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Regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro

Plano Básico para o Desenvolvimento da


Silvicultura Sustentável

Cadeias Produtivas - Regulação da Silvicultura


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30.110-056 - Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
Volume 4 - Maio de 2011
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PROJETO:
Regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro
Plano Básico para o Desenvolvimento da Silvicultura Sustentável

COORDENADORES DOS MÓDULOS

SILVICULTURA
Romeu e Silva Neto
Milton Casério

MERCADOS
Eduardo Nery

CADEIA PRODUTIVA E PROGRAMA DE IMPLEMENTAÇÃO

CULTURA E ETNOGRAFIA: Elisiana Alves


SISTEMA SOCIAL: Samantha Nery
INFRAESTRUTURA: Milton Casério
REGULAÇÃO INSTITUCIONAL LEGAL: Rogério Coutinho
ECONOMIA E FINANÇAS: Nildred Martins
CARTOGRAFIA E GEOPROCESSAMENTO: Miguel Felippe
SISTEMA DE INFORMAÇÃO Rosângela Milagres

AQUARELAS: Elisiana Alves


Série: A Floresta de Sofia
APRESENTAÇÃO

O Plano Básico para o Desenvolvimento da Silvicultura Sustentável nas Regiões Norte e


Noroeste do Estado do Rio de Janeiro constitui uma iniciativa da Secretaria de Estado de
Planejamento e Gestão em articulação com a Petrobrás, por meio de sua unidade de Ne-
gócio e Exploração da Produção da Bacia de Campos (UM-BC), com a participação de seu
Programa e Desenvolvimento Social de Macaé e Região, PRODESMAR, tendo contado
com a parceria da Secretaria de Estado Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e
Serviços e da Investe Rio, entre outras instituições estaduais. Como parte integrante da
Carteira de Projetos elaborada pelo Plano de Desenvolvimento Sustentável destas Regi-
ões, ele é o primeiro a ser desenvolvido em formato executivo, para implementação. Trata-
se de um trabalho que cobre, desde o cultivo das florestas plantadas, comercial e recom-
posição da nativa, no caso a Mata Atlântica, especificamente ajustadas às condições eda-
foclimáticas do Norte e Noroeste Fluminense, os mercados dos produtos florestais madei-
reiros e não madeireiros no Brasil e no mundo, cadeias produtivas contendo o modelo de
negócio abrangendo as condições sociais, ambientais, infraestrutura, de regulação e a
viabilidade econômica, e o seu plano de implementação. Para a sua divulgação e a atra-
ção de investidores, nacionais e estrangeiros, há duas apresentações específicas com as
informações que eles necessitam para despertar o seu interesse e instruir a sua decisão
inicial.

O Plano Básico, em atenção ao que dispõe o seu Termo de Referência, estabelece três
grandes cadeias produtivas no mínimo, com espécies diversificadas, assegurando a biodi-
versidade e prevenindo a monocultura, e múltiplas cadeias menores que ampliam a varie-
dade e as oportunidades produtivas para todo o território da Região N-NO. Além disso, o
Plano desenvolve cadeias e atividades acessórias, como um elenco adicional de oportuni-
dades associadas à silvicultura, e cria as condições para que as cadeias de processamen-
to da madeira se implantem na Região, multiplicando os empreendimentos de transforma-
ção e de produtos acabados que usam floresta plantada.

Um cuidado especial orientou a demarcação das áreas cultiváveis, usando sistema georre-
ferenciado, pelo qual foram usadas terras existentes sem ou com muito baixa utilização,
preservando as áreas de cultura existente, em um modelo denominado agrossilvopastoril
ou simplesmente agroflorestal, pelo qual convivem a floresta plantada e as atividades a-
gropecuárias.

Os trabalhos foram realizados em seis meses, com a participação ativa de especialistas e


instituições especializadas, particularmente representativas da Região.

A estratégia do Governo é de que a Silvicultura gere um processo de desenvolvimento


regional que se estenda a todo o seu território, atuando como motor para a inclusão social
e a multiplicação de postos de trabalho e geração de renda, em um modelo original que
lhe confira sustentabilidade como resultado de um modelo negocial inovador e congruente.
Segundo esta perspectiva, ele se estenderá, em futuro próximo das Regiões Norte e No-
roeste para as demais regiões do Estado, capitalizando e disseminando suas experiências
e o conhecimento nele produzido.

Francisco Antônio Caldas Andrade Pinto


Subsecretário de Planejamento e Gestão
Rio de Janeiro, maio de 2011

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


Governo do Estado do Rio de Janeiro

Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão - SEPLAG


Sérgio Ruy Barbosa Guerra Martins
Secretário de Estado

Subsecretário Geral de Planejamento e Gestão - SUBGEP


Francisco Antonio Caldas Andrade Pinto

Av. Erasmo Braga, 118 - Centro


20.020-000 - Rio de Janeiro/RJ
Brasil

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


AUTOR:
ROGÉRIO AUGUSTO FIGUEIREDO COUTINHO

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


SUMÁRIO

1. UNIVERSO ESTUDADO ............................................................................ 7


1.1 Contextualização, Objetivo e Abrangência do Estudo................................. 7
2. ASPECTOS LEGAIS E INSTITUCIONAIS NO ÂMBITO FEDERAL............ 8
2.1 Instrumentos Legais Relevantes ao Setor Florestal .................................... 8
2.2 Aspectos Institucionais Relevantes ao Setor Florestal.............................. 13
2.3 Programas e Políticas Relevantes ao Setor Florestal ............................... 18
3. ASPECTOS LEGAIS E INSTITUCIONAIS NO ÂMBITO ESTADUAL ....... 22
3.1 Instrumentos Legais Relevantes ao Setor Florestal .................................. 22
3.1.1 Legislação Estadual de Fomento Direcionada às Regiões Norte e Noroeste
Fluminense – Interface Atração de Investimentos .................................... 28
3.1.2 Legislação Estadual que Cria os Principais Programas de Incentivos e
Fomento – Interface Atração de Investimentos......................................... 29
3.2 Aspectos Institucionais Relevantes ao Setor Florestal.............................. 30
3.3 Programas Relevantes ao Setor Florestal ................................................ 30
4. LEGISLAÇÕES MUNICIPAIS................................................................... 32
4.1 Legislações Identificadas dos Municípios do Norte Fluminense ............... 32
4.2 Legislações Identificadas dos Municípios do Noroeste Fluminense.......... 36
5. BREVE HISTÓRICO E LEITURA ANALÍTICA DA LEGISLAÇÃO
INTERESSANTE AO PRESENTE PLANO ............................................... 42
5.1 Aspectos Relativos à Legislação Florestal................................................ 43
5.2 Aspectos Relativos à Legislação Ambiental.............................................. 46
5.2.1 Competência Federal ................................................................................ 48
5.2.2 Competência Estadual .............................................................................. 49
5.2.3 Competência Municipal ............................................................................. 49
5.2.4 Da Legislação Restritiva à Silvicultura de Campos dos Goytacazes.......... 50
5.2.5 Outros Municípios...................................................................................... 52
5.2.6 Análise acerca da Constitucionalidade, Legalidade e Juridicidade da Lei de
Campos dos Goytacazes........................................................................... 52
5.3 Aspectos Relativos à Legislação Fundiária............................................... 57
6. CONCLUSÃO E ANÁLISE SITUACIONAL INTEGRADA DAS
LEGISLAÇÕES EM SEUS TRÊS NÍVEIS INSTITUCIONAIS –
DISTRIBUIÇÃO COMPETENCIAL LEGISLATIVA - FATOR
SILVICULTURA........................................................................................ 57
7. OCUPAÇÃO ATUAL DA TERRA.............................................................. 62
8. SITUAÇÃO FUNDIÁRIA ........................................................................... 62

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


9. REGULARIZAÇÃO DA SITUAÇÃO FUNDIÁRIA ...................................... 62
10. RESTRIÇÃO FEDERAL A AQUISIÇÃO DE TERRAS, POR
ESTRANGEIROS, NO BRASIL ................................................................ 63
11. MARCO INSTITUCIONAL-LEGAL DO FINANCIAMENTO DE FLORESTAS
PLANTADAS ............................................................................................ 64
11.1 Experiências Significativas de Financiamento de Florestas Plantadas ..... 65
11.1.1 Fomento Florestal..................................................................................... 65
11.1.2 Fomento Contratual .................................................................................. 66
11.1.3 Fomento Extensão.................................................................................... 67
12. ESTRATÉGIAS E MECANISMOS POTENCIAIS (MDL) ........................... 72
12.1 Créditos de Carbono................................................................................. 72
12.2 Rendas e Impostos................................................................................... 74
13. MARCO LEGAL E INSTITUCIONAL - REGULAÇÃO E
OPERACIONALIZA-ÇÃO – GOVERNO COMO AGENTE PROPULSOR. 74
14. FECHO..................................................................................................... 81
15. REFERÊNCIAS ........................................................................................ 81
ANEXOS .................................................................................................. 86
ANEXO 1 – ANTEPROJETO DE LEI DO PLANO ESTADUAL DE
ADEQUAÇÃO E REGULARIZAÇÃO AMBIENTAL DOS IMÓVEIS RURAIS
................................................................................................................. 87
ANEXO 2 – ANTEPROJETO DE LEI DO PLANO ESTADUAL DE
ADEQUAÇÃO E REGULARIZAÇÃO AMBIENTAL DOS IMÓVEIS RURAIS,
APROVADO PELA LEI Nº ______, DE ___ DE ____ DE 2011 ................ 89
ANEXO 3 – PROGRAMA DE IMPLEMENTAÇÃO, REGULAÇÃO
INSTITUCIONAL ...................................................................................... 92

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


LISTAS

QUADROS
Quadro 1 – Principais Leis e Demais Atos Normativos Relativos às Florestas e Meio
Ambiente ...................................................................................................................... 9
Quadro 2 - Principais Leis e Demais Atos Normativos Estaduais Relativos às Florestas
e ao Meio Ambiente.................................................................................................... 23
Quadro 3 - Principais Leis e Demais Atos Normativos Estaduais Relativos às Florestas
e ao Meio Ambiente (continuação).............................................................................. 27
Quadro 4 - Legislação de Fomento Regional – Norte e Noroeste Fluminense ............ 28
Quadro 5 - Legislação de Fomento Estadual do Rio de Janeiro ................................. 29
Quadro 6 – Índice de Repasse do ICMS Ecológico .................................................... 32
Quadro 7 - Região Norte Fluminense, Site e Link para a Legislação Municipal .......... 32
Quadro 8 - Região Norte Fluminense, Relação das Leis de Plano Diretor e Código de
Obras.......................................................................................................................... 33
Quadro 9 - Região Norte Fluminense, Relação das Leis de Uso e Ocupação do Solo
Urbano e Código Tributário......................................................................................... 33
Quadro 10 - Região Norte Fluminense, Relação das Leis de Código de Posturas e
Código Ambiental ....................................................................................................... 34
Quadro 11 - Região Norte Fluminense, Relação e Link para a Lei Orgânica Municipal
................................................................................................................................... 34
Quadro 12 - Região Norte Fluminense, Relação PPA e LOA...................................... 35
Quadro 13 - Região Noroeste Fluminense, Site e Link para a Legislação Municipal... 36
Quadro 14 - Região Noroeste Fluminense, Relação das Leis de Plano Diretor e Código
de Obras..................................................................................................................... 37
Quadro 15 - Região Noroeste Fluminense, Relação das Leis de Uso e Ocupação do
Solo Urbano e Código Tributário................................................................................. 37
Quadro 16 - Região Noroeste Fluminense, Relação das Leis de Código de Posturas e
Código Ambiental ....................................................................................................... 38
Quadro 17 - Região Noroeste Fluminense, Relação e Link para a Lei Orgânica
Municipal .................................................................................................................... 38
Quadro 18 - Região Noroeste Fluminense, Relação PPA e LOA................................ 39
Quadro 19 - Área da Propriedade e o Percentual Máximo de Plantio ......................... 51
Quadro 20 - Restrições para o Licenciamento da Silvicultura ..................................... 59
Quadro 21 - Brasil (1981), Atividades Consideradas Potencialmente Poluidoras e
Utilizadoras de Recursos Ambientais, 1981................................................................ 61
Quadro 22 - Impostos Incidentes Sobre a Atividade Produtiva e Beneficiadora da
Madeira....................................................................................................................... 74

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


1. UNIVERSO ESTUDADO

• Avaliação das legislações municipais, estadual e federal afetas ao setor florestal;


• Análise comparativa da legislação em função de um projeto de desenvolvimento
e implantação da silvicultura no Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro;
• Necessidades e possibilidades de regulação para o desenvolvimento e efetiva
implantação de programas e projetos de silvicultura, particularmente da condi-
ção fundiária, sempre atentando para os princípios de sua sustentabilidade;
• Análise do arcabouço legal existente para licenciamento ambiental de empreen-
dimentos madeireiros em contraponto com propostas de maior agilização e via-
bilidade;
• Diretrizes de contrapartida estatal para aporte do capital privado na atividade da
silvicultura.

1.1 Contextualização, Objetivo e Abrangência do Estudo


O Governo do Estado do Rio de Janeiro, com parceria e incentivo do PRODESMAR
da PETROBRAS, atentando para o exponencial mercado madeireiro e seus subprodu-
tos, identificou a necessidade de elaboração de um Plano Básico para o Desenvolvi-
mento da Silvicultura Sustentável nas Regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de
Janeiro.

Este Plano deve focar, sobremaneira, a atração de investimentos e investidores priva-


dos para a efetiva implantação de grandes a pequenos empreendimentos de florestas
plantadas e manejo de espécies nativas, com a consequente geração de emprego e
renda, respeitado o seguinte tripé: agrofloresta, utilização sustentável e educação am-
biental.
Para a consecução deste Plano, tornou-se imperativo o levantamento dos arcabouços
legais existentes, de forma a se constituir bases de conhecimento que permitissem
fossem feitas as análises e avaliações dos sistemas legais que afetam diretamente a
atividade madeireira.
Nesta leitura prefacial foi feito um apanhado geral do arcabouço legal e institucional
existente nos municípios que integram as duas regiões – Norte e Noroeste Fluminense
-, buscando, sempre que pertinente, explicitar as possíveis interfaces da realidade
presente com o cenário futuro de efetiva implantação dos empreendimentos que se
almeja atrair e/ou promover.
E essa leitura se justifica pelo simples fato de que sem uma estrutura legal mínima dos
operadores primeiros do sistema – governos municipais -, todas as proposições futu-
ras de enlaces e conectividade com o arcabouço legal estadual e federal restarão
comprometidas, por pura e simples falta de mecanismos legais de efetivação.
Para identificação da legislação existente, seja em nível municipal, estadual e federal,
foram utilizadas as informações disponíveis em sítios eletrônicos – dados secundários.
A avaliação se organiza em três grandes subconjuntos de informações: o primeiro diz
respeito às legislações federais identificadas; o segundo retrata as legislações e con-
vênios firmados em nível estadual, ao passo que o terceiro relaciona as legislações
municipais interessantes ao estudo de caso.

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 7


Cumpre registrar que o presente trabalho também atentou para a necessidade de in-
tegrar a produção florestal de base plantada e manejada com a proteção de áreas de
importância para a biodiversidade, donde se apontaram ações/diretrizes a serem arti-
culadas entre as diversas instituições estaduais e federais e o capital privado, para, de
forma concreta, se construir proposta do Plano Básico de Desenvolvimento da Silvicul-
tural Sustentável para as Regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro.
Este Plano, portanto, tem por objetivo orientar os esforços da sociedade do Norte e
Noroeste Fluminense para o desenvolvimento sustentável do setor florestal e associa-
do, no ambiente macrorregional, em harmonia com as atividades agrárias. Tem, pois,
como objetivo principal a elaboração de diretrizes e eixos de desenvolvimento que
sirvam de orientação para as decisões e as ações operativas de autoridades gover-
namentais, e, principalmente, dos dirigentes de empresas e outras entidades interes-
sadas no desenvolvimento sustentável do Estado.
Para o atendimento desse objeto principal, na área institucional-legal, os seguintes
objetivos específicos foram estabelecidos:
I – constituir modelo a ser adotado quanto ao direito de propriedade da terra dos po-
tenciais investidores da iniciativa privada, avaliando-se as várias alternativas existen-
tes, com vistas também à adoção de um modelo estatal de regularização fundiária
regional;
II – sistematizar as ações a serem adotadas ante os modos de licenciamento ambien-
tal previstos nas legislações federal e estadual;
III – analisar o arcabouço legal existente nos âmbitos municipal, estadual e federal,
com proposições para a adoção de um sistema legal integrado nos três níveis federa-
dos, ante a exigência de uma legislação efetiva e de aplicação imediata;
IV – analisar a utilização de mercados, nacional e internacional, de créditos de carbo-
no;
V – estudar as possibilidades de ajuste das condições tributárias intermunicipais e
interestaduais.

2. ASPECTOS LEGAIS E INSTITUCIONAIS NO ÂMBITO FEDERAL

2.1 Instrumentos Legais Relevantes ao Setor Florestal


O quadro seguinte mostra quais as principais leis e demais atos normativos aplicáveis
às florestas e meio ambiente.

8 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


Quadro 1 – Principais Leis e Demais Atos Normativos Relativos às Florestas e Meio Ambiente

Tipo Número Data Assunto


Lei 4.504 30/11/1964 Institui o Estatuto da Terra.
Institui o Código Florestal. Institui as Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal.
Lei 4.771 15/9/1965 Institui regras para exploração da flora, execução de desmates, auto-suprimento, dentre outras dispo-
sições.
Lei 5.197 3/1/1967 Proteção da Fauna - Dispõe sobre a proteção à fauna. Proíbe a destruição, caça e apanha.
Lei 6.815 19/8/1980 Institui o Estatuto do Estrangeiro e dá outras providências.
Licenciamento Ambiental - Controle da poluição Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente.
Lei 6.938 31/8/1981 Proíbe a poluição e obriga o licenciamento. Determina a utilização adequada dos recursos ambientais.
Regulamentada pelo decreto 99.274/90.
Infrações Ambientais Disciplina a Ação Civil Pública de responsabilidade por danos causados ao meio
Lei 7.347 24/7/1985
ambiente.
Agrotóxicos e afins - Dispõe sobre os agrotóxicos, seus componentes e Afins. Estabelece as condi-
Lei 7.802 11/7/1989
ções de uso, armazenamento e transporte. Regulamentada pelo Decreto 4.074/02.
Recursos hídricos - Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos. Institui a cobrança pelo uso da
Lei 9.433 8/1/1997
água. Sujeita a captação de águas públicas à outorga do órgão competente.
Infrações ambientais - Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e
Lei 9.605 12/2/1998 atividades lesivas ao meio ambiente. Regulamentada pelo Decreto 3.179/99 no que se refere às san-
ções administrativas.
Dispõe sobre educação ambiental. Atribui às instituições, o dever de promover programas destinados
Lei 9.795 27/4/1999
à capacitação dos trabalhadores. Regulamentada pelo Decreto 4.281/02.
Regulamenta o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional
Lei 9.985 19/7/2000
de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências.
Armazenamento - Dispõe sobre o Sistema de Armazenagem dos Produtos Agropecuários. Regula-
Lei 9.973 29/5/2000
mentada pelo Decreto 3.855/01.
Código Civil - Institui o Código Civil. Contém normas sobre solo, uso da propriedade, direitos de vizi-
Lei 10.406 10/1/2002
nhança, bens e sobre uso das águas.

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 9


(continuação)
Tipo Número Data Assunto
Publicidade de dados ambientais - Dispõe sobre o acesso público aos dados e informações existentes
nos órgãos e entidades integrantes do SISNAMA. Obriga os órgãos e entidades da administração pú-
blica, direta, indireta e fundacional, integrantes do SISNAMA, a permitir a qualquer indivíduo o acesso
Lei 10.650 16/4/2003
público aos documentos, expedientes e processos administrativos que tratem de matéria ambiental e a
fornecer todas as informações ambientais que estejam sob sua guarda, em meio escrito, visual, sonoro
ou eletrônico, independentemente de da comprovação de interesse específico.
Mudas e sementes - Dispõe sobre o Sistema Nacional de Sementes e Mudas e dá outras providên-
Lei 10.771 5/8/2003
cias. Regulamentada pelo decreto 5.153/04.
Dispõe sobre a gestão de florestas públicas para a produção sustentável; institui, na estrutura do Mi-
Lei 11.284 3/3/2006 nistério do Meio Ambiente, o Serviço Florestal Brasileiro - SFB; cria o Fundo Nacional de Desenvolvi-
mento Florestal – FNDF.
Dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica, e dá outras provi-
Lei 11.428 22/12/2006 dências. Altera a Lei 9.605/98 (Lei de Infrações Ambientais), e a Lei 4.771//65 (Código Florestal Brasi-
leiro). Regulamentada pelo decreto 6.660//08.
Lei 12.184 29/12/2009 Institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima – PNMC.
"Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e
Lei 12.305 2/8/2010
dá outras providências."
Decreto 24.643 10/7/1934 Recursos hídricos - Institui o Código de Águas. Dispõe sobre águas fluviais.
Decreto 24.645 10/7/1934 Proteção da Fauna - Estabelece medidas de proteção aos animais.
Recursos hídricos - Institui o código de águas minerais. Classifica as águas minerais e estabelece
Decreto 7.841 8/8/1945
requisitos para autorização de pesquisa e de lavra para rotulagem de águas engarrafas.
Agrotóxicos e Afins Transporte - Aprova o regulamento do transporte rodoviário de produtos perigosos.
Decreto 96.044 18/5/1988 Determina as obrigações do transportador e do contratante do transporte. Regulamentada pela resolu-
ção ANTT 420/04.
Políticas ambientais - Regulamenta a Lei 6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Am-
Decreto 99.274 06/6/1990
biente. Obriga o licenciamento e proíbe a poluição.
Normas Internacionais - Promulga a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáti-
Decreto 2.652 01/7/1998
cas, assinada em Nova York, em 09/05/92.

10 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


(continuação)
Tipo Número Data Assunto
Normas internacionais, agrotóxicos e afins - Promulga a Convenção n° 170 da OIT, relativa à seguran-
ça na utilização de produtos químicos no trabalho, assinada em Genebra, em 25/06/90. Refere-se
também ao meio ambiente, uma vez que a utilização de produtos químicos no trabalho abrange: a
Decreto 2.657 03/7/1998
produção, manuseio, armazenamento, transporte, eliminação e tratamento dos resíduos de produtos
químicos, emissão de produtos químicos resultantes do trabalho, manutenção, reparação e limpeza de
equipamentos e recipientes utilizados para os produtos químicos.
Dispõe sobre a especificação das sanções aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambi-
Decreto 3.179 21/09/1999
ente, e dá outras providências
Agrotóxicos e Afins - Regulamenta a Lei 7.802, de 11/07/89, que dispõe sobre a pesquisa, a experi-
mentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização,
Decreto 4.074 04/01/2002 a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e emba-
lagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus compo-
nentes e Afins, e dá outras providências.
Educação Ambiental - Regulamenta a Lei 9.795, de 27/0/99, que institui a Política Nacional de Educa-
ção Ambiental. Determina que devam ser criados, mantidos e implementados programas de educação
Decreto 4.281 15/6/2002
ambiental integrados aos processos de capacitação de profissionais promovidos por empresas, enti-
dades de classe, instituições públicas e privadas.
Unidades de Conservação - Regulamenta, parcialmente, a Lei 9.985/00, que dispõe sobre a criação
Decreto 4.340 22/8/2002 das unidades de conservação, planos de manejo, formas de fixação das medidas compensatórias e
autorização para a exploração de produtos, subprodutos ou serviços delas inerentes.
Órgãos Administrativos e Afins - Regulamenta o Conselho Nacional de Recursos Hídricos, e dá outras
Decreto 4.613 11/3/2003
providências. Revoga os decretos 2.612, de 03/06/98, 3.978, de 22/10/01, e 4.174, de 25/03/02.
Mudas e Sementes - Aprova o regulamento da Lei 10.711/03, que dispõe sobre o sistema nacional de
Decreto 5.153 23/7/2004
sementes e mudas SNSM, e dá outras providências.
Normas Internacionais - Aprova o texto da convenção de Estocolmo sobre poluentes orgânicos persis-
tentes, adotada, naquela cidade, em 22/05/01. Promulgada pelo decreto 5.472, de 20/06/05. Impõe
restrições a pesticidas e substâncias químicas industriais, como o DDT, aldrin, dieldrin, clordane, en-
Decreto 204 7/5/2004
drin, heptacloro, hexachlorobenzeno, mirex, toxafeno, PCBs (bifenilas policloradas), e as dioxinas e os
furanos. Essas duas últimas são substâncias resultantes não intencionalmente da produção, uso ou
disposição (como a incineração) de outros POPs ou de resíduos sólidos em geral (como plásticos PVC).

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 11


(continuação)
Tipo Número Data Assunto
Agrotóxicos e Afins - Dispõe sobre a criação do Plano Nacional de Prevenção, Preparação e Resposta
Decreto 5.098 3/6/2004
Rápida a Emergências Ambientais com produtos químicos perigosos P2R2, e dá outras providências.
Normas Internacionais - Promulga o Protocolo de Quioto à Convenção Quadro das Nações Unidas
Sobre Mudança do Clima, aberto a assinaturas na cidade de Quioto, Japão, em 11 de dezembro de
Decreto 5.445 12/05/2005 1997, por ocasião da terceira conferência das partes da convenção quadro das nações unidas sobre
mudança do clima. A convenção quadro das nações unidas sobre mudança do clima, assinada em
Nova York, em 09/05/92, e foi promulgada pelo decreto 2.652/98.
Normas Internacionais - Aprova o texto da Convenção Internacional para a Proteção dos Vegetais
Decreto 885 22/7/2005 CIPV, aprovado na 29ª conferência da organização das nações unidas para agricultura e alimentação
FAO, em 17/11/97.
Infrações ambientais - Dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente, estabe-
Decreto 6.514 22/7/2008
lece o processo administrativo federal para apuração destas infrações, e dá outras providências.
Institui o Programa Federal de Apoio à Regularização Ambiental de Imóveis Rurais, denominado “Pro-
Decreto 7.029 10/12/2009
grama Mais Ambiente”, e dá outras providências.

12 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


2.2 Aspectos Institucionais Relevantes ao Setor Florestal
- IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis)
Dentre os objetivos do IBAMA ligados ao setor florestal podem-se citar:
I - executar o controle e a fiscalização ambiental nos âmbitos regional e nacional;
II - monitorar as transformações do meio ambiente e dos recursos naturais;
III - manter a integridade das áreas de preservação permanentes e das reservas le-
gais;
IV - ordenar o uso dos recursos florestais nacionais;
V - monitorar o status da conservação dos ecossistemas, das espécies e do patrimô-
nio genético natural, visando à ampliação da representação ecológica;
VI - executar ações de proteção e de manejo de espécies da flora brasileiras;
VII - promover a pesquisa, a difusão e o desenvolvimento técnico-científico voltados
para a gestão ambiental;
VIII - promover o acesso e o uso sustentado dos recursos naturais e;
IX - desenvolver estudos analíticos, prospectivos e situacionais verificando tendências
e cenários, com vistas ao planejamento ambiental.
Dentro da estrutura do IBAMA existe um órgão específico ligado ao setor florestal: a
DIREF (Diretoria de Florestas).

- INCRA (Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária)


O INCRA é uma autarquia federal criada pelo Decreto nº 1.110, de 9 de julho de 1970,
com a missão prioritária de realizar a Reforma Agrária, manter o cadastro nacional de
imóveis rurais e administrar as terras públicas da União.
Está implantado em todo o território nacional por meio de 29 Superintendências Na-
cionais.

- EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)


A EMBRAPA, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, foi
criada em 26 de abril de 1973. Sua missão é viabilizar soluções para o desenvolvimen-
to sustentável do espaço rural, com foco no agronegócio, por meio da geração, adap-
tação e transferência de conhecimentos e tecnologias, em benefício dos diversos
segmentos da sociedade brasileira.
Está sob a coordenação da EMBRAPA, o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuá-
ria-SNPA, constituído por instituições públicas federais, estaduais, universidades, em-
presas privadas e fundações, que, de forma cooperada, executam pesquisas nas dife-
rentes áreas geográficas e campos do conhecimento científico.

- CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente)

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 13


Instituído pela Lei 6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente,
norma essa regulamentada pelo Decreto 99.274/90.

- CONAFLOR (Comissão Coordenadora do Programa Nacional de Florestas)


A CONAFLOR foi instituída pelo Decreto Presidencial 4.864/2003 e tem a finalidade de
propor e de avaliar medidas para que sejam cumpridos os princípios e as diretrizes
das políticas públicas voltadas ao Setor Florestal, de acordo com a Política Nacional
do Meio Ambiente e com o Código Florestal. Também deve sugerir projetos, pesquisas
e estudos sobre manejo e plantio florestal, bem como ações de capacitação de recur-
sos humanos, fortalecimento institucional e sensibilização pública.
A Comissão é formada por representantes do Governo Federal e dos Estados, comu-
nidade científica, trabalhadores, movimentos sociais, organizações não-
governamentais e setores empresariais.

– BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)


O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), criado pela Lei
nº 1.628, de 20 de junho de 1952, é uma Empresa Pública Federal, com personalidade
jurídica de direito privado e patrimônio próprio. Este banco é um órgão vinculado ao
MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), que tem como
objetivo apoiar empreendimentos que contribuam para o desenvolvimento do Brasil.
Desta ação resultam a melhoria da competitividade da economia brasileira e a eleva-
ção da qualidade de vida da sua população.
Desde sua fundação, o BNDES vem financiando os grandes empreendimentos indus-
triais e de infra-estrutura do Brasil, tendo marcante posição no apoio aos investimentos
na agricultura, no comércio e serviços, nas micro, pequenas e médias empresas, e
aos investimentos sociais, direcionados para a educação e saúde, agricultura familiar,
saneamento básico e ambiental e transporte coletivo de massa.
Suas linhas de apoio contemplam financiamentos de longo prazo a custos competiti-
vos, para o desenvolvimento de projetos de investimentos e para a comercialização de
máquinas e equipamentos novos, fabricados no país, bem como para o incremento
das exportações brasileiras. Contribui, também, para o fortalecimento da estrutura de
capital das empresas privadas e desenvolvimento do mercado de capitais.
O BNDES conta com duas subsidiárias integrais, a FINAME (Agência Especial de Fi-
nanciamento Industrial) e a BNDESPAR (BNDES Participações), criadas com o objeti-
vo, respectivamente, de financiar a comercialização de máquinas e equipamentos e de
possibilitar a subscrição de valores mobiliários no mercado de capitais brasileiro. As
duas empresas, juntas, compreendem o chamado "Sistema BNDES".
O BNDES considera ser de fundamental importância, na execução de sua política de
apoio, a observância de princípios ético-ambientais e assume o compromisso com os
princípios do desenvolvimento sustentável.
As linhas de apoio financeiro e os programas do BNDES atendem às necessidades de
investimentos das empresas de qualquer porte e setor, estabelecidas no país. A par-
ceria com instituições financeiras, com agências estabelecidas em todo o país, permite
a disseminação do crédito, possibilitando um maior acesso aos recursos do BNDES.

14 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


A missão do BNDES é promover o desenvolvimento sustentável e competitivo da eco-
nomia brasileira, com geração de emprego e redução das desigualdades sociais e
regionais. Já a visão do BNDES é a de ser o banco do desenvolvimento do Brasil, ins-
tituição de excelência, inovadora e pró-ativa ante os desafios da nossa sociedade.

- CONABIO (Comissão Nacional de Biodiversidade)


A CONABIO (Comissão Nacional de Biodiversidade) é composta por representantes
de órgãos governamentais e organizações da sociedade civil. Esta tem um relevante
papel na discussão e implementação das políticas nacionais sobre a biodiversidade.
Compete à esta promover a implementação dos compromissos assumidos pelo Brasil
junto à CDB (Convenção sobre Diversidade Biológica), bem como identificar e propor
áreas e ações prioritárias para pesquisa, conservação e uso sustentável dos compo-
nentes da biodiversidade.

- CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente)


O CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) é o órgão consultivo e deliberativo
do SISNAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente). É composto por Plenário, CIPAM,
Grupos Assessores, Câmaras Técnicas e Grupos de Trabalho. O Conselho é presidido
pelo Ministro do Meio Ambiente e sua Secretaria Executiva é exercida pelo Secretário-
Executivo do MMA.
O Conselho é um colegiado representativo de cinco setores, a saber: órgãos federais,
estaduais e municipais, setor empresarial e sociedade civil. Compõem o Plenário:
I. Ministro de Estado do Meio Ambiente, que o preside;
II. Secretário-Executivo do Ministério do Meio Ambiente, seu Secretário-Executivo;
III. Representante do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), vinculado ao Mi-
nistério do Meio Ambiente (MMA);
IV. Representante da Agência Nacional de Águas (ANA), também vinculada ao MMA;
V. Representantes de cada um dos Ministérios, das Secretarias da Presidência da
República e dos Comandos Militares do Ministério da Defesa, indicados pelos respec-
tivos titulares;
VI. Representantes de cada um dos Governos Estaduais e do Distrito Federal, indica-
dos pelos respectivos Governadores;
VII. Oito Representantes dos Governos Municipais que possuam Órgão Ambiental
Estruturado e Conselho de Meio Ambiente com Caráter Deliberativo.
As Câmaras Técnicas são instâncias encarregadas de desenvolver, examinar e relatar
ao Plenário as matérias de sua competência. O Regimento Interno prevê a existência
de 11 Câmaras Técnicas, compostas por 7 Conselheiros, que elegem 1 Presidente, 1
Vice-Presidente e 1 Relator. Os Grupos de Trabalho são criados por tempo determi-
nado, para analisar, estudar, e apresentar propostas sobre matérias de sua competên-
cia.
O CONAMA reúne-se ordinariamente a cada 3 meses no Distrito Federal. Este Conse-
lho pode também realizar Reuniões Extraordinárias fora do Distrito Federal, sempre

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 15


que convocado por seu Presidente, seja esta por iniciativa própria ou por requerimento
de pelo menos 2/3 de seus membros.

- ICMBIO (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade)


Após reestruturação promovida no MMA, o IBAMA foi dividido, onde parte de suas
atribuições foi repassada ao SFB (Serviço Florestal Brasileiro) e ao ICMBio (Instituto
Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). O ICMBio passou a ser o órgão do
MMA responsável pelas Unidades de Conservação Federais.
Tem entre suas principais atribuições:
I. Apresentar e editar normas e padrões de gestão das Unidades de Conservação,
UCs), Federais;
II. Propor a criação, regularização fundiária e gestão das UCs
III. Implementar o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).
O ICMBio deve também contribuir para a recuperação das áreas degradadas existen-
tes dentro das UCs. Para isso, pode fiscalizar e aplicar penalidades administrativas
ambientais ou compensatórias aos responsáveis pelo não-cumprimento das medidas
necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental.
Cabe ao ICMBio monitorar o uso público e a exploração econômica dos recursos natu-
rais nas UCs onde isso for permitido. Na área de pesquisa, contribui para a geração e
disseminação sistemática de informações e conhecimentos relativos à gestão de UCs,
conservação da biodiversidade e uso sustentável dos recursos faunísticos, pesqueiros
e florestais. Ainda nessa área, o Instituto deve disseminar metodologias e tecnologias
de gestão ambiental e de proteção e manejo integrado de ecossistemas e de espécies
do patrimônio natural e genético.
O Instituto deve também criar e promover programas de educação ambiental, contribu-
ir para a implementação do Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente
(SINIMA) e aplicar, no âmbito de sua competência, os dispositivos e acordos interna-
cionais formados pelo Brasil no que se refere à gestão ambiental.
Uma outra atribuição do Instituto é propor e editar normas de fiscalização e de controle
do uso do patrimônio espeleológico (cavernas) brasileiro, bem como fomentar levan-
tamentos, estudos e pesquisas que possibilitem ampliar o conhecimento sobre as ca-
vernas naturais existentes no Brasil. Finalmente, cabe ao Instituto Chico Mendes ela-
borar o Relatório de Gestão das Unidades de Conservação Federais.

- MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário)


O MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) tem como competência a Reforma
Agrária, realizada através de Assentamentos Rurais (Colonização) e da Regularização
Fundiária. Além disso, deve promover o desenvolvimento sustentável do segmento
rural constituído pelos agricultores familiares, e identificar, reconhecer, delimitar, de-
marcar e titular as terras ocupadas pelas comunidades Quilombolas.

- MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior)

16 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) foi criado pela
Medida Provisória nº 1.911-8, de 29/07/1999, tendo como área de competência os
seguintes assuntos:
I. Política de desenvolvimento da indústria, do comércio e dos serviços;
II. Propriedade intelectual e transferência de tecnologia;
III. Metrologia, normalização e qualidade industrial;
IV. Políticas de comércio exterior;
V. Regulamentação e execução dos programas e atividades relativas ao comércio
exterior;
VI. Aplicação dos mecanismos de defesa comercial, com participação em negociações
internacionais relativas ao comércio exterior;
VII. Formulação da política de apoio à microempresa, empresa de pequeno porte e
artesanato;
VIII. Execução das atividades de Registro Comercial.
Ao MDIC estão vinculadas a SUFRAMA (Superintendência da Zona Franca de Ma-
naus), o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), o INMETRO (Instituto Na-
cional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) e o BNDES (Banco Nacio-
nal do Desenvolvimento Econômico e Social). Este Ministério tem como missão cons-
truir um Brasil competitivo, justo e rico em oportunidades, em parceria com setores
produtivos, através de ações que resultem na melhoria da qualidade de vida da popu-
lação.

- MI (Ministério da Integração Nacional)


O MI (Ministério da Integração Nacional) possui como competências a formulação e
condução da política de desenvolvimento nacional integrada e dos planos e programas
regionais de desenvolvimento. Também cabe a este Ministério estabelecer as estraté-
gias de integração das economias regionais e as diretrizes e prioridades na aplicação
dos recursos dos programas Federais de financiamento, tais como o FCO.

- MMA (Ministério do Meio Ambiente)


O MMA tem como área de competência os seguintes assuntos: (i) política nacional do
meio ambiente e dos recursos hídricos; (ii) política de preservação, conservação e
utilização sustentável de ecossistemas, e biodiversidade e florestas; (iii) proposição de
estratégias, mecanismos e instrumentos econômicos e sociais para a melhoria da qua-
lidade ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais; (iv) políticas para a inte-
gração do meio ambiente e produção; (v) políticas e programas ambientais para a
Amazônia Legal; e (vi) zoneamento ecológico-econômico.

- SFB (Serviço Florestal Brasileiro)


O Serviço Florestal Brasileiro é o órgão responsável por exercer a função de órgão
gestor dos Planos de Manejo Sustentável das Florestas Nacionais Brasileiras, de a-
cordo com a Lei Federal nº 11.284, de 2 de Março de 2006. De maneira geral, cabe ao
SFB:

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 17


I. Gerir o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal;
II. Apoiar a criação e gestão de programas de treinamento, capacitação, pesquisa e
assistência técnica para a implementação de atividades florestais, incluindo manejo
florestal, processamento de produtos florestais e exploração de serviços florestais;
III. Estimular e fomentar a prática de atividades florestais sustentáveis madeireiras,
não-madeireiras e de serviços;
IV. Promover estudos de mercado para produtos e serviços gerados pelas florestas;
V. Propor planos de produção florestal sustentável, de forma compatível com as de-
mandas da sociedade;
VI. Criar e manter o Sistema Nacional de Informações Florestais integrado ao Sistema
Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente;
VII. Estabelecer e gerenciar o Inventário Florestal Nacional;
VIII. Gerenciar o Cadastro Nacional de Florestas Públicas, organizar e manter atuali-
zado o Cadastro-Geral de Florestas Públicas da União, e adotar providências para
interligar os cadastros estaduais e municipais ao Cadastro Nacional; e
IX. Apoiar e atuar em parceria com os seus congêneres estaduais e municipais.
As decisões relativas às competências do SFB são tomadas em regime colegiado pelo
Conselho Diretor, formado por um Diretor-Geral e quatro Diretores.

2.3 Programas e Políticas Relevantes ao Setor Florestal

- FNDF (Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal)


A Lei nº 11.284, de 2 de março de 2006, que regulamenta a Gestão de Florestas em
Áreas Públicas, cria o Serviço Florestal Brasileiro, estabelece o FNDF (Fundo Nacional
de Desenvolvimento Florestal), e cria o sistema de concessão de Florestas Nacionais
para o manejo florestal sustentável.
O FNDF foi criado com o objetivo promover o fomento e o desenvolvimento tecnológi-
co das atividades florestais sustentáveis, a partir de recursos obtidos com a taxa co-
brada de empresas que desejam tornar-se concessionário de uma área de Floresta
Nacional, visando seu manejo florestal sustentável.
Do total dos recursos arrecadados até 20% deve ser utilizada para a fiscalização do
manejo florestal, de forma que este seja praticado de forma ambientalmente, economi-
camente e socialmente sustentável. O agente fiscalizador desta concessão é Serviço
Florestal Brasileiro.
O restante dos recursos arrecadados pelo FNDF 60% deve ser distribuído entre os
Estados e Municípios onde se localiza a Floresta Pública (30% para os Estados e 30%
para os Municípios) e os 40% restantes são destinados a composição do FNDF.
A Gestão das Florestas Públicas para Produção Sustentável pode autorizar o manejo
florestal sustentável em Terras Públicas nos seguintes casos:
I. Através da criação de Florestas Nacionais, modalidade de UC (Unidade de Conser-
vação) que permite a produção florestal sustentável em Terras Públicas;

18 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


II. Destinação de Terras Públicas para uso comunitário, denominados como:
* Assentamentos Florestais
* Reservas Extrativistas
* Áreas Quilombolas
III. Concessões Florestais pagas, baseadas em processo de Licitação Pública.

- IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul Americana)


IIRSA (Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana) é uma
iniciativa dos 12 países que formam a América do Sul, visando a integração continen-
tal entre as costas dos Oceanos Atlântico e Pacífico.
Esta contempla mecanismos de coordenação e intercâmbio de informações entre os
Governos dos países da América do Sul e as três Instituições Financeiras Multilaterais
do continente: o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a CAF (Corporação
Andina de Fomento) e o FONPLATA (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da
Bacia Platina), de forma a que os objetivos multilaterais propostos sejam alcançados.
A IIRSA surgiu em Reunião de Presidentes da América do Sul realizada em Agosto de
2000 em Brasília, Brasil. Nesta os Presidentes entraram em um acordo para que os
países passassem a realizar ações conjuntas para impulsionar o processo de integra-
ção política, social e econômica da América do Sul. Dentre as ações previstas para tal
fim inclui-se a modernização da infra-estrutura regional e ações específicas para esti-
mular a integração e desenvolvimento de regiões isoladas.
Desde seu início, a IIRSA contempla certos princípios orientadores que tem guiado as
ações dos Governos e das Instituições Financeiras Multilaterais do continente, e que
relacionam objetivos gerais da IIRSA com outras iniciativas Sul-Americanas.
Através do trabalho conjunto dos Governos e das Instituições Financeiras Multilaterais
participantes, a IIRSA concentrou seus esforços em três áreas de ação principais:
I. Construção de uma Visão Estratégica de Integração Física da América do Sul;
II. Eixos de Integração e Desenvolvimento;
III. Projetos de Integração Regional.
Nota-se que os Governos da América do Sul planejam investir pesadamente na conso-
lidação da Hidrovia do Paraná-Paraguai e do Tietê, para que se possa navegar entre
São Paulo (SP) e Buenos Aires (Argentina), incluindo a construção de uma eclusa na
Represa de Itaipu (PR).
Também faz parte da estratégia de integração da América do Sul a efetivação do
transporte ferroviário entre os Portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), no Oceano
Atlântico, e o de Iquique (Chile), no Oceano Pacífico. Para isso o Estado do Rio de
Janeiro deverá ser contemplado com a melhoria da Ferrovia Novoeste entre Corumbá
(MS) e Santos (SP), e a ligação ferroviária entre Campo Grande (MS) e Paranaguá
(PR). Estas obras também permitirão a ligação ferroviária entre Campo Grande (MS) e
Foz do Iguaçu (PR).

- PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura)

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 19


O PRONAF é uma ação instituída em parceria pelo Ministério do Desenvolvimento
Agrário – MDA e o Ministério do Meio Ambiente – MMA. Seu objetivo é estimular os
agricultores familiares à prática da silvicultura e sistemas agroflorestais. Pretende-se
recuperar áreas de preservação ambiental e estimular o reflorestamento com fins co-
merciais, visando à geração de emprego e o incremento da renda familiar por meio do
uso múltiplo da pequena propriedade rural.

- SINIMA (Sistema Nacional de Informação sobre o Meio Ambiente)


O SINIMA (Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente) é o instrumento de
execução da Política Nacional de Meio Ambiente. Este é responsável pela gestão da
informação ambiental no âmbito do SISNAMA (Sistema Nacional de Meio Ambiente),
de acordo com a lógica da gestão ambiental compartilhada entre as três esferas de
governo.
O SINIMA é gerido pelo MMA, por meio da SAIC (Secretaria de Articulação Institucio-
nal e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente), que possui o DSIS (De-
partamento de Coordenação do Sisnama). Este possui 3 eixos estruturantes:
I. Desenvolvimento de ferramentas de acesso à informação baseadas em programas
computacionais livres;
II. Sistematização de estatísticas e elaboração de indicadores ambientais;
III. Integração e interoperabilidade de sistemas de informação de acordo com uma
SOA (Arquitetura Orientada a Serviços).

- PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)


O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é um programa do governo federal
que busca estimular os setores produtivos do Brasil. Este disciplina investimentos pú-
blicos e privados nas áreas de transporte, energia, saneamento, habitação e recursos
hídricos, que em 4 anos deverão totalizar R$ 504 bilhões. A expansão do investimento
em infra-estrutura é condição fundamental para a aceleração do desenvolvimento sus-
tentável no Brasil. Dessa forma, o país poderá superar os gargalos da economia e
estimular o aumento da produtividade e a diminuição das desigualdades regionais e
sociais.
O PAC busca introduzir um novo conceito de investimento em infra-estrutura no Brasil,
com a universalização dos benefícios econômicos e sociais para todas as regiões do
País. Este deverá estimular prioritariamente a eficiência produtiva dos principais seto-
res da economia. Isto deverá impulsionar a modernização tecnológica, acelerar o
crescimento nas áreas já em expansão, ativar áreas deprimidas, aumentar a competi-
tividade e integrar o Brasil com seus vizinhos e com o mundo.
Um programa dessa magnitude só é possível por meio de parcerias entre o setor pú-
blico e o investidor privado, somadas a uma articulação constante entre os entes fede-
rativos (estados e municípios). Em busca de resultados mais rápidos, o governo fede-
ral optou por recuperar a infra-estrutura existente, concluir projetos em andamento e
buscar novos projetos com forte potencial para gerar desenvolvimento econômico e
social, além de estimular a sinergia entre estes projetos.

20 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


- PNF (Programa Nacional de Florestas)
O Programa Nacional de Florestas-PNF foi instituído pelo Decreto n° 3.420, de 20 de
abril de 2000, e lançado pelo Governo Federal em 21 de setembro do mesmo ano.
Seu objetivo geral é a promoção do desenvolvimento sustentável, conciliando a explo-
ração com a proteção dos ecossistemas e a compatibilização da política florestal com
os demais setores de modo a promover a ampliação do mercado interno e externo e o
desenvolvimento institucional do setor.
O Ministério do Meio Ambiente elaborou um plano de metas para o Programa Nacional
de Florestas (PNF), que traz instrumentos fundamentais para o desenvolvimento sus-
tentável do Setor Florestal Brasileiro.
Expandir a área florestal plantada no país para viabilizar empreendimentos com base
em insumos florestais, como a indústria de papel e celulose, chapas e mobiliários; in-
crementar a área florestal manejada, de modo a suprir 30% da demanda industrial de
produtos florestais (nativos) oriundos de áreas bem manejadas e elevar de mil para 30
mil o total de pequenos produtores envolvidos na produção florestal sustentável na
Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado, são algumas das metas a serem atin-
gidas.

- PNB (Política Nacional da Biodiversidade)


A PNB (Política Nacional da Biodiversidade) faz parte das responsabilidades do MMA.
Esta foi elaborada pelo mesmo com base em estudos técnicos realizados em biomas
brasileiros. A PNB tem como objetivos:
I. Definir ações integradas para assegurar a conservação da biodiversidade;
II. Difundir as técnicas de utilização sustentável da biodiversidade, seus produtos e
serviços;
III. Repartir de maneira justa os benefícios derivados da utilização da biodiversidade.

- PNDR (Política Nacional de Desenvolvimento Regional)


A PNDR (Política Nacional de Desenvolvimento Regional) tem como principal objetivo
a redução das desigualdades regionais do Brasil, a qual é efetivada através da identifi-
cação e ativação dos potenciais de desenvolvimento das regiões. Isto é geralmente
realizado através de:
I. Disponibilização de infra-estrutura, crédito e tecnologia para o aproveitamento de
oportunidades econômico-produtivas promissoras para o desenvolvimento;
II. Promoção da inserção social da população, com ações de capacitação dos recursos
humanos e melhoria da qualidade da vida;
III. Fortalecimento das organizações sócio-produtivas regionais, com a ampliação da
participação social, além de estímulo à realização de planos e programas de desen-
volvimento;
IV. Estimulo a exploração das potencialidades advindas das diversidades socioeco-
nômicas e ambientais do Brasil.
Para que as linhas estratégicas de atuação do PNDR, um Plano Nacional, efetivamen-
te aumentem o IDH da população Brasileira, este foi dotado de diversos instrumentos,

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 21


tais como Planos Regionais, Programas Governamentais e Fundos de Desenvolvi-
mento Regional.

- SISNAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente)


O SISNAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente) foi instituído pela Lei Federal nº
6.938, de 31 de Agosto de 1981, e regulamentado pelo Decreto 99.274, de 6 de Junho
de 1990. É constituído pelos órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito
Federal, dos Municípios e pelas Fundações instituídas pelo Poder Público, responsá-
veis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental.
A atuação do SISNAMA ocorre mediante articulação coordenada dos Órgãos e Enti-
dades que o constituem, observado o acesso da opinião pública às informações relati-
vas as agressões ao meio ambiente e às ações de proteção ambiental, na forma esta-
belecida pelo CONAMA. Cabe aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a
regionalização das medidas emanadas do SISNAMA, elaborando normas e padrões
supletivos e complementares.
Os Órgãos Seccionais devem prestar informações sobre seus Planos de Ação e Pro-
gramas em Execução, consubstanciadas em Relatórios Anuais, que são consolidados
pelo MMA em um Relatório Anual sobre a situação do meio ambiente no Brasil. Este é
anualmente publicado e enviado à atenção do CONAMA, seu órgão Consultivo e Deli-
berativo, para serem tomadas as providências cabíveis para remediar problemas e
potencializar soluções.

- SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza)


O SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza) é constituído
pelo conjunto das Unidades de Conservação Federais, Estaduais, Municipais e Priva-
das.

3. ASPECTOS LEGAIS E INSTITUCIONAIS NO ÂMBITO ESTADUAL

3.1 Instrumentos Legais Relevantes ao Setor Florestal


Os quadros abaixo mostram quais as principais leis e demais atos normativos estadu-
ais relativos às florestas e meio ambiente.

22 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


Quadro 2 - Principais Leis e Demais Atos Normativos Estaduais Relativos às Florestas e ao Meio Ambiente

Assunto Número
Dispõe sobre o zoneamento ecológico-econômico do Rio de Janeiro Lei nº 5.067 9/7/2007 ALERJ
Dispõe sobre a política estadual de defesa e proteção das bacias fluviais e lacustres do Rio de Janeiro Lei nº 650 11/1/1983 ALERJ
Dispõe sobre medidas de proteção ao solo agrícola Lei nº 716 27/12/1983 ALERJ
Considera para os efeitos previstos no código florestal como de prestação permanente a vegetação natural das ilhas
Lei nº 721 2/1/1984 ALERJ
que menciona e dá outras providências
Proíbe, em todo o território do Rio de Janeiro, qualquer tipo de corte de floresta, consoante o disposto nos artigos
Lei nº 734 21/5/1984 ALERJ
2º e 3º da Lei nº 4771, de 15 de setembro de 1965.
Estabelece normas para a concessão da anuência prévia do estado aos projetos de parcelamento do solo para fins
Lei nº 784 5/10/1984 ALERJ
urbanos nas áreas declaradas de interesse especial á proteção ambiental e dá outras providências.
Dispõe sobre a instituição dos atrativos e das áreas estaduais de interesse turístico dá outras providências Lei nº 921 11/11/1985 ALERJ
Dispõe sobre a preservação da coleção hídrica e o tratamento de águas residuárias e resíduos provenientes de in-
Lei nº 940 17/12/1985 ALERJ
dústrias sucro-alcooleiras das regiões canavieiras do Estado.
Dispõe sobre obrigatoriedade de plantio de árvores em todos os loteamentos a serem aprovados no Estado do Rio
Lei nº 965 6/1/1986 ALERJ
de Janeiro, e dá outras providências.
Institui o Fundo Especial de Controle Ambiental - FECAM e dá outras providências. Lei nº 1060 10/11/1986 ALERJ
2
Define as áreas de interesse especial do estado e dispõe sobre os imóveis de área superior a 1.000.000m (um
milhão de metros quadrados) e imóveis localizados em áreas limítrofes de municípios, para efeito do exame e Lei nº 1130 12/2/1987 ALERJ
anuência prévia a projetos de parcelamento de solo para fins urbanos, a que se refere o Art. 13 da Lei Nº 6766/79.
Institui a política florestal do estado do Rio de Janeiro e dá outras providências. Lei nº 1315 7/6/1988 ALERJ
Dispõe sobre os procedimentos vinculados à elaboração, análise e aprovação dos estudos de impacto ambiental
Lei nº 1356 3/10/1988 ALERJ
(EIA).
Dispõe sobre a elaboração do plano diretor das áreas de proteção ambiental criadas no estado, e dá outras
Lei nº 1681 19/7/1990 ALERJ
providências
Cria a Taxa de Utilização de Recursos Hídricos de domínio estadual. Lei nº 1803 25/3/1991 ALERJ

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 23


(continuação)
Assunto Número
Institui o Selo Verde, em todo o território do Estado do Rio de Janeiro, com o fim de identificar produtos fabricados e
Lei nº 1844 21/7/1991 ALERJ
comercializados que não causem danos ao meio ambiente.
Dispõe sobre a obrigatoriedade da implantação de Programa de Redução de Resíduos. Lei nº 2011 10/7/1992 ALERJ
Estabelece a obrigatoriedade da aferição anual dos níveis de emissão de poluentes pelos veículos automotores,
visando o atendimento aos padrões estabelecidos e à melhoria da qualidade do ar para garantia da saúde da Lei nº 2029 20/8/1992 ALERJ
população exposta.
Dispõe sobre a proibição de queimadas da vegetação no estado do Rio de Janeiro em áreas e locais que
Lei nº 2049 22/12/1992 ALERJ
especifica e dá outras providências
Dispõe sobre as sanções administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente no Estado do Rio. Lei nº 2393 1995 ALERJ
Disciplina a pesca nos cursos d’água do estado do rio de janeiro e adota outras providências. Lei nº 2423 17/8/1995 ALERJ
Acrescenta dispositivos à Lei n. 1.356, de 03.10.88, que dispõe sobre os procedimentos vinculados à elaboração,
Lei nº 2535 8/4/1996 ALERJ
análise e aprovação dos Estudos de Impactos Ambientais (EIA).
Institui o cadastro estadual de entidades ambientalistas do estado do Rio de Janeiro - C.E.E.A. - RJ. Lei nº 2578 3/7/1996 ALERJ
Regulamenta o disposto no Art. 274 (atual 277) da constituição do estado do Rio de Janeiro no que se refere à exi-
gência de níveis mínimoes de tratamento de esgoto sanitário, antes de seu lançamento em corpos d’água e dá outras Lei nº 2661 27/12/1996 ALERJ
providências.
Dispõe sobre a distribuição aos municípios de parcela de 25% (vinte e cinco por cento) do produto da arrecadação do
imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interes- Lei nº 2664 27/12/1996 ALERJ
tadual e intermunicipal e de comunicação - ICMS.
Proíbe a construção, a qualquer título, de dispositivos que venham a obstruir canais de irrigação pelo mar, ou alterar
Lei nº 2717 24/4/1997 ALERJ
os entornos das lagoas, em suas configurações naturais.
Dispõe sobre aterros sanitários na forma que menciona. Lei nº 2794 17/9/1997 ALERJ
Autoriza o poder executivo a criar programa permanente de plantio de árvores. Lei nº 2942 8/5/1998 ALERJ
Regulamenta os Incisos IX e XI do Art. 261 da constituição estadual e dispõe sobre a elabora-
Lei nº 3029 27/8/1998 ALERJ
ção do mapeamento de risco e de medidas preventivas para a população.
Institui a taxa florestal. Lei nº 3187 1999 ALERJ

24 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


(continuação)
Assunto Número
Dispõe sobre o direito dos pescadores, assegurado pelo § 3º do Art. 257 da constituição do estado do Rio de
Lei nº 3192 15/3/1999 ALERJ
Janeiro, às terras que ocupam.
Institui a política estadual de recursos hídricos; cria o sistema estadual de gerenciamento de recursos hídricos; regu-
Lei nº 3239 2/8/1999 ALERJ
lamenta a constituição estadual, em seu Art. 261, parágrafo 1º, Inciso VII; e dá outras providências.
Autoriza o poder executivo a criar o Banco de Dados Ambientais - BDA. Lei nº 3346 29/12/1999 ALERJ
Regulamenta o Art. 27 das disposições transitórias e os Artigos 261 e 271 da constituição do estado do Rio de Janei-
ro, estabelece a criação dos conselhos gestores para as unidades de conservação estaduais, e dá outras providên- Lei nº 3443 14/7/2000 ALERJ
cias.
Dispõe sobre as sanções administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente no estado do Rio de
Lei nº 3467 14/9/2000 ALERJ
Janeiro, e dá outras providências.
Cria as câmaras técnicas que menciona no âmbito do conselho estadual de recursos hídricos e dá outras providên- Resolução CERHI Nº. 02
cias 15/10/2001CERHI/SERLA
Institui e impõe normas de segurança para operações de exploração, produção, estocagem e transporte de petróleo
e seus derivados, no âmbito do estado do Rio de Janeiro, regulamenta em parte o Art. 276 da Constituição Estadual Lei nº 3801 3/4/2002 ALERJ
e dá outras providências.
Autoriza o poder executivo a firmar contratos e arrendamento rural para fins de recuperação e preservação ambiental Lei nº 3917 22/8/2002 ALERJ
Dispõe sobre a criação do programa SOS Rio Paraíba do sul, objetivando a sua revitaliza-
Lei nº 4051 30/12/2002 ALERJ
ção, no estado do Rio de Janeiro.
Fica determinada a realização do zoneamento ecológico-econômico do estado do Rio de Janeiro, observados, no
que couber, os princípios e objetivos estabelecidos no Decreto Federal nº. 4.297/2002, Que Estabelece os critérios Lei nº 4063 2/1/2003 ALERJ
para zoneamento ecológico-econômico do Brasil.
Dispõe sobre a cobrança pelo uso de recursos hídricos nos corpos hídricos de domínio do estado do Rio de Janeiro Resolução CERHI Nº. 06
integrantes da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul. 29/5/2003 CERHI/SERLA
Resolução CERHI Nº. 07 -
Dispõe sobre procedimentos e estabelece critérios gerais para instalação e instituição dos comitês de bacias hidro- Publicada como Deliberação/
gráficas. CERHI-RJ Nº. 01
1/7/2003 CERHI/SERLA

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 25


(continuação)
Assunto Número
Dispõe sobre a política estadual de resíduos sólidos e dá outras providências. Lei nº 4191 30/9/2003 ALERJ
Altera a Lei nº. 1.356, de 03 de outubro de 1988, que dispões sobre os procedimentos vinculados à elaboração, aná-
Lei nº 4235 2/12/2003 ALERJ
lise e aprovação dos estudos de impacto ambiental.
Dispõe sobre a cobrança pela utilização dos recursos hídricos de domínio do Estado do Rio de Janeiro e dá outras
Lei nº 4247 16/12/2003 ALERJ
providencias.
Altera a LEI Nº 4.247, de 16 de dezembro de 2003, que dispões sobre a cobrança pela utilização dos recursos hídri-
Lei nº 5234 16/12/2003 ALERJ
cos de domínio do Estado do Rio de Janeiro e dá outras providências.
Autoriza o poder executivo a instituir o programa consciência ambiental. Lei nº. 4.760 8/5/2006 ALERJ
Resolução CERHI Nº. 18
Aprova a definição das regiões hidrográficas do estado do rio de janeiro.
8/11/2006 CERHI/SERLA
Dispõe sobre o zoneamento ecológico-econômico do estado do Rio de Janeiro e definindo critérios para a implanta-
Lei nº 5067 9/7/2007 ALERJ
ção da atividade de silvicultura econômica no estado do Rio de Janeiro.
Dispõe sobre a criação do instituto estadual do ambiente – INEA e sobre outras providências para maior eficiência na
Lei nº 5101 4/10/2007 ALERJ
execução das políticas estaduais de meio ambiente, de recursos hídricos e florestais.
Altera a Lei nº 2.664, de 27 de dezembro de 1996, que trata da repartição aos municípios da parcela de 25%
(vinte e cinco por cento) do produto da arrecadação do ICMS, incluindo o critério de conservação ambiental, e dá Lei nº 5100 4/10/2007 ALERJ
outras providências.

26 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


Quadro 3 - Principais Leis e Demais Atos Normativos Estaduais Relativos às Florestas e ao Meio Ambiente (continuação)

Tipo Número Data Assunto


Regulamenta em parte o Decreto-lei n. 134 e institui o Sistema de Licenciamento de Atividades Poluidoras -
Decreto 1.633 21/12/1977
SLAP.
Decreto 2.330 8/1/1979 Institui o Sistema de Proteção dos Lagos e Cursos d’Água do Estado do Rio de Janeiro.
Decreto 8.974 15/5/1986 Regulamenta a aplicação das penalidades previstas no Decreto
Aprova o Regulamento dos Serviços de Controle, Coleta e Destino Final dos Despejos Industriais do Estado
Decreto 8.975 15/5/1986
do Rio de Janeiro e dá outras providências.
Regulamenta a Lei no 1.130, de 12/02/87, localiza as Áreas de Interesse Especial do interior do Estado, e
Decreto 9.760 11/3/1987 define as normas de ocupação a que deverão submeter-se os projetos de loteamentos e desmembramentos a
que se refere o artigo 13 da Lei no 6766/79.
Transforma, mediante autorização do Poder Legislativo, a Superintendência Estadual de Rios e Lagoas -
Decreto 15.159 24/7/1990 SERLA, entidade autárquica, na Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas -SERLA, aprova os
seus estatutos e da outras providencias.
Decreto 21.470 A 05/6/1995 Regulamenta a Lei n. 1.898, de 26.11.91, que dispõe sobre a realização de auditorias ambientais.
Dispõe sobre o conselho estadual de recursos hídricos do estado do Rio de Janeiro, instituído pela Lei Esta-
Decreto 32.862 12/3/2003 dual nº. 3.239, de 02 de agosto de 1999, revoga o decreto 32.225 de 21 de novembro de 2002 e dá outras
providências.
Decreto 40.909 2007 Dispõe sobre a RPPN como unidade de conservação de proteção integral do Estado do Rio de Janeiro.
Decreto 41.968 29/7/2009 Regulamenta a Lei n° 5.067, de 09 de Julho de 2007.

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 27


3.1.1 Legislação Estadual de Fomento Direcionada às Regiões Norte e Noroeste Fluminense – Interface Atração de Inves-
timentos
Quadro 4 - Legislação de Fomento Regional – Norte e Noroeste Fluminense

Legislação Descrição
Lei nº. 4189, de 29 de Dispõe sobre a concessão de incentivos fiscais às empresas que vierem a investir nas regiões Norte-noroeste Fluminense,
setembro de 2003 e dá outras providências.
Ratifica o Decreto Nº. 26.140, de 04 de abril de 2000, que instituiu o programa especial de desenvolvimento industrial das
Lei nº. 4190, de 29 de
regiões Norte e Noroeste Fluminense – RIONORTE/NOROESTE e incorpora alterações propostas pela chefia do poder
setembro de 2003
executivo.
Dispõe sobre a política de recuperação econômica de municípios fluminenses e dá outras providências. Ficam concedidos
aos estabelecimentos industriais instalados ou que venham a se instalar nos municípios de Aperibé, Bom Jardim, Bom Je-
sus do Itabapoana, Cambuci, Campos dos Goytacazes, Cantagalo, Carapebus, Cardoso Moreira, Carmo, Conceição de
Lei nº. 4.533 de 04 de Macabu, Cordeiro, Duas Barras, Italva, Itaocara, Itaperuna, Laje do Muriaé, Macuco, Miracema, Natividade, Paraíba do Sul,
abril de 2005 Porciúncula, Quissamã, São Fidélis, Santa Maria Madalena, Santo Antônio de Pádua, São Francisco do Itabapoana, São
João da Barra, São José de Ubá, São Sebastião do Alto, São José do Vale do Rio Preto, Saquarema, Sapucaia, Sumidou-
ro, Trajano de Morais, Três Rios, Valença e Varre-Sai, o seguinte tratamento tributário: {redação do caput do Art. 1º, altera-
da pelo art. 1º da Lei n.º 5.229, com efeitos a partir de 30.04.2008}
Cria o fundo de recuperação econômica de municípios fluminenses e dá outras providências. Fica criado o Fundo de Re-
cuperação Econômica dos Municípios Fluminenses, com o objetivo de fomentar a recuperação econômica de municípios,
através do financiamento de empreendimentos geradores de emprego e renda, nos setores da indústria, agroindústria,
agricultura familiar, micro e pequenas empresas, serviços e comércio atacadista, considerados relevantes para o desen-
volvimento econômico ao Estado.
Lei nº. 4.534, de 04 de § 1º Para efeitos do que dispõe esta Lei, são abrangidos os seguintes municípios: Aperibé, Bom Jardim, Bom Jesus do Ita-
abril de 2005. bapoana, Cambuci, Campos dos Goytacazes, Cantagalo, Carapebus, Cardoso Moreira, Carmo, Conceição de Macabu,
Cordeiro, Duas Barras, Italva, Itaocara, Itaperuna, Laje do Muriaé, Macuco, Miracema, Natividade, Porciúncula, Quissamã,
São Fidélis, Santa Maria Madalena, Santo Antônio de Pádua, São Francisco do Itabapoana, São João da Barra, São José
de Ubá, Saquarema, São Sebastião do Alto, Sapucaia, Sumidouro, Trajano de Morais, Valença e Varre-Sai. § 2º - VETADO
{redação do § 1º alterada pelo Art. 1º da Lei nº 5.387 de 10.02.2009} {§ 2º vetado pelo Art. 2º da Lei nº 4.762 de
08.05.2006}

28 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


3.1.2 Legislação Estadual que Cria os Principais Programas de Incentivos e Fomento – Interface Atração de Investimentos
Quadro 5 - Legislação de Fomento Estadual do Rio de Janeiro

Legislação Descrição
Decreto 23.012, de 25 de Institui o Programa de Atração de Investimentos Estruturantes, regido pelo Decreto-Lei Estadual n.º 08/75, com suas
março de 1997. posteriores alterações, pelo Decreto n.º 22.921/97 e pelos termos deste Decreto.
Institui o Programa de Desenvolvimento Industrial dos Municípios Fluminenses Priorizados no Programa Comunidade
Decreto 24.859 de 27 de
Solidária – RIOSOLIDÁRIO, regido pelo Decreto-Lei Estadual nº. 08/75, com suas posteriores alterações, pelo Decre-
novembro de 1998
to nº. 22.921/97 e pelos termos deste Decreto.
Institui o Programa Básico de Fomento à Atividade Industrial no Estado do Rio de Janeiro – RIOINDÚSTRIA, regido
Decreto nº. 24 937 de 01 de
pelo Decreto-lei Estadual nº. 08/75, suas posteriores alterações, pelo Decreto nº. 22.921/97 e pelos termos deste De-
dezembro de 1998
creto.
Decreto nº. 41.557 de 18 de Dispõe sobre a concessão de tratamento tributário especial para os estabelecimentos industriais e dá outras provi-
novembro de 2008 dências.

Resolução SEFAZ Nº. 183 de Regulamenta o Decreto Nº. 41.557/2008, que dispõe sobre a concessão de tratamento tributário especial para estabe-
12 de dezembro de 2008 lecimentos industriais.

Lei nº. 4177, de 29 de Dispõe sobre a concessão de benefícios fiscais para o setor de agronegócio e da agricultura familiar fluminense e dá
setembro de 2003. outras providências.
Cria o Fundo de Recuperação Econômica dos Municípios Fluminenses, com o objetivo de fomentar a recuperação
Lei nº. 4534, de 04 de abril de econômica de municípios, através do financiamento de empreendimentos geradores de emprego e renda, nos setores
2005. da indústria, agroindústria, agricultura familiar, micro e pequenas empresas, serviços e comércio atacadista, conside-
rados relevantes para o desenvolvimento econômico ao Estado.

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 29


3.2 Aspectos Institucionais Relevantes ao Setor Florestal
Os aspectos institucionais mais relevantes ao setor florestal são a seguir descritos.

- SEA (Secretaria de Estado do Ambiente)


Operador primeiro do Sistema Estadual de Meio Ambiente e responsável pela formu-
lação e coordenação da política estadual de proteção e conservação do meio ambien-
te e de gerenciamento dos recursos hídricos, visando ao desenvolvimento sustentável
do Estado do Rio de Janeiro.

- SEAPEC (Secretaria de Agricultura e Pecuária)

- INEA (Instituto Estadual do Ambiente)


O Instituto, instalado em 12 de janeiro de 2009, unifica e amplia a ação dos principais
órgãos operadores da gestão ambiental do Estado. Responsável pelos processos es-
taduais de Licenciamento Ambiental.

- FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente)

- SERLA (Superintendência Estadual de Rios e Lagoas)

- IEF (Instituto Estadual de Florestas)

- CONEMA (Conselho Estadual de Meio Ambiente)

- CECA (Conselho Estadual de Controle Ambiental)

- FECAM (Fundo Estadual de Controle Ambiental)

- PESAGRO (Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro)

- EMATER-RJ

- ITERJ (Instituto de Terras do Estado do Rio de Janeiro)

3.3 Programas Relevantes ao Setor Florestal


- ZEE-RJ

30 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


O ZEE (Zoneamento Ecológico Econômico do Rio de Janeiro) tem como objetivo esta-
belecer normas técnicas e legais para o adequado uso e ocupação do território, com-
patibilizando, de forma sustentável, as atividades econômicas, a conservação ambien-
tal e a justa distribuição dos benefícios sociais.
Como princípio, o ZEE exige uma série de entendimentos prévios da realidade do terri-
tório, o que por sua vez define a necessidade de um diagnóstico multidisciplinar para
identificar as vulnerabilidades e as potencialidades específicas ou preferenciais de
uma das áreas, ou subespaços do território em estudo. Somente neste sentido poderá
ser um instrumento de orientação de parâmetros para a sua utilização.
O ZEE constitui instrumento efetivo de planejamento estratégico do Estado.

- ICMS Ecológico
A Lei do ICMS Ecológico estabelece novas regras para o repasse do ICMS aos muni-
cípios do Estado do Rio de Janeiro. As prefeituras que investirem na preservação am-
biental contarão com maior parcela desse imposto.
Calcula-se que o repasse anual para as prefeituras que investirem na manutenção de
florestas, de fontes de água e no tratamento de lixo alcançará R$ 100 milhões, já em
2011. O ICMS Ecológico começou a valer a partir de 2009.
Pela legislação tradicional do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Ser-
viços), 25% arrecadados pelo governo estadual do Rio de Janeiro são repassados às
prefeituras segundo critérios como o número de habitantes e a área territorial. A com-
ponente verde nunca foi levada em conta.
Com a aprovação da novel Lei do ICMS Ecológico, porém, o importante componente
ecológico foi incorporado a essa distribuição, se tornando um dos seis índices estabe-
lecidos para o cálculo do imposto. O repasse verde representará 2,5% do valor do
ICMS distribuído aos municípios. O percentual teve previsão de aumento gradativo:
1% em 2009; 1,8% em 2010; e, finalmente, 2,5% no exercício fiscal de 2011.
Para a inclusão de dados ambientais entre os critérios de distribuição do ICMS, serão
proporcionalmente redimensionados os índices percentuais de população, de área e
de receita própria dos municípios. Dependendo do tipo de política que adotar em prol
do meio ambiente, o município terá direito a maior repasse do imposto.
O índice de repasse do ICMS Ecológico será composto da seguinte forma: 45% para
unidades de conservação; 30% para qualidade da água; e 25% para a administração
dos resíduos sólidos. As prefeituras que criarem suas próprias unidades de conserva-
ção terão direito a 20% dos 45% destinados à manutenção de áreas protegidas.
O ICMS Ecológico, portanto, não premiará apenas municípios por ações em defesa de
sua cobertura vegetal, mas também pela preservação da água e pelo tratamento do
lixo. E isso sem aumento de imposto: haverá apenas uma nova redistribuição do
ICMS.
Os índices para a premiação dos municípios devem ser elaborados pela Fundação
CIDE (Centro de Informações de Dados do Rio de Janeiro), a partir de dados forneci-
dos pelo INEA.

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 31


Quadro 6 – Índice de Repasse do ICMS Ecológico

Rio de Janeiro Lei Estadual Nº 2.664/96 1% (em 2009) Unidades de Conserva-


Lei Estadual Nº 5.100/07 ção (0,45%, sendo que
(o repasse começou em 2009 e as prefeituras que cria-
a meta é que sejam repassa- rem suas próprias UC`s
dos 2,5% do ICMS devido aos terão direito a 0,20%
municípios até 2011, porém deste percentual)
aumentando o percentual de Qualidade da água
forma gradativa) (0,30%)
Administração dos Resí-
duos Sólidos (0,25%)
Fonte: Fundação CIDE

4. LEGISLAÇÕES MUNICIPAIS

4.1 Legislações Identificadas dos Municípios do Norte Fluminense


Quadro 7 - Região Norte Fluminense, Site e Link para a Legislação Municipal

Municípios da Região Link para a Legislação


Site
Norte Fluminense Municipal
http://www.campos.rj.gov.br/leis
Campos dos Goytacazes http://www.campos.rj.gov.br
municipais.php

http://www.carapebus.rj.gov.br/si
Carapebus http://carapebus.rj.gov.br te/index.php?option=com_conte
nt&task=view&id=391&Itemid=1

Cardoso Moreira Site em construção Site em construção

http://www.conceicaodemacab http://www.conceicaodemacabu.
Conceição de Macabu
u.rj.gov.br rj.gov.br/governo.php?pag=4

http://www.macae.rj.gov.br/legisl
Macaé http://www.macae.rj.gov.br
acao/

http://www.quissama.rj.gov.br/in
Quissamã http://www.quissama.rj.gov.br/
dex.php/codigos/

São Fidélis http://www.saofidelisrj.com.br/ não encontrado


http://www.pmsfi.rj.gov.br/down/
São Francisco de Itabapoana http://www.pmsfi.rj.gov.br/
?mod=18
http://www.sjb.rj.gov.br/Enderec
São João da Barra http://www.sjb.rj.gov.br
os1.asp

32 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


Quadro 8 - Região Norte Fluminense, Relação das Leis de Plano Diretor e Código de
Obras

Municípios da Região
Plano Diretor Código de Obras
Norte Fluminense

Campos dos Goytacazes Lei 7.972 de 2007 Lei n 6.691/98

Carapebus Lei Comp. 07/01 de 9/04/08 Lei Complementar 08/01

Cardoso Moreira não encontrado não encontrado

minuta da lei não consta do


Conceição de Macabu Lei Nº 559/2002
site

Macaé Lei 079/07 LC 016/99

lei compl. n° 002/2006


Quissamã Lei Nº 0299/94
13/11/2006
São Fidélis não encontrado não encontrado
Lei Municipal Nº 122/2002, de
São Francisco de Itabapoana Lei nº 228/2006.10/10/2006.
07/05/2002.

São João da Barra não encontrado não encontrado

Quadro 9 - Região Norte Fluminense, Relação das Leis de Uso e Ocupação do Solo
Urbano e Código Tributário

Municípios da Região Lei de Uso e Ocupação do


Código Tributário
Norte Fluminense Solo Urbano
Lei Municipal 7.974 de
Campos dos Goytacazes Lei n 4.156 83
14/12/2007
Carapebus não encontrado não encontrado
Cardoso Moreira não encontrado não encontrado
Conceição de Macabu não encontrado não encontrado

Macaé LC 1.959_99 Zoneamento Lei compl. 053/2005

Quissamã Lei nº 0286 de 29/07/1994 Lei n 142 de 30/12/91

São Fidélis não encontrado não encontrado


Lei nº 154/2003, de
São Francisco de Itabapoana não encontrado
18/09/2003.
São João da Barra não encontrado não encontrado

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 33


Quadro 10 - Região Norte Fluminense, Relação das Leis de Código de Posturas e Código
Ambiental
Municípios da Região
Código de Posturas Código Ambiental
Norte Fluminense
Campos dos Goytacazes Lei 8061 de 10/12/2008 não encontrado

Carapebus Lei Complementar 09/01 não encontrado


Cardoso Moreira não encontrado não encontrado
Conceição de Macabu Lei n° 566/2002 não encontrado

Macaé Lei Comp. 079/07 Lei Comp. 027/2001


Quissamã Lei n.143 de 30/12/91 não encontrado
São Fidélis não encontrado não encontrado
São Francisco de Itabapoana não encontrado não encontrado
São João da Barra não encontrado não encontrado

Quadro 11 - Região Norte Fluminense, Relação e Link para a Lei Orgânica Municipal

Municípios da Região
Lei Orgânica Municipal Link - Lei Orgânica Municipal
Norte Fluminense
http://www.tce.rj.gov.br/services/
DocumentManage-
ment/FileDownlo-
ad.EZTSvc.asp?DocumentID=%
Lei Orgânica do Município de
7BCD283A90%2D9C97%2D484
Campos dos Goytacazes Campos dos Goytacazes, 28 de
F%2DBCF0%2DAA3BA71A5374
março de 1990
%7D&ServiceInstU-
ID=%7B1526AE99%2DF57A%2
D490B%2D99CA%2DFB6C90A1
1A05%7D
http://www.tce.rj.gov.br/services/
DocumentManage-
ment/FileDownlo-
ad.EZTSvc.asp?DocumentID=%
Lei Orgânica do Município de 7BAC1B38E4%2D2855%2D45C
Carapebus
Carapebus, 20 de maio de 1998 5%2D9BD8%2DC054EC86F3D0
%7D&ServiceInstU-
ID=%7B1526AE99%2DF57A%2
D490B%2D99CA%2DFB6C90A1
1A05%7D
http://www.tce.rj.gov.br/services/
DocumentManage-
ment/FileDownlo-
ad.EZTSvc.asp?DocumentID=%
Lei Orgânica do Município de 7B6BB5004D%2D1CBD%2D400
Cardoso Moreira
Carapebus, 20 de maio de 1998 0%2DB5EF%2D593766380AE8
%7D&ServiceInstU-
ID=%7B1526AE99%2DF57A%2
D490B%2D99CA%2DFB6C90A1
1A05%7D

34 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


(continuação)
Municípios da Região
Lei Orgânica Municipal Link - Lei Orgânica Municipal
Norte Fluminense
http://www.tce.rj.gov.br/services/
DocumentManagement/File
Download.EZTSvc.asp? Docu-
Lei Orgânica do Município de mentID=%7BDD9EFD
Conceição de Macabu Conceição de Macabu, 04 de 26%2D931E%2D4EB8%2DAD9
dezembro de 1997 D%2D4D76A5972830%7D&Serv
iceInstUID=%7B1526AE99%2
DF57A%2D490B%2D99CA%2D
FB6C90A11A05%7D
Lei Orgânica do Município de http://www.macae.rj.gov.br/legisl
Macaé
Macaé, 05 de abril de 1998 acao/leis/leiorganica.pdf
Lei Orgânica do Município de
http://www.camaraquissama.rj.go
Quissamã Quissamã, 13 de dezembro de
v.br/lei_org.htm
1995
http://www.tce.rj.gov.br/services/
DocumentManage-
ment/FileDownload.EZTSvc.
asp?DocumentID=%7B8B7F9BD
Lei Orgânica do Município de
São Fidélis 7%2D71DA%2D4FE2%2D9D1C
São Fidélis, 05 de abril de 1990
%2DC9F2DBB3A1BC%7D&Serv
iceInstUID=%7B1526AE
99%2DF57A%2D490B%2D99CA
%2DFB6C90A11A05%7D
Lei Orgânica do Município de
São Francisco de http://www.pmsfi.rj.gov.br/files/mi
São Francisco do Itabapoana, 30
Itabapoana sc/5/lei-organica.pdf
de julho de 1999
http://www.tce.rj.gov.br/services/
DocumentManagement/File
Download .EZTSvc.asp? Docu-
Lei Orgânica do Município de mentID=%7B9FB227 D2%2D
São João da Barra São João da Barra, 05 de abril D6D1%2D4073%2D9885%2D797
de 1990 A8DC3 5407%7D&S erviceInstU-
ID=%7B1526 AE99%2DF57 A%2D
490B%2D9 9CA%2DFB6C9 0A11
A05%7D

Quadro 12 - Região Norte Fluminense, Relação PPA e LOA

Municípios da Região
PPA LOA Observações
Norte Fluminense
Site com leg.até 2007, sem
Campos dos Goytacazes Não encontrado Não encontrado sistema de busca, informa-
ções insuficientes
Carapebus Não encontrado Não encontrado Sem considerações
Há leis ambientais espar-
Cardoso Moreira Não encontrado Não encontrado sas de criação de unidades
de conservação.
Conceição de Macabu Não encontrado Não encontrado Sem considerações

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 35


(continuação)
Municípios da Região
PPA LOA Observações
Norte Fluminense
Dec 045_2000 Linha Ver-
PPA 2010/2013 de, LC 045_2004 Períme-
LOA 2010
Lei nº. tro Urbano; Lei 1958_99
Macaé Lei nº
3.343/2009 Parcelamento do Solo;
3.342/2009
Lei.2956-2007 - Legaliza-
ção de Projeto Imobiliário.
Quissamã Não encontrado Não encontrado Sem considerações

São Fidélis Não encontrado Não encontrado Sem considerações

São Francisco de Itabapoana Não encontrado Não encontrado Sem considerações

São João da Barra Não encontrado Não encontrado Sem considerações

4.2 Legislações Identificadas dos Municípios do Noroeste Fluminense


Quadro 13 - Região Noroeste Fluminense, Site e Link para a Legislação Municipal

Municípios da Região
Site Link da Legislação Municipal
Noroeste Fluminense
http://www.aperibe.rj.gov.br/port
Aperibé http://www.aperibe.rj.gov.br/ al1/municipio/legislacao.asp?iId
Mun=100133003
http://www.bomjesus.rj.gov.br/p
Bom Jesus do Itabapoana http://www.bomjesus.rj.gov.br/ ortal1/municipio /legislacao.asp
?iId Mun=100133012
Cambuci http://www.cambuci.net/ Site sem acesso
http://www.italvaonline.com.br/fi
Italva http://www.italvaonline.com.br/
x_lei_organica.htm
Itaocara http://www.itaocara.rj.gov.br/ Site sem acesso
Site em fase de desenvolvi-
Itaperuna http://www.itaperuna.rj.gov.br/
mento
http://www.pmlajedomuriae.com.
Laje do Muriaé Site sem acesso
br/
Miracema http://www.miracema.rj.gov.br/ http://www.miracema.rj.gov.br/#
http://www.natividade.rj.gov.br/s
http://www.natividade.rj.gov.br/sit
Natividade ite/modules /conteudo/ conteu-
e/
do.php?conteudo=30
http://www.porciuncula.rj.gov.br
Porciúncula http://www.porciuncula.rj.gov.br/
/110/11025004.asp
http://www.santoantoniodepadua. http://www.santoantoniodepadu
Santo Antônio de Pádua
rj.gov.br/ a.rj.gov.br/leis.php
http://www.saojosedeuba.rj.gov.
http://www.saojosedeuba.rj.gov.b
São José de Ubá br/index.php?option=com_cont
r/
ent&task=view&id=3&Itemid=4
http://www.varresai.rj.cnm.org.b
Varre-Sai http://www.varresai.rj.cnm.org.br/ r/portal1/municipio/legislacao.a
sp

36 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


Quadro 14 - Região Noroeste Fluminense, Relação das Leis de Plano Diretor e Código de
Obras

Municípios da Região
Plano Diretor Código de Obras
Noroeste Fluminense
Aperibé não encontrado não encontrado
Lei Complementar n° 01, de
Bom Jesus do Itabapoana Lei nº 546 de 14/09/1999
06/11/2006
Cambuci não encontrado sim – sem numeração
Italva não encontrado sim – sem numeração
Itaocara sim – sem numeração sim – sem numeração
Itaperuna sim – sem numeração sim – sem numeração
Laje do Muriaé não encontrado sim – sem numeração
Lei Complementar n° 1.129, Lei Complementar nº 783, de
Miracema
de 07/10/2006 26/08/1999
Natividade não encontrado não encontrado
Porciúncula sim – sem numeração sim – sem numeração
Santo Antônio de Pádua Lei nº 3.147, de 09/08/2007 Lei nº 1.415 de 30/09/1981
São José de Ubá não encontrado não encontrado
Varre-Sai não encontrado não encontrado

Quadro 15 - Região Noroeste Fluminense, Relação das Leis de Uso e Ocupação do Solo
Urbano e Código Tributário

Municípios da Região Lei de Uso e Ocupação do


Código Tributário
Noroeste Fluminense Solo Urbano
Aperibé não encontrada não encontrado
Bom Jesus do Itabapoana não encontrada Lei nº 11 de 02/12/1977
Cambuci não encontrada não encontrado
Italva sim – sem numeração não encontrado
Itaocara sim – sem numeração não encontrado
Itaperuna sim – sem numeração não encontrado
Laje do Muriaé não encontrada não encontrado
Miracema sim – sem numeração não encontrado
Natividade não encontrada Lei nº 231/2002
Porciúncula sim – sem numeração não encontrado
Santo Antônio de Pádua Lei nº 1.509 de 20/07/1982 Lei nº 1.584 de 01/12/1983
São José de Ubá não encontrada não encontrado
Varre-Sai não encontrada não encontrado

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 37


Quadro 16 - Região Noroeste Fluminense, Relação das Leis de Código de Posturas e
Código Ambiental
Municípios da Região
Código de Posturas Código Ambiental
Noroeste Fluminense
Aperibé não encontrado não encontrado
Bom Jesus do Itabapoana sim – sem numeração não encontrado
Cambuci sim – sem numeração não encontrado
Italva sim – sem numeração não encontrado
Itaocara sim – sem numeração não encontrado
Itaperuna sim – sem numeração não encontrado
Laje do Muriaé sim – sem numeração não encontrado
Miracema sim – sem numeração não encontrado
Natividade sim – sem numeração não encontrado
Porciúncula sim – sem numeração não encontrado
Santo Antônio de Pádua Lei nº 1.059 de 05/01/1977 não encontrado
São José de Ubá não encontrado não encontrado
Varre-Sai não encontrado não encontrado

Quadro 17 - Região Noroeste Fluminense, Relação e Link para a Lei Orgânica Municipal

Municípios da Região
Lei Orgânica Municipal Link - Lei Orgânica Municipal
Noroeste Fluminense
http://www.tce.rj.gov.br/services/D
ocumentManage-
ment/FileDownload.EZTSvc.asp?
Lei Orgânica do Município de
DocumentID=%7BF42534F3-
Aperibé Aperibé, 30 de junho de
83A3-4F28-9A4E-
1993
4CBC1762BB45%7D&ServiceInst
UID=%7B1526AE99-F57A-490B-
99CA-FB6C90A11A05%7D
Lei Orgânica do Município de
http://www.bomjesus.rj.gov.br/por-
Bom Jesus do Itabapoana Bom Jesus do Itabapoana, nº
tal1/municipio/legislacao.asp#
01 de 05/04/1990
http://www.tce.rj.gov.br/services/D
ocumentManage-
ment/FileDownload.EZTSvc.asp?
Lei Orgânica do Município de DocumentID=%7BB6CEC5D7-
Cambuci
Cambuci, 05 de abril de 1990 3D64-4253-A00B-
5643FEF03B08%7D&ServiceInst
UID=%7B1526AE99-F57A-490B-
99CA-FB6C90A11A05%7D
Lei Orgânica do Município http://www.italvaonline.com.br/fix_l
Italva
Italva, 04 de abril de 1990 ei_organica.htm
http://portal.cnm.org.br/sites/7600/
Lei Orgânica do Município de
Itaocara 7696/legislacao/LeiOrganica/Lei_
Itaocara, 05 de abril de 1990
Organica_-_Itaocara.pdf

38 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


(continuação)
Municípios da Região
Lei Orgânica Municipal Link - Lei Orgânica Municipal
Noroeste Fluminense
Lei Orgânica do Município de http://www.cmitaperuna.rj.gov.br/lo
Itaperuna
Itaperuna m_itaperuna.zip
Lei Orgânica do Município de http://portal.cnm.org.br/sites/7600/
Laje do Muriaé Laje do Muriaé, de 04 de 7696/legislacao/LeiOrganica/Lei_
abril de 1990 Organica_-_Laje_do_Muriae.pdf
Lei Orgânica do Município de http://www.miracema.rj.gov.br/atos
Miracema
Miracema /gabinete/2009/lom.pdf
Lei Orgânica do Município de http://portal.cnm.org.br/sites/7600/
Natividade Natividade, de 05 de abril de 7696/legislacao/LeiOrganica/Lei_
1990 Organica_-_Natividade.pdf
Lei Orgânica do Município de http://portal.cnm.org.br/sites/7600/
Porciúncula Porciúncula, 04 de abril de 7696/legislacao/LeiOrganica/Lei_
1990 Organica_-_Porciuncula.pdf
Lei Orgânica do Município de
http://www.santoantoniodepadu-
Santo Antônio de Pádua Santo Antônio de Pádua, 05
a.rj.gov.br/arquivos/leiorganica.pdf
de abril de 1990
http://portal.cnm.org.br/sites/7600/
Lei Orgânica do Município de
7696/legislacao/LeiOrganica/Lei_
São José de Ubá São José de Ubá, 29 de
Organica_-
setembro de 1997
_Sao_Jose_de_Uba.pdf
Lei Orgânica do Município de http://portal.cnm.org.br/sites/7600/
Varre-Sai Varre-Saí, 30 de junho de 7696/legislacao/LeiOrganica/Lei_
1993 Organica_-_Varre_Sai.pdf

Quadro 18 - Região Noroeste Fluminense, Relação PPA e LOA

Municípios da Região
PPA LOA Observações
Noroeste Fluminense
Não é possível visualizar a
legislação municipal através do
link fornecido no site. No site da
Confederação Nacional de
Aperibé não encontrado não encontrado Municipíos não é encontrada a
legislação procurada do res-
pectivo município:
http://www.cnm.org.br/perfil/mu
_perfil_tabela.asp?iId=27
Legislação encontrada no site
oficial da Prefeitura. O site da
Confederação Nacional de
Municipíos lista a existência do
Bom Jesus do Itabapoana não encontrado não encontrado Código de Posturas Municipal,
mas não fornece o número da
lei, dado de 2001:
http://www.cnm.org.br/perfil/mu
_perfil_tabela.asp?iId=27

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 39


(continuação)

Municípios da Região
PPA LOA Observações
Noroeste Fluminense
O site oficial da prefeitura, for-
necido na página eletrônica do
Governo do Estado, não fun-
ciona. Os dados listados são do
ano de 2001, e foram encon-
Cambuci não encontrado não encontrado trados no site da Confederação
Nacional de Municípios, em
que não são listados os núme-
ros das leis:
http://www.cnm.org.br/perfil/um
_perfil_tabela.asp?iId=27
O novo site oficial está em
construção, temporiariamete o
italva online é o site oficial.
Entretanto, no italvaonline só é
fornecida a lei orgânica do um-
nicípio. Os dados listados são
Italva não encontrado não encontrado do ano de 2001, e foram um-
contarados no site da Confe-
deração Nacional de Municipí-
os, em que não são fornecidos
os números das leis:
http://www.cnm.org.br/perfil/um
_perfil_tabela.asp?iId=27
A legislação, finanças públicas
e plano diretor do município
são áreas de acesso restrito no
site. Os dados listados são do
ano de 2001, e foram encon-
Itaocara não encontrado não encontrado trados no site da Confederação
Nacional de Municípios, em
que não são listados os núme-
ros das leis:
http://www.cnm.org.br/perfil/um
_perfil_tabela.asp?iId=27
O site está em fase de desen-
volvimento por isso o link da
legislação municipal no site não
funciona. Os dados listados são
do ano de 2001, e foram um-
Itaperuna não encontrado não encontrado contrados no site da Confede-
ração Nacional de Municípios,
em que não são listados os
números das leis:
http://www.cnm.org.br/perfil/um
_perfil_tabela.asp?iId=27

40 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


(continuação)

Municípios da Região
PPA LOA Observações
Noroeste Fluminense
A legislação municipal não está
disposta no site, existe apenas
algumas portarias e decretos.
Os dados listados são do ano
de 2001, e foram encontrados
Laje do Muriaé não encontrado não encontrado no site da Confederação Na-
cional de Municípios, em que
não são listados os números
das leis:
http://www.cnm.org.br/perfil/um
_perfil_tabela.asp?iId=27
O Plano Diretor e Código de
Obras são facilmente acessa-
dos no site oficial da prefeitura,
porém o restante da legislação
está dividida por ano, o que
dificulta a identificação. Os
Miracema não encontrado não encontrado
outros dados são do ano de
2001 e foram encontrados no
site da Confederação Nacional
de Municípios:
http://www.cnm.org.br/perfil/um
_perfil_tabela.asp?iId=27
O site fornece algumas leis,
mas não são devidamente or-
ganizadas, o que dificulta a
identificação. Alguns dados
fornecidos são do ano de 2001,
da Confederação Nacional dos
Natividade não encontrado não encontrado
Municípios. Obs: A lei nº
346/2006 – Autoriza o Poder
Executivo a participar do Um-
sórcio Intermunicipal para Re-
cuperação da Bacia do Baixo
Muriaé
As únicas legislações dispostas
no site são: Lei Orgânica e o
Organograma da Administração
2005-2009. A legislação listada
Porciúncula não encontrado não encontrado é do ano de 2001, sendo en-
contrada no site da Confedera-
ção Nacional de Municípios:
http://www.cnm.org.br/perfil/um
_perfil_tabela.asp?iId=27

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 41


(continuação)

Municípios da Região
PPA LOA Observações
Noroeste Fluminense
A Lei nº 3.004 de 30/08/2005
autorizou a assinatura de con-
vênio com o CONSAD do Ita-
bapoana (Conselho de Segu-
rança Alimentar e Desenvolvi-
Lei 3.007 de mento Local do Itabapoana). O
Santo Antônio de Pádua não encontrado
20/09/2005 site oficial traz informações
satisfatórias sobre a legislação
municipal, mas a legislação
está organizada por ano, o que
dificulta a identificação da legis-
lação procurada.
O link da legislação municipal
somente fornece a Lei Orgâni-
ca Municipal, sendo que não é
possível visualizá-la. Existe um
link de nome Plano Diretor,
São José de Ubá não encontrado não encontrado
mas também não é possível
visualizá-lo. Os dados não fo-
ram encontrados no site da
Confederação Nacional de
Municípios.
O link da legislação municipal
no site não funciona. No site da
Varre-Sai não encontrado não encontrado Confederação Nacional de
Municípios nenhum dado foi
encontrado.

5. BREVE HISTÓRICO E LEITURA ANALÍTICA DA LEGISLAÇÃO


INTERESSANTE AO PRESENTE PLANO

A legislação que pode interferir no presente Plano abrange aspectos florestais, ambi-
entais e fundiários, sobremaneira nos níveis Federal e Estadual. A análise da legisla-
ção vigente foi efetuada de forma expedita e sistemática, considerando os principais
aspectos ambientais e florestais de relevância para a implantação de empreendimen-
tos florestal/industrial.
A abordagem foi feita tendo por base a hierarquia das normas preceituada pela Consti-
tuição Federal, segundo a qual a União tem competência para ditar normas gerais
sobre meio ambiente e florestas, enquanto os Estados possuem competência suple-
mentar para tratar de tais matérias.
A exigência legal do manejo florestal está prevista basicamente no Código Florestal,
isso desde 1965 (artigo 15). A Portaria 486/86, publicada pelo ex-IBDF, em função da
Lei 7511/86 (alterada posteriormente pela Lei 7803/89) se tornou a primeira norma
com diretrizes e critérios técnicos para apresentação de Planos de Manejo Florestal. A
lei sofreu severa crítica, mas despertou as autoridades governamentais para o cum-
primento das exigências acerca do manejo florestal. Antes de 1986, os Planos de Ma-
nejo apresentados eram para atendimento de exigências pontuais de algumas Supe-

42 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


rintendências de Desenvolvimentos Regionais, sobremaneira, para concessão de in-
centivos fiscais.
De maneira regular, os Planos de Manejo Florestal, começaram a ser protocolados no
IBAMA, com base nos critérios da Ordem de Serviço n° 001/89-IBAMA/DIREN, que
disciplinava a extração madeireira na Mata Atlântica, mas tinha abertura para utiliza-
ção em todos os estados.

5.1 Aspectos Relativos à Legislação Florestal


Os principais aspectos relativos à legislação florestal dizem respeito às APP (Áreas de
Preservação Permanente), Reserva Legal, Autorização de Supressão de Vegetação
Nativa, PSS (Plano de Suprimento Sustentável) e Reposição Florestal.
APP (Áreas de Preservação Permanente) e demais Unidades de Conservação
De acordo com o Art. 1º, § 2º, II do Código Florestal (Lei Federal 4.771/1965), conside-
ram-se Áreas de Preservação Permanente “as áreas protegidas nos termos do artigos
2º e 3º desta lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de pre-
servar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o
fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações
humanas”.
Os Arts. 2º e 3º consideram Preservação Permanente as florestas e demais formas de
vegetação natural situadas:
I. Ao longo dos rios ou de qualquer curso d´água (mínimo de 30 metros de faixa prote-
tiva);
II. Ao redor de lagoas, lagos ou reservatórios de água naturais e artificiais;
III. Nas nascentes (mínimo de 5 metros);
IV. No topo de morros, montes, montanhas e serras;
V. Nas encostas ou parte destas, com declividade superior a 45º;
VI. Nas restingas
VII. Nas bordas de tabuleiros ou chapadas (faixa mínima de 100 metros em projeções
horizontais);
VIII. Em altitude superior a 1.800 metros;
IX. Nas áreas assim declaradas pelo Poder Público, nos termos do Art. 3º.
Dada a função ambiental que as APPs possuem, a supressão da vegetação em tais
áreas é admitida apenas em caráter excepcional, caracterizados como de utilidade
pública e interesse social (Art. 4º da Lei Federal 4.771/65 e Resolução do Conselho
Nacional de Meio Ambiente - CONAMA 369/06).
Noutro giro, as Unidades de Conservação são porções delimitadas do território nacio-
nal protegidas por lei, por conterem elementos naturais de importância ecológica ou
ambiental. Em geral, ao se definir uma área a ser protegida, são observadas suas ca-
racterísticas naturais e estabelecidos os principais objetivos de conservação e o grau
de restrição à intervenção antrópica. Esta área é então denominada segundo uma das
categorias de Unidade de Conservação previstas por lei, que podem ser de Proteção
Integral ou de Uso Sustentável.

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 43


As Unidades de Conservação de Proteção Integral são aquelas que não prevêem uso
direto dos recursos naturais existentes no seu interior. As categorias de proteção inte-
gral prevista na Lei 9.985/00 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação) são:
Reservas Biológicas, Estações Ecológicas, Parques, Monumentos Naturais, e Refú-
gios de Vida Silvestre.
As Unidades de Conservação de Uso Sustentável tem como objetivo compatibilizar o
desenvolvimento sustentável e preservação da cultura de populações tradicionais com
a conservação da natureza. As categorias são assim denominadas: Área de Proteção
Ambiental (APA), Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE), Reserva de Desen-
volvimento Sustentável (RDS), Reserva Extrativista (RESEX), Floresta Nacional
(FLONA), Reserva de Fauna e Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).
Cumpre-se destacar que, inafastavelmente, todas as UCs carecem de Planos de Ma-
nejo e principalmente de sua efetivação como Unidades de Conservação. Por exem-
plo, o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação) adotou como política a
proibição do plantio de espécies exóticas em UCs, incluindo as APAs. Desta forma, as
UCs serão consideradas como áreas inadequadas para o plantio de florestas com es-
pécies exóticas de árvores tais como o Pinus e o Eucalyptus. Porém, os órgãos ambi-
entais Federais (MMA, IBAMA, ICMBio, SFB) e Estaduais (INEA, etc.), ao não efetiva-
rem a instalação destas UCs, estão, por via oblíqua, permitindo que as APAs já exis-
tentes no grande Norte Fluminense sejam, sim, plantadas com espécies exóticas.
Por fim, cumpre-se registrar que segundo recomendação da IUCN (União Internacio-
nal para a Conservação da Natureza), o ideal é que pelo menos 10% dos territórios
estejam protegidos por unidades de conservação.
O governo do estado tem como prioridade, nessa área, a implantação do Plano Esta-
dual de Áreas Protegidas – já previsto no ZEE-RJ -, com apoio da sociedade civil e
demais parceiros, objetivando a delimitação e georreferenciamento de todas as unida-
des, criação do sistema estadual de unidades de conservação, banco de dados para a
sociedade, elaboração e execução de planos de manejo, formação de conselhos ges-
tores, dentre outras ações.
O IBAMA, responsável pela gestão das unidades de conservação federais, também
tem trabalhado para a consolidação e ampliação das áreas protegidas. As áreas priori-
tárias para a conservação da biodiversidade já foram identificadas em escala estadual
dentro de uma proposta nacional (Programa Nacional de Conservação da Biodiversi-
dade – PROBIO).
Na esfera estadual merecem destaque as normas: Lei no. 5067/2007 e seu Decreto n°
41.968/2009.
Reserva Legal
A Reserva Legal, por sua vez, é definida pelo Art. 1º, § 2º, III do Código Florestal como
a “área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de Pre-
servação Permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conser-
vação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao
abrigo e proteção de fauna e flora nativas”.
Como regra, a Reserva Legal corresponde a 20% da área total do imóvel, devendo
sua localização ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente, após consi-
derados, entre outros aspectos:
I. Plano da Bacia Hidrográfica;

44 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


II. Plano Diretor Municipal;
III. Zoneamento Ecológico-Econômico; e
IV. Proximidade com outra Reserva Legal, APP, Unidade de Conservação ou outra
área legalmente protegida (Art. 16, III e § 4º do Código Florestal).
A área de Reserva Legal deve ser averbada à margem da matrícula do imóvel, sendo
vedada a alteração de sua destinação nos casos de transmissão, desmembramento
ou retificação de área (Art. 16, § 8º do Código Florestal).
Cabe ainda mencionar a possibilidade de cômputo das APPs na área de Reserva Le-
gal, quando a soma de ambas exceder 50% da área total da propriedade, assim como
a possibilidade de compensação da área de Reserva Legal por outra área equivalente
em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e
esteja localizada na mesma Sub-Bacia hidrográfica (Art. 16, § 6º, II e Art. 44, III do
Código Florestal).
No âmbito estadual, dois são os regulamentos sobre o assunto que merecem desta-
que: a Lei no 5067/2007 (ZEE) e seu Decreto n° 41.9 68/2009, os quais instituem e
disciplinam, dentre outras disposições, o Sistema de Reserva Legal no Rio de Janeiro.
Os empreendimentos que são obrigados a instalar a reserva legal, para obter a licen-
ça, podem constituí-la na forma de condomínios, desde que aprovado pelo INEA e na
mesma Região Hidrográfica, privilegiando os corredores de Mata Atlântica.
Autorização de Supressão de Vegetação Natural
O tema proposto é pertinente na medida em que é necessária autorização de supres-
são para a conversão de novas áreas, que ainda possuem vegetação nativa.
De acordo com o Art. 19 do Código Florestal (Lei Federal 4.771/65), “a exploração de
florestas e de formações sucessoras, tanto de domínio público como de domínio pri-
vado, dependerá de aprovação prévia do órgão estadual competente do Sistema Na-
cional de Meio Ambiente – SISNAMA”. Nos termos do Art. 19, § 1º, III, entretanto,
compete ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis –
IBAMA tal aprovação quando os empreendimentos forem potencialmente causadores
de impacto ambiental nacional ou regional, definidos em Resolução do CONAMA.
Segundo a Resolução CONAMA 378/06 é considerada potencialmente causadora de
impacto nacional ou regional a supressão de florestas e outras formas de vegetação
nativa em áreas maiores que 1.000 ha (Art. 1º, III, alínea “b” da Resolução). Significa
dizer, portanto, que em tais casos, a competência para emitir a autorização de supres-
são é do IBAMA.
Não obstante, de acordo com a Portaria do Ministério do Meio Ambiente – MMA
253/06, passou-se a exigir documento de origem florestal (DOF) para transporte e ar-
mazenamento de produtos e subprodutos florestais de origem nativa no país.
Desta forma, em caso de necessidade de transporte ou armazenamento dos produtos
ou subprodutos florestais nativos provenientes de conversão de novas áreas, mesmo
que dentro dos limites do estado, tal documento deve ser providenciado, através de: (i)
requerimento padrão; (ii) apresentação da autorização de supressão da vegetação
original; (iii) certificado de regularidade do Cadastro Técnico Federal (CTF); (iv) com-
provante de cadastro emitido pelo sistema DOF.

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 45


PSS (Plano de Suprimento Sustentável) e Reposição Florestal Obrigatória
Os temas subseqüentes que merecem ser abordados são a exigência de Plano de
Suprimento Sustentável (PSS) e a Reposição Florestal Obrigatória. De acordo com o
Art. 19 do Código Florestal (Lei Federal 4.771/65) “a exploração de florestas e de for-
mações sucessoras depende da adoção de técnicas de condução, exploração, reposi-
ção florestal e manejo, compatíveis com os variados ecossistemas que a cobertura
arbórea forme”.
Complementando a norma anterior, os Arts. 20 e 21 do Código Florestal (Lei Federal
4.771/65) afirmam que “as empresas industriais que, por sua natureza, consumirem
grandes quantidades de matéria-prima florestal serão obrigadas a manter, dentro de
um raio em que a exploração e o transporte sejam julgados econômicos, um serviço
organizado, que assegure o plantio de novas áreas, em terras próprias ou pertencen-
tes a terceiros, cuja produção, sob exploração racional, seja equivalente ao consumido
para o seu abastecimento”. Significa dizer que tais empresas são obrigadas a manter
florestas próprias ou participar de empreendimentos de terceiros, que garantam flores-
tas para o seu suprimento.
Regulamentando o tema, o Decreto Federal 5.975/06 passou a exigir Plano de Supri-
mento Sustentável (PSS) para as empresas que consumam mais de 50.000 m³ de
toras de matéria prima florestal por ano (Art. 12 do Decreto Federal).
De acordo com o mencionado Decreto Federal, o PSS deve incluir: (i) a programação
de suprimento de matéria-prima florestal; e (ii) o contrato entre os participantes envol-
vidos (quando o plano incluir plantios florestais em terras de terceiros).
Quanto à Reposição Florestal Obrigatória, o Art. 14 do Decreto Federal afirma ser o-
brigada a Reposição Florestal para a pessoa jurídica que utiliza matéria-prima florestal
oriunda de supressão de vegetação natural ou detém autorização de supressão de
vegetação natural, ficando isento de tal obrigação àquela que comprovadamente utili-
zar matéria-prima florestal oriunda de floresta plantada (Art. 15 do Decreto Federal).
Significa dizer, portanto, que de acordo com a legislação federal somente o consumo e
a supressão de vegetação natural estão sujeitos à Reposição Florestal Obrigatória.
No âmbito estadual, vários são os regulamentos existentes sobre o tema, em especial
Resoluções do INEA. Porém, cumpre-se observar que sua totalidade é anterior ao
advento da regulamentação federal
Tal observação ganha relevância na medida em que a legislação federal passou a
exigir reposição florestal apenas para os casos de supressão e utilização de vegeta-
ção natural, enquanto a legislação estadual pretérita permanece exigindo a reposição
para os casos de utilização de matéria-prima oriunda de floresta plantada com recur-
sos de terceiros, inclusive das indústrias de beneficiamento de madeira e celulose, o
que indica que a legislação estadual ainda não se adequou às disposições federais.
Pode-se concluir, portanto, de uma interpretação sistemática da legislação, que os
empreendimentos futuros, e mesmo aqueles já existentes, devem apresentar tão so-
mente Plano de Suprimento Florestal anualmente, estando, por conseguinte, isento de
reposição florestal obrigatória, por força da legislação federal vigente.

5.2 Aspectos Relativos à Legislação Ambiental


Licenciamento Ambiental

46 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


Tema de maior interesse é o que trata do licenciamento ambiental das atividades flo-
restal e industrial. Na esfera federal as principais disposições sobre o tema estão con-
tidas na Lei Federal 6.938/81 e na Resolução CONAMA 237/97.
De acordo com o Art. 10 da mencionada Lei Federal, “a construção, instalação, ampli-
ação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos am-
bientais, considerados efetiva e potencialmente poluidores, bem como os capazes,
sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licencia-
mento de órgão estadual competente integrante do SISNAMA” (INEA).
Cabe destacar que tanto o Anexo VIII de tal lei quanto o Anexo I da Resolução CO-
NAMA 237/97 elencam entre as atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de
recursos naturais, a silvicultura e indústria de madeira e de papel e celulose.
Não obstante, a Constituição Federal exige Estudo de Impacto Ambiental e Relatório
de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) para obra ou atividade considerada de significativo
impacto ambiental (Art. 225, IV). Na mesma linha, a Lei Federal 9.985/00 obriga o em-
preendedor de atividade de significativo impacto ambiental, considerada como tal pelo
órgão ambiental estadual, com fundamento no EIA/RIMA, a implantar e manter Unida-
de de Conservação (UC), através da destinação de montante não inferior a 0,5% dos
custos totais previstos para a implantação do empreendimento (Art. 36 da Lei Federal
9.985/00).
Como restará melhor esmiuçado, até a entrada em vigor da lei n.o 5067/2007 – ZEE-
RJ -, todo empreendimento de silvicultura, independente do tamanho, era obrigado a
fazer o licenciamento, inclusive, sendo obrigatória a implantação da reserva legal a fim
de conseguir a licença. Entretanto, a partir da entrada em vigor da citada norma, o
processo ficou simplificado e menos burocrático para pequenos produtores ou peque-
nos plantios com objetivo de silvicultura econômica.
Entretanto, é importante destacar, desde já, que a dispensa do procedimento de licen-
ciamento ambiental para as atividades florestais, fundamentada nas normas estaduais
de desburocratização acima mencionadas, pode ser revista a qualquer tempo, já que
tal previsão não está em consonância com as disposições contidas na Lei Federal
6.938/81 e na Resolução CONAMA 237/97, instrumentos legais esses que consideram
a silvicultura como atividade potencialmente poluidora e, portanto, sujeita ao procedi-
mento de licenciamento ambiental, nos termos, sobretudo, da Carta da República de
1988.
Outros Requerimentos Ambientais
Outras exigências federais e estaduais relacionadas com os empreendimentos extrati-
vistas passam a ser mencionadas a seguir. No âmbito federal cabe destacar as exi-
gências de Ato Declaratório Ambiental (ADA), de Cadastro Técnico Federal das Ativi-
dades Potencialmente Poluidoras e Utilizadoras de Recursos Naturais (CTF) e de Ta-
xa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA), todas elas previstas na Lei Federal
6.938/81.
O Ato Declaratório Ambiental (ADA) é obrigatório para fins de redução do Imposto Ter-
ritorial Rural (ITR) e está vinculado ao pagamento de taxa de vistoria ao IBAMA, a qual
é realizada por amostragem (Art. 17-O da Lei Federal). No ADA devem constar, entre
outras informações, a área total do imóvel, as áreas de APP e Reserva Legal, a área
total florestal e a área com reflorestamento.
Já a realização do Cadastro Técnico Federal (CTF) e o pagamento da Taxa de Contro-
le e Fiscalização Ambiental (TCFA) são obrigações de todas as pessoas físicas e jurí-

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 47


dicas que se dedicam a atividades potencialmente poluidoras (Arts. 17 e 17-C e Anexo
VIII da Lei Federal 6.938/81, com as alterações trazidas pela Lei nº 10.165/2000).
A TCFA é devida trimestralmente e é calculada de acordo com o porte da empresa e
com o potencial poluidor da atividade. Caso o estabelecimento (assim entendido aque-
le que possua o mesmo CNPJ) exerça mais de uma atividade sujeita à fiscalização
(como as atividades florestal e industrial), deve pagar a taxa relativa apenas a de mais
elevado valor (no caso em apreço, a taxa relativa ao empreendimento industrial).
Seguindo a mesma linha das disposições federais, a legislação estadual – Leis
3.187/99, 5.438/09 e Lei 5.629/10 - normatizou tal matéria. Esta última adequando os
valores à tabela do IBAMA, de modo que os empreendedores não tenham qualquer
dispêndio, além daquele estabelecido anteriormente.
Destarte, tanto a taxa federal quanto a estadual, são obrigatórias para aqueles que se
dedicam no Estado do Rio de Janeiro a atividades potencialmente poluidoras e/ou à
extração, produção, transporte e comercialização de produtos potencialmente perigo-
sos ao meio ambiente, assim como subprodutos da flora e fauna.
Distribuição Competencial para Legislar Acerca do Licenciamento Ambiental
O Conselho Nacional de Meio Ambiente - CONAMA, através da Resolução CONAMA
nº 237, de 19 de dezembro de 1997, editou as normas gerais de licenciamento ambi-
ental para todo o território nacional, estabelecendo os níveis de competência federal,
estadual e municipal, de acordo com a extensão do impacto ambiental. Os empreen-
dimentos e atividades devem ser licenciados em um único nível de competência, con-
forme estabelecido a seguir.

5.2.1 Competência Federal


(Art. 4° da Resolução CONAMA 237/97)
Compete ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente - IBAMA, órgão executor do SIS-
NAMA, o licenciamento ambiental, de empreendimentos e atividades com significativo
impacto ambiental de âmbito nacional ou regional, a saber:
I-localizadas ou desenvolvidas conjuntamente no Brasil e em país limítrofe, no mar
territorial, na plataforma continental, na zona econômica exclusiva, em terras indíge-
nas ou em unidades de conservação do domínio da União.
II- localizadas ou desenvolvidas em dois ou mais Estados.
III- cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais do País ou de
um ou mais Estados.
IV- destinados a pesquisar, lavrar, produzir, beneficiar, transportar, armazenar e dispor
material radioativo, em qualquer estágio, ou que utilizem energia nuclear em qualquer
de suas formas e aplicações, mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nu-
clear -CNEN.
V- bases ou empreendimentos militares, quando couber, observada a legislação espe-
cífica.
O IBAMA fará o licenciamento após considerar o exame técnico procedido pelos ór-
gãos ambientais dos Estados e Municípios em que se localizar a atividade ou empre-
endimento, bem como, quando couber, o parecer dos demais órgãos competentes da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, envolvidos no procedimento
de licenciamento.

48 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


5.2.2 Competência Estadual
(Art. 5° da Resolução CONAMA 237/97)
Compete ao órgão ambiental estadual ou do Distrito Federal o licenciamento ambiental
dos empreendimentos e atividades:
I - localizados ou desenvolvidos em mais de um Município ou em unidades de conser-
vação de domínio estadual ou do Distrito Federal.
II - localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação natural
de preservação permanente relacionadas no Artigo 2º da Lei nº 4.771, de 15 de se-
tembro de 1965, e em todas as que assim forem consideradas por normas federais,
estaduais ou municipais.
III- cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais de um ou mais
Municípios.
IV- delegados pela União aos Estados ou ao Distrito Federal, por instrumento legal ou
convênio.
O órgão ambiental estadual ou do Distrito Federal fará o licenciamento após conside-
rar o exame técnico procedido pelos órgãos ambientais dos Municípios em que se
localizar a atividade ou empreendimento, bem como, quando couber, o parecer dos
demais órgãos competentes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municí-
pios, envolvidos no procedimento de licenciamento.

5.2.3 Competência Municipal


(Art. 6° da Resolução CONAMA 237/97)
Compete ao órgão ambiental municipal, ouvidos os órgãos competentes da União, dos
Estados e do Distrito Federal, quando couber, o licenciamento ambiental de empreen-
dimentos e atividades de impacto ambiental local e daquelas que lhe forem delegadas
pelo Estado por instrumento legal ou convênio.
Municipalizar a gestão ambiental significa internalizar na esfera local conceitos e me-
canismos de controle sustentáveis para fazer frente às pressões sobre o ambiente,
resultantes das atividades impactantes. Para desempenhar esse papel cabe às admi-
nistrações municipais estruturarem-se para a implementação e aperfeiçoamento de
um sistema próprio de controle ambiental, que envolva os aspectos: legal, institucional,
técnico e operacional, de modo a atender às exigências de uma ação eficiente e eficaz
no trato das questões ambientais locais.
Nesse sentido, cumpre-se registrar que para o exercício pleno do Licenciamento Am-
biental pela municipalidade, considerando que esta deve organizar-se para exercer a
competência a ele atribuída, deve-se, imperativamente, serem observados a existên-
cia dos seguintes requisitos:
I - política municipal de meio ambiente prevista em legislação específica;
II- conselho municipal de meio ambiente, devidamente empossado e regimentado;
III - órgão ou instância técnico-administrativa na estrutura do Poder Executivo Munici-
pal, com atribuições específicas na área de meio ambiente, dotado de corpo técnico
multidisciplinar, com experiência na área ambiental;
IV - sistema de licenciamento ambiental municipal implantado, que contemple:

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 49


a) análise técnica dos empreendimentos e atividades a serem licenciados pelo municí-
pio;
b) concessão das licenças ambientais pela instância colegiada, nos casos previstos
em norma própria;
c) remuneração dos custos da análise ambiental.
V- sistema de fiscalização ambiental estabelecido que aplique as penalidades legal-
mente previstas.
No caminho do desenvolvimento sustentável em que a preocupação primacial é utilizar
os recursos naturais sem esgotá-los, para garantir que estejam disponíveis às futuras
gerações, a participação do poder público na avaliação, licenciamento e fiscalização
das atividades e empreendimentos capazes de gerar impacto ambiental há que ser
sistêmica, interagindo nos três níveis de poder: federal, estadual e municipal. Em cada
um desses níveis, a participação da sociedade dar-se-á conforme a proximidade, e
sendo assim é no município onde efetivamente a participação social tende a ser am-
pliada.
Assim, emerge no âmbito municipal a institucionalização do Sistema Municipal de
Meio Ambiente, que tem como órgão superior o Conselho Municipal de Meio Ambiente
com poder deliberativo e participação de representantes do poder público e de setores
da sociedade civil organizada, com a incumbência de propor políticas públicas, normas
e diretrizes, bem como acompanhar a execução da política ambiental municipal exer-
cida pelos órgãos da estrutura da Prefeitura. A paridade dentro do Conselho é de ex-
trema importância para que haja igual distribuição das responsabilidades e igual re-
presentação dos interesses do setor público e da sociedade civil nas decisões.

5.2.4 Da Legislação Restritiva à Silvicultura de Campos dos Goytacazes


A Lei n° 7.282/2002 determina as regras e condições para plantio industrial de eucalip-
to no município de Campos dos Goytacazes e determina a realização do Zoneamento
Agro-ecológico - ZAE, entretanto, esta lei determina, também, que o plantio de eucalip-
to com fins de produção industrial fica proibido até a conclusão e o cumprimento das
determinações do ZAE (Campos dos Goytacazes, 2002). Entretanto, até o presente
momento, o ZAE não foi desenvolvido.
As principais regras desta lei estão dispostas abaixo:
- O plantio total de eucalipto para fins industriais, não poderá ser superior a 3% do
território do município.
- Não poderá haver plantio industrial em terras produtivas, sejam elas de topografia
plana ou não, logo, o plantio deve ser somente em áreas degradadas.
- As áreas de melhor fertilidade devem ser reservadas para outras culturas e não eu-
calipto.
- Não poderá haver plantio a uma distância inferior a 1000m dos mananciais hídricos.
- De 600 em 600 ha é obrigado a ter um corredor florestal.
- Fica a cargo da Secretaria de Meio Ambiente Agricultura apresentar relatórios do
impacto ambiental, agrícola e social causado nas comunidades próximas as planta-
ções industriais de eucalipto.
Licenciamento Específico – Cultura Eucalipto

50 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


O licenciamento ambiental para plantios industrial de eucalipto deverá seguir o seguin-
te:
- Fica a cargo do produtor, a recuperação com espécies nativas, de 5% ao ano da á-
rea de preservação permanente e da área de reserva legal.
- Quando o plantio for feito por pessoa jurídica para fins industriais, esta fica obrigada
a plantar mudas nativas em área equivalente ao plantio de eucalipto, podem ser com-
putadas as áreas de APP e Reserva Legal. No entanto, o prazo para concluir esse
plantio deve ser equivalente ao ciclo completo de exploração comercial do eucalipto.
A recuperação por pessoa jurídica, com espécies nativas, pode ser realizada em ou-
tras propriedades desde que estejam na mesma bacia hidrográfica onde será realiza-
do o plantio de eucalipto. Também deve ser observado o tempo equivalente ao ciclo
completo da exploração comercial do eucalipto para que ocorra o plantio das mudas
nativas.
- No licenciamento devem estar constando as medidas de reabilitação da área planta-
da, após cessado o ciclo completo da exploração industrial, tornando-a novamente
apta à produção agrícola.
- O plantio contínuo da monocultura de eucalipto, deverá respeitar o percentual máxi-
mo de acordo com a área total do imóvel, conforme mostrado no quadro abaixo.
Quadro 19 - Área da Propriedade e o Percentual Máximo de Plantio

Área em Hectares Plantio Máximo em %


100-200 50
200-500 30
500-1000 15
1000-2000 8
2000-5.000 5
acima de 5.000 4

O produtor deverá montar uma brigada de incêndio dentro das áreas de plantio indus-
trial.
O produtor que não cumprir a presente lei, será penalizado pelas Secretarias de Meio
Ambiente e de Agricultura com multa de 50.000 UFIRs e, em caso de reincidência a
multa será dobrada e o produtor perderá seu alvará de licenciamento para exploração
industrial de eucalipto.
Dado o tamanho das propriedades existentes no Município, esta lei não inviabiliza o
plantio comercial da silvicultura (seria completamente distinta se a situação fosse de
grandes áreas), ao contrário, ela exige as associações entre produtores ou proprietá-
rios das terras, sempre que se desejar fazer o plantio industrial de eucalipto em gran-
des extensões territoriais.
Cabe mencionar que Campos dos Goytacazes apresenta várias vantagens para que
sejam realizados plantios comerciais de eucalipto ou espécie equivalente em função
da existência de terras não ocupadas ou devolutas - representadas por áreas deca-
dentes de plantio da cana e de pastos, entre outras. Como constitui o maior Município
do Estado, possui, por conseguinte, grande território com facilidade de acesso e esco-
amento por malha viária que estará conectada, em breve, ao Porto de Açu.

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 51


Apesar de eventuais restrições comentadas – pelo desconhecimento das dimensões
das propriedades -, os produtores rurais estão investindo em silvicultura em áreas visí-
veis à beira da rodovia BR101, o que reitera o valor da explicação.
Vale ressaltar que esta Lei não restringe o plantio de eucalipto para usos não industri-
ais e não impede o plantio de outras espécies que podem ser desenvolvidas na forma
de silvicultura, evidenciado uma clara preocupação quanto à eucaliptocultura por parte
dos legisladores.

5.2.5 Outros Municípios


Não foi observada legislação especifica de incentivo nem de restrição, à instalação de
Silvicultura, nos demais municípios das Regiões Norte e Noroeste Fluminense. Entre-
tanto, através de contato com procuradores, vereadores e outros gestores, estes se
mostraram interessados em instaurar leis que incentivem a silvicultura, desde que seja
uma boa alternativa de renda e desenvolvimento para os municípios, assim como a
preservação ambiental.

5.2.6 Análise acerca da Constitucionalidade, Legalidade e Juridicidade da


Lei de Campos dos Goytacazes
É inevitável observar que o mundo contemporâneo vem passando por inúmeras e in-
tensas transformações, resultado de uma série de crises que levam a um reposicio-
namento de todos os diversos atores sociais. Nesse processo, o Estado e a Sociedade
são atores estratégicos e sofrem mudanças radicais em suas estruturas e relações.
Dentro do Estado, mais especificamente os governos locais e mesmo regionalizados,
passam a assumir papéis diferenciados dos até então desempenhados.
Nesse passo, a tendência, já concretizada na prática, é de uma valorização dos níveis
subnacionais de governo em complementaridade com o governo central. Daquele que
se espera normas verticalizadas capazes, destaque-se, por si só, de contemplar e
resolver todos os problemas regionais. As razões são múltiplas e conhecidas, mas
vale à pena ressaltar o esgotamento da capacitada de lidar com problemas complexos
e extensos por parte dos governos centrais, o que leva a transferência desses proble-
mas para os níveis subnacionais, principalmente os municipais e regionais.
Todavia, esse dito “movimento de transferência de problemas”, apesar de perverso
analisado de sobressalto, muito pelo contrário, revelou aos governos municipais e re-
gionais a necessidade de eles assumirem um poder-dever, de magnitude ainda não
mensurada exaurientemente, estampado na Constituição Federal de 1988.
Trata-se do Princípio Federativo, inserto, sobretudo, nos art. 1.º e 18.º, da Carta Políti-
ca de 1998.
Declara o art. 18 da Constituição que a organização político-administrativa da Repúbli-
ca Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Muni-
cípios, todos autônomos, nos termos da Magna Carta.
O artigo 1.º da CF, por sua vez, afirma que a República Federativa do Brasil, formada
pela união indissolúvel dos Estados e Municípios, constituem-se em Estado Democrá-
tico de Direito, configurando-se uma federação de dois níveis pela presença dos Muni-
cípios.
E de dois níveis, conforme supra firmado, porque a Constituição da República deter-
mina, categoricamente, que as Constituições dos Estados-Membros adotem a descen-
tralização em Municípios, considerando-os por isso mesmo como entidades infra-

52 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


estaduais autônomas. Assim, além de Estados descentralizados, os Estados-
Membros, por imposição constitucional, são constitucionalmente descentralizados.
E o aspecto mais relevante do Estado Federal é a descentralização político-normativa.
Há no Estado Federal uma descentralização do poder político. Mas não é apenas ad-
ministrativo o nível dessa descentralização, também constitucional-normativo, ou seja,
cada ente da federação detém competência para legislar, nos limites traçados pela
CF, conforme descrito a seguir.
Feitas essas observações preliminares pode-se concluir que o governo municipal no
Brasil, e mesmo aqueles regionalizados por meio de instrumentos de cooperação mú-
tua e firmamento de convênios, para não mencionar outros países, tem assumido im-
portância cada vez mais relevante. E o fundamento basilar é procedente: ao partir um
problema, ele se divide em partes menores e isso torna mais fácil a princípio o seu
tratamento.
Além disso, ao transferir-se o problema para o nível municipal ou regional, este seria o
mais habilitado a enfrentá-lo, dado que a sociedade está mais próxima do governo e,
assim, a definição das soluções, acompanhamento, interações e controles seriam
mais factíveis em menores agregados do que em maiores.
No entanto, para viabilizar esses novos escopos da municipalidade e da regionaliza-
ção, essas novas funções impostas pelo dinamismo social, os municípios, primeira-
mente estes, precisam modificar sua estrutura administrativa e recapacitar-se financei-
ramente, adotando uma política de responsabilidade fiscal efetiva, elevando sua arre-
cadação própria; assumir a função de agente de desenvolvimento econômico especi-
almente no que toca à geração de emprego e renda; romper com formas já superadas
de gestão e ação governamental, desenvolvendo uma verdadeira reinvenção do con-
ceito “governo” para estabelecer novos padrões de relacionamento entre a sua condi-
ção de Estado e a sociedade.E para implementar todas essas diretrizes modernizado-
ras, num primeiro momento, cabe aos Municípios assumir as rédeas daquele poder-
dever que a Constituição da República lhes reservou. Já não há mais espaço para
ações ou omissões furtivas das Municipalidades, sobretudo, por afigurar um espaço
privilegiado para a realização da democracia, da participação cidadã e de iniciativas
econômicas e sociais.
Os Municípios precisam assumir definitivamente a responsabilidade pela elaboração
exuariente do seu arcabouço legal, expurgando aquelas normas que já não mais re-
presentam e regulam a realidade fático-jurídica, assim como prestigiar a atividade le-
gislativa como meio de efetivamente usar, com responsabilidade, a competência que
lhe assegura a Magna Carta de 1988, buscando sistematizar as legislações locais e
institucionalizar a elaboração de normas/leis que incorporem diretamente à discussão
os setores primários e primeiros a serem alcançados pelas políticas municipais, enfim,
toda a sua população.
Repita-se: a descentralização existente na federação brasileira não é apenas adminis-
trativa, mas constitucional-normativo, ou seja, cada ente da federação detém compe-
tência para legislar.
Nessa esteira, levando em conta também o que já colocado acerca da assunção das
novas responsabilidades por parte das Municipalidades, certo é que os Municípios,
inarredavelmente, caso efetivamente queiram se municiar de elementos suficientes
para perseguir o alardeado desenvolvimento sustentável, destaca-se, e mais especifi-
camente para viabilizar o objetivo desse trabalho, qual seja, o de promover de forma

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 53


concatenada o desenvolvimento da silvicultura nas Regiões Norte e Noroeste Flumi-
nense, podem atuar legislativamente de forma coerente e atentando para as boas téc-
nicas.
No Estado Federal, assinala-se que as normas não são hierarquizadas em função da
origem de sua emanação, mas em virtude de um critério de competências para editá-
las, estabelecido pela CR.
Segundo magistério do Insigne Constitucionalista Kildare Gonçalves Carvalho
(2007), “identifica-se na Constituição os seguintes tipos de competências: competência
exclusiva (material e legislativa), competência legislativa concorrente, competência
material comum, competência legislativa supletiva e competência legislativa comple-
mentar”.
Tais tipos de competências delineadas criteriosamente para cada ente da Federação
(União, Estados, Municípios e Distrito Federal), estão disseminados no Titulo III, da
Constituição de 1988, sobretudo entre os artigos 21 a 33.
Aos Municípios, além das matérias específicas relacionadas no art. 30, CF, é dado
legislar supletivamente ou complementarmente sobre praticamente todas as matérias
afetas à União e aos Estados, inclusive, como já visto, acerca de direito e licenciamen-
to ambiental.
De acordo com o art. 30 da Constituição, compete aos Municípios:
Inciso I – legislar sobre assuntos de interesse local;
(a abrangência do termo “interesse local” é assustadora, porquanto inexplorada. Cal-
cado somente neste inciso seria possível legitimar os Municípios a legislar sobre infin-
dáveis matérias, desde que, por óbvio, preenchidos os pressupostos de oportunidade
e relevância da matéria. Só da análise rasa desse comando normativo se tem a exata
noção do quão os entes municipais estão relegando esse poder magno constituído, à
insignificância e subutilização, impedindo, via de consectário a viabilização de todo e
qualquer esforço de governança regionalizada com vistas à promoção de um desen-
volvimento regional e sustentável)
Inciso II – suplementar a legislação federal e estadual no que couber;

(daqui o estribo legal para amparar o que já firmado. Embora o artigo 24, CF, não in-
clua os Municípios na competência legislativa concorrente, por este inciso – 30, II, se-
rão eles titulares de competência complementar relativamente às matérias enumera-
das no art. 24, que envolvam interesse local.)
É dado, pois, aos Municípios, legislar sobre proteção do meio ambiente, patrimônio
histórico, cultural, educação, proteção e defesa da saúde, finanças públicas, dentre
tantas outras matérias.

Inciso VII – promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, medi-


ante planejamento e controle do uso do parcelamento e da ocupação do solo
urbano.
Pela Constituição, cabe à União, Estados e Distrito Federal, tão somente, legislar con-
correntemente sobre Direito Urbanístico (art. 24, I). Os Municípios poderão, no entan-
to, estabelecer regras específicas sobre a matéria (art. 182), suplementando a legisla-

54 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


ção federal e estadual no que couber, legislando, mesmo que não legitimado pelo ca-
put do art. 24, CF, de forma mais aprofundada e com propriedade do que aqueles que
figuram como legitimados titularmente, como, por exemplo, através de um Plano Dire-
tor Municipal e mesmo regional, e ainda, um PLANO REGIONAL DE DESENVOLVI-
MENTO DA SILVICULTURA.
Mais uma vez se desume a extensão e complexidade do poder-dever outorgado aos
Municípios, que, aviltantemente, vêm fazendo olhos de mercador para tão importante
instrumento de política.
Esmiuçou-se, portanto, que: os Municípios detêm um poder-dever de legislar e que
esse poder-dever, apesar de praticamente inesgotável, não obstante o sistema de
distribuição competencial adotado pelo Constituinte, está sendo simplesmente inutili-
zado e menosprezado, o que obstaculiza, via de consectário, qualquer esforço no sen-
tido de se criar uma teia de cooperação micro ou macrorregional.
É imperioso, pois, que dos municípios em testilha estejam bem aparelhados legalmen-
te, posto que somente à partir daí é que restará viabilizado qualquer tipo de firmamen-
to de intenção para a consecução do Plano de Desenvolvimento das Regiões Norte e
Noroeste Fluminense.
Todavia, não basta que os Municípios, uma vez tocados e sensibilizados por tal tese,
saiam de forma frenética e desordenada legislando como se isso por si só fosse capaz
de colocar o ‘trem nos trilhos’. Não. Definitivamente, não. Muito pelo contrário.
O processo legislativo, que estuda a formação das leis, reveste-se de significativa im-
portância, na medida em que se concebe o Direito como complexo normativo – sentido
puramente jurídico.
Nada obstante essa abordagem, segundo elucida Nelson de Souza Sampaio (1968),
o processo legislativo pode e deve também ser entendido no sentido sociológico,
quando se “refere ao conjunto de fatores reais ou fáticos que põem em movimento os
legisladores e ao modo como eles costumam proceder ao realizar a tarefa legislativa”,
examinando, neste aspecto a opinião pública, os grupos de pressão, enfim, todos a-
queles fatores que, de alguma forma, condicionam ou determinam a ‘demanda da lei’.
Destarte, o corolário do estado de direito, sujeição de tudo e todos à lei, sofre hoje
inegável mitigação em decorrência de uma série de fatores: alteração de usos e cos-
tumes, desnecessidade de regulação de certas matérias dada a consciência e cultura
atingida por uma população, etc.
Pode, no entanto, ser apontado a falta de critérios formais e materiais para eleição da
matéria que deva ser regulada de modo que não se banalize o processo legislativo,
ausência de observância do binômio oportunidade X necessidade e, sobretudo, a ine-
xistência da correta condução na formação e desenvolvimento do processo legislativo,
como o conjunto determinante para o desfacelamento do primado constitucional “nin-
guém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algum coisa senão em virtude de lei”
(CF, art. 5, II).
Em decorrência desses vícios na formação da norma - que muito mais estão afetos ao
seu aspecto sociológico do que àquele axiológico - é que hoje se tem a inversão do
primado, donde muitos não fazem o que estão obrigados por lei a fazer, enquanto ou-
tros tantos fazem o que não lhes está exigido legalmente. Essa distorção, destaca-se,
hoje já assente em nosso ordenamento, e o que é pior, tida como natural e tolerável,
certamente não deixará passar ao largo tantas outras normas que venham a ser cria-
das sem a observância dos critérios mais rígidos e competentes para o desempenho

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 55


da atividade legiferante. Somente salvaguardando alguns pressupostos de constitui-
ção e desenvolvimento da norma, mas, sobremaneira, levando o debate meritório ao
pálio censório da população em massa, ressalte-se, inclusive regionalizada, é que se
conseguirá legitimar disposições normativas para efetiva obediência.
Eficácia e aplicabilidade constituem qualidades de norma que efetivamente impulsiona
o mundo jurídico. Condições sine qua non.
Eficácia consiste na aptidão da norma para produzir os efeitos próprios das normas
jurídicas. É dizer: a qualidade de a norma vigente produzir efeitos jurídicos em relação
à sua observância pelos seus destinatários. Junção, segundo o Emérito José Afonso
da Silva (1982), da eficácia social e jurídica.
Já a aplicabilidade, que apesar de não se confundir com a eficácia, posto que é a qua-
lidade da norma jurídica hábil a ser feita incidir sobre o conceito de um fato, sem o que
não se viabilizará a perpetração da vontade do legislador no cotidiano. E entre as for-
mas dessa aproximação das realidades pelos fatos, podem ser apontadas a experiên-
cia do orçamento participativo, as consultas públicas, os conselhos municipais e regio-
nais e outros fóruns de consulta, criados e mantidos ativos. Vale dizer: a característica
principal dessas iniciativas reside no aparecimento de uma comunidade com papel
mais ativo frente à agenda pública, mobilizando-se e deflagrando verdadeiro exercício
de cidadania.
Nesse diapasão o E. Supremo Tribunal Federal, ao se pronunciar sobre os direitos
sociais, daqueles das minorias, etc., tem estabelecido que, tal como em elaboração e
apreciação de projetos de lei que impacte consideravelmente determinados núcleos
sociais, assim também, v.g., na instituição de Planos Diretores de Desenvolvimento
municipais e regionais, sempre que estando no centro a formulação de políticas públi-
cas sociais, há necessidade de concebê-los a partir de metodologias participativas, no
sentido de corresponder às conquistas obtidas no que diz respeito à democratização
do planejamento e da gestão dos municípios, e destes com aqueloutros que se inter-
relacionam, bem como com a exigência da participação popular. Tais tomadas de de-
cisão precisam ser concebidas como instrumentos de um pacto social, ou seja, como
instrumentos de potenciais compromissos sociais, ou melhor, contratos entre governos
e população. Aponta-se, assim, para a possibilidade de alianças entre os diferentes
extratos sociais e os governos, em torno do planejamento participativo dos municípios
numa plataforma regionalizada.
Todas essas considerações, apesar da sua amplitude e generalidade, no presente
trabalho, visto que é dado aos municípios legislar amplamente, tem o condão de avali-
ar a norma de Campos dos Goytacazes, já retro esmiuçada, Lei 7.282/2002 que de-
termina as regras e condições para plantio industrial de eucalipto no município de
Campos dos Goytacazes e determina a realização do Zoneamento Agroecológico,
ZAE.
Da detida análise de tal norma, da forma como editada, e, sobretudo, pelas condicio-
nantes previstas sem efetiva implantação até o presente momento (em especial, não
confecção do Zoneamento Agroecológico, ZAE), denota-se a sua patente parcialidade,
não devendo, pois, servir de modelo para uma generalização que se estenda a todos
os demais municípios do grande norte fluminense para a tratativa da matéria silvicultu-
ra.
Por derradeiro, o raciocínio que se mostra juridicamente válido é que, se é constitucio-
nalmente legítimo ao Estado extinguir direitos patrimoniais, pode estabelecer-lhes res-
trições, sim, desde que, conforme já incansavelmente alardeado, obedecido o due

56 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


processo of Law, tomada a garantia em um sentido não apenas meramente adjetivo
ou procedimental, mas também substantivo ou material. E nessa toada é que na parte
de estabelecimentos de diretrizes para implantação do presente plano restarão pro-
postas novas conceituações legislativas.

5.3 Aspectos Relativos à Legislação Fundiária


Outro tema de destaque para a análise da legislação é o georreferenciamento das
propriedades rurais, nos termos preceituados pela Lei Federal 10.267/01 e por seus
regulamentos (Decretos Federais 4.449/02 e 5.570/05).
A referida lei federal, que deu nova redação ao Art. 176 § 3º da Lei Federal 6.015/73,
passou exigir a averbação nas matrículas dos imóveis rurais da identificação do imóvel
a partir de memorial descritivo, assinado por profissional habilitado, com a respectiva
Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, contendo as coordenadas dos vértices
definidores dos limites dos imóveis rurais, georreferenciadas ao Sistema Geodésico
Brasileiro, para os casos de desmembramento, parcelamento ou remembramento dos
mesmos.
Complementarmente, o Decreto Federal 4.449/02 passou a estender a exigência para
qualquer situação de transferência de imóvel rural (Art. 10 do Decreto Federal), exi-
gência esta já vigente para os imóveis acima de 500 ha.
Tratando ainda do tema, a Norma de Execução (NE) do INCRA 01/07 passou a elen-
car os documentos necessários para a certificação do imóvel rural de forma georrefe-
renciada: (i) requerimento; (ii) relatório técnico contendo período de execução, nome
do proprietário, quantidade e descrição dos equipamentos e softwares utilizados; (iii)
quadro resumo das precisões obtidas; (iv) cópia da matrícula do imóvel; (v) planta; (vi)
memorial descritivo; (vi) planilha técnica; e (vii) cópia do Certificado de Cadastro de
Imóvel Rural – CCIR (Art. 9º da NE do INCRA).
Tem-se, pois, que tal normatização impõe, mesmo que por via oblíqua, a regularização
fundiária de todas as propriedades rurais.

6. CONCLUSÃO E ANÁLISE SITUACIONAL INTEGRADA DAS


LEGISLAÇÕES EM SEUS TRÊS NÍVEIS INSTITUCIONAIS –
DISTRIBUIÇÃO COMPETENCIAL LEGISLATIVA - FATOR
SILVICULTURA

O território do Rio de Janeiro, para fins de gestão dos recursos hídricos, encontra-se
subdividido em 10 (dez) Regiões Hidrográficas (RH), como pode ser observado nos
mapas apresentados no capítulo próprio.
Esta medida, aprovada pelo CONSELHO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS
(CERH), através da Resolução/CERHI-RJ Nº 18 (08/11/2006), tem por objetivo facilitar
a gestão deste importante recurso natural e otimizar a aplicação dos recursos financei-
ros arrecadados com a cobrança pelo uso da água em cada região.
A Proposta de desenvolvimento da silvicultura considera as Regiões Hidrográficas,
também baseando-se no Zoneamento Ecológico Econômico do Estado do Rio de Ja-
neiro (ZEE-RJ).
O ZEE-RJ divide o território em zonas, de acordo com a necessidade de proteção na
implantação de planos, obras e atividades públicas e privadas, prevendo medidas e
padrões de proteção ambiental destinados a assegurar a qualidade ambiental, dos

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 57


recursos hídricos e do solo e a conservação da biodiversidade, garantindo o desenvol-
vimento sustentável e a melhoria das condições de vida da população, devendo tam-
bém ser considerados:
I - os tipos de solo aptos às práticas agrícolas;
II - as condições climáticas e hídricas que influenciam o plantio em cada Região Hi-
drográfica;
III - a situação de áreas florestais correspondentes às Áreas de Preservação Perma-
nente (APPs) e Reservas Legais das propriedades rurais, conforme estabelecido na
Lei nº 4.771/1965, respectivamente nos seus artigos 2º e 16;
IV - a localização de áreas de expansão industrial;
V - as atividades extrativistas;
VI - a rede urbana e sua expansão;
VII - a rede de transportes;
VIII - os ecossistemas e a biodiversidade;
IX - as bacias hidrográficas.
O ZEE-RJ leva em conta a importância ecológica, as limitações e fragilidades dos e-
cossistemas, estabelecendo vedações, restrições e alternativas de exploração do terri-
tório e determinando, quando for o caso, inclusive a realocação de atividades incom-
patíveis com suas diretrizes gerais.
Embora o ZEE-RJ não constitua um instrumento normativo compulsório, deve ser
compreendido como um relevante instrumento de apoio às tomadas de decisão afins a
instalação e operacionalização do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Estado
do Rio de Janeiro (Netto, 2008). Logo, qualquer investimento no Estado do Rio de Ja-
neiro, de silvicultura ou não, deverá primeiramente consultar o ZEE-RJ a fim de ser
instalado no melhor local possível e atender as normas estabelecidas na legislação
vigente. A aplicação do ZEE-RJ está em fase de conclusão pela Fundação Coordena-
ção de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos - COPPETEC, entidade sem fins
lucrativos, destinada regimental e estatutariamente a viabilizar a prestação de serviços
técnicos especializados pela COPPE/UFRJ aos diversos agentes públicos e privados
do desenvolvimento nacional.
Assim, tendo-se como premissas, as restrições estabelecidas para as Regiões Hidro-
gráficas, estipula-se que para empreendimentos de silvicultura econômica de maior
escala, ou seja, aqueles acima de 200 ha, fica obrigado o empreendedor a recuperar
as Áreas de Preservação Permanente - APP com assinatura do termo de compromis-
so onde o produtor se compromete a restaurar a APP e Reserva Legal, com espécies
nativas da Mata Atlântica. No que se refere à Reserva Legal fica estipulado, conforme
a lei no. 4.771 de 1965, 20% da propriedade, essa área deve ser averbada no Registro
Geral de Imóveis. A Reserva Legal não pode ser suprimida, entretanto, pode ser utili-
zada desde que seja implantado um sistema de manejo florestal sustentável, de acor-
do com os princípios e critérios técnicos e científicos embasados na legislação (BRA-
SIL, 1965).
Para implantação de silvicultura econômica de pequena escala e em propriedades
rurais de base familiar devem-se recuperar as APP com espécies nativas da Mata A-
tlântica em no mínimo, o equivalente a 12% nas Regiões Hidrográficas IX e X e de

58 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


16% nas Regiões VII e VIII, onde estão localizados os municípios do Norte e Noroeste
Fluminense. (ver Tabela 2 mais adiante)
O órgão ambiental competente deverá estabelecer os prazos de recuperação das APP
e Reserva Legal.
Os projetos de silvicultura devem ser instalados, de preferência, em áreas de cultura
agrícola e pecuária, alteradas, subutilizadas ou abandonadas (Rio de Janeiro, 2009). É
comum encontrar áreas, nas regiões Norte e Noroeste Fluminense, que estejam em
estágio de degradação com ocorrência de erosão, retiradas de argila para produção
de cerâmica, entre outras. Existem, também, áreas subutilizadas e abandonadas prin-
cipalmente, com a decadência do setor da pecuária e sucro-alcooleiro as quais, atual-
mente, encontram-se improdutivas em sua maioria.
Com relação ao licenciamento das atividades de silvicultura econômica os seguintes
parâmetros devem ser estabelecidos os critérios a seguir.
Quadro 20 - Restrições para o Licenciamento da Silvicultura

Comunicação de Licenciamento
Implantação até EIA-RIMA
Região Hidrográfica Simplificado Acima
Acima de (ha)
(ha) de (ha)
15-50 dependendo da
VII 15 200
altitude.
VIII 20 20 200
IX 50 50 400 (baixo Paraíba)
X 50 50 400 (Itabapoana)

Como já alardeado, e desde aquele momento anotados, os riscos técnico-jurídicos de


não efetivação de tais normas, cumpre-se repisar que até a entrada em vigor da lei No
5.067, todo empreendimento de silvicultura, independente do tamanho, era obrigado a
fazer o licenciamento inclusive sendo obrigatória a implantação da reserva legal a fim
de conseguir a licença. Entretanto, com a presente lei, o processo ambiental ficou sim-
plificado e menos burocrático para pequenos produtores com plantios parciais de suas
propriedades, tendo como finalidade a silvicultura econômica.
Para empreendimentos considerados de pequena escala, somente é exigida a comu-
nicação de implantação de silvicultura: tal comunicação não possui qualquer taxa a ser
cobrada pelo INEA. No entanto, é relevante que para propriedades que sejam vizinhas
e de mesmo proprietário e se o empreendimento for instalado em ambas, a conta é
realizada fazendo-se o somatório dos projetos de silvicultura (Rio de Janeiro, 2009).
Exemplo, ao se plantar 10 ha em uma propriedade e 20 ha em outra, descontínuas, na
mesma região hidrográfica pode ser feito somente a comunicação de implantação.
Entretanto, se for plantado 20 ha em uma propriedade e 31 ha na outra, contíguas, o
somatório passa a ser 50 ha sendo assim necessária a Comunicação de Licenciamen-
to Ambiental Simplificado. Para fazer a Comunicação, basta o proprietário preencher e
assinar o formulário disponível no INEA.
Empreendimentos de médio porte são aqueles que necessitam de Licenciamento Am-
biental Simplificado conforme estipulado por lei (Rio de Janeiro, 2007, 2009), vide ta-
bela 1. O requerente de Licenciamento Ambiental Simplificado é obrigado a apresentar
documento da Prefeitura Municipal informando que o empreendimento está de acordo
com a legislação de ocupação e uso do solo daquele Município. E ainda, preencher e

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 59


assinar o formulário e providenciar a documentação exigida pelo Decreto n° 41.968, de
29 de julho de 2009 (Rio de Janeiro, 2009).
Para facilitar e diminuir custos para o produtor, o processo de Licenciamento Ambien-
tal Simplificado pode ser apresentado pelo requerente nos escritórios da Empresa de
Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de Janeiro S/A - EMATER-
RIO e na Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento - SE-
APPA, que encaminhará imediatamente os documentos recebidos à sede do órgão
ambiental competente ou às Superintendências Regionais para avaliação e procedi-
mentos cabíveis. Então, a partir do protocolo, o INEA possui 90 dias para analisar o
processo. Uma vez deferido o processo, a licença pode ser de 5 a 10 anos segundo os
critérios do INEA (Rio de Janeiro, 2009).
Empreendimentos de grande porte são aqueles onde são exigidos EIA-RIMA. (Vide
Tabela)
Os empreendimentos que são obrigados a instalar a reserva legal, para obter a licen-
ça, podem fazer na forma de condomínios, desde que aprovado pelo INEA e na mes-
ma Região Hidrográfica, privilegiando os corredores de Mata Atlântica.
São restrições para a implantação de silvicultura econômica segundo a Lei no. 5.067,
artigo 12;
I - as áreas plantadas deverão estar distanciadas, no mínimo, 2,0 km do perímetro
urbano da sede do município com população superior a 100 mil habitantes e de 0,6 km
do perímetro urbano das vilas e povoados e demais municípios;
II - deverão ser respeitadas as Áreas de Preservação Permanente, assim definidas por
Leis Federal, Estadual e Municipal, bem como os parâmetros adotados pelas Resolu-
ções CONAMA.
III – Os plantios de essências florestais deverão respeitar as Áreas de Preservação
Permanente situadas em faixa marginal dos cursos d’água, medida a partir do nível
mais alto, em projeção horizontal, com largura mínima de:
a) 30 (trinta) metros para o curso d’água com menos de 10 (dez) metros de largura;
b) 50 (cinqüenta) metros para o curso d’água com 50 (cinqüenta) metros de largura;
c) 100 (cem) metros para o curso d’água com 50 (cinqüenta) a 200 (duzentos) metros
de largura;
d) 200 (duzentos) metros para o curso d’água com 200 (duzentos) a 600 (seiscentos)
metros de largura;
e) 500 (quinhentos) metros para o curso d’água com mais de 600 (seiscentos) metros
de largura;
f) 50 (cinqüenta) metros ao redor de nascente ou olho d’água, ainda que intermitente;
g) 50 (cinqüenta) metros ao redor de lagoas, lagos ou reservatórios naturais ou artifici-
ais.
E deve estar fora de área de Reserva Legal segundo o Decreto n° 41.968, de 29 de
julho de 2009.
Um grave empecilho pode ser o fato da Lei no. 5.067 e seu Decreto n° 41.968 estabe-
lecerem que fica a cargo do Estado o fornecimento das mudas de espécies nativas da

60 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


Mata Atlântica e para que essa produção seja possível a lei informa que devem ser
criados hortos florestais.
No estudo de LOPES et. al (2009), os autores fizeram o levantamento da produção de
espécies nativas por hortos públicos e privados na região Norte Fluminense. Ficou
evidenciado que a produção é muito pequena em função da demanda já existente,
seja para atender aos programas como Rio Rural, Produtor de Águas, entre outros e
também para atender a legislação Estadual e principalmente Federal as quais tratam
da necessidade de mudas para recuperação das áreas de APP e Reserva Legal.
Entretanto, como alternativa para resolver a falta de produção de mudas, uma suges-
tão seria a parceria com produtores rurais para que estes possam produzi-las, obvia-
mente que os mesmos deveriam passar por capacitação e acompanhamento de pro-
fissionais (EMATER, contratados ou outros), a fim de seguir as normas inerentes para
tal produção, quais sejam: construção de estufas, variabilidade genética, coletar se-
mentes de espécies nativas regionais, estar devidamente autorizado a recolher se-
mentes pelos órgãos ambientais, entre outras. A presente sugestão está de acordo
com a Lei no. 5.067, estadual, a qual recomenda que a mão-de-obra seja local para
empreendimentos que explorem a atividade de silvicultura.
Outro fato relevante é que órgãos de financiamento públicos e privados, em sua maio-
ria, e para atender à Política Nacional de Meio Ambiente (BRASIL, 1981), somente
estão fornecendo crédito a agricultores que já tenham sanado suas obrigações ambi-
entais quais sejam, implantação e averbação da Reserva Legal e recuperação ou pre-
servação de APP, entre outras.
O não cumprimento pelo produtor das medidas necessárias à preservação ou corre-
ção de danos ambientais pode, ainda, levar à multa, perda ou restrição de incentivos e
benefícios fiscais, perda ou suspensão de financiamentos já adquiridos em estabele-
cimentos públicos, e até a suspensão da atividade. Daí a importância de se implantar
as ações ambientais inerentes a cada tipo de empreendimento (BRASIL, 1981).
A área de Reserva Legal pode gerar renda ao produtor, inclusive permitido por lei,
conforme relatado no texto. No entanto, é preciso que seja confeccionado e aplicado
um projeto já visando a produção de frutas, sementes e outros produtos que possam
vir a ser comercializados legalmente.
Quadro 21 - Brasil (1981), Atividades Consideradas Potencialmente Poluidoras e Utiliza-
doras de Recursos Ambientais, 1981

Potencial
Atividade Descrição
Poluidor
Serraria e desdobramento de madeira; pre-
servação de madeira; fabricação de chapas;
Indústria de Madeira placas de madeira aglomerada; prensada e Médio
compensada; fabricação de estruturas de
madeira e móveis.
Fabricação de celulose e pasta mecânica;
fabricação de papel e papelão; fabricação de
Indústria de Papel e Celulose Alto
artefatos de papel; papelão, cartolina, cartão
e fibra prensada.
Silvicultura; exploração econômica da madei-
Uso de Recursos Naturais Médio
ra ou lenha e subprodutos florestais.

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 61


7. OCUPAÇÃO ATUAL DA TERRA

Uso da Terra
Os aspectos relativos ao uso da terra são de grande importância para a implantação
de florestas comerciais. Áreas utilizadas para cultivos agrícolas têm geralmente um
preço alto, particularmente na Região aonde o cultivo de cana-de-açúcar se mantem
ou vem crescendo novamente. Já as áreas de pastagens são consideradas as mais
adequadas para a implantação de florestas, por não mais contarem com cobertura
vegetal expressiva, além de terem preços bastante inferiores àqueles de terras ocupa-
das por cultivos agrícolas. As áreas de florestas secundárias, como são chamadas as
áreas anteriormente desmatadas, onde a floresta se encontra em processo de regene-
ração, possuem preços ainda mais baixos que as áreas ocupadas pela pecuária.
Dados mais detalhados quanto ao uso da terra nas regiões em estudo encontram-se
no módulo próprio.

8. SITUAÇÃO FUNDIÁRIA

Não foi possível, apenas através do sítio eletrônico do ITERJ (Instituto de Terras do
Rio de Janeiro), aferir o percentual de terras que apresentam documentação de pro-
priedade regularizada nas regiões em estudo.
Atualmente o Governo do Estado está desenvolvendo um programa, pode-se dizer, de
arrecadação de terras – Programa Nossa Terra, buscando, por conseguinte, a regula-
rização fundiária daquelas famílias sem titulação das propriedades e também, porque
assim não asseverar, da situação legal das terras pertencentes ao Estado do Rio de
Janeiro. Estas terras estão sendo, em sua maior parte, utilizadas para o assentamento
de famílias de produtores rurais.
Não se logrou êxito em obter o detalhamento desejado quanto aos dados referentes
às terras arrecadadas junto ao ITERJ.

9. REGULARIZAÇÃO DA SITUAÇÃO FUNDIÁRIA

Assim, a regularização de terras toma grande importância estratégica para a imple-


mentação de um efetivo Plano Básico Florestal no Estado do Rio de Janeiro, não só
sendo primordial para tal programa, como também para todas as atividades econômi-
cas que dependem da garantia da propriedade da terra.
A título de registro traz-se à colação que o Estado do Rio de Janeiro, mais uma vez,
mesmo que de forma transversa, buscou alcançar a regularização fundiária de terras
com a edição da Lei nº 3.917/2002, que autoriza o poder executivo a firmar contratos
de arrendamento rural para fins de recuperação e preservação ambiental, sem, no
entanto, lograr grande adesão.
Nessa esteira, nada obstante a existência do apontado Programa Estadual de regula-
rização fundiária, repita-se, PROGRAMA NOSSA TERRA, tem-se que medidas mais
concretas e efetivas carecem de implementação, como requisito/pressuposto de viabi-
lização e de implantação de projetos de grandes florestas plantadas – segurança jurí-
dica.

62 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


Para a execução desta proposição são necessárias as quatro grandes fases descritas
a seguir:
a) Num desdobramento do ZEE-RJ, realização de Zoneamento Florestal específico
das Regiões Norte e Nordeste: este deverá estar embasado na subdivisão das Regi-
ões por Bacias Hidrográficas - Resolução/CERH-RJ n.º 18 (08/11/2006);
b) Cadastramento de Propriedades e Posses: O cadastramento de propriedades e
posses existentes será levado a cabo primeiramente nas áreas caracterizadas como
de maior aptidão florestal;
c) Demarcação das Áreas Cadastradas: Nesta fase promove-se a demarcação das
propriedades e posses existentes na área cadastrada anteriormente. No processo de
demarcação das áreas de posse, deverá ser considerada a legislação vigente, que
limita a área a ser doada a cada posseiro. Além disso, serão identificados problemas
de superposição de propriedades e identificadas as áreas devolutas do Estado.
d) Regularização das Áreas Demarcadas: Demarcadas as áreas, inicia-se o processo
legal de regularização das propriedades, posses e áreas devolutas, onde são resolvi-
dos problemas de superposição de propriedades, os posseiros passam a contar com a
propriedade da terra e as áreas devolutas do Estado são arrecadadas. A partir desta
fase, as terras regularizadas ficam disponíveis para a operação com a empresa-
âncora, e as terras arrecadadas ficam disponíveis para serem concessionadas às em-
presas ou para outra destinação – assentamentos, etc.
O zoneamento florestal da Região Norte-Noroeste inclui atividades relacionadas à atri-
buição do organismo gestor florestal específico a ser criado pelo Governo Estadual, de
modo que tenha, inclusive, autonomia para articulações interinstitucionais necessárias.
As demais atividades (cadastramento, demarcação e regularização das terras) devem,
em princípio, ficar a cargo do Instituto de Terras - ITERJ e do INCRA (em nível fede-
ral).
Com vistas a dar início a tal processo, traz-se nos Anexos 1 e 2, minutas de leis a se-
rem adotadas para alcançar a almejada regularização fundiária, haja vista que a ação
governamental como agente facilitador é indispensável para atender às expectativas
dos empreendedores e investidores.

10. RESTRIÇÃO FEDERAL A AQUISIÇÃO DE TERRAS, POR


ESTRANGEIROS, NO BRASIL

A aquisição de terras no Brasil, por estrangeiros (pessoas jurídicas e físicas) e pessoa


jurídica brasileira da qual participem, a qualquer título, pessoas estrangeiras físicas ou
jurídicas que tenham a maioria do seu capital social e residam ou tenham sede no
exterior é regulamentada pela Lei no 5.709, de 7 de outubro de 1971 e por seu DE-
CRETO no 74.965, de 26 de Novembro de 1974 (BRASIL, 1971, 1974).

As pessoas jurídicas estrangeiras referidas só poderão adquirir imóveis rurais destina-


dos à implantação de projetos agrícolas, pecuários, industriais, ou de colonização,
vinculados aos seus objetivos estatutários, desde que o projeto seja aprovado pelo
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, quando agrícola, e pelo Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, quando industrial.

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 63


A aquisição de imóvel rural por pessoa física estrangeira não poderá exceder a 50
(cinquenta) módulos de exploração, em área contínua ou descontínua.

Quando se tratar de imóvel com área não superior a 3 (três) módulos, a aquisição será
livre, independendo de qualquer autorização ou licença, ressalvadas as exigências
gerais determinadas em lei.

Compete ao Congresso Nacional autorizar tanto a aquisição ou o arrendamento além


dos limites de área e percentual fixados na Lei nº 5.709, de 7 de outubro de 1971, co-
mo a aquisição ou arrendamento, por pessoa jurídica estrangeira, de área superior a
100 (cem) módulos de exploração indefinida.

Segundo Brasil (1993), aplica-se ao arrendamento todos os limites, restrições e con-


dições aplicáveis à aquisição de imóveis rurais por estrangeiro, constantes da Lei No
5.709, de 7 de outubro de 1971.

O estrangeiro dentre outras obrigações, deve comprovar residência, no Brasil, para


que seja emitida a escritura.

A soma das áreas rurais pertencentes a pessoas estrangeiras, físicas ou jurídicas, não
poderá ultrapassar a um quarto da superfície dos Municípios onde se situem, compro-
vada por certidão do Registro de Imóveis.

Logo, existe legislação específica e restritiva, no Brasil, para aquisição e arrendamento


de terras por estrangeiros.

11. MARCO INSTITUCIONAL-LEGAL DO FINANCIAMENTO DE


FLORESTAS PLANTADAS

O plantio de florestas no Brasil passou a ter expressão a partir da década de 60,


quando da criação, pelo governo federal, dos incentivos fiscais para reflorestamento
(FISET), dentro do Programa Nacional de Desenvolvimento (PND).
Tais incentivos foram criados através das Leis 5.106, de 09/1966, e 1.134, de 11/1970,
visando expandir o setor florestal a fim de se garantir matéria-prima para viabilizar as
indústrias de papel e celulose e siderurgias.
Além destes incentivos, a promulgação do Código Florestal (1965) e a criação do Insti-
tuto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF - 1967) foram ações que ajudaram
a definir uma nova política florestal para o País, promovendo o florestamento e reflo-
restamento em larga escala.
Os programas de reflorestamento com incentivos fiscais imprimiram, entre 1967 e
1986, um crescimento significativo ao setor florestal, servindo de base para sua estru-
turação e consolidação.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), os investimentos na atividade
florestal no Brasil, entre 1967 e 1986, somaram cerca de US$ 10 bilhões e resultaram
em um superávit na oferta de madeira.
Entretanto, distorções na política de incentivo provocaram redução do programa a par-
tir de 1983, e contribuíram para o seu encerramento em 1988, causando uma redução

64 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


drástica nos plantios florestais, e com isso, comprometendo a expansão da oferta de
matéria-prima florestal de florestas plantadas para atender à demanda crescente (in-
dustrial e não-industrial).
Cessados os incentivos fiscais, as plantações florestais passaram a ser realizadas
com recursos próprios ou com financiamentos tomados junto a agentes financeiros
(SBS, 2005), principalmente pelo setor de papel e celulose. Neste momento, destaca-
se a atuação do BNDES através da disponibilização de recursos destinados a projetos
florestais. A partir daí, o BNDES tem sido uma das principais fontes de financiamento
ao reflorestamento, através do apoio às unidades industriais que possuem florestas
próprias ou a empresas florestais que possuem contratos de fornecimento de longo
prazo. Entre 1991 e 2001, o BNDES desembolsou cerca de US$ 435 milhões para o
reflorestamento (inclui reforma, implantação de viveiros e pesquisas florestais) para
algo entorno de 528 mil hectares (BNDES, 2002).
Em julho de 2002, o PNF promoveu o lançamento do PROPFLORA (Programa de
Plantio Comercial de Florestas), coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA) no âmbito do Plano Agrícola 2002/2003, mediante Resolução
2.992, do Banco Central do Brasil, de 03/07/02, para apoiar pequenos e médios produ-
tores rurais a implantarem e manterem suas florestas comerciais, com recursos técni-
cos e mão-de-obra adequados.
Para os produtores familiares, o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) esten-
deu os financiamentos do Programa Nacional de Agricultura Familiar para as ativida-
des florestais, criando em julho de 2002 o PRONAF FLORESTAL mediante Resolução
3.001, do Banco Central do Brasil.
Outras iniciativas ou ações governamentais, no âmbito federal, com maior ou menor
impacto sobre o desenvolvimento e o manejo florestal sustentável, incluem o Plano
Plurianual do Governo Federal (PPA 2004-2007), o Programa Nacional do Meio Ambi-
ente (PNMA), o Programa Piloto para Proteção de Florestas Tropicais no Brasil
(PPG7) e o Programa Nacional da Diversidade Biológica (PRONABIO).

11.1 Experiências Significativas de Financiamento de Florestas Plantadas

11.1.1 Fomento Florestal

O fomento florestal é um instrumento voltado à promoção do desenvolvimento do meio


rural através do incentivo ao plantio de florestas, visando tanto à formação de florestas
para o abastecimento do setor produtivo como de florestas de preservação ou reposi-
ção florestal.

Basicamente, é possível diferenciar as estratégias de fomento florestal entre públicas


e privadas. O fomento público caracteriza-se pelas ações governamentais, definidas
através de políticas voltadas à regularização e ao desenvolvimento do setor. Já o fo-
mento florestal privado é uma estratégia que há tempos vem sendo adotada por gran-
des empresas do setor de celulose e papel, e que mais recentemente vem ganhando
espaço em outros segmentos, como o de madeira sólida e carvão vegetal.

Os principais motivos que levam as empresas a adotarem este tipo de estratégia con-
sistem na redução de investimentos na compra de terras – redução da imobilização na
formação de ativos fixos (desoneração em relação aos acionistas ou cotistas), menor
custo da madeira (posto fábrica), aumento na diversificação de fontes de matéria-

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 65


prima, além da maior integração com proprietários rurais presentes nas proximidades
das empresas.

Este mecanismo tem se mostrado muito eficaz na formação de novas florestas, princi-
palmente devido aos seguintes fatores:
• público alvo localizado em um raio inferior a 100 km das unidades fabris;
• sistema eficiente de divulgação
• processo simples e desburocratizado de contratação;
• garantia contratual de compra dado pela empresas;
• oferta de cinco modelos distintos de fomento (doação de mudas, venda de mu-
das, arrendamento, renda antecipada, parceria florestal);
• assistência técnica qualificada; e
• condições de financiamento compatíveis com a silvicultura (taxas, prazos, limite
de crédito, garantia, risco, plantios plurianuais, entre outros).

Pela ótica dos produtores-parceiros, o fomento florestal consiste em uma alternativa à


geração de renda tradicional em suas propriedades, podendo este utilizar áreas ocio-
sas ou subutilizadas, com baixo risco técnico de produção em função dos insumos e
assistência técnica fornecidos, invariavelmente, pelas empresas.

Além do fomento tradicional, onde são fornecidos insumos e assistência técnica aos
produtores, repita-se, ofertados basicamente pelos já mencionados cinco modelos
distintos de fomento, outra estratégia que vem sendo adotada pelas empresas, princi-
palmente as de celulose e papel, é a facilitação ao acesso às linhas de financiamento,
atuando como avalistas nos empréstimos destinados ao plantio de florestas. A seguir
são citados três exemplos de programas de fomento florestal praticados por empresas
de papel e celulose.
− Suzano Papel e Celulose
A Suzano iniciou o Programa de Fomento de Madeira no ano de 1973, na unidade de
São Paulo, e em 1992, na unidade Mucuri, na Bahia. Esta prática impulsionou a for-
mação de florestas de eucalipto em áreas de terceiros, totalizando atualmente uma
área de 19 mil hectares em São Paulo e de 29 mil hectares na Bahia, envolvendo qua-
se 900 proprietários.
Atualmente, a madeira que a companhia compra de fomentados totaliza 15% do volu-
me anual consumido pela Fábrica de Suzano e 2 % do volume anual consumido pela
Fábrica de Mucuri (Suzano, 2005).
A meta é que a participação da madeira de terceiros no abastecimento industrial al-
cance até 25% do total demandado por estas unidades. O Programa de Fomento de
Madeira, além de estimular a atividade silvicultural, contribui para a geração de cerca
de 7 mil empregos diretos e indiretos. A Suzano mantém duas modalidades de Fo-
mento: Contratual e Extensão.

11.1.2 Fomento Contratual


Este tipo de fomento é praticado em propriedades localizadas num raio médio de 130
km de distância das fábricas, ou próximas de suas unidades florestais. Nesta modali-

66 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


dade, cujo início se deu em 1992 na Bahia, tendo sido recentemente implantada tam-
bém nas unidades de São Paulo, é firmado um contrato entre a empresa e o produtor,
no qual a empresa se compromete a investir na formação da floresta do fomentado e
este assume que 95% da madeira produzida deverá ser vendida à Suzano.
Parte dos insumos é fornecida a título de incentivo (doação): mudas de eucalipto e
formicidas. Também estão inclusos na parte de incentivo os serviços de assistência
técnica por parte da equipe da Suzano e o levantamento topográfico da área a ser
plantada.
Além da parcela de incentivos, são oferecidos pela Suzano, a título de financiamento,
recursos financeiros e insumos (adubo e herbicida) na quantidade suficiente para for-
mação da floresta. Estes são convertidos em madeira no momento do recebimento do
recurso (compra antecipada) e serão pagos em produto, sem acréscimo financeiro, no
momento da colheita.

11.1.3 Fomento Extensão


(Praticado Somente na Unidade de São Paulo)
É praticado preferencialmente em propriedades localizadas a até 100 km da unidade
de Suzano. No Fomento Extensão, a Suzano incentiva o plantio de eucalipto através
da doação de mudas de eucalipto, assistência técnica ao plantio e manutenção. O
produtor se compromete a dar preferência à companhia na venda da madeira, quando
da época do corte.
− Votorantim Celulose e Papel – VCP
O programa Poupança Florestal da VCP tem como objetivo estimular a plantação de
florestas de eucalipto no extremo sul do Rio Grande do Sul por meio de parcerias com
agricultores locais.
O programa conta com investimentos de US$ 5 milhões e está aberto a todos os pro-
prietários agrícolas interessados em aderir ao projeto, inclusive aos pequenos proprie-
tários rurais assentados. A projeção de cultivo inicial é de 5 mil hectares (VCP, 2005).
São destaques do programa Poupança Florestal da VCP:
• o programa segue moldes do sistema integrado na cultura do fumo;
• quem adere ao Programa Poupança Florestal tem acesso ao financiamento do
Banco Santander, com taxas de juros fixas e facilitadas de 9% ao ano;
• o produtor recebe adiantamentos para financiar o plantio anualmente, desde o
primeiro ano de adesão ao programa e não apenas na colheita do eucalipto;
• a VCP fornece gratuitamente as mudas (de eucalipto e mata nativa para reflo-
restamento) e disponibiliza técnicos para acompanhar o cultivo e a manutenção
das florestas de eucalipto nos primeiros dois anos; e
• os contratos fechados pela VCP estabelecem o preço final do produto (contrato
de futuros com swap). Se, na época da colheita, o valor de mercado estiver a-
baixo do que for acertado, o preço será mantido, assim como a correção anual
de 9% fixos.
− Klabin
A Klabin é a maior produtora e exportadora de papéis do Brasil. É líder no país na pro-
dução de papéis e cartões para embalagens, embalagens de papelão ondulado e sa-

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 67


cos industriais, a empresa foi fundada em 1899 e possui atualmente 17 unidades in-
dustriais no Brasil. A empresa possui 185 mil hectares de florestas plantadas de pinus
e eucalipto, de alta produtividade, localizados principalmente no Sul do país.
A partir de 2005, a Klabin passou a atuar junto ao Banco Itaú BBA como avalista de
pequenos e médios produtores de Santa Catarina e do Paraná interessados em obter
recursos para plantação de florestas. O objetivo da iniciativa foi incrementar o plantio e
o cultivo florestal e aumentar a participação de terceiros no fornecimento de madeira à
empresa, dentro de seu programa de Fomento Florestal (Klabin, 2005).
A Klabin usou duas das linhas de financiamento já disponíveis no mercado, o PROP-
FLORA (Programa de Plantio Comercial e Recuperação de Florestas) e o PRONAF
(Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), para as quais, em ge-
ral, os pequenos e médios produtores tem dificuldade de acesso, principalmente no
que se refere às garantias exigidas pelos órgãos financiadores.
Com a iniciativa da Klabin, o fomentado tem acesso direto aos recursos disponibiliza-
dos pelas duas linhas de crédito e a empresa se responsabiliza, como avalista, pela
dívida do produtor junto ao Itaú BBA. A dívida do fomentado para com a Klabin é pro-
jetada para pagamento com parte da madeira resultante do projeto financiado.
A Klabin, em comum acordo com os produtores, estabelece por contrato entre as par-
tes, a quantidade de madeira que será destinada para o pagamento da dívida, bem
como a sua preferência de compra, nas condições do mercado, da madeira excedente
à necessária ao pagamento daquela dívida.
No primeiro momento, as operações do convênio firmado entre Klabin e Itaú BBA gira-
ram em torno de R$ 14 milhões e visaram implantar cerca de 5.500 hectares de flores-
tas de Pinus e Eucalyptus nos Estados de Santa Catarina e Paraná.
Com o fomento florestal, a Klabin pretende elevar de 8% para 20% do total, a partici-
pação de fomentados no seu abastecimento de madeira até 2012. Atualmente, a Kla-
bin trabalha com 10.364 produtores fomentados no Paraná e Santa Catarina, Estados
onde a empresa desenvolve o seu programa de fomento florestal.
Ao todo, são 49.583 hectares de florestas cultivadas voltadas para o fomento, fruto da
distribuição de 90 milhões de mudas desde o início do programa em 1984, em Santa
Catarina, e 1987, no Paraná, dados esses arrecadados até 2005.
− Programas de Parceria Específicos para a Indústria Madeireira - Modelo
MMX
O alcance e manutenção dos níveis de produção necessários ao suprimento da de-
manda da MMX de forma consoante a preceitos econômicos, sociais e ambientais,
depende da adoção de estratégias eficientes para a gestão de terras, incluindo defini-
ção de diretrizes para orientar a expansão sustentável do empreendimento florestal.
O programa ora retratado de parceria é composto de duas modalidades: arrendamento
de terra e direito de superfície, conforme detalhado a seguir.
• Arrendamento de Terra
O programa de arrendamento de terra tem por objetivo formar florestas em áreas ocio-
sas e marginais das propriedades rurais com áreas superiores a 100 hectares, incor-
porando-as ao processo produtivo e garantindo uma poupança futura aos proprietá-
rios.

68 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


O primeiro passo é a realização de uma análise detalhada da propriedade, onde são
avaliados os seguintes itens: área útil para plantio, declividade, acessos, vegetação
existente, distância da fábrica, níveis de preparo do solo e atendimentos à legislação
ambiental. Em seguida, caso a propriedade esteja conforme aos padrões exigidos, a
empresa realiza o plantio, a manutenção e a extração da madeira tendo total respon-
sabilidade sob o empreendimento.
• Parcerias (Direito de Superfície)
O Programa de Parceria está baseado na concessão do direito de superfície à empre-
sa, nos termos do artigo 1.369 e seguintes do Código Civil Brasileiro, por 14 anos,
condicionado ao término da última colheita (2 rotações). As linhas base para estabele-
cer uma parceria são as seguintes:
◊ A empresa e o parceiro firmam uma Escritura Pública de Concessão do Direito
de Superfície;
◊ A empresa paga a participação do parceiro na produção. A empresa se com-
promete contratualmente a pagar o parceiro em 4 parcelas trimestrais anuais
atualizadas pelo preço e mercado da madeira, sendo o pagamento da primeira
parcela realizado 90 dias após a assinatura do contrato;
◊ O parceiro receberá da empresa o valor equivalente a 25% da produção anual
estimada, que se estipula em 35 m³/ha/ano;
◊ A apuração da produção da cultura de eucalipto se dará anualmente a partir do
segundo ano do plantio. A mensuração da floresta plantada em pé será feita
por uma empresa especializada contratada pela empresa parceira e em co-
mum acordo com o produtor, a qual deverá utilizar o volume em m³/ha (metros
cúbicos por hectare), com diâmetro médio até cinco centímetros com casca,
como unidade de medida;
◊ Caso a produção efetivamente obtida pela empresa na época da colheita seja
maior que a produção estimada, esta se obriga a pagar esta diferença ao par-
ceiro na época da colheita, de forma a preservar sempre o percentual mínimo
de 25%; e
◊ A colheita da cultura deverá se dar 7 anos após o plantio, e se for conduzida a
brotação do plantio original, esta se dará igualmente 7 anos após a primeira co-
lheita, podendo as partes acordar e realizar a colheita em período que for mais
adequado.
Dentre as responsabilidades da empresa estão:
◊ Custeio do preparo e conservação do solo, mudas, plantio, adubação, tratos
culturais, controle de pragas;
◊ Aquisição de insumos;
◊ Colheita;
◊ Uso de equipamentos e veículos; e
◊ Obtenção das licenças devidas para o empreendimento.
As responsabilidades do parceiro são:
◊ Delimitar e disponibilizar o imóvel ou parcela dele cultivável para a empresa;

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 69


◊ Disponibilizar a procuração para a empresa realizar os processos de licencia-
mento relativos ao imóvel e/ou à produção perante quaisquer órgãos públicos,
inclusive ambientais;
◊ Disponibilizar todos os documentos necessários exigidos pelos órgãos públicos,
para o processo de licenciamento do imóvel e/ou do empreendimento;
◊ Construir e manter as cercas do perímetro do imóvel;
◊ Disponibilizar e georeferenciar a Reserva Legal para o imóvel, conforme a legis-
lação;
◊ Permitir livre acesso da empresa e de suas contratadas dentro do imóvel, atra-
vés de acesso acordado entre as partes;
◊ Permitir que a empresa e suas contratadas captem água bruta em açudes ou
cursos d’água próximos ao local do empreendimento para fazer irrigação, apli-
cação de herbicida e outros;
◊ Combater eventuais incêndios em sua propriedade para que não adentrem na
área de cultura, Reserva Legal e Preservação Permanente.
− Condomínio Florestal
Tratativa interessante para viabilizar a inclusão de pequenos proprietários de terras, e,
via de consequência, se formar um grande maciço florestal/mosaico é o Projeto de
Condomínios Florestais.
O fomento florestal, a partir do Condomínio Florestal, possui todas as qualidades para
promover ganhos superiores no setor pela iniciativa privada, além de promover impor-
tantes mudanças sociais, econômicas e ambientais junto às comunidades onde estão
inseridos os Condomínios. O plantio de florestas por pequenos, médios e grandes in-
vestidores deverá trazer benefícios significativos a estes em curto prazo de modo a
fortalecer a organização que fomenta tal iniciativa para promover novos negócios rela-
cionados ao setor florestal. O Condomínio Florestal possibilita a criação de uma nova
cultura de investimentos que poderá resultar em novos pólos de desenvolvimento sus-
tentável. Plantar em Condomínio Florestal pode-se potencializar o investimento, inde-
pendente, a princípio, do valor investido.
• Objetivos Gerais de Condomínios Florestais
◊ Identificar investidores parceiros;
◊ Formar grupos diversos para investimento em plantio de florestas;
◊ Identificar áreas, espécies e mercado consumidor;
◊ Investir na aquisição de áreas próprias para reflorestamento;
◊ Formar grupos de investidores;
◊ Diminuir custos de implantação e manutenção de florestas;
◊ Maximizar o lucro de pequenos, médios e grandes investidores.

• Formatos Comerciais Sugeridos do Condomínio Florestal

70 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


GRUPO A:
Agrega investidores privados com capacidade de concessão de 1 até 5 hectares;
GRUPO B:
Agrega investidores privados com capacidade de concessão de 6 a 25 hectares;
GRUPO C:
Agrega investidores privados com capacidade de concessão de 26 hectares acima.
• Formas de Participação
Em ambas as modalidades de investimento, o Condomínio/Cooperativa deverá identi-
ficar e reunir pessoas parceiras interessadas em fazer parte de grupos de investidores,
os quais poderão optar por dois tipos de modalidade:
a) Por Cotas de Investimento
Forma-se um grupo de investidores parceiros por cotas de responsabilidade financei-
ra, onde cada um contribuirá com sua disponibilidade para obtenção dos recursos
econômicos ao investimento. O imóvel soma ou agrupado constitui a garantia.
b) Por Gleba de Terras
Forma-se um grupo de investidores parceiros para adquirir uma gleba de terras. Onde
cada um contribuirá para a aquisição de área específica, que terá registro de imóvel
individual.
c) Por Áreas de Concessão
Idêntico ao da alínea a, usando-se a modalidade de concessão do direito de superfície
em grupos consorciados, tantos quanto necessários, com opções de compra ao fim da
duração de cada grupo – podem diferir no tempo em função de anos seqüenciados de
plantio. O imóvel resultante terá no contrato, a aquiescência dos proprietários para se
oferecer o grupamento dos imóveis como garantias na tomada de capital.
• Benefícios do Condomínio Florestal
I. Vantagens na negociação pelo volume, na possibilidade de não aquisição de
grandes quantidades de terras, desenvolvimento de projetos, contratação de
profissionais, mudas florestais, insumos e mão-de-obra bruta;
II. Facilidade na implantação e manejo da floresta - tecnologia de implantação da
floresta, manejo do terreno, combate às pragas e invasoras, plantio, replantio,
manutenção, poda, desbaste, desrama e outros tratos culturais necessários;
III. Possibilidade de contratação de mão-de-obra qualificada local e persistente,
para operar nas áreas adquiridas, reduzindo custos finais de implantação e ma-
nejo;
IV. Facilitação na ação operacional a partir da floresta com outras atividades, como
por exemplo: agrossilvopastoris (após os três primeiros anos de desenvolvimen-
to é possível introduzir bovinos, eqüinos e ovinos nestas áreas, maximizando o
ganho econômico);
V. Produção madeireira otimizada em grande escala, concentrando as atividades
na exploração florestal;

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 71


VI. Possibilita a industrialização da madeira produzida e a instalação de indústrias
de beneficiamento na própria Região;
VII. Agrega recursos financeiros de investidores não especialistas na silvicultura;
VIII. Gera renda a partir da produção e industrialização de florestas e seus derivados
aos investidores e seus associados.
• Responsabilidade dos Parceiros Comerciais e Operacionais do Condomí-
nio – Personalidade Jurídica
O Projeto será responsável pela implantação e manejo florestal, através de uma pes-
soa jurídica constituída para fins específicos. Poderá, ainda, ser responsável pela futu-
ra exploração, industrialização e comercialização dos produtos e subprodutos flores-
tais e madeireiros, sempre em comum acordo com seus parceiros de investimentos, e
dependendo, por óbvio, do quão substantivo seja seu crescimento e potencial de in-
vestimento.
• Dos Investidores Parceiros
Os investidores parceiros têm a responsabilidade de aportar os recursos financeiros
compatíveis com a sua participação no empreendimento escolhido, conforme Plano de
Investimento em Condomínio Florestal, a ser elaborado e aprovado em assembléia
própria.

12. ESTRATÉGIAS E MECANISMOS POTENCIAIS (MDL)

12.1 Créditos de Carbono


Efeito estufa: A concentração de gases como o dióxido de carbono (CO2), entre outros,
e o metano (CH4) na atmosfera da Terra, assim como o calor, geram o chamado “efei-
to estufa”. Em níveis normais, o efeito estufa é essencial para se reter o calor do sol e
manter a temperatura do planeta, mas a concentração em excesso dos gases gera o
aquecimento exacerbado e, com isso, diversos problemas para a manutenção da vida.
As atividades humanas, sobretudo a partir da Revolução Industrial (século XIX), vem
alterando o equilíbrio natural e causando o aquecimento global.
Protocolo de Kyoto (1997): a comunidade internacional intensifica os esforços para
combater o problema. Por serem os maiores responsáveis pelas mudanças climáticas,
os países desenvolvidos, listados no Anexo 1 do referido Protocolo, se comprometem
com metas de redução de emissões dos gases do efeito estufa (últimos acertos: 20%
em relação aos níveis de 1997, até 2020, e 50%, até 2050).
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL): permite que organizações de países
desenvolvidos complementem seus esforços domésticos por meio de investimentos
em projetos que diminuam as emissões nos países em desenvolvimento e que tais
reduções sejam abatidas de suas metas no Protocolo. Constituem-se assim os cha-
mados “créditos de carbono”. Como o efeito estufa é global, o benefício gerado pelas
reduções não depende da localização de onde ocorrem. Atualmente, além do Protoco-
lo de Kyoto já existem outros acordos e programas de créditos de carbono, que tam-
bém contam com regras específicas.
Os créditos de carbono são certificados que países em desenvolvimento emitem para
um agente que reduziu a sua emissão de gases do efeito estufa poder negociar no
mercado.

72 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


As Reduções Certificadas de Emissões (CERs), como são chamadas, podem ser co-
mercializados com países industrializados que não conseguem ou não podem reduzir
as suas emissões internamente.
Estes compram o direito de emitir gases, investindo em países em desenvolvimento.
Esses projetos podem ser de redução de emissões, como os de reflorestamento e
florestamento (seqüestro ou captura de carbono) ou projetos que evitam as emissões,
como os projetos de energia limpa.
Principalmente quando se trata da produção de carvão vegetal, as florestas plantadas
merecem destaque especial, pois o estímulo a sua utilização, além de diminuir a pres-
são sobre as florestas nativas, pode gerar outro tipo de negócio, como o comércio de
créditos de carbono.
Ao contrário de combustíveis fósseis ou não-renováveis, como o carvão mineral e o
carvão vegetal de florestas nativas, as florestas plantadas prestam um grande serviço
ambiental na medida em que possibilitam a reciclagem do CO2. Ou seja, a partir da
fotossíntese, as florestas plantadas absorvem o CO2 já existente na atmosfera, esto-
cam o carbono na biomassa e se tornam uma fonte de energia renovável na forma de
carvão vegetal. Por exemplo, para cada tonelada de ferro feita com carvão vegetal
proveniente de florestas plantadas há um ganho ambiental mínimo de 3 toneladas de
CO2 em comparação ao uso de combustíveis fósseis ou não-renováveis. É justamente
esse benefício para o clima que pode ser vendido a investidores internacionais como
“reduções de emissões”, a serem abatidas de suas metas junto ao Protocolo de Kyoto
ou a outros acordos.
Há, no comércio mundial, diversos mercados crédito de carbono regionais. Atualmen-
te, um dos principais mercados é o europeu, onde a tonelada do carbono reduzido é
negociada em 11,34 - 15 Euros. Até mesmo os EUA possuem uma bolsa de negocia-
ções especializadas em créditos de carbono, fundada em 2003 por grandes empresas
americanas que não querem ficar fora deste mercado, a Bolsa do Clima de Chicago
(Carbono Brasil, 2005).
No Brasil, destaca-se o MBRE – Mercado Brasileiro de Reduções de Emissões - inicia-
tiva conjunta da BM&F e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exte-
rior (MDIC), que objetiva desenvolver um sistema eficiente de negociação de certifica-
dos ambientais, em linha com os princípios internacionais.
Mais precisamente, a iniciativa BM&F/MDIC consiste em criar no Brasil as bases de
ativo mercado de créditos de carbono que venha a constituir referência para os partici-
pantes em todo o mundo.
A primeira etapa desse mercado de créditos de carbono, lançada em meados de se-
tembro de 2005, corresponde à implantação do Banco de Projetos BM&F. Este acolhe
para registro projetos validados por Entidades Operacionais Designadas (certificado-
ras credenciadas pela ONU) segundo o rito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
(MDL) – ou seja, projetos que deverão gerar Reduções Certificadas de Emissão (crédi-
tos de carbono) no futuro. Também acolhe para registro o que se convencionou cha-
mar de intenções de projeto, ou seja, idéias parcialmente estruturadas que objetivem a
condição futura de projetos validados no âmbito do MDL.
Projetos e intenções de projetos registrados na BM&F encontram nesse sistema um
instrumento de divulgação. A esse respeito, cabe mencionar que o Banco de Projetos

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 73


BM&F está aberto também ao registro de intenções de compra, ou seja, um investidor
estrangeiro eventualmente interessado em adquirir créditos de carbono pode registrar
seu interesse, descrevendo as características do projeto procurado.
A segunda etapa desse trabalho de organização do mercado de carbono consistiu na
implantação do ambiente de negociação de créditos de carbono nos mercados de op-
ções, a termo e a vista. Essa fase, implementada gradualmente a partir do final de
2005 (BM&F, 2005), está em plena operação.

12.2 Rendas e Impostos


No caso dos impostos, apresenta-se na Tabela a seguir, a estimativa colacionada dos
impostos incidentes sobre a atividade silvicultura. Importante destacar que no caso
específico do setor de celulose, estima-se que cerca de 80% da produção é destinada
à exportação, portanto, não incidem impostos como o ICMS, PIS e COFINS.
Quadro 22 - Impostos Incidentes Sobre a Atividade Produtiva e Beneficiadora da Madeira

Natureza PIS + COFINS FUNRURAL ISS ICMS IR + CSLL


% 9,25 2,85 Média 5 12 4

Aspecto que chama a atenção é que, além da baixa participação das empresas locais
quanto à utilização dos instrumentos de incentivo e crédito, a maioria absoluta utiliza
apenas os mecanismos instituídos no ambiente federal, o que revela a necessidade de
que sejam fortalecidos e ampliados os instrumentos de incentivo adotados no ambien-
te estadual.
Constata-se que a inacessibilidade aos instrumentos de incentivos fiscais e creditícios
permeia todos os setores da indústria local. Contudo, cumpre enfatizar, a grande ca-
rência neste particular apresentada pelos segmentos moveleiro e madeireiro. Saben-
do-se da disponibilidade de recursos para a concessão deste tipo de benefício na Re-
gião Norte e Noroeste Fluminense, o problema maior não parece estar na falta de re-
cursos, mas, sobretudo, no grande distanciamento entre o empresariado e as institui-
ções concedentes.
Nessa esteira é que se propõe desenvolver uma regulamentação específica estadual
que discipline os benefícios fiscais para a silvicultura na produção da madeira e sua
transformação – individualizadas ou com eventual integração.

13. MARCO LEGAL E INSTITUCIONAL - REGULAÇÃO E OPERACIONALIZA-


ÇÃO – GOVERNO COMO AGENTE PROPULSOR

Corresponde à efetiva criação e implantação de Programas de Florestas Plantadas,


estruturação e ajustes de ordem institucional e legal de maneira a garantir continuida-
de, de conferir legitimidade e credibilidade às suas ações, além de possibilitar o esta-
belecimento de orçamento próprio ou facilitar o estabelecimento de acordos de coope-
ração técnica e de recursos entre os diversos atores governamentais (em todas as
suas esferas) e destes com o capital de investimento. A seguir apresentam-se as a-
ções consideradas prioritárias a serem executadas no menor prazo possível (6 me-
ses).
Institucionalização do Plano Básico da Silvicultura Sustentável do Rio de Janei-
ro

74 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


Objetiva perpetuar o Programa, preferencialmente através de Lei, como uma estraté-
gia estadual de desenvolvimento sustentável. Como atividades necessárias evidenci-
am-se:
I. Adaptação do Documento do Plano Básico da Silvicultura Sustentável para formato
legal; preparação e envio da anteprojeto de lei à Assembléia Legislativa Estadual;
III. Aprovação da Lei e sua regulamentação pela Assembléia.
Designação do Organismo Gestor
As atividades a serem consideradas na implantação do Organismo Gestor devem con-
templar:
I. Estruturação e operacionalização qualificada do Organismo em coordenação com as
unidades estaduais e com a Unidade de Gestão Regional, UGR.
II. Adoção de processo contínuo de comparação dos produtos, serviços e práticas de
políticas públicas entre os demais estados federados, com adoção de estruturas ope-
racionais similares – “benchmarking”;
III. Detalhamento da lista de encargos e tarefas, além dos investimentos necessários e
do orçamento anual para viabilização da implementação.
IV. Preparação, envio e aprovação da Lei/Decreto de criação.
V. Negociação permanente com investidores e empreendedores em toda a cadeia.
VI. Antecipação do funcionamento das cadeias com madeiras importadas e do corre-
dor de exportação do Porto de Açu.
Atração de Investimentos
Este subprograma considera o estabelecimento de estratégia para a identificação e
atração de investidores interessados em implantar empreendimentos de base florestal
(floresta e indústria), e deverá contemplar as seguintes ações/atividades.
Divulgação do Programa de Florestas Comerciais Plantadas do Rio de Janeiro

Trata basicamente da Divulgação do Programa a nível local, nacional e internacional,


buscando atrair investidores para a implantação de florestas, mas principalmente, para
o estabelecimento de indústrias da madeira. Para tal, deverão ser desenvolver as se-
guintes atividades:
I. Elaboração do material promocional: folders, banners, dvds com as oportunidades
para o público alvo.
II. Implantação do sistema promocional: road shows, página na Internet, reuniões de
negócios;
III. Disseminação do material promocional: distribuição direta, contatos diretos, even-
tos.

De maneira geral, poderão ser considerados diversos meios de comunicação e marke-


ting adequados à questão, como contatos diretos com empresas potenciais, promoção
e participação em eventos nacionais e internacionais. As atividades para a elaboração
e preparação do material deverão ser concluídas em dois meses e a divulgação deve-
rá ser contínua.

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 75


Incentivos e Financiamentos
Compõe ações para atrair investidores através de concessão de incentivos e para a-
poiar nos procedimentos para acesso às linhas de financiamento:
I. Lei do ICMS: tornar a lei mais atrativa e em linha com a necessidade de desenvolvi-
mento do foco das atenções da grande indústria madeireira – amplo sentido, peque-
nas e médias empresas florestais e agroflorestais e industriais de madeira ou deriva-
dos. Para tal, as atividades necessárias e relacionadas a seguir, deverão ser imple-
mentadas:
– Elaboração da Lei do ICMS, isenções tributárias com contrapartidas, atualizadas
conforme as necessidades monitoradas;
– Preparação e envio do texto com as propostas para a Assembléia;
- Terceirização da produção de mudas de espécies nativas.
II. Constituição de linhas de financiamento (federais e estaduais): as ações a serem
implementadas deverão focar as micro, pequenas e médias empresas (florestais e
industriais) que não possuem condições e conhecimento dos procedimentos para a-
cesso e incluem:
– Elaboração de material de divulgação incluindo projeto padrão (formulários) e os
procedimentos necessários para micro, pequenos e médios empreendedores acessa-
rem financiamentos (federais e estaduais);
– Realização de workshops/cursos para divulgação e orientar a obtenção da documen-
tação necessária e na elaboração de projetos padrão (ou formulário);
O prazo para a aprovação da revisão da Lei do ICMS é de três meses, enquanto que o
prazo para a elaboração do material de divulgação (projeto padrão e formulários) para
acesso ao financiamento deverá ser também de três meses e a realização dos work-
shops/cursos de divulgação e orientação deverá ocorrer de forma continuada a cada
dois meses.
Extensão e Fomento Florestal
O Programa de Fomento Florestal deve ter como objetivo difundir a produção de ma-
deira pelos proprietários rurais da região delimitada para o Plano de Silvicultura Básico
com Programas de Florestas Plantadas do Rio de Janeiro. As atividades de fomento
florestal foram criadas com o objetivo de proporcionar aos pequenos e médios produ-
tores rurais uma fonte alternativa de recursos, ao mesmo tempo em que os consumi-
dores de madeira têm a oportunidade de colher madeira sem a necessidade de inves-
tir na aquisição de terras para plantio. Neste sistema, são oferecidos aos fomentados
mudas, fertilizantes, formicidas e assistência técnica. O fomento florestal é praticado
por um grande número de consumidores de madeira, beneficiando milhares de peque-
nos agricultores e proprietários rurais.
O fomento oferece condições para o desenvolvimento sócio-econômico através da
ocupação de mão-de-obra regional ociosa e favorecendo a obtenção de renda suple-
mentar pelo proprietário da terra. Desta forma, o produtor rural passa a ser caracteri-
zado também como produtor florestal. Outro benefício é o da ampliação da base flo-
restal através de plantações em áreas marginais da agricultura e pecuária, próximas
aos centros de consumo.

76 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


As principais vantagens de fomento para o pequeno produtor rural são: (i) fonte de
renda complementar à agricultura ou pecuária; (ii) aproveitamento de terras ociosas
e/ou degradadas; (iii) diminuição da pressão de consumo sobre florestas nativas; (iv)
fonte de madeira para uso de instalações rurais (cercas, postes, mourões), bem como,
fonte de energia para secagem de grãos, carvoejamento e para diversos usos indus-
triais como serrados, laminados, indústria de móveis e outros produtos beneficiados de
maior valor agregado.

O principal aspecto a ser considerado para alcançar resultados efetivos no processo


de fomento florestal é a correta identificação do produtor a ser fomentado. Como em
cada região ocorrem situações diferenciadas, bem como, os interesses que motivam
cada produtor rural a implantar florestas em suas propriedades também são bastante
diferenciados, não deve haver o estabelecimento de quotas, nem a obrigatoriedade de
vincular a produção a um empreendimento específico, mas garantir que sua produção
terá acesso ao mercado consumidor.

No entanto, para que seja garantida a correta destinação da produção florestal, con-
forme proposta do programa, deverá ocorrer severo monitoramento dos projetos im-
plantados, possibilitando sua aferição. Desta forma, para a obtenção de resultados
satisfatórios quanto ao efetivo plantio das mudas fornecidas, o procedimento a ser
adotado será a identificação das características de cada fomentado, disponibilizando-
se mudas compatíveis com os recursos e interesses de cada parceiro.

Na análise a ser feita visando a seleção dos fomentados, algumas características de-
verão ser observadas. A primeira é a que o fomentado deve residir na propriedade ou
em local próximo.
Estes podem ser:
I. Produtores florestais;
II. Pecuaristas;
III. Agricultores familiares;
IV. Cooperativas, associações ou outras pessoas jurídicas, constituídas de agricultores
familiares;
V. Assentados do Programa Nacional de Reforma Agrária e de assentamentos esta-
duais reconhecidos pelo Governo Federal;
Estes devem, obrigatoriamente:
- Ser cadastrados e selecionados pela EMATER-RJ;
- Explorar parcela da terra na condição de proprietário, posseiro, arrendatário ou par-
ceiro;
- Ter participado de programas de capacitação para plantio e manutenção de florestas
(também a serem implementados pelo programa de fomento/capacitação).

Os prazos previstos para a implementação do Programa de Fomento a ser conduzido


pelo Estado do Rio de Janeiro considera duas fases. A primeira consiste no desenvol-
vimento do modelo de fomento, desenvolvimento de material para extenso-
res/multiplicadores (manuais e outros) e outras atividades precursoras à implementa-
ção e a segunda fase, consiste da implementação propriamente dita. A primeira fase

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 77


deverá ser implementada em um período de 6 meses, enquanto que a segunda deve-
rá ser contínua, visando a implementação persistente.

Desenvolvimento Tecnológico
O foco deste Subprograma é apoiar o processo de desenvolvimento do setor florestal
através da adoção de tecnologias avançadas na implantação e manejo de plantios
florestais, bem como na indústria de produtos de madeira sólida e de maior valor a-
gregado, visando aumentar sua produtividade e reduzir riscos para os empreendedo-
res, aumentando a competitividade do setor florestal do Rio de Janeiro. O Programa
de Desenvolvimento Tecnológico prevê 3 projetos integrados cobrindo as seguintes
áreas:
I. P&D&I (Pesquisa e Desenvolvimento);
II. Assistência Técnica;
III. educação e Proteção Florestal.
A proposta apresentada para este Subprograma considera que este deverá ser apoia-
do através de convênios com entidades especializadas como a PESAGRO, EMBRA-
PA, SEBRAE, SENAI, SENAR e outras, ou ainda através da contratação de serviços
com técnicos e empresas especializadas.
O prazo para o desenvolvimento e detalhamento dos projetos é de um ano, enquanto
que a execução deverá ser contínua com a consequente aferição das metas florestais
madeireiras e não madeireiras.
Projeto de P&D
− Plantios Florestais
O êxito do programa de desenvolvimento florestal está em grande parte associado a
produtividade dos plantios florestais. A produtividade florestal é resultado de fatores
naturais (basicamente solos e clima) e de fatores humanos (principalmente genética e
manejo).
Assim, o objetivo do Projeto de P&D é de maximizar a produtividade dos plantios flo-
restais do Rio de Janeiro, reduzindo os riscos associados a este tipo de investimento.
Isto deverá ser feito através do desenvolvimento e incorporação de novas tecnologias
em diversas áreas correlatas, para melhorar a competitividade dos produtos florestais
do Estado, atraindo mais investimentos. Para tanto, as ações prioritárias listadas a
seguir deverão ser implementadas:
I. Diagnóstico da estrutura Estadual de material genético e de produção de mudas
para plantios florestais: disponibilidade de material genético, capacidade de produção,
tecnologia adotada, pesquisa, laboratórios, estrutura de produção, capacidade de in-
vestimento;
II. Benchmarking relativo a alternativas existentes em outros Estados ou países, com o
objetivo de identificar e conhecer o “estado de arte” e potenciais investidores, tais co-
mo entidades com quem se possam estabelecer convênios de cooperação técnica e
de produção;
III. Seleção de espécies e clones, considerando materiais genéticos de espécies nati-
vas e exóticas promissoras, e estabelecimento de uma rede estadual de plantios piloto
em cooperação com entidades selecionadas e investidores;

78 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


IV. Criação de uma estrutura estadual de produção de mudas de alta qualidade gené-
tica – independente do Governo Federal -, incluindo o estabelecimento de uma rede
Estadual de jardins clonais (base genética) e de viveiros comerciais modernos (estru-
tura de produção) em cooperação com entidades selecionadas e investidores.
− Indústrias Florestais
O desenvolvimento do setor florestal do Rio de Janeiro está intimamente ligado à a-
gregação de valor a sua produção. Uma das melhores opções para isso é o estabele-
cimento de uma ação de P&D Industrial, visando aumentar a competitividade dos pro-
dutos florestais gerados no Estado. Para tanto, deverão ser realizadas as seguintes
ações estratégicas:
I. Diagnóstico das indústrias florestais;
II. Benchmarking relativo a alternativas de produção industrial;
III. Seleção de produtos mais promissores;
IV. Estabelecimento de uma rede Estadual de pesquisa industrial, focada em proces-
sos de industrialização das espécies mais atrativas.
Projeto de Assistência Técnica
− Plantios Florestais
Objetiva assegurar que as novas tecnologias desenvolvidas sejam adotadas no plantio
e manejo florestal no Rio de Janeiro. Para tanto é necessário que se tenha uma linha
de ação com foco na transferência de tecnologia para pequenos e médios produtores
florestais, demandando atividades de assistência técnica e capacitação silvicultural.
Assim, a transferência da tecnologia florestal aos produtores envolvidos e assegurar
uma produção florestal competitiva que maximize os benefícios, as seguintes ações
prioritárias deverão ser implementadas:
I. Avaliação e benchmarking com outros programas de capacitação e assistência téc-
nica silvicultural existentes no Brasil e em outros países, cobrindo os níveis de ensino
superior, técnico e vocacional, considerando a criação, ajustes e o fortalecimento das
instituições existentes no Estado;
II. Treinamento de instrutores para prestarem assistência técnica, na produção de mu-
das de alta qualidade, plantio e manejo, através de cursos de curta duração;
III. Estruturação e implementação de atividades de extensão florestal com foco princi-
pal (mas não exclusivo), nos pequenos e médios produtores florestais proprietários de
terras devidamente cadastrados e aderentes ao Programa, cobrindo:
• Assistência técnica direta na implantação, manutenção e manejo dos plantios flores-
tais;
• Capacitação, baseada em programas de treinamento de curta duração, de operado-
res florestais e outros interessados em silvicultura: identificação de espécies, coleta
e armazenamento de sementes, produção de mudas, plantio, manutenção, manejo
e colheita de florestas.
− Indústrias Florestais
Como o Programa é focado no desenvolvimento das pequenas e médias indústrias
florestais, as atividades de assistência técnica e capacitação deverão ser voltadas
para garantir a utilização de boas práticas e de tecnologia avançada nas indústrias

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 79


florestais do Estado, aumentando sua produtividade e competitividade. Assim, as se-
guintes ações prioritárias deverão ser implementadas:
I. Avaliação e benchmarking com outros programas de capacitação e assistência téc-
nica na área industrial existentes no Brasil e em outros países, cobrindo os níveis de
ensino superior, técnico e vocacional, considerando a criação, ajustes e o fortaleci-
mento das instituições existentes no Estado;
II. Treinamento de instrutores para prestarem assistência técnica, através de cursos de
curta duração;
III. Estruturação e implementação de atividades de assistência técnica industrial para
empresas interessadas e selecionadas com base em investimentos mais viáveis.
De maneira geral as ações de assistência técnica visam a formação de mão-de-obra
qualificada para o Programa. Os cursos técnicos são em geral de média duração vi-
sando formar profissionais de nível médio (técnico florestal, em mecânica, elétrica e
outros), enquanto que os de curta duração têm por objetivo formar operadores para as
atividades florestais e industriais.
Os cursos para técnicos poderão ser desenvolvidos inicialmente pelo SEBRAE, SENAI
e SENAR ou outra entidade independente e qualificada para a realização dos cursos.
Projeto de Proteção Florestal
Plantações florestais são investimentos de longo prazo, ocupam grandes áreas e de
maneira geral se localizam em regiões de difícil acesso. Atividades agropecuárias que
sejam manejadas com a utilização de fogo (queimadas) nas áreas adjacentes a planti-
os florestais são um grande risco para estas. Também as estradas públicas, pavimen-
tadas ou não, são um risco para as florestas plantadas, principalmente durante o perí-
odo seco do Rio de Janeiro, entre junho e agosto, quando um cigarro mal-apagado
pode provocar incêndios.
Portanto é necessário que se tenha um Projeto de Proteção Florestal, contando com a
estruturação de um plano de prevenção e combate a incêndios florestais, de forma a
reduzir os riscos para os investidores florestais.
O Subprojeto de Proteção Florestal deve considerar também um plano de prevenção e
combate a pragas e doenças que atacam árvores. Estes problemas podem reduzir a
produtividade florestal, e em casos extremos, tornar inviável o plantio de determinadas
espécies e/ou clones em plantios florestais.
Seu principal objetivo é a redução dos riscos associados aos investimentos em planti-
os florestais, através da estruturação de:
I. Subprojeto de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais:
a. Avaliação dos riscos de incêndios em plantios florestais em Rio de Janeiro;
b. Identificação de alternativas de prevenção e combate a incêndios em plantios flores-
tais adotadas no Brasil e no exterior (benchmarking com países selecionados).
II. Subprojeto de Prevenção e Combate a Pragas e Doenças em Plantios Florestais:
a. Diagnóstico dos problemas fitossanitários associados a plantios florestais no Rio de
Janeiro;

80 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


b. Identificação de desenvolvimentos tecnológicos nacionais e internacionais (bench-
marking com países selecionados) relacionados a prevenção e combate a pragas e
doenças em plantios florestais.

14. FECHO

Nos últimos anos foram feitos progressos em relação ao setor madeireiro no Estado
do Rio de Janeiro, conforme informa estudo feito pela FIRJAN. Um passo importante
foi a promulgação da Lei 5.067 de 9 de julho de 2007 que dispõe sobre o Zoneamento
Ecológico Econômico e define critérios para a implantação da atividade de silvicultura
econômica. Esta Lei 5.067 foi regulamentada, no que se refere à silvicultura econômi-
ca, pelo Decreto 41.968, de 29 de julho de 2009.
Este novo marco legal para a implantação da silvicultura aproxima a legislação esta-
dual das legislações de outros estados brasileiros e coloca o Rio de Janeiro em melhor
posição para atrair investimentos do setor.
Apesar dos avanços observados acima e da elevada rentabilidade da silvicultura, exis-
tem importantes desafios a serem vencidos. Exemplifica-se:
◊ diferenças na tributação do ICMS para madeira e outros produtos de natureza
agropecuária necessitam uma homogeneização das alíquotas bem como o es-
tabelecimento de procedimentos que permitam a utilização dos créditos tributá-
rios;
◊ atração de empresas âncora que fomentem a atividade no Estado do Rio de
Janeiro.
Entretanto, novas regras para a atividade devem ser adotadas como forma de ampliar
as possibilidades para a criação efetiva de programas de fomento para os produtores
e grandes investidores.
Imperativo, pois, uma ação sistemática, por parte do Governo do Estado, das gover-
nanças municipais e da iniciativa privada, para promover o plantio de florestas e criar
condições para a expansão da indústria de base florestal no Norte e Noroeste Flumi-
nense.

15. REFERÊNCIAS

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MECANIZAMENTE). Estudo Setorial 2008. Ano Base 2007. STCP Engenharia de
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restal. Diário Oficial, Rio de Janeiro, RJ, 9 de Fevereiro de 1934.

BRASIL. 1964. Lei n. 4504, de 30 de novembro de 1964. Dispõe sobre o Estatuto da


Terra, e dá outras providências. Diário Oficial, Brasília, DF, 16 de set. 1965.

BRASIL, 1965. Lei no. 4.771 de 15 de setembro de 1965. Institui o Código Florestal.

BRASIL, 1971. Lei no 5.709, de 7 de outubro de 1971. Regula a Aquisição de Imóvel


Rural por Estrangeiro Residente no País ou Pessoa Jurídica Estrangeira Autorizada a
Funcionar no Brasil, e dá outras Providências.

BRASIL, 1974. Decreto no 74.965, de 26 de novembro de 1974. Regulamenta a Lei


nº 5.709, de 7 de outubro de 1971, que dispõe sobre a aquisição de imóvel rural por
estrangeiro residente no País ou pessoa jurídica estrangeira autorizada a funcionar no
Brasil.

BRASIL, 1981. Lei no 6.938 de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacio-
nal de Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras
providencias.

BRASIL. 1989. Lei n. 7.803, de 18 de julho de 1989. Altera a redação da Lei nº.
4.771, de 15 de setembro de 1965, e revoga as Leis nºs. 6.535, de 15 de junho de

82 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


1978, de 15 de junho de 1978 e 7.511, de 7 de julho de 1986. Diário Oficial, Brasília,
DF, 20 de julho de 1989.

BRASIL, 1993. Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Dispõe sobre a regulamen-


tação dos dispositivos constitucionais relativos à reforma agrária, previstos no Capítulo
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arts. 1º, 4º. 14º.,16º. e 44, e acresce dispositivos à Lei n. 4.771, de 15 de setembro de
1965, que institui o Código Florestal, bem como altera o art. 10. da Lei n. 9.393, de 19
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SAMPAIO, Nelson de Sousa. O processo Legislativo. São Paulo: Saraiva, 1968. 1 p.

SILVA, José Afonso da. Aplicabilidade das normas constitucionais. São Paulo:Revista
dos Tribunais, 1982. 55 p.

SILVA, José Afonso da. Direito Urbanístico Brasileiro. 4a ed. São Paulo:Malheiros
Editores, 2006. 145 p.

WILHEIM, Jorge. O Substantivo e o Adjetivo. São Paulo: Perspectiva, 1976. 60 p.

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 85


ANEXOS

86 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


ANEXO 1 – ANTEPROJETO DE LEI DO PLANO ESTADUAL DE ADEQUAÇÃO E
REGULARIZAÇÃO AMBIENTAL DOS IMÓVEIS RURAIS

LEI Nº DE _______________ DE 2011

Aprova o Plano Estadual de Adequação e Regularização


Ambiental dos Imóveis Rurais e dá outras providências.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, faço saber que


a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei.
Art. 1º - Fica aprovado o Plano de Adequação e Regularização Ambien-
tal dos Imóveis Rurais, com o objetivo de promover a adequação ambiental dos imó-
veis rurais do Estado do Rio de Janeiro, através da recuperação e regularização da
reserva legal e das áreas de preservação permanente.
Art. 2º - Para a adesão voluntária ao Plano Estadual de Adequação e
Regularização Ambiental dos Imóveis Rurais, os proprietários ou posseiros rurais,
pessoas físicas ou jurídicas, deverão requerer a regularização ambiental de seus imó-
veis junto ao Instituto de Terras do Rio de Janeiro - ITERJ, assistidos por responsável
técnico, observando os critérios, procedimentos e prazos fixados em ato normativo
regulamentador do referido plano.
Parágrafo único - O requerimento a que se refere o caput deste artigo
deverá conter:
I – formulário padrão com a qualificação pessoal do seu proprietário ou
posseiro e com dados do imóvel rural: área total da propriedade e/ou posse (APRT),
área de preservação permanente (APP), área de reserva legal (ARL), área para uso
alternativo do solo (AUAS), disponibilizando a imagem digital da propriedade ou posse
com a indicação de suas coordenadas geográficas e memorial descritivo;
II – declaração da existência de passivo da área de reserva legal e de
preservação permanente;
III – cópia autenticada dos documentos pessoais do proprietário ou pos-
seiro e do engenheiro responsável, do comprovante do recolhimento de Atestado de
Responsabilidade Técnica (ART) específica da certidão atualizada da matrícula do
imóvel rural ou comprovante de posse;
IV – projeto de regularização ambiental do imóvel rural, no qual deverão
constar as medidas que serão implementadas para sanar o passivo ambiental decla-
rado e respectivo cronograma de execução, de acordo com roteiro disponibilizado pelo
ITERJ.
Art. 3º - Cumpridos os requisitos previstos no art. 2º desta Lei e aprova-
da a viabilidade técnica do projeto de regularização ambiental do imóvel rural, o Institu-
to de Terras do Rio de Janeiro – ITERJ - celebrará Termo de Compromisso, com vis-

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 87


tas a promover as necessárias correções ambientais existentes nos imóveis e nas
atividades ali desenvolvidas.
Art. 4º - O Termo de Compromisso terá efeito de título executivo extra-
judicial e deverá conter, obrigatoriamente, a descrição de seu objeto, as medidas a
serem adotadas, o cronograma físico estabelecido para o cumprimento das obrigações
e as penalidades a serem impostas, no caso de inadimplência.
§ 1º - No prazo de vigência do Termo de Compromisso ficarão suspen-
sas, em relação aos fatos que deram causa à celebração do referido instrumento, a
aplicação de sanções administrativas contra o proprietário ou posseiro que o houver
firmado.
§ 2º - A celebração de Termo de Compromisso poderá implicar redução
de até 90% (noventa por cento) do valor da multa imposta em autuação anterior, fi-
cando o ITERJ obrigado a motivar e circunstanciar o ato no competente processo.
§ 3º - Considera-se rescindido de pleno direito o Termo de Compromis-
so, quando descumprida qualquer de suas cláusulas, o que ensejará a execução ime-
diata das obrigações dele decorrentes, inclusive quanto à multa contratual e aos cus-
tos para a recomposição do dano ambiental, sem prejuízo das sanções administrativas
aplicáveis à espécie.
§ 4º - Os termos de compromisso deverão ser publicados no Diário Ofi-
cial do Estado, mediante extrato, sob pena de ineficácia.
Art. 5º - A regularização ambiental constitui requisito prévio para o pro-
cessamento dos pedidos de licenciamento de empreendimentos e atividades potenci-
almente poluidoras localizadas no interior de imóvel rural, no período de vigência do
Plano de que trata esta Lei.
Art. 6º - As informações obtidas pelo Instituto de Terras do Rio de Ja-
neiro – ITERJ nos processos de regularização ambiental de imóveis rurais servirão
para atualizar o Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais, que se constitui no
instrumento de monitoramento das áreas de preservação permanente, de Reserva
Legal, de Servidão Florestal, de Servidão Ambiental e das florestas de produção, ne-
cessário à efetivação do controle e da fiscalização das atividades florestais, bem como
para a formação dos corredores ecológicos, nos termos dispostos no ZEE.
Art. 7º - Fica o Poder Executivo Estadual autorizado a expedir Decreto
a fim de regulamentar os critérios, os procedimentos e os prazos para a operacionali-
zação do Plano.
Art. 8º - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.
Art. 9º - Revogam-se as disposições em contrário.

Rio de Janeiro

Governador

Secretária da Casa Civil Secretário do Meio Ambiente

Secretário da Administração

88 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


ANEXO 2 – ANTEPROJETO DE LEI DO PLANO ESTADUAL DE ADEQUAÇÃO E
REGULARIZAÇÃO AMBIENTAL DOS IMÓVEIS RURAIS, APROVADO PELA LEI Nº
______, DE ___ DE ____ DE 2011

DECRETO Nº DE _________ DE 2011

Regulamenta o Plano Estadual de Adequação


e Regularização Ambiental dos Imóveis
Rurais, aprovado pela Lei nº ______, de ___ de
____ de 2011, e dá outras providências.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, NO USO DAS ATRIBUI-


ÇÕES QUE LHE CONFERE A CONSTITUIÇÃO ESTADUAL, TENDO EM VISTA O
DISPOSTO NA LEI ESTADUAL Nº _______, DE ____ DE _____ DE 2011, e conside-
rando os prazos previstos no Programa Federal de Apoio à Regularização Ambiental
de Imóveis Rurais, denominado “Programa Mais Ambiente”, instituído pelo Decreto
Federal nº 7.029, de 10 de dezembro de 2009,D E C R E T A:

Art. 1º - O Plano Estadual de Adequação e Regularização Ambiental


dos Imóveis Rurais tem como objetivo promover e apoiar a adequação ambiental dos
imóveis, através da recuperação e regularização da reserva legal, e das áreas de pre-
servação permanente, da regularização das autorizações, dos registros e licenças
ambientais inerentes aos empreendimentos agrossilvopastoris.

Art. 2º - Para a adesão voluntária ao Plano, os proprietários ou possei-


ros rurais, pessoas
físicas ou jurídicas, deverão requerer a adequação e regularização ambiental de seus
imóveis junto ao órgão ambiental competente, assistido por responsável técnico, até o
dia 11 de dezembro de 2012.

§ 1º - O requerimento a que se refere o caput deste artigo deverá ser


formalizado mediante requerimento de adesão, contendo a declaração da existência
de passivo ambiental do imóvel rural, conforme modelo a ser confeccionado e regula-
do por Portaria editada pelo ITERJ.

§ 2º - Considera-se passivo ambiental do imóvel rural, para efeitos deste


Decreto, as irregularidades referentes às áreas de reserva legal, de preservação per-
manente e de uso alternativo do solo e às autorizações, registros e licenças ambien-
tais inerentes aos empreendimentos agrossilvopastoris, existentes até o dia 10 de de-
zembro de 2009.

§ 3º - Consideram-se aderentes ao Plano de que trata este Decreto os


proprietários ou posseiros de imóvel rural com passivo ambiental, e cujo processo de
regularização já tramite no órgão ambiental competente na data de publicação deste

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 89


Decreto, ficando o seu passivo regularizado com a emissão do ato administrativo
competente.

Art. 3º - Após a adesão ao Plano, os proprietários ou posseiros de imó-


veis rurais deverão apresentar o Projeto de Adequação e Regularização Ambiental ao
órgão ambiental competente, no prazo de até 60 (sessenta) dias, contados a partir da
data de protocolo do Termo de Adesão.

§ 1º - No Projeto deverão constar as medidas que serão implementadas


para sanar o passivo ambiental declarado e o respectivo cronograma de execução, de
acordo com o termo de referência disponibilizado pelo órgão ambiental competente.

§ 2º - O não cumprimento do prazo previsto neste artigo implicará no


arquivamento do respectivo processo de adesão e na aplicação imediata das sanções
correspondentes às infrações administrativas relacionadas ao passivo ambiental de-
clarado.

Art. 4º - Aprovada a viabilidade técnica e jurídica do Projeto de Adequa-


ção e Regularização Ambiental, o ITERJ competente celebrará Termo de Compromis-
so, com efeito de título executivo extrajudicial, que deverá conter, obrigatoriamente, a
descrição de seu objeto, as medidas a serem adotadas, o cronograma físico estabele-
cido para o cumprimento das obrigações e as penalidades aserem impostas, no caso
de inadimplência.

Art. 5º - Nos casos de posse e quando a adesão ao Plano tiver como


objetivo apenas a regularização da reserva legal, a mesma será formalizada mediante
procedimento simplificado com vistas à celebração do Termo de Compromisso, cujo
procedimento será regulado por Portaria a ser Editada pelo ITERJ.

Art. 6º - Em relação ao passivo ambiental a que se refere o § 2º do art.


2º deste Decreto,
ficará suspensa a aplicação de sanções administrativas contra o proprietário ou pos-
seiro, a partir da data de protocolo do respectivo Termo de Adesão.

Art. 7º - A celebração de Termo de Compromisso poderá implicar redu-


ção de até 90% (noventa por cento) do valor da multa imposta em autuação anterior,
ficando o órgão ambiental competente obrigado a motivar e circunstanciar o ato no
competente processo.

Art. 8º - Considera-se rescindido de pleno direito o Termo de Compro-


misso, quando descumprida qualquer de suas cláusulas, o que ensejará a execução
imediata das obrigações dele decorrentes, inclusive quanto à multa contratual e aos
custos para a recomposição do dano ambiental, sem prejuízo das sanções administra-
tivas aplicáveis à espécie.

Art. 9º - Os termos de compromisso deverão ser publicados no Diário


Oficial do Estado, mediante extrato, sob pena de ineficácia.

Art. 10 - As informações obtidas pelos órgãos ambientais competentes


nos processos de regularização ambiental de imóveis rurais deverão ser utilizadas
para atualizar o Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais, que se constitui no

90 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


instrumento de monitoramento das áreas de preservação permanente, de Reserva
Legal, de Servidão Florestal, de Servidão Ambiental e das florestas de produção, ne-
cessário à efetivação do controle e da fiscalização das atividades florestais, bem como
para a formação dos corredores ecológicos, nos termos dispostos no ZEE.

Art. 11 – O Instituto Estadual do Ambiente - INEA instituirá programas


regionais sustentáveis em articulação com os órgãos e entidades da Administração
Pública e a sociedade civil, com a finalidade de apoiar os proprietários e posseiros
rurais na adequação e regularização ambiental dos seus imóveis.

Art. 12 - O Instituto de Terras do Rio de Janeiro - ITERJ expedirá as


normas complementares, a fim de regulamentar os procedimentos e os prazos para a
operacionalização do Plano.

Art. 13 - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, revo-


gando as disposições em contrário.

Rio de Janeiro

Governador

Secretária da Casa Civil

Secretário do Meio Ambiente

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 91


ANEXO 3 – PROGRAMA DE IMPLEMENTAÇÃO, REGULAÇÃO INSTITUCIONAL

Quadro 1 - Estruturação dos Marcos Legais Regionais e Municipais Direcionados à Regulação e Regulamentação Integrada Regional /
Municipal

Programa de Implementação do Plano Básico para o Desenvolvimento da Silvicultura Sustentável


Área: Regulação Institucional-Legal
Projeto: Estruturação dos Marcos Legais Regionais e Municipais Direcionados à Regulação e Regulamentação Integrada Regional/Municipal

Duração Meses
Ordem Atividades Responsável
(meses) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Estruturar, revisar ou atualizar os planos diretores
Organismo Gestor da
municipais e instituir os regionais, com a
1 6 Silvicultura-UGR e
participação de todos os municípios em sinergia
Municipalidades
com sua população global.

Criar instituto regional que discipline a forma de


Organismo Gestor da
2 capitalização e distribuição de fundos de exaustão – 8
Silvicultura e UGR
um para cada empreendimento extrativo finito -.

Instituir ou revisar o arcabouço institucional-legal


Organismo Gestor da
mínimo dos municípios, mantendo os instrumentos
3 12 Silvicultura-UGR e
legais sempre amarrados aos respectivos planos
Municipalidades
plurianuais e LOAs.
Instituir mecanismos de acompanhamento da
Organismo Gestor da
4 regulação e da gestão participativa -consórcios - 5
Silvicultura
continuada de Municipios e Região.

92 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


Quadro 2 - Regularização Fundiária

Programa de Implementação do Plano Básico para o Desenvolvimento da Silvicultura Sustentável


Área: Regulação Institucional-Legal
Projeto: Regularização Fundiária
Duração Meses
Ordem Atividades Responsável
(meses) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18
Promover ação conjunta e regionalizada
de regularização fundiária – programas e ITER,
projetos, inclusive, com captação de Municipalidades,
1 18
recursos junto ao Ministério das Cidades, Proprietários,
haja vista a existência de linha de crédito UGR
aberta.

Promover programas regionalizados de


reparcelamento e titulação das áreas
Municipalidades,
2 diagnosticadas como parcelamentos 10
UGR
irregulares, assentamentos precários e
informais.
UGR,
Implantar programas de realocação para
3 6 de 24 Municipalidades,
os núcleos habitacionais das ecovilas
Investidores
Editar leis que regulem e incentivem a
UGR,
regularização fundiária dos imóveis
4 3 Municipalidades,
rurais, conforme diretrizes traçadas no
Investidores
diagnóstico institucional-legal.

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 93


Quadro 3 - Regulação e Regulamentação Tributária e Fiscal e Administrativa Regional

Programa de Implementação do Plano Básico Para o Desenvolvimento da Silvicultura Sustentável


Área: Institucional-Legal
Projeto: Regulação e Regulamentação Tributária e Fiscal e Administrativa Regional
Duração Meses
Ordem Atividades Responsável
(meses) 1 2 3 4 5 6

Constituir e referendar Comitê de Desenvolvimento


Governo do Estado do
1 Regional, com a adesão de todos os municípios e 6
Rio de Janeiro, SEDEIS
chancela legal do Estado do Rio de Janeiro.

Constituir, através de Consórcios intermunicipais,


SEDEIS, Investe Rio,
2 mecanismos de incentivos fiscais isonômicos para 6
UGR
atração de empreendimentos e investimentos.

UGR, Organismo
Editar lei de incentivo à Silvicultura na Região Norte
3 6 Gestor de Silvicultura,
e Noroeste Fluminense
ALERJ

94 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL


Quadro 4 - Zoneamento Ambiental Regionalizado em Consonância com o ZEE do Estado do Rio de Janeiro

Programa de Implementação do Plano Básico Para o Desenvolvimento da Silvicultura Sustentável


Área: Institucional-Legal
Projeto: Zoneamento Ambiental Regionalizado em Consonância com o ZEE do Estado do Rio de Janeiro
Duração Meses
Ordem Atividades Responsável
(meses) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Criar o cadastro regionalizado de todas as áreas de
preservação – APAs, APPs e RPPNs, etc.,
1 6 ITER, INEA, UGR
instituídas por todas as três esferas de governo, no
Estado do Rio de Janeiro.
UGR, Organismo Gestor
2 Criar um fundo para a Silvicultura Regional 3
da Silvicultura

Quadro 5 - Criação e Operação de Colegiados Regional

Programa de Implementação do Plano Básico Para o Desenvolvimento da Silvicultura Sustentável


Área: Institucional-Legal
Projeto: Criação e Operação de Colegiados Regional
Duração Meses
Ordem Atividades Responsável
(meses) 1 2 3 4 5 6
Criar e tornar operacionais instâncias de decisões
Organismo Gestor da
1 intermunicipais e regional, como conselhos e 6
Silvicultura, UGR
comitês.

Mobilizar a participação dos proprietários rurais UGR, Municipalidades, ITR,


2 6
regionais para a implementação da silvicultura Organismo Gestor da Silvicultura

PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL 95


Quadro 6 - Atuação Coordenada e Integrada em Ações e Serviços

Programa de Implementação do Plano Básico Para o Desenvolvimento da Silvicultura Sustentável


Área: Institucional-Legal
Projeto: Atuação Coordenada e Integrada em Ações e Serviços
Duração Meses
Ordem Atividades Responsável
(meses) 1 2 3 4 5 6
Formar e capitalizar fundos municipais de
desenvolvimento econômico e social, assim como
UGR e
1 integralizar o Fundo Regional de Desenvolvimento 6
Municipalidades
a ser gerido pelo Comitê de Desenvolvimento
Regional.
Desenvolver portal interativo da Silvicultura Norte-
Organismo Gestor da
2 Noroeste Fluminense para acompanhamento pela 6
Silvicultura, OGS
população e empreendedores/investidores.

96 PLANO BÁSICO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SILVICULTURA SUSTENTÁVEL