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Anotações sobre funções complexas.


Rodrigo Carlos Silva de Lima

rodrigo.uff.math@gmail.com

1
Sumário

1 Funções complexas 3
1.1 Exponencial complexa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.2 Definição de exponencial por meio de série de potências . . . . . . . . . 4
1.3 Funções trigonométricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
1.4 Definições de funções trigonométricas por meio de séries de potência . 9
1.5 Logaritmo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
1.6 Transformação de Möbius . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
1.7 Exercı́cios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29

2
Capı́tulo 1

Funções complexas

1.1 Exponencial complexa

m Definição 1 (Exponencial complexa). Seja z = x + iy (x, y ∈ R), definimos

ez = ex+iy = ex (cos(y) + isen(y)).

$ Corolário 1 (Fórmula de Euler). Se x = 0 temos

eyi = cos(y) + isen(y).

$ Corolário 2.
|ez | = |ex |.|cos(y) + isen(y)| = ex .

$ Corolário 3. Como |ez | = ex > 0∀ x então ez 6= 0.

$ Corolário 4. Como todo número complexo z = x + yi pode ser escrito como


z = r.(cosθ + isenθ) e eθi = cosθ + isenθ então

3
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 4

z = reθi .

b Propriedade 1. Vale eiθ+2kπ = eiθ .

ê Demonstração.

ei(θ+2kπ) = cos(θ + 2kπ) + isen(θ + 2kπ) = cos(θ) + isen(θ) = eiθ .

b Propriedade 2. Vale que

ez = ez ∀ z ∈ C.

ê Demonstração. Sabemos que

ex+iy = ex (cos(y) + isen(y))

tomando o conjugado temos

ez = ex (cos(y) − isen(y)) = ex (cos(−y) + isen(−y)) = ex−iy = ez .

$ Corolário 5. |ez |2 = ez ez = e2Re(z) = (eRe(z) )2 ⇒ |ez | = eRe(z) .


|ex+iy | = ex o que podemos provar também, facilmente, usando a forma trigo-
nométrica.

1.2 Definição de exponencial por meio de série de

potências

m Definição 2 (Função inteira). Uma função inteira é uma função analı́tica


em todo plano C.
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 5

Z Exemplo 1. Polinômios são funções inteiras.

m Definição 3 (Exponencial). Podemos definir a função exponencial de outras


maneiras equivalentes, por exemplo, podemos procurar uma função holomorfa
E : A → C onde A é um aberto, tal que E 0 (z) = E(z) e E(0) = 1. Podemos procurar
uma representação de tal tipo de função por meio de série de potências

X

E(z) = ak z k
k=0

pela sua relação com a derivada temos

X
∞ X

k
ak z = (k + 1)ak+1 zk
k=0 k=0

com a condição E(0) = a0 = 1, igualando os coeficientes das séries temos ak+1 =


ak (k + 1) com a0 = 1
ak+1 1
=
ak k+1
Y
n−1
implica aplicando o produto em ambos lados que
k=0

an 1
=
a0 n!
1
logo an = e temos nossa função dada por série de potências
n!
X

zk
E(z) = .
k=0
k!

O raio de convergência da série é infinito pois

|an |
lim = lim(n + 1) = ∞
|an+1 |

então podemos tomar o aberto A como o próprio C.


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 6

Podemos definir então exp : C → C por

X

zk
exp(z) = .
k=0
k!

A função é holomorfa em todo C, logo é uma função inteira.

1
b Propriedade 3. Vale que e−z =
e z
e ea+b = ea aeb .

ê Demonstração. Seja g : C → R com g(z) = ez ec−z . g é holomorfa e vale

g 0 (z) = ez ec−z − ez ec−z = 0

logo g é constante e como vale g(0) = ec temos

ez ec−z = ec .
1
Tomando c = 0 temos ez e−z = 1 logo e−z = . Agora tomando c = a + b e z = b
ez
tem-se
eb ea = ea+b .

$ Corolário 6.
enz = (ez )n ,
1
e−nz = = (ez )−n , ∀ n ∈ Z, z ∈ C.
enz

Z Exemplo 2. Ache a imagem de {z | Re(z) < 0, |Imz| < π} pela função


exponencial.
Tomando z = x + yi, temos x < 0 logo ex < e0 = 1 e −π < y < π. Os
pontos da imagem estão dentro da bola B(0, 1), pois |ez | = ex < 1. O ponto 0
não pertence a imagem pois não existe z tal que ez = 0. Da mesma maneira os
pontos x com −1 < x < 0 e y = 0 não pertencem a imagem pois, não podemos ter
simultaneamente sen(y) = 0 o que implica y = 0 e cos(y) = 1. Os outros pontos
do cı́rculo pertencem a imagem pois
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 7

ez = (ex cos(y), ex sen(y))

com −π < y < π e 0 < ex < 1, logo a imagem é

B(0, 1) \ {x ∈ R | x ≤ 0}.

Z Exemplo 3. Ache a imagem de {z | |Imz| < π2 } pela função exponencial.


−π π
Temos z = x + iy e <y<
2 2

ez = (ex cos(y), ex sen(y))

a imagem é o plano Re(z) > 0, pois é a união dos semicı́rculos com raio ex e
π π
ângulo variando entre − e .
2 2

p(z)
Z Exemplo 4. Mostre que e z
não pode ser escrito como
q(z)
, onde p e q são
polinômios sem raı́zes em comum.
Suponha por absurdo que seja

p(z)
ez =
q(z)

caso p possui uma raiz complexa z então

p(z)
ez = =0
q(z)
porém ez não se anula, absurdo. Caso p(z) seja constante c−1 deve ser não nula
pois ez não é função nula, então cq(z)ez = 1 então e−z = cq(z) o que não pode
valer também pois podemos tomar uma raiz de q e aplicar o mesmo argumento.
Não podemos ter p e q como constantes pois se não ez seria constante, o que não
vale.
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 8

Outra solução: Tomando a restrição para reais.

p(x)
1=
q(x)ex
|p(x)|
temos que lim |q(x)ex | = ∞ e lim = 0 chegamos em um absurdo pois a
x→∞ x→∞ |q(x)ex |
função deveria ser constante igual à 1.
Podemos resolver também usando derivada, supondo a igualdade, aplicamos
D − 1, onde D é a derivada em ambos lados, D − 1 anula ex então ficamos com

p 0 (x)q(x) − p(x)q 0 (x) p(x)


0= 2
− ⇒ p 0 (x)q(x) − p(x)q 0 (x) = p(x)q(x)
q(x) q(x)

o que não pode acontecer pois a derivada de um polinômio diminui seu grau o
grau no lado esquerdo da expressão é menor que do lado direito.

1.3 Funções trigonométricas

b Propriedade 4. Valem as identidades

eiθ + e−iθ
cos(θ) =
2

e
eiθ − e−iθ
sen(θ) = .
2i

ê Demonstração. Pois vale

eiθ = cos(θ) + isen(θ)

e−iθ = cos(θ) − isen(θ)


−e−iθ = −cos(θ) + isen(θ)
daı́
eiθ + e−iθ
cos(θ) =
2
e
eiθ − e−iθ
sen(θ) = .
2i
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 9

b Propriedade 5. Vale que

|cos(z)| ≥ |cos(x)|

para qualquer z = x + iy ∈ C.

ê Demonstração.

cos(x + iy) = cos(x)cos(iy) − sen(x)sen(iy) = cos(x)cosh(y) − isen(x)senh(y)

tomando o módulo segue

|cos(z)| ≥ cos2 (x)cosh2 (y) = |cos(x)||cosh(y)| ≥ |cos(x)|


p

onde usamos que cosh(y) ≥ 1 pois

ey + e−y √ y −y
cosh(y) = ≥ e e =1
2
por desigualdade das médias aritmética e geométrica .

1.4 Definições de funções trigonométricas por meio

de séries de potência

m Definição 4 (Função seno e cosseno). Definimos as funções seno e cosseno


de C em C respectivamente por meio das séries

X

(−1)k z2k+1
sen(z) =
k=0
(2k + 1)!
X

(−1)k z2k
cos(z) = .
k=0
(2k)!
Tais séries convergem em todo C pelo teste de Hadamard, nos dois casos vale

1
lim sup |an | n = 0 ⇒ R = ∞.
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 10

b Propriedade 6. Valem as propriedades

1. [cos(z)] 0 = −sen(z) e [sen(z)] 0 = cos(z).

2.
eiz + e−iz
cos(z) =
2
e − e−iz
iz
sen(z) =
2i

3. cos2 (z) + sen2 (z) = 1.

ê Demonstração.

1. Derivamos termo-a-termo as séries

X

(−1)k (2k + 1)z2k X

(−1)k z2k
sen(z) 0 = = = cos(z).
k=0
(2k + 1)! k=0
(2k)!

X

(−1)k (2k)z2k−1 X

(−1)k z2k−1 X

(−1)k z2k+1
cos 0 (z) = = =− = −sen(z).
k=0
(2k)! k=1
(2k − 1)! k=0
(2k + 1)!

2.
1 X ik zk (−1)k ik zk

( + )
2 (k)! (k)!
k=0

i2k z2k (−1)k z2k


quando o ı́ndice é da forma 2k o termo somado na série fica =
(2k)! (2k)!
quando o ı́ndice é 2k + 1 os termos se anulam resultando no que querı́amos
mostrar. Derivando a expressão de cos(z) chegamos em

ieiz − ie−iz −eiz + e−iz eiz − e−iz


−sen(z) = = ⇒ sen(z) = .
2 2i 2i

3. Tomamos g(z) = cos2 (z)+sen2 (z), temos g 0 (z) = −2sen(z)cos(z)+2sen(z)cos(z) =


0 e g(z) = 1, logo g(z) = 1∀ Z ∈ C.

Podemos demonstrar tal propriedade também usando as identidades cos(z) =


eiz + e−iz eiz − e−iz
e sen(z) = .
2 2i
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 11

m Definição 5 (Função periódica). Dizemos que f é periódica de perı́odo c ∈ C


se
f(z + c) = f(z) ∀ z ∈ C.

b Propriedade 7. Um perı́odo de ez : C → C é da forma c = 2kπi para algum


k ∈ Z.

ê Demonstração.
ez = ez+c ⇒ ec = 1

c = x + yi como |ec | = 1 então

|ex ||eyi | = 1 ⇒ x = 0

eiy = cos(y) + isen(y) = 1

o que implica y = 2kπ para algum k ∈ Z.

Z Exemplo 5. Descrever os conjuntos


1. {z | ez = i}.

2. {z | ez = −1}.

3. {z | ez = −i}.

4. {z | cos(z) = 0}.

5. {z | sen(z) = 0}.

1. |ez | = 1, sendo z = x + yi então 1 = ex , x = 0, isso em todos os casos que


tenhamos módulo 1. Daı́ temos que ter

π
cos(y) + isen(y) = i ⇔ y = + 2kπ,
2
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 12

π
então nosso conjunto contém apenas os elementos da forma ( + 2kπ)i, k ∈
2
Z.

2.
π
cos(y) + isen(y) = −1 ⇔ y = + 2kπ,
2
y = π+2kπ e o conjunto contém apenas os elementos da forma (π+2kπ)i, k ∈
Z.

3.

cos(y) + isen(y) = −i ⇔ y = + 2kπ,
2

então nosso conjunto contém apenas os elementos da forma ( + 2kπ)i, k ∈
2
Z.

4. cos(z) = 0 ⇒ eiz = −e−iz . Sendo iz = a + bi

ea (cos(b) + isen(b)) = −e−a (cos(b) + isen(−b))

π
tomando o módulo temos e2a = 1 logo a = 0. cos(b) = 0 logo b = +kπ = z.
2

5. sen(z) = 0 ⇒ eiz = e−iz . Sendo iz = a + bi

ea (cos(b) + isen(b)) = e−a (cos(b) + isen(−b))

tomando o módulo temos e2a = 1 logo a = 0. sen(b) = 0 logo b = kπ = z.

m Definição 6 (Tangente). Definimos a tangente de um número complexo


π
z 6= + kπ, k ∈ Z com
2
sen(z)
Tg(z) =
cos(z)
que é analı́tica em todo domı́nio.
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 13

1.5 Logaritmo
Nesta seção queremos definir uma inversa analı́tica para ez , ou seja uma função
ln(w) tal que
eln(w) = w.

m Definição 7 (Ramo do logaritmo). Seja A ⊂ C aberto conexo e f : A → C


contı́nua. Dizemos que f é um ramo do logaritmo se

ef(w) = w ∀ w ∈ G.

b Propriedade 8. As funções definidas como fk : C \ {0} → C por fk (w) =


ln(|w|) + i(arg(w) + 2kπ) com k ∈ Z satisfazem

efk (w) = w, ∀ w ∈ C \ {0}.

ê Demonstração. Vamos fazer uma dedução dessas expressões.


Suponha ez = w com x = x + iy, x, y ∈ R ⇒

ez = ex (cos(y) + isen(y)) = w

implica que y = arg(w) + 2kπ para algum k ∈ Z. Temos também que |w| = ex o
que implica x = ln |w|, onde esse ln é a função real já bem definida. Assim podemos
colocar fk (w) = ln(|w|) + i(arg(w) + 2kπ) que satisfaz

efk (w) = w, ∀ w ∈ C \ {0}.

b Propriedade 9. As funções fk não são contı́nuas em todo o plano.

ê Demonstração. fk (w) = ln(|w|) + i(arg(w) + 2kπ) . Fixamos a variação


1
0 ≤ arg(w) < 2π. Tomamos a sequência wn = xei(2π− n ) , n ∈ N, com x > 0 . Vale
1
que lim wn = x pois lim ei(2π− n ) = 1.
Por outro lado temos
1
fk (wn ) = ln(|x|) + i((2π − ) + 2kπ)
n
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 14

lim fk (wn ) = ln(|x|) + i(2π + 2kπ) 6= fk (x) = ln(|x|) + i(2kπ).

Tais funções não são contı́nuas na semi-reta

T = {z ∈ R, z ≥ 0}.

b Propriedade 10. Sejam f, g : A → C contı́nuas em A ⊂ C aberto conexo tais


que
ef(w) = eg(w) = w ∀ w ∈ A

então existe um inteiro K tal que

f(w) = g(x) + 2kπi.

ê Demonstração. Definimos
f(w) − g(w)
h(w) = ,
2πi
h é contı́nua, vamos mostrar que ela possui imagem em Z.

ef(w) = eg(w) ⇒ ef(w)−g(w) = 1 ⇒ f(w) = g(w) + 2kπi, κ ∈ Z

logo h(w) = k ∈ Z. Por continuidade h é constante.

h(k) = k, ∀ w ∈ A ⇒ f(w) = g(w) + 2kπi.

Vamos fixar arg(w) em [−π, π) e com isso T = {z ∈ R | z ≤ 0}, A = C \ T , cada


fk : A → C. observe que A é aberto pois T é fechado.

Z Exemplo 6. Para quaisquer k , k 1 2 ∈ Z valem

efk1 (w) = efk2 (w)

e as funções diferem por constante pois

fk1 = fk2 + 2(k1 − k2 )π

Resumindo as afirmações, pelo que mostramos acima, a menos da soma de uma


constante 2kπi, existe apenas um ramo do logaritmo definido no aberto A = C \ T .
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 15

m Definição 8. Definimos ln : A → C a função com

ln(w) = ln |w| + iarg(w)

e arg(w) em [−π, π)

b Propriedade 11. fk : C \ T → C é analı́tica.

ê Demonstração. A função ln : A → C definida com ln(z) = ln |z| + iarg(z) é


analı́tica pois eln(z) = z e ez não se anula, usamos então propriedade da derivada da
1
função inversa para concluir que ln(z) 0 = .
z

b Propriedade 12. Suponha que f : A → C é um ramo do logaritmo e n ∈ Z,


então

zn = enf(z) , ∀ z ∈ A.
Y
n
ê Demonstração. Sabemos que z = e f(z)
, então aplicando o produto temos
k=1

Y
n Y
n
n
z=z = ef(z) = enf(z)
k=1 k=1

por propriedade de produto de exponencial.

Z Exemplo 7. Seja A = C \ {z | z ≤ 0} e n ∈ N∗ fixado, encontre todas funções


f : A → C analı́ticas tais que z = [f(z)]n ∀ z ∈ A.
1
Seja g(z) = e n ln(z) onde ln(z) é o ramo principal do logaritmo, temos que

g(z)n = eln(z) = z

vale também que g(z) 6= 0 ∀ z ∈ A, pois ez não se anula. Seja f função que satisfaz
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 16

f(z)n = z∀ z ∈ A então
f(z) n
( ) = 1 ∀ z ∈ A.
g(z)
| {z }
yz

Para z fixo, temos uma equação do tipo ynz = 1, então yz é uma raiz n-ésima
f(z)
da unidade e daı́ f(z) = yz g(z) como = yz é contı́nua e as raı́zes da unidade
g(z)
formam formam um subconjunto discreto de C, então yz = y é uma constante e
daı́ f(z) = yg(z), onde y é uma raiz n-ésima da unidade. Logo temos exatamente
n funções com essa propriedade.

Z Exemplo 8. Não existe ramo do logaritmo definido em G = C \ {0}.


Seja A = C \ {z ∈ C | z ≤ 0} ⊂ G, ln(z) o ramo principal do logaritmo em A,

ln(z) = ln |z| + iarg(z), arg(z) ∈ (−π, π).

Suponha por absurdo que f(z) seja um ramo do logaritmo definido em G, então
f|A é um ramo de logaritmo em A, logo difere do ramo principal por 2πik com
k ∈ Z fixo, logo
f(z) = ln |z| + iarg(z) + 2πik ∀ z ∈ A.

Por suposição f é analı́tica em G, f é contı́nua em −1, porém

lim f(z) = iπ + 2πik


z→−1, Im(z)>0

lim f(z) = −iπ + 2πik


z→−1, Im(z)<0

não é contı́nua.

Z Exemplo 9. Mostre que a parte real de z 1


2 é sempre positiva.
Podemos escrever

1
1 1 1 1 iarg(z)
z 2 = eln z 2 = e 2 ln(z) = e 2 (ln |z|+iarg(z)) = e 2 ln |z| e 2
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 17

arg(z)
logo para termos parte real positiva precisamos ter cos( ) > 0, porém isso
2
acontece pois com o ramo principal do logaritmo

−π arg(z) π
< <
2 2 2

onde o cosseno é positivo.

1.6 Transformação de Möbius

m Definição 9 (Transformação de Möbius). Uma aplicação da forma

az + b
s(z) = , a, b, c, d ∈ C
cz + d

é chamada de fração parcial. Quando ad − bc 6= 0, dizemos que S é uma


transformação de Möbius.
d
A princı́pio S não está definida no ponto z = − . Mas podemos ver S como
c
função definida no plano complexo estendido C 0 = C∞ = C ∩ {∞}.
a −d
Com isso definimos S : C 0 → C 0 com s(∞) = e s( ) = ∞.
c c

dz − b
b Propriedade 13. Se S é transformação de Mobius, S−1 (z) =
−cz + a

inversa de S. Além disso S−1 também é transformação de Möbius.

ê Demonstração.

b Propriedade 14. O conjunto das transformações de Möbius forma um grupo


com a operação de composição.

ê Demonstração.

m Definição 10 (Translação). s(z) = z + a.


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 18

m Definição 11 (Dilatação). s(z) = az com a 6= 0 ∈ C.

m Definição 12 (Rotação). s(z) = eiθ z.

1
m Definição 13 (Inversão). s(z) = .
z

Z Exemplo 10. Ache os pontos fixos de dilatações, translações e inversões em


C∞ .
Dilatação.

• Se a = 1, então todo ponto do domı́nio da dilatação é ponto fixo, pois vale


S(z) = az = z.

• Se a 6= 1 então 0 e ∞ são os únicos pontos fixos pois s(0) = a.0 = 0,


S(∞) = a.∞ = ∞. Supondo um outro ponto fixo não nulo e finito, temos

az = z ⇒ a = 1

o que contraria a hipótese.

Os únicos pontos fixos da inversão são z = 1 e z = −1, pois

1
= z ⇒ 1 = z2 ⇔ z = 1, z = −1
z

se z = ∞ a transformação leva em 0 e o 0 é levado em infinito. Então 1 e −1 são


os únicos pontos fixos.
Pontos fixos da translação

• Se a = 0, todo ponto é fixo.


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 19

• Se a 6= 0 então temos único ponto fixo como o infinito, pois ∞ + a = ∞ e


caso z ∈ C
z+a=z⇔a=0

o que contraria a hipótese.

b Propriedade 15. Se S é transformação de Möbius, então S é uma composição


de translações, dilatações e inversões.

az + b az b az
ê Demonstração. Caso c = 0, s(z) = = + . Definimos s1 (z) = e
d d d d
b
s2 (z) = z + . Agora separamos em dois casos
a
a
1. Se > 0 então s1 é dilatação e temos
d
b az ab az b
s1 ◦ s2 (z) = s1 (z + )= + = + = s(z).
a d ad d d

a −az
2. Caso < 0 fazendo s 0 (z) = eπi z = −z e s 00 (z) = , temos
d d
−az az az b az + b
S2 ◦ S 0 ◦ S 00 (z) = S2 ◦ S 0 ◦ ( ) = S2 ( ) = + =
d d d d d
b
onde S2 (z) = z + .
d
d 1 bc − ad a
Caso c 6= 0, colocamos s1 (z) = z + , s2 (z) = , s3 (z) = 2
z e s4 (z) = z + ,
c z c c
neste caso
d
s(z) = s4 ◦ s3 ◦ s2 ◦ s1 (z) = s4 ◦ s3 ◦ s2 (z +
)=
c
c bc − ad bc − ad a b + az
= s4 ◦ s3 ( ) = s4 ( )= + = .
cz + d c(zc + d) c(zc + d) c d + zc

b Propriedade 16. Uma transformação de Möbius tem no máximo dois pontos


fixos , se não for a identidade, que são raı́zes da equação de segundo grau

cz2 + (d − a)z − b = 0.
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 20

ê Demonstração. Supondo um ponto fixo da transformação de Möbius


az + b
s(z) = z = ⇒ az + b = cz2 + dz ⇒ cz2 + (d − a)z − b = 0.
cz + d
então uma transformação de Möbius diferente da identidade tem no máximo dois
pontos fixos.

b Propriedade 17. Suponha que S e T são transformações de Möbius satisfa-


zendo 

 S(a) = T (a)


S(b) = T (b)




S(c) = T (c)
Com a, b, e c pontos distintos de C∞ , então T = S.

ê Demonstração. Temos que





−1
 T ◦ S(a) = a
T −1 ◦ S(b) = b


 T −1 ◦ S(c) = c

Então T −1 ◦ S é uma transformação de Möbius com 3 pontos fixos distintos, logo é a


identidade, valendo T −1 ◦ S = I e daı́ T = S.

$ Corolário 7. Uma transformação de Möbius fica determinada quando são


dados 3 pontos distintos, pois se, pelo resultado anterior duas transformações
assumem mesmo valor em 3 pontos então elas são idênticas.

m Definição 14. Fixados z2 , z3 , z4 ∈ C∞ definimos S : C∞ → C∞ da seguinte


forma
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 21

 z−z z −z


3 2 4
se z2 , z3 , z4 ∈ C




z − z4 z2 − z3

 z − z3
 se z2 = ∞
S(z) = z − z4


z2 − z4
se z3 = ∞



 z − z4

 z − z3
 se z4 = ∞
z2 − z3
Temos 

 s(z2 ) = 1


S(z) = s(z3 ) = 0




s(z4 ) = ∞
Pelo que vimos S é a única transformação de Mobius com essa propriedade.

$ Corolário 8. Existe transformação de Mobius S 0 com

s 0 (z2 ) = w2 , s 0 (z3 ) = w3 s 0 (z4 ) = w4

para quaisquer z2 , z3 , z4 , w2 , w3 , w4 ∈ C∞ . Para ver isso, basta tomar uma


transformação t com t(w2 ) = 1, t(w3 ) = 0, t(w4 ) = ∞ e daı́ temos a transformação
S 0 = T −1 ◦ S com
T −1 ◦ S(z2 ) = w2

T −1 ◦ S(z3 ) = w3

T −1 ◦ S(z4 ) = w4 .

Onde S é exatamente a transformação definida no item anterior.

Z Exemplo 11. Existe transformação T , tal que T : G → D, seja uma bijeção


analı́tica? Onde G = {z | Re(z) > 0}, D = {z | |z| < 1}. Uma transformação que
envia os pontos de um semiplano aberto no interior de um disco de raio 1.
Fixados 0, i e −i, existe transformação S tal que s(−i) = 1, s(0) = 0 e s(i) = ∞
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 22

e ela assume a forma


z −2i 2z
s(z) = = .
z − i −i z−i
Vale que Re(z) ⇔ Im(s(z)) > 0, pois

ab − a(b − 1) a
Im(s(z)) = = 2 .
a + (b − 1)
2 2 a + (b − 1)2

Agora tomamos uma transformação que envia o disco no semiplano aberto


com Im(z) > 0. Definimos a transformação s1 com

s1 (−i) = 1, s1 (−1) = 0, s1 (i) = ∞.

2i z + 1
Ela assume a forma s1 (z) = e vale |z| < 1 ⇔ Im(s1 (z)) > 0
i−1z−i
pois , sendo z = a + bi

(2i)(a + bi + 1) −2b + 2(a + 1)i


s1 (z) = =
(i − 1)(a + bi − i) (1 − b − a) + i(1 − b + a)

agora tomamos a parte imaginária usando a expressão

a + bi bx − ay
Im( )= 2
x + yi x + y2

usando a expressão com os valores acima temos

2(a + 1)(1 − b − a) + 2b(1 − b + a) 2 − 2a2 − 2b2 1 − a2 − b2


Im(s1 (z)) = = =
(1 − b − a)2 + (1 − b + a)2 2[(1 − b)2 + a2 ] [(1 − b)2 + a2 ]

que é maior que 0 ⇔ a2 + b2 < 1 ⇔ |z| < 1. Tomando z = a + bi temos

2i −2b + 2(a + 1)i


s1 (z) = =
i−1 (1 − b − a) + i(1 − b + a)
usando a identidade
a + bi bx − ay
Im( )= 2
x + yi x + y2
tem-se

2(a + 1)(1 − b − a) + 2b(1 − b + a) 1 − a2 − b2


Im(s1 (z)) = = > 0 ⇔ a2 +b2 < 1 ⇔ |z| < 1.
(1 − b − a) + (1 − b + a)
2 2 (1 − b) + a
2 2
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 23

1
S−
1 ◦S

é uma dessas funções que queremos. Com isso construı́mos bijeção entre G =
{Re(z) > 0} e D = {|z| < 1}. Bijeção entre o semiplano aberto e o disco aberto.

z−1
T (z) = s1 ◦ S(z) = .
z+1
A função assume essa forma pois

1
S−
1 ◦ S(−i) = −i = T (−i)

1
1 ◦ S(0) = −1 = T (0)
S−

1
S−
1 ◦ S(i) = i = T (i).

b Propriedade 18. Seja G uma região e suponha que f : G → C analı́tica tem


imagem em um cı́rculo, nessas condições f é constante.

ê Demonstração.
Basta provar o caso para o caso do cı́rculo de raio 1 e centro em 0, pois se f
tivesse imagem em um cı́rculo de raio r e centro a, então

f(z) − a
f(z) = a + reiθz ⇔ = eiθz
r
| {z }
g(z)

g(z) é analı́tica e possui pontos no cı́rculo de centro 0 e raio 1. g é constante ⇔ f é


constante, então vamos provar o teorema para g.
2i z + 1
Seja a transformação s1 (z) = vale |z| = 1 ⇔ Im(s1 (z)) = 0, isto é, tal
i−1z−i
transformação leva pontos do cı́rculo na reta real, pois , sendo z = a + bi
(2i)(a + bi + 1) −2b + 2(a + 1)i
s1 (z) = =
(i − 1)(a + bi − i) (1 − b − a) + i(1 − b + a)
agora tomamos a parte imaginária usando a expressão
a + bi bx − ay
Im( )= 2
x + yi x + y2
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 24

usando a expressão com os valores acima temos


2(a + 1)(1 − b − a) + 2b(1 − b + a) 2 − 2a2 − 2b2 1 − a2 − b2
Im(s1 (z)) = = = = 0.
(1 − b − a)2 + (1 − b + a)2 2[(1 − b)2 + a2 ] [(1 − b)2 + a2 ]
Como g é analı́tica, seus zeros são pontos isolados, então podemos tomar g em
uma bola B em que não tenhamos g(z) = i para algum i, daı́ a função T : B → R com
2i g(z) + 1
T (z) =
i − 1 g(z) − i
é uma função analı́tica em B com imagem em R, logo T é constante o que implica g
ser constante em B , por g ser contı́nua e G um região, segue que g é constante com
mesmo valor em todo G.

m Definição 15 (Razão cruzada). Se z1 ∈ C∞ então (z1 , z2 , z3 , z4 ) chamada de


razão cruzada de z1 , z2 , z3 e z4 é a imagem de z1 sobre a única transformação de
Möbius que leva z2 → 1, z3 → 0 e z4 → ∞.

Z Exemplo 12. Calcular


• (7 + i, 1, 0, ∞) .

• (2, 1 − i, 1, 1 + i) .

• (0, 1, i, −1) .

• (i − 1, ∞, 1 + i, 0) .

Temos as expressões para as transformações

• T (z) = z, logo T (7 + i) = 7 + i.

2(z − 1) 2
• T (z) = logo T (2) = = 1 + i.
(z − 1 − i) 1−i
2(z − i)
• T (z) = logo
(z + 1)(1 − i)

2(−i) −2i(1 + i)
T (0 ) = = = −i − i2 = −i + 1.
(1 − i) 2
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 25

z−1−i i−1−1−i −2
• T (z) = daı́ T (i − 1) = = = 1 + i.
z i−1 i−1

Z Exemplo 13. Se t(z) = az +b


cz + d
encontre z , z , z 2 3 4 em termos de a, b, c e d
tais que
t(z) = (z, z2 , z3 , z4 ).

• Caso I .

Se z2 , z3 , z4 ∈ C temos

z − z3 z2 − z4 (z2 − z4 )z − z3 (z2 − z4 ) az + b
t(z) = = =
z − z4 z2 − z3 (z2 − z3 )z − z4 (z2 − z3 ) cz + d

a = z2 − z4

b = −(z2 − z4 )z3

c = z2 − z3

d = −(z2 − z3 )z4
−b −d
se a, c 6= 0 então b = −az3 e d = −cz4 o que implica z3 = , z4 = ,
a c
d
z2 = a + z4 = a −
c

logo temos
d −b −d
z2 = a − , z3 = , z4 = .
c a c

• Caso II .

Se c 6= 0, a = 0 não podemos ter z2 , z3 e z4 ∈ C, a transformação do tipo

b z2 − z4
=
cz + d z − z4
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 26

b 1 z − 2 − z4
d
=
cz+ c
z − z4
b d −d b b d
daı́ z2 − z4 = , −z4 = ⇒ z4 = o que implica z2 = + z4 = −
c c c c c c
−d b−d
z4 = , z2 = , z3 = ∞.
c c

• Caso III .

Se a 6= 0, c = 0 não podemos ter z2 , z3 e z4 ∈ C, a transformação do tipo

az + b z − z3 a b
= = (z + )
d z2 − z3 d a
b a a a b
z4 = ∞, −z3 = z2 − z3 = ⇒ z2 = + z3 = − então
a d d d a

−b a b
z3 = , z2 = − .
a d a

• Caso IV .

Caso z2 = ∞, temos

z − z3 az + b
= ⇒a=1=c
z − z4 cz + d

z3 = −b, z4 = −d.

az + b
b Propriedade 19. Se T (z) =
cz + d
transformação não constante, então
T (R∞ ) = R∞ ⇔ podemos tomar a, b, c, d ∈ R.

ê Demonstração. Estamos considerando ∞ como o infinito em módulo.


⇒).
É claro que temos T : R∞ → R∞ , pois os coeficientes são reais além disso
−d
T( ) = ∞, c 6= 0
c
ou T (∞) = ∞ caso contrário. Agora vamos mostrar que para qualquer t ∈ R existe
z ∈ R tal que T (z) = r.
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 27

az + b td − b
= t ⇒ z(a − tc) = td − b ⇒ z =
cz + d a − tc
a não pode ser tc, pois se não td = b e daı́ a transformação seria constante, logo
temos T sobrejetora.
⇐). Suponha que T (R∞ ) = R∞ , na transformação, não podemos ter simultanea-
mente c = d = 0. Suponha inicialmente c = 0
az + b
t(z) = .
d
b a b a a
Vale t(0) = ∈ R, t(1) = + ⇒ T (1) − T (0) = ∈ R. = t ∈ R logo a = td,
d d d d d
b
= s ∈ R daı́ b = sd, logo
d
az + b tdz + sd
T (z) = = = tz + s
d d
pode ser simplificada por uma expressão com coeficientes em R.
a a+b b
Caso d = 0, T (∞) = = s ∈ R, t(1) = ∈ R logo −T (1) + T (∞) = = t ∈ R,
c c c
disso
t(z) = sz + t.

E no último caso c, d 6= 0
b a −d d
T (0 ) = , T (∞) = = t ∈ R, T ( )=∞⇒ =s∈R
d c c c
bd b
da primeira e terceira temos = = u ∈ R, temos a = tc, d = sc, b = uc e daı́
dc c
tcz + uc tz + u
t(z) = =
cz + sc z+c

Z Exemplo 14. Seja T uma transformação de Möbius com pontos fixos z1 e


z2 . Se S é uma transformação de Möbius então S−1 TS tem pontos fixos S−1 (z1 ) e
S−1 (z2 ), pois supondo T (z) = z, temos

S−1 TS(S−1 (z)) = S−1 T (z) = S−1 (z).


CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 28

b Propriedade 20. Uma transformação de Möbius tem 0 e ∞ como pontos


fixos ⇔ é uma dilatação (não identidade).

ê Demonstração. ⇐ .) Uma dilatação tem apenas 0 e ∞ como pontos fixos, se


ela não é a identidade.
⇒).
Supondo um ponto fixo da transformação de Möbius
az + b
s(z) = z = ⇒ az + b = cz2 + dz ⇒ cz2 + (d − a)z − b = 0.
cz + d
z = 0 sendo ponto fixo implica b = 0, não podemos ter d = 0 pois se não a função
seria indefinida em 0, como s(∞) = ∞ devemos ter c = 0 e daı́ a transformação é
do tipo
az
s(z) =
d
que é uma dilatação.

b Propriedade 21. Uma transformação de Möbius satisfaz T (0) = ∞ e T (∞) =


a
0 ⇔ T (z) = , para algum a ∈ C.
z

ê Demonstração.
⇐). Basta aplicar os valores.
⇒). Seja
az + b a + bz
T (z) = =
cz + d c + dz
b b
T (∞) = 0 implica a = 0, sendo portanto da forma , tomando z = 0, temos ,
cz + d d
se d 6= 0, então deve valer d = 0 para que o resultado seja infinito e daı́
b
T (z) =
cz
como querı́amos demonstrar.

b Propriedade 22. Seja T uma transformação de Möbius ( não identidade), se


S e T possuem os mesmos pontos fixos então S comuta com T .
CAPÍTULO 1. FUNÇÕES COMPLEXAS 29

ê Demonstração. Se T possui pontos fixos z1 e z2 então S−1 TS tem pontos fixos


S−1 (z1 ) e S−1 (z2 ). Se 0 e ∞ são os únicos pontos fixos, temos dilatação e se ∞ é
o único ponto fixo temos translação. S e T possuem um ou dois pontos fixos, se
tivessem mais pontos fixos seriam a identidade.
Se T e S tem apenas um ponto fixo z1 , T (z1 ) = z1 = T (z2 ), seja W transformação
de Möbius com W(∞) = z1 , daı́ W −1 (z1 ) = ∞ daı́ W −1 TW e W −1 SW tem W −1 (z1 ) = ∞
como ponto fixo e portanto ambas são translações, que comutam, logo

W −1 TWW −1 SW = TS = W −1 SWW −1 TW = ST

então comutam.
Se T e S possuem dois pontos fixos, seja W uma transformação de Möbius que
faz W(∞) = z1 e W(0) = z2 então W −1 (z1 ) = ∞ e W −1 (z2 ) = 0 logo W −1 TW e W −1 SW
tem 0 e ∞ como pontos fixos, sendo portanto dilatações que comutam, pelo mesmo
argumento anterior chegamos que TS = ST.

1.7 Exercı́cios
1. Encontre as raı́zes de z2 +
√ (2i − 3)z + 5 − i.
−2i + 3 ± −15 − 8i
Resposta: z = .
2
√ √
1+ 7 −1 + 7 π
2. Deduza que z = + i( ) satisfaz arg(z + i) = e |z| = 2.
2 2 4
3.

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