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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

CCCT0092 – PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA


PROFESSORAS: Márcia Molina e Valéria Arauz

Conceitos básicos de Textualidade1


TEXTO
Algumas definições de Texto:
Texto em sentido amplo, designando toda e qualquer manifestação da capacidade textual do
ser humano (uma música, um filme, uma escultura, um poema, etc.), e, em se tratando da
linguagem verbal, temos o discurso, atividade comunicativa de um sujeito, numa situação de
comunicação dada, englobando o conjunto de enunciados produzidos pelo locutor (ou pelo
locutor e interlocutor, no caso dos diálogos) e o evento de sua enunciação (FÁVERO E KOCH,
1983, p.25).

Um texto é, pois, um todo organizado de sentido. Dizer que ele é um todo organizado de
sentido implica afirmar que o texto é um conjunto formado de partes solidárias, ou seja, que
o sentido de uma depende das outras. [... É também] um todo organizado de sentido,
delimitado por dois brancos e produzido por um sujeito num dado espaço e num dado tempo
(PLATÃO; FIORIN,1996, pp.15,18)

Um texto é um evento comunicativo em que convergem ações linguísticas, sociais e cognitivas


(BEAUGRANDE, 1997, p.10).

O texto consiste, então, em qualquer passagem falada ou escrita que forma um todo
significativo independente de sua extensão. Trata-se, pois, de um contínuo comunicativo
contextual caracterizado pelos fatores de textualidade: contextualização, coesão, coerência,
intencionalidade, informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade
(FÁVERO, 2000, p.7).

Um texto não existe como um texto, a menos que alguém o processe como tal (MARCUSCHI,
2008, P.89)

O texto pode ser tido como um tecido estruturado, uma entidade significativa, uma entidade
de comunicação e um artefato histórico. De certo modo, pode-se afirmar que o texto é uma
(re)construção do mundo e não sua refração ou reflexo (MARCUSCHI, 2008, p.).

[U]m texto pode ser formado por uma só palavra (PARE [em uma placa de trânsito]) ou por
muitas palavras combinadas em orações, períodos e parágrafos, mas isso não é tudo. Na
verdade, o texto é um objeto complexo que envolve não apenas operações linguísticas como
também cognitivas, sociais e interacionais. Isso quer dizer que na produção e compreensão
de um texto não basta o conhecimento da língua, é preciso também considerar
conhecimentos de mundo, da cultura em que vivemos, das formas de interagir em sociedade.
[...] Entender o texto como uma “entidade multifacetada” só é possível quando entendemos
que linguagem é uma forma de interação. É o princípio interacional que rege o uso da
linguagem, oralmente ou por escrito. Isso porque falamos ou escrevemos sempre para alguém
(ainda que esse alguém seja nós mesmos) e não o fazemos à toa, ou de qualquer modo (KOCH,
2017, pp.15,18, grifos da autora)

1Adaptado de: PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Superintendência da Educação. Departamento de Educação Básica.
Diretrizes Curriculares da Educação Básica. LEM. Curitiba, 2008, 88p.
Citações e referências posteriores a 2009 foram acrescidos pelas professoras desta disciplina.
TEMA do TEXTO
O tema de um determinado texto é breve e refere-se ao objeto de que trata o texto. É imprescindível
dissociar o tema do assunto, bem como o tema do conteúdo temático.
Assim, podemos dizer que "o amor pode ser o tema de uma dada obra, mas, se quisermos apontar o seu
assunto, devemos ampliar esse conceito e dizer de que amor se trata, entre quem, em que espaço e em que
momento, etc. Para este exemplo, podia aceitar-se como definição do assunto de tal texto um enunciado do
tipo: 'O amor proibido entre A e B contra os preconceitos de uma sociedade perdida no tempo'" (CEIA, s/a);
Ressalta-se para o fato de que o tema do texto pode aproximar-se do título, mas não se confunde
necessariamente com ele.

DISCURSO
De acordo com Marcuschi (2003, p. 24), discurso "é aquilo que um texto produz ao se manifestar em
alguma instância discursiva. Assim, o discurso se realiza nos textos", bem como o discurso está situado nas
ações sociais e históricas e "diz respeito aos usos coletivos da língua que são sempre institucionalizados, isto
é, legitimados por alguma instância da atividade humana socialmente organizada" (MARCUSCHI, 2006, p. 24).

GÊNERO TEXTUAL e GÊNERO DISCURSIVO


Observa-se que a expressão "gênero do discurso" também poderá aparecer como "gêneros discursivos",
bem como a expressão "gênero de texto" poderá dar lugar a "gêneros textuais";
Ambas as vertentes encontravam-se enraizadas em diferentes releituras da herança
bakhtiniana [referência a Bakhtin e sua obra Estética da criação verbal], sendo que a primeira
— teoria dos gêneros do discurso — centrava-se sobretudo no estudo das situações de
produção dos enunciados ou textos e em seus aspectos sociohistóricos [os autores de
referência eram o próprio Bakhtin e comentadores como Faraco] e a segunda — teoria dos
gêneros do texto na descrição da materialidade textual [os autores de referência eram
Bronckart, Adam entre outros] (ROJO, 2005, p. 185).

Os termos "gênero textual" o "gênero discursivo" são considerados equivalentes por muitos autores. Na
teoria de Mainguenau (2008), por exemplo, não há lugar para essa distinção, tendo em vista ser impossível
separar "texto" de "gênero", e quo todo "texto" é "o texto de um gênero de discurso". Segundo Fairclough
(2001), qualquer evento discursivo é considerado simultaneamente um texto, um exemplo de prática
discursiva e um exemplo de prática social.
Os gêneros do discurso são definidos como "tipos relativamente estáveis e heterogéneos de enunciados
dentro de uma esfera de utilização da língua" (BAKHTIN, 1952, p. 279).
Os gêneros são definidos (caracterizados) a partir da sua FORMA (estrutura) levando o leitor a
reconhecê-lo como tal, bem como a partir do seu PROPÓSITO COMUNICATIVO (função), e ambos possibilitam
o seu reconhecimento pelo leitor;
É imprescindível observar que "todos os gêneros comportam uma ou mais sequências tipológicas e são
produzidos em algum domínio discursivo que, por sua vez, se acha dentro de uma formação discursiva, sendo
que os textos sempre se fixam em algum suporte pelo qual atingem a sociedade" (MARCUSCHI, 2008, p. 176).
De acordo com Bakhtin (1952), os gêneros do discurso são caracterizados por três elementos: o
conteúdo temático, o estilo e a construção composicional:
a) O conteúdo temático refere-se ao contexto de produção, e não apenas do que trata o texto,
num determinado gênero textual. Ainda, é a forma daquele gênero tratar um determinado tema;
b) O estilo refere-se ao que geralmente é registrado como marca enunciativa do produtor do
gênero textual, bem como o uso de recursos linguísticos;
c) A construção composicional refere-se ao modo como é organizado determinado gênero, bem
como sua característica e sequência tipológica.
Segundo Lopes-Rossi (2006, s/p), é importante observar que
"todos os elementos que compõem o gênero discursivo, sejam eles verbais ou não-verbais,
com relação ao posicionamento e ao tamanho, como: título, texto, subtítulo, foto, ilustração,
gráfico, tabela, indicações de alguma informação nas margens da página, tipos das letras
(fontes), cores, recursos gráficos em geral, ou qualquer outra característica que chame a
atenção, devem ser observados".

É de grande importância ressaltar que o conhecimento das características linguísticas do gênero inclui a
"observação do nível 'de formalidade do texto, do tom, do vocabulário empregado, das construções frasais, do
uso de pontuação e de qualquer outro aspecto microestrutural que chame a atenção".
Por fim, o conhecimento das marcas enunciativas também deverá ser incluído na leitura mais detalhada,
a qual permitirá a identificação de marcas formais do texto, tais como: palavras, aspas, verbos, destaques
gráficos ou outras, responsáveis, entre muitos aspectos, pela imagem que o enunciador quer passar de si, pela
imagem que atribui ao coenunciador, pelo tom do texto, por outras vozes que o enunciador traz para o texto,
pelo nível de comprometimento que assume com as informações.

TIPO TEXTUAL
Conforme Marcuschi (2003, p. 22), a definição de tipo textual refere-se a "uma espécie de sequência
teoricamente definida pela natureza linguística de sua composição {aspectos lexicais, sintáticos, tempos
verbais, relações lógicas} (...) categorias conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição e
injunção".

DOMINIO DISCURSIVO / ESFERA SOCIAL


O termo "domínio discursivo" proposto por Marcuschi (2003) e o termo "esfera social" concebido por
Bakhtin (1952), são sinônimos para referir-se ao evento. Conforme Bakhtin (1952), entende-se o domínio
discursivo como sendo uma esfera de atividade humana. De acordo com Marcuschi (2003, p. 23), a expressão
domínio discursivo é usada para conceituar
"uma esfera ou instância de produção discursiva ou de atividade humana. Esses domínios não
são textos nem discursos, mas propiciam o surgimento de discursos bastante específicos, [tais
como] discurso jurídico, discurso jornalístico, discurso religioso, etc., já que as atividades
jurídica, jornalística ou religiosa não abrangem um gênero em particular, mas ão origem a
vários deles".
Ainda, um determinado domínio discursivo constitui práticas discursivas nas quais identificam-se
determinados gêneros textuais quo lhe são próprios ou exclusivos;
Ressalta-se para o fato de o domínio discursivo distinguir-se da noção de formação discursiva, tal como
proposta por Foucault (1997).

FORMAÇÃO DISCURSIVA
A noção de formação discursiva é concebida por Foucault (1997, p. 43) da seguinte maneira:
[...] sempre que se puder descrever, entre um certo número de enunciados, semelhante
sistema de dispersão e se puder definir uma regularidade (uma ordem, correlações, posições,
funcionamentos, transformações) entre os objetos, os tipos de enunciação, os conceitos, as
escolhas temáticas, teremos uma formação discursiva.

Com relação à formação discursiva, Pêcheux postula que é "aquilo que pode e deve ser dito (articulado
sob a forma de uma arenga, de um sermão, de um panfleto, de uma exposição, de um programa, etc) a partir
de uma posição dada na conjuntura, social" (PÊCHEUX, 1975, p. 188).
COMUNIDADE DISCURSIVA
A comunidade discursiva pode ser definida como um grupo de indivíduos que atuam comunicativamente
a partir de um tópico de referência, ou de um conjunto restrito deles, mediante propósitos compartilhados e
uma linguagem comum estruturada nessa atividade. “O conhecimento desse padrão linguístico particular
(estilo, léxico, gêneros textuais, etc.) é um requisito para a adesão à comunidade discursiva e a ascensão em
sua estrutura hierárquica de participação" (BONINI, 2001, s/p);
Segundo Swales (1990), a comunidade discursiva pode ser identificada com base nas características
seguintes:
a) metas comuns: objetivos comuns que associam os participantes, podendo se apresentar em
documentos;
b) mecanismos participativos: formas acordadas de intercomunicação entre os próprios membros,
podendo ser através de correspondências escritas ou simplesmente diálogos;
c) trocas de informações: uso de mecanismos que possibilitem obter informações definidas;
d) estilos específicos: é possível usar e possuir um ou mais estilos de comunicação para atingir objetivos
identificados por tópicos de discussão, forma, posição de elementos e mensagens;
e) terminologias especializadas: emprego de léxico específico;
f) níveis de especialização: a participação de um número mínimo de membros que possuam um nível
adequado de conhecimento discursivo relevante.

LEITURA E LEITOR
O leitor estabelece-se diante do texto, em uma relação dialógica, atribuindo-lhe sentidos, inferindo,
predizendo, estabelecendo relações com e através de seu conhecimento de mundo em um processo ocorrido
pela ativação de um esquema cognitivo (decodificação). Consegue, assim, compreender (depreender o
sentido) e interpretar (atribuir significação a partir da leitura).
De acordo com Karwoski (2006, p. 82),
o ato de ler deve ser encarado não apenas como atividade de decodificação, mas como
processo de inferências e de construção de sentidos a partir do conhecimento vivencial prévio
do leitor, das condições de produção e das motivações pessoais sustentados em dois
princípios: o do conhecimento do gênero textual (e seus suportes) e o do processo sócio-
discursivo (interação verbal).

FATORES DE TEXTUALIDADE CENTRADOS NO TEXTO

COESÃO TEXTUAL
A coesão é entendida como “fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos linguísticos
presentes na sua superfície textual se encontram interligados, por meio de recursos também linguísticos,
formando sequências veiculadoras de sentidos" (KOCH, 2000, p. 35).
Ainda, a coesão "é a manifestação linguística da coerência; advém da maneira como os conceitos e
relações subjacentes são expressos na superfície textual. Responsável pela unidade formal do texto, constrói-
se através de mecanismos gramaticais e lexicais" (CARVALHO, s/a, p. 3). A coesão gramatical refere-se ao
emprego adequado de artigos, pronomes, conjunções, etc., e a coesão lexical é obtida pelas relações de
sinônimos ou nomes genéricos, por exemplo.
COERÊNCIA TEXTUAL
A coerência está intimamente ligada no ato de produção e de compreensão de um texto e é entendida
como sendo a unidade do texto (PLATÃO e FIORIN, 1995).
A coerência é considerada o
"fator fundamental da textualidade, porque é responsável pelo sentido do texto. Envolve não
só aspectos lógicos e semânticos, mas também cognitivos, na medida em que depende do
partilhar de conhecimento entre os interlocutores. Um discurso é aceito como coerente
quando apresenta uma configuração conceitual compatível com o conhecimento de mundo
do recebedor. O texto não significa exclusivamente por si. Seu sentido é construído não só
pelo produtor como também pelo recebedor, que precisa deter os conhecimentos
necessários a sua interpretação" (CARVALHO, 2006, s/a, p. 3).

INTERTEXTUALIDADE
Santos e Silva (s/a), definem a intertextualidade como sendo "um diálogo entre os textos", interação que
um texto faz com o outro. Também descrevem a intertextualidade com duas características: a da forma,
repetição de expressões ou enunciados já introduzidos em outros textos (conhecimento acumulado, cultural)
e do conteúdo, implícito (o leitor deve fazer decodificações através de conhecimento prévio) ou explicito (que
aparece no texto através de citações e referências, como no texto científico).
Segundo Koch e Elias,
A intertextualidade é elemento constituinte e constitutivo do processo de escrita/leitura e
compreende as diversas maneiras pelas quais a produção/recepção de um dado texto
depende de reconhecimentos de outros textos por parte dos interlocutores, ou seja, dos
diversos tipos de relações que um texto mantém com outros textos (KOCH e ELIAS, 2007, p.
86).

Beaugrande e Dressler também definem intertextualidade:


A intertextualidade compreende as diversas maneiras pelas quais a produção e a recepção de
dado texto depende do conhecimento de outros textos por parte dos interlocutores, isto é,
diz respeito aos fatores que tornam a utilização de um texto dependente de um ou mais textos
previamente existentes" (BEAUGRANDE e DRESSLER, 1981 apud SANTOS e SILVA, s/a, s/p);

Conforme Marcuschi (2008, p. 132), "a intertextualidade é mais do que um simples critério de
textualidade, é também um princípio constitutivo que trata o texto como uma comunhão de discursos e não
como algo isolado. E esse fato é relevante porque dá margem a que se façam interconexões dos mais variados
tipos para a própria interpretação".

FATORES DE TEXTUALIDADE CENTRADOS NOS SUJEITOS (AUTOR/LEITOR)

ACEITABILIDADE
A aceitabilidade concerne à expectativa do recebedor de que “o conjunto de ocorrências com que se
defronta seja um texto coerente, coeso, útil e relevante, capaz de levá-lo a adquirir conhecimento ou a
cooperar com os objetivos do produtor" (CARVALHO, s/a, p. 7).
Para Marcuschi (2008, p. 127-128), "a aceitabilidade diz respeito à atitude do receptor do texto (é um
critério centrado no alocutário), que recebe o texto como uma configuração aceitável, tendo-o como coerente
e coeso, ou seja, interpretável e significativo”.
Com base nos estudos de Beaugrande (1997), Marcuschi afirma que a “aceitabilidade, enquanto critério
da textualidade, parece ligar-se a noções gramaticais e ter uma estreita interação com a intencionalidade”
(MARCUSCHI, 2008, p. 128).

FINALIDADE
A finalidade refere-se à compreensão do leitor quanto a estrutura e características próprias de um
determinado texto buscando uma correlação do que venha a ser esse texto, bem como o entendimento do
objetivo do texto, ou seja, para que esse texto serve.

INFORMATIVIDADE
Para Santos e Silva (s/a, s/p), a informatividade refere-se ao "grau de previsibilidade das informações
contidas no texto”. Quando o texto contém apenas informações previsíveis, o grau de informatividade nele
colocado é baixo. Quando há predominância de informações não previsíveis, terá um grau maior de
informatividade. Assim, quanto maior o grau de informatividade, maior será o esforço do leitor na
decodificação do texto. Por meio da distribuição das informações contidas no texto, o leitor poderá atribuir o
sentido com menor ou maior facilidade.
Segundo Beaugrande e Dressler (1983) citados por Carvalho (s/a, p. 10),
o interesse do recebedor pelo texto vai depender do grau de informatividade deste e diz
respeito à medida na qual as ocorrências de um texto são esperadas ou não, conhecidas ou
não, no plano conceitual e formal. Um discurso menos previsível é mais informativo, porque
a sua recepção embora mais trabalhosa, resulta mais interessante, mais envolvente.

A respeito da informatividade, Marcuschi diz que


se um texto é coerente é porque desenvolve algum tópico, ou seja, refere conteúdo. O
essencial desse princípio é postular que num texto deve ser possível distinguir entre o que ele
quer transmitir e o que é possível extrair dele, e o que não é pretendido. Ser informativo
significa, pois, ser capaz de dirimir incertezas. Assim sendo, observa-se também que não se
pode confundir informação com conteúdo e sentido. A informação é um tipo de conteúdo
apresentado ao leitor/ouvinte, mas não é algo óbvio. Perguntar pelo conteúdo de um texto
não é o mesmo que perguntar pelas informações por ele trazidas (MARCUSCHI, 2008, p.132-
133).

INTENCIONALIDADE
O autor usa elementos coesivos para determinados objetivos e propósitos, procurando construir o texto
de modo coerente para que o leitor possa construir sentido. Assim, a intencionalidade "tem relação com a
argumentatividade, à medida que o autor expõe sua opinião, leva o leitor a compartilhar seus objetivos e
propósitos" (SANTOS e SILVA, s/a, s/p).
A intencionalidade concerne ao empenho do produtor em “construir um discurso coerente, coeso e
capaz de satisfazer os objetivos que tem em mente numa determinada situação comunicativa, objetivando
informar, ou impressionar, ou alarmar, ou convencer, ou pedir, ou ofender, etc., e é ela que vai orientar a
confecção do texto" (CARVALHO, sla, p. 7).
Segundo Marcuschi (2008, p. 126), a intencionalidade é um critério "centrado basicamente no produtor
do texto" e "considera a intenção do autor como fator relevante para a textualização".

SITUACIONALIDADE
Segundo Beaugrande (1997, p. 15) citado por Marcuschi (2008, p. 128), "o critério da situacionalidade
refere-se ao fato de relacionarmos o evento textual à situação (social, cultural, ambiente, etc.) em que ele
ocorre". Ainda para Marcuschi (2008), a situacionalidade serve tanto para a interpretação e relação do texto
ao contexto interpretativo como para a orientação da própria produção.
Chaves também cita Beaugrande e Dressler a respeito da situacionalidade:
A situacionalidade diz respeito aos elementos responsáveis pela pertinência e relevância do
texto quanto ao contexto em que ocorre. É a adequação do texto à situação
sociocomunicativa", bem como se refere ao conjunto de fatores que tornam um texto
relevante para dada situação corrente ou passível de ser reconstituída (BEAUGRANDE e
DRESSER, 198, apud CHAVES, 2004, s/p)

REFERÊNCIAS

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