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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL

ANA CAROLINA MORENO NUNES

CORRELAÇÃO POR IMAGEM DIGITAL PARA O MONITORAMENTO DE


DEFORMAÇÕES CAUSADAS POR REAÇÕES EXPANSIVAS EM PRISMAS
DE CONCRETO

CURITIBA

2021
ANA CAROLINA MORENO NUNES

CORRELAÇÃO POR IMAGEM DIGITAL PARA O MONITORAMENTO DE


DEFORMAÇÕES CAUSADAS POR REAÇÕES EXPANSIVAS EM PRISMAS
DE CONCRETO

Dissertação apresentada como requisito


parcial à obtenção do grau de Mestre em
Engenharia Civil, no Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Civil, Setor de
Tecnologia, da Universidade Federal do
Paraná.
Orientador: Prof. Dr. Ricardo Pieralisi

CURITIBA
2021
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
SETOR DE TECNOLOGIA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO ENGENHARIA CIVIL -
40001016049P2

ATA Nº403

ATA DE SESSÃO PÚBLICA DE DEFESA DE MESTRADO PARA A OBTENÇÃO DO


GRAU DE MESTRA EM ENGENHARIA CIVIL

No dia cinco de outubro de dois mil e vinte e um às 09:00 horas, na sala Microsoft Teams, Ambiente virtual, foram instaladas as
atividades pertinentes ao rito de defesa de dissertação da mestranda ANA CAROLINA MORENO NUNES, intitulada: Correlação
por imagem digital para o monitoramento de deformações causadas por reações expansivas em prismas de concreto, sob
orientação do Prof. Dr. RICARDO PIERALISI. A Banca Examinadora, designada pelo Colegiado do Programa de Pós-Graduação
ENGENHARIA CIVIL da Universidade Federal do Paraná, foi constituída pelos seguintes Membros: RICARDO PIERALISI
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ), RONALDO ALVES DE MEDEIROS JUNIOR (UNIVERSIDADE FEDERAL DO
PARANÁ), LUIS ALBERTO CORONADO MONTOYA (55001482). A presidência iniciou os ritos definidos pelo Colegiado do
Programa e, após exarados os pareceres dos membros do comitê examinador e da respectiva contra argumentação, ocorreu a
leitura do parecer final da banca examinadora, que decidiu pela APROVAÇÃO. Este resultado deverá ser homologado pelo
Colegiado do programa, mediante o atendimento de todas as indicações e correções solicitadas pela banca dentro dos prazos
regimentais definidos pelo programa. A outorga de título de mestra está condicionada ao atendimento de todos os requisitos e
prazos determinados no regimento do Programa de Pós-Graduação. Nada mais havendo a tratar a presidência deu por encerrada a
sessão, da qual eu, RICARDO PIERALISI, lavrei a presente ata, que vai assinada por mim e pelos demais membros da Comissão
Examinadora.

CURITIBA, 05 de Outubro de 2021.

Assinatura Eletrônica
06/10/2021 11:54:34.0
RICARDO PIERALISI
Presidente da Banca Examinadora

Assinatura Eletrônica
06/10/2021 16:06:54.0
RONALDO ALVES DE MEDEIROS JUNIOR
Avaliador Interno (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ)

Assinatura Eletrônica
08/11/2021 11:49:34.0
LUIS ALBERTO CORONADO MONTOYA
Avaliador Externo (55001482)

Centro Politécnico - CURITIBA - Paraná - Brasil


CEP 81531-980 - Tel: (41) 3361-3110 - E-mail: ppgecc@ufpr.br
Documento assinado eletronicamente de acordo com o disposto na legislação federal Decreto 8539 de 08 de outubro de 2015.
Gerado e autenticado pelo SIGA-UFPR, com a seguinte identificação única: 117363
Para autenticar este documento/assinatura, acesse https://www.prppg.ufpr.br/siga/visitante/autenticacaoassinaturas.jsp
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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
SETOR DE TECNOLOGIA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO ENGENHARIA CIVIL -
40001016049P2

TERMO DE APROVAÇÃO

Os membros da Banca Examinadora designada pelo Colegiado do Programa de Pós-Graduação ENGENHARIA CIVIL da
Universidade Federal do Paraná foram convocados para realizar a arguição da dissertação de Mestrado de ANA CAROLINA
MORENO NUNES intitulada: Correlação por imagem digital para o monitoramento de deformações causadas por reações
expansivas em prismas de concreto, sob orientação do Prof. Dr. RICARDO PIERALISI, que após terem inquirido a aluna e
realizada a avaliação do trabalho, são de parecer pela sua APROVAÇÃO no rito de defesa.
A outorga do título de mestra está sujeita à homologação pelo colegiado, ao atendimento de todas as indicações e correções
solicitadas pela banca e ao pleno atendimento das demandas regimentais do Programa de Pós-Graduação.

CURITIBA, 05 de Outubro de 2021.

Assinatura Eletrônica
06/10/2021 11:54:34.0
RICARDO PIERALISI
Presidente da Banca Examinadora

Assinatura Eletrônica
06/10/2021 16:06:54.0
RONALDO ALVES DE MEDEIROS JUNIOR
Avaliador Interno (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ)

Assinatura Eletrônica
08/11/2021 11:49:34.0
LUIS ALBERTO CORONADO MONTOYA
Avaliador Externo (55001482)

Centro Politécnico - CURITIBA - Paraná - Brasil


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Aos meus pais Ana Maria e Francisco,
aos meus irmãos Anderson, Bruno e
Breno e à minha sobrinha Lívia pelo
apoio em todos os momentos e por me
ajudarem a ser uma pessoa melhor a
cada dia.
AGRADECIMENTOS

À Deus, autor da minha vida e da minha fé, agradeço pela sabedoria e


pelo equilíbrio dado nos momentos de desafio, e por me iluminar até a conclusão
deste trabalho.

À minha família, por todo apoio no período em que me dediquei a esta


pesquisa. Em especial, agradeço à minha mãe e ao meu pai, que durante os
ensaios presenciais na pandemia me auxiliaram em todo tempo. Sem eles nada
disso seria possível.

Ao meu professor e orientador Dr. Ricardo Pieralisi, agradeço por toda


paciência e pela maestria na condução deste trabalho, reconhecendo nossas
limitações em termos técnicos devido à pandemia de Covid-19, e propondo
desafios de crescimento profissional a mim.

À Carolina Tesser, aluna de iniciação científica que me acompanhou,


mesmo à distância, desde o início dos procedimentos laboratoriais. Agradeço
por todo auxílio, empenho e proatividade em ajudar e propor soluções para cada
desafio que surgiu ao longo da caminhada.

Ao Henrique Degraf, amigo e companheiro de estudos desde a


graduação. Agradeço por todo o auxílio e apoio no manuseio dos materiais e na
realização de ensaios em laboratório, bem como pelo incentivo sempre presente
na trajetória acadêmica.

Aos colegas de mestrado, em especial, aos que dividiram os corredores


e laboratórios comigo em tempos de distânciamento social com responsabilidade
coletiva.

À Universidade Federal do Paraná (UFPR), em especial ao Programa de


Pós-Graduação em Engenharia Civil (PPGEC) e ao Centro de Estudos em
Engenharia Civil (CESEC) pela oportunidade de desenvolver esta pesquisa e por
toda infraestrutura cedida para realização de experimentos e procedimentos em
laboratório.

À Agência Nacional de Águas (ANA), à Coordenação de Aperfeiçoamento


de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e ao Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo financiamento do projeto
no qual esta pesquisa está inserida.

À Itambé Cimentos pelo fornecimento do material cimentício utilizado


neste trabalho.

À Viapol pelo fornecimento das macrofibras poliméricas utilizadas em um


dos estudos experimentais realizados nesta pesquisa.

À todos que, de alguma forma, contribuíram positivamente para o êxito


deste trabalho. Obrigada!
“(...) sobre o que percorri
não comparo com ninguém
mas não posso ignorar
o melhor que tenho feito”.

Maxwell Santos
RESUMO

NUNES, A. C. M. Correlação por Imagem Digital para o monitoramento de


deformações causadas por reações expansivas em prismas de concreto.
150f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil). Programa de Pós-Graduação
em Engenharia Civil, Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2021.
O processo de formação de fissuras é inerente a compósitos de base cimentícia.
No entanto, a progressão de fissuras pode estar relacionada à situações
operacionais, como sobrecarga, alteração da função principal para qual a
edificação foi projetada ou, início de um processo de degradação. A Reação
Álcali-Agregado (RAA) é uma reação físico-química responsável pela ocorrência
de processos expansivos no interior do concreto, que culmina na formação de
fissuras mapeadas em todo o elemento afetado. Após o início das reações, as
medidas mitigadoras demandam altos investimentos e nem sempre são
eficientes. Dessa forma, a melhor maneira de evitar a RAA é a prevenção. Sabe-
se que a presença de agregados reativos é um dos fatores necessários para a
ocorrência da reação deletéria. Assim, é necessário que os ensaios de
caracterização dos materiais sejam precisos e confiáveis. Nesse contexto, esta
pesquisa teve como objetivo a utilização da técnica de Correlação por Imagem
Digital (do inglês Digital Image Correlation - DIC) no monitoramento do
aparecimento e progressão de fissuras causadas por RAA em ensaio de
reatividade de agregados. A DIC é uma técnica que combina o registro e
processamento de imagens para obter o campo de deslocamentos de uma
região a partir de um padrão de pontos aleatórios. Para atingir esse objetivo, a
pesquisa foi dividida em duas fases. Na primeira fase o foco consistiu em
entender as capacidades da técnica. Nesse sentido, a DIC foi utilizada para
capturar deformações e formações de fissuras durante o ensaio Montevidéu.
Este teste é utilizado no controle de qualidade do Concreto Reforçado com
Fibras. A segunda fase da pesquisa teve como objetivo a utilização da DIC como
ferramenta para monitorar as deformações dos corpos de prova durante o ensaio
do Método Brasileiro Acelerado de Prismas de Concreto para avaliar a
reatividade de agregados. Na primeira fase, a abertura da fissura principal, a
partir de seu ponto inicial, foi determinada com precisão pela DIC. Além disso, o
uso da técnica mostrou a possibilidade de detecção da progressão da fissura
com o aumento da carga. Na segunda fase, não foi possível realizar o
monitoramento dos deslocamentos relacionados às expansões de RAA por meio
da DIC. Isso porque houve indisponibilidade do agregado reativo definido no
planejamento da campanha experimental, além da falta de aparatos que
permitissem maior precisão na coleta de imagens. Desse modo, por ser um
monitoramento discreto, não foi possível realizar correlações precisas com os
resultados advindos da DIC, devido aos erros embutidos no registro dos níveis
de deformação atingidos pelo compósito cimentício.
Palavras-chave: Reação Álcali-Agregado. Correlação por Imagem Digital.
Método Acelerado Brasileiro de Prismas de Concreto. Ensaio Montevidéu.
Concreto Reforçado com Fibras.
ABSTRACT

NUNES, A. C. M. Digital Image Correlation for monitoring deformations


caused by expansive reactions in concrete prisms. 150f. Dissertation (M.Sc
in Civil Engineering). Post-graduate Program in Civil Engineering, Federal
University of Parana. Curitiba, 2021.
The crack formation process is inherent to the concrete due to cement-based
composites. However, the progress of the cracks may be related to operational
situations, such as overload, change of the primary designed function, or the
beginning of a degradation process. The Alkali-Aggregate Reaction (AAR) is a
physicochemical reaction responsible for the occurrence of expansive processes
inside the concrete, which culminates in the formation of mapped cracks in the
entire affected element. After the beginning of the reactions, the mitigating
measures demand high investments and are not always efficient. Thus, the best
way to avoid AAR is prevention. It is known that the presence of reactive
aggregates is one of the necessary factors for the occurrence of the deleterious
reaction. Thus, the characterization tests of the materials need to be accurate
and reliable. In this context, this research aimed to use the Digital Image
Correlation (DIC) technique to monitor the appearance and progression of cracks
caused by AAR in an aggregate reactivity test. DIC is a technique that combines
image registration and processing to obtain the displacement field of a region
from a pattern of random points. To achieve this objective, the research was
divided into two phases. The first phase focused to understand the capabilities of
the technique, where DIC was used to capture deformations and the cracks
formations during the Montividéo test. This test is used in the quality control Fiber
Reinforced Concrete. The second phase focused on the development of a
prototype that uses DIC as a tool to monitor the specimens deformations during
the Accelerated Brazilian Concrete Prism Test to evaluate the reactivity of the
aggregates. During the first phase, the crack month opening was accurately
characterized by the DIC. Moreover, DIC opened the possibility of detecting the
crack progression along with the load increase. In the second phase, it was not
possible to monitor displacements related to RAA expansions through DIC. This
is because there was the unavailability of the reactive aggregate defined in the
planning of the experimental campaign, in addition to the lack of equipment that
would allow greater precision in image collection. Thus, as it is a discrete
monitoring, it was not possible to make precise correlations with the results
arising from the DIC, due to the errors embedded in the recording of the
deformation levels reached by the cementitious composite.
Keywords: Alkali-Aggregate Reaction. Digital Image Correlation. Accelerated
Brazilian Concrete Prism Test. Montevidéu Test. Fiber Reinforced Concrete.
LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 - ESTRUTURAÇÃO GERAL DO ESTUDO. .................................... 16

FIGURA 2 - CONCEITOS ABORDADOS NA REVISÃO DA LITERATURA. .... 16

FIGURA 3 - LINHA DO TEMPO DAS PRINCIPAIS NORMATIVAS PARA


ENSAIOS DE REATIVIDADE DE AGREGADOS. ......................... 22

FIGURA 4 - FISSURAS POR RAA EM BLOCO DE FUNDAÇÃO EM RECIFE –


BRASIL (a); FISSURAS EM MAPA EM DIQUE DE BARRAGEM DE
CONCRETO – URUGUAI (b). ....................................................... 23

FIGURA 5 - FATORES QUE INFLUENCIAM A OCORRÊNCIA DE RAA. ....... 28

FIGURA 6 - REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DOS POSSÍVEIS ARRANJOS


ESTRUTURAIS DA SÍLICA PRESENTE NOS AGREGADOS. ..... 29

FIGURA 7 - ESQUEMA DA OCORRÊNCIA DE RAA COM FISSURAS EM


AGREGADOS GRAÚDOS. ........................................................... 30

FIGURA 8 - TRINCAS E FISSURAS PROVOCADAS PELA OCORRÊNCIA DE


RAA EM VIGA DE APOIO (a); E POSTE DE TRANSMISSÃO DE
ENERGIA ELÉTRICA (b). ............................................................. 31

FIGURA 9 - GEL PROVENIENTE DA RAA EM EXSUDAÇÃO POR FISSURA.


.................................................................................................... 32

FIGURA 10 - ANÁLISE VISUAL EM BARRAGENS COM DETECÇÃO DE


MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS CARACTERÍTICAS DE
ATAQUE POR SULFATO INTERNO (a); E REAÇÃO ÁLCALI-
AGREGADO (b). ......................................................................... 33

FIGURA 11 - PETROGRAFIA MICROSCÓPICA PARA ANÁLISE DE DANOS


DE RAA POR MEIO DA TÉCNICA DE DRI. ............................... 37

FIGURA 12 - APARATO PARA UTILIZAÇÃO DE CORRELAÇÃO POR


IMAGEM DIGITAL EM ENSAIO MECÂNICO. ............................. 39
FIGURA 13 - OBTENÇÃO DE DESLOCAMENTOS DE PONTOS POR
CÂMERA DIGITAL (a); CONCRETO SUBMETIDO A ENSAIO DE
COMPRESSÃO COM SUPERFÍCIE PARA OBTENÇÃO DE
DESLOCAMENTOS DE PONTOS POR IMAGEM DIGITAL (b);
MAPA DE CORES DA ABERTURA DE FISSURAS NA
AMOSTRA (c). ............................................................................ 41

FIGURA 14 - VERIFICAÇÃO DO APARECIMENTO DE FISSURAS NO


INTERIOR DE AGREGADOS (a); PROPAGAÇÃO DE FISSURAS
NO ENTORNO DE AGREGADOS GRAÚDOS (b)...................... 44

FIGURA 15 - USO DA CORRELAÇÃO POR IMAGEM DIGITAL EM


PESQUISAS RELACIONADAS À CONSTRUÇÃO CIVIL. .......... 46

FIGURA 16 - REPRESENTAÇÃO DO ENSAIO DE FLEXÃO DE 3 PONTOS


(a); VIGA SENDO SUBMETIDA AO ENSAIO DE FLEXÃO DE 3
PONTOS (b). ............................................................................... 47

FIGURA 17 - CONCRETO EM AMOSTRA CILÍNDRICA SUBMETIDO AO


ENSAIO DE CUNHA (a); REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA
DO ENSAIO DE CUNHA EM CORPO DE PROVA CÚBICO (b);
AMOSTRA CÚBICA DE CONCRETO SUBMETIDA AO ENSAIO
DE CUNHA (c). ........................................................................... 48

FIGURA 18 - REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO ENSAIO MONTEVIDÉU


(a); CORPO DE PROVA CÚBICO SUBMETIDO AO ENSAIO
MONTEVIDÉU (b). ...................................................................... 49

FIGURA 19 - CONFIGURAÇÃO IDEAL DO ENSAIO MONTEVIDÉU APÓS A


ABERTURA DE FISSURA. ......................................................... 51

FIGURA 20 - FLUXOGRAMA DO PLANEJAMENTO METODOLÓGICO DO


CAPÍTULO 3 ............................................................................... 52

FIGURA 21 - CURVA GRANULOMÉTRICA DO AGREGADO MIÚDO............ 54

FIGURA 22 - CURVA GRANULOMÉTRICA DO AGREGADO GRAÚDO. ....... 54


FIGURA 23 – ESQUEMA DE CORTE PARA ABERTURA DE ENTALHE A
PARTIR DA DIREÇÃO DE COMPACTAÇÃO DAS AMOSTRAS.
.................................................................................................... 57

FIGURA 24 - CORPOS DE PROVA COM ABERTURA DE ENTALHE (A);


PINTURA DE FUNDO BRANCA (B); IMPREGNAÇÃO DE
PADRÃO ALEATÓRIO DE PONTOS (C); FIXAÇÃO DA
CANTONEIRA DE ALUMÍNIO PARA ENSAIO MONTEVIDÉU (D).
.................................................................................................... 58

FIGURA 25 - ABERTURA DE FISSURA APÓS ENSAIO MONTEVIDÉU EM


CORPOS DE PROVA COM FIBRAS. ......................................... 59

FIGURA 26 - APARATO UTILIZADO PARA REALIZAÇÃO DO ENSAIO


MONTEVIDÉU E ACOMPANHAMENTO POR DIC. ................... 60

FIGURA 27 - CURVA MÉDIA FORÇA x DESLOCAMENTO x CMOD PARA OS


TEORES DE FIBRAS DE 0,9% (a); 0,6% (b); 0,3% (c) E PARA O
TRAÇO DE REFERÊNCIA (d). ................................................... 63

FIGURA 28 - FORÇA RESIDUAL À TRAÇÃO EM RELAÇÃO À ABERTURA DE


FISSURA OBTIDA NA PRENSA (a) E NA DIC (b)...................... 65

FIGURA 29 - FORÇA RESIDUAL PARA CADA TEOR DE FIBRA


CORRESPONDENTE A DETERMINADOS (CMOD) A PARTIR
DA PRENSA E DA DIC. .............................................................. 66

FIGURA 30 - CURVA MÉDIA FORÇA X CMOD GERADA PARA OS TEORES


DE 0,9% (a); 0,6% (b); 0,3% (c) E PARA O TRAÇO REF (d) A
PARTIR DE DADOS DA PRENSA E DA DIC. ............................ 67

FIGURA 31 - CURVA MÉDIA CMOD x TEMPO PARA OS TEORES DE 0,9%


(a); 0,6% (b); 0,3% (c) DE FIBRAS E PARA O TRAÇO DE
REFERÊNCIA (d). ....................................................................... 70
FIGURA 32 - SUPERFÍCIE DE DEFORMAÇÃO GERADA POR DIC EM
CORPO DE PROVA COM 0,3% (a), 0,6% (b) e 0,9% DE FIBRAS
(c) PARA CMOD DE 0,5 mm E 1,5 mm. ..................................... 72

FIGURA 33 - SUPERFÍCIE DE DEFORMAÇÃO GERADA POR DIC EM


CORPO DE PROVA COM 0,3% (a), 0,6% (b) e 0,9% DE FIBRAS
(c) PARA CMOD DE 2,5 mm E 3,5 mm. ..................................... 73

FIGURA 34 - SUPERFÍCIE DE DEFORMAÇÃO GERADA POR DIC EM


CORPO DE PROVA SEM FIBRAS. ............................................ 74

FIGURA 35 - REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO EQUIPAMENTO PARA


CAPTURA DE IMAGENS EM ENSAIO DE REATIVIDADE DE
AGREGADO................................................................................ 78

FIGURA 36 - AMOSTRAS COM PEÇA METÁLICA (a); ESTUFAMENTO E


REMOÇÃO DA CAMADA DE TINTA APÓS OS PRIMEIROS DIAS
DE IMERSÃO EM SOLUÇÃO (b). ............................................... 80

FIGURA 37 - MÉDIA DA EXPANSÃO DO CONCRETO COM GNAISSE AO


LONGO DO TEMPO NO ENSAIO ABCPT.................................. 84

FIGURA 38 - POSICIONAMENTO DA CÂMERA SOBRE O TRIPÉ (a);


MARCAÇÕES NO CHÃO PARA POSICIONAMENTO DOS
EQUIPAMENTOS (b). ................................................................. 89

FIGURA 39 - NIVELAMENTO DA CÂMERA FOTOGRÁFICA (a); E DO


PÓRTICO DE VARIAÇÃO DIMENSIONAL (b)............................ 89

FIGURA 40 - POSICIONAMENTO DO REFLETOR DE LUZ BRANCA PARA


TOMADA DE FOTOS. ................................................................. 90

FIGURA 41 - ETAPAS DE TRATAMENTO DAS IMAGENS ANTES DA


INSERÇÃO NO SOFTWARE DE CORRELAÇÃO POR IMAGEM
DIGITAL GOM CORRELATE®. .................................................. 90
FIGURA 42 - PROTOCOLO DE USO E EXTRAÇÃO DE DADOS DO
SOFTWARE GOM CORRELATE® PARA ANÁLISE DE
DEFORMAÇÕES POR REAÇÃO EXPANSIVA. ......................... 91

FIGURA 43 - PROCESSAMENTO E FERRAMENTAS DE AQUISIÇÃO DE


DADOS NO MONITORAMENTO DE DEFORMAÇÕES POR DIC
NA INTERFACE DO SOFTWARE GOM CORRELATE®. .......... 94

FIGURA 44 - MEDIDAS DE EXPANSÃO DAS AMOSTRAS COM SUPERFÍCIE


DE PINTURA PERTENCENTES AO TRAÇO 1. ......................... 95

FIGURA 45 - MEDIDAS DE EXPANSÃO DA AMOSTRA SEM SUPERFÍCIE DE


PINTURA PERTENCENTE AO TRAÇO 1. ................................. 96

FIGURA 46 - ACOMPANHAMENTO FOTOGRÁFICO DA AMOSTRA SEM


PINTURA PERTENCENTE AO TRAÇO 1. ................................. 98

FIGURA 47 - MEDIDAS DE EXPANSÃO DAS AMOSTRAS COM SUPERFÍCIE


DE PINTURA PERTENCENTES AO TRAÇO 2. ......................... 98

FIGURA 48 - MEDIDAS DE EXPANSÃO DA AMOSTRA SEM SUPERFÍCIE DE


PINTURA PERTENCENTE AO TRAÇO 2. ............................... 100

FIGURA 49 - ACOMPANHAMENTO FOTOGRÁFICO DA AMOSTRA SEM


PINTURA PERTENCENTE AO TRAÇO 2. ............................... 101

FIGURA 50 - MEDIDAS DE EXPANSÃO DAS AMOSTRAS COM SUPERFÍCIE


DE PINTURA PERTENCENTES AO TRAÇO 3. ....................... 102

FIGURA 51 - MEDIDAS DE EXPANSÃO DA AMOSTRA SEM SUPERFÍCIE DE


PINTURA PERTENCENTE AO TRAÇO 3. ............................... 103

FIGURA 52 - ACOMPANHAMENTO FOTOGRÁFICO DA AMOSTRA SEM


PINTURA PERTENCENTE AO TRAÇO 3. ............................... 104

FIGURA 53 - EDIÇÃO DE IMAGEM PARA MINIMIZAR EFEITO DA ROTAÇÃO


DE AMOSTRAS DURANTE A TOMADA DE FOTOS. .............. 106
FIGURA 54 - ESTÁGIOS INICIAL (a); INTERMEDIÁRIO (b) E FINAL (c) DA
COMPONENTE DE SUPERFÍCIE DE DEFORMAÇÃO EM MAPA
DE CORES DURANTE O PROCESSAMENTO DE AMOSTRA
PERTECENTE AO TRAÇO 1.................................................... 107

FIGURA 55 - GRÁFICO DE EXPANSÃO EM FUNÇÃO DO TEMPO A PARTIR


DE DADOS DE EXTÊNSÔMETROS DIGITAIS INSERIDOS NAS
AMOSTRAS DO TRAÇO 1. ...................................................... 108

FIGURA 56 - ESTÁGIOS INICIAL (a); INTERMEDIÁRIO (b) E FINAL (c) DA


COMPONENTE DE SUPERFÍCIE DE DEFORMAÇÃO EM MAPA
DE CORES DURANTE O PROCESSAMENTO DE AMOSTRA
PERTECENTE AO TRAÇO 2.................................................... 110

FIGURA 57 - GRÁFICO DE EXPANSÃO EM FUNÇÃO DO TEMPO A PARTIR


DE DADOS DE EXTÊNSÔMETROS DIGITAIS INSERIDOS NAS
AMOSTRAS DO TRAÇO 2. ...................................................... 110

FIGURA 58 - ESTÁGIOS INICIAL (a); INTERMEDIÁRIO (b) E FINAL (c) DA


COMPONENTE DE SUPERFÍCIE DE DEFORMAÇÃO EM MAPA
DE CORES DURANTE O PROCESSAMENTO DE AMOSTRA
PERTECENTE AO TRAÇO 3.................................................... 112

FIGURA 59 - GRÁFICO DE EXPANSÃO EM FUNÇÃO DO TEMPO A PARTIR


DE DADOS DE EXTÊNSÔMETROS DIGITAIS INSERIDOS NAS
AMOSTRAS DO TRAÇO 2. ...................................................... 112

FIGURA 60 - MAPA DE CORES OBTIDO A PARTIR DO PROCESSAMENTO


DE UMA SUPERFÍCIE DE DESLOCAMENTO POR DIC PARA
AMOSTRAS DOS TRAÇOS EM ESTUDO. .............................. 114
LISTA DE TABELAS

TABELA 1 - FATORES DE PONDERAÇÃO PARA AS CARACTERÍSTICAS DE


DEGRADAÇÃO OBSERVADAS NO ENSAIO DRI. .................... 37

TABELA 2 - CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DO CIMENTO CP V-ARI. ........... 53

TABELA 3 - CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DO CIMENTO CP V-ARI. ............... 53

TABELA 4 - ENSAIOS REALIZADOS PARA CARACTERIZAÇÃO DOS


AGREGADOS. ............................................................................ 54

TABELA 5 - CARACTERÍSTICAS E ESPECIFICAÇÕES DA MACROFIBRA


TUF STRAND SF. ....................................................................... 55

TABELA 6 - DOSAGEM DE CONCRETO COM MACROFIBRAS


POLIMÉRICAS. ........................................................................... 56

TABELA 7 - TESTE DE TUKEY NA COMPARAÇÃO DOS VALORES DE


FORÇA RESIDUAL OBTIDOS PELA PRENSA E PELA DIC
PARA DETERMINADAS ABERTURAS DE FISSURAS.............. 67

TABELA 8 – RESULTADO DO TESTE DE TUKEY NA ANÁLISE DA FORÇA


RESIDUAL PARA OS TRAÇOS COM ADIÇÃO DE FIBRAS. ..... 69

TABELA 9 - ERRO CALCULADO ENTRE AS MESMAS ABERTURAS DE


FISSURAS A PARTIR DE DADOS DA PRENSA E DA DIC. ...... 71

TABELA 10 – DOSAGEM DAS MISTURAS DE CONCRETO CONTENDO


AGREGADO REATIVO. .............................................................. 81

TABELA 11 - DOSAGEM DA MISTURA 3, DE ARGAMASSA CONTENDO


AGREGADO MIÚDO REATIVO. ................................................. 82

TABELA 12 - CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DO CIMENTO CP V-ARI. ......... 83

TABELA 13 - CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DO CIMENTO CP V-ARI. ............. 83

TABELA 14 - COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA DO AGREGADO MIÚDO


INÓCUO UTILIZADO NA MISTURA 1. ....................................... 83
TABELA 15 - CARACTERIZAÇÃO FÍSICA – GNAISSE (MILONITO).............. 84

TABELA 16 - CARACTERIZAÇÃO FÍSICA – GNAISSE (MILONITO) NA


FORMA MIÚDA. .......................................................................... 85

TABELA 17 - FAIXA GRANULOMÉTRICA DO AGREGADO MIÚDO REATIVO


UTILIZADO NA CAMPANHA EXPERIMENTAL. ......................... 85

TABELA 18 - CONSUMO DE NaOH POR M³ E NA ÁGUA DE AMASSAMENTO


DAS MISTURAS EM ESTUDO. .................................................. 86

TABELA 19 - EXPANSÃO DAS AMOSTRAS DE CONCRETO


PERTENCENTES AO TRAÇO 1 OBTIDA POR RELÓGIO
COMPARADOR. ....................................................................... 130

TABELA 20 - EXPANSÃO DAS AMOSTRAS DE CONCRETO


PERTENCENTES AO TRAÇO 2 OBTIDA POR RELÓGIO
COMPARADOR. ....................................................................... 131

TABELA 21 - EXPANSÃO DAS AMOSTRAS DE ARGAMASSA


PERTENCENTES AO TRAÇO 3 OBTIDA POR RELÓGIO
COMPARADOR. ....................................................................... 132

TABELA 22 - MEDIDA DE MASSA DAS AMOSTRAS PERTENCENTES AO


TRAÇO 1. .................................................................................. 133

TABELA 23 - MEDIDA DE MASSA DAS AMOSTRAS PERTENCENTES AO


TRAÇO 2. .................................................................................. 133

TABELA 24 - MEDIDA DE MASSA DAS AMOSTRAS PERTENCENTES AO


TRAÇO 3. .................................................................................. 133

TABELA 25 - EXPANSÃO DAS AMOSTRAS DE CONCRETO


PERTENCENTES AO TRAÇO 1 OBTIDA POR
EXTENSÔMETRO DIGITAL NA UTILIZAÇÃO DA DIC. ........... 134
TABELA 26 - EXPANSÃO DAS AMOSTRAS DE CONCRETO
PERTENCENTES AO TRAÇO 2 OBTIDA POR
EXTENSÔMETRO DIGITAL NA UTILIZAÇÃO DA DIC. ........... 135

TABELA 27 - EXPANSÃO DAS AMOSTRAS DE ARGAMASSA


PERTENCENTES AO TRAÇO 3 OBTIDA POR
EXTENSÔMETRO DIGITAL NA UTILIZAÇÃO DA DIC. ........... 136

TABELA 29 - DESLOCAMENTO LATERAL (mm) REGISTRADO NAS


AMOSTRAS PERTENCENTES AO TRAÇO 2 POR MEIO DE
ETIQUETAS DE DESVIO NA UTILIZAÇÃO DA DIC. ............... 138

TABELA 30 - DESLOCAMENTO LATERAL (mm) REGISTRADO NAS


AMOSTRAS PERTENCENTES AO TRAÇO 3 POR MEIO DE
ETIQUETAS DE DESVIO NA UTILIZAÇÃO DA DIC. ............... 139

TABELA 31 - GRANULOMETRIA DA AREIA INÓCUA UTILIZADA NO TRAÇO


1. ............................................................................................... 141

TABELA 32 - DETERMINAÇÃO DO VOLUME DE AGREGADO GRAÚDO. . 141


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 11
1.1 OBJETIVO .................................................................................................................... 13
1.2 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................ 14
1.3 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO................................................................................. 15
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ......................................................................................... 18
2.1 DURABILIDADE DE ESTRUTURAS DE CONCRETO EM NORMAS E
RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS .................................................................................. 19
2.2 REAÇÃO ÁLCALI-AGREGADO..................................................................................... 23
2.2.1 Tipos de reação álcali-agregado .................................................................................... 24
2.2.2 Mecanismo de deterioração........................................................................................... 28
2.2.4 Ensaios laboratoriais e ferramentas para prevenção e diagnóstico de RAA ................... 33
2.3 CORRELAÇÃO DE IMAGEM DIGITAL .......................................................................... 38
3. CORRELAÇÃO POR IMAGEM DIGITAL EM ENSAIO MECÂNICO ............................. 47
3.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E OBJETIVO DO CAPÍTULO .................................. 47
3.2 PROGRAMA EXPERIMENTAL ..................................................................................... 52
3.2.1 Materiais, dosagem e cura das amostras ....................................................................... 52
3.2.2 Ensaio Montevidéu (MVD) ............................................................................................. 57
3.2.3 Correlação de Imagem Digital (DIC) .............................................................................. 59
3.3 RESULTADOS .............................................................................................................. 62
3.4 CONCLUSÕES PARCIAIS ............................................................................................ 75
4. CORRELAÇÃO POR IMAGEM DIGITAL EM ENSAIO DE EXPANSÃO EM CONCRETO
................................................................................................................................ 76
4.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E OBJETIVO DO CAPÍTULO .................................. 76
4.2 PROGRAMA EXPERIMENTAL ..................................................................................... 77
4.2.1 Metodologia e adaptações adotadas ............................................................................. 77
4.2.2 Dosagem, fabricação e acondicionamento das amostras ............................................... 80
4.2.3 Correlação por Imagem Digital ...................................................................................... 88
4.3 RESULTADOS .............................................................................................................. 95
4.4 CONCLUSÕES PARCIAIS .......................................................................................... 115
5. CONSIDERAÇÕES..................................................................................................... 117
SUGESTÕES DE TRABALHOS FUTUROS ................................................................ 118
REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 119
APÊNDICE A........................................................................................................................ 130
APÊNDICE B........................................................................................................................ 134
ANEXO ...................................................................................................................................140
1. INTRODUÇÃO

O monitoramento e a manutenção das edificações durante seu uso são


práticas fundamentais para assegurar a vida útil prevista em projeto. Nesse
sentido, o monitoramento preventivo é considerado apropriado para obras em
geral e para grandes construções. Isso porque, ao se antecipar à ocorrência de
possíveis reações deletérias, os riscos à estrutura são minimizados.
Consequentemente, a estabilidade estrutural da edificação é assegurada e os
custos com manutenção tornam-se mais baixos, em comparação à intervenções
corretivas, que podem demandar altos investimentos por tratar de situações
emergenciais com níveis de degradação elevados (MEHTA; MONTEIRO, 2008;
SANCHEZ, 2008; TUTIKIAN; BOLINA; HELENE, 2018).
As ações preventivas auxiliam no desenvolvimento de técnicas de
monitoramento mais precisas, sem que sejam necessárias grandes intervenções
nos elementos estruturais (MATTEINI; NOYCE; CREVELLO, 2019). Isso porque
a utilização de ensaios não-destrutivos (END) é viabilizada por meio de
diferentes técnicas, permitindo a verificação do estado dos elementos estruturais
e dos materiais (concreto e armadura) sem que seja necessária a extração de
testemunhos (TUTIKIAN; BOLINA; HELENE, 2018). Dessa forma, o
aperfeiçoamento de técnicas de prevenção, monitoramento e caracterização das
principais manifestações patológicas usualmente descritas em grandes obras,
como barragens, mostra-se como um nicho de estudo com alto potencial para
desenvolvimento dentro da construção civil.
Nesse contexto, a reação álcali-agregado (RAA) caracteriza-se como uma
das principais reações deletérias expansivas que afetam grandes volumes de
concreto e, em casos severos, pode comprometer a estabilidade estrutural da
edificação. Sua ocorrência depende de fatores inerentes aos processos de
fabricação e condições de operação das estruturas de concreto, como umidade
e teor de álcalis da pasta de cimento (MEHTA; MONTEIRO, 2008; TUTIKIAN;
BOLINA; HELENE, 2018).
A composição mineralógica dos agregados também influencia, porém, em
alguns casos, não é considerada na escolha dos materiais. Isso porque o custo
do transporte de insumos encarece a construção. Dessa forma, as rochas
11
extraídas de jazidas próximas ao local da obra são as utilizadas como agregado
na moldagem do concreto na maior parte dos casos. Entretanto, sabe-se que,
materiais provenientes de rochas calcárias dolomíticas ou com diferentes formas
de sílica reativa em sua composição, podem participar de reações químicas
dentro do compósito cimentício. Consequentemente, pode haver a formação de
produtos com características expansivas no interior do concreto endurecido,
culminando no aparecimento de fissuras que poderão comprometer a resistência
mecânica e a durabilidade da estrutura (MEHTA; MONTEIRO, 2008).
A fim de prevenir este problema, foram prescritos normativas e ensaios
com o objetivo de verificar o potencial reativo dos agregados em argamassas e
concretos. Com base na norma brasileira, ABNT NBR 15577:2018, por meio de
medições lineares de expansão é possível verificar se o agregado possui
características reativas ou não após determinados períodos de exposição, que
podem variar de acordo com a escolha de métodos acelerados de
envelhecimento.
Diante disso, os estudos recentes foram concentrados na busca pelo
aperfeiçoamento das formas de prevenção da reação deletéria, no entendimento
do mecanismo da reação sob diferentes condições ambientais e, no
monitoramento dos indícios de degradação da estrutura (BONATO, 2015;
TERAMOTO et al, 2018; BLANCO et al, 2018). Ao se tratar de obras de grande
porte, como barragens, a ocorrência de RAA torna-se um fator de importância
considerável, uma vez que é necessário que esse tipo de construção tenha uma
prolongada vida útil para suprir as demandas para as quais foi projetada. Sabe-
se que a prevenção de manifestações patológicas dessa natureza resulta no
aumento da vida útil de grandes edificações e, consequentemente, contribui para
construções duráveis (MEHTA; MONTEIRO, 2008; MATTEINI; NOYCE;
CREVELLO, 2019). Dessa forma, o aperfeiçoamento dos métodos de prevenção
da RAA e, das técnicas de monitoramento no aparecimento de fissuras em
estruturas, pode contribuir significativamente para a melhoria da qualidade das
construções.
Nesse sentido, esta pesquisa concentra-se no uso da DIC como uma
ferramenta para analisar a formação e a propagação de fissuras em amostras
de concreto. A partir da realização do ensaio Montevidéu, será possível observar
a precisão dos resultados, extraídos por meio da correlação por imagem, na

12
caracterização da ruptura do concreto em ensaio mecânico. Em seguida, a
pesquisa é direcionada ao monitoramento da ocorrência de RAA ao longo do
ensaio de reatividade de agregados ABCPT por meio da aplicação da DIC. O
uso da técnica para monitoramento de deformações e fissuras advindas desse
tipo de degradação é recente. Nesse sentido, o avanço do emprego da técnica
para mapeamento de fissuras por reações expansivas pode contribuir para que
as medições lineares realizadas atualmente em relógio comparador possam ser
complementadas por uma técnica de maior precisão e melhor ajuste aos
mecanismos efetivos da reação.

1.1 OBJETIVO

O objetivo geral dessa pesquisa é avaliar a eficiência do uso da técnica


de correlação por imagem digital como uma ferramenta que auxilie no
mapeamento de fissuras em ensaio acelerado de reatividade de agregados em
prismas de concreto, por meio de procedimentos laboratoriais.
Para que fosse possível atingir o objetivo geral da pesquisa, o trabalho foi
desenvolvido considerando a sequência de determinados passos, como: a
realização do ensaio Montevidéu; o entendimento e a aplicação da técnica de
correlação por imagem nesse ensaio mecânico; a realização do ensaio de
reatividade de agregados ABCPT e a consequente verificação de deformações
e aparecimento de fissuras por meio da DIC. Dessa forma, o planejamento e o
desenvolvimento do estudo baseou-se, de modo geral, nos seguintes objetivos
específicos:

 Correlacionar os resultados de ensaio mecânico obtidos por DIC,


referentes ao ensaio Montevidéu, com os resultados de ruptura obtidos a
partir dos dados extraídos da prensa;
 Avaliar a viabilidade de correlação dos resultados de deformação obtidos
a partir da DIC, em prismas de concreto submetidos à RAA durante o
ensaio ABCPT, com os resultados advindos de medidas de expansão
linear obtidos por meio de relógio comparador.

13
1.2 JUSTIFICATIVA

É de conhecimento das comunidades técnica e científica a ocorrência de


RAA em diversos elementos estruturais, como pavimentos, blocos de fundação,
barragens e demais edificações que podem estar submetidas à umidade ou
presença de água durante sua vida útil (MEHTA; MONTEIRO, 2008). No entanto,
devido aos impactos econômico, social e ambiental relacionados à construção e
operação das barragens, a temática abordada neste estudo influi em
determinados aspectos relacionados, principalmente, à região em que são
implantadas barragens de concreto. Dessa forma, as justificativas social,
ambiental e técnico-econômica são explanadas neste item, a fim de evidenciar
a importância da correta caracterização e posterior uso dos materiais na
construção civil, bem como da melhoria das técnicas de monitoramento de
grandes edificações.
A busca por fontes de energia renováveis está relacionada à necessidade
de um desenvolvimento sustentável, que promova a preservação ambiental e,
em paralelo, o atendimento aos serviços básicos da sociedade. A disponibilidade
de energia elétrica auxilia na assistência às necessidades fundamentais da
população, facilitando a aproximação das pessoas aos serviços de saúde e
educação, uma vez que pode estar associada, por exemplo, à implantação de
saneamento básico e redes de internet (BRASIL, 2019).
Neste sentido, o monitoramento aliado às manutenções preventivas
poderão auxiliar na verificação da estabilidade das barragens, de modo a
viabilizar seu funcionamento sem a necessidade de processos de interdição que
possam comprometer o abastecimento de energia para a população.
Em relação ao aspecto ambiental, é essencial o investimento no
monitoramento preventivo e, em casos mais avançados, na remediação de
problemas executivos ou manifestações patológicas que possam comprometer
a estabilidade da estrutura. Segundo dados do Relatório de Segurança de
Barragens de 2020, 67% das barragens submetidas ao Plano Nacional de
Segurança de Barragens (PNSB) apresentaram elevado índice de dano
potencial associado. Isso demonstra a necessidade de que as construções
existentes apresentem alto desempenho e durabilidade associadas à geração
de energia limpa e à preservação do meio ambiente (BRASIL, 2020).

14
Nesse contexto, a melhoria das técnicas de monitoramento das estruturas
ao logo da vida útil pode contribuir para menores intervenções e menor consumo
de materiais. Assim, o impacto ambiental causado pela destinação incorreta de
resíduos e, em alguns casos, pelo uso exacerbado de materiais para reparo em
estruturas danificadas, poderá ser reduzido.
No âmbito técnico, a utilização de ensaios experimentais normatizados,
como o método acelerado de barras de argamassa, para verificação da
reatividade de agregados, tem sido objeto de debate. Isso porque, não é
incomum a ocorrência de resultados errôneos, nos quais agregados reativos não
são corretamente caracterizados. Nesses casos, após determinado período da
construção com o uso desses materiais, observam-se manifestações patológicas
que caracterizam a RAA. Segundo Sanchez, Fournier e Kuperman (2010) em
situações como essa, não há consenso em relação à reabilitação da estrutura.
Os métodos de mitigação utilizados são onerosos e pouco eficientes,
dependendo do estado de deterioração existente (SANCHEZ; FOURNIER;
KUPERMAN, 2010). Além disso, essas técnicas possuem elevado custo.
Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA), em 2017 foram gastos
cerca de R$ 34 milhões em serviços de manutenção e recuperação de barragens
em diversas regiões do país (BRASIL, 2017). Dessa forma, a prevenção
constitui-se como a melhor solução técnico-econômica. Nesse sentido, o estudo
alinha-se com a busca pela melhoria dos ensaios utilizados atualmente, de modo
a viabilizar a obtenção de dados precisos e que simulem, com alto nível de
confiança, o comportamento dos agregados em obras reais.

1.3 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO

O presente trabalho foi estruturado em torno de estudos experimentais


relacionados à diferentes formas de utilização da técnica de análise de imagens
digitais. Nesse sentido, busca-se numa primeira etapa, analisar a partir da
correlação por imagem o processo de propagação de fissuras em elementos de
concreto submetidos a ensaios mecânicos. Em seguida, é verificada a
possibilidade do uso da técnica como uma ferramenta para complementar os
resultados de ensaios de expansibilidade de agregados em concreto. A partir

15
desse contexto, a dissertação foi dividida em 5 capítulos, conforme apresentado
na FIGURA 1.

FIGURA 1 - ESTRUTURAÇÃO GERAL DO ESTUDO.

FONTE: A Autora (2020).

No capítulo 2 são apresentados conceitos e definições de temas


abordados ao longo da dissertação, com base na literatura existente e em
estudos recentes. Os temas abordados são apresentados na FIGURA 2, e serão
discutidos ao longo do capítulo da revisão da literatura de forma direcionada.

FIGURA 2 - CONCEITOS ABORDADOS NA REVISÃO DA LITERATURA.

FONTE: A Autora (2020).

Os capítulos 3 e 4 são independentes entre si, e contam com suas


respectivas partes de introdução, metodologia, resultados, discussões e
conclusões parciais referentes a cada programa experimental.
O capítulo 3 trata da utilização da técnica de análise de imagens digitais
para acompanhamento da progressão de fissuras em concreto submetido a
ensaio mecânico. A resistência mecânica e o comportamento de fratura do

16
concreto foram os primeiros parâmetros analisados a partir da correlação por
imagem digital no meio científico. Nesse contexto, o capítulo em questão trata
do programa experimental realizado para monitorar o aparecimento de fissuras,
por meio da correlação de imagem digital, em concreto reforçado com fibras de
polipropileno durante o ensaio de tração indireta Montevidéu.
O capítulo 4 trata do acompanhamento de deformações ocasionadas por
reações expansivas no concreto. O objetivo é monitorar o aparecimento e a
progressão de fissuras relacionadas à expansão das amostras de concreto
acometidas por RAA por meio da técnica DIC. A partir da aplicação do método
acelerado brasileiro de prismas de concreto (ACBPT) proposto por Sanchez
(2008), busca-se verificar a ocorrência de manifestações patológicas
características de RAA nos corpos de prova em análise.
No capítulo 5 são apresentadas as considerações globais da pesquisa,
relacionando os resultados relevantes obtidos ao longo do estudo. Busca-se
correlacionar os resultados alcançados com a melhoria das ferramentas de
caracterização de materiais existentes e com a projeção para trabalhos futuros.

17
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A durabilidade de estruturas de concreto é um tema de grande discussão


há mais de 30 anos no âmbito da construção civil. Silva Filho (1994) demonstrou
a crescente importância do tema a partir da década de 1980. Isso porque até
então, o desempenho mecânico e o menor custo de construção eram os
principais parâmetros para projetar e executar novas edificações. Foi a partir dos
anos 1980 que estudos passaram a demonstrar os altos custos de manutenção
existentes em grandes obras. Cerca de 40% dos recursos investidos na área da
construção civil eram destinados a obras de reparo e manutenção de estruturas
em diversos países industrializados (JOHN, AROZTEGUI; 1985).
Nesse sentido, a durabilidade passou a ser vista como uma necessidade
do usuário e foi definida junto ao conceito de desempenho pela ISO 6241:1984
e pela ASTM E 632-82(1996). De modo geral, a questão da durabilidade está
relacionada às propriedades do material, à agressividade do ambiente e à
magnitude dos esforços atuantes (JOHN, 1987). Dessa forma, a capacidade
durável de uma estrutura dependerá diretamente do ambiente em que ela estará
inserida (MEDEIROS; ANDRADE; HELENE, 2011).
De acordo com a norma nacional ABNT NBR 6118:2014, item 5.1.2.3,
durabilidade “consiste na capacidade de a estrutura resistir às influências
ambientais previstas e definidas em conjunto pelo autor do projeto estrutural e
pelo contratante, no início dos trabalhos de elaboração do projeto”. Assim, é
necessário que a estrutura tenha capacidade de resistir aos esforços mecânicos
e às intempéries do local para o qual foi projetada, sem oferecer risco ou
desconforto aos usuários. Para tal, é fundamental a existência de
compatibilidade entre os materiais utilizados e o ambiente de execução da obra
(MEDEIROS; ANDRADE; HELENE, 2011).
Entretanto, apesar da busca por ferramentas e materiais que resultem na
concepção de construções econômicas e duráveis, o crescimento das cidades e
o aumento dos índices de poluição ambiental criam cenários agressivos para
novas edificações (POSSAN, DEMOLINER; 2013). De modo geral, os grandes
centros urbanos concentram uma grande parcela da população e,
consequentemente, a maior parte das edificações de grande porte, como centros
comerciais, além de obras de infraestrutura urbana para saneamento,

18
abastecimento e tráfego viário. Devido a maior poluição neste cenário, os índices
de degradação tendem a ser elevados, dando origem a problemas que podem
culminar no envelhecimento precoce das edificações. Dessa forma, as
manutenções passam a ser necessárias antes do previsto, uma vez que a
deterioração pode afetar a estética, o uso ou, em casos mais severos, a
segurança da edificação (POSSAN, DEMOLINER; 2013).
Entretanto, de forma geral, em casos onde há aumento do nível de
agressividade do ambiente durante o tempo de serviço da construção, as
manutenções acabam sendo realizadas apenas após o aparecimento de
manifestações patológicas que comprometem a durabilidade do concreto
(POSSAN; DEMOLINER; 2013). Nesse sentido, é notória a necessidade do
constante monitoramento das construções e da correta caracterização do
ambiente em que a obra estará inserida.
As normas e recomendações técnicas classificam os tipos de deterioração
do concreto de acordo com o mecanismo de degradação preponderante ou em
relação à parte do compósito mais afetada. Em obras de grande porte, como
pontes e barragens, os problemas de durabilidade podem ser originados por
reações expansivas no concreto. O compósito pode tornar-se suscetível a esse
tipo de ataque quando há o uso de materiais inadequados e agregados
contaminados. Além disso, erros de execução e falhas nos procedimentos
posteriores à concretagem, como desforma e cura podem agravar o processo de
degradação (MEHTA; MONTEIRO, 2008; BOLINA; TUTIKIAN; HELENE, 2016).
Dessa forma, é necessário o uso de ferramentas práticas e ensaios laboratoriais
que expressem resultados confiáveis e precisos e, que possibilitem o diagnóstico
e o prognóstico de construções afetadas por mecanismos de deterioração dessa
natureza.

2.1 DURABILIDADE DE ESTRUTURAS DE CONCRETO EM NORMAS E


RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS

As normas e procedimentos que tratam da durabilidade de estruturas civis


possuem diferentes abordagens, de acordo com o país em que a obra é
realizada. De modo geral, busca-se relacionar as características construtivas da
edificação com o meio ambiente em que ela estará inserida ao longo de sua vida
útil (TUTIKIAN; BOLINA; HELENE, 2018). De acordo com o documento técnico-

19
científico FIB Bulletin nº 202 de 1990 (FIB, 1991) é necessário que na fase de
projeto sejam considerados critérios de durabilidade que deverão ser seguidos
durante a execução da obra e, posteriormente, ao longo de sua vida de serviço,
como: geometria da peça estrutural; qualidade do concreto; detalhamento
estrutural satisfatório; meios de controle de fissuração dos elementos estruturais;
e planos de manutenção. Nesse sentido, o documento em questão enfatiza a
importância do devido controle das características construtivas da edificação,
uma vez que o meio no qual ela estará inserida pode ser modificado
constantemente ao longo dos anos, resultando, em alguns casos, na mudança
dos padrões de durabilidade da estrutura.
Sob outra perspectiva, o Eurocode ou norma européia EN 206-1 (EN,
2007) analisa o viés da durabilidade por meio da caracterização e descrição do
ambiente em que a obra se encontra, classificando-o de acordo com o tipo de
exposição da edificação e relacionando esses fatores à manifestações
patológicas em potencial. De modo geral, é feita a relação entre mecanismos de
degradação e as suas possíveis causas. A influência do microclima sobre cada
elemento estrutural, no que se refere a verificação das condições de umidade,
também é um fator analisado e auxilia na determinação do nível de agressividade
do ambiente.
A norma americana ACI 318-19 (ACI, 2019) possui abordagem
semelhante ao Eurocode, uma vez que o meio ambiente em que a estrutura
estará inserida também é classificado de acordo com as possíveis causas e
mecanismos de degradação passíveis de ocorrer. Os níveis de agressividade
para cada ambiente podem possuir diferentes magnitudes, que variam de 1 a 4.
A porosidade de concretos em contato com a água, a presença de sulfatos no
meio externo ou de agentes que possam induzir a corrosão das armaduras, além
da ocorrência de ciclos de gelo e degelo são os fatores considerados para a
determinação da categoria na qual a edificação se encontra.
De modo geral, a durabilidade das edificações é assegurada por meio da
otimização dos parâmetros construtivos e de dosagem, como: diminuição da
relação água/cimento, aumento da resistência a compressão e garantia do
cobrimento adequado das armaduras. Em outras palavras, a adequação da
qualidade do concreto em relação ao ambiente em que a edificação será inserida
é fundamental para garantir a durabilidade da estrutura, uma vez que fatores

20
como a penetração de agentes deletérios no interior do concreto poderão ser
minimizados (MEHTA; MONTEIRO, 2008; TUTIKIAN; BOLINA; HELENE, 2018).
No Brasil, a norma ABNT NBR 6118:2014 classifica os ambientes em que
a estrutura de concreto poderá ser construída de acordo com o tipo de
agressividade ambiental à que a edificação estará sujeita ao longo da vida útil.
Nesse sentido, os parâmetros mínimos para durabilidade estarão relacionados
ao ambiente e à qualidade do concreto (menor relação a/c e maior resistência
mecânica à compressão) além do cobrimento da armadura, para o caso de
elementos estruturais como pilares, vigas e lajes.
As classes de agressividade ambiental elencadas pela norma brasileira
relacionam-se indiretamente com os mecanismos químicos de degradação do
concreto, uma vez que estão associadas à presença de agentes químicos
deletérios, como o dióxido de carbono (CO 2) e íons Cl-, além de ácidos e sulfatos.
Dessa forma, quanto maiores os riscos de deterioração, maior deverá ser a
qualidade do concreto (TUTIKIAN; BOLINA; HELENE, 2018).
Nesse caso, as mudanças nos parâmetros de dosagem do concreto visam
a diminuição da permeabilidade e difusividade de íons no interior do compósito.
Dessa forma, é possível minimizar a entrada de agentes agressivos no concreto
e assegurar a durabilidade da edificação ao longo de sua vida útil (TUTIKIAN;
BOLINA; HELENE, 2018).
De acordo com Tutikian, Isaía e Helene (2011) a durabilidade de uma
edificação depende de fatores externos e internos aos seus elementos
estruturais. A ocorrência de chuva ou maresia, além da presença de ácidos ou
sais no ambiente são fatores externos que influenciam o comportamento do
compósito ao longo de sua vida útil (TUTIKIAN; ISAÍA; HELENE, 2011).
Em relação às características de dosagem do compósito, as normas
nacionais e internacionais recomendam que os fatores internos como: consumo
de cimento; relação água/cimento; entre outros; estejam condizentes com os
limites estabelecidos por normas de projeto de estruturas de concreto, como a
NBR 6118:2014. No que se refere aos fatores extrínsecos à estrutura (condições
ambientais e microclima) recomenda-se a caracterização ambiental adequada
do meio no momento do projeto da edificação, de modo que seja possível a
escolha dos materiais e métodos construtivos mais apropriados. Assim, é
possível assegurar capacidade de serviço, estabilidade e segurança da estrutura

21
ao longo da vida útil estipulada, no nível de agressividade ambiental para o qual
ela foi projetada (BOLINA; TUTIKIAN, 2016).
Para o caso de reações expansivas, como a RAA, medidas de prevenção
são fundamentais, principalmente no que se refere à escolha dos materiais para
fabricação do compósito. O primeiro estudo no qual verificou-se interação físico-
química entre compostos do cimento e minerais dos agregados data da década
de 1940 (STANTON, 1940). Porém, foi a partir da década de 1980 que normas
e recomendações sobre o tema tornaram-se objeto de discussão no meio
técnico-científico. A linha do tempo na FIGURA 3 mostra o desenvolvimento e a
normalização de ensaios para medição de expansão em argamassas e
concretos.

FIGURA 3 - LINHA DO TEMPO DAS PRINCIPAIS NORMATIVAS PARA ENSAIOS DE


REATIVIDADE DE AGREGADOS.

FONTE: A Autora (2020).

Conforme mostrado na FIGURA 3, as normativas que abordam ensaios


de expansibilidade dos agregados e tratam de questões de durabilidade e RAA,
foram atualizadas recentemente. Isso demonstra a importância do tema no meio
científico. Nesse sentido, ensaios acelerados em concreto (SANCHEZ, 2008),
que demonstram boa correlação com procedimentos já normalizados por
comitês científicos internacionais, tem sido propostos. Estudos com essa
abordagem demonstram a necessidade do aperfeiçoamento das ferramentas
utilizadas no diagnóstico de manifestações patológicas que, comprometem a

22
durabilidade e a correta operação de grandes obras na indústria da construção
civil.

2.2 REAÇÃO ÁLCALI-AGREGADO

De acordo com a norma ABNT NBR 6118:2014, a RAA pode ser definida
como a interação química entre os agregados reativos e os álcalis do cimento.
Trata-se de uma reação expansiva que, ao longo do tempo, pode comprometer
a capacidade portante e o desempenho da edificação, uma vez que desencadeia
um processo fissuratório em todo elemento afetado (SANCHEZ, 2008). De modo
geral, a RAA é um processo de degradação caracterizado pelo aparecimento de
fissuras em “mapa” na superfície do concreto, como mostrado na FIGURA 4-a,b.
Em elementos de concreto não armados, as fissuras decorrentes de RAA se
propagam de forma aleatória e possuem aberturas que podem variar de 0,1 mm
até 10 mm (PIRES COBRINHO; GALVÃO, 2006). Além disso, outra evidência é
a exsudação do gel (produto da reação entre os álcalis da pasta cimentícia e os
agregados da matriz), que torna-se expansivo em ambiente úmido (MEHTA;
MONTEIRO, 2008).
FIGURA 4 - FISSURAS POR RAA EM BLOCO DE FUNDAÇÃO EM RECIFE – BRASIL (a);
FISSURAS EM MAPA EM DIQUE DE BARRAGEM DE CONCRETO – URUGUAI (b).
a) b)

FONTE: Adaptado de ANDRADE, 2006 (a); BLANCO et al. (2018, p. 5) (b) .

O mecanismo de fissuração, bem como o tempo necessário para que essa


manifestação patológica se torne visível em estruturas de concreto afetadas pela
RAA são objetos de estudo contínuo no meio científico. Estudos recentes têm
buscado compreender o local preciso de início da reação e seus estágios de
fissuração na matriz de concreto (TERAMOTO et al, 2018). Isso porque a
cinética da reação depende de fatores relacionados à matriz heterogênea do
concreto (SANCHEZ, 2008). Em paralelo, nos últimos anos há também a
concepção de métodos que possibilitem a estimativa da vida útil restante de uma

23
estrutura afetada por RAA (SANCHEZ et al, 2014-b; SANCHEZ et al, 2015-a;
SANCHEZ et al, 2015-b).
Segundo Sanchez (2008) para elementos estruturais como blocos, vigas
e lajes, as deformações irão ocorrer na direção de menor confinamento (vertical)
e as fissuras se propagarão perpendicularmente a ela (horizontal). De acordo
com a normativa americana ACI 221 (1998) as tensões internas de tração,
provocadas pelo aumento de volume do gel (produto da reação) em contato com
água, culmina na formação de microfissuras no concreto (ACI 221; 1998). Como
há menor confinamento na superfície do elemento, neste local ocorrem as
maiores deformações e, consequentemente, elevadas tensões de tração. Dessa
forma, as fissuras que se formam são largas e se propagam perpendiculares à
superfície. Vistas de cima, as fissuras apresentam um padrão poligonal, que dá
origem ao termo “fissuração em mapa” (SANCHEZ, 2008).

2.2.1 Tipos de reação álcali-agregado

Em grandes obras, a escolha de agregados está condicionada, num


primeiro plano, a questões de custos e transportes e, em seguida, à composição
química do material (MEHTA; MONTEIRO, 2008). Em obras públicas, por
exemplo, adota-se esse critério por auxiliar no equilíbrio das questões
econômicas e ambientais da obra (La Serna; Rezende, 2009). Essa prática,
porém, no que tange a questões técnicas, favorece a ocorrência da RAA que
pode, em alguns casos, contribuir para o aumento dos custos de manutenção ou
para a redução da vida útil da estrutura.
A RAA pode ser classificada de acordo com o tipo de mineral presente na
reação (GILLOTT, 1975). Dependendo da origem mineralógica das rochas
empregadas como agregados, a reação álcali-agregado (RAA) pode ser
classificada em: reação álcali-carbonato (RAC); e reação álcali-sílica (RAS). De
acordo com a norma ABNT NBR 15577:2018 ainda pode haver uma subdivisão
dentro da RAS, classificando determinados agregados como participantes da
reação álcali-silicato (RASS).

24
Reação álcali-carbonato (RAC)

Segundo Biczok (1972), Gillott (1975) e Ozol (1994) a RAC pode ser
entendida como uma interação química entre as dolomitas presentes nos
calcários e os álcalis do cimento. Essa reação, descrita na Equação (1), é
denominada desdolomitização, e culmina na formação de Mg(OH) 2 gerando
fissuras, além de contribuir para o enfraquecimento da zona de transição
(interface entre agregado e matriz cimentícia) do concreto (BICZOK, 1972;
GILLOTT, 1975; OZOL, 1994).
CaMg(CO3)2 + 2(Na,K)OH → Mg(OH)2 + CaCO3 + (Na,K)2CO3 (1)
Dolomita Álcalis Brucita Calcita Carbonatos
(hidróxidos) (hidróxido de (carbonato de alcalinos
Magnesio) cálcio)

O gel, porém, não é encontrado quando há ocorrência da reação álcali-


carbonato (COUTO, 2008). A ausência do gel expansivo nesse tipo de reação
pode ser explicada pelo fato de que os álcalis não se incorporam aos produtos
finais, tendo como função apenas a catalisação da reação entre os íons hidroxila
e os íons carbonato. Ou seja, o Ca(OH) 2 presente em solução nos poros do

concreto reage com o � originado na reação de desdolomitização, formando
carbonato de cálcio (CaCO3) e liberando novamente os íons hidroxila, conforme
mostrado na Equação (2), mantendo o pH elevado no interior do concreto
(PAULON, 1981; FURNAS, 1997).

(Na,K)2CO3 + Ca(OH)2 → CaCO3 + 2(Na,K)OH (2)


Carbonatos Hidróxido Calcita (carbonato Álcalis
alcalinos de cálcio de cálcio) (hidróxidos)
Devido ao tipo de agregado propenso à RAC ser escasso no Brasil, não
há casos registrados da ocorrência desse tipo de reação em obras nacionais
(HASPARIK, 2005).

Reação álcali-sílica (RAS)

A reação álcali-sílica é a interação química de interesse neste estudo, uma


vez que trata-se da reação de maior ocorrência no âmbito nacional, devido ao
alto teor de sílica na composição das rochas utilizadas pela construção civil como
agregados em obras que demandam grandes volumes de concreto (HASPARIK,

25
2005). De forma geral, os principais indícios da ocorrência da RAS são o
aparecimento de fissuras em “mapa”, bordas escuras em torno de agregados,
além da formação de gel sílico-alcalino (produto da reação entre os álcalis da
pasta cimentícia e os agregados da matriz) que é expansivo em ambiente úmido
(MEHTA; MONTEIRO, 2008).
A RAS pode ser definida quimicamente como uma reação do tipo ácido-
base, onde a sílica presente nos agregados é o reagente ácido e, os hidróxidos
presentes na solução dos poros do concreto são os reagentes básicos. O
primeiro estágio da reação é apresentado na Equação (3). O grupo Silanol (Si-
OH), acomodado na superfície do agregado, é atacado pelos íons hidroxila (OH -
), tendo como produto da reação a formação de água.

Si-OH- + OH- → Si-O- + H2O (3)

Os cátions de sódio e potássio são atraídos pelo SiO - dando início a


reação secundária e formando o gel sílico alcalino, a partir do balanceamento da
carga negativa dos átomos de oxigênio, conforme mostrado na Equação (4):

Si-O- + Na+ → Si-Ona (4)

O gel formado possui estrutura hidrofílica, ou seja, é capaz de absorver


água e aumentar de volume. Com isso, há aumento das pressões internas em
determinadas regiões da matriz cimentícia, mecanismo que pode induzir a
formação de fissuras no concreto (PAULON, 1981; FURNAS, 1997). O
mecanismo de deterioração será abordado de forma detalhada no tópico 2.2.2
deste capítulo.
Além de ocorrer em um material heterogêneo, a RAS depende de alguns
fatores e pode ser influenciada por diferentes agentes. Dessa forma, é
classificada como uma reação complexa, uma vez que sua ocorrência e grau de
severidade estão relacionados a parâmetros inerentes ao concreto, ao processo
de execução e ao meio em que a estrutura está inserida (COUTO, 2008).
No que se refere aos fatores relacionados ao concreto, a relação
água/cimento (a/c), o teor de álcalis no cimento e a dimensão das partículas dos
agregados caracterizam-se como os principais agentes influenciadores da

26
ocorrência de RAS (WANG, GILLOTT; 1991).
Segundo estudo realizado por Lu, Fournier e Grattan-Bellew (2006),
agregados de maiores dimensões podem favorecer o início do processo
deletério. Os autores realizaram estudos experimentais sobre a microestrutura e
o comportamento de expansão de agregados em diferentes testes acelerados,
com o objetivo de avaliar o efeito do tamanho dos agregados na determinação
da reatividade álcali-agregado por métodos acelerados de ensaio. Os resultados
indicaram que o teste acelerado em barras de argamassa, por exemplo, pode
subestimar o potencial de reatividade alcalina dos agregados. Isso porque, ao
se trabalhar com partículas de agregados muito finas, é possível que ocorra a
perda da microtextura original da rocha de composição. Ainda de acordo com os
resultados do estudo, a microtextura dos agregados pode desempenhar grande
influência na reatividade do material. Isso porque a morfologia e o tamanho dos
grãos são características que afetam diretamente o ambiente de formação dos
produtos expansivos, podendo comprometer a interpretação correta do
comportamento de expansão dos agregados no interior da matriz cimentícia (LU;
FOURNIER; GRATTAN-BELLEW, 2006).
Em relação ao processo executivo, o uso de produtos químicos durante a
dosagem do concreto, como aditivos aceleradores de pega, superplastficantes
ou sais de degelo, durante a vida útil da estrutura, também podem contribuir para
o surgimento do processo reativo. Além disso, parâmetros relacionados ao meio
ambiente como temperatura, umidade e exposição da estrutura a ciclos de
molhagem e secagem são fatores que podem contribuir para a ocorrência da
RAS (WANG, GILLOTT; 1991).

Reação álcali-silicato (RASS)

Esse tipo de reação é semelhante a RAS, uma vez que é caracterizada


pelas mesmas manifestações patológicas (formação de gel sílico-alcalino e
fissurações no elemento estrutural afetado) (KIHARA; SCANDIUZZI, 1986). A
diferença está no tipo de agregado que participa da reação deletéria. A norma
ABNT NBR 15577-1:2018 conceitua a reação como um tipo de específico da
RAS, pois participam da reação determinados tipos de silicatos presentes em
certas rochas, como gnaisses, xistos, entre outros.

27
Outra particularidade é que a reação é mais lenta do que a comumente
vista em RAS. Segundo Regourd (1988) a reação álcali-silicato possui os
mesmos princípios de interação que a reação álcali-sílica. Entretanto, os
minerais reativos encontram-se disseminados no retículo cristalino do agregado,
tornando o processo mais lento. Todavia, de acordo com Hobbs (1988) e Poole
(1992) os produtos da RASS são semelhantes aos originados na RAS, e podem
ser encontrados numa mesma estrutura de concreto.

2.2.2 Mecanismo de deterioração

Para a ocorrência da reação é necessária disponibilidade de altos teores


de álcalis como sódio e potássio, além da presença de sílica em fases
potencialmente reativas e umidade acima de 80%, conforme esquematizado na
FIGURA 5 (GILLOTT, 1975; MEHTA; MONTEIRO, 2008; OWSIAK; ZAPALA-
SLAWETA; CZAPIK, 2015).

FIGURA 5 - FATORES QUE INFLUENCIAM A OCORRÊNCIA DE RAA.

FONTE: Adaptado de OWSIAK; ZAPALA-SLAWETA; CZAPIK, (2015, p. 1).

Como já descrito anteriormente, a RAS tem início pelo ataque dos íons
hidroxila (OH-) dissolvidos nos poros da matriz cimentícia à sílica presente nos
agregados. Em seguida, os íons alcalinos de sódio e potássio são incorporados
à reação, dando origem ao gel que possui propriedades expansivas na presença
de umidade. No Brasil, os danos causados por essa manifestação patológica
atingem, principalmente, obras hidráulicas e de fundação, nas quais a presença
de água é facilitada e de difícil controle (COUTO, 2008; BONATO, 2015).
De acordo com a ABNT NBR 15577-1:2018, a RAS é um tipo de reação

28
álcali-agregado na qual, além do hidróxido de cálcio, participam a sílica reativa
dos agregados e os álcalis do cimento, culminando na formação de um gel
expansivo. A norma ainda enfatiza que este é o tipo de RAA que se desenvolve
mais rapidamente. Isso pode ser explicado pela disposição amorfa da sílica nos
agregados, que pode facilitar a ocorrência da reação expansiva. De forma geral,
existem dois tipos de arranjo estrutural em que a sílica pode se apresentar,
conforme mostrado na FIGURA 6.

FIGURA 6 - REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DOS POSSÍVEIS ARRANJOS ESTRUTURAIS DA


SÍLICA PRESENTE NOS AGREGADOS.

FONTE: COUTO (2008, p. 51).

Segundo Dent Glasser e Kataoka (1981) o arranjo na forma cristalina


(FIGURA 6-a) dificulta a interação da sílica com os íons hidroxila, uma vez que
a estrutura já se encontra uniformemente arranjada. Dessa forma, o ataque dos
íons (OH-) ocorre apenas na superfície da sílica, tornando o processo lento. Em
contrapartida, a sílica amorfa (FIGURA 6-b) permite a penetração dos íons no
interior de seu arranjo estrutural mais facilmente. Assim, a formação de gel
expansivo se dá em menos tempo, quando comparado ao arranjo cristalino.
Em relação à estrutura da matriz cimentícia do concreto, de acordo com
Gillott (1975) e Mehta e Monteiro (2008), a velocidade da reação é influenciada
pelo teor de álcalis disponível na solução dos poros da matriz, pelo tipo de
agregado empregado (composição química, forma, tamanho) e, pela porosidade
do concreto. Isso porque, segundo os autores, os produtos da reação
preencherão primeiramente os vazios da pasta, e só então serão exsudados

29
para a superfície da estrutura (GILLOTT, 1975; MEHTA; MONTEIRO, 2008).
No entanto, segundo Sanchez (2008), a formação do gel não contribui
para o tamponamento dos poros do concreto. Por se tratar de um material
multifásico, a sílica encontra-se próxima a parte central do agregado, e não em
suas bordas. Dessa forma, a hipótese defendida é a de que a reação álcali-
agregado não se inicia na interface entre o agregado e a pasta, mas sim no
interior do agregado, conforme mostrado na FIGURA 7 (SANCHEZ, 2008;
SANCHEZ et al, 2014-a; SANCHEZ et al, 2014-b).

FIGURA 7 - ESQUEMA DA OCORRÊNCIA DE RAA COM FISSURAS EM AGREGADOS


GRAÚDOS.

Fissuras no interior do agregado graúdo

FONTE: Adaptado de BCA, 1992; apud SANCHEZ et al, 2010.

De acordo com a FIGURA 7 e com Sanchez et al (2014-b) as fissuras


decorrentes da RAA são originadas no interior dos agregados, por conta da
energia de fratura gerada por pequenas expansões para acomodar o produto da
reação que, num primeiro momento, é cristalino e sem características
expansivas. A mudança química que torna-o amorfo ocorre apenas quando há o
contato com o Cálcio presente na pasta cimentícia. A partir disso, o gel torna-se
hidrofílico, caracterizando-se como expansivo (SANCHEZ et al, 2014-a;
SANCHEZ et al, 2014-b). Ainda segundo os autores, esse é um processo lento.
Por esse motivo, não é possível afirmar que ocorre o tamponamento dos poros
de concreto pela presença de gel. Sanchez et al (2014-b) afirmam que nas
primeiras idades (em torno de 90 dias) ocorre o processo de hidratação do
cimento e, o produto da RAA (que ainda não é caracterizado como gel, por ser

30
cristalino) ainda está dentro do agregado. Ao sair para a zona de transição e
demais partes da matriz cimentícia as fissuras do interior do agregado se
propagam. Dessa forma, não há nenhum auxílio no fechamento de fissuras ou
poros do concreto por parte do gel sílico-alcalino (SANCHEZ et al, 2014-b).
No que se refere às mudanças no aspecto visual da estrutura, as
principais modificações aparentes em um elemento com RAS são o
aparecimento de fissuras e trincas em forma de mapa e, em casos onde o nível
de degradação é avançado, há a presença de gel de sílica na superfície do
concreto, exsudado por meio das fissuras. Apesar de se tratar de uma reação
expansiva comum em estruturas de concreto maciço, como barragens (onde a
incidência de armadura é mínima), nos casos onde há a ocorrência de RAA em
elementos reforçados com armadura, as rachaduras são paralelas às barras de
aço e se iniciam próximas às juntas com maior teor de umidade, conforme
mostrado na FIGURA 8 (OWSIAK; ZAPALA-SLAWETA; CZAPIK, 2015).

FIGURA 8 - TRINCAS E FISSURAS PROVOCADAS PELA OCORRÊNCIA DE RAA EM VIGA


DE APOIO (a); E POSTE DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA (b).

FONTE: Adaptado de MATTEINI; NOYCE; CREVELLO, 2019.

No caso de estruturas altamente debilitadas, após longos períodos do


aparecimento das primeiras manifestações patológicas sem a realização das
manutenções adequadas, a presença de gel sílico-alcalino, exsudado para a
superfície do compósito por meio das fissuras, é a principal evidência da
ocorrência da reação álcali-sílica (FIGURA 9).
Dessa forma, ensaios laboratoriais que auxiliem na verificação da
composição do gel são fundamentais, uma vez que confirmam o diagnóstico e,
permitem averiguar a composição química dos agregados presentes na matriz
cimentícia (OWSIAK; ZAPALA-SLAWETA; CZAPIK, 2015).
31
FIGURA 9 - GEL PROVENIENTE DA RAA EM EXSUDAÇÃO POR FISSURA.

FONTE: HASPARIK; DAL MOLIN; MONTEIRO, 2006.

A reação álcali-sílica pode se manifestar de forma isolada ou em conjunto


com outras reações, uma vez que a presença de umidade excessiva nos
elementos estruturais facilita a entrada de agentes deletérios no interior do
concreto. A ocorrência simultânea, por exemplo, de ataque por sulfatos e RAA
em uma mesma estrutura é incomum, porém, há registro desse acontecimento
(CAMPOS et al, 2018). Em um estudo de caso de uma barragem em que foi
comprovada a ocorrência de ataque por sulfatos e RAA simultaneamente,
verificou-se que a reação provocada pelos íons SO4- é a primeira a causar danos
na estrutura. Observou-se também que, os deslocamentos ocasionados pelas
manifestações patológicas tornaram-se irreversíveis, comprometendo de forma
definitiva a estabilidade estrutural da edificação (CAMPOS et al. 2018).
Contudo, esse tipo de diagnóstico possui caráter complexo, uma vez que
na literatura não são encontradas informações detalhadas para um
reconhecimento preciso da causa das manifestações patológicas em barragens.
Nesse sentido, Blanco et al. (2018) ilustraram o procedimento diagnóstico por
meio do estudo de caso de barragens analisadas pelos autores. A inspeção
visual em campo mostrou-se uma ferramenta fundamental para o correto
diagnóstico dos mecanismos de degradação, uma vez que evidências como a
lixiviação de produtos para a superfície das estruturas FIGURA 10 pode ser
observada visualmente e, em seguida, confirmada através de testes laboratoriais
(BLANCO, et al. 2018).
Além disso, os tipos de reações expansivas diferem entre si em relação
aos deslocamentos na estrutura e à escala de tempo. Os deslocamentos devido
a reações expansivas tendem a ser proporcionais à altura de blocos de
barragens, por exemplo. Nesse sentido, o monitoramento contínuo da estrutura

32
é fundamental para confirmar e acompanhar o diagnóstico ao longo dos anos
(BLANCO, et al. 2018).

FIGURA 10 - ANÁLISE VISUAL EM BARRAGENS COM DETECÇÃO DE MANIFESTAÇÕES


PATOLÓGICAS CARACTERÍTICAS DE ATAQUE POR SULFATO INTERNO (a); E REAÇÃO
ÁLCALI-AGREGADO (b).

FONTE: Adaptado de (BLANCO et al, 2018).

Ainda, segundo os autores, o resultado positivo para uma determinada


causa não é suficiente para uma conclusão precisa dos mecanismos de
degradação existentes na edificação. O procedimento diagnóstico deve
relacionar parâmetros de causa e efeito entre a reação e o comportamento
estrutural da construção, somando diferentes evidências que possam basear a
identificação precisa das reações deletérias (BLANCO, et al. 2018).

2.2.4 Ensaios laboratoriais e ferramentas para prevenção e diagnóstico de RAA

Numa tentativa de prevenir a ocorrência da RAA, as normativas existentes


visam a caracterização do potencial reativo dos agregados encontrados em
compósitos cimentícios. Técnicas como análise visual, ensaio de petrografia,
medidas de velocidade de pulso ultrassônico, entre outras, são utilizadas para
inferir, de modo direto ou indireto, a reatividade das rochas empregadas na
construção civil.
Os ensaios e normativas que contemplam a ocorrência da RAA baseiam
suas análises em experimentos acelerados, uma vez que a reação química que
desencadeia a formação de produtos expansivos é lenta, na maior parte dos
casos (BONATO, 2015). As normas existentes relacionadas à ocorrência de RAA
partiram de experimentos realizados em laboratórios sob determinadas
condições. De modo geral, os procedimentos laboratoriais baseiam-se na
utilização de agregados reativos na mistura; num consumo fixo de cimento; na
disponibilidade de solução alcalina por meio da água de amassamento; e no

33
aumento de temperatura durante o ensaio (SANCHEZ, 2008). O monitoramento
de corpos de prova fabricados com agregados reativos na década de 1940
embasou a criação de normas como a ACI 221:1998. Nela são apresentados
conceitos e definições importantes para o entendimento da reação em questão.
Além disso, são elencados os principais agentes influenciadores da ocorrência
de RAA no concreto (BONATO, 2015).
A partir dos primeiros estudos também foram criadas normas que
tratavam especificamente da realização de ensaios laboratoriais, capazes de
avaliar a reatividade de agregados inseridos em misturas cimentícias. A ASTM
C227, de 1950, normalizou o método das barras de argamassa (MBT) para
verificação do potencial reativo de agregados. O procedimento foi atualizado até
2010, quando a norma foi retirada do catálogo, sem substituição.
Entretanto, a partir da década de 1980, outras metodologias de ensaio
foram propostas considerando amostras de argamassa e concreto. No que se
refere à utilização de corpos de prova de argamassa, a norma ASTM C1260,
criada em 1994 e atualizada em 2014, dispõe sobre o método acelerado de
expansão em barras de argamassa (AMBT), uma das metodologia mais
utilizadas para a determinação do potencial reativo de agregados (BONATO,
2015).
Com o intuito de simplificar a obtenção de resultados em curtos prazos, a
ABNT criou em 2008, equivalente à ASTM C1260, a NBR 15577 atualizada em
2018. A norma brasileira é dividida em sete partes, e além de abordar conceitos
e práticas para avaliação de reatividade de agregados, trata de medidas
preventivas e protocolo de coleta e preparação de amostras para ensaios. Na
parte 4 da ABNT NBR 15577 estão dispostos os procedimentos para a
determinação da reatividade de agregados em barras de argamassa pelo
método acelerado. A obtenção de resultados é rápida e, dessa forma, a
normativa tornou-se amplamente utilizada, uma vez que indica o modo de
acelerar a ocorrência do mecanismo de degradação da RAA.
Em concreto, o primeiro método foi normalizado em 1995, pela ASTM C
1293, atualizada em 2020. Nela está descrito o procedimento para avaliar a
expansão de agregados incorporados numa mistura de concreto (CPT). Apesar
do alto nível de confiabilidade dos resultados, o tempo necessário para a
realização do procedimento (1 ano, segundo a norma) é um fator que inviabiliza

34
a realização do teste em diversas pesquisas. Nesse sentido, métodos
acelerados utilizando amostras de concreto são propostos desde então. O
primeiro deles, denominado de método acelerado de prismas de concreto
(ACPT) foi desenvolvido em 1992, e propõe, a partir do aumento de temperatura
durante o procedimento, que resultados obtidos em 1 ano de CPT sejam
observados em apenas 3 meses. No entanto, a proposta metodológica ainda não
é normalizada.
Em 2004, o ensaio desenvolvido por Lee, Liu e Wang, denominado
método acelerado de prismas de concreto imersos em solução (ACPST) também
demonstrou boa correlação com resultados obtidos a partir do método CPT.
Porém, o procedimento ainda não possui normativa específica. A norma
brasileira ABNT NBR 15577:2018 também trata do ensaio de potencial reativo
de agregados em prismas de concreto com duração de 1 ano (parte 6) e por
método acelerado em 20 semanas (parte 7).
A fim de verificar a confiabilidade dos principais métodos utilizados para
determinação da reatividade de agregados empregados na construção civil,
Sanchez (2008) fez um estudo no qual comparou os principais ensaios
realizados com essa finalidade. Comparou-se diversos métodos, entre eles o
método acelerado de barras de argamassa (AMBT), o método acelerado de
prismas de concreto (ACPT) e, o método acelerado de prismas de concreto
imerso em solução (ACPST). Verificou-se que os métodos utilizados em concreto
possuem confiabilidade suficiente para serem empregados na determinação da
reatividade de agregados. No entanto, o método AMBT (com barras de
argamassa) apresentou disparidades na classificação dos materiais em relação
aos demais ensaios realizados. Segundo o autor, isso demonstrou que as
condições de ensaio e os parâmetros analisados necessitam de aprimoramento
(SANCHEZ, 2008).
Além disso, no mesmo estudo, Sanchez (2008) propôs um método de
ensaio, denominado método acelerado brasileiro de prismas de concreto
(ABCPT) que une a confiabilidade do ACPT com a rapidez na obtenção de dados
fornecida pelo método ACPST. Os resultados comprovaram que há boa
correlação do método proposto com os demais utilizados para verificação da
reatividade de agregados em concreto (SANCHEZ, 2008).
Em paralelo ao desenvolvimento de ensaios que possam prevenir a

35
ocorrência de RAA, o aperfeiçoamento das técnicas de diagnóstico da patologia
em estruturas em operação tem sido discutido em pesquisas recentes, como
Sanchez et al (2014-b); e Sanchez et al (2016). Alguns procedimentos
desenvolvidos há mais de 30 anos estão sendo aprimorados e utilizados como
ferramentas para diagnóstico de elementos onde houve registro da ocorrência
de RAA. É o caso do ensaio de avaliação da deterioração da rigidez (do inglês
Stiffness Damage Test – SDT) utilizado para quantificação do grau de
degradação de um concreto com a reação deletéria. Trata-se de um método
desenvolvido em 1965 por Walsh (WALSH, 1965) para avaliação de rochas, que
posteriormente foi adaptado para concreto, em 1987. Desde então, diversas
pesquisas tem buscado o aprimoramento do procedimento, de modo a viabilizar
seu uso para diagnóstico de estruturas acometidas por RAA.
Trata-se de um ensaio com carregamento cíclico de compressão uniaxial
em corpos de prova cilíndricos de concreto ou, testemunhos extraídos de obras
em operação. A compressão atua no fechamento das fissuras existentes e
quanto maior o carregamento, dentro do limite estabelecido, maior a quantidade
de fissuras fechadas. Dessa forma, é possível quantificar a microfissuração
interna, que se relaciona com o nível de expansão da amostra e permite verificar
o diagnóstico da estrutura em termos de expansão pelo tempo (SANCHEZ et al,
2014-b, SANCHEZ et al, 2015; SANCHEZ et al, 2017).
A partir da análise dos resultados do ensaio SDT, dependendo da situação
em que a estrutura se encontra, em relação ao grau de dano, são tomadas as
decisões de remediação das manifestações patológicas. Em último caso, a
estrutura é condenada, caso o diagnóstico final registre o acontecimento das
maiores expansões previstas para o elemento de concreto (SANCHEZ et al,
2014-b, SANCHEZ et al, 2015; SANCHEZ et al, 2017).
Outra ferramenta utilizada atualmente para diagnóstico de estruturas
afetadas por RAA foi desenvolvida por Grattan-Bellew em 1995, denominada de
Índice de Classificação de Danos (do inglês Damage Rating Index – DRI) a partir
da qual é possível realizar a contagem de defeitos da matriz de concreto
associados à RAA por meio de microscopia semi-quantitativa. Desde então o
método passou por mudanças que viabilizaram resultados mais precisos em
relação à degradação existente no concreto em análise (SANCHEZ et al, 2015).
Segundo Sanchez et al (2015) os indícios de fratura são classificados de

36
acordo com a sua importância para o processo de deterioração da estrutura e a
contagem é então multiplicada por um fator de ponderação correspondente a
cada componente da matriz (pasta ou agregados), conforme mostrado na
FIGURA 11 (SANCHEZ et al, 2015, SANCHEZ et al, 2017).
De acordo com a classificação adotada por Sanchez et al (2017),
apresentada na TABELA 1, fissuras abertas no agregado graúdo, por exemplo,
possuem fator 2 de ponderação, uma vez que isso representa a propagação de
fissuras iniciadas no interior do agregado para a pasta cimentícia. Já fissuras na
pasta de cimento possuem fator de ponderação 3, uma vez que podem indicar o
potencial início da ocorrência de gel na matriz. Todavia, a ausência de gel nas
fissuras da pasta cimentícia pode demonstrar que o estágio de degradação é
inicial e passível de remediação (SANCHEZ et al, 2015; SANCHEZ et al, 2017).

FIGURA 11 - PETROGRAFIA MICROSCÓPICA PARA ANÁLISE DE DANOS DE RAA POR


MEIO DA TÉCNICA DE DRI.

CCA

OCAG
CCPG

OCAG

FONTE: Adaptado de SANCHEZ et al (2017).

TABELA 1 - FATORES DE PONDERAÇÃO PARA AS CARACTERÍSTICAS DE DEGRADAÇÃO


OBSERVADAS NO ENSAIO DRI.
Indício de degradação Abreviação Fator de ponderação
Fissura no agregado graúdo CCA 0,25
Fissura aberta em agregado graúdo OCA 2
Fissura em agregado graúdo com produto de reação OCAG 2
Agregado graúdo desagregado CAD 3
Partícula de agregado desagregada/corroída DAP 2
Fissura na pasta de cimento CCP 3
Fissura na pasta de cimento com produto de reação CCPG 3
FONTE: Adaptado de SANCHEZ et al (2017).

37
Desse modo, nota-se que os estudos recentes na área estão voltados
para a total compreensão do mecanismo interno ativo de deterioração
ocasionado pela RAA. Hayes et al (2020) estudaram acerca dos efeitos
provocados pela ocorrência da reação álcali-agregado em concreto de usinas
nucleares, considerando a importância da integridade da estrutura ao longo do
tempo (HAYES et al, 2020). Nesse sentido os autores investigaram as alterações
nas propriedades de fratura do concreto submetido à reação deletéria. Assim, no
meio técnico-científico, observa-se que dentre as perguntas que necessitam ser
respondidas estão aquelas que tratam do nível de expansão atual do elemento;
da perda de propriedades mecânicas e de durabilidade existentes; e do potencial
reativo futuro da RAA na estrutura afetada.

2.3 CORRELAÇÃO DE IMAGEM DIGITAL

É possível que o desenvolvimento e o aprimoramento de ferramentas


possam contribuir para a maior confiabilidade dos resultados obtidos em ensaios
laboratoriais. Mostra-se crescente a utilização de softwares que permitem maior
detalhamento dos processos de degradação, e que podem auxiliar na análise de
dados em ensaios de diagnóstico por meio de métodos visuais.
Nesse sentido, a análise por Correlação de Imagem Digital (do inglês
Digital Image Correlation – DIC) é uma técnica recente que tem sido utilizada
para acompanhamento da formação de fissuras em ensaios de carregamento e,
microfissuras em casos de retração do concreto (CHOI; SHAH, 1997; KUNTZ et
al, 2006). A disseminação da técnica mostra que, nas últimas décadas tem sido
explorado o uso da captura de imagens com o objetivo de aperfeiçoar o
monitoramento de experimentos e, consequentemente, melhorar a precisão das
medições realizadas (ALBA et al, 2010; ZHOU et al, 2014; PICOY, 2016).
Segundo Silva, Alves e Costa (2007) imagens digitais são codificações
que podem ser obtidas a partir de câmera fotográfica digital. Além disso, são
passíveis de serem reconhecidas por um computador ou dispositivo eletrônico.
Um esquema de montagem dos aparatos para utilização da técnica é mostrado
na FIGURA 12.
Desenvolvida, num primeiro momento, para a transmissão de imagens
entre pontos extremamente distantes, as imagens digitais estão sendo utilizadas
com mais frequência na construção civil, seja na realização de ensaios
38
mecânicos, monitoramento de degradação do concreto ou acompanhamento de
obras (PICOY, 2016). Em pesquisas recentes (SMRKIC; KOSCAK;
DAMJANOVIC, 2018; TORRES et al, 2020) a técnica de correlação por imagem
tem se mostrado como uma ferramenta eficiente no complemento e substituição
às técnicas de monitoramento convencionais. Além disso, os custos são baixos
quando comparados ao uso de sensores, uma vez que não é necessário contato
direto com a estrutura para realização de medições e os aparatos utilizados são
simples: câmera digital; computador; e programa comercial de processamento
de imagem disponível em versões gratuitas (SMRKIC; KOSCAK; DAMJANOVIC,
2018).

FIGURA 12 - APARATO PARA UTILIZAÇÃO DE CORRELAÇÃO POR IMAGEM DIGITAL EM


ENSAIO MECÂNICO.

FONTE: Adaptado de (SUDARSANAN et al, 2019).

De acordo com Smrkic, Koscak, Damjanovic (2018) e Torres et al (2020)


uma das principais vantagens da utilização da DIC é a possibilidade de monitorar
todas as fissuras separadamente e, avaliar sua progressão ao longo do tempo,
mesmo aquelas que ainda não são visíveis a olho nu. Independente do ponto no
qual a fissura se inicie na superfície em análise, é possível observá-la desde os
primeiros deslocamentos. Por esse motivo, há estudos que defendem o uso da
técnica em medições realizadas em campo, no acompanhamento da abertura de
fissuras e deslocamentos em grandes estruturas de concreto (KUNTZ et al,
2006).
A técnica se baseia na comparação de imagens digitais de uma

39
determinada área ao longo do tempo, em diferentes estágios de aplicação de
carga. Trata-se de um método óptico utilizado para determinação da deformação
do campo total de um material. De modo geral, são capturadas imagens antes e
após uma deformação a que o elemento é submetido (ZHOU et al, 2014). Para
isso, a superfície que será analisada deve ser preparada com a impregnação de
um padrão aleatório de pontos. Os níveis de contraste na imagem devem ser
adequados, de modo que o padrão de pontos gere uma superfície de boa
qualidade no software (SMRKIC; KOSCAK; DAMJANOVIC, 2018).
Para que sejam obtidos resultados precisos e confiáveis, a captura das
imagens deve ser realizada com base em alguns cuidados. A partir do registro
da imagem de referência, qualquer movimentação da câmera irá somar erros ao
processo. Por isso, é necessário evitar que ocorram vibrações ou trepidações no
ambiente em que a câmera se encontra. Além disso, para que distorções devido
à lente da câmera não acumule erros às medições, é recomendado posicionar a
superfície em análise no meio do quadro da câmera, onde o efeito de distorção
é menor (SMRKIC; KOSCAK; DAMJANOVIC, 2018).
Assim, a partir do padrão aleatório de pontos na superfície a ser analisada
e, da captura em sequência de imagens ao longo do tempo, a DIC extrai os
deslocamentos que podem ser observados em mapas de cores, como pode ser
observado na FIGURA 13 (ZHOU et al, 2014).
De acordo com a FIGURA 13-c, escalas de cores quentes, como
vermelho, representam as maiores deformações. Em contrapartida, escalas de
cores frias, como azul, indicam pouca movimentação dos pontos de análise em
relação ao referencial. Dessa forma, a partir dessa ferramenta é possível
determinar com precisão os deslocamentos sofridos em determinados pontos
(FIGURA 13-a,b). Isso foi demonstrado no estudo realizado por Smrkic, Koscak,
Damjanovic (2018) que avaliou a precisão dos resultados da DIC, em
comparação aos resultados obtidos pela leitura de sensores convencionais, no
deslocamento e abertura de fissuras em concreto armado. Segundo os autores,
os resultados obtidos demonstraram a precisão da técnica, uma vez que as
medições realizadas a partir da análise de imagens variaram cerca de 1% em
relação aos resultados medidos com sensores. Em níveis de carga mais baixos,
a variação medida chegou a 3% (SMRKIC; KOSCAK; DAMJANOVIC, 2018).

40
FIGURA 13 - OBTENÇÃO DE DESLOCAMENTOS DE PONTOS POR CÂMERA DIGITAL (a);
CONCRETO SUBMETIDO A ENSAIO DE COMPRESSÃO COM SUPERFÍCIE PARA
OBTENÇÃO DE DESLOCAMENTOS DE PONTOS POR IMAGEM DIGITAL (b); MAPA DE
CORES DA ABERTURA DE FISSURAS NA AMOSTRA (c).

a) b) Carregamento
de compressão

c)

FONTE: Adaptado de (GOM Metrology, 2017; ÁLAVA et al, 2016).

Mata-Falcón et al (2020) também realizaram um estudo voltado para a


aplicação conjunta de sensores de fibra óptica e a técnica de correlação por
imagem digital. De acordo com os autores, os locais onde foram previstas
aberturas de fissuras eram coincidentes a partir dos dados de ambos os
métodos. No entanto, ainda de acordo com os resultados obtidos, em testes
estruturais de larga escala a DIC pode estar associada a incertezas relacionadas
às condições de teste e ao cuidado do usuário. Segundo os autores, fatores
como calibração correta dos equipamentos, condições de luminosidade do
ambiente e a qualidade da imagem são os principais fatores que interferem nas
incertezas de análise quantitativa presentes na aplicação da correlação por
imagem (MATA-FALCÓN et al, 2020).
Yager, Hoult e Bentz (2021) também fizeram uso conjunto de sensores e
da DIC na verificação do comportamento estrutural e de fissuração em vigas de
concreto funcionalmente graduado submetidas ao ensaio de flexão de 3 pontos.
Sob esse aspecto, o emprego da técnica de correlação por imagem, associada
a outros métodos de análise estrutural do concreto, mostra-se crescente e atual.

41
Nesse sentido, o emprego da DIC é associado principalmente ao estudo
do comportamento mecânico do concreto, em ensaios com elementos
estruturais. Domenico et al (2021) utilizaram a correlação por imagem digital para
avaliar o comportamento de fratura à flexão de vigas de concreto armado
reforçadas com roscas de protensão. Segundo os autores a técnica se mostrou
eficaz no acompanhamento da deformação e no monitoramento da formação de
fissuras (DOMENICO et al, 2021).
Em estudo recente realizado por Li et al (2019) a DIC foi associada à
análise do comportamento de fratura de amostras de concreto, contendo
agregado graúdo reciclado, submetidas ao ensaio de flexão de 3 pontos. No
estudo, a correlação por imagem foi empregada para a verificação da morfologia
das fissuras e para o acompanhamento do processo de deformação do concreto
(LI et al, 2019).
Ainda sob o viés do uso da DIC como uma ferramenta para a
compreensão adequada do comportamento estrutural de compósitos
cimentícios, Gehri, Mata-Falcón e Kaufmann (2020) apresentaram um
procedimento automatizado para detecção de fissuras e trincas em elementos
estruturais submetidos a ensaios em laboratório. De acordo com os autores, a
partir da instrumentação com a técnica de correlação por imagem digital e do
uso de ferramentas de visualização automática de dados, fissuras são
detectadas automaticamente e a velocidade da sua propagação é obtida com
precisão por meio do processamento de imagens 2D. Segundo os autores, o
procedimento detecta fissuras utilizando o campo de tensão de tração principal
verificado pela DIC, e não se baseia na intensidade de pixels das imagens para
detectar o início da fissuração (GEHRI; MATA-FALCÓN; KAUFMANN, 2020).
Campos de estudo que, associam a verificação do comportamento
mecânico do concreto à interação do compósito com diferentes materiais
também utilizam a técnica de correlação por imagem digital para entendimento
do mecanismo de fratura da interface. Wang e Petru (2019) utilizaram a DIC para
avaliar o campo de deslocamento e a abertura de fissura na interface entre
concreto e epóxi, em amostras submetidos a ciclos de gelo e degelo (WANG;
PETRU, 2019). Em estudo mais recente, Domenico et al (2021) empregou a DIC
para verificar tensões e deslocamentos na interface entre concreto e argamassa
reforçada com tecido. Segundo os autores, trata-se de uma técnica de reforço

42
amplamente difundida. Com câmeras digitais focadas na parte frontal do
concreto e na interface entre os materiais, os autores acompanharam o
comportamento de falha do compósito de modo local e completo (DOMENICO
et al, 2021).
Outros estudos demonstraram que a partir da utilização da DIC é possível
inferir sobre a deformação provocada por patologias em estruturas de concreto
(ALBA et al, 2010; PICOY, 2016). Sob esta vertente, tem sido averiguada, com
o uso da técnica DIC, a influência de parâmetros físicos dos agregados na
retração por secagem de compósitos cimentícios (CHEN et al, 2017). Trata-se
de um problema comum em construções, uma vez que o concreto reduz seu
volume durante as primeiras horas de endurecimento, devido à saída de parte
da água de amassamento, podendo originar fissuras em sua matriz (MEHTA;
MONTEIRO, 2008).
Como contribuição principal do estudo, os resultados indicaram a
viabilidade do uso da técnica DIC – 3D para monitoramento e medição,
qualitativa e quantitativa, dos campos de deformação gerados a partir da
ocorrência de retração na matriz cimentícia. Além disso, observou-se que o
aumento no tamanho dos agregados proporcionou maior heterogeneidade aos
campos de deformação. Isso devido, principalmente, à incompatibilidade de
retração de secagem entre os agregados e a pasta cimentícia. Em contrapartida,
o aumento no volume de agregados proporcionou maior homogeneidade aos
campos de deformação, uma vez que auxiliaram no controle da retração por
secagem da matriz (CHEN et al, 2017).
A necessidade de maior precisão nos dados relacionados à ocorrência de
manifestações patológicas por reações expansivas, possibilitou o emprego desta
ferramenta no mapeamento de fissuras internas causadas pela interação álcali-
sílica no interior de matrizes cimentícias.
Essa utilização, porém, é recente e, sugere o uso da técnica como objeto
de auxílio no aperfeiçoamento das técnicas de monitoramento de grandes
estruturas de concreto. Nesse sentido, Teramoto et al (2018) visualizaram a
formação de fissuras internas em matrizes submetidas à ação de RAA e,
verificaram a influência das características físicas e mecânicas dos agregados
na progressão da reação deletéria (TERAMOTO et al, 2018). Ao fim do estudo
verificou-se que as microfissuras induzidas pela ocorrência da reação álcali-

43
sílica foram visualizadas de forma satisfatória pelo método de Correlação de
Imagem Digital (DIC), conforme mostrado na FIGURA 14.

FIGURA 14 - VERIFICAÇÃO DO APARECIMENTO DE FISSURAS NO INTERIOR DE


AGREGADOS (a); PROPAGAÇÃO DE FISSURAS NO ENTORNO DE AGREGADOS
GRAÚDOS (b).

a) b)

FONTE: Adaptado de (TERAMOTO et al, 2018).

De acordo com a FIGURA 14 é possível observar que a técnica DIC


auxiliou na captação de fissuras internas de agregados graúdos (FIGURA 14-a)
e nos níveis de deformação gerados na zona de transição entre os agregados e
a pasta cimentícia (FIGURA 14-b). Além disso, observou-se que os valores de
expansão baseados neste método apresentaram concordância com os dados
obtidos por meio de ferramentas tradicionais, como relógio comparador e
medidores de contato (TERAMOTO et al, 2018).
O uso da DIC em pesquisas relacionadas ao uso de materiais ou aspectos
de durabilidade ainda é discreto. A técnica de correlação por imagem digital já
havia sido inserida em estudos que consideravam a ocorrência de reação álcali-
agregado em estruturas de concreto. No entanto, a abordagem estava
relacionada ao acompanhamento de deformações e deslocamentos em termos
de desempenho estrutural do compósito. Kubat, Al-Mahaidi e Shayan (2016)
empregaram a DIC, em comparação ao uso de extensômetros tradicionais, para
medição de deformação por tensão, em colunas de concreto afetadas por RAA
e confinadas por camadas de polímero reforçado com fibras de carbono (KUBAT;
AL-MAHAIDI; SHAYAN, 2016). Em estudo desenvolvido por Barbosa et al (2018)
amostras de uma ponte altamente debilitada por RAA foram submetidas a testes

44
de resistência ao cisalhamento residual. Os autores utilizaram a correlação por
imagem digital para verificar o mecanismo de falha e a formação de fissuras
induzidas pelo carregamento nas lajes de concreto (BARBOSA et al, 2018).
Ainda, com o objetivo de analisar os campos de deformação e a propagação de
fissuras, Hansen e Hoang (2020) avaliaram o comportamento de compressão
anisotrópico de lajes de concreto danificadas por RAA (HANSEN; HOANG,
2020).
A FIGURA 15 mostra o crescimento do uso da técnica na engenharia civil
a partir da década de 2000. Para isso foi realizado um levantamento de artigos
publicados sobre o tema, em periódicos revisados por pares, nas bases de dados
Web of Science, SpringerLink e Scopus. O recorte temporal se justifica devido à
pequena quantidade de estudos relacionando a correlação por imagem digital ao
concreto durante as décadas de 1980 e 1990, período em que as discussões
científicas em torno de questões de durabilidade passaram a ganhar espaço no
meio técnico. Dessa forma, até o início dos anos 2000 a técnica não havia sido
disseminada como ferramenta de análise em áreas da construção civil
relacionadas a questões de manutenção e durabilidade de estruturas. Sua
utilização era concentrada apenas em ensaios mecânicos (SUTTON et al, 1983;
CHOI; SHAH, 1997) De modo geral, a análise da mecânica de fratura dos
elementos estruturais foi a principal área de utilização da DIC no período após o
desenvolvimento da técnica.
Foi possível verificar que o número de artigos que relacionam os termos
“digital image correlation” e “concrete structures”, utilizados como palavras-
chave no levantamento, está em crescimento. Constatou-se que mais de 95%
dos trabalhos encontrados, a partir do refinamento descrito dos parâmetros de
busca, foram desenvolvidos a partir de 2011, demonstrando o crescente uso da
técnica para melhoria do monitoramento de estruturas de concreto.
A partir dos anos 2000 as pesquisas passaram a incorporar a DIC em
estudos relacionados à matriz cimentícia e à interface do concreto com outros
materiais (CORR et al, 2006; ALI-AHMAD; SUBRAMANIAM; GHOSN, 2006).
Durante este período também foram realizados os primeiros estudos com a
utilização da DIC para monitoramento de estruturas em operação (KUNTZ et al,
2006).

45
FIGURA 15 - USO DA CORRELAÇÃO POR IMAGEM DIGITAL EM PESQUISAS
RELACIONADAS À CONSTRUÇÃO CIVIL.
1400 1257

1200 DIC em análise de


fissuras por RAA
1000
Artigos publicados

800 DIC em análise de


fissuras por
600 retração
DIC em ensaios
357
400 mecânicos
200 66
7
0
1
2000-2005 2
2006-2010 3
2011-2015 2016-20214
Ano

FONTE: A Autora, 2020.

Entretanto, o número crescente de artigos relacionados ao uso da DIC é


ainda mais notório nos últimos 10 anos. A ferramenta tem sido amplamente
empregada nas áreas de materiais de construção civil e análise de
manifestações patológicas, bem como para melhorar a precisão dos dados
relacionados à mecânica de fratura do concreto (SKARZYNSKI; TEJCHMAN,
2013; ÁLAVA et al, 2016). Retração por secagem de concretos e argamassas,
influência do aparecimento de fissuras no transporte de agentes deletérios e a
natureza dos agregados, frente ao comportamento heterogêneo do concreto em
diferentes condições ambientais, são alguns nichos de estudo desenvolvidos em
pesquisas recentes por meio da DIC (MAUROUX et al, 2012; KUBAT et al, 2016;
ÁLAVA et al, 2016; CHEN et al, 2017). Todavia, é importante ressaltar que a
correlação por imagem digital continua sendo utilizada para monitoramento de
concretos em ensaios mecânicos. Os resultados nesses estudos ressaltam a
precisão das medições de deslocamentos e deformações obtidas a partir da DIC
(SMRKIC; KOSCAK; DAMJANOVIC, 2018; TORRES et al, 2020).
A utilização da técnica para monitamento de manifestações patológicas
devido à RAA é ainda mais recente, com estudos concentrados nos últimos três
anos (TERAMOTO et al, 2018; MATTEINI et al, 2019). Dessa forma, esta área
de pesquisa apresenta-se com grande potencial de desenvolvimento para
estudos de melhoria de técnicas de monitoramento de estruturas sob condições
operacionais.
46
3. CORRELAÇÃO POR IMAGEM DIGITAL EM ENSAIO MECÂNICO

3.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E OBJETIVO DO CAPÍTULO

Este capítulo foi estruturado a partir de uma campanha experimental para


utilização da DIC na avaliação da ruptura de corpos de prova de concreto em
ensaio mecânico. Em suma, o objetivo geral do estudo abordado neste capítulo
foi verificar, por meio da DIC, a ruptura do concreto reforçado com fibras de
polipropileno por tração indireta no ensaio Montevidéu (MVD).
O método normalizado para avaliar o comportamento estrutural do
concreto reforçado com fibras (CRF) é o ensaio de flexão de três pontos (do
inglês 3-point bending), estabelecido pela norma europeia EN 14651:2007. No
Brasil, a norma que estabelece os requisitos de desempenho mecânico do CRF
é a ABNT NBR 16935:2021, publicada recentemente. Visando a obtenção dos
valores da tensão de tração residual do elemento, o ensaio de flexão de três
pontos também é adotado nas diretrizes da norma brasileira, conforme descrito
na ABNT NBR 16940:2021. No entanto, trata-se de um método em que a
amostra a ser avaliada possui grandes dimensões (550x150x150) mm, conforme
apresentado na FIGURA 16. Além disso, a execução desse ensaio em
elementos extraídos de estruturas reais, quando possível, é onerosa (SEGURA-
CASTILLO; MONTE; FIGUEIREDO, 2018).

FIGURA 16 - REPRESENTAÇÃO DO ENSAIO DE FLEXÃO DE 3 PONTOS (a); VIGA SENDO


SUBMETIDA AO ENSAIO DE FLEXÃO DE 3 PONTOS (b).

FONTE: A Autora, 2020 (a); Adaptado de Segura-Castillo; Monte; Figueiredo, 2018 (b).

47
Com isso, métodos compactos figuram como alternativas para facilitar o
processo executivo dos ensaios de caracterização estrutural do CRF. O tamanho
das amostras apresenta-se como uma das vantagens desse tipo de ensaio, uma
vez que demanda menos material. Com isso, é possível aumentar o número de
testes a partir do mesmo volume de concreto utilizado em ensaios de flexão de
vigas. Além disso, a execução do ensaio é simplificada a partir do uso de
amostras mais leves. Entre os ensaios compactos existentes, há o ensaio
Wedge-splitting test – (WST) apresentado na FIGURA 17. Normalizado em 1986,
baseia-se numa estratégia de carga indireta, aplicada em corpos de prova
cúbicos ou cilíndricos (SEGURA-CASTILLO; MONTE; FIGUEIREDO, 2018).

FIGURA 17 - CONCRETO EM AMOSTRA CILÍNDRICA SUBMETIDO AO ENSAIO DE CUNHA


(a); REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO ENSAIO DE CUNHA EM CORPO DE PROVA
CÚBICO (b); AMOSTRA CÚBICA DE CONCRETO SUBMETIDA AO ENSAIO DE CUNHA (c).

FONTE: Adaptado de Segura-Castillo; Monte; Figueiredo, 2018.

No ensaio WST, a partir de uma carga de compressão transmitida por


uma cunha, é possível caracterizar o comportamento de resistência residual à
tração do concreto, correlacionando o deslocamento da cunha com a abertura
de fissura no compósito. No entanto, a correlação entre a força vertical aplicada
e a força de tração resultante pode ser dificultada pela introdução de forças de
atrito (SEGURA-CASTILLO; MONTE; FIGUEIREDO, 2018). Além disso, a
preparação dos corpos de prova é complexa, sendo necessária a abertura de
um entalhe duplo em uma das faces da amostra. Outro ponto está relacionado
ao dispositivo de carga, que é específico para esse ensaio, dificultando a
execução do método em laboratórios nos quais não haja a disponibilidade do
aparato (LOFGREN; STANG; OLESEN, 2008; SEGURA-CASTILLO; MONTE;

48
FIGUEIREDO, 2018).
Nesse contexto, o ensaio Montevidéu foi formulado em 2017 por Segura-
Castillo, Monte e Figueiredo com o objetivo de caracterizar a resistência residual
à tração do CRF a partir de uma metodologia simplificada, sem a necessidade
de preparos complexos ou onerosos durante ensaios de controle de qualidade
de rotina, conforme apresentado na FIGURA 18 (SEGURA-CASTILLO; MONTE;
FIGUEIREDO, 2018).

FIGURA 18 - REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO ENSAIO MONTEVIDÉU (a); CORPO


DE PROVA CÚBICO SUBMETIDO AO ENSAIO MONTEVIDÉU (b).

FONTE: Adaptado de Segura-Castillo; Monte; Figueiredo, 2018.

De acordo com o esquema mostrado na FIGURA 18, em comparação ao


ensaio WST, o dispositivo de carga empregado no ensaio MVD é mais simples,
sendo uma cunha, com angulação de 15º em relação à direção vertical, fixada
diretamente na célula de carga da prensa. Além disso, o duplo entalhe
necessário no ensaio normalizado é substituído por um corte de 25 mm de
profundidade e 5 mm de largura em uma das faces do corpo de prova cúbico,
com arestas de 150 mm. Segundo os autores, a geometria da amostra e do
entalhe foi escolhida com o objetivo de evitar efeitos de escala na correlação dos
resultados com o teste EN 14651:2007 (ou NBR 16935:2021), uma vez que as
medidas replicam a superfície de fratura do ensaio de flexão (SEGURA-
CASTILLO; MONTE; FIGUEIREDO, 2018).
Os aparatos necessários para o preparo de amostras para o ensaio MVD

49
são simples e podem ser adaptados de acordo com a disponibilidade dos
utensílios. Além disso, por ser caracterizado como um ensaio compacto, é
possível realizar testes com testemunhos extraídos de estruturas. Ainda de
acordo com Segura-Castillo, Monte e Figueiredo (2018) trata-se de um ensaio
viável para verificação do controle de qualidade do CRF, uma vez que seus
resultados para avaliação das propriedades de tração do concreto podem ser
correlacionados com o teste de flexão de três pontos (EN 14651:2007 e NBR
16935:2021). Porém, de acordo com os autores, um fator crítico durante o teste
seria o atrito gerado entre a cunha e o corpo de prova de concreto. Nesse
sentido, de forma a garantir que a atrito fosse reduzido, porém constante ao
longo do ensaio, os autores propuseram o uso de cantoneiras de metal nas
paredes do entalhe da amostra, além da aplicação de lubrificante entre a cunha
e as cantoneiras (SEGURA-CASTILLO; MONTE; FIGUEIREDO, 2018).
Em termos de resistência residual à tração, o ensaio Montevidéu foi
concebido para caracterizar o comportamento de abrandamento (do inglês
Softening) do CRF, ou seja, quando há uma quantidade baixa ou moderada de
fibras na mistura e, a ruptura da amostra se configura com o aparecimento de
uma fissura principal, na direção do entalhe (SEGURA-CASTILLO; MONTE;
FIGUEIREDO, 2018).
O estudo realizado por Segura-Castillo, Monte e Figueiredo (2018)
também buscou correlacionar o deslocamento da cunha com a abertura de
fissura no concreto (FIGURA 19). A partir disso, seria possível realizar o ensaio
controlando apenas o curso do pistão da prensa, ou deslocamento da cunha,
sem a necessidade de realizar a medição da abertura de fissura, evitando que a
preparação das amostras incorporasse erros aos dados do ensaio (SEGURA-
CASTILLO; MONTE; FIGUEIREDO, 2018).
Para estabelecer a relação teórica entre o deslocamento da cunha e a
abertura de fissura considera-se que, após a ruptura da matriz, apenas uma
trinca é formada e se propaga até a base do corpo de prova, dividindo-o em duas
partes. Considerando que as rotações geradas são pequenas e, de acordo com
a configuração apresentada na FIGURA 19, é possível determinar a abertura de
fissura em função do deslocamento da cunha (SEGURA-CASTILLO; MONTE;
FIGUEIREDO, 2018). Sendo:

50
 P: carga de compressão aplicada;
 O: ponto sobre o qual ocorre a rotação das duas partes da amostra;
 �: ângulo da cunha com o eixo vertical (15º);
 : deslocamento da cunha;
 ℎ: altura da amostra;
 ℎ : altura do final do entalhe até a base do corpo de prova; tem-se:

Abertura da fissura no início do entalhe – CMOD ( �) dado por:

� = ∙ ∙ tan⁡ � (5)

Abertura da fissura no final do entalhe – CTOD ( �) dado por:


� = ∙ ∙ ∙ tan � (6)

FIGURA 19 - CONFIGURAÇÃO IDEAL DO ENSAIO MONTEVIDÉU APÓS A ABERTURA DE


FISSURA.

FONTE: Adaptado de (SEGURA-CASTILLO; MONTE; FIGUEIREDO, 2018).

Diante disso, optou-se pela realização do ensaio Montevidéu com o


objetivo de analisar a viabilidade do uso da técnica de correlação por imagem no
monitoramento do processo de fissuração do concreto. A partir da comparação
entre os resultados obtidos de dados da prensa e os resultados do
processamento de imagens, analisou-se a precisão das respostas de
monitoramento obtidas por meio da DIC. É possível que a utilização da técnica
contribua para maior confiabilidade dos resultados do ensaio Montevidéu. Além

51
disso, buscou-se verificar a influência da incorporação de fibras poliméricas na
resistência residual à tração do concreto.

3.2 PROGRAMA EXPERIMENTAL

3.2.1 Materiais, dosagem e cura das amostras

As etapas de desenvolvimento do estudo tratado neste capítulo estão


dispostas no fluxograma apresentado na FIGURA 20. De modo geral, as
amostras de concreto foram submetidas a todos os processos necessários para
que o ensaio Motevidéu e o monitoramento por correlação de imagem digital
fossem realizados.

FIGURA 20- FLUXOGRAMA DO PLANEJAMENTO METODOLÓGICO DO CAPÍTULO 3

O aglomerante utilizado foi o cimento CP V – ARI, material comumente


empregado na fabricação de peças pré-fabricadas. Além disso, trata-se do
cimento com menor teor de adições produzido no Brasil, com material
carbonático no teor de até 10% de sua composição. Na TABELA 2 e na TABELA
3 estão apresentados, respectivamente, os resultados da caracterização química

52
e física desse material, fornecidos pelo fabricante, respeitando os valores
mínimos de resistência à compressão exigidos pela ABNT NBR 16697/2018.

TABELA 2 - CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DO CIMENTO CP V-ARI.

ENSAIOS QUÍMICOS
Perda
CaO Equivalente Resíduo
ao Al2O3 SiO2 Fe2O3 CaO MgO SO3
Livre Alcalino Insolúvel
Fogo (%) (%) (%) (%) (%) (%)
(%) (%) (%)
(%)
3,62 4,46 19,28 3,00 61,86 2,59 2,95 0,97 0,67 0,81

FONTE: Cimentos Itambé (2019).

TABELA 3 - CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DO CIMENTO CP V-ARI.

ENSAIOS FÍSICOS

Massa
Exp. Quente Início de Fim de Pega Cons.
Específica Blaine (cm²/g)
(mm) Pega (min) (min) Normal (%)
(g/cm³)

3,09 0,21 209 256 29,9 4,411

ENSAIOS FÍSICOS
Retido na Retido na
1 dia (MPa) 3 dias (MPa) 7 dias (MPa) 28 dias (MPa)
#200 (%) #325 (%)
0,07 0,33 23,6 39,5 45,3 53,8
FONTE: Cimentos Itambé (2019).

Os agregados utilizados foram originados na britagem de rochas da região


de Curitiba. Na TABELA 4 estão apresentados os ensaios realizados para sua
caracterização física, bem como as normas nas quais foram baseados os
procedimentos e, os resultados obtidos. Por meio de ensaios de expansão
descritos na norma ABNT NBR 15577:2018, verificou-se que os materiais não
possuem potencial reativo.
Na FIGURA 21 é apresentada a curva granulométrica da areia, que se
encontra dentro dos limites inferiores e superiores de utilização, sendo dessa
forma, indicada para uso em misturas cimentícias (NBR NM 248/03).
De forma semelhante, a FIGURA 22 apresenta a curva granulométrica do
agregado graúdo, classificado como Brita 0 e com presença de material de
dimensões inferiores a 4,75 mm. Os limites apresentados no gráfico são
referentes a zona granulométrica (Z - d/D) de 4,75/12,5.

53
TABELA 4 - ENSAIOS REALIZADOS PARA CARACTERIZAÇÃO DOS AGREGADOS.

AGREGADO AGREGADO
ENSAIO METODOLOGIA
MIÚDO GRAÚDO

Absorção de água, % ABNT NBR NM 30: 2001 5,17 0,27

Massa específica e massa 2,60 2,64


ABNT NBR NM 52: 2009
aparente, g/cm³

Granulometria ABNT NBR NM 248: 2003 Figura 21 Figura 22

Teor de material - 1,0


ABNT NBR NM 46: 2003
pulverulento, %

Dimensão Máxima 4,75 mm 9,5 mm


ABNT NBR NM 248: 2003
Característica (DMC)

FIGURA 21 - CURVA GRANULOMÉTRICA DO AGREGADO MIÚDO.

0%
Massa Retida Acumulada

20%
40%
(%)

60%
80%
100%
0,01 0,1 1 10
Diâmetro dos Grãos (mm)
Agregado analisado Zona Utilizável Inferior Zona Ótima Inferior
Zona Ótima Superior Zona Utilizável Superior

FIGURA 22 - CURVA GRANULOMÉTRICA DO AGREGADO GRAÚDO.

0%
Massa Retida Acumulada

20%
40%
(%)

60%
80%
100%
0,1 1 10
Diâmetro dos Grãos (mm)
Agregado analisado Limite Inferior Limite Superior

54
A fibra polimérica utilizada no estudo foi a macrofibra TUF STRAND SF.
Sua composição é uma mistura dos polímeros Polietileno e Polipropileno. As
principais características e especificações do material foram fornecidas pelo
fabricante e encontram-se na TABELA 5.

TABELA 5 - CARACTERÍSTICAS E ESPECIFICAÇÕES DA MACROFIBRA TUF STRAND SF.

CARACTERÍSTICA UNIDADE VALOR

Densidade [kg/m³] 920

Comprimento [mm] 51

Fator de Forma [-] 74

Resistência a Tração [MPa] 600-650

Módulo de elasticidade [GPa] 9,5

Ponto de fulgor [ºC] 330

Limites de dosagem [kg/m³] 1,8 a 12

FONTE: Viapol, (2019).

O estudo experimental foi desenvolvido por meio da fabricação de corpos


de prova de concreto, com dimensões de (150x150x150) mm. A dosagem do
material foi realizada a partir de um traço base para concreto convencional,
definido a partir do método IPT/EPUSP, que foi adaptado para a incorporação
das macrofibras na mistura, em relação ao volume total de concreto. Isso porque
não existem procedimentos normalizados de dosagem de concreto com fibras
poliméricas para fins estruturais ou de melhoria da resistência mecânica. Dessa
forma, após a definição do traço, a massa e o volume de materiais necessários
para produção de concreto foram calculados. Em seguida, a partir da
porcentagem de fibras na mistura, foram definidos os valores de massa e volume
corrigidos, para que o volume total fabricado não excedesse o valor determinado
inicialmente. Assim, e conforme apresentado na TABELA 6, a quantidade de
materiais em cada traço foi reduzida proporcionalmente, para que a inserção das
fibras na mistura não resultasse no acréscimo de volume final.
Foram fabricados três traços de concreto reforçado com fibras, nos teores
de 0,3%; 0,6% e 0,9% em relação ao volume total de concreto, além de amostras
de concreto referência (sem a adição de fibras). Na TABELA 6 são especificados

55
os traços utilizados e o consumo em kg/m³ de cada material.
Durante a dosagem das amostras, foi utilizado aditivo superplastificante
de 3ª geração. Dessa forma, a trabalhabilidade da mistura não foi prejudicada
pela inserção de fibras. Em todos os traços, incluindo o de referência, foi
incorporado 0,2% de superplastificante em relação à massa de cimento. Assim,
garantiu-se a padronização da proporção dos materiais da matriz cimentícia em
todos os traços.

TABELA 6 - DOSAGEM DE CONCRETO COM MACROFIBRAS POLIMÉRICAS.

TEOR CONSUMO (kg/m³) DENSIDADE


TRAÇO A/C FIBRAS CONCRETO
Cimento Areia Brita Água Fibras
(%) (kg/m³)
0,0 355,22 795,70 980,42 202,48 0,0 2333,82
0,3 354,16 793,31 977,48 201,87 2,76 2329,58
1:2,24:2,76 0,57
0,6 353,09 790,93 974,53 201,26 5,52 2325,34
0,9 352,03 788,54 971,59 200,66 8,28 2321,09

O concreto foi misturado em uma betoneira, com capacidade para 120


litros, na ordem decrescente de diâmetro dos materiais, ou seja, da maior para
a menor granulometria entre todos os insumos. Após a adição do cimento, o
superplastificante foi incorporado junto com a água de amassamento, num teor
de 0,2% em relação à massa de cimento. Por último, as fibras foram adicionadas
ao concreto fresco de forma manual e misturadas na betoneira por 3 minutos, a
fim de garantir uma dispersão adequada na matriz, ou seja, sem a presença de
grumos ou emaranhados de fibra concentrados em algumas porções de
concreto.
A moldagem das amostras se deu em duas camadas, adensadas em
mesa vibratória por 10 segundos. A superfície foi regularizada com régua
metálica, sendo, após esse processo, coberta com filme plástico, com o objetivo
de impedir a perda de água para o ambiente, o que poderia comprometer a
hidratação inicial do cimento. Para cada traço, foram fabricados 6 corpos de
prova, sendo produzidas ao todo 24 amostras para o desenvolvimento do estudo.
Após a fabricação, todas permaneceram em cura úmida conforme NBR
9479:2006 durante 52 dias, uma vez que foram necessários 4 dias para as
etapas de preparo para o ensaio Montevidéu, e a ruptura se deu aos 56 dias.

56
3.2.2 Ensaio Montevidéu (MVD)

Após o processo de cura, os corpos de prova seguiram para as etapas de


preparo para a realização do ensaio Montevidéu. Sabendo que foi realizada a
moldagem de um traço por dia, as etapas de preparo também foram sequenciais,
de modo que todos os corpos de prova fossem submetidos ao preparo em uma
mesma idade. Como primeiro processo, após 52 dias de cura, as amostras foram
submetidas ao corte para abertura do entalhe em uma das faces. Nessa etapa,
analisou-se a direção de vibração do material, a partir da qual foi possível
garantir que a orientação preferencial das fibras fosse perpendicular ao corte.
Isso porque a vibração do compósito é um dos fatores que influenciam a
orientação das fibras dentro da forma. O processo vibratório produz, de modo
geral, rotação e alinhamento das fibras em uma determinada direção, que tende
a ser predominantemente perpendicular à direção de vibração. A partir disso, e
sabendo que a direção de vibração foi vertical, conforme mostrado no esquema
da FIGURA 23, o corpo de prova foi girado, a partir do topo, na direção vertical
e o corte foi realizado na face lateral entre as faces de topo e de fundo da
amostra.

FIGURA 23 – ESQUEMA DE CORTE PARA ABERTURA DE ENTALHE A PARTIR DA


DIREÇÃO DE COMPACTAÇÃO DAS AMOSTRAS.

Conforme apresentado na FIGURA 24-a, foram abertas fendas com 25


mm de profundidade e 5 mm de largura, com o auxílio de uma máquina de corte
manual com disco apropriado para concreto.
Em seguida, um dia após ao corte, a superfície correspondente ao fundo
da amostra passou pelos processos de limpeza e pintura, para reconhecimento

57
do padrão de pontos no software de processamento de imagens GOM
Correlate®. Primeiro foram aplicadas duas demãos de tinta branca a base
d’água com pincel e, para melhor uniformização da tinta, uma terceira demão
com rolo de espuma. O resultado da primeira etapa de pintura é apresentado na
FIGURA 24-b. A pintura entre demãos foi realizada no mesmo dia, com intervalo
de secagem de 1 hora. Após a aplicação da terceira demão de tinta branca, a
secagem total da pintura de fundo se deu em 24 horas.

FIGURA 24 - CORPOS DE PROVA COM ABERTURA DE ENTALHE (A); PINTURA DE


FUNDO BRANCA (B); IMPREGNAÇÃO DE PADRÃO ALEATÓRIO DE PONTOS (C);
FIXAÇÃO DA CANTONEIRA DE ALUMÍNIO PARA ENSAIO MONTEVIDÉU (D).

a) b)

c) d)

Após esse intervalo, foi realizada a impregnação de pontos com tinta preta
à base d’água e o auxílio de uma escova para aspersão da tinta no corpo de
prova. Essa pintura seguiu um padrão aleatório de dispersão dos pontos, de
modo que toda a superfície tratada fosse hachurada (FIGURA 24-c). Isso porque
o reconhecimento da abertura de fissuras no software seria possível por meio do
acompanhamento do deslocamento dos pontos em relação à uma condição
inicial. Após o período de 24 horas para secagem da pintura, foram fixadas
cantoneiras de alumínio na fenda previamente aberta, lubrificadas com óleo
desengripante WD-40 momentos antes do ensaio, para minimizar o atrito entre
a cunha e o corpo de prova (conforme apresentado na FIGURA 24-d).
Com a finalização dos processos de corte, limpeza e pintura, as amostras
foram submetidas ao ensaio Montevidéu, realizado para determinar a resistência
58
residual à tração do concreto. Conforme descrito anteriormente, a ruptura foi
realizada em todos os traços conforme a idade de moldagem, de modo que todas
as amostras fossem rompidas na idade de 56 dias. A abertura da fissura a partir
do entalhe foi observada em todos os corpos de prova, conforme é apresentado
na FIGURA 25. Para a realização do ensaio foi utilizada a prensa EMIC 23-100
linha DL modelo 10.000 (célula de carga de 100 kN com erro de 1%), com uma
cunha de angulação total de 30° fixada à célula de carga da prensa.

FIGURA 25 - ABERTURA DE FISSURA APÓS ENSAIO MONTEVIDÉU EM CORPOS DE


PROVA COM FIBRAS.

Durante o ensaio, as amostras foram apoiadas sobre uma haste metálica


formando uma rótula, o que permitiu a rotação das laterais da amostra conforme
a progressão do processo de fissuração. A velocidade de deslocamento da
célula de carga durante o ensaio foi de 0,5 mm/min. Ao final do ensaio, a amostra
era retirada do aparato e a abertura da fissura era analisada visualmente e
registrada por fotografia, conforme ilustrado na FIGURA 25.

3.2.3 Correlação de Imagem Digital (DIC)

A ruptura de cada corpo de prova foi filmada com o auxílio de uma câmera
digital modelo Nikon D7100, com lente modelo Nikon AF-S DX Nikkor 18-300
mm F/3.5-6.3G ED VR, posicionada de modo que fosse garantido um ângulo de
90° entre sua posição fixa e a face da amostra de concreto a ser analisada. Um
refletor de luz branca foi utilizado para evitar a ocorrência de sombras durante a
captura das imagens. O aparato para realização do ensaio é apresentado na
FIGURA 26.
Os vídeos foram gravados com uma taxa de 30 frames por segundo.
Posteriormente, foram para análise no software GOM Correlate®, onde foi
possível verificar a qualidade do padrão de pontos em cada corpo de prova e

59
gerar uma superfície de análise do processo de ruptura. No entanto, devido às
configurações do computador utilizado para o processamento dos dados, antes
da análise do padrão de pontos, os vídeos foram tratados para uma taxa de 1
frame por segundo por meio do software VLC Media Player®. Isso foi necessário
para prevenir possíveis problemas ou erros durante o carregamento dos vídeos,
devido ao tamanho, no software de reconhecimento de imagem.
O GOM Correlate® trata de inspeções por meio da técnica de Correlação
por Imagem Digital (DIC) em diversos materiais. É possível medir deformações
no plano por meio do mapeamento de imagens em fotos e vídeos, além de medir
deslocamentos de pontos com o auxílio de ferramentas disponibilizadas no
programa. Neste estudo, por meio do software foram analisados deslocamentos
e deformações dos pontos da pintura gerados ao longo do ensaio, sendo
possível verificar o início e a propagação das fissuras. Com isso, foi possível
acompanhar a abertura de fissura a partir do ponto superior e inferior do entalhe
(CMOD e CTOD, respectivamente).

FIGURA 26 - APARATO UTILIZADO PARA REALIZAÇÃO DO ENSAIO MONTEVIDÉU E


ACOMPANHAMENTO POR DIC.

Célula de carga
com cunha

Amostra
em ensaio

Câmera
digital Refletor de luz
branca

A filmagem do processo de ruptura dos corpos de prova, em conjunto com


os dados obtidos na prensa, auxiliou no melhor entendimento da mecânica de
fratura à tração do concreto, quando submetido ao teste Montevidéu.
Para obtenção dos dados necessários, a prensa e a câmera digital foram

60
utilizadas como fonte de coleta de informações durante a ruptura das amostras.
Os dados colhidos da prensa foram: tempo de ensaio; deslocamento do pistão;
e força de carregamento, sendo que deslocamento e força eram dados gravados
ao longo do tempo de ensaio. A partir do tratamento dos dados e da aplicação
das equações (5) e (6) desenvolvidas por Segura et al (2018), foi possível
calcular os valores de CMOD e CTOD correspondentes a carga de pico e demais
forças de carregamento.
Em paralelo, a partir da filmagem da ruptura das amostras foi possível
gerar uma superfície de análise 2D no software GOM Correlate®, por meio da
qual os deslocamentos dos pontos em toda a face do corpo de prova foram
mapeados. Primeiro, foram marcados dois pontos no corpo de prova, com caneta
e com o auxílio de uma régua, na lateral da superfície com pintura, antes da
ruptura. Essa distância conhecida foi inserida como escala na análise de cada
amostra, e serviu como referência para que o software determinasse com
precisão os deslocamentos gerados na superfície pintada, em valores
condizentes com o tamanho real da amostra.
Após, foi delimitado um polígono com pontos coincidentes com as arestas
do corpo de prova em ensaio, e foi construída uma componente de superfície.
As configurações iniciais do software para gerar a componente de superfície
foram mantidas, sendo elas o de tamanho das facetas (19 pixels) e da distância
do ponto (16 pixels). A partir da incorporação da superfície de análise, foram
selecionadas as opções de acompanhamento do deslocamento e da distância
no eixo X. A escala de cores no mapeamento da imagem foi fixada com mesmos
valores de mínimo e máximo em todos os traços.
Por fim, extensômetros digitais, ferramenta disponível no software, foram
inseridos nas partes superior e inferior do entalhe, de modo que os valores de
CMOD e CTOD fossem obtidos diretamente a partir da mudança de comprimento
registrada devido ao deslocamento dos pontos ao longo de todo o ensaio. A
fixação da ferramenta foi realizada por meio visual, aproximando a imagem do
entalhe, de modo que os pontos fossem os mais próximos possível dos pontos
reais de início e fim do corte. Os extensômetros foram construídos com um
comprimento definido arbitrariamente, ou seja, com um valor qualquer
equivalente a um comprimento sem deformações no início da filmagem. A
medida que a ruptura ocorria, os pontos extremos esquerdo e direito do

61
extensômetro se deslocavam, juntamente com o deslocamento dos pontos
aleatórios da pintura que formaram a componente de superfície. Com isso, o
comprimento do extensômetro aumentava e media a distância de afastamento
dos pontos no eixo X. A utilização do extensômetro gerou um gráfico que
relacionou o aumento do seu comprimento com o tempo de ensaio. Os dados do
gráfico foram exportados e deram origem aos valores de CMOD e CTOD obtidos
por meio da DIC. Essa metodologia foi padronizada no processamento dos
vídeos de todas as amostras.
Em relação ao cruzamento dos dados advindos da prensa e da câmera
digital, é importante ressaltar que, a prensa teve seu ciclo iniciado e finalizado
ao mesmo tempo da filmagem. Assim, os dados obtidos pela prensa e pela
câmera registraram o mesmo intervalo de tempo total em cada ruptura. A partir
disso, os dados da prensa foram tratados de modo que houvesse um valor de
deslocamento e de força correspondentes a cada segundo de ensaio. Dessa
forma, foi realizada a compatibilização dos dados da prensa e do software GOM
Correlate® e, em seguida, o cruzamento das informações possibilitou a relação
entre a força registrada na prensa e a abertura de fissura medida por correlação
de imagem digital. Neste trabalho, essa relação é apresentada em termos de
curva média. Ressalta-se que, para todos os graficos apresentados neste
capítulo, a curva média para cada traço foi gerada a partir do tratamento da curva
individual formada pelos dados de cada corpo de prova.

3.3 RESULTADOS

A curva da força em função do deslocamento do pistão é o primeiro


resultado obtido a partir dos dados retirados da prensa, e é apresentada na
FIGURA 27. Por esse meio, foi verificado se a abertura de fissura registrada por
meio da DIC apresentou boa correlação com o pico da curva média de força por
deslocamento, gerada a partir dos dados da prensa.
O relatório gerado durante o ensaio mecânico fornece os dados sem
tratamento, a partir dos quais é possível obter uma primeira relação entre a força
aplicada e o deslocamento da célula de carga. Por meio do tratamento de dados,
é possível transformar o deslocamento registrado no ensaio em uma medida de
abertura de fissura, conforme já descrito anteriormente. A curva da força em

62
função do deslocamento é caracterizada por uma carga de pico, na qual registra-
se a abertura de fissura no concreto. A partir desse ponto, as fibras agem
contribuindo para a resistência à tração do compósito, resultando em aberturas
de fissura graduais e lentas, quando comparado à amostras de concreto sem
reforço.
Nesse sentido, buscou-se verificar se a partir dos dados extraídos da
correlação por imagem era possível caracterizar o deslocamento no qual atingiu-
se a carga de pico e, consequentemente, no qual houve a abertura de fissura
nas amostras em estudo. Os gráficos gerados são apresentados na FIGURA 27.

FIGURA 27 - CURVA MÉDIA FORÇA x DESLOCAMENTO x CMOD PARA OS TEORES DE


FIBRAS DE 0,9% (a); 0,6% (b); 0,3% (c) E PARA O TRAÇO DE REFERÊNCIA (d).

20 5 20 5

4 4
15 15
CMOD DIC (mm)

CMOD DIC (mm)


Força (kN)

Força (kN)

3 3
10 10
2 2
5 5
1
0,9% 1
0,6%
0 0
0 0
0 5 10 15
0 5 10 15
a) Deslocamento (mm) b) Deslocamento (mm)
Curva média Prensa CMOD DIC Curva média Prensa CMOD DIC
20 5 20 5

4 4
15 15
CMOD DIC (mm)

CMOD DIC (mm)


Força (kN)

Força (kN)

3 3
10 10
2 2

5 5
1 1
0,3% REF
0 0 0 0
0 5 10 15 0 5 10 15
c) Deslocamento (mm) d) Deslocamento (mm)
Curva média Prensa CMOD DIC Curva média Prensa CMOD DIC

De acordo com a FIGURA 27 é possível observar que a abertura de


fissura registrada a partir da DIC é compatível com a carga de pico registrada

63
pela prensa. Em todos os traços analisados observou-se a ocorrência de um
tramo de pré-fissuração, no qual as propriedades de resistência são controladas
pela matriz cimentícia. A partir do pico, no estágio pós-fissuração, o compósito
perde resistência à tração e o deslocamento da célula de carga culmina no
aumento da largura de fissuras já existentes, conforme demonstrado pelo
aumento progressivo do CMOD na curva média de todos os traços analisados.
Como é de característica do comportamento softenning, principalmente em
concretos reforçados com fibras poliméricas (de menor rigidez), a queda
acentuada de resistência é recuperada lentamente em parte, a medida que as
tensões de tração são transferidas para as fibras por meio de sua ancoragem na
matriz. Após a carga de pico, é verificada uma relação linear entre o
deslocamento da célula de carga da prensa e o CMOD medido por meio do
software.
Ainda de acordo com a FIGURA 27, nota-se que a formação e a
progressão da fissura (CMOD) ocorre após a carga máxima. Isso demonstra que
os resultados de abertura de fissura obtidos pela correlação de imagem são
compatíveis com os dados da prensa referentes ao processo de ruptura das
amostras. Isso porque, como apresentado na FIGURA 27, o início do ramo linear
do CMOD é aproximadamente coincidente com a carga de pico, principalmente
para os traços de 0,6% e 0,9% de fibras, conforme indicado por uma linha vertical
pontilhada em cada gráfico.
Outro resultado obtido foi a relação entre a força e a abertura de fissura
para cada traço em estudo. Os gráficos originados são apresentados na FIGURA
28. É apresentada a curva média da força pela abertura da boca da fissura
(CMOD), obtida a partir da substituição dos dados da prensa nas equações
propostas por Segura et al (2018). A partir da análise dos resultados, foi possível
verificar a ocorrência do comportamento softenning em todos os casos e, um
incremento de resistência residual à tração nas misturas com fibra, em
comparação às amostras do grupo de referência (FIGURA 28-a). Essa melhora
no comportamento pós-pico pode ser atribuída à inserção de fibras na mistura.
A FIGURA 28-b mostra a relação, em termos de curva média, entre a força
de tração residual registrada na prensa e o CMOD obtido a partir de um
extensômetro digital fixado na parte superior do entalhe na análise por software.
Ou seja, por meio do reconhecimento do deslocamento do padrão de pontos pelo

64
GOM Correlate®, foi possível determinar valores de abertura de fissura ao longo
da ruptura. É possível verificar que, assim como apresentado no gráfico da
FIGURA 28-a, o gráfico da FIGURA 28-b registra um incremento de resistência
residual à tração nas amostras com inserção de fibras na mistura, em
comparação aos corpos de prova do grupo REF (sem fibras). Observa-se que o
comportamento à tração para cada traço foi representado de modo semelhante
ao comparar os dois gráficos, o que pode indicar a viabilidade do uso da
correlação por imagem como uma técnica útil no monitoramento de abertura de
fissuras.

FIGURA 28 - FORÇA RESIDUAL À TRAÇÃO EM RELAÇÃO À ABERTURA DE FISSURA


OBTIDA NA PRENSA (a) E NA DIC (b).

20 20
CMOD obtido por 0,9% CMOD obtido por DIC 0,9%
prensa 0,6% 0,6%
15 15
0,3% 0,3%
Força (kN)
Força (kN)

REF REF
10 10

5 5

0 0
0 1 2 3 4 5 0 1 2 3 4 5
a) CMOD (mm)
b) CMOD (mm)

De modo geral, nos traços com adição de fibras, a força residual cresceu
quanto maior o teor de fibra adicionado, conforme observou-se na FIGURA 28.
Na FIGURA 29 o incremento significativo na força residual, que ocorre a medida
que aumenta o teor de fibras incorporado na mistura, também é verificado.
Ainda, é possível notar o aumento menos expressivo de força residual do
teor de 0,6% para o teor de 0,9%, em comparação ao aumento verificado entre
os teores de 0,3% e 0,6% de fibras. Ressalta-se porém que, não é possível
relacionar este resultado com qualquer viés de otimização das propriedades por
proximidade a um teor de fibras específico. Isso porque a quantidade de fibras
incorporada em uma mistura deve levar em consideração as propriedades de
trabalhabilidade necessárias para a aplicação pretendida. Desse modo, o teor
de fibras inserido na mistura deve ser aquele que fornece os índices de
resistência desejados e, que possibilita bons aspectos de trabalhabilidade na

65
etapa de execução do elemento estrutural. Em outros termos, a otimização das
propriedades do CRF está condicionada às alterações e adaptações que podem
ser feitas no traço de concreto. Isso poderia ser demonstrado a partir de estudos
posteriores que envolvam a inserção de teores de fibra maiores do que os teores
empregados neste estudo, além da mudança do traço de concreto em termos de
quantidade de agregados e tamanho das partículas utilizadas.

FIGURA 29 - FORÇA RESIDUAL PARA CADA TEOR DE FIBRA CORRESPONDENTE A


DETERMINADOS (CMOD) A PARTIR DA PRENSA E DA DIC.

4 0,3% - Prensa
Força (kN)

0,3% - DIC
3
0,6% - Prensa
2 0,6% - DIC

1 0,9% - Prensa
0,9% - DIC
0
1 2 3
0,5 1,5 2,5 3,54
CMOD (mm)

A FIGURA 30 apresenta os gráficos nos quais observa-se com maior


detalhe a curva gerada, a partir dos resultados da prensa e da DIC, para a força
residual em todos os traços analisados. Verifica-se que as curvas são
sobrepostas para o caso das misturas com os maiores teores de fibras (FIGURA
30-a,b). O desvio padrão das curvas é maior do que a diferença entre os pontos
constituintes de cada curva média. O teste de Tukey foi aplicado para analisar a
semelhança estatística entre os resultados de força residual correspondentes a
determinados valores de CMOD, obtidos a partir da prensa e do software, para
cada traço. De acordo com o teste de Tukey, o resultado de p-valor inferior a
0,05 significa disparidade entre os valores analisados.O resultado é apresentado
na TABELA 7 e mostra o p-valor obtido na comparação entre as forças residuais
registradas durante a ruptura dos traços com fibra em estudo. O resultado obtido
a partir do teste de Tukey corroborou com as análises feitas a partir dos gráficos
apresentados da FIGURA 30.

66
TABELA 7 - TESTE DE TUKEY NA COMPARAÇÃO DOS VALORES DE FORÇA RESIDUAL
OBTIDOS PELA PRENSA E PELA DIC PARA DETERMINADAS ABERTURAS DE FISSURAS.

CMOD (mm)
TRAÇO
0,5 1,5 2,5 3,5
0,30% 0,1078 0,9712 0,9097 0,8946
0,60% 0,5043 0,9751 0,9563 0,9867
0,90% 0,6959 0,984 0,9906 0,9723
Obs.: Valores de p-valor superiores a 0,05: pares de valores estatisticamente semelhantes.

FIGURA 30 - CURVA MÉDIA FORÇA X CMOD GERADA PARA OS TEORES DE 0,9% (a);
0,6% (b); 0,3% (c) E PARA O TRAÇO REF (d) A PARTIR DE DADOS DA PRENSA E DA DIC.

20 20
Prensa Prensa
0,9% 0,6%
DIC DIC
15 15
Força (kN)

Força (kN)
10 10

5 5

0 0
0 1 2 3 4 5 0 1 2 3 4 5
a) CMOD (mm) b) CMOD (mm)
20 20
Prensa Prensa
0,3% REF
DIC DIC
15 15
Força (kN)
Força (kN)

10 10

5 5

0 0
0 1 2 3 4 5 0 1 2 3 4 5
c) CMOD (mm) d) CMOD (mm)

Em todos os traços com fibra o p-valor (TABELA 7) demonstrou que os


valores de força residual obtidos por meio de dados da prensa e por meio do
software, para uma mesma amostra, são estatisticamente semelhantes em uma
determinada abertura de fissura. Esse resultado foi notório principalmente nos
traços com maior teor de fibras (FIGURA 30-a,b) e para maiores aberturas de
fissuras. Nesse sentido, o resultado corrobora com as análises feitas
anteriormente e, pode indicar que, a técnica de correlação por imagem
apresenta-se como uma ferramenta precisa para o acompanhamento de ensaios

67
mecânicos e, entendimento da mecânica de fratura do CRF em teores razoáveis
de incorporação de fibras.
A maior disparidade dos resultados entre as ferramentas é perceptível em
teores baixos de fibras (FIGURA 30-c) submetidos a menores aberturas de
fissuras, e no caso do concreto simples (sem nenhum tipo de reforço à tração),
como é o caso da mistura de referência (FIGURA 30-d). Isso pode ser explicado
pela ruptura abrupta que ocorre nesses casos, dificultando a correlação do
deslocamento da prensa com a real abertura de fissura gerada. Segura et al
(2018) registrou a estabilidade do teste Montevidéu em amostras de concreto
com baixos teores de fibra (4 kg/m³). No entanto, para o concreto moldado neste
estudo, o teor de 0,3% corresponde a um consumo de 2,76 kg/m³. Nesse sentido,
é possível que a disparidade dos resultados esteja relacionada ao baixo teor de
fibras.
Em estudo realizado por Salvador, Fernandes e Figueiredo (2015)
demonstrou-se que o grau de dispersão dos resultados foi maior em amostras
com baixos teores de fibras. Segundo os autores, esse fato está relacionado à
quantidade de fibras presente na seção transversal da superfície de ruptura. Em
teores elevados, o concreto tem sua capacidade resistente menos sujeita a
condições de variação na orientação e no número de fibras (SALVADOR;
FERNANDES; FIGUEIREDO, 2015). Em teores baixos de fibra, é possível que
o comportamento do CRF seja semelhante ao do concreto simples, uma vez que
o comportamento resistente torna-se ainda mais dependente dos fatores de
orientação e distribuição das fibras no interior do compósito. Além disso, a
imprecisão verificada no início do ensaio pode estar relacionada à própria DIC,
que, de acordo com os resultados obtidos neste capítulo, pode apresentar um
erro inerente ao monitoramento de pequenas deformações e deslocamentos, e
aos estágios iniciais de ensaios laboratoriais em compósitos cimentícios.
Por meio do teste de Tukey, foram comparados estatisticamente os
valores de força residual obtidos nos três traços com adição de fibras para
determinados valores de CMOD. Os resultados mostraram que os valores de
força residual nas amostras de 0,3% não foram semelhantes à força atingida nas
amostras com teores de fibra mais elevados. Assim, de acordo com a TABELA
8 observa-se que a força residual obtida no traço de 0,3%, em qualquer abertura
de fissura analisada, não foi estatisticamente semelhante à força residual

68
registrada nos demais teores de fibra. Essa análise corrobora com os resultados
anteriores e demonstra que o incremento de resistência devido à inserção de
fibras foi significativo.
Entretanto, foi verificada semelhança entre os valores de força residual
obtidos para os traços de 0,6% e 0,9%. De acordo com o p-valor superior a 0,05
indicado na TABELA 8, os maiores teores de fibra analisados demonstraram
semelhança estatística nos valores de força residual atingidos em todas as
aberturas de fissura analisadas.

TABELA 8 – RESULTADO DO TESTE DE TUKEY NA ANÁLISE DA FORÇA RESIDUAL PARA


OS TRAÇOS COM ADIÇÃO DE FIBRAS.
CMOD
Teor 0,60% 0,90% 0,60% 0,90%
(mm)
0,30% 0,0001296 0,0000203 0,00022 0,00005098
0,5
0,60% 0,3747 0,5262
0,30% 0,0003998 0,00003155 0,000339 0,00002887
PRENSA 1,5 0,60% 0,2343
DIC
0,2459
0,30% 0,0001759 0,00001244 0,0002512 0,00001568
2,5
0,60% 0,1856 0,1732
0,30% 0,0000385 0,00000142 0,00004189 0,000001661
3,5
0,60% 0,06169 0,06948
Obs.: Valores de p-valor superiores a 0,05: pares de valores estatisticamente semelhantes.

A análise foi realizada paralelamente nos resultados obtidos a partir dos


dados da prensa e, nos resultados encontrados a partir da abertura de fissura
medida pelo software GOM Correlate®. Conforme é possível observar, de
acordo com a análise estatística, os mesmos resultados foram apresentados a
partir das respostas das duas ferramentas. Isso pode sinalizar uma boa
similaridade entre os resultados obtidos na prensa e na DIC e,
consequentemente, demonstrar a possibilidade do uso da correlação por
imagem para o monitoramento preciso de novos ensaios mecânicos.
Em outros termos, é possível notar que os resultados obtidos por meio da
correlação por imagem digital demonstraram semelhança estatística, em termos
de CMOD, com os resultados advindos dos dados da prensa, principalmente
para os traços com maiores teores de fibra e maiores aberturas de fissura.
Outro resultado obtido foi a curva média da abertura de fissura em função
do tempo, mostrada na FIGURA 31 para todas as misturas, e que corrobora com
os demais resultados apresentados até o momento. A partir dessa análise,
observa-se que o CMOD, calculado com base nos dados de correlação por
imagem ou da prensa, é semelhante, principalmente nas amostras em que há

69
maior teor de fibras (FIGURA 31-a,b), nas quais o erro gerado entre os valores
de abertura de fissura, calculados com base nas duas ferramentas, é abaixo de
7% (TABELA 9).

FIGURA 31 - CURVA MÉDIA CMOD x TEMPO PARA OS TEORES DE 0,9% (a); 0,6% (b);
0,3% (c) DE FIBRAS E PARA O TRAÇO DE REFERÊNCIA (d).
5 5
Prensa DIC
4 DIC 4
Prensa
CMOD (mm)

CMOD (mm)
3 3

2 2

1 1
0,9% 0,6%
0 0
0 500 1000 0 500 1000
a) Tempo (s) b) Tempo (s)
5 5
DIC Prensa
4 Prensa 4
DIC
CMOD (mm)

CMOD (mm)

3 3

2 2

1 1
0,3% REF
0 0
0 500 1000
c) 0 500
Tempo (s)
1000
d) Tempo (s)

A metodologia adotada para calcular o erro contou a comparação dos


valores de CMOD, obtidos por meio das duas ferramentas, correspondentes a
um mesmo tempo de ensaio. Ou seja, foi calculada a média entre os dois valores
obtidos (cada valor proveniente de uma ferramenta) para cada segundo de
ensaio. Isso porque para comparar medidas de instrumentos diferentes precisa-
se do valor do erro padrão, que consiste no desvio padrão dos valores médios
em relação ao valor verdadeiro. Para isso, foi calculado o desvio-padrão entre
os valores, e em seguida com esse resultado, o desvio-padrão da média. Não
foi possível calcular o desvio-padrão nominal de calibração dos instrumentos.
Dessa forma, o valor do desvio-padrão da média foi atribuído ao erro padrão
para cada ponto.

70
TABELA 9 - ERRO CALCULADO ENTRE AS MESMAS ABERTURAS DE FISSURAS A
PARTIR DE DADOS DA PRENSA E DA DIC.
CMOD ERRO
(mm) 0,30% 0,60% 0,90%
0,5 0,091 0,073 0,050
1,5 0,095 0,061 0,032
2,5 0,086 0,041 0,027
3,5 0,073 0,020 0,036

Ainda de acordo com a TABELA 9, em amostras com teor de 0,3%


(FIGURA 31-c) o erro médio ficou abaixo de 10% para todas as aberturas de
fissuras analisadas. No caso dos corpos de prova com o traço de referência
(FIGURA 31-d), o erro nas medidas não foi calculado devido a pouca quantidade
de dados.
Conforme mencionado anteriormente, em rupturas abruptas, como é o
caso do concreto sem reforço, é possível que a correlação entre a abertura de
fissura gerada no corpo de prova e o deslocamento da prensa seja prejudicado.
Por esse motivo, seria necessária a disponibilidade de uma maior quantidade de
dados para avaliar o comportamento de fratura do concreto simples.
Em relação ao traço com o menor teor de fibras (0,3%), os valores de
CMOD obtidos a partir das duas ferramentas para cada intervalo de tempo
sinalizam que em baixos teores, a dispersão dos resultados pode ser ampliada.
Diante disso, essa análise corrobora com as anteriores e considera a
possibilidade de que ocorra erro de precisão nos estágios iniciais de ensaio.
Além disso, reforça a possibilidadee do uso da técnica DIC no monitoramento
preciso de abertura de fissuras, principalmente em misturas com elevados teores
de fibras.
A análise de imagens digitais por meio do software GOM Correlate®
possibilitou o acompanhamento da formação da fissura principal ao longo da
ruptura das amostras no ensaio Montevidéu. Conforme resultado obtido por
Segura et al (2018), a fissura principal iniciou-se na extremidade do entalhe e
propagou-se em direção à base da amostra em todos os traços em estudo. Nos
corpos de prova fabricados com adição de fibras, foram capturadas imagens da
superfície de deformação para determinados valores de CMOD e, foi comparado
o aspecto de ruptura em cada traço.
Na FIGURA 32 estão apresentadas as superfícies de deformação geradas
a partir da abertura de fissuras de 0,5 mm e 1,5 mm nos traços de 0,3% de fibras

71
(FIGURA 32-a), 0,6 % de fibras (FIGURA 32-b) e 0,9% (FIGURA 32-c). De
acordo com as imagens, em relação ao CMOD de 0,5 mm, é possível observar
que a deformação provocada pela fissura foi mais acentuada na amostra com
0,3% de adição de fibras, uma vez que, por meio de uma comparação visual,
nota-se o caminho preferencial para abertura da fissura principal mais próximo à
base da amostra, em comparação com os demais traços. Isso pode estar
relacionado ao fato de que, a menor quantidade de fibras presente na seção de
ruptura auxiliou num comportamento mais frágil em comparação aos demais
traços. O pouco teor de fibra, aliado à baixa rigidez da fibra polimérica,
permitiram que a fissura progredisse mais rapidamente.

FIGURA 32 - SUPERFÍCIE DE DEFORMAÇÃO GERADA POR DIC EM CORPO DE PROVA


COM 0,3% (a), 0,6% (b) e 0,9% DE FIBRAS (c) PARA CMOD DE 0,5 mm E 1,5 mm.

Para o caso das amostras com 0,9% de incorporação de fibras, verificou-


se que o ínicio da fissura não foi alinhado à direção vertical de aplicação da
carga. Isso pode ser explicado pelo alto teor de material fibroso, que impediu a
abertura de fissura de modo retilíneo. A medida que fibras são encontradas, a
fissura tende a desviar-se por caminhos onde haja maior facilidade de
propagação. Para as amostras com teor de 0,6% e 0,3% esse comportamento
foi menos expressivo. Nesses casos, as fissuras iniciaram alinhadas à vertical
na base do entalhe e se propagaram de modo mais retilíneo, o que pode ser
explicado pelo menor teor de fibras nas misturas.
Na abertura de fissura de 1,5 mm, há o registro da perda de pontos de
referência por parte da superfície de deformação, devido ao aumento da largura

72
da fissura. Isso foi observado em todos os traços e é caracterizado quando as
bordas no início da fissura ficam incolores. Para o traço de 0,3% foi obervada a
abertura de uma fissura principal, característica do comportamento softenning.
Além disso, as deformações provocadas pela abertura de fissura aproximaram-
se da base da amostra em menos tempo de ensaio quando comparado aos
demais traços. Isso devido à menor quantidade de fibras na mistura para
absorver a energia de deformação gerada. Nos traços de 0,6% e de 0,9% de
fibras, a partir de abertura de fissura de 1,5 mm, observaram-se indícios de
formação de uma fissura secundária. Ou seja, para esses casos foi possível
monitorar, por meio das imagens, pontos nos quais a abertura de fissura se
prolongava por dois caminhos, sendo um deles, a maior abertura de fissura.
Na FIGURA 33 são apresentadas as imagens correspondentes às
aberturas de fissura de 2,5 mm e 3,5 mm. A abertura de fissura de 2,5 mm é
considerada significativa em elementos estruturais. Nesse caso, observa-se que
a fissura principal é bem pronunciada em todos os traços com adição de fibra.
No entanto, é possível notar em todos os traços analisados que, para o CMOD
de 2,5 mm, a fissura ainda não se propagou até a base das amostras. Isso
demonstra a capacidade de absorção de energia de tração incorporada ao
compósito por meio da adição das fibras.

FIGURA 33 - SUPERFÍCIE DE DEFORMAÇÃO GERADA POR DIC EM CORPO DE PROVA


COM 0,3% (a), 0,6% (b) e 0,9% DE FIBRAS (c) PARA CMOD DE 2,5 mm E 3,5 mm.

73
Para um CMOD de 3,5 mm foram observados pontos de deformação em
fissura secundária nas amostras com inserção de 0,6% e 0,9% de fibras. No
caso dos corpos de prova com o maior teor de fibras, verificou-se que tratava-se
de um ponto onde poderia ocorrer o desplacamento de parte do concreto preso
à borda da fissura, devido ao tracionamento de fibras aderidas à matriz. A análise
das imagens referentes à maior abertura de fissura avaliada neste estudo
corrobora com as verificações anteriores em relação à ruptura retilínea das
amostras com 0,3% de fibras em relação aos demais teores. O teor de 0,9% de
adição de fibras apresentou abertura de fissura principal e fissura secundária, o
que pode demonstrar alguma aproximação de um comportamento de slip-
hardenning para um concreto com a composição apresentada neste estudo. Isso
também vai ao encontro de resultados discutidos anteriormente, em relação à
maior capacidade de absorção de energia do traço com maior número de fibras,
uma vez que a aparência tortuosa da abertura de fissura demonstra a menor
facilidade de propagação de fissuras na superfície do concreto.
No caso dos corpos de prova do grupo de referência (FIGURA 34), a
abertura de fissura foi menor em comparação às amostras com fibras, uma vez
que o concreto sem reforço não apresenta resistência à tração pós-fissuração.
Dessa forma, não foi possível registrar o grau de deformação das amostras para
os mesmos valores de abertura de fissura analisados em compósitos com adição
de fibra.
FIGURA 34 - SUPERFÍCIE DE DEFORMAÇÃO GERADA POR DIC EM CORPO DE PROVA
SEM FIBRAS.

0,17 mm 0,33 mm 0,46 mm

0,63 mm 0,80 mm 0,92 mm

74
Ainda, em todas as amostras foi possível monitorar o surgimento de
fissuras por meio da DIC antes que elas pudessem se tornar visíveis a olho nu.
Ou seja, se não houvesse o acompanhamento da carga de pico no ensaio
mecânico, seria possível estimar o término a resistência à tração do concreto,
por meio dos níveis de deformação e, da consequente abertura de fissuras na
face do compósito.

3.4 CONCLUSÕES PARCIAIS

A partir do estudo experimental realizado neste capítulo foi possível


destacar os seguintes pontos relacionados aos resultados obtidos:

 A correlação por imagem digital é uma técnica promissora para o


monitoramento de elementos de concreto em laboratório. Isso porque
verificou-se a eficácia da ferramenta na detecção do processo de
deformação em superfícies, que culmina no surgimento de fissuras;
 Por meio da técnica foi possível acompanhar o processo de formação e
propagação de fissuras de modo estável após os estágios iniciais de
ruptura, sem grande dispersão de resultados em amostras com teor de
fibras razoável;
 Foi verificada a existência de um erro de precisão inerente à aplicação da
técnica para casos em que os patamares de deformação ou deslocamento
encontram-se nos estágios iniciais de ruptura. Em outros termos, a
correlação com os resultados advindos de outras ferramentas pode ser
imprecisa para casos em que os deslocamentos são mínimos ou, os níveis
de deformação que antecedem o mecanismo de abertura de fissuras são
baixos;
 A ferramenta possui potencial para ser utilizada no monitoramento de
obras reais, uma vez que os custos são baixos e a confiabilidade dos
resultados pode ser elevada, caso sejam tomados os devidos cuidados
na instalação dos equipamentos e, no processamento dos dados;
 Este estudo demonstrou a viabilidade do uso da técnica DIC como
ferramenta para o tratamento e melhoria dos resultados de ensaios
mecânicos.

75
4. CORRELAÇÃO POR IMAGEM DIGITAL EM ENSAIO DE EXPANSÃO EM
CONCRETO

4.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA E OBJETIVO DO CAPÍTULO

A RAA é uma reação físico-química deletéria que culmina na formação de


produtos expansivos no interior do concreto. Dentre as principais manifestações
patológicas decorrentes da RAA está o aparecimento de fissuras em todo o
elemento afetado e, consequentemente, o comprometimento de sua estabilidade
dimensional ao longo de sua operação (SANCHEZ, 2008).
No meio científico ainda não há consenso em relação ao tratamento das
manifestações patológicas após o início do processo de degradação por RAA.
As medidas paliativas estão ligadas a ações de alto investimento, porém, nem
sempre eficazes. Isso porque, uma vez iniciado o mecanismo de degradação, os
fatores necessários para a ocorrência da reação são de difícil controle. Desse
modo, medidas corretivas tendem a atenuar a degradação sem inibi-la
totalmente (MEHTA; MONTEIRO, 2008; SANCHEZ, 2008).
Diante dessa situação, sabe-se que a prevenção é a principal forma de
evitar a ocorrência de RAA no concreto (SANCHEZ, 2008). Nesse sentido, novos
métodos de ensaios laboratoriais de reatividade de agregados têm sido
propostos, com o objetivo de aumentar a confiabilidade dos resultados e a
rapidez na coleta precisa de dados. Sanchez (2008) propôs o método acelerado
brasileiro de prismas de concreto (ABCPT) para obtenção do potencial reativo
de agregados, utilizando parâmetros de dosagem e fabricação de corpos de
prova semelhantes ao método CPT. Em suma, o ensaio propõe a obtenção de
resultados satisfatórios em 1 mês, por meio de um método acelerado que
submete as amostras em solução a uma temperatura de 80 ºC.
A partir deste contexto, este capítulo foi estruturado com objetivo de
verificar a viabilidade do uso da Correlação por Imagem Digital no monitoramento
de manifestações patológicas causadas por reações expansivas em elementos
de concreto submetidos ao ensaio ABCPT. De modo geral, trata-se da utilização
da técnica na melhoria do monitoramento de fissuras causadas por reação álcali-
sílica e no auxílio para maior precisão dos resultados de ensaios laboratoriais
existentes.

76
4.2 PROGRAMA EXPERIMENTAL

O programa experimental deste capítulo foi desenvolvido durante a


pandemia de Covid-19, no primeiro semestre de 2021. Dessa maneira, foi
necessário que o estudo passasse por diversas modificações em relação a
cronograma de ensaio, materiais, e equipamentos utilizados. As principais
alterações serão apresentadas, para melhor entendimento dos processos de
realização e conclusão dos trabalhos experimentais necessários.

4.2.1 Metodologia e adaptações adotadas

A metodologia foi direcionada para avaliar a viabilidade do uso da DIC


como uma ferramenta para monitorar o aparecimento e a progressão de fissuras
causadas por RAA, sem induzir o aparecimento de fissuras a partir de outros
mecanismos. Para isso, traçou-se uma linha metodológica fundamentada em
uma campanha experimental que possibilitou a fabricação de corpos de prova e
o uso de imagens digitais para análise de dados. O uso da correlação por
imagem em ensaio mecânico, apresentado no capítulo 3, auxiliou na
antecipação de erros que poderiam acontecer a partir da análise de fissuras por
DIC, principalmente no que se refere ao processo de obtenção de dados durante
o ensaio.
No entanto, devido a questões logísticas, que foram afetadas pela
ocorrência da pandemia de Covid-19 em todas as regiões do Brasil desde março
de 2020, a metodologia traçada inicialmente tornou-se inviável. A primeira
dificuldade foi relacionada à aquisição e transporte do agregado reativo que seria
empregado na campanha experimental. A brita seria originária de Recife, sendo
um agregado com alto grau de reatividade, de acordo com os resultados
mostrados em estudos anteriores (SANCHEZ, 2008). No entanto, não foi
possível consolidar o transporte do material para Curitiba até o início de fevereiro
de 2021. Dessa forma, para garantir a realização da campanha experimental,
optou-se pela utilização de outro agregado, ainda reativo, porém, em um grau
menos pronunciado, uma vez que havia disponibilidade desse material para uso
no laboratório. Por conta dessa mudança, foi necessário aumentar o número de
misturas de concreto produzidas, para que a probabilidade de ocorrência de
fissuração nas amostras se tornasse maior. Dessa forma, o ensaio ABCPT foi

77
realizado em dois diferentes traços de concreto e, em um traço de argamassa,
sendo que em todos houve a inserção do agregado reativo na mistura. Ou seja,
o agregado foi empregado na campanha experimental nas formas graúda e
miúda. Os detalhes relacionados à dosagem e à caracterização do material estão
apresentados no item 4.2.2, que trata da composição e da dosagem das
misturas.
Ainda no que se refere às alterações realizadas, encontra-se também o
desenvolvimento do equipamento para obtenção das imagens, que não pôde ser
concluído. Devido à crise de saúde pública causada pela pandemia, o
fechamento de determinadas indústrias perdurou até o início do ano de 2021,
uma vez que decretos municipais e estaduais restringiram o funcionamento de
diversas atividades comerciais. As peças necessárias para o equipamento, cujo
esquema é apresentado na FIGURA 35, foram encomendadas, porém não foram
fabricadas e, consequentemente, não foram entregues. A verba empregada ficou
inutilizada, e dessa forma, não foi possível realizar o acompanhamento
fotográfico com o auxílio de um equipamento que reduzisse os erros
relacionados ao posicionamento das amostras e da câmera digital.

FIGURA 35 - REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO EQUIPAMENTO PARA CAPTURA DE


IMAGENS EM ENSAIO DE REATIVIDADE DE AGREGADO.

Esse era um importante ponto da metodologia, uma vez que tratava


especificamente da diminuição de erros causados pela mudança de posição das

78
amostras em análise. Isso porque os corpos de prova permaneceram imersos
durante o período entre as medições. Nesse sentido, o aparato fixo auxiliaria na
obtenção de fotos a partir das amostras posicionadas sempre no mesmo local.
A câmera para captura de imagens também permaneceria fixa durante todo o
período de ensaio. Ou seja, devido à necessidade dos corpos de prova ficarem
imersos em solução e submetidos às condições de ensaio estabelecidas no
método ABCPT, a utilização do aparato permitiria a captura de imagens
minimizando os erros acumulados na etapa de obtenção de dados.
Conforme apresentado na FIGURA 35, o equipamento possuiria um
relógio comparador embutido, para que as medições lineares de expansão
fossem obtidas. O corpo de prova com a face impregnada com pontos aleatórios
seria posicionado de modo a viabilizar a leitura de expansão linear e a captura
de imagem sem que fossem necessárias mudanças em seu posicionamento
durante a coleta de dados. A câmera digital seria fixada em um suporte na parte
superior do equipamento, e permaneceria na mesma posição até o final da
campanha experimental. Dessa forma, o erro causado pela fixação da câmera
em cada idade de análise seria reduzido. Além disso, seria garantida a mesma
distância focal e angulação perpendicular em relação à superfície dos corpos de
prova.
Como alternativa diante da impossibilidade de uso desse aparato, foi
utilizado o tripé da câmera e softwares de edição de imagens para minimizar as
diferenças existentes entre as tomadas de fotos. Os detalhes relacionados a
essa metodologia adotada estão descritos no item 4.2.3, que trata das etapas
relacionadas ao uso da técnica de Correlação por Imagem Digital.
Ainda, com o intuito de minimizar de forma mais contundente os erros na
etapa de coleta de dados, seria fixada, na parte inferior da superfície com pintura,
uma chapa metálica. Nela seriam inseridos pontos de controle, que serviriam de
referência durante o processamento das imagens. Os pontos de controle seriam
demarcados na chapa metálica por meio de furos e, para que o reconhecimento
da superfície fosse garantido, a impregnação de pontos aleatórios também seria
realizada na chapa metálica. No entanto, com a utilização do tripé da câmera em
vez do aparato fixo, optou-se pela inserção de duas chapas metálicas na lateral
das amostras, conforme mostrado na FIGURA 36-a. Porém, após o início da
exposição das amostras em solução, observou-se o estufamento da tinta acima

79
das peças metálicas (FIGURA 36-b). Ou seja, a camada de tinta começou a
fissurar por um mecanismo que não estava relacionado à expansão das misturas
cimentícias. Por esse motivo, todas as peças metálicas foram retiradas e os
pontos de referência foram marcados apenas com caneta de tinta permanente.

FIGURA 36- AMOSTRAS COM PEÇA METÁLICA (a); ESTUFAMENTO E REMOÇÃO DA


CAMADA DE TINTA APÓS OS PRIMEIROS DIAS DE IMERSÃO EM SOLUÇÃO (b).

Peça
metálica
Fissuração
e remoção
de tinta

a) b)

O caso ocorreu nas amostras do primeiro traço de concreto. A camada de


tinta desses corpos de prova foi retirada, juntamente com as chapas de metal, e
uma nova pintura foi realizada para que o ensaio ABCPT pudesse ser retomado.
Nas misturas seguintes, a peça metálica foi incluída apenas para moldagem e
foi retirada na etapa de desforma, antes do início da pintura das amostras.

4.2.2 Dosagem, fabricação e acondicionamento das amostras

Conforme discutido anteriormente, foram realizadas três dosagens, sendo


duas para concreto e uma para argamassa. Isso porque, dessa forma, haveria
três traços com potencial fissuração de amostras, o que aumentaria as chances
de monitoramento do processo fissuratório, objetivo do presente estudo.
A fabricação dos corpos de prova de concreto seguiu a metodologia
proposta no ensaio CPT, também adotada por Sanchez (2008) para a moldagem
de amostras no ensaio ABCPT. O memorial de referência para cálculo da

80
dosagem é apresentado no Anexo desta dissertação. Foram produzidos 4
corpos de prova de dimensões (75x75x285) mm para cada traço em estudo,
todos contendo agregado reativo. Dessa forma, foram fabricadas, ao todo, 12
amostras durante a campanha experimental. A dosagem seguiu os parâmetros
adotados para o ensaio ABCPT, preconizados no método CPT (ASTM C 1293)
e dispostos na norma brasileira ABNT NBR 15577-6 (2018). São eles:

 Consumo de cimento de 420 ± 10 kg/m³;


 Relação a/c de 0,45;
 Volume de agregado graúdo, no estado compactado e seco,
correspondendo a 70 ± 0,2% do volume total de concreto.

O primeiro traço fabricado foi de concreto com a utilização de areia padrão


do IPT como agregado miúdo e do agregado reativo Gnaisse como agregado
graúdo. No segundo traço, também de concreto, foi utilizado apenas o agregado
reativo, nas formas miúda e graúda. Na TABELA 10 são apresentados o traço e
o consumo de material que caracterizam cada dosagem. O processo de mistura
foi realizado de acordo com o método proposto pela Associação Brasileira de
Cimento Portland, adaptado da ACI (ABCP/ACI). Nos dois traços de concreto o
agregado graúdo teve sua granulometria dividida em três partes iguais,
correspondentes às dimensões de 12,5; 9,5 e 4,75 mm, conforme preconizado
pela NBR 15577-6 (2018).

TABELA 10 – DOSAGEM DAS MISTURAS DE CONCRETO CONTENDO AGREGADO


REATIVO.
Mistura 1 – Concreto com brita reativa e Mistura 2 – Concreto com agregados
areia inócua graúdo e miúdo reativos
Consumo Consumo
Traço Traço
(kg/m³) (kg/m³)
Cimento (kg) 1 420,00 Cimento (kg) 1 420,00
Areia (kg) 1,68 706,50 Ag. miúdo reativo (kg) 1,66 698,50
Ag. graúdo reativo (kg) 2,5 1050,00 Ag. graúdo reativo (kg) 2,5 1050,00
Água (l) 0,45 189,00 Água (l) 0,45 189,00
Acréscimo de NaOH (g) 46,16 3,20 Acréscimo de NaOH (g) 46,16 3,20

O terceiro traço preparado foi de argamassa, utilizando como agregado


miúdo o Gnaisse reativo. Nesse caso, pela ausência de agregado graúdo na

81
mistura, a dosagem foi baseada na parte 4 da norma ABNT NBR 15577 (2018).
Essa norma, que trata da realização do ensaio de reatividade de agregados em
amostras de argamassa, traz a recomendação do traço a ser adotado na mistura
(cimento: areia: relação a/c) e as quantidades de cimento e de agregado miúdo
necessárias para o volume de argamassa a ser produzido. A partir desses dados,
foram calculados os consumos de materiais para confecção de amostras nos
moldes de concreto. Na TABELA 11 são apresentados o traço, adotado de
acordo com a norma ABNT NBR 15577-4 (2018), e o consumo de material em
kg por m³ a partir do volume necessário para fabricação da argamassa em
moldes de concreto. Neste estudo optou-se pela utilização de fôrmas de concreto
na moldagem da argamassa, a fim de que houvesse uma maior região de análise
para o acompanhamento de possíveis deformações e surgimento de fissuras na
superfície dos compósitos cimentícios.

TABELA 11 - DOSAGEM DA MISTURA 3, DE ARGAMASSA CONTENDO AGREGADO MIÚDO


REATIVO.
Traço Consumo em kg por m³
Cimento (kg) 1 823,39
Ag. miúdo reativo (kg) 2,25 1852,63
Água (l) 0,47 387,00
Acréscimo de NaOH (g) 90,49 6,27

O aglomerante recomendado para a realização do experimento é o


cimento padrão utilizado para ensaios de RAA, normalizado no Brasil pela ABNT
NBR 15577 (2018). Este tipo de cimento atende aos requisitos prescritos pela
norma ASTM C 1260, que trata do ensaio acelerado em barras de argamassa
(AMBT). No entanto, devido a indisponibilidade deste material, foi utilizado na
dosagem dos três traços em estudo o cimento do tipo CP V – ARI, mesmo
aglomerante empregado no programa experimental do capítulo 3. Isso porque o
cimento CP V – ARI é caracterizado por conter até 10% de material carbonático
adicionado em sua composição, sendo, em no mínimo 90% do total, composto
apenas por clínquer. Dessa forma, trata-se do cimento mais puro comercializado
atualmente, com características próximas àquelas exigidas pela ABNT NBR
15577 (2018). Na TABELA 12 e na TABELA 13 estão apresentados,
respectivamente, os resultados da caracterização química e física desse

82
material, fornecidos pelo fabricante e respeitando os valores mínimos de
resistência à compressão exigidos pela ABNT NBR 16697/2018.

TABELA 12 - CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA DO CIMENTO CP V-ARI.


ENSAIOS QUÍMICOS
Perda
ao CaO Equivalente Resíduo
Al2O3 SiO2 Fe2O3 CaO MgO SO3
Fogo Livre Alcalino Insolúvel
(%) (%) (%) (%) (%) (%)
(%) (%) (%) (%)

3,65 4,29 18,55 2,90 62,80 2,82 2,80 1,46 0,67 0,62
FONTE: Cimentos Itambé (2021).

O agregado miúdo inócuo utilizado para confecção do Traço 1 foi a areia


padrão do IPT, com massa específica de 2,62 g/cm³ (LANGARO, 2020). A
composição da quantidade de material necessária para fabricação das amostras,
foi feita a partir da divisão igualitária do total necessário pelas granulometrias
disponíveis em laboratório, conforme apresentado na TABELA 14. O material
estava ensacado e passou pela secagem em estufa para retirada da umidade
antes da etapa de fabricação do concreto.

TABELA 13 - CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DO CIMENTO CP V-ARI.


ENSAIOS FÍSICOS

Massa
Exp. Quente Início de Fim de Pega Cons.
Específica Blaine (cm²/g)
(mm) Pega (min) (min) Normal (%)
(g/cm³)

3,09 0,36 179 239 29,8 4,387

Retido na Retido na
1 dia (MPa) 3 dias (MPa) 7 dias (MPa) 28 dias (MPa)
#200 (%) #325 (%)

0,07 0,33 24,9 38,9 45,2 53,4

FONTE: Cimentos Itambé (2021).

TABELA 14 - COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA DO AGREGADO MIÚDO INÓCUO


UTILIZADO NA MISTURA 1.
Abertura de peneiras
Massa de material (%)
Passante Retido
2,36 mm 1,18 mm 25
1,18 mm 0,60 mm 25
0,60 mm 0,30 mm 25
0,30 mm 0,15 mm 25

O agregado reativo caracterizado como rocha do tipo Gnaisse (Milonito)


foi utilizado em todos os traços. Conforme já discutido, na mistura 1 o material

83
foi incorporado como agregado graúdo, na mistura 2 foi empregado nas formas
miúda e graúda, e na mistura 3 foi utilizado como agregado miúdo. O material é
reconhecidamente reativo na forma graúda devido aos resultados obtidos em
estudos nos quais foi empregado, conforme demonstrado por Langaro (2020)
em ensaio de reatividade pelo método ABCPT (FIGURA 37).

FIGURA 37 - MÉDIA DA EXPANSÃO DO CONCRETO COM GNAISSE AO LONGO DO


TEMPO NO ENSAIO ABCPT.
0,2
Gnaisse
Limite
Expansão (%)

0,1

0
0 7 14 21 28
Tempo (dias)
FONTE: Langaro (2020).

Na TABELA 15 são apresentadas as principais características físicas do


agregado reativo, na forma graúda, utilizado neste programa experimental.

TABELA 15 - CARACTERIZAÇÃO FÍSICA – GNAISSE (MILONITO).


Massa específica (g/cm³) 2,59
Massa unitária no estado seco compactado (g/cm³) 1,50
Absorção (%) 1,0
Teor de material pulverulento (%) 0,34
FONTE: Langaro (2020).

O material também se mostrou reativo em sua forma britada, ou seja,


como agregado miúdo proveniente da britagem da rocha e de agregados de
maiores dimensões, conforme demonstrado por Pereira (2015) e por Munhoz
(2020). A partir disso, o material foi utilizado nessa campanha experimental como
agregado miúdo nas misturas 2 e 3. A TABELA 16 mostra a caracterização física
do agregado na forma miúda, e a TABELA 17 apresenta a composição
granulométrica do agregado utilizada nas misturas 2 e 3 na forma miúda. As
faixas granulométricas adotadas estão de acordo com o estudo realizado por
Munhoz (2020) e com as recomendações da norma ABNT NBR 15577:4 (2018).
Para utilização do agregado reativo na forma miúda, o material graúdo foi
moído no moinho de bolas Los Angeles. Após a moagem, foi peneirado para
separação do material nas faixas granulométricas requeridas e, em seguida, o

84
agregado foi lavado e seco em estufa até a constância de massa. Nesse
trabalho, considerou-se que a constância de massa foi atingida quando não
houve diferença maior que 0,50% entre duas aferições espaçadas por um
período de 24h.

TABELA 16 - CARACTERIZAÇÃO FÍSICA – GNAISSE (MILONITO) NA FORMA MIÚDA.


Massa específica (g/cm³) 2,51
Massa específica aparente (g/cm³) 2,48
Massa específica saturada com superfície seca (g/cm³) 2,49
Absorção de água (%) 1,19
Teor de material pulverulento (%) 8,03
FONTE: Munhoz (2020).

TABELA 17 - FAIXA GRANULOMÉTRICA DO AGREGADO MIÚDO REATIVO UTILIZADO NA


CAMPANHA EXPERIMENTAL.
Abertura de peneiras
Massa de material (%)
Passante Retido
4,75 mm 2,36 mm 10
2,36 mm 1,18 mm 25
1,18 mm 0,60 mm 25
0,60 mm 0,30 mm 25
0,30 mm 0,15 mm 15
FONTE: ABNT NBR 15577-4 (2018).
Para cada traço, o teor de NaOH foi calculado e, durante a dosagem,
seguindo as normativas técnicas, o composto foi adicionado na água de
amassamento, a fim de atingir o equivalente alcalino (Na 2Oeq) requerido (1,25%
em relação à massa de cimento) no método de dosagem. Os valores adicionados
em cada traço também estão apresentados na TABELA 10 e na TABELA 11.
Conforme descrito na norma ABNT NBR 15577-6 (2018), o valor a ser
adicionado na mistura depende exclusivamente do consumo de cimento e do
teor de álcalis presente no material.
Na TABELA 12 foi apresentada a caracterização química do cimento,
fornecida pelo fabricante, na qual consta a quantidade de álcalis disponível em
relação à massa do material. Para cada traço, a quantidade de álcalis
necessária na água de amassamento foi determinada a partir da diferença entre
o valor já presente no cimento e o valor necessário para se atingir o equivalente
alcalino (Na2Oeq) de 1,25%. A partir disso, sabendo-se que o peso molecular do

85
Na2Oeq é 61,98 e o do NaOH é de 39,997 e que, a relação entre os componentes
pode ser descrita como:

� +� = � � (7)

tem-se que o fator de conversão de Na 2Oeq para NaOH é igual a 1,291. A


TABELA 18 mostra os valores de consumo de NaOH em kg/m³ calculados para
os três traços em estudo. O valor em gramas adicionado na água de
amassamento também é apresentado, e corresponde ao valor necessário para
a confecção de nove amostras para cada traço, já considerando as perdas
embutidas no processo, uma vez que, conforme descrito anteriormente, foram
moldados quatro corpos de prova em cada mistura.

TABELA 18 - CONSUMO DE NaOH POR M³ E NA ÁGUA DE AMASSAMENTO DAS MISTURAS


EM ESTUDO.
Consumo (kg/m³) Mistura 1 Mistura 2 Mistura 3
Na2Oeq 2,48 2,48 4,86
NaOH 3,20 3,20 6,27
NaOH - dosagem 46,16 g 46,16 g 90,49 g

As três misturas foram fabricadas no mesmo local, utilizando-se os


mesmos utensílios e ferramentas, e seguindo as recomendações de dosagem
descritas na ABNT NBR 15577-6 (2018). A inserção dos materiais foi realizada
em ordem decrescente de granulometria, ou seja, do material de maior dimensão
para o de menor dimensão, em relação aos materiais secos. Nos traços de
concreto (misturas 1 e 2) a brita foi adicionada na betoneira juntamente com
uma porção da água de amassamento. Deu-se início ao processo de mistura e,
em seguida, foi adicionado o agregado miúdo, o cimento, e o restante da água
de amassamento. Os materiais foram misturados por 3 minutos e, após esse
processo, a betoneira foi desligada e o compósito descansou por 3 minutos. Por
fim, a betoneira foi novamente ligada para uma mistura final de 2 minutos.
Na preparação da argamassa, foram adicionados os materiais secos
(agregado miúdo e cimento) e deu-se início ao processo de mistura. A água de
amassamento foi incorporada, e foi realizada a mistura na betoneira por 3
minutos. O compósito descansou por 3 minutos e, por fim, a betoneira foi
novamente ligada por mais 2 minutos. Ressalta-se que todas as frações de
agregado utilizadas durante as dosagens foram inseridas nas misturas em
86
temperatura ambiente, a fim de evitar a absorção excessiva da água de
amassamento por parte da brita ou da areia.
Os procedimentos de moldagem seguiram as recomendações da norma
ABNT NBR 15577-6 (2018) e, de modo geral, os procedimentos adotados por
Sanchez (2008). Após o processo de fabricação, a moldagem das amostras foi
padronizada para os três traços. Os moldes foram preenchidos com duas
camadas de material, e cada camada foi adensada em mesa vibratória por 10
segundos. Em seguida, foi feito o acabamento da superfície das amostras com
o auxílio de uma régua metálica e os corpos de prova foram cobertos com filme
plástico, a fim de evitar a ocorrência de perda de água para o ambiente e
consequente retração do compósito nas primeiras horas. As amostras foram
desformadas após 24h e seguiram para a etapa de pintura.
De acordo com a metodologia proposta por Sanchez (2008) e pelas
recomendações da ABNT NBR 15577-6 (2018), era necessário que os corpos
de prova permanecessem em cura úmida durante as primeiras 24 horas. Porém,
devido à crise hídrica que afeta o Estado do Paraná, principalmente a região de
Curitiba, onde são realizados os experimentos, a câmara úmida disponível não
estava em pleno funcionamento. A pouca demanda por ensaios no período da
pandemia de Covid-19 também contribuiu para tal fato. De modo geral, a
temperatura e a umidade não estavam sendo mantidas nos limites determinados
pela norma ABNT NBR 9479:2006, que determina umidade relativa maior que
95% e temperatura de 22 °C, uma vez que os jatos de molhamento da câmara
estavam desligados, devido ao racionamento de água. Dessa forma, optou-se
pela cura no local de dosagem durante as primeiras 24h.
Antes de seguirem para imersão em água após a desforma, os prismas
passaram pelo processo de pintura para impregnação do padrão de pontos
aleatórios. Primeiro, foi aplicada uma camada de tinta acrílica branca com o
auxílio de um pincel. A pintura dos pontos pretos foi executada por meio de tinta
spray automotiva, específica para uso em situações que demandam resistência
a altas temperaturas. Após o período de secagem total da tinta (24h), as
amostras foram imersas em água e inseridas em uma estufa a 80 ºC. Um corpo
de prova de cada traço ficou sem pintura, como uma amostra de referência, para
que fosse possível avaliar a existência de algum efeito da tinta na expansão dos
corpos de prova.

87
A leitura inicial em relógio comparador foi realizada após 24h de
permanência dos corpos de prova em estufa. Simultaneamente, as fotografias
de referência para análise por DIC foram capturadas. Em seguida, as amostras
foram acondicionadas em um recipiente com solução de NaOH, e
permaneceram em estufa a uma temperatura de 80 ºC por dois meses. É
importante ressaltar que, conforme proposto por Sanchez (2008), o equivalente
alcalino da solução foi igual ao equivalente alcalino do concreto. Com isso,
evitou-se o processo de difusão entre a solução e os corpos de prova e o ensaio
passou a ser acelerado apenas pelo aumento da temperatura, em comparação
ao método de prismas de concreto (CPT).
O tempo de ensaio adotado por Sanchez (2008) na concepção do ensaio
ABCPT foi de um mês. No entanto, levando-se em consideração a possibilidade
de que a reatividade do agregado não fosse suficiente para provocar o
aparecimento de fissuras de forma tão rápida, optou-se pelo aumento do tempo
de ensaio. Essa decisão também considerou que, o intuito da realização do
ensaio ABCPT neste estudo não foi, de fato, avaliar a reatividade de um
determinado agregado, uma vez que essa característica já é conhecida, mas sim
verificar a viabilidade do uso da DIC como uma ferramenta para monitoramento
de fissuras por mecanismos internos de expansão. Dessa forma, um maior
tempo de ensaio poderia contribuir para maiores chances de aparecimento de
fissuras nas amostras.
Foram realizadas medidas de expansão linear nas amostras durante os
60 dias de exposição. As leituras e a captura de imagens foram feitas duas vezes
por semana no mesmo horário, com intervalo médio de três dias entre as
medições. Ao todo, existiram 18 idades de monitoramento e, em todas elas, as
leituras foram realizadas com as amostras na mesma posição, sendo giradas
lentamente 360° no mesmo sentido, e a menor leitura sendo então anotada. Os
dados obtidos alimentaram uma planilha na qual foram realizados os cálculos de
medida de expansão definidos na ABNT NBR 15577-6 (2018).

4.2.3 Correlação por Imagem Digital

Para aplicação da técnica DIC o acompanhamento fotográfico foi feito


com o auxílio de um refletor de luz branca e de uma câmera fotográfica Canon

88
modelo DSLR EOS Rebel SL3 com lente EF-S 40mm, apoiada sobre um tripé
compatível (FIGURA 38-a). As imagens foram capturadas com resolução de 24,1
MP e taxa de 5 frames por segundo. A montagem do aparato para tomada das
fotos era feita em todos os dias de leitura de expansão linear em relógio
comparador. Foram feitas marcações no chão para minimizar a diferença de
posicionamento do tripé da câmera ao longo dos dias de monitoramento
(FIGURA 38-b).

FIGURA 38 - POSICIONAMENTO DA CÂMERA SOBRE O TRIPÉ (a); MARCAÇÕES NO


CHÃO PARA POSICIONAMENTO DOS EQUIPAMENTOS (b).

Após a montagem e a fixação da câmera, o nivelamento do equipamento


era verificado, bem como o nivelamento da mesa sobre a qual estava o pórtico
com o relógio comparador utilizado (FIGURA 39-a,b).

FIGURA 39- NIVELAMENTO DA CÂMERA FOTOGRÁFICA (a); E DO PÓRTICO DE


VARIAÇÃO DIMENSIONAL (b).

O posicionamento do refletor era feito no momento da tomada de fotos de


cada amostra, uma vez que não havia espaço suficiente para que o equipamento
fosse deixado no local adequado (FIGURA 40).
Ao todo, foram realizadas 18 leituras e tomada de imagens durante os
dois meses de ensaio das amostras. As fotografias de cada corpo de prova foram

89
separadas, e ao final, obteve-se uma imagem de cada amostra para cada idade
de monitoramento (FIGURA 41-a).

FIGURA 40- POSICIONAMENTO DO REFLETOR DE LUZ BRANCA PARA TOMADA DE


FOTOS.

FIGURA 41- ETAPAS DE TRATAMENTO DAS IMAGENS ANTES DA INSERÇÃO NO


SOFTWARE DE CORRELAÇÃO POR IMAGEM DIGITAL GOM CORRELATE®.

Em seguida, as fotos foram tratadas no software de edição de imagens


GIMP versão 2.10. Primeiro, os níveis de exposição, sombra, brilho e contraste
de cada foto foram retocados. Após, foi necessário realizar a composição das
imagens para reduzir a diferença de posicionamento dos corpos de prova ao
longo das idades (FIGURA 41-b). Ainda que a posição do tripé tenha sido
marcada, constataram-se pequenas diferenças no posicionamento das amostras
e no campo de visão da lente, principalmente nas primeiras leituras. Diante disso,

90
foi realizado o processo de composição das 18 imagens para cada amostra.
A composição consistiu na escolha de uma fotografia com aspecto
padrão, sem rotações da face da amostra em relação à lente da câmera, que
pudesse ser usada como referência para posicionamento das demais fotos. Para
isso, uma das imagens de outra idade de leitura era sobreposta à imagem
tomada como referência. Utilizando baixos níveis de opacidade, foi possível
alinhar manualmente as imagens a partir do ajuste de escala com base nos
pontos fixos do pórtico, até que a posição dos corpos de prova das duas imagens
fosse coincidente. Em seguida, utilizando a ferramenta de transparência do
software, foi possível apagar a imagem do corpo de prova da foto de referência,
deixando apenas o corpo de prova da outra leitura composto com o fundo da
fotografia de referência. Dessa forma, foi possível garantir que as 18 leituras de
cada amostra estivessem em posições semelhantes para o reconhecimento do
padrão de pontos no software GOM Correlate®.
Por fim, as imagens foram cortadas para que não houvesse problemas
técnicos em relação ao tamanho dos arquivos na etapa de processamento das
fotografias no software de correlação por imagem digital (FIGURA 41-c). As
imagens ficaram com tamanhos semelhantes entre si, de aproximadamente
(2000 x 3500) pixels, em largura e altura, respectivamente. Para o uso do GOM
Correlate®, foram estabelecidos protocolos para inserção de dados e para
extração dos resultados, ambos esquematizados na FIGURA 42.

FIGURA 42 - PROTOCOLO DE USO E EXTRAÇÃO DE DADOS DO SOFTWARE GOM


CORRELATE® PARA ANÁLISE DE DEFORMAÇÕES POR REAÇÃO EXPANSIVA.

91
Como primeiro passo, a sequência de fotos de cada amostra foi
adicionada e, em seguida, foi definida a escala de referência em milímetros, para
que, posteriormente, as distâncias extraídas a partir dos extensômetros fossem
condizentes com as medidas reais. Para definição da escala, foi estabelecido um
ponto na face de cada amostra e a distância até a extremidade do elemento foi
verificada com escalímetro. Esse valor foi inserido no software para a referência
de medidas.
Após a escala ser estabelecida, foi criada uma componente de superfície
da face do corpo de prova. Trata-se de uma camada a partir da qual ocorre o
mapeamento de pontos do padrão aleatório presentes na face da amostra. Esse
mapeamento é feito por meio da varredura dos pixels que formam a imagem,
dando origem a subconjuntos de pixels denominados de facetas. As facetas
permitem a correlação entre os pixels de uma imagem de referência e as demais
fotos do conjunto. A distância média entre o centro de uma faceta até o próximo
ponto a ser verificado é denominada de distância entre facetas.
Neste estudo, os parâmetros de criação da superfície (tamanho das
facetas e distância entre facetas) foram fixados para os corpos de prova dos três
traços em estudo. De acordo com um levantamento bibliográfico realizado por
Resende (2020), há estudos que registram a redução de erros nas medições
realizadas por software de DIC a partir do aumento do tamanho das facetas
(Yaofeng; Pang, 2007, Vassoler; Fancello, 2010, Lecompte et al, 2006,
Rodrigues, 2014, apud Resende, 2020, p. 248). No entanto, ainda segundo o
mesmo levantamento, para medidas de deformação, pesquisadores afirmam
que é necessário um tamanho pequeno deste parâmetro para garantir maior
precisão nas medições (Rodrigues, 2014, Reu, 2012, apud Resende, 2020, p.
248). Em relação à distância entre facetas, a recomendação é de que seja
correspondente a 1/2 ou 1/3 do tamanho das facetas (iDICs, 2018, apud
Resende, 2020, p.249).
A partir disso, foram realizados testes para avaliar quais medidas
representariam de maneira mais homogênea e precisa a deformação e o
deslocamento gerados pelo possível aparecimento de fissuras. Foram testados
os valores de tamanho de faceta (19; 30; 41 pixels) e distância entre facetas (16;
21; 25 pixels), sendo o primeiro conjunto (19; 16) correspondente à configuração
padrão do software GOM Correlate®. A melhor representação da superfície de

92
deformação gerada nas amostras foi a caracterizada por facetas com 41 pixels
e distância entre facetas de 25 pixels. Nesse caso, ressalta-se que foi mantida
certa proximidade com a relação entre tamanho de faceta e distância entre
facetas, no intervalo compreendido entre 1/2 e 1/3, conforme recomendação
(iDICs, 2018, apud Resende, 2020, p.249).
A terceira etapa foi a fixação do sistema de coordenadas (X; Y; Z) a partir
da extremidade inferior esquerda do corpo de prova, e não a partir do centro da
imagem, como é a configuração padrão do software. Para isso, foi realizado o
alinhamento em 3-2-1, como uma triangulação, para transpor o eixo a partir da
marcação dos pontos de extremidade da amostra.
Na sequência, foi gerada a superfície de deformação na direção do eixo
Y, e foram demarcados seis pontos com etiqueta de desvio. Assim, para esses
pontos, o software marcou a deformação em cada estágio a partir do estágio de
referência, e posteriormente, esses dados foram exportados. Com as etiquetas
de desvio foi possível verificar, com certa precisão, a variação de deformação
das amostras e, assim, estabelecer uma escala em mapa de cores coerente com
os níveis de deformação presentes no prisma para todas as idades de
monitoramento.
Para todas as amostras analisadas, foram construídos três extensômetros
na direção do eixo Y, de modo que fosse possível coletar informações referentes
a distâncias longitudinais em todos os estágios de monitoramento. Os
extensômetros foram inseridos e as variações de comprimento em cada estágio,
medidas a partir de um comprimento inicial, foram exportadas. Por fim, foram
inseridas etiquetas de desvio sob uma componente de superfície de
deslocamento na direção do eixo X, para que fosse verificada a possível
ocorrência de movimentações laterais na posição das amostras a partir do
estágio de referência. Isso tornaria possível conhecer um dos fatores relacionado
a movimentação das amostras, casos fossem constatados níveis de deformação
desproporcionais à inspeção visual e aos resultados obtidos por leitura de
expansão linear. A FIGURA 43 mostra uma imagem do esquema de
processamento das fotos para cada amostra na interface do software. Os
procedimentos foram padronizados para todos os traços em estudo.
O protocolo de aquisição da resultados compreende os cálculos
realizados a partir dos dados extraídos do software GOM Correlate®. As

93
etiquetas de desvio e os extensômetros foram construídos durante o
processamento da correlação por imagem, e serviram como ferramentas para
coleta de dados. Os valores de deformação verificados por meio das etiquetas
de desvio foram exportados para um arquivo Excel. Para cada estágio de
monitoramento havia seis índices de deformação, um para cada ponto
selecionado. A partir disso, foi calculada a média de deformação verificada em
cada estágio e o desvio padrão correspondente a cada idade de monitoramento.

FIGURA 43 - PROCESSAMENTO E FERRAMENTAS DE AQUISIÇÃO DE DADOS NO


MONITORAMENTO DE DEFORMAÇÕES POR DIC NA INTERFACE DO SOFTWARE GOM
CORRELATE®.

Os extensômetros digitais foram posicionados de modo a cruzarem o


centro das amostras e também as extremidades paralelas à direção do eixo Y.
O mesmo comprimento inicial do conjunto de três extensômetros inseridos para
análise de cada amostra foi mantido. Para cada estágio de monitoramento foram
registradas as distâncias correspondentes ao comprimento total da ferramenta.
Os valores foram exportados para o Excel e foram realizados os cálculos para
verificação da expansão registrada em cada estágio. Para isso, foi determinada
a diferença de comprimento entre o estágio de referência e os demais estágios
para os três extensômetros. Os valores correspondentes a cada estágio deram
origem à média de diferença de comprimento medida. A partir disso, e
considerando o comprimento inicial médio dos extensômetros, foi calculada a
expansão registrada em cada estágio de monitoramento. A média total da
expansão durante todo o período de ensaio também foi calculada para cada
amostra, juntamente com o desvio padrão correspondente à expansão
registrada, e os valores mínimo e máximo alcançados durante o experimento.
94
4.3 RESULTADOS

O monitoramento das medidas de expansão linear em relógio comparador


foi realizado em conjunto com a tomada de fotografias durante o período de
ensaio das amostras. Na FIGURA 44 é apresentado o gráfico de expansão das
amostras com aplicação de pintura pertencentes ao traço 1. Nessa mistura
houve a utilização de agregado miúdo inócuo do IPT e agregado graúdo reativo.
Ressalta-se que as medidas de expansão individuais em cada idade de leitura,
para todos os traços, estão apresentadas no Apêndice A deste trabalho.

FIGURA 44 - MEDIDAS DE EXPANSÃO DAS AMOSTRAS COM SUPERFÍCIE DE PINTURA


PERTENCENTES AO TRAÇO 1.
0,2
Limite
CP1
CP2
0,15
CP3
Expansão (%)

Média Cps com pintura


0,1

0,05

0
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60
Tempo (dias)

De acordo com o gráfico apresentado na FIGURA 44, é possível observar


que, para as amostras com superfície de pintura para realização do
monitoramento por DIC, o agregado utilizado se mostrou reativo ao final do
primeiro mês do ensaio ABCPT. A expansão linear média final atingida por essas
amostras foi de 0,062%. Com isso, a partir da classificação apresentada na
norma ABNT NBR 15577-1 (2018), considera-se o agregado utilizado como
pertencente ao grupo de agregados reativos de grau R1. Nesse grupo estão
inseridas rochas que apresentam, em ensaio de duração de 365 dias, expansões
que variam de 0,04% a 0,12%.
A FIGURA 45 mostra a curva resultante da média de expansão das
amostras com superfície pintada em comparação ao gráfico gerado a partir do
resultado do corpo de prova sem pintura pertencente ao traço 1. Além disso, é

95
representado por meio de uma curva o erro relativo calculado entre essas
medidas de expansão.

FIGURA 45 - MEDIDAS DE EXPANSÃO DA AMOSTRA SEM SUPERFÍCIE DE PINTURA


PERTENCENTE AO TRAÇO 1.
0,2 100
Limite
Média Cps com pintura
CP sem pintura 80
0,15
Erro médio

Erro relativo (%)


Expansão (%)

60
0,1
40

0,05
20

0 0
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60
Tempo (dias)

É possível observar que, no que se refere às medidas de expansão


calculadas, a amostra sem pintura apresentou expansão linear final ligeiramente
superior (0,068%) à média final dos corpos de prova com pintura. É possível que
as dificuldades relacionadas à interrupção do ensaio para retirada da peça
metálica tenham causado o retardo das reações expansivas neste traço. No
entanto, a confirmação desta hipótese demandaria um maior número de
amostras e maior tempo de exposição às condições de ensaio, devido a
utilização de um agregado de baixa reatividade.
Notou-se também que, para essa amostra sem aplicação de tinta, o limite
de expansão indicado pelo método ABCPT foi atingido no 24º dia de exposição,
ou seja, aproximadamente uma semana antes em comparação à média das
amostras com superfície de pintura. Todavia, é importante salientar que, assim
como as amostras com película de tinta, o prisma sem pintura teve a peça
metálica retirada após o início da exposição. Devido a isso, este permaneceu
fora da solução por uma semana, assim como os demais, até a retomada do
monitoramento, para que todas as amostras de um mesmo traço ficassem sob
iguais condições no mesmo intervalo de tempo. Ressalta-se também que, para
análise dos resultados deve-se considerar o fato de que houve modificações no
acondicionamento das amostras após a moldagem, em relação às

96
recomendações do ensaio ABCPT, uma vez que as amostras não
permaneceram em câmara úmida para cura nas primeiras 24 horas.
O cálculo do erro nas medidas de cada traço indicou a margem de erro
atingida em relação à expansão verificada entre a média das amostras com
pintura e a amostra sem pintura. Tomando como valor real as medidas de
expansão da amostra sem pintura, foi calculado o erro absoluto para cada idade
de monitoramento como sendo a diferença, em módulo, entre a medida
considerada real e a média das expansões de amostras com pintura, conforme
mostrado na Equação 8:

���� = |� � ⁡ � − é ��⁡� � | (8)


���� � = �� (9)
� ⁡��

A partir disso, é possível verificar o erro relativo em cada medida, por meio
da relação apresentada na Equação 9, uma vez que o erro absoluto se relaciona
com a medida adotada como a real. Com isso, em função do cálculo do erro
médio verificou-se que a medida do terceiro estágio de leitura foi o que
apresentou maior disparidade em relação ao valor médio obtido a partir dos
dados das amostras com pintura. Ao longo de todo o período de exposição
restante, o erro relativo, entre as medidas da amostra sem pintura e a média de
expansão das amostras com a face pintada, não ultrapassou 30%. Em termos
de erro absoluto, a média da diferença entre as medidas de expansão para cada
estágio de monitoramento foi de 0,0050 e o desvio padrão também foi de 0,0049.
De modo geral, os resultados obtidos podem sugerir que a aplicação da
camada de tinta para realização do monitoramento por DIC não afetou
significativamente os níveis de expansão das amostras do traço 1. No entanto,
é importante salientar que a maior quantidade de amostras sem pintura auxiliaria
na interpretação dos resultados com maior precisão.
A partir das imagens obtidas por meio do acompanhamento fotográfico da
amostra sem pintura (FIGURA 46), não foi possível observar a formação de
fissuras ou caminhos preferenciais que pudessem formar trincas nas amostras.
Possivelmente, o prolongamento do período de ensaio poderia contribuir para

97
visualização da formação de fissuras, uma vez que o agregado disponível para
utilização possui baixo potencial reativo.

FIGURA 46 - ACOMPANHAMENTO FOTOGRÁFICO DA AMOSTRA SEM PINTURA


PERTENCENTE AO TRAÇO 1.

Todas as imagens de amostras sem pintura passaram pelos mesmos


processos de edição aplicados em corpos de prova com pintura (brilho,
exposição, luz e sombra), além da composição de fundo em todos os estágios
de monitoramento e o recorte centralizado. De acordo com a FIGURA 46, pode-
se observar a formação de manchas na amostra, possivelmente causadas pela
exposição à solução de NaOH ao longo do tempo. No entanto, não foram
observadas alterações no padrão de expansão do corpo de prova que pudessem
estar relacionadas ao surgimento das manchas nas faces do prisma.
Na FIGURA 47 é apresentado o gráfico de expansão das amostras com
superfície de pintura pertencentes ao traço 2. Nessa mistura, houve a
incorporação de agregado reativo nas formas miúda e graúda e foi possível
observar que a reatividade do agregado foi demonstrada a partir da segunda
semana de exposição.
FIGURA 47 - MEDIDAS DE EXPANSÃO DAS AMOSTRAS COM SUPERFÍCIE DE PINTURA
PERTENCENTES AO TRAÇO 2.
0,2
Limite
CP1
0,15 CP2
CP3
Expansão (%)

Média Cps com pintura


0,1

0,05

0
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60
Tempo (dias)

98
A partir do gráfico mostrado na FIGURA 47, foi possível notar que os
níveis de expansão da mistura do traço 2 foram mais elevados quando
comparados ao traço 1. Isso pode estar relacionado ao fato de que nesta mistura
utilizou-se o agregado reativo nas formas miúda e graúda, enquanto na mistura
no traço 1 o agregado miúdo incorporado foi a areia normal do IPT, de
característica inócua. No entanto, para confirmação desta hipótese seria
necessária a realização de ensaios de caracterização dos materiais para
verificação da morfologia dos agregados empregados na mistura, uma vez que
a britagem da rocha pode afetar sua fase reativa (LU; FOURNIER; GRATTAN-
BELLEW, 2006).
Para o caso das amostras do traço 2 não houve atrasos relacionados ao
início do processo de expansão, como ocorreu nos prismas pertencentes ao
traço 1. A maior expansão final obtida entre as amostras com superfície pintada
foi de 0,124%, próximo ao limite para classificação do agregado como de grau
R1 de reatividade de acordo com a norma ABNT NBR 15577-1 (2018). A
expansão média final registrada foi de 0,112%.
A FIGURA 48 apresenta o gráfico de expansão linear da amostra sem
pintura pertencente ao traço 2, juntamente com a curva média originada dos
resultados das amostras com uma das faces pintada e o erro relativo entre essas
medidas. A partir do gráfico de expansão da amostra sem pintura observou-se
que, assim como nas amostras com pintura, o agregado atingiu o limite de
expansão estabelecido na segunda semana de exposição. Ainda de acordo com
o gráfico, foi possível notar o registro de um comportamento mais reativo durante
o segundo mês de exposição, quando comparado à reatividade média medida
nas amostras com superfície de pintura.
A expansão final medida foi de 0,178% para a amostra sem aplicação de
pintura. É possível que este resultado esteja relacionado a um coeficiente de
variação inerente ao ensaio, uma vez que foram observados diferentes
comportamentos entre as amostras sem pintura dos três traços em estudo.
Desse modo, não é possível afirmar que houve a formação de uma camada
protetora pela película de tinta, e que essa, de alguma forma, pode ter
contribuido para o retardo as reações expansivas no concreto com pintura, ainda
que a tinta utilizada possuísse resistência a altas temperaturas. Para que a
possível influência de um coeficiente de variação nos resultados pudesse ser

99
minimizada, seria necessário o aumento do número de amostras sem película
de tinta, para que erros inerentes aos procedimentos laboratoriais pudessem ser
reduzidos, e consequentemente, a precisão dos resultados obtidos fosse
satisfatória.

FIGURA 48 - MEDIDAS DE EXPANSÃO DA AMOSTRA SEM SUPERFÍCIE DE PINTURA


PERTENCENTE AO TRAÇO 2.
0,2 100
Limite
Média CPs com pintura
CP sem pintura 80
0,15
Erro médio

Erro relativo (%)


Expansão (%)

60
0,1
40

0,05
20

0 0
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60
Tempo (dias)

De acordo com os resultados extraídos a partir da amostra sem pintura do


traço 2, o agregado reativo utilizado poderia ser classificado como de grau R2,
apresentando medida de reação expansiva final que pode variar de 0,13% até
0,24% (ABNT NBR 15577-1:2018). Em relação ao erro relativo calculado entre
as medidas de expansão das amostras com e sem pintura, foi possível observar
que, durante o primeiro mês de exposição, o erro ficou abaixo de 20% em todos
os estágios de monitoramento. No entanto, ao final dos 60 dias, o erro relativo
entre as medidas foi de até 40,3%. Em termos de erro absoluto, a média da
diferença entre as medidas do corpo de prova sem pintura e a média de
expansão das amostras com aplicação de tinta foi de 0,0231% e o desvio padrão
foi de 0,0232%.
Dessa maneira, os resultados obtidos referentes à medida de expansão
linear das amostras neste traço não foram conclusivos para indicar a influência
da película de tinta no processo de ocorrência das reações expansivas no interior
das amostras de concreto.
No entanto, em relação às medidas de expansão alcançadas pelo corpo
de prova sem pintura, é importante ressaltar que, conforme explicitado

100
anteriormente, o resultado de apenas uma amostra pode não ser conclusivo.
Ainda, é necessário destacar que, para descarte de possíveis erros e
comportamentos divergentes, seria necessário o aumento do número de prismas
sob as mesmas condições e sem aplicação de pintura. Nesta campanha
experimental, devido à quantidade de material e ferramentas disponíveis, e para
que fosse possível concluir os procedimentos laboratoriais no prazo estipulado,
foi necessário reduzir o número de amostras em todos os traços.
Assim como na amostra sem pintura pertecente ao traço 1, não foi
observada a formação de fissuras na amostra sem aplicação de tinta do traço 2
(FIGURA 49). Em outros termos, apesar da possibilidade da utilização do
agregado reativo nas formas miúda e graúda ser um fator que acentua a
expansão nas amostras, não foi observado o início do processo fissuratório na
amostra sem pintura. Diante disso, para verificação de quaisquer hipóteses,
seria necessário o aumento do número de corpos de prova, de modo que os
erros inerentes ao processo de fabricação ou leitura pudessem ser minimizados
e houvesse maior precisão e detalhamento na análise de resultados e
conclusões.

FIGURA 49 - ACOMPANHAMENTO FOTOGRÁFICO DA AMOSTRA SEM PINTURA


PERTENCENTE AO TRAÇO 2.

Na FIGURA 50 são apresentados os resultados de expansão das


amostras de argamassa com superfície de pintura pertencentes ao traço 3.
Nessa mistura utilizou-se agregado reativo na forma miúda. A partir do gráfico
mostrado na FIGURA 50, observou-se que para as argamassas com camada de
pintura, o agregado demonstrou comportamento reativo a partir da terceira
semana de exposição no método ABCPT.

101
FIGURA 50 - MEDIDAS DE EXPANSÃO DAS AMOSTRAS COM SUPERFÍCIE DE PINTURA
PERTENCENTES AO TRAÇO 3.
0,2
Limite
CP1
0,15 CP2
CP3
Expansão (%)

Média Cps com pintura


0,1

0,05

0
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60

-0,05
Tempo (dias)

A expansão média final registrada foi de 0,126%, enquadrando o


agregado utilizado, ainda que no limite estabelecido pela norma, como reativo
de grau R1. No entanto, a norma ABNT NBR 15577-1 (2018) traz medidas para
argamassas expostas durante 30 dias, porém sob condições diferentes daquelas
adotadas neste trabalho, e com amostras de menor dimensão. Ainda, a
classificação adotada nos traços 1 e 2 correspondem a traços de concreto. O
traço 3 deste estudo corresponde a uma argamassa moldada em uma forma
para concreto. Desse modo, neste caso, a classificação não é integralmente
adequada.
Ainda de acordo com o gráfico da FIGURA 50, notou-se a ocorrência de
uma retração discreta no início das medições, comportamento que, de acordo
com a norma ABNT NBR 15577 (2018), é possível de acontecer. Além disso,
trata-se de uma mistura de argamassa com elevado consumo de cimento, uma
vez que a dosagem foi baseada nos requisitos da norma ABNT NBT 15577-4
(2018), o que pode contribuir para a ocorrência de retração nas primeiras idades.
A FIGURA 51 mostra o comportamento de expansão linear demonstrado
pelo corpo de prova de argamassa sem pintura pertencente ao traço 3, além da
curva do erro médio relativo calculado entre a expansão desta amostra e da
média resultante das expansões das amostras com pintura.

102
FIGURA 51 - MEDIDAS DE EXPANSÃO DA AMOSTRA SEM SUPERFÍCIE DE PINTURA
PERTENCENTE AO TRAÇO 3.
0,2 100
Limite
Média Cps com pintura
0,15 CP sem pintura 80
Erro médio

Erro relativo (%)


Expansão (%)

0,1 60

0,05 40

0 20
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60

-0,05 0
Tempo (dias)

Para o corpo de prova sem pintura, observou-se o comportamento de


retração de forma mais pronunciada. Conforme já discutido, isso pode estar
relacionado ao alto consumo de cimento do traço, que por sua vez demanda
maior consumo de água para manter a relação água/cimento exigida pelo
método de dosagem. Ainda, ressalta-se que as amostras não permaneceram em
cura úmida durante as primeiras 24 horas, o que também pode ter contribuído
para a ocorrência de retração neste traço.
Observou-se também, ainda de acordo com a FIGURA 51, que para a
amostra sem pintura, o agregado atingiu o limite de reatividade do método
apenas a partir do início do segundo mês de exposição. A expansão final atingida
foi de 0,100%, compatível com a maior parte dos resultados atingidos nos
demais casos e correspondente ao grau de reatividade R1 para o agregado
utilizado. É possível que o comportamento de retração inicial tenha contribuído
para o retardo do aumento dos níveis de expansão linear da amostra, uma vez
que a retração foi verificada até a segunda semana de exposição. No entanto,
assim como analisado nos traços anteriores, a partir dos resultados de expansão
linear obtidos para as amostras do traço 3 não foi verificada influência da película
de tinta no desenvolvimento do processo expansivo nas amostras monitoradas.
Ressalta-se que os valores de expansão linear obtidos em cada amostra deste
estudo são apresentados no Apêndice A.
A análise do erro relativo permitiu verificar que, nas primeiras idades, a

103
disparidade entre as medidas de expansão das amostras foi significativa. O erro
médio relativo ultrapassou 100% em cinco idades de monitoramento ao longo do
primeiro mês de ensaio. É possível que esse fato tenha sido acentuado pela
retração registrada na amostra sem pintura durante as primeiras semanas de
monitoramento. Todavia, medidas de erro como essa poderiam ser minimizadas
com o aumento do número de amostras sob a condição de ensaio sem pintura,
uma vez que as medições de apenas uma amostra sob determinada condição
podem ser inconclusivas. No que se refere ao erro absoluto, a média da
diferença registrada entre as medidas de expansão das duas condições foi de
0,030 e o desvio padrão foi de 0,008.
O aparecimento de pequenas manchas na superfície da amostra também
foi verificado no prisma pertencente ao traço 3 (FIGURA 52). No entanto, apesar
do aparente envelhecimento causado pelo período de exposição em solução
agressiva e alta temperatura, não foi possível verificar a olho nu o início da
formação de fissuras nas amostras. Os níveis de expansão atingidos durante o
período de monitoramento não foram suficientes para causar o aparecimento de
fissuras nas faces da amostra. Esse fato já havia sido observado para os corpos
de prova com película de pintura pertencentes a este mesmo traço.

FIGURA 52 - ACOMPANHAMENTO FOTOGRÁFICO DA AMOSTRA SEM PINTURA


PERTENCENTE AO TRAÇO 3.

Por meio do monitoramento por correlação de imagem digital, utilizando


como ferramenta de análise o software GOM Correlate®, não foi possível
verificar a formação de fissuras nas amostras submetidas ao ensaio de
reatividade de agregados pelo método ABCPT. Conforme apresentado nos
resultados de medição de expansão longitudinal, os níveis de expansão
atingidos pelos corpos de prova dos traços em estudo não foram suficientes para

104
causar a abertura de fissuras no período de 60 dias.
Diante disso, buscou-se a verificação dos níveis de deformação
alcançados, a fim de compará-los com os resultados de expansão obtidos a partir
das medições em relógio comparador. No entanto, o tratamento das imagens
para minimizar os erros, relacionados ao posicionamento das amostras e da
câmera fotográfica, não foi suficiente para que os níveis de expansão verificados
pelo software de DIC correspondessem somente à expansão longitudinal das
amostras. Isso significa que os níveis de deformação registrados
corresponderam, em parte, a movimentações relacionadas ao posicionamento
dos corpos de prova e da câmera durante o período de ensaio, em adição ao
erro inerente à técnica de correlação por imagem para casos de pequenas
deformações ou deslocamentos.
Em relação a esse último ponto, é importante destacar que a campanha
experimental abordada no capítulo 3 dessa dissertação possibilitou a verificação
da ocorrência de maior disparidade na fase inicial do ensaio, entre resultados
obtidos por DIC e por métodos convencionais de obtenção de dados em ensaios
mecânicos. De acordo com os resultados obtidos, existe um erro de precisão
inerente à DIC ao se tratar de estágios com pequenas deformações ou
deslocamentos. Nos resultados de ensaio mecânico do capítulo 3, o erro de
imprecisão foi notório em situações em que a abertura de fissura era menor do
que 1 mm, estágio correspondente a patamares iniciais do ensaio de ruptura
mecânica. No entanto, em estágios de fissuração avançados, esse erro foi
suprimido e a correlação de resultados pôde ser considerada satisfatória.
Diante disso, é possível que os resultados de níveis de deformação
obtidos por meio da correlação por imagem para o caso de reações de
expansivas, apresentados neste capítulo, estejam influenciados, em parte, pelo
erro embutido pela DIC em estágios de deformação iniciais. Isso porque,
conforme demonstrado por meio dos resultados obtidos em relógio comparador,
as expansões máximas registradas nas amostras em estudo foram de,
aproximadamente, 0,10%. De fato, trata-se de um nível de expansão inicial e
suscetível ao acúmulo de erros no processo de correlação de resultados entre
diferentes ferramentas de monitoramento.
Nas primeiras idades de monitoramento houve rotação das amostras em
relação à posição da câmera. A edição das imagens no processo anterior à etapa

105
de correlação das fotos minimizou o erro da tomada de fotografias, conforme
pode ser observado na FIGURA 53, que mostra o comparativo entre a imagem
antes e após o processo de edição para uma das amostras.

FIGURA 53 - EDIÇÃO DE IMAGEM PARA MINIMIZAR EFEITO DA ROTAÇÃO DE


AMOSTRAS DURANTE A TOMADA DE FOTOS.

No entanto, por se tratar das fotos nos primeiros estágios de ensaio e,


dessa forma, serem as imagens de referência para as demais no monitoramento
da deformação, a componente de superfície gerada não apresentou boa
qualidade. Diante disso, para as amostras dos traços 1 e 2, o processamento
das imagens foi realizado a partir da quarta fotografia e, no total, cada corpo de
prova foi monitorado com 15 imagens, sendo cada uma correspondente a um
estágio de acompanhamento.
As amostras do traço 1 apresentaram valores médios máximos de
expansão, calculados a partir dos dados coletados com os extensômetros,
próximos a 0,094%. Considerando o comprimento médio dos extensômetros
digitais inseridos no processamento, essa expansão corresponde a um valor de
0,15 mm. Os valores de expansão para cada amostra, medidos por meio dos
extensômetros e correspondentes a cada estágio de monitoramento, são
apresentados no Apêndice B desta dissertação.
A partir da análise visual, foi possível verificar que não houve a formação
de fissuras na superfície das amostras. Diante disso, é possível que a expansão
registrada esteja, em grande parte, relacionada à deformação gerada pela
movimentação da amostra durante a sequência de imagens, e não pela

106
ocorrência da reação expansiva no interior do concreto. A FIGURA 54 apresenta
três estágios (inicial, intermediário e final) do processamento da DIC em uma das
amostras pertencentes ao traço 1.
De acordo com a FIGURA 54, é possível observar que as deformações
registradas permaneceram próximas ao nível inicial durante grande parte do
período de monitoramento. No entanto, em alguns estágios, houve o registro de
retração, ou deformação negativa, conforme observado no último estágio do
período experimental (FIGURA 54-c).
Em termos de encurtamento dos extensômetros, foi registrado o valor
médio máximo de 0,379%, que corresponde a cerca de 0,61 mm. Esse resultado,
porém, diverge daquele que foi observado nos resultados registrados pela
medição de expansão linear. Apesar da expansão discreta nas primeiras idades,
todas as amostras pertencentes ao traço 1 registraram expansão suficiente para
classificar o agregado utilizado como um material reativo. Na FIGURA 55 são
apresentados os valores de expansão, gerados a partir dos dados de distância,
obtidos por meio dos extensômetros posicionados em cada corpo de prova.

FIGURA 54 - ESTÁGIOS INICIAL (a); INTERMEDIÁRIO (b) E FINAL (c) DA COMPONENTE


DE SUPERFÍCIE DE DEFORMAÇÃO EM MAPA DE CORES DURANTE O
PROCESSAMENTO DE AMOSTRA PERTECENTE AO TRAÇO 1.

A interpretação do resultado apresentado na FIGURA 55 permitiu verificar


que os extensômetros digitais inseridos nas amostras registraram a

107
movimentação dos corpos de prova em relação ao posicionamento inicial, e não
a real retração dos prismas de concreto à níveis dessa magnitude.

FIGURA 55 - GRÁFICO DE EXPANSÃO EM FUNÇÃO DO TEMPO A PARTIR DE DADOS DE


EXTÊNSÔMETROS DIGITAIS INSERIDOS NAS AMOSTRAS DO TRAÇO 1.
0,2

0,1

0
Expansão (%)

0 10 20 30 40 50 60
-0,1

-0,2

-0,3

-0,4

-0,5
Tempo (dias)
CP1 CP2 CP3

Dessa forma, a hipótese levantada é a de que as deformações verificadas


pelo software de correlação por imagem estejam relacionadas com a ocorrência
de ligeiras movimentações de posição das amostras, e não correspondam
somente a medidas de expansão por reação expansiva de fato.
Comparando com o valor atingido por meio dos dados de leitura de
expansão linear, os resultados advindos da DIC correspondem a expansões
significativamente maiores. Todavia, ao analisar o resultado pelo viés da
movimentação dos elementos, é possível verificar que a etapa de edição de
imagens contribuiu de forma acentuada para minimizar os erros provenientes da
diferença de posicionamento das amostras e da câmera fotográfica. É possível
que melhores resultados sejam alcançados, em trabalhos futuros, aliando a
técnica de edição de imagem com o uso do aparato para fixação da câmera e da
posição da amostra para medição.
Ainda, é importante ressaltar que, assim como destacado nos resultados
do capítulo 3 desta dissertação, o erro gerado por meio da correlação por
imagem tende a ser mais significativo para pequenas deformações, em
comparação a grandes deformações. Na concepção inicial deste estudo
experimental, o agregado reativo que seria utilizado poderia permitir a ocorrência
de reações expansivas de forma agressiva em curtos períodos, gerando, em
consequência, a abertura de fissuras. No entanto, conforme já mencionado,

108
devido a questões logísticas decorrentes da pandemia de Covid-19, o material
não pôde ser coletado. O agregado utilizado, ainda que considerado reativo,
apresenta menor grau de reatividade. As expansões geradas não ultrapassaram
níveis que pudessem minimizar os erros da correlação por imagem relacionados
a pequenos deslocamentos e deformações.
As amostras pertencentes ao traço 2 registraram expansões ligeiramente
maiores, quando comparadas à média obtida para as amostras do primeiro traço,
utilizando os dados obtidos por meio dos extensômetros digitais. Assim como
explanado nos resultados obtidos em relação aos corpos de prova do traço 1, as
amostras pertencentes ao traço 2 também apresentaram níveis de deformação
significativamente superiores em comparação à expansão atingida segundo os
dados da leitura de variação dimensional. Isso significa que, as deformações
verificadas pelo software GOM Correlate® estão, possivelmente, relacionadas
em grande parte à ocorrência de movimentação da posição das amostras entre
os estágios de leitura, e não somente à expansão causada pela ocorrência da
RAA.
Na FIGURA 56 são apresentados estágios do processamento das
imagens de uma das amostras pertencente ao traço 2. Para análise por imagem
das amostras que compõem este grupo, foi necessário descartar as fotos
referentes aos quatro primeiros estágios de monitoramento. Isso porque, mesmo
após a edição das imagens com alinhamento, rotação e redimensionamento das
fotografias, a rotação ocorrida nas primeiras leituras não foi totalmente
suprimida, e o software de correlação por imagem reconheceu deformações
elevadas a partir da foto inicial. Com isso, optou-se por iniciar o processamento
a partir da 5ª foto, pertencente ao total das 18 imagens obtidas durante todo o
período de ensaio para cada amostra.
De acordo com a FIGURA 56 é possível observar que os níveis de
deformação para a maior parte da superfície de análise ficaram próximos ao
inicial e, em alguns pontos isolados, houve registro de deformações mais
acentuadas. A partir dos dados coletados dos extensômetros digitais verificou-
se que a expansão média máxima das amostras pertencentes ao traço 2 foi de
0,061%. Esse valor é inferior ao registrado a partir das medidas de expansão
linear.

109
FIGURA 56 - ESTÁGIOS INICIAL (a); INTERMEDIÁRIO (b) E FINAL (c) DA COMPONENTE
DE SUPERFÍCIE DE DEFORMAÇÃO EM MAPA DE CORES DURANTE O
PROCESSAMENTO DE AMOSTRA PERTECENTE AO TRAÇO 2.

Em determinados estágios, tal como o final, houve a predominância de


deformações negativas que, por sua vez, relacionam os resultados dos
extensômetros a medidas de encurtamento. Essas se traduzem, à primeira vista,
em medidas de retração dos corpos de prova. Em outros termos, assim como
observado para as amostras do traço 1, houve a verificação de encurtamento
dos extensômetros em parte dos estágios de monitoramento (FIGURA 57).

FIGURA 57 - GRÁFICO DE EXPANSÃO EM FUNÇÃO DO TEMPO A PARTIR DE DADOS DE


EXTÊNSÔMETROS DIGITAIS INSERIDOS NAS AMOSTRAS DO TRAÇO 2.
0,2

0,1
Expansão (%)

0
0 10 20 30 40 50 60
-0,1

-0,2

-0,3

-0,4
Tempo (dias)
CP1 CP2 CP3

O valor médio máximo de encurtamento foi de 0,254%, o que, em tese,


corresponderia a uma medida de cerca de 0,65 mm, em comparação ao
comprimento inicial dos extensômetros. No entanto, por meio dos resultados

110
obtidos pelas medidas de expansão linear, observou-se que houve registro de
expansão crescente em todas as amostras analisadas durante o período de
ensaio, e não de retração. Sendo assim, é possível que os resultados obtidos
por meio da DIC e apresentados na FIGURA 57 estejam relacionados, em
grande parte, à movimentação das amostras em relação à fotografia inicial.
A utilização de um aparato que permitisse a fixação da posição da câmera
fotográfica e da amostra para monitoramento, além do possível uso de software
de edição de imagens, poderia contribuir significativamente para obtenção de
resultados semelhantes entre as ferramentas.
As amostras pertencentes ao traço 3, fabricadas com argamassa,
apresentaram maiores deformações a partir dos dados dos extensômetros,
comparadas às amostras dos traços 1 e 2. Nesse grupo não foi necessário
realizar o descarte de fotografias dos estágios iniciais, uma vez que essas foram
as últimas amostras a terem o período de monitoramento iniciado. Assim, as
rotações iniciais já haviam sido, em grande parte, corrigidas nos dois primeiros
traços em estudo.
Os dados de deformação obtidos por meio dos extensômetros mostraram
que, em grande parte do período de monitoramento, foram registrados valores
médios de expansão superiores aos valores obtidos por meio da medida de
variação dimensional linear. Ao contrário do registro de encurtamento dos
extensômetros, conforme verificado nos dois primeiros traços, nas amostras do
traço 3 houve medidas de alongamento do comprimento da ferramenta em
grande parte dos estágios de monitoramento. Na FIGURA 58 são apresentados
os processamentos de imagem em alguns estágios em uma das amostras
pertencentes ao traço 3.
A partir da FIGURA 58 é possível observar que as amostras do traço 3
apresentaram um comportamento mais heterogêneo no mapa de cores de
escala de deformação em comparação às figuras dos traços 1 e 2. A média
máxima de expansão calculada foi de 0,455%. Esse valor é significativamente
maior do que aquele registrado por meio da medida de variação dimensional
linear. Já o encurtamento médio máximo do comprimento dos extensômetros foi
de 0,12% (FIGURA 59).
Apesar do comportamento predominantemente expansivo calculado a
partir dos dados da correlação por imagem, conforme apresentado na FIGURA

111
59, os resultados podem estar relacionados, em grande parte, à detecção de
movimentação da face da amostra em relação à imagem inicial. Além disso, as
expansões geradas pelo agregado reativo podem ser consideradas como
estágio inicial, ou seja, com baixo grau de deformação. Isso também contribui
para o erro inerente ao processamento de deformações e deslocamentos pela
técnica DIC, que costuma ser mais acentuado nos estágios iniciais de
deformação do elemento.

FIGURA 58 - ESTÁGIOS INICIAL (a); INTERMEDIÁRIO (b) E FINAL (c) DA COMPONENTE


DE SUPERFÍCIE DE DEFORMAÇÃO EM MAPA DE CORES DURANTE O
PROCESSAMENTO DE AMOSTRA PERTECENTE AO TRAÇO 3.

FIGURA 59 - GRÁFICO DE EXPANSÃO EM FUNÇÃO DO TEMPO A PARTIR DE DADOS DE


EXTÊNSÔMETROS DIGITAIS INSERIDOS NAS AMOSTRAS DO TRAÇO 2.
0,8

0,6
Expansão (%)

0,4

0,2

0
0 10 20 30 40 50 60
-0,2

-0,4
Tempo (dias)
CP1 CP2 CP3

De modo geral, notou-se que em todas as amostras analisadas foi


possível gerar a superfície de deformação do elemento. No entanto, devido à

112
necessidade de mudança de posicionamento dos corpos de prova e à
recolocação dos aparatos fotográficos em todas as datas de monitoramento,
além do uso de um agregado com baixo grau de reatividade, não foi possível
verificar de modo preciso a superfície de deformação gerada apenas pela
ocorrência da RAA. De igual modo, não foi possível observar a formação de
fissuras na superfície dos elementos. Isso pode estar relacionado ao fato de que
o tempo disponível para realização do monitoramento não foi suficiente para
verificação da abertura de fissuras nas amostras a partir do uso de um agregado
de grau de reatividade R1.
Para analisar a possível ocorrência de deslocamento lateral nas amostras,
devido à diferença de posição entre os estágios de leitura, foram inseridos pontos
específicos como etiquetas de desvio numa componente de superfície de
deslocamento. As etiquetas de desvio mostram uma determinada característica
do ponto selecionado a partir da superfície escolhida (deformação,
deslocamento, entre outras). Neste estudo, as etiquetas foram geradas sob uma
superfície de deslocamento. Os dados obtidos a partir das etiquetas estão
apresentados no Apêndice B desta dissertação.
A colocação de etiquetas de desvio, em uma superfície de deslocamento
na direção do eixo X em cada amostra, possibilitou a verificação da mudança de
posição (deslocamento lateral) que afetou a superfície de deformação analisada
anteriormente em todos os traços. Em outros termos, a partir do monitoramento
dos pontos selecionados como etiquetas de desvio, foi observado o registro de
movimentação nas amostras, conforme pode ser observado a partir da escala
em mapa de cores, em diferentes estágios, de amostras pertencentes aos três
traços em estudo (FIGURA 60). Desse modo, verificou-se como verdadeira a
hipótese de que as deformações registradas estavam, em parte, relacionadas à
diferença de posição dos corpos de prova em comparação ao estágio inicial de
ensaio.
De fato, a necessidade do reposicionamento da câmera e das amostras
em todos os dias de monitoramento gerou movimentações que não foram
completamente suprimidas no processo de edição das imagens. Além disso,
conforme observado nos resultados apresentados no capítulo 3, a técnica de
correlação por imagem apresenta maior imprecisão quando se trata de
pequenos deslocamentos ou deformações.

113
FIGURA 60 - MAPA DE CORES OBTIDO A PARTIR DO PROCESSAMENTO DE UMA
SUPERFÍCIE DE DESLOCAMENTO POR DIC PARA AMOSTRAS DOS TRAÇOS EM
ESTUDO.

Diante disso, mesmo que as deformações, em termos de expansão por


RAA em ensaio acelerado, tenham sido suficientes para a classificação do
agregado como reativo com base nas normas vigentes, foram valores que, na
utilização da DIC, permitiram a permanência dos níveis de expansão registrados
em baixos patamares. Isso, por sua vez, contribuiu para a ocorrência de erros
inerentes à técnica de monitoramento utilizada, por caracterizar, de certo modo,
apenas os estágios iniciais do processo de expansão.

114
4.4 CONCLUSÕES PARCIAIS

A partir da obtenção dos resultados deste capítulo foi possível formular as


seguintes considerações a respeito do monitoramento de concreto afetado por
RAA e, da utilização da DIC como ferramenta para auxiliar na maior precisão dos
resultados:

 De acordo com os resultados obtidos a partir de dados extraídos da


medição de expansão linear, o agregado utilizado na forma graúda e
miúda pode ser considerado reativo de grau R1, considerando a
classificação adotada na norma ABNT NBR 15577-1 (2018);
 Não foram verificadas diferenças de expansão significativas entre
amostras com e sem pintura a partir dos resultados obtidos por meio do
relógio comparador. Não foi possível obter resultados conclusivos a
respeito do efeito da camada de tinta aplicada sobre a ocorrência da RAA
nas amostras dos traços em estudo;
 O grau de reatividade do agregado utilizado não foi suficiente para que
fossem atingidos níveis de expansão que causassem a formação de
fissuras, tampouco que contribuíssem para suprimir o erro inerente ao uso
da DIC no monitoramento de pequenas deformações ou deslocamentos;
 Devido ao agregado disponível para utilização, o tempo de exposição de
60 dias pelo método ABCPT não foi suficiente para desencadear a
aparecimento de fissuras nas amostras em estudo. Desse modo, não foi
verificada a precisão da técnica de correlação por imagem para
monitoramento e mapeamento de fissuras por reação expansiva;
 A ausência de aparato físico para fixação da posição da câmera
fotográfica e das amostras, além da utilização coletiva do relógio
comparador, impossibilitaram o acompanhamento dos níveis de
deformação das amostras por meio da DIC de modo preciso. A
necessidade de recolocação de todos os utensílios para cada idade de
acompanhamento gerou movimentações que não puderam ser totalmente
suprimidas por meio da edição das imagens. Diante disso, não foram
estabelecidas correlações satisfatórias entre os resultados obtidos por
DIC e os resultados provenientes da expansão medida em relógio
comparador;

115
 A aplicação da técnica de correlação por imagem para a realização do
monitoramento discreto da expansão, em ensaio de reatividade de
agregados, requer o uso de aparatos que permitam a permanência da
posição da camêra no mesmo local e, que regulem a posição das
amostras com o mínimo de desvio no momento da colocação no relógio
comparador. Devem ser utilizados, em conjunto aos aparatos, softwares
de edição de imagens para uniformização das fotos e, para suprimir
pequenas alterações na posição das amostras. Além disso, é necessária
a utilização de material altamente reativo para realização de ensaios em
níveis acelerados de exposição.

116
5. CONSIDERAÇÕES

Com a conclusão dos capítulos relacionados aos trabalhos experimentais


propostos nesta pesquisa, foi possível formular as seguintes considerações em
relação aos objetivos do estudo:
 O domínio da DIC na análise dos dados de ensaio mecânico possibilitou
a antecipação de possíveis erros nas etapas de obtenção e
processamento dos dados de abertura de fissuras no compósito
cimentício. No entanto, o objetivo geral da pesquisa não foi atingido, uma
vez que não foi possível monitorar o aparecimento de fissuras por reação
expansiva nas amostras submetidas ao teste de reatividade de agregados
pelo método ABCPT;
 O objetivo específico referente ao uso da DIC no monitoramento de
fissuras causadas por ensaio mecânico, pôde ser atingido. Isso porque, a
correlação por imagem digital mostrou-se capaz de caracterizar o
aparecimento de fissuras desde o início das deformações na face do
elemento submetido à tração;
 O segundo objetivo específico, que trata do monitoramento preciso das
deformações geradas pela reação de expansão, não foi alcançado. Houve
a indisponibilidade do agregado reativo pretendido durante o
planejamento dos ensaios, além da falta de equipamentos que
viabilizassem a fixação dos instrumentos para monitoramento fotográfico
(câmera e amostra em estudo);
 O concreto suscetível a fissuras por expansão em ensaio de reatividade
não está submetido a cargas externas e, dessa forma, a correlação com
resultados advindos de outras ferramentas foi dificultada. Por se tratar de
um monitoramento discreto e não contínuo, a fixação dos aparatos de
ensaio numa mesma posição é uma prática fundamental para a obtenção
de resultados satisfatórios;
 Foi verificado nos resultados obtidos no capítulo 4 o erro de precisão,
inerente ao uso da DIC em pequenas deformações, observado nos
estágios iniciais da ruptura no ensaio mecânico do capítulo 3. Dessa
maneira, nos resultados obtidos por DIC, para monitoramento de

117
deformações por reação expansiva, houve o acúmulo dos erros inerentes
à aplicação da técnica e à mudança de posição dos aparatos de ensaio e
da amostra;

SUGESTÕES DE TRABALHOS FUTUROS

Em pesquisas futuras é possível explorar o uso da técnica de correlação


por imagem digital em novas aplicações que sejam úteis para controle de
qualidade de materiais e, para o monitoramento de problemas que afetam
estruturas reais. Desse modo, pode-se sugerir os seguintes pontos:

 Aplicação da DIC como ferramenta para visualização e entendimento do


mecanismo de fissuração de elementos estruturais de CRF de modo a
complementar as análises de controle de qualidade do material;
 Aplicação da DIC para no processo de ruptura à tração de um elemento
de concreto reforçado com fibras de aço submetido ao ensaio Montevidéu;
 Correlação por imagem digital para o monitoramento do processo de
fissuração por RAA em amostras de concreto submetidas a métodos
acelerados de reatividade de agregados;
 Análise da influência de películas de tintas e esmaltes no processo de
degradação do concreto submetido a reações expansivas (possível
retardo ou aceleração do processo de degradação) e monitorado com o
uso da DIC;
 Aplicação da técnica de correlação para visualização do processo
fissuratório em concreto submetido a reações expansivas por outros
mecanismos, como ataque por sulfato ou ciclos de gelo/degelo.

118
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APÊNDICE A

A.1 RESULTADOS DE EXPANSÃO LINEAR DE AMOSTRAS

Na TABELA 19, na TABELA 20 e na TABELA 21 são apresentadas as


expansões de concreto e argamassa submetidos ao ensaio ABCPT
pertencentes aos traços 1, 2 e 3, respectivamente. Foram calculados a média e
o desvio padrão das leituras dos corpos de prova 1, 2 e 3, uma vez que esses
possuíam pintura em uma das faces para análise por DIC. A amostra
denominada CP4 não possui pintura, e por isso, os dados apresentados são
correpondentes às medidas desse único prisma sem pintura em cada traço.

TABELA 19 - EXPANSÃO DAS AMOSTRAS DE CONCRETO PERTENCENTES AO TRAÇO 1


OBTIDA POR RELÓGIO COMPARADOR.
TRAÇO 1
Expansão (%)
Dia/CP Desvio
CP1 CP2 CP3 Média CP4
Padrão
0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000
3 0,010 0,001 0,023 0,011 0,011 0,008
7 -0,002 -0,004 0,012 0,002 0,009 0,001
10 0,014 0,020 0,034 0,023 0,010 0,026
14 0,015 0,029 0,029 0,024 0,008 0,022
17 0,009 0,016 0,018 0,015 0,005 0,018
21 0,033 0,032 0,046 0,037 0,008 0,035
24 0,034 0,036 0,040 0,037 0,003 0,044
28 0,035 0,040 0,042 0,039 0,004 0,054
31 0,029 0,042 0,049 0,040 0,011 0,041
35 0,037 0,049 0,048 0,045 0,007 0,058
38 0,039 0,054 0,059 0,051 0,011 0,056
42 0,038 0,054 0,052 0,048 0,009 0,065
45 0,047 0,062 0,061 0,057 0,009 0,059
49 0,048 0,060 0,065 0,058 0,008 0,059
52 0,044 0,057 0,058 0,053 0,008 0,054
56 0,047 0,060 0,059 0,055 0,007 0,062
59 0,051 0,076 0,060 0,062 0,013 0,068

130
TABELA 20 - EXPANSÃO DAS AMOSTRAS DE CONCRETO PERTENCENTES AO TRAÇO 2
OBTIDA POR RELÓGIO COMPARADOR.
TRAÇO 2
Expansão (%)
Dia/CP Desvio
CP1 CP2 CP3 Média CP4
Padrão
0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000
4 0,026 0,027 0,025 0,026 0,001 0,025
7 0,034 0,039 0,037 0,037 0,002 0,035
11 0,024 0,025 0,036 0,028 0,007 0,030
14 0,050 0,052 0,058 0,053 0,004 0,060
18 0,051 0,055 0,062 0,056 0,005 0,058
21 0,045 0,055 0,049 0,049 0,005 0,051
25 0,068 0,078 0,090 0,079 0,011 0,094
28 0,068 0,088 0,080 0,079 0,010 0,088
32 0,078 0,088 0,100 0,089 0,011 0,108
35 0,071 0,084 0,093 0,083 0,011 0,109
39 0,084 0,096 0,107 0,096 0,011 0,116
42 0,085 0,098 0,109 0,098 0,012 0,125
46 0,088 0,100 0,112 0,100 0,012 0,137
49 0,103 0,097 0,115 0,105 0,009 0,156
53 0,098 0,098 0,119 0,105 0,012 0,165
56 0,094 0,094 0,117 0,102 0,013 0,170
60 0,102 0,108 0,124 0,112 0,011 0,178

131
TABELA 21 - EXPANSÃO DAS AMOSTRAS DE ARGAMASSA PERTENCENTES AO TRAÇO
3 OBTIDA POR RELÓGIO COMPARADOR.
TRAÇO 3
Expansão (%)
Dia/CP Desvio
CP1 CP2 CP3 Média CP4
Padrão
0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000
4 -0,008 -0,004 -0,006 -0,006 0,002 -0,043
7 0,047 0,025 0,024 0,032 0,013 -0,012
11 0,033 0,031 0,031 0,031 0,002 0,000
14 0,025 0,020 0,015 0,020 0,005 -0,012
18 0,060 0,056 0,052 0,056 0,004 0,019
21 0,064 0,058 0,054 0,059 0,005 0,025
25 0,072 0,064 0,065 0,067 0,004 0,036
28 0,073 0,066 0,063 0,067 0,005 0,036
32 0,088 0,080 0,081 0,083 0,004 0,052
35 0,096 0,083 0,080 0,086 0,008 0,060
39 0,097 0,092 0,086 0,092 0,005 0,061
42 0,120 0,103 0,107 0,110 0,009 0,083
46 0,112 0,107 0,099 0,106 0,006 0,073
49 0,113 0,103 0,099 0,105 0,007 0,071
53 0,124 0,119 0,109 0,117 0,008 0,085
56 0,128 0,119 0,113 0,120 0,007 0,091
60 0,135 0,126 0,118 0,126 0,008 0,100

A.2 RESULTADOS DE MEDIDA DE MASSA

A TABELA 22, a TABELA 23 e a TABELA 24 mostram as medidas de


massa em (g) das amostras monitoradas durante um mês ao longo do ensaio de
expansão. Os valores médios foram calculados a partir das medidas dos corpos
de prova com pintura (1, 2 e 3). O prisma denominado CP4 não foi pintado em
nenhuma das faces, e suas medidas de massa correspondem àquelas obtidas
por essa única amostra sem pintura em cada traço.

132
TABELA 22 - MEDIDA DE MASSA DAS AMOSTRAS PERTENCENTES AO TRAÇO 1.
Traço 1
Massa (g)
CP/Dia
0 4 7 11 14 18 21 25 28
CP1 3826,63 3827,64 3827,45 3826,78 3827,39 3826,47 3826,25 3828,37 3827,52

CP2 3857,60 3858,03 3858,65 3859,17 3860,16 3859,35 3859,46 3859,99 3860,40

CP3 3856,91 3857,46 3857,77 3858,46 3859,09 3858,05 3859,16 3858,84 3859,10

Média 3847,05 3847,71 3847,96 3848,14 3848,88 3847,96 3848,29 3849,07 3849,01

CP4 3841,04 3842,29 3842,30 3843,82 3844,09 3843,27 3843,70 3845,20 3844,96

TABELA 23 - MEDIDA DE MASSA DAS AMOSTRAS PERTENCENTES AO TRAÇO 2.


Traço 2
Massa (g)
CP/Dia
0 4 7 11 14 18 21 25 28
CP1 3880,29 3882,80 3883,82 3885,43 3887,13 3886,22 3886,66 3888,47 3896,32

CP2 3927,87 3929,98 3931,65 3932,59 3934,78 3934,37 3935,13 3936,79 3943,89

CP3 3927,02 3929,14 3930,00 3932,80 3934,13 3933,94 3935,89 3937,22 3942,29

Média 3911,73 3913,97 3915,16 3916,94 3918,68 3918,18 3919,23 3920,83 3927,50

CP4 3926,59 3930,55 3931,89 3934,78 3935,57 3935,57 3937,85 3938,91 3943,42

TABELA 24 - MEDIDA DE MASSA DAS AMOSTRAS PERTENCENTES AO TRAÇO 3.


Traço 3
Massa (g)
CP/Dia
0 4 7 11 14 18 21 25 28
CP1 3574,43 3575,26 3576,72 3580,16 3582,36 3582,55 3584,47 3587,71 3589,36

CP2 3554,56 3557,52 3558,56 3561,88 3564,16 3564,86 3566,91 3569,70 3571,68

CP3 3566,68 3568,33 3569,67 3573,69 3575,15 3575,13 3577,59 3581,14 3582,99

Média 3565,22 3567,04 3568,32 3571,91 3573,89 3574,18 3576,32 3579,52 3581,34

CP4 3531,61 3533,24 3534,27 3537,40 3539,45 3540,46 3542,58 3545,50 3547,11

133
APÊNDICE B

B.1 EXPANSÃO CALCULADA A PARTIR DE DADOS EXTRAÍDOS POR


EXTENSÔMETROS DIGITAIS (DIC)

Na TABELA 25, na TABELA 26 e na TABELA 27 estão apresentados os


valores médios de mudança de comprimento dos extensômetros digitais
inseridos em cada corpo de prova dos traços 1, 2 e 3, respectivamente. A
expansão apresentada foi calculada considerando os valores médios de
mudança de comprimento, em mm, obtidos para cada estágio de monitoramento.
É importante ressaltar que, na construção destes resultados, foram descartados
os dados referentes às imagens que geraram componentes de superfície de
baixa qualidade devido a movimentações significativas da amostra em questão
ou a condições de deterioração da pintura.

TABELA 25 - EXPANSÃO DAS AMOSTRAS DE CONCRETO PERTENCENTES AO TRAÇO 1


OBTIDA POR EXTENSÔMETRO DIGITAL NA UTILIZAÇÃO DA DIC.
TRAÇO 1
CP1 CP2 CP3
Dias Média Expansão Média Expansão Média Expansão
(mm) (%) (mm) (%) (mm) (%)
10 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000
14 -0,098 -0,061 -0,180 -0,112 -0,036 -0,023
17 0,078 0,049 -0,044 -0,028 0,096 0,060
21 -0,119 -0,074 -0,271 -0,169 -0,107 -0,067
24 -0,379 -0,236 0,526 -0,328 -0,446 -0,279
28 -0,469 -0,292 -0,453 -0,282 -0,487 -0,305
31 0,197 0,123 0,143 0,089 0,111 0,069
35 -0,411 -0,256 -0,620 -0,386 -0,528 -0,330
38 -0,250 -0,156 -0,239 -0,149 -0,117 -0,073
42 -0,290 -0,181 -0,505 -0,314 -0,237 -0,148
45 0,054 0,034 -0,041 -0,026 0,086 0,054
49 -0,218 -0,136 -0,328 -0,204 -0,331 -0,207
52 -0,344 -0,214 -0,602 -0,375 -0,268 -0,168
56 - - - - - -
59 -0,461 -0,288 -0,657 -0,409 -0,704 -0,440

134
TABELA 26 - EXPANSÃO DAS AMOSTRAS DE CONCRETO PERTENCENTES AO TRAÇO 2
OBTIDA POR EXTENSÔMETRO DIGITAL NA UTILIZAÇÃO DA DIC.
TRAÇO 2
CP1 CP2 CP3
Dias Média Expansão Média Expansão Média Expansão
(mm) (%) (mm) (%) (mm) (%)
14 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000
18 0,086 0,034 -0,239 -0,092 -0,273 -0,105
21 0,085 0,034 0,016 0,006 -0,231 -0,089
25 -0,193 -0,077 -0,253 -0,097 -0,225 -0,087
28 -0,644 -0,258 -0,840 -0,323 -0,992 -0,383
32 -0,504 -0,201 -0,809 -0,311 -0,614 -0,237
35 0,347 0,139 0,164 0,063 -0,048 -0,019
39 -0,679 -0,272 -0,898 -0,346 -0,849 -0,328
42 -0,293 -0,117 -0,292 -0,112 -0,685 -0,264
46 -0,312 -0,125 -0,523 -0,201 0,448 0,173
49 -0,048 -0,019 0,055 0,021 -0,118 -0,045
53 -0,164 -0,066 -0,365 -0,140 -0,910 -0,351
56 -0,621 -0,248 -0,604 -0,232 -0,773 -0,283

135
TABELA 27 - EXPANSÃO DAS AMOSTRAS DE ARGAMASSA PERTENCENTES AO TRAÇO
3 OBTIDA POR EXTENSÔMETRO DIGITAL NA UTILIZAÇÃO DA DIC.
TRAÇO 3
CP1 CP2 CP3
Dias Média Expansão Média Expansão Média Expansão
(mm) (%) (mm) (%) (mm) (%)
0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000
4 -0,284 -0,102 0,465 0,179 0,792 0,305
7 -0,195 -0,070 0,801 0,308 0,881 0,339
11 -0,007 -0,002 0,573 0,220 0,818 0,315
14 -0,091 -0,033 0,573 0,220 0,993 0,382
18 -0,292 -0,104 0,612 0,235 0,765 0,294
21 -0,847 -0,302 -0,181 -0,070 0,155 0,060
25 -0,422 -0,151 0,175 0,067 0,733 0,282
28 0,239 0,085 0,833 0,321 1,076 0,414
32 -0,929 -0,332 -0,211 -0,081 0,135 0,052
35 -0,349 -0,125 0,246 0,094 0,522 0,201
39 0,538 0,192 1,367 0,526 1,687 0,649
42 -0,034 -0,012 0,742 0,286 1,090 0,419
46 -0,660 -0,236 -0,006 -0,002 0,275 0,106
49 -0,507 -0,181 0,125 0,048 0,446 0,172
57 -0,805 -0,288 -0,155 -0,059 0,094 0,036
60 -0,369 -0,132 0,115 0,044 0,369 0,142

136
B.2 DESLOCAMENTO LATERAL REGISTRADO POR ETIQUETAS DE DESVIO NA ANÁLISE POR CORRELAÇÃO DE IMAGEM DIGITAL

A TABELA , a TABELA 28 e a TABELA 29 mostram os valores de deslocamento lateral, em mm, obtidos a partir da
marcação de pontos com etiquetas de desvio nas amostras pertencentes aos traços 1, 2 e 3, respectivamente. Trata-se do desvio
lateral na posição dos pontos que formam a superfície de pintura e, que foi registrado pela técnica de correlação por imagem para
cada estágio de monitoramento a partir da imagem de referência (inicial). Os dados demonstram o registro de variações laterais
milimétricas relacionadas à mudança de posição das amostras e da câmera nos diferentes dias de tomada de fotografias.
TABELA 28 - DESLOCAMENTO LATERAL (mm) REGISTRADO NAS AMOSTRAS PERTENCENTES AO TRAÇO 1 POR MEIO DE ETIQUETAS DE
DESVIO NA UTILIZAÇÃO DA DIC.
TRAÇO 1
Dias CP1 CP2 CP3
10 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000
14 -0,708 -0,678 -0,689 -0,858 -0,837 -0,843 0,172 0,153 0,157 -0,161 -0,178 -0,162 -0,124 -0,110 -0,129 -0,578 -0,571 -0,594
17 -0,516 -0,481 -0,505 -1,095 -1,071 -1,090 0,419 0,388 0,398 -0,203 -0,221 -0,195 0,019 0,016 -0,009 -0,653 -0,648 -0,685
21 -0,452 -0,409 -0,391 0,197 0,227 0,245 0,054 0,056 0,031 0,136 0,125 0,125 -0,243 -0,230 -0,227 -0,291 -0,295 -0,298
24 -0,568 -0,503 -0,488 -0,413 -0,381 -0,375 -0,031 -0,044 -0,068 -0,142 -0,165 -0,155 -0,319 -0,293 -0,292 -0,415 -0,385 -0,392
28 -0,699 -0,625 -0,619 -0,604 -0,556 -0,553 0,593 0,563 0,553 0,115 0,085 0,106 0,046 0,077 0,068 -0,307 -0,258 -0,279
31 -0,441 -0,415 -0,406 -0,107 -0,103 -0,092 0,120 0,129 0,121 0,202 0,208 0,205 -0,037 -0,046 -0,037 0,028 0,014 0,011
35 -0,549 -0,497 -0,473 0,137 0,164 0,194 0,403 0,388 0,355 0,306 0,281 0,289 -0,106 -0,077 -0,062 0,117 0,149 0,156
38 -0,772 -0,703 -0,684 -0,390 -0,363 -0,349 -0,015 -0,047 -0,042 -0,597 -0,620 -0,592 0,282 0,293 0,266 -0,487 -0,458 -0,496
42 -0,759 -0,683 -0,687 -1,119 -1,077 -1,090 0,676 0,636 0,625 0,030 -0,007 0,028 0,151 0,164 0,141 -0,640 -0,598 -0,636
45 -0,650 - -0,609 -1,059 -1,040 -1,056 0,249 0,223 0,232 -0,299 -0,311 -0,289 0,032 0,025 0,013 -0,572 -0,568 -0,601
49 -0,468 - -0,418 -0,884 -0,832 -0,852 0,743 0,706 0,700 0,131 0,102 0,131 -0,242 -0,233 -0,253 -0,931 -0,882 -0,919
52 -0,407 - -0,341 -0,821 -0,765 -0,779 0,131 0,098 0,075 -0,393 -0,429 -0,403 0,080 0,085 0,073 -0,462 -0,420 -0,450
56 -0,628 - -0,608 -1,246 -1,269 -1,294 0,860 0,828 0,867 -0,052 -0,056 -0,024 0,250 0,189 0,171 -0,518 -0,563 -0,604
59 - - -0,147 -0,648 -0,583 -0,603 -0,059 -0,096 -0,115 -0,646 -0,687 -0,659 0,413 0,448 0,417 -0,444 -0,362 -0,409

137
TABELA 28 - DESLOCAMENTO LATERAL (mm) REGISTRADO NAS AMOSTRAS PERTENCENTES AO TRAÇO 2 POR MEIO DE ETIQUETAS DE
DESVIO NA UTILIZAÇÃO DA DIC.
TRAÇO 2
Dias CP1 CP2 CP3
14 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000
18 0,027 0,061 0,054 -0,124 -0,130 -0,108 0,155 0,135 0,137 -0,077 -0,069 -0,055 -0,324 -0,291 -0,329 -0,704 -0,656 -0,702
21 0,127 0,190 0,160 -0,322 -0,343 -0,323 -0,157 -0,173 -0,192 -0,685 -0,713 -0,657 -0,966 -0,949 -0,985 -1,299 -1,271 -1,312
25 -0,055 -0,025 0,000 0,323 0,353 0,353 0,122 0,112 0,125 0,133 0,147 0,138 -0,443 -0,397 -0,409 -0,551 -0,501 -0,514
28 0,262 0,323 0,329 0,350 0,362 0,351 0,419 0,371 0,418 0,441 0,490 0,459 -0,413 -0,346 -0,366 -0,546 -0,465 -0,483
32 -0,170 -0,118 -0,111 -0,152 -0,144 -0,152 0,029 -0,025 0,005 -0,249 -0,221 -0,212 -0,256 -0,206 -0,226 -0,424 -0,364 -0,386
35 -0,134 -0,121 -0,101 0,095 0,113 0,129 -0,087 -0,078 -0,108 -0,384 -0,415 -0,374 -0,395 -0,413 -0,426 -0,475 -0,504 -0,507
39 -0,134 -0,093 -0,068 0,205 0,220 0,214 0,310 0,265 0,311 0,458 0,513 0,474 -0,667 -0,614 -0,614 -0,599 -0,553 -0,538
42 0,032 0,090 0,095 0,132 0,148 0,140 0,303 0,298 0,306 0,466 0,484 - 0,123 0,166 0,165 0,175 0,210 0,220
46 -0,027 0,027 0,021 -0,220 -0,230 -0,220 -0,020 -0,075 -0,039 -0,427 -0,410 -0,396 -0,101 -0,105 -0,151 -0,618 -0,617 -0,671
49 0,040 0,083 0,075 -0,214 -0,226 -0,203 0,066 0,056 0,036 -0,434 -0,464 -0,410 -0,127 -0,114 -0,155 -0,549 -0,527 -0,568
53 -0,055 -0,006 -0,029 -0,559 -0,589 -0,557 0,395 0,367 0,361 -0,079 -0,088 -0,042 -0,317 -0,243 -0,277 -0,629 -0,543 -0,577
56 -0,037 0,011 0,026 0,163 0,176 0,174 0,168 0,138 0,156 0,032 0,055 0,056 -0,408 -0,358 -0,391 -0,690 -0,629 -0,660

138
TABELA 29 - DESLOCAMENTO LATERAL (mm) REGISTRADO NAS AMOSTRAS PERTENCENTES AO TRAÇO 3 POR MEIO DE ETIQUETAS DE
DESVIO NA UTILIZAÇÃO DA DIC.
TRAÇO 3
Dias CP1 CP2 CP3
0 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000
4 -0,521 -0,505 -0,534 -0,742 -0,707 -0,730 0,109 0,059 0,026 -0,133 -0,203 -0,214 -0,096 -0,114 -0,173 -0,243 -0,247 -0,334
7 -0,778 -0,773 -0,788 -0,824 -0,802 -0,811 0,114 0,049 0,032 0,046 -0,042 -0,039 0,001 0,008 -0,050 0,003 0,003 -0,082
11 -0,515 -0,516 -0,537 -0,683 -0,677 -0,692 0,290 0,232 0,219 0,216 0,150 0,151 -0,151 -0,166 -0,212 -0,305 -0,314 -0,388
14 -0,285 -0,271 -0,313 -0,652 -0,630 -0,664 0,110 0,055 0,062 0,252 0,179 0,206 0,201 0,196 0,136 0,116 0,115 0,031
18 -0,560 -0,544 -0,564 -0,647 -0,628 -0,638 0,031 -0,025 -0,032 0,002 -0,058 -0,054 -0,001 0,006 -0,046 0,004 0,009 -0,066
21 -0,552 -0,518 -0,528 -0,555 -0,509 -0,519 -0,122 -0,155 -0,175 -0,198 -0,247 -0,243 -0,141 -0,135 -0,179 -0,099 -0,095 -0,157
25 -0,471 -0,462 -0,478 -0,522 -0,494 -0,507 -0,214 -0,257 -0,280 -0,348 -0,404 -0,404 -0,321 -0,329 -0,392 -0,436 -0,443 -0,527
28 -0,495 -0,509 -0,519 -0,501 -0,498 -0,509 -0,025 -0,095 -0,097 0,004 -0,080 -0,066 0,005 0,027 -0,055 0,153 0,167 0,061
32 -0,675 -0,646 -0,659 -0,644 -0,596 -0,601 0,135 0,091 0,091 0,240 0,176 0,197 -0,380 -0,371 -0,417 -0,344 -0,342 -0,406
35 -0,306 -0,283 -0,317 -0,520 -0,485 -0,510 0,081 0,028 0,029 0,178 0,107 0,130 0,334 0,346 0,288 0,410 0,416 0,337
39 -0,757 -0,789 -0,801 -0,679 -0,710 -0,704 -0,093 -0,177 -0,175 -0,001 -0,106 -0,084 0,126 0,143 0,050 0,212 0,223 0,107
42 -0,307 -0,293 -0,320 -0,432 -0,420 -0,433 0,126 0,058 0,055 0,193 0,101 0,118 0,295 0,298 0,225 0,312 0,318 0,225
46 -0,487 -0,465 -0,464 -0,545 -0,501 -0,513 -0,085 -0,123 -0,150 -0,212 -0,276 -0,276 -0,244 -0,240 -0,293 -0,233 -0,230 -0,305
49 -0,938 -0,940 -0,929 -0,979 -0,951 -0,960 -0,060 -0,095 -0,134 -0,269 -0,337 -0,344 0,329 0,323 0,270 0,244 0,239 0,172
57 -0,518 -0,465 -0,504 -0,732 -0,680 -0,705 -0,129 -0,158 -0,196 -0,362 -0,418 -0,433 -0,173 -0,134 -0,195 0,150 0,178 0,097
60 -0,763 -0,85 -0,768 -0,928 -0,915 -0,930 -0,030 -0,062 -0,079 -0,100 -0,159 -0,165 0,345 0,329 0,294 0,138 0,126 0,059

139
ANEXO

MÉTODO DE DOSAGEM PARA DEFINIÇÃO DO TRAÇO DE CONCRETO


SUBMETIDO AO ENSAIO ABCPT

Os traços de concreto fabricados no programa experimental discutido no


capítulo 4 deste trabalho, referente às amostras submetidas ao ensaio de
reatividade de agregados pelo método ABCPT, foram dosados de acordo com
as recomendações da norma ABNT NBR 15577(2018). Os requisitos
estabelecidos para composição do traço são:

 consumo de cimento de 420 ± 10 kg/m³;


 relação água/cimento (a/c) de 0,45;
 dimensão máxima característica do agregado graúdo de 19 mm;
 módulo de finura do agregado miúdo de 2,7 ± 0,2;
 volume do agregado graúdo, no estado compactado seco, de (70 ± 0,2)%
do volume total do concreto.

A partir disso, seguiu-se o método de dosagem da ABCP/ACI para cálculo


dos traços de concreto a serem fabricados. Primeiro, foi obtido o consumo de
água por m³ para os traços, a partir do consumo de cimento e da relação a/c
estabelecida em norma, por meio da equação:

� = �⁄ × �

Sendo:
� = consumo de água (l/m³);
�⁄ = relação água/cimento;

� = consumo de cimento (kg/m³);


tem-se:

� = , ×

�� = ⁡/ ³

A dosagem do Traço 1 foi realizada utilizando agregado graúdo reativo e


areia normal do IPT como agregado miúdo inócuo. A quantidade de material, em
porcentagem para cada granulometria disponível, foi considerada para atender

140
ao módulo de finura (MF) exigido pela norma ABNT NBT 15577. A granulometria
utilizada está descrita na TABELA 30. A partir do MF da areia (2,5) e da dimensão
máxima característica do agregado graúdo (19 mm), foi determinado o volume
de agregado graúdo seco por m³ de concreto , informação necessária para o
cálculo do consumo de agregado graúdo � � a ser utilizado na mistura. O
método ABCP/ACI traz, por meio da TABELA 31, o valor de .

TABELA 30 - GRANULOMETRIA DA AREIA INÓCUA UTILIZADA NO TRAÇO 1.


Abertura peneira (mm) % Retida % Acumulada

1,18 25 25

0,6 25 50

0,3 25 75
0,15 25 100

TABELA 31 - DETERMINAÇÃO DO VOLUME DE AGREGADO GRAÚDO.


Diâmetro máximo característico (mm)
MF
9,5 19 25 32 38
1,8 0,645 0,770 0,795 0,820 0,845
2,0 0,625 0,750 0,775 0,800 0,825
2,2 0,605 0,730 0,755 0,780 0,805
2,4 0,585 0,710 0,735 0,760 0,785
2,6 0,565 0,690 0,715 0,740 0,765
2,8 0,545 0,670 0,695 0,720 0,745
3,0 0,525 0,650 0,675 0,700 0,725
3,2 0,505 0,630 0,655 0,680 0,705
3,4 0,485 0,610 0,635 0,660 0,685
3,6 0,465 0,590 0,615 0,640 0,665

A partir da TABELA 31 foi possível definir a valor de = ,7 , uma vez que


o MF do agregado miúdo é de 2,5. Em seguida, o consumo do agregado graúdo
foi calculado a partir da equação:

� � = ×

Sendo:
� � = consumo de agregado graúdo (kg/m³);

141
= volume de agregado graúdo seco por m³ de concreto;
= massa unitária compactada do agregado graúdo;
tem-se:
� � = ,7 ×

∴ ��� = � ⁡ �/ ³

A partir dos resultados obtidos, por fim, foi calculado o volume de agregado
miúdo por m³ de concreto. Para isso, com os dados de massa específica
de cada material, utilizou-se a equação:

� � � � �
= − + +

Para a dosagem do Traço 2 de concreto, confeccionado com agregado


graúdo e miúdo reativos, foram adotados os mesmos procedimentos. A mudança
existente está na massa específica da areia utilizada, que culmina na diferença
de dosagem em termos de quantidade de material miúdo a ser incorporado na
mistura. Ou seja, no traço final, há alteração da quantidade de agregado miúdo
utilizado, em comparação aos cálculos do Traço 1, e os demais parâmetros de
dosagem são mantidos.

142

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