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Por Trás dos Rótulos

Coletânea de convites à empatia


à luz da Comunicação Não Violenta

1ª Edição com 600 Rótulos divididos em 60 categorias

BRUNO GOULART DE OLIVEIRA


NEILA VASCONCELOS
Por Trás dos Rótulos
Coletânea de Convites à Empatia
à luz da Comunicação Não Violenta

Autores:
BRUNO GOULART DE OLIVEIRA
NEILA VASCONCELOS

Prefácio:
VINÍCIUS LIMA LOUSADA

Apoio:
RAFAEL KEIDI OISHI

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Copyright © 2021 CNV em Rede

1ª edição, novembro de 2021

ISBN 978-65-996495-0-9

CNV em Rede

Rua Três Passos, 98 – Bairro Rio Branco

92200-455 – Canoas, RS – Brasil

Fone (51) 99275.3616

https://cnv.emrede.social/

cnvemrede@gmail.com

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP):


Elaborado pelos próprios autores.

O 48 Oliveira, Bruno Goulart de

Por trás dos rótulos [recurso eletrônico]:


coletânea de convites à empatia à luz da Comunicação
Não Violenta / Bruno Goulart de Oliveira, Neila
Vasconcelos; Imagens Freepik – 1ª ed. – Canoas, RS:
CNV em Rede, 2021.

5.920KB; PDF.

ISBN: 978-65-996495-0-9

1. Empatia. 2. Cultura de Paz. 3. Não Violência.


4. Comunicação Interpessoal I. Título

CDD: 150
CDU: 159.9

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SUMÁRIO

CARTA-PREFÁCIO .......................................................................................................................................... 7
INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................. 10
Lista de Categorias de Rótulos .................................................................................................................... 12
Lista de Rótulos Femininos ......................................................................................................................... 13
Lista de Rótulos Masculino ......................................................................................................................... 21
Anormal....................................................................................................................................................... 29
Ansiosa ........................................................................................................................................................ 31
Apressado ................................................................................................................................................... 33
Bárbaro ....................................................................................................................................................... 35
Bicho do Mato ............................................................................................................................................. 37
Burra ........................................................................................................................................................... 39
Canalha ....................................................................................................................................................... 41
Capacho....................................................................................................................................................... 43
Controladora ............................................................................................................................................... 45
Desgraçado ................................................................................................................................................. 47
Desorganizada ............................................................................................................................................. 49
Distraído ...................................................................................................................................................... 51
Egoísta ......................................................................................................................................................... 53
Errado.......................................................................................................................................................... 56
Exagerado ................................................................................................................................................... 58
Faz-tudo ...................................................................................................................................................... 60
Fofoqueira ................................................................................................................................................... 62
Fraco............................................................................................................................................................ 64
Ganancioso.................................................................................................................................................. 66
Geniosa ....................................................................................................................................................... 68
Histérica ...................................................................................................................................................... 70
Horrível ....................................................................................................................................................... 72
Imitão .......................................................................................................................................................... 74
Inquieto ....................................................................................................................................................... 76
Insensível..................................................................................................................................................... 78

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João-ninguém.............................................................................................................................................. 80
Jururu .......................................................................................................................................................... 82
Lerda ........................................................................................................................................................... 84
Louca ........................................................................................................................................................... 86
Mau ............................................................................................................................................................. 88
Medroso ...................................................................................................................................................... 90
Mentirosa .................................................................................................................................................... 92
Narcisista ..................................................................................................................................................... 94
Nerd ............................................................................................................................................................ 96
Ofendido ..................................................................................................................................................... 98
Olho-grande .............................................................................................................................................. 100
Opressora .................................................................................................................................................. 102
Pão-dura.................................................................................................................................................... 105
Perfeccionista............................................................................................................................................ 107
Preguiçoso................................................................................................................................................. 109
Quebra-galho ............................................................................................................................................ 111
Queridinha da Mamãe .............................................................................................................................. 113
Raivoso ...................................................................................................................................................... 115
Rebelde ..................................................................................................................................................... 117
Rígido ........................................................................................................................................................ 119
Santinha .................................................................................................................................................... 121
Sentimental ............................................................................................................................................... 123
Submissa ................................................................................................................................................... 125
Tadinho ..................................................................................................................................................... 127
Teimosa ..................................................................................................................................................... 129
Tímido ....................................................................................................................................................... 131
Ultrapassada ............................................................................................................................................. 133
Utópico...................................................................................................................................................... 135
Valentão .................................................................................................................................................... 137
Violenta ..................................................................................................................................................... 139
Vítima ........................................................................................................................................................ 142
Xarope ....................................................................................................................................................... 144
Xereta ........................................................................................................................................................ 146

5
Zen ............................................................................................................................................................ 148
Zoeiro ........................................................................................................................................................ 150
Quem somos? ........................................................................................................................................... 152
Quem criou esse livro?.............................................................................................................................. 152

Sobre o projeto Livro em Construção ....................................................................................................... 152

Quanto custa este livro? ........................................................................................................................... 153

Participe do CNV em Rede ........................................................................................................................ 153

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CARTA-PREFÁCIO

Porto Alegre, 06 de novembro de 2021

Caro ou cara leitor/a,

Escrevo esta carta-prefácio, a pretexto de introduzir você nesta maravilhosa leitura,


aproveitando o ensejo de lhe contar algo que me deixou muito alegre: num dia desses recebi uma
mensagem de Bruno de Oliveira pelo Instagram, me convidando para prefaciar o seu livro, escrito
em parceria com Neila Vasconcelos, sobre a questão dos rótulos à luz da abordagem relacional
fundada por Marshall Rosenberg e conhecida mundialmente como Comunicação Não Violenta.
Quase não acreditei!

O convite eletrônico dizia:

“Oi Vinícius. Vi que você também é pesquisador de Comunicação Não


violenta. Eu tenho um projeto chamado CNV em rede. Onde eu falo sobre
CNV. Estou escrevendo um livro chamado “Por trás dos rótulos”. Gostaria
de te convidar para escrever o prefácio deste livro. O que acha?
Bruno Goulart de Oliveira”

Observemos a situação: recebi um honroso convite de alguém que eu havia trocado antes apenas
uma mensagem no Instagram, tendo em vista termos uma amizade em comum, o interesse pela
temática da espiritualidade e pela prática da CNV.

Eu respondi, surpreso que sim, que ele poderia mandar por e-mail o material. Compartilhei com
ele o fato de que eu já havia usado os vídeos do Canal CNV em Rede, que ele produz, em minhas
aulas. E agora estamos aqui, de forma assíncrona, ampliando esta rede de conexão com você,
comigo, com Bruno, Neila e Gabrielle (nossa amizade em comum, graças a qual passamos a nos
comunicar, ainda que ela possa não saber disso por hora).

Achei incrível aquela conexão que surgiu de um contato entre Bruno e eu, que nos levaria
a fazer algo em comum, ainda que o prefácio seja uma contribuição diminuta, mas, com muita
energia positiva porque o que nos move mesmo é fazer a vida dos outros mais maravilhosa.

Meus sentimentos foram de um misto de surpresa e alegria e, com o tempo, de gratidão,


seja pela oportunidade de apresentar a obra e me somar à entrega e entusiasmo dos autores,
seja porque tenho convicção que ela irá ajudar muita gente a sair da “caixinha” da violência
naturalizada em nossa cultura de valores materialistas e de dominação, fundamentadas nas
ideias as mais absurdas que aprendemos como verdades.

Sou grato por poder lhe apresentar uma obra que traz uma ampliação de visão sobre os
rótulos, trazendo a você possibilidades para escapar de formas alienantes de comunicação que,

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por sua vez, dão origem a muitos sofrimentos e alimentam um círculo vicioso de promoção de
atitudes violentas.

Abandonar rótulos é um exercício de humanização nas relações humanas, tão líquidas e


fragilizadas pela rotina e dinâmica social contemporânea de ritmo acelerado, com pouco diálogo
e de muita superficialidade, de tal sorte que nós, seres humanos, vivemos desconectados de
nossa natureza compassiva, entregues à busca frenética por nonadas.

Todos somos movidos por necessidades fundamentais e utilizamo-nos de estratégias


distintas para lidarmos com elas. Mas as nossas necessidades são comuns e as estratégias são
transitórias, não sendo lícito “congelar” alguém neste ou naquele uso daquelas, por mais que nos
pareçam inadequadas. Isso seria desumanizar o outro. No final das contas, todos queremos
bem-estar e, nesse ponto de convergência, revela-se de maneira mais clara a nossa humanidade
em comum. Ir para além dos rótulos é uma forma de humanizar o outro e a nós outros também.

A CNV é uma convocação amorosa à lucidez sobre as nossas estruturas mentais,


linguagem adotada e condicionamentos culturais não compassivos, nada atentos a uma ética
da responsabilidade, onde nos caberia zelar pelo direito à felicidade uns dos outros. Aliás,
trabalhar pela felicidade alheia também nos traz um bem-estar indizível!

Nesta obra, pais e mães, profissionais da educação, líderes de equipes e times, em


ambientes organizacionais os mais distintos, encontrarão subsídios para aprender a pensar e
sentir com empatia a fim de que nossas conversações sejam estabelecidas com amor, respeito
e escuta. Onde há amor não pode haver falta de escuta, nem violência física ou simbólica. O amor
é sempre respeitoso e, desconfio, é o nosso destino comum, cuja chegada a comunicação
compassiva facilita.

O meu pedido a você, agora, é que leia e estude a obra, procure praticar as suas propostas
e compartilhá-las na escola, em seu ambiente profissional, em ações comunitárias ou núcleo
religioso e, especialmente, com aqueles que ama.

Antes de me despedir, permita-me apresentar os autores, ok?

Bruno Goulart de Oliveira é graduado em Engenharia de Computação e fez mestrado em


Engenharia Elétrica e fundador da CNV em Rede, excelente canal sobre a abordagem
desenvolvida por Marshall Rosenberg que muito utilizo em minhas aulas quando abordo a
temática da Comunicação Não Violenta. Como eu, é autodidata nos estudos da CNV e realiza
palestras e formações de CNV presencial e online.

Neila Vasconcelos é jornalista, estuda a CNV e compartilhamos, pelo que soube, da


crença de que a CNV como filosofia de vida, pode nos conduzir à construção coletiva de relações
harmônicas com todos os seres da vida.

Tendo apresentado os autores, pergunto: vamos junto com eles nesta travessia?

A CNV é um caminho de construção da paz em duas vias, ao meu ver: no planeta interno,
fazendo uso de uma expressão do psicólogo e sociólogo italiano Alberto Melucci, e nas relações

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interpessoais que podem transformar e humanizar a estrutura social, tão cheia de contradições
e desesperança. Ela potencializa a capacidade transformadora do diálogo, tão caro ao educador
Paulo Freire, como essência ou base objetiva primordial de sua pedagogia de libertação.

CNV é sobre mudar a própria cabeça e mudar o mundo.

Vinícius Lima Lousada


Professor e membro do Núcleo de Cultura de Paz do IFRS Campus Alvorada.

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INTRODUÇÃO
“Por trás dos rótulos” é uma coletânea de convites à empatia. Em cada capítulo, você irá
partir de uma visão mais superficial das pessoas: um rótulo. Mas, tais rótulos, que geralmente
são usados para nos diferenciar das pessoas, vão nos servir de trampolim para fazermos um
mergulho profundo em nossa singularidade e na das demais pessoas.

Longe de querer esgotar as possibilidades de compreensão, esperamos com este livro deflagrar
um processo de expansão que tende ao infinito, mas que inicia pela curiosidade, pela pergunta
empática, pela disposição sincera em compreender mais a si e as demais pessoas, visando
encontrar formas mais eficientes de nos conectarmos uns aos outros.

Neste livro você também lerá um pouco da humanidade dos autores. Você não irá ler simples
frases que descrevem coisas, procedimentos ou teorias científicas sobre o funcionamento
humano, embora todas essas coisas sejam importantes. Nestas páginas, você encontrará uma
mistura das nossas experiências, reflexões e, em alguma proporção, da nossa revelação íntima,
que colocamos aqui para ser usada de espelho por quem desejar enxergar-se na gente.

Nesta edição são 600 rótulos, divididos em 60 categorias. Essa divisão em categorias foi feita
por aproximação de sentido das palavras. No entanto, você poderá considerar que certos rótulos
poderiam ser trocados ou enquadrados em uma ou mais categorias, a depender da forma como
é empregado. Por isso, ressaltamos que essa é uma divisão didática.

Para cada rótulo foram apresentadas a sua versão feminina e masculina. Sabemos que não são
todas as pessoas que se identificam com um desses dois gêneros e lamentamos o fato da nossa
língua ainda não ter um consenso sobre como lidar com a diversidade de gêneros. Por isso,
pedimos compreensão aos leitores em relação a essa limitação de nossa escrita.

Nesta edição, não serão usados rótulos com intuito de apreciação positiva. Sabemos que rótulos
aparentemente positivos também podem ser usados para ferir a vida de alguma forma, por meio
de manipulação, por exemplo, como usar elogios a fim de induzir o comportamento alheio.
Entretanto, escolhemos dar mais ênfase aos rótulos usados de forma depreciativa.

Vamos usar rótulos que julguem o aspecto comportamental, emocional, moral e intelectual das
pessoas. Não serão usados rótulos que depreciam aspectos físicos das pessoas, como cor,
sexo, peso corporal, deficiência, doença. Também não usaremos rótulos sobre aspectos
adstritos à identidade pessoal, tais como gênero, orientação sexual, religião, preferência política,
estilo musical, time de futebol, filosofia, profissão, ocupação, hobby, nacionalidade, idade, vício,
etc.

Por fim, não serão usados rótulos que indiquem ações de natureza considerada criminosa ou
que implique em violência extrema, cuja gravidade (e humanidade) precisa ser avaliada com mais
cuidado, como: assassino, pedófilo, psicopata, estuprador, nazista, machista, racista,
homofóbico, fascista, xenófobo, corrupto, ladrão, suicida, homicida, genocida e outros.

Para cada categoria de rótulo, você encontrará:

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● Título da Categoria: O representante escolhido para a categoria foi selecionado visando
distribuir os rótulos em ordem alfabética, garantindo a presença de pelo menos 2 rótulos
por letra do alfabeto português, sem as letras k, w e y.
● Imagem ilustrativa: um personagem com um balão de fala representando uma possível
reação de quem recebe o rótulo;
● Quadro de rótulos: lista de rótulos sinônimos, femininos e masculinos;
● Motivação para rotular: texto de reflexão sobre o que podemos querer quando usamos o
rótulo do capítulo ou um dos itens do quadro de rótulos;
● Observar sem rotular: lista de exemplos de como usar a observação da Comunicação Não
Violenta em vez de usar o rótulo;
● Perguntas para empatia: lista de perguntas para instigar a conexão humana entre aquele
que rotula e aquele que é rotulado;
● Propostas de cuidado mútuo: lista de sugestões, alinhadas aos pedidos da Comunicação
Não Violenta para fortalecer a cooperação entre rotulador e rotulado;
● Refletindo um pouco mais sobre o rótulo: reflexões sobre as necessidades feridas (ou
ameaçadas) e atendidas (ou pretendidas) relacionadas aos rótulos, além da
corresponsabilidade pessoal, grupal e sistêmica na educação das pessoas.

Apesar de falarmos sobre rótulos e trazermos generalizações de comportamentos, achamos que


as experiências humanas, embora possam ter características em comum, são distintas umas
das outras. Ninguém sofre da mesma forma, ninguém deseja na mesma intensidade, ninguém
dá o mesmo peso e importância para a mesma palavra e assim por diante. Então, não
pretendemos representar a totalidade de nenhuma pessoa nos textos, mas temos a esperança
de que você possa ressoar nessa humanidade que compartilhamos nas linhas a seguir.

Agradecemos a sua disposição em acolher nossas palavras e se conectar com os sentimentos,


desejos, necessidades e experiências que emergirem em você, como reflexo daquilo que habita
em nós. Desejamos a você relações humanas potencializadas por mais compreensão, amor e
cuidado com a vida.

Dos autores:
Bruno Goulart de Oliveira
e Neila Vasconcelos.

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Lista de Categorias de Rótulos
Anormal (p.29) Histérica (p.70) Quebra-galho (p.111)

Ansiosa (p.31) Horrível (p.72) Queridinha da Mamãe (p.113)

Apressado (p.33) Imitão (p.74) Raivoso (p.115)

Bárbaro (p.35) Inquieto (p.76) Rebelde (p.117)

Bicho do Mato (p.37) Insensível (p.78) Rígido (p.119)

Burra (p.39) João-ninguém (p.80) Santinha (p.121)

Canalha (p.41) Jururu (p.82) Sentimental (p.123)

Capacho (p.43) Lerda (p.84) Submissa (p.125)

Controladora (p.45) Louca (p.86) Tadinho (p.127)

Desgraçado (p.47) Mau (p.88) Teimosa (p.129)

Desorganizada (p.49) Medroso (p.90) Tímido (p.131)

Distraído (p.51) Mentirosa (p.92) Ultrapassada (p.133)

Egoísta (p.53) Narcisista (p.94) Utópico (p.135)

Errado (p.56) Nerd (p.96) Valentão (p.137)

Exagerado (p.58) Ofendido (p.98) Violenta (p.139)

Faz-tudo (p.60) Olho-grande (p.100) Vítima (p.142)

Fofoqueira (p.62) Opressora (p.102) Xarope (p.144)

Fraco (p.64) Pão-dura (p.105) Xereta (p.146)

Ganancioso (p.66) Perfeccionista (p.107) Zen (p.148)

Geniosa (p.68) Preguiçoso (p.109) Zoeiro (p.150)

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Lista de Rótulos Femininos

A Amaldiçoada (p.88) Áspera (p.119)

Abatida (p.82) Amarga (p.98) Asquerosa (p.47)

Abelhuda (p.146) Amargurada (p.98) Assediadora (p.102)

Abestada (p.39) Ambiciosa (p.66) Assustadora (p.72)

Abobada (p.86) Ameba (p.109) Atiçadora (p.62)

Abominável (p.47) Amedrontadora (p.72) Atípica (p.29)

Absorta (p.51) Amoral (p.35) Atrapalhada (p.49)

Acanhada (p.131) Anacrônica (p.133) Atrasada (p.84)

Acelerado (p.33) Angustiada (p.31) Audaciosa (p.66)

Ácida (p.119) Animal (p.35) Austera (p.119)

Adversária (p.102) Anômala (p.29) Autocentrada (p.94)

Aérea (p.51) Anormal (p.29) Autocrata (p.45)

Aflita (p.31) Ansiosa (p.31) Autoritária (p.45)

Afobada (p.76) Anta (p.39) Avarenta (p.105)

Afoita (p.33) Antagonista (p.102) Avoada (p.51)

Agitada (p.76) Antiética (p.41) Azeda (p.119)

Agoniada (p.31) Antipática (p.68)

Agressiva (p.139) Antiquada (p.133) B

Agressora (p.102) Antissocial (p.37) Baba-ovo (p.43)

Água Morna (p.109) Apática (p.78) Baderneira (p.49)

Ajudante (p.111) Apavorante (p.72) Bagunceira (p.49)

Ajuizada (p.121) Apreensivo (p.31) Baixo Astral (p.82)

Algoz (p.102) Apressada (p.33) Bajuladora (p.43)

Alienada (p.78) Arcaica (p.133) Bambambã (p.137)

Aloprada (p.86) Arrogante (p.94) Banana (p.90)

Alterada (p.70) Asna (p.39) Barata Tonta (p.51)

13
Bárbara (p.35) Cabisbaixo (p.82) Cobra (p.62)

Barraqueira (p.139) Cabotina (p.94) Coitadinha (p.127)

Besta Quadrada (p.39) Cabra-macho (p.137) Colérica (p.115)

Bicho-carpinteiro (p.76) Cadela (p.41) Com a Macaca (p.31)

Bicho do Mato (p.37) Caduca (p.86) Comediante (p.150)

Bicho-preguiça (p.109) Cafajeste (p.41) Complacente (p.125)

Biruta (p.86) Cafona (p.133) Comportada (p.121)

Bisbilhoteira (p.146) Cagona (p.90) Condescendente (p.125)

Bizarra (p.29) Caída (p.109) Conflituosa (p.68)

Boazinha (p.121) Calculista (p.53) Confusa (p.51)

Bobalhona (p.150) Canalha (p.41) Controlada (p.125)

Bobalhona (p.150) Cansada (p.109) Controladora (p.45)

Boboca (p.39) Caótica (p.49) Convencida (p.94)

Boca-aberta (p.39) Capacha (p.43) Cópia (p.74)

Braba (p.115) Caprichosa (p.107) Coruja (p.43)

Brava (p.115) Carrancuda (p.72) Covarde (p.90)

Brega (p.133) Carrasca (p.88) Cringe (p.133)

Brigona (p.139) CDF (p.96) Cruel (p.139)

Brincalhona (p.150) Certinha (p.121)

Bruta (p.35) Chamativa (p.58) D

Brutamonte (p.35) Charlatona (p.92) Danada (p.115)

Bundona (p.109) Chata (p.144) De Boa (p.148)

Burra (p.39) Chateada (p.82) De Boa na Lagoa (p.148)

Chatonilda (p.144) Debilitada (p.64)

C Chorona (p.123) Debochada (p.150)

Cabeça (p.96) Cínica (p.92) Decente (p.121)

Cabeça de Vento (p.39) Ciumenta (p.100) Delicada (p.64)

Cabeça-dura (p.129) Coadjuvante (p.111) Demodê (p.133)

Cabeçuda (p.129) Cobiçosa (p.100) Demorada (p.84)

14
Deprimida (p.82) Destrambelhada (p.49) Encabulada (p.131)

Desagradável (p.144) Desumana (p.35) Endiabrada (p.88)

Desajuizada (p.35) Desvairada (p.86) Enérgica (p.76)

Desalmada (p.35) Detalhista (p.107) Enfurecida (p.115)

Desatinada (p.86) Detestável (p.47) Enganadora (p.92)

Desanimada (p.82) Diaba (p.88) Ensimesmada (p.94)

Desarrumada (p.49) Diabólica (p.88) Envergonhada (p.131)

Desatenta (p.51) Diferente (p.29) Enxerida (p.146)

Descomprometida (p.109) Difusa (p.51) Equivocada (p.56)

Desconectada (p.78) Dinossaura (p.133) Errada (p.56)

Descontrolada (p.70) Dispersa (p.51) Errônea (p.56)

Desembestada (p.33) Dissimulada (p.92) Escabrosa (p.88)

Desequilibrada (p.70) Distraída (p.51) Esculhambada (p.49)

Desesperada (p.31) Do Contra (p.117) Esdrúxula (p.29)

Desfocada (p.51) Doida (p.86) Esmorecida (p.64)

Desgraçada (p.47) Dominadora (p.45) Espalhafatosa (p.58)

Desligada (p.51) Dorminhoca (p.109) Espinhosa (p.68)

Desmedida (p.58) Duas Caras (p.92) Espoleta (p.76)

Desmiolada (p.86) Dura (p.119) Espúria (p.41)

Desmotivada (p.109) Esquisita (p.29)

Desnorteada (p.86) E Estepe (p.111)

Desobediente (p.117) Efusiva (p.76) Estranha (p.29)

Desonesta (p.41) Egocêntrica (p.94) Estúpida (p.39)

Desordenada (p.49) Egoísta (p.53) ET (p.29)

Desorganizada (p.49) Ególatra (p.94) Exagerada (p.58)

Desorientada (p.49) Egomaníaca (p.94) Exaltada (p.70)

Déspota (p.45) Égua (p.139) Exaurida (p.64)

Desprezível (p.80) Emotiva (p.123) Excessiva (p.58)

Desrespeitosa (p.41) Empolgada (p.76) Excluída (p.37)

15
Exigente (p.107) Frenética (p.33) Imoral (p.41)

Exótica (p.29) Fria (p.119) Impaciente (p.31)

Expansiva (p.76) Frouxa (p.90) Impertinente (p.144)

Explosiva (p.68) G Imprestável (p.109)

Extravagante (p.58) Gananciosa (p.66) Imprevisível (p.86)

Geek (p.96) Imprudente (p.56)

F Geniosa (p.68) Incoerente (p.56)

Fajuta (p.92) Grave (p.119) Incomum (p.29)

Falastrona (p.92) Grossa (p.139) Inconformada (p.117)

Falsa (p.92) Grosseira (p.139) Inconveniente (p.144)

Fanfarrona (p.92) Incorreta (p.56)

Fantasiosa (p.135) H Indecente (p.35)

Farsante (p.92) Hesitante (p.90) Indiferente (p.78)

Favorecida (p.113) Hipócrita (p.92) Indigna (p.47)

Favorita (p.113) Histérica (p.70) indignada (p.117)

Faz-tudo (p.60) Horripilante (p.72) Indisciplinada (p.49)

Ferida (p.127) Horrível (p.72) Indiscreta (p.58)

Fervorosa (p.76) Horrorosa (p.72) Indisposta (p.109)

Fingida (p.92) Hostil (p.139) Individualista (p.53)

Firme (p.119) Humilhada (p.142) Indomável (p.117)

Fofoqueira (p.62) Infame (p.47)

Folgada (p.109) I Inferior (p.80)

Fora da Casinha (p.86) Idealista (p.135) Inflexível (p.129)

Fraca (p.64) Idiota (p.39) Ingênua (p.39)

Fracote (p.64) Ignorante (p.39) Inimiga (p.102)

Frágil (p.64) Ilegítima (p.92) Injusta (p.41)

Frangote (p.90) Ilusória (p.92) Injustiçada (p.142)

Franzina (p.64) Imbecil (p.39) Inoportuna (p.144)

Fraudulenta (p.92) Imitona (p.74) Inquieta (p.76)

16
Insana (p.86) Jegue (p.39) Malévola (p.88)

Insegura (p.90) João-ninguém (p.80) Maligna (p.88)

Insensata (p.56) Jumenta (p.39) Maluca (p.86)

Insensível (p.78) Jururu (p.82) Malvada (p.88)

Insignificante (p.80) Mandona (p.45)

Insistente (p.129) L Manhosa (p.123)

Instável (p.70) Lambona (p.49) Manipulável (p.125)

Insubordinada (p.117) Lamurienta (p.123) Manteiga-derretida (p.123)

Insuportável (p.47) Lastimosa (p.82) Mão de Vaca (p.105)

Intensa (p.33) Lelé da Cuca (p.86) Mão-fechada (p.105)

Interesseira (p.53) Lenta (p.84) Maria-Vai-Com-As-Outras


(p.74)
Intimidadora (p.72) Lerda (p.84)
Marrenta (p.94)
Intimidante (p.72) Lesma (p.84)
Mau-caráter (p.41)
Intolerante (p.68) Leva-e-traz (p.62)
Medonha (p.72)
Intrometida (p.146) Língua de Cobra (p.62)
Medrosa (p.90)
Inútil (p.109) Linguaruda (p.62)
Megalomaníaca (p.66)
Invejosa (p.100) Louca (p.86)
Melancólica (p.82)
Irada (p.115) Lunática (p.86)
Melindrosa (p.127)
Irredutível (p.129)
Mentirosa (p.92)
Irregular (p.29) M
Mesquinha (p.105)
Irrelevante (p.80) Má (p.88)
Meticulosa (p.107)
Irresponsável (p.109) Mal-educada (p.72)
Metida (p.146)
Irritada (p.115) Mal-educada (p.41)
Mexeriqueira (p.62)
Irritadiça (p.68) Mal-humorada (p.68)
Mimada (p.113)
Irritante (p.144) Mala-sem-alça (p.144)
Miserável (p.80)
Isolada (p.37) Maldita (p.88)
Mole (p.109)
Maldosa (p.88)
Monstra (p.35)
J Maleável (p.125)
Mordida (p.98)
Jararaca (p.62) Maledicente (p.62)

17
Mosca-morta (p.80) Opositora (p.102) Péssima (p.88)

Mula (p.39) Opressora (p.102) Peste (p.144)

Mulher-banda (p.60) Oprimida (p.142) Piadista (p.150)

Mulher-orquestra (p.60) Orgulhosa (p.94) Pirada (p.86)

Multitarefas (p.60) Otária (p.39) Pobrezinha (p.127)

Murcha (p.82) Ousada (p.66) Ponta-firme (p.62)

Porca (p.49)

N P Pra Baixo (p.82)

Narcisista (p.94) Pá-virada (p.68) Praga (p.144)

Nas Nuvens (p.51) Palhaça (p.150) Preferida (p.113)

Nefasta (p.88) Pão-dura (p.105) Preguiçosa (p.109)

Nerd (p.96) Papagaia (p.74) Prejudicada (p.142)

Nervosa (p.31) Passiva (p.125) Preocupada (p.31)

Nociva (p.102) Patética (p.123) Prepotente (p.94)

Nojenta (p.49) Pau-mandada (p.125) Presunçosa (p.94)

Numa Nice (p.148) Pau pra Toda Obra (p.60) Pretensiosa (p.94)

Pavio Curto (p.68) Privilegiada (p.113)

O Pavorosa (p.72) Pusilânime (p.90)

Obcecada (p.129) Paz e Amor (p.148) Puxa-saco (p.43)

Obediente (p.121) Peçonhenta (p.62)

Obsoleta (p.133) Peculiar (p.29) Q

Obstinada (p.129) Perdida (p.51) Quadrada (p.133)

Odiosa (p.47) Perfeccionista (p.107) Quebra-galho (p.111)

Ofendida (p.98) Perguntadora (p.146) Queixo-duro (p.137)

Ogra (p.35) Perigosa (p.139) Queridinha da Mamãe


(p.113)
Olho-Gordo (p.100) Perturbada (p.31)
Queridinha do Chefe (p.43)
Olho-Grande (p.100) Perversa (p.88)
Questionadora (p.146)
Olhuda (p.100) Pervertida (p.88)
Quieta (p.131)
Oportunista (p.53) Pesarosa (p.82)

18
R Ruim (p.88) Sossegada (p.148)

Rabugenta (p.98) Sovina (p.105)

Raivosa (p.115) S Subalterna (p.125)

Ranzinza (p.98) Sabe-tudo (p.96) Submissa (p.125)

Rata de Biblioteca (p.96) Sabichona (p.96) Subserviente (p.125)

Reativa (p.68) Santinha (p.121) Substituta (p.111)

Rebelde (p.117) Selvagem (p.35) Suspeita (p.72)

Recalcada (p.98) Sem-atenção (p.51) Sussa (p.148)

Receosa (p.90) Sem-atitude (p.109)

Reclamona (p.98) Sem-educação (p.35) T

Relax (p.148) Sem-graça (p.82) Tadinha (p.127)

Relaxada (p.49) Sem-juízo (p.86) Tam-tam (p.86)

Repreensível (p.47) Sem-limites (p.58) Tartaruga (p.84)

Repugnante (p.47) Sem-opinião (p.74) Teimosa (p.129)

Repulsiva (p.47) Sem-paciência (p.31) Temerosa (p.90)

Reserva (p.111) Sem-personalidade (p.74) Terrível (p.72)

Reservada (p.131) Sem-tolerância (p.68) Tímida (p.131)

Resmungona (p.98) Sem-valor (p.80) Tola (p.39)

Ressentida (p.127) Sem-noção (p.144) Tolerância Zero (p.68)

Retraída (p.131) Sem-vergonha (p.41) Tonta (p.51)

Retrô (p.133) Sensível (p.123) Torta (p.56)

Retrógrada (p.133) Sentimental (p.123) Toupeira (p.39)

Revoltada (p.117) Séria (p.119) Tóxica (p.47)

Ridícula (p.58) Severa (p.119) Transigente (p.125)

Rígida (p.119) Sinistra (p.72) Triste (p.82)

Rigorosa (p.119) Soberba (p.94) Tristonha (p.82)

Ríspida (p.119) Sofredora (p.142) Troglodita (p.35)

Rival (p.102) Solitária (p.37) Trouxa (p.39)

Rude (p.139) Sonhadora (p.135) Truculenta (p.35)

19
U Verme (p.47) Xoxa (p.82)

Ultrapassada (p.133) Víbora (p.62) Xumbrega (p.133)

Uma Fera (p.115) Vibrante (p.76)

Unha de Fome (p.105) Vilã (p.102) Z

Usada (p.142) Vingativa (p.137) Zangada (p.115)

Utilitarista (p.53) Visionária (p.135) Zé-ninguém (p.80)

Utópica (p.135) Violenta (p.139) Zé-povinho (p.62)

Violentada (p.142) Zen (p.148)

V Vítima (p.142) Zero à esquerda (p.80)

Vagarosa (p.84) Vitimizada (p.127) Zoada (p.150)

Vaidosa (p.94) Zoeira (p.150)

Valentona (p.137) X Zoiuda (p.100)

Vangloriosa (p.94) Xarope (p.144) Zombadora (p.150)

Varrida (p.86) Xereta (p.146) Zombeteira (p.150)

Venenosa (p.62) Xodó (p.113)

20
Lista de Rótulos Masculino

A Amaldiçoado (p.88) Áspero (p.119)

Abatido (p.82) Amargo (p.98) Asqueroso (p.47)

Abelhudo (p.146) Amargurado (p.98) Assediador (p.102)

Abestado (p.39) Ambicioso (p.66) Assustador (p.72)

Abobado (p.86) Ameba (p.109) Atiçador (p.62)

Abominável (p.47) Amedrontador (p.72) Atípico (p.29)

Absorto (p.51) Amoral (p.35) Atrapalhado (p.49)

Acanhado (p.131) Anacrônico (p.133) Atrasado (p.84)

Acelerado (p.33) Angustiado (p.31) Audacioso (p.66)

Ácido (p.119) Animal (p.35) Austero (p.119)

Adversário (p.102) Anômalo (p.29) Autocentrado (p.94)

Aéreo (p.51) Anormal (p.29) Autocrata (p.45)

Aflito (p.31) Ansioso (p.31) Autoritário (p.45)

Afobado (p.76) Anta (p.39) Avarento (p.105)

Afoito (p.33) Antagonista (p.102) Avoado (p.51)

Agitado (p.76) Antiético (p.41) Azedo (p.119)

Agoniado (p.31) Antipático (p.68)

Agressivo (p.139) Antiquado (p.133) B

Agressor (p.102) Antissocial (p.37) Baba-ovo (p.43)

Água Morna (p.109) Apático (p.78) Baderneiro (p.49)

Ajudante (p.111) Apavorante (p.72) Bagunceiro (p.49)

Ajuizado (p.121) Apreensivo (p.31) Baixo Astral (p.82)

Algoz (p.102) Apressado (p.33) Bajulador (p.43)

Alienado (p.78) Arcaico (p.133) Bambambã (p.137)

Aloprado (p.86) Arrogante (p.94) Banana (p.90)

Alterado (p.70) Asno (p.39) Barata Tonta (p.51)

21
Bárbaro (p.35) Cabisbaixo (p.82) Cobiçoso (p.100)

Barraqueiro (p.139) Cabotino (p.94) Cobra (p.62)

Besta Quadrada (p.39) Cabra-macho (p.137) Coitadinho (p.127)

Bicho-carpinteiro (p.76) Cachorro (p.41) Colérico (p.115)

Bicho do Mato (p.37) Caduco (p.86) Com a Macaca (p.31)

Bicho-preguiça (p.109) Cafajeste (p.41) Comediante (p.150)

Biruta (p.86) Cafona (p.133) Complacente (p.125)

Bisbilhoteiro (p.146) Cagão (p.90) Comportado (p.121)

Bizarro (p.29) Caído (p.109) Condescendente (p.125)

Bobalhão (p.150) Calculista (p.53) Conflituoso (p.68)

Bobo (p.150) Canalha (p.41) Confuso (p.51)

Boboca (p.39) Cansado (p.109) Controlado (p.125)

Boca-aberta (p.39) Caótico (p.49) Controlador (p.45)

Bonzinho (p.121) Capacho (p.43) Convencido (p.94)

Brabo (p.115) Caprichoso (p.107) Cópia (p.74)

Bravo (p.115) Carrancudo (p.72) Coruja (p.43)

Brega (p.133) Carrasco (p.88) Covarde (p.90)

Brigão (p.139) Cavalo (p.139) Cringe (p.133)

Brincalhão (p.150) CDF (p.96) Cruel (p.139)

Brutamonte (p.35) Certinho (p.121)

Bruto (p.35) Chamativo (p.58) D

Bundão (p.109) Charlatão (p.92) Danado (p.115)

Burro (p.39) Chateado (p.82) De Boa (p.148)

Chato (p.144) De Boa na Lagoa (p.148)

C Chatonildo (p.144) Debilitado (p.64)

Cabeça (p.96) Chorão (p.123) Debochado (p.150)

Cabeça de Vento (p.39) Cínico (p.92) Decente (p.121)

Cabeça-dura (p.129) Ciumento (p.100) Delicado (p.64)

Cabeçudo (p.129) Coadjuvante (p.111) Demodê (p.133)

22
Demorado (p.84) Desrespeitoso (p.41) Encabulado (p.131)

Deprimido (p.82) Destrambelhado (p.49) Endiabrado (p.88)

Desagradável (p.144) Desumano (p.35) Enérgico (p.76)

Desajuizado (p.35) Desvairado (p.86) Enfurecido (p.115)

Desalmado (p.35) Detalhista (p.107) Enganador (p.92)

Desanimado (p.82) Detestável (p.47) Ensimesmado (p.94)

Desarrumado (p.49) Diabo (p.88) Envergonhado (p.131)

Desatento (p.51) Diabólico (p.88) Enxerido (p.146)

Desatinado (p.86) Diferente (p.29) Equivocado (p.56)

Descomprometido (p.109) Difuso (p.51) Errado (p.56)

Desconectado (p.78) Dinossauro (p.133) Errôneo (p.56)

Descontrolado (p.70) Disperso (p.51) Escabroso (p.88)

Desembestado (p.33) Dissimulado (p.92) Esculhambado (p.49)

Desequilibrado (p.70) Distraído (p.51) Esdrúxulo (p.29)

Desesperado (p.31) Do Contra (p.117) Esmorecido (p.64)

Desfocado (p.51) Doido (p.86) Espalhafatoso (p.58)

Desgraçado (p.47) Dominador (p.45) Espinhoso (p.68)

Desligado (p.51) Dorminhoco (p.109) Espoleta (p.76)

Desmedido (p.58) Duas Caras (p.92) Espúrio (p.41)

Desmiolado (p.86) Duro (p.119) Esquisito (p.29)

Desmotivado (p.109) Estepe (p.111)

Desnorteado (p.86) E Estranho (p.29)

Desobediente (p.117) Efusivo (p.76) Estúpido (p.39)

Desonesto (p.41) Egocêntrico (p.94) ET (p.29)

Desordenado (p.49) Egoísta (p.53) Exagerado (p.58)

Desorganizado (p.49) Ególatra (p.94) Exaltado (p.70)

Desorientado (p.49) Egomaníaco (p.94) Exaurido (p.64)

Déspota (p.45) Emotivo (p.123) Excessivo (p.58)

Desprezível (p.80) Empolgado (p.76) Excluído (p.37)

23
Exigente (p.107) Frenético (p.33) Ilusório (p.92)

Exótico (p.29) Frio (p.119) Imbecil (p.39)

Expansivo (p.76) Frouxo (p.90) Imitão (p.74)

Explosivo (p.68) Imoral (p.41)

Extravagante (p.58) G Impaciente (p.31)

Ganancioso (p.66) Impertinente (p.144)

F Geek (p.96) Imprestável (p.109)

Fajuto (p.92) Genioso (p.68) Imprevisível (p.86)

Falastrão (p.92) Grave (p.119) Imprudente (p.56)

Falso (p.92) Grosseiro (p.139) Incoerente (p.56)

Fanfarrão (p.92) Grosso (p.139) Incomum (p.29)

Fantasioso (p.135) Inconformado (p.117)

Farsante (p.92) H Inconveniente (p.144)

Favorecido (p.113) Hesitante (p.90) Incorreto (p.56)

Favorito (p.113) Hipócrita (p.92) Indecente (p.35)

Faz-tudo (p.60) Histérico (p.70) Indiferente (p.78)

Ferido (p.127) Homem-banda (p.60) Indignado (p.117)

Fervoroso (p.76) Homem-orquestra (p.60) Indigno (p.47)

Fingido (p.92) Horripilante (p.72) Indisciplinado (p.49)

Firme (p.119) Horrível (p.72) Indiscreto (p.58)

Fofoqueiro (p.62) Horroroso (p.72) Indisposto (p.109)

Folgado (p.109) Hostil (p.139) Individualista (p.53)

Fora da Casinha (p.86) Humilhado (p.142) Indomável (p.117)

Fraco (p.64) Infame (p.47)

Fracote (p.64) I Inferior (p.80)

Frágil (p.64) Idealista (p.135) Inflexível (p.129)

Frangote (p.90) Idiota (p.39) Ingênuo (p.39)

Franzino (p.64) Ignorante (p.39) Inimigo (p.102)

Fraudulento (p.92) Ilegítimo (p.92) Injustiçado (p.142)

24
Injusto (p.41) J Maledicente (p.62)

Inoportuno (p.144) Jararaca (p.62) Malévolo (p.88)

Inquieto (p.76) Jegue (p.39) Maligno (p.88)

Insano (p.86) João-ninguém (p.80) Maluco (p.86)

Inseguro (p.90) Jumento (p.39) Malvado (p.88)

Insensato (p.56) Jururu (p.82) Mandão (p.45)

Insensível (p.78) Manhoso (p.123)

Insignificante (p.80) L Manipulável (p.125)

Insistente (p.129) Lambão (p.49) Manteiga-derretida (p.123)

Instável (p.70) Lamuriento (p.123) Mão de Vaca (p.105)

Insubordinado (p.117) Lastimoso (p.82) Mão-fechada (p.105)

Insuportável (p.47) Lelé da Cuca (p.86) Maria-Vai-Com-As-Outras


(p.74)
Intenso (p.33) Lento (p.84)
Marrento (p.94)
Interesseiro (p.53) Lerdo (p.84)
Mau (p.88)
Intimidador (p.72) Lesma (p.84)
Mau-caráter (p.41)
Intimidante (p.72) Leva-e-traz (p.62)
Medonho (p.72)
Intolerante (p.68) Língua de Cobra (p.62)
Medroso (p.90)
Intrometido (p.146) Linguarudo (p.62)
Megalomaníaco (p.66)
Inútil (p.109) Louco (p.86)
Melancólico (p.82)
Invejoso (p.100) Lunático (p.86)
Melindroso (p.127)
Irado (p.115)
Mentiroso (p.92)
Irredutível (p.129) M
Mesquinho (p.105)
Irregular (p.29) Mal-educado (p.41)
Meticuloso (p.107)
Irrelevante (p.80) Mal-encarado (p.72)
Metido (p.146)
Irresponsável (p.109) Mal-humorado (p.68)
Mexeriqueiro (p.62)
Irritadiço (p.68) Mala-sem-alça (p.144)
Mimado (p.113)
Irritado (p.115) Maldito (p.88)
Miserável (p.80)
Irritante (p.144) Maldoso (p.88)
Mole (p.109)
Isolado (p.37) Maleável (p.125)

25
Monstro (p.35) Opositor (p.102) Péssimo (p.88)

Mordido (p.98) Opressor (p.102) Peste (p.144)

Mosca-morta (p.80) Oprimido (p.142) Piadista (p.150)

Mula (p.39) Orgulhoso (p.94) Pirado (p.86)

Multitarefas (p.60) Otário (p.39) Pobrezinho (p.127)

Murcho (p.82) Ousado (p.66) Ponta-firme (p.62)

Porco (p.49)

N P Pra Baixo (p.82)

Narcisista (p.94) Pá-virada (p.68) Praga (p.144)

Nas Nuvens (p.51) Palhaço (p.150) Preferido (p.113)

Nefasto (p.88) Pão-duro (p.105) Preguiçoso (p.109)

Nerd (p.96) Papagaio (p.74) Prejudicado (p.142)

Nervoso (p.31) Passivo (p.125) Preocupado (p.31)

Nocivo (p.102) Patético (p.123) Prepotente (p.94)

Nojento (p.49) Pau-mandado (p.125) Presunçoso (p.94)

Numa Nice (p.148) Pau pra Toda Obra (p.60) Pretensioso (p.94)

Pavio Curto (p.68) Privilegiado (p.113)

O Pavoroso (p.72) Pusilânime (p.90)

Obcecado (p.129) Paz e Amor (p.148) Puxa-saco (p.43)

Obediente (p.121) Peçonhento (p.62)

Obsoleto (p.133) Peculiar (p.29) Q

Obstinado (p.129) Perdido (p.51) Quadrado (p.133)

Odioso (p.47) Perfeccionista (p.107) Quebra-galho (p.111)

Ofendido (p.98) Perguntador (p.146) Queixo-duro (p.137)

Ogro (p.35) Perigoso (p.139) Queridinho da Mamãe


(p.113)
Olho-Gordo (p.100) Perturbado (p.31)
Queridinho do Chefe (p.43)
Olho-Grande (p.100) Perverso (p.88)
Questionador (p.146)
Olhudo (p.100) Pervertido (p.88)
Quieto (p.131)
Oportunista (p.53) Pesaroso (p.82)

26
R Ruim (p.88) Sossegado (p.148)

Rabugento (p.98) Sovina (p.105)

Raivoso (p.115) S Subalterno (p.125)

Ranzinza (p.98) Sabe-tudo (p.96) Submisso (p.125)

Rato de Biblioteca (p.96) Sabichão (p.96) Subserviente (p.125)

Reativo (p.68) Santinho (p.121) Substituto (p.111)

Rebelde (p.117) Selvagem (p.35) Suspeito (p.72)

Recalcado (p.98) Sem-atenção (p.51) Sussa (p.148)

Receoso (p.90) Sem-atitude (p.109)

Reclamão (p.98) Sem-educação (p.35) T

Relax (p.148) Sem-graça (p.82) Tadinho (p.127)

Relaxado (p.49) Sem-juízo (p.86) Tam-tam (p.86)

Repreensível (p.47) Sem-limites (p.58) Tartaruga (p.84)

Repugnante (p.47) Sem-opinião (p.74) Teimoso (p.129)

Repulsivo (p.47) Sem-paciência (p.31) Temeroso (p.90)

Reserva (p.111) Sem-personalidade (p.74) Terrível (p.72)

Reservado (p.131) Sem-tolerância (p.68) Tímido (p.131)

Resmungão (p.98) Sem-valor (p.80) Tolerância Zero (p.68)

Ressentido (p.127) Sem-noção (p.144) Tolo (p.39)

Retraído (p.131) Sem-vergonha (p.41) Tonto (p.51)

Retrô (p.133) Sensível (p.123) Torto (p.56)

Retrógrado (p.133) Sentimental (p.123) Toupeira (p.39)

Revoltado (p.117) Sério (p.119) Tóxico (p.47)

Ridículo (p.58) Severo (p.119) Transigente (p.125)

Rígido (p.119) Sinistro (p.72) Triste (p.82)

Rigoroso (p.119) Soberbo (p.94) Tristonho (p.82)

Ríspido (p.119) Sofredor (p.142) Troglodita (p.35)

Rival (p.102) Solitário (p.37) Trouxa (p.39)

Rude (p.139) Sonhador (p.135) Truculento (p.35)

27
U Verme (p.47) Xoxo (p.82)

Ultrapassado (p.133) Víbora (p.62) Xumbrega (p.133)

Uma Fera (p.115) Vibrante (p.76)

Unha de Fome (p.105) Vilão (p.102) Z

Usado (p.142) Vingativo (p.137) Zangado (p.115)

Utilitarista (p.53) Violento (p.139) Zé-ninguém (p.80)

Utópico (p.135) Violentado (p.142) Zé-povinho (p.62)

Visionário (p.135) Zen (p.148)

V Vítima (p.142) Zero à esquerda (p.80)

Vagaroso (p.84) Vitimizado (p.127) Zoado (p.150)

Vaidoso (p.94) Zoeiro (p.150)

Valentão (p.137) X Zoiudo (p.100)

Vanglorioso (p.94) Xarope (p.144) Zombador (p.150)

Varrido (p.86) Xereta (p.146) Zombeteiro (p.150)

Venenoso (p.62) Xodó (p.113)

28
Anormal

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Anômala; Anormal; Atípica; Bizarra; Anômalo; Anormal; Atípico; Bizarro;


Diferente; Esdrúxula; Esquisita; Estranha; Diferente; Esdrúxulo; Esquisito; Estranho;
ET; Exótica; Incomum; Irregular; Peculiar. ET; Exótico; Incomum; Irregular; Peculiar.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de ANORMAL, podemos no fundo desejar que a pessoa fale
sobre assuntos ou faça atividades que os demais do grupo também fazem. Outras vezes,
podemos querer que a pessoa pense ou se apresente de uma forma diferente. Ou ainda,
podemos estar preocupados com a possibilidade de a pessoa não estar atendendo sua
necessidade de integração no grupo e desejando ajudá-la com isso.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é ANORMAL, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:
● Ele disse que conversa com as plantas e com os animais;
● Ele veste roupas mais coloridas que os demais colegas;
● Ele usa o cabelo de uma forma que não estou acostumado a ver.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Como eu me sentiria se eu trocasse de lugar com a outra pessoa? Eu me respeitaria? Eu


me sentiria desconfortável com minhas diferenças em relação aos outros? Eu teria
vergonha de me expor? Eu teria coragem para permanecer autêntico, mesmo quando
minhas diferenças em relação aos outros não fossem compreendidas?
● O que eu aprendi sobre a diferença que eu percebo na outra pessoa? O que ela pode ter
aprendido sobre essa diferença? O que eu posso aprender com ela? O que ela pode
aprender comigo?
● Como eu faço para saber se estou respeitando os outros? Como eu faço para confirmar se
o outro está sendo respeitado por mim?

29
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é ANORMAL:

● Você está disposto a participar conosco da conversa, escutando o que estamos dizendo e
falando como essas ideias chegam para você?
● Percebo algumas diferenças entre nós, mas gostaria que minhas falas e reações
cuidassem para que você saiba que te respeito. Por isso, gostaria de saber se há algo que
você não queira que eu faça ou diga em relação às nossas diferenças e o que você
consideraria que seria mais respeitoso para eu fazer ou dizer no lugar. Quer falar?
● Gostaria de compreender as motivações das suas escolhas. Você está disposto a
compartilhar comigo quais estilos você gosta e prefere? Qual a importância que você dá
para isso?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando alguém age diferente das demais pessoas pode não ser acolhido, entendido ou
mesmo respeitado. E, às vezes, essa forma de agir pode ferir algum valor de alguém ou do grupo.
Nessas situações, as pessoas podem se afastar de quem é rotulado de anormal.

Muitas vezes, nossa interpretação de que alguém é anormal reflete uma falta de visão mais
ampla da diversidade do planeta em que habitamos. Se no local onde residimos há poucas
pessoas com uma determinada característica, podemos achar anormal ver alguém que não
apresenta as tendências que estamos acostumados a ver. Por exemplo, um estrangeiro falando
um idioma que não conhecemos seria visto por nós como anormal. Entretanto, se nós
estivéssemos visitando o local de origem desse estrangeiro, talvez acharíamos todas as pessoas
de lá estranhas. E, por outro lado, do ponto de vista dos estrangeiros, talvez nós seríamos
rotulados de anormais. Porém, alguém que está acostumado a viajar para ambos os locais não
acharia nenhum dos grupos anormal, pois ele tem uma visão mais ampla que os demais em
relação à diversidade de povos que habitam nosso globo.

Além disso, quando alguém é autêntico e desenvolve autonomia na sua forma de pensar e agir,
é possível que essa pessoa faça coisas diferentes das demais e não se conforme com a forma
de viver que consideramos normal. Há muitas formas de violência “normalizadas” em nossa
cultura. Reproduzi-las pode ser normal! Então, precisamos de pessoas anormais para nos dar
exemplos alternativos de como cuidarmos mais da vida.

Numa sociedade que educa as pessoas para pensar e se comportar apenas repetindo o que lhes
é apresentado, numa cultura que propaga uma ideia de felicidade relacionada a possuir certos
bens, onde as pessoas entendem que seu valor depende de sua aparência e que confunde
respeito com medo e obediência, pode ser assustador reconhecer indivíduos que não seguem o
padrão. Mas, se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Ultrapassada (p.133) Zoeiro (p.150) Imitão (p.74)

30
Ansiosa

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Aflita; Agoniada; Angustiada; Ansiosa; Aflito; Agoniado; Angustiado; Ansioso;


Apreensiva; Desesperada; Impaciente; Apreensivo; Desesperado; Impaciente;
Nervosa; Perturbada; Preocupada; Sem- Nervoso; Perturbado; Preocupado; Sem-
Paciência; Com a Macaca. Paciência; Com a Macaca.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de ANSIOSA, podemos no fundo desejar que a pessoa tenha
paciência, ou que nos espere terminar algo. Outras vezes, podemos querer que a pessoa não se
preocupe tanto em relação a uma situação que está por acontecer. Ou ainda, podemos estar
percebendo características em seu comportamento que nos orientam sobre que tipo de suporte
essa pessoa precisaria para ter mais saúde mental.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é ANSIOSA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela roeu as unhas enquanto esperava uma resposta;


● Ela está falando sobre o futuro mais vezes do que eu gostaria;
● Ela disse que tem dúvidas sobre situações que estão por ocorrer;
● Ela disse que está tendo dificuldades de dormir e que à noite fica pensando na prova que
irá realizar na semana que vem.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Minha vida é tranquila? Tenho perspectivas sobre o futuro? Se meus planos atuais
fracassarem, tenho confiança de que terei suporte para me restabelecer? Como eu me
sentiria se não tivesse o suporte que eu tenho? Como são essas coisas para o outro?
● Vivo num ambiente seguro? Tenho a presença de familiares ou amigos na minha vida? As
pessoas que me cercam são gentis comigo e com os demais? As pessoas mais próximas
minhas estão com algum problema de saúde? As pessoas mais próximas minhas passam
alguma dificuldade financeira? Como são essas coisas para o outro?

31
● Que acontecimentos importantes o outro gostaria de prever, mas não consegue? Entendo
como esse acontecimento contribuiria para sua felicidade? Entendo como esse
acontecimento pode ameaçá-la? Respeito a experiência interna do outro?
● Eu gostaria de ajudá-lo a ter segurança sobre o futuro? Reconheço que realmente há coisas
que não são previsíveis? Aceito minhas limitações em não conseguir garantir que a outra
pessoa estará bem? É difícil para mim aceitar o sentimento do outro?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é ANSIOSA:

● Vamos anotar numa folha as coisas que estão te preocupando e conversar sobre o que
podemos fazer para enfrentar essa situação juntos e como poderemos lidar, caso as coisas
saiam diferente de nossas expectativas?
● Você está disposta a fazer um exercício de meditação comigo, para tentarmos olhar para
nossos sentimentos e acolhê-los com mais calma?
● Tem alguma coisa que eu posso fazer para te ajudar a ter mais organização e
previsibilidade em relação às coisas que você pensa que poderá enfrentar? Quer conversar
sobre isso comigo para eu ver se tenho algo a contribuir com você?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Às vezes, as pessoas realmente se enganam em relação à gravidade de alguma coisa e
depois descobrem que não precisavam ter se preocupado tanto. E às vezes, elas podem estar
prevendo que algo ruim irá acontecer, mesmo que as chances para isso sejam pequenas para
nós. Apesar disso, por mais que alguém possa estar sofrendo por algo que consideramos irreal
ou que nem mesmo irá acontecer, o sofrimento interno da pessoa é real e, se realmente
queremos ajudar alguém que está sofrendo, precisamos entender que a rejeição dos
sentimentos não é um meio eficiente de colaborarmos com o outro, pois é análogo a querer curar
um ferimento ignorando a dor que ele exprime como sintoma.

Mas, às vezes a ansiedade surge como um convite para nos prepararmos para um momento
importante para nossa vida. E ela nos serve de lembrete de que há coisas preciosas que
desejamos cuidar. Então, movidos por esse desejo de cuidado, buscamos formas mais efetivas
de estarmos seguros e isso é fator determinante na realização de algum trabalho.

Entretanto, por mais que desejássemos que as pessoas fossem motivadas por sentimentos mais
leves e tivessem mais segurança no futuro, nossa sociedade ainda é bastante desigual. A saúde
pública é algo incerto, há pessoas com dificuldade de encontrar trabalho e há muitos que
encontraram trabalho, mas não estão felizes em suas profissões e gostariam de fazer outra
coisa. Então, pode ser difícil para nós vermos uma pessoa querida incerta de que será feliz no
futuro. Porém, podemos cultivar amor nas relações oferecendo nossa presença a essa pessoa,
estando dispostos a acolher a nossa incapacidade de prever e resolver o futuro. Se
compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Medroso (p.90) Tímida (p.131) Xereta (p.146)

32
Apressado

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Acelerada; Afoita; Apressada; Acelerado; Afoito; Apressado;


Desembestada; Frenética; Intensa. Desembestado; Frenético; Intenso.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de APRESSADO, podemos no fundo desejar que a pessoa
disponha de mais tempo para se conectar conosco. Outras vezes, podemos querer que a pessoa
faça suas atividades com mais cuidado, mesmo que isso demande mais tempo. Ou, ainda,
podemos estar preocupados com a possibilidade de que a velocidade com que a pessoa está
agindo prejudique seu bem-estar ou dos demais.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é APRESSADO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele anda e fala mais rápido que eu;


● Ele não esperou o sinal ficar verde para atravessar o cruzamento;
● Ele pediu que respondêssemos o e-mail com urgência até o final da tarde;
● Ele disse para a pessoa com quem conversava que falasse logo o que ela queria.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Estou satisfeito com a vida que eu levo? Tenho consciência da minha responsabilidade em
contribuir para vivermos em um mundo melhor? Administro meu tempo para isso? Que
critérios eu uso para saber se estou administrando bem meu tempo? Sei o que é prioritário
para mim? Sei o que não é? Procuro viver o que é prioritário? Sei conciliar minhas
prioridades com as dos outros? As pessoas que compartilham a vida comigo acham que
eu cuido das suas prioridades também? Como são essas coisas para o outro?
● Que responsabilidades o outro está assumindo que eu não compreendo? Que relevância
ele dá para o que ela está buscando com suas ações? Quais experiências ele tem, que eu
não tenho, para considerar isso relevante? O que posso fazer para compreendê-lo?
● O que alguém precisaria fazer para eu ter segurança de que minhas prioridades e meu ritmo
estão sendo respeitados? Qual a diferença entre respeitar-me e fazer as coisas da forma

33
que eu quero? Como minhas opiniões e ações contribuem para o outro sentir-se mais
seguro de que terá suas necessidades atendidas?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é APRESSADO:

● Quando você poderia sentar-se comigo para conversarmos sobre suas atividades e como
elas se relacionam com suas prioridades e minhas? Se estiver muito ocupado, que tal
almoçarmos juntos para falarmos disso enquanto comemos?
● Você gostaria que eu te ajudasse a organizar uma agenda no seu celular com todos os seus
compromissos e prazos, de modo que você possa ter mais clareza sobre como está
gerindo seu tempo? Acho que isso pode te ajudar a relaxar mais. Que tal?
● Tem algo que eu possa fazer para te ajudar agora, para que possamos relaxar juntos
depois?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando estamos com pressa, pode haver necessidades nossas em risco que prevemos que
serão feridas. Um outro estímulo para a pressa pode ser uma perspectiva de atender uma
necessidade importante, que está com prazos curtos ou atrasada em relação ao seu
planejamento. Nesse contexto, podemos fazer escolhas sem ponderar tanto e isso trazer
prejuízos ou podemos não sermos tão atenciosos com os demais, em busca de velocidade.
Mas, apesar da pressa poder ser desagradável para quem sente, é possível que a determinação
e velocidade que ela imprime nas suas ações sejam decisivas na sua realização pessoal. A
pressa pode ser um motor para prevenir um prejuízo ou para construção de algo que beneficiará
outras pessoas. Quem alguns vão chamar de apressada, outros podem chamar de sortuda, dizer
que ela é inteligente e pensar que ela tem dons, sem perceber que as habilidades dessa pessoa
é uma consequência da sua intensa dedicação a uma causa, com foco naquilo que é prioritário
para si.
Entretanto, o ideal seria termos velocidade sem a “urgência” que a pressa traz. Tal urgência pode
ser fator de estresse prejudicial à saúde. A urgência presente na pressa e na ansiedade tem a
mesma função biológica do medo, que é garantir a nossa sobrevivência, mas viver
constantemente sob o estado de urgência provavelmente acarretará em danos à saúde.
Numa cultura de desigualdade social, onde a saúde não é acessível a todos e a educação não é
humanizante, que usa a ideia de escassez para fazer as pessoas tomarem decisões, onde
sucesso significa poder e poder depende de ganhar e dominar as pessoas, é difícil não estar sob
uma urgência constante para sobreviver. Então, o que estamos fazendo com o nosso tempo?
Como estamos usando ele para cuidarmos mais do tempo de todos? Se compreendermos as
pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Ansiosa (p.31) Medroso (p.90) Lerdo (p.84)

34
Bárbaro

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Amoral; Animal; Bárbara; Brutamonte; Bruta; Amoral; Animal; Bárbaro; Brutamonte; Bruto;
Desajuizada; Desalmada; Desumana; Desajuizado; Desalmado; Desumano;
Indecente; Monstra; Ogra; Selvagem; Sem- Indecente; Monstro; Ogro; Selvagem; Sem-
Educação; Troglodita; Truculenta. Educação; Troglodita; Truculento.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de BÁRBARO, podemos no fundo querer que a pessoa aja com
mais gentileza conosco ou com as outras pessoas. Outras vezes, podemos querer que a pessoa
sinta prazer em colaborar com os colegas. Podemos, ainda, temer que outras pessoas possam
evitá-lo ou mesmo confrontá-lo, caso interpretem seu comportamento como uma agressão.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é BÁRBARO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele usou palavras e fez gestos que eu usaria se fosse xingar alguém;
● Ele empurrou o colega que estava parado na porta, dizendo para sair da sua frente;
● Ele come com a boca aberta e fala mais alto que as demais pessoas no refeitório.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Qual a minha ideia de um comportamento adequado? Qual a ideia dele?


● Os exemplos e referências que ele teve em sua educação foram diferentes dos que eu tive?
Ele tem experiências nas quais foi pedido a ele para se comportar de maneira diferente?
Ele ouviu esse pedido como uma exigência?
● De quais necessidades quero cuidar quando escolho ter um comportamento gentil? Ele tem
outras estratégias para cuidar dessas mesmas necessidades?

35
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é BÁRBARO:

● Quero te convidar para uma conversa sobre estratégias para atendermos a nossa
necessidade de respeito. Cada pessoa irá falar como gostaria de ser chamada e quais as
formas de falar com ela que não criam um clima de respeito mútuo. Vamos comigo?
● Gostaria de saber se há atividades que você sente mais prazer de fazer, que facilitaria para
você trabalhar em equipe com prazer. Você pode pensar em algo e me dizer?
● Quero garantir que as pessoas vão compreender sua forma de falar e agir, pois acho que
isso ajuda a termos menos conflitos no grupo. Gostaria de te convidar para uma roda de
conversa, onde falaremos sobre nossas experiências de vida. Você aceita participar?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando não agimos de acordo com as regras de conduta de um local que frequentamos,
corremos o risco de não sermos valorizados. Especialmente, quando nossas ações são
interpretadas pelos outros como um desrespeito ou uma agressão. Se não observarmos como
nossas ações afetam os outros será mais difícil de atendermos nossa necessidade de empatia
e gentileza com os demais e isso tornará o convívio conosco difícil.

Por outro lado, há muitas pessoas que se moldam para serem aceitas ou que não expressam
suas ideias porque não se consideram boas o bastante. Quando não ligamos tanto para a opinião
dos outros, podemos nos manter mais fiéis ao que faz sentido para nós. Além disso, no convívio
com os outros é mais fácil de resolvermos conflitos quando as pessoas dizem o que pensam do
que quando não falam, mas ficam remoendo. Por isso, embora possa não ser compreendido e
até ferir algumas pessoas, aquele que se expõe, mesmo que não agrade, oportuniza que o grupo
reaja mais e descubra o que está passando na sua cabeça. A partir disso, se pode tomar medidas
para reduzir mal entendidos e melhorar a cooperação.

Enquanto mantermos estruturas que exigem das pessoas que se comportem como máquinas,
focadas em trabalhar sem questionar, competir, ganhar e ser intolerante a falhas, será difícil as
pessoas manterem-se calmas e tranquilas para lidar com situações que possam ser
desagradáveis a elas. Será difícil que elas nos escutem, pois estão acostumadas a serem
depreciadas quando as autoridades não aprovam seu comportamento. Então, para mudar essa
cultura, precisamos compreender que nem todos tiveram a educação que nós tivemos, os
exemplos de ética, as orientações para o desenvolvimento e o acolhimento à nossa humanidade
apesar de nossas imperfeições. O que estamos fazendo para criarmos uma cultura de educação
humanizante? Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Burra (p.39) Errado (p.56) Tadinho (p.127)

36
Bicho do Mato

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Antissocial; Bicho do Mato; Excluída; Antissocial; Bicho do Mato; Excluído;


Isolada; Solitária. Isolado; Solitário.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de BICHO DO MATO, podemos no fundo desejar nos conectar
com essa pessoa, pois gostaríamos que ela interagisse mais conosco ou com nosso grupo.
Outras vezes, podemos querer que a pessoa tenha mais simpatia e despojamento para fazer e
falar o que tiver vontade, quando estiver com alguém. Podemos, ainda, estar preocupados por
considerarmos que esse alguém está se isolando muito e poderia se beneficiar do convívio de
outras pessoas.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é BICHO DO MATO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela ficou lendo sozinha enquanto os demais colegas estavam conversando em grupos;
● Ela não tem um perfil nas redes sociais que eu uso e disse que não gosta de tirar fotos;
● Ela é a pessoa da nossa casa que passa mais tempo no quarto.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Quais pessoas se interessam pelo que ela também se interessa? Com quem ela consegue
conversar sobre isso?
● Quais experiências ela já teve ao estar em grupo? houve alguma situação na qual ela se
sentiu desconfortável?
● Ela é filha única? Está acostumada a ficar sozinha?
● E eu, em que momentos escolho ficar sozinho? Por que eu escolho?
● Já aceitei participar de um grupo só para não parecer estranho? Como foi? De quais coisas
minhas eu abro mão para não parecer estranho?

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Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é BICHO DO MATO:

● Eu gostaria de ter mais a sua companhia. Você está disposta a reservar um tempo para
fazer algo comigo? Eu adoraria que você me ensinasse a tocar violão um ou dois dias na
semana. Que tal?
● Estou vendo que você se interessa bastante sobre esse assunto. Você não gostaria de fazer
um curso sobre isso? Eu sei que você sabe buscar as informações sozinha, mas em um
curso você poderia trocar ideias com outras pessoas que têm o mesmo interesse. Já
pensou nisso?
● Você me pareceu um pouco desconfortável na festa de aniversário da sua avó. O que você
acha que poderia tornar essas reuniões mais agradáveis para você?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Às vezes, podemos ver alguém importante para nós optar por ficar sozinho. E esta pessoa
pode estar sentindo falta de companhia, mas não descobriu uma forma de se integrar com outros
e, ao mesmo tempo, cultivar assuntos e ideias de que gosta. Pode ser difícil não ser
compreendido.

Além disso, ainda são poucas as pessoas que recebem uma educação socioemocional e que
aprendem a exercitar a compreensão nas relações. Dessa forma, quando surgem conflitos,
algumas pessoas podem ficar abaladas e sentem-se desmotivadas a interagir novamente. Então,
às vezes, ficar sozinho pode ser uma forma de se preservar emocionalmente. Porém, evitar
relacionamentos para não ter conflitos não é uma estratégia sustentável, visto que muitas das
nossas necessidades são atendidas na relação com as pessoas, como amor, ética, empatia,
aprendizagem, contribuição, entre outras.

Mas, há vezes em que as pessoas preferem ficar sozinhas para terem mais concentração em
algo que estão realizando. Especialmente, se é algo que poucas pessoas compreendem ou tem
condições de ajudar. Fazer as coisas por nós mesmos é um exercício para desenvolver a nossa
autonomia. E isso pode nos fortalecer para termos mais equilíbrio na vida.

Vivemos em uma sociedade onde nossos sentimentos e interesses nem sempre são bem-vindos.
Se trazemos algo novo a um grupo, podemos ser vistos com desconfiança. Se trazemos um
sentimento de sofrimento, podemos ser considerados adoecidos. Isso dificulta nos mantermos
motivados a nos conectarmos mais. Qual a motivação de quem escolhe ficar sozinho? Se
compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Sentimental (p.123) Jururu (p.82) Fofoqueira (p.62)

38
Burra

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Abestada; Anta; Asna; Besta Quadrada; Abestado; Anta; Asno; Besta Quadrada;
Boboca; Boca-aberta; Burra; Cabeça de Boboca; Boca-aberta; Burro; Cabeça de
Vento; Estúpida; Idiota; Ignorante; Imbecil; Vento; Estúpido; Idiota; Ignorante; Imbecil;
Ingênua; Jegue; Jumenta; Mula; Otária; Tola; Ingênuo; Jegue; Jumento; Mula; Otário; Tolo;
Toupeira; Trouxa. Toupeira; Trouxa.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de BURRA, podemos no fundo desejar que a pessoa se esforce
mais em seus estudos. Outras vezes, podemos querer que a pessoa compreenda nossa posição
sobre determinado assunto. Ou ainda, podemos desejar ajudar a pessoa a ter discernimento para
tomar certas decisões que afetam o bem-estar de todos.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é BURRA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela tirou a nota mais baixa da turma em matemática;


● Falei a ela três vezes uma coisa e ela disse que não entendeu;
● Ela deu os dados do seu cartão de crédito para uma pessoa que ligou para ela e disse ser
da operadora de internet. Depois, descobriu que foram feitas compras no seu nome.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Quais benefícios eu tive que me serviram de suporte para minha aprendizagem? A minha
genética me ajudou? A educação dos meus familiares me ajudou? Tive incentivo? Tive
condições financeiras mínimas para ter tempo de me dedicar aos meus estudos? Tive um
convívio pacífico com meus colegas e professores? Tive acesso à informação? Tive minhas
curiosidades levadas em consideração pelos meus educadores? Esses educadores me
tratavam com respeito? Dei valor ao que aprendi? E a outra pessoa?
● Quais desafios, problemas, dores e dissabores foram meus professores? Além dos
benefícios, que situações difíceis me serviram de estímulo para eu estudar?

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● Qual o interesse da outra pessoa nos temas que eu considero que ela sabe menos que eu?
Ela percebe a utilidade prática que esse conhecimento pode ter na sua vida? É prioritário
para ela saber disso?
● Assumindo que ela deseje aprender, eu já explorei outras formas de ajudá-la a entender
determinado assunto? Como eu poderia tornar o aprendizado mais prazeroso para ela?
● O que essa pessoa está vivenciando atualmente? Será que tem algo desviando sua
atenção? Ela está preocupada ou mesmo empolgada com outra coisa?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é BURRA:

● Você sabe a relevância do que você está estudando e como esse aprendizado pode
contribuir para o seu bem-estar? Poderíamos conversar sobre isso?
● O que estou falando é novo para você? O que você acha de eu pegar um caderno e ilustrar
o que estou falando? Acho que pode ficar mais claro.
● O dia está gostoso! Que tal se a gente estudasse lá fora? Pode ser mais prazeroso.
● O que você tem curiosidade de aprender?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Todos nós temos assuntos que nos despertam mais ou menos interesse e sobre os quais
temos mais ou menos facilidade em aprender. Ao ser rotulada como burra ou ignorante, uma
pessoa pode ter mais dificuldade em desenvolver confiança em si mesma e em suas
capacidades.
Esse rótulo também pode ser recebido como uma razão para que a pessoa desista de aprender
sobre determinado assunto, especialmente se for algum tema que ela não tem afinidade, afinal
de que adianta um “burro” se esforçar?
Na nossa sociedade somos valorizados e aplaudidos quando tiramos as notas mais altas,
quando somos os mais rápidos e produzimos mais em menos tempo, mas esse ideal não
contempla todas as pessoas.
Talvez, um dos maiores obstáculos ante à educação é a cultura de estigmatização das falhas.
Em vez de entendermos que errar é uma etapa do processo de aprendizagem, somos treinados
a oprimir quem erra e nos reprimir quando somos imperfeitos. Se entendêssemos que erros são
degraus, não buracos, no nosso crescimento, seria mais fácil olharmos as coisas que precisam
ser melhoradas e o processo de aprendizagem seria mais leve.
Além disso, há uma infinidade de saberes que vão muito além dos currículos escolares e cada
pessoa, a cada instante, está vivendo um momento de aprendizado único. Somos diversos,
temos interesses variados e ritmos diferentes e essa diversidade nos enriquece como
comunidade. Acolher e valorizar nossas diferenças é importante para lidarmos melhor com elas.
Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Errado (p.56) Anormal (p.29) Nerd (p.96)

40
Canalha

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Antiética; Cadela; Cafajeste; Canalha; Antiético; Cachorro; Cafajeste; Canalha;


Desonesta; Desrespeitosa; Espúria; Imoral; Desonesto; Desrespeitoso; Espúrio; Imoral;
Injusta; Mal-Educada; Mau-Caráter; Injusto; Mal-Educado; Mau-Caráter;
Sem-Vergonha. Sem-Vergonha.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de CANALHA, podemos no fundo desejar que a pessoa tenha
empatia conosco ou com outras pessoas. Outras vezes, podemos querer que a pessoa tenha
mais vontade de contribuir com o bem-estar dos demais. Podemos, ainda, estar preocupados se
os outros terão compaixão com suas atitudes.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é CANALHA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele entrou na frente da fila, enquanto as demais pessoas aguardavam o atendimento;


● Ele consultou o caderno na prova, enquanto o professor não estava olhando;
● Ele estacionou o carro numa vaga para cadeirantes, mas não usa cadeira de rodas.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● O que me motiva a ser mais ético? Como minha consciência para a necessidade de ética
foi despertada? Alguém me tratou com cuidado? Alguém que eu admirava tratava as
pessoas com cuidado? Alguém me tratou com desprezo? Alguém que eu admirava tratava
as pessoas com desprezo? Como são essas coisas para o outro?
● Conheço pessoas que prejudicam as demais e são mais privilegiadas do que as pessoas
justas? Será que elas são mais felizes? Quem me ensinou o que preciso fazer para ter
felicidade? Conheço alguém que foi ensinado que para ser feliz precisa ser melhor que os
outros? Que efeitos eu acho que isso teria na vida de alguém?
● O que tenho feito para ajudar as pessoas a serem mais respeitosas e empáticas? Como sei
se essa forma está funcionando? Funciona com todos?

41
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é CANALHA:

● Se você deseja ser atendido, peço que aguarde sua vez na fila. Caso você considere que
sua necessidade é mais urgente que a dos demais, podemos ouvir como você está, mas
também desejamos que você ouça como as outras pessoas que estavam na sua frente
estão, de forma que possamos nos compreender melhor e termos mais empatia. Ok?
● Nós faremos uma roda de conversa para falarmos sobre como construímos nossos
valores. Para isso, vocês serão convidados a falar sobre quais pessoas te inspiram e o que
elas fazem para ter respeito das demais. Você topa participar?
● Você estacionou em uma vaga de cadeirante e não usa cadeiras de rodas. Sei que você
não tem nenhum cadeirante no seu círculo íntimo. E, talvez, você não saiba quais
dificuldades eles passam e porque essas vagas precisam ser destinadas a eles. Para te
ajudar a compreender isso, quero que você vá comigo a uma clínica de fisioterapia para
conhecermos algumas pessoas nessa situação. Pode ser?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Na CNV, entendemos que agir, sem levar em consideração o bem-estar das pessoas, visando
apenas o interesse pessoal, não é o mesmo que priorizar nossas necessidades. Ética, amor e
contribuição também são necessidades humanas e quando não estamos atendendo essas
necessidades estaremos em desarmonia com a nossa natureza. Embora possa ser normal
vermos pessoas tentando tirar vantagens das outras, não é natural, pois somos seres
interdependentes e o prejuízo que criamos a alguém reflete no sistema inteiro e,
consequentemente, em nós mesmos.

Não é, porém, porque estamos sendo prejudicados também, em algum nível, que desejamos
cuidar das pessoas. Viver esse comprometimento com o bem-estar social é parte da nossa
realização pessoal. Somos seres sociais e a nossa felicidade depende de um convívio
harmonioso com os demais seres. Por isso a ética, o amor e a contribuição são necessários.
Quem tem a oportunidade de nutrir essas necessidades está cultivando felicidade, então, é triste
quando percebemos que alguém está buscando a felicidade em bens e aparências.

Aqueles que agem desse modo refletem os valores da cultura que mantemos. Estamos tão
conformados com corrupções, trapaças e calúnias que rotulamos essa tendência cultural de
“jeitinho brasileiro”. Esse rótulo explicita a nossa desesperança em face da crise de valores
humanos que vivemos. Apesar disso, todos temos necessidades de amar e cuidar das pessoas,
só precisamos cultivá-las. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Desgraçado (p.47) Horrível (p.72) Ofendido (p.98)

42
Capacho

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Baba-ovo; Bajuladora; Capacha; Coruja; Baba-ovo; Bajulador; Capacho; Coruja;


Puxa-Saco; Queridinha do Chefe. Puxa-Saco; Queridinho do Chefe.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de CAPACHO, podemos no fundo desejar que a pessoa esteja
ciente de que ela tem escolha mesmo diante de uma ordem vinda de uma autoridade, e que se
sinta segura para expressar suas opiniões. Outras vezes, podemos querer que a pessoa deixe de
tentar agradar alguém. Ou ainda, podemos estar querendo ajudá-lo a se conectar com suas
motivações internas, para além de buscar recompensa (uma promoção, uma nota alta, ser
admirado) ou evitar uma punição (perder o emprego, tirar notas baixas, apanhar ou ser rejeitado).

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é CAPACHO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele levou dois presentes para a professora no último mês;


● Ele disse ao chefe que seu colega chegou atrasado;
● Em uma conversa com seu pai, ele disse que o pai estava bonito, que era uma pessoa muito
boa e que tinha muito orgulho de ser seu filho.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Já fui prejudicado de alguma forma por não agradar alguém influente? Como isso me
afetou? Mudei minha forma de agir com essa pessoa depois disso? Se não mudei, o que
deu segurança para eu achar que poderia manter minha forma de agir?
● Já fui beneficiado de alguma forma por agradar alguém influente? Como isso me afetou?
Agi de forma sincera ou pensando no que a pessoa iria gostar? Acho que fui ético? Qual a
importância que esse benefício teve para mim?
● Qual a importância da obediência e de agradar as autoridades para uma pessoa educada
predominantemente com punição e recompensa? Quais as consequências dessa educação
para a sua liberdade? Como eu poderia ajudá-la a confiar que pode ser ela mesma, que não
será desprezada e que sua opinião pessoal é importante?
43
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é CAPACHO.

● Eu gostaria que nós treinássemos a sinceridade. Para isso, quero que me diga uma coisa
que eu faço que atende sua necessidade e outra que não atende. Pode ser?
● Eu gostaria que nós treinássemos a liberdade. Então, hoje quero que você escolha uma
coisa para fazermos que você acha que nós dois gostamos e outra que só você gosta. Ok?
● Eu gostaria que você avaliasse se há alguma ação que você não teria caso tivesse
segurança de que as pessoas do seu convívio não te tratariam de forma diferente. E, se
você estiver de acordo, quero verificar com você se existem outras formas de você atender
as necessidades relacionadas a essa ação por meio de estratégias mais coerentes para
você.

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando abrimos mão de nossas escolhas para priorizar a escolha de alguém ou quando
tentamos comprar o amor de alguém com elogios ou presentes, podemos estar abrindo mão da
nossa autenticidade. Além disso, quando a nossa expectativa em ser aceito pelo outro é nosso
objetivo principal, podemos ferir outras necessidades importantes como a ética, o autocuidado,
a busca por igualdade e a participação da educação das pessoas.

Há pessoas que tentam agradar ou que abrem mão de si para beneficiar a outras pois elas
exercem grande influência em sua vida e, em uma busca por sobrevivência, a tentativa de não
magoar e agradar pode ser uma estratégia temporariamente necessária até que se tenha
autonomia para lidar com as consequências do risco de não agradar alguém.

Existe também a abnegação em prol do bem-estar grupal, quando a entrega é de coração, para
que aconteça o melhor para todos. Essa é uma atitude que pode anular necessidades pessoais
mais básicas, mas visa nutrir necessidades como contribuição, justiça e amor. A doação sob
essa energia de compaixão, seja no falar, no escutar, na tentativa de valorizar o outro ou acolher
suas dores, é algo do qual precisamos para vivermos coletivamente.

Como sociedade, precisamos criar uma cultura que dá espaço ao pensamento diferente, que
permite que as pessoas tenham escolhas diferentes, mas, para isso, precisamos que as
autoridades troquem a busca por obediência pela busca por respeito, e o incentivo pela culpa
pelo incentivo pela ética, para que as pessoas possam confiar que sua autenticidade é permitida
e desejada. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Imitão (p.74) Xarope (p.144) Violento (p.139)

44
Controladora

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Autocrata; Autoritária; Controladora; Autocrata; Autoritário; Controlador;


Déspota; Dominadora; Mandona. Déspota; Dominador; Mandão.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de CONTROLADORA podemos, no fundo, desejar que a pessoa
ouça e leve em consideração nossas necessidades ao nos propor algo. Outras vezes, podemos
querer que a pessoa aceite e valorize a forma que escolhemos para fazer determinada atividade,
mesmo que não seja sua forma favorita. Podemos, ainda, desejar ajudar a pessoa a ter sua
necessidade de contribuição atendida, sem ferir a liberdade de escolha nossa e dos demais, de
modo que todos fiquem satisfeitos.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é CONTROLADORA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela me disse para fazer algo, mas não me perguntou se eu estava disposto e disponível;
● Ela disse que não quer mais ver eu falando com minha colega e que se me ver falando de
novo, não irá mais falar comigo;
● Ela disse que a dor dela era mais importante do que a minhas outras atividades e que eu
deveria priorizar ela. E disse que se eu a amasse faria o que ela pediu.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Sei meus limites? Sei o que me permito fazer em relação aos outros e o que permito que
os outros façam em relação a mim? Como fui ensinado a cuidar desses limites? Conheço
os limites do outro? O que pode ser feito para sabermos os limites uns dos outros?
● No que eu não gostaria de fracassar? Que custo isso teria para mim? Eu conseguiria me
reestruturar se eu fracassasse? Alguém me daria suporte? Estou disposto a me expor a
quais riscos? Alguém me ensinou a gerenciar meus sentimentos quando estou sob riscos?
Tive pessoas que me deram exemplos de calma nessas situações? Como são essas coisas
para o outro?
● Eu estou consciente de que posso escolher atender ou não o seu pedido? Estou disposto a
me manter em harmonia com a minha ética apesar de não agradar o outro? Se o outro me

45
culpar por eu não fazer o que ele deseja, estou disposto a respeitar sua forma de pedir por
favor, sem culpá-lo por não ter seu acolhimento?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é CONTROLADORA:

● Você está com medo de que as coisas não saiam como você planejou? Que tal se
sentarmos para pensar em um ou dois planos alternativos para termos mais
possibilidades?
● Sei que esse trabalho é importante para você e estou confiante que podemos atingir o
resultado que você deseja trabalhando desta maneira. Como posso te ajudar a sentir-se
segura em testar essa estratégia?
● Eu não vou poder te ajudar nessa tarefa hoje pois tenho outro compromisso. Mas posso te
ajudar a encontrar alguém disponível. O que você acha?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando estamos muito sensíveis às necessidades de previsibilidade e segurança, desviar
dos nossos planos para atender a necessidade dos outros, tentando outras estratégias, por
exemplo, pode parecer assustador ou arriscado e às vezes não iremos querer mudar nossos
planos. Como consequência, a outra pessoa pode ficar incomodada por considerar que suas
opiniões e propostas não são levadas em consideração.
O autocontrole, quando representa uma firmeza de caráter e uma determinação em ser
responsável, é algo muito importante, porém, se nosso controle é projetado para a liberdade do
outro, na forma de chantagem, manipulação ou ameaças e punições, ele não é sustentável,
mesmo que a nossa intenção seja positiva, pois impede que o outro desenvolva sua autonomia,
sua responsabilidade e sua consciência de escolhas alinhadas a uma moral autônoma, pensando
no que faz sentido para si. Tentar impor ao outro algo pode ser uma opção apenas quando se
quer usar a força para prevenir danos graves à vida, mas essa é uma conduta exceção e poderá
trazer prejuízos à relação.
Somos criados numa sociedade que não nos estimula a acolher as falhas, pelo contrário,
aprendemos a buscar os culpados pelas falhas e puni-los, seja outra pessoa ou nós mesmos.
Desse modo podemos nos sentir pressionados a conseguir sempre o que foi estipulado, atingir
metas e conquistar objetivos. As falhas e frustrações parecem mais pesadas quando
percebemos as coisas dessa maneira.
Podemos começar conosco, com nossas atitudes em relação a nós mesmos e aos outros, uma
cultura mais acolhedora, que valorize mais as tentativas além dos resultados, que valorize mais
as experiências do percurso do que o final do trajeto e que veja as falhas como parte do processo
de aprendizado. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Perfeccionista (p.107) Utópico (p.135) Submissa (p.125)

46
Desgraçado

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Abominável; Asquerosa; Desgraçada; Abominável; Asqueroso; Desgraçado;


Detestável; Indigna; Infame; Insuportável; Detestável; Indigno; Infame; Insuportável;
Odiosa; Repreensível; Repugnante; Odioso; Repreensível; Repugnante;
Repulsiva; Tóxica; Verme. Repulsivo; Tóxico; Verme

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de DESGRAÇADO, podemos no fundo desejar que a pessoa
tenha atitudes mais solidárias. Outras vezes, podemos querer que a pessoa sinta mais
compaixão e empatia por todas as pessoas e todos os seres. Ou ainda, podemos estar
expressando a nossa desesperança de que essa pessoa terá respeito por nós.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é DESGRAÇADO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele é o maior representante do partido político com o qual eu não simpatizo;


● Ele disse que mulheres devem ganhar menos que homens, pois elas ficam grávidas;
● Ele disse que é favorável à tortura e à pena de morte.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● O que me motiva a valorizar a vida? Como minha consciência sobre o valor da vida foi
despertada? Alguém me exemplificou o amor? Alguém que eu admirava teve compaixão
pelas pessoas? Alguém me rejeitou? Alguém que eu admirava tratava as pessoas com
violência? Como são essas coisas para o outro?
● Conheço pessoas que não valorizam as demais e parecem mais beneficiadas do que as
pessoas amorosas? Será que elas são mais felizes? Quem me ensinou o que preciso fazer
para ter felicidade? Conheço alguém que foi ensinado que para ser feliz precisa ser superior
aos outros? Que efeitos eu acho que isso teria na vida de alguém?
● Ele foi educado através de punição? Ele conhece outras formas de estimular as pessoas a
ajudá-lo? Ele tem esperança de que podemos promover uma sociedade na qual as pessoas
contribuam umas com as outras pelo simples prazer em contribuir?

47
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é DESGRAÇADO:

● Tem algumas ideias defendidas por seu partido político que me assustam. Fico inseguro
se, estando no poder, esse partido vai cuidar das necessidades de todos, especialmente
das pessoas que se encontram em situação de mais vulnerabilidade. Você pode me
confirmar o que me ouviu dizer?
● Eu imagino que tivemos uma educação diferente. No meu caso, fui criado por uma mãe
solteira. E, apesar das várias dificuldades que enfrentamos, aprendi a valorizar o trabalho
dela, pois foi o que me permitiu ter um suporte para estudar, entrar na faculdade com bolsa
e me formar em engenharia. Como foi a participação da sua mãe e demais mulheres da
sua família no seu crescimento?
● Quando você diz que é favorável a pena de morte, entendo que você quer evitar mais crimes
e violência no nosso país, o que é importante para mim também, porém, há pesquisas e
relatos de sucesso na ressocialização de egressos do sistema prisional que me dão
confiança de que podemos cuidar da nossa segurança sem precisarmos recorrer a algo
extremo como a pena de morte. Eu gostaria de te mostrar, pode ser?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando encontramos alguém cujas ações ferem nossos valores mais humanitários de ética,
igualdade, respeito aos direitos humanos e dos demais seres vivos, podemos esquecer que
estamos diante de um ser humano, pois perdemos a esperança de que a outra pessoa seja digna
de conviver com aqueles que amamos e são prejudicados por suas atitudes.
Cada ser tem uma experiência de vida única e, se alguém tem dificuldade de respeitar um
determinado grupo de pessoas, isso reflete a ausência de uma educação humanizante. O termo
educação aqui não está sendo usado no sentido de escolarização. A educação que humaniza,
que estimula o desenvolvimento da ética, é aquela que acontece no cotidiano, nos nossos
diálogos, nas nossas referências de heróis, naquilo que nos apresentam como meio de cultivar
a felicidade. Infelizmente, nem todas as pessoas tiveram a oportunidade de viver em condições
de local, família, amizades e cultura que sensibilizem sua consciência.
Quando vemos nossos representantes exercendo funções de poder de uma forma que fere
gravemente nosso senso de ética, podemos ficar perplexos e julgá-los como repugnantes e
desumanos, mas se olharmos com mais profundidade veremos que eles apenas refletem uma
forma de pensar, comunicar e agir coletiva: preconceitos arraigados à nossa cultura atual,
herdados da cultura secular de dominação. O poder que é dado a esses representantes, não
alinhados aos princípios de não violência, evidenciam a insustentabilidade paradigmática da
nossa forma de pensar e nos conscientiza da urgência de nos renovarmos a nós próprios para
darmos o exemplo daquilo que queremos ver no mundo. Que possamos compreender e valorizar
tais pessoas, acolhendo o nosso fracasso coletivo em criarmos uma cultura de Paz.

Veja Também

Horrível (p.72) Mau (p.88) Queridinha da Mamãe (p.113)

48
Desorganizada

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Atrapalhada; Baderneira; Bagunceira; Caótica; Atrapalhado; Baderneiro; Bagunceiro; Caótico;


Desarrumada; Desordenada; Desorganizada; Desarrumado; Desordenado; Desorganizado;
Desorientada; Destrambelhada; Esculhambada; Desorientado; Destrambelhado; Esculhambado;
Indisciplinada; Lambona; Nojenta; Porca; Indisciplinado; Lambão; Nojento; Porco;
Relaxada. Relaxado.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de DESORGANIZADA, podemos no fundo estar desejando que
a pessoa mantenha as coisas em lugares combinados. Outras vezes, podemos querer que a
pessoa anote os compromissos que assumiu conosco ou com outras pessoas, para não se
esquecer. Ou ainda, podemos estar desejando que a pessoa tenha uma vida mais fácil,
aproveitando melhor seu tempo.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é DESORGANIZADA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela deixou a roupa que usou em cima da cama e seus cadernos pelo chão;
● Ela pegou minha caneta e, quando pedi de volta, disse que não sabe onde colocou;
● Ela está trabalhando em um projeto para a semana que vem, mas não começou o relatório
que precisa entregar amanhã.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar

● Está claro para esta pessoa como a organização poderia trazer mais praticidade ao seu dia
a dia? Quanto tempo essa pessoa levaria para desenvolver esses hábitos? Como isso
afetaria as demais atividades dela? Quais as atuais prioridades dela? É viável para ela, no
seu contexto atual, desenvolver mais a organização? Como posso ajudá-la?
● Me sinto bem com minha forma de organização? Tenho prazer em organizar minhas
coisas? É cansativo para mim, mas escolho fazer mesmo assim, pois me ajuda? Quais
experiências a outra pessoa já teve com organização? Ela está satisfeita com sua forma
ou não? Ela tem prazer em se organizar ou não? Como posso apoiar sua motivação?

49
● Existem formas de se organizar diferente da minha? O que eu uso para determinar qual a
melhor forma? Os critérios que eu uso para me organizar são os que atendem melhor
minhas necessidades? Será que servem para o outro? Será que o outro pensa diferente?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é DESORGANIZADA:

● Que tal se eu te ajudasse a organizar suas coisas e a definir estratégias para você manter
a organização? Para mim, isso traz mais praticidade. Por isso, confio que poderá te ajudar
também. Vamos ver se funciona para você?
● Eu percebo que você tem muitas coisas para resolver e acredito que definir prioridades e
estratégias para organizar suas atividades pode te ajudar a aproveitar melhor seu tempo.
Você estaria disposta a tirar uma hora para conversarmos sobre isso?
● O que deixaria a organização mais prazerosa para você? Ouvir música enquanto arruma o
quarto? Ter uma agenda personalizada, com um tema que você goste? Dividir a
organização em etapas e celebrar ao concluir cada uma delas? Ou você tem outras
preferências?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Uma pessoa que não se organiza pode ver o ato de organizar como perda de tempo. É
possível, ainda, que as formas de organização que ela conhece lhe pareçam demoradas e
tediosas. Talvez ela ouça os pedidos de organização como ordens, nesse caso, ignorá-los pode
ser uma estratégia para preservar sua necessidade de autonomia.

A organização pode, também, não ser uma escolha vantajosa quando estamos em situações
onde o tempo é um fator crítico. Seja por um trabalho que precisamos entregar, seja para cuidar
de alguém doente, seja porque o nosso trabalho consome nossas energias e é o meio que
encontramos para sobrevivermos ou simplesmente porque preferimos as coisas à mão,
espalhadas pela casa ou pelo escritório e isso não nos prejudica. É claro que se as pessoas que
convivem em um mesmo ambiente têm funcionamentos diferentes, elas precisarão fazer
acordos de forma a cuidar do bem-estar de todos. Mas, não precisamos condenar ou culpar
aqueles que têm preferências de organização diferente das nossas.

Em nossa sociedade ainda é muito presente uma educação autoritária, na qual não nos é
explicada a importância de aprender certas informações e desenvolver determinados hábitos e
habilidades. Esse tipo de educação também não nos oferece oportunidades de desenvolvermos
formas diferentes de fazer o que nos foi proposto, além disso, a urgência para sobreviver a um
ambiente de escassez e com constantes competições pode tornar a vida de alguém uma intensa
luta para viver. Nesse contexto, a organização fica naturalmente em segundo plano. Se
compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Preguiçoso (p.109) Queridinha da Mamãe (p.113) Rígido (p.119)

50
Distraído

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Absorto; Aéreo; Avoado; Barata Tonta; Absorta; Aérea; Avoada; Barata Tonta;
Confuso; Desatento; Desfocado; Desligado; Confusa; Desatenta; Desfocada; Desligada;
Difuso; Disperso; Distraído; Nas Nuvens; Difusa; Dispersa; Distraída; Nas Nuvens;
Perdido; Sem-atenção; Tonto. Perdida; Sem-atenção; Tonta.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de DISTRAÍDO, podemos no fundo desejar que a pessoa nos dê
mais atenção quando lhe dizemos ou mostramos alguma coisa. Outras vezes, podemos querer
que a pessoa dedique mais foco ao que ela faz, por questões de segurança ou desempenho. Ou
ainda, podemos querer evitar que ele sofra algum acidente ou perca oportunidades importantes
por não conseguir processar as informações que recebe.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é DISTRAÍDO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele me perguntou três vezes o que eu vou fazer para o almoço de domingo;
● Ele caiu em um buraco e tropeçou em um cachorro enquanto andava na rua checando o
celular;
● Quando eu estava falando sobre um assunto de trabalho, ele começou a falar sobre um
vídeo que ele assistiu, sem responder ao que eu estava perguntando.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Essa pessoa está tentando se lembrar ou dar conta de muitas coisas?


● Tem algo em especial a preocupando? Ela está empolgada com alguma coisa?
● Qual o interesse dela no assunto que eu estava falando?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é DISTRAÍDO:

51
● Percebo que você está preocupado com as coisas que precisa fazer depois. Gostaria que
você experimentasse anotar essas coisas para ter mais segurança de que não vai esquecer;
● Me parece que os vídeos que você assiste te estimulam muitas reflexões. Que tal você
separar um momento no seu dia para refletir sobre eles e anotar o que lhe parecer mais
interessante. A gente também pode reservar um momento para conversar sobre essas
reflexões, mas agora eu gostaria de conversar com você sobre o trabalho que estamos
desenvolvendo. Você está disponível para me ouvir?
● Eu me preocupo com sua segurança, por isso gostaria de propor que, ao fazer algo que
ofereça algum risco, como andar na rua, mexer com fogo ou objetos cortantes, você evite
dividir sua atenção com músicas, mensagens ou alguma outra distração. O que você acha?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Uma pessoa tida como distraída pode estar negligenciando sua necessidade de descanso,
ou mesmo confundindo descanso com diversão, não reservando um tempo livre para elaborar
seu dia, as coisas que viu, que ouviu, que aprendeu, desse modo, ela repassa essas informações
enquanto faz outras atividades, dividindo sua atenção.

Nesse caso, ela pode estar tentando ser produtiva, buscando atender a duas ou mais
necessidades ao mesmo tempo e fazer o máximo de atividades que conseguir no seu dia. Outra
possibilidade é que a distração traga um certo conforto, quando ajuda a pessoa a se desconecta
de um assunto que lhe parece muito difícil ou chato.

Atualmente vivemos em um contexto no qual a produtividade é muito valorizada, as pessoas que


produzem mais são consideradas mais realizadas ou bem-sucedidas. Ao mesmo tempo, a era
digital nos proporcionou um rápido crescimento no volume de informações e diversões
disponíveis. Com isso, muitos de nós podem ter dificuldade em definir prioridades e limites, ficar
sobrecarregados mentalmente e com dificuldade em manter o foco ao executar alguma
atividade. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Desorganizado (p.49) Preguiçoso (p.109) Teimoso (p.129)

52
Egoísta

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Calculista; Egoísta; Individualista; Calculista; Egoísta; Individualista;


Interesseira; Oportunista; Utilitarista. Interesseiro; Oportunista; Utilitarista.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de EGOÍSTA, podemos no fundo desejar que, ao fazer
escolhas, o outro leve em consideração também as nossas necessidades, além das suas.
Outras vezes, podemos querer que a pessoa tenha mais interesse em saber como estão as
outras pessoas e esteja disposta a oferecer algum tipo de apoio a mim ou outra pessoa,
quando necessário. Ou ainda, podemos desejar contribuir para que essa pessoa atenda de
forma mais eficiente sua necessidade de contribuir com o bem-estar dos demais.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é EGOÍSTA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:
● Ela não ajudou a fazer a comida nem a lavar a louça e quando pedi que ela fosse ao
mercado, ela disse que estava ocupada e não poderia ir;
● Na Páscoa, ela trancou-se sozinha no quarto e comeu os chocolates que ganhou, sem
oferecer às suas irmãs;
● Ela me ligou para conversar e falou por uma hora enquanto eu ouvia. Quando eu fui contar
um pouco sobre como eu estava me sentindo, ela disse que precisava desligar e desligou,
sem me perguntar se eu concordava ou não com aquela decisão.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:
● Reconheço a importância do autocuidado? Qual a diferença, para mim, entre o egoísmo e
o autocuidado? Quais critérios eu uso para saber essa diferença? Quando peço a
contribuição dos outros, levo em consideração suas necessidades? Eu demostro respeito
às necessidades do outro, independentemente de ele contribuir comigo?
● Recebi suporte de alguém quando precisei? Reconheço a importância desse suporte?
Recebi algum “não” quando esperava um “sim”? Aprendi algo com isso? Como foram as
experiências do outro em relação a isso?
● Alguém já demonstrou gratidão às minhas contribuições? Já senti gratidão por ajudar
alguém? Por que acho que senti gratidão? Como são essas coisas para a outra pessoa?
● Essa pessoa está segura de que os outros se importam com as necessidades dela?

53
● Ela está ciente de sua corresponsabilidade com o grupo ou a comunidade? Ela sabe que os
outros precisam de suporte? Ela se percebe capaz de contribuir?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas
ações, há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser
feitas, quando consideramos que alguém é EGOÍSTA:
● Quais necessidades prioritárias suas você considera que precisa estar atendida para você
ter motivação de contribuir com os outros? O que você precisa que as pessoas te ofereçam
de suporte, para que você se considere apto a colaborar com elas?
● Quais atividades você gosta de realizar e poderia fazer em prol do nosso grupo? Quais você
gostaria de aprender? Quais você só faria, em último caso?
● Você fala inglês diariamente com seus amigos! Sua prima está tendo dificuldade em
conversação. Isso tem a deixado bastante desanimada. Você não poderia praticar um
pouco com ela? Acho que ela ficaria bem contente em ter seu suporte!
● Estou me sentindo cansado e irritado pois estou precisando relaxar um pouco, mas não
estou conseguindo reservar tempo para ter alguma atividade de lazer. Eu gostaria que você
me apoiasse mais nas tarefas de casa. Você pode lavar a louça ou varrer a casa para me
ajudar? Caso você não possa, vou chamar minha prima que está trabalhando com faxina e
você pode me ajudar pagando metade do valor que ela pedir. O que acha?
● A gente tinha combinado de ver um filme essa noite e você marcou um jantar com sua
amiga sem falar comigo. Eu gostaria de ter confiança de que as minhas necessidades são
importantes para você. Quero saber como acha que me sinto e se na próxima oportunidade,
você poderia falar comigo antes de decidir cancelar nosso encontro?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


O egoísmo é considerado por muitos como uma das maiores chagas humanas. Mas, não
costumamos pensar sobre como nossa conduta em relação às pessoas favorece para que o
outro não leve em consideração as necessidades dos demais. O egoísmo, assim como qualquer
outro rótulo que estamos estudando, não é estimulado por um fator isolado.
A ausência de uma educação humanizante é um fator que favorece o egoísmo. Quando as
pessoas não refletem sobre as necessidades humanas, em especial aquelas relacionadas ao
convívio, como amor, respeito, ética, igualdade, equidade, contribuição e outras mais. Quando
nossa educação não nos instiga a pensar em nosso propósito, quando não falamos sobre
sentimentos e vontades, quando não compartilhamos nossas experiências com as pessoas com
quem convivemos, quando não apoiamos a liberdade e a responsabilidade das pessoas. Enfim,
todas essas faltas podem impedir que reconheçamos que somos seres sociais que, embora
individuais em identidade, dependem uns dos outros para existir.
Um outro fator social que fortalece o egoísmo é a cultura de débitos, onde favores só são
concedidos por meio de trocas. Nossa economia favorece o egoísmo, quando estipula que se
alguém contribui comigo, eu fico em dívida com essa pessoa. Essa forma de pensar anula a
gratidão e condiciona as pessoas a agir tendo como objetivo ganhar algo em troca, em vez de
nutrir sua própria necessidade de contribuir com os demais.
Nossa cultura fortalece o egoísmo quando privilegia quem tem mais recursos ou mais
habilidades do que os demais. Numa cultura orientada ao cuidado mútuo, aquele que tem mais
poder se sentiria motivado a usar seus recursos em favor do próximo. Entretanto, nossa cultura
nos ensina que precisamos ser melhores para sermos valorizados, a custo de sermos
54
descartados quando não somos perfeitos. Por exemplo, há programas de televisão que mostram
crianças competindo para ver quem canta melhor e aquelas que não são perfeitas são
eliminadas. Isso nos mostra como tratamos aqueles que sabem menos e como os que sabem
mais usam seu poder para definir quem merece ou não pertencer ao grupo.
Nossa cultura também nos ensina um tipo de justiça em que aqueles que são imperfeitos e se
afastam de sua humanidade são castigados e excluídos. Aprendemos, desde cedo com filmes,
séries, novelas e desenhos animados a saborear o sofrimento das pessoas que nos ameaçam e
que heróis devem fazer justiça com as próprias mãos. Nesse mesmo raciocínio, nosso sistema
penal é mais focado em vingar-se do que promover reconciliação entre as partes envolvidas em
um crime. Temos a falsa crença de que simplesmente colocar alguém na prisão irá educá-lo,
mas isso o afasta ainda mais de sua humanidade.
Esse modelo de justiça vingativa é cultivado desde nossa infância, quando nossos pais não
toleram nossas desobediências e, em vez de explicitar sua necessidade de maior cuidado com
suas necessidades, tentam nos fazer obediente sob a pressão do medo de apanhar, de ficar de
castigo, com chantagens emocionais ou mesmo, tentando garantir nossa obediência com
recompensas. Eles esquecem de demonstrar sua humanidade e, por exemplo, em vez de dizer
“quero que você me ajude a cuidar da casa”, eles dizem “você não ajuda em nada” ou em vez de
dizer “neste mês eu preciso economizar”, eles dizem “você pede de mais”.
Não achamos que fazer todas as vontades dos filhos e abrir mão de si próprio dará um exemplo
eficiente de generosidade e altruísmo, em vez disso, o exemplo dado é que os demais devem se
submeter à vontade do filho e, quando o filho não tiver suas vontades atendidas, irá revoltar-se
porque está tão acostumado a ser colocado em primeiro lugar que não irá tolerar ter sua
necessidade não priorizada.
Se por um lado, a falta de suporte (material ou afetivo) na vida de uma pessoa pode ser um
estímulo ao egoísmo, por outro, a falta de limites em relação a fazer as vontades de alguém
também é um fator que contribui ao egoísmo, pois, se na ausência de suporte a pessoa pode
achar que ninguém se importa com ela e, logo, não merecem ajuda; na ausência de limites ela
pode achar que é mais importante que os demais e que sempre terá tudo que quer.
Alguém acostumado a ter suas vontades atendidas pode inclusive considerar que quem não
prioriza suas preferências é egoísta e usar esse rótulo na tentativa de controlar o outro por culpa,
sem perceber que está negando a liberdade da outra pessoa de querer ou não ajudar.
Se queremos que as pessoas se importem mais umas com as outras, precisamos semear a
empatia. Não nos referimos à empatia de simplesmente saber identificar o que o outro sente ou
pensa, mas no sentido da conexão humana, onde somos conscientes da nossa responsabilidade
em relação ao bem-estar dos demais e do prazer que temos quando cuidamos melhor uns dos
outros. Não queremos ser complacentes ante o egoísmo, mas precisamos questionar se
estamos fertilizando o solo das nossas conexões com valorização e compreensão para que a
empatia nasça e floresça em altruísmo sincero.

Veja Também

Pão-duro (p.105) Olho-grande (p.100) Quebra-galho (p.111)

55
Errado

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Equivocada; Errada; Errônea; Imprudente; Equivocado; Errado; Errôneo; Imprudente;


Incoerente; Incorreta; Insensata; Torta. Incoerente; Incorreto; Insensato; Torto.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de ERRADO, podemos no fundo desejar que a pessoa aja do
modo que consideramos correto. Outras vezes, podemos querer que a pessoa compreenda os
motivos que estão por trás das nossas opiniões. Podemos, ainda, desejar contribuir para que ela
tenha conhecimentos que consideramos importantes para que ela tome decisões tendo em vista
o seu bem-estar e dos demais.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é ERRADO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele disse que a terra era plana;


● Ele guardou as meias na gaveta onde eu guardo as cuecas;
● Ele jogou a embalagem de plástico no lixo que estava escrito “orgânico”;
● Ele estava dirigindo do lado esquerdo da faixa e eu pedi que ele mudasse o lado.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Como foi a educação dessa pessoa? Ela recebeu as mesmas informações que eu? Ele foi
estimulado a perguntar, trocar ideias ou mesmo pesquisar para esclarecer dúvidas ou
expandir seu aprendizado?
● Qual é a experiência dele com regras? Ele aprendeu a ouvi-las como imposições? Ou ele
teve oportunidade de questionar e entender do que as regras procuram cuidar?
● O que ele aprendeu sobre falhas ou enganos? Foi ensinado a ele que as pessoas que
acertam ganham recompensas e as que erram são punidas?
● Reconheço que nem todas as pessoas pensam igual a mim? Reconheço que embora todos
tenhamos as mesmas necessidades, há infinitas estratégias para atendê-las? Reconheço
que algo que funciona bem para mim pode não funcionar para o outro? Reconheço que
para que o outro aceite meu ponto de vista eu preciso dialogar com a experiência e o
paradigma dele e isso precisa fazer sentido para ele? Reconheço que cada pessoa tem
experiências de vida únicas e não entenderei completamente o outro?
56
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é ERRADO:

● Você estacionou na vaga de número 9, mas seu ticket é o de número 6. Talvez, você tenha
visto de cabeça para baixo e achou que era a sua vaga. Mas, se você olhar as duas vagas
ao lado verá que uma é a de número 8 e a outra é a de número 10. Você pode mover seu
carro para a vaga 6?
● Você está mastigando com a boca aberta. Eu estou ficando um pouco enjoado e perdendo
o apetite, pois não estou acostumado a ver a comida sendo mastigada assim, enquanto eu
como. Gostaria que você fechasse a boca, mas talvez, na sua família isso seja comum ou
talvez você tenha dificuldade de respirar com o nariz. Não sei, mas estou disposto a saber
como é para você isso. Quer me falar?
● Percebi que você colocou na sua prova que 4 + 9 = 15. Eu esperava um resultado diferente.
Você pode me dizer o que raciocínio você usou para chegar a esse resultado?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Às vezes, fazer as coisas diferente dos demais pode ter como consequência algum acidente.
Por exemplo, no trânsito, se alguém decidir andar de carro no lado oposto ao convencional, cruzar
um semáforo quando ele está vermelho ou estacionar em frente a uma garagem as
consequências desse comportamento podem ser acidentes e até a morte, então, para vivermos
em comunidade, precisamos de regras de comportamento, de modo que essas regras
representam acordos que cuidam da vida.
Por outro lado, há regras, acordos e convenções humanas que nem sempre são as melhores para
cuidarmos da vida, e aquele que não se enquadra nos padrões pode estar sendo imoral, mas
paradoxalmente mais ético que as demais pessoas. Por exemplo, na época do Nazismo a lei era
o extermínio dos Judeus e essa lei serviu de justificativa para o genocídio. A lei não era ética. Se
uma criança cai nos trilhos do metrô, um adulto pode pular nos trilhos para socorrer a criança e
tirá-la antes que o trem se aproxime, embora pular nos trilhos seja um comportamento proibido,
ele age com ética. Se um restaurante começa a pegar fogo e você não pagou a conta, é mais
ético sair dele sem pagar, preservando a sua vida.
Queremos corrigir comportamentos que ferem a vida, mas precisamos de uma educação que
não estigmatize nossas falhas. Precisamos aprender a discordar sem desrespeitar. Se possível,
precisamos nos dispor a compreender, antes de tentar corrigir. Precisamos ser capazes de
valorizar o imperfeito e entender que valorização é diferente de conformação. Também
precisamos de regras para convivência, mas elas precisam ser norteadas pelo cuidado à vida,
com apoio ao desenvolvimento da liberdade pessoal com responsabilidade. Se
compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Anormal (p.29) Ultrapassada (p.133) Perfeccionista (p.107)

57
Exagerado

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Chamativa; Desmedida; Espalhafatosa; Chamativo; Desmedido; Espalhafatoso;


Exagerada; Excessiva; Extravagante; Exagerado; Excessivo; Extravagante;
Indiscreta; Ridícula; Sem-limites. Indiscreto; Ridículo; Sem-limites.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de EXAGERADO, podemos no fundo querer que a pessoa evite
o desperdício de recursos evitando adquirir mais coisas do que vai usar ou consumir. Outras
vezes, podemos querer que a pessoa consiga se manter mais serena em situações adversas. Ou
ainda, podemos desejar que a pessoa se expresse com mais objetividade, evitando aumentar as
informações para ser mais compreendida pelos demais.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é EXAGERADO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele comprou 3 tubos de protetor solar antes de ir passar o final de semana na praia;
● Ele me ligou dez vezes em 3 minutos, quando eu não estava olhando o celular;
● Ele faz gestos abrindo os braços e fala com as pessoas num volume de voz que eu evito,
quando estou em local público, pois temo que pode perturbá-las.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Já passei por algum tipo de privação? Já me senti inseguro com a possibilidade de que
essa privação se repetisse? Como isso me afetou? Já desejei muito ter algo, mas não tinha
condições? Consegui obter depois? Em proporção às demais pessoas eu usufruo disso
mais ou menos que elas? Será que elas me achariam exagerado?
● Que importância eu dou para os acontecimentos que estimulam nele reações que eu
considero exageradas? Que importância esses acontecimentos têm para ele? Quais
experiências ele teve sobre esse contexto? Quais eu tive? Como as pessoas do meu círculo
social reagem em situações semelhantes? Como as pessoas do círculo social dele
reagem? Ele está sendo exagerado ou está agindo proporcionalmente à sua cultura?
● Quais características eu uso para complementar a minha expressão? Consigo variar a
entonação, o volume e a velocidade da voz ao longo da fala? Faço pausas? Consigo
articular mais ou menos a fala para dar diferentes sentidos? Expresso minhas emoções?
Trabalho a musculatura facial? Mudo a postura? Movimento minhas mãos? Considero que
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essa minha expressão é harmoniosa e agradável? Sempre? Reconheço que cada pessoa
terá suas próprias características mais ou menos acentuadas que as minhas?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é EXAGERADO:

● Antes de fazer as compras, posso fazer um planejamento do que iremos usar na viagem e
te mostrar para que possamos economizar e comprar apenas o que iremos utilizar?
● Você disse que agora todo mundo está estudando CNV. Fiquei curioso sobre o motivo para
você dizer isso. Pode me dizer quais pessoas você soube que estão estudando?
● Estou com dificuldade de conciliar meu trabalho com atender você. Então, para que eu
consiga seguir te ajudando, quero propor que você anote suas dúvidas e tente fazer as
coisas da forma como conseguir. Quando chegar lá pela metade do expediente, você me
liga com sua lista de dúvidas e a gente fala uma única vez. Pode ser?
● Acredito que temos formas diferentes de expressar nossas emoções durante a fala. E, por
isso, posso estar tendo dificuldade de saber com mais exatidão qual o significado de certas
expressões que você faz e o quanto certos assuntos são mais ou menos sensíveis para
você. Vamos falar sobre isso para nos entendermos melhor?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Usar mais recursos do que o necessário, falar mais alto ou por mais tempo do que as
pessoas gostariam de ouvir ou se comportar de um modo que outras pessoas consideram
dramático demais são potenciais estímulos para conflitos pessoais e nas relações. Outro fator
que pode gerar conflitos é o uso de algumas figuras de linguagem para dar mais ênfase a uma
visão, pois pode ser tomado como uma tentativa de "forçar a barra” sobre uma determinada
opinião e ter como consequência uma maior resistência das pessoas em nos escutar.

Por outro lado, uma pessoa que tem disciplina, se esforça para manter certa organização e fazer
um trabalho levando em consideração cada detalhe pode ser considerada exagerada. O mesmo
vale para uma pessoa que tem hábitos de prevenção e, nesse contexto, muitas vezes chamamos
de exagero um esforço evidenciado pelo outro que não queremos ter.

O exagero do consumo ainda é incentivado pela nossa cultura e sustenta nossa economia, por
mais insustentável que isso seja. A cultura do “cada um por si” também nos diz que ter mais e
ser mais visto é sinônimo de ser importante. Esses elementos podem servir de estímulo para
alguém buscar ter mais do que os outros. Além disso, a nossa cultura também estipula um
padrão de comportamento e podemos ficar apegados a um conceito de normal que pode não
contemplar toda a diversidade de microculturas que existem. Se compreendermos as pessoas,
podemos valorizá-las.

Veja Também

Inquieto (p.76) Apressado (p.33) Tímida (p.131)

59
Faz-tudo

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Faz-tudo; Mulher-banda; Mulher-orquestra; Faz-tudo; Homem-banda; Homem-orquestra;


Multitarefas; Pau pra Toda Obra. Multitarefas; Pau pra Toda Obra.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de FAZ-TUDO, podemos desejar, no fundo, que a pessoa se
dedique a menos tarefas para ter mais cuidado com alguma atividade específica. Outras vezes,
podemos querer que a pessoa esteja mais tranquila para poder se dedicar a uma tarefa sem se
preocupar com as demais. Ou ainda, podemos estar identificando em seu comportamento sinais
de cansaço e estresse.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é FAZ-TUDO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela é mãe solteira e trabalha em dois empregos;


● Na empresa, ela participa de reuniões de planejamento, edita imagens e vídeos, faz
postagens nas mídias sociais e ainda responde os e-mails e comentários do público;
● De segunda a sexta ela vai na academia, faz estágio, estuda na faculdade, cuida da avó
doente, leva o cachorro para passear e ainda arruma tempo, nos finais de semana, para
fazer trabalho voluntário, estudar para as provas e passear com o namorado.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Eu tenho pessoas que me dão suporte para desenvolver minhas atividades? E ela, tem
alguém que possa apoiá-la de alguma forma? Como é para ela pedir ou receber ajuda?
● O que ela deseja alcançar com todas essas atividades? Quais são as necessidades que ela
está tentando atender?
● Qual a visão que ela tem de uma pessoa responsável ou uma pessoa de sucesso? Essa
visão envolve a realização de muitas coisas?
● Do que essa pessoa precisaria abrir mão para ter uma vida mais equilibrada? Como isso
afetaria sua vida? O que eu posso fazer para lhe dar suporte nessa fase de vida? Quem eu
posso contatar para me ajudar nesse suporte?

60
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é FAZ-TUDO:

● Posso assumir algumas de suas atividades para você descansar um pouco?


● Vamos listar suas atividades e definir quais são mais importantes para você nesse
momento e quais você pode deixar em uma fila de espera ou até mesmo abandonar?
● Vamos fazer uma lista com todas as atividades que você está desempenhando na empresa
para você apresentar na próxima reunião? Estou confiante de que é possível delegar
algumas delas a outra pessoa.
● Vamos fazer um grupo de WhatsApp com familiares e amigos para te ajudar a dar conta
das suas demandas atuais até você ter condições de achar um novo emprego, já que no
atual você não está conseguindo conciliar sua saúde com suas atribuições familiares e
carga horária de cuidado.

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Uma pessoa que assume muitas responsabilidades pode se considerar útil e importante
para as outras pessoas. Ser faz-tudo também pode lhe trazer alguma segurança financeira, mas
quando necessidades como diversão e descanso são negligenciadas, a pessoa multitarefa pode
sentir-se mais irritadiça e ansiosa. O estresse decorrente desse estado pode prejudicar sua
memória e, até mesmo, a qualidade das atividades que realiza.

Vivemos em uma cultura que valoriza muito a produtividade, na qual somos estimulados a
sempre realizar mais, conquistar mais uma meta e correr em busca do próximo objetivo. Além
disso, a desigualdade social agrava o senso de urgência para sobreviver e a diferença de
privilégios de uma pessoa que nasce em família abastada e a pessoa que nasce em família de
baixa renda traz como consequência maiores dificuldades para alguns.

Se desejamos evitar as consequências da exaustão que alguém seja faz-tudo, precisamos


cultivar uma cultura de colaboração e trabalho em equipe, mas não se trata da cooperação
empresarial, onde as pessoas se unem no intuito de competir para fazer sua empresa lucrar
mais. O lucro que precisamos visar é o bem-estar coletivo, a saúde e a sustentabilidade. A equipe
é a família, os amigos, a vizinhança. A meta dessa empresa, que é a comunidade, é garantir que
todos tenham suas necessidades básicas atendidas. É dessa equipe que estamos falando. Essa
equipe da qual todos fazemos parte e somos corresponsáveis, apesar de fingirmos não ser. Se
compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Quebra-galho (p.111) Capacho (p.43) Preguiçoso (p.109)

61
Fofoqueira

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Atiçadora; Cobra; Fofoqueira; Jararaca; Atiçador; Cobra; Fofoqueiro; Jararaca; Leva-


Leva-e-traz; Língua de Cobra; Linguaruda; e-traz; Língua de Cobra; Linguarudo;
Maledicente; Mexeriqueira; Peçonhenta; Maledicente; Mexeriqueiro; Peçonhento;
Ponta-firme; Venenosa; Víbora; Zé-povinho. Ponta-firme; Venenoso; Víbora; Zé-povinho.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de FOFOQUEIRA, no fundo podemos desejar que a pessoa não
comente com outras pessoas o que ela sabe sobre nós. Outras vezes, podemos querer que a
pessoa diferencie fatos de opinião ao contar uma história para nós ou outras pessoas. Ou ainda,
podemos querer evitar que ela propague uma ideia que não condiz com a realidade e isso resulte
em algum prejuízo para ela e para os demais.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é FOFOQUEIRA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Faltei dois dias à aula e ela falou para nossa mãe que eu tinha desistido da escola;
● Eu disse que em geral os homens são mais fortes fisicamente que as mulheres. Então, ela
disse para as amigas dela que eu sou machista e que acho as mulheres fracas;
● Encontrei ela na fila do mercado e perguntou se eu ouvi a briga entre os vizinhos que
aconteceu de madrugada. Eu disse que não e ela começou a contar.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Quais necessidades essa pessoa está tentando atender quando me fala de outros? Será
que ela quer apenas se conectar comigo? Ou gostaria que eu estivesse mais conectado
com essa outra pessoa, por isso me atualiza sobre a vida dela? Ela está preocupada com
a outra pessoa? Ou chateada com o que ela fez ou disse?
● Em sua educação, ela foi estimulada a separar fatos de opiniões? Em seu círculo social, é
comum as pessoas compartilharem suas conclusões como fatos?
● E eu, que intenções tenho quando falo de outra pessoa? Há ocasiões nas quais eu
manifesto minhas opiniões ou conclusões sobre alguém? Como eu faço isso? O que

62
considero um limite aceitável para falar sobre outras pessoas? Como cheguei a esse limite?
Reconheço que outras pessoas podem ter outras formas de definir esse limite?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é FOFOQUEIRA:

● Eu gostaria que você aguardasse eu mesmo contar para nossa mãe sobre as coisas que
fiz e as decisões que eu possa ter tomado. Caso considere que eu estou demorando para
falar e isso te preocupe, poderia conversar comigo primeiro?
● Quando eu disser alguma opinião sobre a qual você não concorde, ou considere errada ou
injusta, eu gostaria que você conversasse sobre isso comigo, e não com outras pessoas,
assim poderemos compreender melhor um ao outro. Você está disposta?
● Você parece assustada com a briga dos seus vizinhos. Quer me contar mais sobre como
isso te afeta?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Falar sobre o que acontece com o outro pode ser um meio de gerar conexão. Uma pessoa
rotulada de fofoqueira pode ter tido experiências nas quais, ao falar da vida de terceiros, obteve
um apoio e engajamento na conversa o que satisfez necessidades como pertencimento,
valorização e apoio.
Por outro lado, outras pessoas podem se afastar e nutrir uma antipatia por ela, por entenderem
que esse comportamento pode ferir a necessidade de privacidade de outras pessoas, ou mesmo
de si próprias.
Quando alguém vem nos contar algo que consideramos uma fofoca, podemos sair da dualidade
de concordar ou discordar oferecendo empatia, tentando compreender qual a necessidade que
a levou a compartilhar determinada informação e, buscando outras formas de atender essa
necessidade.
Além disso, vivemos em uma sociedade que usa a difamação e as fakenews para tentar
promover algumas ideologias e estimular o repúdio a outras e, como o acesso à informação na
internet ainda é algo novo para alguns, precisamos assumir nossa responsabilidade de
questionar e filtrar as informações que nos chegam, pois muitas mentiras são propagadas por
falta de conhecimento das pessoas sobre como avaliar a confiabilidade das fontes que
disseminam tais informações.
Somos seres sociáveis, nossas ações impactam os demais e, talvez por isso, temos um interesse
natural no que acontece com as outras pessoas, mas é importante investigarmos a veracidade
do que compartilhamos, zelarmos pela privacidade de todos e termos o cuidado de separar fatos
de opiniões. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Mentiroso (p.92) Canalha (p.41) Solitário (p.37)

63
Fraco

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Debilitada; Delicada; Esmorecida; Exaurida; Debilitado; Delicado; Esmorecido; Exaurido;


Fraca; Fracote; Frágil; Franzina. Fraco; Fracote; Frágil; Franzino.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de FRACO, no fundo podemos desejar que a pessoa se esforce
um pouco mais. Outras vezes, podemos querer que a pessoa sinta mais confiança em si mesma.
Ou ainda, podemos querer que ela desenvolva mais autonomia para cuidar de si e buscar
soluções para os próprios problemas.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é FRACO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele não revidou, quando o colega deu um soco no seu braço;


● Ele me pediu ajuda para carregar umas sacolas que ele disse que estavam pesadas;
● Ele não terminou de escrever o artigo no prazo determinado pelo orientador;
● Ele chorou na frente da turma quando o professor disse que a sua nota foi a mais baixa e,
depois disso, não apareceu mais na aula.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Quanto tempo eu consigo dedicar a atividade que essa pessoa tem mais dificuldade que
eu? Quais oportunidades na minha vida eu tive que me permitiram me dedicar dessa forma?
Como a genética que herdei dos meus pais me ajuda nisso? Quais incentivos eu tive para
me desenvolver? Como a educação que eu tive serviu de suporte ao meu desenvolvimento?
Como essas questões são para a outra pessoa?
● Qual a minha motivação para desenvolver as habilidades que considero que a outra pessoa
tem em menor proporção? Qual o estado de equilíbrio das demais áreas da minha vida:
saúde, amizades, lazer, educação, trabalho e espiritualidade em comparação à outra
pessoa? Como essas questões são para a outra pessoa?
● Quais obstáculos a outra pessoa pode ter que impede ela de desenvolver-se como eu?

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Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é FRACO:

● Você se dispõe a tentar ficar mais meia hora comigo estudando esse assunto, antes de
parar? Depois disso, a gente faz uma pausa para descansar. Pode ser?
● Eu acredito que se você tiver mais consciência dos seus potenciais, verá que é capaz de
resolver esse problema. Para fortalecer essa consciência, quero te convidar a fazer uma
reflexão comigo sobre quais os problemas que você resolveu no último semestre e eu vou
fazer uma lista com você para avaliarmos seu progresso. O que acha?
● Sei que você não está acostumado a dormir sozinho no escuro e essa nova experiência
pode ser desafiadora para você filho. Mas, quero que você treine essa coragem e estou
disposto a te ajudar. Posso fazer o seguinte: Vou ficar com você por 20 minutos com a luz
apagada ao seu lado para você experimentar a sensação e, se você perceber que não tem
perigo, você tenta ficar sozinho por um tempo e pode me chamar se ficar com medo.
Vamos tentar?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando não conseguimos sustentar uma atividade que nos é dada, podemos deixar uma
pessoa ou um grupo sem uma contribuição que seria importante para eles e, como
consequência, isso pode trazer algum prejuízo para o nosso convívio. Muitas atividades que nos
são direcionadas não foram planejadas para contemplar nosso atual estado de desenvolvimento,
e essa falta de planejamento compatível com nossas habilidades pode ser, e na maior parte das
vezes é, a real causa da nossa falha.

Quando ampliamos nossa visão a partir de um olhar sistêmico, podemos reconhecer que não há
falhas individuais. Uma pessoa é um indivíduo de uma rede e, quando certas habilidades faltam
a alguma pessoa, isso evidencia nossa necessidade de aprimoramento dos métodos atuais de
educação. Não adianta reclamarmos de uma planta que não cresce e dá frutos, se ela não recebe
luz, água e nutrientes adequados para seu desenvolvimento.

Se queremos que as pessoas desenvolvam certas habilidades, precisamos que a nossa


sociedade ofereça o suporte adequado, não apenas para que uma habilidade específica seja
atendida, mas para que a vida da pessoa tenha um equilíbrio mínimo, de forma que ela possa
desenvolver sua autonomia. Considerando a grande desigualdade social da cultura em que
vivemos, esse equilíbrio mínimo muitas vezes não é possível e somado às exigências de
perfeição que a cultura da competitividade nos impõe, muitas pessoas adoecem e não têm
motivação ou mesmo saúde para se desenvolver. Se compreendermos as pessoas, podemos
valorizá-las.

Veja Também

Nerd (p.96) Santinha (p.121) Valentão (p.137)

65
Ganancioso

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Ambiciosa; Audaciosa; Gananciosa; Ambicioso; Audacioso; Ganancioso;


Megalomaníaca; Ousada. Megalomaníaco; Ousado.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de GANANCIOSO, podemos no fundo querer que a pessoa evite
criar expectativas que eu considero difíceis de alcançar. Outras vezes, podemos querer que a
pessoa se alegre e tenha gratidão por coisas simples, como um passeio no parque, por exemplo.
Podemos, ainda, desejar ajudá-la a reconhecer o valor das coisas simples, que não dependem da
conquista de títulos e bens.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é GANANCIOSO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele faz planos e investe em atividades mais lucrativas do que eu invisto;


● Ele disse que quer ser presidente quando crescer;
● Ele disse que não precisa aprender a limpar a casa, pois quando crescer terá empregados
para fazer isso por ele.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Qual o significado de realização para essa pessoa? Qual a referência de realização pessoal
dela?
● Será que existem mais formas de sermos felizes, além das que eu enxergo?
● Será que eu estou inseguro se, caso essa pessoa conquiste o poder que deseja, ela o usará
para cuidar de mim e das coisas que eu amo?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é GANANCIOSO:

66
● Eu gostaria de estar seguro de que você vai ser feliz, mesmo que você não alcance o padrão
de vida que você planejou. Vamos conversar sobre isso?
● Caso você venha a se tornar presidente, do que você pretende cuidar? Tem algumas causas
que eu considero muito importantes. Podemos falar sobre elas?
● Quando você fala certas coisas, penso que você não valoriza o trabalho doméstico. Isso
me deixa triste pois eu o considero muito importante para nosso conforto, higiene e bem-
estar. Eu gostaria de saber melhor o que você pensa sobre isso.

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Às vezes, encontramos pessoas que tiveram referências de felicidade diferentes da nossa.
Elas acreditam que precisam ter realizações que podemos não achar necessárias. Se isso nos
incomoda, provavelmente estamos inseguros se a pessoa irá cuidar da gente e vemos sua
determinação em realizar algo como uma ameaça à vida. Nesse ponto, será que culpá-la e
chamá-la de ganancioso irá ajudá-la a sentir-se mais motivada para cuidar do que é importante
para a gente?

Há, também, pessoas que acreditam que trabalhando muito e realizando grandes projetos, terão
mais chances de realizarem seu propósito. Elas escolhem essa forma para criar um mundo mais
feliz para ela e para outras, mas nem todos a compreendem.

Além disso, a nossa sociedade nos incentiva a competirmos. Ser feliz é sinônimo de vencer.
Precisamos ser melhores do que os outros para sermos vistos, e tudo isso pode dificultar para
que alguém tenha esperança de ser feliz, sem buscar fazer coisas grandes. Como nós estamos
contribuindo para isso? Sabemos valorizar o imperfeito? Acolhemos nossas falhas?

Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Narcisista (p.94) Egoísta (p.53) Medroso (p.90)

67
Geniosa

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Antipática; Conflituosa; Espinhosa; Antipático; Conflituoso; Espinhoso;


Explosiva; Geniosa; Intolerante; Irritadiça; Explosivo; Genioso; Intolerante; Irritadiço;
Mal-humorada; Reativa; Pá-virada; Pavio Mal-humorado; Reativo; Pá-virada; Pavio
Curto; Sem-tolerância; Tolerância Zero. Curto; Sem-tolerância; Tolerância Zero.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de GENIOSA, podemos no fundo desejar que a pessoa fale
conosco num tom de voz mais baixo e nos ouça quando falamos, mesmo se discordamos dela.
Outras vezes, podemos querer que a pessoa se sinta mais calma ao lidar com situações
inesperadas. Ou ainda, podemos estar reconhecendo que ela precisa de ajuda para ser melhor
compreendida através do diálogo.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é GENIOSA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela disse para o colega “calar a boca”, e acrescentou que ela tem “pavor de ouvir pessoas
gritando nos ouvidos dela”;
● Ela chamou o presidente de machista imbecil, quando ele disse que mulheres devem
ganhar menos porque ficam grávidas;
● Quando perguntaram se ela tinha algum dinheiro para ajudar no projeto social, ela
respondeu que o dinheiro dela não dava em árvore.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Do que essa pessoa quer cuidar quando age de modo que eu considero explosivo?
● Ela teve experiências que a estimulassem a agir e se comunicar de outra maneira?
● Como eu recebo o comportamento dela? Ouço apenas críticas e afrontas ou consigo
distinguir o que ela realmente deseja?
● Estou buscando encontrar formas de ajudar essa pessoa a descobrir meios mais seguros
de ter suas necessidades atendidas? Estou compartilhando isso com ela?

68
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é GENIOSA:

● Entendi que o tom de voz da sua amiga estava te incomodando. Eu gostaria de ter
confiança de que você vai ser compreendida pelas outras pessoas também, pois temo que
elas ouçam somente críticas quando você se expressa dessa maneira. Você estaria
disposta a estudar comigo uma outra forma de se comunicar?
● Você tem medo de que a declaração do presidente fortaleça a desigualdade salarial entre
homens e mulheres?
● Você gostaria de ser compreendida sobre o quanto você se esforça para conseguir o
dinheiro necessário para seu sustento?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Por trás de um comportamento explosivo, há uma tentativa de cuidar de uma necessidade. A
pessoa rotulada como geniosa costuma escolher formas de cuidar de suas necessidades que
podemos considerar grosseiras ou desagradáveis. Em casos mais extremos algumas pessoas
podem passar a evitá-la.

Por outro lado, outras pessoas podem atender ao que essa pessoa deseja, no intuito de evitar
confrontos. Essa postura pode ser confundida com respeito e estimular ainda mais o
comportamento "genioso''.

Na cultura em que vivemos não fomos educados a lidar com nossos próprios sentimentos, pelo
contrário aprendemos a reprimir sentimentos como medo ou frustração, pois ainda são, muitas
vezes, considerados um sinal de fraqueza. Dessa forma, ao invés de expressarmos com clareza
o que sentimos e o que necessitamos, buscamos formas diferentes de cuidar do que é
importante para nós. Algumas dessas formas podem ser consideradas agressivas, grosseiras
ou antipáticas.

Podemos observar como reagimos em relação aos nossos sentimentos e os sentimentos dos
demais. Acolhendo-os como parte da nossa humanidade podemos criar condições para que as
pessoas tenham mais confiança de que serão compreendidas ao comunicarem o que realmente
sentem e precisam. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Rebelde (p.117) Raivoso (p.115) Zen (p.148)

69
Histérica

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Alterada; Descontrolada; Desequilibrada; Alterado; Descontrolado; Desequilibrado;


Exaltada; Histérica; Instável. Exaltado; Histérico; Instável.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de HISTÉRICA, podemos no fundo desejar que a pessoa consiga
expressar seus sentimentos de um modo mais discreto. Outras vezes, podemos querer que a
pessoa não se sinta tão nervosa. Ou ainda, podemos desejar que essa pessoa direcione seu foco
e energia em buscar soluções para seus problemas.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é HISTÉRICA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela aumentou o volume da voz e seguiu falando depois de eu pedir que se acalmasse;
● Ela enrijeceu seus músculos, sacudiu as mãos e o corpo mais rápido do que estou
acostumado e balançou a cabeça dizendo: “Não manda eu me acalmar!”;
● Ela puxou seus próprios cabelos, dizendo em voz mais alta do que estou acostumado: “Não
aguento mais tantas provas e trabalhos!”.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● O que ela está vivenciando no momento? Como ela lida com seus problemas? Que
pensamentos ela tem sobre eles?
● Como ela lida com seus sentimentos no dia a dia? Ela costuma escondê-los? Ou ela fala
abertamente sobre o que sente quando está calma? Ela tem alguém em quem confia para
conversar?
● Eu valorizo o que ela sente? É pesado, para mim, vê-la tão nervosa?
● Ela teve alguma experiência na qual só foi ouvida depois de gritar muito?

70
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é HISTÉRICA:

● Eu quero muito entender o que está se passando com você, mas neste momento não estou
conseguindo. Vamos conversar em um lugar mais tranquilo, para que eu possa te dar minha
total atenção?
● Entendi que você não quer que eu peça para você se acalmar. Seus sentimentos são
importantes e você gostaria que eu os valorizasse, é isso?
● Estou vendo que você está muito nervosa e cansada com o excesso de trabalho. Quer me
falar mais sobre como está sendo isso para você?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Uma reação tida como histérica ou exagerada pode ser um pedido de socorro por empatia.
Nós seres humanos temos necessidade de sermos ouvidos e compreendidos e essa
necessidade não é saciada quando ouvimos frases como: “acalme-se”, “não é para tanto", “isso
logo passa”, “vai ficar tudo bem”. Por mais que venham com boas intenções, elas não
demonstram a compreensão do outro sobre o que estamos vivenciando, podendo até mesmo
ser interpretadas como uma minimização dos nossos sentimentos.

Num momento de raiva, reações como gritar, puxar os cabelos ou quebrar objetos podem trazer
um certo alívio, por descarregarem o sentimento, mas posteriormente, podem gerar ainda mais
insatisfação, especialmente se nos machucamos, ferimos alguém ou quebramos algo que pode
nos fazer falta.

Na nossa sociedade, ainda não somos educados para acolher os nossos sentimentos e das
demais pessoas. Sentimentos como raiva, frustração ou medo ainda são vistos como
“sentimentos ruins” ou um “sinal de fraqueza”, que devemos sufocar a todo custo. Mas essa
estratégia não é sustentável a longo prazo.

Os sentimentos, sejam quais forem, nos comunicam sobre como estão nossas necessidades. É
importante ouvirmos o que eles têm a nos dizer, para entendermos o que precisamos para
enriquecer a nossa vida. Podemos, ainda, ajudar as demais pessoas nesse processo, ouvindo-as
ativamente sobre o que elas estão vivenciando, com total atenção e presença.

Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Exagerado (p.58) Inquieto (p.76) Xarope (p.144)

71
Horrível

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Amedrontadora; Apavorante; Assustadora; Amedrontador; Apavorante; Assustador;


Carrancuda; Horripilante; Horrível; Carrancudo; Horripilante; Horrível;
Horrorosa; Intimidadora; Intimidante; Horroroso; Intimidador; Intimidante;
Mal-encarada; Medonha; Pavorosa; Mal-encarado; Medonho; Pavoroso;
Sinistra; Suspeita; Terrível. Sinistro; Suspeito; Terrível.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de HORRÍVEL, podemos no fundo desejar que a pessoa tenha
um visual e atitudes mais descontraídos e amistosos. Outras vezes, podemos querer que a
pessoa sinta confiança de que podemos contribuir uns com os outros, sem intimidar ou ser
intimidado. Podemos, ainda, querer apresentar para essa pessoa assuntos e referências que
consideramos construtivas, para ver se ela se interessa.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é HORRÍVEL, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele tatuou símbolos que não conheço no rosto, usa roupas escuras e lê livros sobre
assuntos que eu já ouvi dizer que são negativos;
● Ele anda com pessoas que eu não conheço e que não parecem com meus amigos;
● Nunca vi ele sorrir.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● O que eu sei sobre os assuntos que interessam a ele? Já li algo sobre o assunto? Já
conversei com ele a respeito? Ouvi seu ponto de vista? Que necessidades ele pode estar
atendendo com esse estilo de vida? Como eu atendo essas mesmas necessidades?
● Que exemplos ou experiências ele teve que o estimulou a adotar esse estilo de vida?
● Que filtros eu adoto para ser mais aceito? Escondo algo para não me acharem horrível?

72
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é HORRÍVEL:

● Quando vejo os livros que você lê e os símbolos que você usa, eu fico assustado pois a
religião que eu sigo diz que são coisas más, mas eu nunca pesquisei o significado disso
para outras culturas. Você quer me contar como é isso para você?
● Eu gostaria de ter a oportunidade de falar para você um pouco mais sobre os meus
interesses e as coisas que considero importantes. Você estaria disposto a me ouvir?
● Não me lembro de te ver sorrindo. O que você costuma fazer para se divertir?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando nossa aparência ou nossos atos diferem do que as demais pessoas conhecem,
podemos ser menos acolhidos do que as pessoas que se adequam às tendências culturais, mas
quando nossa aparência ou nossos atos, além de se diferenciar dos demais, são popularmente
classificados como ameaçadores, a desconfiança e até a rejeição dos demais podem ser formas
das pessoas agirem para preservar seus valores.
Há certas informações que, quando expostas, colocam as pessoas em conexão com uma
realidade que nem sempre elas estão preparadas para acolher e, como efeito, isso pode
estimular angústia e a aversão das pessoas. Por exemplo, imagens de acidentes, mortes ou
outras que possam representar sofrimento humano são estímulos que podem ser pesados para
algumas pessoas, dada a nossa natureza empática e a falta de preparação coletiva para lidar
com tais informações.
Há pessoas que se conectam com esse tipo de informação para buscar um estímulo que a ajude
a sensibilizar-se afetivamente. Por exemplo, em um estado de depressão, uma pessoa pode usar
da automutilação como uma forma de tentar tornar disponível uma dor moral que ela tem e não
consegue elaborar. O ferimento e a dor física vem como uma tentativa de colocar para fora esse
sofrimento.
Há muitas coisas que podemos considerar horríveis por falta de estudo da nossa parte ou por
ser diferente dos nossos costumes. Por exemplo, a moda de alguns povos tribais pode não ser
apreciada por quem não está acostumado e os símbolos de uma religião, que pode ter sido
perseguida no passado, podem ter sido associados à maldade, no entanto, o significado original
do símbolo pode ser diferente para a cultura que o criou.
É claro que podemos captar sinais vindo das pessoas que nos orientam a ter mais cuidado e
ficarmos atentos para preservarmos a vida. Não queremos ser ingênuos e achar que todas as
pessoas são boazinhas e vão nos tratar com gentileza. Queremos sim admitir que todos somos
humanos e que se nossas ações não cuidam da vida, não se trata de um problema pontual, mas
uma questão sistêmica. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las, mas cabe a
cada um entender o que é prevenção e não confundir com preconceito.

Veja Também

Mau (p.88) Violenta (p.139) Pão-duro (p.105)

73
Imitão

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Cópia; Imitona; Maria-Vai-Com-As-Outras; Cópia; Imitão; Maria-Vai-Com-As-Outras;


Papagaia; Sem-opinião; Sem-personalidade. Papagaio; Sem-opinião; Sem-personalidade.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de IMITÃO, desejar, no fundo, que a pessoa faça escolhas de
forma mais autônoma, sem se deixar levar pela opinião de terceiros. Outras vezes, podemos
querer que a pessoa se sinta segura em expor suas próprias preferências. Ou ainda, podemos
estar desejando estimular ela a olhar mais para si mesma e identificar o que é realmente
importante no seu ponto de vista.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é IMITÃO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele participa das mesmas atividades que seus amigos;


● Perguntei se ele gostava mais de morango ou uva. Ele disse que não sabia. Eu disse que
preferia uva e ele respondeu que também preferia. Mas, quando outro colega chegou e
disse que preferia morango, ele disse que também preferia morango.
● Ele ouve as mesmas músicas e assiste aos mesmos programas de televisão que seu pai.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Que imagem ele tem de si mesmo? Ele reconhece o próprio valor? Ou ele acredita que seu
valor depende do reconhecimento dos outros?
● E para mim, qual a importância de ter meu valor reconhecido pelos demais? Como procuro
atender as necessidades de reconhecimento e pertencimento?
● Ele teve alguma experiência na qual ele tenha sido criticado ou ridicularizado por ter uma
opinião diferente? Qual a importância dessa experiência na sua vida?

74
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é IMITÃO:

● Sempre vejo você com os mesmos amigos e valorizo esse vínculo que vocês possuem.
Acredito que, se você fizesse alguma atividade com um grupo diferente e conhecesse
outras pessoas, poderia ser enriquecedor para você e também para seus amigos, pois você
poderia compartilhar novidades com o grupo. O que você acha?
● Como eu posso te ajudar a sentir-se seguro em dizer sua opinião, mesmo que seja diferente
da minha?
● Tenho medo de que você tome atitudes contrárias aos seus próprios valores para agradar
seus amigos. Quer me contar como é isso para você?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando determinamos nosso comportamento de acordo com o comportamento da nossa
família ou amigos, deixamos de cuidar de necessidades importantes para nós como
autenticidade e integridade, especialmente quando esses comportamentos não estão em
harmonia com o que pensamos, queremos e valorizamos.

Mas é uma forma de estarmos conectados, pertencentes ao grupo, o que são também
necessidades importantes. Pode ser também uma forma de nos esquivar das responsabilidades
ou dividi-las, pois, se cometemos algum engano, não nos enganamos sozinhos, mas com todo o
grupo.

É parte da nossa natureza viver em comunidade e nos adaptarmos a ela, mas essa tendência é
potencializada na nossa sociedade, onde é usada como argumento publicitário, por exemplo, que
nos estimula a consumir algo porque “todo mundo” está consumindo e “não podemos ficar de
fora”.

Também convivemos hoje com a chamada “cultura de cancelamento”, na qual excluímos do


nosso convívio as pessoas que pensam ou se comportam em desarmonia com nossas crenças
e valores. Evitar esse tipo de punição, pode também ser estímulo para copiarmos o
comportamento dos demais.

É importante criarmos condições para que as pessoas se sintam seguras em fazer suas próprias
escolhas e expressar-se com honestidade sobre seus pensamentos, sentimentos, preferências
e necessidades. Desse modo poderemos alcançar uma conexão mais profunda, baseada na
compaixão e no cuidado mútuo.

Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Xarope (p.144) Teimosa (p.129) Anormal (p.29)

75
Inquieto

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Afobada; Agitada; Bicho-carpinteiro; Efusiva; Afobado; Agitado; Bicho-carpinteiro; Efusivo;


Empolgada; Enérgica; Espoleta; Expansiva; Empolgado; Enérgico; Espoleta; Expansivo;
Fervorosa; Inquieta; Vibrante. Fervoroso; Inquieto; Vibrante.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de INQUIETO, podemos no fundo desejar que a pessoa pare um
pouco ou reduza sua velocidade no momento, pois podemos estar com dificuldade de nos
concentrar em algo em meio a sua movimentação. Outras vezes, podemos querer que a pessoa
sinta tranquilidade para fazer suas atividades com cautela e paciência. Podemos, ainda, desejar
que essa pessoa adote momentos de pausa e relaxamento.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é INQUIETO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele está fazendo movimentos mais rápidos do que os meus;


● Ele levantou e sentou na cadeira umas dez vezes no último minuto;
● Ele já perguntou se estávamos chegando e se faltava muito cinco vezes.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Ele está empolgado ou preocupado com algo que está para acontecer?
● Ele consome alimentos ou bebidas estimulantes? Suas atividades, em geral, são agitadas?
● Ele tem muitos interesses? Assumiu muitos compromissos? Como é para ele abrir mão de
alguma atividade? E para mim? É fácil definir o que é importante? Eu valorizo o meu
descanso? Consigo limitar a quantidade de tarefas que eu assumo?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é INQUIETO:

76
● Você me parece sempre muito cheio de energia. Já pensou em canalizar essa energia em
uma atividade física pela manhã? Acho que isso poderia te ajudar a fazer suas tarefas à
tarde com mais tranquilidade e concentração. Que tal testar?
● Estou desenvolvendo um trabalho e tenho dificuldade em manter minha concentração
enquanto você levanta e senta da cadeira. É possível para você permanecer sentado ou em
pé pelos próximos 15 minutos?
● Percebo que você está sempre comprometido com várias coisas para fazer. Vamos anotar
numa folha seus compromissos e tarefas. Assim nós podemos definir o que é prioridade,
o que pode esperar um pouco mais e, até mesmo, algo em que eu possa te ajudar. Desse
modo acredito que você vai poder fazer as coisas com mais calma. O que acha?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando ficamos frequentemente agitados, podemos ter dificuldade em dormir ou em nos
concentrar em tarefas mais longas. Podemos, ainda, comprometer a qualidade do que fazemos,
já que priorizamos a velocidade. Estar constantemente em movimento também pode ser
bastante exaustivo.

Por outro lado, a agitação pode nos dar a sensação de que aproveitamos bem o dia, de que
vivemos muitas experiências, adiantamos muitas tarefas, etc.

A produtividade é muito valorizada na atualidade. Aprendemos desde cedo a tentar aproveitar


cada minuto do dia como se não houvesse amanhã. Não reservamos um espaço para o
descanso e o tempo livre. Com isso, ficamos sempre alertas, prontos para a próxima ocupação.
A grande oferta de informação e entretenimento de fácil acesso, possibilitada pela Internet,
tornou ainda mais fácil preenchermos cada minuto do nosso dia.

Para lidar com isso tudo é importante estarmos alinhados com nossas necessidades. Quando
temos clareza do que realmente precisamos, do que é importante para nós, conseguimos
desapegar de várias coisas que preenchem nosso dia, mas que não fazem real sentido para nós.
Assim podemos ter mais tempo para fazer as coisas com mais calma e cuidado e reservamos
um tempo merecido para o descanso.

Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Apressado (p.33) Ansiosa (p.31) Jururu (p.82)

77
Insensível

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Alienada; Apática; Desconectada; Alienado; Apático; Desconectado;


Indiferente; Insensível. Indiferente; Insensível.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de INSENSÍVEL, podemos no fundo desejar que a pessoa
valorize nossos sentimentos. Outras vezes, podemos querer que a pessoa sinta compaixão pelo
que nós, ou outras pessoas ou seres, estamos vivenciando. Ou ainda, podemos desejar que ela
perceba e acolha seus próprios sentimentos.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é INSENSÍVEL, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela não perguntou como eu estava, quando cheguei na sala;


● Nunca vi ela chorar. Quando contei a ela que eu estava triste, ela disse que eu não devia
sentir tristeza, pois é um sentimento inútil, que só nos atrapalha;
● Ela disse para eu parar de falar, quando eu dizia como estava me sentindo. E, quando eu
disse que gostaria de ser compreendido, ela disse que não estava afim de saber.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Como essa pessoa lida com os próprios sentimentos? Ela teve experiências nas quais ela
se considerou reprimida ou ridicularizada por demonstrar o que sentia? Ela tem alguma dor
com a qual prefere não entrar em contato?
● Eu reconheço que, mesmo que ela não demonstre, ela também possui sentimentos? Eu
consigo ouvi-la com empatia?
● Como eu recebo o que ela me diz? Eu considero uma rejeição? Ou procuro entender os
sentimentos e necessidades que estão por trás de suas palavras?

78
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é INSENSÍVEL:

● Quando eu chego em casa, eu gostaria que você me perguntasse como estou, como foi
meu dia de trabalho. Seria gostoso para mim. Você estaria disposta a fazer isso?
● Você tem medo de que a tristeza estimule você a tomar atitudes das quais você se
arrependa depois?
● É pesado para você, saber como me sinto, sem ter uma solução para o meu problema?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando não demonstramos nossos sentimentos, podemos ter mais dificuldade de nos
relacionar com as pessoas de modo que promova compaixão e empatia entre nós. É possível
que as pessoas interpretem esse comportamento como pouco caso ou rejeição, prejudicando a
harmonia nas nossas relações.

Por outro lado, esse comportamento também pode ser interpretado como um sinal de força, pois
pode passar a ideia de que, se não demonstramos tristeza ou raiva, por exemplo, é porque temos
tudo bem resolvido internamente, o que pode não ser a realidade.

Somos educados, desde a infância, a considerar alguns sentimentos como vergonhosos. Ainda
é comum ouvirmos frases como “Tá chorando? Que feio!” ou “Que vergonha, desse tamanho com
medo”. Aprendemos a associar tristeza, frustração, medo, mágoa entre outros sentimentos,
como sinais de fraqueza que precisam ser evitados. Com isso, buscamos ignorar nossos
sentimentos e alguns de nós tornam-se mais habilidosos nisso.

Mas todos os sentimentos são importantes, eles nos comunicam o estado de nossas
necessidades. Quando prestamos atenção no que eles têm a nos dizer, conseguimos agir de
modo a cuidar do que é importante para nós. Os sentimentos também nos ajudam a criar
relações mais profundas com o outro.

Podemos começar a transformar nossa sociedade valorizando o que o outro está vivenciando, e
valorizando os nossos próprios sentimentos, como uma demonstração do que está vivo em nós.
Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Bárbaro (p.35) Burra (p.39) Sentimental (p.123)

79
João-ninguém

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Desprezível; Inferior; Insignificante; Desprezível; Inferior; Insignificante;


Irrelevante; João-ninguém; Miserável; Irrelevante; João-ninguém; Miserável;
Mosca-morta; Sem-valor; Zé-ninguém; Mosca-morta; Sem-valor; Zé-ninguém;
Zero à esquerda. Zero à esquerda.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de JOÃO-NINGUÉM, podemos, no fundo, querer cuidar da nossa
autonomia, recusando uma opinião ou conselho dessa pessoa pois não a consideramos
qualificada no assunto. Outras vezes, podemos querer que a pessoa sinta motivação para
desenvolver conhecimentos e habilidades que possam apoiar sua autonomia. Ou ainda,
podemos estar inseguros se a preparação da pessoa em relação ao futuro será suficiente para
que ela tenha condições de lidar com os desafios da vida.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é JOÃO-NINGUÉM, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele não se senta ao lado de ninguém na sala de aula e come sozinho no refeitório;
● Ele está desempregado há 8 anos e mora com a avó;
● Ele não marcou nenhum gol no campeonato.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● O que ele pensa sobre si mesmo? Ele se considera capaz de desenvolver novas habilidades
ou aprimorar habilidades antigas? Ele se considera capaz de assumir responsabilidades?
● O que eu penso sobre ele? Eu a apoio quando ele tenta fazer algo diferente? Eu valorizo
suas tentativas, mesmo quando ele falha?
● Existem formas diferentes das que eu conheço que possam favorecer que as pessoas
sejam valorizadas e reconhecidas?

80
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é JOÃO-NINGUÉM:

● Oi, estou vendo você comendo sozinho. Não quer se juntar com a gente?
● Estou inseguro sobre sua autonomia financeira. Gostaria de confiar que você vai ter meios
de se manter sozinho no futuro. O que você pensa sobre isso?
● Agradeço por compartilhar suas estratégias no futebol. Eu estou tentando uma proposta
diferente agora, mas vou lembrar da sua dica, ela pode ser útil em uma outra oportunidade.

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Alguém considerado João-ninguém, pode ter dificuldade em se conectar às pessoas e
pertencer a um grupo, pois, geralmente, é pouco valorizado pelos demais. Ele pode, também, ter
dificuldade em reconhecer seu próprio valor.

Mas se comportar como um João-ninguém, pode trazer algum conforto, pois ele não assume
responsabilidades e as pessoas não criam expectativas sobre ele.

Somos educados com uma ideia de sucesso bastante específica, baseada na competitividade e
no acúmulo, seja de dinheiro, bens, diplomas, conhecimento ou mesmo gols. Quem não se
adapta a esse modelo pode ser excluído ou considerado alguém sem importância.

Será que ter mais, saber mais, fazer mais, é tudo o que precisamos para enriquecer nossa vida e
a vida dos demais?

Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Tadinho (p.127) Ofendido (p.98) Narcisista (p.94)

81
Jururu

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Abatida; Baixo Astral; Cabisbaixa; Chateada; Abatido; Baixo Astral; Cabisbaixo; Chateado;
Deprimida; Desanimada; Jururu; Lastimosa; Deprimido; Desanimado; Jururu; Lastimoso;
Melancólica; Murcha; Pesarosa; Pra Baixo; Melancólico; Murcho; Pesaroso; Pra Baixo;
Sem-graça; Triste; Tristonha; Xoxa. Sem-graça; Triste; Tristonho; Xoxo.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de JURURU, podemos no fundo desejar que a pessoa encare
seus problemas com mais otimismo. Outras vezes, podemos querer que a pessoa não sinta dor
e tristeza. Ou ainda, podemos identificar, através de seu comportamento, que ela precisa de
compreensão e empatia.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é JURURU, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele passou o dia no quarto, no escuro, e não veio à cozinha para comer;
● Ele está sentado com os ombros para baixo, com a coluna encurvada para frente e olhando
para o chão, sem conversar com ninguém;
● Ele ficou em silêncio o dia inteiro, parecia mais pálido e não quis se juntar com os demais
para comer.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Ele passou ou está passando por alguma situação triste ou estressante? Ele tem alguém
em quem confia para conversar sobre o que está sentindo?
● Que expectativas ele tem em relação a si mesmo, ao mundo e ao futuro?
● Como eu me comporto quando estou triste? Com quem eu converso? O que, nessa pessoa,
me estimula segurança para me abrir?

82
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é JURURU:

● Percebi que você não almoçou, nem comeu nada hoje. Eu gostaria de preparar um prato e
trazer para você comer aqui. O que você acha?
● Me parece que você está triste. Você gostaria de me contar o que aconteceu? O que está
te preocupando? Eu gostaria muito de te ouvir.
● Estou preocupado com você e com sua saúde. Vi que você passou o dia calado e não
comeu nada. Estou considerando te levar ao médico amanhã, mas preferia que você
comesse alguma coisa e me dissesse o que você está sentindo e o que estimulou esse
sentimento. Vamos conversar?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando uma pessoa se comporta de um modo que consideramos jururu, ela pode estar
tendo dificuldade em lidar com alguma mudança ou perda. Talvez esteja insatisfeita com seu
trabalho, com algum relacionamento, com sua situação financeira ou com alguma atitude que
tomou. Talvez esteja sentindo falta de algo ou alguém. São inúmeras possibilidades.

Em alguns momentos, pode parecer que é mais fácil evitar o assunto e fingir que está tudo bem
do que tentar olhar para o que está acontecendo e se arriscar a doer ainda mais.

Vivemos em uma cultura que valoriza a felicidade como meta de vida e vê a tristeza como um
sentimento a ser evitado. Quantas vezes ouvimos e dizemos frases como: “deixa disso”, “você
precisa se distrair”, “isso passa”, “nem é pra tanto”.

Quando falamos sobre nossos sentimentos e somos ouvidos com empatia, isso nos ajuda a
enlutar. Nos ajuda a nos reconectar com nossas necessidades feridas e nos mobiliza a buscar
outras formas de cuidar delas.

Você pode oferecer, a quem lhe parece jururu, uma oportunidade para conversar, e acolher sua
tristeza como um sentimento importante, que existe para nos mostrar o que é valioso para nós.

Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

João-ninguém (p.80) Tadinho (p.127) Inquieto (p.76)

83
Lerda

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Atrasada; Demorada; Lenta; Lerda; Lesma; Atrasado; Demorado; Lento; Lerdo; Lesma;
Tartaruga; Vagarosa. Tartaruga; Vagaroso.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de LERDA, podemos no fundo desejar que a pessoa faça as suas
atividades com mais velocidade. Outras vezes, podemos estar com pressa e querer que a pessoa
sinta vontade de colaborar conosco, buscando meios de ser mais rápida para não nos deixar
esperando. Ou ainda, podemos estar com medo de que seu ritmo a prejudique no ambiente
escolar ou no trabalho.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é LERDA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela anda e fala mais devagar que eu;


● Ela demora mais para realizar algumas tarefas do que eu;
● Quando fomos para a praia, ela dirigia na metade da velocidade máxima permitida na pista.
Além disso, reduzia a velocidade quando a sinaleira ficava amarela.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Ela está habituada a realizar essas tarefas? Ela tem alguma dificuldade para realizá-las?
Será que tem alguma preocupação ou distração que está dificultando seu foco? Ou ela tem
uma preocupação com detalhes que eu considero desnecessários?
● Porque a velocidade é importante para mim? Tem algo que eu poderia aprender com essa
pessoa?
● Do que quero cuidar quando peço para ela ser mais rápida? Que impacto teria se eu
esperasse um pouco mais?

84
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é LERDA:

● Eu estou com um pouco de pressa agora pois ainda tenho algumas coisas para resolver no
caminho. Você se importa se eu for na frente? A gente se encontra lá. Pode ser?
● Estou percebendo que você está levando mais tempo nessa tarefa do que eu tinha
estimado. Eu gostaria de saber se você está tendo alguma dúvida ou dificuldade. Você acha
possível finalizar até sábado?
● Percebi que você está dirigindo na metade do limite de velocidade permitida. Você está se
sentindo inseguro em relação a estrada ou alguma outra coisa?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Em ambientes competitivos, onde são priorizadas a velocidade e a produtividade, as
pessoas que realizam suas atividades num ritmo diferente podem não obter reconhecimento e
valorização de seu trabalho, mesmo que este atinja ou até supere as expectativas quanto à
qualidade.

Se, por outro lado, uma pessoa tem uma experiência na qual seu trabalho foi desvalorizado por
ser imperfeito, ou mesmo se ela sempre recebeu aprovação e elogios pela qualidade do seu
trabalho, ela pode ter desenvolvido um cuidado maior com essa questão.

É importante, também, conhecer e respeitar nossos próprios limites, para preservar nossa saúde,
pois, em uma sociedade que nos cobra perfeição e, ao mesmo tempo, velocidade, pode ser difícil
e desgastante conciliar as duas coisas. Enquanto algumas pessoas podem ter mais facilidade
em desenvolver velocidade, outras podem priorizar um cuidado maior com a qualidade.

Reconhecendo, porém, nossas necessidades e das pessoas que convivem conosco, podemos
procurar encontrar um ponto de equilíbrio.

Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Distraído (p.51) Desorganizado (p.49) Apressado (p.33)

85
Louca

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Abobada; Aloprada; Biruta; Caduca; Abobado; Aloprado; Biruta; Caduco;


Desatinada; Desmiolada; Desnorteada; Desatinado; Desmiolado; Desnorteado;
Desvairada; Doida; Fora da Casinha; Desvairado; Doido; Fora da Casinha;
Imprevisível; Insana; Lelé da Cuca; Louca; Imprevisível; Insano; Lelé da Cuca; Louco;
Lunática; Maluca; Pirada; Sem-juízo; Lunático; Maluco; Pirado; Sem-juízo;
Tam-tam; Varrida. Tam-tam; Varrido.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de LOUCA, podemos no fundo desejar que a pessoa aja e pense
igual aos demais. Outras vezes, podemos querer que a pessoa nos compreenda melhor e
converse conosco sobre coisas que compreendemos também. Ou ainda, podemos estar
desejando que a pessoa tenha mais chances de ser acolhida pelos outros.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é LOUCA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela levantou-se e começou a cantar na aula de Português;


● Ela disse que conversa com o espírito da sua avó, que já morreu;
● Ela fala palavras que não conheço e responde coisas que eu não esperaria ouvir, quando
converso com ela.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Qual a abrangência da minha compreensão sobre a diversidade? Quais padrões de


comportamento são frequentes no meu convívio e quais me surpreendem? Há atitudes
minhas que surpreenderiam as pessoas de meu convívio se fossem reveladas? Quais os
filtros eu ainda uso para tentar ser aceito pelos outros?
● Que crenças diferentes das massas eu tenho? Que curiosidades minhas eu silenciei para
não parecer estranho aos outros? Por que eu silenciei? Como os outros me descreveriam
se eu deixasse mais evidente minhas peculiaridades? Achariam que eu sou normal?

86
● Como a genética que eu herdei, a educação que eu recebi e os recursos que eu tive
disponíveis contribuíram para o desenvolvimento das minhas preferências e do meu modo
de me comportar? Como eu aplico esses benefícios que recebi?
● Como eu diferencio loucura de autenticidade; loucura de espontaneidade; loucura de
inconformidade; loucura de coragem; loucura de sabedoria incomum?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é LOUCA:

● Quando você começa a cantar no meio da aula, fico preocupado pois percebo que os
colegas param de realizar as atividades e eu tenho dificuldade de retomar o assunto. Eu
me importo com suas necessidades de diversão e expressão e gostaria de propor que você
reservasse um outro momento para cuidar dessas necessidades. Acredito que, assim,
podemos aproveitar melhor a aula. O que você acha?
● Imagino que conversar com o espírito da sua avó deve ser muito importante e prazeroso
para você. Talvez pela educação religiosa que eu recebi, que não prevê esse tipo de contato,
eu me sinto um pouco desconfortável com esse assunto. Acho que preciso de um tempo
para assimilar isso. Você se importa se a gente conversasse sobre outra coisa agora?
● Isso que você falou soa bem estranho para mim, mas eu gostaria de saber mais, pois acho
que pode me ajudar a te compreender melhor e ainda ser enriquecedor para mim. Você tem
algum livro ou vídeo para me indicar, que introduza a esse assunto?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Uma pessoa que prioriza autenticidade e inovação pode ser recebida com estranhamento
pelas outras pessoas e, até mesmo ser vista como um obstáculo, caso suas ideias e atitudes
confrontem um modo de pensar e agir que, para o grupo ou pessoa envolvida, estava
funcionando muito bem.

Por outro lado, exercer sua liberdade e autonomia pode lhe proporcionar alegria e satisfação.
Além disso, as diferenças podem ser enriquecedoras para todos quando estão abertos para
conhecer outros assuntos, outras experiências e outros pontos de vista. Inovar também nos
ajuda na resolução de problemas.

Para convivermos socialmente, aprendemos a nos moldar ao que é esperado em cada ambiente
que frequentamos, nos adaptando a papéis preestabelecidos. Esse cuidado com o grupo é
importante, mas é importante, também, equilibrá-lo com o cuidado com nossa necessidade de
autonomia, pois somos seres diversos e expressar nossa autenticidade é importante, não só para
o nosso bem-estar pessoal, mas para o crescimento e desenvolvimento do próprio grupo ou
comunidade.

Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Histérica (p.70) Exagerado (p.58) Rebelde (p.117)

87
Mau

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Amaldiçoada; Carrasca; Diaba; Diabólica; Amaldiçoado; Carrasco; Diabo; Diabólico;


Endiabrada; Escabrosa; Má; Maldita; Maldosa; Endiabrado; Escabroso; Mau; Maldito; Maldoso;
Malévola; Maligna; Malvada; Nefasta; Perversa; Malévolo; Maligno; Malvado; Nefasto; Perverso;
Pervertida; Péssima; Ruim. Pervertido; Péssimo; Ruim.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de MAU, podemos no fundo desejar que a pessoa tome atitudes
que visem o bem-estar de todos. Outras vezes, podemos querer que a pessoa sinta compaixão
pelas demais pessoas e seres. Ou ainda, podemos estar manifestando nosso desespero por não
saber como estimular essa pessoa a cuidar mais de todos.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é MAU, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele colocou o pé na frente do colega que estava passando e o colega caiu;


● Falei que respeito era importante para mim e ele riu;
● Ele colocou pimenta na comida da irmã sem ela ver;
● Ele jogou uma pedra no vidro do ônibus.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Existem pessoas más? Ou são pessoas com comportamentos que rotulamos de maus?
● Qual a visão dele sobre a vida em comunidade? Ele acredita que as pessoas podem
contribuir umas com as outras? Ou enxerga a todos como possíveis rivais?
● Quem me ensinou o que é amor? Alguém me deu exemplo de amor? Quem me ensinou o
que é justo? Alguém me deu exemplo de justiça? Quem me ensinou o que é solidariedade?
Alguém me deu exemplo de solidariedade? Como foi isso para o outro?
● Ele já teve experiências nas quais recebeu compaixão e empatia? Posso ajudá-lo a ter?
● Comportamentos violentos podem ser instigados? Que ações minhas podem instigar tais
comportamentos? Como posso prevenir tais ações?

88
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é MAU:

● Quero que possamos praticar mais a empatia. Para isso, gostaria que conversássemos
sobre experiências importantes que tivemos e pessoas que tiveram um papel relevante na
nossa vida. Então, será uma vez para cada um falar sobre esse assunto, o outro ouve e
depois diz o que entendeu, para exercitarmos a fala e a escuta. Ok?
● Gostaria que você me dissesse se tiveram pessoas na sua vida que não cuidaram bem de
você. Pode falar como foi essa situação? Como você gostaria que tivesse sido? O que
poderíamos fazer para ajudar as demais pessoas a terem relações melhores?
● Gostaria de convidar você para criarmos juntos regras de convivência que nos ajudem a ter
mais segurança de que todos serão respeitados. É importante para mim que todos nós
participemos para entender a motivação de tais regras e que possamos refletir se elas
fazem ou não sentido para nós. Que dia e hora você pode?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


A maldade pode estar associada a ações que não consideram o bem-estar dos outros ou
que visam seu mal-estar. Isso pode ocorrer quando estamos indiferentes, cansados, com mágoa,
medo ou raiva de algo. Nossa intenção pode ser a de vingança, controle ou mesmo defesa. Em
alguns casos podemos ter desenvolvido esses comportamentos como meios de lidar com
traumas do passado. Em casos mais raros, podemos ter alguma disfunção cerebral que nos
impele a agir de tais formas.

Quando as pessoas perdem a esperança de que nos importamos com seu bem-estar e somos
confiáveis para convivermos coletivamente, elas podem reagir de muitas formas para tentar nos
corrigir. Algumas dessas formas podem ter o efeito oposto ao que elas desejam, pois agravam
ainda mais a visão de que somos perigosos. Com esse agravamento e a falta de esperança que
essa imagem de “mau” carrega, muitas pessoas podem pensar que a solução para a maldade é
a eliminação do malvado, visto que ele “não tem jeito”.

Prender mais pessoas, criar mais prisões, armar os civis, ensinar-lhes a se defender, ensinar que
heróis fazem justiça com as próprias mãos, ensinar que precisamos ser melhores do que os
outros, ajudar apenas quem pode pagar, usar punição e recompensa para ensinar, ensinar que
aquele que erra merece ser estigmatizado, ensinar que não devemos ter sentimentos, que não
devemos ter liberdade, que não devemos ter necessidades e tantas outras coisas que a nossa
cultura ainda faz é um meio de fabricarmos a maldade. De que adianta excluir a quem apresenta
um sintoma de desconexão com a vida, se não paramos a fábrica de dor e sofrimento? Se
compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Violenta (p.139) Opressor (p.102) Santinha (p.121)

89
Medroso

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Banana; Cagona; Covarde; Frangote; Frouxa; Banana; Cagão; Covarde; Frangote; Frouxo;
Hesitante; Insegura; Medrosa; Pusilânime; Hesitante; Inseguro; Medroso; Pusilânime;
Receosa; Temerosa. Receoso; Temeroso.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de MEDROSO podemos, no fundo, desejar que a pessoa
experimente fazer algo, mesmo estando insegura, pois acreditamos que essa experiência será
importante para ela. Outras vezes, podemos querer que a pessoa sinta confiança em sua
capacidade de se proteger ou se prevenir de possíveis problemas ou ameaças. Ou ainda,
podemos desejar que essa pessoa desenvolva autonomia para lidar com alguma situação que a
assusta, pois estamos cansados ou com pouca disponibilidade para ajudá-la nessas situações.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é MEDROSO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele não quis subir na árvore com os demais colegas;


● Ele saiu correndo quando seu colega lhe chamou para a briga;
● Ele não chamou a pessoa que gostava para sair;
● Ele não quis apresentar o trabalho na frente dos demais.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● O que eu já deixei de fazer por medo? Que oportunidades eu perdi? Como eu lidei comigo
quando percebi que meu medo foi um obstáculo para eu fazer o que eu gostaria? Há algo
que hoje eu faria e antes não tive coragem de fazer?
● Como essa pessoa lida com as falhas? Como ela lida quando alguma atitude sua não é
aprovada pelas outras pessoas? Quais experiências ela tem nesse sentido?
● Que necessidade não atendida está sendo expressa por esse medo? Que outras estratégias
ela poderia adotar para cuidar dessa necessidade sem se privar de novas experiências e
realizações?

90
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é MEDROSO:

● Eu conheço uma árvore bem mais baixa e gostaria que você experimentasse subir nela. Eu
posso te ajudar se precisar. O que você acha?
● Estou sabendo que tem um colega querendo brigar com você. Que tal procurar ele, em um
local seguro, para conversar e tentar se entender? Posso te acompanhar, se você quiser, e
mediar a conversa. O que você acha?
● O que você acha em sentar comigo para anotarmos tudo o que você tem medo que
aconteça ao se apresentar em público? Com essas informações poderemos traçar
estratégias para prevenir que essas coisas aconteçam na sua apresentação, ou mesmo
definir formas para você lidar com elas com mais leveza, caso não seja possível evitá-las.
Vamos tentar?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando uma pessoa deixa de ir a lugares ou fazer coisas por medo, ela pode abrir mão de
experiências e realizações que poderiam enriquecer sua vida.

Mas esse comportamento cuida de necessidades importantes também, seja preservar a


integridade física, seja evitar sofrer rejeição ou reprovação por alguma falha, entre outras
possibilidades.

Em nossa educação, aprendemos que o medo é bobagem, um sinal de fraqueza. O medo, porém,
é muito útil para nós! Ele nos alerta sobre alguma necessidade importante que precisamos
cuidar. Valorizando o medo, podemos desenvolver a habilidade de entender o que ele tem a nos
dizer e procurar formas de cuidar dessa necessidade, sem nos privar de experiências que podem
ser importantes para nós.

Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Tímida (p.131) Solitário (p.37) Ganancioso (p.66)

91
Mentirosa

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Charlatona; Cínica; Dissimulada; Duas Caras; Charlatão; Cínico; Dissimulado; Duas


Enganadora; Fajuta; Falastrona; Falsa; Caras; Enganador; Fajuto; Falastrão; Falso;
Fanfarrona; Farsante; Fingida; Fraudulenta; Fanfarrão; Farsante; Fingido; Fraudulento;
Hipócrita; Ilegítima; Ilusória; Mentirosa. Hipócrita; Ilegítimo; Ilusório; Mentiroso.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de MENTIROSA, podemos no fundo desejar que a pessoa nos
diga o que ela realmente sabe sobre o assunto no qual estamos conversando. Outras vezes,
podemos querer que a pessoa sinta segurança para ser sincera conosco. Podemos, ainda, querer
ter motivos para confiar no que essa pessoa diz.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é MENTIROSA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela disse para seu pai que ia visitar a amiga, mas foi encontrar o namorado;
● Ela disse que já tinha bebido, mas nunca havia experimentado bebidas alcoólicas;
● Para o primo, cujo cãozinho havia morrido atropelado, ela disse que o cão tinha ido passear
em um parque muito bonito e decidiu ficar por lá, mas que estava bem.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Tem coisas que eu evito assumir para alguém por medo de sua reação?
● Como eu lido com minhas falhas? Me culpo? Me puno? Finjo que não vejo? Ou consigo
aprender com elas sem perder o respeito comigo?
● Como eu reajo quando eu descubro que alguém fez algo que eu não gosto? Eu culpo a outra
pessoa? Eu tento puni-la? Como essa minha atitude irá facilitar ou não que ela me fale a
verdade, quando achar que eu não vou gostar de ouvir tal verdade? Como eu já reagi com
ela, quando me contou uma verdade que eu não gostei? Estou aumentando ou diminuindo
as chances de ela confiar que pode ser sincera?
● Ela tem experiências com outras pessoas nas quais já foi repreendida ou punida quando
disse a verdade? Quem ensinou ela a lidar com os outros, se eles discordam, riem ou

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menosprezam suas ideias? Quem ensinou ela a manter o respeito consigo e com os outros,
mesmo que esses não estejam a respeitando?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é MENTIROSA:

● Me parece que você está com medo da reação do seu pai quando ele souber que você está
namorando. Como você acha que ele preferiria receber essa notícia?
● Eu gostaria que você tivesse segurança de que você é importante para os seus amigos e
de que eles gostam de você, independente se você bebe ou não. Como é isso para você?
● Eu valorizo muito a sua preocupação com o bem-estar do seu primo. Penso que ele vai ter
outras situações nas quais vai ter que lidar com o luto pela morte de algum outro
animalzinho, ou mesmo de uma pessoa querida. Essa experiência pode ser importante para
ele no futuro. O que você acha de conversar com ele, dizer a verdade, e mostrar que ele não
está só nesse momento?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


A mentira pode esconder uma dificuldade em lidar com sentimentos como tristeza, medo e
culpa, diante da reação das outras pessoas sobre algo que fizemos, sentimos, pensamos ou
apenas temos conhecimento. Quando a verdade é descoberta, a pessoa considerada mentirosa
pode perder a confiança dos demais e, em alguns casos, até mesmo perder a amizade daqueles
que não forem capazes de compreendê-la.

Até que isso aconteça, uma pessoa pode ter tido experiências nas quais, através de mentiras,
conseguiu satisfazer momentaneamente necessidades importantes, como proteção,
pertencimento e liberdade, e o atendimento a essas necessidades pode ter facilitado para ela
seguir mentindo.

Há situações exceção em que a mentira é uma conduta temporária adotada para prevenir um
maior abalo afetivo de alguém que ainda não tem maturidade para lidar com a verdade. Porém,
podemos usar isso como desculpa para não assumir nossas falhas e manter relações de
aparência, onde uma das pessoas não sabe com quem realmente vive.

Ainda é comum, na nossa educação, sermos punidos por não nos comportamos do modo
considerado certo, ou por não atendermos às expectativas dos nossos pais, professores ou outra
autoridade. Socialmente também “punimos” as pessoas que não pensam como a gente ou não
agem em harmonia com nossos valores, através de críticas, julgamentos e afastamento. Desse
modo não criamos um clima convidativo para que as pessoas nos digam a verdade, quando esta
não for agradável para nós. Se queremos que as pessoas nos digam a verdade, é importante
aprendermos a recebê-la com empatia, reconhecendo o ser humano por trás dessa verdade, com
seus sentimentos e necessidades, visando valorizá-las.

Veja Também

Canalha (p.41) Desgraçado (p.47) Histérica (p.70)

93
Narcisista

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Arrogante; Autocentrada; Cabotina; Arrogante; Autocentrado; Cabotino;


Convencida; Egocêntrica; Ególatra; Convencido; Egocêntrico; Ególatra;
Egomaníaca; Ensimesmada; Marrenta; Egomaníaco; Ensimesmado; Marrento;
Narcisista; Orgulhosa; Prepotente; Narcisista; Orgulhoso; Prepotente;
Presunçosa; Pretensiosa; Soberba; Presunçoso; Pretensioso; Soberbo;
Vaidosa; Vangloriosa. Vaidoso; Vanglorioso.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de NARCISISTA, podemos no fundo desejar que a pessoa dê
atenção a algo que estamos tentando mostrar ou dizer. Outras vezes, podemos querer que a
pessoa sinta mais empatia pelas outras pessoas. Podemos, ainda, querer prevenir que outras
pessoas a rejeitem por causa do seu comportamento.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é NARCISISTA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele disse que é maravilhoso e que as pessoas o invejam;


● Tentei falar com ele sobre minhas dificuldades, então ele disse que já viveu algo
semelhante e começou a contar, sem que eu tivesse terminado de falar o que eu queria;
● Ele disse que ninguém ganhava dele no seu jogo e apostou comigo que ganharia de mim.
Jogamos uma partida e ele perdeu. Então, ele disse que me deixou ganhar. Pedi para ele
jogar de novo, para valer, mas, ele disse que estava cansado e que só jogaria com outros
adversários mais fortes, pois eu era muito fraco, e desligou o videogame.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Ele aprendeu que para ser valorizado, as pessoas precisam admirá-lo? Quem ensinou ele a
fazer autoempatia e se acolher quando não é valorizado? Ele aprendeu a preservar seu
autovalor ante a rejeição dos outros se colocando acima das pessoas?
● O que ele pensa sobre generosidade, compaixão, gratidão e empatia? São valores que ele
reconhece como importantes? Alguém deu exemplos para ele desses valores?

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● Como ele lida com frustrações? Ele se cobra para ser melhor? Ele busca excelência em
suas atitudes, pois aprendeu a não tolerar o fracasso? Ele teve experiências na qual foi
punido ou ridicularizado por não ter atendido alguma expectativa?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é NARCISISTA:
● Eu penso que todos nós estamos em constante desenvolvimento e aperfeiçoamento, e que,
enquanto uns podem se destacar mais em alguma habilidade, outros podem se destacar
mais em outras. O que você pensa sobre isso?
● Te agradeço por tentar me ajudar contando sua história. Eu gostaria que você me ouvisse
pois estou precisando muito falar sobre como essa situação é para mim. Você estaria
disposto a me ouvir até o final? Acredito que vou estar mais aliviado, depois, para ouvir o
que você tem a dizer também.
● Percebo que vencer no jogo é algo muito importante para você. Você tem receio de que eu
deixe de te valorizar e te respeitar caso você perca?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Vivemos em uma cultura que nos incentiva a buscar nossa felicidade fora, em um a vida de
aparências, posses, títulos, poder e fama. Desde cedo somos treinados a competir por um tipo
de sucesso que corresponde a padrões externos colocados como metas para sermos
valorizados: o filho perfeito, o aluno perfeito, o profissional perfeito, o pai perfeito.
Diante dessa competição que decide quem merece ser valorizado, não aprendemos a nos
valorizar, mas a idolatrar pessoas perfeitas. Por não estarmos acostumados a cultivar amor nas
relações, sobretudo quando há falhas ou imperfeições, e só conhecemos a idolatria, podemos
projetar para nós mesmos essa forma de valorização e passarmos a nos considerar superiores
aos demais pessoas, como forma de garantir nosso valor, compensando a nossa falta de
treinamento em praticar a autovalorização e a autocompaixão.
Quando alguém se coloca em uma posição superior, pode até conseguir admiração de algumas
pessoas em um primeiro momento, porém, terá dificuldade em se relacionar e manter amigos
em médio ou longo prazo. Uma pessoa tida como narcisista pode sentir alguma segurança ao
nutrir uma imagem perfeita de si, evitando reconhecer frustrações, falhas ou insatisfações com
as quais pareça desafiador lidar, mas, se não sabemos acolher nossas próprias frustrações,
teremos dificuldades em oferecer empatia se alguém nos acusar de imperfeitos. Podemos criar
uma rejeição em relação aos sentimentos do outro como forma de nos proteger dessa imagem
que ele nos expõe, de que não somos bons.
Em uma sociedade que estimula a comparação e a competitividade e vincula o valor das pessoas
às suas conquistas, pode ser mesmo desafiador admitir que também podemos falhar, perder, ou
mesmo ter medo, mas, se compreendermos melhor a nós e aos outros, valorizaremos as
pessoas, independentemente de suas conquistas, prêmios ou títulos.

Veja Também

Egoísta (p.53) Pão-duro (p.105) João-ninguém (p.80)

95
Nerd

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Cabeça; CDF; Geek; Nerd; Rata de Biblioteca; Cabeça; CDF; Geek; Nerd; Rato de Biblioteca;
Sabe-tudo; Sabichona. Sabe-tudo; Sabichão.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de NERD, podemos no fundo desejar que as demais pessoas
excluam aquele que sabe mais, de modo que a valorização aos que não sabem tanto seja
preservada. Outras vezes, podemos querer que a pessoa participe mais das nossas brincadeiras
e assuntos. Às vezes, queremos que ele se vista como os outros. Ou ainda, podemos desejar que
a pessoa tenha uma vida social saudável, para além da interação com as máquinas.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é NERD, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele usa óculos e tira as melhores notas da turma em física e matemática;


● Ele conhece jogos de videogame e programas de computadores que eu não conheço;
● Ele passa o recreio na sala de aula ou na biblioteca lendo, enquanto os demais colegas
jogam futebol.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Você já foi estigmatizado por saber mais que os outros? Por ter talentos que os demais
não tinham? Por ter mais saúde? Por ter um corpo mais atlético? Por ter mais bens
materiais que os demais? Por ter pais mais presentes? Já estigmatizou alguém? Por que
você acha que isso acontece? O medo de não ser valorizado pode propiciar isso?
● Você já teve vergonha por saber menos que alguém? Por ter menos talentos? Por ter menos
saúde? Por ser mais fraco? Por ter menos dinheiro? Por ter pais ausentes?
● Você já fingiu que sabia menos para não parecer estranho? Você já fingiu que sabia menos
porque achou que os demais ficariam envergonhados de não saber tanto? Você acha que
essa conduta é a ideal? O que seria o ideal?

96
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é NERD:
● Você está disposto a fazer uma apresentação para nós sobre o que você estudou e dar
uma ajuda extra para quem tiver dificuldade na matéria?
● Vamos fazer uma roda para falarmos sobre valorização das pessoas e como as nossas
diferenças podem dificultar para que possamos conviver com respeito uns com os outros.
Eu gostaria que você participasse com a gente. Você quer vir?
● Sei que cada pessoa tem suas formas favoritas de lazer, mas acho importante que a gente
se disponha a conhecer diferentes meios de nos entretermos, por isso, quero fazer um
acordo com você: no sábado, você brinca comigo e meus amigos das nossas brincadeiras;
no domingo, eu vou na sua casa e a gente joga videogame. Pode ser?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Se pensamos em características que alguém precisaria ter para ser estigmatizado por
um grupo, é provável que iremos pensar principalmente em coisas que a essa pessoa tem menos,
como ter menos dinheiro, menos força, menos conhecimentos, etc., mas, a rejeição das pessoas
também pode ocorrer quando elas se destacam em algo. Uma pessoa que estuda mais que as
outras e investe mais tempo em atividades solitárias pode desenvolver habilidades que aquelas
de sua idade não desenvolveram ainda, porém, é possível que as demais áreas da vida dessa
pessoa sejam menos cuidadas por ela. Ela pode ter menos amigos, não brincar tanto, se exercitar
menos e assim por diante. Tendo essas diferenças, essa pessoa pode ser menos acolhida que
as demais.
Por outro lado, muitas pessoas que se dedicam desde cedo ao seu desenvolvimento podem
ampliar sua capacidade de contribuição com a sociedade, não só na área da ciência, mas
também na arte, nos esportes, na comunicação, etc. Desse modo, para algumas pessoas, vale
mais a pena não ser “normal”, para poder ser o que se quer ser.
É claro que o propósito de vida de qualquer pessoa precisa estar alinhado com uma ética, que
leve em consideração o bem-estar da humanidade, por isso, é importante que possamos integrar
essa pessoa na comunidade, que essa pessoa possa desenvolver empatia e que use a sua
liberdade para cuidar mais da vida.
Se essa humanização estiver presente na educação dessa pessoa, é mais provável que o que ele
escolher fazer da sua vida será alinhado aos valores humanos e à sustentabilidade do planeta.
Esse seria o ideal! Mas, a humanização na educação ainda está em progresso na nossa cultura
e muitas pessoas recebem uma educação concentrada apenas na formação profissional.
Nesses casos, quando o indivíduo não está integrado com a comunidade e tem uma inteligência
acima da média, ele pode ter seus talentos usados em empreendimentos que podem não ser
sustentáveis, por isso, precisamos integrar o conhecimento técnico com o autoconhecimento,
com a educação emocional e psicossocial. Dessa forma, aprenderemos a compreender melhor
as pessoas e valorizá-las.
Veja Também

Santinha (p.121) Zen (p.148) Burra (p.39)

97
Ofendido

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Amarga; Amargurada; Mordida; Ofendida; Amarga; Amargurada; Mordida; Ofendida;


Rabugenta; Ranzinza; Recalcada; Rabugenta; Ranzinza; Recalcada;
Reclamona; Resmungona. Reclamona; Resmungona.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de OFENDIDO, podemos no fundo desejar que a pessoa pare
de reclamar das pessoas e das coisas de que não gosta. Outras vezes, podemos querer que a
pessoa tenha mais empatia e resiliência na vida. Ou ainda, podemos querer contribuir para que
a pessoa tenha mais alívio de seus pesares, praticando mais a aceitação.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é OFENDIDO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele disse que irá viajar, mas sabe que ninguém sentirá sua falta, pois são todos hipócritas
que fingem gostar dele, mas no fundo ele só é lembrado quando as pessoas precisam de
favores;
● Quando o colega contou para a professora que ele a desenhou na classe, ele disse que
pessoas assim precisam perder a língua, para deixarem de ser fofoqueiras.
● Ele falou 5 vezes que o vizinho ouviu música de madrugada e ele não conseguiu dormir.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Alguém te ensinou que é possível ter justiça sem vingança? Como você pode ensinar isso
a alguém? Alguém te ensinou que você pode ter empatia sem reclamar? Como você pode
ensinar isso a alguém? Alguém te ensinou que é possível ter educação sem punição? Como
você pode ensinar isso a alguém?
● Sua educação foi mais punitiva ou amorosa? Como isso afetou suas crenças ante a
possibilidade de se educar, ter compreensão e justiça sem violência?
● Você sabe instigar as pessoas a te apoiar, sem tratar quem te prejudicou como inimigo?
● Sabe acolher uma pessoa que está reclamando sem culpabilizar quem lhe incomodou?
● Você já se pegou reclamando de alguém porque essa pessoa reclama de mais?

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Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é OFENDIDO:
● Eu gostaria de fazer uma lista com você das coisas que te incomodam e, dessa lista, quero
que a gente marque quais dos itens você tem algum controle e quais você não tem. Em
relação aos que você tem controle, quero que pensemos em formas de resolver, aos que
você não tem controle, quero que possamos conversar e avaliar se podemos acolher e
deixar tais situações como estão, buscando evitar de falar sobre isso. Assim, acho que
teremos um tempo de conversa melhor aproveitado. Pode ser?
● Quero ajudar algumas pessoas a desenvolver mais a empatia. Para isso, vamos fazer uma
roda de conversa para praticar escuta empática em relação às nossas dores. Serão turnos
onde uma hora alguém fala e a outra escuta. Na hora de escutar, precisamos ouvir sem dar
conselhos ou opinar em relação ao ocorrido. Pode parecer estranho, mas o objetivo é
aprendermos a acolher nossos lutos com compaixão. Quer participar?
● Sei que você teve um desentendimento com seu pai. Gostaria de fazer um Role Playing
Game com você, onde eu vou fingir que sou seu pai para você conseguir falar com ele e
praticar empatia mútua. Com isso, acho que você poderá compreendê-lo melhor e, quem
sabe, ter mais motivação para perdoá-lo. Vamos tentar?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando temos dificuldades em elaborar nossos lutos e não sabemos pedir empatia, a forma
como nós buscamos compreensão e apoio das pessoas pode ser por meio de comentários que
depreciam uma pessoa, um grupo ou quaisquer aspectos da vida. Às vezes, essa forma de agir
vira um hábito e até uma forma de iniciar a conversa com as pessoas. O problema é que, como
não sabemos pedir empatia, esperamos que a outra pessoa concorde conosco e usamos essa
concordância como forma de validação de que ela está “do nosso lado”, mas, caso a pessoa
evite o assunto ou busque trazer outros pontos de vista, ela pode ser vista como defensora da
oposição. Como consequência, a pessoa que buscava empatia vai ficando cada vez mais isolada
e rancorosa, achando que muitos não gostam dela.
As características da nossa cultura só agravam esse quadro, dada a dificuldade de a pessoa
acreditar que é possível educar sem punir, da visão de que aquele que age corretamente é o
mocinho e aquele que age diferente é um vilão e que a justiça requer vingança. Dessa forma,
pode ser difícil de que a pessoa restaure a esperança dela em um convívio pacífico, visto que ela
está com uma visão fixa de que há pessoas más, que não são dignas.
Precisamos evitar a propagação do estigma em relação às pessoas que se comportam de tal
forma. A começar por exercitar a compreensão e não as culpar, pois são produto de uma cultura
da qual todos somos parte e cocriamos. Se queremos ajudá-las, precisamos tornar mais natural
a partilha dos lutos, de forma a evitar os julgamentos. Convidá-la a nos ouvir, para que ela exercite
a empatia também e demonstrar compreensão em relação às pessoas que ferem nossas
necessidades, para que ela possa entender com nosso exemplo que isso é possível. Se
compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Vítima (p.142) Fraco (p.64) Canalha (p.41)

99
Olho-grande

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Ciumenta; Cobiçosa; Invejosa; Olho-gordo; Ciumento; Cobiçoso; Invejoso; Olho-gordo;


Olho-grande; Olhuda; Zoiuda. Olho-grande; Olhudo; Zoiudo.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de OLHO-GRANDE, podemos no fundo desejar que a pessoa
celebre conosco nossas conquistas, sem desejar nosso fracasso. Outras vezes, podemos querer
que ela se sinta feliz consigo mesma sem se comparar conosco. Podemos, ainda, temer que
essa pessoa considere nossa felicidade como uma afronta contra ela.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é OLHO-GRANDE, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele comeu o chocolate dele em uma única bocada, depois ficou olhando-me comer;
● Meu amigo disse que ele perguntou quem era a menina que andava comigo. Quando meu
amigo disse que ela era minha namorada, ele disse: “Que pena! Mas, quem sabe no futuro
ela o largue”;
● Quando mostrei minha bicicleta nova a ele, ele respondeu: “Prefiro a minha velha! Essa sua
é muito colorida e chamativa. Fica atento para não ser roubado!”

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Eu tenho alguma experiência na qual soube que alguém realizou algo que eu desejava, mas
ainda não havia realizado? Como me senti nessa situação? O que pensei sobre mim? O que
pensei sobre o outro?
● Já me percebi justificando as realizações das outras pessoas com pensamentos como:
○ Também, ele teve todo o apoio para isso!
○ Ah! O que ele faz é fácil! Qualquer um faz.
○ Se eu tivesse no lugar dele, eu faria muito melhor.
○ Isso que ele conseguiu não vai durar muito tempo… logo ele vai falhar.
● Alguém me ensinou que meu valor não depende do que eu faço, possuo ou aparento?
Alguém me ensinou a elaborar meus lutos e me acolher quando a vida me mostra, de
alguma forma, que eu não tenho tudo o que gostaria? Alguém me ensinou a celebrar minhas

100
realizações e suportes que recebo, a começar pelas “pequenas” coisas? Como isso afeta
minha autoestima? Como é isso para a outra pessoa?
● Como uma cultura de competitividade pode afetar minha autoestima? E a do outro?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é OLHO-GRANDE:

● As mídias propagam a ideia de que a felicidade é algo que se alcança e, para alcançar,
precisamos de certos bens, de uma aparência específica, ser um profissional de destaque,
etc., mas, há quem pense que a felicidade é algo que se cultiva, sendo a qualidade do
caminho, não um lugar onde chegamos. Vamos conversar sobre isso?
● Vamos falar sobre propósito de vida? O que você gostaria de realizar? Quais são os
potenciais insucessos desse percurso? Por quais meios a vida poderá te mostrar que você
ainda não está tendo os resultados que deseja? Como você quer reagir a isso?
● Eu acredito que a vida pode ser mais plena se competirmos menos e cooperarmos mais.
Assim, se eu ou você realizarmos algo que o outro ainda não realizou, a gente não vai se
achar ameaçado em relação ao crescimento do outro. Vamos firmar uma parceria de
contribuição mútua para realizarmos nossos projetos?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


É possível que o chamado OLHO-GRANDE ou invejoso tenha aprendido a associar seu valor
com conquistas, sejam elas materiais, afetivas, sociais, etc. Nesse caso, ao perceber que o outro
tem conquistas que ele não tem, pode se considerar inferior.

O desejo que essa pessoa nutre pelo que é do outro, pode indicar que ela gostaria de ser tão
valorizada e amada quanto acredita que a outra pessoa é, pois nem sempre estamos conscientes
de que somos valorizados e amados.

Ao assumir uma postura crítica ou desdenhosa sobre as realizações do outro, essa pessoa evita
tomar contato com seus próprios sentimentos, com os quais ela pode ter dificuldade em lidar.
Por outro lado, se a pessoa aprender a fazer autoempatia, ela pode se conectar com seus lutos
e suas aspirações, avaliando quais atitudes suas podem ser mudadas para que ela valorize mais
o que tem e trabalhe no que precisa mudar.

Desde a infância somos estimulados a competitividade. Somos parabenizados e, em alguns


casos, premiados quando chegamos primeiro, tiramos as melhores notas ou marcamos mais
gols. Por outro lado, frases como: “na sua idade seu irmão já conseguia fazer isso” pode
estimular vergonha e uma autoimagem negativa de si mesmo. Algumas pessoas podem ter mais
dificuldade em lidar com essas situações do que outras, mas se compreendermos as pessoas,
podemos valorizá-las.

Veja Também

Xereta (p.146) Fofoqueira (p.62) Zoeiro (p.150)

101
Opressora

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Adversária; Agressora; Algoz; Antagonista; Adversário; Agressor; Algoz; Antagonista;


Assediadora; Inimiga; Nociva; Opositora; Assediador; Inimigo; Nocivo; Opositor;
Opressora; Rival; Vilã. Opressor; Rival; Vilão.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de OPRESSORA, podemos no fundo desejar que a pessoa não
repita atitudes que consideramos danosas ao bem-estar comum. Outras vezes, podemos querer
que a pessoa tenha mais empatia pelas pessoas, entenda as consequências de suas atitudes e
restaure os prejuízos promovidos com seu comportamento. Ou ainda, podemos desejar apoiar
essa pessoa no desenvolvimento da sua ética para que ela possa viver mais alinhada com seus
valores de respeito e cuidado com os seres.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é OPRESSORA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela puxou meus cabelos e me deu um tapa;


● Ela me chamou de idiota e disse para eu calar a boca;
● Ela publicou uma foto pessoal minha na internet, sem me pedir, com frases que eu disse
quando estava com raiva, sem contextualizar, e meus colegas não falam mais comigo;
● Quando sua funcionária disse que precisaria ir ao médico, ela falou que a funcionária estava
dando um mau exemplo aos demais.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Na sua vida, você teve mais exemplos de vingança ou perdão? Respeito à liberdade de
escolhas ou dominação? Empatia ou alienação? Cooperação ou competição? Como isso
repercutiu na sua educação? Como isso repercutiu na educação do outro?
● A que tipo de violências você foi exposto na infância? Você já sofreu violência física, moral
ou sexual? A que tipo de solidariedade você foi exposto na infância? Você já precisou de
ajuda em um momento crítico de sua vida e teve quem te ofereceu? Como essas
experiências te ajudaram no desenvolvimento do seu caráter? Como são essas coisas para
o outro?

102
● Te ensinaram que é preciso cultivar a felicidade? Amar e cuidar das pessoas fazem parte
da sua estratégia para cultivar a felicidade? Como a mídia e o marketing te instigam a
cultivar felicidade? Poder, superioridade e posses fazem parte dessa estratégia? Você acha
que quem buscar isso para ser feliz realmente será feliz?
● O que você faz para aliviar suas frustrações? Você consegue lidar com elas e respeitar as
pessoas que estimulam essas frustrações? Você compartilha esse conhecimento?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é OPRESSORA:

● Eu quero que você seja mais gentil comigo e imagino que quando você me deu aquele tapa
você queria que eu saísse da sua cadeira. Talvez você tenha ficado chateada porque eu
não quis levantar na hora que você pediu e o tapa foi uma atitude que você teve para me
mostrar que eu estava ferindo seus limites. Eu não gostaria que a gente mostrasse um ao
outro dessa forma que nossos limites foram feridos, mas, sei que é difícil você acreditar
que eu vou respeitar você se eu não te deixar evidente isso. Para não brigarmos, quero
combinar com você que quando eu tiver ferido algum limite seu você me avisa e eu irei
parar o que eu tiver fazendo e cada um de nós cuidará das suas coisas, sem agressões
físicas um com o outro. Vamos fazer esse acordo?
● Eu quero que a gente possa ter mais compreensão em relação ao modo como cada um de
nós foi criado e como isso repercutiu na nossa forma de agir, buscar justiça e usar o poder.
Para isso, quero fazer uma roda de conversa para falarmos e escutarmos as experiências
uns dos outros para entendermos como fomos educados, quais lições a vida nos deu e
como isso repercute no nosso presente. Acredito que se entendermos melhor como cada
um funciona, encontraremos meios de cuidar para que cada um seja respeitado em suas
particularidades, visando evitar que usemos violência. Quer vir?
● Vamos fazer uma campanha de prevenção ao assédio aqui na nossa instituição. Muitos de
nós podem estar tendo atitudes que ferem direitos humanos sem saber, pois muitas dessas
atitudes foram naturalizadas pela nossa cultura. Palavras de discriminações ou usadas
para ofender, desrespeito à intimidade ou à saúde e outras atitudes precisam ser
interrompidas, mas, é difícil interrompermos tais atitudes sem trabalharmos a educação
emocional, então vamos trabalhar também a Comunicação Não Violenta.

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Cada ser é único e, embora tenhamos pontos em comum com todas as pessoas, como as
necessidades humanas, há coisas que só nós temos, por exemplo as nossas experiências. A
convivência nos oportuniza participar da vida de muitas pessoas, e um dos maiores desafios do
nosso convívio é exercitarmos a nossa liberdade sem ferir os limites dos outros.
Nós usamos a nossa experiência como base para decidirmos como agiremos para atender
nossas necessidades. Mas, como cada pessoa tem suas próprias experiências, o que é certo
para uns pode não ser para outros. O que é permitido para uns, pode não ser para outros. O que
é justo para uns, pode não ser para outros. Essa diferença ocorre porque estamos olhando para
as estratégias das pessoas, não para as necessidades.
Uma das funções da criação de leis da nossa sociedade e da definição de quais são os direitos
humanos é tentar criar acordos para que todos tenham as necessidades mais básicas cuidadas,
como saúde, segurança, justiça, educação, liberdade, dignidade, etc.
103
Se cada pessoa agisse visando nutrir essas necessidades e evitar que elas sejam feridas, nós
teríamos uma sociedade orientada ao cuidado com a vida. Porém, a nossa educação formal tem
uma função mais profissionalizante do que humanizante, e a falta de desenvolvimento da nossa
cultura em relação à educação emocional nos deixa mais propensos a vivenciar conflitos e
buscar ter as nossas necessidades atendidas por meios violentos.
Como sociedade, estamos passando por uma fase de revisão de prioridades, mas durante essa
transição paradigmática, onde saímos de uma educação profissionalizante para uma educação
humanizante, ainda teremos muitos prejuízos à vida, então precisamos ter resiliência e
compreensão em relação às pessoas que ainda não despertaram para essa responsabilidade
social que temos de protagonizar, essa construção de uma cultura de paz.
Por isso, ainda haverá pessoas no papel de opressor, buscando atender parcialmente suas
necessidades de uma forma que não contempla o bem-estar de todos. Digo atender
“parcialmente” suas necessidades, pois embora essa pessoa possa não estar processando de
forma consciente, ela também tem necessidades de justiça, respeito, amor com os outros e,
quando falha em cuidar disso, prejudica também a si própria.
Durante essa transição de cultura de dominação e alienação para uma cultura de paz,
precisamos criar limites seguros, de forma a impedir que ações que ferem a vida sejam
propagadas, mas, se queremos criar uma cultura de paz, precisamos abrir mão de usar a força
para a punição, precisamos abrir mão da vingança como forma de justiça.
Se queremos que as pessoas respeitem mais umas às outras e tenham consciência das
consequências de suas atitudes, precisamos de empatia e educação, não de vingança;
Se queremos que as pessoas sejam mais responsáveis, precisamos dar suporte para que elas
se desenvolvam, mas sem deixar que nesse suporte falte o amor, pois sem essa energia que
sustenta a conexão humana, a liberdade e o poder não frutificarão em responsabilidade.
Se queremos reduzir a discriminação, precisamos promover a dignidade, a inclusão da
diversidade, precisamos criar espaços para o diálogo onde as pessoas ouvem umas às outras
na sua inteireza, com seus lutos e gratidões, com suas falhas e realizações.
Se queremos que as pessoas melhorem, precisamos desestigmatizar as falhas. Precisamos ter
coragem para enxergar o que não é perfeito, o que fere a vida, sem passividade, sem concordar
com o que não cuida da vida, mas reconhecendo que nós participamos da educação uns dos
outros e somos, em algum grau, corresponsáveis por suas atitudes.
Se queremos mais valorização da vida, precisamos criar uma cultura livre de desprezo, por mais
perverso que eu acredite que a outra pessoa possa ser. Precisamos nos empoderar mais para
fazer a transformação que queremos ver no mundo e usar nossa energia para isso, sem gastar
tempo procurando culpados pela falta de paz no mundo. Que comecemos aprendendo a
identificar nossas imperfeições, nos compreendendo para estendermos essa compreensão aos
outros e valorizarmos mais a vida.

Veja Também

Genioso (p.68) Rebelde (p.117) Vítima (p.142)

104
Pão-dura

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Avarenta; Mão de Vaca; Mão-fechada; Avarento; Mão de Vaca; Mão-fechada;


Mesquinha; Pão-dura; Sovina; Unha de Fome. Mesquinho; Pão-duro; Sovina; Unha de Fome.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de PÃO-DURA, podemos no fundo desejar que a pessoa
compartilhe seus bens com os demais. Outras vezes, podemos querer que ela tenha mais
empatia com quem passa por dificuldades. Ou ainda, podemos querer incentivar a pessoa a
atender de forma mais plena a sua própria necessidade de doação com as demais pessoas,
sabendo que isso é uma forma de cultivarmos felicidade.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é PÃO-DURA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela não me emprestou o dinheiro que pedi;


● Ela pesquisa os produtos com os preços mais baixos antes de fazer as compras;
● Ela não reserva nenhuma parte do seu dinheiro para fazer doações às pessoas ou
instituições que pedem ajuda financeira;
● Ela guarda dinheiro na poupança, enquanto o irmão está desempregado, com o aluguel
atrasado e tentando fazer um empréstimo no banco.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Por quais privações já passei? Alguém me ajudou a passar por elas ou tive de me virar
sozinho? Que aprendizados tirei dessa experiência? Como são essas coisas para o outro?
● Eu ou alguém do meu círculo social usava o dinheiro sem economizar para o futuro? Como
isso me afetou? Como são essas coisas para o outro?
● Quais precauções eu tomo em relação ao futuro? Se eu adoecesse, de onde eu tiraria
suporte para sobreviver? Tenho com quem contar? Como são essas coisas para o outro?
● Quais as prioridades do outro? Como suas economias podem ajudá-lo a ser realizado?
Como a ausência dessas economias podem ameaçá-lo? Como ajudá-lo a lidar com isso?
● Alguém me deu exemplos de generosidade? Que consequências eu percebi que isso teve
na vida dessa pessoa? Como são essas coisas para o outro?

105
● Como a minha cultura me estimula a contribuir mais com as pessoas? Sou mais
incentivado a cooperar ou competir? A ajudar quem precisa ou me proteger? Como essa
cultura afeta o outro? Que crenças minhas sustentam a ética e minha esperança no futuro?
O que colaborou para eu ter tais crenças? Como são essas coisas para o outro?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é PÃO-DURA:

● Se você tiver dinheiro sobrando, gostaria que me ajudasse a pagar meu aluguel neste mês.
Caso você esteja guardando para um eventual problema, eu me disponho a buscar um
modo de recuperar esse dinheiro para você, se te falta, assim, você pode me ajudar sabendo
que, se te faltar no futuro, eu me comprometo em te ajudar. O que acha?
● Vou fazer uma roda para falar sobre os desafios que já enfrentamos em relação a bens
materiais e sobre como podemos ter mais segurança por meio da criação de vínculos de
cuidado mútuo, em oposição à visão de que precisamos nos defender uns dos outros para
sobrevivermos. Você gostaria de participar conosco?
● Estou organizando um encontro para falarmos sobre o que cada um de nós aprendeu que
é preciso para ser feliz e qual a relação disso com a cooperação. Quer participar?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


É possível que, quem é visto como pão-duro queira somente se assegurar de que terá
recursos no futuro. Talvez tenha prioridades diferentes das minhas para usar seu dinheiro, o que
pode estar ligado a diferentes necessidades, mas também há pessoas que não estão seguras de
que contribuir com os outros é algo importante para a sua vida, especialmente se a pessoa que
está precisando de ajuda for alguém que não compartilha de seus valores.

Ao ter controle sobre seus gastos, uma pessoa tem mais previsibilidade de como estará sua
situação financeira no futuro e está mais preparada para imprevistos. Em alguns casos, para ter
esta segurança um indivíduo pode até mesmo se privar de necessidades que considere menos
importantes, ou não se perceber capaz de contribuir financeiramente com os outros.

Hoje recebemos muitos incentivos para consumir os mais diversos produtos e serviços. Nossa
economia se baseia na lógica de consumo, mas nem todas as pessoas se identificam com esse
estilo de vida e nem mesmo o consideram vantajoso para si mesmas.

Uma cultura de mais colaboração e compartilhamento poderia gerar mais segurança de que, no
futuro, não faltará recursos para atender as necessidades de todos.

Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Olho-grande (p.100) Xereta (p.146) Raivoso (p.115)

106
Perfeccionista

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Caprichosa; Detalhista; Exigente; Caprichoso; Detalhista; Exigente;


Meticulosa; Perfeccionista. Meticuloso; Perfeccionista.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de PERFECCIONISTA, podemos no fundo desejar que a pessoa
aceite as coisas como elas estão, sem se preocupar com detalhes. Outras vezes, podemos
querer que a pessoa pare de falar o que não está bom e tenha mais gratidão. Também, podemos
desejar que a pessoa esteja preparada mentalmente para lidar com as decepções da vida, as
falhas e as injustiças humanas, com mais saúde mental.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é PERFECCIONISTA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele passa mais tempo planejando e revisando o que faz do que eu;
● Ele pesa os pacotes que compra e conta os itens que vêm em caixas para ver se os valores
escritos na embalagem estão corretos;
● Para escrever um texto, primeiro ele escreve as palavras-chave associadas ao tema, depois
ele escreve um rascunho à lápis, depois ele pesquisa na internet as palavras que têm dúvida
da ortografia e só então é que ele digita o texto.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Como meus educadores me tratavam quando eu não atendia suas expectativas? Como
meus educadores tratavam a si próprios quando não atendiam suas expectativas? Como
meus educadores me tratavam quando eu atendia suas expectativas? Como eu me trato
quando não atendo minhas expectativas? Como são essas coisas para o outro?
● Como eu sei quando estou fazendo algo na medida ou fazendo mais do que preciso? Quem
me ensinou a identificar essa diferença? Que critérios eu uso? Esses critérios valem para
todas as pessoas? Eu conheço os critérios que o outro usa?
● O que preciso para ser valorizado em minha cultura?

107
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é PERFECCIONISTA:

● Eu gostaria que concluíssemos essa atividade sem fazermos mais ajustes, mas imagino
que você possa querer cuidar de algo que eu ainda não sei. Vamos fazer uma lista de prós
e contras em relação a possibilidade de concluirmos agora essa atividade, com as coisas
que você está levando em consideração e as que eu estou levando para avaliarmos juntos
qual escolha seria a mais sustentável para o projeto?
● Para realizar meus trabalhos, é importante para mim ter clareza de onde eu quero chegar e
como serão as obras que eu quero construir, mas, quando o meu foco fica todo nisso, eu
acabo tendo dificuldades de valorizar as pequenas etapas diárias do meu crescimento,
então criei um caderno de gratidão e, após terminar minhas atividades, tiro uns minutos
para anotar o que eu fiz e celebrar. Isso tem me ajudado a manter minha motivação e
alegria em trabalhar. O que você acha de ter um pra você?
● Na minha família e com meus amigos não era normal que falássemos sobre luto. Em geral,
as pessoas com quem convivi evitavam falar sobre coisas que não davam prazer, mas
percebi, com a CNV, que quando não falamos sobre nossos lutos, nós perdemos a
oportunidade de desenvolver a compaixão e de desenvolver resiliência para lidar com o que
não sai como esperamos, então organizei uma roda de conversa para falarmos de luto e
cultivarmos uma visão de respeito ante os desafios da vida. Quer participar?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando exigimos de nós, das pessoas ou da vida resultados melhores do que estamos
recebendo, sem levar em consideração as limitações de tempo, recursos e saberes, iremos nos
decepcionar constantemente, pois ainda temos muito a evoluir como humanidade e a
intolerância às falhas poderá ser um fator gerador de estresse intra e interpessoal.

Às vezes passamos mais tempo do que necessitamos em um trabalho ou atividade porque


queremos que os resultados sejam os melhores possíveis, outras vezes, podemos agir assim
porque entramos num estado de fluxo e a satisfação de nos superarmos nos oportuniza aprender
enquanto fazemos algo. Também podem haver situações onde estamos preocupados com o que
as pessoas podem pensar do nosso trabalho, como seremos julgados ou o quão recompensados
seremos se formos impecáveis em nossas ações.

Quando nosso foco está direcionado à produtividade, a quantidade do que fazemos pode ser
mais importante do que a qualidade, entretanto, quando nosso foco é o cuidado com a vida,
buscar soluções sustentáveis é o ideal. É claro que quando a solução mais sustentável só é
possível de ser alcançada no longo prazo, podemos ter soluções provisórias que com o tempo
serão incrementadas para chegarmos aonde queremos, mas, no tocante ao cuidado com a vida,
é importante não nos conformarmos e tentarmos diariamente ser melhores, visando
compreender mais a nós e aos outros para valorizarmos mais a vida.

Veja Também

Utópico (p.135) Ganancioso (p.66) Errado (p.56)

108
Preguiçoso

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Água Morna; Ameba; Bicho-preguiça; Água Morna; Ameba; Bicho-preguiça;


Bundona; Caída; Cansada; Bundão; Caído; Cansado;
Descomprometida; Desmotivada; Descomprometido; Desmotivado;
Dorminhoca; Folgada; Imprestável; Dorminhoco; Folgado; Imprestável;
Indisposta; Inútil; Irresponsável; Mole; Indisposto; Inútil; Irresponsável; Mole;
Preguiçosa; Sem-atitude. Preguiçoso; Sem-atitude.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de PREGUIÇOSO, podemos no fundo desejar que a pessoa se
esforce mais para realizar as atividades. Outras vezes, podemos querer que a pessoa tenha mais
motivação, gratidão e responsabilidade com as oportunidades que recebeu. Podemos, ainda,
desejar prevenir que a pessoa tenha dificuldades no convívio com os demais por falta de
motivação dos outros em ajudá-la, uma vez que ela pode não conseguir retribuir o que recebe na
mesma proporção.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é PREGUIÇOSO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele levantou todos os dias da semana depois do meio dia;


● Ele não quis fazer o curso de CNV, porque disse que era muito longo;
● Ele disse que prefere jogar videogame a ir ao parque andar de bicicleta.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Eu já tive dificuldade de realizar atividades que outras pessoas do meu convívio


realizavam? Já fracassei tentando fazer algo e não conseguindo? Como as pessoas
lidaram comigo? Como elas tentaram me incentivar a melhorar? Como eu lidei comigo?
Como eu tentei me incentivar a melhorar? Consegui me superar? O que eu fiz para manter
a esperança de que seria capaz de me superar? Que crenças eu tinha sobre mim, sobre
meu valor como indivíduo? Que crenças eu desejo que o outro tenha de si, sobre seu valor,
quando não consegue realizar o que espero dele?
● Como é o estilo de vida dessa pessoa? Ela trabalha com alguma atividade pesada ou muito
cansativa? Ela está em fase de crescimento ou transformações que demandam do corpo
109
um descanso mais prolongado? Ela está feliz com as atividades que realiza? Ela encontra
ânimo para realizar suas tarefas? Como ajudá-la, nesse caso?
● Qual importância as minhas ações têm para minha vida? Como isso afeta a minha
motivação? Qual importância as ações do outro têm para a ele? Ele tem esperança em
algo? O que ele acredita ser necessário fazer para ser feliz? Como posso ajudá-lo?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é PREGUIÇOSO:

● Há algo que você gostaria de estar fazendo? Que importância essa atividade teria para
você? Há algo que você faz por dever? O que você deseja ter como resultados dessa sua
ação? Que valores seus são contemplados com elas? Você já pensou sobre isso?
● Eu gostaria de avaliar com você se há algo que podemos fazer para te ajudar a ter mais
motivação. Para isso, quero que façamos um balanço sobre vários aspectos da sua vida.
Por exemplo, vamos avaliar como está sua nutrição, como está sua carga de trabalho, a
qualidade do seu descanso, os seus desejos e as suas preocupações, o seu envolvimento
em atividades físicas, a sua conexão com amizade e relacionamento íntimo e demais
pontos que pudermos avaliar para buscar equilíbrio na vida? Posso te ajudar assim?
● Estou fazendo um caderno de gratidão para mim. Ele me ajuda a lembrar o sentido das
coisas que eu faço e cultivar minha esperança de viver em um mundo de mais cuidado com
as pessoas. Acho que isso pode contribuir com você também. Vamos fazer juntos?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Há quem evite se esforçar para ajudar a si ou a um grupo. Possivelmente essa pessoa crê
que, se poupando, terá mais energias para fazer coisas que são mais interessantes para si.
Quando alguém pensa assim, é provável que a pessoa não esteja conectada à sua motivação de
cuidar da vida e, embora busque evitar o desgaste do esforço para fazer mais, acaba não
cultivando sua satisfação em viver o cuidado mútuo nas relações.
Talvez, por questões biológicas, ou por fazer muito esforço físico ou mental, essa pessoa precise
descansar mais que eu. Nesse caso, há o cuidado com a saúde, o que é muito importante. Talvez
dormir seja para ela uma forma de evitar sentimentos desagradáveis, com os quais ela não esteja
conseguindo lidar.
A nossa sociedade é voltada para a produtividade, portanto, somos estimulados a produzir e, até
mesmo, abrir mão de nossa saúde para obter melhores resultados na escola, no trabalho, etc,
mas esse tipo de estratégia pode não ser sustentável a longo prazo para alguns e nem mesmo a
curto prazo para outros. Toda essa carga de trabalho nos estressa física e mentalmente e isso
pode ser um fator desencadeante de sofrimento mental. Se compreendermos melhor as
pessoas, podemos ajudá-las.

Veja Também

Queridinha da Mamãe (p.113) Submissa (p.125) Faz-tudo (p.60)

110
Quebra-galho

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Ajudante; Coadjuvante; Estepe; Quebra- Ajudante; Coadjuvante; Estepe; Quebra-


galho; Reserva; Substituta. galho; Reserva; Substituto.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de QUEBRA-GALHO, podemos no fundo desejar que a pessoa
se especialize mais em alguma atividade. Outras vezes, podemos querer que ela entenda que a
função para a qual foi chamada é passageira e esteja desapegada quanto à possibilidade de ser
substituída. Podemos, ainda, querer incentivar a pessoa a encontrar papéis mais seguros de
atuação, onde ela seja mais valorizada.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é QUEBRA-GALHO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele disse que não conhece muito sobre teatro, mas se faltarem atores podem chamá-lo que
ele se dispõe a ajudar;
● Ele chegou atrasado na primeira aula e ficou sem par no curso de dança. Então, o professor
disse que ele poderia substituir quem faltasse nas outras aulas;
● Ele fez parte do time de vôlei do colégio no torneio municipal. Mas, o técnico o deixou de
reserva e ele só entrava no final das partidas, quando os demais jogadores diziam estar
cansados.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Eu tenho segurança sobre as escolhas que fiz a respeito dos papéis que irei assumir na
vida ou estou assumindo? Quando comecei a ter mais segurança dessas escolhas? Em
quais critérios essa segurança é baseada? Esses critérios funcionam para todos?
● Qual a importância da multidisciplinaridade para você? Como a contribuição com o bem-
estar das pessoas se relaciona com a sua necessidade de felicidade? Que papéis você já
assumiu, mesmo sem muita preparação, para contribuir com pessoas importantes para
você? Você acha que se arrependerá disso no futuro?
● Como ajudar alguém a escolher algo para se especializar? Como ajudar essa pessoa a
saber quais as competências são ou não úteis para ela? É possível fazer isso sem
compreendê-la? É possível ajudar alguém a se compreender sem autoconhecimento?
111
Culpar os outros por não saber escolher o que é melhor para si é uma atitude esperada de
quem tem autoconhecimento? Qual a melhor forma de ajudarmos?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é QUEBRA-GALHO:

● Gostaria que você me dissesse quais das suas ações você escolhe fazer pelo prazer de
contribuir com as pessoas, mesmo que você não tenha uma pretensão em ser um
especialista no assunto, e qual a importância disso para a sua vida. Pode me dizer?
● Você já pensou no tipo de vida que você deseja levar no futuro. Já pensou em como serão
as áreas da sua vida como saúde, amizades, lazer, educação, trabalho e espiritualidade?
Quer bater um papo sobre esses assuntos para avaliar se tem alguma coisa que você pode
começar a fazer para cultivar suas preferências?
● Eu estou precisando de alguém para exercitar a CNV. Gostaria de saber se você poderia me
ajudar, até que eu encontre uma pessoa que já está estudando para que eu possa trocar
conhecimentos com essa pessoa. Você quer me ajudar nesse meio tempo? Você tem
disponibilidade? Tem interesse em conhecer a CNV? Tudo bem para você que eu esteja
buscando outra pessoa para seguir estudando comigo depois? Caso você tenha interesse
em seguir estudando comigo, podemos pensar em outras soluções, OK?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando fazemos o que está ao nosso alcance para ajudar os outros, dedicando todo o nosso
tempo em contribuir, sem levar em consideração o que é importante para o tipo de vida que
desejamos viver, podemos estar usando um tempo precioso para fazer coisas que não são as
nossas prioridades e, como consequência, podemos estar deixando de buscar a realização dos
nossos projetos pessoais, nas várias áreas da nossa vida.
Por outro lado, nem sempre a forma de descobrir o que faz sentido para a nossa vida se dará de
uma forma tradicional, como por estudos formais ou pela profissão de nossos pais. Às vezes,
descobrimos nossa vocação “acidentalmente” quando nos dispomos a contribuir com as
pessoas e participar de atividades, sem ter preparação para isso. Além disso, quem foi que disse
que a realização pessoal depende de ser especialista em alguma coisa? Há quem possa ser
realizado participando de várias iniciativas de contribuição, desenvolvendo múltiplas habilidades
e estando integrado a várias ações de cuidado com a vida.
Nossa cultura propaga uma visão de que ser bem-sucedido significa ter muitos bens, um cargo
alto em uma empresa, estar com pessoas famosas, ter poder e proteger nossos bens pessoais
dos outros. Mas, essa visão destoa do nosso senso íntimo de que viver o amor e a compaixão é
o que nos nutre. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Capacho (p.43) Imitão (p.74) Egoísta (p.53)

112
Queridinha da Mamãe

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Favorecida; Favorita; Mimada; Preferida; Favorecido; Favorito; Mimado; Preferido;


Privilegiada; Queridinha da Mamãe; Xodó. Privilegiado; Queridinho da Mamãe; Xodó.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de QUERIDINHA DA MAMÃE, podemos no fundo desejar que a
pessoa não aceite ser tratada diferente dos demais. Outras vezes, podemos querer que a pessoa
sinta vergonha, porque achamos que a forma como ela é tratada é injusta. Podemos, também,
desejar ajudar essa pessoa a se preparar para viver contextos em que ela não terá os privilégios
e as vantagens que agora possui.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é QUERIDINHA DA MAMÃE, dizemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela é a única menina da turma que é levada e buscada no colégio pela mãe;
● Ela foi a única filha que teve uma festa de aniversário de 1 aninho. Os outros 2 irmãos não
tiveram. Além disso, diferente dos demais, ela nunca foi deixada de castigo;
● Ela ganhou carro e apartamento dos pais e eles também pagam a faculdade para ela.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Que bens eu gostaria de ter em minha vida para que eu me sentisse mais realizado? Há
algo que me ajudaria a ter mais autonomia? Há algo que me ajudaria a ter mais saúde e
segurança? Há algo que me ajudaria a ter mais lazer e descanso? Há algo que a outra
pessoa tem que eu acho que seria bom eu ter também? Pensando no meu crescimento
pessoal, será que seria bom mesmo? O que já aprendi com minhas dificuldades?
● Que lições eu tive a oportunidade de ter que a outra pessoa não teve, pois não precisou
enfrentar as mesmas dificuldades que eu? Como essas lições afetam quem eu sou hoje?
Na época em que eu estava enfrentando tais dificuldades, eu conseguia reconhecer a
importância que hoje eu dou a elas? Quais dificuldades eu enfrento hoje que serão futuras
professoras minhas, mas que eu não dou o devido valor ainda?
● Como motivar as pessoas que têm mais recursos a ajudar as que têm menos? Culpá-las
pode ajudar? Criar uma relação de empatia mútua pode ajudar? Qual delas eu prefiro?

113
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é QUERIDINHA DA MAMÃE:

● Vamos fazer uma roda onde falaremos sobre desafios que enfrentamos e aprendizados
auferidos dessas experiências. Acredito que há muitas dificuldades que enfrentamos que
não ficam evidentes, dependendo de nossas aparências, mas, com essa dinâmica,
poderemos reconhecer melhor a humanidade uns dos outros. Vamos participar?
● Mãe, você pediu para eu lavar a louça durante a semana, mas não pediu nenhuma vez à
minha irmã. Eu desejava mais igualdade. Mas, me ocorreu que você está deixando-a
disponível, pois com ela você consegue desabafar. Você está precisando ser ouvida? Há
alguma outra necessidade sua que você está tentando atender com isso? Posso ajudar?
● Estou em dúvida se quando você deixar de morar na casa da sua mãe, você conseguirá
lidar com os desafios de administrar sua vida pessoal, pois vejo sua mãe te levar e buscar
dos lugares e sei que você apenas estuda, sem precisar trabalhar. Como é essa situação
para você? Quer saber quais cuidados eu procuro ter morando sozinho? Quer passar uns
dias aqui comigo para ver como você se sai longe de sua mãe?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando temos mais privilégios que as demais pessoas, podemos fazer uma imagem da vida
incompleta, onde não percebemos os desafios que outras pessoas experimentam e isso dificulta
para que tenhamos empatia por elas. Como consequência, podemos não buscar ações que
contemplam o bem-estar de todos, já que não estamos sensíveis ao que os demais precisam.

Há quem entenda e já tenha experimentado o esforço que os demais passam e aproveitam


desses privilégios para preservar-se, pois tal esforço é desagradável para si. Nesses casos, a
pessoa que age assim terá mais chances de enfrentar problemas nas relações com os outros.

Por outro lado, há pessoas conectadas à sua humanidade que usam seus privilégios em favor de
todos, como se eles fossem uma plataforma para que seu propósito seja realizado. Há ainda
alguns tipos de benefícios criados para reduzir a desigualdade social e buscar restaurar prejuízos
históricos sofridos por pessoas de alguns povos como indígenas, negros e famílias de baixa
renda.

Infelizmente, a noção de felicidade do sistema capitalista em que vivemos ainda é bastante


pautada no acúmulo de bens e posses, na busca por vencer competições, na formação de
classes submissas às autoridades e numa busca por poder. Nesse contexto, os privilégios
podem ser vistos como uma forma mais segura de alguém ser feliz, porém, se pensarmos
sistemicamente, a felicidade só é possível quando há paz, e a paz depende de igualdade de
direitos, equidade de oportunidades, compreensão das pessoas e valorização da vida.

Veja Também

Submissa (p.125) Faz-tudo (p.60) Desgraçado (p.47)

114
Raivoso

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Braba; Brava; Colérica; Danada; Enfurecida; Brabo; Bravo; Colérico; Danado; Enfurecido;
Irada; Irritada; Raivosa; Uma Fera; Zangada. Irado; Irritado; Raivoso; Uma Fera; Zangado.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de RAIVOSO, podemos no fundo desejar que a pessoa aja com
mais calma e cuidado conosco. Outras vezes, podemos querer que a pessoa seja mais empática
ao escutar críticas. Ou ainda, podemos desejar que a pessoa tenha resiliência para lidar com
injustiças humanas, para preservar sua saúde mental.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é RAIVOSO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele bateu com a mão na mesa e aumentou a voz, dizendo “vão a merda!”, quando os colegas
falaram que corinthiano é maloqueiro e sofredor;
● Ele queimou as cartas e as fotos da ex-namorada, quando ela terminou com ele;
● Ele buzinou 3 vezes para o carro que ficou parado quando o semáforo ficou verde;
● Ele ligou para a polícia quando o filho da vizinha deu uma festa, quarta depois das 22h.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● O que eu aprendi sobre a raiva? Disseram-me que é um sentimento mal? Disseram-me que
eu não devo senti-la? Entendi que devo reprimi-la? Me ensinaram a entender o que a raiva
deseja me dizer? Me ensinaram a tentar compreender a raiva: minha e do outro? A raiva
pode ser útil? A raiva pode ser perigosa? Existe um limite seguro para a raiva?
● O que aprendi sobre limites? Os meus limites são os mesmos que os do outro? Como sei
que minhas ações não respeitam os limites do outro? Como reajo quando alguém cruza
um limite meu? Identifico ações que eu considero erradas ou injustas nos outros? O que
penso do outro ao identificar tais ações? O que sinto quando isso acontece?
● O que aprendi a fazer quando sinto raiva? Sei me reconectar à minha humanidade? Sei
reconhecer minha corresponsabilidade nas ações do outro? Reconheço que participo da
sua educação e que essa educação influencia em suas escolhas? Consigo elaborar meus
medos por trás da minha raiva? Consigo elaborar os lutos por trás da minha raiva? Consigo
elaborar os medos e lutos do outro e humanizá-lo em meus pensamentos?
115
● Sei a diferença entre compreender a raiva do outro e concordar com suas atitudes?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é RAIVOSO:

● Você mandou-me calar a boca. Talvez você queira um espaço para gerenciar melhor as
coisas internas antes de voltarmos a falar. É isso? Lamento por reconhecer que você não
estava seguro de que poderia me pedir isso de outra forma e ser entendido. Mas, mesmo
que tenha sido de uma forma que eu não gosto, eu acolho seu pedido.
● Eu gostaria de te dar um feedback sobre o trabalho, mas quero me assegurar que você irá
recebê-lo como uma oportunidade de aprendermos um com o outro, sem pensarmos que
estamos competindo para ver quem está certo. Para isso, quero fazer um acordo com você
de que, se em qualquer momento você desejar que eu compreenda algo, você pode me
interromper e irei ouvir suas considerações. Pode ser?
● Você me disse que teve um desentendimento no trabalho, e estou preocupado se as
pessoas vão compreender e acolher a forma como você se expressa quando acha que as
coisas não estão certas. Eu estou aprendendo formas alternativas de expressar quando
não gosto de algo em um curso sobre CNV. Posso te dar alguns exemplos?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


A raiva nos indica que nossos limites estão sendo feridos por alguém e aloca uma energia no
nosso corpo para tentarmos preservar necessidades importantes nossas. Porém, a forma como
essa preservação se dá, pode ocorrer através de uma imagem de inimigo do outro, apoiado por
pensamentos de condenações e intolerância às suas ações. A raiva em si não determina nossas
ações. Ela é como uma música desagradável que podemos escolher dançar sobre esse embalo
ou não. A música da raiva é irritante e a forma como tentamos restaurar a harmonia é forçando
o outro a mudar ou se afastar, pois atribuímos a ele a desafinação.

Uma outra forma de se relacionar com a música da raiva é escutando mais profundamente o que
ela está nos dizendo e usando ela para cuidarmos mais da vida, então, veremos que o outro é um
espelho, não a fonte da música ruim. A música está sendo tocada pelos nossos pensamentos,
nossa forma de condenar o outro, e ela revela, na verdade, uma dissincronia entre nossa
expectativa de ter nossos limites respeitados e nossa esperança de que vamos ter acesso ao
outro para pedir que nos ajude a cuidar do que é importante. A raiva nos mostra que queremos
ser compreendidos e ajudados pelo outro, mas não estamos seguros de que ele irá nos entender.
Quando vemos a raiva dessa forma, nos empoderamos, pois temos maiores chances de buscar
esse cuidado mútuo que a raiva nos sinaliza que está em risco. Nossa cultura não nos ensina
isso sobre a raiva e perdemos a oportunidade de compreender e valorizar as pessoas ou a nós
mesmos quando a sentimos.

Veja Também

Valentão (p.137) Insensível (p.78) Horrível (p.72)

116
Rebelde

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Desobediente; Do Contra; Inconformada; Desobediente; Do Contra; Inconformado;


Indignada; Indomável; Insubordinada; Indignado; Indomável; Insubordinado;
Rebelde; Revoltada. Rebelde; Revoltado.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de REBELDE, podemos no fundo desejar que a pessoa aceite as
nossas orientações ou de alguém. Outras vezes, podemos querer que a pessoa aja como os
demais. Podemos, ainda, querer prevenir que a pessoa se prejudique por fazer ações que
colocam em risco a sua segurança.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é REBELDE, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele cortou as mangas do uniforme da escola e pintou os cabelos de verde;


● Ele disse que não sentaria para conversar com os colegas, pois preferia ficar em pé;
● Ele saiu do grupo de conversas da família, quando disseram para ele não enviar mais
mensagens sobre política.
● Ele colou cartazes de animais sacrificados para o consumo humano, na parede do
frigorífico, escrito “parem a violência contra os animais”.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Esta pessoa está consciente do que as regras e normas visam cuidar? Sua posição foi
ouvida com empatia pelo grupo ou comunidade? Do que essa pessoa está querendo cuidar
que não seria possível com as regras que lhe foram apresentadas?
● Sei a diferença entre “respeitar” e “obedecer”? Sei a diferença entre “propostas” e “ordens”?
Sei a diferença entre “compreender” e “concordar”? Sei a diferença entre “poder com” e
“poder sobre” o outro? Sei mostrar ao outro essas diferenças?
● Reconheço minhas limitações em mostrar ao outro formas mais sustentáveis de viver, sem
culpá-lo quando não me faço claro o suficiente para ser compreendido e confiado?
● Sei identificar as necessidades da outra pessoa que eu não priorizo tanto quanto ele?
Reconheço que uma estratégia ideal precisaria contemplar as necessidades de todos?

117
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é REBELDE:

● Eu esperava que você fosse aceitar minha proposta de visitarmos sua avó e não achava
que você fosse dizer não. Gostaria de saber se há algo mais urgente que você gostaria de
resolver e se podemos pensar em uma forma de te ajudar a resolver suas prioridades para
que depois você tenha disponibilidade para visitá-la comigo. Pode ser?
● Talvez tenhamos pessoas com diferentes preferências no nosso grupo e acho que seria
legal falarmos sobre coisas que gostamos de fazer que podem não ser iguais às das
demais pessoas, tendo em vista estarmos mais abertos à autenticidade de cada um.
Vamos fazer uma roda de conversa para falarmos desse assunto?
● Você disse que iria sair com seus amigos hoje à noite. Ao mesmo tempo que quero apoiar
sua autonomia, estou preocupada com sua segurança. Para eu ficar mais tranquila, quero
propor que você me mande uma ou duas mensagens ao longo da noite me confirmando
que está tudo bem e, se pressentir que há qualquer perigo, me liga, tá?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


É possível que o outro queira contestar regras ou posturas que firam, de algum modo, valores
importantes seus, e ele pode querer garantir que terá autonomia para cuidar desses valores.
Talvez, por não compreender do que as leis e normas desejam cuidar, ela as receba como ordens
e procure proteger sua necessidade de autonomia.

Uma postura rebelde oferece mais liberdade de escolha para um indivíduo, mas traz também um
risco de conflito, punição ou rejeição por parte das autoridades ou da sociedade.

Ainda hoje, muitos de nós recebemos uma educação que se baseia na ideia de que existe uma
autoridade que sabe o que é melhor para nós, seja na escola, em casa, no trabalho ou na política,
mas, nem sempre essas autoridades nos ouvem ao definir as regras. Também nem sempre
somos comunicados do porquê de cada norma e como ela cuida de nossas necessidades.

Podemos começar em casa, ou no grupo de amigos, uma cultura na qual tenhamos mais
oportunidade de ser ouvidos, de tirar dúvidas a respeito das regras e de participar das tomadas
de decisões, mas essa participação nas regras precisa ser incentivada desde cedo para
cultivarmos uma consciência de inclusão nas pessoas. Assim, com mais flexibilidade, podemos
tentar criar um ambiente mais acolhedor a quem pensa diferente.

Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Raivoso (p.115) Valentão (p.137) Louco (p.86)

118
Rígido

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Ácida; Áspera; Austera; Azeda; Ácido; Áspero; Austero; Azedo;


Dura; Firme; Fria; Grave; Rígida; Duro; Firme; Frio; Grave; Rígido;
Rigorosa; Ríspida; Séria; Severa. Rigoroso; Ríspido; Sério; Severo.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de RÍGIDA, podemos no fundo querer que a pessoa aceite
nossas propostas. Outras vezes, podemos desejar que a pessoa tenha mais empatia por nós. Ou
ainda, podemos querer ajudar o outro a aproveitar a diversidade de ideias, pessoas e
oportunidades, visando o cuidado mútuo.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é RÍGIDA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele disse ao colega que estava olhando fotos no celular que, durante o trabalho, não era
hora de “ficar de conversinha” e que aquilo não era uma atitude madura;
● Ele disse para os estudantes que só daria presença para quem chegar e sair no horário
combinado. Quem chegasse depois ou saísse mais cedo, teria falta;
● Ele disse que continuaria fazendo as coisas do jeito dele, mesmo se alguém achasse que
ele estava errado, pois o mais importante era o que ele pensava, não os outros.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● O que eu preciso para mudar de opinião? O quanto de segurança eu preciso ter para isso?
O quanto eu estou disposto a assumir riscos? Quais os meus limites ante os riscos que
assumo? Como a pressa em terminar algo facilita ou dificulta para eu ouvir outras ideias
sobre o que estou fazendo? Que suportes eu tenho se eu fracassar em minhas escolhas?
Quais minhas experiências de sucesso e fracasso? Como é isso para o outro?
● Já fui beneficiado ao mudar de ideia? Tiveram vezes em que eu não fui beneficiado? No
que já fui prejudicado? Como isso me marcou? Como é isso para o outro?
● Já fui beneficiado por manter uma ideia? Já percebi pessoas sendo prejudicadas por abrir
mão delas? Como isso me marcou? Como é isso para o outro?
119
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é RÍGIDA:

● Vou fazer uma roda de conversa sobre benefícios e prejuízos de tentarmos fazer coisas
novas, onde os participantes vão falar sobre quais os principais aprendizados que cada um
teve em suas estratégias e poderão ouvir o que os outros aprenderam também. Eu acho
que todos poderiam ser beneficiados com sua presença. Quer participar?
● Acho que se mudarmos de estratégia teremos melhores resultados em nosso projeto. Eu
tenho algumas ideias sobre coisas que podem melhorar, mas imagino que você tenha visão
diferente da minha e possa levar em consideração variáveis que eu não levei. Eu gostaria
de te apresentar as minhas ideias e que você avaliasse comigo se há pontos vulneráveis
nela e se você considera possível implementarmos. Pode ser?
● Tentei falar com você algumas vezes e você não me respondeu. Estou inseguro se você
percebe meus sentimentos. Poderia me dizer como me sinto e como é isso para você?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando a rigidez representa falta de abertura para acolher novas ideias, autoritarismo e
outras posturas que indicam indisposição para considerar formas alternativas de pensar ou agir
isso pode ser prejudicial, pois necessidades importantes como acolhimento, educação e
contribuição podem não ser atendidas.

Nós precisamos de um percentual de rigidez em nossa vida, em especial, naquilo que está na
base do que fazemos. Metaforicamente, podemos perceber que o corpo também precisa de uma
estrutura firme: nosso esqueleto. Na vida compartilhada, essa estrutura firme pode ser um
conjunto de valores e princípios que apoiam uma forma de viver com mais amor, justiça e
solidariedade. Outro exemplo é a firmeza quanto ao comprometimento pessoal com o próprio
propósito de vida.

A maior parte do nosso sistema educacional propaga uma forma de ensino baseado em
instrução, na qual as pessoas precisam saber executar o que as autoridades mandam. O clima
competitivo nos faz enxergar outros colegas como inimigos e desconfiar de suas sugestões que
podem ser tentativas de nos passar para trás. Junto a isso, há golpes e manipulações por internet
ou telefone tentando tirar dinheiro das pessoas e pode ser difícil sabermos no que ou em quem
confiar. Portanto, se queremos flexibilidade da parte do outro, precisamos de uma abordagem
que demonstre respeito à uma forma mais fechada, metódica ou desconfiada de ser. Se
compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Controladora (p.45) Perfeccionista (p.107) Desorganizado (p.49)

120
Santinha

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Ajuizada; Boazinha; Certinha; Decente; Ajuizado; Bonzinho; Certinho; Decente;


Comportada; Recatada; Santinha. Comportado; Recatado; Santinho.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de SANTINHA, podemos, no fundo, desejar que a pessoa aceite
algo que queremos, mesmo se achar errado. Outras vezes, podemos querer que ela relaxe e
procure não tentar ser tão agradável e cuidadosa conosco. Ou ainda, podemos desejar que ela
seja mais crítica em relação às pessoas para não ser enganada.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é SANTINHA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela usa roupas que não mostram o corpo e não vai a festas com os demais jovens;
● Ela nunca faltou às aulas e passou em todas as disciplinas com notas acima da média;
● Ela faz trabalho voluntário, visita orfanatos, asilos e organiza doações de roupas e cestas
básicas a pessoas e famílias desabrigadas.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Qual a importância da ética para mim? Qual a importância do respeito à liberdade de


escolha das pessoas? Qual a minha principal motivação para ser ético: agradar as
autoridades para evitar punição e ser recompensado ou viver o que faz sentido para mim?
Sinto satisfação com minha ética? Como são essas questões para a outra pessoa?
● O que essa pessoa aprendeu que acontece, se as regras não forem seguidas? O que ela
aprendeu que acontece, se as regras são seguidas? O que eu aprendi? Qual a importância
das regras para mim, para a minha família? Qual a importância das regras para meus
amigos?
● Há regras que eu considero que não cuidam das pessoas? Há regras que eu gostaria de
mudar? Há regras que eu penso que tomam muito tempo das minhas ações?
● Será que estou preocupado com a espontaneidade minha e das pessoas?

121
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é SANTINHA:

● Gostaria de entender quais as suas motivações para não sair para festas. Você foi proibida
por seus pais ou você tem algum valor ou princípio pessoal que não estaria sendo
respeitado se você escolhesse sair?
● Eu não leio os termos de uso dos sites e aplicativos. Acho que você não precisa se
preocupar com isso, pois nunca tive qualquer problema legal por não ter lido, então, imagino
que não vai acontecer nada, mas, essa é a minha experiência. O que acha?
● Eu vejo você falando sobre CNV, sobre humanização e respeito às pessoas, mas gostaria
de checar com você qual a diferença você faz entre “reconhecer que todas as pessoas são
dignas de serem amadas e respeitadas” e “reconhecer que algumas ações de algumas
pessoas podem ferir você”. Você acha que uma ideia anula a outra? O que você faz para se
prevenir de ser prejudicada?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Se aprendermos que precisamos obedecer para sermos valorizados, podemos deixar de
lado nosso senso crítico e até abrir mão das nossas próprias necessidades. Há pessoas que
colocam as regras acima do seu bem-estar e até do bem-estar humano e, quando isso acontece,
elas podem usar as regras como uma justificativa para comportamentos que elas teriam
dificuldade de admitir que são escolhas pessoais. Isso é algo que gostaríamos de evitar, por isso,
nem sempre queremos que as regras sejam seguidas, especialmente, se elas não estiverem
alinhadas à nossa ética.

Por outro lado, há pessoas que buscam agir alinhadas aos seus valores e princípios, para elas,
as regras mais importantes são as internas, que vão sendo construídas com o exercício da
empatia. Ademais, no convívio, precisamos saber formas específicas para cuidarmos uns dos
outros. Precisamos saber fazer pedidos claros, quando desejamos que as pessoas contribuam
para atender nossas necessidades. Criar regras é uma forma de propor ações coletivas. Seguir
as regras, pode ser um meio de apoiar essas ações de cuidado mútuo.

Em uma sociedade onde as regras para se ter justiça promovem a vingança, onde aqueles que
não seguem as regras são punidos e aqueles que seguem as regras são recompensados,
podemos ter dificuldade de questionarmos as autoridades e buscarmos atualizar essas regras,
mas não podemos esquecer que cada cidadão pode influenciar na criação de novas regras para
a nossa sociedade. Como estamos usando nosso poder de criar regras? Quais regras
gostaríamos que fossem seguidas e quais não achamos mais necessárias? Se compreendermos
as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Zen (p.148) Lerdo (p.84) Mau (p.88)

122
Sentimental

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Chorona; Emotiva; Lamurienta; Manhosa; Chorão; Emotivo; Lamuriento; Manhoso;


Manteiga-derretida; Patética; Sensível; Manteiga-derretida; Patético; Sensível;
Sentimental. Sentimental.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de SENTIMENTAL, no fundo podemos desejar que a pessoa
aceite a forma como a tratamos sem reclamar. Outras vezes, podemos querer que a pessoa não
chore, não tenha medo ou não fique triste. Ou ainda, podemos desejar que a pessoa desenvolva
resiliência para lidar com as intempéries da vida com otimismo, coragem ou fé e sem se
desesperar e se desestruturar quando as coisas ficarem difíceis.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular. Então, em vez de
dizer que alguém é SENTIMENTAL, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele disse que chora todas as vezes que assiste o filme “O Rei Leão”;
● Ele disse que as pessoas que votaram no atual presidente são insensíveis e não se
importam com a desigualdade social, o meio ambiente e com os animais;
● Quando ele soube que a carne que estava comendo era de um ser vivo, ele chorou e disse
que não queria que os animais fossem machucados para ele se alimentar;
● No primeiro dia de aula, ele ficou chorando depois que a mãe dele se despediu e os
professores decidiram ligar para ela, para ver se ela conseguia acalmá-lo, mas, quando
chegou o último dia de aula, ele também chorou e disse que ficaria com saudades dos
amigos e dos professores e que, se dependesse dele, todos continuariam juntos.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● O que eu aprendi sobre as emoções? Me disseram que quem chora é fraco? Me disseram
que é errado sentir medo ou ficar triste? Na minha infância, o que as pessoas me diziam
quando eu expressava minhas emoções? Alguém me explicou por que temos emoções?
● Como minhas experiências passadas afetam minhas respostas emocionais do presente?
Como meu paradigma afeta meu temperamento e meu grau de otimismo em relação à

123
vida? Como minhas crenças sobre o que é certo e errado afetam minha expressão afetiva?
Sobre esses aspectos, quais as diferenças entre mim e a outra pessoa?
● Qual a diferença entre luto e agonia? Qual a diferença entre compaixão e dó? Qual a
diferença entre medo e desespero? Qual a diferença entre desabafo e reclamação? Como
dar suporte a alguém em sofrimento mental? O que fazer e falar para ajudar?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é SENTIMENTAL:

● Eu vi você chorar e gostaria de saber como é para você essa situação. É possível que eu e
você estejamos interpretando de forma diferente o que ocorreu. Há alguma necessidade
sua que você gostaria de ter atendida que considera que não foi?
● Não sei se você está apenas triste, ou se está se sentindo culpado ou talvez agoniado com
alguma situação. Gostaria de saber quais pensamentos você está tendo nesse momento
para descobrir se há algo que eu possa fazer para te ajudar, mas, se você preferir, posso
apenas te fazer companhia e deixar as coisas acalmarem antes de falarmos. O que você
acha?
● Quero te convidar a participar de uma roda de conversa onde iremos falar sobre nossas
emoções e fatores que são mais ou menos pesados para nós nos conectarmos. A minha
expectativa é que se nós descobrirmos mais pessoas, que podem estar passando por
situações parecidas ou não com as nossas, saberemos que não estamos sós. Quer ir?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando nossas emoções tomam conta e não conseguimos raciocinar direito, podemos ter
algumas dificuldades de tomar certas decisões e, por consequência, fazer coisas das quais nos
arrependemos. Dependendo da nossa forma de pensar sobre as situações, podemos ficar
perdidos em julgamentos sobre nós, sobre os outros ou mesmo sobre a vida, mantendo uma
forma de pensar que nos afasta da nossa humanidade e cultiva o pessimismo e a desesperança
ante o futuro.

Por outro lado, a repressão afetiva é bastante incentivada e, se não nos conectarmos aos nossos
sentimentos, será mais difícil identificarmos nossas necessidades e até mesmo ter empatia com
as pessoas. Além disso, expressar os sentimentos é um ato de vulnerabilidade, por isso, pode
requerer mais coragem do que permanecer indiferente ou contido.

Numa sociedade onde o materialismo é fortalecido é difícil acharmos sentido na vida e lidar com
certas frustrações, pois, sob essa ótica, nossa consciência é produto de nossos corpos e está
em constante risco de morrer e desaparecer. Coragem, esperança, aceitação, otimismo e fé
podem ser confundidas com ingenuidade. Numa cultura com tais crenças, o desespero é
justificável. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Jururu (p.82) João-ninguém (p.80) Insensível (p.78)

124
Submissa

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Controlada; Complacente; Condescendente; Controlado; Complacente; Condescendente;


Maleável; Manipulável; Obediente; Pau- Maleável; Manipulável; Obediente; Pau-
mandada; Passiva; Subalterna; Submissa. mandado; Passivo; Subalterno; Submisso.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de SUBMISSA, podemos no fundo desejar que essa pessoa
exerça mais sua autonomia. Outras vezes, podemos querer que ela expresse sua preferência ao
ouvir propostas. Podemos, ainda, estar preocupados com a possibilidade de ela não saber que
pode expressar o que ou sente.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é SUBMISSA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● A pedido do chefe, ela disse ao cliente que era a última peça, mas sabia que não era;
● Ela parou o que estava fazendo para atender o pedido de outra pessoa;
● Ela aceitou cursar direito, por sugestão da mãe, embora preferisse biologia;
● Ela me disse que não gosta de verde, mas concordou em pintar seu quarto dessa cor para
aproveitar a tinta que sobrou do quarto dos seus pais;

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Será que os momentos que essa pessoa mais foi valorizada foram aqueles em que estava
fazendo o que lhe foi pedido?
● Será que as pessoas lhe davam espaço para participar? Como as pessoas reagiam quando
ela tinha uma opinião diferente?
● Como eu posso apoiar para que ela tenha segurança de expor suas preferências?

125
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é SUBMISSA.

● Eu gostaria de saber mais sobre seus valores e suas preferências para que possamos levar
suas opiniões em consideração. Vamos conversar sobre isso?
● Como eu posso te ajudar a se sentir segura para expressar suas preferências quando eu te
pedir algo? Quer que eu te dê mais tempo do que venho dado para você pensar?
● Quero te ajudar a conciliar suas necessidades com as das demais pessoas. Pensei em ver
quais as condições mínimas que seriam confortáveis para os outros, de modo que você
possa ter mais flexibilidade para escolher o que prefere. Pode ser?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Às vezes, nossa vontade de cuidar do bem-estar dos outros nos leva a dar mais importância
para o que eles querem do que para o que nós queremos. Se agirmos sempre assim, há um risco
de acatar tudo que as pessoas nos pedem e, embora nossa intenção possa ser a de agradar,
podemos fazer coisas que não estejam totalmente alinhadas aos nossos valores. Quanto mais
nos desalinhamos à nossa ética, mais pesado vai sendo sustentar nosso “SIM” aos outros,
quando, na verdade, gostaríamos de cuidar de outras coisas e, pouco a pouco, ficamos
desgastados. Além disso, podemos ter a expectativa de que as pessoas vão nos priorizar da
mesma maneira e, quando isso não ocorre, podemos achá-las injustas e ficar perdidos sobre
como resolver isso, já que estamos evitando “incomodar” os outros.

Por outro lado, não precisamos abrir mão da gentileza, do carinho, do respeito, da sensibilidade
ao bem-estar dos outros para termos autonomia e até para discordar das ações e opiniões que
não dialogam com a nossa ética. Uma pessoa submissa, em geral, prioriza o bem-estar dos
demais e é mais propícia a abnegação. Isso é algo importante ao mundo, mas precisamos ficar
atentos sobre qual a nossa motivação para fazer isso. É para comprar o amor das pessoas? É
para termos em troca o cuidado delas? Ou é a forma mais autêntica que achamos para
vivenciarmos nosso amor nas relações, porque refletimos sobre o que o outro sugeriu e
confiamos que vale a pena fazer o que ele sugere?

Se nossa sociedade nos educasse para colocar o cuidado com as pessoas em primeiro plano,
se a empatia fosse parte do nosso aprendizado escolar, é provável que descobriríamos desde
cedo formas de valorizar os outros, sem abrir mão de nossa autenticidade. O que podemos fazer
para trazer tais prioridades para nossa cultura? Talvez, valorizar a doação das pessoas tentando
ajudá-las a ter suas preferências contempladas seja uma forma de termos equilíbrio nesse
cenário. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Faz-tudo (p.60) Quebra-galho (p.111) Controladora (p.45)

126
Tadinho

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Coitadinha; Ferida; Melindrosa; Pobrezinha; Coitadinho; Ferido; Melindroso; Pobrezinho;


Ressentida; Tadinha; Vitimizada. Ressentido; Tadinho; Vitimizado.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de TADINHO, podemos no fundo desejar que a pessoa reclame
menos das coisas. Outras vezes, podemos querer que a pessoa tenha iniciativa e mais motivação
para enfrentar os desafios da vida. Podemos, ainda, desejar que a pessoa tenha mais resiliência
para que isso contribua com sua saúde mental.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é TADINHO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele disse que estava tão frio que ele não conseguiu sair da cama para ir para a escola;
● Ele disse que não aguenta mais a chuva, pois ela não permite que ele saia de casa;
● Ele disse que até gostaria de jogar basquete, mas não conhece ninguém que joga;
● Ele ficou no quarto durante a festa de aniversário. Quando perguntaram a ele por que ele
não saiu, ele disse que não foi convidado. Ninguém foi chamá-lo no quarto;
● Ele disse que ninguém lembrou do aniversário dele e que isso mostrava o quanto as
pessoas não o valorizam.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Quando você precisa de ajuda, tem facilidade em obter? É mais fácil quando as pessoas
percebem que sua situação é grave? Você se mobiliza para ajudar quando percebe que
alguém está em crise? E quando não estão, sua motivação é diferente?
● Você conhece meios diferentes de instigar as pessoas a contribuir, sem partilhar suas
dificuldades? Considera a possibilidade de que nem todas as pessoas conseguem? Saberia
ensinar alguém, sem culpabilizar a pessoa porque ela faz diferente?
● Você já perdeu a motivação em ajudar alguém porque acha que essa pessoa reclama de
mais? Você acha que se ela tivesse experiência em usar um jeito mais seguro de ter apoio
ela mudaria a forma de se comportar? Há algo que você possa ensinar a essa pessoa?
Você estaria disposto a dar empatia e ajudá-la antes de tentar mostrar a ela outras formas

127
de pedir ajuda? Irá respeitar o tempo que ela poderá levar para aprender, sabendo que cada
pessoa terá mais ou menos facilidade?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é TADINHO:

● Gostaria que você compartilhasse comigo sobre quais os momentos da sua vida você teve
mais contribuição das pessoas e o que você aprendeu com isso. Quer me falar?
● Gostaria que você compartilhasse comigo sobre quais coisas você tem menos motivação
para fazer e quais as que você tem mais e por quê. Quer me falar?
● Quero ouvir os desafios que você vem passando nessa situação. Estou disposto a tentar
compreender quais as experiências você já teve para considerar que as pessoas podem
não estar interessadas em te ajudar. Se você topar, gostaria de sugerir algumas frases que
você poderia usar com essas pessoas e treinar com você isso. Vamos tentar?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando uma pessoa expressa seus sofrimentos para alguém ou um grupo na intenção de
ter suporte, as demais podem se mobilizar para ajudá-la, mas, se quem oferece ajuda desconfiar
que quem pede está aumentando o problema, colocando-se como incapaz ou insinuando que as
demais pessoas não o ajudam da forma como deveriam, é possível que rapidamente a motivação
de quem ajuda acabará. Isso porque, quem ajuda pode sentir-se inseguro de que a sua ajuda será
sustentável, uma vez que não prevê que o outro buscará meios que não dependem do ajudante
para resolver seus problemas. Como consequência, aquele que sofre por falta de ajuda terá
menos pessoas disponíveis, agravando a situação.
Com o tempo, em vez de entendermos que a pessoa precisa de ajuda, começamos a dizer que
ela se vitimiza. Em seguida, culpamos essa pessoa por não se esforçar o suficiente para
melhorar. Porém, basta pensarmos com mais profundidade, para entendermos que, se a pessoa
soubesse um jeito seguro de ser compreendida e ter suas necessidades atendidas, ela agiria
diferente. Por isso, apontar suas falhas não é suficiente para incentivá-la a ter autonomia ou a
pedir compreensão e ajuda com mais clareza. Pelo contrário, se agirmos assim podemos estar
oferecendo estímulos que agravam a desesperança do outro em ter uma vida melhor, pois se ele
já precisava lidar com suas limitações, agora terá de lidar com a imagem de que é um fardo para
as pessoas, ficando mais propenso à depressão.
Na nossa sociedade, os idosos ou pessoas acometidas por certas doenças físicas ou em grave
sofrimento psíquico podem perder as forças e o ânimo de fazer certas coisas que antes faziam,
e as demais pessoas podem criticá-las de não se esforçarem o suficiente. Às vezes, essas
pessoas eram a última esperança de suporte de quem está sofrendo. Isso agrava seu sofrimento
mental e até pode ser fator desencadeante de doenças físicas. Por isso precisamos de mais
empatia, para compreendermos as pessoas e valorizá-las.

Veja Também

Ofendido (p.98) Vítima (p.142) Bárbaro (p.35)

128
Teimosa

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Cabeça-dura; Cabeçuda; Inflexível; Insistente; Cabeça-dura; Cabeçudo; Inflexível; Insistente;


Irredutível; Obcecada; Obstinada; Teimosa. Irredutível; Obcecado; Obstinado; Teimoso.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de TEIMOSA, podemos no fundo desejar que a pessoa desista de
algo. Outras vezes, podemos querer que a pessoa tenha mais confiança em relação às nossas
propostas. Ou ainda, podemos estar preocupados se as atitudes dessa pessoa irão gerar algum
prejuízo para ela e desejamos prevenir isso.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é TEIMOSA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela cortou o dedo, mesmo depois da mãe ter dito para ela parar de brincar com a faca;
● Ela decidiu que iria cursar música, mesmo depois do pai dizer para ela fazer biologia;
● Quando pedi para ela me ouvir, ela disse que não estava interessado em saber minha
opinião naquele momento, pois já tinha decidido o que iria cozinhar para o almoço;
● Ela ligou umas 10 vezes para a companhia telefônica até conseguir ser atendida.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Será que ela escolhe algo diferente porque é teimosa ou porque acredita que seu jeito é
melhor? Que necessidades ela pode estar tentando atender? A forma como falo com ela
demonstra respeito à sua liberdade de escolha? É possível que ela escolha fazer o que não
desejo para garantir que essa liberdade seja respeitada?
● Já abri mão de fazer algo que achei que alguém estava me mandando fazer para mostrar
a essa pessoa que eu tenho liberdade de escolha? Eu sempre deixo que as pessoas
escolham por mim? Nesse último caso, deixar as pessoas escolherem por mim sempre é
algo que eu acho ideal? Funciona para todo mundo?
● Sei a diferença entre persistência e teimosia? E entre autenticidade e teimosia? Reconheço
que a outra pessoa pode não fazer o que eu quero porque eu não consigo dar-lhe
informações claras o suficiente para que ela tenha segurança de que a minha sugestão é a

129
melhor para ela? Chamá-la de teimosa, nesse caso, não seria uma forma de culpá-la por
minha própria limitação em não conseguir esclarecê-la?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é TEIMOSA:

● Quer me contar que exemplos você teve na vida sobre como reagir quando as coisas não
saem como você imaginou? Até quando você está disposto a tentar mesmo assim?
● O que falta na minha estratégia para que ela contemple suas necessidades? Há algo que
você gostaria de ter com suas escolhas, que não seria possível com essa sugestão?
● Eu gostaria de falar com você sobre essa sua decisão. Estou flexível em relação à
possibilidade de você não optar por fazer o que eu acho melhor, mas, gostaria que você
considerasse meu ponto de vista, assim como desejo acolher o seu. Pode ser?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Podemos ter aprendido que insistir é um modo de ter o que queremos. Por exemplo, uma
criança que chora na padaria e ganha o pirulito para parar de chorar. Nem todas as pessoas,
porém, irão responder da mesma forma. Há pessoas que, em vez de ceder, se afastariam. Outro
fator que pode nos levar a perseverar em algo é nossa disposição em enfrentar desafios. Muitos
jogos virtuais, por exemplo, se valem dessa nossa necessidade de superação e criam desafios
crescentes que nos mantém jogando, mas, às vezes, o esforço que fazemos para concluir algo é
substancialmente inferior aos benefícios que auferimos.

Há quem aprendeu a atender sua necessidade de reconhecimento e valorização conquistando


metas e vencendo competições e acredite que seu valor depende de ele “estar certo” e conquistar
seus objetivos. Você já observou como se comporta diante de alguém que desiste, muda os
planos ou simplesmente não consegue alcançar um objetivo?

É claro que precisamos da abertura das pessoas em considerar outras propostas para que
possamos contribuir uns com os outros, porém, se esperamos que as pessoas sempre façam o
que achamos certo, sem nem mesmo compreenderem a gente, o que estamos esperando não é
abertura e sim submissão à nossa vontade. Desejar isso da outra pessoa resulta em negar a sua
liberdade e isso pode ser insustentável para cultivarmos relações saudáveis.

Vivemos em uma sociedade que estimula a competitividade e valoriza a determinação e a


persistência. Com tal estímulo, pode ser mais difícil identificar e aceitar que pode ser melhor
observar o desenrolar das situações e adaptar nossos planos ou, em alguns casos, até mesmo
desistir ou seguir um plano proposto por outra pessoa. Ainda mais, quando não temos segurança
de que nossa liberdade está sendo preservada. Se compreendermos as pessoas, podemos
valorizá-las.

Veja Também

Rígido (p.119) Controladora (p.45) Distraído (p.51)

130
Tímido

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Acanhada; Encabulada; Envergonhada; Acanhado; Encabulado; Envergonhado;


Quieta; Reservada; Retraída; Tímida. Quieto; Reservado; Retraído; Tímido.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de TÍMIDO, no fundo podemos desejar que a pessoa se exponha
mais. Outras vezes, podemos querer que a pessoa não se preocupe tanto e se sinta confortável
na nossa companhia e de demais pessoas. Ou ainda, podemos estar tentando encorajá-la a ser
ela mesma, independentemente se as pessoas irão valorizá-la ou não.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é TÍMIDO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele passa o recreio sozinho, mexendo no celular;


● Ele disse que prefere que outro colega apresente o trabalho na frente da turma;
● Ele passou a reunião inteira sem dar nenhuma opinião. Quando perguntaram se ele queria
dizer algo, ele disse que preferia participar só ouvindo.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Há algo que você faz na sua intimidade que poderia não ser bem-vindo por pessoas do seu
círculo de convívio? Há algo que poderia suscitar raiva de alguém? Há algo que poderia
suscitar bullying ou uma visão estigmatizada sua? O que você acha que aconteceria se as
pessoas descobrissem isso? Como você se sentiria?
● Há algo que você tem ou faz de diferente das demais pessoas que foi motivo de bullying?
Você já foi humilhado por parecer diferente em público? Você já imaginou que poderia ser
humilhado porque percebeu-se diferente? Como acha que essa experiência de humilhação
poderia afetar sua motivação em se relacionar com outras pessoas?
● Sei a diferença entre preferir quietude e ter medo de falar? Sei a diferença entre estar
satisfeito com o que já foi dito e estar desconfortável em dar sua opinião? No caso em que
a pessoa realmente está com medo ou desconfortável em interagir, consigo respeitar as
experiências que ela pode ter tido e agir cuidando para não oferecer ainda mais estímulos
de desgosto para essa pessoa estar em grupo?

131
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é TÍMIDO:

● Vi que você ficou sozinho enquanto os demais colegas conversavam e desejo saber se
você está fazendo algo particular, se prefere assuntos diferentes dos que temos
conversado ou se você apenas não está muito acostumado a interagir com a turma.
Gostaria de saber, pois acho que podemos cooperar mais se nos entendermos.
● Quero contribuir para você participar mais das conversas. Há algum assunto sobre o qual
você tem prazer de conversar, que podemos trazer para o nosso grupo?
● Vamos fazer uma roda de conversa para falarmos sobre vulnerabilidade. A intenção desse
encontro é que cada pessoa possa falar sobre características de sua vida que não são
perfeitas e que a gente possa criar um espaço de respeito às diferenças. Gostaria que você
participasse. Ninguém é obrigado a falar nessa roda, apenas se tiver vontade. Minha
expectativa é que esse tema possa facilitar que as pessoas conversem sobre assuntos que
são mais difíceis, pois todos estarão tentando assumir suas dificuldades.

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Se no presente estamos evitando nos comunicar, é possível que no passado tenhamos sido
recebidos com críticas com as quais tivemos dificuldade de lidar, ou podemos ter sido alvo de
bullying por nossas diferenças, falhas ou até incompreensões dos outros. Esse bloqueio em
nossa expressão pode dificultar para que consigamos conviver e consequentemente aprender
com as pessoas no convívio.

Por outro lado, quando guardamos nossas ideias para nós, recebemos menos palpites dos
outros. Quantas ideias deixamos de lado porque as pessoas dizem que não irá funcionar? É
comum que as pessoas opinem e tentem interferir. Muitas dessas interferências não contribuem
com nosso aprendizado e criam um clima hostil, com aversão a ideias novas. Assim, a pessoa
que expressa menos, embora possa perder algumas oportunidades de ser melhor compreendida,
acaba tendo mais oportunidades para pensar por si mesma.

Numa sociedade que estimula a competição e o perfeccionismo sob a motivação da punição


para quem falha, pode ser difícil incentivar as pessoas a interagir mais. Frases como: “Fala
alguma coisa”, “se solta” ou “o gato comeu sua língua?" favorece para que a pessoa entenda que
depreciamos o seu jeito de se expressar e se feche ainda mais. É mais provável que tenhamos
sucesso em ajudar essa pessoa a interagir quando compreendemos que ela pode precisar de um
tempo a mais para se sentir segura e à vontade para compartilhar suas experiências e opiniões.
Ou até mesmo que ela pode preferir ser mais criteriosa ao decidir o que compartilha ou não. Se
compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Solitário (p.37) Sentimental (p.123) Exagerado (p.58)

132
Ultrapassada

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Anacrônica; Antiquada; Arcaica; Brega; Anacrônico; Antiquado; Arcaico; Brega;


Cafona; Cringe; Demodê; Dinossaura; Cafona; Cringe; Demodê; Dinossauro;
Obsoleta; Quadrada; Retrô; Retrógrada; Obsoleto; Quadrado; Retrô; Retrógrado;
Ultrapassada; Xumbrega. Ultrapassado; Xumbrega.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de ULTRAPASSADA, podemos no fundo desejar que a pessoa
experimente usar ou fazer coisas que ela não tem costume. Outras vezes, podemos querer que
a pessoa se sinta contente com as novidades que compartilhamos com ela. Ou ainda, podemos
querer que ela aprenda algo novo, pois achamos que isso irá ajudá-la.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é ULTRAPASSADA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela disse que não usa celular nem tem e-mail;


● Ela ouve músicas e vestes roupas que eram moda nos anos 80;
● Ela disse que se alguém deixar o chinelo virado a mãe pode morrer;
● Ela disse que mulher para ser bonita tem que usar cabelo longo.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Já tentei aprender uma coisa nova e teve dificuldades? Como as pessoas lidaram com a
minha dificuldade? Como eu aprendi a lidar com a minha dificuldade? Reconheço que nem
todas as pessoas tiveram experiências agradáveis quando falharam em aprender algo?
Reconheço que há pessoas que perderam a motivação em desejar tentar algo novo? Existe
um modo de incentivá-las a aprender sem depreciá-las?
● Reconheço que a nossa cultura cria estratégias para que nós estejamos sempre
consumindo coisas novas? Veículos, eletrônicos, roupas, acessórios... e muitas dessas
coisas são feitas para ficarem obsoletas, de modo a favorecer o consumismo?
● Já acreditei que algumas coisas eram verdade e depois descobri que não eram? Há
palavras que aprendi com minha família ou amigos e depois descobri que não

133
correspondiam ao português formal? Como reajo se vejo alguém que ainda usa essas
palavras ou acredita nessas ideias?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é ULTRAPASSADA:

● Você disse que não usa celular. Se não for incômodo para você, gostaria de saber por quê.
É por que não gosta? Acha caro? Não precisa? Ou alguma outra coisa?
● Me ocorreu que, talvez, você gostaria de aprender a usar o e-mail, mas acha difícil e não
teve ninguém com paciência e calma para te ajudar, é isso? Se for, posso tentar?
● Gostaria de te mostrar uma música. Ela é preciosa para mim, pois me lembra uma fase da
minha vida que eu gosto muito. Seria prazeroso para mim compartilhar com quem eu gosto.
Quer ouvir comigo?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando não nos adaptamos às mudanças da nossa sociedade, podemos ter dificuldades de
conviver com os demais, pois os hábitos mudam rapidamente entre as gerações e essa
dificuldade em conviver pode ser estímulo para sofrimento mental.
Por outro lado, uma parte dos hábitos novos que nossa sociedade desenvolve pode ter uma
consequência negativa para o Planeta. Como o incentivo ao consumismo ou formas de lazer que
promovem desconexão das pessoas com sua humanidade. Por exemplo, jogos virtuais de
competição, onde o objetivo é matar inimigos, dominar, conquistar. Quando vivemos em função
do que a nossa cultura coloca para nós como ideal, podemos nos distrair em relação à nossa
responsabilidade social com o progresso da humanidade. Nesse ponto, a pessoa que não adere
a tais novidades para manter valores e hábitos mais humanizantes faz um grande favor à
humanidade, pois reduz a proporção desse problema planetário.
É claro que podemos usar a ciência e a tecnologia em favor da vida, melhorando a saúde, a
comunicação, criando redes que atuam em causas ecológicas e humanitárias ou até mesmo
compartilhando conhecimentos edificantes pela internet, mas há muitas coisas antigas que
funcionam melhor do que as novas ou que tem um valor afetivo maior para nós.
O nosso sistema econômico ainda é muito dependente de um marketing predatório que faz o
possível para vender mais. Ele usa da obsolescência programada, onde os produtos já vêm de
fábrica com a predisposição a se tornar obsoleto ou parar de funcionar após um período
específico de uso, causando um grande prejuízo ao nosso Planeta.
Toda essa pressão social para a adoção de novos hábitos, mais uma educação baseada em
culpabilização, dificultam para que algumas pessoas confiem que vale a pena estarmos
atualizados. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Zoeiro (p.150) Louco (p.86) Utópico (p.135)

134
Utópico

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Fantasiosa; Idealista; Sonhadora; Fantasioso; Idealista; Sonhador;


Utópica; Visionária. Utópico; Visionário.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de UTÓPICO, podemos no fundo estar desejando que a pessoa
fale sobre coisas mais comuns ou que planeje menos e faça mais as coisas que combinou.
Outras vezes, podemos querer que a pessoa reconheça que há muitos obstáculos para
chegarmos a uma condição ideal e que isso pode não ocorrer como ela prevê. Ou ainda, podemos
estar percebendo que essa pessoa está triste, pois as coisas são diferentes do que ela desejava
e gostaríamos de encontrar formas de ajudá-la a aceitar a realidade.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular. Então, em vez de
dizer que alguém é UTÓPICO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele disse que é possível que as pessoas possam contribuir umas com as outras e
garantirem que nenhum ser humano passará fome;
● Ele disse que haverá um dia em que a Terra não terá mais divisão entre países, pois o
planeta inteiro será considerado a pátria de todos;
● Ele disse que podemos criar uma cultura de empatia, onde a punição não será mais
necessária para que a justiça seja feita.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Quais as crenças dessa pessoa? Que experiências ela tem para pensar assim? Ela quer
atender a necessidade de propósito e contribuição? Quais são os valores dessa pessoa?
● Quais sonhos eu tinha quando era criança? Habilidades especiais? Criar coisas? Visitar
lugares? Conhecer pessoas? Uma profissão? Um título? De quais sonhos eu desisti? Que
experiências eu tive ao longo da vida que me fizeram deixar de persistir com esses sonhos?
Eu acho que sonhar é só para crianças?

135
● Há crenças minhas que as pessoas pensam ser ilusão? Quais? Como é perceber isso? Há
algo que não consigo conversar com as pessoas? Como é essa sensação?
● Já vi alguém se decepcionar por descobrir uma realidade mais amarga do que a pessoa
imaginava? Já me decepcionei? Já me surpreendi ao descobrir uma realidade melhor do
que eu imaginava? Reconheço que ainda posso me surpreender?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é UTÓPICO:

● Gostaria de conversar com vocês sobre alguns desafios que estou enfrentando agora. Por
exemplo, questões relacionadas à casa e ao trabalho. Você está disposto a falar sobre
esses assuntos comigo? Posso te interromper, se eu estiver inseguro se estamos
realmente falando das coisas que eu estou precisando resolver?
● As coisas que ouço você falar refletem para mim uma visão de mundo que gostaria de ver
na prática, mas tenho dúvidas se é possível, pois há certas coisas que eu considero
obstáculos a essa realidade. Para que eu e você possamos compreender melhor as
esperanças e previsões que temos sobre o futuro, você se dispõe a conversar comigo, de
modo que a gente possa compartilhar diferentes visões e refletirmos juntos sobre isso?
● Gostaria de ter segurança de que você conseguirá manter sua motivação de realizar seus
projetos e fazer o que faz sentido para você mesmo que as coisas saiam diferentes do que
você prevê. Por isso, gostaria de saber como seria para você se determinadas coisas
acontecessem de modo diferente dos seus planos. Quer conversar sobre isso?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Às vezes nós podemos estar tão imersos na idealização que criamos da sociedade, que
acabamos não dando abertura para compreendermos outras ideias. E, de vez em quando, nós
não nos preparamos para a realidade, de modo que ficamos mais na idealização do que na
realidade. Em outros momentos, podemos nos frustrar ao ver uma realidade com a qual não nos
conformamos e acabamos “brigando” com os outros.

Idealizar outra forma de sociedade pode ser uma maneira de ser fiel aos seus princípios, valores,
necessidades, paradigmas e experiências. Trabalhar para construir esta sociedade idealizada
possibilita o exercício de contribuir, de viver seu propósito, de autonomia, de expressão, de justiça
e de ética.

A nossa sociedade é conformista em relação a alguns problemas e, de vez em quando, não reage
da forma que gostaríamos. Isso faz com que nós sejamos estimulados a criar formas de resolver
alguns desses problemas e, para alguns de nós, essa criação se inicia a partir da idealização de
uma sociedade. Grandes realizações humanas só foram possíveis porque alguém não se
conformou e sonhou. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Ganancioso (p.66) Narcisista (p.94) Ultrapassada (p.133)

136
Valentão

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Bambambã; Cabra-macho; Corajosa; Bambambã; Cabra-macho; Corajoso;


Destemida; Valentona. Destemido; Valentão.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de VALENTÃO, no fundo podemos desejar que a pessoa se
submeta mais e não reaja às situações em que nós ou alguém as ameaçam. Outras vezes,
podemos querer que a pessoa tenha menos disposição em afrontar alguém ou a nós. Podemos,
ainda, querer prevenir que a pessoa se exponha em situações que nós consideramos perigosas,
pois queremos cuidar dela.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é VALENTÃO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● O colega novo olhou para ele por uns segundos e ele disse: “Que foi? Vai encarar!?”;
● Ele disse que, se alguém falasse da irmã dele, levaria um soco no meio da cara;
● Ele disse que vai pular de paraquedas e bungee jump nas férias;
● Ele disse que é preferível brigar a levar desaforo para casa.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● O que eu aprendi sobre o medo? Já ouvi dizer que pessoas fortes não têm medo? Como fui
educado a lidar com meus medos? Reconheço que há formas diferentes das minhas?
● O que seus pais diziam quando você chorava ou tinha medo? O que você fez em relação a
isso? O que seus pais diziam se você apanhasse de alguém na escola? O que você faria se
sua família dissesse que você também apanharia em casa se apanhasse na escola?
● Você já sofreu bullying por se recusar a participar de algum desafio que seus colegas te
propuseram? Já viu alguém sofrer bullying? O que você faria para ser respeitado?
● Você já superou uma situação que considerava desafiadora? Como isso afetou sua
autoestima? Você gosta de exercitar a sua coragem? Conhece alguém que gosta? Como
você acha que isso pode ajudar essa pessoa? Como acha que pode atrapalhar? O que pode
fazer para ajudá-la a identificar as vantagens e desvantagens desse exercício?

137
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é VALENTÃO:

● Quando você perguntou se eu estava te encarando, imaginei que você queria verificar se eu
te respeito e também que eu entendesse que você tem força e coragem para me enfrentar,
se isso fosse necessário para você ser respeitado. Eu acredito que podemos respeitar um
ao outro sem necessariamente brigarmos, mas nos conhecendo melhor e aprendendo a
valorizar a vida que cada um de nós teve. Vamos falar sobre isso?
● Ouvi você dizer que iria dar um soco no menino que falou algumas coisas que você não
gostou sobre sua irmã. Imagino que você deseja protegê-la, pois ela é importante para você.
Eu também gostaria de respeitar você e sua irmã, sem que a gente precise brigar, por isso,
gostaria de saber o tipo de coisa que você não gostaria que as pessoas falassem e se há
mais alguém na sua família que você deseja preservar. Pode me dizer?
● Eu acho que você tem coragem de fazer as coisas que deseja, e celebro isso, mas não sei
ao certo quais são os limites que você tem para decidir até que ponto você está disposto a
se arriscar em algumas situações. Se quiser, quero compartilhar algumas ideias sobre
coisas que eu penso que podem ser evitadas, para preservarmos a vida.

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando alguém enfrenta qualquer coisa e até mesmo procura desafios para mostrar-se
capaz de superá-los, essa pessoa poderá encontrar alguns problemas. A começar pela
necessidade de respeito, cuidado e cooperação dos demais, que podem não ser atendidas
quando estamos sob a ameaça de brigar com alguém.
Um valentão pode comprar brigas e machucar os outros e a si próprio. Em comunidade, há leis
que visam a segurança física das pessoas. Se essas leis não forem seguidas resultam em
punição para quem agride os demais. Além disso, a ausência total de limites em relação ao que
é seguro ou o que não, de ser feito, pode facilitar que a pessoa sofra acidentes por participar de
ações que arriscam a vida, como andar de carro em alta velocidade ou até praticar esportes
considerados radicais sem equipamentos de segurança.
É possível que uma pessoa que opte por manter um comportamento valente esteja tentando
atender necessidades importantes como admiração, respeito, segurança, compreensão,
pertencimento e, até mesmo, amor. Às vezes, ela foi ensinada, pelos familiares e amigos íntimos,
que não deve ter medo para não ser covarde.
A valentia é um tipo de coragem vista como uma qualidade indispensável (especialmente para
os homens) e digna de admiração na nossa cultura. Temos exemplos disso diariamente nos
filmes, novelas, contos de fadas, entre outros, o que pode contribuir para esse tipo de
comportamento. Esse incentivo a arriscarem-se pode ser uma manobra das autoridades para
fabricar bons soldados dispostos a morrer e matar pela bandeira. Precisamos refletir sobre as
consequências disso. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Insensível (p.78) Bárbaro (p.35) Fraco (p.64)

138
Violenta

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Agressiva; Barraqueira; Brigona; Agressivo; Barraqueiro; Brigão;


Égua; Cruel; Grosseira; Grossa; Cavalo; Cruel; Grosseiro; Grosso;
Hostil; Perigosa; Rude; Violenta. Hostil; Perigoso; Rude; Violento.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de VIOLENTA, podemos no fundo desejar que a pessoa seja
mais cuidadosa conosco e respeite nossos limites. Outras vezes, podemos querer que a pessoa
trate melhor uma pessoa querida ou um grupo com o qual nos importamos. Podemos ainda, ao
identificar comportamentos que estimulam preocupação na gente, estarmos inseguros se a
pessoa conseguirá conviver de forma pacífica com as outras pessoas e desejarmos que ela
aprenda meios que facilitem seu convívio com os demais.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é VIOLENTA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela deu um tapa no rosto do menino que comentou sobre seu corpo;
● Ela trancou o irmão no banheiro até que ele dissesse onde colocou sua bolsa;
● Ela foi chamada à direção da escola por ter brigado no recreio;
● Ela ganhou o último torneio de judô em que participou.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● O que exatamente eu não gostei na fala da outra pessoa? Foi o tom, o volume, algumas
palavras usadas ou eu não gostei do que ela disse? Como é a comunicação dela com as
pessoas do seu convívio? Como foi a educação que ela recebeu sobre a forma de se
comunicar? Nas vezes em que considerei que ela foi grosseira, ela estava nervosa,
preocupada ou com pouca esperança de ser ouvida e compreendida?
● Como eu tento proteger meus limites na relação com as pessoas? Já tentei usar a força
para evitar que algo que me ameaçava acontecesse? O que eu faço agora, quando me
considero ameaçado? Aprendi outras formas de cuidar dos meus limites? Quem me
ensinou? Funciona sempre? Tenho algo a ensinar aos outros sobre o que aprendi?

139
● Já evitei prejudicar alguém por medo de ser punido? Nessa situação, essa pessoa teve seus
limites preservados por mim? Qual a diferença entre cuidar dos limites do outro motivado
pelo medo de ser punido e cuidar dos limites motivado pelo desejo de contribuir? Respeito
pode ser cultivado com ameaças? Quando alguém age sem ferir nossas expectativas, quer
dizer necessariamente que a pessoa está nos respeitando? Se uma pessoa faz o que eu
peço, mas me condena mentalmente, ela está me respeitando?
● Como ajudar as pessoas a ficarem seguras de que seus limites serão respeitados? Como
fazer isso, quando elas têm memórias de situações onde elas sofreram muito por não
terem sido cuidadas? Como ajudá-la a ter segurança de que ela poderá ser preservada sem
usar a violência? Ser violento com essa pessoa ajudaria ou pioraria a situação?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é VIOLENTA:

● Percebi que você reagiu quando o menino falou do seu corpo. Entendi que você gostaria de
ser respeitada. Para que isso não se repita com você ou outras pessoas, gostaria que
conversássemos sobre isso em grupo, desse modo vocês poderão falar como é essa
experiência. Quero mediar essa conversa para que vocês possam se escutar e encontrar
formas mais eficientes de respeitarem os limites uns dos outros. Você aceita participar?
● Pela forma como você está falando comigo, eu imagino que você possa querer ter
segurança de que vai ser respeitada e que eu não vou tentar te impor nada. Eu fico contente
que você esteja buscando essa sua autonomia e respeito na relação comigo. Talvez, até
agora, eu não tenha conseguido te ajudar a ter clareza de que também desejo que você
possa estar bem nessa relação comigo e lamento por isso, mas, gostaria que você tentasse
falar comigo num volume mais baixo e mais pausadamente, para que a gente tente ser
mais gentis um com o outro, você pode fazer isso?
● Eu acredito que se você tiver mais segurança de que será respeitada na relação, vamos
conseguir ser mais calmos e gentis uns com os outros, pois saberemos que estamos entre
amigos. Eu acho que esse respeito pode ser cultivado se nos conectarmos mais com a
história um do outro. Por exemplo, você quer contar quais foram as situações mais
desafiadoras que você teve de enfrentar e como isso ainda te afeta hoje?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Em algumas circunstâncias, podemos agir visando ferir alguém, ou podemos falar algo na
intenção de ridicularizar a pessoa e provocar algum sofrimento. Essas ações ferem a nossa
própria necessidade de cuidado e respeito com as pessoas, e isso pode ter consequências
graves para o nosso convívio, ao ponto das pessoas nos considerarem um perigo para as
demais. Quando isso acontece, podemos ser penalizados por nossas ações.
Por outro lado, alguém considerado violento pode ter tido experiências, ou mesmo uma educação
que o levou a acreditar que precisa se comunicar em um determinado tom, volume, ou com
determinadas palavras, para conseguir “respeito”. Essa pessoa também pode estar em um
momento de raiva, sem esperança de que as pessoas se importam com seu bem-estar,
desconectado das próprias necessidades de gentileza e cuidado na relação com os outros. Isso
pode dar a ela a impressão de que somos seus inimigos e, portanto, ela precisa se proteger.
Ainda hoje, na nossa sociedade, se misturam conceitos como medo e respeito, força e
agressividade, o que pode, também, ser estímulo para um comportamento mais afrontoso.
140
Se, em vez de ouvirmos o que essa pessoa diz, ouvirmos as necessidades que estão por trás de
seus gestos e palavras, conseguiremos compreendê-la melhor e, até mesmo, ajudá-la a se
manter conectada com as próprias necessidades. Em um momento que essa pessoa esteja
calma e disposta a nos ouvir, podemos falar também sobre nossos próprios sentimentos e
necessidades e sobre como gostaríamos que ela falasse conosco.
Culpar a pessoa por ela ser violenta só piora a situação. A violência que ela manifesta é um
sintoma do mundo interno dela, um mundo que diz que conviver é perigoso, que as pessoas são
egoístas e que, para sobreviver, ela precisa ser mais forte. Assim, quanto mais a tratamos com
depreciação, mais ela se vê nesse papel de adversária e menor é sua confiança de que pode ser
vulnerável, gentil e aprender com a situação.
Quer dizer que devemos tratar as pessoas com gentileza, mesmo quando elas estão fazendo
coisas que nos machucam? Não é isso que estamos dizendo. Precisamos entender o que
queremos quando estamos nos comunicando com a pessoa. Se desejamos contribuir para que
ela mude, ser violento com ela poderá diminuir as chances de que ela aprenda a nos respeitar.
No entanto, em situações onde há risco de nos machucarmos, podemos achar necessário usar
a força para interromper a outra pessoa, para que ela não prossiga com uma ação que está
gerando um prejuízo para nós e até para ela. Podemos ser firmes no falar ou no agir para que a
pessoa consiga identificar os limites que queremos cuidar, mas podemos fazer isso sem pensar
que a pessoa é um monstro. Sem culpá-la por suas ações.
Por exemplo, podemos dizer: Pare de falar assim comigo! Preciso de mais calma para podermos
conversar. Eu sei que não estou conseguindo deixar claro que me importo com você, mas tô
cansado agora e preciso me restaurar antes de voltar a falar sobre esse assunto, então, eu te peço
um pouco de silêncio agora ou que fale mais devagar e mais baixo para que possamos respirar um
pouco e ficarmos mais calmos nessa conversa. Ok?
A nossa intenção sincera de cuidar da relação e nosso reconhecimento de nossas limitações
ante a nossa vontade de contribuir com o outro é mais importante do que a forma como iremos
falar. Podemos até retribuir a violência com o outro, se não conseguimos fazer algo melhor para
preservarmos a vida, mas, se realmente queremos cultivar uma Cultura de Paz, precisamos fazer
mais do que isso, precisamos reconhecer nossa corresponsabilidade em darmos exemplos de
paz, gentileza e respeito verdadeiro às pessoas, por mais diferentes que elas sejam.
Esse respeito pode ser cultivado quando manifestamos a empatia, quando olhamos as
dificuldades do outro com compaixão e humildade, pois a violência manifesta um sintoma
sistêmico de que nós todos, como comunidade, não estamos conseguindo criar condições para
que a paz floresça nas pessoas. Nos falta uma educação humanizante, onde todos participem e
contribuam uns com os outros. Que possamos ser parte dessa transição cultural e que
possamos aprender a compreender mais as pessoas para conseguirmos dar o devido valor a
elas.

Veja Também

Opressor (p.102) Genioso (p.68) Capacho (p.43)

141
Vítima

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Assediada; Humilhada; Injustiçada; Assediado; Humilhado; Injustiçado;


Oprimida; Prejudicada; Violentada; Oprimido; Prejudicado; Violentado;
Vítima*. Vítima*.

* Nota: a palavra vítima está sendo usada no sentido de alguém que sofre algum prejuízo ou violência. Não
está sendo usada no sentido de vitimização. Para esse segundo sentido, procure o rótulo Tadinho (p.127).

Motivação para rotular


Quando achamos que alguém é VÍTIMA, no fundo podemos desejar que a pessoa seja mais
cuidadosa e evite se expor a violências. Outras vezes, podemos querer que a pessoa seja forte e
consiga suportar o desafio que está passando. Podemos, ainda, ao identificar situações que ela
está vivendo, nos lembrar que a forma como nós estamos promovendo a justiça na nossa
sociedade ainda não cuida de todos e, por isso, precisamos aperfeiçoar nossa forma de viver
coletivamente.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é VÍTIMA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela teve sua bolsa roubada na semana passada;


● Ela ouviu do professor que, se quisesse passar na disciplina, precisaria ser menos frágil;
● O chefe dela disse que se ela não terminasse o trabalho no prazo, poderia procurar outro
emprego, pois precisava de funcionários competentes e esforçados.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Que suportes você tem e ela não? Há algo que você possa oferecer a ela para ajudá-la? Há
algo que você possa fazer para prevenir que ela tenha um novo prejuízo?
● Se o que aconteceu com ela acontecesse com você, você teria alguém com quem contar?
Há algo que você possa aprender com essa situação para se prevenir?
● Que suporte faltou a quem provocou o prejuízo? Quais os pontos vulneráveis da nossa
sociedade que viabiliza que esse tipo de problema se repita? O que podemos fazer para
fortalecer esses pontos? De que forma podemos promover uma educação que instigue
mais cuidado entre as pessoas?
142
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é VÍTIMA:

● Soube que você foi prejudicada por uma situação. Quero me colocar à disposição para te
ajudar no que eu puder. Há algo que eu possa fazer para te ajudar? Tenho o sábado livre.
Posso ir aí na sua casa, se você precisar de apoio.
● Nem sempre as ações que nos prejudicam são claras, por isso, gostaria que todos nós
conversássemos sobre o que identificamos no comportamento das pessoas como prejuízo
para nós, e o que podemos fazer para proteger as pessoas que estão mais expostas nessa
situação. Vamos fazer uma roda para falar disso?
● Quero ajudar a diminuir a desigualdade social para termos mais paz. Pensei em criar uma
rede e conversar com a prefeitura para criarmos campanhas de arrecadação de
mantimentos básicos e promoção de cultura de paz nas escolas, praças, instituições
religiosas e demais locais frequentados por grupos de pessoas. Quer ajudar?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Quando alguém sofre algum dano, seja material, físico ou moral, todas as pessoas que
fazem parte do círculo social dessa pessoa são afetadas por isso, assim como aquele que
provoca o prejuízo também fragiliza o convívio com os demais, então, sempre que alguém fere
outra pessoa, o coletivo é prejudicado.
Por mais que tentemos nos isolar de quem sofreu ou provocou o prejuízo, não teremos segurança
real se não buscarmos meios de apoiarmos essas pessoas de forma que elas aprendam a
contribuir umas com as outras e consigam ficar seguras de que suas necessidades e
particularidades serão levadas em consideração pela sociedade. Precisamos garantir não
apenas que a vítima tenha seu dano restaurado, mas também que a sociedade forneça o suporte
material, afetivo e educacional para que tenhamos paz no convívio.
Infelizmente, a melhor solução que o nosso sistema de justiça consegue nos oferecer, ainda que
precariamente, é tentar excluir as pessoas que provocam o prejuízo e instaurar uma cultura onde
preservamos o limite dos outros por medo de punição. Desse modo, a atual justiça tem como
efeito o agravamento de uma visão de que a violência, a segregação e a alienação são um meio
de se chegar à paz. Achamos, porém, que cada pessoa tem em si mesma uma força que a leva
a buscar viver em um mundo melhor para todos. Podemos chamar essa força de necessidades
universais ou motivações humanas. Se criarmos uma cultura de conexão a esses valores
humanos, onde somos incentivados a contribuir mais do que a competir, a enxergar a dor mais
evidente das vítimas, sem esquecer de reconhecer as dores não tão visíveis dos opressores,
podemos encontrar formas mais sustentáveis de vivermos em comunidade, contribuirmos uns
com os outros e valorizar mais as pessoas.

Veja Também

Fraco (p.64) Nerd (p.96) Opressor (p.102)

143
Xarope

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Chata; Chatonilda; Desagradável; Chato; Chatonildo; Desagradável;


Impertinente; Inconveniente; Inoportuna; Impertinente; Inconveniente; Inoportuno;
Irritante; Mala-sem-alça; Peste; Praga; Irritante; Mala-sem-alça; Peste; Praga;
Sem-noção; Xarope. Sem-noção; Xarope.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de XAROPE, podemos no fundo desejar que a pessoa nos deixe
ficar sozinho por um tempo ou que não fale sobre assuntos que não temos interesse. Outras
vezes, podemos querer que a pessoa perceba que não estamos motivados ou com paciência
para interagir. Podemos, ainda, desejar ajudar essa pessoa a ser mais acolhida pelos outros,
indicando formas alternativas de ela agir.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é XAROPE, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele me chamou para conversar quando eu estava lendo meu livro favorito;
● Ele falou por 20 minutos depois que eu já tinha dito que desejava desligar;
● Ele começa a falar sem verificar se as pessoas estão interessadas em ouvir.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Tenho pessoas disponíveis para conversar comigo sobre assuntos do meu interesse?
Reconheço que nem todos têm? Reconheço que seria maravilhoso se todos tivessem?
● Quando uma pessoa me demonstra que tem vontade de conversar quando não estou
disposto, eu acho que isso é errado? Eu reconheço que meu desconforto vem da minha
dificuldade de acolher a minha condição de não estar apto a contribuir com o outro, apesar
de desejar vê-lo confortável também?
● Como aprendi a auxiliar as pessoas que podem ter dificuldade de serem acolhidas? De que
forma eu estou contribuindo para que elas saibam conciliar a necessidade que elas têm
com a necessidade daqueles com quem elas interagem?

144
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é XAROPE:

● Estou querendo ficar um pouco sozinho agora, mas também gostaria que você pudesse
conversar com alguém. Você pode ver se alguém da turma está livre para interagir com
você agora enquanto eu descanso? Se quiser, posso perguntar para o pessoal. Que tal?
● Esse assunto que você está falando é sensível para mim e eu tenho uma opinião diferente
da sua. Eu ia gostar se pudéssemos entender nossas diferenças, mas eu acho que não vou
ter energia e motivação para conversarmos por um tempo mínimo que seria necessário
para a gente se compreender, então, podemos trocar de assunto?
● Gostaria de deixar mais rápida a nossa comunicação por mensagens, para termos mais
praticidade no grupo. Para lidarmos com esse volume de mensagens, quero propor que, se
você for mandar algum áudio, você também mande um texto com os tópicos que você falou
no áudio para que as pessoas consigam saber se precisam ou não ouvir. Ok?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


No convívio com as demais pessoas, há como se fossem “regras implícitas” que temos por
tendência seguir, com padrões de comportamentos parecidos com a maioria das pessoas. Essas
regras espelham nossos valores e hábitos sociais e contribuem para formarmos nossas crenças
sobre o que é certo ou errado de ser feito em grupo. Junto com essas crenças, há uma
expectativa de que as pessoas correspondam a esses nossos ideais. Quando isso não acontece,
precisamos lidar com algo que não prevíamos e, na maioria das vezes, não estávamos
preparados para acolher a nova situação e podemos rejeitá-la. Podemos rejeitar, também, a
pessoa que age diferente.

Todos queremos viver num mundo mais justo, igualitário e acolhedor, mas, quando alguém nos
mostra que está precisando de um cuidado extra para ter suas necessidades atendidas, achamos
que essa pessoa está sendo xarope. Ao fazer isso, é como se quiséssemos silenciar os sintomas
de que não vivemos em um mundo perfeito. Tentamos culpar quem não está conseguindo
manter-se nesse padrão social de falso equilíbrio.

Somos, desde pequenos, educados para sufocar nossa autenticidade, sermos obedientes às
autoridades, reprimir nossos sentimentos e negar nossas necessidades. Quando alguém se
mostra com dificuldades de se encaixar nesse sistema e expõe um problema que não estamos
dispostos a cuidar, tratamos essa pessoa como o problema. Na realidade, ela só está expondo
que vivemos em um mundo imperfeito, embora não gostemos de admitir isso. Se
compreendermos as pessoas (e principalmente a nós mesmos), podemos valorizá-las.

Veja Também

Teimosa (p.129) Rígido (p.119) Mentiroso (p.92)

145
Xereta

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Abelhuda; Bisbilhoteira; Enxerida; Abelhudo; Bisbilhoteiro; Enxerido;


Intrometida; Metida; Perguntadora; Intrometido; Metido; Perguntador;
Questionadora; Xereta. Questionador; Xereta.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de XERETA, podemos no fundo desejar que a pessoa não entre
em uma conversa, quando não a convidamos. Outras vezes, podemos querer que a pessoa evite
perguntar sobre coisas que queremos manter sigilo. Ou ainda, podemos estar preocupados, pois
acreditamos que se ela expressar a curiosidade em alguma situação em que não foi convidada,
isso poderia provocar algum conflito para ela e os demais.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é XERETA, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela perguntou com quantas pessoas eu já namorei;


● Ela escutou o que eu falava com outra pessoa e fez comentários, sem eu ter perguntado o
que ela pensava a respeito;
● Ela estava vendo fotos e pesquisando informações na internet sobre um colega que temos
em comum.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Com que ações eu atendo minha necessidade de conexão com as pessoas? Existem outras
formas? Como eu busco me informar sobre o que acontece com as pessoas com quem me
importo? Existem outras formas?
● Eu acho errado ter curiosidade? Se eu não expressar minha curiosidade, como saberei as
coisas que desejo? Existe um limite para a minha curiosidade? Como eu faço para saber se
o limite que eu me concedo está respeitando o limite que as pessoas têm?
● Quem me ensinou sobre os limites da minha curiosidade? Como eu fui ensinado? Como eu
posso ensinar as pessoas sobre limites sem culpá-las por não corresponder às minhas
preferências?

146
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é XERETA:

● Quero contribuir para que possamos conversar uns com os outros de uma forma que
preserve a intimidade das pessoas. Vamos fazer uma roda para saber o que cada um
considera íntimo e não deseja que as outras perguntem? Você toparia participar?
● Há alguns assuntos que eu gostaria de sigilo, sob os quais eu desejo não falar, pois são
sensíveis para mim. Você está disposta a respeitar minha intimidade? Posso te avisar
quando você perguntar sobre algo que eu considero íntimo para trocarmos de assunto?
● Você está afim de se enturmar? Deseja participar das conversas? Quero ajudar você a se
integrar, mas estou falando sobre um assunto que eu prefiro manter sigilo. Você pode
esperar uns minutos até eu terminar a conversa para a gente falar sobre coisas que eu fico
mais confortável de abrir para outras pessoas?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Alguém tido como xereta pode sentir-se solitário e estar buscando conexão. Talvez se sinta
inseguro sobre suas relações. Talvez tenha aprendido que demonstrar interesse na vida do outro
é uma forma de expressar afeição e cuidado. Talvez tenha apenas curiosidade em conhecer mais
sobre as vivências e aprendizados de alguém que passou por situações que ela nunca passou,
ou pode evitar pensar nos próprios problemas por não saber lidar com eles.

Ao fazer muitas perguntas, mexer nas coisas do outro, ou ouvir conversas às escondidas, uma
pessoa pode conseguir ter mais clareza sobre o que esperar da outra pessoa, o que pode lhe
trazer uma sensação de segurança. Ela também pode encontrar formas de ajudar alguém que
ela considera que precisa de sua ajuda, mas que não quer aceitá-la, ou pode, simplesmente,
conhecer mais sobre “o mundo” dessa outra pessoa.

Vivemos em uma cultura individualista na qual as pessoas que têm mais dificuldade em se
encaixar e, por diferentes motivos, buscam uma conexão mais profunda com o outro, podem
sofrer repúdio. Isso pode agravar ainda mais a necessidade de conexão dessa pessoa, gerando
um ciclo danoso. Valorizando as necessidades de conexão e pertencimento e conciliando-as
com as nossas necessidades de liberdade e privacidade, podemos quebrar esse ciclo. Se
compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Fofoqueira (p.62) Mentiroso (p.92) Ansiosa (p.31)

147
Zen

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

De Boa; De Boa na Lagoa; Numa Nice; De Boa; De Boa na Lagoa; Numa Nice;
Paz e Amor; Relax; Sossegada; Sussa; Zen. Paz e Amor; Relax; Sossegado; Sussa; Zen.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de ZEN, no fundo podemos desejar que a pessoa reaja ou faça
algo que estamos pedindo com mais velocidade. Outras vezes, podemos querer que a pessoa
expresse algum sofrimento em resposta a um momento difícil que estamos vivendo. Ou ainda,
podemos estar identificando características em seu comportamento que nos exemplificam
sobre como mantermos a calma em situações difíceis.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é ZEN, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ela não franze a testa e se mantém em silêncio enquanto eu compartilho algo da minha
vida que estou tendo dificuldade de enfrentar;
● Ela pede para eu relaxar quando estou criticando o comportamento de autoridades que
considero prejudicar a população;
● Ela não faz tantos planos quanto eu para o futuro e medita, enquanto eu estou trabalhando
em meus projetos.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Como eu sei se a pessoa está empatizando comigo? Eu espero que a pessoa se sinta como
eu, ou que compreenda meus sentimentos e motivações? Como posso checar com a
pessoa se estou sendo compreendido por ela? Perguntar o que ela acha que eu sinto
ajudaria?
● Como eu me sinto quando as pessoas não demonstram raiva, quando expresso minha
indignação por ver ações que considero injustas? Eu tenho medo que elas não apoiem
minha intenção de cuidado? Eu tenho medo que elas não se sintam motivadas a buscar
mais justiça? Eu sinto raiva delas também?
148
● O que eu posso aprender sobre valorizar o presente? Será que a minha vida seria mais plena
se eu conseguisse ter mais calma e gratidão pela vida? Será que eu posso me beneficiar
com práticas meditativas? Será que isso seria um desperdício do meu tempo? Consigo
respeitar quem tem opiniões diferentes dessas?

Propostas de cuidado mútuo


Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações,
há uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é ZEN:

● Você pode me dizer como acha que eu me sinto, para eu saber se estou sendo ouvido?
Você pode me dizer também se meu bem-estar é importante para você?
● Você pode me contar o que te ensinaram sobre tristeza? O que as pessoas diziam quando
você se sentia triste? O que te ensinaram sobre expectativas? Você já teve ou tem
expectativas de vivermos em um mundo melhor? Como você acha que podemos cuidar
mais uns dos outros?
● Vamos fazer um exercício de reflexão juntos? Gostaria que falássemos sobre a diferença
que vemos entre: paz e passividade, calma e indiferença, gratidão e conformidade,
compaixão e pena, esperança e apego. Podemos fazer uma meditação guiada também, se
quiser. Que tal?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Certas vezes, ao nos mantermos mais tranquilos, acabamos tendo dificuldade de
demonstrar empatia a outras pessoas que estão enfrentando um problema. Outras vezes não
reagimos às situações tentando ficar tranquilos, entrando num estado de passividade. Há horas
que fazemos parte de um grupo em que as pessoas querem mais velocidade e produtividade de
nós, mas com receio de sair de nosso estado de tranquilidade acabamos não atendendo aos
pedidos, o que pode acabar em conflito com algumas pessoas do grupo.

Em alguns momentos, estar tranquilo nos ajuda no descanso, na tomada de melhores decisões
que colaboram com todos, além disso, podemos estar vivenciando a compaixão pelas pessoas,
sem necessariamente, estarmos desesperados com os problemas, pois há uma postura de
acolhimento em relação à situação, com esperança e aspiração sincera de que todos sejam mais
felizes.

Fomos educados em uma cultura que diz que é importante ter controle emocional e que ter
controle emocional é relaxar em relação ao que acontece. Essa cultura em que vivemos, em
algumas situações, não acolhe as pessoas que elas julgam como agitadas, nervosas ou
emotivas. Esse conjunto de fatores acaba influenciando em comportamentos de passividade em
nós. Se compreendermos as pessoas, podemos valorizá-las.

Veja Também

Lerdo (p.84) Distraído (p.51) Genioso (p.68)

149
Zoeiro

Rótulos equivalentes femininos: Rótulos equivalentes masculinos:

Bobalhona; Bobalhona; Brincalhona; Bobalhão; Bobo; Brincalhão; Comediante;


Comediante; Debochada; Palhaça; Piadista; Debochado; Palhaço; Piadista; Zoado;
Zoada; Zoeira; Zombadora; Zombeteira. Zoeiro; Zombador; Zombeteiro.

Motivação para rotular


Quando chamamos alguém de ZOEIRO, podemos no fundo desejar que a pessoa evite fazer
piadas sobre alguns assuntos sensíveis para nós. Outras vezes, podemos querer que a pessoa
seja mais séria. Podemos, ainda, estar exercitando nosso bom-humor em estar na companhia de
alguém que achamos divertido.

Observar sem rotular


Se as ações do outro nos afetam, podemos falar sobre isso sem rotular, então, em vez de
dizer que alguém é ZOEIRO, descrevemos as ações que observamos. Exemplo:

● Ele disse que o cabelo do colega parece um capacete;


● Ele imitou a forma do professor falar e andar, quando o professor não estava vendo;
● Ele começou a cantar músicas depois que pedi que ele fizesse silêncio.

Perguntas para empatia


Para compreendermos mais a nós e ao outro, podemos nos perguntar:

● Como sabemos se as pessoas apreciam a nossa companhia? Será que quando elas dão
risadas isso valida que as pessoas estão gostando de estar conosco? Gostaríamos de viver
num mundo onde as pessoas apreciam estar na companhia umas das outras?
● Como são as experiências que essa pessoa teve ao fazer amigos? Em que momentos ele
costuma fazer mais piadas ou brincadeiras? Como ele lida com situações desafiadoras,
tediosas ou mesmo tristes?
● Reconheço que há uma relação entre coisas engraçadas e coisas que são “quase”
assustadoras? Reconheço que esse limite entre o engraçado e o desagradável irá variar de
pessoa para pessoa?
● Consigo mostrar para o outro o limite entre o que acho engraçado e o que acho
desagradável sem culpá-lo por não me compreender?

150
Propostas de cuidado mútuo
Por trás dos rótulos que damos aos outros, quando não estamos contentes com suas ações, há
uma vontade de ter mais cuidado na relação. Eis algumas propostas que podem ser feitas,
quando consideramos que alguém é ZOEIRO:

● Gostaria que a gente ouvisse o que cada um de nós acha divertido e o que cada um de nós
ficaria triste de ouvir. Assim, podemos todos nos divertir sem colocar em risco o bem-estar
uns dos outros. Você topa conversarmos sobre isso?
● Vi você fazendo os gestos e repetindo o que o professor falou e fiquei desconfortável, pois
estou inseguro se ele ficaria contente com essa brincadeira. O que você acha disso? Acha
que ele não ligaria? Tudo bem se eu perguntar para o professor como ele se sente?
● Há alguns assuntos que eu gostaria que tivéssemos mais seriedade, pois acredito que isso
favorece a concentração minha e das pessoas. Você está disposto a deixar para cantar
depois dessa atividade?
● Vamos combinar um sinal entre nós para indicar quando a brincadeira está se tornando
desagradável para alguém?

Refletindo um pouco mais sobre o rótulo


Fazer piadas e brincadeiras pode ser a estratégia que usamos para nos conectar e interagir
com outra pessoa ou um grupo. Às vezes, é uma forma de nos distrairmos e aliviar tensões de
experiências desagradáveis que estamos passando e, muitas vezes, brincamos para trazer mais
ânimo para momentos que consideramos tediosos.

Receber atenção da turma, se divertir enquanto diverte os outros e ter a sensação de tornar a
vida mais leve podem ser as justificativas para um comportamento que rotulamos de zoeiro.
Apesar da graça ser uma emoção mais aceita nos grupos, é importante acolhermos sentimentos
como tristeza ou insegurança que alguém pode sentir ao entrar em contato com essas
brincadeiras. Assim, cuidaremos melhor de todos.

Na nossa sociedade, não somos educados sobre como lidar com nossas emoções e
sentimentos. A felicidade é vista como meta de vida e é comumente relacionada à alegria e
diversão. Para se adaptar à cultura em que vivemos, podemos agir priorizando o riso e evitando
os sentimentos considerados desagradáveis. Se compreendermos as pessoas, podemos
valorizá-las.

Veja Também

Louco (p.86) Histérica (p.70) Olho-grande (p.100)

151
Quem somos?
O CNV em Rede é um projeto de contribuição social,
sem fins lucrativos, iniciado em março de 2018 com a
missão difundir a Comunicação Não Violenta no Brasil,
tornando esse conhecimento acessível a qualquer pessoa
independentemente da condição financeira. Em 3 de agosto
de 2021, foi fundada a ONG Organização em Rede Social,
uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse
Público), oficializando o caráter filantrópico das atividades
do CNV em Rede, que passa a ser um dos seus projetos
sociais.

Quem criou esse livro?

Bruno Goulart de Oliveira graduou-se em Engenharia de Computação


e fez mestrado em Engenharia Elétrica. Fundou o CNV em Rede e é
presidente da Organização em Rede Social. É autodidata nos estudos da
CNV e realiza palestras, workshops, cursos e treinamentos de
Comunicação Não Violenta presencial e online.

Neila Vasconcelos é jornalista e estudante de Comunicação Não


Violenta. Encantada com vida e com natureza, acredita que podemos,
por meio da CNV, construir relações mais harmoniosas entre todos os
seres. Contribui com o CNV em Rede desde seu surgimento. É autora
dos livros Coleção de Sentimentos e Necessidades e Pequeno Guia
Prático de CNV, lançados pelo CNV em Rede.

Prefácio: Vinícius Lima Lousada.

Apoio: Rafael Keidi Oishi.

Imagens: Freepik.

Sobre o projeto Livro em Construção


Em vez de realizarmos uma obra pronta e perfeita, acreditamos que, assim como a natureza
evolui, o conhecimento sempre pode ser aprimorado. Por isso, iniciamos o projeto dos Livros em
Construção.

O Livro em Construção é uma obra que você pode acompanhar o crescimento e nos ajudar
a criá-la, enviando suas sugestões e ideias. Este é o segundo livro da série.

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Quanto custa este livro?
A contribuição para este livro é livre. Ou seja, você pode obtê-lo gratuitamente. Mas,
convidamos você a contribuir com nosso trabalho caso deseje nos apoiar nesse propósito de
construção de uma cultura de paz por meio da partilha da CNV.

Você pode fazer uma doação para esse livro acessando o link:

https://cnv.emrede.social/doar

Para receber as novas versões deste e de outros livros, acesse o site:

https://cnv.emrede.social/livroemconstrucao/

Participe do CNV em Rede


Entre no site do CNV em Rede para criar um perfil e navegar na nossa rede social da
Comunicação Não Violenta. No site, você poderá adicionar amigos, encontrar pessoas de sua
região, participar de cursos, eventos e campanhas online, baixar outros livros, jogos e músicas,
tudo de forma gratuita ou com contribuição livre. Acesse o link ou use o QR Code:

https://cnv.emrede.social/

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