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UERJ / Mestrado em Economia

Métodos Quantitativos / 2010


Prof. Antônio Salazar P. Brandão

Universidade do Estado do Rio de Janeiro


Métodos Quantitativos
Prof. Antônio Salazar P. Brandão

Limites e derivadas de funções reais


UERJ / Mestrado em Economia
Métodos Quantitativos / 2010
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Limites e continuidade de funções

Seja f : R → R e seja b ∈ R.

O conceito de limite caracteriza o comportamento de f


para valores de x próximos de b. Valores próximos podem
ser superiores ou inferiores a b. Note que o valor de f no
ponto b, f(b) não tem interesse quando estamos tratando
de limites
Seja f(x) = 1 + x2 e seja b = 2. Como f se comporta à
medida em que x se aproxima de b?

Consideremos os seguintes valores: 2 + 1/n sendo


n = 1, 2, 3,.......
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Limites e continuidade de funções

2 + 1/n > 2 qualquer que seja n. Notar também que 2 + 1/n


se aproxima de 2 à medida em que n cresce.

O que ocorre com f(2+1/n) à medida em que n cresce?


2
 1  1  4 1 
f  2 +  = 1+  2 +  = 1+  4 + + 2  =
 n  n  n n 
4 1
= 5+ + 2
n n
f(2+1/n) se aproxima de 5 à medida em que n cresce.
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Limites e continuidade de funções

Consideremos agora os seguintes valores: 2 - 1/n


sendo n = 1, 2, 3,.......

2 - 1/n < 2 qualquer que seja n. Notar também que 2 - 1/n


se aproxima de 2 à medida em que n cresce.
O que ocorre com f(2-1/n) à medida em que n cresce?
2
 1  1  4 1 
f  2 −  = 1+  2 −  = 1+  4 − + 2  =
 n  n  n n 
4 1
= 5− + 2
n n
f(2-1/n) se aproxima de 5 à medida em que n cresce.
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Limites e continuidade de funções

Portanto quer no aproximemos de 2 por valores


superiores ou por valores inferiores a função se aproxima
de 5. Dizemos que o limite de f quando x tende para 2 é 5.
Notação: lim (1 + x 2 ) = 5
x→2

De maneira mais geral, se c é o limite de f quando x se


aproxima de b, usamos a notação: lim f ( x) = c
x →b

Outro exemplo
f :R → R
 x , se x ≠ 1
f ( x) = 
10 , se x = 1
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Limites e continuidade de funções

lim f ( x) = ?
x →1

Vamos proceder como anteriormente. Sejam as sequências


1+1/n e 1-1/n, sendo n = 1, 2, 3, 4...
 1 1
f 1 +  = 1 +
 n n
 1 1
f 1 −  = 1 −
 n n

Portanto: lim f ( x) = 1
x →1
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Limites e continuidade de funções

Mais exemplos f(x)


f :R → R 1

1 + x , se x ≥ 0
f ( x) =  x

 x , se x < 0
Pode-se observar que quando x se aproxima de 0 por valores
positivos, f se aproxima de 1.
Entretanto quando x se aproxima de 0 por valores negativos, f
se aproxima de 0.
Portanto o limite de f não existe quando x se aproxima de
zero
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Limites e continuidade de funções

Diz-se que f é contínua no ponto b ∈ domínio se existe o


limite de f quando x se aproxima de b e se o limite é igual a
f(b).

A partir da análise que fizemos anteriormente podemos dizer


que f(x) = 1 + x2 é contínua em b = 2. Entretanto:

f :R → R Não é contínua no ponto b = 1 pois


 x , se x ≠ 1 o limite de f quando x se aproxima
f ( x) =  de 1 é diferente de f(1) = 10.
10 , se x = 1
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Limites e continuidade de funções

f :R → R
Não é contínua no ponto b = 1 pois
1 + x , se x ≥ 0 o limite de f quando x se aproxima
f ( x) = 
 x , se x < 0
de 1 não existe.
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Limites e continuidade de funções

Teoremas sobre limites


f ( x) = ao + a1 x ⇒ lim f ( x) = ao + a1 lim( x) = ao + a1b
x →b x →b

f ( x) = ao ⇒ lim f ( x) = ao
x →b

f ( x) = x k ⇒ lim f ( x) = b k , k ∈ R
x →b

lim[ f ( x) + g ( x)] = lim f ( x) + lim g ( x)


x →b x →b x →b

lim[ f ( x) g ( x)] = lim f ( x) lim g ( x)


x →b x →b x →b

f ( x) lim f ( x)
lim = x →b
, se lim g ( x) ≠ 0
x →b g ( x ) lim g ( x) x →b
x →b
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Limites e continuidade de funções


Exemplos
f ( x) = x 2 + 5 x + 4
lim f ( x) = 16 + 20 + 4 = 40
x →4

f ( x) = x 2 + 5 x + 4, g ( x) = x 2 + 4

lim f ( x) g ( x) = lim( x 2 + 5 x + 4) lim( x 2 + 4) = 800


x→4 x→4 x→4

f ( x) = x 2 + 5 x + 4, g ( x) = x 2 + 4

f ( x) lim( x 2 + 5 x + 4) 40
lim = x→4
= =2
x→4 g ( x) lim( x 2 + 4) 20
x→4
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Limites e continuidade de funções


Exemplos
f ( x ) = 1, g ( x ) = x 2
Como x2 tende para zero quando x
f (x) 1 tende para zero, o teorema anterior
lim = lim 2
x→ 0 g ( x ) x→ 0 x não se aplica

Notemos que à medida em que x se aproxima de zero, a


fração 1/x2 assume valores cada vez mais elevados. Na
verdade, dado qualquer número real positivo, podemos
encontrar um valor de x que torna a fração maior do que
o número real escolhido. Neste caso dizemos que o limite
é igual a mais infinito.
1
lim 2 = +∞
x→ 0 x
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Limites e continuidade de funções


Exemplos
f ( x) = ( x − 2) 2 , g ( x) = x 2 − 4

f ( x) ( x − 2) 2
lim = lim 2
x →2 g ( x) x →2 x − 4

Como (x2 – 4) tende para zero quando x tende para dois, o


teorema anterior não se aplica.
Note que o numerador tende para zero também e portanto o
raciocínio do exemplo anterior não pode ser usado. Porém:

( x − 2) 2 ( x − 2) 2 ( x − 2) 0
lim 2 = lim = lim = =0
x →2 x − 4 x →2 ( x − 2)( x + 2) x →2 ( x + 2 ) 4
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Limites e continuidade de funções

Terminamos aqui esta introdução superficial ao conceito


de limites.
Quando necessário – nesta ou em outra disciplina –
retornamos ao assunto para aprofundar algum aspecto.
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Derivadas de funções reais

Seja a função f : R → R, f ( x ) = 1 + x 2

Tomemos dois valores distintos de x: x0 = 5 e x1 = 8


Temos que: f(5) = 26 e f(8) = 65
Seja ∆x = x1 – x0. ∆x é a variação em x. Algumas
vezes usamos também a expressão acréscimo em x
quando nos referimos a ∆x. Quando esta última
expressão é usada, entenda-se que o acréscimo pode
ser negativo. No exemplo ∆x = 3

Seja ∆f = f(x1) – f(x0). ∆f é a variação em f ou o


acréscimo em f. No exemplo ∆f = 39
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Derivadas de funções reais

f(x)
Gráfico de f

65
∆f 39 ∆f
= = 13 ∆f
∆x 3
26
Notar que por cada unidade ∆x
de acréscimo em x o 1
correspondente acréscimo
em f foi de 13 unidades

5 8 x
∆x
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Derivadas de funções reais

Tomemos outros dois valores de x: x0 = 1 e x1 = 4

Temos que: f(1) = 2 e f(4) = 17

Mais uma vez temos ∆x = 3

∆f = 15

Observar que ∆f = 15 = 5
∆x 3
A relação de acréscimos depende do valor inicial de x

Neste caso para cada unidade de acréscimo em x o


correspondente acréscimo em f é de 5 unidades
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Derivadas de funções reais

Calculemos a relação de acréscimos de forma geral

f ( x0 ) = 1 + x02
f ( x1 ) = 1 + x12

( ) ( )
∆f ( x0 ) = 1 + x12 − 1 + x02 = x12 − x02 = ( x1 + x0 )( x1 − x0 ) = ( x1 + x0 )∆x
Lembrete: a2 – b2 = (a + b)(a - b). Faça o cálculo para se
convencer

∆f
(x0 ) = (x1 + x0 )
∆x
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Derivadas de funções reais

Escrevamos o quociente de maneira mais conveniente

∆x = x1 − x0 ⇒ x1 = x0 + ∆x

∆f
( x0 ) = (x1 + x0 ) = 2 x0 + ∆x
∆x
∆f
Terminologia: ( x0 ) é o quociente diferencial em x0.
∆x
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Derivadas de funções reais
Valores ilustrativos do quociente diferencial para
diferentes valores de x0 e de ∆x
∆x ∆f ∆f
x0 x1 =x0+∆x (x 0 )
∆x
1 3 4 15 5

5 3 8 39 13

10 -3 7 -51 17

20 -30 -10 -300 10

-3 2 -1 -8 -4
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Derivadas de funções reais
Valores ilustrativos do quociente diferencial para
valores cada vez menores de ∆x
x0 ∆x x1 =x0+∆x ∆ f ( x )
∆x
0

5 1 6 11

5 1/2 5,5 10,5

5 1/20 5,05 10,05

5 1/200 5,005 10,005

5 1/2000 5,0005 10,0005


Quando ∆x se aproxima de zero o quociente diferencial se aproxima
de 10 = 2x5
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Derivadas de funções reais

Definição. Seja f:A → B, A ⊂ R e B ⊂ R e seja x0 ∈ A.


A derivada de f no ponto x0 é o quociente diferencial
quando ∆x se aproxima de zero.

Para a função f(x) = 1 + x2 a derivada em x0 é igual a


2x0.

A derivada contém a mesma informação que o quociente


diferencial, mas temos que nos restringir a valores pequenos
de ∆x.
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Derivadas de funções reais
f(x)
Escreva a equação da reta que passa
pelos pontos (x0, f(x0)) e (x0+∆x, f(x0+∆x))

f(xo + ∆x)

f(xo)
xo xo + ∆x x
Inclinação da reta que passa
pelos pontos (x0, f(x0)) e f ( x0 + ∆x) − f ( x0 ) f ( x0 + ∆x) − f ( x0 )
=
(x0+∆x, f(x0+∆x)) é o (x0 + ∆x ) − x0 ∆x
quociente diferencial:
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Derivadas de funções reais

f(x0)
x0 x+ x

x0
x 0 3x
x 0+
0 ∆

+∆

+∆
ox


2

1
x

x
Inclinação da reta
tangente é a derivada de
f no ponto x0
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Derivadas de funções reais
Reta tangente à
y função f no
ponto x0

y1
A derivada é a tangente
trigonométrica do ângulo
α

α
x0 x1 x
cateto oposto y1
tgα = = = coeficiente angular
cateto ajacente x1 − x0
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Derivadas de funções reais
Reta tangente à
f(x) função f no
ponto x0

tg α = derivada de f no ponto x0

α
x0 x
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Derivadas de funções reais

df df ( x0 )
Notações: f ' ( x0 ), ( x0 ),
dx dx

Quando escrevemos y = f(x), freqüentemente denotamos a


derivada por:

dy
dx
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Derivadas de funções reais

Notar que a derivada também é uma função. No exemplo


considerado anteriormente, a função derivada é:

f ' : R → R, f ' ( x ) = 2 x

Para lembrar:
a derivada é um quociente de acréscimos
a derivada é o coeficiente angular da reta tangente
à função no ponto considerado
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Derivadas de funções reais

Fórmulas

d ( f ( x0 ) + g ( x0 )) d ( f ( x0 )) d ( g ( x0 ))
= +
dx dx dx
d (kf ( x0 )) d ( f ( x0 ))
=k , sendo k uma constante
dx dx
d ( f ( x0 ) g ( x0 )) d ( f ( x0 )) d ( g ( x0 ))
= g ( x0 ) + f ( x0 )
dx dx dx
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Derivadas de funções reais

Fórmulas

 f ( x0 ) 
d   g ( x ) df ( x0 ) − f ( x ) dg ( x0 )
 g ( x0 )  = 0
dx
0
dx
dx g ( x0 ) 2
( )
d xn
= nx n −1 , qualquer que seja n ∈ R
dx
d ( f ( x0 ) n ) n −1 df ( x0 )
= nf ( x0 ) , qualquer que seja n ∈ R
dx dx
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Derivadas de funções reais

Fórmulas
f ( x) = e x
Fórmulas apresentadas
para referência futura
df ( x 0 )
=e x0 quando estudarmos as
funções logaritmo e
dx
exponencial.
f : R++ → R, f ( x) = log x Notar que logx é a notação
para logaritmo de x na
df ( x0 ) 1 base e.
=
dx x0
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Exemplos
f ( x) = x 6 + 3 x 4 − 2 x − 5 f ( x) = ( x 3 + 5)( x 2 − 4)
f ' ( x) = 6 x 5 + 12 x 3 − 2 f ' ( x) = 3 x 2 ( x 2 − 4) + 2 x( x 3 + 5)

x2
f ( x) =
1+ x2

f ' ( x) =
( )
2 x 1 + x 2 − x 2 (2 x) 2 x + 2 x 3 − 2 x 3
= =
2x
(
1+ x 2 2
) 1+ x 2 2
( )
1+ x2 ( )2

f ( x) = (1 + x 3 + 4 x) 7
f ' ( x) = 7(1 + x 3 + 4 x) 6 (3 x 2 + 4)
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Exemplos

1
f ( x) = x
e f ( x) = x log( x )

f ' ( x) = log( x ) + x = log( x ) + 1


0e x − 1e x 1 1
f ' ( x) = =− x
( ) ex
2
e x

f ( x) = e x log( x )
x 1
f ' ( x) = e log( x ) + e = e  log( x ) + 
x x1
x  x
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Derivadas de funções reais


Exercícios

Chiang e Wainwright 6.2 – 1, 2, 3

Chiang e Wainwright 7.2 – 1, 3, 7, 8,

Usando a definição de derivada, mostre que se f(x) é


a função constante, então f’(x) = 0 para todo x
Encontre a equação da reta tangente às funções
abaixo, no ponto especificado
Dica: para determinar a
f : R → R, f ( x) = 1 + x , em x0 = 2
2
equação de uma reta
x basta saber sua inclinação
g : R → R, g ( x ) = , em x0 = 1 e um ponto que pertence a
1+ x 2
ela.
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Derivadas de funções reais

Algumas funções não possuem derivada. Diz-se que estas


funções não são diferenciáveis.
Vejamos o caso da função valor absoluto no ponto x0 = 0.
f(x) = |x|. Sabemos que f(0) = 0 e consideremos um
acréscimo positivo a x: ∆+x.

f (0 + ∆+ x) − f (0) | ∆+ x | ∆+ x
O quociente diferencial é
+
= + = + =1
∆x ∆x ∆x

Quando ∆+x aproxima-se de zero, o quociente diferencial é


igual a +1
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Consideremos agora um acréscimo negativo a x: ∆-x.

− −
f ( 0 + ∆ −
x ) − f ( 0 ) | ∆ x | −∆ x
O quociente diferencial é
+
= −
= −
= −1
∆ x ∆ x ∆ x

Quando ∆-x aproxima-se de zero, o quociente se aproxima


de -1

Desta forma o quociente diferencial não se aproxima do


mesmo número quando ∆x se aproxima de zero por valores
superiores e por valores inferiores. Ou seja não existe o
limite do quociente diferencial quando x = 0. A função não é
derivável neste ponto.
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Derivadas de funções reais

Teorema: Toda função diferenciável é contínua.


Não iremos demonstrar o teorema.

Exercício. Mostre que a função valor absoluto é contínua


no ponto b = 0, mas não é diferenciável neste ponto.
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Derivada de função composta – regra da cadeia

g : R → R, f : R → R
Seja h : R → R, h( x ) = g 0 f ( x ) = g ( f ( x ))
dh( x0 ) dg ( f ( x0 )) df ( x0 )
=
dx dx dx
dg ( f ( x0 ))
Note que é a derivada de g calculada no ponto f(x0)
dx
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Algumas vezes, por simplicidade costuma-se escrever a


regra da cadeia assim

z = g ( y), y = f ( x)

= g ' ( y) f ' ( x) = g ' ( f (x)) f ' ( x)


dz dz dy
=
dx dy dx

Notação menos precisa do que a anterior, porém


amplamente usada em livros de cálculo e em livros de
Teoria Econômica
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Derivadas de funções reais

Exemplos
z = 2 y + 5, y = 7 − 3 x
dz dz dy
= = 2(−3) = −6
dx dy dx Com a regra da cadeia não
é necessário encontrar g0f
Outro procedimento explicitamente
g ( y ) = 2 y + 5; f ( x) = 7 − 3 x; h = g 0 f

h( x) = g ( f ( x)) = 2(7 − 3 x) + 5 = 19 − 6 x

dh
= −6
dx
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Exemplos
É conveniente transformar
f ( x) = ( x 2 + 3 x − 2)17 em duas funções e usar a
regra da cadeia

g( y) = y17, z(x) = x2 + 3x − 2

f (x) = g(z(x))

df dg dz
=
dx dy dx
16
( 2
) 16
(
= 17y (2x + 3) =17 x + 3x − 2 (2x + 3) )
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Derivadas de funções reais


Exemplos
f ( x) = eαx , α é um número real
f ( x) = g (h( x )), com h( x) = αx e g ( y ) = e y
f ' ( x) = g ' (h( x ))h' ( x) = eαx (α ) = αeαx
1
f ( x) = , α é um número real
αx
1+ e

f ( x ) = g ( h ( x ) ) , sendo g ( y ) = e h( x ) = eα x
1
1+ y
 
( )
 
f '( x ) = g ' ( h ( x ) ) h ' ( x ) =  − eα x
1
 α
( )
2
 1 + eα x 
 
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Derivada de função inversa

Seja f uma função diferenciável que possui uma inversa,


f-1. Seja z0 pertencente ao domínio de f-1. Então

df −1( z0 ) 1
=
dz df ( f −1( z0 ))
dx
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Derivadas de funções reais

Derivada de função inversa

Usando uma notação mais informal a fórmula pode ser


apresentada como abaixo

−1
z = f (x), x = f (z)

dx 1
=
dz dz
dx
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Derivadas de funções reais

Exemplos
dz
z = 2x + 6 = 2
dx

z
x = −3 dx
=
1
2 dz 2

Pode-se mostrar que a função z=x +x5


possui uma inversa.

dx 1 1
= = 4
Portanto a derivada da inversa é dz dz 5 x + 1
dx
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Derivadas de funções reais

Seja f uma função diferenciável e seja f’ a função derivada


de f. Se f’ também for uma função diferenciável, podemos
definir a derivada segunda de f: f’’ = (f’)’.

De forma análoga podem ser definidas a derivada terceira,


a derivada quarta e assim por diante.

As derivadas da função f nos ajudam a analisar o


comportamento da função conforme veremos a seguir.