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DECAMERON

Partes para ler:

o 1 novela da 3 jornada- Jardineiro do convento.


o 5 novela da 4 jornada
o 4 novela da 5 jornada
o última novela da 6 jornada
o 9 Novela da 5 jornada – O falcão
o 5 Novela da 6 jornada
o 10 Novela da 6 Jornada
o 2 Novela da 7 jornada
o 10 Novela da 7 jornada
o 10 novela da 9 jornada
o 10 novela da 10 jornada

Literatura Ocidental: inclui tantos autores europeus e latino-americano

Clássicos: textos incontornáveis para a melhor compreensão de qualquer tipo de literatura


ocidental.

PORQUÊ LER OS CLÁSSICOS:

Italo Caluino

• NEORREALISMO

• PÓS-MODERNISTA

O QUE SÃO OS CLÁSSICOS SEGUNDO ITALO CALUINO?

1. Obra em que a releitura constituí uma experiência de reaprendizagem

2. Livro que nunca deixou de dizer o que intencionava dizer. Obras que transcendem
os tempos, ou seja, são intemporais.

3. Livros que nos chegam trazendo os traços da leitura que nos antecede, deixando
ainda a sua marca.

Após a publicação, a obra deixa de pertencer ao autor, e o leitor tomas as rédeas imprimindo a
sua interpretação.

4. Os clássicos que exercem influencia particular quer quando se impõem como


inesquecíveis, escondendo-se nas sombras e cérvices de memória.

5. Obra que provoca incessantemente uma grande quantidade de discursos críticos


continuamente libertando-se deles.

6. São livros que nos fazem pensar que os conhecemos, mas quanto mais se lê mais
aspetos novos encontramos
7. O teu é aquele que não te pode ser indiferente, e que o serve para te definir.
Demostrando o gosto e aquilo que te distingue dos outros (??????)

8. Obra que se impõe pela sua validade única, oferecendo uma janela para outra realidade
(Conceito de Heidegger, Da Sein - ser lá)

Escrita entre 1348 e 1353, esta obra é considerada como a obra-prima de Giovanni Boccaccio,
constituindo, do ponto de vista estilístico, o mais perfeito exemplo da prosa clássica italiana.

O nome do livro é de origem grega, na tradução - "décimo", ou seja, "Uma coleção de contos
com uma moldura". Tal composição já se tornou uma tradição na literatura, basta lembrar o
oriental "Mil e uma noites", a coleção italiana da fronteira dos séculos XIII e XIV "Novelino".
Boccaccio também se tornou um inovador dessa forma, ao subordiná-la à lei da "vertical
gótica" (do baixo ao alto), posicionando apropriadamente os romances. É a noção de um baixo
e alto autor de "Decameron" que interpretou a partir de posições humanistas, de forma que os
próprios romances e a forma de sua composição adquiriram uma tendência humanística.
Boccaccio desenhou enredos de várias fontes: lendas antigas, recontagens medievais,
romances corteses, fabliaux urbano, mas com mais frequência - anedotas de escritores
contemporâneos e casos reais de vida.

Resumo da obra: A história começa quando sete mulheres e três homens fogem da Peste
Negra que alastra em Florença e se refugiam no campo, onde, durante quinze dias, cada
membro do grupo é rei (ou rainha) por um dia, programando em detalhe as suas atividades.
Aos dez dias correspondentes às dez pessoas, Boccaccio adiciona mais cinco, os quais são
dedicados a considerações e devoções religiosas pessoais, registando-se, ao todo, 100 histórias
ao longo da obra. Para além disso, encontra-se no fim de cada dia uma canção cantada pelos
intervenientes, e estas canções encerram o que de melhor o autor escreveu em poesia lírica.

As narrativas são sistematizadas: primeiro as satíricas, depois as aventureiras com personagens


picarescos, mas geralmente atraentes, e os romances finais sobre a nobreza humana, onde os
personagens são claramente idealizados.

A ideia de "The Decameron" é indicada pela influência de Dante: se você lembrar que na
"Divina Comédia" exatamente cem canções e episódios também são construídos no princípio
da vertical gótica, do baixo ao alto, de dos pecadores "Inferno" aos santos "Paraíso", a
semelhança de ambas as composições torna se óbvia. Sim, e o conceito de paz também era
harmonioso - bem e mal no mundo igualmente, enquanto o mal está por baixo, e o bem
pertence a você, o que em certa medida personificava o próprio futuro. A inovação de
Boccaccio foi que ele transferiu a composição dantesca do espaço exterior apenas para o
terreno, removendo completamente as imagens de demônios e anjos e recusando-se a
representar uma imagem alegórica da vida. A universalidade do "Decameron" é satisfeita
apenas pelo espaço terrestre. O enquadramento da narrativa não afirma imediatamente sobre
os novos princípios humanísticos da representação estética da realidade.
Ao longo da narrativa marcam presença vários sentimentos. Assim, à tristeza da parte inicial da
obra (a Peste Negra e o caos social) sucede-se uma alegria transbordante no Dia I e uma
atmosfera divertida que marca os dias II e III. As histórias de amor infeliz ensombram o Dia IV,
ambiente de certa forma aliviado no Dia V, embora só no Dia VI regresse a alegria que
caracterizou o Dia I, abrindo caminho aos momentos cómicos que abundam nos Dias VII, VIII e
IX. Finalmente, no Dia X, todos os temas tratados anteriormente são levados ao seu clímax.

Vários aspetos justificam o elevado interesse desta obra: por um lado, a inspiração clássica
presente nos prefácios dos dias e das histórias individuais, o domínio da palavra e a narrativa
viva, ritmada e tensa, livre de qualquer peso ornamental; por outro lado, a inovação que
naquela época representou a abordagem da luta do homem perante o seu destino, que o
homem deve aceitar da mesma forma que aceita as suas própria limitações, sem apelar à
intervenção divina - aspetos que influenciariam a literatura italiana dos séculos seguintes.

Destaquem-se, por último, as linhas sensuais, mesmo licenciosas, presentes em alguns passos
da obra Decâmeron, facto que, para além de confirmar o espírito inovador de Boccaccio,
inspirou a crítica moderna.

As suas novelas não deveriam ser longas: razões económicas e do publico

A experiência da peste veio despertar novos interesses, valores e modos de vida. Foi uma
vivência intensa. Assim vamos assistir a um interesse repentino a autores que antes eram
esquecidos.

Materiais de suporte das obras na altura:

Nesta altura as obras não eram escritas em papel. ( O papel só chega á Europa pelas rotas da
seda, transportavam seda e tudo o resto); nem em Papiro (de origem egípcia) pois ficou em
desuso na altura do império romano.

Qual era o suporte? O pergaminho (ganhou este nome por vir da cidade de Pérgamo) feito de
pele de ovelha de 1 ano de idade essencialmente.

Assim as obras reencontradas estavam podres, comidas e estragadas, obrigando á copia de


tudo e esperavam até encontrarem outro exemplar para comparar e "melhorar" o que tinha
sido copiado.

Nesta época em que Boccaccio escreve começa a haver um grande interesse pela cultura
clássica. Ele próprio sente-se seduzido por esta nova maneira de pensar e viver e começa a
escrever de latim obras como:

• De genealogia deorum gentilium: esta obra é uma verdadeira enciclopédia de


mitologia greco-latina para a época. Principal da produção latina de Boccaccio, isto mostra
que ele era um homem do seu tempo que sabia se integrar nesta época humanística.

• Um Levantamento de homens ilustres e mulheres ilustres.

• De motilos não sei que- Um atlas do mundo conhecido: Montanhas fontes rios.

Houve uma total e radical transformação da cultura ocidental a partir/inicio do século 16.
Entre a peste negra e o 348 até 1500 estamos num período humanístico de descoberta da
cultura clássica. A partir de 1500 até o consílio de Trento temos um nascimento do
clássico/renascimento.

Assim Boccaccio que vive neste período, adapta-se aos novos valores culturais.

(A gramática do Decameron - consultar)

O clímax da sua criação, foi Decameron que teve um grande alcance.

Embora tome modelos literários anteriores é uma obra complexa.

Quando ele começa a escrever é a voz de Boccaccio. Ele dedica-se a fazer um relato
pormenorizado sobre a Peste Negra, este relato fica como paradigma/modelo.

Os noivos- troverssi de moiso?

Utiliza a técnica de Boccaccio para descrever a peste.

Depois dá a voz a 10 jovens (não sabemos se existem ou não)

Narrativamente temos dois planos:

Autor-narrador

o Personagens (cada um tem um nome significativo, ex: Pampínea, pampas-longas


extensões de terreno, alguém que tem prazer em estar na natureza, carácter ligeiro e
agradável. O autor deixa pistas sobre os significados, Diuneu: Dionísio, rapaz que vai
propor temas fora da linha, erótico. Fiameta: chamazinha, a que inspira a chama do
amor do autor, temas amorosos.

Por vezes poderá haver um terceiro plano: Algumas das personagens pode escrever um bilhete
e quem lê isso é o remetente, assim temos um terceiro plano.

Nenhuma obra teve um caracter tão complexo em termos narrativos como Decameron,
Boccaccio é o criador do novo conceito de novela, que antes não tinha um estatuto, faz uma
revolução pois o assunto de cada história é a realidade observada, os protagonistas são as
imagens da sociedade, sátira, caricatura. Vai tratar de uma maneira mais objetiva os
mercadores.

Um dos temas: amor espiritual até ao mais carnal/pornográfico.

É a maneira do género humano de acordo com o caracter de cada um lidar com o amor.

Termos literários e contexto social, complexidade narrativa, termos estruturantes são


inovadores para o seu tempo.
Outros temas:

Virtude

Cada um dos 10 personagens principais valoriza as virtudes católicas tradicionais. Isso inclui as
quatro virtudes cardeais, as três virtudes teológicas e também, em algumas teorias, a
concepção grega da pessoa tripartida: prudência, justiça, temperança, fortaleza, fé, esperança,
caridade, razão, espírito e apetite. Todos os 10 personagens incorporam uma dessas virtudes,
que eles trazem consigo para suas interações com os outros, bem como a moral de suas
histórias. Em um momento em que as virtudes morais e éticas foram postas de lado em face
do sofrimento, esses jovens estão tentando reviver sua religião. A população em geral perdeu
a fé na Igreja Católica, mas Boccaccio usa sua caneta para escrever sobre os poucos fiéis que
valorizam a virtude acima da sobrevivência. Eles aceitam com honra suas prováveis mortes e
optam por preservar a dignidade e a fé enquanto isso.

Valores Capitalistas

Boccaccio, escrevendo na Itália do século 14, entende claramente a mudança nos valores
culturais. Enquanto o sistema feudal permitia que as pessoas obedecessem estritamente à
igreja e valorizassem suas próprias vidas em termos espirituais, a emergente metropolitização
da Europa tornou esses valores tradicionais quase impossíveis de preservar como eram antes.
Agora, a indústria e o capitalismo levam as pessoas a serem valorizadas de forma diferente na
sociedade. Agora eles devem ser industriosos, perspicazes, ambiciosos, etc.

Metanarrativa (não sei se é assim em português)

Boccaccio é o mestre da metanarrativa. Ele sobrepõe história após história, entrelaçando


muitos contos antigos. Como artista italiano, ele participa do primeiro modelo traçado por
Dante em sua Divina Comédia. Boccaccio aninha suas histórias em histórias maiores, usando
muito trabalho de seus autores anteriores. Semelhante ao fenômeno do sampleamento no
hip-hop e no rap, ele experimenta contos folclóricos clássicos e similares de vários países para
enriquecer sua própria narrativa. É isso que o torna um mestre da metanarrativa. Ele não
apenas inclui pedras de toque históricas, mas as faz trabalhar para seus próprios fins no livro.
Em vez de copiar e colar uma história literalmente, ele a transforma em algo que se adapta à
sua metanarrativa também. Isso é verdade para todas as 100 histórias.

Cornija: suporte, o Decameron é como um edifício dessa natureza que contém uma cornija.
Narrativa de encaixe, contam-se histórias de 10 personagens. Narrativas encaixadas dentro
de uma narrativa de encaixe.

Como narrador ele conta a narrativa de encaixe. As narrativas encaixadas são contadas
pelas personagens.

(O homem do renascimento não era ateu. Ao sábado e domingo faziam-se pausas, isto porque
não há histórias sobre estes dias.)

Epigrafe: Uma frase/poesia de inspiração


Background de “Decameron”

Boccaccio era um homem de letras da Renascença antes do advento da Renascença. A sua


produção literária demonstra uma versatilidade capaz de se sobressair em quase tantos
gêneros quantos decimais de Dewey para categorizá-los: sua obra se expande para incluir
longos poemas intrincadamente tramados, não-ficção biográfica e romances de romance. E,
claro, contos populares envolvendo romance de natureza mais obscena. Essas são as obras
coletadas que compõem a criação literária mais famosa e mais atacada de Boccaccio, o
Decameron.

Considerando que Boccaccio nasceu em 1313 quando o poder da Igreja Católica na França era
tão forte como sempre foi e tão disposto a enfiar o nariz em áreas onde realmente não
pertencia como jamais seria, o fato de que o Vaticano estava na vanguarda das tentativas de
censurar o extraordinariamente popular Decameron, dificilmente deveria chocar alguém hoje
em dia. Claro, uma pequena ironia deliciosa subjacente ao ataque da Igreja à liberdade de
expressão entra na história na forma de o próprio Boccaccio ser um católico fiel. De que
outra forma o Decameron poderia ter sido tão eficiente em satirizar membros de alto
escalão da hierarquia da Igreja dentro daquelas pequenas histórias obscenas que constituem
o texto? O humor contido no Decameron não divertia, porém, a Igreja.

PERSONAGENS:

Dioneo

O mais inteligente do grupo, Dioneo tem o privilégio de contar uma história sobre o tema que
escolher. Ele recebe subsídios para seu intelecto.

Fiammetta, Filmena, Emlia, Lauretta, Neifile, Elissa

Estas são seis das sete jovens. Extremamente piedosos, procuram encontrar uma maneira
honrosa de aguardar o fim da peste. Mulheres tímidas da classe alta, não confiam em si
mesmas para fazer uma jornada perigosa sozinhas, então, coletivamente, optam por confiar
em três jovens que chegaram à sua igreja recentemente. A história das mulheres é de lealdade
e resiliência.

Pampinea

Ela é a mais velha das meninas. Pampinea lidera o grupo e toma a maioria das decisões. Na
verdade, é ideia dela que eles saiam da igreja. Diante de seu amoroso cuidado pelas outras
garotas em face do grave perigo da peste, ela faz escolhas difíceis que acabam por preservá-las
com segurança.

Panfilo e Filostrato
Essas são as outras duas escoltas. Ambos participam da contação de histórias, além de
sustentar e proteger as meninas. Como cavaleiros ou mosqueteiros da antiguidade, eles levam
sua missão de escolta muito a sério, mas sua piedade só é rivalizada por sua criatividade ao
contar histórias.

DECAMERON- INTRODUÇÃO:
Príncipe galioto é uma personagem dos romances de cavalaria, com que a classes mais
"desocupadas" se entretinham a ler sobre quem protegia a população.

Ciclo arturiano - aventuras do rei Artur - romances e narrativas onde se punha em evidencia os
sentimentos e valores humanos. Este príncipe era uma figura secundária, aparece em poucas
histórias, foi um cavaleiro que toma conhecimento do Lancelote ( o cavaleiro modelo) e vem
como aprendiz e pôs-se ao seu serviço. História de alguém/representa aquela figura de
serviçal, disponibiliza-se para aprender os códigos e cavalaria - fidelidade ao modelo/mestre.

Assim na introdução, Boccaccio busca o Galioto pois como este se pôs ao serviço, este
também se poe ao serviço das damas isoladas por desapontamentos amorosos, ele é que
está em condições para as entender. Uma atitude cavaleiresca, serviço das damas/suas
leitoras. (É esperado um publico feminino e na verdade a obra tem uma grande projeção no
masculino mercantil.)

Boccaccio é alguém que, pelas suas experiências passadas, compreende o sofrimento dos
outros. A sua obra é uma maneira de ajudar os outros. Ele apresenta-se como vítima das
paixões, embora não fosse bem assim.

Com isto estamos a caminhar para uma nova conceção de amor: É expresso através da
conceção de paradoxos, exemplo: fraqueza e dores fortes.

Ele justifica porque que escreve para as mulheres. Porque elas estão sempre em casa
desocupadas e remoem as mágoas - "Fracas mulheres"

(Ele poe entre aspas "novelas" pois não era um termo muito usual)

Destinatário: Quem precisa de consolo, especificamente mulheres.

Começou-se a falar da maneira que o texto era lido. Quem lê Normalmente cada um lê de uma
maneira segundo a bagagem que tem.

HORIZONTE DE ESPECTATIVA: O horizonte/conjunto de pessoas para quem o escritor está a


fazer determinada obra. Nessa introdução não só se introduz o autor mas como para quem ele
escreve: Ele escreve para quem mais precisa, as Damas fechadas em casa, desocupadas a
remoer os seus males de amor enquanto os homens conseguem se distrair dessas coisas.
Nessa introdução já se estabelece o elo/ código de comunicação: emissor, recetor e obra.
Introdução à Primeira Jornada:
Vamos encontrar duas grandes partes:

Primeira Parte: Circunstâncias objetivas que fizeram com que a obra fosse composta. Parte
objetiva, relato mais ou menos histórico.

Segunda Parte: Apresenta um suposto grupo que na consequência dos acontecimentos


relatados na primeira parte tomam a iniciativa de se retirar daquele ambiente, e contando
histórias vão dar origem á obra - É uma parte ficcional.

PRIMEIRA PARTE

1. Primeiro o ambiente da cidade.


2. Depois a sintomologia
3. O modo de transmissão
4. Forma como as pessoas lidavam com a peste.
5. A sua postura e reação, e como cada um procurou resolver a situação.

A primeira parte é bem elaborada, e este texto da introdução á primeira jornada será talvez o
mais trabalhado, até terá sido a parte que ele compôs em ultimo lugar, onde ele está
distanciado da "festa" e pode-se dar ao luxo de fazer uma apresentação do que vai acontecer.

Começa por “Todas as vezes amáveis leitoras", como uma carta, dirige-se ás leitoras, uma
obra que pressupõe da parte do leitor uma determinada sensibilidade. A peste mortal é o
frontispício (capa, título principal) do seu livro.

Chama a atenção aos aspetos negativos da sua Obra (devastações, lágrimas, choros que
podem causar etc..)

"Imaginai uma montanha, cujas escarpas tenham surgido diante dos viajantes; junto dela,
porém, há uma planície tanto mais bela e sedutora quanto maior for o cansaço da subida e da
descida."

Isto é já uma linguagem simbólica, a leitura da sua obra é quase como se fosse um exercício
físico de subir uma montanha, pois o leitor vai gastar energia para concluir a sua Obra. A
introdução é a "Montanha", dificil de subir, mas depois vem a contemplação da paisagem bela
no topo e a descida fácil com novelas simples.

No segundo parágrafo tem a explicação das dificuldades, o tema: Peste (1348) na cidade de
Florença. Ele vai analisar a peste e mostrar a realidade da época.

Curioso é que este texto vive muito de um discurso oral, ás vezes estamos a utilizar sem nos
apercebemos formulas que são apreendidas de outras ??

Grande parte da maneira como a epidemia/peste é aqui escalpelizada é praticamente


aquela que é seguida pelos manuais de medicina da altura, temos um discurso embora
literário, mas que se consegue identificar estratégias e expressões, até a forma como a peste é
explorada, colhidas em obras de medicina.

Numa obra literária busca-se por vezes linguagem que vem de obras que não são literárias. E
mais, esta estratégia utilizada por Bocácio é uma lição que servirá de modelo para escritores
posteriores.
Nesta introdução tudo é bem-apresentado, começando com a descrição da cidade, a proibição
da entrada de todos os doentes dentro da cidade, primeiras formas de higiene e os traços
típicos da época, a fé em deus e a realização de orações e festins em honra de deus. Existia
uma rivalidade entre o "Senso Comum" e o "Iluminismo".

Traço típico da época, na descrição da peste, necessariamente não se sabia a origem da


peste, pensava-se ser um castigo divino assim recorria-se ás orações para pedir proteção e
ajuda divina.

No senso comum devia-se fazer festas, procissões para pedir a tal ajuda divina, o iluminismo
criticava isto, com os aglomerados a peste aparece pior.

Depois vem a sintomologia, os sintomas, como é que a peste se espalhava, no sec.14 não
havia a noção de vírus, mas Boccaccio tinha uma noção objetiva da variante da peste, pois os
sintomas modificavam nas regiões, Os sintomas mais frequentes da peste eram os chamados
"Bubôes" os inchaços e manchas negras, que quando rebentavam, a pessoa perdia muito
sangue e morria como consequência. Quanto ao tratamento da doença não havia receita
médica, as curas eram muito raras, 3 dias depois do aparecimento das manchas a pessoa
estava condenada.

Contacto diário. Às vezes nem era necessário o contacto humano, podia ser o contacto com
qualquer projeto ou roupa dos do infetado. Dá uma descrição desta natureza que cria
náuseas ao leitor, se não visse com os seus próprios olhos não escreveria: maneira de
reforçar a sua credibilidade, o chamado IMPACTO AUTOBIOGRÁFICO em literatura.

• Pacto autobiográfico - Um pacto que o narrador faz com o leitor, pois o autor afirma
pois foi testemunha de algo, então o que ele escreve é verdade. Auto biográfico pois narrador
e autor fundem-se num só, e porque é impossível alguém escrever uma auto biografia se esse
facto não existir.

Na auto biografia o autor deve estabelecer dois pactos com o leitor.

• Pacto referencial - Resultado do pacto autobiográfico. Diz respeito aquilo de que se


está a falar.

"Acreditem em tudo o que eu estou a contar, pois eu sou testemunha e vivi esses
acontecimentos."

Realismo objetivo de Boccaccio resulta destes dois pactos, verificação dos factos e tudo o
que ele conta que viveu.

" Eu próprio sinto alguma repugnância em vos contar pormenorizadamente tantas misérias.."

Cá está, "Eu próprio" : falar do que viu, ser testemunha.


Devido a essa proximidade com a verdade dos factos é que podemos associar e aproximar
toda a descrição com a linguagem do manual de medicina.

A partir do momento em que a doença está apresentada por uma perspetiva médica, passa-se
para a representação da peste de um ponto de vista sociológico.

Vamos tem em seguida as reações da população e como cada um vai reagir à peste. Havia
pânicos, "Fugia-se ao doente e a tudo ao que o cercava". Havia o isolamento, abstenção de
tudo o que fosse supérfluo. Depois a reação oposta, Havia quem vivesse uma vida plena e sem
luxos nenhuns, uma vida simples. Mas também existia quem fosse viver a vida ao máximo,
gastando o que não tinham. Com estas mortes, as casas tornavam-se domínio público. Quando
alguém morria, as pessoas apoderavam-se das casas dos falecidos. Era dito que na altura, a
peste é um sintoma da desordem social, mas a desordem social é também um consequência
da peste, pois não há quem tome conta da cidade, assaltos e mortes.

Começa a título individual como cada pessoa reage, como as relações humanas são afetadas.
Pessoas fogem umas das outras.

Por fim existia a fuga, pessoas que fugiam da cidade em busca de um local que não tivesse sido
afetado pela peste. É referido que só em florença tenham morrido mais de 100mil pessoas.

O ritual da morte deixa de fazer sentido, (funerais e assim)

COMEÇA A SEGUNDA PARTE DA INTRODUÇÃO:


Temos a apresentação do grupo de 10 jovens.

Há uma das raparigas que vai discursar onde ela apresenta a mulher como um ser frágil e
inconsequente, precisa da defesa do masculino, precisa da capacidade de organização e
comando masculino, ela apresenta-nos uma necessidade de se fazerem acompanhar por
alguém que as possa defender.

Todas elas estão em concordância em sair da cidade e procurar um ambiente agradável para
viver o momento longe da cidade.

Chegada dos rapazes, sabe-se que ele tem afinidades com elas e relações amorosas mal
definidas, ao longo da obra vai se denunciando quem são os…???

O autor também apresenta como está organizado este grupo de jovens, há sempre um ou um
que deve ser o rei ou rainha do dia e deve dar as orientações de como tudo deve ser feito no
dia e os detalhes, etc

Algo intressante, a organização do grupo segue as horas do não sei que. Transpor para um
âmbito laico as regras da ordem/ocupações do convento que também é organizado por horas.
(ex. 9 da manha é o pequeno almoço)

Os jovens conspiram para sair de Florença e esperar que a cólera passe em uma das vilas do
campo. O próprio tempo gasto é modelo de uma nova comunicação humanística, de lazer
cultural, abrilhantada pela indiferença dos jovens, que, no entanto, nunca se transforma em
namoro cortês e não prevê uma paixão séria. Novella-Framing permanece estática neste
plano, sua função é abarcar todos os outros romances com os quais se relaciona como o ideal
com o real, o condicional com o concreto. E ainda, a composição interna do romance
emoldurado é o contraste entre o caos como o mais terrível fenômeno da vida e a harmoniosa
personalidade humana, representada por dez narradores.

Estrutura de um conto, centra-se na unidade de espaço, unidade de ação, etc..

Já uma novela pode ter unidade de ação mas não de tempo e de tempo, significando que entre
uma situação e a seguinte há um elemento que vai estabelecer ligação entre elas mas tem
elementos que vão variando???

Nos romances foca-se em várias linhas que confluem no desenlace final.

No seculo 14 a novela estava a nascer, no seculo 18 entende-se que afinal a linha que une as
situações da novela não é sequencial, é uma linha que tem uma estrutura piramidal, porque
há um situação com um acontecimento que chama O MOMENTO EXCITANTE que vem
desencadear a ação e um desenrolar que nos acompanha até um clímax, quando ai
chegamos algo acontece e faz com que os acontecimentos se descontrolem, e temos ação
descendente, mas antes de cair no desenlace pode haver um momento em que parece que
tudo ainda se pode resolver, esse momento é incapaz de correr bem. Dentro da prosa, o
genero que está mais próximo do genero dramático, porque o drama (forma fechada tragedia
clássica) tem esta estrutura.

Esta novela tem partes destas estruturas.

(havia professores que colocavam uma história que não tinha sido lida na aula para ver se os
alunos tinham entendido bem a estrutura e conseguir aplicá-la.)

As novelas começam sempre de uma maneira peculiar, temos considerações iniciais que tem
um aspeto de caracter moral, aqui quem conta a história é o Panfilo, mas ele ( ao estarmos no
sec.14 apesar de haver a peste e uma certa liberdade é preciso cuidado na maneira que se
apresentam as situações ) e portanto na obra de Decameron ele nunca faz um julgamento das
personagens, contar uma historia não é leva-las a um tribunal, ele limita-se a contar a histórica
e por nos em frente aos nossos vícios, o principio da novela é quase como um a linguagem
tirada do âmbito da moralidade para nos abrir os olhos e nos apercebermos então dos aspeto
que é preciso denunciar das nossas fraquezas, depois começa com uma situação inicial, quase
que desfoca a atenção do leitor falando da personagem da primeira novela.

Primeira Novela:
Caracterização de uma personagem (Ciaquelepo). "Ele era o pior homem que já apareceu
sobre a terra..." Ele é o protagonista desta novela. Ele adoece, e durante a novela temos a
perspetiva dos irmãos. Mesmo sabendo que vai morrer, em vez de começar a fazer coisas boas
começa a mentir perante o padre durante uma confissão, onde o padre acredita em tudo o
que ele diz. Este episódio torna-se uma crítica às condições da época. Morre como um santo
mesmo tendo sido uma pessoa horrível em vida.

No 4 paragrafo temos a caracterização da personagem, lado comportamental e mostra-nos


como era verdadeiramente pior personagem que se podia imaginar.
A primeira situação depois da apresentação das personagens é o tal momento excitante que
vai fazer o desenrolar da ação. Temos a necessidade de ele ir para a Borgonha recuperar as
dividas e fica alojado na casa de dois irmãos que lhe emprestavam dinheiro a juros, figuras que
para a época eram socialmente mal vistas, normalmente estigmatizados. Por desgraça,
entramos na linha descendente da história, em que a personagem adoece e ai começa a
questão do o que lhe pode acontecer apresentado na perspetiva dos irmãos, que se
preocupam na visão/imagem que ele vai lhes dar se ele morrer.

Aí dá-se a reviravolta da situação, ora há determinados tipos de ação que chama a atenção do
leitor, o Julgamento, aqui é o episódio da confissão, uma confissão falsa, paródia, do avesso,
ele em vez de se redimir das maldades do seu caracter ele vai contar só mentiras ao Padre que
obedece ao perfil da literatura franciscana: um Padre ingénuo que acredita em tudo o que ele
diz. Paródia.

Ele apresenta-se como a pessoa mais impura que existiu na vida e acaba por morrer, o Padre
faz questão que seja sepultado na igreja, até os irmãos tiram partido disso, sugere-se que se
faça um velório na propria igreja do convento, é uma loucura, estamos no sec1 onde o culto
religioso vivia no contacto direto num objeto pertencente ao divino, culto das relíquias, temos
uma paródia de um individuo que morreu cheio de pecados e foi tudo como santo. O que
acaba por ser uma critica aguda contra o culto pragmático das relíquias.

A população fanática corria para tocar-lhe- culto das relíquias. Conceitos frágeis, era
necessário contar estas cenas de uma maneira bem estruturada e sequencial para não coisar
né.

Os problemas são universais e, ao mesmo tempo, sociais. A primeira narrativa do primeiro dia
começa com as palavras: "As pessoas falam sobre Mushatte Franzesi, como ele se tornou um
cavaleiro de um importante e rico comerciante e teve que recorrer ao apelo da Toscana ao
Papa Bonifácio ..." Diante do leitor, características específicas da época em que os mercadores
reinavam e alcançavam títulos nobres, mas no futuro, não será sobre o rico Franzesi, mas
sobre o pobre notário Shapeleto, o canalha que é a personificação de todas as possíveis
deficiências humanas. Apesar de tudo, Shapeteto não só encontra um patrono da vida da Terra
na pessoa do mais rico mercador Franzesi, mas mesmo depois da morte consegue chegar aos
santos cujas relíquias são adoradas pelos paroquianos. Boccaccio não retrata apenas um
canalha-criminoso, por natureza cruel e malvado, mas também sua hipóstase social: um
advogado, ao longo do tempo devido a terríveis mentiras e confissão de morte - até mesmo
um santo. Boccaccio cria um “retrato no interior social”, mostrando o surgimento de uma
falsa autoridade.

Na imagem de Shapeteto estão delineadas as características do futuro de Tartufo, esta é uma


imagem de uma grande generalização. A sátira de Boccaccio é dirigida contra muitos dos
status do feudalismo: privilégio nobre, violência brutal de governantes, autocracia e
obstinação. A sátira anticlerical no "Decameron" é principalmente dirigida contra o
ascetismo religioso. Boccaccio voluntariamente perdoa os pecados das jovens freiras, que
astuciosamente contornam as proibições monásticas, mas ridiculariza cruelmente os velhos
pecadores hipócritas.

Com muita simpatia, ele retrata episódios de amor terreno, onde sempre une o carnal e o
espiritual, e nunca age apenas como um instinto carnal. Ao início natural, Boccaccio opõe as
leis não naturais da sociedade, o ascetismo da Igreja e as proibições de um personagem
hospedeiro.
Primeira novela da Terceira Jornada
 
Estamos num ambiente de Convento, é esperado uma atmosfera religiosa, virada para
os valores humanos de da caridade.
 
O autor …estamos a viver tempos em que tudo é posto em causar, as pessoas deixam-
se arrastar pela ideia de viver os poucos momentos que nos restam.
 
Normalmente nas historias desta natureza encontra-se a chave de leitura/lição de
moral, pois esta história é contada porque se quer ensinar alguma coisa. Lições que
veem da linha do tema da jornada, as histórias são a ilustração da lição.
 
Histórias que funcionam num ambiente de froixidão de valores, onde a sociedade está
a repensar nas suas atitudes.
Até que ponto os impulsos sexuais se impunham ás normais sociais e congregações das
ordens religiosas.
 
 
Vocação- chamamento

Segunda Novela
 
Amendoeira- a primeira das árvores a florir, prenuncio de bom tempo, começo de um período
favorável. Bela, a flor desta árvore remete para uma situação delicada, neste caso o sigilo de
maceto.
 
Manjerico: Santos populares, S. António: patrono dos namorados/amores. Era utlizado para
simbolizar a fidelidade amorosa,

Apontamentos sobre algumas das novelas:


o Uma das melhores entradas em "O Decameron" é a primeira novela do quarto dia
sobre o Príncipe Tankred de Salerno, que matou o amante de sua filha Gismond e a
presenteou na taça de ouro com o coração da amada. Tankred não era cruel por
natureza, mas ambicioso em questões de honra, não tolerava o fato de sua filha se
apaixonar por um simples servo Guiscardo e descender a uma ligação secreta. O
príncipe Tankred queria envergonhar a filha, mas foi ela quem envergonhou o velho
pai, explicando-lhe que Guiscardo era uma pessoa nobre e digna, pois "a pobreza não
tira a nobreza, apenas a riqueza". E embora Gismond e Guiscardo não fossem iguais
em status social, seu amor era igual. Após a morte de seu amado, Gismond morre de
tristeza na frente de um pai atordoado.

o Também digno de nota é um conto sobre Griselde (décimo romance do décimo dia),
dedicado a exemplos da nobreza humana. Na composição do "Decameron", Griselda
ocupa o mesmo lugar de honra que nos santos do "Paraíso" dantesco que se sentam
no trono da Virgem Maria. Os pesquisadores afirmam que Griselda era uma pessoa
real e os eventos do romance têm algum subsolo real. Boccaccio deu-lhes uma
tendência humanística. O Marquês de Saluzzo submeteu repetidamente a sua esposa a
severas provações, exortando-a a matar a filha recém-nascida e depois o filho, uma
vez que são de origem plebéia. Na verdade, ele não matou seus filhos, mas apenas os
entregou para a educação de seu nobre cunhado. Concluindo, o Marquês propôs um
novo teste: levou Griselda até o pai, anunciando que ia se casar com outra.
Respeitando os talentos de mestre de Griselda, ele ordenou que ela preparasse um
banquete de casamento e esperasse à mesa de casamento. Griselda fez tudo com
resignação e dignidade inerentes apenas às naturezas extraordinárias, e só depois que
o Marquês Saluzzo se desculpou com sua esposa, a devolveu para sua casa e deu os
dois filhos. Desde então, sua vida com sua esposa foi sem nuvens. Neste romance, o
autor contrasta dois tipos de nobreza: a nobreza de origem e a nobreza da alma, a
alteza moral de Griselda sobre o Marquês de Saluzzo é, sem dúvida.

Problemas de todos os níveis da sociedade são abertos em “Decameron”; aqui, o autor faz o
possível para revelar que a humanidade deve viver pelas leis do coração, da honestidade e
do amor.

A narrativa como símbolo

Os pássaros constroem ninhos e as aranhas tecem suas teias. O que os humanos fazem? O
livro explica de maneira muito óbvia o que os humanos fazem: eles jogam e contam histórias.
O jogo que eles decidem jogar é que a cada dia haverá um novo par de rei e rainha. Então, por
dez dias nas duas semanas seguintes, os dez jovens contam uma história por dia, trabalhando
nela durante o dia e contando-a à noite. As histórias são um tanto aleatórias, mas juntas
formam um compêndio dos tipos de histórias que as pessoas contam. Isso completa uma
descrição simbólica completa de contar histórias como a arte da humanidade.

Numerologia

Este livro está absolutamente repleto de numerologia. Entre as 100 histórias, há vários usos
fascinantes da numerologia e do simbolismo, mas o principal uso da numerologia está dentro
da história do quadro, os dez jovens sobrevivendo à peste. Por exemplo, existem sete
donzelas e três homens. O livro tem duração de duas semanas, mas quatro dias são feriados,
e os jovens ficam com os feriados sem contar histórias. Isso significa que dez contadores de
histórias contam dez histórias em duas semanas. Além disso, eles jogam um jogo de namoro
em que duas pessoas serão emparelhadas como rei e rainha, mas a rotação produz casais
aleatórios de 21 pares possíveis. Esses números provavelmente significam algo na alquimia
antiga; esse era um uso muito comum da numerologia naquela época.

O motivo do malandro
As histórias são brilhantes e famosas por sua atitude lúdica. Dentro das histórias de terror de
peste e morte, existem histórias engraçadas. Dentro desses relatos cômicos, surge uma figura
arquetípica comum à literatura e mitologia mundial, chamada de "o malandro". O trapaceiro
pode ser visto como um catalisador, usando engano e partidas para causar uma longa série de
reversões no destino. Suas histórias apresentam suas travessuras e piadas como uma piada
comum em suas festas de conto de histórias tarde da noite.

Que tipo de transformações esta obra retrata?

Boccaccio é o mestre da metanarrativa. Ele sobrepõe história após história, entrelaçando


muitos contos antigos. Como artista italiano, ele participa do primeiro modelo traçado por
Dante em sua Divina Comédia. Boccaccio aninha suas histórias em histórias maiores, usando
muito trabalho de seus autores anteriores. Semelhante ao fenômeno do sampleamento no
hip-hop e no rap, ele experimenta contos folclóricos clássicos e similares de vários países
para enriquecer sua própria narrativa. Isso é o que o torna um mestre da metanarrativa. Ele
não apenas inclui pedras de toque históricas, mas as faz trabalhar para seus próprios fins no
livro. Em vez de copiar e colar uma história literalmente, ele a transforma em algo que se
adapta à sua metanarrativa também. Isso é verdade para todas as 100 histórias.

Ao longo do Decameron, a ética mercantil prevalece e predomina. Os valores comerciais e


urbanos de raciocínio rápido, sofisticação e inteligência são valorizados, enquanto os vícios
da estupidez e da estupidez são curados ou punidos. Embora esses traços e valores possam
parecer óbvios para o leitor moderno, eles foram uma característica emergente na Europa
com o surgimento de centros urbanos e um sistema econômico monetizado além dos
sistemas tradicionais feudais e mosteiros rurais que valorizavam a piedade e a lealdade.

Além da unidade fornecida pela narrativa do quadro, o Decameron fornece uma unidade na
perspectiva filosófica. Em toda parte, o tema medieval comum de Lady Fortune, e quão
rapidamente alguém pode subir e descer por meio das influências externas da "Roda da
Fortuna". Boccaccio fora educado na tradição da Divina Comédia de Dante, que usava vários
níveis de alegoria para mostrar as conexões entre os eventos literais da história e a
mensagem cristã. No entanto, o Decameron usa o modelo de Dante não para educar o leitor,
mas para satirizar esse método de aprendizagem. A Igreja Católica Romana, os padres e as
crenças religiosas tornam-se a fonte satírica da comédia. Isso foi parte de uma tendência
histórica mais ampla após a Peste Negra, que viu um descontentamento generalizado com a
igreja.

Muitos detalhes do Decameron são infundidos com um senso medieval de significado


numerológico e místico. [9] Por exemplo, é amplamente aceito que as sete jovens devem
representar as Quatro Virtudes Cardeais (Prudência, Justiça, Temperança e Fortitude) e as
Três Virtudes Teológicas (Fé, Esperança e Caridade). Além disso, supõe-se que os três
homens representam a divisão tripartida clássica grega da alma (Razão, Espírito e Apetite,
ver Livro IV da República). O próprio Boccaccio observa que os nomes que dá a esses dez
personagens são, na verdade, pseudônimos escolhidos como "adequados às qualidades de
cada um". Os nomes italianos das sete mulheres, na mesma ordem (provavelmente
significativa) dada no texto, são Pampinea, Fiammetta, Filomena, Emilia, Lauretta, Neifile e
Elissa. Os homens, na ordem, são Panfilo, Filostrato e Dioneo.

Boccaccio focou na naturalidade do sexo combinando e entrelaçando experiências sexuais


com a natureza.
Algumas quotes?

“To have compassion for those who suffer is a human quality which everyone should possess,
especially those who have required comfort themselves in the past and have managed to find
it in others.”

Este trecho demonstra o sabor da moral dos 10 jovens. Eles querem preservar a compaixão,
entre outras virtudes, como a igreja os preservou por séculos já. Boccaccio usa seus
personagens principais para ensinar valores tradicionais sobre a bondade e a humanidade
comum. Essa moral particular pode ser explicada na ideia da Regra de Ouro sobre
reciprocidade.

"A boca beijada não perde a fortuna, pelo contrário, se renova como a lua."

Embora muitas das mulheres na festa pareçam confortadas por ter os homens com elas,
algumas parecem preocupadas com a preservação de sua pureza sexual. Isso não quer dizer
que temessem qualquer violência, mas sim que se sentiam incomodados com o sexo oposto
por falta de experiência. Essas mulheres devotaram suas vidas ao serviço da igreja
anteriormente. Uma das histórias aborda essa mesma preocupação entre o grupo, dissipando
quaisquer associações negativas com a sexualidade.

"Nada menos esplêndido do que um sepulcro dourado caberia a um coração tão nobre."

As mini-histórias de Boccaccio são explorações de heróis e heroínas. Os personagens


costumam ser pilares da virtude, como os cavaleiros da época medieval. Participando dos
movimentos culturais de sua época, Boccaccio opta por focar em histórias que se
assemelham à jornada ou busca do herói. Ele quer ilustrar como uma vida individual possui
significado e potencial.

"O erudito, tão sábio quanto cheio de cólera, sabendo que as ameaças só servem como armas
para a pessoa assim ameaçada, guardou todo o seu ressentimento dentro do próprio peito..."

Cada um dos 10 jovens possui um conjunto único de dons. Dioneo, o estudioso, entende que
não precisa competir com seus semelhantes. Em vez disso, ele opta por aprimorar sua
habilidade para o benefício de todo o grupo. Da mesma forma, cada um dos outros
personagens empreende sua própria transformação para um bem maior. Eles agora vivem em
um coletivo, unidos por um propósito comum.

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