Você está na página 1de 224

TÉCNICAS DE

PESQUISA EM
ECONOMIA

Professora Me. Marcela Gimenes Bera Oshita

GRADUAÇÃO

Unicesumar
Reitor
Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor
Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor Executivo de EAD
William Victor Kendrick de Matos Silva
Pró-Reitor de Ensino de EAD
Janes Fidélis Tomelin
Presidente da Mantenedora
Cláudio Ferdinandi

NEAD - Núcleo de Educação a Distância


Diretoria Executiva
Chrystiano Mincoff
James Prestes
Tiago Stachon
Diretoria de Graduação e Pós-graduação
Kátia Coelho
Diretoria de Permanência
Leonardo Spaine
Diretoria de Design Educacional
Débora Leite
Head de Produção de Conteúdos
Celso Luiz Braga de Souza Filho
Head de Curadoria e Inovação
Tania Cristiane Yoshie Fukushima
Gerência de Produção de Conteúdo
Diogo Ribeiro Garcia
Gerência de Projetos Especiais
Daniel Fuverki Hey
Gerência de Processos Acadêmicos
Taessa Penha Shiraishi Vieira
Gerência de Curadoria
Giovana Costa Alfredo
Supervisão do Núcleo de Produção
Coordenador
de Materiais de Conteúdo
Silvio
NádilaCesar
Toledode Castro
Designer
Supervisão Educacional
Operacional de Ensino
Amanda Peçanha
Luiz Arthur Dos Santos
Sanglard
Janaína de Souza Pontes
Projeto Gráfico
Jaime de Marchi Junior
José Jhonny Coelho
Arte Capa
Arthur Cantareli Silva
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a
Editoração
Ana Eliza Martins
Qualidade Textual
Unicesumar

224 p. Ilustração
“Graduação - EaD”. Bruno de Camargo Pinhata
Gabriel Amaral
1. Técnicas. 2. Pesquisa . 3. Economia 4. EaD. I. Título. Marta Kakitani
Marcelo Goto
ISBN 978-85-459-1682-6
CDD - 22 ed. 330
CIP - NBR 12899 - AACR/2

Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário


João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Impresso por:
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos
com princípios éticos e profissionalismo, não so-
mente para oferecer uma educação de qualidade,
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in-
tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos
em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e
espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos
de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de
100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil:
nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba,
Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos
EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e
pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros
e distribuímos mais de 500 mil exemplares por
ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma
instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos
consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos
educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educa-
dores soluções inteligentes para as necessidades
de todos. Para continuar relevante, a instituição
de educação precisa ter pelo menos três virtudes:
inovação, coragem e compromisso com a quali-
dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de
Engenharia, metodologias ativas, as quais visam
reunir o melhor do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é
promover a educação de qualidade nas diferentes
áreas do conhecimento, formando profissionais
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está
iniciando um processo de transformação, pois quando
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou
profissional, nos transformamos e, consequentemente,
transformamos também a sociedade na qual estamos
inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu-
nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de
alcançar um nível de desenvolvimento compatível com
os desafios que surgem no mundo contemporâneo.
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica
e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con-
tribuindo no processo educacional, complementando
sua formação profissional, desenvolvendo competên-
cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em
situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal
objetivo “provocar uma aproximação entre você e o
conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento
da autonomia em busca dos conhecimentos necessá-
rios para a sua formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de cresci-
mento e construção do conhecimento deve ser apenas
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita.
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns
e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis-
cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe
de professores e tutores que se encontra disponível para
sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de
aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui-
lidade e segurança sua trajetória acadêmica.
CURRÍCULO

Professora Me. Marcela Gimenes Bera Oshita


Possui graduação em Ciências Econômicas, especialização em Gestão Contábil
e Financeira, e mestrado em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual
de Maringá (UEM). Atualmente é doutoranda em Ciências Econômicas na
UEM e professora do Centro de Ensino Superior Cesumar – Unicesumar, do
Departamento de Economia da UEM e do Departamento de Administração
do Instituto Adventista Paranaense (IAP).

http://lattes.cnpq.br/7867304750238505
APRESENTAÇÃO

TÉCNICAS DE PESQUISA EM ECONOMIA

SEJA BEM-VINDO(A)!
Olá, caro(a) aluno(a), meu nome é Marcela Gimenes Bera Oshita. Seja bem-vindo(a) à
nossa disciplina de Técnicas de Pesquisa em Economia. Você alguma vez já pensou que
ao final do curso terá que desenvolver um trabalho acadêmico? E que este trabalho aca-
dêmico precisa ser estruturado de forma científica? Talvez não.
Iniciaremos nosso estudo destacando o que é pesquisa, aspectos introdutórios e clas-
sificação em relação aos objetivos. Aprenderemos sobre as técnicas e métodos utiliza-
dos, em especial a importância da pesquisa em Ciências Econômicas. Trabalharemos
também a importância do planejamento, da formulação do problema e da hipótese de
pesquisa.
Pare e pense que nós, economistas, estamos sempre estudando a administração dos
recursos escassos, a atividade econômica, os processos de produção, acumulação, distri-
buição, circulação e consumo de bens e serviços, entre outros. Para que tenhamos êxito
em nossos estudos, precisamos entender de classificação de pesquisa, de técnica de
coleta de dados e amostragem. Também é importante conhecermos a diferença entre
pesquisas quantitativas e qualitativas, e como se apresentam os resultados.
Este livro, além de apresentar os métodos e as técnicas de pesquisa, auxiliará você
na elaboração das etapas do projeto e nas tipologias estrutura do trabalho científico.
Destaca-se que, os módulos trabalhados neste material não devem ser estudados ou
analisados de maneira isolada, mas de forma interligada e sempre que possível, vários
aspectos serão rememorados durante o nosso estudo, e ao longo do desenvolvimento
do seu projeto.
Além disso, você observará que no decorrer da leitura serão indicados elementos de
composição, como Saiba Mais, Reflita entre outros indicados para aprofundar e refletir
sobre o assunto tratado. Você ainda poderá pensar com o que quer trabalhar em sua
pesquisa e, assim, delinear hipóteses e técnicas que melhor se adequam ao tema de
sua escolha. De antemão, iniciar com um questionamento pode auxiliá-lo nos primeiros
passos dessa etapa de investigação: pense em uma pergunta central e, em seguida, ve-
rifique o que precisa ser feito para respondê-la. E para consegui atingir os objetivos pro-
postos nesta disciplina, utilize as referências que se encontram indicadas neste material
e atente-se às indicações de leituras complementares. Desejo-lhe bons estudos e muito
sucesso no desenvolvimento de trabalhos científicos!
09
SUMÁRIO

UNIDADE I

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM


RELAÇÃO AOS OBJETIVOS

15 Introdução

16 O Que é Pesquisa?

19 O Que São Técnicas e Métodos de Pesquisa?

22 Qual a Importância da Pesquisa em Ciências Econômicas? 

24 Importância do Projeto de Pesquisa

25 Formulação do Problema de Pesquisa

28 Hipóteses de Pesquisa 

31 Classificação das Pesquisas em Relação aos seus Objetivos 

34 Trabalhos Científicos 

39 Ética em Pesquisas

44 Considerações Finais

49 Referências

51 Gabarito
10
SUMÁRIO

UNIDADE II

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA EM RELAÇÃO AOS PROCEDIMENTOS


ADOTADOS

55 Introdução

56 Pesquisa Bibliográfica

60 Pesquisa Documental 

63 Pesquisa Experimental

64 Estudo de Caso e Casos Múltiplos 

67 Levantamento de Dados

70 Pesquisa-Ação

73 Pesquisa Participante

75 Pesquisa Ex-Post Facto

76 Estudo de Coorte 

78 Considerações Finais

83 Referências

84 Gabarito
11
SUMÁRIO

UNIDADE III

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM

87 Introdução

88 Planejamento da Pesquisa

94 Tipos de Perguntas

108 Métodos de Levantamento

113 Amostra e Tipos de Amostragem

123 Considerações Finais

128 Referências

130 Gabarito
12
SUMÁRIO

UNIDADE IV

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE


RESULTADOS

135 Introdução

136 Pesquisa Quantitativa 

142 Pesquisa Qualitativa

149 Tabulação

154 Apresentação dos Resultados de Pesquisa 

159 Principais Softwares Utilizados em Pesquisa

175 Considerações Finais

180 Referências

182 Gabarito

UNIDADE V

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO


CIENTÍFICO

185 Introdução

186 Elaboração do Projeto Científico

203 Tipos e Estruturas dos Trabalhos

217 Considerações Finais

222 Referências

223 Gabarito

224 Conclusão
Pofessora Me. Marcela Gimenes Bera Oshita

I
PESQUISA, ASPECTOS INTRO-

UNIDADE
DUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO
EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Ensinar o que é pesquisa acadêmica.
■■ Instruir sobre as técnicas e métodos de pesquisa.
■■ Orientar a respeito da importância da pesquisa em Ciências
Econômicas.
■■ Explicar sobre a importância do projeto de pesquisa para orientar o
trabalho científico.
■■ Ensinar a desenvolver a hipótese de pesquisa.
■■ Preparar para realizar a classificação das pesquisas em relação a seus
objetivos.
■■ Orientar o discente sobre a importância da ética no desenvolvimento
de pesquisas.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ O que é pesquisa?
■■ O que são técnicas e métodos de pesquisa?
■■ Qual a importância da pesquisa em Ciências Econômicas?
■■ Importância do projeto de pesquisa
■■ Formulação do problema de pesquisa
■■ Hipóteses de pesquisa
■■ Classificação das pesquisas em relação aos seus objetivos
■■ Trabalhos científicos
■■ Ética em pesquisas
15

INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a), esta unidade dará início ao processo de entendimento sobre


pesquisa, aspectos introdutórios e classificação em relação aos objetivos. A prá-
tica envolve conhecer quais são as técnicas e métodos de pesquisas que auxiliarão
você no desenvolvimento seu projeto de pesquisa, bem como nos trabalhos cien-
tíficos de forma geral.
Veremos que pesquisar é procurar respostas, como uma atividade fundamen-
tal da ciência, um processo permanente e inacabado, possibilitando aproximação
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

e entendimento da realidade e, ainda, descobriremos que o conceito de pesquisa


vai além do “eu acho”.
Por meio dessa proposta, você passará a compreender que para uma pes-
quisa ser considerada científica é necessário conhecer as técnicas e métodos para
o seu desenvolvimento. Nessa perspectiva, iremos aprender sobre a importân-
cia da pesquisa em Ciências Econômicas.
Imagine que logo você estará desenvolvendo pesquisa nessa área, portanto,
precisará saber que o pesquisador é guiado pela curiosidade. Só que para isso,
deverá conhecer como se formula um problema de pesquisa, bem como se
desenvolvem as hipóteses de pesquisas que têm por finalidade guiar o estudo,
proporcionar explicações e, ainda, apoiar a comprovação da teoria.
Observe que é importante, também, saber classificar as pesquisas, em rela-
ção aos seus objetivos: descritivas, exploratórias e explicativas. Você deve estar
curioso, pois agora está aprendendo que pode desenvolver ciência, ou seja, pode
ser um pesquisador. Você já conheceu, durante o curso, muitas ferramentas que
auxiliarão no desenvolvimento de sua pesquisa e neste momento, precisa conhe-
cer o que são trabalhos científicos e como se dá a ética em pesquisas.
Agora que já conhecemos o contexto do que é pesquisa, como se dão os tra-
balhos científicos, seus métodos e as técnicas, quero convidá-lo(a) a continuar em
nossa jornada de estudos e, nesta unidade, proponho a reflexão sobre a impor-
tância de desenvolver pesquisas nas ciências econômicas.

Introdução
16 UNIDADE I

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O QUE É PESQUISA?

Caro(a) aluno(a), nesta unidade vamos aprender o que é pesquisa, os aspectos


introdutórios e a classificação em relação aos objetivos. Pense que na conclusão
do curso você precisará desenvolver o trabalho final e ainda não sabe de onde
partir. Pois bem, agora é o momento de começar a entender como funcionará o
processo para o desenvolvimento de sua pesquisa e imagine-a como a primeira
de muitas.
Para Gil (2010), a pesquisa é um processo racional e sistemático que tem a
finalidade de buscar respostas para o problema estudado. O autor destaca, ainda,
que a pesquisa é requerida quando não existem informações suficientes para res-
ponder a um problema, ou os dados disponíveis não estão organizados a ponto
de serem relacionados de forma adequada à resposta do objetivo.
“A pesquisa é um conjunto de processos sistemáticos, práticos e empíri-
cos aplicados no estudo de um fenômeno” (SAMPIERI et al, 2013, p. 30). Para
Vergara (2003), a pesquisa é a atividade básica da ciência; a ciência, por sua vez,
é um processo que busca a verdade predominantemente racional, acerca de um
fenômeno que não é um dogma, mas algo discutível.

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


17

Para que a ciência seja desenvolvida, é necessária a existência de conhecimen-


tos disponíveis e a utilização de técnicas metodológicas, para que a investigação
seja realizada por meio da “pesquisa científica”, que consiste na realização con-
creta de uma investigação planejada, desenvolvida e registrada.
Assim, a pesquisa científica é o resultado de um exame minucioso, realizado
por meio de um conjunto de processos sistemáticos, fundamentados racional-
mente, que visam encontrar soluções para os problemas propostos utilizando-se
de métodos científicos.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O pesquisador guiado pela curiosidade está constantemente tentando


explicar algo.

Vale destacar que existem dois tipos de pesquisa: a pura (básica) e a aplicada.
A pesquisa pura é destinada à investigação dos fenômenos na busca de des-
cobertas e de melhorias científicas úteis para o avanço da ciência, que podem
melhorar a vida das pessoas sem aplicação prática prevista, por exemplo: a teoria
da relatividade ou uma planta que cura o câncer. Já a pesquisa aplicada objetiva
gerar conhecimentos de aplicação prática, voltados às soluções de problemas con-
cretos, como por exemplo: aplicação da energia nuclear ou o desenvolvimento
de patentes de um remédio que utiliza a planta que cura o câncer.
De acordo com Quivy e Campenhoudt (1995), para desenvolver pesquisas,
é necessário, inicialmente, compreender a articulação da pesquisa, que passa por
três etapas: o processo de ruptura, de construção e de constatação.
O processo de ruptura está relacionado com a nossa “bagagem teórica”, ou
seja, grande parte das nossas ideias podem estar relacionadas a aparências ime-
diatas ou partidarismos: “eu quero fazer isso, pois eu acho isso”, normalmente
essas ideias são ilusórias ou até preconceituosas. Nessa perspectiva, o processo
de ruptura consiste em desfazer-se das eventuais ideias preconcebidas e com
as pérfidas evidências que nos dão a ilusão de compreender as coisas (QUIVY;
CAMPENHOUDT, 1995, p. 30).

O Que É Pesquisa?
18 UNIDADE I

O processo de construção se dá por meio da elaboração de propostas expli-


cativas do objeto de estudo, por meio de um sistema conceitual organizado de um
plano de estudo que possa expressar a lógica do pesquisador, fundamentada em
outra lógica e num sistema conceitual validamente constituído, portanto, sem essa
construção lógica não há pesquisa validada (QUIVY; CAMPENHOUDT, 1995).
Por fim, a constatação ou experimentação, que é uma proposta de pes-
quisa científica, com informações da realidade, suscetível de verificação (QUIVY;
CAMPENHOUDT, 1995). Assim, a articulação das etapas da pesquisa científica deve
ser formal, com uma construção fundamentada numa lógica em que a constatação

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
possa ser realizada para se conhecer a realidade ou descobrir verdades “parciais”.
Dessa forma, a pesquisa científica normalmente é caracterizada por um
roteiro planejado seguido com rigor (o método científico) e pela utilização de
técnicas e procedimentos, em que todas as fases devem ser respeitadas.

O que é necessário para fazer pesquisa?


Inicialmente, para fazer pesquisa, é necessário que o pesquisador tenha co-
nhecimento do assunto a ser pesquisado, ou seja, que já tenha lido sobre o
mesmo. Além disso, é importante que o pesquisador tenha curiosidade e
criatividade para trabalhar, dentro do tema, algo que seja interessante para
a sociedade e/ou área de pesquisa.
O pesquisador precisa, ainda, ter integridade intelectual, atitude autocor-
retiva, imaginação, disciplina, perseverança, paciência e confiança na ex-
periência e a pesquisa necessita, para sua realização, de recursos humanos,
materiais e financeiros.
Fonte: Gil (2010, p. 40).

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


19

O QUE SÃO TÉCNICAS E MÉTODOS DE PESQUISA?

O método de pesquisa determina o que fazer e


as técnicas, como fazer. Assim, o método é
a busca da verdade por meio de diversas
etapas utilizadas para a busca do conhe-
cimento, ou seja, os passos necessários
para demonstrar que o objetivo proposto
foi atingido.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O método deve indicar se mode-


los serão desenvolvidos ou se serão
construídos, quais experimentos even-
tualmente serão realizados e ainda, como
os dados serão organizados e comparados,
entre outros, conforme o tipo de pesquisa que
está sendo realizada.
De acordo com Silva (2003), os métodos específicos das ciências sociais
aplicadas são: o método experimental, método observacional, método com-
parativo e método estatístico.
O método experimental compreende a ideia de que o pesquisador realizará
sistematicamente intervenções no ambiente a ser pesquisado, para verificar se
as alterações trazem os resultados esperados, tal como um guia para experi-
mentação, coleta e análise dos dados, frequentemente utilizado em pesquisas
nas áreas de ciências naturais, por exemplo, para analisar o desempenho num
teste de memórias, ou de gêneros femininos e masculinos, analisando como
mudanças em determinadas variáveis afetarão algo ou valores de outra vari-
ável. Na economia, a pesquisa experimental pode ser utilizada para realizar
simulações.

O Que São Técnicas e Métodos de Pesquisa?


20 UNIDADE I

A economia experimental tem sido muito utilizada em teoria dos jogos


não cooperativos, constituindo um campo recente na ciência econômica.
Contudo, a esta não pode ainda ser considerada uma ciência experimental,
assim, não existe razão para que dados econômicos não possam ser obti-
dos por meio de experimentos de laboratório, uma vez que autorizam ao
pesquisador a variar os parâmetros de maneira sistemática, têm a vantagem
de possibilitar um teste mais direto de hipóteses comportamentais, resol-
vendo parcialmente alguns problemas com obtenção de dados para testes,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
pois permitem a coleta de informações, às quais os pesquisadores de campo
ainda não têm acesso.
Fonte: Lume ([2018],on-line)1.

O método observacional é muito utilizado nas ciências sociais aplicadas, fun-


damentado em procedimentos como ver e escutar. Se não obedecer a uma
estruturação, pode ser considerado impreciso e vulgar, mas, quando estruturado
com rígidos controles, possibilita grande precisão na pesquisa. Também é muito
aplicado na economia para realizar observação direta dos indivíduos, entrevis-
tas e questionários ou com base em documentos produzidos.
O método comparativo possibilita o estudo de grandes grupos sociais por
meio da investigação de indivíduos, classes, fenômenos ou fatos, realizando
comparações para verificar semelhanças e explicar divergências, separadas pelo
espaço de tempo entre passado e presente.
Na economia, o método comparativo pode explicar o desenvolvimento
regional, a forma com que as pessoas vivem no meio rural e urbano, conside-
rando a situação em épocas distintas. Por esse método ainda é possível analisar
na Macroeconomia fatores econômicos por meio da comparação entre países,
regiões, setores econômicos, classes sociais, industrialização, etc.
O método estatístico, comumente utilizado em pesquisa social, é funda-
mentado na técnica estatística e na de probabilidade. Entretanto, não podemos
considerar os esclarecimentos obtidos como verdade absoluta, mas dotados
de probabilidade de serem corretos (SILVA, 2003). Assim, o método motiva

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


21

o que fazer e a técnica de pesquisa determina como fazer. Marconi e Lakatos


(2006, p. 31) destacam que “tanto os métodos quanto as técnicas devem ade-
quar-se ao problema a ser estudado, às hipóteses levantadas e que se queira
confirmar, ao tipo de informantes com quem vai entrar em contato”.
Ainda reforçam que a técnica “é um conjunto de preceitos ou processos de
que se serve uma ciência ou arte; é uma habilidade para usar esses preceitos ou
normas, a parte prática” (MARCONI; LAKATOS, 2010, p. 157). De acordo com
os autores há quatro abordagens que segmentam as técnicas em quatro grupos, as
documentações indireta e direta, e as observações direta intensiva e extensiva.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A documentação indireta está relacionada à pesquisa bibliográfica e docu-


mental. A bibliográfica busca explicar um problema sob um novo enfoque a
partir de pesquisas já realizadas publicadas em jornais, revistas, livros, mono-
grafias, teses, entre outros. Já a documental é a coleta e análise de documentos
escritos ou não, como arquivos particulares (dentro de empresas, autobiográfi-
cas, ofícios etc.), públicos e fontes estatísticas em departamentos e institutos de
estatísticas (IBGE, IBOPE etc.).
A documentação direta relaciona-se à pesquisa de campo, que consiste na
observação de fatos e fenômenos tal como ocorrem. Vale destacar que ela se
divide em: quantitativo-descritivas (utilizam artifícios quantitativos para coleta
sistemática de dados sobre populações, programas ou amostras), explorató-
rias (desenvolvem hipóteses, aumentam a familiaridade do pesquisador com o
assunto, explicam ou modificam conceitos) e experimentais (o objetivo é tes-
tar hipóteses por meio de grupo-controle, amostra probabilística e definição de
variáveis independentes).
A observação direta intensiva utiliza os sentidos para obter aspectos da rea-
lidade, colocando o pesquisador em contato direto com a realidade, por meio
de observação assistemática e sistemática, ou ainda observação participante e
não participante, podendo ser individual ou coletiva, e realizada no ambiente
real ou em laboratório.
E a observação direta extensiva pode ser realizada por meio de questioná-
rio (respondido por escrito sem a presença do pesquisador) ou formulário (em
um roteiro de entrevista preenchido pelo entrevistador ou pesquisador).

O Que São Técnicas e Métodos de Pesquisa?


22 UNIDADE I

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
QUAL A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA EM CIÊNCIAS
ECONÔMICAS?

Aprendemos que a palavra economia significa “administrar o lar”, entendida


como a alocação de recursos finitos, ou seja, a economia estuda a forma pela
qual a sociedade administra seus recursos escassos. Desenvolver pesquisas em
ciência econômica, de modo geral, é poder estudar como alocar os recursos
escassos entre os fins.
A pesquisa nessa área tenta explicar como funcionam os sistemas econô-
micos, as relações entre famílias, empresas e o governo e, também, o comércio
internacional, por meio dos estudos em microeconomia, macroeconomia, eco-
nomia internacional e desenvolvimento econômico.
Você já parou para pensar que poderá utilizar as teorias que estudou ou
está estudando ao longo do curso, como base para sua pesquisa? A partir de
agora você já pode começar a pensar no tema para seu trabalho final. Analise
as teorias e procure um problema teórico ou prático para ser resolvido. Quando
descobrir o problema, poderá descrever como resolvê-lo por meio dos obje-
tivos de pesquisa.

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


23

Caro(a) aluno(a), há algumas áreas de pesquisa em economia que são


muito utilizadas para a produção acadêmica:
1. Crescimento, Tecnologia e Integração: refere-se ao estudo dos
impactos dos acordos de integração sobre o comércio exterior do
Brasil.
2. Desenvolvimento Econômico: estudo das transformações produtivas
ocorridas no país ou em um determinado estado nos últimos anos.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

3. Estudo das Políticas Públicas: estuda o perfil do setor público, em


especial as finanças públicas.
4. Economia Agrícola e Complexos Agro-industriais: estudo das mudanças
na estrutura agrária, e a transformação industrial dos produtos agrícolas.
5. Economia Regional e Urbana: análise espacial das transformações
ocorridas na economia brasileira e na economia dos estados.
6. Sistemas Monetário e Financeiro: investigação das mudanças no
sistema monetário internacional e ajustes das políticas monetárias. .
7. Economia do Trabalho: estudo do trabalho a partir das condições
ocupacionais e salariais.
Fonte: UFPR ([2018], on-line)2.

Caro(a) aluno(a), imagine que a economia tem inúmeros problemas a serem


resolvidos e que você poderá, com sua pesquisa, contribuir para elucidar alguns
dos problemas econômicos que aguardam por resolução.

Qual a Importância da Pesquisa em Ciências Econômicas?


24 UNIDADE I

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
IMPORTÂNCIA DO PROJETO DE PESQUISA

A pesquisa, ao ser desenvolvida, necessita de uma fase antecedente que se revela


no projeto, que por sua vez, deve ser bem feito para que a oriente (VERGARA,
2003). Ainda segundo Vergara (2003), o projeto pode ser comparado a uma carta
de intenção, definida como o problema a ser estudado, e como o referencial teó-
rico, que sustentará a metodologia a ser utilizada, o cronograma da pesquisa
(prazos e metas) e as referências bibliográficas.
Assim, o planejamento da pesquisa se concretiza mediante a elaboração de um
projeto (GIL, 2010). Mais especificamente, um projeto deve conter o problema a ser
estudado, o objetivo a ser alcançado, a justificativa de sua realização e a metodolo-
gia utilizada (modalidade de pesquisa, procedimento, coleta e análise dos dados).
É importante que você compreenda que todos esses elementos utilizados na
carta de intenção, ou seja, no projeto, deverão constar no relatório de pesquisa,
bem como a forma que foram empregados para se chegar aos resultados e con-
clusões, respeitando os padrões da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT) (VERGARA, 2003). Observe a seguir, os elementos normalmente reque-
ridos em um projeto.

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


25

Quadro 1 - Elementos normalmente requeridos num projeto

Elementos normalmente requeridos num projeto:


1. Formulação do problema
2. Construção de hipóteses
3. Identificação do tipo de pesquisa
4. Operacionalização das variáveis
5. Seleção da amostra
6. Elaboração dos instrumentos e determinação das estratégias de coleta de dados
7. Determinação do plano de análise dos dados
8. Previsão da forma de apresentação dos resultados
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

9. Cronograma de execução da pesquisa


10. Determinação dos recursos humanos, materiais e financeiros a serem alocados
Fonte: Gil (2010, p. 4).

Embora não haja regras fixas para elaboração de um projeto de pesquisa, visto
que sua estrutura será determinada pelo tipo de problema a ser pesquisado e
pelos estilos, é importante destacar que o projeto deve ser detalhado, contendo
explicação do que estudará na pesquisa, quais as etapas que serão desenvolvi-
das e os recursos a serem alocados (GIL, 2010).

FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA

Antes da formulação do problema


é importante conhecer o tema, ou
seja, o assunto que se deseja estu-
dar. De acordo com Marconi e
Lakatos (2006), escolher o tema
significa selecionar um assunto
que seja adequado para elaborar
um trabalho científico e encontrar
um objeto que mereça ser inves-
tigado cientificamente. Exemplo de tema: “cultura organizacional”. Problema:
“Como a dimensão simbólica permeia as relações de trabalho no método de
engenharia?” (VERGARA, 2003, p. 25).

Formulação do Problema de Pesquisa


26 UNIDADE I

Assim, o problema é uma dificuldade teórica ou prática do assunto que se


deseja estudar, para a qual se deve encontrar uma resposta. Gil (2010) ainda des-
taca que nem todo problema é passível de tratamento científico e que, ao realizar
uma pesquisa, deve-se estar atento a isso.
Kerlinger (1980 apud GIL, 2010) destaca exemplos de problemas não cien-
tíficos: como fazer para melhorar os transportes urbanos? O que pode ser feito
para melhorar a distribuição de renda? Como aumentar a produtividade no tra-
balho? Esses são problemas de engenharia, pois se referem a como fazer algo de
maneira eficiente. O problema científico não pesquisa como fazer, mas as carac-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
terísticas, seus motivos e consequências, por exemplo: quais as causas da alta
concentração de renda e suas consequências?
Gil (2010, p. 8) ressalta outros exemplos que envolvem variáveis suscetíveis
de observação, como: “Em que medida a escolaridade influencia na preferência
político-partidária?”, “A desnutrição contribui para o rebaixamento intelectual?”
ou ainda, “A modalidade predominante de liderança tem a ver com a cultura
organizacional?”
Marconi e Lakatos (2006, p. 26) salientam que “o problema deve ser levantado,
formulado, de preferência em forma de interrogativa e delimitado com indica-
ções das variáveis que intervém no estudo de possíveis relações entre si”. Também
destacam que antes do problema ser considerado apropriado, o pesquisador deve
levar em consideração a viabilidade (pode ser resolvido por meio de pesquisa?),
relevância (traz conhecimentos novos?), novidade (está adequado ao estágio da
evolução científica?), exequibilidade (pode levar a conclusão válida?) e oportu-
nidade (atende aos interesses particulares e gerais?). Além disso, é importante
ressaltar que o problema deve ser claro e preciso, uma vez que deve ser respon-
dível, não sendo portanto uma pergunta vaga, conforme Gil (2010, p. 11) cita:
“como funciona a mente? ”, “os cavalos possuem inteligência?”. Nesse caso seria
melhor reformular a primeira pergunta: “que mecanismos psicológicos podem
ser identificados no processo de memorização?” e “como saber se os cavalos pos-
suem inteligência?”, isso vai depender de como se define inteligência em cavalos.
Estão expostos, no Quadro 2, exemplos de problemas de pesquisas científicas:

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


27

Quadro 2 - Problemas de pesquisa

1. Qual a correlação entre o nível de escolaridade e a criminalidade no Rio de


Janeiro?
2. Qual a correlação entre o nível renda e a criminalidade no Rio de Janeiro?
3. Qual impacto do nível de escolaridade na renda das famílias no Brasil?
4. Qual a influência da taxa de juros na inadimplência das pessoas e empresas?
5. Qual a relação entre níveis de escolaridade e crescimento econômico?
6. Qual a influência do capital humano na duração do emprego?
7. Que fatores determinam, no indivíduo, uma maior duração do desemprego?
Fonte: a autora.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Para a formulação do problema é necessário que ele seja formulado como


pergunta, por exemplo: se um pesquisador disser que vai pesquisar o pro-
blema divórcio, o assunto fica vago, entretanto, se propuser: “que fatores
provocam o divórcio?”, estará propondo, de forma efetiva, um problema
de pesquisa. A pergunta deve ser clara e precisa, tal qual: “como funciona
a mente?” assim, para que o problema seja formulado, também, de forma
precisa: “que mecanismos psicológicos podem ser identificados no processo
de memorização?”. Ademais, ele não deve se referir a valores, pois isso con-
duz a julgamentos, mas deve ser empírico, abordando fatos ou coisas. Um
exemplo de valores: “os filhos de sitiantes são melhores do que os filhos de
operários?”.
O problema deve ser suscetível de solução e limitado a uma dimensão viá-
vel, como: “o que pensam os jovens?” Seria necessário delimitar para: “que
pensam os jovens de 20 a 25 anos, de Maringá, sobre a política monetária
exercida nos anos de 2000 a 2015?”.
Fonte: Leonarde ([2018], on-line)3.

Formulação do Problema de Pesquisa


28 UNIDADE I

HIPÓTESES DE PESQUISA

A hipótese se faz na tentativa de


constatar a validade da resposta exis-
tente para um determinado problema
(MARCONI; LAKATOS, 2006). É uma
proposição que antecede a constatação
dos fatos e tem como característica uma
formulação provisória e deve ser tes-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
tada para determinar sua validade, uma
vez que os resultados da pesquisa pode-
rão comprovar ou rejeitar a hipótese
(MARCONI; LAKATOS, 2006).
Vergara (2003) destaca que as hipóteses são antecipações da resposta de um
problema, que, em geral, estão mais associadas à investigação via procedimen-
tos estatísticos. As hipóteses estatísticas são elaboradas de forma nula (H0) ou
alternativa (H1):
Problema de pesquisa: o nível de escolaridade afeta a distribuição de renda
de um país?

H0: Não há relação significativa entre nível de escolaridade e distribuição


de renda.
H1: Há relação significativa entre nível de escolaridade e distribuição de renda.

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


29

O QUE NÃO É UMA HIPÓTESE?


Pense que, ao afirmar que determinados países apresentam aspectos em
comum, coloque como hipótese que “o direito pode ser instrumento de de-
senvolvimento real nesses países, considerando o que apresentam em co-
mum”. Perceba que deve existir uma definição de desenvolvimento “real” e
do que se está sendo definido por “direito”. Pouco importa ainda sobre o que
está sendo dito como “características que os países têm em comum”, pois se
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

não souber o que é designado de “direito” e desenvolvimento “real” não há


relação de relevância. Ao ver a hipótese, verifica-se que não há nada a ser
desafiado, apenas traz dúvidas a respeito do que se está tratando.
Fonte: Sgarbi (2014, on-line)4.

Quadro 3 – Suposições de pesquisa

Problema: De que forma a teoria do caos pode ajudar a explicar o sucesso ou


insucesso da estratégia de lançamento de um produto?
Suposição: A teoria do caos pode atuar de forma significativa para explicar o
sucesso ou fracasso de um novo produto, pela possibilidade que cria um modelo
mais aberto, que introduz o conceito de imprevisibilidade nas estratégias de
mercado da empresa para o lançamento de novos produtos.
Fonte: Vergara (2003, p. 29).

Assim, uma hipótese e/ou suposição deve ser: uma afirmação (uma hipótese é
uma afirmação sobre algo), simples (escrita em linguagem simples), sujeita à
negação (passível de ser negada) e consistente (não deve estar se contradizendo,
ou contradizendo um conhecimento teórico amplo). Sampieri et al (2013) des-
taca que existem diversas formas de classificar hipóteses: de pesquisas, nulas,
alternativas, estatísticas etc.
As hipóteses de pesquisa são definidas entre duas ou mais variáveis e devem
satisfazer cinco requisitos (H1, H2, H3, H4, H5), denominados de hipóteses de tra-
balho (SAMPIERI et al, 2013), conforme apresentado no Quadro 4.

Hipóteses de Pesquisa
30 UNIDADE I

Quadro 4 – Hipóteses de pesquisa

Descritivas de um valor ou Hi: “o aumento do número de divórcios de casais


dado prognosticado cujas idades oscilam entre 18 a 25 anos será de
20%”.
Hi: “A inflação no próximo semestre será superior
a 3%”.
Correlacionais “Quanto maior for a autoestima, menor será a
probabilidade de obter êxito”.
H1: “para maior atração física menor a confiança”
H2: “para maior atração física, maior a proximidade
física”

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
H3: “para maior atração física, maior equidade”
H4: “para maior confiança, maior proximidade física”
H5: “para maior confiança maior equidade”
H6: “para maior proximidade física, maior equidade”
Hipóteses de diferença entre Hi: “os adolescentes dão mais importância aos
grupos atrativos físicos em suas relações de casal do que
as adolescentes.”
Hipóteses que estabelecem Hi: “um clima organizacional negativo cria níveis
relação de causalidade baixos de inovação nos empregados”.
Fonte: adaptado de Sampieri et al (2013, p. 118, 119).

As hipóteses nulas, de acordo com Sampieri et al (2013), são contrárias às hipó-


teses de pesquisas, como, por exemplo:
Quadro 5 - Hipóteses nulas

H0: “o aumento do número de divórcios de casais cujas idades oscilam entre 18 a


25 anos não será de 20%”.
H0: “a inflação no próximo semestre não será superior a 3%”.
H0: “os adolescentes não dão mais importância aos atrativos físicos em suas rela-
ções de casal como as adolescentes.”
Fonte: adaptado de Sampieri et al (2013, p. 125).

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


31

Já as hipóteses alternativas, segundo os mesmo autores, são alternativas para as


hipóteses de pesquisas nulas e só podem ser formuladas se realmente houver
outras possibilidades alternativas às hipóteses de pesquisas e às nulas conforme
apresentado no Quadro 6.
Quadro 6 – Hipóteses alternativas

Hi: “o candidato A vai obter na eleição para presidência do conselho escolar entre
50 a 60% do total de votos.”
H0: “o candidato A não vai obter na eleição para presidência do conselho escolar
entre 50 a 60% do total de votos.”
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Ha: “o candidato A vai obter na eleição para presidência do conselho escolar mais
de 60% do total de votos.”
Ha: “o candidato A vai obter na eleição para presidência do conselho escolar me-
nos de 50% do total de votos.”
Fonte: adaptado de Sampieri et al (2013, p. 125).

CLASSIFICAÇÃO DAS PESQUISAS EM RELAÇÃO AOS


SEUS OBJETIVOS

Toda pesquisa tem seus objetivos, assim, antes de iniciar qualquer estudo deve-
mos conhecê-los. Este tópico tratará das classificações das pesquisas em relação
aos seus objetivos, como exploratórias, descritivas e explicativas.

Classificação das Pesquisas em Relação aos seus Objetivos


32 UNIDADE I

PESQUISAS EXPLORATÓRIAS

A pesquisa exploratória é realizada quando o objetivo é responder um problema


pouco estudado, e que deixa dúvidas ou o que não foi abordado anteriormente.
Assim, a pesquisa exploratória tem como finalidade proporcionar uma maior
familiaridade com o problema, visando torná-lo mais explícito ou construir hipó-
teses (GIL, 2010), explorando novos caminhos e novos espaços para estágios de
investigação, os quais tem, apenas, uma vaga noção do problema.
Gil (2010) destaca que a maioria das pesquisas acadêmicas, num primeiro

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
momento, exibem apenas características exploratórias, pois pouco se sabe a res-
peito do que irá explorar. Normalmente, seu planejamento é flexível e envolve
levantamento bibliográfico e estudo de caso.
Nessa perspectiva, em pesquisas exploratórias não há formulação de hipó-
teses, visto que os métodos empregados são levantamentos de experiências,
levantamentos em fontes secundárias, estudos de casos selecionados e obser-
vação informal.

PESQUISAS DESCRITIVAS

As pesquisas descritivas têm como finalidade a descrição das características de


determinada população, como a distribuição da idade, sexo, nível de escolaridade,
característica do desemprego, condições de habitação, índice de criminalidade
etc. (GIL, 2010). Por isso, as pesquisas descritivas, além de identificar a relação
entre as variáveis, podem determinar a natureza desta relação, sendo impor-
tante para mostrar com precisão os fenômenos, acontecimentos e a população,
o contexto ou a situação.
Gil (2010) destaca ainda que uma de suas particularidades está na utilização
de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observa-
ção sistemática em que se estudam as características, as preferências e as atitudes.
Exemplos de pesquisa descritiva: análise documental, estudos de caso e pesquisa
ex-post facto.

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


33

PESQUISAS EXPLICATIVAS

As pesquisas explicativas têm como finalidade explicar a ocorrência dos fenômenos


de forma profunda (GIL, 2010), identificando as causas e os efeitos, proporcionando
um sentido de entendimento do fenômeno estudado pelo fato de normalmente
articular de forma equilibrada o trabalho teórico com o trabalho empírico. Dessa
forma, estão apresentados, no Quadro 7, os passos de uma pesquisa explicativa.
Quadro 7 - Passos de uma pesquisa explicativa

Etapas de uma pesquisa explicativa:


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1. Primeiro, seleciona-se o assunto de pesquisa.


2. Deve-se justificar a seleção do assunto com base na teoria ou prática de seu
estudo.
3. Em seguida, desenvolve-se um problema de pesquisa.
4. Posteriormente, cria-se o objetivo de pesquisa.
5. Realiza-se, então, a formulação de hipóteses.
6. Inicia-se a etapa da construção dos instrumentos que permitirão comparar as
hipóteses com os fatos.
7. Coleta-se informação empírica.
8. Analisa-se a informação.
9. Conclui-se.
Fonte: a autora.

Assim, para Gil (2010), as pesquisas explicativas são caracterizadas como expe-
rimentais e ex-post facto. O autor ressalta que esse tipo de pesquisa pode ser a
continuação da descritiva, visto que a identificação de fatores que determinam
um fenômeno exige que seja descrito e detalhado.

Classificação das Pesquisas em Relação aos seus Objetivos


34 UNIDADE I

TRABALHOS CIENTÍFICOS

Este item tratará sobre trabalhos científicos, como artigos, mono-


grafias, dissertação, teses e relatórios de pesquisas.
Assim, os trabalhos científicos podem ser
desenvolvidos com base em fontes de infor-
mação primária ou secundária, elaboradas
de acordo com os objetivos propostos.
Os trabalhos devem ser produzidos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
conforme as as normas e fins para que se
destinam e ainda serem inéditos, o que con-
tribui para ampliação do conhecimento, para
compreensão dos problemas e, até mesmo, ser-
vem de base para outros trabalhos (MARCONI; LAKATOS, 2006).

ARTIGOS

Os artigos se tratam de um tipo de documento que contêm descobertas inéditas


de natureza científica, mas não constituem matéria-prima de um livro, devido
ao seu conteúdo reduzido, ainda que tenha uma estrutura com exigências de tra-
balho científico, como introdução, desenvolvimento e conclusão (MARCONI;
LAKATOS, 2006).
“Artigo científico é parte de uma publicação com autoria declarada, que
apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas
áreas do conhecimento” (ABNT, 2003, p. 2). Por ter validade científica, pode-se
aceitar um artigo como verdade científica para publicação em revistas ou perió-
dicos após a revisão de consultores científicos especializados no tema, conforme
apresentado na Figura 1.

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


35

O EFEITO NO PREÇO DAS AÇÕES MEDIANTE AS INFORMAÇÕES


DIVULGADAS NAS MÍDIAS DIGITAIS: UM ESTUDO DE CASO NA
EMPRESA JBS

Marcela Gimenes Bera Oshita*


Simone Leticia Raimundini Sanches**

RESUMO: As informações divulgadas pela empresa e agências de notícias podem ter


potencial de influenciar as expectativas dos investidores, pois decisões são tomadas
com base em informações disponíveis. Diante disso, o artigo tem como objetivo
avaliar o comportamento do preço das ações da empresa JBS frente às informações
divulgadas nas mídias digitais, entre janeiro a junho de 2014. Para isso, foi realizado
um estudo de caso descritivo, utilizando-se o histórico de preço de ações e notícias
divulgadas nas mídias digitais de 03 de janeiro a 30 de junho de 2014. Utilizou-se a
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

análise de conteúdo para se analisar e classificar as notícias quanto à sua divulgação


(própria empresa ou agentes de mercado) e o efeito no valor da ação (positivo ou
negativo). Os resultados alcançados sugerem que as notícias divulgadas influenciam
na variação dos preços das ações, principalmente aquelas divulgadas pela empresa.
Adicionalmente, reforça-se a necessidade de os investidores acompanharem
e explorarem o valor informativo das notícias com o propósito de obter ganhos
financeiros no curto prazo a partir de operações de compra ou venda das ações.

PALAVRAS-CHAVES: Notícias; Informação; Divulgação; Preço das ações; Oscilação.

THE EFFECT ON THE PRICE OF SHARES DUE TO INFORMATION


ON DIGITAL MEDIA: A CASE STUDY ON THE FIRM JBS
ABSTRACT: Information given by firms and news agencies may affect investors´
expectations since decisions are based on the available information. Current paper
evaluates the behavior of prices of shares and stocks of the firm JBS in the wake of
information digitally forwarded, between January and June 2014. A descriptive study
was undertaken on the price of shares and news broadcasted by the social media
between 3rd January and 30th June 2014. Content Analysis was employed to analyze
*
Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis (PCO), da Universidade Estadual de
Maringá (UEM, Maringá (PR), Brasil; E-mail: marcelagimenesbera@hotmail.com
**
Doutora em Administração, pela Escola de Administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (EA/
UFRGS); Docente no Departamento de Ciências Contábeis (DCC) e Programa de Pós-Graduação em Ciências
Contábeis (PCO), da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Maringá (PR), Brasil.

Figura 1 – Exemplo de artigo científico


Fonte: Oshita e Sanches (2016).

Caro(a) aluno(a), ao observar a Figura 1, você verá que o artigo possui, abaixo do
título, os nomes dos autores, o resumo, abstract e as palavras-chaves em português e
inglês, bem como o currículo dos autores, lembrando que o artigo é composto tam-
bém de introdução, desenvolvimento, conclusão e referências utilizadas.
Os artigos têm como característica serem completos, o que permite ao leitor
replicar o trabalho em outras amostras ou até na mesma, caso queira compro-
var sua veracidade. Esses trabalhos apresentam temas originais ou revisão de
artigos já publicados.

Trabalhos Científicos
36 UNIDADE I

MONOGRAFIAS

A monografia caracteriza-se como um trabalho sistemático e completo, com


tema específico ou particular de uma ciência ou parte dela, que contemple um
tratamento extenso em profundidade por meio de uma metodologia específica,
trazendo contribuições importantes para ciência (MARCONI; LAKATOS, 2006).
São trabalhos científicos iniciais, que se referem a trabalhos de conclusão de
cursos de graduação, oportunizam os estudantes a explorar temas ou problemas
com diferentes níveis de profundidade.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Como é um trabalho inicial, possibilita que o aluno desenvolva a sua capa-
cidade de coletar, organizar, descrever as relações obtidas com a pesquisa e
apresentar conclusões, tendo como finalidade descobrir e redescobrir a verdade,
expondo interpretações e relações entre os fenômenos e como eles ocorrem.
Veja na Figura 2 a estrutura de trabalho comumente exigida nas monografias,
dissertações e teses que envolvem elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais.
ESTRUTURA TRABALHO PARA
MONOGRAFIAS, DISSERTAÇÕES E TESES
Capa (obrigatório)
Lombada (opcional)
Folha de rosto (obrigatório)
Errata (opcional)
Folha de aprovação (obrigatório)
Dedicatória (opcional)
Agradecimento (opcional)
Elementos
Epígrafe (opcional)
Pré -textuais
Resumo na língua vernácula (obrigatório)
Resumo em língua estrangeira (obrigatório)
Lista de ilustrações (opcional)
Lista de tabelas (opcional)
Lista de abreviaturas e siglas (opcional)
Lista de símbolos (opcional)
Sumário (obrigatório)
Introdução
Elementos
Desenvolvimento
Textuais
Conclusão
Referências (obrigatório)
Glossário (opcional)
Apêndice(s) (opcional) Pós-textuais
Anexo(s) (opcional)
Índice (opcional)
Figura 2 - Estrutura de trabalho de monografias, dissertações e teses
Fonte: Richardt e Lopes (2007, p. 13).

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


37

Perceba, ainda, que alguns elementos pré-textuais são obrigatórios: a capa,


a folha de rosto, a folha de aprovação, os resumos em língua portuguesa e
estrangeira e o sumário. Já os elementos textuais são: introdução, desenvol-
vimento, que envolve a fundamentação teórica e a metodologia utilizada no
trabalho, os resultados da pesquisa e a conclusão. Adiante, temos os elemen-
tos pós-textuais, que não são obrigatórios, exceto as referências.

DISSERTAÇÃO
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A dissertação é um trabalho acadêmico que tem como finalidade a obten-


ção do título de mestre. É um trabalho mais extensivo e exige maior reflexão
do que uma monografia e deve cumprir as exigências do trabalho científico
monográfico com relação à estrutura. É portanto exigido no mestrado, para
fins de conclusão do curso.
Esse é um tipo de trabalho que exige uma defesa, não necessitam abordar
ideias ou métodos novos, mas é um estudo de natureza reflexiva, que con-
siste na ordenação de ideias sobre um determinado tema e sua aplicação com
uma teoria existente para analisar ou solucionar determinado problema. De
acordo com a ABNT NBR 14724:2005, dissertação é:
documento que representa o resultado de um trabalho experimental
ou exposição de um estudo científico retrospectivo, de tema único
e bem delimitado em sua extensão, com o objetivo de reunir, anali-
sar e interpretar informações. Deve evidenciar o conhecimento de
literatura existente sobre o assunto e a capacidade de sistematização
do candidato. É feito sob a coordenação de um orientador (doutor),
visando a obtenção do título de mestre (ABNT, p.2).

É um estudo teórico, de natureza reflexiva e que visa analisar determinado


problema. Para isso, são necessárias sistematização, ordenação e interpreta-
ção dos dados, contribuindo assim para o avanço da ciência na área em que
o estudo se realiza (MARCONI; LAKATOS, 2006).

Trabalhos Científicos
38 UNIDADE I

TESES

A tese é um tipo de trabalho exigido no doutorado que deve representar um


avanço na área científica em que se estuda, com mais alto nível de pesquisa
(MARCONI; LAKATOS, 2006), sendo um trabalho acadêmico que contribua
de forma inédita para o crescimento do conhecimento, buscando a obtenção
do título de doutor.
Ao realizar a tese, o doutorando ou acadêmico deve inovar na ideia, ou
no método aplicado para chegar a uma conclusão do seu trabalho. De acordo

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
com a ABNT, NBR 14724:2005, tese é:
documento que representa o resultado de um trabalho experimental
ou exposição de um estudo científico de tema único e bem delimi-
tado. Deve ser elaborado com base em investigação original, cons-
tituindo-se em real contribuição para a especialidade em questão. É
feito sob a coordenação de um orientador (doutor) e visa a obtenção
do título de doutor, ou similar (ABNT, p.3).

Como o trabalho deve ser inovador na ideia ou no método, a sua realização


exige uma pesquisa completa, a fim de esgotar o estudo da literatura científica
do tema escolhido, adquirindo, assim, novos conhecimentos para colaborar
com a construção da ciência.

RELATÓRIO DE PESQUISA

O relatório de pesquisa ou relatório científico é a parte final da pesquisa, ou


seja, é o documento que tem por objetivo mostrar aos interessados o resultado
completo do estudo: como o projeto foi executado, quais dados foram coleta-
dos e como os dados foram analisados, bem como os resultados que podemos
extrair deles. Normalmente, destinam-se a um público especializado, como ins-
tituições de ensino e patrocinadores de pesquisas.
Assim, os relatórios científicos de caráter narrativo, descritivo ou crítico rela-
tam algo numa linguagem formal e que na maioria dos casos são produzidos
por pessoas do ensino superior. Dessa forma, tudo que foi colocado no projeto
deve ser retomado no relatório científico, como relato da realização do trabalho.

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


39

Para elaborar o relatório existem etapas que precisam ser seguidas, por meio
de planejamento, seleção e coleta de dados, e análise. Diante disso, para apresen-
tar os resultados é importante realizar uma introdução do relatório, apresentando
as justificativas para sua elaboração e explicando o objeto de pesquisa.
Em seguida, é o momento de descrever o aparato teórico em que se está
amparado a pesquisa, e o método do trabalho realizado, de forma que os leitores
possam compreender facilmente. Finaliza-se o relatório mostrando os resulta-
dos práticos alcançados e a conclusão da pesquisa.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ÉTICA EM PESQUISAS

A ética é o conjunto de princípios e dis-


posições que define o que é certo e errado
em nosso cotidiano, cuja finalidade é bali-
zar as atuações humanas, no que se refere à
relação com o outro tendo a ver com a pre-
ocupação com as pessoas (VARGAS, 2013).
Normalmente, as profissões médico, econo-
mista, advogado, farmacêutico, enfermeiro,
entre outros, têm seu código de ética.
Aprendemos que o princípio inicial da
pesquisa científica é a produção do conhecimento que tem como finalidade con-
tribuir para nosso cotidiano, isto é, tem um fim social (SPINK, 2012). Se você
desenvolve pesquisa científica é porque é um cientista, que precisa ter respon-
sabilidades éticas visando a integridade da pesquisa, por envolver a construção
da ciência como um patrimônio coletivo.
Vargas (2013), ressalta que o pesquisador não deve atalhar ou lesar o traba-
lho coletivo de construção da ciência e a apropriação coletiva de seus resultados,
como também não deve abster-se intencionalmente ou por negligência.
Pare e pense que os mesmos valores éticos cotidianos, como honestidade,
justiça, objetividade, franqueza, confiança e respeito aos outros, servem no

Ética em Pesquisas
40 UNIDADE I

contexto da pesquisa também. Assim, ao desenvolver um trabalho científico,


independentemente de sua modalidade, devemos assumir questões éticas e
morais com a finalidade de proteger tanto o pesquisador quanto o partici-
pante do estudo.
O mesmo autor destaca que a ética na pesquisa inclui primeiramente os
métodos de fazer ciência que estamos aprendendo neste livro, como planeja-
mento da pesquisa, metodologia, análise dos dados, interpretação e descrição,
considerando os valores éticos na elaboração de cada etapa.
De acordo com Capri e Egger (2009) é necessário ter honestidade na divul-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
gação dos dados científicos, transcrever de forma cuidadosa os resultados a fim
de evitar erros, analisar e interpretar de forma independente, sem influências,
descrever e compartilhar os métodos utilizados para alcançar os resultados, de
forma que outras pessoas consigam replicar o estudo, buscar fontes de infor-
mação seguras para utilização de dados e ideias, e terem, também obrigações
morais para com a sociedade em geral.
Considera-se uma má conduta científica a invenção de dados ou informa-
ção e a alteração de resultados observados, gerando informações tendeciosas
durante o desenvolvimento da pesquisa. Vale frisar: se você tem uma postura
intencional em copiar algo da internet e não citar a fonte de onde foi extra-
ído aquilo, quem escreveu está desrespeitando o autor, tendo assim uma má
conduta científica.

Se você desenvolve algo na pesquisa que não pode ser divulgado, por
demonstrar alguma falha nos dados e/ou informações, analise se está
sendo ético.
Fonte: a autora.

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


41

Portanto, se você apresenta algo feito por outra pessoa como sendo da sua própria
autoria, seja um texto, uma obra, um artigo, uma música, etc., a ação denomina-
-se plágio. Por exemplo, ao escrever e não citar o autor ou a fonte de onde aquilo
foi tirado, estará fraudando o autor que escreveu anteriormente, como se você
estivesse reivindicando uma autoria que não é sua.
Para evitar o plágio é importante que ao desenvolver uma pesquisa o autor
sempre cite a fonte, visto que ao fazer isso seu trabalho ficará fundamentado.
Por exemplo, ao desenvolver um trabalho com o objetivo de analisar a adminis-
tração financeira de uma pequena empresa, é importante que a parte teórica (o
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

referencial bibliográfico de sua pesquisa) seja fundamentado em autores que já


discutiram sobre o tema, para que não seja mero “eu acho”, também para que você
não corra o risco de colocar uma ideia que não é sua, o que caracteriza um crime.

Você sabe o que é honestidade acadêmica? Você deve estar acostumado


(a) a presenciar pessoas reclamando de falta de honestidade. Já parou para
pensar que quem faz uso indevido do trabalho do outro pode ser desones-
to? Na universidade, existe um “manual do aluno”, geralmente fornecido aos
estudantes na entrada no curso superior e que traz itens dedicados a ideia
de “comportamento honesto”, na visão da instituição. Veja algumas normas
de comportamento acadêmico:
1. O acadêmico não deve apresentar um trabalho que não seja criado por si.
2. O discente não deve buscar formas fraudulentas para ser aprovado no
curso.
3. O estudante deve recusar eventos que resultem em fraude acadêmica.
4. O acadêmico não deve, jamais, violar o código de integridade acadêmica.
Assim, o uso ou a tentativa de uso de materiais que não sejam
desenvolvidos pelo estudante pode resultar em fraude acadêmica, e isso,
é ilegal, bem como a utilização de qualquer método ilícito para aprovação
acadêmica.
Fonte: SHIKIDA (2016).

Ética em Pesquisas
42 UNIDADE I

Para que não se configure crime é importante dar crédito a quem escreveu a
ideia, por meio de citação, seja ela direta ou indireta. A citação direta sempre
aparece com aspas e pode ser realizada de duas formas, conforme apresentado
no Quadro 8:
Quadro 8: Citação direta

1. “A precificação dos valores mobiliários das companhias que operam no mer-


cado de capitais fica à mercê das informações sobre a empresa bem como da
economia” (OSHITA; SANCHES, 2016, p. 148).
2. Segundo Oshita e Sanches (2016, p. 148), “A precificação dos valores mobi-
liários das companhias que operam no mercado de capitais fica à mercê das

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
informações sobre a empresa bem como da economia”.
Fonte: a autora.

A citação indireta é quando se reescreve a ideia do autor, com as próprias pala-


vras, sem modificar o sentido da frase. Pode ser escrito de duas formas, conforme
apresentado no Quadro 9:
Quadro 9: Citação indireta

1. O preço dos títulos de valores mobiliário das empresas que operam no mer-
cado de capitais depende das informações sobre a companhia e de situações
econômicas (OSHITA; SANCHES, 2016).
2. Segundo Oshita e Sanches (2016, p. 148), o preço dos títulos de valores
mobiliário das empresas que operam no mercado de capitais depende das
informações sobre a companhia e de situações econômicas.
Fonte: a autora.

Sobre honestidade acadêmica: a falta de ética pode colocar-lhe em situa-


ções arriscadas. Por exemplo, quando você copia algo que alguém já escre-
veu sem citar leva o mesmo tempo para reescrever e citar o trabalho original.
Fonte: a autora

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


43

É de extrema importância compreender que se configura como crime a repro-


dução duplicada de ideias, frases, artigos, livros, mesmo que seja você quem
escreveu (este crime é denominado de autoplágio). É considerado crime também
a cópia de monografias, dissertação ou teses, bem como a compra dos mesmos,
isto é, a encomenda: “não farei a monografia, vou comprá-la de alguém que está
disposto a fazer para mim”.
Caro(a) aluno(a), estamos chegando ao final de nossa unidade. Espero que
você tenha compreendido o que é pesquisa, os elementos essenciais para come-
çá-la, e a importância da ética no contexto acadêmico.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.











Ética em Pesquisas
44 UNIDADE I

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesta unidade, conseguimos ver fundamentos que talvez você não tenha conhe-
cido durante a sua formação. Tivemos uma visão geral sobre pesquisa, aspectos
introdutórios e classificação em relação aos objetivos. Vimos que na prática a ati-
vidade de pesquisa é envolta por um conjunto de conceitos que são necessários
para que o problema pesquisado seja sistematicamente planejado e organizado.
Vimos que a metodologia de pesquisa proporciona uma visão detalhada
de todos os aspectos que envolvem a pesquisa, por meio de métodos e técnicas

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
que possibilitam que o conhecimento gerado seja reconhecido como científico.
Aprendemos que desenvolver pesquisa envolve a procura por respostas
de um determinado problema, como uma atividade inerente à construção do
conhecimento, isto é, da ciência, como se fosse um processo que se inicia, mas
permanece inacabado. Assim, fazer ciência possibilita uma compreensão da rea-
lidade, ou seja, o porquê das coisas.
Verificamos também que no conceito de pesquisa não existe “achismo”, uma
vez que você precisa utilizar as metodologias científicas para que seu trabalho
seja considerado uma ciência. Descobrimos então, que para uma pesquisa ser
considerada científica é importante conhecer as técnicas e métodos para o seu
desenvolvimento.
Aprendemos que não podemos solucionar problemas de pesquisas de forma
genérica, mas sim, detalhadamente, a fim de obter respostas coerentes e organi-
zadas. Vimos também a importância da formulação de hipóteses.
Esta unidade pôde proporcionar uma visão sobre os aspectos da pesquisa,
técnicas e métodos empregados em seu desenvolvimento, bem como a importân-
cia da utilização de metodologia para ter o trabalho reconhecido como científico,
além de permitir o conhecimento de diversos tipos de trabalhos científicos e a
importância da ética no desenvolvimento da pesquisa.

PESQUISA, ASPECTOS INTRODUTÓRIOS E CLASSIFICAÇÃO EM RELAÇÃO AOS OBJETIVOS


45

1. O método de pesquisa busca a verdade e deve indicar os modelos utilizados


ou que serão construídos, conforme o tipo de pesquisa que será desenvolvido.
Com relação aos métodos de pesquisa, leia as alternativas abaixo e assi-
nale a alternativa correta.
a) Os métodos das ciências sociais aplicadas são somente os métodos expe-
rimental e observacional.
b) Os métodos das ciências sociais aplicadas são somente os métodos com-
parativo e estatístico.
c) No método experimental há intervenções diretas do pesquisador no am-
biente a ser pesquisado.
d) O método observacional é pouco utilizado nas ciências sociais aplicadas e
pode ser considerado sempre preciso e vulgar.
e) Tanto o método observacional quanto o experimental não interferem no
ambiente a ser pesquisado.
2. A pesquisa precisa de um projeto bem feito que a oriente, para que no projeto
se defina claramente o problema que será estudado. A partir disso, descreva
cinco dos 10 elementos requeridos em um projeto de pesquisa.
3. Os trabalhos científicos podem ser desenvolvidos com base em fontes de in-
formação primária ou secundária e devem ser elaborados de acordo com as
normas e fins a que se destinam. Baseado no estudo desta unidade, descreva
a diferença entre monografia, dissertação e tese.
4. Para iniciar uma pesquisa, inicialmente deve-se saber sua classificação com
relação ao seus objetivos descritivos, exploratórios e explicativos. Assinale a
alternativa correta.
a) A pesquisa exploratória, é realizada quando um objetivo de um tema é
pouco estudado.
b) Na pesquisa descritiva pouco se sabe sobre o que se quer explorar.
c) Na pesquisa explicativa utiliza-se apenas a análise documental ou estudos
de caso.
d) Na pesquisa explicativa não se identifica causa e efeito.
e) A pesquisa explicativa não é utilizada para desenvolver pesquisa econômica.
46

5. De acordo com Vargas (2013), a ética define o que é certo e errado, e tem como
objetivo balizar as atuações humanas. Sendo assim, se você desenvolve pes-
quisa científica precisa ter responsabilidades éticas. Sobre essa afirmativa, assi-
nale a alternativa correta.
a) O pesquisador pode lesar o trabalho coletivo.
b) Para ser ético em pesquisa é necessário ter honestidade na divulgação dos
dados científicos.
c) Para ser ético em pesquisa não é necessário divulgar os métodos utilizados
para chegar ao resultado.
d) Considera-se uma boa conduta científica a invenção de dados ou informa-
ções.
e) É ético copiar algo da internet sem referenciar.
47

Método da Investigação Econômica

Você sabia que o método científico é funda- Assim, parte-se da afirmação geral, como
mental para iniciar e concluir uma pesquisa uma lei, para se chegar à conclusão. Porém,
e que, por isso, precisa ser delimitado?As- a validade da conclusão depende da análise
sim, vamos aprender que a investigação da validade das premissas e da abrangên-
econômica aborda a realidade por meio cia e relevância da conclusão. Se você parar
de quatro métodos científicos: o analítico, para analisar a escola clássica de Adam
o dedutivo, o indutivo e o dialético. Smith, David Ricardo e Thomas Malthus
isso pode ser tratada como dedutivo.
O método analítico analisa o objeto de
pesquisa por partes e elementos inter- Por outro lado, o método indutivo parte do
nos e externos que lhe condicionam a particular para o todo, por meio de gene-
buscar uma relação entre causa e efeito. ralizações. Esse método permite acumular
Por exemplo: a redução da inflação gera experiências, realizar determinadas obser-
desemprego. Essa análise pode ser em vações da realidade, verificar a evidência
menor ou maior nível de detalhamento, da classificação e comparar para chegar
isso vai depender da natureza do objeto às generalizações. Por exemplo: Sócrates
de pesquisa. A análise deve ser realizada é mortal, Aristóteles é mortal e Epicuro é
segundo os limites da condição prática da mortal.Todos eles, Sócrates, Platão, Aris-
pesquisa enquanto pesquisado. tóteles e Epicuro são homens, logo, os
homens são mortais. Observe que a gene-
O método dedutivo trata-se do alcance de ralização é o ponto de chegada, não o de
um resultado pela lógica a partir de pre- partida, pois esse inicia do particular para
missas dadas. Nessa perspectiva, deve-se o todo.
ter um rigor na construção do raciocínio e
de demonstrações lógicas, saindo do geral As afirmações do método indutivo são de
para o particular. Exemplo: analisar a influ- natureza probabilística, ou seja, uma ver-
ência de uma redução nos salários e um dade provável. Com o método indutivo, o
aumento do emprego no setor de serviços. positivismo criticou a escola clássica por
As premissas normalmente são inques- ser subjetiva.
tionáveis, os salários representam custos
para empresa, logo, uma variação no salá- Assim, a dedução ficaria a cargo da eco-
rio afeta o custo. Outro exemplo do método nomia pura, relacionada às premissas
dedutivo: a independência do banco cen- fundamentais da economia e a indução esta-
tral é necessária para um sistema monetário ria voltada à economia aplicada, centrada
estável. Entretanto se o banco central não na pesquisa de determinados contextos,
é independente, conclui-se que o sistema sociais e históricos, em que o fenômeno
bancário do país não é estável. econômico ocorre.

Fonte: BOCCHI (2004).


MATERIAL COMPLEMENTAR

Métodos da Ciência Econômica


Editora: UFRGS
Sinopse: a proposição de que um método se faz necessária para que o
conhecimento seja alcançado remonta à filosofia grega, mas foi Kant que
desenvolveu com rigor a necessidade de uma teoria do conhecimento, ao
propor e desenvolver a tese de que ele próprio se tornasse objeto de uma teoria.
Os textos desta obra procuram analisar tanto as questões fundamentais que
permeiam as ideias iniciais da epistemologia e da metodologia científicas, como
também os princípios básicos que orientaram a definição dos métodos das
principais correntes do pensamento econômico.
49
REFERÊNCIAS

ABNT. NBR 6023. Informação e documentação: citações em documentos: apresen-


tação. Rio de Janeiro, 2002.
______. NBR 6022, 2003. Informação e documentação - Artigo em publicação pe-
riódica científica. Rio de Janeiro, 2003. Disponível em: <http://posticsenasp.ufsc.br/
files/2014/04/abntnbr6022.pdf>. Acesso em: 28 jan. 2018.
______. NBR 14724. Segunda edição 30.12.2005 Válida a partir de 30.01.2006. Infor-
mação e documentação - Trabalhos acadêmicos - Apresentação. 2005. Disponível
em: <http://www.fee.ufpa.br/arqsecret/ABNT%20NBR%2014724.pdf>. Acesso em:
28 jan. 2018.
BOCCHI, J. I. (org.). Método da investigação econômica. São Paulo: Saraiva, 2004.
p.53-90.
GIL, A. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Metodologia científica. 4. ed. São Paulo: Atlas,
2006.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. 7. ed.
São Paulo: Atlas, 2010.
OSHITA, M. G. B.; SANCHES, S. R. O efeito no preço das ações mediante as informa-
ções divulgadas nas mídias digitais: um estudo de caso na empresa JBS. Revista Ce-
sumar Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, v. 21, n.1, p. 147-163, jan./jun. 2016.
QUIVY, R.; CAMPENHOUDT, L. V. Manuel de recherche en sciences sociales. Paris:
Dunod, 1995.
SAMPIERI, R. H. et al. Metodologia de pesquisa. 5. ed. Porto Alegre: Penso, 2013.
SILVA, M. A. F. Métodos e técnicas de pesquisa. 2. ed. Curitiba: Ipex, 2003.
SPINK, P. K. Ética na pesquisa científica. GVexecutivo. FGV-EAESP. p.38-48. v.11 n.1.
jan/jun. 2012.
VARGAS, M. D. Integridade e ética na pesquisa. Março, 2013. Disponível em: <
http://www.ci.uff.br/ppgci/arquivos/integridade%20e%20etica%20na%20pesqui-
sa.pdf>. Acesso em: 19 fev. 2018.
VERGARA, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 4. ed. São
Paulo: Atlas, 2003.
RICHARDT, N. F.; LOPES, A. Normalização de trabalhos científicos. IX Encontro Na-
cional dos usuários da rede pergamum, Abr. 2007. Curitiba. Anais. Curitiba. Dis-
ponível em: <http://cobip.pgr.mpf.mp.br/sistema-pergamum/ix-encontro-nacio-
nal/20_04_2007/Curso%20Normalizacao.pdf>. Acesso em: 4 mar. 2017.
REFERÊNCIAS

REFERÊNCIA ONLINE

1 Em: <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/65209/Resu-
mo_25652.pdf?sequence=1>. Acesso em: 28 jan. 2018.
2 Em: <http://www.economia.ufpr.br/?q=node/152>. Acesso em: 28 jan. 2018.
3 Em: <http://www.leonarde.pro.br/problema.pdf>. Acesso em: 28 jan. 2018.
4 Em: <http://pesquisatec.com/new-blog/2014/5/13/como-construir-uma-hipte-
se-de-trabalho-e-apresentar-bem-a-sua-pesquisa>. Acesso em: 28 jan. 2018.
51
GABARITO

1. Alternativa C.
2.
1. Formulação do problema.
2 . Construção de hipóteses.
3. Identificação do tipo de pesquisa.
4. Operacionalização das variáveis.
5. Seleção da amostra.
6. Elaboração dos instrumentos e determinação das estratégias de coleta de dados.
7. Determinação do plano de análise dos dados.
8. Previsão da forma de apresentação dos resultados.
9. Cronograma de execução da pesquisa.
10. Determinação dos recursos humanos, materiais e financeiros a serem alocados.
3. As monografias são trabalhos científicos iniciais, que se referem a trabalhos de
conclusão de cursos de graduação, em que dá oportunidade aos estudantes
para explorar temas ou problemas com diferentes níveis de profundidade. A
dissertação é um trabalho acadêmico que tem como finalidade a obtenção do
título de mestre. É um trabalho mais extensivo e exige maior reflexão do que
uma monografia e deve cumprir as exigências do trabalho científico monográfi-
co, com relação à estrutura, contudo, é um tipo de trabalho exigido no mestrado,
para fins de conclusão do curso. A tese se distingue da dissertação pois contribui
para o avanço científico na área em que o estudo se realiza. Ao elaborar a tese
o doutorando deve inovar na ideia, ou no método aplicado para chegar a uma
conclusão do seu trabalho.
4. Alternativa A.
5. Alternativa B.
Professora Me. Marcela Gimenes Bera Oshita

II
CLASSIFICAÇÃO DE

UNIDADE
PESQUISA EM RELAÇÃO AOS
PROCEDIMENTOS ADOTADOS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Preparar para identificar e realizar uma pesquisa documental.
■■ Explicar o que é a pesquisa experimental.
■■ Instruir o aluno sobre estudo de caso e casos múltiplos, bem como as
diferenças de cada um.
■■ Habilitar o aluno a identificar e realizar uma pesquisa de
levantamento de dados.
■■ Ensinar sobre as características de pesquisa-ação.
■■ Instruir o aluno sobre as características da pesquisa participante.
■■ Ensinar sobre as características da pesquisa ex-post facto.
■■ Instruir sobre as características de estudos de coorte.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Pesquisa Bibliográfica
■■ Pesquisa Documental
■■ Pesquisa Experimental
■■ Estudo de Caso e Casos Múltiplos
■■ Levantamento de Dados
■■ Pesquisa-ação
■■ Pesquisa Participante
■■ Pesquisa Ex-post Factos
■■ Estudo de Coorte
55

INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a), nesta unidade daremos início ao conhecimento sobre o pro-


cesso de entendimento da classificação de pesquisa quanto aos procedimentos
adotados. A prática envolve conhecer quais as vertentes metodológicas dos tra-
balhos científicos de forma geral.
Veremos também que há diversas formas de realizar a pesquisa e que cada
uma apresenta, em suas características, vantagens e desvantagens, a depender
do que se busca pesquisar e se o pesquisador possui controle sobre os eventos
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

e essência da pesquisa.
Você ainda conhecerá a pesquisa bibliográfica, que se desenvolve a partir de
materiais já elaborados, constituída, por exemplo, por livros e artigos científicos.
A pesquisa documental, semelhante à pesquisa bibliográfica, utiliza materiais
sem tratamento analítico e que podem ser reelaborados de acordo com a fina-
lidade da pesquisa.
Teremos como assunto, ainda, a pesquisa experimental, que consiste em
determinar um objeto de estudo e identificar as variáveis capazes de influenciá-
-lo, o estudo de caso, que proporciona certa vivência da realidade, e a técnica de
levantamento de dados, que tem por função a interrogação direta das pessoas
cujo comportamento se deseja conhecer.
Sobre o tema pesquisa-ação, você vai passar a entender que ela se trata de
uma pesquisa realizada de forma estreita com uma ação, em que os participan-
tes e o pesquisador estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. Já a
pesquisa participante é uma atividade de pesquisa orientada para ação e a pes-
quisa ex-post facto parte de um fato passado. Temos ainda o estudo de coorte,
que analisa grupos de indivíduos expostos e não expostos a uma determinada
situação ao longo do tempo.
Agora que já conhecemos o contexto sobre as formas de realizar pesquisa,
quero convidá-lo(a) a continuar em nossa jornada de estudos. Nesta unidade
proponho a reflexão sobre o método de desenvolvimento de pesquisas nas ciên-
cias econômicas.

Introdução
56 UNIDADE II

PESQUISA BIBLIOGRÁFICA

Caro(a) aluno(a), esta unidade per-


mitirá você a começar a entender
como classificamos a pesquisa em
relação aos procedimentos adotados,
o que pode te auxiliar na pesquisa
que realizará em seu trabalho final.
Pense que toda e qualquer classifica-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ção é feita com base em algum critério
que, neste caso, abriga um conjunto
de técnicas de coleta de dados.
Pois bem, agora vamos apren-
der o que é pesquisa bibliográfica,
documental e experimental, o que é um estudo de caso e casos múltiplos e as
diferenças que caracterizam cada um. Você aprenderá ainda sobre pesquisa de
levantamento de dados, pesquisa-ação, pesquisa participante, pesquisa ex-post
facto e estudos de coorte.
De acordo com, a etimologia grega da palavra bibliografia, biblio significa
livro e grafia, descrição e/ou escrita, ou seja, entendemos que se trata de um
estudo de textos. Por certo, a pesquisa bibliográfica é realizada com base em
livros, artigos científicos, teses e outros documentos, isto é, a partir de materiais
já existentes. Para seu desenvolvimento é necessário realizar a atividade de loca-
lização e consulta das fontes diversas de informações orientadas pelo tema, que
consiste na coleta de materiais mais específicos ou mais genéricos a respeito de
um tema (LIMA, 2008).
Falando em tema, ao realizar uma pesquisa bibliográfica, você deve pen-
sar: o que exatamente quero pesquisar? Onde posso procurar? São questões que
poderão conduzir a sua pesquisa. Tenha em mente que você deve montar uma
estratégia de como pesquisar, onde procurar e como refinar a sua pesquisa.
De acordo com Gil (2010), a principal vantagem da pesquisa bibliográfica é
que permite ao pesquisador ter acesso a uma gama de informações ou fenôme-
nos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. Pense

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA EM RELAÇÃO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS


57

que você precise de dados que estão muitos dispersos no território brasileiro, e
seria impossível percorrer o país todo buscando coletá-los, por exemplo, dados
sobre a população, renda, estudos históricos (GIL, 2010).
Se os dados não forem de fontes confiáveis podem comprometer os resul-
tados da pesquisa, isto é, muitas vezes os dados secundários podem apresentar
erros por serem processados de forma equivocada (GIL, 2010).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A pesquisa bibliográfica apoia o pesquisador na formulação da justificativa


de problemas e hipóteses que irá explorar durante a pesquisa. Por exemplo:
ao desenvolver uma pesquisa com o objetivo de identificar a probabilidade
do chefe de família permanecer mais tempo empregado com base no seu
grau de escolaridade, você poderá utilizar a teoria do capital humano como
embasamento teórico da sua pesquisa, bem como para auxiliar a justificar a
importância do trabalho que está sendo desenvolvido.
Além disso, você poderá buscar outros autores que desenvolveram uma
pesquisa próxima a que está sendo desenvolvida e descrever na sua jus-
tificativa que diversos autores já estudaram o tema, para diversos países,
citando quem são esses autores, contando o objetivo de cada pesquisa e os
principais resultados com as metodologias empregadas, justificando assim
a importância do seu estudo, mostrando o diferencial do mesmo e as contri-
buições que ele trará ao ser desenvolvido.
Fonte: a autora.

Em geral, as fontes bibliográficas podem ser classificadas em livros, publicações


periódicas e como trabalhos acadêmicos. Por livros, entende-se os de leitura
corrente, obras literárias e de divulgação e também livros de referência infor-
mativa ou remissiva que são dicionários, enciclopédias, anuários e almanaques.
As publicações periódicas são aquelas editadas em fascículos, como jornais
e revistas, os trabalhos acadêmicos, monografias, dissertações e teses. Trabalhos
acadêmicos podem ser transformados em artigos para revista ou até como capí-
tulos ou livros, tudo vai depender do seu grau de contribuição acadêmica e do
nível de interesse dos possíveis interessados no assunto.

Pesquisa Bibliográfica
58 UNIDADE II

Lima (2008) ressalta que apesar de utilizar um material já existente para fun-
damentar o trabalho que está sendo desenvolvido é importante esgotar as buscas
nas bases científicas, pois são resultadas de esforços contínuos dos homens para
interpretar o meio em que vivem. Assim, você, pesquisador, terá conhecimento
de toda base científica do assunto estudado que lhe permitirá trazer contribui-
ções novas a partir de sua pesquisa, isto é, você conhecerá o que deu certo e o
que não deu, e com base nisso, propor novas soluções.
Nesse contexto, você pode perceber que a ciência é reconhecida como um conhe-
cimento provisório, histórico e inacabado, e precisa de um esforço contínuo para

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
atualização, correção e aprofundamento (LIMA, 2008). Por isso, a metodologia de
pesquisa é uma técnica que visa minimizar eventuais equívocos em estudos científi-
cos e, ao mesmo tempo, otimizar a validade dos resultados alcançados (LIMA, 2008).
Assim, ao desenvolver uma pesquisa você não “partirá do zero”, isto é, poderá
consultar o que já foi desenvolvido, para conhecer os conceitos sobre o assunto,
teorias e conclusões que já fizeram parte de um estudo, consequentemente, você
construirá uma fundamentação teórica em sua pesquisa capaz de trazer elemen-
tos que reforçam os conhecimentos já encontrados, interpretar e compreender
novos fenômenos (LIMA, 2008).
É importante destacar que uma pesquisa bibliográfica bem feita não deve
ser baseada em um único autor. É necessário reunir um conjunto de autores, de
preferência renomados no assunto, com conteúdo que possa servir de base para
a discussão teórica. Portanto, para que a pesquisa tenha credibilidade, ao desen-
volver uma fundamentação teórica sobre determinado conteúdo, não se pode
esquecer de utilizar como referência o principal autor do tema.
A etapa de seleção do material bibliográfico é crítica, no sentido de que, com
o acesso à internet, normalmente encontramos um volume grande de material
em escala mundial. Diante disso é necessário estabelecer critérios para selecionar
os materiais mais importantes. Lima (2008) afirma que normalmente os pesqui-
sadores sofrem mais com o excesso de informação do que com a escassez. Nessa
perspectiva, a autora destaca alguns critérios que podem contribuir nesse processo:
■■ Priorizar os títulos originais em detrimento das traduções.
■■ Priorizar os trabalhos originais em detrimento da releitura desses auto-
res elaboradas por terceiros.

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA EM RELAÇÃO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS


59

■■ Ler obras mais gerais, para depois chegar às obras mais específicas.
■■ Evitar ensaios, pois tendem a traduzir a perspectiva do autor, sem ter a
obrigação de apoiar em referenciais bibliográficos.
■■ Os materiais de natureza jornalística só servem para ilustrar o raciocínio
construído e jamais para fundamentar argumentos ou conclusões alcançadas.
■■ Não desprezar o valor dos artigos publicados em periódicos técnico-cien-
tíficos indexados em anais de eventos, uma vez que podem representar
materiais mais atualizados.
■■ Dar prioridade para autores renomados no assunto, e de preferência reco-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

nhecidos mundialmente.
■■ Caso não conheça o autor, considerar seu currículo, suas produções aca-
dêmicas anteriores e posteriores aquele trabalho. Verificar o quanto o seu
trabalho foi citado por outros autores.
■■ Analisar também a qualidade das referências utilizadas pelo trabalho que
se tem como base para pesquisa.
■■ Investir em tempo de estudos para ampliar os conceitos sobre o assunto
e sobre os principais autores referenciais.

Para realizar um bom referencial teórico é necessário saber como localizar os


dados e informações. Nessas circunstâncias, Lima (2008) sugere que para obter
um maior êxito na localização de fontes bibliográficas é importante o pesquisador:
■■ Recorrer a bancos de dados informatizados das bibliotecas, localizar
autores que exploram o tema e analisar as referências bibliográficas uti-
lizadas por eles.
■■ Dar atenção especial a monografias, dissertações e teses com níveis ele-
vados em seus resultados, para utilizar como consulta as referências
utilizadas pelos autores.
■■ Concentrar-se também em periódicos científicos, pois fornecem infor-
mações atualizadas.
■■ Consultar pesquisadores, professores e pessoas especializadas no assunto.
■■ Visitar livrarias e sebos (físicos ou virtuais).

Pesquisa Bibliográfica
60 UNIDADE II

■■ Visitar sites de instituições confiáveis, que disponibilizam constante-


mente materiais seguros. Por exemplo, Banco Central, Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Instituto de Economia
Aplicada (IPEA), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), Federação das Indústrias, Fundo Monetário Internacional
(FMI), Organização Mundial do Comércio (OMC), entre outros.
■■ Buscar informações em jornais, revistas, murais, centros acadêmicos e
congressos.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Pense que para sua pesquisa ficar robusta seria importante realizar uma re-
visão sistemática da literatura.

PESQUISA DOCUMENTAL

A pesquisa documental é semelhante à pesquisa bibliográfica. A diferença entre


elas está na natureza das fontes de coleta
de dados, enquanto que a bibliográfica
emprega autores como base, a documen-
tal utiliza materiais que não possuem um
tratamento analítico e que podem ser ree-
laborados de acordo com a finalidade da
pesquisa (GIL, 2010).
Gil (2010) destaca que o desenvolvimento
da pesquisa documental segue os mesmos
passos da bibliográfica, mas enquanto que na bibliográfica as fontes são constru-
ídas por um material impresso e localizado, na documental as fontes são mais
dispersas e muito mais diversificadas. O Quadro 1 elenca alguns exemplos de
temas que podem ser investigados com a pesquisa documental:

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA EM RELAÇÃO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS


61

Quadro 1 – Exemplo de temas para pesquisa documental

• A construção e a administração das estradas de ferro do sul do Brasil e os inte-


resses econômicos e políticos da Inglaterra.
• As relações possíveis de serem estabelecidas entre a emergência, o desenvol-
vimento e a consolidação do movimento feminista, e a inserção da mulher
como mão de obra fabril no mercado de trabalho formado por empresas
industriais inglesas.
• A formação e as características das primeiras empresas brasileiras criadas por
imigrantes italianos fixados em São Paulo no início dos anos de 1930.
• Os argumentos que têm sido utilizados pela historiografia do sistema de
educação superior para justificar o fato de o Brasil ser reconhecido como um
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

país antiuniversitário.
• A compreensão da cultura empresarial brasileira por meio de biografias de
empreendedores brasileiros.
Fonte: Lima (2008, p. 57).

Na pesquisa documental Gil (2010) classifica os documentos em duas catego-


rias: os de primeira-mão e de segunda-mão. Os documentos de primeira-mão
são aqueles conservados em arquivos, de instituições privadas ou públicas, que
podem ser inúmeros documentos, como dados quantitativos, cartas pessoais,
diários, fotografias, gravações, regulamentos, ofícios, boletins, entre outros. Já
os documentos de segunda-mão são aqueles que de alguma forma já foram
analisados, como relatório de pesquisa, relatório de empresas, fontes estatísti-
cas, entre outros (GIL, 2010).
Ainda, de acordo com o autor, a pesquisa documental apresenta diversas
vantagens. Uma delas é que, como os documentos constituem uma fonte rica e
estável de dados e subsistem ao longo do tempo, tornam-se a mais importante
fonte de dados em qualquer pesquisa de natureza histórica. A outra vantagem
está em seu custo, por não exigir o contato com os sujeitos da pesquisa.
Em contrapartida, Gil (2010) destaca também que a pesquisa documen-
tal apresenta limitações devido a não representatividade e a, subjetividade dos
documentos. Entretanto, para minimizar a questão da não representatividade,
os pesquisadores devem buscar o maior número de documentos possíveis.

Pesquisa Documental
62 UNIDADE II

Com relação a, subjetividade, Gil (2010) argumenta que é importante que o


pesquisador considere as implicações relativas aos documentos antes de concluir
a pesquisa. Lima (2008) destaca que a pesquisa documental, apesar de represen-
tar uma importante fonte de informação, deve ser explorada envolvendo outras
fontes de consulta. Assim, a pesquisa documental apresenta algumas limitações,
conforme apresentado no Quadro 2.
Quadro 2 – Limitações da pesquisa documental

• A maioria dos documentos explorados pelas pesquisas documentais não foram

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
produzidos com objetivo de servir de fonte de informação para pesquisas so-
ciais. Neste caso, o material explorado pode suscitar a ocorrência de diferentes
vieses que merecem ser enfrentados pelo pesquisador.
• A inexistência de um formato padrão em tais documentos dificulta sobrema-
neira o seu tratamento (pré-análise, análise e análise de resultados).
• É difícil o estabelecimento de critérios capazes de validar as escolhas dos
documentos que podem efetivamente contribuir para a fundamentação de
discussões travadas ao longo da pesquisa. Nesse sentido, a questão reside em
saber até que ponto os documentos acessíveis ao pesquisador são de fato os
mais relevantes, os mais confiáveis e os mais significativos sobre o que está
sendo investigado.
• Ao adotar a técnica de análise de conteúdo de cunho quantitativo, torna-se
indispensável considerar que os documentos dificilmente constituem amostras
quantitativamente representativas do fato/fenômeno investigado.
Fonte: Lima (2008, p. 59-60).

A análise de conteúdo é um recurso técnico muito utilizado para o tratamento


dos materiais documentais, por meio da seleção, organização e análise, visando
alcançar alguma classificação ou caracterização e análise dos resultados. Isso
deve ser feito pelo tratamento e pela interpretação dos materiais classificados,
categorizados na busca de padrões e tendências ou algum tipo de relação. Para
tanto, Lima (2008) reforça a importância de realizar fichamento nos documen-
tos que apresentam elementos textuais.

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA EM RELAÇÃO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS


63

PESQUISA EXPERIMENTAL

O melhor exemplo de pesquisa científica


é o experimento, pois consiste em deter-
minar um objeto de estudo e selecionar as
variáveis que seriam capazes de influen-
ciá-lo e definir as formas de controle e de
observação da variável em estudo (GIL,
2002). Observe o Quadro 3:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Quadro 3 – Esquema básico da experimentação

Seja Y um fenômeno estudado, que perante os fatores A, B, C e D, têm condições


não experimentais para produção de Y. A prova inicial consiste em controlar cada
um desses fatores anulando sua influência para observar o que ocorre com o
restante, sejam eles:
A, B e C produzem Y
A, B e D não produzem Y
B, C e D produzem Y
Dos resultados deste experimento, pode-se inferir que C é condição para
produção de Y. Se for comprovado ainda que unicamente com o fator C, excluin-
do-se os demais, Y ocorre, pode-se afirmar que C é a condição necessária para a
ocorrência de Y.
Fonte: adaptado de Gil (2002, p. 47).

Nessa perspectiva, a pesquisa experimental não precisa necessariamente ocorrer


em um laboratório, mas deve apresentar, de acordo com Gil (2002), as proprie-
dades de manipulação, controle e distribuição aleatória.
Na manipulação é preciso realizar algo para se manipular uma das caracte-
rísticas dos elementos estudados. No controle é necessário introduzir um ou mais
controles na situação experimental, criando grupos de controle, e na distribuição
aleatória a designação dos elementos para participar dos grupos experimentais
e de controle deve ser realizada de forma aleatória.
Sobre as pesquisas experimentais, Gil (2002, p. 49) ainda destaca:
as pesquisas experimentais constituem o mais valioso procedimento
disponível aos cientistas para testar hipóteses que estabelecem relações
de causa e efeito entre as variáveis. Em virtude de suas possibilidades de

Pesquisa Experimental
64 UNIDADE II

controle, os experimentos oferecem garantia muito maior do que qual-


quer outro delineamento de que a variável independente causa efeitos
na variável dependente.

Gil (2010) enfatiza que a pesquisa experimental apresenta várias limitações,


uma delas é que existem variáveis em que a manipulação se torna difícil ou
impossível de ser realizada, por exemplo, uma série de características humanas,
como histórico familiar, sexo, idade, que também não podem ser conferidas às
pessoas de forma aleatória. Outra limitação seria o fato de que algumas variá-
veis não poderiam ser manipuladas por serem consideradas de ordem ética, o

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
que proíbe a manipulação, como colocar alguém em situação de estresse para
verificar sua saúde mental.

Caro(a) aluno(a), para desenvolver uma pesquisa experimental você poderá


realizá-la por meio da pesquisa de campo ou de laboratório. A pesquisa de
campo, busca analisar os fatos que ocorrem de forma espontânea, isto é,
sem intervenção. Já a pesquisa de laboratório analisa as experiências reali-
zadas controladamente.
Fonte: a autora.

ESTUDO DE CASO E CASOS MÚLTIPLOS

Caro(a) aluno(a), o método do estudo de caso


empregado nas Ciências Sociais Aplicadas é
frequentemente utilizado para coleta de dados
na área de estudos organizacionais. Ele pode
ser realizado a partir de um ou vários objetos
de estudos, denominados de casos múltiplos,
limitando a generalização dos resultados obti-
dos devido à sua especificidade.

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA EM RELAÇÃO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS


65

O estudo de caso proporciona certa vivência da realidade, por exemplo, ao


coletar dados da organização ABC, provavelmente você terá que analisá-las e
discuti-las na busca por uma solução. Contudo, os resultados alcançados com
o estudo são limitados, pois não podem ser extrapolados para outras empresas.
Utiliza-se o estudo de caso em diversas situações para contribuir com o
conhecimento que temos dos fenômenos individuais, políticos, sociais, orga-
nizacionais, entre outros. Para Yin (2005, p. 32) “o estudo de caso é um estudo
empírico que investiga um fenômeno atual dentro do seu contexto de reali-
dade, quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

definidas”.
Ainda, de acordo com Yin (2005, p. 33) a investigação de estudo de caso:
enfrenta uma situação tecnicamente única que haverá muito mais vari-
áveis de interesse do que pontos de dados, e, como resultado, baseia-se
em várias fontes de evidências, com os dados precisando convergir em
um fenômeno de triângulo, e, com outro resultado, beneficia-se do de-
senvolvimento prévio de proposições teóricas para conduzir a coleta e
análise dos dados (YIN, 2005, p. 33).

Gil (2008) destaca que o estudo de caso tem como característica o estudo pro-
fundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de forma detalhada, isto é, busca
retratar a realidade de forma completa, evidenciando a interpretação ou aná-
lise do objeto no ambiente em que se encontra. Para Yin (2005, p. 33), “esse
metódo como estratégia de pesquisa compreende um método que abrange tudo”,
é uma das formas mais desafiadoras de fazer pesquisas em ciências sociais. De
acordo com o autor, o estudo de caso permite uma investigação para preservar
as características dos acontecimentos da vida real. Para Gil (2008),
■■ Permite explorar condições cujos limites não estão claramente definidos;.
■■ Concede a condição de preservar o caráter unitário do objeto estudado;.
■■ Aprova a descrição da situação do contexto em que está sendo realizada
uma determinada investigação.
■■ Permite formular hipóteses ou desenvolver teorias.
■■ Auxilia na explicação de variáveis causais em situações complexas que
não permitam o uso de levantamentos e experimento.

Estudo de Caso e Casos Múltiplos


66 UNIDADE II

O estudo de caso pode ser único ou múltiplo. Em exceções a pesquisa pode ser
justificada quando o caso representa um teste de uma teoria existente, uma cir-
cunstância rara ou exclusiva, um caso típico ou representativo ou quando um
caso seja revelador ou longitudinal (YIN, 2005). Já os estudos de casos múltiplos
devem seguir uma lógica de replicação e não de amostragem, e o pesquisador
deve escolher, de criteriosamente, cada caso.
Um estudo de caso pode ser caracterizado como um estudo de uma
entidade bem definida como um programa, uma instituição, um siste-
ma educativo, uma pessoa, ou uma unidade social. Visa conhecer em

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
profundidade o como e o porquê de uma determinada situação que
se supõe ser única em muitos aspectos, procurando descobrir o que
há nela de mais essencial e característico. O pesquisador não pretende
intervir sobre o objeto a ser estudado, mas revelá-lo tal como ele o per-
cebe. O estudo de caso pode decorrer de acordo com uma perspectiva
interpretativa, que procura compreender como é o mundo do ponto
de vista dos participantes, ou uma perspectiva pragmática, que visa
simplesmente apresentar uma perspectiva global, tanto quanto possível
completa e coerente, do objeto de estudo do ponto de vista do investi-
gador. (FONSECA, 2002, p. 33).

O estudo de caso é caracterizado pela flexibilidade no desenvolvimento da


pesquisa, ou seja, não há um roteiro rígido que determine como deverá ser desen-
volvido. Pode ser utilizado em pesquisas exploratórias, descritivas e explicativas
(GIL, 2008). Suas principais vantagens são: a compreensão de forma profunda
de eventos reais, o teste de uma teoria existente e a possibilidade do desenvolvi-
mento de uma nova teoria (FREITAS; JABBOUR, 2011). Entretanto, há rejeições
quanto ao desenvolvimento desses estudos, pois “os trabalhos são sujeitos a críti-
cas em função de limitações metodológicas na escolha do(s) caso(s), análise dos
dados e geração de conclusões suportadas pelas evidências” (MIGUEL, 2007, p.
217). De acordo com Yin (2005, p. 29-30), existem outros tipos de preconceito
em relação aos estudos de caso:
■■ Falta de rigor metodológico da pesquisa.
■■ A dificuldade de generalização científica.
■■ O tempo destinado a pesquisa, pois eles normalmente demoram muito.

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA EM RELAÇÃO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS


67

Um bom estudo de caso deverá reunir diversas fontes de evidências com-


plementares por meio da coleta de documentação, registro em arquivos,
entrevistas, observações diretas e observação participante.
A documentação envolve, cartas, agendas, avisos, minutas de reuniões, do-
cumentos administrativos, estudos e avaliações formais, recortes de jornais
e outros artigos. Os registros em arquivos são os registros de serviço e de
organização, mapas e gráficos, lista de nomes, dados oriundos de levanta-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mento e registros pessoais. As entrevistas são fontes de informação e devem


partir de investigações estruturadas para que sejam feitas questões reais de
forma não tendenciosa e que atendam às necessidades da linha de investi-
gação.
A observação direta é a visita ao local escolhido para o estudo de caso, le-
vando em consideração a possibilidade de ter mais de um observador para
aumentar a confiabilidade das evidências encontradas. Já a observação par-
ticipante é aquela em que você participa da situação, por exemplo, quando
você trabalha na equipe em que desenvolve a pesquisa.
Fonte: Yin (2005).

LEVANTAMENTO DE DADOS

A técnica de levantamento de dados é carac-


terizada pela interrogação de forma direta dos
indivíduos por meio de questionários acerca do
problema estudado. Este tipo de pesquisa é uti-
lizado em estudos exploratórios e descritivos,
por meio de estudos de opiniões e atitudes, que
podem ser realizados pelo levantamento de uma
amostra ou uma população, por exemplo, a pes-
quisa eleitoral e o censo realizado pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Levantamento de Dados
68 UNIDADE II

As vantagens dos levantamentos são o conhecimento direto da realidade,


economia, rapidez e os dados que, possibilitam certa riqueza na análise estatís-
tica (GIL, 2010). Este autor destaca que quando se busca informação de toda
uma população, isto é, de todos os integrantes do universo pesquisado, tem-se
um senso.
Quando se recolhe informação da amostra de uma população, realiza-se o
levantamento por meio de amostras probabilísticas, as quais permitem conhecer
a margem de erro dos resultados obtidos (GIL, 2010). De acordo com o autor, a
pesquisa de levantamento social tem como benefícios:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
a) Conhecimento da realidade de forma direta. A investigação torna-se
mais livre de interpretações e calcadas no subjetivismo dos pesquisadores
na medida em que as próprias pessoas informam sobre seus comporta-
mentos, crenças e opiniões.
b) Economia e Rapidez. Os dados são obtidos mediante questionários,
tornando os custos relativamente baixos, num curto período de tempo,
desde que se tenha uma equipe de entrevistadores, codificadores e tabu-
ladores devidamente treinados.
c) Quantificação. As variáveis podem ser quantificadas, permitindo o uso
de correlações e outros procedimentos estatísticos, pois, os dados obti-
dos em levantamento podem ser agrupados em tabelas, possibilitando
sua análise estatística.
Gil (2010) destaca ainda as principais limitações dos levantamentos, que são:
a) a ênfase nos aspectos perceptivos, o que pode resultar em dados distorci-
dos, visto que há diferenças entre o que as pessoas fazem ou sentem e o que
elas dizem a esse respeito. Para contornar esse problema, pode-se omitir as
perguntas que a maioria das pessoas não sabe ou não quer responder, e por
meio de perguntas indiretas, controlar as respostas fornecidas.
b) a pouca profundidade no estudo da estrutura e dos processos sociais,
em que os levantamentos mostram-se pouco adequados para a investi-
gação profunda desses fenômenos.
c) restrita apreensão do processo de mudança, na qual o levantamento
normalmente proporciona visão estática do fenômeno estudado, isto é,
não indica tendências.

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA EM RELAÇÃO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS


69

Já imaginou que você, como economista formado, poderá ser convidado


para realizar uma pesquisa de mercado, que envolva opinião e/ou atitudes
de um determinado grupo de indivíduos?

Caro(a) aluno(a), como a pesquisa de levantamento exige a aplicação de


questionário, Gil (2008, p. 122), ressalta que a utilização desse recurso apre-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

senta vantagens como:


a) Possibilitar o alcance de um grande número de pessoas, mesmo
que estejam dispersas numa área geográfica muito extensa, já que o
questionário pode ser enviado pelo correio;
b) Menores gastos com pessoal, posto que o questionário não exige o
treinamento dos pesquisadores;
c) Garantir o anonimato das respostas;
d) Permitir que as pessoas o respondam no momento em que julgarem
mais conveniente;
e) Não expor os pesquisados à influência das opiniões e do aspecto
pessoal daquele que entrevista.

Não obstante, Gil (2008, p. 122), destaca também que a utilização do questioná-
rio apresenta limitações como:
a) Excluir as pessoas que não sabem ler e escrever, o que, em certas cir-
cunstâncias, conduz a graves deformações nos resultados da investi-
gação.
b) Impedir o auxílio ao informante quando este não entende correta-
mente as instruções ou perguntas.
c) Impedir o conhecimento das circunstâncias em que foi respondido,
o que pode ser importante na avaliação da qualidade das respostas.
d) Não oferecer a garantia de que a maioria das pessoas devolvam-no
devidamente preenchido, o que pode implicar na significativa dimi-
nuição da representatividade da amostra.
e) Envolver, geralmente, número pequeno de perguntas, porque é sa-
bido que questionários muito extensos apresentam alta probabilida-
de de não serem respondidos.

Levantamento de Dados
70 UNIDADE II

f) Proporcionar resultados bastante críticos em relação à objetivi-


dade, pois os itens podem ter significados diferentes para cada
sujeito pesquisado.

Portanto, percebe-se que os levantamentos se tornam muito mais adequados para


estudos descritivos do que para explicativos. Gil (2010) destaca que são inapro-
priados para o aprofundamento dos aspectos psicológicos e psicossociais mais
complexos, mas são muito úteis para problemas menos delicados, como prefe-
rência eleitoral e comportamento do consumidor. Ainda, não se pode esquecer
que a construção do questionário demanda diversos cuidados na sua elaboração,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
a fim de obter uma maximização na verificação dos seus objetivos.

PESQUISA-AÇÃO

Caro(a) aluno(a), a pesquisa-ação é uma


pesquisa realizada de forma estreita com
uma ação ou resolução de um problema
coletivo, em que os participantes e o
pesquisador estão envolvidos na situa-
ção ou problema de modo cooperativo
ou participativo (THIOLLENT, 2011).
Assim, com a pesquisa-ação, o pesquisador desempenha um papel ativo na
realidade dos fatos observados. De acordo com Thiollent (2011, p. 22), a pes-
quisa-ação é uma estratégia de pesquisa social na qual:
■■ Há ampla e explícita interação entre pesquisadores e pessoas envolvidas
na situação estudada.
■■ O resultado é a ordem de prioridade dos problemas a serem pes-
quisados e das soluções a serem encaminhadas sob formas de ações
concretas.

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA EM RELAÇÃO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS


71

■■ O objetivo da investigação não são pessoas, mas a situação social e os


diferentes problemas encontrados;
■■ O objetivo se concentra em resolver ou esclarecer problemas da situa-
ção estudada;
■■ Há, durante o processo, um acompanhamento das decisões, das ações e
de toda atividade intencional dos atores da situação;
■■ Pretende-se aumentar o conhecimento dos pesquisadores e o conheci-
mento ou o nível de coincidência entre as pessoas.
Para Fonseca (2002), a pesquisa-ação infere em uma participação organizada do
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

pesquisador na situação a ser estudada. “O objeto da pesquisa-ação é uma situ-


ação social situada em conjunto e não um conjunto de variáveis isoladas que se
poderiam analisar independentemente do resto” (FONSECA, 2002, p. 35).
Thiollent (2011) destaca, que para se configurar pesquisa-ação depende
do objetivo e do contexto no qual é aplicada. O pesquisador deve sempre ter
uma atitude de escuta dos vários aspectos da situação e a elucidação da situ-
ação sem imposição de suas concepções próprias. Além disso, ela consiste na
elucidação da relação entre os objetivos de pesquisa e os objetivos da ação,
contribuindo para o melhor equacionamento possível do problema central
da pesquisa, com o levantamento de soluções e propostas de ações, além de
obter informações por meio de outros procedimentos (THIOLLENT, 2011).
Assim, o processo de pesquisa recorre a uma metodologia sistemática, no
sentido de transformar as realidades observadas, em que o investigador deixa
o papel de observador e passa a ter uma atitude participativa: “O pesquisador
quando participa na ação traz consigo uma série de conhecimentos que serão
o substrato para a realização da sua análise reflexiva sobre a realidade e os ele-
mentos que a integram” (FONSECA, 2002, p. 35).
Dessa forma, uma pesquisa pode ser qualificada como pesquisa-ação quando
houver uma ação por parte do pesquisador envolvido no processo investigativo
(BALDISSERA, 2001). Baldissera, destaca que “uma pesquisa-ação exige uma
estrutura de relação entre os pesquisadores e pessoas envolvidas no estudo da
realidade do tipo participativo/ coletivo”. (BALDISSERA, 2001, p. 6)

Pesquisa-Ação
72 UNIDADE II

Características essenciais da pesquisa-ação:


O processo de pesquisa pode tornar-se uma aprendizagem para todos os
participantes se forem capazes de aprender sobre sua situação e modificá-
-la. O pesquisador então age como um praticante social que intervém na
situação para verificar se o novo procedimento é efetivo ou não.
A pesquisa-ação é situacional, pois procura diagnosticar um problema es-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
pecífico numa situação específica a fim de adquirir relevância na prática dos
resultados.
Também é autoavaliativa, ou seja, as modificações introduzidas na prática
são avaliadas constantemente durante o processo de intervenção, e cíclica,
isto é, as fases iniciais são utilizadas para aprimorar os resultados das fases
anteriores.
Fonte: Engel (2000, p.184).

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA EM RELAÇÃO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS


73
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

PESQUISA PARTICIPANTE

A pesquisa participante, como a pesquisa-ação, caracteriza-se pela interação entre


o pesquisador e os membros da situação estudada (GIL, 2010). No entanto, a
pesquisa-ação consiste na elucidação da relação entre os objetivos de pesquisa e
os objetivos da ação, por meio de uma forma de ação planejada de caráter social,
educacional e técnico (THIOLLENT, 2011).
A pesquisa participante envolve posições valorativas derivadas do huma-
nismo cristão e das concepções marxistas em que se mostra comprometimento
com a minimização das desigualdades sociais, sobretudo em investigações vol-
tadas para a ação comunitária, junto a grupos mais desfavorecidos (GIL, 2010).
Assim, na pesquisa-ação o grupo que está sendo pesquisado conhece os
objetivos do estudo e participa do processo de realização. Na pesquisa partici-
pante, o pesquisador se insere no grupo observado de forma autônoma e pode
ser camuflado ou conhecido.
De acordo com Severino (2017), a pesquisa participante é aquela em que o
pesquisador participa de forma sistemática e permanente das atividades, com-
partilhando a vivência dos sujeitos pesquisados, colocando-se numa postura de
identificação com os pesquisados, passando a interagir em todas as situações. O

Pesquisa Participante
74 UNIDADE II

autor ainda destaca que nesse método o pesquisador observa as manifestações


dos sujeitos e as situações vividas e registra os elementos observados ao longo
de sua participação.
A observação participante é necessária quando o pesquisador pretende iden-
tificar que a sua participação na situação estudada gerará maior profundidade
na compreensão dos fenômenos. Vale lembrar que a pesquisa participante per-
mite a intervenção por parte do pesquisador no fenômeno, fato ou grupo. Sendo
assim, é uma técnica muito utilizada nas pesquisas qualitativas (MINAYO, 2008).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O pesquisador, ao realizar uma observação participante, deve se preparar
de forma que as fases abordagem sejam devidamente planejadas. Para isso
ele deve:
• Aproximar-se do grupo social a ser observado e garantir aceitação e
confiança.
• Conhecer o grupo a ser observado por meio de uma visão de conjunto do
coletivo, buscando conhecer sua história de vida, realizar o levantamento
de dados em documentos, conhecer pessoas e/ou instituições relevantes
e escrever no diário de campo as observações relevantes do cotidiano do
grupo em estudo.
• Sistematizar e organizar os dados, isto é, a análise dos dados deve infor-
mar ao pesquisador sobre a situação real do grupo e da percepção que
esse possui de seu estado.
Fonte: Queiroz et al (2007).

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA EM RELAÇÃO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS


75
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

PESQUISA EX-POST FACTO

Na pesquisa ex-post facto tem-se um experimento que se realiza depois do fato


espontâneo, ou seja, não é provocado pelo pesquisador, são situações que se
desenvolvem naturalmente, por exemplo: existem duas amostras semelhantes,
em que uma delas foi submetida a um determinado fenômeno. As modificações
ocorridas serão atribuídas a esse fato, uma vez que esse fenômeno foi o único
fator relevante ocorrido com uma amostra e não com a outra. O significado do
termo “ex-post facto” é “a partir do fato passado” (GIL, 2010).
De acordo com, Gil (2010), o objetivo desta pesquisa é o mesmo da expe-
rimental, isto é, verificar a existência de relações entre as variáveis estudadas.
Entretanto, a diferença mais importante entre as duas modalidades é que na
pesquisa ex-post facto o pesquisador não há controle sobre a variável indepen-
dente, porque o fenômeno já ocorreu (GIL, 2010). O autor ainda destaca que
o delineamento da pesquisa ex-post facto não garante que as conclusões sobre
causa e efeito sejam seguras.

Pesquisa Ex-Post Facto


76 UNIDADE II

Caro(a) aluno(a), para realizar uma pesquisa ex-post facto você pode utili-
zar dados de registro e recenseamento, como dados demográficos (nasci-
mento, casamentos, óbitos etc.), dados sobre criminalidade (por faixa etária,
região, sexo), dados educacionais (matrículas, aprovação e evasão), dados
sobre saúde, eleitorais, atividade comercial e industrial, número de veículos
automotores, emprego e desemprego, entre outros.
Fonte: a autora.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ESTUDO DE COORTE

É denominada uma pesquisa de coorte


aquela que tem por base estudos rea-
lizados em um grupo de indivíduos
acompanhadas por determinado perí-
odo. Esse tipo de pesquisa é comumente
utilizado na área da saúde, em que o
pesquisador classifica as pessoas que
são expostas e não expostas ao fator de
estudo as acompanha por um período
determinado e ao final verifica-se se houve incidência da doença entre os indi-
víduos, comparando os dois grupos, expostos e não expostos.
Gil (2010) afirma que o estudo de coorte se refere a um grupo de indivíduos
com características comuns, estabelecendo uma amostra que será acompanhada,
para verificar o que acontece com eles. Essa explicação tem como propriedade
a seleção de uma variável independente utilizada para ambos os grupos, isto é,
para os que se expõe ou não ao fator de risco.
O pesquisador não vai determinar quem será exposto ou não ao fator risco, mas
utilizará grupos de pessoas que já estão naquela situação para medir o aparecimento
de um resultado que pode estar associado ou não à exposição. Assim, os estudos de
coorte podem ser prospectivos (contemporâneos) ou retrospectivos (históricos).

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA EM RELAÇÃO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS


77

Nos estudos prospectivos os participantes são selecionados no momento zero


e acompanhados por um longo período de tempo, para verificar se a doença pode
vir a ocorrer ou não. “Sua principal vantagem é a de propiciar um planejamento
rigoroso, o que lhe confere um rigor científico que o aproxima do delineamento
experimental” (GIL, 2010, p. 50). Já nos estudos retrospectivos, verifica-se a expo-
sição ao risco no passado até o presente, contudo “só se torna viável quando se
dispõe de arquivos com protocolos completos e organizados” (GIL, 2010, p. 50).
A economia da saúde pode utilizar os estudos de coorte para analisar o papel
das políticas públicas de atenção à saúde, comparando grupos de pessoas que
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

foram expostas ou não a uma determinada condição. Esse metódo, para utiliza-
ção na área da economia da saúde, tem como vantagem a apresentação de dados
mais semelhantes aos da população em geral.









Estudo de Coorte
78 UNIDADE II

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Caro(a) aluno(a), esta unidade apresentou o processo de entendimento sobre a


classificação da pesquisa quanto aos procedimentos adotados. Aprendemos que
na prática precisamos conhecer quais as vertentes metodológicas dos trabalhos
científicos de forma geral, para, assim, identificarmos qual deve ser utilizado na
pesquisa a ser desenvolvida.
Vimos que há diversas formas de realizar a pesquisa, que cada uma apre-
senta em suas características vantagens e desvantagens e que tudo vai depender

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
do objeto de estudo, isto é, do que se busca pesquisar. Aprendemos que a pes-
quisa bibliográfica é constituída por materiais já elaborados como livros e artigos
científicos.
Descobrimos que a pesquisa documental utiliza materiais que não pos-
suem um tratamento analítico e que podem ser reelaborados de acordo com a
finalidade da pesquisa. Passamos a compreender também que a pesquisa expe-
rimental consiste em determinar um objeto de estudo, e identificar as variáveis
capazes de influenciá-lo. O estudo de caso proporciona certa vivência da reali-
dade de forma profunda e intensa.
Juntos podemos ver que a técnica de levantamento de dados é a interroga-
ção direta às pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Em seguida vimos
que a pesquisa-ação é uma pesquisa realizada de forma estreita com uma ação
em que os participantes e o pesquisador estão envolvidos de modo coopera-
tivo ou participativo, e que a pesquisa participante é uma atividade de pesquisa
orientada para ação.
Por último, observamos que a pesquisa ex-post factos parte de um fato
passado e que o estudo de coorte analisa grupos de indivíduos expostos e não
expostos a uma determinada situação ao longo do tempo.
Agora que você já conhece o as técnicas para a realização de uma pesquisa,
quero instigá-lo (a) a começar a pensar em uma questão de pesquisa e tentar
encaixar alguns dos métodos estudados neste tópico como uma técnica a ser uti-
lizada no desenvolvimento do seu trabalho. Vamos lá?

CLASSIFICAÇÃO DE PESQUISA EM RELAÇÃO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS


79

1. A pesquisa bibliográfica é o passo inicial para construção de uma investigação,


é utilizada para fundamentar as pesquisas em geral, com base em artigos e
livros ou trabalhos acadêmicos já desenvolvidos. Dessa forma, analise o que
é correto nas afirmações em relação à pesquisa bibliográfica.
a) A pesquisa bibliográfica permite que o pesquisador tenha uma ampla
gama de informações.
b) A pesquisa bibliográfica apresenta limitações devido à subjetividade dos
documentos.
c) A pesquisa bibliográfica apresenta limitações devido à não representativi-
dade dos documentos.
d) A pesquisa bibliográfica deve ser explorada envolvendo outras fontes de
consulta.
e) A maioria dos trabalhos acadêmicos explorados pelas pesquisas bibliográ-
ficas não foram produzidos para servir como fonte de informação.
2. Os estudo de caso e casos múltiplos partem de um método de abordagem de
investigação em ciências sociais, e consistem na utilização de um ou mais mé-
todos de coleta de informação, isto é, não seguem uma linha rígida de investi-
gação. Com base nessa informação, analise o que é correto nas afirmações
com relação ao estudo de caso.
a) O estudo de caso normalmente é profundo e pouco exaustivo.
b) O estudo de caso é uma das formas mais fáceis de fazer pesquisas em ciên-
cias sociais, por não seguir uma linha rígida de investigação.
c) No estudo de caso o pesquisador interfere na realidade estudada, visando
modificá-la.
d) O estudo de caso é classificado pela sua flexibilidade em realizar a pesquisa.
e) Os estudos de caso não têm problema com limitações.
3. A pesquisa bibliográfica investiga diferentes contribuições científicas sobre
um tema, e o pesquisador pode utilizá-las para reunir conhecimento sobre o
assunto, bem como para confirmar ou confrontar informações. Descreva a di-
ferença entre pesquisa bibliográfica e documental.
4. A pesquisa-ação e a pesquisa participante se caracterizam pela interação entre
o pesquisador e o grupo da situação estudada. Por sua semelhança, muitas
vezes são confundidas pelos pesquisadores. Descreva a diferença entre pes-
quisa-ação e pesquisa participante.
5. Um estudo pode tomar a forma de uma pesquisa aplicada ou experimental, ou
pode também empregar dados e informações de uma pesquisa ex-post facto
a depender da problemática e do objetivo de pesquisa. Descreva a diferença
entre pesquisa ex-post facto e pesquisa experimental.
80

Pesquisa Bibliométrica
Caro(a) aluno(a), você já ouviu falar da pesquisa bibliométrica? Pois bem, se você nunca
ouviu falar vamos conhecê-la e, caso já conheça, vamos nos aprofundar no assunto.

A bibliometria é o estudo dos aspectos do comportamento da literatura, como a


quantitativos da produção, disseminação linha de pensamento mais disseminada,
e uso da informação registrada. Este tipo de trabalhos mais citados, nível de disper-
estudo contribui na exploração de como o são da literatura em determinada área, a
conhecimento se processa e se dissemina visualização da identidade dos autores,
no universo acadêmico-científico. entre outros.

Os estudos bibliométricos incluem análise Procedimentos metodológicos dos estu-


de um tema da produção científica gerada, dos bibliométricos
sendo que seus objetos são, de forma geral,
livros, artigos, periódicos, autores, leitores, As pesquisas bibliométricas enquadram-se
patentes, monografias, teses e dissertações, como empírico–analíticas com abordagem
isto é, coleta-se a produção científica e os descritiva. Para realizar a pesquisa biblio-
autores que a desenvolveram. métrica sugere-se uma fundamentação
teórica, coleta de dados, organização e tra-
As variáveis de estudos são citações, comen- tamento dos dados bibliométricos, e, por
tários, temas, comportamentos, relações fim, análise e interpretação.
entre produções e periódicos, periódicos,
entre si, autores, metodologias em comum Não obstante, a primeira etapa do estudo
ou não utilizadas em determinado tema. Já deve ser precedido de um problema, ques-
os recursos e métodos empregados para tão que instigou a realização da pesquisa
realizar uma pesquisa bibliométrica são as prevendo uma delimitação temporal e/ou
estatísticas exploratórias, espacial e análise espacial. Já a segunda etapa diz respeito à
multivariada. escolha da (s) base (s) de dados a ser ado-
tada na busca.
A bibliometria é interdisciplinar por natu-
reza e possui necessariamente base É importante delimitar a base de dados,
empírica. Assim, a operacionalização des- uma vez que qualquer estudo que esti-
ses estudos aporta técnicas de estatística, ver fora desta base não fará parte de sua
visando a verificação da produtividade e a pesquisa bibliométrica, assim, as bases
disseminação do conhecimento científico, de dados podem ser o Google Acadê-
e qualificação desse comportamento a par- mico (é considerada uma base de dados
tir dos dados obtidos. multidisciplinar de documentos não inde-
xados), bem como outras indexadas (base
A pesquisa bibliométrica permite a des- Scielo) e internacionalmente reconhecidas
crição de aspectos mais relevantes acerca (a Chemical Abstracts, Pubmed, SciTech,
81

Compendex, Web of Science, Scopus (da dados. Não se preocupe, pois os objetivos
Elsevier, entre outras). propostos definirão os recursos estatísti-
cos mais apropriados ao estudo. Por fim,
A terceira etapa se refere à escolha da ferra- a quarta etapa é a de coleta de dados e
menta a ser utilizada na busca e o aplicativo a última é a de tratamento de dados, que
estatístico de apoio para tratamento de demanda análise estatística.

Fonte: Vasconcelos (2014, p. 212).


MATERIAL COMPLEMENTAR

Como elaborar projetos de pesquisa


Antonio Carlos Gil
Editora: Atlas
Sinopse: o livro é de caráter eminentemente prático, já que esclarece
procedimentos a serem adotados para a elaboração de projetos referentes
aos mais diversos tipos de pesquisa, como pesquisa bibliográfica,
documental, ex-post facto, levantamento, estudo de caso, pesquisa-ação
e pesquisa participante. O livro procura ao longo de seus capítulos, tratar
das mais diversas implicações teóricas que envolvem o processo de criação
científica.
83
REFERÊNCIAS

BALDISSERA, A. Pesquisa-Ação: uma metodologia do “conhecer” e do “agir” coletivo.


Sociedade em Debate, Pelotas, v. 7, n. 2, p. 5-25, ago/2001. Disponível em: <http://
revistas.ucpel.edu.br/index.php/rsd/article/viewFile/570/510>. Acesso em: 06 fev.
2019.
ENGEL, G. I. Pesquisa-ação. Educar, n. 16, p. 181-191. 2000. Disponível em: <http://
www.educaremrevista.ufpr.br/arquivos_16/irineu_engel.pdf>. Acesso em: 06 fev.
2019.
FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002.
FREITAS, W. R. S.; JABBOUR, C. J. C. Utilizando Estudos de Caso(s) como Estratégia de
Pesquisa Qualitativa: Boas Práticas e Sugestões. Estudo e Debate, Lajeado, v. 18, n.
2, p. 07-22. 2011.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
GIL, A. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
GIL, A. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
LIMA, M. C. Monografia: a engenharia da produção acadêmica. 2. ed. rev. atual. São
Paulo: Saraiva, 2008.
MIGUEL, P. A. C. Estudo de caso na engenharia de produção: estruturação e reco-
mendações para sua condução. Produção [S.I.], v. 17, n. 1, Jan./Abr. 2007, p.216-229.
Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/prod/v17n1/14.pdf>. Acesso em: 06 fev.
2019.
MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento. 11. ed. São Paulo: Hucitec, 2008.
QUEIROZ, D. T.; VALL, J.; SOUZA, A. M. A; VIEIRA, N. F. C. Observação Participante na
pesquisa qualitativa: Conceitos e aplicações na área da saúde. R Enferm UERJ, v.
15 n. 2. p. 276-83. Abr-jun. 2007. Disponível em: <http://www.facenf.uerj.br/v15n2/
v15n2a19.pdf>. Acesso em: 06 fev. 2019.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2017.
THIOLLENT, M. Metodologia da Pesquisa-Ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
VASCONCELOS, Y. L. Estudos Bibliométricos: Procedimentos Metodológicos e Con-
tribuições Bibliometric Studies: Methodological Procedures and Contributions.
UNOPAR Cient., Ciênc. Juríd. Empres., Londrina, v. 15, n. 2, p. 211-220, Set. 2014.
Disponível em: <http://www.pgsskroton.com.br/seer/index.php/juridicas/article/
view/307/288>. Acesso em: 06 fev. 2019.
YIN. R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman,
2005.
GABARITO

1. Alternativa A.
2. Alternativa D.
3. A pesquisa documental é semelhante à pesquisa bibliográfica. Entretanto, a di-
ferença entre elas está na natureza das fontes de coleta de dados, pois, enquan-
to a bibliográfica emprega autores como base, a documental utiliza materiais
que não empregam um tratamento analítico e que podem ser reelaborados de
acordo com a finalidade da pesquisa. Assim, o desenvolvimento da pesquisa
documental segue os mesmos passos da bibliográfica. Contudo, enquanto na
bibliográfica as fontes são construídas por um material impresso e localizado, na
documental as fontes são mais dispersas e muito mais diversificadas.
4. A pesquisa-ação consiste na elucidação da relação entre os objetivos de pesqui-
sa e os objetivos da ação, por meio de uma forma de ação planejada, de caráter
social, educacional e técnico. A pesquisa participante envolve posições valora-
tivas, derivadas, do humanismo cristão e de concepções marxistas, comprome-
timento com a minimização das desigualdades sociais, sobretudo em investi-
gações voltados para a ação comunitária, junto a grupos mais desfavorecidos.
Assim, na pesquisa-ação o grupo que está sendo pesquisado conhece os obje-
tivos do estudo e participa do processo de realização. Na pesquisa participante
o pesquisador se insere no grupo observado, de forma autônoma, e pode ser
camuflado ou conhecido.
5. A diferença mais importante entre as duas modalidades é que na pesquisa ex-
-post facto o pesquisador não tem controle sobre a variável independente, por-
que o fenômeno já ocorreu (GIL, 2010). O autor destaca ainda que o delinea-
mento da pesquisa ex-post facto não garante que as conclusões sobre causa e
efeito sejam seguras.
Professora Me. Marcela Gimenes Bera Oshita

TÉCNICA DE COLETA DE

III
UNIDADE
DADOS E AMOSTRAGEM

Objetivos de Aprendizagem
■■ Ensinar a realizar o planejamento de pesquisa.
■■ Preparar o aluno para desenvolver os tipos de perguntas para
pesquisa.
■■ Habilitar o discente a realizar o levantamento de dados.
■■ Instruir sobre amostra e tipos de amostragem.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Planejamento da Pesquisa
■■ Tipos de Perguntas
■■ Métodos de Levantamento
■■ Amostra e Tipos de Amostragem
87

INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a), nesta unidade, daremos início ao conhecimento sobre o pro-


cesso de entendimento do planejamento da pesquisa, que consiste em propor,
projetar ou esquematizar as etapas que compõem a pesquisa científica. A etapa
de planejamento inclui a delimitação do tema e o desenvolvimento de um pro-
blema, bem como a definição da metodologia, de acordo com o referencial
teórico a ser adotado.
Aprenderemos que em pesquisa eu tenho que responder: “quem?” Isto é,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

os elementos a serem pesquisados; “o que?” ou seja, as características a serem


observadas; “como?” ou melhor, o instrumento de coleta de dados. Você ainda
conhecerá tipos de perguntas, para desenvolver a partir da a ideia de fazer um
levantamento de dados, em que é necessário, construir um questionário.
Um questionário é um instrumento de coleta de dados composto de questões
sobre um tema, buscando traduzir a informação em um conjunto de perguntas
específicas. Destaca-se que, ao conhecer os tipos de perguntas, aprenderá tam-
bém sobre os tipos de respostas.
Teremos como assunto ainda os métodos de levantamento, que consistem
em como buscar os dados para atender o objetivo de pesquisa. Os métodos de
levantamento compreendem observação, entrevista estruturada e não estrutu-
rada, que pode ser pessoal, por telefone ou internet.
Sobre o amostra e tipos de amostragem, você vai passar a entender que o
processo de amostragem abrange desde a definição do público alvo até a deter-
minação da estrutura da amostra, bem como a escolha da técnica de amostragem
e, a definição do tamanho da amostra e a execução do processo de amostragem.
Agora que já conhecemos o contexto planejamento de pesquisa, tipos de
perguntas, métodos de levantamento e amostra, e tipos de amostragem, quero
convidá-lo(a) a continuar em nossa jornada de estudos. Nesta unidade propo-
nho a reflexão sobre técnica de coleta de dados e amostragem de pesquisas nas
ciências econômicas.

Introdução
88 UNIDADE III

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
PLANEJAMENTO DA PESQUISA

Caro(a) aluno(a), esta unidade lhe permitirá a começar a entender como realizar
a primeira etapa da pesquisa, o planejamento, que é o ato ou o efeito de plane-
jar. Vamos aprender também ao longo da unidade sobre os tipos de perguntas a
serem realizadas em uma pesquisa, além dos métodos de levantamento de dados
e amostra, e tipos de amostra.
Pense que antes de planejar uma pesquisa, é necessário escolher um tema,
que por sinal, é vasto nas ciências econômicas., assim a dificuldade está em deci-
dir por um deles. Entretanto, vale destacar que, no momento que você seleciona
um tema, deve se fixar-se nele, de forma prioritária. Assim, o tema da pesquisa
é qualquer assunto que precise de definições melhores do que as que já existem
sobre ele (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007).
Os motivos que podem levar um pesquisador a formular questões de pes-
quisas são de dois tipos: intelectuais, voltadas para o desejo de conhecer mais, e
práticas, baseadas no desejo de conhecer algo melhor ou mais eficiente (CERVO;
BERVIAN; SILVA, 2007).
O tema pode surgir de um interesse pessoal ou profissional, que, normal-
mente, vem de uma dúvida para, assim, procurarmos entender. Nesse contexto,
ao pensar no tema, deve-se evitar, assuntos fáceis, desinteressantes e os que já

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


89

foram extremamente explorados, em que não compensa e/ou justifica o esforço


do pesquisador. Observe na Figura 1 o esquema referente aos critérios para a
escolha de um tema.

Está próximo de um problema que afeta a sociedade


Importância
ou a ciência.

Os critérios para a Tem a capacidade de nos surpreender.


Originalidade
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

escolha de um tema Não basta não ter sido demonstrado previamente.

O pesquisador será capaz de concluir a pesquisa com


êxito e no prazo?

Viabilidade Há uma base teórica?

Os dados existem e estão disponíveis?

O pesquisador domina as ferramentas requeridas?


Figura 1- Esquema referente aos critérios para a escolha de um tema
Fonte: Castro (2006, p. 64).

Não obstante, deve-se tomar cuidado com temas extremamente complexos, que
exigem esforço muito além da capacidade do pesquisador e/ou demandam muito
tempo e recursos financeiros. Diante disso, o tema deve ser adequado à capa-
cidade e à formação do pesquisador. Deve-se ainda considerar o tempo, bem
como os recursos disponíveis para realização da pesquisa.
A partir da escolha do tema, surge a primeira etapa: o planejamento, que é
o ato ou o efeito de planejar. Para planejar, você precisará ter uma ideia, desen-
volver um plano de intenção, realizar uma revisão da literatura, bem como as
variáveis de interesse, a viabilidade, os testes de instrumentos e de procedimento,
e, por fim, o seu projeto de pesquisa.
Com a ideia manisfestada, é necessário que você faça um plano de intenção,
que é uma anotação a ser realizada no momento em que surge a ideia, para que a
mesma não se perca, essa fase é importante que você pense em questões pertinen-
tes, como: o que busco pesquisar? Com quem vou pesquisar? Onde vou pesquisar?
Qual amostra vou precisar? Essas questões servirão de orientação ao pesquisador
durante a realização da pesquisa (CASTRO; CLARK, 2001).

Planejamento da Pesquisa
90 UNIDADE III

Essa anotação que, inicialmente, é só um rascunho deverá ser estruturada


paulatinamente até tranformar-se em um plano de intenção de pesquisa prelimi-
nar, armazenará os elementos iniciais da pesquisa para que estes não se percam
(CASTRO; CLARK, 2001).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O plano de intenção é dinâmico, pois, normalmente, deve ser reescrito di-
versas vezes, até conseguir uma precisão de conteúdo necessária. Neste
contexto, os elementos constituintes do plano devem ser colocados de
forma a mostrar a pretensão do autor e que a mesma poderá modificar ao
longo do tempo. O plano de intenção será aperfeiçoado, entretanto não de-
vemos fazer esse aperfeiçoamento. Precisamos apresentar a ideia de forma
estruturada para o orientador ou para alguém que possa avaliar, e, fim de
criticar e dar sugestões.
Fonte: Castro e Clark (2001).

Para estruturar um plano de intenção, inicialmente, a ideia deve ser delimitada


em sua extensão e complexidade. Delimitar o tema é separar o tópico ou a parte
do tema a ser estudado, fixando o tempo e o espaço, isto é, indicando o quadro
histórico (tempo) e o geográfico (localização), os quais servirão de localização
ao tema. (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007).
Após a delimitação do tema, elabora-se o problema de pesquisa, em que se
busca esclarecer as dúvidas sobre o tema delimitado. Ao desenvolver a pergunta
é necessário que você, autor, seja capaz de saber exatamente aonde quer che-
gar (CASTRO; CLARK, 2001). A formulação da pergunta define e determina o
problema a ser estudado, fornecendo ao pesquisador o artifício principal para
estabelecer o objetivo da pesquisa.
“O problema é uma questão que envolve intrinsecamente uma dificul-
dade teórica ou prática, para a qual se deve encontrar uma solução” (CERVO;

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


91

BERVIAN; SILVA, 2007, p. 75). a partir dessa afirmação, os autores, salientam


que só iniciará a investigação no momento em que o tema escolhido for ques-
tionado, pelo pesquisador que deve transformá-lo em problema, mediante o
esforço de reflexão. Nessa perspectiva, a questão de pesquisa, ou o problema,
deve ser redigido de forma clara e precisa:
nem todos os problemas com que nos deparamos se prestam neces-
sariamente à pesquisa científica. Um problema de pesquisa supõe a
possibilidade de buscar informações a fim de esclarecê-lo, compre-
endê-lo, resolvê-lo ou contribuir para sua solução. Um problema de
pesquisa, portanto, não é um problema que possa ser resolvido pela
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

intuição, pelo senso comum ou pela simples especulação. (LEAL,


2002, p. 230).

O sucesso de uma pesquisa pode depender do planejamento.

Da forma como se estabelece o problema de pesquisa, a direção e o tipo de


estudo são determinados, influenciando, na forma de coleta de dados e amos-
tragem. Diante disso, para se formular um problema supõe que o pesquisador
saiba o que quer, ou seja, já tenha um conhecimento prévio sobre o tema.
Caro(a) aluno(a), você pode perceber que o problema é um questiona-
mento teórico que a pesquisa visa solucionar. Contudo, já aprendemos que,
para produzir conhecimento, é necessário um processo de busca continuada
em que cada nova investigação contribua ou conteste os estudos anteriormente
realizados sobre o tema. Assim, o problema de pesquisa será mais elaborado
quanto maior for a leitura sobre o tema, isto é, a revisão bibliográfica. Observe
na Figura 2 como é o processo de formulação de problema:

Planejamento da Pesquisa
92 UNIDADE III

Inteligência/Gênio/Reflexão FENÔMENO

? Problema

Einstein 1. Desencadeia a investigação


2. Via de acesso ao terreno do
conhecimento científico

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
3. Pista para
- investigação
- coleta material
- coleta de dados
4. Condiciona os resultados
- interessantes
- banais

Figura 2 - Formulação de problema de pesquisa


Fonte: Cervo, Bervian e Silva (2007, p. 77).

Após a estruturação do problema, que serve para aguçar e dar foco ao estudo,
chega o momento de definir os objetivos, que tem por finalidade responder a
questão de pesquisa. Lembrando que a natureza da resposta depende do que
queremos fazer com ela (CASTRO, 2006).
Assim, os objetivos de pesquisa podem ser definidos como gerais ou espe-
cíficos. No objetivo geral, os autores devem mencionar o propósito do estudo.
Nos específicos, deve-se realizar um aprofundamento das intenções expressas
no objetivo geral, isto é, tem função intermediária e instrumental, indicando
pequenas respostas que devem conduzir à resposta maior.

Tudo o que consegui fazer na ciência é fruto de muita meditação, paciência


e diligência.
(Charles Darwin)

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


93

O plano de intenção é um breve esboço do projeto de pesquisa e servirá como


um parâmetro para que o orientador saiba do seu nível de conhecimento no
assunto a ser estudado, bem como o rigor técnico adotado nas atividades ligadas
à pesquisa. Nessa perspectiva, a leitura de artigos sobre o tema que se pretende
estudar lhe auxiliará na elaboração do plano de intenção.
Quadro 1 - Plano de intenção

O plano de intenção deve ser organizado da seguinte forma:


1. Título: deve retratar o conteúdo do trabalho a ser pesquisado, o espaço e o
tempo quando pertinentes. Pode aparecer em destaque a possibilidade de ser
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

modificado de acordo com a autorreflexão até representar efetivamente o que


será estudado.
2. Autor e instituição: nome completo do autor e da instituição.
3. Justificativa: esclarecer o assunto escolhido indicando: o que gerou o questio-
namento sobre o problema abordado, qual o problema abordado, escrever o
objetivo geral da pesquisa de forma clara e contendo a ideia central que será
pesquisada e justificar a importância do estudo, isto é, qual a motivação da
pesquisa? Por que é importante que se estude tal problema?
4. Metodologia: tipo de estudo ou método, o local da pesquisa, asvariáveis e a
amostra que pretende pesquisar.
Fonte: a autora.

Não posso deixar de mencionar que o texto de um trabalho científico é composto


por citações retiradas de outras fontes, isto é, de outros trabalhos. No entanto,
deve-se referenciar os autores que foram responsáveis por desenvolver aquele
conhecimento. Assim, ao citar outras fontes, você estará sustentando o assunto
com bases científicas. Você poderá referenciar por meio de citações direta e indi-
reta e citação da citação.
A citação direta deve iniciar com aspas duplas. Exemplo: “A precificação dos
valores mobiliários das companhias que operam no mercado de capitais fica à
mercê das informações sobre a empresa bem como da economia” (OSHITA;
SANCHES 2016, p. 148). Atenção: se a citação direta tiver mais de três linhas, é
necessário realizar um recuo de 4 cm da margem esquerda, com letra menor do
que a utilizada ao longo do texto.
A citação indireta surge quando você lê o que está escrito, e transcreve como
paráfrase, ou seja, sem mudar o sentido do que o autor está querendo dizer.
Exemplo: o valor das ações das companhias que operam no mercado de capitais

Planejamento da Pesquisa
94 UNIDADE III

fica refém das informações sobre a organização e/ou da economia (OSHITA;


SANCHES 2016). Ou então: de acordo com Oshita e Sanches (2016), o valor das
ações das companhias que operam no mercado de capitais fica refém das infor-
mações sobre a organização e/ou da economia.
A citação da citação acontece quando não há acesso à obra original, isto
é, você está lendo o trabalho de alguém e esse autor cita outro. Diante disso,
você pode realizar a citação da citação. Exemplo: a divulgação de informações
é uma força que impulsiona a volatilidade dos preços dos ativos (OSHITA;
SANCHES 2016). Contudo, os dois autores devem ser referenciados no final do

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
trabalho, nesse caso, tanto Hautsch, Hess e Veredas quanto Oshita e Sanches.

TIPOS DE PERGUNTAS

Caro(a) aluno(a), muitas das


pesquisas sócio-econômicas são
conduzidas como levantamento,
em que é realizado o registro de
dados por meio de questionários
com os quais se busca responder às
perguntas da pesquisa, pela identi-
ficação entre grupos da população
ou associações entre as variáveis.
A aplicação do questionário permite gerar informação e conhecimento,
isto é a mensuração, o ato de medir, útil, tanto para o contexto profissional (a
fim de medir a satisfação dos funcionários) como para o acadêmico (a fim de
gerar de dados para testes de diferentes conceitos teóricos) (COSTA, 2011).
“[...] medir ou mensurar, concerne, antes de tudo, a um esforço de com-
preensão sobre um objeto qualquer, desde que este objeto possua condições

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


95

bem definidas de aplicação do procedimento de medição” (COSTA, 2011, p.


4). Diante disso, ao mensurar algo, é necessário estudar para identificar como
operacionalizar essa coleta de dados, visto que no caso das ciências sociais
aplicadas, mensurar se faz útil para fins quantitativos (padrões metrológi-
cos) e qualitativos (classificação).
O questionário corresponde, portanto, a uma técnica de coleta de dados
que envolve a formulação e à aplicação de uma série ordenada de questões e
alternativas de respostas, cujo teor detalha aspectos relativos à hipótese veri-
ficada e às variáveis privilegiadas (LIMA, 2008). Assim, um questionário, é
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

o conjunto formal de perguntas, no qual, objetivo é obter informações dos


entrevistados (MALHOTRA, 2001).

Ao elaborar um questionário é importante que o tema desperte interesse


no respondente. Além disso, o contato deve apresentar competência técni-
ca e teórica, para que o entrevistado responda de forma adequada o ques-
tionário, que deve ter clareza nas questões e a pertinência nas alternativas.
Outros fatores fundamentais para o sucesso na coleta de dados é a extensão
do questionário e o tempo envolvido em seu preenchimento, visto que um
questionário em que se demore mais de vinte minutos para preencher é
ineficiente, ou haverá muitas questões em branco ou um índice de retorno
insatisfatório. Ainda, deve-se adequar o material ao perfil do respondente
quanto ao conteúdo, à terminologia, à estrutura redacional, à sequência das
questões e à apresentação gráfica.
Fonte: Lima (2008).

Caro(a) aluno(o), toda pergunta feita em questionário deve contribuir para


a informação desejada. Se não há uma utilização satisfatória, ela deve ser eli-
minada. Assim, você deve questionar se: a pergunta realmente é necessária?
Qual sua utilidade? As pessoas têm informação necessária para responder a
pergunta? O tema é embaraçoso para o respondente? (MALHOTRA, 2001).

Tipos de Perguntas
96 UNIDADE III

Todavia a escolha do formato das respostas deve levar em conta as vantagens e


desvantagens de cada tipo para o objetivo da pesquisa. Elas podem ser estrutu-
radas, fechadas e não estruturadas ou abertas.
Nas respostas fechadas, os respondentes podem assinalar a opção que melhor
corresponde à sua situação, isto é, as opções já estão previstas no questionário. Já
nas respostas abertas não há uma opção prevista, o sujeito pode respondê-la com
suas próprias palavras.
É fato que as respostas fechadas facilitam a quantificação e o tratamento esta-
tístico, e as abertas são úteis para estudos exploratórios, isto é, aqueles em que não

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
conhecemos o tema em estudo. Observamos que existem diversos formatos de res-
postas e agora vamos ver as mais utilizadas: fechada, aberta, semiaberta,dicotômica,
encadeadas, com ordem de preferência, de ranking, escala de Likert e escala itemizada.

PERGUNTA FECHADA

São aquelas que oferecem apenas duas alternativas como resposta (LIMA 2008).
Nesse de questão, apresentada no Quadro 2, em que as respostas são mais obje-
tivas, restringe-se a liberdade das respostas, contudo o trabalho do pesquisados
e a compilação de dados são facilitados.
Quadro 2 - Perguntas fechadas

a) Você está satisfeito com a estrutura tributária atual?


( ) Estou satisfeito.
( ) Estou insatisfeito.

b) Você é a favor ou contra a adoção do imposto único?


( ) A favor.
( ) Contra.
Fonte: a autora.

As questões de múltipla escolha (perguntas de mostruário e de estimação/


avaliação) também são denominadas perguntas fechadas, com uma série de
alternativas para a resposta.
Nas perguntas, mostruário o respondente poderá escolher e indicar
uma ou mais alternativas de resposta. Por meio dela é possível obter dados

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


97

precisos e de caráter quantitativo e sua estrutura facilita a colaboração do res-


pondente, a tabulação e a análise dos dados pelo pesquisador (LIMA, 2008).
Quadro 3 - Perguntas mostruário

O seu consumo é influenciado pelo:


( ) Preço.
( ) Expectativa.
( ) Taxa de juros.
( ) Taxa de câmbio.
Fonte: a autora.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

As perguntas de estimação/avaliação, permitem a elaboração de interpretações


e análises interessantes quando esse tipo de formulação é associado a questões
abertas. Invariavelmente, a formulação da pergunta solicita julgamento, estima-
ção e avaliação, segundo uma escala que remete ao grau de intensidade crescente
ou decrescente (LIMA, 2008).
Quadro 4 - Perguntas de estimação/avaliação

Como o(a) senhor(a) avalia a atual política econômica adotada pelo governo?
( ) Ótimo.
( ) Bom.
( ) Satisfatório.
( ) Regular.
( ) Insatisfatório.
Fonte: a autora.

As questões de múltipla escolha são perguntas fechadas que apresentam uma


série de respostas possíveis, o que permite uma coleta de informação com maior
profundidade. Também apresentam vantagens como: facilidade e rapidez ao
aplicar, processar e analisar são altamente objetivas, rapidez no ato de respon-
der, pouca possibilidade de erros e menor risco de parcialidade do entrevistador
(MATTAR, 2001). Entretanto, existem algumas desvantagens como: restringir ao
máximo a resposta do contato, não abrir espaço para justificativas ou exemplifi-
cações, não tolerar discordâncias, possibilidade de apresentar erro de medição
se o tema for tratado de forma dicotômica (MATTAR, 2001).

Tipos de Perguntas
98 UNIDADE III

PERGUNTA ABERTA

Nas perguntas abertas, o entrevistado pode responder de forma livre utilizando


sua própria linguagem e opiniões, isto é, não existem respostas preestabeleci-
das. Isso pode dificultar a resposta do entrevistado e muitas vezes precisa ser
reformulada, tornando o processo de compilação de dados difícil e complexo.
Observe o quadro 5:
Quadro 5 - Perguntas abertas

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Qual a sua opinião sobre a política fiscal vigente?
Como a queda da taxa de juros pode influenciar na sua vida?
O que você pensa sobre…?
Fonte: a autora.

Apresentam como principais vantagens: estimular a cooperação, cobrir pontos


além das questões fechadas, influenciar menos os respondentes, que perguntas
com alternativas previamente estabelecidas, exigir menor tempo de elaboração;
e proporcionam comentários, explicações e esclarecimentos significativos para
melhor interpretação (MATTAR, 2001).
Não obstante, apresentam como principais desvantagens: grandes dificuldades
para codificação, possibilidade de interpretação subjetiva de cada decodificador,
pouco objetivas, já que o respondente pode divagar e até mesmo fugir do assunto,
são mais onerosas e mais demoradas para serem analisadas que os outros tipos
de questões, (demandando mais tempo e custo)(MATTAR, 2001).

PERGUNTA SEMIABERTA

Nas perguntas semiabertas se evita a divagação na resposta registrada, uma vez


que o respondente dispõe de alternativas já elencadas para orientar a elaboração
sintética da ideia que deseja expressar. Ainda deve-se evitar induzir o respon-
dente a respostas que não correspondem à realidade dos fatos (LIMA, 2008).
Esse tipo de pergunta pode revelar aspectos novos para o pesquisador, Observe
o quadro 06.

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


99

Quadro 6 - Perguntas semiabertas

Em que termos poderia traduzir o projeto que irá concretizar ao concluir o curso
em Ciências Econômicas:
( ) Fazer mestrado.
( ) Fazer carreira em uma grande empresa.
( ) Iniciar um programa de MBA.
( ) Realizar um projeto internacional.
( ) Outro projeto? Qual? ________________________.
Fonte: a autora.

As principais vantagens das perguntas semiabertas incluem facilidade e rapidez para


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

aplicar, processar e analisar; e apresentam pouca possibilidade de erros (MATTAR,


2001). As desvantagens incluem muito tempo de preparação para que, possivel-
mente, todas as opções de resposta sejam apresentadas, o custo, de preparação,
e ainda, tendem a introduzir vieses nos dados, pelo fato de as alternativas de res-
postas serem oferecidas aos respondentes (LIMA, 2008).








Tipos de Perguntas
100 UNIDADE III

Na formulação das perguntas deve-se escolher o enunciado da questão de


tal forma que o entrevistado possa compreendê-la clara e facilmente, para
que o significado seja o mesmo para o pesquisador e para o respondente.
Algumas recomendações sobre a formulação das perguntas:
1. Usar comunicação simples e palavras conhecidas.
2. Não utilizar palavras ambíguas.
3. Evitar perguntas que sugiram a resposta.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
4. Se uma questão é formulado de maneira deficiente, o respondente
pode recusar-se a respondê-la ou a responder incorretamente.
5. Evitar a necessidade do respondente fazer cálculos.
6. Evitar perguntas de dupla respostas.
7. Evitar alternativas longas.
Use palavras comuns, de acordo com o nível de vocabulário do entrevista-
do. As palavras devem ter significado único, conhecido dos entrevistados.
Exemplo: se na resposta deve-se escolher entre “nunca”, “às vezes”, “frequen-
temente” ou “regularmente”, , não utilize esses termos, pois não há como
saber a frequência. “menos de uma vez”, “uma ou duas vezes”, “três ou quatro
vezes” etc.
Fonte: Chagas (2000).

PERGUNTA DICOTÔMICA

A pergunta dicotômica é aquela na qual a resposta pode ser exclusivamente


“sim” ou “não”, “verdadeiro” ou “falso”,, “masculino” e “feminino”, entre outros.
Observe que, neste tipo de pergunta as respostas devem ser mutuamente exclusi-
vas, isto é, cada respondente pode incluir-se numa das possibilidades oferecidas.
Esse tipo de resposta dá origem a uma variável nominal ou categorial, conforme
apresentado no Quadro 7.

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


101

Quadro 7 - Pergunta dicotômica

Você gosta de estudar a disciplina de Mercados Financeiros e de Capitais


( ) Sim.
( ) Não.
Fonte: a autora.

As respostas dicotômicas sempre dizem respeito ao acontecimento ou não


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

de algo genérico. Você utilizará muito esse tipo de resposta para fazer apli-
cações em dados socioeconômicos, que em um modelo econométrico se
convenciona denotar cada observação i como y = 1 se o evento ocorrer, e y.
= 0. caso o contrário. Por exemplo: na pesquisa estamos avaliando a renda
dos indivíduos por sexo, assim y = 1, quando os indivíduos forem do sexo
masculino; y= 0, caso não forem. Outro exemplo seria o quadro 7, em que
podemos avaliar se os alunos de economia, em geral, gostam de estudar a
disciplina de Mercado Financeiro e de Capitais, em que denotamos y = 1
quando os indivíduos responder sim, e y = 0 caso o contrário.
Fonte: a autora.

PERGUNTAS ENCADEADAS

As perguntas encadeadas são aquelas em que a segunda ou demais perguntas


irão depender da resposta da primeira, isto é, questões cujas respostas depen-
dem da resposta anterior, conforme apresentado no Quadro 8.
Quadro 8 - Perguntas encadeadas

1. O(a) Sr(a) mora em casa própria ou alugada?


( ) Própria (vá para a pergunta 2).
( ) Alugada (vá para a pergunta 3).
( ) Outros. Qual?__________________
2. Seu imóvel é financiado?
( ) Sim. ( ) Não.

Tipos de Perguntas
102 UNIDADE III

3. Sr (a) estaria disposto a investir em imóveis?


( ) Sim (vá para a pergunta seguinte).
( ) Não (vá para a pergunta 16).
( ) Talvez (vá para a pergunta seguinte).
4. Sr(a) compraria para?
( ) Investir ( ) Morar ( ) Outros __________________
Fonte: a autora.

Caro(a) aluno(a), o Quadro 8 é um exemplo de questionário que elaborei para


pesquisas de mercado no ramo da construção civil. Você como economista, pode

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
especializar-se nessa área e comumente utilizará perguntas encadeadas para ten-
tar coletar o máximo de informação do sujeito de interesse na pesquisa. No caso
do questionário, do Quadro 8, o objetivo inicial era saber se a pessoa tinha inte-
resse e condições financeiras de adquirir um imóvel.

PERGUNTA COM ORDEM DE PREFERÊNCIA

As perguntas com ordem de preferência são aquelas denominadas de escala ordi-


nal. Com elas é possível solicitar ao sujeito que classifique os itens por ordem de
preferência, atribuindo um número a cada item conforme a preferência, como
pode ser observado no Quadro 9, em que foi perguntado para um corretor de
imóveis a ordem de preferência com relação a imóveis em determinada cidade.
Quadro 9 - Pergunta com ordem de preferência

Qual a ordem de preferência das pessoas que estão comprando imóveis/terrenos


nesta cidade? (Coloquei 1 para mais desejado e 5 para menos):
( ) Segurança.
( ) Espaço.
( ) Tranquilidade.
( ) Proximidade com o centro da cidade.
Fonte: a autora.

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


103

Entretanto, esse tipo de pergunta apresenta uma desvantagem, pois exige que
os entrevistados prestem mais atenção ao responder, o que pode deixá-los can-
sados, visto que, se atribuírem em mais de um item a mesma classificação, será
necessário iniciar novamente a questão para corrigir as respostas. E mais quando
não há o contato entre o entrevistador e o entrevistado, como, por exemplo, uma
pesquisa via e-mail, fica difícil retornar a questão para o respondente, pois ele
pode não retornar, isto é, abandonar a pesquisa.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Ao elaborar um questionário, não se deve: fazer perguntas embaraçosas,


obrigar o entrevistado a fazer cálculos, incluir perguntas que remetam a um
passado distante, incluir perguntas que já contemplam respostas.
Fonte: Silva (2005).

PERGUNTA DE RANKING

A pergunta de ranking, ou ordenamento direto, apresenta um conjunto de res-


postas e solicita que o respondente as ordene apontando uma numeração de
importância (COSTA, 2011). Assim, ela permite maior precisão de medida,
isto é, deve ser utilizada em pesquisas em que, normalmente, busca-se a avaliar
mudanças de opinião ao longo do tempo. Observe a Figura 3:

Coloque em ordem de preferência (de 1 a 4) as


empresas listadas no cartão (entregar cartão), de
acordo com as características que estão sendo
avaliadas - sendo 1 para a melhor empresa no
atributo e 4 para a pior empresa.

Vamos começar com Tecnologia. Qual empresa


você colocaria em primeiro lugar? E em segundo?
(Ordenar até o quarto lugar).

TECNOLOGIA MARCA PÓS-VENDA


Empresa A
Tipos de Perguntas
Empresa B
Empresa C
acordo com as características que estão sendo
avaliadas - sendo 1 para a melhor empresa no
atributo e 4 para a pior empresa.
104 UNIDADE III

Vamos começar com Tecnologia. Qual empresa


você colocaria em primeiro lugar? E em segundo?
(Ordenar até o quarto lugar).

TECNOLOGIA MARCA PÓS-VENDA


Empresa A
Empresa B
Empresa C
Empresa D
Empresa E

Figura 3 - Escala ranking


Fonte: Perguntas e escalas (2015, on-line)1.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ESCALA DE LIKERT

A escala Likert é a escala de classificação muito utilizada na pesquisa de mercado


quantitativa, pois, busca registrar o nível de concordância de um respondente com
as declarações, medindo, assim, a intensidade de seus sentimentos em relação à
afirmação. Consiste em uma declaração e uma série de respostas pré-definidas.
Por exemplo, uma declaração pode ser “estou completamente satisfeito com o
serviço fornecido pelo Plano de Saúde Estou Bem” e os níveis podem ser:
1. Discordo fortemente.
2. Discordar.
3. Não concordo nem discordo.
4. Concordo.
5. Concordo plenamente.

Assim, na escala Likert os itens são selecionados e, para cada um deles, é desen-
volvida uma afirmação na qual o entrevistado indica o grau de concordância
ou discordância, de acordo com as variáveis relacionadas ao objeto (COSTA,
2011). A proposição inicial de Likert traduz-se no uso de escala de cinco pon-
tos, conforme a Figura 4.

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


105

Afirmação genérica...
1 2 3 4 5

Discordo Concordo
Discordo Indeciso Concordo
totalmente totalmente
Figura 4 - Escala Likert
Fonte: Costa (2011, p. 154).

De acordo com Costa (2011), há inúmeras possibilidades de uso para a escala


likert, pois, com ela, pode-se inserir um grande número de afirmações em uma
sequência sem ter que repetir a escala (Figura 5), isto é, indicando somente os
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

pontos. Observe, na Figura 4 que a escala tem 5 pontos, e na Figura 5, 7 pontos.

CODIFICAÇÃO DA ESCALA

1 2 3 4 5 6 7

Discordo Discordo Discordo Concordo Concordo Concordo


Indeciso
totalmente fortemente parcialmente parcialmente fortemente totalmente

AFIRMAÇÃO ESCALA

As questões sobre ética não podem ser universais, pois o


que é moral ou imoral depende de cada indivíduo 1 2 3 4 5 6 7

Considerações éticas em relacionamentos interpessoais são


tão complexas que deveria ser permitido que indivíduos 1 2 3 4 5 6 7
formulassem os seus próprios códigos de ética

Figura 5 - Escala Likert de 7 pontos


Fonte: Costa (2011, p. 155).

A grande dificuldade da escala Likert é a questão da denominação dos pontos,


que é muito simples para 5 pontos, mas à medida que esse número aumenta tem-
-se mais dificuldades de denominar cada ponto, de tal forma que a diferença fica
evidente entre os seus conceitos (COSTA, 2011). Como observado na Figura 5,
é fácil identificar que, se inserirmos mais pontos, começaremos a ter problemas
com faltas de expressões que discriminam verdadeiramente os números.

Tipos de Perguntas
106 UNIDADE III

Provavelmente, o problema mais sério na denominação dos itens seja o


ponto intermediário que surge em escalas com número ímpar de pon-
tos. De fato, o ponto central costuma ser apontado como escore neu-
tro ou de indecisão da escala, sendo esta possibilidade, ainda, uma das
justificativas recorrentes apresentadas para que as escalas possuam um
número ímpar de pontos (COSTA, 2011, p. 156).

Costa (2011) destaca que uma alternativa para solucionar o problema de ponto
central seria expor a escala sem denominar os pontos, indicando, assim, somente
os seus extremos, ou indicando uma posição genérica intermediária, mas sem
denominar pontos, conforme apresentado na Figura 6.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Afirmação genérica...

Discordo totalmente Concordo totalmente

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Figura 6 - Escala Likert de 10 pontos


Fonte: Costa (2011, p. 157).

Costa (2011) ressalta ainda que a escolha no número de pontos é um determi-


nante de variações de resultados de pesquisa, visto que estudos têm mostrado
questionários com (5, 7 e 10) variados pontos, aplicados ao mesmo conjunto de
respondentes, apresentam médias de respostas diferentes. Todavia, as análises
têm mostrado que a pesquisa mantém a consistência quando são utilizadas esca-
las com o mesmo número de pontos (sejam 5, 7 ou 10 pontos).
Você poderá, também, utilizar escalas mais diretas para o objeto a ser men-
surado, isto é, escala tipo Likert, conforme apresentado na Figura 7.

Probabilidade Tamanho Qualidade

Muito improvável Muito pequeno Péssimo


Improvável pequeno Ruim
Meio termo Médio Regular
Provável Grande Bom
Muito provável Muito grande Ótimo

Satisfação Custo Modernidade

Totalmente insatisfeito Muito alto Muito antiquado


Muito
TÉCNICA insatisfeito
DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM alto Antiquado
Moderadamente satisfeito Médio Meio termo
Probabilidade Tamanho Qualidade

Muito improvável Muito pequeno Péssimo 107


Improvável pequeno Ruim
Meio termo Médio Regular
Provável Grande Bom
Muito provável Muito grande Ótimo

Satisfação Custo Modernidade

Totalmente insatisfeito Muito alto Muito antiquado


Muito insatisfeito alto Antiquado
Moderadamente satisfeito Médio Meio termo
Muito satisfeito Baixo Moderno
Totalmente satisfeito Muito baixo Muito moderno

Figura 7 - Exemplo de escalas tipo Likert


Fonte: Costa (2011, p. 159);
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ESCALA ITEMIZADA

A escala itemizada, ou de satisfação, é utilizada para medir o sentimento do


sujeito com relação à sua satisfação, isto é, para captar uma opção de escolha
dentro de um nivelamento, de forma a apresentar respostas sucintas associadas
à pergunta e a categorias ordenadas, de acordo com a posição da escala, con-
forme sugere a Figura 8:

Com relação ao grau de satisfação com seu plano


de saúde, você afirma que está:

( ) Totalmente satisfeito
( ) Parcialmente satisfeito
( ) Parcialmente insatisfeito
( ) Totalmente insatisfeito

Figura 8 - Escala Itemizada


Fonte: Perguntas e escalas (2015, on-line)1.

Tipos de Perguntas
108 UNIDADE III

A validade de um questionário é entendida como a evidência de que o mes-


mo mede o que propõe a medir. Pode ser: a validade de face, a validade do
conteúdo, ou a validade de construção. A validade de face é o grau com que
o questionário aparentemente mede o que foi projetado para medir. Essa
validade é, em geral, determinada por especialistas da área. O graduando
faz o questionário e seu orientador (que é o especialista da área) avalia se
com esse instrumento de coleta de dados vai-se responder o problema da
pesquisa. A validade de conteúdo é feita sobre cada item quanto à repre-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
sentatividade de seu conteúdo, isto é, avaliando o conceito. E, a validade de
construção, é o grau com que os resultados do questionário se correlacio-
nam com resultados obtidos de outra forma. É feito depois de já respondido,
avaliando os resultados obtidos com o questionário de outra maneira, ou
seja, perguntado sobre a lucratividade da empresa para os diretores, e de-
pois, comparam as respostas com as demonstrações, analisando, também,
se as respostas correlacionavam com a teoria.
Fonte: Vieira (2009).

MÉTODOS DE LEVANTAMENTO

Ao planejar uma pesquisa, é impor-


tante pensar qual será o método de
levantamento dos dados, que pode
ser por observação, entrevista pes-
soal, ou telefônica, ou internet. Outro
fator, a considerar nessa fase é o
tamanho da amostra a ser abordada
que atenda o objetivo da pesquisa.

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


109

OBSERVAÇÃO

A observação, é uma forma de coleta de dados que consiste em observar, ouvir


e examinar os fatos de forma detalhada no momento em que ocorrem, pos-
sibilitando verificar detalhes de uma situação. O pesquisador pode realizar a
observação participante, que diz respeito à na sua participação com a comu-
nidade ou grupo em que pertence, ou pode integrar-se a algum. Entretanto, a
observação pode ser não participante, em que o pesquisador coleta informações
de um grupo ou comunidade sem integrar-se a ela.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Ao realizar uma pesquisa em que a coleta de dados será mediante observa-


ção, é necessário, pensar em algumas questões como: por que observar? Como
observar? Quem e o que observar? Assim, é importante planejar como será rea-
lizada essa coleta de dados e operá-la de forma metódica, criando uma espécie
de lista ou mapa de registro dos fenômenos, para que o pesquisador não tenha
influência sobre as respostas.
Não obstante, em alguns casos a presença do pesquisador pode provocar
alterações de comportamento dos observados, o que tende a criar impressões
favoráveis ou desfavoráveis por parte do observado, diminuindo, assim, a espon-
taneidade deste, e produzindo resultados menos confiáveis.

As formas de observação podem ser sistemática, não sistemática, estrutura-


da e não estruturada. A sistemática é apoiada em critérios científicos e deve
ser planejada e controlada. A não sistemática é a observação direta sem cri-
térios científicos. A estruturada é o sistema diferenciado de categorias com
alto grau de confiabilidade. E a não estruturada são categorias gerais e aber-
tas, isto é, tem-se liberdade de observação.
Fonte:Costa ([2018], on-line)2.

Métodos de Levantamento
110 UNIDADE III

ENTREVISTA

A entrevista permite uma obtenção de dados detalhados sobre a o objeto estu-


dado. É um método de coleta que possibilita captar os motivos conscientes para
opiniões, sentimentos, sistemas ou condutas, ou seja, o que as pessoas pretendem
fazer, fazem ou fizeram e suas razões a respeito de eventos passados (MARCONI;
LAKATOS, 2002). De acordo com a forma de operacionalização as entrevistas
elas podem ser classificadas como estruturadas e não estruturadas.
Denominam-se estruturadas quando a entrevista tem questões previamente

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
formuladas, em que o entrevistador segue um roteiro sem alterar tópicos, sem
incluir ou excluir questões (LEHFELD; BARROS, 2007). As não estruturadas,
não tem roteiro pré-estabelecido, pois é o pesquisador quem busca dados durante
a entrevista utilizando-se da conversação (LEHFELD; BARROS, 2007), na qual
é comum encontrar as seguintes classificações:
a) Focalizada: a partir de um roteiro de itens para pesquisar, e o entre-
vistador pode incluir as questões, se desejar.

b) Clínica: serve para o estudo da conduta das pessoas, é utilizada,


principalmente, pela psicologia e áreas afins.

c) Não dirigida ou livre narrativa: o entrevistador sugere o tema e dei-


xa o entrevistado falar livremente, sem forçá-lo a responder a um
ou a outro aspecto.

d) Informal: pode ser feita individualmente ou em grupos, e se torna


um instrumento rico como abordagem preliminar, que visa a son-
dagem do objeto ou do tema da pesquisa. O pesquisador poderá ad-
quirir um conhecimento mais profundo e elementos orientadores.

e) De grupo: os entrevistados se dividem em grupos e respondem ou


narram, as questões e temáticas colocadas de forma diretiva ou não
diretiva, observando, porém, a temática da pesquisa. A análise e
a interpretação dos depoimentos e das respostas exigem dos pes-
quisadores uma posterior argumentação de conteúdo (LEHFELD;
BARROS, 2007, p.108).

Como se pode observar, as entrevistas podem ser realizadas de forma pessoal, isto
é, face a face, em grupo ou até mesmo por telefone. Assim, a entrevista é a con-
versa entre duas ou mais pessoas, em que o objetivo é uma troca de informações

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


111

entre o entrevistador e o(s) entrevistado(s) e que essa troca se aprofunde para


que isso ocorra há um elemento fundamental, que é o estilo oral do entrevista-
dor (KAUFMANN, 2013).

Planejando entrevistas
Ao realizar a entrevista é necessário que se busque a informação do indiví-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

duo de forma natural, sem debater a sua resposta ou contrariá-lo, manten-


do, assim, a sua neutralidade com relação ao assunto abordado, visto que é
importante estabelecer uma relação amistosa, buscando coletar o máximo
de informação possível para a pesquisa. Entretanto, seja objetivo e breve,
para não tornar a entrevista cansativa. Busque equilibrar a forma de abordar
as perguntas, sem que pareça um interrogatório, para que a pessoa não se
sinta acuada ou desmotivada durante a entrevista.
Fonte: a autora.

Kaufman (2013) destaca que se o entrevistador enumera uma lista de per-


guntas em um tom morno, ou pior, lê como se fossem um questionário, a
pessoa adotará o mesmo estilo para responder, limitando-se a frases breves,
e superficiais, sem envolver-se na pesquisa.
Sendo assim, é de suma importância que as perguntas, sigam uma ordem
lógica que conduzam a respostas claras e breves, como “sim” ou “não”, múltipla
escolha, ou questões abertas, mas sucintas, que se assemelhem a uma conversa
natural entre o entrevistador e o entrevistado como um breve “bate-papo”
(KAUFMANN, 2013). Esse tipo de questionário obedece à lógica da espera,
em que o entrevistado aguarda a pergunta seguinte. (KAUFMANN, 2013).
É fundamental compreender, que o entrevistador é o condutor da con-
versa, é ele quem define as regras e coloca as perguntas, que o questionado
responderá informalmente, surpreendendo-se por ser ouvido tão atenciosa-
mente, sentindo-se valorizado. Ele não é vagamente interrogado apenas pela
sua opinião, mas por aquilo que ele possui: a informação (KAUFMANN, 2013).

Métodos de Levantamento
112 UNIDADE III

De acordo com Lehfeld e Barros (2007, p. 108), há algumas vantagens na uti-


lização da entrevista, em que o pesquisador consegue maior flexibilidade, isto é, a
pesquisa pode ser aplicada em qualquer segmento da população; o entrevistador
tem a oportunidade de observar a atitude do entrevistado durante a entrevista.
E ainda conseguir dados precisos para realização da pesquisa.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Há algumas limitações no método de entrevista, visto que pode surgir di-
ficuldade de expressão de ambas as partes, a incompreensão por parte do
informante, a possibilidade do entrevistado ser influenciado, uma possível
falta de disposição do entrevistado em dar informações necessárias, a reten-
ção de alguns dados importantes, pode ocupar muito tempo e o tamanho
da amostra pode ser menor que o questionário.
Fonte:Costa ([2018], on-line)2.

MÉTODO ELETRÔNICO/INTERNET

Caro(a) aluno(a), você poderá desenvolver questionários e aplicá-los por meio


eletrônico/internet. Você poderá enviar o questionário via e-mail para que o indi-
víduo responda e te envie de volta, ou poderá elaborar um questionário on-line
e enviar um link via e-mail para o mesmo clicar e responder, já que, existem pla-
taformas para elaboração de questionários disponíveis na internet. Diferente do
e-mail, o questionário on-line tem a vantagem de o respondente ter a opção de
não se identificar.
As pesquisas on-line, apresentam uma desvantagem, pois normalmente há
uma baixa taxa de resposta aos questionários. Por isso, é importante que o ques-
tionário seja acompanhado de correspondência explicativa. De acordo com Lima
(2008) o conteúdo dessa correspondência, embora sintético, deve:
1. Explicar os objetivos da pesquisa;
2. Afirmar a relevância dos objetivos fixados;

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


113

3. Oferecer instruções sobre a forma de preenchimento do instrumento de


coleta de dados;
4. Assumir o compromisso de respeitar o sigilo dos dados obtidos;
5. Apresentar a forma pela qual fará o tratamento dos dados coletados;
6. Estipular a data-limite para o respondente devolver o material preenchido;

7. Apresentação do(s) autor(es) da pesquisa.

Os meios eletrônicos possibilitam a agilidade na aplicação do questionário, a


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

facilidade de aplicação em grandes amostras, baixo custos, agilidade, segurança


e credibilidade na tabulação dos dados coletados, visto que as respostas ficam
salvas no servidor.

AMOSTRA E TIPOS DE AMOSTRAGEM

Caro(a) aluno(a), neste tópico iremos


aprender sobre as amostras e tipos de
amostragem. Para isso, é importante
realizar alguns questionamentos, sobre
se realmente é necessário ter uma amos-
tra? quais são os processos necessários
para obter a amostra? que tipo e tama-
nho da amostra a será extraída?
Nesta perspectiva, ao pensar no processo de amostragem deve-se definir o
a pessoa ou objeto que desejamos obter informações, isto é o elemento de uma
população (SHIRAISHI, 2012). O autor define população como os elementos
que compartilham de características de interesse do pesquisador que em uma
pesquisa pode ser representada como um todo (censo) ou em forma de amostra.
Assim, você pesquisador terá dois caminhos conforme a Tabela 1, o primeiro
é abordar toda a população na pesquisa (censo que pode ser interessante para

Amostra e Tipos de Amostragem


114 UNIDADE III

populações pequenas, uma vez que elimina erros de amostragem). O segundo


é selecionar uma amostra com níveis de confiança adequados, interessante para
focalizar casos mais complexos, como abordagens mais demoradas, ou um caso
que exige um grande número de abordagens o que pode ocasionar erro de amos-
tragem (SHIRAISHI, 2012).
Tabela 1 - Seleção de amostra versus censo

CONDIÇÕES QUE FAVORECEM O USO DE


FATORES AMOSTRA CENSO
Orçamento Pequeno Grande

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Tempo disponível Curto Longo
Tamanho da população Grande Pequeno
Variância na característica Pequena Grande
Custo do erro de amostragem Baixo Alto
Custo de erros de não amostragem Alto Baixo
Natureza da medição Destrutiva Não destrutiva
Atenção a casos individuais Sim Não
Fonte: adaptado de Shiraishi (2012, p. 80).

Como observado na Tabela 1, em virtude do orçamento e do tempo é prefe-


rível o uso da amostra, tornando o método mais escolhido pelas pesquisas de
mercado. Destaca-se também o baixo índice de erro proporcionado. Diante
disso, vamos conhecer agora a amostra e os tipos de amostragem.
O processo de amostragem envolve a definição do público-alvo a deter-
minação da estrutura da amostragem, a escolha da técnica, a definição do
tamanho da amostra e a execução do processo de amostragem. O primeiro
envolve a pessoa ou objeto sobre o qual se deseja obter informações, a uni-
dade de amostragem, a localização e o intervalo de tempo (SHIRAISHI, 2012).
Por exemplo: um fabricante de cremes de barbear pretende avaliar as respos-
tas dos consumidores homens com mais de 18 anos sobre uma nova linha
do produto. Note que a unidade de amostragem pode ser as residências com
homens acima de 18 anos, a localização é onde o pesquisador está interes-
sado em desenvolver a pesquisa e o tempo, pode ser para o próximo verão.
A determinação da estrutura de amostragem envolve uma representação dos

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


115

elementos da população-alvo, isto é, consiste em um conjunto de instruções para


definir a população-alvo. Pode ser buscada em banco de dados, órgãos de classe,
lista telefônicas, mapas etc. (RODRIGUES, 2015). Exemplo: o IBGE pode fornecer
a distribuição populacional dos municípios do Estado do Paraná. Como será impra-
ticável estudar uma amostragem de todos os domicílios de cada cidade do Paraná,
são selecionadas amostras nas cidades que tenham maior representatividade, como
Curitiba, Londrina e Maringá.
Com relação à escolha da técnica de amostragem, o pesquisador pode escolher
as probabilísticas ou as não probabilísticas. E para determinar o tamanho da amostra
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ele deve ter uma ideia do número de indivíduos a serem estudados. (RODRIGUES,
2015).
Por fim, executar o processo de amostragem requer a implementação dos
detalhes do modelo da amostra, isto é, especificações detalhadas sobre a popula-
ção, quadro de amostragem, unidades de amostragem, técnica de amostragem e
tamanho da amostra. Exemplo: alguns procedimentos devem ser específicos para
residências desabitadas ou casos em que não há ninguém no momento da coleta. para
casas desabitadas e no caso de não haver ninguém em casa (RODRIGUES, 2015).

TÉCNICA DE AMOSTRAGEM NÃO PROBABILÍSTICA

Caro(a) aluno(a), as técnicas de amostragem não probabilística compreendem


em amostra por conveniência, amostra por julgamento, amostra por cota e amos-
tragem bola de neve.
A amostragem por conveniência, é baseada de acordo com o interesse do
pesquisador, ou seja, muitas vezes os entrevistados são selecionados porque estão
em local e momentos certos. Em outras palavras, é a opção mais barata, mais
rápida, e que dispõe de amostragens acessíveis e fáceis de medir. Entretanto,
existem limitações, visto que não é uma amostra representativa para qualquer
população-alvo, sugerindo que este tipo de amostragem não é apropriada para
estudos que pretendem tirar conclusões a respeito da população , como as pes-
quisas descritiva e causal (SHIRAISHI, 2012). O autor também destaca que
esse método é útil em estudos exploratórios que buscam novas ideias para o

Amostra e Tipos de Amostragem


116 UNIDADE III

desenvolvimento de hipóteses.
A amostragem por julgamento é uma amostragem por conveniência, cujos
elementos populacionais são selecionados com base no julgamento do pesquisador
e, se forem adotados critérios razoáveis, pode-se alcançar a resultados confiá-
veis. Isso significa que o pesquisador utiliza o seu julgamento para selecionar a
amostra, que são fontes de informação precisas. Exemplos: testes de mercado
para o lançamento de um novo produto ou lojas de departamento selecionadas
para testar um novo produto (SHIRAISHI, 2012).
Da amostragem por julgamento deriva a amostragem por cota, relaciona-se

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ao desenvolvimento de categorias de controle ou cotas de elementos populacio-
nais (SHIRAISHI, 2012). Essas categorias ou cotas são selecionadas com base
em informações como idade, sexo e etnia. Por exemplo: uma empresa de cos-
méticos que pretende lançar uma nova linha de cremes de cabelo para mulheres
negras . Nesse caso, as mulheres negras de 18 e 35 anos foram consideradas rele-
vantes para o estudo (SHIRAISHI, 2012). Em seguida, estima-se a proporção
dessa população-alvo com base em experiências passadas ou dados secundários.
Destaca-se que a amostragem por cota, não permite uma formal e correta infe-
rência da população, com intervalo de confianças aceitáveis (SHIRAISHI, 2012).
A amostragem bola de neve refere-se a uma população que foi inicialmente
selecionada de forma aleatória e que deve indicar outra população-alvo, isto é com
o mesmo perfil, para a pesquisa. Este tipo de amostragem é indicado para estu-
dar população com característica rara ou difícil de encontrar, por exemplo, um
público formado por viúvos com menos de 35 anos. Observe o quadro a seguir:
Quadro 10 - Exemplo de amostragem bola de neve

A Starbucks usou a amostragem por conveniência com seus clientes para detectar
a viabilidade de ampliar sua linha de produtos. Essa técnica de amostragem fazia
sentido, pois o mercado principal seriam os próprios clientes. Os resultados do
levantamento indicaram potencial para o lançamento de sorvetes, o que levou ao
desenvolvimento de um produto com o intenso sabor do café Starbucks. Dados da
Information Resources Inc. apontam que a empresa se tornou a primeira marca de
sorvetes de café dos Estados Unidos três meses após esse lançamento.
Fonte: Shiraishi (2012, p. 83).

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


117

TÉCNICA DE AMOSTRAGEM PROBABILÍSTICA

A amostragem probabilística seleciona elementos por acaso, o que permite o pes-


quisador extrapolar os resultados para toda uma população, com um certo nível
de confiança. Assim, as técnicas que utilizam a amostragem probabilística são
as: amostragem aleatória simples, amostragem sistemática, amostragem estrati-
ficada e amostragem por agrupamento.

Amostragem aleatória simples


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Na amostragem aleatória simples cada elemento de uma população tem uma


probabilidade de seleção igual, ou seja, tem a idêntica probabilidade de serem
selecionadas para a amostra. Ou melhor, seria como realizar um sorteio justo
entre os indivíduos, por exemplo, entre os membros de uma cidade ou um uni-
verso amostral em que se atribui a cada pessoa um bilhete e depois realiza-se o
sorteio (OCHOA, 2015, on-line)3. Para o cálculo do tamanho da amostra é neces-
sário inicialmente calcular o erro amostral, que é a diferença entre o valor que
a estatística pode acusar e o verdadeiro parâmetro, um intervalo de confiança.
Assim, você deve admitir, inicialmente, o erro amostral, tolerável, conforme
apresentado na Figura 9.

• N = tamanho da população
• E0 = erro amostral tolerável
1
• n0 = primeira aproximação do
tamanho da amostra

• n = tamanho da amostra
Figura 09 - Cálculo do tamanho da amostra
Fonte: adaptado de Barbetta (2002).

Amostra e Tipos de Amostragem


118 UNIDADE III

Exemplo de cálculo do tamanho da amostra


N = 300 estudantes de Ciências Econômicas do Unicesumar
E0 = erro amostral tolerável = 5% (E0 = 0,05)
n0 = 1/(0,05)^2 = 400 estudantes
n (tamanho da amostra corrigido)

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
n = 300x400/300+400 = 120.000/700 = 172 estudantes
E se a população fosse de 300.000 estudantes?
n = (300.000)x400/(300.000 +400) = 399 estudantes
Fonte: a autora.

Amostragem sistemática

A amostragem sistemática é obtida por meio de um ponto de partida aleató-


rio, e em seguida, é selecionada cada i elemento em sucessão da estrutura da
amostragem. A frequência, que os elementos são extraídos, i, denomina-se
intervalo de amostragem. Para obter a amostra é necessário dividir (i=N/n)
o tamanho da população, N, pelo tamanho da amostra, n . Exemplo: exis-
tem 100.000 elementos na população e uma amostra de 1.000 é desejada,
(i=100.000/1.000), então o intervalo de i é 100. Selecionamos um número ale-
atório entre 1 e 100 para extrair o primeiro indivíduo de aleatoriamente. Se
esse número for 25, a amostra consiste em 25, 125, 225, 325, 425, 525 e assim
por diante (SHIRAISHI, 2012).

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


119

Tipo de resposta
Caro(a) aluno(a), antes de calcular o tamanho da amostra é importante estar
claro qual o tipo de pergunta, isto é, a resposta a ser observada, pois é esta
variável que vai medir o evento estudado. Assim, existem três categorias de res-
posta:
Quantitativa: que se refere às variáveis (que podem ser classificadas de dis-
cretas ou contínuas) e resultam comumente de uma contagem ou mensu-
ração, (peso, altura, idade e pressão arterial).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Dicotômica: que corresponde a variáveis denominada de qualitativas, nas


quais, só há duas respostas possíveis do tipo “sim”, “não”, “homem”, “mulher”,
“óbito”, “vivo”.
Categórica: que envolve mais de duas com alternativas mutuamente exclu-
dentes, como, raça, tipos sanguíneos, escolaridade e classe social.
Fonte: Lee ([2018], on-line)4.

Amostragem estratificada

A amostragem estratificada é realizada em duas etapas. Inicialmente, os indiví-


duos são divididos em subgrupos ou estratos (grupos homogêneos de indivíduos
e heterogêneos entre diferentes grupos) e todo elemento da população deve ser
distribuído para, somente, um extrato. Na segunda etapa, os elementos de cada
estrato são selecionados de forma aleatória, simples. Por exemplo, se num estudo
esperamos encontrar um comportamento diferente entre homens e mulheres,
assim definimos extratos, uma para o sexo feminino e outra para o masculino.

Amostra e Tipos de Amostragem


120 UNIDADE III

Tipos de amostra estratificada


Amostra estratificada proporcional: ocorre ao selecionar uma caracterís-
tica do indivíduo para definir as camadas. Por exemplo, queremos estudar
a porcentagem da população fumante no Brasil e estipulamos que o sexo
pode ser um bom critério para a estratificação (pois, existem diferenças sig-
nificativas de fumantes de acordo com o sexo). Definimos duas camadas:
sexo feminino e sexo masculino.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Amostra estratificada uniforme: ocorre quando definimos uma amostra
uniforme. É necessário atribuir o mesmo tamanho de amostra para todas as
camadas, sexo feminino e sexo masculino, independentemente do peso dos
estratos da população.
Amostra estratificada ótima (a respeito do desvio-padrão): ocorre quan-
do, o tamanho das camadas da amostra não é proporcional com a popula-
ção. Não obstante, o tamanho das camadas é definido em proporção com o
desvio-padrão das variáveis estudadas.
Fonte: Ochoa (2015, on-line)3.

Amostragem por agrupamento

Na amostragem por agrupamento clusters a população-alvo é dividida em con-


juntos (esses grupos representam adequadamente a população total em relação
à característica que queremos medir) para que uma forma aleatória de agrupa-
mentos seja escolhida. Os clusters geográficos normalmente são muito utilizados
para definir os agrupamentos, pois estes são formados de uma população muito
semelhante entre si, por isso não há grande diferença entre estudar indivíduos
em um grupo ou em outro (OCHOA, 2015, on-line)3. Por exemplo, se queremos
estudar qual a proporção de brasileiros que fumam, podemos dividir o total da
população em estados e selecionar alguns deles para estudo. Se não temos um
parâmetro para a porcentagem de fumantes, que poderia variar de um estado
para outro, esta solução permitirá uma concentração de amostragem em uma
única área geográfica (OCHOA, 2015, on-line)3.

TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


121

Amostra estratificada e amostra por conglomerados


Caro(a) aluno(a) amostra por conglomerados se assemelha à amostragem
estratificada, pois em ambos os casos nós dividimos a população em gru-
pos. Entretanto, devemos destacar que os princípios posteriores das duas
técnicas são opostos.
Pense que a amostragem estratificada é adequada quando os grupos são in-
ternamente homogêneos e, ao mesmo tempo, diferentes. Nesse caso, deve-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mos garantir que temos representantes em nossa amostra que vêm de todos
os estratos.
Já a amostragem por conglomerados é utilizada quando os grupos são muito
semelhantes entre si, isto é não há grande diferença entre estudar indivíduos
em um grupo ou de outro.
Fonte: Ochoa (2015, on-line)3.

Caro(a) aluno(a), é importante destacar que apesar da amostragem probabilís-


tica representar uma população, os dados podem ser extrapolados para o todo.
Portanto é necessário analisar os pontos fortes e fracos de cada tipo de amostra-
gem, conforme apresentado no Quadro 11.

Quadro 11 - Pontos fortes e fracos da amostragem probabilística

AMOSTRAGEM
PONTOS FORTES PONTOS FRACOS
PROBABILÍSTICA
Aleatória De fácil compreensão, resul- Difícil construir a estrutura de
simples tados projetáveis. amostragem, alto custo, baixa
precisão, nenhuma garantia
de representatividade para
amostras pequenas.
Amostra Pode aumentar a representa- Pode diminuir a representati-
sistemática tividade é mais fácil imple- vidade.
mentar do que a aleatória
simples, estrutura de amos-
tragem não é necessária.

Amostra e Tipos de Amostragem


122 UNIDADE III

AMOSTRAGEM
PONTOS FORTES PONTOS FRACOS
PROBABILÍSTICA
Amostragem inclui todas as subpopula- Difícil escolher variáveis
estratificada ções, precisão relevantes de estratificação,
não é viável estratificar com
muitas variáveis, alto custo.
Amostragem por Fácil de implementar, eficaz Imprecisa, difícil de computar
agrupamento no custo e de interpretar os resultados
Fonte: Shiraishi (2012, p. 86).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Ao observar o Quadro 11, verificamos os pontos fortes e fracos de cada tipo de
amostragem. Diante disso, cabe a você aluno(a), decidir qual tipo de amostra-
gem é mais adequada ao objetivo de pesquisa uma vez que a finalidade desta
unidade é apresentar todas as possiblidades para que você possa enquadrá-
-las na sua pesquisa.











TÉCNICA DE COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM


123

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Caro(a) aluno(a), nesta unidade aprendemos sobre o processo de planejamento


de pesquisa e que, para isso, é necessário pensar no tema a ser pesquisado, elabo-
rar um problema, que será o ponto de partida para delinear os limites, o objetivo
e a metodologia de pesquisa. Além do mais, vimos que o planejamento de pes-
quisa envolve propor, projetar ou esquematizar os itens que compõe a pesquisa
científica.
Estudamos também que, para elaborar o planejamento de pesquisa, preci-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

samos conhecer os elementos a serem pesquisados, as características a serem


observadas, e os instrumentos que serão utilizados para a coleta de dados.
Aprendemos que, dependendo do objetivo de pesquisa, é necessário desenvol-
ver um questionário e que, para isso, precisamos conhecer os tipos de perguntas,
para que, no momento de realização da sua pesquisa, você consiga pensar no
seu objetivo e delinear como coletar os dados.
Sabemos que em economia muitas vezes se utilizam dados secundários para
realizar os estudos. Contudo, quando não houver dados secundários disponíveis,
é importante que o economista saiba como coletá-los, e que o principal instru-
mento para isso é o questionário.
Nessa perspectiva, aprendemos que um questionário é um instrumento de
coleta de dados composto de questões abertas e fechadas sobre um determinado
tema. Vimos que, ao elaborar o questionário, deve-se pensar na coleta de infor-
mações que será realizada por meio de perguntas específicas, e que as respostas
devem atribuir-se ao objetivo da pesquisa.
Aprendemos ainda sobre os métodos de levantamento, realizados pela obser-
vação e pelas entrevista estruturada e não estruturada. Vimos também, como se
dá o processo de amostragem, e as técnicas disponíveis.
Agora que você já conhece o contexto do planejamento de pesquisa, quero
instigá-lo(a) a começar a pensar em um tema de pesquisa, e tentar encaixar algu-
mas das técnica de coleta de dados e amostragem estudados neste tópico, como
uma técnica que pode ser utilizada no desenvolvimento do seu trabalho. Que
tal começar agora?

Considerações Finais
124

1. A escala Likert é a escala de classificação amplamente utilizada e consiste em


uma declaração e uma série de respostas pré-definidas, relacionadas a declara-
ções como “Estou completamente satisfeito com o serviço fornecido pelo ho-
tel”. Diante dessa afirmação,, descreva um exemplo de uma resposta dos
níveis.
2. Aprendemos que ao planejar uma pesquisa, é necessário verificar qual será o
método de levantamento dos dados que pode ser realizado por meio de en-
trevista ou observação. Descreva então como é realizada a coleta de dados
utilizando essa técnica.
3. Existem quatro tipos de técnicas de amostragem não probabilística, as amos-
tras: por conveniência, por julgamento, por cota e bola de neve. Descreva re-
sumidamente cada uma delas.
4. Segundo Ochoa (2015), a amostragem sistemática é uma técnica dentro da
categoria de amostragem probabilística que certo controle do marco amostral
entre as pessoas selecionadas em conjunto com a probabilidade que sejam
selecionadas. Caso existam 200.000 (duzentos mil) elementos na popula-
ção e uma amostra de 2.000 (duas mil) é desejada, calcule o intervalo de i.
5. De acordo com Ochoa (2015), a amostragem aleatória simples é a técnica de
em que todos os elementos que compõem o universo tem a mesma probabili-
dade de serem selecionados. Assim, calcule o tamanho da amostra com N =
500 famílias e erro amostral E0 = 0,05.
125

Sequência de Perguntas

Caro(a) aluno(a), ao elaborar o questionário é importante pensar na pergunta de abertu-


ra, pois o primeiro contato do respondente com o questionário vai definir a sua vontade
ou não de respondê-lo. Perguntas que pedem opinião, dos entrevistados podem ser
boas questões de abertura, pois as pessoas gostam de expressar suas vontades.
Deve-se, primeiramente, obter a informação básica, em seguida a de classificação e, por
fim, a informação para identificação do respondente, que inclui nome, endereço e tele-
fone. As perguntas difíceis e indiscretas devem ser colocadas no final do questionário,
assim, há menor chance de rejeição dessas perguntas.
Inicia-se do geral para o específico, a fim de evitar que as perguntas específicas tornem
tendenciosas as respostas das perguntas de caráter geral. Todas as perguntas relaciona-
das a determinado tópico devem ser formuladas antes de iniciar-se um novo tópico . De
forma lógica, colocar todas as perguntas sobre um determinado assunto, depois todas
as relacionadas a outro assunto, pois, mudanças repentinas de ir e voltar a determinado
assunto devem ser evitadas.
O layout deve ser pensado, como número de páginas, tipo e tamanhos de letras, espa-
ços entre as questões, cores da tinta e do papel, espaço para as respostas, impressão
frente e verso ou só frente. Esses itens devem ser bem estruturados pois quanto melhor
e mais adequada for a apresentação do questionário, maior a probabilidade de o índice
de respostas ser elevado. .
Geralmente, as perguntas colocadas na parte superior da página (por serem as primei-
ras perguntas) recebem maior atenção do que as colocadas no final. Mudança de cores
não gera grandes diferenças. Deverá ser reproduzido em papel de boa qualidade, pois
chama a atenção do respondente quanto à sua importância.
Os folhetos são mais fáceis de se manusear, do que várias folhas grampeadas, e não se
despregam transmitindo uma ideia de profissionalismo, por ser mais sofisticado. Devem
ser usadas colunas verticais de resposta para as questões, pois é mais fácil ler uma co-
luna do que ler horizontalmente. Essas formatações laterais são feitas frequentemente
para economizar espaços, além de chamar a atenção do entrevistado para um aspecto
negativo. Observe o exemplo:
___Nunca __As vezes __Frequentemente ___Regularmente (Errado)
___ Nunca
___ As vezes (correto)
___ Frequentemente
___ Regularmente
126

Outro fator importante é a realização do teste do questionário em uma pequena amos-


tra de entrevistados, com o objetivo de identificar e eliminar problemas. O tamanho da
amostra do pré-teste é pequeno (variando de 15 a 30 entrevistados), dependendo do
tamanho da população visada. Os entrevistados no pré-teste e na pesquisa real devem
ser extraídos da mesma população . É importante a sua realização porque não é possível
prever todos os problemas que podem surgir durante a aplicação do questionário. Sem
o pré-teste pode haver perda de tempo e dinheiro se for constatado um erro já na fase
de aplicação do questionário, exigindo que seja refeito.
Assim, o objetivo do pré-teste é verificar: se os termos usados estão sendo compreen-
didos pelos respondentes, se as perguntas estão sendo entendidas como deveriam ser,
se as opções de respostas nas perguntas fechadas estão completas, se a sequência das
perguntas está correta, se a forma de apresentar a pergunta não está causando viés e
cronometrar o tempo de aplicação.

Fonte: Malhotra (2001).


MATERIAL COMPLEMENTAR

Pesquisa Mercadológica
Airton Rodrigues
Editora: Pearson
Sinopse: a obra visa expor um cenário atualizado sobre o campo da pesquisa
mercadológica. Entre os assuntos apresentados ao estudante, estão transcrição
e tratamento dos dados, o papel da pesquisa de mercado na decisão gerencial
e a dinâmica do macroambiente de negócio.

Como elaborar questionários


Sonia Vieira
Editora: Atlas
Sinopse: este livro foi escrito com a intenção de contribuir a todos aqueles
que têm de desenvolver um questionário. Começa dando um panorama geral
das pesquisas, explica as etapas da construção de um questionário, mostra
como redigir as questões e como propor alternativas de resposta. A obra
explica, ainda, as escalas de mensuração usadas nas ciências sociais, mostra
como testar o questionário e como escolher os respondentes. A abordagem
dos temas está acompanhada de exemplos em diversas áreas.

Material Complementar
REFERÊNCIAS

BARBETTA, P. A. Estatística Aplicada às Ciências Sociais. 5. rd. Santa Catarina: Ed.


UFSC, 2002.
CASTRO, C. M. A Prática da Pesquisa. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006.
CASTRO, A. A.; CLARK, O. A. C. Planejamento da pesquisa. São Paulo: AAC, p. 1-15,
2001.
CERVO, A. L; BERVIAN, P. A.; SILVA, R. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Pear-
son Prentice Hall, 2007.
CHAGAS, A. T. R. O questionário na pesquisa científica. Administração On Line, São
Paulo, v. 1, n. 1, jan./fev./mar. 2000. Disponível em: <http://www.fecap.br/adm_onli-
ne/art11/anival.htm>. Acesso em: 25 nov. 2010.
COSTA, F. J. Mensuração e desenvolvimento de escalas: aplicações em adminis-
tração. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2011.
KAUFMANN, J-C. A entrevista compreensiva: um guia para pesquisa de campo.
Maceió: Editora Vozes Limitada, 2013.
LEAL, E. J. M. Um desafio para o pesquisador. A formulação do problema de pesqui-
sa. Contraponto, Itajaí, ano 2, n. 5, p. 227-235, maio/ago. 2002.
LEHFELD, N. A. S.; BARROS, A. J. S. Fundamentos de Metodologia Científica: um
guia para a iniciação científica. 3. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.
LIMA, M. C. Monografia: a engenharia da produção acadêmica. 2. ed. São Paulo:
Saraiva, 2008.
MALHOTRA, N. K. Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. 3. ed. Porto
Alegre: Bookman, 2001.
MALHOTRA, N. K. Basic marketing research. Pearson Higher, 2011.
MARCONI, M. A; LAKATOS, E. V. Metodologia científica. São Paulo: Editora Atlas,
2002.
MATTAR, F. N. Pesquisa de marketing. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2001.
OSHITA, M. G. B.; SANCHES, S. R. O efeito no preço das ações mediante as informa-
ções divulgadas nas mídias digitais: um estudo de caso na empresa JBS. Revista Ce-
sumar Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, v. 21, n. 1, p. 147-163, jan./jun. 2016.
RODRIGUES, A. Pesquisa mercadológica. São Paulo: Pearson 2015.
SILVA, Mary A. F. Métodos e técnicas de pesquisa. 2. ed. Curitiba: Ibpex, 2005.
SHIRAISHI, G. Pesquisa de marketing: bibliografia universitária. 2012.
VIEIRA, S. Como elaborar questionários. São Paulo: Atlas, 2009.
129
REFERÊNCIAS

REFERÊNCIAS ON-LINE

1 Em: <http://administracaograduacao.blogspot.com.br/2015/09/perguntas-e-es-
calas.html>. Acesso em: 30 jan. 2018.
2 Em: <https://docente.ifrn.edu.br/andreacosta/desenvolvimento-de-pesquisa/
tecnicas-de-coletas-de-dados-e-instrumentos-de-pesquisa>. Acesso em: 30 jan.
2018.
3 Em: <https://www.netquest.com/blog/br/blog/br/amostra-probabilistica-aleato-
ria-simples>. Acesso em: 30 jan. 2018.
4 Em: <http://www.lee.dante.br/pesquisa/amostragem/tipo_resposta.html>. Aces-
so em: 30 jan. 2018.
GABARITO

1. Por exemplo, uma declaração pode ser “estou completamente satisfeito com o
serviço fornecido pelo Plano de Saúde Estou Bem” e os níveis podem ser:
a) Discordo fortemente
b) Discordar
c) Não concordo nem discordo
d) Concordo
e) Concordo plenamente
2. A observação, é uma forma de coleta de dados que consiste em observar, ouvir e
examinar os fatos, detalhadamente no momento em que ocorrem possibilitan-
do verificar detalhes de uma situação. O pesquisador pode realizar a observação
participante em que consiste na sua participação com a comunidade ou grupo
em que pertence ou pode se integrar a algum. Entretanto, a observação pode
ser não participante, em que o pesquisador coleta informações de um grupo ou
comunidade sem integrar-se a ela.
3. A amostragem por conveniência é baseada conforme o interesse do pesqui-
sador. Normalmente os entrevistados são selecionados porque estão no local
e momentos certos. Em outras palavras, é a opção mais barata e mais rápida,
com amostragens acessíveis e fáceis de medir. Entretanto, existem limitações,
visto que não é uma amostra representativa para qualquer população-alvo, o
que sugere que esse tipo de amostragem não é apropriada para estudos que
pretendem tirar conclusões a respeito da população , como as pesquisas des-
critiva e causal (SHIRAISHI, 2012). O autor destaca ainda que é útil em estudos
exploratórios que buscam novas ideias para o desenvolvimento de hipóteses.
A amostragem por julgamento é uma amostragem por conveniência, cujos ele-
mentos populacionais são selecionados com base no julgamento do pesquisa-
dor e se forem adotados critérios razoáveis pode-se chegar a resultados confiá-
veis. Isso quer dizer que o pesquisador utiliza o seu julgamento para selecionar
a amostra que são fontes de informação precisas. Exemplos: testes de mercado
para o lançamento de um novo produto ou lojas de departamento selecionadas
para testar um novo produto (SHIRAISHI, 2012).
A amostragem por cota, estende-se da amostragem por julgamento, pois envol-
ve o desenvolvimento de categorias de controle ou cotas de elementos popula-
cionais (SHIRAISHI, 2012). Essas categorias ou cotas são selecionadas com base
em informações como idade, sexo e etnia. Por exemplo: uma empresa de cosmé-
ticos que pretende lançar uma nova linha de cremes de cabelo para mulheres
negras . Neste caso, as mulheres negras de 18 e 35 anos foram consideradas rele-
vantes para o estudo (SHIRAISHI, 2012). Em seguida estima-se a proporção dessa
população alvo com base em experiências passadas ou dados secundários. Des-
taca-se que a amostragem por cota, não permite uma formal e correta inferência
131
GABARITO

da população com intervalo de confianças aceitáveis (SHIRAISHI, 2012).


A amostragem bola de neve refere-se a uma população que foi inicialmente se-
lecionada de forma aleatória e que deve indicar outra população alvo, isto é com
o mesmo perfil, para a pesquisa. Este tipo de amostragem é indicado para estu-
dar população com característica rara ou difícil de encontrar, por exemplo, uma
população alvo formada por viúvos com menos de 35 anos.
4. Resposta: (i=200.000/2.000), então o intervalo de i é 100.
5. Exemplo cálculo do tamanho da amostra
N = 500 Famílias
E0 = erro amostral tolerável = 5% (E0 = 0,05)
n0 = 1/(0,05)^2 = 400 famílias
n (tamanho da amostra corrigido)
n = 500x400/500+400 = 200.000/900 = 222 estudantes
Professora Me. Marcela Gimenes Bera Oshita

IV
PESQUISAS QUANTITATIVAS,

UNIDADE
QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO
DE RESULTADOS

Objetivos de Aprendizagem
■■ Preparar o aluno para identificar as características da pesquisa
quantitativa.
■■ Instruir para identificar as características da pesquisa qualitativa.
■■ Explicar ao aluno sobre a tabulação de dados.
■■ Ensinar o discente a apresentação dos resultados de pesquisa.
■■ Instruir sobre os principais software utilizados em pesquisas.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Pesquisa Quantitativa
■■ Pesquisa Qualitativa
■■ Tabulação
■■ Apresentação dos Resultados de Pesquisa
■■ Principais Softwares Utilizados em Pesquisas
135

INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a), nesta unidade daremos início ao conhecimento sobre o processo


de entendimento da classificação de pesquisa quanto aos enfoques quantitativos,
qualitativos e apresentação dos resultados. A prática envolve conhecer quais os
enfoques dos trabalhos científicos, isto é, para você, ao pensar no seu objeto de
pesquisa, saber qual perspectiva aplicará..
Veremos que ambos os métodos têm suas vantagens e desvantagens, e em
quais situações podemos empregá-los. Entenderemos que tudo dependerá do
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

que se objetiva pesquisar, da fonte e/ou forma de coleta de dados. As diferenças


entre as pesquisas quantitativa e qualitativa devem ser ponderadas no momento
de da escolha por um ou outro enfoque, bem como as vantagens e desvantagens
dos métodos.
Teremos como assunto, ainda, a tabulação de dados, que é inerente a dados
primários, isto é, aqueles coletados via questionários e entrevistas. Aprenderemos
assim, como organizar os dados de forma que o pesquisador possa analisá-los e
contribuir significativamente para a pesquisa.
Sobre a análise dos resultados, entenderá que se trata de um momento em
que o pesquisador muda o foco, e passa a ter uma visão geral do assunto, apre-
sentando a análise descritiva dos dados, realizando suas análises e interpretações,
e contribuindo para a literatura existente.
Você ainda conhecerá os principais softwares utilizados em pesquisas, pois
quando for compilar os dados, poderá optar por utilizar o software que mais se
adapte às suas necessidades no momento.
Agora que já conhecemos o contexto sobre os enfoques de pesquisa, quero
convidá-lo(a) a continuar em nossa jornada de estudos. Nesta unidade, propo-
nho a reflexão sobre o desenvolvimento de pesquisas nas ciências econômicas.

Introdução
136 UNIDADE IV

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
PESQUISA QUANTITATIVA

Caro(a) aluno(a), o enfoque quantitativo da pesquisa é um conjunto de pro-


cessos sequenciais e comprobatórios (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2013).
Por meio dele é possível medir variáveis como, gênero, idade, escolaridade,
posição socioeconômica e atitudes ou comportamentos, como poder polí-
tico, desigualdade social, desemprego, emprego, crescimento econômico,
entre outros.
Assim, as variáveis estudadas neste tipo de pesquisa são diferenciadas por
duas características: ordem temporal e sua mensuração (CRESWELL, 2007).
Exemplo: o nível de consumo em uma economia depende da renda dispo-
nível, dos preços, da poupança, do grau de endividamento da população e
da disponibilidade de crédito. Diante disso, para estudar o nível, consumo
de uma economia atual, é necessário mensurar, no tempo, (anos, ex: 2000 à
2015) as variáveis que o influenciam.
A ordem temporal diz respeito a uma variável que precede a outra no
tempo, isto é, “uma variável causa outra variável” (CRESWELL, 2007). Os
pesquisadores não podem simplesmente declarar que uma variável causa a

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


137

outra, sem comprovar, peas técnicas quantitativas, por isso, o autor enfatiza,
que é necessário o desenvolvimento de questões e objetivos, que possam
representar um modelo visual de causa e efeito da esquerda para direita.
Observe na Figura 1.

O objetivo deste estudo de (experimento? levan-


tamento?) é (era? será?) testar a teroria de que(com-
para? relaciona?) a (variável independente) á
(variáveis de controle) para (partici-
pantes) em (local de pesquisa). A(s) variável(is) inde-
pendente(s) será(aõ) definida(s) em termos gerais como
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

(dê uma definição geral). As variáveis dependentes


será(aõ) definida(s) em termos gerais como (dê
uma definição geral) e a(s) variável(is) de controle e interveniente,
(identifique as variáveis de controle e inter-
veniente) serão estatisticamente controladas no estudo.
Figura 01 - Roteiro de declaração de objetivo quantitativo
Fonte: Creswell (2007, p.106).

Por esse viés, a declaração de objetivo quantitativa, tem início com a identifica-
ção das variáveis propostas para o estudo, como independente, interveniente,
dependente ou de controle definindo, assim, uma forma visual para identificar
claramente essa sequência e para localizar como as variáveis são mensuradas e
analisadas (CRESWELL, 2007).

Variáveis independentes são aquelas chamadas de “variáveis de tratamen-


to”, que causam, influenciam ou afetam os resultados. Variáveis dependen-
tes são aquelas que dependem das variáveis independentes, isto é, são o
resultado da influência das variáveis independentes. Variáveis intervenien-
tes são aquelas que “ficam entre” as variáveis dependentes e independen-
tes e mediam o efeito da variável independente sobre a dependente. Va-
riáveis de controle são aquelas em que o pesquisador tem o controle, são
mensuradas em um estudo porque, certamente, influenciam na variável
dependente. Por isso, deve ser neutralizado para não interferir na relação
entre as variáveis.
Fonte: Creswell (2007).

Pesquisa Quantitativa
138 UNIDADE IV

Salienta-se que a pesquisa “quantitativa ocorre na realidade externa do indiví-


duo. Isso nos leva a uma explicação sobre como a realidade é entendida com essa
abordagem de pesquisa” (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2013, p. 31). Essa rea-
lidade é interna e externa, conforme apresentado na Figura 2.

Primeira realidade. Segunda realidade.


A realidade subjetiva A realidade objetiva
(interna) (externa)

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Crenças (hipóteses)
Pesquisa quantitativa Realidade (fenômeno)
do pesquisador

As crenças (hipóteses) do
Se coincidirem
pesquisador são aceitas como Realidade (fenômeno)
=
válidas, a teoria é comprovada.

As crenças (hipóteses) do
pesquisador são rejeitadas, elas Se não coincidirem
Realidade (fenômeno)
precisam ser modificadas junto ≠
com a teoria.

Figura 2 - Relação entre a teoria, a pesquisa e a realidade no enfoque quantitativo


Fonte: Sampieri, Collado e Lucio (2013, p. 32).

Conforme observado na Figura 2, a realidade subjetiva ou interna, está relacio-


nada a crenças, proposições e experiências do pesquisador. Já a segunda realidade
é externa ou independente das crenças que o pesquisador tem sobre ela, isto é,
acontecem independente do que pensamos a respeito, como pobreza, desem-
prego, aumento da taxa de juros e/ou impostos. Essa realidade externa ou objetiva
é fácil de ser conhecida ou mensurada e para entender o motivo é necessário
registrar e analisar esses eventos.
Não podemos esquecer-nos de que a realidade interna existe e tem um valor
para os pesquisadores, mas o propósito central de muitos estudos quantitati-
vos é documentar a coincidência subjetiva (realidade interna) com a objetiva
(realidade externa) (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2013). Por exemplo:

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


139

quando acreditamos que o aumento da taxa de juros provoca efeitos na eco-


nomia e isso realmente acontece.

“Quanti” está relacionado quantidade ou quantia, isto é, refere-se a uma me-


dida.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A pesquisa quantitativa surge de uma ideia, conforme apresentado na Figura 3 e,


em seguida, vem a formulação de um problema de estudo delimitado e concreto.
Para isso, na formulação do problema é necessário respeitar alguns critérios como
a sua delimitação, a relação entre variáveis e abordar um problema mensurável ou
observável (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2013).
Frase 1 Frase 2 Frase 3 Frase 4 Frase 5

Revisão da Elaboração de
Formação do literatura e Visualização do hipóteses e
Ideia
problema desenvolvimento alcance do estudio definição de
do marco teórico variáveis

Frase 10 Frase 9 Frase 8 Frase 7 Frase 6

Elaboração do Definição e Desenvolvimento


relatório de Análise dos dados coleta de dados seleção da do desenho de
resultados amostra pesquisa

Figura 3 - Processo quantitativo


Fonte: Sampieri, Collado e Lucio (2013, p. 31).

Na formulação do problema da pesquisa quantitativa, deve-se pensar em cinco


elementos que sejam capazes de levar a pesquisa concreta e com possibili-
dade de teste empírico, como: objetivos, perguntas de pesquisa, justificativa
do estudo, viabilidade do estudo e deficiências no conhecimento segundo a
Figura 4.

Pesquisa Quantitativa
140 UNIDADE IV

Fomulação do problema quantitativo

E seus elementos são:


Cujos critérios são: Implica aprimorar
Objetivos: que são os guias do estudo ideias
Delimitar o problema Perguntas de pesquisa: que devem ser claras e
Relação entre variáveis são o ”o quê” do estudo
Formular como pergunta Justificativa do estudo: é o porquê e o para
Abordar um problema quê do estudo
mensurável ou observável Viabilidade do estudo que implica:
- disponibilidade de recursos
- alcances do estudo Formulação do problema quantitativo
- consequências do estudo
Deficiências no conhecimento do problema que
orientam o estudo:
- estado do conhecimento
- novas perspectivas a serem estudadas

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 4 - Formulação do problema quantitativo
Fonte: Sampieri, Collado e Lucio (2013, p. 31).

Ao formular o problema de pesquisa, o pesquisador deve realizar uma revisão de


literatura, buscando identificar os estudos anteriores, para, assim, guiar o estudo
do qual podem derivar várias hipóteses (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2013).
Assim, a revisão da literatura dará apoio teórico à pesquisa, pois tem como função
orientar o trabalho, previnir erros, ampliar o horizonte, estabelecer a necessidade
da pesquisa, inspirar novos resultados, ajudar a formular hipótese e fornecer um
marco de referências (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2013). Entretanto, essa
formulação depende do alcance do estudo, conforme a Figura 5.

Alcance do estudo Formulação de hipóteses


Exploratório Não são formuladas hipóteses.

Descritivo Somente são formuladas hipóteses quando se prognostica um fato ou dado.

Correlacional São formuladas hipóteses correlacionais

Explicativo São formuladas hipóteses causais

Figura 5 - Formulação de hipóteses em estudos quantitativos


Fonte: Sampieri, Collado e Lucio (2013, p. 113).

Ao selecionar a hipótese, desenvolve-se o desenho de pesquisa, um guia utilizado


para o planejamento, a implementação e a análise do estudo, isto é, um plano
para responder a pergunta ou as hipóteses, em que você classificará a sua pes-
quisa, como pesquisa experimental ou de levantamento de dados.
Ainda, conforme o processo na Figura 3, o pesquisador verificará as várias
hipóteses (crenças) com a teoria e definirá as variáveis de estudo e em seguida
coletará os dados. Destarte que essa coleta de dados deve ser realizada por meio

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


141

de procedimentos padronizados e aceitos pela comunidade científica (SAMPIERI;


COLLADO; LUCIO, 2013).
Os estudos quantitativos seguem um padrão estruturado e é necessário ana-
lisar como serão coletados os dados, por exemplo: o estudo realizado vai ser
apresentado à população? Se sim, existem padrões de validade e confiabilidade
na coleta de dados que precisam ser seguidos. como, a definição de uma amostra
probabilística. Por fim, após a coleta dos dados, deve ser feita a análise dos dados
e a elaboração do relatório de resultados (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2013).
Assim, Günther (2006) ressalta que o pesquisador adjetivado como quanti-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

tativo dificilmente exclui o interesse em compreender as relações complexas e a


forma de chegar a tal compreensão é por meio de explicações ou compreensões
das relações entre variáveis.

Você sabia que ao realizar uma pesquisa quantitativa poderá utilizar dados
primários ou secundários? Os dados primários, são aqueles coletados por
meio de questionários e os secundários estão disponíveis em banco de da-
dos nacionais e internacionais.
Principais bancos de dados nacionais
IBGE: <http://www.ibge.gov.br/home/>.
BANCO CENTRAL: <http://www.bcb.gov.br>.
IPEA: <http://www.ipeadata.gov.br/Default.aspx>.
Principais bancos de dados internacionais:
Eurostat: <http://ec.europa.eu/eurostat>.
OCDE: <http://www.oecd.org/>.
Banco Mundial: <http://www.worldbank.org/>.
FMI: <http://www.imf.org/external/index.htm>.
Fonte: a autora.

Pesquisa Quantitativa
142 UNIDADE IV

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
PESQUISA QUALITATIVA

Caro(a) aluno(a), aprendemos na pesquisa quantitativa os índices numéricos


que apontam as ações dos indivíduos ou comportamento de indicadores eco-
nômicos de uma determinada economia. Os métodos utilizados seguem uma
padronização, por meio da coleta de dados primários e secundários.
Em contrapartida, na pesquisa qualitativa, o objeto de estudo são as particula-
ridades e experiências dos indivíduos, isto é, na coleta de dados, por exemplo, os
pesquisadores têm mais liberdade de descrever os pontos de vistas dos entrevis-
tados sobre os assuntos que estejam relacionados ao objeto de estudo, buscando
compreender o comportamento do indivíduo ou de determinado grupo-alvo.
Os objetivos da pesquisa qualitativa são as descrições de dados, observa-
ção, compreensão e significado. Sua está na indução, um método mental para
se chegar ao conhecimento, ou seja, não há hipóteses de pesquisa pré-concebi-
das com uma suposta certeza, pois elas são desenvolvidas após a observação na
qual pesquisador influencia e é influenciado pelo fenômeno pesquisado: “não
é possível evitar as interpretações pessoais, na análise de dados qualitativos”
(CRESWELL, 2007, p. 187).

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


143

Diferentemente das pesquisas quantitativas, que são realizadas com grandes


amostras, as qualitativas são feitas com um número pequeno de entrevistados,
buscando entender o porquê de certas escolhas ou percepções das pessoas,
empresários, eleitores, entre outros. Assim, o “enfoque qualitativo utiliza coleta
de dados sem medição numérica para descobrir ou aprimorar perguntas de
pesquisa no processo de interpretação (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2013,
p. 33).
Os delineamentos da pesquisa qualitativa, normalmente, são estudos de
caso, pesquisa-ação, análise de documentos, pesquisa de campo, experimento
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

e avaliação qualitativa (MAYRING, 2002). Contudo, nenhum desses deline-


amentos é, necessariamente, qualitativo, ou seja, podem-se coletar e analisar
tanto dados quantitativos quanto qualitativos.

A utilização de métodos qualitativos ou quantitativos dependerá do tema


de pesquisa, contudo, a pesquisa qualitativa pode, em determinados mo-
mentos apoiar-se na quantitativa.

No enfoque qualitativo, o pesquisador formula um problema, mas não neces-


sariamente segue um processo claro e definido, isto é, as suas formulações não
são tão específicas como no enfoque quantitativo (SAMPIERI; COLLADO;
LUCIO, 2013, p. 33), visto que, as perguntas de pesquisa nem sempre foram
definidas e/ou conceituadas por completo (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO,
2013, p. 33).
Esse tipo de metódo, parte de uma visão particular para o geral, ou seja,
“o pesquisador entrevista uma pessoa, analisa os dados obtidos e tira algumas
conclusões; posteriormente, entrevista outra pessoa, analisa essa nova infor-
mação e revisa os resultados e conclusões” (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO,
2013, p. 33), seguindo todos os passos até chegar a uma perspectiva mais geral.
De acordo com Creswell (2007), a pesquisa qualitativa ocorre em um cená-
rio natural, em que o pesquisador vai até o local onde está o entrevistado. Isso

Pesquisa Qualitativa
144 UNIDADE IV

permite que o pesquisador desenvolva uma entrevista mais aprofundada, pois


está envolvido nas experiências reais dos participantes. Ainda, “a pesquisa qua-
litativa é fundamentalmente interpretativa.Isso significa que o pesquisador faz a
interpretação dos dados” (CRESWELL, 2007, p. 186).
Como na quantitativa, a primeira fase da pesquisa qualitativa envolve a
formulação da ideia e, em seguida, tem-se a formulação do problema, con-
forme descrito na Figura 6. Dessa forma, o problema da pesquisa qualitativa
envolve, os objetivos, as perguntas de pesquisa, a justificativa e a viabilidade,
uma exploração das deficiências no conhecimento do problema, isto é, as con-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
tribuições do estudo, e a definição inicial do ambiente ou contexto (SAMPIERI;
COLLADO; LUCIO, 2013).

Frase 1 Frase 2 Frase 3


Formação do Imersão inicial no
Ideia
problema campo

Frase 9 Frase 4

Elaboração do
Concepção do
relatório de
desenho do estudo
resultados
Literatura existente
(marco referencial)
Frase 8
Frase 5
Interpretação de
resultados Definição da
Frase 6 amostra inicial do
estudo a acesso a
Frase 7 coleta de dados ela

Análise dos dados

Figura 6 - Processo qualitativo


Fonte: Sampieri, Collado e Lucio (2013, p. 34).

Assim, alinhados aos objetivos, formula-se o problema de pesquisa, que podemos


responder ao finalizar o estudo para alcançar os objetivos. Convém, também,
justificar a relevância social do estudo, de preferência com dados quantitativos

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


145

para dimensionar o problema de estudo, o valor teórico e a metodologia a ser


utilizada (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2013). É importante, ainda, verificar
se é viável a realização do estudo, isto é, perguntar-se sobre os recursos dispo-
níveis para a elaboração da pesquisa.
A imersão inicial no campo, é a etapa em que o pesquisador vai a campo,
buscar conhecimento da realidade a ser estudada. Durante ou após a imersão
inicial, determina-se a amostra da pesquisa, que pode ser adaptada em qual-
quer momento da pesquisa, não é probabilística e não se pretende generalizar
os resultados (SAMPIERI;COLLADO; LUCIO, 2013).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

No desenho de pesquisa qualitativa tem-se a abordagem geral do que será uti-


lizado no processo de estudo. No desenho da pesquisa, o foco central é a pergunta
que se busca responder, em seguida, define-se os propósitos e o enquadramento
conceitual, para posteriormente, é necessário definir os métodos a serem utili-
zados, e a sua validade.
Na etapa de coleta de dados, procura-se obter informações que serão trans-
formadas em conhecimento. Para isso, é necessário estabelecer fronteiras para
o estudo, coletar informações a partir de observações, entrevistas, documentos
e materiais visuais (CRESWELL, 2007). Observe no Quadro 1, os tipos, opções,
vantagens e limitações da coleta de dados qualitativos.
Quadro 1 - Tipos, opções, vantagens e limitações da coleta de dados qualitativos

Tipo de coleta Opções dentro Vantagens do Limitações do


de dados dos tipos tipo tipo

• Participante completo: • O pesquisador tem uma • O pesquisador pode ser


pesquisador oculta o papel. experiência em primeira visto como intruso.
Observações • Observador como mão com os participantes. • Podem ser observadas
participante: papel do • O pesquisador pode informações "privadas" que o
pesquisador é conhecido. registrar informações à pesquisador nao pode relatar.
• Participante como medida que elas sao • O pesquisador pode nao ter
observador: papel de reveladas. boas aptidões de atenção e
observação secundário em • Aspectos não-usuais observação.
relação ao papel de podem ser notados durante • Certos participantes (por
participante. a observação. exemplo, crianças podem
• Observador completo: • Útil para explorar tópicos apresentar problemas
pesquisador observa sem que podem ser descon- especiais para entrar em
participar. fortáveis para os partici- harmonia.
pantes discutirem.
• Face a face: entrevista • Útil quando os partici- • Fornece informações
pessoal um a um. pantes não podem ser "indiretas" filtradas através
Entrevistas • Telefone: o pesquisador observados diretamente. das visões dos entrevistados.
entrevista por telefone. • Participantes podem • Fornece informações em um
• Grupo: o pesquisador fornecer informações "local" designado, e não no
entrevista os participantes históricas. cenário natural de campo.
em grupo. • Permite ao pesquisador Pesquisa dos
• A presença Qualitativa
pesquisa-
"controlar" a linha de dores pode viesar as
questionamento. respostas.
participante: papel do • O pesquisador pode informações "privadas" que o
pesquisador é conhecido. registrar informações à pesquisador nao pode relatar.
• Participante como medida que elas sao • O pesquisador pode nao ter
observador: papel de reveladas. boas aptidões de atenção e
146 U N I D A D Eobservação
IV secundário em • Aspectos não-usuais observação.
relação ao papel de podem ser notados durante • Certos participantes (por
participante. a observação. exemplo, crianças podem
• Observador completo: • Útil para explorar tópicos apresentar problemas
pesquisador observa sem que podem ser descon- especiais para entrar em
participar. fortáveis para os partici- harmonia.
pantes discutirem.
• Face a face: entrevista • Útil quando os partici- • Fornece informações
pessoal um a um. pantes não podem ser "indiretas" filtradas através
Entrevistas • Telefone: o pesquisador observados diretamente. das visões dos entrevistados.
entrevista por telefone. • Participantes podem • Fornece informações em um
• Grupo: o pesquisador fornecer informações "local" designado, e não no
entrevista os participantes históricas. cenário natural de campo.
em grupo. • Permite ao pesquisador • A presença dos pesquisa-
"controlar" a linha de dores pode viesar as
questionamento. respostas.
• As pessoas não são
igualmente articuladas e
perceptivas.
• Documentos públicos, • Permite ao pesquisador • Pode ser informação
como atas e reuniões e obter a linguagem e as protegida, não-disponível

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Documentos jornais. palavras dos participantes. para acesso público ou
• Documentos privados, • Pode ser acessado em um privado.
como registros, diários e momento conveniente para • Exige que o pesquisador
cartas. o pesquisador -uma fonte procure a informação em
• Discussões via e-mail. de informações discreta. locais difíceis de encontrar.
• Representa dados • Exige a transcrição ou leitura
refletidos, aos quais os ótica para passar para o
participantes dedicaram computador.
atenção para compilar. • Os materiais podem estar
• Como prova escrita, incompletos.
economiza tempo do • Os documentos podem não
pesquisador e despesas ser autênticos ou precisos.
com transcrição.
• Fotografias • Pode ser um método • Pode ser difícil de interpre-
• Fitas de vídeo não-oportuno para coletar tar. • Pode não estar acessível
Materiais • Objetos de arte dados. pública ou privadamente.
audiovisuais • Software de computador • Dá uma oportunidade para • A presença de um observa-
• Filme os participantes compartil- dor (por exemplo, fotógrafo)
harem diretamente sua pode interromper e
"realidade". atrapalhar as respostas.
• Criativo no sentido de que
chama a atenção
visualmente.
Fonte: Creswell (2007, p.191, 192).

Creswell (2007) ressalta que é importante incluir tipos de coletas de dados


além de observação, pois podem capturar novas informações, além de refor-
çar as existentes. Para isso, há técnicas e procedimentos, conforme apresentado
no Quadro 1.

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


147

Quadro 2 - Lista de técnicas para coleta de dados qualitativos

• Reunir notas observacionais conduzindo uma observação como participante.


• Reunir notas observacionais conduzindo uma observação como observador.
• Conduzir uma entrevista aberta e não-estruturada, tomando notas relativas à entrevista.
• Conduzir uma entrevista aberta, não-estruturada, gravar a entrevista e transcrevê-la.
• Manter um diário durante pesquisa de campo.
• Fazer com que um participante mantenha um diário durante a pesquisa de campo.
• Fazer leitura ótica de artigos de jornais.
• Coletar cartas pessoais dos participantes.
• Analisar documentos públicos (por exemplo, memorandos oficiais, atas, registros, material
de arquivo).
• Examinar autobiografias e biografias.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• Fazer um participante escrever sua autobiografia.


• Escrever sua própria biografia (do pesquisador).
• Fazer os participantes tirarem fotos ou filmarem (ou seja, evocar por foto).
• Examinar provas físicas (por exemplo, pegadas na neve).
• Filmar uma situação social ou uma pessoa/um grupo.
• Examinar fotografias ou fitas de vídeo.
• Coletar sons (por exemplo, sons musicais, riso de uma criança, buzinas de carros).
• Coletar mensagens de e-mail ou mensagens eletrônicas.
• Examinar posses ou objetos rituais para evocar visões durante uma entrevista.
• Coletar cheiros, gostos ou sensações através do toque.
Fonte: Creswell (2007, p. 193).

Na pesquisa qualitativa as variáveis não são medidas, pois a coleta de dados não
padronizada é realizada por meio de biografias ou histórias de vida, documentos,
registros e artefatos, grupos focais; entrevistas em que podem ser feitas questões
sobre experiências, opiniões, valores e crenças -, observações, anotações e diá-
rios de campo (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2013).
Após a coleta de dados, inicia-se a fase de análise e interpretação dos resul-
tados o que exige um aprofundamento no entendimento dos dados, a partir de
informações fornecidas pelos participantes (CRESWELL, 2007).
“A análise tem como objetivo organizar e sumariar os dados de forma tal que
possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto para a investigação”
(GIL, 2008, p. 156). Ainda o autor enfatiza que, a interpretação tem como finali-
dade a procura de conhecimento mais amplo, isto é, realizado a partir de outros
conhecimentos adquiridos anteriormente, comparando com a teoria ou trabalhos
já existentes. Por fim, chega-se o momento de a elaborar o relatório de pesquisa.

Pesquisa Qualitativa
148 UNIDADE IV

Validação da pesquisa
Validade é definido como aquilo que tem condição de válido. Na pesquisa
quantitativa, a validade seria referente à semelhança entre o conceito e o que
se espera, isto é, a comprovação da teoria por meio da aplicação de métodos
em que a medida está livre de qualquer erro. Sendo assim, é a extensão em
que uma medida representa corretamente o conceito do estudo, capaz de
corresponder precisamente o que se espera. A validade da pesquisa qualita-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
tiva é um ponto importante a ser destacado, pois o estudo deve ter uma coe-
rência e o pesquisador quem deve informar os passos para verificar a precisão
e credibilidade dos resultados apresentados, como verdadeiros e confiáveis.
Assim, é necessário discutir uma ou mais estratégias disponíveis para confir-
mar a exatidão dos resultados, como: realizar triangulações de diferentes fon-
tes de informação, realizar uma descrição rica e densa, esclarecer vieses, entre
outros.
Fonte: Creswell (2007).

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


149
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

TABULAÇÃO

Caro(a) aluno(a), a tabulação dos dados é o processo de organizar as respostas


obtidas durante a aplicação dos questionários da pesquisa. É realizada na com-
pilação de dados primários, visto que os dados secundários, como os coletados
no IBGE, Banco Central, FMI, entre outros, já foram tabulados e ordenados.
De acordo com Gil (2008), o processo de tabulação envolve agrupar e
contar os casos que estão nas categorias de análise e podem ser dos tipos sim-
ples e cruzada. A segunda, na contagem da frequência das categorias de cada
conjunto. Já a cruzada consiste na contagem das frequências que ocorrem jun-
tamente em dois ou mais conjuntos de categorias, como, por exemplo, casos
que se referem a categorias de renda e escolaridade (GIL, 2008).

Tabulação
150 UNIDADE IV

Esse processo pode ser manual ou eletrônica. O manual consiste no uso de


lápis e papel e, o eletrônico, em planilhas, como Excel. Se as perguntas forem
fechadas, basta colocar os dados numa tabela, mas se forem abertas, você você
terá de ler todas as respostas com atenção e compilar as ideias para que consiga
extrair as informações, ou palavras-chaves para colocar em forma de tabela, con-
forme a Figura 7.

Amostra com 100 entrevistas:


Qual sua idade?

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ALTERNATIVA Freq. %
Até 20 anos 43 43
De 21 a 25 anos 27 27
De 26 a 30 anos 18 18
Mais de 31 anos 12 12
TOTAL 100 100
Figura 7 - Tabulação simples
Fonte: Portal da administração (2015, on-line)1.

Nessa figura temos uma forma de tabulação simples, com uma contagem do
número de vezes em que são respondidas em cada uma das variáveis. Nesse caso
o entrevistado só pode optar por uma resposta em questão. Ao tabular, coloca-
-se as alternativas, da questão, em forma de tabela, bem como a frequência da
resposta e o percentual sobre o total da amostra.
Há também, as questões que possuem mais de uma alternativa, isto é, que
permitem mais de uma resposta. Na Figura 8, se buscou conhecer o que o con-
sumidor considera importante na escolha de um supermercado ao realizar suas
compras mensais. Assim, verifica-se que o preço baixo é o item de maior impor-
tância, seguido pela variedade de produtos e, por último, a localização.

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


151

Amostra com 100 entrevistas:


O que você considera importante na escolha do
supermercado para fazer suas compras mensais?

ALTERNATIVA Freq. %
Preço baixo 68 68%
Variedade de produtos 49 49%
Localização 23 23%
TR - Total de respostas(1) 140 140%
TE - Total de entrevistas(2) 100 100%
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 8 - Tabulação com respostas múltiplas


Fonte: Portal da administração (2015, on-line)1.

Caro(a) aluno(a), ao realizar a tabulação de perguntas em aberto, é importante


listar palavras-chaves, mediante os dados coletados, a fim de criar uma classe e/
ou um padrão de resposta. Diante disso, é necessário realizar uma análise das res-
postas dos entrevistados e, em seguida, definir um padrão. Observe a Figura 9.

Exemplo:
Por que você compra roupas da marca “Y”?
- São boas -São bem feitas -Mais baratas

- De grife -Marca conhecida -Custam menos

-Melhor que as outras

Figura 9 - Tabulação com perguntas abertas


Fonte: Portal a administração (2015, on-line)1.

Ao definir o padrão, realiza-se a tabulação, que pode ser simples, na qual, cada
resposta condiz a uma classe constituída, ou múltipla, em que cada resposta pode
equivaler a mais de uma categoria gerada.

Tabulação
152 UNIDADE IV

CATEGORIA Resp.
São boas 30
QUALIDADE
São bem feitas 10
Mais baratas 30
PREÇO
De grife 10
Marca conhecida 10 MARCA
Melhor que as outras 05
Custam menos 05

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
TOTAL 100

ALTERNATIVA Freq. %
Qualidade 45 45
Preço 35 35
Macar 20 20
TOTAL 100 100
Figura 10 - Tabulação simples ou múltipla
Fonte: Portal da administração (2015,on-line)1.

Ao desenvolver pesquisas qualitativas com aplicação de questionário, é comum


tabular perguntas de escala itemizada ponderando as respostas, conforme a
Figura 11.

Com relação à política econômica, como você avalia:


1. Redução de taxa de juro
Alternativa Frequência Peso Frequência x Peso
Ótimo 1.000 5 5.000
Bom 600 4 2.400
Regular 100 3 300
Ruim 50 2 100
Péssimo 10 1 10
Total 1.760 7.810
Média 4,44
Figura 11 - Escalas diferenciais - Redução da taxa de juros
Fonte: a autora.

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


153

A média (4,44) é a divisão de 7.810 por 1.760. Assim, o item redução da taxa
de juros foi, melhor avaliado pelos indivíduos em 4,44 em detrimento do
aumento de impostos, avaliado em 1,56 (2.750/1.760), Observe a figura 12.

Com relação à política econômica, como você avalia:


2. Aumento de impostos
Alternativa Frequência Peso Frequência x Peso
Ótimo 10 5 50
Bom 50 4 200
Regular 100 3 300
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Ruim 600 2 1.200


Péssimo 1.000 1 1.000
Total 1.760 2.750
Média 1,56
Figura 12 - Escalas diferenciais - Aumento de impostos
Fonte: a autora.

Durante a tabulação dos dados é importante cruzar as respostas, como por


exemplo, a faixa de renda, sexo, idade e escolaridade. Esse tipo de informa-
ção é importante para dizer se pessoas com maior escolaridade têm renda
mais elevada, ainda, se há ou não diferença de salários entre homens e mu-
lheres de acordo com a idade e/ou nível de escolaridade.
Fonte: a autora.

Tabulação
154 UNIDADE IV

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DE PESQUISA

Caro(a) aluno(a), o resultado da pesquisa é a apresentação dos dados que


foram obtidos durante o estudo, em forma de comentários e interpretações,
comparando a descoberta com a literatura existente na área estudada, já apre-
sentada na introdução e na fundamentação teórica.
Tudo isso deve ser descrito de forma didática e de fácil compreensão, isto
é, de forma que as pessoas leiam o conteúdo e entendam que você avançou
no conhecimento da problemática inicial da pesquisa. Para isso, os gráficos
auxiliarão no entendimento e ainda deixarão sua pesquisa mais visual, atra-
tiva e interessante.
A análise, a interpretação e discussão dos resultados, devem ser inseridas,
por meio da recapitulação da metodologia. Você vai “relembrar” as etapas de
análise da sua pesquisa descritas na metodologia, visto que os resultados do
seu trabalho serão elucidados de acordo com o que foi apresentado.
Em seguida, realiza-se a divulgação dos resultados, apresentando a parte
descritiva dos dados, que você apresentará por meio da inserção de tabe-
las e gráficos as quantias, frequências, medidas etc. Como pesquisador, é

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


155

importante não focar-se somente na descrição dos resultados, mas acres-


centar algo sobre o assunto a partir da análise e interpretação dos dados.
Observe as Figuras 13 e 14.

Variável Média Desvio-padrão Min Max


Duração do desemprego 8.0641 12.5426 0.0333 66
Formal 0.3426 0.4746 0 1
Sexratio 0.0029 0.0537 0 1
Masculino 0.5849 0.4928 0 1
Branco 0.4426 0.4771 0 1
Demitido 0.1124 0.3181 0 1
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Nível 0 0.2861 0.4519 0 1


Nível 1 0.2231 0.4163 0 1
Nível 2 0.3766 0.4845 0 1
Nível 3 0.0167 0.1280 0 1
16-19 anos 0.0936 0.2912 0 1
25-29 anos 0.1503 0.3574 0 1
30-34 anos 0.1629 0.3693 0 1
35-44 anos 0.3172 0.4654 0 1
45-60 anos 0.2589 0.4381 0 1
Recife 0.0880 0.2833 0 1
Salvador 0.2768 0.4474 0 1
Belo Horizonte 0.1074 0.3097 0 1
Rio de Janeiro 0.1602 0.3668 0 1
São Paulo 0.2691 0.4435 0 1
Porto Alegre 0.0985 0.2980 0 1
2015 0.0674 0.2508 0 1

Figura 13 - Estatísticas descritivas


Fonte: Oshita et al. (2017, p. 8).

Ao analisar a Figura 13, você, aluno, terá que descrever os dados encontrados.
Por exemplo: de acordo com a Figura 13, o tempo médio que os cônjuges con-
tinuaram desempregados, sem fazer distinção entre dados censurados ou não, é
de cerca de 8 meses, em que a duração mínima é de 0,0333 meses e, a máxima,
de 66 meses (OSHITA et al., 2017).

Apresentação dos Resultados de Pesquisa


156 UNIDADE IV

a) Chefe de família a) Cônjuge


1.00 1.00

0.75 0.75

0.50 0.50

0.25 0.25

0.00 0.00
0 20 40 60 80 0 20 40 60 80

Meses de desemprego Meses de desemprego


Recife Salvador Recife Salvador

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Belo Horizonte Rio de JAneiro Belo Horizonte Rio de JAneiro
São Paulo Porto Alegre São Paulo Porto Alegre
Figura 14 – Funções de sobrevivência do chefe de família e cônjuge Brasil, 2003-2015
Fonte: Oshita et al. (2017, p. 9).

Da mesma forma, na Figura 14 a análise se faz necessária: Oshita et al. (2017, p. 9):
As regiões de Salvador e Rio de Janeiro apresentam as maiores taxas de
sobrevivência na desocupação, em que aos 66 meses atinge mais de 56%
dos chefes de família e influencia 63% dos cônjuges de ambas as regi-
ões metropolitanas a permanecerem no desemprego.” Assim, a saída do
desemprego nessas regiões tende a ser mais difícil do que em qualquer
outra. Todavia, Belo Horizonte e Porto Alegre possuem as menores taxas
de sobrevivência para os casais. (OSHITA et al, 2017, p. 9)

Ao descrever os dados a partir de tabelas, gráficos, entre outros é necessário


compará-los com os já existentes na literatura, vinculando-os a outros conheci-
mentos e ampliando os dados discutidos, como, por exemplo, Oshita et al. (2017):
Se for demitido, o cônjuge tem uma chance 27,78% menor de prosse-
guir na situação de desocupação que os não exonerados, conforme os
resultados encontrados por Antigo e Machado (2006), Oliveira e Car-
valho (2006) e Menezes e Cunha (2013). (OSHITA et al, 2017, p. 12)

Assim sendo, Lakatos e Marconi (2003) diferenciam a análise da interpretação.


A primeira é a tentativa de evidenciar as relações existentes entre o fenômeno
estudado e outros fatores, como causa e efeito, produtor-produto, de correlações,
de análise de conteúdo etc, e pode ser realizada em três níveis:

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


157

a) Interpretação. Verificação das relações entre as variáveis indepen-


dente e dependente, e da variável interveniente (anterior à depen-
dente e posterior à independente), a fim de ampliar os conhecimen-
tos sobre o fenômeno (variável dependente).

b) Explicação. Esclarecimento sobre a origem da variável dependente


e necessidade de encontrar a variável antecedente (anterior às vari-
áveis independente e dependente).

c) Especificação. Explicitação sobre até que ponto as relações entre


as variáveis independente e dependente são válidas (como, onde e
quando) (LAKATOS; MARCONI, 2003, p. 168).
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

De acordo com Lakatos e Marconi (2003), na análise, o pesquisador entra em


maiores detalhes sobre os dados, a fim de conseguir respostas às suas indaga-
ções. Ainda procura estabelecer as relações necessárias entre os dados obtidos e
as hipóteses de pesquisas, que são comprovadas ou refutadas, mediante a aná-
lise. Já a interpretação, é a atividade intelectual que busca dar um amplitude aos
resultados, isto é, a exposição do verdadeiro significado do material apresen-
tado, vinculando-o a outros conhecimentos, fazendo ligações mais amplas dos
dados discutidos (LAKATOS; MARCONI, 2003). Dois aspectos são importantes:
a) Construção de tipos, modelos, esquemas. Após os procedimentos
estatísticos, realizados com as variáveis, e a determinação de todas
as relações permitidas ou possíveis, de acordo com a hipótese ou
problema, é chegado o momento de utilizar os conhecimentos teó-
ricos, a fim de obter os resultados previstos.

b) Ligação com a teoria. Esse problema aparece desde o momento ini-


cial da escolha do tema; é a ordem metodológica e pressupõe uma
definição em relação às alternativas disponíveis de interpretação da
realidade social (LAKATOS; MARCONI, 2003, p. 168).

Assim, após a descrição dos dados, você passará para etapa de análise, inter-
pretação, discussão e avaliação dos resultados, buscando explicar as possíveis
causas, razões e circunstâncias do objeto de estudo, estabelecendo uma ligação
com o que foi descrito na introdução e os artigos citados durante a parte teórica.
Isto posto, chega o momento da comparação da descoberta com a literatura
existente, visando dar suporte a avaliação da descoberta, ou seja, é importante
que o autor confronte os resultados com os de outros pesquisadores, buscando
sistematizar a sua discussão sobre as divergências e incongruências, sob a sua

Apresentação dos Resultados de Pesquisa


158 UNIDADE IV

visão, conforme o Quadro 3. Ainda, em casos de estudos que permitem, você


poderá generalizar os dados.

Quadro 3 - Comparação da descoberta com a literatura existente

A duração do desemprego da mulher também vem sido destacado em vários


estudos nacionais e internacionais. Resultados parecidos foram encontrados por
McGrattan e Rogerson (2008), Lifshitz e Gihleb (2016) e Devereux (2004). Neste
contexto, os estudos de Oliveira e Carvalho (2006) destacam que esses resulta-
dos podem estar ligados a situações de discriminação no mercado de trabalho,
em que elas enfrentam maiores dificuldades para ocupar cargos de melhor qua-
lidade, além de terem um nível de desemprego muito superior ao dos homens.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Esses fatores podem representar possíveis explicações para a sobrevivência delas
por mais tempo na procura por emprego. Ademais, os resultados encontrados de
modo geral, apontam que os cônjuges não brancos, mulheres ou que já traba-
lharam na informalidade, que vivem em Belo Horizonte e não foram demitidos,
têm idade entre 16 e 19 anos, são analfabetos ou estudaram por até três anos
tendem a ser uma mão de obra adicional na economia brasileira em 2015. Diver-
sos trabalhos também sinalizam que há o efeito do trabalhador adicional para
o Brasil e outros países, como Lee e Parastanis (2014), Kohara (2008), Lundberg
(1985), Heckman e Macurdy (1982), Gonzaga e Reis (2011), Schmitt e Ribeiro
(2004) e Fernandes e Felício (2002).
Fonte: Oshita et al. (2017, p. 12,13).

Por fim, tem-se o resumo no final dos resultados e a conclusão. No resumo final
dos resultados, você poderá destacar os resultados mais relevantes e ainda fazer
sugestões de pesquisas futuras. Já na conclusão e/ou considerações finais, você
inicia descrevendo o seu objetivo de pesquisa e, em seguida, deve levantar alguns
pontos e fazer algumas observações de forma clara e sucinta.
Faz parte, também da conclusão, as limitações encontradas durante o desen-
volvimento da pesquisa, as sugestões de pesquisas posteriores e recomendações
para que outros possam repetir as experiências e observações.

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


159

RESULTADOS:
Na pesquisa quantitativa, os resultados comumente utilizam-se de estatísti-
cas inferenciais e descritivas, em que os resultados podem ser interpretados
com relação às perguntas da pesquisa ou das hipóteses. Já na pesquisa qua-
litativa, eles normalmente incluem números ou porcentagens, de forma que
se obtém tópicos recorrentes encontrados na análise dos dados ilustrando
cada um dos temas e representações gráficas. Assim, nessa análise se busca
explicar os motivos que levaram aos produtos observados e suas implica-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ções, por meio de uma discussão. Ainda o pesquisador deve enfatizar como
os resultados contribuem para a literatura acadêmica na área, bem como
suas limitações.
Fonte: Escrita Acadêmica (2018, on-line)2.

PRINCIPAIS SOFTWARES UTILIZADOS EM PESQUISA

Caro(a) aluno(a), a utilização de software em pesquisas oferece praticidade, visto


que em um banco de dados muito extensos, a análise se torna mais fácil, simplifi-
cando a manipulação de dados, e oferecendo maior confiabilidade nas informações
geradas (DIAS; FIGUEIREDO, 2012). Os programas permitem análises rápidas,
seguras e precisas. Dias e Figueiredo (2012) destacam os principais softwares utiliza-
dos em pesquisas como, Minitab, Linguagem R, MATLAB, SPSS e o SAS. Também
vale destaca, que o Stata é um software muito utilizado em pesquisas econômicas.

Principais Softwares Utilizados em Pesquisa


160 UNIDADE IV

O Minitab, desenvolvido em 1972, é um programa de computador com a


capacidade de executar análises estatísticas complexas. É utilizado nas univer-
sidades nos cursos introdutórios de estatística e em empresas com nível mais
avançado de utilização, tendo funções mais específicas voltadas para gerencia-
mento (DIAS; FIGUEIREDO, 2012).
A interface o Minitab é fácil de utilizar, pois é muito semelhante a uma pla-
nilha eletrônica, como Microsoft Excel ou Calc, do Openoffice. Esse software
oferece estatísticas básicas, para pesquisa como: regressão e ANOVA, criação
de experimentos, gráficos de controle, ferramentas de qualidade, confiabili-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
dade e sobrevivência. Oferece, também, ferramentas mais usuais em empresas
como: controle da qualidade, planejamento de experimentos (DOE), análise de
confiabilidade e estatística geral, além de ser o software mais utilizado no desen-
volvimento de projetos Seis Sigmas (DIAS; FIGUEIREDO, 2012). A seguir, na
Figura 15, a interface desse programa.

Janela
Session

Worksheet
- Colunas
- Linhas
- Células

Project
Manager
Figura 15 – Interface do Minitab
Fonte: Introdução ao Minitab 18 (2017, p. 6, on-line)3.

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


161

Na barra de menus está disponível o Help (ajuda), que disponibiliza ajuda sobre
o ambiente do Minitab. Para inserir dados em uma worksheet (planilha) do
Minitab, Figura 16, você poderá fazer das seguintes formas:
■ Digite os dados diretamente na worksheet.
■ Copie e cole os dados de outros aplicativos.
■ Importe os dados de arquivos Microsoft Excel files ou de arquivos de texto
(INTRODUÇÃO AO MINITAB 18, 2017, p. 60, on-line)3.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 16 – Worksheet do Minitab


Fonte: Introdução ao Minitab 18 (2017, p. 7)3.

Com o Minitab você poderá criar uma tabela, levantar estatísticas, como média,
moda, mediana, desvio padrão etc. Ao realizar uma análise estatística, você deve
criar gráficos que apresentem características dos dados. Você pode verificar
determinar, se os dados de envio seguem uma distribuição normal, poderá criar
um histograma selecionando “gráfico” e, em seguida, “histograma”, a Figura 17.

Principais Softwares Utilizados em Pesquisa


162 UNIDADE IV

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 17 - Histograma Minitab
Fonte: Introdução ao MINITAB 18 (2017, p. 9)3.

O histograma serve para verificar se os dados seguem uma distribuição normal.


No caso dos dados, foi criado um histograma em painéis do intervalo de tempo
entre a data do pedido e a data de entrega (INTRODUÇÃO AO MINITAB 18,
2017, on-line)3. Entre no site do Minitab 18 e confira os recursos acadêmicos
para trabalhar com modelos, pacotes estatísticos, gráficos, regressão, Anova, entre
outros: <https://www.minitab.com/uploadedFiles/Documents/getting-started/
MinitabGettingStarted_PT.pdf>.

Caro(a) aluno(a), você sabia que o Excel pode ser utilizado para realizar aná-
lises em pesquisas. Ele consiste em uma planilha eletrônica desenvolvida
pela Microsoft. É recomendado em todos os setores acadêmicos e profissio-
nais que utilizam dados numéricos, sendo amplamente utilizado em cálcu-
los e geração de dados.
Na barra de menu do Excel, há uma opção denominada “funções”, quando sele-
cionada, disponibiliza uma biblioteca que contém vários tipos de funções lógi-
cas, matemáticas, estatísticas etc. Além disso, existe a ferramenta de análise de
dados do Excel, disponível na opção “suplementos”. Para utilizá-la, basta habili-
tá-la e, então, ela será encontrada na aba de “análise de dados”.
Fonte: Ebah ([2018], on-line)4.

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


163

A Linguagem R, criado em 1996, é um ambiente de desenvolvimento inte-


grado, para cálculos estatísticos e gráficos de fonte aberta e de forma gratuita. O
R é utilizado por diversas universidades do mundo e empresas como Google,
Pfizer, Merck, Bank of America, InterContinental Hotels Group e Shell (DIAS;
FIGUEIREDO, 2012).
Para os pesquisadores, o R é útil, pois contém diversos mecanismos incor-
porados para a organização de dados, execução de cálculos sobre informações
e criação de representações gráficas de conjuntos de dados. Os pacotes escritos
para a linguagem R acrescentam algoritmos avançados, gráficos coloridos e tex-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

turizados, e técnicas de mineração para vasculhar bancos de dados mais a fundo


(DIAS; FIGUEIREDO, 2012).
A interface do R é denominada “console”, conforme Figura 18. É uma janela
que exibe a linha de comando (ELC), em que as funções do R são utilizadas, por
meio de escrita textual seguidas e um “enter”, para rodar o comando.

Figura 18 - Interface do R
Fonte: a autora.

Principais Softwares Utilizados em Pesquisa


164 UNIDADE IV

De acordo com Landeiro (2011), uma forma de otimizar o uso do R com objetivo
de poupar tempo é usar um script (um arquivo .txt) para digitar seus coman-
dos, o que permite a correção e execução automática do código. Os comandos
são digitados diretamente na linha em um editor de texto (por exemplo: R edi-
tor, Notepad, tinn-R). Eu, particularmente, utilizo o Tinn-R.
O Tinn-R “this is not notepad”, possui todos os menus presentes no note-
pad e, ainda, agrega vários outros recursos extras. Ele possui a seguinte interface:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 19 - Interface do Tinn-R Editor
Fonte: a autora.

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


165

O R é dividido entre a instalação básica (com comandos para efetuar suas


análises estatísticas e matemáticas) e pacotes adicionais. Ainda, existem vá-
rios aplicativos que podem ser utilizados para análises estatísticas. Assim,
para trabalhar com o R é necessário instalar o R e o R-studio e, se preferir, o
Tinn-R também.
Instalando o R
<http://cran.r-project.org/>
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Instalando RStudio
<https://www.rstudio.com/products/RStudio/>
Instalando o Tinn-R
<http://sourceforge.net/projects/tinn-r/les/Tinn-R%20setup/>
Digite na interface
install.packages() instala um pacote específico
install.packages(“xlsx”)
install.views(“Econometrics”)
install.views(“Finance”)
install.views(“Spatial”)
install.views(“TimeSeries”)
update.views(“Econometrics”)
Caso queira aprender como utilizar o R entre no site abaixo, no qual está
disponível um pequeno curso de estatística R: <http://www.uft.edu.br/en-
gambiental/prof/catalunha/arquivos/r/r_bruno.pdf>
Você poderá, também, obter manuais no próprio site do R, disponível em:
<https://cran.r-project.org/manuals.html> e ainda no link:
<https://cran.r-project.org/doc/contrib/Landeiro-Introducao.pdf>
Fonte: a autora.

Principais Softwares Utilizados em Pesquisa


166 UNIDADE IV

O Matlab Matrix Laboratory é um software interativo, cujo elemento básico de


informação é uma matriz que não requer dimensionamento, de alta performance,
voltado para o cálculo numérico e de fácil utilização. Integra análise numérica,
cálculo com matrizes, processamento de sinais e construção de gráficos (DIAS;
FIGUEIREDO, 2012). A interface do sistema está apresentada na Figura 20.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 20 - Interface do MATLAB
Fonte: a autora.

O MATLAB permite análise de dados econômicos por meio da econometria,


para simulação e previsão. Para a modelagem e análise de séries temporais, como
regressão linear bayesiana univariada, modelos compostos uniformes ARIMAX-
GARCH com diversas variantes GARCH, modelos VARX multivariados e análise
de cointegração, entre outros. Para conhecer os comandos iniciais, você pode
desenvolver operações simples, como a criação de um vetor, conforme apresen-
tado no Quadro 4.

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


167

Quadro 4 - Introdução a comandos do MATLAB

Com o MATLAB®, você poderá trabalhar com matrizes. Diante disso vamos criar
um vetor simples chamado a.
a = [1 2 3 4 6 4 3 4 5]
Agora, vamos adicionar 2 a cada elemento do nosso vetor a, e armazenar o resul-
tado em um novo vetor. Observe como o MATLAB não requer nenhum tratamen-
to especial de matemática vetorial ou matricial.
b=a+2
b=345686567
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Para criar gráfico de linha de grade no MATLAB, basta traçar o resultado da nossa
adição de vetores.
Trama (b)
Grade em

8
7.5
7
6.5
6
5.5
5
4.5
4
3.5
3
1 2 3 4 5 6 7 8 9

Fonte: adaptado de Match Works ([2018], on-line)5.

Principais Softwares Utilizados em Pesquisa


168 UNIDADE IV

Ainda, com o MATLAB, você poderá analisar dados e desenvolver modelos


financeiros, por meio de modelagem matemática e análise estatística de dados
financeiros. Pode, também estimar o risco, analisar os níveis das taxas de juros,
o patrimônio líquido, os derivativos e medir o desempenho do investimento.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Introdução ao MATLAB
O MATLAB (Matrix Laboratory) tem como pontos fortes a criação e
manipulação de gráficos científicos, bem como a possibilidade de
extensão por meio de pacotes. Apesar do software ser de fácil utilização,
quanto maiores e mais complexas as rotinas e funções da biblioteca,
maior a dificuldade na utilização. Acesse o site e aprenda um pouco mais
sobre o software. Disponível em: <http://www.apmath.spbu.ru/ru/staff/
smirnovmn/files/buildgui.pdf>.
Fonte: Portugal ([2018], on-line)6.

O SPSS (Statistical Package for the Social Science) é um software aplicativo do


tipo científico, de apoio para tomada de decisão, muito utilizado para realizar
pesquisa de mercado (DIAS; FIGUEIREDO, 2012). Ele tem uma aplicação de fácil
manuseamento, já que a sua apresentação e o modo como funciona são seme-
lhantes a qualquer aplicação desenvolvida para Windows (DIAS; FIGUEIREDO,
2012). Foi criado em 1968 e atualmente é desenvolvido e comercializado pela
IBM Corporation. Na Figura 21, a interface do programa.

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


169
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 21 - Interface do SPSS


Fonte: SCC ([2018], on-line)7.

A Janela principal do SPSS, apresenta a planilha de dados. Entretanto, o sof-


tware tem duas planilhas, uma de dados e outra de metadados. A de metadados
é o local onde será definido cada variável, como nome comando width, cate-
goria (comando type) etc. Assim, na planilha, cada linha contém informação
sobre uma única variável e, cada coluna, a definição de cada uma das variá-
veis do banco de dados.
O SPSS é de fácil manuseio, pois todo comando pode ser realizado, por
meio, do sistema de apontar e clicar, isto é não é necessário ser programador
para operar o sistema, como ocorre em outros softwares estatísticos. Além
disso, não há limite de linhas como o Excel, o que para nós, economistas, pode
ser importante, pois em muitas pesquisas são realizados bancos de dados,
como no IBGE, com grande número de observações.
O SAS (Statistical Analysis System) é um sistema integrado de aplicações
para a análise de dados, que consiste na recuperação de dados, gerenciamento
de arquivos, análise estatística, acesso a banco de dados, geração de gráficos e

Principais Softwares Utilizados em Pesquisa


170 UNIDADE IV

geração de relatórios, permitindo: acessar, manipular, analisar e apresentar os


dados. Esse programa tem a habilidade de acessar praticamente qualquer for-
mato de dado, em qualquer base. Dias e Figueiredo (2012) destacam que no
Brasil e no mundo o SAS tem uma sólida base de clientes em vários setores de
atividade, especialmente nas áreas de, finanças, manufatura, varejo, energia,
telecomunicações e governo.
O SAS, como o software R, exige a instalação de pacotes ou módulos para
operações. Neste sentido, você terá que instalar o pacote básico, obrigatório em
toda instalação e em seguida, os módulos de acordo com a sua necessidade.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Observe a seguir, no Quadro 5.
Quadro 5 - Pacotes do SAS

SAS/BASE - Pacote básico, obrigatório em toda instalação.


SAS/GRAPH - Pacote gráfico.
SAS/STAT - Pacote estatístico.
SAS/ETS - Pacote de econometria.
SAS/IML - Pacote para análise e operação de matrizes.
SAS/OR - Pacote de análise e pesquisa operacional.
SAS/QC - Pacote para análise de controle de qualidade.
SAS/CONNECT - Pacote para conexão entre ambientes operacionais heterogêneos.
SAS/AF -Pacote para desenvolvimento de aplicações.
SAS/FSP - Pacote que facilita o acesso a arquivos com programação de telas.
SAS/ACCESS - Pacote para acesso aos diversos Banco de Dados.
Fonte: adaptado de SAS University Edition ([2018], on-line)8.

A funcionalidade do sistema SAS foi construída com base em quatro ideias básicas
no tratamento de dados: acessar os dados, administrá-los, analisá-los e apresentá-
-los. Assim, “todos os dados devem estar armazenados em arquivos com estrutura
SAS (Data Set’s), para serem analisados pelos procedimentos do SAS (PROC)”
(CENAPAD, 2016, p. 11). A interface do SAS está apresentada na Figura 22.

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


171
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 22 - Interface do SAS


Fonte: adaptado de SAS University Edition ([2018], on-line)8.

O arquivo SAS deve estar estruturado como um conjunto de dados organizados


em formato de tabela, (linhas divididas em colunas). Ele é dividido em duas partes:
descritora e dados. A descritora é o diretório que contém a descrição do arquivo,
como tamanho, número de registros, nome, tipo e formato de variáveis, entre
outros. Já em dados, há os dados do arquivo.
O STATA, lançado em linguagem C, em 1985, geralmente é aplicado em
análises econométricas. Pode ser utilizado para dados em painel, séries tempo-
rais ARIMA, ARMAX e GARCH, e também permite estimar por cross-section
entre outros. Com uma interface, (Figura 23), de ponto e clique o Stata é rápido
e preciso. Todas as análises podem ser reproduzidas e documentadas para publi-
cação e revisão. O controle de versão garante que os scripts para suas análises
continuem a produzir os mesmos resultados, não importa quando foram escritos.

Principais Softwares Utilizados em Pesquisa


172 UNIDADE IV

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 23: Interface do STATA 13
Fonte: a autora.

No Stata, você tem a opção de programar na interface, ou o diretório Do-file


Editor. Ao programar no diretório, você tem a opção de salvar essa programação,
para posterior utilização. O Do-file Editor, pode ser visualizado na Figura 24.

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


173
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Figura 24 - O Do-File Editor do STATA 13


Fonte: a autora.

Qualquer dúvida que você tiver durante a programação, poderá consultar o help.
Basta digitar o comando na interface do programa, exemplo: help logistic, e apa-
recerá um manual no próprio software, conforme apresentado na Figura 25.

Principais Softwares Utilizados em Pesquisa


174 UNIDADE IV

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Figura 25 - Comando Help do STATA 13
Fonte: a autora.

No Stata, você poderá obter gráficos de qualidade de publicação ao acessar o


menu graphics e acessar histogramas, de distribuição, gráficos de séries tempo-
rais, gráficos de parcelas de sobrevivência, entre outros. Assim, basta apontar e
clicar para criar um gráfico personalizado, para a sua pesquisa.

PESQUISAS QUANTITATIVAS, QUALITATIVAS E APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS


175

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Caro(a) aluno(a), esta unidade apresentou o processo de entendimento sobre a


classificação de pesquisa quanto aos enfoques quantitativos, qualitativos e apre-
sentação dos resultados. Aprendemos que, para desenvolver pesquisa, precisamos
conhecer quais os enfoques dos trabalhos científicos, para que você identifique
em qual perspectiva o seu estudo se aplica.
Juntos pudemos ver as vantagens e desvantagens dos métodos e, ainda, a quais
situações são recomendados tais enfoques. Vimos também que, em alguns casos,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

podemos utilizar ambos os métodos na mesma pesquisa, e que tudo dependerá


do que se busca pesquisar e da fonte e/ou forma de coleta de dados.
Aprendemos que a tabulação de dados é utilizada para os dados primários
e que os dados secundários, que já estão em base de dados como IBGE, Banco
Central, FMI e IPEA já foram tabulados.Vimos também que há formas de orga-
nização dos dados de acordo com o instrumento de coleta, isto é, o questionário
e/ou as perguntas, e ainda como organizar os dados de forma que o pesquisa-
dor possa analisá-los.
Sobre a análise dos resultados, você aprendeu que se trata de um aprofunda-
mento do objeto de estudo, em que descreve os dados e, em seguida, realiza-se
sua, análise e, interpretação. Também aprendeu a diferença entre análise e inter-
pretação dos dados, suas características e os principais softwares utilizados em
pesquisa. Agora, terá mais opções para compilar os dados do seu trabalho.
Neste momento, em que você já conhece os enfoques científicos,, quero
instigá-lo(a) a começar a pensar em uma questão de pesquisa, seja qualitativa
ou quantitativa, e a tentar encaixar alguns dos métodos já estudados, buscando
estruturar a sua metodologia de pesquisa. Vamos lá?

Considerações Finais
176

1. A pesquisa quantitativa tem enfoque num conjunto de processos sequenciais


que visa a comprovação, em que o fato ocorre na realidade externa do indiví-
duo. Descreva sobre a realidade interna e externa da pesquisa quantitati-
va.
2. Nas pesquisas qualitativas, busca-se entender o porquê e para, isso utiliza-se
a coleta de dados sem medição numérica, com pequeno número de entre-
vistados. Diante disso, por que ao desenvolver a pesquisa com enfoque
qualitativo, o pesquisador formula o problema e nem sempre é específico,
como na abordagem quantitativa?
3. Ao desenvolver pesquisa, precisamos, inicialmente pensar na ideia, em segui-
da no problema e objetivos de pesquisa, delineando também o enfoque, isto
é, a natureza da pesquisa (qualitativa ou quantitativa). Nessa perspectiva,
descreva as principais diferenças entre as pesquisas qualitativas e quan-
titativas.
4. A tabulação em pesquisa, consiste em agrupar e contar casos em categorias de
análise. Ela pode ser simples ou cruzada, manual ou eletrônica. Com relação à
tabulação dos dados, analise as assertivas.
I. Tabulação dos dados é um processo de organização dos questionários da
pesquisa.
II. A tabulação dos dados é realizada na compilação de dados secundários.
III. A tabulação simples corresponde à estimativa da repetição das categorias
de cada conjunto.
IV. Ao tabular perguntas em aberto é necessário listar palavras-chaves, para
definir um padrão de respostas.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas I, III e IV estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
5. “Uma vez manipulados os dados e obtidos os resultados, o passo seguinte é a
análise e interpretação dos mesmos, constituindo-se ambas no núcleo central
da pesquisa” (LAKATOS; MARCONI, 2003, p. 167). Descreva a diferença entre
análise e interpretação dos dados.
177

Procedimento de Métodos Mistos - Triangulação Metodológica

O método misto envolve o processo de coleta, de análise e de integração dos dados


quantitativo e qualitativo em um mesmo estudo, para responder o problema de pes-
quisa. Para isso, é necessário que o pesquisador pondere a combinação dos métodos
durante as etapas de pesquisa, como: (1) questão de pesquisa; (2) unidade de análise; (3)
amostra; (4) coleta de dados; (5) estratégias de análise.
O pesquisador deve assegurar uma única questão de pesquisa que seja investigada
pelas diferentes técnicas. Por exemplo, o pesquisador pode estimar, por meio de um
modelo de regressão, o impacto da escolaridade sobre a renda e, em um segundo mo-
mento, utilizar entrevistas estruturadas e grupo focal para tentar entender como variam
as opiniões/sentimentos/valores, em relação aos fatores que explicam a ascensão social.
Destaca-se que cada método de pesquisa utiliza formas diferentes de coleta de dados,
visto que, na pesquisa quantitativa, o questionário é um item obrigatório. Já nas pesqui-
sas qualitativas, pode-se utilizar aparelho eletrônico para registrar áudios da conversa,
além de anotações. Assim, é desejável que itens/temas/assuntos sejam compartilhados
entre diferentes técnicas, isto é, quanto maior a sobreposição, maior será o nível de inte-
gração das diferentes técnicas de pesquisa.
Ao realizar uma análise de pesquisa, o pesquisador, deve maximizar a harmonia entre as
lógicas quantitativas qualitativas, visto que, ao utilizar um modelo de regressão para esti-
mar o valor da variável dependente, o pesquisador está interessado em identificar o im-
pacto de cada fator sobre a mesma (variável dependente).
Assim, para realizar a triangulação metodológica com a pesquisa quantitativa é neces-
sário realizar um estudo de caso com o mesmo objetivo. Para determinado caso, quais
são as variáveis que explicam a variável dependente? Na realidade, algumas vezes as
abordagens não são integradas e acabam sendo utilizadas de forma independente e
perdendo-se informação. Assim, recomenda-se que os pesquisadores dediquem tempo
e energia na elaboração da estratégia analítica e da pesquisa, discutindo as vantagens
e desvantagens de cada perspectiva, sob pena de perder o que há de mais benéfico na
integração de métodos.
Diante disso, é necessário pensar se o quantitativo precede o qualitativo ou se apresenta
dados quantitativo e qualitativo, e como os dados estão aninhados:
• Sequential explanatory strategy – O quantitativo ocorre antes do qualitativo. A aná-
lise qualitativa é realizada a partir dos resultados preliminares produzidos por meio
da análise quantitativa. Assim, o pesquisador pode selecionar apenas outliers e exa-
miná-los por técnicas qualitativas para aprofundar os achados de uma pesquisa de
survey (quanti).
178

• Sequential transformative strategy - O projeto apresenta dados quantitativos e quali-


tativos. De forma que essa estratégia assegura uma estrutura de métodos para coleta
de dados e para os resultados. Nessa abordagem pode-se desenvolver um método de
coleta de dados que envolva uma abordagem sequencial ou concomitante.
• O aninhamento está relacionado ao grau em que diferentes tipos de dados são cole-
tados para os mesmos atores, organizações ou entidades. Isto é, em que medida os
dados coletados estão delimitados a um tipo de observação que pertence a um nível
de análise específica. Por exemplo, busca-se conhecer as informações sobre o desem-
penho dos alunos, mas que por sua vez, está aninhado em uma determinada turma,
de uma determinada escola. A escola está integrada um município que também está
aninhado em um estado.
Portanto, o pesquisador de método misto organiza o relatório de procedimentos em
coleta de dados quantitativos e análise de dados qualitativos, seguido de dados qua-
litativos, coleta e análise. Então, nas conclusões ou na fase de interpretação do estudo,
o pesquisador observa como os resultados qualitativos ajudaram a elaborar ou ampliar
os resultados quantitativos. Alternativamente, a coleta e a análise de dados qualitativos
poderiam vir, primeiramente seguidas pela coleta e análise quantitativa de dados. Em
qualquer estrutura, o escritor apresentará o projeto como duas fases distintas, com ca-
beçalhos separados de cada um.

Fonte: Paranhos et al. (2016).


MATERIAL COMPLEMENTAR

Projeto de pesquisa
John W, Creswell
Editora: Artimed
Sinopse: este livro, que já auxiliou mais de 80 mil alunos e pesquisadores
em todo o mundo a preparar o seu plano para trabalhos acadêmicos,
além de orientar na produção de artigos para publicações científicas,
foi totalmente revisado e atualizado, tornando-se ainda mais completo
e didático, mas mantendo todas as características que tornaram a sua
primeira edição tão popular.

Normalmente surgem muitas dúvidas sobre as abordagens qualitativas e quantitativas em


pesquisas. Diante disso sugiro a leitura do material: Pesquisa Qualitativa Versus Pesquisa
Quantitativa: Esta É a Questão?
Web: <http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2>

Material Complementar
REFERÊNCIAS

CENAPAD. Apostila de Treinamento: SAS Programação I - Introdução ao SAS: Data


Step e Proc Step. São Paulo: Universidade Estadual de Campinas Centro Nacional de
Processamento de Alto Desempenho. 2016. Diponível em: <https://www.cenapad.
unicamp.br/servicos/treinamentos/apostilas/apostila_sas.pdf>. Acesso em: 16 out.
2016.
CRESWELL, J. W. Projeto de Pesquisa. Rio de Janeiro: Artimed Editora, 2007.
DIAS, A. C. F.; FIGUEIREDO, C. C. O uso da programação no cursos de estatística.
Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, dez. 2012. Disponível em:
<http://homepages.dcc.ufmg.br/~camarao/cursos/pc/2012b/trabalho-extra/ana-
-carolina/Trabalho%20Extra%20.pdf>. Acesso em: 3 ago. 2017.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo : Atlas, 2008.
GÜNTHER, H. Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa: esta é a questão.
Psicologia: teoria e pesquisa. v. 22, n. 2, p. 201-210, 2006.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed.
São Paulo: Atlas, 2003.
LANDEIRO, V. L.; Introdução ao uso do programa R. Coordenação de Pesquisas em
ecologia. Manaus: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, 2011.
MAYRING, P. H. Einführung in die qualitative Sozialforschung. 5. ed. Weinheim:
Beltz, 2002.
OSHITA, M. G. B. et all. A oferta de trabalho dos casais: uma análise da transição da
desocupação para o emprego no Brasil metropolitano de 2003 a 2015. In: XX Encon-
tro de Economia da Região Sul/ ANPEC, 2017. Porto Alegre, RS. Anais. Porto Alegre.
Disponível em:<https://www.anpec.org.br/sul/2017/submissao/files_I/i6-d7540e-
94ec53b2d7a20d16213e944585.pdf>. Acesso em: 9 out. 2017.
PARANHOS, R. et al. Uma introdução aos métodos mistos. Sociologias. v. 18,
n. 42, 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/soc/v18n42/1517-4522-
soc-18-42-00384.pdf>. Acesso em: 3 set. 2017.
SAMPIERI, R. H.; COLLADO, C. F.; LUCIO, M. D. P. B. Metodologia de pesquisa. 5. ed.
Porto Alegre: Penso, 2013.
181
REFERÊNCIAS

REFERÊNCIAS ONLINE

1 Em: <http://administracaograduacao.blogspot.com.br/2015/09/tabulacao-e-a-
nalise-de-dados.html>. Acesso em: 09 ago. 2017.
2 Em: <http://www.escritaacademica.com/topicos/elementos/resultados-e-discus-
sao/>. Acesso em: 9 ago. 2017.
3 Em: <(https://www.minitab.com/uploadedFiles/Documents/getting-started/Mi-
nitabGettingStarted_PT.pdf )>. Acesso em: 12 set. 2017.
4 Em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfQWUAG/softwares-estatisti-
cos#>. Acesso em: 8 ago. 2017.
5 Em: <https://www.mathworks.com/academia.html?s_tid=gn_acad>. Acesso em:
8 set. 2017.
6 Em: <http://www.fmt.if.usp.br/~luisdias/MiniCurso/Apostilas/matlab_rodrigo.
pdf>. Acesso em: 9 ago.2017.
7 Em: <http://www.ssc.wisc.edu/sscc/pubs/spss/classintro/spss_students1.html>.
Acesso em: 16 out. 2017.
8 Em: <https://www.sas.com/en_us/software/university-edition.html>. Acesso em:
10 set. 2017.
GABARITO

1. A realidade subjetiva, ou interna, está relacionada a crenças, proposições e expe-


riências do pesquisador. Já a segunda realidade é externa ou independente das
crenças que o pesquisador tem, isto é, acontecem independentemente, do que
pensamos a respeito, como pobreza, desemprego, aumento da taxa de juros e/
ou impostos. Assim, essa realidade externa ou objetiva é fácil de ser conhecida
ou mensurada. Nessa perspectiva, para entender o porquê, é necessário regis-
trar e analisar esses eventos.
2. Por que as perguntas de pesquisa nem sempre foram definidas e/ou conceitua-
das por completo
3. Na pesquisa quantitativa, os índices numéricos apontam as ações dos indivídu-
os ou comportamento de indicadores econômicos de uma determinada eco-
nomia. Os métodos utilizados seguem uma padronização, por meio da coleta
de dados primários e secundários. Em contrapartida, na pesquisa qualitativa, o
objeto de estudo são as particularidades e experiências dos indivíduos. Na cole-
ta de dados, por exemplo, os pesquisadores têm mais liberdade de descrever os
pontos de vistas dos entrevistados sobre os assuntos que estejam relacionados
ao objeto de estudo, buscando compreender o comportamento do indivíduo
ou de determinado grupo-alvo. Os objetivos da pesquisa qualitativa são as des-
crições de dados, observação, compreensão e significado. A ênfase da pesquisa
qualitativa, está na indução, ou seja um método mental para se chegar ao co-
nhecimento. Não há hipóteses de pesquisa pré-concebidas com uma suposta
certeza, pois as hipóteses são desenvolvidas após a observação, em que o pes-
quisador influencia e é influenciado pelo fenômeno pesquisado.
4. Alternativa D.
5. Análise é a tentativa de evidenciar as relações existentes entre o fenômeno es-
tudado e outros fatores, como causa e efeito, produtor-produto, de correlações,
de análise de conteúdo etc. De acordo com Lakatos e Marconi (2003), na análise,
o pesquisador entra em maiores detalhes sobre os dados, a fim de conseguir
respostas às suas indagações. Ainda procura estabelecer as relações necessárias
entre os dados obtidos e as hipóteses de pesquisas, que são comprovadas ou
refutadas, mediante a análise. Já a interpretação, é a atividade intelectual que
busca dar amplitude aos resultados, isto é a exposição do verdadeiro significa-
do do material apresentado, vinculando-os a outros conhecimentos e fazendo
ligações mais amplas dos dados discutidos (LAKATOS; MARCONI, 2003). Dois as-
pectos são importantes: a) Construção de tipos, modelos, esquemas. Após os
procedimentos estatísticos, realizados com as variáveis, e a determinação de to-
das as relações permitidas ou possíveis, de acordo com a hipótese ou problema,
é chegado o momento de utilizar os conhecimentos teóricos, a fim de obter os
resultados previstos; b) Ligação com a teoria. Esse problema aparece desde o
momento inicial da escolha do tema, é a ordem metodológica e pressupõe uma
definição em relação às alternativas disponíveis de interpretação da realidade
social (LAKATOS; MARCONI, 2003, p.168).
Professora Me. Marcela Gimenes Bera Oshita

V
ELABORAÇÃO DO PROJETO,

UNIDADE
TIPO E ESTRUTURA DE
TRABALHO CIENTÍFICO

Objetivos de Aprendizagem
■■ Ensinar o aluno a elaborar um projeto científico.
■■ Instruir sobre os tipos e estruturas dos trabalhos.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
■■ Elaboração do projeto científico
■■ Tipos e estruturas dos trabalhos
185

INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a), essa unidade daremos início ao conhecimento sobre o processo


de entendimento da elaboração do projeto, do tipo e da estrutura do trabalho
científico. Pense que a produção científica é um ato extremamente criativo, que
pode ser de forma individual ou coletiva, em que ocorre a multiplicação do
conhecimento produzido e que, para ser válida perante a comunidade cientí-
fica, precisa obedecer a normas e regras.
Antes de começar a desenvolver um trabalho como monografia, disserta-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ção ou tese, é importante realizar o planejamento da pesquisa, por meio de um


projeto, que é um documento estruturado que descreve as informações de uma
pesquisa a ser realizada. O planejamento, apresenta todos os componentes de
uma pesquisa, exceto os resultados e as conclusões.
Aprenderemos sobre os tipos e estruturas dos trabalhos científicos para a
graduação, visto que podem servir como base para o desenvolvimento de pes-
quisas. Você aprenderá sobre os tipos de resumo, fichamentos e papers, instruído
para progredir gradativamente no processo de pesquisa e ainda conhecerá a
estrutura dos trabalhos acadêmicos, e as normas exigidas para sua apresentação.
Agora, que já conhecemos o contexto da elaboração do projeto e tipo e estru-
tura de trabalho científico, quero convidá-lo(a) a continuar em nossa jornada de
estudos. Nesta unidade, apresento apenas informações básicas que acredito ser
necessário para a apresentação de um trabalho acadêmico e científico.
Destaco ainda que esta unidade segue as normas aprovadas pela Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), visto que sua utilização para a apresen-
tação do trabalho e entendimento da leitura. Diante disso, busque se aprofundar
nas normas, para que seu processo de escrita seja facilitado, evitando retraba-
lhos. Desejo-lhe bons estudos.

Introdução
186 UNIDADE V

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ELABORAÇÃO DO PROJETO CIENTÍFICO

Caro(a) aluno(a), projeto é um plano de intenção de fazer algo no futuro, isto


é, o planejamento do que será realizado. Por esse viés, um projeto de pesquisa
é o planejamento do estudo científico e deve ser realizado de forma sistemá-
tica, isto é, detalhado e organizado racionalmente.
Um projeto de pesquisa deve ser composto de introdução, revisão teórica (lite-
ratura), metodologia, cronograma e recursos, bem como a descrição das etapas de
execução, como será realizada a análise dos resultados e, por fim, as referências.
Quadro 1 - Estrutura do projeto de pesquisa

Elementos pré-textuais
Capa
Folha de rosto
Sumário
Elementos textuais

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


187

1 Introdução
2 Revisão de Literatura
3 Metodologia
4 Resultados Esperados
5 Cronograma
Elementos pós-textuais
Referências
Fonte: a autora.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Como você pode observar no Quadro 1, antes de realizar a introdução do projeto


alguns elementos são necessários. A capa e a folha de rosto são a apresentação
do trabalho acadêmico, pois é por meio delas que o leitor se informará sobre o
tema a ser explanado no corpo de seu trabalho (CANONICE, 2013).

INTRODUÇÃO

A introdução do projeto de pesquisa é composta pela contextualização do tema,


o problema de pesquisa, as hipóteses, os objetivos, as justificativas, , a delimi-
tação do assunto, a metodologia resumida, a relevância e/ou contribuições do
trabalho e a sua estrutura.
A apresentação do tema deve ser inserida dentro de um contexto, e você,
tem os 1º e 2º parágrafos da sua introdução para desenvolvê-la. os objetivos, as
justificativas.

Quadro 2 - Apresentação do Tema

Nos anos de 2003 a 2015 o mercado de trabalho do Brasil teve variações signifi-
cativas na taxa de desemprego que, em emeados do ano de 2003, chegou a 13%,
no mesmo período de 2006 a 10,4%, em 2009 a 8,1%, já 2012 a 5,9% e 2015 em
6,9% (IBGE, 2016). Destaca-se que, nas últimas décadas, as mulheres ampliaram
cada vez mais sua participação no mercado de trabalho, considerando os arran-
jos familiares. Elas representam cerca de 40% das chefias das famílias brasileiras
(IBGE,2014).

Elaboração do Projeto Científico


188 UNIDADE V

Estas compartilham de uma função de produção, isto é, um orçamento a partir de


um conjunto de receitas e despesas, cuja gestão tem um impacto sobre o bem-es-
tar dos membros. Nessa perspectiva, o comportamento da oferta de trabalho das
famílias, deriva de decisões intrafamiliares sobre o consumo, frente às funções de
produção, do salário reserva e da situação do mercado de trabalho.
Fonte: Oshita et al. (2017, p. 2).

É recomendável que a introdução tenha entre 2 ou 3 páginas. Diante disso, após


a contextualização do tema, é importante descrever objetivamente com o apoio
da literatura, isto é, descrevendo os trabalhos já desenvolvidos sobre o tema em
estudo, a começar pelos internacionais e, em seguida, os nacionais, como apre-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
sentado no Quadro 3.
Quadro 3 - Apoio do Tema na Literatura

Identificar como são as decisões sobre a oferta de trabalho das famílias é essencial
para explicar o comportamento do mercado de trabalho, e por isso, esse tema
tem sido objeto de vários estudos internacionais. Entre eles estão os de Heckman
e MaCurdy (1982), Doris (1999), Prieto Rodríguez e Rodríguez Gutiérrez (2000),
Stephens (2002), Juhn e Potter (2007), Kohara (2008), e Ortigueira e Siassi (2013),
que estudaram o efeito do trabalhador adicional, frente à entrada da esposa no
mercado de trabalho, ao desemprego do marido.
Outros estudos sobre a oferta de trabalho dos cônjuges utilizando modelos de
racionalidade coletiva foram realizados por Lundberg (1988), Devereux (2004),
McGrattan e Rogerson (2008), Gihleb e Lifshitz (2016), nos Estados Unidos, Fortin
e Lacroix (1997), no Canadá, de Blundell, Chiappori e Magnac, (2007) no Reino
Unido, que partiram da hipótese de que as famílias se comportam como se fos-
sem unidades únicas de tomada de decisão e eficiência de pareto, resultado de
um processo de maximização da utilidade de cada um dos membros (cônjuges),
dada a restrição orçamentária conjunta da família.
No Brasil, o efeito do trabalhador adicional foi objeto de estudo para Jatobá (1990),
que investigou a taxa de participação da família no mercado de trabalho. Fernandes
e Felício (2002), e Schmitt e Ribeiro (2004) verificaram o efeito trabalhador adicional
para esposas. Duryea, Lam e Levison (2003) analisaram os efeitos dos choques eco-
nômicos sobre as transições da escola para o trabalho de crianças e adolescentes. Já
Oliveira (2005) estimou o efeito trabalhador para o filho mais velho.
Fonte: Oshita et al. (2017, p. 2).

Ao realizar esse tipo de descrição objetiva, é demonstrado que você pesquisou


sobre o tema em estudo, para, assim, mostrar o diferencial do seu trabalho com
relação aos já existentes, o que contribuirá como justificativa para o tema estudado.

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


189

Com base na literatura existente, você desenvolve o seu problema de pesquisa e/


ou hipótese de pesquisa, apresentado em negrito no Quadro 4.

Quadro 4 - Problema de Pesquisa

Já Gonzaga e Reis (2011) verificaram os efeitos trabalhador adicional e desalen-


to. Por fim, Oliveira, Rios-Neto e Oliveira, (2014) estudaram o efeito trabalhador
adicional para filhos, no Brasil. Trabalhos com abordagem sobre racionalidade
coletiva foram realizados por Fernandes e Scorzafave (2009), que investigaram
o comportamento da oferta de trabalho dos cônjuges brasileiros. Por sua vez,
Gonçalves, Aquino e Menezes Filho (2015) mostraram que, quando há também
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

aumentos no salário mínimo, há uma diminuição da participação no mercado de


trabalho dos adolescentes em 3% e um aumento na oferta de trabalho dos chefes
e cônjuges em 1,4% e 4,7%, respectivamente.
Nos estudos de Gonçalves, Aquino e Menezes Filho (2015) verificou-se que a di-
ferença na escolaridade entre chefes e cônjuges impacta positivamente a oferta
de trabalho dos cônjuges e diminui a oferta de trabalho dos chefes, ou seja, atua
no sentido de aumentar o poder de barganha dos chefes no processo de decisão
intrafamiliar sobre a oferta de trabalho. De acordo com Becker (1991), o capital
humano especializado produz retornos crecentes de escala e um forte incentivo
para uma divisão do trabalho das famílias. Essa oferta também pode ser influen-
ciada pelo ciclo econômico, em que a queda na renda real das famílias em perío-
dos de recessão, faz com que outros membros entrem no mercado. (GONZADA;
REIS, 2011).
Nesta perspectiva, qual o impacto do capital humano e a influência do ciclo eco-
nômico da economia brasileira sobre a oferta de trabalho dos cais?
Fonte: Oshita et al. (2017, p.3).

Após a apresentação do problema, você desenvolverá o objetivo geral do trabalho,


isto é, apresentar aquilo que irá desenvolver, desde a teoria até os resultados a serem
alcançados, como, por exemplo: “o objetivo deste trabalho foi verificar o impacto
do capital humano e a influência do ciclo econômico da economia brasileira sobre
a oferta de trabalhos dos casais entre 2003 e 2015” (OSHITA, et al. 2017, p. 3).
Caro(a) aluno(a), você deve, também, delimitar a sua pesquisa, pois isso faci-
litará o seu trabalho, visto que ela não abrangerá “tudo”. Assim, ao pensar no
tema, você deverá saber onde aplicará sua pesquisa, isto é, a região, a cidade, o
grupo de pessoas etc., que será o seu objeto de estudo. Observe que o objetivo
geral, no parágrafo anterior, já delimitou a pesquisa no espaço, “economia bra-
sileira”, e no tempo, “entre 2003 e 2015”.

Elaboração do Projeto Científico


190 UNIDADE V

Após o objetivo geral, é necessário descrever os objetivos específicos, pois


eles servem como ingredientes do seu trabalho acadêmico, uma vez que apre-
sentam os resultados que se pretende alcançar de forma mais detalhada tal qual
os passos necessários para atingir o objetivo geral, contribuindo, ainda, para a
delimitação do seu tema.
Retomando, o nosso objetivo geral era: “verificar o impacto do capital humano
e a influência do ciclo econômico da economia brasileira sobre a oferta de traba-
lhos dos casais entre 2003 e 2015” (OSHITA, et al. 2017, p. 3). Assim, os objetivos
específicos poderiam ser:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
■■ Identificar o comportamento da oferta de trabalho dos casais.
■■ Analisar a probabilidade dos casais ofertarem trabalho por idade e nível
de capital humano.
■■ Analisar a probabilidade dos casais saírem do desemprego em épocas de
crise e não crise por região metropolitana.
■■ Analisar a probabilidade dos chefes de famílias com diferentes níveis de
capital humano saírem do desemprego em épocas de crise e não crise.
■■ Analisar a probabilidade dos cônjuges, com diferentes níveis de capital
humano saírem do desemprego em épocas de crise e não crise.

Observe que, os objetivos específicos são as ações a serem executadas para alcan-
çar o objetivo geral, isto é, relacionam-se diretamente, servindo como um guia
para o processo de alcance do objetivo geral, ao longo do trabalho acadêmico.

Ao desenvolver os objetivos gerais e específicos prefira utilizar verbos no


infinitivo, como por exemplo: estudar, compreender, conhecer, analisar, ve-
rificar, relacionar, identificar, estabelecer, demonstrar, entre outros.

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


191

Na justificativa, você deve apresentar a relevância do seu trabalho acadêmico,


mostrando a importância dele para a sociedade, para sua profissão ou para aca-
demia, isto é, para a ciência (SILVA, 2003). Atente-se ao Quadro 5, a seguir.
Quadro 5 - Justificativa de Pesquisa

Este trabalho se justifica, uma vez que, a economia é composta por famílias que
são tomadoras de decisões, o que, de forma agregada, pode impactar na econo-
mia de um país ao longo do tempo. Entender os determinantes da alocação de
trabalho dentro das famílias frente ao capital humano e aos ciclos econômicos,
pode trazer explicações sobre as relações do mercado de trabalho no Brasil nos
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

últimos anos.
Fonte: Oshita et.al. (2017, p. 3).

A justificativa deve apresentar as razões da preferência pelo assunto em detri-


mento de outros, explicando assim, por que a pesquisa é importante, para que
será utilizada, e o que motivou a escolha do tema, a fim de convencer o leitor
(SILVA, 2003).
Após esa etapa, é necessário descrever, resumidamente, qual foi a meto-
dologia utilizada, isto é, deve-se especificar o procedimento de forma concisa,
conforme apresentado no Quadro 6.
Quadro 6 - Metodologia Resumida

A metodologia empregada neste trabalho é o método da análise de sobrevi-


vência, por meio do método paramétrico. Essa abordagem permite ver de ma-
neira precisa e detalhada a probabilidade de os indivíduos ofertarem trabalho
ou estarem desempregados, de acordo com o capital humano, a questão do
desemprego e dos ciclos com a transição dos desempregados para ocupação
em períodos de crise, permitindo enxergar a teoria do trabalhador adicional.
Utilizou-se o período de duração do desemprego para tempo e, como variável
de falha, a transição dos desocupados para ocupação. Esse método é comu-
mente utilizado para estudos de duração do desemprego no Brasil, entre eles,
o de Antigo e Machado (2006), Oliveira e Carvalho (2006), Menezes-Filho e Pic-
chetti (2000), Menezes e Cunha (2013), Reis e Aguas (2014). Para a análise, são
utilizadas informações da Pesquisa Mensal do Emprego (PME) para o período
de 2003 até 2015.
Fonte: Oshita et al. (2017, p. 3).

Elaboração do Projeto Científico


192 UNIDADE V

No último parágrafo da introdução, você deve expor a estrutura do trabalho,


isto é, como ele está dividido em capítulos,apresentando, resumidamente, sobre
o que se trata cada capítulo, como, por exemplo:
Este trabalho é composto por cinco seções. Além desta introdução,
na segunda seção, apresenta-se a fundamentação teórica. Em seguida,
tem-se a metodologia, com as informações sobre a base de dados em-
pregada e o método da análise de sobrevivência. Na quarta seção, estão
expostos e discutidos os resultados do trabalho. E, na quinta seção tem-
-se as considerações finais (OSHITA et al. 2017, p. 3).

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
REVISÃO DE LITERATURA

A revisão de literatura é o desenvolvimento da pesquisa bibliográfica sobre um


tema delimitado (SILVA, 2003). Após a escolha do tema, inicia-se o levantamento
das fontes teóricas (relatórios de pesquisa, livros, artigos científicos, monografias,
dissertações e teses), que farão parte do referencial da pesquisa (PRODANOV;
FREITAS, 2013).
Para construir o texto do trabalho, é importante fazer fichamentos e resu-
mos de livros, artigos e trabalhos acadêmicos em geral. Com o auxílio desses
fichamentos e resumos, os textos poderão ser desenvolvidos de forma facilitada
(SILVA, 2003).
A revisão de literatura deve ser um texto contendo, introdução, desenvolvi-
mento e conclusão, que apresente o assunto de forma lógica, com base nos autores
pesquisados. “As citações devem ser diretas ou indiretas, mencionando o sobre-
nome do autor, e referenciando-o corretamente” (SILVA, 2003, p. 60).
As citações diretas são informações extraídas da literatura e descritas exa-
tamente da forma que estão contidas na obra, isto é, “uma cópia” sem qualquer
tipo de alteração. São divididas em até 3 linhas ou mais. A citação direta, até 3
linhas deve ser transcrita no corpo do texto, entre aspas (“ “), acompanhada do
mesmo tamanho da fonte, conforme o exemplo do Quadro 7.

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


193

Quadro 7 - Citação direta até 3 linhas

Pessoas fora do mercado de trabalho em épocas de prosperidade podem entrar


neste em épocas de crise: “a teoria econômica sugere que, quando um chefe de
família perde seu emprego, um membro secundário procura trabalho adicional
para reforçar os recursos domésticos” (OSHITA et al. 2017, p. 4).
Fonte: Oshita et al. (2017, p. 4).

Caro(a) aluno(a), note que o nome do autor no exemplo acima apareceu entre
parênteses e deverá ser grafado em letras maiúsculas. Caso ele seja posicionado
fora do sinal gráfico deverá ser grafado em letras maiúsculas e minúsculas, como,
por exemplo:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Oshita et al. (2017, p. 4) descreve que “a teoria econômica sugere que quando
um chefe de família perde seu emprego, um membro secundário procura traba-
lho adicional para reforçar os recursos domésticos”.
Exemplo de citação direta com mais de 3 linhas:
A literatura desenvolvida ao longo do tempo mostra que mudanças na
taxa de desemprego podem ter impactos diferentes na taxa de partici-
pação da força de trabalho, isto é, a existência do efeito trabalhador adi-
cional pode variar entre as condições econômicas, decisões das famílias
e entre os países (OSHITA et al. 2017, p. 4).

Nas citações indiretas, são apresentadas as ideias do autor, sem haver uma trans-
crição direta, isto é, identica à transcrita na obra original. Nesse caso, não se deve
apresentar aspas, mas o autor e o ano de publicação devem aparecer (CANONICE,
2013). Observe o Quadro 8.
Quadro 8 - Citação indireta

De acordo com Oshita et al. (2017) a gestão do orçamento familiar tem um impacto
sobre o bem-estar dos membros.
ou
A gestão do orçamento familiar tem um impacto sobre o bem estar dos membros
(OSHITA, et. al. 2017).
Fonte: Oshita et al. (2017).

Elaboração do Projeto Científico


194 UNIDADE V

Nas citações indiretas é opcional a indicação de páginas consultadas.

Há ainda, um caso muito especial que deve ser utilizado somente na impos-
sibilidade total de acessar o documento original: as citações de citações,
descritas como “apud” expressão latina que significa “citado por”, que deverá

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ser usada em casos de utilização de um autor dentro da obra que estamos con-
sultando (CANONICE, 2013). Por exemplo: Bredtmann, Otten, Rulff, (2014)
apud Oshita et al. (2017) desenvolveram um estudo para identificar o efeito
do trabalhador adicional na Europa, no período de 2004 a 2011, com uma
amostra de 28 países europeus.
Na revisão de literatura, é importante buscar o autor original da obra, por
exemplo, se o assunto é capital humano, deve-se buscar a primeira pessoa que
desenvolveu a teoria. Caso tenham ocorrido modificações, deve-se buscar os
responsáveis e demonstrar o que mudou, construindo assim, o assunto de
forma temporal, isto é, desde a primeira versão da teoria e como ela evoluiu.

METODOLOGIA

A metodologia redigida no projeto de pesquisa deve utilizar a linguagem no


futuro, pois são descritos os processos necessários para chegar ao resultado pre-
tendido, respondendo as questões: como? Com quê? Onde? Quando? Quanto?
O método consiste em uma série de regras com finalidade de resolver
determinado problema (LAKATOS; MARCONI, 2003). Assim, nesta seção
é necessário explicar qual tipo de pesquisa e de metódos foram utilizados.
Além disso, o autor deve responder o porquê da escolha por tal metodologia,
sobre amostra a ser extraída, sobre os procedimentos de coleta de informa-
ções e sobre o plano de análise dos dados.
O tipo de pesquisa, isto é, dos procedimentos técnicos, pode ser, por
exemplo, a pesquisa bibliográfica, o estudo de caso, ou a pesquisa de campo

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


195

(SILVA, 2003). Além disso, é necessário apontar qual a forma de abordagem


do problema, qualitativo ou quantitativo, e, quanto aos objetivos, explorató-
rios, explicativos ou descritivos.
Não se deve esquecer, ainda, de descrever como as informações e os dados
serão coletados (entrevistas ou questionários) ou de quais fontes serão extraí-
das (IBGE, PNAD, Banco Central, entre outros), e como serão analisados. Em
caso de utilização de modelos é necessário que sejam descritos, isto é, como
será desenvolvido o modelo, para chegar ao resultado esperado. Conforme
observado no Quadro 9.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Quadro 9 - Metodologia de Pesquisa

Esta pesquisa apresenta caráter descritivo e exploratório, visando analisar os rela-


tórios de 58 empresas brasileiras S/As de capital aberto, sendo 29 que utilizaram o
benefício fiscal da Lei do Bem nos 3 últimos exercícios, e 29 que não obtiveram o
benefício. A primeira amostra de empresas foi coletada no relatório do Ministério
da Ciência e Tecnologia com relação às que obtiveram o benefício fiscal da Lei
do Bem nos anos de 2011, 2012 e 2013. A segunda amostra inclui as empresas
que não utilizam o benefício fiscal, e selecionadas de modo aleatório na mesma
quantidade e dentro dos respectivos setores das empresas que da primeira amos-
tra, permitindo, assim, comparabilidade. Primeiramente, foi realizada a análise de
conteúdo no balanço patrimonial, demonstração do resultado do exercício, rela-
tórios de administração e notas explicativas referentes ao exercício de 2013. Com
base nessas informações, foram mensuradas as métricas descritas na seção 3.1,
estudas por meio de análise qualitativa. Em seguida, foi realizada a análise quanti-
tativa das métricas, a fim de atestar os resultados da primeira análise.
Fonte: Oshita e Silva (2017, p. 66,67).

RESULTADOS ESPERADOS

Caro(a) aluno(a), durante o desenvolvimento do projeto, é necessário planejar


as etapas a serem realizadas na sua execução de tal forma que você tenha um
caminho bem programado, que facilite a realização das atividades propostas.
Para isso, realize um fluxograma com as etapas da sua pesquisa e, depois, passe
a descrevê-las, como mostra a Figura 1.

Elaboração do Projeto Científico


196 UNIDADE V

Natureza da pesquisa:
qualitativa; quantitativa,
Tipo de Metodologia e Utilização das técnicas e
pesquisa fundamentação instrumentos de recolha de
dados. Teste das hipótese.

Seleção dos elementos


pertinentes e relacionados entre
Técnicas de Recolha e análise si, Relação entre os dados
análise de dados estudados, a hipótese formulada
e a problemática ou tese.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Análise
comparativa Reformulação ou
entre as
hipóteses Resultados e refutação de argumentos.
conclusões Sugestão de novas
previstas e os
resultados hipóteses de investigação.
obtidos.
Figura 1 - Fluxograma sobre etapas de investigação
Fonte: Freitas (2010, on-line)1.

Assim, na análise e na avaliação dos resultados, você deve descrever como será
realizada a análise, bem como a avaliação dos dados, com o que vai comparar e
se vai utilizar algum método estatístico.

CRONOGRAMA

Caro(a) aluno(a, o cronograma é o planejamento de cada atividade a ser reali-


zada e deve ser elaborado de acordo com a complexidade de cada tarefa a ser
executada, possibilitando a divisão correta do tempo total para, assim, servir
como base para o desenvolvimento da pesquisa em tempo hábil. Um exemplo
de cronograma está apresentado no Quadro 10.

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


197

Quadro 10 - Cronograma
ATIVIDADES OUT/ NOV/ DEZ/ MAR/ ABR/ MAI/ JUN/ AGO/ SET/ OUT/ NOV/
18 18 18 19 19 19 19 19 19 19 19
Escolha do tema e do
orientador
Encontros com o
orientador
Pesquisa bibliográfica
preliminar
Leituras e elaboração
de resumos
Elaboração do
projeto
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Entrega do projeto de
pesquisa
Revisão bibliográfica
complementar
Coleta de dados
complementares
Redação da
monografia
Revisão e entra oficial
do trabalho
Apresentação do
trabalho em banca
Fonte: a autora.

O tempo pode ser dividido em dias, semanas, meses, semestres, entre outros.
Tudo dependerá da sua necessidade de tempo para execução das etapas.

Recursos

As etapas de coleta de dados e redação podem exigir recursos econômicos para


o desenvolvimento da pesquisa. Diante disso, é importante que o pesquisador
elabore um orçamento, com a previsão dos valores necessários para a execução
da pesquisa.
Os recursos podem ser direcionados para despesas de capital, isto é, material
permanente, ou despesas de custeio, que envolvem a remuneração de serviços
pessoais, aquisição de material de consumo e a outros serviços de terceiros e
encargos.

Elaboração do Projeto Científico


198 UNIDADE V

REFERÊNCIAS

Nas referências são listadas somente as obras utilizadas na revisão de litera-


tura. Podem estar representadas por livros, periódicos, informações obtidas
na Internet, e trabalhos acadêmicos. Devem ser apresentadas alinhadas à
esquerda, em espaço simples, separadas entre si por espaço duplo e em ordem
alfabética por autor - por ordem alfabética se entende a primeira letra do
último sobrenome dos autores. Em caso dos autores tiverem sobrenomes
Filho, Júnior, Neto, Sobrinho, deve-se citar o sobrenome anterior a esses, por

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
exemplo, OLIVEIRA, JUNIOR ou SILVA, NETO.

Livro

A referência de livros poderá ser realizada considerando o livro completo ou


parte dele (capítulo específico). Para livro completo o nome do autor deve
ser citado, podendo ser abreviado ou por extenso, em seguida o título, sub-
título (se houver), edição, local (cidade), editora e data de publicação, como,
por exemplo:
1. Somente um autor:
MALHOTRA, N. K. Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada.
3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed., São
Paulo: Atlas, 2008.
2. Dois autores separados apenas por ponto e vírgula:

MARCONI, M. A; LAKATOS, E. M. Metodologia científica. São Paulo:


Editora Atlas, 2002.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia
científica. São Paulo: Editora Atlas, 2002.

Caso não seja possível identificar o local da obra, deverá ser utilizado [s.l.] (sine
loco), entre colchetes. Se não for possível identificar a editora, utiliza-se [s.n.]
(sine nomine) (CANONICE, 2013).

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


199

Para capítuloS de livro, as informações são: autor(es) do capítulo, título do


capítulo (sem negrito), a expressão “In” seguida dos autores do livro, título do
livro (em negrito), edição, local, editora, data de publicação e números inicial e
final do capítulo (CANONICE, 2013). Exemplo:
STALK JÚNIOR, George. Tempo: a próxima fonte de vantagem competi-
tiva. In. MONTGOMERY, Cynthia A.; PORTER, Michael E. (Org).Estratégia:
a busca da vantagem competitiva. 5 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1998. p.43-66.

Artigo
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Para referenciar um artigo, publicado em periódico com autoria, as sequências de


informações são: autor(es), título do artigo, título do periódico (em negrito), local
da publicação, volume, número, páginas (início e término), data e ano. Exemplo:

OSHITA, M. G. B.; ALVES, T. Análise das métricas financeiras e não financeiras


de desempenho organizacional de empresas que desenvolveram projetos de ino-
vação no âmbito da Lei do Bem (LEI N° 11.196/2005). Revista Conhecimento
Contábil. Mossoró, v. 04, n. 01, p. 61-74, jan./jun., 2017.
Para artigos publicados em anais de eventos, as sequência de informações
são: autor(es), título do artigo, título do trabalho (sem negrito), nome do evento
(LETRAS MAIÚSCULAS), ano de realização do evento, cidade, a palavra anais
(negrito com reticências), cidade onde foi produzida a publicação, sigla da ins-
tituição que produziu os anais e ano da publicação. Observe o exemplo:
OSHITA, M. G. B.; PERETTI FILHO, V. ; SIMAO, C. H. M. ; CUNHA, M.
S. . A oferta de trabalho dos casais: uma análise da transição da desocupação
para o emprego no Brasil metropolitano de 2003 a 2015. In: XX ENCONTRO
DE ECONOMIA DA REGIÃO SUL/ ANPEC, 2017. Porto Alegre, RS. Anais...,
Porto Alegre. CD-ROM.
Para artigos em meio eletrônico, deve-se obedecer aos padrões de artigos
acrescidos do meio eletrônico, por exemplo, quando tratar-se de obras on-line é
necessário colocar o endereço eletrônico apresentado entre sinais<>, precedido
da expressão “Disponível em:” e a data do documento precedido de “Acesso em:”

Elaboração do Projeto Científico


200 UNIDADE V

OSHITA, M. G. B.; PERETTI FILHO, V. ; SIMAO, C. H. M. ; CUNHA,


M. S. . A oferta de trabalho dos casais: uma análise da transição da deso-
cupação para o emprego no Brasil metropolitano de 2003 a 2015. In: XX
ENCONTRO DE ECONOMIA DA REGIÃO SUL/ ANPEC, 2017. Porto
Alegre, RS. Anais..., Porto Alegre. Disponível em:<https://www.anpec.org.
br/sul/2017/submissao/files_I/i6-d7540e94ec53b2d7a20d16213e944585.
pdf> Acesso em: 09/10/2017.

Site

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Para site, deve-se colocar a autoria, isto é, pessoa, entidade ou jurisdição, seguido
pelo título: subtítulo. Disponível em: . Acesso em: dia mês abreviado ano. Exemplo:

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ. Biblioteca Universitária.


Disponível em: <http://www.sib.uem.br/>. Acesso em: 30 set. 2017.

PONTES, N. Gestão escolar democrática ainda é desafio na rede pública


brasileira. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/seminariosfo-
lha/2017/09/1922955-gestao-escolar-democratica-ainda-e-desafio-na-rede-pu-
blica-brasileira.shtml>. Acesso em: 30 set. 2017.

Trabalhos Acadêmicos

Nesta seção você aprenderá a referenciar trabalhos acadêmicos como monogra-


fias, dissertações e teses. Gostaria de reforçar que os nomes dos autores podem
ser escrito por extenso ou de forma abreviada, sendo impossível a utilização
das duas formas ao mesmo tempo, pois o trabalho deve seguir uma padroni-
zação.. Além disso, não se esqueça que as referências devem ser elencadas em
ordem alfabética.

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


201

Monografia

Ao referenciar monografia você deve colocar: título (negrito), subtítulo (sem


negrito), ano de conclusão, número de páginas seguidos da letra “f ” de folhas, e
do escrito “Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em…)” e depois, hífen
(-), o nome do programa de mestrado e da instituição, cidade e ano de publicação.

SANTOS, Mário Augusto dos. Empresas, meio ambiente e responsabilidade


social: um olhar sobre o Rio de Janeiro. 2003, 59 f. Trabalho de Conclusão de
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Curso, Graduação em Economia. Universidade do Rio de Janeiro-Instituto de


Economia, 2003.

Dissertação

Ao referenciar dissertações você deve colocar: título (negrito), subtítulo (sem


negrito), ano de conclusão, número de páginas seguidos da letra “f ”, a palavra
“Dissertação” e, depois, “Mestrado”, seguido por hífen (-), o nome do programa
de mestrado e da instituição, cidade, e ano de publicação.

CATIGNANI, G. O método das opções reais aplicado na avaliação das opor-


tunidades de investimento no setor de seguros. 2003. 193 f. Dissertação
(Mestrado) - Centro de Formação Acadêmica e Pesquisa do Curso de Mestrado
Executivo, Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas. Rio
de Janeiro, 2003.

Tese

Ao referenciar teses, você deve colocar: título (negrito), subtítulo (sem negrito),
ano de conclusão, número de páginas seguidos da letra “f ”, a palavra “Tese”, e
depois, “Doutorado”, seguido por hífen (-), o nome do programa de mestrado e
da instituição, cidade e ano de publicação.

Elaboração do Projeto Científico


202 UNIDADE V

DIAS, M. A. G. Opções reais híbridas com aplicações em petróleo. 2005,


507 f. Tese (Doutorado) – Departamento de Engenharia Industrial, Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005.

Ao escrever um texto científico, algumas características devem ser levadas


em conta, como impessoalidade, objetividade, clareza, precisão e concisão. O

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
texto deve ter caráter impessoal, isto é, as referências pessoais, como“meu tra-
balho”, “meu estudo” e ‘minha tese” devem ser evitadas. As expressões devem
ser: “este trabalho”, “o presente estudo”, entre outros. Sendo objetivo, deve ser
escrito em linguagem direta evitando considerações irrelevantes. Assim, toda
argumentação deve apoiar-se em teorias, provas e não em opiniões pessoais.
Ressalta-se que a clareza das ideias deve ser respeitada, utilizando vocabu-
lário adequado, sem expressões com duplo sentido. Deve-se evitar o uso de
adjetivos e palavras que causam um efeito de generalização, como: peque-
no, médio, grande, quase todos, uma boa parte, etc. Além disso, advérbios
que não explicam exatamente o tempo, o modo e o lugar devem ser evita-
dos, como: antigamente, recentemente, lentamente e provavelmente.
Fonte: Gil (2008).

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


203
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

TIPOS E ESTRUTURAS DOS TRABALHOS

Caro(a) aluno(a), aprendemos que trabalhos científicos ou acadêmicos resultam


do desenvolvimento de pesquisas. São vários os tipos de trabalhos acadêmicos
de graduação e pós-graduação. Diante disso, adotamos nesta obra modelos de
trabalhos de graduação, na categoria ensino e aprendizagem, visto que você,
estudante, deve progredir gradativamente da informação básica, no processo de
pesquisa, para a autodescoberta do conhecimento científico, isto é, dos resultados.
Nesta seção você aprenderá sobre a composição dos trabalhos acadêmicos,
em especial o trabalho de conclusão de curso (TCC), para que conheça quais ele-
mentos fazem parte do seu trabalho final, com base nas normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

TIPOS DE TRABALHOS ACADÊMICOS E CIENTÍFICOS

Caro(a) aluno(a), aprendemos que os projetos, artigos, monografias, disserta-


ção, teses e relatórios de pesquisas são trabalhos científicos. Entretanto, há outros
tipos de trabalhos acadêmicos e científicos que serão apresentados nesta seção

Tipos e Estruturas dos Trabalhos


204 UNIDADE V

e podem orientá-lo na jornada acadêmica, como, por exemplo, resumos, ficha-


mentos e papers, que poderão servir como base para auxiliá-lo na realização de
seu trabalho de conclusão de curso.

Resumo

O resumo, muito utilizado em trabalhos acadêmicos, em apresentações de seminá-


rios ou congressos, e ainda, para avaliação de atividade acadêmicas. Assim, o resumo
tem como característica apresentar, de forma breve, as informações importantes

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
de um determinado documento e que pode ser crítico, informativo ou indicativo.
O resumo crítico, ou resenha crítica, é um texto redigido com análise crí-
tica de um documento, isto é, de uma síntese sobre uma obra, sendo essencial
o resumo e a crítica. O resumo informativo informa ao leitor os detalhes sobre
o documento que está sendo resumido, bem como as finalidades, metodologia,
resultados e conclusões, de forma quedispense a consulta ao original.
E, por fim, o resumo indicativo, que deve indicar apenas os pontos principais
do documento que estão sendo resumida, isto é, sem que sejam aprofundados os
dados qualitativos, quantitativos etc. Este tipo de resumo, não dispensa a con-
sulta ao original.

Para elaborar um resumo, você deve seguir os seguintes passos:


Inicialmente, deve realizar uma leitura integral, para adquirir uma visão con-
junta da unidade (capítulo), visto que isso possibilitará uma visão ampla da
estrutura do texto, permitindo, assim, diferenciar o que é essencial e o que
é secundário.
Em seguida você deve delimitar as unidades de leitura, isto é, decompor
as partes constitutivas do texto, já que, cada capítulo de leitura possui ideia
central ou diretriz, explicitação da ideia e conclusão.
A esquematização em forma de tópicos lhe auxiliará na estruturação gráfica
e visual do texto, com divisões e subdivisões. Por fim, realize a redação do
resumo com frases breves e objetivas
Fonte: Redimóvel ([2018], on-line)2.

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


205

Fichamento

O fichamento reúne um conjunto dos dados relevantes de algum texto, para a


elaboração de fichas, sendo um instrumento de aprendizagem, no qual constam
informações relevantes sobre um texto lido, pois, ao realizá-lo, você transcreve
os trechos mais importantes do texto, ligando-os de forma a obter uma breve
interpretação do conteúdo.
Estrutura desse tipo de texto transita em momentos que o pesquisador
reconhece e sintetiza partes importantes, extrai citações que possam tradu-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

zir um conceito chave de um assunto e fundamenta exercícios de reflexão


na medida que o autor estabelece relações com outras obras consultadas
(LIMA, 2008).
Assim, o fichamento pode ser utilizado como um instrumento de coleta de
dados para a realização de trabalhos acadêmicos em disciplinas de graduação
e pós-graduação, para sua fundamentação teórica, por meio de uma pesquisa
bibliográfica, e para preparação de texto para apresentações orais, entre outros.

Caro(a) aluno(a), as fichas podem ser classificadas em dois tipos: bibliográfi-


ca e temática. A bibliográfica, como o nome sugere, ocupa-se de uma obra
e, a temática, de um tema pesquisado em várias obras.
Fonte: Redimóvel ([2018], on-line)2.

Paper

O paper, position paper ou posicionamento pessoal é um pequeno artigo


científico com o objetivo de analisar um tema, questão ou um problema
determinado, desenvolvido em forma de pequeno artigo, contendo de 10 a
15 páginas.

Tipos e Estruturas dos Trabalhos


206 UNIDADE V

Esse tipo de trabalho consiste no desenvolvimento do ponto de vista de


quem escreve, por meio da discussão de ideias, de fatos, de métodos, de proces-
sos ou de resultados de pesquisas. Para isso, deve-se utilizar, no mínimo, três
autores na pesquisa.
O paper decorre do posicionamento do pesquisador, por isso é recomen-
dável evitar transparecer sua opinião, suas preferências e suas crenças, isto é, o
autor só irá desenvolver análises e argumentações de ideias. Sendo assim, é pro-
duzido de modo geral para divulgar os resultados da pesquisa científica.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Além de ser produzido para divulgar resultados de pesquisas científicas,
o paper pode abordar conceitos, ideias, teorias ou mesmo hipóteses, de
forma a discuti-los ou pormenorizar aspectos. Ao produzir o artigo a partir
do paper, o aluno inicia uma aproximação aos conceitos e à linguagem
científica, que necessitará desenvolver na elaboração de seu trabalho de
conclusão de curso.
Assim, o paper pode ser elaborado com os seguintes propósitos:
• Discutir aspectos de assuntos inovadores.
• Aprofundar discussões sobre assuntos com o objetivo de alcancar novos
resultados.
• Estudar temáticas clássicas sob enfoques contemporâneos.
• Aprofundar ou dar continuidade à análise dos resultados de pesquisas.
• Resgatar ou refutar resultados controversos da pesquisa, buscando a
resolução satisfatória ou a explicação.
Nessa perspectiva, a elaboração de papers estimula a análise e a crítica
de conteúdos teóricos, e de pensamentos de diferentes autores, visto que
a sintetização de várias ideias contribui para que o aluno aprenda a sin-
tetizar conceitos, fazer comparações e ainda formular críticas sobre um
determinado tema.
Fonte: SOS Monografia ([2018], on-line)3.

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


207

ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS

Para elaboração de trabalhos acadêmicos, existem elementos iniciais, isto é, a


parte pré-textual, composta por capa, folha de rosto e folha de aprovação (exceto
para projeto de pesquisa e relatório científico ou técnico). Como itens opcio-
nais, tem-se dedicatória(s), agradecimento(s), epígrafe, as listas de ilustrações,
tabelas, abreviaturas, siglas e símbolos, e, como obrigatórios, resumo e sumário.
Dos elementos textuais, tem-se introdução, desenvolvimento e conclusão. E
os pós textuais que são as referências (obrigatório), glossário (opcional), apên-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

dices (opcional) e anexos (opcional).

Elementos pré-textuais

Nesta seção se apresentam os elementos pré-textuais obrigatórios de um traba-


lho de conclusão de curso, como capa, contra capa, folha de aprovação, resumo,
lista de ilustrações e sumário.

Capa, contra capa e folha de aprovação

A capa é um elemento obrigatório para: projeto de pesquisa e relatório téc-


nico ou científico (opcional, segundo as normas, mas obrigatório para a
UniCesumar); monografia; trabalho de conclusão de curso; relatório de está-
gio; dissertação; e tese.
A capa tem como objetivo descrever informações essenciais para identifi-
cação dos trabalhos acadêmicos e deve conter o nome da instituição (opcional),
nome do autor (obrigatório), título (obrigatório), subtítulo, número de volumes
(se houver), local e ano, (obrigatório), de acordo com a na norma da ABNT (NBR
14724/11), conforme o Quadro 11.

Tipos e Estruturas dos Trabalhos


208 UNIDADE V

Quadro 11 - Capa

MODELO DE CAPA 1 MODELO DE CAPA 2

MARCELA GIMENES BERA OSHITA


CENTRO UNIVERSITÁRIO CESUMAR

MARCELA GIMENES BERA OSHITA

A OFERTA DE TRABALHO DOS CASAIS: UMA ANÁLISE DA A OFERTA DE TRABALHO DOS CASAIS: UMA ANÁLISE DA
TRANSIÇÃO DA DESOCUPAÇÃO PARA O EMPREGO NO TRANSIÇÃO DA DESOCUPAÇÃO PARA O EMPREGO NO

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
BRASIL METROPOLITANO DE 2003 A 2015 BRASIL METROPOLITANO DE 2003 A 2015

Maringá Maringá
2018 2018

Fonte: a autora.

De acordo com a norma da ABNT, o trabalho acadêmico por inteiro (desde a


capa) deve manter as medidas de margem: 3cm à esquerda e superior, e 2cm à
direita e inferior, e, ainda, ser escrito com fonte tamanho 12, recomenda-se Arial
ou Times New Roman. Sendo assim, somente os títulos das capas e folhas de
rosto podem ser destacados em letras maiores (CANONICE, 2013). Conforme
o Quadro 12.

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


209

Quadro 12 - Folha de Rosto

MODELO DE FOLHA DE ROSTO 1 MODELO DE FOLHA DE ROSTO 2

MARCELA GIMENES BERA OSHITA


MARCELA GIMENES BERA OSHITA

A OFERTA DE TRABALHO DOS CASAIS: UMA ANÁLISE DA A OFERTA DE TRABALHO DOS CASAIS: UMA ANÁLISE DA
TRANSIÇÃO DA DESOCUPAÇÃO PARA O EMPREGO NO TRANSIÇÃO DA DESOCUPAÇÃO PARA O EMPREGO NO
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

BRASIL METROPOLITANO DE 2003 A 2015 BRASIL METROPOLITANO DE 2003 A 2015

Projeto de trabalho de Conclusão de Trabalho de Conclusão de Curso


Curso apresentado à disciplina de apresentado como requisito parcial
Metodologia de Pesquisa, do curso de para obtenção do grau de Bacharel em
Ciências Econômicas do Unicesumar. Ciências Econômicas, do Unicesumar
Orientador: Prof. Me. Silvio Castro Orientador: Prof. Me. Silvio Castro

Maringá Maringá
2018 2018

Fonte: a autora.

Observe que na folha de rosto contém informações adicionais a capa, como a


natureza do trabalho (trabalho de conclusão de curso) e o objetivo, que é a apro-
vação ou grau pretendido da área de estudo (CANONICE, 2013).
É importante destacar que se inicia a contagem das páginas do trabalho aca-
dêmico a partir da folha de rosto, embora não deva apresentar ainda a numeração
impressa, visto que deverá aparecer apenas a partir da introdução, no canto supe-
rior direito da folha, utilizando algorismos arábicos (1,2,3…) (CANONICE, 2013).
A folha de aprovação é um elemento obrigatório, que deve constr após a folha
de rosto, constituída pelo nome do autor, título do trabalho, subtítulo, natureza,
objetivo, nome da instituição, área de concentração, data de aprovação, titula-
ção e assinatura dos componentes da banca, como apresentado no Quadro 13.

Tipos e Estruturas dos Trabalhos


210 UNIDADE V

Quadro 13 - Folha de aprovação

MARCELA GIMENES BERA OSHITA

A OFERTA DE TRABALHO DOS CASAIS: UMA ANÁLISE DA TRANSIÇÃO DA


DESOCUPAÇÃO PARA O EMPREGO NO BRASIL METROPOLITANO DE 2003 A
2015

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como
requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel
em Ciências Econômicas, do Unicesumar

Aprovado em __ / __ / ___

Prof. Me. Silvio Castro


Orientador
Unicesumar

Prof. Dr.
Componente da Banca
Unicesumar

Prof. Dr.
Componente da Banca
Unicesumar

Fonte: a autora.

Resumo

O resumo é o último item a ser feito no trabalho científico, pois deve ser composto
por: objetivo geral do trabalho (o mesmo objetivo da introdução), metodologia
utilizada no trabalho, de forma resumida, e o principais resultados encontra-
dos, conforme o Quadro 14.

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


211

Quadro 14 - Resumo

Este artigo tem como objetivo verificar o impacto do capital humano e a influ-
ência do ciclo econômico da economia brasileira sobre a oferta de trabalho dos
casais entre 2003 e 2015. A metodologia empregada neste trabalho é o método
da análise de sobrevivência por meio do método paramétrico. Os resultados en-
contrados foram que a desocupação tende a ser maior para os cônjuges do sexo
feminino, não brancos, já trabalharam em atividades informais, desempregados
entre 2003 e 2014, e residentes em São Paulo e Rio de Janeiro em 2015. Diferen-
temente, os chefes de família brancos, do sexo masculino e que já trabalharam
em atividades formais, desocupados e residentes em Belo Horizonte e Recife em
2015 obtiveram novos postos de trabalho com maior êxito ao longo do período
analisado. Além disso, os cônjuges não brancos, mulheres ou que já trabalharam
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

na informalidade, que vivem em Belo Horizonte e não foram demitidos, têm idade
entre 16 e 19 anos, são analfabetos ou estudaram por até três anos, podem ser
uma mão de obra adicional na economia brasileira em 2015. Conclui-se, assim,
que maiores níveis de capital humano implicam na expansão da duração do de-
semprego em cerca de 31%, para cônjuges ou chefes de família, e o ano de 2015
foi menos favorável para saída do desemprego que de 2003 a 2014.
Palavras chaves: duração do desemprego; trabalhador adicional; capital humano..
Fonte: a autora.

Lista de Ilustrações

Elementos que ilustram, explicam ou complementam a obra, como tabelas,


gráficos, figuras e quadros devem ser listados de forma numerada com uma sequ-
ência própria, no texto, com algarismos arábicos. Por exemplo: Tabela 1, Tabela
2, Gráfico 1, Gráfico 2, Figura 1, Figura 2 etc. Assim, as ilustrações devem ser
seguidas de sua localização, isto é, a página, conforme o Quadro 15 e 16.
Quadro 15 - Lista de figuras

LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Ativos intangíveis ..................................................................................... 17
Figura 2 – Resultado da opção de compra ........................................................... 25
Figura 3 – Resultado da opção de venda............................................................... 25
Figura 4 – Variáveis que determinam o valor de uma opção real................. 30
Figura 5 – Preço do ativo no final do período...................................................... 33
Figura 6 – Preço do ativo no final de dois períodos........................................... 34
Fonte: a autora.

Tipos e Estruturas dos Trabalhos


212 UNIDADE V

Observe que, nos Quadros 15 e 16, a relação numérica das figuras e quadros,
aparecem na mesma ordem em que são citadas no texto, com indicação da
localização.
Quadro 16 - Lista de Quadros

LISTA DE FIGURAS
Quadro 1 – Determinantes do valor da opção..................................................... 26
Quadro 2 – Variáveis básicas das opções reais..................................................... 26
Quadro 3 – Diferenças entre ativos reais e financeiros...................................... 28
Quadro 4 – Planilha de investimentos patente................................................... 51

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Fonte: a autora.

De acordo com a ABNT (2011), a lista de abreviaturas é opcional, contudo, ado-


tá-la facilita a leitura do trabalho, pois evita a repetição de palavras e expressões
utilizadas com frequência no texto. Assim, ao ser mencionada pela primeira vez,
deve ser antecipada pelo nome em extenso, por exemplo: Valor Presente Líquido
(VPL), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) etc. Segue a lista de
siglas no Quadro 17, a seguir.
Quadro 17 - Lista de Siglas

LISTA DE SIGLAS
CMPC Custo Médio Ponderado do Capital
FCD Fluxo de Caixa Descontado
MGB Modelo Geométrico Browniano
P&D Pesquisa e Desenvolvimento
SMC Simulação de Monte Carlo
TOR Teoria das Opções Reais
Fonte: a autora.

Sumário

O sumário é o último elemento pré-textual antes da introdução. Assim, a pala-


vra sumário deverá ser centralizada em negrito, e os itens do sumário deverão ser
destacados, conforme foram escritos no corpo do texto, isto é, com a mesma apre-
sentação tipográfica utilizada no trabalho (CANONICE, 2013). Observe a Figura 2.

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


213

SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................... 10
2 TRANSFERÊNCIA TECNOLÓGICA................................................................................ 12
2.1 TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA NO BRASIL E NO MUNDO.......................... 15
2.1.1 Transferência tecnológica no Brasil.................................................................. 15
2.1.2 Transferência tecnológica no Mundo............................................................... 19
2.2 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA............................................................................................. 21
3 METODOLOGIA.................................................................................................................... 24
4 RESULTADOS......................................................................................................................... 26
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

5 CONCLUSÃO.......................................................................................................................... 29
REFERÊNCIAS.......................................................................................................................... 30
ANEXOS...................................................................................................................................... 33
Figura 2 - Sumário
Fonte: a autora.

Observe, na Figura 2, que os títulos não contêm pontos (.), apenas espaço entre
os caracteres. Isso deve ser observado ao longo da escrita do texto. Também é
importante destacar que os títulos primários devem ser escritos em letras mai-
úsculas, em negrito, letra tamanho 12, espaçamento entre linhas de 1,5 antes
do início do texto e sempre começar no início da página.
Os títulos dos itens 2, 2.1 e 2.2 da Figura 1, devem estar em letra maiús-
cula, sem negrito e podem ser iniciados na sequência do texto, ou seja, após
o término do assunto, não sendo necessário começar numa nova página. Por
fim, o título 3, itens 2.1.1 e 2.1.2 devem ser escritos em letras minúsculas e em
negrito ao longo do texto.

ELEMENTOS TEXTUAIS

Como vimos os trabalhos acadêmicos são compostos por elementos textuais.


Esses elementos representam o corpo de seu trabalho científicos e devem ser
descritos de forma com que o leitor entenda, por isso, devem seguir uma estru-
tura que começa com introdução, seguida por desenvolvimento e conclusão.

Tipos e Estruturas dos Trabalhos


214 UNIDADE V

Introdução

Introdução é a parte textual que define o contexto e os conceitos do trabalho,


como já exposto, ao falar sobre a elaboração da introdução no projeto científico.
O mesmo continua valendo para a introdução da monografia, dissertação ou tese,
visto que o ideal é que a introdução do trabalho esteja completa já no projeto.
Essa etapa é o momento de destacar os autores da área, bem como o pro-
blema, isto é, a problematização do tema. Em seguida se expressam os objetivos,
as hipóteses e a justificativa. Por fim, delineia-se, resumidamente, a metodolo-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
gia a ser empregada e descreve-se o assunto a ser tratado em a cada capítulo até
chegar a conclusão.

Desenvolvimento

O desenvolvimento do trabalho deve conter texto científico e estar dividido em


revisão bibliográfica, metodologia, resultados e conclusões da pesquisa.
A revisão bibliográfica é realizada por meio de levantamento bibliográ-
fico, leitura fichamento, resumos e elaboração de citações. A metodologia, é a
descrição dos métodos e técnicas, tipo de pesquisa, método de levantamento e
tratamento dos dados.
Os resultados correspondem ao que foi obtido com o desenvolvimento da
pesquisa, por meio de técnicas, procedimentos e instrumentos para coleta e tra-
tamento dos dados, e na conclusão, relata-se busca de entendimento do problema
dentro da área de estudo em que se situa.
Severino (2017) ressalta que, a conclusão é a síntese, que será breve e visará
recapitular os resultados da pesquisa, isto é, para a qual caminha o trabalho.
Assim, se o autor desenvolver várias hipóteses, por meio do raciocínio, a con-
clusão será como um balanço do empreendimento.
De acordo com Lakatos e Marconi (2003), as conclusões devem estar vin-
culadas à hipótese de investigação, cujo conteúdo foi comprovado ou refutado.
Os autores destacam ainda que a conclusão representa uma síntese comentada
das ideias dos principais resultados obtidos.

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


215

Assim, inicia-se a conclusão da pesquisa, com resgate dos objetivos. Por


exemplo: o objetivo deste trabalho foi “analisar os efeitos do capital humano e
do ciclo econômico na oferta de trabalho dos casais no período de 2003 a 2015”
(OSHITA, et al., 2017, p. 13). Em seguida, recapitule de forma resumida os prin-
cipais resultados da pesquisa.
Você deve também destacar, na conclusão, as contribuições do seu trabalho
para a sociedade ou academia, exemplo:
Assim a principal contribuição desta pesquisa foi comparar a duração de
desemprego nos diferentes períodos, sobretudo em 2015, o que trouxe
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

resultados relevantes sobre o comportamento e a probabilidade de o in-


divíduo continuar a procura por emprego (OSHITA, et al., 2017, p. 13).

Destaque as principais limitações encontradas no desenvolvimento da pesquisa.


Exemplo:
“Esta pesquisa teve como limitação, os fatores, produtivos e socioeconômi-
cos, que influenciam na desocupação e que alteram de maneira significativa os
resultados econométricos e as tendências observadas neste trabalho” (OSHITA,
et al., 2017, p. 13).
Ao redigir as conclusões, os problemas sem soluções devem ser apontadas
como sugestão para pesquisas posteriores (LAKATOS; MARCONI, 2003). A
partir do que você encontrou no seu trabalho, deve sugerir pesquisas futuras,
como, por exemplo: “Este estudo sugere como pesquisa futura uma análise em
conjunto com tais fatores e das transições da inatividade para o desemprego e a
ocupação”(OSHITA et al., 2017, p. 13).
Portanto, Lakatos e Marconi (2003, p. 171) salientam que “sem a conclusão,
o trabalho parece não estar terminado. A introdução e a conclusão de qualquer
trabalho científico, via de regra, são as últimas partes a serem redigidas”.

Elementos pós-textuais

A referência é o único elemento pós-textual obrigatório, e os demais são opcio-


nais, como glossário , apêndices e anexos. Como já vimos as referências devem
seguir as normas e devem ser descritas em ordem alfabética, com espaço sim-
ples, e duplos entre uma e outra.

Tipos e Estruturas dos Trabalhos


216 UNIDADE V

O glossário é um dicionário em ordem alfabética de palavras de sentido


obscuro ou pouco conhecidas, isto é, serve para explicar, no final do trabalho,
termos incomuns e conceitos relevantes. .
O anexo é um documento que fundamenta, comprova ou ilustra algo des-
crito na pesquisa.É utilizado para alguma complementação ou comprovação
de dados e de autoria do pesquisador. Exemplos: leis, laudos técnicos, entre
outros. Inicia-se em folha distinta, com a palavra anexo em maiúsculo em negrito
(ANEXO), no início da folha centralizada. Devem ser intitulados alfabetica-
mente por letras maiúscula na sequência (ANEXO A - Lei 12.846/13; ANEXO

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
B - Laudo de viabilidade).
O apêndice, é um documento escrito ou elaborado pelo pesquisador, que
complementa as ideias descritas no desenvolvimento. Exemplo: questionários de
pesquisa, gráficos referentes aos resultados da pesquisa ou, até mesmo, “saída” dos
softwares. Inicia-se em folha distinta, com a palavra apêndice em maiúsculo em
negrito (APÊNDICE), no início da folha centralizada. Devem ser intitulados alfa-
beticamente por letras maiúsculas na sequência (APÊNDICE A - Questionário
para coleta de dados; APÊNDICE B - Saída do Stata).

ELABORAÇÃO DO PROJETO, TIPO E ESTRUTURA DE TRABALHO CIENTÍFICO


217

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Caro(a) aluno(a), nesta unidade aprendemos sobre o processo de elaboração do


projeto, tipo e estrutura do trabalho científico. Vimos que a produção científica
é algo que deve ser criado de forma individual ou coletiva, dependendo do con-
texto de elaboração do trabalho. Aprendemos, também, que do trabalho científico
decorre a multiplicação do conhecimento produzido e que, para a pesquisa ter
validade, deve seguir normas e regras, que também são indispensáveis para o
pesquisador realizar um trabalho científico que facilite a compreensão pelo leitor.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Aprendemos que um projeto de pesquisa precisa de ter capa, contracapa,


sumário, introdução, revisão bibliográfica e metodologia, isto é, apresenta todos
os componentes de uma pesquisa, com exceção dos resultados e as conclusões.
Estudamos, também, que os trabalhos de conclusão de curso exigem uma
coerência lógica, que se inicia já no projeto de pesquisa. Vimos que, antes de
começar a desenvolvê-lo, é necessário realizar todo o planejamento o trabalho,
por meio do projeto, que descreve como a pesquisa que será realizada.
Verificamos, ainda, que alguns tipos de trabalhos científicos, podem ser-
vir como base para o desenvolvimento de pesquisas. Você aprendeu a diferença
entre os tipos de resumo e fichamentos, além dos papers. Foi instruído a progre-
dir gradativamente no processo de pesquisa e esse foi o primeiro passo.
Tenha em mente que tudo o que você aprendeu sobre a metodologia de pes-
quisa será útil para a sua vida acadêmica e profissional, você está apto a realizar
pesquisas e relatórios, os quais devem seguir normas que padronizam e facili-
tam a compreensão do leitor. Agora que já aprendeu o contexto da elaboração do
projeto, tipo e estrutura do trabalho científico, quero convidá-lo(a) a continuar
em nossa jornada de estudos, realizando a leitura complementar desta unidade.

Considerações Finais
218

1. O projeto é um planejamento de algo futuro a ser realizado,ou seja, um plano


de intenção. Assim, o projeto deve ser planejado de forma lógica e organiza-
do sistematicamente. Diante disso, descreve resumidamente as etapas de
um projeto.
2. Há tipos de trabalhos acadêmicos, como resumos, que poderão servir como
base para auxiliá-lo na realização de seu trabalho de conclusão de curso.
Aprendemos, também, que há três tipos de resumos: crítico, informativo e in-
dicativo. Diante disso, descreva cada um.
3. Aprendemos que a introdução define o contexto do trabalho. pois é nela que o
leitor decide se vale a pena ler até o final. Por isso, deve ser realizada de forma
a captar a atenção do leitor. Diante disso, descreva quais são as etapas de
elaboração da introdução.
4. As conclusões normalmente estão vinculadas à questão de pesquisa ou à hi-
pótese de investigação. Elas representam um resumo dos principais resultados
obtidos. Analise, então, as afirmativas a seguir.
I. Ao iniciar a conclusão é recomendável o resgate do objetivo de pesquisa.
II. Na conclusão é importante destacar as contribuições encontradas no es-
tudo.
III. Na conclusão é importante destacar as limitações do estudo.
IV. Na conclusão é importante sugerir pesquisas futuras.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) I e II, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
219

5. Os trabalhos acadêmicos são organizados sistematicamente e desenvolvidos


com base em normas, para facilitar o entendimento do leitor. Para elaborá-los,
existem elementos que o compõem, como os pré-textuais, textuais e pós tex-
tuais. Dessa forma, analise o que é correto nas afirmações a seguir com
relação aos tipos de elementos que fazem parte do trabalho acadêmico.
I. A parte pré-textual é composta por capa, folha de rosto e folha de aprovação.
II. Os elementos textuais são compostos por introdução, desenvolvimento e
conclusão.
III. Os elementos pós-textuais são referências, glossário, apêndices e anexos.
IV. Os elementos pós-textuais são conclusão e referências.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) I e II, apenas.
c) II e III, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
220

Formatação de Trabalhos Acadêmicos

Na formatação do trabalho acadêmico, define-se, o tipo de fonte, margens, espaça-


mento, o tipo do papel, etc. Entretanto, é necessário adotar as normas da ABNT, para os
trabalhos de conclusão de curso de graduação e graduação, relatórios de estágios de
graduação, projeto de pesquisa entre outros.
A padronização consiste em, atender o formato A4 (21,0 x 29,7 cm), papel branco ou
reciclável letra cor preta, fonte tamanho 12, para texto, e tamanho 10 para:
• Citações longas com recuo de 4 cm a partir da margem esquerda.
• Notas de rodapé.
• Legendas de gráficos, figuras, quadros e tabelas.
• Paginação.
As fontes devem ser Times New Roman ou Arial. As margens devem ser 3 cm superior e
esquerda, 2 cm inferior e direita. A primeira linha do parágrafo com recuo de 2 cm (pode
variar dependendo da instituição) a partir da margem esquerda e citações longas com
recuo de 4 cm a partir da margem esquerda. O espaçamento entre linhas 1,5 para todo
corpo do texto e de 1,0 para:
• Notas de rodapé.
• Citações longas com recuo de 4 cm a partir da margem esquerda.
• Legendas de gráficos, figuras, quadros e tabelas.
• Referências Bibliográficas.
Destaca-se que um espaço de 1,5 separa o texto da citação longa e também separa cada
título das seções e subseções. Devem ser alinhadas à esquerda, mas para cada existe um
tipo de formatação específico. A seção denominada primária deve ser maiúscula e em
negrito, exemplo: INTRODUÇÃO, 2 REFERENCIAL 3 TEÓRICO, 4 METODOLOGIA, 5
RESULTADOS, 6 CONCLUSÃO. Na subseção ou seção secundária, as letras devem ser
maiúsculas, exemplo: 2.2 HISTÓRIA ECONÔMICA BRASILEIRA. Já a seção terciária deve
ser escrita em negrito com a primeira letra maiúscula, exemplo: 2.2.2 História do Para-
ná; 2.2.3 História econômica. É possível que o seu trabalho tenha seção quartenária,
sendo assim a primeira letra será maiúscula, e, na seção quinária, será em itálico, com a
primeira letra maiúscula.
MATERIAL COMPLEMENTAR

Normas e padrões para elaboração de trabalhos acadêmicos


Bruhmer Cesar Forone Canonice
Editora: Eduem
Sinopse: esse material visa apresentar de forma simples e descomplicada
algumas diretrizes básicas para elaboração de trabalhos acadêmicos,
que podem ser aplicados tanto em cursos de graduação quanto de pós
graduação. Essa edição contempla as normas da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT).

Material Complementar
REFERÊNCIAS

ABNT. NBR 6023. informação e documentação: citações em documentos: apresen-


tação. Rio de Janeiro, 2002.
­­­­______. NBR 14724: informação e documentação: trabalhos acadêmicos: apresen-
tação. Rio de Janeiro, 2011.
CANONICE, B. C. F. Normas e padrões para elaboração de trabalhos acadêmicos.
3. ed. Maringá: Eduem, 2013.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Técnica de pesquisa: revisada e ampliada. São Pau-
lo: Atlas 2003.
LIMA, M. C. Monografia: A engenharia da produção acadêmica. 2. ed. São Paulo:
Saraiva, 2008.
OSHITA, M. G. B. et al. Análise das métricas financeiras e não financeiras de desem-
penho organizacional de empresas que desenvolveram projetos de inovação no
âmbito da Lei do Bem (LEI N° 11.196/2005). Revista Conhecimento Contábil. Mos-
soró/RN, v. 4, n. 1, p. 61-74 Jan /Jun. 2017.
PRODANOV, C. C.; FREITAS, E. C. Metodologia do Trabalho Científico: Métodos
e Técnicas da Pesquisa e do Trabalho Acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo: Feevale,
2013.
SILVA, M. A. F. Métodos e técnicas de pesquisa. 2. ed. Rev. Atual: Curitiba: Ibpex,
2003.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 24. ed. São Paulo: Cortez, 2017.

REFERÊNCIAS ONLINE

1 Em: <http://letragorda.blogspot.com.br/2010/11/fluxograma-sobre-etapas-de-
-investigacao.html>. Acesso em: 01 out. 2017.
2 Em: <http://www.redimovel.com.br/nisul/fase11/monog/Unidade%205.pdf>.
Acesso em: 1 out. 2017.
3 Em: <http://sosmonografias.webnode.com.br/news/paper-o-que-e-e-como-fa-
zer/>. Acesso em: 30 set. 2007.
223
GABARITO

1. O projeto de pesquisa deve ser composto por elementos pré-textuais, capa, con-
tracapa e sumário. E por elementos textuais: introdução, revisão da literatura,
metodologia, resultados esperados cronograma, recursos e referências.
2. O resumo crítico ou resenha é um texto redigido com análise crítica de um do-
cumento, isto é, de uma síntese sobre uma obra, sendo essencial o resumo e a
crítica. O resumo informativo informa ao leitor os detalhes sobre o documento
que está sendo resumido, bem como finalidades, metodologia, resultados e con-
clusões, de forma que dispense a consulta ao original. E, por fim, o resumo indi-
cativo deve indicar apenas os pontos principais do documento, sem que sejam
aprofundados os dados qualitativos quantitativos, etc, visto que não dispensa a
consulta ao original.
3. A introdução é composta pela contextualização do tema, problema de pesquisa,
hipóteses, objetivos, justificativas, delimitação do assunto, metodologia resumi-
da, a relevância e/ou contribuições do trabalho e a sua estrutura, bem como o
assunto a ser tratado em a cada capítulo até chegar a conclusão.
4. Alternativa D.
5. Alternativa D.
CONCLUSÃO

Caro(a) aluno(a), neste livro descobrimos que a pesquisa não permite suposições,
deve ser desenvolvida a partir de um conjunto de métodos, que sistematizam o
processo de construção do conhecimento. Logo, conseguimos ver que os funda-
mentos de metodologia proporcionam a visão de todos os aspectos que envolvem
a pesquisa científica.
Aprendemos que, na prática, a atividade de pesquisa é envolta pelo conjunto de
métodos e técnicas necessários para que o problema pesquisado seja planejado
e organizado sistematicamente. Descobrimos que pesquisar envolve procurar res-
postas para determinado problema e que, para isso, há diversas formas de realizar
a pesquisa, e que cada uma apresenta, em suas características, vantagens e desvan-
tagens.
Estudamos que, para desenvolver pesquisa, é necessário pensar no tema a ser pes-
quisado, elaborar um problema, definir um objetivo, delinear os limites e a metodo-
logia utilizada. Para isso, vimos que é necessário realizar o planejamento, que envol-
ve propor, projetar ou esquematizar os itens que compõem a pesquisa científica.
Neste livro, você pode entender sobre a classificação da pesquisa quanto aos enfo-
ques quantitativos, qualitativos e ainda conhecer as vantagens e desvantagens de
ambos os métodos, bem como em quais situações são recomendadas tais perspec-
tivas. Estudamos, também, que em alguns momentos podemos utilizá-los de forma
mista, unindo, ambos os métodos, e que a utilização dependerá do que se busca
pesquisar e dos dados a serem coletados.
Por fim, conhecemos o processo de elaboração do projeto, tipo e estrutura de tra-
balho científico. Vimos que, para que ele tenha validade, deve obedecer a normas e
regras, seguidas de coerência lógica desde o projeto de pesquisa.
Agora que você já aprendeu o contexto da elaboração do projeto, está apto a reali-
zar pesquisas e relatórios na suas vidas acadêmica e profissional.

Você também pode gostar