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Sexta-feira, 7 de Maio de 2010 I Série

Número 17

BOLETIM OFICIAL
SUPLEMENTO
SUMÁRIO

CONSELHO DE MINISTROS:

Decreto-Legislativo nº 2/2010:

Revê as Bases do Sistema Educativo, aprovadas pela Lei nº 103/III/90,


de 29 de Dezembro, na redacção dada pela Lei nº 113/V/99, de
18 de Outubro.

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CONSELHO DE MINISTROS equidade e da sustentabilidade financeira deste subsis-


tema de ensino, necessariamente, implicará não só um
–––––– redesenho da estrutura de ciclos de ensino e da respectiva
Decreto-Legislativo nº 2/2010 matriz curricular, como também a adequação do regime
de docência, a relevar em sede legislativa própria.
de 7 de Maio
Preconiza ainda o presente diploma a possibilidade de
A actual Lei que aprovou as Bases do Sistema Educa- ser alargada, gradativamente, a escolaridade obrigatória
tivo data de 1990 (Lei nº 103/III/90 de 29 de Dezembro), até o 12º Ano, consoante forem sendo criadas as bases de
tendo sido revista pela Lei n.º 113/V/99, de 18 de Outubro sustentabilidade, mediante condições a determinar por
que, no essencial, introduziu os normativos atinentes à Resolução do Conselho de Ministros.
regulamentação do ensino superior em Cabo Verde.
Com efeito, prevê-se que o novo modelo de ensino básico
Apesar de ter representado até aqui um quadro regu-
compreenda três ciclos sequenciais, sendo primeiro de
lador importante do sistema de ensino em Cabo Verde,
quatro anos e o segundo e o terceiro de dois anos cada,
contribuindo para a democratização do seu acesso e
em articulação sequencial progressiva, conferindo-se a
alargada frequência, é ponto assente que, hoje, o cresci-
cada ciclo a função de completar, aprofundar e alargar
mento extraordinário e actual das demandas exige que
o ciclo anterior, numa perspectiva de unidade global do
se adeqúe a regulação do sector em vista do reforço da
ensino básico.
capacidade e a qualidade de resposta do sistema edu-
cativo, face aos desafios do desenvolvimento do País e Por outro lado, decorrente dos reflexos imediatos da
das perspectivas do futuro, num quadro estrutural mais opção e medida do alargamento do ensino básico, recor-
amplo da estratégia de transformação de Cabo Verde, ta-se neste diploma uma nova formatação curricular do
em que a qualificação do capital humano constitui um subsistema de ensino secundário.
recurso fundamental.
Assim, o ensino secundário, que passará a ser de quatro
Efectivamente, o Governo pretende introduzir um novo anos, compreenderá dois ciclos de dois anos cada, prevendo
quadro de reforma no sistema educativo, tendo em vista que o 1º ciclo abarque o 9º e o 10º Anos de escolaridade
dar respostas adequadas aos desafios globais da socieda- – com uma via geral, que constitui um ciclo de consoli-
de cabo-verdiana, traduzidas em ganhos substâncias para dação do ensino básico e de orientação vocacional – e o 2º
o funcionamento e a modernização do Sistema Educativo ciclo, abrangendo o 11º e o 12º Anos de escolaridade, com
a nível nacional, com necessária adaptação estrutural uma via geral e uma via técnica profissionalizante.
qualificativa em todos os subsistemas e níveis de ensino
e de formação profissional. Deste modo, aos alunos que tenham completado o 12º
Ano de escolaridade deverá ainda ser assegurada a pos-
Entre as principais novações, destaca-se, como se sibilidade de frequência de mais um ano complementar
prevê no presente diploma, a necessidade da revisão de formação, de especialização em determinada área de
curricular, o incremento da introdução de tecnologias actividade profissional.
de informação e comunicação, a qualificação do corpo
docente, uma maior intervenção dos agentes locais no Com efeito, decorrente dos reflexos imediatos das opções
âmbito do alargamento da descentralização de poderes, curriculares recorta-se neste diploma uma nova formatação
uma maior conexão do sistema educativo face à expansão curricular do subsistema de ensino secundário.
da universalidade do ensino e da educação, buscando
sempre o reforço da solidariedade social e a qualidade do De resto, com este novo modelo do ensino secundário,
ensino superior, enquanto factores de desenvolvimento e implicando adaptação de novas matrizes curriculares
de inserção competitiva do país no mercado mundial. específicas, criam-se igualmente condições adequadas
ao estabelecimento de um quadro favorecedor da imple-
Desde logo, atento aos objectivos plasmados no Progra- mentação articulada da formação complementar profis-
ma de Governo para a presente VII Legislatura, nesta sionalizante, na linha do reforço da integração entre o
revisão da lei de Bases do Sistema Educativo salienta-se a sistema educativo e o sistema de formação profissional,
necessidade de regulação mais apropriada do subsistema proporcionando uma rápida transição dos jovens da es-
de ensino pré-escolar, privilegiando o desenvolvimento de cola para o mundo do trabalho.
uma política integrada com vista a ampliar as condições
para a generalização da educação pré-escolar, ao mesmo No que tange ao ensino superior, também pretende-
tempo que se clarifica o papel do Governo, sobretudo se introduzir importantes novações, promovendo novos
no que tange, de um lado, às medidas de coordenação, padrões de qualidade, designadamente quanto aos objec-
de orientação pedagógica e de formação do pessoal con- tivos e à redefinição do regime dos estabelecimentos de
cernentes e, de outro lado, quanto à determinação dos ensino, bem como em relação ao regime de acesso e ao
objectivos gerais e diversos dispositivos para a educação alargamento de graus académicos e diplomas correspon-
das crianças antes da escolaridade obrigatória. dentes, incluindo a fase pós-doutoramento.

O alargamento da escolaridade obrigatória para oito Nesta revisão, opta-se ainda pela eliminação do grau
anos é das principais medidas de fundo que se pretende académico de bacharelato, assim como o grau de ensino
implementar com este diploma. O novo modelo, que se médio do sistema educativo formal, atento à dimensão
preconiza sob o signo da universalidade de acesso, assen- actual da oferta formativa do mercado, em que institui-
ta-se na observância dos parâmetros da qualidade, da ções privadas se pontificam.

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Por outro lado, atribui-se aos estabelecimentos do Ainda no âmbito do subsistema da educação extra-esco-
ensino superior a faculdade de organizarem cursos de lar, prevê-se a instituição de mecanismos de articulação
formação pós-secundária, que não conferem graus aca- interdepartamental, visando a coordenação das acções e
démicos, mas de natureza profissionalizante, cursos aos do planeamento das actividades de educação básica de
quais se poderá conferir diploma de Estudos Superiores adultos e de formação profissional.
Profissionais, creditáveis, em determinadas condições,
Conforme acima ficou assinalado, nesta revisão pre-
para o prosseguimento de cursos superiores com grau
tende-se dar especial atenção à qualificação do pessoal
de licenciatura.
docente, que constitui um recurso fundamental para o
Ainda, a nível do ensino superior, redefine-se o sistema sucesso dos objectivos traçados nos diversos subsistemas
de seu financiamento e do respectivo controlo, designa- do sistema de ensino em Cabo Verde.
damente prevendo que possam ser subsidiados pelo Es- Consequentemente, neste particular, propugna-se que
tado, incluindo instituições privadas do ensino superior, em todos os subsistemas do ensino, incluindo no pré-es-
guiado pelos princípios: a) da comparticipação financeira colar, os docentes tenham formação qualificada, obtida
do Estado; b) da co-gestão; c) da universalidade; d) da em estabelecimento de ensino superior que confira ou
socialização dos custos; e) da não exclusão; f) da equidade; não graus académicos superiores, sendo proporcionada
g) da autonomia; e h) da sustentabilidade. a formação em exercício, nos termos em que tem vindo a
Por isso mesmo, se prevê a implementação de um siste- acontecer, até aqui, com determinadas classes do pessoal
ma de controlo de qualidade do ensino superior no País, docente.
através de adopção de medidas de política adequadas Assim, prevê-se a flexibilização do regime do pessoal
bem como da instituição de um serviço competente na docente dos diversos subsistemas do ensino que exerçam
Orgânica do departamento governamental da área do actividade nos estabelecimentos de ensino público, parti-
Ensino Superior para a regulação, acreditação e avaliação cularizando as especificidades do ensino superior.
das instituições do ensino superior em Cabo Verde.
Evidentemente, disso tudo já resulta a necessidade
Pretende-se com esta autorização legislativa a har- de adequação do regime estatutário do pessoal docente
monização do novo regime do ensino superior em Cabo e necessidade de sua nova regulamentação, quanto mais
Verde com o chamado “modelo de Bolonha”, bem como não seja, no quadro da nova filosofia do regime geral da
o enquadramento do sistema do ensino superior resul- Função Pública.
tante da criação da Universidade de Cabo Verde, por
forma a aproximar o sistema educativo cabo-verdiano Outrossim, em ordem a favorecer a participação das
aos patamares almejados e em experimentação a nível várias forças sociais, culturais e económicas na procura
internacional, designadamente na Europa, por forma a, de consensos alargados em relação à política de ensino, o
designadamente, assegurar as vantagens da mobilidade presente diploma institui o Conselho Nacional de Ensino,
e do sistema de créditos para efeito das equivalências de com funções consultivas, sem prejuízo de competências
formação e qualificação a nível internacional, de modo próprias dos órgãos de soberania.
mais abrangente possível. Também, neste diploma, dá-se especial ênfase à política
Outrossim, com realce para a integração escolar efectiva de afirmação da língua nacional cabo-verdiana, enquanto
das crianças e jovens com necessidades educativas especiais língua materna e património cultural da cabo-verdiani-
(NEE), a presente revisão da LBSE propugna também dade, visando o aprofundamento do conhecimento e da
o fortalecimento da educação especial, implicando uma afirmação da escrita da língua nacional cabo-verdiana,
nova abordagem metodológica de ensino e aprendizagem enquanto primeira língua de comunicação oral.
específicas, quer em relação aos educandos portadores de Diversos aspectos de regulamentação são diferidos à
deficiência quer quanto aos educandos sobredotados. regulação por diploma especial do Governo, designada-
Incidindo também sobre o regime da educação extra- mente através de diplomas regulamentares.
escolar, o presente diploma preconiza o incremento da Assim, tendo sido ouvidos os Sindicatos dos professores
generalização de segundas oportunidades educativas e as instituições do ensino superior,
(o ensino recorrente à distância, educação/formação de
adultos), quer enquanto modalidade especial de ensino Ao abrigo da autorização legislativa concedida pela Lei
que permite ampliar a oferta de oportunidades de cursos nº 54/VII/2010, de 8 de Março,
socioprofissionais, quer como fenómeno de capacitação No uso da faculdade conferida pela alínea b) do número 2 do
de jovens e adultos para o exercício de uma profissão e a artigo 203º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:
luta contra a pobreza e exclusão social, massificando a
utilização das novas tecnologias de informação e comu- CAPÍTULO I
nicação disponíveis. Disposições gerais
Clarificam-se, assim, neste subsistema, as modalidades Artigo 1º
de implementação da formação presencial e à distância, Objecto
com dois níveis e três fases de ensino adaptados, bem
como a sua organização autónoma em relação ao subsis- O presente diploma define as Bases do Sistema Edu-
tema formal e obrigatório equivalente, do ensino básico, cativo, enunciando os princípios fundamentais da orga-
visando, em geral, dinâmicas de cidadania activa e de nização e funcionamento do sistema educativo, nele se
formação para o emprego. incluindo o ensino público e o particular e cooperativo.

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Artigo 2º CAPÍTULO II
Âmbito do sistema educativo Objectivos e princípios gerais
do sistema educativo
O sistema educativo abrange o conjunto das instituições
de educação que funcionem sob a dependência do Estado Artigo 5°
ou sob sua supervisão, assim como as iniciativas educa- Objectivos e princípios gerais
cionais levadas a efeito por outras entidades. 1. A educação visa a formação integral do indivíduo.
Artigo 3º 2. A formação obtida por meio da educação deve ligar-se estrei-
Competência tamente ao trabalho, de molde a proporcionar a aquisição
de conhecimentos, qualificações, valores e comportamentos
1. A coordenação e supervisão da política educativa e do que possibilitem ao cidadão integrar-se na comunidade e
funcionamento do respectivo sistema são da competência contribuir para o seu constante progresso.
dos departamentos governamentais responsáveis pelas
3. No quadro da acção educativa, a eliminação do anal-
áreas da Educação e do Ensino Superior.
fabetismo é tarefa fundamental.
2. Cabe aos departamentos governamentais respon- 4. A educação deve contribuir para salvaguardar a
sáveis pelas áreas da Educação e do Ensino Superior, identidade cultural, como suporte da consciência e digni-
conforme o caso, assegurar que todas as instituições edu- dade nacionais e factor estimulante do desenvolvimento
cativas observam as disposições relativas aos princípios, harmonioso da sociedade.
estrutura, objectivos e programas em vigor no ensino
Artigo 6°
público, particular e cooperativo e aos demais programas
de índole especializada, competindo-lhe ainda definir as Livre acesso ao sistema educativo
condições de validação dos respectivos diplomas para O sistema educativo dirige-se a todos os indivíduos
efeito de obtenção de equivalência. independentemente da idade, sexo, nível socioeconómi-
Artigo 4° co, intelectual ou cultural, crença religiosa ou convicção
filosófica de cada um.
Direitos e deveres no âmbito da educação
Artigo 7°
1. Todo o cidadão tem o direito e o dever da educação. Educação e projecto nacional de desenvolvimento

2. A família, as comunidades e as autarquias locais O sistema educativo e as suas estruturas devem favore-
têm o direito e o dever de participar nas diversas acções cer a realização do projecto nacional de desenvolvimento
de promoção e realização da educação. cultural, económico e social, mediante uma articulação
estreita com as instituições e os agentes intervenientes ao
3. O Estado, através dos seus órgãos competentes, di- nível das colectividades e autarquias locais e dos diversos
namiza por diversas formas a participação dos cidadãos sectores da vida nacional.
e suas organizações na concretização dos objectivos da Artigo 8°
Educação.
Funcionalidade da educação
4. O Estado promove progressivamente a igual possibi- O processo educativo integra a formação teórica e a
lidade de acesso de todos os cidadãos aos diversos graus formação prática, contribuindo em geral para o desen-
de ensino e a igualdade de oportunidades no sucesso volvimento global e harmónico do país e, em particular,
escolar. para o desenvolvimento da economia, do bem-estar das
populações e para a realização pessoal do cidadão.
5. O Estado cria dispositivos de acesso e de frequên-
cia dos diversos graus de ensino em função dos meios Artigo 9°
disponíveis. Educação e identidade cultural

6. Em ordem a assegurar as condições necessárias à 1. A educação deve basear-se nos valores, necessidades
fruição dos direitos e ao desempenho dos deveres dos e aspirações colectivas e individuais e ligar-se à comuni-
cidadãos em matéria educativa, o Estado deve velar dade, associando ao processo educativo os aspectos mais
pelo desenvolvimento e aperfeiçoamento do sistema relevantes da vida e da cultura cabo-verdiana.
público de educação, com prioridade para a escolaridade 2. Com o objectivo de reforçar a identidade cultural
obrigatória. e de integrar os indivíduos na colectividade em desen-
volvimento, o sistema educativo deve valorizar a língua
7. O ensino particular e cooperativo observa o dis-
materna, como manifestação privilegiada da cultura.
posto na presente lei quanto aos princípios, estrutura e
objectivos da educação, sem prejuízo da prossecução de Artigo 10°
finalidades específicas e de modalidades de organização Objectivos da política educativa
que lhe sejam legalmente autorizadas. 1. São objectivos da política educativa:
8. Um subsistema de educação extra-escolar promove a) Promover o aprimoramento do processo de
a elevação do nível escolar e cultural de jovens e adultos ensino e aprendizagem, tendo em vista a
numa perspectiva de educação permanente e formação formação integral e permanente do indivíduo,
profissional. numa perspectiva universalista;

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b) Contribuir para a formação cívica do indivíduo, d) Estreitar as ligações do ensino e da


designadamente através da integração e aprendizagem com o trabalho, favorecendo
promoção dos valores democráticos, éticos a assimilação consciente dos conhecimentos
e humanistas no processo educativo, numa científicos e técnicos necessários ao processo
perspectiva crítica e reflexiva; global do desenvolvimento do país;
c) Desenvolver uma acção educativa que promova atitudes e) Incentivar o espírito criativo e a adaptação
positivas em relação ao trabalho, à produtividade e à às mutações da sociedade, da ciência e da
inovação nas actividades económicas, como factores de tecnologia no mundo moderno;
progresso e bem-estar;
f) Promover o espírito de compreensão,
d) Imprimir à educação e formação valências solidariedade e paz internacionais.
científica e técnica que permitam a CAPÍTULO III
participação do indivíduo, através do trabalho,
no desenvolvimento socio-económico do país; Organização do sistema educativo
Secção I
e) Promover a investigação, a criatividade e a inovação
com vista à elevação do nível de conhecimento e Estrutura, obrigatoriedade e definição curricular
de qualificação dos cidadãos, enquanto factores de Artigo 12º
desenvolvimento nacional; Estrutura
f) Preparar o educando para uma constante 1. O sistema educativo compreende os subsistemas da
reflexão sobre os valores espirituais, estéticos, educação pré-escolar, da educação escolar e da educação
morais e cívicos e proporcionar-lhe um extra-escolar, complementados por actividades de despor-
equilibrado desenvolvimento físico; to escolar e os apoios e complementos socioeducativos,
g) Reforçar a consciência e a unidade nacionais; numa perspectiva de integração.
h) Aprofundar o conhecimento e a afirmação da 2. A educação pré-escolar visa uma formação comple-
escrita da língua nacional cabo-verdiana, mentar ou supletiva das responsabilidades educativas
enquanto primeira língua de comunicação da família.
oral, visando sua utilização oficial a par da 3. A educação escolar abrange os subsistemas do ensino
língua portuguesa; básico, secundário e superior, bem como modalidades
i) Estimular a preservação e reafirmação dos especiais de ensino, e inclui ainda as actividades de
valores culturais e do património nacional; ocupação de tempos livres.
j) Contribuir para o conhecimento e o respeito 4. A educação extra-escolar engloba as actividades
dos direitos humanos e desenvolver o sentido de alfabetização, de pós-alfabetização, de formação
e o espírito de tolerância e solidariedade; profissional e ainda do sistema geral de aprendizagem,
articulando-se com a educação escolar.
k) Fomentar a participação das populações na
actividade educativa e na gestão democrática 5. O sistema educativo integra ainda a componente de
do ensino. formação técnico-profissional e articula-se estreitamente
como o sistema nacional de formação e aprendizagem
2. Os objectivos da política educativa entendem-se, ade- profissional.
quam-se e executam-se de harmonia com as linhas orien-
Artigo 13º
tadoras da estratégia de desenvolvimento nacional.
Obrigatoriedade
Artigo 11º
Processo educativo 1. O Estado garante a educação obrigatória e universal
até ao 10º ano de escolaridade.
1. A escola cabo-verdiana deve ser um centro educa-
tivo capaz de proporcionar o desenvolvimento integral 2. O Estado promove a criação de condições para alargar
do educando, em ordem a fazer dele um cidadão apto a a escolaridade obrigatória até o 12º ano de Escolaridade.
intervir criativamente na elevação do nível de vida da Artigo 14º
sociedade. Gratuitidade
2. São tarefas fundamentais da escola e do processo 1. O ensino básico é universal, obrigatório e gratuito,
educativo que nela se desenvolve: com duração de 8 anos.
a) Proporcionar à geração mais jovem a consciência 2. As condições da gratuitidade prevista neste artigo
crítica das realidades nacionais; são fixadas por Decreto-Lei.
b) Desenvolver e reforçar em cada indivíduo o Artigo 15º
sentido patriótico e a dedicação a todas as Currículo
causas de interesse nacional;
1. Para efeitos do presente diploma, entende-se por
c) Desenvolver o apreço pelos valores culturais currículo nacional, o conjunto das aprendizagens a de-
e nacionais e o sentido da sua actualização senvolver pelos alunos que frequentem o sistema e os
permanente; subsistemas educativos referidos no artigo 12.º

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2. O currículo nacional concretiza-se através da defi- Secção III


nição de planos de estudo elaborados com base em ma- Educação escolar
térias curriculares, nos termos aprovados por diploma
Subsecção I
regulamentar.
Ensino Básico
Secção II
Artigo 19º
Educação pré-escolar
Caracterização
Artigo 16º
1. O ensino básico deve proporcionar a todos os cabo-
Caracterização e âmbito verdianos uma formação geral que, mediante a ligação
equilibrada entre a teoria e a prática, o saber, o saber ser
1. A educação pré-escolar enquadra-se nos objectivos de
e o saber fazer, a cultura escolar e a cultura geral, lhes
protecção da infância e consubstancia-se num conjunto
permitam desenvolver capacidades de raciocínio e apren-
de acções articuladas com a família, visando, por um
dizagem, espírito crítico e criatividade, contribuindo para
lado, o desenvolvimento da criança e, por outro, a sua
a sua realização pessoal e social, enquanto cidadãos.
preparação para o ingresso no sistema escolar.
2. O ensino básico constitui um ciclo único e autónomo,
2. A educação pré-escolar é de frequência facultativa e nos termos do presente diploma.
destina-se às crianças com idades compreendidas entre
os 4 anos e a idade de ingresso no ensino básico. 3. O ensino básico postula a integração do indivíduo
na comunidade.
3. Na medida das suas possibilidades financeiras, o Artigo 20º
Estado adopta medidas de incentivo e apoio que permi-
Ingresso
tam a todas as crianças ingressar no ensino básico após
frequentarem a educação pré-escolar. 1. Ingressam no ensino básico as crianças que comple-
Artigo 17º
tem 6 anos de idade até 31 de Dezembro.

Objectivos 2. A obrigatoriedade de frequência do ensino básico


termina em idade a fixar, por diploma próprio emanado
São objectivos essenciais da educação pré-escolar: do Governo.
a) Apoiar o desenvolvimento equilibrado das Artigo 21º
potencialidades da criança; Encargos de frequência

b) Possibilitar à criança a observação e a Os encargos de frequência do ensino básico são supor-


compreensão do meio que a cerca; tados pelo Estado, bem como pelas famílias, nos termos
do disposto no nº 3 do artigo 78º deste diploma.
c) Contribuir para a estabilidade e segurança
Artigo 22º
afectiva da criança;
Objectivos
d) Facilitar o processo de socialização da criança;
São objectivos do ensino básico:
e) Promover a aprendizagem das línguas oficiais a) Favorecer a aquisição de conhecimentos, hábitos,
e, de pelo menos, a uma língua estrangeira; atitudes e habilidades que contribuam para o
f) Favorecer a revelação de características desenvolvimento pessoal e para a inserção do
específicas da criança e garantir uma eficiente indivíduo na comunidade;
orientação das suas capacidades. b) Desenvolver capacidades de imaginação, observação,
Artigo 18º reflexão, como meios de afirmação pessoal;
Organização c) Fomentar a aquisição de conhecimentos que
contribuam para a compreensão e preservação
1. A rede de educação pré-escolar é essencialmente da do meio circundante;
iniciativa das autarquias locais e de instituições oficiais,
bem como de entidades de direito privado constituídas d) Fortalecer os vínculos de família, os laços
sob forma comercial ou cooperativa, cabendo ao Estado de solidariedade humana e de tolerância
fomentar e apoiar tais iniciativas, de acordo com as recíproca em que se assenta a vida social;
possibilidades existentes, podendo assumir o funciona- e) Desenvolver atitudes positivas em relação às
mento de jardins em zonas onde a iniciativa privada não questões ambientais;
se verifica.
f) Despertar o interesse pelos ofícios e profissões;
2. A educação pré-escolar faz-se em jardins-de-infância
g) Desenvolver atitudes, hábitos e valores de
ou em instituições análogas oficialmente reconhecidas.
natureza ética;
3. Cabe ao Governo definir em diploma próprio as nor- h) Promover o domínio da língua portuguesa como
mas gerais da educação pré-escolar, nomeadamente nos instrumento de comunicação e de estudo,
seus aspectos pedagógicos e técnicos, apoiar e fiscalizar reforçando a capacidade de expressão oral e
o seu cumprimento e aplicação. escrita dos educandos;

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i) Proporcionar a aprendizagem de uma língua 4. Em escolas especializadas do ensino básico podem


estrangeira e a iniciação facultativa de uma ser reforçadas componentes de ensino artístico ou de
segunda, nas escolas que reúnam condições educação física e desportiva, sem prejuízo da formação
para o efeito; básica.
j) Promover o conhecimento, apreço e respeito pelos 5. Os planos curriculares do ensino básico integram
valores que consubstanciam a identidade áreas curriculares disciplinares e não disciplinares, em
cultural cabo-verdiana. termos a estabelecer por diploma regulamentar.
Artigo 23º
6. A conclusão com aproveitamento do ensino básico
Organização confere o direito à atribuição de um diploma, devendo
1. O ensino básico tem a duração de oito anos e compre- igualmente ser certificado o aproveitamento de qualquer
ende três ciclos sequenciais, sendo o 1º de quatro anos, o 2º ano ou ciclo, quando solicitado.
e o 3º de dois anos cada, organizados da seguinte forma: Subsecção II
a) No 1º ciclo, o ensino é globalizante, da Ensino secundário
responsabilidade de um professor único, que
Artigo 24º
pode ser coadjuvado em áreas especializadas;
Caracterização
b) No 2º ciclo, o ensino organiza-se por áreas
interdisciplinares de formação básica e 1. O ensino secundário dá continuidade ao ensino bá-
desenvolve-se predominantemente em regime sico e permite o desenvolvimento dos conhecimentos e
de docente por área; aptidões obtidos no ciclo de estudos precedente e a aqui-
c) No 3º ciclo, o ensino organiza-se segundo um sição de novas capacidades intelectuais e aptidões físicas
plano curricular unificado, integrando áreas necessárias à intervenção criativa na sociedade.
vocacionais diversificadas, e desenvolve-se 2. O ensino secundário visa possibilitar a aquisição
em regime de um docente por disciplina ou das bases científico-tecnológicas e culturais necessárias
grupo de disciplinas. ao prosseguimento de estudos e ingresso na vida activa
2. A articulação entre os ciclos obedece a uma sequen- e, em particular permite, pelas vias técnicas, artísticas
cialidade progressiva, conferindo a cada ciclo a função de e profissionais, a aquisição de qualificações profissionais
completar, aprofundar e alargar o ciclo anterior, numa para inserção no mercado de trabalho.
perspectiva de unidade global do ensino básico. 3. De acordo com as capacidades de acolhimento exis-
3. Os objectivos específicos de cada ciclo integram-se tentes, as exigências da qualidade do ensino a ministrar e
nos objectivos gerais do ensino básico, nos termos dos as necessidades de desenvolvimento do país, são definidas
números anteriores e de acordo com o desenvolvimento as condições de acesso e permanência nos diversos níveis
etário correspondente, tendo em atenção as seguintes do ensino secundário.
particularidades: Artigo 25º
a) Para o 1º ciclo, o desenvolvimento da linguagem Objectivos
oral e a iniciação e progressivo domínio da
leitura e da escrita, das noções essenciais da São objectivos do ensino secundário:
aritmética e do cálculo, do meio físico e social a) Desenvolver a capacidade de análise e despertar
e das expressões plástica, dramática, musical o espírito de pesquisa e de investigação;
e motora;
b) Propiciar a aquisição de conhecimento com base
b) Para o 2º ciclo, a formação humanística,
na cultura humanística, científica e técnica
artística, física e desportiva, científica e
visando nomeadamente, a sua ligação com a
tecnológica e a educação moral e cívica,
vida activa;
visando habilitar os alunos a assimilar
e interpretar crítica e criativamente a c) Promover o domínio da escrita da língua
informação, de modo a possibilitar a materna cabo-verdiana, bem como da língua
aquisição de métodos e instrumentos de portuguesa, reforçando a capacidade de
trabalho e de conhecimento que permitam expressão oral e escrita;
o prosseguimento da sua formação, numa
perspectiva do desenvolvimento de atitudes d) Facilitar ao aluno o entendimento dos valores
activas e conscientes perante a comunidade e fundamentais da sociedade em geral
os seus problemas mais importantes; e sensibilizá-lo para os problemas da
sociedade cabo-verdiana e da comunidade
c) Para o 3º ciclo, a aquisição sistemática e internacional;
diferenciada da cultura moderna, nas suas
dimensões humanística, literária, artística, e) Garantir a orientação e formação profissional
física e desportiva, científica e tecnológica, permitindo maior abertura para o mercado
indispensável à orientação escolar e de trabalho sobretudo pela via técnica;
profissional que possibilite o ingresso na vida f) Permitir os contactos com o mundo do trabalho visando
activa e o prosseguimento de estudos. a inserção dos diplomados na vida activa;

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g) Promover a educação para cidadania e o 2. A via do ensino técnico é a valência do 2º ciclo do


desenvolvimento de valores morais, éticos e ensino secundário programada para a aquisição de
cívicos; conhecimentos técnico-científicos e a obtenção de uma
especialização adequada, de forma a permitir o exercício
h) Promover o ensino obrigatório de duas línguas
de actividades profissionais determinadas, sem prejuízo
estrangeiras;
para o prosseguimento de estudos superiores.
i) Criar hábitos de trabalho, individualmente e
3. Ambas as vias de ensino estão organizadas em dois
em grupo, e favorecer o desenvolvimento de
ciclos sequenciais que correspondem aos 9º e 10º anos e
atitudes de reflexão metódica, de abertura de
aos 11º e 12º anos de escolaridade.
espírito, de sensibilidade e de disponibilidade
e adaptação para a mudança. Artigo 29º

Artigo 26º Ano complementar profissionalizante

Organização 1. O nível do ensino secundário compreende ainda um


ano complementar profissionalizante, ao qual podem
1. Têm acesso ao ensino secundário os alunos que te- aceder alunos que tenham concluído com aproveitamento
nham completado com aproveitamento o ensino básico. o 12º ano e que pretendem obter uma especialização em
2. O ensino secundário tem a duração de quatro anos e determinada área de actividade profissional.
organiza-se em dois ciclos sequenciais de dois anos cada, 2. Aos alunos que tenham concluído com aproveitamen-
nos termos seguintes: to o ano complementar profissionalizante é atribuído o
a) Um 1º Ciclo da via do ensino geral, que constitui respectivo certificado comprovativo.
um ciclo de consolidação do ensino básico e Artigo 30°
orientação escolar e vocacional;
Matrizes curriculares
b) Um 2º Ciclo com uma via do ensino geral e uma
As matrizes curriculares do ensino secundário inte-
via do ensino técnico.
gram componentes de formação geral, de formação socio-
3. No final de cada ciclo do ensino secundário, o aluno cultural, de formação específica, de formação científica,
pode seguir um curso de formação profissional, inicial de formação tecnológica, de formação tecnico-artística e
ou complementar, nos termos e condições a definir em técnica, nos termos definidos por Decreto-Lei.
diploma próprio. Artigo 31º
4. A conclusão com aproveitamento do ensino secun- Formação artística
dário confere direito à atribuição de um diploma, que
certifica a formação adquirida e a qualificação obtida 1. Através da via do ensino técnico ou do ano com-
para efeitos do exercício de actividades profissionais plementar do ensino secundário, os estabelecimentos
determinadas. de ensino secundário podem ministrar cursos de índole
artística.
5. Sem prejuízo do disposto no numero anterior, e des-
de que requerido, é emitido certificado comprovativo da 2. Estes cursos têm uma organização curricular e
conclusão de cada um dos ciclos do ensino secundário. regras de funcionamento próprias de acordo com a sua
especificidade, a definir em diploma próprio.
6. É garantida a permeabilidade entre a via do ensino
geral e a via do ensino técnico, nos termos e condições a 3. Os cursos de formação artística abarcam as activida-
estabelecer por diploma regulamentar. des artísticas mais significativas para o desenvolvimento
cultural do país e a sua rede escolar é definida em função
Artigo 27º da evolução dessas actividades.
1° Ciclo
4. Aos alunos que terminarem com aproveitamento, os
1. O 1º Ciclo do ensino secundário compreende o 9º e o cursos de formação artísticas é atribuído o competente
10° anos de escolaridade. diploma.
2. Este ciclo visa, pela sua organização curricular, Subsecção III
aumentar o nível de conhecimento e possibilitar uma Ensino superior
orientação escolar e vocacional tendo em vista o prosse- Artigo 32°
guimento de estudos.
Âmbito do ensino superior
3. Concluído o 1° ciclo, os alunos podem optar pela via
do ensino geral ou pela via do ensino técnico. 1. O ensino superior compreende o ensino universitário
e o ensino politécnico.
Artigo 28º
2. O ensino universitário visa, através da promoção da
Via geral e via técnica do ensino secundário
investigação e da criação do saber, assegurar uma sólida
1. A via do ensino geral corresponde à valência do 2º preparação científica, técnica e cultural dos indivíduos,
ciclo do ensino secundário destinada à preparação para habilitando-os para o desenvolvimento das capacidades
o prosseguimento de estudos superiores, facilitando de concepção, análise crítica e inovação para o exercício de
também a adaptação do aluno à vida activa. actividades profissionais, socioeconómicas e culturais.

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3. O ensino politécnico visa, através da promoção da h) Encorajar a busca permanente de


investigação aplicada e de desenvolvimento, proporcionar aperfeiçoamento intelectual, cultural, técnico
aos indivíduos conhecimentos científicos de índole teórica e profissional, favorecendo a integração
e prática e uma sólida formação cultural e técnica de e aplicação dos conhecimentos que vão
nível superior, desenvolvendo as suas capacidades de sendo adquiridos ao longo das gerações, na
inovação e de análise crítica, de compreensão e solução perspectiva de educação e de desenvolvimento
de problemas concretos, com vista ao exercício de activi- de competências ao longo da vida;
dades profissionais.
i) Contribuir para a modernização do sistema
Artigo 33º educativo a todos os níveis, designadamente
Estabelecimentos através da promoção do conhecimento e da
pesquisa, adopção e disseminação de novas
1. O ensino universitário é ministrado em universida-
metodologias de ensino.
des e em escolas universitárias não integradas.
Artigo 35º
2. O ensino politécnico é ministrado em institutos politéc-
nicos e em escolas superiores especializadas nos domínios Acesso
da tecnologia, das artes e da educação, entre outros. 1. O Estado deve criar as condições que garantam aos
3. As universidades podem ser constituídas por escolas, cidadãos a possibilidade de frequentar o ensino superior,
institutos ou faculdades diferenciados e ou por departa- de forma a neutralizar os efeitos discriminatórios de-
mentos, centros ou outras unidades funcionais, podendo correntes das assimetrias regionais ou de desvantagens
ainda integrar escolas superiores do ensino politécnico. socio-económicas.

4. Os institutos politécnicos podem ser constituídos 2. O acesso ao ensino superior rege-se pelos seguintes
por escolas e ou departamentos ou outras unidades princípios:
funcionais. a) Democraticidade, equidade e igualdade de
Artigo 34º oportunidades;
Objectivos do ensino superior
b) Objectividade dos critérios de selecção e
São objectivos do ensino superior: seriação dos candidatos;
a) Desenvolver capacidade de concepção, de c) Universalidade de regras para cada um dos
inovação, de investigação, de análise crítica e subsistemas de ensino superior;
de decisão;
d) Valorização do percurso educativo do candidato
b) Formar quadros nas diferentes áreas de no ensino secundário, nas suas componentes
conhecimento, aptos para a inserção em de avaliação contínua e provas nacionais,
sectores profissionais e para a participação no traduzindo relevância para o acesso ao ensino
desenvolvimento da sociedade cabo-verdiana, superior do sistema de certificação nacional
e colaborar na sua formação contínua; do ensino secundário;
c) Estimular o pensamento reflexivo, a criação e) Valorização das competências do candidato,
cultural, o desenvolvimento do espírito independentemente da forma como tenham
científico e a capacidade empreendedora; sido adquiridas.
d) Incentivar o trabalho de pesquisa e investigação 3. Têm acesso ao ensino superior os indivíduos habi-
científica, visando o desenvolvimento da ciência litados com o curso do ensino secundário ou equivalente
e da tecnologia e a criação e difusão da cultura, que façam prova de capacidade para a sua frequência,
e, desse modo, aumentar a capacidade de nos termos definidos por lei.
compreensão e transformação das condições
de existência e de realização do homem na 4. Além do disposto no número anterior, têm acesso
sociedade e no mundo em que vive; ao ensino superior:

e) Promover a divulgação de conhecimentos a) Os maiores de 25 anos que, não sendo titulares


científicos, culturais e técnicos que constituem da habilitação de acesso ao ensino superior,
património da humanidade e comunicar o façam prova da capacidade de frequência
saber através do ensino, de publicações ou de através da realização de provas especiais de
outras formas de comunicação; aptidão organizadas pelos estabelecimentos
de ensino superior;
f) Estimular o conhecimento e análise dos
problemas nacionais e do mundo de hoje, b) Os titulares de qualificações pós-secundárias
prestar serviços especializados à comunidade nas áreas correspondentes às dos cursos
e estabelecer com esta uma relação de superiores a que se candidatam.
reciprocidade;
5. Compete aos estabelecimentos de ensino superior
g) Estimular e apoiar a formação cultural técnica organizar o processo de avaliação da capacidade para a
e profissional dos cidadãos pela promoção de frequência, bem como o de selecção e seriação dos candi-
formas adequadas de extensão cultural. datos ao ingresso nos respectivos cursos.

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6. O Estado deve criar as condições para que os cursos 5. Só podem conferir grau académico numa determi-
existentes e a serem criados correspondam globalmente nada área os estabelecimentos de ensino superior que,
às necessidades em quadros qualificados, às aspirações por disporem de um corpo docente próprio, qualificado
individuais e à elevação do nível educativo, cultural e nessa área e demais recursos humanos e materiais que
científico do País, para que seja garantida a qualidade garantam o nível e a qualidade da formação adquirida,
do ensino ministrado. estejam, para tanto, devidamente acreditados, nos ter-
7. Os trabalhadores-estudantes beneficiam, nos termos mos da lei.
da lei, de regimes especiais de acesso e frequência do 6. Os estabelecimentos de ensino superior podem
ensino superior, em sintonia com os princípios da apren- associar-se com outros estabelecimentos de ensino su-
dizagem ao longo da vida e da flexibilidade ou mobilidade perior, nacionais ou estrangeiros, para conferirem os
dos respectivos percursos escolares. graus académicos e atribuírem os diplomas previstos
8. O Governo define, por Decreto-lei, o regime e as nos artigos seguintes.
condições de acesso ao ensino superior. 7. Só as instituições de ensino universitário podem
Artigo 36º conferir graus académicos de mestre, doutor e diplomas
Organização e reconhecimento da formação
de cursos pós-doutoramento.
Artigo 38º
1. A organização da formação ministrada pelos esta-
belecimentos de ensino superior obedece ao sistema de Licenciatura
créditos, tendo em consideração o seguinte: 1. O grau de licenciado comprova uma sólida formação
a) Os créditos são a medida do número de horas cultural, científica e técnica, que permita aprofundar os
de trabalho do estudante; conhecimentos e competências, com vista à especializa-
ção, numa determinada área do saber e a uma adequada
b) O número de horas de trabalho do estudante a inserção profissional.
considerar na definição do número de créditos
inclui todas as formas de trabalho académico 2. O grau de licenciado é conferido nos subsistemas de
previstas, designadamente as horas de ensino universitário e politécnico.
contacto e as horas dedicadas a estágios, 3. O grau de licenciado é conferido após um ciclo de
trabalhos no terreno, estudo individual ou estudos com um número de créditos que corresponda a
colectivo e avaliação. uma duração compreendida entre seis e oito semestres
2. A mobilidade dos alunos entre os estabelecimentos curriculares de trabalho.
de ensino superior nacionais, do mesmo ou de diferentes 4. A obtenção do grau de licenciado em determinadas
subsistemas, bem como entre estabelecimentos de ensino áreas pode ser condicionada ao cumprimento de um
superior estrangeiros e nacionais, é assegurada através números de créditos superior ao previsto no número
do sistema de créditos, com base no princípio do reconhe- anterior, nos termos a definir por portaria do membro
cimento mútuo do valor da formação e das competências do Governo responsável pela área do ensino superior,
adquiridas. precedendo parecer da entidade de regulação a que se
3. Os estabelecimentos de ensino reconhecem, através refere o número 2 do artigo 47º.
do sistema de créditos, as competências profissionais e, 5. A conclusão com aproveitamento do grau de licencia-
em particular, a formação pós-secundária dos que neles do é comprovada por um certificado de licenciatura.
sejam admitidos, através das modalidades especiais de
Artigo 39°
acesso, a definir através do diploma a que se refere o
nº 4 do artigo anterior. Mestrado

4. Sem prejuízo do disposto neste artigo, o Governo 1. O grau de mestre é conferido no ensino universitário.
define, por Decreto-lei, o regime de créditos no ensino 2. O grau de mestre comprova um nível aprofundado
superior. de conhecimentos numa área científica específica e ca-
Artigo 37º pacidade para a prática de investigação fundamental,
Graus académicos e diplomas aplicada ou adaptativa.
1. No ensino superior são conferidos os graus acadé- 3. O curso de mestrado compreende a frequência do
micos de licenciado, mestre e doutor. respectivo programa de especialização e a apresentação
de uma dissertação original.
2. Os estabelecimentos de ensino superior podem, nos
termos do presente diploma, ministrar cursos não confe- 4. Têm acesso ao ciclo de estudos conducente ao grau
rentes de grau académico, cuja conclusão, com aprovei- de mestre:
tamento, confere a atribuição de um diploma. a) Os titulares do grau de licenciado;
3. Nos termos a definir por Decreto-Lei, cabe apenas
b) Os titulares de um grau académico superior
aos estabelecimentos de ensino universitário organizar
estrangeiro que seja reconhecido como
cursos ou programas de pós-doutoramento.
satisfazendo os objectivos do grau de licenciado
4. Os ciclos de estudos conducentes ao grau de licencia- pelo órgão científico estatutariamente
do, mestre ou doutor podem ser organizados por etapas, competente do estabelecimento de ensino
conferindo-se, no final de cada etapa, um diploma. superior onde pretendem ser admitidos.

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5. O grau de mestre é conferido após a conclusão, com Artigo 42°


aproveitamento, de um ciclo de estudos com um número Doutoramento “honoris causa”
de créditos a que corresponda uma duração compreendida
entre três e quatro semestres curriculares. 1. As universidades podem conferir o grau de doutor
“honoris causa” a individualidades eminentes nacionais
6. Excepcionalmente, mediante deliberação favorável ou estrangeiras, nos termos, e condições que vierem a
da entidade de regulação e para efeitos de acesso ao constar de regulamento a elaborar por cada instituição.
exercício de uma determinada actividade profissional, o
grau de mestre pode ser igualmente conferido mediante 2. A atribuição de doutoramento “honoris causa”a
a conclusão, com aproveitamento, de um ciclo integrado individualidades estrangeiras deve ser precedida de
de estudos, subsequente ao 12º ano de escolaridade, com audição do membro do Governo responsável pela área
um número de créditos a que corresponda uma duração dos Negócios Estrangeiros.
compreendida entre dez e doze semestres curriculares. Artigo 43°
7. O ciclo de estudos a que se refere o número anterior Doutoramento ‘insignis”
pode ser organizado por etapas, atribuindo-se o grau de
licenciado aos que tenham concluído, com aproveita- As universidades podem conferir o grau de doutor “in-
mento, um período de estudos com duração não inferior signis” a individualidades nacionais cuja obra se revista
a seis semestres. de excepcional mérito científico, nos termos e condições
que vierem a constar de regulamento a elaborar por cada
8. A conclusão, com aproveitamento, do grau de mestre
instituição.
é certificada por uma carta magistral.
Artigo 40º Artigo 44º

Doutoramento Regulamentação

1. O grau de doutor comprova a realização de uma O Governo, por Decreto-Lei, regula as demais condi-
contribuição inovadora e original para o progresso do ções de atribuição dos graus académicos e dos diplomas
conhecimento, um alto nível cultural numa determina- referidos nos artigos 37º a 43º.
da área do conhecimento e aptidão para a realização de
Artigo 45º
trabalho científico independente.
Investigação científica
2. O grau de doutor é conferido no ensino universitário.
3. Têm acesso ao ciclo de estudos conducente ao grau 1. O Estado assegura as condições logísticas, tecnológicas
de doutor: e culturais visando a criação e a investigação científicas.

a) Os titulares do grau de mestre; 2. Nas instituições de ensino superior são criadas con-
dições para a promoção da investigação científica, como
b) Os licenciados titulares de um currículo
componente indissociável do processo de desenvolvimento
académico, científico ou profissional que,
das aprendizagens e das competências curriculares.
por deliberação do órgão estatutariamente
competente do estabelecimento de ensino 3. A investigação científica no ensino superior deve
superior onde pretendam ser admitidos, seja ter em conta os objectivos predominantes da instituição
reconhecido como atestando capacidade para em que se realiza, sem prejuízo da sua perspectivação
realização deste ciclo de estudos. no sentido da promoção do saber e do progresso e da
4. Só podem conferir o grau de doutor numa deter- resolução dos problemas atinentes ao desenvolvimento
minada área os estabelecimentos de ensino superior social, económico e cultural do País.
universitário que demonstrem possuir, nessa área, os 4. Os poderes públicos e os estabelecimentos de ensino
recursos humanos e organizativos necessários à rea- superior devem proporcionar as condições que assegu-
lização de investigação e uma experiência acumulada rem a publicação dos trabalhos científicos, bem como
nesse domínio sujeita a avaliação e concretizada numa a divulgação dos novos conhecimentos e perspectivas
produção científica e académica relevantes. do pensamento científico, dos avanços tecnológicos e da
5. A conclusão, com aproveitamento, do grau de doutor criação cultural.
é certificada por uma carta doutoral.
5. Incumbe ao Estado incentivar e apoiar a cooperação
Artigo 41º entre as entidades públicas, privadas e cooperativas no
Formação pós-secundária sentido de fomentar o desenvolvimento da ciência, da
1. Os estabelecimentos de ensino superior podem re- tecnologia e da cultura, tendo particularmente em vista
alizar cursos de formação pós-secundária, de natureza a satisfação dos interesses da colectividade.
profissionalizante e não conferentes de graus académicos, Artigo 46º
nos termos previstos na lei.
Financiamento
2. Aos titulares dos cursos referidos no número ante-
rior pode ser conferido Diploma de Estudos Superiores 1. O Estado fixa na Lei do Orçamento dotações para o
Profissionais (DESP), sendo a formação superior neles financiamento das actividades de ensino, formação, inves-
realizada creditável para efeitos de prosseguimento de tigação e extensão das universidade e demais instituições
estudos conducentes à obtenção do grau de licenciatura públicas de ensino superior, com base em critérios objec-
no âmbito do curso em que hajam sido admitidos. tivos de aferição da pertinência, qualidade e excelência

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dos cursos e projectos apresentados, nos indicadores de h) Princípio da sustentabilidade, que implica a
eficiência e eficácia das instituições e ainda nos princípios necessidade de uma avaliação sistemática
da sustentabilidade e equidade no acesso dos estudantes dos meios e recursos necessários para a
das diferentes categorias socio-económicas. implementação das medidas de política e
das actividades de ensino, investigação e
2. Para efeito do disposto no número anterior, o Estado extensão, numa lógica de continuidade e de
tem em devida consideração os resultados dos relatórios irreversibilidade, com a manutenção dos mais
de auditoria ou avaliação das actividades académicas e elevados padrões de resultados académicos.
da gestão financeira das instituições.
Artigo 47º
3. O Estado pode ainda, na medida das suas possibi-
Garantia da qualidade
lidades financeiras, subsidiar as instituições privadas
do ensino superior, com base nos critérios e condições 1. O Governo assegura a implementação de um siste-
referidos nos números anteriores. ma de garantia da qualidade das instituições de ensino
superior, mediante a adopção de medidas de política
4. Sem prejuízo do disposto nos números anteriores, o que promovam a excelência das actividades de ensino,
Governo regula, por Decreto-Lei, o regime de financia- investigação e extensão.
mento do ensino superior, tendo em conta, designada-
mente, os seguintes princípios: 2. O Governo cria, para o efeito e no quadro da orgânica
do departamento governamental responsável pela área
a) Princípio da comparticipação financeira do do ensino superior, uma entidade dotada de indepen-
Estado, entendido no sentido de que a este dência, com competência para a regulação, acreditação
cabe contribuir, na medida dos recursos e avaliação do ensino superior.
disponíveis, para fomentar o acesso ao
Subsecção V
ensino superior e maximizar a capacitação
e especialização dos recursos humanos em Modalidades especiais de ensino
áreas relevantes para o desenvolvimento; Artigo 48º
b) Princípio da co-gestão, que se traduz na criação Educação especial
de mecanismos para a comparticipação de
elementos da sociedade civil na gestão das 1. Entende-se por educação especial, para os efeitos
instituições de ensino superior e no controlo do presente diploma, a modalidade de educação escolar
social da qualidade da formação nelas ministrada preferencialmente em estabelecimentos
ministrada; regulares de ensino a favor de alunos portadores de ne-
cessidades educativas especiais.
c) Princípio da universalidade, entendido como o
2. As crianças e jovens portadores de deficiências físicas
direito de acesso de todas as instituições de
ou mentais beneficiam de cuidados educativos adequados,
ensino superior e dos respectivos estudantes
cabendo ao Estado a responsabilidade de:
aos mecanismos de financiamento público
previstos na lei; a) Assegurar gradualmente os meios educativos
necessários;
d) Princípios da socialização dos custos, que se
traduz no dever dos estudantes de ensino b) Definir normas gerais da educação inclusiva
superior assumirem a responsabilidade no nomeadamente nos aspectos técnicos e
financiamento dos custos da sua formação pedagógicos e apoiar o seu cumprimento e
superior, sem prejuízo do disposto na lei; aplicação;
e) Princípio da não exclusão, que se expressa na c) Apoiar iniciativas autárquicas e particulares
possibilidade de os estudantes carenciados conducentes ao mesmo fim, visando permitir
de recursos económicos de beneficiarem de a recuperação e integração socio-educativa do
mecanismos de financiamento e de programas aluno.
de acção social que viabilizem o acesso e à
3. No âmbito do disposto no número anterior, à educa-
frequência do ensino superior;
ção especial cabe essencialmente:
f) Princípio da equidade, entendido como o a) Proporcionar uma educação adequada às
direito das instituições e dos estudantes crianças e jovens portadores de deficiência
de beneficiarem do apoio adequado à sua com dificuldades de enquadramento social;
situação concreta;
b) Possibilitar o máximo desenvolvimento
g) Princípio da autonomia, nos termos do das capacidades físicas e intelectuais dos
qual as instituições de ensino superior, portadores de deficiência;
independentemente da sua natureza
jurídica, e sem prejuízo do disposto na lei, c) Apoiar e esclarecer as famílias nas tarefas que
devem assegurar a mobilização dos recursos lhes cabem relativamente aos portadores de
indispensáveis para o financiamento dos deficiência, permitindo a estes uma mais fácil
custos da formação que ministrarem; inserção no meio sócio-familiar;

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d) Apoiar o portador de deficiência com a vista à Artigo 52°


salvaguarda do equilíbrio emocional; Ensino recorrente de adultos

e) Reduzir as limitações que são determinadas 1. O ensino recorrente é destinado a adultos que exer-
pela deficiência; çam uma actividade profissional em ordem a melhorar a
f) Preparar o portador de deficiência para a sua sua formação cultural, científica e profissional.
integração na vida activa. 2. Entre as modalidades de ensino recorrente de adul-
Artigo 49º tos a instituir, figura o ensino nocturno de qualquer ciclo
ou nível.
Educação para crianças sobredotadas
3. As acções de ensino recorrente devem ser organi-
O Estado providencia ainda no sentido de serem cria- zadas de maneira flexível em função das características
das condições especializadas de acolhimento de crianças dos seus alunos e das necessidades de desenvolvimento
com superior ritmo de aprendizagem, com o objectivo de cultural e socio-económico do Pais.
permitir o natural desenvolvimento das suas capacidades
mentais. Artigo 53º

Artigo 50º Educação e as Comunidades cabo-verdianas no estrangeiro

Educação para crianças e jovens com necessidades 1. São incentivadas e apoiadas as iniciativas educa-
educativas especiais cionais de associações de cabo-verdianos, assim como as
actividades desenvolvidas por entidades estrangeiras,
1. A educação das crianças e jovens com necessidades públicas ou privadas, que contribuam para a prossecução
educativas especiais, incluindo as derivadas de deficiên- das seguintes finalidades:
cias, organiza-se segundo métodos específicos de atendi-
mento adaptados às suas características. a) Divulgar a cultura cabo-verdiana e preservar o
sentido da nacionalidade;
2. A integração em classes regulares de crianças e
jovens com necessidades educativas especiais, incluindo b) Facilitar a integração dos cabo-verdianos
as derivadas de deficiência, é promovida tendo em conta emigrados na realidade nacional em que
as necessidades de atendimento específicas e apoio aos estejam inseridos;
professores, pais ou encarregados de educação.
c) Contribuir para a preservação do património
3. A educação dos alunos com necessidades educativas e da identidade culturais cabo-verdianos nas
especiais pode ser desenvolvida em instituições especí- comunidades emigradas.
ficas desde que o grau de deficiência ou a sobredotação
o justifique. 2. A organização das acções a que se refere o presente
artigo depende de acordos e protocolos de cooperação en-
4. A educação dos alunos com necessidades educativas tre a República de Cabo Verde e os países de acolhimento
especiais pode desenvolver-se, para efeitos do cumpri- das comunidades emigradas.
mento da escolaridade básica, de acordo com currículos,
3. Nos termos e condições a serem estabelecidos atra-
programas e regime de avaliação adaptados às caracte-
vés de protocolos com instituições nacionais de educação e
rísticas do educando.
formação, são asseguradas quotas de frequência por parte
5. O departamento governamental responsável pela de alunos cabo-verdianos que, nos países de emigração em
área da Educação, em coordenação com outros sectores que residam, não tenham possibilidades de prossecução
estatais, organiza formas adequadas de educação visando de estudos pós-secundários.
a integração social e profissional do educando com neces- Secção IV
sidades educativas especiais.
Educação extra-escolar
Artigo 51º
Artigo 54º
Ensino à distância
Caracterização
1. As autoridades educacionais podem recorrer a meios
de comunicação social e às tecnologias de comunicação e 1. O ensino geral de adultos organiza-se de forma
informação para assegurarem formação complementar, autónoma no que respeita, de entre vários aspectos, a
supletiva ou alternativa do ensino regular. condição de acesso, currículos, programas, avaliação, visa
adaptar-se aos diferentes grupos, às suas experiências
2. O ensino à distância tem incidência no ensino re- pessoais profissionais e conhecimentos adquiridos ao
corrente, no ensino superior e na formação contínua de longo da vida.
professores.
2. A educação extra-escolar caracteriza-se por unidade
3. As habilitações conferidas pelo ensino à distância capitalizável e constitui uma modalidade que apela à fle-
devem ser definidas e reconhecidas como equivalentes xibilidade, à adaptabilidade dos ritmos de aprendizagem
às alcançadas no ensino formal, em conformidade com à disponibilidade, aos conhecimentos e às experiências
regulamentação a estabelecer previamente. de vida dos jovens e adultos.

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14 I SÉRIE — NO 17 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 7 DE MAIO DE 2010

3. A educação extra-escolar desenvolve-se em dois 3. Este nível de educação organiza-se em três fases:
níveis distintos:
a) A 1ª fase destina-se aos indivíduos com 15 anos
a) A educação básica de adultos que abrange a ou mais, com ou sem passado escolar, com
alfabetização, a pós-alfabetização e outras vista a dotá-los da capacidade de ler, escrever,
acções de educação permanente numa calcular e interpretar;
perspectiva de elevação do nível cultural; b) A 2ª visa o reforço das capacidades adquiridas e
b) A aprendizagem e as acções de formação organiza-se em torno de actividades educativas
profissional, numa perspectiva de capacitação e de extensão cultural, através de bibliotecas
para o exercício de uma profissão. comunitárias, núcleos associativos, meios
de comunicação e outras acções agregadas a
c) Em cada um desses níveis se desenrola processos projectos de desenvolvimento.
educativos próprios de uma educação formal
c) A 3ª fase é de consolidação e aprofundamento,
e não formal.
e desenvolve-se em dois vectores, sendo um
Artigo 55º articulado com o sistema formal de ensino e o
Objectivos outro a desenvolver diversos departamentos
estatais e não estatais interessados do
São objectivos da educação extra-escolar: processo formativo.
a) Eliminar o analfabetismo literal e funcional; 4. Ao adulto é atribuído o respectivo certificado de apro-
veitamento, na 1ª e 2ª fases e um diploma de educação
b) Contribuir para a efectiva igualdade de
básica de adultos, na 3ª fase.
oportunidades educativas e profissionais dos
que não frequentarem ou abandonarem o 5. Para todos os efeitos legais, o diploma de educação
sistema formal do ensino; básica de adultos é equivalente ao da escolaridade básica
obrigatória.
c) Preparar cidadãos nos planos cívicos, culturais
Artigo 57°
e profissional capazes de intervir no processo
Aprendizagem e formação profissional
de desenvolvimento do país, promovendo
a formação numa perspectiva de educação 1. A aprendizagem e a acção de formação profissional
recorrente e permanente; serão organizadas numa perspectiva de capacitação de
jovens e adultos para o exercício de uma profissão e de
d) Favorecer a continuidade de estudos ao nível da
luta contra a pobreza e exclusão social.
pós-alfabetização, quer na educação formal,
quer na formação profissional; 2. A formação profissional e o sistema geral de aprendi-
zagem desenvolvem-se em centros específicos, empresas
e) Desenvolver atitudes, conhecimentos e ou serviços, com base em acordos e protocolos celebrados
capacidades necessários à realização de entre os diversos departamentos estatais e não estatais
tarefas laborais e específicas; interessados no processo formativo cabendo ao Governo
f) Desenvolver a formação tecnológica com vista estabelecer a coordenação e o desenvolvimento das acções
à aquisição de habilitações profissionais formativas através do competente organismo.
adequadas; 3. Os diplomas e certificados a conferir, respectivamen-
te pelo sistema geral de aprendizagem e pelo sistema de
g) Promover a elevação do nível técnico dos
formação profissional, são objecto de regulamentação por
trabalhadores através de acções de formação
diploma especial.
periódicas numa perspectiva de actualização
Artigo 58º
e valorização constantes dos recursos
humanos. Formação socio-profissional e cultural

Artigo 56º São proporcionados cursos à distância, enquanto


modalidade especial de ensino que permita ampliar as
Educação básica de adultos
oportunidades de formação socio-profissional e cultural
1. A educação básica de adultos corresponde à vertente nos locais de trabalho dos jovens e adultos à procura do
da educação extra-escolar que, de forma organizada e se- primeiro emprego, como oportunidade de aprendizagem,
gundo um plano de estudo, proporciona aos interessados através de abordagens pedagógicas inovadoras, experi-
a obtenção de um grau de escolaridade e a aquisição de ência de ensino e aprendizagem adequada às caracterís-
um diploma ou certificado, equivalentes aos conferidos ticas dos participantes e às demandas do conhecimento,
pelo ensino básico. e bem assim às exigências das respectivas actividades
profissionais.
2. Através da modalidade especial de ensino, presencial
Artigo 59º
ou à distância, é assegurada uma nova oportunidade de
acesso à escolaridade aos indivíduos que para todos os Acção da administração
efeitos são considerados adultos, nomeadamente os que A coordenação das acções de planeamento e gestão das
abandonaram precocemente o sistema educativo, bem actividades de educação básica de adultos e de formação
como aqueles que a procuram por razões de desenvolvi- profissional de adultos é feita através de mecanismos de
mento pessoal, social ou profissional. articulação interministerial e interdepartamental.

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I SÉRIE — NO 17 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 7 DE MAIO DE 2010 15

CAPÍTULO IV Artigo 64º

Tecnologias de Informação e Comunicação Apoio pedagógico específico


e a sociedade de conhecimento Os estabelecimentos de ensino organizam actividades
Artigo 60º de reforço e acompanhamento pedagógico para os alunos
com dificuldades de aprendizagem e com necessidades
Tecnologias de Informação e Comunicação
escolares específicas.
1. O Estado promove a utilização das tecnologias da Artigo 65º
informação e comunicação no sistema educativo, de modo
a contribuir para a elevação da qualidade e da eficácia Acção social escolar
do ensino, a emergência e a consolidação da sociedade do 1. O Estado desenvolve um conjunto de acções no âmbi-
conhecimento, a elevação do nível científico e tecnológico to social e escolar, de acordo com os princípios estabeleci-
da sociedade e o exercício de uma cidadania participativa, dos sobre a matéria no número 1 do artigo 79º do presente
crítica e interveniente. diploma, a fim de compensar os alunos pertencentes a
2. O Estado desenvolve acções de formação e de inves- famílias com carência socio-económicas.
tigação dirigidas aos diferentes segmentos da sociedade 2. A coordenação dos programas de acção social e a ad-
mediante integração das TIC no sistema educativo, em ministração das suas fontes de financiamento, cabem ao
função dos interesses específicos e dos objectivos e prio- organismo competente do departamento governamental
ridades da política educativa adoptada. responsável pela área da Educação.
3. Os ensinos recorrente ou à distância podem ser 3. A acção social escolar concretiza-se ao nível do en-
ministrados mediante recurso às novas tecnologias de sino público, mediante princípios normativos contido em
comunicação e informação. diploma próprio
Artigo 61º Artigo 66º
Conectividade gratuita Saúde escolar

O Estado promove o acesso gratuito às tecnologias de 1. É desenvolvido um programa de saúde escolar que
informação e comunicação (TIC) por parte de todos os visa o saudável desenvolvimento físico e mental das
estabelecimentos públicos de ensino, visando universa- crianças em idade escolar, assim como as condições
lizar o acesso ao conhecimento e promover hábitos de higiénicas das escolas, a formação dos educadores e dos
pesquisa. educandos, dentro das normas de sanidade individual,
Artigo 62º doméstica e comunitária.
Rádio e televisão educativas 2. Os departamentos governamentais responsáveis
pelas áreas da saúde e da educação celebram acordos
O Estado pode criar programas radiofónicos e tele- para execução conjunta das acções a que se refere o
visivos destinados a promover o ensino recorrente e à número anterior.
distância, quando as circunstâncias assim determinarem,
seja através de órgãos de comunicação social públicos ou Artigo 67°
privados ou seja através de criação de órgãos de comuni- Orientação escolar e profissional
cação social de rádio e televisão educativas.
O departamento governamental responsável pela
CAPÍTULO V área da Educação, em cooperação com outras estruturas
Estatais, deverá desenvolver um sistema de orientação
Apoios e complementos educativos
escolar e profissional que, mercê de acção de formação
Artigo 63º e de informação, permita aos jovens e às famílias uma
Caracterização
opção esclarecida sobre o futuro escolar ou profissional
do educando.
1. Os apoios e complementos educativos constituem
Artigo 68°
um conjunto de serviços e de benefícios, de suporte ao
sistema educativo, visando uma política de incentivo à es- Estágios profissionais
colaridade obrigatória, de garantia do sucesso escolar em
1. As actividades educativas a desenvolver nas ins-
geral e do estímulo aos que revelarem maior interesse e
tituições de ensino técnico devem incluir estágios de
capacidade de êxito nos níveis de ensino subsequentes.
natureza profissional.
2. A natureza e a extensão dos apoios e complementos
2. A concretização dos estágios referidos no número
educativos dependem dos recursos disponíveis e da capa-
anterior, bem como os princípios de colaboração entre
cidade de intervenção das instituições e das organizações
as instituições de formação, os centros de empregos e as
sociais, podendo revestir várias formas.
empresas, devem constar de protocolo a celebrar entre
3. No âmbito dos estabelecimentos de ensino podem os serviços competentes dos departamentos governamen-
ser criadas associações de carácter mutualista, tendo em tais das áreas de educação, da formação profissional e
vista reforçar e concretizar a solidariedade social. do trabalho.

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Artigo 69° Artigo 72º

Estatuto do trabalhador estudante Objectivos e organização da formação de docentes

Os direitos, regalias e deveres dos trabalhadores-es- 1. A formação de docentes para a educação de infância,
tudantes, bem como as respectivas caracterizações em o ensino básico e o ensino secundário é ministrada por
termos da idade, de natureza do regime laboral em que instituições de ensino legalmente criadas ou reconheci-
se encontram, relevância social dos cursos que frequen- das que disponham de estruturas e recursos humanos,
tem e outros condicionamentos apropriados à respectiva científicos e técnico-pedagógicos adequados.
situação são fixados por legislação especial. 2. A formação dos docentes a que se refere o número
CAPITULO VI anterior prossegue os seguintes objectivos:
a) Habilitar os docentes a orientar o processo de
Pessoal docente
ensino-aprendizagem segundo parâmetros
Artigo 70º educacionais de excelência;
Pessoal da Educação b) Dotar os docentes de informações sobre os
aspectos relevantes da política educativa e do
1. O sistema educativo disporá do pessoal docente desenvolvimento científico e pedagógico;
necessário à realização das tarefas atribuídas às insti-
tuições que o compõem. c) Promover e facilitar a investigação, a inovação
e a utilização das tecnologias de informação,
2. Salvo o disposto no número seguinte, os docentes dos orientadas para o exercício da função docente;
estabelecimentos do ensino público nos diversos níveis
têm a qualidade de funcionário público, regendo-se pelo d) Desenvolver nos docentes competências que
respectivo Estatuto, aprovado por diploma próprio. lhes permitam participar na preparação,
realização e avaliação de reformas no sistema
3. Ao pessoal docente dos estabelecimentos públicos educativo, de carácter global ou parcelar;
de ensino superior poderá aplicar-se o regime jurídico
geral das relações de trabalho, caso assim for estipulado e) Promover a capacitação dos docentes para
no respectivo Estatuto. a produção de meios didácticos e a sua
introdução na prática escolar;
Secção I
f) Habilitar os docentes para, com a sua
Formação de docentes acção, promoverem a dinamização do meio
Artigo 71º
profissional e socio-cultural em que a escola
se insere.
Princípios orientadores
3. A formação dos docentes a que se refere o número
1. A formação do pessoal docente obedece, no plano anterior é fomentada mediante criação de condições
institucional, aos seguintes princípios orientadores: para a frequência de cursos que confiram ou não graus
académicos superiores, nos termos do presente diploma,
a) A formação inicial é institucionalizada como devendo incluir, para além das componentes curriculares
passo fundamental da formação do docente; dos respectivos ciclos de estudos, conteúdos específicos
das ciências da educação, das metodologias, da prática
b) A formação inicial deve ser integrada, quer nos
pedagógica e da investigação aplicada.
planos científico, técnico e pedagógico, quer
no de articulação teórico-prática; 4. Compete à entidade de regulação a que se refere
o número 2 do artigo 46º a verificação dos requisitos
c) A formação contínua de docentes deve permitir e objectivos previstos nos números 1 e 2, com poderes
o aprofundamento e a actualização de para conceder ou denegar autorização a qualquer insti-
conhecimentos e competências profissionais; tuição de ensino organizada para ministrar a formação
d) A formação inicial e a formação contínua de docentes.
devem ser actualizadas de modo a adaptar Artigo 73º
os docentes a novas técnicas e à evolução da Formação de docentes de educação especial
sociedade, das ciências, das tecnologias e da
pedagogia; São qualificados para exercício de funções como do-
centes de educação especial os educadores de infância e
e) Os métodos e os conteúdos da formação deverão os professores que obtenham aproveitamento em cursos
estar em constante renovação, permitindo a especializados ou provindos de instituições de formação
contínua actualização de conhecimento e de especializadas.
atitudes.
Artigo 74º
2. O processo de formação de docentes é sujeito a um Formação do pessoal docente na área artística e cultural
sistema de avaliação referenciado aos objectivos, aos
métodos e seus resultados ou concretizações, com vista 1. As matérias de índole prática ou oficinal do ensino
à sua actualização permanente. secundário técnico e artístico, bem como de formação

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I SÉRIE — NO 17 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 7 DE MAIO DE 2010 17

profissional no domínio da educação extra-escolar, são 3. As famílias e comunidades devem contribuir para
asseguradas por docentes com formação e qualificação o esforço nacional em relação à educação da infância e
adequados, nos termos do respectivo Estatuto. da juventude segundo princípios, formas e critérios a
estabelecer em lei.
2. Para além de formação técnica de base, os docentes
têm uma formação pedagógica a ministrar por institui- Artigo 79º
ções de formação de docentes. Recursos materiais
Artigo 75°
1. Os critérios de planeamento e de implementação
Formação contínua da rede escolar e da acção social escolar obedecerão aos
1. A formação contínua constitui um direito e um princípios da educação básica obrigatória, da igualdade
dever dos educadores de infância, dos professores e dos no acesso ao ensino, da diminuição das assimetrias regio-
monitores dos ensinos básico e secundário. nais e socio-económicas no acesso ao ensino secundário
e das variáveis demográficas.
2. A formação contínua visa essencialmente melhorar a
qualidade da acção docente permitindo uma actualização 2. Os órgãos de poder local desempenham papel pre-
permanente e criando a possibilidade de aquisição de ponderante, em colaboração com os órgãos competentes
novas competências. do poder central, na reorganização da rede escolar, assim
como na construção e na manutenção do equipamento
3. A formação contínua é da iniciativa das instituições educativo.
responsáveis pela formação inicial, dos próprios docentes
e das suas estruturas representativas. 3. Para realização da actividade educativa é ainda
Artigo 76°
conferida especial relevância aos seguintes recursos:

Racionalidade da formação a) Os manuais escolares;


1. A formação do pessoal docente desenvolve-se num b) As bibliotecas escolares;
quadro integrado de gestão e de racionalização dos meios
formativos existentes. c) Os equipamentos laboratoriais e oficinais;

2. O departamento governamental responsável pela d) Os equipamentos para educação física e


área da Educação fomenta, apoia iniciativas e desenvolve desportos;
programas de formação com carácter sistemático, arti- e) Os equipamentos, instrumentos e materiais de
culando as prioridades de desenvolvimento dos serviços educação artística.
com os planos individuais de carreira.
CAPITULO VIII
3. A formação do pessoal docente pode enquadrar-se em
iniciativas articuladas com universidades, institutos su- Desporto escolar e actividades circum-escolares
periores de formação, politécnicos, associações públicas e Artigo 80º
sindicais, de forma a promover a qualificação profissional
e a optimização da oferta da qualidade do ensino. Caracterização

Secção II 1. A prática desportiva é uma componente essencial da


Formação de quadros no estrangeiro formação e do desenvolvimento da infância e da juventu-
de, integrada no âmbito da utilização criativa e formativa
Artigo 77°
dos seus tempos livres.
Princípios Gerais
2. Cabe ao Estado apoiar o desporto escolar e as activi-
A formação de quadros no estrangeiro é objecto de dades circum-escolares e estimular a actividade de enti-
adequado planeamento, a realizar pelo departamento dades públicas ou privadas que, de algum modo, possam
governamental responsável pela área da Educação, em contribuir para as finalidades pedagógicas visadas pelos
colaboração com outros departamentos governamentais objectivos consagrados neste artigo.
interessados, a fim de a ajustar às necessidades de de-
senvolvimento do País. 3. As instituições educativas devem cooperar com as
comunidades locais e os competentes departamentos do
CAPÍTULO VII Estado para promoção de actividades desportivas, recre-
Recursos financeiros e materiais ativas, produtivas e de animação cultural.
Artigo 78º CAPITULO IX
Recursos Financeiros
Administração e gestão da educação
1. O sistema público de ensino deve ser considerado Artigo 81º
como uma prioridade da política nacional, na elaboração
e aprovação do Orçamento Geral do Estado e do Plano Princípios gerais
Nacional de Desenvolvimento, caso houver. 1. Incumbe ao Governo elaborar, coordenar, executar
2. Os órgãos do poder local devem cooperar com o e avaliar a política educativa nacional, em conformidade
Governo na mobilização e disponibilização de recursos com os imperativos do desenvolvimento do país, definidos
financeiros necessários ao sistema público de ensino. no seu programa.

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18 I SÉRIE — NO 17 SUP. «B. O.» DA REPÚBLICA DE CABO VERDE — 7 DE MAIO DE 2010

2. Na definição e condução da política educativa, 2. No exercício das suas funções, o Conselho Nacional
deve-se procurar ter em consideração os interesses dos de Educação é independente, realizando estudos e emi-
sectores e camadas sociais, culturais e profissionais mais tindo propostas e pareceres, por iniciativa própria ou a
directamente relacionados com os problemas educativos, solicitação do Governo.
cabendo ao departamento governamental responsável
pela área da Educação proceder à concertação dos res- 3. O Governo regula, por Decreto-Lei, a organização, a
pectivos interesses. composição e o funcionamento do Conselho Nacional do
Educação, sem prejuízo do disposto no presente diploma.
3. Lei própria define os princípios que orientam a inter-
venção do poder local no âmbito da administração e ges- CAPÍTULO X
tão da educação tendo em vista a obtenção de uma maior
Ensino particular e cooperativo
operacionalidade educativa, numa rentabilidade mais
evidente do sistema e uma satisfação mais directa dos Artigo 85º
interesses regionais e locais em termos de educação.
Caracterização
4. A actividade do departamento governamental res-
ponsável pela área da Educação processa-se a nível da 1. O ensino particular ou cooperativo é garantido por
administração central e local. instituições criadas por pessoas singulares ou colectivas
privadas ou cooperativas.
5. São considerados parceiros no processo educativo, as
associações de docentes, discentes, pais e encarregados 2. O ensino particular ou cooperativo, em alternativa
de educação, de carácter mutualista, cooperativo, pe- ou em complementaridade ao ensino público, visa reforçar
dagógico, científico, cultural ou profissional legalmente a garantia do direito de aprender e de ensinar.
instituídas.
3. O ensino particular ou cooperativo exerce também,
Artigo 82º
sempre que tal for estabelecido pelo Estado, face às
Administração e gestão dos estabelecimentos de ensino necessidades do sistema, uma função supletiva do en-
Os estabelecimentos de ensino integrados na rede esco- sino público, podendo, neste caso, receber do Estado os
lar oficial terão órgãos, formas e regras de administração necessários apoios.
e funcionamento, a estabelecer Decreto-lei, obedecendo 4. O ensino particular ou cooperativo rege-se por
aos princípios de participação, cooperação, responsabili- estatuto próprio que deve subordinar-se ao disposto no
zação, rentabilização de recursos e inovação. presente diploma.
Artigo 83º
5. Cabe ao Estado fiscalizar a qualidade do ensino
Gestão privada de estabelecimentos públicos de ensino
ministrado nos estabelecimentos de ensino particular ou
1. A gestão de estabelecimentos públicos de ensino cooperativo e as condições de seu funcionamento.
secundário e superior pode ser submetida, mediante
Resolução do Governo, a regras de gestão empresarial e a 6. O exercício do ensino particular carece de autoriza-
lei pode permitir a realização de experiências inovadoras ção estatal, a obter nas condições e segundo os critérios
de gestão submetidas a regras por ele fixadas. que vierem a ser estabelecidos no Estatuto do Ensino
Particular.
2. A gestão de estabelecimentos referidos no número
anterior pode ser entregue a pessoas colectivas de direito Artigo 86º
privado idóneas, mediante contrato de gestão. Pessoal docente
3. Os estabelecimentos geridos nos termos do número
1. Ao pessoal docente em exercício de funções no ensino
anterior, sem prejuízo de contratos de prestações de
particular e cooperativo são exigidas as mesmas quali-
serviço com terceiros, integram-se no sistema educativo,
ficações profissionais estabelecidas no presente diploma
estando as entidades gestoras obrigadas a assegurar o
que aos docentes do ensino oficial.
acesso ao ensino secundário e superior nos termos dos
demais estabelecimentos da mesma natureza. 2. O Estado pode apoiar acções pontuais de formação
4. O regime jurídico da gestão privada de estabeleci- para os docentes do ensino particular e cooperativo.
mentos públicos de ensino secundário e superior é objecto
CAPÍTULO XI
de Decreto-Lei.
Artigo 84º Disposições finais e transitórias
Conselho Nacional de Educação Artigo 87°

1. É instituído o Conselho Nacional de Educação, como Qualificações profissionais


órgão consultivo e instância de participação de persona-
lidades de reconhecido mérito nos domínios da educação O sistema educativo, no âmbito da formação profissio-
e da formação e ou com experiência relevante nos planos nal, nos subsistemas da educação básica de adultos, do
social, cultural, científico e económico, na procura de ensino secundário, da via técnica, e do ensino superior,
soluções ou consensos alargados em relação às questões confere, nos termos estabelecidos no presente diploma,
essenciais da política educativa nacional, sem prejuízo certificados e diplomas para o exercício específico de uma
de competências próprias dos órgãos de soberania. profissão.

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Artigo 88° ministrados nos mesmos termos, até à sua conclusão,
Desenvolvimento do diploma sendo os respectivos diplomas e certificados válidos para
todos os efeitos legais.
1. No contexto do presente diploma, o Governo desenvolve
o presente diploma, promovendo a aprovação da legislação 2. No prazo de quatro anos, devem ser concluídos os
complementar necessária, designadamente sobre: cursos de bacharelato iniciados antes da entrada em vigor
do presente diploma.
a) A gratuitidade e a obrigatoriedade do ensino;
3. Os cursos de bacharelato já concluídos ou a concluir
b) Directivas e planos curriculares da educação
nos termos dos números dois e três produzem os efeitos
pré-escolar, do ensino básico e do ensino
previstos na legislação vigente à data da entrada em
secundário;
vigor do presente diploma.
c) A gestão dos estabelecimentos de ensino básico;
4. Os indivíduos habilitados com o grau de bachare-
d) Os princípios orientadores da formação de lato nos termos dos números anteriores consideram-se
docentes para os subsistemas de ensino básico titulares de curso superior que não confira grau de
e secundário; licenciatura.
e) O novo estatuto do pessoal docente; 5. Os titulares de curso de bacharelato concluído até
f) A instituição de um serviço competente para a ao fim do prazo referido no número anterior podem ad-
regulação, acreditação e avaliação do ensino quirir o grau de licenciatura mediante a frequência de
superior; um ciclo complementar de estudos com um número de
créditos a que corresponda a duração de dois a quatro
g) A revisão do Regime Jurídico do Ensino Superior. semestres curriculares de trabalho, nos termos definidos
2. No prazo de 180 dias a contar da data de entrada em pelas instituições do ensino superior.
vigor deste diploma, o Governo aprova e publica o calen- 6. Findo o prazo referido no número anterior, os titulares
dário de transição do sistema ora em vigor para o sistema de certificados de curso incompleto de bacharelato podem
consagrado neste diploma, que deve, prioritariamente, prosseguir os estudos conducentes à obtenção do grau de
garantir uma sucessão gradual de sistemas, com vista a licenciatura, mediante a obtenção do respectivo certificado
evitar rupturas na evolução das actividades dos agentes de equivalência junto do estabelecimento de ensino superior
do ensino e funcionamento das suas estruturas. onde pretendam continuar a formação académica.
Artigo 89º
Artigo 92º
Garantia de direitos
Formação em exercício de professores do ensino básico e
Da aplicação do sistema educativo previsto no presente secundário
diploma não podem resultar ofensas de direitos anterior- 1. A formação de docentes em exercício visa a actu-
mente adquiridos por docentes, alunos e demais pessoal alização, o aperfeiçoamento, a reconversão e o comple-
a ele afectado. tamente dos conhecimentos e formação pedagógica dos
Artigo 90º professores em serviço à data da entrada em vigor do
Cursos médios presente diploma.
1. Os cursos de nível médio previstos nos artigos 28º 2. Pode ser organizado um sistema de formação de
a 30º da Lei n° 103/III/90, de 29 de Dezembro, na redac- docentes em exercício, visando garantir a respectiva
ção dada pela Lei n° 103/III/99, de 18 de Outubro, em qualificação profissional e académica adequada.
funcionamento à data do presente diploma, continuam a Artigo 93º
ser ministrados nos mesmos termos, até à sua conclusão, Norma revogatória
sendo os respectivos diplomas e certificados válidos para
Em resultado da execução do presente diploma fica
todos os efeitos legais.
revogada toda a legislação em contrário.
2. No prazo de três anos, devem ser concluídos os Artigo 94º
cursos médios iniciados antes da entrada em vigor do
Entrada em vigor
presente diploma.
O presente diploma entra em vigor no dia seguinte ao
3. Os cursos médios já concluídos ou a concluir nos
da sua publicação.
termos dos números anteriores produzem os efeitos pre-
vistos na legislação vigente à data da entrada em vigor Visto e aprovado em Conselho de Ministros.
do presente diploma. José Maria Pereira Neves - Cristina Isabel Lopes da
4. Os indivíduos habilitados com cursos médios podem Silva Monteiro Duarte - Fernanda Maria de Brito Leitão
ingressar no ensino superior nas mesmas condições que Marques Vera-Cruz Pinto - Octávio Ramos Tavares
os titulares de curso do ensino secundário. Promulgado em 3 de Maio de 2010.
Artigo 91º
Publique-se.
Cursos de bacharelato
O Presidente da República, PEDRO VERONA RO-
1. Os cursos de bacharelato previstos no artigo 34º da DRIGUES PIRES
Lei n° 103/III/90, de 29 de Dezembro, na redacção dada
pela Lei n° 113/III/99, de 18 de Outubro, em funciona- Referendado em 3 de Maio de 2010
mento à data do presente diplolma, continuam a ser O Primeiro-Ministro, José Maria Pereira Neves

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