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• TIPIFICAÇÃO DAS CONDUTAS DE

QUEM, POR MEIO DE REDES


SOCIAIS, INDUZ A PRÁTICA DE
SUICÍDIO EM CASOS SIMILARES AO
DO JOGO “BALEIA AZUL”.

• CONSIDERE, TAMBÉM, ABORDAR SE


SERIA POSSÍVEL A
RESPONSABILIZAÇÃO DA PESSOA
JURÍDICA QUE GERE A REDE SOCIAL
NA QUAL A CONDUTA FOI
PRATICADA.

• ABORDE, AINDA, A QUESTÃO DA


TIPIFICAÇÃO DA CONDUTA EM
QUESTÃO NO CASO DAS VITIMAS
INCAPAZES DE COMPREENDER AS
CONDUTAS ÀS QUAIS FORAM
INDUZIDAS A PRATICAR.
É de conhecimento geral, ou ao menos deveria ser, que o
Direito é uma ciência que acompanha os acontecimentos
sociais, surgindo sempre após um fato que lhe fornece
motivos e embasamento para proteger e legitimar direitos
individuas que possam estar em jogo.
O tema abordado pela matéria do site “super interessante”,
nos mostra que a partir de um fato, surgido mais
especificamente na Russia no ano de 2016, surgiu novas
formas de ser analisar uma conduta que já era tipificada no
ordenamento Brasileiro. Essa análise que ser tornou
modificação do artigo 122 do Código penal, se deu quando
o jogo “Baleia Azul”(e outros jogos com uma proposta
semelhante) começou a assombrar, através das redes
sociais, e produzir vítimas dentro do território nacional.

O jogo atraia pessoas, especialmente jovens, com uma


proposta diferente, curiosa e instigante. Os objetivos a
serem alcançados eram diversificados, desde assistir
sozinho um filme de terror a tatuar, com uma faca, o
desenho da baleia em seu corpo. Contudo, esse “jogo” tinha
como objetivo final, simplesmente, a prática do suicídio,
que quando não concretizado, gerava ao participante
insultos e ameaças vitais a ele e aos seus familiares.

Observado esses fatos, o ordenamento brasileiro teve que se


modificar/atualizar, uma vez que previsão legal sobre o
suicídio e o auxílio ao mesmo, não abrangiam à nova
conduta em questão.

A lei 13.968 de 26 de Dezembro de 2019 trouxe em sua


redação, de forma atualizada com os fatos sociais, novas
possibilidades típicas de condutas como a do jogo “baleia
azul”. No parágrafo 4°, a pena é aumentada até o dobro
se a conduta é realizada por meio de rede de
computadores, de rede social ou transmitida em tempo
real, o parágrafo 5° acrescente, que a pena é aumentada
em metade se o agente é líder ou coordenador de grupo
ou de rede virtual. Já o parágrafo 7° diz, que se o crime
de que trata o parágrafo 2°( parágrafo segundo diz que se
o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte-
pena de reclusão de 2(dois) a 6(seis) anos) deste artigo é
cometido contra menor de 14(quatorze) anos ou contra
quem não tem o necessário discernimento para a prática
do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode
oferecer resistência, responde o agente pelo rime de
homicídio nos termos do artigo 121°, deste artigo.

Para alguns doutrinadores, a principal mudança, através da


lei 13.968/19, foi a inclusão da participação em
automutilação. Isto é, também passa a ser típico a conduta
de instigar, induzir ou auxiliar alguém a praticar a
automutilação. O parágrafo 6°, deste mesmo artigo, diz que
se o crime de que trata o parágrafo 1° deste mesmo
artigo( parágrafo primeiro diz que se a automutilação ou
tentativa resulta lesão corporal de natureza grave ou
gravíssima, nos termos do parágrafo 1° e 2° do Art.129°
deste mesmo Código- pena de reclusão de 1(um) a 3(três)
anos) resulta em lesão corporal de natureza gravíssima e
é cometido contra menor de 14(quatorze) anos ou contra
quem, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o
necessário discernimento para a prática do ato, ou que,
por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência,
responde o agente pelo crime descrito no parágrafo 2°
do artigo 129° deste Código.

Isto tudo nos diz que se o participante tiver capacidade de


entendimento, o responsável comete o crime do artigo 122°
do Código penal. Já se o participante não tiver capacidade
de entendimento, o responsável responde pelo crime de
homicídio.

O Superior Tribunal de Justiça apresenta em sua


jurisprudência um posicionamento dominante quanto a
perfeita caracterização da responsabilidade criminal pela
pessoa jurídica, desde que também haja a caracterização do
crime cometido por seu representante legal. O Supremo
Tribunal Federal, por sua vez, ainda não se pronunciou
especificamente sobre este tema. Ocorre que o §1º
estabelece que a responsabilidade penal da pessoa jurídica é
independente da pessoa física, em conflito com a teoria da
dupla imputação manifestada pelo STJ.
O sistema inglês e o sistema francês já adotaram esta teoria,
enquanto o sistema alemão não adotou a penalização da
pessoa jurídica, porém criou dentro do direto administrativo
sanções para punir as personalidades jurídicas.
No sistema inglês a pessoa jurídica pode ser criminalizada
por qualquer tipo de infração penal, contudo as maiores
recorrências são em crimes contra os direitos trabalhistas,
contra relações de consumo, contra a ordem economia e o
meio ambiente.
No sistema francês podem inclusive ser incriminadas
penalmente associações, fundações, partidos e sindicatos,
devendo o ato antijurídico ser praticado pelo seu
representante legal e nos interesses daquela, sendo essa
responsabilidade considerada subsidiária a
responsabilização da pessoa física, cujas penalidades
podem ser multa, interdições ou até o fechamento.
Já no Brasil, até hoje não foram criadas leis
infraconstitucionais que tipificassem os crimes contra a
ordem econômica e financeira, contra os direitos do
consumidor e contra a economia popular, ou seja, há a
autorização constitucional para a imputação da
responsabilização penal a pessoa jurídica, porém não há lei
específica que a preveja.
A responsabilidade penal das pessoas jurídicas quanto aos
crimes ambientais foi enfrentada pela lei 9605/98, que
estipula em seu artigo 3º o enquadramento quando a
infração for cometida por órgão a elas vinculado; e o artigo
21º que estipula as penas aplicáveis a pessoa jurídica como
a multa, restritiva de direitos e/ou prestação de serviços a
comunidade.
De acordo com o artigo 3º da referida lei são requisitos
essenciais para a imputação da responsabilidade criminal:
que seja pessoa jurídica de direito privado, ou seja, não há a
criminalização da pessoa jurídica de direito público; que o
crime seja cometido por decisão do representante legal ou
contratual e tenha agido para os interesses da pessoa
jurídica.

ALUNO: PEDRO HENRIQUE GOMES MENEZES


PROFESSOR(a): ANDRÉ GRANDIS
MATÉRIA: DIREITO PENAL ll
CAMPUS: ESTÁCIO DE SÁ ILHA DO GOVERNADOR

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