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5.

AUTOVALORES E AUTOVETORES

Ver: http://www.mspc.eng.br/matm/al_auto_val_vet_01.shtml#calc_autoval_autovet

5.1. Introdução
Dada uma transformação linear de um espaço vetorial nele mesmo, T : V  V, gostaríamos de saber que

vetores seriam levados neles mesmos por esta transformação. Isto é, dada T: V  V, quais são os vetores v
   
v tais que T( v ) = v ? ( v é chamado vetor fixo).
Exemplos:
Exemplo 1: I: R2  R2 (aplicação identidade) (x, y)  (x, y)
Neste caso, todo R2 é fixo uma vez que I(x, y) = (x, y), para todo (x, y) ∈ R2.

Exemplo 2: T: R2  R2 (reflexão no eixo x) (x, y)  (x, - y)


Intuitivamente podemos notar que todo vetor pertencente ao eixo x é mantido fixo pela transformação T, ou
seja, T(x, 0) = (x, 0). Os vetores pertencentes ao eixo x são os únicos com esta propriedade.

Exemplo 3: N: R2  R2 (aplicação nula) (x, y)  (0, 0)


Neste caso, o único vetor que é fixo pela aplicação dada é o vetor nulo, N(0, 0) = (0, 0).

Passaremos agora para o seguinte problema: Dada uma transformação linear de um espaço vetorial T: V
 V, estamos interessados em saber quais vetores são levados em um múltiplo de si mesmo; isto é,
   
procuramos um vetor v ∈ V e um escalar k ∈ R tais que T( v ) = k v . Neste caso T( v ) será um vetor de

mesma “direção” que v . Por vetores de mesma “direção” estaremos entendendo vetores sobre a mesma reta
suporte.
   
Como v = 0 satisfaz a equação para todo k, estaremos interessados em determinar vetores v ≠ 0

satisfazendo a condição acima. O escalar k será chamado autovalor ou valor característico de T e o vetor v um
autovetor ou vetor característico de T. Vamos formalizar este conceito.
Passaremos doravante a dar a designação usual de operador linear para uma transformação linear T: V
 V (de um espaço vetorial nele mesmo).

  
Definição: Seja T: V  V um operador linear. Se existirem v ∈ V, v ≠ 0 , e k ∈ R tais que T(
  
v ) = k v , k é um autovalor de T e v um autovetor de T associado a k.


Observe que k pode ser o número 0, embora v não possa ser o vetor nulo. Daremos a seguir exemplos de
como calcular autovalores e autovetores, usando a definição.
  x  2 0 x  2x  x 
Exemplo 1: T: R2  R2, T( v )  2 v ou      ⋅   =   = 2 
y  0 2 y  2y  y 
Neste caso, 2 é um autovalor de T e qualquer (x, y) ≠ (0, 0) é um autovetor de T associado ao autovalor 2.
 
De um modo geral toda transformação T: R2  R2, v  ∝ v , ∝ ≠ 0 tem ∝ como autovalor e qualquer (x, y)
 
≠ (0, 0) como autovetor correspondente. Observe que T( v ) é sempre um vetor de mesma direção que v .
Ainda mais, se:
i) ∝ < 0, T inverte o sentido do vetor; ii)  ∝ > 1, T dilata o vetor;
iii)  ∝  < 1, T contrai o vetor; iv) ∝ = 1, T é a identidade.

x  1 0  x 
Exemplo 2: T: R2  R2, (reflexão no eixo x) T(x, y)  (x, -y) ou     ⋅ 
y  0 − 1 y 
0  1 0 0   0  0 
Os vetores da forma   são tais que     =   = −1  . Assim, todo vetor (0, y), y ≠ 0, é
y  0 − 1y  − y  y 
autovetor de T com autovalor k = -1.

x  0 − 1 x  − y 
Exemplo 3: T: R2  R2, (rotação de 90º em torno da origem) T(x, y)  (-y, x) ou     ⋅  =  
y  1 0  y   x 
Note que nenhum vetor diferente de zero é levado por T num múltiplo de si mesmo. Logo, T não tem nem
autovalores nem autovetores.
Este é um exemplo de que nem todo operador linear possui autovalores e autovetores.

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

01. Seja T: R2  R2  T(x, y) = (y, 2y). Mostre que k = 2 é um autovalor de T e vetores da forma (x, 2x) são os
autovetores correspondentes.

02. Ache os autovalores e autovetores correspondentes das transformações lineares dadas:


a) T: R2  R2  T(x, y) = (2y, x)
b) T: R2  R2  T(x, y) = (x + y, 2x + y)
c) T: R3  R3  T(x, y, z) = (x + y, x – y, 2x +y – z)
d) T: P2  P2  T(ax2 + bx + c) = ax2 + cx + b
e) T: M2  M2  T(A) = At (isto é, T é a transformação que leva uma matriz na sua transposta)

Referências Bibliográficas
ANTON, Howard; RORRES, Chris. Álgebra linear com aplicações. 8ª Ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
BOLDRINI, José Luiz, et al. Álgebra Linear. 3a Ed. São Paulo: Harbra, 1980.