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UNIVERSIDADE ROVUMA

INSTITUTO SUPERIOR DE TRANSPORTE, TURISMO E COMUNICAÇÃO


CURSO DE LICENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO
COMUNITÁRIO

Serviços Prestados ao Cidadão (Nível de Satisfação e Constrangimentos): Educação,


Saúde, Abastecimento de Água e Energia

Ana Bela Angerta Horácio Martinho

Nacala Porto
2022
ii

UNIVERSIDADE ROVUMA
INSTITUTO SUPERIOR DE TRANSPORTE, TURISMO E COMUNICAÇÃO
CURSO DE LICENCIATURA EM GESTÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO
COMUNITÁRIO

Serviços Prestados ao Cidadão (Nível de Satisfação e Constrangimentos): Educação,


Saúde, Abastecimento de Água e Energia

Ana Bela Angerta Horácio Martinho

Trabalho de carácter avaliativo da cadeira de


Diagnostico Ambiental lecionada no curso de
Licenciatura em Gestão Ambiental e
Desenvolvimento Comunitário a ser submetido na
Faculdade de Ciências da Terra e Ambiente sob
orientação do docente da cadeira:

Dr.: Gamito Camilo

Nacala Porto
2022
iii

Índice

1 Introdução............................................................................................................................4

2 Serviços Prestados ao cidadão.............................................................................................5

3 Reformas impostas aos serviços básicos dos cidadãos........................................................5

4 A participação do cidadão na tomada de decisões..............................................................6

5 Nível de satisfação dos cidadãos face aos serviços prestados.............................................8

5.1 Educação......................................................................................................................8

5.2 Saúde............................................................................................................................8

5.2.1 Questões legais e de governação...........................................................................9

5.2.2 Desafios do sector da saúde................................................................................10

5.3 Abastecimento de água...............................................................................................11

5.3.1 Abastecimento de água nas zonas rurais.............................................................11

5.3.2 Impacto do Fraco Acesso a Água e Saneamento para o País.............................12

5.3.3 Desafios de abastecimento de água.....................................................................12

5.4 Energia.......................................................................................................................13

5.4.1 Desafios do sector da energia.............................................................................14

6 Conclusão..........................................................................................................................15

7 Referências bibliográficas.................................................................................................16
4

1 Introdução
Um dos aspectos fundamentais da administração pública constitui a prestação dos serviços
públicos aos cidadãos e o debate em torno da administração pública voltada para o cidadão é
um dos principais pressupostos da administração pública gerencial que foi iniciada em países
da OCDE a partir da reforma administrativa apoiada nos princípios da nova gestão pública
como corolário da decadência do modelo da administração burocrática.
A problemática da prestação dos serviços públicos gira em torno da efectivação da prestação
dos serviços públicos aos cidadãos pelo Estado e a relação que se deve manter entre o Estado
e o cidadão, sendo esta relação o elemento fundamental da governação que tem a participação
como um dos seus elementos fundamentais.
Assim, o presente trabalho da cadeira de diagnostico ambiental pretende de forma geral
compreender o nível de satisfação dos cidadãos no que tange aos serviços prestados como
saúde, água, energia e educação e, de forma especifica espera-se com este trabalho alcançar os
seguintes objectivos:

 Descrever as reformas impostas a administração pública moçambicana com vista a


melhoria dos serviços básicos;
 Explicar o nível de satisfação dos cidadãos referente a prestação de serviço básicos:
educação, saúde, abastecimento de água e energia.

Durante a sua abordagem, o trabalho obedece o método de consulta bibliográfica que


consistiu na leitura, síntese e censura de obras, instrumentos legais (leis), artigos científicos e
fontes da internet que destacam o tema ora em estudo.

No que diz respeito a estrutara do mesmo, este obedece a seguinte organização: introdução,
desenvolvimento onde esta o conteúdo em destaque, a conclusão e referências bibliográficas.
5

2 Serviços Prestados ao cidadão


Serviço público é o conjunto de actividades e tarefas destinadas a satisfazer necessidades da
população. Esses serviços são normalmente prestados por entidades de natureza pública, mas
também podem ser assegurados por entidades de natureza privada ou mista, sob fiscalização
do Estado.

A Constituição  obriga o Estado a assegurar diferentes serviços públicos, desde aqueles que se


referem a áreas de soberania do Estado (defesa, segurança e justiça) à prestação de cuidados
de saúde, segurança social, disponibilização de escolas, e o próprio serviço de rádio e
televisão. A qualidade de vida das pessoas, em especial das mais desfavorecidas, exige ainda
que se garanta a prestação universal de certos serviços básicos, como energia, transportes e
telecomunicações, seja a cargo dos próprios poderes públicos, seja por empresas privadas que
se obrigam a fornecê-los. Os serviços públicos constituem um elemento essencial do Estado
social e do modelo social europeu.
Para efeitos de protecção dos mesmos utentes e dos consumidores em geral, a lei define como
serviços públicos essenciais os fornecimentos de água, de energia eléctrica, a educação e a
saúde.

3 Reformas impostas aos serviços básicos dos cidadãos


A reforma administrativa é uma das componentes do processo de transformação social
[CITATION Joa00 \p 39 \l 2070 ], que visa gerar mudanças nas estruturas e processos da
administração pública com o objetivo último de “getting them (in some sense) to run better”
[CITATION POL04 \p 8 \l 2070 ]. Não se esgotando aqui o processo de mudança
institucional e comportamental, vale a pena distinguir a reforma administrativa do processo de
modernização (Mozzicafreddo e Gouveia, 2011:5). A modernização resulta de um processo
natural, distanciado do processo de decisão e de um contexto difuso, enquanto a reforma
administrativa resulta de programas direcionados e indutivos (Araújo, 2000, p.39;
[CITATION MOZ11 \p 5 \l 2070 ].
Deste modo, a reforma é, por norma, concebida como um meio para alcançar determinados
fins. De entre os mais comuns, podemos destacar a intenção de: fazer poupanças nos gastos
públicos; melhorar a qualidade dos serviços públicos; tornar as operações governamentais
mais eficientes e melhorar a possibilidade de escolha e implementação eficaz das políticas
públicas (Pollitt e Bouckaert, 2004:6). No entanto, os meios para se alcançarem tais fins, não
se esgotam na reforma administrativa, como consideram Pollitt e Bouckaert, (2004, p.7) pois
os processos de melhoria do desempenho governamental incluem, ainda, a reforma do sistema
6

político e as mudanças das políticas públicas. Assim sendo, Mozzicafreddo e Gouveia (2011,
p.5) sintetizam a ideia de transformação da administração pública do seguinte modo: 
(…) conceito e estrutura de gestão das sociedades, como uma
instituição que se adapta, transforma e acompanha a evolução do
conjunto da sociedade e das instituições, por um lado, e como uma
entidade com uma estrita relação com o Estado e com o modelo de
Estado com o qual coexiste, por outro.

A penetração do liberalismo económico iniciado nos Estados Unidos e no Reino Unido e a


consequente onda de privatizações e defesa da ideia de um Estado não interventivo na
atividade económica, ao longo da década de 1980, levou a emergência de um novo tipo de
Estado e consequentemente de modelo de administração [CITATION JAR13 \p 82 \l 2070 ].
De facto, os governos passaram a depender do setor privado e da sociedade civil para prestar
serviços públicos (Bevir, 2005:2). O termo governança (governance), entre outros usos, é
frequentemente empregado para descrever, em termos empíricos, a mudança que ocorreu no
seio das organizações públicas. Como explica Sorensen (2002:693 citado por Rodrigues,
2013:104)
os sistemas políticos passam lenta e gradualmente de sistemas de
governo unitários e hierarquicamente organizados que governam por
meio da lei, da regra e da ordem, para sistemas de governança,
organizados de forma mais horizontal e relativamente fragmentados,
que governam através da regulação e de redes autorreguladas.
A criação de autoridades administrativas independentes é um testemunho da passagem
gradual do Estado produtor, empresário e prestador de serviços, para o Estado regulador.

4 A participação do cidadão na tomada de decisões


A participação constitui o envolvimento dos cidadãos ou grupos que são afectados de alguma
maneira por alguma proposta ou solução de algum problema que diz respeito à toda esfera
pública. A participação pode ser assegurada pela existência de instituições que garantem a
representação dos cidadãos, avaliação sistemática dos sentimentos dos cidadãos, definição dos
mecanismos pelos quais as preocupações dos cidadãos são encaminhadas a quem de direito,
conselhos consultivos etc.
A participação constitui o desejo de tomar parte de algo, ou seja, “os que participam são
partes que desejam ser parte ou tomar parte de algo” (Teixeira, 2002: 27 apud Nogueira,
7

2011: 129). Quem participa almeja afirmar-se diante de alguém, sobrepujar alguém, resolver
algum problema ou postular a posse de bens e direitos, modificando sua distribuição.
[ CITATION Mar11 \l 2070 ] concebe que é necessário distinguir pelo menos três tipos de
participação,
nomeadamente: a participação assistencialista, a participação corporativa e a participação
política.
A participação assistencialista é de natureza filantrópica ou solidária
Trata-se de uma actividade universal, encontrável em todas as épocas,
como extensão da natureza gregária e associativa do ser humano, e
que se mostra particularmente relevante entre os segmentos sociais
mais pobres e marginalizados ou nos momentos históricos em que
carecem a miséria e a falta de protecção [CITATION Mar11 \p 130 \l
2070 ].

Este tipo de participação diz respeito a práticas de auxílio mútuo para diminuir o infortúnio,
para optimizar recursos comunitários ou grupais, para aumentar a qualidade de vida, para
neutralizar conflitos ou para resolver problemas.
A segunda forma de participação é a corporativa e está dedicada à defesa de interesses
específicos de determinados grupos sociais ou de categorias profissionais. “Trata-se de uma
participação fechada em si, que se objectiva sobretudo com um propósito particular, em
maior ou menor medida excludente: ganham apenas os que pertencem ao grupo ou
associação” (Nogueira, 2011, p.131).
A terceira modalidade é a participação política que é aquela em que projecta-se para o campo
político propriamente dito e inicia com a participação eleitoral em que não é em vista à defesa
de interesses particulares, mas interfere directamente na governabilidade e tem efeitos que
dizem respeito a toda a colectividade.
Já há nela, portanto, uma consciência mais clara do poder político e
das possibilidades de direccioná-lo ou de reorganizá-lo. O cidadão
aqui está mais encorpado e maduro, afirmando-se não apenas em
relação a si próprio (direitos individuais), mas também em relação aos
outros (direitos políticos) (Nogueira, 2011: 132).
Entretanto, a participação política não se limita no exercício do voto, uma vez que a
participação eleitoral tem seus limites e não necessariamente leva a uma reorganização
sustentada do Estado ou do poder político.
8

Por meio da participação política, indivíduos e grupos interferem para fazer com que
diferenças e interesses se explicitem num terreno comum organizado por leis e instituições,
bem como para fazer com que o poder se democratize e seja compartilhado. É esta
participação que consolida, protege e dinamiza a cidadania e todos os variados direitos
humanos.
A participação constitui um dos princípios da organização administrativa, o que significa que
“os cidadãos têm o direito de intervir na resolução de problemas relativos aos interesses da
comunidade a que pertencem e relativos às questões que lhes dizem directamente respeito e
não apenas votar de quatro em quatro anos para eleger os dirigentes de alguns órgãos”
[CITATION SÃA99 \p 70 \l 2070 ].

5 Nível de satisfação dos cidadãos face aos serviços prestados


5.1 Educação
Moçambique demonstrou o seu compromisso em relação à educação. Aboliu as propinas
escolares, forneceu apoio directo às escolas e livros escolares gratuitos no ensino primário,
tendo também feito investimentos na construção de salas de aula. O sector recebe a maior
quota do orçamento do Estado, mais de 15 por cento. Como resultado, registou-se um
aumento significativo no número de ingressos no ensino primário ao longo da última década.
No entanto, a qualidade e a melhoria da aprendizagem ficaram para trás. Também os
ingressos estagnaram no ensino primário do segundo grau e secundário, apesar da maior
oferta. Cerca de 1,2 milhões de crianças estão fora da escola, mais raparigas do que rapazes,
particularmente na faixa etária do ensino secundário.
Apesar destes avanços que fizemos referência, o nível de satisfação dos moçambicanos ainda
é baixo pois preexistem os desafios da antiguidade que são a falta de infra-estruturas
escolares, a qualidade de ensino, o impacto da violência e do abuso nas escolas, a corrupção, a
disponibilidade de professores, o analfabetismo, o impacto da língua portuguesa nos
resultados educacionais e o impacto de tradições e da cultura no direito das crianças à
educação, educação inclusiva e o ensino bilingue. Um outro factor não menos importante é o
surgimento das tecnologias o que exige novas formas de abordagem por parte dos professores
assim como todos intervenientes do processo educativo.
Estes factores impactam sobre maneira aquilo que são as espectativas dos cidadãos dai que
urge a necessidade de criar por parte do governo de condições necessárias com vista a
colmatar esta situação e reversão do cenário.
9

5.2 Saúde
Durante os anos 70, com base nos diferentes tipos de socialismo africano e restrições
económicas relacionadas com a geopolítica e assuntos sociais internos [ CITATION Edu69 \l
2070 ], países como Moçambique lutaram para construir um sistema de saúde pública
abrangente baseado em agentes comunitários de saúde, postos e centros de saúde, hospitais
rurais e hospitais provinciais maiores.
O sistema de saúde público moçambicano incrementou fortemente a sua infraestrutura em
apenas dez anos, de 326 unidades de saúde em 1975 para 1.195 em 1985 (Magnus Lindelow,
Ward & Zorzi, 2004), tornando-se num modelo de Cuidados de Saúde Primários, apostando
na equidade e eliminando o serviço médico colonial que enfatizava o cuidado curativo e
urbano.
Nos anos 80 e 90, Moçambique passou por profundas mudanças sociais, económicas e
políticas. Em 1989, doze anos após o início da guerra civil e após duas greves de doadores em
1983 e 1986, quando a ajuda alimentar foi suspensa (Hanlon, 2004), a Frente de Libertação de
Moçambique (FRELIMO) abandonou formalmente o marxismo. Sob as pressões do Fundo
Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), em 1987, Moçambique assinou um
programa de ajuste estrutural (PAE) e, em 1990, uma nova constituição proporcionou eleições
multipartidárias que levaram à privatização dos serviços, reduções nos gastos do governo e
uma transição para uma economia de mercado.

5.2.1 Questões legais e de governação


A actual Constituição de Moçambique protege o direito das pessoas à saúde. No entanto,
embora a população possa ter esse direito, o seu acesso permanece restrito aos custos directos
e indirectos de acesso aos serviços, incluindo a acessibilidade física, factores socioculturais ou
benefícios e necessidades percebidos (dos Anjos & Cabral, 2016; Wagenaar et al., 2016).
Um dos elementos-chave na governançao é o desenvolvimento de políticas de saúde e a
formulação de planos estratégicos pelo Ministério da Saúde para conceber as intervenções a
serem implementadas rumo ao alcance dos resultados desejáveis de saúde.
O Plano Quinquenal do Governo (PQG) é um plano a médio prazo vinculado ao ciclo eleitoral
e inclui uma série de objectivos estratégicos, alguns dos quais relacionados à saúde, a serem
alcançados durante os cinco anos subsequentes. O plano actual é de 2020 a 2024. As
prioridades podem ser resumidas da seguinte forma: promoção da igualdade de acesso aos
serviços de saúde, redução do impacto de doenças, promoção da saúde e prevenção de
10

doenças, melhoria da rede de saneamento, melhoria da gestão de recursos humanos e garantia


da sustentabilidade e gestão financeira (Banco Mundial, 2014).  

Contexto social e económico de Moçambique relacionado com a Saúde


Moçambique é considerado como um dos países mais pobres e menos desenvolvidos do
mundo,1 com uma população estimada de 28.943.604 habitantes (em setembro de 2016). Da
análise efectuada nos documentos oficiais e relatórios disponíveis do Ministério da Saúde de
Moçambique, preocupam a saúde pública em Moçambique a malária HIV/SIDA, tuberculose,
diarreia, infecções respiratórias, sarampo e cólera, com destaque para a malária, que é
endémica em todo o país e constitui um dos principais desafios para a saúde pública e para o
desenvolvimento sustentável do país.2
Em Moçambique a malária é a principal causa de problemas de saúde e principal causa de
morte. Constatou-se que 45% das admissões em consultas externas e 56% de internamento em
enfermarias de pediatria se devem à Malária. Segundo o último inquérito demográfico de
saúde (IDS 2011) a prevalência da malária em crianças é de 35,1% (10) O acesso aos
cuidados em saúde é muito baixo no país e estima-se que cerca de 50% da população vive a
mais de 20 quilômetros da unidade de saúde mais próxima e 62,4% sem acesso a serviços de
saúde (o país ocupa a posição 183 entre 191 países analisados quanto à densidade de
médicos). A percentagem da população com acesso a uma unidade sanitária a menos de 45
minutos a pé aumentou de 55% para 65% entre 2002-2003 e 2008-2009, com maiores índices
para as zonas rurais (especialmente no norte do país) comparado com as zonas urbanas, onde
se observa uma redução da população com acesso a uma unidade sanitária a menos de 45
minutos de distância, indicando a necessidade de expansão rápida das zonas urbanas.
 

1
Segundo dados divulgados em 2010, no período de 2008/2009, de 21,5 milhões de pessoas em Moçambique,
55% da população vivem abaixo da linha de pobreza com cerca de meio dólar americano por dia. Vide
Ministério de Planificação e Desenvolvimento (MPD), Direcção Nacional de Estudos e Análises de Politicas,
(2010) Terceira Avaliação Nacional sobre Pobreza e Bem-Estar em Moçambique, p. xiii; MISAU (2013) Plano
Estratégico da Sector da Saúde 2014-2019, Ministério da Saúde (PDC), p. 12.
2
Dados de cinco anos, referente ao período de 2009 a 2013 do sistema de vigilância epidemiológica (Boletim
Epidemiológico Semanal, BES do Ministério da Saúde -MISAU), a malária conta com uma média de 5,8
milhões de casos diagnosticados clinicamente por ano, sendo a principal razão de consulta externa (45%) e de
internamento no serviço de pediatria (56%) e com alta taxa de mortalidade (variação de 1.8% a 9.9%,
dependendo do nível da unidade sanitária). Dados mais recentes, revelam que só primeiro semestre de 2014,
foram registados 3.297.386 casos de malária e 1.937 óbitos em todo o País. Para além do impacto directo na
saúde, existe um peso socioeconómico enorme nas comunidades e no país em geral, particularmente para os
segmentos populacionais mais pobres e vulneráveis.
11

5.2.2 Desafios do sector da saúde


O Estado moçambicano ainda está longe de assegurar a plenitude de acesso e cobertura
universal aos serviços de saúde de forma equitativa em todo o território nacional,
beneficiando as zonas urbanas e as populações residentes das zonas rurais, o que vale dizer
que para essas populações não se pode falar em direito à saúde. A falta de acesso e cobertura
universal dos serviços de saúde constitui um impedimento na realização do direito à saúde, do
qual destaca-se as longas distâncias percorridas pelos doentes, a baixa disponibilidade de
infraestrutura hospitalar e pessoal de saúde qualificado, a pouca disponibilidade de
medicamentos, qualidade dos serviços prestados e recursos humanos capacitados,
consequentemente os cidadãos moçambicanos não estão satisfeitos apesar de todos os
esforços envidados pelo governo.

5.3 Abastecimento de água


A água é um recurso vital de todos seres vivos pois sem este não há vida. É obrigação do
governo moçambicano providenciar este recurso de forma suficiente a todos os cidadãos
moçambicanos.

Em Moçambique, o acesso à água ainda é limitado e a qualidade nem sempre é a melhor. O


Fundo de Investimento e Património de Água (FIPAG) desenvolve esforços para abastecer
melhor população.

Nas principais cidades moçambicanas, os canais de abastecimento e os reservatórios têm mais


de 40 anos e a sua manutenção é deficiente. Muitos canos rompem-se, perdendo-se, deste
modo, água potável. Além disso, para a sua construção foi usado o amianto, prejudicial à
saúde. A falta de água resultante cria situações difíceis, como é o caso de um internato, num
bairro da capital. Alguns alunos contam episódios dramáticos, como a necessidade de ir
buscar água ao rio, perdendo muitas horas e lições.
O Fundo de Investimento e Património de Água (FIPAG), criado pelo Governo em 1998,
lançou mãos à obra para solucionar esta e outras situações, garante Admelo Mabote, daquela
instituição. Um dos planos é usar plástico na tubagem e nos reservatórios, o que facilita a
manutenção.

5.3.1 Abastecimento de água nas zonas rurais


Nas zonas rurais, os problemas são diferentes, mas igualmente graves. Muitas vezes a
população percorre longas distâncias à procura de fontes de água. Percursos até 20
12

quilómetros por dia não são raros. No caso específico de Tete, uma das províncias afetadas
pela crise de água, o FIPAG abriu em 2011 doze furos. O que não basta diz, Admelo Mabote,
referindo a procura crescente: “Planeamos abrir mais 15 furos e estamos a construir mais
reservatórios de mil metros cúbicos para poder assegurar a rede de expansão.”

5.3.2 Impacto do Fraco Acesso a Água e Saneamento para o País


Segundo o Relatório sobre o Saneamento Básico no Mundo lançado pelo Fundo das Nações
Unidas para a Infância (UNICEF) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2013, 3 a
falta de água limpa mata 1,8 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente, o
que representa uma morte em cada 20 segundos.

Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam
90% da água de esgoto sem tratamento para o ambiente. Em Moçambique, uma das maiores
causas de morte associada à falta de saneamento é a diarréia. A doença mata cerca de 2,2
milhões de pessoas em todo o mundo anualmente. Mais da metade dos leitos de hospital no
planeta, diz o Relatório acima citado, é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água
contaminada. Além disso, mais da metade das escolas primárias em 60 países em
desenvolvimento não tem instalações adequadas de água e dois terços não tem saneamento
apropriado.

O acesso fraco e desigual à água potável segura e ao saneamento adequado é responsável por
surtos regulares de cólera e diarreias, uma das causas principais de mortalidade infantil. As
crianças têm mais probabilidade de ficar doentes devido a doenças transportadas pela água
quando utilizam fontes de água não seguras tais como rios.

A falta de acesso à água e saneamento seguro infringe também os direitos da criança à


educação e protecção. Mais de dois terços das escolas primárias não têm instalações de água e
de saneamento, uma situação que afecta de forma negativa a presença nas escolas, em
particular das raparigas. Estas têm mais probabilidades de faltar à escola porque percorrem
grandes distâncias para buscar água para as suas famílias. Viajar longas distâncias para a fonte
de água mais próxima também as expõe ao perigo de abuso sexual.

5.3.3 Desafios de abastecimento de água


Os desafios do sector de água e saneamento em Moçambique são numerosos e complexos. A
combinação dos factores como os baixos níveis de financiamento público, a baixa prioridade
dada ao sector pelo Governo,4 a falta de uma estratégia de género, a complexidade do sector
3
UNICEF e OMS (2013).
4
Do ponto de vista do orçamento proveniente da contribuição interna para o sector
13

do ponto de vista da sua definição e alocação orçamental, contribuem para aumentar os


desafios ao nível do acesso a água potável e ao saneamento.

O acesso à água e saneamento tem uma influência directa na higiene das populações e na
prevenção de doenças. Dados do IDS 2011 revelam que 44% dos agregados familiares não
tem água e sabão para lavar as mãos5. Os dados avançam ainda que a presença de água e
sabão está estritamente correlacionada com o nível socioeconómico do agregado. Por outro
lado, cerca de 51% de agregados familiares utiliza fontes de água melhoradas, que incluem
água canalizada dentro e fora de casa, furos protegidos, poços com bomba manual e água
engarrafada. A percentagem é muito mais elevada nos agregados familiares que residem na
área urbana (84%) do que os da área rural (37%).

Na zona rural, as principais fontes de água são os poços não protegidos, com 42% e água da
superfície, como por exemplo rios e lagos. Por províncias, todas da região Sul, incluindo
Manica e Sofala, apresentam percentagens de fontes seguras de água para beber acima de
60% enquanto as províncias da região Norte, incluindo Zambézia e Tete, apresentam
percentagens de água proveniente de fontes seguras, abaixo de 50%6.

Associado a esta situação, a pobreza, o impacto das mudanças climáticas, a privatização da


gestão de água e a alienação de parcelas de terra com água potável, outrora utilizada pelas
comunidades, maioritariamente compostas por mulheres, resulta na redução do acesso e no
aumento de vulnerabilidade das camadas mais pobres que se vêm obrigadas a procurar fontes
alternativas e não seguras de acesso a água.

5.4 Energia
Em Moçambique, a eletricidade é fornecida pela Empresa Nacional de Fornecimento de
Energia Elétrica (Electricidade de Moçambique E. P. - EDM).
A EDM é uma empresa pública verticalmente integrada fundada em 1977, responsável pela
geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica (Arthur e Cockerill,
2019). Tem um mandato social para expandir o acesso à eletricidade para os consumidores em
regiões urbanas e rurais, embora continue a enfrentar vários desafios para cumprir essa meta
[ CITATION NHA15 \l 2070 ].

5
Considerando que o Inquérito observava o lugar onde a lavagem das mãos era normalmente efectuada ao nível
dos agregados familiares. Portanto, entre os agregados familiares onde o lugar para a lavagem das mãos foi
observada, 44% dos agregados mostraram não ter agua, sabão e outros materiais de limpeza, de onde se pode
inferir que a lavagem de mãos não é feita ou se é feita, não é de forma adequada ou regular.
6
MISAU, INE, ICFI (2013).
14

Este é um dos sectores que regista mais crescimento no país nos últimos anos, porém, ainda
preexistem desafios que passa por eletrificar as zonas rural por onde ainda a cobertura é
deficiente.

5.4.1 Desafios do sector da energia


O primeiro é o de melhorar a sustentabilidade social do fornecimento de serviços de energia
elétrica para consumidores moçambicanos, fornecendo acesso confiável que atenda às
demandas dos consumidores e reduza a ruptura social por quedas de energia e falha do
equipamento. A segunda é expandir o acesso em toda a geografia diversa das regiões urbanas,
peri-urbanas e rurais de Moçambique, proporcionando acesso de ‘última milha’ às
comunidades rurais e ligando centros urbanos a locais remotos de geração de energia. O
terceiro é manter a confiabilidade do sistema e manutenção/atualização do serviço sob
condições de pressões financeiras internas e externas. O quarto é a geração de baixo carbono e
o cumprimento das metas de desenvolvimento sustentável para a geração e fornecimento de
energia limpa.
Gerenciar esse conjunto de objetivos sociais, econômicos e ambientais concorrentes continua
sendo um desafio nas atuais circunstâncias comerciais e políticas.
15

6 Conclusão
Terminado o trabalho, conclui-se que quanto aos serviços prestados aos cidadãos, o nível de
satisfação ainda continua baixo devido a um leque de desafios que caracterizam os sectores
chaves do país: educação, saúde, abastecimento de água e energia.
No sector de eeducação ainda preexistem problemas no acesso a mesma, uma vez que para
aqueles que precisam de um acompanhamento especial não tem acesso a este devido a falta de
infra-estruturas que respondam este grande desafio de inclusão.
No sector da saúde, as desigualdades são basicamente evitáveis e a sua redução depende de
acções específicas, significativas e baseadas em evidências. Mostra-se um conjunto de
recomendações nesta secção, as quais se destinam a actores específicos.
O governo deve reconhecer o impacto das desigualdades nos cuidados de saúde para melhorar
os resultados de saúde e assegurar que as condições estejam reunidas para a implementação
efectiva das acções políticas, as políticas públicas devem alocar os recursos com base em
informações geográficas significativas socioeconômicas e de pequenas áreas, caso contrário,
quem já está em melhor situação tende a estar em melhor posição para aproveitar novas
oportunidades, as acções efectivas devem ser planificadas e implementadas para preencher as
necessidades de infraestrutura e recursos humanos em áreas com menores níveis de acesso e
na redução dos pagamentos directos para a população mais desfavorecida, assim como
continuar a aprimorar o programa de Avaliação da Qualidade e Humanização dos Cuidados
para lidar com o alto nível de reclamações detectadas entre os utentes.

No sector da água e saneamento do meio também existem desafios que precisam ser
resolvidos com vista ao acesso a água potável para todos principalmente nas zonas rurais onde
o problema é grave.

E, por fim no sector de energia é preciso procurar sempre junto dos parceiros mecanismos de
acesso a energia para todos os moçambicanos através de politicas que beneficiem a própria
população assim como o melhoramento da energia existente uma vez que esta ainda não está
nos padrões aceitáveis para responder a demanda.
16

7 Referências bibliográficas

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Associação Portuguesa de Administração e Políticas Públicas.

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CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE

UNICEF e OMS

BANCO MUNDIAL, 2014

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