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HISTÓRICO, CONCEITOS E LEGISLAÇÃO DE SEGURANÇA

Historicamente a segurança do trabalho no Brasil tem efetivado seu


desenvolvimento atrelado em dois aspectos fundamentais:
• Por meio dos diplomas legais que servem de
base para suaefetivação.
• Seguindo as transformações do cenário
econômico vivenciado pelo país.

Pesquisadores e estudiosos no assunto alegam que esses dois aspectos


citados proporcionaram o desenvolvimento de um ambiente reativo, ou melhor, pró-
ativo na área. Com isso se pontua que se proporcionou uma grande vulnerabilidade
e carência de estratégias capazes de vislumbrarem o seu futuro (SALEM & SALEM,
2001).
Pode-se dizer que o cenário brasileiro no qual nasce a legislação atual era
uma demonstração de construção de obras espetaculares que se configuravam
como dependentes de recursos financeiros internacionais.
O Brasil encontrava-se diante de relevantes mudanças na Consolidação das
Leis Trabalhistas. E, é possível descrever o cenário brasileiro da época como sendo
o seguinte:
Na década de 70 a população do país viveu o chamado “Milagre Brasileiro”,
diante de um regime altamente autoritário, com recursos sendo disponíveis por meio
do exterior, embasado pela grande necessidade de investimento financeiro para o
país.
Ocorreu uma consistente pressão dos organismos de mercados financeiros
internacionais para que o Brasil adotasse algumas ações. Dentro dessas ações,
amplo destaque é direcionado para a aprovação da legislação específica
direcionada à segurança e à medicina do trabalho.
Inicialmente essa legislação foi elaborada configurando-se como uma cópia
fiel da legislação de segurança do trabalho dos países norte-americanos. Com isso,
ocorreu uma formação totalmente inadequada dos responsáveis, profissionalmente,
ou seja:

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✓ Engenheiros de segurança do trabalho;
✓ Médicos do trabalho;
✓ Demais profissionais da área.

A implementação dessas ações focalizava para um conjunto especial de


resultados a serem alcançados, destacando-se a liberação de financiamentos
internacionais que viabilizassem obras, por exemplo:
✓ Hidrelétrica de Itaipú;
✓ Transamazônica;
✓ Ponte Rio-Niterói.

Muitos especialistas denominam a origem da segurança do trabalho no Brasil


como sendo uma reação contra a realidade econômica vivenciada na época, mais
especificamente, entre os períodos de 1964 a 1985. A realidade em questão é
reconhecida por não privilegiar o social, gerando grande aumento das necessidades
básicas populacionais e da pobreza (CARVALHO, 2000).
Foi no ano de 1977, mais especificamente no dia 22 de dezembro do referido
ano, que surgiu a Lei nº 6514, que por meio da Portaria n 3214 de junho de 1978
apresentou as Normas Regulamentadoras ao cenário legislativo brasileiro.
Atualmente essas mesmas normas continuam vigentes, porém foram
implementadas algumas alterações essenciais para a readaptação ao novo contexto
econômico, cultural e social do país.

SEGURANÇA NO TRABALHO

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ACONTECIMENTOS RELEVANTES SOBRE A SEGURANÇA DO
TRABALHONO BRASIL

É unânime o entendimento de que o desenvolvimento e regulamentação da


CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes foi à primeira manifestação
conjunta. Isso tanto pelas autoridades governamentais como pelos empresários
dedicados à prática da segurança do trabalho.
Desse modo, se reconhece a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
como sendo a grande desencadeadora do período institucional de busca pela
Prevenção de Acidentes.
Porém, nesse contexto a Consolidação das Leis Trabalhistas não
contemplava, em sua versão original, nenhum dispositivo direcionado ao Serviço
Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho nas
Organizações.

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O referido serviço foi implantado por meio do Decreto-Lei n 229 datado de
28 de Fevereiro de 1967.
O Ministério do Trabalho dispôs sobre o desenvolvimento e implementação do
Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho nas
Organizações por meio da criação da Portaria n 3237, datada de 27 de julho de
1972.
Seguindo a evolução histórica, em 31 de dezembro de 1975 a Portaria n 3237
foi substituída pela Portaria n 3460, que permaneceu vigente até 08 de Junho de
1978, período no qual entrou em vigor a atual legislação sobre o assunto.
As Normas Regulamentares (NR´s) tiveram seu surgimento por meio da Lein
6514, datada de 22 de Dezembro de 1977, por meio da portaria n 3214, que
proporcionou a modificação do Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis
Trabalhistas, ocorrida em 08 de junho de 1978.
Dentre as Normas Regulamentadoras (NR´s) é possível destacar a NR-4
(Norma Regulamentadora -4):
NR-4 – Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do
Trabalho, que teve seu conteúdo disponibilizado pela Portaria n 33 de 27 de Outubro
de 1983, da Secretaria de Segurança e Medicina do Trabalho (SSMT) –
Ministériodo Trabalho.

A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Ao iniciar o século XVIII, na Inglaterra, iniciou-se a Revolução Industrial,


desenvolvendo a mecanização das formas de produção. A evolução pontuou uma
diferença significativa na passagem da Idade Média para a Idade Moderna.
 Idade Média: a maneira de produção mais utilizada e conhecida era
o Artesanato.
 Idade Moderna: gerou sistema mecânico da produção. Como se deu
esse desenvolvimento?
Duas fortes vertentes contribuíram para a Revolução Industrial: a burguesia e
sociedade.

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Burguesia:
Na época, a classe social burguesa encontrava-se sedenta por lucros mais
elevados, custos menores, ao lado de uma grande aceleração na produção. Isso a
Impulsionou a buscar novas alternativas que viabilizassem a produção de
mercadorias.
Sociedade:
A sociedade contribuiu com a Revolução Industrial em virtude da explosão
de crescimento populacional da época, que gerou um contingente enorme de mão
de obra barata e necessitada de emprego. Ao mesmo tempo, com a ampliação do
número de pessoas, ampliou-se também a demanda por produtos e mercadorias,
exigindo o aumento da produção.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

FONTE: <http://www.anossaescola.com/cr >.

O Pioneirismo Inglês

O Processo de Revolução Industrial iniciou na Inglaterra, transformando-a no

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país pioneiro nos grandes aperfeiçoamentos da produção. Esse pioneirismo inglês
tem suas explicações baseadas em diversos motivos:
Em primeiro lugar, a Inglaterra possuía em seu subsolo, na época,
quantidades significativas de carvão mineral. Esse material era considerado a
principal fonte de energia daquele período, pois era utilizado na movimentação das
máquinas e também nas locomotivas a vapor.
Outro fator que muito contribuiu com o surgimento da Revolução Industrial
primeiramente na Inglaterra foi à existência de grandes reservas de minério de ferro
no solo inglês, que era considerado na época, a principal matéria-prima para
produção.
Em relação à sociedade, ressalta-se o grande aumento populacional, que
desencadeou uma significativa quantidade de mão de obra barata que se
encontrava disponível, em busca de trabalho, no século XVIII. Se junta a
necessidade de emprego, a ampliação do mercado consumidor que desencadeou a
necessidade de maior número de mercadorias produzidas, em tempo menor
(OLIVEIRA, 2003).
Esses aspectos foram fundamentais para o surgimento e desenvolvimento
da Revolução Industrial na Inglaterra.

Avanços da Tecnologia

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Considera-se que o século XVIII tenha sido um marco no desenvolvimento
global em função do amplo salto tecnológico que desencadeou tanto nas máquinas
como também nos transportes.
É sabido que a grande necessidade de aumento da produção, baseada em
uma estrutura completa que disponibilizava todos os meios necessários para isso,
ocorreu à grande revolução do modo de produzir. Principalmente em relação à
máquina a vapor, os grandes teares que vieram a substituir muito consideravelmente
a ação do homem, porém a mão de obra em abundância não pôde ser aproveitada
sem o conhecimento das máquinas, gerando-se uma gama enorme de pessoas
desempregadas.
Mas ao mesmo tempo, também se conseguiu baixar significativamente o
preço das mercadorias, já que a produção em massa aumentou a quantidade de
produtos disponíveis no mercado. Possibilitando que mais pessoas tivessem acesso
à rotina de comercialização, acelerando e dando continuidade ao processo de
produção.
Em relação aos transportes, destaca-se o surgimento da locomotiva a vapor,
que também é conhecida nos dias de hoje, como Maria Fumaça; e os trens a vapor.

Locomotiva: os transportes avançando com a tecnologia

Com o surgimento da locomotiva a vapor, juntamente com os trens a vapor


ampliou-se a possibilidade de transportar um número maior, tanto de pessoas como
também, de mercadorias. E, essa dinâmica passou a ser realizada dentro de um
período mais curto de tempo, com dispêndio consideravelmente reduzido de custos.

LOCOMOTIVA

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FONTE: <http://guaranesiamemorias.files.wordpress.com/2008/06/trem1.gif>.

A Revolução Industrial e as Fábricas

É reconhecido nos dias de hoje que, no início da Revolução Industrial o


ambiente de trabalho dentro das fábricas era bastante precário. Delineia-se um
cenário com pouca iluminação, pouca ventilação, o que o deixava muito abafado e
rodeado de muita sujeira.
Em virtude da abundância de mão de obra, os salários oferecidos aos
trabalhadores eram extremamente baixos. Ressaltando-se que durante essa fase,
contrariando as leis atuais, as mulheres e crianças também faziam parte do grupo de
funcionários trabalhando nas condições precárias acima descritas.
A jornada de trabalho poderia chegar a dezoito horas diárias, desenvolvidas
com frequentes castigos físicos e outras formas punitivas pelos patrões. Os direitos
trabalhistas eram inexistentes, sendo assim alguns dos benefícios gozados hoje
pelos trabalhadores eram desconhecidos dos funcionários da época, como por
exemplo:
¥ Férias.
¥ 13 salário.
¥ Auxílio doença.
¥ Auxílio maternidade.
¥ Descanso semanal remunerado.
¥ Seguro-desemprego.

Os trabalhadores na Revolução Industrial

Diante da precariedade dos ambientes de trabalho e da enorme falta de


condições humanas, sociais e de saúde no mesmo, vários grupos de trabalhadores
das muitas regiões da Europa começaram a se organizar visando a luta por
melhores condições de trabalho.

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Os funcionários das fábricas uniram-se formando as TRADE UNIONS,
reconhecidas como uma espécie de sindicato, tendo por intuito a melhoria das
condições trabalhistas de todos os empregados. Nesse contexto, ocorreram vários
eventos com violência profunda, como por exemplo, o ludismo.

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

FONTE:
<http://www.bancariospel.com.br/admin/uploads/noticias/61cb3f12a3.jpg>.

O Ludismo e o Cartismo

Os ludistas eram também chamados de “Quebradores de Máquinas”, pois se


caracterizavam pela invasão das fábricas destruindo os equipamentos existentes
como uma forma de protesto contra a situação dos empregados no ambiente de
trabalho.
Já o Cartismo, se pronunciava de maneira mais tênue, tendo seu
direcionamento focado na política, por meio da qual conseguiu conquistar diversos
direitos políticos para o grupo de trabalhadores.

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Dessa forma, percebe-se que a grande importância da Revolução Industrial
foi tornar os métodos de produção consideravelmente mais eficientes que os
conhecidos na época. As mercadorias tiveram seu valor reduzido em virtude de
serem produzidas mais rapidamente, o que estimulou muito o consumo (MICHEL,
2000).
O número de desempregados aumentou significativamente, em decorrência
da inserção das máquinas no ambiente de trabalho que substituía até quatro
trabalhadores por cada uma das máquinas.
Aumentou também a poluição ambiental e sonora, assim como também o
êxodo rural, que gerou o crescimento desordenado dos grandes centros urbanos.
Em meio a esse contexto, até hoje a busca pelo oferecimento de um número
maior de vagas de emprego é uma das maiores preocupações dos governantes, já
que o desemprego encontra-se entre os maiores problemas dos países em
desenvolvimento.
A troca dos empregados menos qualificados por robôs é constante nos dias
atuais e as empresas buscam profissionais qualificados que tenham criatividade e
múltiplas capacidades. O desemprego vem sendo uma preocupação grande também
dos países desenvolvidos.

HISTÓRICO DOS AMBIENTES DE TRABALHO, DOENÇAS E ACIDENTES

Historicamente a Segurança do Trabalho era conhecida como uma atividade


vinculada somente com a importância e obrigatoriedade dos equipamentos de
proteção individual contra acidentes, entre eles destacam-se:
✓ Capacetes.
✓ Botas.
✓ Cinto de segurança.
✓ Protetor auricular.

SEGURANÇA NO TRABALHO

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FONTE: Disponível em:
<http://www.ksdesktop.com.br/imagens//eqp%20de%20seg%20no%20trab.jpg
>.

Porém, a grande evolução tecnológica trouxe o desenvolvimento de novos


ambientes de trabalho, paralelamente, gerou também maiores riscos profissionais
associados.
Na verdade, a grande maioria dos riscos não é conhecida pela população,
exigindo ainda muitas pesquisas que apresentam seus resultados somente após
uma longa exposição dos funcionários aos ambientes nocivos. Os resultados são
direcionados à saúde e a integridade física, ameaçadoramente comprometida.
No contexto mercadológico atual, percebe-se o novo setor de segurança do
trabalho, que se configura de forma interdisciplinar e o objetivo principal é a
prevenção dos riscos profissionais.
Hoje é possível visualizar um grande número de pessoas que já

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compreendem as doenças profissionais como consequências de acidentes de
trabalho
Na dinâmica relacional existente entre o ser humano e as máquinas
configuram-se também muitos benefícios em prol de toda a sociedade, porém, ao
mesmo tempo, desencadeou um enorme montante de vítimas, que se tornaram
portadoras de doenças incapacitantes ou que tiveram sua integridade física afetada
(MICHEL, 2000).
A evolução trouxe uma nova geração de máquinas para serem usadas pelo
homem e nesse contexto, os computadores pessoais destacam-se pela sua
presença constante nas rotinas do sujeito, tendo em vista que jamais na história se
teve uma máquina tão presente (tão próxima) da vida profissional de tantos
trabalhadores. Percebe-se que a relação homem-máquina está ainda mais próxima.

O AMBIENTE

Antes de aprofundar o estudo do conteúdo, faz-se necessário compreendero


que se determina como saúde nos dias atuais.
Para a Organização Mundial da Saúde (OMS):

SAÚDE
Não significa apenas ausência dedoença ou dor, mas
também, um ótimo estado de bem-estar físico,mental e
social.

A interação do homem com o meio ambiente em que vive é a base para o


desenvolvimento da saúde. Dessa forma, o ambiente do trabalho, reconhecidamente
relevante por ser o local onde o sujeito passa a maior parte de seu dia, merece a

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atenção de todos visando contemplar o conceito abrangente de saúde.
A saúde no ambiente de trabalho dependerá, principalmente, da salubridade
do mesmo.
Como já foi pontuado anteriormente, o avanço tecnológico acelerado atingiu
praticamente todas as atividades laborais humanas. Com isso, trouxe várias
vantagens socioeconômicas, mas, em contrapartida, desenvolveram vários
subprodutos inadequados para a saúde, inclusive efeitos nocivos à qualidade de
vida, à segurança individual e coletiva.
É possível descrever como exemplo desses subprodutos da tecnologia,
nocivos à qualidade de vida, o ruído amplificado e a utilização cada vez mais
descontrolada de compostos químicos (GONÇALVES, 2000).
Pesquisas e estudos estão dedicando máxima atenção aos efeitos das
exposições diretas ou indiretas, no ambiente de trabalho, a:
✓ Agentes físicos.
✓ Agentes químicos.
✓ Agentes biológicos.
✓ Agentes sociais.
✓ Agentes organizacionais.

Faz-se necessário destacar dentre todas as atividades nocivas, a potencial


interação entre produtos químicos e os ruídos elevados. Essa relação pode
ocasionar perdas auditivas nos trabalhadores que estão expostos durante o período
de suas atividades laborais. E dentre todas as doenças relacionadas ao trabalho, a
perda auditiva encontra-se em lugar de destaque.
Durante muito tempo a perda auditiva foi justificada exclusivamente emfunção
da exposição ocupacional ao ruído. Porém, ressalta-se que a referida perda é muito
semelhante à perda auditiva por ototoxicidade.
Sendo assim, considera-se que ambas as perdas sejam neurosensoriais,
irreversíveis, apresentam lesões cocleares, acometem inicialmente altas frequências
e geralmente são bilaterais.
A grande semelhança entre as duas perdas pode ter sido o principal motivo

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para que se tenha postergado os estudos direcionados para os efeitos nocivos da
exposição laboral a produtos químicos.
É possível destacar, entre os produtos químicos:
✓ Solventes = álcool, estireno, xileno, dissulfeto de carbono, hexano,
tricloroetileno, tolueno e misturas.
✓ Metais = cobalto, chumbo, manganês e arsênico.
✓ Asfixiantes = nitrato de butila, cianeto e monóxido de carbono.

Para o melhor entendimento dos tipos de produtos químicos exemplificados,


sabe-se que o solvente é o mais utilizado pela indústria, mais especificamente, o
tolueno, que está presente em colas, vernizes, latas, óleos e outros. Para se
alcançar a real avaliação dos níveis de tolueno no ambiente ocupacional, é preciso
realizar o monitoramento biológico por meio do ácido hipúrico, considerado
bioindicador urinário para o tolueno.
É essencial a realização periódica do monitoramento ambiental e biológico
como forma de viabilizar avaliações periódicas do potencial de contaminação do
ambiente de trabalho. Isso visando que o profissional de segurança do trabalho
tenha condições de desenvolver medidas que sejam efetivas para proteger a saúde
do trabalhador.
Destaca-se que para que seja possível a realização do monitoramento faz- se
extremamente necessário haver o prévio conhecimento das diversas condições
relacionadas tanto aos trabalhadores como ao ambiente. Por exemplo:
✓ Movimentação dos funcionários.
✓ Condições de ventilação.
✓ Atividades ou funções desempenhadas.
✓ Avaliação dos equipamentos em relação ao impacto com o meio.

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FONTE: <http://50minutos.files.wordpress.com/2008/12/epi.jpg>.

O uso de protetores auriculares deve ser temporário, nunca definitivo. E sua


utilização deve ser efetivada quando todas as demais formas de controle estiverem
esgotadas. A orientação sempre deve se dar no sentido de aderir para uma solução
de proteção coletiva, pois seus resultados direcionam-se para a qualidade de vida
do grupo todo de trabalhadores.

Pequisa na Área

Realizou-se um estudo sobre dano auditivo em trabalhadores expostos a


ruído e solvente em uma fábrica de calçados. Esse trabalho foi realizado pela
Universidade Federal do Rio Grande do Sul conjuntamente com outras Instituições.
Foram efetuadas análise dos níveis de ruído e solventes aos quais os trabalhadores
estavam expostos durante a jornada de trabalho de 8 horas diárias/cinco dias
semana, e seus efeitos sobre a audição dos trabalhadores. Nesse trabalho
observou-se que, mesmo os operários não estando expostos a níveis de ruído
superiores ao limitado pela Norma Regulamentadora do país, 85 dBA/8h (NR-15

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MT/BR) e que a exposição ao tolueno seja menor do que a estabelecida por esta
norma (78 ppm), um elevado número de trabalhadores apresentaram acentuada
perda auditiva no grupo de trabalhadores expostos ao solvente e ruído, o que sugere
que a exposição a esses agentes, mesmo dentro dos limites estabelecidos, pode
aumentar a ocorrência de perdas auditivas. Esse dado é preocupante tendo em vista
que os trabalhadores permanecem em jornada de 8 horas de trabalho expostos a
esses agentes, muitas vezes sem a proteção adequada.
Considera-se extremamente importante o investimento em pesquisas e
estudos que visem analisar a interação de agentes tóxicos, ruídos ou outros agentes
causadores de doenças porque eles podem servir de ferramenta para amplos
debates e discussões das normas vigentes. Isso porque os limites estabelecidos
pelos órgãos nacionais e internacionais ao considerarem as condições seguras para
a realização do trabalho desconsideram os efeitos interativos da exposição a mais
de um agente tóxicos (GONÇALVES, 2000).

AS DOENÇAS

FONTE: <http://galeria.colorir.com/images/painted/08>.

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Somente na atualidade houve o despertar do interesse em estudos mais
aprofundados sobre a influência do sistema de trabalho no desenvolvimento de
doenças. Essa realidade se faz presente mesmo com a constatação de que são
antigos os efeitos nocivos da exposição humana a substâncias químicas presentes
no local de trabalho.
É de suma importância a criação de protocolos que possam identificar
condições de trabalho que tendem a desenvolver doenças, pois ainda existem
muitos médicos que não reconhecem certas patologias como estando ligadas à
ocupação laboral.
Destaca-se que se torna impossível determinar um fator único que seja
gerador das doenças do trabalho, sendo assim, ainda que se esteja diante de um
evento agudo, é difícil estabelecer associações diretas com as doenças vinculadas
às atividades laborais.
O ser humano passa a maior parte do tempo exercendo atividades laborais.
E, os efeitos do trabalho atingem o organismo de forma cumulativa, podendo, assim,
desencadear doenças crônicas, dificultando muito o estabelecimento de qualquer
relação entre a patologia e o trabalho.
É possível descrever alguns aspectos de saúde que podem ser afetados
pelo trabalho. Por exemplo, o sistema endócrino, que é um elo entre a carga
genética do sujeito e o ambiente, pode ser gravemente afetado pelas condições
laborais às quais ele estará exposto.
As taxas elevadas de colesterol já são reconhecidas como consequência da
capacidade decisória, exaustão física e do ruído excessivo. Também a obesidade
vincula-se a esse grupo de doenças, pois se associa ao alto índice de estresse,
sendo mais comum nas profissões de baixo status social. Em relação à obesidade,
entende-se que pode ser resultado também da busca por refeições saborosas que
gerem compensação pelos conflitos vivenciados no ambiente de trabalho.
Existe uma forte vinculação dos distúrbios do sono e distúrbios alimentares
com a jornada noturna de trabalho. E, o ambiente que preconiza o contato do
trabalhador (de alguma forma) com a irradiação pode desencadear tumores que
ficam em período de latência por vários anos no organismo, dificultando ainda mais

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a associação com o trabalho.
A redução da densidade óssea, problema muito comum capaz de
desencadear dores crônicas, associa-se com profissões que determinam a posição
sentada por muito tempo. E, a redução significativa da produção de
espermatozoides, comprovadamente pode estar vinculada ao ambiente que oferece
calor excessivo, exposição a agrotóxicos, metais ou outros agentes químicos.
Diante da vasta associação entre o ambiente de trabalho e doenças
desencadeadas pelo mesmo, torna-se fundamental a revisão das relações
profissionais. Isso quer dizer retomar a conduta exigida pelo empregador e a
vulnerabilidade do empregado. Nesse sentido, preconiza-se que não são os
trabalhadores que devem ser forçadamente adaptados às rotinas de trabalho, ou às
necessidades da empresa e sim o contrário. Considera-se que a organização é
quem deve oferecer um sistema de trabalho que seja compatível com as
possibilidades do indivíduo.

SEGURANÇA NO TRABALHO

FONTE-<http://4.bp.blogspot.com/trabnoturno.JPG>.

Em se tratando particularmente do trabalho noturno, por exemplo, não se


pode tolerar que o ritmo exigido pelo funcionário seja o mesmo apresentado pelo

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trabalhador que efetua suas atividades diurnamente. Isso porque o ser humano é
naturalmente uma espécie diurna e somente o fato de estar desenvolvendo alguma
atividade noturna já representa certa quantidade de sobrecarga.
Desse modo, percebe-se a grande importância do acompanhamento médico a
ser realizado de forma sistemática para qualquer trabalhador, sem riscos de
exclusão.

ATENÇÃO
É necessário estar atento durante as avaliações de saúde
do trabalhador, pois se ao avaliar um grupo de funcionários não for
detectada nenhuma alteração da saúde, encontrando-se somente
pessoas bem condicionadas no ambiente laboral, torna-se
imprescindível uma observação mais cautelosa para verificar se

CONCEITOS FUNDAMENTAIS: ACIDENTE DE TRABALHO E ACIDENTE


DETRAJETO

A empresa empregadora não pode ser responsabilizada civilmente, porém, a


lei é garantidora do emprego ao colaborador que acidentar-se no percurso do
trabalho, por se equiparar esse acontecimento ao acidente de trabalho
(GONÇALVES, 2000).
A compreensão unânime é da 5 Câmara do Tribunal Regional do Trabalho
da 15 Região (Campinas/SP).

CASE
Uma trabalhadora da Indústria de Subprodutos de Origem Animal
Lopesco foi demitida após sofrer acidente durante o caminho do trabalho até
sua casa.
Ela entrou com reclamação trabalhista alegando que teve ferimentos no

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tornozelo e no pé que a incapacitaram para o trabalho de julho a outubro de
2003, mas a empresa não forneceu documentação para que fosse requerido o
auxílio- doença junto ao INSS. Para a trabalhadora, mesmo que ela tenha sido
a causadora do acidente, isso não excluiu sua garantia de emprego. A Vara de
Trabalho de Tatuí não aceitou recurso da trabalhadora, que recorreu ao TRT.
Segundo o relator, juiz Lorival Ferreira dos Santos, ficou comprovado
que o acidente ocorreu durante o trajeto percorrido pela funcionária entre seu
trabalho até a residência. Para o juiz, a Lei 8.213/91 prevê que se equipara ao
acidente do trabalho o acidente sofrido pelo segurado no percurso da
residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o
meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado. "Portanto,
segundo a legislação previdenciária, o acidente de percurso é equiparável ao
acidente do trabalho", fundamentou Ferreirados Santos.
Segundo o relator, a emissão da documentação para que o trabalhador
solicite o auxílio-doença por acidente no INSS em casos de acidente do
trabalho é muitas vezes evitado pelo empregador para impedir a garantia legal
de emprego.
"Demonstrada à negligência do empregador pela falta de percepção de
auxílio previdenciário na modalidade acidentária, é certo o direito da
trabalhadora à garantia do emprego prevista no artigo 118 da Lei 8.213/91",
disse Ferreira dos Santos. Mesmo que a funcionária tenha dado causa ao
acidente, esse fato exclui qualquer responsabilidade civil do empregador, mas
não a garantia de emprego prevista na lei.
"Ante a impossibilidade de reintegração no emprego pelo vencimento do
prazo estabilitário, condeno a empresa ao pagamento de indenização
correspondente aos salários e vantagens relativos ao período de 12 meses a
contar da cessação do auxílio previdenciário, acrescidos do FGTS, férias e 13
salário desse período", conclui o julgador, que estipulou o valor da condenação
em R$ 12 mil.

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FONTE:
www.conjur.com.br/.../acidente_trajeto_trabalho_acidente_trabalho

DIFERENÇA ENTRE DOENÇAS PROFISSIONAIS E DOENÇAS DO


TRABALHO

Compreende-se a doença ocupacional como a denominação de diversas


doenças que são causadoras de alterações na saúde da pessoa trabalhadora
provocadas por determinantes relacionados com o ambiente de trabalho.
As doenças ocupacionais podem ser divididas em:

◆ Doenças profissionas ou
tecnopatias.

◆ Doenças do trabalho ou
mesopatias.

Doenças Profissionais ou Tecnopatias

São o grupo de doenças que se caracteriza por serem sempre


causadas pela atividade ocupacional

Doenças do Trabalho ou Mesopatias


São doenças que podem ou não serem desencadeadas em função da
atividade laboral.
Considera-se que as doenças mais comuns são as do sistema
respiratório e cutâneo.
Como cuidados principais, se preconiza a prevenção, já que se
compreende que as doenças ocupacionais são, na grande maioria dos casos,
de difícil tratamento.

EXEMPLOS
 Silicose.
 Câncer de pele (ocupacional).
 Dermatite de contato.
 Asbestose.

Ressalta-se que, via de regra, a doença ocupacional é adquirida no


momento em que um colaborador é exposto aos agentes químicos, físicos,
radiotivos ou biológicos, a índices acima do limite permitido por lei, sem
proteção compatível com o risco envolvido.
Quando se enfatiza a prevenção, destaca-se que ela deve ser efetuada
na forma de:

Equipamento de proteção coletiva (EPC).

Equipamento de proteção individual (EPI).

Medidas administrativas também podem ser capazes de reduzir


alguns riscos.
IMPORTANTE:
No Brasil:
A doença ocupacional é equiparada ao acidente de
trabalho, gerando os mesmos direitos e benefícios.

COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES

AÇÕES PRÓ-ATIVAS NA PREVENÇÃO DE ACIDENTES

A CIPA deve realizar ações em termos de prevenção de acidentes.


Essasações são descritas como:
• Identificar os riscos do processo de trabalho e construir o
mapa de riscos, com a participação abrangente de grande parte dos
trabalhadores.
• Elaborar plano de trabalho que viabilize o estabelecimento
dasmedidas e ações preventivas necessárias.
• Realizar, periodicamente, as verificações nos ambientes de
trabalho,bem como das suas condições de uso.
• Participar de forma colaborativa do desenvolvimento e
implementação do:

1. Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional


(PCMSO).
2. Programa de Prevenção de Riscos de Acidentes (PPRA).

• Propor treinamento adequado a cada trabalhador,


visando seu conhecimento sobre os riscos e perigos existentes em
suas atividades ocupacionais.
• Sugerir reciclagem periódica desse conhecimento.
• Participar ativamente de campanhas direcionadas à saúde,
mesmo que focadas em outros aspectos, tais como HIV, vacinação, outros.
• Comunicar a todos os trabalhadores sobre os riscos
ambientes a que estão espostos, frisando que eles podem afetar a
segurança e a saúde.
A figura a seguir demonstra o esquema das ações pró-ativas:

Modificações no Equilíbrio físico,


TRABALHO meio ambiente mental e social

MECÂNICAS
FÍSICAS QUÍMICAS
BIOLÓGICAS
PSICOLÓGICAS
SOCIAIS

MORAIS

PREVENÇÃO
EFEITOS

MINIMIZAR

FAVORECER

NEGATIVOS
POSITIVOS

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