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AS DEUSAS DA FARTURA, por Artur Felisberto.

ABUNDANTIA
Figura 1: Demeter ou
Euthenia a Latina Abundantia,
segurando a cornucópia da fartura
agrícola de Verão na mão esquerda e a
relha do arado (outras vezes o timão
dum barco) na Direita
Abundantia era a deusa
romana da boa sorte, abundância e
prosperidade. Dentro da mitologia
romana, a figura de Abundantia era
considerada uma divindade menor;
a personificação da sorte,
abundância e prosperidade, e era
também a guardiã da cornucópia, o
corno da abundância. Era com ele
que distribuía comida e dinheiro.
A versão principal da origem
da cornucópia é semelhante tanto
na mitologia grega quanto na
romana, na qual o rei dos deuses,
depois de ter acidentalmente
quebrado o chifre do bode místico
em um jogo, prometeu que o chifre
nunca iria esvaziar os frutos de seu
desejo. O chifre foi, posteriormente,
entregue para os cuidados de
Abundantia.
Muitas vezes, retratada
segurando a cornucópia e feixes de
milho, permitindo que o conteúdo
caia ao chão, a imagem de
Abundantia aparecia em moedas
romanas dos séculos passados.
A Abudantia tem resistido ao teste do tempo, assumindo a forma da 'Olde
Dame Habonde' francesa; também conhecida como Domina Abundia, e da Notre
Dame d'Abondance, uma figura de fada benéfica encontrados em toda a mitologia
teutônica, e na poesia da Idade Média. Dentro de textos relacionados a essa figura é
dito que ela concederia o dom da abundância e da boa sorte para aqueles que ela
visita, e na sociedade moderna é a padroeira dos jogadores - a reverenciada Senhora
Fortuna.
Parece que, depois da ocupação romana, a deusa da Abundância teria ficado no
folclore francês como Senhora Hobunde ou Dama Habonde. No entanto, é pouco
provável que uma deusa que ficou no coração do povo francês tenha resultado das
fantasias alegóricas dos poetas e gramáticos da decadência do Império Romano. O
mais provável é que esta deusa já existisse nas Gálias com este nome, ou seja, que
Hobunde teria sido, na época do «de Bello Galico» de Júlio César, tão popular quanto
arcaica. Alguns autores supõem que o carácter menor do culto desta deusa decorreria
do facto de o seu culto ter sido tardiamente introduzido entre os romanos como mera
deidade alegórica por deificação duma mera abstracção em moda na época da
prosperidade do império.
Mais naturalmente seria de supor uma coisa destas em relação com a santa
Abundantia.
Santa Abundantia (? -804) é uma santa Cristã. Nasceu em Spoleto, e foi
educado por Majolus de Cluny. Fez uma peregrinação a Jerusalém com a sua mãe.
Depois iria em passar cinco anos na caverna de Santo Onofre no deserto egípcio.
Disse que ela teria cultivado a devoção do arcanjo Rafael.
Claro que as santas cristãs podem ter tido, como quase todas tiveram, nomes
romanos e gregos derivados de antigos nomes divinos e nem sequer podemos inferir se
a Santa Abundantia de Spoleto veio substituir algum culto local a uma deusa da Boa
fortuna como teria sido o caso da Dama Hobunde.
> Abun-dita  Ab(a)-bundantia
Hobunde < Haubund < Kabun(dita) < *Kakaun | Di+wa < -Kika > *Di-Ewa|.
 Kaki-An-Kika => Kakun-deia > *Facun-deia > «Facúndia».
Fecunditas  Facundia < *Kakunthia > Wakaunda > Wakonda!
Wakonda < Wakunda < *Kakunda
< Kakaunka < Ka(kian-Kian)ka => Wotan Kan-Ki.
Tanka < Ti-An-ki = Ankita > Tikê.
In Dakota mythology, Wakan Tanka was a creator. He existed alone in the void
before existence where he was lonely, so he decided to make company for himself by dividing
into four. He made earth, and mated with her to create the sky, then he mated with earth and
sky to make the sun. Afterwards creation continued to grow as the leaves and twigs grow on a
tree. In Sioux mythology, Wakonda is the Great Spirit who keeps the balance in the universe,
revealing the great secrets to only a few favoured shamans.
No entanto é quase seguro que Abundantia seria um epíteto arcaico da Deusa
Mãe, a juntar a muitos outros como Copia e Ops, e como foi o caso da Eu-ténia
grega.

Ver: AS DEUSAS LATINAS DAS CORNUCÓPIAS (***) & OPS (***)

Eu-ténia, literalmente a verdadeira Tênia ou Tânia de que derivou Tanit, a


cobra primordial da égide de Atena é seguramente uma referência ao arcaico culto
das cobras cretenses, que tanto poderiam ser cobras com ténis, como minhocas ou
helmintas e todos os seres desprovidos de membros que pululavam nas terras férteis
dos cemitérios e eram símbolo da fartura dos infernos.
Na mitologia grega, Eutênia (em grego Ευθηνια), era um espírito feminino que
personificava a prosperidade para os antigos gregos. Sua antítese era Pênia, (de que
deriva a penúria) e suas irmãs eram Eucleia, Filofrósine e Eufeme. Juntamente com
suas irmãs, era considerada uma das Cáritas mais jovens. De acordo com os
fragmentos órficos, seus pais eram Hefesto e a graça Aglaia.
A mitologia por não ter sido nunca uma ciência exacta nem sequer enquanto
teologia racional está eivada de incongruências várias. As Caritas em latim eram as
Graças. Por outro lado as graças seriam seguramente um grupo de Tridivas de arcaica
tradição cretense mas existem listas de mais de uma dezena de deusas ta das quais faz
parte a mãe de todas elas, Aglaia ou Caris esposa de Hefesto com quem teve as
graças ou caritas. Como as mitologias não olímpicas seriam, sobretudo, locais e de
tradição oral, é difícil, senão impossível, refazer o trio das Graças. Suspeita-se, no
entanto, que as verdadeiras graças seriam as que, por razões de segurança contra
rivalidades de culto, ficaram com o étimo Eu- e seriam então Eu-Ténia, Eu-Cleia e Eu-
fémia. Por estranha coincidência existe outro trio de graças com o étimo Eu-.
Eu-daimonia, por ser deusa da felicidade, prosperidade e opulência, era
idêntica a Euténia, ou seja seriam a mesma entidade original relacionada com o culto
da Abundância e possivelmente relacionada com o culto da cobra da boa sorte e das
lareiras que era Agatadaimon.
Ora, por relações colaterais vamos conseguir cruzar estas deusas com a latina
Esténua.
Hipótese atraente é a que liga a epifania com um festival romano, que teve lugar
no início do ano em honra de Janus & Strenia e durante o qual se trocavam presentes.
Strénia seria uma velha deusa do ano velho que justificaria a tradição portuguesa da
“festa dos rapazes” da cegarrega “serra a velha no cortiço, minha avó não diga isso”!
Strenia ou «Estrénua» (< Lat. strenuu) adj. tenaz; esforçado; valente; corajoso.)
era o nome de uma antiga deidade da mitologia romana, um símbolo de poder,
prosperidade e fortuna, e cuja tradição remonta aos tempos dos sabinos. O histórico
Elpidiano especula que o nome dele seria a expressão sabina para saúde. Foi-lhe
dedicada um bosque sagrado perto de Roma. A sua adoração ocorria durante as antigas
festas das Saturnália, agora absorvidas pelo Natal tradicional.
Desta deusa deriva o termo «estrénua».
Ao longo de incontáveis mutações culturais, essas "deusas" viraram os
arquétipos das bruxas medievais e de todos os tempos. A velha senhora representa o
"Ano Velho", que será queimado, superado pelo Ano Novo. Em muitos países
europeus ainda existe a queima de uma boneca-Velha Senhora nas festividades de
entrada de ano. No norte da Itália, a boneca é chamada Giubiana e tem clara origem
celta.
Befana / Pefana é uma óbvia corruptela de Epifânia mas com toada de Strenia,
que ainda mais ressonância tem com a grega Euténia tanto mais que têm a mesma
função mítica.
A Befana é típica do folclore italiano e seu nome, possivelmente deriva de
corruptela de "Epífânia" em italiano, algo como "Befania".
Há ainda alguns raros lugares onde ele permaneceu na linguagem popular do
termo Pefana como, por exemplo, no país de Montignoso na província de Massa-
Carrara, com tradições que não estão em linha com as celebrações habituais da
Epifania.
A Befana é um mito complexo e muito antigo. Os antropólogos italianos
Claudia e Luigo Manciocco, em Una Casa Senza Porte [Uma Casa Sem Porta],
rastrearam a origem de Befana em crenças e práticas neolíticas. O historiador Carlo
Ginzburg relaciona Befana a várias divindades mais antigas, como a escocesa
Nicevenn, [também conhecida como Dame Habonde, Abundia - na Alemanha, Satia,
Bensozie, Zobiana, Nicheven, ou Herodiana).1
Sua caracterização é o que restou de uma divindade Sabino-romana chamada
Strenia, que presidia as festas de Ano Novo.
Befana / Pefana é uma óbvia corruptela de Epifânia mas com toada de Strenia
Strenia < *Esterania  E-pifânia > Pefania > Pefana / Befana.
Pois bem, já sem grande surpresa vamos verificar que um dos epítetos de Atena
era precisamente Σθενιας, Sthenias, a de força extenuante como a latina Strénia
apenas com um erre facultativo e aliterativo a mais. Também já sem grande espanto,
verificamos que o trio de gorgónias era formado por Medusa, a deusa mãe, Eu-ry-ale,
quiçá Europa, Sthenno, seguramente a esforçada e trabalhadora quanto uma Moira,
Atena Sthenias. Antheia seria uma variante de Atenas neste grupo de muitas e várias
Graças.

Ver: GORGÓNIAS (***) & MEDUSA (***)

A terceira das graças era Eu-timia deusa do bom ânimo, alegria e


contentamento, usualmente chamado Eu-frosina, deusa da alegria, possivelmente
confundida com Filofrósine seriam uma possível corruptela de Temis que por ser a
deusa das leis tinha boa reputação sendo então Eu-Fémia e, por isso mesmo, alegre
como Eu-frosina e bem-humorada como Eu-Timia e sempre bem-vinda e de boa
companhia como Filofrósine.
Eu-Cleia, a segunda das graças, ressoa a Aglaia, uma graça da glória cretense
como Kleta e da beleza como Kalleis e Thalia.
De facto, a Grande Deusa Mãe teria tido muitos epítetos como a Deméter
grega, alguns tão arcaicos que terão ido do mar Egeu até aos povos ameríndios em
épocas remotas da colonização daquele continente durante a longa época glaciar.
Vakan Tanka era seguramente variante de Tiamat. Embora seja difícil
estabelecer uma relação directa entre a mitologia ameríndia em geral e a europeia a
verdade é que ela é inevitável e possível! Funcionalmente Wakan Tanka dos índios
do Dacota é a mesma entidade que Wakonda dos índios Sioux.
Tal facto, deixa a suspeita de ter existido um elo arcaico comum entre estas
deusas que os gauleses ainda partilhavam, aliás numa forma fonética muito mais
primitiva do que a latina. A verdade é que restos desta relação mítica arcaica
permaneceram na tão prolixa quanto arcaizante mitologia egípcia.
Assim, a deusa Diefa dos egípcios não era senão a Di-eva dos indo-europeus,
afinal nem mais nem menos do que a deusa Eva que veio a ser nome da primeira
mulher dos judeus.

Ver: EVA (***)

Na mitologia nórdica à deusa da prosperidade e fartura chamava-se Fulla, a


camareira favorita de Frigg (deusa escandinava da atmosfera e das nuvens). Ela
transportava os objectos de valor de Frigg e também actuou como sua intermediária,

1
No folclore medieval, Herodianas eram um grupo de bruxas adorando a deusa romana Diana e a personagem
bíblica Herodias.
favorecendo os mortais que invocavam a grande deusa mãe escandinava foneticamente
correlativa de Afrodite, e funcionalmente como tal quando Frigg se confundia com
Freia.
Dyefa (Ayefa) (Abundância), um dos 14 kas de Ra
Ayefa < Dayefa < Dyefa < *Di-Ewa, a Deusa Mãe da Abundância?
< Ki-Aka = Ki, a Deusa Mãe Terra,
São casualidades a mais a explicar esta subtil trama que percorres tanto a
mitologia antiga quanto as interacções semânticas entre as línguas antigas! A tese da
Confusão das línguas durante a construção da torre de Babel é cada vez mais um mito
correspondente a uma realidade cultural historicamente plausível.
No entanto, parece que o termo de uso comum que andava associado à deusa da
Abundância era o verbo latino abundo, que na fonte tinha mais a ver com o elemento
líquido da água do que com o elemento pulverolento da terra!
Abundan-tia = Tea Bund-Ana = Deusa e Senhora Grande Bunda.

A BUNDA (DA DEUSA MÃE)


Sejamos sérios, se pudermos (!)
Claro que se supõe que bunda seja um
termo de importação angolana tendo o
sinónimo de "mulher da raça dos Bundos;
(Bras. e Ang.); nádegas (com o sentido
sensual). É certo que os bundos terão também
direito a uma etimologia arcaica, quiçá mesmo
por via duma mui arcaica colonização suméria
e cretense. Mas, terá sido mesmo esta a via
etimológica para este calão assim tão
supostamente angolano e brasileiro? De facto,
sem a generosa luxúria da metade quente e
fértil do ano não teriam sido possíveis as fartas
rotundidades nadegueiras e lunares das grandes
deusas mães pré-históricas!
Figura 2: Vénus de Lausel, a Dama
de farta figura e da «cornocópia»!
Baba = "An alternate form of the
goddess Inanna". Bab-bar = "An ancient
Sumerian sun-god", lit. «o que transporta
Baba < *Kaka, a Deusa mãe do fogo».

Bau/Baba cujo nome soa como onomatopaico latido canino (bow-wow), era a deusa
principal da área de Lagash, com as suas três cidades, Girsu, Lagash, e Nimen. Como
"Senhora de Abundância", Bau/Baba controlou a fertilidade de animais e seres humanos (Leick
1998: 23). Por volta do tempo em que o afamado governador de Lagash, Gudea (século XXII
A.C), que se chamou o filho de Bau, a deusa tinha se tornado a filha de Anu, o chefe do
panteão.
Em Lagash, ela era cônjuge do guerreiro Nin-Girsu, "Deus de Girsu" e ele teve a seu
cargo a irrigação e a fecundidade da terra. Em outros lugares, o cônjuge dela era Zababa, um
guerreiro do norte.
Em Girsu do qual ela era a protectora, Bau teve um grande templo, o E-tar-sirsir que
era também o nome do templo de Bau em Lagash.
Os "Lamentos pela da Destruição de Ur" conta que Bau/Baba foi forçado por
invasores externos a deixar a sua cidade.
Bau abandonou Urukug, o seu rebanho (foi disperso pelo) vento;
O santo Bagara, a sua câmara, ela abandonou… (Kramer em Pritchard 1969:
456). – traduzido de "Going to the Dogs": Healing Goddesses of Mesopotâmia, by
Johanna Stuckey.

Figura 3: Bau/Baba seated Figura 4: Possibly the goddess


on a throne which seems to resting on Bau/Baba, seated on a throne flanked by
water and is supported by water birds, palm trees and with two creatures, possibly
perhaps geese. Holes at the side of the water birds, at her feet. Terracotta. 2017-
head suggest that decoration was 1595 BCE. From Ur.
added to the headdress. Nose separate
and now lost, eyes originally inlaid. Drawing © Stephane Beaulieu, after
Diorite. Dated around 2060-1955 Pritchard 1969b:173 #507. Drawing © S.
Beaulieu, after Leick 1998, figure 6.
BCE.
Sendo a paralogia metafórica a regra da mitologia, não se deve estranhar esta
multiplicidade de leituras paralelas possíveis relativamente à etimologia mais arcaica
dos termos relativos a realidades prementes e primordiais até porque é assim que o
pensamento humano funciona, por associação de ideias tão caóticas e aleatórias quanto
necessárias e motivadoras! Assim sendo, nada nos garante que o nome da
Abundância não tenha passado a adjectivo composto por pura ignorância mitológica
dos gramáticos latinos e então:
Abbund-antia = Abbund Anteia lit. «a deusa do céu é Babunda»???
= Baba-Antu-Enki-a, lit. «Inana, a gorducha filha de Antu
e de Enki»???
Esta etimologia tem a vantagem de justificar a sua relação com a cornucópia
do Capricórnio deus dos mares. => Baba | Wawa < Kaka | -Antu.
<=> *Wa-Kunda
Vacuna = *Wa-Kunda > *Phacuntha > Lat. fec-unda <= *Kaki-Unda.
Vacuna - "empty"- Goddess of repose and leisure. Festival in the month of December
and she had a famous Sabine temple. Sendo uma deusa agrícola, possivelmente relacionada
com os frutos secos, chegaria às festas de Dezembro com a cornucópia vazia.
Então, Fecunditas = Fecund-(itas) <= *Kaki-Unda, nome que seria
literalmente uma forma comum originária destes nomes o que faria da Fecundidade
uma mera variante do nome da Abundância semanticamente particularizadas, uma na
qualidade de Deusa Mãe fértil, outra na de «obesa» (< Lat. obesu < ???) e ambas na
de parideiras!
Abbundantia/Adbundita = Ad-bund- + (an)-ti(t)a, lit. «a ânsia de esta junto
da bunda» ou «a procura da bunda da dita»???!
A obesidade adquirida nos meses de fartura era uma preciosa reserva que iria
permitir à mulher primitiva suportar não apenas o Inverno como também e
sobretudo a sobrecarga da gravidez. Por estas e outras idênticas razões, tal como a
sensação de força e poder que a gordura determinava, por exemplo, a «gordura era
formosura» tendo acabado como símbolo divino de «sucesso na vida» no teatro da
luta pela sobrevivência individual e colectiva mas esta, pela via da «fecundidade».
Nesta perspectiva a Abundância dependia da capacidade para recolher e
juntar alimentos no corpo e nos parcos celeiros dos arcaicos tempos paleolíticos!
Então, faria algum sentido pressupor que:
Tarhunda: Dios babilónico de la Tempestad.
Nahunte, Nachunte, Nahhundi = El Dios-Sol de los elamitas; denominado
"El portador de Luz". Nahhunte = Elamite god of truth and justice.
Tarhunda < Tarh < Tarish < Iscur - < Nute < Enki??
unte
Nahunte Nach < Nahh < -unte > Inti
Nakiki
Abundância = Adbundancia  *Adjuntantia.
 Akay-unctu-Enkia < *Adjunctankia???, lit.
«a que passa a vida a «juntar» (e a guardar
estanque) a gordura da iluminação fúnebre na
cornucópia!
 *Ad-unt-ancia, lit. «a ânsia de unto»!?
L'apparition d'Ubertas ou Uberitas est attestée tardivement sous le règne de
Gallien. Le type a été principalement utilisé par les empereurs gauloi: Postume,
Victorin, Tétricus et son fils, mais aussi par Tacite et Florien.
Mas, ao lado desta existia a variante Ubertas < Uberitas = U-pher-(itas) lit. “a
que transporta o U (= «gordura» em sumério)”.
O termo luso «gordura» < Lat. gurdu, (= grosseiro) < ka-urdu > «carda» = •
pastas de imundície que se agarram à lã dos animais; • sujidade na pele das pessoas.
= adj. «untuoso» < Lat. Unctu. <???> Car-dea, a prenha e gorda esposa de Jano?
Cluerca or Carda; Home: hinges; Originally a nymph and virgin huntress; fooled
would-be suitors by sending them ahead of her into a cave and then disappearing; couldn’t
fool Janus who could see in both directions; he made her a goddess.
Das «cardas» do burel de «lã cardada» até ao termo «gordo» vai toda uma
infinidade metafórica de grosserias própria dos «porcos, feios e maus» que acabam no
conceito relativo aos gordos, seguramente por intermédio dos porcos e suínos! Ora,
numa primeira abordagem semântica a «carda» seria tão-somente a *urda enquanto lã
de ovelhas (= animais de «ordenha» < Lat. *ordiniare, ordinare???) suja de caca, ou
de «coisas» da terra (Ka)! Quanto a Unctu reporta-nos para as dúvidas relacionadas
com o étimo -undus da Abundância!
Fecunditas  Facundia < *Kakunthia > Wakunda
Wakonda < Wakunda < *Kakunda
< Kakaunka < Ka(kian-Kian)ka => Wotan Tan-Ki
In Dakota mythology, Wakan Tanka was a creator. He existed alone in the void
before existence where he was lonely, so he decided to make company for himself by
dividing into four. He made earth, and mated with her to create the sky, then he mated with
earth and sky to make the sun. Afterwards creation continued to grow as the leaves and
twigs grow on a tree. In Sioux mythology, Wakonda is the Great Spirit who keeps the
balance in the universe, revealing the great secrets to only a few favoured shamans.

Figura 5: R/VBERT-AS
AVG. Uberitas (la Fertilité) debout
à gauche, drapée, tenant des épis de
la main droite et une corne
d'abondance de la main gauche.

Figura 6: Fecunditas. The


Roman personification of fertility.
De facto, voltando ao sumério «U» = «gordura», verificamos que estamos
perante um bela e intuitiva metáfora do «úbere» galactóforo que transporta em si o
leite que tem por bela metáfora o ser uma «bebida da vida» (= sumer. kallatu) e conter
a propriedade que permite a produção da manteiga e engordar as crias dos mamíferos.
«Úbere»  Uberitas < U-Pher-itas, lit. «a que transporta o U da gordura»!
No entanto, iconograficamente Uberitas aparece como um mero epíteto da
Abundantia, esta sim a arcaica deusa da «fartura».
Fartûra [(also farctûra), ae, f. (< farcio) = sagîna, ae, f. (kindr. with sattô, >
satisfacio; v. sagmen) > grec. siteia ].
Fartûra > farctûra < *Kar-ki-Tur(a), <
*Kartu-ra < Kur-Kur-kiki, a Deusa Mãe dos montes da aurora > *Kurkurat >
Taweret > Tararetu, a N. Sr.ª do Loreto > *Kar-la-tu > Kal-kur-ki > sumer. Kallatu
= o leite, o (da vida eterna que permitiu a ressurreição de Inana) gerado pela
mulher do Zigurate, lit. “*Kartu, a vaca Turina da fartura leiteira dos cretenses = Tur-
anu  *Karkituran, lit. «N.ª Sr.ª do monte do Carque», a Vénus etrusca, Turan, a
esposa e mãe amorosa de Hércules / (Mel)kart».

Ver: CERES (***)

Segetia = Sagî-na < Shekina < *Kaki-Ana, lit. “deusa Caca


= Sr.ª do fogo do céu = a lua, esposa do sol?» => Ki-teia = a deusa Ki
> Siteia => Quitéria.
> Lat. facundia = eloquência, saber a verdade que vem ao de cima o azeite fino
da inteligência que ilumina como o «unto» da abundância verbal.
> Baba-Unta, lit. “Antu, a deusa mãe da Terra Gorda, (por ter devorado os
cadáveres dos mortos?)”.
> *Kaka-Unda, lit. «a onda curva de Kiki, a gorda «bunda» da deusa Mãe
neolítica» > vivnda > Lat. vivenda ??? > Prov. «vianda» = «água de lavadura» com
restos alimentares e gordura, para os porcos e outros animais domésticos.
> Hawunda ??? > Wanda > «Bunda»!
> *KaKa-Anu-Tan-Kika... lit. «A fogueira do céu é uma cobra da deusa mãe
= luar do quarto crescente lunar»! => Cornucópia!
Mas, nem de propósito, e logo nos atolamos na lama dos sedimentos por
proximidade fonética tais como Undabundo que consegue ser tão estranho que não
pode ser uma mera redundância do género «onda cá, onda lá» porque o sufixo
-bundus nos vais aparecer numa série de termos que têm em comum a conotação de
plenitude e «fartura»!
Undâbundus, a, um, adj. [undo], full of waves, surging, billowy (post-class.): mare,
Gell. 2, 30, 3: aquae, Amm. 17, 7, 11.
Neste contexto o termo latino seguinte é quase um pleonasmo de eloquência.
Unctus, ûs, m. [ungo], an anointing, anointment: oleum unctui profer, App. M. 1, p.
113, 3: cochlearum cinis cum melle unctu sanat, (al. linitu).
Lat. unctus < ungo, (is, ere, is, ctum) < ax-ungia2 > Ash-unkia <= *Kaki-U-
Ant < *Kaki-Antu???.
Quase que de certeza que foi esta partícula U que por U-Antu derivou o Lat.
Uncto. U significava «gordura» em sumério, herdada dos tempos arcaicos das
linguagens gestuais em que os termos se desenhavam com as mãos ao ritmo de sons
vocálicos sugestivos, neste caso possivelmente tanto o som U quanto o som O! Ora,
não será por mera coincidência que as representações medievais lusitanas da Virgem
Mãe grávida se chamavam Sr. do «O»! Estas vogais terão tido muito cedo, nos

2
> prov. «enxúndia» de galinha!
primórdios dos esboços da escrita, no «O» a representação do pictograma do ovo e o
«U» o de uma gorda bunda?
Na verdade as estatuetas da Deusa Mãe encontrada nos santuários de Malta são
um exagero de obesidade!
No entanto, em que ficamos? Amaduntia era cipriota ou egípcia? Em boa
verdade, confirmamos assim que a mitologia antiga tinha mais de comum do que os
mitólogos clássicos suspeitaram! Por outro lado fica provado que o epíteto de Afrodite
Amatuntia não derivava do nome da cidade cipriota onde foi adorada, mas, a inversa
é que e mais plausível! De facto o núcleo central deste teónimo era Amat, lit «a filha
da mãe», no sentido de korê, ou a «mãe mulher» no sentido de Deméter!
Amatusa < Amathusia < Amat-usha > (A)madusha > Medusa.
Amat + Huntia > Amaduntia  Amadaunta.
Ki + Amat > Thiamat > Tiamat.
Ki + Amat + ter > Thiamater > Deméter.

Ver: AFRODITE CALIPÍGEA (***)

Sendo assim, também ousaria afirmar que de Ki-U (= deusa de «cu gordo»
>) surgiu a ideia de dar nome de «cu» ao que já era a «bunda» da Deusas Mãe,
grávida e parideira!
Figura 7: Uma obesa
Deusa Mãe de Malta em trabalho
de parto.
Amathusia/Amathuntia -
patient one; from Amathus on
Kyprus Amathaunta - The Egyptian
goddess of the sea.
Um dos epítetos de Afrodite,
adorada em Amadus era Amaduntia,
lit. a «Mãe do Unto (= a mãe do sol),
a Gorda».
Não deixa de ser coisa estranha que o nome para o cu da mulher tenha em
sumério referência ao emagrecimento com o trabalho de cavar!
Female asses = sumer: Amsu-Sal-Al. Su = Flesh; Sal = Thin (to be). Al = Digging
Amsu-Sal-Al = Ama-sus-al-al, lit. “os montes grémios da aurora da
Deusa Mãe!” = Amasu-sal-al, lit. “a carne da deusa Mãe que emagrecesse
cavando???” De qualquer modo, parece estarmos perante uma frase idiomática!
«Cu», espécie de «cona» (?< Ki-hu < Ki-?) Ku no género masculino??
«Cona» < Kauna < kuana < Ki-Ana.
Hu = In Egyptian mythology the creating word of the sun-god of Heliopolis,
personified in the same god. With Sia he forms a primeval pair, both born from a drop of
blood from the penis of Re, and together the personify the insight and wisdom of the sun-god.
They also accompany him on his solar barque and help the bring order in chaos. personifies
authority, the creating word of the sun-god of Heliopolis. When the pharaoh became a lone
star, his companion was Hu.
Hu < Ku > «cu».
Sia < Kiha < Kika > «queca» > «crica».
Ora bem, nesta divagação especulativa acabamos por tropeçar ma possibilidade
duma explicação para a estranha origem do nome sumério para o que é gordo. De facto
podemos postular que: Ki-U < Ki-hu < Ki-Ku > Ki-Ki.
Ou seja, tal como hoje os cientistas decidiram que os sexos eram XX =
feminino / XY = masculino a partir da relação com a «cromatina sexual» também os
primitivos teriam tido uma intuição empírica idêntica mas a partir do número de
orifícios perineais. Neste caso terá sido:
Sexo feminino = orifício anterior, também conhecido por «c®ica» + orifício
posterior, vulgo «cu» = Ki-ku > Kiki > Xixi.
Sexo masculino = apenas o orifício posterior (cu) = Ki-ku > Ku > Hu >
«(il?)o».
Porém, Ku em sumério era alimento
Ku = Consume; Determiner; Eat (to give); Feed; Food; Judge; Leader; Livelihood;
Use (to). Kua = Fish; Oracle God. Ku-Ku = Sweet; Dark or dim (to grow); Darken (to);
Darkness; Deepen (to; Sleep (to): Ku-Kuga = Dark; Deep; Mysterious; Obscure. Gu =
Aquarius.Du = Sweet, Depth, Good, etc
Enki era um deus peixe dos abismos abissais do Kur e dos oráculos obscuros
da sabedoria profunda. Ku, Kuku / Caco, Kukuga / Kukiko, seriam nomes de
estrutura infantil atribuídos a Enki enquanto «Deus Menino»! Enquanto deus do
Aquário seria também Gu, deformação fonética de Ku, tal como Du. A verdade é que
foi o deus Enki que deus nome ao «cu»!
Ass = Sumer: Anse.
Enki < Anki > Ansi > Anse!!!
A sua relação óbvia com a defecação teria originado a semântica que vai de
«caco» a «caca». Da oposição por simetria semântica teria surgido o par Ki, (sexo
feminino) ou Kiki / Ku (> Pt. «cu»), que teria acabado por ser «Zé», o mais vulgar dos
nomes ibéricos, ou Zu, um dos nomes de Enki. Este sistema deve ter tido muitas
variantes, das quais uma teria chegado ao extremo oriente.
In Taoism, the I Ching describes that the universe is kept in balance by opposing
forces of Yin and Yang (Yum/Yab) - Yin is female and watery, the force in the moon
and rain which reaches its peak in winter; Yang is masculine and solid, the force in the
sun and earth which reaches its peak in summer.
Yin < Gi(e)n < Ki-An, lit. Sr.ª Ki.
Yang (Yum/Yab) < Jan-ku < Enki
Yum < Jum < Shum < Shem < Ish-Ma, lit. «filho-da-mãe» = amish
europeus muito parecidos com os nipónicos emish!
/Yab < Jab < Jak(o) < Caco.

Ver: MARDUK (***) SOL / UTO (***)


FONS / FONTUS
Figura 8: Abundância, a deusa mãe das fontes,
porque mãe de Fons / Fontus.

Fons, (-tus) = The Roman god of wells and springs, son


of Janus and Juturna. Her festival, the Fontinalia, was in
October13.
Ab-undo, âvi, âtum, 1, v. n. I. Lit., of a wave, to flow
over and down, to overflow (while redundo signifies to flow
over a thing with great abundance of water, to inundate).(...)
II. Transf. A. Poet., of plants, to shoot up with great
luxuriance. (...) B. In gen., to abound, to be redundant. --
Lewis & Short Latin Dictionary.
Uma deusa das fontes seria virtualmente *Fontana ou *Fontina, esposa de
Fontus ou *Fontino. Este deus, aparentemente secundário não era senão uma variante
rebuscada de Enki, o velho deus das águas doces, por intermédio da variante fonética
e florestal do deus da criação Fauno, literalmente o deus da luz do amor primordial,
filho da Terra Mãe e, logo, também Enki!
«Fauno» < Faunus > Fauns > Fons > Fontus < *Phon-te-os
> Ponto, o mar primordial.
Notas que Phonos era a divindade do massacre e do assassínio possivelmente
por derivação do nome do deus antepassado do Ponto que, enquanto mar primordial,
devorava todos os marinheiros que morriam no mar.
Ora, entre Euténia e *Fontinia poderíamos encontrar o nome da deusa
micénica Potínia, seguramente relacionada com libações e elementos líquidos! De
facto, a plausibilidade de *Fontina é tanta que:
*Fontina < Phaun-Tan, lit. “mãe/esposa do deus Fauno, das cobras sibilantes
como flautas!  Kian-Tan < Enki-*Tunis > Nephi-Tunus > Neptuno.
> *(Ne)potínia > Potínia.

Ver: NEPTUNO (***)

Na verdade, parece que a Abundância foi primariamente uma deidade das


fontes! Sendo assim podemos resumir do seguinte modo a evolução semântica deste
termo:
Abundância = «(resultado da acção») das Ondinas, as deusas das ondas»,
«inundação» > aumento da fertilidade agrícola das terras de aluvião «fartura» de água
nas fontes > «fartura» agro-pecuária em geral e de cereal, em particular!
Facilmente se conclui então que este termo teria que ter sido criado por povos
ribeirinhos já na época da agricultura, como foram os povos do chamado crescente
fértil e do vale do Indo! Sendo assim, nada espanta que a «abundância» pertença a um
grupo de termos que tinham a influência aquática como mote, deste a «inundação
redundante e recorrente» dos grandes rios fertilizantes até a «abundância» piscatória e
do comércio marítimo que parecia resultar da protecção das divina «ondas» (< Lat.
unda) do mar «profundo», filhas de Enki.
LINFA
O Lympha (plural Lymphae ) é uma antiga divindade romana de água doce. Ela
é uma das doze divindades agrícolas listadas por Varro como “patronas” ( duces ) dos
fazendeiros romanos, porque “sem água toda a agricultura é seca e pobre”. O Lymphae
estão frequentemente ligados a Fons, que significa "Fonte" ou "Fonte", um deus de
fontes e poços. Lympha representa um "foco funcional" de água doce, de acordo com a
abordagem conceitual de Michael Lipka da divindade romana, ou mais geralmente
umidade.
O nome Lympha é equivalente, mas não totalmente intercambiável com
nympha, "ninfa". Uma das dedicatórias para repor o abastecimento de água foi
nymphis lymphisque augustis, "para as ninfas e as linfa augustas", distinguindo as duas
como faz uma passagem de Agostinho de Hipona .
A origem da palavra Linfa é obscura. Pode ter sido originalmente lumpa ou
limpa , relacionado ao adjetivo limpidus que significa "límpido, transparente" aplicado
principalmente a líquidos. Uma forma intermediária lumpha também é encontrada. A
grafia parece ter sido influenciada pela palavra grega νύμφα nympha , já que upsilon
(Υ, υ) e phi (Φ, φ) são normalmente transcritos para o latim como u ou y e ph ou f .
Que Linfa é um conceito Itálico é indicado pelo cognato Oscan diumpā-
(registrado no dativo plural, diumpaís , "para as linfa"), com uma alternância
característica de d para l . Essas deusas aparecem na Tabula Agnonensis como uma
das 17 divindades Samnitas , que incluem os equivalentes de Flora, Prosérpina e
possivelmente Vênus (todas categorizadas com as Linfas por Vitrúvio), bem como
vários dos deuses na lista de Varrão dos 12 agrícolas divindades . Na tábua Oscan, eles
aparecem em um grupo de divindades que fornecem umidade para as plantações.
> Limpa > Limpi-dus
«Linfa» < Linpha < Lympha < Di-Lumpa < Dis *Uram-pho, lit. «luz de Urano,
deus do céu.
«Lâmpada» < Lat. lampada < Gr. lampás, facho, archote > «lampião»
 lamparina  «lampo» > «lampeiro».
«Relâmpago» (< relâmpejos < relampo = re-lampo < Gr. lampo, brilhar
< *Uram-pho, lit. «luz de Urano, o céu?
Não terá sido inteiramente por acaso que as linfas foram confundidas com as
ninfas porque terão tido a mesma origem mitológica.
Ninfa deriva do grego Νύμφη (ninfa), que significa "noiva", "velado", "botão de
rosa", dentre outros significados. Eles são espíritos, habitantes dos lagos e riachos,
bosques, florestas, prados e montanhas. Enquanto as demais ninfas são normalmente
filhas de Zeus, as melíades descendem de Urano.
Lusit. Nabia < (A)nu-Ki > Nikê
Ninfa = Νύμφη < (A)numphe < (A)nu-Ki > *Nuwe > Lat. nūbē(m) > Et. Erud.
«nuvem». > Et. Pop. «nuve» (sXIII)

FUNDO
Nesta mesma linha de importância semântica acabariam por ficar os «poços
profundos» sem os quais seria impossível ter «fontes» nas regiões semi-áridas do
mediterrâneo. Ora, conceitos como «fundo e profundo» parecem andar a par da
semântica que procuramos. Desde logo porque um dos significados de «profundo» em
português actual é «cavado», ou seja, um «poço profundo» acaba por ser uma
redundância enfática, que só reforça a sua importância histórica em função do que terá
sido a sua utilidade social!
Quanto a Fundus importa reparar que existe um termo que parece derivado
deste mas que, ao revelar uma relativa autonomia semântica pode ser mais um caso de
falsa derivação. Desde logo, porque muitos nos lembramos ainda do «de profundis
clamavi a Te, Domine» das cerimónias de pompa e circunstância em que o sem sentido
da vida parece esmorecer nas profundezas abissais dum desespero avassalador!
Em muitos sistemas gnósticos (e heresiológicos), o Ser Supremo é conhecido como
Mônade, o Uno, o Absoluto Aiōn teleos (O Perfeito Aeon, αἰών τέλεος), Bythos
(Profundidade, Βυθός), Proarchē (Antes do Início, προαρχή, Hē Archē (O Início, ἡ ἀρχή) e
Pai inefável. O Uno é a fonte primal do Pleroma, a região de luz. As várias emanações do
Uno são chamados "Aeons".
O Inglês deep / depth é seguramente uma forma crioula de latim mal aprendido
(se não tiver sido falar ibérico pré-latino) a partir do L. depr(-ess) do L. L. depressare,
frequentativo do L. deprimere.
No entanto, é possível que já tivesse chegado ao norte da Europa pela via
minóica um termo relativo ao mar profundo próximo dos «abismos abissais» e que
seria o termo que veio a derivar no grego bythos. Se o veneno do «embude» com que
se entontece os peixes, fazendo-os subir do fundo à tona das águas, para assim os
apanhar facilmente, tem ou não a ver com tudo isto é algo plausível mas que não se irá
discutir por falta de meios de prova! Regressando à terra e remexendo nas águas da
etimologia oficial descobrimos que o termo comum dos termos de origem germânica
não se encontra no gótico diups nem no pseudo P. Gmc. *deupaz mas antes no Alto
Alemão Antigo Ti-of que encontramos a pista para o nome do deus que se encobre na
profundidade das águas turvas da origem dos nomes.
O.E. deop (adj.) "profound, awful, mysterious; serious, solemn; deepness, depth,"
deope (adv.), from P. Gmc. *deupaz (cf. O. S. diop, O. Fris. diap, Du. diep, O. H. G. tiof, Ger.
tief, O. N. djupr, Dan. dyb, Swed. djup, Goth. diups "deep"), from PIE *dheub- "deep, hollow"
(cf. Lith. dubus "deep, hollow, O. C. S. duno "bottom, foundation," Welsh dwfn "deep," O. Ir.
domun "world," via sense development from "bottom" to "foundation" to "earth" to "world").
O. S. di-op < O. Fris. Di-ap < Du. Di-ep < O. H. G. Ti-of > Ger. Ti-ef
> Goth. Diups > Swed. Djup > O. N. D djupr > Dan. Dyb.
Pois bem, Ti-of seria nem mais nem menos que a deusa mãe Ops, a cobra
Ophis das águas do mar profundo primordial e que era a deusa mãe primordial dos
egípcios a cobra Buto do alto Egipto.
Buto originally was two cities, Pe and Dep, which merged into one city that the
Egyptians named Per-Wadjet. The goddess Wadj-et was its local goddess, often represented
as a cobra, and she was considered the patron deity of Lower Egypt.
Buto < Wadj (et) < Wash  Bu-te(os) > Grec. bythos.
O. H. G. Ti-of > Te-Bu > Swed. D-jup < ? Te-Shup?
Pro-fundus, a, um, adj., deep, profound, vast (class.; syn. altus). I. Lit.: mare
profundum et immensum, (...) per inane profundum, (...) pontus, (...) Acheron, (...) Danubius.
Depois, porque o sentido latino mais recorrente deste termo era um apelo à
imensidão do profundo mar oceânico, ou seja aos abismos míticos da cosmologia
primordial! Sendo assim, nada nos espantaria ressentir neste termo o troar dos
medonhos apelos das profundas portas dos infernos.
«Profundas» (< Phor-Phundas < *Kaur-Ki-Untha < *Kur-Ki-Antu)
«Infernos» [= lit. «Nergal, o que se transporta no oposto (IN/NI < ne < An)
céu, o Kur!]
Mas, existem termos banais e de menor dignidade como «corcova», «corcunda»
e «giba» que nos indiciam no sentido de que este termo só será um apelo às «ondas»
do mar na medida em que o lado montanhoso do Kur nos reporta para o conceito
mítico da montanha primordial sobre a qual foi erguido o «mundo», enquanto forma
sinuosa e serpentina relacionada seguramente com as curvas opulentas das arcaicas
Deusas Mães das cobras cretenses!
«Corcova (= fosso), corcova (< Kur-kuki > Iscur)=
«Corcunda» < *Kaur-Ki-Untha =
«Giba» (< Lat. gibba < Gibil, um dos epítetos de Enki enquanto deus da
aurora e o Lúcifer sumério!!!)
«Mundo» < Ma-Untha, lit. «a Mãe Unto, a Gorda»! < Ama-Antu.
Fundus, i, m. for fudnus [Sanscr. budh-nas, ground; Gr. puthmên, pundax; O. H.
Germ. Bodam; Germ. Boden; v. fodio], the bottom of any thing (class.). fodîna, ae, f. [id.; a
place from which a mineral is dug], a pit, mine: argenti (also written in one word
argentifodina, v. h. v.).
Lat. fodio + Ana <=> fodi-ana, lit. “a Sr.ª mãe de *Fo-deo,
o deus Pho, da luz e do fogo do Amor primordial” => fodina
=> *phodian > Phouthen- (> Engl. fountain)
> *phunth- «fonte» > Lat. Fundo!
A existência do deus Pho, étimo grego da luz, está bem atestada na exegese
grega como sendo uma variante de Phanes, o deus protágono do amor primordial.
Senso assim, a conotação que o «foder» tem hoje no calão português não corresponde
a uma deturpação por metáfora brejeira do termo latino mas a uma continuidade
semântica a partir da fonte original do deus do Amor fecundante que acabou por se
desviar por uma metáfora da fertilidade agrícola dependente tanto das boas chuvas do
céu como das boas lavras da terra! E mais uma vez se chama à atenção para a óbvia
dificuldade que existe em encontrar paralelismo étmicos entre termos, supostamente
indo-europeus, foneticamente tão afastados e que só a partir de semantemas, que
importa descobrir, se poderiam comparar! Parece assim, que o primeiro sentido oculto
no nome da deusa da Abundância era o da “abundância em água”...o que acaba por
revelar o que já sabemos sobre a importância desta fartura, bem como, da de poços
«profundos», para a sedentarização dos povos mediterrânicos.
Fundo, âvi, âtum, 1, v. a. (< fundus), to lay the bottom, keel, foundation of a thing, to
found (syn.: condo, exstruo, etc.).
Sanscr. budh-nas < Wotan + ash > Germ. Boden (ash)
Gr. pundax < *Phunth + ash < *Phaunth < Contho < Kauntho
< Ki-Antu > Wi-tan < *Phiat-an > (Ne)potan(o) > Wotan.
De facto, fundo <= condo < *Ki-An-| tu < | -ish => *Phi-Anus
Fons < *Phi-Anus > Faunus.
*Phi-Anus < Ki-An > Enki.
Entretanto, somos confrontados com dois homónimos latinos que se revelam de
semânticas quase antónimas! No caso anterior, o verbo «fundar» implica um acto de
máscula elevação solidificante a partir dos fundos abissais enquanto «fundir» redunda
numa efeminada acção dissolvente das profundezas magmáticas da terra!
Fundō (present infinitive fundere, perfect active fūdī, supine fūsum), 3, v. a. [root
Fud; Gr. Chu, Chew-, in cheô, cheusô; Lat. futis, futtilis, ec-futio, re-futo, etc., (...)], to pour,
pour out, shed.

Fundō (present infinitive fundāre, perfect active fundāvī, supine fundātum).

Fodiō (present infinitive fodere, perfect active fōdī, supine fossum)


A verdade é que «fundar» é um verbo que deriva, de forma patente, do fundo
dos infernos enquanto «fundir» deriva da mesma raiz fut- do verbo fodeo, es, ere com
que partilha um Perfeito indicativo fōdī quase idêntico! Não será assim por mero acaso
fonético que os falantes lusitanos menos confusos se comprazem em confundir os
nomes das lâmpadas fu(n)didas!
En México la palabra "follar" no se usa, de hecho es más utilizada en España, y tiene
el significado de tener relaciones sexuales, para esto se usa mas "coger". Por otra parte,
"joder" si la utilizamos, en el lenguaje coloquial, para mencionar que se está molestando o
fastidiando a alguien con la intención de hacerla enojar, aunque es una palabra fuerte.

Tanto "follar" como "joder" significar practicar el coito en sentido literal, y también
significan fastidiar en sentido figurado. En el caso de "joder", recibe un uso muy parecido al
del inglés to fuck.

En cuestión de uso, la palabra vulgar común para practicar el sexo sí sería "follar",
mientras que "joder" se usa hoy en día principalmente en sentido figurado, el de molestar.
Seguramente que o espanhol “follar” deriva de desfolar o desfollar < del sup.
lat. "exfollare" = esfoliar > esfolar > esfolhar >  des-hojar  desfolhar =
«desfolhar» < «desflorar»!
Seguramente também que esta conotação do acto sexual com a acção de
desfolhar uma flor acaba por ser mais romântica do que a rude conotação arcaica “de
escavar a terra” explícita no latino fodeo.
Cuando te tiras a una gorda o a una fea eso no se puede considerar follar. Eso
es desfollar.
Como no caso anterior há no galego muitas palavras com |L|, mas também
neste caso • há muitas palavras derivadas doutras que já têm |L|, por exemplo de folla
derivam-se:

desfollado, desfollar, enfollar, follado, follame, follar, follarada, follaxe, follear,


folleada, folledo, folleiro, folletin, folletinesco, folletinista, folleto, folliña, folloso,
folludo, refollar, -- A origem do uso de ll e ñ para representar os fonemas |L| e |ñ|,
José Ramom Flores d’as Seixas.
Do uso e abuso da palavra galega e espanhola «folhar» como calão do acto
sexual resultaram termos com conotação depreciativa como «foleiro» (< fole) e
«folgado», do Lat. follicare que se relaxaram por analogia com o acto de dar ao «fole»
< Lat. folle.
Os termos espanhóis jod-er e cog-er parecem próximos do lusitano foder e das
ressonâncias anglo-saxónicas de fuck e expressam óbvias variantes em dialectos
hispânicos.
Esp. Joder = ficar de papo para o ar, foder.

Esp. Follar = trepar, foder, transar, pinar

Esp. Coger = pegar, colher, caçar, apanhar, agarrar, foder, comer, trepar.
Coger derivará dum termo arcaico que acabou por cair nas malhas conotativas
do acto de colher a flor para a desflorar de seguida!
The earliest examples of the word otherwise are from Scottish, which suggests a
Scandinavian origin, perhaps from a word akin to Norwegian dialectal fukka "copulate," or
Swedish dialectal focka "copulate, strike, push," and fock "penis." Another theory traces it to
Middle English fyke, fike "move restlessly, fidget," which also meant "dally, flirt," and
probably is from a general North Sea Germanic word; cf. Middle Dutch fokken, German
ficken "fuck," earlier "make quick movements to and fro, flick," still earlier "itch, scratch;"
the vulgar sense attested from 16c. This would parallel in sense the usual Middle English
slang term for "have sexual intercourse," swive, from Old English swifan "to move lightly
over, sweep". But OED remarks these "cannot be shown to be related" to the English word.
Chronology and phonology rule out Shipley's attempt to derive it from Middle English firk "to
press hard, beat."

Germanic words of similar form (f + vowel + consonant) and meaning 'copulate' are
numerous. One of them is G. ficken. They often have additional senses, especially 'cheat,' but
their basic meaning is 'move back and forth.'...Most probably, fuck is a borrowing from Low
German and has no cognates outside Germanic. [Liberman]
Fuck < focka < fukka < ficken < Phukika < Kukika < Kekika > «queca».
> «fofoca».
A «fofoca» seria uma variante verbal das porquices, como a «futrica».
Ousar dizer que “fuck é um empréstimo de baixo alemão e não tem cognatos
fora da germânica” pode ser a porra duma grande vaidade pangermanista! Na verdade,
como adiante se verá, termos de origem latina como «fecundidade», «facúndia» e
«faculdade» transportam a raiz fuc- que seguramente não é germânica nem
seguramente um falso cognato pela óbvia conotação sexual que estes termos carregam.
Ora, desde o verbo abundo aos adjectivos latinos fundu e profundu, inferimos
um étimo -undo que, como se previa, significava literalmente «onda».
Unda, ae, f. [Sanscr. root ud-, und-, to be wet; whence, uda, water; Angl. -Sax. ydhu,
wave; Slav. voda, water; Gr. hudôr, huades; Goth. vatô, water], a wave, billow, surge (syn.
fluctus).
As pálidas ressonâncias étmicas, referidas como raízes indo-europeias, são mais
de fazer corar de vergonha, por se ficar com a sensação de se estar como que
intelectualmente cego, surdo e mudo mais do que estonteado pela clarividência destas
linhas étmicas! É claro que se sente qualquer coisa, depois de muita boa vontade, mas
é mais fácil achar que se está mais perante gravetos de rebentos mortos do que, de
verdadeiras e pujantes raízes evolutivas!
Para corroborar esta relação da profundidade das abundâncias da deusa mãe
temos o nome de Laetitia Fundata.
Figura 9: O: draped and cuirassed bust with radiate crown IMP GORDIANVS PIVS
FEL AVG. R: Laetitia holding wreath and anchor LAETITIA AVG N (Joy of our Emperor).
silver antoninianus struck by Gordian III in Rome late 240 - July 243 AD; ref.: RIC 86.

Laetitia Fundata significa Alegria "Estabelecida" ou "Bem Fundada"; essas moedas


geralmente a mostram com o leme de um navio, muitas vezes apoiado em um globo. Mais uma
vez, essas representações enfatizam a ideia de que a base da felicidade do Império foi
construída sobre sua capacidade de dominar e dirigir o curso dos acontecimentos, embora
também possam, de forma mais prática, fazer referência à dependência do Império de grãos
importados para manter seu povo alimentado.
Sendo assim, é quase seguro que Letícia Fundata era a reminiscência de uma
antiga deusa mãe como Ceres e Deméter que terá sido venerada como Fundata, ou
seja, literalmente *Funda-tea ou deusa *Funda, do profundo gozo e da bem fundada
alegria.
Letícia | Fundata < *Funda-tea < *Funda < Ki-Unda < Ki-Antu.
A este propósito se poderia tropeçar no termo «funda» como cognato de
*Funda.
Uma funda ou fundíbulo é uma arma de arremesso constituída por uma correia ou
corda dobrada, em cujo centro é colocado o objeto que se deseja lançar.
Figura 10: Column of Trajan. 110.
ITALY. Rome. Forum of Trajan. First Dacian
War. III Campaign. ""Funditores"" (slingers)
from the Balearic Islands. Auxiliaries of the
Roman army. Roman art. Early Empire.
Os atiradores baleares eram
famosos em todo o mundo antigo, que
foram contratados como mercenários
pelos diferentes exércitos da antiguidade.
Eles foram treinados desde a infância em
habilidades de estilingue e carregaram
três tipos de comprimentos diferentes,
dependendo da distância de arremesso.
Sua precisão e potência foram
consideradas incomparáveis. O uso de
projéteis de chumbo, inventados pelos
gregos, tornaria a funda uma arma
temível, ainda mais do que o arco, devido
ao seu maior poder de impacto e
alcance;

A isso se somava o pequeno tamanho dos projéteis que eram capazes de penetrar no
corpo como uma bala e, como ela, eram invisíveis no ar. Como arma de guerra, a funda
ainda foi usada durante a Idade Média, mesmo coexistindo com canhões primitivos. Como
ferramenta associada à caça e ao pastoreio, a funda seria usada desde o Neolítico até os dias
atuais.
Há informações críticas que decidem, só por si, o melhor rumo duma
etimologia: O uso de projéteis de chumbo, inventados pelos gregos, tornaria a funda
uma arma temível. Assim sendo, desde logo se suspeita que tenha sido a fundição do
chumbo que fez a sorte da «funda», tal como viria mais tarde a ser a sorte das
caçadeiras de cartucho de chumbada.
«Funda» < Possivelmente do proto-Indo-europeu *bʰondʰeh, de *bʰendʰ-
(“ligar”), cf. «banda». Alternativamente, um termo de empréstimo de uma língua
desconhecida, que também pode ter sido a fonte do grego antigo σφενδόνη
(sphendónē, “funda”).
Seguramente que o termo grego sphendónē não tem a etimologia proposta!
Σφεντόνα < σφενδόνη < σφοδρός < *esphandalos < Ish-Phing-| Than-  Tal-
Dito de doutro modo o termo grego deriva da mesma conotação arcaica de que
deriva a «fisga» lusitana, ou seja, o conceito de algo bem fincado com tala de tecido,
linho ou juncos e fisgado com os dedos da mão certeira do pastor e do caçador arcaico,
sobrevivente nas baleares. A parte importante da funda ou fisga que era precisamente a
tecedura das talas e que levam os indoeuropeístas a penar nas bandas da deusa Banda
tinha o nome latino de scūtāle , is, n. scutum, que os latinistas fazem derivar de
escudo mas que poderia derivar de uma *escrotalia virtual enquanto funda herniária,
seguramente inventada de forma muito arcaica uma vez que a hérnia inguinal de
esforço seria uma das patologia mais comuns e mais antigas no mundo rural arcaico.

PURA AC PUTA
Na mitologia romana, de acordo com Arnobius, Puta presidia à poda das
árvores e era uma deusa menor da agricultura.
As festividades em homenagem a essa deusa celebravam a poda de árvores e,
nesses dias, as sacerdotisas se manifestavam exercitando uma carroçaria sagrada
prostituindo-se em homenagem à deusa Puta, o que explicaria o significado atual da
palavra nas línguas que evoluíram do latim.
Quanto a dizer-se que «a etimologia de seu nome vem do latim e seu
significado literal é poda» já é preciso mais calma pois como se verá de seguida
«puta» em latim significava o oposto do que significa hoje ou seja, foram os abusos
das sacerdotisas da divina Poda que transformaram a ação de limpeza e purificação
dos pomares de Pomona numa bela Phoda!
O papel da água nas libações sagradas teria sido de primordial importância na
ritualidade antiga, mas daí a fazer derivar o nome dos «poços» duma hipotética raiz
indo-europeia pu-, relativo à «purificação litúrgica», talvez seja demasiada
superstição!
Puteus, i, m. (neutr. collat. form of the plur. putea, ôrum,) [root pu-, to cleanse;
whence also pu-rus, pu-tus, purgo], a well: puteum fodere, Plaut. Most. 2.1.32.
Desde logo porque nos parece duvidosa a própria etimologia do termo luso!
«Poço» < *putiu(m) < Lat. poteus < Pot- > Possei-Don , Sr. do poço.
A palavra poço vem do latim puteus (...), que às vezes nos aparece de forma neutra
como puteum. No latim vulgar tardio, a dissimilação do grupo de vogais -eu- deu origem a
-iu (*putium), e então ao grupo -ti- ante vogal assimilada em ç.

Puteus é uma palavra latina muito antiga, considerada de origem etrusca.


Embora estes termos sejam obviamente equivalentes a quando duma boa
tradução, é patente a divergência na origem étmica de ambos os termos!
Pûrus, a, um, adj. [Sanscr. root pû, purificare, lustrare; cf.: putus, puto;
whence also poinê; Lat. poena], clean, pure, i. e. free from any foreign, esp. from any
contaminating admixture (syn.: illimis, liquidus). Putus, a, um, adj. [root pu-, to
cleanse; whence also purus, putens, puto], cleansed, purified, perfectly pure, bright,
clear, unmixed; usually joined with purus; purus putus, sometimes purus ac putus:
putare valet purum facere.
A conclusão que se tiraria de fórmulas como "purus ac putus / pura puta" só
poderia ser a de estarmos perante adjectivos complementares, com a idêntica
etimologia a partir da raiz pu®-, com semânticas idênticas que na origem seriam mais
ou menos as de Kur.
Purus < Kur > Phyr = pira de lenha < Ancient Greek: πυρά; pyrá
< πῦρ, pyr, "fogo"
Existe a suspeita de que o conceito grego de fogo era primariamente aplicado ao
fogo crematório e dos altares de sacrifício derivando portanto da pira funerária que
essa sim teria sido a primitiva montanha de lenha purgatória. Portanto o conceito da
pureza deriva tanto do ar puro dos altos cumes dos montes como da pureza da pira
funerária.
Purus < Phur-(ish)  Iscur lit. filho do Kur, purificado pelo fogo do inferno!
=> Grec. Korê e kauroi > cur-at(us) < «curado», livre de impureza.
«Furo» < Lat. foro  kaurisco, lit. pequeno «coiro» = jovem nu!
Phur => lat. puer = criança > jovem e virgem => belo.
Puer, eri (...), m. (v. infra) [root pu-, to beget; v. pudes; and cf. pupa, putus3 ], orig. a
child, whether boy or girl: pueri appellatione etiam puella significatur.
Lat. Puer < *Puellus / Puella < ¿Apullu <=> Etrus. Apulu. ? <= Pulcer.
Pulcher, chra, chrum, and less correctly pulcer, cra, crum, adj. [for pol-cer, root pol-
ire, akin with parêre, apparêre, prop. bright, shining; hence], beautiful, beauteous, fair,
handsome, in shape and appearance (syn.: speciosus, venustus, formosus).
Claro que não faz sentido fazer derivar um adjectivo dum infinitivo verbal (<
Lat. polire ou apparêr) quando se sabe que os verbos são meros nomes conjugados (de
forma mais ou menos complexa conforme o maneirismo gramatical) já que é uma
regra lógica de valor universal, porque quase intuitiva, que para bom entendedor
(ouvinte e mau falante) basta o contexto. Os infinitivos podem ser, quanto muito,
nomes simplesmente assinalados com um infixo de acção!
Então, Lat. Pulcher < pulcer < apulcera < Apul(o)-cer(a)
= Apolo (etrusco) de cera = estatueta de um kauro de cera polida
=> Um símbolo de beleza!
Na proximidade semântica de purus < Kur(ish) terá andado o termo «curado»!
Assim, é bem possível que o sentido semântico inicial mais natural de purus
putus tenha sido equivalendo do actual «são e salvo», livre de morrer pelo fogo da
febre e salvo da voragem das águas! Quer isto dizer que estamos perante termos que,
não sendo arcaicos, se revelam de composição tardia, quiçá envoltos nas próprias
raízes da romanidade mítica!

Figura 11: A tarefa das potinijas tenderá a desaparecer com a tecnologia da água
canalizada mas a civilização antiga não teria subsistido sem o papel das «aguadeiras» e sem o
recurso ao transporte de cântaros à cabeça!
Cera pura puta. Hecatombe mea pura ac puta. Varro.

3
< *Phiuto!!!
Lat. Purus < Proto-Indo-European *putós < *pewH- (“limpar, purificar”). 
pūrus. < Grec. πῦρ = pur = fogo > pira de fogo
Em conclusão: o significado literal, mais próximo da realidade actual, da
expressão "purus ac putus / pura puta" seria:
Recém-nascido belo e perfeito como o deus menino solar, estar como se veio ao
mundo,
=> ser belo e sadio, > purificado pelo fogo = limpo e lavado, dedução esta
decorrente dos ritos purificadores das impurezas do parto
=> Jovem nu/a e lavado/a como um efebo impúbere ou uma donzela ainda não
menstruada, ou seja, ainda não poluídos pelos primeiros fluxos vitais!
=> Jovem kauro, efebo iniciado nas virtudes apolíneas cívicas e militares.
Se é certo que na tradição da moralidade judaico cristã a pureza da Imaculada
Concepção da Virgem Maria acabou por servir de modelo ao conceito de pureza
sexual de todas as virgens a verdade é que na origem das palavras as coisas estavam
bem longe de ser assim tão singelas e simplistas tal como a Virtude era
primitivamente um deus masculino relacionado menos com santidade moral e muito
mais com o heroísmo e a valentia militar. Outras eram as necessidades virtuais das
sociedades e outros teriam que ser os modelos de virtude.
Pois bem, sabemos que entre os canaaneus o nome da deusa Qadshu
significava também “imaculada” apesar de se tratar duma deusa de amores venais,
pelo que é seguro que o conceito de santidade e pureza dos tempos míticos não foi o
mesmo que o actual.
Versículos dos hinos do Ofício da Imaculada Conceição emprestados do culto
de Istar ou de Cibele.
Figura 12: Imaculada Conceição de
Pieter Rubens. O crescente lunar sobe o pé
esquerdo identifica-a como sendo a Virgem
Mãe primordial e a coroa de 12 estrelas como
Istar. O resto é mitologia do Génis.
Virgem, Filha de Deus Pai!
Virgem, Mãe de Deus Filho!
Virgem, Esposa do Divino Espírito Santo!
Virgem, Sacrário da Santíssima Trindade!
Miraculosa Rainha do Céu
Sob o teu manto tecido de luz,
Virgem, Senhora do mundo,
Rainha dos céus, Estrela da manhã,
Cheia de graça divina, formosa e louçã.
Deus vos salve, Virgem, Mãe Imaculada,
Rainha de clemência de estrelas coroada.

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