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Teoria Geral do Direito Civil

I
Licenciatura: Solicitadoria

ISCAL – Prof.ª Ana Paula Sequeira


A utilização deste ficheiro destina-se exclusivamente
aos alunos da UC e não dispensa o estudo de outros
manuais. É proibida a sua publicação ou difusão por
meios não autorizados pela docente.
Bibliografia utilizada

Pinto, Carlos Alberto da Mota, Teoria Geral do Direito Civil, 4.ª


edição atualizada por António Pinto Monteiro e Paulo Mota Pinto,
ed. Coimbra, Coimbra, 2012.

Andrade, Manuel A. Domingues de, Teoria Geral da Relação


Jurídica II, 9ª reimpressão, Almedina Coimbra, 2003.
1. Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

1. Definições:
Noção de Direito:
Direito é o sistema normativo de conduta social, coativamente
protegido porque mobilizado à realização da justiça.
É o conjunto das regras de conduta social aplicáveis aos indivíduos
em cada sociedade humana.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

• O objeto material do direito, a matéria a que ele se reporta, é a


vida social, são as relações dos homens entre si, as relações inter-
humanas. Dai que o direito não seja uma mera realidade abstrata,
visando antes a solução de casos concretos da vida em sociedade.

• Direito Público e Direito Privado:


• Embora a ordem jurídica seja uma só, a mesma decompõe-se
tecnicamente em diversos ramos os Ramos de Direito.
• Tradicionalmente divide-se o ordenamento jurídico em dois
grandes sectores, em dois ramos fundamentais: direito público e
direito privado.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

O critério que hoje prevalece na distinção destes dois ramos de direito


é o da chamada teoria dos sujeitos, que assenta na qualidade dos
sujeitos das relações jurídicas disciplinadas pelas normas a
qualificar como de direito público ou de direito privado.

Ou seja, o critério de distinção resulta da circunstância de, nas


relações sociais a que se reporta o direito, intervir como um dos
sujeitos a autoridade pública, o Estado na sua missão de soberania
dotado de ius imperii). Significa isto que não basta que o Estado seja
um dos sujeitos da relação jurídica, é necessário que nessa relação
intervenha dotado da soberania que lhe é própria, e não, como pode
acontecer, no mesmo plano de um comum cidadão.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

Uma relação para ser de Direito Público deva ser travada entre
entidades dotadas de autoridade política (pública) e que
intervenham nessa mesma relação munidas dessa mesma
autoridade (Ius Imperii), reservando para o campo das relações de
Direito Privado não só aquelas que se estabeleçam entre os
particulares, mas também as relações de que sejam sujeitos
entidades dotadas de autoridade política mas intervenham
desprovidos dessa mesma autoridade, isto é, no mesmo plano que
os particulares.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

• Relação simbiótica entre o Direito Civil e o Direito Privado:

• O direito civil como:


1. Doutrina geral do Direito Privado;
2. Repositório dos princípios orientadores do Direito Privado;
3. Base de interpretação sistemática do Direito Privado.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

2. Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

A) Fontes de Direito Civil e sua relevância para o Direito

Privado:

As fontes do Direito Civil como fontes de todo o Direito

(Privado), ex. ver artigo 1.º do Código Civil.


Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

1. Fontes:
Formas de surgimento das normas jurídicas.

Artigo 1.º do Código Civil


(Fontes imediatas)
1. São fontes imediatas do direito as leis e as normas corporativas.
2. Consideram-se leis todas as disposições genéricas provindas dos órgãos
estaduais competentes; são normas corporativas as regras ditadas pelos
organismos representativos das diferentes categorias morais, culturais,
económicas ou profissionais, no domínio das suas atribuições, bem como os
respectivos estatutos e regulamentos internos.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

3. As normas corporativas não podem contrariar as disposições


legais de carácter imperativo.

1. Fontes
• Direito Privado e Direito Civil
• A principal fonte do direito privado português: o Código Civil.

• Como usar o Código Civil?


• Parte Geral e Partes Especiais.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

O Código Civil Português, coordenação entre a Parte Geral e as Partes


Especiais:

1. Parte Geral, que trata dos princípios gerais do Direito Civil em Portugal.
2. Direito das Obrigações, estuda as espécies obrigacionais, suas características,
efeitos e extinção.
3. Direitos Reais, trata dos direitos de propriedade, dos bens móveis e imóveis,
bem como das formas pelas quais esses direitos podem ser transmitidos.
4. Direito da Família, contém normas jurídicas relacionadas com a estrutura,
organização e proteção da família, e obrigações e direitos decorrentes dessas
relações.
5. Direito das Sucessões, cuida da transmissão de bens, direitos e obrigações em
decorrência da morte.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

Código Civil de 1966:

• Livro I – Parte Geral


• Livro II – Direito das Obrigações
• Livro III – Direito das Coisas
• Livro IV – Direito da Família
• Livro V – Direito das Sucessões
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

3. Princípios Fundamentais do Direito Civil Português:

I. Reconhecimento da pessoa humana e dos direitos de personalidade


II. Responsabilidade civil
III. Boa fé
IV. Concessão de personalidade jurídica às pessoas coletivas
V. Propriedade privada
VI. Relevância da família
VII. Fenómeno sucessório
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

1º Princípio - Reconhecimento da pessoa e dos direitos da


personalidade:

• O reconhecimento da personalidade jurídica de todos os seres humanos;


• O conceito técnico-jurídico de pessoa não coincide com o conceito de
Homem ou de ser humano;
• O reconhecimento de que o Homem (ou melhor, a pessoa humana) têm
direitos de personalidade inerentes à sua natureza.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

Ser pessoa:
Artigo 70.º
(Tutela geral da personalidade)
1. A lei protege os indivíduos contra qualquer ofensa ilícita ou ameaça de
ofensa à sua personalidade física ou moral.
2. Independentemente da responsabilidade civil a que haja lugar, a pessoa
ameaçada ou ofendida pode requerer as providências adequadas às
circunstâncias do caso, com o fim de evitar a consumação da ameaça ou
atenuar os efeitos da ofensa já cometida.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

a) Ser pessoa:

Artigo 71.º
(Ofensa a pessoas já falecidas)
1. Os direitos de personalidade gozam igualmente de protecção depois da
morte do respectivo titular.
2. Tem legitimidade, neste caso, para requerer as providências previstas no n.º
2 do artigo anterior o cônjuge sobrevivo ou qualquer descendente, ascendente,
irmão, sobrinho ou herdeiro do falecido.
3. Se a ilicitude da ofensa resultar de falta de consentimento, só as pessoas que
o deveriam prestar têm legitimidade, conjunta ou separadamente, para requerer
providências a que o número anterior se refere.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

Ser pessoa:
Artigo 72.º
(Direito ao nome)
1. Toda a pessoa tem direito a usar o seu nome, completo ou
abreviado, e a opor-se a que outrem o use ilicitamente para sua
identificação ou outros fins.
2. O titular do nome não pode, todavia, especialmente no exercício de
uma actividade profissional, usá-lo de modo a prejudicar os interesses
de quem tiver nome total ou parcialmente idêntico; nestes casos, o
tribunal decretará as providências que, segundo juízos de equidade,
melhor conciliem os interesses em conflito.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

Ser pessoa:
Artigo 79.º
(Direito à imagem)
1. O retrato de uma pessoa não pode ser exposto, reproduzido ou lançado no
comércio sem o consentimento dela; depois da morte da pessoa retratada, a
autorização compete às pessoas designadas no n.º 2 do artigo 71.º, segundo a
ordem nele indicada.
2. Não é necessário o consentimento da pessoa retratada quando assim o
justifiquem a sua notoriedade, o cargo que desempenhe, exigências de polícia
ou de justiça, finalidades científicas, didácticas ou culturais, ou quando a
reprodução da imagem vier enquadrada na de lugares públicos, ou na de factos
de interesse público ou que hajam decorrido publicamente.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

3. O retrato não pode, porém, ser reproduzido, exposto ou lançado no


comércio, se do facto resultar prejuízo para a honra, reputação ou simples
decoro da pessoa retratada.

Ser pessoa:
Artigo 80.º
(Direito à reserva sobre a intimidade da vida privada)
1. Todos devem guardar reserva quanto à intimidade da vida privada de
outrem.
2. A extensão da reserva é definida conforme a natureza do caso e a condição
das pessoas.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

Artigo 81.º
(Limitação voluntária dos direitos de personalidade)

1. Toda a limitação voluntária ao exercício dos direitos de


personalidade é nula, se for contrária aos princípios da ordem
pública.
2. A limitação voluntária, quando legal, é sempre revogável, ainda
que com obrigação de indemnizar os prejuízos causados às
legítimas expectativas da outra parte.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

b) Autonomia privada
Artigo 405.º
(Liberdade contratual)
1. Dentro dos limites da lei, as partes têm a faculdade de fixar
livremente o conteúdo dos contratos, celebrar contratos diferentes
dos previstos neste código ou incluir nestes as cláusulas que lhes
aprouver.
2. As partes podem ainda reunir no mesmo contrato regras de dois
ou mais negócios, total ou parcialmente regulados na lei.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

• Fundados nos artigos 26.º e 61.º da Constituição;


• A produção de efeitos jurídicos está ligada à vontade humana;
• Atos jurídicos VS negócios jurídicos;
• Os atos jurídicos cujos efeitos são produzidos por força da
manifestação de uma intenção e em coincidência com o teor da
declaração dessa intenção designam-se negócios jurídicos.
O negócio jurídico como manifestação do princípio da autonomia
privada;
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

• Autonomia privada pode ser definida como a “autoregulação”


dos seus interesses pelos sujeitos de Direito – ou autogovernação
da sua esfera jurídica;
Autonomia privada como “soberania do querer” ou “império da
vontade” que caracteriza o direito subjetivo.
Autonomia privada - para que serve?
• Modelação da vida social;
• Possibilita a troca de bens e serviços;
• Consolida direitos e obrigações na esfera jurídica dos sujeitos.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

• Autonomia privada, distinções relevantes:


• Negócio jurídico unilateral VS negócio jurídico bilateral;
• Negócio jurídico unilateral e bilateral quanto aos efeitos.

A liberdade contratual como principal manifestação da


autonomia privada:
• Liberdade de conclusão ou celebração de contratos;
• Liberdade de modelação do conteúdo contratual;
• Liberdade de adesão.
Teoria Geral do Direito Civil: parte geral:

Autonomia privada, limitações:


• O objeto do contrato tem de respeitar o artigo 280.º;
• São anuláveis os negócios usurários (art. 282.º);
• Algumas áreas da vida estão limitadas por normas imperativas,
em particular quando relativas à família, sucessão, entre outros.

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