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O DIREITO DOS POVOS SEM ESCRITA

O DIREITO DOS POVOS SEM ESCRITA
O DIREITO DOS POVOS SEM ESCRITA

1. Introdução

podemos

estudar

a

História

e,

portanto, História do Direito a partir

do advento da escrita (variável de povo

para povo), antes disso chamamos de

Pré-História.

Povos sem escrita (ágrafos) não tem um tempo determinado.

II. Características dos povos sem escrita

Em

tecnológico; Sobrevivem como caçadores-coletores;

Vida semi-nômade ou nômade;

Obs.:

geral

tem

baixo

desenvolvimento

ágrafos

agricultura são sedentários e baseiam seu

cotidiano em uma profunda religiosidade.

Os

dominam

povos

que

a

III. Características do Direito nos povos ágrafos

a) Regras jurídicas pouco abstratas. As regras eram transmitidas oralmente de pessoa a

pessoa;

b) Grande diversidade de Direitos, pois cada comunidade vivia de forma isolada possuindo seus próprios costumes. Entretanto são

encontradas algumas semelhanças;

c) Impregnados de religiosidade: O direito e a religião estavam umbilicalmente interligados. O homem vivia temente aos poderes sobrenaturais, e ao que poderia acontecer caso transgredisse. Temia o castigo do poder divino, podendo desencadear sobre o indivíduo ou por

todo o grupo uma série de calamidades. Inspirados por

estes temores e superstições, ditavam-se as regras de conduta. d) Não há ainda uma consciência do jurídico, sendo a religião a base das regras de conduta do indivíduo na sociedade. Os costumes ditam as regras, que são voltadas para os interesses do grupo e não para os

IV. Fontes

O

costume : forma

tradicional

de

viver

em

estabelecidas

consensualmente pelos membros do grupo; é a principal fonte do direito nessas comunidades;

comunidade, as normas

Regras

de

comportamento

detinha o poder;

impostas

por

quem

Precedente judiciário: tendência de aplicar aos litígios soluções dadas anteriormente a conflitos

semelhantes; Provérbios e adágios (poemas, lendas).

V. Penas

A) morte;

B) penas corporais;

C) banimento.

VI. O Direito Familiar

Casamento: União entre duas pessoas de sexo diferente; existia a tolerância da poligamia, mas sendo mais comum a união de um homem com mais de uma mulher, ocorrendo muito raramente a poliandria, bem como o incesto era proibido.

Família Matrilinear: Nesta sociedade a família está centrada sobre a linhagem mãe-filha-neta. A sucessão

é pela linha materna, o marido junta-se à família da

esposa, em vez da esposa mudar-se para a tribo do marido.

Família Patrilinear: Nesta sociedade a família está

centrada sobre a linhagem do pai-filho-neto. As filhas

e as netas fazem parte também, enquanto não são casadas; pelo seu casamento deixam o grupo familiar

do seu pai para entrarem no do seu marido.

O chefe da família é o pai, o pater familias do Direito

Romano. Neste sistema, normalmente, a habitação

do pai é o centro da vida familiar.

VII. Formas de organização social

Clã: A mais rudimentar das formas sociais de convivência. A responsabilidade é do grupo e não

do indivíduo. O grupo responde pela ofensa ou pela vingança.

Etnia : Conforme os clãs vão evoluindo, crescendo, formam-se as etnias. A comunidade que tem um

nome comum, uma consciência de grupo, uma

língua, costumes próprios. Podemos dizer que a etnia é a origem da formação de um Estado.

VII. O Direito das Coisas

Nos primórdios a propriedade era coletiva, sendo a

individualidade bastante restrita.

Os pertences tinham caráter sagrado e pertenciam a linhagem/clã do qual o indivíduo fazia parte.

Surgimento da sucessão de bens (mobiliários): com

a morte do individuo o que lhe pertencia era queimado com ela, a com o tempo os clãs passam a

permitir que os sobreviventes herdem determinados objetos.

O solo é sagrado, sendo inalienável, já que era nele que ficavam os restos mortais dos antepassados. O

solo não era do chefe, mas de toda a comunidade

>>> Não existia apropriação por prescrição aquisitiva.

Com a sedentarização e conseqüente fixação da moradia, inicia-se a tendência a individualização das coisas. No início surte a noção de propriedade familiar e depois a propriedade individual do solo, abrindo caminho para a sucessão imobiliária e alienação de imóveis.

Apropriação do solo leva ao aumento das desigualdades sociais e econômicas gerando a desintegração do modo de vida coletivista e fazendo surgir à hierarquização social (Divisão da sociedade em classes sociais). Com o crescimento dos agrupamentos humanos ocorre a formação das cidades. Com o adensamento populacional, vem a necessidade de fiscalização,

recenseamento, ou seja, de se registrar fatos, assim,

surge a escrita.