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SUMÁRIO
LEI Nº 8.072/90 – CRIMES HEDIONDOS .......................................................................................................... 20
CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................................................................. 20
CONCEITO DE CRIME HEDIONDO ................................................................................................................................. 20
CRITÉRIOS PARA DEFINIÇÃO .................................................................................................................... 20
CRIMES HEDIONDOS E TENTATIVA............................................................................................................................... 21
CRIMES HEDIONDOS E PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA .............................................................................................. 22
CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES QUANTO AO POTENCIAL OFENSIVO .............................................................................. 22
CRIMES DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO ............................................................................................. 22
CRIMES DE MÉDIO POTENCIAL OFENSIVO .............................................................................................. 22
CRIMES DE ELEVADO POTENCIAL OFENSIVO .......................................................................................... 22
CRIMES DE MÁXIMO POTENCIAL OFENSIVO ........................................................................................... 22
CRIMES HEDIONDOS E PRIORIDADE DE TRAMITAÇÃO ................................................................................................ 23
CRIMES HEDIONDOS EM ESPÉCIE ................................................................................................................................ 23
HOMICÍDIO PRATICADO EM ATIVIDADE TÍPICA DE GRUPO DE EXTERMÍNIO .............................................................. 25
HOMICÍDIO QUALIFICADO ....................................................................................................................... 26
HOMICÍDIO QUALIFICADO-PRIVILEGIADO (HÍBRIDO) ............................................................................. 27
LESÃO CORPORAL GRAVÍSSIMA E SEGUIDA DE MORTE CONTRA “SEGURANÇA PÚBLICA” ......................................... 28
RELAÇÃO DE PARENTESCO ...................................................................................................................... 29
ROUBO.......................................................................................................................................................................... 30
A) CIRCUNSTANCIADO PELA RESTRIÇÃO DE LIBERDADE DA VÍTIMA ...................................................... 31
B) CIRCUNSTANCIADO PELO EMPREGO DE ARMA DE FOGO OU EMPREGO DE ARMA DE FOGO DE USO
PROIBIDO OU RESTRITO .......................................................................................................................... 31
C) QUALIFICADO PELO RESULTADO LESÃO CORPORAL GRAVE OU MORTE ........................................... 31
EXTORSÃO QUALIFICADA ............................................................................................................................................. 33
EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO ............................................................................................................................. 34
ESTUPRO....................................................................................................................................................................... 34
ESTUPRO DE VULNERÁVEL ........................................................................................................................................... 35
EPIDEMIA COM RESULTADO MORTE ........................................................................................................................... 35
FALSIFICAÇÃO, CORRUPÇÃO, ADULTERAÇÃO OU ALTERAÇÃO DE PRODUTO DESTINADO A FINS TERAPÊUTICOS OU
MEDICINAIS .................................................................................................................................................................. 36
FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU
ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL ............................................................................................................................. 37
FURTO QUALIFICADO PELO EMPREGO DE EXPLOSIVO OU DE ARTEFATO ANÁLOGO QUE CAUSE PERIGO COMUM .. 37
GENOCÍDIO ................................................................................................................................................................... 38
POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE USO RESTRITO ................................................................................................ 38
OBJETO MATERIAL ................................................................................................................................... 39
COMÉRCIO ILEGAL DE ARMA DE FOGO ........................................................................................................................ 39

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OBJETO MATERIAL ................................................................................................................................... 40


SUJEITO ATIVO ......................................................................................................................................... 40
NORMA PENAL EXPLICATIVA ................................................................................................................... 40
TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO, ACESSÓRIO OU MUNIÇÃO ................................................................ 40
OBJETO MATERIAL: .................................................................................................................................. 41
SUJEITO ATIVO ......................................................................................................................................... 41
SUJEITO PASSIVO ..................................................................................................................................... 41
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, QUANDO DIRECIONADA À PRÁTICA DE CRIME HEDIONDO OU EQUIPARADO .............. 41
O QUE É ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ...................................................................................................... 42
CRIMES EQUIPARADOS A HEDIONDOS............................................................................................................ 42
VEDAÇÕES LEGAIS ........................................................................................................................................... 42
VEDAÇÃO À ANISTIA, À GRAÇA E AO INDULTO ............................................................................................................ 42
INAFIANÇÁVEIS ............................................................................................................................................................. 43
VEDAÇÃO À LIBERDADE PROVISÓRIA ........................................................................................................................... 43
PROGRESSÃO DE REGIME ............................................................................................................................................. 44
DELAÇÃO PREMIADA .................................................................................................................................................... 45
INADIMPLEMENTO DA PENA DE MULTA E PROGRESSÃO DE REGIME ......................................................................... 45
EXAME CRIMINOLÓGICO .............................................................................................................................................. 46
IDENTIFICAÇÃO DO PERFIL GENÉTICO ......................................................................................................................... 47
PRISÃO TEMPORÁRIA ................................................................................................................................................... 48
QUESTÕES........................................................................................................................................................ 49
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................................................................ 53
LEI Nº 10.826/2003 – ESTATUTO DO DESARMAMENTO ................................................................................. 54
APRESENTAÇÃO ............................................................................................................................................................ 54
ORGANIZAÇÃO DA AULA ......................................................................................................................... 54
DO SISTEMA NACIONAL DE ARMAS ................................................................................................................ 54
CADASTRO ............................................................................................................................................... 55
CONCEITOS COMPLEMENTARES ............................................................................................................. 55
REGISTRO ......................................................................................................................................................... 56
CERTIFICADO DE REGISTRO DE ARMA DE FOGO ..................................................................................... 56
PORTE DE ARMA DE FOGO .............................................................................................................................. 59
AUTORIZAÇÃO PARA O PORTE DE ARMA DE FOGO DAS GUARDAS MUNICIPAIS ................................... 60
PORTE PARA CAÇADOR DE SUBSISTÊNCIA .............................................................................................. 61
AUTORIZAÇÃO DO PORTE DE ARMA PARA OS RESPONSÁVEIS PELA SEGURANÇA DE CIDADÃOS
ESTRANGEIROS EM VISITA OU SEDIADOS NO BRASIL ............................................................................. 61
DOS CRIMES E DAS PENAS ............................................................................................................................... 63
OBJETO MATERIAL........................................................................................................................................................ 63
ARMA DE FOGO ....................................................................................................................................... 63

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ACESSÓRIO............................................................................................................................................... 65
MUNIÇÃO ................................................................................................................................................ 65
BENS JURÍDICOS PROTEGIDOS ................................................................................................................ 66
ELEMENTO SUBJETIVO ............................................................................................................................ 66
AÇÃO PENAL ............................................................................................................................................ 66
NATUREZA JURÍDICA DOS CRIMES DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO............................................... 66
CRIMES EM ESPÉCIE......................................................................................................................................... 69
ART. 12. POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO ......................................................................... 69
CONDUTA TÍPICA ..................................................................................................................................... 69
ELEMENTO ESPACIAL DO TIPO PENAL ..................................................................................................... 69
SUJEITO ATIVO ......................................................................................................................................... 70
SUJEITO PASSIVO ..................................................................................................................................... 70
CONSUMAÇÃO......................................................................................................................................... 70
OBJETO MATERIAL ................................................................................................................................... 70
ART. 14 – PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO .............................................................................. 71
CONDUTA TÍPICA ..................................................................................................................................... 71
SUJEITO ATIVO ......................................................................................................................................... 71
SUJEITO PASSIVO ..................................................................................................................................... 71
CONSUMAÇÃO......................................................................................................................................... 71
OBJETO MATERIAL ................................................................................................................................... 72
INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO ............................................................................... 72
ART. 16, CAPUT – POSSE OU PORTE DE ARMA DE FOGO DE USO PROIBIDO OU RESTRITO ........................................ 73
PACOTE ANTICRIME................................................................................................................................. 73
CONDUTA TÍPICA ..................................................................................................................................... 73
SUJEITO ATIVO ......................................................................................................................................... 73
SUJEITO PASSIVO ..................................................................................................................................... 73
CONSUMAÇÃO......................................................................................................................................... 74
OBJETO MATERIAL ................................................................................................................................... 74
NATUREZA HEDIONDA............................................................................................................................. 74
OBJETIVIDADE JURÍDICA .......................................................................................................................... 74
BEM JURÍDICO ......................................................................................................................................... 74
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA .............................................................................................................. 75
ART. 16. PARÁGRAFO 1º – CONDUTAS EQUIPARADAS ................................................................................................ 76
SUPRESSÃO OU ALTERAÇÃO DE SINAL DE IDENTIFICAÇÃO .................................................................... 76
TRANSFORMAÇÃO PARA ARMA DE FOGO DE USO PROIBIDO OU PARA INDUZIR EM ERRO A
AUTORIDADE ........................................................................................................................................... 77
POSSE, FABRICAÇÃO OU EMPREGO DE ARTEFATO EXPLOSIVO OU INCENDIÁRIO ................................. 77
PORTE DE ARMA DE FOGO COM NUMERAÇÃO RASPADA ...................................................................... 78

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VENDA, ENTREGA OU FORNECIMENTO DE ARMA DE FOGO A CRIANÇA OU ADOLESCENTE ................. 78


PRODUÇÃO, RECARGA OU RECICLAGEM DE MUNIÇÃO OU EXPLOSIVO................................................. 78
ART. 13 – OMISSÃO DE CAUTELA ................................................................................................................................. 79
CARACTERÍSTICAS E ELEMENTO SUBJETIVO DO CRIME .......................................................................... 79
SUJEITO ATIVO ......................................................................................................................................... 79
SUJEITO PASSIVO ..................................................................................................................................... 79
OBJETO MATERIAL ................................................................................................................................... 80
CONSUMAÇÃO......................................................................................................................................... 80
CONCURSO DE CRIMES ............................................................................................................................ 80
ART. 13 – OMISSÃO DE CAUTELA – PARÁGRAFO ÚNICO ............................................................................................. 80
SUJEITO ATIVO ......................................................................................................................................... 80
SUJEITO PASSIVO ..................................................................................................................................... 80
OBJETO MATERIAL ................................................................................................................................... 81
ELEMENTO SUBJETIVO ............................................................................................................................ 81
CONSUMAÇÃO......................................................................................................................................... 81
ART. 15 – DISPARO DE ARMA DE FOGO ....................................................................................................................... 82
SUJEITO ATIVO ......................................................................................................................................... 82
SUJEITO PASSIVO ..................................................................................................................................... 82
CONDUTAS............................................................................................................................................... 82
ELEMENTO ESPACIAL ............................................................................................................................... 82
ELEMENTO SUBJETIVO ............................................................................................................................ 82
CONSUMAÇÃO......................................................................................................................................... 82
SUBSIDIARIEDADE EXPRESSA................................................................................................................... 82
INCONSTITUCIONALIDADE ...................................................................................................................... 83
CONCURSO DE CRIMES ............................................................................................................................ 83
ART. 17 – COMÉRCIO ILEGAL DE ARMA DE FOGO, ACESSÓRIO OU MUNIÇÃO ............................................................ 85
PACOTE ANTICRIME................................................................................................................................. 85
SUJEITO ATIVO ......................................................................................................................................... 85
SUJEITO PASSIVO ..................................................................................................................................... 85
OBJETO MATERIAL ................................................................................................................................... 85
ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO........................................................................................................... 86
CONSUMAÇÃO E TENTATIVA................................................................................................................... 86
ART. 18 – TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO, ACESSÓRIO OU MUNIÇÃO ................................................ 87
PACOTE ANTICRIME................................................................................................................................. 88
SUJEITO ATIVO ......................................................................................................................................... 88
SUJEITO PASSIVO ..................................................................................................................................... 88
OBJETO MATERIAL ................................................................................................................................... 88
CONSUMAÇÃO......................................................................................................................................... 88

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PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA .............................................................................................................. 89


CAUSA DE AUMENTO DE PENA .................................................................................................................................... 90
FIANÇA E LIBERDADE PROVISÓRIA ............................................................................................................................... 90
CAUSA DE AUMENTO DE PENA .................................................................................................................................... 91
PACOTE ANTICRIME................................................................................................................................. 91
QUESTÕES GERAIS ........................................................................................................................................................ 91
A VENDA DE ARMA DE FOGO CONFIGURA QUAL CRIME? ...................................................................... 91
ARMAS DE FOGO APREENDIDAS .................................................................................................................................. 91
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................................................................ 92
LEI Nº 11.343/2003 – LEI DE DROGAS ............................................................................................................. 93
CONSIDERAÇÕES INICIAIS............................................................................................................................................. 93
OBJETIVIDADE JURÍDICA ............................................................................................................................................... 93
OBJETO MATERIAL........................................................................................................................................................ 93
O QUE SÃO DROGAS ................................................................................................................................ 94
RESSALVA À PROIBIÇÃO DE DROGAS ........................................................................................................................... 94
SUJEITO ATIVO.............................................................................................................................................................. 95
SUJEITO PASSIVO .......................................................................................................................................................... 95
ELEMENTO SUBJETIVO ................................................................................................................................................. 96
NATUREZA JURÍDICA .................................................................................................................................................... 96
CRIME DE PERIGO CONCRETO X CRIME DE PERIGO ABSTRATO.............................................................. 96
AÇÃO PENAL ................................................................................................................................................................. 97
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA ................................................................................................................................... 97
ART. 28 – PORTE E CULTIVO PARA CONSUMO PESSOAL................................................................................. 98
FUGA DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE ................................................................................................................... 98
NATUREZA JURÍDICA .................................................................................................................................................... 99
CONSUMAÇÃO ........................................................................................................................................................... 100
TENTATIVA.................................................................................................................................................................. 100
MATERIALIDADE DO DELITO ...................................................................................................................................... 100
ELEMENTO SUBJETIVO ............................................................................................................................................... 100
NÚCLEOS DO TIPO ...................................................................................................................................................... 100
FIGURA EQUIPARADA – ART. 28, §1º ......................................................................................................................... 102
CRITÉRIOS PARA DIFERENCIAÇÃO COM O TRÁFICO ................................................................................................... 102
PENAS ......................................................................................................................................................................... 103
PRAZO .................................................................................................................................................... 103
DESCUMPRIMENTO DAS MEDIDAS: CONSEQUÊNCIAS .............................................................................................. 104
TRATAMENTO AMBULATORIAL NÃO COMPULSÓRIO ................................................................................................ 105
PRESCRIÇÃO ............................................................................................................................................................... 105
REINCIDÊNCIA............................................................................................................................................................. 105
RITO PROCESSUAL ...................................................................................................................................................... 106

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CRIMES EM ESPÉCIE: CRIMES EQUIPARADOS A HEDIONDOS ....................................................................... 107


ART. 33 – TRÁFICO DE DROGAS ..................................................................................................................... 107
SUJEITO ATIVO............................................................................................................................................................ 108
SUJEITO PASSIVO ........................................................................................................................................................ 108
OBJETIVIDADE JURÍDICA ............................................................................................................................................. 108
CONDUTAS TÍPICAS .................................................................................................................................................... 108
ELEMENTO NORMATIVO ............................................................................................................................................ 109
CONSUMAÇÃO ........................................................................................................................................................... 109
TENTATIVA.................................................................................................................................................................. 109
AÇÃO PENAL ............................................................................................................................................................... 109
LEI 9.099/1995............................................................................................................................................................ 110
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA ................................................................................................................................. 110
COMPETÊNCIA ............................................................................................................................................................ 110
MATERIALIDADE ......................................................................................................................................................... 111
LAUDO DE CONSTATAÇÃO PRELIMINAR ............................................................................................... 111
LAUDO DEFINITIVO - EXAME ................................................................................................................. 112
DOSIMETRIA DA PENA ................................................................................................................................................ 112
PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE............................................................................................................ 112
PENA DE MULTA .................................................................................................................................... 113
FLAGRANTE PROVOCADO OU PREPARADO – CRIME DE ENSAIO ............................................................................... 113
FLAGRANTE FORJADO ................................................................................................................................................ 114
FLAGRANTE ESPERADO .............................................................................................................................................. 114
ART. 33, §1º – CRIMES EQUIPARADOS AO TRÁFICO DE DROGAS ................................................................. 114
TRÁFICO DE MATÉRIA-PRIMA, INSUMOS OU PRODUTO QUÍMICO ........................................................................... 115
FINALIDADE ........................................................................................................................................... 115
AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO PARA CARACTERIZAÇÃO DO DELITO ...................................................... 115
POSSE DE SEMENTES DE MACONHA ..................................................................................................... 115
CULTIVO DE PLANTAS PARA O TRÁFICO ..................................................................................................................... 116
UTILIZAÇÃO DE LOCAL PARA FIM DE TRÁFICO ........................................................................................................... 118
VENDA OU ENTREGA DE DROGAS A POLICIAL ........................................................................................................... 118
O AGENTE INFILTRADO .......................................................................................................................... 119
O AGENTE PROVOCADOR ...................................................................................................................... 119
O AGENTE DISFARÇADO ........................................................................................................................ 119
CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA: ART. 33, §4º – TRÁFICO PRIVILEGIADO .................................................. 120
“MULAS” DO TRÁFICO ........................................................................................................................... 121
TRÁFICO PRIVILEGIADO – CONSIDERAÇÕES .......................................................................................... 122
ART. 34 – TRÁFICO DE MAQUINÁRIO ............................................................................................................ 125
ART. 36 – FINANCIAMENTO OU CUSTEIO DO TRÁFICO ................................................................................. 128
CONSIDERAÇÕES ................................................................................................................................... 128

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SUJEITO ATIVO ....................................................................................................................................... 128


NÚCLEOS DO TIPO ................................................................................................................................. 128
ELEMENTO SUBJETIVO .......................................................................................................................... 128
CONSUMAÇÃO....................................................................................................................................... 129
QUESTÃO CONTROVERSA: AUTOFINANCIAMENTO .............................................................................. 129
CRIMES EM ESPÉCIE - CRIMES NÃO EQUIPARADOS A HEDIONDOS.............................................................. 130
ART. 33, § 2º – INDUZIMENTO AO USO DE DROGAS .................................................................................................. 130
NÚCLEOS DO TIPO ................................................................................................................................. 130
SUBSIDIARIEDADE.................................................................................................................................. 130
SUJEITO PASSIVO ................................................................................................................................... 130
CONSUMAÇÃO....................................................................................................................................... 130
MARCHA DA MACONHA ........................................................................................................................ 130
ART. 33, §3º – TRÁFICO DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO (CEDENTE EVENTUAL) ..................................... 131
SUJEITO ATIVO ....................................................................................................................................... 131
ELEMENTO SUBJETIVO .......................................................................................................................... 131
CONSUMAÇÃO....................................................................................................................................... 131
ART. 35 – ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO...................................................................................................... 133
SUJEITO ATIVO ....................................................................................................................................... 133
ELEMENTO SUBJETIVO .......................................................................................................................... 133
CONSUMAÇÃO E TENTATIVA................................................................................................................. 133
ART. 37 – INFORMANTE OU FOGUETEIRO (COLABORADOR) ........................................................................ 135
CARACTERÍSTICAS DO TIPO ................................................................................................................... 135
EVENTUALIDADE .................................................................................................................................... 135
CONSUMAÇÃO....................................................................................................................................... 135
COLABORADOR FUNCIONÁRIO PÚBLICO .............................................................................................. 135
ART. 40 – CAUSAS DE AUMENTO DA PENA ................................................................................................... 137
TRÁFICO TRANSNACIONAL DE DROGAS ..................................................................................................................... 137
TRANSNACIONALIDADE ......................................................................................................................... 137
CONSUMAÇÃO....................................................................................................................................... 137
COMPETÊNCIA ....................................................................................................................................... 137
SUJEITO ATIVO............................................................................................................................................................ 138
LOCAIS DO CRIME ....................................................................................................................................................... 138
MODO DE EXECUÇÃO ................................................................................................................................................. 139
TRÁFICO INTERESTADUAL .......................................................................................................................................... 140
SUJEITO PASSIVO ........................................................................................................................................................ 142
AUTOFINANCIAMENTO .............................................................................................................................................. 142
ART. 38 – PRESCRIÇÃO OU MINISTRAÇÃO CULPOSA .................................................................................... 145
ART. 39 – CONDUÇÃO AERONAVE OU EMBARCAÇÃO APÓS CONSUMO DE DROGA ................................... 146

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CARACTERÍSTICAS DO TIPO ................................................................................................................... 146


FORMA QUALIFICADA............................................................................................................................ 146
CONSUMAÇÃO....................................................................................................................................... 146
COMPETÊNCIA ....................................................................................................................................... 146
COLABORAÇÃO PREMIADA ........................................................................................................................... 147
DOSIMETRIA DAS PENAS ............................................................................................................................... 147
FIXAÇÃO DA PENA DE MULTA .................................................................................................................................... 147
PROIBIÇÕES E VEDAÇÕES A BENEFÍCIOS ....................................................................................................... 148
VEDAÇÃO À ANISTIA, À GRAÇA E AO INDULTO .......................................................................................................... 148
INAFIANÇÁVEIS ........................................................................................................................................................... 148
VEDAÇÃO À LIBERDADE PROVISÓRIA ......................................................................................................................... 149
PROGRESSÃO DE REGIME E LIVRAMENTO CONDICIONAL ......................................................................................... 149
PRISÃO TEMPORÁRIA ................................................................................................................................................. 151
INIMPUTABILIDADE E SEMI-IMPUTABILIDADE .............................................................................................. 151
DA INVESTIGAÇÃO ......................................................................................................................................... 153
LAVRATURA DO APF ................................................................................................................................................... 153
LAUDO DE CONSTATAÇÃO PRELIMINAR ............................................................................................... 153
LAUDO DEFINITIVO - EXAME TOXICOLÓGICO ............................................................................................................ 154
PRAZOS DO INQUÉRITO.............................................................................................................................................. 155
DESTRUIÇÃO DAS DROGAS APREENDIDAS ................................................................................................................. 155
DESTRUIÇÃO DAS DROGAS COM PRISÃO EM FLAGRANTE ................................................................... 155
DESTRUIÇÃO DAS DROGAS SEM PRISÃO EM FLAGRANTE .................................................................... 156
PLANTAÇÕES.......................................................................................................................................... 156
PROCEDIMENTOS INVESTIGATÓRIOS ......................................................................................................................... 157
INFILTRAÇÃO DE AGENTES ......................................................................................................................................... 157
AÇÃO CONTROLADA .............................................................................................................................. 157
INTERROGATÓRIO DO RÉU .................................................................................................................... 157
QUESTÕES RELEVANTES ................................................................................................................................ 159
POLÍCIA PODE FAZER BUSCAS POR CAUSA DE CHEIRO DE MACONHA? .................................................................... 159
INVASÃO DE DOMICÍLIO E FLAGRANTE DE CRIME ..................................................................................................... 161
REVISTA ÍNTIMA ......................................................................................................................................................... 161
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................................................................... 162
LEI MARIA DA PENHA .................................................................................................................................... 163
LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006 ................................................................................................................... 163
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 163
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES ................................................................................................................. 163
INTERPRETAÇÃO DA LEI MARIA DA PENHA ................................................................................................................ 164
DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER .................................................................................... 165
SUJEITO ATIVO............................................................................................................................................................ 166

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SUJEITO PASSIVO ........................................................................................................................................................ 168


JURISPRUDÊNCIA ........................................................................................................................................................ 169
ÂMBITO DE APLICAÇÃO .............................................................................................................................................. 170
DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER .............................................................. 171
VIOLÊNCIA FÍSICA................................................................................................................................... 172
VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA ....................................................................................................................... 172
VIOLÊNCIA SEXUAL ................................................................................................................................ 172
VIOLÊNCIA PATRIMONIAL...................................................................................................................... 172
VIOLÊNCIA MORAL ................................................................................................................................ 172
SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS .................................................. 173
DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR ................................................ 173
DAS MEDIDAS INTEGRADAS DE PREVENÇÃO ........................................................................................ 173
DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR ........................... 174
DO ATENDIMENTO PELA AUTORIDADE POLICIAL ................................................................................. 177
DOS PROCEDIMENTOS ............................................................................................................................................... 182
DISPOSIÇÕES GERAIS ............................................................................................................................. 182
DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA ................................................................................................................. 186
DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA QUE OBRIGAM O AGRESSOR ............................................. 188
DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA À OFENDIDA ...................................................................... 190
INSTRUMENTOS PARA PROTEÇÃO PATRIMONIAL ................................................................................ 190
DO CRIME DE DESCUMPRIMENTO DE MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA ........................................................... 191
DA ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ..................................................................................................................... 192
DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA.................................................................................................................. 193
DA EQUIPE DE ATENDIMENTO MULTIDISCIPLINAR............................................................................... 193
DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS ................................................................................................................. 194
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................................................................... 196
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA........................................................................................................................... 197
CONTEXTO HISTÓRICO ............................................................................................................................................... 197
LEI Nº 12.850/2003........................................................................................................................................ 199
VIGÊNCIA .................................................................................................................................................................... 199
CONCEITO ................................................................................................................................................................... 199
ASSOCIAÇÃO DE 4 OU MAIS PESSOAS ESTRUTURALMENTE ORDENADA ............................................. 200
PLURALIDADE DE AGENTES ................................................................................................................... 200
DIVISÃO DE TAREFAS ............................................................................................................................. 200
FIM DE OBTENÇÃO DE VANTAGEM ....................................................................................................... 200
FINALIDADE DE OBTENÇÃO DE VANTAGEM DE QUALQUER NATUREZA MEDIANTE A PRÁTICA DE
INFRAÇÕES PENAIS CUJAS PENAS MÁXIMAS SEJAM SUPERIORES A 4 ANOS, OU DE CARÁTER
TRANSNACIONAL. .................................................................................................................................. 201
EXTENSÃO DA APLICABILIDADE DA LEI ...................................................................................................................... 201

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O CRIME DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ...................................................................................................... 202


CRIME ORGANIZADO POR NATUREZA X CRIME ORGANIZADO POR EXTENSÃO ................................... 202
O CRIME ......................................................................................................................................................... 203
“PESSOALMENTE OU POR INTERPOSTA PESSOA” ................................................................................. 203
BEM JURÍDICO TUTELADO ..................................................................................................................... 204
SUJEITOS DO CRIME ................................................................................................................................................... 204
SUJEITO ATIVO ....................................................................................................................................... 204
SUJEITO PASSIVO ................................................................................................................................... 204
ELEMENTO SUBJETIVO ............................................................................................................................................... 204
CONSUMAÇÃO ........................................................................................................................................................... 205
CONCURSO DE CRIMES .............................................................................................................................................. 205
AÇÃO PENAL ............................................................................................................................................................... 206
DELITO AUTÔNOMO................................................................................................................................................... 206
FIGURA EQUIPARADA (CRIME ORGANIZADO POR EXTENSÃO) ..................................................................... 206
MAJORANTE DA ARMA DE FOGO .................................................................................................................. 208
AGRAVANTE DO CHEFE ................................................................................................................................. 209
CAUSA DE AUMENTO DE PENA (MAJORANTES)............................................................................................ 209
AFASTAMENTO CAUTELAR DO FUNCIONÁRIO PÚBLICO............................................................................... 212
EFEITOS DA CONDENAÇÃO............................................................................................................................ 214
SERVIDOR APOSENTADO ............................................................................................................................................ 215
PARTICIPAÇÃO DE POLICIAL .......................................................................................................................... 216
LIDERANÇAS DE ORCRIM ARMADAS PRESAS EM ESTABELECIMENTOS PENAIS DE SEGURANÇA MÁXIMA . 217
VEDAÇÃO À PROGRESSÃO DE REGIME AO PRESO QUE MANTÉM VÍNCULO ASSOCIATIVO ......................... 217
DA INVESTIGAÇÃO E DOS MEIOS DE OBTENÇÃO DA PROVA ........................................................................ 218
II - CAPTAÇÃO AMBIENTAL DE SINAIS ELETROMAGNÉTICOS, ÓPTICOS OU ACÚSTICOS ........................................... 219
V - INTERCEPTAÇÃO DE COMUNICAÇÕES TELEFÔNICAS E TELEMÁTICAS, NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA ..... 219
CONCEITO DE INTERCEPTAÇÃO, ESCUTA E GRAVAÇÃO CLANDESTINA ................................................ 219
DISPENSA DE LICITAÇÃO ........................................................................................................................ 223
III – AÇÃO CONTROLADA ............................................................................................................................................ 223
CONCEITO .............................................................................................................................................. 223
COMUNICAÇÃO PRÉVIA AO JUIZ ........................................................................................................... 224
SIGILO .................................................................................................................................................... 224
ACESSO AOS AUTOS............................................................................................................................... 225
AUTO CIRCUNSTANCIADO ..................................................................................................................... 225
TRANSPOSIÇÃO DE FRONTEIRAS ........................................................................................................... 225
IV - ACESSO A REGISTROS DE LIGAÇÕES TELEFÔNICAS E TELEMÁTICAS, A DADOS CADASTRAIS CONSTANTES DE
BANCOS DE DADOS PÚBLICOS OU PRIVADOS E A INFORMAÇÕES ELEITORAIS OU COMERCIAIS .............................. 225
INFILTRAÇÃO DE AGENTES ......................................................................................................................................... 226

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CONCEITO .............................................................................................................................................. 226


PREVISÃO LEGAL .................................................................................................................................... 226
REQUERIMENTO OU REQUISIÇÃO DA INFILTRAÇÃO ............................................................................. 227
REQUISITOS DA INFILTRAÇÃO ............................................................................................................... 227
DURAÇÃO .............................................................................................................................................. 228
RELATÓRIO DE ATIVIDADES ................................................................................................................... 228
INFILTRAÇÃO DE AGENTES DA INTERNET .................................................................................................................. 228
FINALIDADE DA INFILTRAÇÃO DE AGENTES NA INTERNET ................................................................... 229
PRAZO .................................................................................................................................................... 230
RELATÓRIO DA INFILTRAÇÃO A QUALQUER TEMPO ............................................................................. 230
RELATÓRIO APÓS FINALIZAÇÃO DO PRAZO DA INFILTRAÇÃO .............................................................. 230
PROVA NULA.......................................................................................................................................... 230
SIGILO DA INFILTRAÇÃO ........................................................................................................................ 231
ACESSO AOS AUTOS............................................................................................................................... 231
AUSÊNCIA DE CRIME E RESPONSABILIZAÇÃO PELOS EXCESSOS ........................................................... 231
RELATÓRIO APÓS INVESTIGAÇÃO CONCLUÍDA ..................................................................................... 231
IDENTIDADE DO INFILTRADO ................................................................................................................ 232
A AUTORIZAÇÃO JUDICIAL ..................................................................................................................... 232
AGENTE SOFRENDO RISCO IMINENTE ................................................................................................... 232
PROPORCIONALIDADE E EXCLUDENTE DE CULPABILIDADE .................................................................. 233
DIREITOS DO AGENTE ............................................................................................................................ 233
COLABORAÇÃO PREMIADA ........................................................................................................................................ 233
O INÍCIO DAS NEGOCIAÇÕES ................................................................................................................. 234
TERMO DE CONFIDENCIALIDADE .......................................................................................................... 234
INSTRUÇÃO ............................................................................................................................................ 235
ACORDO NÃO REALIZADO PELO CELEBRANTE ...................................................................................... 235
PROCURAÇÃO E PRESENÇA OBRIGATÓRIA DO ADVOGADO DO DEFENSOR ......................................... 235
AS PARTES NO ACORDO ........................................................................................................................ 236
CONCESSÃO DO PERDÃO JUDICIAL ....................................................................................................... 238
SUSPENSÃO DO PRAZO PARA DENÚNCIA ............................................................................................. 238
DEIXAR DE OFERECER A DENÚNCIA....................................................................................................... 239
COLABORAÇÃO POSTERIOR À SENTENÇA ............................................................................................. 240
O ACORDO DE COLABORAÇÃO .............................................................................................................. 240
HOMOLOGAÇÃO DO ACORDO PELO JUIZ.............................................................................................. 240
JUIZ RECUSANDO HOMOLOGAÇÃO....................................................................................................... 242
RETRATAÇÃO DA PROPOSTA ................................................................................................................. 242
RÉU DELATADO – OPORTUNIDADE DE MANIFESTAÇÃO ....................................................................... 242

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REGISTRO DOS ATOS DE COLABORAÇÃO .............................................................................................. 243


RENÚNCIA AO DIREITO AO SILÊNCIO .................................................................................................... 243
VEDAÇÃO A MEDIDAS DECORRENTES APENAS DE DECLARAÇÕES DO COLABORADOR ....................... 243
RESCISÃO DO ACORDO DE COLABORAÇÃO ........................................................................................... 243
DIREITOS DO COLABORADOR ................................................................................................................ 244
O TERMO DE ACORDO DE COLABORAÇÃO............................................................................................ 244
FIM DO SIGILO DO ACORDO .................................................................................................................. 245
DO ACESSO A REGISTROS, DADOS CADASTRAIS, DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES ..................................... 245
DOS CRIMES OCORRIDOS NA INVESTIGAÇÃO E NA OBTENÇÃO DA PROVA ................................................. 246
DISPOSIÇÕES FINAIS ...................................................................................................................................... 247
PRAZO PARA ENCERRAMENTO DA INSTRUÇÃO CRIMINAL ................................................................... 247
SIGILO DA INVESTIGAÇÃO E AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA ACESSO DO ADVOGADO ......................... 247
ACESSO AOS AUTOS PELO ADVOGADO ANTES DO DEPOIMENTO DO INVESTIGADO .......................... 247
LEI Nº 9.296 – LEI DE INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA..................................................................................... 248
NATUREZA JURÍDICA.............................................................................................................................. 248
REQUISITOS CONSTITUCIONAIS DA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA ........................................................................... 249
ABRANGÊNCIA E OBJETO DA LEI ................................................................................................................................ 249
CAPTAÇÕES DE CONVERSAS TELEFÔNICAS ........................................................................................... 249
CONCEITO DE INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA, ESCUTA TELEFÔNICA E GRAVAÇÃO CLANDESTINA ...... 251
CONCEITO DE INTERCEPTAÇÃO AMBIENTAL, ESCUTA AMBIENTAL E GRAVAÇÃO AMBIENTAL ........... 255
GRAVAÇÃO AMBIENTAL E LEI DAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS ........................................................ 256
SITUAÇÕES ESPECÍFICAS ............................................................................................................................................. 257
GRAVAÇÃO AMBIENTAL REALIZADA PELA POLÍCIA............................................................................... 257
INTERCEPTAÇÕES DAS COMUNICAÇÕES DO ADVOGADO .................................................................... 257
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA É DIFERENTE DE QUEBRA DE SIGILO TELEFÔNICO ............................... 258
CONVERSAS ARMAZENADAS NO CELULAR............................................................................................ 258
NÚMEROS REGISTRADOS NA MEMÓRIA DO CELULAR ......................................................................... 259
FINALIDADE CRIMINAL .................................................................................................................................. 260
INTERCEPTAÇÃO DE PROSPECÇÃO ........................................................................................................ 260
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA ANTES DE INSTAURADO INQUÉRITO POLICIAL ..................................... 260
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA E DENÚNCIA APÓCRIFA ........................................................................ 260
PROVA EMPRESTADA ............................................................................................................................ 261
ORDEM JUDICIAL ........................................................................................................................................... 262
JUIZ COMPETENTE ................................................................................................................................. 262
JUIZ DAS GARANTIAS ............................................................................................................................. 264
CPI E A INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA ................................................................................................... 264
MODIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIA ......................................................................................................... 264

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JUIZ PREVENTO ...................................................................................................................................... 264


QUESTÕES ESPECÍFICAS RELACIONADAS À DECISÃO JUDICIAL ............................................................. 265
INTERCEPTAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES DE DADOS ................................................................................................... 265
ADMISSÃO DA INTERCEPTAÇÃO.................................................................................................................... 269
INDÍCIOS RAZOÁVEIS DA AUTORIA OU PARTICIPAÇÃO EM INFRAÇÃO PENAL ..................................... 269
IMPRESCINDIBILIDADE DA INTERCEPTAÇÃO ......................................................................................... 269
SÓ É CABÍVEL PARA CRIMES PUNIDOS COM RECLUSÃO ....................................................................... 269
SERENDIPIDADE ..................................................................................................................................... 270
O PEDIDO DA INFILTRAÇÃO ........................................................................................................................... 273
REMÉDIO CABÍVEL CONTRA AUTORIZAÇÃO DE INTERCEPTAÇÃO ........................................................ 274
CARACTERÍSTICAS DO PEDIDO E DA DECISÃO ............................................................................................................ 274
PRAZO .................................................................................................................................................... 274
EM RESUMO (ARTS. 4º E 5 º) ................................................................................................................. 275
CONDUÇÃO DA INTERCEPTAÇÃO ............................................................................................................................... 275
TRANSCRIÇÃO DA GRAVAÇÃO ............................................................................................................... 276
AUTO CIRCUNSTANCIADO DE ENCERRAMENTO DA DILIGÊNCIA .......................................................... 277
USO DE SERVIÇOS TÉCNICOS ESPECIALIZADOS ..................................................................................... 278
AUTOS TRAMITANDO EM APARTADO E APENSAMENTO ..................................................................... 278
CAPTAÇÃO AMBIENTAL DE SINAIS ELETROMAGNÉTICOS, ÓPTICOS OU ACÚSTICOS (PACOTE ANTICRIME) ............. 278
PEDIDO DE CAPTAÇÃO AMBIENTAL ...................................................................................................... 279
ADMISSÃO DA CAPTAÇÃO AMBIENTAL................................................................................................. 280
REQUERIMENTO .................................................................................................................................... 280
PRAZO .................................................................................................................................................... 280
SUBSIDIARIEDADE.................................................................................................................................. 280
GRAVAÇÃO INÚTIL ................................................................................................................................. 280
O CRIME DA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA E ESCUTA AMBIENTAL SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL ............. 281
O CRIME DA CAPTAÇÃO AMBIENTAL SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL ......................................................................... 282
GRAVAÇÃO AMBIENTAL É FATO ATÍPICO .............................................................................................. 283
MAJORANTE DO FUNCIONÁRIO PÚBLICO ............................................................................................. 283
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................................................................... 284
LEI DE TORTURA – LEI Nº 9.455/97 ............................................................................................................... 285
CONSIDERAÇÕES INICIAIS........................................................................................................................................... 285
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 ......................................................................................................... 285
DISTINÇÃO ENTRE TORTURA PRÓPRIA DA TORTURA IMPRÓPRIA ........................................................ 286
AÇÃO PENAL .......................................................................................................................................... 286
COMPETÊNCIA ....................................................................................................................................... 287
PRESCRITIBILIDADE ................................................................................................................................ 288
CRIMES TRANSEUNTES E NÃO TRANSEUNTES ...................................................................................... 288

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CRIMES EM ESPÉCIE....................................................................................................................................... 289


ART. 1º - INCISO I ........................................................................................................................................................ 289
OBJETIVIDADE JURÍDICA ........................................................................................................................ 289
MEIOS DE EXECUÇÃO ............................................................................................................................ 289
SUJEITO ATIVO ....................................................................................................................................... 290
SUJEITO PASSIVO ................................................................................................................................... 290
CONSUMAÇÃO....................................................................................................................................... 290
A) TORTURA-PROVA (PERSECUTÓRIA, INQUISITORIAL) ........................................................................ 290
B) TORTURA-CRIME ............................................................................................................................... 291
C) TORTURA-RACISMO (PRECONCEITO OU DISCRIMINAÇÃO) .............................................................. 292
ART. 1º - INCISO II – TORTURA-CASTIGO .................................................................................................................... 294
SUJEITO ATIVO ....................................................................................................................................... 294
SUJEITO PASSIVO ................................................................................................................................... 295
MEIOS DE EXECUÇÃO ............................................................................................................................ 295
ELEMENTO SUBJETIVO .......................................................................................................................... 295
RESULTADO............................................................................................................................................ 295
ART. 1º, § 1º – TORTURA AO PRESO........................................................................................................................... 297
SUJEITO ATIVO ....................................................................................................................................... 297
SUJEITO PASSIVO ................................................................................................................................... 297
ART. 1º, § 2º, TORTURA IMPRÓPRIA (ANÔMALA OU ATÍPICA) .................................................................................. 299
QUALIFICADORAS, CAUSAS DE AUMENTO DE PENA E EFEITOS DA CONDENAÇÃO ..................................... 301
ART. 1º, § 3º – TORTURA QUALIFICADA ..................................................................................................................... 301
ART. 1º, § 4º – CAUSAS DE AUMENTO DA PENA: (+1/6 A 1/3) .................................................................................. 301
ART. 1º, § 5º E § 6º – EFEITO DA CONDENAÇÃO ........................................................................................................ 302
ART. 1º, § 7º – REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA ................................................................................... 303
ART. 2º – EXTRATERRITORIALIDADE DA LEI PENAL .................................................................................................... 307
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................................................................... 308
APRESENTAÇÃO E USO DE DOCUMENTOS DE IDENTIFICAÇÃO PESSOAL – LEI Nº 5.553/68 ........................ 309
ASPECTOS INICIAIS ..................................................................................................................................................... 309
ILICITUDE DA RETENÇÃO DE DOCUMENTOS DE IDENTIFICAÇÃO PESSOAL .......................................... 309
CONTRAVENÇÃO PENAL ........................................................................................................................ 311
QUESTÕES...................................................................................................................................................... 312
HISTÓRICO DA TIPIFICAÇÃO DE ATOS RESULTANTES DE PRECONCEITO DE RAÇA E COR............................. 316
LEI Nº 1390/1951 – LEI AFONSO ARINOS ................................................................................................................... 316
A PRIMEIRA NORMA CONTRA O RACISMO NO BRASIL ......................................................................... 316
LEI Nº 7.437/1985 – LEI CAÓ ................................................................................................................. 316
LEI Nº 7.716/1989 – LEI DO RACISMO ........................................................................................................... 318
LEI 7.716/1989 – DOS CRIMES E DAS PENAS ................................................................................................. 319

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LEI Nº 9.459/1997 – INJÚRIA RACIAL ............................................................................................................ 323


DIFERENÇAS BÁSICAS ENTRE INJÚRIA RACIAL E RACISMO: ....................................................................................... 323
STF DECLARA IMPRESCRITIBILIDADE DO CRIME DE INJÚRIA RACIAL, EQUIPARANDO AO CRIME DE RACISMO ........ 324
QUESTÕES .................................................................................................................................................................. 324
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................................................................... 327
LEI DE EXECUÇÃO PENAL - LEI 7.210/84 ........................................................................................................ 328
DO OBJETIVO E DA APLICAÇÃO DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL .................................................................................... 328
FINALIDADES DA PENA EM ABSTRATO .................................................................................................. 328
FINALIDADES DA PENA NA EXECUÇÃO .................................................................................................. 328
DA CLASSIFICAÇÃO DO CONDENADO......................................................................................................................... 331
COMISSÃO TÉCNICA DE CLASSIFICAÇÃO (CTC)...................................................................................... 331
EXAME CRIMINOLÓGICO ....................................................................................................................... 332
IDENTIFICAÇÃO DO PERFIL GENÉTICO................................................................................................... 333
PRINCÍPIOS DA EXECUÇÃO PENAL ................................................................................................................. 335
1.1.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.................................................................................................... 335
1.1.2 PRINCÍPIO DA IGUALDADE OU ISONOMIA ............................................................................ 335
PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA EXECUÇÃO DA PENA ................................................................. 335
PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE ..................................................................................................... 335
PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL.............................................................................................. 336
PRINCÍPIO REEDUCATIVO / PRINCÍPIO DA RESSOCIALIZAÇÃO .............................................................. 336
PRINCÍPIO DA HUMANIDADE DAS PENAS ............................................................................................. 336
DA ASSISTÊNCIA ......................................................................................................................................................... 336
DA ASSISTÊNCIA MATERIAL ................................................................................................................... 337
DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE ..................................................................................................................... 337
DA ASSISTÊNCIA JURÍDICA ..................................................................................................................... 338
DA ASSISTÊNCIA EDUCACIONAL ............................................................................................................ 339
DA ASSISTÊNCIA SOCIAL ........................................................................................................................ 340
DA ASSISTÊNCIA RELIGIOSA ................................................................................................................... 341
DA ASSISTÊNCIA AO EGRESSO ............................................................................................................... 341
DO TRABALHO ............................................................................................................................................................ 342
REMUNERAÇÃO DO PRESO ........................................................................................................................................ 342
DO TRABALHO INTERNO........................................................................................................................ 343
JORNADA DE TRABALHO ....................................................................................................................... 344
DO TRABALHO EXTERNO ....................................................................................................................... 345
DOS DEVERES ............................................................................................................................................................. 346
DOS DIREITOS ............................................................................................................................................................. 348
DA DISCIPLINA ............................................................................................................................................................ 349
DAS FALTAS DISCIPLINARES........................................................................................................................................ 351

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REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO (RDD) .............................................................................................................. 354


1.1.3 REGRA .................................................................................................................................... 354
1.1.4 HIPÓTESES DE CABIMENTO ................................................................................................... 354
CARACTERÍSTICAS .................................................................................................................................. 355
RDD CUMPRIDO NO SISTEMA PENITENCIÁRIO FEDERAL ..................................................................... 356
PRAZO DO RDD ...................................................................................................................................... 357
DAS SANÇÕES E DAS RECOMPENSAS ......................................................................................................................... 358
1.1.5 SANÇÕES DISCIPLINARES ....................................................................................................... 360
RECOMPENSAS ...................................................................................................................................... 361
DA APLICAÇÃO DAS SANÇÕES ............................................................................................................... 362
DO PROCEDIMENTO DISCIPLINAR ......................................................................................................... 363
MEDIDAS PREVENTIVAS ........................................................................................................................ 363
DOS ÓRGÃOS DA EXECUÇÃO PENAL .......................................................................................................................... 363
DO CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CRIMINAL E PENITENCIÁRIA .................................................. 364
DO JUÍZO DA EXECUÇÃO ....................................................................................................................... 365
DO MINISTÉRIO PÚBLICO ...................................................................................................................... 366
DO CONSELHO PENITENCIÁRIO ............................................................................................................. 367
DOS DEPARTAMENTOS PENITENCIÁRIOS .............................................................................................. 368
DOS ESTABELECIMENTOS PENAIS .............................................................................................................................. 372
DISPOSIÇÕES GERAIS ............................................................................................................................. 373
ESTABELECIMENTO DESTINADO ÀS MULHERES.................................................................................... 374
TERCEIRIZADOS NA EXECUÇÃO PENAL .................................................................................................. 374
FUNÇÕES INDELEGÁVEIS ....................................................................................................................... 375
SEPARAÇÃO ENTRE PRESO PROVISÓRIO E O CONDENADO .................................................................. 375
SEPARAÇÃO DO FUNCIONÁRIO DA ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA CRIMINAL ...................................... 375
SEPARAÇÃO DO PRESO COM INTEGRIDADE FÍSICA, MORAL OU PSICOLÓGICA AMEAÇADA................ 376
DA PENITENCIÁRIA ................................................................................................................................ 376
DA COLÔNIA AGRÍCOLA, INDUSTRIAL OU SIMILAR ............................................................................... 377
DA CASA DO ALBERGADO ...................................................................................................................... 378
DA CADEIA PÚBLICA .............................................................................................................................. 378
DO HOSPITAL DE CUSTÓDIA E TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO ............................................................... 379
IMPOSIÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA PARA INIMPUTÁVEL ............................................................ 380
SUBSTITUIÇÃO DA PENA POR MEDIDA DE SEGURANÇA PARA O SEMI-IMPUTÁVEL ............................ 380
DIREITOS DO INTERNADO...................................................................................................................... 380
DO CENTRO DE OBSERVAÇÃO ............................................................................................................... 381
DA EXECUÇÃO DAS PENAS EM ESPÉCIE ..................................................................................................................... 381
DAS PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE ................................................................................................ 381
GUIA DE RECOLHIMENTO ...................................................................................................................... 382

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SUPERVENIÊNCIA DE DOENÇA MENTAL ................................................................................................ 383


DOS REGIMES ............................................................................................................................................................. 383
1.1.6 SOMA E UNIFICAÇÃO DAS PENAS.......................................................................................... 384
LEGISLAÇÃO LOCAL ................................................................................................................................ 386
SÚMULAS.................................................................................................................................................................... 387
SÚMULA 716 - STF ................................................................................................................................. 387
SÚMULA 718 - STF ................................................................................................................................. 387
SÚMULA 719 - STF ................................................................................................................................. 387
SÚMULA 440 - STJ.................................................................................................................................. 387
SÚMULA 269 - STJ.................................................................................................................................. 387
PROGRESSÃO DE REGIME ........................................................................................................................................... 388
PACOTE ANTICRIME............................................................................................................................... 388
REGIME FECHADO PARA O REGIME SEMIABERTO ................................................................................ 390
PROGRESSÃO DE REGIME NO RDD ........................................................................................................ 391
REGIME SEMIABERTO PARA O REGIME ABERTO................................................................................... 391
PROGRESSÃO DE REGIME PARA MULHER GESTANTE OU RESPONSÁVEL POR PESSOA COM DEFICIÊNCIA ........ 392
COMETIMENTO DE FALTA GRAVE NA EXECUÇÃO DA PENA PRIVATIVA ............................................... 393
DATA-BASE PARA PROGRESSÃO DE REGIME......................................................................................... 393
PRISÃO DOMICILIAR DA LEP – REGIME ABERTO ................................................................................... 395
TEMPO MÁXIMO DE CUMPRIMENTO DE PENA .................................................................................... 398
REGRESSÃO DE REGIME ............................................................................................................................................. 398
REGRESSÃO CAUTELAR OU PREVENTIVA DE REGIME ........................................................................... 400
PROGRESSÃO EM SALTOS...................................................................................................................... 403
DAS AUTORIZAÇÕES DE SAÍDA ................................................................................................................................... 403
DA PERMISSÃO DE SAÍDA ...................................................................................................................... 403
DA SAÍDA TEMPORÁRIA......................................................................................................................... 404
DA REMIÇÃO............................................................................................................................................................... 407
REMIÇÃO PELO ESTUDO ........................................................................................................................ 408
REMIÇÃO POR TRABALHO ..................................................................................................................... 408
REVOGAÇÃO DO TEMPO REMIDO ......................................................................................................... 408
DO LIVRAMENTO CONDICIONAL ........................................................................................................... 409
REQUISITOS DO LIVRAMENTO CONDICIONAL....................................................................................... 409
A CADERNETA DO LIVRAMENTO CONDICIONAL ................................................................................... 414
DA MONITORAÇÃO ELETRÔNICA ............................................................................................................................... 416
CABIMENTO ........................................................................................................................................... 416
DEVERES ................................................................................................................................................ 416
CONSEQUÊNCIAS DA VIOLAÇÃO ........................................................................................................... 416
HIPÓTESES DE REVOGAÇÃO .................................................................................................................. 416

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DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS ....................................................................................................................... 417


CONVERSÃO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS ............................................................................. 418
DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS .................................................................................................. 419
DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE .................................................................................... 419
DA LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA ...................................................................................................... 421
DA INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS ......................................................................................... 421
DA SUSPENSÃO CONDICIONAL ................................................................................................................................... 422
MULTA ........................................................................................................................................................................ 425
DA PENA DE MULTA .............................................................................................................................. 425
DA EXECUÇÃO DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA .......................................................................................................... 427
MEDIDAS DE SEGURANÇA NO CÓDIGO PENAL ..................................................................................... 427
IMPOSIÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA PARA INIMPUTÁVEL ............................................................ 427
SUBSTITUIÇÃO DA PENA POR MEDIDA DE SEGURANÇA PARA O SEMI-IMPUTÁVEL ............................ 428
DIREITOS DO INTERNADO...................................................................................................................... 429
DISPOSIÇÕES GERAIS .................................................................................................................................................. 429
DA CESSAÇÃO DA PERICULOSIDADE .......................................................................................................................... 430
DOS INCIDENTES DE EXECUÇÃO ................................................................................................................................. 431
DAS CONVERSÕES.................................................................................................................................. 431
1.1.7 DO EXCESSO OU DESVIO........................................................................................................ 432
1.1.8 DA ANISTIA E DO INDULTO .................................................................................................... 433
DO PROCEDIMENTO JUDICIAL .................................................................................................................................... 434
1.2 DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS ................................................................................................... 434
QUESTÕES...................................................................................................................................................... 435
LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE ..................................................................................................................... 439
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 439
BEM JURÍDICO TUTELADO ..................................................................................................................... 439
ELEMENTO SUBJETIVO DOS CRIMES DE ABUSO DE AUTORIDADE........................................................ 440
DISPOSIÇÕES GERAIS ............................................................................................................................. 441
NÃO CRIMINALIZAÇÃO DA INTERPRETAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS ..................................................... 441
SUJEITOS DO CRIME ................................................................................................................................................... 442
SUJEITO PASSIVO ................................................................................................................................... 442
SUJEITO ATIVO ....................................................................................................................................... 443
COMPETÊNCIA CRIMINAL PARA JULGAMENTO DOS CRIMES .................................................................................... 445
1ª INSTÂNCIA ......................................................................................................................................... 445
COMPETÊNCIA ....................................................................................................................................... 445
AÇÃO PENAL ............................................................................................................................................................... 446
EFEITOS DA CONDENAÇÃO ........................................................................................................................................ 447
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES .................................................................................................................. 449

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PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS ............................................................................................................................... 449


QUAIS SÃO OS CRIMES DA LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE QUE NÃO PERMITEM A SUBSTITUIÇÃO DAS
PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE EM PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO?............................................ 451
SANÇÕES DE NATUREZA CIVIL E ADMINISTRATIVA .................................................................................................... 452
DOS CRIMES E DAS PENAS ............................................................................................................................. 454
CRIMES EM ESPÉCIE ................................................................................................................................................... 454
GRUPO 1 - DETENÇÃO – 6 MESES A 2 ANOS + MULTA.......................................................................... 454
GRUPO 2 – DETENÇÃO – 1 A 4 ANOS + MULTA..................................................................................... 463
DO PROCEDIMENTO ................................................................................................................................................... 473
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................................................................... 474
O DEPARTAMENTO PENITENCIÁRIO NACIONAL (DEPEN) ............................................................................. 475
O SISTEMA PENITENCIÁRIO FEDERAL ............................................................................................................ 475
1.2.1 HISTÓRICO ............................................................................................................................. 475
O DEPEN NA LEI DE EXECUÇÃO PENAL .......................................................................................................... 476
LEI Nº 11.671/2008........................................................................................................................................ 477
1.3 TRANSFERÊNCIA E INCLUSÃO DE PRESOS EM ESTABELECIMENTOS PENAIS FEDERAIS DE SEGURANÇA MÁXIMA ......... 477
1.3.1 PROGRESSÃO DE REGIME - PRESO CUMPRINDO PENA EM PENITENCIÁRIA FEDERAL ......... 477
ATIVIDADE JURISDICIONAL NOS ESTABELECIMENTOS PENAIS FEDERAIS ............................................. 478
JUSTIFICATIVA PARA INCLUSÃO NO SISTEMA PENITENCIÁRIO FEDERAL.............................................. 479
CARACTERÍSTICAS DOS ESTABELECIMENTOS PENAIS FEDERAIS ................................................................................ 480
LEGITIMADOS PARA REQUERER O PROCESSO DE TRANSFERÊNCIA ........................................................................... 482
TRANSFERÊNCIA REJEITADA ....................................................................................................................................... 484
PERÍODO DE PERMANÊNCIA ...................................................................................................................................... 484

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LEI Nº 8.072/90 – CRIMES HEDIONDOS


CONSIDERAÇÕES INICIAIS
No Brasil, a Lei 8.072/90 foi a primeira a tratar sobre crimes hediondos. De lá para cá,
como todas as leis existentes no país, passou por diversas reformas legislativas.
A expressão “crimes hediondos” foi utilizada pela CF, em seu Art. 5º, XLIII, vejamos:

XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática


da TORTURA, o TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES E DROGAS AFINS, o TERRORISMO
e os definidos como CRIMES HEDIONDOS, por eles respondendo os mandantes, os
executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.

Trata-se de uma norma constitucional de eficácia limitada e de aplicabilidade


imediata, tendo em vista que depende de regulamentação por meio de lei ordinária. A CF, aqui,
traz um mandado de criminalização expressa.
No final da década de 80, o Brasil passou por uma onda de crimes de extorsão mediante
sequestro, com a finalidade de financiar organizações criminosas, a exemplo do PCC. No sentido
de coibir tal prática, criou-se a Lei dos Crimes Hediondos, de modo que em sua redação original
o único crime era extorsão mediante sequestro, sendo ampliado o rol durante a tramitação.
Tortura, Tráfico de Drogas e Terrorismo são EQUIPARADOS A HEDIONDOS.
Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), os chamados delitos hediondos e os que
lhe sejam equiparados, de parelha com os crimes de natureza jurídica imprescritível,
são chamados crimes de máximo potencial ofensivo.

CONCEITO DE CRIME HEDIONDO


O conceito de crime hediondo é dado de acordo com o critério adotado.

CRITÉRIOS PARA DEFINIÇÃO


Critério legal
De acordo com o critério legal, crime hediondo é aquele que a lei define como tal, pouco
importando as consequências e a forma como é praticado. Compete ao legislador enumerar um
rol taxativo de quais delitos serão considerados crimes hediondos.
O Brasil adota o critério legal, conforme disposto no Art. 5º, XLIII, vejamos:

XLIII – A LEI CONSIDERARÁ crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a


prática da TORTURA, o TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES E DROGAS AFINS, o
TERRORISMO e os definidos como CRIMES HEDIONDOS, por eles respondendo os
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.

Dessa forma, o caráter hediondo depende única e exclusivamente da existência de


previsão legal reconhecendo essa natureza para determinada espécie delituosa.

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É o critério mais seguro de todos, a partir do momento em que o rol é taxativo, pois
elimina discricionariedade dos juízes, prezando pela segurança jurídica. Assim, por mais grave
que seja determinado crime, o juiz não poderá lhe conferir o caráter hediondo, se tal ilícito não
constar no rol da Lei nº 8.072/90.

Critério Judicial:
Segundo o critério judicial, determinado crime será considerado hediondo após a
análise, feita pelo juiz, do caso concreto, das circunstâncias e consequências do crime. É o
juiz, no caso concreto, que vai analisar e definir se o crime é ou não hediondo.

Critério Misto:
O critério misto sustenta que o juiz possui plena liberdade para definir se o crime é
hediondo ou não, levando em conta os parâmetros mínimos fornecidos pelo legislador.

CRIMES HEDIONDOS E TENTATIVA


A natureza tentada de um crime rotulado pela lei não exclui a sua hediondez.
A tentativa não altera a classificação do crime como hediondo, funcionando como uma
mera causa de redução de pena (1 a 2/3).
Dessa forma, temos que para fins de reconhecimento da natureza hedionda, pouco importa
que o delito seja consumado ou tentado.

É importante analisarmos até para estudos futuros o seguinte raciocínio:

Podemos concluir que o DOLO de quem TENTA é o mesmo de quem consuma! Como
alguém vai tentar aquilo que não quer?
Então, não há de se imaginar que a tentativa iria excluir a hediondez de um crime!

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CRIMES HEDIONDOS E PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA


O princípio da insignificância não será aplicado aos crimes hediondos, em razão da
incompatibilidade lógica entre os dois institutos. A própria CF exige um tratamento mais severo
aos crimes hediondos, não será lógico aplicar o princípio da insignificância.

CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES QUANTO AO POTENCIAL


OFENSIVO
CRIMES DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO
São definidas na Lei dos Juizados Especiais (Art. 61) como sendo as contravenções
penais e os crimes a que lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou
não com multa, sendo da competência do Juizado Especial Criminal, admitem os benefícios da
transação penal e da composição dos danos civis. Para esses crimes se aplicam na íntegra os
institutos despenalizantes da lei.

CRIMES DE MÉDIO POTENCIAL OFENSIVO


As infrações penais de médio potencial ofensivo são aquelas que admitem suspensão
condicional do processo, pois têm pena mínima igual ou inferior a 1(um) ano, mas são
julgadas pela Justiça Comum, já que sua pena máxima é superior a dois anos.
Ex.: Furto simples (Art. 155 CP), Injúria (Art. 140 CP)

CRIMES DE ELEVADO POTENCIAL OFENSIVO


São aqueles cuja pena mínima é superior a 1 ano, sendo incompatíveis com os benefícios
da Lei nº 9.099/95 – não cabe transação penal; não cabe suspensão condicional do processo.

CRIMES DE MÁXIMO POTENCIAL OFENSIVO


Esses crimes são aqueles previstos no Art. 5º, XLII, XLIII e XLIV da Constituição Federal.

LII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de


reclusão, nos termos da lei;

XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática


da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos
como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que,
podendo evitá-los, se omitirem;

XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou


militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.

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CRIMES HEDIONDOS E PRIORIDADE DE TRAMITAÇÃO


A Lei nº 13.285/2016 introduziu o Art. 364-A no Código de Processo Penal e determinou
que os processos que apurem a prática de crime hediondo terão prioridade de tramitação em
todas as instâncias.

Art. 1º Esta Lei acrescenta o art. 394-A ao Decreto-Lei nº 3.689, de 3


de outubro de 1941 - Código de Processo Penal, a fim de dispor sobre
a preferência de julgamento dos processos concernentes a
CRIMES HEDIONDOS.

Art. 2º O Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 - Código de


Processo Penal, passa a vigorar acrescido do seguinte art. 394-A:

Art. 394-A. Os processos que apurem a prática de crime hediondo


terão prioridade de tramitação em todas as instâncias.

CRIMES HEDIONDOS EM ESPÉCIE


O rol dos crimes hediondos é taxativo, estampado ao teor do Art. 1º da Lei nº 8.072/90.
A Lei nº 13.964/2019, conhecida como PACOTE ANTICRIME, ampliou o rol dos crimes
hediondos. Abordaremos os crimes, porém as características específicas de cada crime o aluno
deverá estudar em Direito Penal, na parte especial, e nas respectivas legislações extravagantes.

Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos


tipificados no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 -
Código Penal, consumados ou tentados:

I - HOMICÍDIO (art. 121), QUANDO PRATICADO EM ATIVIDADE TÍPICA DE GRUPO DE EXTERMÍNIO, ainda que
cometido por um só agente, e HOMICÍDIO QUALIFICADO (art. 121, §2º, incisos I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII);

I-A – LESÃO CORPORAL DOLOSA DE NATUREZA GRAVÍSSIMA (art. 129, § 2º) e lesão corporal SEGUIDA DE MORTE
(art. 129, § 3º), quando praticadas contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal,
integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência
dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição.

II - ROUBO:
a) circunstanciado pela RESTRIÇÃO DE LIBERDADE DA VÍTIMA (art. 157, § 2º - V);
b) circunstanciado pelo emprego de ARMA DE FOGO (art. 157, § 2º-A - I) ou emprego de ARMA DE FOGO DE
USO PROIBIDO OU RESTRITO (art. 157, § 2º-B);
c) qualificado pelo resultado LESÃO CORPORAL GRAVE OU MORTE (art. 157, § 3º);

III - EXTORSÃO QUALIFICADA pela RESTRIÇÃO DA LIBERDADE DA VÍTIMA, de LESÃO CORPORAL ou MORTE (art.
158, § 3º);

IV – EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO (art. 159, caput, e §§ 1º, 2º e 3º);

V – ESTUPRO (art. 213, caput e §§ 1º e 2º);

VI – ESTUPRO DE VULNERÁVEL (art. 217-A, caput e §§ 1º, 2º, 3º e 4º);

VII – EPIDEMIA COM RESULTADO MORTE (art. 267, § 1º).

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VII – B – FALSIFICAÇÃO, CORRUPÇÃO, ADULTERAÇÃO OU ALTERAÇÃO DE PRODUTO DESTINADO A FINS


TERAPÊUTICOS OU MEDICINAIS (art. 273, caput e § 1º, § 1º-A e § 1º-B.

VIII - FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU


ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º).

IX - FURTO QUALIFICADO PELO EMPREGO DE EXPLOSIVO OU DE ARTEFATO análogo que cause perigo comum

Parágrafo único. Consideram-se também hediondos, tentados ou consumados:

I - O crime de GENOCÍDIO (arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 2.889, de 1º de outubro de 1956)

II - O crime de POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PROIBIDO, (art. 16)

III - O crime de COMÉRCIO ILEGAL DE ARMAS DE FOGO, (art. 17 da Lei nº 10.826)

IV - O crime de TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO, ACESSÓRIO ou MUNIÇÃO. (art.18)

V - O crime de ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, quando direcionado à prática de crime hediondo ou equiparado.

HOMICÍDIO
Homicídio simples quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio.
Homicídio qualificado

LESÃO CORPORAL DOLOSA DE NATUREZA GRAVÍSSIMA e SEGUIDA DE MORTE


Quando praticada contra autoridade ou agente descrito nos Arts. 142 e 144 da
Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de
Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa
condição.

ROUBO
Roubo circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima.
Roubo circunstanciado pelo emprego de arma de fogo.
Roubo qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou morte (latrocínio).

EXTORSÃO
Extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima (sequestro relâmpago).
Extorsão qualificada pela lesão corporal.
Extorsão qualificada pela ou morte.

EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO

ESTUPRO

ESTUPRO DE VULNERÁVEL

EPIDEMIA COM RESULTADO MORTE

FALSIFICAÇÃO, CORRUPÇÃO, ADULTERAÇÃO OU ALTERAÇÃO DE PRODUTO


DESTINADO A FINS TERAPÊUTICOS OU MEDICINAIS

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FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO


SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL

FURTO QUALIFICADO PELO EMPREGO DE EXPLOSIVO OU DE ARTEFATO


ANÁLOGO QUE CAUSE PERIGO COMUM

GENOCÍDIO

LEI DE DROGAS
Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso proibido. (Art. 16)
Comércio ilegal de armas de fogo. (Art. 17)
Tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição. (Art. 18)

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA quando direcionada à prática de crime hediondo ou


equiparado.

HOMICÍDIO PRATICADO EM ATIVIDADE TÍPICA DE GRUPO DE


EXTERMÍNIO
Conhecido pela doutrina como homicídio condicionado, pois o reconhecimento de sua
natureza hedionda depende da verificação de uma condição: que o ilícito seja praticado em ação
típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente.
É consenso na doutrina que “atividade típica de grupo de extermínio” não é
sinônimo de “concurso de agentes” (coautoria e participação), pois, em geral,
quando a lei quer abranger o simples concurso de pessoas ela faz de forma explícita.

O caráter hediondo mostra-se presente ainda que o crime seja praticado por uma só
pessoa, desde que em atividade típica de grupo de extermínio.
Exemplo: uma pessoa resolve sair sozinha de casa, durante as madrugadas, em uma
motocicleta, para procurar mendigos dormindo na calçada, a fim de neles atear fogo.
Os homicídios foram por ele cometidos em atividade típica de grupo de extermínio,
embora em atitude solitária, tornando aplicável a Lei dos Crimes Hediondos.

Para que a atividade seja considerada típica de grupo de extermínio, basta que a prática
do homicídio seja caracterizada pela impessoalidade na escolha da vítima (que a
escolha seja pautada genericamente por suas características, sendo feita a esmo: o
agente, por exemplo, resolve que vai matar homossexuais, prostitutas, travestis,
policiais ou menores abandonados etc.). A impessoalidade da ação é uma das
características fundamentais, sendo irrelevante a unidade ou a pluralidade de
vítima. Caracteriza-se a ação de extermínio mesmo que seja morta uma única
pessoa, desde que se apresente a impessoalidade da ação, ou seja, pela razão
exclusiva de pertencer ou ser membro de determinado grupo social, ético,
econômico, social etc.
Convém notar que, para ser considerado hediondo, basta que o crime seja cometido
em atividade TÍPICA de grupo de extermínio, não havendo a necessidade de existir
efetivamente um grupo montado a fim de cometer, de forma reiterada, homicídios.
Caso exista efetivamente a formação de um grupo, além do delito ser hediondo, será
aplicada a causa de aumento do Art. 121, §6º do Código Penal. Ex.: Os chamados

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“esquadrões da morte”, montados por justiceiros para matar marginais que atuam
em determinadas regiões.

Art. 121, § 6º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for
praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou
por grupo de extermínio.

Atenção: Homicídio simples praticado por milícia não é hediondo por falta de previsão
legal.

HOMICÍDIO QUALIFICADO
Art. 121. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.

Homicídio qualificado
§ 2º Se o homicídio é cometido:

Qualificadora
SUBJETIVA

Qualificadora
OBJETIVA

Qualificadora
SUBJETIVA

Qualificadora
OBJETIVA *

As características específicas de cada conduta para qualificar o homicídio o aluno deverá


estudar em Direito Penal. O que é importante saber é que todas as formas de homicídio

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qualificado possuem caráter hediondo. Em tais dispositivos, o legislador elegeu uma série de
circunstâncias como configuradoras de maior gravidade do homicídio.
Os critérios utilizados no texto legal permitiram que a doutrina realizasse a seguinte
classificação:

Qualificadora do feminicídio tem natureza objetiva


STJ: considerando as circunstâncias subjetivas e objetivas, temos a possibilidade de
coexistência entre as qualificadoras do motivo torpe e do Feminicídio. Isso porque a natureza
do motivo torpe é subjetiva, porquanto de caráter pessoal, enquanto o Feminicídio possui
natureza objetiva, pois incide nos crimes praticados contra a mulher por razão do seu gênero
feminino e/ou sempre que o crime estiver atrelado à violência doméstica e familiar
propriamente dita, assim o animus do agente não é objeto de análise.
STJ, 1.707.113/MG, 7/12/2017

HOMICÍDIO QUALIFICADO-PRIVILEGIADO (HÍBRIDO)


O Art. 121 do Código Penal também traz a figura do homicídio privilegiado, um causa de
diminuição de pena.

Homicídio Privilegiado – Caso de diminuição de pena

§ 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral,
ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o
juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.

O agente terá uma causa de diminuição de pena caso cometa o crime por motivo de
relevante valor moral ou social.
O homicídio pode ser concomitantemente qualificado e privilegiado. Tal possibilidade só
existe, contudo, quando a qualificadora é de caráter objetivo, ou seja, possibilidade só existe
quando se refere ao meio ou ao modo de execução do crime. Essa conclusão é inevitável, porque
o privilégio, por ser sempre ligado à motivação do homicídio (caráter subjetivo), é incompatível
com as qualidades subjetivas. Não se pode imaginar um homicídio privilegiado pelo motivo de
relevante valor social e, ao mesmo tempo, qualificado por motivo fútil.
A questão é: Homicídio qualificado-privilegiado é crime hediondo?
Por falta de previsão legal, o homicídio qualificado-privilegiado não é considerado crime
hediondo.
(...). Entendendo não haver contradição no reconhecimento de qualificadora de
caráter objetivo (modo de execução do crime), e do privilégio, sempre de natureza
subjetiva.
O homicídio qualificado-privilegiado não pode ser considerado hediondo
STF, HC 89.921|PR
STJ, HC 153.728|SP

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(CESPE – 2000 – Polícia Federal) O homicídio qualificado-privilegiado é


crime hediondo.
Gabarito: Errado
Comentário: O rol de crimes hediondos é encontrado de forma taxativa no Art.
1º da Lei dos Crimes Hediondos. E, dentre os crimes, não está o homicídio
qualificado-privilegiado.

Em resumo:
Homicídio simples – é hediondo apenas quando for cometido em atividade típica de
grupo de extermínio, mesmo que seja cometido por um só agente. Então, em regra,
o homicídio simples não é hediondo.
Homicídio qualificado – sempre é hediondo.
Homicídio privilegiado – não é crime hediondo.
Homicídio qualificado-privilegiado: não é crime hediondo.

LESÃO CORPORAL GRAVÍSSIMA E SEGUIDA DE MORTE CONTRA


“SEGURANÇA PÚBLICA”
I – A – Lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129,
§2º) e Lesão corporal seguida de morte (art. 129, § 3º), quando
praticadas contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144
da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da
Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou
em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou
parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição;

A lesão corporal, em regra, não é crime hediondo. Atualmente, a lesão corporal será
considerada crime hediondo desde que o agente tenha provocado lesão corporal gravíssima
ou seguida de morte quando a vítima estava no exercício da função ou em razão dela.
Renato Brasileiro salienta que para o reconhecimento da hediondez: é indispensável que
haja o denominado nexo funcional, ou seja, que o crime tenha sido praticado em razão do
exercício dessas funções.

REQUISITO 1: REQUISITO 2:
São crimes hediondos:
CONDIÇÃO DA VÍTIMA RELAÇÃO COM A FUNÇÃO

Forças Armadas
Polícia Federal
Polícia Rodoviária Federal
Polícia Penal Federal
Polícia Ferroviária Federal
1) Lesão corporal dolosa Polícias Civis
gravíssima Polícias Militares … desde que o crime tenha sido
(Art. 129, §2º) Corpos de Bombeiros Militares praticado contra a pessoa no
Guardas Municipais exercício da função ao lado ou em
Agentes de segurança viária decorrência dela.
2) Lesão corporal dolosa Sistema Prisional
seguida de morte Força Nacional de Segurança
(Art. 129, §3º)

Cônjuge, companheiro ou parente


consanguíneo até o 3º grau de algumas das
pessoas acima listadas

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RELAÇÃO DE PARENTESCO
...contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até
terceiro grau, em razão dessa condição;
Convém perceber que a lei salienta que o parente deve ser consanguíneo até o terceiro
grau. Atenção que não estão incluídos os parentes por questão de afinidade.
Exemplo: cunhado de um soldado da Polícia Militar.
Lesão corporal
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena – detenção, de 3 meses a 1 ano.
§ 2º Se resulta:
I – Incapacidade permanente para o trabalho;
II – Enfermidade incurável;
III – Perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV – Deformidade permanente;
V – Aborto:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos.
Lesão corporal seguida de morte
§ 3º Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente
não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo: Pena –
reclusão, de 4 a 12 anos.
§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito
nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da
função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro
ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição,
a pena é aumentada de um a dois terços.

Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela
Aeronáutica (…)

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é


exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do
patrimônio, através dos seguintes órgãos:

I - Polícia federal;

II - Polícia rodoviária federal;

III - Polícia ferroviária federal;

IV - Polícias civis;

V - Polícias militares e corpos de bombeiros militares;

VI - Polícias penais federal, estaduais e distrital.

(…)

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ROUBO
Antes da publicação do chamado Pacote Anticrime, apenas o roubo qualificado pela morte
(latrocínio) era crime hediondo. Assim, com o advento da Lei nº 13.964/2019, outras
modalidades de roubo entraram no rol que ostentam a natureza hedionda.

Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem,


mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la,
por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena – reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

§ 1º Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa,


emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de
assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou
para terceiro.
§ 2º A pena aumenta-se de um terço até metade:
I – Se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
II – Se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III – Se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente
conhece tal circunstância.
IV – Se a subtração for de veículo automotor que venha a ser
transportado para outro Estado ou para o exterior;
V – Se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua
liberdade.
VI – Se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que,
conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou
emprego
VII – se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de
ARMA BRANCA (2019)

§ 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços):


I – Se a violência ou ameaça é exercida com EMPREGO DE ARMA
DE FOGO

II – Se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o


emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo
comum.

§ 2º-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de


ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO OU PROIBIDO, aplica-se em
DOBRO a pena prevista no caput deste artigo. (2019)

§ 3º Se da violência resulta:

I – LESÃO CORPORAL GRAVE, a pena é de reclusão de 7 a 18 anos, e


multa;

II – MORTE, a pena é de reclusão de 20 a 30 anos, e multa.

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A) CIRCUNSTANCIADO PELA RESTRIÇÃO DE LIBERDADE DA VÍTIMA


§ 2º A pena aumenta-se de um terço até metade:
V – Se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua
liberdade.
Não devemos confundir o ROUBO CIRCUNSTANCIADO PELA RESTRIÇÃO DE
LIBERDADE DA VÍTIMA com o crime de SEQUESTRO RELÂMPAGO (extorsão qualificada pela
restrição de liberdade da vítima).
O verbo do crime de extorsão é constranger, enquanto o do roubo com restrição de
liberdade é subtrair um bem. No roubo, o bem está ao alcance do agressor. Um exemplo é
quando ele entra no seu carro, leva seus pertences e te abandona em algum lugar.
O delito, para ser tipificado como sequestro relâmpago, a vítima deve ser constrangida a
fornecer informações para o criminoso ter sucesso na ação. Na extorsão, necessariamente deve
haver contribuição da vítima no sentido de ela fornecer seus dados bancários.
Para haver roubo com restrição de liberdade é fundamental que a vítima permaneça um
tempo “juridicamente relevante” em poder do criminoso. Se ele aponta uma arma no semáforo,
pede seu celular, você entrega e vai embora, é um roubo simples. Agora, se ele entra no carro e
restringe a vítima por tempo juridicamente relevante, que pode ser 10, 15 ou 20 minutos, dispensa
a pessoa e foge com carro seria roubo com restrição.
Também é importante não confundir RESTRIÇÃO DE LIBERDADE com PRIVAÇÃO DE
LIBERDADE. Segundo Doutrinador Cleber Masson, se for confirmada a privação de liberdade,
não se estará diante de uma causa de aumento de pena, mas haverá concurso material entre o
crime de roubo e sequestro ou cárcere privado (Art. 148, CP).
B) CIRCUNSTANCIADO PELO EMPREGO DE ARMA DE FOGO OU
EMPREGO DE ARMA DE FOGO DE USO PROIBIDO OU RESTRITO
§ 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços):
I – Se a violência ou ameaça é exercida com EMPREGO DE ARMA DE
FOGO
§ 2º-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de
ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO OU PROIBIDO, aplica-se em
DOBRO a pena prevista no caput deste artigo.

C) QUALIFICADO PELO RESULTADO LESÃO CORPORAL GRAVE OU


MORTE
§ 3º Se da violência resulta:
I – LESÃO CORPORAL GRAVE, a pena é de reclusão de 7 a 18 anos, e
multa;
II – MORTE, a pena é de reclusão de 20 a 30 anos, e multa.

A qualificadora LESÃO GRAVE ganhou caráter hediondo após Lei nº 13.964/2019.


O crime de latrocínio está caracterizado quando, da violência empregada durante e em
razão da prática do crime de roubo, ocorrer a produção do resultado morte.
Para que haja latrocínio é necessário que a morte decorra da violência empregada (e não
da grave ameaça) durante e em razão do assalto, por exemplo. É necessário o fator tempo e o
fator nexo.

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É necessário perceber que a consequência (lesão grave ou morte)


deve ser decorrente da violência. Se o agente emprega ameaça para
cometer o roubo e, dessa ameaça, ocorrer a morte da vítima, não será
latrocínio, tampouco será crime hediondo.

Cumpre destacarmos que o §3º do Art. 157 prevê duas formas por meio das quais o crime
de roubo é qualificado: lesão grave ou morte.

A morte, que qualifica o roubo, faz surgir aquilo que doutrinariamente é reconhecido por
latrocínio, embora o Código Penal não utilize essa rubrica. Assim, se durante a prática do
roubo, em virtude da violência empreendida pelo agente, advier a morte – dolosa ou
mesmo culposa – da vítima, poderemos iniciar o raciocínio correspondente ao crime de
latrocínio, consumado ou tentado

Para a ocorrência da qualificadora do latrocínio, o resultado morte deve ter sido causado
ao menos culposamente.

No crime de latrocínio, é imperioso que a morte da vítima seja resultado da


violência empregada pelo agente e não tenha relação causal com outro fator, como a
imprudência na direção do veículo automotor. Se os agentes, após roubarem o veículo,
envolverem-se em acidente automobilístico que provoque a morte da vítima proprietária do
automóvel roubado, devem responder pelo crime de roubo qualificado em concurso formal
com o delito de homicídio culposo.
TJMG, 23/10/2006.

Homicídio consumado e subtração consumada: LATROCÍNIO CONSUMADO.

Homicídio consumado e subtração tentada: LATROCÍNIO CONSUMADO.

Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize


o agente a subtração dos bens da vítima
Súmula 610, STF.

Homicídio tentado e subtração consumada: LATROCÍNIO TENTADO.

Homicídio tentado e subtração tentada: LATROCÍNIO TENTADO.

Prevalece nesta Corte o entendimento de que, sempre que caracterizado o dolo


do agente de subtrair o bem pertencente à vítima e o dolo de matá-la, não
ocorrido o resultado morte por circunstâncias alheias à sua vontade, configura-se o
latrocínio na modalidade tentada.
STJ, 29/06/2016

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Caso o criminoso, durante o assalto, desfira tiros e, por erro, acerte


outra pessoa que não seja a vítima do roubo, será latrocínio? Observem
que estamos diante do instituto do aberratio ictus (erro na execução),
encontrado no Art. 73 do Código Penal. O agente responde como se tivesse
acertado a vítima pretendida.

EXTORSÃO QUALIFICADA
Extorsão
Art. 158. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça,
e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem
econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa:
Pena – reclusão, de 4 a 10 anos, e multa.

§ 1º Se o crime é cometido por 2 ou mais pessoas, ou com emprego de


arma, aumenta-se a pena de 1/3 até metade. (Causa de aumento de
pena ou majorantes)

§ 2º Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no


§ 3º do artigo anterior.

§ 3º Se o crime é cometido mediante a RESTRIÇÃO DA LIBERDADE


DA VÍTIMA, e essa condição é necessária para a obtenção da
vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 a 12 anos, além da
multa;

Se resulta LESÃO CORPORAL GRAVE ou MORTE, aplicam-se as


penas previstas no art. 159, §§ 2º e 3º, respectivamente.

Antes do advento da Lei nº 13.964/19 era considerada como crime hediondo apenas a
extorsão qualificada pelo resultado morte, na forma do Art. 158, §3º do Código Penal. Esse
resultado qualificador morte pode ser causado tanto a título de dolo como de culpa.
Após a referida lei, ampliaram-se as hipóteses de crime hediondo secundário à extorsão.

Qualificadoras da Extorsão:
Extorsão qualificada pelo resultado - LESÃO GRAVE.
Extorsão qualificada pelo resultado – MORTE.
Extorsão qualificada pela RESTRIÇÃO DA LIBERDADE DA VÍTIMA. (SEQUESTRO
RELÂMPAGO).
Extorsão majorada pelo emprego de arma e em concurso de pessoas não é crime
hediondo.

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EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO


Art. 159. Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para
outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate:
Pena – reclusão, de 8 a 15 anos.
§1º Se o SEQUESTRO DURA MAIS DE 24 HORAS, se o SEQUESTRADO
É MENOR DE 18 OU MAIOR DE 60 ANOS, ou se o crime é COMETIDO
POR ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA.
Pena – reclusão, de 12 a 20 (vinte) anos.
§2º Se do fato resulta LESÃO CORPORAL DE NATUREZA GRAVE:
Pena – reclusão, de 16 a 24 anos.
§3º Se resulta a MORTE:
Pena – reclusão, de 24 a 30 anos.
§4º Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o
denunciar à autoridade, facilitando a libertação do sequestrado, terá
sua pena reduzida de 1 a 2/3.

O delito de extorsão mediante sequestro é etiquetado como hediondo


independentemente da modalidade, seja na modalidade simples ou na modalidade qualificada.
O aluno não pode confundir com o crime de sequestro, Art. 148 do Código penal.
Roubo Extorsão Extorsão mediante
sequestro
HEDIONDO: HEDIONDO:
HEDIONDO EM TODAS AS
✓ RESTRIÇÃO DE LIBERDADE ✓ RESTRIÇÃO DE LIBERDADE
✓ EMPREGO DE ARMA DE FOGO (SEQUESTRO RELÂMPAGO) MODALIDADES
✓ HOUVER RESULTADO LESÃO GRAVE ✓ HOUVER RESULTADO LESÃO GRAVE
✓ HOUVER RESULTADO MORTE ✓ HOUVER RESULTADO MORTE
(LATROCÍNIO)

ESTUPRO
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça,
a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se
pratique outro ato libidinoso:
Pena – reclusão, de 6 a 10 anos.
§ 1º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se
a vítima é menor de 18 ou maior de 14 anos:
Pena – reclusão, de 8 a 12 anos.
§ 2º Se da conduta resulta morte:
Pena – reclusão, de 12 a 30 anos.

Independentemente se for praticado na modalidade simples ou qualificada, o crime de


estupro será hediondo.
Se da conduta praticada pelo agente resultar lesão corporal de natureza grave ou a morte
da vítima, o estupro será qualificado, nos termos dos §§1º e 2º do Art. 213 do Código Penal.

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ESTUPRO DE VULNERÁVEL
Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso
com menor de 14 anos:
Pena - reclusão, de 8 a 15 anos.
§ 1º Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput
com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o
necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por
qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.

§ 2º (VETADO)

§ 3º Se da conduta resulta LESÃO CORPORAL DE NATUREZA


GRAVE:
Pena - reclusão, de 10 a 20 anos.

§ 4º Se da conduta resulta MORTE:


Pena - reclusão, de 12 a 30 anos.

Menores de 14 anos.
Portadores de enfermidade ou deficiência mental.
Qualquer um que não possa oferecer resistência.

Resultar lesão corporal grave.


Resultar morte.

EPIDEMIA COM RESULTADO MORTE


A epidemia por si só não é crime hediondo. Exige-se que seja qualificada pela morte.
Epidemia é a difusão de doença mediante a propagação de genes patogênicos.
Ademais, cumpre destacar que somente a propagação de doença humana é que
configura o crime do Art. 267, §1º do Código Penal, já que em se tratando de enfermidade
que atinja animais ou plantas, o crime será o do Art. 61, Lei nº 9.605/98, não hediondo, por falta
de previsão legal.
Art. 267 - Causar epidemia, mediante a propagação de germes
patogênicos.

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FALSIFICAÇÃO, CORRUPÇÃO, ADULTERAÇÃO OU ALTERAÇÃO DE


PRODUTO DESTINADO A FINS TERAPÊUTICOS OU MEDICINAIS
Art. 273 - Falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto
destinado a fins terapêuticos ou medicinais:
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, e multa.
§ 1º: Nas mesmas penas incorre quem importa, vende, expõe à venda,
tem em depósito para vender ou, de qualquer forma, distribui ou
entrega a consumo o produto falsificado, corrompido, adulterado
ou alterado.

§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem importa, vende, expõe à venda,


tem em depósito para vender ou, de qualquer forma, distribui ou
entrega a consumo o produto falsificado, corrompido, adulterado ou
alterado.

§ 1º-A incluem-se entre os produtos a que se refere este artigo os


medicamentos, as matérias-primas, os insumos farmacêuticos,
os cosméticos, os saneantes e os de uso em diagnóstico.

§ 1º-B - Está sujeito às penas deste artigo quem pratica as ações


previstas no § 1º em relação a produtos em qualquer das seguintes
condições:
I - sem registro, quando exigível, no órgão de vigilância sanitária
competente;
II - em desacordo com a fórmula constante do registro previsto no
inciso anterior;
III - sem as características de identidade e qualidade admitidas para
a sua comercialização;
IV - com redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade;
V - de procedência ignorada;
VI - adquiridos de estabelecimento sem licença da autoridade
sanitária competente.

Curiosidade
Há uma discussão se a pena descrita no Art. 273 do CP é proporcional à
gravidade do delito ali previsto.
Quando lemos a pena descrita no Art. 273 do CP, vislumbramos a pena mínima
de 10 (dez) anos e vimos o disparate em relação à pena do crime de tráfico de
drogas, que possui pena mínima de 5 (cinco) anos. Enxergamos, portanto, uma pena
mínima desproporcional ao analisar com outros crimes mais graves.
O Superior Tribunal de Justiça ao apreciar o HC 239363/PR declarou a
inconstitucionalidade do preceito secundário do Art. 273 do CP, por entender que tal
reprimenda violava os princípios da proporcionalidade e razoabilidade ao fixar penas
tão elevadas. Assim, com base na analogia in bonam partem, o STJ determinou que
ao delito do Art. 273 do CP deve ser aplicada a pena prevista para o crime de tráfico
de drogas (Art. 33, caput, da Lei 11.343/06), ou seja, pena de reclusão, de 5 a 15
anos. Vejamos esse importante julgado do STJ.

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FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE


EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE
VULNERÁVEL
(Art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º).

Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra


forma de exploração sexual alguém menor de 18 anos ou que, por
enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar
que a abandone:
§1º Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica,
aplica-se também multa.
§2º Incorre nas mesmas penas:
I - Quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com
alguém menor de 18 e maior de 14 anos na situação descrita no
caput deste artigo;
II - O proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se
verifiquem as práticas referidas no caput deste artigo.

§ 3º Na hipótese do inciso II do § 2º, constitui efeito obrigatório da


condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento
do estabelecimento
Convém perceber que ter conjunção carnal com maior de 14 de modo consensual não é
considerado crime, porém, se for por meio de prostituição ou exploração sexual, responde por
este crime.

FURTO QUALIFICADO PELO EMPREGO DE EXPLOSIVO OU DE


ARTEFATO ANÁLOGO QUE CAUSE PERIGO COMUM
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 1º A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante
o repouso noturno.
§ 2º Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada,
o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la
de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.
§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra
que tenha valor econômico.
Furto qualificado
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é
cometido:
I - Com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II - Com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou
destreza;
III - Com emprego de chave falsa;
IV - Mediante concurso de duas ou mais pessoas.
§ 4º-A A pena é de reclusão de 4 a 10 anos e multa, SE HOUVER
EMPREGO DE EXPLOSIVO OU DE ARTEFATO ANÁLOGO QUE CAUSE
PERIGO COMUM.
(...)

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Esse crime passou a ser considerado hediondo por meio da Lei 13.964/19, que alterou a
Lei dos Crimes Hediondos.
Dentre todas as qualificadoras do FURTO, apenas a modalidade qualificada se houver
emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum é HEDIONDO.
Convém perceber que não é o furto de substância explosiva, e sim se a coisa for subtraída
com o uso de substância explosiva.

GENOCÍDIO
Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional,
étnico, racial ou religioso, como tal

Genocídio não é somente a matança coletiva, e sim a intenção de destruir, no


todo ou em parte, um grupo étnico, racial, nacional ou religioso. A Lei de Genocídio
enumera diversas condutas nesse sentido. .

O genocídio é classificado como crime contra a humanidade, e não contra a vida.


O crime de genocídio não se trata de delito de competência do Tribunal do Júri, ainda
que a conduta consista em matar dolosamente membros de um grupo, pois é crime contra a
humanidade e não contra a vida.
Por fim, cumpre recordarmos que o genocídio é um típico exemplo de norma penal em
branco ao avesso, isto é, temos as condutas criminosas, mas faltam as respectivas penas, o
preceito secundário está incompleto.
A norma penal em branco ao avesso é aquela em que o preceito primário é completo, mas
o preceito secundário carece de complemento normativo.
Na hipótese de norma penal em branco ao avesso o complemento normativo deve derivar
da lei, sob pena de lesão ao princípio da reserva legal.
No ordenamento jurídico nacional podemos citar como exemplo de lei penal em branco
ao avesso a Lei 2.889/1956, que tipifica o crime de genocídio, pois tal norma não tratou das
penas, fazendo expressa referência a outras leis penais.
a) matar membros do grupo;
b) causar lesão grave à integridade física ou mental dos membros do grupo;
c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe
a destruição física total ou parcial;
d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo;
e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo.

POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE USO RESTRITO


(Art. 16 – Lei nº 10.826)

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em


depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar,
remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar ARMA DE
FOGO, ACESSÓRIO ou MUNIÇÃO de uso restrito, sem autorização e
em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

§ 2º Se as condutas descritas no caput e no § 1º deste artigo


envolverem arma de fogo de uso PROIBIDO, a pena é de reclusão, de
4 a 12 anos.

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OBJETO MATERIAL
Arma, acessório e munição.
Com a mudança gerada pelo Pacote Anticrime, as penas aumentam caso a posse ou porte
seja de arma de uso PROIBIDO.
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:
I – Suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação
de arma de fogo ou artefato;
II – Modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la
equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou
de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz;
III – Possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou
incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar;
IV – Portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com
numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou
adulterado;
V – Vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo,
acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente; e
VI – Produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar,
de qualquer forma, munição ou explosivo.

COMÉRCIO ILEGAL DE ARMA DE FOGO


(Art. 17 – Lei nº 10.826)

Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter


em depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor
à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou
alheio, no EXERCÍCIO DE ATIVIDADE COMERCIAL ou
INDUSTRIAL, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização
ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial,
para efeito deste artigo, qualquer forma de prestação de serviços,
fabricação ou comércio irregular ou clandestino, inclusive o
exercido em residência.
Pena - reclusão, de 6 a 12 anos, e multa.

§ 1º Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito


deste artigo, qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou
comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência.
(Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)

§ 2º Incorre na mesma pena quem vende ou entrega arma de fogo,


acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com a
determinação legal ou regulamentar, a agente policial disfarçado,
quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta
criminal preexistente. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

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Esse crime passou a ser considerado hediondo por meio da Lei 13.964/19, que alterou a
Lei dos Crimes Hediondos. O Pacote Anticrime modificou o preceito secundário do tipo penal,
aumentando a pena, acrescentou o §1º e acrescentou o §2º.
OBJETO MATERIAL
Arma, acessório e munição.
SUJEITO ATIVO
Só pode ser comerciante ou industrial, legal ou ilegal, de arma de fogo, acessório ou
munição. Trata-se, portanto, de crime próprio.
NORMA PENAL EXPLICATIVA
§ 1º Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito
deste artigo, qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou
comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência.
Ex.1: vizinho que vende arma a outro vizinho: não se aplica o Art. 17.
Ex. 2: dono de restaurante vende sua arma para o cliente: não se aplica o Art. 17,
porque o dono do restaurante não exerce comércio de armas de fogo.
Ex. 3: indivíduo que comercializa armas de fogo no fundo de sua residência: aplica-
se o Art. 17.

TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO, ACESSÓRIO OU


MUNIÇÃO
(Art. 18 – Lei nº 10.826)

Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do


território nacional, a qualquer título, de ARMA DE FOGO,
ACESSÓRIO ou MUNIÇÃO, sem autorização da autoridade
competente:
Pena - reclusão, de 8 a 16 anos, e multa.

Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem vende ou entrega


arma de fogo, acessório ou munição, em operação de importação,
sem autorização da autoridade competente, a agente policial
disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis
de conduta criminal preexistente.
Esse crime passou a ser considerado hediondo por meio da Lei 13.964/19, que alterou a
Lei dos Crimes Hediondos.
O Pacote Anticrime modificou o preceito secundário do tipo penal, aumentando a pena e
acrescentou o parágrafo único.
São 4 as condutas do tipo:
IMPORTAR / EXPORTAR:
O Art. 18 do Estatuto do Desarmamento prevalece sobre o crime de contrabando
previsto no Art. 334 do Código Penal (princípio da especialidade).
É crime material, consumando-se com a efetiva entrada ou saída do objeto do
Brasil.
Admite-se, portanto, a tentativa.

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FACILITAR A ENTRADA / FACILITAR A SAÍDA:


O Art. 18 do Estatuto do Desarmamento prevalece sobre o crime de facilitação de
contrabando (caso agente seja funcionário Público) previsto no Art. 318 do
Código Penal (princípio da especialidade).
É crime formal ou de consumação antecipada.
Consuma-se com a simples facilitação, não sendo necessário que o facilitado
consiga entrar ou sair com o objeto do País.
Admite-se a tentativa, por exemplo, na modalidade escrita do delito.
OBJETO MATERIAL:
Arma, acessório e munição.
SUJEITO ATIVO
Crime Comum.
SUJEITO PASSIVO
Coletividade. Crime vago.
No caso do favorecimento, a conduta será punível, independentemente da efetiva
entrada ou saída do material do território nacional. Basta que tenha sido
praticado qualquer ato que configure o favorecimento.
Ainda que o agente traga para dentro do território nacional uma única arma de fogo
de uso permitido ou proibido, sem autorização, apenas para uso próprio, sem que
haja qualquer nexo com o exercício de atividade comercial, estará configurado o
crime de tráfico internacional de armas.
Jurisprudência em teses/STJ n.º 108/2018
É típica a conduta de importar arma de fogo, acessório ou munição sem autorização
da autoridade competente, nos termos do Art. 18 da Lei n. 10.826/2003, mesmo
que o réu detenha o porte legal da arma, em razão do alto grau de reprovabilidade
da conduta.
O crime de tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição, tipificado
no Art. 18 da Lei n. 10.826/03, é de perigo abstrato ou de mera conduta e visa
a proteger a segurança pública e a paz social.
Para a configuração do tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição
não basta apenas a procedência estrangeira do artefato, sendo necessário
que se comprove a internacionalidade da ação.
Princípio da insignificância
Não cabe princípio da insignificância no tráfico internacional de munição.
STF (HC97777) e STJ (HC 45099)

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, QUANDO DIRECIONADA À PRÁTICA


DE CRIME HEDIONDO OU EQUIPARADO
(Lei 12.850/2013)

Esse crime passou a ser considerado hediondo por meio da Lei 13.964/19, que alterou a
Lei dos Crimes Hediondos.

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O QUE É ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

§ 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 OU MAIS PESSOAS


estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que
informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer
natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores
a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.

Associação de 4 ou mais pessoas.


Características:
ESTRUTURALMENTE ORDENADA.
DIVISÃO DE TAREFAS (ainda que informalmente).
Objetivos: obter vantagem de qualquer natureza (Não precisa ser econômica).
Associação de 4 ou mais pessoas. A associação deve apresentar ESTABILIDADE e
PERMANÊNCIA, características relevantes para sua configuração, que diferenciam
da figura delituosa do concurso eventual de agentes a que se refere o Art. 29 do
Código penal, dotado de natureza efêmera e passageira.
ESTRUTURA ORDENADA (divisão de tarefas, ainda que informalmente).

CRIMES EQUIPARADOS A HEDIONDOS


Diante do texto Constitucional, temos que o legislador estabeleceu 3 crimes taxados como
equiparados a hediondos.

Art. 5º - Constituição Federal


XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça
ou anistia a prática da TORTURA, o TRÁFICO ILÍCITO DE
ENTORPECENTES E DROGAS AFINS, o TERRORISMO e os definidos
como CRIMES HEDIONDOS, por eles respondendo os mandantes, os
executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.
Tráfico de Drogas
Tortura
Terrorismo

VEDAÇÕES LEGAIS
VEDAÇÃO À ANISTIA, À GRAÇA E AO INDULTO
Causas de extinção de punibilidade emanadas de órgãos alheios ao Poder Judiciário.
Anistia:
É o esquecimento jurídico da infração penal e tem por objetos os fatos definidos como
crime, e não pessoas. Tem o condão de extinguir todos os efeitos penais, inclusive o pressuposto
de reincidência.
Recai sobre o Congresso Nacional (ato legislativo) por meio de Lei Federal que extingue
a punibilidade.

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Ex.: Lei 12.505 anistiou policiais militares e bombeiros militares que participaram de atos
reivindicatórios por melhorias de vencimentos e condições de trabalho.
Graça:
Benefício para crimes de natureza comum, é concedida pelo Presidente da República,
por decreto, para um indivíduo determinado condenado. O condenado pede.

Indulto
É coletivo, direcionado a um grupo indefinido de condenados, sendo delimitado pela
natureza do crime e quantidade de pena aplicada, além de outros requisitos objetivos e
subjetivos. Concedido pelo Presidente da República por meio de decreto.

INAFIANÇÁVEIS
Crimes que não admitem fiança:
Crimes hediondos
Equiparados a hediondos (TTT)
Racismo
Ação de grupos armados, civis e militares, contra a ordem constitucional e o Estado de
direito.

VEDAÇÃO À LIBERDADE PROVISÓRIA


A liberdade provisória funciona como medida cautelar que permite ao investigado (ou
acusado) permanecer em liberdade durante o curso da persecução penal, desde que cumpra
determinados vínculos.
O direito à liberdade provisória tem fundamento constitucional no Art. 5º, inciso LXVI,
segundo o qual ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade.
A partir da nova Lei 11.464/2007, alterando a redação original da Lei de Crimes
Hediondos, passou a ser possível a concessão da liberdade provisória para crimes hediondos e
assemelhados.

Vedada conversão em pena restritiva de direitos.


STF declarou inconstitucional.

Súmula 718 do STF: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do


crime não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do
que o permitido segundo a pena aplicada.

Súmula 719 do STF: A imposição do regime de cumprimento mais severo do


que a pena aplicada permitir exige motivação idônea.

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PROGRESSÃO DE REGIME
A Lei nº 13.964/19 REVOGA o Art. 2º, § 2º da Lei de Execução Penal.
A progressão de regime, no caso dos condenados pelos crimes
previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 da pena,
se o apenado for primário, e de 3/5, se reincidente, observado o
disposto nos §§ 3º e 4º do art. 112 da Lei nº 7.210, de 11 de julho de
1984 (Lei de Execução Penal).
Atualização da Lei nº 13.964/19: ALTERAÇÕES NA LEP (LEI 7.210/84)
Art. 112. A pena privativa de liberdade (PPL) será executada em
forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso,
a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos:

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§ 1º Em todos os casos, o apenado só terá direito à progressão de


regime se ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do
estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão.

§ 2º A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre


motivada e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor,
procedimento que também será adotado na concessão de livramento
condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos
nas normas vigentes.

§ 5º Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o


crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23
de agosto de 2006 (tráfico privilegiado).

§ 6º O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de


liberdade INTERROMPE o prazo para a obtenção da progressão no regime
de cumprimento da pena, caso em que o reinício da contagem do requisito
objetivo terá como base a pena remanescente.

DELAÇÃO PREMIADA
Delação premiada é uma causa de diminuição de pena criada pelo legislador para o
membro de associação criminosa que prestar informações relevantes contra seus
companheiros, delatando-os à autoridade.
Art. 8 da Lei 8.072/90: O participante e o associado que denunciar
à autoridade o bando ou quadrilha, possibilitando seu
desmantelamento, terá a pena reduzia de 1 a 2/3.

Em geral, a doutrina enumera os seguintes requisitos para a concessão do benefício:


Configuração da associação criminosa (mínimo de 3 associados)
Finalidade de cometer crimes hediondos
Contribuição relevante
Efetivo desmantelamento da associação criminosa
Voluntariedade

INADIMPLEMENTO DA PENA DE MULTA E PROGRESSÃO DE


REGIME
Segundo STF, o inadimplemento das parcelas da pena de multa impede a progressão no
regime prisional.

STF: o inadimplemento da pena de multa cumulativamente aplicada ao sentenciado


impede a progressão no regime.

O Plenário do Supremo Tribunal Federal firmou orientação no sentido de que o


inadimplemento deliberado da pena de multa cumulativamente aplicada ao sentenciado
impede a progressão no regime prisional.

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Execução Penal. Agravo Regimental. Inadimplemento deliberado da pena de


multa. Progressão de regime. Impossibilidade.
1. O inadimplemento deliberado da pena de multa cumulativamente aplicada
ao sentenciado impede a progressão no regime prisional.
2. Tal regra somente é excepcionada pela comprovação da absoluta
impossibilidade econômica do apenado em pagar a multa, ainda que parceladamente.
3. Agravo regimental desprovido.
(EP 12 ProgReg-AgR, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal
Pleno, julgado em 08/04/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-111 DIVULG
10-06-2015 PUBLIC 11-06-2015)

EXAME CRIMINOLÓGICO
Está disposto no Art. 8º da Lei de Execuções Penais:
Art. 8º O condenado ao cumprimento de pena privativa de
liberdade, em regime fechado, será submetido a exame
criminológico para a obtenção dos elementos necessários a uma
adequada classificação e com vistas à individualização da execução.

Parágrafo único. Ao exame de que trata este artigo poderá ser


submetido o condenado ao cumprimento da pena privativa de
liberdade em regime semiaberto.

O exame criminológico contribui para o trabalho da CTC, já que serve para obter
ELEMENTOS NECESSÁRIOS para uma adequada CLASSIFICAÇÃO.
Embora a nova redação do Art. 112 da Lei n. 7.210/84 não mais exija, de plano, a
realização de exame criminológico, cabe ao magistrado verificar o atendimento dos requisitos
à luz do caso concreto. Assim, ele pode determinar a realização de perícia, se entender
necessário, ou mesmo negar o benefício, desde que o faça fundamentadamente, quando as
peculiaridades da causa assim o recomendarem, em observância ao princípio da
individualização da pena.
Assim, o EXAME CRIMINOLÓGICO É FACULTATIVO, cabendo ao juízo determinar sua
necessidade.
Súmula Vinculante 26
Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por
CRIME HEDIONDO, ou equiparado, o juízo da execução observará a
inconstitucionalidade do art. 2º da Lei 8.072, de 25 de julho de 1990,
sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os
requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar,
para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame
criminológico.

Em resumo, para a PROGRESSÃO DE REGIME, o mérito do sentenciado deve ser


demonstrado sempre por atestado de conduta carcerária e, EVENTUALMENTE, pelo exame
criminológico, caso assim determinado e fundamentado pelo juiz, de acordo com as
peculiaridades do caso concreto.
O parecer do exame criminológico não é vinculativo.

MUDE SUA VIDA!


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IDENTIFICAÇÃO DO PERFIL GENÉTICO


Está disposto no Art. 9-Aº da Lei de Execuções Penais:
Art. 9º-A. Os condenados por crime praticado, DOLOSAMENTE,
com VIOLÊNCIA DE NATUREZA GRAVE CONTRA PESSOA, ou por
qualquer dos crimes previstos no art. 1º da LEI DE CRIMES
HEDIONDOS, serão submetidos, obrigatoriamente, à
IDENTIFICAÇÃO DO PERFIL GENÉTICO, mediante extração de DNA
- ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor.

É necessário perceber que o artigo fala dos crimes previstos no art. 1º da Lei de Crimes
Hediondos, mas não fala dos EQUIPARADOS a hediondos (tráfico, tortura e terrorismo).
Porém, os condenados por terem cometido dolosamente tráfico, tortura e terrorismo
podem identificação do perfil genético obrigatório por terem o outro requisito: CRIMES COM
VIOLÊNCIA GRAVE CONTRA A PESSOA.
Assim, um condenado por crime de tortura poderá ser submetido à identificação
obrigatória do perfil genético? Depende! A tortura própria, por exemplo, pode ser realizada
mediante a prática de VIOLÊNCIA ou GRAVE AMEAÇA. Caso a tortura tenha sido praticada pelo
agente mediante VIOLÊNCIA, este poderá ter ser perfil genético identificado de forma
obrigatória.
§ 1º A identificação do perfil genético será armazenada em BANCO
DE DADOS SIGILOSO, conforme regulamento a ser expedido pelo
Poder Executivo.

A lei informa que será criado um Decreto que regulamentará o banco de dados onde serão
armazenadas essas informações.

§ 1º-A. A regulamentação deverá fazer constar GARANTIAS


MÍNIMAS DE PROTEÇÃO DE DADOS GENÉTICOS, observando as
melhores práticas da genética forense.
(PACOTE ANTICRIME!)

§ 2º A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao


juiz competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco
de dados de identificação de perfil genético.

O delegado estadual ou federal poderá requerer ao juiz – no caso de inquérito


instaurado – o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético para verificar se o
sujeito que cometeu o crime que ensejou a abertura do inquérito já esteja no banco de dados.
É instrumento importante principalmente para a busca de autoria de estupro (crime de
natureza grave contra a pessoa) e que deixa vestígios materiais do seu DNA.

§ 3º Deve ser viabilizado ao titular de dados genéticos o acesso aos


seus dados constantes nos bancos de perfis genéticos, bem como a
todos os documentos da cadeia de custódia que gerou esse dado, de
maneira que possa ser contraditado pela defesa.
(PACOTE ANTICRIME!)

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É viabilizado ao titular dos dados genéticos o acesso aos dados que estão nos perfis
genéticos bem como todos os outros documentos da cadeia de custódia para garantir a ampla
defesa e o contraditório.
§ 4º O condenado pelos crimes previstos no caput deste artigo que
não tiver sido submetido à identificação do perfil genético por
ocasião do ingresso no estabelecimento prisional deverá ser
submetido ao procedimento durante o cumprimento da pena.
(PACOTE ANTICRIME!)

Por diversos motivos, como, por exemplo, no caso da necessidade de inclusões


emergenciais em estabelecimentos penais de segurança máxima, a colheita do material
genético não ocorria no INGRESSO. Para desburocratizar a tentativa da colheita após o ingresso,
agora, a colheita poderá ser realizada durante o cumprimento da pena.
Agora, a identificação do perfil genético poderá ser realizada em dois momentos: no
ingresso e durante o cumprimento de pena.
§ 8º Constitui FALTA GRAVE a recusa do condenado em submeter-se
ao procedimento de identificação do perfil genético.
(PACOTE ANTICRIME!)

A falta grave gera restrição a regalias durante o cumprimento da pena. Isso será visto no
momento oportuno. Mas é importante que o aluno esteja ciente de que a negativa gera uma
falta grave!

PRISÃO TEMPORÁRIA
A prisão temporária é uma modalidade de prisão cautelar que não se encontra no CPP,
sendo uma espécie bem peculiar de prisão cautelar, pois possui prazo certo e só pode ser
determinada DURANTE A INVESTIGAÇÃO POLICIAL.
Assim, após o recebimento da denúncia ou queixa, não poderá ser decretada nem mantida
a prisão temporária.
Além disso, a prisão temporária só pode ser decretada nas hipóteses de crimes previstos
no Art. 1º, III da Lei 7.960/89.
A prisão temporária só pode ser decretada pela autoridade judiciária, ou seja, pelo Juiz ou
Tribunal competente.
Todavia, a prisão temporária não pode ser decretada de ofício pelo Juiz, devendo ser
requerida pelo MP ou ser objeto de representação da autoridade policial.
Art. 2º A prisão temporária será decretada pelo Juiz, em face da
representação da autoridade policial ou de requerimento do
Ministério Público, e terá o prazo de 5 dias, prorrogável por igual
período em caso de extrema e comprovada necessidade.
Em se tratando de crime hediondo ou equiparado, a Lei 8.072/90 estabelece, em seu Art.
2º, §4º, que o prazo da prisão temporária, nestes casos, será de 30 dias, prorrogáveis por mais
30 dias.
Vejamos:

Art. 2º (…)

§ 4º A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei nº 7.960, de 21 de dezembro de


1989, nos crimes previstos neste artigo, terá o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por
igual período em caso de extrema e comprovada necessidade.

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QUESTÕES
Ano: 2019 Banca: CESPE Órgão: TJ-AM Prova: Analista Judiciário
Júnia, de quatorze anos de idade, acusa Pierre, de dezoito anos de idade, de ter praticado
crime de natureza sexual consistente em conjunção carnal forçada no dia do último aniversário
da jovem. Pierre, contudo, alega que o ato sexual foi consentido.
A respeito dessa situação hipotética, julgue o item a seguir, tendo como referência
aspectos legais e jurisprudenciais a ela relacionados.
Se Pierre for condenado por estupro, o regime de cumprimento de pena será
integralmente fechado, por se tratar de crime hediondo.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: O dispositivo que determina regime de cumprimento de pena
integralmente fechado foi considerado inconstitucional.
É inconstitucional a fixação ex lege, com base no Art. 2º, § 1º, da Lei
8.072/1990, do regime inicial fechado, devendo o julgador, quando da condenação,
ater-se aos parâmetros previstos no Art. 33 do Código Penal.
[Tese definida no ARE 1.052.700 RG, rel. min. Edson Fachin, P, j. 2-11-2017,
DJE 18 de 1º-2-2018, Tema 972.]

Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal Prova: Delegado de Polícia Federal
Em cada item que se segue, é apresentada uma situação hipotética seguida de uma
assertiva a ser julgada com relação a crime de tortura, crime hediondo, crime previdenciário e
crime contra o idoso.
Paula, proprietária de uma casa de prostituição, induziu e passou a explorar sexualmente
duas garotas de quinze anos de idade. Nessa situação, o crime praticado por Paula é hediondo
e, por isso, insuscetível de anistia, graça e indulto.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: Trata-se do crime do Art. 218-B do Código Penal que se encontra
incluído no rol dos crimes hediondos, encontrado no Art. 1º da referida Lei.
CP. Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de
exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou
deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-
la, impedir ou dificultar que a abandone
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos.
Lei 8.072/90. Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes, todos
tipificados no Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal,
consumados ou tentados:
VIII - favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de
criança ou adolescente ou de vulnerável (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º).

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Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: EBSERH Prova: CESPE - 2018 - EBSERH - Advogado
Julgue o item seguinte, relativo aos tipos penais dispostos no Código Penal e nas leis penais
extravagantes.
O ordenamento jurídico nacional adotou o critério legal para a tipificação dos crimes
hediondos, sendo vedado ao juiz, em caso concreto, fixar a hediondez de um delito ou excluí-la em
razão de sua gravidade ou forma de execução.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: O Brasil adotou o sistema legal, ou seja, somente a lei pode indicar,
em rol taxativo, quais crimes são considerados hediondos (Lei 8.072/90). O crime é
rotulado pelo legislador como hediondo, pouco importa a excepcional repugnância da
conduta no caso concreto.

Ano: 2015 Banca: CESPE Órgão: TJ-DFT Prova: Oficial de Justiça Avaliador Federal
A respeito dos crimes hediondos, julgue o item que se segue.
O crime de lesão corporal dolosa de natureza gravíssima é hediondo quando praticado contra
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo de até terceiro grau, de agente da Polícia
Rodoviária Federal e integrante do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, em
razão dessa condição.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: Está estampado no Art. 1º, inciso I-A da Lei dos Crimes Hediondos o
crime de lesão corporal dolosa de natureza gravíssima e lesão corporal seguida de morte,
quando praticadas contra autoridade ou agente descrito nos Arts. 142 e 144 da
Constituição Federal, onde encontramos a Polícia Rodoviária Federal. Atentar que o crime
deve ter sido cometido no exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu
cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa
condição.

Ano: 2015 Banca: FUNIVERSA Órgão: SEAP-DF


No que diz respeito à legislação penal extravagante, segundo entendimento do STJ e do STF,
julgue o item.
O STF afastou a previsão de obrigatoriedade de imposição de regime inicial fechado aos
condenados por crimes hediondos ou a estes equiparados, devendo ser observadas as regras do CP
no que se refere à fixação do regime prisional inicialmente previsto para os crimes hediondos e os
a estes equiparados.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário:
O STF passou a considerar INCONSTITUCIONAL o §1º do Art. 2º da Lei 8.072/90,
que assim dispõe: Art. 2º (…)
1º A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime
fechado. (Redação dada pela Lei nº 11.464, de 2007)
O STF passou a entender que deve o Juiz, em cada caso concreto, fixar o regime
de cumprimento da pena de acordo com as regras previstas na legislação penal,
notadamente o CP, não havendo qualquer restrição, em abstrato, à fixação dos regimes
aberto e semiaberto como regimes iniciais.
STF Súmula Vinculante 26
Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime hediondo,
ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei nº
8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não,
os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de
modo fundamentado, a realização de exame criminológico.

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Ano: 2015 Banca: CESPE Órgão: DPU Prova: Defensor Público Federal
Gerson, com vinte e um anos de idade, e Gilson, com dezesseis anos de idade, foram presos
em flagrante pela prática de crime. Após regular tramitação de processos nos juízos
competentes, Gerson foi condenado pela prática de extorsão mediante sequestro e Gilson, por
cometimento de infração análoga a esse crime.
Com relação a essa situação hipotética, julgue o próximo item.
Conforme entendimento dos tribunais superiores, tendo sido condenado pela prática de
crime hediondo, Gerson deverá ser submetido ao exame criminológico para ter direito à
progressão de regime.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário:
O exame criminológico contribui para o trabalho da CTC, já que serve para
obter ELEMENTOS NECESSÁRIOS para uma adequada CLASSIFICAÇÃO.
Embora a nova redação do Art. 112 da Lei n. 7.210/84 não mais exija, de plano,
a realização de exame criminológico, cabe ao magistrado verificar o atendimento dos
requisitos à luz do caso concreto. Assim, ele pode determinar a realização de perícia,
se entender necessário, ou mesmo negar o benefício, desde que o faça
fundamentadamente, quando as peculiaridades da causa assim o recomendarem, em
observância ao princípio da individualização da pena.
Assim, o EXAME CRIMINOLÓGICO É FACULTATIVO, cabendo ao juízo
determinar sua necessidade.

Ano: 2013 Banca: CESPE Órgão: SEGESP-AL Prova: - Papiloscopista


Julgue o item a seguir, acerca de crimes contra a Administração Pública, crimes hediondos
e crimes contra a pessoa.
É vedada a concessão de fiança à pessoa plenamente capaz que cometer homicídio
simples, por ser considerado crime hediondo, e a pena a ser aplicada nesse caso será cumprida
no regime inicialmente fechado.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário:
Homicídio simples não é considerado crime hediondo. Para que o homicídio
simples seja etiquetado como hediondo, ele deverá ser condicionado. E qual a
condição? Que ele seja praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda
que praticado por um só agente.

Ano: 2013 Banca: CESPE Órgão: PC-DF Prova: Agente de Polícia


Considerando, por hipótese, que, devido ao fato de estar sendo investigado pela prática
de latrocínio, José tenha contratado um advogado para acompanhar as investigações, julgue o
item a seguir.
Se surgirem indícios contra José, ele deverá ser indiciado e identificado pelo processo
datiloscópico, pois, na hipótese em apreço, o referido crime é hediondo, fato que torna
obrigatória a identificação criminal.
Certo ( ) Errado ( )

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Gabarito: Errado
Comentário: A identificação criminal é obrigatória ao condenado. Convém
perceber que na questão consta a expressão “se surgirem indícios”. Nesse caso,
trata-se de uma identificação civil.
Lei 12.037/2009
Art. 1º O civilmente identificado não será submetido a identificação criminal,
salvo nos casos previstos nesta Lei.
Art. 2º A identificação civil é atestada por qualquer dos seguintes documentos:
I - carteira de identidade;
II - carteira de trabalho;
III - carteira profissional;
IV - passaporte;
V - carteira de identificação funcional;
VI - outro documento público que permita a identificação do indiciado.

Ano: 2013 Banca: CESPE Órgão: PG-DF Prova: Procurador


Com referência às penas e à sua aplicação, julgue o seguinte item.
Desde que o STF declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do Art. 2º, § 1º, da Lei
n. o 8.072/1990 (A pena por crime previsto neste artigo [crime hediondo] será cumprida
inicialmente em regime fechado), não é mais obrigatória a fixação do regime inicial fechado para
o condenado pelo crime de tráfico de entorpecentes, podendo a pena privativa de liberdade ser
substituída por restritivas de direitos quando o réu for primário e sem antecedentes e não ficar
provado que ele se dedique ao crime ou esteja envolvido com organização criminosa.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: A vedação da substituição das penas privativas de liberdade e as
restritivas de direito foi declarada inconstitucional pelo STF. Já que o réu é primário,
não possui antecedentes e ele não se dedica ao crime ou organização criminosa, sua
pena ficará abaixo do limite para aplicação da substituição da pena privativa de
liberdade por restritiva de direito. Dessa forma, é possível a substituição desde que
se acumulem os outros requisitos previstos no Art. 44 do Código Penal.
Lei 11.343, Art. 33, § 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo,
as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, desde que o agente seja
primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre
organização criminosa.

Ano: 2013 Banca: CESPE Órgão: PC-DF Prova: Escrivão de Polícia


No que se refere aos crimes hediondos (Lei n. o 8.072/1990) e à violência doméstica e familiar
sobre a mulher (Lei n. o 11.340/2006 – Lei Maria da Penha), julgue o item seguinte.
Se determinado cidadão for réu em processo criminal por ter cometido crime hediondo, ele
poderá ter progressão de regime no cumprimento da pena, que se iniciará em regime fechado, bem
como tê-la reduzida em caso de delação premiada, se o crime tiver sido cometido por quadrilha ou
bando.
Certo ( ) Errado ( )

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Gabarito: Errado
Comentário: O Plenário do STF, no dia de (27/06/2012) decidiu que o § 1º do
Art. 2º da Lei nº 8.072/90, com a redação dada pela Lei n.º11.464/2007, ao impor
o regime inicial fechado, é INCONSTITUCIONAL.
Com esse novo posicionamento, o regime inicial das condenações por crimes
hediondos ou equiparados não tem que ser obrigatoriamente o fechado, podendo ser
o regime semiaberto ou aberto.

Ano: 2013 Banca: CESPE Órgão: PRF Prova: Policial Rodoviário Federal
Considera-se crime hediondo o homicídio culposo na condução de veículo automotor,
quando comprovada a embriaguez do condutor.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: As únicas modalidades de homicídio marcadas pela hediondez
são homicídio condicionado e o homicídio qualificado, ambos dolosos. Não há crime
hediondo culposo.

Ano: 2013 Banca: CESPE Órgão: TJ-DFT Prova: Técnico Judiciário Texto associado
Não é possível a concessão de anistia, graça ou indulto àqueles que tenham praticado
crimes hediondos.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: A expressão “crimes hediondos” foi utilizada pela CF, em seu Art.
5º, XLIII, vejamos:
XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia
a prática da TORTURA, o TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES E DROGAS AFINS,
o TERRORISMO e os definidos como CRIMES HEDIONDOS, por eles respondendo os
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.
Assim, a própria CF/88 afastou a possibilidade da concessão de anistia, graça
ou indulto. (“STF: indulto = graça coletiva”)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

: https://www.migalhas.com.br/depeso/310643/a-
desproporcionalidade-da-pena-do-artigo-273-do-cp.

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LEI Nº 10.826/2003 – ESTATUTO DO DESARMAMENTO


APRESENTAÇÃO
O Estatuto do Desarmamento dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de
fogo e munição, sobre o Sistema Nacional de Armas – SINARM, define crimes e dá outras
providências. Além de penas maiores para o crime de porte de arma, o Estatuto trouxe várias
outras providências salutares, como restrição à venda, ao registro e à autorização para o porte
de arma de fogo, a tipificação dos crimes de posse e porte de munição, tráfico internacional de
armas de fogo, dentre outras.

ORGANIZAÇÃO DA AULA
O Estatuto do Desarmamento possui uma parte administrativa, onde encontramos as
competências do SINARM, o registro e o porte de arma e possui a parte processual e penal,
demasiadamente cobrado em provas de concurso para carreiras policiais.
Para facilitar a compreensão da nossa aula, vamos estudá-la em tópicos:
DO SISTEMA NACIONAL DE ARMAS
DO REGISTRO
DO PORTE
DOS CRIMES E DAS PENAS
DISPOSIÇÕES GERAIS e FINAIS

DO SISTEMA NACIONAL DE ARMAS


O Sistema Nacional de Armas - SINARM, instituído no Ministério da Justiça, no âmbito da
Polícia Federal, com circunscrição em todo o território nacional, é responsável pelo controle de
armas de fogo em poder da população, conforme previsto na Lei 10.826/03 (Estatuto do
Desarmamento).
As competências do SINARM estão descritas no Art. 2º do Estatuto do Desarmamento e,
dentre elas, algumas merecem uma atenção especial:
II – Cadastrar as armas de fogo produzidas, importadas e vendidas
no País;
IV – Cadastrar as transferências de propriedade, extravio, furto,
roubo e outras ocorrências suscetíveis de alterar os dados cadastrais,
inclusive as decorrentes de fechamento de empresas de segurança
privada e de transporte de valores;
VIII – Cadastrar os armeiros em atividade no País, bem como
conceder licença para exercer a atividade;
IX – Cadastrar mediante registro os produtores, atacadistas,
varejistas, exportadores e importadores autorizados de armas de
fogo, acessórios e munições;
XI – informar às Secretarias de Segurança Pública dos Estados e do
Distrito Federal os registros e autorizações de porte de armas de fogo
nos respectivos territórios, bem como manter o cadastro atualizado
para consulta.

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O SINARM não controla todas as armas de fogo; excluem-se do controle, por exemplo, as
armas do Exército, Marinha e Aeronáutica, que têm seus arsenais próprios.
As armas de fogo utilizadas pelas Forças Armadas e Auxiliares e pelas Forças Auxiliares
são sujeitas a regramento próprio, relacionado ao Sistema de Gerenciamento Militar de Armas
– Sigma. Forças Auxiliares é o nome pelo qual eram conhecidas as Polícias Militares e os Corpos
de Bombeiros Militares. Hoje os integrantes dessas formas são considerados militares para
todos os efeitos.
Art. 2º. Parágrafo único. As disposições deste artigo não alcançam as
armas de fogo das Forças Armadas e Auxiliares, bem como as demais
que constem dos seus registros próprios.

“Registros próprios” são aqueles realizados por órgãos, instituições e corporações em


documentos oficiais de caráter permanente.
CADASTRO
Cadastro de arma de fogo é inclusão da arma de fogo de produção nacional ou importada
em banco de dados, com a descrição de suas características.
O Decreto nº 9.847 de 2019 regulamenta a Lei nº 10.826/03 para dispor sobre, dentre
outras, o cadastro.
Fragmento do Decreto Nº 9.847, DE 25 DE JUNHO DE 2019
No SINARM serão cadastradas as armas de fogo:
a) da Polícia Federal;
b) da Polícia Rodoviária Federal;
c) da Força Nacional de Segurança Pública;
d) do Departamento Penitenciário Nacional; (...)
Serão cadastradas no SIGMA as armas de fogo
a) das Forças Armadas;
b) das polícias militares e dos corpos de bombeiros militares dos Estados
c) da Agência Brasileira de Inteligência; e
d) do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

CONCEITOS COMPLEMENTARES
Arma de fogo de uso restrito
Armas de fogo automáticas e as semiautomáticas ou de repetição que sejam:
- não portáteis;
- de porte, cujo calibre nominal, com a utilização de munição comum, atinja, na saída
do cano de prova, energia cinética superior a 1200 libras-pé ou 1620 joules; ou
- portáteis de alma raiada, cujo calibre nominal, com a utilização de munição comum,
atinja, na saída do cano de prova, energia cinética superior a 1200 libras-pé ou
1620 joules.
Exemplo de armas de calibre restrito segundo a PORTARIA Nº 1.222:
5.56x45 mm 1748,63 Restrito
7.62x51 mm 3632,01 Restrito

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Arma de fogo de uso proibido:


- as armas de fogo classificadas de uso proibido em acordos e tratados internacionais
dos quais a República Federativa do Brasil seja signatária; ou
- as armas de fogo dissimuladas, com aparência de objetos inofensivos.

Arma de fogo obsoleta


Armas de fogo que não se prestam ao uso efetivo em caráter permanente, em razão
de:
✓ sua munição e seus elementos de munição não serem mais produzidos; ou
✓ sua produção ou seu modelo ser muito antigo e fora de uso, caracterizada
como relíquia ou peça de coleção inerte.

VAMOS VER COMO FOI COBRADO EM PROVA!

Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: Prefeitura de Campinas - SP Prova: Guarda


Municipal
Nos moldes da Lei Federal nº 10.826/2003, a comercialização de armas de fogo,
acessórios e munições entre pessoas físicas somente será efetivada mediante autorização
a) do Sinarm.
b) da Polícia Militar.
c) da Polícia Federal.
d) do Exército.
e) da Guarda Municipal.
Gabarito: B
Comentário: De acordo com o Art. 4º, §5º, a comercialização de armas de fogo,
acessórios e munições entre pessoas físicas somente será efetivada mediante
autorização do Sinarm.

REGISTRO
O registro da arma de fogo é na verdade a matrícula da arma de fogo que esteja vinculada
à identificação do respectivo proprietário em banco de dados;
Art. 3º É obrigatório o registro de arma de fogo no órgão competente.
Parágrafo único. As armas de fogo de uso restrito serão registradas
no comando do Exército, na forma do regulamento desta Lei.
Armas de uso PERMITIDO – Registro feito no SINARM, gerido pela POLÍCIA
FEDERAL.
Armas de uso RESTRITO – Registro feito no COMANDO DO EXÉRCITO, órgão
responsável pela gestão do SIGMA.

CERTIFICADO DE REGISTRO DE ARMA DE FOGO


O registro de arma de fogo é o documento que autoriza o proprietário de arma de fogo a
mantê-la exclusivamente no interior de sua residência ou no seu local de trabalho.

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O proprietário não poderá portar arma de fogo fora dos locais indicados, sob pena
de responsabilidade penal.
É possível manter em casa a arma adquirida, mas para mantê-la em casa é necessário
possuir o registro fornecido pelo SINARM por meio da Polícia Federal.
Já quanto a mantê-la em seu local de trabalho, o proprietário tem que ser o titular.
Se não for o titular, a outra única possibilidade de manter sua arma em seu local de
trabalho será se ele for o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa.
Art. 5º O certificado de Registro de Arma de Fogo, com validade em
todo o território nacional, autoriza o seu proprietário a manter a
arma de fogo exclusivamente no interior de sua residência ou
domicílio, ou dependência desses, ou, ainda, no seu local de trabalho,
desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo
estabelecimento ou empresa.
§ 1º O certificado de registro de arma de fogo será expedido pela
polícia federal e será precedido de autorização do SINARM.

O Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF) dará o que chamamos


de POSSE LEGAL DA ARMA.
O órgão responsável pela expedição do certificado de registro de arma
de fogo é Polícia Federal, com autorização do Sinarm.
O certificado de Registro não autoriza o proprietário da arma a portá-la.

A Lei nº 13.870/2019 trouxe uma norma penal explicativa, esclarecendo que o conceito
de residência ou domicílio para fins de interpretação da autorização dada pelo Certificado de
Registro de Arma de Fogo (CRAF). Desse modo, aos residentes em área rural, considera-se
residência ou domicílio toda a extensão do respectivo imóvel rural.
§ 5º Aos residentes em área rural, para os fins do disposto no caput
deste artigo, considera-se residência ou domicílio toda a extensão do
respectivo imóvel rural. (Incluído pela Lei nº 13.870, de 2019)

Seu local de trabalho (responsável legal pelo estabelecimento ou empresa)

Certificado de P O S S E
Registro

Sua casa

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VAMOS VER COMO FOI COBRADO EM PROVA!


Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal Prova: Delegado de Polícia Federal
Julgue o item que se segue, relativo a execução penal, desarmamento, abuso de autoridade
e evasão de dívidas.
O registro de arma de fogo na PF, mesmo após prévia autorização do SINARM, não
assegura ao seu proprietário o direito de portá-la.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: O registro da arma de fogo é o direito de ter a guarda, é a posse
legal que o proprietário da arma passa a ter, ou seja, a posse! É diferente do porte
de arma de fogo, que é o direito de portar arma de fogo.

Ano: 2015 Banca: CESPE Órgão: MPU Prova: Técnico do MPU


Com referência ao Estatuto do Desarmamento, julgue o item subsecutivo.
As armas das polícias militares deverão ser registradas no Sistema Nacional de Armas.
Gabarito: Errado
Comentário: O SINARM não controla todas as armas de fogo; excluem-se do
controle, por exemplo, as armas do Exército, Marinha e Aeronáutica, que têm seus
arsenais próprios.
As armas de fogo utilizadas pelas Forças Armadas e Auxiliares e pelas Forças
Auxiliares são sujeitas a regramento próprio, relacionado ao Sistema de
Gerenciamento Militar de Armas – Sigma. Forças Auxiliares é o nome pelo qual eram
conhecidas as Polícias Militares e os Corpos de Bombeiros Militares. Hoje os
integrantes dessas formas são considerados militares para todos os efeitos.

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PORTE DE ARMA DE FOGO


É o documento que autoriza o cidadão a portar, transportar e trazer consigo uma arma
de fogo, de forma discreta, fora das dependências de sua residência ou local de trabalho.
É proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional, salvo para os casos
previstos em legislação própria.
O Art. 6º do Estatuto traz as exceções a essa proibição:
Art. 6º É proibido o porte de arma de fogo em todo o território
nacional, salvo para os casos previstos em legislação própria e para:

I – Os integrantes das Forças Armadas;

II – Os integrantes de órgãos referidos nos incisos I, II, III, IV e V do


caput do art. 144 da Constituição Federal e os da Força Nacional de
Segurança Pública (FNSP);
As pessoas previstas nos
incisos I, II, III, V e VI do III – os integrantes das guardas municipais das capitais dos Estados
caput deste artigo terão e dos Municípios com mais de 500.000 habitantes, nas condições
direito de portar arma
de fogo de propriedade
estabelecidas no regulamento desta Lei;
particular ou fornecida
pela respectiva IV – Os integrantes das guardas municipais dos Municípios com mais
corporação ou de 50.000 e menos de 500.000 habitantes, quando em serviço;
instituição, mesmo fora
de serviço V – Os agentes operacionais da Agência Brasileira de Inteligência e
os agentes do Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança
Institucional da Presidência da República;

VI – Os integrantes dos órgãos policiais referidos no art. 51, IV, e no


art. 52, XIII, da Constituição Federal;

VII – Os integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas


prisionais, os integrantes das escoltas de presos e as guardas
portuárias;

VIII – As empresas de segurança privada e de transporte de valores


constituídas, nos termos desta Lei;

IX – Para os integrantes das entidades de desporto legalmente


constituídas, cujas atividades esportivas demandem o uso de armas
de fogo, na forma do regulamento desta Lei, observando-se, no que
couber, a legislação ambiental.

X - Integrantes das Carreiras de Auditoria da Receita Federal do


Brasil e de Auditoria-Fiscal do Trabalho, cargos de Auditor-Fiscal e
Analista Tributário.

XI – Os tribunais do Poder Judiciário descritos no art. 92 da


Constituição Federal e os Ministérios Públicos da União e dos Estados,
para uso exclusivo de servidores de seus quadros pessoais que
efetivamente estejam no exercício de funções de segurança, na forma
de regulamento a ser emitido pelo Conselho Nacional de Justiça - CNJ
e pelo Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP.

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§ 1º As pessoas previstas nos incisos I, II, III, V e VI do caput deste


artigo terão direito de portar arma de fogo de propriedade
particular ou fornecida pela respectiva corporação ou instituição,
mesmo fora de serviço, nos termos do regulamento desta Lei, com
validade em âmbito nacional para aquelas constantes dos incisos I,
II, V e VI.

§ 1º-B. Os integrantes do quadro efetivo de agentes e guardas


prisionais poderão portar arma de fogo de propriedade particular ou
fornecida pela respectiva corporação ou instituição, mesmo fora de
serviço, desde que estejam:
I - Submetidos a regime de dedicação exclusiva;
II - Sujeitos à formação funcional, nos termos do regulamento; e
III - Subordinados a mecanismos de fiscalização e de controle interno.

AUTORIZAÇÃO PARA O PORTE DE ARMA DE FOGO DAS GUARDAS


MUNICIPAIS
Art. 6º É proibido o porte de arma de fogo em todo o território
nacional, salvo para os casos previstos em legislação própria e para:
(...)
III – os integrantes das guardas municipais das capitais dos Estados
e dos Municípios com mais de 500.000 habitantes, nas condições
estabelecidas no regulamento desta Lei;
(…)
§ 7º Aos integrantes das guardas municipais dos Municípios que
integram regiões metropolitanas será autorizado porte de arma de
fogo, quando em serviço.

STF AUTORIZA PORTE DE ARMA PARA GUARDAS-MUNICIPAIS DE CIDADES


PEQUENAS
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou, por
meio de liminar, o uso de arma de fogo para guardas municipais de quaisquer
cidades. O Estatuto de Desarmamento previa a permissão apenas para capitais e
cidades com mais de 500 mil habitantes. Para o ministro, no entanto, é "primordial"
que os diversos órgãos governamentais estejam entrosados no combate à
"criminalidade violenta e organizada, à impunidade e à corrupção"
ADI 5.948 Diante do exposto, nos termos dos arts. 10, § 3º, da Lei 9.868/99
e 21, V, do RISTF, CONCEDO A MEDIDA CAUTELAR PLEITEADA, ad referendum do
Plenário, DETERMINANDO A IMEDIATA SUSPENSÃO DA EFICÁCIA das expressões das
capitais dos Estados e com mais de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, no inciso
III, bem como o inciso IV, ambos do art. 6º da Lei Federal nº 10.826/2003.
Alexandre de Morais, 29/6/2018.

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PORTE PARA CAÇADOR DE SUBSISTÊNCIA


Art. 6º, § 5º Aos residentes em áreas rurais, maiores de 25 anos que
comprovem depender do emprego de arma de fogo para prover sua
subsistência alimentar familiar será concedido pela Polícia Federal o
porte de arma de fogo, na categoria caçador para subsistência, de
uma arma de uso permitido, de tiro simples, com 1 ou 2 canos, de
alma lisa e de calibre igual ou inferior a 16, desde que o interessado
comprove a efetiva necessidade em requerimento ao qual deverão ser
anexados os seguintes documentos:
I - Documento de identificação pessoal
II - Comprovante de residência em área rural;
III - Atestado de bons antecedentes.
§ 6º O caçador para subsistência que der outro uso à sua arma de
fogo, independentemente de outras tipificações penais, responderá,
conforme o caso, por porte ilegal ou por disparo de arma de fogo de
uso permitido.

O aluno deve observar os critérios cumulativos para que seja permitida a concessão do
porte para Caçador de Subsistência:
- maior de 25 anos;
- residente em área rural;
- dependa de caçar para sobreviver.
AUTORIZAÇÃO DO PORTE DE ARMA PARA OS RESPONSÁVEIS PELA
SEGURANÇA DE CIDADÃOS ESTRANGEIROS EM VISITA OU SEDIADOS
NO BRASIL
Art. 9º Compete ao Ministério da Justiça a autorização do porte de
arma para os responsáveis pela segurança de cidadãos estrangeiros
em visita ou sediados no Brasil e, ao Comando do Exército, nos termos
do regulamento desta Lei, o registro e a concessão de porte de
trânsito de arma de fogo para colecionadores, atiradores e caçadores
e de representantes estrangeiros em competição internacional oficial
de tiro realizada no território nacional.

Quando, por exemplo, alguma autoridade estrangeira realiza alguma visita ao Brasil e
necessita que seus seguranças ingressem no país armados, a autorização do porte é de
competência do Ministério da Justiça.
No caso do o registro e concessão de porte de trânsito de arma de fogo para
colecionadores, atiradores e caçadores e de representantes estrangeiros em competição
internacional oficial de tiro realizada no território nacional, a competência é do Comando do
Exército.

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Ano: 2020 Banca: SELECON Órgão: Prefeitura de Boa Vista - RR Prova: Guarda Civil
Municipal
Teotônio é proprietário rural, atuando em área de pequeno porte onde habita com sua
família e colhe para subsistência. E com pequeno excesso de produção, atua vendendo os
produtos nas feiras próximas. Tendo em vista que não existem órgãos de segurança pública no
distrito onde exerce a agricultura, requer autorização para portar arma. Nos termos do estatuto
do desarmamento, aos residentes em áreas rurais, maiores de vinte e cinco anos, que
comprovem depender do emprego de arma de fogo para prover sua subsistência alimentar
familiar será concedido pela Polícia Federal o porte de arma de fogo, comprovados os requisitos
legais, na categoria caçador para subsistência.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: Os critérios previstos para a concessão do porte para caçador
para subsistência são encontrados no Art. 6º, § 5º, dentre eles, ser maior de 25
anos, residente em área rural e comprovar que dependa de caçar para sobreviver.

Ano: 2013 Banca: CESPE Órgão: PRF Prova: Policial Rodoviário Federal
No que concerne ao abuso de autoridade e ao Estatuto do Desarmamento, julgue o item a
seguir.
Supondo que determinado cidadão seja responsável pela segurança de estrangeiros em
visita ao Brasil e necessite de porte de arma, a concessão da respectiva autorização será de
competência do ministro da Justiça.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Segundo o Art. 9º, compete ao Ministério da Justiça.
Art. 9º Compete ao Ministério da Justiça a autorização do porte de arma para os
responsáveis pela segurança de cidadãos estrangeiros em visita ou sediados no Brasil e,
ao Comando do Exército, nos termos do regulamento desta Lei, o registro e a concessão
de porte de trânsito de arma de fogo para colecionadores, atiradores e caçadores e de
representantes estrangeiros em competição internacional oficial de tiro realizada no
território nacional.

Ano: 2019 Banca: VUNESP Órgão: Prefeitura de Campinas - SP Prova: Guarda Municipal
Considere que Flora é ocupante de cargo de Guarda Municipal Feminino de um Município com
90 mil habitantes, que não integra nenhuma região metropolitana. Nessa situação hipotética, a Lei
Federal nº 10.826/2003 estabelece, expressamente, que Flora
a) não tem direito a usar arma de fogo em serviço.
b) tem direito a usar arma de fogo em serviço e fora dele.
c) não pode usar arma de fogo por ocupar cargo de Guarda Feminino.
d) tem direito a usar arma de fogo em serviço.
e) deve usar a sua arma de fogo particular quando em serviço.
Gabarito: D
Comentário: Apesar da recente decisão do STF, a lei não foi mudada e ainda
estabelece – expressamente – que é proibido o porte de arma de fogo em todo o
território nacional, salvo para os casos previstos em legislação própria e para os
integrantes das guardas municipais dos Municípios com mais de 50.000 (cinquenta
mil) e menos de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, quando em serviço.

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DOS CRIMES E DAS PENAS


OBJETO MATERIAL
Em regra, os crimes do Estatuto do Desarmamento possuem como objeto material:
- arma de fogo;
- acessório;
- munição.
Há 2 crimes no Estatuto do Desarmamento que não possuem como objeto
material a arma, acessório ou munição de forma alternativa.
O crime de Omissão de Cautela (Art. 13, caput) tem como objeto material
apenas a arma de fogo.
O crime de Disparo de Arma de Fogo (Art. 15) possui como objeto material a
arma de fogo e a munição, não incluindo o acessório.

ARMA DE FOGO
Uma arma de fogo é um tipo de arma capaz de disparar um ou mais projéteis em alta
velocidade por meio de uma ação pneumática provocada pela expansão de gases resultantes da
queima de um propelente de alta velocidade
O aluno deve ter conhecimento da jurisprudência acerca das peculiaridades existentes
dos objetos materiais. Tenham bastante atenção.
Arma DESMUNICIADA ou DESMONTADA:
Para a configuração dos crimes, é considerada objeto material a arma de fogo
independentemente de estar carregada ou montada. Assim, até mesmo a arma desmontada é
considerada objeto material.
Este Superior Tribunal de Justiça tem jurisprudência pacificada no sentido de que o
porte ilegal de arma de fogo desmuniciada ou desmontada configura hipótese de
perigo abstrato, bastando apenas a prática do ato de levar consigo para a
consumação do delito. Dessa forma, eventual nulidade do laudo pericial, ou até
mesmo a sua ausência, não impede o enquadramento da conduta.
STF (HC 119154/BA) e STJ (HC 248580/2014)
Ainda que a arma esteja desmuniciada e que não esteja gerando situação de perigo
real no momento é CRIME, pois o crime é de perigo abstrato.
STJ (1400337/2013) e STF(RHC 117566/2013)
HABEAS CORPUS. CONSTITUCIONAL. PENAL. ARTIGO 14 DA LEI 10.826/03. PORTE
ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO. ARMA DESMUNICIADA. TIPICIDADE
DA CONDUTA. PRECEDENTES. ORDEM DENEGADA.
O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é de mera conduta e de
perigo abstrato, consumando-se independentemente da ocorrência de efetivo
prejuízo para a sociedade, sendo que a probabilidade de vir a ocorrer algum dano é
presumida pelo tipo penal. (...) É irrelevante para a tipificação do art. 14 da Lei
10.826/03 o fato de estar a arma de fogo municiada (...).
STF, HC 107.447/ES, 03.06.2011

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Realização de PERÍCIA na arma:


O exame pericial é DISPENSÁVEL e PRESCINDÍVEL para a comprovação do porte ou posse.
A falta do exame pericial pode ser suprida por outros meios de prova.
Por ser um crime de perigo abstrato, é dispensável, para a sua configuração, a realização
de exame pericial a fim de atestar a potencialidade lesiva da arma de fogo apreendida.
O posicionamento perfilhado pelo Tribunal de origem coaduna-se com a
jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, que é no sentido de que o crime
previsto no art. 14 da Lei n. 10.826/2003 é de perigo abstrato, sendo
desnecessário perquirir sobre a lesividade concreta da conduta, porquanto
o objeto jurídico tutelado não é a incolumidade física, e sim a segurança
pública e a paz social, colocadas em risco com a posse da arma de fogo, ainda que
desprovida de munição, revelando-se despicienda a comprovação do potencial
ofensivo do artefato através de laudo pericial.
STJ, Quinta Turma, 23/10/2018

Laudo pericial REALIZADO:


É importante ficar atento, porém, ao detalhe: mesmo sendo crime de perigo abstrato, se a
arma de fogo for apreendida, periciada, e se for constatada a sua inaptidão para disparo, então
o fato será ATÍPICO. Deve existir o vínculo ao laudo pericial quando houver.

DIREITO PENAL. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO E CONCEITO TÉCNICO DE ARMA


DE FOGO.
Não está caracterizado o crime de porte ilegal de arma de fogo quando o
instrumento apreendido sequer pode ser enquadrado no conceito técnico de
arma de fogo, por estar quebrado e, de acordo com laudo pericial,
totalmente inapto para realizar disparos.
Informativo 544/STJ:
Demonstrada por laudo pericial a inaptidão da arma de fogo para o disparo, é atípica
a conduta de portar ou de possuir arma de fogo, diante da ausência de afetação do
bem jurídico incolumidade pública, tratando-se de crime impossível pela ineficácia
absoluta do meio.
Jurisprudência em teses/STJ n.º 108/18

Apesar de ser dispensável, caso a perícia tenha sido realizada e o laudo pericial
confeccionado atestar a incapacidade de produzir disparos (arma inapta), ele será vinculado e
tornará o fato atípico.

Não está caracterizado o crime de porte ilegal de arma de fogo quando o instrumento
apreendido sequer pode ser enquadrado no conceito técnico de arma de fogo, por
estar quebrado e, de acordo com laudo pericial, totalmente inapto para realizar
disparos
397.473/DF, 19.08.2014, Informativo 544
STJ 15.09.2015, Informativo 570.

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Arma com REGISTRO VENCIDO


Fato atípico
INFORMATIVO 572 do STJ - Atipicidade da conduta de posse ilegal de arma de
fogo de uso permitido com registro vencido.

Arma de brinquedo
Atualmente, portar ou possuir arma de brinquedo é fato atípico, restringindo-se à seara
de infração administrativa.
Mesmo assim, o Estatuto veda a comercialização de armas de brinquedo em seu Art. 26:
Art. 26. São vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a
importação de brinquedos, réplicas e simulacros de armas de fogo,
que com estas se possam confundir.
Parágrafo único. Excetuam-se da proibição as réplicas e os
simulacros destinados à instrução, ao adestramento, ou à coleção de
usuário autorizado, nas condições fixadas pelo Comando do Exército.
São vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos,
réplicas e simulacros de armas de fogo, que com estas se possam confundir (Art. 26). Esta regra
tem exceções, quando a réplica ou simulacro se destina à instrução, a adestramento, ou à
coleção de usuário autorizado.

Arma de Pressão ou “Chumbinho”


Não são consideradas armas de fogo para o Estatuto do Desarmamento e não são objetos
materiais.
Não se esqueça, porém, de que o uso de simulacro de arma de fogo ou arma
de brinquedo configura a elementar “ameaça”, caracterizadora do crime de roubo
(Art.157, caput do CP), mas não uma causa de aumento de pena do Art.157, §2º.

ACESSÓRIO
São quaisquer objetos que, acoplados à arma:
- Melhoram o seu funcionamento ou precisão (melhoram o desempenho) (ex.:
luneta, mira a laser etc.);
- Modificam o efeito secundário do tiro (ex.: silenciador);
- Alteram o aspecto visual da arma.

Não são consideradas acessórias partes isoladas da arma (cano, cabo etc.),
nem objetos que não alteram o funcionamento da arma (coldre, por exemplo).

MUNIÇÃO
Munição é o projétil a ser disparado de uma arma de fogo, incluindo o cartucho, que é um
tubo oco, geralmente de metal, com um propelente no seu interior; na sua parte aberta fica
preso o projétil e na sua base encontra-se o elemento de iniciação. Em casos isolados, os
Tribunais têm admitido a aplicação do Princípio da Insignificância em casos de apreensão de
munição desacompanhadas da arma de fogo.

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PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
Princípio da Insignificância
A apreensão de ÍNFIMA QUANTIDADE de munição desacompanhada de arma de fogo,
excepcionalmente, a depender da análise do caso concreto, pode levar ao
reconhecimento de atipicidade da conduta, diante da ausência de exposição de risco
ao bem jurídico tutelado pela norma.
STF, 13/11/2017; STJ n.º 108/2018

MUNIÇÃO USADA COMO CHAVEIRO OU COLAR


Munição usada como chaveiro ou colar:
A natureza do projétil é descaracterizada mediante a utilização em obra de
arte ou para confecção de chaveiro, colar etc.
STJ, 16/05/2017

BENS JURÍDICOS PROTEGIDOS


Objeto jurídico imediato: segurança coletiva (Segurança Pública e incolumidade
pública).
Objetos jurídicos mediatos/secundários: vida, saúde, patrimônio, incolumidade
física.

ELEMENTO SUBJETIVO
Os crimes do Estatuto do Desarmamento são, em regra, praticados de forma dolosa.
A exceção é justamente o único crime culposo do Estatuto do Desarmamento – o crime de
Omissão de Cautela (Art. 13, caput), que possui como elemento subjetivo a culpa.

AÇÃO PENAL

NATUREZA JURÍDICA DOS CRIMES DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO


É majoritário o entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de
Justiça segundo o qual os crimes do Estatuto do Desarmamento são de perigo abstrato ou
presumido, significando que sua ofensividade já está presumida na própria lei. Ou seja, para
que exista o crime, não há necessidade de uma situação real de perigo para alguém.
Assim, todos os crimes do Estatuto do Desarmamento são de perigo abstrato.

Os crimes previstos na Lei de Armas são crimes de perigo abstrato, em que


se presume a potencialidade lesiva, razão pela qual é dispensável a análise a respeito
da potencialidade lesiva da arma ou da munição apreendida, tampouco a
demonstração de perigo concreto à sociedade.
STJ, 07/08/2017.

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Ano: 2019 Banca: CESPE Órgão: DPE-DF Prova: Defensor Público
A respeito dos delitos tipificados na legislação extravagante, julgue o item a seguir,
considerando a jurisprudência dos tribunais superiores.
O porte de arma de fogo sem autorização e em desacordo com determinação legal ou
regulamentar, ainda que a arma esteja desmuniciada ou comprovadamente inapta a realizar
disparos, configura delito de porte ilegal de arma de fogo.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Vimos que a arma comprovadamente inapta para produzir
disparos configura crime impossível por ineficácia absoluta do meio.

Ano: 2019 Banca: MPE-SC Órgão: MPE-SC Prova: MPE-SC - Promotor de Justiça
O crime de porte de arma de fogo (Art. 14 da Lei n. 10.826/2003) é um crime de perigo
concreto.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: É majoritário o entendimento do Supremo Tribunal Federal e do
Superior Tribunal de Justiça segundo o qual os crimes do Estatuto do Desarmamento
são de perigo abstrato ou presumido, significando que sua ofensividade já está
presumida na própria lei. Ou seja, para que exista o crime não há necessidade de
uma situação real de perigo para alguém.

Ano: 2019 Banca: CESPE Órgão: TJ-PA Prova: Juiz de Direito Substituto.
Considerando o entendimento sumulado e a jurisprudência do STJ acerca da
interpretação da Lei n.º 10.826/2003, que dispõe sobre o registro, a posse e a comercialização
de armas de fogo e munição, assinale:
A inaptidão de arma de fogo para efetuar disparos, ainda que comprovada por laudo
pericial, não é excludente de tipicidade.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Vimos que a arma comprovadamente inapta para produzir
disparos configura crime impossível por ineficácia absoluta do meio.

Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: PC-SE Prova: CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia
Julgue o item seguinte, referente a crimes de trânsito e a posse e porte de armas de fogo,
de acordo com a jurisprudência e legislação pertinentes.
O porte de arma de fogo de uso permitido sem autorização, mas desmuniciada, não
configura o delito de porte ilegal previsto no Estatuto do Desarmamento, tendo em vista ser um
crime de perigo concreto cujo objeto jurídico tutelado é a incolumidade física.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Como vimos, não importa se a arma a estiver municiada ou
desmuniciada, ela funcionará como objeto material do crime. O outro erro da questão
está em afirmar que o objeto jurídico tutelado seria a incolumidade física, mas vimos
que é a incolumidade pública.

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Ano: 2015 Banca: CESPE Órgão: MPU Prova: Técnico do MPU


Com referência ao Estatuto do Desarmamento, julgue o item subsecutivo.
Se uma pessoa for flagrada portando um punhal que tenha mais de 12 cm e dois gumes,
ela poderá responder pelo crime de porte ilegal de arma, previsto no Estatuto do
Desarmamento.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Punhal não se enquadra como objeto material do Estatuto do
Desarmamento. Arma branca não tipifica os crimes do Estatuto, e sim arma de fogo.

Ano: 2015 Banca: CESPE Órgão: DPE-PE Prova: Defensor Público


Tales foi preso em flagrante delito quando transportava, sem autorização legal ou
regulamentar, dois revólveres de calibre 38 desmuniciados e com numerações raspadas.
Acerca dessa situação hipotética, julgue o item que se segue, com base na jurisprudência
dominante dos tribunais superiores relativa a esse tema.
O fato de as armas apreendidas estarem desmuniciadas não tipifica o crime de posse ou
porte ilegal de arma de fogo de uso restrito em razão da total ausência de potencial lesivo da
conduta.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: errado
Comentário: Como vimos, não importa se a arma estiver municiada ou
desmuniciada, ela funcionará como objeto material do crime.

Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: PC-MA Prova: Delegado de Polícia Civil
De acordo com o entendimento da doutrina e dos tribunais superiores sobre o Estatuto
do Desarmamento, especialmente quanto às armas de fogo, o porte de arma de fogo de uso
permitido com a numeração raspada equivale penalmente ao porte de arma de fogo de uso
restrito.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: Hipótese prevista no Art. 16, Inciso IV.
Parágrafo 1º. Nas mesmas penas incorre quem:
IV – Portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com
numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou
adulterado.

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CRIMES EM ESPÉCIE
Por questões didáticas, iremos estudar os crimes na sequência abaixo:

Omissão de Cautela – Art. 13


Disparo de arma de fogo – Art. 15
Comércio Ilegal de arma de fogo – Art. 17
Tráfico internacional de armas – Art. 18

ART. 12. POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO


PERMITIDO
Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório
ou munição, de uso permitido, em desacordo com determinação
legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou
dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que
seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou
empresa.
Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

CONDUTA TÍPICA
A conduta tipificada no Art.1 2 é a de possuir ou manter a arma/acessório/munição, de
uso permitido na SUA CASA (interior, dependências) ou LOCAL DE TRABALHO (titular ou
responsável legal), porém SEM O REGISTRO no órgão competente.
Obs.: Não se exige a propriedade da arma, basta a “posse” ou “guarda”, estando
configurado o crime o agente que possuir, por exemplo, a arma de calibre permitido em sua
residência sem o certificado de registro, mesmo que a propriedade da arma não esteja
vinculada a ele.

ELEMENTO ESPACIAL DO TIPO PENAL


Conforme já visto anteriormente, o registro da arma no órgão competente autoriza seu
proprietário a mantê-la - exclusivamente - no interior de sua residência, domicílio ou
dependência, ou, ainda, no seu local de trabalho (ele deve ser o titular ou o responsável legal
pelo estabelecimento ou empresa).

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Arma encontrada em boleia de caminhão


O STJ entendeu que o transporte da arma na boleia configurava PORTE, e não
POSSE, já que a boleia não seria casa para estes fins. Vejamos:
1. O caminhão é instrumento de trabalho do motorista, assim como, mutatis
mutandis, a espátula serve ao artesão. Portanto, não pode ser considerado extensão
de sua residência, nem local de seu trabalho, mas apenas um meio físico para se
chegar ao fim laboral.
2. Arma de fogo apreendida no interior da boleia do caminhão tipifica o delito
de porte ilegal de arma (Art. 14 da Lei n. 10.826/2003).
(…)
PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. INTERIOR DE CAMINHÃO. CONFIGURAÇÃO DO
DELITO TIPIFICADO NO ART. 14 DA LEI 10.826/2003.
1. Configura delito de porte ilegal de arma de fogo se a arma é apreendida no
interior de caminhão.
2. O caminhão não é um ambiente estático, não podendo ser reconhecido como
local de trabalho.
(REsp 1219901/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA
TURMA, julgado em 24/04/2012, DJe 10/05/2012)

SUJEITO ATIVO
O crime do Art. 12 é comum, ou seja, pode ser praticado por qualquer pessoa.

SUJEITO PASSIVO
O sujeito passivo do delito é a coletividade. Trata-se, portanto, de crime vago.

CONSUMAÇÃO
O crime se consuma no momento que o objeto material entra na residência ou no
estabelecimento comercial. Trata-se de crime permanente e de mera conduta (sem
modificação no mundo exterior) em que a prisão em flagrante é possível enquanto não cessada
a conduta. Mesmo de difícil acontecimento, a tentativa é possível.
OBJETO MATERIAL
Armas (de uso permitido)

Acessório:
Como já vimos, acessórios são quaisquer objetos que, acoplados à arma, melhoram
o desempenho, modificam o efeito secundário do tiro ou alteram o aspecto visual da
arma.

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Munição
Princípio da Insignificância
A apreensão de ÍNFIMA QUANTIDADE de munição desacompanhada de arma de fogo,
excepcionalmente, a depender da análise do caso concreto, pode levar ao
reconhecimento de atipicidade da conduta, diante da ausência de exposição de risco
ao bem jurídico tutelado pela norma.
STF, 13/11/2017; STJ n.º 108/2018

Única Conduta, porém, várias armas: Crime único.

ART. 14 – PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO


Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito,
transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter,
empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou
munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 2 a 4 anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo
quando a arma de fogo estiver registrada em nome do agente.

Trata-se de um tipo misto alternativo, ou seja, um crime de conduta múltipla ou variada


(plurinuclear). A prática de várias condutas no mesmo contexto fático, portanto, configura um
crime único. Condutas em contextos fáticos diferentes configura concurso de crimes.

CONDUTA TÍPICA
Embora a denominação legal do delito seja “Porte Ilegal de arma de fogo de uso
permitido”, é fácil notar que o texto legal possui abrangência muito maior, já que existem outras
inúmeras condutas típicas.
As ações nucleares são portar, deter, adquirir, ter em deposito, receber, ceder,
transportar, entre outras.
SUJEITO ATIVO
O crime do Art. 16 é comum, ou seja, pode ser praticado por qualquer pessoa.
SUJEITO PASSIVO
O sujeito passivo do delito é a coletividade. Trata-se, portanto, de crime vago.
CONSUMAÇÃO
O crime se consuma quando o agente realiza as condutas típicas sem autorização ou em
desacordo com determinação legal. É um crime de mera conduta.
Como exemplo, imaginemos a situação em que um indivíduo que possui ilegalmente uma
arma de uso permitido resolve sair de casa e ir ao shopping. Como não possui o respectivo
porte, o crime de porte ilegal do Art. 14 estará caracterizado. Caso o mesmo indivíduo não tenha
o CRAF e seja encontrado em casa, ele responderá pelo Art. 12 (Posse Ilegal de arma). Caso
esteja fora desse elemento especial (casa ou local de trabalho em que seja representante legal,
por exemplo), responderá pelo Art. 14.
Trata-se de um crime de ação múltipla (tipo misto alternativo) em que a realização de
mais de uma conduta típica em relação ao mesmo objeto material configura crime único.
Em alguns verbos admite-se a tentativa (ex.: tentativa de aquisição de arma de fogo).

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OBJETO MATERIAL

Arma sem munição (descarregada): Crime.


Arma Desmontada: Crime.

INCONSTITUCIONALIDADE DO PARÁGRAFO ÚNICO


O crime previsto neste artigo é inafiançável
O Tribunal, por maioria, julgou procedente, em parte, a ação para declarar a
inconstitucionalidade dos parágrafos únicos dos artigos 014 e 015 e do artigo 021
da Lei nº 10826, de 22 de dezembro de 2003.
Plenário, 02.05.2007.
Acórdão, DJ 26.10.2007.

VAMOS VER COMO FOI COBRADO EM PROVA!


Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: PC-SE Prova: CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia
Julgue o item seguinte, referente a crimes de trânsito e a posse e porte de armas de fogo,
de acordo com a jurisprudência e legislação pertinentes.
Situação hipotética: Um policial militar reformado foi preso em flagrante delito por portar
arma de fogo de uso permitido, sem autorização legal e sem o devido registro do armamento.
Assertiva: Nessa situação, a autoridade policial não poderá conceder fiança, porquanto o
Estatuto do Desarmamento prevê que o fato de a arma não estar registrada no nome do agente
torna inafiançável o delito.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: O Tribunal, por maioria, julgou procedente, em parte, a ação
para declarar a inconstitucionalidade dos parágrafos únicos dos artigos 014 e 015 e
do artigo 021 da Lei nº 10826, de 22 de dezembro de 2003.
Plenário, 02.05.2007.
Acórdão, DJ 26.10.2007.

Ano: 2014 Banca: CESPE Órgão: Câmara dos Deputados Prova: Analista Legislativo
Julgue o seguinte item, acerca de crimes relacionados a arma de fogo e à propriedade
industrial.
Se um indivíduo que não possua porte de arma de fogo transportar, a pedido de um amigo
que possua o referido porte, munição de uma arma de fogo e, estando sozinho nessas
circunstâncias, for encontrado pela polícia, tal fato configurará crime previsto em lei.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: A autorização para o porte ou a posse é personalíssima e
intransferível.

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ART. 16, CAPUT – POSSE OU PORTE DE ARMA DE FOGO DE USO


PROIBIDO OU RESTRITO
Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em
depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar,
remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo,
acessório ou munição de uso restrito, sem autorização e em
desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 3 a 6 anos, e multa.

Iniciamos o nosso estudo do Art. 16 com a informação de que se trata de um crime


hediondo e que teremos atualização decorrida do Pacote Anticrime.
Inicialmente vamos contextualizar a diferença entre o crime do Art. 14 e Art. 16.
Quando a arma de fogo é de uso restrito ou proibido, o crime do Art. 16 vale tanto para
a posse ilegal como também para o porte ilegal.
Por outro lado, quando a arma de fogo é de uso permitido, a posse ilegal caracteriza o
delito do Art. 12, enquanto o porte ilegal acarreta o delito do Art. 14.
Desse modo, contemplamos que o Art. 16 está punindo tanto a posse quanto o porte de
arma proibida ou restrita.

PACOTE ANTICRIME
Na redação anterior, realizar as condutas descritas no caput tanto com arma de calibre
restrito quanto com arma de calibre proibido tinham a mesma pena, o mesmo preceito
secundário (reclusão, de 3 a 6 anos, e multa).
Com a publicação da Lei nº 13.964/2019, o legislador majorou o preceito secundário das
condutas quando elas forem realizadas com armas de uso proibido, passando para reclusão
de 4 a 12 anos.

CONDUTA TÍPICA
Este tipo também descreve múltiplas condutas (13 verbos típicos), de modo que a prática
de mais de uma delas, pelo mesmo agente, dentro do mesmo contexto fático, configurará o
cometimento de um único crime (ou seja, o agente não responderá pelo concurso de crimes).
O Art.16 pune tanto a posse quanto o porte de arma proibida ou restrita. Ou seja, ter uma
arma proibida em casa ou andar com uma arma proibida pelas ruas configura o mesmo crime.
A conduta típica nada mais é que realizar os verbos do tipo com o determinado elemento
normativo do tipo: Sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar.

SUJEITO ATIVO
O crime do Art. 16 é comum, ou seja, pode ser praticado por qualquer pessoa.

SUJEITO PASSIVO
O sujeito passivo do delito é a coletividade. Trata-se, portanto, de crime vago.

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CONSUMAÇÃO
O crime se consuma quando o agente realiza as condutas típicas sem autorização ou em
desacordo com determinação legal. É um crime de mera conduta. A tentativa é, em tese,
possível, como por exemplo, tentar adquirir arma de fogo de uso restrito.

OBJETO MATERIAL

Arma sem munição (descarregada): Crime


Arma Desmontada: Crime!

NATUREZA HEDIONDA
Lei nº 13.497, de 26 de outubro de 2017.
Altera a Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, para incluir o crime de posse ou porte
ilegal de arma de fogo de uso restrito no rol dos crimes hediondos.

OBJETIVIDADE JURÍDICA
O bem jurídico tutelado é a incolumidade pública, especificamente a segurança pública.

BEM JURÍDICO
Segundo o STF, o bem jurídico tutelado pelo Art. 16, além da PAZ e SEGURANÇA
PÚBLICAS, também protege a SERIEDADE DOS CADASTROS DO SISTEMA NACIONAL DE
ARMAS.
Essa informação possui uma relevância imensa em virtude da possibilidade ou não da
aplicação do Princípio da Consunção e concurso de crimes.
Exemplo: CONCURSO DE CRIMES – ART. 14 x ART. 16.
Caso concreto: Indivíduo encontrado com munições de arma permitida (.38) e possuía
arma de fogo com numeração raspada (calibre.38) – no mesmo contexto fático.

Conforme se depreende dos autos, Alberto, além das munições, possuía sob
sua guarda uma arma de fogo calibre 38, com numeração raspada
É assente, nesta Corte Superior, o entendimento de não ser possível a
aplicação do princípio da consunção entre os crimes previstos nos arts. 14 e
16 da Lei 10.826/2003, uma vez que o delito capitulado neste último tutela,
além da paz e segurança pública, os cadastros no Sistema Nacional de
Armas, resguardando bens jurídicos distintos, assistindo, no ponto, razão ao
órgão ministerial.
RECURSO ESPECIAL Nº 1.745.037 - MG (2018/0132570-0)

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AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PENAL E PROCESSO PENAL.


PORTE DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO E DE USO RESTRITO. DELITOS
DIVERSOS. ART. 14 E 16 DA LEI N. 10.826/2003. CRIME ÚNICO. IMPOSSIBILIDADE.
RECONHECIMENTO DE CONCURSO FORMAL. 1. A prática, em um mesmo
contexto fático, dos delitos tipificados nos artigos 14 e 16 da Lei n.
10.826/2003, configuram diferentes crimes porque descrevem ações
distintas, com lesões a bens jurídicos diversos, devendo ser somados em
concurso formal. 2. Agravo regimental improvido.
(AgRg no REsp 1588298 / MG, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS
MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 03/05/2016, DJe 12/05/2016)

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PORTE ILEGAL DE ARMAS DE


FOGO E MUNIÇÕES DE USO RESTRITO E PERMITIDO. ARTS. 14 E 16 DA LEI N.
10.826/03. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. BENS JURÍDICOS
DISTINTOS. I. As condutas de possuir arma de fogo e munições de uso permitido e
de uso restrito, apreendidas em um mesmo contexto fático, configuram concurso
formal de delitos. II. O art. 16 do Estatuto do Desarmamento, além da paz e
segurança públicas, também protege a seriedade dos cadastros do Sistema Nacional
de Armas, sendo inviável o reconhecimento de crime único, pois há lesão a bens
jurídicos diversos. III. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no REsp 1619960 / MG, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA
FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 27/06/2017, DJe 01/08/2017)

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
PENAL. HABEAS CORPUS. ART. 16 DA LEI 10.826/03. ATIPICIDADE DA CONDUTA. CRIME DE MERA
CONDUTA E DE PERIGO ABSTRATO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE EXCEPCIONAL.
PEQUENA QUANTIDADE DE MUNIÇÃO. MÍNIMA OFENSIVIDADE DA CONDUTA. ATIPICIDADE MATERIAL.
ORDEM CONCEDIDA.
1. A jurisprudência desta Corte é remansosa no sentido de que o delito previsto no Art. 16 da Lei nº
10.826/2003 tem como bem jurídico tutelado a incolumidade pública, sendo de mera conduta e de perigo
abstrato, bastando a posse/porte de arma ou munição, sem autorização devida, para tipificar a conduta.
Dessa forma, também se mostra irrelevante especular sobre a aplicação do princípio da insignificância.
2. Recentemente, no entanto, a Sexta Turma desta Corte, seguindo a linha jurisprudencial traçada pelo
Supremo Tribunal Federal no julgamento do RHC 143.449/MS, vem reconhecendo, excepcionalmente,
a atipicidade material da posse/porte de pequenas quantidades de munições,
desacompanhadas de arma de fogo, quando inexistente a potencialidade lesiva ao bem jurídico
tutelado. Ressalva do entendimento pessoal desta Relatora.
3. Na espécie, foram encontradas no porta-luvas do carro de propriedade do paciente apenas 04 (quatro)
munições, sendo 03 (três) de calibre.40 e 01 (uma) de calibre 9mm, desacompanhadas de artefato
belicoso a indicar o possível emprego imediato dos cartuchos. Deve-se, portanto, reconhecer a atipicidade
material, em razão da mínima ofensividade da conduta do agente.
4. Ordem concedida para absolver o paciente da prática do delito tipificado no Art. 16 da Lei n.
10.826/2003, com fundamento no art. 386, III, do Código de Processo Penal.
STJ HC 442036/SP 19/06/2018

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2ª Turma concede HC a policial aposentado condenado após ser flagrado com uma cápsula de
fuzil. Por unanimidade e com base no princípio da insignificância, a Segunda Turma do
Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu, nesta terça-feira (17), Habeas corpus (HC
154390) para reconhecer a atipicidade da conduta imputada a um policial civil aposentado,
condenado a 3 anos e 6 meses de reclusão por ter sido flagrado na posse de uma munição de
fuzil calibre 762.
O ministro Dias Toffoli explicou que o crime previsto no artigo 16 da Lei 10.826/2003, de
acordo com a jurisprudência, é crime de perigo abstrato, cuja consumação independe de
demonstração de sua potencialidade lesiva. Contudo, para o relator, a hipótese dos autos
permite que se afaste esse entendimento, uma vez que a conduta de manter a posse de uma
única munição não gera perigo para a sociedade, de modo a ofender o bem jurídico tutelado
pela norma penal.
STF (HC 154390) - 17 de abril de 2018

ART. 16. PARÁGRAFO 1º – CONDUTAS EQUIPARADAS


§ 1º Nas mesmas penas incorre quem:
I – Suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de
identificação de arma de fogo ou artefato;
II – Modificar as características de arma de fogo, de forma a
torná-la equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou
para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro
autoridade policial, perito ou juiz;
III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou
incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação
legal ou regulamentar;
IV – Portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de
fogo com numeração, marca ou qualquer outro sinal de
identificação raspado, suprimido ou adulterado;
V – Vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma
de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente;
VI – Produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou
adulterar, de qualquer forma, munição ou explosivo.
§ 2º Se as condutas descritas no caput e no § 1º deste artigo
envolverem arma de fogo de uso proibido, a pena é de reclusão, de 4
a 12 anos.

O parágrafo 1º do Art.16 apresenta tipos penais autônomos em relação ao caput. Por esta
razão, os incisos se referem não apenas às armas de uso RESTRITO, mas também às de uso
PERMITIDO. Porém, o parágrafo 2º trazido pelo Pacote Anticrime majora a pena em caso de
armas de uso proibido.

SUPRESSÃO OU ALTERAÇÃO DE SINAL DE IDENTIFICAÇÃO


I – Suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de
identificação de arma de fogo ou artefato;
A conduta do inciso I é praticada não só por aquele que raspa a numeração da arma,
mas também por quem dificulta sua identificação de qualquer outra forma
(raspando o emblema do fabricante, por exemplo).
Artefato também é objeto material.
Prejudica o esforço do Estado para exercer fiscalização e controle. Ex.: Granada.

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TRANSFORMAÇÃO PARA ARMA DE FOGO DE USO PROIBIDO OU PARA


INDUZIR EM ERRO A AUTORIDADE
II – Modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-
la equivalente a arma de fogo de uso restrito ou para fins de
dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial,
perito ou juiz;
Conduta 1: Modificar para torná-la equivalente a arma de fogo de uso proibido ou
restrito
O objeto material aqui é a arma permitida, pois apenas a arma permitida pode se
tornar proibida ou restrita.
Conduta 2: Modificar as características da arma para dificultar ou induzir a erro o
policial, juiz ou perito. Dolo Específico. Esse crime se sobrepõe ao crime de fraude
processual. Induzir a erro MP não há esse crime, apenas juiz, perito ou autoridade
A consumação se dá com a efetiva modificação da característica da arma de fogo.
Logo, será irrelevante que a alteração tenha conseguido ou não induzir as
autoridades a erro.
Princípio da especialidade - Esse crime é especial em relação ao crime de fraude
processual do Art. 347 do CP. Ou seja, esse inciso II é norma especial em relação ao
inciso 347 do CP.

POSSE, FABRICAÇÃO OU EMPREGO DE ARTEFATO EXPLOSIVO OU


INCENDIÁRIO
III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou
incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação
legal ou regulamentar;
O objeto material não é nem arma de fogo, nem acessório, nem munição; é artefato
explosivo ou incendiário. Ex.: dinamite, bomba de fabricação caseira etc.
Efetiva posse já é suficiente para consumar o crime, não havendo a necessidade da
aplicação do artefato.
Portar GRANADA DE GÁS LACRIMOGÊNIO OU DE PIMENTA NÃO CONFIGURA crime do
Estatuto do Desarmamento.
ESTATUTO DO DESARMAMENTO. DELITO TIPIFICADO NO ART. 16, PARÁGRAFO ÚNICO, III DA
LEI N. 10.826/2003. PORTE DE ARTEFATO EXPLOSIVO. GRANADA DE GÁS
LACRIMOGÊNIO/PIMENTA. INADEQUAÇÃO TÍPICA. A conduta de portar uma granada de
gás lacrimogênio e outra de gás de pimenta não se subsome ao delito previsto no
Art. 16, parágrafo único, III, da Lei n. 10.826/03.
STJ, 21/02/2017 (Info n. 599/STJ).
Não há discussão sobre a tipicidade do ato praticado por quem porta artefato explosivo. A
discussão está relacionada à definição de explosivo, e ao fato de essa definição alcançar ou
não as granadas de gás lacrimogênio e gás de pimenta. O Tribunal deu definição técnica para
o que seria um explosivo.
No entanto, não será considerado explosivo o artefato que, embora ativado por explosivo, não
projete e nem disperse fragmentos perigosos como metal, vidro ou plástico quebradiço, não
possuindo, portanto, considerável potencial de destruição .

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PORTE DE ARMA DE FOGO COM NUMERAÇÃO RASPADA


IV – Portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo
com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação
raspado, suprimido ou adulterado;
Não importa se é arma permitida ou proibida.
No inciso I é aplicado ao agente que altera materialmente os sinais de identificação da
arma.
No Inciso IV, punem-se as condutas posteriores à adulteração, como transportar,
adquirir, fornecer.

VENDA, ENTREGA OU FORNECIMENTO DE ARMA DE FOGO A CRIANÇA


OU ADOLESCENTE
V – Vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de
fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente;
A conduta, aqui, é dolosa, diferentemente do que ocorre no crime de omissão de
cautela (Art. 13).

A doutrina aponta que o inciso V do Art.16 derrogou o Art. 242 da Lei 8.069/90
(Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA), que tem a seguinte redação:
Art. 242. Vender, fornecer, ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma,
a criança ou adolescente arma, munição ou explosivo:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos
Como o inciso V do Art.16 trata apenas de arma de fogo, considera-se que somente
a entrega de ARMAS BRANCAS (facas, machados, canivetes etc.) à criança ou ao
adolescente é que configuraria o crime do Art.242 do ECA.
Se for ARMA DE FOGO, MUNIÇÃO, EXPLOSIVO ou ACESSÓRIO vale o Estatuto!
Se for ARMA BRANCA, vale o ECA!

PRODUÇÃO, RECARGA OU RECICLAGEM DE MUNIÇÃO OU EXPLOSIVO


VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou
adulterar, de qualquer forma, munição ou explosivo.
Legislador resolveu punir a produção, recarga, reciclagem de munição, atividades que
somente podem ser executadas com a devida autorização.
VAMOS VER COMO ISSO É COBRADO EM PROVA!
Ano: 2019 Banca: MPE-SC Órgão: MPE-SC Prova: MPE-SC - Promotor de Justiça
Se o objeto mediante o qual for praticado o crime de posse de arma de fogo for uma arma
de fogo com numeração suprimida pelo sujeito, ocorrerá um concurso formal de delitos entre
a posse e a supressão (Lei n. 10.826/2003).
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: como observamos ao estudarmos o Art. 16, § 1º, inciso IV, é
crime portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração,
marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado.
Assim, não há concurso de crimes, e sim, crime único.

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Ano: 2019 Banca: CESPE Órgão: TJ-PA Prova: Juiz de Direito


Considerando o entendimento sumulado e a jurisprudência do STJ acerca da
interpretação da Lei n.º 10.826/2003, que dispõe sobre o registro, a posse e a comercialização
de armas de fogo e munição, julgue o item a seguir.
O princípio da consunção aplica-se no caso de haver apreensão de armas de fogo e
munições de uso permitido e restrito em um mesmo contexto fático.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Segundo o STJ, o Art. 14 e o Art. 16 do Estatuto do
Desarmamento possuem bens jurídicos distintos e a prática, em um mesmo contexto
fático, dos delitos tipificados nos artigos 14 e 16 da Lei n. 10.826/2003, configuram
diferentes crimes porque descrevem ações distintas, com lesões a bens jurídicos
diversos, devendo ser somados em concurso formal.
(AgRg no REsp 1588298 / MG, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS
MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 03/05/2016, DJe 12/05/2016)
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PORTE ILEGAL DE ARMAS DE
FOGO E MUNIÇÕES DE USO RESTRITO E PERMITIDO. ARTS. 14 E 16 DA LEI N.
10.826/03. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. BENS JURÍDICOS
DISTINTOS. I. As condutas de possuir arma de fogo e munições de uso permitido e
de uso restrito, apreendidas em um mesmo contexto fático, configuram concurso
formal de delitos. II. O Art. 16 do Estatuto do Desarmamento, além da paz e
segurança públicas, também protege a seriedade dos cadastros do Sistema Nacional
de Armas, sendo inviável o reconhecimento de crime único, pois há lesão a bens
jurídicos diversos. III. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no REsp 1619960 / MG, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA
FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 27/06/2017, DJe 01/08/2017)

ART. 13 – OMISSÃO DE CAUTELA


Art. 13 Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que
MENOR DE 18 ANOS ou PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA
MENTAL se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que
seja de sua propriedade:
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.

Este tipo protege a sociedade contra acidentes decorrentes do manejo de arma de fogo
por menor de idade ou pessoa com deficiência mental.
CARACTERÍSTICAS E ELEMENTO SUBJETIVO DO CRIME
Crime omissivo, culposo (negligência ou imprudência) e de menor potencial ofensivo.

SUJEITO ATIVO
Crime comum.

SUJEITO PASSIVO
Menor de 18 anos ou deficiente mental.

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OBJETO MATERIAL
Qualquer tipo de arma de fogo (proibida ou permitida) Atenção: não estão incluídos os
acessórios e a munição. Deixar, portanto, culposamente acessório próximo a menor ou
deficiente mental é fato atípico.
CONSUMAÇÃO
A consumação ocorre com o apoderamento da arma pelo menor ou pelo portador de
deficiência mental, independentemente de gerar ou não algum perigo. O crime é material.
Ou seja: para sua consumação, não basta a falta de cuidado do agente em relação à guarda
da arma, mas sim que o menor/deficiente mental efetivamente se apodere da mesma.
Exemplo: Pai chega em casa e deixa arma em cima da mesa, sem nenhuma proteção e vai
dormir. O filho menor de 18 anos chega em casa e vê a arma. Contudo, sequer a toca, já que
sempre foi orientado acerca do perigo que tal objeto representa. Nessa situação, o crime não se
consumou, já que não houve o apoderamento de arma de fogo pelo menor. O fato, portanto,
será atípico.
Não é possível a tentativa.
Não se exige qualquer relação jurídica entre o sujeito ativo e o sujeito passivo.
Se o agente entrega a arma propositalmente a uma criança? Comete crime de PORTE
ILEGAL.
Há o crime mesmo com menor emancipado.
O tipo penal não tutela pessoa com necessidades especiais FÍSICAS.

CONCURSO DE CRIMES
Responde exclusivamente pelo Art. 13, caput, apenas se o sujeito ativo tiver a arma legal,
pois, em caso de arma ilegal, responderá, conforme o caso, em concurso material, com o Art. 12
ou Art. 14 ou Art. 16.

ART. 13 – OMISSÃO DE CAUTELA – PARÁGRAFO ÚNICO


Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou
diretor responsável de empresa de segurança e transporte de valores
que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à
Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de
arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas
primeiras 24 horas depois de ocorrido o fato.
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.

SUJEITO ATIVO
Crime próprio. Só pode o crime ser praticado por empresário de segurança ou
empresa de transporte de valores.

SUJEITO PASSIVO
É o estado que fica prejudicado no dever de controlar as armas de fogo no Brasil.
Duplo dever de comunicação:
Dever de registrar ocorrência
2. Dever de comunicar à PF.
A falta de qualquer uma das comunicações já confirma o crime.

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OBJETO MATERIAL
São objeto material do delito armas de fogo, acessórios ou munições.
Não há especificação de arma permitida ou restrita.

ELEMENTO SUBJETIVO
É unânime o entendimento segundo o qual o crime do Art. 13, parágrafo único, é
doloso.
CONSUMAÇÃO
Crime a Prazo
Segundo a lei, a consumação só se dá após 24 horas depois de ocorrido o fato. A
doutrina, porém, assegura que a consumação se dá 24 horas da ciência do fato.
PEGADINHA!
Aos crimes de posse irregular de arma de fogo de uso permitido (Art.12) e de omissão
de cautela (Art.13) são cominadas penas de detenção.
A todos os demais crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, a pena cominada
é reclusão.

Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: ABIN Prova: Agente de Inteligência


Ainda conforme o disposto no Estatuto do Desarmamento, julgue o próximo item.
Comete crime o agente que deixa de observar as cautelas necessárias para impedir que
menor de dezoito anos de idade se apodere de arma de fogo que esteja sob a sua posse, ainda
que não haja consequências graves.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: O crime do art; 13 do Estatuto do Desarmamento pune culposa
e omissiva do agente que deixa de tomar as cautelas necessárias para evitar que
menor de 18 anos ou deficiente mental se apodere de arma de fogo. O crime se
consuma quando o menor de 18 anos ou deficiente mental se apoderam da arma de
fogo, independentemente de consequências.

Ano: 2012 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal Provas: Agente da Polícia Federal
À luz da lei dos crimes ambientais e do Estatuto do Desarmamento, julgue o item seguinte.
Responderá pelo delito de omissão de cautela o proprietário ou o diretor responsável de
empresa de segurança e transporte de valores que deixar de registrar ocorrência policial e de
comunicar à Polícia Federal, nas primeiras vinte e quatro horas depois de ocorrido o fato, a
perda de munição que esteja sob sua guarda.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: É responsabilidade do proprietário ou diretor responsável de
empresa de segurança de registrar a ocorrência e comunicar à PF perda, furto, roubo
ou extravio de arma, acessório ou munição. Caso não faça, incorrerá no crime de
Omissão de Cautela, parágrafo único.

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ART. 15 – DISPARO DE ARMA DE FOGO


Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar
habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela,
desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro
crime (trata-se de crime subsidiário):
Pena – reclusão, de 2 a 4 anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável

SUJEITO ATIVO
Crime Comum. Pode ser sujeito ativo do crime mesmo aquele que tenha o porte legal
de arma.

SUJEITO PASSIVO
Coletividade.
CONDUTAS
Duas condutas são mencionadas no tipo penal:
a) disparar arma de fogo;
b) acionar munição, sem que ocorra o disparo (ex.: falha da munição).
ELEMENTO ESPACIAL
(...) em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em
direção a ela.
OBS: se a conduta ocorrer em local ermo, desabitado, não há o crime.
Não é necessário que a conduta gere perigo real a alguém, ainda que o elemento espacial
exija que seja praticado o delito em lugar habitado, em suas adjacências ou em via pública ou
em direção a ela.
ELEMENTO SUBJETIVO
O elemento subjetivo é o dolo. O disparo acidental, portanto, não configura crime.

CONSUMAÇÃO
A consumação ocorre com o mero disparo ou acionamento da munição (crime de mera
conduta).

SUBSIDIARIEDADE EXPRESSA

A configuração do delito só existirá caso não exista crime mais grave. Caso o
disparo/acionamento tenha por finalidade a prática de outro crime, aplica-se o princípio da
consunção, ficando o crime menos grave (no caso, o disparo do Art.15) absorvido pelo de maior
gravidade.
Exemplo: “A”, desejando matar “B”, efetua contra este disparo certeiro de arma de fogo,
consumando o homicídio. Nessa situação, “A” responderá apenas pelo homicídio. O disparo de
arma de fogo (crime menos grave) será absorvido pelo homicídio.

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INCONSTITUCIONALIDADE
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável
CONCURSO DE CRIMES
Disparo + Porte Ilegal (Art. 14) – Princípio da Consunção
Pelo mesmo raciocínio, o crime do Art.15 (disparo) absorve o crime de porte ilegal
de uso permitido (Art.14). Afinal, o porte é um meio para que se possa disparar a
arma (crime-fim).
APELAÇÃO CRIMINAL - PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO E
DISPARO DE ARMA DE FOGO - PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO - APLICAÇÃO – (...).
Para se efetuar disparo de arma de fogo em local habitado, primeiro é necessário
portar a arma, constituindo-se, assim, o porte, crime-meio para o disparo e, sendo
este crime mais grave, deve absorver aquele, delito menos grave, em observância
ao princípio da consunção.
TJ-MG, 16/03/2016

Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal Provas: Perito Criminal Federal
Em cada item que segue, é apresentada uma situação hipotética, seguida de uma assertiva
a ser julgada.
Samuel disparou, sem querer, sua arma de fogo em via pública. Nessa situação, ainda que
o disparo tenha sido de forma acidental, culposamente, Samuel responderá pelo crime de
disparo de arma de fogo, previsto no Estatuto do Desarmamento.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: O disparo de arma de fogo possui como elemento subjetivo o
dolo. Não é punível a modalidade culposa.

Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: ABIN Prova Agente de Inteligência


Ainda conforme o disposto no Estatuto do Desarmamento, julgue o próximo item.
O mero disparo de arma de fogo nas adjacências de lugar habitado é crime punido com
reclusão, estando seu autor sujeito a um aumento de pena se for integrante dos órgãos
elencados na lei.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: O crime de disparo de arma de fogo – Art. 15 do Estatuto do
Desarmamento – configura-se com o disparo arma de fogo ou acionamento de
munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a
ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime. No
Art. 20 que a pena é aumentada da metade se forem praticados por integrante dos
órgãos e empresas referidas nos Arts. 6º, 7º e 8º da Lei.

Ano: 2016 Banca: MPE-SC Órgão: MPE-SC Prova: Promotor de Justiça – Matutina
O tipo penal do Art. 15 da Lei n. 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento) prevê pena de
reclusão e multa para a conduta de disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar
habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, apresentando, contudo,
uma ressalva que caracteriza ser o crime referido de natureza subsidiária, qual seja, desde que
as condutas acima referidas não tenham como finalidade a prática de outro crime.
Certo ( ) Errado ( )

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Gabarito: Certo
Comentário: A questão é praticamente a transcrição do Art. 15 do Estatuto do
Desarmamento. É um crime subsidiário. Caso o disparo tenha a finalidade a prática
de outro crime, não será o crime do Art. 15.
Podemos dizer que a segunda parte do tipo - desde que essa conduta não tenha
como finalidade a prática de outro crime - homenageia o princípio da subsidiariedade
(na modalidade expressa) como forma de solução do conflito aparente de normas.

Ano: 2014 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal Prova: Agente Administrativo
Considere que, em uma briga de trânsito, Joaquim tenha sacado uma arma de fogo e
efetuado vários disparos contra Gilmar, com a intenção de matá-lo, e que nenhum dos tiros
tenha atingido o alvo. Nessa situação, Joaquim responderá tão somente pela prática do crime
de disparo de arma de fogo.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Vimos que o crime do Art. 15 é subsidiário. Caso o disparo tenha
como finalidade a prática de outro crime, não será o crime do Art. 15. No caso da
questão, o disparo foi para matar. Dessa forma, responderá por crime tentado, ou
seja, tentativa de homicídio.

Ano: 2019 Banca: IADES Órgão: SEAP-GO Prova: Agente de Segurança Prisional
Em certo domingo, J. M. S., com vontade livre e consciente, sacou a própria arma,
devidamente registrada, e efetuou disparos de arma de fogo, por diversão, nas proximidades
da feira permanente de sua cidade. A ação ocorreu por volta de 10 horas, exatamente no
momento em que J. M. S. passava de carro pela avenida central, em sentido à rodoviária. Nessa
situação hipotética, ele responderá por

Gabarito: C.
Comentário: Vimos que o crime do Art. 15 é subsidiário. Caso o disparo tenha
a finalidade a prática de outro crime, não será o crime do Art. 15. No caso da questão,
o disparo foi por diversão e a conduta não tinha nenhum animus em relação a J.M.S.

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ART. 17 – COMÉRCIO ILEGAL DE ARMA DE FOGO, ACESSÓRIO


OU MUNIÇÃO
Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter
em depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor
à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio,
no exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo,
acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:

§ 1º. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito


deste artigo, qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou
comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência.
pena - reclusão, de 6 a 12 anos, e multa.

§ 2º Incorre na mesma pena quem vende ou entrega arma de fogo,


acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com a
determinação legal ou regulamentar, a agente policial disfarçado,
quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta
criminal preexistente.

PACOTE ANTICRIME
Iniciamos o estudo deste crime trazendo as mudanças decorrentes do Pacote Anticrime
que, além tornar o crime hediondo e de modificar o preceito secundário do Art. 17 caput
(reclusão de 4 a 8 anos para reclusão de 6 a 12 anos), acrescentou o parágrafo 2º, trazendo a
figura do agente disfarçado.

SUJEITO ATIVO
Só pode ser comerciante ou industrial, legal ou ilegal, de arma de fogo, acessório ou
munição. Trata-se, portanto, de crime próprio. Observar que o parágrafo único equipara
algumas atividades à atividade comercial ou industrial para essas finalidades. O armeiro que
exerce a atividade irregularmente, por exemplo, incorre nesse crime.

SUJEITO PASSIVO
Coletividade.

OBJETO MATERIAL
Interessante destacarmos que o Art. 17 não faz distinção entre arma de fogo de uso
permitido e arma de fogo de uso restrito. Em outras palavras, o crime é o mesmo tanto para o
comércio ilegal de arma de fogo de uso proibido como para o comércio ilegal de arma de fogo
de uso permitido. Porém, o Art. 19 determina que a pena será aumentada em metade no caso
de arma de uso proibido ou restrito.
Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada
da metade se a arma de fogo, acessório ou munição forem de uso
proibido ou restrito.

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ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO


Está contido na expressão sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar.

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA
Trata-se de crime é de perigo abstrato e de mera conduta. Assim, consuma-se com a
prática de qualquer das condutas previstas em lei, e, uma vez realizada a conduta, presume-se
de forma absoluta o perigo à segurança pública.
Nesse sentido, Gabriel Habib: o crime de comércio ilegal de arma de fogo consuma-se no
momento da prática das condutas descritas no tipo, de forma reiterada, independentemente da
produção de qualquer resultado, por tratar-se de crime de mera conduta.
Admite-se a tentativa (crime plurissubsistente).
O crime de comércio ilegal de arma de fogo, acessório ou munição (art. 17 da Lei n.
10.826/2003) é delito de tipo misto alternativo e de perigo abstrato, bastando para
sua caracterização a prática de um dos núcleos do tipo penal, sendo prescindível a
demonstração de lesão ou de perigo concreto ao bem jurídico tutelado, que é a
incolumidade pública.
STJ n.º 108/2018.

Ex.1: vizinho que vende arma a outro vizinho: não se aplica o Art. 17.
Ex.2: dono de restaurante vende sua arma para o cliente: não se aplica o Art. 17,
porque o dono do restaurante não exerce comércio de armas de fogo.
Ex.3: indivíduo que comercializa armas de fogo no fundo de sua residência: aplica-
se o Art. 17.
§ 2º Incorre na mesma pena quem vende ou entrega arma de fogo,
acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com a
determinação legal ou regulamentar, a agente policial disfarçado,
quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta
criminal preexistente.
PACOTE ANTICRIME: A FIGURA DO AGENTE DISFARÇADO
Figura trazida pela Lei nº 13.964/2019, conhecida como PACOTE ANTICRIME, o § 2º do
Art. 17 e 18 trouxe a discussão entre as correntes contrárias ao pacote e as que apoiam acerca
da possível permissão do “Flagrante Provocado ou preparado.”
A Lei 13.964/2019 dentre tantas alterações importantíssimas, em algumas passagens,
traz a nova figura do agente disfarçado que não deve ser confundido com outras técnicas
especiais de investigação como agente infiltrado ou agente que atua em meio a uma ação
controlada.
Segundo Rogério Sanches, é possível esboçar a definição de agente disfarçado como
aquele que, ocultando sua real identidade, posiciona-se com aparência de um cidadão comum
(não chega a infiltrar-se no grupo criminoso) e, partir disso, coleta elementos que indiquem a
conduta criminosa preexistente do sujeito ativo. O agente disfarçado ora em estudo não se
insere no seio do ambiente criminoso e tampouco macula a voluntariedade na conduta delitiva
do autor dos fatos.
Os autores, ainda, fazem a distinção entre o agente infiltrado, provocador e o disfarçado:

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PRESENÇA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS RAZOÁVEIS DE CONDUTA CRIMINAL


PREEXISTENTE
Para a validade da atuação do agente disfarçado deve haver a demonstração de provas em
grau suficiente a indicar que o autor realizou antes uma conduta criminosa, circunstância
objeto da investigação proporcionada pelo disfarce. A investigação realizada pelo agente
disfarçado, em razão da qualificada apreensão de informações proporcionada pelo disfarce,
colhe elementos probatórios razoáveis acerca da conduta criminosa preexistente.
Caso a investigação descarte a conduta criminosa preexistente, ou seja, caso revele tratar-
se de vendedor casual dos produtos ilícitos, não será possível responder pelos crimes especiais
criados pela Lei 13.964/2019. Essa observação é crucial para compreender o instituto como
uma aposta na atuação profissional dos investigadores policiais e não simplesmente como um
expediente capaz de levar ao alargamento de prisões de pessoas desvinculadas da prática de
crimes.
VAMOS VER COMO FOI COBRADO EM PROVA!

Ano: 2015 Banca: CESPE Órgão: STJ Prova: Analista Judiciário


Julgue o próximo item, acerca do Estatuto do Desarmamento (Lei n.º 10.826/2003), da
Resolução Conjunta CNJ/CNMP n.º 4/2014 e do Código Internacional Q.
O ato de montar ou desmontar uma arma de fogo, munição ou um acessório de uso
restrito, sem autorização, no exercício de atividade comercial constitui crime de comércio ilegal
de arma de fogo, com a pena aumentada pela metade.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: A conduta perfeitamente com o crime do Art. 18 do Estatuto do
Desarmamento. Apensar dos verbos “montar e desmontar” passarem despercebidos,
eles estão lá como núcleo do tipo! O Art. 19 traz que os crimes previstos nos Arts.
17 e 18 a pena é aumentada da metade se a arma de fogo, o acessório ou a munição
forem de uso proibido ou restrito.

ART. 18 – TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO,


ACESSÓRIO OU MUNIÇÃO
Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território
nacional, a qualquer título, de ARMA DE FOGO, ACESSÓRIO ou
MUNIÇÃO, sem autorização da autoridade competente:
Pena - reclusão, de 8 a 16 anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem vende ou entrega
arma de fogo, acessório ou munição, em operação de importação,
sem autorização da autoridade competente, a agente policial
disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de
conduta criminal preexistente.

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PACOTE ANTICRIME
O Pacote Anticrime modificou o preceito secundário do tipo penal, aumentando a pena e
acrescentou o parágrafo único, onde encontramos a figura do agente disfarçado.
São 4 as condutas do tipo:

SUJEITO ATIVO
Crime Comum.

SUJEITO PASSIVO
Coletividade. Crime Vago.

OBJETO MATERIAL
Objeto material é idêntico ao do Art. 17, inclusive no que toca à causa de aumento de pena
prevista no Art. 19.
CONSUMAÇÃO
Com a prática de qualquer das condutas típicas.
A lei presume de forma absoluta o perigo à segurança pública com a entrada de uma arma
no Brasil de forma clandestina. Dessa forma, sendo o delito de mera conduta, esgota-se com a
prática da conduta descrita no tipo penal, e não há resultado naturalístico.
Nesse sentido, preleciona Gabriel Habib: o crime consuma-se no momento da prática das
condutas descritas no tipo, independentemente da produção de qualquer resultado, por tratar-se
de crime de mera conduta.
A tentativa é admitida.
No caso do favorecimento, a conduta será punível independentemente da efetiva
entrada ou saída do material do território nacional. Basta que tenha sido praticado
qualquer ato que configure o favorecimento
Ex.: PF deixa o amigo embarcar no avião com caixa de munição. Porém, antes de
decolar, outra equipe prende o colega. O amigo que foi preso responderá por
TENTATIVA de tráfico internacional de munição. O PF que o deixou passar
responderá por crime CONSUMADO do tráfico. Atenção: O facilitador é COAUTOR,
e não partícipe.

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Não importa para a caracterização do crime de tráfico de armas se as ações nucleares


foram praticadas no exercício de atividade comercial ou industrial.

Ainda que o agente traga para dentro do território nacional uma única arma de fogo de
uso permitido ou proibido, sem autorização, apenas para uso próprio, sem que haja
qualquer nexo com o exercício de atividade comercial, estará configurado o crime
de tráfico internacional de armas.
Jurisprudência em teses/STJ n.º 108/2018
1. É típica a conduta de importar arma de fogo, acessório ou munição sem
autorização da autoridade competente, nos termos do Art. 18 da Lei n. 10.826/2003,
mesmo que o réu detenha o porte legal da arma, em razão do alto grau de
reprovabilidade da conduta.
2. O crime de tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição, tipificado
no Art. 18 da Lei n. 10.826/03, é de perigo abstrato ou de mera conduta e visa a
proteger a segurança pública e a paz social.
3. Para a configuração do tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição
não basta apenas a procedência estrangeira do artefato, sendo necessário que se
comprove a internacionalidade da ação.

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
Princípio da insignificância
Não cabe princípio da insignificância no tráfico internacional de munição.
STF (HC97777) e STJ (HC 45099)

VAMOS VER COMO FOI COBRADO EM PROVA!

Ano: 2015 Banca: FUNIVERSA Órgão: SEAP-DF Prova: Agente de Atividades


Penitenciárias
No que diz respeito à legislação penal extravagante, segundo entendimento do STJ e do
STF, julgue o item.
A conduta de importar uma mira telescópica de uso restrito, desacompanhada do
armamento, é atípica, pois a simples importação do acessório para arma de fogo não configura
a prática de delito previsto no Estatuto do Desarmamento.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Como vimos, o crime de Tráfico Internacional de Armas possui
como objeto material arma, acessório e munição.

Ano: 2019 Banca: CESPE Órgão: TJ-PA Prova: Juiz de Direito Substituto.
Considerando o entendimento sumulado e a jurisprudência do STJ acerca da
interpretação da Lei n.º 10.826/2003, que dispõe sobre o registro, a posse e a comercialização
de armas de fogo e munição, assinale a opção correta.
Para a configuração do tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição, não
basta apenas a procedência estrangeira do artefato, sendo necessária a comprovação da
internacionalidade da ação.
Certo ( ) Errado ( )

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Gabarito: Certo
Comentário: A questão é a transcrição da Jurisprudência do Superior Tribunal
de Justiça que colocamos na aula.
Jurisprudência em teses/STJ n.º 108/2018
Para a configuração do tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou
munição não basta apenas a procedência estrangeira do artefato, sendo necessário
que se comprove a internacionalidade da ação

CAUSA DE AUMENTO DE PENA

FIANÇA E LIBERDADE PROVISÓRIA


Art. 21. Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18 são insuscetíveis de
liberdade provisória.

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O Art. 21 do Estatuto teve sua inconstitucionalidade declarada pelo STF na ADI


3112/DF, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 02/05/2007.

CAUSA DE AUMENTO DE PENA

PACOTE ANTICRIME
O Pacote Anticrime ampliou as possibilidades para a aplicação da causa de aumento de
pena dos agentes que cometerem os crimes dos artigos 14,15, 16, 17 e 18.
Se antes existia apenas o inciso I, agora, independentemente de serem praticados por
integrante dos órgãos e empresas referidas nos Arts. 6º, 7º e 8º desta Lei, agora, qualquer
agente, desde que reincidente específico em crimes dessa natureza, pode, também, sofrer a
majoração da pena.

QUESTÕES GERAIS
A VENDA DE ARMA DE FOGO CONFIGURA QUAL CRIME?

Art. 14: Estará configurado o crime do art. 14, se for arma permitida;
Art. 16: Se for arma de uso restrito ou proibido, a conduta se amoldará ao tipo penal
do art. 16;

Art. 17: Conduta é a do art. 17 do Estatuto do Desarmamento.

Art. 18: restará configurado o crime do art. 18, todos do Estatuto do Desarmamento.
Não importando se a arma é permitida ou proibida, e não importando se o vendedor
é comerciante ou não.

ARMAS DE FOGO APREENDIDAS


As armas de fogo apreendidas, após a elaboração do laudo pericial e sua juntada aos autos,
quando não mais interessarem à persecução penal serão encaminhadas pelo juiz competente
ao COMANDO DO EXÉRCITO, no prazo máximo de 48 (quarenta e oito) horas, para

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destruição ou doação aos órgãos de segurança pública ou às Forças Armadas, na forma do


regulamento desta Lei.

VAMOS VER COMO FOI COBRADO EM PROVA!

Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: ABIN Prova: Agente de Inteligência


Ainda conforme o disposto no Estatuto do Desarmamento, julgue o próximo item.
As armas de fogo apreendidas e que não interessarem à persecução penal devem ser
encaminhadas à Polícia Federal para destruição ou doação ao comando do Exército.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Como vimos, as armas devem ser encaminhadas ao Comando do
Exército, não à Polícia Federal.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDREUCCI, Ricardo Antônio. Legislação Penal Especial. São Paulo: Saraiva, 2019.

BRASILEIRO, Renato. Legislação Criminal Especial Comentada. Salvador: Juspodivm, 2017.

CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Arma de fogo encontrada em caminhão configura porte
de arma de fogo (e não posse). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4e9cec1f5830564591
11d63e24f3b8ef>. Acesso em: 23 fev. 2020.

FOUREAUX, Rodrigo. A Lei 13.491/17 e a ampliação da competência da Justiça Militar,


disponível em: https://jus.com.br/artigos/61251/a-lei-13-491-17-e-a-ampliacao-da-
competencia-da-justica-militar.

GONÇALVES, Victor; BALTAZAR JÚNIOR, José Paulo. Legislação Penal Especial


Esquematizada. São Paulo: Saraiva, 2019.

LOPES JR, Aury. Lei 13.491/2017 fez muito mais do que retirar os militares do tribunal do
júri, disponível em: https://www.conjur.com.br/2017-out-20/limite-penal-lei-134912017-
fez-retirar-militares-tribunal-juri

MASSON, Cléber; MARÇAL, Vinicius; Lei de Drogas: Aspectos penais e processuais penais. São
Paulo: Método, 2018.

SOUZA, Renee do Ó; CUNHA, Rogério Sanches; HOLMES LINS, Caroline de Assis e Silva. A nova
figura do agente disfarçado prevista na Lei 13.964/2019, em 27 de dezembro de 2019.
Disponível em https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2019/12/27/nova-figura-
agente-disfarcado-prevista-na-lei-13-9642019/

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LEI Nº 11.343/2003 – LEI DE DROGAS


CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A Lei 11.343/2006, também denominada de Lei de Drogas, trata de forma integral
(material e processual) toda a sistemática penal envolvendo drogas.

Art. 1 Esta Lei institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre


Drogas - SISNAD; prescreve medidas para prevenção do uso indevido,
atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas;
estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao
tráfico ilícito de drogas e define crimes.

Objetivo: O Art. 1 deixa claro que o principal objetivo da Lei de Drogas é conferir
tratamento jurídico diverso ao usuário e ao traficante de drogas.
Premissa: A pena privativa de liberdade não contribui para o problema social do uso
indevido de drogas, o qual deve ser encarado como problema de saúde pública e não de polícia.
Dessa forma, ABOLIU a possibilidade da aplicação de tal pena (privativa de liberdade) ao crime
do porte de drogas para o consumo pessoal.
Analisando o Art. 5º, XLIII da Constituição Federal:

XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça


ou anistia a prática da TORTURA, o TRÁFICO ILÍCITO DE
ENTORPECENTES E DROGAS AFINS, o TERRORISMO e os definidos
como CRIMES HEDIONDOS, por eles respondendo os mandantes, os
executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem

Tortura, Tráfico de Drogas e Terrorismo são EQUIPARADOS A HEDIONDOS


Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF) os chamados delitos hediondos e os que
lhe sejam equiparados, de parelha com os crimes de natureza jurídica
imprescritível são chamados crimes de máximo potencial ofensivo.
Tráfico de drogas prescreve! São imprescritíveis apenas os crimes de racismo e
ações de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o
Estado democrático.

OBJETIVIDADE JURÍDICA
Por meio da objetividade jurídica analisa-se o bem jurídico protegido pelo Direito Penal.
Por exemplo, no delito de furto o bem jurídico protegido é o patrimônio, no crime de homicídio
protege-se a vida. Na Lei de Drogas, o objeto jurídico é a Saúde Pública.

OBJETO MATERIAL
O objeto material do crime é a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta criminosa.
Nesse sentido, o objeto material nos crimes da Lei de Drogas é a droga. Nessa perspectiva,
proclama o Art. 1º, parágrafo único da Lei nº 11.343/2006.
Art. 1º. Parágrafo único. Para fins desta Lei, consideram-se como
drogas as substâncias ou os produtos capazes de causar
dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas
atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União.

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O QUE SÃO DROGAS


Norma penal incriminadora é aquela que tem dois preceitos: preceito primário (define a
conduta criminosa) e preceito secundário (comina a respectiva sanção penal).
A norma penal em branco é aquela em que o preceito primário é incompleto – a
definição da conduta criminosa é incompleta.
Os crimes da Lei de Drogas estão previstos em normal penal em branco, tendo em vista
que necessitam de complemento em seu preceito primário, ou seja, para que a definição da
conduta criminosa seja completa é necessária a ciência do que são drogas.
Na Lei de Drogas, a norma penal em branco é heterogênea, isto porque o complemento
é dado por ato infralegal – Portaria da ANVISA. A Portaria SVS/MS nº 344/1998 é que disciplina
as substâncias consideradas como droga, sendo atualizada de forma contínua.

Para ser considerada como droga basta a presença do princípio ativo, pouco
importando a nomenclatura utilizada (maconha, cocaína, LSD, etc.).
A prova da materialidade, constatação do princípio ativo, será feita por meio de um
exame químico-toxicológico (perícia).
Os crimes da Lei de Drogas exigem o exame químico-toxicológico para comprovar
a materialidade do crime. O exame é para comprovar qual é a substância em
questão no caso concreto e não para averiguar se a substância encontrada causa
dependência. A simples verificação de que a substância corrobora com a presente
na portaria da ANVISA já é suficiente para a caracterização como objeto material
do crime, sendo prescindível o exame para constatação de que a substância cause
dependência.

RESSALVA À PROIBIÇÃO DE DROGAS


Art. 2 Ficam proibidas, em todo o território nacional, as drogas, bem
como o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e
substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas,
ressalvada a hipótese de autorização legal ou regulamentar, bem
como o que estabelece a Convenção de Viena, das Nações Unidas,
sobre Substâncias Psicotrópicas, de 1971, a respeito de plantas de
uso estritamente ritualístico-religioso.

Parágrafo único. Pode a União autorizar o plantio, a cultura e a


colheita dos vegetais referidos no caput deste artigo, exclusivamente
para fins medicinais ou científicos, em local e prazo
predeterminados, mediante fiscalização, respeitadas as ressalvas
supramencionadas.
Plantas de uso estritamente ritualístico-religioso.
O Art. 2º, caput, não autoriza, de per si, o cultivo de plantas de uso ritualístico-religioso.
Para tanto, também se faz necessária a concessão de autorização legal ou regulamentar. É o
que ocorre, por exemplo, com o chá Ayahuasca, produto da decocção do cipó Banisteriopsis
caapi e da folha Psychotria viridis, utilizado pelo movimento religioso conhecido como Santo
Daime.
Fins medicinais ou científicos.
Quando houver autorização legal ou regulamentar.

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CURIOSIDADE
Anvisa libera venda de produtos à base de Cannabis em farmácias
Com validade de três anos, resolução refere-se a uso medicinal. Manipulação da
substância não será permitida, e compra poderá ser feita apenas com prescrição médica.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira
(3/12/2019) a liberação da venda em farmácias de produtos à base de Cannabis para uso
medicinal no Brasil. A regulamentação foi aprovada por unanimidade e é temporária, com
validade de três anos.
Na mesma reunião da diretoria colegiada do órgão foi rejeitado o cultivo de maconha
para fins medicinais no Brasil. Por 3 votos a 1, proposta foi arquivada pela agência reguladora.
Com a decisão, fabricantes que desejarem entrar no mercado precisarão importar o extrato
da planta.
Venda dos produtos
Sobre a venda em farmácias, a norma passa a valer 90 dias após sua publicação no
"Diário Oficial da União". De acordo com a resolução, os produtos liberados poderão ser para
uso oral e nasal, em formato de comprimidos ou líquidos, além de soluções oleosas.
O texto não trata do uso recreativo da maconha, que continua proibido.
A comercialização ocorrerá apenas em farmácias e drogarias sem manipulação, que
venderão os produtos prontos, mediante prescrição médica.
O tipo de prescrição médica necessária vai depender da concentração de tetra-
hidrocanabidiol (THC), principal elemento tóxico e psicotrópico da planta Cannabis sativa, ao
lado do canabidiol (CBD), que é usado em terapias como analgésico ou relaxante.

SUJEITO ATIVO
Em regra, os crimes previstos na Lei de Drogas são crimes comuns ou gerais, isto é, são

Exceção:
Prescrição ou Ministração Culposa de Drogas
Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que
delas necessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 50
a 200 dias-multa.
Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao Conselho
Federal da categoria profissional a que pertença o agente.

No tocante ao verbo do tipo “prescrever”, entendimento já consolidado afirma ser crime


próprio, pois se exige a qualidade especial do agente de médico, dentista, farmacêutico ou
profissional de enfermagem. Apenas profissional da saúde é quem pode prescrever.

SUJEITO PASSIVO
O sujeito passivo é a coletividade. Os crimes da Lei de Drogas são classificados como
destituído
de personalidade jurídica.

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ELEMENTO SUBJETIVO
São crimes dolosos, sendo essa a regra.
Contudo, o Art. 38 prevê uma modalidade culposa.
Exceção:
Prescrição ou Ministração Culposa de Drogas
Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que
delas necessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 50
a 200 dias-multa.
Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao Conselho
Federal da categoria profissional a que pertença o agente.

NATUREZA JURÍDICA
CRIME DE PERIGO CONCRETO X CRIME DE PERIGO ABSTRATO
Crime de perigo é aquele em que a consumação ocorre com a exposição do bem
jurídico a um risco de dano. Não se exige a efetiva lesão ao bem jurídico, bastando a
probabilidade de dano. Os crimes de perigo podem ser de perigo concreto ou perigo abstrato.
No crime de perigo abstrato, também chamado de crime de perigo presumido, a prática
da conduta descrita em lei acarreta a presunção absoluta do perigo ao bem jurídico e não
se exige prova concreta. Cita-se, como exemplo, o caso do traficante de drogas, não se exige
prova de que a coletividade, efetivamente, estava em perigo com a sua conduta.
No crime de perigo concreto, exige-se prova concreta da exposição ao perigo pelo bem
jurídico.
Os crimes da Lei de Drogas são crimes de perigo abstrato. A prática da conduta
prevista em lei acarreta a presunção absoluta de perigo ao bem jurídico, não cabendo prova
em contrário.
Exceção: Entretanto, no crime do Art. 39 da Lei de Drogas, há um crime de perigo
concreto:
Art. 39. Conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de
drogas, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem:
Pena - detenção, de 6 meses a 3 anos, além da apreensão do veículo,
cassação da habilitação respectiva ou proibição de obtê-la, pelo
mesmo prazo da pena privativa de liberdade aplicada, e pagamento
de 200 a 400 dias-multa se o veículo referido no caput deste artigo
for de transporte coletivo de passageiros.

Não basta conduzir a embarcação sob o efeito da droga, é necessário que haja
efetivamente a exposição da incolumidade de outrem a um perigo concreto, real, efetivo.
Corroborando ao exposto, preleciona Renato Brasileiro (Legislação Criminal Comentada,
2019):
Na redação do art. 39 da Lei de Drogas, o legislador faz menção à condução de embarcação ou
aeronave após o consumo de drogas, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. Como
se pode notar, a situação de perigo presumida pelo legislador está inserida no próprio tipo penal.
Logo, trata-se de crime de perigo concreto, sendo inviável a punição do agente pela prática
deste crime sem que a acusação comprove que a incolumidade pública foi efetivamente
colocada em situação de risco.

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AÇÃO PENAL
Em todos os crimes da Lei de Drogas a ação penal é pública incondicionada.

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
O princípio da insignificância é uma causa supralegal de exclusão da tipicidade material
do crime.
TRÁFICO DE DROGAS
NÃO se aplica tal princípio, tendo em vista a incompatibilidade lógica entre ambos, já que
o tráfico é um crime de máximo potencial ofensivo, equiparado a hediondo.
Art. 28 (consumo pessoal):
STF já admitiu a aplicação de tal princípio:
Ao aplicar o princípio da insignificância, a 1ª Turma concedeu habeas corpus para trancar
procedimento penal instaurado contra o réu e invalidar todos os atos processuais, desde a
denúncia até a condenação, por ausência de tipicidade material da conduta imputada. No
caso, o paciente fora condenado, com fulcro no art. 28, caput, da Lei 11.343/2006, à pena de
3 meses e 15 dias de prestação de serviços à comunidade por portar 0,6 g de maconha (HC
110.475/SC, rel. Min. Dias Toffoli, 1ª Turma, j. 14.02.2012, noticiado no Informativo 655).
Argumentos utilizados pelo Relator:
A privação da liberdade e a restrição de direitos do indivíduo somente se justificam
quando estritamente necessárias à própria proteção das pessoas, da sociedade e de outros
bens jurídicos que lhes fossem essenciais, notadamente naqueles casos em que os valores
penalmente tutelados são expostos a dano, efetivo ou potencial, impregnado de significativa
lesividade. Deste modo, o direito penal não deve se ocupar de condutas que produzam
resultados cujo desvalor — por não importar em lesão significativa a bens jurídicos relevantes
— não representam, por isso mesmo, expressivo prejuízo, seja ao titular do bem jurídico
tutelado, seja à integridade da própria ordem social. Assim, estão preenchidos os requisitos
de aplicação do princípio da insignificância:
a) mínima ofensividade da conduta do agente;
b) nenhuma periculosidade social da ação;
c) reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; e
d) inexpressividade da lesão jurídica provocada.

STJ: NÃO é possível aplicar o princípio da insignificância


Não é possível afastar a tipicidade material do porte de substância entorpecente para
consumo próprio com base no princípio da insignificância, ainda que ínfima a quantidade de
droga apreendida (RHC 35.920/DF, rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, 6ª Turma, j. 20.05.2014,
noticiado no Informativo 541).
A jurisprudência de ambas as turmas do STJ firmou entendimento de que o crime de
posse de drogas para consumo pessoal (art. 28 da Lei nº 11-343/06) é de perigo presumido
ou abstrato e a pequena quantidade de droga faz parte da própria essência do delito em
questão, não lhe sendo aplicável o princípio da insignificância (STJ. 6º Turma. RHC 35-920-
DF, Rei. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 2º/5f2014.lnfo 541)

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ART. 28 – PORTE E CULTIVO PARA CONSUMO PESSOAL


Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou
trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou
em desacordo com determinação legal ou regulamentar será
submetido às seguintes penas:
I - Advertência sobre os efeitos das drogas;
II - Prestação de serviços à comunidade;
III - Medida educativa de comparecimento a programa ou curso
educativo.
§1º Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal,
semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena
quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência
física ou psíquica.
§2º Para determinar se a droga se destinava a consumo pessoal, o
juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida,
ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às
circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e aos
antecedentes do agente.
§3º As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão
aplicadas pelo prazo máximo de 5 meses.
§4º Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do
caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez)
meses.
§5º A prestação de serviços à comunidade será cumprida em
programas comunitários, entidades educacionais ou assistenciais,
hospitais, estabelecimentos congêneres, públicos ou privados sem fins
lucrativos, que se ocupem, preferencialmente, da prevenção do
consumo ou da recuperação de usuários e dependentes de drogas.
§6º Para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se
refere o caput, nos incisos I, II e III, a que injustificadamente se recuse
o agente, poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente a:
I - Admoestação verbal;
II - Multa.
§7º O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do
infrator, gratuitamente, estabelecimento de saúde,
preferencialmente ambulatorial, para tratamento especializado.

FUGA DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE


Em substituição à linha repressiva adotada anteriormente, a nova Lei de Drogas afasta a
possibilidade de aplicação de pena privativa de liberdade ao crime de porte de drogas para
consumo pessoal. Trata-se da premissa que o melhor caminho é o da educação e não o da prisão.
A Justificativa do senado no projeto de lei da mudança que deu origem à Lei 11.343/06: o
usuário não pode ser tratado como criminoso, já que, na verdade, depende de um produto, como
há dependentes de álcool, tranquilizantes, cigarros, dentre outros. Em segundo lugar, porque a
pena de prisão do usuário acaba por alimentar um sistema de corrupção policial absurdo...
Não há para o usuário pena privativa de liberdade!
Não cabe Prisão em Flagrante! (2ª fase do flagrante).

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E quais são as penas aplicadas ao usuário?

I - Advertência sobre os efeitos das drogas;


II - Prestação de serviços à comunidade;
III - Medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

Art. 48, § 2º Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei,


NÃO SE IMPORÁ PRISÃO EM FLAGRANTE, devendo o autor do fato
ser IMEDIATAMENTE ENCAMINHADO AO JUÍZO COMPETENTE ou,
na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-
se termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos
exames e perícias necessários.

NATUREZA JURÍDICA

Considerando que a lei de introdução ao código penal classifica crime a infração penal
punida com reclusão e detenção, e contravenção penal a infração apenada com prisão simples
e multa, teria havido uma DESCRIMINALIZAÇÃO FORMAL da conduta de porte de drogas para
consumo pessoal.
Assim, segundo Luis Flávio Gomes, o porte de drogas para consumo pessoal não pode mais
ser considerado crime, passando a funcionar como infração penal sui generis de menor
potencial ofensivo.


Segundo essa corrente, o próprio constituinte originário outorga ao legislador a
possibilidade de não aplicar as penas ressalvadas no texto constitucional, como também criar
outras ali não indicadas, devido à presença da expressão “Entre outras” no dispositivo. Daí não
se pode concluir que teria havido descriminalização.
Art. 5º XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará,
entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;

- A lei, ao tratar do tema, classificou a conduta como crime;


- Estabeleceu o rito processual junto ao Juizado Especial Criminal;
- No tocante à prescrição, o Art. 30 determina a aplicação das regras do Art. 107 do Código
Penal.
Art. 30. Prescrevem em 2 anos a imposição e a execução das penas,
observado, no tocante à interrupção do prazo, o disposto nos arts.
107 e seguintes do Código Penal.
A finalidade do Art. 1º da Lei de Introdução ao Código Penal era apenas a de diferenciar, em
1942, os crimes das contravenções penais, uma vez que o CP e a LCP entraram em vigor
simultaneamente, em 01 de janeiro de 1942.

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A LICP pode ser modificada por outra lei ordinária, como aconteceu com a Lei de Drogas.
Quanto à LICP entrou em vigor não existiam penas alternativas.
Assim, de acordo com o STF, o Art. 28 da Lei de Drogas trata-se de CRIME, tendo ocorrido
uma DESPENALIZAÇÃO.
Em relação à “despenalização”, não confundir ao achar que deixou de existir penas para
quem pratica a conduta descrita no Art. 28. Existem penas. Ocorreu a despenalização da PENA
PRIVATIVA DE LIBERDADE!
A doutrina majoritária entende que ocorreu a DESCARCERIZAÇÃO ou
DESPRISIONALIZAÇÃO, ou seja, continua a haver a pena, só não existe a pena privativa de
liberdade.
O crime do Art. 28 não está no rol dos crimes equiparados a hediondos

CONSUMAÇÃO
Crime Formal – consumação antecipada, bastando a realização da conduta.

TENTATIVA
A doutrina não admite para as modalidades permanentes do crime.
Há quem sustente a possibilidade da tentativa na conduta “adquirir”, quando, iniciado o
ato executório de aquisição, esse vem a ser interrompido por circunstâncias alheias à vontade
do agente.

MATERIALIDADE DO DELITO
Laudo de constatação – exame pericial.

ELEMENTO SUBJETIVO
Dolo + dolo específico (CONSUMO PESSOAL).

NÚCLEOS DO TIPO
Trata-se de tipo penal misto alternativo, contemplando cinco verbos, se consumando
com a realização de qualquer dos verbos.

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+ “CONSUMO PESSOAL”
Se for para consumo de outra pessoa
será outro crime

Dentre os cinco verbos nucleares do Art. 28, caput, da Lei nº 11.343/06, não consta a conduta de
mero uso da droga.
Pelo menos em regra, se o indivíduo é flagrado usando substância entorpecente, deverá responder
pelo crime de porte de drogas para consumo pessoal, não por conta do "uso da droga", que é uma
conduta atípica, mas sim porque é muito provável que, antes do uso, já tenha praticado uma das
condutas incriminadas pelo Art. 28, como, por exemplo, adquirir ou trazer consigo. Nesse caso, a fim
de se comprovar a materialidade delitiva por meio do exame toxicológico, é imprescindível que parte
da substância entorpecente seja apreendida.
No entanto, o uso de drogas nem sempre será precedido das condutas de adquirir ou trazer
consigo. Com efeito, é perfeitamente possível que determinado indivíduo, sem ter consciência de que
uma pessoa de seu relacionamento havia adquirido determinada substância entorpecente, trazendo-a
consigo, resolva simplesmente anuir ao uso da droga. Nesse caso, como o uso da droga não consta do
Art. 28 como uma das condutas típicas, o ideal é concluir pela atipicidade do fato, até mesmo porque o
perigo à saúde pública consubstanciado pelo fato de o agente trazer a droga consigo teria desaparecido
com o consumo da substância entorpecente.
Da mesma forma, imagine que um cidadão encontre ao acaso um cigarro de maconha acesso em
cima de um muro e ele apenas faz o uso.
De mais a mais, fosse o uso da droga considerado crime, não haveria necessidade de tipificação
autônoma da conduta daquele que auxilia, instiga ou determina alguém a usar a droga (Art. 33, §2º),
pois a norma de extensão do Art. 29 do Código Penal seria suficiente para abranger o concurso de
agentes para esse suposto "uso de droga". (BRASILEIRO, Renato. Legislação Criminal Especial
Comentada. Salvador Juspodivm, 2017.)

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FIGURA EQUIPARADA – ART. 28, §1º


Art. 28. § 1º Às mesmas medidas submete-se quem, para seu
consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à
preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz
de causar dependência física ou psíquica.

Condutas: Semear, cultivar ou colher.


O dispositivo refere-se ao local em que o agente planta uma pequena quantidade
de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica para
consumo pessoal (Exemplo: plantar um pé de maconha em um vaso na varanda
do apartamento).
Deve ser planta destinada a pequena quantidade. A lei expressamente tratou
“pequena quantidade”.
Requisitos CUMULATIVOS:
- pequena quantidade;
- consumo pessoal.

CRITÉRIOS PARA DIFERENCIAÇÃO COM O TRÁFICO


É adotado no país o sistema de quantificação judicial: cabe ao juiz analisar as
circunstâncias do caso concreto.
O §2º do Art. 28 da Lei de Drogas traz os critérios que irão diferenciar a droga que se
destina ao consumo pessoal e a que se destina ao tráfico de drogas, quais sejam:
a) Natureza e quantidade da droga;
b) Local e condições em que foi apreendida;
c) Circunstâncias pessoais e sociais do agente;
d) Conduta e os antecedentes do agente.
§ 2º Para determinar se a droga se destinava a consumo pessoal, o
juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida,
ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às
circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e aos
antecedentes do agente.
Percebe-se excelência que a lei não estabelece uma quantidade específica para
caracterizar o tráfico. Quando a quantidade é pequena, ela não é decisiva, sendo necessário
levar em conta o local, as condições em que se desenvolveu a ação, as circunstâncias sociais e
pessoais, bem como a conduta e antecedentes do agente.
Havendo dúvida entre tráfico e porte de drogas para consumo pessoal, o juiz deve
condenar pelo crime menos grave.
Há previsão para que o delegado, após os prazos do inquérito, justifique o enquadramento
do tipo penal ao caso concreto.

Art. 52. Findos os prazos a que se refere o art. 51 desta Lei, a autoridade de
polícia judiciária, remetendo os autos do inquérito ao juízo:
I - Relatará sumariamente as circunstâncias do fato, justificando as
razões que a levaram à classificação do delito, indicando a quantidade
e natureza da substância ou do produto apreendido, o local e as condições
em que se desenvolveu a ação criminosa, as circunstâncias da prisão, a
conduta, a qualificação e os antecedentes do agente;

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PENAS
Há três penas cominadas ao crime do Art. 28 da Lei de Drogas.
I - Advertência sobre os efeitos das drogas;
II - Prestação de serviços à comunidade;
III - Medida educativa de comparecimento a programa ou curso
educativo.
As penas poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como substituídas a
qualquer

Art. 27. As penas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas


isolada ou cumulativamente, bem como substituídas a qualquer
tempo, ouvidos o Ministério Público e o defensor.

I - Advertência sobre os efeitos das drogas;


Deve ser compreendida como uma espécie de esclarecimento a ser feito pelo magistrado
ao agente quando às consequências maléficas que o uso da droga pode causar, não apenas a sua
própria saúde, como também a saúde pública.

II - Prestação de serviços à comunidade;


§ 5º A prestação de serviços à comunidade será cumprida em
programas comunitários, entidades educacionais ou assistenciais,
hospitais, estabelecimentos congêneres, públicos ou privados sem fins
lucrativos, que se ocupem, preferencialmente, da prevenção do
consumo ou da recuperação de usuários e dependentes de drogas.

PRAZO
§3º As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão
aplicadas pelo prazo máximo de 5 meses.
§4º Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III
do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10
meses.

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DESCUMPRIMENTO DAS MEDIDAS: CONSEQUÊNCIAS


Art. 28, § 6º Para garantia do cumprimento das medidas educativas
a que se refere o caput, nos incisos I, II e III, a que injustificadamente
se recuse o agente, poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente a:

Caso não cumpra as penas impostas o agente não poderá ser conduzido à prisão. O
juiz deverá utilizar o § 6º do Art. 28 da Lei de Drogas que prevê: admoestação
verbal e, após, multa.
Admoestação verbal e a multa não têm natureza jurídica de pena.
Funcionam como instrumentos acessórios que visam compelir o acusado ao
cumprimento das penas previstas no Art. 28. Por isso, a aplicação dessas medidas
de garantia não tem o condão de eximir o acusado de cumprir as penas principais.
Não há a possibilidade de aplicação da pena privativa de liberdade
O descumprimento injustificado das penas previstas nos incisos I, II e III do caput do
Art. 28 não caracteriza o crime de desobediência (CP, Art. 330). Isso porque a
própria Lei de Drogas já prevê em seu Art. 28, §6º, as consequências decorrentes do
descumprimento de tais penas — admoestação verbal e multa, a serem aplicadas de
maneira sucessiva —, sem fazer qualquer ressalva expressa quanto à possibilidade
de responsabilização criminal pelo delito de desobediência.

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TRATAMENTO AMBULATORIAL NÃO COMPULSÓRIO


§ 7º O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do
infrator, gratuitamente, estabelecimento de saúde,
preferencialmente ambulatorial, para tratamento especializado.
O tratamento de saúde será oferecido preferencialmente ambulatorial. Não é
compulsório.

PRESCRIÇÃO
Art. 30 Prescrevem em 2 ANOS a imposição e a execução das penas,
observado, no tocante à interrupção do prazo, o disposto nos arts.
107 e seguintes do Código Penal.
Dispõe o Art. 30 que prescrevem em 2 anos a imposição e a execução das penas,
observado, no tocante à interrupção do prazo, o disposto nos Arts. 107 e seguintes do Código
Penal.
Esse prazo de 2 anos é aplicável tanto à prescrição da pretensão punitiva como também à
prescrição da pretensão executória.

REINCIDÊNCIA
Em 21/08/2018 a Sexta Turma do STJ inaugurou nova tendência ao negar provimento a
recurso especial interposto pelo Ministério Público de São Paulo contra decisão do Tribunal de
Justiça que deu provimento ao recurso da defesa para afastar a reincidência decorrente da
condenação anterior por posse de drogas para uso próprio.
Segundo a ministra Maria Thereza de Assis Moura, embora o Art. 28 da Lei 11.343/06
tenha caráter criminoso, fazer incidir a agravante da reincidência em virtude de condenação
anterior por este crime VIOLA O PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE.
Assim, para a ministra:
Se a contravenção penal, punível com pena de prisão simples, não configura
reincidência, resta inequivocamente desproporcional a consideração, para fins de
reincidência, da posse de droga para consumo próprio, que conquanto seja crime, é
punida apenas com ‘advertência sobre os efeitos das drogas’, ‘prestação de serviços
à comunidade’ e ‘medida educativa de comparecimento a programa ou curso
educativo
(REsp 1.672.654/SP)

A condenação anterior por contravenção penal não gera reincidência, ou seja, um


indivíduo condenado por contravenção penal, se praticar em seguida um crime,
quando for julgado, não se aplicará a ele a agravante da reincidência. Isso porque o
Art. 63 do Código Penal é expresso ao se referir à prática de novo crime ao dispor:
Art. 63. Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo
crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no
estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. (o agente tem
que ter sido condenado por crime anterior)
Em outras palavras, se a pessoa é condenada definitivamente por CONTRAVENÇÃO e, depois
desta condenação, pratica um CRIME, ao ser julgada por esta segunda infração não sofrerá
os efeitos da reincidência. A contravenção é punida com prisão simples e/ou multa (Art. 5º,
do DL 3688/41).
Assim, se a CONTRAVENÇÃO, que é punível com prisão simples e multa não configura
reincidência, manter a reincidência para o agente que é condenado pelo ART. 28 DA LEI DE
DROGAS, que não tem prisão como sanção penal, fere o Princípio da Proporcionalidade.

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RITO PROCESSUAL
O processo e julgamento do crime do Art. 28 segue o procedimento sumaríssimo. É
crime de competência do Juizado Especial Criminal (Arts. 60 e seguintes da Lei 9.099/1995).
Assim, temos que o Art. 28 da Lei de Drogas é infração de menor potencial ofensivo.

Ano: 2019 Banca: CESPE Órgão: DPE-DF Prova: Defensor Público


Com base no entendimento do STJ, julgue o próximo item, a respeito de aplicação da pena.
Condenação anterior por delito de porte de substância entorpecente para consumo
próprio não faz incidir a circunstância agravante relativa à reincidência, ainda que não tenham
decorrido cinco anos entre a condenação e a infração penal posterior.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: certo.
Comentário: Vimos durante a aula que o STJ, baseando-se na
proporcionalidade das penas em relação à contravenção penal, afastou a reincidência
ao condenado pelo Art. 28.
Mesmo sendo crime, o STJ, em julgados mais recentes, tem entendido que a
condenação anterior pelo Art. 28 da Lei nº 11.343/2006 (porte de droga para uso
próprio) NÃO configura reincidência.
O argumento principal é o de que, se a contravenção penal, que é punível com
pena de prisão simples, não configura reincidência, mostra-se desproporcional
utilizar o Art. 28 da LD para fins de reincidência considerando que este delito é punida
apenas com “advertência”, “prestação de serviços à comunidade” e “medida
educativa”, ou, seja, sanções menos graves e nas quais não há qualquer possibilidade
de conversão em pena privativa de liberdade pelo descumprimento.
Nesse sentido:
STJ. 5ª Turma. HC 453.437/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado
em 04/10/2018.
STJ. 6ª Turma. REsp 1672654/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
julgado em 21/08/2018.

Ano: 2016 Banca: CESPE Órgão: TCE-PA Prova: Auditor de Controle Externo
A Declaração Universal dos Direitos Humanos reconhece a liberdade, a justiça e a paz no
mundo como os fundamentos para que os direitos sejam iguais. A esse respeito, julgue o item
que se segue.
As penas definidas pelo Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (SISNAD) a
serem aplicadas ao indivíduo que adquire, guarda ou transporta drogas para consumo pessoal
sem autorização incluem advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de serviços à
comunidade, liberdade assistida e medida educativa de comparecimento a programa ou curso
educativo.
Certo ( ) Errado ( )

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Gabarito: Errado.
Comentário: As penas estão estabelecidas de forma taxativa no Art. 28 e,
dentre elas, não está incluída a liberdade assistida.
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer
consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

CRIMES EM ESPÉCIE: CRIMES EQUIPARADOS A


HEDIONDOS
Nem todos os crimes da Lei de Drogas são considerados equiparados a hediondos.
Inicialmente, abordaremos os crimes que são equiparados a hediondos.

ART. 33 – TRÁFICO DE DROGAS


Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar,
adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito,
transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar
a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:
Pena - reclusão de 5 a 15 anos e pagamento de 500 a 1.500 dias-
multa.

§ 1º Nas mesmas penas incorre quem:

I - Importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à


venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou
guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo
ou produto químico destinado à preparação de drogas;
II - Semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que
se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas;
III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a
propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente
que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização
ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o
tráfico ilícito de drogas.

IV - Vende ou entrega drogas ou matéria-prima, insumo ou


produto químico destinado à preparação de drogas, sem
autorização ou em desacordo com a determinação legal ou
regulamentar, a agente policial disfarçado, quando presentes
elementos probatórios razoáveis de conduta criminal
preexistente.

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SUJEITO ATIVO
Trata-se de crime comum ou geral: pode ser praticado por qualquer pessoa.
Todavia, no tocante às condutas prescrever e ministrar, é crime próprio. É considerado
crime próprio porque só quem pode prescrever é profissional da área de saúde.
Por outro lado, referente à conduta ministrar (aplicar a droga) existe divergência, pois
parte dos defensores argumentam que a aplicação (ministrar) pode ser feita por qualquer
pessoa.
Art. 40, inc. II:
As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um
sexto a dois terços, se: (…)
II - O agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou
no desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou
vigilância.

O índio pode ser sujeito ativo do tráfico de drogas? Sim.


Índio condenado pelos crimes de tráfico de entorpecentes, associação para o
tráfico e porte ilegal de arma de fogo. É dispensável o exame antropológico destinado
a aferir o grau de integração do paciente na sociedade se o Juiz afirmar sua
imputabilidade plena com fundamento na avaliação do grau de escolaridade, da
fluência na língua portuguesa e do nível de liderança exercida na quadrilha, entre
outros elementos de convicção. Precedente. HC 85.198-3, 17/12/2005

SUJEITO PASSIVO
A coletividade – crime vago

OBJETIVIDADE JURÍDICA
O bem jurídico tutelado pelo Art. 33, caput, é a saúde pública.

CONDUTAS TÍPICAS
O caput do Art. 33 contém dezoito núcleos.
É chamado de tipo misto alternativo, também chamado de crime de ação múltipla ou
crime de conteúdo variável. Assim, mesmo que o agente pratique duas ou mais condutas
contra o mesmo objeto material (mesma droga), irá responder por um único crime.
Contudo, se as drogas forem diversas haverá concurso de crimes. Por exemplo, importou
cocaína, guardou maconha, vendeu LSD.
Importar – Tráfico x Contrabando. Pelo Princípio da Especialidade aplica-se a Lei de
Drogas, e não o crime do Art. 334 do Código Penal.
Adquirir – Se for para consumo próprio: Art. 28
Prescrever – Crime Próprio (profissionais de área médica)
É imprescindível a apreensão da droga para fazer incidir a tipificação da Art. 33.
Prisão por tráfico de drogas decorrente apenas de prova testemunhal é ilegal!
Crime equiparado a hediondo.
Atenção: Não confundir o verbo “fornecer” com o crime do Art. 33, §3 – Fornecer
eventualmente sem objetivo de lucro a pessoa do seu relacionamento para juntos
consumirem.

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ELEMENTO NORMATIVO
É necessário que a conduta seja praticada sem “autorização ou em desacordo com
determinação legal”. Portanto, havendo autorização para a prática de algum dos dezoito
núcleos não haverá o crime de tráfico de drogas. Assim, é perfeitamente possível o comércio
lícito de drogas, desde que haja autorização legal.

CONSUMAÇÃO
Há condutas em que o tráfico de drogas classifica-se como crime instantâneo (importar,
remeter, exportar, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, oferecer, prescrever,
ministrar e entregar para consumo), pois se consuma em um momento determinado, sem
continuidade no tempo. Em outras condutas, todavia, o delito é permanente (expor a venda,
ter em deposito, transportar, trazer consigo e guardar): a consumação se prolonga no tempo,
pela vontade do agente.
Algumas importantes consequências advêm da identificação do delito de tráfico de drogas
como permanente:

A entrada forçada em domicílio, sem uma justificativa prévia conforme o direito,


é arbitrária. Não será a constatação da situação de flagrância, posterior ao ingresso,
que justificará a medida.
STF - 603616/RO, 10/05/2016

Conforme entendimento da Suprema Corte e da Sexta Turma deste STJ, a


entrada forçada em domicílio, sem uma justificativa prévia conforme o direito, é
arbitrária, e não será a constatação de situação de flagrância, posterior ao ingresso,
que justificará a medida, pois os agentes estatais devem demonstrar que havia
elemento mínimo a caracterizar fundadas razões (justa causa) .
INFORMATIVO 623 STJ - RCH83501/SP, 06/03/2018

TENTATIVA
Na prática, dificilmente será vista a forma tentada, uma vez que o legislador tipificou como
infração autônoma inúmeras figuras que normalmente constituiriam mero ato preparatório de
condutas ilícitas posteriores, como, por exemplo, preparar substância entorpecente com o
intuito de vendê-la. Ora, se o agente é preso após preparar e antes de vender, responde pela
forma consumada (preparo), e não por tentativa de venda.
Por sua vez, o médico que é preso antes de terminar a prescrição ilegal de entorpecente
responde por tentativa.

AÇÃO PENAL
A ação penal é pública incondicionada.

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LEI 9.099/1995
O preceito secundário do Art. 33, caput, da Lei de Drogas prevê sanção de 5 a 15 anos, e
pagamento de 500 a 1500 dias-multa. Cuida-se de crime de máximo potencial ofensivo.
Assim, não são cabíveis os benefícios elencados na Lei 9.099/1995.

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
É pacífica a jurisprudência no sentido de não ser aplicável o princípio da
insignificância ou bagatela aos crimes de tráfico de drogas. Não há que se falar em mínima
ofensividade da conduta, ausência de periculosidade social da ação, reduzido grau de
reprovabilidade do comportamento e inexpressividade da lesão jurídica em delito classificado
pela Lei Suprema como de máximo potencial ofensivo.

COMPETÊNCIA
No caso dos crimes de tráfico ilícito de entorpecentes, a competência para o processo e
julgamento é, em regra, da Justiça Estadual; tratando-se, no entanto, de crime internacional,
isto é, a distância, que possui base em mais de um país, passa a ser da competência da Justiça
Federal.

Salvo ocorrência de tráfico para o exterior, quando, então, a competência será


da Justiça Federal, compete à justiça dos estados o processo e julgamento dos
crimes relativos a entorpecentes. STF, Súmula 522

Art. 70. O processo e o julgamento dos crimes previstos nos arts. 33 a


37 desta Lei, se caracterizado ilícito transnacional, são da
competência da Justiça Federal.

e) que o crime esteja especificamente previsto em tratado ou convenção internacional


assinado pelo Brasil;
f) caracterização da transnacionalidade, isto é, o intuito de transferência da droga entre
países distintos;
g) que o entorpecente objeto do trânsito internacional seja igualmente coibido no país de
origem.
Nos casos de tráfico transnacional, se o delito for cometido em Município que não
seja sede de vara federal, o processamento sedará na vara federal da circunscrição
respectiva.

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Remessa de droga do exterior para o Brasil:


Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior
pela via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional.
STJ, Súmula 528
Remessa de droga do Brasil para o exterior pela via postal
Competência será já Justiça Federal do local do último ato de execução.
A consumação do delito ocorre no momento do envio da droga, juízo
competente para processar e julgar o processo, independentemente do local da
apreensão. Inaplicabilidade da Súmula 528
146.393/SP, 01/07/2016

MATERIALIDADE
LAUDO DE CONSTATAÇÃO PRELIMINAR
Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e estabelecimento da
materialidade do delito, é suficiente o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga,
firmado por perito oficial ou, na falta deste, por pessoa idônea.
STJ: É imprescindível a confecção do laudo toxicológico para comprovar a
materialidade da infração disciplinar e a natureza da substância encontrada
com o apenado no interior de estabelecimento prisional.
HC 448115/SP, 23/04/2019
HC 407301/SP, 05/06/2018

Não se admite prisão em flagrante e o recebimento da denúncia pelo crime de


tráfico de drogas sem que seja demonstrada, ao menos em juízo inicial, a
materialidade da conduta por meio de LAUDO DE CONSTATAÇÃO PRELIMINAR
da substância entorpecente, que configura condição de procedibilidade para
apuração do ilícito.
STJ, HC 342.970, 04/02/2016

Art.50. Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade de polícia


judiciária fará, imediatamente, comunicação ao juiz competente,
remetendo-lhe cópia do auto lavrado, do qual será dada vista ao
órgão do Ministério Público, em 24 horas.
§1º Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e
estabelecimento da materialidade do delito, é suficiente o laudo
de constatação da natureza e quantidade da droga, firmado por
perito oficial ou, na falta deste, por pessoa idônea.

Apesar da importância, o laudo preliminar de constatação é PEÇA MERAMENTE


INFORMATIVA. STJ, HC 56.48342.970, 05/08/2015

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LAUDO DEFINITIVO - EXAME


O laudo provisório configura, pois, verdadeira condição de procedibilidade para a
apuração do ilícito. Para a condenação, entretanto, é IMPRESCINDÍVEL o laudo definitivo,
denominado EXAME QUÍMICO TOXICOLÓGICO, do qual poderá participar o perito que assinou
o laudo preliminar.
Embora para a admissibilidade da acusação seja suficiente o laudo de constatação
provisória, exige-se a confecção do laudo definitivo para que seja prolatado um
édito repressivo contra o denunciado pelo crime de tráfico de entorpecentes.
É possível que o laudo preliminar seja usado para condenar o réu?
Apenas em hipóteses excepcionais esta corte (STJ) e o Supremo Tribunal
Federal (STF) admitem a comprovação da materialidade do delito de tráfico de drogas
por meios de provas diversos da perícia definitiva. STJ, HC 342.970, 04/02/2016
a) A ausência do laudo toxicológico definitivo não constitui nulidade.
b) É possível, excepcionalmente, a comprovação da materialidade do
narcotráfico por laudo de constatação provisório assinado por perito quando possui
o mesmo grau de certeza do definitivo, em conjunto com prova testemunhal.

De outro lado, muito embora a prova testemunhal e a confissão isoladas ou em conjunto


não se prestem a comprovar, por si sós, a materialidade do delito, quando aliadas ao laudo
toxicológico preliminar realizado nos moldes aqui previstos, são capazes não só de demonstrar
a autoria como também de reforçar a evidência da materialidade do delito.
STJ: Para a configuração do delito de tráfico de drogas previsto no caput do
Art. 33 da Lei n. 11.343/2006, é desnecessária a aferição do grau de pureza da
substância apreendida.
HC 446553/SP, 23/04/2018
HC 57526/SP, 25/08/2015
HC 57579/SP, 18/08/2015
STJ: A falta da assinatura do perito criminal no laudo toxicológico é mera
irregularidade que não tem o condão de anular o referido exame.
HC 1753268/MG, 26/02/2019
HC 1731444/MG, 12/06/2018
HC 97687/MG, 15/05/2018

DOSIMETRIA DA PENA
PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE
Para a fixação da pena, o juiz irá considerar a natureza e a quantidade do produto, a
personalidade e a conduta social do agente, as quais serão preponderantes sobre as
circunstâncias judiciais do Art. 59 do CP.
Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com
preponderância sobre o previsto no art. 59 do Código Penal, a
natureza e a quantidade da substância ou do produto, a
personalidade e a conduta social do agente.
No Art. 59, caput, do CP estão previstas as circunstâncias judiciais ou inominadas,
utilizadas na dosimetria da pena-base. Elas não são ignoradas na Lei de Drogas. Mas o juiz
utilizará, de forma preponderante, as circunstâncias elencadas pelo Art. 42 da Lei de Drogas.

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Natureza
Quantidade da substância
Quantidade do produto
Personalidade
Conduta social do agente

PENA DE MULTA
Para fixar a pena de multa, após observar o Art. 42 da Lei Drogas, o juiz irá fixar os dias-
multas (500 até 1500). Posteriormente, irá calcular o valor de cada dia-multa, o qual não poderá
ser menor do que 1/30 do SM e nem ultrapassar o valor de cinco vezes o salário mínimo.

Art. 43. Na fixação da multa a que se referem os arts. 33 a 39 desta


Lei, o juiz, atendendo ao que dispõe o art. 42 desta Lei, determinará
o número de dias-multa, atribuindo a cada um, segundo as condições
econômicas dos acusados, valor não inferior a um trinta avos nem
superior a 5 vezes o maior salário mínimo.

Parágrafo único. As multas, que em caso de concurso de crimes


serão impostas sempre cumulativamente, podem ser aumentadas até
o décuplo se, em virtude da situação econômica do acusado,
considerá-las o juiz ineficazes, ainda que aplicadas no máximo.

FLAGRANTE PROVOCADO OU PREPARADO – CRIME DE ENSAIO


O flagrante provocado verifica-se quando alguém, insidiosamente, induz outra pessoa a
cometer uma conduta criminosa, e, simultaneamente, adota medidas eficazes para impedir a
consumação.
Para saber se o flagrante preparado é válido ou não, importante conhecer a súmula 145
do STF, vejamos:
Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível
a sua consumação. STF, súmula 145

A referida súmula trata do crime de ensaio ou experiência ou delito putativo por obra do
agente provocador.
É típico exemplo de flagrante preparado é o caso do policial à paisana que procura um
traficante para comprar drogas. Após a efetiva entrega da droga, o policial efetua a prisão.
Para determinar se há ou não crime, importante separar as condutas, assim:
Em relação à conduta de vender, o flagrante é preparado. Portanto, deve-se observar o
enunciado da Súmula 145 do STF. No exemplo acima, não haveria crime, eis que o policial forçou
a situação de flagrante.
Em relação à conduta de ter em depósito, não há flagrante preparado, pois,
independentemente, da ação do policial o agente já tinha a droga em depósito (crime
permanente).

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STJ: Não há que se falar em flagrante preparado se o comportamento


policial não induziu à prática do delito, já consumado em momento anterior.
Hipótese em que o crime do tráfico de drogas estava consumado desde o
armazenamento do entorpecente, o qual não foi induzido pelos policiais, perdendo a
relevância a indução da venda pelos policiais.
HC 245.515/SC, 16/08/2012
STJ: A Súmula 145 STF dispõe que Não há crime, quando a preparação do
flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação. Contudo, não se pode
confundir o flagrante provocado com o flagrante esperado, no qual a polícia
tem notícias de uma infração penal será cometida e aguarda o momento de
sua consumação para executar a prisão. No caso dos autos, verificou-se que os
pacientes já estavam sendo monitorados, não tendo havido provocação prévia dos
policiais para que se desse início à prática do crime de tráfico de drogas. Ademais,
consta do acórdão impugnado que as abordagens dos veículos ocorreram de forma
autônoma, tendo a ligação telefônica apenas demonstrado o vínculo entre os
pacientes, encontrando-se ambos em flagrante delito. Nesse contexto, não há que
se falar em flagrante preparado.
HC 438.565, 19/06/2018

FLAGRANTE FORJADO
O flagrante forjado, fabricado, maquinado ou urdido, a conduta do agente é criada pela
polícia, tratando-se de fato atípico. Há, na verdade, fabricação de provas de um crime
inexistente, com o escopo de fundamentar, sem justo motivo, a prisão em flagrante.
É o que ocorre, por exemplo, quando policiais ingressam sem justa causa no domicílio de
outrem à procura de drogas e, não as encontrando, “plantam” um pacote de cocaína embaixo
da cama do sujeito para dar ares de legalidade à ação arbitrária.

FLAGRANTE ESPERADO
No flagrante esperado a deflagração do processo executório do crime é de
responsabilidade do agente, razão pela qual a prisão é lícita. O flagrante é válido quando a
Polícia, informada sobre a possibilidade de ocorrer um delito, dirige-se ao local, aguardando a
sua execução. Com o início desta, a pronta intervenção dos agentes policiais, prendendo o autor,
configura o flagrante.

ART. 33, §1º – CRIMES EQUIPARADOS AO TRÁFICO DE


DROGAS
As figuras equiparadas ao tráfico de drogas estão previstas no §1º do Art. 33 da LD, a
seguir iremos analisar cada um dos seus incisos.
O legislador descreve 4 condutas equiparadas ao tráfico.

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TRÁFICO DE MATÉRIA-PRIMA, INSUMOS OU PRODUTO


QUÍMICO
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem:
I - Importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à
venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou
guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo
com determinação legal ou regulamentar, MATÉRIA-PRIMA,
INSUMO ou PRODUTO QUÍMICO destinado à preparação de drogas;
Matéria-prima é substância bruta da qual podem ser extraídas ou produzidas as
drogas.
Insumo é elemento participante do processo de formação de determinado produto.
Apesar de não ser possível se extrair dele a droga, o insumo é utilizado para a
produção da substância entorpecente quando agregado à matéria-prima (somado
aos restos de cocaína, o bicarbonato de sódio dá origem ao crack).
Ex.: talco, bicarbonato de sódio.
Produto químico é substância química qualquer, pura ou composta, utilizada em
laboratório no processo de elaboração da droga, sem, todavia, se agregar à matéria-
prima (a acetona é utilizada para o refino de cocaína).
Ao se referir à matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de
drogas, este inciso abrange não apenas as substâncias destinadas exclusivamente à preparação
das drogas, mas também aquelas que, eventualmente, se prestem a essa finalidade. Nesse caso,
é necessária a realização de exame pericial para atestar que o produto apreendido era utilizado
como matéria-prima.
FINALIDADE
A matéria-prima deve ser direcionada à preparação da droga.
AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO PARA CARACTERIZAÇÃO DO DELITO
A tipificação desse crime também está condicionada à demonstração de que a conduta foi
executada em desacordo com o elemento normativo “sem autorização” ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar. Logo, se a utilização da matéria-prima, dos insumos e dos
produtos químicos for feita de acordo com a Lei nº 10.357/01, que estabelece normas de
controle e fiscalização sobre produtos químicos que, direta ou indiretamente, possam ser
destinados à elaboração ilícita de substâncias entorpecente , psicotrópicas ou que determinem
dependência física ou psíquica, há de ser reconhecida a atipicidade da conduta.
Portanto, se alguém importar, exportar, remeter, produzir etc., matéria-prima, insumo ou
produto químico devidamente autorizado, trata-se de fato atípico.
POSSE DE SEMENTES DE MACONHA
A simples posse de sementes – sem que ocorra a efetiva plantação – não está abrangida no
tipo penal em análise. Nesse caso, se o exame químico-toxicológico constatar a evidência do
princípio ativo, o agente deverá ser enquadrado em uma das figuras de tráfico previstas no
caput (trazer consigo, guardar).
Mas, e se o exame der NEGATIVO como ocorre com as sementes de maconha?

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A importação de pequenas quantidades de sementes de maconha configura


tráfico de drogas?
STJ – 5º Turma - SIM!
A jurisprudência majoritária desta Corte é no sentido de que a importação clandestina
de Maconha (Cannabis) configura o tipo penal descrito no art. 33, 1, I.
STJ. 5ª Turma. 173365/SP, 05/06/2018
A importação clandestina de sementes de Cannabis sativa linneu (maconha) configura
o tipo penal descrito no art. 33, § 1º, I, da Lei nº 11.343/2006. Não é possível aplicar o
princípio da insignificância.
STJ. 5ª Turma. 1723739/SP, 23/10/2018
A importação de pequenas quantidades de sementes de maconha configura
tráfico de drogas?
STJ – 6º Turma - NÃO!
Tratando-se de pequena quantidade de sementes e inexistindo expressa previsão
normativa que criminaliza, entre as condutas do art. 28 da Lei de Drogas, a importação de
pequena quantidade de matéria-prima ou insumo destinado à preparação de droga para
consumo pessoal, forçoso reconhecer a atipicidade do fato.
STJ. 6ª Turma. 1616707/CE, 26/06/2018.
STF – Ministro Celso de Mello:
A semente de Cannabis não é considerada droga, pois não possui, em sua composição,
a substância THC, princípio ativo da maconha, não configurando o tipo penal do art. 33, caput,
da Lei de Drogas. O fruto da maconha não constitui matéria-prima nem insumo destinado à
preparação de drogas, não configurando o tio penal do art. 33, § 1º
A importação ou a posse de semente de Cannabis sativa L. não é crime, pois não se
trata de droga, já que a semente não possui em sua composição o princípio ativo da maconha.
Assim entendeu o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, ao conceder Habeas
corpus a uma mulher presa por transportar sementes de maconha.
Disso resulta que a mera importação e/ou a simples posse da semente de 'Cannabis
sativa L.' não se qualificam como fatores revestidos de tipicidade penal, essencialmente
porque, não contendo as sementes o princípio ativo do tetraidrocanabinol (THC), não se
revelam aptas a produzir dependência física e/ou psíquica, o que as torna inócuas.
HC 143.890, 06/5/2019

CULTIVO DE PLANTAS PARA O TRÁFICO


§ 1º Nas mesmas penas incorre quem:
II - Semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que
se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas;
A configuração do delito reclama a presença do elemento normativo sem autorização ou
em desacordo com determinação legal ou regulamentar.
O Art. 2º da Lei de Drogas estabelece que são proibidos, em todo território nacional, o
plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser
extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a hipótese de autorização legal ou regulamentar
analisadas anteriormente.
Art. 2º Ficam proibidas, em todo o território nacional, as drogas,
bem como o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais
e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas,
ressalvada a hipótese de autorização legal ou regulamentar, bem
como o que estabelece a Convenção de Viena, das Nações Unidas,
sobre Substâncias Psicotrópicas, de 1971, a respeito de plantas de uso
estritamente ritualístico-religioso.
Parágrafo único. Pode a União autorizar o plantio, a cultura e a
colheita dos vegetais referidos no caput deste artigo, exclusivamente
para fins medicinais ou científicos, em local e prazo predeterminados,
mediante fiscalização, respeitadas as ressalvas supramencionadas.

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Autorização para plantio


A Lei prevê, ainda, que a União poderá autorizar o plantio de tais vegetais, desde que
sejam para fins medicinais ou científicos, fixando o prazo e o local em que serão plantadas,
com a referida fiscalização.
Parágrafo único. Pode a União autorizar o plantio, a cultura e a
colheita dos vegetais referidos no caput deste artigo, exclusivamente
para fins medicinais ou científicos, em local e prazo predeterminados,
mediante fiscalização, respeitadas as ressalvas supramencionadas.
Desapropriação das terras onde haja cultivo de substâncias entorpecentes

Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do


País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas
ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão
expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de
habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem
prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber,
o disposto no art. 5º.
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico
apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e
drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado e
reverterá a fundo especial com destinação específica, na forma da lei.
Qual o alcance dessa medida, isto é, o confisco alcançaria toda a gleba ou somente
a parte em que a droga estava plantada?
O confisco abrange toda a propriedade e não apenas a área que a droga estava plantada.
A responsabilidade do proprietário é objetiva ou subjetiva?
No passado sustentava-se a responsabilidade objetiva, isto é, mesmo arrendando a terra
o proprietário a perdia, pois se entendia que ele tinha a responsabilidade de vigiar a
propriedade. Mas o STF mudou de entendimento:
A expropriação prevista no art. 243 da CF pode ser afastada, desde que o
proprietário comprove que não incorreu em culpa, ainda que in vigilando ou in
elegendo
STF, 635.336/PE, Min. Gilmar Mendes, Plenário, 14.12.2016

Destruição das plantações ilícitas


Art. 32. As plantações ilícitas serão imediatamente destruídas pelo
delegado de polícia na forma do art. 50-A, que recolherá
quantidade suficiente para exame pericial, de tudo lavrando auto
de levantamento das condições encontradas, com a delimitação do
local, asseguradas as medidas necessárias para a preservação da
prova.

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UTILIZAÇÃO DE LOCAL PARA FIM DE TRÁFICO


§ 1º Nas mesmas penas incorre quem:
III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a
propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente
que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização
ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o
tráfico ilícito de drogas.
“Local” e “bem de qualquer natureza”: isso significa dizer que restará caracterizado tanto
nas hipóteses de utilização de “local” para o tráfico (estabelecimento comercial, apartamento,
restaurante), quanto nas hipóteses em que o agente aproveita de um “bem de qualquer
natureza” (automóveis, barcos, aviões). Não é necessário que o agente seja o dono do local
utilizado, bastado que tenha a sua posse ou a sua simples administração, guarda ou
vigilância. Assim, o gerente de um bar ou um vigilante de um parque de diversões podem ser
punidos caso permitam o tráfico de entorpecentes nestes locais.
O agente empresta o carro, a casa para o tráfico de drogas. Esse local pode ser imóvel
(terreno, casa, apartamento) ou móvel (carro, avião). O crime é doloso, ou seja, somente estará
caracterizado quando o proprietário/possuidor do local conhece a natureza da substância.
A utilização será para o efetivo tráfico de drogas, caso seja utilizado para o consumo
pessoal de drogas, não incidirá no tráfico equiparado.
Art. 63. Ao proferir a sentença de mérito, o juiz decidirá sobre o
perdimento do produto, bem ou valor apreendido, sequestrado ou
declarado indisponível.
§ 1º Os valores apreendidos em decorrência dos crimes tipificados
nesta Lei e que não forem objeto de tutela cautelar, após decretado o
seu perdimento em favor da União, serão revertidos diretamente ao
FUNAD.
§ 2º Compete à SENAD a alienação dos bens apreendidos e não
leiloados em caráter cautelar, cujo perdimento já tenha sido
decretado em favor da União.

VENDA OU ENTREGA DE DROGAS A POLICIAL


IV - Vende ou entrega drogas ou matéria-prima, insumo ou produto
químico destinado à preparação de drogas, sem autorização ou em
desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente
policial disfarçado, quando presentes elementos probatórios
razoáveis de conduta criminal preexistente.
Figura trazida pela Lei nº 13.964/2019, conhecida como PACOTE ANTICRIME, o inciso IV
trouxe a discussão entre as correntes contrárias ao pacote e as que apoiam acerca da possível
permissão do Flagrante Provocado ou preparado.
A Lei 13.964/2019 dentre tantas alterações importantíssimas, em algumas passagens,
traz a nova figura do agente disfarçado que não deve ser confundido com outras técnicas
especiais de investigação como agente infiltrado ou agente que atua em meio a uma ação
controlada.
Os autores Renee Souza, Rogério Sanches cunha e Caroline de Assis abordaram em um
excepcional artigo disponível na internet “A nova figura do agente disfarçado prevista na Lei
13.964/2019”.
Segundo os autores, à luz das normas contidas na Lei 13.964/2019, pode-se esboçar a
definição de agente disfarçado como aquele que, ocultando sua real identidade, posiciona-
se com aparência de um cidadão comum (não chega a infiltrar-se no grupo criminoso) e,
partir disso, coleta elementos que indiquem a conduta criminosa preexistente do sujeito
ativo. O agente disfarçado ora em estudo não se insere no seio do ambiente criminoso e
tampouco macula a voluntariedade na conduta delitiva do autor dos fatos.
Os autores, ainda, fazem a distinção entre o agente infiltrado, provocador e o disfarçado:

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O AGENTE INFILTRADO
Agente infiltrado é o funcionário da polícia que, falseando sua identidade, penetra no
âmago da organização criminosa para obter informações e, dessa forma, desmantelá-la. A
infiltração pressupõe a imersão do agente na organização criminosa, mediante envolvimento
articulado com os membros e adoção de postura estrategicamente complacente com as práticas
criminosas, com o fito de angariar elementos que sirvam de sustentáculo à persecução penal.
A figura jurídica da infiltração de agentes revela-se uma estratégia investigativa, que se
dá mediante prévia autorização judicial e cuja relação com o grupo criminoso é premeditada e
planejada antecipadamente pelo Estado.
O AGENTE PROVOCADOR
O agente provocador tem como característica é o excesso de comportamento interventivo
junto à conduta criminosa de modo a romper com a atuação eminentemente investigativa e
necessariamente neutra, a ponto mesmo de induzir ou instigar a prática do delito. Nesses casos,
o agente provoca o evento e concorre decisivamente para o crime de forma que, ao mesmo
tempo em que encoraja o autor a sua prática, providencia a sua prisão em flagrante.
O agente provocador destoa significativamente do agente infiltrado que, diferentemente,
deve atuar de forma neutra no que concerne às atividades ilícitas exercidas pelo grupo
investigado. Em nenhuma hipótese o agente infiltrado é o responsável pela idealização do
crime, etapa inteiramente atribuída ao grupo em que ele se inseriu. De outro lado, na figura do
agente provocador, distintamente, há uma postura incitadora do crime, o que retira a
neutralidade causal de sua conduta no cometimento da infração.
O agente provocador é figura que deve ser evitada, haja vista deslegitimar toda a
persecução penal por excesso na atuação do policial. Trata-se de ação desautorizada pelo
Estado, que enseja nulidades a atuação estatal e a possível responsabilidade criminal da
autoridade que assim procede (Lei 13.869/2019, Art. 9º, caput).
O AGENTE DISFARÇADO
O agente disfarçado contemplado na Lei 13.964/2019 é referido em quatro momentos
específicos e afigura-se tratar-se de figura jurídica sem precedente no Código de Processo Penal
e na legislação penal.
O agente disfarçado, tal qual o infiltrado, também não é considerado agente provocador
vez que sua atuação não implica em instigação ao delito. Sua atuação é predominantemente
passiva, o que pode ser verificado mediante a hipotética substituição de sua conduta e
constatação acerca do mesmo transcurso causal até o crime.
Importa, porém deixar destacado que o agente disfarçado, tal como concebido pela Lei
13.964/2019 não pode ser confundido com a uma mera “campana policial”, técnica
amplamente utilizada para realização de prisões em flagrante esperado.
O uso de agentes disfarçados difere do flagrante preparado por não motivar e, sim,
flagrar o crime que já estava acontecendo.
O agente se finge de vítima e traz à tona uma prática que já estava acontecendo é bastante
diferente de ensejar a prática criminosa.
Ex.: Alguém que está vendendo drogas em uma festa. O policial vai até ele e diz: “quero
comprar”.

Para a validade da atuação do agente disfarçado deve haver a demonstração de provas em grau
suficiente a indicar que o autor realizou antes uma conduta criminosa, circunstância objeto da
investigação proporcionada pelo disfarce. A investigação realizada pelo agente disfarçado, em razão da
qualificada apreensão de informações proporcionada pelo disfarce, colhe elementos probatórios
razoáveis acerca da conduta criminosa preexistente.
Caso a investigação descarte a conduta criminosa preexistente, ou seja, caso revele tratar-se de
vendedor casual dos produtos ilícitos, não será possível responder pelos crimes especiais criados pela
Lei 13.964/2019. Essa observação é crucial para compreender o instituto como uma aposta na atuação
profissional dos investigadores policiais e não simplesmente como um expediente capaz de levar ao
alargamento de prisões de pessoas desvinculadas da prática de crimes.

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CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA: ART. 33, §4º – TRÁFICO


PRIVILEGIADO

§ 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas


poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a conversão
em penas restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de
bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem
integre organização criminosa.

A Doutrina e Jurisprudência chamam o §4º do Art. 33 de TRÁFICO PRIVILEGIADO


(tráfico acidental ou de tráfico eventual). Porém, trata-se em verdade de causa de diminuição
de pena de 1/6 a 2/3.
Cabe diminuição de pena nos casos previstos (Art. 33 caput e §1º) quando cumpridos os
seguintes REQUISITOS CUMULATIVOS:

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O fato de o réu ter ocupação lícita não significa que terá direito, necessariamente, à
minorante do § 4º do art. 33 da LD.
Info. 582, STJ
Quantidade de drogas
O STJ já tem decidido que a apreensão de GRANDE QUANTIDADE DE DROGAS, a
depender das peculiaridades do caso concreto, é circunstância hábil a denotar a dedicação do
acusado a atividades criminosas e, consequentemente, a impedir a aplicação da causa especial
de diminuição da pena, porque indica um maior envolvimento do agente com o mundo do
narcotráfico, ainda que seja primário e não possua maus antecedentes.
STJ 330.858, 05/092016
A quantidade de drogas não constitui isoladamente fundamento idôneo para negar o
benefício da redução da pena STF. 138.138/SP, 29.11.2016
Não significa, contudo, que a grande quantidade de drogas, POR SÍ SÓ, é elemento apto
a afastar o privilégio. É preciso analisar o caso concreto. Para o STF, a quantidade de drogas
não pode, automaticamente, proporcionar o entendimento de que a paciente faria o tráfico
seu meio de vida ou integraria uma organização criminosa.
STF, 138.715, 09/06/2017

Existências de AÇÕES PENAIS E INQUÉRITOS POLICIAIS EM CURSO


É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação
da convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício
legal previsto no art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006.
STJ. 14/12/2016 (Info 596).
Os princípios constitucionais devem ser interpretados de forma harmônica, razão pela
qual o princípio da presunção de inocência não pode ser lido e aplicado irrestritamente, de
maneira absoluta, como se fosse possível obstar que a existência de inquéritos ou ações penais
em curso impeçam a interpretação, em cada caso, para mensurar a dedicação do réu em
atividade criminosa.
STJ, 1.431, 01/02/2017
Isso significa que se o réu tiver inquéritos policiais ou ações penais contra si,
ele estará obrigatoriamente impedido de receber o benefício do art. 33, § 4º da LD?
Não. Não existe uma obrigatoriedade de que sempre o juiz tenha que negar o benefício
pelo fato de o réu possuir inquéritos policiais ou ações penais contra si. O magistrado poderá
utilizar este argumento para deixar de aplicar a causa de diminuição. No entanto, nada impede
que, diante das peculiaridades do caso concreto, o juiz faça incidir o art. 33, § 4º mesmo que
exista inquérito ou ação penal contra o réu.
Para que seja negado o benefício do art. 33, § 4º da LD ao réu, é necessário
que o inquérito policial ou a ação penal que ele responda sejam também relacionados
com tráfico de drogas?
Não. É possível negar o benefício mesmo que o inquérito ou a ação penal tenham por
objeto outros crimes. Ex.: o réu é preso por tráfico de drogas, sendo que já possuía contra si
uma ação penal por roubo. Isso porque o Art. 33, § 4º da LD exige que o réu não se dedique
a “atividades criminosas”, expressão ampla que abrange não apenas o tráfico de drogas.

“MULAS” DO TRÁFICO
“Mulas”, segundo Cleber Masson, são pessoas recrutadas com a finalidade de promover o
transporte de drogas, é o nome dado à pessoa, geralmente primária e de bons antecedentes
(para que não desperte suspeitas).

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Normalmente, a droga é transportada pela “mula” de forma dissimulada, escondida em


fundos falsos de bolsas, junto ao corpo ou até mesmo em cápsulas dentro do estômago da
pessoa.
A “mula” não necessariamente figura como integrante da organização criminosa.
O exercício da função de mula, embora indispensável para o tráfico internacional, não
traduz, por si só, adesão, em caráter estável e permanente, à estrutura da organização
criminosa, até porque esse recrutamento pode ter finalidade um único transporte da droga.
STF, HC 134.597, 09/08/2016
É possível o reconhecimento do tráfico privilegiado ao agente transportador de drogas,
na qualidade de mula, uma vez que a simples atuação nessa condição não induz,
automaticamente, à conclusão de que ele seja integrante de organização criminosa.

Essa concepção, portanto, admite a incidência da minorante à “mula ocasional”


(“eventual” ou “esporádica”), mas a proíbe no tocante à “mula habitual”.

TRÁFICO PRIVILEGIADO – CONSIDERAÇÕES


Trata-se de quatro requisitos de natureza subjetiva, os quais devem ser analisados de
forma cumulativa. Para que o acusado faça jus à diminuição devem estar presentes
todos os requisitos.
Para fins de determinar o quantum de diminuição da pena, o juiz deve se valer dos
critérios constantes do Art. 42 da Lei de Drogas - natureza e quantidade da droga,
personalidade e conduta social do agente -, tendo plena autonomia para aplicar a
redução no quantum reputado adequado de acordo com as peculiaridades do caso
concreto, desde que o faça de maneira fundamentada.
Vedada a conversão em penas restritivas de direitos: o STF rechaçou o dispositivo legal
em comento que vedada a conversão em penas restritivas de direitos, declarando
sua inconstitucionalidade por violar o princípio da proporcionalidade (usurpação
do Judiciário na análise do caso concreto).
É firme a jurisprudência dessa corte no sentido de que a vedação de substituição de
reprimenda com base apenas na proibição legal ofende o princípio da individualização da pena,
cumprindo ao julgador, analisar os requisitos do art. 44 do Código Penal.
STF, 15/10/2013

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TRÁFICO PRIVILEGIADO NÃO É EQUIPARADO A HEDIONDO:

Lei 13.964/2019, conhecida como Pacote Anticrime, acrescentou ao Art. 112 da Lei de
Execuções Penais o § 5º que diz que: Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste
artigo, o crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto
de 2006 (tráfico privilegiado)
O chamado tráfico privilegiado, previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº
11.343/2006 não deve ser considerado crime equiparado a hediondo.
STF. Plenário. 118533, 23/6/2016 (Info 831).
Condenado por Tráfico (Art. 35) em concurso com associação (Art. 35)
– incabível a causa de diminuição de pena
É inaplicável a causa especial de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei
nº 11.343/2006 (traficante privilegiado) na hipótese em que o réu tenha sido condenado, na
mesma ocasião, por tráfico (art. 33) e pela associação para o tráfico (art. 35).
Ora, a causa de diminuição prevista no § 4º do art. 33 pressupõe que o agente não se
dedique às atividades criminosas. Se o réu foi condenado por associação para o tráfico é porque
ficou reconhecido que ele se associou com outras pessoas para praticar crimes, tendo,
portanto, seu comportamento voltado à prática de atividades criminosas.
STJ, informativo 513

VAMOS VER COMO FOI COBRADO EM PROVA!


(2017/DPU) Situação hipotética: José, ao comercializar cocaína em espaço público, foi
preso em flagrante. Apesar de ele ser primário, o juiz sentenciante não aplicou a causa de
diminuição de pena referente ao denominado tráfico privilegiado, sob o argumento de que o
réu se dedicava a atividades criminosas, conforme evidenciado por inquéritos e ações penais
em curso nos quais José figurava como indiciado ou réu. Assertiva: Nessa situação, de acordo
com a jurisprudência do STJ, o juiz feriu o princípio constitucional da presunção de inocência.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário:
É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para
formação da convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a
afastar o benefício legal previsto no art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006.
STJ. 14/12/2016 (Info 596).

Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal Prova: Delegado de Polícia Federal
No item seguinte, é apresentada uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser
julgada, a respeito de crime de tráfico ilícito de entorpecentes, crime contra a criança e
adolescente e crimes licitatórios.
Em viagem pela Europa, Ronaldo, primário, de bons antecedentes e não integrante de
organização criminosa, adquiriu quinze cápsulas do entorpecente LSD com o objetivo de obter
lucro capaz de custear as despesas com a viagem. De volta ao Brasil, Ronaldo foi preso em
flagrante quando tentava vender a droga. Nessa situação, caso seja condenado pelo crime
tráfico de entorpecentes, Ronaldo poderá obter a redução da pena de um sexto a dois terços.
Certo ( ) Errado ( )

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Gabarito: Certo
Comentário:
No caso, o agente que cometeu crime de tráfico, se possuir os requisitos da
primariedade, de bons antecedentes, e não se dedicar às atividades criminosas nem
integrar organização criminosa, poderá ter a redução da pena de um sexto a dois
terços. É o chamado Tráfico Privilegiado, previsto no Art. 33, parágrafo 4º da Lei de
Drogas.

Ano: 2015 Banca: CESPE Órgão: TJ-DFT Prova: Analista Judiciário


No que se refere aos crimes previstos na legislação de trânsito e na legislação antidrogas,
julgue o próximo item.
Em observância ao princípio da individualização da pena, segundo o entendimento
pacificado do STF, em se tratando do delito de tráfico ilícito de entorpecentes, a pena privativa
de liberdade pode ser substituída por pena restritiva de direitos, preenchidos os requisitos
previstos no Código Penal.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário:
O Pleno do STF, no julgamento do habeas corpus 97.256, decidiu que a
expressão vedada a conversão de suas penas em restritivas de direitos contida no
art. 44 da Lei n.º 11.343/2006 era inconstitucional:
EMENTA: HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. ART. 44 DA LEI
11.343/2006: IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA PRIVATIVA DE
LIBERDADE EM PENA RESTRITIVA DE DIREITOS. DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE
INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA À GARANTIA CONSTITUCIONAL DA
INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA (INCISO XLVI DO ART. 5º DA CF/88). ORDEM
PARCIALMENTE CONCEDIDA.
5. Ordem parcialmente concedida tão-somente para remover o óbice da parte
final do art. 44 da Lei 11.343/2006, assim como da expressão análoga vedada a
conversão em penas restritivas de direitos, constante do § 4º do art. 33 do mesmo
diploma legal. Declaração incidental de inconstitucionalidade, com efeito ex nunc, da
proibição de substituição da pena privativa de liberdade pela pena restritiva de
direitos; determinando-se ao Juízo da execução penal que faça a avaliação das
condições objetivas e subjetivas da convolação em causa, na concreta situação do
paciente. (HC 97256, Relator(a): Min. AYRES BRITTO, Tribunal Pleno, julgado em
01/09/2010)

Ano: 2015 Banca: FUNIVERSA Órgão: SEAP-DF


No que diz respeito à legislação penal extravagante, segundo entendimento do STJ e do STF, julgue
o item.
De acordo com a jurisprudência do STJ, a quantidade e a variedade de entorpecentes apreendidos
em poder do acusado de traficar drogas constituem circunstâncias hábeis a denotar a dedicação às
atividades criminosas, podendo impedir a aplicação da causa de diminuição de pena prevista na lei de
combate às drogas.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: O STJ firmou entendimento no sentido de que a QUANTIDADE e a
VARIEDADE (e até mesmo a natureza!) da droga podem impedir a caracterização do privilégio.
2. A natureza e a quantidade de droga justificam a não aplicação da minorante do tráfico
privilegiado.
(HC 311.660/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 10/03/2015,
DJe 17/03/2015)
Tais circunstâncias poderiam, segundo o STJ, evidenciar a participação em organização
criminosa, o que impediria a aplicação do §4º do Art. 33 da Lei de Drogas.

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ART. 34 – TRÁFICO DE MAQUINÁRIO


Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender,
distribuir, entregar a qualquer título, possuir, guardar ou fornecer,
ainda que gratuitamente, maquinário, aparelho, instrumento ou
qualquer objeto destinado à fabricação, preparação, produção ou
transformação de drogas, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:
Pena - reclusão, de 3 a 10 anos, e pagamento de 1.200 a 2.000 dias-
multa.
No Direito Penal brasileiro os atos preparatórios, em regra, não são puníveis sequer na
forma tentada.
Em casos excepcionais, é possível a punição de atos preparatórios nas hipóteses em que
a lei opta por incriminá-los de forma autônoma. São os chamados crimes-obstáculos ou tipos
de realização imperfeita.
Trata-se de crime relativo ao maquinário, aparelho, instrumento ou qualquer objeto que
seja destinado à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas.
É um crime subsidiário em relação ao tráfico e hediondo por equiparação.
Ex.: se a polícia não conseguir encontrar nenhuma droga em um laboratório
clandestino durante a execução de um mandado de busca, porem encontrar uma
balança de precisão com vestígios de cocaína, o agente deverá ser autuado em
flagrante pela prática do Art. 34.

Se ficar caracterizada a existência de contextos autônomos e coexistentes aptos a


vulnerar o bem jurídico tutelado de forma distinta, o agente deverá responder pelos
dois crimes em concurso material ou formal impróprio.
É de se reconhecer o concurso material de crimes, mesmo com o encontro da
droga, na hipótese de constituição de verdadeira fábrica para produção de drogas em
grande escala. Nesse caso, não há falar na incidência do princípio da consunção, com
absorção do crime tipificado no art. 34 pelo delito contido no art. 33, caput, ambos
da Leu de drogas, pois a capacidade lesiva do mecanismo para produção de drogas
vai muito além do risco a saúde pública representado pelas drogas apreendidas.
STJ, info 531

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Não há crime quando o maquinário é para o USO (cachimbo, papel usado para
confeccionar cigarro).
INFORMATIVO 531 – STJ
QUANDO O TRÁFICO DE DROGAS ABSORVE O CRIME DE TRÁFICO DE
MAQUINÁRIO.
Responderá apenas pelo crime de tráfico de drogas – e não pelo mencionado crime em
concurso com o de posse de objetos e maquinário para a fabricação de drogas, previsto no
Art. 34 da Lei 11.343/2006 – o agente que, além de preparar para venda certa quantidade de
drogas ilícitas em sua residência, mantiver, no mesmo local, uma balança de precisão e um
alicate de unha utilizados na preparação das substâncias.
De fato, o tráfico de maquinário visa proteger a saúde pública, ameaçada com a
possibilidade de a droga ser produzida, ou seja, tipifica-se conduta que pode ser considerada
como mero ato preparatório. Portanto, a prática do crime previsto no Art. 33, caput, da Lei de
Drogas absorve o delito capitulado no Art. 34 da mesma lei, desde que não fique caracterizada
a existência de contextos autônomos e coexistentes aptos a vulnerar o bem jurídico tutelado
de forma distinta.
Deve ficar demonstrada a real lesividade dos objetos tidos como instrumentos
destinados à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas, sob pena de a
posse de uma tampa de caneta – utilizada como medidor –, atrair a incidência do tipo penal
em exame. Relevante, assim, analisar se os objetos apreendidos são aptos a vulnerar o tipo
penal em tela. Na situação em análise, além de a conduta não se mostrar autônoma, verifica-
se que a posse de uma balança de precisão e de um alicate de unha não pode ser considerada
como posse de maquinário nos termos do que descreve o Art. 34, pois os referidos
instrumentos integram a prática do delito de tráfico, não se prestando à configuração do crime
de posse de maquinário.
REsp 1.196.334-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 19/9/2013.
QUANDO O TRÁFICO DE DROGAS NÃO ABSORVE O CRIME DE TRÁFICO DE
MAQUINÁRIO. AUTONOMIA DE CONDUTA SUBSUMIDA AO CRIME DE POSSUIR
MAQUINÁRIO DESTINADO À PRODUÇÃO DE DROGAS.
Responderá pelo crime de tráfico de drogas – Art. 33 da Lei 11.343/2006 – em concurso
com o crime de posse de objetos e maquinário para a fabricação de drogas – Art. 34 da Lei
11.343/2006 – o agente que, além de ter em depósito certa quantidade de drogas ilícitas em
sua residência para fins de mercancia, possuir, no mesmo local e em grande escala, objetos,
maquinário e utensílios que constituam laboratório utilizado para a produção, preparo,
fabricação e transformação de drogas ilícitas em grandes quantidades.
Nessa situação, as circunstâncias fáticas demonstram verdadeira autonomia das
condutas e inviabilizam a incidência do princípio da consunção.
Sabe-se que o referido princípio tem aplicabilidade quando um dos crimes for o meio
normal para a preparação, execução ou mero exaurimento do delito visado pelo agente,
situação que fará com que este absorva aquele outro delito, desde que não ofendam bens
jurídicos distintos.
AgRg no AREsp 303.213-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
8/10/2013.

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Em resumo, vale a proporcionalidade e o contexto em que os crimes foram praticados.


Assim, será possível o reconhecimento da absorção do delito previsto no Art. 34 – que tipifica
conduta que pode ser considerada como mero ato preparatório – pelo crime previsto no Art.
33.
Contudo, para tanto, é necessário que não fique caracterizada a existência de
contextos autônomos e coexistentes aptos a vulnerar o bem jurídico tutelado de forma
distinta.
O Art. 33, caput, pode absorver os delitos previstos nos Arts. 33, §1º e 34, desde que
constituam meios necessários ou fases normais de preparação da prática do Art.33, caput.
INFO 791/STF
Ademais, entendeu que, dadas as circunstâncias do caso concreto, seria
possível a aplicação do princípio da consunção, que se consubstanciaria pela absorção
dos delitos tipificados nos artigos 33, § 1º, I, e 34 da Lei 11.343/2006, pelo delito
previsto no art. 33, caput, do mesmo diploma legal. Ambos os preceitos buscariam
proteger a saúde pública e tipificariam condutas que — no mesmo contexto fático,
evidenciassem o intento de traficância do agente e a utilização dos aparelhos e
insumos para essa mesma finalidade — poderiam ser consideradas meros atos
preparatórios do delito de tráfico previsto no art. 33, caput, da Lei 11.343/2006.
Quanto às demais alegações, não haveria vícios aptos a redimensionar a pena-base
fixada, bem assim estaria demonstrada a existência de associação para o tráfico.
Além disso, a suposta ocorrência de tráfico privilegiado não poderia ser analisada,
por demandar análise fático-probatória. Por fim, a questão relativa à incidência do
art. 62, I, do CP, não teria sido aventada perante o STJ, e sua análise implicaria
supressão de instância.
HC 109708/SP, rel. Min. Teori Zavascki, 23.6.2015. (HC-109708)

VEJA COMO FOI COBRADO!


(2018/Delegado de Polícia)
Situação hipotética: Em um mesmo contexto fático, um cidadão foi preso em flagrante por
manter em depósito grande variedade de drogas, entre elas, cocaína, maconha, haxixe e crack,
todas para fins de mercancia. Foram apreendidos também maquinários para o preparo de
drogas, entre eles, uma balança digital e uma serra portátil. Assertiva: Nessa situação, afastada
a existência de contextos autônomos entre as condutas delitivas, o crime será único.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: O cerne da questão está na expressão “afastada a existência de
contextos autônomos”. A jurisprudência é pacífica ao determinar a unicidade de crime
quando, no caso concreto, for comprovada a inexistência de contextos autônomos.

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ART. 36 – FINANCIAMENTO OU CUSTEIO DO TRÁFICO


Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes
previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 desta Lei:
Pena - reclusão, de 8 a 20 anos, e pagamento de 1.500 a 4.000 dias-
multa.

CONSIDERAÇÕES
Exceção pluralística à teoria monista (quem concorre de qualquer forma para a prática do
crime irá responder por ele) na qual foram separadas as tipificações das condutas do traficante
(Arts. 33, caput, e § 1º, e 34) e do seu financiador (Art. 36), já que apesar de concorrer para a
prática do tráfico de drogas o agente não irá responder por ele, mas sim pelo Art. 36.
O financiamento ou custeio só serão típicos se estas ações visarem à prática de qualquer
dos crimes previstos nos artigos Arts. 33, caput, e § 1º, e 34.
SUJEITO ATIVO
Crime Comum. Pune-se o agente que não tem participação direta na execução do tráfico,
limitando-se a fornecer dinheiro ou bens para subsidiar a mercadoria.

NÚCLEOS DO TIPO
Financiar: O agente não tem controle sobre a atividade do tráfico, apenas entrega o
dinheiro.

Custear: Banca as atividades não somente com dinheiro, mas com veículos, bens
móveis, armas.
O STF já teve a oportunidade de considerar suficientemente descrita a denúncia que
imutou ao réu o delito contido no Art. 36 da Lei de Drogas, já que financiaria a associação
criminosa, fornecendo veículos para o transporte das drogas ou para que fossem
negociados.
(...) O paciente foi denunciado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo por financiar
associação voltada para o tráfico ilícito de entorpecentes, fornecendo veículos para que fossem
utilizados para buscar drogas, ou para que fossem negociados. (…)
5. A denúncia descreve suficientemente a conduta do paciente, a qual, em tese, corresponde ao
delito descrito no art. 36 da Lei 11.343/06, já que financiaria a associação criminosa, fornecendo
veículos para o transporte das drogas ou para que fossem negociados.
6. Diversamente do que sustentam os impetrantes, a descrição dos fatos cumpriu,
satisfatoriamente, o comando normativo contido no art. 41 do Código de Processo Penal, estabelecendo a
correlação entre a conduta do paciente e a imputação da prática delituosa.
7. A alegação de que a situação financeira do paciente revelaria a impossibilidade de ter praticado
o delito narrado na denúncia exige, necessariamente, a análise do conjunto fático-probatório, o que
ultrapassa os estreitos limites do habeas corpus.
8. Esta Corte tem orientação pacífica no sentido da incompatibilidade do habeas corpus quando
houver necessidade de apurado reexame de fatos e provas
(HC 89.877/ES, rel. Min. Eros Grau, DJ 15.12.2006).
9. Habeas corpus denegado (HC 98.754, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe 11.12.2009, grifos nossos).
STF HC 98.754, 11/12/2009

ELEMENTO SUBJETIVO
Não se pude a conduta culposa; apenas a dolosa.

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CONSUMAÇÃO
Há profunda divergência doutrinária para identificação do momento consumativo. Entre
ser crime permanente, habitual ou instantâneo, Renato Brasileiro, Cleber Masson defendem
que o Art. 36 é um crime instantâneo, cuja consumação se verifica em um momento
determinado, sem continuidade do tempo. Assim, se o financiador bancar, em 10 ocasiões
diversas, a aquisição de drogas para comercialização por terceira pessoa, o agente deverá
responder 1º vezes pelo crime.
Não se aplica o Art. 36 para quem financia o USO de drogas. O financiamento do USO de
drogas é caracteriza o como crime do Art. 33 § 2º – Induzimento ao uso de drogas, como auxílio
moral.
QUESTÃO CONTROVERSA: AUTOFINANCIAMENTO
No caso de o agente atuar simultaneamente como traficante e financiador do delito
(exemplo: “A” financia a aquisição de uma tonelada de cocaína para ser comercializada por “B”,
e também auxilia na importação da substância e no seu transporte até este último), o legislador
previu expressamente a causa de aumento de pena prevista no Art. 40.
O agente que atua diretamente na traficância – executando, pessoalmente as
condutas tipificadas no art. 33 – e que também financia ou custeia a aquisição de
drogas, deve responder pelo crime previsto no art. 33 com a incidência da causa de
aumento de pena prevista no art. 40 inciso VII, afastando o crime do art. 36.
STJ HC306.136, 19/11/2015

VEJA COMO FOI COBRADO!


(2014) De acordo com o entendimento do STJ, aquele que importar e vender substância
entorpecente no mercado interno e utilizar os recursos assim arrecadados para financiar a
própria atividade praticará os crimes de tráfico ilícito de drogas e financiamento ao tráfico, em
concurso material.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Trata-se do chamado autofinanciamento. Quando quem importar
e vender substância entorpecente no mercado interno e utilizar os recursos assim
arrecadados para financiar a própria atividade responderá pelo crime do Art. 33 com
a causa de aumento de pena do Art. 40 (autofinanciamento).

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CRIMES EM ESPÉCIE - CRIMES NÃO EQUIPARADOS A


HEDIONDOS
ART. 33, § 2º – INDUZIMENTO AO USO DE DROGAS

Esse delito não é considerado tráfico de drogas e não é equiparado a


hediondo.

NÚCLEOS DO TIPO
Induzir – Fazer brotar a ideia.
Instigar – Reforçar uma ideia já preexistente.
Auxiliar – Facilitação material. A conduta de auxiliar deve ser compreendida como
ajuda real no sentido de oferecer ao usuário não a droga propriamente dita
(tráfico), e sim os meios necessários à sua utilização, tais como local para o uso
da droga ou o instrumento que permita o efetivo uso.
Exemplo: emprestar cachimbo para uso do crack.
Enquanto a indução e a instigação estão no campo moral, o auxílio está no campo
material.
Exemplo: O agente que empresta o carro para que outrem procure um local de venda
de droga.
O auxílio não pode abranger o fornecimento da droga.
SUBSIDIARIEDADE
É delito subsidiário: se o autor oferece droga, não será auxílio, será tráfico, Art. 33.
SUJEITO PASSIVO
Deve ser pessoa DETERMINADA. Alguém específico. Não caracteriza o induzimento, na
instigação ou no auxílio ao uso indevido da droga de natureza genérica, ou seja, voltado a
pessoas indeterminadas, sem prejuízo de eventual caracterização de incitação ao crime (CP,
Art. 286) ou apologia ao crime (CP, Art. 287).

CONSUMAÇÃO
Crime material: para a consumação depende da prática do comportamento principal – o
uso indevido da droga pelo terceiro, sendo efetivamente consumida.
MARCHA DA MACONHA
em
vista que a liberdade de expressão e manifestação de pensamento é consagrada na CF, bem
como só existe o referido quando as condutas são destinas a pessoa determinada, não a uma
multidão.

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ART. 33, §3º – TRÁFICO DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO


(CEDENTE EVENTUAL)
§ 3º Oferecer droga, EVENTUALMENTE e sem objetivo de lucro, a
PESSOA DE SEU RELACIONAMENTO, para JUNTOS a consumirem:
Pena - detenção, de 6 meses a 1 ano, e pagamento de 700 a 1.500 dias-
multa, sem prejuízo das penas previstas no art. 28.

Obviamente, este delito não é considerado tráfico de drogas, consequentemente, não é


equiparado a crime hediondo. Trata-se de uma infração penal de menor potencial ofensivo,
cuja competência será do JECRIM.
Para que o agente incorra nas sanções do §3º, é necessário o preenchimento de quatro
requisitos, cumulativos, vejamos:

Oferta eventual de droga;


A eventualidade deve ser analisada sob a ótica do sujeito ativo e não da pessoa
do relacionamento do agente a quem foi oferecida a droga para consumo
compartilhado. Logo, mesmo que a droga seja oferecida pela primeira vez à pessoa,
se restar comprovado que esse agente já havia oferecido drogas para consumo
compartilhado a outras pessoas, essa habitualidade afastará a tipificação do crime
do Art. 33 § 3º.

Oferta gratuita;
Oferecer: Se for “vender”, é tráfico.

O destinatário da droga deve ser pessoa do relacionamento de quem


oferece a droga;
Exemplo: amigo, parente, namorado.
Se quem oferece a droga ao terceiro não tem com ele nenhuma forma de
relacionamento, mesmo que seja eventual e para uso compartilhado, estará
caracterizado o tráfico.

Consumo compartilhado:
A droga deve ser destinada ao consumo conjunto. (Finalidade específica)

SUJEITO ATIVO
Crime próprio: Somente pode ser cometido por quem mantenha algum tipo de
relacionamento com o destinatário da droga ofertada.
ELEMENTO SUBJETIVO
Dolo + dolo específico (consumir juntos).

CONSUMAÇÃO
Crime formal, de consumação antecipada. Consuma-se com a conduta de oferecer a droga
nas condições descritas no tipo, prescindindo-se tanto da aceitação como do consumo
compartilhado (exaurimento). Basta que a ação seja destinada a esta finalidade.

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VEJA COMO FOI COBRADO EM PROVA!

Ano: 2019 Banca: MPE-SC Órgão: MPE-SC Prova: MPE-SC - 2019 - MPE-SC - Promotor de
Justiça – Matutina
Para a configuração do crime de oferecimento de droga para consumo conjunto, tipificado
no Art. 33, § 3º, da Lei n. 11.343/2006, é necessária a prática da conduta mediante o dolo
“específico”.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: A droga deve ser destinada a consumo conjunto, que constitui a
especial finalidade no agir (dolo específico). Em outras palavras, a oferta da droga
destina-se a essa finalidade. Não é necessário que o consumo efetivamente ocorra,
mas é imprescindível que a droga seja destinada a esse fim.

Ano: 2015 Banca: CESPE Órgão: DPU Prova: Defensor Público Federal
Considerando que Carlo, maior e capaz, compartilhe com Carla, sua parceira eventual,
substância entorpecente que traga consigo para uso pessoal, julgue o item que se segue.
A conduta de Carlo configura crime de menor potencial ofensivo.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: A pena máxima prevista para a conduta de Carlo é de 01 ano de
detenção, sendo considerada uma infração penal de menor potencial ofensivo, nos
termos do Art. 61 da Lei 9.099/95:
Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os
efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena
máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa.

Ano: 2014 Banca: CESPE Órgão: Câmara dos Deputados Prova: Analista Legislativo
Julgue o próximo item, referente às penas e aos crimes de abuso de autoridade e de tráfico
ilícito de entorpecentes.
No processamento do crime de tráfico de substâncias entorpecentes, é vedada, em
qualquer hipótese, a substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de
direitos.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: Parágrafo 4º do Art. 33 da Lei de Drogas que vedava a
substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos foi REVOGADO,
agora é penalmente possível que ocorra tal substituição.

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ART. 35 – ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO


O Art. 35 da Lei de Drogas dispõe sobre o crime de associação para o tráfico, a leitura de
sua parte final confirma que apenas os Arts. 33, caput e seu 1º e o Art. 34 da LD são crimes de
tráfico.

Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar,


reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33,
caput e § 1º, e 34 desta Lei:
Pena - reclusão, de 3 a 10 anos, e pagamento de 700 a 1.200 dias-
multa.
Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre
quem se associa para a prática reiterada do crime definido no art. 36
desta Lei.

SUJEITO ATIVO
Crime Comum. Crime de concurso necessário ou plurissubjetivo são aqueles em que
o tipo penal reclama da pluralidade de agentes para sua caracterização.

ELEMENTO SUBJETIVO
Dolo + dolo específico (para o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes
praticados nos artigos 33, caput e 34 da lei).
A característica é a estabilidade e o vínculo que une os agentes, mesmo que nenhum
crime por eles planejado venha a se concretizar.
Exige-se o dolo de se associar com permanência e estabilidade para a
caracterização do crime de associação para o tráfico, previsto no art. 35 da Lei n.
11.343/2006. Dessa forma, é atípica a conduta se não houver ânimo
associativo permanente (duradouro), mas apenas esporádico (eventual)
STJ, informativo 509
Para a caracterização do crime de associação para o tráfico é imprescindível o
dolo de se associar com estabilidade e permanência, sendo que a reunião
ocasional de duas ou mais pessoas não se subsome ao tipo do art. 35.
STJ HC354.109, 22/09/2016

CONSUMAÇÃO E TENTATIVA
É crime formal, de consumação antecipada. Consuma-se quando se concretiza a
convergência de vontades, independentemente da ulterior realização do fim visado pelos
agentes. É um crime permanente.
Crime autônomo, que independe da concretização ou não do tráfico.
Exemplo: A e B se associam para praticar tráfico de drogas, eles incorrerão no tipo
associação para o tráfico (Art. 35), ainda que não consigam traficar. Se conseguirem,
responderão pelo Art. 35 e pelo Art. 33, em concurso material. São bens jurídicos tutelados
diferentes.
O crime de associação para o tráfico não admite tentativa, pois se trata de um crime
obstáculo. Segundo Cleber Masson, crime obstáculo é aquele que retrata atos preparatórios
tipificados como crime autônomo pelo legislador.

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Não obstante a materialidade do crime de tráfico pressuponha a apreensão da droga, o


mesmo não ocorre em relação ao delito de associação para o tráfico, que, por ser de natureza
formal, pode ter sua materialidade comprovada com base em outros elementos de prova, como,
por exemplo, interceptações telefônicas.
O crime de associação para o tráfico não é considerado crime equiparado a
hediondo.
STJ 294.935, 26/02/2015 e STF 83.017, 23/04/2004

É inaplicável a causa especial de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33


da Lei nº 11.343/2006 (traficante privilegiado) na hipótese em que o réu tenha sido
condenado, na mesma ocasião, por tráfico (art. 33) e pela associação para o tráfico
(art. 35).
Ora, a causa de diminuição prevista no § 4º do art. 33 pressupõe que o agente não se
dedique às atividades criminosas. Se o réu foi condenado por associação para o tráfico é porque
ficou reconhecido que ele se associou com outras pessoas para praticar crimes, tendo,
portanto, seu comportamento voltado à prática de atividades criminosas.
STJ, informativo 513

ATENÇÃO: A associação para o crime de financiamento ou custeio de tráfico de drogas


também é crime, e os agentes incorrem nas mesmas penas.
Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 a 37 (34, 35,
36 e 37) desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça,
indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de suas
penas em restritivas de direitos.
Parágrafo único. Nos crimes previstos no caput deste artigo, dar-se-
á o livramento condicional após o cumprimento de dois terços da
pena, vedada sua concessão ao reincidente específico.
VEJA COMO FOI COBRADO EM PROVA!

Ano: 2019 Banca: CESPE Órgão: DPE-DF Prova: Defensor Público


A respeito dos delitos tipificados na legislação extravagante, julgue o item a seguir,
considerando a jurisprudência dos tribunais superiores.
O crime de associação para o tráfico é de natureza hedionda e a progressão de regime
prisional desse tipo de crime ocorre após o cumprimento de dois quintos da pena — se o
condenado for primário — ou de três quintos da pena — se reincidente.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: A Lei dos Crimes Hediondos adota o sistema legal para definição
da hediondez de um crime, logo, só será hediondo o que estiver na lei. Com efeito,
o delito de associação para o tráfico, por não constar expressamente no rol previsto
no Art. 1º da Lei n.º 8.072/1990, não possui natureza hedionda, não se aplicando,
portanto, os lapsos mais gravosos para a progressão de regime.
A jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça reconhece que o crime
de associação para o tráfico de entorpecentes (Art. 35 da Lei n.º 11.343/2006) não
figura no rol de delitos hediondos ou a eles equiparados, tendo em vista que não se
encontra expressamente previsto no rol taxativo do Art. 2.º da Lei n.º 8.072/1990.

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ART. 37 – INFORMANTE OU FOGUETEIRO


(COLABORADOR)

CARACTERÍSTICAS DO TIPO
Segundo Cleber Masson, foram separadas as condutas do traficante de drogas integrante
de grupo, organização ou associação e da pessoa que, na condição de informante, colabora para
a sua atividade. Por isso, é mais uma exceção pluralista à teoria monista.
O informante não integra o grupo, organização ou associação, pois se integrasse ele
responderia pelo Art. 35 da Lei de Drogas.
Atenção: Nem toda colaboração é englobada pelo Art. 37. A colaboração material
normalmente acarreta verdadeiro auxílio ao narcotráfico, fazendo com que o colaborador seja
considerado partícipe do tráfico de drogas.
A colaboração que rende ensejo ao Art. 37 é a que se opera por meio da PRESTAÇÃO DE
INFORMAÇÕES, tal como ocorre quando o agente contribui para a propagação do tráfico, na
função popularmente conhecida como “olheiro”.

EVENTUALIDADE
O crime do Art. 37 é de natureza subsidiária, somente se verificando se a conduta do
informante ocorrer de forma esporádica. Se o informante for um colaborador permanente,
seu enquadramento típico migrará do Art. 37 para o Art. 35 (associação para o tráfico)

CONSUMAÇÃO
Crime formal.

COLABORADOR FUNCIONÁRIO PÚBLICO


Caso o informante colaborador seja funcionário público:
Se não tiver solicitado nem recebido qualquer vantagem indevida: deve responder
pelo crime do Art. 37, com a majorante prevista no Art. 40, II;
Se tiver solicitado ou recebido vantagem indevida: responderá pelo Art. 37 em
concurso material com o crime de corrupção passiva (Art. 317 do CP). Nesse caso, não haverá
a incidência da majorante do Art. 40, II, da LD, considerando que a condição de servidor público
já foi utilizada para caracterizar o crime do Art. 317.

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INFORMATIVO 527 - STJ


SUBSIDIARIEDADE DO TIPO DO ART. 37 EM RELAÇÃO AO DO ART. 35 DA LEI
11.343/2006.
Responderá apenas pelo crime de associação do art. 35 da Lei 11.343/2006 – e não pelo
mencionado crime em concurso com o de colaboração como informante, previsto no art. 37
da mesma lei – o agente que, já integrando associação que se destine à prática do tráfico de
drogas, passar, em determinado momento, a colaborar com esta especificamente na condição
de informante.
A configuração do crime de associação para o tráfico exige a prática, reiterada ou não,
de condutas que visem facilitar a consumação dos crimes descritos nos arts. 33, caput e § 1º,
e 34 da Lei 11.343/2006, sendo necessário que fique demonstrado o ânimo associativo, um
ajuste prévio referente à formação de vínculo permanente e estável.
Por sua vez, o crime de colaboração como informante constitui delito autônomo,
destinado a punir específica forma de participação na empreitada criminosa, caracterizando-
se como colaborador aquele que transmite informação relevante para o êxito das atividades
do grupo, associação ou organização criminosa destinados à prática de qualquer dos crimes
previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 da Lei 11.343/2006.
O tipo penal do art. 37 da referida lei (colaboração como informante) reveste-se de
verdadeiro caráter de subsidiariedade, só ficando preenchida a tipicidade quando não se
comprovar a prática de crime mais grave.
De fato, cuidando-se de agente que participe do próprio delito de tráfico ou de
associação, a conduta consistente em colaborar com informações já será inerente aos
mencionados tipos. A referida norma incriminadora tem como destinatário o agente que
colabora como informante com grupo, organização criminosa ou associação, desde que não
tenha ele qualquer envolvimento ou relação com atividades daquele grupo, organização
criminosa ou associação em relação ao qual atue como informante.
Se a prova indica que o agente mantém vínculo ou envolvimento com esses grupos,
conhecendo e participando de sua rotina, bem como cumprindo sua tarefa na empreitada
comum, a conduta não se subsume ao tipo do art. 37, podendo configurar outros crimes, como
o tráfico ou a associação, nas modalidades autoria e participação. Com efeito, o exercício da
função de informante dentro da associação é próprio do tipo do art. 35 da Lei 11.343/2006
(associação), no qual a divisão de tarefas é uma realidade para consecução do objetivo
principal. Portanto, se a prova dos autos não revela situação em que a conduta do paciente
seja específica e restrita a prestar informações ao grupo criminoso, sem qualquer outro
envolvimento ou relação com as atividades de associação, a conduta estará inserida no crime
de associação, o qual é mais abrangente e engloba a mencionada atividade.
Dessa forma, conclui-se que só pode ser considerado informante, para fins de incidência
do art. 37 da Lei 11.343/2006, aquele que não integre a associação, nem seja coautor ou
partícipe do delito de tráfico. Nesse contexto, considerar que o informante possa ser punido
duplamente – pela associação e pela colaboração com a própria associação da qual faça parte
–, além de contrariar o princípio da subsidiariedade, revela indevido bis in idem, punindo-se,
de forma extremamente severa, aquele que exerce função que não pode ser entendida como
a mais relevante na divisão de tarefas do mundo do tráfico.
HC 224.849-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 11/6/2013.

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ART. 40 – CAUSAS DE AUMENTO DA PENA


As causas de aumento de pena são aplicadas apenas aos crimes dos Arts. 33 a 37, por isso
iremos analisar os crimes dos Arts. 38 e 39 em momento posterior. (Ficaram de fora: prescrição
culposa; conduzir aeronave e embarcação)
São 7 causas de aumento de pena, e nada impede, se existirem duas ou mais majorantes,
a aplicação prática de todas elas. O STJ já considerou válido o reconhecimento simultâneo de
majorantes previstas no Art. 40.

TRÁFICO TRANSNACIONAL DE DROGAS


I - A natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido
e as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do
delito;

TRANSNACIONALIDADE
A origem ou destino da droga ultrapassam a barreira nacional, não necessariamente indo
ou vindo de outro país. Podendo ser de uma embarcação em alto mar.

CONSUMAÇÃO
Consuma-se com a prova da destinação internacional da droga.
A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, I) configura-se com a prova da
destinação internacional das drogas, ainda que não consumada a transposição de fronteiras.
Súmula 607, STJ, 17/04/2018

COMPETÊNCIA
Além do tráfico internacional, o tráfico interestadual também é causa de aumento de pena.
Nessa linha, cumpre destacarmos que o tráfico transnacional é crime de competência da
Justiça Federal (o tráfico interestadual não é de competência da Justiça Federal. A Polícia
Federal pode investigar o tráfico interestadual, mas não se trata de crime federal).
Art. 70. O processo e o julgamento dos crimes previstos nos arts. 33 a
37 desta Lei, se caracterizado ilícito transnacional, são da
competência da Justiça Federal.

Nos casos de tráfico transnacional, se o delito for cometido em Município que não
seja sede de vara federal, o processamento sedará na vara federal da
circunscrição respectiva.
Remessa de droga do exterior para o Brasil:
Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela
via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional.
STJ, Súmula 528

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Remessa de droga do Brasil para o exterior pela via postal:


Competência será já Justiça Federal do local do último ato de execução.
A consumação do delito ocorre no momento do envio da droga, juízo competente para
processar e julgar o processo, independentemente do local da apreensão. Inaplicabilidade da
Súmula 528.
146.393/SP, 01/07/2016

Critérios para analisar a transnacionalidade:


a) natureza;
b) procedência da substância;
c) circunstâncias do fato.
Não basta provar que a droga foi produzida em outro país para indicar a
responsabilização do agente pela internacionalização da droga. A procedência é apenas um dos
requisitos.
Exemplo: O simples fato de a droga ser boliviana não induz automaticamente a
transnacionalidade do delito. Basta pensar na venda desse produto a um usuário no interior de
um bar.
Deve existir a dupla proibição para a incidência da majorante, ou seja, a substância
deve ser crime no Brasil e no outro país.

SUJEITO ATIVO
II - O agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou
no desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou
vigilância;
Trata-se de situação em que o agente abusa de sua função pública, da sua missão de
educação, poder familiar, guarda ou vigilância. Nessa hipótese, a reprovabilidade deve ser mais
acentuada.
- Agente pratica o crime prevalecendo-se de sua função pública;
- Agente pratica o crime no desempenho de missão de educação;
- Agente pratica o crime no exercício do poder familiar, guarda ou vigilância.
Não basta, para incidir a majorante, seja o crime praticado pelo funcionário público. Ele
deve praticar o delito prevalecendo-se da função pública. É valer-se da função pública.
Por função pública, segundo Renato Brasileiro, compreende-se toda atividade
desempenhada com o objetivo de consecução de finalidades próprias do Estado, por meio
daquele que exerce cargo, emprego ou função pública, nos termos do Art. 327 do Código Penal.
Exercem função pública todos aqueles que prestam serviços ao Estado e às pessoas
jurídicas da Administração indireta, aí incluídos os agentes políticos, os servidores públicos,
assim como os particulares em colaboração com o Poder Público.

LOCAIS DO CRIME
III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações
de estabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes
de entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas,
esportivas, ou beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de
recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de qualquer
natureza, de serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de
reinserção social, de unidades militares ou policiais ou em
transportes públicos.

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É desnecessário que a infração seja cometida nas dependências das localidades que
indica. Basta a prática das infrações nas imediações dos respectivos locais.

É prescindível a demonstração de que o agente tenha como destinatário alguém que se


encontre no interior dos locais legalmente indicados.

Estabelecimento prisional: a jurisprudência pacífica do STF é no sentido de que basta


que seja o crime cometido na dependência de estabelecimento prisional para
autorizar o aumento da pena. Não é necessário que a droga seja destinada à difusão
(distribuição) dentro do estabelecimento prisional.

Transporte público:
A utilização de transporte público com a única finalidade de levar a
droga ao destino, de forma oculta, sem o intuito de disseminá-la entre os
passageiros ou frequentadores do local, não implica a incidência da causa
de aumento de pena do inciso III do artigo 40 da Lei 11.343/2006
STJ, informativo 547

Se o agente leva a droga em transporte público, mas não a comercializa


dentro do meio de transporte, incidirá essa majorante?
Não. A majorante do Art. 40, II, somente deve ser aplicada nos casos em
que ficar demonstrada a comercialização efetiva da droga em seu interior.
STF, 19/08/2014; STF, 3/6/2014

MODO DE EXECUÇÃO
IV - O crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça,
emprego de arma de fogo, ou qualquer processo de intimidação
difusa ou coletiva;

Deve-se ter em vista que se o emprego da violência ou grave ameaça consistir em crime
autônomo, não incidirá a causa de aumento de pena, uma vez que senão haveria o bis in idem
(punir o mesmo fato mais de uma vez).
Assim, contemplamos que em regra, o tráfico de drogas não é cometido com emprego de
violência ou grave ameaça, porém, quando isso acontecer será considerado causa de aumento
de pena.
Acerca do emprego da arma de fogo, existe uma controvérsia sobre a existência ou
não de concursos de crimes entre a infração penal (Arts. 33 a 37) com a causa de
aumento de pena (modo de execução), e os delitos de porte ilegal de arma de fogo.
Há doutrina que concurso de crimes configura bis in idem, e outra parte afirma
que deve haver o concurso material.

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HIPÓTESE QUE FOI RECONHECIDA A CONSUNÇÃO:

A absorção do crime de porte ou posse ilegal de arma pelo delito de tráfico de


drogas, em detrimento do concurso de material, deve ocorrer quando o uso da arma
está ligado diretamente ao comércio ilícito de entorpecentes, para se atingir o crime
fim que é o tráfico de drogas, ou seja, para assegurar o sucesso da mercancia ilícita.
Nesse caso, trata-se de crime meio para se atingir o crime fim, que é o tráfico de
drogas. Exige-se o nexo finalístico entre as condutas de portar ou possuir arma de
fogo e aquelas relativas ao tráfico.
HC 181.400, 29/06/2012

HIPÓTESE QUE FOI RECONHECIDO O CONCURSO MATERIAL:

No caso dos autos, as instâncias ordinárias, com base no conjunto probatório,


entenderam que as condutas tiveram desígnios autônomos. Rever esse
entendimento, na espécie, demanda reexame de provas, inviável na via estreita do
HC.
HC 366.638, 29/08/2018

TRÁFICO INTERESTADUAL
V - Caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes
e o Distrito Federal;
Não é necessário que ocorra a transposição das fronteiras, basta que as circunstâncias
demostrem que iria ocorrer.
Para a configuração do tráfico interestadual de drogas (art. 40, V, da Lei
11.343/2006), não se exige a efetiva transposição da fronteira, bastando a
comprovação inequívoca de que a droga adquirida num estado teria como destino
outro estado da Federação
STF HC 115.893/MT, 2013

A competência é da Justiça Estadual, porém se necessitar de repressão uniforme, a PF terá


atribuição de investigar.
OBS: Polícia Federal investiga, porém, remete à JUSTIÇA ESTADUAL.
Inclusive interceptação telefônica deve ser solicitada ao juiz estadual.

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INFORMATIVO 808 - STF


Tráfico de entorpecente e transposição de fronteira
A incidência da causa de aumento de pena prevista na Lei 11.343/2006 [Art.
40. As penas previstas nos artigos 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a
dois terços, se: (...) V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre
estes e o Distrito Federal] não demanda a efetiva transposição da fronteira da
unidade da Federação.
Seria suficiente a reunião dos elementos que identificassem o tráfico
interestadual, que se consumaria instantaneamente, sem depender de um resultado
externo naturalístico. Esse é o entendimento da Primeira Turma, que, em conclusão
de julgamento e por maioria, denegou a ordem em habeas corpus no qual se
sustentava a não incidência da mencionada majorante, porque o agente teria
adquirido a substância entorpecente no mesmo Estado em que fora preso.
Segundo o Colegiado, existiriam provas suficientes quanto à finalidade de
consumar a ação típica, a saber:
a) o paciente estava no interior de ônibus de transporte interestadual com
bilhete cujo destino seria outro Estado da Federação; e
b) a fase da intenção e a dos atos preparatórios teriam sido ultrapassadas
quando o agente ingressara no ônibus com a droga, a adentrar a fase de execução
do crime.
HC 122791/MS, rel. Min. Dias Toffoli, 17.11.2015. (HC-122791)

Questiona-se: é possível a incidência desta majorante e, ao mesmo tempo, a incidência da


causa de aumento da transnacionalidade?
Depende. Se a droga, ao chegar ao Brasil, era destinada a ser difundida em mais de um
Estado, aplicar-se-ão as duas majorantes. Se a droga, ao chegar ao Brasil, passa por mais de um
Estado, mas seu destino era um único Estado, aplicar-se-á apenas a causa de aumento do tráfico
internacional.

No tráfico ilícito de entorpecentes, é inadmissível a aplicação simultânea


das causas especiais de aumento de pena relativas à transnacionalidade e à
interestadualidade do delito (art. 40, I e V, da Lei n. 11.343/2006), quando
não comprovada a intenção do importador da droga de difundi-la em mais
de um estado do território nacional, ainda que, para chegar ao destino final
pretendido, imperativos de ordem geográfica façam com que o importador
transporte a substância através de estados do país.
De fato, sem a existência de elementos concretos acerca da intenção do
importador dos entorpecentes de pulverizar a droga em outros estados do território
nacional, não se vislumbra como subsistir a majorante prevista no inciso V do art. 40
da Lei n. 11.343/2006 (Lei de Drogas) em concomitância com a causa especial de
aumento relativa à transnacionalidade do delito (art. 40, I, da Lei de Drogas), sob
pena de bis in idem
STJ HC 214.942, 16.06.2016, informativo 586

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SUJEITO PASSIVO
VI - Sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente
ou a quem tenha, por qualquer motivo, diminuída ou suprimida a
capacidade de entendimento e determinação;
Questiona-se: Como fica a incidência dessa majorante diante do crime de corrupção de
menores (art. 244-B do ECA)?
Nos crimes dos Arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, quando o agente pratica o delito juntamente
com um menor, não é possível aplicar o crime de corrupção de menores, pois essa causa de
aumento da pena do Art. 40, VI, é incompatível com o crime do Art. 244-B do ECA, incidindo
aqui o princípio da especialidade. A norma especial exclui a incidência da norma geral.
Na hipótese de o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos não
estar previsto nos Arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, o réu poderá ser condenado pelo
crime de corrupção de menores, porém, se a conduta estiver tipificada em um
desses artigos (33 a 37), não será possível a condenação por aquele delito,
mas apenas a majoração da sua pena com base no Art. 40, VI, da Lei n.
11.343/2006. Por sua vez, para incidir a majorante do Art. 40, VI, da Lei de Drogas,
faz-se necessário que, ao praticar os delitos previstos nos Arts. 33 a 37, o réu envolva
ou vise atingir criança, adolescente ou quem tenha capacidade de entendimento e
determinação diminuída. Não se compartilha do entendimento no sentido de que, se
a criança ou adolescente já estiverem corrompidos, não há falar em corrupção de
menores e de que responde o agente apenas pelo crime de tráfico majorado, pois,
de acordo com o entendimento do STJ, é irrelevante a prova da efetiva corrupção do
menor para que o acusado seja condenado pelo crime do ECA. A solução deve ser
encontrada no princípio da especialidade. Assim, se a hipótese versar sobre
concurso de agentes envolvendo menor de dezoito anos com a prática de qualquer
dos crimes tipificados nos Arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, afigura-se juridicamente
correta a imputação do delito em questão, com a causa de aumento do Art.
40, VI.
STJ, 22.11.2016, informativo 595

AUTOFINANCIAMENTO
VII: o agente financiar ou custear a prática do crime.

Essa majorante tem aplicabilidade restrita ao autofinanciamento.


STJ, Informativo 534.

Se o agente financia ou custeia o tráfico, mas não pratica nenhum verbo do Art. 33:

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Se o agente, além de financiar ou custear o tráfico, também pratica algum verbo do Art.
33:
Responderá apenas pelo art. 33 + art. 40, VII da Lei de Drogas (não será
condenado pelo art. 36).
STJ, 17/12/2013 (Info 534).

Art. 36 X Art. 40 VII


Qual a diferença entre a causa de aumento de pena que estamos analisando e o crime
previsto no art. 36?
O Art. 36 visa alcançar aquele que fica “por trás das cortinas”, financiando a conduta
criminosa de terceiros.
Atinge aquele que não atua diretamente no ilícito, mas financia o desempenho da
atividade por outros.
Já a causa de aumento de pena atinge aquele que desenvolve a atividade criminosa
diretamente e, além disso, acrescenta valores.

Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: PC-SE Prova: Delegado de Polícia


Acerca do tráfico ilícito de entorpecentes, de ações de prevenção e repressão a delitos
praticados por organizações criminosas, de abuso de autoridade e de delitos previstos na Lei
de Tortura, julgue o item que se segue.
Situação hipotética: Em um mesmo contexto fático, um cidadão foi preso em flagrante por
manter em depósito grande variedade de drogas, entre elas, cocaína, maconha, haxixe e crack,
todas para fins de mercancia. Foram apreendidos também maquinários para o preparo de
drogas, entre eles, uma balança digital e uma serra portátil. Assertiva: Nessa situação, afastada
a existência de contextos autônomos entre as condutas delitivas, o crime será único.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: Dependendo de como é praticado o tráfico de drogas, o crime
previsto no Art. 34 (posse de maquinários para preparação de drogas) da Lei
11.343/06 pode ser absorvido pelo Art. 33 (tráfico de drogas) da mesma lei. A prática
do Art. 33 absorve o delito do Art. 34, desde que não fique caracterizada a existência
de contextos autônomos e coexistentes, aptos a vulnerar o bem jurídico tutelado de
forma distinta.
Resumindo: para que ocorra a condenação simultânea, o delito do Art. 34
deverá constituir figura autônoma fática. Agora, se a conduta do agente, a droga
preparada para comercialização e os instrumentos forem aprendidos no mesmo local
e no mesmo contexto, só haverá um crime, o tráfico de drogas.

Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal Prova: Escrivão de Polícia Federal
Julgue o próximo item, a respeito das Leis 13.445/2017, 11.343/2006, 8.069/1990 e suas
alterações.
Em caso de prisão por tráfico de drogas ilícitas, o juiz não poderá substituir a pena
privativa de liberdade por restritiva de direito.
Certo ( ) Errado ( )

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Gabarito: Errado
Comentário: A vedação da conversão da pena do tráfico privilegiado em penas
restritivas de direitos foi declarada inconstitucional pelo STF em sede de controle
difuso, e teve sua eficácia suspensa pela Resolução nº 5/2012 do Senado Federal.

Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal Provas: Perito Criminal Federal
Em um aeroporto no Rio de Janeiro, enquanto estava na fila para check-in de um voo com
destino a um país sul-americano, Fábio, maior e capaz, foi preso em flagrante delito por estar
levando consigo três quilos de crack. Nessa situação, ainda que não esteja consumada a
transposição de fronteiras, Fábio responderá por tráfico transnacional de drogas e a
comprovação da destinação internacional da droga levará a um aumento da pena de um sexto
a dois terços.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: Súmula 607/STJ - De acordo com a qual: A majorante do tráfico
transnacional de drogas (Art. 40, I, da Lei n. 11.343/2006) configura-se com a prova
da destinação internacional das drogas, ainda que não consumada a transposição de
fronteiras.

Ano: 2017 Banca: CESPE Órgão: DPU Prova: Defensor Público Federal
Tendo como referência as disposições da Lei de Drogas (Lei n.º 11.343/2006) e a
jurisprudência pertinente, julgue o item subsecutivo.
Situação hipotética: José, ao comercializar cocaína em espaço público, foi preso em
flagrante. Apesar de ele ser primário, o juiz sentenciante não aplicou a causa de diminuição de
pena referente ao denominado tráfico privilegiado, sob o argumento de que o réu se dedicava
a atividades criminosas, conforme evidenciado por inquéritos e ações penais em curso nos
quais José figurava como indiciado ou réu. Assertiva: Nessa situação, de acordo com a
jurisprudência do STJ, o juiz feriu o princípio constitucional da presunção de inocência.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Errado
Comentário: É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais
em curso para formação da convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas,
de modo a afastar o benefício legal previsto no Art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006.
STJ. 3ª Seção. EREsp 1431091-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em
14/12/2016 (Info 596).

Ano: 2017 Banca: CESPE Órgão: DPU Prova: Defensor Público Federal
Tendo como referência as disposições da Lei de Drogas (Lei n.º 11.343/2006) e a
jurisprudência pertinente, julgue o item subsecutivo.
Segundo o entendimento do STJ, em eventual condenação, o juiz sentenciante não poderá
aplicar ao réu a causa de aumento de pena relativa ao tráfico de entorpecentes em transporte
público, se o acusado tiver feito uso desse transporte apenas para conduzir, de forma oculta,
droga para comercialização em outro ambiente, diverso do transporte público.
Certo ( ) Errado ( )

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Gabarito: Certo
Comentário: O Art. 40, III, da Lei de Drogas prevê como causa de aumento
de pena o fato de a infração ser cometida em transportes públicos.
Se o agente leva a droga em transporte público, mas não a comercializa dentro
do meio de transporte, NÃO incidirá essa majorante.
A majorante do Art. 40, III, da Lei n.º 11.343/2006 somente deve ser aplicada
nos casos em que ficar demonstrada a comercialização efetiva da droga em seu
interior. É a posição majoritária no STF e STJ. STF. 1ª Turma. HC 122258-MS, Rel.
Min. Rosa Weber, julgado em 19/08/2014. STF. 2ª Turma. HC 120624/MS, Red. p/
o acórdão, Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 3/6/2014 (Info 749). STJ. 5ª
Turma. AgRg no REsp 1.295.786-MS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em
18/6/2014 (Info 543). STJ. 6ª Turma. REsp 1443214-MS, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, julgado em 22/09/2014.

ART. 38 – PRESCRIÇÃO OU MINISTRAÇÃO CULPOSA


Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que
delas necessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao Conselho


Federal da categoria profissional a que pertença o agente.
É o único crime culposo da Lei de Drogas, trata-se de infração de menor potencial
ofensivo, que será julgada e processada no JECRIM.
Como se percebe pelos núcleos do tipo penal, é um crime próprio, exige qualidade
especial do agente, pois:
- a conduta de prescrever uma droga só pode ser praticada pelo médico, veterinário
ou dentista;
- a conduta de ministrar, além das pessoas acima, só pode ser praticada pelos
profissionais da enfermagem ou de farmácia.
Salienta-se que se trata de um crime culposo previsto em tipo fechado, pois o
legislador descreve expressamente as hipóteses em que a culpa poderá ocorrer,
quais sejam:
a) quando o paciente não necessita da droga;
b) quando a droga é prescrita ou ministrada em doses excessivas;
c) quando a droga é prescrita ou ministrada em desacordo com
determinação legal ou regulamentar.
Para que o crime seja considerado culposo, é necessária expressa previsão em lei. É o caso do Art.
38 da Lei de Drogas. Nesse sentido, preleciona Renato Brasileiro (Legislação Penal Especial Comentada,
2016, p. 780):

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ART. 39 – CONDUÇÃO AERONAVE OU EMBARCAÇÃO


APÓS CONSUMO DE DROGA
Art. 39 – Conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de
drogas, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem:

Pena – detenção, de seis meses a três anos, além da apreensão do


veículo, cassação da habilitação respectiva ou proibição de obtê-la,
pelo mesmo prazo da pena privativa de liberdade aplicada, e
pagamento de duzentos a quatrocentos dias-multa.

Parágrafo único – As penas de prisão e multa, aplicadas


cumulativamente com as demais, serão de quatro a seis anos e de
quatrocentos a seiscentos dias-multa, se o veículo referido no caput
deste artigo for de transporte coletivo de passageiros.

CARACTERÍSTICAS DO TIPO
Cuida-se de crime de perigo concreto, isto é, a situação de perigo deve ser provada no
caso concreto, pois o tipo diz: (...) expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. Ou seja,
se o agente conduzir embarcação ou aeronave após consumo de drogas e não expor dano
potencial a incolumidade de outrem não será crime. Deve ser analisado o caso concreto.
A embarcação poderá ser de qualquer porte. Não precisa ser um navio.

Atenção! O legislador menciona embarcação ou aeronave, não abrangendo veículo


automotor, o qual ficará sob a regulamentação do Art. 306 do CTB. No caso de o
agente ingerir drogas e utilizar o veículo automotor em via pública não se aplica o
Art. 39 da Lei de Drogas, e sim o Art. 306 do CTB:

Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora


alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância
psicoativa que determine dependência: Penas - detenção, de seis
meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

FORMA QUALIFICADA
Se o veículo dor de transporte coletivo de passageiros.
CONSUMAÇÃO
Crime formal, de consumação antecipada. Consuma-se com a condução anormal da
embarcação ou aeronave, após o uso de droga, com potencial para causar dano à incolumidade
de outrem, ainda que nenhum dano venha a ser efetivamente causado.

COMPETÊNCIA
A Constituição Federal estipula que aos juízes federais compete processar e julgar os
crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves. Portanto, o crime do Art. 39 da Lei de Drogas
e de competência da JUSTIÇA FEDERAL quando praticado com o uso de aeronave, mas não se
pode automaticamente dizer no tocante à embarcação. A CF menciona NAVIO, e é menos
abrangente que embarcação.

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COLABORAÇÃO PREMIADA
Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com
a investigação policial e o processo criminal na identificação dos
demais coautores ou partícipes do crime e na recuperação total ou
parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena
reduzida de um terço a dois terços.


- identificação dos demais envolvidos;
- recuperação de algum produto do delito (total ou parcial).

DOSIMETRIA DAS PENAS


Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com
preponderância sobre o previsto no art. 59 do Código Penal, a
natureza e a quantidade da substância ou do produto, a
personalidade e a conduta social do agente.

Ao fixar a pena do réu, deve o magistrado se orientar pelo sistema da quantificação


judicial, de modo a aferir os critérios quanto à natureza e à quantidade da
substância apreendida, à personalidade e à conduta social do agente.

A presença de circunstâncias judiciais desfavoráveis constituem fundamento


idôneo a justificar a imposição do regime mais severo
STJ, HC 373.853, 22/11/2016

FIXAÇÃO DA PENA DE MULTA


Art. 43. Na fixação da multa a que se referem os arts. 33 a 39 desta
Lei, o juiz, atendendo ao que dispõe o art. 42 desta Lei, determinará
o número de dias-multa, atribuindo a cada um, segundo as
condições econômicas dos acusados, valor não inferior a um trinta
avos nem superior a 5 (cinco) vezes o maior salário mínimo.

Parágrafo único. As multas, que em caso de concurso de crimes


serão impostas sempre cumulativamente, podem ser aumentadas até
o décuplo se, em virtude da situação econômica do acusado,
considerá-las o juiz ineficazes, ainda que aplicadas no máximo.
Circunstâncias preponderantes mencionadas no Art. 42 também devem orientar o
magistrado na fixação da pena de multa. (a natureza e a quantidade da substância
ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente.)
Magistrado também se orientará pela situação econômica do infrator.

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PROIBIÇÕES E VEDAÇÕES A BENEFÍCIOS


Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 a 37 (34, 35,
36 e 37) desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça,
indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de suas
penas em restritivas de direitos.

Parágrafo único. Nos crimes previstos no caput deste artigo, dar-se-


á o livramento condicional após o cumprimento de dois terços da
pena, vedada sua concessão ao reincidente específico.

VEDAÇÃO À ANISTIA, À GRAÇA E AO INDULTO


Causas de extinção de punibilidade emanadas de órgãos alheios ao Poder Judiciário.
Anistia:
É o esquecimento jurídico da infração penal e tem por objetos os fatos definidos como
crime, e não pessoas. Tem o condão de extinguir todos os efeitos penais, inclusive o pressuposto
de reincidência.
Recai sobre o Congresso Nacional (ato legislativo) por meio de Lei Federal que extingue
a punibilidade.
Uma vez concedida, não pode ser revogada. Geralmente é relacionada a crimes políticos,
eleitorais ou militares.
Ex.: Lei 12.505 anistiou policiais militares e bombeiros militares que participaram de atos
reivindicatórios por melhorias de vencimentos e condições de trabalho.
Graça:
Benefício para crimes de natureza comum e é concedida pelo Presidente da República,
por decreto, para um indivíduo determinado condenado. O condenado pede.
Ex.: Art. 188 da LEP (Lei de execuções penais) determina que a concessão de indulto
individual pode ser postulada por petição do condenado.
Indulto
É coletivo, direcionado a um grupo indefinido de condenados, sendo delimitado pela
natureza do crime e quantidade de pena aplicada, além de outros requisitos objetivos e
subjetivos. Concedido pelo Presidente da República por meio de decreto.
Obs.: Pode-se dizer que, na hipótese de concessão de perdão a um único condenado, ter-
se-á graça; na hipótese de o perdão abranger um grupo indeterminado de condenados, fala-se
apenas em indulto.

INAFIANÇÁVEIS

Crimes hediondos
Equiparados a hediondos (TTT)
Racismo
Ação de grupos armados, civis e militares, contra a ordem constitucional e o Estado de
direito.

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VEDAÇÃO À LIBERDADE PROVISÓRIA


Vedada conversão em pena restritiva de direitos. – o STF declarou inconstitucional.
A liberdade provisória funciona como medida cautelar que permite ao investigado (ou
acusado) permanecer em liberdade durante o curso da persecução penal, desde que cumpra
determinados vínculos.
O direito à liberdade provisória tem fundamento constitucional no Art. 5º, inciso LXVI,
segundo o qual ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade
provisória, com ou sem fiança.
Como consectário lógico da regra de tratamento que deriva do princípio da presunção de
inocência, cuida-se de verdadeiro direito subjetivo do cidadão preso frente ao Estado, quando
ausentes razões de cautela, e não de um poder discricionário atribuído ao juiz, que não pode
impor uma prisão cautelar sem a necessária motivação judicial.
A partir da nova Lei 11.464/2007, alterando a redação original da Lei de Crimes
Hediondos, passou a ser possível a concessão da liberdade provisória para crimes hediondos e
assemelhados.
Liberdade Provisória Obrigatória: trata-se de direito incondicional do acusado, não
lhe podendo ser negado e não está sujeito a nenhuma condição.
- infrações penais às quais não se comina pena privativa de liberdade;
- infrações de menor potencial ofensivo.

Liberdade Provisória Vedada: não existe. É inconstitucional qualquer lei que proíba
o juiz de conceder a liberdade provisória, quando ausentes os motivos autorizadores
da prisão preventiva, pouco importando a gravidade ou a natureza do crime
imputado.

Liberdade Provisória Permitida: ocorre nas hipóteses em que não couber prisão
preventiva. Pode ser concedida com ou sem fiança ou medida cautelar diversa.

PROGRESSÃO DE REGIME E LIVRAMENTO CONDICIONAL


A Lei nº 13.964/19 REVOGA o Art. 2, § 2º da Lei de Execução Penal.
A progressão de regime, no caso dos condenados pelos crimes
previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 da pena,
se o apenado for primário, e de 3/5, se reincidente, observado o
disposto nos §§ 3º e 4º do art. 112 da Lei nº 7.210, de 11 de julho de
1984 (Lei de Execução Penal).
Atualização da Lei nº 13.964/19: ALTERAÇÕES NA LEP (LEI 7.210/84)
Art. 112. A pena privativa de liberdade (PPL) será executada em
forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso,
a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos:

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§ 1º Em todos os casos, o apenado só terá direito à progressão de regime se


ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do
estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão.
§ 2º A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre
motivada e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor,
procedimento que também será adotado na concessão de livramento
condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos
nas normas vigentes.

§ 5º Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o


crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23
de agosto de 2006 (tráfico privilegiado).

§ 6º O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de


liberdade INTERROMPE o prazo para a obtenção da progressão no regime
de cumprimento da pena, caso em que o reinício da contagem do requisito
objetivo terá como base a pena remanescente.

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PRISÃO TEMPORÁRIA

Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 a 37 desta
Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça, indulto, anistia
e liberdade provisória, vedada a conversão de suas penas em
restritivas de direitos.

INIMPUTABILIDADE E SEMI-IMPUTABILIDADE
Art. 45. É ISENTO DE PENA o agente que, em razão da dependência,
ou sob o efeito, proveniente de caso fortuito ou força maior, de droga,
era, ao tempo da ação ou da omissão, qualquer que tenha sido a
infração penal praticada, inteiramente incapaz de entender o
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento.
Parágrafo único. Quando absolver o agente, reconhecendo, por
força pericial, que este apresentava, à época do fato previsto neste
artigo, as condições referidas no caput deste artigo, poderá
determinar o juiz, na sentença, o seu encaminhamento para
tratamento médico adequado.
Art. 46. As penas podem ser REDUZIDAS DE UM TERÇO A DOIS
TERÇOS se, por força das circunstâncias previstas no art. 45 desta
Lei, o agente não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a
plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
Art. 47. Na sentença condenatória, o juiz, com base em avaliação que
ateste a necessidade de encaminhamento do agente para
tratamento, realizada por profissional de saúde com competência
específica na forma da lei, determinará que a tal se proceda,
observado o disposto no art. 26 desta Lei.

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Agente em razão da:


DEPENDÊNCIA de droga
SOB O EFEITO DE DROGA proveniente de
CASO FORTUITO ou FORÇA MAIOR

INTEIRAMENTE INCAPAZ de NÃO POSSUÍA A PLENA CAPACIDADE


entender o caráter ilícito do fato ou de DE ENTENDER O CARÁTER ILÍCITO
determinar-se de acordo com esse DO FATO ou de determinar-se de
entendimento acordo com esse entendimento.

ISENTO DE PENA PENA REDUZIDA DE 1/3 A 2/3

INIMPUTABILIDADE
O Art. 45 adorou o CRITÉRIO PSICOLÓGICO em relação ao cometimento do fato sob o
efeito de droga, proveniente de caso fortuito ou força maior. Nesse caso, pouco
importa se o indivíduo apresenta ou não dependência química.
Será inimputável ao se mostrar incapacitado de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento, em razão da ingestão involuntária
do entorpecente, por ignorância (caso fortuito) ou coação (força maior).
É uma excludente de culpabilidade (inimputabilidade).

SEMI-IMPUTABILIDADE
As causas biológicas da semi-imputabilidade são as mesmas da inimputabilidade
(dependência de droga ou sua ingestão involuntária ou por coação), mas a
consequência psicológica não se verificou por inteiro, pois o agente manteve
parcialmente, a sua capacidade de entender.
É uma causa de diminuição de pena, sem prever espaço para sua conversão em
medida de segurança.

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DA INVESTIGAÇÃO
LAVRATURA DO APF
Art. 50. Ocorrendo PRISÃO EM FLAGRANTE, a autoridade de polícia
judiciária fará, imediatamente, comunicação ao juiz competente,
remetendo-lhe cópia do auto lavrado, do qual será dada vista ao
órgão do Ministério Público, em 24 (vinte e quatro) horas.

§ 1º Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e


estabelecimento da materialidade do delito, é SUFICIENTE O LAUDO
DE CONSTATAÇÃO DA NATUREZA E QUANTIDADE DA DROGA,
firmado por perito oficial ou, na falta deste, por pessoa idônea.

§ 2º O perito que subscrever o laudo a que se refere o § 1º deste artigo


não ficará impedido de participar da elaboração do laudo
definitivo.

§ 3º Recebida cópia do auto de prisão em flagrante, o juiz, no prazo


de 10 DIAS, certificará a regularidade formal do laudo de
constatação e determinará a destruição das drogas
apreendidas, guardando-se amostra necessária à realização do
laudo definitivo.

LAUDO DE CONSTATAÇÃO PRELIMINAR


Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e estabelecimento da
materialidade do delito, é suficiente o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga,
firmado por perito oficial ou, na falta deste, por pessoa idônea.
Não se admite prisão em flagrante e o recebimento da denúncia pelo crime de
tráfico de drogas sem que seja demonstrada, ao menos em juízo inicial, a
materialidade da conduta por meio de LAUDO DE CONSTATAÇÃO PRELIMINAR
da substância entorpecente, que configura condição de procedibilidade para
apuração do ilícito.
STJ, HC 342.970, 04/02/2016

Apesar da importância, o laudo preliminar de constatação é PEÇA


MERAMENTE INFORMATIVA.
STJ, HC 56.48342.970, 05/08/2015

A ‘pessoa idônea’ que é autorizada a assinar o laudo preliminar pode ser o


policial que efetuou a prisão em flagrante, pois o laudo preliminar é juízo provisório
acerca da ilicitude da substância apreendida.
STJ, HC 137.795, 02/02/2010

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LAUDO DEFINITIVO - EXAME TOXICOLÓGICO


apuração
do ilícito. Para a condenação, entretanto, é IMPRESCINDÍVEL o laudo definitivo, denominado
EXAME QUÍMICO TOXICOLÓGICO, do qual poderá participar o perito que assinou o laudo
preliminar.
Embora para a admissibilidade da acusação seja suficiente o laudo de constatação
provisória, exige-se a confecção do laudo definitivo para que seja prolatado um édito
repressivo contra o denunciado pelo crime de tráficos de entorpecentes.

É possível que o laudo preliminar seja usado para condenar o réu?


Apenas em hipóteses excepcionais esta corte (STJ) e o Supremo Tribunal Federal
(STF) admitem a comprovação da materialidade do delito de tráfico de drogas por
meios de provas diversos da perícia definitiva. STJ, HC 342.970, 04/02/2016
A ausência do laudo toxicológico definitivo não constitui nulidade.
É possível, excepcionalmente, a comprovação da materialidade do narcotráfico
por laudo de constatação provisório assinado por perito quando possui o mesmo
grau de certeza do definitivo, em conjunto com prova testemunhal.
De outro lado, muito embora a prova testemunhal e a confissão isoladas ou em
conjunto não se prestem a comprovar, por si sós, a materialidade do delito, quando
aliadas ao laudo toxicológico preliminar realizado nos moldes aqui previstos, são
capazes não só de demonstrar a autoria como também de reforçar a evidência da
materialidade do delito.
STJ: Para a configuração do delito de tráfico de drogas previsto no caput do
art. 33 da Lei n. 11.343/2006, é desnecessária a aferição do grau de pureza da
substância apreendida.
HC 446553/SP, 23/04/2018
HC 57526/SP, 25/08/2015
HC 57579/SP, 18/08/2015
STJ: A falta da assinatura do perito criminal no laudo toxicológico é mera
irregularidade que não tem o condão de anular o referido exame.
HC 1753268/MG, 26/02/2019
HC 1731444/MG, 12/06/2018
HC 97687/MG, 15/05/2018
STJ: É imprescindível a confecção do laudo toxicológico para comprovar a
materialidade da infração disciplinar e a natureza da substância encontrada
com o apenado no interior de estabelecimento prisional.
HC 448115/SP, 23/04/2019
HC 407301/SP, 05/06/2018

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PRAZOS DO INQUÉRITO
Art. 51. O inquérito policial será concluído no prazo de 30 dias, se o
indiciado estiver preso, e de 90 dias, quando solto.

Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem ser


duplicados pelo juiz, ouvido o Ministério Público, mediante pedido
justificado da autoridade de polícia judiciária.

DESTRUIÇÃO DAS DROGAS APREENDIDAS


§ 3º Recebida cópia do auto de prisão em flagrante, o juiz, no prazo
de 10 DIAS, certificará a regularidade formal do laudo de
constatação e determinará a destruição das drogas apreendidas,
guardando-se amostra necessária à realização do laudo definitivo.

§ 4º A destruição das drogas será executada pelo delegado de polícia


competente no prazo de 15 DIAS na presença do Ministério Público e
da autoridade sanitária.

§ 5º O local será vistoriado antes e depois de efetivada a destruição


das drogas referida no § 3º, sendo lavrado auto circunstanciado pelo
delegado de polícia, certificando-se neste a destruição total delas.

Art. 50-A. A destruição de drogas apreendidas sem a ocorrência de


prisão em flagrante será feita por INCINERAÇÃO, no PRAZO MÁXIMO
DE 30 DIAS contado da data da apreensão, guardando-se amostra
necessária à realização do laudo definitivo, aplicando-se, no que
couber, o procedimento dos §§ 3º a 5º do art. 50.

DESTRUIÇÃO DAS DROGAS COM PRISÃO EM FLAGRANTE


Executado pelo DELEGADO DE POLÍCIA
PRAZO: 15 DIAS*
* Em caso de flagrante, a droga deverá ser destruída no prazo máximo de 25 dias.
Resultante da soma dos 10 dias para o magistrado ordenar o procedimento e 15 dias
para o delegado efetivá-lo.
PRESENÇA DO MINISTÉRIO PÚBLICO e AUTORIDADE SANITÁRIA
LOCAL SERÁ VISTORIADO ANTES E APÓS A DESTRUIÇÃO DAS DROGAS
DEVERÁ SER GUARDADA AMOSTRA PARA O LAUDO DEFINITIVO

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DESTRUIÇÃO DAS DROGAS SEM PRISÃO EM FLAGRANTE


Destruída por INCINERAÇÃO
PRAZO: MÁXIMO DE 30 DIAS contados da data da apreensão
DEVERÁ SER GUARDADA AMOSTRA PARA O LAUDO DEFINITIVO
PLANTAÇÕES
As plantações ilícitas serão IMEDIATAMENTE DESTRUÍDAS pelo DELEGADO DE
POLÍCIA
DEVERÁ SER GUARDADA AMOSTRA PARA O LAUDO DEFINITIVO
Delimitação do local, asseguradas as medidas necessárias para a preservação da prova.
Em caso de ser utilizada a queimada para destruir a plantação, dispensada a
autorização prévia do órgão próprio do Sistema Nacional do Meio Ambiente -
SISNAMA.
As glebas cultivadas com plantações ilícitas serão EXPROPRIADAS.

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PROCEDIMENTOS INVESTIGATÓRIOS
Art. 53. Em qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes
previstos nesta Lei, são permitidos, além dos previstos em lei,
MEDIANTE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL e ouvido o Ministério
Público, os seguintes procedimentos investigatórios:

I - A INFILTRAÇÃO POR AGENTES DE POLÍCIA, em tarefas de


investigação, constituída pelos órgãos especializados pertinentes;

II - A não atuação policial sobre os portadores de drogas, seus


precursores químicos ou outros produtos utilizados em sua produção,
que se encontrem no território brasileiro, com a finalidade de
identificar e responsabilizar maior número de integrantes de
operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo da ação penal
cabível.

Parágrafo único. Na hipótese do inciso II deste artigo, a


autorização será concedida desde que sejam conhecidos o itinerário
provável e a identificação dos agentes do delito ou de colaboradores.

INFILTRAÇÃO DE AGENTES
Meio especial de obtenção de prova em que um ou mais agentes de polícia
ingressam, ainda que virtualmente, no seio da narcotraficância ou em determinada
organização criminosa, forjando a condição de integrante, com o escopo de alcançar
informações a respeito do funcionamento do crime e de seus membros.
Necessária AUTORIZAÇÃO JUDICIAL e OITIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO.

AÇÃO CONTROLADA
Normalmente, chamada a FLAGRANTE RETARDADO, POSTERGADO, DIFERIDO.
A não atuação policial sobre os portadores de drogas, seus precursores químicos
ou outros produtos utilizados em sua produção, que se encontrem no território
brasileiro.
Finalidade de identificar e responsabilizar maior número de integrantes de
operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo da ação penal cabível.
Necessária AUTORIZAÇÃO JUDICIAL e OITIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO.
AUTORIZAÇÃO: Concedida desde que sejam conhecidos o itinerário provável e a
identificação dos agentes do delito ou de colaboradores.
INTERROGATÓRIO DO RÉU
Novidade: o interrogatório, na Lei de Drogas, é o último ato da instrução.
O interrogatório, na Lei de Drogas, é o último ato da instrução.
O Art. 400 do CPP prevê que o interrogatório deverá ser realizado como último ato da
instrução criminal. Essa regra deve ser aplicada:
- nos processos penais militares;
- nos processos penais eleitorais; e
- em todos os procedimentos penais regidos por legislação especial (ex.: Lei de Drogas).

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Essa tese acima exposta (interrogatório como último ato da instrução em


todos os procedimentos penais) só se tornou obrigatória a partir da data de
publicação da ata de julgamento do HC 127900/AM pelo STF, ou seja, do dia
11/03/2016 em diante.

Os interrogatórios realizados nos processos penais militares, eleitorais e da Lei


de Drogas até o dia 10/03/2016 são válidos mesmo que tenham sido efetivados como
o primeiro ato da instrução.
STF. Plenário. HC 127900/AM, 3/3/2016 (Info 816).
STJ. 6ª Turma. HC 397382-SC, 3/8/2017 (Info 609).

Contudo, o CPP, desde 2008, passou a prever que o interrogatório do acusado é o último
ato da instrução, observe:
Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no
prazo máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de
declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas
pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no
art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos peritos, às
acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-
se, em seguida, o acusado.
O que é mais favorável ao réu: ser interrogado antes ou depois da oitiva das testemunhas?
Depois. Isso porque após o acusado ouvir o relato trazido pelas testemunhas poderá decidir a
versão dos fatos que irá apresentar. Se, por exemplo, avaliar que nenhuma testemunha o
apontou como o autor do crime, poderá sustentar a negativa de autoria ou optar pelo direito ao
silêncio. Ao contrário, se entender que as testemunhas foram sólidas em incriminá-lo, terá
como opção viável confessar e obter a atenuação da pena.
Dessa feita, a regra do Art. 400 do CPP é mais favorável ao réu do que a previsão do Art.
57 da Lei nº 11.343/2006.
Diante dessa constatação, e pelo fato de a Lei nº 11.719/2008 ser posterior à Lei de
Drogas, surgiu uma corrente na doutrina defendendo que o Art. 57 foi derrogado e que, também
no procedimento da Lei nº 11.343/2006, o interrogatório deveria ser o último ato da audiência
de instrução. Essa tese foi acolhida pela jurisprudência? SIM.
A exigência de realização do interrogatório ao final da instrução criminal, conforme o Art.
400 do CPP, é aplicável:
- aos processos penais militares;
- aos processos penais eleitorais; e
- a todos os procedimentos penais regidos por legislação especial (ex.: Lei de Drogas).
STF. Plenário. HC 127900/AM, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
3/3/2016 (Info 816).

Vale ressaltar que, antes deste julgamento (HC 127900/AM), o entendimento que
prevalecia era outro. Por conta disso, o STF, por questões de segurança jurídica, afirmou que a
tese fixada (interrogatório como último ato da instrução em todos os procedimentos penais) só
se tornou obrigatória a partir da data de publicação da ata deste julgamento, ou seja, do dia
11/03/2016 em diante. Os interrogatórios realizados nos processos penais militares, eleitorais
e da Lei de Drogas até o dia 10/03/2016 são válidos mesmo que tenham sido o primeiro ato da
instrução.

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(...) 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do HC n. 127.900/AM, deu


nova conformidade à norma contida no art. 400 do CPP (com redação dada pela Lei
n. 11.719/08), à luz do sistema constitucional acusatório e dos princípios do
contraditório e da ampla defesa. O interrogatório passa a ser sempre último ato da
instrução, mesmo nos procedimentos regidos por lei especial, caindo por terra a
solução de antinomias com arrimo no princípio da especialidade. Ressalvou-se,
contudo, a incidência da nova compreensão aos processos nos quais a instrução não
tenha se encerrado até a publicação da ata daquele julgamento (10.03.2016). In
casu, o paciente foi sentenciado em 3.8.2015, afastando-se, pois, qualquer pretensão
anulatória. (...)
STJ. 6ª Turma. HC 403.550/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
julgado em 15/08/2017 (Info 609).

Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal Prova: Delegado de Polícia Federal
Em diligência com o objetivo de combater o tráfico internacional de entorpecentes,
policiais federais localizaram uma plantação de maconha, onde encontraram equipamentos
utilizados para embalar a droga. No local, foram apreendidos dinheiro e veículos e foram presas
cinco pessoas que se encontravam na posse dos bens e cuidavam da plantação.
Nessa situação hipotética, independentemente de autorização judicial, a autoridade
policial deverá proceder de forma a garantir a imediata destruição da plantação — que poderá
ser queimada —, devendo preservar apenas quantidade suficiente da droga para a realização
de perícia.
Certo ( ) Errado ( )
Gabarito: Certo
Comentário: Conforme estudando, as plantações ilícitas (Art. 32) devem ser
destruídas imediatamente pelo Delegado de Polícia. Fique atento à tabela que
criamos!

QUESTÕES RELEVANTES
POLÍCIA PODE FAZER BUSCAS POR CAUSA DE CHEIRO DE
MACONHA?
A Sexta Turma do Supremo Tribunal Justiça (STJ) decidiu que policiais podem fazer
buscas caso tenham sentido “forte odor de maconha” mesmo se não tiverem um mandado para
isso.

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A decisão foi tomada de maneira monocrática no início de fevereiro com base em um caso
ocorrido em São Paulo. Na ocasião, agentes da polícia militar abordaram Derek Araujo dos
Santos Furtado na rua. Como ele não portava documentos, os agentes o acompanharam até sua
casa e lá sentiram um forte cheiro de maconha. Ao fazer buscas no imóvel, encontraram 667
porções de crack, 1.605 invólucros de maconha, 1.244 de cocaína e 35 frascos de lança-perfume.
A defesa de Furtado alega que houve ilegalidade na ação já que os policiais não possuíam
um mandato de busca e apreensão e só tiveram conhecimento das substâncias entorpecentes
depois de entrarem na residência. HC 423.838
É pacífico nesta Corte Superior o entendimento de que, tratando-se de
flagrante por crime permanente, no caso, por tráfico de drogas, desnecessário
tanto o mandado de busca e apreensão quanto a autorização para que a
autoridade policial possa adentrar no domicílio do paciente, conforme previsto no 5º,
XI, da CF. [...] 8. Habeas corpus não conhecido.
HC n. 352.811/SP, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, 1/8/2016

É dispensável o mandado de busca e apreensão quando se trata de flagrante


do crime de tráfico de entorpecentes, pois o referido delito é de natureza
permanente, ficando o agente em estado de flagrância.

Para a 6ª Turma do STJ, é dispensável mandado quando se trata de flagrante do crime


de tráfico de entorpecentes.
Esse foi o entendimento aplicado pela 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça ao
manter decisão que não reconheceu como invasão de domicílio a atuação de policiais que,
após sentirem forte cheiro de maconha em uma residência, fizeram busca no interior do
imóvel.
Em decisão monocrática, o relator, ministro Sebastião Reis Júnior, aplicou o
entendimento, já sedimentado no STJ, de que, o mandado pode ser dispensado no caso de
crimes permanentes, sendo permitido à autoridade policial ingressar no interior de domicílio
em decorrência do estado de flagrância.
Para ele, o relato da desconfiança dos policiais, decorrente do nervosismo apresentado
pelo suspeito e do forte odor de droga no interior da residência, demonstraram fundadas
razões que justificavam a busca no imóvel, fatores suficientes para afastar o alegado
constrangimento ilegal. STJ - HC 423.838 – 2018

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INVASÃO DE DOMICÍLIO E FLAGRANTE DE CRIME


Para que o ingresso de policiais em residência de outrem, sem ordem judicial, seja
legítimo, é imprescindível a presença de um lastro probatório mínimo da existência de
crime. Nessa linha de pensamento, o STF entendeu necessária a preservação da inviolabilidade
do domiciliar contra ingerências arbitrárias no domicílio.
A entrada forçada em domicílio, sem uma justificativa prévia conforme o direito,
é arbitrária. Não será a constatação da situação de flagrância, posterior ao ingresso,
que justificará a medida.
STF - 603616/RO, 10/05/2016
Conforme entendimento da Suprema Corte e da Sexta Turma deste STJ, a
entrada forçada em domicílio, sem uma justificativa prévia conforme o direito, é
arbitrária, e não será a constatação de situação de flagrância, posterior ao ingresso,
que justificará a medida, pois os agentes estatais devem demonstrar que havia
elemento mínimo a caracterizar fundadas razões (justa causa).
INFORMATIVO 623 STJ - RCH83501/SP, 06/03/2018

REVISTA ÍNTIMA
STJ
Não viola o princípio da dignidade da pessoa humana a revista íntima
realizada conforme as normas administrativas que disciplinam a atividade
fiscalizatória, quando houver fundada suspeita de que o visitante esteja
transportando drogas ou outros itens proibidos para o interior do estabelecimento
prisional.
HC 460234/SC, 20/09/2018
1687496/RS, 27/03/2018
1696487/RS, 26/03/2018
1523735/RS, 26/02/2018
HC 381593/RS, 19/05/2017
HC 238973/SP, 05/09/2012

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDREUCCI, Ricardo Antônio. Legislação Penal Especial. São Paulo: Saraiva, 2019.

BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. São Paulo: Saraiva, 2011.

BRASILEIRO, Renato. Legislação Criminal Especial Comentada. Salvador Juspodivm, 2017.

CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Arma de fogo encontrada em caminhão configura porte de
arma de fogo (e não posse). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4e9cec1f5830564591
11d63e24f3b8ef>. Acesso em: 23/02/2020.

FOUREAUX, Rodrigo. A Lei 13.491/17 e a ampliação da competência da Justiça Militar,


disponível em: https://jus.com.br/artigos/61251/a-lei-13-491-17-e-a-ampliacao-da-
competencia-da-justica-militar.

GONÇALVES, Victor; BALTAZAR JÚNIOR, José Paulo. Legislação Penal Especial


Esquematizada. São Paulo: Saraiva, 2019.

LOPES JR, Aury. Lei 13.491/2017 fez muito mais do que retirar os militares do tribunal do
júri, disponível em: https://www.conjur.com.br/2017-out-20/limite-penal-lei-134912017-
fez-retirar-militares-tribunal-juri

SOUZA, Renee do Ó; CUNHA, Rogério Sanches; HOLMES LINS, Caroline de Assis e Silva. A nova
figura do agente disfarçado prevista na Lei 13.964/2019, em 27 de dezembro de 2019.
Disponível em https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2019/12/27/nova-figura-
agente-disfarcado-prevista-na-lei-13-9642019/

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LEI MARIA DA PENHA


LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006
INTRODUÇÃO
A Lei nº 11.340/2006 tem por finalidade coibir a violência doméstica e familiar contra a
mulher. Esse diploma normativo é amplamente conhecido como Lei Maria da Penha, uma referência
a Maria da Penha Maria Fernandes.
Esta senhora sofreu agressões por parte de seu marido por anos, sem buscar a tutela dos
órgãos estatais. No dia 29 de maio de 1983, em Fortaleza (CE), foi atingida enquanto dormia por um
tiro de espingarda disparado por seu marido.
Como consequência desse tiro, Maria ficou paraplégica. Não satisfeito com o resultado dessa
violência, que tinha como finalidade a morte da mesma, depois de alguns dias o marido tentou outra
investida: eletrocutá-la durante o banho. Seis meses antes da prescrição, o marido foi condenado,
em razão dos crimes, a cumprir pena de dez anos em regime aberto.
A história de Maria da Penha foi objeto de tamanha repercussão internacional que o Comitê
Latino-Americano e Caribe para Defesa da Mulher (CLADEM) formalizou denúncia à Comissão
Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Em 2001, o Brasil foi condenado por meio de um relatório da OEA, que impôs um pagamento
de indenização de 20 mil dólares em favor de Maria da Penha, responsabilizando o Estado Brasileiro
pela negligência e omissão em relação à violência doméstica, e recomendando a adoção de várias
medidas, entre elas a de simplificar procedimentos judiciais, diminuindo os prazos processuais de
julgados.
Diante da inércia do Estado Brasileiro, o caso foi levado à Comissão Interamericana de
Direitos Humanos, que proferiu o seguinte:
Relatório 54/2001 – A ineficácia judicial, a impunidade e a impossibilidade de a vítima obter
uma reparação mostra a falta de cumprimento do compromisso assumido pelo Brasil de reagir
adequadamente ante a violência doméstica.
Cinco anos após o relatório, foi editada a Lei Maria da Penha.
Está é a razão da referência que o Art. 1º da Lei Maria da Penha faz à Convenção sobre
Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres e à Convenção Interamericana
para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher.

Art. 6º A violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de
violação dos direitos humanos.

DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Inicialmente, destaca-se que a Lei 11.340/2006 possui inúmeras finalidades.
Não se trata de uma lei estritamente penal, possui dispositivos relacionados à segurança
pública, cria mecanismos de proteção à mulher, traz elementos de natureza cível, por isso se
diz que é uma lei multidisciplinar abordando vários ramos do Direito.
Art. 1º Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência
doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226
da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas
as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção
Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra
a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela
República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados
de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece
medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de
violência doméstica e familiar.

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Trata-se de norma que criou mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e
familiar contra a mulher. Essa norma busca fundamento no Art. 226, ß8º, da CF, e em diversos
diplomas internacionais. A nossa Constituição estabelece:
Art. 226, § 8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa
de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a
violência no âmbito de suas relações.
A Lei, já no seu início, reitera os direitos e garantais fundamentais das mulheres,
afirmando que deve ser assegurada uma vida digna, livre de qualquer violência. Para que isso
seja assegurado, o Poder Assim, podemos concluir que as finalidades da Lei Maria da Penha são:
⮚ Criação de mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar
contra a mulher;
⮚ Criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher;
⮚ Estabelecer medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de
violência doméstica e familiar.
Além disso, a Lei Maria da Penha deixa claro que esse dever não é apenas do Estado, mas
constitui o da família e da sociedade.

Art. 2º Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia,


orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião,
goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-
lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem
violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento
moral, intelectual e social.

Art. 3º Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício


efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à
educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao
lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito
e à convivência familiar e comunitária.

§ 1º O poder público desenvolverá políticas que visem garantir os


direitos humanos das mulheres no âmbito das relações domésticas e
familiares no sentido de resguardá-las de toda forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

§ 2º Cabe à família, à sociedade e ao poder público criar as condições


necessárias para o efetivo exercício dos direitos enunciados no caput.

INTERPRETAÇÃO DA LEI MARIA DA PENHA


A Lei 11.340/2006 foi pensada para proteger a mulher em um cenário de violência
doméstica e familiar. Assim, obviamente, deve ser interpretada levando em consideração as
condições peculiares da mulher e os fins sociais a que se destina, nos termos do Art. 4º.
Devemos interpretar a lei sempre de modo a proteger a mulher vulnerável.
Art. 4º Na interpretação desta Lei, serão considerados os fins sociais
a que ela se destina e, especialmente, as condições peculiares das
mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

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DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER


Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e
familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão BASEADA NO
GÊNERO que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou
psicológico e dano moral ou patrimonial:

I - No âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço


de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar,
inclusive as esporadicamente agregadas;

II - No âmbito da família, compreendida como a comunidade


formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados,
unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;

III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor


conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de
coabitação.

Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo


independem de orientação sexual.

A Lei Maria da Penha NÃO PROTEGE a mulher de forma indiscriminada. O objeto


jurídico protegido pela norma é a mulher VULNERÁVEL, HIPOSSUFICIENTE.

É importante compreender bem as definições trazidas pela lei no que se refere à violência
doméstica e familiar contra a mulher. Essa violência consiste numa ação ou omissão baseada
no gênero.

O conceito de gênero surgiu a partir de 1980, na tentativa de aumentar o entendimento a


respeito das diferenças e desigualdades com relação aos sexos, que eram entendidas como
expressões de comportamentos sociais rigorosos, ligados por meio das diferenças biológicas
entre homem e mulher, com foco nos aspectos sociais dessa relação desigual. A mulher é a
maior vítima da violência de gênero. Estudos confirmam que em cerca de 95% dos casos de
violência praticada contra a mulher, o homem é o agressor.

Assim, violência de gênero contra mulher é toda a e qualquer ação ou omissão,


baseada no gênero, capaz de causar morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico
ou que possa ocasionar dano moral ou patrimonial, quando praticado:
⮚ no âmbito doméstico;
⮚ no âmbito familiar; ou
⮚ em decorrência de relação de afeto.

Violência baseada em gênero é aquela violência fundamentada na vulnerabilidade,


hipossuficiência e na discriminação da mulher. A vulnerabilidade poderá se
contextualizar a esfera física ou financeira.

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SUJEITO ATIVO
O agressor pode ser tanto um homem quanto uma mulher, nos termos do Art. 5º,
parágrafo único, da Lei 11.340/2006:

Art. 5º, Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo


independem de orientação sexual.

No parágrafo único, ficou estabelecido que as relações enunciadas no Art. 5º independem


de orientação sexual, prevendo a lei, portanto, expressamente, sua incidência também à família
homoafetiva.
Súmula 600 do STJ: Para configuração da violência doméstica e familiar prevista
no artigo 5º da Lei 11.340/2006, Lei Maria da Penha, não se exige a coabitação entre
autor e vítima.

O STJ já decidiu que a Lei Maria da Penha pode ser aplicada mesmo que não tenha havido
coabitação, e mesmo quando as agressões ocorrerem quando já se tiver encerrado o
relacionamento entre as partes, desde que guardem vínculo com a relação anteriormente
existente.
O NAMORO é uma relação íntima de afeto que independe de coabitação; portanto,
a agressão do namorado contra a namorada, ainda que tenha cessado o
relacionamento, mas que ocorra em decorrência dele, caracteriza violência doméstica
(CC 96.532/MG, DJe 19/12/2008).

A agressão do namorado contra a namorada, mesmo cessado o relacionamento, mas


que ocorra em decorrência dele, está inserida na hipótese do art. 5º, III, da Lei n.
11.340/06, caracterizando a violência doméstica.
1416580/RJ, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, 01/04/2014
59208/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, 26/02/2013

Consoante entendimento desta Corte, a relação existente entre o sujeito ativo e o


passivo de determinado delito deve ser analisada em face do caso concreto, para
verificar a aplicação da Lei Maria da Penha, sendo desnecessário que se configure a
coabitação entre eles

HC 184.990/RS, DJe 09/11/2012

VIOLÊNCIA PRATICADA POR GENRO CONTRA SOGRA


Aplica-se a Lei Maria da Penha.

STJ. 5ª Turma. RHC 50847/BA, Rel. Min. Walter de Almeida, 07/10/2014.

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VIOLÊNCIA PRATICADA POR FILHO CONTRA A MÃE


Aplica-se a Lei Maria da Penha.

STJ. 5ª Turma. HC 290650/MS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, 15/05/2014.

VIOLÊNCIA PRATICADA POR COMPANHEIRO DA MÃE ("PADRASTO")


CONTRA A ENTEADA
Aplica-se a Lei Maria da Penha.
Obs.: a agressão foi motivada por discussão envolvendo o relacionamento amoroso
que o agressor possuía com a mãe da vítima (relação íntima de afeto).

STJ. 5ª Turma. RHC 42092/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 25/03/2014.

VIOLÊNCIA PRATICADA POR TIA CONTRA SOBRINHA


Aplica-se a Lei Maria da Penha.
A tia possuía, inclusive, a guarda da criança (do sexo feminino), que tinha 4 anos.

STJ. 5ª Turma. HC 250435/RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 19/09/2013.

VIOLÊNCIA PRATICADA POR NORA CONTRA SOGRA


Aplica-se a Lei Maria da Penha. Desde que estejam presentes os requisitos de relação
íntima de afeto, motivação de gênero e situação de vulnerabilidade. Ausentes, não
se aplica.

STJ. 5ª Turma. HC 175816/RS, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, 20/06/2013.

VIOLÊNCIA PRATICADA POR PAI CONTRA A FILHA


Aplica-se a Lei Maria da Penha. O agressor também pode ser mulher.

STJ. 6ª Turma. HC 178751/RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 21/05/2013.

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LEI MARIA DA PENHA NA RELAÇÃO ENTRE MÃE E FILHA


É possível a incidência da Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) nas relações entre mãe e filha.
Isso porque, de acordo com o art. 5º, III, da Lei 11.340/2006, configura violência doméstica
e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte,
lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial em qualquer relação
íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida,
independentemente de coabitação.
Da análise do dispositivo citado, infere-se que o objeto de tutela da Lei é a mulher em situação
de vulnerabilidade, não só em relação ao cônjuge ou companheiro, mas também qualquer
outro familiar ou pessoa que conviva com a vítima, independentemente do gênero do agressor.
Nessa mesma linha, entende a jurisprudência do STJ que o sujeito ativo do crime pode ser
tanto o homem como a mulher, desde que esteja presente o estado de vulnerabilidade
caracterizado por uma relação de poder e submissão.
Informativo nº 551

Precedentes citados:
HC 175.816-RS, Quinta Turma, DJe 28/6/2013
HC 250.435-RJ, Quinta Turma, DJe 27/9/2013.
HC 277.561-AL, Rel. Min. Jorge Mussi, 6/11/2014.

VIOLÊNCIA PRATICADA POR EX-NAMORADO CONTRA A EX-NAMORADA


Aplica-se a Lei Maria da Penha.
Vale ressaltar, porém, que não é qualquer namoro que se enquadra na Lei Maria da
Penha. Se o vínculo é eventual, efêmero, não incide a Lei 11.340/06 (CC 91.979-
MG).

STJ. 5ª Turma. HC 182411/RS, Rel. Min. Adilson Vieira Macabu, 14/08/2012.

VIOLÊNCIA PRATICADA POR IRMÃO CONTRA IRMÃ


Aplica-se a Lei Maria da Penha. Ainda que não morem sob o mesmo teto.

STJ. 5ª Turma. REsp 1239850/DF, Rel. Min. Laurita Vaz, 16/02/2012.

SUJEITO PASSIVO
O Art. 5º da Lei 11.340/2006 determina que, para seus efeitos, configura violência doméstica e
familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero, que lhe cause morte, lesão,
sofrimento físico, psíquico, sexual e dano moral ou patrimonial, praticada no âmbito da unidade
doméstica, da família ou em qualquer relação íntima de afeto.
Em um primeiro momento, diante desse conceito de violência doméstica e familiar contra a
mulher, pode-se afirmar que o sujeito passivo do crime é somente a mulher que tenha sido vítima de
agressão decorrente de violência doméstica e familiar.
Para a doutrina e jurisprudência esmagadoramente majoritárias, a Lei Maria da Penha criou um
microssistema protetivo específico para as mulheres, acatando que o sujeito passivo se trata,
exclusivamente, da mulher (esposa, amante, namorada, mãe, avó, sogra, irmã).
● Aplicação da Maria da Penha a travestis e transexuais.

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Parte minoritária da doutrina admite a aplicação da Lei Maria da Penha a travestis e


transexuais. Sobre a aplicação da referida lei, Maria Berenice Dias afirma que há a exigência de
uma qualidade especial: ser mulher. Assim, lésbicas, transexuais, travestis e transgêneros, que
tenham identidade social com o sexo feminino estão sob a égide da Lei Maria da Penha. A agressão
contra elas no âmbito familiar constitui violência doméstica. E prossegue, ressaltando, com
propriedade, que descabe deixar à margem da proteção legal aqueles que se reconhecem como
mulher.
Neste sentido, há precedente no Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR.
HOMOLOGAÇÃO DE AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE. AGRESSÕES PRATICADAS PELO
COMPANHEIRO CONTRA PESSOA CIVILMENTE IDENTIFICADA COMO SENDO DO SEXO
MASCULINO. VÍTIMA SUBMETIDA À CIRURGIA DE ADEQUAÇÃO DE SEXO POR SER
HERMAFRODITA. ADOÇÃO DO SEXO FEMININO. PRESENÇA DE ÓRGÃOS REPRODUTORES
FEMININOS QUE LHE CONFEREM A CONDIÇÃO DE MULHER. RETIFICAÇÃO DO REGISTRO
CIVIL JÁ REQUERIDA JUDICIALMENTE. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO, NO CASO
CONCRETO, DA LEI N. 11.340/06.
TJ-SC - CJ: 64616 SC 2009.006461-6, Relator: Roberto Lucas Pacheco, Data de Julgamento: 14/08/2009,

Destaca-se que o STJ reconheceu que uma figura pública também pode ser vítima de
violência doméstica e familiar.

ATRIZ FAMOSA QUE É AGREDIDA PELO NAMORADO É PROTEGIDA PELA LEI


MARIA DA PENHA
O fato de a vítima ser figura pública renomada não afasta a competência do Juizado
de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher para processar e julgar o delito.
Isso porque a situação de vulnerabilidade e de hipossuficiência da mulher, envolvida
em relacionamento íntimo de afeto, revela-se ipso facto, sendo irrelevante a sua
condição.

1416580/RJ, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, 01/04/2014

JURISPRUDÊNCIA

O sujeito passivo da violência doméstica objeto da Lei Maria da Penha é a


mulher, já o sujeito ativo pode ser tanto o homem quanto a mulher, desde
que fique caracterizado o vínculo de relação doméstica, familiar ou de afetividade,
além da convivência, com ou sem coabitação.

Precedentes:
HC 277561/AL, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, 06/11/2014
HC 250435/ RJ, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, 19/09/2013
CC 88027/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, TERCEIRA SEÇÃO, 05/12/2008
RHC 046278/AL, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, 09/06/2015, (INFORMATIVO 551)

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Para a aplicação da Lei n. 11.340/2006, há necessidade de demonstração da


situação de vulnerabilidade ou hipossuficiência da mulher, numa
perspectiva de gênero.

Precedentes:
1430724/RJ, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA,
17/03/2015,
HC 181246/RS, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, 20/08/2013,
CC 96533/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, TERCEIRA SEÇÃO, 05/12/2008

Não é possível a aplicação dos princípios da insignificância e da bagatela


imprópria nos delitos praticados com violência ou grave ameaça no âmbito
das relações domésticas e familiares.
Precedentes:
1537749/DF, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, 30/06/2015
1464335/MS, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA,
24/03/2015
19042/DF, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA, 14/02/2012

A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na


hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.

Súmula 536 do STJ

ÂMBITO DE APLICAÇÃO

Para aplicação da Lei Maria da Penha, vimos que são necessários requisitos. Dentre eles,
que seja uma violência doméstica ou familiar contra mulher baseada no gênero que cause
morte, lesão, sofrimento físico, sofrimento sexual, sofrimento psicológico, dano moral ou dano
patrimonial:

I - No âmbito da unidade doméstica


Compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo
familiar, inclusive as esporadicamente agregadas.
O critério utilizado pelo legislador foi o critério ESPACIAL. O legislador dispensou o
vínculo familiar, mas, nesse caso, a coabitação.
Ex.: empregada doméstica habitual, que mora na casa há algum tempo. (Diarista não se
aplica.)

II - No âmbito da família
Compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram
aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa.
Critério adotado pelo legislador foi o vínculo familiar que pode decorrer de laços naturais,
vontade expressa ou afinidade.

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Não há necessidade de coabitação. (STJ – súmula 600)

III - em qualquer relação íntima de afeto


Agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.
Inclui namorada, amante, esposa, ex-esposa etc. Grande parte da doutrina entende que
“relação íntima” deve englobar relacionamento amoroso, sexual.
Ex.: namorado, inconformado com fim do relacionamento, começa a perseguir a vítima.

DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A


MULHER
Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher,
entre outras:
I - A violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda
sua integridade ou saúde corporal;
II - A violência psicológica, entendida como qualquer conduta que
lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe
prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar
ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões,
mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação,
isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto,
chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração
e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause
prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.
(Redação dada pela Lei nº 13.772, de 2018)
III - A violência sexual, entendida como qualquer conduta que a
constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual
não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da
força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo,
a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método
contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou
à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou
manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos
sexuais e reprodutivos;
IV - A violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que
configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus
objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens,
valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a
satisfazer suas necessidades;
V - A violência moral, entendida como qualquer conduta que
configure calúnia, difamação ou injúria.

Trata-se de um rol exemplificativo, em virtude da expressão “entre outras” que existe no


caput do Art. 7º. Ou seja, pode o legislador definir outras formas em outras leis, por exemplo.
O Art. 7º não trata de crimes, sim condutas. Convém perceber que o artigo 7º não possui
preceito secundário, não há pena. Porém, as formas de violências, combinadas com a legislação,
podem configurar crime, contravenção ou até mesmo fato atípico.
Exemplo:
Crime: lesão corporal, homicídio, ameaça.
Contravenção: vias de fato.
Fato atípico: adultério.

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VIOLÊNCIA FÍSICA
É entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal.

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA
Uma das formas de violência psicológica é a ameaça.
Não se exige formalidade na representação.
A violência psicológica é entendida como qualquer conduta que lhe cause:
⮚ dano emocional e diminuição da autoestima;
⮚ que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento;
⮚ que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões,
mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento,
vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de
sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir;
⮚ qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à
autodeterminação.

VIOLÊNCIA SEXUAL
Qualquer conduta que:
⮚ a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não
desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força;
⮚ que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade;
⮚ que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao
matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem,
suborno ou manipulação;
⮚ que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos.

VIOLÊNCIA PATRIMONIAL
Qualquer conduta que:
⮚ configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos,
instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou
recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.

VIOLÊNCIA MORAL
⮚ Qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.

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SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR


RESTRITIVA DE DIREITOS
É inviável a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de
direitos nos casos de violência doméstica, uma vez que não preenchidos os
requisitos do Art. 44 do CP.

Precedentes:
700718/MS, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA,
30/06/2015
700745/MS, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, 30/06/2015
HC 320816/MS, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA,
09/06/2015

A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com violência ou


grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição da pena
privativa de liberdade por restritiva de direitos.

O enunciado da Súmula 588 STJ, diz não ser possível a conversão de pena restritiva
de direitos para crimes cometidos contra mulheres no ambiente doméstico.

O Art. 44, I, CP, prevê que não é possível a conversão da pena privativa de liberdade
em pena restritiva de direitos em crimes cometidos com violência ou grave ameaça
contra à pessoa. Sendo assim, o Art. 17 da Lei Maria da Penha, 11.340/06, possui as
sanções e a proibição de conversão das penas.

Súmula 588 STJ

DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA


DOMÉSTICA E FAMILIAR
DAS MEDIDAS INTEGRADAS DE PREVENÇÃO
Art. 8º A política pública que visa coibir a violência doméstica e
familiar contra a mulher far-se-á por meio de um conjunto articulado
de ações da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
e de ações não governamentais, tendo por diretrizes:
I - A integração operacional do Poder Judiciário, do Ministério
Público e da Defensoria Pública com as áreas de segurança pública,
assistência social, saúde, educação, trabalho e habitação;
II - A promoção de estudos e pesquisas, estatísticas e outras
informações relevantes, com a perspectiva de gênero e de raça ou
etnia, concernentes às causas, às consequências e à frequência da
violência doméstica e familiar contra a mulher, para a
sistematização de dados, a serem unificados nacionalmente, e a
avaliação periódica dos resultados das medidas adotadas;

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III - o respeito, nos meios de comunicação social, dos valores éticos e


sociais da pessoa e da família, de forma a coibir os papéis
estereotipados que legitimem ou exacerbem a violência doméstica e
familiar, de acordo com o estabelecido no inciso III do art. 1º, no
inciso IV do art. 3º e no inciso IV do art. 221 da Constituição Federal;
IV - A implementação de atendimento policial especializado para as
mulheres, em particular nas Delegacias de Atendimento à Mulher;
V - A promoção e a realização de campanhas educativas de
prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher,
voltadas ao público escolar e à sociedade em geral, e a difusão desta
Lei e dos instrumentos de proteção aos direitos humanos das
mulheres;
VI - A celebração de convênios, protocolos, ajustes, termos ou outros
instrumentos de promoção de parceria entre órgãos governamentais
ou entre estes e entidades não governamentais, tendo por objetivo a
implementação de programas de erradicação da violência doméstica
e familiar contra a mulher;
VII - A capacitação permanente das Polícias Civil e Militar, da Guarda
Municipal, do Corpo de Bombeiros e dos profissionais pertencentes
aos órgãos e às áreas enunciados no inciso I quanto às questões de
gênero e de raça ou etnia;
VIII - A promoção de programas educacionais que disseminem
valores éticos de irrestrito respeito à dignidade da pessoa humana
com a perspectiva de gênero e de raça ou etnia;
IX - O destaque, nos currículos escolares de todos os níveis de ensino,
para os conteúdos relativos aos direitos humanos, à equidade de
gênero e de raça ou etnia e ao problema da violência doméstica e
familiar contra a mulher.
A Lei Maria da Penha, em seu Art.. 8º, estabeleceu que a política pública que visa a coibir
a violência doméstica e familiar contra a mulher deve ser feita por meio de um conjunto
articulado de ações da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de ações
não governamentais, tendo por diretrizes básicas elencadas nos incisos do Art. 8º.

DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


E FAMILIAR
Art. 9º A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar
será prestada de forma articulada e conforme os princípios e as diretrizes
previstos na Lei Orgânica da Assistência Social, no Sistema Único de
Saúde, no Sistema Único de Segurança Pública, entre outras normas e
políticas públicas de proteção, e emergencialmente quando for o caso.
§ 1º O juiz determinará, por prazo certo, a inclusão da mulher em situação
de violência doméstica e familiar no cadastro de programas assistenciais do
governo federal, estadual e municipal.
§ 2º O juiz assegurará à mulher em situação de violência doméstica e
familiar, para preservar sua integridade física e psicológica:
I - Acesso prioritário à remoção quando servidora pública,
integrante da administração direta ou indireta;
II - Manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o
afastamento do local de trabalho, por até seis meses.
III - Encaminhamento à assistência judiciária, quando for o caso,
inclusive para eventual ajuizamento da ação de separação judicial,
de divórcio, de anulação de casamento ou de dissolução de união
estável perante o juízo competente.
(Incluído pela Lei nº 13.894, de 2019)

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A mulher vítima de violência doméstica muitas vezes precisa ser retirada rapidamente do
convívio do agressor. Esse afastamento, entretanto, pode implicar em prejuízos à vítima, e as
medidas previstas no §2º têm o condão de diminuir essas consequências danosas, pelo menos
no que tange aos vínculos de trabalho.
Caso a mulher seja servidora pública, o juiz deve determinar acesso prioritário à
remoção, que nada mais é do que a mudança do local de trabalho da servidora.
Caso se trate de empregada, a lei autoriza o juiz a determinar a manutenção do vínculo
trabalhista pelo período de até 6 meses. A doutrina tem-se posicionado no sentido de que o
afastamento deve contemplar também a remuneração, pois de nada adiantaria a vítima manter
seu vínculo empregatício se não tiver como se sustentar.
Entretanto, não há nenhuma regra a respeito da responsabilidade pelo pagamento dos
salários, e nem existe ainda benefício assistencial específico para essa finalidade.

§ 3º A assistência à mulher em situação de violência doméstica e


familiar compreenderá o acesso aos benefícios decorrentes do
desenvolvimento científico e tecnológico, incluindo os serviços de
contracepção de emergência, a profilaxia das Doenças
Sexualmente Transmissíveis (DST) e da Síndrome da
Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e outros procedimentos
médicos necessários e cabíveis nos casos de violência sexual.

A Lei Maria da Penha protege a mulher com relação à sua liberdade no uso de sua
capacidade reprodutiva. São considerados sexualmente violentos os atos que impedirem o
acesso da mulher a métodos contraceptivos.
A proteção conferida pelo §3º à mulher vítima de violência exige a coordenação de
diversos níveis no âmbito governamental e não governamental, possibilitando a garantia de
direitos fundamentais.

A Lei 13.871/19 acrescentou três parágrafos ao artigo 9º da Lei 11.340/06 e traz


ao autor de violência doméstica ou familiar a obrigação de ressarcir todos os
danos causados por suas condutas, como, por exemplo, os gastos da vítima com
médico particular.

§ 4º Aquele que, por ação ou omissão, causar lesão, violência física,


sexual ou psicológica e dano moral ou patrimonial a mulher fica
obrigado a ressarcir todos os danos causados, inclusive
ressarcir ao Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com a tabela
SUS, os custos relativos aos serviços de saúde prestados para o total
tratamento das vítimas em situação de violência doméstica e
familiar, recolhidos os recursos assim arrecadados ao Fundo de
Saúde do ente federado responsável pelas unidades de saúde que
prestarem os serviços.
(Vide Lei nº 13.871, de 2019)

§ 5º Os dispositivos de segurança destinados ao uso em caso de perigo


iminente e disponibilizados para o monitoramento das vítimas de
violência doméstica ou familiar amparadas por medidas protetivas
terão seus custos ressarcidos pelo agressor.
(Vide Lei nº 13.871, de 2019)

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§ 6º O ressarcimento de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo não


poderá importar ônus de qualquer natureza ao patrimônio da
mulher e dos seus dependentes, nem configurar atenuante ou
ensejar possibilidade de substituição da pena aplicada.
(Vide Lei nº 13.871, de 2019)

A Lei 13.871/19 acrescentou três parágrafos ao artigo 9º da Lei 11.340/06 e traz ao autor
de violência doméstica ou familiar a obrigação de ressarcir todos os danos causados por suas
condutas, como, por exemplo, os gastos da vítima com médico particular.
Mas não é só isso: o autor de violência doméstica ou familiar também será obrigado ao
ressarcimento dos gastos com o SUS. Nesse último caso, o Estado poderá cobrar do agressor os
valores gastos para o tratamento da vítima, e os recursos obtidos serão destinados ao ente da
federação que prestou o serviço de saúde.
Ainda segundo a nova lei, o autor de violência doméstica ou familiar terá a obrigação de
ressarcir os gastos relativos aos equipamentos de monitoramento e segurança, a exemplo do
botão de pânico, usado para acionar a polícia, em caso de perigo representado pelo agente.
Continua a lei dizendo que a obrigação de ressarcimento por parte do autor de violência
doméstica ou familiar não pode atingir o patrimônio da mulher e dos seus dependentes, ou seja,
o dinheiro vai ter que sair do bolso do agente. Além disso, a lei proíbe que os ressarcimentos
sejam usados como atenuantes ou para fins de substituição da pena.
Por fim, é importante lembrar que a obrigação de ressarcimento por parte do autor de
violência doméstica ou familiar não depende do trânsito em julgado de eventual condenação.
Em outras palavras, ele pode ser acionado na esfera cível, sem necessidade de aguardar o
resultado na esfera penal.

§ 7º A mulher em situação de violência doméstica e familiar tem


prioridade para matricular seus dependentes em instituição de
educação básica mais próxima de seu domicílio, ou transferi-los
para essa instituição, mediante a apresentação dos documentos
comprobatórios do registro da ocorrência policial ou do processo de
violência doméstica e familiar em curso.
(Incluído pela Lei nº 13.882, de 2019)

§ 8º Serão sigilosos os dados da ofendida e de seus dependentes


matriculados ou transferidos conforme o disposto no § 7º deste
artigo, e o acesso às informações será reservado ao juiz, ao Ministério
Público e aos órgãos competentes do poder público.
(Incluído pela Lei nº 13.882, de 2019)

No dia 9/10/2019 foi publicada a Lei n. 13.882/2019 que alterou a Lei Maria da Penha,
incluindo a garantia de matrícula dos dependentes da mulher vítima de violência em instituição
de educação básica mais próxima de seu domicílio.
O dispositivo modificado por o Art. 9º, que prevê que a mulher vítima de violência
doméstica deverá receber a devida assistência a ser prestada nos âmbitos:
⮚ da saúde;
⮚ da assistência social; e
⮚ da segurança pública.

Na realidade foi incluído no Art. 9º o § 7º, que prevê que a mulher vítima da violência
doméstica terá prioridade para matricular ou para transferir seus filhos ou outros dependentes
para escolas próximas de seu domicílio.

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Ainda que não haja vaga na escola próxima, o dependente da vítima terá direito de ser
matriculado como um excedente, aguardando o surgimento posterior de nova vaga. Isso
significa que a escola não poderá recusar a matrícula, quando estiverem presentes as condições
que permitam identificar a situação da mãe como vítima de violência doméstica e familiar.
Um ponto interessante a ser mencionado é que a nova garantia estabelecida pela Lei Maria
da Penha alcança apenas a educação básica, constituída pela Educação Infantil, Ensino
Fundamental e Ensino Médio.
Além disso, a informação de que o aluno foi transferido ou matriculado em razão de
violência doméstica sofrida por sua mãe deverá permanecer em sigilo, sendo de conhecimento
apenas do Juiz, do Ministério Público e dos órgãos competentes do poder público.

DO ATENDIMENTO PELA AUTORIDADE POLICIAL


Art. 10. Na hipótese da iminência ou da prática de violência
doméstica e familiar contra a mulher, a autoridade policial que
tomar conhecimento da ocorrência adotará, de imediato, as
providências legais cabíveis.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo ao
descumprimento de medida protetiva de urgência deferida.

Art. 10-A. É direito da mulher em situação de violência doméstica e


familiar o atendimento policial e pericial especializado,
ininterrupto e prestado por servidores - preferencialmente do
sexo feminino - previamente capacitados.
(Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)

§ 1º A inquirição de mulher em situação de violência doméstica e


familiar ou de testemunha de violência doméstica, quando se tratar
de crime contra a mulher, obedecerá às seguintes diretrizes:
(Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)

I - Salvaguarda da integridade física, psíquica e emocional da


depoente, considerada a sua condição peculiar de pessoa em
situação de violência doméstica e familiar;
(Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)

II - Garantia de que, em nenhuma hipótese, a mulher em


situação de violência doméstica e familiar, familiares e
testemunhas terão contato direto com investigados ou
suspeitos e pessoas a eles relacionadas;
(Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)

III - NÃO REVITIMIZAÇÃO DA DEPOENTE, evitando


sucessivas inquirições sobre o mesmo fato nos âmbitos
criminal, cível e administrativo, bem como questionamentos
sobre a vida privada.
(Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)

A mulher que esteja em situação de violência doméstica e familiar tem o direito de receber
atendimento policial e pericial especializado, ininterrupto e prestado por servidores
previamente capacitados. Os servidores responsáveis por esse atendimento deverão ser
preferencialmente do sexo feminino. O aluno deve estar atendo… preferencialmente não é
exclusivamente!

MUDE SUA VIDA!


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Em que consiste a chamada revitimização?


A vítima de um crime, especialmente em delitos sexuais ou violentos, todas as vezes em
que for inquirida sobre os fatos, ela é, de alguma forma, submetida a um novo trauma, um novo
sofrimento ao ter que relatar um episódio triste e difícil de sua vida para pessoas estranhas,
normalmente em um ambiente formal e frio. Desse modo, a cada depoimento, a vítima sofre
uma violência psíquica. Assim, revitimização consiste nesse sofrimento continuado ou repetido
da vítima ao ter que relembrar esses fatos.
Para evitar a revitimização, o Poder Público deverá adotar providências a fim de que a
vítima não seja ouvida repetidas vezes sobre o mesmo tema. Além disso, deve-se fazer com que
o ambiente em que os depoimentos são prestados seja acolhedor. Por fim, devem-se evitar
perguntas que invadam a vida privada da vítima ou que induzam à ideia de que ela teve “culpa”
pelo fato, transformando a investigação ou o processo em um “julgamento” sobre o
comportamento da vítima.
Alguns autores afirmam que a revitimização é uma forma de “violência institucional”
cometida pelo Estado contra a vítima.
A revitimização no atendimento às mulheres em situação de violência, por vezes, tem sido
associada à repetição do relato de violência para profissionais em diferentes contextos o que
pode gerar um processo de traumatização secundária na medida em que, a cada relato, a
vivência da violência é reeditada.
Além da revitimização decorrente do excesso de depoimentos, revitimizar também pode
estar associado a atitudes e comportamentos, tais como: paternalizar; infantilizar; culpabilizar;
generalizar histórias individuais; reforçar a vitimização; envolver-se em excesso; distanciar-se
em excesso; não respeitar o tempo da mulher; transmitir falsas expectativas. A prevenção da
revitimização requer o atendimento humanizado e integral, no qual a fala da mulher é valorizada
e respeitada.
(Diretrizes gerais e protocolos de atendimento. Programa Mulher, viver sem violência.
Brasil: Governo Federal. Secretaria Especial de Políticas para mulheres. 2015).

§ 2º Na inquirição de mulher em situação de violência doméstica e


familiar ou de testemunha de delitos de que trata esta Lei, adotar-se-
á, preferencialmente, o seguinte procedimento:
(Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)

I - A inquirição será feita em recinto especialmente


projetado para esse fim, o qual conterá os equipamentos
próprios e adequados à idade da mulher em situação de
violência doméstica e familiar ou testemunha e ao tipo e à
gravidade da violência sofrida;
(Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)
II - Quando for o caso, a inquirição será intermediada por
profissional especializado em violência doméstica e familiar
designado pela autoridade judiciária ou policial;
(Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)
III - o depoimento será registrado em meio eletrônico ou
magnético, devendo a degravação e a mídia integrar o
inquérito.
(Incluído pela Lei nº 13.505, de 2017)

Art. 11. No atendimento à mulher em situação de violência


doméstica e familiar, a autoridade policial deverá, entre outras
providências:

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I - Garantir proteção policial, quando necessário, comunicando


de imediato ao Ministério Público e ao Poder Judiciário;

II - Encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao


Instituto Médico Legal;

III - fornece transporte para a ofendida e seus dependentes


para abrigo ou local seguro, quando houver risco de vida;

IV - se necessário, acompanhar a ofendida para assegurar a


retirada de seus pertences do local da ocorrência ou do
domicílio familiar;

V - Informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e


os serviços disponíveis, inclusive os de assistência judiciária
para o eventual ajuizamento perante o juízo competente da
ação de separação judicial, de divórcio, de anulação de
casamento ou de dissolução de união estável.
(Redação dada pela Lei nº 13.894, de 2019)
O Art. 11 da Lei nº 11.340/2006 prevê algumas providências que o Delegado de Polícia
deverá adotar ao ter conhecimento da prática de crime de violência doméstica.
A Lei nº 13.894/2019 alterou o inciso V do Art. 11 para dizer que o Delegado de Polícia
deverá explicar à vítima seus direitos e que um desses direitos é o de ela ter assistência
judiciária caso ela queria ajuizar ação de divórcio, separação judicial anulação de casamento
ou dissolução de união estável.

Art. 12. Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a


mulher, feito o registro da ocorrência, deverá a autoridade policial
adotar, de imediato, os seguintes procedimentos, sem prejuízo
daqueles previstos no Código de Processo Penal:

I - Ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e tomar a


representação a termo, se apresentada;
II - Colher todas as provas que servirem para o esclarecimento
do fato e de suas circunstâncias;
III - Remeter, no prazo de 48 horas, expediente apartado ao
juiz com o pedido da ofendida, para a concessão de medidas
protetivas de urgência;
IV - Determinar que se proceda ao exame de corpo de delito
da ofendida e requisitar outros exames periciais necessários;
V - Ouvir o agressor e as testemunhas;
VI - Ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos
autos sua folha de antecedentes criminais, indicando a
existência de mandado de prisão ou registro de outras
ocorrências policiais contra ele;
VI- A - verificar se o agressor possui registro de porte ou
posse de arma de fogo e, na hipótese de existência, juntar aos
autos essa informação, bem como notificar a ocorrência à
instituição responsável pela concessão do registro ou da
emissão do porte, nos termos da Lei nº 10.826, de 22 de
dezembro de 2003 (Estatuto do Desarmamento);
(Incluído pela Lei nº 13.880, de 2019)

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A Lei 13.880, de 08 de outubro de 2019, altera a Lei 11.340/06 (Lei Maria da Penha) para
prever a apreensão de arma de fogo sob posse de agressor em casos de violência doméstica.

VII - remeter, no prazo legal, os autos do inquérito policial ao


juiz e ao Ministério Público.

§ 1º O pedido da ofendida será tomado a termo pela autoridade


policial e deverá conter:
I - Qualificação da ofendida e do agressor;
II - Nome e idade dos dependentes;
III - Descrição sucinta do fato e das medidas protetivas
solicitadas pela ofendida.

IV - Informação sobre a condição de a ofendida ser pessoa


com deficiência e se da violência sofrida resultou
deficiência ou agravamento de deficiência preexistente.
(Incluído pela Lei nº 13.836, de 2019)

§ 2º A autoridade policial deverá anexar ao documento referido no §


1º o boletim de ocorrência e cópia de todos os documentos
disponíveis em posse da ofendida.
§ 3º Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários
médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde.

Art. 12-A. Os Estados e o Distrito Federal, na formulação de suas


políticas e planos de atendimento à mulher em situação de violência
doméstica e familiar, darão prioridade, no âmbito da Polícia Civil, à
criação de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher
(Deams), de Núcleos Investigativos de Feminicídio e de equipes
especializadas para o atendimento e a investigação das violências
graves contra a mulher.

Art. 12-C. Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida


ou à integridade física da mulher em situação de violência
doméstica e familiar, ou de seus dependentes, o agressor será
imediatamente afastado do lar, domicílio ou local de
convivência com a ofendida: (Incluído pela Lei nº 13.827, de
2019)

I - Pela autoridade judicial;


(Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019)

II - Pelo delegado de polícia, quando o Município não for


Juiz será comunicado no prazo sede de comarca; ou
máximo de 24 horas e decidirá, (Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019)
em igual prazo, sobre a
manutenção ou a revogação da
III - pelo policial, quando o Município não for sede de
medida aplicada, devendo dar
ciência ao Ministério Público comarca e não houver delegado disponível no momento
concomitantemente. da denúncia.
(Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019)

§ 1º Nas hipóteses dos incisos II e III do caput deste artigo, o juiz será
comunicado no prazo máximo de 24 horas e decidirá, em igual prazo,
sobre a manutenção ou a revogação da medida aplicada, devendo
dar ciência ao Ministério Público concomitantemente.

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(Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019)

§ 2º Nos casos de risco à integridade física da ofendida ou à


efetividade da medida protetiva de urgência, não será concedida
liberdade provisória ao preso.
(Incluído pela Lei nº 13.827, de 2019)

A atualização conferida por meio da lei nª 13.827 de 13 de maio de 2019 onde se afirma
que, verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física da vítima, o
agressor poderá ser imediatamente afastado do lar pela autoridade judicial; ao delegado
de polícia quando o Município não tiver sede de comarca ou ao policial quando o Município não
for sede de comarca e não houver delegado de polícia disponível no momento da denúncia.
Por um lado, a abertura dada pela lei aos delegados e policiais representa um avanço no
que tange à capacidade de reação das instituições garantidoras da integridade física, psicológica
e patrimonial das mulheres tornando o afastamento do lar mais eficaz em situações de conflitos
ou agressões.
Por outro lado, verifica-se um ponto polêmico uma vez que qualquer policial, às vezes,
sem o devido conhecimento jurídico da lei, é capaz de afastar o agressor do lar ou do convívio
sem ponderar corretamente as circunstâncias dos fatos como fosse ponderadas por um
magistrado. Gerou-se superficialmente o questionamento de que haveria inconstitucionalidade
por usurpação de jurisdição por parte do policial, civil ou militar, ao aplicar a medida protetiva
de afastamento do convívio contra o agressor (NUCCI, 2019).
De acordo com o doutrinador Guilherme de Souza Nucci:

Não se fugiu desse contexto. Não visualizamos nenhuma


inconstitucionalidade nem usurpação de jurisdição. Ao contrário,
privilegia-se o mais importante: a dignidade da pessoa humana. A mulher
não pode apanhar e ser submetida ao agressor, sem chance de escapar,
somente porque naquela localidade inexiste um juiz (ou mesmo um
delegado). O policial que atender a ocorrência tem a obrigação de afastar
o agressor. Depois, verifica-se, com cautela, a situação concretizada.

Nesse contexto, questionar a reserva de jurisdição no caso, significaria prejudicar várias


mulheres que sofrem diariamente com agressões domésticas e familiares por conta de uma
burocracia estatal judicial. Neste conflito, o princípio constitucional da dignidade a pessoa
humana se sobrepõe acima de qualquer princípio ou processo administrativo.

MUDE SUA VIDA!


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DOS PROCEDIMENTOS
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 13. Ao processo, ao julgamento e à execução das causas cíveis e
criminais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar
contra a mulher aplicar-se-ão as normas dos Códigos de Processo
Penal e Processo Civil e da legislação específica relativa à criança, ao
adolescente e ao idoso que não conflitarem com o estabelecido nesta
Lei.

Art. 14. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a


Mulher, órgãos da Justiça Ordinária com competência cível e
criminal, poderão ser criados pela União, no Distrito Federal e nos
Territórios, e pelos Estados, para o processo, o julgamento e a
execução das causas decorrentes da prática de violência doméstica e
familiar contra a mulher.
Parágrafo único. Os atos processuais poderão realizar-se em horário
noturno, conforme dispuserem as normas de organização judiciária.

Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher acumulam competência


cível e criminal, e fazem parte da Justiça comum estadual, mas o STF já decidiu que esses órgãos
não podem aplicar os “institutos despenalizadores” típicos dos juizados criminais.

Art. 14-A. A ofendida tem a opção de propor ação de divórcio ou de


dissolução de união estável no Juizado de Violência Doméstica e
Familiar contra a Mulher.
(Incluído pela Lei nº 13.894, de 2019)

§ 1º Exclui-se da competência dos Juizados de Violência Doméstica e


Familiar contra a Mulher a pretensão relacionada à partilha de
bens.
(Incluído pela Lei nº 13.894, de 2019)

§ 2º Iniciada a situação de violência doméstica e familiar após o


ajuizamento da ação de divórcio ou de dissolução de união estável, a
ação terá preferência no juízo onde estiver.
(Incluído pela Lei nº 13.894, de 2019)

A Lei 13.894/19 alterou a Lei Maria da Penha para dispor sobre assistência judiciária
para divórcio, separação, anulação de casamento ou dissolução de união estável.
Entraram em vigor na data de 30/10/2019 três alterações na Lei 11.340/06, todas
relativas à assistência judiciária para o ajuizamento de ação de separação judicial, de divórcio,
de anulação de casamento ou de dissolução de união estável.
Uma delas diz respeito ao Art. 9º, cujo § 2º passa a contar com o inciso III, segundo o qual
o juiz deve assegurar à mulher em situação de violência doméstica e familiar, para
preservar sua integridade física e psicológica, o encaminhamento à assistência judiciária,
quando for o caso, inclusive para eventual ajuizamento da ação de separação judicial, de
divórcio, de anulação de casamento ou de dissolução de união estável perante o juízo
competente.
A Lei 13.894/19 passa a estabelecer uma espécie de assistência jurídica que possibilite
à vítima de violência doméstica e familiar adotar imediatamente as providências para se
separar, dissolver ou anular o vínculo matrimonial ou dissolver a união estável.

MUDE SUA VIDA!


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A intenção de possibilitar que a assistência seja imediata se extrai de outra modificação


que a mesma lei impôs: dentre as providências que o juiz deve adotar no procedimento das
medidas protetivas de urgência, segundo dispõe o Art. 18 da Lei 11.340/06, está o
encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária, quando for o caso, inclusive
para o ajuizamento da ação de separação judicial, de divórcio, de anulação de casamento ou de
dissolução de união estável perante o juízo competente (a menção expressa à finalidade da ação
no inc. II do Art. 18 foi incluída pela Lei 13.894/19).
A Lei 13.894/19 também altera a disciplina do atendimento pela autoridade policial, que
passa a ser obrigada a informar a vítima acerca dos direitos de assistência judiciária para o
eventual ajuizamento da ação de separação judicial, de divórcio, de anulação de casamento ou
de dissolução de união estável (Art. 11, inc. V, da Lei 11.340/06).
O propósito do legislador não é outro senão evitar que a vítima seja obrigada a adotar
providências adicionais para romper o vínculo pessoal com o agressor. Com o novo
procedimento, a própria comunicação da violência, além de garantir as medidas protetivas
necessárias para resguardar a integridade física e psicológica da vítima, pode dar ensejo às
primeiras providências para a separação do casal, evitando que a mulher que sofreu a violência
tenha que fazê-lo em procedimento apartado.

Art. 15. É competente, por opção da ofendida, para os processos


cíveis regidos por esta Lei, o Juizado:
I - Do seu domicílio ou de sua residência;
II - Do lugar do fato em que se baseou a demanda;
III - Do domicílio do agressor.

Atenção ao que pode ser uma pegadinha de prova! Para facilitar o acesso ao Poder
Judiciário, a mulher vítima de violência tem a opção de buscar o Juizado que seja mais próximo
de sua residência, do local em que ocorreu o ato de violência, ou ainda do domicílio do agressor.
Essa opção, entretanto, diz respeito apenas no que se refere aos processos cíveis, ou seja,
às medidas protetivas, ações indenizatórias etc.

Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da


ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à
representação perante o juiz, em audiência especialmente designada
com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o
Ministério Público.
Este dispositivo foi considerado inconstitucional pelo STF em relação aos crimes de lesão
corporal, no julgamento da ADI nº 4.424. Para a Suprema Corte, a necessidade de representação
da ofendida acaba por esvaziar a proteção constitucional assegurada às mulheres.
A ação penal nos crimes de lesão é de natureza pública incondicionada, ou seja, a
ação é proposta pelo Ministério Público, sem necessidade de representação por parte da
ofendida.

MUDE SUA VIDA!


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O Plenário, por maioria, julgou procedente ação direta, proposta pelo Procurador-
Geral da República, para atribuir interpretação conforme a Constituição aos artigos
12, I; 16 e 41, todos da Lei 11.340/2006, e assentar a natureza incondicionada
da ação penal em caso de crime de lesão corporal, praticado mediante
violência doméstica e familiar contra a mulher. Salientou-se a evocação do
princípio explícito da dignidade humana, bem como do art. 226, § 8º, da CF. Frisou-
se a grande repercussão do questionamento, no sentido de definir se haveria
mecanismos capazes de inibir e coibir a violência no âmbito das relações familiares,
no que a atuação estatal submeter-se-ia à vontade da vítima.
ADI 4424/DF, rel. Min. Marco Aurélio, 9.2.2012. (ADI-4424)

A decisão da Suprema Corte brasileira quanto à incondicionalidade da ação penal nos


crimes de lesão corporal leve e culposa, no âmbito da Lei Maria da Penha tem caráter
vinculante e efeito erga omnes. Sendo assim, o posicionamento do STF já está sedimentado,
servindo de norte para demais decisões.

09/02/2012 PLENÁRIO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.424


DISTRITO FEDERAL RELATOR: MIN. MARCO AURÉLIO REQTE.(S) :PROCURADOR-
GERAL DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) :PRESIDENTE DA REPÚBLICA ADV.(A/S)
:ADVOGADO-GERAL DA UNIÃO INTDO.(A/S) :CONGRESSO NACIONAL AÇÃO PENAL
– VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER – LESÃO CORPORAL – NATUREZA. A
ação penal relativa à lesão corporal resultante de violência doméstica contra a mulher
é pública incondicionada – considerações. A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos
estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em julgar procedente
a ação direta para, dando interpretação conforme aos artigos 12, inciso I, e 16,
ambos da Lei nº 11.340/2006, assentar a natureza incondicionada da ação penal em
caso de crime de lesão corporal, pouco importando a extensão desta, praticado
contra a mulher no ambiente doméstico, nos termos do voto do relator e por maioria,
em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata do
julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Brasília, 9 de fevereiro de 2012.
MINISTRO MARCO AURÉLIO – RELATOR.

STF, Acórdão da ADI nº 4424, DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 01/08/2014 - ATA Nº


98/2014. DJE nº 148, divulgado em 31/07/2014

A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência


doméstica contra a mulher é pública incondicionada.

Súmula 542 do STJ

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Lembre-se, porém, de que o crime de AMEAÇA, por exemplo, continuam obedecendo à


regra do Art. 16 (vide julgamento do RHC 33620 do STJ).

Entendeu-se não ser aplicável aos crimes glosados pela lei discutida o que
disposto na Lei 9.099/95, de maneira que, em se tratando de lesões
corporais, mesmo que de natureza leve ou culposa, praticadas contra a
mulher em âmbito doméstico, a ação penal cabível seria pública
incondicionada. Acentuou-se, entretanto, permanecer a necessidade de
representação para crimes dispostos em leis diversas da 9.099/95, como o
de ameaça e os cometidos contra a dignidade sexual.

ADI 4424/DF, rel. Min. Marco Aurélio, 9.2.2012. (ADI-4424)

A AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL E A NOVA


LEI 13.718/18

A recente Lei nº 13.718, de 24 de setembro de 2018, publicada no DOU em 25


de setembro de 2018, alterou o Código Penal para tipificar os crimes de importunação
sexual e de divulgação de cena de estupro, tornando, também, pública
incondicionada a natureza da ação penal dos crimes contra a liberdade sexual e dos
crimes sexuais contra vulnerável. Além disso, estabeleceu causas de aumento de
pena para esses crimes e definiu como causas de aumento de pena o estupro coletivo
e o estupro corretivo, revogando, ainda, o Art. 61 do Decreto-Lei nº 3.688/41 (Lei
das Contravenções Penais), que cuidava da importunação pública ao pudor.

Os crimes contra a liberdade sexual, como se sabe, são estupro (Art. 213, CP),
violação sexual mediante fraude (Art. 215, CP) e assédio sexual (Art. 216-A, CP),
tendo a nova lei inserido o crime de importunação sexual (Art. 215-A, CP). Os crimes
sexuais contra vulneráveis, por sua vez, são estupro de vulnerável (Art. 217-A, CP),
corrupção de menores (Art. 218, CP), satisfação de lascívia mediante presença de
criança ou adolescente (Art. 218-A, CP) e favorecimento da prostituição ou de outra
forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável (Art. 218-B,
CP), tendo a nova lei inserido o crime de divulgação de cena de estupro ou de cena
de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de pornografia (Art. 218-C, CP).

Tanto os crimes contra a liberdade sexual (capítulo I), quanto os crimes sexuais
contra vulneráveis (capítulo II) integram o título VI da Parte Especial, que cuida “dos
crimes contra a dignidade sexual”.
Agora, a partir da vigência da Lei nº 13.718/18, a ação penal, em todos os
crimes contra a liberdade sexual (Arts. 213 a 216-A, CP) e em todos os crimes sexuais
contra vulnerável (Arts. 217-A a 218-C, CP), passou a ser pública incondicionada.

Portanto, o processo e o julgamento de todos os crimes contra a dignidade


sexual, aí incluídas as providências de natureza policial, independem da vontade da
vítima, retirando-se de sua alçada o pesado fardo de ter que decidir se o predador
sexual seria ou não alcançado pela lei penal e punido por seu crime.

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Art. 17. É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e


familiar contra a mulher, de penas de cesta básica ou outras de
prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que
implique o pagamento isolado de multa.

As vedações do Art. 17 endurecem o tratamento dado aos crimes relacionados à violência


doméstica contra a mulher. Não podem ser aplicadas penas que consistam exclusivamente em
prestação material, ou seja, não pode haver penas cujo cumprimento consista simplesmente no
pagamento de valores ou doação de bens.

DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA


Art. 18. Recebido o expediente com o pedido da ofendida, caberá ao
juiz, no prazo de 48 horas:

I - Conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as


medidas protetivas de urgência;

II - Determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão


de assistência judiciária, quando for o caso, inclusive para o
ajuizamento da ação de separação judicial, de divórcio, de
anulação de casamento ou de dissolução de união estável
perante o juízo competente;
(Redação dada pela Lei nº 13.894, de 2019)

Uma dessas medidas protetivas de urgência que a vítima poderá pedir é justamente a
assistência judiciária.
A Lei nº 13.894/2019 altera esse inciso II do Art. 18 para deixar claro que essa assistência
judiciária abrange o direito de ajuizar ações de separação judicial, de divórcio, de anulação de
casamento ou de dissolução de união estável.

III - Comunicar ao Ministério Público para que adote as


providências cabíveis.

IV - Determinar a apreensão imediata de arma de fogo sob a


posse do agressor.
(Incluído pela Lei nº 13.880, de 2019)
Apreender a arma de fogo consiste em recolhê-la com o fim de evitar que o agressor a
utilize para qualquer finalidade e que a arma possa ser periciada e utilizada como prova no
processo.
A alteração na lei não permite que o delegado de polícia suspenda o porte ou posse
de arma ou que a apreenda, imediatamente, em razão da prática de violência doméstica.
A arma poderá ser apreendida pelo delegado, de imediato, somente se tiver sido utilizada na
prática do crime, como apontar a arma para ameaçar ou efetuar disparos de arma de fogo.
O Delegado deverá informar nos autos da prisão em flagrante ou do inquérito se o
agressor possui arma de fogo ou autorização para ter e caso possua deverá constar nos autos e
comunicar a ocorrência registrada à instituição responsável pela concessão do registro ou
emissão do porte.
A informação nos autos de que o agressor possui arma de fogo é relevante para que o juiz
determine a sua apreensão.

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Ao juiz caberá determinar, no prazo de 48 horas, a apreensão de arma de fogo


eventualmente registrada em nome ou sob posse do agressor.

Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas


pelo juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da
ofendida.

§ 1º As medidas protetivas de urgência poderão ser


concedidas de imediato, independentemente de audiência
das partes e de manifestação do Ministério Público, devendo
este ser prontamente comunicado.

§ 2º As medidas protetivas de urgência serão aplicadas


isolada ou cumulativamente, e poderão ser substituídas a
qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que
os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou
violados.

§ 3º Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou


a pedido da ofendida, conceder novas medidas protetivas
de urgência ou rever aquelas já concedidas, se entender
necessário à proteção da ofendida, de seus familiares e de seu
patrimônio, ouvido o Ministério Público.

Art. 20. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução


criminal, caberá a prisão preventiva do agressor, decretada pelo
juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante
representação da autoridade policial.

Convém perceber que o juiz pode decretar a prisão preventiva do agressor a


requerimento do Ministério Público, por representação da autoridade policial, ou mesmo de
ofício, ou seja, sem qualquer provocação.
Os requisitos para a decretação da prisão preventiva do agressor são os mesmos já
constantes do Art. 312 do CPP, acrescidos da real necessidade de garantir as medidas protetivas
de urgência que foram ou virão a ser aplicadas.

Parágrafo único. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no


curso do processo, verificar a falta de motivo para que subsista, bem
como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem.

Art. 21. A ofendida deverá ser notificada dos atos processuais


relativos ao agressor, especialmente dos pertinentes ao
ingresso e à saída da prisão, sem prejuízo da intimação do
advogado constituído ou do defensor público.

Parágrafo único. A ofendida não poderá entregar intimação ou


notificação ao agressor.

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DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA QUE OBRIGAM O


AGRESSOR

As medidas protetivas de urgência se destinam tanto à vítima (ofendida) quanto ao


agressor.
As medidas protetivas de urgência que obrigam o agressor estão no Art. 22 e são formas
de SUSPENSÃO ou RESTRIÇÃO de direitos do agressor visando à proteção da vítima.

DESNECESSIDADE DA EXISTÊNCIA, PRESENTE OU POTENCIAL, DE


PROCESSO-CRIME OU AÇÃO PRINCIPAL CONTRA SUPOSTO AGRESSOR
STJ – 4ª Turma definiu que as medidas protetivas previstas na lei, observados os
requisitos específicos para a concessão de cada uma, podem ser pleiteadas de
forma autônoma para proteger a mulher da violência doméstica,
independentemente da existência, presente ou potencial, de processo-crime
ou ação principal contra o suposto agressor.

Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar


contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de
imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes
medidas protetivas de urgência, entre outras:

I - Suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com


comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei nº
10.826, de 22 de dezembro de 2003;
Suspender a posse consiste em proibir, temporariamente, que o agressor tenha a arma
no interior de sua residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde
que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa.
Restringir o porte trata de proibir, temporariamente, que o agressor leve a arma consigo
nas ruas ou em qualquer local que não seja sua residência ou local de trabalho, em que seja o
titular ou responsável legal. A restrição pode ser total (proibição de portar arma em qualquer
hipótese) ou parcial (proibição de um policial portar arma quando não estiver em serviço).
Tenha como exemplo um policial que obviamente trabalha armado. Ao voltar para casa, caso
tenha seu porte restringido, deverá ir sem arma.
A cassação refere-se à perda do direito de portar ou possuir arma de fogo. Possui caráter
definitivo, sendo possível a obtenção de novo direito de portar/possuir arma de fogo após
observar todos os trâmites legais e regulamentares.

II - Afastamento do lar, domicílio ou local de convivência


com a ofendida;

III - proibição de determinadas condutas, entre as quais:

a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das


testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre
estes e o agressor;

b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas


por qualquer meio de comunicação;

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c) frequentação de determinados lugares a fim de preservar


a integridade física e psicológica da ofendida;

IV - Restrição ou Suspensão de visitas aos dependentes


menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou
serviço similar;

Suspensão – Exemplo: quando o agressor, além de agredir a mãe, agride também os filhos.
Restrição – Exemplo: quando o agressor agride a mãe, mas mantém vínculo afetivo com
os filhos.
V - Prestação de alimentos provisionais ou provisórios.

Se o agressor for afastado do lar (II – afastamento do lar) e ele também for o provedor,
como ficará a mulher? Nesse caso ele poderá ter que prestar alimentos provisórios. Então, o
juiz pode aplicar o inciso II e o inciso V (prestação de alimentos).

§ 1º As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de


outras previstas na legislação em vigor, sempre que a
segurança da ofendida ou as circunstâncias o exigirem, devendo
a providência ser comunicada ao Ministério Público.

§ 2º Na hipótese de aplicação do inciso I, encontrando-se o agressor


nas condições mencionadas no caput e incisos do art. 6º da Lei nº
10.826, de 22 de dezembro de 2003, o juiz comunicará ao
respectivo órgão, corporação ou instituição as medidas
protetivas de urgência concedidas e determinará a restrição do
porte de armas, ficando o superior imediato do agressor
responsável pelo cumprimento da determinação judicial, sob pena de
incorrer nos crimes de prevaricação ou de desobediência, conforme o
caso.

§ 3º Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência,


poderá o juiz requisitar, a qualquer momento, auxílio da força
policial.

§ 4º Aplica-se às hipóteses previstas neste artigo, no que couber, o


disposto no caput e nos §§ 5º e 6º do art. 461 da Lei nº 5.869, de 11
de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil).

O habeas corpus não constitui meio idôneo para se pleitear a revogação de


medidas protetivas previstas no art. 22 da Lei n. 11.340/2006 que não
implicam constrangimento ao direito de ir e vir do paciente.
RHC 31984/PI, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, 25/06/2013,
HC 32883, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE 15/06/2012,
RHC 57814/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, 07/05/2015

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DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA À OFENDIDA


Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras
medidas:

I - Encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa


oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento;

II - Determinar a recondução da ofendida e a de seus


dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento do
agressor;

III - determinar o afastamento da ofendida do lar, sem


prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos e
alimentos;

IV - Determinar a separação de corpos.

V - Determinar a matrícula dos dependentes da ofendida em


instituição de educação básica mais próxima do seu domicílio,
ou a transferência deles para essa instituição,
independentemente da existência de vaga.
(Incluído pela Lei nº 13.882, de 2019)

A Lei 13.882/19 também alterou o Art. 23 da Lei 11.340/06, que trata das medidas
protetivas de urgência à ofendida. O dispositivo passa a contar com o inciso V, segundo o qual
o juiz pode determinar a matrícula dos dependentes da ofendida em instituição de
educação básica mais próxima do seu domicílio, assim como pode determinar a
transferência deles para essa instituição, independentemente da existência de vaga.
No Art. 23, que dispõe sobre as medidas de urgência e se caracteriza pela cautelaridade,
existe um plus em relação ao § 7º do Art. 9º, pois enquanto aquele dispositivo garante a
prioridade na matrícula, este a impõe, ainda que não existam vagas. Trata-se, efetivamente, de
duas coisas distintas, pois é possível que a vítima não requeira medidas protetivas, mas decida
modificar seu domicílio para se distanciar do agressor. Neste caso, apresentados documentos
comprobatórios do registro da ocorrência policial ou do processo de violência doméstica e
familiar em curso, a direção da unidade de ensino deve zelar pela prioridade estabelecida na
nova lei.

INSTRUMENTOS PARA PROTEÇÃO PATRIMONIAL

Art. 24. Para a proteção patrimonial dos bens da sociedade


conjugal ou daqueles de propriedade particular da mulher, o juiz
poderá determinar, liminarmente, as seguintes medidas, entre
outras:

I - Restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor


à ofendida;

II - Proibição temporária para a celebração de atos e contratos


de compra, venda e locação de propriedade em comum, salvo
expressa autorização judicial;

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III - Suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao


agressor;

IV - Prestação de caução provisória, mediante depósito


judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da prática
de violência doméstica e familiar contra a ofendida.

Parágrafo único. Deverá o juiz oficiar ao cartório competente para


os fins previstos nos incisos II e III deste artigo.

DO CRIME DE DESCUMPRIMENTO DE MEDIDAS PROTETIVAS DE


URGÊNCIA

Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência
previstas nesta Lei:

Pena – detenção, de 3 meses a 2 anos.

§ 1º A configuração do crime independe da competência civil ou criminal do juiz que


deferiu as medidas

§ 2º Na hipótese de prisão em flagrante, apenas a autoridade judicial poderá


conceder fiança.

§ 3º O disposto neste artigo não exclui a aplicação de outras sanções cabíveis.

A criminalização é importante para assegurar a possibilidade de a autoridade policial


prender em flagrante quando houver descumprimento à ordem judicial de MPU (medida
protetiva de urgência) sem a prática de outras infrações, como, por exemplo, quando o agressor
ronda a casa ou local de trabalho da vítima, volta a ingressar no domicílio do casal, encaminha
mensagens à vítima, ou busca os filhos na escola mesmo com a suspensão do direito de visitas.
Especialmente, quando tais condutas não são acompanhadas de atos de injúria, ameaça ou
agressão física
Convém perceber que o legislador neste caso deixou claro que a competência do juiz que
deferiu as medidas não influi na configuração do crime.
Se houver prisão em flagrante pelo descumprimento da MPU, o delegado não poderá
arbitrar fiança, apenas o juiz (LMP, Art. 24-A, §2º). A lei presume que há necessidade de
consideração mais qualificada pela reserva de jurisdição antes de colocar o agressor em
liberdade, seja a decretação da prisão preventiva, o agravamento das condições da MPU, ou uma
admoestação em audiência de custódia (para casos de menor significância).
Verifica-se também que a aplicação de outras sanções não está excluída.
Antes da tipificação da conduta, o ato de descumprir a decisão judicial não era
considerado crime de desobediência. Não havia tipificação penal.
Em regra, a configuração do novo delito exigirá a prévia intimação da concessão da
MPU, a fim de se delimitar o dolo. Há que se fazer distinção entre atuação protetiva e punitiva.
Para a atuação policial imediata, se a mulher apresenta cópia da decisão concessiva de MPU e o

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autor é flagrado descumprindo-a, há presunção de ilegalidade, sendo adequada sua detenção e


imediata apresentação ao juiz em audiência de custódia.
O elemento subjetivo é o dolo. Não existe o crime quando o descumprimento for culposo.
O novo delito está balizado pelo princípio da lesividade e ofensividade. Portanto, se houver
descumprimento insignificante, que não demonstre intenção de violar a ordem judicial, não
haverá o crime, como no caso de envio de mensagem pontual para ter notícia dos filhos;
encontro não intencional ou agressivo durante busca dos filhos; compatibilizações decorrentes
de ambos trabalharem no mesmo local, estudarem na mesma faculdade, frequentarem a mesma
igreja, até adequado esclarecimento da abrangência da decisão da MPU.
Quando há o consentimento da vítima para o descumprimento da MPU? A vítima pode ser
partícipe? Não. A vítima não pode ser partícipe e nem coautora do crime. E a conduta do
agressor continua sendo crime? Não. Há divergência na doutrina para a fundamentação da não
imputação do crime. Parte da doutrina diverge, uma parte acreditando que é fato atípico, outra
diz que há exclusão de ilicitude.

DA ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO


Art. 25. O Ministério Público intervirá, quando não for parte, nas
causas cíveis e criminais decorrentes da violência doméstica e
familiar contra a mulher.

Art. 26. Caberá ao Ministério Público, sem prejuízo de outras


atribuições, nos casos de violência doméstica e familiar contra a
mulher, quando necessário:

I - Requisitar força policial e serviços públicos de saúde, de


educação, de assistência social e de segurança, entre outros;

II - Fiscalizar os estabelecimentos públicos e particulares


de atendimento à mulher em situação de violência
doméstica e familiar, e adotar, de imediato, as medidas
administrativas ou judiciais cabíveis no tocante a quaisquer
irregularidades constatadas;

III - cadastrar os casos de violência doméstica e familiar contra


a mulher.

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DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA
Art. 27. Em todos os atos processuais, cíveis e criminais, a mulher
em situação de violência doméstica e familiar deverá estar
acompanhada de advogado, ressalvado o previsto no art. 19 desta
Lei.

Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a requerimento
do Ministério Público ou a pedido da ofendida.

§ 1º As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato,


independentemente de audiência das partes e de manifestação do Ministério Público, devendo
este ser prontamente comunicado.

§ 2º As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente, e


poderão ser substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que
os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados.

§ 3º Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida,


conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas, se
entender necessário à proteção da ofendida, de seus familiares e de seu patrimônio, ouvido o
Ministério Público.

Art. 28. É garantido a toda mulher em situação de violência


doméstica e familiar o acesso aos serviços de Defensoria Pública ou
de Assistência Judiciária Gratuita, nos termos da lei, em sede policial
e judicial, mediante atendimento específico e humanizado.

DA EQUIPE DE ATENDIMENTO MULTIDISCIPLINAR

Art. 29. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a


Mulher que vierem a ser criados poderão contar com uma equipe de
atendimento multidisciplinar, a ser integrada por profissionais
especializados nas áreas psicossocial, jurídica e de saúde.

Art. 30. Compete à equipe de atendimento multidisciplinar, entre


outras atribuições que lhe forem reservadas pela legislação local,
fornecer subsídios por escrito ao juiz, ao Ministério Público e à
Defensoria Pública, mediante laudos ou verbalmente em audiência, e
desenvolver trabalhos de orientação, encaminhamento, prevenção e
outras medidas, voltados para a ofendida, o agressor e os familiares,
com especial atenção às crianças e aos adolescentes.

Art. 31. Quando a complexidade do caso exigir avaliação mais


aprofundada, o juiz poderá determinar a manifestação de
profissional especializado, mediante a indicação da equipe de
atendimento multidisciplinar.

Art. 32. O Poder Judiciário, na elaboração de sua proposta


orçamentária, poderá prever recursos para a criação e manutenção
da equipe de atendimento multidisciplinar, nos termos da Lei de
Diretrizes Orçamentárias.

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DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS

Art. 33. Enquanto não estruturados os Juizados de Violência


Doméstica e Familiar contra a Mulher, as varas criminais
acumularão as competências cível e criminal para conhecer e julgar
as causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar
contra a mulher, observadas as previsões do Título IV desta Lei,
subsidiada pela legislação processual pertinente.

Parágrafo único. Será garantido o direito de preferência, nas varas


criminais, para o processo e o julgamento das causas referidas no
caput.

1. Ano: 2019 Banca: MPE-SC Órgão: MPE-SC Prova: Promotor de Justiça


Em todos os atos processuais, cíveis e criminais, a mulher em situação de violência
doméstica e familiar deverá estar acompanhada de advogado, conforme Lei n. 11.340/2006.
Gabarito: Errado
Comentário:
Art. 27. Em todos os atos processuais, cíveis e criminais, a mulher em situação de
violência doméstica e familiar deverá estar acompanhada de advogado, ressalvado
o previsto no art. 19 desta Lei.
Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz, a
requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida.
§ 1º As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato,
independentemente de audiência das partes e de manifestação do Ministério Público,
devendo este ser prontamente comunicado.
§ 2º As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente,
e poderão ser substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre
que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados.
§ 3º Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida,
conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas, se
entender necessário à proteção da ofendida, de seus familiares e de seu patrimônio,
ouvido o Ministério Público.

2. Ano: 2019 Banca: MPE-SC Órgão: MPE-SC Prova: Promotor de Justiça


Na proposta de aplicação imediata de pena (Art. 76 da Lei n. 9.099/1995) a autor de crime
de menor potencial ofensivo praticado com violência doméstica contra mulher, deverão ser
incluídas medidas protetivas de urgência (Art. 22 da Lei n. 11.340/2006), sempre que a vítima
as solicitar.
Gabarito: Errado
Comentário:
Súmula 536, STJ - A suspensão condicional do processo e a transação penal (Arts. 74 e 76,
da Lei 9.099/95) não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.
Art. 41, Lei 11.340/2006 - Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a
mulher, independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei 9.099, de 26 de setembro
de 1995.

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3. Ano: 2019 Banca: MPE-SC Órgão: MPE-SC Prova: Promotor de Justiça


A violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou
injúria, é uma das formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, estabelecida na Lei
n. 11.340/2006.
Gabarito: Certo
Comentário:
Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:
I - a violência física,
II - a violência psicológica
III - a violência sexual
IV - a violência patrimonial
V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure
calúnia, difamação ou injúria.

4. Ano: 2019 Banca: CESPE Órgão: SLU-DF Prova: Analista - Serviço Social
À luz das disposições da Lei Maria da Penha (Lei n.º 11.340/2006), julgue o próximo item.
Em caso de violência doméstica e familiar contra a mulher, feito o registro do boletim de
ocorrência, a autoridade policial deverá encaminhar, imediatamente, a ofendida ao competente
órgão de assistência judiciária.
Gabarito: Errado
Comentário:
A questão está errada porque a ofendida deverá ser encaminhada pelo juiz, e não
pela autoridade policial, conforme dispõe o Art. 18 da lei:
Art. 18. Recebido o expediente com o pedido da ofendida, caberá ao juiz, no prazo
de 48 (quarenta e oito) horas:
I - conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas protetivas de
urgência;
II - determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária,
quando for o caso;
III - comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis.

5. Ano: 2019 Banca: CESPE Órgão: SLU-DF Prova: Analista - Serviço Social
À luz das disposições da Lei Maria da Penha (Lei n.º 11.340/2006), julgue o próximo item.
O juiz deve assegurar a manutenção do vínculo trabalhista, por até seis meses, à mulher
que, por estar em situação de violência doméstica, necessite se afastar de seu local de trabalho.

Gabarito: Certo
Comentário:
CAPÍTULO II - DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA
DOMÉSTICA E FAMILIAR
Art. 9º
§ 2º O juiz assegurará à mulher em situação de violência doméstica e familiar, para
preservar sua integridade física e psicológica:
II - Manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o afastamento do
local de trabalho, por até seis meses.

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6. Ano: 2019 Banca: CESPE Órgão: SLU-DF Prova: Analista - Serviço Social
À luz das disposições da Lei Maria da Penha (Lei n.º 11.340/2006), julgue o próximo item.
Para os efeitos da Lei Maria da Penha, violência física contra a mulher é entendida como
qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde corporal da mulher.

Gabarito: Certo
Comentário:
DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER
Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:
I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade
ou saúde corporal.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDREUCCI, Ricardo Antônio. Legislação Penal Especial. São Paulo: Saraiva, 2019.

ANDREUCCI, Ricardo Antônio. https://emporiododireito.com.br/leitura/a-acao-penal-nos-


crimes-contra-a-dignidade-sexual-e-a-nova-lei-13-718-18.

BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. São Paulo: Saraiva, 2011.

BRASILEIRO, Renato. Legislação Criminal Especial Comentada. Salvador Juspodivm, 2017.

CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Arma de fogo encontrada em caminhão configura porte
de arma de fogo (e não posse). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4e9cec1f5830564591
11d63e24f3b8ef>. Acesso em: 23/02/2020.

FOUREAUX, Rodrigo. A Lei 13.491/17 e a ampliação da competência da Justiça Militar,


disponível em: https://jus.com.br/artigos/61251/a-lei-13-491-17-e-a-ampliacao-da-
competencia-da-justica-militar.

GONÇALVES, Victor; BALTAZAR JÚNIOR, José Paulo. Legislação Penal Especial


Esquematizada. São Paulo: Saraiva, 2019.

LOPES JR, Aury. Lei 13.491/2017 fez muito mais do que retirar os militares do tribunal do
júri, disponível em: https://www.conjur.com.br/2017-out-20/limite-penal-lei-134912017-
fez-retirar-militares-tribunal-juri

SOUZA, Renee do Ó; CUNHA, Rogério Sanches; HOLMES LINS, Caroline de Assis e Silva. A nova
figura do agente disfarçado prevista na Lei 13.964/2019, em 27 de dezembro de 2019.
Disponível em https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2019/12/27/nova-figura-
agente-disfarcado-prevista-na-lei-13-9642019/

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ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA
Queridos alunos, vamos começar o estudo de uma lei de grande importância para os
concursos! Apesar de ser uma lei grande e com conceitos novos, vamos abordá-la de maneira
completa, porém de forma clara, objetiva e funcional.

CONTEXTO HISTÓRICO
Até o ano de 1995, o Brasil não possuía uma definição legal do crime organizado (ou
organização criminosa) e nem uma legislação específica que tratasse dos meios legais de
combate a essa modalidade criminosa.
A Lei 9.034/95 – revogada – dispôs sobre a utilização de meios operacionais para a
prevenção e repressão de ações praticadas por organizações criminosas. Embora a referida lei
definisse e regulasse meios de prova e procedimentos investigatórios referentes a ilícitos
decorrentes de ações praticadas por quadrilha ou bando, organizações ou associações
criminosas de qualquer tipo (Art. 1º, caput), não havia uma definição legal de organização
criminosa.

Art. 1º Esta Lei define e regula meios de prova e procedimentos


investigatórios que versem sobre ilícitos decorrentes de ações
praticadas por quadrilha ou bando ou organizações ou associações
criminosas de qualquer tipo.

Em relação à quadrilha ou bando, não havia dúvida, referia-se ao Art. 288 do CP (atual,
associação criminosa) e as associações criminosas, àquela época, estavam descritas na Lei do
Genocídio (Art. 2º) e na Lei de Drogas (Art. 35).
Entretanto, não se sabia explicar no que consistiam as organizações criminosas, porque a
Lei nº 9.034/95, apesar de mencionar o instituto, não o definiu, bem como não tipificou a
conduta de integrar organizações criminosas.
Justamente pela ausência de definição, alguns doutrinadores classificaram a Lei nº
9.034/95 como “oca/vazia” e, consequentemente, ineficaz, sobretudo, nos pontos atrelados às
organizações criminosas.
Diante a inércia do legislador brasileiro em conceituar organizações criminosas, era
crescente o entendimento de que, enquanto não existisse um conceito legal, seria utilizado o
conceito dado pela Convenção de Palermo – Convenção das Nações Unidas contra o Crime
Organizado – ratificado pelo Brasil.

Art. 2º, C: grupo estruturado de três ou mais pessoas, existente há


algum tempo e atuando concertadamente com o propósito de
cometer uma ou mais infrações graves ou enunciadas na presente
Convenção, com a intenção de obter, direta ou indiretamente, um
benefício econômico ou outro benefício material;

A questão levantada seria acerca da possibilidade de um Tratado Internacional definir


conceito de “organização criminosa” e, assim, definir crimes. Seria uma evidente violação do
Princípio da Legalidade?
A doutrina e jurisprudência dominantes eram contra a possibilidade de tipificação penal
com base em tratado internacional, dessa forma, seria necessária a existência de uma lei em
sentido estrito para tanto.

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Ressalta-se que houve grande polemica envolvendo a Convenção de Palermo e a de Lei


de Lavagem de Capitais (Lei nº 9.613/98), antes da sua alteração pela Lei nº 12.683/12,
enquanto ainda era entendida como “lei de 2ª geração” (ampliação do rol de crimes
antecedentes), especificamente, pela previsão do inciso VII do Art. 1º:

Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição,


movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou
indiretamente, de crime:
VII – praticado por organização criminosa.

Convém notar que a Lei de Lavagem de Capitais não criminaliza a conduta de integrar
organização criminosa, mas sim a lavagem praticada por meio de organização criminosa.
A dúvida instalada abordou a possibilidade (ou não) de o conceito trazido pela
Convenção de Palermo ser aplicado na referida hipótese, para fins de tipificação do crime de
lavagem de capitais.
O STJ, numa primeira abordagem, posicionou-se positivamente fundado na premissa
de que o Art. 1º, VII, da Lei de Lavagem de Capitais encerrava natureza de norma penal em
branco. Portanto, o crime “lavagem de dinheiro” se complementava com o conceito sustentado
pela Convenção de Palermo.
Em outras palavras, o crime estatuído naquele dispositivo era o de “lavagem de
capitais”, e não o de “organização criminosa”.
A discussão chegou ao STF, que tomou partido diverso, em virtude de dois fundamentos:

Princípio da Legalidade em Sentido Amplo


Contempla quatro facetas, quais sejam: exige que a lei penal seja prévia, certa, estrita
e escrita.
De acordo com essa corrente, a lei penal (Convenção de Palermo) violava a legalidade,
porque não era certa, dado à ausência de taxatividade e amplitude do conceito. Além disso,
não se tratava de lei penal estrita, em sentido formal, por não respeitar a prévia discussão em
Parlamento para, então, incorporação.

O conceito vale nas relações de direito internacional, não Direito Penal interno
Entendiam o conceito sustentado pela Convenção de Palermo como válido, mas aplicado,
tão somente, no âmbito das relações internacionais.
STF:
TIPO PENAL – NORMATIZAÇÃO. A existência de tipo penal pressupõe lei em sentido
formal e material. [...] O crime de quadrilha não se confunde com o de organização
criminosa, até hoje sem definição na legislação pátria.
(HC 96007, DJe-027 de 07/02/2013) Idem: HC 108.715, DJe 29.05.2014. LEI
12.694/2012

Tal posição foi recentemente abordada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ)

Informativo 659
É necessária a edição de lei em sentido formal para a tipificação do crime contra a
humanidade trazida pelo Estatuto de Roma, mesmo se cuidando de Tratado internalizado.
O disposto na Convenção sobre a Imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e dos Crimes
contra a Humanidade não torna inaplicável o art. 107, inciso IV, do Código Penal.
REsp 1.798.903-RJ, DJe 30/10/2019

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Em resumo, antes da Lei nº 12.850/13, não era possível processar e condenar,


criminalmente, um agente pela prática de pertencer a uma organização criminosa.

LEI Nº 12.850/2003

A Lei 12.850/13 (LOC) define organização criminosa e dispõe sobre a investigação


criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o procedimento
criminal.
Art. 1º esta lei define organização criminosa e dispõe sobre a
investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações
penais correlatas e o procedimento criminal a ser aplicado.

VIGÊNCIA
A Lei de Organizações Criminosas (LOC) regulou inteiramente a matéria e revogou
expressamente a Lei nº 9.034/95, tendo entrado em vigor após 45 dias de sua publicação oficial,
ocorrida em 5 de agosto de 2013.

CONCEITO
Art. 1º, § 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4
ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela
divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter,
direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante
a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores
a 4 anos, ou que sejam de caráter transnacional.

Número de integrantes:
Associação de 4 OU MAIS PESSOAS.
Características:
ESTRUTURA ORDENADA.
DIVISÃO DE TAREFAS (ainda que informalmente).
Objetivos:
Obter VANTAGEM DE QUALQUER NATUREZA (não precisa ser econômica).
Infrações:
Infrações penais que possuem PENAS MÁXIMAS SUPERIORES A 4 ANOS.
Infrações penais de CARÁTER TRANSNACIONAL (ao enquadrar a infração como
transnacional, deixa de ser importante o patamar das penas estipuladas para os crimes.)

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ASSOCIAÇÃO DE 4 OU MAIS PESSOAS ESTRUTURALMENTE ORDENADA


Associação designa uma união de pessoas em torno de um objetivo comum, sendo que
associações constituídas para fins lícitos, que não tenham caráter paramilitar, gozam de
expressa proteção constitucional (CF, Art. 5º, XVII a XXI).
Aqui se trata de associação para fins ilícitos, sendo que o termo associação deixa claro que
o conceito somente é aplicável quando houver um grau de PERMANÊNCIA e ESTABILIDADE,
de modo a distinguir associação e organização do mero concurso de agentes.
Segundo Renato Brasileiro, apesar de não haver menção expressa, o ideal é
concluir que a ESTABILIDADE e PERMANÊNCIA funcionam como elementos
implícitos da organização criminosa, porquanto não se pode admitir uma simples
coparticipação criminosa ou um eventual e efêmero acordo de vontades para a
prática de determinado crime.

No número mínimo de 4 associados computam-se eventuais inimputáveis ou pessoas


não identificadas.

Não se computa o agente infiltrado (agente infiltrado não age com animus associativo).

Abandono de integrante: o crime continua e tem caráter permanente.

É imprescindível que a reunião seja efetivada antes da deliberação dos delitos. Se


primeiros deliberam os delitos para depois reunirem em associação, configura o
concurso de pessoas.
PLURALIDADE DE AGENTES
Trata-se de crime de concurso necessário. A própria ideia de associação traduz a
presença de coletividade, de modo que não se concebe organização criminosa de modo
individual. A LOC exige um mínimo de 04 pessoas para o reconhecimento de uma organização
criminosa, enquanto o tipo da associação criminosa (Art. 288, CP) estará configurado com a
presença de no mínimo 03.
Porém, como vimos, não é apenas o critério do número de agentes que define
e diferencia a associação criminosa (Art. 288, CP) da organização criminosa.

DIVISÃO DE TAREFAS
Não se exige que a divisão de tarefas seja formal, ou seja, que exista um organograma ou
designações específicas para os membros.
Em outras palavras, não se exige uma estrutura piramidal, podendo existir, também,
organização criminosa horizontalizada, ou seja, com núcleos de idêntica importância. Pode
haver mais de um líder e não necessariamente segue-se disciplina de hierarquia única.
Segundo Renato Brasileiro, as organizações criminosas se caracterizam pela hierarquia
estrutural. Essa compartimentalização das atividades, expressa na elementar “divisão de
tarefas” reforça o sentido de estruturação empresarial que norteia o crime organizado.

FIM DE OBTENÇÃO DE VANTAGEM


A LOC aponta como objetivo de a organização obter, direta ou indiretamente, vantagem
de qualquer natureza.

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Para caracterização de uma organização criminosa, a associação deve ter por objetivo a
obtenção de QUALQUER VANTAGEM, seja ela patrimonial ou não, mediante a prática de
infrações penais com pena máxima superior a 4 anos, ou de caráter transnacional (não
dependendo da quantidade de pena).
FINALIDADE DE OBTENÇÃO DE VANTAGEM DE QUALQUER NATUREZA
MEDIANTE A PRÁTICA DE INFRAÇÕES PENAIS CUJAS PENAS MÁXIMAS
SEJAM SUPERIORES A 4 ANOS, OU DE CARÁTER TRANSNACIONAL.
Por ilícito transnacional se compreende aquele que transcende o território brasileiro,
vale dizer, aquele que envolve águas ou solo ou espaço aéreo que vão além do território
nacional, que abrange o solo, as águas internas, doze milhas de mar e o espaço aéreo respectivo.
Na hipótese de os crimes ultrapassarem os limites do território brasileiro, serão considerados
transnacionais, ainda que não envolva diretamente qualquer outro país soberano.
Como o legislador faz uso da expressão “infração penal” no Art. 1º da Lei, seria possível,
em tese, incluirmos crimes e contravenções. No entanto, vale ressaltar que não há
contravenções penais com pena máxima superior a 4 anos.

EXTENSÃO DA APLICABILIDADE DA LEI

§ 2º Esta Lei se aplica também:


I - Às infrações penais previstas em tratado ou convenção
internacional quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha
ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente;
II - Às organizações terroristas, entendidas como aquelas voltadas
para a prática dos atos de terrorismo legalmente definidos.

A Lei 12.850/13 não tem aplicabilidade restrita às Organizações Criminosas. Seu Art. 1º,
§2º deixa evidente que todos os meios de obtenção de prova e técnicas especiais de investigação
por ela regulamentados também são aplicáveis nas seguintes hipóteses, mesmo que essas
infrações penais não sejam praticadas por intermédio de organização criminosa.
Posso trabalhar com os meios especiais de obtenção de prova (agente infiltrado, ação
controlada) previstos na Lei 12.850/13, mesmo que ausente a organização criminosa?
O Art. 1º, §2º autoriza desde que presentes um dos requisitos abaixo:
Infrações penais previstas em tratados ou convenções internacionais quando
iniciada a execução no país, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no
estrangeiro.
Crimes de guarda de moeda falsa, de tráfico internacional de entorpecentes, contra
populações indígenas, de tráfico de mulheres, de envio ilegal e tráfico de menores, de tortura,
de pornografia infantil e pedofilia e corrupção ativa e tráfico de influência nas transações
comerciais internacionais etc.

Não basta que esses crimes estejam em tratados ou convenções internacionais. Além
disso, é imprescindível que se trate de um delito a distância, ou seja, que a infração se revista
do caráter de internacionalidade, com o início da sua execução no país e o resultado
ocorrendo ou devendo ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente.

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Organizações Terroristas legalmente definidas como aquelas voltadas para a


prática dos atos de terrorismo legalmente definidos.
Lei Antiterrorismo, Lei 13.260/16.
Diante do exposto, contemplamos que a Lei nº 12.850/13 não tem aplicação
restrita às organizações criminosas.

O CRIME DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA


Quando o conceito de organização criminosa foi introduzido (Lei 12.694/12), a formação
de organização criminosa, por si só, não era crime, não era um tipo penal, já que sequer
havia cominação de penas. À época, tratava-se apenas de uma forma de praticar crimes,
sujeitando o agente a certos gravamos, tais como:
Sujeição do preso provisório ou do condenado ao Regime Disciplinar Diferenciado
(RDD) (Lei de Execuções Penais, Art. 52, parágrafo 2º).
Realização do interrogatório por videoconferência ou outro recurso tecnológico de
transmissão de sons e imagens em tempo real (CPP, Art. 185, parágrafo 2º, I);
Impossibilidade de aplicação de causa de diminuição de pena do parágrafo 4º do Art.
33 da Leiº 11.343/06 ao tráfico de drogas.
Aumento de pena no caso de lavagem de capitais de um a dois terços se o crime por
cometido por intermédio de organização criminosa (Lei nº 9.613/98, Art. 1º,
parágrafo 4º, com redação dada pela lei. 12.683/12).
Com a entrada em vigor da Lei 12. 850/13, subsiste a possibilidade de aplicação de todos
esses gravames. No entanto, a figura da organização criminosa deixa de ser considerada
uma forma simples de praticar crimes para se tornar um tipo penal incriminador
autônomo: O CRIME DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA.

Atenção - Correlação com Direito Penal


Como se trata de novatio legis incriminadora, sua aplicação está restrita aos
crimes praticados a partir da vigência da Lei 12.850/13, que se deu em 19 de
setembro de 2013, sob pena de violação ao Princípio da Irretroatividade da lei penal
mais gravosa (CF. art 5º, XL).
Súmula 711 STF:
A lei penal mais grave aplica-se ao crime permanente ou continuado, se a sua
vigência é anterior a cessação da continuidade ou da permanência.
Logo, se a conduta tiver sido praticada antes de 19 de setembro de 2013, mas
se prolongar na vigência da lei, é perfeitamente aplicável a responsabilização criminal
pelo novo tipo penal.

CRIME ORGANIZADO POR NATUREZA X CRIME ORGANIZADO POR


EXTENSÃO
Não se pode confundir o conceito de Crime Organizado por Natureza com Crime
Organizado por Extensão.

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Crime Organizado por Natureza: refere-se à punição, por si só, pelo crime de
organização criminosa, ou seja, pelo tipo penal do Art. 2º da Lei 12.850/13.
Crime organizado por Extensão: refere-se às infrações penais praticadas pela
organização criminosa.
Exemplo: verificada e existência de organização criminosa especializada em crimes de
peculato, os agentes deverão ser denunciados pelo crime de organização criminosa – crime
organizado por natureza – em concurso material com os delitos de peculato (CP. Art. 312) –
crime organizado por extensão.
O crime de organização criminosa é crime autônomo.

O CRIME
Art. 2º Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou
por interposta pessoa, organização criminosa:
Pena - reclusão, de 3 a 8 anos, e multa, sem prejuízo das penas
correspondentes às demais infrações penais praticadas.

Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa,


organização criminosa.
O tipo penal do Art. 2º da Lei nº 12.850/2013 é exemplo típico de norma penal em
branco homogênea homovitelina, uma vez que o conceito de organização criminosa deve
ser buscado no Art. 1º, §1º da própria lei.
Correlação com Direito Penal:
A norma penal em branco homogênea homovitelina é aquela que o complemento
normativo emana da mesma instância legislativa (norma incompleta e seu complemento
integram a mesma estrutura normativa).

São 4 condutas incriminadas pelo Art. 2º da Lei 12.850/12. É o chamado tipo misto
alternativo (mesmo que o agente pratique, em um mesmo contexto fático, mais de uma ação
típica, responderá por crime único).
Promover: Gerar, dar origem a algo, fomentar.
Constituir: Formar, organizar, compor.
Financiar: Sustar os gastos, custear, bancar, prover o capital necessário para o
desenvolvimento.
Integrar: Fazer parte, juntar-se, completar.
“PESSOALMENTE OU POR INTERPOSTA PESSOA”
O crime pode ser cometido “pessoalmente ou por interposta pessoa” (elemento
normativo do tipo).
A participação direta e pessoal na organização criminosa não exige maiores digressões. A
participação indireta ou por interposta pessoa nos remete à figura do “testa de ferro” ou
“laranja”. Essa interposta pessoa, sublinhe-se, pode ser tanto física quanto jurídica e até alguém
ou algo (empresa de fachada, por exemplo) sem existência real, fruto de um artifício ou
qualquer espécie de fraude, sem que tal impeça a responsabilização penal do membro da
associação que procurou se manter oculto.

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BEM JURÍDICO TUTELADO


O bem jurídico tutelado é a paz pública, ou seja, um sentimento coletivo de segurança e
de confiança na ordem e na proteção jurídica, que, pelo menos em tese, veem atingidas pela
organização criminosa.
Crime de perigo abstrato ou presumido (maioria da doutrina).
Crime de condutas paralelas já que os diversos agentes (pelo menos 4) se auxiliam
mutuamente com o objetivo de produzir um mesmo resultado, a saber, união estável e
permanente para a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 anos,
ou de caráter transnacional.

SUJEITOS DO CRIME
SUJEITO ATIVO
Crime comum vez que não exige qualidade ou condição especial do agente
Crime Plurissubjetivo, plurilateral ou de concurso necessário, haja vista ser necessária a
união de pelo menos 4 pessoas.

➢ No número mínimo de 4 associados, computam-se eventuais inimputáveis ou


pessoas não identificadas.
➢ Não se computa o agente infiltrado (agente infiltrado não age com animus
associativo).
➢ Abandono de integrante: o crime continua e tem caráter permanente.
➢ É imprescindível que a reunião seja efetivada antes da deliberação dos delitos.
Se primeiro deliberam os delitos para depois se reunirem em associação,
configura o concurso de pessoas.

SUJEITO PASSIVO
O sujeito passivo é a coletividade – crime vago.

Entende-se por crime vago aquele em que o sujeito passivo é uma coletividade
sem personalidade jurídica, ou seja, uma comunidade inteira, e não apenas uma
pessoa.

ELEMENTO SUBJETIVO
O elemento subjetivo do tipo é o dolo, consistente no animus associativo de caráter
estável e permanente, aliado ao objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer
natureza (Art. 1.º, §1º, da LCO), não sendo admitida a forma culposa.
A associação, na qual várias pessoas caminham em uma passeata, desde que
seja ato isolado, não permanente, não configura organização criminosa.

A permanência e a estabilidade do grupo devem ser firmadas antes dos cometimentos


dos delitos planejados.

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CONSUMAÇÃO
O “crime organizado por natureza”, na modalidade integrar, é delito permanente,
pois a consumação se prolonga no tempo, enquanto perdurar a união pela vontade dos seus
integrantes. Por isso, enquanto não cessar a permanência, é perfeitamente possível a prisão em
flagrante, inclusive violação de domicílio sem prévia autorização judicial.
Cumpre observar a natureza de crime permanente fomenta repercussões drásticas.
Exemplo:
- Será possível a prisão em flagrante a qualquer tempo (Art. 303 do CPP);
- Prescrição da Pretensão Punitiva somente começará a fluir quando cessada a
permanência (Art. 111, inciso III, do CP);
- Será possível a Busca e Apreensão sem mandado, desde que se notifique
previamente os investigados.
Além disso, ainda que determinado indivíduo tenha se associado ao grupo quando ainda
era menor, deverá ser responsabilizado normalmente pelo crime se atingir a idade de 18 anos
enquanto o delito se encontrar em plena consumação.
Em se tratando de crime formal, de consumação antecipada ou de resultado cortado e de
conduta múltipla, consuma-se com a com a efetiva formação da associação (para a prática
de crimes com pena máxima superior a 4 anos, ou de caráter transnacional), sendo
indispensável a estrutura ordenada com divisão de tarefas.
Trata-se de crime de perigo abstrato cometido contra a coletividade (crime vago),
punindo-se o simples fato de configurar como integrante.

É possível tentativa de constituição de organização criminosa?


Entende a doutrina que não.
Nesse sentido, ensina Renato Brasileiro de Lima (Legislação Criminal Especial
Comentada):

O crime de organização criminosa é incompatível com o conatus. Considerando-se que


o art. 2º da Lei nº 12.850/13 exige a existência de uma organização criminosa, conclui-se
que, presentes a estabilidade e a permanência do agrupamento, o delito estará consumado;
caso contrário, o fato será atípico. Em síntese, os atos praticados com o objetivo de formar a
associação (anteriores à execução de qualquer dos núcleos) são meramente preparatórios.

O conatus é a tentativa, que corresponde a uma espécie de crime, em que o sujeito


ativo não consegue atingir a consumação por motivos que não orbitam na sua linha de atuação.
Nos termos do Art. 14, II, do Código Penal Diz-se o crime tentado, quando iniciada a
sua execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.

CONCURSO DE CRIMES
Se os membros da organização criminosa praticarem infrações penais para as quais se
associaram, deverão responder pelo crime do Art. 2º, caput, em concurso material (CP, Art. 69)
com os demais ilícitos por eles perpetrados. Nesse sentido, basta atentar para o preceito
secundário do próprio Art. 2º, que prevê a pena de reclusão, de 3 a 8 anos, e multa, sem prejuízo
das penas correspondentes às demais infrações penais praticadas.

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AÇÃO PENAL
O crime é processado mediante a propositura de ação penal pública incondicionada.

DELITO AUTÔNOMO
Tratando-se de delito autônomo, a punição da organização independe da prática de
qualquer crime pela associação, o qual, ocorrendo, gera o concurso material (Art. 69 do CP),
cumulando as penas. O que já era tranquilo na doutrina (seguida pela jurisprudência), agora
está expresso no preceito secundário do artigo em comento (reclusão, de 3 a 8 anos, e multa,
sem prejuízo das penas correspondentes às demais infrações penais praticadas).

FIGURA EQUIPARADA (CRIME ORGANIZADO POR


EXTENSÃO)
O Art. 2º, §1º da Lei 12.850, consagra uma hipótese de figura equiparada no tocante as
consequências penais. É introduzido um novo tipo penal incriminador no ordenamento pátrio.
Nesse sentido, dispõe o texto normativo:

Art. 2º. §1º. Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer
forma, embaraça a investigação de infração penal que envolva
organização criminosa.

O Art. 2º, §1º estar punindo a obstrução ou embaraço da persecução penal de infração
que envolva organização criminosa.
Assim, são duas as condutas tipificadas no tipo penal em comento, quais sejam:
1º) impedir – que significa obstar, interromper, tolher, consumando-se com a
efetiva cessação em virtude da conduta praticada pelo agente; ou
2º) embaraçar – que significa complicar, perturbar. Nesta modalidade, o crime
estará consumado com a prática de qualquer conduta (ação ou omissão) que
cause alguma espécie de embaraço à investigação.

Bem jurídico tutelado: diferentemente do crime de organização criminosa constante


do caput do Art. 2º, que tutela a paz pública, esta figura delituosa do §1º tem como
bem jurídico tutelado a Administração da Justiça.

Sujeito ativo: trata-se de crime comum (não exige qualidade especial do agente).
Enquanto o crime de organização criminosa é de concurso necessário, o crime do
§1º é monossubjetivo ou de concurso eventual.
Parcela da doutrina entende que esse crime só pode ser cometido por pessoa que
não tenha concorrido para a formação da organização criminosa.

Sujeito passivo: considerando-se o interesse protegido pela norma, não fica dúvida de
que o sujeito passivo é o Estado – Administração.

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Conduta: A conduta punida consiste em impedir ou, de alguma forma, embaraçar a


investigação da infração penal que envolva organização criminosa.
Na redação do Art. 2º, §1º, o legislador refere-se à conduta do agente que impede ou, de
qualquer forma, embaraça a INVESTIGAÇÃO de infração penal que envolva organização
criminosa. Pode-se concluir que abrange não somente o inquérito, mas também qualquer outro
procedimento investigatório criminal.
O legislador não se refere, EXPRESSAMENTE, a obstrução do processo judicial
correspondente (apenas investigação).
Pode o intérprete considerá-la?
1ª Corrente: entende que não é possível, pois seria analogia in malam partem, que é
vedado pelo Ordenamento Jurídico Brasileiro. Segundo Renato Brasileiro, é
inadmissível qualquer tipo de construção hermenêutica para que o embaraço do
processo judicial também tipifique esta figura delituosa, sob pena de evidente
analogia in malam partem.
2ª Corrente: defendida por Rogério Sanches, entende que a expressão “investigação”
deve ser tomada no sentido amplo, pois no processo não se para de investigar,
mas agora se passam os fatos a serem analisados sob o crivo do contraditório.

Princípio da Especialidade
O crime é de execução livre, podendo ser praticado com violência, grave
ameaça, fraude etc. Aliás, usando o agente, na obstrução, de violência ou grave
ameaça contra autoridade ou qualquer outra personagem atuante na persecução
penal, não há que se cogitar do crime de coação no curso do processo, tipificado no
Art. 344 do CP, punido com 1 a 4 anos de reclusão.
Prevalece, na hipótese, o princípio da especialidade.
Nessa esteira, ensina Renato Brasileiro (Legislação Criminal Especial
Comentada, 2016), Trata-se de norma especial em relação ao crime de coação no
curso do processo (Art. 344, CP).
Logo, por força do princípio da especialidade, se determinado agente se valer
de violência ou grave ameaça para embaraçar a investigação criminal de infração
penal que envolva organização criminosa, deverá responder pelo crime do Art. 2º,
§1º da Lei 12.850/2013, sem prejuízo das penas correspondentes à violência
praticada.

Ano: 2016 Banca: VUNESP Órgão: IPSMI Prova: Procurador


A respeito da Lei nº 12.850/13 (Lei de Organização Criminosa), assinale a
alternativa correta.
Quem impede ou embaraça a investigação de infração que envolve organização
criminosa está sujeito à punição idêntica à de quem integra organização criminosa.
Resposta: Certo

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207
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MAJORANTE DA ARMA DE FOGO

Art. 2º, §2º As penas aumentam-se até a metade se na atuação da


organização criminosa houver emprego de arma de fogo.

O emprego da arma pode se exteriorizar pelo efetivo uso do instrumento ou pelo seu porte
ostensivo, capaz de influir no ânimo do ofendido.
Entende-se por arma de fogo, arma que arremessa projéteis empregando a força
expansiva dos gases gerados pela combustão de um propelente confinado em uma câmara que,
normalmente, está solidária a um cano que tem a função de propiciar continuidade à combustão
do propelente, além de direção e estabilidade ao projétil.
Utilizando o legislador a expressão “arma de fogo”, não abrange outros instrumentos,
ainda que fabricados com finalidade bélica.
Em resumo: não basta que a organização criminosa seja armada, deverá ela empregar as
armas, bem como devem essas ser de “fogo”, e não armas brancas.
Se a arma de fogo for defeituosa, a incidência ou não da causa de aumento de pena
dependerá do grau de ineficácia da arma.
A absoluta, por exemplo, não gerará a causa de aumento. Já na hipótese de a arma estar
desmuniciada, deve-se ficar atento.
A jurisprudência antiga considerava a situação irrelevante, existia uma presunção de
lesividade.
1ª corrente: configura meio relativamente ineficaz. O agente pode nela inserir
projéteis a qualquer tempo e efetuar disparos.
Cabível a causa de aumento de pena.
(HC 246/811/RJ, 5ª T.STJ, Dje 15.04.2014 & HC 102263, 1ª T.STF, Dje-100
04.06.2010 & RHC 115077, 2ª T.STF, Dje-176 09.09.2013) - essa era a
jurisprudência antiga.

2ª corrente: arma desmuniciada não rende ensejo à causa de aumento de pena


porque é desprovida de potencialidade lesiva e não é capaz de ensejar maior
perigo de dano à integridade física da vítima ou de terceiros.
(AgRg no AREsp 466.211/SP, 6ª T.STJ, Dje 09/10/2017 & HC 419.579/MS, 5ª
T.STJ, Dje 31/10/2017) – trata-se do posicionamento atual.

Não será preciso a apreensão e nem a perícia da arma de fogo, desde


que existam elementos concretos.

Quando a arma não for apreendida, inviabilizando o exame pericial direto, é plenamente
possível que sua ausência seja suprida pela prova testemunhal, nos termos do Art. 167 do CPP.
Para que a prova testemunhal possa suprir a ausência do exame direto, segundo Renato
Brasileiro, não basta que a vítima e a testemunha se limitem a dizer que teria havido emprego
de arma de fogo na atuação da organização criminosa. Devem, ademais, afirmar a forma
coerente que houve disparo com arma de fogo, pois somente assim restará provado que não se
tratava de arma de brinquedo.
Convém perceber que é clara a menção da “arma de fogo”, não podendo em qualquer
hipótese ampliar esse entendimento a uma arma de brinquedo, por exemplo.

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208
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AGRAVANTE DO CHEFE

§ 3º A pena é agravada para quem exerce o comando, individual


ou coletivo, da organização criminosa, ainda que não pratique
pessoalmente atos de execução.

O líder/comandante da organização criminosa responderá pelo crime de organização


criminosa com a pena agravada, ainda que não pratique, pessoalmente, atos de execução.
Cuida-se do autor intelectual (ou de escritório), que arquiteta mentalmente a estrutura
do delito com o objetivo de permitir a operacionalização da conduta ilícita independentemente
da sua contribuição para a prática dos atos executórios.
A responsabilização penal do comandante da organização criminosa pelo crime
organizado por extensão não se operará de forma automática apenas em virtude de sua posição.
Para a incidência desta circunstância agravante, que deve ser levada em consideração na
segunda fase do cálculo da pena, é indispensável a demonstração de ajuste prévio, capaz de
identificar a subserviência de um ou mais indivíduos da organização criminosa em relação ao
líder.

CAUSA DE AUMENTO DE PENA (MAJORANTES)

+ 1/6 a 2 /3

§ 4º A pena é aumentada de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços):

I - Se há participação de criança ou adolescente;


II - Se há concurso de funcionário público, valendo-se a
organização criminosa dessa condição para a prática de
infração penal;
III - Se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no
todo ou em parte, ao exterior;
IV - Se a organização criminosa mantém conexão com outras
organizações criminosas independentes;
V - Se as circunstâncias do fato evidenciarem a
transnacionalidade da organização.

As causas de aumento de pena são:


- se há participação de criança ou adolescente;
- se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa
- se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo ou em parte, ao
exterior;
- se a organização criminosa mantém conexão com outras organizações criminosas
independentes;
- se as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade da organização.

MUDE SUA VIDA!


209
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I - Se há participação de CRIANÇA ou ADOLESCENTE;

Surge a dúvida se é aplicado o Art. 244-B do ECA (corrupção de menores) em concurso.


Para uma corrente não incide porque haveria bis in idem. Portanto, bastaria que as
pessoas integradas em organização criminosa com a participação de crianças fossem
denunciadas pela associação, considerada a referida causa de aumento de pena.
Em oposição, outra corrente defende que não haveria bis in idem porque o bem jurídico é
diverso e a consumação se dá em momentos diversos. Admitindo-se, portanto o concurso
material.
Prevalece que a participação de criança ou adolescente também acarreta a caracterização
da corrupção de menores (Art. 244-B do ECA) para os agentes culpáveis.
Esse crime, de natureza formal, independe de prova de efetiva deturpação do menor de
18 anos, pois se constitui em crime de perigo.
É o que se extrai da súmula 500 do STJ:
A configuração do crime previsto no artigo 244-B do ECA independe
de prova efetiva de corrupção do menor, por se tratar de delito
formal.

II -Se há concurso de FUNCIONÁRIO PÚBLICO, valendo-se a


organização criminosa dessa condição para a prática de infração penal;

Para a incidência da majorante, não basta o concurso de funcionário público, na forma de


coautoria ou participação do delito de organização criminosa. Além disso, é necessário que a
organização criminosa se valha de sua condição funcional para a prática da infração
penal (crime organizado por extensão). Ou seja, deve existir um nexo causal entre a atividade
funcional desenvolvida pelo agente e a prática do crime.
Há PERDA AUTOMÁTICA DO CARGO!

III - Se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo


ou em parte, ao EXTERIOR;

A pena, em tais situações, deve ser aumentada ainda que o produto ou proveito do crime
não tenha efetivamente sido embarcado ao exterior, bastando a comprovação da intenção dos
integrantes da organização.

IV - Se a organização criminosa mantém CONEXÃO COM OUTRAS


ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS independentes;

Há exposição ainda maior do bem jurídico.

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V - Se as circunstâncias do fato evidenciarem a


TRANSNACIONALIDADE DA ORGANIZAÇÃO.

Há divergência quanto à sua aplicação.

1ª corrente: Sendo a transnacionalidade uma elementar do conceito de organização


criminosa (Art.1.º, §1.º), é de se ter por inadmissível a aplicação dessa causa de
aumento de pena, haja vista que não se tolera a dupla imputação pelo mesmo fato
(princípio do ne bis in idem). Não é o melhor entendimento porque, nem sempre,
a transnacionalidade será concretizada no tipo penal, portanto, é elemento
acidental.

2ª corrente: Entende que o caráter transnacional não é elemento inerente e toda e


qualquer organização criminosa, não fazendo parte de sua essência. Em verdade,
o caráter transnacional é um “elemento meramente incidental”, o que se
comprova pela conjunção alternativa “ou” (Art. 1.º,§1.º).
Desse modo, havendo preenchimento dos elementos conceituais para
caracterização da organização criminosa e dos núcleos do topo do Art. 2º da Lei
12.850/13 e, apurando-se que ela praticou infrações penais com penas máximas
superiores a 4 anos, a transnacionalidade acaba por assumir caráter de elemento
acidental (não sendo elemento necessário para assumir a figura típica), podendo,
portanto, ser considerada como causa de aumento de pena, não havendo que se
falar em bis in idem.

Ano: 2015 Banca: CESPE Órgão: DEPEN


Determinada organização criminosa voltada à prática do tráfico de armas de fogo e extorsão
esperava um grande carregamento de armas para dia e local previamente determinados. Durante a
investigação policial dessa organização criminosa, a autoridade policial, de acordo com informações
obtidas por meio de interceptações telefônicas autorizadas pelo juízo, identificou que o modus operandi
da organização tinha se aprimorado, pois ela havia passado a contar com o apoio de um policial militar,
cuja atribuição era negociar o preço das armas; e um policial civil, ao qual cabia a tarefa de receber o
dinheiro do pagamento das armas. No local onde seria efetivada a operação, verificou-se a atuação de
José, de quatorze anos de idade, a quem cabia a tarefa de receber e distribuir grande quantidade de
cigarros estrangeiros contrabandeados, fomentando assim o comércio ilegal, a fim de diversificar os
ramos de atividade do grupo criminoso. A autoridade policial decidiu, por sua conta e risco, retardar a
intervenção policial, não tendo abordado uma van, na qual os integrantes do grupo transportavam as
armas e os cigarros. Em seguida, os policiais seguiram o veículo e, horas depois, identificaram o
fornecedor das armas e prenderam em flagrante os criminosos e os policiais envolvidos na organização
criminosa. Após a prisão, o policial militar participante da organização criminosa negociou e decidiu
colaborar com a autoridade policial, confessando, nos autos do inquérito policial, sua participação no
delito imputado e também delatando outros coautores e partícipes, o que contribuiu para o
esclarecimento de outros crimes.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o seguinte item com base na Lei n.º 12.850/2013, que
trata de organizações criminosas, investigação criminal e outras matérias correlatas.
A participação de José na organização criminosa representa uma circunstância agravante.

Gabarito: Errado
Comentário: A presença de um adolescente é uma causa de aumento de pena,
e não agravante. Observar os comentários anteriores acerca da diferenciação entre
majorantes, agravantes e qualificadoras.

MUDE SUA VIDA!


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AFASTAMENTO CAUTELAR DO FUNCIONÁRIO PÚBLICO


§ 5º Se houver indícios suficientes de que o funcionário público
integra organização criminosa, poderá o juiz determinar seu
afastamento cautelar do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da
remuneração, quando a medida se fizer necessária à investigação
ou instrução processual.

A antiga discussão existente a respeito do prejuízo ou não da remuneração do servidor foi


suprida pela previsão legal de que, em afastamento cautelar, não haverá prejuízo da
remuneração.
Passível de decretação em qualquer fase da persecução penal, a medida cautelar somente
poderá recair sobre o agente que tiver se aproveitando de suas funções públicas para auxiliar
as atividades ilícitas executadas pela organização criminosa, ou seja, deve haver um nexo entre
a prática do delito e atividade funcional desenvolvida pelo agente.
Observar que é uma possibilidade ofertada ao Juiz. É discricionário. Não pode jamais ser
imposto como efeito automático do início das investigações ou da instauração do processo
penal.

Detentor de mandato eletivo também está no rol dos funcionários


públicos
Esse entendimento também foi perfilhado pelo STF na ocasião em que o
Plenário da Corte referendou a decisão do Min. Teori Zavaski, proferida na ação
cautelar 4.070, que suspendeu Eduardo Cunha do exercício do mandato de
deputado federal e, por consequência, da função de presidente da câmara dos
deputados.
Entendeu-se que o afastamento seria uma medida necessária para impedir a
interferência do deputado em investigações criminais, e não implicaria em
interferência indevida do Judiciário no Poder Legislativo, uma vez eu a autonomia
dos parlamentares não é ilimitada, e ambos os poderes se submetem à Constituição.

Ano: 2015 Banca: CESPE Órgão: DEPEN


Determinada organização criminosa voltada à prática do tráfico de armas de fogo e
extorsão esperava um grande carregamento de armas para dia e local previamente
determinados. Durante a investigação policial dessa organização criminosa, a autoridade
policial, de acordo com informações obtidas por meio de interceptações telefônicas autorizadas
pelo juízo, identificou que o modus operandi da organização tinha se aprimorado, pois ela havia
passado a contar com o apoio de um policial militar, cuja atribuição era negociar o preço das
armas; e um policial civil, ao qual cabia a tarefa de receber o dinheiro do pagamento das armas.
No local onde seria efetivada a operação, verificou-se a atuação de José, de quatorze anos de
idade, a quem cabia a tarefa de receber e distribuir grande quantidade de cigarros estrangeiros
contrabandeados, fomentando assim o comércio ilegal, a fim de diversificar os ramos de
atividade do grupo criminoso. A autoridade policial decidiu, por sua conta e risco, retardar a
intervenção policial, não tendo abordado uma van, na qual os integrantes do grupo
transportavam as armas e os cigarros. Em seguida, os policiais seguiram o veículo e, horas
depois, identificaram o fornecedor das armas e prenderam em flagrante os criminosos e os
policiais envolvidos na organização criminosa. Após a prisão, o policial militar participante da

MUDE SUA VIDA!


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organização criminosa negociou e decidiu colaborar com a autoridade policial, confessando,


nos autos do inquérito policial, sua participação no delito imputado e também delatando outros
coautores e partícipes, o que contribuiu para o esclarecimento de outros crimes.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o seguinte item com base na Lei n.º
12.850/2013, que trata de organizações criminosas, investigação criminal e outras matérias
correlatas.
Com relação ao policial civil envolvido na organização criminosa, se necessário à investigação
ou à instrução processual, poderá o juiz determinar seu afastamento cautelar do cargo, sem
prejuízo de sua remuneração.

Gabarito: Errado
Comentário: A presença de um adolescente é uma causa de aumento de pena, e não
agravante. Observar os comentários anteriores acerca da diferenciação entre majorantes,
agravantes e qualificadoras.

Ano: 2015 Banca: CESPE Órgão: AGU Prova: Advogado da União


Um servidor público, concursado e estável, praticou crime de corrupção passiva e foi condenado
definitivamente ao cumprimento de pena privativa de liberdade de seis anos de reclusão, em regime
semiaberto, bem como ao pagamento de multa. A respeito dessa situação hipotética, julgue o item
seguinte.
Na situação considerada se houvesse suspeita de participação do agente em organização
criminosa, o juiz poderia determinar seu afastamento cautelar das funções, sem prejuízo da
remuneração; e se houvesse posterior condenação pelo crime de organização criminosa, haveria
concurso material entre esse crime e o crime de corrupção passiva.

Gabarito: Certo
Comentário: Na situação considerada, se houvesse suspeita de participação do agente
em organização criminosa, o juiz poderia determinar seu afastamento cautelar das funções,
sem prejuízo da remuneração.
Art.2, § 5º. Se houver indícios suficientes de que o funcionário público integra
organização criminosa, poderá o juiz determinar seu afastamento cautelar do cargo, emprego
ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à investigação
ou instrução processual.
(...) e se houvesse posterior condenação pelo crime de organização criminosa, haveria
concurso material entre esse crime e o crime de corrupção passiva.
Art. 2º Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta
pessoa, organização criminosa:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das penas
correspondentes às demais infrações penais praticadas.
Se os membros da organização criminosa praticarem as infrações penais para as quais
se associaram, deverão responder pelo crime do Art. 2º, caput, da Lei nº 12.850/13, em
concurso material (CP, Art. 69) com os demais ilícitos por eles perpetrados. Nesse sentido,
basta atentar para o preceito secundário do próprio Art. 2º, que prevê a pena de reclusão, de
3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das penas correspondentes às demais infrações
penais praticadas.
À evidência, para que os integrantes da societas criminis respondam pelos delitos
praticados pela organização criminosa, é indispensável que tais infrações penais tenham
ingressado na esfera de conhecimento de cada um deles, sob pena de verdadeira
responsabilidade penal objetiva.

MUDE SUA VIDA!


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Ano: 2015 Banca: CESPE Órgão: DEPEN


Determinada organização criminosa voltada à prática do tráfico de armas de fogo e
extorsão esperava um grande carregamento de armas para dia e local previamente
determinados. Durante a investigação policial dessa organização criminosa, a autoridade
policial, de acordo com informações obtidas por meio de interceptações telefônicas autorizadas
pelo juízo, identificou que o modus operandi da organização tinha se aprimorado, pois ela havia
passado a contar com o apoio de um policial militar, cuja atribuição era negociar o preço das
armas; e um policial civil, ao qual cabia a tarefa de receber o dinheiro do pagamento das armas.
No local onde seria efetivada a operação, verificou-se a atuação de José, de quatorze anos de
idade, a quem cabia a tarefa de receber e distribuir grande quantidade de cigarros estrangeiros
contrabandeados, fomentando assim o comércio ilegal, a fim de diversificar os ramos de
atividade do grupo criminoso. A autoridade policial decidiu, por sua conta e risco, retardar a
intervenção policial, não tendo abordado uma van, na qual os integrantes do grupo
transportavam as armas e os cigarros. Em seguida, os policiais seguiram o veículo e, horas
depois, identificaram o fornecedor das armas e prenderam em flagrante os criminosos e os
policiais envolvidos na organização criminosa. Após a prisão, o policial militar participante da
organização criminosa negociou e decidiu colaborar com a autoridade policial, confessando,
nos autos do inquérito policial, sua participação no delito imputado e também delatando outros
coautores e partícipes, o que contribuiu para o esclarecimento de outros crimes.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o seguinte item com base na Lei n.º
12.850/2013, que trata de organizações criminosas, investigação criminal e outras matérias
correlatas.
Com relação ao policial civil envolvido na organização criminosa, se necessário à investigação
ou à instrução processual, poderá o juiz determinar seu afastamento cautelar do cargo, sem
prejuízo de sua remuneração.

Gabarito: Errado
Comentário: A presença de um adolescente é uma causa de aumento de pena, e não
agravante. Observar os comentários anteriores acerca da diferenciação entre majorantes,
agravantes e qualificadoras.

EFEITOS DA CONDENAÇÃO

Art. 2º, § 6º A condenação com trânsito em julgado acarretará ao


funcionário público a perda do cargo, função, emprego ou
mandato eletivo e a interdição para o exercício de função ou cargo
público pelo prazo de 8 anos subsequentes ao cumprimento da pena.

Efeito extrapenal da sentença condenatória definitiva. Convém perceber que a


consequência da perda do cargo independe da quantidade de pena, bastando apenas a
condenação apos o trânsito em julgado.
Nos mesmos moldes que a Lei de Tortura, a perda do cargo é AUTOMÁTICA, dispensando
decisão motivada (idem Lei de Tortura)
Indaga-se: esses efeitos abrangem qualquer atividade que o agente esteja exercendo ao
tempo da condenação?

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STJ: Em regra, a pena de perdimento deve ser restrita ao cargo público ocupado
ou função pública exercida no momento do delito, salvo se o magistrado a quo
considerar, motivadamente, que o novo cargo guarda correlação com as atribuições do
anterior, ou seja, naquele em que foram praticados os crimes, mostra-se devida a perda da
nova função, uma vez que tal ato visa a anular a possibilidade de reiteração de ilícitos da
mesma natureza (...).

SERVIDOR APOSENTADO
Se o acusado se encontrava, a época do crime, em pleno exercício do cargo, vindo a se
aposentar dias depois, é plenamente legítima a cassação de sua aposentadoria, se tiver havido
declaração fundamentada da perda do cargo como efeito extrapenal da condenação por crime
cometido na atividade.

Questiona-se se seria possível aplicar a cassação da aposentadoria se, ao tempo da


condenação, o servidor estiver aposentado.
1ª corrente: ainda que a lei preveja apenas a perda e afastamento do cargo,
entendia-se que seria perfeitamente possível a cassação da aposentadoria – esse
é o pensamento antigo do STJ.
(STJ – Resp 911405, Dje 14.02.2011)

2ª corrente defende que não será possível a cassação de aposentadoria como


efeito da condenação criminal – essa é a jurisprudência atual.
(STJ – AgRg no Resp 1447549, Dje 09/03/2016)

STJ
I. A perda do cargo público somente pode ser declarada nas hipóteses restritas e
taxativamente previstas na lei, vedada a interpretação extensiva ou analógica em desfavor do
réu, sob pena de afronta ao princípio da legalidade.
II. A previsão legal é dirigida para a perda de cargo, função pública ou mandato efetivo,
o que não é a hipótese dos autos, considerando que o agravado, no decorrer da ação penal,
aposentou-se.
III. Consubstanciando a aposentadoria um ato jurídico perfeito, com preenchimento de
requisitos legalmente exigidos, não se pode desconstitui-la como efeito extrapenal específico
da sentença condenatória, mesmo que o fato apurado tenha sido cometido quando o
funcionário ainda estava ativo. A cassação da aposentadoria tem previsão legal, mas no âmbito
administrativo, não na esfera penal.

ATENÇÃO: Desde que prevista a penalidade no regime jurídico do servidor,


nada impede que a prática de fato criminoso em serviço acarrete a cassação da
aposentadoria em procedimento administrativo (Resp 1.317.487, Dje
22.08.2014).

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PARTICIPAÇÃO DE POLICIAL

§ 7º Se houver indícios de participação de policial nos crimes de que


trata esta Lei, a Corregedoria de Polícia instaurará INQUÉRITO
POLICIAL e COMUNICARÁ AO MINISTÉRIO PÚBLICO, que
designará membro para acompanhar o feito até a sua conclusão.

Havendo indícios de participação de policial nos crimes de que trata a nova Lei das
Organizações Criminosas, a Corregedoria de Polícia instaurará inquérito policial e comunicará
ao Ministério Público, que designará membro para acompanhar o feito até a sua conclusão.
O dispositivo legal tem como finalidade garantir a eficiência na investigação,
impedindo eventual omissão decorrente de corporativismo.
Trata-se de desdobramento lógico do controle da polícia, exercido pelo Ministério
Público, nos moldes preconizados pelo Art. 129, VII, da Constituição Federal. A atuação da
corregedoria acompanhada pelo Ministério Público, obviamente não impede investigação
conduzida pelo próprio MP.
A comunicação ao Ministério Público é consectário lógico do Art. 129, VII, da CF/88:

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:


VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei
complementar mencionada no artigo anterior;

O dispositivo refere-se, ordinariamente, à Polícia Judiciária. Portanto, em âmbito estatal,


a Corregedoria acionada será a da Polícia Civil.
Todavia, a Lei nº 13.491/2017 ampliou, significativamente, o conceito de crime militar
e passou-se a considerar como tal não apenas os delitos inscritos no Código Penal Militar, mas,
também, os previstos na legislação penal (inclusive, LCO), se cometidos por militares da ativa
em uma das condições do inciso II, artigo 9º, do CPM.

Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:


II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação
penal, quando praticados:
a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra
militar na mesma situação ou assemelhado;
b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar
sujeito à administração militar, contra militar da reserva, ou
reformado, ou assemelhado, ou civil;
c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em
comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do
lugar sujeito à administração militar contra militar da reserva, ou
reformado, ou civil;
d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra
militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;
e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o
patrimônio sob a administração militar, ou a ordem
administrativa militar;

MUDE SUA VIDA!


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Para mais, se o crime for militar será a Corregedoria da Polícia Militar que deverá ser
comunicada. Esse dispositivo (§7º do Art. 2º da LCO) não impediu a investigação pelo
Ministério Público.

LIDERANÇAS DE ORCRIM ARMADAS PRESAS EM


ESTABELECIMENTOS PENAIS DE SEGURANÇA MÁXIMA

§ 8º As lideranças de organizações criminosas armadas ou que


tenham armas à disposição deverão iniciar o cumprimento da pena
em estabelecimentos penais de segurança máxima.

Circunstância trazida pelo PACOTE ANTICRIME visando inviabilizar a atuação de chefes


do crime organizado e desestimular a atividade dos demais membros.
Agora, lideranças de organizações criminosas (ORCRIM) armadas ou que tenham armas
à disposição deverão iniciar o cumprimento de pena em estabelecimento penal de segurança
máxima.
Cuidado para não confundir: a lei estabelece os estabelecimentos de segurança máxima e
não os presídios federais! Não confunda!

VEDAÇÃO À PROGRESSÃO DE REGIME AO PRESO QUE


MANTÉM VÍNCULO ASSOCIATIVO

§ 9º O condenado expressamente em sentença por integrar


organização criminosa ou por crime praticado por meio de
organização criminosa não poderá progredir de regime de
cumprimento de pena ou obter livramento condicional ou outros
benefícios prisionais se houver elementos probatórios que indiquem
a manutenção do vínculo associativo.

Mais uma vedação trazida pelo PACOTE ANTICRIME visando inviabilizar a atuação de
chefes do crime organizado e desestimular a atividade dos demais membros.
Os réus condenados por integrar organizações criminosas ou por crimes praticados por
meio delas, ficam afastados dos benefícios prisionais - como a progressão de regime e o
livramento condicional - quando existirem elementos que indiquem a manutenção do vínculo
associativo com a organização. O condenado, portanto, ficará restrito ao regime mais rigoroso
enquanto ainda houver algum tipo de vínculo ou contato com a organização criminosa pela qual
foi condenado.

MUDE SUA VIDA!


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DA INVESTIGAÇÃO E DOS MEIOS DE OBTENÇÃO DA


PROVA

Art. 3º Em qualquer fase da persecução penal, serão permitidos, sem


prejuízo de outros já previstos em lei, os seguintes meios de obtenção
da prova:
I - Colaboração premiada;
Havendo necessidade justificada
II - Captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou
de manter sigilo sobre a acústicos;
capacidade investigatória, poderá
ser dispensada licitação para
III - Ação controlada;
contratação de serviços técnicos IV - Acesso a registros de ligações telefônicas e telemáticas, a dados
especializados, aquisição ou cadastrais constantes de bancos de dados públicos ou privados e a
locação de equipamentos
destinados à polícia judiciária para informações eleitorais ou comerciais;
o rastreamento e obtenção de V - Interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas, nos
provas previstas nos incisos II e V.
termos da legislação específica;
VI - Afastamento dos sigilos financeiro, bancário e fiscal, nos termos
da legislação específica;
VII - Infiltração, por policiais, em atividade de investigação, na forma
do art. 11;
VIII - cooperação entre instituições e órgãos federais, distritais,
estaduais e municipais na busca de provas e informações de interesse
da investigação ou da instrução criminal.

As técnicas especiais de investigação possuem o objetivo de fazer frente à gravidade dos


ilícitos perpetrados pelas organizações criminosas para se atingir a eficiência desejada de um
Estado atuante.
A execução dos novos meios extraordinários de obtenção de prova não pode ser levada
adiante sem a necessária observância dos direitos e garantias fundamentais inerentes ao
devido processo legal.
O Art. 3º é claro ao dizer que em qualquer fase da persecução penal: significa que os
meios de obtenção de prova poderão ser utilizados não apenas na fase investigatória,
propriamente dita, mas também durante a fase judicial (processo).
Assim, admite-se emprego dos meios de obtenção de prova durante:
- fase investigatória;
- fase do processo judicial.

§ 1º Havendo necessidade justificada de manter sigilo sobre a


capacidade investigatória, poderá ser dispensada licitação para
contratação de serviços técnicos especializados, aquisição ou locação
de equipamentos destinados à polícia judiciária para o rastreamento
e obtenção de provas previstas nos incisos II e V.

§ 2º No caso do § 1º, fica dispensada a publicação de que trata o


parágrafo único do art. 61 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993,
devendo ser comunicado o órgão de controle interno da realização
da contratação.

MUDE SUA VIDA!


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Com o advento da Lei nº 13.964, de 2019, conhecida como PACOTE ANTICRIME, foram
muitas mudanças relacionadas à Colaboração Premiada e, em virtude disso, será estudada em
uma parte separada posteriormente.

II - CAPTAÇÃO AMBIENTAL DE SINAIS ELETROMAGNÉTICOS,


ÓPTICOS OU ACÚSTICOS

Vamos estudar os institutos conjuntamente.

V - INTERCEPTAÇÃO DE COMUNICAÇÕES TELEFÔNICAS E


TELEMÁTICAS, NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA

Em QUALQUER FASE da persecução penal, o Art. 3º, II, autoriza a CAPTAÇÃO


AMBIENTAL de sinais eletromagnéticos, ópticos (filmagens ou fotografias) ou acústicos
(gravação ambiental de uma conversa entre pessoas presentes) e o Art. 3º, V, permite a
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA.

Quanto à aplicação da lei, há primeiro que se distinguir interceptação ambiental de


outros institutos semelhantes, quais sejam, gravação e escuta telefônica.

Não confundir INTERCEPTAÇÃO com ESCUTA, nem com CAPTAÇÃO


AMBIENTAL.

CONCEITO DE INTERCEPTAÇÃO, ESCUTA E GRAVAÇÃO CLANDESTINA


INTERCEPTAÇÃO EM SENTIDO AMPLO
A doutrina faz distinção entre interceptação e escuta, não importando qual a modalidade
de interceptação tendo todas elas o mesmo conceito.
Na interceptação, uma terceira pessoa escuta o que está sendo conversado entre duas
pessoas, mas sem que qualquer dos comunicadores tenha ciência de que há uma terceira
pessoa escutando.
Interceptação Telefônica: Lei das Interceptações Telefônicas
Ao analisar os dispositivos da lei das interceptações telefônicas, resta evidente que ficou
prevista somente a interceptação da comunicação telefônica tratada especificamente pela
Lei nº 9.296/96, o que não torna possível analisar a interceptação ambiental de forma distinta
sem entendermos esse outro dispositivo. A Lei Nº 9.296/96 se faz necessária para
regulamentar o Art. 5º, inciso XII de nossa lei maior. Dispõe a referida norma constitucional no
sentido de que é inviolável o sigilo das comunicações, salvo, no caso da telefônica, por ordem
judicial, nas hipóteses que a lei estabelecer, para fins de investigação criminal e/ou instrução
processual penal.

MUDE SUA VIDA!


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Conceito retirado da aula sobre a Lei das Interceptações Telefônicas


Interceptação Telefônica
Por interceptação telefônica entende-se o ato de interromper, realizar uma
interferência no fluxo de comunicação telefônica entre duas pessoas diferentes do
interceptador. O interceptador capta o fluxo da comunicação entre duas pessoas
estranhas a ele.
Assim, a interceptação telefônica pode ser definida como a captação de
conversa feita por um terceiro, sem o conhecimento dos interlocutores, que depende
de ordem judicial, nos termos do inciso XII do Art. 5º da CF, regulamentado pela Lei
nº. 9.296/1996.
A ausência de autorização judicial para captação da conversa macula a validade
do material como prova para processo penal.

Assim, o instrumento do inciso II da Lei de Organizações Criminosas NÃO abrange as


Interceptações Telefônicas, mas o inciso V, sim!

Interceptação ambiental em sentido estrito:


É a captação sub-reptícia de uma comunicação no próprio ambiente, público ou privado,
em que ocorre, feita por um terceiro sem o conhecimento de nenhum dos comunicadores, com
o emprego de meios técnicos, utilizados em operação oculta e simultânea à comunicação.
Exemplo: suponha que, no curso de uma investigação relativa ao crime de tráfico de drogas, a
autoridade policial realize filmagem de indivíduos comercializando drogas em determinada
praça, sem que os traficantes tenham ciência de que esse registro está sendo efetuado.

ESCUTA
Já na escuta, ao menos um dos comunicadores tem ciência de que um terceiro está
ouvindo a conversa de ambos. Entende-se que a escuta também é uma forma de interceptação
uma vez que também é efetuada por terceira pessoa diferindo somente pelo fato em que um
dos interlocutores tem a ciência que o diálogo está sendo captado, apesar de tal nomenclatura
não estar explicitada na letra da lei.
Escuta Telefônica

GRAVAÇÃO
Tratamento diferenciado, temos na chamada Gravação Clandestina, seja Telefônica ou
Ambiental. As gravações ambientais e/ou telefônicas não são objeto da Lei nº 9.296/96,
porque a gravação é a feita por um dos comunicadores.

MUDE SUA VIDA!


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Na gravação um dos próprios interlocutores realiza a gravação da conversa. Alguns


aparelhos de telefone, por exemplo, oferecem a possibilidade de gravar a conversa. Tal hipótese
configuraria gravação, e não escuta e muito menos Interceptação.
Na gravação ambiental, um dos comunicadores liga o gravador quando está travando
uma conversa com outra. Esta conversa não ocorre por meio de telefone, mas é presencial.
Ambos os interlocutores devem estar no mesmo ambiente, por isso a terminologia Gravação
Ambiental.

A Lei nº 12.850/13, inciso II, permite expressamente a interceptação


AMBIENTAL de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos.

A expressão CAPTAR deve ser compreendida como o ato de tomar


conhecimento do conteúdo de comunicação alheia. É da essência da captação a
participação de um terceiro do conteúdo da comunicação entre duas pessoas,
geralmente sem o conhecimento de um dos interlocutores. Essa captação pode ser
feita mediante escutas, microfones, câmeras ocultas, monitoramento a distância, por
satélite, antenas direcionais e outras tantas tecnologias hoje existentes para esse
fim.

O Art. 3ª, II, da Lei 12. 850/2013 dispôs apenas que a CAPTAÇÃO AMBIENTAL (que
ocorre em determinado ambiente, não se confundindo com interceptação telefônica) de sinais
eletromagnéticos, ópticos ou acústicos seria permitida em qualquer fase da persecução penal
como meio de obtenção de prova.

O instituto (captação ambiental), também chamado de vigilância eletrônica, permite


que os agentes de polícia ou eventualmente o Ministério Público [...] instalem aparelhos de
gravação de som e imagem em ambientes fechados (residências, locais de trabalho,
estabelecimentos prisionais) ou abertos (ruas, praças, jardins públicos etc.), com finalidade de não
apenas gravar diálogos travados entre os investigados (sinais acústicos), mas também filmar as
condutas por eles desenvolvidas (sinais ópticos).

Ainda poderão os policiais registrar sinais emitidos através de aparelhos de comunicação,


como rádios transmissores (sinais eletromagnéticos), que tecnicamente não se enquadram no
conceito de comunicação telefônica, informática ou telemática

Em se tratando de procedimentos investigativos relativos a crimes de


organizações criminosas, havendo prévia e motivada autorização judicial, TODA E
QUALQUER GRAVAÇÃO E INTERCEPTAÇÃO AMBIENTAL SERÁ
CONSIDERADA PROVA LÍCITA, NOS EXATOS TERMOS DO ART. 3º DA LEI
12.850/13.

A Lei nº 13.964 de 2019, conhecida como Pacote Anticrime, atualizou a Lei das
Interceptações Telefônicas ao acrescentar os artigos 8º-A e 10-A, dispondo acerca da
possibilidade de captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos.

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Art. 8º-A. Para investigação ou instrução criminal, poderá ser


autorizada pelo juiz, a requerimento da autoridade policial ou do
Ministério Público, a CAPTAÇÃO AMBIENTAL de sinais
eletromagnéticos, ópticos ou acústicos, quando:
I - A prova não puder ser feita por outros meios disponíveis e
igualmente eficazes; e
II - Houver elementos probatórios razoáveis de autoria e
participação em infrações criminais cujas penas máximas sejam
superiores a 4 anos ou em infrações penais conexas.

Vimos no início da nossa aula que CAPTAÇÃO AMBIENTAL é gênero das espécies
Interceptação Ambiental, Escuta Ambiental e Gravação Ambiental.
Segundo o Art. 8-A, a captação ambiental poderá ser autorizada pelo juiz.
Então surge a dúvida se toda espécie deveria ser precedida de autorização judicial.
É importante analisarmos o seguinte:
No Art. 10-A, encontramos o crime do agente que realiza a captação ambiental sem
autorização judicial.
No parágrafo 1º do Art. 10-A, há a ressalva que traz a atipicidade se a captação
ambiental for realizada por um dos interlocutores.
Ora, se a gravação realizada por um dos interlocutores é a que chamamos de gravação
ambiental, podemos concluir que dentre as espécies de CAPTAÇÃO AMBIENTAL que
necessitam de autorização judicial, incluem-se a interceptação ambiental e a escuta
ambiental.

Assim, gravação ambiental sem autorização judicial é fato atípico.

Gravação ambiental e Lei das Organizações Criminosas


O Art. 3ª, II, da Lei 12. 850/2013 dispôs que a CAPTAÇÃO AMBIENTAL – Art. 3º, II – (que
ocorre em determinado ambiente, não se confundindo com interceptação telefônica) de sinais
eletromagnéticos, ópticos ou acústicos e a Interceptação telefônica e Telemática – Art. 3º, V,
seriam permitidas em qualquer fase da persecução penal como meio de obtenção de prova.
O instituto (captação ambiental), por exemplo, também chamado de vigilância eletrônica,
permite que os agentes de polícia ou eventualmente o Ministério Público [...] instalem aparelhos
de gravação de som e imagem em ambientes fechados (residências, locais de trabalho,
estabelecimentos prisionais) ou abertos (ruas, praças, jardins públicos etc.), com finalidade de
não apenas gravar diálogos travados entre os investigados (sinais acústicos), mas também
filmar as condutas por eles desenvolvidas (sinais ópticos).
Ainda poderão os policiais registrar sinais emitidos por meio de aparelhos de
comunicação, como rádios transmissores (sinais eletromagnéticos), que tecnicamente não se
enquadram no conceito de comunicação telefônica, informática ou telemática.

Em se tratando de procedimentos investigativos relativos a crimes de


organizações criminosas, havendo prévia e motivada autorização judicial, TODA E
QUALQUER GRAVAÇÃO, INTERCEPTAÇÃO AMBIENTAL e TELEFÔNICA SERÁO
CONSIDERADAS PROVA LÍCITA, NOS EXATOS TERMOS DO ART. 3º, II, DA
LEI 12.850/13.

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Portanto, em face do disposto na Lei de Organizações Criminosas, admite-se a filmagem


(registros ópticos) e a gravação (sinais acústicos) no interior de residência ou local
íntimo, seja pela captação (a chamada escuta ambiental, realizada entre presentes), seja
pela interceptação ambiental (realizada por um terceiro).
Assim, desde que haja prévia e circunstanciada autorização judicial, os registros não
constituem prova ilícita por violação ao direito da intimidade ou à garantia da inviolabilidade
do domicílio.
DISPENSA DE LICITAÇÃO
Havendo necessidade justificada de manter sigilo sobre a capacidade investigatória,
poderá ser dispensada licitação para contratação de serviços técnicos especializados, aquisição
ou locação de equipamentos destinados à polícia judiciária para o rastreamento e obtenção de
provas previstas nos incisos II e V.

III – AÇÃO CONTROLADA


CONCEITO
Trata-se de técnica especial de investigação por meio da qual é retardado o momento da
intervenção dos órgãos estatais responsáveis pela persecução penal, que deve ocorrer no
momento mais oportuno sob o ponto de vista da investigação criminal.
A depender do caso concreto é estrategicamente mais produtivo, sob o ponto de vista da
colheita de provas, evitar a prisão prematura de integrantes menos graduados de determinada
organização criminosa, pelo menos em um primeiro momento, de modo a permitir o
monitoramento de suas ações e subsequente identificação e prisão dos demais membros,
notadamente daqueles que exercem o comando.
Assim, muitas vezes a ação policial é adiada e, consequentemente, seja alcançado um
número maior de criminosos, visando à desestruturação de toda a organização. Por isso esse
procedimento é conhecido como flagrante retardado, postergado ou diferido. É, na verdade,
uma mitigação do flagrante obrigatório, das autoridades policiais.

Art. 8º Consiste a ação controlada em retardar a intervenção


policial ou administrativa relativa à ação praticada por organização
criminosa ou a ela vinculada, desde que mantida sob observação e
acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento
mais eficaz à formação de provas e obtenção de informações.

- técnica especial de investigação;


- por meio da qual a autoridade policial ou administrativa;
- mesmo percebendo que existem indícios da prática de um ato ilícito em curso;
- relativa à ação praticada por ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ou A ELA VINCULADA
- posterga a intervenção neste crime para um momento posterior.

A observação e o acompanhamento devem ser mantidos


- com a finalidade de conseguir coletar mais provas;
- descobrir coautores e partícipes da empreitada criminosa;
- recuperar o produto ou proveito da infração; ou
- resgatar, com segurança, eventuais vítimas.

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COMUNICAÇÃO PRÉVIA AO JUIZ


§ 1º O retardamento da intervenção policial ou administrativa será
previamente comunicado ao juiz competente que, se for o caso,
estabelecerá os seus limites e comunicará ao Ministério Público.

O retardamento da intervenção policial ou administrativa será PREVIAMENTE


COMUNICADO AO JUIZ competente que, se for o caso, estabelecerá os seus limites
e comunicará ao Ministério Público.
Ou seja, não há necessidade de autorização judicial para que se realize a ação
controlada, mas sim a COMUNICAÇÃO PRÉVIA.
O Juiz poderá estabelecer limites e comunicará ao Ministério Público.
Os limites poderão ser temporais (estabelecimento de prazo) ou funcionais
(diante da possibilidade de danos a bens jurídicos de maior relevância, deve o juiz
determinar a pronta intervenção da autoridade policial).
Se, mesmo com toda cautela empregada, não for possível a identificação e prisão dos
demais agentes – ou até mesmo dos primeiros criminosos identificados -, não há que
se falar crime de prevaricação (CP, Art. 319), a não ser que fique evidenciado que o
flagrante não foi efetuado pela autoridade policial para satisfazer interesse ou
sentimento pessoal.

Na Lei de Drogas, a ação controlada requer autorização judicial.


Na Lei 11.343/06 – Lei de Drogas – em qualquer fase da persecução criminal relativa
aos crimes ali previstos, é permitida, MEDIANTE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, e ouvido o
Ministério Público, a não atuação policial sobre os portadores de drogas, seus percursores
químicos ou produtos utilizados em sua produção, que se encontrem no território brasileiro,
com a finalidade de identificar e responsabilizar maior número de integrantes de operações de
tráfico e distribuição, sem prejuízo de ação penal cabível.

Ampliando os conhecimentos…
Entrega Vigiada
É a técnica especial de investigação que consiste em permitir que remessas
ilícitas ou suspeitas saiam do território de um ou mais Estados, os atravessem ou
neles entrem, com o conhecimento e sob o controle das suas autoridades
competentes, com a finalidade de investigar infrações e identificar as pessoas
envolvidas na sua prática.
A entrega vigiada comporta duas espécies:
ENTREGA VIGIADA LIMPA (OU COM SUBSTITUIÇÃO): as remessas ilícitas são
trocadas antes de serem entregues ao destinatário final por outro produto qualquer,
afastando o risco de extravio da mercadoria.
ENTREGA VIGIADA SUJA (OU COM ACOMPANHAMENTO): a encomenda segue
seu itinerário sem alteração do conteúdo, seguindo seu curso normal sob redobrado
monitoramento, a fim de diminuir o risco de extraviar a mercadoria ilícita.

SIGILO
§ 2º A comunicação será sigilosamente distribuída de forma a não
conter informações que possam indicar a operação a ser efetuada.

MUDE SUA VIDA!


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ACESSO AOS AUTOS


§ 3º Até o encerramento da diligência, o acesso aos autos será
restrito ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado de polícia, como
forma de garantir o êxito das investigações.

O advogado defensor terá acesso ao inquérito, mas não à ação controlada. Ou seja, terá
acesso com o término da diligência. Acesso aos autos durante a diligência será restrito ao:
- Ministério Público;
- Delegado;
- Juiz.

AUTO CIRCUNSTANCIADO
§ 4º Ao término da diligência, elaborar-se-á auto circunstanciado
acerca da ação controlada.

TRANSPOSIÇÃO DE FRONTEIRAS
Art. 9º Se a ação controlada envolver transposição de fronteiras, o
retardamento da intervenção policial ou administrativa somente
poderá ocorrer com a cooperação das autoridades dos países que
figurem como provável itinerário ou destino do investigado, de modo
a reduzir os riscos de fuga e extravio do produto, objeto, instrumento
ou proveito do crime.

IV - ACESSO A REGISTROS DE LIGAÇÕES TELEFÔNICAS E


TELEMÁTICAS, A DADOS CADASTRAIS CONSTANTES DE BANCOS
DE DADOS PÚBLICOS OU PRIVADOS E A INFORMAÇÕES
ELEITORAIS OU COMERCIAIS

Segundo Cleber Masson (Crime Organizado 2ª edição, 2016) a primeira parte do inciso IV
do Art. 3º prevê o acesso a registros de ligações telefônicas e telemáticas como meio especial
de obtenção de prova. Por registros telefônicos há de se entender os extratos das chamadas
efetuadas e recebidas com informações sobre os números telefônicos que mantiveram contato
com a linha-alvo da investigação, data, hora e tempo da duração das chamadas (quebra de sigilo
de dados telefônicos). Exclui-se desse conceito, portanto, o acesso às comunicações telefônicas
em si, ao conteúdo do diálogo entre os interlocutores (Interceptação das comunicações
telefônicas). O Ministério Público e a Autoridade Policial, para terem acesso às informações
relativas às chamadas originadas e recebidas do telefone do indiciado (sigilo de dados
telefônicos), necessitam de autorização judicial, isto é, cláusula de reserva jurisdicional, nos
termos do Art. 5º, XII, da CF, não se tratando, apenas, de dados cadastrais do indiciado, não se
aplicando, por conseguinte, o Art. 15 da Lei 12.850/13.
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das
comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que
a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.

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Para facilitar o acesso…

O delegado de polícia e o Ministério Público terão acesso, independentemente


de autorização judicial, apenas aos dados cadastrais do investigado que informem
exclusivamente a qualificação pessoal, a filiação e o endereço mantidos pela Justiça
Eleitoral, empresas telefônicas, instituições financeiras, provedores de internet e
administradoras de cartão de crédito.

As empresas de transporte possibilitarão, pelo prazo de 5 (cinco) anos,


acesso direto e permanente do juiz, do Ministério Público ou do delegado de polícia
aos bancos de dados de reservas e registro de viagens.

As concessionárias de telefonia fixa ou móvel manterão, pelo prazo de 5


(cinco) anos, à disposição das autoridades mencionadas no Art. 15, registros de
identificação dos números dos terminais de origem e de destino das ligações
telefônicas internacionais, interurbanas e locais.

INFILTRAÇÃO DE AGENTES
A infiltração de agentes encontra-se regulamentada ao teor dos Arts. 10, 11,12, 13 e 14 da
Lei de Organização Criminosa.
É importante observar que houve muitas mudanças decorrentes da Lei nº 13.964/19, o
Pacote Anticrime, criando os artigos 10-A, 10-B, 10-C e 10-D.
CONCEITO
O agente infiltrado é introduzido dissimuladamente em uma organização criminosa,
passando a agir como um de seus integrantes, ocultando sua verdadeira identidade, com o
objetivo precípuo de identificar fontes de prova e obter elementos de informação capazes de
permitir a desarticulação da referida organização.
A infiltração é o procedimento por meio do qual o agente de polícia age como se fosse
membro da organização criminosa, com o objetivo de colher provas dos crimes cometidos.

PREVISÃO LEGAL
Encontra-se previsto em duas leis especiais: Lei de Organização Criminosa e Lei de
Drogas.

Lei 11. 343/06:


Art. 53. Em qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes
previstos nesta Lei, são permitidos, além dos previstos em lei,
mediante autorização judicial e ouvido o Ministério Público, os
seguintes procedimentos investigatórios:

I – A infiltração por agentes de polícia, em tarefas de investigação,


constituída pelos órgãos especializados pertinentes;

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Lei nº 12.850/13:
Art. 10. A infiltração de agentes de polícia em tarefas de
investigação, representada pelo delegado de polícia ou requerida
pelo Ministério Público, após manifestação técnica do delegado de
polícia quando solicitada no curso de inquérito policial, será
precedida de circunstanciada, motivada e sigilosa autorização
judicial, que estabelecerá seus limites.

Algumas considerações:
A infiltração é para tarefas de investigação.
Atribuição para a infiltração: agentes de polícia.

REQUERIMENTO OU REQUISIÇÃO DA INFILTRAÇÃO


§ 1º Na hipótese de representação do delegado de polícia, o juiz
competente, antes de decidir, ouvirá o Ministério Público.

Representação do Delegado de Polícia


Inquérito
Na hipótese de representação do delegado de polícia, o juiz competente, antes de
decidir, ouvirá o Ministério Público.

Requerimento do Ministério Público


Inquérito
Caso o MP faça a requisição durante o inquérito, deve pedir manifestação
técnica do delegado.

Processo

REQUISITOS DA INFILTRAÇÃO
§ 2º Será admitida a infiltração se houver indícios de infração penal
de que trata o art. 1º e se a prova não puder ser produzida por outros
meios disponíveis.
A lei determina que a autorização somente deve ser concedida quando houver indícios de
crimes cometidos pela organização criminosa e a prova não puder ser produzida por outros
meios disponíveis.
Assim, deverá haver:
- indícios de infração penal;
-prova não puder ser produzida de outra forma (indispensabilidade da infiltração);
- concordância do agente de polícia;
- prévia autorização judicial.

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DURAÇÃO
§ 3º A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 (seis) meses,
sem prejuízo de eventuais renovações, desde que comprovada sua
necessidade.
A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 meses, sem prejuízo de eventuais
renovações, desde que comprovada a sua necessidade.
Esse prazo de 6 meses é prazo limite para cada autorização judicial, o que não impede o
juiz de conceder a autorização por prazo inferior, caso entenda ser tal prazo suficiente.
Ampliando conhecimento
Light Cover: Duração que não demora mais de 6 meses. Infiltração mais
branda.
Deep Cover: Infiltração que se prolongam por mais de 6 meses, necessitando
de uma imersão mais profunda e complexa no seio da organização criminosa.

RELATÓRIO DE ATIVIDADES
§ 4º Findo o prazo previsto no § 3º, o relatório circunstanciado será
apresentado ao juiz competente, que imediatamente cientificará o
Ministério Público.

§ 5º No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá


determinar aos seus agentes, e o Ministério Público poderá
requisitar, a qualquer tempo, relatório da atividade de infiltração.

Após o prazo, o relatório será apresentado ao juiz que cientificará o MP.


No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá determinar aos seus
agentes relatório da atividade de infiltração.
Durante o inquérito e processo, o MP poderá requisitar o relatório a qualquer tempo.

INFILTRAÇÃO DE AGENTES DA INTERNET


Art. 10-A. Será admitida a ação de agentes de polícia infiltrados
virtuais, obedecidos os requisitos do caput do art. 10, na internet, com
o fim de investigar os crimes previstos nesta Lei e a eles conexos,
praticados por organizações criminosas, desde que demonstrada sua
necessidade e indicados o alcance das tarefas dos policiais, os nomes
ou apelidos das pessoas investigadas e, quando possível, os dados de
conexão ou cadastrais que permitam a identificação dessas pessoas.
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

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O Art. 10 – A foi uma novidade trazida pelo Pacote Anticrime. Será admitida a infiltração
de agentes de polícia, que obedecerão aos mesmos requisitos do caput do Art. 10.

Art. 10. A infiltração de agentes de polícia em tarefas de investigação, representada


pelo delegado de polícia ou requerida pelo Ministério Público, após manifestação técnica do
delegado de polícia quando solicitada no curso de inquérito policial, será precedida de
circunstanciada, motivada e sigilosa autorização judicial, que estabelecerá seus limites.
§ 1º Na hipótese de representação do delegado de polícia, o juiz competente, antes de
decidir, ouvirá o Ministério Público.

Representação do delegado de Polícia


- Inquérito
Na hipótese de representação do delegado de polícia, o juiz competente, antes
de decidir, ouvirá o Ministério Público.

Requerimento do Ministério Público


- Inquérito
Caso o MP faça a requisição durante o inquérito, deve pedir manifestação
técnica do delegado.
- Processo

FINALIDADE DA INFILTRAÇÃO DE AGENTES NA INTERNET


A finalidade é de investigar os crimes previstos nesta Lei e a eles conexos, praticados por
organizações criminosas, desde que demonstrada sua necessidade e:

- indicados o alcance das tarefas dos policiais;


- os nomes ou apelidos das pessoas investigadas.
Quando possível, os dados de conexão ou cadastrais que permitam a identificação
dessas pessoas.
Dados de conexão: informações referentes a hora, data, início, término, duração,
endereço de Protocolo de Internet (IP) utilizado e terminal de origem da conexão;
Dados cadastrais: informações referentes a nome e endereço de assinante ou de
usuário registrado ou autenticado para a conexão a quem endereço de IP,
identificação de usuário ou código de acesso tenha sido atribuído no momento da
conexão.

§ 1º Para efeitos do disposto nesta Lei, consideram-se:


I - Dados de conexão: informações referentes a hora, data, início,
término, duração, endereço de Protocolo de Internet (IP) utilizado e
terminal de origem da conexão;
II - Dados cadastrais: informações referentes a nome e endereço de
assinante ou de usuário registrado ou autenticado para a conexão a
quem endereço de IP, identificação de usuário ou código de acesso
tenha sido atribuído no momento da conexão.
§ 2º Na hipótese de representação do delegado de polícia, o juiz
competente, antes de decidir, ouvirá o Ministério Público.
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

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§ 3º Será admitida a infiltração se houver indícios de infração penal


de que trata o art. 1º desta Lei e se as provas não puderem ser
produzidas por outros meios disponíveis.

PRAZO
O prazo da infiltração será de ATÉ 6 meses, sem prejuízo de eventuais renovações,
mediante ordem judicial fundamentada e desde que não exceda 720 dias.

§ 4º A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 (seis) meses,


sem prejuízo de eventuais renovações, mediante ordem judicial
fundamentada e desde que o total não exceda a 720 (setecentos e
vinte) dias e seja comprovada sua necessidade.

§ 5º Findo o prazo previsto no § 4º deste artigo, o relatório


circunstanciado, juntamente com todos os atos eletrônicos
praticados durante a operação, deverão ser registrados, gravados,
armazenados e apresentados ao juiz competente, que imediatamente
cientificará o Ministério Público.

RELATÓRIO DA INFILTRAÇÃO A QUALQUER TEMPO


No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá determinar aos seus agentes,
e o Ministério Público e o juiz competente poderão requisitar, a qualquer tempo, relatório da
atividade de infiltração.
Inquérito policial: o delegado de polícia.
A qualquer tempo: Ministério Público e o juiz competente.

§ 6º No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá


determinar aos seus agentes, e o Ministério Público e o juiz
competente poderão requisitar, a qualquer tempo, relatório da
atividade de infiltração.
(Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

RELATÓRIO APÓS FINALIZAÇÃO DO PRAZO DA INFILTRAÇÃO


Finalizado o prazo da infiltração, o relatório circunstanciado, juntamente com todos os
atos eletrônicos praticados durante a operação, deverão ser registrados, gravados,
armazenados e apresentados ao juiz competente, que imediatamente cientificará o Ministério
Público.

PROVA NULA
§ 7º É nula a prova obtida sem a observância do disposto neste artigo.

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SIGILO DA INFILTRAÇÃO
Art. 10-B. As informações da operação de infiltração serão
encaminhadas diretamente ao juiz responsável pela autorização da
medida, que zelará por seu sigilo.

ACESSO AOS AUTOS


Parágrafo único. Antes da conclusão da operação, o acesso aos
autos será reservado ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado de
polícia responsável pela operação, com o objetivo de garantir o sigilo
das investigações.

AUSÊNCIA DE CRIME E RESPONSABILIZAÇÃO PELOS EXCESSOS


Art. 10-C. Não comete crime o policial que oculta a sua identidade
para, por meio da internet, colher indícios de autoria e materialidade
dos crimes previstos no art. 1º desta Lei.

Parágrafo único. O agente policial infiltrado que deixar de observar


a estrita finalidade da investigação responderá pelos excessos
praticados.

RELATÓRIO APÓS INVESTIGAÇÃO CONCLUÍDA


Concluída a investigação, todos os atos eletrônicos praticados durante a operação
deverão ser registrados, gravados, armazenados e encaminhados ao juiz e ao Ministério
Público, juntamente com relatório circunstanciado.
Os atos eletrônicos registrados citados serão reunidos em autos apartados e apensados
ao processo criminal juntamente com o inquérito policial, assegurando-se a preservação da
identidade do agente policial infiltrado e a intimidade dos envolvidos.

Art. 10-D. Concluída a investigação, todos os atos eletrônicos


praticados durante a operação deverão ser registrados, gravados,
armazenados e encaminhados ao juiz e ao Ministério Público,
juntamente com relatório circunstanciado.

Parágrafo único. Os atos eletrônicos registrados citados no caput


deste artigo serão reunidos em autos apartados e apensados ao
processo criminal juntamente com o inquérito policial, assegurando-
se a preservação da identidade do agente policial infiltrado e a
intimidade dos envolvidos.

Art. 11. O requerimento do Ministério Público ou a representação do


delegado de polícia para a infiltração de agentes conterão a
demonstração da necessidade da medida, o alcance das tarefas dos
agentes e, quando possível, os nomes ou apelidos das pessoas
investigadas e o local da infiltração.

MUDE SUA VIDA!


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IDENTIDADE DO INFILTRADO
Para a validação da identidade fictícia do agente policial e facilitar a sua integração no
ambiente criminoso os órgãos de registro e cadastro público poderão incluir nos bancos de
dados próprios, mediante procedimento sigiloso e requisição da autoridade judicial, as
informações necessárias à efetividade da identidade fictícia criada, nos casos de infiltração de
agentes na internet.
Quem requisita é o JUIZ, e não o delegado de polícia.

Parágrafo único. Os órgãos de registro e cadastro público poderão


incluir nos bancos de dados próprios, mediante procedimento sigiloso
e requisição da autoridade judicial, as informações necessárias à
efetividade da identidade fictícia criada, nos casos de infiltração de
agentes na internet.

A AUTORIZAÇÃO JUDICIAL
O pedido de infiltração será sigilosamente distribuído, de forma a não conter informações
que possam indicar a operação a ser efetivada ou identificar o agente que será infiltrado.
As informações quanto à necessidade da operação de infiltração serão dirigidas
diretamente ao juiz competente, que decidirá no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, após
manifestação do Ministério Público na hipótese de representação do delegado de polícia,
devendo-se adotar as medidas necessárias para o êxito das investigações e a segurança do
agente infiltrado.
Art. 12. O pedido de infiltração será sigilosamente distribuído, de
forma a não conter informações que possam indicar a operação a ser
efetivada ou identificar o agente que será infiltrado.

§ 1º As informações quanto à necessidade da operação de infiltração


serão dirigidas diretamente ao juiz competente, que decidirá no
prazo de 24 (vinte e quatro) horas, após manifestação do Ministério
Público na hipótese de representação do delegado de polícia,
devendo-se adotar as medidas necessárias para o êxito das
investigações e a segurança do agente infiltrado.

§ 2º Os autos contendo as informações da operação de infiltração


acompanharão a denúncia do Ministério Público, quando serão
disponibilizados à defesa, assegurando-se a preservação da
identidade do agente.

AGENTE SOFRENDO RISCO IMINENTE


Havendo indícios seguros de que o agente infiltrado sofre risco iminente, a operação será
sustada mediante requisição do Ministério Público ou pelo delegado de polícia, dando-se
imediata ciência ao Ministério Público e à autoridade judicial.

MUDE SUA VIDA!


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§ 3º Havendo indícios seguros de que o agente infiltrado sofre risco


iminente, a operação será sustada mediante requisição do Ministério
Público ou pelo delegado de polícia, dando-se imediata ciência ao
Ministério Público e à autoridade judicial.

PROPORCIONALIDADE E EXCLUDENTE DE CULPABILIDADE


Art. 13. O agente que não guardar, em sua atuação, a devida
proporcionalidade com a finalidade da investigação, responderá
pelos excessos praticados.

Parágrafo único. Não é punível, no âmbito da infiltração, a prática


de crime pelo agente infiltrado no curso da investigação, quando
inexigível conduta diversa.

DIREITOS DO AGENTE
- Recusar ou fazer cessar a atuação infiltrada;
- Ter sua identidade alterada, aplicando-se, no que couber, o disposto no Art. 9º da
Lei nº 9.807, de 13 de julho de 1999, bem como usufruir das medidas de proteção
a testemunhas;
- Ter seu nome, sua qualificação, sua imagem, sua voz e demais informações pessoais
preservadas durante a investigação e o processo criminal, salvo se houver
decisão judicial em contrário;
- Não ter sua identidade revelada, nem ser fotografado ou filmado pelos meios de
comunicação, sem sua prévia autorização por escrito.

Art. 14. São direitos do agente:


I - Recusar ou fazer cessar a atuação infiltrada;
II - Ter sua identidade alterada, aplicando-se, no que couber, o
disposto no art. 9º da Lei nº 9.807, de 13 de julho de 1999, bem como
usufruir das medidas de proteção a testemunhas;
III - Ter seu nome, sua qualificação, sua imagem, sua voz e demais
informações pessoais preservadas durante a investigação e o
processo criminal, salvo se houver decisão judicial em contrário;
IV - Não ter sua identidade revelada, nem ser fotografado ou filmado
pelos meios de comunicação, sem sua prévia autorização por escrito.

COLABORAÇÃO PREMIADA
O instituto da colaboração premida foi completamente modificado com a Lei nº 13.964 de
2019.
Na previsão normativa da Lei 12.850/2013 (Art.3º-A), a colaboração premiada tem a
natureza jurídica de meio especial de obtenção de prova, materializado em um “acordo”
reduzido a “termo” para a devida homologação judicial. A colaboração é um “negócio jurídico
processual” (Afrânio Silva Jardim) voltado para obtenção de prova, e não um meio de prova
propriamente dito.
Para parte da doutrina, colaboração premiada é diferente de delação premiada.
Colaboração é gênero, e essa colaboração pode vir de algumas formas, dentre elas, por meio da
delação premiada.

MUDE SUA VIDA!


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Delatar é uma forma de colaborar, mas nem sempre a colaboração advém de uma delação.
Isto porque, como bem observa Renato Brasileiro: O imputado, no curso da persecutio criminis,
pode assumir a culpa sem incriminar terceiros, fornecendo, por exemplo, informações acerca da
localização do produto do crime, caso que é tido como mero colaborador.
A delação premiada pressupõe delação de comparsas:
A participação na colaboração significa confissão e colaboração.
Quando o indivíduo colabora ele opta pelo não exercício ao direito ao silêncio.
Art. 3º-A. O acordo de colaboração premiada é negócio jurídico
processual e meio de obtenção de prova, que pressupõe utilidade e
interesse públicos. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)

O INÍCIO DAS NEGOCIAÇÕES


O recebimento da proposta para formalização de acordo de colaboração demarca o início
das negociações e constitui também marco de confidencialidade, configurando violação de
sigilo e quebra da confiança e da boa-fé a divulgação de tais tratativas iniciais ou de documento
que as formalize, até o levantamento de sigilo por decisão judicial.
Configura violação de sigilo e quebra da confiança e da boa-fé a
divulgação de tais tratativas iniciais ou de documento que as formalize, até
o levantamento de sigilo por decisão judicial.

Art. 3º-B. O recebimento da proposta para formalização de acordo


de colaboração demarca o início das negociações e constitui também
marco de confidencialidade, configurando violação de sigilo e quebra
da confiança e da boa-fé a divulgação de tais tratativas iniciais ou de
documento que as formalize, até o levantamento de sigilo por decisão
judicial.

§ 1º A proposta de acordo de colaboração premiada poderá ser


sumariamente indeferida, com a devida justificativa, cientificando-se
o interessado.

TERMO DE CONFIDENCIALIDADE
Observe que, antes de dar prosseguimento ao acordo, as partes deverão firmar termo de
confidencialidade.
Caso não haja indeferimento sumário, e prosseguimento do acordo, as partes deverão
firmar Termo de Confidencialidade para prosseguimento das tratativas, o que vinculará os
órgãos envolvidos na negociação e impedirá o indeferimento posterior sem justa causa.
§ 2º Caso não haja indeferimento sumário, as partes deverão firmar
Termo de Confidencialidade para prosseguimento das tratativas, o
que vinculará os órgãos envolvidos na negociação e impedirá o
indeferimento posterior sem justa causa.

§ 3º O recebimento de proposta de colaboração para análise ou o


Termo de Confidencialidade não implica, por si só, a suspensão da
investigação, ressalvado acordo em contrário quanto à propositura
de medidas processuais penais cautelares e assecuratórias, bem
como medidas processuais cíveis admitidas pela legislação
processual civil em vigor.

MUDE SUA VIDA!


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O recebimento de proposta de colaboração para análise ou o Termo de


Confidencialidade não implica, por si só, a suspensão da investigação,
ressalvado acordo em contrário quanto à propositura de medidas
processuais penais cautelares e assecuratórias, bem como medidas
processuais cíveis admitidas pela legislação processual civil em vigor.

INSTRUÇÃO
O acordo de colaboração premiada poderá ser precedido de instrução, quando houver
necessidade de identificação ou complementação de seu objeto, dos fatos narrados, sua
definição jurídica, relevância, utilidade e interesse público.

§ 4º O acordo de colaboração premiada poderá ser precedido de


instrução, quando houver necessidade de identificação ou
complementação de seu objeto, dos fatos narrados, sua definição
jurídica, relevância, utilidade e interesse público.

§ 5º Os termos de recebimento de proposta de colaboração e de


confidencialidade serão elaborados pelo celebrante e assinados por
ele, pelo colaborador e pelo advogado ou defensor público com
poderes específicos.

ACORDO NÃO REALIZADO PELO CELEBRANTE


Acordo não celebrado por iniciativa do celebrante (não é o colaborador!). Celebrante é o
MP ou o Delegado.
Nesse caso, ele não poderá se valer de nenhuma informação ou provas apresentadas pelo
colaborador.
§ 6º Na hipótese de não ser celebrado o acordo por iniciativa do
celebrante, esse não poderá se valer de nenhuma das informações
ou provas apresentadas pelo colaborador, de boa-fé, para qualquer
outra finalidade.

PROCURAÇÃO E PRESENÇA OBRIGATÓRIA DO ADVOGADO DO


DEFENSOR
Art. 3º-C. A proposta de colaboração premiada deve estar instruída
com procuração do interessado com poderes específicos para
iniciar o procedimento de colaboração e suas tratativas, ou firmada
pessoalmente pela parte que pretende a colaboração e seu advogado
ou defensor público.

§ 1º Nenhuma tratativa sobre colaboração premiada deve ser


realizada sem a presença de advogado constituído ou defensor
público.
§ 2º Em caso de eventual conflito de interesses, ou de colaborador
hipossuficiente, o celebrante deverá solicitar a presença de outro
advogado ou a participação de defensor público.

MUDE SUA VIDA!


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§ 3º No acordo de colaboração premiada, o colaborador deve narrar


todos os fatos ilícitos para os quais concorreu e que tenham
relação direta com os fatos investigados.

§ 4º Incumbe à defesa instruir a proposta de colaboração e os anexos


com os fatos adequadamente descritos, com todas as suas
circunstâncias, indicando as provas e os elementos de corroboração.

Anexo é a segmentação a respeito dos fatos. Anexo descreve a individualização das


condutas ou das pessoas. É a subdivisão dos fatos organizados de acordo com cada pessoa.

AS PARTES NO ACORDO

Legitimidade para a celebração do acordo:


Delegado – Nos autos do inquérito (com manifestação do MP);
Ministério Público – A qualquer tempo.

Juiz pode agir de ofício?


Não. Apenas homologa.

O juiz concede a requerimento das partes:


Concessão do PERDÃO JUDICIAL;
REDUÇÃO EM ATÉ 2/3 da pena privativa de liberdade;
SUBSTITUIÇÃO da pena restritiva de liberdade por pena restritiva de direitos.

§ 1º EM QUALQUER CASO, A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO LEVARÁ EM ESSES BENEFÍCIOS PODEM SER CONCEDIDOS
CONTA A PERSONALIDADE DO COLABORADOR, A NATUREZA, AS NÃO APENAS AO CRIME DE ORGANIZAÇÕES
CIRCUNSTÂNCIAS, A GRAVIDADE E A REPERCUSSÃO SOCIAL DO CRIMINOSAS BEM COMO AOS CRIMES
FATO CRIMINOSO E A EFICÁCIA DA COLABORAÇÃO. COMETIDOS POR ELA.

Art. 4º O juiz poderá, a requerimento das partes, conceder o perdão


judicial, reduzir em até 2/3 a pena privativa de liberdade ou
substituí-la por restritiva de direitos daquele que tenha
colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e com o
processo criminal, desde que dessa colaboração advenha um ou mais
dos seguintes resultados:

I - a identificação dos demais coautores e partícipes da organização


criminosa e das infrações penais por eles praticadas;

II - a revelação da estrutura hierárquica e da divisão de tarefas da


organização criminosa;

III - a prevenção de infrações penais decorrentes das atividades da


organização criminosa;

MUDE SUA VIDA!


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IV - a recuperação total ou parcial do produto ou do proveito das


infrações penais praticadas pela organização criminosa;

V - a localização de eventual vítima com a sua integridade física


preservada.

Deve ser VOLUNTÁRIA e EFETIVA


Espontaneidade não é condição sine qua non para a aplicação dos
prêmios legais inerentes à colaboração premiada.

Para conseguir os benefícios da colaboração premiada, devem existir os seguintes


resultados:

A IDENTIFICAÇÃO DOS DEMAIS COAUTORES E PARTÍCIPES DA ORGANIZAÇÃO


CRIMINOSA E DAS INFRAÇÕES PENAIS POR ELES PRATICADAS;
Para fins de concessão dos prêmios legais, as informações devem se referir ao
crime investigado (ou processado) para o qual o colaborador também tenha
concorrido, ou seja, o colaborador deve fazer parte da organização sobre a qual
ele presta informações.

A REVELAÇÃO DA ESTRUTURA HIERÁRQUICA E DA DIVISÃO DE TAREFAS DA


ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA;

A PREVENÇÃO DE INFRAÇÕES PENAIS DECORRENTES DAS ATIVIDADES DA


ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA;

A RECUPERAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DO PRODUTO OU DO PROVEITO DAS


INFRAÇÕES PENAIS PRATICADAS PELA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA;

A LOCALIZAÇÃO DE EVENTUAL VÍTIMA COM A SUA INTEGRIDADE FÍSICA


PRESERVADA.

Levam-se em conta os resultados obtidos por meio da colaboração premiada do agente


delator para mensurar o grau de relevância da sua contribuição para efeito de aplicar um dos 3
benefícios legais fixados, QUE NÃO SÃO CUMULATIVOS.

Juiz, para aplicar os benefícios observa:


- personalidade;
- natureza e circunstâncias dos crimes praticados;
- repercussão social do fato;
- eficácia da colaboração.

§ 1º Em qualquer caso, a concessão do benefício levará em conta a


personalidade do colaborador, a natureza, as circunstâncias, a
gravidade e a repercussão social do fato criminoso e a eficácia da
colaboração.

MUDE SUA VIDA!


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CONCESSÃO DO PERDÃO JUDICIAL


Considerando a relevância da colaboração prestada, o Ministério Público, a qualquer
tempo, e o delegado de polícia, nos autos do inquérito policial, com a manifestação do
Ministério Público, poderão requerer ou representar ao juiz pela concessão de perdão
judicial ao colaborador, ainda que esse benefício não tenha sido previsto na proposta
inicial, aplicando-se, no que couber, o Art. 28 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941
(Código de Processo Penal).

§ 2º Considerando a relevância da colaboração prestada, o


Ministério Público, a qualquer tempo, e o delegado de polícia, nos
autos do inquérito policial, com a manifestação do Ministério
Público, poderão requerer ou representar ao juiz pela concessão de
perdão judicial ao colaborador, ainda que esse benefício não tenha
sido previsto na proposta inicial, aplicando-se, no que couber, o art.
28 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de
Processo Penal).

Podem requerer ou representar o PERDÃO JUDICIAL (ainda que esse benefício não tenha
sido previsto na proposta inicial):
MP: a qualquer tempo.
Delegado: Inquérito (com a manifestação do Ministério Público).

§ 12. Ainda que beneficiado por perdão judicial ou não denunciado, o


colaborador poderá ser ouvido em juízo a requerimento das partes ou por iniciativa
da autoridade judicial.

SUSPENSÃO DO PRAZO PARA DENÚNCIA


O prazo para oferecimento de denúncia ou o processo, relativos ao colaborador,
poderá ser suspenso por ATÉ 6 MESES, PRORROGÁVEIS POR IGUAL PERÍODO, até que sejam
cumpridas as medidas de colaboração, suspendendo-se o respectivo prazo prescricional.
§ 3º O prazo para oferecimento de denúncia ou o processo, relativos
ao colaborador, poderá ser suspenso por ATÉ 6 MESES,
PRORROGÁVEIS POR IGUAL PERÍODO, até que sejam cumpridas as
medidas de colaboração, suspendendo-se o respectivo prazo
prescricional.

Exceção ao princípio da obrigatoriedade e da indisponibilidade da ação penal pública.

MUDE SUA VIDA!


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DEIXAR DE OFERECER A DENÚNCIA

§ 4º Nas mesmas hipóteses do caput deste artigo, o Ministério Público


poderá deixar de oferecer denúncia se a proposta de acordo de
colaboração referir-se a infração de cuja existência não tenha prévio
conhecimento e o colaborador:

I - não for o líder da organização criminosa;

II - for o primeiro a prestar efetiva colaboração nos termos deste


artigo.

Foi incluído com as modificações do Pacote Anticrime mais um requisito para que o MP
possa não oferecer renúncia.
Nas mesmas hipóteses do caput do Art. 4º, o Ministério Público poderá deixar de
oferecer denúncia se a proposta de acordo de colaboração referir-se a infração de cuja
existência não tenha prévio conhecimento e o colaborador:
- não for o líder da organização criminosa;
- for o primeiro a prestar efetiva colaboração nos termos deste artigo.
Art. 4º O juiz poderá, a requerimento das partes, conceder o perdão judicial, reduzir em até 2/3
(dois terços) a pena privativa de liberdade ou substituí-la por restritiva de direitos daquele que tenha
colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e com o processo criminal, desde que dessa
colaboração advenha um ou mais dos seguintes resultados:
I - a identificação dos demais coautores e partícipes da organização criminosa e das infrações
penais por eles praticadas;
II - a revelação da estrutura hierárquica e da divisão de tarefas da organização criminosa;
III - a prevenção de infrações penais decorrentes das atividades da organização criminosa;
IV - a recuperação total ou parcial do produto ou do proveito das infrações penais praticadas pela
organização criminosa;
V - a localização de eventual vítima com a sua integridade física preservada.

Convém perceber que agora o MP não pode ter conhecimento prévio de infração de que o acordo
de colaboração trata. Ou seja, além do agente não ter sido o chefe (líder) e que tenha sido o primeiro a
colaborar, o MP não pode saber do fato.
Será que MP não pode fingir que já sabe para que possa negar a possibilidade de deixar de oferecer
a denúncia? A própria lei explica como é que “o Estado sabe”.
Considera-se existente o conhecimento prévio da infração quando o Ministério Público ou
a autoridade policial competente tenha instaurado inquérito ou procedimento investigatório
para apuração dos fatos apresentados pelo colaborador.
Em resumo, se o Estado já sabe do que o colaborador disse, o MP não pode deixar de oferecer a
denúncia se ele não for o líder e se ele for o primeiro.
Se o Estado não sabe das informações do colaborador, o MP pode deixar de oferecer a denúncia
se ele não for o líder e se ele for o primeiro.

§ 4º-A. Considera-se existente o conhecimento prévio da infração


quando o Ministério Público ou a autoridade policial competente
tenha instaurado inquérito ou procedimento investigatório para
apuração dos fatos apresentados pelo colaborador.
§ 12. Ainda que beneficiado por perdão judicial ou não denunciado, o colaborador
poderá ser ouvido em juízo a requerimento das partes ou por iniciativa da autoridade judicial.

MUDE SUA VIDA!


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COLABORAÇÃO POSTERIOR À SENTENÇA


§ 5º Se a colaboração for posterior à sentença, a pena poderá ser
reduzida até a metade ou será admitida a progressão de regime
ainda que ausentes os requisitos objetivos.

Pena reduzida até a metade.


Admissão da progressão de regime ainda que ausentes os requisitos objetivos.

O ACORDO DE COLABORAÇÃO
Partes do acordo:

JUIZ NÃO PARTICIPA DO


COLABORADOR MP ACORDO DE COLABORAÇÃO

DEFENSOR DELEGADO JUIZ APENAS HOMOLOGA E


VERIFICA OS REQUISITOS.

O juiz não participará das negociações realizadas entre as partes para a formalização
do acordo de colaboração, que ocorrerá entre o delegado de polícia, o investigado e o defensor,
com a manifestação do Ministério Público, ou, conforme o caso, entre o Ministério Público e o
investigado ou acusado e seu defensor.

§ 6º O juiz não participará das negociações realizadas entre as


partes para a formalização do acordo de colaboração, que ocorrerá
entre o delegado de polícia, o investigado e o defensor, com a
manifestação do Ministério Público, ou, conforme o caso, entre o
Ministério Público e o investigado ou acusado e seu defensor.

HOMOLOGAÇÃO DO ACORDO PELO JUIZ


O pedido de homologação do acordo será sigilosamente distribuído, contendo
apenas informações que não possam identificar o colaborador e o seu objeto.

As informações pormenorizadas da colaboração serão dirigidas diretamente ao juiz a


que recair a distribuição, que DECIDIRÁ NO PRAZO DE 48 (QUARENTA E OITO)
HORAS.

O acesso aos autos será restrito ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado de


polícia, como forma de garantir o êxito das investigações, assegurando-se ao
defensor, no interesse do representado, amplo acesso aos elementos de prova que
digam respeito ao exercício do direito de defesa, devidamente precedido de
autorização judicial, ressalvados os referentes às diligências em andamento.
Acesso aos autos restrito ao MP, JUIZ e DELEGADO.
Advogado terá acesso – APÓS AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (não terá acesso a
diligências em andamento).

MUDE SUA VIDA!


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Realizado o acordo na forma do § 6º, serão remetidos ao juiz, para análise, o respectivo
termo, as declarações do colaborador e cópia da investigação, devendo o juiz ouvir
sigilosamente o colaborador, acompanhado de seu defensor, oportunidade em que analisará
os seguintes aspectos na homologação:

1. Após realização do acordo


2. Encaminhar para análise do juiz:
- o termo;
- as declarações do colaborador;
- a cópia da investigação.
3. Juiz deve ouvir sigilosamente o colaborador (acompanhado de seu defensor)
4. Juiz analisará os seguintes aspectos na homologação:
Regularidade e legalidade;
Adequação dos benefícios pactuados àqueles previstos no caput e nos §§ 4º e 5º
deste artigo, sendo nulas as cláusulas que violem o critério de definição do regime
inicial de cumprimento de pena do Art. 33 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de
dezembro de 1940 (Código Penal), as regras de cada um dos regimes previstos
no Código Penal e na Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal)
e os requisitos de progressão de regime não abrangidos pelo § 5º deste artigo.
Adequação dos resultados da colaboração aos resultados mínimos exigidos nos
incisos I, II, III, IV e V do caput deste artigo.
Voluntariedade da manifestação de vontade, especialmente nos casos em que o
colaborador está ou esteve sob efeito de medidas cautelares.

§ 7º Realizado o acordo na forma do § 6º deste artigo, serão


remetidos ao juiz, para análise, o respectivo termo, as declarações
do colaborador e cópia da investigação, devendo o juiz ouvir
sigilosamente o colaborador, acompanhado de seu defensor,
oportunidade em que analisará os seguintes aspectos na
homologação:

I - regularidade e legalidade;

II - adequação dos benefícios pactuados àqueles previstos no caput e


nos §§ 4º e 5º deste artigo, sendo nulas as cláusulas que violem o
critério de definição do regime inicial de cumprimento de pena do
art. 33 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código
Penal), as regras de cada um dos regimes previstos no Código Penal
e na Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal) e os
requisitos de progressão de regime não abrangidos pelo § 5º deste
artigo;

III - adequação dos resultados da colaboração aos resultados


mínimos exigidos nos incisos I, II, III, IV e V do caput deste artigo;

IV - Voluntariedade da manifestação de vontade, especialmente nos


casos em que o colaborador está ou esteve sob efeito de medidas
cautelares.

MUDE SUA VIDA!


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§ 7º- A O juiz ou o tribunal deve proceder à análise fundamentada do


mérito da denúncia, do perdão judicial e das primeiras etapas de
aplicação da pena, nos termos do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de
dezembro de 1940 (Código Penal) e do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de
outubro de 1941 (Código de Processo Penal), antes de conceder os
benefícios pactuados, exceto quando o acordo prever o não
oferecimento da denúncia na forma dos §§ 4º e 4º-A deste artigo ou
já tiver sido proferida sentença.

§ 7º-B. São nulas de pleno direito as previsões de renúncia ao direito


de impugnar a decisão homologatória.

JUIZ RECUSANDO HOMOLOGAÇÃO


§ 8º O juiz poderá recusar a homologação da proposta que não
atender aos requisitos legais, devolvendo-a às partes para as
adequações necessárias.
O juiz poderá recusar a homologação da proposta que não atender aos requisitos legais,
devolvendo-a às partes para as adequações necessárias.

§ 9º Depois de homologado o acordo, o colaborador poderá, sempre


acompanhado pelo seu defensor, ser ouvido pelo membro do
Ministério Público ou pelo delegado de polícia responsável pelas
investigações.

RETRATAÇÃO DA PROPOSTA
§ 10. As partes podem retratar-se da proposta, caso em que as provas
autoincriminatórias produzidas pelo colaborador não poderão ser
utilizadas exclusivamente em seu desfavor.

RÉU DELATADO – OPORTUNIDADE DE MANIFESTAÇÃO


§ 10-A Em todas as fases do processo, deve-se garantir ao réu
delatado a oportunidade de manifestar-se após o decurso do prazo
concedido ao réu que o delatou.
Fiquem atentos a essa novidade!

§ 11. A sentença apreciará os termos do acordo homologado e sua


eficácia.

§ 12. Ainda que beneficiado por perdão judicial ou não denunciado,


o colaborador poderá ser ouvido em juízo a requerimento das partes
ou por iniciativa da autoridade judicial.

MUDE SUA VIDA!


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REGISTRO DOS ATOS DE COLABORAÇÃO


O registro das tratativas e dos atos de colaboração deverá ser feito pelos meios ou
recursos de gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica similar, inclusive audiovisual,
destinados a obter maior fidelidade das informações, garantindo-se a disponibilização de cópia
do material ao colaborador.
§ 13. O registro das tratativas e dos atos de colaboração deverá ser
feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia,
digital ou técnica similar, inclusive audiovisual, destinados a obter
maior fidelidade das informações, garantindo-se a disponibilização
de cópia do material ao colaborador.

RENÚNCIA AO DIREITO AO SILÊNCIO


§ 14. Nos depoimentos que prestar, o colaborador renunciará, na
presença de seu defensor, ao direito ao silêncio e estará sujeito ao
compromisso legal de dizer a verdade.
O colaborador opta pelo não exercício do direito ao silêncio, na medida em que direitos
fundamentais são inalienáveis.
O colaborador não responde por falso testemunho porque não é testemunha.

Art. 19. Imputar falsamente, sob pretexto de colaboração com a Justiça, a


prática de infração penal a pessoa que sabe ser inocente, ou revelar informações
sobre a estrutura de organização criminosa que sabe inverídicas:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

§ 15. Em todos os atos de negociação, confirmação e execução da


colaboração, o colaborador deverá estar assistido por defensor.

VEDAÇÃO A MEDIDAS DECORRENTES APENAS DE DECLARAÇÕES DO


COLABORADOR
§ 16. Nenhuma das seguintes medidas será decretada ou proferida
com fundamento apenas nas declarações do colaborador:
I - medidas cautelares reais ou pessoais;
II - recebimento de denúncia ou queixa-crime
III - sentença condenatória.
Nenhuma das seguintes medidas será decretada ou proferida com fundamento apenas
nas declarações do colaborador:
- medidas cautelares reais ou pessoais;
- recebimento de denúncia ou queixa-crime
- sentença condenatória.

RESCISÃO DO ACORDO DE COLABORAÇÃO


§ 17. O acordo homologado poderá ser rescindido em caso de
omissão dolosa sobre os fatos objeto da colaboração.
§ 18. O acordo de colaboração premiada pressupõe que o
colaborador cesse o envolvimento em conduta ilícita relacionada ao
objeto da colaboração, sob pena de rescisão.

MUDE SUA VIDA!


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DIREITOS DO COLABORADOR

Art. 5º São direitos do colaborador:

I - usufruir das medidas de proteção previstas na legislação


específica;

II - ter nome, qualificação, imagem e demais informações pessoais


preservados;

III - ser conduzido, em juízo, separadamente dos demais coautores e


partícipes;

IV - participar das audiências sem contato visual com os outros


acusados;

V - não ter sua identidade revelada pelos meios de comunicação, nem


ser fotografado ou filmado, sem sua prévia autorização por escrito;

VI - cumprir pena ou prisão cautelar em estabelecimento penal


diverso dos demais corréus ou condenados.

- usufruir das medidas de proteção previstas na legislação específica;

- ter nome, qualificação, imagem e demais informações pessoais preservados;

- ser conduzido, em juízo, separadamente dos demais coautores e partícipes;

- participar das audiências sem contato visual com os outros acusados;

- não ter sua identidade revelada pelos meios de comunicação, nem ser fotografado ou
filmado, sem sua prévia autorização por escrito;

- cumprir pena ou prisão cautelar em estabelecimento penal diverso dos demais


corréus ou condenados.

O TERMO DE ACORDO DE COLABORAÇÃO


Art. 6º O termo de acordo da colaboração premiada deverá ser feito
por escrito e conter:

I - o relato da colaboração e seus possíveis resultados;

II - as condições da proposta do Ministério Público ou do delegado de


polícia;

III - a declaração de aceitação do colaborador e de seu defensor;

IV - as assinaturas do representante do Ministério Público ou do


delegado de polícia, do colaborador e de seu defensor;

V - a especificação das medidas de proteção ao colaborador e à sua


família, quando necessário.

MUDE SUA VIDA!


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FIM DO SIGILO DO ACORDO


O acordo de colaboração premiada deixa de ser sigiloso assim que recebida a denúncia,
observado o disposto no Art. 5º (Direitos do colaborador)

§ 3º O acordo de colaboração premiada deixa de ser sigiloso assim


que recebida a denúncia, observado o disposto no art. 5º.

§ 3º O acordo de colaboração premiada e os depoimentos do


colaborador serão mantidos em sigilo até o recebimento da denúncia
ou da queixa-crime, sendo vedado ao magistrado decidir por sua
publicidade em qualquer hipótese.

DO ACESSO A REGISTROS, DADOS CADASTRAIS,


DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES

Art. 15. O delegado de polícia e o Ministério Público terão acesso,


independentemente de autorização judicial, apenas aos dados
cadastrais do investigado que informem exclusivamente a
qualificação pessoal, a filiação e o endereço mantidos pela Justiça
Eleitoral, empresas telefônicas, instituições financeiras, provedores
de internet e administradoras de cartão de crédito.

Art. 16. As empresas de transporte possibilitarão, pelo prazo de 5


(cinco) anos, acesso direto e permanente do juiz, do Ministério
Público ou do delegado de polícia aos bancos de dados de reservas e
registro de viagens.

Art. 17. As concessionárias de telefonia fixa ou móvel manterão, pelo


prazo de 5 (cinco) anos, à disposição das autoridades mencionadas
no art. 15, registros de identificação dos números dos terminais de
origem e de destino das ligações telefônicas internacionais,
interurbanas e locais.

Delegado
Ministério Público

Terão acesso a: (SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL)

Apenas aos dados cadastrais do investigado que informem exclusivamente a:


Qualificação pessoal
Filiação
Endereço

MUDE SUA VIDA!


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De quais empresas?
Justiça Eleitoral
Empresas telefônicas
Instituições financeiras
Provedores de internet
Administradoras de cartão de crédito.

As empresas de transporte possibilitarão, pelo prazo de 5 anos, acesso direto e


permanente do juiz, do Ministério Público ou do delegado de polícia aos bancos de
dados de reservas e registro de viagens.
As concessionárias de telefonia fixa ou móvel manterão, pelo prazo de 5 (cinco) anos,
à disposição das autoridades mencionadas no Art. 15, registros de identificação dos
números dos terminais de origem e de destino das ligações telefônicas
internacionais, interurbanas e locais.

DOS CRIMES OCORRIDOS NA INVESTIGAÇÃO E NA


OBTENÇÃO DA PROVA

Art. 18. Revelar a identidade, fotografar ou filmar o colaborador, sem sua


prévia autorização por escrito:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

Art. 19. Imputar falsamente, sob pretexto de colaboração com a Justiça, a


prática de infração penal a pessoa que sabe ser inocente, ou revelar informações
sobre a estrutura de organização criminosa que sabe inverídicas:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Art. 20. Descumprir determinação de sigilo das investigações que envolvam a


ação controlada e a infiltração de agentes:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Art. 21. Recusar ou omitir dados cadastrais, registros, documentos e


informações requisitadas pelo juiz, Ministério Público ou delegado de polícia, no curso
de investigação ou do processo:
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem, de forma indevida, se apossa,
propala, divulga ou faz uso dos dados cadastrais de que trata esta Lei.

MUDE SUA VIDA!


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DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 22. Os crimes previstos nesta Lei e as infrações penais conexas serão apurados mediante
procedimento ordinário previsto no Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de
Processo Penal), observado o disposto no parágrafo único deste artigo.
PRAZO PARA ENCERRAMENTO DA INSTRUÇÃO CRIMINAL
Parágrafo único. A instrução criminal deverá ser encerrada em prazo razoável, o qual não
poderá exceder a 120 (cento e vinte) dias quando o réu estiver preso, prorrogáveis em até
igual período, por decisão fundamentada, devidamente motivada pela complexidade da
causa ou por fato procrastinatório atribuível ao réu.
SIGILO DA INVESTIGAÇÃO E AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA ACESSO
DO ADVOGADO
O sigilo da investigação poderá ser decretado pela autoridade judicial competente, para
garantia da celeridade e da eficácia das diligências investigatórias, assegurando-se ao
defensor, no interesse do representado, amplo acesso aos elementos de prova que digam
respeito ao exercício do direito de defesa, DEVIDAMENTE PRECEDIDO DE AUTORIZAÇÃO
JUDICIAL, ressalvados os referentes às diligências em andamento.

Art. 23. O sigilo da investigação poderá ser decretado pela


autoridade judicial competente, para garantia da celeridade e
da eficácia das diligências investigatórias, assegurando-se ao
defensor, no interesse do representado, amplo acesso aos elementos
de prova que digam respeito ao exercício do direito de defesa,
DEVIDAMENTE PRECEDIDO DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL,
ressalvados os referentes às diligências em andamento.

ACESSO AOS AUTOS PELO ADVOGADO ANTES DO DEPOIMENTO DO


INVESTIGADO
Parágrafo único. Determinado o depoimento do investigado, seu
defensor terá assegurada a prévia vista dos autos, ainda que
classificados como sigilosos, no prazo mínimo de 3 (três) dias que
antecedem ao ato, podendo ser ampliado, a critério da autoridade
responsável pela investigação.

MUDE SUA VIDA!


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LEI Nº 9.296 – LEI DE INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA


Antes da Constituição Federal de 1988 não havia uma sistematização quanto às
interceptações telefônicas. Brasil precisava de uma legislação para conciliar o direito à
intimidade (individual) com o direito do Estado de produzir provas.
A lei das interceptações telefônicas surgiu para regulamentar uma norma de eficácia
limitada da Constituição Federal de 1988, presente no Art. 5º. XII.
Houve muita discussão pós-constituição de 1988 acerca da validade das interceptações
ocorridas previamente a publicação da Lei 9.296/96.

Prova Ilícita: escuta telefônica mediante autorização judicial: afirmação pela


maioria da exigência de lei, até agora não editada, para que, nas hipóteses e na
forma’ por ela estabelecidas, possa o juiz, nos termos do art. 5º, XII, da Constituição,
autorizar a interceptação de comunicação telefônica para fins de investigação
criminal; não obstante, indeferimento inicial do habeas corpus pela soma dos votos,
no total de seis, que, ou recusaram a tese da contaminação das provas decorrentes
da escuta telefônica, indevidamente autorizada, ou entenderam ser impossível, na
via processual do habeas corpus, verificar a existência de provas livres da
contaminação e suficientes a sustentar a condenação questionada; à falta de lei que,
nos termos constitucionais, venha a discipliná-la e viabilizá-la – contaminou, no caso,
as demais provas, todas oriundas, direta ou indiretamente, das informações obtidas
na escuta (fruits of the poisonous tree), nas quais se fundou a condenação do
paciente.
(STF, HC 69.912-RS)

Neste sentido é que o STF decidiu que o Congresso Nacional deveria editar nova Lei que
efetivamente regulamentasse o Art. 5º, inciso XII da CF/88.
No ano de 1996, portanto, foi editada a Lei 9.296, vigente até hoje, a qual regulamentou
especificamente tal artigo constitucional. E disso se obteve um resultado prático importante,
ou seja, antes da Edição de tal lei simplesmente não foram consideradas legais todas as
interceptações utilizadas como prova nos processos penais em trâmite, em face do princípio
norte-americano fruits of the poisonous tree.

Interceptação telefônica. Prova ilícita. Autorização judicial deferida


anteriormente à Lei 9.296/1996, que regulamentou o inciso XII do art. 5º da CF.
Nulidade da ação penal, por fundar-se exclusivamente em conversas obtidas
mediante quebra dos sigilos telefônicos dos pacientes.
HC 81.154, Segunda Turma, DJ de 19-12-2001.
HC 74.116, Segunda Turma, DJ de 14-3-1997.

NATUREZA JURÍDICA
A natureza jurídica da interceptação telefônica pode possuir os seguintes conceitos:
Medida Cautelar Preparatória quando decretada na fase de investigação, ou Medida Cautelar
Incidental, quando decretada na fase do processo.

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REQUISITOS CONSTITUCIONAIS DA INTERCEPTAÇÃO


TELEFÔNICA
A lei de intercepção telefônica tem seu fundamento no Art. 5º, XII, da Constituição Federal.
Vejamos:
Art. 5º. XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das
comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas,
salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma
que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou
instrução processual penal.
Trata-se de uma garantia do sigilo das comunicações a qual será excepcionada para fins
específicos, para investigação criminal ou instrução processual penal, por ordem judicial
(cláusula de reserva de jurisdição).
Requisitos:
Lei Regulamentadora: Lei 9.296/96;
Finalidade Criminal da prova;
Existência de uma ordem judicial.

ABRANGÊNCIA E OBJETO DA LEI


Não devemos confundir interceptação, com escuta telefônica, nem tampouco com
gravação telefônica. Na verdade, existem 6 espécies de captações de conversas e veremos a
quais delas aplicam-se a Lei 9.296/96.
Interceptação: ocorre sem o conhecimento dos interlocutores, ou seja, nenhum deles
tem consciência de que o conteúdo da comunicação está sendo captado por um
terceiro.

Escuta: existe a figura do terceiro que não está na conversa, mas capta o diálogo, porém
sua existência é de conhecimento de um dos interlocutores.

Gravação: é a captação realizada diretamente por um dos interlocutores, ou seja, não


existe a figura do terceiro.

CAPTAÇÕES DE CONVERSAS TELEFÔNICAS


Interceptação Telefônica (em sentido estrito)
Escuta Telefônica
Gravação Telefônica

Captações Ambientais
Interceptação Ambiental
Escuta Ambiental
Gravação Ambiental

MUDE SUA VIDA!


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EM QUAIS DESSAS SITUAÇÕES A LEI DE INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA SE


APLICA?
Segundo Doutrinador Silvio Maciel, apenas a INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA
e a ESCUTA TELEFÔNICA se submetem à Lei 9.296/96, pois são as situações em
que há a figura de um terceiro estranho na conversa e há uma conversa telefônica.

Interceptação Telefônica (em sentido estrito)


Escuta Telefônica

Interceptação Ambiental
Escuta Ambiental

A Lei nº 13.964, de 2019, conhecida como Pacote Anticrime, atualizou a Lei das
Interceptações telefônicas ao acrescentar os artigos, acrescida dos artigos 8º-A e 10-
A, dispondo acerca da POSSIBILIDADE DE CAPTAÇÃO AMBIENTAL DE SINAIS
ELETROMAGNÉTICOS, ÓPTICOS OU ACÚSTICOS.

Qual a consequência prática da jurisprudência que determina a aplicação da Lei nº.


9.296/1996 a interceptação e escuta telefônica e não se aplica às outras?

A consequência é que somente nessas duas situações (a


INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA interceptação e escuta telefônica) é necessário:
ESCUTA TELEFÔNICA 1. ORDEM JUDICIAL.
INTERCEPTAÇÃO AMBIENTAL 2. A PROVA SÓ PODE SER CRIMINAL.
ESCUTA AMBIENTAL

Gravação Telefônica 1. Não se submetem ao regime da lei de interceptação


Gravação Ambiental 2. Não é necessária ordem judicial
3. A prova pode ser admitida em processo não criminais.

Já sabemos quais são as modalidades de captação que a Lei nº 9.296 é aplicada.


Agora vamos conceituá-las.

MUDE SUA VIDA!


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CONCEITO DE INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA, ESCUTA TELEFÔNICA E


GRAVAÇÃO CLANDESTINA

É a captação de comunicação telefônica feita por um terceiro, sem o consentimento de


qualquer dos interlocutores. Há a figura do interceptador que capta o fluxo da comunicação
entre duas pessoas estranhas a ele. Também se chama vulgarmente como ”grampeamento”.
Assim, a interceptação telefônica pode ser definida como a captação de conversa feita por
um terceiro, sem o conhecimento dos interlocutores, que depende de ordem judicial, nos
termos do inciso XII do Art. 5º da CF, regulamentado pela Lei nº. 9.296/1996.
A ausência de autorização judicial para captação da conversa macula a validade do
material como prova para processo penal.

Informativo no 0510/STJ – Quinta Turma.


Não é válida a interceptação telefônica realizada sem prévia
autorização judicial, ainda que haja posterior consentimento de um dos
interlocutores para ser tratada como escuta telefônica e utilizada como
prova em processo penal.
A interceptação telefônica é a captação de conversa feita por um terceiro,
sem o conhecimento dos interlocutores, que depende de ordem judicial, nos termos
do inciso XII do Art. 5º da CF, regulamentado pela Lei n. 9.296/1996.
A ausência de autorização judicial para captação da conversa macula a validade
do material como prova para processo penal.
A escuta telefônica é a captação de conversa feita por um terceiro, com o
conhecimento de apenas um dos interlocutores.
A gravação telefônica é feita por um dos interlocutores do diálogo, sem o
consentimento ou a ciência do outro.
Precedente citado: EDcl no HC 130.429-CE, DJe 17/5/2010. HC
161.053-SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 27/11/2012.

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Consentimento “viciado” ou coercitivo:


No caso de consentimento viciado, envolvendo suposto consentimento de um suspeito e
gravação de conversas telefônicas por viva voz, o STJ entendeu que o consentimento não foi
válido e declarou a ilicitude da prova.

(...) quando não houver consentimento do investigado ou autorização judicial,


são consideradas ilícitas as provas obtidas pela polícia por meio de conversas
realizadas entre ele e outras pessoas pelo sistema de viva-voz de telefones. (...)
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, policiais militares da
cidade de Campos dos Goytacazes (RJ) realizavam patrulhamento quando
perceberam nervosismo em dois homens que trafegavam em uma motocicleta e
resolveram abordá-los. Nada foi encontrado na revista; todavia, após um dos
suspeitos receber uma ligação de sua mãe – e ter sido compelido pelos policiais a
colocar o celular no modo vivavoz –, na qual ela pedia que o filho retornasse à casa
e entregasse certo material para uma pessoa que o aguardava, os policiais foram até
a residência e encontraram 11 gramas de crack, acondicionados em 104 embalagens
plásticas. (...).
STJ, 5ª Turma, 26/04/2017

Consentimento de incapaz:
Quando um dos interlocutores é incapaz, o consentimento para a interceptação
(gravação) será dado por seu represente. Este foi o entendimento do STJ no Info 543.
Em processo que apure suposta prática de crime sexual contra adolescente
absolutamente incapaz, é admissível a utilização de prova extraída de gravação telefônica
efetivada a pedido da genitora da vítima, em seu terminal telefônico, mesmo que solicitado
auxílio técnico de detetive particular para a captação das conversas.

(...). No caso concreto, a genitora da vítima solicitou auxílio técnico a terceiro


para a gravação de conversas realizadas através de terminal telefônico de sua
residência, na qualidade de representante civil do menor impúbere e investida no
poder-dever de proteção e vigilância do filho, não havendo ilicitude na gravação.
Dada a absoluta incapacidade da vítima para os atos da vida civil - e ante a notícia
de que estava sendo vítima de crime de natureza hedionda - a iniciativa da genitora
de registrar conversa feita pelo filho com o autor da conjecturada prática criminosa
se assemelha à gravação de conversa telefônica feita com a autorização de
um dos interlocutores, sem ciência do outro, quando há cometimento de
delito por este último, hipótese já reconhecida como válida pelo Supremo
Tribunal Federal. (...).
STJ, 6ª Turma, 13/05/2014

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É a gravação da comunicação telefônica (ou ambiental) por um dos


comunicadores, ou seja, trata-se de uma autogravação. Normalmente, é feita sem
o conhecimento do outro comunicador, daí por que se fala em gravação
clandestina.

Prevalece o entendimento de que as gravações telefônicas não estão amparadas pelo Art.
5º, XII, da Constituição Federal, devendo ser consideradas meios lícitos de prova, mesmo que
realizadas sem autorização judicial prévia.
É o típico caso em que uma pessoa sabe que um policial está lhe exigindo dinheiro por
meio do telefone, e imagina que, gravando a conversa que terá com tal agente público, sem
autorização do Poder Judiciário, possa utilizar tal prova para fins de prova criminal.

O presente caso versa sobre a gravação de conversa telefônica por um


interlocutor sem o conhecimento de outro, isto é, a denominada gravação telefônica
ou gravação clandestina. Entendimento do STF no sentido da licitude da prova,
desde que não haja causa legal específica de sigilo nem reserva de
conversação.
STF - HC: 91613 MG, 15/05/2012

Prova lícita: gravação de ligação não se confunde com interceptação


nem fere sigilo.
A 3ª turma do TST negou recurso de uma empresa de tecidos que pedia a
invalidação, como prova, de uma gravação telefônica apresentada por uma ex-
empregada, na qual o gerente da empresa fazia declarações desabonadoras sobre
sua atuação profissional a uma pessoa que se dizia interessada em contratá-la.
Segundo o relator, ministro Mauricio Godinho Delgado, esse meio probatório
não se confunde com a interceptação telefônica nem fere o sigilo telefônico,
protegidos pela Constituição.
Tal meio de prova pode, sim, ser utilizado em Juízo pelo autor da gravação.
Essa conduta e tal meio probatório não se confunde com a interceptação telefônica,
nem fere o sigilo telefônico, ambos regulados pela Constituição (art. 5º, X, XII e LVI,
CF/88).
1. GRAVAÇÃO UNILATERAL DE DIÁLOGO ENTRE PESSOAS, EFETIVADA POR UM
DOS PARTICIPANTES. MEIO LÍCITO DE PROVA. NÃO ENQUADRAMENTO NO
CONCEITO CENSURADO DE INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. 11/10/2017.

A gravação não se confunde com a interceptação telefônica. A gravação


telefônica feita por um dos interlocutores e sem ordem judicial nada tem de ilícita e
pode ser utilizada como prova em processo.
STJ HC 94.945

MUDE SUA VIDA!


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STJ: É lícita a gravação de conversa feita pelo destinatário de


solicitação de vantagem indevida.
STJ reiterou a mesma orientação num caso em que um particular gravou
diálogo no qual um defensor público solicitava, em razão da função, vantagem
indevida para atuar em um processo no qual a defesa seria exercida pela Defensoria
Pública.
No caso julgado, mãe e filha haviam procurado a Defensoria Pública para que
fosse exercida a defesa desta última em um processo criminal por tráfico de drogas.
O defensor solicitou a quantia de R$ 8.000,00 para que a defesa fosse devidamente
exercida por ele. Após efetuar o pagamento de uma das parcelas combinadas, a mãe
da acusada naquele processo procurou o Ministério Público, prestou declarações e foi
encaminhada à Polícia Civil, que a orientou a gravar o diálogo com o defensor público,
a ela fornecendo inclusive o equipamento de gravação.
O defensor público – condenado em primeira instância – recorreu ao STJ
sustentando sua defesa basicamente em três pontos:
a) ilegalidade da gravação, produzida sem autorização judicial e induzida pela
polícia, que forneceu até mesmo o equipamento;
b) o crime de corrupção passiva tem como vítima o Estado, razão pela qual a
pessoa que gravou a conversa deveria ser considerada apenas testemunha dos fatos,
não vítima;
c) a gravação de conversa entre o defensor e uma familiar de quem seria
defendido vulnerou o sigilo profissional do advogado.
O tribunal, no entanto, refutou todos os argumentos defensivos.
No que tange à ilegalidade da prova, reiterou-se a orientação de que a
gravação efetuada por um dos interlocutores dispensa autorização judicial,
pois não se está diante de violação da intimidade, mas da adoção de
providências pelo interessado para o resguardo de direito próprio. Diante
disso, aliás, é irrelevante a propriedade do aparelho utilizado para a gravação, pois
se trata de mero instrumento para a prática de um ato legal. O ministro Reynaldo
Soares da Fonseca – relator – ponderou ainda que o fornecimento do equipamento e
a orientação para que a vítima fizesse a gravação não constituíram indevido
induzimento para que o defensor público cometesse crime, pois a solicitação da
vantagem já havia partido dele mesmo em momento anterior, e as conversas
posteriores tratavam apenas da combinação a respeito dos pagamentos que
deveriam ser efetuados.
Recurso Especial 1.689.365/RR, 12/12/2017

A gravação feita por um dos interlocutores, sem conhecimento do outro, nada


tem de ilicitude, principalmente quando destinada a documentá-la em caso de
negativa
(STF – Rela. Ellen Gracie – RT 826/524).

MUDE SUA VIDA!


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PROTEÇÃO AO SEGREDO: direitos que terceiro não tenham acesso à privacidade


individual.

DIREITO DE RESERVA: direito de não ver divulgadas notícias concernentes à vida


privada. Obs.: gravação clandestina de conversa com investigados sem prévia
advertência quanto ao direito ao silêncio não será válida.

É ilícita a gravação de conversa informal entre os policiais e o conduzido


ocorrida quando da lavratura do auto de prisão em flagrante, se não houver prévia
comunicação do direito de permanecer em silêncio.
STJ. HC 244977-SC, 25/9/2012.

CONCEITO DE INTERCEPTAÇÃO AMBIENTAL, ESCUTA AMBIENTAL E


GRAVAÇÃO AMBIENTAL

É a captação de uma comunicação feita por um terceiro no próprio ambiente dela, sem o
consentimento ou conhecimento de um dos interlocutores. Não difere, substancialmente, da
interceptação telefônica na medida em que, da mesma forma, ocorre violação da intimidade,
porém, neste caso, a comunicação não é telefônica.
Ex.: em uma investigação de Tráfico de Drogas, a autoridade policial filma traficantes
comercializando drogas em uma praça sem que os traficantes tenham o conhecimento desse
registro.

É a captação de uma comunicação no ambiente dela, feita por um terceiro, com o


consentimento de um dos interlocutores.
Ex.: um cidadão que está sendo vítima de concussão, com a ajuda da autoridade policial,
que realiza o registro do exato momento que o funcionário público exige vantagem indevida.

É a captação no ambiente de uma comunicação feita por um dos interlocutores (ex.:


gravador).

MUDE SUA VIDA!


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A Lei nº 13.964 de 2019, conhecida como Pacote Anticrime, atualizou a Lei


das Interceptações Telefônicas ao acrescentar os artigos 8º-A e 10-A, dispondo
acerca da possibilidade de captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos
ou acústicos.

Art. 8º-A. Para investigação ou instrução criminal, poderá ser autorizada pelo
juiz, a requerimento da autoridade policial ou do Ministério Público, a CAPTAÇÃO
AMBIENTAL de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos, quando:
I - A prova não puder ser feita por outros meios disponíveis e igualmente
eficazes; e
II - Houver elementos probatórios razoáveis de autoria e participação em
infrações criminais cujas penas máximas sejam superiores a 4 anos ou em infrações
penais conexas.

Vimos no início da nossa aula que CAPTAÇÃO AMBIENTAL é gênero das


espécies Interceptação Ambiental, Escuta Ambiental e Gravação Ambiental.

Segundo o Art. 8-A, a captação ambiental poderá ser autorizada pelo juiz.
Então surge a dúvida se toda espécie deveria ser precedida de autorização
judicial.
É importante analisarmos o seguinte:
- No Art. 10-A, encontramos o crime do agente que realiza a captação ambiental
sem autorização judicial.
- No parágrafo 1º do Art. 10-A, há a ressalva que traz a atipicidade se a
captação ambiental for realizada por um dos interlocutores.

Ora, se a gravação realizada por um dos interlocutores é a que chamamos de


gravação ambiental, podemos concluir que dentre as espécies de CAPTAÇÃO
AMBIENTAL que necessitam de autorização judicial, incluem-se a interceptação
ambiental e a escuta ambiental.
Assim, gravação ambiental sem autorização judicial é fato atípico.

GRAVAÇÃO AMBIENTAL E LEI DAS ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS


O Art. 3ª, II, da Lei 12. 850/2013 dispôs apenas que a CAPTAÇÃO AMBIENTAL (que ocorre
em determinado ambiente, não se confundindo com interceptação telefônica) de sinais
eletromagnéticos, ópticos ou acústicos seria permitida em qualquer fase da persecução penal
como meio de obtenção de prova.
O instituto (captação ambiental), também chamado de vigilância eletrônica, permite que
os agentes de polícia ou eventualmente o Ministério Público [...] instalem aparelhos de gravação
de som e imagem em ambientes fechados (residências, locais de trabalho, estabelecimentos
prisionais) ou abertos (ruas, praças, jardins públicos etc.), com finalidade de não apenas gravar
diálogos travados entre os investigados (sinais acústicos), mas também filmar as condutas por
eles desenvolvidas (sinais ópticos).

Ainda poderão os policiais registrar sinais emitidos por meio de aparelhos de


comunicação, como rádios transmissores (sinais eletromagnéticos), que tecnicamente não se
enquadram no conceito de comunicação telefônica, informática ou telemática.

MUDE SUA VIDA!


256
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Em se tratando de procedimentos investigativos relativos a crimes de organizações


criminosas, havendo prévia e motivada autorização judicial, TODA E QUALQUER GRAVAÇÃO
E INTERCEPTAÇÃO AMBIENTAL SERÁ CONSIDERADA PROVA LÍCITA, NOS EXATOS
TERMOS DO ART. 3º DA LEI 12.850/13.
Portanto, em face do disposto na Lei de Organizações Criminosas, admite-se a filmagem
(registros ópticos) e a gravação (sinais acústicos) no interior de residência ou local
íntimo, seja pela captação (a chamada escuta ambiental, realizada entre presentes), seja
pela interceptação ambiental (realizada por um terceiro).
Assim, desde que haja prévia e circunstanciada autorização judicial, os registros não
constituem prova ilícita por violação ao direito da intimidade ou à garantia da inviolabilidade
do domicílio.

SITUAÇÕES ESPECÍFICAS

GRAVAÇÃO AMBIENTAL REALIZADA PELA POLÍCIA


Caso concreto: Delegado que gravou espécie de “delação premiada” com traficante
fazendo-o delatar comparsas em troca de liberação. Delegado estava gravando a conversa.
STF declarou prova ilícita, sugerindo se tratar de um “interrogatório clandestino”, sub-
reptício, fraudulento. O delegado o interrogou sem as garantias constitucionais e processuais.
A Polícia pode fazer gravação ambiental?
Pode. Desde que haja previsão legal, como na Lei de Drogas e na Lei de Organizações
Criminosas.

Gravação ambiental feita pela polícia para obter confissão. Essa gravação é
prova ilícita, pois o policial fez um interrogatório clandestino, feito sem as garantias
legais e constitucionais
(STF, HC 80.949)

INTERCEPTAÇÕES DAS COMUNICAÇÕES DO ADVOGADO


As comunicações telefônicas entre o advogado e o criminoso não podem ser utilizadas
como prova, ou seja, não podem ser interceptadas e utilizadas como provas no processo penal,
pois essas conversas estão protegidas pelo sigilo profissional da advocacia e pelo direito à não
autoincriminação. Porém, se o advogado mandar o cliente cometer um crime (matar
testemunha, por exemplo) poderá ser usado o meio de prova.
Se o advogado for o investigado, a interceptação poderá ser usada como prova, pois ele
não está na qualidade de advogado, sim na qualidade de criminoso. Nesse caso, não se aplica o
sigilo profissional do advogado.

Se o advogado é o próprio investigado ou acusado, neste caso as conversas


telefônicas dele PODEM ser interceptadas e utilizadas como prova no processo
penal, pois neste caso não há o sigilo profissional, porque o advogado está sendo
interceptado na condição de réu e não de advogado.
(STJ HC 59.967).

MUDE SUA VIDA!


257
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INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA É DIFERENTE DE QUEBRA DE SIGILO


TELEFÔNICO
Enquanto a interceptação telefônica é o acesso ao conteúdo da conversa, a quebra de sigilo
telefônico é apenas o acesso à relação das ligações efetuadas ou recebidas pela linha, sem se
saber o conteúdo.
A quebra de sigilo telefônico não se submete a Lei nº. 9.296/1996.
Porém, quebra de sigilo telefônico requer autorização judicial.

CONVERSAS ARMAZENADAS NO CELULAR


Pode a polícia acessar as conversas armazenadas no celular do criminoso sem ordem
judicial?
Antigamente o STJ autorizava a polícia a realizar determinada conduta.
Porém, a Lei nº 12.965/14 – marco civil da internet – diz em seu Art. 7º que é necessária
autorização judicial para acesso aos dados armazenados.

Art. 7º O acesso à internet é essencial ao exercício da cidadania, e ao


usuário são assegurados os seguintes direitos:
II - Inviolabilidade e sigilo do fluxo de suas comunicações pela
internet, salvo por ordem judicial, na forma da lei;
III - inviolabilidade e sigilo de suas comunicações privadas
armazenadas, salvo por ordem judicial;

Reconhecida ilicitude de provas obtidas por meio do WhatsApp sem


autorização judicial
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a ilegalidade
de provas obtidas pela polícia sem autorização judicial a partir de mensagens
arquivadas no aplicativo WhatsApp e, por unanimidade, determinou a retirada do
material de processo penal que apura suposta prática de tentativa de furto em
Oliveira (MG).

No caso, deveria a autoridade policial, após a apreensão do telefone, ter


requerido judicialmente a quebra do sigilo dos dados armazenados, haja vista a
garantia à inviolabilidade da intimidade e da vida privada, prevista no artigo 5º, inciso
X, da Constituição, afirmou o relator do recurso em habeas corpus, ministro Reynaldo
Soares da Fonseca.
RHC nº 89981 / MG (2017/0250966-3) 26/09/2017

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RECURSO EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PRISÃO EM


FLAGRANTE. ACESSO A DADOS CONTIDOS NO CELULAR DO RÉU. AUSÊNCIA DE
PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. ILICITUDE DAS PROVAS OBTIDAS. RECURSO EM
HABEAS CORPUS PROVIDO.
1. Os dados armazenados nos aparelhos celulares – envio e recebimento de
mensagens via SMS, programas ou aplicativos de troca de mensagens, fotografias
etc. –, por dizerem respeito à intimidade e à vida privada do indivíduo, são
invioláveis, nos termos em que previsto no inciso X do art. 5º da Constituição Federal,
só podendo, portanto, ser acessados e utilizados mediante prévia autorização
judicial, com base em decisão devidamente motivada que evidencie a
imprescindibilidade da medida, capaz de justificar a mitigação do direito à intimidade
e à privacidade do agente.
HABEAS CORPUS Nº 101.119 - SP (2018/0189228-9)

NÚMEROS REGISTRADOS NA MEMÓRIA DO CELULAR


Há precedente no STJ de que a polícia pode ter acesso, sem ordem judicial, a relação das
ligações constantes na memória do celular, pois isso não é nem interceptação (pois não houve
acesso ao teor das conversas) e nem quebra de sigilo telefônico, pois não houve acesso à lista
geral das chamadas efetuadas e recebidas.

O sigilo telefônico consiste na impossibilidade de um terceiro captar, sem


autorização judicial, a conversa travada entre duas pessoas, proteção esta que não
abrange os dados contidos na memória dos aparelhos celulares tais como
agendas telefônicas, podendo, inclusive, a autoridade policial verificar o
conteúdo destas, sem que isso importe em prova ilícita, por ofensa a citada
garantia.
STJ, HC 66.368, 05/06/07

VAMOS VER COMO FOI COBRADO EM PROVA!

Ano: 2013 Banca: CESPE Órgão: DPF


Com relação às condutas típicas previstas no Código Penal brasileiro e em leis específicas, e ainda,
no que se refere às disposições gerais sobre a prova (CPP, Cap. I, Tít. VII), julgue o item seguinte.
De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, é lícita a gravação de conversa
telefônica feita por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro.

Gabarito: Certo
Comentário: Gravação telefônica - Também é chamada de gravação clandestina A
gravação telefônica é válida mesmo que tenha sido realizada sem autorização judicial.
O presente caso versa sobre a gravação de conversa telefônica por um
interlocutor sem o conhecimento de outro, isto é, a denominada gravação telefônica
ou gravação clandestina. Entendimento do STF no sentido da licitude da prova, desde
que não haja causa legal específica de sigilo nem reserva de conversação.
STF - HC: 91613 MG, 15/05/2012

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FINALIDADE CRIMINAL
Art. 5º. XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das
comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas,
salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma
que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou
instrução processual penal.
Trata-se de uma garantia do sigilo das comunicações a qual será excepcionada para fins
específicos, para investigação criminal ou instrução processual penal, por ordem judicial
(cláusula de reserva de jurisdição).

INTERCEPTAÇÃO DE PROSPECÇÃO
A interceptação não pode ser realizada como elemento inicial de uma investigação
(interceptação de prospecção).
A interceptação de prospecção ocorre sem que haja indício de autoria e não é aceita
juridicamente. Verifica-se que é uma medida imprescindível, realizada apenas quando não
houver outros meios de coleta de provas.

INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA ANTES DE INSTAURADO INQUÉRITO


POLICIAL
É possível interceptação telefônica antes de instaurado Inquérito Policial?
Segundo o STF e o STJ é possível. A justificativa está próprio Art. 5º da CF/88 – “Para fins
de investigação criminal” – já que a investigação acontece antes mesmo da abertura do IP.

INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA E DENÚNCIA APÓCRIFA


Não cabe interceptação com base em mera delação anônima que não foi precedida de
investigação. Ou seja, como vimos acima, não há necessidade de inquérito para formalizar uma
investigação, porém, deverá já existir uma investigação em andamento. A denúncia anônima
por si só não fundamenta a decretação de uma interceptação telefônica, porém poderá a
autoridade competente realizar diligências preliminares para apurar a veracidade das
informações obtidas anonimamente e, então, instaurar o procedimento investigatório
propriamente dito.

O procedimento está em consonância com o entendimento da Suprema Corte segundo


o qual a denúncia anônima, por si só, não serve para fundamentar a instauração de inquérito,
mas, a partir dela, poderá a autoridade competente realizar diligências preliminares para
apurar a veracidade das informações obtidas anonimamente e, então, instaurar o
procedimento investigatório propriamente dito.
Registre-se, de qualquer modo, que a decisão proferida pelo Juízo processante
autorizando a interceptação telefônica (fls. 186 a 190) foi devidamente fundamentada, sendo
os elementos constantes dos autos suficientes para afastar os argumentos da defesa de que
não haveria indícios razoáveis de autoria e materialidade delitiva para se determinar a medida
invasiva ou de que as provas pudessem ser colhidas por outros meios disponíveis. RHC
132115/PR 06/02/2018

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‘HABEAS CORPUS’ SUBSTITUTIVO DE RECURSO ORDINÁRIO. DESCABIMENTO.


COMPETÊNCIA DAS CORTES SUPERIORES. MATÉRIA DE DIREITO ESTRITO.
MODIFICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DESTE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, EM
CONSONÂNCIA COM A SUPREMA CORTE. TRÁFICO DE DROGAS E ASSOCIAÇÃO PARA
O TRÁFICO. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. INVESTIGAÇÃO INICIADA A PARTIR
DE DENÚNCIA ANÔNIMA. POSSIBILIDADE, DESDE QUE ULTERIOR
DILIGÊNCIA PELAS AUTORIDADES PARA VERIFICAÇÃO CONCRETA DOS
FATOS TENHA OCORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA NAS DECISÕES QUE
DEFERIRAM AS INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE
PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. ‘HABEAS CORPUS’ NÃO
CONHECIDO.
Não se ignora que a investigação não pode ser baseada, exclusivamente, em
denúncia anônima. Todavia, no caso dos autos, da leitura do pedido de quebra de
sigilo telefônico formulado pela Autoridade Policial extrai-se com facilidade que foram
realizadas diligências preliminares objetivando averiguar a verossimilhança das
denúncias anônimas recebidas. Precedentes desta Corte e do Supremo Tribunal
Federal.
HC 183.567/SP, Rel. Min. LAURITA VAZ

PROVA EMPRESTADA
Uma Interceptação telefônica pode ser utilizada como prova emprestada em um
processo administrativo disciplinar?
Pode. A interceptação só poderá ser produzida para investigação criminal ou instrução
processual, porém, uma vez produzida, ela poderá ser usada em ações não criminais. Inclusive,
contra servidor que não é réu na ação penal que gerou a autorização da interceptação.

A interceptação telefônica, devidamente autorizada, realizada durante


a investigação criminal ou instrução processual penal pode, desde que
respeitado o contraditório e a ampla defesa em ambas as esferas, ser
utilizada como prova emprestada.
(STF, Min. Cezar Peluso, 19-02-2009).

O Supremo Tribunal Federal adota orientação segundo a qual, é possível a


utilização, como prova emprestada, de interceptações telefônicas derivadas de
processo penal, com autorização judicial, no processo administrativo disciplinar,
desde que seja assegurada a garantia do contraditório. Precedentes.
(MS 17.815/DF, j. 21/11/2018)

Mas para que a prova emprestada seja válida, é necessário que se disponibilize a
integralidade dos diálogos interceptados.
O STJ firmou a tese de que, mesmo no processo em que se dá originariamente a
interceptação, é dispensável a transcrição integral dos diálogos captados, mas é
imprescindível que as partes tenham acesso à sua totalidade.

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Aplica-se à prova emprestada princípio semelhante: é necessário que se remeta do


processo originário a integralidade do que foi captado na interceptação para que as partes
possam analisar o exato teor da prova emprestada. A seleção de trechos sem continuidade, sem
ordenação lógica e com omissão de passagens das gravações é causa de nulidade da prova.

Faculta-se à defesa a integralidade das conversas advindas nos autos de


forma emprestada, sendo inadmissível a seleção pelas autoridades de
persecução acerca das partes a serem extraídas, mormente quando atestado
no tribunal de origem a existência de áudios descontinuados, sem ordenação
sequencial lógica e com omissão de trechos da degravação, em que os excertos
colacionados destas interceptações constituem prova que interessa apenas ao
Ministério Público. Esta Corte Superior possui entendimento de que a prova
produzida durante a interceptação não pode servir apenas aos interesses do
órgão acusador, sendo imprescindível a preservação da sua integralidade,
sem a qual se mostra inviabilizado o exercício da ampla defesa, tendo em vista a
impossibilidade da efetiva refutação da tese acusatória. O emprego de trechos da
interceptação pode ensejar a extração de conversas descontextualizadas, de modo
que a falta de acesso ao inteiro teor das mídias obsta que a defesa possa impugná-
las no momento oportuno, notadamente quando a condenação se fundamenta na
prova combatida. (REsp 1.795.341/RS, j. 07/05/2019)

ORDEM JUDICIAL

CF/88
Art. 5º. XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das
comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas,
salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma
que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução
processual penal.

Lei nº. 9.296/1996.


Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer
natureza, para prova em investigação criminal e em instrução
processual penal, observará o disposto nesta Lei e dependerá de
ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de
justiça.
Parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do
fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática.

JUIZ COMPETENTE
Não é qualquer juiz que pode decretar a interceptação telefônica. Quem tem competência
para decretar a medida cautelar é quem tem a competência para julgar o caso.
Exemplo: Um juiz de família não poderá pedir a interceptação telefônica.
A decisão do magistrado que deferir tal pedido de interceptação deva ser fundamentada
em indícios concretos, pois isso, além de ser uma exigência da própria Lei 9.296/96, também é

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evidência do Art. 93, inciso IX da Constituição Federal aduzindo que todos os julgamentos do
Poder Judiciário serão públicos e fundamentados todas as decisões, sob pena de nulidade (...).
Assim, por se tratar de medida excessivamente restritiva dos direitos do cidadão, deverá
o magistrado fixar os parâmetros com bases concretas, deferindo ou indeferindo o pedido da
autoridade policial ou do Ministério Público.

Teoria do juízo Aparente

Há entendimento do supremo no sentido de que não fere o princípio do devido


processo legal, a decretação de interceptação telefônica quando possível usar a Teoria do juízo
aparente:

Ao admitir a ratificação de provas — interceptações telefônicas — colhidas por


juízo aparentemente competente à época dos fatos, a 2ª Turma, por maioria,
denegou habeas corpus impetrado em favor de vereador que supostamente teria
atuado em conluio com terceiros para obtenção de vantagem indevida mediante a
manipulação de procedimentos de concessão de benefícios previdenciários,
principalmente de auxílio- doença. Na espécie, a denúncia fora recebida por juiz
federal de piso que decretara as prisões e as quebras de sigilo. Em seguida, declinara
da competência para o TRF da 2ª Região (...)
Destacou-se que, à época dos fatos, o tema relativo à prerrogativa de foro dos
vereadores do Município do Rio de Janeiro seria bastante controvertido, mormente
porque, em 28.5.2007, o Tribunal de Justiça local havia declarado a
inconstitucionalidade do art. 161, IV, d-3, da Constituição estadual. Observou-se
que, embora essa decisão não tivesse eficácia erga omnes, seria paradigma para
seus membros e juízes de primeira instância. Nesse contexto, obtemperou-se não
ser razoável a anulação de provas determinadas pelo juízo federal de
primeira instância. Aduziu-se que, quanto à celeuma acerca da
determinação da quebra de sigilo pelo juízo federal posteriormente
declarado incompetente — em razão de se identificar a atuação de
organização criminosa, a ensejar a remessa do feito à vara especializada —
, aplicar-se-ia a teoria do juízo aparente. Vencido o Min. Celso de Mello, que
concedia a ordem. Ressaltava que, embora a jurisprudência do STF acolhesse
a mencionada teoria, essa apenas seria invocável se, quando tivessem sido
decretadas as medidas de caráter probatório, a autoridade judiciária não
tivesse condições de saber que a investigação fora instaurada em relação a
alguém investido de prerrogativa de foro. Pontuava que o juízo federal, ao
deferir as interceptações, deixara claro conhecer o envolvimento, naquela
investigação penal, de três vereadores, dois dos quais do Rio de Janeiro, cuja
Constituição outorgava a prerrogativa de foro perante o Tribunal de Justiça. Frisava
que a decisão que decretara a medida de índole probatória fora emanada por
autoridade incompetente. Após, cassou-se a liminar anteriormente deferida.
HC 110496/RJ, rel. Min. Gilmar Mendes, 9.4.2013. (HC-110496)

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JUIZ DAS GARANTIAS


O Pacote Anticrime trouxe que a competência para decidir sobre interceptação telefônica,
na FASE DE INVESTIGAÇÃO, para o juiz das garantias.

Juiz das Garantias

Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da


investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia tenha
sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-lhe
especialmente:
(...)
XI - Decidir sobre os requerimentos de:

a) interceptação telefônica, do fluxo de comunicações em sistemas de informática


e telemática ou de outras formas de comunicação.

CPI E A INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA


CPI pode autorizar Interceptação Telefônica?
O ato é reservado com exclusividade ao Poder Judiciário quando a CF/88 exige ordem
judicial (cláusula de reserva de jurisdição).
CPI pode decretar quebra de sigilo telefônico.

MODIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIA
No STF e STJ a jurisprudência pacífica é a de que havendo modificação de competência a
interceptação telefônica autorizada pelo juízo anterior é VÁLIDA perante o novo juízo ou
tribunal.
Ex.: o juiz estadual autoriza a interceptação para a investigação de um tráfico local. Mas,
durante as investigações descobre-se que o tráfico é transnacional. A competência é da justiça
federal. O IP é remetido para a justiça federal, sendo a interceptação telefônica realizada pelo
juízo estadual válida para o juízo federal.

STF, HC 85.962 e STJ, RHC 15.491.

JUIZ PREVENTO
A prevenção não é um fator de determinação nem de modificação da competência. Por
força da prevenção permanece apenas a competência de um entre vários juízes competentes,
excluindo-se os demais.
O juiz prevento é aquele que teve o primeiro contato com a causa.
A prevenção não determina e nem modifica a competência, pois ela só escolhe entre juízes
competentes, apenas um, o juiz prevento, para que ele prossiga com a causa.

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O juiz que autoriza a interceptação telefônica torna-se PREVENTO.


STJ HC 85.068 e STF, HC 93.762.

QUESTÕES ESPECÍFICAS RELACIONADAS À DECISÃO JUDICIAL

A polícia pode obter os dados do IP do computador sem ordem judicial, pois


esses dados são dados meramente cadastrais, que não envolvem direito à
intimidade.
Ex.: informam o nome do proprietário do computador, o local onde o
computador está instalado.
STJ, HC 83.338 e STJ, REsp 979181.

As conversas em sala de bate-papo não estão protegidas pelo sigilo das


comunicações de dados, ou seja, se a polícia obtém conversas em uma sala de bate-
papo, sem ordem judicial, essa prova é lícita.

INTERCEPTAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES DE DADOS


Lei nº. 9.296/1996.
Parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do
fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática.
CF/88

Art. 5º. XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das


comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas,
salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma
que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução
processual penal.

Parte da doutrina entende que o Art. 1º, parágrafo único, da Lei nº. 9.296/1996 seria
inconstitucional, pois a possibilidade admitida seria apenas das interceptações telefônicas.
Assim, a lei não poderia prever a interceptação de dados.
Segunda corrente adota a possibilidade para interceptação de dados, sendo, portanto,
prova lícita.
É a corrente adotada pelo STF, STJ e doutrina majoritária.
A jurisprudência admite a interceptação de comunicação não só por telefone, como
também a telemática, que se refere à transmissão de dados. A interceptação telemática é aquela
que intercepta dados: Skype, e-mail etc.

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VAMOS VER COMO FOI COBRADO EM PROVA!

1. Ano: 2013 Banca: CESPE Órgão: DPF


Acerca dessa situação hipotética e do procedimento relativo às interceptações telefônicas,
julgue o item.
Autorizadas por juízo absolutamente incompetente, as interceptações telefônicas
conduzidas pela autoridade policial são ilegais, por violação ao princípio constitucional do
devido processo legal.
Gabarito: Errado
Comentário: Adotado o julgado que se baseou na Teoria do Juízo Aparente.
Há entendimento do supremo no sentido de que não fere o princípio do
devido processo legal, a decretação de interceptação telefônica quando possível
usar a Teoria do juízo aparente:
Ao admitir a ratificação de provas — interceptações telefônicas — colhidas por
juízo aparentemente competente à época dos fatos, a 2ª Turma, por maioria,
denegou habeas corpus impetrado em favor de vereador que supostamente teria
atuado em conluio com terceiros para obtenção de vantagem indevida mediante a
manipulação de procedimentos de concessão de benefícios previdenciários,
principalmente de auxílio- doença. Na espécie, a denúncia fora recebida por juiz
federal de piso que decretara as prisões e as quebras de sigilo. Em seguida, declinara
da competência para o TRF da 2ª Região (...)
Destacou-se que, à época dos fatos, o tema relativo à prerrogativa de foro dos
vereadores do Município do Rio de Janeiro seria bastante controvertido, mormente
porque, em 28.5.2007, o Tribunal de Justiça local havia declarado a
inconstitucionalidade do art. 161, IV, d-3, da Constituição estadual. Observou-se
que, embora essa decisão não tivesse eficácia erga omnes, seria paradigma para
seus membros e juízes de primeira instância. Nesse contexto, obtemperou-se não
ser razoável a anulação de provas determinadas pelo juízo federal de
primeira instância. Aduziu-se que, quanto à celeuma acerca da
determinação da quebra de sigilo pelo juízo federal posteriormente
declarado incompetente — em razão de se identificar a atuação de
organização criminosa, a ensejar a remessa do feito à vara especializada —
, aplicar-se-ia a teoria do juízo aparente. Vencido o Min. Celso de Mello, que
concedia a ordem. Ressaltava que, embora a jurisprudência do STF acolhesse
a mencionada teoria, essa apenas seria invocável se, quando tivessem sido
decretadas as medidas de caráter probatório, a autoridade judiciária não
tivesse condições de saber que a investigação fora instaurada em relação a
alguém investido de prerrogativa de foro. Pontuava que o juízo federal, ao
deferir as interceptações, deixara claro conhecer o envolvimento, naquela
investigação penal, de três vereadores, dois dos quais do Rio de Janeiro, cuja
Constituição outorgava a prerrogativa de foro perante o Tribunal de Justiça. Frisava
que a decisão que decretara a medida de índole probatória fora emanada por
autoridade incompetente. Após, cassou-se a liminar anteriormente deferida.
HC 110496/RJ, rel. Min. Gilmar Mendes, 9.4.2013. (HC-110496)

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Ano: 2019 Banca: CESPE Órgão: TJ-AM


Julgue o próximo item, relativo à citação, intimação, nulidade, interceptação telefônica e
prazos processuais. Não havendo autorização do juízo competente, a interceptação de
comunicações telefônicas será prova ilícita.

Gabarito: Certo
Comentário: Lei 9.296/1996: Art. 1º A interceptação de comunicações
telefônicas, de qualquer natureza, para prova em investigação criminal e em
instrução processual penal, observará o disposto nesta Lei e dependerá de ordem do
juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça.

Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal


Com referência à interceptação de comunicação telefônica, ao crime de tráfico ilícito de
entorpecentes, ao crime de lavagem de capitais e a crimes cibernéticos, julgue o seguinte item.
A interceptação da comunicação telefônica poderá ser realizada de ofício pela autoridade
policial desde que o IP tenha como objetivo investigar crime hediondo, organização criminosa
ou tráfico ilícito de entorpecentes.

Gabarito: Errado
Comentário:
Não há ressalva, em todos os casos dependerá de autorização judicial.

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Ano: 2013 Banca: CESPE Órgão: DPF


Acerca dessa situação hipotética e do procedimento relativo às interceptações telefônicas,
julgue o item.
Segundo o entendimento do STF, é permitido, em caráter excepcional, à polícia militar,
mediante autorização judicial e sob supervisão do MP, executar interceptações telefônicas,
sobretudo quando houver suspeita de envolvimento de autoridades policiais civis nos delitos
investigados, não sendo a execução dessa medida exclusiva da autoridade policial, visto que são
autorizados, por lei, o emprego de serviços e a atuação de técnicos das concessionárias de
serviços públicos de telefonia nas interceptações.

Gabarito: Certo
Comentário:
Polícia militar e execução de interceptação telefônica - 1
A 2ª Turma indeferiu habeas corpus em que se alegava nulidade de
interceptação telefônica realizada pela polícia militar em suposta ofensa ao art. 6º da
Lei 9.296/96 (Deferido o pedido, a autoridade policial conduzirá os procedimentos de
interceptação, dando ciência ao Ministério Público, que poderá acompanhar a sua
realização). Na espécie, diante de ofício da polícia militar, dando conta de suposta
prática dos crimes de rufianismo, manutenção de casa de prostituição e submissão
de menor à exploração sexual, a promotoria de justiça requerera autorização para
interceptação telefônica e filmagens da área externa do estabelecimento da paciente,
o que fora deferida pelo juízo.
HC 96986/MG, rel. Min. Gilmar Mendes, 15.5.2012. (HC-96986)
Polícia militar e execução de interceptação telefônica - 2
Asseverou-se que o texto constitucional autorizaria interceptação telefônica
para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal, por ordem
judicial, nas hipóteses e na forma da lei (CF, art. 5º, XII). Sublinhou-se que seria
típica reserva legal qualificada, na qual a autorização para intervenção legal estaria
submetida à condição de destinar-se à investigação criminal ou à instrução
processual penal. Reconheceu-se a possibilidade excepcional de a polícia militar,
mediante autorização judicial, sob supervisão do parquet, efetuar a mera execução
das interceptações, na circunstância de haver singularidades que justificassem esse
deslocamento, especialmente quando, como no caso, houvesse suspeita de
envolvimento de autoridades policiais da delegacia local. Consignou-se não haver
ilicitude, já que a execução da medida não seria exclusiva de autoridade policial, pois
a própria lei autorizaria o uso de serviços e técnicos das concessionárias (Lei
9.296/96, art. 7º) e que, além de sujeitar-se a ao controle judicial durante a
execução, tratar-se-ia apenas de meio de obtenção da prova (instrumento), com ela
não se confundindo. HC 96986/MG, rel. Min. Gilmar Mendes, 15.5.2012. (HC-
96986)

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ADMISSÃO DA INTERCEPTAÇÃO

Art. 2º Não será admitida a interceptação de comunicações


telefônicas quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses:

I - Não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em


infração penal;

II - A prova puder ser feita por outros meios disponíveis;

III - O fato investigado constituir infração penal punida, no máximo,


com pena de detenção.

INDÍCIOS RAZOÁVEIS DA AUTORIA OU PARTICIPAÇÃO EM INFRAÇÃO


PENAL
Convém frisar que não existe a prova da materialidade. Bastam indícios razoáveis de
autoria ou participação. Até porque a materialidade será, em regra, buscada pela interceptação.
A investigação deverá estar em andamento (o que não significa a existência de um inquérito
policial instaurado).

IMPRESCINDIBILIDADE DA INTERCEPTAÇÃO
A interceptação é um meio subsidiário de prova, porque ela só pode ser autorizada
quando os outros meios de prova se revelar ineficazes para a produção da prova (última ratio
de produção de prova).
A interceptação telefônica viola um direito fundamental do indivíduo, sendo admitida em
casos excepcionais e imprescindíveis.
Deve ser evidente o fato de que a autoridade policial não possa chegar à mesma conclusão
com outros meios investigativos. Assim, deve analisar o Juiz se seria possível perseguir o
mesmo resultado com outros meios da Polícia Judiciária, sem utilizar a medida drástica da
interceptação. Aí é que entra em jogo a necessidade da ponderação de interesses, ou o princípio
da proporcionalidade, para fins de que o Juiz verifique a indispensabilidade da interceptação
telefônica.

SÓ É CABÍVEL PARA CRIMES PUNIDOS COM RECLUSÃO


Não cabe para crimes punidos com detenção ou contravenções penais.
Mas a interceptação pode ser utilizada como prova de uma contravenção penal ou
crime punido com detenção?
Pode. Quando for conexa ao crime punido com reclusão para o qual foi autorizada a
interceptação.

MUDE SUA VIDA!


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SERENDIPIDADE
O pedido para interceptação deve indicar o FATO CRIMINOSO + PESSOAS QUE ESTÃO
SENDO INVESTIGADAS. Serendipidade é o encontro e a descoberta fortuita de algo que não era
objeto de investigação.

Art. 2º, Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve ser descrita


com clareza a situação objeto da investigação, inclusive com a
indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade
manifesta, devidamente justificada.

Exemplo: delegado investiga o crime de tráfico. Porém, durante as interceptações se


descobre um crime de homicídio. Se o crime é conexo com o tráfico, a prova é válida.
Se o homicídio não é conexo, a interceptação pode ser utilizada como prova criminal?
Prevalece que pode ser utilizada como prova do crime descoberto fortuitamente, ainda
que não tenha conexão com o crime objeto da investigação.

Fenômeno da Serendipidade
A descoberta de fatos novos, advindos do monitoramento judicialmente
autorizados, pode resultar na identificação de pessoas inicialmente não relacionadas
no pedido da medida probatória, mas que possuem estreita relação com o objeto da
investigação. Tal circunstância não invalida a utilização das provas colhidas
contra esses terceiros (Fenômeno da Serendipidade)

Superior Tribunal de Justiça STJ - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO


RECURSO EM HABEAS CORPUS: EDcl no RHC 28794 RJ 2010/0140512-1 -

VAMOS VER COMO FOI COBRADO EM PROVA!

2. Ano: 2019 Banca: CESPE Órgão: TJ-AM


Hugo é investigado pela prática de lesão corporal seguida de morte contra Márcia, crime
esse cometido em Manaus. A autoridade policial realizou interceptação telefônica e tomou
conhecimento de que Hugo havia confessado ser o autor do crime ao irmão da vítima, Miguel.
Acerca dessa situação hipotética, julgue o item a seguir, com base no que dispõe a legislação de
regência. Por se tratar de crime de lesão corporal seguida de morte, não se admite o emprego
de interceptação telefônica nas investigações.
Gabarito: Errado
Comentário:
A interceptação telefônica deve obedecer a alguns requisitos para a sua concessão:
Indícios razoáveis de autoria ou participação em infração penal
A medida deve ser imprescindível.
O fato investigado deve constituir crime punido com reclusão.
O crime de Lesão Corporal seguida de morte é passível de reclusão.
Art. 129, § 3º Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o
resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.

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Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: ABIN


Valdemar, empresário do setor de frigoríficos, emprega estratégias, como a utilização de
produtos químicos, para disfarçar o estado de putrefação de carnes que vende fora do prazo de
validade. Ele garante uma mesada a Odair, empregado de agência reguladora do setor e
encarregado de elaborar os registros de fiscalização, em troca de ser avisado de qualquer ação
não programada do órgão. De posse desse tipo de informação, Valdemar toma providências
para que os fiscais não encontrem a carne de má qualidade. Durante a investigação de um caso
referente a uma pessoa que sofrera prejuízo à saúde em razão do consumo de carne estragada,
escuta telefônica autorizada gera as provas da existência do esquema.
A respeito da situação hipotética apresentada, julgue o item a seguir. A interceptação
telefônica foi ilegal, uma vez que os crimes cometidos por Valdemar e Odair são punidos com
detenção.

Gabarito: Errado
Comentário:
Ambos os crimes de corrupção ativa (Valdemar) e passiva (Odair) admitem
penas de 2 a 12 anos e multa, ou seja, admitem reclusão. Interceptação telefônica
não é admitida em crimes de mera detenção, todavia aqui a pena do tipo penal
admite reclusão, consequentemente admite interceptação telefônica.
Corrupção ativa
Art. 333 - Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para
determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se, em razão da
vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica
infringindo dever funcional.
Corrupção passiva
Art. 317 - Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela,
vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

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Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: ABIN


No que se refere aos tipos penais, julgue o próximo item.
Situação hipotética: Durante uma inundação, Abel interrompeu dolosamente o serviço
telefônico da região. Assertiva: Nessa situação, Abel responderá por crime previsto na Lei de
Interceptação Telefônica, com a circunstância agravante de tê-lo praticado durante calamidade
pública.
Gabarito: Errado
Comentário: Não há tal previsão na lei de interceptação telefônica. Essa lei
apenas regula o Art. 5º, XII, CF.
A conduta é prevista no Código Penal:
Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico, telefônico, informático,
telemático ou de informação de utilidade pública.
Art. 266 - Interromper ou perturbar serviço telegráfico, radiotelegráfico ou
telefônico, impedir ou dificultar-lhe o restabelecimento:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
§ 1º Incorre na mesma pena quem interrompe serviço telemático ou de
informação de utilidade pública, ou impede ou dificulta-lhe o restabelecimento.
§ 2º Aplicam-se as penas em dobro se o crime é cometido por ocasião de
calamidade pública.

Ano: 2015 Banca: CESPE Órgão: TJ-DFT


Julgue o item subsequente, em relação à prova, ao instituto da interceptação telefônica e
à citação por hora certa. A interceptação telefônica, para fins de investigação criminal ou
instrução processual penal, somente será permitida quando, havendo indícios razoáveis de
autoria ou participação em infração, a prova não puder ser obtida por outros meios disponíveis,
e quando o fato investigado constituir infração penal para a qual se preveja, ao menos, pena de
detenção.

Gabarito: Errado
Comentário:
A interceptação de comunicações telefônicas está prevista no Art. 5º, inciso XII,
da CF/88, e regulamentada na Lei 9.296/1996.
Colaciona-se o Art. 2º da Lei 9.296/1996.
Art. 2º Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando
ocorrer qualquer das seguintes hipóteses:
I - não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal;
II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis;
III - o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena
de detenção.

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O PEDIDO DA INFILTRAÇÃO

Art. 3º A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser


determinada pelo juiz, de ofício ou a requerimento:
I - Da autoridade policial, na investigação criminal;
II - Do representante do Ministério Público, na investigação
criminal e na instrução processual penal.

Mais uma vez a lei determina que somente o Juiz é quem poderá determinar a
interceptação telefônica, e, ainda, de maneira prévia, isto é, o magistrado autoriza a
interceptação antes dela acontecer, e não posteriormente.
O Art. 3º diz que o juiz pode autorizar a interceptação telefônica:
De ofício, na fase das investigações ou na fase da ação penal.
Por requerimento do MP, na fase das investigações ou na fase da ação penal.
Por representação da autoridade policial, na fase das investigações.

A questão de o Juiz determinar “de ofício” a interceptação é um tanto polêmica.

Parte da doutrina diz que o Art. 3º é inconstitucional no ponto em que autoriza


o juiz decretar interceptação telefônica de ofício, na fase das investigações, pois viola
os princípios da inercia de jurisdição, da imparcialidade do juiz, do devido processo
legal e o sistema acusatório de processo, porque cria a figura do juiz inquisidor (juiz
não pode investigar).
Ademais, foi proposta ADI 3450 pelo Procurador-Geral da República, pedindo
que seja declarada a inconstitucionalidade do Art. 3º.

Durante o inquérito policial, poderão solicitar a interceptação tanto o Delegado de


Polícia (por meio de representação), como o membro do Ministério Público (por meio de
petição).

É necessário perceber que não é necessário que o juiz abra vistas ao MP para
decidir acerca da autorização de interceptação quando o pedido é via requerimento
da autoridade policial. Veremos no Art. 6º que, deferido o pedido pelo juiz, a
autoridade policial conduzirá os procedimentos de interceptação, dando ciência ao
Ministério Público, que poderá acompanhar a sua realização.

Na fase da instrução processual, pode o Ministério Público solicitar a instauração de


procedimento de interceptação telefônica.

O querelante pode requerer interceptação telefônica?


Sim. A doutrina entende que apesar do Art. 3º não mencionar o querelante, é claro que o
querelante pode requerer a interceptação telefônica, pois se ele é o titular da ação penal, é dele
o ônus de produzir a prova. Então, no caso de uma ação privada subsidiária da pública, o ônus
de fazer provas sobre a acusação é do querelante.

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O assistente de acusação pode requerer interceptação telefônica?


Sim. O Art. 271 do CPP diz que o assistente de acusação pode requerer provas. Logo, o
assistente de acusação pode requerer interceptação telefônica.

REMÉDIO CABÍVEL CONTRA AUTORIZAÇÃO DE INTERCEPTAÇÃO


A medida cabível contra a medida que autoriza a interceptação telefônica é o habeas
corpus.

CARACTERÍSTICAS DO PEDIDO E DA DECISÃO


Art. 4º O pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá
a demonstração de que a sua realização é necessária à apuração
de infração penal, com indicação dos meios a serem empregados.

§ 1º Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja


formulado verbalmente, desde que estejam presentes os
pressupostos que autorizem a interceptação, caso em que a
concessão será condicionada à sua redução a termo.

§ 2º O juiz, no prazo máximo de vinte e quatro horas, decidirá


sobre o pedido.

O legislador, no Art. 4º, procurou disciplinar a forma de execução da interceptação</