração direta ou indireta, bem como das concessio-
nárias de serviços públicos.

21
BRASIL. Estatuto da Igualdade Racial. Op. Cit.
22
BRASIL. Convenção Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial. Promul-
gada pelo Decreto n.65.810 de 08 de dezembro de 1969. Brasília, 08 de dezembro de 1969; 148º da Indepen-
dência e 81º da República. Presidente Emílio G. Médici. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
decreto/1950-1969/D65810.html>
23
BRASIL. Lei dos Crimes de Preconceito de Raça ou Cor. Op. Cit.

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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Condutas

A conduta vem representada pelos verbos “impedir” ou “obstar’. Impedir significa não per-
mitir ao passo que obstar significa opor-se. Porém, devem ser analisadas em conjunto com o
disposto no artigo 1º, devendo ocorrer em razão de preconceito.
Há elementar normativa do tipo, consubstanciada no fato de ser o crime dirigido contra
pessoa devidamente habilitada, de modo que não é criminoso o impedimento se a pessoa não
atende aos requisitos previstos para o exercício do cargo.24
Como a lei menciona apenas “cargo”, é atípica a conduta que tiver por objeto emprego ou
função pública, que poderão configurar, no entanto, o crime do art. 20, na modalidade “praticar”.25

Sujeito Ativo

É crime próprio, só pode ser praticado pela pessoa (da administração direta, indireta ou
concessionária de serviço público) que tenha o poder de obstar o acesso (ingresso), por ma-
nifestações de preconceito, ao cargo.26
Porém, alguns doutrinadores, como José Paulo Baltazar Junior, consideram ser crime co-
mum.

Sujeito Passivo

O Estado. Secundariamente, a pessoa devidamente habilitada ao cargo.

Elemento Subjetivo

Dolo. Inexiste a forma culposa. É necessário a finalidade específica de discriminar o ofen-


dido.

24
BALTAZAR Júnior, José Paulo. Crimes Federais. Op. Cit.
25
BALTAZAR Júnior, José Paulo. Crimes Federais. Op. Cit.
26
CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Op. Cit.

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Consumação

Com o efetivo impedimento ou obstrução do acesso ao cargo, independentemente do


posterior acesso do sujeito passivo ao cargo pretendido.

Tentativa

Admite-se, quando fracionável o iter criminis.27

Ação Penal

É pública incondicionada, não sendo possível a aplicação dos benefícios da Lei n.


9.099/1995.
Porém, após a entrada em vigor do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) é possível a
celebração do acordo de não persecução penal.

Análise do Artigo 4º – Emprego em Empresa Privada


Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada.
Pena – reclusão de dois a cinco anos.
§ 1º Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça ou de cor ou práticas resul-
tantes do preconceito de descendência ou origem nacional ou étnica: (Incluído pela Lei n. 12.288,
de 2010)
I – deixar de conceder os equipamentos necessários ao empregado em igualdade de condições
com os demais trabalhadores; (Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010)
II – impedir a ascensão funcional do empregado ou obstar outra forma de benefício profissional;
(Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010)
III – proporcionar ao empregado tratamento diferenciado no ambiente de trabalho, especialmente
quanto ao salário. (Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010)
§ 2º Ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo ativida-
des de promoção da igualdade racial, quem, em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento
de trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas ativi-
dades não justifiquem essas exigências.28

Bem Jurídico Tutelado

27
ANDREUCCI, Ricardo Antonio. Legislação penal especial. Op. Cit.
28
BRASIL. Lei dos Crimes de Preconceito de Raça ou Cor. Op. Cit.

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Tutela o direito à igualdade, do respeito à personalidade e à dignidade da pessoa.

Sujeito Ativo

Qualquer pessoa.
Para parte da doutrina, como Rogério Sanches Cunha, é crime próprio, ou seja, pode ser
realizado apenas pelo proprietário da empresa privada, pessoa responsável pela contratação,
pessoa encarregada de conceder benefício profissional ou por quem tiver algum tipo de as-
cendência.29

Sujeito Passivo

O Estado. Secundariamente, a pessoa pretendente do emprego.

Condutas

Verbos “negar” (recusar, vedar) e “obstar” (obstruir, obstaculizar), tendo por objeto empre-
go em empresa privada.

A negativa ou o impedimento por preconceito a emprego em empresa privada configura


tal delito. Nesse sentido: “RACISMO – Caracterização – Réu que manda publicar anún-
cio de emprego em periódico, expressando preferência a candidatos de cor branca –
Agente que, mesmo alertado sobre a ilicitude do ato persistiu em cometê-lo – Menção,
ademais, à existência de outros empregados e filho adotivo de raça negra evidenciando
preconceito contra pessoas dessa etnia – Recurso não provido” (TJSP – 3ª Câm. Crim.
– Ap. Criminal 141.820-3 – Araçatuba – Rel. Franco de Godoy – v.u. – 10.2.1995).

Discriminação na Vigência do Contrato (§ 1º)30

O § 1º incluído pela Lei n. 12.288/2010 determina a aplicação da mesma pena para três
casos específicos de discriminação após a contratação do empregado, ou seja, na vigência
do contrato de trabalho.

29
CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Op. Cit.
30
BALTAZAR Junior, José Paulo. Crimes Federais. Op. Cit.

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A primeira é “deixar de conceder” os equipamentos necessários ao empregado em igual-


dade de condições com os demais trabalhadores. É crime omisso.
A segunda modalidade consiste no “impedimento da ascensão funcional”, ou seja, do
progresso do trabalhador dentro do plano de carreira da empresa. Ainda, no inciso II é vedada
a concessão de outra forma de benefício profissional, como cursos de aprimoramento, parti-
cipação nos lucros, assistência médica, transporte etc.
A terceira, mais genérica, consiste em “proporcionar ao empregado tratamento diferencia-
do no ambiente de trabalho, especialmente quanto ao salário”, abrangendo, portanto, qual-
quer diferenciação desarrazoada não prevista nos incisos anteriores.

 Obs.: Ao contrário do artigo 1º desta Lei, o § 1º do artigo 4º não menciona a religião como
fator de discriminação. Se esta ocorrer, estará configurado o crime do artigo 20.

Pena – de Multa e Prestação de Serviços à Comunidade – Anúncios e Recru-


tamento (§ 2º)31

Este artigo foi incluído pela Lei n. 12.288/2010. É uma forma especial que, se inexistente,
poderia ser considerada enquadrada no caput, como obstar, ou mesmo no art. 20. O legislador
estabeleceu, porém, um apenamento abrandado, que não admite pena privativa de liberda-
de, mas tão somente multa e prestação de serviços à comunidade. Não há possibilidade de
aplicação de PPL, nem mesmo em caso de recalcitrância no cumprimento da prestação de
serviços à comunidade, o que pode gerar dificuldades na execução da pena.
O § 2º não estabelece o tempo de duração da PSC, mas, estando o dispositivo subordina-
do ao caput, conclui-se que a pena se subordina aos limites abstratos ali previstos, ou seja,
de dois a cinco anos.
Eu, particularmente, considero o dispositivo inconstitucional, uma vez que a Constituição
Federal dispõe sobre pena de reclusão para os crimes de racismo:

XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão,
nos termos da lei;32

31
BALTAZAR Junior, José Paulo. Crimes Federais. Op. Cit.
32
BRASIL. Constituição Federal. Op. Cit.

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Elemento Subjetivo

Dolo. Inexiste forma culposa. Há necessidade de elemento subjetivo específico: vontade


de discriminar o ofendido.

Consumação

Com a efetiva negação ou obstaculização do emprego, independentemente de sua poste-


rior obtenção pelo sujeito passivo.

Tentativa

Na conduta “negar”, inadmissível a tentativa; na conduta “obstar”, admite-se, desde que


fracionável o iter criminis.33

Ação Penal

É pública incondicionada, não sendo possível a aplicação dos benefícios da Lei n.


9.099/1995.
Porém, após a entrada em vigor do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) é possível a
celebração do acordo de não persecução penal.

Análise do Artigo 5º – Acesso ao Estabelecimento Comercial


Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou
receber cliente ou comprador.
Pena – reclusão de um a três anos.34

Bem Jurídico Tutelado

O dispositivo objetiva proteger o tratamento igualitário nos estabelecimentos comerciais.

33
ANDREUCCI, Ricardo Antonio. Legislação penal especial. Op. Cit.
34
BRASIL. Lei dos Crimes de Preconceito de Raça ou Cor. Op. Cit.

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Objetividade Jurídica

A tutela do direito à igualdade, do respeito à personalidade e a dignidade da pessoa.

Sujeito Ativo

É crime próprio, praticável pelo preposto, donos ou empregado do estabelecimento co-


mercial.

Sujeito Passivo

É o Estado. Secundariamente, o cliente ou comprador discriminado.

Conduta

Vem representada pelos verbos “recusar” (não aceitar, repelir, negar), “impedir” (obstar,
proibir) e “negar” (recusar, repudiar). A recusa ou impedimento de acesso ao estabelecimento
comercial deve dar-se pela negativa em servir, atender ou receber o cliente ou comprador,
condutas estas resultantes do preconceito racial.
É tipo alternativo, de modo que o crime será reconhecido não só na negativa do serviço,
atendimento ou recebimento, ou seja, quando permitido o acesso, mas o cliente for discrimi-
nado em função do preconceito.35

Elemento Subjetivo

Dolo. Inexiste a forma culposa. Exige a presença da finalidade específica de discriminar o


ofendido.

Consumação

Com a efetiva recusa ou impedimento de acesso, pela negativa em servir, atender ou rece-
ber. Trata-se de crime omissivo impróprio ou comissivo por omissão.

35
BALTAZAR Junior, José Paulo. Crimes Federais. Op. Cit.

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Tentativa

Tratando-se de crime omissivo, inadmissível a tentativa.36


Porém, parte da doutrina admite a tentativa na forma plurissubsistente. Exemplo: gerente
de estabelecimento que tenta impedir o acesso à loja de pessoa negra, mas é contido pelo
proprietário que determina a recepção e o pronto atendimento de tal pessoa.37

Ação Penal

É pública incondicionada, não sendo possível a aplicação dos benefícios da Lei n.


9.099/1995.
Porém, após a entrada em vigor do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) é possível a
celebração do acordo de não persecução penal.

Análise do Artigo 6º – Ingresso em Instituição de Ensino


Art. 6º Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino
público ou privado de qualquer grau.
Pena – reclusão de três a cinco anos.
Parágrafo único. Se o crime for praticado contra menor de dezoito anos a pena é agravada de 1/3
(um terço).38

Objetividade Jurídica

A tutela do direito à igualdade, do respeito à personalidade e a dignidade da pessoa.

Conduta

Vem expressa pelos verbos “recusar” (não aceitar, repelir), “negar” (recusar, repudiar) e
“impedir” (obstar, proibir), referindo-se a inscrição ou ingresso em estabelecimento de ensino
público ou privado.

36
ANDREUCCI, Ricardo Antonio. Legislação penal especial. Op. Cit.
37
CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Op. Cit.
38
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Sujeito Ativo

Crime próprio, praticável por qualquer pessoa que tenha poderes para a realização do ato.
Pode ser o diretor, proprietário, administrador, funcionário etc.

Sujeito Passivo

O Estado. Secundariamente, o aluno discriminado.

Conduta

Vem expressa pelos verbos “recusar” (não aceitar, repelir), “negar” (recusar, repudiar) e
“impedir” (obstar, proibir), referindo-se a inscrição ou ingresso em estabelecimento de ensino
público ou privado.

Elemento Subjetivo

Dolo. Inexiste a forma culposa. Exige a finalidade específica de discriminar o ofendido.

Consumação

É crime formal. Consuma-se com a recusa, negação ou impedimento, independente da


obtenção do resultado de efetivamente ser recusado o acesso ou inscrição do aluno, embora
esta possa vir a acontecer.39

Tentativa

Admite-se apenas na modalidade de conduta “impedir, desde que fracionável o iter crimi-
nis

Ação Penal

É pública incondicionada, não sendo possível a aplicação dos benefícios da Lei n.


9.099/1995.
39
CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Op. Cit.

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Porém, após a entrada em vigor do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) é possível a


celebração do acordo de não persecução penal.

Causa de Aumento de Pena

O parágrafo único estabelece causa de aumento de pena de um terço se o crime for prati-
cado contra menor de 18 anos.40

Análise do Artigo 7º – Acesso ou Hospedagem em Hotéis e Similares


Art. 7º Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer esta-
belecimento similar.
Pena – reclusão de três a cinco anos.41

Objetividade Jurídica

A preservação da igualdade dos seres humanos perante a lei.

Conduta

As condutas nucleares são: impedir o acesso (entrada) ou recusar (a hospedagem).


Interessante anotar que atualmente crescem os números de hotéis e pousadas (como as
nominadas “pousadas de charme”) as quais se negam a receber crianças como hóspedes,
em tais lugares existe uma praxe comercial de aceitar apenas adultos a fim de que tenham
supostamente momentos de maior tranquilidade. Tal hipótese poderia estar abrangida pela
liberdade empresarial, sendo certo que não configura o crime em comento, notadamente con-
siderando que o discrímen etário não está relacionado aos elementos cor, raça, etnia, religião
ou procedência nacional.42

40
ANDREUCCI, Ricardo Antonio. Legislação penal especial. Op. Cit.
41
BRASIL. Lei dos Crimes de Preconceito de Raça ou Cor. Op. Cit.
42
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Sujeito Ativo

É crime próprio, cometido pelo proprietário ou responsável pelo hotel, pensão, estalagem
ou estabelecimento similar.

Sujeito Passivo

É a pessoa discriminada, como sujeito passivo imediato e o Estado como sujeito passivo
mediato e formal.

Elemento Subjetivo

Dolo. Inexiste a forma culposa. Exige a finalidade específica de discriminar o ofendido.

Consumação

Trata-se de crime formal, pois independe da ocorrência de qualquer efetivo prejuízo para
a pessoa discriminada.

Tentativa

É admissível na forma plurissubsistente.

Ação Penal

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9.099/1995.
Porém, após a entrada em vigor do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) é possível a
celebração do acordo de não persecução penal.

Análise do Artigo 8º – Acesso a Restaurantes e Similares


Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais
semelhantes abertos ao público.
Pena – reclusão de um a três anos.43
43
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Objetividade Jurídica

O direito à igualdade da pessoa ofendida em seu viés proibitório de discriminação nega-


tiva, tendo em vista que a discriminação estaria baseada na manifestação por preconceito.44

Sujeito Ativo

É crime próprio, praticável somente pelo proprietário ou responsável pelo atendimento


nos restaurantes, bares, confeitarias e locais similares.

Sujeito Passivo

A pessoa discriminada é o sujeito passivo imediato, e o Estado, o mediato.

Conduta

O delito consiste em “Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares,


confeitarias, ou locais semelhantes abertos ao público”. Há possibilidade de interpretação
analógica, pela menção a locais semelhantes abertos ao público.45

Elemento Subjetivo

Dolo. Inexiste a forma culposa. Exige a finalidade específica de discriminar o ofendido.

Consumação

Trata-se de crime formal, pois independe da ocorrência de qualquer efetivo prejuízo para
pessoa discriminada, embora seja possível que aconteça.

Tentativa

Admite na forma plurissubsistente.

44
CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Op. Cit.
45
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Sérgio Bautzer

Ação Penal

É pública incondicionada. É cabível a aplicação da suspensão condicional do processo,


nos termos do artigo 89 da Lei n. 9.099/1995.
Após a entrada em vigor do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) é possível a celebração
do acordo de não persecução penal.

Análise do Artigo 9º – Acesso a Locais de Diversão ou Clubes Sociais


Art. 9º Impedir o acesso ou recusar atendimento em estabelecimentos esportivos, casas de diver-
sões, ou clubes sociais abertos ao público.
Pena – reclusão de um a três anos.46

Objetividade Jurídica

A preservação da igualdade dos seres humanos perante a lei.

Sujeito Ativo

É crime próprio, cometido pelo proprietário ou preposto seu, desde que seja a pessoa res-
ponsável pelo controle do ingresso e atendimento nos estabelecimentos esportivos, casas de
diversão e clubes sociais.

Sujeito Passivo

É a pessoa discriminada, como sujeito passivo imediato, e o Estado, como mediato.

Conduta

Vem representada pelos verbos impedir que significa interromper e recusar que significa
não aceitar.
Impedir o acesso abrange tanto as condutas de não permitir o ingresso quanto aquelas
que impeçam o ato de associar-se, a adesão ou compra de título ou quotas do clube. Em

46
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função da elementar “abertos ao público”, não há crime se houver impedimento do acesso


a quem não é associado ao clube privado. Assim também quando a pessoa não atende a
política do estabelecimento em relação à vestimenta ou mesmo em casos de embriaguez
evidente.47

Elemento Subjetivo

Dolo. Inexiste a forma culposa. Exige a finalidade específica de discriminar o ofendido.

Consumação

Trata-se de crime formal, pois independe da ocorrência de qualquer efetivo prejuízo para
pessoa discriminada, embora seja possível que aconteça.

Tentativa

Admite na forma plurissubsistente.

Ação Penal

É pública incondicionada. É cabível a aplicação da suspensão condicional do processo,


nos termos do artigo 89 da Lei n. 9.099/1995.
Após a entrada em vigor do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) é possível a celebração
do acordo de não persecução penal.

Análise do Artigo 10 – Acesso a Salões de Cabeleireiros e Similares


Art. 10. Impedir o acesso ou recusar atendimento em salões de cabeleireiros, barbearias, termas ou
casas de massagem ou estabelecimento com as mesmas finalidades.
Pena – reclusão de um a três anos.48

47
BALTAZAR Junior, José Paulo. Crimes Federais. Op. Cit.
48
BRASIL. Lei dos Crimes de Preconceito de Raça ou Cor. Op. Cit.

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LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL
Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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Objetividade Jurídica

A preservação da igualdade dos seres humanos perante a lei.

Sujeito Ativo

É crime próprio praticável pelo proprietário ou encarregado da recepção e atendimento


nos cabeleireiros, barbearias, termas, casas de massagens e outros lugares semelhantes.

Sujeito Passivo

É a pessoa discriminada, como sujeito passivo imediato, e o Estado, como mediato.

Conduta

Vem representada pelos verbos impedir que significa interromper e recusar que significa
não aceitar.
Há possibilidade de interpretação analógica a partir da cláusula de abertura, tendo em
vista que a lei estabelece a expressão “ou estabelecimento com as mesmas finalidades”, tais
como institutos de embelezamento, spas, saunas, entre outros, desde que prestem serviços
assemelhados. O tipo é misto alternativo.49

Elemento Subjetivo

Dolo. Inexiste a forma culposa. Exige a finalidade específica de discriminar o ofendido.

Consumação

Trata-se de crime formal, pois independe da ocorrência de qualquer efetivo prejuízo para
pessoa discriminada, embora seja possível que aconteça.

Tentativa

Admite na forma plurissubsistente

49
CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Op. Cit.

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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Ação Penal

É pública incondicionada. É cabível a aplicação da suspensão condicional do processo,


nos termos do artigo 89 da Lei n. 9.099/1995.
Após a entrada em vigor do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) é possível a celebração
do acordo de não persecução penal.

Análise do Artigo 11 – Acesso à Entrada ou Elevador Social


Art. 11. Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou
escada de acesso aos mesmos:
Pena – reclusão de um a três anos.50

Objetividade Jurídica

O tratamento igualitário no acesso às entradas sociais em edifícios públicos e privados.

Sujeito Ativo

É crime próprio cometido pela pessoa que exerce atividades nos prédios públicos ou resi-
denciais, responsável pela disciplina e/ou controle de entrada e saída de pessoas, a exemplo
de porteiros, síndicos, agentes de segurança e vigilantes.51

Sujeito Passivo

É a pessoa discriminada, como sujeito passivo imediato, e o Estado, como mediato.

Conduta

Vem representada pelo verbo impedir o acesso.

Elemento Subjetivo

Dolo. Inexiste a forma culposa. Exige a finalidade específica de discriminar o ofendido.

50
BRASIL. Lei dos Crimes de Preconceito de Raça ou Cor. Op. Cit.
51
CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Op. Cit.

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Consumação

Trata-se de crime formal, e se consuma ao se impedir qualquer pessoa a ter acesso aos
locais mencionados.

Tentativa

É admissível na forma plurissubsistente.

Ação Penal

É pública incondicionada. É cabível a aplicação da suspensão condicional do processo,


nos termos do artigo 89 da Lei n. 9.099/1995.
Após a entrada em vigor do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) é possível a celebração
do acordo de não persecução penal.

Análise do Artigo 12 – Acesso ou Uso de Transportes Públicos


Art. 12. Impedir o acesso ou uso de transportes públicos, como aviões, navios barcas, barcos, ôni-
bus, trens, metrô ou qualquer outro meio de transporte concedido.
Pena – reclusão de um a três anos.52

Objetividade Jurídica

A preservação da igualdade dos seres humanos perante a lei.

Sujeito Ativo

É crime próprio cometido pela pessoa encarregada de controlar o acesso aos transportes
públicos (ex.: um funcionário do balcão de check in de uma companhia aérea ou o cobrador
do ônibus). Pode ser, logicamente, o dirigente da empresa de transporte, que dê ordem no
sentido de controlar o acesso.

52
BRASIL. Lei dos Crimes de Preconceito de Raça ou Cor. Op. Cit.

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Sujeito Passivo

É a pessoa discriminada, como sujeito passivo imediato, e o Estado, como mediato.

Conduta

Vem representada pelo verbo impedir que significa interromper. É tipo misto alternativo.

Elemento Subjetivo

Dolo. Inexiste a forma culposa. Exige a finalidade específica de discriminar o ofendido.

Consumação

Trata-se de crime formal, pois independe da ocorrência de qualquer efetivo prejuízo para
pessoa discriminada, embora seja possível que aconteça.

Tentativa

Admite na forma plurissubsistente.

Ação Penal

É pública incondicionada. É cabível a aplicação da suspensão condicional do processo,


nos termos do artigo 89 da Lei n. 9.099/1995.
Após a entrada em vigor do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) é possível a celebração
do acordo de não persecução penal.

Análise do Artigo 13 – Acesso ao Serviço Público Militar


Art. 13. Impedir ou obstar o acesso de alguém ao serviço em qualquer ramo das Forças Armadas.
Pena – reclusão de dois a quatro anos.53

53
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Objetividade Jurídica

A preservação da igualdade dos seres humanos perante a lei.

Sujeito Ativo

É crime próprio praticável pela pessoa que tem a incumbência de admitir o ingresso de
alguém no serviço militar. Pode ser tanto um funcionário subalterno, encarregado da seleção,
como um alto dirigente do Exército, Marinha, Aeronáutica, que tenha dado a ordem. Ou ambos
se estiverem de acordo com a proposta de discriminação.

Sujeito Passivo

É a pessoa discriminada, como sujeito passivo imediato, e o Estado, como mediato.


Lembrando que tal pessoa discriminada pode ser tanto o candidato a prestar serviço mi-
litar voluntariamente quanto o serviço militar obrigatório, previsto no artigo 143 da Consti-
tuição Federal, além do candidato a ingressar nas polícias militares e corpo de bombeiros.54

Conduta

Vem representada pelos verbos impedir que significa interromper e obstar que significa
causar embaraço.

Elemento Subjetivo

Dolo. Inexiste a forma culposa. Exige a finalidade específica de discriminar o ofendido.

Consumação

Trata-se de crime formal, pois independe da ocorrência de qualquer efetivo prejuízo para
pessoa discriminada, embora seja possível que aconteça.

54
CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Op. Cit.

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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Tentativa

Admite na forma plurissubsistente.

Ação Penal

É pública incondicionada não sendo cabíveis os institutos da Lei n. 9.099/1995.


Após a entrada em vigor do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) é possível a celebração
do acordo de não persecução penal.

Análise do Artigo 14 – Casamento ou Convivência Familiar e Social


Art. 14. Impedir ou obstar, por qualquer meio ou forma, o casamento ou convivência familiar e
social.
Pena – reclusão de dois a quatro anos.55

Sobre o crime em comento, já decidiu o Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo:

AÇÃO PENAL – Justa causa – Racismo – Indiciada que impede namoro do filho com a
vítima, em razão da diferença de raças – Denúncia baseada no artigo 14 da Lei Federal n.
7.716, de 1989 – Admissibilidade – Respaldo, ademais, na prova oral colhida no inqué-
rito policial – Recebimento da referida inicial determinado – Recurso provido” (TJSP –
JTJ, 183/264)

Objetividade Jurídica

A preservação da igualdade dos seres humanos perante a lei.

Sujeito Ativo

É crime comum, pode ser praticado por qualquer pessoa.

Sujeito Passivo

É a pessoa discriminada, como sujeito passivo imediato, e o Estado, como mediato.


55
BRASIL. Lei dos Crimes de Preconceito de Raça ou Cor. Op. Cit.

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a sua reprodução, cópia, divulgação ou distribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
Sérgio Bautzer

Conduta

Vem representada pelos verbos impedir que significa interromper e obstar que significa
causar embaraço. É tipos misto alternativo.

Elemento Subjetivo

Dolo. Inexiste a forma culposa. Exige a finalidade específica de discriminar o ofendido.

Consumação

Trata-se de crime formal, pois independe da ocorrência de qualquer efetivo prejuízo para
pessoa discriminada, embora seja possível que aconteça.

Tentativa

Admite na forma plurissubsistente.

Ação Penal

É pública incondicionada não sendo cabíveis os institutos da Lei n. 9.099/1995.


Após a entrada em vigor do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) é possível a celebração
do acordo de não persecução penal.

Análise dos Artigos 16 e 18 – Efeitos da Condenação


Art. 16. Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor públi-
co, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três
meses.56
Art. 18. Os efeitos de que tratam os arts. 16 e 17 desta Lei não são automáticos, devendo ser mo-
tivadamente declarados na sentença.57

Os efeitos extrapenais da sentença penal condenatória estão previstos nos artigos 91,
91-A e 92 do Código Penal:
56
BRASIL. Lei dos Crimes de Preconceito de Raça ou Cor. Op. Cit.
57
BRASIL. Lei dos Crimes de Preconceito de Raça ou Cor. Op. Cit.

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Art. 91. São efeitos da condenação: (Redação dada pela Lei n. 7.209, de 11.7.1984)
I – tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; (Redação dada pela Lei n.
7.209, de 11.7.1984)
II – a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé: (Redação
dada pela Lei n. 7.209, de 11.7.1984)
a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação, uso, porte
ou detenção constitua fato ilícito;
b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente
com a prática do fato criminoso.
§ 1º Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime
quando estes não forem encontrados ou quando se localizarem no exterior. (Incluído pela Lei n.
12.694, de 2012)
§ 2º Na hipótese do § 1º, as medidas assecuratórias previstas na legislação processual poderão
abranger bens ou valores equivalentes do investigado ou acusado para posterior decretação de
perda. (Incluído pela Lei n. 12.694, de 2012)58
Art. 91-A. Na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine pena máxima superior
a 6 (seis) anos de reclusão, poderá ser decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos
bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja
compatível com o seu rendimento lícito. (Incluído pela Lei n. 13.964, de 2019)
§ 1º Para efeito da perda prevista no caput deste artigo, entende-se por patrimônio do condenado
todos os bens: (Incluído pela Lei n. 13.964, de 2019)
I – de sua titularidade, ou em relação aos quais ele tenha o domínio e o benefício direto ou indireto,
na data da infração penal ou recebidos posteriormente; e (Incluído pela Lei n. 13.964, de 2019)
II – transferidos a terceiros a título gratuito ou mediante contraprestação irrisória, a partir do início
da atividade criminal. (Incluído pela Lei n. 13.964, de 2019)
§ 2º O condenado poderá demonstrar a inexistência da incompatibilidade ou a procedência lícita
do patrimônio. (Incluído pela Lei n. 13.964, de 2019)
§ 3º A perda prevista neste artigo deverá ser requerida expressamente pelo Ministério Público, por
ocasião do oferecimento da denúncia, com indicação da diferença apurada. (Incluído pela Lei n.
13.964, de 2019)
§ 4º Na sentença condenatória, o juiz deve declarar o valor da diferença apurada e especificar os
bens cuja perda for decretada. (Incluído pela Lei n. 13.964, de 2019)
§ 5º Os instrumentos utilizados para a prática de crimes por organizações criminosas e milícias
deverão ser declarados perdidos em favor da União ou do Estado, dependendo da Justiça onde tra-
mita a ação penal, ainda que não ponham em perigo a segurança das pessoas, a moral ou a ordem
pública, nem ofereçam sério risco de ser utilizados para o cometimento de novos crimes. (Incluído
pela Lei n. 13.964, de 2019)59
Art. 92. São também efeitos da condenação: (Redação dada pela Lei n. 7.209, de 11.7.1984)
I – a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo: (Redação dada pela Lei n. 9.268, de
1º.4.1996)

58
BRASIL. Código Penal. Op. Cit.
59
BRASIL. Código Penal. Op. Cit.

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a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes
praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a Administração Pública; (Incluído
pela Lei n. 9.268, de 1º.4.1996)
b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais
casos. (Incluído pela Lei n. 9.268, de 1º.4.1996)
II – a incapacidade para o exercício do poder familiar, da tutela ou da curatela nos crimes dolosos
sujeitos à pena de reclusão cometidos contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar,
contra filho, filha ou outro descendente ou contra tutelado ou curatelado; (Redação dada pela Lei
n. 13.715, de 2018)
III – a inabilitação para dirigir veículo, quando utilizado como meio para a prática de crime doloso.
(Redação dada pela Lei n. 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único. Os efeitos de que trata este artigo não são automáticos, devendo ser motivada-
mente declarados na sentença. (Redação dada pela Lei n. 7.209, de 11.7.1984)60

Porém, o legislador optou por efeitos específicos na Lei n. 7.716/1989. Conforme nos en-
sina o Professor Nucci:

(…) Efeito não automático da condenação: sempre que houver condenação, com base em crime
previsto nesta lei, deveria o juiz impor, quando o sujeito ativo for funcionário público, a perda do
cargo ou função pública (…) bem como deveria impor a suspensão do funcionamento do estabele-
cimento particular por período de até 3 meses (…)61.

Estes efeitos não são automáticos, como dito, devendo ser expressamente motivados na
sentença. O Mestre Nucci professa que:

(…) Motivação do efeito da condenação: quando houver condenação, por crime previsto nesta Lei,
impondo o juiz a perda do cargo ou função, bem como a suspensão do funcionamento de estabe-
lecimento particular, deve motivar a decisão, o que não destoa do previsto, em geral, para todas as
decisões do Poder Judiciário(…).62

Análise do Artigo 20 – Tipo Genérico


Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de um a três anos e multa. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou
propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação
dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
60
BRASIL. Código Penal. Op. Cit.
61
NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Op. Cit.
62
NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. Op. Cit.

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Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comuni-
cação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pe-
dido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: (Redação dada pela Lei n.
9.459, de 15/05/97)
I – o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;(Inclu-
ído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
II – a cessação das respectivas transmissões radiofônicas, televisivas, eletrônicas ou da publica-
ção por qualquer meio; (Redação dada pela Lei n. 12.735, de 2012)
III – a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de com-
putadores. (Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010)
§ 4º Na hipótese do § 2º, constitui efeito da condenação, após o trânsito em julgado da decisão, a
destruição do material apreendido. (Incluído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)63

Objetividade Jurídica

O crime previsto no artigo 20 da lei em estudo visa proteger o tratamento igualitário que
todos os cidadãos possuem como direito subjetivo independente de raça, cor, etnia ou proce-
dência nacional.

Sujeito Ativo

É crime comum. Pode ser praticado por qualquer pessoa.

Sujeito Passivo

O Estado, como sujeito passivo mediato, além da pessoa ou grupo de pessoas como su-
jeitos passivos imediatos.

Conduta

Vem representada pelos verbos “praticar” (realizar, executar), “induzir” (influenciar, per-
suadir) e “incitar” (estimular, aguçar), “fabricar”, “comercializar”, “distribuir” ou “veicular”.
Cumpre salientar que o tipo penal é extremamente aberto, considerando que traz uma
proibição genérica de discriminação. Sendo assim, qualquer conduta prevista nos artigos
63
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anteriores não deixaria de, teoricamente, incidir também no artigo 20, caput. Tal situação deve
ser resolvida pelo critério de solução de conflitos normativos consubstanciados na especia-
lidade.

Elemento Subjetivo

Dolo. Inexiste a forma culposa. Exige a finalidade específica de discriminar o ofendido.


Porém, para a configuração do delito previsto no § 1º é indispensável que o crime seja
praticado para fins de divulgação do nazismo.

Consumação

A conduta de praticar, assim como as de induzir ou incitar, consumam-se independente-


mente da ocorrência de resultado naturalístico, sendo, portanto, crime formal.
Nas condutas “fabricar”, “comercializar”, “distribuir” ou “veicular” é crime de mera condu-
ta, bastando, para sua configuração, a prática de uma (ou mais) das condutas nucleares do §
1º, desde que motivadas pelo especial fim de divulgação do nazismo.

Tentativa

Admite-se a tentativa na forma plurissubsistente.

Ação Penal

É pública incondicionada. É cabível a aplicação da suspensão condicional do processo,


nos termos do artigo 89 da Lei n. 9.099/1995, exceto para os casos previstos no § 1º, pois a
pena mínima é de 2 anos e a máxima de 5 anos de reclusão.
Após a entrada em vigor do Pacote Anticrime (Lei n. 13.964/2019) é possível a celebração
do acordo de não persecução penal.

Execução por Intermédio de Meios de Comunicação ou Publicação (§ 2º)

O § 2º do artigo não se trata de um crime autônomo, mas sim de um meio de execução


das condutas previstas no caput. Em verdade a presente norma é uma qualificadora da con-

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duta prevista na cabeça do artigo. Optou o legislador por aumentar a reprimenda penal, haja
vista que, uma vez cometida a conduta por intermédio de quaisquer meios de comunicação
ou mediante publicação, há uma potencialidade lesiva muito maior, pois a prática discrimina-
tória torna-se de fácil acesso a um infindável número de pessoas.64

Medidas Cautelares (§ 3º)65

O § 3º trata de medidas cautelares (ou assecuratórias) que visam à interrupção da poten-


cialidade delitiva ou da própria conduta aparentemente criminosa em si considerada. Salien-
tamos “aparentemente” haja vista que, para a decretação de uma ou mais cautelares, não é
necessária a comprovação cabal da conduta criminosa, bastando a presença dos requisitos
fumus comissi delicti e perigo da mora.
Estas medidas podem ser determinadas durante a persecução penal, incluindo aqui o cur-
so do inquérito policial, ou até mesmo antes dele.
Importante salientar que nos casos de apreensão física de evidências ou materiais ilícitos
que servirão como prova da materialidade da infração penal, a autoridade deverá observar as
novíssimas disposições referentes à cadeia de custódia, prevista na atual redação do art. 158,
alíneas A-F do Código de Processo Penal.
Por oportuno, faz necessário mencionar alguns julgados referentes ao tema em comento:

HABEAS-CORPUS. PUBLICAÇÃO DE LIVROS: ANTI-SEMITISMO. RACISMO. CRIME


IMPRESCRITÍVEL. CONCEITUAÇÃO. ABRANGÊNCIA CONSTITUCIONAL. LIBERDADE DE
EXPRESSÃO. LIMITES. ORDEM DENEGADA. 1. Escrever, editar, divulgar e comerciar livros
“fazendo apologia de ideias preconceituosas e discriminatórias” contra a comunidade
judaica (Lei n. 7.716/1989, artigo 20, na redação dada pela Lei 8081/90) constitui crime
de racismo sujeito às cláusulas de inafiançabilidade e imprescritibilidade (CF, artigo 5º,
XLII). 2. Aplicação do princípio da prescritibilidade geral dos crimes: se os judeus não
são uma raça, segue-se que contra eles não pode haver discriminação capaz de ense-
jar a exceção constitucional de imprescritibilidade. Inconsistência da premissa. 3. Raça
humana. Subdivisão. Inexistência. Com a definição e o mapeamento do genoma humano,
64
CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Op. Cit.
65
CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Op. Cit.

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cientificamente não existem distinções entre os homens, seja pela segmentação da pele,
formato dos olhos, altura, pelos ou por quaisquer outras características físicas, visto que
todos se qualificam como espécie humana. Não há diferenças biológicas entre os seres
humanos. Na essência são todos iguais. 4. Raça e racismo. A divisão dos seres huma-
nos em raças resulta de um processo de conteúdo meramente político-social. Desse
pressuposto origina-se o racismo que, por sua vez, gera a discriminação e o preconceito
segregacionista. 5. Fundamento do núcleo do pensamento do nacional-socialismo de
que os judeus e os arianos formam raças distintas. Os primeiros seriam raça inferior,
nefasta e infecta, características suficientes para justificar a segregação e o extermínio:
inconciliabilidade com os padrões éticos e morais definidos na Carta Política do Brasil e
do mundo contemporâneo, sob os quais se ergue e se harmoniza o estado democrático.
Estigmas que por si só evidenciam crime de racismo. Concepção atentatória dos princí-
pios nos quais se erige e se organiza a sociedade humana, baseada na respeitabilidade
e dignidade do ser humano e de sua pacífica convivência no meio social. Condutas e
evocações aéticas e imorais que implicam repulsiva ação estatal por se revestirem de
densa intolerabilidade, de sorte a afrontar o ordenamento infraconstitucional e consti-
tucional do País. 6. Adesão do Brasil a tratados e acordos multilaterais, que energica-
mente repudiam quaisquer discriminações raciais, aí compreendidas as distinções entre
os homens por restrições ou preferências oriundas de raça, cor, credo, descendência
ou origem nacional ou étnica, inspiradas na pretensa superioridade de um povo sobre
outro, de que são exemplos a xenofobia, “negrofobia”, “islamafobia” e o anti-semitismo.
7. A Constituição Federal de 1988 impôs aos agentes de delitos dessa natureza, pela
gravidade e repulsividade da ofensa, a cláusula de imprescritibilidade, para que fique,
ad perpetuam rei memoriam, verberado o repúdio e a abjeção da sociedade nacional
à sua prática. 8. Racismo. Abrangência. Compatibilização dos conceitos etimológicos,
etnológicos, sociológicos, antropológicos ou biológicos, de modo a construir a defini-
ção jurídico-constitucional do termo. Interpretação teleológica e sistêmica da Consti-
tuição Federal, conjugando fatores e circunstâncias históricas, políticas e sociais que
regeram sua formação e aplicação, a fim de obter-se o real sentido e alcance da norma.
9. Direito comparado. A exemplo do Brasil as legislações de países organizados sob a
égide do estado moderno de direito democrático igualmente adotam em seu ordena-
mento legal punições para delitos que estimulem e propaguem segregação racial. Mani-

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festações da Suprema Corte Norte-Americana, da Câmara dos Lordes da Inglaterra e


da Corte de Apelação da Califórnia nos Estados Unidos que consagraram entendimento
que aplicam sanções àqueles que transgridem as regras de boa convivência social com
grupos humanos que simbolizem a prática de racismo. 10. A edição e publicação de
obras escritas veiculando ideias antissemitas, que buscam resgatar e dar credibilidade à
concepção racial definida pelo regime nazista, negadoras e subversoras de fatos histó-
ricos incontroversos como o holocausto, consubstanciadas na pretensa inferioridade e
desqualificação do povo judeu, equivalem à incitação ao discrímen com acentuado con-
teúdo racista, reforçadas pelas consequências históricas dos atos em que se baseiam.
11. Explícita conduta do agente responsável pelo agravo revelador de manifesto dolo,
baseada na equivocada premissa de que os judeus não só são uma raça, mas, mais
do que isso, um segmento racial atávica e geneticamente menor e pernicioso. 12. Dis-
criminação que, no caso, se evidencia como deliberada e dirigida especificamente aos
judeus, que configura ato ilícito de prática de racismo, com as consequências gravosas
que o acompanham. 13. Liberdade de expressão. Garantia constitucional que não se tem
como absoluta. Limites morais e jurídicos. O direito à livre expressão não pode abrigar,
em sua abrangência, manifestações de conteúdo imoral que implicam ilicitude penal. 14.
As liberdades públicas não são incondicionais, por isso devem ser exercidas de maneira
harmônica, observados os limites definidos na própria Constituição Federal (CF, artigo
5º, § 2º, primeira parte). O preceito fundamental de liberdade de expressão não consagra
o “direito à incitação ao racismo”, dado que um direito individual não pode constituir-
-se em salvaguarda de condutas ilícitas, como sucede com os delitos contra a honra.
Prevalência dos princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade jurídica. 15.
“Existe um nexo estreito entre a imprescritibilidade, este tempo jurídico que se escoa
sem encontrar termo, e a memória, apelo do passado à disposição dos vivos, triunfo da
lembrança sobre o esquecimento”. No estado de direito democrático devem ser intran-
sigentemente respeitados os princípios que garantem a prevalência dos direitos huma-
nos. Jamais podem se apagar da memória dos povos que se pretendam justos os atos
repulsivos do passado que permitiram e incentivaram o ódio entre iguais por motivos
raciais de torpeza inominável. 16. A ausência de prescrição nos crimes de racismo jus-
tifica-se como alerta grave para as gerações de hoje e de amanhã, para que se impeça a

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reinstauração de velhos e ultrapassados conceitos que a consciência jurídica e histórica


não mais admitem. Ordem denegada.66
CRIMINAL. HABEAS CORPUS. PRÁTICA DE RACISMO. EDIÇÃO E VENDA DE LIVROS
FAZENDO APOLOGIA DE IDEIAS PRECONCEITUOSAS E DISCRIMINATÓRIAS. PEDIDO DE
AFASTAMENTO DA IMPRESCRITIBILIDADE DO DELITO. CONSIDERAÇÕES ACERCA DE SE
TRATAR DE PRÁTICA DE RACISMO, OU NÃO. ARGUMENTO DE QUE OS JUDEUS NÃO
SERIAM RAÇA. SENTIDO DO TERMO E DAS AFIRMAÇÕES FEITAS NO ACÓRDÃO. IMPRO-
PRIEDADE DO WRIT. LEGALIDADE DA CONDENAÇÃO POR CRIME CONTRA A COMUNI-
DADE JUDAICA. RACISMO QUE NÃO PODE SER ABSTRAÍDO. PRÁTICA, INCITAÇÃO E
INDUZIMENTO QUE NÃO DEVEM SER DIFERENCIADOS PARA FINS DE CARACTERIZAÇÃO
DO DELITO DE RACISMO.
CRIME FORMAL. IMPRESCRITIBILIDADE QUE NÃO PODE SER AFASTADA. ORDEM DENE-
GADA.
I – O habeas corpus é meio impróprio para o reexame dos termos da condenação do
paciente, através da análise do delito – se o mesmo configuraria prática de racismo ou
caracterizaria outro tipo de prática discriminatória, com base em argumentos levanta-
dos a respeito do judeus – se os mesmos seriam raça, ou não – tudo visando a alterar a
pecha de imprescritibilidade ressaltada pelo acórdão condenatório, pois seria necessá-
ria controvertida e imprópria análise dos significados do vocábulo, além de amplas con-
siderações acerca da eventual intenção do legislador e inconcebível avaliação do que
o Julgador da instância ordinária efetivamente “quis dizer” nesta ou naquela afirmação
feita no decisum.
II – Não há ilegalidade na decisão que ressalta a condenação do paciente por delito
contra a comunidade judaica, não se podendo abstrair o racismo de tal comportamento,
pois não há que se fazer diferenciação entre as figuras da prática, da incitação ou do
induzimento, para fins de configuração do racismo, eis que todo aquele que pratica uma
destas condutas discriminatórias ou preconceituosas, é autor do delito de racismo,
inserindo-se, em princípio, no âmbito da tipicidade direta.
III – Tais condutas caracterizam crime formal, de mera conduta, não se exigindo a reali-
zação do resultado material para a sua configuração.
66
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. HC 82424, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES, Relator(a) p/ Acórdão: Min.
MAURÍCIO CORRÊA, Tribunal Pleno, julgado em 17/09/2003, DJ 19-03-2004 PP-00017 EMENT VOL-02144-03
PP-00524. Disponível em: <https://jurisprudencia.stf.jus.br/pages/search>.

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IV – Inexistindo ilegalidade na individualização da conduta imputada ao paciente, não


há porque ser afastada a imprescritibilidade do crime pelo qual foi condenado.
V – Ordem denegada.67
RESP. INCITAÇÃO AO PRECONCEITO RACIAL. CONSIDERAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE
DOLO COM BASE EM PROVAS. DESCONSTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. – Incitar, con-
soante a melhor doutrina é instigar, provocar ou estimular a discriminação ou precon-
ceito racial. Para a configuração do delito, sob esse prisma, basta que o agente saiba
que pode vir a causá-lo ou assumir o risco de produzi-lo (dolo direto ou eventual). Ao
se considerar a inexistência de dolo com base em provas e fatos, torna-se impossibili-
tada o reexame das mesmas provas e fatos para chegar a conclusão diversa da adotada
(Súmula 07/STJ). Recurso não conhecido.68
Em 2020 o, então, Ministro da Educação, ABRAHAM WEINTRAUB, foi denunciado pela
prática de racismo, incurso n artigo 20 da Lei n. 7.716/1989. Vejamos decisão do STF:
DECISÃO: Trata-se de comunicação de delito (“notitia criminis”) encaminhada ao
Supremo Tribunal Federal, em que se noticia a suposta prática, pelo Senhor Ministro da
Educação, do crime de racismo (Lei n. 7.716/1989, art. 20). Busca-se, em síntese, “seja
a presente notícia-crime recebida, com a consequente intimação da Procuradoria-Geral
da República para que adote as providências pertinentes à responsabilização do noti-
ciado pelos atos descritos” (grifei). Impende assinalar, no entanto, que, em 28/04/2020,
proferi decisão, nos autos do Inq 4.827/DF, de que sou Relator, no sentido de acolher
pedido formulado pela douta Procuradoria-Geral da República, para determinar a instau-
ração de Inquérito contra o Senhor Ministro da Educação, ABRAHAM WEINTRAUB, por
suposta prática do delito tipificado na Lei n. 7.716/1989 (art. 20), em razão dos mesmos
fatos noticiados pelo ora requerente. Sendo assim, e tendo em consideração as razões
expostas, nego seguimento a este pedido. Arquivem-se estes autos. Publique-se. Bra-
sília, 25 de maio de 2020.69

67
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. HC 15.155/RS, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA, julgado em
18/12/2001, DJ 18/03/2002 p. 277. Disponível em: < https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia>.
68
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. STJ – 5ª T. – Resp 157.805/DF – Rel. Min. Jorge Scartezzini – j.
17.8.1999 – DJ de 13.9.1999, p. 87Disponível em: < https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia>.
69
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Pet 8776. Relator (a) Ministro Celso de Mello. Julgamento em 25.5.2020,
publicado em 28.5.2020. Disponível em: < https://jurisprudencia.stf.jus.br/>.

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Crime de Racismo contra Judeus em Rede Social e Competência70

A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que compete à Justiça Fe-
deral julgar a conduta delituosa de divulgar pelo Facebook mensagens de cunho discrimina-
tório contra o povo judeu, por estar configurada potencial transnacionalidade do crime, uma
vez que o conteúdo racista veiculado na rede social é acessível no exterior.
Afirmou o relator, ministro Joel Ilan Paciornik:

No caso dos autos, diante da potencialidade de o material disponibilizado na internet ser acessado
no exterior, está configurada a competência da Justiça Federal, ainda que o conteúdo não tenha
sido efetivamente visualizado fora do território nacional.

O conflito de competência foi instaurado entre o juízo de direito da 1ª Vara Criminal do


Foro Central da Região Metropolitana de Curitiba – suscitante – e o juízo federal da 9ª Vara
Criminal da Seção Judiciária de Minas Gerais – suscitado.
Segue ementa da citada decisão:

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. ART. 20, § 2º, DA LEI N. 7.716/1989.


DISCRIMINAÇÃO E PRECONCEITO CONTRA O POVO JUDEU. CONVENÇÃO INTERNACIO-
NAL ACERCA DO TEMA. RATIFICADA PELO BRASIL. DISSEMINAÇÃO.
PRATICADA POR MEIO DA REDE SOCIAL “FACEBOOK”. SÍTIO VIRTUAL DE AMPLO
ACESSO. CONTEÚDO RACISTA ACESSÍVEL NO EXTERIOR. POTENCIAL TRANSNACIONA-
LIDADE CONFIGURADA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL.
IDENTIFICAÇÃO DA ORIGEM DAS POSTAGENS. POSSIBILIDADE DE FIXAÇÃO DE TER-
CEIRO JUÍZO ESTRANHO AO CONFLITO.
1. O presente conflito de competência deve ser conhecido, por se tratar de incidente
instaurado entre juízos vinculados a Tribunais distintos, nos termos do art. 105, inciso I,
alínea d da Constituição Federal – CF.
2. Segundo o art. 109, V, da Constituição Federal – CF, compete aos juízes federais pro-
cessar e julgar “os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando ini-

70
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Crime de racismo contra judeus em rede social deve ser julgado pela
Justiça Federal. Notícia publicada em 20/05/2020, disponível em:< http://www.stj.jus.br/sites/portalp/Pagi-
nas/Comunicacao/Noticias>.

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ciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou


reciprocamente”.
3. Na presente investigação é incontroverso que o conteúdo divulgado na rede social
“Facebook”, na página “Hitler Depressão – A Todo Gás”, possui conteúdo discriminató-
rio contra todo o povo judeu e não contra pessoa individualmente considerada. Também
é incontroverso que a “Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas
de Discriminação Racial”, promulgada pela Assembleia das Nações Unidas foi ratificada
pelo Brasil em 27.03.1968. O núcleo da controvérsia diz respeito exclusivamente à con-
figuração ou não da internacionalidade da conduta.
4. À época em que tiveram início as investigações, não havia sólido entendimento da
Suprema Corte acerca da configuração da internacionalidade de imagens postadas no
“Facebook”. Todavia, o tema foi amplamente discutido em recurso extraordinário cuja
repercussão geral foi reconhecida.
“A extração da potencial internacionalidade do resultado advém do nível de abrangência
próprio de sítios virtuais de amplo acesso, bem como da reconhecida dispersão mun-
dial preconizada no art. 2º, I, da Lei 12.965/2014, que instituiu o Marco Civil da Internet
no Brasil” (RE 628624, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Relator p/ Acórdão: Min. EDSON
FACHIN, Tribunal Pleno, Dje 6/4/2016)
5. Muito embora o paradigma da repercussão geral diga respeito à pornografia infantil, o
mesmo raciocínio se aplica ao caso concreto, na medida em que o acórdão da Suprema
Corte vem repisar o disposto na Constituição Federal, que reconhece a competência da
Justiça Federal não apenas no caso de acesso da publicação por alguém no estrangeiro,
mas também nas hipóteses em que a amplitude do meio de divulgação tenha o condão
de possibilitar o acesso. No caso dos autos, diante da potencialidade de o material dis-
ponibilizado na internet ser acessado no exterior, está configurada a competência da
Justiça Federal, ainda que o conteúdo não tenha sido efetivamente visualizado fora do
território nacional.
6. Na singularidade do caso concreto diligências apontam que as postagens de cunho
racista e discriminatório contra o povo judeu partiram de usuário localizado em Curitiba.
Nos termos do art. 70 do Código de Processo Penal – CPP, ‘a competência será, de regra,
determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo
lugar em que for praticado o último ato de execução’.

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7. “A jurisprudência tem reconhecido a possibilidade de declaração da competência de


um terceiro juízo que não figure no conflito de competência em julgamento, quer na
qualidade de suscitante, quer na qualidade de suscitado” (CC 168.575/MS, Rel. Ministro
REYNALDO SOARES DA FONSECA, TERCEIRA SEÇÃO, DJe 14/10/2019).
8. Conflito conhecido para declarar a competência da Justiça Federal atuante em Curi-
tiba – SJ/PR, a quem couber a distribuição do feito.71

Diferença entre Injúria Racial e Discriminação Racial

É imperioso registrar, que a Lei 10.741/03 acrescentou o parágrafo terceiro ao artigo 140
do Código Penal, tipificando a injúria com utilização de elementos relacionados a raça, cor,
etnia, religião ou origem, com penas de reclusão de um a três anos, e multa.
Recentemente a lei 12.033/09 alterou o parágrafo único do artigo 145 do Código Penal,
tornando pública condicionada à representação a ação penal nos crimes de injúria qualifi-
cada. Cumpre ressaltar que os crimes previstos na lei de Discriminação Racial são de ação
penal pública incondicionada.
Faz-se necessário diferenciar a injúria racial, crime previsto no art. 140 § 3º do Código
Penal, do delito previsto no artigo 20 da Lei n. 7.716/1989.
Assim dispõe o art. 140 § 3º do Código Penal:

Art. 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:


(…)
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou
a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência72

No crime previsto no artigo 20 da Lei n. 7.716/1989 a ofensa é dirigida a um grupo de pes-


soas, sendo que a intenção do agente é discriminar a vítima de modo a segregá-la de alguma
forma do convívio em sociedade. De outra parte, na injúria qualificada a ofensa é direcionada
71
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. CC 163.420/PR, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, TERCEIRA SEÇÃO,
julgado em 13/05/2020, DJe 01/06/2020. Disponível em: <https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/doc.
jsp>.
72
BRASIL. Código Penal. Instituído pelo Decreto-lei n. 2.848 de 07 de dezembro de 1940. Rio de Janeiro, 7 de
dezembro de 1940; 119º da Independência e 52º da República. Presidente Getúlio Vargas. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm>.

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a honra subjetiva do indivíduo, ofensa esta que é agregada à raça, cor, etnia, religião ou ori-
gem.
No mesmo sentido, assevera Celso Delmanto, in verbis:

Comete o crime do art. 140, § 3º, do CP, e não o delito do art. 20 da Lei n. 7.716/1989, o agente que
utiliza palavras depreciativas referentes a raça, cor, religião ou origem, com o intuito de ofender a
honra subjetiva da vítima73.

Sobre a injúria preconceituosa preleciona Rogério Greco que o § 3º do art. 140 do Códi-
go Penal, com nova redação determinada pela Lei 10.741, de 1º de outubro de 2003, comina
uma pena de reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos e multa, se a injúria consiste na utilização
de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou
portadora de deficiência.
Não se deve confundir a injúria preconceituosa com os crimes resultantes de preconcei-
tos de raça ou de cor, tipificados na Lei n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989.
O crime de injúria preconceituosa pune o agente que, na prática do delito, usa elementos
ligados a raça, cor, etnia etc. A finalidade do agente, com a utilização desses meios, é atingir a
honra subjetiva da vítima, bem juridicamente protegido pelo delito em questão.74
Ao contrário, por intermédio da legislação que definiu os crimes resultantes de discri-
minação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, são proibidos
comportamentos discriminatórios, em regra mais graves do que a simples agressão à honra
subjetiva da vítima, mas que, por outro lado, também não deixem de humilhá-la, a exemplo
do que acontece quando alguém recusa, nega ou impede a inscrição ou ingresso de aluno em
estabelecimento de ensino público ou privado de qualquer grau, tendo o legislador cominado
para essa infração penal, tipificada no art. 6º, da Lei n. 7.716/1989, uma pena de reclusão de
3 (três) a 5 (cinco) anos.75
Uma vez conhecidas às distinções entre injúria racial e os crimes resultantes de precon-
ceito de raça ou de cor (Lei n. 7.716/1989). É fundamental mencionar que em julgamento

73
DELMANTO, Celso e outros. Código Penal comentado. 6ª ed., Renovar, 2002.
74
GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal: parte especial. Volume II. Introdução à teoria geral da parte especial: crimes
contra a pessoa. 5ª ed. Niterói - RJ. Ed. Impetus. 2008.
75
GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal: parte especial. Op. Cit.

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proferido no caso Ellwanger76 foi reconhecido pelo Pretório Excelso que não há divisões entre
raças, nesse sentido:

(…) 3. Raça humana. Subdivisão. Inexistência. Com a definição e o mapeamento do


genoma humano, cientificamente não existem distinções entre os homens, seja pela
segmentação da pele, formato dos olhos, altura, pelos ou por quaisquer outras caracte-
rísticas físicas, visto que todos se qualificam como espécie humana. Não há diferenças
biológicas entre os seres humanos. Na essência são todos iguais. 4. Raça e racismo. A
divisão dos seres humanos em raças resulta de um processo de conteúdo meramente
político-social. Desse pressuposto origina-se o racismo que, por sua vez, gera a discri-
minação e o preconceito segregacionista (…)(HC 82424, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES,
Relator(a) p/ Acórdão: Min. MAURÍCIO CORRÊA, Tribunal Pleno, julgado em 17/09/2003,
DJ 19-03-2004 PP-00017 EMENT VOL-02144-03 PP-00524).

Vejamos decisão recente do STJ:

PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ART. 232 DO ECA. ART.


119 DO CP E SÚMULA N. 497/STF. PRESCRIÇÃO. INJÚRIA RACIAL.
ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE ACOLHIDO.
(…)
3. A Corte de origem, ao analisar a da tipicidade da conduta do crime do art. 140, § 3º,
do CP, concluiu que o adolescente, mesmo não tendo a pele negra e sim parda, conside-
rando seus familiares e outras características pessoais da vítima, típicas que indicam

76
Caso que trata sobre o conflito entre a liberdade de manifestação do pensamento e as expressões de ódio
racial, que transgridem os valores tutelados pela própria ordem constitucional.”Ellwanger Siegfried é um editor
e autor de Porto Alegre, de inequívoca orientação nazista. Dedica-se, de forma sistemática, a reeditar os livros
de estridente anti-semitismo em voga nos anos 30, como a conhecida falsificação Os Protocolos dos Sábios
de Sião. É, ele mesmo, autor de obra intitulada Holocausto judeu ou alemão? Nos bastidores da mentira do
século, que denega o fato histórico do crime de genocídio, conduzido pelo regime nazista. Por sua conduta,
voltada para deliberadamente incitar a discriminação e o preconceito, Ellwanger foi condenado pelo Tribunal
de Justiça do Rio Grande do Sul por crime da prática do racismo, crime que a Constituição declara inafiançável
e imprescritível. Habeas-corpus em seu benefício foi impetrado e denegado pelo Superior Tribunal de Justiça.
Daí novo pedido de habeas-corpus ao STF”. (LAFER, Celso. RACISMO - o STF e o caso Ellwnager. Disponível
em: <http://afrobras.org.br/index.php?option=content&task=view&id=305>)

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ser ela pertencente à raça negra, sentiu-se ofendido pelas palavras depreciativas de
cunho racial proferidas pela acusada.
4. Na ementa do HC n. 82.424/RS, Relator Min. MOREIRA ALVES, Relator p/ acórdão Min.
MAURÍCIO CORRÊA, julgado em 17/9/2003, DJ 19/3/2004, lê-se […]3. Raça humana.
Subdivisão. Inexistência. Com a definição e o mapeamento do genoma humano, cienti-
ficamente não existem distinções entre os homens, seja pela segmentação da pele, for-
mato dos olhos, altura, pelos ou por quaisquer outras características físicas, visto que
todos se qualificam como espécie humana. Não há diferenças biológicas entre os seres
humanos. Na essência são todos iguais. 4. Raça e racismo. A divisão dos seres huma-
nos em raças resulta de um processo de conteúdo meramente político-social. Desse
pressuposto origina-se o racismo que, por sua vez, gera a discriminação e o precon-
ceito segregacionista.[…] Assim, seguindo essa linha, raça é um grupo de pessoas que
comunga de ideias comuns e se agrupa para defendê-los, mas não pode torná-lo evi-
dente por caracteres físicos (NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado. 19
ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019, p. 855).
5. No presente caso, encontrando-se presentes na conduta praticada pela acusada o
preconceito e a intolerância, e sentindo-se ofendida a vítima pelas palavras depreciati-
vas de cunho racial proferidas, não há como se afastar a prática do delito do art. 140, §
3º, do CP.
6. Agravo regimental parcialmente acolhido para declarar extinta a punibilidade da agra-
vante em relação aos crimes do art. 232 do ECA, com fundamento no art. 107, IV, c/c o
art 109, VI, do Código Penal.77
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LEI N. 7.716/1989.
RACISMO. NULIDADE DA DECISÃO MONOCRÁTICA. EXAURIMENTO DA JURISDIÇÃO
DA QUINTA TURMA. PENDÊNCIA DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS CONTRA
INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE SOBRESTAMENTO FORMULADO EM PETIÇÃO.
PRESCRIÇÃO. CRIME IMPRESCRITÍVEL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL RECO-
NHECIDA PELA TERCEIRA SEÇÃO DO STJ E CONFIRMADA PELO STF.
DESCLASSIFICAÇÃO DA CONDUTA PARA O TIPO PREVISTO NO ART. 140, § 3º, DO CP.
NECESSIDADE DE EXAME APROFUNDADO DE PROVAS. SUM. 7/STJ.
77
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. AgRg no REsp 1832213/SC, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FON-
SECA, QUINTA TURMA, julgado em 03/12/2019, DJe 12/12/2019, Disponível em: < https://scon.stj.jus.br/
SCON/jurisprudencia/toc.jsp>.

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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1 – Inexiste nulidade pelo fato de ter sido apreciado o presente recurso – que nem
sequer ultrapassou o juízo de admissibilidade – antes do julgamento dos embargos de
declaração nos embargos de declaração no agravo regimental na petição no agravo em
recurso especial, cujo objeto refere-se a pedido de sobrestamento do feito, amplamente
discutido e negado por esta Corte Superior.
2 – Condenado o recorrente por infração ao art. 20, § 2º, da Lei n.
7.716/1989, sobre o qual incide cláusula de imprescritibilidade, nos termos do art. 5º,
XLII, da Constituição Federal, não há que se falar em prescrição.
3 – A questão relativa à competência já foi decidida pela Terceira Seção desta Corte,
(AgRg nos EDcl no CC n. 120559/DF) e confirmada pelo STF (HC n. 121283/DF) que rati-
ficou a competência da Justiça estadual para processar e julgar o feito.
4 – Concluindo as instâncias ordinárias, soberanas na análise das circunstâncias fáti-
cas da causa, que o recorrente praticou o delito de racismo, desclassificar a conduta
para injúria racial é providência inviável em recurso especial, a teor da Súm. n. 7/STJ.
5 – Agravo regimental a que se nega provimento.78

78
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. AgRg no AREsp 753.219/DF, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FON-
SECA, QUINTA TURMA, julgado em 24/05/2018, DJe 01/06/2018. Disponível em: < https://scon.stj.jus.br/
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MAPAS MENTAIS

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QUESTÕES DE CONCURSO
Questão 1 (2018/VUNESP/PC-BA/ESCRIVÃO DE POLÍCIA) A Lei n. 7.716/1989, que define
os crimes resultantes do preconceito de raça e cor, alterada pela Lei n. 9.459/1997 prevê
a) como crime a conduta de negar ou obstar emprego em empresa privada, em razão de dis-
criminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
b) como causa de aumento de pena se quaisquer dos crimes nela definidos forem praticados
por intermédio de meios de comunicação social.
c) que os crimes nela definidos podem ser praticados na modalidade culposa.
d) como efeito automático da condenação a suspensão do funcionamento do estabelecimen-
to particular, onde se praticaram quaisquer dos crimes nela definidos, pelo prazo máximo de
3 (três) meses.
e) a todos os crimes nela definidos a pena de prestação de serviços à comunidade consisten-
te em promover atividades de promoção da igualdade racial.

Questão 2 (2018/CS-UFG/PREFEITURA DE JATAÍ-GO/GUARDA CIVIL) Segundo a Lei n.


7.716/1989, é crime resultante de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional, impedir
a) a ascensão funcional de servidores públicos estatutários, excluindo-se os prestadores de
serviço em regime celetista.
b) a ascensão funcional do empregado ou obstar outra forma de benefício profissional, exclu-
ídos os cargos da administração pública indireta.
c) o acesso de pessoa habilitada, a qualquer cargo da administração pública, bem como das
concessionárias de serviços públicos.
d) o acesso de pessoa devidamente habilitada a cargo da administração direta, o que não se
aplica aos entes privados em regime de concessão de serviços públicos.

Questão 3 (2018/FCC/SEC-BA/PROFESSOR PADRÃO) A Lei Federal n. 7.716/1989, define


os crimes resultantes do preconceito de raça ou de cor no território nacional. No conjunto dos
crimes tipificados um deles diz respeito às interações de indivíduos negros ou pretos, homens
e mulheres, com a educação escolar e quando houver

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a) processos recorrentes de reprovação e retenção de aluno em cursos sequenciais e presen-


ciais de educação escolar – básica ou superior.
b) o impedimento ou recusa da matrícula de aluno em estabelecimentos oficiais de educação
básica.
c) a recusa, a negação ou tolhimento da inscrição de aluno em estabelecimento de ensino
público ou privado de qualquer grau.
d) a recusa do estabelecimento público ou privado de ensino em disponibilizar documento
comprobatório do rendimento escolar e de percentuais de frequência do aluno.
e) a denegação de certificado de conclusão ou diploma de níveis ou etapas de educação bá-
sica ou superior em estabelecimentos públicos de ensino.

Questão 4 (2018/AOCP/UEFS/TÉCNICO UNIVERSITÁRIO/ADMINISTRATIVA) De acordo


com a Lei n. 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor,
aquele que incitar o preconceito de raça por intermédio dos meios de comunicação social
está sujeito à pena de
a) reclusão de dois a cinco anos e multa.
b) trabalho voluntário e restrições de finais de semana.
c) reclusão de um a três anos.
d) detenção de seis meses a 1 ano e multa.
e) somente multa.

Questão 5 (2018/AOCP/UEFS/ANALISTA UNIVERSITÁRIO) Constituem crimes resultantes


de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, EXCETO
a) impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Admi-
nistração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos.
b) negar ou obstar emprego em empresa privada.
c) recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou
receber cliente ou comprador.
d) impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer esta-
belecimento similar.

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e) injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, utilizando-se de elementos refe-


rentes à raça, cor, etnia, religião e origem.

Questão 6 (2019/FCC/SEFAZ-BA/AUDITOR-FISCAL) Considere:


I – Jadson, empregado de determinada empresa privada, por motivo de discriminação de
raça, teve impedida sua ascensão funcional por seu chefe Flávio.
II – Alisson exigiu, em anúncio de recrutamento de trabalhadores, aspectos de aparência
próprios de raça ou etnia para emprego cujas atividades não justifiquem essas exigên-
cias.

De acordo com a Lei Federal n. 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito
de raça ou de cor, Flávio
a) ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo ativi-
dades de promoção da igualdade racial, enquanto que Alisson incorrerá na pena de reclusão.
b) incorrerá na pena de reclusão, enquanto que Alisson ficará sujeito às penas de multa e de
prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igualdade racial.
c) incorrerá na pena de detenção, enquanto que Alisson ficará sujeito às penas de multa ou de
prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igualdade racial.
d) incorrerá na pena de reclusão, enquanto que Alisson ficará sujeito à pena de detenção, não
se sujeitando à prestação de serviços à comunidade.
e) e Alisson incorrerão na pena de reclusão, ficando, ainda, sujeitos às penas de multa ou de
prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igualdade racial.

Questão 7 (2019/INSTITUTO AOCP/PC-ES/ESCRIVÃO DE POLÍCIA) O sujeito que dispõe em


seu estabelecimento comercial regra, recusando ou impedindo acesso ao estabelecimento,
negando-se a servir, atender ou receber clientes ou compradores em razão de raça, cor, etnia,
religião ou procedência nacional cometerá o delito
a) de calúnia.
b) contra a relação de consumo.
c) de racismo.

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d) de injúria preconceituosa.
e) de homofobia.

Questão 8 (2018/COPS-UEL/PC-PR/COPS-UEL/2018/PC-PR/ESCRIVÃO DE POLÍCIA) As-


sinale a alternativa que apresenta, corretamente, a pena para quem, por motivo de práticas
resultantes do preconceito de origem nacional, impede a ascensão funcional de empregado.
a) Reclusão de 1 a 2 anos.
b) Reclusão de 2 a 5 anos.
c) Detenção de 1 a 2 anos.
d) Detenção de 2 a 4 anos.
e) Detenção de 1 a 5 anos.

Questão 9 (2018/UEG/PC-GO/DELEGADO DE POLÍCIA) Dispõe a Lei n. 7.716/1989, que de-


fine os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, que ficará sujeito às penas de
multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igual-
dade racial, quem:
a) exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas atividades não
justifiquem essas exigências, em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento de tra-
balhadores.
b) recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou
receber cliente ou comprador.
c) recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino
público ou privado de qualquer grau.
d) impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais
semelhantes abertos ao público.
e) impedir a ascensão funcional do empregado ou obstar outra forma de benefício profissio-
nal, por motivo de discriminação de raça ou de cor ou práticas resultantes do preconceito de
descendência ou origem nacional ou étnica.

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Questão 10 (2018/INSTITUTO AOCP/TRT 1ª REGIÃO-RJ/TÉCNICO JUDICIÁRIO) Trata-se de


crime de preconceito de raça ou de cor previsto na Lei n. 7.716/1989
a) injuriar outrem chamando-o de “banana”.
b) prender em flagrante Auditor-Fiscal do Trabalho de cor de pele preta que solicita vantagem
indevida a particular para deixar de praticar ato de ofício obrigatório.
c) impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais
semelhantes abertos ao público, em razão de raça, cor ou etnia.
d) apelidar jovem jogador de futebol de “novo Pelé” em razão da cor de sua pele.
e) defender, em dissertação acadêmica, a inconstitucionalidade do sistema de cotas raciais
em provas e concursos públicos.

Questão 11 (2018/VUNESP/PC-BA/DELEGADO DE POLÍCIA) A respeito da Lei n 7.716/1989,


com as alterações da Lei n. 9.459/97 (tipificação dos crimes resultantes de preconceito de
raça ou de cor), assinale a alternativa correta.
a) Os crimes nela previstos, sem exceção, são praticados mediante dolo.
b) Não tipifica crimes resultantes de discriminação ou preconceito de religião, sendo especí-
fica a crimes de preconceito de raça, cor, etnia e procedência nacional.
c) O crime de negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensi-
no, previsto no art. 6, é específico a instituições públicas.
d) Prevê como efeito automático da condenação a perda do cargo ou função pública, para o
agente servidor público.
e) Prevê como causa de aumento de pena, geral a todos os crimes, a prática em detrimento de
menor de 18 (dezoito) anos.

Questão 12 (2018/MPE-MS/MPE-MS/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) Analise as


proposições a seguir.
I – Configura crime de preconceito de raça ou cor (Lei n. 7.716/1989) distribuir emblemas
com símbolos que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do na-
zismo.

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II – Adolescente que pratica ato infracional análogo ao do artigo 28 da Lei n. 11.343/2006


(Lei de Drogas), pois apreendida consigo substância entorpecente para uso pessoal,
não pode ter contra si aplicada medida socioeducativa prevista no Estatuto da Criança
e do Adolescente (Lei n. 8.069/1990) que restrinja, ainda que parcialmente, sua liber-
dade pessoal, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal.
III – É crime de tortura (Lei n. 9.455/1997) a conduta de constranger alguém com emprego
de grave ameaça, causando-lhe sofrimento mental, em razão de discriminação religio-
sa.
IV – Tratando-se de crime hediondo ou equiparado (Lei n. 8.072/1990), o condenado por
crime de tortura (Lei n. 9.455/1997), em qualquer modalidade, deverá iniciar o cumpri-
mento da pena em regime fechado.

Assinale a alternativa correta.


a) Somente os itens I e II estão corretos.
b) Somente os itens III e IV estão corretos.
c) Somente os itens II, III e IV estão corretos.
d) Somente os itens I, II e III estão corretos.
e) Todos os itens estão corretos.

Questão 13 (2017/IBFC/EMBASA/TÉCNICO OPERACIONAL) Assinale a alternativa correta


sobre a pena aplicável no caso de alguém recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso
de aluno em estabelecimento de ensino público ou privado de qualquer grau de acordo com
as previsões expressas da Lei Federal n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes
resultantes de preconceito de raça ou de cor.
a) Detenção de dois a quatro anos
b) Reclusão de três a cinco anos
c) Detenção de um a cinco anos
d) Reclusão de dois a cinco anos

Questão 14 (2017/FCC/TRF 5ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO) Determinado agente de em-


presa de publicidade, no processo de recrutamento de modelos fotográficos para campanha

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de famosa marca de sabonete, impediu a inscrição de modelos negras, com o argumento de


que a campanha faria a analogia da pele clara à limpeza, assim, seriam recrutadas somente
modelos de pele branca. Ao não autorizar a realização dos testes por modelos negras, exigin-
do aspecto próprio de raça ou etnia, o agente de empresa de publicidade estará sujeito a, sem
prejuízo das sanções do crime, a
a) prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igualdade racial.
b) contratação exclusiva de modelos negras modificando a essência da campanha.
c) manutenção da campanha já que a liberdade de criação deve suplantar a intervenção do
Poder Público.
d) proibição de veicular propaganda de seu produto por seis meses.
e) prestação de serviços à comunidade, sendo defeso a realização de atividades de promoção
da igualdade racial.

Questão 15 (2017/FCC/TST/TÉCNICO JUDICIÁRIO) Considere a situação hipotética descrita.


Veridiana, de religião x, ao tentar matricular seu filho Nelson, também de religião x, no 6º ano
do ensino fundamental, em tradicional Colégio particular com ênfase na religião y, tem a ma-
trícula recusada pela Diretora daquele estabelecimento que demonstra claro menosprezo à
religião professada por Veridiana e Nelson e alega que Nelson não se enquadraria no perfil
de alunos daquele colégio, pois, pelo regulamento interno da escola, é vedada a matrícula de
alunos não praticantes da religião y.
Neste caso,
a) será necessário analisar administrativamente a validade do regulamento interno da insti-
tuição de ensino particular para fins de aplicação de sanção, pelo MEC, de descredenciamento
definitivo.
b) será necessário, analisar a validade do regulamento interno da instituição de ensino parti-
cular para fins de aplicação de sanção, pelo MEC, de suspensão das atividades por até 1 ano.
c) é punível a recusa da inscrição do aluno no 6º ano do Ensino Fundamental, baseado no pre-
conceito à religião x, sob a alegação de que o perfil de alunos da escola é somente de religião
y, independentemente de se tratar de estabelecimento público ou privado de ensino.

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d) trata-se apenas de afronta ao princípio da isonomia, não se assemelhando em nada ao


crime de preconceito ou discriminação.
e) é punível a recusa da inscrição do aluno no 6º ano do Ensino Fundamental, baseado no pre-
conceito à religião x, sob a alegação de que o perfil de alunos da escola é somente de religião
y, somente se for em estabelecimento público de ensino.

Questão 16 (2017/FCC/DPE-RS/TÉCNICO/SEGURANÇA) João é funcionário público em uma


escola estadual e, no exercício de seu cargo público, impediu o ingresso de um aluno no esta-
belecimento de ensino público em que trabalhava, em função de preconceito religioso. João
foi punido na forma da Lei n. 7.716/1989 e, como efeito da sua condenação, perdeu seu cargo
público, o que ocorre de forma
a) não automática, dependendo da expedição de documento indicativo da pena expedido pelo
órgão em que trabalha.
b) automática, por se tratar de falta grave.
c) automática, por se tratar de tema relacionado à educação.
d) não automática, devendo ser motivadamente declarado na sentença.
e) automática, devido à gravidade da falta cometida pelo servidor.

Questão 17 (2017/IBFC/EMBASA/ASSISTENTE DE LABORATÓRIO) Assinale a alternativa


correta sobre a pena aplicável no caso de alguém recusar, negar ou impedir a inscrição ou in-
gresso de aluno em estabelecimento de ensino público ou privado de qualquer grau de acordo
com as previsões expressas da Lei Federal n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os
crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.
a) Detenção de dois a quatro anos
b) Reclusão de três a cinco anos
c) Detenção de um a cinco anos
d) Reclusão de dois a cinco anos

Questão 18 (2017/FCC/TRT 24ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO) O dono de um restaurante


recusou o atendimento a um cidadão em seu estabelecimento, em virtude de sua raça. De
acordo com a Lei n. 7.716/1989, a pena prevista é de

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a) interdição do estabelecimento comercial.


b) multa.
c) prestação de serviços à comunidade.
d) reclusão.
e) recolhimento domiciliar.

Questão 19 (2017/FCC/TRT 24ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO) Um comerciante publicou


anúncio para recrutamento de trabalhadores, onde exigia aspectos de aparência próprios de
raça, sendo que as atividades do referido emprego não justificam essas exigências. De acordo
com a Lei n. 7.716/1989, esse comerciante está sujeito às penas de
a) reclusão de dois a cinco anos e prestação de serviços à comunidade.
b) multa e prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igual-
dade racial.
c) reclusão de um a três anos e realização de atividades de promoção da igualdade racial.
d) multa e reclusão de um a cinco anos.
e) multa e embargo do estabelecimento.

Questão 20 (2017/IBFC/EMBASA/ENGENHEIRO) Assinale a alternativa correta de acordo


com as previsões expressas da Lei Federal n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os
crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.
a) É crime impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da
Administração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos
b) É contravenção penal impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a
qualquer cargo da Administração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de ser-
viços públicos
c) É mero ilícito administrativo impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilita-
do, a qualquer cargo da Administração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de
serviços públicos

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d) É mero ilícito civil impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qual-
quer cargo da Administração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços
públicos

Questão 21 (2017/IBFC/EMBASA/AGENTE ADMINISTRATIVO) Assinale a alternativa corre-


ta sobre a pena aplicável no caso de alguém recusar ou impedir acesso a estabelecimento
comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador de acordo com as
previsões expressas da Lei Federal n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes re-
sultantes de preconceito de raça ou de cor.
a) Detenção de um a quatro anos
b) Reclusão de um a três anos
c) Detenção de dois a cinco anos
d) Reclusão de dois a seis anos

Questão 22 (2017/FCC/TJ-SC/JUIZ SUBSTITUTO) Configura crime de preconceito de raça


ou cor
I – obstar promoção funcional em razão de procedência nacional.
II – veicular símbolos que utilizem a cruz suástica para fins de divulgação do nazismo.
III – negar o holocausto para fins de divulgação do nazismo.
IV – incitar a discriminação por procedência nacional.
V – impedir a convivência familiar.

Está correto o que se afirma APENAS em


a) I, II e III.
b) I, II, IV e V.
c) II, III e IV.
d) III, IV e V.
e) I, III e V.

Questão 23 (2017/CESPE/CEBRASPE/MPE-RR/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO)


João, servidor público estadual, no exercício da função e em razão de preconceito de cor, raça

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e religião, impediu o ingresso de um aluno no estabelecimento de ensino público onde era lo-
tado. Lúcio, dono de um estabelecimento comercial, se negou, por motivos semelhantes ao de
João, a atender determinado cliente. Com base na lei sobre crimes resultantes de preconceito
de cor, raça e religião, João estará sujeito à perda do cargo, e o funcionamento do estabeleci-
mento de Lúcio poderá ser suspenso por prazo não superior a três meses.
Nessas situações hipotéticas, os efeitos de eventuais condenações
a) não serão automáticos para João, devendo ser motivadamente declarados na sentença,
mas serão automáticos para Lúcio.
b) serão automáticos tanto para João quanto para Lúcio, não havendo necessidade de serem
motivadamente declarados nas sentenças.
c) não serão automáticos nem para João nem para Lúcio, devendo ser motivadamente decla-
rados nas sentenças.
d) serão automáticos tanto para João quanto para Lúcio, devendo ser motivadamente decla-
rados nas sentenças.

Questão 24 (2017/CONSULPLAN/TRF 2ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINIS-


TRATIVA) Nos crimes previstos na Lei n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989 – que define os crimes
resultantes de preconceito de raça ou de cor –, constitui efeito da condenação a perda do
cargo ou função pública, para o servidor público, e a suspensão do funcionamento do estabe-
lecimento particular envolvido por prazo não superior a:
a) 1 mês.
b) 1 ano.
c) 6 meses.
d) 3 meses.

Questão 25 (2017/CESPE/CEBRASPE/PC-GO/DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO) Uma


jovem de vinte e um anos de idade, moradora da região Sudeste, inconformada com o resulta-
do das eleições presidenciais de 2014, proferiu, em redes sociais na Internet, diversas ofensas
contra nordestinos. Alertada de que estava cometendo um crime, a jovem apagou as mensa-
gens e desculpou-se, tendo afirmado estar arrependida. Suas mensagens, porém, têm sido

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veiculadas por um sítio eletrônico que promove discurso de ódio contra nordestinos. No que
se refere à situação hipotética precedente, assinale a opção correta, com base no disposto na
Lei n. 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça e cor.
a) Independentemente de autorização judicial, a autoridade policial poderá determinar a inter-
dição das mensagens ou do sítio eletrônico que as veicula.
b) Configura-se o concurso de pessoas nessa situação, visto que o material produzido pela
jovem foi utilizado por outra pessoa no sítio eletrônico mencionado.
c) O crime praticado pela jovem não se confunde com o de injúria racial.
d) Como se arrependeu e apagou as mensagens, a jovem não responderá por nenhum crime.
e) A conduta da jovem não configura crime tipificado na Lei n. 7.716/1989.

Questão 26 (2016/FCC/AL-MS/AGENTE DE POLÍCIA SUBSTITUTO) Nos termos preconiza-


dos pela Lei n 7.716/1989, que define os crimes de preconceito de raça ou de cor, constitui
efeito da condenação, por um dos crimes definidos nesta lei, devendo ser motivadamente
declarado na sentença, a
a) suspensão do exercício do cargo ou função pública, para o servidor público, pelo prazo de
6 meses, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não su-
perior a três anos.
b) perda do cargo ou função pública, para o servidor público, e o fechamento do estabeleci-
mento particular.
c) suspensão do exercício do cargo ou função pública, para o servidor público, pelo prazo de
três meses, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular no mesmo prazo.
d) perda do cargo ou função pública, para o servidor público, e a suspensão do funcionamento
do estabelecimento particular por prazo não superior a seis meses.
e) perda do cargo ou função pública, para o servidor público, e a suspensão do funcionamento
do estabelecimento particular por prazo não superior a três meses.

Questão 27 (2016/MPE-PR/MPE-PR/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) Assinale a


única alternativa correta:

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a) A perda do cargo ou da função pública constitui efeito automático da condenação de servi-


dor público, pela prática de qualquer um dos crimes resultantes de preconceito de raça ou de
cor, previstos na Lei n. 7.716/1989;
b) É constitucional a previsão de inafiançabilidade e imprescritibilidade do crime de racismo,
previsto na Lei n. 7.716/1989;
c) É constitucional a previsão de que os crimes hediondos são inafiançáveis; insuscetíveis
de anistia, graça e indulto e de que a respectiva pena será cumprida em regime inicialmente
fechado;
d) A conduta do diretor de estabelecimento de ensino privado, consistente em recusar a ma-
trícula de aluno portador de HIV, de modo justificado, não configura o crime previsto na Lei n.
12.984/2014;
e) A mera conduta de deixar de notificar à autoridade sanitária a realização de esterilização
cirúrgica, conforme a previsão da Lei n. 9.263/1993, não configura crime, mas infração admi-
nistrativa.

Questão 28 (2016/FUNCAB/PC-PA/INVESTIGADOR DE POLÍCIA CIVIL) Qual, dentre as con-


dutas a seguir enumeradas, ocorre a incidência de crime diverso daqueles tipificados como
crime de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional,
conforme previsto na Lei n. 7.716, de 1989?
a) Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino
público ou privado de qualquer grau, por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência racional.
b) Injuriar alguém, utilizando elementos referentes à raça, cor, etnia, religião, origem ou a con-
dição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro.
c) Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer es-
tabelecimento similar, por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência
racional.
d) Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Admi-
nistração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos, por motivo
de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência racional.

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e) Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou


receber cliente ou comprador, por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou proce-
dência racional.

Questão 29 (2017/CESPE/CEBRASPE/TRE-BA/TÉCNICO JUDICIÁRIO) Caso um escritor pu-


blique um livro que contenha afirmações discriminatórias contra determinada comunidade
étnica,
a) o escritor não poderá ser condenado por racismo, em razão do princípio da liberdade de
expressão, conforme expresso pela lei pertinente aos crimes de racismo.
b) os exemplares desse livro que estejam em circulação poderão ser imediatamente recolhi-
dos, por ordem judicial.
c) os exemplares existentes do livro não poderão ser destruídos por ordem judicial, mesmo
após sentença transitada em julgado, por terem constituído prova da materialidade do delito.
d) somente membros da comunidade étnica discriminada terão legitimidade para ingressar
com ação judicial contra o escritor do livro.
e) todos os indivíduos que adquirirem o referido livro serão, em consequência dessa compra,
sujeitos ativos de crime resultante de preconceito de raça.

Questão 30 (2016/CESPE/CEBRASPE/PC-PE/DELEGADO DE POLÍCIA) Da sentença penal se


extraem diversas consequências jurídicas e, quando for condenatória, emergem-se os efeitos
penais e extrapenais. Acerca dos efeitos da condenação penal, assinale a opção correta.
a) A licença de localização e de funcionamento de estabelecimento onde se verifique prática
de exploração sexual de pessoa vulnerável, em caso de o proprietário ter sido condenado por
esse crime, não será cassada, dada a ausência de previsão legal desse efeito da condenação
penal.
b) A condenação por crime de racismo cometido por proprietário de estabelecimento comer-
cial sujeita o condenado à suspensão do funcionamento de seu estabelecimento, pelo prazo
de até três meses, devendo esse efeito ser motivadamente declarado na sentença penal con-
denatória.

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c) Segundo o CP, constitui efeito automático da condenação a perda de cargo público, quando
aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes prati-
cados com abuso de poder ou violação de dever para com a administração pública.
d) A condenação por crime de tortura acarretará a perda do cargo público e a interdição tem-
porária para o seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada, desde que fundamentada
na sentença condenatória, não sendo efeito automático da condenação.
e) A condenação penal pelo crime de maus-tratos, com pena de detenção de dois meses a
um ano ou multa, ocasiona a incapacidade para o exercício do poder familiar, quando come-
tido pelo pai contra filho, devendo ser motivado na sentença condenatória, por não ser efeito
automático.

Questão 31 (2016/CONSULPLAN/TJ-MG/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGIS-


TROS) De acordo com a Lei n. 7.716/1989, constitui crime
a) fabricar ornamentos que utilizem a cruz suástica.
b) distribuir distintivos que utilizem a cruz suástica.
c) comercializar emblemas que utilizem a cruz gamada, para fins de divulgação do nazismo.
d) fabricar símbolos que utilizem a cruz gamada, para fins de divulgação do cristianismo.

Questão 32 (2015/IBFC/SAEB-BA/ANALISTA DE REGISTRO DE COMÉRCIO) Assinale a alter-


nativa correta sobre a pena prevista para quem “Impedir o acesso ou recusar atendimento
em salões de cabeleireiros, barbearias, termas ou casas de massagem ou estabelecimento
com as mesmas finalidades” nos termos da Lei Federal n. 7.716, de 05/01/1989 que define os
crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.
a) Pena de reclusão de dois a quatro anos.
b) Pena de detenção de um a três anos.
c) Pena de serviços comunitários.
d) Pena de pagamento de indenização por dano material.
e) Pena de suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por até três meses.

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Questão 33 (2015/IBFC/EMBASA/ANALISTA DE SANEAMENTO) Assinale a alternativa cor-


reta considerando as disposições da lei federal n. 7.716, de 05/01/1989, que define os crimes
resultantes de preconceito de raça ou de cor.
a) Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer esta-
belecimento similar é crime punível com detenção de dois a cinco anos.
b) Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais
semelhantes abertos ao público é crime punível com reclusão de um a três anos.
c) Impedir o acesso ou recusar atendimento em estabelecimentos esportivos, casas de diver-
sões, ou clubes sociais abertos ao público é crime punível com reclusão de um a dois anos.
d) Impedir o acesso ou recusar atendimento em salões de cabeleireiros, barbearias, termas
ou casas de massagem ou estabelecimento com as mesmas finalidades é crime punível com
detenção de um a cinco anos.

Questão 34 (2015/IBFC/EMBASA/ASSISTENTE DE SANEAMENTO) Assinale a alternativa


correta considerando as disposições da lei federal n. 7.716, de 05/01/1989, que define os
crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.
a) Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Ad-
ministração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos é crime
punível com reclusão de dois a cinco anos.
b) Obstar a promoção funcional por motivo de discriminação de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional é crime punível com reclusão de três a seis anos.
c) Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou
receber cliente ou comprador é crime punível com detenção de um a dois anos.
d) Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino
público ou privado de qualquer grau é crime punível com reclusão de um a três anos.

Questão 35 (2015/FCC/TJ/SC/JUIZ SUBSTITUTO) Considere a seguinte conduta descrita:


Publicar ilustração de recém-nascidos afrodescendentes em fuga de sala de parto, associa-
do aos dizeres de um personagem (supostamente médico) de cor branca “Segurança! É uma
fuga em massa!”. Tal conduta amolda-se à seguinte tipificação legal:

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a) Não se amolda a tipificação legal por se tratar de ofensa social e não de conteúdo racial.
b) Injúria, prevista no art. 140 do Código Penal.
c) Crime de racismo, previsto na Lei n 7.716/1989.
d) Difamação, prevista no art. 139 do Código Penal.
e) Não se amolda a tipificação legal por se tratar de liberdade de expressão − direito de charge.

Questão 36 (2015/VUNESP/PC-CE/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL) De acordo com a Lei n


7.716/1989, é típica a conduta de fabricar bandeiras estampadas com a cruz suástica?
a) Sim, mas se trata de crime que se processa mediante ação pública condicionada à repre-
sentação do ofendido.
b) Não, em atenção ao princípio constitucional da liberdade de expressão.
c) Sim, se trata de crime que se processa mediante ação privada.
d) Sim, desde que fabricada com o fim de divulgar o nazismo.
e) Sim, desde que sem prévia autorização da autoridade competente.

Questão 37 (2014/CESPE/CEBRASPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO)


Julgue o item que segue, relativo aos crimes contra as pessoas com deficiência, aos crimes
resultantes de preconceito de raça ou de cor e ao Estatuto da Igualdade Racial.
Caso uma manicure, empregada de um salão de beleza, recuse atendimento a uma cliente
apenas por esta ser de origem africana, e essa cliente, ofendida, deixe o estabelecimento, tal
recusa tipificará o crime de racismo.

Questão 38 (2014/MPE-SC/MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA) Analise o enunciado da


questão abaixo e assinale se ele é Certo ou Errado.
Responde pela prática do crime de injúria racial, disposto no § 3º do artigo 140 do Código
Penal Brasileiro e não pelo artigo 20 da Lei n. 7.716/1989 (Discriminação Racial) pessoa que
ofende uma só pessoa, chamando-lhe de macaco e negro sujo.

Questão 39 (2014/VUNESP/TJ-PA/JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO) “X” é negro e jogador de


futebol profissional. Durante uma partida é chamado pelos torcedores do time adversário de

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macaco e lhe são atiradas bananas no meio do gramado. Caso sejam identificados os torce-
dores, é correto afirmar que, em tese,
a) responderão pelo crime de preconceito de raça ou de cor, nos termos da Lei n. 7.716/1989.
b) responderão pelo crime de racismo, nos termos da Lei n. 7.716/1989.
c) responderão pelo crime de difamação, nos termos do art. 139 do Código Penal, entretanto,
com o aumento de pena previsto na Lei n. 7.716/1989.
d) não responderão por crime algum, tendo em vista que esse tipo de rivalidade entre as tor-
cidas é própria dos jogos de futebol, restando apenas a punição na esfera administrativa.
e) responderão pelo crime de injúria racial, nos termos do art. 140, § 3º do Código Penal.

Questão 40 (2014/CESPE/CEBRASPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/TÉCNICO LEGISLATIVO/


AGENTE DE POLÍCIA LEGISLATIVA) Em relação aos crimes previstos na parte especial do Có-
digo Penal, ao crime de abuso de autoridade e ao que dispõem o Estatuto do Idoso e a Lei
contra o Preconceito, julgue os próximos itens.
Conforme a lei que prevê condutas discriminatórias, cometerá crime de discriminação ou pre-
conceito o agente que impedir o acesso de idoso a edifício público pelas entradas sociais.

Questão 41 (2013/VUNESP/TJ-SP/ADVOGADO) Nos termos da Lei n. 7.716/1989, a qual


versa sobre delitos de preconceito ou discriminação racial, pratica crime aquele que, em vir-
tude de preconceito de raça, impede ou obsta.
a) o acesso de alguém a restaurantes, bares, confeitarias ou locais semelhantes, ainda que
não abertos ao público.
b) o acesso de alguém aos veículos de transportes públicos e privados, como aviões, navios,
barcos, ônibus, trens, metrô ou qualquer outro meio de transporte.
c) o acesso ou recusa atendimento de alguém em estabelecimentos esportivos, casas de di-
versões ou clubes sociais, ainda que não abertos ao público.
d) o casamento de alguém, por qualquer meio ou forma, excluindo-se outros modos de con-
vivência familiar e social.
e) o acesso de alguém às entradas sociais de edifícios públicos ou residenciais, bem como
aos elevadores ou às escadas desses locais.

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Questão 42 (2013/COPS-UEL/PC-PR/DELEGADO DE POLÍCIA) Quantos aos crimes de racis-


mo definidos na Lei n. 7.716/1989, assinale a alternativa correta.
a) A incitação pública ao racismo constitui delito de incitação ao crime definido no Art. 286 do
Código Penal, não havendo na referida Lei disposição sobre tal conduta.
b) No caso de incitação ou induzimento ao preconceito racial praticado através da rede mun-
dial de computadores, poderá o juiz determinar a interdição da mensagem ou página de infor-
mação.
c) São crimes de ação penal pública condicionada, dependendo de representação da vítima
para propositura da ação penal.
d) A injúria qualificada pelo preconceito racial é crime definido na referida Lei, não se aplican-
do o crime de injúria definido no Art. 140 do Código Penal.
e) Não constitui crime definido na referida Lei o empregador que, motivado pelo preconceito
racial, não conceder os equipamentos necessários ao empregado em igualdade de condições
com os demais trabalhadores.

Questão 43 (2013/CESPE/CEBRASPE/PC-BA/DELEGADO DE POLÍCIA) Considerando o que


dispõe a legislação atual acerca de discriminação, julgue o item que se segue.
Pratica crime o empregador que, por motivo de discriminação de raça ou cor, deixar de con-
ceder equipamentos necessários ao empregado, em igualdade de condições com os demais
trabalhadores.

Questão 44 (2012/CESPE/CEBRASPE/TRE-RJ/ANALISTA JUDICIÁRIO) A respeito dos deli-


tos resultantes de preconceito (Lei n. 7.716/1989) e das disposições da parte especial do
Código Penal, julgue o item seguinte.
Aquele que imputar a outrem termos pejorativos referentes à sua raça, com o nítido intuito de
lesão à sua honra, deverá responder pelo crime de racismo.

Questão 45 (2011/TJ-PR/TJ-PR/JUIZ) A Lei Ordinária n. 7.716, de 05 de janeiro de 1989,


dispõe sobre os Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça e Cor, sendo CORRETO afirmar
que:

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a) Serão punidos na forma da Lei Ordinária 7.716/1989 os crimes resultantes de discrimina-


ção ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional e sexo.
b) Constitui crime punido com prisão simples o ato de impedir o acesso ou recusar hospeda-
gem em hotel, pensão, estalagem ou qualquer estabelecimento similar em razão de discrimi-
nação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional.
c) É considerada criminosa a conduta de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou pre-
conceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
d) Os efeitos decorrentes da condenação pela prática de crimes previstos na Lei Ordinária n.
7.716/1989 são automáticos, dispensando a sua fundamentação na sentença.

Questão 46 (2012/CESPE/CEBRASPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO) Com relação aos delitos


de preconceito e de lavagem de dinheiro e dos delitos contra o sistema financeiro nacional,
julgue os próximos itens.
O fato de um empresário, por preconceito em relação à cor de determinado empregado, impe-
dir a sua ascensão funcional na empresa, configurará delito contra a organização do trabalho,
e não crime resultante de preconceito.

Questão 47 (2012/CESPE/CEBRASPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO) Com relação aos delitos


de preconceito e de lavagem de dinheiro e dos delitos contra o sistema financeiro nacional,
julgue os próximos itens.
O crime de racismo praticado por meio da rede mundial de computadores consuma-se no
local onde sejam recebidas as manifestações racistas.

Questão 48 (2012/MPT/MPT/PROCURADOR DO TRABALHO) NÃO constitui crime previsto


na Lei n. 7.716/1989, que tipifica os ilícitos resultantes de preconceito:
a) Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais
semelhantes abertos ao público.
b) Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou
escada de acesso aos mesmos.
c) Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional.

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d) Ofender ou ameaçar alguém, por palavra, gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de cau-
sar-lhe mal injusto e grave, em virtude de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Questão 49 (2008/PC-RJ/PC-RJ/INSPETOR DE POLÍCIA/ADAPTADA) Segundo a Lei n.


7.716/1989, a conduta relacionada a seguir constitui crime de racismo:
Constranger alguém com emprego de violência ou ameaça, causando-lhe sofrimento físico
em razão de discriminação racial ou religiosa.

Questão 50 (2008/PC-RJ/PC-RJ/INSPETOR DE POLÍCIA/ADAPTADA) Segundo a Lei n.


7.716/1989, a conduta relacionada a seguir constitui crime de racismo:
Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer estabe-
lecimento similar.

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GABARITO
1. a 28. b
2. c 29. b
3. c 30. b
4. a 31. c
5. e 32. e
6. b 33. b
7. c 34. a
8. b 35. c
9. a 36. d
10. c 37. C
11. a 38. C
12. d 39. e
13. b 40. E
14. a 41. e
15. c 42. b
16. d 43. C
17. b 44. E
18. d 45. c
19. b 46. E
20. a 47. E
21. b 48. d
22. b 49. E
23. c 50. C
24. d
25. c
26. e
27. b

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GABARITO COMENTADO
Questão 1 (2018/VUNESP/PC-BA/ESCRIVÃO DE POLÍCIA) A Lei n. 7.716/1989, que define
os crimes resultantes do preconceito de raça e cor, alterada pela Lei n. 9.459/1997 prevê
a) como crime a conduta de negar ou obstar emprego em empresa privada, em razão de dis-
criminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
b) como causa de aumento de pena se quaisquer dos crimes nela definidos forem praticados
por intermédio de meios de comunicação social.
c) que os crimes nela definidos podem ser praticados na modalidade culposa.
d) como efeito automático da condenação a suspensão do funcionamento do estabelecimen-
to particular, onde se praticaram quaisquer dos crimes nela definidos, pelo prazo máximo de
3 (três) meses.
e) a todos os crimes nela definidos a pena de prestação de serviços à comunidade consisten-
te em promover atividades de promoção da igualdade racial.

Letra a.
a) Certa. Prevista no artigo 4º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada.


Pena – reclusão de dois a cinco anos.

b) Errada. É qualificador apenas para os delitos do artigo 20, caput:

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de um a três anos e multa.(Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
(…)
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comuni-
cação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)

c) Errada. Não há modalidade culposa na Lei.


d) Errada. Apesar deste efeito estar previsto na Lei, ele não é automático:

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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Art. 16. Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor públi-
co, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três
meses.
Art. 18. Os efeitos de que tratam os arts. 16 e 17 desta Lei não são automáticos, devendo ser mo-
tivadamente declarados na sentença.

e) Errada. Esta pena não é aplicável a todos os crimes da Lei:

Art. 4º
(…)
§ 2º Ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo ativida-
des de promoção da igualdade racial, quem, em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento
de trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas ativi-
dades não justifiquem essas exigências.

Questão 2 (2018/CS-UFG/PREFEITURA DE JATAÍ-GO/GUARDA CIVIL) Segundo a Lei n.


7.716/1989, é crime resultante de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional, impedir
a) a ascensão funcional de servidores públicos estatutários, excluindo-se os prestadores de
serviço em regime celetista.
b) a ascensão funcional do empregado ou obstar outra forma de benefício profissional, ex-
cluídos os cargos da administração pública indireta.
c) o acesso de pessoa habilitada, a qualquer cargo da administração pública, bem como das
concessionárias de serviços públicos.
d) o acesso de pessoa devidamente habilitada a cargo da administração direta, o que não se
aplica aos entes privados em regime de concessão de serviços públicos.

Letra c.
A alternativa “c” está correta, conforme a Lei n. 7.716/1989:

Art. 3º Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Admi-
nistração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos.
Pena – reclusão de dois a cinco anos.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça, cor, etnia, re-
ligião ou procedência nacional, obstar a promoção funcional. (Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010)
(Vigência)

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Questão 3 (2018/FCC/SEC-BA/PROFESSOR PADRÃO) A Lei Federal n. 7.716/1989, define


os crimes resultantes do preconceito de raça ou de cor no território nacional. No conjunto dos
crimes tipificados um deles diz respeito às interações de indivíduos negros ou pretos, homens
e mulheres, com a educação escolar e quando houver
a) processos recorrentes de reprovação e retenção de aluno em cursos sequenciais e presen-
ciais de educação escolar – básica ou superior.
b) o impedimento ou recusa da matrícula de aluno em estabelecimentos oficiais de educação
básica.
c) a recusa, a negação ou tolhimento da inscrição de aluno em estabelecimento de ensino
público ou privado de qualquer grau.
d) a recusa do estabelecimento público ou privado de ensino em disponibilizar documento
comprobatório do rendimento escolar e de percentuais de frequência do aluno.
e) a denegação de certificado de conclusão ou diploma de níveis ou etapas de educação bá-
sica ou superior em estabelecimentos públicos de ensino.

Letra c.
A alternativa “c” está correta, conforme o artigo 6º da Lei:

Art. 6º Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino


público ou privado de qualquer grau.
Pena – reclusão de três a cinco anos.
Parágrafo único. Se o crime for praticado contra menor de dezoito anos a pena é agravada de 1/3
(um terço).

Questão 4 (2018/AOCP/UEFS/TÉCNICO UNIVERSITÁRIO/ADMINISTRATIVA) De acordo


com a Lei n. 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor,
aquele que incitar o preconceito de raça por intermédio dos meios de comunicação social
está sujeito à pena de
a) reclusão de dois a cinco anos e multa.
b) trabalho voluntário e restrições de finais de semana.
c) reclusão de um a três anos.

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d) detenção de seis meses a 1 ano e multa.


e) somente multa.

Letra a.
A alternativa “a” está correta conforme o § 2º do artigo 20 da Lei:

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
(…)
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comuni-
cação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)

Questão 5 (2018/AOCP/UEFS/ANALISTA UNIVERSITÁRIO) Constituem crimes resultantes


de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, EXCETO
a) impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Admi-
nistração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos.
b) negar ou obstar emprego em empresa privada.
c) recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou
receber cliente ou comprador.
d) impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer esta-
belecimento similar.
e) injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, utilizando-se de elementos refe-
rentes à raça, cor, etnia, religião e origem.

Letra e.
a) Certa. Prevista na Lei n. 7.716/1989:

Art. 3º Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Admi-
nistração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos.
Pena – reclusão de dois a cinco anos.

b) Certa. Prevista na Lei:

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Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada.


(…)

c) Certa. Prevista na Lei:

Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou


receber cliente ou comprador.
Pena – reclusão de um a três anos.

d) Certa. Prevista na Lei:

Art. 7º Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer esta-
belecimento similar.
Pena – reclusão de três a cinco anos.

e) Errada. Não está prevista na Lei n. 7.716/1989.

Questão 6 (2019/FCC/SEFAZ-BA/AUDITOR-FISCAL) Considere:


I – Jadson, empregado de determinada empresa privada, por motivo de discriminação de
raça, teve impedida sua ascensão funcional por seu chefe Flávio.
II – Alisson exigiu, em anúncio de recrutamento de trabalhadores, aspectos de aparência
próprios de raça ou etnia para emprego cujas atividades não justifiquem essas exigên-
cias.

De acordo com a Lei Federal n. 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito
de raça ou de cor, Flávio
a) ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo ativi-
dades de promoção da igualdade racial, enquanto que Alisson incorrerá na pena de reclusão.
b) incorrerá na pena de reclusão, enquanto que Alisson ficará sujeito às penas de multa e de
prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igualdade racial.
c) incorrerá na pena de detenção, enquanto que Alisson ficará sujeito às penas de multa ou de
prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igualdade racial.
d) incorrerá na pena de reclusão, enquanto que Alisson ficará sujeito à pena de detenção, não
se sujeitando à prestação de serviços à comunidade.
e) e Alisson incorrerão na pena de reclusão, ficando, ainda, sujeitos às penas de multa ou de
prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igualdade racial.

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Letra b.
A conduta de Flávio configura o crime previsto no artigo 1º c/c artigo 4º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito
de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada.
Pena – reclusão de dois a cinco anos.

Questão 7 (2019/INSTITUTO AOCP/PC-ES/ESCRIVÃO DE POLÍCIA) O sujeito que dispõe em


seu estabelecimento comercial regra, recusando ou impedindo acesso ao estabelecimento,
negando-se a servir, atender ou receber clientes ou compradores em razão de raça, cor, etnia,
religião ou procedência nacional cometerá o delito
a) de calúnia.
b) contra a relação de consumo.
c) de racismo.
d) de injúria preconceituosa.
e) de homofobia.

Letra c.
A conduta da questão está prevista no artigo 5º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou


receber cliente ou comprador.
Pena – reclusão de um a três anos.

Questão 8 (2018/COPS-UEL/PC-PR/COPS-UEL/2018/PC-PR/ESCRIVÃO DE POLÍCIA) As-


sinale a alternativa que apresenta, corretamente, a pena para quem, por motivo de práticas
resultantes do preconceito de origem nacional, impede a ascensão funcional de empregado.
a) Reclusão de 1 a 2 anos.
b) Reclusão de 2 a 5 anos.
c) Detenção de 1 a 2 anos.
d) Detenção de 2 a 4 anos.
e) Detenção de 1 a 5 anos.

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Letra b.
A alternativa “b” está correta, conforme o inciso II, do § 1º, do artigo 4º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada.


Pena – reclusão de dois a cinco anos.
§ 1º Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça ou de cor ou práticas resul-
tantes do preconceito de descendência ou origem nacional ou étnica: (Incluído pela Lei n. 12.288,
de 2010) (Vigência)
(…)
II – impedir a ascensão funcional do empregado ou obstar outra forma de benefício profissional;
(Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010) (Vigência)

Questão 9 (2018/UEG/PC-GO/DELEGADO DE POLÍCIA) Dispõe a Lei n. 7.716/1989, que de-


fine os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, que ficará sujeito às penas de
multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igual-
dade racial, quem:
a) exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas atividades não
justifiquem essas exigências, em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento de tra-
balhadores.
b) recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou
receber cliente ou comprador.
c) recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino
público ou privado de qualquer grau.
d) impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais
semelhantes abertos ao público.
e) impedir a ascensão funcional do empregado ou obstar outra forma de benefício profissio-
nal, por motivo de discriminação de raça ou de cor ou práticas resultantes do preconceito de
descendência ou origem nacional ou étnica.

Letra a.
A resposta está no artigo 4º, § 2º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada.


Pena – reclusão de dois a cinco anos.

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Sérgio Bautzer

§ 2º Ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo ativida-


des de promoção da igualdade racial, quem, em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento
de trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas ativi-
dades não justifiquem essas exigências.

Questão 10 (2018/INSTITUTO AOCP/TRT 1ª REGIÃO-RJ/TÉCNICO JUDICIÁRIO) Trata-se de


crime de preconceito de raça ou de cor previsto na Lei n. 7.716/1989
a) injuriar outrem chamando-o de “banana”.
b) prender em flagrante Auditor-Fiscal do Trabalho de cor de pele preta que solicita vantagem
indevida a particular para deixar de praticar ato de ofício obrigatório.
c) impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais
semelhantes abertos ao público, em razão de raça, cor ou etnia.
d) apelidar jovem jogador de futebol de “novo Pelé” em razão da cor de sua pele.
e) defender, em dissertação acadêmica, a inconstitucionalidade do sistema de cotas raciais
em provas e concursos públicos.

Letra c.
A alternativa “c” está prevista na Lei n. 7.716/1989:

Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais


semelhantes abertos ao público.
Pena – reclusão de um a três anos

Questão 11 (2018/VUNESP/PC-BA/DELEGADO DE POLÍCIA) A respeito da Lei n 7.716/1989,


com as alterações da Lei n. 9.459/97 (tipificação dos crimes resultantes de preconceito de
raça ou de cor), assinale a alternativa correta.
a) Os crimes nela previstos, sem exceção, são praticados mediante dolo.
b) Não tipifica crimes resultantes de discriminação ou preconceito de religião, sendo especí-
fica a crimes de preconceito de raça, cor, etnia e procedência nacional.
c) O crime de negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensi-
no, previsto no art. 6, é específico a instituições públicas.

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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d) Prevê como efeito automático da condenação a perda do cargo ou função pública, para o
agente servidor público.
e) Prevê como causa de aumento de pena, geral a todos os crimes, a prática em detrimento de
menor de 18 (dezoito) anos.

Letra a.
Não previsão de crimes culposos na Lei n. 7.716/1989.

Questão 12 (2018/MPE-MS/MPE-MS/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) Analise as


proposições a seguir.
I – Configura crime de preconceito de raça ou cor (Lei n. 7.716/1989) distribuir emblemas
com símbolos que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do na-
zismo.
II – Adolescente que pratica ato infracional análogo ao do artigo 28 da Lei n. 11.343/2006
(Lei de Drogas), pois apreendida consigo substância entorpecente para uso pessoal,
não pode ter contra si aplicada medida socioeducativa prevista no Estatuto da Criança
e do Adolescente (Lei n. 8.069/1990) que restrinja, ainda que parcialmente, sua liber-
dade pessoal, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal.
III – É crime de tortura (Lei n. 9.455/1997) a conduta de constranger alguém com emprego
de grave ameaça, causando-lhe sofrimento mental, em razão de discriminação religio-
sa.
IV – Tratando-se de crime hediondo ou equiparado (Lei n. 8.072/1990), o condenado por
crime de tortura (Lei n. 9.455/1997), em qualquer modalidade, deverá iniciar o cumpri-
mento da pena em regime fechado.

Assinale a alternativa correta.


a) Somente os itens I e II estão corretos.
b) Somente os itens III e IV estão corretos.
c) Somente os itens II, III e IV estão corretos.
d) Somente os itens I, II e III estão corretos.
e) Todos os itens estão corretos.

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Letra d.
O item I está correto, conforme o § 1º do artigo 20 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
(…)
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou
propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação
dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)

O item II está correto, conforme jurisprudência do STF:

HC 132010
Relator(a): Min. EDSON FACHIN
Julgamento: 18/12/2015
Publicação: 03/02/2016
Decisão
Decisão: Trata-se de habeas corpus impetrado contra acórdão, proferido no âmbito
do do Superior Tribunal de Justiça (HC 334.226/SP), assim ementado: “ESTATUTO DA
CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO SUBSTITUTIVA DE
RECURSO ORDINÁRIO. IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. MEDIDA SOCIOEDUCATIVA
DE INTERNAÇÃO APLICADA. ATO INFRACIONAL ANÁLOGO AO CRIME DE TRÁFICO DE
DROGAS. NÃO OCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES DO ARTIGO 122 DO ALUDIDO ESTATUTO.
FLAGRANTE ILEGALIDADE. OCORRÊNCIA. SÚMULA 492 DO STJ. ORDEM CONCEDIDA DE
OFÍCIO. 1. Tratando-se de habeas corpus substitutivo de recurso ordinário, inviável o seu
conhecimento. 2. Hipótese em que há manifesta ilegalidade, pois a medida socioeduca-
tiva de internação somente pode ser imposta ao adolescente na hipótese de não haver
outra mais adequada e menos gravosa à sua liberdade, e caso o adolescente incida em
quaisquer das hipóteses previstas no artigo 122 do Estatuto da Criança e do Adoles-
cente. 3. O ato infracional análogo ao crime de tráfico ilícito de entorpecentes, a despeito
da sua natureza hedionda, não dá ensejo, por si só, à aplicação da medida socioeduca-
tiva de internação, já que a conduta não pressupõe violência.

O item III está correto, conforme artigo 1º, inciso I, “c”, da Lei n. 9.455/2017:

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Art. 1º Constitui crime de tortura:


I – constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento
físico ou mental:
(…)
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;

O item IV está errado, conforme jurisprudência do STF:

Ementa: HABEAS CORPUS. PENAL. TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS. INCIDÊNCIA DA CAUSA


DE DIMINUIÇÃO PREVISTA NO § 4º DO ART. 33 DA LEI 11.343/2006. IMPOSSIBILIDADE.
RÉU QUE SE DEDICAVA A ATIVIDADE CRIMINOSA. HABEAS CORPUS DENEGADO. ORDEM
CONCEDIDA DE OFÍCIO. I – O indeferimento da minorante prevista no § 4º do art. 33 da
Lei 11.343/2006 foi devidamente fundamentado. Nos termos do que assentado nas ins-
tâncias antecedentes, o paciente dedicava-se a atividade criminosa. II – Para se chegar
à conclusão contrária à adotada pelas instâncias ordinárias e confirmada pelo STJ, seria
necessário o reexame de fatos e provas, providência incabível em habeas corpus, por se
tratar de instrumento destinado à proteção de direito demonstrável de plano, que não
admite dilação probatória. Precedentes. III – O Plenário desta Corte, no julgamento do
HC 111.840/ES, Rel. Min. Dias Toffoli, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art.
2º da Lei 8.072/1990 (redação dada pela Lei 11.464/2007), que determinava o cumpri-
mento de pena dos crimes hediondos, de tortura, de tráfico ilícito de entorpecentes e
de terrorismo no regime inicial fechado. IV – Habeas corpus denegado. V – Concessão
da ordem de ofício para para determinar ao juízo de primeiro grau que fixe o regime de
cumprimento da pena de forma fundamentada, afastando a regra do art. 2º, § 1º, da Lei
8.072/1990, declarada inconstitucional por esta Corte.
(HC 113988, Relator(a): RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em
04/12/2012, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-246 DIVULG 14-12-2012 PUBLIC 17-12-
2012)

Questão 13 (2017/IBFC/EMBASA/TÉCNICO OPERACIONAL) Assinale a alternativa correta


sobre a pena aplicável no caso de alguém recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso
de aluno em estabelecimento de ensino público ou privado de qualquer grau de acordo com
as previsões expressas da Lei Federal n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes
resultantes de preconceito de raça ou de cor.

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a) Detenção de dois a quatro anos


b) Reclusão de três a cinco anos
c) Detenção de um a cinco anos
d) Reclusão de dois a cinco anos

Letra b.
A letra “b” está correta, conforme artigo 6º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 6º Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino


público ou privado de qualquer grau.
Pena – reclusão de três a cinco anos.
Parágrafo único. Se o crime for praticado contra menor de dezoito anos a pena é agravada de 1/3
(um terço).

Questão 14 (2017/FCC/TRF 5ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO) Determinado agente de em-


presa de publicidade, no processo de recrutamento de modelos fotográficos para campanha
de famosa marca de sabonete, impediu a inscrição de modelos negras, com o argumento de
que a campanha faria a analogia da pele clara à limpeza, assim, seriam recrutadas somente
modelos de pele branca. Ao não autorizar a realização dos testes por modelos negras, exigin-
do aspecto próprio de raça ou etnia, o agente de empresa de publicidade estará sujeito a, sem
prejuízo das sanções do crime, a
a) prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igualdade racial.
b) contratação exclusiva de modelos negras modificando a essência da campanha.
c) manutenção da campanha já que a liberdade de criação deve suplantar a intervenção do
Poder Público.
d) proibição de veicular propaganda de seu produto por seis meses.
e) prestação de serviços à comunidade, sendo defeso a realização de atividades de promoção
da igualdade racial.

Letra a.
O delito está tipificado no § 2º do artigo 4º da Lei n. 7.716/1989:

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Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada.


Pena – reclusão de dois a cinco anos.
(…)
§ 2º Ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades
de promoção da igualdade racial, quem, em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento de
trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas ativida-
des não justifiquem essas exigências. (Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010) (Vigência)

Questão 15 (2017/FCC/TST/TÉCNICO JUDICIÁRIO) Considere a situação hipotética descrita.


Veridiana, de religião x, ao tentar matricular seu filho Nelson, também de religião x, no 6º ano
do ensino fundamental, em tradicional Colégio particular com ênfase na religião y, tem a ma-
trícula recusada pela Diretora daquele estabelecimento que demonstra claro menosprezo à
religião professada por Veridiana e Nelson e alega que Nelson não se enquadraria no perfil
de alunos daquele colégio, pois, pelo regulamento interno da escola, é vedada a matrícula de
alunos não praticantes da religião y.
Neste caso,
a) será necessário analisar administrativamente a validade do regulamento interno da insti-
tuição de ensino particular para fins de aplicação de sanção, pelo MEC, de descredenciamento
definitivo.
b) será necessário, analisar a validade do regulamento interno da instituição de ensino parti-
cular para fins de aplicação de sanção, pelo MEC, de suspensão das atividades por até 1 ano.
c) é punível a recusa da inscrição do aluno no 6º ano do Ensino Fundamental, baseado no pre-
conceito à religião x, sob a alegação de que o perfil de alunos da escola é somente de religião
y, independentemente de se tratar de estabelecimento público ou privado de ensino.
d) trata-se apenas de afronta ao princípio da isonomia, não se assemelhando em nada ao
crime de preconceito ou discriminação.
e) é punível a recusa da inscrição do aluno no 6º ano do Ensino Fundamental, baseado no pre-
conceito à religião x, sob a alegação de que o perfil de alunos da escola é somente de religião
y, somente se for em estabelecimento público de ensino.

Letra c.
A conduta descrita está tipificada no artigo 6º c/c artigo 1º da Lei n. 7.716/1989:

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito
de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Art. 6º Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino
público ou privado de qualquer grau.
Pena – reclusão de três a cinco anos.
Parágrafo único. Se o crime for praticado contra menor de dezoito anos a pena é agravada de 1/3
(um terço).

Questão 16 (2017/FCC/DPE-RS/TÉCNICO/SEGURANÇA) João é funcionário público em uma


escola estadual e, no exercício de seu cargo público, impediu o ingresso de um aluno no esta-
belecimento de ensino público em que trabalhava, em função de preconceito religioso. João
foi punido na forma da Lei n. 7.716/1989 e, como efeito da sua condenação, perdeu seu cargo
público, o que ocorre de forma
a) não automática, dependendo da expedição de documento indicativo da pena expedido pelo
órgão em que trabalha.
b) automática, por se tratar de falta grave.
c) automática, por se tratar de tema relacionado à educação.
d) não automática, devendo ser motivadamente declarado na sentença.
e) automática, devido à gravidade da falta cometida pelo servidor.

Letra d.
Os efeitos da condenação não são automáticos, conforme a Lei n. 7.716/1989:

Art. 16. Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor públi-
co, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três
meses.
Art. 18. Os efeitos de que tratam os arts. 16 e 17 desta Lei não são automáticos, devendo ser mo-
tivadamente declarados na sentença.

Questão 17 (2017/IBFC/EMBASA/ASSISTENTE DE LABORATÓRIO) Assinale a alternativa


correta sobre a pena aplicável no caso de alguém recusar, negar ou impedir a inscrição ou in-
gresso de aluno em estabelecimento de ensino público ou privado de qualquer grau de acordo
com as previsões expressas da Lei Federal n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os
crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

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a) Detenção de dois a quatro anos


b) Reclusão de três a cinco anos
c) Detenção de um a cinco anos
d) Reclusão de dois a cinco anos

Letra b.
É o que prevê o artigo 6º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 6º Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino


público ou privado de qualquer grau.
Pena – reclusão de três a cinco anos.
Parágrafo único. Se o crime for praticado contra menor de dezoito anos a pena é agravada de 1/3
(um terço).

Questão 18 (2017/FCC/TRT 24ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO) O dono de um restaurante


recusou o atendimento a um cidadão em seu estabelecimento, em virtude de sua raça. De
acordo com a Lei n. 7.716/1989, a pena prevista é de
a) interdição do estabelecimento comercial.
b) multa.
c) prestação de serviços à comunidade.
d) reclusão.
e) recolhimento domiciliar.

Letra d.
É o que prevê o artigo 8º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais


semelhantes abertos ao público.
Pena – reclusão de um a três anos.

Questão 19 (2017/FCC/TRT 24ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO) Um comerciante publicou


anúncio para recrutamento de trabalhadores, onde exigia aspectos de aparência próprios de
raça, sendo que as atividades do referido emprego não justificam essas exigências. De acordo
com a Lei n. 7.716/1989, esse comerciante está sujeito às penas de

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a) reclusão de dois a cinco anos e prestação de serviços à comunidade.


b) multa e prestação de serviços à comunidade, incluindo atividades de promoção da igual-
dade racial.
c) reclusão de um a três anos e realização de atividades de promoção da igualdade racial.
d) multa e reclusão de um a cinco anos.
e) multa e embargo do estabelecimento.

Letra b.
É o que prevê o artigo 4º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada.


Pena – reclusão de dois a cinco anos.
(…)
§ 2º Ficará sujeito às penas de multa e de prestação de serviços à comunidade, incluindo ativida-
des de promoção da igualdade racial, quem, em anúncios ou qualquer outra forma de recrutamento
de trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de raça ou etnia para emprego cujas ativi-
dades não justifiquem essas exigências. (Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010) (Vigência)

Questão 20 (2017/IBFC/EMBASA/ENGENHEIRO) Assinale a alternativa correta de acordo


com as previsões expressas da Lei Federal n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os
crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.
a) É crime impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da
Administração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos
b) É contravenção penal impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a
qualquer cargo da Administração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de ser-
viços públicos
c) É mero ilícito administrativo impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilita-
do, a qualquer cargo da Administração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de
serviços públicos
d) É mero ilícito civil impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qual-
quer cargo da Administração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços
públicos

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Letra a.
É o que prevê o artigo 3º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 3º Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Admi-
nistração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos.
Pena – reclusão de dois a cinco anos.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça, cor, etnia, re-
ligião ou procedência nacional, obstar a promoção funcional. (Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010)
(Vigência)

Questão 21 (2017/IBFC/EMBASA/AGENTE ADMINISTRATIVO) Assinale a alternativa corre-


ta sobre a pena aplicável no caso de alguém recusar ou impedir acesso a estabelecimento
comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador de acordo com as
previsões expressas da Lei Federal n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes re-
sultantes de preconceito de raça ou de cor.
a) Detenção de um a quatro anos
b) Reclusão de um a três anos
c) Detenção de dois a cinco anos
d) Reclusão de dois a seis anos

Letra b.
É o que dispõe o artigo 5º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou


receber cliente ou comprador.
Pena – reclusão de um a três anos.

Questão 22 (2017/FCC/TJ-SC/JUIZ SUBSTITUTO) Configura crime de preconceito de raça


ou cor
I – obstar promoção funcional em razão de procedência nacional.
II – veicular símbolos que utilizem a cruz suástica para fins de divulgação do nazismo.
III – negar o holocausto para fins de divulgação do nazismo.
IV – incitar a discriminação por procedência nacional.
V – impedir a convivência familiar.

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Está correto o que se afirma APENAS em


a) I, II e III.
b) I, II, IV e V.
c) II, III e IV.
d) III, IV e V.
e) I, III e V.

Letra b.
O item I está previsto no parágrafo único do artigo 3º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 3º Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Admi-
nistração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos.
Pena – reclusão de dois a cinco anos.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça, cor, etnia, re-
ligião ou procedência nacional, obstar a promoção funcional. (Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010)
(Vigência)

O Item II está de acordo com o § 1º do artigo 20 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 20.
(…)
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou
propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação
dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)

O Item III não tem previsão legal.


O Item IV está de acordo com o caput do artigo 20 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de um a três anos e multa.(Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)

O Item V está de acordo com o artigo 14 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 14. Impedir ou obstar, por qualquer meio ou forma, o casamento ou convivência familiar e
social.
Pena – reclusão de dois a quatro anos.

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Questão 23 (2017/CESPE/CEBRASPE/MPE-RR/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO)


João, servidor público estadual, no exercício da função e em razão de preconceito de cor, raça
e religião, impediu o ingresso de um aluno no estabelecimento de ensino público onde era lo-
tado. Lúcio, dono de um estabelecimento comercial, se negou, por motivos semelhantes ao de
João, a atender determinado cliente. Com base na lei sobre crimes resultantes de preconceito
de cor, raça e religião, João estará sujeito à perda do cargo, e o funcionamento do estabeleci-
mento de Lúcio poderá ser suspenso por prazo não superior a três meses.
Nessas situações hipotéticas, os efeitos de eventuais condenações
a) não serão automáticos para João, devendo ser motivadamente declarados na sentença,
mas serão automáticos para Lúcio.
b) serão automáticos tanto para João quanto para Lúcio, não havendo necessidade de serem
motivadamente declarados nas sentenças.
c) não serão automáticos nem para João nem para Lúcio, devendo ser motivadamente decla-
rados nas sentenças.
d) serão automáticos tanto para João quanto para Lúcio, devendo ser motivadamente decla-
rados nas sentenças.

Letra c.
É o que dispõem os artigos 16 e 18 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 16. Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor públi-
co, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três
meses.
Art. 18. Os efeitos de que tratam os arts. 16 e 17 desta Lei não são automáticos, devendo ser mo-
tivadamente declarados na sentença

Questão 24 (2017/CONSULPLAN/TRF 2ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA ADMINIS-


TRATIVA) Nos crimes previstos na Lei n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989 – que define os crimes
resultantes de preconceito de raça ou de cor –, constitui efeito da condenação a perda do
cargo ou função pública, para o servidor público, e a suspensão do funcionamento do estabe-
lecimento particular envolvido por prazo não superior a:
a) 1 mês.

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b) 1 ano.
c) 6 meses.
d) 3 meses.

Letra d.
É o que prevê o artigo 16 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 16. Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor públi-
co, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três
meses.

Questão 25 (2017/CESPE/CEBRASPE/PC-GO/DELEGADO DE POLÍCIA SUBSTITUTO) Uma


jovem de vinte e um anos de idade, moradora da região Sudeste, inconformada com o resulta-
do das eleições presidenciais de 2014, proferiu, em redes sociais na Internet, diversas ofensas
contra nordestinos. Alertada de que estava cometendo um crime, a jovem apagou as mensa-
gens e desculpou-se, tendo afirmado estar arrependida. Suas mensagens, porém, têm sido
veiculadas por um sítio eletrônico que promove discurso de ódio contra nordestinos. No que
se refere à situação hipotética precedente, assinale a opção correta, com base no disposto na
Lei n. 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça e cor.
a) Independentemente de autorização judicial, a autoridade policial poderá determinar a inter-
dição das mensagens ou do sítio eletrônico que as veicula.
b) Configura-se o concurso de pessoas nessa situação, visto que o material produzido pela
jovem foi utilizado por outra pessoa no sítio eletrônico mencionado.
c) O crime praticado pela jovem não se confunde com o de injúria racial.
d) Como se arrependeu e apagou as mensagens, a jovem não responderá por nenhum crime.
e) A conduta da jovem não configura crime tipificado na Lei n. 7.716/1989.

Letra c.
O crime descrito na questão está tipificado no artigo 20 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)

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Pena – reclusão de um a três anos e multa.(Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou
propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação
dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comuni-
cação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)

Injúria racial está tipificada no artigo 140, § 3º, do Código Penal:

Art. 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:


Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.
(…)
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou
a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei n. 10.741, de 2003)
Pena – reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei n. 9.459, de 1997)

Questão 26 (2016/FCC/AL-MS/AGENTE DE POLÍCIA SUBSTITUTO) Nos termos preconiza-


dos pela Lei n 7.716/1989, que define os crimes de preconceito de raça ou de cor, constitui
efeito da condenação, por um dos crimes definidos nesta lei, devendo ser motivadamente
declarado na sentença, a
a) suspensão do exercício do cargo ou função pública, para o servidor público, pelo prazo de
6 meses, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não su-
perior a três anos.
b) perda do cargo ou função pública, para o servidor público, e o fechamento do estabeleci-
mento particular.
c) suspensão do exercício do cargo ou função pública, para o servidor público, pelo prazo de
três meses, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular no mesmo prazo.
d) perda do cargo ou função pública, para o servidor público, e a suspensão do funcionamento
do estabelecimento particular por prazo não superior a seis meses.
e) perda do cargo ou função pública, para o servidor público, e a suspensão do funcionamento
do estabelecimento particular por prazo não superior a três meses.

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Letra e.
A questão está de acordo com o artigo 16 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 16. Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor públi-
co, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três
meses.

Questão 27 (2016/MPE-PR/MPE-PR/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) Assinale a


única alternativa correta:
a) A perda do cargo ou da função pública constitui efeito automático da condenação de servi-
dor público, pela prática de qualquer um dos crimes resultantes de preconceito de raça ou de
cor, previstos na Lei n. 7.716/1989;
b) É constitucional a previsão de inafiançabilidade e imprescritibilidade do crime de racismo,
previsto na Lei n. 7.716/1989;
c) É constitucional a previsão de que os crimes hediondos são inafiançáveis; insuscetíveis
de anistia, graça e indulto e de que a respectiva pena será cumprida em regime inicialmente
fechado;
d) A conduta do diretor de estabelecimento de ensino privado, consistente em recusar a ma-
trícula de aluno portador de HIV, de modo justificado, não configura o crime previsto na Lei n.
12.984/2014;
e) A mera conduta de deixar de notificar à autoridade sanitária a realização de esterilização
cirúrgica, conforme a previsão da Lei n. 9.263/1993, não configura crime, mas infração admi-
nistrativa.

Letra b.
Está conforme o artigo 5º da CF:

XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão,
nos termos da lei;

Questão 28 (2016/FUNCAB/PC-PA/INVESTIGADOR DE POLÍCIA CIVIL) Qual, dentre as con-


dutas a seguir enumeradas, ocorre a incidência de crime diverso daqueles tipificados como

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crime de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional,


conforme previsto na Lei n. 7.716, de 1989?
a) Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino
público ou privado de qualquer grau, por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência racional.
b) Injuriar alguém, utilizando elementos referentes à raça, cor, etnia, religião, origem ou a con-
dição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro.
c) Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer es-
tabelecimento similar, por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência
racional.
d) Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Admi-
nistração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos, por motivo
de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência racional.
e) Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou
receber cliente ou comprador, por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou proce-
dência racional.

Letra b.
A alternativa “b” configura crime de injúria racial, previsto no artigo 140, § 3º, do CP:

Art. 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:


Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.
(…)
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou
a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei n. 10.741, de 2003)
Pena – reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei n. 9.459, de 1997)

Questão 29 (2017/CESPE/CEBRASPE/TRE-BA/TÉCNICO JUDICIÁRIO) Caso um escritor pu-


blique um livro que contenha afirmações discriminatórias contra determinada comunidade
étnica,
a) o escritor não poderá ser condenado por racismo, em razão do princípio da liberdade de
expressão, conforme expresso pela lei pertinente aos crimes de racismo.

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b) os exemplares desse livro que estejam em circulação poderão ser imediatamente recolhi-
dos, por ordem judicial.
c) os exemplares existentes do livro não poderão ser destruídos por ordem judicial, mesmo
após sentença transitada em julgado, por terem constituído prova da materialidade do delito.
d) somente membros da comunidade étnica discriminada terão legitimidade para ingressar
com ação judicial contra o escritor do livro.
e) todos os indivíduos que adquirirem o referido livro serão, em consequência dessa compra,
sujeitos ativos de crime resultante de preconceito de raça.

Letra b.
É o que prevê o artigo 20 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de um a três anos e multa.(Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou
propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação
dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comuni-
cação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pe-
dido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: (Redação dada pela Lei n.
9.459, de 15/05/97)
I – o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;(Inclu-
ído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
(…)

Questão 30 (2016/CESPE/CEBRASPE/PC-PE/DELEGADO DE POLÍCIA) Da sentença penal se


extraem diversas consequências jurídicas e, quando for condenatória, emergem-se os efeitos
penais e extrapenais. Acerca dos efeitos da condenação penal, assinale a opção correta.
a) A licença de localização e de funcionamento de estabelecimento onde se verifique prática
de exploração sexual de pessoa vulnerável, em caso de o proprietário ter sido condenado por
esse crime, não será cassada, dada a ausência de previsão legal desse efeito da condenação
penal.

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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b) A condenação por crime de racismo cometido por proprietário de estabelecimento comer-


cial sujeita o condenado à suspensão do funcionamento de seu estabelecimento, pelo prazo
de até três meses, devendo esse efeito ser motivadamente declarado na sentença penal con-
denatória.
c) Segundo o CP, constitui efeito automático da condenação a perda de cargo público, quando
aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes prati-
cados com abuso de poder ou violação de dever para com a administração pública.
d) A condenação por crime de tortura acarretará a perda do cargo público e a interdição tem-
porária para o seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada, desde que fundamentada
na sentença condenatória, não sendo efeito automático da condenação.
e) A condenação penal pelo crime de maus-tratos, com pena de detenção de dois meses a
um ano ou multa, ocasiona a incapacidade para o exercício do poder familiar, quando come-
tido pelo pai contra filho, devendo ser motivado na sentença condenatória, por não ser efeito
automático.

Letra b.
A alternativa está de acordo com o artigo 16 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 16. Constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função pública, para o servidor públi-
co, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por prazo não superior a três
meses.

Questão 31 (2016/CONSULPLAN/TJ-MG/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGIS-


TROS) De acordo com a Lei n. 7.716/1989, constitui crime
a) fabricar ornamentos que utilizem a cruz suástica.
b) distribuir distintivos que utilizem a cruz suástica.
c) comercializar emblemas que utilizem a cruz gamada, para fins de divulgação do nazismo.
d) fabricar símbolos que utilizem a cruz gamada, para fins de divulgação do cristianismo.

Letra c.
É o que está previsto no artigo 20 da Lei n. 7.716/1989:

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional.
Pena – Reclusão de um a três anos e multa.
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou
propaganda que utilizem a cruz suástica ou gama, para fins de divulgação do nazismo. Pena: re-
clusão de dois a cinco anos e multa.
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comuni-
cação social ou publicação de qualquer natureza:
Pena – Reclusão de dois a cinco anos e multa.

Questão 32 (2015/IBFC/SAEB-BA/ANALISTA DE REGISTRO DE COMÉRCIO) Assinale a alter-


nativa correta sobre a pena prevista para quem “Impedir o acesso ou recusar atendimento
em salões de cabeleireiros, barbearias, termas ou casas de massagem ou estabelecimento
com as mesmas finalidades” nos termos da Lei Federal n. 7.716, de 05/01/1989 que define os
crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.
a) Pena de reclusão de dois a quatro anos.
b) Pena de detenção de um a três anos.
c) Pena de serviços comunitários.
d) Pena de pagamento de indenização por dano material.
e) Pena de suspensão do funcionamento do estabelecimento particular por até três meses.

Letra e.
É o que prevê o artigo 10 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 10. Impedir o acesso ou recusar atendimento em salões de cabeleireiros, barbearias, termas ou
casas de massagem ou estabelecimento com as mesmas finalidades.
Pena – reclusão de um a três anos.

Questão 33 (2015/IBFC/EMBASA/ANALISTA DE SANEAMENTO) Assinale a alternativa cor-


reta considerando as disposições da lei federal n. 7.716, de 05/01/1989, que define os crimes
resultantes de preconceito de raça ou de cor.
a) Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer esta-
belecimento similar é crime punível com detenção de dois a cinco anos.

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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b) Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais


semelhantes abertos ao público é crime punível com reclusão de um a três anos.
c) Impedir o acesso ou recusar atendimento em estabelecimentos esportivos, casas de diver-
sões, ou clubes sociais abertos ao público é crime punível com reclusão de um a dois anos.
d) Impedir o acesso ou recusar atendimento em salões de cabeleireiros, barbearias, termas
ou casas de massagem ou estabelecimento com as mesmas finalidades é crime punível com
detenção de um a cinco anos.

Letra b.
Está prevista no artigo 8º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais


semelhantes abertos ao público.
Pena – reclusão de um a três anos.

Questão 34 (2015/IBFC/EMBASA/ASSISTENTE DE SANEAMENTO) Assinale a alternativa


correta considerando as disposições da lei federal n. 7.716, de 05/01/1989, que define os
crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.
a) Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Ad-
ministração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos é crime
punível com reclusão de dois a cinco anos.
b) Obstar a promoção funcional por motivo de discriminação de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional é crime punível com reclusão de três a seis anos.
c) Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou
receber cliente ou comprador é crime punível com detenção de um a dois anos.
d) Recusar, negar ou impedir a inscrição ou ingresso de aluno em estabelecimento de ensino
público ou privado de qualquer grau é crime punível com reclusão de um a três anos.

Letra a.
É o que dispõe o artigo 3º da Lei n. 7.716/1989:

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Art. 3º Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Admi-
nistração Direta ou Indireta, bem como das concessionárias de serviços públicos.
Pena – reclusão de dois a cinco anos.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça, cor, etnia, re-
ligião ou procedência nacional, obstar a promoção funcional. (Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010)
(Vigência)

Questão 35 (2015/FCC/TJ/SC/JUIZ SUBSTITUTO) Considere a seguinte conduta descrita:


Publicar ilustração de recém-nascidos afrodescendentes em fuga de sala de parto, associa-
do aos dizeres de um personagem (supostamente médico) de cor branca “Segurança! É uma
fuga em massa!”. Tal conduta amolda-se à seguinte tipificação legal:
a) Não se amolda a tipificação legal por se tratar de ofensa social e não de conteúdo racial.
b) Injúria, prevista no art. 140 do Código Penal.
c) Crime de racismo, previsto na Lei n 7.716/1989.
d) Difamação, prevista no art. 139 do Código Penal.
e) Não se amolda a tipificação legal por se tratar de liberdade de expressão − direito de charge.

Letra c.
Configura a conduta do artigo 20 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de um a três anos e multa.(Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou
propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação
dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comuni-
cação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)

Questão 36 (2015/VUNESP/PC-CE/ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL) De acordo com a Lei n


7.716/1989, é típica a conduta de fabricar bandeiras estampadas com a cruz suástica?
a) Sim, mas se trata de crime que se processa mediante ação pública condicionada à repre-
sentação do ofendido.

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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b) Não, em atenção ao princípio constitucional da liberdade de expressão.


c) Sim, se trata de crime que se processa mediante ação privada.
d) Sim, desde que fabricada com o fim de divulgar o nazismo.
e) Sim, desde que sem prévia autorização da autoridade competente.

Letra d.
É o que dispõe o § 1º do artigo 20 da Lei n. 7.716/1989:

§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou


propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação
dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)

Questão 37 (2014/CESPE/CEBRASPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO)


Julgue o item que segue, relativo aos crimes contra as pessoas com deficiência, aos crimes
resultantes de preconceito de raça ou de cor e ao Estatuto da Igualdade Racial.
Caso uma manicure, empregada de um salão de beleza, recuse atendimento a uma cliente
apenas por esta ser de origem africana, e essa cliente, ofendida, deixe o estabelecimento, tal
recusa tipificará o crime de racismo.

Certo.
Sim, conforme o artigo 10 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 10. Impedir o acesso ou recusar atendimento em salões de cabeleireiros, barbearias, termas ou
casas de massagem ou estabelecimento com as mesmas finalidades.
Pena – reclusão de um a três anos.

Questão 38 (2014/MPE-SC/MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA) Analise o enunciado da


questão abaixo e assinale se ele é Certo ou Errado.
Responde pela prática do crime de injúria racial, disposto no § 3º do artigo 140 do Código
Penal Brasileiro e não pelo artigo 20 da Lei n. 7.716/1989 (Discriminação Racial) pessoa que
ofende uma só pessoa, chamando-lhe de macaco e negro sujo.

Certo.
É conduta tipificada no § 3º do artigo 140 do CP:

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Art. 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:


Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.
(…)
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou
a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei n. 10.741, de 2003)
Pena – reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei n. 9.459, de 1997)

Questão 39 (2014/VUNESP/TJ-PA/JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO) “X” é negro e jogador de


futebol profissional. Durante uma partida é chamado pelos torcedores do time adversário de
macaco e lhe são atiradas bananas no meio do gramado. Caso sejam identificados os torce-
dores, é correto afirmar que, em tese,
a) responderão pelo crime de preconceito de raça ou de cor, nos termos da Lei n. 7.716/1989.
b) responderão pelo crime de racismo, nos termos da Lei n. 7.716/1989.
c) responderão pelo crime de difamação, nos termos do art. 139 do Código Penal, entretanto,
com o aumento de pena previsto na Lei n. 7.716/1989.
d) não responderão por crime algum, tendo em vista que esse tipo de rivalidade entre as tor-
cidas é própria dos jogos de futebol, restando apenas a punição na esfera administrativa.
e) responderão pelo crime de injúria racial, nos termos do art. 140, § 3º do Código Penal.

Letra e.
Está disposto no artigo 140, § 3º, do CP:

Art. 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:


Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.
(…)
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou
a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei n. 10.741, de 2003)
Pena – reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei n. 9.459, de 1997)

Questão 40 (2014/CESPE/CEBRASPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/TÉCNICO LEGISLATIVO/


AGENTE DE POLÍCIA LEGISLATIVA) Em relação aos crimes previstos na parte especial do Có-
digo Penal, ao crime de abuso de autoridade e ao que dispõem o Estatuto do Idoso e a Lei
contra o Preconceito, julgue os próximos itens.

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Conforme a lei que prevê condutas discriminatórias, cometerá crime de discriminação ou pre-
conceito o agente que impedir o acesso de idoso a edifício público pelas entradas sociais.

Errado.
Esta conduta não está tipificada na Lei n. 7.716/1989, mas sim no artigo 96 do Estatuto do
Idoso (Lei n. 10.741/2003):

Art. 96. Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias,
aos meios de transporte, ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento neces-
sário ao exercício da cidadania, por motivo de idade:
Pena – reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa.
§ 1º Na mesma pena incorre quem desdenhar, humilhar, menosprezar ou discriminar pessoa idosa,
por qualquer motivo.
§ 2º A pena será aumentada de 1/3 (um terço) se a vítima se encontrar sob os cuidados ou respon-
sabilidade do agente.

Questão 41 (2013/VUNESP/TJ-SP/ADVOGADO) Nos termos da Lei n. 7.716/1989, a qual


versa sobre delitos de preconceito ou discriminação racial, pratica crime aquele que, em vir-
tude de preconceito de raça, impede ou obsta.
a) o acesso de alguém a restaurantes, bares, confeitarias ou locais semelhantes, ainda que
não abertos ao público.
b) o acesso de alguém aos veículos de transportes públicos e privados, como aviões, navios,
barcos, ônibus, trens, metrô ou qualquer outro meio de transporte.
c) o acesso ou recusa atendimento de alguém em estabelecimentos esportivos, casas de di-
versões ou clubes sociais, ainda que não abertos ao público.
d) o casamento de alguém, por qualquer meio ou forma, excluindo-se outros modos de con-
vivência familiar e social.
e) o acesso de alguém às entradas sociais de edifícios públicos ou residenciais, bem como
aos elevadores ou às escadas desses locais.

Letra e.
É o que dispõe o artigo 11 da Lei n. 7.716/1989:

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Art. 11. Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou
escada de acesso aos mesmos:
Pena – reclusão de um a três anos.

Questão 42 (2013/COPS-UEL/PC-PR/DELEGADO DE POLÍCIA) Quantos aos crimes de racis-


mo definidos na Lei n. 7.716/1989, assinale a alternativa correta.
a) A incitação pública ao racismo constitui delito de incitação ao crime definido no Art. 286 do
Código Penal, não havendo na referida Lei disposição sobre tal conduta.
b) No caso de incitação ou induzimento ao preconceito racial praticado através da rede mun-
dial de computadores, poderá o juiz determinar a interdição da mensagem ou página de in-
formação.
c) São crimes de ação penal pública condicionada, dependendo de representação da vítima
para propositura da ação penal.
d) A injúria qualificada pelo preconceito racial é crime definido na referida Lei, não se aplican-
do o crime de injúria definido no Art. 140 do Código Penal.
e) Não constitui crime definido na referida Lei o empregador que, motivado pelo preconceito
racial, não conceder os equipamentos necessários ao empregado em igualdade de condições
com os demais trabalhadores.

Letra b.
É o que dispõe o artigo 20 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
(…)
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comuni-
cação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pe-
dido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: (Redação dada pela Lei n.
9.459, de 15/05/97)
(…)
III – a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de com-
putadores. (Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010) (Vigência)

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Questão 43 (2013/CESPE/CEBRASPE/PC-BA/DELEGADO DE POLÍCIA) Considerando o que


dispõe a legislação atual acerca de discriminação, julgue o item que se segue.
Pratica crime o empregador que, por motivo de discriminação de raça ou cor, deixar de con-
ceder equipamentos necessários ao empregado, em igualdade de condições com os demais
trabalhadores.

Certo.
Está conforme o artigo 4º, § 1º, inciso I da Lei n. 7.716/1989:

Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada.


Pena – reclusão de dois a cinco anos.
§ 1º Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça ou de cor ou práticas resul-
tantes do preconceito de descendência ou origem nacional ou étnica: (Incluído pela Lei n. 12.288,
de 2010) (Vigência)
I – deixar de conceder os equipamentos necessários ao empregado em igualdade de condições
com os demais trabalhadores; (Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010) (Vigência)

Questão 44 (2012/CESPE/CEBRASPE/TRE-RJ/ANALISTA JUDICIÁRIO) A respeito dos deli-


tos resultantes de preconceito (Lei n. 7.716/1989) e das disposições da parte especial do
Código Penal, julgue o item seguinte.
Aquele que imputar a outrem termos pejorativos referentes à sua raça, com o nítido intuito de
lesão à sua honra, deverá responder pelo crime de racismo.

Errado.
Responderá por injúria racial prevista no § 3º do artigo 140 do CP:

Art. 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:


Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.
(…)
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou
a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei n. 10.741, de 2003)
Pena – reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei n. 9.459, de 1997)

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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Questão 45 (2011/TJ-PR/TJ-PR/JUIZ) A Lei Ordinária n. 7.716, de 05 de janeiro de 1989,


dispõe sobre os Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça e Cor, sendo CORRETO afirmar
que:
a) Serão punidos na forma da Lei Ordinária 7.716/1989 os crimes resultantes de discrimina-
ção ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional e sexo.
b) Constitui crime punido com prisão simples o ato de impedir o acesso ou recusar hospeda-
gem em hotel, pensão, estalagem ou qualquer estabelecimento similar em razão de discrimi-
nação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional.
c) É considerada criminosa a conduta de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou pre-
conceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
d) Os efeitos decorrentes da condenação pela prática de crimes previstos na Lei Ordinária n.
7.716/1989 são automáticos, dispensando a sua fundamentação na sentença.

Letra c.
É a conduta descrita no caput do artigo 20 da Lei n. 7.716/1989:

Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional. (Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)
Pena – reclusão de um a três anos e multa.(Redação dada pela Lei n. 9.459, de 15/05/97)

Questão 46 (2012/CESPE/CEBRASPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO) Com relação aos delitos


de preconceito e de lavagem de dinheiro e dos delitos contra o sistema financeiro nacional,
julgue os próximos itens.
O fato de um empresário, por preconceito em relação à cor de determinado empregado, impe-
dir a sua ascensão funcional na empresa, configurará delito contra a organização do trabalho,
e não crime resultante de preconceito.

Errado.
A conduta está descrita na Lei n. 7.716/1989, em seu artigo 4º, § 1º, inciso II:

Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada.


Pena – reclusão de dois a cinco anos.

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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§ 1º Incorre na mesma pena quem, por motivo de discriminação de raça ou de cor ou práticas resul-
tantes do preconceito de descendência ou origem nacional ou étnica: (Incluído pela Lei n. 12.288,
de 2010) (Vigência)
(…)
II – impedir a ascensão funcional do empregado ou obstar outra forma de benefício profissional;
(Incluído pela Lei n. 12.288, de 2010) (Vigência)

Questão 47 (2012/CESPE/CEBRASPE/AGU/ADVOGADO DA UNIÃO) Com relação aos delitos


de preconceito e de lavagem de dinheiro e dos delitos contra o sistema financeiro nacional,
julgue os próximos itens.
O crime de racismo praticado por meio da rede mundial de computadores consuma-se no
local onde sejam recebidas as manifestações racistas.

Errado.
Conforme jurisprudência do STJ, a consumação ocorre no local onde foram enviadas as ma-
nifestações racistas:

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. CRIME DE RACISMO PELA INTERNET.


MENSAGENS ORIUNDAS DE USUÁRIOS DOMICILIADOS EM DIVERSOS ESTADOS.
IDENTIDADE DE MODUS OPERANDI. TROCA E POSTAGEM DE MENSAGENS DE CUNHO
RACISTA NA MESMA COMUNIDADE DO MESMO SITE DE RELACIONAMENTO.
OCORRÊNCIA DE CONEXÃO INSTRUMENTAL. NECESSIDADE DE UNIFICAÇÃO DO PRO-
CESSO PARA FACILITAR A COLHEITA DA PROVA. INTELIGÊNCIA DOS ARTS.
76, III, E 78, AMBOS DO CPP. PREVENÇÃO DO JUÍZO FEDERAL PAULISTA, QUE INICIOU E
CONDUZIU GRANDE PARTE DAS INVESTIGAÇÕES. PARECER DO MPF PELA COMPETÊN-
CIA DO JUÍZO FEDERAL DE SÃO PAULO. CONFLITO CONHECIDO, PARA DECLARAR COM-
PETENTE O JUÍZO FEDERAL DA 4A. VARA CRIMINAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE SÃO
PAULO, O SUSCITADO, DETERMINANDO QUE ESTE COMUNIQUE O RESULTADO DESTE
JULGAMENTO AOS DEMAIS JUÍZOS FEDERAIS PARA OS QUAIS HOUVE A DECLINAÇÃO
DE COMPETÊNCIA.
1. Cuidando-se de crime de racismo por meio da rede mundial de computadores, a con-
sumação do delito ocorre no local de onde foram enviadas as manifestações racistas.
(…)
(CC 102.454/RJ, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, TERCEIRA SEÇÃO, julgado
em 25/03/2009, DJe 15/04/2009)

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
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Questão 48 (2012/MPT/MPT/PROCURADOR DO TRABALHO) NÃO constitui crime previsto


na Lei n. 7.716/1989, que tipifica os ilícitos resultantes de preconceito:
a) Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares, confeitarias, ou locais
semelhantes abertos ao público.
b) Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou
escada de acesso aos mesmos.
c) Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional.
d) Ofender ou ameaçar alguém, por palavra, gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de cau-
sar-lhe mal injusto e grave, em virtude de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Letra d.
A alternativa “d” não está tipificada na Lei n. 7.716/1989, mas sim no CP, como injúria racial:

Art. 140. Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:


Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.
(…)
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou
a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei n. 10.741, de 2003)
Pena – reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei n. 9.459, de 1997)

Questão 49 (2008/PC-RJ/PC-RJ/INSPETOR DE POLÍCIA/ADAPTADA) Segundo a Lei n.


7.716/1989, a conduta relacionada a seguir constitui crime de racismo:
Constranger alguém com emprego de violência ou ameaça, causando-lhe sofrimento físico
em razão de discriminação racial ou religiosa.

Errado.
Está tipificada na Lei de Tortura (Lei n. 9.455/1997):

Art. 1º Constitui crime de tortura:


I – constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento
físico ou mental:
(…)
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;

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Questão 50 (2008/PC-RJ/PC-RJ/INSPETOR DE POLÍCIA/ADAPTADA) Segundo a Lei n.


7.716/1989, a conduta relacionada a seguir constitui crime de racismo:
Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer estabe-
lecimento similar.
Certo.
Está prevista no artigo 7º da Lei n. 7.716/1989:

Art. 7º Impedir o acesso ou recusar hospedagem em hotel, pensão, estalagem, ou qualquer esta-
belecimento similar.
Pena – reclusão de três a cinco anos.

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REFERÊNCIAS

BALTAZAR JÚNIOR, José Paulo. Crimes Federais. Editora Saraiva.

SANCHES, R.; BATISTA PINTO, R.; SOUZA, R. Leis Penais Especiais. Editora JusPodiVm.

ANDREUCCI, Ricardo Antonio. Legislação penal especial. 5ª ed. rev. e atual. São Paulo. Sarai-
va. 2009.

BALTAZAR JÚNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 11 ed. São Paulo: Saraiva, 2017.

BRASIL. Código Penal. Instituído pelo Decreto-lei n. 2.848 de 07 de dezembro de 1940. Rio de
Janeiro, 7 de dezembro de 1940; 119º da Independência e 52º da República. Presidente Ge-
túlio Vargas. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848com-
pilado.htm>.

________. Lei Afonso Arinos. Instituída pela Lei n. 1.390 de 03 de julho de 1951. Rio de Janeiro,
3 de julho de 1951; 130º da Independência e 63º da República. Presidente Getúlio Vargas.
Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L1390.htm>.

________. Convenção Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação


Racial. Promulgada pelo Decreto n.65.810 de 08 de dezembro de 1969. Brasília, 08 de dezem-
bro de 1969; 148º da Independência e 81º da República. Presidente Emílio G. Médici. Disponí-
vel em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1950-1969/D65810.html>

________. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Subchefia para Assuntos


Jurídicos – Casa Civil – Presidência da República. Disponível em: < http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/>.

________. Lei dos Crimes de Preconceito de Raça ou Cor. Definidos pela Lei n. 7.716 de 05
de janeiro de 1989. Brasília, 5 de janeiro de 1989; 168º da Independência e 101º da Repú-
blica. Presidente José Sarney. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
L7716compilado.htm>.

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Lei n. 7.716/1989 – Crimes Resultantes de Preconceitos de Raça ou de Cor
Sérgio Bautzer

________. Estatuto da Igualdade Racial. Instituído pela Lei n. 12.288 de 10 de julho de 2010. Bra-
sília, 20 de julho de 2010; 189º da Independência e 122º da República. Presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/
Lei/L12288.htm>.

CUNHA, Rogério Sanches. Leis penais especiais: comentadas. Coordenadores Rogério San-
ches Cunha, Ronaldo Batista Pinto, Renee de Ó Souza – 3. ed. ver., atual. e ampl. – Salvador:
Ed. JusPodivm, 2020.

DELMANTO, Celso e outros. Código Penal comentado. 6ª ed. – Rio De Janeiro: Renovar, 2002.

GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal: parte especial. Volume II. Introdução à teoria geral da
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KAUFMANN, Roberta Fragoso Menezes. Ações afirmativas à brasileira: necessidade ou mito?


R. Jur. UNIJUS. Uberaba-MG, V.10, n. 13, p.117-144, novembro, 2007.

LAFER, Celso. RACISMO – o STF e o caso Ellwnager. Disponível em: <http://afrobras.org.br/


index.php?option=content&task=view&id=305>.

NUCCI, Guilherme de Souza. Leis penais e processuais penais comentadas. 4ª ed. São Paulo.
Ed. Revista dos Tribunais. 2009.

Sérgio Bautzer
Delegado da Polícia Civil do Distrito Federal. Bacharel em Direito, Professor de Legislação Especial e
Direito Processual Penal, Professor de cursos preparatórios, graduação e pós-graduação.

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