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APRESENTAÇÃO

Bem-vindo ou bem-vinda ao Curso Ética no Serviço Público , da UNICED!

A UNICED – Universidade Aberta da Educação, é um ambiente virtual que


disponibiliza cursos on-line voltados para o setor público. É uma iniciativa da
Open-School, e visa a desenvolver um projeto voltado para a melhoria da
qualificação profissional e do desempenho das competências dos servidores
públicos.

O principal objetivo deste curso é apresentar o conceito de moral e ética no


serviço público com a aplicação do Código de Ética do Servidor Público.

Este curso é dividido em três temas: Moral e Ética, Trabalho e Ética, e Código
de Ética Profissional do Servidor Público. Você pode iniciar pelo tema de seu
interesse, na ordem que desejar, pois a navegação não é linear.

Esperamos aprender juntos. Conte sempre conosco.

Sucesso!

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SUMÁRIO

TEMA 1: MORAL E ÉTICA

1.1. Moral e Ética


1.1.1. Por que a Ética no Trabalho........................................................................04
1.1.2. A Moral e a Ética...........................................................................10
1.1.3. O Homem – Um Ser Consciente...................................................17
1.1.4. O Individual no Social e na Moral..................................................22

TEMA 2: TRABALHO E ÉTICA

2.1. Trabalho e Ética


2.1.1. O Significado do Trabalho...........................................................................29
2.1.2. Os Deveres Fundamentais do Homem...........................................34
2.1.3. As Virtudes Profissionais ...............................................................38
2.1.4. A Ética Profissional.........................................................................47

TEMA 3: CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSISONAL DO SERVIDOR


PÚBLICO

3.1. Código de Ética Profissional


3.1.1. Regras Deontológicas..................................................................................52
3.1.2. Principais Deveres do Servidor Público..........................................62
3.1.3. Vedações ao Servidor Público........................................................68
3.1.4. Comissões de Ética........................................................................73

Glossário..............................................................................................................78
Bibliografias.........................................................................................................82

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ÉTICA NO SERVIÇO PÚLICO

Tema - Moral e Ética


Assunto - Moral e Ética
Unidade - Por que a ética no trabalho

Olá, caro(a) aluno(a). Este material destina-se ao seu uso como aluno(a)
inscrito(a) no Curso ÉTICA NO SERVIÇO PÚLICO, promovido pela UNIGOV –
Universidade Interativa de Governo. Conforme você já leu no Guia do curso, este
é um recurso adicional do qual você dispõe para apoiá-lo(a) e está disponibilizado
para download. Para facilitar o manuseio do material, seguir-se-á a seqüência
estabelecida para o curso em temas, assuntos e unidades. O material está
disponibilizado por tema, na 1a. unidade de cada assunto e na Midiateca no item
Referência Bibliográfica. Nas atividades educacionais propostas e
realizadas com recursos tecnológicos especiais, você deve navegar no
curso pela internet. Mesmo lendo este material é fundamental que você participe
das discussões no fórum e que utilize as outras ferramentas de interação
oferecidas por este curso.

Nesta unidade, você conhecerá a ética nas organizações e a prática que pode
levar a procedimentos antiéticos. E chegará à conclusão de que uma atitude ética
é o melhor caminho. Vamos lá?

EXEMPLO

Antes de entrar na teoria, que tal ver um exemplo?

Na sede de um órgão público, os


carros particulares dos funcionários
ficam protegidos na garagem,
ocupando as vagas destinadas à frota
oficial. Esta ficou em estacionamento
descoberto, exposta à chuva, ao sol e
ao risco de roubo. Os responsáveis
pelo patrimônio público, neste caso,
priorizaram seus interesses
particulares em detrimento do
interesse coletivo.

Nos últimos cinco anos, este órgão


público trocou, pelo menos uma vez,
toda a sua frota precocemente
envelhecida.

Embora esta atitude não seja generalizada no serviço público, esta situação
evidencia uma falta de senso ético por parte dos gestores e servidores do órgão.
Você concorda?

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DICAS

A troca de informações e o conhecimento de novas experiências é muito importante


para auxiliar no seu aprendizado e no seu aperfeiçoamento profissional.

TEORIA

ÉTICA NO TRABALHO

Agora vamos iniciar o estudo teórico deste tema. Podemos começar?

Atualmente, a sociedade passa por uma grave crise de valores, caracterizada pela
falta de decoro, de respeito pelo outro e de limites. As pessoas têm dificuldades em
assimilar normas morais e respeitar as leis e as regras sociais.

Isso tem uma influência direta nas organizações, porque elas estão ligadas à cultura
e, com base nesta, definem suas relações interpessoais e empresariais, seus
objetivos, compromissos e formato administrativo. Podemos dizer, então, que a
cultura de uma organização é o reflexo da cultura da sociedade.

Cada organização, porém, possui uma


cultura própria, visível, através da
qual se identificam as formas como as
pessoas se relacionam, a linguagem
usada, as imagens cultuadas. No
serviço público, as organizações
também possuem uma cultura
própria.

Mas, será que na maioria das organizações tudo corre bem, com tranqüilidade e
harmonia? Pense um pouco nisso.

POR QUE TEMOS MOTIVAÇÃO PARA PRODUZIR?

Todas as organizações são um campo de conflitos. Umas resolvem suas questões


democraticamente, discutindo-as coletivamente. Outras usam autoritarismo e
punições, impedindo a livre expressão. Esses conflitos, muitas vezes, são
promovidos mediante campanhas internas, como para a escolha do empregado
padrão, e outras maneiras de destacar determinadas qualidades do empregado em
detrimento de outras.

Na base desses conflitos, encontra-se a luta pelo poder. E o poder exercido dentro
de uma organização visa a atingir suas metas, levando os seus membros a
produzirem de forma competente e eficaz.
A sobrevivência de uma organização depende da forma como esse poder é
exercido, da postura moral das pessoas que o exercem.

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Para que haja desenvolvimento e a qualidade de vida seja preservada, faz-se
necessário que as relações nas organizações se baseiem em valores como:

ƒ Honestidade

ƒ Confiança

ƒ Credibilidade

ƒ Altruísmo

Uma organização precisa ser vista como um organismo vivo, onde cada integrante
tem um papel importante e útil a cumprir, a fim de garantir o seu perfeito
funcionamento.

HISTÓRIA

Para facilitar o entendimento do assunto vamos ver, agora, uma historinha.


Podemos começar?

A mãe de Mariana faleceu e lhe deixou de herança


um apartamento. Após algum tempo, Mariana
resolveu vender o imóvel e procurou um advogado
para tratar da documentação. Porém, ela não tinha
idéia da via crucis que iria iniciar. O processo de
inventário do imóvel se arrastou por doze longos
anos, tendo passado por inúmeras instâncias.
Sempre havia uma exigência legal que atrasava a
conclusão do inventário. Este mesmo processo, que
levou tanto tempo para a sua conclusão, se tivesse
sido acompanhado por funcionários mais
comprometidos com a diligência e agilização do caso,
teria levado muito menos tempo e dinheiro.

Circunstâncias como essa acontecem a todo momento. Reflita sobre o que pode ser
feito para que a sociedade cultive o conceito de presteza e responsabilidade
profissional.

TEORIA

NOVOS PARADIGMAS NAS RELACÓES PROFISSIONAIS

As pessoas que compõem as organizações precisam agir com profissionalismo,


dedicação e integridade, evitando a troca de favores, o jeitinho, o corporativismo e
o princípio de levar vantagem em tudo. Para colocá-las a serviço do bem comum
é preciso, assim, que as relações profissionais ocorram com base em princípios
morais como:

ƒ confiabilidade

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ƒ credulidade

ƒ integridade

ƒ respeito.

Enfim, as organizações públicas devem dedicar à ética o mesmo cuidado


dispensado às questões ditas organizacionais.

A ética no trabalho, ou qualquer que seja ela, deve seguir uma orientação
humanista, colocando a vida humana como o valor principal. Não podemos
esquecer que as pessoas integrantes das organizações são, antes de tudo, seres
humanos com emoções e sentimentos e não apenas peças da engrenagem
produtiva.

A ÉTICA NAS ORGANIZAÇÕES

A ética é a questão número um para a maioria das grandes organizações, de


acordo com recentes pesquisas realizadas nos Estados Unidos.

No Brasil, já existe uma consciência, que continua


crescendo, de que a questão da ética é tão
importante quanto à lucratividade. Contudo, ainda
temos muita estrada para caminhar neste sentido.
Infelizmente, existe uma grande resistência das
pessoas em admitirem suas atitudes antiéticas na
vida em geral e, por extensão, no trabalho. E o pior é
que as pessoas não fazem uma auto-análise dos
seus comportamentos, mas, ao contrário, passam a
assumir uma postura bem mais cômoda, embora
desonesta: culpam a organização e os outros
pelas conseqüências dos seus atos.

Os comportamentos antiéticos dentro das instituições, como o favoritismo, o


sacrifício dos mais fracos, a deturpação de relatórios, o tráfico de influências,
entre outros, atingem as pessoas e o próprio agente, pois são desumanos com
todos.

COMENTÁRIOS

Faça tudo para não perder de vista a sua dimensão humana no trabalho. Tenha
em mente que você precisa de tempo para a vida, para o lazer e para a família. Um
bom profissional precisa ter consciência dos limites que deve impor entre os
mundos profissional e pessoal. Precisa saber claramente quem ele é e o que é o
trabalho na sua vida. Se não tem essa compreensão, fica alienado.

TEORIA

A ÉTICA TEM TUDO A VER COMIGO!

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A pessoa alienada não tem uma verdadeira compreensão do que se passa atrás
das aparências, dificultando o entendimento entre o pensamento e a ação.

A alienação leva o indivíduo a desconhecer que a ética precisa estar presente em


todos os momentos da atividade humana.

Não entender isso, faz com que o profissional não


encare as situações éticas que a todo momento
ocorrem na organização, deixando-as de lado ou
subestimando-as.

Esta alienação, entendida como a falta de


compreensão da seriedade e conseqüência de
atitudes antiéticas, faz com que profissionais bem
intencionados não percebam a gravidade da
questão.

CULTIVAR A ÉTICA É CONSTRUIR ORGANIZAÇÕES SÓLIDAS

Como já foi comprovado, através de pesquisas, além de ser pensamento dos


antigos filósofos, podemos afirmar, sem medo de errar, que:

• a ética ainda é o melhor caminho;


• a integridade é uma fonte de sucesso para as organizações, que ganharão a
confiança dos clientes, o comprometimento dos servidores e a autonomia dos
seus líderes.

É muito triste, quando a ética é negligenciada numa organização, passando a


prevalecer o sentimento de desconfiança, a falta de lealdade dos empregados, a
utilização da tecnologia a serviço da fraude, entre outros.

A falta de ética coloca em jogo o destino da organização e tem sido o motivo do


desmoronamento de muitas instituições.

REFLEXÃO

Reflita e assimile. A ética é:

- o direito e a vontade de justiça;


- a arte que deve ser aprendida dia após dia;
- o investimento que vale a pena, pois é um grande patrimônio para os indivíduos e
o maior para a vida de uma organização.

Reflita e registre a sua resposta abaixo.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ƒ Elizete Passos, Ética nas Organizações – Uma Introdução, Editora Passos &
Passos, Salvador - BA

ƒ Oscar d’Alva e Souza Filho, Ética Individual & Ética Profissional, Editora ABC
Fortaleza, Fortaleza - CE

ƒ Maria da Glória Rabello de Moura, Ética (apostila)

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Tema - Moral e Ética
Assunto - Moral e Ética
Unidade - A Moral e a Ética

Nesta unidade, vamos estudar sobre a Moral e a Ética, entendendo os conceitos e a


diferença de cada um deles. Observe o exemplo apresentado, antes de iniciar o estudo
teórico. Podemos começar?

ESTUDO DE CASO

Antes de começar o estudo teórico, vamos ver um estudo de caso?

Numa empresa de economia mista da área de turismo, numa grande cidade do país,
durante um período de festas folclóricas, o poder público contratou profissionais para a
produção dos eventos. Os serviços de iluminação, sonorização, decoração e segurança
foram terceirizados. Era praxe das empresas prestadoras desses serviços pagarem
propinas, a fim de garantir a sua escolha. Mas o coordenador de eventos, de um
determinado ano, cuja trajetória profissional e pessoal era norteada pelo senso ético e
de honestidade, não concordou com tal procedimento. Contratou, então, empresas,
usando critérios baseados na qualidade dos serviços oferecidos, em requisitos técnicos
e nas referências apresentadas. O resultado dessa conduta ética foi a demissão desse
coordenador, após a realização do primeiro ciclo de festas populares da cidade.

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REFLEXÃO

Reflita um pouco sobre o exemplo acima. Como você agiria? O que você acha da
atitude desse coordenador?

Reflita e registre a sua resposta abaixo.

TEORIA

Agora, vamos iniciar o estudo teórico deste tema. Pronto para começar?

ÉTICA E MORAL: QUAL A DIFERENÇA?

Os mundos ético e moral do indivíduo se relacionam de forma contraditória e


intrínseca. Há uma influência recíproca entre as atitudes humanas que, na verdade,
constituem a unidade indivisível da personalidade natural do homem.

Essa contradição pode ser constatada quando


verificamos que os indivíduos nem sempre utilizam,
na sua ação moral, os princípios éticos que pregam.

É aquela velha história que você deve conhecer: a


teoria é diferente da prática. E como é! Uma coisa é
pregar o que deve ser feito, como deve ser feito. E
outra é o fazer, a ação.

Porém, a natureza da preocupação ética vai além dos aspectos de coerência entre
o dizer e o fazer. Não podemos esquecer que o fim do refletir ético é encontrar para
o ser humano o caminho seguro de uma moral feliz.

A felicidade é a busca essencial do ser. Mas essa verdade não se atinge


simplesmente pela correção dos princípios e pela coerência da prática moral com
tais valores. Pode acontecer que a pessoa discurse sobre uma ética, reflita sobre
sua validade e a pratique, e que no final, apesar de tudo, se sinta infeliz. Nesse
caso, precisa arriscar-se, experimentando novas éticas ou novas práticas morais
que lhe façam atingir o estágio feliz.

CADA UM TEM QUE FAZER A SUA PARTE!

A busca da felicidade pelo homem é tarefa exclusiva sua. O maior objetivo do ser
humano é a felicidade. Mas, ele tem que fazer a sua parte. Veja o que o compositor
baiano Gilberto Gil falou a esse respeito:

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“A Bahia já me deu régua e compasso. Meu
caminho pelo mundo, eu mesmo traço”.

Este caminho particular de cada um tem a ver com a sua cabeça e com o seu corpo,
com o conhecimento de si próprio, de sua integridade espiritual e sensitiva, de seus
limites e de suas possibilidades.

Por isso não basta somente a lógica interna e a correção formal da proposta ética
de cada um, mas principalmente, o fato de que, praticando essa ou aquela ação, a
pessoa se realizou, se sentiu bem, atingiu a felicidade.

Como você pode concluir, a ética deve ser realizada por uma moral. Seja como
reflexão indicativa de uma prática moral feliz, ou como atividade intelectual
especulativa do comportamento moral que felicitou o indivíduo. Daí decorre, após a
ação, a descoberta de uma nova ética que orientará com maior segurança os novos
passos da pessoa feliz.

O QUE SÃO VALORES MORAIS? CONFIRA!

Os valores morais estão presentes nas diversas esferas das nossas vidas.

Vejamos.

‰ O pai exige que o filho, respeitando seus valores, chegue em casa no horário
estabelecido.

‰ A esposa reclama fidelidade do marido e vice-versa.

‰ Em política, sabe-se que sem padrões de justiça não é possível administrar a


sociedade.

‰ O desenvolvimento da ciência e da tecnologia demanda parâmetros éticos.

‰ A Constituição de um país contém valores morais que os cidadãos devem


conhecer e transformar em realidade.

Não existe vida social sem a presença de regras ou normas de conduta – esta é a
importância do mundo moral.

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Os valores morais dominantes não são decididos individualmente. Eles surgem da
experiência do grupo humano e vão se internalizando e se tornando aceitos pelos
membros da sociedade. À medida que teorizamos sobre essa moral, vamos
tomando consciência dela, os seus preceitos tornam-se explícitos e começam a se
propagar pelos meios educativos e comunicacionais.

DICA

Olhe, aqui, uma dica importante! É fundamental o


papel dos pais na propagação dos valores, porque
para a criança a família é uma referência muito forte.

Se os pais desejam, realmente, transmitir aos seus


filhos algo essencial, precisam vivenciar, antes de
tudo, o ensinamento. Desprendimento, generosidade,
altruísmo, em suma, todas as qualidades ligadas ao
coração e ao amor são imperiosas na família como
exigência para uma vida plena.

As maiores recompensas que os pais podem ter são a alegria de transmitir


princípios de vida e de ver o filho crescer graças ao esforço e aos exemplos que
oferecem.

MORAL OU IMORAL? EIS A QUESTÃO!

A ação realizada será moral ou imoral, conforme esteja de acordo ou não com a
norma estabelecida. Assim, respeitar a propriedade alheia será considerada uma
ação moral, uma vez que - não roubar - está de acordo com a norma. Trapacear no
jogo será considerada uma ação imoral, pois a trapaça representa a violação de
uma norma moral, no caso, a honestidade.

No Brasil, os truques e sutilezas com o objetivo de levar vantagem sobre o outro,


transgredindo as normas, entraram na rotina de muita gente. O guarda dá um
jeitinho de cancelar a multa; o fiscal dá outro jeitinho de não embargar a obra, e o
tráfico de influências se alastra.

Na verdade, o “jeitinho” não deixa de ser uma prática de ações imorais. O


desrespeito e o desprezo à lei dão lugar ao oportunismo, à prepotência e ao
imperativo do mais “esperto”.

O resultado disso é a desmoralização da idéia de justiça, um clima de desconfiança


generalizada, um incentivo a comportamentos desonestos.

COMO SE DÁ A CONSTRUÇÃO DA NOSSA ÉTICA?

À medida que vivemos nossas experiências, vamos construindo a nossa ética.


Geralmente, a construímos no período da adolescência, quando começamos a nos
descobrir como um ser pensante e emotivo. Nessa época, o corpo se impõe com

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suas manifestações biológicas específicas, com seus apelos radicais em busca do
outro, com as naturais descargas hormonais e sensitivas.

O novo corpo começa a buscar um maior espaço


físico de liberdade, onde possa se descobrir, se
questionar e comparar suas descobertas com os
outros indivíduos.

Você está lembrado das emoções vividas na sua


adolescência? É a fase de descobertas marcantes de
novas verdades e novas emoções, como a
sexualidade e o amor.

Com base nas experiências da fase de adolescência, vamos nos construindo,


sensorial e emotivamente, a partir do conhecimento pessoal de nós mesmos, dos
caminhos que nos levam à dor e ao prazer, à decepção, ao remorso, à angustia, à
alegria e a momentos de felicidade.

Esta vivência tão marcante, com sensações contraditórias e conflitantes, faz com
que cada descoberta signifique uma ruptura, um trauma ou corte com relação à
ética que dirigia a nossa vida no período anterior.

O Padre Antonio Vieira retrata, de forma interessante, a caminhada do ser humano


no seguinte verso: “os desenganos vão conosco à frente e as esperanças vão
ficando atrás, sucedendo exatamente o contrário do nosso tempo de rapaz”.

REFLEXÕES

VAMOS VER ALGUMAS DEFINIÇÕES SOBRE MORAL E ÉTICA?

A palavra moral vem sendo substituída pela palavra ética. Para alguns autores, os
seus significados se confundem. Outros acham que tais palavras possuem origens
distintas e significados iguais.

Vamos apreciar algumas definições de autores diversos sobre moral e ética.

O Prof. Oscar d’Alva e Souza Filho, em seu livro Ética Individual & Ética
Profissional, afirma que “a moral é sempre a consumação prática de uma
determinada ética, pois no comportamento do indivíduo está embutido um valor
ético que ele preza e cultiva”.

Prossegue, dizendo que: “o homem, ao agir, ao fazer, realiza objetivamente uma


ação valorável. Nessa prática, nesse comportamento, está embutida a ética”.

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Já ocorreu com você uma situação em que, antes de
agir, ficou se perguntando: Devo fazer isso? Devo
agir ou não dessa forma? Isso é a consumação de
um momento ético.

A moral é bem mais dinâmica do que a ética, que é


mais estática e conservadora. A moral se modifica e
se altera com mais facilidade, devido a sua
exterioridade e superficialidade.

A moral se apresenta no modo de vestir, de falar, na escolha de determinadas


posturas e padrões de comportamento.

A ação moral enseja, no meio social, uma sanção


positiva ou negativa, conforme o comportamento. São
exemplos disso o aplauso e a vaia - formas difusas
de controle social da moralidade individual ou grupal.

É indiscutível que a vida humana estrutura-se em


torno de valores morais, pois nossas atitudes são
baseadas em escolhas feitas a partir do valor que
elas têm para nós.

Os valores morais só existem nos atos e produtos humanos, como:


comportamentos, interações sociais, decisões tomadas. Estes valores são de
propriedade do homem porque se pressupõe que seus atos se realizam de forma
livre e consciente, já que o ser humano possui livre arbítrio.

Geralmente, as organizações são acionadas por interesses individualistas, sem uma


base moral.

ALGUMAS DEFINIÇÕES DO QUE É ÉTICA. VAMOS CONFERIR!

Adolfo Vasquez afirma que: “a ética é a ciência que estuda o comportamento moral
dos homens na sociedade”.

Elizete Passos diz que: “a ética é a ciência da moral”.

Pierre Weil fala da “Ética Moralista – fundamentada no dever e/ou na razão, nos
dogmas impostos pela sociedade, e da Ética Espontânea – fundamentada na
sabedoria e no amor complementados pela razão“.

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Oscar d’Alva e Souza Filho costuma conceituar ética como “uma reflexão sobre o
fazer, antes de fazer, procurando fazer bem”.

Vejamos abaixo outras definições sobre ética de autores desconhecidos.

“É um conjunto de idéias, princípios e valores sobre os quais o homem reflete, para


pensar a ação feliz e segura”.

“É um conjunto de valores e princípios orientadores da ação humana”.

“Um conjunto ou sistema lógico de idéias e doutrinas que servem de postulado à


ação do homem”.

“É uma reflexão sistemática sobre o comportamento moral”.

“Investiga, analisa e explica a moral de uma determinada sociedade”.

“Compete à ética, por exemplo, o estudo da origem da moral, da distinção entre o


comportamento moral e outras formas de agir, da liberdade e da responsabilidade
e, ainda, de questões como a prática do aborto, da eutanásia e da pena de morte”.

“A ética não diz o que não deve ser feito em cada caso concreto”.

REFLEXÃO

Faça uma reflexão sobre seus valores éticos e morais.

Verifique se a sua prática de vida corresponde ao que você pensa.

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Tema - Moral e Ética
Assunto - Moral e Ética
Unidade - O homem, um ser consciente

Vamos estudar nesta unidade o homem como um ser consciente, conhecendo os


seus estados psíquicos, suas lembranças e sentimentos. Observe a diferença entre
consciência psicológica e consciência moral. Verifique, também, as reflexões sobre
atitudes discriminadoras que separam as pessoas. Vamos lá?

EXEMPLO

Antes de começar o estudo teórico deste tema, que tal ver um exemplo?

Um jogador anônimo fez uma aposta em uma casa


lotérica. Seu bilhete foi premiado com uma bolada
milionária. Porém, o vencedor, desavisado, não foi
reclamar o seu prêmio. O dono da casa lotérica,
consternado com a situação, resolveu, ele mesmo,
procurar o vencedor do prêmio. Após dias de busca,
finalmente o vencedor do bilhete foi localizado - pelo
dono da casa lotérica. A história se tornou pública e o
dono da casa lotérica apresentava-se como um herói.
Perplexo com tanto alarde, ele não entendia porque
um ato que nada mais era que a sua obrigação, foi
transformado em um símbolo de demonstração de
honestidade. Porque será?

REFLEXÃO

Reflita um pouco sobre o exemplo acima. Como você agiria? O que você acha da
atitude do proprietário da casa lotérica?

O médico e psicanalista Carl Jung afirmou que “a existência só é real quando é


consciente para alguém. A tarefa do homem é conscientizar-se cada vez mais”.

TEORIA

Vamos,agora, entrar na teoria?

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O QUE É CONSCIÊNCIA

Podemos dizer que ser consciente significa


proceder com consciência.

O ser consciente sabe que existe. A pessoa


consciente é a que sabe o que faz.

Gostamos muito da palavra consciência. Preste atenção como todos nós a usamos
no dia-a-dia, na linguagem coloquial. Vejamos os seus significados nas diferentes
situações abaixo:

• Paulo perdeu a consciência.


• Paulo agiu de acordo com a sua consciência.

O QUE É PERDER A CONSCIÊNCIA

Perder a consciência é deixar de ter o sentimento da existência de nós mesmos e


do mundo. Aqui se trata da consciência psicológica, que é o conhecimento de nós
mesmos. É a consciência que temos de existir, a consciência que temos de nossos
estados psíquicos, de nossas lembranças e sentimentos. É, também, a consciência
que temos, por exemplo, de que há livros sobre a mesa, de que o dia está chuvoso
ou ensolarado.

Como você pode ver, a consciência psicológica estende-se à experiência do meio


em que você vive, revelando, desta maneira, quem você é, o que faz e que mundo
lhe rodeia.

Essa frase refere-se à consciência moral, àquela voz interior que nos orienta, de
maneira pessoal, sobre o que devemos fazer em determinada situação. A
consciência moral emite seu juízo, antes da ação, como uma voz que aconselha
ou proíbe. Após a realização da ação, a consciência moral manifesta-se como um
sentimento de satisfação - força recompensadora - ou arrependimento, remorso -
força condenatória.

COMENTÁRIOS

DIFERENÇA ENTRE CONSCIÊNCIA PSICOLÓGICA E CONSCIÊNCIA MORAL

As consciências psicológica e moral relacionam-se entre si. Veja a situação


seguinte.

Praticamos uma ação e, em seguida, refletimos achando que não devíamos tê-la
praticado, por ser, por exemplo, prejudicial a alguém. Essa reflexão acompanhada
de arrependimento ocorre porque temos uma consciência psicológica.

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Ora, se nós não tivéssemos este tipo de consciência, não existiria o problema da
moral, pois esta é a função da consciência que consiste na distinção entre o bem e o
mal.

Vê-se, então, que se o problema moral se estabelece para o homem é porque,


inicialmente, ele tem consciência psicológica. Como você pode concluir, a
consciência moral pressupõe a consciência psicológica.

Se todos os atos humanos fossem desencadeados pela pressão dos instintos e dos
hábitos, se o homem não tivesse consciência do que faz, não existiria o problema da
moral. Mas, o homem é um ser racional, pensante.

Ser consciente significa não apenas ter o conhecimento de nós mesmos e


compreender o que está ocorrendo ao nosso redor, mas, também, perceber que
podemos agir de diversas maneiras, planejando o que irá acontecer.

NINGUÉM GOSTA DE SER MALTRATADO!

Estamos vivendo um momento em que milhões de pessoas conspiram por um


mundo mais humano, mais seguro, mais responsável e mais consciente.

E numa organização, este ser dotado de consciência,


de poder de decisão e de escolha, precisa ser
respeitado, independente da posição hierárquica que
ocupa, da sua capacidade produtiva e dos benefícios
que traga à instituição.

Não podemos esquecer que os indivíduos são mais


importantes que as organizações e de que estas
existem para oferecer melhores condições de vida aos
seres humanos.

Isso se aplica, igualmente, aos clientes externos, bem como a toda a sociedade, que
devem ser tratados e respeitados como seres humanos, independente da sua
condição social e econômica. Em muitas situações, principalmente na área de saúde,
vemos que as pessoas pertencentes às camadas mais altas recebem tratamento
diferenciado daquelas de camadas populares.

REFLEXÃO

O que você acha de uma atitude discriminante, que separa as pessoas? Pense um
pouco a respeito.

Temos certeza de que você concorda que esse comportamento é totalmente


contrário à ética. Não é mesmo?
Podemos concluir, então, que as organizações devem dedicar à ética o mesmo
cuidado que dispensam às questões organizacionais, sabendo-se que isso é de
suma importância para a sua sobrevivência econômica.

TEORIA

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ÉTICA HUMANISTA

A ética de uma organização deve seguir uma orientação humanista, ou seja,


reconhecendo o valor principal dos seres humanos.

Não pode ser esquecido


que as pessoas
envolvidas com a
organização são seres
humanos com emoções
e sentimentos e não
máquinas ou peças da
engrenagem produtiva.

Tudo deve ser feito para que a ciência e a técnica não sejam privilegiadas em
detrimento do aspecto humano.

REFLEXÃO

Vamos fazer uma reflexão sobre os questionamentos Marcuse, abaixo transcritos.

"O que fazer para que os recursos existentes na sociedade, intelectuais ou materiais,
possam ser colocados a serviço da vida, de uma vida que mereça ser vivida?"

"O que fazer para que esses recursos possam ser usados para o máximo de
desenvolvimento e satisfação das necessidades e faculdades individuais com o
mínimo de labuta e miséria?"

O compromisso ético das organizações é instituir práticas mediante as quais o


indivíduo seja tratado e reconhecido como um ser racional, consciente e respeitado
na sua inteireza, não se aceitando que os interesses econômicos fiquem acima dos
da pessoa humana.

Na sua opinião, como o servidor público poderá contribuir para aprimorar o senso
ético, visando ao bem comum. Reflita a respeito.

DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO – ONDE ENTRA A ÉTICA.

É muito importante a presteza das decisões, a eficácia na ação. Isso é inegável. Não
podemos, também, negar a importância do desenvolvimento cientifico e tecnológico,
que são fundamentais ao crescimento econômico. Agora, esse desenvolvimento
econômico deve ser colocado a serviço da vida, através:

• da preservação do meio ambiente;


• da criação de técnicas educacionais,

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• da criação de novos métodos e aparelhos a serem colocados a serviço da
vida;
• do desenvolvimento de pesquisas;
• do desempenho de práticas que garantam mais saúde e longevidade.

A ciência e a tecnologia devem ser usadas com ética, ou seja, devem ser colocadas
a serviço da vida, da harmonia, do respeito e da integridade.

A ética organizacional orienta as empresas a investirem na realização dos


indivíduos, procurando aproveitar os talentos dos seus empregados, dando-lhes
oportunidades, fornecendo-lhes as informações necessárias, enfim, oferecendo
condições para que possam realizar-se como pessoas livres e conscientes.

Da mesma forma, como já foi comentado, a ética organizacional orienta que os


parceiros e clientes externos sejam tratados com equidade, respeito, honestidade,
segurança e transparência, qualquer que seja sua cor, sexo ou condição social.

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Tema - Moral e Ética
Assunto - Moral e Ética
Unidade - O individual no social na moral

Esta unidade aborda o indivíduo no social e na moral. Você estudará o conceito


de moral, como o ser humano a internaliza e a influência do meio social na
formação do sujeito.

ESTUDO DE CASO

Antes de entrar na parte teórica, vamos ver um estudo de caso?

Ocorreu uma greve da força policial. No primeiro dia


da greve foi inaugurada uma era de pânico e terror
nas principais cidades do estado. Foram praticados
assaltos, arrastões e saques a lojas, bancos e
supermercados, ficando a população à mercê da
barbárie. O caos se instalou, sendo decretado feriado
estadual. Cidadãos ficaram confinados em suas
residências, tornando-se prisioneiros.

Após vários dias de negociação, chegou-se a um acordo e as polícias voltaram as


ruas. Só então, a população pôde retomar a sua rotina normal. O que se conclui
dessa triste história? Que as sociedades necessitam de uma força coercitiva para
impor a lei e a ordem? Reflita sobre o fato de que quanto mais distanciada a
sociedade estiver de valores morais e sociais, mais dependente ficará de
mecanismos externos para manterem a ordem e a paz.

Agora, vamos entrar na teoria?

22
TEORIA

AS INFLUÊNCIAS DO MEIO SOCIAL NA MORAL

A moral é, ao mesmo tempo:

• um conjunto de normas que determinam como deve ser o comportamento;

• as ações realizadas de acordo ou não com tais normas.

Veja o aspecto social da moral. Desde pequenos,


ficamos sujeitos às influências do meio social através
da família, da escola, dos amigos, dos meios de
comunicação de massa. As idéias morais vão sendo
adquiridas, aos poucos, desta forma.

Quando nascemos, já nos deparamos com um


conjunto de normas e valores aceitos em
determinado meio social.

A moral, todavia, não se reduz ao aspecto social. Passamos a colocar os valores


assimilados em questão, à medida que desenvolvemos a reflexão crítica. Passamos
a refletir sobre as normas e tomamos a decisão de acatá-las ou negá-las.

REFLEXÕES

Voltando ao estudo de caso apresentado no início da


unidade, vale a pena ressaltar um outro aspecto do
episódio: a falta de ética pessoal e profissional por
parte dos policiais grevistas. Quando os policiais
deflagraram a greve, paralisando totalmente as
atividades, violaram um princípio ético da profissão, o
de colocar em risco a vida do cidadão. No momento
em que assumiram essa posição, se distanciaram de
todos os valores até então defendidos, incorporaram
a postura de quem combatem.

Reflita sobre o nosso cotidiano, como nos afastamos dos valores morais que
alicerçam a nossa vida.

23
Teoria

A ACEITAÇÃO DAS NORMAS SOCIAIS

Interiorização é a aceitação espontânea de uma norma em conseqüência de uma


reflexão pessoal consciente.

O que qualifica o ato como moral é essa interiorização da norma. Faltando a


interiorização, o ato não é considerado moral, mas apenas um comportamento
determinado pelos instintos, pelos hábitos ou pelos costumes.

EXEMPLO

Vejamos estes exemplos, para você entender o que é interiorização.

Se uma criança de 12 anos decide escovar os seus dentes após as refeições,


porque sabe que, assim, conservará os seus dentes sem cáries, ela interiorizou a
norma que lhe foi ditada.

O Código de Trânsito determina que não devemos buzinar diante de um hospital. Se


respeito essa norma por convicção íntima, consciente de que os doentes precisam
de silêncio, é sinal de que interiorizei a norma, e a minha atitude é qualificada
como ato moral.

Porém, se a criança escova os dentes apenas para


não ser punida e, no segundo caso, se respeito essa
norma apenas para não ser multado, significa que
não houve interiorização. E nestes exemplos, os
dois atos escapam do campo moral, reduzindo-se
ao cumprimento de uma lei.

TEORIA

COMO SE DÁ O CONTROLE SOCIAL?

O grande filósofo Aristóteles observou, quando escreveu sua ÉTICA, que o


indivíduo, antes de uma ação, submete-a a três formas de controle:

ƒ o de sua própria consciência


ƒ o da família
ƒ o da sociedade.

24
À primeira forma foi chamada pelo filósofo de ética individual, porque o indivíduo
consulta somente a sua consciência e, em seguida, executa o ato.

Na segunda alternativa, após consultar a sua consciência, a pessoa reflete sobre a


reação que o seu ato poderia provocar na sua família. Muitas vezes, ela deixa de
agir, reprimindo a sua ação, por conveniências ligadas à família.

Na terceira forma, o indivíduo embora tenha superado a sua consciência ética e a


conveniência familiar, reflete sobre a repercussão que o seu comportamento
poderá ter na sociedade.

A CONSCIÊNCIA MORAL É CONSTRUÍDA?

O psicólogo e pedagogo Jean Piaget realizou um estudo pioneiro sobre o


desenvolvimento do critério moral, com base em uma pesquisa com crianças dos
bairros de Genebra, na Suíça. Segundo ele, a formação da consciência moral na
pessoa segue, basicamente, quatro etapas:

1 A etapa do comportamento puramente instintivo, que se orienta apenas pelo


prazer e pela dor. A criança procura o prazer e foge da dor, sem relacioná-los a
normas morais. Esta fase chama-se anomia, que significa negação, sem lei.
No adulto, a anomia revela um nível muito baixo de moralidade, ou seja, falta
de responsabilidade e de ideal moral. Exemplificando, seria o caso do motorista
que “voa” com seu automóvel apenas pelo prazer de correr, sem considerar as
conseqüências de seu ato.

2 A fase em que a criança obedece às ordens para receber a recompensa ou para


evitar o castigo chama-se hetoronomia, isto é, lei estabelecida ou imposta
por outra pessoa. É o caso do motorista que observa as leis de trânsito só para
não ser multado.

3 Nessa etapa, que se chama socionomia, os critérios morais da criança vão se


afirmando por meio de suas relações com outras crianças. Significa lei
interiorizada do convívio. Ela vai interiorizando as noções de
responsabilidade, obrigação, respeito, justiça. Começa a não fazer aos outros o
que não gostaria que fizessem a ela. Age sempre buscando a aprovação ou
evitando a censura dos outros. Entre adultos, é o caso do motorista que dirige
preocupado consigo mesmo e, sobretudo, com o que os outros pensam dele.

4 Nesta fase, a criança já interiorizou as normas morais e passa a comportar-se


de acordo com elas. É a etapa mais elevada de comportamento moral. Entre
adultos, é o caso do motorista que, na direção do automóvel, orienta-se pelas
leis de trânsito e por seus próprios princípios internos de conduta. Chama-se
autonomia, ou seja lei própria.

25
DIFERENÇAS ENTRE NORMAS MORAIS E NORMAS JURÍDICAS

Vamos agora apreciar as diferenças entre os princípios morais e as normas


jurídicas, criadas para orientar o comportamento do homem. Vejamos.

EXEMPLO

Vejamos exemplos de normas jurídicas cujo


cumprimento é obrigatório: A convocação dos jovens
para o serviço militar. O comparecimento às urnas,
durante uma eleição, para votação.

Tanto as normas morais como as jurídicas podem sofrer desvios. Quando as


normas instituídas pelo Estado não atendem aos interesses da sociedade, as
pessoas sentem-se oprimidas pelas leis. E quando os indivíduos negam as normas
morais estabelecidas e criam a sua moral particular, caem no individualismo.

A pessoa individualista não considera o bem comum da sociedade. Ela esquece


que o homem é um ser social, que tem não só direitos, mas também deveres.

REVISÃO PANORÂMICA

VOCÊ NÃO BUZINA EM FRENTE A UM HOSPITAL,


PORQUE:

Segundo o Código do Trânsito, não devo buzinar:

26
1 Se respeito a norma por convicção íntima, consciente de que os
doentes precisam de silêncio.

Nesse caso, interiorizei a norma e o meu ato é qualificado como moral.

2 Se respeito a norma só para não ser multado.

Significa que a norma não foi interiorizada, e o meu ato escapa do campo moral,
reduzindo-se ao cumprimento de uma lei.

Exercício Solo

Observe a ilustração. Qual o tipo da norma prevista na ilustração?

27
Agora que você identificou o tipo de norma, observe, nessa segunda ilustração, se
houve interiorização da moral.

28
Tema - Trabalho e Ética
Assunto - Trabalho e Ética
Unidade - O significado do trabalho

Vamos estudar nesta unidade o que significa o trabalho para o homem, enfocando
os sentidos do trabalho e seus propósitos e a diferença entre o trabalho humano e
a atividade instintiva animal. Você conhecerá como de dá a atuação humana,
entendendo que a felicidade para o homem é ter moral. Observe, ao final da
unidade, um exercício solo para facilitar o seu aprendizado.

ESTUDO DE CASO

Antes de entrar na teoria deste tema, que tal ver um estudo de caso?

A empresa Pólo Norte produzia sorvetes caseiros.


Sua clientela era composta, basicamente, pelos
moradores do bairro. Portanto, confiança era um
fator importantíssimo para garantir a sobrevivência
dos negócios. A empresa era pequena e gerida por
uma só família. Todos os funcionários pertenciam à
comunidade. A estrutura de trabalho era baseada na
confiança e amizade, e os empregados tratados
como parte da família.

Quando Sr. José Gomes - o patriarca da família - faleceu, seu filho mais velho,
Alberto, assumiu os negócios. Querendo imprimir a sua marca, Alberto mudou
radicalmente o tratamento dado aos funcionários. Passou a ter uma atitude
impessoal e a tratá-los como meros trabalhadores e não mais como parte de uma
família. Aos poucos, os mesmos funcionários que vestiam a camisa da empresa e
trabalharam anos a fio sem cobrar hora extra, passaram a exigir os seus direitos.
O novo chefe, cheio de si, não entendia o que estava acontecendo e porque a
situação estava se encaminhando para um confronto. Ele havia quebrado algo que
não tinha conserto: a motivação e identidade dos funcionários com o trabalho.
TEORIA
Vamos, agora, começar o estudo teórico?
O QUE É TRABALHO?
O trabalho é a aplicação das forças e faculdades humanas para alcançar um
determinado fim. O trabalho exerce uma função psicológica no indivíduo e na
sociedade, porque favorece o crescimento de ambos.

29
É um meio através do qual o homem e a sociedade
alcançam níveis de civilização mais avançados e
progressivos.
Aprecie o que Albert Camus falou sobre o trabalho:
"o trabalho é entre outras coisas (...) o domínio da
natureza pelo homem e, ao mesmo tempo, um tipo
primordial de relacionamento dos homens entre si".

REFLEXÕES

Reflita um pouco sobre o conteúdo estudado até agora.


Será que você viveria sem trabalhar? O que o trabalho significa para você?
Se preferir, discuta este tema com os seus colegas.

TEORIA

O DESENVOLVIMENTO HUMANO ESTÁ FUNDAMENTADO NO TRABALHO


O trabalho ocupa um lugar de destaque e relevo na mente e na preocupação do
homem. É um fator essencial à dimensão existencial e cultural do ser humano,
cujo sentido e dignidade têm sido uma conquista humana no decorrer e evolução
da história.
Por outro lado, deve-se ter em mente que o homem não deve ser submisso ao
trabalho, mas é este que deve estar em função do individuo. Deve ser atribuído
ao trabalho um sentido e significado justo, sem que se transforme em valor
alienador do ser humano.

Numa organização, torna-se, então, necessário, respeitar as normas de


convivência que os bons costumes e a moral estabelecem e consagram,
imprimindo nas relações com os colegas um caráter de estabilidade, criando,
assim, uma base firme e duradoura para o desenvolvimento do homem.

30
HISTÓRIA

Que tal ver uma historinha?

A família Gomes sempre valorizou o


trabalho. Toda a estrutura familiar
girava em torno dos direitos e
deveres de cada membro. Por serem
de origem muito humilde, os filhos
desde pequenos trabalharam para
ajudar no orçamento, além de
participar nas tarefas da casa.
Quando a filha mais nova, Juliana, se casou com um rapaz rico, ela quis
proporcionar a seus filhos tudo o que não tinha tido em sua infância. Na medida
em que eles cresciam, Juliana se empenhava para que nada abalasse a vida
deles, criando um verdadeiro mundo de fantasia. Não eram responsáveis por nada
e tinham tudo o que desejavam.
Juliana estava convencida que seus filhos, inevitavelmente, iriam ter que assumir
responsabilidades quando se tornassem adultos. Portanto, ela queria que
tivessem uma infância tranqüila. Entretanto, à medida em que se tornavam
adultos, ficou evidente como estavam despreparados para lidar com as
dificuldades da vida. Sempre esperavam que alguém resolvesse os seus
problemas e não valorizavam nenhum tipo de trabalho. Juliana, então,
compreendeu que havia errado muito nos valores cultivados na educação de seus
filhos. O respeito ao trabalho, individual e coletivo, não havia sido cultivado.
Reflita sobre como reproduzimos este padrão de comportamento e como podemos
evitar.
TEORIA
Vamos retomar o estudo teórico deste tema?
OS SENTIDOS DO TRABALHO E SEUS PROPÓSITOS
Maria da Glória Rabello de Moura pesquisou os sentidos do trabalho, chegando
à conclusão de que os principais são os seguintes:
1. Pessoal - é o fundamento da existência econômico-financeira, pois garante
e assegura o sustento ao trabalhador e à sua família. E, para a maioria das
pessoas, é a única fonte para aquisição de bens. Permite, também, ao
homem aperfeiçoar suas potencialidades, forças, capacidades e talentos, e
é um dos melhores meios de formação de equilíbrio e autodomínio.
2. Social - é o primeiro e o mais importante meio de produção de que
dependem, de modo inevitável, o rendimento econômico e o bem-estar da
nação. No trabalho, as pessoas experimentam a interdependência, ou seja,

31
a necessidade que uns têm dos outros. Proporciona o dinamismo, evitando
que as pessoas não sejam simples parasitas da sociedade.
3. Cósmico - é um instrumento de aperfeiçoamento do mundo. Graças ao
trabalho o homem domina, usufrui e melhora o planeta, legitimando a sua
capacidade produtiva, como ser transformador da sociedade.
4. Religioso - é o campo mais propício para o exercício das virtudes, como a
paciência, o altruísmo, a dedicação, a humildade, a bondade, entre outras.
No trabalho, as pessoas atuam com as forças dadas por Deus, tendo a
oportunidade de usar bem as coisas criadas e, desta forma, prestando um
culto a Deus.
QUAL A DIFERENÇA ENTRE O TRABALHO HUMANO E A ATIVIDADE
INSTINTIVA ANIMAL?
Observe a extraordinária clareza e beleza com que Karl Marx fez a distinção entre
o trabalho humano e a atividade instintiva do animal. Ele afirmou:
"Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha supera
mais de um arquiteto ao construir sua colméia. Mas o que distingue o pior
arquiteto da melhor abelha é que ele figura na mente sua construção antes de
transformá-la em realidade.
No fim do processo de trabalho aparece um resultado que já existia antes, em
forma de idéia, na imaginação do trabalhador. Ele não transforma apenas o
material sobre o qual opera. Ele imprime ao material o projeto que tinha
conscientemente em mira, o qual constitui a lei determinante do seu modo de
operar e ao qual tem de subordinar sua vontade."

Através do trabalho, o homem, na condição de


transformador da natureza, tem condições de atingir
seu mais elevado ideal de realização, com
consciência e liberdade.

OS ANIMAIS SÃO SERES GUIADOS PELOS INSTINTOS...


Os animais vivem em harmonia com sua própria natureza, pois agem de acordo
com as características de sua espécie quando, por exemplo, se acasalam,
protegem a cria, caçam e se defendem. Os animais vivem quase que
completamente determinados pelos seus instintos e cada espécie vive no seu
ambiente particular.
A ATUAÇÃO HUMANA
Quando o homem age, cria e empreende, produzindo objetos e saberes, bens
materiais e simbólicos, está atuando não somente no âmbito do trabalho, mas
também no campo do saber e do poder, ou seja, no campo da cultura e da

32
política. Estas dimensões estão entrelaçadas e carregam um forte componente
ético.

A FELICIDADE ESTÁ EM TER MORAL


O fim buscado pela ética profissional é uma moral
feliz. Ou seja, deverá corresponder à expectativa de
felicidade da pessoa. Essa moralidade feliz do
profissional remete o indivíduo a uma identificação
teórica com a sua profissão, a um confronto com
seus valores de indivíduo e à expectativa final que o
cliente espera do seu trabalho.

A atitude profissional compromete o conceito da


profissão, a moral do profissional e o cliente. Ela é
tão séria e relevante socialmente que hoje saiu do
mero controle da consciência ética de cada sujeito
para receber controle externo da própria sociedade,
destinatária maior desses serviços.

33
Tema - Trabalho e Ética
Assunto - Trabalho e Ética
Unidade - Os deveres fundamentais do homem

Esta unidade trata dos deveres fundamentais do homem enfocando o homem


como um ser social. Verifique, com atenção, a história das três peneiras
demonstrando uma lição de ética. Vamos lá?

ESTUDO DE CASO
Que tal ver um estudo de caso, antes de iniciar o estudo teórico?
Todos conhecem o famoso desenho animado Tarzan. É a história de uma criança
que foi criada por animais, no caso, macacos. Houve também, casos verídicos de
crianças que foram encontradas, após anos, vivendo com e como animais. O que
se constatou no estudo do comportamento destas crianças é que, apesar da
genética determinar várias características do homem, especificamente em nível
físico, o meio social tem um papel preponderante na definição do caráter de uma
pessoa.
Sem estes valores, descritos em todos os códigos
sociais, a noção de deveres e direitos é totalmente
rudimentar. A sociedade humana estabeleceu, ao
longo dos milênios, uma delicada rede de relações
humanas, pautada em direitos e deveres. Esses
valores nos distanciaram dos animais irracionais.

REFLEXÕES
Você já pensou na sua origem? Quem você é? De onde veio? Pense um
pouquinho sobre isso com seus colegas.
TEORIA
Vamos começar a teoria deste tema?

COMO O HOMEM SE DIFERENCIA DE UM ANIMAL IRRACIONAL?

34
Sabemos que o ser humano provém de espécies
inferiores e que é um animal. Este animal racional, o
homem, tem muitas semelhanças com o animal
irracional. Se observarmos os órgãos sensitivos,
veremos as semelhanças e desvantagens que o
homem leva em relação ao animal quanto à
perfeição e à agudeza de certos sentidos, como o
olfato, a visão, a audição.

O organismo do animal é mais saudável do que o organismo do homem. Este é


mais fraco do que o animal irracional, carente de meios naturais de defesa,
sensível a doenças e a intempéries, com pouca força, sem garra, lento no correr e
no nadar.
O homem não leva vantagens consideráveis, se comparado com o animal,
principalmente quando fazemos um paralelo entre os vários sistemas que regem o
animal e o homem - sistema nervoso, sistema digestivo, sistema de irrigação
sanguínea, sistema respiratório.
O HOMEM E O ANIMAL POSSUEM PODEROSOS INSTINTOS

Com relação aos instintos, tanto o homem, como o


animal, possuem instintos poderosos como o de
conservação e o sexual.
Mas, o homem, graças à sua racionalidade, não
desapareceu, transformou seu habitat e se
multiplicou exageradamente. Todas as fraquezas e
desvantagens do homem com relação ao animal são
compensadas pela razão.

O HOMEM UM SER SOCIAL


O homem manifesta a sua racionalidade na ação, que pode se dar sob vários
aspectos - a técnica, a tradição, o progresso, o pensamento, a reflexão, a
liberdade. Como o homem é um ser social , torna-se imprescindível que aprenda
a respeitar normas de convivência, pautadas pela ética e pela moral, imprimindo
um caráter de estabilidade nas relações com seus parceiros. Assim, cria-se uma
base sólida para o desenvolvimento.
OS PRINCIPAIS DEVERES DO SER HUMANO
Podemos dizer, então, que o trabalho é um meio de aperfeiçoamento das
relações dos indivíduos entre si. Nesse propósito, Maria da Glória Rabello de
Moura considera como deveres fundamentais os seguintes:

35
O MAU USO DAS DESCULPAS
É necessário que as pessoas cumpram os seus deveres, revelando
compromisso e responsabilidade. As organizações necessitam de seriedade no
trato das suas questões. A ausência desse comportamento gera a banalização e o
descaso com o coletivo.
Cuidado para não usar desculpas, tentando justificar deslizes!

Observe as suas atitudes e as da organização. Tendo dúvidas, reflita, fazendo


questionamentos, como:

HISTÓRIA
LIÇÃO DE ÉTICA
Você conhece a história das TRÊS PENEIRAS ? É uma antiga lição de ética,
mas muito atual e apropriada para ser usada nas nossas vidas.
"Um dia um rapaz falou para o grande filósofo Sócrates (470 - 399 a.C.) que
precisava contar-lhe algo sobre alguém. Sócrates imediatamente perguntou-lhe:
"O que você quer me contar já passou pelas três peneiras?" - "Três peneiras!"
Veja:
A PRIMEIRA PENEIRA É A VERDADE
O que você vai contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve
morrer por aí mesmo. Suponhamos que seja verdade. Deve passar, então, pela
segunda peneira.
A SEGUNDA PENEIRA É A BONDADE
O que você vai contar é coisa boa? Ajuda a construir o caminho e a fama da
pessoa ou ajuda a destruí-la? Se o que você deseja me contar é verdade e uma
boa coisa, deverá passar, ainda pela terceira peneira.
A TERCEIRA PENEIRA É A NECESSIDADE
Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o
planeta?
E Sócrates concluiu: Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você
e seu irmão, iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será
uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre
irmãos, parceiros do planeta. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer
comentário infeliz!"
Para Sócrates ninguém pratica voluntariamente o mal. Somente o ignorante não é
virtuoso. Ou seja, só age mal, quem desconhece o bem, pois todo homem quando
fica sabendo o que é o bem, reconhece-o racionalmente como tal e passa a

36
praticá-lo. Ao praticar o bem, o homem sente-se dono de si e, conseqüentemente,
é feliz.

37
ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO

Tema - Trabalho e Ética


Assunto - Trabalho e Ética
Unidade - As virtudes Profissionais

Nesta unidade você estudará as virtudes profissionais com o conhecimento das


qualidades pessoais e o desempenho profissional. Observe um jogo solo para que
você internalize melhor o conteúdo deste assunto. Vamos lá?

ESTUDO DE CASO

Antes de começar o estudo teórico do tema, vamos ver o estudo de um caso?


Não é possível dissociar as qualidades pessoais do desempenho profissional. O
caso de Vítor é um bom exemplo disso. Embora tecnicamente preparado, Vítor
tinha algumas distorções de caráter. Oportunista, sempre buscava formas de tirar
vantagem sobre seus familiares, amigos e colegas de trabalho. Trabalhava como
motorista para uma empresa de transportes. Dirigia muito bem, muito responsável
no cumprimento das regras de trânsito, mantinha-se sempre calmo, característica
fundamental para quem tem de enfrentar o estresse do trânsito. Além disso, era
muito cuidadoso com o veículo.
Porém, mesmo sendo extremamente qualificado para exercer a função de
motorista, o desvio de caráter de Vítor não permitiu que ele se tornasse um bom
profissional. Nos momentos de folga, ao invés de estacionar o carro na garagem
da empresa, utilizava veículos da firma para fazer trabalhos particulares e, assim,
obter uma renda extra. Vítor acabou sendo demitido.
Como se pode perceber, a dimensão pessoal extrapola a nossa vida privada e
também se manifesta na nossa vida profissional. A atitude profissional exige
características que são de cunho pessoal, tais como lealdade, honestidade e
responsabilidade.
Reflita sobre quais das suas características pessoais você considera positivas no
trabalho e quais você considera prejudiciais.
TEORIA
Vamos entrar na teoria?
QUALIDADES PESSOAIS E DESEMPENHO PROFISSIONAL
Além dos deveres fundamentais do homem, não se pode esquecer que as
qualidades pessoais concorrem muito para o enriquecimento da atuação de
qualquer profissional. Aliás, tais qualidades, muitas vezes, facilitam o desempenho
da profissão.

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O ser humano está em contínuo crescimento
pessoal. Então, muitas das qualidades de que
necessita para viver bem e produtivamente podem
ser adquiridas mediante reflexão, boa vontade e
esforço. O trabalho é, também, um excelente
campo para o aprimoramento da nossa
personalidade.

Vamos, então, apreciar as principais virtudes que um profissional precisa


desenvolver, segundo a opinião do consultor dinamarquês Clauss Moller. Este
estudioso afirmou, em 1996, que o sucesso de um profissional depende das
qualidades que pratica no seu ambiente de trabalho, tais como responsabilidade,
lealdade, iniciativa, honestidade, sigilo, competência, prudência, coragem,
perseverança, compreensão, humildade, imparcialidade e otimismo. Vamos,
agora, analisar uma a uma.

Responsabilidade

Você sabe o que é uma pessoa responsável ? Esta palavra é bastante usada e,
na maioria das vezes, não apropriadamente. Na realidade, responsável é o
indivíduo que responde pelos seus próprios atos ou pelos atos de outrem. Então, a
virtude da responsabilidade é um elemento fundamental, no exercício de
qualquer profissão.

A pessoa dotada de senso de responsabilidade tem muito mais condições de


agir de maneira mais favorável aos interesses da sua equipe. E a consciência de
que possui tal influência é uma experiência pessoal muito importante. A
responsabilidade aumenta a auto-estima das pessoas, conferindo-lhes um sentido
de vida e uma motivação para alcançar as metas traçadas.

REFLEXÕES

As pessoas que não assumem responsabilidades, geralmente, têm dificuldade em


encontrar significado em suas vidas. Em geral, essas pessoas não são bons
integrantes de equipes. Reflita sobre o tema. Você se considera uma pessoa
plenamente responsável?

TEORIA

Lealdade
Lealdade significa ser fiel aos seus compromissos, com sinceridade, franqueza e
honestidade. Lealdade não significa fazer só o que o seu chefe ou a organização

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quer. Lealdade não é obediência cega. Será que eu sou um funcionário leal?
Vamos ver?

Iniciativa
Iniciativa é a capacidade daquele que sabe agir, que está disposto a empreender,
ousar. É a ação daquele que é o primeiro a propor algo.
As virtudes da responsabilidade e da lealdade são completadas pela iniciativa,
sendo que esta última é que coloca as duas primeiras em movimento.
Quando tomamos a iniciativa de fazer algo pela organização é porque somos
leais para com ela. Repare que tomar iniciativa em relação a um trabalho é,
também, assumir responsabilidade por sua implementação.
Então, as virtudes responsabilidade, lealdade e iniciativa caminham juntas
numa organização.

Honestidade
A honestidade é a primeira virtude no campo profissional. Ela é total, não
admitindo relatividade. Ou seja, a pessoa é honesta ou não é. Não existe meio
termo!
A honestidade relaciona-se com:

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• a confiança que nos é depositada;
• a responsabilidade perante o bem de terceiros;
• a manutenção dos direitos de terceiros.
A fascinação pelos lucros, privilégios e benefícios fáceis não permeia a
honestidade.
Veja o que foi afirmado pelo filósofo Aristóteles (384 a 322 a. C), analisando a
questão da honestidade. Reflita um pouco sobre o que ele afirmou.

"Há pessoas que se excedem para obter qualquer


coisa e de qualquer fonte, por exemplo, os que
fazem negócios sórdidos, como os usurários que
emprestam pequenas importâncias a juros altos.
Todas as pessoas deste tipo obtêm mais do que
merecem e de fontes erradas. O que há de comum
entre elas é obviamente uma ganância sórdida. Com
efeito, os indivíduos que ganham muito em fontes
erradas e cujos ganhos são injustos não são
chamados de avarentos, mas de maus, ímpios e
injustos".

Sigilo
O sigilo é uma virtude de suma importância nas empresas. Como funcionários,
temos obrigação de preservar uma informação sigilosa a que temos acesso. O
respeito aos segredos das pessoas, dos negócios, das empresas é uma qualidade
fundamental que deve ser incentivada e desenvolvida pelos profissionais.

Antes de comentar algo sobre a organização em que trabalhamos, devemos


pensar se vale a pena falar e qual a conseqüência que poderá advir do
comentário. Tenhamos em mente que revelar detalhes, ou ocorrências, dos
ambientes de trabalho pode prejudicar a empresa. Por exemplo, isto pode dar

41
oportunidade de terceiros copiarem planos e projetos ainda não colocados em
prática. Além disso, a revelação de questões sigilosas da organização pode
acarretar situações embaraçosas e punições para quem falou.

Não esqueça que é uma postura inadequada e antiética falar sobre questões
delicadas e segredos de sua organização. Fique atento a isso!

Competência
Competência, sob o ponto de vista funcional, é o exercício do conhecimento de
forma adequada e persistente. A competência é uma virtude qualificadora do ser
humano. Em qualquer área de atuação, é de extrema importância a busca da
competência.
O conhecimento da ciência, da tecnologia, das técnicas e práticas profissionais é
um pré-requisito para a prestação de um serviço de boa qualidade.
Nem sempre é possível acumular todo
conhecimento exigido por determinada tarefa, mas é
necessário que tenhamos a postura ética de
recusar serviços, quando não possuímos a devida
capacitação para executá-los.

Vejamos exemplos de conseqüências da falta de competência profissional:


• pacientes que morrem ou ficam aleijados por incompetência médica;
• causas que são perdidas pela incompetência de advogados;
• prédios que desabam por erros de cálculo em engenharia.
Como você vê, sem capacitação, sem conhecimento, não vamos a lugar a
nenhum.

Prudência
prudência é
indispensável porque
Prudência é a qualidade de quem age com evita os julgamentos
moderação, comedimento, buscando evitar o erro apressados que
e o dano. É cautela, precaução e segurança. redundam, muitas
vezes, em erros com
A execução de qualquer trabalho exige muita
sérias conseqüências
segurança. O profissional prudente analisa
para uma organização.
situações complexas e difíceis com mais facilidade e
de forma mais profunda e minuciosa, contribuindo
para o maior acerto das decisões a serem tomadas.
No caso, então, de decisões sérias e graves, a

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Coragem
Ter coragem é possuir ousadia, firmeza, desembaraço, capacidade de resolução
em face das situações difíceis. Ter coragem é agir sem medo diante do perigo.
Você é uma pessoa corajosa?
Todo profissional precisa ter coragem. Vejamos como essa virtude é fundamental
no trabalho:
Precisamos ter coragem para tomar decisões indispensáveis e importantes para a
eficiência do trabalho, sem levar em conta possíveis atitudes de desagrado dos
chefes ou colegas.

Perseverança
A perseverança é a qualidade daquele que é constante, pertinaz, determinado,
firme. Quem persevera é um vencedor!
É uma qualidade muito necessária no trabalho, porque, numa empresa, estamos
sujeitos a incompreensões, insucessos e fracassos que precisam ser superados,
sem prejuízo da produtividade e da qualidade do trabalho.

43
A pessoa que não tem constância, não conclui
quase nada na vida e se torna insatisfeita e, quase
sempre, culpa o outro pelo seu insucesso. A
perseverança anda de mãos dadas com a coragem
e a firmeza.
Reflita sobre a sua atuação profissional e veja se
você tem sido perseverante nos seus propósitos,
contribuindo para o seu sucesso pessoal e do seu
trabalho.

Compreensão
Compreensão é o ato ou efeito de compreender. A faculdade de perceber. Um
profissional que possui a virtude da compreensão é muito bem aceito pela equipe
de trabalho, porque ele se torna acessível, de fácil diálogo, de fácil convivência.
Além disso, colabora muito para um bom resultado do seu grupo.

Agora, preste bem atenção! Não confunda


compreensão com falta de firmeza, com fraqueza.
Ser compreensivo não é ser levado por opiniões ou
atitudes, nem sempre válidas para a eficiência do
trabalho. Ter compreensão não é ser simplesmente
"bonzinho".

A compreensão no ambiente profissional deve estar atrelada à prudência, à


humildade e à generosidade e deve visar a alcançar os objetivos da organização.

Humildade
Humildade é a virtude de ser modesto, respeitando o outro, acatando opiniões e
valores diversos. É reconhecer os limites, estando aberto a mudanças.
A humildade tem a ver com a responsabilidade, com a competência, com a
perseverança, com a compreensão e com a honestidade.

A virtude da humildade é essencial no trabalho.


Precisamos tê-la em grau suficiente para admitir que
não sabemos todas as coisas, para aceitar as
nossas falhas e as do outro e para admitir que o
bom senso e a competência são propriedade de um
grande número de pessoas.

44
É importante fazermos uma auto-análise para reconhecer as nossas limitações e,
quando necessário, buscar a colaboração de outros profissionais mais capazes. A
pessoa humilde está sempre disposta a aprender coisas novas, numa constante
busca de crescimento e aperfeiçoamento.
Mas, é importante não confundir a virtude da humildade com fraqueza,
subserviência, dependência. Quem acredita nisto, tem um conceito errôneo que
precisa ser modificado.

Imparcialidade
Imparcialidade é julgar desapaixonadamente, sem erro. É agir com retidão e
justiça, não sacrificando a sua opinião à própria conveniência, nem às de outrem.
A imparcialidade vive de mãos dadas com a justiça e a coragem. Para exprimir
um julgamento justo, precisamos ser imparciais. Logo, a justiça depende muito da
imparcialidade.
É a virtude da imparcialidade que dá ao profissional condições de:
• Combater os preconceitos.
• Questionar os mitos.
• Defender os verdadeiros valores sociais e éticos.
• Exercer o senso de justiça.

Otimismo
Uma das metas principais do ser humano é a felicidade. Uma condição para
sermos felizes é o otimismo. O que é ser otimista?

REFLEXÕES
Reflita sobre suas atitudes no trabalho e veja se você é otimista ou pessimista.
Pense positivo. Acredite nas pessoas. Tenha fé no potencial dos seus
companheiros. Tenha em mente que não existe problema sem solução. E vá em
frente.
O profissional precisa ser otimista para acreditar na capacidade de realização da
pessoa humana, para acreditar no poder do desenvolvimento, para enfrentar o
futuro com energia e bom humor.
DICAS

Para um maior aprofundamento, sugerimos que você veja a série sobre ética,
dividida em quatro temas - A Arte de Viver, A Culpa dos Reis, O Drama Burguês e

45
A Ética das Aparências - produzida pela TV Cultura e O2 Filme"s, constante de
duas fitas de vídeo cassete: ÉTICA 1 e 2.

Veja informações no site http://www.paulinas.org.br/livirtual

46
ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO

Tema - Trabalho e Ética


Assunto - Trabalho e Ética
Unidade - A Ética Profissional

Nesta unidade, vamos estudar e conhecer o conceito de ética profissional,


entendendo que o princípio básico de toda ética é o respeito à dignidade
humana. Observe o exemplo e o exercício de fixação, ao final. Podemos iniciar?

EXEMPLO

Antes de começar o estudo teórico deste tema, vamos ver um exemplo?


A reportagem da Revista Veja, edição de 6 de março de 2002, página 87,
intitulada "Eu toparia qualquer coisa", conta uma trágica história. Após a
segunda gravidez, Beth, uma mulher na faixa dos trinta anos, não estava satisfeita
com seu corpo. Alegava que seu quadril tinha umas "gordurinhas localizadas".
Assim, resolveu que necessitava de uma lipoaspiração. Procurou uma famosa
clínica em São Paulo e, após cinco horas de espera, a médica que a atendeu
(dona da clínica), convenceu-a de que, já que iria se submeter a uma cirurgia,
deveria ampliá-la fazendo uma plástica de abdômen para retirada de estrias e
flacidez, problemas que, até então, não incomodavam Beth.
Convencida de que valia a pena o esforço, Beth internou-se e submeteu-se à
cirurgia. Prevista para durar três horas, a cirurgia durou doze.
Começava ali o desespero de Beth. Na primeira troca de curativos, notou que sua
pele estava em carne viva de tão esticada que fora. Consultada, a médica dizia
que era normal e que ela deveria esperar a cicatrização. Como Beth continuava
sentindo dores terríveis e as cicatrizes não fechavam, procurou outro médico.
Após três outras cirurgias reparadoras, uma cicatriz enorme na barriga, a pele
repuxada e a perda do umbigo, a cirurgia, cujo objetivo principal era aumentar a
auto-estima de Beth, fez efeito contrário. Se Beth tivesse encontrado uma médica
com ética profissional, não precisaria ter se submetido a qualquer cirurgia. Um
verdadeiro médico a teria convencido de praticar algum tipo de exercício físico, o
que facilmente teria resolvido seu problema.

TEORIA
Agora, vamos entrar na teoria?
O CONCEITO DE ÉTICA PROFISSIONAL
Numa conceituação geral, ética profissional é um conjunto de princípios a serem
observados pelos indivíduos no exercício de sua profissão.

47
O professor Oscar d'Alva, no seu livro "Ética Individual & Ética Profissional -
Princípios da Razão Feliz" (1998) afirma:
"A ética profissional pode ser compreendida como uma reflexão pessoal do
agente profissional, buscando definir diretrizes lógicas e valorativas orientadoras
de seu procedimento no trabalho." ..."O refletir ético-profissional traduz densa
complexidade e dificuldade normativa da indicação de uma moral exemplar, pois
apresenta invariavelmente como questão prática a problematização de duas
realizações felizes, a do profissional e a de seu cliente".
Laura Nasch (1993) afirma que a ética nas organizações não se caracteriza
como valores abstratos nem alheios aos que são praticados na sociedade. Ao
contrário, as pessoas que fazem parte da instituição levam para ela as mesmas
crenças e princípios que absorveram como membros da sociedade.
Elizete Passos, professora de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, no seu
livro "Ética nas Organizações - Uma Introdução", diz que a "ética profissional
caracteriza-se por um conjunto de normas e princípios que tem por fim orientar as
relações dos profissionais com os seus pares, destes com os seus clientes, com
sua equipe de trabalho, com as instituições a que servem, dentre outros."
A ética profissional é definida por muitos autores como um conjunto de normas
de conduta que deverão ser colocadas em prática no exercício de qualquer
profissão. Seria a ação "reguladora" da ética, agindo no desempenho das
profissões, fazendo com que o profissional respeite seu semelhante, no exercício
da sua profissão.
A ética é indispensável ao profissional porque na ação humana "o fazer" e o "agir"
estão interligados.
VEJA O QUE A ÉTICA PROFISSIONAL CONTEMPLA
Ela estuda e regula o relacionamento do profissional, visando à dignidade
humana e à construção do bem-estar sócio-cultural.
Atinge todas as profissões. Quando falamos em ética profissional, estamos nos
referindo ao caráter normativo e até jurídico que regulamenta determinada
profissão, a partir de estatutos e códigos específicos.
O FAZER E O AGIR
O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir
para exercer bem a sua profissão.
O agir refere-se à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve
assumir no desempenho da sua profissão.

48
A ÉTICA PROFISSIONAL DEVE SER EM RESPEITO À DIGNIDADE HUMANA
A ética profissional tem um caráter muito prático, tornando-se meramente
normativa. É por isso que nos defrontamos com códigos de ética, regras, etc,
como se a ética tivesse um fim em si mesma. Mas os códigos de ética não podem
deixar de ter um compromisso direto com a sociedade e, assim, precisam ser
meios para atingir o indivíduo, já que o princípio básico de toda ética é o respeito
à dignidade humana.
Os códigos ou normas de ética profissional seguem sempre a orientação teórica
da sociedade.
Uma forte tendência dos códigos atuais, que deve
ser perseguida, consiste em uma tentativa real de
avaliação dos profissionais, tendo em vista verificar
seus méritos e defeitos, a fim de sugerir as
alterações necessárias. A preocupação é fazer da
norma não um escudo para o profissional, mas um
instrumento para o exercício correto da profissão e
da descoberta da verdade.

Achamos que essa deve ser a orientação a ser seguida por todos os códigos de
ética profissional, para que possuam sempre um caráter verdadeiramente ético e
não um amontoado de fórmulas prontas, sem objetividade, que servem apenas
para "sacramentar" a prática exercida.

TODAS AS PROFISSÕES TÊM UM CÓDIGO MORAL


As profissões, em geral, apresentam a ética firmada em questões muito
relevantes que ultrapassam o campo profissional. Veja só algumas questões
morais que se apresentam como problemas éticos porque requerem uma
profunda reflexão:
• o aborto;
• a pena de morte;
• os seqüestros;
• a eutanásia;
• a AIDS.

49
Sobre tais temas, o profissional reflete como um pensador, como um "filósofo" da
profissão que exerce. Como podemos ver, a reflexão ética entra na moralidade
de qualquer atividade profissional humana.
A ética é inerente à vida humana. A sua importância é bastante evidenciada na
vida profissional, porque cada um tem responsabilidades individuais e
responsabilidades sociais, envolvendo pessoas que dela se beneficiam.
MUDANÇAS NOS VALORES ÉTICOS
Os valores que regulam as relações e os comportamentos, dentro de uma
organização, alteram-se, conforme as mudanças histórico-sociais. Vejamos alguns
exemplos que ilustram essa afirmação:
Podemos dizer que a sociedade atual legitimou a idéia de que, para obter êxito,
qualquer atividade profissional tem que se caracterizar pela qualidade,
transparência, honestidade e respeito ao ser humano.
QUAL A RELAÇÃO ENTRE A ÉTICA INDIVIDUAL E ÉTICA PROFISSIONAL?
A ética orientadora da vida pessoal, inegavelmente, tem enorme influência na
diretriz que o indivíduo imprimirá à sua profissão. Isso porque a pessoa já chega
à universidade na fase adulta e, ao conclui-la, já é, sem dúvida, uma pessoa
amadurecida para a vida. Assim, levará consigo, valores fundamentais que se
incorporarão à sua prática profissional.
Honestidade, solidariedade, fraternidade, fidelidade, são qualidades
provenientes da experiência ética e moral já vivenciadas pelo indivíduo. Sem
nenhuma dúvida, a formação ética do ser influi, decisivamente, no seu
comportamento profissional.

50
A prática moral da profissão é responsável pelo conceito efetivo que cada
profissional inscreve na sua vida. Como a vida pessoal, a vida profissional contém
realizações felizes e profundas gratificações, assim como, contradições, conflitos,
desgastes e decepções.
Da mesma forma que os bons exemplos profissionais são exaltados, as
sociedades registram, também, sua aversão às práticas desonestas e antiéticas.
A propósito dessa afirmação, veja de onde veio a palavra larápio que significa, na
língua portuguesa, a pessoa que não cultiva a honestidade. Pois bem, existiu um
juiz romano chamado Lucius Antonius Rufus Apius tristemente conhecido por
suas falcatruas. Esse discutido magistrado assinava suas sentenças com as
iniciais L.A.R.Apius. Veja que ironia! O seu mau proceder emprestou seu nome
ao tal adjetivo.

51
Tema - Código de Ética Profissional
Assunto - Código de Ética Profissional do Servidor Público
Unidade - Regras Deontológicas

Nesta unidade, serão feitas reflexões acerca do Código de Ética Profissional do


Servidor Público Federal. Começaremos com algumas considerações sobre o
código, abordando, em seguida, as Regras Deontológicas. Vamos lá?
ESTUDO DE CASO
Para facilitar seu aprendizado, vamos ver um estudo de caso, antes de entrar na
teoria deste tema. Vamos lá?
Conforme reportagem da Revista Época Online
Fernando de la Rúa assumiu a Presidência da
Argentina com o compromisso de renovar os
costumes do país e punir os corruptos. Liderando
uma poderosa aliança de centro-esquerda, ele
derrotara nas urnas o sistema político dominado
durante uma década pelos peronistas do presidente
Carlos Menem.
A primeira iniciativa de De la Rúa foi criar o Escritório Anti-Corrupção, para cumprir
uma das promessas que ajudaram a elegê-lo. A criatura virou-se contra o criador.
Um juiz investiga o maior escândalo da história do Senado argentino, que pode
envolver o governo. Um grupo de senadores teria repartido cerca de US$ 10
milhões em subornos para aprovar, em abril, a reforma trabalhista - a grande
conquista de De la Rúa.
O escândalo das coimas (suborno em espanhol) veio à tona com denúncias
anônimas divulgadas pela imprensa há dois meses. As acusações ganharam
maior notoriedade quando um senador peronista, Antonio Cafiero, confirmou que
pelo menos oito colegas tinham embolsado a propina.
Como você pode observar, a questão da ética no serviço público é atemporal e
universal. Em todas as culturas e países, existe a necessidade de se estabelecer
um código que regulamente estas relações.
Reflita sobre que aspectos do código desta natureza devem contemplar este
estudo de caso e troque opiniões com seus colegas.
Vamos iniciar a Teoria deste tema?

TEORIA
Com base em tudo que você estudou, até agora, podemos concluir que a ética
não pode ser reduzida a proibições, censuras, obediência à lei. A ética deve ser
considerada como um caminho capaz de proporcionar aos indivíduos condições

52
de escolha de forma livre, consciente e responsável e, para atingir esse objetivo, a
informação é fundamental. Por isso, foi elaborado o Código de Ética Profissional
do Servidor Público.
Como foi criado o código de ética profissional do servidor público
O Código de Ética Profissional do Servidor Público Federal foi aprovado em
1994, numa época de grandes conturbações políticas no Brasil, quando a conduta
ética do serviço público estava sendo fortemente questionada pela população.
Foi criado com muitas finalidades, destacando-se a
de demonstrar para a população externa (usuários)
e interna (servidores) as atitudes morais
consideradas adequadas e inadequadas. Isso
facilitaria a tomada imediata de decisões e impediria
ou diminuiria a perda de funcionários competentes,
entre outras coisas.

COMO É O CÓDIGO?
Estrutura do Código de Ética Profissional do Servidor Público Federal:
CAPÍTULO I
Seção I - Das Regras Deontológicas - Artigos de I a XIII
Seção II - Dos Principais Deveres do Servidor Público - Artigo XIV, itens a a v.
Seção III - Das Vedações ao Servidor Público - Artigo XV, itens a a p.
CAPÍTULO II - Das Comissões de Ética - Artigos XVI a XXV.
AS REGRAS DEONTOLÓGICAS
Vamos, então, às Regras Deontológicas.
Deontológica vem de deontologia. Você sabe o que é isso? Para entender o
significado de uma palavra, é importante conhecer a sua origem. O prefixo desta
palavra - deontos - vem do grego e significa obrigação, necessidade. Assim, as
Regras Deontológicas do Código de Ética Profissional do Servidor Público
Federal dizem respeito às suas obrigações.
O artigo I (transcrito abaixo) das Regras Deontológicas inicia afirmando que os
funcionários em geral devem agir com dignidade, decoro, zelo e eficácia,
mostrando, assim, a intenção de preservar a honra e a tradição do serviço público,
revelando o compromisso que precisa ter com quem o paga e precisa dele.

53
artigo I
CAPÍTULO I
Seção I
Das Regras Deontológicas
I - A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios morais
são primados maiores que devem nortear o servidor público, seja no exercício do
cargo ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da vocação do próprio
poder estatal. Seus atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a
preservação da honra e da tradição dos serviços públicos.

ESTUDO DE CASO

Vamos retomar o estudo de caso?


Ainda relacionado ao estudo de caso apresentado no início desta aula, em edição
da Revista Época OnLine, outro escândalo confirma o grau de corrupção do
serviço público naquele país. Os argentinos têm razões de sobra para desconfiar
dos integrantes do poder público.
O próprio juiz Carlos Liporaci, que investiga o escândalo no Senado, é suspeito de
enriquecimento ilícito. O Conselho de Magistrados tenta descobrir como alguém
que recebe salário mensal de US$ 8 mil conseguiu comprar uma mansão de US$
1,5 milhão em Buenos Aires. Liporaci oferece uma explicação singela. Diz que
comprou a casa com a ajuda da mulher e de uma filha, "que também trabalham".
Situações como estas ocorrem a todo momento, em todos os lugares do planeta.
O que podemos fazer para evitar ou diminuir a sua incidência? Reflita a respeito.

Vamos voltar para o estudo teórico deste tema?

54
TEORIA
O QUE O SERVIDOR PRECISA SABER?
No artigo II (abaixo), é demonstrado que o servidor
público não basta saber o que é legal ou ilegal, mas
o que é justo ou injusto, honesto ou desonesto.
Isto é necessário porque a moral e o direito não
são a mesma coisa, embora ambos procurem
regulamentar a conduta e as relações das pessoas.
O direito se impõe pela exigência do cumprimento
das leis. A moral requer a identificação da pessoa
com as normas. Estas somente serão cumpridas se
internalizadas pelo indivíduo.

artigo II
CAPÍTULO I
Seção I
Das Regras Deontológicas
II - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua
conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o
injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas
principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no
art. 37, caput, e § 4°, da Constituição Federal.

ÉTICA NÃO SE IMPÕE! ELA É UMA FORMA DE SER


A ética não pode ser imposta por medo de punições, por pressões. Ela consiste
numa forma de ser que só poderá ser colocada em prática em casa, no trabalho,
enfim, em todos os momentos, e não somente para atender a interesses
particulares, quando aprendida e incorporada pelas pessoas.
QUAL A FINALIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO?
No artigo III (abaixo), o código fala dos fins, enfatizando que além da distinção
entre o bem e o mal, a administração pública precisa ter como prioridade a idéia
de que a sua finalidade é o bem comum.

artigo III
CAPÍTULO I

55
Seção I
Das Regras Deontológicas
III - A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e
o mal, devendo ser acrescida da idéia de que o fim é sempre o bem comum. O
equilíbrio entre a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, é que
poderá consolidar a moralidade do ato administrativo.

Orienta que a conduta ética do servidor público


precisa ser a mesma no trabalho e na vida
particular, afirmando que a conduta da vida
particular do indivíduo pode aumentar ou diminuir o
seu conceito na vida profissional.

O artigo IV (abaixo) trata da exigência da moralidade por parte do servidor,


considerando que a sua remuneração é custeada pelos títulos pagos por todos e
até por ele próprio.

artigo IV
CAPÍTULO I
Seção I
Das Regras Deontológicas
IV- A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou
indiretamente por todos, até por ele próprio, e por isso se exige, como
contrapartida, que a moralidade administrativa se integre no Direito, como
elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade, erigindo-se, como
conseqüência em fator de legalidade.

Você concorda que o trabalho é fundamental na sua vida? Você já refletiu sobre o
tempo que você passa no trabalho? Pense nessa questão.
O Código, no artigo V, refere-se ao trabalho do servidor, considerando-o como
seu maior patrimônio e chamando atenção de que deve ser um acréscimo ao seu
bem-estar.

artigo V
CAPÍTULO I
Seção I
Das Regras Deontológicas

56
V - O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser
entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão,
integrante da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado como seu
maior patrimônio.

Veja, também, que o seu comportamento no trabalho é semelhante ao da sua vida


particular. Portanto, se você é solidário com os seus semelhantes, com certeza
pratica a solidariedade na sua equipe de trabalho.
É sobre isso que trata o artigo VI (abaixo), afirmando que a conduta ética do
servidor público precisa ser a mesma no trabalho e na vida particular, atentando
que "os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia, em sua vida privada,
poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional".

artigo VI
CAPÍTULO I
Seção I
Das Regras Deontológicas
VI - A função pública deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se
integra na vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos
verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão acrescer ou
diminuir o seu bom conceito na vida funcional.

Não esconda o que precisa e deve ser divulgado. Mas, saiba distinguir o que é
segredo. É antiético esconder informações importantes do interesse de todos.
O artigo VII (abaixo) chama atenção para a necessidade de divulgação de
qualquer ato administrativo, excetuando-se os de caráter sigiloso, afirmando que
a publicidade constitui um requisito de eficácia e moralidade.

artigo VII
CAPÍTULO I
Seção I
Das Regras Deontológicas
VII - Salvo os casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse
superior do Estado e da Administração Pública, a serem preservados em processo
previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de qualquer ato
administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando sua omissão
comprometimento ético contra o bem comum, imputável a quem a negar.

57
O DIREITO À VERDADE
O crescimento pessoal e de uma nação só serão possíveis com a prática da
transparência. A corrupção, o hábito do erro, da opressão ou da mentira
aniquilam a dignidade humana e impedem o crescimento do país.
É por isso que, no artigo VIII (abaixo), o código fala do direito à verdade que
toda pessoa tem. A omissão da verdade não deve ser praticada nem que contrarie
os interesses da pessoa envolvida e os da Administração Pública.

artigo VIII

CAPÍTULO I
Seção I
Das Regras Deontológicas
VIII - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la,
ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da
Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o
poder corruptivo do hábito do erro, da opressão, ou da mentira, que sempre
aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação.

Podemos concluir que, dentro da transparência, são exigidos do servidor público


cuidado, interesse e competência, que se traduzem:
• na agilidade do serviço prestado;
• na cortesia para com os clientes;
• na preservação dos equipamentos;
• no respeito à hierarquia;
• na coerência entre os princípios do servidor e os da instituição.
O TRATAMENTO AO CLIENTE
Você já teve a satisfação de ser bem atendido, tratado com respeito e dignidade,
num banco, numa loja ou qualquer outra organização que preste serviço ao
público? Quando isso acontece, mesmo que nosso objetivo não seja totalmente
atendido, saímos leves, tranqüilos e satisfeitos. Não é? Ao contrário, quando
somos tratados com descaso ou desatenção, nos sentimos diminuídos e voltamos
para casa com a moral baixa, insatisfeitos e até revoltados.
É por isso que o artigo IX (abaixo) fala da cortesia e boa vontade com relação
às pessoas, afirmando que tratar mal a um indivíduo pode significar causar-lhe
dano moral. Neste item é dito, também, que não preservar, não cuidar do
patrimônio público, deixando-o deteriorar-se, por descuido ou má vontade, é

58
desrespeitar os seus usuários e, também, os que despenderam seus esforços na
sua construção.

artigo IX
CAPÍTULO I
Seção I
Das Regras Deontológicas
IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público
caracterizam o esforço pela disciplina.
Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa
causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer bem
pertencente ao patrimônio público, deteriorando-o, por descuido ou má vontade,
não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado,
mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu
tempo, suas esperanças e seus esforços para construí-los.

E as intermináveis filas que se formam nas instituições? Se a fila, por si só, já é


desagradável e incômoda, pior ela fica quando as pessoas responsáveis pelo
atendimento, intencionalmente, trabalham com morosidade e desinteresse pelos
cidadãos usuários daquele serviço.
O artigo X (abaixo) faz menção à formação de longas filas em decorrência de
atrasos na prestação do serviço, caracterizando isso como um ato de
desumanidade, um grave dano moral, além de uma atitude antiética.

artigo X
CAPÍTULO I
Seção I
Das Regras Deontológicas
X - Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que compete
ao setor em que exerça suas funções, permitindo a formação de longas filas, ou
qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço, não caracteriza apenas
atitude contra a ética ou ato de desumanidade, mas principalmente grave dano
moral aos usuários dos serviços públicos.

O artigo XI (abaixo) fala da conduta negligente que deve ser evitada, não
acumulando erros e orienta, também, que o servidor deve acatar as ordens
superiores.
artigo XI

CAPÍTULO I

59
Seção I
Das Regras Deontológicas
XI - 0 servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus
superiores, velando atentamente por seu cumprimento, e, assim, evitando a
conduta negligente Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo de desvios tornam-
se, às vezes, difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no
desempenho da função pública.

É muito desagradável lidar com um servidor


negligente e desinteressado, que comete repetidos
erros. Uma pessoa assim é insatisfeita e infeliz, pois
é no trabalho que passamos o maior tempo das
nossas vidas.

TODOS MERECEM RESPEITO


Faltar ao trabalho sem justificativa e sem dar satisfação é um desrespeito à sua
chefia imediata e aos seus colegas. Lembre-se de que a sua presença é
importante.
Com base nisso, os dois últimos artigos XII e XIII (ambos abaixo) tratam das
faltas injustificadas ao trabalho, considerando-as um motivo para a desordem das
relações humanas e do respeito à estrutura organizacional e aos companheiros de
trabalho.

artigo XII
CAPÍTULO I
Seção I
Das Regras Deontológicas
XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de
desmoralização do serviço público, o que quase sempre conduz à desordem nas
relações humanas.
artigo XIII
CAPÍTULO I
Seção I
Das Regras Deontológicas

60
XIII - 0 servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional,
respeitando seus colegas e cada concidadão, colabora e de todos pode receber
colaboração, pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o
crescimento e o engrandecimento da Nação.

Não esqueça que a sua identificação com a instituição onde você trabalha e o
respeito às suas normas são fatores imprescindíveis ao seu crescimento e
desenvolvimento.
Observe que não queremos dizer obediência cega aos superiores, mas respeito,
atitude profissional de quem tem a autonomia de expor suas idéias e dar
sugestões para o bem da organização.
Lembre-se, também, de que o silêncio oficial causa mais prejuízos que o
enfrentamento ético, pois dá lugar à fofoca, à falta de cooperação e ao
desinteresse.
Por fim, tenhamos em mente que a postura ética é uma necessidade e a sua
ausência tem gerado proibições e penalidades.
DICAS
Para um maior aprofundamento, consulte as Regras Deontológicas do Código
de Ética Profissional do Servidor Público - CEPSP, Capítulo I, Artigos I a XIII,
disponíveis na midiateca.

61
Tema - Código de Ética Profissional
Assunto - Código de Ética Profissional do Servidor Público
Unidade - Principais Deveres do Servidor Público

Como você já viu antes, o que diferencia o homem - ser consciente, racional - do
animal irracional são as obrigações, os deveres que precisa ter como indivíduo
integrante de uma família, de uma comunidade e da sociedade em geral.
Precisamos ter deveres e obrigações a começar da nossa casa. Você já pensou
como seria a vida numa cidade sem regras, em que todo mundo fizesse o que
bem quisesse? Com certeza, seria impraticável, não é? Reflita um pouco sobre
isso.
TEORIA
Baseando-se na premissa de que o ser humano precisa obedecer a determinadas
regras de conduta, de bem viver, para poder ser aceito na sociedade, no seu
ambiente de trabalho e, assim, ser feliz, é que o código de ética prevê os
principais deveres do servidor público.
Esses DEVERES são enfocados no artigo XIV, itens de a (transcrito abaixo) até
v, Seção II, Capítulo I, do Código de Ética Profissional do Servidor Público.
O primeiro dever enfocado é a obrigação do servidor de desempenhar a tempo as
suas atribuições. É claro que toda tarefa requer conhecimento, experiência e um
tempo para ser realizada. O nosso bom senso deve ditar o tempo ótimo para sua
execução. Nem excesso de velocidade, nem demasiada lentidão.

itens de a

a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, função ou emprego público de


que seja titular;

TEORIA
Logo em seguida, nos itens b e c (abaixo), afirma
que as atividades devem ser exercidas com rapidez,
perfeição e rendimento, preocupando-se com os
atrasos que possam prejudicar os clientes.
Continua orientando o servidor a demonstrar toda a
integridade do seu caráter, sendo honesto,
honrado, reto, leal e justo, priorizando sempre o
bem comum.

itens b e c

62
b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento, pondo fim ou
procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias, principalmente
diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na prestação dos serviços
pelo setor em que exerça suas atribuições, com o fim de evitar dano moral ao
usuário;

c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a integridade do seu caráter,
escolhendo sempre, quando estiver diante de duas opções, a melhor e a mais
vantajosa para o bem comum;
O código demonstra que o bom é o que é útil e vantajoso para o maior número de
pessoas, afirmando que o serviço público não deve atender a interesses
particulares em detrimento do bem comum, principalmente, quando se tratar de
situações ilícitas. Recomenda, assim, que até a hierarquia estabelecida deve ser
enfrentada na defesa da ética e da moral.
Resumindo, nos seus três primeiros itens, o Código orienta:
• Execute suas atribuições a tempo;
• Aja com rapidez, perfeição e rendimento;
• Considere o bem comum, sendo honesto, reto, leal e justo.
TEORIA
A ADMINISTRAÇÃO DO DINHEIRO PÚBLICO
Precisamos de nos conscientizar de que as conseqüências da má administração
do dinheiro público recaem sobre nós usuários, principalmente, recebendo
serviços de má qualidade. Faltando dinheiro, falta pessoal, remunera-se mal,
faltam recursos materiais. Os servidores ficam insatisfeitos e os clientes também.
É neste sentido que o Código sugere que as
prestações de contas, quando do uso do dinheiro,
sejam feitas sem atrasos, ressaltando que isso é
uma condição imperiosa à boa gestão da
organização.

Todas as vezes em que você usar dinheiro da sua organização, mantenha as suas
prestações de conta atualizadas.
A comunicação, também, é fundamental. Como dizia o Velho Guerreiro Chacrinha,
"quem não se comunica se trumbica". Por isso é que o item e preocupou-se
com o aperfeiçoamento das relações com o público, com a habilidade no trato,
com a clareza. Seja claro e objetivo, falando sem rodeios.

Código de Ética Profissional do Servidor Público, artigo XIV, itens d e e

63
d) jamais retardar qualquer prestação de contas, condição essencial da gestão
dos bens, direitos e serviços da coletividade a seu cargo;

e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços, aperfeiçoando o processo de


comunicação e contato com o público;
TEORIA
TER CONSCIÊNCIA É FUNDAMENTAL
Para você internalizar uma lição, ou uma regra, é necessário que acredite e aceite
o que ela dita. Somos seres conscientes.
Por esta razão, é que o código fala da necessidade
do servidor ter consciência da importância da
aplicação dos princípios éticos no seu trabalho,
oferecendo, assim, um serviço de boa qualidade.
Não há dúvida que todos nós gostamos de ser bem
tratados e respeitados. Não é mesmo?

Por isso, o código afirma que é um dever do servidor tratar as pessoas com
urbanidade, respeitando suas idéias, seus credos, sua condição social, sua cor,
sua raça, preocupando-se sempre em não lhes causar danos morais.
O servidor deve, também, respeitar os seus superiores hierárquicos, tendo, porém,
o discernimento de que não deve temê-los a ponto de acatar orientações
inadequadas.
Neste sentido, recomenda, também, que o servidor deve resistir e denunciar
toda e qualquer pressão que vise à prática de atos imorais, ilegais ou antiéticos.

Código de Ética Profissional do Servidor Público, artigo XIV, itens f, g ,h e i.


f) ter consciência de que seu trabalho é regido por princípios éticos que se
materializam na adequada prestação dos serviços públicos;

g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando a capacidade


e as limitações individuais de todos os usuários do serviço público, sem qualquer
espécie de preconceito ou distinção de raça, sexo, nacionalidade, cor, idade,
religião, cunho político e posição social, abstendo-se, dessa forma, de causar-lhes
dano moral;

h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de representar contra


qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder
Estatal;

64
i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes,
interessados e outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens
indevidas em decorrência de ações morais, ilegais ou aéticas e denunciálas;
TEORIA
GREVE
O maior bem que possuímos é a vida. Então, devemos fazer tudo em defesa em
nossa segurança e da preservação da nossa integridade física. No exercício do
direito de greve, é um dever zelar pelas exigências específicas em prol da vida e
da segurança coletiva.
Procure conscientizar-se da importância da sua
presença no trabalho e das conseqüências que
sua ausência pode provocar. Não falte por qualquer
motivo. A sua presença é muito importante.
Não omita dos seus superiores qualquer ocorrência
que vá de encontro ao interesse da coletividade.
Se necessário, sugira soluções e reivindique
providências.

Código de Ética Profissional do Servidor Público, artigo XIV, itens j, l e m.


j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigências específicas da defesa
da vida e da segurança coletiva;

l) ser assíduo e freqüente ao serviço, na certeza de que sua ausência provoca


danos ao trabalho ordenado, refletindo negativamente em todo o sistema;

m) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato


contrário ao interesse público, exigindo as providências cabíveis;
TEORIA
MANTENHA A LIMPEZA E A ARRUMAÇÃO EM SEU TRABALHO
A limpeza e a ordem trazem beleza ao ambiente. E, também, tranqüilidade. Um
local limpo, arrumado, organizado e com tudo acessível, torna o ambiente de
trabalho agradável e harmonioso. Você já pensou como é constrangedor deixar de
atender um cliente em virtude da não localização de um papel?
Para o seu aperfeiçoamento pessoal e o bem da para se manter
coletividade, procure participar de encontros, inteirado do que está
treinamentos, etc. O conhecimento e a tecnologia acontecendo no
aprofundam-se e propagam-se numa velocidade mundo.
incrível. Se você parar de estudar, de aprender,
ficará desatualizado. Procure, igualmente, ler
revistas informativas de boa qualidade e bons livros,

65
VESTUÁRIO
A roupa que você veste diz muito do seu jeito de ser, da sua personalidade. Há
um velho ditado que diz que "o hábito faz o monge". No trabalho, você deve usar
roupas adequadas ao exercício da sua função. Use o seu bom senso e tente
conhecer algumas regras simples de etiqueta social.
CONHEÇA SUAS ATRIBUIÇÕES
Para você desempenhar as suas funções satisfatoriamente, é necessário que
conheça bem as instruções, normas e procedimentos norteadores das suas
atribuições. Não espere que cheguem espontaneamente às suas mãos; procure
informar-se de onde e como encontrá-los. Caso sinta alguma dificuldade, quanto
ao entendimento ou interpretação das suas funções, tire a dúvida com o seu
superior hierárquico.
Ao mesmo tempo, procure cumprir as instruções e mantenha os manuais e
diretrizes da instituição em local acessível, consultando-os sempre que for
necessário.

Código de Ética Profissional do Servidor Público, artigo XIV, itens n e o


n) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho, seguindo os métodos
mais adequados à sua organização e distribuição;

o) participar dos movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do


exercício de suas funções, tendo por escopo a realização do bem comum;

TEORIA

FISCALIZAÇÃO
Os procedimentos das diversas instituições estão sujeitos à fiscalização de
órgãos do poder concedente, como uma forma de assegurar à coletividade a
prestação de bons serviços e o atendimento às suas necessidades. Portanto, é
um dever do servidor facilitar a fiscalização de todos os atos ou serviços que estão
sob sua responsabilidade. Não dificulte o trabalho dos fiscais. Coopere, consciente
de que a correção das eventuais falhas que eles apontarem beneficia a todos.

66
CONSCIÊNCIA DOS DEVERES
Não utilize indevidamente as vantagens que o seu
cargo lhe oferece. Quem age assim, atua contra os
interesses do bem comum, da coletividade.

DICAS
Lembre-se que utilizar a sua função, ou sua autoridade, para violar a lei, ou para
obter benefícios pessoais, é crime.
CÓDIGO DE ÉTICA
A divulgação e o cumprimento deste código resulta na efetiva melhoria da
qualidade do serviço público.

Código de Ética Profissional do Servidor Público, artigo XIV, itens s, t, u e v.


s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por quem de direito;

t) exercer, com estrita moderação, as prerrogativas funcionais que lhe sejam


atribuídas, abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos
usuários do serviço público e dos jurisdicionados administrativos;

u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua função, poder ou autoridade com


finalidade estranha ao interesse público, mesmo que observando as formalidades
legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei;

v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência


deste Código de Ética, estimulando o seu integral cumprimento.

67
Tema - Código de Ética Profissional
Assunto - Código de Ética Profissional do Servidor Público
Unidade - Vedações ao Serviço Público

Esta unidade, intitulada Vedações do Servidor Público, corresponde à Seção III


do Código de Ética Profissional do Servidor Público e destina-se a explicitar o
que é proibido, destacando a obtenção de favores pelo uso do cargo, prejuízo de
pessoas mediante perseguições, utilização de informações sigilosas em proveito
próprio e deturpação de documentos.
Antes de entrar na teoria, vamos ver um estudo de caso?
ESTUDO DE CASO
Para facilitar seu aprendizado, vamos ver um estudo de caso, antes de entrar na
teoria deste tema. Vamos lá?
Carla era uma funcionária muito competente, mas sua ânsia de poder era
incontrolável. Ela e sua chefe sempre tiveram um relacionamento conturbado.
Carla se aproveitava de toda e qualquer oportunidade para provocar atrito com o
restante da equipe, semear a discórdia e ir reclamar com a diretoria. De tanto
conspirar, Carla conseguiu que sua chefe fosse demitida. Porém, para surpresa de
todos, ao invés de assumir o cargo que tanto almejava, um novo chefe foi
contratado. Carla permanece até hoje no cargo que ocupava, e se arrepende
muito de ter agido de forma tão antiética.

68
TEORIA
Agora, vamos começar o estudo teórico da unidade?
A seção III, artigo XV, item a (abaixo), do código inicia com a proibição do uso do
cargo ou função com a intenção de obter favores para si ou para outros.

a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades, tempo, posição e influências,


para obter qualquer favorecimento, para si ou para outrem;
Usar sua posição, em qualquer área da vida, para conseguir vantagens, contraria
totalmente uma postura íntegra e ética. No trabalho, quando ocupamos uma
função hierarquicamente elevada, devemos fazê-lo com moderação, sem abuso e
sempre a serviço da coletividade. É muito importante ficarmos atentos para não
ceder a caprichos, antipatias ou interesses, prejudicando colegas.

Usar sua posição, em qualquer área da vida, para


conseguir vantagens, contraria totalmente uma
postura íntegra e ética. No trabalho, quando
ocupamos uma função hierarquicamente elevada,
devemos fazê-lo com moderação, sem abuso e
sempre a serviço da coletividade. É muito importante
ficarmos atentos para não ceder a caprichos,
antipatias ou interesses, prejudicando colegas.

TEORIA
DIFAMAÇÃO E CALÚNIA
O item seguinte, letra b, trata da proibição de denegrir a imagem do outro, seja
subordinado, colega ou um terceiro. É por isso que, antes de falar qualquer coisa,
devemos analisar se é conveniente ou adequado. É o caso de se fazer a reflexão
orientada pelo filósofo Sócrates: Convém falar isso? Resolve alguma coisa? Ajuda
a comunidade? Pode melhorar o planeta?

No item c, o código atenta para o discernimento


quanto ao verdadeiro espírito de solidariedade,
proibindo a conivência com o desrespeito ao Código
de Ética do servidor ou de qualquer profissão.
Lembre-se de que apoiar o erro do outro não é ser
solidário, nem ser amigo.
Neste sentido, o código proíbe a conivência com
o erro. Então, quando for conveniente, ajude o seu
companheiro, apontando suas falhas com
delicadeza e com o real intuito de ajudá-lo.

69
Consulte os itens b e c (abaixo), do artigo XV, do Código de Ética Profissional
do Servidor Público.

b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos


que deles dependam;
c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro ou infração
a este Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão;

Uma outra proibição, no item d (abaixo), é usar recursos engenhosos para atrasar
ou impedir a solução de questões de interesse e direito de uma pessoa,
prejudicando-a. Este ato, além de desumano, é desonesto e antiético. Antes de
agir, uma boa dica é colocar-se no lugar do outro e refletir.

d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito por


qualquer pessoa, causando-lhe dano moral ou material;

TEORIA
EVOLUIR COM A TECNOLOGIA
No item e (abaixo), o código diz ser vedado ao
servidor deixar de utilizar os avanços técnicos e
científicos, que estão ao seu alcance para
desempenhar suas atribuições da melhor forma.
Como já foi dito, o conhecimento está se
desenvolvendo numa velocidade surpreendente.
Então, você precisa estar atento ao novo,
procurando pesquisar e se informar sobre o que está
acontecendo no mundo com relação ao seu
trabalho. Se você não se abrir para aprender, ficará
para trás, tornando-se um profissional obsoleto.

e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu


conhecimento para atendimento do seu mister;

Sabemos que não é fácil proceder sempre com imparcialidade. Nossas atitudes
são muito influenciadas por simpatias, antipatias, paixões e interesses. Na maioria
das vezes, não percebemos que estamos agindo assim. Entretanto, a proibição de
agir assim está no item f (abaixo).

f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou


interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os
jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou
inferiores;

70
TEORIA
SUBORNO É CRIME
Não devemos receber qualquer tipo de "presente"
para apressar a conclusão de um trabalho, como a
emissão de uma certidão, por exemplo. Receber
vantagens financeiras ou materiais para a execução
da sua obrigação é profundamente antiético e
proibido, conforme afirma o item g.
A alteração do conteúdo de documentos para beneficiar ou prejudicar alguém é
outra proibição tratada, em seguida, no item h, é. Nunca faça isso, por mais
tentado que seja, pois, além de antiético, poderá trazer sérias conseqüências
para a organização e para você.
Consulte os itens f, g e h (abaixo), do artigo XV, do Código de Ética Profissional do
Servidor Público.

f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou


interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os
jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou
inferiores;
g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira,
gratificação, prêmio, comissão, doação ou vantagem de qualquer espécie, para si,
familiares ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão ou para
influenciar outro servidor para o mesmo fim;
h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para
providências;

HONESTIDADE É DEVER DO CIDADÃO


Ninguém gosta de ser enganado. É muito melhor receber um não sincero,
delicado, com a devida explicação do motivo, do que ser iludido. Você concorda?
Quando percebemos que alguém nos logrou, sentimo-nos diminuídos,
desrespeitados e desamados. É sobre essa proibição que o item i trata.
TEORIA
Continuando a falar sobre a honestidade, lembramos que a administração dos
bens públicos deve ser transparente. O gestor público tem obrigação de mostrar a
verdade, por mais difícil que isso seja. Apresentar índices irreais ou enganar as
pessoas sobre as conseqüências de um desastre ecológico, por exemplo, são
atitudes antiéticas e desonestas.
Não use os servidores públicos para desempenhar atribuições particulares, sem
qualquer relação com o trabalho. Você já pensou se todo mundo fizer isso? Essa
proibição é tratada no item j.

71
Lembre-se de que os bens públicos não são pessoais. Então, não retire livros,
documentos, levando-os para sua casa, sem a devida autorização. Também é
proibido se beneficiar com o uso de informações que você tem o privilégio de
conhecer.
Consulte os itens i, j e l (abaixo), do artigo XV, do Código de Ética Profissional
do Servidor Público.

i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços


públicos;
j) desviar servidor público para atendimento a interesse particular;
l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qualquer
documento, livro ou bem pertencente ao patrimônio público;

TEORIA
PROIBIDO O USO DE BEBIDA ALCOÓLICA NO TRABALHO
Nunca compareça ao trabalho, após ingerir bebida
alcoólica a ponto de ficar embriagado. Se um
servidor comete esse deslize, pode ser penalizado
com base na lei. Se alguém faz o uso habitual de
bebidas, deve procurar tratamento médico, pois, do
contrário, poderá enfrentar graves conseqüências,
com reflexos danosos para si e para sua família. A
proibição de embriaguez durante o exercício
profissional está no item n.
Não participe de movimentos ou organizações que atentem contra a moral, a
honestidade ou a dignidade da pessoa humana. O seu comportamento fora do
trabalho afeta a sua reputação na instituição onde você presta serviço.
Consulte os itens m, n, o e p (abaixo), do artigo XV, do Código de Ética
Profissional do Servidor Público.

m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu


serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros;
n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente;
o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral, a
honestidade ou a dignidade da pessoa humana;
p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos de
cunho duvidoso.

72
Tema - Código de Ética Profissional
Assunto - Código de Ética Profissional do Servidor Público
Unidade - Comissões de Ética

Esta unidade - COMISSÕES DE ÉTICA - corresponde ao Capítulo II do Código


de Ética Profissional do Servidor Público Federal, constando dos artigos XVI a
XXV. Trata da obrigatoriedade da criação das comissões éticas, ressaltando
objetivos, composição, incumbências, procedimentos, decisões, entre outros
aspectos.
Antes de entrar na teoria propriamente dita, que tal ver um exemplo?
EXEMPLO
O estabelecimento de comissões para julgar denúncias de servidores públicos é
uma prática sistemática na sociedade ocidental. Esse mecanismo é utilizado para
tratar questões de natureza pública.
Pense nas situações onde é necessário que se instituam comissões para julgar,
em nome do povo, servidores públicos. No Brasil, as mais famosas comissões de
ética - Comissões Parlamentares de Inquérito/CPI - são instituídas quando existe
denúncia de algo ilícito no setor público.

Vamos começar o estudo teórico do assunto?


TEORIA
Neste capítulo, o Código de Ética destaca a necessidade da criação de uma
Comissão de Ética em todos os órgãos e entidades da Administração Pública
Federal direta, indireta, autárquica ou fundacional, ou em qualquer órgão - ou
entidade - que exerça atribuições delegadas pelo poder público. Como você vê,
esta comissão é fundamental.

73
TEORIA
A finalidade das comissões de ética é orientar e aconselhar sobre a ética
profissional do servidor no tratamento com as pessoas e com o patrimônio
público.
Deverá ser composta por três
servidores públicos e respectivos
suplentes, podendo instaurar, de
ofício, processo sobre ato, fato ou
conduta que necessitem de
investigação.
Consulte os artigos XVI e XVII
(transcritos abaixo) do Capitulo II, do
Código de Ética Profissional do
Servidor Público.

XVI - Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta,


indireta autárquica e fundacional, ou em qualquer órgão ou entidade que exerça
atribuições delegadas pelo poder público, deverá ser criada uma Comissão de
Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética profissional do servidor,
no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público, competindo-lhe
conhecer concretamente de imputação ou de procedimento susceptível de
censura.
XVII - Cada Comissão de Ética, integrada por três servidores públicos e
respectivos suplentes, poderá instaurar, de ofício, processo sobre ato, fato ou
conduta que considerar passível de infringência a princípio ou norma ético-
profissional, podendo ainda conhecer de consultas, denúncias ou representações
formuladas contra o servidor público, a repartição ou o setor em que haja ocorrido
a falta, cuja análise e deliberação forem recomendáveis para atender ou
resguardar o exercício do cargo ou função pública, desde que formuladas por
autoridade, servidor, jurisdicionados administrativos, qualquer cidadão que se
identifique ou quaisquer entidades associativas regularmente constituídas.

Sua incumbência é fornecer aos organismos encarregados da execução do


quadro de carreira dos servidores os registros sobre sua conduta ética, para
instruir as promoções e demais procedimentos relativos à carreira do servidor.
Os procedimentos que a Comissão de Ética adota para apurar fatos contrários
à ética são muito restritos. É aconselhado apenas ouvir quem apresenta a queixa
e o servidor ou apenas este.

74
TEORIA
Se for necessário examinar uma conduta grave, a
Comissão de Ética poderá encaminhar a decisão e
o respectivo expediente para a Comissão
Permanente de Processo Disciplinar do órgão
onde o servidor é lotado.
Consulte os artigos XVIII, XIX e XX (abaixo) do
Capitulo II, do Código de Ética Profissional do
Servidor Público.

XVIII - À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos organismos encarregados da


execução do quadro de carreira dos servidores, os registros sobre sua conduta
Ética, para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para todos os demais
procedimentos próprios da carreira do servidor público.
XIX - Os procedimentos a serem adotados pela Comissão de Ética, para a
apuração de fato ou ato que, em princípio, se apresente contrário à ética, em
conformidade com este Código, terão o rito sumário, ouvidos apenas o queixoso e
o servidor, ou apenas este, se a apuração decorrer de conhecimento de ofício,
cabendo sempre recurso ao respectivo Ministro de Estado.
XX - Dada a eventual gravidade da conduta do servidor ou sua reincidência,
poderá a Comissão de Ética encaminhar a sua decisão e respectivo expediente
para a Comissão Permanente de Processo Disciplinar do respectivo órgão, se
houver, e, cumulativamente, se for o caso, à entidade em que, por exercício
profissional, o servidor público esteja inscrito, para as providências disciplinares
cabíveis. O retardamento dos procedimentos aqui prescritos implicará
comprometimento ético da própria Comissão, cabendo à Comissão de Ética do
órgão hierarquicamente superior o seu conhecimento e providências.

As decisões da Comissão de Ética serão apresentadas resumidamente em


ementa, não constando os nomes dos interessados. Será remetida à Secretaria da
Administração Federal da Presidência da República uma cópia de todo o
expediente.
A censura é a pena que a Comissão de Ética
aplicará ao servidor público.
A Comissão de Ética não pode deixar de
fundamentar o julgamento de uma falta ética
praticada por um servidor, sob a alegação de que
não é prevista no Código.

75
TEORIA
O que é servidor público para a Comissão de Ética? É todo aquele que, por força
de lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, presta serviços de natureza permanente,
temporária ou excepcional, a qualquer órgão do poder estatal, ainda que sem
retribuição financeira.
Qualquer pessoa que tomar posse ou for investida de função pública deverá
prestar um compromisso solene de acatamento e observância das orientações
estabelecidas no Código de Ética e de todos os princípios éticos e morais
legitimados pela tradição e bom costume.
Procure conhecer, comentar e divulgar o Código de Ética. É importante para a sua
vida e para a sua carreira profissional.
Consulte os artigos XXI, XXII, XXIII, XXIV e XXV (abaixo) do Capitulo II, do Código
de Ética Profissional do Servidor Público.
XXI - As decisões da Comissão de Ética, na análise de qualquer fato ou ato
submetido à sua apreciação ou por ela levantado, serão resumidas em ementa e,
com a omissão dos nomes dos interessados, divulgadas no próprio órgão, bem
como remetidas às demais Comissões de Ética, criadas com o fito de formação da
consciência ética na prestação de serviços públicos. Uma cópia completa de todo o
expediente deverá ser remetida à Secretaria da Administração Federal da
Presidência da República.
XXII - A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de censura e
sua fundamentação constará do respectivo parecer, assinado por todos os seus
integrantes, com ciência do faltoso.
XXIII - A Comissão de Ética não poderá se eximir de fundamentar o julgamento da
falta de ética do servidor público ou do prestador de serviços contratado, alegando a
falta de previsão neste Código, cabendo-lhe recorrer à analogia, aos costumes e
aos princípios éticos e morais conhecidos em outras profissões;
XXIV - Para fins de apuração do comprometimento ético, entende-se por servidor
público todo aquele que, por força de lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, preste
serviços de natureza permanente, temporária ou excepcional, ainda que sem
retribuição financeira, desde que ligado direta ou indiretamente a qualquer órgão do
poder estatal, como as autarquias, as fundações públicas, as entidades
paraestatais, as empresas públicas e as sociedades de economia mista, ou em
qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado.
XXV - Em cada órgão do Poder Executivo Federal em que qualquer cidadão houver
de tomar posse ou ser investido em função pública, deverá ser prestado, perante a
respectiva Comissão de Ética, um compromisso solene de acatamento e
observância das regras estabelecidas por este Código de Ética e de todos os
princípios éticos e morais estabelecidos pela tradição e pelos bons costumes.

76
Prezado aluno! Prezada aluna!

Parabéns! Estamos felizes!

Você concluiu o curso Ética no Serviço Público.

Após a conclusão do curso aparecerá no menu da página inicial o item “Imprimir


Certificado”, logo abaixo de “Navegar no Curso”. Clique no item e o seu certificado
será emitido automaticamente.

Se for do seu interesse, ao final do curso, responda o Formulário Avaliação


Somativa que tem o objetivo de conhecer a sua opinião a respeito da instrução, da
comunicação, da tecnologia utilizada e da gestão do curso. Servirá para detectar os
problemas ocorridos e realizar os ajustes necessários.

Conte sempre conosco! Sucesso!

77
GLOSSÀRIO

Altruísmo – Amor ao próximo; abnegação

Alienado – Arrebatado, absorto, enlevado.

Anomia – Ausência de lei ou regra; anarquia.

Banal - Vulgar, trivial, comum

Banalização – Ato ou efeito de banalizar. Ver banal.

Bondade – Disposição natural para o bem.

Boa vontade – Agir com disposição para algo. Disposição Favorável.

Bons Costumes – de boas maneiras; bem-educado.

Conflito – Conjuntura, momento crítico.

Corporativismo – Sistema político-econômico baseado no agrupamento das


classes produtoras em corporações, sob a fiscalização do Estado.

Consciência – Capacidade que o homem tem de conhecer valores e mandamentos


morais e aplicá-los nas diferentes situações.

Coragem - é possuir ousadia, firmeza, desembaraço, resolução em face das


situações difíceis.

Competência - exercício do conhecimento de forma adequada e persistente.

Compreensão - é o ato ou efeito de compreender. A faculdade de perceber.

Deontologia – Parte da Filosofia que trata dos princípios, fundamentos e sistemas


de moral; estudo dos deveres.

78
Diligência – Cuidado ativo, presteza em fazer alguma coisa

Deveres – Ter obrigações de.

Ética Profissional é um conjunto de princípios a serem observados pelos


indivíduos no exercício de sua profissão.

Esforço – ver diligência.

Ètica – Conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma


profissão; deontologia.

Humildade - é a virtude de ser modesto, respeitando o outro, acatando opiniões e


valores diversos.

Heteronomia – Subordinação ou sujeição à vontade de outrem ou a uma lei


exterior.

Honesto - consciencioso, sério, digno de confiança.

Honestidade – Qualidade de honesto.

Habitat – meio em que cresce ou vive normalmente qualquer ser organizado.

Iniciativa - é a capacidade daquele que sabe agir, que está disposto a empreender,
ousar.

Imparcial – Que não é parcial. Que não sacrifica a verdade e a justiça a


considerações particulares.

Imparcialidade - é julgar desapaixonadamente, sem erro. É agir com retidão


e justiça, não sacrificando a sua opinião à própria conveniência, nem às de
outrem.

Integridade – Inteireza moral, retidão, honestidade.

79
Imoral – Que não é moral. Contrário à moral ou aos bons costumes.

Interiorização – aceitação espontânea de uma norma em conseqüência de


uma reflexão pessoal consciente.

Lealdade - significa ser fiel aos seus compromissos, com sinceridade, franqueza e
honestidade.

Maledicência – Ato ou efeito de dizer mal; murmuração.

Moral – Relativo à moralidade, aos bons costumes.

Negligência – Falta de diligência; descuido, desleixo

Otimismo – Disposição, natural ou adquirida, para ver as coisas pelo bom lado e
esperar sempre uma solução favorável das situações, ainda as mais difíceis.

Prudência é a qualidade de quem age com moderação, comedimento, buscando


evitar o erro e o dano.

Perseverança é a qualidade daquele que é perseverante, constante, pertinaz, firme.

Responsável - é o indivíduo que responde pelos seus próprios atos ou pelos atos
de outrem.

80
Responsabilidade - Dever jurídico de responder pelos próprios atos e os de
outrem, sempre que estes atos violem os direitos de terceiros, protegidos por lei, e
de reparar os danos causados. Ver responsável.

Razão – A faculdade de compreender as relações das coisas e de distinguir o


verdadeiro do falso, o bem do mal; raciocínio, pensamento; opinião, julgamento,
juízo.

Sigilo - Marca de segredo

Socionomia – lei interiorizada do convívio. Atitude de troca. Não fazer aos outros o
que não gostaria que fizessem consigo. Agir buscando a aprovação ou evitando a
censura dos outros.

Trabalho – Aplicação da atividade humana a qualquer exercício de caráter físico ou


intelectual.

Valores – Conjunto de características dos seres pelos quais são mais ou menos
desejados ou estimados por uma pessoa ou grupo

Virtude – Hábito de praticar o bem, o que é justo; excelência moral; probidade,


retidão

Virtuoso – Que tem o hábito de praticar o bem; que tem virtudes.

81
BIBLIOGRAFIA

1 ALENCASTRO, Mário. A Importância da Ética na Formação de Recursos


Humanos. Paraná:disponível na internet em:
http://pessoal.onda.com.br/alencastro/texto_etica_rh.htm. Data de acesso
28/08/2001.

2 BRASIL. Anexo do decreto 1.171 de 22 de junho de 1994. Código de Ética


Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. Diário
Oficial [da Replúbica Federativa do Brasil], Brasília, 1994. Disponível na
internet em:
http://www.servidor.gov.br/Legislacao/docs/Decretos/de1.171_94_ANEXO.ht
m. data de acesso 28/08/2001.

3 MOURA, Maria da Glória Rabello de. Ética. Brasília: Escola de Administração


Fazendária, 1990.

4 PASSOS, Elizete. Ética nas Organizações: uma introdução. Salvador:


Passos & Passos, 1990.

5 SANTOS, Cordi. Para Filosofar. São Paulo: Scipione, 1995.

6 SOUZA FILHO, Oscar d’Alva . Ética Individual & Ética profissional:


princípios da razão feliz. Fortaleza: ABC, 1991.

7 WEIL, Pierre. A Nova Ética. 2 ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1994.

8 Maria da Gloria Rabello de Moura, Ética (Resenha), Escola


de Administração Fazendária. 2001

9 ALENCASTRO, Mario de. A Importância da Ética na


Formação de Recursos Humanos, 1997. Apostila

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