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UNIVERSIDADE REGIONAL INTEGRADA DO ALTO URUGUAI E DAS MISSÕES

PRÓ-REITORIA DE ENSINO, PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO


CÂMPUS DE SANTIAGO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE FARMÁCIA

RAÍSSA DALOSTO COUTO

A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DAS ESTRATÉGIAS DE


SAÚDE DA FAMÍLIA QUANTO AO USO DE MEDICAMENTOS
FITOTERÁPICOS NA ATENÇÃO BÁSICA DO MUNICÍPIO DE SANTIAGO RS

SANTIAGO – RS
2018
RAÍSSA DALOSTO COUTO

A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DAS ESTRATÉGIAS DE


SAÚDE DA FAMÍLIA QUANTO AO USO DE MEDICAMENTOS
FITOTERÁPICOS NA ATENÇÃO BÁSICA DO MUNICÍPIO DE SANTIAGO RS

Trabalho de conclusão de curso


apresentado como requisito
parcial à obtenção do grau de
Farmacêutico, Departamento de
Ciências da Saúde da
Universidade Regional Integrada
do Alto Uruguai e das Missões –
Campus de Santiago.

Orientador (a): Prof M.a Liana


Pedrolo Canterle

SANTIAGO - RS
2018
RAÍSSA DALOSTO COUTO

A PERCEPÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DAS ESTRATÉGIAS DE


SAÚDE DA FAMÍLIA QUANTO AO USO DE MEDICAMENTOS
FITOTERÁPICOS NA ATENÇÃO BÁSICA DO MUNICÍPIO DE SANTIAGO RS

Trabalho de conclusão de curso


apresentado como requisito
parcial à obtenção do grau de
Farmacêutico, Departamento de
Ciências da Saúde da
Universidade Regional Integrada
do Alto Uruguai e das Missões –
Campus de Santiago.

Santiago, 12 de julho de 2018.

BANCA EXAMINADORA

__________________________________________
Prof. M.a Liana Pedrolo Canterle
URI Campus de Santiago

__________________________________________
Prof. M.a Catiúscia Molz de Freitas
URI Campus de Santiago

__________________________________________
Esp. Deise Bruning Kurrle
Farmacêutica SMS Santiago RS
AGRADECIMENTOS

Agradeço а minha mãe Dinara, heroína qυе deu-me apoio, incentivo nas
horas difíceis, de desânimo е cansaço. Ao mеυ pai Aldacir, que me auxiliou
durante o andamento da pesquisa deslocando-se aos ESF’s do município, para
recolher os questionários. Agradeço também a minha irmã Rafaela que nos
momentos de minha ausência dedicados ао estudo, sempre entendeu qυе о
futuro é feito а partir da constante dedicação no presente! Aos meus avós Elísio
e Gelsi pelo incentivo е apoio incondicional nesta jornada.
Ao meu querido Alex, homem extremamente paciente e compreensivo
quanto a minha ausência e o adiamento de diversos planos, o qual fez parte de
cada palavra a seguir descrita, dedicando seu tempo a leitura do projeto de
pesquisa e dos resultados, mesmo estando há 2 mil Km de distância sempre
muito presente em minha vida e em cada tomada de decisão.
À minha querida amiga Maiara Corrêa, que me auxiliou nesta pesquisa e que
também esteve ao meu lado em diversos momentos ao longo da minha trajetória.
Meu agradecimento imensamente especial ао querido amigo e farmacêutico Dr.
Nilton Luz Netto Júnior, chefe do Núcleo de Farmácia Vida do Distrito Federal,
por todo o apoio incondicional que desempenhou durante a elaboração do
referencial teórico desta pesquisa, por um objetivo único e maior em contribuir
para a ampliação e difusão dos conhecimentos sobre fitoterapia no Brasil e
dentro da rede pública de saúde brasileira.
Desejo expressar meus agradecimentos mais sinceros a minha orientadora
e professora a mestre Liana Pedrolo Canterle, que me apresentou os muitos
rumos que a profissão farmacêutica pode tomar e me ensinou a amar o Sistema
Único de Saúde (SUS) e o Farmacêutico no SUS.
À Secretaria Municipal de Saúde do município de Santiago, pela autorização
da aplicação dos questionários de pesquisa. Aos médicos e enfermeiros das
Estratégias de Saúde da Família, ao Dr. Fernando Jardim, cirurgião-dentista
responsável pelo Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) por sua
gentileza e receptividade com esta pesquisa, também a Universidade Regional
Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI campus de Santiago, por me
proporcionar o ambiente para o desenvolvimento das minhas habilidades
profissionais.
“...e cujas as folhas servem como remédio
para curar as nações”.
(Apocalipse 22:2 – Bíblia Sagrada- NVT)
RESUMO

A fitoterapia é uma “terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais em


suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas
isoladas, ainda que de origem vegetal”. De acordo com dados do Ministério da
Saúde ações/serviços institucionalizados envolvendo a fitoterapia são ofertadas
em sua maioria na Atenção Básica, por meio da Estratégia Saúde da Família
(ESF). Esta pesquisa foi desenvolvida a partir da aplicação de um questionário
aos profissionais prescritores das Unidades Básicas de Saúde do Município de
Santiago, incluindo o Centro de Especialidades odontológicas, onde se obteve
um total de 27 profissionais participantes (médicos, dentistas e enfermeiros). Foi
possível exemplificar com esta pesquisa a existência de um complexo de
saberes e olhares que envolvem a inserção de Práticas Integrativas e
Complementares como a fitoterapia na Atenção Básica. Foi constatado através
deste estudo que não existem fitoterápicos disponíveis na farmácia básica e não
há nenhum desenvolvimento de políticas públicas nesse sentido no município
Os profissionais que demonstraram conhecer a Política Nacional de Práticas
Integrativas e Complementares (PNPIC) e opinaram a respeito do fortalecimento
do desta prática dentro do SUS. Alguns profissionais acreditam que se bem
aplicadas podem contribuir positivamente os usuários da atenção básica, outros
afirmam veementemente que as práticas são uma necessidade de extrema
urgência na atenção primária, porém é unânime entre as opiniões a necessidade
de maior comprovação científica na área e capacitação dos profissionais
atuantes. No município de Santiago, os profissionais participantes desta
pesquisa mostraram-se favoráveis a inserção desta prática afirmando que se
fosse institucionalizada a fitoterapia, com a devida comprovação científica, apoio
logístico e estrutural da gestão municipal, eles incorporariam esta prática no
cotidiano da Atenção Básica.

Palavras chaves:
Práticas Integrativas e Complementares, Atenção Básica, SUS, Fitoterapia.
ABSTRACT

Phytotherapy is a "therapy characterized by the use of medicinal plants in their


different pharmaceutical forms, without the use of isolated active substances,
although of vegetal origin". According to data from the Ministry of Health,
institutionalized actions / services involving phytotherapy are offered mostly in
Primary Care, through the Family Health Strategy (ESF). This research was
developed based on the application of a questionnaire to the prescribing
professionals of the Basic Health Units of the City of Santiago, including the
Center of Dental Specialties, where a total of 27 participating professionals
(doctors, dentists and nurses) were obtained. It was possible to exemplify with
this research the existence of a complex of knowledge and looks that involve the
insertion of Integrative and Complementary Practices as phytotherapy in Primary
Care. It was verified through this study that there are no phytotherapies available
in the basic pharmacy and there is no development of public policies in this sense
in the municipality. The professionals who demonstrated to know the National
Policy of Integrative and Complementary Practices (PNPIC) and opined on the
strengthening of this practice within SUS. Some professionals believe that if well
applied can contribute positively to users of basic care, others strongly affirm that
practices are a necessity of extreme urgency in primary care, however it is
unanimous among the opinions the need for greater scientific evidence in the
area and professional qualification acting. In the city of Santiago, the
professionals participating in this research were favorable to the insertion of this
practice, stating that if phytotherapy was institutionalized, with proper scientific
evidence, logistical and structural support of municipal management, they would
incorporate this practice into the daily routine of Primary Care.

Key words: Integrative and Complementary Practices, Basic Care, SUS,


Phytotherapy.
SUMÁRIO
1.INTRODUÇÃO....................................................................................................................................9

2.OBJETIVOS ......................................................................................................................................11

2.1 OBJETIVO GERAL .........................................................................................................................11


2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................................................11

3.REFERENCIAL TEÓRICO ..............................................................................................................12

3.1 POLÍTICA NACIONAL DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES (PNPIC) E A POLÍTICA


NACIONAL DE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS .....................................................................12
3.2 FITOTERAPIA ...............................................................................................................................14
3.2.1 Conceitos em Fitoterapia .................................................................................................17
3.2.2 Papel dos profissionais da saúde na consolidação do uso de plantas medicinais e de
fitoterápicos .................................................................................................................................17
3.3 MUNICÍPIO DE SANTIAGO .............................................................................................................18

4.METODOLOGIA...............................................................................................................................21

5.RESULTADOS .................................................................................................................................22

6.DESENVOLVIMENTO .....................................................................................................................26

7.DISCUSSÃO .....................................................................................................................................28

8.CONCLUSÃO ...................................................................................................................................32

REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................33
9

1.INTRODUÇÃO

As primeiras políticas públicas no Brasil tinham como objetivo apenas o


enfrentamento das epidemias, principalmente febre amarela e varíola,
(ESCOREL, 2005). Em 1986, com à realidade social de exclusão dos direitos à
saúde da maioria da população, ocorreu a VIII Conferência Nacional de Saúde
(CNS), que contou com a participação de técnicos do setor saúde, de gestores
e da sociedade organizada, propondo um modelo de proteção social com a
garantia do direito à saúde integral, onde a saúde passou a ser definida como o
resultado não apenas das condições de alimentação, habitação, educação,
trabalho, lazer e acesso aos serviços de saúde, mas, sobretudo, da forma de
organização da produção na sociedade e das desigualdades nela existentes
(COSTA, 2013).
Em outubro de 1988, com a promulgação da nova Constituição Federal,
houve um completo retorno do país ao regime democrático (BRAGA, 1998). E
neste contexto de implantação de um estado de bem-estar social, a nova carta
constitucional transformava a saúde em direito de cidadania dando origem ao
processo de criação de um sistema público, universal e descentralizado de
saúde (PAIVA, 2014).
Em 19 de setembro de 1990, foi então aprovada a Lei Federal nº 8.080, a
chamada Lei Orgânica da Saúde (LOS), elaborada pela Comissão Nacional de
Reforma Sanitária (CNRS), que dispunha sobre as condições para a promoção,
a proteção e a recuperação da Saúde (NETO, 2010). Em meio a todas estas
transformações, deu-se início a construção da Política Nacional de Práticas
Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde (SUS),
durante a 10ª Conferência Nacional de Saúde, em 1996, onde houve a proposta
de incorporar ao SUS as terapias alternativas e práticas populares,
especificamente o incentivo à fitoterapia (ELDIN, DUNFORD, 2001).
A fitoterapia é uma “terapêutica caracterizada pelo uso de plantas
medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de
substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal”. O uso de plantas
medicinais na arte curativa é uma forma de tratamento com suas origens antigas,
10

e até relacionada aos primórdios da medicina e fundamentada no acúmulo de


informações por sucessivas gerações (BRASIL, 2015).
O Brasil, por sua vez, possui um grande potencial para o desenvolvimento
da utilização da Fitoterapia, tendo a maior diversidade vegetal do mundo além
do interesse popular e institucional que vêm crescendo no sentido de fortalecer
a fitoterapia no SUS (BRASIL, 2015). Segundo o Ministério da Saúde,
ações/serviços institucionalizados envolvendo a fitoterapia são ofertadas em sua
maioria na Atenção Básica, por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF)
(BRASIL, 2009).
Utilizar plantas medicinais e fitoterápicos na atenção básica se apresenta
como uma alternativa à referência biomédica de saúde, e atualmente existem
programas estaduais e municipais de fitoterapia (presente em 350 municípios,
contemplando 22 unidades federadas), porém ainda não foi implantada no
município de Santiago, no estado do Rio Grande do Sul (BRASIL, 2012;
TOMAZZONI, 2005; 2006). As discussões em torno da implantação da
fitoterapia na rede municipal de saúde, ou na atenção primária de saúde, se
tornam contraditórias em relação aos preceitos da biomedicina (ARAÚJO M.,
2002).
A fitoterapia apresenta-se como uma possibilidade de atuar como
coadjuvante nos tratamentos alopáticos, desde que sejam levadas em
consideração suas possíveis complicações. Faz-se necessário um
conhecimento por parte dos profissionais de saúde que estarão atuando e
indicando a terapia aos pacientes (BRUNING, M.C.R et al., 2012). Dentro desse
contexto, nas páginas subsequentes serão apresentadas os resultados,
discussão e as conclusões sobre a inserção da fitoterapia no SUS do município
de Santiago.
11

2.OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral

Conhecer o processo de trabalho dos profissionais de nível superior da


estratégia saúde da família (enfermeiros, médicos e odontólogos) de Santiago
(RS) quanto à inserção da fitoterapia na Atenção Básica no município.

2.2 Objetivos Específicos

 Verificar o conhecimento dos profissionais envolvidos sobre esta prática


terapêutica, seu uso e as políticas públicas envolvidas;
 Relacionar o conhecimento dos profissionais com a prescrição das
práticas integrativas;
 Verificar a disponibilidade de fitoterápicos na farmácia básica do
município;
 Servir de apoio e incentivo à implantação da fitoterapia nas UBS como
atendimento primário, visando à melhora da qualidade de vida aos
usuários do SUS;
 Ser objeto de inspiração para novas pesquisas na área de atuação da
saúde, a fitoterapia, visando uma possível ampliação do uso de
fitoterápicos na rede básica de saúde, a fim de aumentar o acesso a
medicamentos na atenção primária.
12

3.REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) e


a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF)

As práticas terapêuticas não convencionais são conceituadas como um


grupo de sistemas médicos, cuidados terapêuticos, condutas e produtos que não
são considerados parte da medicina convencional (TESSER e BARROS, 2008).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as práticas
terapêuticas não convencionais são “enfoques, conhecimentos e crenças
sanitárias diversas que incorporam medicinas baseadas em plantas, animais e
ou minerais, terapias espirituais, técnicas manuais e exercícios” (WHO, 2002).
Em linhas gerais, tais práticas são consideradas complementares quando
são utilizadas juntamente com a medicina convencional; e alternativas quando
são usadas em substituição a terapias convencionais, já as integrativas são
aquelas usadas em conjunto com a medicina biomédica, porém baseada em
avaliações científicas (TESSER e BARROS, NCCAM, 2008).
O surgimento destas práticas terapêuticas não convencionais (PTNC)
ocorreu em meio ao contexto vivenciado na década de 60 em consequência ao
movimento de contra cultura, onde a busca por novas terapias era símbolo de
revolução. No campo da saúde esta busca corresponde até os dias de hoje a
insatisfação ou ineficiência da medicina contemporânea. A diferença da
medicina convencional é que as práticas terapêuticas valorizam a integração
homem, natureza e sociedade. Tal integração não está presente no modelo
biomédico, que fundamenta suas terapias em aspectos puramente biológicos do
homem (LUZ M.T, SOUZA E.F 2009).
A importância das PTNC está fundamentada em diversas razões que
levam ao seu uso no cotidiano. Isto é, o homem utiliza PTNC para alívio físico
e/ou emocional, para diminuir os efeitos colaterais de medicamentos sintéticos,
para melhoria do sistema imunológico, para aumento da qualidade de vida, por
ser considerado pelos usuários como uma escolha mais saudável do que as
práticas convencionais. Por estas razões que as práticas vêm se consolidando
cada vez mais na nossa atual sociedade, uma vez que levam em consideração
aspectos quanto ao significado de saúde, doenças e tratamentos.
13

A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC)


envolve abordagens que buscam estimular os mecanismos naturais de
prevenção de agravos e recuperação da saúde por meio de tecnologias eficazes
e seguras, com ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo
terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade
(RUAS, 2013).
Apesar da expansão e dos motivos apontados para a consolidação do uso
de PTNC pelo homem, há alguns obstáculos a serem superados, tais como a
disponibilidade e acesso; reconhecimento dos profissionais de saúde;
comunicação paciente – profissional de saúde – terapeuta de PTNC; e sem
dúvida as barreiras socioculturais (SPADACIO C, 2010).
A fitoterapia merece destaque como terapia não convencional devido à
utilização e expansão de uso não só no Brasil como em todo mundo. Segundo
dados da OMS, até 1978, 80% da população mundial dependia da medicina
tradicional nos cuidados primários à saúde, porém dentro desta, 85% dependia
especificamente de plantas medicinais para promover a atenção primária à
saúde, pela facilidade do acesso (WHO, 1978).
Com relação ao mercado de fitoterápicos, atualmente a indústria
farmacêutica tem um olhar diferenciado a este crescente interesse, com uma
movimentação cerca de US$ 44 bilhões por ano. Na realidade brasileira, tais
serviços ofertados no SUS disponibilizam plantas medicinais in natura e/ou seca;
e fitoterápicos manipulados e/ou industrializado. Ou seja, tanto plantas
medicinais como fitoterápicos estão se tornando presentes no SUS (BRASIL.
2012. p. 156).
Por este motivo, estas práticas ganharam reforço para suas
implementações por meio da Política Nacional de Plantas Medicinais e
Fitoterápicos (PNPMF) (BRASIL, 2006). A construção desta política no SUS
iniciou a partir da necessidade em atender as e recomendações de várias
Conferências Nacionais de Saúde e às recomendações da Organização Mundial
da Saúde (OMS) (BRASIL, 2012).
Essa política apresenta em suas diretrizes o incentivo ao acesso seguro,
ao uso racional, e o uso sustentável da biodiversidade e desenvolvimento da
cadeia produtiva (BRASIL, 2006. p. 148).
14

No Brasil, a legitimação e a institucionalização dessas abordagens de


atenção à saúde tiveram início a partir da década de 80, após a criação do SUS.
Com a descentralização e a participação popular, os estados e municípios
ganharam maior autonomia na definição de suas políticas e ações em saúde,
vindo a implantar as experiências pioneiras (BRASIL, 2012).
No âmbito da fitoterapia atualmente, existem programas estaduais e
municipais de Fitoterapia, desde aqueles com memento terapêutico e
regulamentação específica para o serviço, implementados há mais de 10 anos,
até aqueles com início recente ou com pretensão de implantação. Em
levantamento realizado pelo Ministério da Saúde no ano de 2004, em todos os
municípios brasileiros, verificou-se que a Fitoterapia está presente em 350
municípios, contemplando 22 unidades federadas (BRASIL, 2012).
É inegável a importância, a expansão e a consolidação destas práticas
nos cuidados relacionados à saúde do homem. Diante desse cenário, acredita-
se no incentivo a utilização das PTNC, em especial plantas medicinais e
fitoterápicos, por meio de políticas públicas e ainda, deve-se investigar a
implantação e desenvolvimento destas nos diferentes níveis de atenção à saúde
(RUAS, 2013).

3.2 Fitoterapia

O uso de plantas medicinais na terapêutica é muito antigo, e nitidamente


relacionado com a própria evolução do homem. Para utilizarem as plantas como
medicamentos, os homens antigos se valiam de suas próprias experiências
empíricas de acerto e erro, e da observação do uso de plantas pelos animais,
além da intervenção divina para determinadas doenças. (OLIVEIRA, M.J.R
2006).
Fitoterapia é uma prática que usa plantas ou suas partes com a finalidade
terapêutica, e segundo a Organização Mundial de Saúde, a maioria das pessoas
do mundo utilizam pelo menos uma planta medicinal para tratar da saúde,
destacando-se as pessoas dos países em desenvolvimento no mundo que
dependem da medicina tradicional e/ou complementar para suas necessidades
básicas de saúde (SOLER, 2000).
15

No período colonial, a utilização de plantas medicinais para tratamento


das patologias era patrimônio exclusivo dos índios e de seus pajés. (ELDIN S,
DUNFORD, 2001). A população em geral utilizava medicamentos provenientes
de importações, especialmente da Europa (MARTINS E.R, 2000). A Fitoterapia
no Brasil pode ser entendida como um patrimônio étnico cultural como resultado
da miscigenação dos povos indígenas, europeus e africanos que sobreviveu
devido às raízes profundas na consciência popular que reconheceu sua eficácia
e legitimidade (SACRAMENTO, 2001).
Na Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde,
realizada em 1978, como parte do plano de ação da OMS para atender o objetivo
“Saúde para todos no ano 2000”, ouve um incentivo a valorização de terapias e
como a fitoterapia, principalmente como um recurso possível, mais fácil e
economicamente viável de aumentar a cobertura de atenção primária à saúde
(RUAS, 2013).
No Brasil, este tema passou a ser discutido na 8ª. Conferência Nacional
de Saúde, em 1986, quando ouve a recomendação da introdução de práticas
tradicionais de cura popular no atendimento público de saúde (BRASIL, 1986).
Durante a 10ª Conferência Nacional de Saúde, em 1996, houve a proposta inicial
de incorporar no SUS as terapias alternativas e práticas populares,
especificamente o incentivo à fitoterapia e à homeopatia na assistência
farmacêutica pública (ELDIN S, DUNFORD, 2001).
A fitoterapia apresenta-se como uma possibilidade de atuar como
coadjuvante nos tratamentos alopáticos, desde que sejam levadas em
consideração suas possíveis complicações. Faz-se necessário um
conhecimento por parte dos profissionais de saúde que estarão atuando e
indicando a terapia aos pacientes (RUAS, 2013).
O uso da fitoterapia na atenção primária é tecnicamente apropriado,
considerando às possibilidades alternativas de tratamento que levaria a uma
melhora no atendimento da população pelo Sistema Único de Saúde, e em razão
de proporcionar outra forma de tratamento e de prevenção.
Conforme já mencionado, a PNPIC e a PNPMF preconizam a ampliação
do uso de plantas medicinais e fitoterápicos nos serviços e atenção à saúde do
Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2006.). Além dessas políticas que incentivam
tal uso, há uma tendência populacional que defende e estimula a inserção da
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fitoterapia em programas de atenção primária a saúde, também havendo um


notável retorno ao uso de plantas medicinais na terapêutica por parte da
população, por motivos que são os mais variados, desde a decepção com a
terapia medicamentosa convencional e seus prejuízos causados pelo uso
abusivo e efeitos colaterais até mesmo uma consciência ecológica de que “o
natural faz sempre bem”, e também as recomendações realizadas pela OMS na
Conferência Internacional de Cuidados Primários à Saúde, em Alma-Ata
(FONTENELE, 2013).
Por isso, observa-se que dezenas de municípios brasileiros seguem
desenvolvendo programas de fitoterapia na atenção primária e em Estratégias
de Saúde da Família. Segundo levantamento do Ministério da Saúde, em 2004
a fitoterapia estava presente em 350 municípios (BRASIL, 2012; ROSA, 2011).
As vantagens da utilização da fitoterapia e plantas medicinais na atenção
primária à saúde são inúmeras: a aproximação e ampliação do diálogo entre
trabalhadores da saúde com a comunidade, ampliação das ofertas de cuidado,
intersetorialidade, cuidado autônomo e respeito por valores culturais entre os
atores. Além disso, no campo terapêutico, pode-se mencionar o aumento da
capacidade resolutiva e das ofertas de cuidado do serviço e, consequentemente,
a diminuição no abuso e dependência de alguns medicamentos (ROSA,2011;
BATISTA, 2012). Por mais que a fitoterapia seja estimulada como prática
terapêutica complementar e integrativa nos serviços de saúde, em especial na
atenção primária, é importante investigar em termos práticos a implantação e
consolidação dos programas no país.
No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, podemos citar que há uma
legislação estadual específica e um memento terapêutico do programa de
fitoterapia, já em Curitiba (Paraná) mais de 80% das unidades de saúde
envolvidas com o projeto Verde Saúde possuem os fitoterápicos como opção
terapêutica. Dentre todos os projetos municipais e estaduais o que possui maior
repercussão por ser referência é o Projeto Farmácia Viva desenvolvido na
Universidade Federal do Ceará e coordenada pelo professor Dr. Francisco José
de Abreu Matos, que inspirou a Portaria da Farmácia Viva, do Ministério da
Saúde (RIO DE JANEIRO, 2004; TOMAZZONE, 2005; BRASIL,2010).
17

3.2.1 Conceitos em Fitoterapia

Faz-se necessário a clareza de conceitos fundamentais desta prática,


uma vez que sua implementação implica educar em saúde tanto profissionais
quanto os próprios usuários. Segundo NETTO JR, 1998, a Fitoterapia é
entendida como a terapêutica caracterizada pela utilização de plantas medicinais
em suas diferentes preparações farmacêuticas, sem a utilização de substâncias
ativas isoladas, ainda que de origem vegetal (LUZ NETTO JR, 1998).
Já a RDC nº 48/04 define que um medicamento fitoterápico é o obtido
empregando-se exclusivamente matérias-primas ativas vegetais e caracterizado
pelo conhecimento da eficácia e dos riscos de seu uso, assim como pela
reprodutibilidade e constância de sua qualidade. Para garantir sua eficácia e
segurança é validado através de levantamentos etnofarmacológicos de
utilização, documentações tecnocientíficas em publicações ou ensaios clínicos
fase 3. Não tendo considerado um medicamento fitoterápico aquele que, na sua
composição, inclua substâncias ativas isoladas, de qualquer origem, nem as
associações destas com extratos vegetais (RDC nº 48/04 - Anvisa).
Uma matéria-prima vegetal é a própria planta medicinal fresca, droga
vegetal ou derivados de droga vegetal (RDC nº 48/04). Uma planta medicinal é
aquela espécie vegetal, cultivada ou não, utilizada com propósitos terapêuticos
(OMS, 2003). Chama-se planta fresca aquela coletada no momento de uso e
planta seca a que foi precedida de secagem, equivalendo à droga vegetal.

3.2.2 Papel dos profissionais da saúde na consolidação do uso de plantas


medicinais e de fitoterápicos

As práticas terapêuticas não convencionais ganharam espaço no cenário


internacional e no Brasil, através da implementação de várias políticas públicas
e do crescente interesse da população. Observa-se que esta é uma tendência
resgate dos estudos e do apelo do meio científico (ALVIN, 2006). Por outro lado
nota-se que os profissionais de saúde encontram dificuldades em adequar-se a
tais práticas, principalmente porque suas formações continuam sendo baseadas
no modelo biomédico, e falta capacitação na área (GONÇALVES, 2008).
18

O modelo Biomédico, que é utilizado atualmente, caracteriza-se por


considerar apenas fatores biológicos como causadores das doenças, por isso
outras dimensões do homem como a interação corpo, mente e meio não são
consideradas; ou seja, não há uma visão da integralidade do homem. O doente
ainda é tratado de forma fragmentada e limitada, por meio das especialidades
médicas, como por exemplo, o médico ortopedista especialista em ombro, outro
em mão e outro em braço. Este ainda é o modelo vigente no ensino superior, e
os profissionais formados com essa referência são especialistas e não tratam o
ser humano em sua totalidade. Já as terapias complementares possuem uma
visão contrária a este modelo, pois trata o indivíduo como um todo, considerando
corpo e mente integrados (MENEZES, 2011).
Diante disto para que os profissionais da saúde inserir com segurança a
fitoterapia e o uso de plantas medicinais em suas rotinas, é preciso que
conhecimentos sobre atividade farmacológica, toxicidade e tradicionalidade do
uso, de cada bioma brasileiro, sejam difundidos e ampliados (VEIGA JR, 2008).
Pois ainda há a limitação da falta de capacitação, pois alguns estudos
apresentam a realidade que a grande maioria não teve contato com conteúdos
relacionados às práticas complementares em seus respectivos cursos de
graduação (ROSA,2011; GONÇALVES, 2008).
Por estas razões, no Brasil, o Ministério da Saúde determinou como um
dos objetivos da PNPIC a promoção do conhecimento e apoio à incorporação e
à implementação dessas novas experiências no âmbito do sistema público de
saúde (BRASIL, 2006). E além disso, pela PNPMF, foi elaborado o Programa
Nacional de Plantas Medicinais e 33 Fitoterápicos que tem como um dos seus
eixos na área de recursos humanos - promover a capacitação técnica e
educação permanente (BRASIL, 2007).

3.3 Município de Santiago

Santiago foi um território habitado pelos índios guaranis e se constituía


numa parte da Estância de São Miguel Arcanjo, era estância de São Thiago, e
que deu origem ao nome do município, mais tarde, como Santiago. No passado,
usava-se o termo “do Boqueirão”, pois significa passagem, abertura, a qual
permitia o trânsito da passagem do gado e de pessoas que demandavam das
19

missões, e que não gostariam de enfrentar as matarias das serras de Jaguari


(MONTEIRO, 2008).
O município de Santiago, conhecido atualmente como “Terra dos Poetas”
e “Cidade Educadora”, tem a sua origem na colonização dos jesuítas e como
caminho de fácil transporte para gado e viajantes, pois com a com a vinda do
gado para o Rio Grande do Sul, introduzido pelos jesuítas em 1634, começaram
a se organizar pequenas povoações na região de Santiago, para transportar o
gado das grandes estâncias até as aldeias, já que desta maneira evitavam os
desfiladeiros e terrenos acidentados dos arredores, o que tornou Santiago uma
passagem natural do gado que vinha das missões (PMS, 2014-2017).
Santiago, é localizada na região centro-oeste do estado Rio Grande do
Sul, possui 2413.133 km² de área territorial, conta com população de 49.071
habitantes, com uma densidade demográfica de 20,33 habitantes/Km². No que
se refere à economia, sustenta-se basicamente na agropecuária (PIB R$
676.011,00), serviços (PIB R$ 429.968,00) e indústrias (PIB R$ 60.464,00),
destacando-se na pecuária com a criação de bovinos, ovinos, suínos e equinos
e na agricultura com as monoculturas soja, milho e trigo (IBGE, 2010).
Quanto à distribuição da população, Santiago apresenta 91,2% da
população residindo na zona urbana, o que evidencia sua predominância, e 8,8%
na zona rural. Quanto à distribuição por sexo, 52% são mulheres e 48% são
homens. Em relação à faixa etária, a distribuição se dá seguinte forma: de 0-14
anos são 9.699 habitantes (19,76%), 15-29 anos são 11.600 habitantes
(23,64%), 30-59 anos são 19.700 (40,15%), 60 ou mais anos 13.932 habitantes
(28,39%) (IBGE, 2010).
No quesito saúde pública o município conta atualmente com 11
Estratégias de Saúde da Família (ESF’s), sendo que a população do centro e a
rural não são atendidas por ESF’s (IBGE, 2010). Possui ainda uma unidade de
referência da saúde da mulher e da criança, (Centro Materno Infantil), uma
unidade especializada em saúde bucal (Centro de Especialidades
Odontológicas) e dois Centros de Acompanhamento Psicossocial, os CAPS,
para pessoas com problemas mentais (Nossa Casa) e para dependentes de
álcool e drogas (AD) (PMS, 2014-2017).
Atualmente, existem programas estaduais e municipais de fitoterapia,
(presente em 116 municípios, contemplando 22 unidades federadas), porém o
20

município de Santiago ainda não faz parte desta realidade e não há histórico de
nenhum levantamento a respeito do uso de práticas integrativas e
complementares no município referente aos profissionais de saúde (BRASIL,
2009).
21

4.METODOLOGIA

a. Coleta de dados:
A coleta de dados será realizada através da aplicação de um questionário
aos profissionais de saúde (médicos, odontólogos e enfermeiros) contemplando
as 11 Estratégias de Saúde da Família do município de Santiago, Rio Grande do
Sul.

b. Análise e interpretação dos dados:


Após a coleta de dados será realizada a análise e interpretação dos
mesmos, os quais serão agrupados para discussão conforme as perguntas
presentes no questionário.
22

5.RESULTADOS

O município de Santiago conta 11 unidades de Estratégias de Saúde da


Família (ESF’s) e um total de 34 profissionais prescritores (médicos, enfermeiros
e dentistas). Destes 34 profissionais, 27 concordaram em participar da pesquisa,
o que caracteriza uma aceitabilidade de 79,41%. A idade média dos profissionais
é de 29 a 38 anos, e a maior parte destes profissionais são mulheres (18)
representando um total de 66%.
Ao serem questionados sobre as plantas medicinais, 59,25% dos
profissionais opinaram a respeito de que as plantas medicinais podem fazer tanto
mal quanto um fármaco sintético (16), seguidos de 22,22% (6) que acreditam
que as plantas medicinais fazem menos mal que os medicamentos
convencionais, 14,81% (4) afirmam que elas fazem mais mal que um
medicamento convencional e 3,70% (1) acredita que por ser natural não faz mal.
Quando perguntado se os conceitos de Droga Vegetal, Medicamento
Fitoterápico e Planta Medicinal faz referência à mesma coisa, 92,59% (25) dos
entrevistados responderam que não e 7,41% (2) responderam que sim,
conforme os gráficos 1 e 2.

GRÁFICO 1 – Opinião dos profissionais sobre plantas medicinais


23

GRÁFICO 2- Conhecimento dos profissionais quanto aos conceitos utilizados em Fitoterapia.

O conhecimento dos profissionais prescritores a respeito da existência da


Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único
de Saúde (PNPIC-SUS) foi demonstrado por uma pequena maioria dos
profissionais, conforme o gráfico 3.

GRÁFICO 3- Profissionais que já “ouviram falar” sobre PNPIC SUS

Os profissionais que demonstraram conhecer a PNPIC opinaram a


respeito do fortalecimento do desta prática dentro do SUS. Alguns profissionais
acreditam que se bem aplicadas podem contribuir positivamente os usuários da
atenção básica, outros afirmam veementemente que as práticas são uma
necessidade de extrema urgência na atenção primária, porém é unânime entre
24

as opiniões a necessidade de maior comprovação científica na área e


capacitação dos profissionais atuantes. Dentro deste contexto, 85,18% (23) dos
entrevistados responderam haver interesse em conhecer sobre mais o assunto.
Ao serem questionados se em algum momento já haviam prescrito algum
medicamento fitoterápico, planta medicinal ou droga vegetal na prática clínica a
maioria (55,55% - 15 participantes) afirmou que já prescreveu, sendo a maioria
na forma de planta medicinal. Entre as plantas, a mais citada é a Malva (66,67%
- 10 prescrições), popularmente utilizada como anti-inflamatório bucal, seguida
do Boldo, Pitanga, Camomila (13,33% - 2 prescrições), Babosa, Passiflora, Raiz
de salsa, Guago, Amoreira, Transagem, Hortelã e Gengibre (6,67% -1
prescrição). A maioria das plantas medicinais são prescritas na forma de chás e
infusões, sendo que os prescritores que mais utilizam esta prática são os
dentistas.

GRÁFICO 4 – Plantas medicinais mais prescritas na Atenção Básica- Santiago RS/2018.

Sobre o uso de plantas medicinais, medicamentos fitoterápicos, e drogas


vegetais na atenção básica, os mesmos profissionais que demonstraram
interesse e apoio a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares
são favoráveis à inserção da Política Nacional de Plantas Medicinais e
Fitoterápicos na atenção básica do município de Santiago, onde 88,89% (24)
dos profissionais afirmaram que se houvesse uma capacitação específica
ofertada no município iriam participar no intuito de fortalecer a prática.
Sabe-se que o interesse populacional é muito forte quando se trata de
fitoterápicos em geral, por esta razão 77,78% (21) dos profissionais afirmaram
25

que já foram questionados ou informados por seus pacientes quanto ao uso de


chás, infusões e até mesmo medicamentos fitoterápicos vendidos nas drogarias
e farmácias de manipulação. Contudo, foi unanime, ou seja, 100% (27) dos
profissionais afirmam não terem conhecimento da existência de fitoterápicos,
plantas medicinais ou droga vegetais disponíveis na farmácia básica do
município.
26

6.DESENVOLVIMENTO

Este trabalho foi dividido em duas etapas. Na primeira foi realizada uma
revisão científica da literatura. O método de levantamento bibliográfico baseou-
se na busca de artigos de periódicos, teses, dissertações indexados em bases
eletrônicas, tais como: Scielo, Lilacs, Medlinee Portal Capes, no período de 18
anos (2000 a 2018). As seguintes palavras-chave foram empregadas como base
de pesquisa: fitoterapia, atenção primária à saúde, práticas integrativas, SUS,
política nacional, farmácia viva.
Dentre os 28 estudos encontrados, somente se considerou os artigos nos
quais fosse possível a identificação com a utilização das plantas medicinais e
fitoterápicos na saúde básica e a ligação com o conhecimento dos profissionais
de saúde, restando, portanto, um número de 15 artigos. Adicionalmente, foram
utilizadas para a pesquisa as referências citadas nos artigos selecionados, no
intuito de captar artigos que não foram identificados na busca eletrônica.
A segunda etapa constituiu-se por uma pesquisa de campo realizada
através da aplicação de um questionário nas 11 Estratégias de Saúde da Família
e no Centro de Especialidades Odontológicas do município de Santiago, Rio
Grande do Sul. O objetivo desta etapa era averiguar, entre os 34 profissionais
de saúde do município, enfermeiros, médicos e dentistas, quais os seus
conhecimentos sobre conceitos básicos da fitoterapia, a respeito da Política
Nacional de Praticas Integrativas e Complementares, Política Nacional de
Plantas Medicinais e Fitoterápicos, uso de medicamentos, plantas medicinais
e/ou drogas vegetais na prática clínica, e principalmente o interesse destes
profissionais em aprofundar ou conhecer melhor esta ferramenta disponibilizada
pelo Ministério da Saúde para assegurar o uso da fitoterapia no SUS de maneira
racional e complementar aos tratamentos convencionais.
Escolheram-se Estratégias de Saúde da Família (ESF) e o Centro de
Especialidades Odontológicas (CEO), pois nestes estabelecimentos estão
concentradas a maioria dos profissionais prescritores dentro do SUS. A ideia de
enfoque nas ESF e CEO fundamentaram-se no fato de que as patologias que
não são caracterizadas como emergência ou urgências levam a população a
buscar o atendimento primário nestes locais e plantas medicinais e fitoterápicos
27

poderiam ser fornecidos por estas unidades, em conjunto com os medicamentos


alopáticos.
Após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade
Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI Campus de Santiago
RS) sob o parecer nº 2.456.017, procedeu-se à aplicação dos questionários nas
próprias ESF’s e no CEO em horários previamente agendados, juntamente com
um termo de consentimento que foi preenchido pelos entrevistados e estão
arquivados na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões.
O levantamento foi realizado do período de fevereiro a maio de 2018.
28

7.DISCUSSÃO

Foram entrevistados 79,41% dos profissionais prescritores da atenção


básica do município. A média de idade dos profissionais foi de 29 a 38 anos, ou
seja, 44% dos profissionais entrevistados nasceram na década de 80, quando
no Brasil, a legitimação e a institucionalização da Política Nacional de Práticas
Integrativas e Complementares e suas abordagens de atenção à saúde tiveram
início, após a criação do SUS (BRASIL, 2012). Embora os profissionais sejam
considerados jovens, 59,25% participantes da pesquisa relataram já ter ouvido
a respeito da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares e a
Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF).
Considerando que para trabalhar com a PNPMF é necessário ter definido
com clareza os conceitos fundamentais desta prática, uma vez que sua
implementação implica em educar em saúde tanto profissionais quanto os
próprios usuários, 92,59% dos profissionais responderam que existe diferença
entre plantas medicinais, droga vegetal e medicamento fitoterápico.
A fitoterapia apresenta-se como uma possibilidade de atuar como
coadjuvante nos tratamentos alopáticos, desde que sejam levadas em
consideração suas possíveis complicações (RUAS, 2013). Diante disto, 59,25%
dos profissionais quando questionados a respeito dos medicamentos
fitoterápicos acreditam que as plantas medicinais podem fazer tanto mal quanto
um fármaco sintético.
Apesar de que 88,89% profissionais demonstraram interesse em inserir a
prática no cotidiano da atenção básica do município, todos concordam que para
aderir ao uso da fitoterapia e o uso de plantas medicinais em suas rotinas é
preciso que conhecimentos sobre atividade farmacológica, toxicidade e que a
tradicionalidade do uso, de cada bioma brasileiro, sejam difundidos e ampliados,
o que corrobora com estudos já descritos por VEIGA JR, em 2008. Pois ainda
há a limitação da falta de capacitação, e alguns estudos apresentam a realidade
que a grande maioria não teve contato com conteúdos relacionados às práticas
complementares em seus respectivos cursos de graduação. (ROSA, 2011;
GONÇALVES, 2008).
O uso da fitoterapia na atenção primária é tecnicamente apropriado,
considerando às possibilidades alternativas de tratamento que levaria a uma
29

melhora no atendimento da população pelo Sistema Único de Saúde, e em razão


de proporcionar outra forma de tratamento e de prevenção. Considerando esta
possibilidade, 77,7% dos profissionais afirmaram que em algum momento já
foram questionados por pacientes sobre o uso de medicamentos fitoterápicos,
plantas medicinais e drogas vegetais.
Destes profissionais que já foram questionados, 71,42% já prescreveram
algum medicamento fitoterápico ou planta medicinal na prática clínica, entre as
plantas a mais citada é a Malva, que presente em 66,67% das prescrições e
popularmente utilizada como anti-inflamatório bucal, seguida do Boldo, Pitanga,
Camomila, Babosa, Passiflora, Raiz de salsa, Guago, Amoreira, Transagem,
Hortelã e Gengibre. A maioria destas plantas medicinais é prescrita para uso na
forma de chás e infusões, sendo que os prescritores que mais utilizam esta
prática são os dentistas.
Os profissionais prescritores foram unânimes e enfáticos quanto à
ausência de medicamentos fitoterápicos na farmácia básica do município, e ao
analisar a Relação Municipal de Medicamentos (REMUME), foi constatado que
de fato não há nenhum medicamento fitoterápico disponível para a prescrição.
Porém esta ausência de medicamentos fitoterápicos na REMUME torna-
se até contraditório uma vez que a relação é atualizada a cada dois anos por
uma equipe multiprofissional composta pelos próprios médicos das ESF’s e as
farmacêuticas do SUS, ou seja, se não há medicamentos fitoterápicos presentes
é porque os principais prescritores não solicitam a sua inclusão, e provavelmente
esta ausência não se dê por falta de conhecimento.
O tratamento fitoterápico pode ser feito através do medicamento
industrializado, do medicamento manipulado (BRASIL, 2010) ou através do uso
da planta, mediante preparações caseiras. O medicamento fitoterápico
industrializado tem preço parecido com os medicamentos sintéticos, o que de
certa forma dificulta o acesso a ele. O incremento do uso das plantas medicinais
pode amenizar este problema (BRASIL, 2011) respeito à facilidade do seu
acesso.
A presença de Fitoterápicos na RENAME foi elaborada a partir das
definições do Decreto nº 7.508, de 28 de junho de 2008 e estruturada de acordo
com a Resolução nº 1/CIT, de 17 de janeiro de 2012, com isso a RENAME 2017
apresenta a Classificação Anatômica Terapêutica Química (ATC) para alguns
30

fitoterápicos disponibilizada pela OMS (Alcachofra (Cynara scolymus L.), Aroeira


(Schinus terebinthifolius Raddi), Babosa (Aloe vera (L.) Burm. F.), Cáscara-
sagrada (Rhamnus purshiana DC.), Espinheira-santa (Maytenus officinalis
Mabb.), Guaco (Mikania glomerata Spreng.), Garra- do-diabo (Harpagophytum
procumbens), Hortelã (Mentha x piperita L.), Isoflavona -de-soja (Glycine max
(L.) Merr.), Plantago (Plantago ovata Forssk.), Salgueiro (Salix alba L.) e Unha-
de-gato (Uncaria tomentosa (Willd. ex Roem. & Schult.)), além das formas
farmacêuticas e a concentração de uso seguro apresentadas pela Farmacopeia
Brasileira (BRASIL, 2017).
Apesar de ser uma medida positiva, ela é muito tímida, tendo em vista que
a relação de medicamentos sintéticos é bem extensa (BRASIL, 2011). Isso
mostra uma incoerência entre o que está previsto na assistência farmacêutica
na atenção básica e as recomendações da PNPIC.
Em locais aonde a Fitoterapia já foi implementada, é muito comum a
participação dos usuários em atividades como palestras, oficinas, construção de
canteiros etc. Isto ocorre porque eles se sentem sujeitos ativos, por serem
chamados a participar de atividades em que se sentem capazes de interagir,
coisa que não ocorre no dia a dia dos serviços, quando eles operam apenas com
os tratamentos tradicionais.
Uma outra alternativa para o uso do medicamento fitoterápico é fazer sua
manipulação em "oficinas" estruturadas nos municípios, visto que elas não
exigem equipamentos e processos sofisticados. Esta possibilidade foi
regulamentada com a criação das Farmácias Vivas, através da Portaria MS nº
886, de 22 de abril de 2010 (BRASIL, 2010). Para a manipulação de fitoterápicos
em "oficinas", a matéria-prima vegetal utilizada pode ser adquirida junto a
fornecedores ou pode ser produzida pelo próprio município, o que torna a prática
muito mais viável financeiramente.
Além do uso do medicamento manipulado, há outra possibilidade que é a
mais utilizada pela população: as preparações caseiras à base das plantas
medicinais. Desde que usadas com a orientação do profissional de saúde, as
preparações caseiras são capazes de resolver muitas situações de adoecimento
que são corriqueiras. A isso se acrescenta a facilidade de acesso às plantas, a
qualquer hora e em qualquer lugar. Normalmente, as pessoas têm, no entorno
de suas casas, espécies vegetais plantadas. Por isto, tão logo apareça o
31

problema de saúde, ele pode ser tratado através de formulações caseiras


(SANTOS et al., 2011).
32

8.CONCLUSÃO

Este estudo pode exemplificar o complexo de saberes e olhares que


envolvem a inserção de Práticas Integrativas e Complementares como a
fitoterapia na Atenção Básica. Essa complexidade é refletida pela constatação
de que a fitoterapia é difundida em toda a sociedade brasileira como um fator
sociocultural, ao mesmo tempo em que há uma deficiência na formação
acadêmica dos profissionais de saúde.
Outra constatação é que embora a maioria dos profissionais entrevistados
demonstre uma grande aceitação da inserção de ações de fitoterapia, os
principais entraves colocados são a falta de embasamento técnico científico para
que a prescrição seja segura.
Dessa forma, os resultados apontam que para o fortalecimento da fitoterapia
no âmbito da Atenção Básica e uma possível incorporação desta no cotidiano do
exercício profissional das equipes de saúde da família. A verificação de um
amplo olhar sobre o tema dos profissionais de saúde permitiu o reconhecimento
de detalhes operacionais em que o serviço poderia se beneficiar, utilizando
estratégias como as parcerias com instituições de ensino.
Merece destaque o fato de que uma das principais dificuldades apontadas
por FONTANELE (2013) em um estudo similar foi que para a institucionalização
da fitoterapia na atenção era necessária à aceitação desta prática terapêutica
pelos profissionais de saúde. No município de Santiago, os profissionais
participantes desta pesquisa mostraram-se favoráveis a inserção desta prática
afirmando que se fosse institucionalizada a fitoterapia, com a devida
comprovação científica, apoio logístico e estrutural da gestão municipal, eles
incorporariam esta prática no cotidiano da Atenção Básica.
33

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