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ELETROMAGNETISMO

Campos Elétrostáticos
Professor: Pablo Carvalho

Curso: Engenharia Elétrica


Introdução
A eletrostática é uma área fascinante da física que possibilitou o desenvolvimento e aplicação de

tecnologia em diversas áreas como: transmissão de energia elétrica, raios x, proteção contra

descargas elétricas atmosféricas.

Além destes, dispositivos desenvolvidos a partir da eletrônica do estado sólido (resistores,

capacitores, indutores, transistores, diodos, etc.) tem seu funcionamento baseado na eletrostática.

Note que praticamente quase todos os dispositivos em um computador tem seu desenvolvimento

baseado em campos eletrostáticos.

Eletromagnetismo– Prof.: Pablo Carvalho


Introdução
Os princípios da eletrostática estão presentes nas tecnologias aplicadas nas mais diversas áreas

como: medicina, indústria, agricultura dentre outras.

Vamos iniciar nosso estudo do Eletromagnetismo compreendendo os conceitos fundamentais

aplicáveis aos campos elétricos estáticos, ou invariáveis no tempo.

É importante destacar que um campo eletrostático é gerado a partir de uma distribuição de cargas

estáticas.

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Os conhecimentos básicos sobre eletricidade, data de 600 a.C. Os gregos, responsáveis pela criação

do termo eletricidade, derivado da palavra âmbar, eles esfregavam um pequeno pedaço de âmbar

em suas roupas e observavam como ele era capaz de atrair pedaços de penugens e outros materiais

após essa fricção. Porém, o primeiro a de fato realizar trabalhos experimentais estudando esse

efeito foi o físico real inglês Dr. Gilbert em 1600.

Pouco tempo depois, um oficial da Engenharia do exército francês, Coronel Charles Coulomb,

executou uma série de experimentos utilizando uma balança de torção para determinar

quantitativamente a força exercida entre dois objetos, cada um com carga estática de eletricidade.

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
A Lei de Coulomb é uma lei experimental obtida a partir dos resultados de seus experimentos com

a balança de torção. Coulomb estabeleceu uma lei que trata da força de uma carga pontual exerce

sobre outra carga pontual.

A Lei de Coulomb estabelece que a força F entre duas cargas Q1 e Q2 é:


1. Orientada ao longo da linha que une as cargas;

2. Diretamente proporcional ao produto das cagas Q1Q2;

3. Inversamente proporcional ao quadrado da distância R entre elas.

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Matematicamente,

𝑘𝑄1 𝑄2
𝐹= (1)
𝑅2
Na qual k é uma constante de proporcionalidade. Em unidades do SI a carga é dada em Coulombs

1
(C), R em metros (m) e F em Newtons (N) de forma que 𝑘 = .
4𝜋𝜀0

A constante 𝜀0 é chamada permissividade do espaço livre e tem valor:

10−9
𝜀0 = 8,854 × 10−12 = 𝐹 Τ𝑚 (2)
36𝜋

1
𝑘= ≅ 9 × 109 𝑚Τ𝐹 (3)
4𝜋𝜀0
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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Assim, substituindo a 3 em 1,podemos reescrever a força elétrica como:

𝑄1 𝑄2
𝐹= (4)
4𝜋𝜀0 𝑅2

Ao analisarmos a força elétrica que atua em uma carga é preciso lembrar que esta é uma Força que

surge devido a interação física entre a carga que estamos analisando e outra carga ou conjunto de

cargas. Além disso, lembremos que a Força é uma grandeza vetorial, e portanto, além da sua

magnitude também é preciso especificar seu sentido e direção.

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Consideremos então a Figura abaixo, na qual Q1 e Q2 são cargas pontuais. Note que estas cargas
estão localizadas em pontos cujos vetores posição são, respectivamente, r1 e r2, então a força F12
sobre a carga Q2 devido a carga Q1, é dada por:
𝑄1 𝑄2
𝑭𝟏𝟐 = 2
𝒂𝑹𝟏𝟐 (5)
4𝜋𝜀0 𝑅
Note pela figura que a distância R entre as duas cargas é exatamente a
magnitude do vetor deslocamento (R12) entre os vetores posição r1 e r2 .
Assim, temos que:
𝑹𝟏𝟐 = 𝒓𝟐 − 𝒓𝟏 (6)
𝑅 = 𝑹𝟏𝟐 7
𝑹𝟏𝟐
𝒂𝑹𝟏𝟐 = (8)
𝑅

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Substituindo a equação 8, na equação 5, temos:
𝑄1 𝑄2
𝑭𝟏𝟐 = 3
𝑹𝟏𝟐 (9𝑎)
4𝜋𝜀0 𝑅
𝑄1 𝑄2 (𝒓𝟐 − 𝒓𝟏 )
𝑭𝟏𝟐 = 3
(9𝑏)
4𝜋𝜀0 𝒓𝟐 − 𝒓𝟏
A formulação que obtivemos aqui é ferente a força elétrica que a carga Q1 exerce sobre Q2. Para
determinarmos a força elétrica que a carga Q2 exerce sobre Q1 consideremos os seguintes axiomas:
i. Cargas de mesmo sinal se repelem, enquanto cargas de sinal contrário se atraem;
ii. A distância R entre os corpos carregados Q1 e Q2 deve ser muito maior que as dimensões lineares destes corpos;
iii. Q1 e Q2 devem ser cargas estáticas;
iv. Os sinais de Q1 e Q2 devem ser levados em consideração.

Assim, a foça elétrica em Q1 devido a Q2 é dada por:


𝑭𝟐𝟏 = 𝑭𝟏𝟐 𝒂𝟐𝟏 = 𝑭𝟏𝟐 (−𝒂𝟏𝟐 )
𝑭𝟐𝟏 = −𝑭𝟏𝟐
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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Se aumentarmos o número de cargas pontuais na nossa análise, podemos então usar o princípio da
superposição para determinar a força elétrica resultante em uma carga específica devido a sua
interação com as demais cargas do sistema.
Esse princípio estabelece que se houver n cargas pontuais Q1, Q2,..., Qn localizadas, respectivamente
em pontos cujos vetores posição são dados por r1, r2,..., rn a força resultante F sobre uma carga Q
localizada em um ponto r é dada pela soma vetorial das forças exercidas sobre Q devido a cada uma
das cargas Q1, Q2,..., Qn. Logo,
𝑄𝑄1 (𝒓 − 𝒓𝟏 ) 𝑄𝑄2 (𝒓 − 𝒓𝟐 ) 𝑄𝑄𝑛 (𝒓 − 𝒓𝒏 )
𝑭= + + ⋯ +
4𝜋𝜀0 𝒓 − 𝒓𝟏 3 4𝜋𝜀0 𝒓 − 𝒓𝟐 3 4𝜋𝜀0 𝒓 − 𝒓𝒏 3
𝑛
𝑄 𝑄𝑛 (𝒓 − 𝒓𝒏 )
𝑭= ෍ (10)
4𝜋𝜀0 𝒓 − 𝒓𝒏 3
𝑗=1

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Podemos agora compreender o conceito de intensidade de campo elétrico.
O vetor intensidade de campo elétrico E é dado pela força por unidade de carga imersa nesse
campo elétrico.
Então,
𝑭
𝑬 = lim
𝑄→0 𝑄

Ou simplesmente,
𝑭
𝑬= (11)
𝑄
Perceba que a intensidade de campo elétrico E está, obviamente, na mesma direção da força
elétrica resultando F, medido em N/C (Newton/Coulomb) ou V/m (Volts/metro).
Note que o campo elétrico é a medida da influência que uma carga qualquer Q exerce sobre um
ponto qualquer do espaço a sua volta. E não uma interação entre duas cargas.

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Perceba também que sua intensidade varia conforme a distância do ponto medido em relação a
localização da carga Q que gerou o campo. Ou seja, a intensidade do campo elétrico em um ponto P
qualquer cujo o vetor posição é dado por r, devido a uma carga pontual Q1 cujo vetor posição é
dado por r1 é expressa por:
𝑄1 𝑄1 (𝒓 − 𝒓𝟏 )
𝑬= 2
𝒂 𝑹 = 3
(12)
4𝜋𝜀0 𝑅 4𝜋𝜀0 𝒓 − 𝒓𝟏
Para n cargas pontuais, podemos aplicar o princípio da superposição assim como para a força
elétrica e chegar a seguinte equação:
𝑛
1 𝑄𝑛 (𝒓 − 𝒓𝒏 )
𝑬= ෍ (13)
4𝜋𝜀0 𝒓 − 𝒓𝒏 3
𝑗=1
Q

P1
P2
P3
P4

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Ex.1: Um estudante de Engenharia Elétrica esta participando de uma seleção para estágio em uma
das maiores fabricantes de equipamentos de telecomunicação do mundo. É sabido que um dos
pilares da telecomunicação são os conceitos da teoria de eletromagnetismo. A fim de avaliar o nível
de preparo dos candidatos essa empresa aplicou uma prova de conhecimentos específicos de
engenharia. Uma das questões era sobre eletromagnetismo e dizia o seguinte:
“A sua equipe está desenvolvendo um projeto de transferência de informações para sistemas locais
de curto alcance. Para continuar o desenvolvimento do projeto o seu chefe necessita saber qual o
comportamento das cargas elétricas na antena receptora devido a influência da antena emissora. A
antena emissora possui dois elementos condutores que são carregados com cargas de 1mC e -2mC,
representados por Qe1 e Qe2 respectivamente, e a antena receptora possui um elemento condutor
que é carregado com uma carga de 10nC representada por Qr1. Ao abrir e ler o projeto você
percebeu que a carga Qe1 está localizada no ponto E1=(3,2,-1), a carga Qe2 no ponto E2=(-1,-1,4) e a
carga Qr1 esta localizada no ponto R1=(0,3,1). Qual a força elétrica exercida em Qr1 devido a ação de
Qe1 e Qe2, determine também a intensidade do campo elétrico resultante em R1.

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Solução:
Perceba que estamos trabalhando com um problema em que há mais de 2 cargas pontuais, logo
iremos aplicar a equação 10 para determinar a força elétrica resultante em Qr1.
2
𝑄 𝑄𝑛 (𝒓 − 𝒓𝒏 ) 𝑄 𝑄1 (𝑹𝟏 − 𝑬𝟏 ) 𝑄2 (𝑹𝟏 − 𝑬𝟐 )
𝑭= ෍ = +
4𝜋𝜀0 𝒓 − 𝒓𝒏 3 4𝜋𝜀0 𝑹𝟏 − 𝑬𝟏 3 𝑹𝟏 − 𝑬𝟐 3
𝑗=1

Substituindo as variáveis informadas no enunciado temos:


𝑄 10−3 0,3,1 − 3,2, −1 ) 2. 10−3 0,3,1 − −1, −1,4
𝑭= −
4𝜋𝜀0 0,3,1 − 3,2,1 3 0,3,1 − −1, −1,4 3
Fazendo a subtração termo a termo considerando cada eixo de coordenada:
10. 10−9 −3
1. −3,1,2 2. 1,4, −3
𝑭= . 10 −
10−9 (−3,1,2) 3 1,4, −3 3
4𝜋
36𝜋

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Solução:
Por fim, simplificando, calculando os módulos e resolvendo as operações:
10.1 1. −3,1,2 2. 1,4, −3
𝑭= . 10−3 −
1 (−3)2 +(1)2 +(2)2 3 (1)2 +(4)2 +(−3)2 3
9
−3,1,2 −2, −8,6
𝑭= 9.10. 10−3 +
14 14 26 26
−3,1,2 −2, −8,6
𝑭 = 9. 10−2 +
14 14 26 26
Assim, a força elétrica resultante no ponto R1 devido as cargas Qe1 e Qe2 é:

𝑭 = −6.507, −3.817, 7.506 𝑚𝑁 = −6.507𝒂𝒙 − 3.817𝒂𝒚 + 7.506𝒂𝒛 𝑚𝑁

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Solução:
De posse da força elétrica resultante, podemos determinar a intensidade de campo elétrico
resultante no ponto R1.
𝑭
𝑬=
𝑄
−6.507, −3.817, 7.506 . 10−3
𝑬=
10. 10−9
𝑬 = −650.7𝒂𝒙 − 381.7𝒂𝒚 + 750.6𝒂𝒛 𝑘𝑉/𝑚

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Ex.2:
Uma aplicação prática da eletrostática é na separação eletrostática de sólidos. Por exemplo, o
minério de fosfato da Flórida, que consiste de pequenas partículas de quartzo e de rocha de fosfato,
pode ser separado em seus componentes aplicando um campo elétrico uniforme, como mostrado
na figura abaixo. Supondo velocidade e deslocamento iniciais das partículas iguais a zero, determine
a separação entre elas após caírem 80 cm. Considere E=500 kV/m e Q/m=9 μC/kg tanto para
partículas carregadas positivamente como para as partículas carregadas negativamente.
Solução:
Considere a ordem de valores entre o campo elétrico E aplicado
na separação e a carga de cada partícula. Podemos então,
considerar que a força elétrica entre as partículas é desprezível
quando comparada a força elétrica devido ao campo elétrico E.
Assim, as forças que agem sobre as partículas de quartzo e
fosfato são a força elétrica devido ao campo elétrico E, que age
horizontalmente, e a força gravitacional que age verticalmente.
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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Solução:
Da equação 11 podemos dizer que:
𝑭 = 𝑬. 𝑄
Da terceira lei de Newton, temos que F=ma ou em equações diferenciais:
𝑑2 𝑥
𝑭 = 𝑚 2 𝒂𝒙
𝑑𝑡
Assim,
𝑑2 𝑥
𝑄. 𝑬 = 𝑚 2 𝒂𝒙
𝑑𝑡
ou ainda,
𝑑2 𝑥 𝑄
= 𝐸
𝑑𝑡 2 𝑚

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Solução:
Integrando ambos os lados da equação 2 vezes, temos:
𝑄
𝑥= 𝐸𝑡 2 + 𝑐1 𝑡 + 𝑐2
2𝑚
Onde, c1 e c2 são constantes de integração.
Da mesma maneira sabemos que a força peso sobre a partícula devido a ação
da gravidade é dada por :
𝑷 = −𝑚𝒈
Da terceira lei de Newton, temos que F=ma ou em equações diferenciais:
𝑑2 𝑦
𝑭 = 𝑚 2 𝒂𝒚
𝑑𝑡

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Solução:
Assim,
𝑑2 𝑦
−𝑚𝒈 = 𝑚 2 𝒂𝒚
𝑑𝑡
ou ainda,
𝑑2 𝑦
= −𝑔
𝑑𝑡 2
Integrando ambos os lados da equação 2 vezes, temos:
1
𝑦 = − 𝑔𝑡 2 + 𝑐3 𝑡 + 𝑐4
2
Das condições inicias indicadas no enunciado temos que o deslocamento inicial é igual a zero. Logo,
𝑥 𝑡 = 0 = 0 → 𝑐2 = 0
𝑦 𝑡 = 0 = 0 → 𝑐4 = 0

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Solução:
Outra condição inicial é que a velocidade inicial é zero. Assim,
𝑑𝑥
ቤ = 0 → 𝑐1 = 0
𝑑𝑡 𝑡=0
𝑑𝑦
ቤ = 0 → 𝑐3 = 0
𝑑𝑡 𝑡=0
Assim, temos que
𝑄𝐸 2 1 2
𝑥= 𝑡 𝑦 = − 𝑔𝑡
2𝑚 2
Se queremos saber o afastamento quando a partícula caiu 80cm, fazemos:
𝑦 = −80𝑐𝑚 = −0,8𝑚

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Lei de Coulomb e Intensidade de Campo
Solução:
Logo,
1
−0,8 = − × 9,8 × 𝑡 2
2
2
0,8 × 2
𝑡 =
9,8
𝑡 2 = 0,1633 𝑠
Resolvendo x para o valor de t²=0,1633s, temos
9 × 10−6 × 5 × 105
𝑥= × 0,1633
2
𝑥 = 0,3673 𝑚
A separação entre as partículas é de 2x que é igual a 0,7347 m.

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
Vimos até agora problemas envolvendo forças e campos elétricos de cargas pontuais, ou seja, que
ocupam um pequeno espaço físico. Entretanto, na prática, o que se vê é uma distribuição contínua
de cargas ao longo de uma linha, superfície ou volume.

A densidade de cargas linear, superficial ou volumétrica é comumente denotada por 𝜌𝐿 (em C/m),
𝜌𝑆 (em C/m²) e 𝜌𝑣 (em C/m³), respectivamente. Não confundir com a notação 𝜌 sem subscrito
utilizada para denotar distância radial em um sistema de coordenadas cilíndricas.

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas

Da figura acima, podemos obter o elemento de carga dQ e a carga total Q associados a tais
distribuições.

𝑑𝑄 = 𝜌𝐿 𝑑𝑙 → 𝑄 = න 𝜌𝐿 𝑑𝑙 𝑙𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎𝑠 (14𝑎)


𝐿

𝑑𝑄 = 𝜌𝑆 𝑑𝑆 → 𝑄 = න 𝜌𝑆 𝑑𝑆 𝑠𝑢𝑝𝑒𝑟𝑓í𝑐𝑖𝑒 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎𝑠 (14𝑏)


𝑆

𝑑𝑄 = 𝜌𝑣 𝑑𝑣 → 𝑄 = න 𝜌𝑣 𝑑𝑣 𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎𝑠 (14𝑐)


𝑣

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
A intensidade campo elétrico devido a uma distribuição contínua de cargas é obtido a partir da
soma das contribuições elementares de campo devido a cada um dos numerosos pontos de carga
que constituem a distribuição. Assim, se substituirmos Q na equação 12 por uma as equações 14 (a,
b ou c) que acabamos de definir, temos:
𝑄
𝑬= 𝒂 (12)
4𝜋𝜀0 𝑅2 𝑹
𝜌𝐿 𝑑𝑙
𝑬=න 𝒂 𝑙𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎
2 𝑹
15. 𝑎
𝐿 4𝜋𝜀 0 𝑅
𝜌𝑆 𝑑𝑆
𝑬=න 𝒂 𝑠𝑢𝑝𝑒𝑟𝑓í𝑐𝑖𝑒 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎
2 𝑹
(15. 𝑏)
𝑆 4𝜋𝜀 0 𝑅
𝜌𝑣 𝑑𝑣
𝑬=න 2
𝒂𝑹 𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎 15. 𝑐
𝑣 4𝜋𝜀0 𝑅

Vale notar que R2 e aR variam à medida que as integrais nas equações 14 a 15 são calculadas.

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
A. Linha de Carga:
Consideremos agora uma distribuição de cargas em forma de filamento, tal como em um condutor
carregado de raio muito pequeno semelhante ao da figura abaixo. Podemos então tratar essa
distribuição como uma Linha de Carga.

+
+
+
+
+
+
+
+
+
Da Figura acima podemos perceber que a distribuição de carga linear possui um formato cilíndrico
de raio muito pequeno. Para determinar o campo elétrico E vamos considerar uma linha reta de
cargas que se estende ao longo do eixo z em um sistema de coordenadas cilíndricas, e que vai de -∞
até ∞.

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
A simetria deve ser sempre considerada primeiro com o objetivo de determinar dois fatores
específicos: 1) com quais coordenadas o campo não varia, e 2) quais componentes do campo não
estão presentes. automaticamente isso nos responde quais as componentes de campo presente e
com quais coordenadas o campo varia.
Para tanto, vamos analisar a variação de cada uma das variáveis
do sistema coordenadas cilíndricas mantendo as outras duas cons-
tante.
Perceba que, a medida que nos movemos pela linha de carga no ei-
xo z, variando ∅ e mantendo 𝜌 e z constante, a linha de carga pare-
ce ser a mesma vista de qualquer ângulo. Ou seja, existe simetria a-
zimutal e nenhum componente de campo deve variar com ∅.
Agora, fazendo a análise variando z e mantendo ∅ e 𝜌 constantes. ∅
Note que enquanto nos movemos para cima e para baixo, ao longo
da linha de carga no eixo z, a linha permanece infinita em ambas as
direções, logo o problema não se modifica.

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
Por fim, se mantivermos ∅ e z constantes e variarmos 𝜌, o problema se modifica uma vez que a Lei
de Coulomb nos leva a esperar que o campo se enfraqueça à medida que 𝜌 aumente. Por um
processo de eliminação identificamos que o campo elétrico em função de uma linha de cargas varia
apenas em função de 𝜌.
Agora, quais são as componentes de campo que estão presentes?
Cada comprimento incremental da linha de carga age como uma
carga pontual e produz uma contribuição incremental para intensi-
dade de campo elétrico. Nenhum incremento de carga produz uma
componente em ∅ de intensidade elétrica, logo 𝐸∅ é zero. Contudo
cada elemento produz uma componente em 𝐸𝜌 e 𝐸𝑧 .
Contudo, a contribuição em 𝐸𝑧 se dá devido a elementos de carga
que estão em distâncias iguais acima e abaixo do ponto e portanto ∅
irão se cancelar.

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
Assim, o campo elétrico devido a uma distribuição linear de carga possui apenas compomente em
𝐸𝜌 que varia apenas com 𝜌.
Vamos agora calcular essa componente. Considere um ponto P (0,y,0) qualquer tala como
apresentado na figura ao lado. Utilizamos a equação 12 para encon-
trar o campo incremental em P devido a uma carga incremental no
ponto N (0,0,z’) dada por 𝑑𝑄 = 𝜌𝐿 𝑑𝑧′, temos:
𝜌𝐿 𝑑𝑧′(𝒓 − 𝒓′)
𝑑𝑬 =
4𝜋𝜀0 𝒓 − 𝒓′ 3
Onde, os vetores posição r e r’ são:
𝒓 = 𝜌𝒂𝝆
𝒓′ = 𝑧′𝒂𝒛

E o vetor deslocamento (r-r’):
𝒓 − 𝒓′ = 𝜌𝒂𝝆 − 𝑧′𝒂𝒛

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
Logo,
𝜌𝐿 𝑑𝑧′(𝜌𝒂𝝆 − 𝑧′𝒂𝒛 )
𝑑𝑬 =
4𝜋𝜀0 (𝜌𝟐 + 𝑧′2 )3/2
Uma vez que só temos a componente 𝐸𝜌 , podemos simplificar:
𝜌𝐿 𝜌𝑑𝑧′
𝑑𝐸𝜌 =
4𝜋𝜀0 (𝜌𝟐 + 𝑧′2 )3/2

Integrando ambos os lados da equação:

𝜌𝐿 𝜌𝑑𝑧′
𝐸𝜌 = න 𝟐 2 3/2
−∞ 4𝜋𝜀0 (𝜌 + 𝑧′ )

Resolvendo a integral com o auxílio da tabela de integração ou mudança de variável, chegamos ao


seguinte resultado:

𝜌𝐿 1 𝑧′
𝐸𝜌 = 𝜌 2
4𝜋𝜀0 𝜌 𝜌2 + 𝑧′2
−∞
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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
Ou, simplesmente
𝜌𝐿
𝐸𝜌 =
2𝜋𝜀0 𝜌
𝜌𝐿
𝑬= 𝒂 (16)
2𝜋𝜀0 𝜌 𝝆
(x1,y1,z)
É preciso notar no entanto que nem toda linha de carga
estará posicionada ao longo do eixo z. Se considerarmos
então uma linha de carga paralela ao eixo z em x=x1 e y=y1. E (0,y1,0)

queremos determinar o campo elétrico E em P(x,y,z).


Lembre que 𝜌 é a distância radial entre o ponto P e a linha
de carga. A premissa permanece a mesma, se deslocarmos a
(x1,0,0)
linha de carga do eixo z, vamos determinar a nova distância (x1,y1,0)
radial entre o ponto P e a linha de carga. Para
determinarmos E nessa situação, fazemos 𝜌=R e 𝒂𝝆 = 𝒂𝑹.

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
𝑅= 𝑥 − 𝑥1 2 + 𝑦 − 𝑦1 2
𝑹 𝑥 − 𝑥1 𝒂𝒙 + 𝑦 − 𝑦1 𝒂𝒚
𝒂𝑹 = =
𝑹 𝑥 − 𝑥1 2 + 𝑦 − 𝑦1 2
𝜌𝐿 𝑥 − 𝑥1 𝒂𝒙 + 𝑦 − 𝑦1 𝒂𝒚
𝑬= (16)
2𝜋𝜀0 𝑥 − 𝑥1 2 + 𝑦 − 𝑦1 2 (x1,y1,z)

(0,y1,0)

(x1,0,0)
(x1,y1,0)

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
B. Superfície de Carga:
Outra configuração básica é a lâmina ou superfície de carga, é uma distribuição muito utilizada para
tratar problemas tais como a distribuição encontrada em um capacitor. Lembremos da eletricidade
básica que, cargas estáticas se posicional na superfície dos condutores e não em seu interior.
Considere uma lâmina de carga (área sombreada) posicionada no plano
yz, conforme figura ao lado. Novamente, vamos analisar a simetria da
situação.
Note que o campo elétrico não varia quando com variação de
y ou z, uma vez que os componentes do campo nessas direções
originado pelos elementos de carga posicionados simetricamente
em relação ao ponto no qual desejamos calcular o campo, se
cancelam.
Logo, apenas a componente Ex do campo esta presente.

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
Para resolver esse problema, vamos utilizar o campo de uma linha infinita de cargas dividindo a
superfície em infinitas fitas de largura diferencial dy’ (aproximando-a a uma linha de carga infinita).
A densidade linear de carga nessa fita é expressa por: 𝜌𝐿 = 𝜌𝑆 𝑑𝑦′, e a distância dessa fita até o
ponto P(x,0,0) é 𝑅 = 𝑥 2 + 𝑦 ′2 . A resultante do campo elétrico em P é apenas devido a
componente Ex, expressa por:
𝜌𝑆 𝑑𝑦′
𝑑𝐸𝑥 = cos 𝜃
2
2𝜋𝜀0 𝑥 + 𝑦 ′2

𝜌𝑆 𝑥𝑑𝑦′
𝑑𝐸𝑥 =
2𝜋𝜀0 𝑥 2 + 𝑦 ′2
Integrando em ambos os lados da equação é possível determinar
o efeito devido a todas as fitas.
∞ ∞
𝜌𝑆 𝑥𝑑𝑦′ 𝜌𝑆 −1
𝑦′ 𝜌𝑆
𝐸𝑥 = න = tan =
2𝜋𝜀0 −∞ 𝑥 2 + 𝑦 ′2 2𝜋𝜀0 𝑥 −∞
2𝜀0

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
Se o ponto P estiver no lado negativo de x, temos:
𝜌𝑆
𝐸𝑥 = −
2𝜀0
Esse problema com sinal é resolvida com a definição do vetor unitário aN que é normal a lâmina de
carga.
𝜌𝑆
𝑬=− 𝒂
2𝜀0 𝑵
Se uma segunda lâmina de carga com densidade de carga negativa −𝜌𝑆 esta posicionada no plano
yx em x=a, podemos encontrar o campo total somando a contribuição de cada lâmina.
Na região x>a, temos
𝜌𝑆 𝜌𝑆
𝑬+ = 𝒂 𝑬− = − 𝒂 𝑬 = 𝑬+ + 𝑬− = 𝟎
2𝜀0 𝒙 2𝜀0 𝒙
Na região x<0, temos
𝜌𝑆 𝜌𝑆
𝑬+ = − 𝒂𝒙 𝑬− = 𝒂𝒙 𝑬 = 𝑬+ + 𝑬− = 𝟎
2𝜀0 2𝜀0
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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
E quando, 0<x<a, temos
𝜌𝑆 𝜌𝑆
𝑬+ = 𝒂 𝑬− = 𝒂
2𝜀0 𝒙 2𝜀0 𝒙
𝜌𝑆
𝑬 = 𝑬+ + 𝑬− = 𝒂𝒙
𝜀0
Esse resultado corresponde ao campo elétrico entre duas placas de um capacitor separadas pelo ar.

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
C. Volume de Carga:
Considere uma distribuição volumétrica de carga com densidade uniforme 𝜌𝑣 . A carga dQ associada
ao elemento de volume dv é:
𝑑𝑄 = 𝜌𝑣 𝑑𝑣
Aplicando uma integral a expressão , temos que a carga total é
4𝜋𝑟 3
𝑄 = න 𝜌𝑣 𝑑𝑣 = 𝜌𝑣
3

O campo elétrico dE em P(0,0,z) devido ao volume de carga elementar é:


𝜌𝑣 𝑑𝑣
𝑑𝑬 = 𝒂
4𝜋𝜀0 𝑅2 𝑹
Em que 𝒂𝑹 = cos 𝜶 𝒂𝒛 + sin 𝜶 𝒂𝝆

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Campos Elétricos de distribuição contínua de cargas
Note, pela simetria da distribuição de cargas que as componentes do campo elétrico em Ex e Ey se
cancelam devido a uma elemento de carga simetricamente oposto ao estudado.
Assim, resta apenas componente em Ez.
𝜌𝑣 𝑑𝑣 cos 𝛼
𝐸𝑧 = 𝑬𝒂𝒛 = න 𝑑𝐸 cos 𝛼 = න
4𝜋𝜀0 𝑅2

Resolvendo a equação para o problema da figura ao lado, temos que o campo elétrico em uma
distribuição volumétrica de cargas é dado por:
𝑄
𝑬= 2
𝒂𝒛
4𝜋𝜀0 𝑧
Em coordenadas esféricas ficará:
𝑄
𝑬= 𝒂
4𝜋𝜀0 𝑟 2 𝒓

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Densidade de Fluxo Elétrico
Consideremos um novo campo vetorial D, independente do meio, e definido por:
𝑫 = 𝜀0 𝑬
Definimos o fluxo elétrico 𝜓 em termos de D usando a equação de fluxo do cálculo vetorial:

𝜓 = න 𝑫𝑑𝑺
𝑆

O fluxo elétrico é medido em Coulombs, o campo vetorial D é denominado densidade de fluxo


elétrico e é dado em Coulombs/m².
Perceba que todas as fórmulas usadas para calcular E, podem ser empregadas para calcular D.

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Lei de Gauss – Equação de Maxwell
A Lei de Gauss constitui-se em uma das leis fundamentais do Eletromagnetismo.
A lei de Gauss estabelece que o fluxo elétrico total 𝜓 através de qualquer superfície fechada é igual
a carga total encerrada por essa superfície.
Ou seja,
𝜓 = 𝑄𝑒𝑛𝑐

𝜓 = ර 𝑑𝜓 = න 𝑫. 𝑑𝑺
𝑆

𝑐𝑎𝑟𝑐𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑒𝑛𝑐𝑒𝑟𝑟𝑎𝑑𝑎 𝑄 = න 𝜌𝑣 𝑑𝑣

𝑄 = න 𝑫. 𝑑𝑺 = න 𝜌𝑣 𝑑𝑣
𝑆

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Lei de Gauss – Equação de Maxwell
Aplicando o teorema da divergência à integral de superfície,

න 𝑫. 𝑑𝑺 = න ∇. 𝑫𝑑𝑣
𝑆 𝑣

Comparando entre si as integrais, concluímos que (lembre que um divergente é um número escalar)
𝜌𝑣 = ∇. 𝑫
A qual é a primeira equação de Maxwell a serem determinadas. Essa equação estabelece que a
densidade volumétrica de carga é igual à divergência da densidade de fluxo elétrico.

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Aplicações da Lei de Gauss
Podemos aplicar a Lei de Gauss para determinar o campo elétrico. Para tanto, iniciamos a análise
verificando se existe simetria no problema. Uma vez identificada a presença de uma distribuição
simétrica de cargas, construímos uma superfície matemática fechada (conhecida como superfície
gaussiana). Essa superfície é escolhida de forma que o vetor D seja normal ou tangencial à
superfície gaussiana.
A. Carga Pontual:
Suponha uma carga pontual Q posicionada na origem. Para determinar D no ponto P, é fácil exergar
que a escolha de uma superfície esférica contendo P irá satisfazer as condições de simetria. Assim,
uma superfície esférica centrada na origem é a superfície gaussiana.

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