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APONTAMENTOS CIÊNCIA DA TERRA

DA BIODIVERSIDADE À GEODIVERSIDADE (fotos no powerpoint)

Conceito de biodiversidade
Diversidade genética variedade dentro dos indivíduos da mesma espécie
Diversidade de espécies espécies diferentes de seres vivos que vivem nos
diferentes ecossistemas
Diversidade ecológica variedade de ecossistemas
Diversidade funcional variedade de processos químicos e bioquímicos que
ocorrem nos ecossistemas

Geodiversidade consiste na variedade de ambientes geológicos, fenómenos e


processos ativos que dão origem a paisagens, rochas, minerais, fósseis, solos e outros
depósitos superficiais que são o suporte para a vida na Terra (Brilha, 2005).
Manifesta-se em escalas muito diferentes à semelhança do que acontece com a
biodiversidade.

Valores associados à geodiversidade (podem apresentar alguma sobreposição):


Intríseco
o Refere-se a um reconhecimento do valor da geodiversidade simplesmente
por aquilo que é em vez da utilidade que lhe possa ser atribuída pelos seres
humanos
Cultural
o Valor atribuido pela sociedade a algum aspeto do ambiente físico pelo motivo
do seu significado comunitário ou social, Pode expressar-se de múltiplas
formas (p.e., valor cultural no domínio geomitológico)
o Domínios histórico/arqueológico: muitas construções humanas são
condicionadas pela geodiversidade do local. A geodiversidade tem
potenciado determinadas manifestações artísticas
o Domínio espiritual: muitos locais condicionados pelo deodiversidade são
considerados sagrados
o Domínio da identidade: aspetos da geodiversidade podem adquirir um
carácter simbólico para alguns locais
Estético

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o Muitos locais condicionados pela geodiversidade são profundamente
apelativos
Económico
o A geodiversidade potencia atividades produtivas divervas, assim como
outras associadas ao lazer e à cultura
Funcional
o O valor da geodiversidade in situ para o ser humano. O substrato geológico
condiciona e torna propícios determinados usos do território (agricultura,
aproveitamento energético, desenvolvimento urbano). Mas também
condiciona a seleção de locais para depósito de resíduos diversos, por ex:
aterros sanitários, colocação de resíduos nucleares. O solo exerce ainda um
efeito depurativo nos poluentes lançados para o meio.
o O valor da geodiversidade como suporte dos sistemas físicos e ecológicos
do planeta. A geodiversidade possibilita a existência de diversos habitats que
potenciam a especiação.
Científico e educacional
o Certos locais permitem conhecer melhor a dinâmica da Terra assim como
aspetos da sua história.

GEODIVERSIDADE E CONSERVACIONISMO
À semelhança de qualquer património construído que fruto de determinadas
características é considerado monumento e, portanto, um bem cultural a preservar,
também algumas ocorrências geológicas têm características monumentais.
Dai a classificação de algumas dessas ocorrências como geomonumentos e geo-
recursos.

Conflitos entre a geodiversidade e a biodiversidade


Os processos de sucessão ecológica podem modificar locaus de interesse científico em
termos de geodiversidade. Os incêndios ou determinadas ações humanas podem
destruir a biodiversidade mas aumentar a visibilidade de locais com interesse geológico.

A geodiversidade não deve ser estabelecida como um campo independente da


preservação da natureza mas deve ser integrada com a preservação da
biodiversidade e ambas devem fazer parte da gestão do território, resolvendo os
conflitos que se coloquem através de uma avaliação cuidada dos valores em jogo
(Gray, 2004)

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A GEOÉTICA

Princípios genéricos:

1. Reflexão acerca dos comportamento e práticas humanas que se desenvolvem


na Geosfera
2. Analisa as implicações éticas, sociais e culturais da investigação e práticas
geológicas
3. Assinala a responsabilidade social e ambiental dos geólogos no exercício das
suas funções
4. Visa tornar consciente o papel da Geologia na sociedade

Alguns princípios de operacionalização:


1. Promover o uso sustentável dos recursos naturais em estreita defesa dos direitos
humanos e de respeito pela natureza
2. Promover uma informação correta acerca dos riscos naturais, procurando mitigar
os diversos perigos de origem geológica
3. Promover a importância da Geomedicina, identificando fatores geológicos
benéficos e prejudiciais à saúde
4. Contribuir para uma avaliação das opções tecnológicas
5. Sensibilizar para a importância do património geológico, acentuado a
compreensão dos valores a ele associado
6. Contribuir para que os museus de Geociência veiculem informação correta
7. Criar recursos didáticos que visem discutir e aprofundar os princípios
apresentados

GEOPARQUE
Área única e unificada onde locais e paisagens de importância geológica
internacional são geridos numa conceção holística de proteção, educação e
desenvolvimento sustentável
Um Geoparque Mundial da UNESCO utiliza o seu património geológico, em conjunto
com todos os outros aspetos do património natural e cultural da área, para aumentar
a consciência e a compreensão acerca dos valores associados à natureza
Através de uma maior consciencialização da importância do património geológico
da região na história e na sociedade, um Geoparque Mundial da UNESCO concede
aos seus habitantes um sentimento de orgulho na sua região e fortalece a sua
identificação com o território.

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Geoparque de Portugal Geodiversidade e Biodiversidade
1. Geoparque Naturtejo da Meseta Meridional, 2006 abrange os concelhos de
Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Nisa, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova e
Vila Velha de Ródão. Mais de 170 geossítios que ilustram as principais etapas
de história geológica dos últimos 600 milhões de anos na região
2. Geoparque de Arouca, 2009 a existência das pedras parideiras, trilobites
gigantes e icnofósseis;
3. Geoparque Terras de Cavaleiros, 2014 onde encontramos vestígios da
dinâmica tectónica da Terra, anterior à formação da Pangeia.
4. Geoparque dos Açores, 2015 disperso pelas nove ilhas e onde encontramos
aspetos diferentes da geodiversidade associados à atividade vulcãnica;
5. Geoparque Estrela, 2019 abrange nove municípios, destacando-se a presença
de aspetos petrológicos, hidrogeológicos, geomorfológicos, com destaque para
os vestígios decorrentes do último período glacial.

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DA FORMAÇÃO DA TERRA À TECTÓNICA DE PLACAS(fotos no
powerpoint)

Componentes do sistema Terra:


Atmosfera: invólucro de gases à roda do planeta. Na
sua estrutura vertical distingue-se diferentes
camadas: a troposfera, a estratosfera, a mesosfera
e a termosfera.
Hidrosfera: contém toda a água do planeta (quer à
superfície, quer próximo da superfície). Encontra-se
nos três estados físicos: gasoso, líquido e sólido)
Biosfera: parte viva do planmeta e que se distribui
pelas três componentes apresentadas
Geosfera: consiste nas diferentes camadas,
essencialmente de natureza rochosa que
constituem o interior da Terra. As camadas a
considerar depende de considerarmos o modelo
físico ou químico para a estrutura da Terra.

Tipos de limites tectónicos

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Da Deriva à Tectónica de placas
Limites convergentes

Ambientes tectónicos e formação de rochas


Rochas magmáticas rochas formadas a partir de um magma que solidifica à
superfície ou em profundidade; resultam do arrefecimento e da solidificação do
magma em profundidades diferentes (ex: granito)
Rochas sedimentares resultam de rochas pré-existentes e formam-se devido
a vários fatores de natureza física, química e biológica; resultam da acumulação
de diversos materiais provenientes de rochas preexistentes (magmáticas,
sedimentares e metamórficas) (ex: calcários)
Rochas metamórficas resultam da transformação de rochas pré-existentes
por ação de pressões e/ou temperaturas elevadas; resultam da ação da pressão
e/ou da temperatura, em profundidade, sobre rochas preexistentes (ex: xistos)

As paisagens geológicas são paisagens naturais, resultantes de processos


geológicos.
Conforme o principal tipo de rocha que as constitui, as paisagens geológicas
classificam-se em magmáticas, metamórficas e sedimentares.

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Paisagens geológicas (fotografias manual p. 14-20)
Podem ser

Paisagens de rochas Paisagens de rochas Paisagens de rochas


magmáticas metamórficas sedimentares
Principais
características
Dunas
Desfiladeiros Por exemplo

Classificam-se
Chaminés
em Ravinas -de-fada

Paisagem
Cársica

Paisagens de rochas Paisagens de rochas


plutónicas vulcânicas
Principais características
Algumas características

Granito com Caos de blocos em Canais Caldeiras Escoadas de Cones


diáclases regiões graníticas de lava lava basálticas vulcânicos

FUNDAMENTOS DA ESTRUTURA E DA DINÂMICA DA TERRA

Deriva Continental

Wegener acreditava que os continentes atuais estiveram todos unidos num


supercontinente a que chamou Pangeia que se formou há cerca de 245 milhões de
anos. Mas, à medida que Pangeia se fragmentou, os continentes foram lentamente
ocupando as posições atuais. Wegener referia- riva dos

Argumento apresentados por Wegener


Argumentos morfológicos
o Wegener, ao observar no mapa a configuração dos bordos da costa oriental
da América do Sul e da costa ocidenal de África, concluiu que estes se
ajustavam como peças de puzzle
Argumentos geológicos
o Encontrou coreespondência entre as rochas que se encontram de um e do
outro lado do oceano Atlântico. Verificou, por exemplo, que a natureza, a
idade e as semelhanças estruturais de rochas da África do Sul são idênticas
às existentes nas rochas das orlas de Buenos Aires, na Argentina

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Argumentos paleoclimáticos
o A Paleoclimatologia é a ciência que estuda os antigos climas da Terra. Os
dados sobre as condições climáticas que Wegener reuniu permitiram-lhe
verificar que, no passado, grandes superfícies da Terra possuíam climas
diferentes dos atuais. Por exemplo, a existência de materiais transportados
por glaciares e de carvão em regiões onde, na atualidade, dadas as suas
características climáticas, não é possível a sua existência.
Argumentos paleontológicos
o Encontrou vários exemplares dos mesmos fósseis em continentes que,
atualmente, se encontram muito afastados, entre os quais se destaca o fóssil
do réptil Mesosaurus descoberto na América do Sul e em África.

A Hipótese da Deriva Continetal foi ignorada pela maioria dos cientistas

A exploração do fundo dos oceanos

Durante a Segunda Guerra Mundial, a tecnologia para a deteção de submarinos


permitiu recolher novos dados sobre o relevo dos fundos oceânicos.
Descobriu-se que a
superfície do fundo
oceânico tem um relevo
muito acidentado
Existem cordilheiras de
montanhas submarinas
(dorsais médio-
oceânicas), em sistema
contínuo à volta do globo.
Identificaram-se também fossas oceânicas (depressões de grande profundidade,
superior à das planícies abissais); planícies abissais (superfícies planas); taludes
(vertentes, com forte inclinação, situadas no final da plataforma continental) e
plataformas continentais (zonas de margem cobertas pelo oceano). No centro das
dorsais, existe uma
abertura por onde o
magma, formado no
interior da Terra, ascende
à superfície designada
rifte.

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O conhecimento do fundo dos oceanos levou os investigadores Harry Hess e Robert
Dietz a propor a hipótese da expansão dos fundos oceânicos.
Estes geólogos propuseram a ideia segundo a qual a superfície terrestre se forma,
a partir de material em estado de fusão, ao nível do rifte das dorsais médio-
oceânicas.

O magnetismo das rochas

Os cientistas também descobriram que algumas rochas da superfície terreste se


apresentavam magnetizadas. Estas rochas contêm minerais de ferro
(ferromagnéticos) que, durante o processo de arrefecimento da rocha, adquirem a
orientação do campo magnético terrestre no momento da sua formação. Os minerais
ferromagnéticos ficam permanentemente orientados na rocha consolidada.
A Terra apresenta um campo magnético que pode ser facilmente revelado quando
se utiliza uma bússola
O estudo do magnetismo preservado nas rochas paleomagnetismo revelou que
a direção do campo magnético terreste, ao longo da história do nosso planeta, tem
sofrido alterações (anomalias magnéticas)

Contributo do paleomagnetismo para o estudo do mobilismo terrestre

O paleomagnetismo
registado nas
rochas e a
determinação da
sua idade em
milhões de anos
(M.a.), de ambos os
lados do rifte, da
dorsal médio-
atlântica, revelaram
um padrão regular
da polaridade
magnética e da
idade preservado
nas rochas dos
fundos oceânicos.

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Constatou-se, assim, que existem zonas na Terra como, ao nível dos riftes, onde se
verifica a expansão dos fundos dos oceanos e outras onde o material rochoso é
destruído, como, por exemplo, em regiões onde existem fossas oceânicas. Nestas
regiões, os cientistas descobriram
que os fundos oceânicos mergulham
sob a região continetal, em direção ao
interior da Terra, razão pela qual as
rochas dos fundos oceâncios são
mais jovens do que as rochas dos
continentes, pois o fundo dos
oceanos está constantemente a ser
renovado e destruído.

A verificação da expansão dos fundos dos oceanos e a determinação da idade das


rochas da crusta oceânica reuniu consenso entre a comunidade científica e levou à
formulação de uma teoria que esclarece o mecanismo que permite a formação e a
destruição do fundo dos oceanos
O conhecimento sobre a estrutura interna da Terra em camadas como, por exemplo,
a crusta, o manto e o núcleo, e as propriedades do material rochoso que as
constituem (sujeito a temperaturas e pressões que aumentam da superfície para o
interior do planeta) ajudou à elaboração da Teoria da Tectónica de Placas.

Teoria da Tectónica de Placas

Segundo esta teoria, a parte superior rochosa da Terra (litosfera) não é contínua,
mas dividida num conjunto de placas litosféricas que se movimentam, transportando
a crusta. A litosfera é uma camada constituída por rochas da crusta terreste
(oceânica e continental) e por rochas da parte superior do manto (a camada
subjacente à crusta terreste).

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Enquanto a Hipótese da Deriva Continental admite o movimento dos continentes, a
Teoria da Tectónica de Placas defende o movimento das placas litosféricas.
Estas placas deslocam-se por cima de uma região do manto, onde existe material
rochoso submetido a temperaturas elevadas e num estado dúctil (pode deformar-se
com facilidade) que, por sua vez, também se encontra em movimento.

Mecanismo gerador do movimento das placas litosféricas

A maioria dos cientistas aceita que o

litosféricas é o calor do interior da


Terra. Esta hipótese está
relacionada com as descobertas
sobre a transmissão de calor
através de fluidos (líquidos ou
gases), mecanismo designado
corrente de convecção.
O movimento das placas litosféricas é uma manifestação do mecanismo das
correntes de convecção que se verifica ao nível do manto.

Este mecanismo pode explicar a fratura e a deriva das placas da litosfera:


1. De acordo com o modelo de correntes de convecção, o material em estado de
fusão do interior da Terra (quente e menos denso) ascende e atinge a superfície
ao nível dos riftes
2. À medida que as placas litosféricas se afastam do rifte, a rocha arrefece, contrai-
se e torna-se mais rígida
3. Quando o material rochoso se aproxima da zona de contazto entre uma placa
com crusta oceânica e uma placa com crusta continetal, designada zona de
subducção, a placa com crusta oceânica (mais densa) mergulha em direção ao
interior da Terra,
permitindo a fusão de
material rochoso
4. O calor produzido no
interior da Terra é o

convecção.

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De acordo com o movimento relativo das placas litosféricas, os cientistas
identificaram três tipos de limites que estão associados a fenómenos como o
vulcanismo e os sismos.

LIMITES DAS PLACAS LITOSFÉRICAS

Limites divergentes

Ao nível do rifte das dorsais, as duas placas litosféricas, que estão constantemente
a formarem-se, afastam-se em sentidos opostos. Placas que exibem este
movimento apresentam limites
divergentes.
A deslocação destas placas
provoca, também, nas zonas de rifte,
sismos e erupções vulcânicas.

Limites convergentes

Nas zonas de subducção, as placas convergem e colidem. Nestas zonas, destrói-


se, continuamente, a litosfera. Placas que exibem este movimento apresentam
limites convergentes.
As zonas de subducção são responsáveis
pela formação de cadeias montanhosas e
são zonas com grande atividade sísmica e
atividade vulcânica.

Limites transformantes

As zonas onde duas placas litosféricas deslizam, horizontalmente, uma em relação


à outra, apresentam limites transformantes, onde a litosfera nem é criada nem
destruída.
Geralmente, nas zonas com este tipo de limite, as placas deslizam lateralmente, ao
longo das chamadas falhas transformantes.
Este tipo de limite causa, sobretudo, sismos.
A Falha de Santo André, na Califórnia
(Estados Unidos da América), é um exemplo
de uma zona de atividade sísmica provocada
pelo movimento horizontal da Placa do
Pacífico e da Placa Norte-americana.
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O conhecimento dos limites das placas litosféricas permitiu compreender que existe
um ciclo contínuo de destruição e construção da litosfera associado, respetivamente,
aos limites convergentes e divergentes que, ao longo do tempo, mantêm o volume
da Terra praticamente constante.
A Teoria da Tectónica de Placas permite, ainda, compreender muitos fenómenos
geológicos, tais como, a formação de cadeias montanhosas, os sismos, o
vulcanismo e até a evolução e distribuição da vida na Terra.

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DEFORMAÇÃO DAS ROCHAS
À superfície ou em profundidade, as forças tectónicas provocam também alterações
na forma e volume das rochas que constituem a crusta terrestre designadas
deformações, frequentes na formação de montanhas.

Formação de montanhas

Está relacionada com a colisão de placas litosféricas com limite convergente de dois
tipos: subducção de uma placa com crusta oceânica sob uma placa com crusta
continental ou da colusão de duas placas com crusta continental.
No primeiro caso, o material rochoso
da placa oceânica sofre subducção e
os materiais fundem. Quando o
magma com esta origem atinge a
superfície, oigina erupções
vulcânicas que estão na base da
formação deste tipo de montanhas.
Quando duas placas em colisão apresentam densidades equivalentes, a
combinação de fenómenos
vulcânicos e a deformação dos
materiais que as constituem são os
principais processos geológicos
que contudzem à formação desta
tipo de montanhas.

A formação de cadeias montanhosas é o resultado da tectónica de placas. No


entanto, a ação de agentes erosivos, como, por exemplo, a água e o vento, são
também responsáveis pela alteração da paisagem terrestre.

Deformações mais frequentes das rochas

Quando sujeitas às forças tectónicas, as rochas podem exibir dois comportamentos:


frágil ou dúctil. No primeiro caso fraturam originando o aparecimento de falhas.
No caso de exibir um comportamento dúctil, as rochas alteram a sua forma
permanentemente, sem se partirem, originando dobras. O comportamento das
rochas depende de fatores como a pressão e a temperatura a que estão sujeitas.

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Falhas

São fraturas da crusta com movimento


relativo dos dois blocos de cada um dos
lados do plano de falha.
São estruturas geológicas resultantes da
atuação de tensões de compressão,
distensão e de cisalhamento e são
deformações permanentes e irreversíveis.

As tensões originam diferentes tipos de falhas.

Dobras

São evidências da atuação das forças


tectónicas e formam-se, geralmente,
em condições de pressão e
temperatura elevadas.
Em profundidade e quando são
expostas gradualmente a tensões,
durante um longo período de tempo,
as rochas deformam-se originando
estruturas designadas dobras.
A deformação resultante é
permanente e irreversível e ocorre
sob a ação de tensões de
compressão.

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VULCÃO

Formação das caldeiras vulcânicas

Formam-se na sequência de erupções vulcânicas


sucessivas (A), em que a câmara magmática se vai
esvaziando (B). Quando fica vazia, o edifício vulcânico torna-se instável, por falta de
apoio, e parte do cone, geralmente a centra, abate (C), dando origem a uma depressão
limitada por rebordos irregulares. Normalmente, nestas formações ocorre a acumulação
de água de precipitação, originando lagoas (D)

Tipos de erupções vulcânicas

Os tipos de erupções vulcânicas têm aspetos e consequências diferentes, conforme


a temperatura e a composição química do magma.
Estes dois parâmetros determinam:
o A maior ou menor viscosidade da lava (isto é, a sua resistência em fluir)
o As condições de libertação dos gases constituintes do magma
Assim, podemos definir três tipos de erupções vulcânicas:
Efusiva
o Emissão tranquila de lava muito fluida, pouco viscosa, que solidifica lentamente.
Os gases libertam-se suavemente, podendo a lava deslocar-se a grandes
distâncias
Explosiva
o Emissão de produtor vulcânicos (piroclastos e forte emissão de gases), sob a
forma de explosões violentas. O aparelho vulcânico assume, frequentemente,
vertentes muito acentuadas.
o A lava é muito viscosa e solidifica rapidamente, formando, por vezes, domos ou
agulhas vulcânicas que emergem da chaminé
o Nalguns casos, a erupção é tão violenta que se formam nuvens ardentes,
massas densas de gases e proclastos incandescentes, a temperaturas muito

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elevadas, que podem deslocar-se a grande velocidade, junto ao solo (fluxos
piroclásticos), destruindo tudo à sua passagem
Mista
o Apresenta período de tranquila emissão de lava, alternando com período
explosivos, de pouca violência, com projeções de materiais piroclásticos. As
escoadas lávicas são, geralmente, curtas e a lava apresenta um grau intermédio
de viscosidade

Tipo havaiano Tipo vulcaniano

Tipo peleano Tipo estromboliano

Materiais e estruturas vulcânicas


Tipos de lavas
Basálticas: rios e planaltos de lava/ lavas / lavas em almofada
Riolíticas (bastante mais viscosa)
Andesíticas (propriedades intermédias)

Material piroclástico
Poeiras e cinza/ Lapilli ou bagacina/ Bombas

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ROCHAS MAGMÁTICAS
Relação entre a profundidade a que se dá o arrefecimento do magma e a textura
das rochas magmáticas

Constituição das rochas

As rochas magmáticas formam-se por solidificação do magma, onde, durante o


arrefecimento, se vão separando os minerais, de acordo com as diferentes condições
de temperatura e pressão
Existem dois tipos de rochas magmáticas: rochas plutónicas e rochas vulcânicas
As rochas plutónicas formam-se quando a solidificação do magma ocorre no interior
da crusta, com arrefecimento lento
As rochas vulcânicas formam-se quando a solidificação do magma ocorre à
superfície ou muito próximo dela, com arrefecimento rápido ou muito rápido
A classificação das rochas magmáticas é efetuada com base na composição
mineralógica e no tipo de textura que apresentam
A composição mineralógica das rochas depende, essencialmente, da composição
química do magma
A textura de uma rocha magmática está relacionada com as condições de
arrefecimento do magma que lhes deu origem

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Formação dos minerais cristalização fracionada Séries de Bowen

Bowen dividiu a formação dos

minerais em 2 partes :
a
são sempre
• Contínuas
-

que
um
mineral ( Plagio clase?
de
partir


Descontínuas -

que são a partir


minerais
de diferentes
.

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ROCHAS METAMÓRFICAS
Metamorfismo conjunto de fenómenos que contribui para a transformação, no estado
sólido, dos minerais e da textura de uma rocha pré-existente numa rocha metamórfica

Fatores de metamorfismo: elevadas pressões; altas temperaturas, fluidos circulantes


e o tempo
Temperatura à medida que a rocha se ajusta às novas temperaturas os seus
átomos e iões recristalizam formando novos arranjos e criando novos conjuntos
mineralógicos.
Pressão é essencialmente de dois tipos:
o litostática é uma força genérica aplicada igualmente em todas as direções
(ex: afundamento dos sedimentos)
o dirigida é exercida numa direção particular como nas ações compressivas
associadas à convergência de placas
Fluidos (incluindo material volátil) a remoção ou introdução de componentes
que se dissolvem na água promove alterações. Os fluidos resultantes transportam
CO2 e diversas substâncias químicas. A sua origem pode ser da própria rocha. No
caso da água, esta pode mesmo estar na estrutura cristalina dos minerais sendo
expulsa com o aumento de temperatura e pressão.
Tempo fundamental face às características dos processos metamórficos

Rochas metamórficas forma-se no interior da crusta terreste à custa de outras pré-


existentes que podem ser sedimentares, magmáticas ou metamórficas.
Resultam da transformação profunda de formações preexistentes (sedimentares,
ígneas ou metamórficas), devido ao aumento da pressão e/ou da temperatura e
ocorrem para que uma rocha pré-existente permaneça em equilíbrio nas novas
condições.
Durante o percurso metamórfico as rochas mantêm-se no estado sólido, sem haver
fusões, adições ou subtracções de material significativas na sua transformação. As
transformações resultantes são texturais e mineralógicas.

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Tipos de metamorfismo

Metamorfismo de contacto
o Afeta pequenas zonas e o principal fator de metamorfismo é a elevada
temperatura, proveniente de uma massa magmática designada intrussão
magmática
o A auréola de metamorfismo corresponde à zona onde o calor do magma
transforma as rochas encaixantes em rochas metamórficas
o As rochas que rodeiam esta intrusão, designadas rochas encaixantes, se
forem de natureza calcária originam o mármore. Mas, se, por exemplo,
forem arenito, originam um quartzito.
o resulta do impacto de uma intrusão ígnea em redor de rochas
encaixantes. O factor temperatura é o mais relevante, embora não
exclusivo. Em alguns zonas afectadas por metamorfismo regional
surgem dinâmicas deste tipo.

Metamorfismo regional
o Afeta zonas extensas e está associada a fenómenos tectónicos e de
afundamento relacionados com as transformações que ocorrem nas rochas
de zonas de colisão de placas litosféricas e nos sedimentos depositados
em bacias de sedimentação. Se estes sedimentos forem, por exemplo, de
natureza argilosa originam ardósias ou xistos. (ou o granito pode originar
um gnaisse)
o ocorre em zonas de convergência de placas e de colisão entre placas
continentais. Associa-se a condições elevadas ou médias de pressão
e variáveis de temperatura (baixas, médias e elevadas).

Metamorfismo de fundo oceânico


o ocorre associado às dorsais meso-oceânicas. A água do mar que percola
nos basaltos quentes e fracturados é aquecida e promove reacções
químicas.

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Metamorfismo de afundamento
o ocorre quando as rochas sedimentares são enterradas através da
subsidência da crosta. A tectónica influencia ao criar bacias de
sedimentação marinhas.

Metamorfismo de impacto
o resulta do impacto dos meteoritos. O calor e as ondas de impacto
transmitem-se às rochas terrestres e podem recristalizá-las.

Sequências metamórficas (o caso da série pelítica)

Outras sequências
Sequência pelítica originada de argilitos ou siltitos, mostra os seguintes tipos
principais: ardósia filádio ou xisto luzente micaxisto gnaisse migmatito
(granitos de anatexia)

Sequência básica originada a partir de basaltos, doleritos, gabros e tufos


vulcânicos, mostra os seguintes tipos principais: cloritoxisto xisto verde
anfibolito gnaisse anfibólico granulitos eclogitos

Sequência carbonatada com início em calcários, dá origem a mármore

Sequência quartzítica originada a partir de arenitos quártzicos, revela: quartzito


gnaisse migmatitos - (granitos de anatexia)

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Fácies metamórfica

Uma fácies corresponde ao conjunto de rochas metamórficas que


independentemente da sua natureza se formaram sob as mesmas condições de
Pressão e Temperatura e é definida pela associação de minerais indicadores
presentes. Duas rochas podem ter minerais distintos e pertencerem à mesma
fácies.
Dois pontos essenciais associam-se a este conceito:
o Diferentes tipos de rochas metamórficas são formadas a partir de rochas
parentais de diferentes composições para o mesmo grau de metamorfismo
o Diferentes tipos de rochas metamórficas são formadas sob diferentes graus
de metamorfismo a partir de rochas parentais da mesma composição

Metamorfismo de contacto

As rochas resultantes do metamorfismo de contacto chamam-se corneanas


o Corneanas pelíticas derivam de xistos argilosos. Perdem o carácter
xistento e tornam-se rochas compactas. Apresentam andaluzite,
plagiocláses, feldspato potássico, clorite e quartzo. Em zonas um pouco mais
afastadas surgem os xistos mosqueados nos quais se dispõem cristais de
andaluzite e de estaurolite.
o Corneanas cálcicas são no fundo mármores. Alguns são mármores
fétidos porque libertam vapores sulfídricos contidos nos poros da rocha fruto
da transformação de matéria orgânica aprisionada.
o Corneanas básicas são também rochas cristalinas com plagiocláses,
clorites, anfíbolas e piroxenas

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CICLO DAS ROCHAS
O ciclo das rochas é um ciclo contínuo de transformações a que as rochas estão
sujeitas.

O magma solifica, originando rochas magmáticas. A solidificação do magma


pode ocorrer rapidamente, quando é lançado para o exterior através de erupções
vulcânicas, ou ocorrer mais lentamente, em profundidade. Quando as rochas que
se encontram à superfície sofrem meteorização e erosão, os materiais resultantes
são transportados e depositados e, após diagénese, originam rochas
sedimentares. As rochas sedimentares podem afundar-se devido ao peso das
camadas de sedimentos que se vão sobrepondo e, quando a pressão e a
temperatura atingem determinados valores, orginam rochas metamórficas. Se a
temperatura aumenta consideravelmente, as rochas metamórficas fundem,
originando de novo magma. Completa-se assim um ciclo contínuo de
transformação o ciclo das rochas.
No entanto, as transformações nas rochas nem sempre acontecem segundo a
sequência descrita. Uma rocha sedimentar pode ser alterada e erodida,
originano outra rocha sedimentar,
as rochas magmáticas podem
ser sujeitas a metamorfismo,
originando rochas metamórficas,
e as rochas metamórficas
podem, de novo, sofrer
metamorfismo.

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ROCHAS SEDIMENTARES
O ciclo das rochas resulta da interacção da tectónica de placas com o sistema
climático.
Alteração ou meteorização das rochas consiste na sua desagregação e
decomposição levadas a cabo por agentes físicos e químicos naturais (atmosféricos,
hidrológicos e biológicos) que transformam essa rocha noutro produto natural, agora
em equilíbrio físico-químico com o meio ambiente
Meteorização química ocorre quando os minerais numa rocha são quimicamente
alterados ou dissolvidos
Meteorização física ocorre quando a rocha é fragmentada por processos
mecânicos que não alteram a sua composição

A alteração ou meteorização de uma rocha (m) é função de:


o Factores intrínsecos, dependentes do tipo de rocha (i)
o Factores extrínsecos, função do meio em que se processa a alteração
M = f (i, e)

a) Os factores intrínsecos (i) são função dos seguintes aspectos:

1. Natureza do material (n)


2. Da sua fracturação e vazios, ou seja, da superfície exposta ao ataque (s)
a. porosidade da rocha
b. descontinuidades físicas (superfícies de estratificação, estrutura da
rocha, fraturas)

i = f1 (n, s)

b) Os factores extrínsecos (e) dependem nomeadamente:


1. Clima (Temperatura e precipitação)
2. Presença e ausência de solo e de vegetação (SV)
3. pH do meio
4. O teor em oxigénio do meio
5. Tempo de exposição (Tem)
e = f2 (C, SV, pH, Eh, Tem)

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Meteorização química
Os agentes de alteração química são:
§ a atmosfera com destaque para a presença de oxigénio, vapor de água e dióxido
de carbono
§ a água da hidrosfera mais ou menos acidificada por CO2 dissolvido e ácidos
orgânicos
§ a temperatura elevada
Reações químicas principais:
Dissolução por carbonatação ocorre através da formação de ácido carbónico por
reação da água com o dióxido de carbono
Hidrólise dos feldspatos transformação em argila ( acontece no
granito )
Oxidação destruição de minerais ricos em ferro em outros minerais
Hidratação consiste na incorporação de moléculas de água
Troca iónica consiste na troca de iões contidos nas estruturas cristalinas

Modelado cársico (Dissolução por carbonatação)

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Séries de GOLDICH

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Meteorização mecânica ou física
Expansão e contração de origem térmica termoclastia
o grandes amplitudes térmicas
o escassa condutividade térmica da maioria das rochas
o presença de minerais de diferentes tonalidades
o presença de minerais com diferentes coeficientes de dilatação térmica
Desagregação por crescimento de cristais por
o congelação da água crioclastia
o cristalização de sais (NaCl, CaSO4.H2O, MgSO4 e Na2CO3)
dissolvidos em águas de infiltração
suspensos no ar sob a forma de poeiras salinas
presentes no spray marinho em zonas litorais
Desagregação por descompressão
Desagregação por atividade biológica

Fracturação por ação do gelo Fracturação por ação das plantas

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Processos que originam as rochas sedimentares
Erosão mobiliza as partículas produzidas por meteorização
Transporte deslocação das partículas para novos destinos por acção do vento,
da água no estado líquido e fruto da deslocação dos glaciares
Deposição (ou sedimentação) a diminuição da capacidade dos agentes de
transporte conduz à deposição dos materiais. Pode ocorrer em ambiente terrestre
ou marinho e inclui processos de precipitação química e bioquímica e a deposição
de conchas de organismos mortos.
Afundamento - com a acumulação de sedimentos o material mais antigo é
compactado
Diagénese refere-se às mudanças físicas e químicas incluindo pressão, calor e
reações químicas através dos quais os sedimentos enterrados são litificados e
adquirem uma nova identidade como rochas sedimentares

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GLACIARES

Serra da Estrela Vale Glaciário do Zézere


- Vale glaciário em U
- Blocos de moreias laterais
- Blocos erráticos
- Vales suspensos

Um glaciar é um corpo de gelo formado por acumulação, compactação e


recristalização da neve e que é suficientemente espesso para fluir
O gelo glaciar pode ser considerado um tipo de rocha metamórfica, visto que se
forma a partir da sedimentação da neve, sua compactação e recristalização
Da neve ao gelo dos glaciares:

Tipos de glaciares

Glaciares de montanha (vale ou altitude) confinados aos vales das montanhas


Glaciares continentais (ou de latitude) ocupam amplas zonas continentais. Cobrem

Movimentação dos glaciares


Ambos os tipos de glaciares acabam por fluir, sendo o fluxo fruto de vários fatores:
o ação da gravidade
o espessura do gelo
o temperatura
o ângulo de inclinação do terreno

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Os glaciares de vale
Os glaciares de vale são o tipo de glaciares com uma maior ação modeladora do
relevo devido à sua maior capacidade erosiva e de transporte e formam importantes
línguas de gelo.
Variações sazonais na temperatura e declive do terreno, explicam estas
características.

Zona de acumulação e zona de ablação Os glaciares de montanha e a


movimentação do gelo

Movimentação da língua glaciária

As moreiras

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Circos glaciares

É uma depressão funda em forma de anfiteatro localizada no topo das montanhas.


Quando o gelo desaparece pode ocorrer nesses locais a formação de um lago (lago
de circo)

Vales glaciares

Fiordes

Os fiordes da Noruega são antigos vales glaciáres invadidos pela subida do nível da
água.

Zonas do glaciar Formação de icebergs

Os glaciares de montanha e a altitude

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O MAR
Tipo de ações destrutivas provocadas pelo mar

1. Erosão e transporte de materiais


2. Dissolução de rochas presentes no litoral
3. Corrosão e corrasão
4. Atrito

Processo de desagregação das arribas


1. Ação provocada pelo mar no litoral
2. Desgaste das rochas do litoral
3. Recuo da linha da costa
4. Derricada das arribas

O processo de corrosão

A corrosão é um processo químico de destruição de um material causado pela


ação do meio, sendo um processo natural resultante de reações de oxirredução
(ganho e perda de elétron). Este processo não ocorre sem a presença de água e
oxigénio.

O processo de corrasão

Processo de desbaste físico e erosão de rochas através, principalmente, do impacto


e/ou atrito de partículas e fragmentos transportados pelo vento, pela água ou pelo
gelo.

Marés Vagas Correntes

Marés: movimento periódico de subida (fluxo) e descida (refluxo) das águas do mar,
produzido principalmente pela atração da Lua e do Sol, em geral com duas marés altas
e duas marés baixas por dia
Produto da atração gravitacional exercida pelo sol e pela lua sobre a Terra.
A lua tem mais influência!! Mas o sol tem a ver com as forças gravitacionais

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As ondas são movimentos provocados pelo vento, que sopra sobre a superfície das
águas oceânicas. Quando as ondas se aproximam do litoral elas quebram-se sobre
uma praia ou diretamente sobre as arribas.

em função das diferenças de temperatura e de salinidade da água, do relevo


submarino e das variações de pressão atmosférica e suas influências no
deslocamento das massas de ar e dos ventos.

Ações construtivas ou destrutivas assinaladas em zonas concretas de Portugal


Continental (fotos no powerpoint)
Tômbolos - É um acidente geográfico que faz com que uma ilha seja unida
ao continente por uma estreita faixa (barra) resultante da acumulação de
sedimentos (areia ou terra).
Restingas - A restinga é um espaço geográfico formado sempre por
depósitos arenosos paralelos à linha da costa, de forma geralmente alongada.
Ilhas Barreira - Uma ilha-barreira é uma ilha formada por uma faixa arenosa,
estreita e comprida, geralmente paralela à linha da costa.
Praias - É uma formação geológica composta por partículas soltas
de mineral ou rocha na forma de areia.

Transgressão e regressão marinha


Transgressão marinha
Aumento do nível médio das águas do mar.
Diminui a energia no meio terrestre.
Pode ocorrer devido ao abatimento de algumas
regiões ou ao derretimento dos calotes polares.

Regressão marinha

Diminuição do nível médio das águas do mar.


Aumenta a energia no meio terrestre.
Pode ocorrer devido a uma glaciação ou através
de uma elevação dos terrenos.

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Alterações climáticas

Com o aquecimento do planeta Terra, os oceanos diminuem as consequências das


mudanças climáticas, absorvendo 93% do calor aprisionado pelos gases do efeito
estufa. Quanto maior a temperatura terrestre, maior o aquecimento marítimo, que
provoca a sua expansão térmica aumentando o volume da água.
O descongelamento das calotes polares também contribui para o aumento da água
no seu estado líquido. Entre 1992 e 2017, a Gronelândia e a Antártida perderam 6,4
mil milhões de toneladas de gelo, o que foi suficiente para elevar em 17,8 mm o nível
do mar.

Aquecimento das águas + derretimento das calotes polares = subida do nível


médio das águas do mar

A principal consequência da subida do nível do mar para a costa é então o


aumento da erosão costeira que ocorre. Esta erosão destrói e modifica os
ecossistemas, tanto terrestres como aquáticos, ao alterar a altura e na amplitude
das marés. Ecossistemas costeiros como estuários e deltas, zonas húmidas e
pântanos, devem ser afetados negativamente pela elevação do mar, prejudicando
a biodiversidade local pela diminuição de fontes de alimento, alterações nas
cadeias alimentares e desarranjos estruturais, que provocam também migrações
forçadas das populações selvagens.

A subida do nível médio das águas do mar provoca

Modificação de ecossistemas terrestres e

aquáticos

Inundações Destruição de estruturas construídas pelo

Aumento da erosão costeira Homem

Necessidade de deslocar pessoas e

atividades económicas

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OS RIOS

A água como agente de meteorização


Ação da água do mar nas zonas costeiras;
Ação da água no estado sólido (glaciares)
Ação das águas de escorrência superficial sem leito definido (águas selvagens) e
de escorrência subterrânea;
Ação das águas de escorrência em leitos bem definidos (rios);

Sistemas fluviais Caudal

Caudal de um rio (Q) é o parâmetro que mede a quantidade de água que um rio
escoa através da sua secção húmida. Corresponde assim ao volume de água (v)
que passa numa dada secção da corrente fluvial num certo intervalo de tempo (t).

Caudal = área da secção húmida x velocidade do fluxo da água

(largura x profundidade) (distância percorrida por segundo)

Os cursos de água ao fluírem podem exercer ações de:


o Erosão
o Transporte
o sedimentação
A erosão fluvial é atribuída a três processos:
o Corrosão meteorização química provocada pela água e ações biológicas
o Corrasão meteorização física provocada pela abrasão da carga
transportada no fundo do leito (formações características as chamadas
marmitas de gigante).

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Marmitas de gigante
São depressões, mais ou menos arredondadas, com dimensões variáveis,
existentes no fundo do leite rochoso de alguns rios e no fundo das quais se
encontram seixos e areias.
Parecem ter origem em irregularidades existentes nos leitos rochosos retenção e
movimentação circular de seixos devido ao atrito as partículas vão escavando
depressões.

Transporte de partículas
Existem diferentes modos de as correntes fluviais transportarem a sua carga em
função do tipo de transporte:
o flutuante (fragmentos de origem orgânica e pequenas poeiras)
o suspensão (argilas e siltes)
o saltação (areias)
o rolamento e arrastamento (balastros)
o dissolução

Parâmetros dos rios como agentes de transporte


Competência de um rio refere-se à dimensão das maiores partículas que ele pode
transportar (depende principalmente da velocidade das águas)
Capacidade de um rio exprime a carga total máxima que o rio pode transportar
(depende prioritariamente do caudal e dimensões da secção húmida)
Canais retilíneos associados a vertentes muito inclinadas, em vales tipo canhão
Canais sinuosos e meandriformes distinguem-se pelo grau de sinuosidade.
Distinguem-se dois tipos de meandros:
o meandros encaixados o traçado coincide com o traçado do vale
o meandros divagantes o traçado ocorre em planícies aluviais e que podem
divagar facilmente (deslocar-se) por erosão lateral

Meandros encaixados Meandros divagantes

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Regime de escoamento
Temporários
o efémeros quando se encontram secos durante a maior parte do ano,
comportando água durante ou após uma chuvada
o intermitentes quando transportam água durante apenas uma parte do ano
Perenes ou permanentes quando transportam água durante todo o ano

Perfil longitudinal de equilíbrio


Corresponde geralmente a um linha curva regular, caracteristicamente côncava para
cima em que o declive se reduz progressivamente de montante para jusante e se
estabelece em função de um nível de base (cota mínima que o fluxo aquoso pode
atingir)
O perfil longitudinal, embora côncavo, pode apresentar irregularidades:
o Temporárias (ex: devido à presença de afloramentos de rocha resistente mas
confinada a uma dada
área).
o Permanentes (ex:
atravessamento de
diferentes litologias em
grandes áreas de
afloramento)

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Bacias hidrográficas
Tipos de rede de drenagem:
o Arreicas são regiões sem escoamento fluvial
o Endorreiras são regiões em que a drenagem se efetua para um lago interior
o Exorreica a drenagem efetua-se para o mar
o Criptorreica a drenagem é essencialmente subterrânea

Deltas
Morfologia normalmente triangular de um rio decorrente dos sedimentos que este
deposita, fruto da perda de capacidade de transporta. A água acaba por seguir vários
percursos até atingir o mar, no caso da bacia de drenagem ser exorreica.

Estuários
São as zonas terminais dos rios onde se exerce a influência da corrente fluvial e a
força das marés.
Pode receber sedimentos quer marinhos quer continentais.
Encerram importante biodiversidade e são uma zona de nursery (i.e. zona onde as
larvas e juvenis dos peixes se desenvolvem)

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