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[28/08, 15:45] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

➖ *GRÃOS DE DÓLARES*

_Capítulo 1_

Orela era um reino desconhecido. O povo que lá vivia não tinha acesso ao mundo exterior, e nem o
mundo exterior tinha acesso ao reino.

Não eram pobres, tinham tudo o que precisavam para viver uma vida em paz e confortável: casas
melhoradas, vias de acesso, escolas (com ensino até décima segunda classe), e hospitais (apesar dos
medicamentos serem de plantas e raízes) e todos alimentos e produtos vinham da terra e do mar.

O Rei Mantente Tawarah teve dois filhos. A princesa Nyasha Tawarah e o príncipe Kavunda Tawarah.

Nyasha era a filha mais velha, mulher belíssima, muito encantadora. Despedaçou muitos corações e, no
final, apaixonou-se pelo bravo guerreiro Nsenga Makossa, com quem se casou e tiveram duas filhas:
Londa e Kwenda.

Kavunda, o príncipe e sucessor naturalmente do Rei Mantente, casou-se com Mírim, e tiveram apenas
um filho, o Mambo Tawarah, que mal conheceu seu pai, pois, acabou perdendo a vida de forma pouco
esclarecida, em um combate, deixando Mírim sozinha com um menino de cinco anos.
Mantente Tawarah acolheu seu neto e sua nora, os protegeu, sempre. Com catorze anos, Mambo, foi
remetido à prova de bravura, que era caçar e sozinho matar um leão. Todos os meninos eram
submetidos àquela prova, quando fizessem catorze anos.

Mambo Tawarah passou por esse teste. Com tempo recorde, caçou e matou um leão.

Naquele dia, todos festejaram e principalmente, Mantente, por ver seu neto tornar-se homem. Mambo
Tawarah preocupava-se, não só em ser um guerreiro forte participando das lutas, mas também, em
estudar. Apesar de ser muito novo, propunha melhores condições de vida para o povo junto ao seu avô,
o grandioso Rei Mantente.

Makossa tornou-se comandante da guarda do reino. Um dos homens mais respeitados do reino, não só
por ser genro do Rei, mas também, pela sua bravura e lealdade ao reino.

Mambo queria mudar a mentalidade do povo e do seu avô, para sessar as guerras e pautar pelo diálogo,
mas ele ainda não percebia qual era o real motivo de tantas guerras.
Apesar de Makossa achar que a guerra era a melhor saída, pois impunha o respeito diante de outros
povos, o Rei Mantente decidiu trilhar pelo caminho do entendimento.

Rei Mantente já era velho, e viveu durante toda a sua vida, tempos de muito sangue derramado, porém,
sonhava um outro destino para seu povo.

Por sua decisão, isolou o reino Orela, criou uma mata fechada, e labirintos para que nenhuma pessoa
conseguisse entrar nem sair daquele reino. Com ajuda do sábio e da curandeira do reino, fizeram com
que aquele reino fosse retirado do mapa, e esquecido pelo resto do mundo.
Mambo era visto apenas como um menino, o que fazia acreditar que o sucessor de Mantente seria
Makossa, por ser genro do Rei, e seu homem de confiança em todas as missões do seu reino.
Porém, duas semanas antes de partir, Mantente, com ajuda do Sábio orientaram Mambo, explicaram à
ele sobre a proteção do reino.

Naquele dia, Mambo, ficou a saber o que tinha de tão valioso naquele reino, e a importância de mantê-
lo escondido. Mambo, jurou pela sua honra, então, que manteria segredo, e que faria de tudo para
manter a salvo, o reino e todo o povo.

Tinha quinze anos quando Mambo subiu ao trono do reino Orela e consagrado Rei. A partir desse dia,
passou a ser chamado Rei Tawarah. Apesar de algumas lamentações por sua idade e falta de
experiência, todos acabaram aceitando à última vontade do Rei Mantente, e receberam Tawarah como
Rei. Para Makossa, foi difícil, pois ele tinha esperança de se tornar Rei, até porque trabalhou a vida toda
para isso.

O povo era muito organizado, obedecia à cultura e às leis que vinham de geração em geração. Todos
respeitavam e amavam o Rei Tawarah. Ele era considerado Rei da paz, pois, era sábio, desde que
assumiu o trono passado pelo seu avô no leito da morte, contrariando o que todos achavam. No
entanto, contou com ajuda do sábio Shona, e da sua esposa, e dessa forma, sempre reinou com
sabedoria.

Quando Tawarah foi coroado Rei, Mírim, sua mãe, escolheu Malua para se casar com seu filho e assim,
se tornar Rainha.
Naquela altura era assim como funcionava, Tawarah fascinou-se por Malua na primeira vez que a viu, e
casou-se com prazer. Malua era tão amável, tão doce, tão meiga, que era impossível não se apaixonar
por ela.

O amor era recíproco pois, a calma misturada com força, a beleza misturada com bravura, empatia
misturada com foco, que Tawarah tinha, fez Malua se derreter aos pés dele, e amá-lo com devoção.

Makossa sempre insistia com Nyasha que deveriam ter um filho homem, para continuar o seu legado.
Depois de muitas tentativas e intervenções da curandeira, Nyasha engravida e tem um rapaz, a quem
dão o nome de Egary. Porém, Nyasha só viu e ouviu seu filho uma única vez, tendo ela perdido a vida
logo de seguida.

Durante alguns anos, o casal Tawarah não conseguiu ter filhos, mas com a graça de Deus foi abençoado
com uma menina, que foi chamada de Ntsai. No mesmo ano que tiveram Ntsai, Malua ficou grávida e
foram abençoados por um rapaz, a quem chamaram de Talib.

Era uma família linda, filhos amorosos e educados, era perfeita, até demais.

O sábio Shona, estava a caminhar pelos campos, procurando uma planta que estava a estudar, quando
ouviu choro que parecia de um bebê.
Em algum momento, o barulho desapareceu e ele achou que tivesse ouvido mal, no entanto, continuou
caminhando, porém começou a chover, e então ouviu ainda mais alto o choro. Desesperado, seguiu em
direção ao choro até que encontrou o lugar onde a criança estava. No entanto, antes que pudesse
chegar, apareceu uma leoa faminta. Shona escondeu-se, desesperado, pois temia pela vida do bebê.

A leoa aproximou ao bebê, ignorando tudo o que Shona fazia para enxotá-la. O animal ficou frente-a-
frente com o bebê, naquele instante, o bebê parou de chorar, a chuva cessou, e a leoa saiu disparada,
parecia até assustada.

Shona rapidamente, foi até ao bebê, que estava sem roupa alguma, apenas coberta com essupa.

— É uma menina!
É uma menina, bom Deus! Vem aqui, minha princesa. Será que és quem tanto esperei? - perguntou-se
Shona.

Shona estava fascinado, colocou a menina em seus braços, e jurou cuidá-la e protegê-la, pois, ele sabia o
quão especial ela era, e qual era seu propósito.

— Mais uma vez, meu destino cumprindo-se. Sou grato por poder fazer parte deste marco. - Disse
Shona.

Shona pegou na menina, baptizou-lhe por Anaya.

Talib e Egary, tinham quase a mesma idade, e foram juntos para a prova de bravura, porém, Egary foi
quem conseguiu matar o leão, Talib acovardou-se e não conseguiu.

— Meu filho, sim, é um verdadeiro guerreiro, digno do trono de Orela. - disse Makossa.
— Fui treinado a vida inteira para este dia, Pai, eu honrei a nossa família. - Disse Egary.

— O outro que pensa que livros são tudo, envergonhou seu Pai e sua família.

Cont...

_Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

➖ *GRÃOS DE DÓLARES*

_Capítulo 2_

Não havia quem não falasse da vergonha que o Rei passou, pelo facto de seu filho não ter passado á
prova, e pior ainda, ter-se acovardado.

— Abre à porta, filho! - Pediu Malua.

— Não, Mãe! Eu quero ficar sozinho. - Respondeu Talib.


— Filho! Vamos conversar. Por favor, abra à porta.

Talib, cheio de vergonha, abriu à porta e deixou sua Mãe entrar.

— Filho! Não tens que te envergonhar, no momento certo vais cumprir a prova.

— Estão todos a rir-se de mim! Meu pai passou vergonha, por causa da minha covardia.

— Tu não foste covarde, tu foste verdadeiro.

— Eu fugi, mãe.

— Tu não fugiste, apenas não entraste na prova, porque não chegou o momento, ainda.

— Já tenho quinze anos mãe, outros meninos mais novos conseguiram passar a prova.

— E tu também vais passar, quando chegar o momento, apenas deves confiar em ti. Acalme-se, coma
este lanchinho que mandei preparar para ti. - Disse Malua.

— Ahhh...! O menino envergonha toda família e ainda é paparicado com um lanchinho!. - exclamou
Ntsai.

— Pára com isso menina, seu irmão já tem peso demais.

— E mamã vem aqui ajudá-lo a carregar o peso?! Por isso ele é fraco, porque mamã sempre passa a mão
na cabeça dele. Apoia as loucuras dele do último sábio bibliotecário, o cientista, e não o obriga a
participar dos treinos de preparação, e o resultado é este, fugir de um leãozinho.
Será que é este Rei, que Orela terá? - Perguntou Ntsai.

— Se é pelo trono, eu já te disse que podes ficar com ele, não me interessa. Matas tu, o leão, treine
bastante e te tornes a Rainha de Orela. - Disse Talib.

— Pai devia te ouvir a dizeres isso, para que ele perceba que não deve ter nenhuma expectativa em
relação a ti. - Disse Ntsai, e acrescentou ainda: — És a vergonha da nossa família. Devias ser banido
daqui, até te tornares digno de colocares teus pés no reino

— Pára com isso, Ntsai, estás a ir longe demais. - Disse Malua.

— Estou a dizer a ele o que ele devia ouvir de vocês, mas não o vão dizer, por pena. Nem parece filho de
um Rei. Mãe! Tens a certeza que ele é mesmo meu irmão? Não foi trocado na maternidade?

— Já disse, chega!

— O outro faz a merda, e eu é que sou repreendida. Tudo bem. Fique chorando no colinho da mamã,
enquanto ela te dá de comer na boca.

Ntsai era dura com Talib, não achava certo o que ele fazia, e tão pouco a proteção que sua mãe dava a
ele. Ao contrário de Talib, Ntsai tinha um espírito guerreiro, e pensava totalmente diferente do seu
irmão. Enquanto Talib era todo sonhador, intelectual, Ntsai era forte, corajosa, desafiadora. Chegou até
a questionar porquê não poderia ser uma mulher a assumir o trono do reino.

Algum momento, Talib teria que sair e encarrar seu Pai.


— Pai, me perdoa. - Disse Talib.

— Só vou te perdoar se me prometeres, que vais treinar muito e no próximo ano matar e caçar um leão
bem grande. - Disse Tawarah.

— Eu prometo, meu Pai.

Assim que Talib saiu, Makossa ficou a comentar com o Rei que foi bastante leve com ele.

— O que achas que devia fazer? - Perguntou o Rei.

— Com todo o respeito Majestade, na minha opinião, devia repreendê-lo, e castigá-lo. Ele envergonhou-
o e à toda família. - Respondeu Makossa

— Meu filho é um homem de bem, e isso lhe basta para se sentir repreendido pela vida, e se importar
com o julgamento das pessoas, não existe maior castigo que esse. Eu podia agir como Rei, mas prefiro
agir como Pai, lhe estender a mão, e ajudá-lo.

— Coloque limites Majestade, coloque limites enquanto é cedo. Quanto mais liberdade os jovens têm,
mais perdidos ficam. Seu filho precisa saber que deve ter um equilíbrio entre a ciência e a força, não se
reina apenas com ciência.

— Está certo, grande Makossa, vamos treiná-lo para que seja tão forte quanto o Tio.

Embora não fosse por vontade própria, Talib passou a dedicar-se mais aos treinos, a sua estrutura física
o ajudava, e quanto mais treinava, mais forte ficava.
Dois anos se passaram, apesar de estar mais forte, Talib não se sentia confiante para encarrar a prova,
por isso não chegou a participar.
Já haviam rumores, que o Rei Tawarah não fazia cumprir em sua casa a cultura do reino, porém, ele não
se intimidou com as falácias, sabia que um dia seu filho honraria à ele e honraria aquele reino.

— Filho! Já está na hora de provares a sua bravura, e te tornares homem. - Disse o Rei.

— Porquê preciso provar minha bravura? - Perguntou Talib.

— Sempre questionas as minhas decisões, questionas as nossas tradições. Parece que não te identificas
com o nosso povo. É para isso que estudaste tanto?

— Eu estudei para saber.

— Então, o saber que te demos não te basta?

— Papá! Tem muita coisa que tem explicação. Eu tenho o direito de saber, por isso pergunto.
O que tem fora desta mata? O que tem do outro lado do mar?

— O que te falta, Talib? O que te falta?

— Me falta a verdade. Porquê estamos presos aqui?

— Te sentes preso, meu filho?

— Pai, a falta de liberdade é igual a prisão.

— No dia em que conheceres a liberdade, verás o que é prisão, de verdade.


— Eu cresci sendo obediente, e isso manteve a mim e o nosso povo em segurança até hoje.

— O que custa clarificar as coisas? Que verdade escondem?

— Nem todos estão satisfeitos em apenas obedecer a regras, sem saber porque. As pessoas calam-se,
mas não concordam.

— Então, tu não concordas e tens voz para reclamar. Os outros, pelo menos, apesar de não
concordarem, obedecem.

— Cuidado, meu filho, não sejas tu o locutor dos fracos. Pois, se não tens coragem de enfrentar o leão,
não busque coragem para enfrentar o seu Pai.

— Pai!

— Cala-te, Talib, se não consegues me obedecer como Pai, me obedeça como Rei.

— Já me tinham dito que não falarias a verdade, nem que para isso precisasses te impôr como Rei.

— Então vá, e siga quem o acha certo, colocar um filho contra seu próprio Pai.

— Queres te inspirar nessa pessoa? Continue seguindo suas ideias.

— Que honra tem um homem, que coloca um jovem contra seu Rei?

— Nem tudo é como parece ser. Há decisões que não comprometem a nós apenas, mas uma nação. Um
dia, tu serás Rei e tens que saber disso.

Talib, não conseguia perceber que cada vez que afrontava o seu Pai, não o feria apenas como Pai, mas
também como Rei, vendo que seu filho não estava a preparar-se e tão pouco interessado em aprender a
cultura e as leis do seu povo.
Makossa, via de longe a discussão de Pai e filho, assim que eles se distanciaram, aproximou-se do
sobrinho, para saber como poderia ajudá-lo

Cont..

_Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

➖ *GRÃOS DE DÓLARES*

_Capítulo 3_

— Está furioso, meu sobrinho? - Perguntou Makossa.

— Como sempre, ninguém me responde nada. - Respondeu Talib.

— Filho! Eu já te disse isso, várias vezes. Se não encontras as respostas, aqui, vai atrás delas.

— Acha mesmo, Tio?


— Claro! Quem me dera, se tivesse a tua idade, iria atrás das respostas. É uma pena que tenho filhos e
outras pessoas que dependem de mim.

— Meu Pai jamais me perdoaria.

— Ele vai entender-te, como sempre, até em algo muito grave, quando não conseguiste enfrentar o
leão.

— Não precisa me recordar, meu Tio.

— Desculpa! Era só para recordar-te, que teu Pai é um Rei tanto quanto benevolente.

Talib sentia-se confuso, e ainda sem saber o que fazer.


Depois da discussão com o Pai, e da conversa que teve com seu Tio, saiu para caminhar, empolgou-se
tanto, enquanto caminhava e imaginava o mundo fora daquela mata que, sem aperceber-se acabou
entrando cada vez mais dentro dela, até que ouviu o caminhar pesado, aproximando-se dele.
Sem dúvidas, era um animal, Talib tentou esconder-se, mas já era tarde, o leão estava mesmo diante
dele, tentou correr, mas o leão era mais rápido e o derrubou.

Talib apavorou-se que nem conseguiu lutar, fechou os olhos rendendo-se ao leão e à espera que ele o
devorasse, enquanto sentia o respirar tão forte do leão, que quase abanavam seus cabelos crespos.

— Páre.

Ouviu Talib.

Quem ousaria enfrentar um leão, para salvar outra pessoa?


— Páre. - Voltou a gritar mais alto, como se tivesse alguma autoridade sobre o animal feroz.

Talib conhecia a voz, mas o pânico não lhe ajudava a recordar a quem pertencia.
Era tão ousada, pegou em uma pedra e acertou bem no focinho do leão. O leão virou-se, deu três pulos
gigantescos, e alcançou-lhe.

Talib levantou-se rapidamente, para ver quem tinha tamanha ousadia.

— Anaya!? - Perguntou-se Talib, admirado.

O leão estava diante dela, olhava nos olhos dela, ela não se intimidou, depois, o leão saltou e foi
embora.
Talib, fascinou-se com a bravura dela, correu para Anaya e procurou saber se estava bem.

— Sim, estou bem?

— Não te machucou?

— Não, está tudo bem, de verdade. E tu, estás bem?

— Sim! Muito obrigado, Anaya. Eu senti-me dentro da barriga daquele leão.

— Já passou! Percebi que tens pavor daquele animal.


— E tu nem arrepiaste. Como consegues olhar para ele, serenamente, sem sentir pavor, como se
estivesses a ver um coelho?

— Não sei, eu não tenho medo dos animais. Não sei explicar, mas parece que me comunico com eles, ou
os percebo, e eles me percebem.

— Pára de me olhar desse jeito. Me deixas sem graça. - Disse Anaya.

— Desculpa! É impossível não se deixar hipnotizar com tanta beleza. - Disse Talib.

Anaya deixa escapar um sorriso, e Talib, tentado, passa a mão no rosto dela.

— Tem vezes que olho para ti e não acredito que és real, és tão perfeita.

— Certamente, que o rangido do leão arrancou alguns parafusos da sua cabeça geniosa.

— Talvez tenha me feito mais corajoso, tão corajoso que me sinto capaz de arrancar a cabeça do leão,
com as minhas próprias mãos.

Os dois riram-se, e começaram a caminhar em direção ao povoado.

— Salvei a sua vida, príncipe Talib. Tenho o direito de saber o que fazia aqui. - Disse Anaya.

— Perdi-me em minhas imaginações, leoa Anaya. - Disse Talib.


— Ainda nas suas perguntas sem respostas, que tanto atormentam seu Pai?

— Sim! Não consigo me convencer, não consigo aceitar, não posso!

— Tens de ter calma, Talib! A forma como estás a tratar as tuas dúvidas, é como se teu Pai e o reino te
devessem algo, mas não é assim, teu Pai, assim como este reino, deram-te tudo. Um dia, tu serás o Rei,
e este povo precisa que sejas um bom Rei. Devias te empenhar nisso, e não nessas tuas loucuras.

— A ti, posso falar o que sinto.

— Fale! - Disse Anaya preocupada.

— Eu não me sinto pertencendo à este lugar. Eu não me vejo morando aqui, nesta prisão a vida toda. Eu
não quero ser Rei!

— Talib, você está se ouvindo?

— É o que eu sinto.

— Cada um de nós tem sua missão. Não negue a sua, não se desvie do seu destino, para não desviar o
seu povo do seu propósito.

— Tu também, Anaya?

— Eu também, o quê?

— Nós somos jovens, devias entender-me.

— Eu entendo-te, por isso, digo-te para teres calma, e viver a realidade do seu povo.

— Não me entendes! A única pessoa que me entende, é meu Tio.


— Não deixe de acreditar nas pessoas que sempre foram o seu chão e seu céu.
Tu tens bom coração, não deixe que a tua ingenuidade te cegue.

Shona interrompeu a conversa, e cumprimentou os jovens que estavam à sua porta.

Os jovens são curiosos, insaciáveis, e isso, por si só, é um risco.

A inclinação de Talib era outra, ele adorava estudar, ler, investigar, e chegou uma altura em que o reino
parecia pequeno para suas dúvidas. Apesar do esforço de Shona, o príncipe nunca achou as respostas às
suas dúvidas pois, em algumas perguntas, tinha como respostas:

_“Esse assunto é dos mais velhos._ _Não era momento dele saber sobre isso._
_Sempre foi assim”._

— Porquê, Mestre Shona? - Perguntou Talib.

— Um dia tu serás o Rei de toda esta terra, e quando esse dia chegar, todas as suas dúvidas serão
sanadas. - Respondeu Shona.

— Eu perguntei ao meu Pai, ele me respondeu a mesma coisa.


Será que é assim tão difícil, me dizer se tem vida do outro lado?
Como se vive lá? Por que não podemos conviver com eles?

— Pequeno Talib, fica calmo! No momento certo, irás saber de tudo.


— Quando é, esse momento certo? - Perguntou Talib e não teve resposta.

Shona viu como Talib saiu dali inconformado, e comentou com Anaya.

— Ele só está um pouco confuso, Pai, mas não se preocupe, eu vou ajudá-lo a se concentrar. E se ele não
ganhar juízo, a vida vai-lhe ensinar, o quanto vale cada grão de areia, deste reino.

Naquele dia, Talib foi dormir perturbado. Foram muitas emoções para um dia só.

Talib e Anaya estavam quase sempre juntos, o que os tornava cada vez mais próximos.

Num belo dia, Anaya acordou assustada, depois do que viu em seus sonhos. Saiu rapidamente e foi
procurar a Rainha.

— Teu Pai mandou-te entregar meu creme para rugas? - Perguntou Malua.

— Não, minha Rainha. - Disse Anaya.

— Então, vens ver Talib?

— Não, não. Vinha mesmo falar com a senhora. Preciso lhe contar o que sonhei, eu sinto que não foi um
sonho normal.
Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 4_

— Diga filha, o que te inquieta? - Perguntou a Rainha.

— Tive um sonho, e sinto que é uma visão. - Disse Anaya.

— De novo isso?

— Sim, minha Rainha. Eu sei que algumas pessoas não acreditam nos meus sonhos, mas mesmo assim,
eu prefiro dizer-te.

— Está bem! Vamos sentar.

— Sonhei que Talib estava no meio de uma fumaça, ele estava inquieto, andava de um lado para o outro
porém, a fumaça aumentava ainda mais, e não permitia que ele visse algo.

— E depois? - Perguntou a Rainha.

— Ele continuou andado todo atormentado, em busca de uma saída, até que saiu da fumaça e vê que
não conhecia nada a sua volta.

— Como assim!? E depois?

— Não sei explicar muito bem. Mas depois de algum tempo, nesse lugar, ele falava com algumas
pessoas, que estavam naquele lugar como se as conhecesse.
— Que pessoas, Anaya?

— Não sei, eram pessoas que não pareciam do nosso povo, e nem o lugar não parecia Orela.

— Não percebo! Como ele encontrou essas pessoas?

— Minha Rainha, eu não sei. Me recordo que depois de algum tempo, ele parecia estar se divertindo,
estar bem, e muito feliz. Mas no final, ele aparece sozinho, triste, e coberto de sangue.

— Anaya! - Gritou Malua, assustada.

— Eu não sei o que pensar.

— Ele estava morto?

— Não! Não sei, não consegui ver, porque acordei assustada.

Malua ficou com o coração apertado, não conseguiu comer, nem fazer outra coisa naquela manhã,
senão pensar. Então pediu a um dos criados para que chamasse o sábio e conselheiro do Rei.

— Minha Rainha, vim assim que recebi o chamado.

— Muito obrigada, Mestre Shona.

— Estás com um ar desesperado filha! O que aconteceu? Está tudo bem com o Rei?

— Não é o Rei que me preocupa, é meu filho.

— Imagino! As atitudes do Príncipe tem me tirado o sono.

A Rainha contou para Shona que recebeu Anaya no palácio, e esta contou-lhe sobre o sonho que teve.

— De facto é assustador, e bastante preocupante pois, Anaya tem um dom especial de prever.

— Então, o que ela sonhou vai mesmo acontecer?

— Não sei! Anaya ainda é muito jovem, e ela ainda não sabe interpretar para saber quando é uma
premonição, e quando não é.

— O que devo fazer, para saber se é ou não uma premonição?

— Minha Rainha, primeiro precisamos nos acalmar, para analisarmos com sabedoria.
— Não tenho como ficar calma. Mestre sabe que Talib anda estranho, distante, como se fosse de outro
mundo. O Pai já está saturado com as atitudes dele. Eu temo que o que lhe perturba lhe leve por um
caminho sem volta.

— Calma, minha Rainha! Eu me recordo que mesmo o Rei Tawarah, tinha as mesmas dúvidas,
pesquisava as mesmas coisas, mais aí está, ele assumiu o trono, e governa sabiamente.

— Eu sei, mas ele se tornou Rei cedo, e a verdade lhe foi revelada, por isso parou de procurar respostas.
Porém, Talib não terá respostas tão cedo.

Mesmo depois da conversa que teve com o sábio, Malua não se aquietou, chamou pela Kanga, e pediu
para que visse na água do alguidar, o destino do seu filho.

— A Rainha sabe que não somos permitidos ver o futuro do Rei e dos Príncipes.

— Olha para mim, Kanga, veja uma Mãe desesperada, implorando pela sua ajuda.

Kanga pegou o alguidar, colocou um pouco da água cristalina que trazia no seu pote, fez as suas rezas,
enquanto Malua olhava fixamente para o fundo do alguidar, a espera de ver algum sinal.

— O que vês? Diga alguma coisa. - Disse Malua, aflita.

— Não o vejo.

— Como assim não o vês? A quem?

— Não vejo o príncipe em nenhum lugar do reino.

— Ele está morto, é isso?

— Não, não está morto, porque não vejo a alma dele em nenhum lugar também.

— O que queres dizer com isso?

— Não sei o que dizer, minha Rainha. Mas no futuro, eu não vejo nosso príncipe aqui no reino.

Nada estava claro para a Rainha, porém, tinha a certeza de que se Talib continuasse em busca de
respostas para suas perguntas, algo grave aconteceria com ele.
— Soube que vieste a minha casa, e por pura maldade, não procuraste por mim. - Disse Talib.

— Eu achei que príncipes medrosos, dormiam até tarde. - Disse Anaya.

— Hum... sou medroso? Não viste como encarrei aquele leão, que estava em cima de mim?

— Ahmmmm... encaraste? Aié!

— Não viste como ele fugiu de mim?

— Deus santo! Te faltam mesmo alguns parafusos.

— O que queres? Mestre Shona saiu.

— Vim mesmo para falar contigo. Quero te convidar para sairmos.

— Sair? Para onde?

— Para um dos lugares mais lindo do reino.

— E o que a sua namorada acha disso? - Perguntou Anaya.

— Que namorada?

— Todos no reino sabem que namoras a Whandia.

— Todos? Estão loucos. Quem disse isso?

— Ela mesma diz isso.

— Já saímos algumas vezes, como amigos, nunca se quer toquei nela.

— Hum... como amigos?

— Sim, como amigos.

— Então, vais sair comigo também como amiga?

— Anaya, sabes perfeitamente que gosto de ti. E se tu permitires, podemos ser muito mais do que
amigos.

— Gostar? Tipo somos irmãos? Está bem. Prefiro que saíamos como amigos.

— Podes passar me levar as catorze horas.


No dia seguinte, Talib foi buscar Anaya, e foram à cascata, perfumada por alfazema e embelezada em
sua volta com orquídeas de todas cores. Não tinham como não se fascinar com aquele lugar, único, lindo
e perfeito. Uma mistura de perfumes da natureza com beleza natural.

Talib e Anaya divertiram-se bastante à tarde toda, e só se recordaram de casa, quando a luz do dia já
não podia os iluminar.

Talib cobriu Anaya com sua camisa e a levou para casa.

Shona já estava preocupado pois, Anaya não o informou que iria sair de casa.

— Estavas com Príncipe Talib? - Perguntou Shona.

— Sim Pai, fomos passar à tarde na cachoeira. - Respondeu Anaya.

— Já falamos sobre andar apenas com Talib.

— Não vai acontecer nada. Ele é respeitador. E eu sei me cuidar.

— Filha! Não desconfio de ti, e tão pouco do príncipe. Mas para te preservares perante a sociedade, é
melhor que evitem estarem apenas vocês.

— Nós somos só amigos.

— A sociedade não acredita em amizade entre homens e mulheres. Sempre associam desejos carnais.

Anaya sabia que seu Pai tinha razão, pois o povo tem sim poder de enaltecer uma pessoa, na mesma
proporção que tem para desdourar.

— És um sem vergonha, Talib.

— Ahmm... é mais um apelido carinhoso dado pela minha querida irmã.

— Whandia esteve aqui, ficou a saber que saíste com Anaya...

Cont...
_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

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_Capítulo 6_

— O que ela tem? - Perguntou o Rei.

— Não sabemos ainda, precisamos de analisar um pouco mais. - Disse o médico.

— Como assim? Não conseguem saber o que ela tem?

— Os sintomas que apresenta, não combinam com nenhuma das doenças conhecidas aqui, no reino.
Temos que estudar.

— Enquanto isso?

— Já passei a receita, mestre Shona vai tratar de tudo e medica-la, pessoalmente.

Estavam todos esperançosos na melhoria da Rainha, continuava de cama, sendo medicada e cuidada ao
olhar atento do seu Rei.
Talib, que era bastante apegado a Mãe, dava muito carinho e ajudava em tudo o que era preciso.
Já estava tudo pronto para a celebração do chamado um só reino. Todos os anos, no dia oito de Agosto,
o povo juntava-se e fazia uma grande festa, para celebrar a união e a paz do reino Orela. Naquele ano,
haviam dúvidas pois, a data chegou no momento em que a Rainha tão adorada, estava doente.

Malua sabia como era importante para todos, pois preparavam-se o ano todo para aquela data, então,
pediu ao Rei que nada fosse cancelado, pois ela faria esforço de se fazer presente na abertura.

Chegou o dia tão esperado, todos estavam alegres, bem vestidos, a cidade estava linda, cheia de cor, de
luz, de vida. Muita dança, música, e muita batucada espalhada por todos cantos.

— Filha! Não faça nada. - Disse Kanga.

— Mãe! Vou fazer sim. Aquele é meu homem, vi ele primeiro, escolhi ele para mim, serei a Rainha deste
reino e não aquela mosca morta. - Disse Whandia.

— Ninguém foge do destino, não se esforça o destino, não se contorna o destino, e eu vi, filha, que seu
caminho não cruza o de Talib.

— Mãe! Eu aprendi e sei o que fazer, vou fazer de tudo para que Talib só veja a mim.

— Whandia! Volta aqui. - Gritou Kanga, porém já era tarde, Whandia já havia ultrapassado à porta. E
acrescentou ainda: — Filha! Não aprendeste tudo. Ninguém prende o coração de um protegido. Talib
tem sangue nobre, tem coração puro, tem a alma limpa, e nele, nenhum feitiço pega.
Whandia, localizou Talib na festa, num momento de distração, colocou algo em sua bebida, e deu-lhe
para tomar. Algum tempo depois, Talib só queria dançar com Whandia, ignorando por completo Anaya.
Anaya sentiu-se mal, e ficou em seu canto.

— Esse é o Talib! Não tem responsabilidade, não tem palavra, não sabe o que quer, brinca com as
pessoas. Disse Ntsai.

— Só está a dançar. - Disse Anaya.

— Isso é o que estás a colocar em sua cabeça, para minimizar a merda que ele está a fazer. Não precisa
disso, Anaya, és linda, inteligente, querida, aceite alguém que vai te dar o valor que mereces.

— Não monstruariza teu irmão. Ele apenas está a divertir-se.

Algum tempo depois, Talib e Whandia desaparecem, foram para um lugar isolado do palácio, o fogo
consumia-os. Ntsai os seguiu, e assim que os viu, foi chamar por Anaya, para que ela visse com seus
próprios olhos, quem era Talib.
Anaya, viu os dois se beijando, enroscando os corpos um no outro.

— Só queria te mostrar o homem pelo qual estás disposta a entregar seu corpo, seu coração e sua vida.
Ai está Talib.

Anaya saiu dali a correr, sem olhar para trás, até que esbarrou em Egary.

— Princesa da minha vida, Rainha do meu castelo, para onde vais, tão apressada? - Perguntou Egary.
— Me larga, por favor. - Disse Anaya.

— Ei, estás a chorar! O que se passa? Posso ajudar-te.

— Ninguém pode me ajudar. Fui burra, pois sabia que não me levaria a sério.

— Ahm... já sei. Estás a falar de Talib! O que aquele folgado fez desta vez?

— Disse que gostava de mim, que me queria, saímos juntos, beijamo-nos várias vezes, e só não fomos
mais além porque não me sentia preparada.

— Talib é um folgado. Ele acha que pode tudo.

— Pegou pesado comigo, muito pesado mesmo. Está lá esfregando-se com Whandia.

— Mas eles se envolvem já algum tempo.

— Ele disse-me que já não tinha nada com ela.

— Era lata, para te levar a cama.


Acalma-se. Estás a tremer, vamos, vou levar-te a casa.

Talib acordou todo nu, com Whandia no seu peito.


Assustado, acordou-a. Levantou-se rapidamente e vestiu-se.

— Não aconteceu nada aqui. - Disse Talib.

— Aconteceu tudo. Foste maravilhoso, como sempre.


— Whandia! Falei-te que não quero mais nada contigo. Custa perceberes que estou noutra.

— Não foi o que me disseste ontem, quando percorrias meu corpo.

— Pára de se humilhar, Whandia. Quando um homem diz que não te quer, se vista de orgulho e vire a
página, pelo contrário vai acontecer o que aconteceu ontem, e vai terminar como está a terminar agora,
eu te dizendo na cara que não te quero, e que não sinto nada por ti.

— Talib, não vais me tratar dessa maneira.

— Queres que eu te trate como!? Perceba de uma vez por todas, eu não quero mais nada contigo. Vá
embora.

Whadia vestiu-se rapidamente, toda furiosa e foi embora.

Ntsai que acompanhava tudo pelo corredor, assim que viu Whandia saiu, foi ter com o irmão.

— Olha para ti, Talib, em um quartinho dos fundos, para usar uma menina que enganaste, e depois a
jogas fora como se fosse um objecto. - Disse Ntsai.

— Eu não sei como vim parar aqui. Não me recordo de ter vindo para cá. Eu juro minha irmã, jamais
faria nada do que falaste, eu não sou assim.

— Engana os outros que acham que vales alguma coisa, a mim, tu não enganas. Ahmm, antes que me
esqueça, é bom que saibas que não vais poder mais enganar a Anaya, ela esteve aqui, e viu-te com
Whandia.

— Não foi você quem a trouxe para aqui?


— Fui eu sim, a trouxe para salva-la de si.

— Merda, Ntsai. Merda.

Chateado, Talib saiu dali, e foi atrás da Anaya, mas ela não quis falar com ele.

Alguns criados do palácio ficaram a saber o que aconteceu, também Ntsai fez questão de não guardar
segredo.

Talib não tinha ido ver a Mãe ainda, e ela procurava saber onde ele estava, mas, ninguém lhe dizia nada,
o que lhe fazia ter certeza que seu filho havia aprontado mais alguma coisa.
Então de tanto insistir, um dos criados acabou contado o que Talib havia feito. Decepcionada, manda
chamar o filho imediatamente.

— Mãe, eu juro que não sei como fui ali parar. Alguma coisa Whandia me deu para tomar, mamã. - Disse
Talib.

— Nada justifica o que você está a fazer. Se eu tiver que morrer, Talib, pelo menos me deixa ir sabendo
que vais me honrar, honrar seu Pai, honrar seus avós, e honrar este povo. - Disse Malua.

— Mãe! Não me faça prometer isso.

— Então, que Deus me leve, pois não vou conseguir viver com seu comportamento, Talib.

— Mãe, perdoa-me! Por favor perdoa-me.


— Sua mãe não está bem, Talib. Deixe-a descansar. - Disse Shona.

Talib, saiu do quarto da Mãe, se sentindo péssimo.

— Estás feliz, Talib? Estás feliz? - Perguntou Ntsai.

— Me deixa em paz. - Disse Talib.

— É você quem está a matar a mamã com tuas loucuras, tuas afrontas, tua rebeldia...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ``Contos da Mana Ancha```

➖ *GRÃOS DE DÓLARES*

_Capítulo 5_
— Saí sim, e vou sair quantas vezes que eu quiser. - Disse Talib.

— Afinal, que relação tens com Whandia?

— Somos só amigos! Estou farto de repetir isso.

— Mas não é o que ela acha.

— Nunca demonstrei à ela alguma intenção de ter algo mais, do que amizade.

— Vocês os homens são uns animais.

— Fale por Zenad, não por mim.

Talib se vira, e continua a subir as escadas para o palácio.

— Que modos são esses, Talib? - Perguntou Ntsai.

— O que eu fiz desta vez? - Perguntou Talib.

— Respeite este palácio, miúdo. Como te atreves a entrar aqui, desta forma?

— Ahhhh...miúdo eu!? Temos apenas um ano de diferença. Não sou teu miúdo.

— Te comportas como miúdo, e continuas a envergonhar a nossa família.

— Levas muito a sério a vida, minha irmã! Tens quase a minha idade, e aparentas ser mais velha que a
mamã. Deixas de ser rabugenta, vivas a vida.
— Não me faltes com o respeito! Eu sou a sua irmã mais velha.

— É apenas isso, porém, jamais serás o Rei, lembra-te disso, relaxa e vai aprender a cozinhar, isso sim é
da tua conta.

Talib sabia muito bem como irritar sua irmã.

Durante alguns dias, Malua andava perturbada, o que despertou atenção do Rei.

— Por que estás com essa cara? - Perguntou o Rei.

— Não gosto quando dás intimidades a Makossa. - Respondeu a Rainha.

— Ele é meu Tio, é nossa família.

— Meu Rei, eu vejo nos olhos de Makossa muita maldade e inveja, vejo isso desde o dia em que
ascendeste a Rei.

— Sempre disseste isso, mas ele nunca nos fez mal algum.

— Ele vem te fazendo mal há muitos anos, semeando discórdia entre os líderes deste povo.

— Malua, pára com isso. Deixa de ver coisas onde não existem.

— Viste como ele ficou feliz, quando nosso filho falhou à prova de bravura.

— Ele estava feliz, por causa do filho dele que se tornou um guerreiro. Não vamos descarregar as
frustrações do desrespeito do nosso filho, em alguém que sempre nos ajudou, só porque não gostas
dele.

Paranóia ou não, o certo é que Malua sempre chamou atenção ao seu marido das más intenções de
Makossa, contudo, Tawarah achava que era apenas cisma da esposa.

— Podemos deixar esse assunto de lado? - Perguntou o Rei.

— Tudo bem! Não falo mais sobre isso. - Disse a Rainha.

— Agora conta para seu Rei, o que te incomoda.

Malua contou para Tawarah o que estava a passar-se.

— As atitudes de Talib me assustam, mulher.

— Não vou negar que meu maior medo, é que tudo o que te foi dito se concretize.

— Precisamos arranjar uma forma de convencê-lo a afastar-se dessas loucuras.

— Ahmmm, mulher! - Suspirou Tawarah.

Como de costume, todas as quartas-feiras os rapazes do reino iam treinar técnicas de ataque e de
defesa, apesar do reino estar em paz, era necessário ter jovens preparados para combater caso fosse
necessário.
Estavam a sair do treino, quando Whandia foi ao encontro de Talib, para pedir satisfações por ele andar
para cima e para baixo com Anaya.

— Hei... calma ai! Porquê tenho que dar-te satisfações sobre com quem ando ou deixo de andar? -
Perguntou Talib.

— Nós estamos juntos. - Disse Whandia.

— Quando, decidimos isso?

— Nós dormimos juntos várias vezes, já te esqueceste disso?

— Ahmm... sim, disseste bem! Dormimos juntos, e foi apenas isso.

— Talib! Não podes me tratar dessa maneira. Nós falamos coisas um para o outro.

— Sim! Não nego, mas foi no delírio do prazer, ademais, no meu mais alto delírio, não me recordo de ter
assumido uma relação.

Whandia se sente magoada, e deixa escorrer em seu rosto lágrimas de dor.

— Desculpa Whandia, sinceramente achei que estavas a curtir apenas, como eu.

— Eu gosto de ti, Talib! Eu me entreguei por amor.

— Não era minha intenção te magoar. Agradeço pelo sentimento, mas não posso retribuir da mesma
maneira. Eu não sou homem de me prender.
— Então, vais fazer com Anaya, o mesmo que fizeste comigo? Usá-la e depois dizer que estavas a curtir?

— Eu não te usei, nós os dois, queríamos. Além disso, não eras virgem quando deitei-me contigo, pela
primeira vez.

— É por essa razão que achaste que podias continuar a desfrutar do meu corpo, sem nenhum objetivo
sério?

Antes que pudesse responder, Talib viu Anaya chegar, olhar para eles, e sem se aproximar deu meia
volta, e pôs-se a andar.

— Desculpa! Tenho que ir. - Disse Talib.

— Vais me deixar aqui a falar sozinha? - Perguntou Whandia.

— Já falamos tudo o que devíamos. Cada um que fique no seu lugar para evitarmos mal entendidos.

Talib deixou Whandia e foi atrás de Anaya.

Whandia ficou inconformada, pois, ela era louca por Talib, e não escondia isso para ninguém.

— Nem paraste. - Disse Talib.

— Não gosto de problemas. Vi que estavas acompanhado. - Disse Anaya.


— Minha preciosa, não fiques com essa cara, eu e Whandia não temos nada, e está tudo esclarecido.

— Que bom para vocês.

— Não fales assim! Sabes o quanto gosto de ti.

Anaya cala-se.

— Posso vir buscar-te às catorze para um passeio, só nós dois?

Anaya acenou com a cabeça, respondendo que sim.

Estavam Talib e Anaya à beira do mar, vendo o sol se pôr.

— Não existe vista mais linda que esta. - Disse Anaya, quando olhava para o infinito.

— Para mim, tem sim, uma imagem que arrisco em dizer que é a mais bela que essa.

— Qual? - Perguntou Anaya, curiosa.

— Seu rosto! - Respondeu Talib, enquanto passava a mão no rosto dela, que deslizou passando no meio
das tranças até segurar a nunca.

— Talib.
— Shiii... Sente só como meu coração bate quando estou perto de ti.

Os lábios encontraram-se, beijando-se ardentemente.

Anaya perdeu-se no beijo, e deixou que Talib a conduzisse até ao conjunto de grãos de areia que os
segurava no chão.
Anaya despertou, quando sentiu a outra mão de Talib alcançando sua cintura dentro da blusa.

— Talib, pára!

— Vamos viver este momento lindo.

— Eu não quero, desta forma. Desculpa, não estou pronta para isso.

— Já venho te cortejando, há dias.

— Se a intenção do teu cortejo é me levar para cama, podemos parar por aqui.

— Tudo bem! Tens razão. Me desculpe, me empolguei.

Talib se levantou, em seguida ajudou Anaya a se levantar, e foi deixá-la em casa.

Alguns dias se passaram, Talib e Anaya estavam cada vez mais próximos. Continuavam em seus passeios
românticos, recheados de beijos calorosos, sobre o olhar enraivecido de Whandia, que cada vez mais,
certificava-se que devia fazer alguma coisa, para reconquistar o príncipe Talib.
Numa manhã de segunda-feira, a Rainha passa mal, e acaba desmaiando, enquanto conversava com os
criados.
Rapidamente foi levada aos seus aposentos, e foi imediatamente chamado o Rei. Apesar dela ter
recuperado os sentidos, sentia-se fraca, e com dores no corpo. Então chamaram os médicos para
observá-la...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ``Contos da Mana Ancha```

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_Capítulo 7_

Talib, sem responder mais nada, virou-se e deixou sua irmã falando que tudo o que estava a acontecer
com a Mãe, era por culpa dele.

Malua piorou naquela noite. O médico, o sábio e a Xama, foram chamados. Aumentaram as doses da
medicação. O rei estava aflito, chamou o médico para saber se já tinha algum diagnóstico.
Talib, ficou atrás da porta que estava entre-aberta.

— Majestade! Angústia e preocupação, associadas ao desespero, estão envolvidos na doença da Rainha.


O corpo não reage positivamente à medicação, porque o coração e a mente dela não sossegam. Ela
precisa tranquilizar-se para o corpo curar-se. - Disse o Médico.

O que poderia fazer o Rei?

Depois de ouvir o médico, Talib entra no quarto e fala com a Mãe. Malua estava tão triste que não
conseguiu o responder, apenas deixava cair algumas lágrimas.

— Mãe! Eu vou mudar. Juro que vou mudar. Vou fazê-lo por ti. Porque te amo, Mãe. - Disse Talib.

E em seguida saiu do quarto, deixando todos espantados.

— Talib terá que sossegar, ele não tem outra opção. - Disse Shona.

— Claramente! Mas tem algo que nós dois sabemos, ninguém foge do destino, pode ser cedo ou tarde,
porém, o que está escrito, está escrito. - Disse Kanga.

Makossa, viu que Talib ficou balançado ao ver a Mãe piorar, e vai atrás dele.
— Tudo o que dizem e o que fazem é para tentar calar-te, meu sobrinho, isso está claro. - Disse
Makossa.

— Minha mãe está mal. - Disse Talib.

— Pode ser, mas tudo parece muito conveniente.

— Achas que eu deveria colocar a saúde da minha Mãe à prova?

— Eu não vou opinar sobre isso. Tu és adulto, és livre de tomar tuas próprias decisões. Apenas queria
abrir-te os olhos, para ficares esperto.
Estou do teu lado, filho. Vou te apoiar em todas as tuas decisões, afinal, também, estou preocupado
com o bem estar deste povo, e no seu, em particular.

Talib agradeceu o apoio do Tio, mas pediu para que o deixasse sozinho, pois, precisava refletir.

No dia seguinte, Talib vai à casa de Shona e insiste em falar com Anaya.

— Porquê? Porquê tenho que falar consigo contra a minha vontade? - Perguntou Anaya.

— Eu sei que errei, eu erro, sou um falhado. Mas me diga como vou endireitar-me, se todos só sabem
me criticar, me condenar?

— Não te faças de vítima.

— Estou desesperado, minha Mãe está a piorar a cada dia, e em parte, é por minha culpa.
— Não fala isso.

— É isso mesmo, Anaya. Eu só faço merdas atrás de merdas. Me ajuda, por favor.

Anaya se comove ao ver Talib indefeso, como naquele dia em que o leão feroz estava em cima dele,
pronto para devorá-lo.

— Acalma-te, Talib! Vamos conversar.

— O que vou falar? Se nada do que digo é considerado como verdade.

— Não é bem assim.

— Me drogaram no dia da festa, mas todos preferem acreditar que eu sou o malvado e Whandia é a
coitada. Abri meu coração para ti, e disse-te o quão és especial para mim, mas todos acham que falei
porque quero levar-te à cama.
Você olhou para os meus olhos várias vezes, mas hoje prefere ouvir as palavras de Egary.
O que poderei dizer, que será levado a sério.

— Eu acredito em ti. Podes te calar.

— Eu só queria saber o que tem do outro lado daquele mar, do outro lado daquela mata. É só isso que
eu queria saber.

— O problema não são as tuas dúvidas, mas o tempo que exiges as respostas.

— Ninguém me ouve, mas este reino é uma prisão. E tudo o que eu queria era um pouco de liberdade.
Saber em que continente nós estamos. Saber porquê nos livros de história não se fala de Orela e das
suas guerras.

— Agora não é momento para isso, Talib.

— Eu sei, por isso, estou aqui! Casa comigo, Anaya.

— Assim mesmo?

— Sim, assim mesmo! Eu gosto de ti, tu gostas de mim, esse é o motivo pelo qual escolhi você, para ser
minha esposa.

Anaya respirou fundo, enquanto olhava para dentro dos olhos de Talib.

— Encontraste em meus olhos a resposta?

— Casa comigo, Anaya! Prometo que me dedicarei dia e noite para fazer de você a Rainha mais feliz
deste reino.

Anaya disse sim, porém, em sua resposta tinha um vazio, faltava uma peça para completar, estava claro
o sentimento que ela tinha por ele, contudo, não dava para perceber se respondeu sim, por ter a certeza
do sentimento que ele tinha por ela, ou por pena pela situação que ele se encontrava pois, lá no fundo,
ela não sentia segurança nas palavras dele, embora parecessem puras.

Talib voltou ao palácio, chamou seu Pai para o quarto onde sua Mãe descansava, e informou-os que a
partir daquele dia, ele se dedicaria ao reino, e se casaria com Anaya. Os Pais estavam incrédulos, porém
satisfeitos, pois Talib parecia estar seguro no que dizia.
— E as tuas perguntas e dúvidas? - Perguntou Tawarah.

— Não são importantes, agora, o foco é a minha família e este reino. - Respondeu Talib.

— Meu filho! Não imaginas há quanto tempo esperei para ouvir isso de ti. Vem, vem para o meu colo,
abrace sua Mãe. - Disse Malua.

Conforme prometeu, Talib esqueceu suas dúvidas e rebeldia e se dedicou ao reino. Era o primeiro a
chegar aos treinos e o último a sair. Passou a trabalhar com o Rei, começou a aprender como funcionava
o reino a produção, a comercialização, os investimentos, as melhorias.
Estudou formas de apoiar os mais necessitados, e criar formas para que eles deixassem de ser um custo
para o reino, e passassem a ser produtores.

A cada dia, Tawarah se enchia de orgulho do filho, o povo falava bem dele, os criados do palácio o
admiravam.

Malua então, conseguiu sossegar, e assim como o médico e o sábio previram, o corpo dela passou a
reagir positivamente a medicação, e ela já apresentava melhorias. Talib fazia agrados a Anaya,
demonstrando a cada dia que ela era a sua escolhida.

Ntsai, apesar de estar admirada com a nova postura do irmão, acreditava que era uma farsa e que tarde
ou cedo, pararia de encenar.
Enfim, com a melhora de Malua, puderam fazer a cerimônia de compromisso de Talib e Anaya. Como
era um casamento da realeza, tinha seu tempo para se preparar, só os trajes dos noivos, era costurado
em linha de ouro, decorado com diamantes e rubis.

Então, só os preparativos compreenderiam no mínimo um ano.


Tawarah decidiu e a Rainha concordou que o casamento seria realizado um ano depois, no dia vinte e
quatro de Setembro.

Para celebrar o compromisso de Talib e Anaya, o Rei mandou distribuir comida e bebida pelo povo.
Enquanto colocava o anel de compromisso no dedo de Anaya, Talib olhou para os olhos dela e jurou que
a amaria para sempre.

— A promessa é o acto que junta as almas, assim como juraram, prometeram que um será do outro e os
dois um só. - Disse Shona, deitando água sobre as cabeças deles, seguindo o ritual do povo.

— Assim invoco a todos seres ocultos, que com a mesma força que protegem este reino, protegerão
este casal, até que se cumpra o que ambos prometeram. - Disse Kanga, cobrindo o casal com um pano
vermelho.

Daquela forma, tornou-se formal para todos que Anaya estava comprometida a Talib.

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ``Contos da Mana Ancha```

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_Capitulo 8_

Estavam Anaya e Talib deitados sobre a areia da praia, enquanto contavam as estrelas no céu.

— Estou tão feliz por tudo o que está a acontecer connosco.

— Eu também, meu amor! Tu tens o poder de me transmitir muita calma, e isso me faz feliz.

Talib sentou e virou-se para Anaya, passou a mão no rosto dela em jeito de carinho.

— Amor! Tu és tão linda, mais linda que todas as pedras que existem neste reino, mais linda que o céu,
que as estrelas, que a lua, que o mar, tu és única.

— Tu és o melhor que me aconteceu. Sinto que nasci para ti.

Calorosamente, beijaram-se, e aos poucos foram ativando outros sentidos, outras vontades,
despertando outros desejos.

Talib estava vivendo algo que nunca havia vivido antes. Se envolveu naquela onda, e fez Anaya levitar,
sem sair do chão, e ela, se entregou pela primeira vez. Debaixo daquele céu repleto de estrelas, e com a
permissão da lua, fizeram amor apaixonadamente.
Talib adorava Anaya, e Anaya o amava como nunca havia se visto naquele reino, era um casal
apaixonado. Talib aprendeu com Anaya outras formas de prazer, e Anaya aprendeu com Talib tudo que
ela sabia de paixão.

Daquela forma, descartava toda e qualquer ideia de Egary, de achar que poderia ter uma chance com
Anaya.
Whandia, por sua vez, tentava de tudo, mas como sua Mãe já havia dito, não tinha como engatar uma
alma engatada.

Malua estava ansiosa com os preparativos para o casamento do filho, chamou os melhores alfaiates,
queria o melhor.

— Ahhh, acordou Anaya, assustada.

Durante horas, Anaya ficou na cama pensando e refletindo no sonho que teve. Preocupado, Shona bate
na porta no quarto da filha, para saber o que se passava com ela.

— Filha! O que se passa? - Perguntou Shona.

— Pensado, Pai! - Disse Anaya.

— O que te inquieta? Dentro de alguns meses, serás a princesa deste reino.

— Uff... - Suspirou Anaya.


— Filha! Vai se arrumar, tens muita coisa para tratar, a Rainha a aguarda.

— Pai! Não tenho vontade de fazer nada.

— Deixa essa preguiça de lado, vais-te casar com Talib, o rapaz mais cobiçado do reino, o rapaz que
roubou seu coração.

— Não teria tanta certeza disso, Pai.

— Por quê? Ele fez alguma coisa? Disse algo?

— Não! Eu tive um sonho estranho.

— Sonho?

— Conta-me filha.

— Sonhei com o dia do casamento, mas não parecia que ser neste reino.

— Não era neste Reino?

— Não tenho a certeza, só não reconheci, pois as paredes eram diferentes de tudo que temos no reino.

— E o que aconteceu.

— Talib estava vestido de um fato escuro, não eram as nossas roupas tradicionais, eram parecidas com
as que temos nos livros.

— E então?
— Eu me preparei, vesti-me do meu vestido de noiva, lindo, coloquei as jóias reais, e saímos de casa
para o local do casamento.

Não tinha muitas pessoas, mas também, nem olhei para elas, estava muito nervosa. Caminhava em
direção ao local, mas nunca mais chegava à porta. Caminhava, mas não alcançava à porta. Então, fechei
os olhos e quando voltei a abrir, foi quando vi a cara da noiva indo ao encontro de Talib, não era eu, Pai.

— Como assim?

— Não sei explicar, Pai!

_ Uma outra mulher, de pele clara, foi ao altar onde Talib a aguardava.
Talib estava feliz, Pai. Tão feliz como jamais conseguiu ser antes.

— Filha...!

— Pai! Talib disse seus votos, prometeu amar àquela mulher, para sempre. Os olhos dele, brilhavam.
A moça não estava emocionada, não sei se era pelo nervosismo, mas algo não estava bem. Ela não disse
nada, além do sim, aceitava se casar com ele.

Beijaram-se e eu acordei assustada.

Não sou eu, pai! Não sou eu quem vai casar com Talib!

— Amor! Não sofra por antecipação.

— Já falamos sobre isso. Ainda não consegues controlar suas visões.

Não temos como saber o que é, se apenas um sonho, e ou que é uma visão.

— Pai! Eu sinto no meu coração, que pode ser uma visão.


— Filha! Estás com medo porque é um sonho que tem haver contigo.
Talib está aqui, ele deu sua palavra que irá se casar contigo.

Nós fizemos o ritual das almas amarradas, as vossas almas já estão ligadas. Sabes que esse ritual é
eterno, e não há laço mais forte que esse.

Anaya ouviu atentamente o que seu Pai disse. Apesar de ter ficado com o coração apertado, preparou-
se e foi ao palácio ter com a Rainha.

— Príncipe Talib, tem umas senhoras lá fora que querem falar com o senhor. - Disse um dos Nizo (um
dos criados do palácio).

Talib, admirado, levantou-se rapidamente, e foi até às senhoras.


Eram algumas mulheres do bairro que se juntaram, e foram até ele, para agradecer o grande feito que
ele havia feito na maternidade.

Diante de seus pais, e de todos, Talib foi aplaudido, e recebeu alguns presentes, como gratidão daquilo
que havia feito. Talib, reabilitou e ampliou a maternidade, melhorou as condições, aumentou as camas,
algo que há muito, era pedido por elas.

O Rei e a Rainha ficaram bastante orgulhosos. E não parou por aí. Meses depois, Talib voltou a ser
aplaudido pela população, por ter melhorado as condições da escola e do mercado.
Talib estava, também, a estudar uma melhor forma de conservação dos alimentos produzidos, e isso,
fazia seu Pai se encher de honra, pois, era seu filho, o futuro Rei, quem estava a desenvolver acções de
melhorias para o reino.

Meses se passaram e a paz reinava na família real.

Naquele dia, organizaram uma cerimônia oficial, onde o Rei iria empossar a figura de administrador do
reino, aquele que faria a gestão das finanças.
Apesar de Talib estar empenhado, dedicado, e envolvido no Reino, talvez, fosse cedo para ser
empossado a uma função tão séria, quanto àquela.

Muitas pessoas apoiaram a decisão do Rei, mas algumas delas, questionaram.

— Porque Talib, Pai? - Perguntou Ntsai.

— Seu irmão será o Rei deste Reino, e ele precisa aprender. - Disse o Rei.

— Mas há meses, Talib era aquele rebelde e irresponsável que quase destruiu a honra da nossa família.

— Filha! Ele mostrou que é outro homem.

— Ele ainda nem é um homem. Ainda não fez a prova de bravura.

— Filha! Não questiona minhas decisões.

— Lamento! E te digo, Pai, um dia vais te arrepender de tudo isto, e vais me dar razão ao perceber que
Talib não é quem o senhor pensa que é.
Ele apenas se camufla para atingir seus objetivos...

— Chega, Ntsai, chega mesmo! Eu já faço muito aceitar que treines com os guerreiros do Reino, e que
participes da direcção do Reino, pois és mulher, devias estar a cuidar do palácio e questões ligados à
mulheres, como a sua Mãe. Então, não me faças mudar de ideias com a sua insolência.

Chateada, Ntsai pediu licença e saiu da presença do Pai.

Makossa, também, estava inconformado com a nomeação de Talib, chegou em casa soltando berros,
como se ali tivesse algum culpado, pelo que aconteceu...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 10_
— Ahhh Talib! Eu estou tão orgulhoso.

— Pai. - Gritou Talib.

— Sim filho! Desculpa estou muito emocionado.

— Porquê não perguntas como estou? Como me sinto? Não te importas em saber o que penso disto
tudo? Se estou realmente realizado?

— Filho! Que perguntas. Sei que estás feliz. Existe maior felicidade que honrar seus Pais, e cumprir seu
papel neste Reino?

— Pai! Vocês fazem de mim uma marionete. Nem o senhor, nem a mamã estão preocupados em saber o
que eu sinto. Afinal, a felicidade de um Pai não devia ser a realização de um filho?

— Claro! Estamos felizes porque estás a te realizar, filho.

— Será que podem deixar de ser egoístas por um minuto, e pensar em mim. Ou pelo menos, fingirem
que se importam comigo como filho e não como o príncipe de Orela.

— Quem está a ser egoísta agora, és tu, buscando, logo hoje, suas rebeldias para tentar estragar tudo o
que já conseguimos, até hoje.

— Pai, olha para mim. Achas que estou me realizando? Ou estou a vos realizar, sacrificando meus
pensamentos e sonhos?

— Estás a te sacrificar? Foi isso que disseste, Talib?


Responde! Para ti tudo isto é um sacrifício?

— Sim, Pai!
_ Ser príncipe de Orela, ser filho do grandioso Rei Mambo é um sacrifico. Eu queria ser apenas seu filho,
sem títulos.

— Deixa tua rebeldia de menino mimado, e seja homem.

— Ser homem, é o quê? É dizer sim, sim a tudo, feito um tolo? Ser homem, é ser suficientemente parvo
para não querer buscar a verdade; ser homem, é não pensar com a própria cabeça, como vocês obrigam
o povo a fazer;
ser homem é vestir essas roupas patéticas, me transformar num animal raivoso, ir matar um leão, só
para alimentar o seu ego e do seu legado?

Mambo, se virou carregado e descarregou uma mão pesada na cara de Talib, arremessando-o para
cama.

— Não insulta o legado de homens que garantiram que hoje tivesses dias de paz. - Disse Tawarah, e
acrescentou: — Já admiti muita coisa vinda de ti, Talib, mas já chega. Não vou tolerar mais nenhum seu
abuso.

— Eu só queria que fosses meu Pai, e procurasses-me entender, que me ouvisses.

— Tem coisas que não podem ser do jeito como nós queremos. Nós nascemos e fomos criados para
defender este povo.

— Defender de quê, meu Pai? De quê?

— Este não é tempo de saberes sobre isso.

— Eu já esperava esta resposta! Se não tiver as respostas que preciso de ti, terei que ir buscá-las em
outro lugar.
Talib se levanta e caminha em direção à porta.

— Talib. - Chamou Tawarah.

Talib pára e vira-se para seu Pai.


Tawarah caminha e se aproxima do filho.

— Hoje terás que fazer uma escolha, ou serás meu filho, ou irás atrás das suas malditas respostas.
Que fique bem claro: Se fores atrás das suas respostas, eu aceitarei passar vergonha duas vezes, mas,
não te darei a chance de me envergonhar uma terceira vez, pois não conte que me chamarás de Pai,
nem mais uma vez.

— Estás a expulsar-me?

— Quem tomará essa decisão és tu, Talib. Nem eu, nem tua Mãe, aguentamos mais, tuas afrontas.

Tawarah saiu deixando Talib estatelado.

Makossa então, aproveitou o momento em que Talib se sentia confuso, para lhe confundir ainda mais.

— Vês, eles só pensam neles! Nem se quer param para te ouvir. Eles não te dão o devido valor. Quem
me dera se tivesse um filho inteligente, visionário como tu. Eu te admiro muito, meu filho.
— Eu só queria que eles me escutassem. Queria que eles pensassem em mim, que se importassem
verdadeiramente comigo, que me apoiassem nos meus sonhos.

— Faça o que seu coração mandar. Eu te darei todo o meu apoio e te ajudarei com tudo que precisares.

Makossa falou o que Talib precisava ouvir, e deu à ele o abraço que precisava para acomodar os seus
pensamentos.

— O melhor que posso fazer, é ir buscar as respostas que eu preciso.

— Estás decidido a fazer isso? Tens certeza dessa decisão.

— Sim, Tio! Já não tem mais nada para mim aqui. Será melhor para todos.

— Eu te admiro, filho, estás a fazer o que muitos gostaríamos de fazer ou termos feito, porém, não
temos coragem.

— Eu preciso buscar as respostas do que me inquieta.

— Olha, tens aqui este saquinho. Aqui tem as nossas pedras, para onde vais, devem valer alguma coisa,
para que não passes fome e consigas onde dormir.

— Obrigado Tio! - Disse Talib, enquanto abraçava seu Tio com gratidão.

A família toda já tinha ido a arena para assistir a prova de bravura de Talib.
Talib estava sufocado, precisava muito rápido encontrar ar fresco.
— Talib. - Chamou Shona, que também já ia a arena. E Disse: — Ainda estás aqui? Todos já foram a
arena para ver a sua prova.

— Yáh.

— Filho! Parece-me que estás atormentado. Passa-se algo.

— Perguntas que não vais poder responder porque ainda não é a hora.

— Novamente isso? Pensei que já tivesses ultrapassado.

— Para ultrapassar, preciso resolver e não mudar de direção.

— Sabes que podes magoar muitas pessoas se pensares só em ti.

— E será que pensam em mim? Porquê ninguém pensa em mim?

— Talib! Que preço estarias disposto a pagar para ter as suas respostas?

Talib se calou.

— Tem coisas que valem muito mais que as suas perguntas, que valem muito mais que as suas dúvidas,
que valem mais do que a sua vontade. Quando eu era jovem, queria ser guerreiro, me fascinava com o
físico e força deles, me encantava com as vestes deles, a armadura de ferro, as espadas, os capacetes.
Eu me imaginava vestido, e duelando em combates.

Talib escutava atentamente.


— No entanto, na escola eu tinha as melhores notas, e sabia das matérias antes delas serem dadas. Com
doze anos me submeteram a testes de classes seguintes, eu passei à todos, fiz até, os testes finais do
último ano e eu tive notas jamais vistas. Os sábios, naquele tempo, me fizeram muitas perguntas e eu
sabia respondê-las, então concluíram que eu era superdotado. Mandaram-me parar de treinar com
outros garotos, semanas depois recebi diploma. E sem entender bem o que estava a acontecer comigo,
comecei a trabalhar com o sábio principal, na produção de medicamentos. Ninguém me dizia nada, e
meus sonhos estavam cada vez mais distantes.

— Chateado, fui ter com meu Pai, pedi dele explicações. Meu Pai disse para mim, que eu serviria este
Reino de outra maneira. Eu insisti que queria ser forte e lutar. Meu Pai disse que cada um de nós tinha
uma força necessária para este Reino, e a minha força era a da mente.
Abri mão dos meus sonhos, e fui obediente apesar de não concordar.
Dois anos depois, o Sábio Principal perdeu a vida e eu tive que continuar os estudos importantes, só eu
tinha aquele conhecimento. Graças a isso, pude salvar várias vidas, de doenças desconhecidas e que até
hoje são tratadas.

— Todos me pressionam, eu preciso apenas de ar fresco. - Disse Talib.

Vestido do jeito como estava, pegou uma sacolinha com algumas roupas, saiu do palácio, e caminhou
em direção a mata.
Talib não tinha medo de nada, andou passo a passo e a cada vez mais, estava mais longe do Reino...

Cont...

_Eceito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```


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_Capítulo 9_

Egary, também estava revoltado. Sentiu na pele, o que seu Pai sentiu, várias vezes.

— Os Tawarah, mais uma vez, brincaram com a nossa família. - Disse Makossa.

— Agora ele foi empossado responsável pelas finanças do Reino. - Disse Egary.

— É muita injustiça! Enquanto o filho dele brincava de ser menino fofinho e mimado, tu é que sempre
estiveste ao lado do seu Tio, dando à ele todo suporte que precisava. Cuidaste das construções, dos
pagamentos, dos trabalhadores, e da noite para o dia, esqueceu de tudo e colocou aquele almofadinha
a gerir as finanças do Reino.

— Eu não vou fazer nada, Pai, mais nada mesmo. Não vou aceitar ser feito de palhaço. Tive que aceitar
ele a tirar Whandia de mim, depois levou Anaya, agora isto.
Todos nossos planos foram por água abaixo.

— Eu te falei, filho, aqueles são assim mesmo. Desleais! Eu disse-te, contei-te várias vezes, como
ignoraram tudo o que eu fiz, e nomearam um menino de quinze anos, só porque não queriam que eu
fosse o Rei.
— Isso não é justo Pai! Talib, sempre vence de mim, sem precisar esforçar-se.
O pior é que o povo voltou a adorá-los.

— Filho! Vamos ter calma, um dia, tudo isto, vai acabar e nesse dia, finalmente, nós os Makossa iremos
reinar, isto tudo, como devia ter sido há muitas décadas.

A revolta de Makossa era tanta que chegava a assustar, e clareava cada vez mais as suas reais intenções.

Malua e Ntsai, lamentam por Anaya não participar com entusiasmo nos preparativos do casamento.

— Nunca escolhes nada, Anaya! Parece que não estás entusiasmada com o casamento. - Disse Ntsai.

— É verdade filha! Tem vezes que até parece que estás distante, perdida. - Disse Malua.

— Desculpa, minha rainha! Ando nervosa, sinto um frio na barriga. É tudo muito estranho. - Disse
Anaya.

— Quando vais me chamar de Mãe? - Perguntou Malua.

Anaya liberta um sorriso.

— Percebo, minha querida! Mas o casamento é seu, devia ser do jeito que tu sonhaste. - Disse Malua.

— O meu medo é esse, que seja do jeito que eu sonhei. - Disse Anaya, num desabafo inocente.
As duas admiraram. Franziram as testas, e olharam uma para outra.

— Como assim? - Perguntou Ntsai.

Anaya se apercebeu que fez um comentário desnecessário.

— Filha, diga algo! - Pediu Malua.

— Ahm... me perceberam mal. - Disse Anaya.

— Então explique. - Insistiu Ntsai.

— Sonhei com muitas loucuras tolas. - Disse Anaya a tentar escapar.

— Fica à vontade, ninguém vai te julgar minha querida, se não ferir com os princípios da cerimônia de
um casamento real, faremos tudo para te agradar. - Disse Malua.

— Eh... o problema é esse, são loucuras mesmo. Não são dignas de uma cerimônia real. - Disse Anaya
rindo.

Malua e Ntsai também riram, imaginando besteiras. Longe de imaginar as reais causas do desânimo
dela.
Certo dia, Anaya cruza com Whandia no mercado, e sem perder a oportunidade, Whandia a provoca.

— Se não é a futura princesa de Orela! - Disse Whandia.

— Bom dia para ti também, Whandia! - Disse Anaya.

— Sempre educadinha, sonsinha, calminha, paradinha, bonitinha, tudo que termina com inha, combina
contigo.

— Hum... e o que combina contigo?

— Estás irritadinha? Não devias estar felizinha pelo bote que deste?

— Desculpa, Whandia, estou cansadinha, e sem paciencinha, para te aturar. Então, dá-me licencinha,
vou fazer minha comprinha, e ir para minha casinha.

— Estou ansiosa para ver o que o alguidar diz sobre o seu destino.

— Está bem, veja, depois me procura para me contar.

Naquele dia, Anaya não estava nada calminha.

Depois de apanhar um encosta de Anaya, Whandia foi até ao campo de treino na esperança de
encontrar Talib. Porém, Talib já não estava lá, treinou mais cedo, e foi trabalhar no projecto que estava
a desenhar.
— Vens rastejar por Talib? - Perguntou Egary.

— E se for? - Perguntou Whandia.

— Lamento informar, mas perdeste a viagem.

— Onde ele está?

— O menino mimado agora está sério, veio treinar cedo, agora deve estar a treinar para ser Rei.

— Deixa de ser invejoso. Ele nasceu soberano, podes treinar muito, trabalhar bastante, nunca serás o
que ele é. E se calhar, nem consigas fazer o que ele faz.

Egary se enfurece, arrasta Whandia pelo braço, e a encosta no tronco

— Uí, estás nervoso. - Disse Whandia, num tom sarcástico.

— Tu não sabes do que eu sou capaz.

— Sei sim! E não tenho medo, pois sou pior que tu, apenas não me comporto como uma hiena faminta
como tu, sou como as serpentes, silenciosa, porém, certeira e fatal.

Whandia fala com os olhos bem abertos olhando para os olhos de Egary.
Ele então a solta, respira fundo e tenta seduzi-la.

— Gostaria de sentir seu veneno caminhando pelas minhas veias.


— Desculpa, não és homem para mim! Eu sou como uma serpente, mas não me rastejo, trepo de galho
em galho.

Whandia deu um afasta em Egary, e saiu balançando sua bunda, enquanto suas missangas ondulavam
em sua cintura.

Depois de mais algum tempo, chegou enfim, o momento em que Talib faria a prova de bravura, e no dia
seguinte, se casaria então com Anaya.

O Reino estava agitado, todos estavam ansiosos para o grande momento, esperado há anos. O povo
queria ver Talib na prova de bravura e se tornando homem.

Malua estava tão feliz, que não se continha, e disse:

— Filho! Sou a mãe mais realizada do mundo, estou muito feliz. Muito obrigada, meu filho.

— Então, tudo o que vou fazer vai te fazer feliz, Mãe?

— Sim, muito feliz filho.

— Queria eu me sentir tão entusiasmado, com tudo isto.

— Deixa de ser chato.


— Dizer o que penso, te chateia, Mãe?

— Se arruma rápido, estamos todos à sua espera.

Passou-se quase uma hora, Talib não saiu do quarto. Sua mãe, disse que ia chamá-lo, no entanto
Tawarah disse para ela aguardar, que ele faria isso.

— Filho, já estás pronto?

— Quase.

— Vamos, estamos todos ansiosos. Ahmmm... meu filho, estou tão orgulhoso do homem que estás a
tornar-te.

Talib abana a cabeça.

— Abraça seu Pai! Hoje vais te tornar um homem, eu tenho certeza que matarás um leão grande como
só os grandes Reis estrangularam, com as próprias mãos.

Aí, eu, Mambo Tawarah, vou pegar a cabeça do leão, e vou passear com ela pelo Reino inteiro, para que
então todos possam ver que meu filho será um grande Rei.
E amanhã, vais-te casar, do jeito como eu e sua Mãe sempre sonhamos, filho.

Eu estou com a cabeça erguida, todos vão ver que criei muito bem meu filho.
— Pai.

— [risos]... até já imagino a cara daqueles anciãos que espalharam fofocas a meu respeito, baixando
suas cabeças e reconhecendo que você meu filho é o maior.

— Pai.

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 11_

A família toda estava reunida na arena, rodeada pelo povo que estava ansioso pela chegada de Talib.
Passaram uma, duas, três horas, e nem a sobra de Talib chegava.

Algum tempo depois, começaram os murmúrios, dizendo que Talib, uma vez mais, estava com medo da
prova e que havia fugido.
Criados foram mandados ao palácio atrás de Talib, porém regressaram a arena sem notícias dele.
— Mais uma vez vamos passar vergonha, por causa daquele inconsequente. - Disse Ntsai, e continuou
dizendo: — Majestades, vão desculpar-me, mas não aguento mais assistir esta vergonha, aqui sentada,
vou regressar ao palácio.

Tawarah e Malua olharam um para outro, como se em seus olhos pudessem mostrar onde o filho
estava.

— Eu vou matar aquele rapaz. - Disse Tawarah.

— Não vai a tempo, meu Rei. Não o encontrará. - Disse Anaya, com uma lágrima no canto do olho.

— Sabes de alguma coisa? Ele disse-te algo? - Perguntou Malua.

— Não me disse nada. - Disse Anaya.

— Então, como falas com tanta confiança que não o encontraremos? - Perguntou Tawarah, sem tirar os
olhos de Anaya.

— Eu sinto em meu coração, quanto mais ele caminha, mais distante lhe sinto. - Disse Anaya.

— Filha, não fale essas coisas. Tu sabes que ainda não consegues controlar suas visões e seus
sentimentos. - Disse Shona.

— Pai, pára de tentar fazer com que eu me iluda. Podem procurar por ele, não o vão encontrar, Talib foi
embora. - Disse Anaya.
Em seguida, Anaya saiu a correr da arena, Shona ainda tentou ir atrás dela, mas perdeu o rastro pelo
caminho.

Tawarah, naquele momento de aflição, esqueceu que era Rei, e vestiu então a camisola de Pai,
movimentou todas as suas tropas para irem atrás de Talib.

— Fica tranquilo, meu Rei, nós encontraremos o príncipe. - Disse Makhossa.

Tropas comandadas por Makhossa saíram atrás de Talib, porém Makhossa desviou a tropa para o
sentido contrário ao que havia orientado o sobrinho a seguir.

— Eu falei, eu avisei, eu disse que Talib estava apenas a ganhar tempo e que não havia mudado em
nada. - Disse Ntsai.

— Minha filha, não vamos colocar mais lenha na fogueira. - Disse Shona.

— Lenha na fogueira, eu é que estou a colocar lenha na fogueira? Vocês são culpados pelo que
aconteceu, porque sempre passaram a mão na cabeça daquele irresponsável. - Disse Ntsai, e
acrescentou ainda:
— Passam mais de vinte quatro horas, não se dignou a aparecer, nem se quer deu notícias. A noiva não
pára de chorar, a Mãe está desolada, o Pai nem consegue ser Rei, está destruído, e a família está com a
cara no chão, mais uma vez.

— Ntsai, fica calma. - Insistiu Shona.


— Pai, pelo menos uma vez na vida me escuta. Quando ele voltar com aquela cara de arrependido e
menino mimado, barre a sua entrada, o expulse deste reino, o deserde, disse Ntsai.

— Ele não vai voltar. - Disse Anaya.

— Vai sim, aquele é um frangote, para onde mais ele irá? - Perguntou Ntsai.

Malua passou mal, e caiu desmaiada.

— Eu pedi para te acalmares, veja só. Sua Mãe não pode passar por este tipo de situação, tem a saúde
frágil. - Disse Shona.

— Mãe! - Correu Ntsai para acudi-la, e disse: — Não é minha culpa. É Talib que a deixa assim.

— A sua Mãe já está a encarrar tudo aquilo que o filho fez, ela não precisa que sua filha esteja a colocar
mais lenha na fogueira. - Disse Shona, e continuou: — Ela precisa do seu apoio, agora ela não precisa de
um guerreiro forte e corajoso, apenas precisa de uma filha carinhosa e amorosa ao seu lado, para dá-la
força.

Tawarah colocou Malua em seus braços, e a levou para os seus aposentos. Depois de alguns minutos,
ela recuperou a consciência e abriu seus olhos.
Ntsai foi atrás da sua Mãe, abraçou-a e pediu-lhe desculpas.

— Estou aqui Mãe, vou cuidar de ti.

— Obrigada minha filha. Muito obrigada por estar aqui comigo.


O médico orientou que começasse a medicar para que não voltasse a ter uma recaída.

Por dias, as tropas reviraram até onde podiam, atrás de Talib, porém não o encontraram.
Voltaram ao palácio, e informaram ao Rei que não encontraram o príncipe.

Inconformado, tomado de desespero sem saber o paradeiro do seu filho, o Rei orientou que voltassem e
continuassem as buscas.
Parte dos homens, apesar de não concordarem com a decisão, seguiram as ordens.

Makhossa e Egary não ficaram quietos. Agitaram o povo com insinuações, para que ficassem contra o
Rei e o seu reinado.

Com o decorrer dos dias o povo ficou dividido, alguns mostraram-se solidários com a situação, porém,
outros achavam e falavam que o Rei era frocho e que se não conseguia manter ordem dentro da sua
própria família, não era digno de continuar reinando.

Passaram-se cinco dias, Tawarah sentia-se culpado, por causa da discussão que tiveram antes dele
desaparecer. Olhava para sua mulher doente acamada, e temia perde-la, tudo o que ele queria era
devolver a paz a sua casa.
Em pouco tempo perdeu o controle de tudo, pois só pensava em ter seu filho de volta, e não conseguia
ver o caos que se instalava no seu povo.

Shona tentou alerta-lo que seu povo estava divido, e que haviam rumores que estavam se formando
grupos para destrona-lo, porém Tawarah nem lhe deu ouvidos.
Naquele dia, coração de Shona ficou verdadeiramente partido ao encontrar sua filha no chão da sala,
chorando de dor.

— Filha! Eu sei que estás destruída. Mas olha para mim, por favor.

— Pai.

— Olha para seu Pai, Anaya.

Anaya levantou a cabeça e olhou para seu Pai.

— Tu já sabias que tudo isto ia acontecer.


Eu agi errado, pois ao invés de ajudar-te a seguir na sua missão, neste Reino, eu quis ofuscar as suas
visões.
Eu não sei o que fazer.
Lá fora está uma confusão. O povo está revoltado. O Rei está a perder o controle do povo e ele não se
apercebe disso.

— É Makhossa, Pai. - Disse Anaya, enquanto limpava seu rosto.

— Filha, o que mais tu viste nos teus sonhos? O que mais viste que possa ajudar-nos a saber o que fazer
agora?

— Como assim Pai?

— Talvez tenha algo que possamos fazer para evitar o pior. Eu aprendi que existe sempre dois caminhos,
e o caminho que escolhemos é que nos leva a um resultado, podes ajudar este reino a escolher o
caminho certo.
— Agora nada me ocorre, Pai. Só sei que Makhossa está por de trás de tudo isto.

— Está bem filha, não se pressione. Quero pedir-te, para o bem deste Reino, deixe sua dor de lado.
Tome seu banho e se recomponha...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 12_

Anaya concordou com seu Pai, ela sabia que tinha sim, outras visões, que ela não deu importância pois,
estava carregada de dor ao imaginar que não se casaria com Talib. Então, ela precisava sacrificar seus
sentimentos, e focar-se no que era mais importante para todos.

Horas depois, algo passou pela cabeça de Anaya, rapidamente trocou-se, e decidiu ir ao palácio falar
com a Rainha. Contudo, pelo caminho cruzou-se com Whandia.
— E se não é a ex futura princesa do Reino de Orela. - Disse Whandia.

Anaya a ignorou e continuou andando.

Whandia a puxa pelo braço, impedindo que ela continuasse andando.

— Estou divertindo-me com a sua cara de _“inha”,_ pois até o teu estado actual combina consigo, so-zi-
nha.

— Que bom! Pelo menos tem uma pessoa feliz neste Reino. - Disse Anaya.

— Ohhh... Eu disse-te que Talib não se casaria contigo. E olha só, até fugiu para não se casar contigo. -
Gargalhou Whandia.

— Está bem, já ouvi o que tinhas a dizer-me. Agora podes largar o meu braço, tenho coisas por fazer.

Whandia como sempre, continuou lançando suas piadas para Anaya, mas esta, a ignorou e seguiu a
estrada até ao palácio.

Estava Malua deitada em sua cama macia, quando Anaya entrou em seu quarto.

— Minha Rainha, desculpa-me. - Disse Anaya.


Malua despertou, e virou-se para Anaya.

— Fala filha! Como tu estás? - Perguntou Malua.

—Vou ficar bem. Mas não vim falar de mim.

— Podes falar, querida? - Disse Malua, com a voz trémula.

— Eu sei que a Rainha não está bem. Que está com a saúde fraca. Sei que está destruída por dentro, por
causa do desaparecimento do seu filho. Mas este Reino precisa de si, minha Rainha. - Disse Anaya.

Malua se puxa, e senta na cama, para que possa ouvir Anaya.

— Como assim? O que tem o Reino?

— Todos estão poupando a senhora, contudo, acho que a senhora é a força do Rei. E enquanto a
senhora estiver aqui deitada, o Rei ficará mais enfraquecido, e o Reino irá ao declínio.

Mãe, Talib tomou sua decisão, voltando ou não, ele tomou sua decisão de abandonar a família, este
Reino e a mim. Mas cada um de nós tem sua missão, e não podemos deixar que a decisão dele, desvie a
nossa missão.

— O que está acontecer, afinal?

— Há muita agitação no Reino, Makhossa não vai assumir, mas ele está camuflando, enquanto lá fora
ele está a cabeçar uma rebelião para tomar o Reino do Rei Tawarah. O Povo já está dividido, e ele já
ganhou seguidores com esta situação toda. Minha rainha, levante-se, e tome de volta o controle do
Reino.
— Nizo. - Gritou Malua.

—Sim, minha rainha. - Respondeu Nizo, enquanto abria à porta do quarto.

— Vai agora, e chame a Xama Kanga. - Disse Malua.

— Ela está no pátio com o mestre Shona.

— Então chame ela agora, apenas ela.

Nizo saiu e foi chamar por Kanga.

— Minha Rainha, eu sei que sou apenas uma jovem, e que não tenho experiência nenhuma, mas eu falo
o que eu vejo com os olhos da alma, e não com os olhos do corpo.

— Está bem, filha. Eu ouvi tudo. Agora preciso de falar com Kanga.

— Não confia em mim, minha Rainha?

— Filha, olha para mim. Eu tenho plena confiança em ti, tanto é que para mim tu és e sempre serás uma
filha. Mas neste momento, tu é que precisas confiar nas tuas visões. Se algo te mostrou que eu sou a
pessoa que deve resolver isto, então confia.

— Está certo, minha rainha.


Malua pediu que todos saíssem, e a deixassem a sós com Kanga.

— Veja onde está meu filho.

— Minha Rainha, está bem?

— Deixa-te disso. E veja agora onde está meu filho.

— Minha Rainha sabe que não posso fazer isso.

— Nós somos amigas há anos, Kanga, e sabes que não te pediria tal coisa se não fosse importante.

Kanga pegou no seu alguidar e colocou água cristal, balançou devagarinho a água dentro do alguidar,
enquanto olhava para o fundo, em busca da resposta que Malua precisava.

— Diga alguma coisa.

— Minha rainha, seu filho, já ultrapassou o quinto céu. Ele está a caminhar já a cinco dias.

— Tens a certeza?

— Sim, minha Rainha.

Malua levantou-se da cama, tomou seu banho de sais, depois vestiu-se com o traje que seu marido mais
gostava, colocou suas jóias mais lindas, fez seu melhor penteado, e saiu do seu quarto.
Malua estava fraca, mas a cada passo que dava pelo corredor, se fortalecia, em direcção à sala magna.

Tawarah chamou as tropas, e exigiu que lhe dessem respostas sobre as buscas pelo seu filho.
Disseram-lhe que tudo já havia sido feito, e não conseguiram encontrar Talib.

— Um rapaz conseguiu fugir de tropas formada por guerreiros bravos? É isso que estão a dizer-me?

— Eu mesmo liderei as tropas, meu Rei, procuramos Talib até debaixo das pedras, não o encontramos.

— Voltem e procurem por ele, passem por todos os caminhos e limites, eu quero que encontre meu
filho.

— Meu Rei está a ordenar que as tropas deste Reino, ultrapassem os cinco céus para ir atrás de Talib?

As portas da sala do trono escancararam-se, todos admiraram e viraram-se para ver quem ousava
interromper aquela reunião. Malua olhou para o fundo, e viu seu Rei sentado no trono, e a sua volta os
comandantes, o chefe da guarda, Makossa, Shona e os outros conselheiros.
Tawarah quando a viu levantou-se espantado.

— Malua. - Disse Tawarah.

— Sim, meu Rei.

Tawarah, rapidamente foi até ela, e segurou as mãos da sua amada.


— Aqui estou! Como te sentes?

— Desculpa por interromper esta reunião. Eu sei que ela é importante, mas queria pedir um minuto em
particular.

Tawarah, pediu para que todos saíssem e lhe dessem dez minutos para que pudesse falar com a Rainha.

Makhossa puxou seus homens para um canto e chamou alguns conselheiros.

— Vocês estão a ver, o Rei quer infringir as regras deste Reino, que foram guardadas por anos para
nossa segurança. - Disse Makhossa.

— É verdade! Não tem limites, colocar a vida de todos em risco por causa do filho dele. - Disse um dos
conselheiros.

— O Rei Tawarah destruiu sua família, por não conseguir educar seu filho, e agora quer destruir o nosso
reino. - Disse um dos comandantes.

— Não devemos permitir. Está mais que claro que o Rei Tawarah, já não tem mais condições para
reinar, vamos entrar lá, e exigir que ele se afaste por bem, e que seja empossado em seu lugar outro Rei.

Eram a maioria, e podiam sim, exigir que Tawarah entregasse o trono...

Cont...
_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 14_

— Edhy. - Suspira Talib, ao sentir pingos fortes baterem em seu rosto. E perguntou-se vendo a sua volta
tudo diferente do que já havia visto antes: — Onde estou?

Ao seu redor até o verde das folhas, era outro.

— Essa chuva! - Reclamou Talib, enquanto olhava à sua volta, na esperança de ver um lugar para se
abrigar.

Tentou correr, mas estava tão cansado, e faminto que não tinha forças, então, acabou abrigando-se por
debaixo de uma árvore, até que a chuva parou.
Quando parou de chover, Talib saiu de baixo da árvore e começou a caminhar.

— Poxa, até o sol daqui é diferente, é tão forte que chega a parecer que vai furar minha pele.

Talib passou o dia todo a andar, aliás, a arrastar-se, até que chegou numa estrada de asfalto.

— Isto deve ser asfalto. Se bem me lembro, há registro de que a primeira estrada de asfalto, foi feita na
Grã-Bretanha. É incrível, existe mesmo. Estou tão ansioso para ver que tipo de veículo passa por cima
disto.

Talib, andava por cima da estrada, orgulhoso pela grande descoberta que havia feito.

No Reino Orela, assim que Whandia chegou a casa, pegou no alguidar colocou água cristalina, e
procurou por Anaya.
Procurou por minutos, mas não a encontrou, então, pegou em pedras transparentes e jogou no
alguidar, diziam que era para dar claridade, porém continuava escuro e não via nada.

— Porrah páh. - Gritou Whandia.

— É a quinta vez, só nesta semana que te vejo a ralhar com o alguidar, o que queres tanto ver que não
te mostra? - Perguntou Kanga.

— Preciso ver Anaya. - Respondeu Whandia.


— Já te disse para desistir, há anos que tentas fazer isso. Me arrisco a dizer que só aprendeste a ver
através do alguidar, por causa dela.

— Isso, não é verdade.

— Não te esqueças que não sou só a Xamã deste Reino, também sou tua mãe.

Whandia baixou a cabeça.

— Filha! O que nós sabemos, o que nós fazemos, não é para o mal, é para o bem. Nós temos uma
missão muito importante neste Reino. E se não compreenderes isso, será em vão todo o conhecimento.

— Mamã, tudo isso é porque quis ver Anaya?

— É feio coscuvilhar a vida das pessoas sem que te peçam. E sobre Anaya, todo seu esforço é em vão,
mesmo que tentes, não a vais ver.

— Porquê? É isso que eu quero saber.

— Aquela menina tem muita luz.

— Que luz, o que isso tem haver?.

— Não sei, nem eu entendo. É como se fossem forças do bem a protegessem.

Aquilo só fez com que Whandia ficasse com mais raiva de Anaya, porém estava cada vez mais claro que
não poderia fazer nada contra ela.
O dia já estava se despedindo, quando enfim, Talib ouviu um barulho. Era um carro aproximando-se.
O dono do carro buzinava desesperado, pois Talib caminhava bastante à vontade, até que o senhor teve
mesmo que travar para não passar por cima dele.

— O que deve ser isto, parece-me que tem rodas? E carrega alguém lá dentro. - Continuava Talib a falar
sozinho.

— Que brincadeira é essa rapaz. Vens do mato? Não sabes que não se anda no meio da estrada.

— Peço perdão, meu bom homem. Venho mesmo do interior, tudo o que vejo é novidade para mim,
perdoe a minha ignorância.

— Tudo bem, mas ande pela berma, senão não verá mais nada. - Disse o homem.

— Está certo. Muito obrigado!

— Para onde vai? Quer boleia?

— Ahm sim, muito obrigado.

— Para onde vai?

— Eu...
Eu... vou a uma cidade...

— Que cidade?
— Sim uma cidade aqui perto.

— Quelimane ou Mucuba?

— Sim, sim Mucuba.

— Sinto muito! É noutra direcção e eu vou a Quelimane.

— Não, não, eu queria dizer Quelimane.

O homem olhou para Talib e percebeu que não sabia para onde ia. Talib tinha um rosto bonito, era tão
simpático, que até dava pena.
Olhou para ele, e disse que podia entrar no carro. Talib puxou à porta, mas ela não abriu-se, insistiu com
mais força e nada.

— Calma! - Disse o senhor.

Então ele saiu do carro deu à volta, e ensinou Talib como deveria fazer para abrir à porta.

Talib agradeceu e entrou no carro. Durante a viagem eles conversaram.

— Meu nome é Santos Malfoi.

— Ahm... sim, meu nome é Talib Tawarah.

— Fala-me de ti? O que fazes? - Perguntou Santos.


— Estou à procura de trabalho.

Foi a única coisa que passou pela cabeça de Talib, ele não podia dizer de onde vinha, e nem as suas reais
intenções, o achariam louco.

Entraram na cidade já de noite, Talib fascinou-se com as luzes na estrada, o tipo de casas, umas largas,
outras compridas, porém devia conter-se para não parecer mais tolo.
Santos levou Talib para sua casa, alimentou-o e ofereceu a sua garagem para que ele passasse à noite.

Como forma de agradecimento, Talib levantou-se cedo e tratou do jardim da casa do senhor Santos.
A esposa dele, ficou feliz quando saiu e viu o jardim dela tão bem feito. Foi ter com o marido e disse que
devia empregar Talib, pois era habilidoso.

Então, Talib passou a trabalhar na casa de Santos, nem sabia quanto valia o trabalho, aceitou o salário
pois tinha garantido teto e alimento, enquanto aproximava-se do filho de Santos, um menino de onze
anos, para saber um pouco do que precisava sobre o mundo onde estava.

Em Orela, havia paz. Alguns meses depois, do desaparecimento do príncipe já não se falava tanto.

Egary com sua dedicação e senso de responsabilidade, ganhou espaço e por fim o Rei Tawarah, o
indicou para a função que era de Talib.
Makhossa encheu-se de orgulho, e sublinhou que o filho merecia aquele posto já em tempos.
Com isso, Makhossa e o filho, pararam um pouco com as agitações, e focaram em outros planos mais
lucrativos...

Anaya saia pouquíssimas vezes de casa. Era difícil, não só por ter que encarar as pessoas, mas
sobretudo, das lembranças de Talib, que tinha em todos os lugares por onde ia.

Ntsai estava cada vez mais forte lutando para ser indicada como a primeira guerreia a se tornar
comandante.

Tawarah e Malua, não deixaram de chorar pelo filho, sem saber o que aconteceu com ele. Mas, diante
do Reino, permaneciam fortes e firmes, cumprindo com a sua missão.

Passaram meses. Certas vezes encontrava-se Talib pensando como estavam seus Pais, Anaya, e todo o
povo. Sentia-se mal com as consequências que seus actos poderiam ter causado.

— É melhor eu voltar. Mas será que meu Pai me aceitara de volta?

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_


[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 13_

Tawarah sentia-se incapaz, por não poder dar a sua esposa o filho que ela tanto amava.

— Como te sentes? - Perguntou Tawarah, e disse: — Senta-te, precisas descansar.

— Acalma-te, meu Rei! Sinto-me mal, pois no momento em que precisas de mim, me mostro fraca. -
Disse Malua.

— Não te preocupes com isso. Vou cuidar de ti para que fiques boa rápido. Eu l prometo-te, que vou
trazer nosso filho de volta.

— Não é isso que importa agora.

— O que importa mais que o nosso filho? - Perguntou o Rei.

— O nosso povo. - Respondeu a Rainha, e disse: — Não estou a ser a Rainha de um grande Rei. Estou a
ser apenas uma Mãe fraca, e não é isso que se espera de uma Rainha.

— Malua, é nosso filho.


— Shiii. - Tocou levemente os lábios do seu Rei.

— Amado, esta situação choca-nos a todos. Porém, nós dois sabemos que todos os habitantes deste
Reino são nossos filhos, não podemos arriscar a vida de todos os nossos filhos por causa de um filho
rebelde.
Entende, nós como Pais, fizemos de tudo para educar nosso filho, e mostrar a ele os caminhos certos,
porém Talib fez a escolha dele. Vamos deixa-lo seguir seu caminho, e seu destino.
O nosso destino é cuidar e proteger este Reino, foi isso que nós escolhemos e é isso que nós vamos
fazer.

— Estás a dizer para pararmos de buscar o nosso filho?

— Sim! Já chega, enquanto estamos ocupados sendo Pais de um menino que não quer ser filho, o nosso
Reino está sendo destruído por agitadores.

— Shona comentou algo parecido, mas eu não lhe dei ouvidos.

— É verdade, meu Rei, o nosso povo está dividido, e tem um grupo organizando-se para tirar-te do
trono.

— Ahmmm, céus! Onde é que eu estava com a cabeça, que não dei importância ao que posso controlar?

— Ainda não está estragado.

— O que faremos, então?

— Aqueles homens que estão lá fora, estão a espera que cometas apenas mais um erro, com a
segurança deste Reino, para te destronarem. Acredita no que estou a dizer.
— Será?

— Eu não estaria aqui se não fosse verdade. Eu assumi que perdemos o nosso filho, mas não
perderemos este Reino.
A pessoa que está em frente dessa agitação toda, você conhece, e se passares a analisar com calma, o
desmascararas antes do que ele imagina.

A conversa entre o Rei e a Rainha terminou, e então Tawarah manda entrar a todos.
Tawarah, mais frio, viu olhares estranhos e então pôde perceber que algo estava a acontecer.

— Desculpem pelos minutos que roubei. Como sabem, que a nossa Rainha não está muito bem de
saúde, precisava conferir se está tudo bem com ela. - Disse o Rei, e perguntou: — Onde paramos?

— Sua Magestade, ordenava que as tropas ultrapassassem os cincos céus para ir atrás do príncipe. -
Disse Makhossa.

— Ehhh... foi isso que eu disse? - Perguntou o Rei.

— Sim, foi o que disse meu Rei. - Disse um dos conselheiros.

— Cheguei a dizer mesmo cinco céus? - Perguntou o Rei.

— Não, meu Rei, pediu para as tropas ultrapassarem todos os limites, até encontrarem o príncipe.

— Ahmmm, sim! Foi o que disse. - Disse o Rei.

— Do que se referia, quando falava de todos os limites? - Perguntou Makhossa.


— Me referia à todas as casas, ao mar, ao rio, nos montes. - Disse o Rei.

— Mas eu disse que as tropas já fizeram todas as vasculhas, e que chegaram até ao limite para o
primeiro céu. Disse Makhossa.

— Ahmm... não percebi essa parte. - Disse o Rei.

Makhossa, fica raivoso ao perceber que o Rei mudou de ideia.

— O Rei mandou que as tropas ultrapassassem todos os limites. E só estamos à espera do senhor
confirmar para avançarmos, pois, nós apenas acatamos as suas ordens. - Disse Makhossa.

— Que bom, que apenas acatam as minhas ordens. - Disse o Rei, e continuou dizendo: — Vamos
acalmar-nos todos. Quero aqui, perante a minha esposa, a Rainha de Orela, o grande mestre Shona, e
aos conselheiros, agradecer a todos pela atenção e apoio que deram a minha família na busca pelo
nosso filho. Uma vez que ultrapassamos todos os limites autorizados pela lei, vamos cessar as buscas, as
tropas já fizeram muito, aliás, tudo o que podiam, então, este é o momento para descansar. Vamos dar
atenção ao que realmente importa, o nosso povo.

— E o seu filho? O príncipe Talib. - Disse Makhossa.

— Esse é um assunto que passou a ser familiar, não há necessidade de ser discutido nesta reunião. -
Disse o Rei.

— E se ele ultrapassou os cinco céus? Poderá colocar-nos em risco. - Disse Makhossa.

— A esta hora, Talib, ou está escondido em algum lugar, ou já foi devorado por algum leão ou hienas
famintas, não há razão de nos preocuparmos. - Disse o Rei.
— Talib não era apenas o príncipe, ele foi condecorado como o responsável pela parte administrativa do
Reino.

— A saída de Talib não mexeu a estrutura da sua área, que é a segurança do Reino. Então, fique
descansado. As funções que ele desempenava, passaram a ser desempenhadas pelo mestre Shona, até
que se encontre alguém ideal para a função. Mestre Shona, reúna o povo na praça, em quinze minutos
vou me dirigir a eles. - Disse o Rei.

Mais uma vez, seu plano não deu certo. Talib havia abandonado o Reino, mas o Rei se recuperou a
tempo de não cometer nenhum outro erro. Dessa forma, todo o discurso dele, de que o Rei estava
incapaz de colocar interesses pessoas, na frente das leis do Reino, ficou afundado, em suposições sem
fundamento.

— Pai, controla-se, estão todos a olhar para si. - Disse Egary.

— Estou com raiva disto tudo. Mais uma vez nosso plano foi arruinado. - Disse Makhossa.

— Desta vez, deu para semear discórdia, e ver quem não está satisfeito com a gestão do Tio Tawarah.
Agora o foco deve ser, em eu ser indicado para ocupar o cargo que era de Talib.

— Tens razão, vamos manter o foco nisso, enquanto estudamos outra forma de o enfraquecer.

— Silêncio por favor, o Rei Tawarah vai falar. - Disse Shona.

— Povo deste glorioso e belíssimo Reino Orela. Venho aqui hoje, primeiro como Pai, agradecer à todos
por terem nos ajudado a procurar incansavelmente pelo nosso príncipe, apesar de que
lamentavelmente não tenhamos o encontrado.

Segundo, dizer que as buscas terminaram, e vamos aceitar o destino que lhe foi reservado. Depois dizer
que a vida do reino continua. Se em algum momento deixei transparecer, ou, se ouviram rumores que
eu estava fraco, doído, ou descontrolado, esqueçam, eu estou em pé, para fazer valer o meu juramento.
Eu, Rei Tawarah, jamais, por motivo algum, abandonarei este reino e o meu amado povo.

Muito obrigado à todos, a vida segue. - Disse Rei Tawarah.

Todos aplaudiram o Rei, dando ele a certeza de que o apoiavam e que estavam ao lado dele.

Talib estava desacordado, jogando no chão, quando começou a chover. Os pingos batiam cada vez mais
forte em seu rosto, até que...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ``Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃRS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 15_
— Ele jamais me aceitaria de volta. Eu já não existo para eles. - Respondia-se.

Ali, olhava ao seu redor, via o tipo de vida que levavam, lembrava-se que estava perto de suas respostas
e animava-se a continuar.

Santos ajudou Talib a conseguir documento de identificação. Disse que Talib era do interior e que não
sabia ao certo de onde vinha, e como tinha alguns conhecidos, conseguiram ajudá-lo a ter cédula
pessoal, Certidão, e depois o Bilhete de Identidade.

Talib, por causa da sua idade não havia necessidade de ser matriculado na primeira classe, foi
submetido a um teste psicopedagógico e de conhecimento científico, foi avaliado por uma escola, e
concluíram que podia fazer exames do ensino básico.

Talib fez os exames em tempo recorde, e teve as melhores notas. Então, deram-lhe um tempo para que
se preparasse para fazer o exame para o ensino médio, Talib fez e teve notas muito boas. Com o passar
do tempo, Talib ia aprendendo mais e mais, sobretudo, conhecendo a cidade onde estava, o país e o
mundo. Talib preferiu agir daquela forma, para não levantar suspeitas.

Então, foi desafiado a fazer exame de admissão para a melhor universidade do país, que havia
disponibilizado cinco vagas com bolsa de estudo, para os melhores candidatos a nível nacional.
Já era de se esperar, Talib ficou em primeiro lugar.

— Como? - Perguntavam-se os outros.


Era simples, o ensino era na base do passado, e isso Talib tinha acesso no Reino, leu tanto, aprendeu
tanto, que muitas coisas ele sabia até em decor.

Talib agradeceu a Santos e sua família, por terem ficado com ele durante mais de um ano.
Quando estavam ali a despedir-se, chegou à casa um oficial da justiça, a informar que tinham cinco dias
para pagar a hipoteca da casa, caso contrário seriam despejados.

Santos estava desesperado. Ele explicou que pediu empréstimo bancário para pagar uma cirurgia para o
filho, há uns anos, mas nos últimos meses, estava com dificuldades de pagar.

Talib foi buscar todo dinheiro que Santos o deu como salário e o entregou.

— Aqui está, não sei se paga o que deve. - Disse Talib.

— Por que não lhe paguei mais? O valor seria mais alto. - Pensou Santos, e disse: — Muito obrigado,
ainda falta, mas já dá para pagar pelo menos alguns meses que estão atrasados, e renegociar um outro
prazo.

Talib passou à noite toda a pensar como faria para ajudar aquela família, que o acolheu sem mesmo lhe
conhecer.
Então, lembrou do saquinho que Makossa lhe deu.

Levantou-se e foi bater a janela do quarto do filho de Santos.


— Podes ajudar-me a investigar umas coisas na internet? - Perguntou Talib.

O miúdo, como sempre, ajudou Talib.

— Procura saber quanto vale pedras preciosas.

Pelos resultados Talib viu que dependendo do tipo, valiam muito dinheiro. Foi ao detalhe e percebeu
que as coisas que ele tinha valiam uma fortuna.

O que ele haveria de fazer?

Dia seguinte tinha que ir a capital do país. No entanto, queria ajudar. Mas não podia chamar atenção.

No dia seguinte, Santos e o filho foram deixar Talib na terminal de autocarros, despediram-se e ele
partiu.

Como a estrada não estava em boas condições, levariam dois dias de viagem.
Chegou à cidade, Talib ficou encantado com tudo que tinha ali.

— Não é possível. Onde estava este mundo durante este tempo todo? - Perguntou-se Talib.
Pegou um táxi e foi ao endereço que estava escrito. Era um lar da Universidade que lhe deu a bolsa.

No Reino Orela, naquele dia, Anaya foi visitar Malua.

— Como estás filha? - Perguntou Malua.

— Bem mãe, e com a senhora? - Perguntou Anaya.

— Vou levando.

— Vim lhe dizer que Talib está bem.

— Apareceu em suas visões?

— Sim, minha Rainha! E ele estava feliz, com uma cara de que havia conseguido algo muito importante
para ele.

— Isso alivia minha dor.

— Ele mudou de lugar. Já não mora onde morava antes.

— Só espero que meu filho não se machuque muito.

— Ele está feliz, é isso que importa. - Disse Anaya

— E tu, filha, como vai tua vida?


— Eu estou bem.

— Precisas refazer a sua vida Anaya. Tens que esquecer aquele maluco. Está aí Egary, é um bom rapaz e
ele gosta tanto de ti, apesar do Pai dele ser um bandido, ele é um bom rapaz.

— Mãe, não consigo. Já falamos sobre isso, meu coração está bloqueado. Eu não quero iludir ninguém.

Malua lembrou-se que Kanga disse-lhe que as almas de Talib e Anaya nasceram ligadas. Anaya sempre
que podia, contava para Malua sobre como estava Talib, era o segredo delas.

Na capital, Talib aprendeu rápido como tudo funcionava, tinha uma semana para organizar-se antes das
aulas começarem.

Falava, algumas vezes com Santos e o filho, para saber como eles estavam e para contar como ele estava
se saindo na capital.

Certo dia, depois de muito investigar, Talib conseguiu um lugar onde podia trocar diamante por
dinheiro.

Aí teve a certeza de que o que tinha em sua posse, valia muito dinheiro.
Pegou na maior parte do dinheiro e depositou na conta de Santos, depois ligou para ele, e disse que
havia mandado dinheiro para pagar toda a divida e mais algum, para ajudar em seu negócio.

Santos procurou saber onde ele havia conseguido tanto dinheiro. Talib mentiu que conseguiu emprego
na empresa de um milionário que lhe empestou o dinheiro. Pediu para que Santos se acalmasse, disse
que ganharia bem, e em alguns meses devolveria ao patronato.
Santos não podia recusar, afinal, já não tinha mais tempo.
Anaya cada vez mais entendia seus dons. Egary não cansava de correr atrás de Anaya. Makhossa
roubava através do filho.
Ntsai tornou-se a primeira comandante mulher do Reino.
O Rei e a Rainha seguiam firmes. Whandia, vivia esfregando-se com Egary clandestinamente, e
atazanando Anaya sempre que podia.

Passaram-se quatro anos, Talib dedicou-se à escola, e já estava no fim do seu curso.

Naquela tarde, Talib estava no refeitório quando chegaram dois jovens que também estudavam naquela
Universidade.
Pegaram no seu lanche e mandaram um jovem meio acanhado sair da mesa onde estava, para que eles
pudessem se sentar.
Talib levantou-se e foi lá tomar satisfações.

— Sempre que chegam aqui tem de criar tumultos, será que é mesmo necessário? - Perguntou Talib.

— O que tens haver com isso? Devias te preocupar com a tua vida.

— Jovem, todos nós estamos aqui na mesma condição.

— Na mesma condição não. Uns pagam sem problemas, como eu, outros pagam a rasca, como o teu
amigo ali, outros ainda, estão por caridade como você. Então, não estamos aqui na mesma condição.

— Hum... tudo bem. E no certificado de licenciatura que cada um vai receber virá isso, escrito?

— Não! No certificado terá nota medíocre para você, nota boa para meu amigo ali, e excelente para
mim.
Mas não é disso que estou a falar...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

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_Capítulo 16_

— Muito engraçadinho, seu panaca. E o que adianta ter certificado com um bom, ou um excelente, se
no final, o seu amigo com bom, vai acabar fazendo contas para pessoas como eu, e você com excelente,
acabará servindo mesas para pessoas como eu?
Olha para ti, seu desgraçado. Nem pareces deste planeta, te vestes mal, comes mal, falas mal. Não
passas de um pacóvio, e tens audácia de vir aqui, insultar o filho do dono do lugar que faz caridade para
ti.
Recolha sua insignificância e saía daqui, seu palerma, antes que eu discuta sobre sua situação na mesa
da minha casa, e decida expulsar-te, antes de receberes o teu certificado com nota excelente.

— É incrível que pessoas com pouca inteligência, usam poder e bens para menosprezar e manipular
pessoas que não têm domínio próprio. Sabes por quê não consegues me humilhar?
— Não! Diga.

— Porque eu vivo a vida que eu quero viver. E quando eu quiser, viverei a vida que tu estás a viver. -
Disse Talib.

Podia até dizer que não se sentiu humilhado, mas estava claro que, lá no fundo lhe doeu, principalmente
por ter sido chamado de extraterrestre e pacóvio.

Frank, o jovem que ele defendeu, agradeceu, e disse que não precisava ter se incomodado, pois já
estava acostumado a ser humilhado.

— Nada disso! Shiii... esse jovem é tão arrogante, fez me recordar a chata da minha irmã.

Os dois se riram.

— Olha, é Frank seu nome, nem?

— Sim, sim! E tu és Talib, o melhor aluno da Faculdade de Finanças!

— É impossível não me conhecer, os docentes adoram me usar como exemplo do menino batalhador,
que ganhou bolsa de estudo.

Os dois riem-se novamente.


— Pelo menos o dinheiro daquele arrogante, está a ajudar um servente de mesa a se formar em
Finanças.

— Hoje o Câmpus está vazio. Ou é impressão minha?

— Não viste os cartazes?

— Que cartazes?

— Hoje vão inaugurar o melhor e maior Club Noturno do país. O famoso Burning Fire.

— O que fazem nesse Club Noturno?

— Nunca estiveste num?

— Nunca!

— Bebe-se, come-se, dança-se, canta-se, e não é de qualquer maneira. Tudo com estilo.

Então, Frank explicou tudo o que acontecia num Club Noturno.

— Não entra qualquer um. Tem de ter status, normalmente oferecem convite, ou compras o bilhete de
entrada, mas custam caro.

— Caro, quanto?

— Pode custar até uma mensalidade desta faculdade.


— Eshy... Depois a comida e a bebida é grátis?

— Claro que não, pode custar dez vezes o preço da praça.

— Estou curioso. - Disse Talib.

— Vais ficar na curiosidade irmão! Nenhum de nós dois têm dinheiro, nem para passar na calçada
daquele lugar.

— Estou mais curioso ainda. Prepara-se, passo buscar-te às vinte e três horas.

— Talib, ouviste o que te disse?

— Sim, ouvi.

— Ehhhh, não conta comigo. Já esgotei a cotação de humilhações desta semana, não tenho mais espaço
para nem mais uma humilhação.

— Deixa disso, vamos sim, ver de perto o que acontece nesse lugar.

— Vão nos chutar logo na entrada.


Nem eu, nem tu, temos roupa para isso.

— Eiiii.... Calma! Não te preocupes, eu mando-te algumas roupas minhas, alienígenas.

Os dois riram-se.
Talib foi procurar o mesmo homem que o ajudou a vender o diamante, e vendeu mais uma pedra.
Ganhou um bom dinheiro com aquela venda, parou numa loja luxuosa, e comprou dois fatos e sapatos,
para ele e para Frank.

Os dois aprontaram-se e as vinte e três horas, estavam parados na entrada do Câmpus.

— Vamos a paragem. - Disse Talib.

_ Ehhh amigo, naquele lugar não se chega a pé. No mínimo vamos de táxi, nem. - Disse Frank.

— Isso também controlam?

Chamaram um táxi, e foram os dois: o pobre e o extraterrestre para inauguração do novo club.

— Veja só estas pessoas, todas elegantes. Vamos embora Talib, vão nos escorraçar daqui. - Disse Frank.

— Uau, quem é aquela moça, tão linda, parece uma pérola? - Perguntou Talib, todo fascinado.

— Não a conheces? - Perguntou Frank.

— Nunca a vi.

— Tens que comprar um bom telefone para aderires às redes sociais. Ela é a Chloe, a predileta do
Instagram. Hei... Talib.
Ele estava enfeitiçado.

— Talib. - Gritou Frank.

— Oi! Desculpa.

— Ganhaste juízo? Vamos embora nem?

— Claro que não, mais do que nunca agora é que vamos entrar.

— Não conseguiremos pagar o ar daquele lugar, devem estar a cobrar por minuto.

— Vamos! Acompanha-me.

Antes de permitirem a entrada deles, pediram que apresentassem os convites.

— Não sabia que precisava de convites. - Disse Talib.

Os seguranças riem-se da pronuncia de Talib.

— Precisarias frequentar lugares como estes para saberes disso. - Disse um dos seguranças.
— Vamos embora. Eu falei-te. - Disse Frank.

— Espera! - Disse Talib. E de seguida perguntou num dos seguranças: — Qual é outra forma para entrar
neste Club?

— Dinheiro. - Disse um dos seguranças.

— Quanto?

— Jovem, não nos faz perder tempo. Peço para afastar.

— Acalma-se. Podemos nos entender. É só dizer quanto temos que pagar.

— Paga lá dez paus.

— Talib eu avisei-te. Vamos embora. - Disse Frank mais uma vez.

— Calma! - Disse Talib.

Talib vai ao bolso das calças e tira algumas, notas. Conta algumas notas, e entrega ao segurança.

— Não sei onde roubaram esse dinheiro e esses fatos, que se vê que são de marca. Mas é melhor
tirarem pelo menos a etiqueta, podem encontrar o dono da loja lá dentro. - Disse um dos seguranças.

- Obrigado! - Disse Talib, enquanto ria-se.


— Isso é um luxo. Até dói pisar neste chão. - Disse Frank, e acrescentou: — Talib! Haja normalmente,
senão vão nos expulsar mesmo.

Uma servente aproximou-se e convidou-lhes para ocuparem uma mesa.

Talib agradeceu, e seguiram a senhora.

Passado algum tempo, Frank e Talib já estavam ambientados, quando chegou um grupo de jovens,
todos bem vestidos, bons relógios, sapatos cheios de estilo, e com uma mistura de cheiros que
abafavam cada lugar por onde passavam.

— O que estes palhaços fazem aqui?

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

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_Capítulo 17_
— Max! Ignore aqueles pobres jovens, devem ter entrado nas escondidas. - Disse um dos amigos.

— Vão sair enxotados daqui, para que conheçam o lugar deles. - Disse Max, e acrescentou: — Vocês não
conhecem o vosso lugar.

— Boa noite! Seja bem-vindo, a festa está óptima. - Disse Talib.

— É melhor saírem já daqui, antes que chame os seguranças, para vos tirarem daqui aos pontapés.

— Relaxa, colega! Curta a festa, aqui ha espaço para todos.

— Este não é espaço para vocês. Eu vou chamar o segurança.

— Não há motivos para discussões. Eu vim para conhecer este lugar espetacular e me divertir bastante.

— Seguranças, seguranças. - Gritou Max.

O chefe da segurança foi rapidamente atendê-lo.

— Boa noite senhor.

— Tira esses dois daqui, imediatamente.

— Porquê senhor? - Perguntou o segurança.

— Não consegue ver? Esses dois são jacques. Quero eles fora daqui, antes que eu fale com o vosso
patrão.

— Desculpa, mas não podemos mandá-los embora, dessa maneira.

— Porquê? Estás a afrontar-me?

— De maneira alguma, senhor.

— Estes jovens pagaram pelo ingresso na entrada. __Pagaram?

— Sim senhor, pagaram dez mil.

— Desculpa o incidente senhor segurança. Tudo passou por um mal entendido. Pode voltar ao seu
trabalho. - Disse Talib.
— Onde vocês apanharam dinheiro para estar aqui? - Perguntou Max, furioso.

— Olha, fica à vontade, coma o que quiseres, beba o que quiseres, tudo o que desejares, hoje será na
minha conta. - Disse Talib.

— Quem você pensa que é? Acha que sou um morto de fome?

— Não! De forma alguma, estou apenas a ser gentil. E olha, pago a conta de todos seus amigos. Fiquem
à vontade, hoje tudo é por minha conta. - Gritou Talib, chamando a atenção de todos.

— Não vou perdeu meu tempo com esse palhaço. Pessoal, vamos embora. - Disse Max.

Max e seus amigos, retiraram-se e subiram para a área VIP. Todos ficaram a olhar para Talib e Frank.

— Vamos curtir pessoal. Peçam tudo o que quiserem na minha conta, fiquem à vontade. - Disse Talib.

— Não seja tolo, achas que isto é o Bar da dona Joaninha? - Perguntou Frank.

— Relaxa! Vamos dar uma lição nesses riquinhos. Fiquem à vontade, tudo na minha conta. - Gritou Talib.

Ricos? Não sei não, a verdade é que o balcão em pouco tempo ficou cheio, e as chamadas aos garçons
não paravam.

Em poucos minutos, Frank e Talib estavam rodeados de meninas, e todos ao redor queriam saber quem
era Talib, e os que lhe conheciam da Faculdade, queriam saber como um bolsista podia se dar àquele
luxo.

Martin, o dono do lugar, chamou o chefe da segurança e procurou saber o que estava a acontecer. Com
todos detalhes, o segurança contou-lhe tudo o que aconteceu.

— Vê-se que não são da socialite.

— Hum... patrão, se eles não são ladrões, ganharam na loteria.


— Olha, fica de olho em tudo. Quando ele pedir a conta, me chame imediatamente. E se ele não pedir, e
tentar escapar, o agarrem e chamem a polícia.

— Está certo patrão.

Talib e Frank não estavam habituados àquele ambiente, depois de algum tempo já estavam exaustos,
precisando de uma cama. Talib levantou a mão, rapidamente o garçom aproximou-se. Talib pediu a
conta.

Martin foi chamado, ficou de cima olhando para o que ia acontecer. O garçom fechou a conta e levou
até Talib.

Pegou, abriu a caderneta, e viu o slip com a conta. Foi ao bolso tirou umas notas, foi ao bolso do casaco
tirou um maço, juntou e colocou na caderneta.

Talib levantou-se para sair, o segurança aproximou-se deles, e disse que precisavam esperar. Talib, era
inteligente, percebeu que queriam ter a certeza que o dinheiro estava completo. Minutos depois
recebeu o sinal que podiam sair, e Talib foi liberado.

— Quem é aquele jovem? - Perguntou Martin.

— Não sei, patrão, só sei que calou a boca de todos seus amigos hoje.

— Preciso saber quem ele é.

— Ahm... pergunte o senhor Max, foi com ele que discutiu. E parecia que conheciam-se.

— Ahm sim, Max, o mimado, cunhado da minha irmã?

Martin foi ter com Max.

— Qual é o nome daquele jovem com quem discutiste lá em baixo? - Perguntou Martin.

— Aquele pacóvio de merda. Porque queres saber?

— Esteve no meu Club, pagou entrada sem pestanejar, e pagou uma conta de mais de cem mil, quero
dar-lhe um cartão VIP, para que ele possa ter acesso livre.
— Pagou conta? Que conta?

— De todos que quiseram lá em baixo.

— Aquele desgraçado pagou a conta de cem mil?

— Sim, já te disse.

— Merda.

— Assim vais nos fazer conviver com aquele extraterrestre?

— Eu falo a língua do dinheiro, não me importo com socialite, isso deixo para vocês que se importam
com seguidores. Vais me dizer quem ele é, ou não?

Max calou-se, mas um amigo que também estudava na Faculdade, contou ao Martin tudo o que sabia
de Talib.

— Se aquele jovem frequentar este lugar, eu e a minha malta não colocaremos mais os pés aqui. - Disse
Max.

— Se acalma rapaz, o mundo é grande e este lugar também, há espaço para todos. - Disse Martin.

Martin estava ansioso para conhecer Talib, e entender aquele contraste, como podia uma pessoa que
parecia ser um extraterrestre, com bolsa de estudos, ter tanto dinheiro para gastar com pessoas que ele
nem conhecia.

Talib e Frank passaram o final de semana rindo das lembranças da festa de sexta-feira.

Na manhã da segunda-feira, Martin foi ao encontro de Talib.

— Meu nome é Martin. - Disse estendendo sua mão, educadamente para Talib.

— Talib. - Responde, correspondendo imediatamente com aperto de mão.


— Sou o dono do Club onde esteve na sexta-feira.

— Fiquei a dever alguma coisa?

— Não, fica tranquilo. Vim agradecer pessoalmente, por ter estado connosco, me desculpar pelos
incidentes que aconteceram naquela noite, e oferecê-lo este cartão VIP, para que tenha acesso ao Club
quando quiser.

Talib se espanta com tanta simpatia, chegou até a recordar-se do seu povo, que era bastante calórico.

— Muito obrigado. Mas julgo não precisar. - Disse Talib.

— Por quê? Será uma honra tê-lo lá, mais vezes. - Insistiu Martin.

— Não gosto muito daquele tipo de ambiente, fui lá apenas por curiosidade.

— Compreendo, mas tem outras alas que não explorou, eu terei o prazer de mostrá-lo. Aceite o cartão e
a minha amizade! Tenho certeza que vamos nos dar muito bem...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

*Grãos de Dólares*

_Capítulo 18_

Talib estendeu a mão e recebeu o cartão.

__Muito obrigado. Disse Talib.

__Já agora, convido-lhe para a exposição de fotografia na nossa galeria, mais logo. Disse Martin.
__Nunca estive nesse tipo de eventos, não faz meu estilo.

__Já percebi. Riu-se Martin.

__Mas não vejo mal nenhum, em conheceres o outro lado do mundo, meu caro.

__Como lhe disse antes, eu lhe ofereço a minha amizade.

Talib sorriu, e acabou aceitando.

__Só espero que não se riam da tua cara, por estares a andar como um extraterrestre.

Martin riu-se, e quis saber por quê se designava daquela maneira. Então, Talib contou-lhe que era assim
que Max e seus amigos o chamavam, por ser diferente.

Martin disse que parecia a coisa mais simples de resolver, e ofereceu-se a ajudá-lo a se vestir melhor.

__Vamos, entre em meu carro, vamos tomar um café, enquanto tratamos disso.

Talib entrou no carro, sem perceber de que forma fariam compras, sentados a tomar um café.

__Eu não tenho muito tempo para frequentar lojas. Quando quero algo, entro nas lojas pelas redes
sociais, ou nas lojas on-line, escolho o que me interessa, faço pagamento usando as vias eletrônicas.
Dessa forma poupo meu tempo, e evito estar em enchentes, ou a fazer movimentos desnecessários.

Enquanto Martin explicava, Talib se lembra do seu reino, que nem telefone usavam.

__Talib, estás aqui? – Perguntou Martin.

__Sim, estou aqui. Desculpa.

__Então, acho que já escolhemos tudo, ou queres mais alguma coisa?

__Acho que vou levar mais estas camisetes, e esses dois casacos, o cinzento e o azul.

__Não acho que o cinzento possa cair-te bem. Vai te dar ar de alguém mais velho.

__Leve este castanho, combina com uma calça jeans, e estas timbers, vais ficar muito bem.
__E deixo de parecer um alienígena.

__Deixa-te disso. Cada um tem seu estilo, é normal.

__Tu és diferente, Martin, gostei de ter te conhecido.

__Eu também, Talib. Tem algo em ti que me faz sentir que seremos bons amigos.

__Tens uma conta para fazermos o pagamento? Perguntou Martin.

__Até tenho uma conta, mas não tem dinheiro. Disse Talib.

__Tens dinheiro na conta? Podes pagar, eu te dou dinheiro vivo.

__Está bem.

__Já está feito, rápido e fácil.

Talib foi ao seu bolso, contou umas notas e devolveu a Martin.

Pela hora, acabaram almoçando, enquanto conversavam.

Em menos de uma hora, chegou até eles o jovem das entregas.

__Aqui estão as suas compras. Disse Martin.

__Isso é extraordinário, ainda fazem entregas?!

__É isso mesmo.

__Olha aqui. Quando estavas a viajar, selecionei um celular novo para ti.

__Mas eu não paguei por ele.

__Eu sei, considere um presente meu para ti.

__Muito obrigado. Não precisava se incomodar.

__Relaxa. Um amigo quer sempre o melhor para o seu amigo.

__Não esqueça de colocar no celular esses aplicativos, para que eu possa fazer as compras.
__Não tem problema, só tens que colocar dinheiro na sua conta, não penses que vou associar ao meu
cartão.

Os dois riram-se.

Talib e Martin tornaram-se muito próximos em tão pouco tempo. Saiam sempre juntos, conversavam
sobre tudo, trocavam ideias.

Martin fazia questão de levar Talib para todos os lugares.

Talib sentia-se bem com a amizade, ele mudou, ficou mais apresentável, sabia se comportar, estava
mais vaidoso.

Martin fez questão de levar Talib para conhecer outro mundo, o que ele podia ter, a mulher que ele
quisesse, aos poucos Talib ia conhecendo os prazeres da vida.

Era difícil entender se Martin gostava de Talib, ou, se estava amigo dele apenas para descobrir de onde
vinha tanto dinheiro, sem trabalhar.

Em Orela a vida seguia, Makhossa parou de agitar o povo, e se focou em roubar o reino com ajuda do
seu filho.

Num daqueles, dias Anaya teve uma visão com Talib, decidiu então contar para Shona e ver o que ele
achava, sobre contar para rainha.

__Ele estava bem?

__Não sei explicar.

__Conta exatamente o que viste.

__Ele estava com uma pessoa que era de sua confiança, pareciam estar bem, andavam por uma rua, de
dia mesmo.

__E depois?
__Viram uma mulher de cabelos longos, pele branca, muito linda, radiante, parecia uma pérola.

__Então?

__Calma Pai, estou a contar.

__Eles caminhavam cada vez mais rápido em direção àquela mulher, só que antes de chegarem a ela,
viram que tinha um precipício com bastante profundidade, totalmente escuro.

__Talib queria tanto passar para o outro lado para alcança-la.

__Pai aconteceu algo inesperado.

__O quê?

__A moca% chamava por ele, como se tivesse sentimento por ele, como se o quisesse. Do nada, o
homem que estava com Talib, o empurrou e ele caiu naquele abismo.

Shona numa acção de desespero, leva as mãos a cabeça.

__Pai, quando Talib caiu, a mulher que chamava por ele, pôs-se a rir, e festejava junto do homem que o
empurrou. Depois foram embora, juntos com um senhor já adulto, que tinha barba branca.

__Filha, foi apenas um sonho?

__Não, Pai, foi mesmo uma visão. Tenho certeza que não será como vi no sonho, mas sei que Talib está
em perigo.

Shona disse que era melhor não contar nada, até que ela tivesse uma visão clara, para não preocupar a
rainha em vão, pois ela já estava a sofrer demasiado.

Na cidade, um dia Talib foi conhecer a família de Martin.

Talib foi apresentado a mãe e o pai de Martin, pessoas muito amáveis, e bastante educadas.

__Minha mãe Emma Scott, meu pai Samuel Scott.


__Muito prazer. Estou lisonjeado por terem me convidado para jantar em vossa casa.

__Fazemos muito gosto em conhecer os amigos dos nossos filhos. Disse Samuel.

__Os seu país? Onde Moram? Perguntou Emma.

Naquele instante, tudo em volta de Talib desapareceu, ele via apenas uma pérola descendo as escadas.

Claramente, todos ali viram como ele estava deslumbrado.

__Ahm, chegou quem faltava. Esta é minha irmã, Chloe Scott. Disse Martin.

__Encantado, disse Talib, enquanto estendia sua mão.

Chloe, sem entender direito o que ele queria, estendeu a mão, pousando a mão sobre a mão dele.

Gentilmente, Talib inclinou-se diante dela, e beijou sua mão.

__Que cafona, disse Chloe para si mesma. E olhou para o irmão, que lhe dava sinal para não fazer
desfeita.

__Desculpa, empolguei-me. Na minha terra, nós cumprimentamos dessa forma às mulheres, é forma de
demostrar respeito e carinho. Disse Talib...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

*Grãos de Dólares*

_*Capítulo 19*_
__Tudo bem, vamos nos sentar, disse Martin para aliviar um pouco o ambiente.

__Então dizia que é de onde? Perguntou Emma.

__Não gosto muito de falar da minha vida, na verdade ela é triste e não tem muita coisa.

__Tudo bem, nós respeitamos isso.

__Onde moras? Perguntou Chloe enquanto balançava o pé.

__Ele está a se mudar, comprou um apartamento no centro da cidade esta semana. Disse Martin.

__É meu sonho ter um apartamento só meu, sem pais nem irmão, no centro da cidade. Disse Chloe.

__E só casar-se comigo, o que é meu será seu. Disse Talib.

Todos acharam que fosse uma piada, e riram-se.

Nem imaginavam que Talib falava sério, pois de onde ele vinha o casamento era tudo, onde ele estava
casamento era apenas um detalhe sem muito significado ou um negócio.

O jantar correu bem, a família Scott gostou de Talib, das brincadeiras dele, do jeito dele meio trapalhão
e meigo ao mesmo tempo.

Talib contou para Martin que viu sua irmã pela primeira vez, naquela noite no club, e gostou dela.

__Gostas dela de que forma?

__Estou perdidamente apaixonado por ela. Ela é tão linda, parece uma pérola.

__Tens que dizer isso a ela.

__Achas que ela se interessaria por mim?

__Claro que sim. Tu és boa pinta. Mas se não te aceitar, pelo menos ficarás com a consciência tranquila.

__Como faço para conquista-la?

__Tu conheces a tua irmã, melhor que qualquer outra pessoa.


__Minha irmã adora ser mimada. Mande rosas, orquídeas, bombons, jóias, sapatos e carteiras de marca,
ela adora essas coisas.

Talib não poupava esforços, cada dia enviava um agrado diferente para Chloe, acompanhado por um
cartão.

__Queridos, definitivamente esse jovem não é deste mundo, disse Chloe enquanto descia as escadas.

__Porquê filha? Perguntou Emma.

_Tu és a pérola mais linda que já vi. Mergulharia até as profundezas do mar, enfrentaria até o tubarão
mais feroz apenas para poder contemplar a sua beleza. Aceite o meu convite para jantar._

Todos riram-se.

__Quem nos dias de hoje escreveria este tipo de mensagem? Céus. De que planeta vem este homem?
Perguntou Chloe.

__Filha, ele é tão doce. É uma pena que vocês as mulheres de hoje não valorizam detalhes valiosos.
Disse Emma.

__Mãe não começa.

__Vais acetar jantar com ele. Disse Martin.

__Para te agradar? Ahm não. Nem pensar. Nem aguentaria passar trinta minutos a sós com aquele
homem.

__Desculpa meu irmão, mas não vou, nem que ele encha esta casa com rosas vermelhas lindas como
estas.

__Se aceitares o convite dele eu te dou meu carro aquele que tanto queres por um mês.

__Martin estas a falar sério?

__Sim. O carro ficará contigo por um mês.


__É pouco, dois meses e eu lhe mando uma mensagem bastante educada a aceitar o convite.

__Fechado.

__E o seu namorado? Perguntou Emma.

__Mãe por favor, tome seu pequeno almoço, isso é apenas um negócio. Respondeu Chloe.

__Martin, veja meu cabelo, estou bem assim?

__Sim estas.

__Tira-me uma foto com essas duzentas rosas vermelhas, quero que minhas amigas matem-se de
inveja.

__E o seu namorado? O que achas que ele vai pensar disso?

__Bem feito para ele, pois tudo ao seu redor é mais importante que eu. É para que ele veja, que quem
não dá atenção perde para a concorrência.

Em poucos minutos a foto de Chloe tinha mais de mil likes, e as amigas estavam mesmo matando-se de
inveja.

De noite Chloe e Talib foram jantar fora.

Talib estava lindo, usou todas as dicas de Martin e portou-se muito bem.

__O jantar estava bom, e a companhia uma maravilha. Porém hoje foi um dia bastante cansativo para
mim, estou exausta.

__Me desculpa se não fui uma boa companhia.

__Contemplar a sua beleza é uma melhor coisa que podia fazer.

__Muito obrigada por teres aceite o meu convite. Adorei estar contigo.

__Eu também gostei, diverti-me muito.


__Vieste de carro? Posso chamar um taxi para levar-te a casa?

__Táxi? Tu não tens carro?

__Não. Tenho medo de dirigir.

__Ahm??? Talib.

__Juro. Até tenho carta de condução, mas tenho medo de conduzir.

__Tu pareces tão frágil, apesar de seres tão forte.

__Tão frágil que fugi de um leão. Disse Talib, se lembrando de Orela.

__Fugiste de leão? Isso é sério ou é mais uma brincadeira tua.

__É brincadeira.

__Ufff! Já estava a ficar apavorada.

__O que achas de comprares um bom carro, e eu ajudo a tirar o medo de conduzir?!.

No dia seguinte Talib falou com Martin e juntos foram comprar um carro. Talib não podia perder nem
mais um minuto, queria estar com Chloe.

__Este é o ultimo modelo de Range Rover?!!

__Ahhhh... Talib, amei o carro. Disse Chloe.

__Ehhh... calma miúda, o carro não é seu, é dele. Disse Martin.

__Eu sei seu chato.

__Não ligues minha pérola. Tudo que é meu é seu, eu caso contigo hoje mesmo se tu quiseres.

__Casar não, por favor deixa de ser careta.

Como prometeu, Chloe dedicou seus dias a ajuda-lo a perder o medo de conduzir, depois de alguns dias,
Talib já estava confiante, e podia sim andar sozinho.

Emma sente que sua filha estava dar muito espaço ao Talib, e poderia dessa forma comprometer sua
relação com Dominic.
__Mãe eu não tenho nada com Talib. Dou-lhe corda para agradar a Martin.

__Okay, mas acho que estas a exagerar, tu tens um namorado.

__Mãe, onde está esse meu namorado?

__Sabes que ele trabalha bastante, desde que o pai teve enfarto ele está sozinho a cuidar de todos os
negócios, os irmãos dele não ajudam em nada, só sabem gastar e divertirem-se .

__Mãe, isso não é justificação.

__Acreditas que nem viu a foto com as rosas que publiquei?

Emma espantou-se, porém disse a filha que devia ter cuidado, pois Dominic poderia não aceitar de bom
tom as saídas que ela tinha com Talib.

__E então? Que tal já descobriste alguma coisa? Perguntou Samuel.

__Não pai. Nada. Respondeu Martin.

__Os Pais dele, já descobriste algo?

__Tem nomes estranhos, não tem registo no país...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

*Grãos de Dólares*

_Capítulo 20_
__Tens certeza? Perguntou Samuel.

__Tenho pai, foi o relatório que deram os detetives. Disse Martin.

__Hum...muito estranho. Ele pode ter sido abandonado, sei lá.

__Este homem é mesmo um mistério. Até parece que caiu do céu.

__De onde vem tanto dinheiro? E Dinheiro vivo.

__Não é um pobre qualquer, que vai comprar em menos de quatro meses, um apartamento no centro
da cidade, roupas e sapatos de marca, carro luxuoso e último lançamento. Disse Samuel.

__Esse jovem, ou é um ladrão, que é pouco provável, pois é muito parvinho, ou ele é filho de pais ricos e
não se sente ainda seguro para revelá-los.

__Pai, relaxa, nós já conhecemos o ponto fraco dele, vamos saber usá-lo quando chegar a hora.

__Sua irmã aceitará mesmo fazer o que estamos a pensar?

__Ela terá que fazer o que for, assim que tivermos um bom motivo, ou descobrirmos algo sério. __Pai
essa será a última alternativa a ser usada.

Não estava claro o que pai e filho estavam planeando, mas uma vez mais estava claro que as visões de
Anaya, estavam certas.

Talib saiu com tanta pressa do seu quarto na universidade, que não levou tudo. Então, teve de voltar
para pegar suas coisas.
Naquele dia, encontrou Frank sentando nas escadas.

__Senti a sua falta, Sr. alienígena, disse Frank.

__Eu também. Tens que conhecer meu apartamento. Assim podemos nos encontrar mais vezes, disse
Talib.

__Talib mudaste muito.

__Não tem como não mudar, essas roupas, o carro, a casa, a minha futura esposa.

__Já tens namorada?

__Ainda não. Lembras-te da minha pérola?

__Pérola? Que Pérola?

__ A minha pérola, a que me enfeitiçou naquela noite, na entrada do club.

__Ahmm, a Chloe Scott? Ainda sonhas com ela?

__Eu saio com ela, meu amigo. Convivo com ela. Ela é extraordinária, belíssima, preciosa. É mesmo a
minha pérola.

__Estás apaixonado.

- Como a conheceste?

__Ela é irmã de Martin.


__Martin seu amigo. Talib toma cuidado, muito cuidado. Aquele homem não inspira confiança.

__Sempre dizes isso. Ele é boa pessoa. Precisas conhecê-lo.

__Tem pessoas que por mais perfume que coloquem, continuam a cheirar a podre, porque se pintam de
ouro, continuam piratas, por mais que mistures com açúcar continuam azedas, mas para notar isso, você
precisa olhar com olhos de sabedoria e não com os olhos do corpo. Disse Frank.

__Muitas vezes, nós conseguimos ver nas pessoas, apenas o que queremos ver, precisamos dar a
oportunidade às pessoas para se mostrarem como elas são. Disse Talib.

__Eu sei, hoje o que te digo pode não fazer sentido. Mas meu amigo, promete que quando duvidares,
vais te lembrar do que te disse hoje.

__Tudo bem! Se isso vai te fazer sentir melhor, eu prometo.

Naquele dia, Frank conheceu o apartamento de Talib, e almoçaram juntos.

No final do dia, Martin foi bater ao apartamento de Talib e o encontrou com Frank.

__Agora já percebo porque sumiste o dia todo. Disse Martin, com sorriso no rosto.

__Yah, trouxe Frank para conhecer a casa. E para descansar de comer a massa com o carapau. Disse
Talib, em tom de brincadeira.
Todos se riram.

__São últimos dias, já para o mês vamos graduar. Disse Frank.

__Yah, falando nisso, tenho um presente para ti. Disse Talib, enquanto caminhava para o quarto.

Minutos depois saiu do quarto segurando uma capa para fatos e uma caixa de sapatos.

__É para si. Não quero que estragues minhas fotos da graduação. Disse Talib, em tom de brincadeira.

__Thanks bro, juro que estava sem saber o que fazer, meu pai estava a dobrar o turno para conseguir
pagar essa sena pah. Thanks do fundo do coração.

Frank estava verdadeiramente agradecido, ali tinha tudo o que ele precisava para a graduação, a beca
completa com o chapéu, o fato e os sapatos, tudo da melhor qualidade.

Depois de mais algumas horas de conversa, Frank despediu-se, pois tinha um encontro com a namorada.

Talib ofereceu-se em levá-lo, mas ele o tranquilizou, dizendo que havia chamado um taxi.

__Gostas muito de Frank, disse Martin.

__Sim. É uma boa pessoa, disse Talib.

__Completamente, e é muito inteligente. Eu fui com a cara dele.


Talib, por alguns minutos viajou, lembrou-se que Frank não gostava de Martin, porém, Martin, até
louvou a amizade deles.

Martin procurou saber com Talib, o que ele faria assim que terminasse o curso.

Talib respondeu que estava a pensar em conhecer outro país.

__Quero propor-te um negócio, disse Martin.

__Que negócio? Perguntou Talib.

__Venda de couro de crocodilo, rende muito dinheiro.

__Isso não, eu repudio essas práticas.

__És ambientalista. Hum... percebo, tudo bem. Não falarei mais disso.

__Tenho uma ideia melhor.

__Basta que não seja vender animais.

__Não, já descartei isso.

__Gostaria de convidar-te para trabalhares na nossa empresa, digo, na empresa da minha família. Disse
Martin.
__Achas que seu pai concordará com isso?

__Claro sim. Sabes bem que meu pai gosta de ti, e trata-te como filho.

__Ahm, sim! Seus pais são bastante amáveis.

__Então, posso contar consigo?

__Se ele concordar, por mim tudo bem.

__ Talib.

__Sim!

__Seus pais, quando chegam para participar na sua graduação?

__Meus pais nem sabem que estou na faculdade?

__Como assim?! Não são eles quem te dão dinheiro para esses gastos todos que fazes.

__Sabe. Estava a pensar em convidar sua irmã para jantar aqui, assim ela conhece minha casa. Disse
Talib, a desconversar.

__Já percebi que não queres conversar sobre isso. Vou respeitar.

__Muito obrigado.

__Mas, olha, se um dia quiseres conversar, estarei aqui, somos amigos, e podes contar comigo para
tudo.
__Está bem.

__Talib, tu sabes tudo de mim porque confio em ti, tenho-te como irmão.

__Eu sei.

Talib foi o melhor aluno da faculdade, e teve o devido reconhecimento no dia da graduação.

Martin e sua família, fizeram questão de fazer festa maravilhosa para comemorar, fazendo Talib sentir-
se ainda mais, parte da família.

Tinha muitas mulheres em volta de Talib, mas seus olhos não saíam da sua pérola.

Talib bebeu tanto e acabou ficando embriagado. Martin fez questão de levá-lo e acomodá-lo em seu
quarto, para que pudesse descansar.

__Tu me perguntastes onde consigo dinheiro? Perguntou Talib, já fora de si.

__Sim. Teus pais são ricos? Onde eles moram? São eles que te dão todo esse dinheiro.

__Eu amo a sua irmã. E eu darei a ela tudo, todas as coisas que ela gosta.

__Como vais fazer? Onde vais conseguir dinheiro para mimá-la.

Sabes que ela é caprichosa.

__Eu tenho coisas que valem muito dinheiro. Eu vendo e ganho muito dinheiro com isso....
_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 22_

— Que fique claro, que jamais terei algo sério com Talib, eu não o amo, não sinto nada por ele. - Disse
Chloe.

— Eu sei, e achas que eu o amo?

Martin ri-se.

— Sempre esteve claro para mim, que a vossa amizade tem algum interesse. Não te misturarias com
alguém daquele nível, aliás, alguém sem nível, à custo zero.

— Gosto quando consegues pensar.

— Ahmm, eu não penso?

— Geralmente não. Tem mais uma coisa.

— Diga.

— Para que isto tudo não leve muito tempo, tens que fazer aquele homem comer na tua mão, e
acreditar que nós somos a família dele, e que pode confiar em nós.

— Está bem! Fechado.

Em Orela...

— Minha Rainha, vim com a Xama, precisamos conversar em particular. - Disse Shona.

— Vamos aos meus aposentos, é mais seguro. - Disse Malua.


Rapidamente os três fecharam-se, e com orientação clara de não serem incomodados.

— Vocês sabem que Anaya não é minha filha biológica. - Disse Shona.

Concordaram as duas.

— Felizmente, eu a encontrei no mato. No dia em que a encontrei chovia, e Anaya chorava muito, até
que despertou a atenção de um leão, que saltou para ela, mas depois de olhar para ela, ele pôs-se em
fuga sem nem sequer toca-la. Certo dia, Talib foi atacado por uma leoa faminta, porém, Anaya impediu
que ela o devorasse. A leoa saltou para cima dela, Anaya permaneceu tranquila, não se intimidou com a
leoa, olhou para os olhos dela e a leoa fugiu. - Disse Shona.

— Lembro-me, também, do dia em que ela, impediu que uma mulher grávida fosse atacada por uma
cobra, apenas com uma palavra. - Disse Kanga.

— Anaya é mesmo especial. - Disse Malua, se recordando de todas às vezes que ouviu sobre as visões
dela.

— Eu sinto que ela é mais do que isso. Whandia já procurou por ela no fundo do alguidar, mas nunca a
encontrou. Por curiosidade, eu a procurei também, fiquei tonta e caí.

Malua se assusta.

— Ontem Anaya viu pessoas caminhando, e uma voz que disse em sua visão, que as pessoas estavam se
aproximando do quinto céu. - Disse Shona.

— O quê? - Perguntaram as duas apavoradas.

— Essas pessoas estavam se aproximando do quinto céu, vindo de dentro do Reino ou fora do Reino? -
Perguntou Xama.

— Ela não disse, na verdade, ela nem sabe o que são os cinco céus. Disse para mim que para ajudar,
precisava que a contássemos sobre o selo real. - Disse Shona.
— Como ela sabe da existência do selo real? - Perguntou Malua.

— Não sei, minha Rainha.

— Eu disse a ela que precisava convocar o conselho, para contar tudo o que estou aqui a falar. Ela disse
que não podia contar no conselho, pois foi Makhossa quem abriu a porta para Talib. - Disse Shona.

— Eu vi isso no alguidar, vi que alguém conhecido ajudou Talib. Mas não me atrevi a acusar ninguém.

— Tudo isso é bastante grave. - Disse Malua.

— Estão a dizer-me que foi aquele homem que ajudou meu filho a sair deste Reino? - Perguntou Malua.

— Rainha, eu vim conversar com a Rainha deste Reino e não com a Mãe do Talib. - Disse Shona.

— Tens razão! Tem algo muito mais grave, que ameaça a segurança deste Reino. - Disse Malua.

— Anaya não é deste Reino. Ela é a guia que as escrituras dizem que chegaria a este Reino, para
devolver a paz. - Disse Kanga.

— Tens a certeza? - Perguntou Shona.

— Tu te envolveste sentimentalmente por ela, por isso não consegues a ver do jeito que eu a vejo. Tu és
sábio, Shona, deixa de vê-la com os olhos do corpo. Veja com os olhos da sabedoria.

— Eu concordo com Kanga. - Disse Malua.

— Então, o que faremos? Vamos ariscar? - Perguntou Shona.

— Não abertamente! Vamos levá-la até à porta da sala oculta, e vamos ver o que vai acontecer. Se for
ela, ela saberá o que fazer, tal como vem escrito nas escrituras. - Disse Malua.

— Não somos autorizados nem sequer a chegar perto da sala sem o Rei. - Disse Kanga.

— O Rei estará lá, deixem isso comigo.

Então, ficou combinado que testariam Anaya no dia seguinte na presença do Rei. Na noite daquele dia,
Chloe, foi bater à porta de Talib.
— Pérola! - Disse Talib, espantado ao abrir à porta.

— Talib... - Disse Chloe, antes de começar seu drama.

— O que foi? Não chora! Entra, vamos nos sentar.

— Desculpa eu vir parar aqui, mas não tinha mais para onde ir.

— Conta-me, como posso minimizar seu sofrimento?

Chloe continuou a chorar.

— És tão linda minha pérola, não mereces sofrimento algum.

— Dominic me traiu da pior forma. Disse que ia a Dubai a negócios, levou uma mulher e divertiram-se
bastante, diante dos olhos de todos. As fotos deles estão a girar em todas as redes sociais, em todos
sites de fofoca, em todos programas de famosos.

— Sinto muito! Não mereces isso.

— Ele sempre diz que não tem tempo para estar comigo por causa de trabalho, agora ficou claro que
nunca foi ocupação pelo trabalho, ele não quer estar comigo, prefere estar com outras mulheres.

— Essa relação não é saudável. O que te prende nele?

— Os negócios que a família dele tem com a minha.

— Isso não é motivo suficiente para te prenderes a alguém que não te ama.

— Me abraça Talib! Pelo menos você me ama de verdade.

— Claro que sim, eu sou louco por ti, e faria tudo o que quisesses só para te ver feliz.

— Me beija.

Talib se assustou com o pedido, mas o desejo que ele sentia era tanto que caiu directo na boca de Chloe.
Chloe passou sua mão na nuca dele o deixando arrepiado. Empurrou-o para que ele se deitasse sobre o
sofá, e lá foi Chloe para cima dele.
Chloe tirou sua blusa, e abriu sua saia. Talib estava suando, sem saber se tirava o sutiã dela, ou se
segurava sua cintura. Chloe se levantou e puxou Talib para que ele se levantasse também, antes dele
perceber o que ela queria, Chloe já estava o despindo peça por peça.

— Chloe...

Antes de completar a frase, ela já estava cobrindo sua boca com um beijo ardente, enquanto o conduzia
para o quarto dele. No percurso até o quarto, ficaram as peças de roupa de Chloe.

Jogado na cama, Talib olhava para ela e via sua pérola brilhante, a mistura dos seus corpos nus,
acendiam um fogo que lhe fazia recordar de Whandia.

— É tão ardente como Whandia, mas sua pele, seu rosto, parece tão delicada como uma pérola. - Disse
Talib para si mesmo.

Em poucos segundos, despertou seus pensamentos, e se concentrou em Chloe...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

*Grãos de Dólares*
_*Capítulo 21*_

__Que coisas? Que coisas são essas que valem tanto? Perguntou Martin.

__Coisa? Ahm sim coisas. Disse Talib.

__Coisas que vou dar a minha pérola.

__Eu levei todas as pedras, mas não levei nenhuma pérola.

__Levaste pedras? Que pedras?

__As pedras que troco pelo dinheiro.

__Eu preciso do dinheiro para mimar a sua irmã.

__Que pedras são essas?

__ Talib.

__Talib.

__Porah, dormiu.

__Caramba, estava a ponto de me dizer tudo.


__Ufff... calma Martin, precisas ter paciência. Estas a um passo de descobrir toda a verdade. Disse para
si mesmo.

Martin voltou a festa, e chamou seu pai para um canto, para conta-lo o que havia descoberto.

__Ele disse pedras? Perguntou Samuel.

__Sim Pai. Disse claramente pedras.

__Que pedras são essas Pai.

__Isso é menos importante, se valem tanto, devemos saber mesmo é donde elas são.

__Martin, se ele não te contar a verdade. Teremos que partir para o plano B.

__Está bem pai. Vamos ver. Estamos perto.

Anaya toma um susto e acorda perturbada. Passa a noite revirando-se na cama, e levanta-se.

Estava inquieta, caminhou até a cozinha e pegou um copo com água para refrescar-se.

Anaya tremia tanto, que acabou deixando cair o copo no chão.

Shona ouviu o barulho e levantou-se da cama para ver o que havia acontecido.

__Filha, está tudo bem? Perguntou Shona.

__Pai, estão caminhando em direção ao primeiro céu. Disse Anaya com o olhar distante.
__Como assim? Perguntou Shona admirado, pois nem todos sabiam sobre os cinco céus.

__Não sei Pai, não estava claro. Eu ouvi alguém falando que as pessoas que eu via caminhando,
andavam em direção ao primeiro céu.

__Pai podes explicar-me? Que céu é esse?

Shona sabia que aquilo era grave. Mas não podia contar a verdade para Anaya.

__Foi apenas um sonho filha. Vai descansar. Disse Shona.

__Pai não foi sonho eu sei disso, e pela sua cara eu sei que o senhor também sabe. Se não quiser me
contar por fazer parte dos segredos do selo real, eu vou respeitar.

__Tudo bem filha vai descansar.

__Pai, cada coisa que vocês esforçam-se a esconder, fica claro para mim em forma de visões. Algo me
diz que este reino precisa de mim, e enquanto vocês me esconderem as coisas, não poderei ajudar com
facilidade.

__Filha tem assuntos que são delicados, assuntos que garantem a segurança deste reino, e se não
fossem tão importantes, o rei e a rainha não teriam aberto a mão do filho deles por causa do selo real.

__Tudo bem. Eu respeito.

__Vou conversar com aqueles que são responsáveis pela guarda do reino e assim tomaremos uma
decisão em conjunto.
__Pai, não, não convoque a todos.

__Porquê filha?.

__Makhossa não é do bem.

__Eu sei filha, mas não colocaria em risco a segurança do reino.

__Pai, ouve o que eu digo. Foi a ele que eu vi a abrir a porta para Talib sair do reino.

__Como assim?

__Não sei explicar, mas eu sonhei, eu o vi abrindo a porta para Talib sair, no dia em que tive essa visão
não percebi porque ainda me confundia.

__E sempre que tenho visões de coisas, ele está sempre ao lado da escuridão.

Shona sabia que Makhossa era ruim, mas não conseguia imaginar que a ambição dele chegaria ao ponto
de fazer mal para o povo.

Talib acordou com muita dor de cabeça.

__Aí Martin, minha cabeça dói tanto. Acho que me excedi ontem. Não fiz nada de mal? Não
envergonhei sua família? Perguntou Talib preocupado.

__Não, fica calmo. Correu tudo bem. Quando percebi que estavas bêbado, trouxe-te para descansar.
__Obrigado meu amigo. Minha cabeça vai explodir.

__Toma isto, vais sentir-te melhor.

__Que comprimido e esse?

__Myprodol é assim como chama-se.

Tome um apenas, este comprimido é milagroso, cura até dor de chifres, disse Martin.

Os dois se riram.

__Então a que horas vais mostrar-me as pedras? Perguntou Martin.

__Que pedras? Perguntou Talib, percebendo que teria falado de mais.

__Talib pah. Disseste que precisavas de dinheiro para comprar o celular que Chloe tanto quer, então
irias me mostrar as pedras para que eu ajudasse a vender.

__Eu disse isso?

__Sim, disseste. Como eu ia adivinhar?

Talib olhou para Martin, e rapidamente desviou o olhar.

__Estás estranho. Achei que confiasses em mim, da mesma forma que eu confio em ti.
__Falaste sobre as pedras, eu jamais saberia se não tivesses falado. Mas se não confias em mim, por
mim tudo bem.

__Toma um banho tens aí minhas roupas.

Martin vira-se e caminha em direção a porta.

__Espera. Disse Talib.

__Queres mais alguma coisa?

__Peço desculpas, não era minha intenção parecer que não confio em ti.

__Tudo bem eu só queria ajudar-te.

__Tenho sim, pedras que troco por dinheiro.

__Que pedras são essas?

__Opala, jadeite, turmalina, diamantes, rubi, esmeraldas, são as pedras que tenho.

__O que? Conheces o valor dessas pedras.

__Sim, conheço.

__Onde as encontraste?

Dava para ver o brilho da ganancia nos olhos de Martin.


__Desculpa Martin, mas não quero falar sobre isso. Eu já contei-te o que posso contar-te.

__Tudo bem.

__Que quantidades tens?

__Não muito, algumas pedrinhas, o suficiente para que eu viva bem. Disse Talib.

Martin sabia que a parede que Talib colocou, ele não poderia derrubar.

Deixou Talib a tomar um banho e foi ter com a irmã.

__Já te decidiste se vais aceitar o pedido de desculpas de Dominic? Perguntou Martin.

__Sabes que eu não aguento com ele. Disse Chloe.

__Depois de tudo o que ele te fez? Vais perdoa-lo assim tão facilmente?

__Pena que Fred parou de correr atrás de mim, e noivou a sonsa da Kelly. Iria usa-lo para fazer-lhe
morrer de ciúmes.

__Faça com Talib. Porque não namoras o Talib?

__Ahmm... Quem é Talib?


__É por isso mesmo, por ele não ser ninguém, vai lhe doer mais, pois ele nem saberá como competir
com alguém tão baixo quanto Talib...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 23_

— Chloe, tens a certeza? - Perguntou Talib.

— Não me queres? - Perguntou Chloe.

__Sabes que sou louco por ti. Não estás a fazer isto para te vingares do teu namorado?

— Valho assim tão pouco para ti?

— Claro que não! Tu és tudo o que quero. Daria tudo o que fosse por ti.

— Como consegues pensar no meu namorado, num momento como este.

— Eu não quero que te magoes.

— Ele já não existe, ele se retirou da minha vida.

— Então, somos namorados?

— Eu sou o que tu quiseres que eu seja na tua vida.

— Ahff. - Suspirou Talib, enquanto se esfregava em Chloe.

— Mete Talib, mete logo e me fazes tua mulher.


Talib estava rendido aos encantos da pérola brilhante. Percorria cada centímetro do corpo aceso,
decorando cada traço dela. Por algum momento, Chloe se esqueceu que estava com extraterrestre e se
entregou ao prazer, ao homem feroz que a fazia gritar cada vez mais alto.

— Preciso ir para casa, eu não disse para minha Mãe, que ia dormir fora de casa. - Disse Chloe.

— Não se preocupe, eu vou falar com Martin, e pedir a ele para que fale com seus Pais. Amanhã me
explico para eles. - Disse Talib.

Talib telefonou à Martin e disse a ele que estava com Chloe, e que ela passaria à noite em casa dele.

— Estão juntos? - Perguntou Martin.

— Sabes que sou louco pela sua irmã, mas é sério, amanhã eu vou me explicar a si e aos seus Pais.

— Está bem! Falamos amanhã.

Makhossa viu Kanga e Shona entrarem no palácio, e trancarem-se com a Rainha. Horas depois, viu-os a
sair enquanto cochichavam.

— Algo esses dois estão a tramar. - Desconfiou Makhossa.

Para se antecipar foi ter com o Rei.

— Eu sou responsável pela segurança do Reino meu Rei, e temo que Shona e Kanga estejam a tramar
alguma coisa com a Rainha. - Disse Makhossa.

— Yáh... A Rainha dá ouvidos a tudo que Kanga diz, mas não acredito que seja algo que coloque o Reino
em risco. - Disse Tawarah.

— Nunca é demais se certificar, e cuide-se para não cair nas histórias deles, sem que eu possa avaliar a
situação.

— Seja o que for, como sempre, te consultarei.


Makhossa, então, ficou confiante que fosse o que fosse, Tawarah o confiaria.

Logo de manhã, Shona e Kanga estavam no palácio com Anaya, à espera do sinal da Rainha.

— Amor, tu confias em mim? - Perguntou Malua.

— Claro que sim. - Respondeu Tawarah.

— Confias em mim como sua esposa, e como Rainha deste Reino?

— Sim Malua! O que se passa, afinal?

— Confias que jamais colocaria em risco o Reino e o nosso povo?

— Eu confio em ti de olhos fechados, mulher, é ao seu lado que fecho os olhos e durmo tranquilamente,
todos os dias.

— Peço-te que me leves à porta da sala oculta, juntamente com Kanga, Shona e Anaya.

— Mulher, não posso, sabes que lá tem o selo real, e ele precisa ficar em segurança.

— Não vamos entrar na sala, só quero que nos leves à porta de entrada.

— Terei que chamar o Makhossa e os conselheiros do Reino.

— Ouve-me como Rainha deste Reino. Por favor, Tawarah, confia em mim! Prometo que te contarei
tudo com detalhes. É para o bem do nosso Reino.

— Deixa-me chamar Makhossa, pelo menos, ele como responsável pela segurança do Reino, deve estar
presente.

— Tawarah, olha para mim.

O Rei olhou para sua Rainha.

— Eu não confio em mais ninguém. Tu vais perceber o porquê. Por favor, dá-me um voto de confiança.
Tawarah respirou fundo e consentiu, mesmo sabendo que se acontecesse algo, seria o seu fim. Malua
deu sinal aos outros, sem chamar atenção, foram os cinco até a entrada da sala oculta. Não tinha porta
nenhuma evidente, só uma parede de blocos alinhados da mesma maneira.

— Eu já estive aqui. - Disse Anaya, enquanto se aproximava da parede. Sobe o olhar de todos.

— O que se passa, aqui? - Perguntou Tawarah.

— Calma amor, confia em mim. - Disse Malua.

— Esta parede, eu a conheço. - Disse Anaya, enquanto tentava se recordar.

Abaixou-se e contou para cima cinco blocos e empurrou o quinto bloco, ele se moveu. Em seguida
contou mais cinco blocos, e empurrou o quinto bloco e também se moveu para dentro. Contou mais
cinco blocos e aconteceu o mesmo, e foi assim com os cinco blocos até que à porta se moveu para
dentro.

— É ela. - Disseram Shona, Xama e Malua.

— Ela quem? - Perguntou Tawarah assustado.

— Meu Rei, abra à porta. - Disse Malua.

Tawarah admirado, pegou sua medalha, encostou na entrada e à porta abriu-se. Anaya entrou na sala
como se a conhecesse. Pisou em sequência nas cinco marcas do chão. E assim que pisou na última
marca, elevou-se do chão uma pedra que tinha por cima uma caixa.

— O selo real. - Disse Anaya, olhando para o Rei à espera da sua permissão.

Tawarah olhou para Malua, depois para Anaya, dando a ela permissão para segurar a caixa.

Anaya pegou na caixa e encostou em seu peito, esta fez um movimento que nunca haviam visto antes, e
liberou uma luz intensa, que só Anaya conseguia olhar para ela. Depois de alguns minutos, a luz se
apagou e a caixa se fechou. Anaya colocou a caixa de volta no lugar.
Fez-se silêncio. Quando Anaya se virou para trás, viu todos eles curvados.

— Não façam isso, por favor. - Disse Anaya.

— Tu és a nossa Rainha. - Disse Malua.

— Cada um vive o seu momento, e neste, vocês são os que dirigem este Reino, e vai continuar assim,
conforme a lei deste Reino.

Se recordando do que dizia a lei do Reino, eles se levantaram, contudo era inevitável, olhavam para
Anaya de forma diferente.

Tawarah precisava de respostas, mas ele as tinha. Contudo, queria ouvi-las para ter a certeza de que
estava a acontecer.

— É mesmo ela? - Perguntou Tawarah.

— Sem dúvidas! A caixa só se abre para pessoas com sangue real. - Disse Shona.

— Como ela veio aqui parar? - Perguntou Tawarah.

— Quando destruíram o Reino dela, não encontraram o filho do Rei, ele desapareceu. - Disse Shona.

— Também sabemos que algumas crianças do Reino de luz, também, desapareceram quando
destruíram o Reino, - Disse Kanga.

— Ela é pura, isso está claro. - Disse Tawarah, e perguntou: — Mas como puderam viver tanto tempo
escondidos?

— Precisavam cumprir a missão deles, colocar Anaya no mundo. - Disse Kanga.

— Como ela será Rainha se não se casar com o príncipe? - Perguntou Shona.

— Gostando ou não, nós temos um homem com sangue real. - Disse Malua, com o coração
despedaçado.
— Egary. - Disse Kanga...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

‍[28/08, 15:51] Mano Serão: _Talib fugiu!_ ♂


‍‍ ️🦁

_Está escrito que Anaya será a Rainha de Orela!!!_👸🏾

*Será que Anaya vai se casar com Egary???* 👰🏾🤵🏾

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capitulo 24_

— Egary? - Perguntou Anaya.

— Por favor, não vamos nos adiantar aos factos. - Disse Shona.

— Só Deus sabe o que nos espera. Do momento, o mais importante é sabermos que Anaya está aqui do
nosso lado, e nos ajudará para o tempo que está por vir.

Malua, contou para Tawarah tudo sobre Anaya, as suas visões, a forma como lidava com os animais, e a
ligação que tinha com Talib. Ficou decidido que manteriam em segredo, sobre quem era, na verdade,
Anaya

— Desculpa, peguei uma das suas camisas. - Disse Chloe.

— Eu já te disse, quando tu quiseres, tudo o que é meu é seu. - Disse Talib.


— Posso perguntar-te algo?

— Claro que sim, minha pérola.

— Tens algum problema com seus Pais? Porquê eles não vieram à sua graduação?

— Eu não gosto de falar sobre isso.

— Se vamos começar uma relação, acho que não deverá haver segredos entre nós.

— Tem coisas que não dizem respeito apenas a mim. Então, não tenho como contar.

— Até sobre a relação entre tu e teus Pais?

— Meus Pais não sabem que estou aqui. Não nos falamos há anos. E é melhor assim, para o bem de
todos.

— É difícil perceber.

— Chloe, eu sou louco por ti. Sou capaz de tudo por ti. Mas por favor, sobre minha família, eu não
gostaria de falar. Eu fiz uma escolha, e decidi seguir o meu caminho. Desde esse dia, eu não existo para
os meus Pais, não tenho como contar com eles, na minha vida.

— Tudo bem, eu respeito. Achei estranho. Pois, com tudo o que tens sem trabalhar, achei que seus Pais
é que te sustentassem.

— Pensaste errado! Eu não tenho contacto com os meus Pais. Sobre trabalhar, não te preocupes, eu vou
começar a trabalhar na segunda-feira, na empresa da sua família com seu irmão e seu Pai.

— Fale correctamente, fofinho, diga seu cunhado e seu sogro.

— Tens razão! Vou trabalhar com o meu cunhado e meu sogro.

Talib levou Chloe para casa, bem na hora do matabicho. Ainda meio envergonhado, segurou na mão da
Chloe e foi com ela até à mesa, cumprimentou à todos. Emma os convidou para sentarem-se à mesa.

— Eu e Chloe estamos juntos. Senhor Scott, peço permissão para ser o namorado dela. - Disse Talib.

— Meu jovem, quem deve permitir isso é ela. Nós já não estamos na era das cavernas. - Disse Scott.

— E o Dominic? - Perguntou Emma.

— Esse assunto, acredito, poderá tratar com sua filha, em outro fórum. - Disse Scott.
— Que fique claro que eu e Dominic não estamos mais juntos, pelo que ele me fez. Além do mais, nossa
relação já havia terminado faz tempo. - Disse Chloe.

— Se estás segura do que estás a fazer, e se Talib está mesmo a levar-te a sério, nós só podemos apoiar
a vossa relação. - Disse Martin.

— Obrigada meu irmão. - Disse Chloe, enquanto abraçava-o.

Ninguém se opôs, e todos deixaram Talib seguro que faziam gosto da relação.

Passaram alguns dias, e tudo parecia ir muito bem. Talib e Chloe estavam apaixonados.

Talib mostrava-se muito competente no trabalho.

Em Orela, tudo corria normalmente.

— Majestade. - Disse Anaya.

— Sim! Chega mais perto. Disseram-me que queria falar comigo. - Disse Tawarah.

Do seu lado estava Malua, o acompanhando como sempre.

— Sim, meu Rei. Tive uma visão e vim contar para o senhor.

— Sim, filha!

— Em minha visão vi que construíram um grande celeiro, e o povo levava produtos e colocava dentro do
mesmo, porém, depois de muito tempo o celeiro não enchia.

— Não percebo. As coisas que colocaram no celeiro eram suficientes para enchê-lo?

— Sim! Ntsai estava do lado do celeiro, reclamando, pois, pelas suas anotações o celeiro já deveria estar
cheio.
— O que viste mais?

— Não sei com claridade. Mas era como se o celeiro tivesse um buraco por baixo, que servia de caminho
para que o que era colocado fosse para outro lugar.

— Anaya, estás a dizer-me que estão a roubar o Reino?

— Meu Rei, não posso afirmar isso. Só achei que deveria saber e talvez, com isso, ter alguma ideia de
como controlar.

— Vou chamar todos para aqui. Quero saber com detalhes o que está a acontecer.

— Anaya, muito obrigada. Agora peço, por favor, para nos deixar a sós.

Anaya despediu-se e se retirou.

— Meu Rei. - Chamou Malua, com doçura, para que pudesse acalmá-lo.

— Precisas tomar cautela com as decisões que tomas na base das visões de Anaya.

— Tenho que agir.

Malua sentou-se próximo ao Rei, e massageou suas mãos.

— Eu sei. Porém, se me permite, meu Rei, sugiro que aja com calma, e sabiamente, para que a verdade
venha a superfície, sem muito esforço. Não deixe sob alerta o inimigo. Deixa que ele continue agindo
como se permanecesse camuflado, e o surpreenda.

Depois de pensar com calma, Tawarah chamou Ntsai.

— Ntsai, está tudo bem? - Perguntou Tawarah.

— Sim Pai, está tudo bem. - Disse Ntsai.

— Falo consigo como Rei, preciso que me contes se está a acontecer alguma coisa. Não esconda nada de
mim Ntsai. Maior decepção para mim, não é que tu erres, mas será se não contares a mim os teus
fracassos.
— Pai, algo está a acontecer. Os registos não batem, com as entradas, não batem com o que temos nos
armazéns.

Tawarah olha para Ntsai, e procura entender, como isso pode estar a acontecer, se ela é quem faz os
registos.

— Por vezes acho que o celeiro tem um buraco, não encontro explicação.

Ntsai responde com ironia, e Tawarah se recorda do que Anaya disse. Então, decidiu que passaria a
controlar juntamente com ela, porém, pede discrição para que não alertem aos que poderiam estar a
roubar.

Anaya, espera por Malua sair da sala do trono.

— Esperaste por mim? - Perguntou Malua.

— Sim, minha Rainha. Preciso lhe contar mais uma cois. - Disse Anaya.

— Voltei a ver Talib se casando. Primeiro, eu estava vestida de noiva, e caminhava em direcção à
entrada para sala de registo, depois já não era eu quem estava caminhando, era a mulher linda e
brilhante como uma pérola, que foi até Talib.

— Eles se casaram?

— Talib fez seu juramento, mas quando chegou a vez dela, o vestido de noiva estava de pé, mas não
tinha ninguém no vestido.

— Talib assinou, mas não tinha ninguém no vestido para que pudesse assinar.

— E a tal mulher? Para onde foi?

— Não sei, Talib olhava para as pessoas envergonhado, como se procurasse por ela. Porém, não a
achava.

Chloe e Talib ficam mais íntimos, porém Talib não contou nada sobre de onde vem, nem sobre onde
encontrou as pedras, apesar de muito ela perguntar.
Martin diz a Chloe que terá de se casar Talib.

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

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_Capítulo 25_

— Casar com Talib? Ouvi bem? - Perguntou Chloe.

— Sim, ouviste perfeitamente. Case com Talib.

— Isso não, esqueçam. - Disse Chloe.

— É necessário tê-lo como família, para que possa se abrir. - Disse Martin.

— Não vou fazer isso! Olhem para mim. Eu, uma Scott, casada com aquele ser! Está fora de cogitação!

— Achas que tenho prazer algum, de levá-lo para todo o lado?

— As pessoas pensam que fazes isso por pena, e nós sabemos que é por negócio. Já a mim, o que as
pessoas dirão? Estou me casando com aquele nada por quê? Ele é muito pouca coisa para mim, jamais
aceitaria tê-lo como marido, isso não.

— Filha, as coisas não vão muito bem. Faça isso pela nossa família. - Disse Samuel.

Chloe fica balançada.


— Vocês devem pensar em mim, vou passar a pior vergonha. Eu, Chloe, casada com aquele homem,
nem andar sabe. Não é justo. - Disse Chloe.

— Está bem filha. Estive aqui a pensar. - Disse Samuel.

— Livra-me disto, Pai, por favor! - Implorou Chloe.

— Tudo bem! Seria demais para todos nós. Nós só precisamos de alguns meses, para que ele fale o que
precisamos. Então, não há necessidade que seja um casamento real. - Disse Samuel.

— Estou a começar a gostar. - Disse Chloe.

— Vamos pagar um conservador para fingir que estará casando vocês, porém, o casamento será falso,
nada será registado, não passará de uma encenação. - Disse Samuel.

Os três traçaram muito bem como tudo fariam, para que fosse o mais restrito possível.

Depois de alguns dias, estavam deitados na cama, Chloe se aconchegava no peito de Talib.

— Contigo é sempre bom! - Disse Chloe.

— Com quem não é bom? - Perguntou Talib.

— É apenas um jeito de dizer, mister ciumento! Talib.

— Fala minha Pérola. - Disse Talib, enquanto passava a mão carinhosamente no rosto de Chloe.

— Já tiveste uma relação seria?

— Sim, já tive.

— Com alguém desta cidade?

— Não, aqui tive sim algumas aventuras, mas nada sério.

— Então essa sua relação séria, foi com uma mulher da sua cidade?

— Sim.

— Você a amava?

Talib se perde olhando para o imaginário, como se visse Orela, como se visse Anaya.
Chloe percebe que Talib estava distante, e o chama, insistindo na pergunta.

— Dá para ver que a amaste muito.

— Com todo o meu coração.

— Mas não o suficiente para fazeres dela a sua mulher. Ou ela é que não te quis?

— Eu não a mereço.

- Respondeu Talib, enquanto se levantava da cama.

Levou as mãos para o rosto, e em seguida trancou-se na casa de banho. Visivelmente estava abalado.

— Como será que está Anaya? - Se perguntou Talib, e vieram mais perguntas: — Será que ela se casou
com outra pessoa? Tão doce, tão pura, tão cheia de luz, certamente casou-se com alguém melhor.
Definitivamente, eu não a merecia, o meu egoísmo, o meu ego, as minhas dúvidas, os meus porquês
pesaram mais que o amor que sentia por ela. Eu fiz a minha escolha, eu devo arcar com as
consequências. Preciso tomar um banho, e espantar esses pensamentos todos, eu não posso ficar
balançado.

— Não agora.

— Não agora.

Talib tomou seu banho, quando saiu, Chloe já não estava em seu apartamento. Saiu sem dizer nada, ele
telefonou para ela, porém não lhe atendeu.

Foi imediatamente para casa dela.

— Porque saíste sem me dizer nada? - Perguntou Talib.

— Pelo mesmo motivo com que te levantaste da cama, e te trancaste na casa de banho, sem dizer
absolutamente nada.

— Fui tomar um banho. Que mal há nisso?

— Talib, eu não sou burra. Já deu para perceber claramente que deixaste pendentes no teu passado, e
que não é a mim que amas. Não vou aceitar ser humilhada novamente, por homem nenhum.
— Chloe falaste bem. Passado, já passou, no meu presente quem está, és tu. És tu, quem eu quero.

— Queres para quê? Para te dar prazer na cama.

— Não! Sabes bem que sou louco por ti.

— Ahm... louco!? Já não tenho tanta certeza. Não tenho nenhuma garantia do que falas, nem do que
sentes.

— Queres garantia?

— Sim é o mínimo que posso exigir.

— Casa comigo?

— O quê?

— Sim, isso mesmo que ouviste. Casa comigo, Chloe.

— Assim? Aqui? Desta maneira? Acho que estás a confundir-me com as cafreais de onde vens. Organiza-
te, Talib. Eu não sou uma qualquer.

Chloe subiu para seu quarto, deixando Talib na sala.

Emma aproximou-se de Talib. E disse que ouviu a discussão.

— A perdoe, ela está insegura. - Disse Emma.

— Percebi. Eu acho que a magoei sem querer. - Disse Talib.

— O que falaste é mesmo verdade? Queres casar-te com ela?

— Sim! Eu sou louco por ela, Dona Emma.

— Então, haja como um homem verdadeiramente apaixonado. Se me permitires eu posso ajudar-te.

Talib aceitou a ajuda.


No dia seguinte, Talib, instruído por Emma, organizou uma surpresa para Chloe, e a pediu em
casamento, perante sua família. A encenação foi brilhante, Talib certo de que estava demostrando seu
sentimento, os outros estavam apenas a participar de uma cena teatral.

Tawarah, investigou passo a passo o que estava a acontecer com os produtos, e foi mais fundo a
contabilidade do Reino.

— Anaya tinha razão. - Disse Tawarah.

— Descobriste alguma coisa? - Perguntou Malua.

— Sim. Estão roubando ao Reino.

— Quem é?

— Egary, tem assinatura dele em vários documentos com retiradas sem meu consentimento.

— Ele não está sozinho nisso. Makhossa deve estar por trás disso tudo.

— Não posso acusá-lo sem provas. Makhossa sempre foi leal a mim.

— É filho dele. Ele não está sozinho nisso.

— Pára, Malua. Nosso filho abandonou este Reino. A culpa é nossa? Fomos coniventes com o sumiço
dele?

— Não!

— Desse modo, é o filho dele e não ele!

Malua, respirou fundo, e preferiu calar-se, pois não tinha como provar que Makhossa não era a pessoa
que seu marido acreditava ser.

O Reino ainda estava recuperando-se do escândalo da fuga de Talib, não seria bom, que vivesse outra
pressão, por causa dos roubos.

Logo que amanheceu, Tawarah chamou Shona, Egary e Makhossa para sala do trono, onde ele estava
com a Malua e Ntsai...
Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_*Capítulo 26*_

Tawarah, iniciou o encontro dizendo que esteve a controlar todo o processo, de entradas e saídas dos
produtos e da tesouraria do Reino, e constatou que tem entradas que não batem e saídas que não têm a
sua autorização, nem tem processo claro, para o fim a que se destinou.

— Pai, fomos pegues. - Era o que diziam os olhos penosos de Egary.

— Nem penses em me meter. - Diziam os olhos ameaçadores de Makhossa.

Egary molhava-se como se estivesse debaixo de chuva. A decepção e a desaprovação que via nos rostos
de cada um, fazia-lhe mergulhar na imensidão da vergonha.

Cheio de medo, acabou assumindo o que fez e não envolveu seu Pai, fazendo parecer que ele não sabia
nada.

— Eu confiei em ti, como um filho. Roubares do Reino que te recebeu e te deu tudo o que tens,
roubares do povo que te acolheu, te respeitou e confia em ti. Isso não tem perdão. - Disse o Rei.

— Não sei onde estava com a cabeça, meu Tio. Por favor, me perdoe. - Disse Egary.

— Terás coragem de sair à rua e dizer ao povo, que te têm todo respeito que roubaste e olhando para
eles pedirás perdão?
Egary, sem palavras, curvou-se.

— Já imaginava. A covardia é uma marca registada para pessoas sem caráter. Aqui, diante de todos, eu
retiro de ti, todo o poder que um dia dei-te.

Makhossa pediu para falar a sós com o Rei. Este, declarou que se fosse sobre o que sucedera, deveria
ser tratado ali mesmo.

Makhossa pediu perdão, descortinando desgosto pela conduta do filho.

— Os Pais não são culpados pelas imperfeições dos filhos. A mão de um Pai, pode até bater forte, mas,
ainda assim, não chega a ser tão pesada e dura, como a mão que a vida os sentará. - Disse Tawarah,
enquanto dava palmadas nas costas de Makhossa, em sinal de consolo.

Malua abraça Tawarah.

— Porquê nossos filhos nos ferem, sempre, da pior forma?

— Nos decepcionam e nos fazem sentir péssimos Pais. - Disse Tawarah.

— Alguns filhos não fazem propositadamente.

— Ahm... tenho que perdoar Egary, pois não agiu propositadamente?

— Não foi o que eu disse. Além de mais, outros filhos são o reflexo dos seus Pais.

— Queres dizer que Talib é meu reflexo?

— Quero dizer que Talib, apesar de errado, fez aquilo que tu farias se não tivesses perdido seu avô ainda
cedo, estava evidente isso, em tudo o que fazias.

Tawarah vira-se, não podendo negar o que ouvia.

— Eu aceitei o meu destino, Malua.


— Tu não tiveste escolha, Tawarah. Mas também, me referia ao Egary.

— Makhossa, tudo que sempre fez, foi apoiar a nossa família e proteger este Reino, não tem como Egary
ser seu reflexo.

— Makhossa não é quem pensas que é. Ele não é quem se diz ser. E nem tão pouco é, o que aparenta
ser. Eu só espero que não descubras da pior forma.

— Tens que parar de culpar Makhossa por tudo, Malua. Já temos problemas que cheguem.

Malua o abraçou para que ele pudesse adoçar sua alma, não porque havia mudado de ideia, mas porque
sabia que seu homem já tinha dores suficientes, para que ela fosse amarga.

Egary chutava as pedras na rua, pensado no que se dedicaria depois de ter sido desmascarado.

— Anaya. - Chamou Egary.

Anaya o ignora, pois sabia de tudo o que ele fez.

— Hum, parece-me que já sabes de tudo. Não me olha assim, por favor!

— Estou com pressa, preciso ir fazer o jantar. - Disse Anaya

— Nem tudo é como parece ser. Eu sou assim, meio chanfrado, mas é pelas coisas que vivi e vivo.
Ninguém sabe o que eu passei e o que tenho passado.

— Estás a justificar-te?

— Tem questões que são respondidas por dados exactos, um ou dois, não abres espaço para mais ou
menos. Se és bom, és bom. Se não és bom, não és mais ou menos bom, és mau. É difícil viver não
conhecendo as pessoas que nos rodeiam, contudo, não se conhecer é o pior castigo que um ser humano
pode ter, em vida. Eu vejo-te como tu és, Egary. Chegará um dia em que terás de decidir, para não viver
a decisão dos outros. Hoje vives acreditando que não podes ser cobrado pelo que não decides, mas
saibas, Egary, que não decidir, também é uma decisão.
Egary despediu-se da Anaya, e dirigiu-se para casa. Ver seu Pai ali, sentado tranquilamente, como se
nada tivesse acontecido, fez-lhe ebulir.

Em alguns minutos, Pais desencadeiam uma discórdia, dado que Egary se sente injustiçado pelo próprio
Pai.

— Querias que eu assumisse e nos prejudicássemos nós os dois? - Perguntou Makhossa.

— Pai! Eu apenas fiz o que o senhor mandou. - Disse Egary.

— E não usufruis de nada?

— Pai, tudo o que eu queria era ter a confiança do Rei, era ter um cargo importante. Estou envolvido em
tudo isso por suas vinganças, que não acabam nunca.

— Ouve o que estás a dizer. Hoje cospes no prato que comeste e ainda comes? Precisamos ter calma.
Seu Tio não é como é, perdoa rápido. Com o tempo ele vai te perdoar, assim como fez com o filho, nas
inúmeras vezes que o decepcionou.

Tudo em que Egary conseguia pensar, era na reação das pessoas quando soubessem o que aconteceu.

Martin convence Chloe para levar Talib em um passeio no Iate, pois precisavam de algum tempo em
casa dele. Chloe diz para Talib que merecem uma comemoração privada, alusivo ao noivado.

— Pensei que fosses querer um noivado mais abrangente, para que pudesse publicar em sua página,
como fazes com tudo o que é importante em tua vida. - Disse Talib.

— Noivado não é só importante, é sério, é íntimo, diz respeito a nós e às nossas famílias, apesar de não
quereres dividir isto com sua família. - Disse Chloe.

— Eu já te expliquei. Não insiste.

— Tudo bem! Vamos aproveitar esta vista linda, ar fresco, aroma do mar.

Abraçaram-se e enquanto olhava para as estrelas, lembrou-se de Orela, e a brisa do mar levava até ele,
como que milagrosamente, o cheiro de Anaya.
Samuel e Martin aproveitaram-se que Talib estava desfrutando com Chloe, e foram ao apartamento
dele. Reviraram tudo de ponta a outra até que encontraram um saquinho.

— Olha Pai. - Disse Martin, enquanto espalhava pela mesa. E disse mais: — São grãos de diamantes de
várias cores, Pai.

— Não filho, isso são grãos de dólares...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 27_

— Vamos levar? - Perguntou Martin.

— Não! Eu não quero só os grãos, eu quero as pedras. Donde vem isto, tem muito mais. - Disse Samuel,
e acrescentou: — Arruma tudo e deixa bem organizado.

— Pai, não vou fazer isso.

— Deixa de ser resmungão, arruma tudo, não podemos deixar evidências que alguém mexeu nas coisas
dele.

A vida seguia, e chegou então o dia em que Talib e Chloe se casariam. A cerimônia não tinha assim
tantas pessoas, Chloe não quis cobertura das redes sociais, e nem das revistas.
Chloe estava belíssima e ousada, vestido decotado com uma racha enorme. Talib babava ao vê-la andar
em sua direcção. Antes que dissessem sim, um ao outro, o conservador deu espaço para que eles
fizessem seus votos.

— Velejava sem rumo, até que o seu brilho me mostrou onde parar. Terminei à busca pela felicidade,
quando encontrei a pérola mais linda de todos oceanos. Chloe tu és tudo o que tenho, e sou afortunado
por te ter ao meu lado. - Disse Talib.

— Senhora Chloe Scott, é sua vez.

— Ahm... não tenho nada a dizer. - Disse Chloe.

Logo percebeu que Talib ficou perplexo, então, mudou logo seu discurso.

— Desculpa, estou tão emocionada, ensaiei tanto, mas as palavras me fogem. - Disse Chloe, fingindo
algum sentimento.

Durante o copo de água, Talib comenta que se espantou, pois, Chloe estava bastante discreta, fora do
comum, pois em outras ocasiões, teria cobertura.

— Até parece que estamos a nos esconder. - Comentou Talib.

— O que ninguém sabe, ninguém estraga, meu amor. - Disse Chloe, e acrescentou: — Está melhor assim.

— Se é assim que queres, tudo bem.

Naquele dia, Anaya não estava nada bem. Seu coração sentia dor sem mesmo saber porquê.

Egary foi visitá-la, mas antes que pudesse se declarar, foi enxotado.
— Talib não voltará nunca mais. Vais ficar solteira, a vida toda. - Disse Egary.

— Se tiver que deixar de ser solteira, não será para me casar contigo. Nem que sejas o último homem do
Reino, preferia, mil vezes, ficar só.

— Por quê? Não sou homem? Achas que não sou capaz de te dar prazer?

— Eu não preciso apenas de um homem que me faça gritar de prazer, eu quero um homem que, antes
que me faça suar, me provoque borboletas no estômago, me deixe molhada só com o olhar.

Anaya fechou à porta na cara de Egary, e este, foi atrás de Whandia, que também, estava revoltada com
a vida, e puderiam ser consolo, um do outro.

Passaram meses e Talib comprou uma casa maior, colocou em nome de Chloe e mudaram-se para lá. Ele
continuava trabalhando na empresa, dando sempre seu melhor.

Chloe era amável com ele, bastante atenciosa.

A família Scott tratava Talib como filho, e parte da família.

— Fazes questão de cuidar do jardim da minha mãe, nós temos jardineiro, amor. - Disse Chloe.

— Eu sei, mas gosto de cuidar das plantas. Faz-me lembrar da minha terra. - Disse Talib, e acrescentou:
— Minha pérola, quando vais fazer o teste?

— Que teste?

— De gravidez, disseste que seu período estava atrasado. Pode ser nosso filho já a caminho.

— Não te emociones meu amor. Mais uma vez, foi um falso alarme, desceu esta manhã.

— Uff... já passam tantos meses tentando. Talvez fosse melhor procurarmos um médico.

— Mas também pode ser um castigo. Como poderia Deus, permitir que eu ficasse grávida de um homem
que não confia em mim?

— Não confio em ti? Eu te dou tudo o que tenho.


— Só não consegues me dizer quem és, de onde vens, se és traficante ou bandido. Conheces tudo de
mim, e eu não sei nada de ti.

— Vamos conversar mais logo, em casa. Está bem?

— Tudo bem.

Talib a beija e vai continuar seu trabalho no jardim da sogra.

— Filha, queres mesmo, engravidar? - Perguntou Emma.

— Mãe, não deixas de escutar atrás da porta. - Lamentou Chloe.

— Estava a passar, não pude deixar de ouvir.

— Fica tranquila, mamy, simulei a gravidez porque queria que ele comprasse um carro novo, igual de
Martin.

— Hum...

— Mãe, entenda de uma vez, jamais terei um filho com esse camponês. Se eu tiver que ficar gorda,
inchada, com estrias, peito caído, que seja por alguém que valha mesmo a pena.

— Depois de tanto tempo juntos, não sentes nada, nada mesmo, por ele?

— Mãe, de novo isso? Eu me apaixono por quem eu quero. Paixões descontroladas, são para as
mulheres feias e para as solitárias.

Um era pior que outro, estavam dispostos a tudo, pois, para eles, tudo tinha rotulado seu preço.

Antes de irem deitar-se, Chloe volta a pressionar Talib.

— Não se faz um casamento sem confiança. - Disse Chloe.

— Eu sei.

— Quem és tu, Talib? Nenhum gestor financeiro ganha o que tens? És bandido? Assassino? Traficante?

— Calma, minha pérola. Eu não sou bandido.


Talib levantou-se e foi buscar algumas pedrinhas, para mostrar a Chloe.

— Eu tenho isto. Eu vim com isto.

— Ahhhhh...? - Suspirou Chloe, toda boquiaberta. E perguntou: — Amor, onde encontraste isso?

— Isso tudo vem da minha terra. - Disse Talib.

— De onde vens?

— Eu venho de Orela. É assim como se chama a minha terra.

— Orela? Nunca ouvi falar. É uma província? É do nosso país?

— Mais ou menos. Não está em nenhum país.

— E tem muito disso lá?

— Sim, várias pedras preciosas, desde as mais pequenas, feito estas, até as mais grandes, tipo
pedregulhos.

— Então são ricos?

— Não somos ricos por causa dessas coisas. Para nós, isso faz parte da beleza da nossa terra.

— Gostaria tanto de conhecer a sua terra. Podemos marcar para irmos com a minha família, e
aproveitas para fazer as pazes com seus Pais.

Chloe, disse que não ia dormir, pois tinha um programa de estética para ver. Assim que Talib dormiu,
Chloe puxou seu celular e contou tudo para Martin.

_Chloe: Irmãozinho, manda o advogado preparar a papelada do divórcio. Já cumpri minha missão._

_Martin: Ainda não temos nenhuma informação._

_Chloe: Ele já deu a informação que precisavam._

_Martin: Diga logo._

_Martin: Estás ai?_


_Martin: Posso te ligar?_

_Chloe: Claro que não._

_Chloe: Ele está a dormir. Pode acordar._

_Martin: Conta então._

_Chloe: Ele disse que todas essas pedras vem da terra dele._

_Martin: Como se chama?_

_Martin: Chloe._

_Martin: Chloe, diga de uma vez, porrah._

_Chloe: Orela_

_Martin: O que é Orela?_

_Chloe: Orela é o nome da terra dele._

Martin passou à noite toda investigando sobre Orela...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 28_
— Conseguiste descobrir algo? - Perguntou Samuel.

— Não, Pai! Não existe nenhuma terra com nome de Orela, nem país, nem província, nem distrito, nem
localidade, nem bairro, Pai. - Disse Martin.

— Esse Talib está a brincar connosco.

— Certamente! Ou Chloe não percebeu bem.

— Vamos confrontá-lo. Convide-os para jantar.

Martin disse para Chloe que teria de aguentar Talib, pois Orela não existe.
No jantar, Talib percebeu que estavam um pouco apreensivos, como se algo os preocupasse.

— Está tudo bem? - Perguntou Talib.

— Parece que não. - Disse Chloe.

— Qual é a necessidade de esconder para mim, que sou a sua mulher, para esta que também, é a sua
família? Porquê mentir? O que ganhas, com isso?

— Eu não menti. Nunca menti para vocês. - Disse Talib.

— Mentiste sim. Orela não existe em lado nenhum. - Disse Chloe.

— Orela existe sim. Apenas não é localizável em mapas, coordenadas. Nem eu sei porquê. Mas existe,
eu venho de lá, podem acreditar em mim. - Disse Talib.
— Calma, família. Vamos nos acalmar. - Disse Martin.

— Afirmo com certeza que Orela existe. É um Reino que vive no anonimato e deve continuar assim. -
Disse Talib, já alterado.

— Mas como é? É tipo tribos de Índios? - Perguntou Samuel.

— Mais ou menos. Pois tem casas mais modernas, escola e hospital, não tem condições como as daqui,
são do jeito de lá.

— Parece que vivem no atraso. Isso não é bom para o desenvolvimento do homem. É importante que o
povo evolua, tenha condições boas para saúde, educação, acesso a tecnologia, à novas experiencias de
negócios, conviva com outros povos. - Disse Samuel.

— Orela nunca precisou de nada disso. - Disse Talib.

— Então, porquê estás aqui? - Perguntou Samuel.

— Tudo isto parece mais uma história de filme. Ou um daqueles contos da Mana Ancha. - Disse Chloe, e
acrescentou: — Mostre-nos onde fica.

— Desculpa, mas não poderei fazer isso. - Disse Talib.

— Se ele disse que existe, é porque existe. - Disse Martin.


— Então, que nos leve para lá, para que possamos comprovar. - Disse Chloe.

— Compreenda, não posso voltar para lá, pois quando tomei a decisão de sair, estava ciente que não
poderia voltar mais. - Disse Talib.

— Por quê? - Perguntou Chloe.

— Não sei dizer. Eu passei minha vida toda me perguntando isso. Uff... Se não for pedir muito, peço para
terminarmos por aqui, este interrogatório. Por favor, vamos mudar de assunto. - Pediu Talib, e disse: —
Eu nem sei porque estamos discutindo esse assunto aqui. Nós falamos sobre isso em casa, Chloe. Era um
assunto que dizia respeito a nós os dois.

— Perdoe minha filha. Ela se sentiu enganada. Mas já está tudo bem. - Disse Emma.

— Agora vai ficar tudo bem. Já sabemos a verdade. - Disse Martin.

Samuel pediu para amainarem os nervos, para que pudessem jantar com tranquilidade.

Makhossa constatou que não havia forma de voltar a roubar o Reino, por conseguinte, voltou ao seu
plano inicial, criar discórdia no povo.

Criou grupinhos e aos poucos foi induzindo na mente do povo, que o Rei estava fazendo pouco pelo
povo e que todos mereciam melhores condições.

Em um ano, parte do povo estava descontente, não obstante, tudo que Tawarah fazia, o povo persistia
reclamando de tudo menos nada.
Eram tempos difíceis, apesar de tudo, Tawarah seguia governando com firmeza.

— Makhossa é quem está fazendo tudo isso. - Disse Malua.

— Minha Rainha, eu não tenho como provar.

— Mas é preocupante. Sempre que aparece em minhas visões, está no escuro. - Disse Anaya.

— Um rato caminha pelos esgotos, roe nas escondidas, foge da claridade, se esconde pelos cantos.
Gente como ele, é assim, comportam-se como ratos. Precisamos abrir os olhos do Rei.

— Achas que ainda não tentei? Tawarah tem consideração por ele, afinal, é Tio dele, o único que ele
tem.

A família Scott, enquanto se dedicava a investigar sobre Orela, de várias formas, parou de pressionar
Talib, e dessa forma recuperar a confiança.

Durante esse tempo, Talib gastou muito dinheiro a pensar que estava a pagar tratamentos de
fertilidade, para que Chloe pudesse lhe dar um filho. Contudo, Chloe usava o dinheiro para se divertir,
viajar, comprar joias, roupas, sapatos e bolsas de marca.

— Desculpa, Anaya, estava a atender um caso difícil que aguardava desfecho, há muitos dias. - Disse
Tawarah.
— Compreendo, meu Rei. - Disse Anaya.

— Fale.

— Tem pessoas se aproximando do quinto céu. - Disse Anaya

— Pessoas? Que pessoas? - Perguntou Tawarah.

— Não sei, meu Rei. Não sei. Estou tão assustada quanto o senhor.
Tem outra coisa meu Rei.

— Podes falar.

— Eu vi que o Reino irá dividir-se. Precisa criar uma tropa reserva que ninguém saiba.

— Tropa reserva?

— Sim! Escolha alguém de sua confiança, que possa juntar cem homens fortes e leais.

Tawarah chamou imediatamente as pessoas de sua extrema confiança, e para não confrontar a Rainha,
não chamou Makhossa.
Precisavam preparar-se para caso algo acontecesse.

— Ntsai, confio a si minha filha, para organizar esses homens e comandar essa tropa reserva.

— Eu não irei decepcioná-lo, meu Pai.


Makhossa sabia que algo estava a acontecer, pois faziam muitas reuniões às escondidas, e ninguém lhe
dizia nada.
Desconfiava que o Rei tivesse se convencido que ele era o traidor.

Em um almoço familiar de domingo, depois de muito tempo, volta-se a falar da terra de Talib.

— Olha para ti, Talib. Olha para tudo o que és, no homem que te tornaste. Não gostarias que outros
jovens da tua terra, tivessem as mesmas oportunidades? - Perguntou Samuel.

— Sim, penso nisso sempre. - Disse Talib.

— Vês como a nossa medicina é avançada, como tratam com facilidade as doenças. A flexibilidade como
tratam os casos urgentes. Isso não acontece lá na sua terra.
Quantas pessoas perdem a vida com doenças inexplicáveis.

Talib se recordou que sua Mãe quase perdia a vida, por uma doença que não chegaram a descobrir o
que era.

— Quanto tempo levam para fazer uma coisa? Para se deslocar, para se comunicar com outras pessoas?
Não tem carros, não tem celulares, não usam a tecnologia.
E se for um assunto bastante urgente?

— Nem me fale.

Talib leva a mão a cabeça, ri-se lembrando de quantas vezes seus servos tinham que correr para mandar
recados.
— Tudo bem que não queiram misturarem-se com outros povos, mas no mínimo, deviam aceitar escolas
e hospitais com melhores condições, para o bem estar do seu povo.
Tu sabes que é importante, não devias ser egoísta. Devias criar condições para que o seu povo usufrua
do melhor...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 29_

Talib ouve tudo atentamente e fica balançado.

— Talvez seja esse o seu destino, levar a evolução a Orela. - Disse Samuel.

— Seu Pai como Rei, não devia impedir isso. Os governantes lutam por melhores condições, e não têm o
direito de impedir o crescimento do seu povo. - Disse Martin.
— Nós até podíamos ajudar, mas não conseguimos localizar Orela. - Disse Samuel.

— O Reino é protegido, ninguém entra lá. Para chegar passa-se por várias situações. Não chegariam
nunca.

— Estamos cientes que tu não podes voltar para lá, pela forma como saíste. Mas nós somos a sua
família, e eles também são a nossa família. Deixa-nos ajudar o seu povo, que também são a nossa
família. - Disse Samuel.

— Meu Pai não aceitará isso. - Disse Talib, em dúvida.

— Deixa-nos tentar. Se ele não aceitar, nós voltamos e esquecemos de tudo, e nunca mais tocaremos no
assunto. - Disse Samuel.

— Pense no bem para o seu povo e em tudo que pode melhorar em Orela. - Disse Martin.

Aquelas palavras deixaram Talib comovido. Ele estava convencido que podia confiar em Samuel e
Martin, que eles ajudariam de facto o seu povo.

Talib se convence e entrega o caminho para chegar a Orela.


Samuel e Martin estavam a traçar o plano de como agiriam em Orela, quando Frank escuta parte da
conversa.

— Foi difícil, mas finalmente sabemos onde fica a Orela do Talib. - Disse Martin.

— Ahmmm... filho! Não vejo a hora de chegar até lá. Vamos tirar tudo o que lá tem. - Disse Samuel.
— Falaremos com nosso amigo ministro, para que nos dê o título de propriedade daquela terra.
Vamos destruir Orela e construir lá o nosso império.

— Isso Pai, teremos em nossas mãos todos os grãos de dólares para nós.

Frank, não podia acreditar no que ouvia. Ele sabia que Martin e Samuel não eram boas pessoas, mas não
contava que eram tão frios e calculistas.

Martin e Samuel, organizaram seus homens de confiança, pegaram seus Jipes, e seguiram segundo o
mapa feito por Talib.

Naquele momento, Anaya caminhava em direcção ao palácio, no meio da praça, sua visão fica turva, em
segundos estava estatelada.

As pessoas que ali passavam correram para socorrê-la. Chamaram por ela, todavia não respondia. Os
guardas do palácio a carregaram para dentro do palácio.

Anaya permaneceu horas desacordada.

Chamaram Kanga e Shona, deram a ela as ervas mais fortes, capazes de acordar um elefante, mas não
respondeu.

— Pai! - Chamou Anaya, assim que abriu os olhos.


— Filha.

Aproximou-se dela, Shona, rapidamente.

— Chama o Rei e a Rainha. Chame-os por favor!

— Invadiram o quinto céu, meu Rei. - Disse Anaya.

O Rei leva as mãos à cabeça, em sinal de desespero.

— Já invadiram? - Perguntou Malua, como se não tivesse escutado direito.

— Não será o Talib? - Perguntou Shona.

— Ele é deste Reino. Se fosse Talib, o chão, o ar, o céu o reconheceriam, Anaya não teria se abatido.

— Como localizaram o Reino? - Perguntou Malua.

Kanga, pegou alguidar e tentou ver o caminho que eles seguiam.

Minutos depois, o alguidar soltou-se das mãos de Kanga e ela caiu desfalecida.
— O que está acontecer? Meu Deus o que está a acontecer? - Perguntou Malua, apavorada.

— Os guardiões abandonaram o Reino, abandonaram-nos. - Disse Anaya, ainda sem forças.

— Como viveremos agora? Estamos vulneráveis. - Disse Tawarah.

— Tempos difíceis virão para este Reino. Meu Rei precisará se manter firme. - Disse Anaya.

Tawarah, chamou Ntsai e lhe deu ordens para chamar alguns guerreiros de confiança, e sem ninguém
ver, transferir todo armamento do Reino para a sala oculta.

Ntsai acatou as ordens, e de forma discreta transferiu todo o armamento para sala oculta.

Makhossa ouve de raspão que Orela está sendo invadido, não fica em silêncio, e conta para os
grupinhos, e esses, por sua vez, contam para outras pessoas e em pouco tempo todo o povo já sabia, e
cobram explicações do Rei.
Este tenta tranquilizá-los dizendo que tudo estava sob controle, e monta guardas por todos os cantos da
cidade.

Frank, depois de muito pensar decide bater à porta do escritório do Talib, e conta-lhe tudo o que ouviu.

— Já chega. Pára de inventar histórias. Desde que conheci essa família tudo o que eles fizeram foi me
tratar com respeito, consideração e carinho. Disse Talib.
— Era tudo fingimento. Acredite em mim meu amigo. - Disse Frank.

— Estás aqui pela benevolência deles, hoje sustentas tua família graças a eles. Não seja ingrato, Frank.

— Por favor, acredite em mim. Se puderes, impeça-os antes que o pior aconteça.

— Cale-se. - Gritou Talib, e disse: — Se proferires mais uma palavra de blasfémia para a minha família,
eu mesmo te expulso desta empresa.

Frank calou-se, e pediu desculpas. Estava cego ou enfeitiçado. Nem sequer deu benefício da dúvida.

Depois de dois dias de viagem, Samuel, Martin e sua comitiva de seguranças, chegam a Orela. Em
algumas horas, montaram o acampamento a mais ou menos um quilometro da cidade.

Anaya diz sentir a presença de pessoas estranhas no Reino.

— Eles já ultrapassaram o primeiro céu? - Perguntou Kanga.

— Sim! Eles não andam com os pés, e como já não temos a proteção dos guardiões, conseguiram passar
por todos céus sem dificuldades. - Disse Anaya.

Durante dias a comitiva de Samuel examinou o Reino sem chamar atenção. Em poucos dias descobriram
que de facto, Orela estava cheio de dólares, em forma de graus, pedras, e muito mais do que poderiam
imaginar.
Assim que tem a confirmação, Samuel e Martin preparam-se e vão a cidade. O Povo espanta-se ao ver
pessoas de outra cor, com outro estilo, a caminhar pelo Reino. Caminham tranquilamente, e vão em
direcção ao palácio.

— Bom dia! - Disse Samuel, a um dos guardas.

Este rapidamente posicionou-se para combate, igualmente os outros guardas que estavam em outras
posições.

— Viemos em paz. Gostaria de falar com o Rei Tawarah. - Disse Samuel.

O povo que estava aglomerado em volta de Samuel e os que o acompanhavam, começaram a


murmurar.

— Chamou-lhe de nome. Disse Rei Tawarah.

— De onde ele conhece nosso Rei?

Tawarah, não podia se recusar a recebê-los, ele sabia que seu povo estava apreensivo do lado de fora.
Então, autorizou que entrassem apenas Samuel e Martin.
No entanto, chamou a Rainha, Makhossa, Shona, Kanga, os outros conselheiros, e também, estavam
Ntsai e Anaya em um canto.

Depois das saudações, Samuel apresenta-se, e apresenta Martin.

— Nós estamos aqui há alguns dias. - Disse Samuel.

— Sim, sabemos, desde o dia que vocês pensaram em chegar aqui, nós já sabíamos sobre vocês. - Disse
Tawarah.

— Que bom! Nós vimos as condições deploráveis em que vocês vivem. Gostaríamos de ajudar-vos a ter
melhores condições. Casas melhores, estradas asfaltadas, veículos para se locomoverem, escolas mais
sofisticadas, hospitais modernos, com melhores aparelhos, e todos medicamentos avançados, tudo de
melhor para o povo de Orela.

— À troco de quê?

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 30_
— Responda, Sr. Samuel. Querem dar essas condições todas para o meu povo por quê? - Perguntou
Tawarah, e disse: — Como chegaram a este Reino?

— Faz parte do mundo, qualquer um pode chegar. - Disse Samuel.

— Se veio a bem, seja verdadeiro. Diga quem lhe mostrou o caminho.

— Acredito que isso é pouco relevante, apenas posso lhe segurar que é alguém que está preocupado
com o bem estar do povo, tanto quanto o senhor.

— Bem estar em troca de quê?

— O senhor é muito prático. Gosto assim.

— Aqui eu sou Rei, chama-me por majestade.

— Peço perdão, sua Majestade! Como lhe disse, estamos aqui já há alguns dias. E foi possível explorar a
área.

— Hum... e encontram minérios e pedras preciosas. É isso que vos interessa?

— Sim! Nós transformaremos este Reino pacato, esta cidade antiquada, numa das cidades mais
desenvolvidas de todo o mundo, em troca, nos deixem explorar todas as riquezas do Reino.

— Não estamos interessados. - Disse Tawarah, sem hesitar.

— Sua Majestade, eu acredito que esta proposta chegou muito de repente. Vou lhe dar um tempo para
analisar. Tenho certeza que depois de pensar melhor, nos chamará amanhã e acertamos os detalhes.

— Eu não preciso pensar em nada. Está decidido, senhor Samuel. O nosso povo tem tudo o que precisa.
Olha senhor Samuel, eu sei tudo o que tem no meu Reino, e sei quanto vale tudo que tem para vocês, e
mesmo assim, permanecemos como vê. O que para vocês são riquezas, para nós é a nossa alma, nossa
beleza e nossa luz, e não está à venda. Pois, o que ganhamos, não comercializado, nada do que temos,
nos garante algo que nada compra: A paz.

— Percebi que com o senhor não há conversa. Viemos aqui educadamente, propusemos a vocês um
acordo pacífico, e demonstramos boa vontade. O senhor pode ser o Rei deste sitiozinho. Mas eu, sou o
dono de tudo o que eu quero neste país. E se eu quero este lugar, eu terei, com a sua Majestade aqui
dentro ou lá fora. Vou me retirar. Aguarde os próximos contornos.

Dito isso, Samuel se despediu, e virou-se.


— Senhor Samuel! Tem dois dias, para arrumar as suas coisas e sair do meu Reino.

Samuel lança seu olhar malicioso e sorri com ironia. Vira-se e caminha em direcção à porta.

Tawarah e todos que ali estavam, ficaram convictos que ainda não havia acabado.

— Precisamos nos preparar. Estes não irão parar. - Disse Tawarah, e de seguida perguntou: — Quem
será que lhes deu o caminho?

— Não sei meu Rei. Mas sinto que não vem por bem. - Disse Kanga.

— Estamos a ser extremistas. Talvez fosse bom que o Reino se abrisse para essas condições que eles
dizem poder fazer. - Disse Makhossa.

— Sabes bem que implicações isso trará, Makhossa? - Disse o Rei, continuou: — Me espanta o seu
comentário. O senhor como chefe da guarda deste Reino, devia ser o primeiro a não permitir tal coisa. A
não ser que tenha sido o senhor a trazê-los até nós.

Makhossa ri-se.

— Não me culpa por acções, do seu filho. Está mais que claro que foi Talib, quem entregou o nosso
Reino àqueles homens. - Disse Makhossa.

— E quem mostrou o caminho a Talib? - Perguntou Anaya, deixando Makhossa sem palavras.

— Menina, não me falte com o respeito. Não sei como ganhou a confiança do Rei e nem o que
pretende, com suas insinuações. Orela é o que é, porque eu dei minha vida por ele.

— Eu vejo muito além do que os outros vêm, senhor Makhossa.

Anaya fecha os olhos e tem uma revelação assustadora. Porém, se concentra e volta em si.

Makhossa se sente despedido, sem saber ao certo do que Anaya se referia.


— Eu vejo até o que o senhor pensa que ninguém jamais descobrirá. A mim o senhor não engana,
conheço as suas intenções. Makhossa se sente encurralado e se retira.

— Não vou aceitar ficar aqui a ouvir insultos de uma criança, que ainda cheira a leite. Vou me retirar.

Tawarah dispensou também os outros conselheiros.

— Anaya, Makhossa é o chefe da guarda deste Reino. Não podes te dirigir à ele dessa forma. -
Repreendeu Tawarah.

— A máscara dele caiu, meu Rei. Ele nunca guardou este Reino. Apenas guardou seus interesses. - Disse
Anaya.

— Não podemos acusá-lo de ter trazido aqueles homens para este Reino, sem provas.

— Eu não o acuso disso. Eu sei perfeitamente que foi Talib quem mostrou o caminho do Reino.

— Como ele pode? Como ele foi capaz de matar-nos à todos.

— Meu Rei! Talib vive uma outra realidade, e tem outra perspectiva da vida.

— Estás a justificá-lo.

— Não! Estou a clarificá-lo que uns cometem erros conscientemente, como Makhossa e esses homens, e
outros cometem erros por ingenuidade. O mal de Talib foi sempre se julgar superior aos outros. A
subordinação, a disciplina, e obediência são chaves para a formação de um líder.

Era tarde demais. Orela já não era segredo. Makhossa fez questão de espalhar discórdia no povo, e
dividi-lo. Uns queriam as melhores decisões, que Samuel propôs, outros apoiavam a decisão de
Tawarah.

Durante à noite daquele dia, Makhossa foi até ao acampamento de Samuel. E pediu para que
conversassem em privado.

— Então o seu Rei pensou bem, e decidiu aceitar a nossa proposta? - Perguntou Samuel.
— Não! Vim aqui lhe fazer uma contra proposta. - Disse Makhossa.

— Tudo bem! Tens a minha atenção.

— Eu posso lhe ajudar a conseguires o que queres, em troca, eu quero que me ajude a derrotar
Tawarah, para que eu possa me tornar Rei.

— És ambicioso. Eu sou fascinado por pessoas que pensam grande. Deixa-me perguntar, porquê queres
trair o seu Reino?

— São contas antigas. Levei muito tempo para cobrá-las, chegou o momento de exigir o que é meu.

Makhossa e Samuel apertaram as mãos, e traçaram o plano de acção para derrotar Tawarah, e
extraírem tudo o que lhe interessava.

Havia um tumulto no povo de Orela. Shona disse que Tawarah devia se dirigir ao povo e esclarecê-lo
sobre a decisão que tomou.

— Antes de mais nada, temos que preservar aquilo que é mais valioso. A nossa paz.

Meu povo! Só quem viveu guerras, conhece o verdadeiro valor da paz. A paz não tem preço, meus
irmãos. E se nós negociarmos o que temos, jamais teremos paz. Peço a vocês, meu povo, para que
consciencializem isso, e juntos, expulsarmos esses homens que só querem trazer discórdia no nosso
reino.

— E porquê o Rei não pergunta ao povo o que ele quer? - Disse um dos conselheiros.

— Tenho certeza que meu povo me apoiará como sempre fê-lo. - Disse Tawarah.

— Não fale por eles, Majestade. Eu proponho que o povo se manifeste. Quem concorda com o Rei,
passe para o lado direito, quem quer melhores condições, vai para o lado esquerdo. - Disse o
Conselheiro.

Em poucos minutos, viram o povo de Orela se dividir. Uma parte apoiava o Rei, porém, outra parte
queria as tais melhores condições.
Tawarah olhava atentamente para Makhossa. A maioria das pessoas ficou chocada com a decisão do
lado que Makhossa se dirigiu...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

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_Capítulo 31_

— O povo merece o melhor, o povo quer mudanças, e eu, Makhossa, irei encabeçar esta revolução. -
Disse Makhossa.

Mais da metade dos comandantes e suas topas, juntaram-se a Makhossa.

Makhossa virou-se para os outros guerreiros que ficaram do lado de Tawarah.

— Eu sou o vosso superior, é a mim que vocês devem lealdade. - Disse Makhossa.

— Se o senhor não é leal ao seu superior, não cobre lealdade a nós. - Disse um dos comandantes.

— Eu sou o vosso superior.

— Tawarah é o nosso Rei. O nosso compromisso é com o Reino. O Reino foi confiado à ele. É à ele que
devemos lealdade.

— Já não és superior de ninguém, Makhossa. Neste momento eu lhe retiro o poder que lhe confiei. -
Disse Tawarah.
— Melhor assim, já fui seu babá o suficiente. Agora é momento de me tornar Rei. Eu sou o Rei que este
povo precisa. - Disse Makhossa.

— Primeiro, terás que matar-me.

— O seu filho já matou-te. É questão de tempo para que tudo que você criou, fique totalmente
destruído.

— Todos tinham razão em relação a ti! Um dia vais te dar conta de que com naturalidade, os Tawarah
nascem Reis. E não é um Makhossa que vai mudar isso. Eu posso até morrer, Makhossa, mas você
jamais será Rei de Orela.

Em pouco tempo, a praça vira palco de pancadaria, o povo lutava entre si.

Shona toma o controle da situação. Ordena Ntsai a levar o Rei e a Rainha para dentro do palácio. Pede o
povo para acalmar-se, e diz que cada um tomou sua decisão e será responsável pelo que decidiu.

Os guardas conseguem dispersar as pessoas.

Makhossa diz aos seus que ainda não era momento para guerra.

Egary fica do lado do Pai, e Anaya olha para ele enquanto abana a cabeça. Whandia, pega na mão de
Egary e decide juntar-se a eles. Kanga chama pela filha, mas ela diz que tomou sua decisão e vai com
Egary.

— O que está a acontecer com o povo? - Perguntou Tawarah.

Ntsai pede o Pai para acalmar-se.

— Pai! Eu passei minha vida toda a preparar-me para este momento. Precisas confiar em mim,
protegerei este Reino. - Disse Ntsai.

— Eu sei minha filha! A partir deste momento, eu te emposso a chefe da guarda do Reino. - Disse
Tawarah.
Makhossa e sua tropa invadem o armazém onde ficam as armas de guerra, e ficaram desestabilizados,
quando percebem que não tinha mais nada, haviam esvaziado tudo.

— Para onde levaram, as espadas, os arcos e flexas, escudos, lanças, as armaduras? - Perguntou
Makhossa.

— Tiraram, chefe. E não foi hoje, não teriam tempo para isso.

Os guerreiros, perguntavam a Makhossa, como combateriam sem armas, pois as que tinham em sua
casa, eram poucas. Makhossa enraiveceu-se ao perceber que Tawarah não era assim tão idiota. Jogou
no seguro e escondeu as armas.

Anaya diz ao Rei que deve separar o Reino para que possa preservar o povo que ainda acredita em
Orela.

— Todos são de Orela, Anaya. - Disse Tawarah.

— Eu sei. Igual ao senhor, meu coração parte-se com a situação. Mas não temos outra alternativa.
Precisamos ganhar tempo. Em breve aqueles homens voltarão, com isso, Makhossa e os outros
revoltados estarão seguros, para começar a atacar. - Disse Anaya.

— Não temos outra escolha. Não podemos esperar que invadam esta parte pois, Orela nunca mais se
recuperaria.

Ntsai acata as ordens do Rei, forma grupos de trabalho para isolar a parte alta do Reino. O povo
construiu durante noites e dias, um murro de vedação, para que pudessem ter melhor controle.

Em algumas semanas o povo separou-se, na zona mais alta onde tinha o palácio, passaram a morar as
pessoas que apoiavam o Rei, e os outros se instalam na parte mais baixa do Reino sob o comando de
Makhossa.
Samuel mandou desmontar o acampamento e seguiram de volta à capital, para organizarem-se e voltar
explorar Orela.

Samuel chama Talib, e mostra a foto em que ele apertava a mão do seu Pai, e diz que estavam a fechar o
acordo.

— Ele concordou sem demonstrar resistência? - Perguntou Talib.

— Não foi fácil. Mas no final ele convenceu-se que é o melhor para o povo.

Talib estava satisfeito, pois apesar de não poder voltar, pôde ajudar seu povo.

Semanas depois chegou à Orela helicópteros levando maquinaria pesada.

— Ouve?? - Perguntou Malua.

— Sim mulher, chegaram. - Disse Tawarah.

O povo estava agitado, assustado. Nunca tinha visto tais coisas.

Os homens de Samuel, montam acampamento ainda maior e em alguns dias começam a explorar Orela,
em busca dos grãos de dólares.

Makhossa e seus homens dedicaram-se a fazer armas para então poderem combater, assim que Samuel
aterrou com seus homens ficou mais fortalecido.

— Iniciaram por esta parte. - Disse Makhossa, indicando o lado que ele e seus homens haviam ocupado.

— Mas eu preciso de toda área, tem pedras que têm daquele lado que não tem aqui. - Disse Samuel.

— Nós vamos atacar a cidade alta, até conseguirmos invadir completamente.


Samuel disse que deixava a parte das batalhas com Makhossa.

Dias depois Makhossa e seus homens começaram a atacar a cidade alta. Ntsai e seus guerreiros faziam
de tudo para impedir as invasões, combatendo diariamente com os revoltosos.

Ntsai viu-se obrigada a posicionar guardas em pontos onde pudessem ter visibilidade, para controlar
toda a extensão.

Malua andava inquieta, preocupada, mas esses sentimentos eram internos, pois para apoiar o Rei, devia
exteriorizar firmeza, coragem, e assim manter o Rei calmo e confiante.

Kanga nem tempo teve de chorar pela traição da filha, pois tinha que fazer de tudo para ajudar a
defender o povo, uma vez que não podiam contar com a proteção dos guardiões.

Anaya era fundamental nas estratégias de guerra pois, com as suas visões podia advertir e sugerir
melhores formas de ataque e de defesa. Em todas as batalhas, as tropas de Ntsai saíram vitoriosas, eram
fortes e corajosos.

Samuel mandou chamar Makhossa e disse a ele que o ajudaria com armas mais modernas, se ele o
ajudasse.

— Em quê? Eu já te dei a terra para explorares e tirares o que quiseres. - Disse Makhossa.

— Não vou poder trazer mais pessoas para trabalharem nas minas. Dá-me parte do seu povo, ficas com
os homens fortes para as batalhas, a outra parte do povo, entregue a mim, para que possa trabalhar nas
minas.

— Eu te dou pessoas para trabalhar e tu me das armas modernas?

— Sim é isso...
Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

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_*Capítulo 32*_

Makhossa estava tomado pelo desejo de poder, alimentado pela inveja, não precisou pensar, nem
sequer pensou no povo, e entregou-os para fazerem trabalhos pesados sem pestanejar.

Cheio de cinismo, Samuel voltou à capital e foi ter com Talib.

— Sabes de onde venho filho? - Perguntou Samuel.

— De Orela? Perguntou Talib.

— Sim, de Orela. Descarregamos todo material necessário, e iniciamos hoje as obras para a construção
do hospital. - Disse Samuel, olhando para os olhos de Talib.

Talib espontaneamente abraçou Samuel, e agradeceu-lhe por tudo o que estava a fazer pelo seu povo.

Ainda era de madrugada quando Anaya interrompeu o sono de Tawarah.

— Anaya, o que aconteceu? Tiveste alguma visão? - Perguntou Tawarah.

— Desculpa por acordá-lo, meu Rei, a aflição não me deixou sossegar.

— Não se preocupe, também não conseguia dormir. Conta-me, o que te traz aqui.
— Meu Rei, precisamos descobrir o que está a acontecer com o povo lá em baixo.

— Mas eles fizeram a escolha deles, estão a colher o que plantaram. - Disse Ntsai.

— Eu sei, mas eles foram envenenados, outros até foram contra a vontade, acompanharam seus
familiares.

— O que viste Anaya?

— O povo estava chorando uns em cima dos outros, se consolando.

— Choram por quê?

— Não sei, meu Rei, só vi que choravam lágrimas pretas.

Tawarah decidiu que mandaria um espião para verificar o que estava a acontecer.

Ntsai disse que não colocaria nenhum dos seus homens em risco, e que ela mesma o faria.

A cacimba do amanhecer ofuscava Ntsai, e permitia que ela circulasse sem chamar muita atenção.

— Meu Deus, como pode permitir isto? - Perguntou Nstai, ao ver seu povo fazendo aquele trabalho
pesado.

Depois de ganhar fôlego por alguns minutos, seguiu o trilho e voltou ao palácio, para encontrar Tawarah
que morria de medo de perder outro filho.

O Rei toma conhecimento que seu povo está sendo escravizado.

— Escravizado? - Perguntou Tawarah.

— Sim Pai, eu vi com meus próprios olhos, homens, mulheres, até crianças, Pai. - Disse Ntsai.
— Alguma coisa precisamos fazer. - Disse Malua.

— Vamos libertá-los. - Disse Tawarah.

— Como Pai? - Perguntou Ntsai.

— Vamos traçar um plano, invadimos de noite e libertamos os escravos. Disse Tawarah.

Para Anaya soava bem arriscado, e sugeriu que o Rei não podesse participar da invasão.

— Eu sou Rei porque existe um povo. Sem povo, eu não sou nada. Eu jurei proteger e cuidar do meu
povo, não posso ficar aqui, enquanto meu povo sofre.

Tawarah e Ntsai, juntos com a tropa, invadiram a parte baixa do Reino com o intuito de libertar as
pessoas que estavam sendo escravizadas.

Assim que aproximaram-se da zona baixa, a tropa separou-se. Ntsai e alguns guerreiros compunham o
grupo de avanço, deram a volta pelas tendas até que chegaram a parte onde os escravos ficavam
presos.

Tawarah e outros guerreiros constituíam o grupo que estava na retaguarda cobrindo o local, para
garantir que não fossem surpreendidos.

— Princesa Ntsai. - Chamou uma das senhoras que ali estava.

— Shiii. - Ntsai ordenou silêncio, para evitar que despertassem atenção dos guardas.

Ntsai orientou que parte do seu grupo neutralizasse os guardas de forma silenciosa, e os outros
abrissem as gaiolas onde deixaram os escravos.

— Meu Rei, já os achamos. - Disse Ntsai.


— Evacuemos para o portão. - Ordenou Tawarah.

Um dos comandantes deu sinal para que abrissem os portões.

Os escravos estavam ansiosos em sair, e alguns não conseguiram ser discretos, e faziam barulho.

Um dos guardas percebe a movimentação, e alerta os outros. Rapidamente Makhossa foi informado,
orientou que se preparassem para combater.

Parte dos escravos já haviam entrado na zona alta, mas muito deles ainda estavam a caminho do portão.
Soa o apito, alertando que estavam sendo invadidos, e os guerreiros entram em luta.

Makhossa dá ordens para impedir que as pessoas entrem na zona alta. Alguns guerreiros de Makhossa,
cercam as pessoas que estavam fugindo e os escolta de volta às gaiolas.

Ntsai luta contra os guerreiros de Makhossa. Tawarah também teve que lutar, para proteger-se e levar
de volta ao palácio os guerreiros que foram designados naquela missão.

Aos poucos estavam recuando para a zona alta, enquanto os homens de Makhossa os atacavam cada
vez com mais violência.

Estavam a 20 passos do portão da zona alta, quando um dos comandantes de Makhossa encontrou
Ntsai desprevenida, enquanto enfrentava outro desertor. Antes que pudesse atingi-la com sua lança,
Tawarah, vai para cima dele, o neutraliza e salva sua filha.

Makhossa viu atentamente o que acontecia, como uma serpente traiçoeira, deslizou pelas sombras, e
com a rapidez de uma víbora, alcançou Tawarah antes que este pudesse defender-se.

Pelas costas... Sim pelas costas. É por lá onde atacam covardes.


— Óohhh... - Suspirou Tawarah, enquanto sentia o metal frio da faca que embrenhava, pelo seu corpo
adentro.

— Paiiiii! - Gritou Ntsai, enquanto via Makhossa alvejar seu Pai.

Makhossa, friamente, arrebatou a faca de Tawarah, e sem piedade, voltou a transpô-la ainda mais
fundo.

— Óoohhhh... - Rangeu Tawarah, apertando os dentes.

Makhossa ao perceber que todas os guerreiros vinham para cima dele largou Tawarah, e mandou que
seus homens recuassem.

Ntsai ordenou que carregassem imediatamente o Rei para o palácio. Tawarah perdeu muito sangue e
acabou ficando inconsciente.

— Ahmmmmm... - Gritou Malua, quando viu seu marido coberto de sangue, e continuou gritando: —
Porquê Talib? Porqueeeeee.

Ntsai correu para segurar sua Mãe.

— Mãe acalme-se! Papá precisa de nós, fortes.

— Como permitiste que fizessem isso com teu Pai, Ntsai? Tu juraste que protegerias seu Pai. Juraste que
não permitirias que nada acontecesse com o Rei de Orela. Como pudeste também falhar filha como seu
irmão?

Ntsai se encheu de lágrimas, mas segurou-as para que não as derramasse.

Cont...
_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

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_Capítulo 34_

— És desprezível, Makhossa! O pior é que sempre soube, e fui obrigada a conviver consigo para não
afrontar meu marido.

— Eu serei Rei, Malua, e não tens como impedir isso.

— Nunca sentarás, naquele trono. - Disse Malua, enquanto apontava para a cadeira do Rei.

— Vais te contentar por governar rebeldes e viver em cabanas. Ouve bem, jamais segurará aquele cetro
real, jamais assentará em sua cabeça, aquela coroa. Não tens capacidade, Makhossa, nem para receber
esse título, por erro.

— Aceita Malua! Ntsai não tem valia alguma para este Reino, e sabes muito bem disso. Por essa razão,
serei eu coroado Rei de Orela.

Malua nem conseguia olhar para cara da filha, que estava cheia de perguntas.

— O quê? Eu não tenho nenhuma valia?

— Sim, eles escondem, Shona esconde, Kanga esconde, eu também escondi a verdade. Vou revelar para
que não te iludas. Tu não és filha deles.

Ntsai permaneceu em pé, sofrendo por dentro, mas conservou-se firme. Olhou para Malua, à espera
que ela desmentisse Makhossa. Então, lembrou de todas as vezes que se comparou com Talib, e lhe
achava totalmente diferente, sonhador como o Pai, e amoroso como a Mãe.

Lembrou-se de todas as vezes que olhava-se no espelho e não encontrava semelhança do seu Pai, nem
de sua Mãe.
Por mais que ela quisesse pensar que eles não eram seus Pais, não se lembrou de nenhum momento
que sentiu que era tratada de forma diferente. Só tinha recordações de amor e carinho incondicional,
que recebeu dos seus Pais.

— Não sei que tipo de sangue corre em suas veias, mas te garanto que não é sangue real. - Disse
Makhossa. E acrescentou:— Portanto, menina, começa a procurar casa para ficar, pois, eu vou tomar o
trono e vou correr convosco, daqui para fora.

Makhossa, confiante que tinha derrotado Ntsai e Malua, e que tinha tudo arranjado para usurpar o
torno. Por mais dor que estivesse a sentir, por mais perguntas que tivesse que fazer, por mais raiva que
sentisse em seu peito. Por tudo o que já tinha passado, por tudo o que estava vendo seu povo a sofrer,
não daria o gosto de deixar Makhossa achar que seria fácil tirar os Tawarah do trono.

— E quem vai confirmar essa tua história? - Perguntou Ntsai.

— Como assim? - Perguntou Makhossa.

— Sim, quem vai confirmar essa história? Ouviste minha Mãe a dizer que não sou filha dela? Por acaso
Shona ou Kanga, confirmaram que não sou filha do Rei? Vais precisar muito mais que meias palavras
para convencer os conselheiros e o povo que falas a verdade, e que não é mais uma artimanha sua, para
usurpar o poder, e se tornar Rei à força. Já ouvimos o que tinhas a nos falar. Saia deste palácio, e não
tornes a colocar teus pés aqui, senão serás abatido no portão da zona alta. - Disse Ntsai.

Não haviam dúvidas que Ntsai podia até não ter sangue real, mas sem dúvida, tinha postura real. Olhou
para os conselheiros, sem hesitar, disse:

— O Reino está a passar por momentos difíceis. A prioridade agora é proteger a zona alta, para que não
seja invadida e a recuperação do Rei. Não vamos dar espaço a fofocas da pessoa que causou tudo isto.
Até que o Rei se recupere, eu estarei à frente do Reino. Tudo deverá ser feito com a minha autorização
ou com minha orientação, gostaria de poder contar convosco, como meu pai sempre contou, e se
alguém não estiver de acordo, fale aqui e agora, ou então pode ficar à vontade e passar para a zona
baixa.

Todos apoiaram Ntsai, e a garantiram que não espalhariam boato algum.


Assim que os conselheiros se retiraram, Ntsai olhou para Malua lhe cobrando explicações.

No entanto, Malua não estava em condições de revelar nada. Baixou sua cabeça e foi para o quarto
onde estava seu marido.

Anaya foi atrás de Malua, deixando na sala do trono, Ntsai com Shona e Kanga.

— Vocês vão falar alguma coisa? - Perguntou Ntsai.

— Seus Pais, depois de casarem, ficaram anos sem conseguir ter filhos, foi quando deram-te à eles,
encantaram-se por ti, e decidiram que serias filha deles. Meses depois, sua Mãe ficou grávida de Talib,
podiam ter te largado, mas eles te amaram ainda mais. Teus Pais nunca fizeram distinção entre ti e teu
irmão. Te amaram na mesma intensidade.

— Ntsai, eu sei que é difícil saber da verdade desta forma, e uma verdade tão dolorosa, mas eu queria
pedir para dares um tempo à Rainha. Este não é momento de lhe cobrar explicações. Permita que ela se
recupere, primeiro, dos golpes que a vida lhe deu. Ela já não tem o filho, está a ponto de perder o Reino
e o marido. Então, não faça ela acreditar que pode perder a filha que tanto ama.

— Tudo bem! Vou chorar em outro momento. - Disse Ntsai, em tom de ironia para parecer forte.

Ntsai passou as mãos pelo rosto, levantou a cabeça, e voltou ao trabalho. Estava ciente que restava
apenas ela.

Malua entrou no quarto do seu marido, e Anaya que a seguia, entrou logo a seguir. Observou o marido
ali deitado, indefeso, frágil, e pensou em tudo que estava desmoronando ao redor deles. Virou-se para o
médico e procurou saber como o marido estava, pois já haviam passado mais de vinte e quatro horas, e
ele permanecia desacordado.

— O Rei foi perfurado em órgãos sensíveis e perdeu muito sangue. Tudo o que podia ser feito, nós
fizemos, estancamos as hemorragias, e estamos a medicá-lo. Contudo, ele continua inconsciente. - Disse
o médico.

— Quando ele vai acordar? - Perguntou Malua.


— Não sei, minha Rainha, só Deus é quem sabe. Pode levar dias, semanas, meses. - Disse o médico.

— Ou pode não acordar mais. - Disse Malua, submersa no medo e encharcada de dor em forma de água.

— Não vamos perder as esperanças, precisamos ter fé, minha Rainha. - Disse Anaya, enquanto apertava
a mão dela.

— E onde elas estão, Anaya? - Perguntou Malua. E perguntou outra vez: — Diga-me, não és tu a que vê
o que ninguém mais vê? Feche os olhos agora, veja em suas visões onde estão essa esperança e essa tal
da fé. Encontre-as para mim. Traga-as aqui, para que eu as possa ver com meus olhos, para que eu as
sinta em meu coração e em minha alma.

Anaya, se comprimiu, e silenciou-se.

— Já imaginava. Vai, Anaya. Vai ajudar Kanga, precisamos ver alguma forma de salvar pelo menos este
povo e esta terra, são o único que nos resta. - Disse Malua.

Anaya cabisbaixa, retirou-se.

Anaya voltou à sala do trono, e encontrou Kanga e Shona lá, debatendo formas de ajudar Ntsai.

— Precisamos fazer alguma coisa. - Disse Anaya.

— É disso que estamos falando. - Disse Shona.

— Makhossa falou a verdade, Ntsay não é filha do Rei, eu vi isso em uma das minhas visões, tem outra
origem. E ele pode sim tomar o trono. - Disse Anaya.

— O único jeito de deter Makhossa, juntar o povo, expulsar aqueles intrusos, e reconstruir o Reino, é
recuperando a proteção dos guardiões. Se eles voltarem, Orela voltará a ser Orela. - Disse Kanga.

— E como podemos recuperar a proteção dos guardiões? - Perguntou Shona.

— Devemos completar a árvore real, só isso dará vida a Orela. - Disse Kanga.

— Estás a dizer que Talib deve voltar a Orela? - Perguntou Anaya.


Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

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_Capítulo 35_

— Sim minha filha, Talib deve voltar a Orela. Nós não sabemos por quanto tempo o Rei Tawarah ficará
inconsciente, e durante esse tempo, muita coisa pode acontecer. - Disse Kanga.

— Estamos perdidos. Talib jamais regressará a Orela. - Disse Shona.

O desespero tomou conta do palácio. Morriam de medo que Makhossa conseguisse atacar e conquistar
a zona alta.

Samuel estava feliz. Recebeu informação que Tawarah estava morrendo, e que por fim Makhossa seria
Rei de Orela. Foi até Talib e mostrou a ele algumas fotos de Orela, onde seu povo mostrava-se feliz.
Eram fotos tiradas antes da separação do povo. Mostrou também fotos que garantiu lhe que eram das
fundações que foram feitas para erguer o hospital.

Ao ver aquelas fotos, Talib ficou feliz e aliviado, e deixou de insistir em ir à Orela.

Depois de enganar Talib, foi à reunião de negócios, com seu parceiro, a pessoa que facilitava na
obtensão de licenças, alvarás, certificados e concessões.

— Tens certeza disso?


— Sim.

— São mesmo, pedras preciosas?

— Isso e muito mais.

— E, quando vamos receber o primeiro lote para que eu possa ver?

— Em duas semanas, no máximo.

— Isso é bom.

— Mas são grandes quantidades, compadre. Sem a licença que preciso, não terei como circular com
tudo, até aqui.

— Yáh!!! Essa licença deve ter autorização do presidente, ele está fora do país, e com a agenda lotada.

— Estamos dependentes disso.

— Ufff!! Eu sei. Trata de tudo. Vou falar com o meu contacto na polícia. Se até lá, não tivermos a licença,
teremos a cobertura da polícia.

Estava tudo correndo bem para Samuel e seus planos.

Em mais uma noite, Talib foi se deitar sem sua esposa.

— Onde estás? - Perguntou Talib.

— Eu não gosto de ser controlada. - Respondeu Chloe.

— Não te estou a controlar. São vinte e duas horas. Achas que é normal que até à esta hora, não estejas
em casa?

— Estou com umas amigas.

— Nos últimos meses, tem sido assim. Não está certo. Já nem ficamos juntos, nem sequer permites que
te toque. Isto não é casamento, Chloe.

— Estou farta das tuas reclamações, Talib. Não estás satisfeito? Okay. Vamos nos divorciar e acabamos
com tudo isto.

— Estás a falar de divórcio, assim tão rapidamente, como se fosse algo fácil.
— Epah! Estás a pressionar-me. E para o bem de nós dois, eu não voltarei para casa hoje. - Tommm... e
desligou a chamada na cara dele, em seguida, colocou no modo vôo.

Chloe já não conseguia nem esconder que não queria nada com Talib. Não faziam amor, não
demonstrava carinho, não lhe dava atenção, voltava para casa, quase todos os dias, altas horas da noite.
Passava finais de semana se divertindo com amigos. Se deitava com seu ex namorado sempre que lhe
apetecesse.

Talib já não aguentava mais as faltas de respeito. Conversou algumas vezes com Martin, esse pedia
calma e dizia que ia ajudá-lo, depois de algum tempo passou a despachá-lo e nas últimas semanas, nem
lhe passava cartão.

— Estou ocupado Talib, tenho uma reunião agora. - Disse Martin.

— Ela disse que quer o divórcio. - Disse Talib.

— Talvez seja melhor para todos. Se é o que ela quer, separem-se.

- Sabes que sou louco por ela.

- Ahhh, Talib tem tantas mulheres por aí. Se ela não te quer, respeita e prontos. Estou cansado das suas
reclamações. Desculpa, tenho mais o que fazer. - Dito isto, Martin se despediu e foi embora.

A família Scott já não era mais a mesma, assim como Martin, Samuel e Emma, mudaram a forma como
tratavam Talib. Ele achava que estavam ocupados mesmo, mas a verdade é que já não precisavam dele
para nada, já tinham conseguido tudo o que queriam.

Talib sente-se sozinho, e começa a beber descontroladamente, de dia, de noite. Frank sente pena de
Talib, e vai ter com ele, para saber porque estava se acabando.

Num acto de frustração, acabou se abrindo com Frank, e contou pelo que estava a passar com Chloe.

— Não posso falar o que penso. Vou apenas te ouvir. - Disse Frank.
— Porquê? - Perguntou Talib.

— Eu não quero que penses que tenho algo contra a sua família.

— Podes falar. Talvez ouvindo perceba onde errei.

— Erraste por ser bom, e até demais.

— Eu não sei ser mau. Eu não sei ser rude. Meu Pai sempre disse que eu devia fazer cara de bravo, para
aparentar ser sério. Olha, não consigo, não consigo nem parecer bravo.

— Estás bêbado, Talib. Catorze horas e já estás neste estado.

— Como não vou beber. Vou beber até esquecer que minha pérola já não me quer.

Frank carregou o amigo e levou-lhe para casa.

Anaya precisava conversar com alguém, e do jeito como as coisas estavam, a única pessoa que pensaria
com frieza era Kanga, então foi visitá-la.

— Entra! Fica à vontade. - Disse Kanga.

— Muito obrigada. Desculpa por vir tão cedo. - Disse Anaya.

— Estás com sorte, se tivesses chegado cinco minutos mais tarde, não me encontravas. Vou levar essas
ervas ao palácio, para fazer uma infusão.

— Vou ser breve. Quero contar-te algo. Eu sonhei que o Rei Tawarah andava sobre as pedras preciosas,
e elas se transformavam-se em grãos de areia.

— Era uma visão?

— Na verdade não. Era apenas um sonho.

— Acho que ficaste impressionada com o que falei ontem.

— Também achei. Mas não foi isso que te trouxe aqui. Vejo em seus olhos, que algo mais te preocupa.

Anaya acenou com a cabeça, concordando com ela.


— Não sei como te falar isto.

— Fala, seja o que for. Sabes que podes confiar inteiramente em mim.

— Eu vou atrás de Talib.

— O quê!?

— Sim! Está claro que é o único jeito que existe de Orela voltar.

— O pior é que tens razão. Mesmo que o Rei acorde, se a árvore real não estiver completa, os guardiões
não voltam e Orela, nunca mais será a mesma.

— Então me ajude. Eu preciso sair de Orela e ir atrás de Talib.

— Tudo bem! Pensaste em algo?

— Sim. Tenho um plano, só não sei se dará certo.

— Tem aquelas coisas que voam que vêem e voltam no mesmo dia, duas vezes por semana.

— Pensei que pudesse me esconder naquelas coisas, e ir com eles. Se de facto foi Talib quem os trouxe
aqui, eles vão para onde ele está, eu o encontrarei.

— Tens a certeza? Estarás só num lugar desconhecido, com pessoas totalmente diferentes.

— Eu tenho fé e me encho de esperanças, é nisso que me agarro.

— Tudo bem. Conta comigo.

Naquela mesma tarde, chegou um helicóptero, Anaya, se disfarçou, e passou por desapercebida até ao
acampamento onde estavam os homens de Samuel. Assim que terminaram de descarregar os materiais,
Anaya meteu-se num dos caixotes vazios que estava no helicóptero.

O piloto e alguns trabalhadores, entraram e minutos depois, o helicóptero descolou, rumo a capital.

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```


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_Capítulo 33_

— Talib vamos jantar. - Disse Chloe.

— Não tenho fome. - Disse Talib.

— Como assim não tens fome? Voltaste do trabalho e não te alimentaste.

— Não estou a sentir-me bem. Sinto um aperto no peito, meu estômago está embrulhado. Vou
descansar.

— Não te vou obrigar, não quer comer não coma, eu vou jantar, estou morta de fome.

Talib deitou-se em sua cama, e ficou se revirando, a noite toda. Era inteligente, mas não teve
discernimento para compreender que era um sinal, de que seu Pai, seu povo, sua terra, estavam
padecendo.

Anaya foi ao encontro de Malua, abraçou-a para consolá-la, mas acabou sendo empurrada.

— O que eu fiz meu Deus? O que fiz para merecer isto. - Perguntou Malua, enquanto batia seu peito
com força. E gritou rasgando suas roupas: — Tudo isto é culpa de Talib, ele trouxe esses homens aqui,
por culpa dele o povo dividiu-se. Por culpa dele escravizam o nosso povo, por culpa daquele ingrato.
Onde foi que eu errei?. Eu dei-lhe amor, dei tudo o que tinha. Dei tudo o que podia, até o que não devia.
É por isso que está a castigar-me Deus? É por minha culpa? É por minha culpa?

Ntsai olhava para sua Mãe, pensando de que forma podia acalmá-la.

Tentou aproximar-se, mas Anaya a impediu.

— Pára Ntsai. - Disse Anaya.


— Não posso deixá-la sofrer assim. - Disse Ntsai.

— Calma! Deixa-a desabafar. Deixa-a tirar do peito toda a raiva que está a sentir.

— Dói demais! Meu Pai morrendo, minha Mãe sem chão. O povo sendo escravizado. O Reino sendo
destruído. E eu aqui sozinha, impotente.

— Eu compreendo.

— Como podes compreender a minha dor? Tens a sua família, seu Pai está aí.

Anaya não levou a peito as declarações, levou em consideração a situação que ela estava a viver.

Quando Malua despiu suas roupas as despedaçando junto com sua dor, largou-se no chão sem forças,
sem vontade, sem querer, sem saber,

Kanga aproximou-se dela e com ajuda de Anaya levaram-na para o quarto. Ajudaram-lhe a banhar-se e a
vestir-se. Depois de tomar uma infusão de cidreira, hortelã adoçada com uma colher de mel, Malua
sentiu-se mais calma, e com a mente mais fresca.

— Tudo bem! Não precisam me levantar. Eu consigo sozinha. - Disse Malua.

Anaya e Kanga viam Malua a tentar fortalecer-se.

— Eu estou bem! Agora meu marido precisa de mim.

Malua foi ao quarto onde seu marido estava a lutar com a vida, pois estava entre a vida e a morte. O
abraçou, e pediu para que ele voltasse.

— Sei que está escuro meu amor, mas por favor encontre o caminho de volta e volte para nós. Volte
para nós meu Rei. Este povo, de Orela, e eu, não estamos preparados para te perder. Não agora no meio
deste caos.
Malua suspira enquanto encosta sua cabeça no peito dele.

Na zona baixa, Makhossa festeja e diz que chegou seu tempo.

— O Rei Tawarah está morto. Está morto. Preparem-se meu povo, novos tempos chegarão a Orela. Eu
Nsenga Makhossa, sou o novo Rei de Orela.

— Viva, o novo Rei. - Gritou então, um dos seus comandantes.

Os outros guerreiros responderam com viva! O povo que estava a ser escravizado, sofreu ainda mais
com a notícia, na certeza de que a única pessoa que podia salvá-los estava morta.

Ehhh, Povo!!! É o que se sente quando se faz escolhas erradas, é o que se passa quando somos injustos
e não conseguimos lembrar de quem fez tudo por nós, abraçando aqueles que fazem promessas falsas.

O povo só decide quem governa, mas todo resto decide quem foi escolhido. O povo escolheu Makhossa,
apesar de tudo o Tawarah sempre fez, e estavam agira a sentir na pele as consequências dos seus actos.

Talib foi ter com Samuel.

— Estou realmente ocupado Talib. Não podemos conversar noutro momento? - Perguntou Samuel.

— Desculpa! Estava a pensar em uma coisa e pensei que poderia partilhar consigo. - Disse Talib.

— Seja breve. Tenho uma reunião agora.

— Lenon disse que estão carregando o helicóptero que vai levar material para Orela. Pedi a ele um
espaço para que fosse e voltasse com eles.

— Como assim? Seus Pais, teu povo não querem nem ouvir falar do seu nome.

— Eu sei, mas preciso vê-los, nem que seja de longe, eu irei disfarçado.
— Eu compreendo. Mas acho que não é o momento.

— Eu preciso vê-los senhor Samuel. - Insistiu Talib.

— Imagino a angústia. Quero te lembrar que foi muito difícil convencer seu Pai, e se alguém te
reconhecer, se seu Pai souber que estás por trás de tudo, ele poderá mandar cancelar tudo.

Talib estava perturbado, mas pensou melhor e concluiu que Samuel tinha razão, dessa forma não foi a
Orela.

Makhossa sem se importar com a dor de Malua e Ntsai, entrou na zona alta. Não foi impedido uma vez
que estava desarmado e disse que queria falar com Malua. Entrou no palácio e exigiu que os
conselheiros se fizessem presente.

— Que tipo de pessoa você é? Como te atreves a vir até aqui? - Perguntou Ntsai.

— Estamos em guerra, e seu Pai foi atingido em combate. - Disse Makhossa. E perguntou: — Quando
será a cerimônia?

— Que cerimônia? Meu marido está vivo.

— Ahmm... então porquê ele não vem até aqui? Ohhh... não tem nenhuma resposta? Eu vim aqui dar
um aviso, vou dar a vocês dez dias, sete dias de luto. E no oitavo dia como dita a lei, eu serei coroado Rei
de Orela.

— Wakakakakaka. - Ntsai, não se contém e gargalha. E disse: — Nunca! Nunca serás Rei de Orela, Vovó
Makhossa. Meu Pai está vivo e vai se recuperar. E se Deus quiser que ele vá, será um Tawarah com
sangue real que assumirá o trono.

— Disseste bem, alguém com sangue real. Talib não está aqui, fugiu como um rato.

— Makhossa, é melhor você calar-se e sair daqui. - Disse Malua.

— Disse bem, Talib não está aqui, mas eu estou aqui, eu assumirei o trono como dita a lei.

— Wakakakakakaka. Agora é minha vez de gargalhar. Tu, tu quem? - Perguntou Makhossa.


— Makhossa cala-te e saia já daqui.

— Tens medo de quê, minha neta?

— Estou a dizer para saíres daqui.

Ntsai estava confusa, pois percebeu que sua Mãe estava a tentar esconder algo que Makhossa queria
revelar.

— Diga para ela porque ela não poderá assumir o trono. Diga para ela, minha Rainha. - Disse Makhossa

— Mãe, porquê eu não poderia assumir o trono? - Perguntou Ntsai.

— Não tem coragem. Esta, é uma família falsa. Um príncipe covarde, um Rei fraco, uma Rainha, epah...
prefiro não falar, e uma princesa que não tem valor nenhum para este Reino...

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_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

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_Capítulo 36_

Anaya estava cheia de medo, dentro da caixa, não dava para ver nada do que estava a acontecer.
— Ohhh!! Céus, é nessa hora que devia ter visões sobre a minha vida, só para ver se vou descer viva. -
Disse Anaya, para si mesma.

Sem imaginar no imprevisto, Anaya tenta segurar, mas não foi possível. Tentou tapar a boca e o nariz,
mesmo assim saiu um, atxim..., apesar de meio abafado.

— Ouviram esse barulho? - Perguntou um dos homens.

— Que barulho?

— Não sei, veio de lá de trás, onde tem as caixas.

— Não inventa.

— É melhor irmos conferir, pode ser um bicho do mato.

— Deixa de ser medroso. Não há nada, fui eu quem colocou as caixas, estavam vazias.

Com o barulho da hélice, não dava para perceber muito bem. E com um pouco de sorte, Anaya
conseguiu escapar.

Em algumas horas, estavam eles aterrando na Capital, estavam num dos estaleiros de Samuel, fora da
cidade. Anaya esperou que se distraíssem para enfim, poder escapar de fininho.
Anaya não tinha muito tempo, já haviam passado três dias que Makhossa havia ameaçado Ntsai e
Malua.
Como podia se aproximar das pessoas, sem chamar atenção.

— Se foi Talib quem levou aqueles homens para Orela, então, devem conhecê-lo. - Disse Anaya, e
acrescentou: — Mas com estas roupas, este cabelo, vou chamar muita atenção. O que vou fazer para
evitar chamar atenção? Preciso de outras roupas, algo para colocar na cabeça.

Anaya entrou escondida em uma sala, e procurou por todos os lados alguma roupa, mas não encontrou
nada.
Passou para outra sala, também não encontrou nada.

Já estava a escurecer, os trabalhadores estavam indo para suas casas.

Senhor João, um idoso que trabalhava há anos naquele estaleiro, como guarda, fechou os portões assim
que todos os trabalhadores se foram.
Anaya encontrou uns cacifos que tinham roupas, mas eram grandes demais, e não podia improvisar
nada.

Pegou num pano e amarrou na cabeça para que pudesse pelo menos esconder seu cabelo.
Depois tentou esconder-se para passar à noite, deu mau jeito e acabou derrubando materias que
estavam empilhados.

Naquela hora, João aproximou-se para ver o que havia acontecido. Anaya esforçou-se para encobrir-se,
mas João a encontrou.
— O que fazes aqui, mulher? Quem és tu? - Perguntou João.

— Desculpa, só queria um cantinho para passar à noite. - Disse Anaya.

— Não sabes que invadir propriedade alheia é crime?

— Peço que me perdoe, bom homem. Sou uma viajante, não tenho onde passar à noite. Tenha
misericórdia. Prometo que amanhã logo cedo eu desapareço daqui.

Estava frio, João sentiu pena de Anaya. Chamou-lhe para sua lareira, e convidou-lhe para dividirem a
refeição.

Aos poucos, o velho João foi ficando à vontade com Anaya. E perguntou-lhe de onde vinha.

— Venho de muito longe, do interior.

— Para onde vais?

— Vou para a cidade, não sei onde fica.

— Fica para leste, mais ou menos uns vinte cinco quilómetros, daqui.

Anaya ganhou coragem, e perguntou se o velho conhecia Talib.


— Talib?

— Que nome. Não conheço ninguém com esse nome.

— Trabalha aqui?

— Sim, tem viajado daquelas coisas grandes que voam.

— Ahmmm não pode ser um dos pilotos. Nenhum deles chama-se Talib.

Anaya ficou uns segundos pensando, precisava recordar-se do nome do homem que invadiu Orela.

— Não tem outro nome?

— Espera! Estou a tentar me recordar. É um Stoc? É isso alguém que se chama Stoc sei lá.

— Scott?

— Sim, isso mesmo, Scott.

— Ahmmm são os patrões.

— Qual deles? Não sei. Não me recordo só sei que é Scott.

— Pode ser Samuel Scott, ele é que tem viajado bastante de helicóptero nas últimas semanas.
— Esse mesmo.

— Onde ele mora? Ele trabalha aqui?

— Não menina. Aquele é o patrão grande. Trabalha na cidade. Queres falar com ele? O que podes tu
querer falar com ele?

— Preciso de emprego.

— Não ouvi dizer que estão à procura de empregadas em casa dele. Mas nunca é demais tentar.
Amanhã eu falarei com Alex, para que te de boleia até a cidade. Lá é fácil encontrar emprego. Se o
senhor Scott não puder te ajudar, certamente encontrarás emprego em outras casas.

Malua procura por Anaya, Kanga mente para Rainha e diz que ela não se sente bem, estava a medicar e
não iria ao palácio naquele dia.

Ntsai tinham muita coisa por resolver, o alimento estava a acabar, tinha que fazer uma gestão
inteligente, porque as machambas que alimentavam o Reino, estavam do outro lado e não tinham
acesso pois, teriam que passar pela zona baixa.

Makhossa estava cada vez mais confiante na sua victória. Seus homens o pressionavam, a não perder
mais tempo e tomar o palácio.

— Calma, Pai! Devemos esperar alguns dias. - Disse Egary.

— Os homens estão cansados disto, querem voltar às suas casas. - Disse Makhossa.
— Pai, que respeito os conselheiros terão por ti, ao saber que não tens palavra? Deste a eles sete dias
para entregarem o trono. Devemos esperar esse tempo, no oitavo dia, se não entregarem, aí sim
podemos invadir o palácio.

Makhossa precisava do apoio dos conselheiros. Então, achou melhor sossegar e aceitar a sugestão do
filho

Logo pela manhã, o dia ainda nem havia clareando, quando João acordou Anaya, e disse que Alex estava
partindo para a cidade. Anaya entrou no carro rapidamente, com sorte, Alex era bastante simpático.
Também não tinha como não ser simpático Anaya era belíssima, parecia uma deusa.

Conversaram durante os trinta minutos de viagem. Anaya não era burra perguntou um pouco de tudo,
para tentar perceber como as coisas funcionavam. Ao mesmo tempo, se perguntava como estava Orela,
e como faria para Samuel lhe dizer onde estava Talib.

Anaya estava tão perturbada, que não pôde admirar a cidade e tudo que tinha de diferente com Orela.

— Ana Bonita, a sua boleia terminou aqui. - Disse Alex.

— Onde é aqui? - Perguntou Anaya.

— Aqui tem os escritórios, foi onde o velho João disse para te deixar. Afinal não queres falar com senhor
Samuel?

— Sim, sim.
— Boa sorte, do jeito que conheço aquele senhor, é bem capaz de não deixar que subas sequer o
passeio dele.

— Tomara que possa me atender.

— Terás que esperar mais duas horas, até abrirem, para marcares audiência.

Anaya desceu e agradeceu pela boleia. Ela ficou ali durante pouco mais de duas horas, sentada no
passeio em frente ao grandioso edifício.

Quando os funcionários começaram a chegar, os seguranças pediram-lhe para se afastar da entrada do


edifício, Anaya disse que precisava entrar e falar com Samuel.

Os seguranças olharam para ela debaixo para cima, e se riram.

— Jamais serás recebida por ele. Saia daqui agora, antes que te arraste. - Disse um dos seguranças.

— Ehei... párem com isso.

— Não tratem dessa forma essa pobre mulher. - Disse...

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_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```


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_Capítulo 37_

— Senhor ela não quer sair da entrada do edifício. - Disse o segurança, e acrescentou: — Insiste que
quer falar com senhor Samuel. Veja só como é tola.

— Não a trate dessa maneira. Largue-a, imediatamente.

O segurança largou Anaya. E ela se afastou um pouco.

— Bom dia minha senhora, disse que queria falar com senhor Samuel?

— Bom dia!

Anaya olha para ele, passa a mão pelo rosto.

— Olha, acalma-se, meu nome é Frank.

Em seguida ri-se.

— Desculpa, não consigo parar de rir. Olho para si, escuto sua forma de falar, e me recordo de um amigo
na Faculdade, que foi apelidado extraterrestre.

— Tipo pessoa de outro planeta? - Perguntou Anaya, conseguindo se descontrair.

— Sim, sim. Ufff... pelo menos conseguimos aliviar o clima.

— Ehhh... fiquei um pouco assustada por causa daqueles homens. Chamo-me Anaya

— Está tudo bem! Por quem procuras?


— Eu procuro por Scott.

— Acho pouco provável que ele te receba. Conheces ele?

— Já o vi algumas vezes, mas ele não me conhece.

— O que queres tratar tem de ser apenas com ele? Eu não poderia ajudar-te?

— Eu quero que ele me diga onde está meu noiv...

— Quem?

— Alguém com quem preciso falar urgentemente.

— Quem?

— Talib Tawarah, ele conhece Talib com certeza.

— Tu conheces Talib? - Perguntou Frank.

— Tu conheces Talib? - Perguntou Anaya.

— Sim, estudei com ele na faculdade, e agora trabalhamos juntos.

— Ele trabalha aqui?

Frank não responde.

— Desculpa, me ajuda. Eu preciso falar com Talib urgentemente.

— Vocês são da mesma terra?

— Sim! Ele falou-te de onde vem?

— Não com detalhes.

— Por favor, ajude-me a chegar a ele, é muito importante.

Frank disse a Anaya que ela não poderia subir, não permitiriam. Então, deixou-a sentada dentro de seu
carro, e pediu que o aguardasse ali.
Frank subiu para a sala de Talib, torcendo para que ele estivesse lúcido.

— Talib. - Chamou Frank, enquanto entrava na sala dele.

— Bom dia! - Disse Talib.

— Estás com babalaza novamente?

— Não, ontem não bebi, juro. Estou pensativo apenas.

Frank andava de um lado para o outro, como se estivesse a ensaiar.

— Frank, estás a deixar-me tonto, podes te sentar, e dizer-me de uma vez o que queres?

— Anaya está lá em baixo e quer falar contigo.

— Ana? Que Ana?

— Não ouviste bem. Eu disse Anaya, uma moça que diz que vem da sua terra.

Talib levantou-se incrédulo.

— Anaya? Viste bem? É ela mesmo?

— Não sei se é ela mesmo, não a conheço. Mas ela veste-se com roupas estranhas, tem uma pronúncia
como a que tinhas, quando estávamos na faculdade, sem dúvida ela é da sua terra.

— Onde ela está? - Perguntou Talib.

— Está lá em baixo no meu carro. - Respondeu Frank.

Os dois desceram pelo elevador.


— Será que ela ainda me ama? Ela veio atrás de mim? - Pergunta-se Talib, em seus pensamentos. E disse
mais: — Mas já passaram-se quase sete anos. Será mesmo isso ou há algo grave em Orela?

Talib sabia que algo grave havia acontecido, Anaya jamais abandonaria Orela, se não fosse tão grave.

Assim que abriu a porta do carro, Anaya adejou de tanta emoção, Talib, feito uma pista a segurou,
ambos colidiram e fixaram-se direitinho em um abraço, como se encaixassem um no outro, mascararam
a realidade sobretudo, e viveram aqueles minutos como se não existissem mais problemas.

— Anaya. - Suspirou Talib.

Ela então volta em si e consciencializa-se o que a levou até ali. Anaya pousa, e afasta-se de Talib.

Anaya olha para o dedo de Talib e vê a aliança. Ele percebe que Anaya entendeu que ele casou-se, num
impulso esconde a mão no bolso.

— Talib está todo o mundo a olhar, estamos em frente da empresa. Acho melhor irem para outro lugar
para que conversem à vontade. - Disse Frank.

— Ele tem razão! Vamos para um lugar mais reservado, onde possámos conversar. - Disse Talib.

Talib tremia, então, Frank ofereceu-se em levá-los. Mas Talib garantiu-lhe que estava tudo bem, e que
iria com ela ao seu antigo apartamento.

Talib abriu a porta do seu carro para que Anaya entrasse, e levou-lhe para seu apartamento.

No minuto seguinte a que saíram, Chloe chegou à empresa, estava à procura de Talib. Disseram a ela
que desceu, abraçou uma mulher, entrou no seu carro com ela saiu sem dizer nada a ninguém.
— Talib não está na empresa. - Disse Chloe.

— O que eu tenho a ver com isso? - Disse Martin.

— Dizem que ele saiu com uma mulher.

— Que bom, assim fica mais fácil ele aceitar separar-se.

— Dizem que ele abraçou a tal mulher aqui em frente a empresa.

— O que foi? Estás com ciúmes?

— Claro que não. Talib é apenas um escroto.

— Melhor assim, Chloe, tenho mais que fazer.

Anaya então pôde olhar a sua volta, e ver como era o mundo fora de Orela.

— Estava tão ansiosa que não pude ver tudo que tem aqui. - Disse Anaya.

— Aqui é tudo diferente. - Disse Talib.

Chegaram ao prédio, e Talib a levou para seu apartamento.

— O que é essa caixa? - Perguntou Anaya.

— Acalme-se, é um elevador, as casas aqui ficam uma em cima da outra, então isto leva até à casa, sem
precisar subir as escadas.

Com certo receio, Anaya entrou no elevador sem afastar-se de Talib.

Assim que chegaram, Talib disse a Anaya que seria melhor que ela tomasse um banho, para poder
relaxar e comesse alguma coisa.

Anaya precisava falar, também não tinha muito tempo, mas ela não sabia se Talib acreditaria nela, ou se
importaria com que estava a acontecer em Orela, então, achou melhor mesmo tomar um banho
enquanto organizava as ideias.
— Ficaram-te bem as minhas roupas. - Disse Talib.

— Esta é sua casa? - Perguntou Anaya.

— Sim.

— A sua esposa? Não fica em casa?

— Já não moro aqui.

— Ahmm... tens outra casa?

— Sim.

— Como está a minha família?

— Te importas?

Talib fica em silêncio e baixa a cabeça.

— Nem sei porque pergunto.

— Passaste quase sete anos, vivendo tudo isto. Encontraste as tuas respostas?

— Porquê vieste procurar por mim?

— Quando saí de Orela, tinha certeza do que tinha que fazer, mas agora que vi como estás, como vives,
Talib, não sei se fiz a coisa certa.

— Como assim?

— Tu tens noção do que está a contecer em Orela?

— Tenho sim! Samuel foi oferecer melhores condições a Orela, como hospital, melhor escola, e outros.

— Foi o que ele te disse que está a fazer?

— Sim Anaya. Eu vi fotos dele selando acordo com meu Pai.

— Estás convencido que seu Pai, o Rei de Orela aceitou as melhores condições?
— São respostas que procuravas quando saíste de Orela, encontraste alguma que dizia que o nosso
povo não era feliz? Não tinha tudo o que precisava?

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

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_Capítulo 38_

— Eu achei que sim. O mundo tem tanta coisa boa, Anaya. - Disse Talib.

— Talib, volto a perguntar. Tens noção do que está a acontecer com seu povo? - Perguntou Anaya.

— Eu sei que está tudo bem, e que estão todos felizes pelas mudanças.

— Isso foi o que o tal Scott fez-te acreditar! Eu não tenho imagens para te provar. Espero que pelo
simples facto de ter saído de Orela, para vir atrás de ti, te faça acreditar que seu povo está sendo
destruído.

— Não é possível Anaya.

— Talib, Orela está a ponto de ser destruído. Essa gente que garantiu-te que faria bem ao povo, foi lá
com o único propósito de tirar as pedras preciosas, os minérios e tantas outras coisas que ainda não
descobriram.

— Não é verdade isso. Tu não conheces a família Scott, são pessoas boas, que sempre ajudaram-me,
fizeram o homem que sou hoje. Tudo o que eles querem, é ajudar.

— Eu vim aqui para abrir-te os olhos, Talib. Essa gente mente para ti. Sua família, seu povo, sua terra,
estão derramando lágrimas negras Talib.

— Eu sei que larguei-te de uma forma ruím, mas precisas superar isso e seguir sua vida, Anaya. Não vais
me convencer a voltar, e nem tão pouco virar-me contra um homem que foi tudo o que eu queria que
meu Pai fosse para mim. Eu ganhei uma família, e não vais convencer-me de coisa contraria. Olha,
descansa por hoje, amanhã eu vou criar condições para que levem-te de volta a Orela.

— Talib, seu povo precisa de ti.

— Pára com isso, Anaya. O que mais vais inventar? Só falta dizer-me que Scott matou o meu Pai. Não
insista. Eu não vou voltar a Orela, eu estou a viver a minha vida.

Talib levanta-se e caminha em direcção à porta.

— Talib. - Chamou Anaya.

Ele pára ainda de costas, sem olhar para ela.

— Só responda-me uma coisa Talib, já encontraste as respostas que tanto procuravas?

— Bom dia Anaya! - Diz Talib, antes de virar-se para ir embora.

Chloe vai ter com Dominic, passaram a tarde juntos, porém, quando eram perto das dezessete horas, ela
diz que deve voltar à casa.

— Ahhh Chloe, não podes dormir aqui hoje? Ou melhor, por que não te mudas de vez para cá? -
Perguntou Dominic.

— Não tenho como meu amor, ainda tenho que me divorciar. - Respondeu Chloe.

— Sempre essa história de divórcio. Vamos acabar com tudo isso de uma vez.

— Calma, os documentos já estão prontos, até levei hoje para ele assinar, mas não estava na empresa.

— Pára de fingir, Chloe. Vamos acabar com isso. Eu sei que seu casamento com Talib é uma farsa.

— Sabes! Como soubeste?

— Eu sempre soube. Eu sou sócio da sua família, estou dentro do negócio.


— Dominic, eu estou a ouvir bem? Sempre soubeste? Estás a dizer que tiveste a coragem de me dividir
com outro homem por negócio. Que amor é esse?

— Amor não existe, Chloe. Sem dinheiro não há amor. E não te faça de sentimentalista agora, sabes
bem o que fizeste.

Dominic aproxima-se de Chloe, ela o espeta uma bofetada no rosto. Olha para ele com raiva, pega em
suas coisas, e saí da casa dele.

Chloe passou o tempo todo achando que estava a controlar Dominic, o que ela não imaginava, é que
Dominic é quem a controlava. Aquela revelação, fez-lhe sentir como se fosse um objecto.

Talib estava perturbado. Seus pensamentos davam voltas em sua cabeça, e não conseguia pensar em
nada, era como se tivesse desfeito as peças de puzzle e ele tinha que montar o quebra cabeça.

Voltou a empresa, procurou por Samuel, não o encontrou. Procurou por Martin, disseram que ele havia
saído mais cedo.

— Talib, está tudo bem? - Perguntou Frank.

— Não está! Anaya me contou coisas que para mim não fazem sentido. - Disse Talib.

— Vamos sair do corredor, vamos para sua sala. Conta para mim, sabes que podes confiar. O que te está
a acontecer?

— Não sei se é verdade, eu me recuso a acreditar. Anaya diz que meu povo está a sofrer, e que Samuel
está a tirar tudo o que lá tem, a força.

— Desculpa Talib. Mas não posso deixar de dizer que eu te avisei.

— Tu também?

— Talib, faça uma coisa apenas.

— O quê?

— Dê o benefício da dúvida. Investigue, os confronte, vá a sua terra. Se for mentira, volta e viva sua vida
da forma como desejaste.
Talib saí da empresa e vai para sua casa, porém, deram informação que Chloe foi à casa dos Pais. Ele
pegou o carro e dirigiu até à casa dos sogros.

Perguntou pela esposa, pois viu o carro dela no parque, disseram que estava na sala com a Mãe. Ele
entra na casa e caminha até a sala de estar, mas quando percebe que elas conversavam, parou um
instante para ouvir a conversa.

— Dominic sempre soube que meu casamento com Talib era falso. Ainda me disse que não se importou,
pois, amor é negócio. Não sei quem é pior Mamã, não sei. - Disse Chloe.

— Porque não terminas de uma vez esse casamento falso.

— Mamã, eu já te disse, antes de eu mandar Talib pastar baratas, preciso dividir os diamantes que
sobraram.

Martin e Samuel chegaram, Talib teve de entrar na sala, e assim a conversa entre mãe e filha foi
interrompida.

— Será que ele ouviu a conversa? - Chloe e Emma perguntaram-se com os olhos.

Talib olhou para Chloe, tentou se conter, mas estava difícil.

— Posso saber onde andaste durante o dia?

— Porquê te importas com isso? Afinal não estamos em processo de divórcio?

— Ahmm... por isso andas com mulheres que não valem nada.

— Que mulheres?

— A mulher com quem estiveste hoje de manhã.

— Tu, perto daquela mulher não vales absolutamente nada.


— Como te atreves a falar assim com minha filha? - Perguntou Samuel.

— Aceita que ela não te quer. - Disse Martin.

— É isso mesmo, acabou, assina os papéis do divórcio, e cada um segue seu caminho. - Disse Emma.

— É tão fácil acabar com um casamento, apagar um sentimento, desfazer uma família? Para mim chega.
Hoje drama não. Desaparece das nossas vidas. Nem sei como tivemos tanta paciência para te aguentar.
Passarmos vergonha com sua falta de modos. Chega. - Disse Chloe.

Se fosse mulher a ouvir aquilo tudo, certamente teria desatado a chorar. Doeu tanto em ver como eles
divertiam-se com sua tristeza. Dava para notar que estavam aliviados.

Talib perdeu-se pelas ruas, começou a beber e foi cair no barzinho que ficava perto da Universidade
onde ele estudou...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

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_*Capítulo 39*_

Anaya estava preocupada, sentia que algo se passava com ele. Passou a noite e nada de Talib.
Por dois dias, Talib não apareceu em lado nenhum.

Já eram vinte e uma horas daquele dia, e Talib não dava sinal de vida, nem atendia as chamadas de
Frank. Então, ele foi ao apartamento dele. Anaya disse que desde que a deixou na manhã do dia que ela
chegou, não mais voltou.

Anaya disse para Frank que tinha medo de ficar sozinha, ele, então, disse que ficaria com ela até que
Talib desse sinal ou aparecesse. Depois de um tempo, Anaya foi ao quarto para descansar, Frank ficou
na sala.

Anaya sabia que Orela já não tinha mais tempo. Não sabia o que fazer, não conhecia nenhum lugar, não
tinha como o procurar. Perdida entre os pensamentos e os medos, Anaya fechou os olhos, viu Talib com
águas carregado de dor, é como aos poucos ele ia se quebrando em pedaços, e caindo num

buraco escuro.

— Meu Deus, algo grave está acontecer com Talib. - Lamentou-se Anaya, enquanto se lembrava da
primeira visão que teve.

— Frank, Frank. - Chamou Anaya, a acordá-lo.

— Desculpa, acabei cochilando. - Disse Frank.

— Talib precisa de ajuda, temos que encontrá-lo.


— Como assim? Ligou para si?

— Não, não vais perceber agora. Eu sei, eu sinto que ele está destruído. Precisamos ajudá-lo, se ele cair
no abismo não o teremos nunca mais.

Frank e Anaya giraram a cidade toda atrás de Talib, desde os lugares mais requintados, até aos mais
baixos, mas não o encontraram. Anaya perguntou se não tinha outro lugar. Frank, então, se lembrou do
barzinho próximo da Universidade onde costumavam divertir-se. Imediatamente inverteu o sentido, e
saiu disparado para o bar.

— Talib. - Gritou Anaya quando o viu ali encostado na porta do bar. E perguntou cheia de compaixão: —
Como chegaste a este nível?

— Anaya, era tudo falso. - Disse Talib.

— O quê?? - Perguntou Anaya.

— Minha pérola não passa de uma pedra de carvão, é escura, sombria e gelada. - Disse Talib.

— Talib vamos, levanta-te, vamos para casa. Estão todos a olhar. - Disse Frank.

— Anaya, ele me avisou. Lembras Frank, me disseste que uma mulher como ela, jamais se interessaria
por mim, um extraterrestre. - Continuou a falar Talib.

— Eu não tenho nada.

Anaya e Frank carregaram Talib e lhe colocaram no carro.


Dava pena ver Talib a falar da sua dor, e de como foi enganado por Chloe.

— A família dela, riu da minha cara. Disse que devia deixá-la em paz.
Porquê hoje já não sou homem para ela? Eles eram tudo o que tinha. Eu acreditei neles, eu confiei a
minha vida e a vida dos que mais amo à eles. P

Mas para eles, era tudo fingimento.

Levaram-no ao chuveiro frio, para que ele pudesse acordar da bebedeira, mas não é tão fácil curar uma
traição.
Jogou-se em sua cama e dormiu.

Frank os deixou e disse a Anaya, que voltaria no dia seguinte.

Anaya despertou no momento em que Talib estava prestes a sair do apartamento, com uma pasta nas
costas.

— Mais uma vez vais colocar os seus interesses na frente de tudo? Vais me abandonar aqui enquanto
sabes que preciso de ti? Vais abandonar o teu povo que só pode contar contigo? Vais fugir novamente
se acovardando com medo de enfrentar o leão da sua vida?

— Anaya, eu não te mereço, não mereço nem colocar o pé em Orela.

— Talib, se passaram sete anos, já não és um miúdo, és um homem. Uma vez na sua vida deixa de
pensar em ti e pense noutros.
— O que vou fazer? Como bem disseste eu sou fraco, medroso.

— Eu disse que seu povo está sendo escravizado e nem te importaste com isso, te dói mais a traição da
sua família Scott, do que saber que seu povo está em lágrimas.

— O meu povo tem o maior Rei.

Pahh... Anaya se irrita e da uma bofetada na cara de Talib.

— Acorda, Talib. Pára de ser um covarde, corrija seu erro.


Seu Pai foi apunhalado pelas costas, está na cama a lutar pela vida.

— Anaya.

— Makhossa se rebelou, dividiu o povo, uniu-se a Samuel. Em uma batalha em que seu Pai e sua irmã
tinham intenção de libertar o povo da zona baixa, que está a ser obrigada a trabalhar nas minas de Scott,
Makhossa o feriu friamente.
Seu Pai está inconsciente há dias. Sua irmã está na frente do Reino.

— Anaya eu sinto muito, não era minha intenção. Mas julgo que não tenho capacidade para fazer nada
por Orela. Ntsai é a pessoa certa, ela sempre foi mais séria e forte.

— Talib, Ntsai não tem sangue real, ela foi adotada pelos seus Pais.
Makhossa revelou esse segredo e deu sete dias de luto, assim que passar esse tempo, neste caso
amanhã, Makhossa irá tomar o poder, pois Ntsai não tem legitimidade para ser Rainha.

Talib se sentou, apoiou sua cabeça em suas mãos.


— É tudo minha culpa, Anaya.
Estão todos a sofrer por minha culpa. Hoje encontrei as respostas que procurei a vida toda.
Percebi, enfim, porquê Orela devia permanecer no anonimato.
Mas já é tarde demais. Mesmo que eu volte, não tenho forças para enfrentar Makhossa.

— Quando aqueles homens atravessaram o quinto céu, os guardiões abandonarão o Reino.

— Mas por quê?

— Foi um Tawarah quem mostrou o caminho para os guardiões, tu consentiste que Orela fosse aberto
para todos, por isso, passaram por todos os céus sem dificuldades, nenhum guardião agiu para proteger
Orela.

— É tudo minha culpa. Eu matei meu Pai, Anaya.

— Seu Pai está vivo, é isso que importa, ele está fraco por não ter a proteção dos guardiões.

— Não sei como recuperar tudo o que perdi.

— Talib, acredite em ti, acredite no teu destino, acredite em Orela.


Só tu podes trazer os guardiões de volta, o teu arrependimento vai te tornar alguém melhor, a tua
vontade, a tua entrega vai te dar coragem, a tua coragem vai te encher de forças, a tua força vai fazer de
ti invencível, como são todos os Tawarah

— Acreditas nisso?

— Eu sempre tive a certeza, agora tu precisas acreditar nisso, acreditar em ti. Tu estás nas trevas, assim
como Orela está no escuro, tu és Orela, Talib.
— Meu Pai não vai me aceitar, minha Mãe, minha irmã...

— Talib, eles precisam de ti, faça a tua parte, e conquiste a confiança deles. Eu te digo que não será fácil,
mas te garanto que vão ultrapassar, seja sincero e verdadeiro.

— Anaya, Makhossa e seus homens são fortes, eu não vou poder com eles.

— Deixa que entre em ti quem tu és um Tawarah, a força que precisas, sairá de dentro. Eu tenho a
certeza, podes confiar.

Talib chamou Frank, ele e Anaya contaram a ele o que estava a acontecer.

— Aquela família nunca foi flor que se cheire. Sinto muito por teres descoberto isso da pior maneira. -
Disse Frank.

— Vou preparar tudo aqui, em alguns dias, irei a Orela. - Disse Talib.

— Talib, temos que partir já, só temos um dia antes que Makhossa tome o trono. - Disse Anaya.

— Já? - Perguntou Talib.

— Sim, já! Eu não sei como será o dia de amanhã. - Disse Anaya.

— Frank, eu não quero que ninguém saiba que Anaya esteve aqui, e muito menos que eu fui para Orela.
- Disse Talib, e continuou:
— Eu destruí Orela, com a minha arrogância, meu egoísmo, e minha burrice. Para eles, Orela são apenas
grãos de dólares, para nós é tudo o que somos.

Cont...
_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 40_

Frank, prometeu que guardaria com a sua própria vida, se fosse preciso, o segredo que seu amigo lhe
confiou.

— Tenho alguns pertences que preciso ir buscar. - Disse Talib.

— O que levaste de Orela para aqui foi o que iludiu os homens gananciosos. Certamente, não fará bem a
Orela, nada do que levares daqui. - Disse Anaya.

Saíram naquele instante para o estaleiro dos Scotts, entraram clandestinamente em um dos
helicópteros, esconderam-se entre os materiais que levam para Orela. Ainda era de madrugada, quando
puseram o helicóptero a funcionar rumo a Orela.

— Ela é tão linda, tão linda meu Deus. - Disse Talib para ele mesmo, enquanto olhava para Anaya.

— Posso sentir o respirar dele, continua do mesmo jeito. - Disse Anaya, sentido o ar de Talib roçando
seu rosto.

— Incrível como continua acendendo meu fogo sem precisar me tocar. - Pensou Talib, sonado até
molhar.

Seus corpos estavam juntinhos, era inevitável voltar ao tempo e lembrar tudo o que um significava para
o outro, recordar de todas aventuras, e todas as juras que trocaram.
— És tão linda, Anaya. - Disse Talib.

— Shiuu... - Anaya mandou que Talib se controlasse, antes que fossem descobertos.

Talib suspirou e prometeu que se comportaria bem.

Algumas horas depois, acompanhando o sol que se levantava, o helicóptero aterrou em Orela.
Esperaram alguns minutos, até que os homens de Samuel se afastassem um bocadinho, e na primeira
brecha que encontraram, saíram silenciosamente.

— Siga-me. - Disse Anaya.

Caminharam um pouco mais, até chegarem a um ponto ligeiramente alto, em que Talib podia ver
parcialmente o que estava a acontecer com Orela.

— O que eu fiz, Anaya? - Perguntou Talib.

— Vamos. Temos que ir Talib.

— Olha só, veja só o povo fazendo trabalho forçado.

— Tem velhos e crianças também.

Talib apertava seus punhos, enquanto seu sangue subia a cabeça, deixando seus olhos vermelhos, dava
para ver sua veia traçando sua testa.

Anaya levou sua mão e posou nos punhos dele, e a outra mão, levou até ao rosto, acarinhando-o, pediu
que se acalmasse.

— Use toda essa raiva que estás a sentir e faça justiça, Talib. Não vingança, apenas a justiça, que de
forma justa e limpa devolverá paz à Orela. Precisas estar preparado para tudo que vais enfrentar,
quando entrarmos naquele palácio.
— Ao ver isto com meus olhos, Anaya, eu digo que estou pronto. Eu sei que a guerra que vai ser travada
dentro daquele palácio, será maior que a que vou enfrentar aqui fora.

Anaya orientou ao Talib, que deveriam ser discretos e rápidos, que passaria pelas árvores, depois
saltariam o murro para entrarem na zona alta, quando lá chegassem, ele deveria entrar pela porta
lateral para não chamar atenção dos servos.

— Vamos rápido, temos que aproveitar que ainda é muito cedo, e que maior parte das pessoas está nas
suas casas. - Disse Anaya.

Em alguns minutos, entraram no palácio, Anaya pela porta da frente e Talib pela lateral.

— Onde estavas? Estamos todos preocupados contigo. Chegamos a achar que Makhossa tivesse-te
sequestrodo, e já estávamos a estudar uma forma de invadir a zona baixa. - Disse Ntsai.

— Eu... eu...

— Óhhh minha filha, que bom que correu tudo bem. Estava a ficar desesperada. - Disse Kanga.

— Está tudo bem, Tia. - Disse Anaya.

— Ahmm... então sabia de tudo e ficou calada. Quem vai me dizer o que está a acontecer aqui? Onde
estiveste, Anaya? - Gritou Ntsai chateada.

— Eu... eu...

— Foi ter comigo. - Disse Talib.

Ntsai teve a impressão de ter ouvido a voz do seu irmão, então, se virou rapidamente para certificar.

Era mesmo Talib, a emoção tomou conta de Ntsai, e ela ficou tão feliz, por saber que seu irmão havia
sobrevivido, estava bem a sua frente. Mas estar vivo confirmava a teoria de que foi ele quem levou
aqueles homens a Orela.
— O que fazes aqui? - Perguntou Ntsai.

— Ntsai, eu estou muito arrependido, eu vou fazer de tudo para reverter este cenário.

— Tudo o quê? Vais levantar meu Pai daquela cama? Vais enfrentar e expulsar seus amigos? Vais
derrotar Makhossa? Vais unir o nosso povo? Vais fazer isso? - Gritou Ntsai, e disse ainda: —Não, por
quê? Porque és apenas um covarde, mimado, que fugiu daqui arrastando a cara da nossa família no
chão.

— Anaya, me deixa explicar.

— Explicar o quê? Algo justifica o que você fez? Tu destruíste Orela, e nosso Pai está a ponto de morrer
por sua causa.

— Minha irmã, por favor me escuta.

— Nem isso é verdade na sua vida. Eu não sou sua irmã, e não sou nada sua. Me apetece acabar contigo
com minhas próprias mãos. Sai daqui.

— Ntsai.

— Sai daqui. - Continuou a gritar Ntsai. E disse: — Guardas tirem este desertor daqui, antes que eu faça
isso com minhas próprias mãos.

Malua ouve os gritos vindo da sala do trono, e se preocupa. Cheia de receio, corre até lá pensando fosse
Makhossa a cumprir com suas promessas, uma vez que completava naquele dia, sete dias que ele deu.

Quando entrou na sala do trono, viu com seus olhos, que não era Makhossa, mas sim seu filho, Talib.

— Mãe! - disse Talib, adoçando os ouvidos de Malua, de um jeito que só ele sabia fazer.

— Meu filho não está morto, ele está vivo, aqui diante de mim.

Malua olhou para aquele homem, alto, forte, lindo, com um carisma só dele. Era o príncipe de Orela, era
o filho de Malua e Tawarah.
Todo aquele amor de mãe, aquele carinho especial, aquela preocupação incansável, voltaram em
Malua, e em poucos segundos entrou em uma disputa interna de sentimentos controversos.

— O que este individuo faz aqui? - Perguntou Malua.

— Mãe. - Chamou Talib.

— Não me chame de mãe. Para mim, morreste no dia que abandonaste tudo o que devias honrar, e
fugiste feito um rato covarde.

— Mãe, por favor me escuta.

— Estás no lado errado. Devias estar lá na zona baixa, com seus comparsas e o seu avô Makhossa. É do
lado deles que jogaste sempre.

— Mãe me perdoa.

— Perdoar? Vai lá acordar meu marido que foi alvejado por causa de uma guerra que tu mandaste,
escorraças teus comparsas daqui, afinal, eles estão aqui porque tu mostraste o caminho, derrotes
Makhossa, a pessoa a quem deste ouvidos, vida toda, unas o povo que se dividiu em busca das tuas
melhores condições, reconstruas Orela que está no abismo que lançaste.

— Depois, e só depois disso, volte aqui e me peça desculpas.

Era tão difícil ouvir aquelas palavras, mais doloroso ainda, era perceber que sua mãe e sua irmã tinham a
certeza, que ele não tinha força nem coragem para recuperar Orela.

Talib estava consciente que não seria fácil. Anaya, inclusivé, havia o alertado que sua família não o
receberia de braços abertos. Talib estava ciente de que teria de ter coragem para assumir seu erro, e
aceitar os julgamentos. Teria que ser frio para ouvir tudo o que tinham por lhe dizer, sua mãe, irmã, o
povo, e não colocar no peito. Teria que ser Rei para enfrentar tudo o que tinha que enfrentar e devolver
paz à Orela.

— Mãe, peço apenas que me escute. - Disse Talib.

— Não me chame de mãe, eu já te disse. - Disse Malua.

— Tudo bem. Majestade, por favor me ouve por alguns minutos.

— Não tenho nada para ouvir, sai já daqui.


— Minha Rainha, peço para que tenha calma. - Disse Shona

— Desculpa, mas sugiro que de cabeça fria, pense e decida pelo povo.

— Isso significa perdoar tudo o que ele fez, e o aceitar?

— Não foi o que sugeri. Em seus sentimentos, minha Rainha, não tenho como intervir. Eu peço para que
antes de mais nada pense no povo.

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: 🤔 *IDEALIZE* 😅

_Como será o encontro entre Malhossa e Talib?_

_O que um dirá ao outro?_

_Como deveria reagir o povo?_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 41_

— Esqueceram-se que tudo isto está acontecer por culpa dele? - Perguntou Malua.

— De forma alguma, minha Rainha. Porém, antes das minhas vontades e sentimentos, está a vida do
povo, é Orela que não tem culpa. - Disse Shona, e acrescentou: — Nós precisamos dele, Orela precisa
dele.

Malua continuava esfolando Talib com o olhar.


— Kanga já tinha explicado que precisamos recuperar os guardiões, e isso, em grande parte dependia da
volta de Talib. Minha Rainha, não se trata de si, nem da sua família. Não permita que Orela desapareça.
Nós não temos os guardiões, não temos o Rei, Talib é a nossa última e única esperança. - Disse Shona.

— Isto tudo que está a acontecer é por culpa dele. - Disse Malua

— Não estou a sugerir que esqueçamos o que Talib fez, estou a pedir para darmos uma oportunidade a
Talib, de ele mesmo, concertar seu erro.

— E o que vai fazer esse fracote que fugiu daqui, com a cauda entre as pernas? - Perguntou Ntsai.

— Já chega, não vão discutir de mim como se eu fosse aquele menino que saiu daqui a correr.

__Quando saí daqui, não tinha plano de destruir Orela. Fui em busca de algo que sempre esteve debaixo
do meu nariz e não vi. Fui egoísta, fui covarde, não me comportei como príncipe, não honrei as leis do
povo, envergonhei minha família, pisoteei as minhas tradições.

Me fascinei com o que vi fora de Orela, contemplei tudo que o mundo pôde oferecer, ceguei-me pelos
prazeres da vida, dei valor a quem não merecia. Fui tão burro que acreditei e dei a minha confiança a
quem não merecia. Quando entreguei o caminho para Orela, pensei em dar ao meu povo um pouco do
que o mundo tem do bom, mas o que não imaginava, é que eles estavam em busca do que Orela tem.
Hoje, Orela está como está, e aceito que é por minha culpa.

— Eu voltei, eu estou aqui. Não estou a pedir um lugar neste palácio. Não estou a exigir meu lugar na
família. Não estou a exigir meu lugar no trono. Apenas quero concertar meu erro, e devolver a Orela a
paz que eu roubei, quando saí daqui. Se puder contar convosco, tudo bem. Se não puder, não vou
insistir. Mas até esta situação melhorar, e o Rei continuar no estado em que está, eu vou assumir
minhas responsabilidades e lutar por Orela, com ou sem o vosso apoio. Quando isto tudo acabar,
mesmo que o Rei não esteja melhor, eu vou devolver o trono para vocês, vou seguir meu rumo, e vão
poder viver à vontade, sem precisar me engolir. - Disse Talib.

Kanga passa mal, e desmorona no chão. Todos preocupados foram até ela. Antes que pudessem
carregá-la, despertou.
— Está tudo bem? - Perguntou Malua.

— Uff... uff. - Kanga recuperava a respiração.

— Tragam água. - Pediu Malua. E perguntou: — Estás melhor?

— Sim. - Disse Kanga, enquanto se apoiava em Shona e Talib, para se levantar.

— O que aconteceu? - Perguntou Shona.

— O guardião da luz voltou. - Disse Kanga.

Depois de tanta dor, uma notícia que fez ecoar alegria no palácio. O arrependimento sincero e a vontade
verdadeira de Talib trouxeram de volta para Orela, a luz.

Malua sabia que não tinha para onde correr, e que como Rainha, devia pensar primeiro, e sempre no
seu povo, em detrimento dos seus sentimentos, suas vontades, e seu querer.

Cientes de que teriam que trabalhar em equipa, sentaram e traçaram o plano para o dia seguinte.

A começar, que ninguém mais devia saber que Talib estava no Reino.

Malua deu ordens aos servos do palácio, que preparassem o quarto de Talib. Podiam não admitir, mas
tanto Malua como Ntsai, estavam aliviadas com a presença dele.

— Como posso agradecer-te por tudo isto? - Perguntou Talib.

— Agradecer por ter sido ultrajado? - Perguntou Anaya.

— Elas estão no seu direito. Eu falo da oportunidade de poder me redimir e corrigir meu erro.
Devolvendo a paz para Orela. - Talib sorriu.

— Hoje tiveste a primeira prova, que era recuperar o verdadeiro Talib. Passaste, e a tua sinceridade
devolveu o guardião da luz. Amanhã, irás enfrentar aquele que foi o seu maior medo. Eu te garanto,
Talib, que se o venceres, nada mais irá te deter, pois, o guardião da força voltará e te protegerá.
Anaya se despediu, e disse que precisava descansar. Talib a abraçou e ela correspondeu, então, quando
tentou beijá-la, ela o empurrou.

Ahmmm... e.... phahh. Uma bofetada muito bem dada.

— Não te atrevas, nunca mais voltar a me tocar. - Disse Anaya.

— Eu pensei que...

— Pensaste o quê? Que terias o pacote completo? Orela, palácio, cama e Anaya? Esquece, Talib.
Quando me deixaste largada à beira do casamento, fizeste uma escolha, tanto é que te casaste com a
sua pérola.

— Desculpa! Achei que tivesses me perdoado e que pudéssemos voltar a nos entender.

— Eu te perdoei, sou tão linda Talib, que não me causaria rugas de envelhecimento por mágoa
nenhuma. Mas uma coisa é perdoar, outra, bem diferente, é fingir que nada aconteceu. Isso nunca!
Estou aqui cumprindo minha missão que é ajudar a recuperar Orela, e não reatar o que quer que seja
contigo.

Talib sabia que teria de se esforçar muito para reconquistar Anaya. Cada batalha em seu momento.

Logo pela manhã, cumprindo com sua ameaça, Makhossa invadiu a zona, com alguns dos seus homens.
Estranhamente não foi impedido, os portões abriram-se. Os homens de Makhossa estavam armados até
aos dentes, mas naquele dia, não tinham ninguém com quem duelar. Os guerreiros de Ntsai estavam em
seus postos, mas não estavam se defendendo.

Makhossa todo convencido que Ntsai e a Rainha entregariam o trono, pacificamente, abriu os portões
do palácio.

Shona e Kanga estavam no fundo do pátio, Makhossa e alguns dos seus homens entraram pelo palácio e
foram até eles.

— Conforme acordado, hoje é o oitavo dia, o dia em que me tornarei Rei deste Reino. - Disse Makhossa.
— Este Reino já tem um Rei, e não precisa de outro. - Disse Shona.

— O Rei está moribundo, não serve para Orela.

— Tem seu substituto, é à ele a quem devemos obediência, até que o Rei se recupere.

— Eu, obedecer a uma menina que se fantasia em homem, que nem sangue real tem? Não vou perder
meu tempo contigo, velho acabado. - Disse Makhossa, enquanto abria à porta da sala do trono. — Eu
vou tomar o que é meu, o trono é meu. - Continuou a falar enquanto caminhava até ao trono, onde
estava Talib sua mãe, de um lado, e do outro, sua irmã.

— Quem convidou este senhor para o meu palácio? - Perguntou Talib.

Makhossa olhava para Talib e não conseguia acreditar que era mesmo ele.

— Talib. - Chamou Makhossa.

— A mim vais dirigir-te por Príncipe Talib.

— Desapareces por anos, e voltas exigindo ser chamado por príncipe?

— Se qualquer um me perguntasse isso, me daria sim tempo para responder, mas a ti, não irei
responder, pois, mais do que todos, sabes porquê, Makhossa.

Shona entrou na sala e disse que o povo já o aguardava na praça.

— Agora vou me dirigir ao meu povo. - Disse Talib.

Ele se levantou e caminhou para fora do Palácio. Todos o seguiram, incluindo Makhossa.

Talib começou por dizer que reconhecia por ter saído do Reino, demonstrou arrependimento, e se
comprometeu em devolver a paz para Orela.
— Eu sou filho de Tawarah, por lei o substituirei até que ele melhore.

— Ninguém vai estar sob comando de um rapaz que nem homem é.

Talib olha para Anaya, esta fecha os olhos, dizendo para confiar nele.

— Senhor, a arena está pronta. - Disse Shona.

Talib teria mesmo que enfrentar o leão, seu maior medo, e enquanto caminham, se perguntavam se não
fugiria uma vez mais.

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💰 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 42_

Talib virou-se para o lado onde estavam sua mãe e irmã, as duas olhavam para ele, certas de que ele iria
afrouxar e acovardar-se novamente. Aproximou-se à elas.

— Gostaria que fossem à arena. - Disse Talib.

— O que vai acontecer desta vez, que não aconteceu nas três vezes anteriores? - Perguntou Malua.

— Desta vez, Talib, não fuja, não permita que o leão te coma e assim nos poupe a vergonha, prefiro que
sintam pena de nós. - Disse Ntsai.
Talib ouviu do outro lado o povo de Orela murmurando.

— Vai fugir de novo...

— Aquele não vai matar nem um gatinho...

— E diz que vai recuperar Orela...

— Estamos perdidos...

Certos de que Talib desistiria, todos olhavam para ele

Talib olhou para o chão. Sentiu, algo o aquecendo. Era Anaya que segurava em sua mão. Ele olhou-a

— Também pensas que vou desistir e fugir?

— Seu coração já não é de um menino, Tali., Eu o escuto batendo como a força de um leão.

— Não o ouves bem. Eu me sinto com a força de um dragão, pronto para despedaçar todos leões que
me aparecerem pela frente.

Anaya sorriu.

— Ouve uma coisa só.

— Diz!

— A força não está no seu corpo, está no seu interior, tu não és um homem como outro qualquer, Talib,
tu tens a alma de um Rei poderoso, de um vencedor. Vai àquela arena, e mate o maior leão que lá
aparecer. Orela merece isso.

Talib fecha os olhos, respira fundo e vira-se em direcção à Arena.

Quando Talib chegou à Arena, maior parte das pessoas já o esperava. Shona foi até ele, e ajudou-lhe a
vestir-se.
— Estás preparado? - Perguntou Shona.

— Cheguei aqui pronto. - Disse Talib.

Talib entrou na Arena, calmamente, e caminhou passo a passo até ao meio, enquanto aguardava pela
tão esperada invasão

Depois de alguns minutos, entrou na Arena o feroz. O rangido dele quase rompeu os tímpanos de Talib.

— Óoh meu Deus. - Suspirou Malua, com lágrimas nos olhos. E disse: —Shona, tire-o de lá. Tire-o já.

— Não posso, minha Rainha. - Disse Shona.

— Podes sim, eu estou a ordenar. - Insistiu Malua.

—Mamã, o povo está a olhar para a senhora.

—Não vou ficar aqui parada a assistir aquele leão devorar meu filho.

— Olha só como Makhossa está a rir-se da sua cara.

— Eu quero que ele vá para o inferno. Dê ordens para seus homens tirarem Talib, dali. Ele não precisa
provar nada para ninguém.

— Minha Rainha, acalme-se. Confie em Deus. - Disse Anaya

— Não me peça isso, Anaya. - Disse Malua.

— Todos sabemos que Talib passou sete anos fora daqui, com outros hábitos, com outros costumes, ele
não se preparou para este dia. Ele não está preparado para enfrentar aquele leão enorme, nunca vimos
um maior que aquele.

— Todas às vezes que ele não se sentiu pronto, ele não entrou nesta arena. Se ele está lá dentro é
porque tem a melhor preparação que ele precisava.
— Ele não vai conseguir.

— Vamos nos sentar, e lançar energias positivas para fortalecer a mente de Talib.

— Será mais fácil do que eu esperava. - Disse Makhossa.

— Pai! Talib está muito autoconfiante. - Disse Egary.

— Talib é fraco, e todos sabem. Olha só como a mãe dele está desesperada pelo filho. Aquele leão é
enorme, forte, vai derrubar aquele frangote com um golpe apenas.

— Veja pai, o leão está a aproximar-se dele.

— É agora que acaba a era Tawarah em Orela.

O leão era enorme, tinha mais de dois metros da cabeça até onde começava a cauda, pesava cerca de
trezentos quilos, tinha uma juba escura, grande que o deixava ainda maior, era assustador.

O felino andava em volta de Talib, enquanto este o acompanhava estando no mesmo lugar. O respirar
dele era tão forte, que conseguia abanar as vestes de Talib, suas pegadas eram tão pesadas que o chão
mexia-se, mas naquele dia Talib não se acovardou, permaneceu ali, à espera para ver como atacaria o
leão.

Sem muito esperar, o felino, foi em direção ao Talib e saltou para cima dele.

Talib, calmamente esperou pelo momento certo, abaixou-se, rapidamente rebolou no sentido contrário
e levantou-se imediatamente.

— Ahhhh... - Gritavam das bancadas em volta da arena.

O leão ficou ainda mais raivoso, porém Talib sentiu-se mais confiante e forte. Talib, fez o mesmo
movimento que o leão fizera inicialmente. Andou em volta do leão, enquanto este, o acompanhava
lentamente.
Talib olhou para os olhos do leão, olhou fixamente, friamente, sem medo algum. O leão parou, e por
algum momento pareceu que ném respirar, estava.

É assim como devemos começar quando temos um problema, primeiro devemos encará-lo, e se o
problema respira, certamente deixará de respirar.

O leão balançou a cabeça, como se o incomodasse. É assim como reagem os problemas quando são
encarados, principalmente, os que respiram, eles sentem-se encandeados, enfraquecem-se,
confundem-se, eles atrapalham-se, eles desfalecem.

O leão voltou a encarar Talib, mas os olhos de Talib continuavam fixos nele. O leão correu, mas daquela
vez, Talib não se esquivou, correu em direcção a ele.

Malua levou as mãos à boca, num momento sufocante. Anaya levantou-se. O coração de Ntsai, quase
saltava pela boca.

O leão saltou, Talib, abaixou-se, e levantou-se logo em seguida, batendo com seu ombro o peito do leão,
fazendo-o cair.

Poohh... o estrondo foi impactante.

A arena inteira levantou-se, não acreditava que Talib havia deixado o leão cair.

O leão levantou-se e sacodiu-se, depois correu uma vez mais com tanta força, jogou-se em Talib. Ele
estava mais que preparado, jogou-se contra o leão também, e os dois caíram no chão, enquanto caíam,
Talib, engatou o leão com seus braços pelo pescoço.

O leão e Talib rolavam pelo chão, enquanto Talib apertava-o com mais força.
Todos continuavam em pé, tentados a ver o que acontecia no meio do nevoeiro e da poeira que cercava
o leão e Talib, enquanto continuavam medindo forças, rolando pelo chão.

O leão conseguiu soltar-se, e afastou-se um pouco de Talib. Todos olham atentamente, assustados, pois,
só viam o leão, Talib continuava engolido pela poeira, até que por fim a poeira assenta-se e conseguem
ver Talib em pé.

Ufff... Suspira o povo.

Talib posicionou-se para enfrentar o leão uma vez mais.

— Ehhhhh... - Gritava o povo enquanto aplaudia.

O leão consegue derrubar Talib. Rangeu bem alto, e lançou seus caninos para devorar Talib, mas ele o
detém com suas mãos, uma mão em cada um dos maxilares.

O leão fazia esforço para morder as mãos de Talib, juntando seus maxilares, enquanto Talib, usava toda
sua força para manter os maxilares cada vais mais, afastados.

— Ohhhhh - Temia o povo. Uns com as mãos nas cabeças, outros com as mãos nas bocas, outros ainda
apenas mantinham o olhar fixo na arena.

Talib fazia força, o leão também, os dentes afiados aos poucos machucavam as mãos de Talib, seu
sangue misturava-se com a baba do leão. Estavam cara a cara. O respirar do leão, batia a cara de Talib...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```


💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 43_

— É agora, o leão vai devorar aquele frangote. - Disse Makhossa, festejando.

— Eish, está acabado. - Disse Egary, levando as mãos à cabeça.

— Vai morrer, sem nem sequer tocar no trono. - Disse Whandia, debochando.

— Príncipe... - Gritava o povo desesperado.

— Não pode terminar assim. - Disse Shona.

— Guardiões voltem para Orela. - Implorou Kanga.

— Meu irmão não pode morrer. Não pode morrer. - Disse Ntsai aflita.

— Por favor meu Deus, proteja meu filho. - Suplicou Malua.

— Talib não vai morrer, eu sinto isso. - Disse Anaya, mantendo pensamento positivo.

Por mais medo que o leão quisesse provocar em Talib, não conseguia o enfraquecer. O príncipe olhava o
felino encandeando-o.

Aos poucos, Talib consegui puxar suas pernas, enquanto mantinha suas mãos na boca do leão.
Posicionou seus pés, encaixou no corpo do leão, tomou balanço e o derrubou novamente para o chão.

O confronto estava cada vez mais agressivo. Assim que o leão se levantou, correu em direcção ao Talib,
mas, daquela vez, Talib saltou, virou-se e o montou-lhe por trás. Talib em cima do leão, se equilibrando
com ajuda da juba, depois voltou a envolver o pescoço do felino com os seus braços.
O leão, rangeu alto, enquanto se abanava para derrubar Talib que estava montado no seu colo, contudo,
Talib não o soltou, continuou o apertando forte, os dois caíram uma vez mais no chão, todavia nem a
dor do impacto do chão enfraqueceu Talib, mesmo o leão se debatendo para se soltar, ele continuou a
apertar mais forte, e cada vez com mais força. Aos poucos, foi o sufocando até que o leão parou de se
mexer.

Todos estavam aflitos sem perceber o que o que acontecia, até que Talib saiu de baixo do leão, e se pôs
em pé.

O povo aplaudiu em pé. Nunca haviam visto uma prova de bravura como aquela, e com um leão daquele
tamanho.

— É Talib? - Perguntou Ntsai.

— É ele mesmo. - Respondeu Anaya.

— Meu filho. - Disse Malua, cheia de orgulho.

Kanga perdeu suas forças e caiu ali mesmo.

— Kanga. - Chamou Shona, meio dividido entre o desmaio de Kanga e a vitória inexplicável de Talib.

— Ela já se recupera. Outro guardião voltou a Orela.

— Sim, com aquela vitória, Talib trouxe de volta o guardião da força. - Disse Kanga.

Talib girou no mesmo lugar com as mãos levantadas saudando ao povo, e dizendo que se tornou
homem e que tinha tudo para honrar seus Pais. Talib foi ao lado onde estava sua mãe.

— Mãe, peço o punhal dourado. - Disse Talib, certo que sua Mãe o trazia.

Era parte da tradição que depois de derrubar o leão, o príncipe era entregue o punhal que vinha de
geração em geração, com ele, deveria cortar a cabeça do leão.
Malua cheia de gloria, tirou o punhal que estava preso na cintura e entregou para Talib e disse:

— Honre seu Pai.

Talib agradeceu, pegou o punhal, e degolou a cabeça do leão. Todos procuraram por Makhossa, para lhe
jogar na cara que Talib não tinha mais nenhum impedimento de ficar no lugar do Rei.

Makhossa, logo que viu Talib a degolar o leão, chamou seus homens, saíram a correr para a zona baixa.

— Chama seu chefe. Ee deve vir para cá imediatamente. - Disse Makhossa.

O homem disse que não tinha poder para chamar Samuel para lá. Makhossa disse que era urgente, e
que devia chamá-lo com urgência.

O homem de Samuel pegou no rádio transmissor, entrou em contacto com a central, e passou o recado
de que Makhossa queria falar com ele.

— Alô! Eu já te disse que não deve me contactar. - Disse Samuel.

— É urgente, preciso das armas que me prometeste. - Disse Makhossa.

— Armas!? Que armas?

— As armas modernas, precisamos travar a última batalha.

— Ahhh... não me incomode com suas tolices, o Rei está quase morto, não tens capacidade de acabar
com isso sozinho?

— As coisas pioraram.

— Por causa de uma menina? Faça me o favor, essa parte é sua, foi o que combinamos, tome o trono, se
torne Rei, facilite a minha vida, e terás a vida facilitada.

— Não será fácil. Deixa explicar-te.


— Não tenho espaço para tolices.

Samuel desligou a chamada, sem ouvir a parte mais importante, de que Talib estava de volta a Orela.

Talib passeou com a cabeça do leão, e a levou para o palácio.

Entrou no quarto onde seu Pai continuava inconsciente.

— Pai, eu matei o leão. - Disse Talib.

— Ele está em coma, não vai te ouvir. - Disse Ntsai

— Pai, olha aqui, tirei a cabeça dele, e trouxe-a para o Senhor ver. - Insistiu Talib.

— Ele não te ouve. - Disse Malua.

— Deixa ele, minha Rainha. O Rei o ouve sim, sua alma já tem luz, e seu corpo está a recuperar a força e
a qualquer momento, ele vai despertar. - Disse Kanga.

— Pai, sou eu Talib, seu filho. Eu sei que o Senhor está chateado comigo, mas peço para que o Senhor
acorde e veja o leão que eu matei. - Continuou insistindo Talib.

Tawarah mexeu seus olhos.

— Viram? Viram? - Perguntou Anaya.

— O quê? - Perguntou Malua.

— O Rei mexeu os olhos. - Disse Anaya.

Talib chegou mais perto do Pai.

— Pai, veja o leão que matei, tinha uns quatro metros. - Disse Talib.
— Não exagera, Talib. Era um filhote, no máximo tinha um metro. - Disse Ntsai.

— Pai, por favor, abre os olhos, veja a cabeça do leão que eu matei com as minhas mãos, e cortei a
cabeça com o punhal da família. - Disse Talib.

Tawarah abriu os olhos. Todos se emocionaram.

— Pai. - Chamou Talib.

— Talib. - Falou o Rei, se esforçando.

Talib levantou a cabeça do leão e disse que foi ele quem o matou. Tawarah olhou para a cabeça do leão,
e se encheu de lágrimas.

Ele pensou que estivesse a sonhar, mas era real, seu filho havia regressado, e finalmente honrou sua
família se tornando homem. Malua se encheu de alegria ao ver seu marido com os olhos abertos.

O médico disse que precisava analisar Tawarah, e depois ele precisaria descansar pois, já havia se
esforçado muito.

Chloe contou que passaram alguns dias que Talib estava sumido, não a procurou, não voltou para casa,
não estava no apartamento.

— Estás com saudades? - Perguntou Martin.

— Claro que não. Estou a contar porque achei estranho. - Disse Chloe.

— Agora que estás a falar, dei conta que não apareceu na empresa também.

— A situação está muito estranha.

No dia seguinte, Chloe foi atrás de Frank, para saber onde estava Talib.
— Não sei. - Disse Frank.

— Não sabes? Não são amigos? - Perguntou Chloe.

— Se a senhora que é esposa dele não sabe, imagine eu.

— Deixa de fazer-se de engraçadinho e diga logo, onde está Talib.

— Sinceramente não sei, a última vez que falei com ele, fui entregar-lhe passaporte que ele pediu para
que eu tratasse.

— Se não me contares toda a verdade serás despedido do emprego agora mesmo.

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_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

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_Capítulo 44_

— Senhora Chloe, não sei de nada, e mesmo se soubesse não contaria. Esteve sempre bem claro que
estou a trabalhar aqui a pedido de Talib. Se já não sou útil, pode me demitir. - Disse Frank.

— Preferes perder seu emprego que dizer o que sabes? - Perguntou Chloe.

— A amizade vale mais que qualquer dinheiro.

Chloe, uma vez que não tirou nada de Frank, mandou que o demitissem. Porém, Martin achou melhor
mantê-lo pois, poderiam precisar de usá-lo.

— Deixa-te estar na tua sala. - Disse Martin.


— Sua irmã mandou que me despedissem. - Disse Frank.

— Ela está chateada porque não encontra Talib, mas já disse a ela para não misturar assuntos.

— Está bem. Obrigado.

— Relaxa, tu és um quadro importante para esta empresa. Se acontecer mais alguma coisa que não
aches certo, venha ter comigo.

Martin podia pintar-se de ouro, mas para Frank, ele continuaria sendo a pessoa enferrujada que ele
sempre acreditou que fosse.

Naquela mesma tarde, Kanga voltou a ter outro desmaio, anunciando que o sangue do leão derramado
pelo príncipe Talib, devolveu à Orela o guardião da terra.

— O que terá que acontecer para que os guardiões do ar e da água voltem? - Perguntou Talib.

— O guardião da água voltará, assim que o povo se desassociar de Makhossa e voltar a acreditar com
convicção nos Tawarah. - Respondeu Kanga.

— Como isso acontecerá?

— No próximo confronto, deverás estar pronto para vencer Makhossa, dar ao povo a certeza que és o
futuro Rei, e que jamais tornarás a abandonar Orela.

— E o guardião do ar?

— Esse só voltará quando a atmosfera do Reino estiver estável.

— Como o Reino encontrará essa estabilidade?

— Através do amor puro e verdadeiro.

— Como isso acontecerá?

— A sua alma está ligada a outra pessoa, e estão ligados para sempre, Talib.

— A Chloe? - Perguntou Talib.

— Quem é Chloe? - Perguntou Kanga.


Talib contou que se casou com Chloe, mas que ela o enganou e que na verdade o casamento foi falso.

— Quando duas almas se encaixam, filho, o mundo muda de cor, o ar ganha aroma, a vida fica mais leve.
Tens que lembrar em que momento da vida sentiste esse sabor, aí saberás em quem sua alma encaixou.

— Não tem outro jeito? Como algo pessoal pode afectar Orela?

— Tu és Orela, teu destino é Orela, Orela depende de ti, tudo o que te envolve afecta Orela. Qualquer
um poderia ter entregue o mapa com caminho para Orela, e as pessoas jamais chegariam aqui. Mas tu
entregaste o mapa, as pessoas chegaram aqui, porque tu deste ordens para que Orela se abrisse à essas
pessoas.

— É mesmo culpa minha.

— Infelizmente, Talib.

Talib entristeceu-se.

— Não fique assim, Orela já recebeu o seu arrependimento, recebeu a sua coragem, esteja confiante,
dentro do seu coração sempre estiveram as respostas, e precisas aprender a ouvi-las.

Depois de esperar por trinta minutos, Samuel foi informado que o Ministro não o receberia.

— Como assim? - Perguntou Samuel.

— Sinto muito, teve uma chamada na presidência e cancelou todos os compromissos. - Disse Basílio.

— Eu tenho carga lá pronta para trazer a cidade.

— O primeiro lote já está pronto?

— Sim, está pronto. Só preciso da licença para trazer.

— Yáh. Mas sem confirmarmos nada, fica difícil eu ajudar. Tenho receio de estar a meter-me numa
fantochada.
Samuel tirou do bolso do seu casaco 4 pedras, diamante preto, rubi, safira e esmeralda, e mostrou ao
Basílio.

— Isto é rubi? É Safira? Esmeralda? Meu Deus, diamante preto? Isto é real? - Perguntou Basílio
boquiaberto.

— Só aqui em sua mão tens milhões, imagina na fonte? - Perguntou Samuel.

— Ahmm... eu quero sociedade nessa empresa, essa é a condição.

— Podemos formalizar isso, se chegarmos a um acordo.

Basílio garantiu que Samuel poderia trazer o primeiro carregamento, e que trataria de tudo para que o
camião não fosse retido em nenhum lugar. E ainda conseguiria escolta para que tudo chegasse em
máxima segurança.

Era tudo o que Samuel precisava ouvir. Com esse aval, tinha tudo para avançar.

— Mãe, não encontro Talib em lado nenhum. - Disse Chloe.

— Deixa-o, não querias te separar afinal? - Perguntou Emma.

— Ele precisa assinar os papéis do divórcio.

— Que divórcio? Não se faça de parva, Chloe. Sabes perfeitamente que o casamento foi falso.

— Okay... okay... mas ele também não pode simplesmente aceitar o divórcio, levar uma mulher e sumir
da cidade.

— Chloe, nem consegues ficar quieta. Parece-me que gostas dele. Filha estás apaixonada por Talib?

— Nunca. Isso nunca. Jamais teria esse tipo de sentimentos por ele.

— Ahmm, então, por quê além de ires atrás de Dominic que é o homem que dizes amar, vais atrás de
Talib, o homem que não significa nada para si.

Chloe disse que sua mãe não a entendia, então despediu-se e foi embora.
Talib chamou todos os comandantes e disse que não esperariam mais. Deu dois dias para que se
preparassem pois iriam atacar a zona baixa, e recuperar todas pessoas que estavam a fazer trabalho
forçado.

Ntsai não podia demonstrar, mas estava cheia de orgulho do homem que seu irmão estava se tornando.

— Não vais me dar nem um beijinho de boa sorte? - Perguntou Talib.

— Homens não precisam de sorte, precisam de confiança e segurança. - Disse Anaya.

— Então, que sejam dois beijinhos, um que aumente a confiança em mim, e o outro, segurança.

— Estás a pedir a pessoa errada. De mim vais ter apenas um aperto de mão. Bom combate. - Disse
Anaya, enquanto apertava a mão de Talib.

Talib virou e beijou a mão de Anaya.

— Eu voltarei vivo, por ti.

— Volte vivo por Orela.

Malua não sabia o que falar, nem como dirigir-se a Talib, pois ela sabia que seu filho precisava ir, mas
temia que lhe acontecesse o mesmo que aconteceu com seu marido.

— Talib.

— Sim mãe.

— Desculpa. Sim, Minha Rainha.

Malua suspirou, e virou-se para ele.

— Volte são e salvo. Não aguentarei outra desgraça.


— Orela está conosco, minha Rainha, não há mais espaço para desgraças.

Beijou a mão dela, colocou o capacete na cabeça e saiu do palácio.

No dia marcado, tropas lideradas por Talib invadiram a zona baixa, enquanto ele e outros guerreiros
lutavam contra Makhossa e seus homens, Ntsai entrou com os outros e resgataram todos os homens,
mulheres, velhos e crianças, que estavam sendo escravizadas por Samuel e Makhossa.

Assim que Ntsai apitou, conforme combinado, informando que todas as pessoas resgatadas estavam em
segurança,

Talib deu a ordem para que as tropas que combatiam recuassem à zona alta.

— Não vais fugir sem eu acabar contigo. - Disse Makhossa.

— Eu já levei o que vim buscar. O dia do nosso confronto não é hoje. - Disse Talib.

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

*Grãos de Dólares*

_*Capítulo 46*_

Anaya baixou a cabeça novamente.

Talib segurou o rosto dela com as duas mãos. Ela tornou a levantar a cabeça, então ele olhou-a nos
olhos.
Era como se estivessem num palco só eles os dois, com luzes focando a cena, e eles continuavam
olhando um para outro, como se seus olhos pudessem entender-se.

O que eles sentiam era tão forte que chegava a estremecer o chão.

- Responde minha pergunta, Anaya. Atravessaste as nuvens até me encontrar, acreditando que sou
capaz de cuidar de Orela, mas não achas que sou capaz de cuidar de ti? Perguntou Talib.

- Preciso ir. Disse Anaya.

- Porquê estás a evitar-me?

- Talib, não força as situações, uma é natural e outra tem haver com vontade.

- E que coisa natural sustenta-se sem vontade? A vontade é natural, Anaya.

- Talib, por favor.

- Anaya, eu vi a vida toda, e tornei a ver agora que a minha mãe é a luz para meu pai, assim aprendi que
a mulher é a luz que ilumina para o seu homem.

- E quem é a sua luz? Quem é a mulher que te ilumina?

- A mulher que me conduziu até onde estou agora.

- A lei da impenetrabilidade, defende que dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo,
isso aprendemos na escola, sem precisar sair de Orela. Vá ler sobre as leis de Newton, Talib.

Ntsai interrompe a conversa.

- Não cai na conversa desse tolo, Anaya. Disse Ntsai.

- Já percebi que vou torrar, aqui. Então prefiro sair, para que fiquem a falar mal de mim à vontade. Disse
Talib.

- Não vamos falar mal, vamos falar a verdade, se é mal, é porque só fazes besteiras. Disse Ntsai.

- Está bem, o filho pródigo vai descansar. Dito isto, Talib deixou as duas e recolheu-se.

- Anaya, caindo novamente nas teias do aranhiço. Disse Ntsai.

- Sempre falamos de mim, do que sinto, mas nunca falamos de ti, senhora Ntsai. Disse Anaya.
- A minha vida não têm novidades como a sua, só tem batalhas, e sangue.

- E amor?

- Sinto pela minha família, por esta terra, pelo meu povo.

- Não falo desse amor.

- Falo de amor de carne, de paixão, de vontade, de desejo, de loucura, de prazer.

- Não tenho tempo para isso, estou sempre ocupada.

- Mulheres fortes acham que não sentem, que não precisam, mas enganam-se.

- Mulher pode até ser dura, mas o amor é leve, tão leve que escorrega e nem a força o consegue
segurar, Ntsai!

O amor é tão obstinado, que nada o lava, quando ele te inunda, minha irmã, vais lavar, podes esfregar,
mas ele é permanente, continuará ali.

Ntsai disse a Anaya que era conversa de mulheres tolas, e que se fosse casar-se, um dia, seria por
compromisso do reino e não por frescuras.

Malua estava preocupada, pois seu marido não tornou a abrir os olhos.

- É normal, ele não está totalmente recuperado. Disse o médico.

- Então ele pode não acordar? Perguntou Malua.

- Precisamos de manter a calma, minha Rainha. A qualquer momento ele recuperará todos os sentidos.

Cada minuto, cada hora, cada dia era uma eternidade. A espera era dolorosa e cruel.

Frank, seguiu a mesma rota que seguira Talib e Anaya, entrou em um dos helicópteros, e foi a Orela.

Não tinha idéia clara do que estava a acontecer, nem com quem devia falar, o único que tinha em mente
e que devia encontrar era Talib.

Assim que despistou-se dos homens de Samuel, que estavam próximos às minas onde extraíam os
minérios, caminhou em direção a um conjunto de casa, o que ele não imaginava é que ali era a zona
baixa, a que estava sob comando de Makhossa.

- Um homem que diz que quer falar com Talib? É um dos homens de Samuel? Perguntou Makossa.
- Pareceu-me não ser trabalhador do senhor Samuel, está meio atrapalhado. Disse o homem que
encontrou Frank.

Makhossa mandou-lhe chamar, e investigou Frank.

- Eu preciso falar com Talib, é algo urgente. Disse Frank.

- Onde conheceste Talib?

- Eu e Talib somos amigos. É só dizer a ele que sou o Frank, ele sabe quem eu sou.

- Se trazes um recado de Samuel é a mim que deves dar.

- Eu apenas quero falar com Talib.

Makhossa mandou que deixassem Frank num lugar seguro e que fosse controlado.

- Pai, dá para ver que é um paspalho qualquer, não têm nada de importante para nós. Estamos a perder
nosso tempo. Disse Egary.

- Se não tivesse algo importante não estaria aqui. Disse Whandia.

- Eu vi nos olhos dele, que guarda um segredo. E que ele têm uma ligação afectuosa com Talib.

- O que sugeres minha nora? Perguntou Makhossa, com um olhar malvado.

- Vamos testar Talib, o que ele estaria disposto a perder para que o tal amigo chegasse a ele. Disse
Whandia.

- Gostei da idéia.

- Vou trocar o amigo dele pelos trabalhadores que ele me roubou. Disse Makhossa.

- Dá-lhe um prazo de vinte e quatro horas.

- Essa sua mente de Xamã, me surpreende a cada dia, tu serás maior que a sua mãe. Sabes por quê?

Whandia sorriu.

- Tu és ambiciosa, igualzinha as pessoas que triunfam na vida.

Na mesma hora, Makhossa mandou o recado para Talib.

- Frank está aqui? Perguntou Talib.

- Pode ser mentira. Disse Shona.


Então entregaram a Talib os óculos que Frank usava.

- É, ele está aqui. Isto é dele. Disse Talib.

Talib tinha menos de vinte quatro horas para tomar uma decisão.

Chamou sua mãe, Shona, Kanga, Ntsai, os outros conselheiros e os comandantes das tropas, expôs a
situação, e pediu para que invadissem a zona baixa, para resgatarem seu amigo.

- Não vamos arriscar nossos homens, que estão se preparando para o grande confronto, para salvar um
estrangeiro. Disse um dos conselheiros.

- Ele não é apenas um estrangeiro, ele é meu amigo.

- Já tivemos várias baixas, Talib, melhor não, essa gente é falsa, nós nem sabemos qual é o interesse
dele. Disse Malua.

- Vocês não me percebem, Frank é o homem que sempre tentou me despertar atenção sobre Samuel.
Disse Talib.

- Desculpa por intervir, eu estive naquele mundo, eu vi o coração daquele homem, foi ele quem me
ajudou a encontrar Talib, foi ele que nos ajudou a fugir. Ele têm família, pais, irmãos, se ele se ariscou a
vir aqui, algo muito grave aconteceu ou está por acontecer. Disse Anaya.

Todos murmuravam, pois não concordavam com a idéia.

- Orela antes de tudo é amor, e nós decidimos acompanhar Talib, e aceitamos que ele nos conduzisse
até tudo isto acabar. Se ele está a dizer que temos que nos juntar, e ir resgatar o estrangeiro, nós vamos
ficar do lado dele, e fazer o que ele diz. Disse Malua.

- Ele podia decidir apenas e teríamos que cumprir, pois ele tem esse poder, mas ele está a dar-nos a
oportunidade de comprovarmos que confiamos nele, e estamos verdadeiramente com ele. Disse Malua.

- Eu o apoio. Disse Malua.

- Obrigada sua alteza. Disse Talib.

Em seguida, todos outros disseram que apoiariam Talib e suas decisões.

Traçaram um plano, junto com as tropas, invadiram a zona baixa para resgatar Frank.

Enquanto guerrilhavam, Makhossa mantinha sua espada afiada no pescoço de Frank.


- Se renda Talib, saía daqui, e devolva meus homens, senão acabarei com o seu amigo.

Talib estava num confronto directo com Egary, e no final consegue desarmá-lo, e coloca sua a ponta da
sua faca, no pescoço de Egary.

- Seu filho está no meu poder, e em menos de um segundo posso degolá-lo, mas essa ainda não é a
minha intenção, eu vim aqui buscar esse homem. Disse Talib.

- Eu troco seu filho pelo meu amigo...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

*Grãos de Dólares*

_*Capítulo 47*_

- Pai, entregue esse homem. Gritou Egary, desesperado ao sentir a lâmina afiada no seu pescoço.

- Se esta for a hora do meu filho ir, ele irá enquanto cumpriu sua missão. Disse Makhossa.

- Estou disposto a tudo pelo trono, e não me vou me render. Disse Makhossa.

Makhossa olhou friamente para Egary.

- Pai. Chamou Egary, ao ver seu pai uma vez mais, o largar sem se importar.
Talib jamais mataria Egary naquelas condições.

Com a intenção de mostrar ao Talib que falava sério, Makhossa posiciona-se para ferir Frank, porém foi
impedido por Ntsai.

Talib afasta Egary o jogando para o chão, e vai para cima de Makhossa, Ntsai aproveita o momento e
pega Frank.

Makhossa e Talib enfrentam-se.

- Vou matar-te, eu não sou aquele leão velho e cansado, que tiveste a sorte de encontrar na arena. Disse
Makhossa.

Ntsai dá ordens às tropas para recuarem.

- Talib, Talib, chamou Ntsai.

- A batalha não é hoje. Nós já temos o que viemos buscar, vamos recuar. Disse Ntsai.

- Eu ainda vou acabar contigo como fiz com seu pai.

- Tu estás acabar contigo mesmo. Disse Talib, enquanto recuava.

- Convido a vocês meu povo, para redimirem-se e voltarem à Orela. Gritou Talib para os guerreiros que
estavam do lado de Makhossa.
Conseguiram voltar a zona alta com Frank, os feridos foram logo atendidos.

- Estás bem? Perguntou Ntsai, enquanto tirava o capacete.

- Sim. Muito obrigado. Ném parecia uma mulher quem estava a lutar. Disse Frank.

Talib aproxima-se de Frank, eles abraçam-se.

- Esta é Ntsai, a minha irmã. Disse Talib.

- A rabugenta azeda? Perguntou Frank.

- Rabugenta? Azeda? Eu? Perguntou Ntsai.

- Upsi, desculpa. Estou meio baralhado, ainda em choque pela situação. Disse Frank.

- É assim que me apelidaste nos teus amigos do mundo? Perguntou Ntsai.

Talib sabia que Ntsai não deixaria barato.

- Se soubesse não teria me ariscado. Disse Ntsai, enquanto entrava no palácio.

Ntsai ficou o dia todo a reclamar de Talib e do seu amigo. Contou à mãe e para Anaya o quão
desapontada estava com Talib e o amigo dele.

Makhossa estava furioso, pois havia perdido a sua moeda de troca, associado a isso, estava mais
nervoso ainda, pois, Samuel não estava a fazer nada.

- Ias deixar-me morrer para te tornares rei? Perguntou Egary.


- Eu sabia o que estava a fazer, Talib não te mataria. Disse Makhossa.

- Eu vi a frieza em ti, pai. Mais uma vez ,

comprovaste que não tenho nenhuma importância em sua vida.

- Egary, concentra-se, perdemos os escravos, perdemos a nossa moeda de troca, e tudo o que tens na
cabeça é isso? Carência? Perguntou Whandia.

- Cala-te porque não estou a falar contigo. Disse Egary.

- Cala-te tu. Gritou Makhossa.

- Eu criei um homem, um guerreiro, não um mariquinhas, que se importa com futilidade.

- A sua dureza, a sua frieza, o seu egoísmo é que te impedem de ser rei, Pai.

- Hoje eu entendo que para ser rei, precisa-se ser nobre, precisa-se ter amor.

- Eu amo Orela, eu amo este povo, e sinto que na sua mão ele vai sofrer. Eu não vou mais fazer parte
disso.

- Estás a te bandear para o lado deles? Sabes que assim que chegarem as armas eu vou esmagá-los
como insectos.

- Prefiro morrer defendendo o certo, do que vencer fazendo o mal. Não conte comigo.

- Whandia, vamos, aqui não é o nosso lugar. Disse Egary.

- Não sejas tolo. Disse Whandia.


- Vais comigo ou não? Perguntou Egary.

- Meu lugar é aqui, com os vencedores. Disse Whandia.

- Se te virares não serás mais meu filho.

- Talvez por ter sido eu quem matou a sua esposa, nunca tenha sido seu filho.

Egary, pegou suas coisas e foi a zona alta.

- Vais deixá-lo ir? Perguntou Whandia.

- Deixa-o. Aquele é meu, ele voltará. Disse Makhossa.

- Concordo. Ele é fácil de manipular, pode nos ser mais útil lá do que aqui.

- Pena que és minha nora. Tu escolheste o homem errado. Se fosses minha mulher, certamente
seriamos uma dupla imbatível.

Whandia sorriu.

Frank foi chamado, para que explicasse o que lhe levou a Orela.

- Não podia ficar quieto, depois de saber o que os Scott’s e Makhossa planeiam. Disse Frank.

Todos ficaram com os olhos e ouvidos bem abertos.


- Scott está a adquirir armas de fogo para que as tropas de Makhossa usem para lutar contra vocês.
Completou Frank.

- Armas de fogo? Perguntou Ntsai.

- Sim, armas de fogo disse Frank.

- O que faremos? Não temos aqui esse tipo de armas. Será uma batalha desleal. Disse Ntsai.

- Não será desleal se nos prepararmos, podemos vender algumas pedras e comprar armas para lutarmos
de igual para igual. Disse Frank.

Alguns respiraram de alivio, certos de que era a melhor decisão.

- Concordo, nós também podemos combater com armas de fogo. Disse Ntsai.

- Não, não devemos lutar com armas de fogo. Disse Malua.

- Mãe, é a única forma que temos para estar de igual para igual com eles. Disse Ntsai.

- Nós somos Orela, somos superiores a todos eles. Disse Malua.

- Mãe, eu sei que temos as nossas tradições, mas precisamos ver a melhor forma de defender Orela.

Estavam em assembléia, precisavam tomar uma decisão que fosse definitiva, cada um dava sua opinião,
apresentavam seus argumentos, porém Malua continuava a bater na mesma tecla.

Frank olhou para Talib que estava pensativo e parecia distante.

- E tu Talib, o que achas? Perguntou Frank.


- Aqui deves chamar ele de Príncipe. Disse Anaya.

- Sinceras desculpas, estou acostumado com outra realidade.

- O que o Príncipe Talib acha? Reformulou Frank.

- Eu concordo com a rainha. Eu acredito que nós temos aqui, tudo o que precisamos para esta guerra.
Disse Talib.

- Não seja arrogante, Talib, viveste fora daqui e sabes que aquelas armas nos destruiriam em menos de
uma hora. Disse Ntsai.

- O que nos trouxe para esta situação, foi a desobediência as leis de Orela, que é minha
responsabilidade. Está claro que cada vez que admitimos algo de fora dos nossos costumes, da nossa
tradição, algo de Orela morre. Disse Talib.

- Na nossa história ouvimos relatos de que Orela nunca precisou dessas armas, mas sempre permaneceu
Orela.

- Nós temos sábios, xamãs, e temos Anaya, chegou o momento de lutarmos como Orela, trazendo de
volta tudo o que Orela sempre foi. Eu acredito em Orela. Continuou falando Talib.

- Se nós adquirirmos as armas, estaremos a fazer o que Samuel quer, nos enfraquecer, e nos mataremos
até ao fim desta guerra, nenhum de nós sobrara, nem nós nem os que acompanham Makhossa. Disse
Talib.

- Isso é verdade, Scott não se importa com nenhum de vocês, ele só quer a terra. Disse Frank.
- É isso mesmo. Nós temos algo que derrota o inimigo antes de iniciar a guerra, o bem, o amor, e a
união, disse Anaya, concordando com Talib e Malua.

Estava claro que o melhor era seguir as leis de Orela. Iriam lutar com suas armas.

Logo pela manhã, Talib bateu à porta do quarto de Frank, para saber como havia descansado.

- Está tudo bem. Acredita, esta cama, ou sei lá se é a comida, ou água, é mágica, aquela minha dor na
coluna passou. Disse Frank, admirado.

- Estás em Orela meu amigo. Disse Talib sorrindo.

- Olha, fique à vontade, se precisares de alguma coisa, peça aos criados, eles vão te servir.

- Muito obrigado.

- Frank, vem tempos difíceis para nós, eu acho melhor que arranjemos formas o mais rápido possível,
para voltares à capital.

- Não, Talib, não vou conseguir ir a lugar nenhum, sem ter a certeza que está tudo bem contigo, com
Anaya e com o vosso povo.

- Tens a certeza disso? Será bastante perigoso.

- Não te preocupes, príncipe Talib, eu sou mais forte do que possa parecer.

Talib agradeceu a Frank pela amizade.


Naquela manhã, estranhamente e sem passar despercebida, Ntsai veste-se mais feminina e ainda pediu
que Malua a ajudasse a arrumar o cabelo.

Todos no palácio a admiraram, e teceram palavras de elogios.

Anaya e Frank estavam a conversar, pareciam alegres e animados. Na verdade, Frank sentia-se muito à
vontade com Anaya.

- Bom dia. Disse Ntsai.

- Wau... estás muito linda. Disse Anaya.

- Obrigada querida. Disse Ntsai.

- Bom dia Frank. Disse Ntsai.

- Bom dia. Disse Frank.

- Anaya podes mostrar-me onde fica a cachoeira de águas cristalinas? Perguntou Frank.

- Claro que posso. Vais adorar. Disse Anaya.

- Tudo bem, então encontro-te lá em baixo em dez minutos. Disse Frank, todo animado.

Os dois saíram e deixaram Ntsai ali sozinha.

Estava Malua sentada ao lado de Tawarah, que permanecia deitado e inconsciente.


- Meu marido, meu rei, sinto muito que não estejas acordado, para que possas ver no que está
transformando-se o seu filho. Disse Malua.

- Quando ele fala todos param para ouvi-lo, ele não precisa gritar, ele tem autoridade nata.

- Precisavas ouvi-lo falar sobre o poder de Orela, como se alguém tivesse lhe explicado sobre as coisas.
Ele não temeu, ele está confiante.

- Meu amor, nosso filho foi à zona baixa duas vezes desafiar Makhossa, e recuperou o que ia buscar.

- Nosso menino já é homem, e enche de orgulho a nossa família.

Aquele era único jeito que Malua tinha para sentir que seu marido estava vivo, não a via, mas ela
acreditava que a ouvia. Então, fazia questão de contar tudo o que Talib fazia, na esperança de que ele
pudesse comover-se e voltar a despertar.

- Príncipe Talib, Egary está na entrada do palácio. Disse um dos guardas.

- Como ele chegou até aqui? Perguntou Talib.

- Ele está desarmado, disse que quer apenas conversar com o Príncipe.

Autorizo que ele entre.

- Desculpa, Príncipe Talib, disse Egary.

- Fale e seja breve, tenho mais que fazer. Disse Talib.

- Estou muito envergonhado, mas não tenho outra saída. Eu estou arrependido por seguir meu pai, e
ficar contra Orela.
- Prossiga.

- Sim. Como estava a falar, eu não quero ter mais nada haver com meu pai, nem com seus planos.

- Peço por favor para que me aceite aqui...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

*Grãos de Dólares*

_*Capítulo 45*_

__Não têm nada seu aqui. Disse Makhossa.

__Já levei, Tio Makhossa. Disse Talib, com tom de ironia.

__O que ele vinha buscar? Perguntou Makhossa, enquanto via Talib e suas tropas entrarem na zona alta.

__O que ele vinha buscar? Gritou Makhossa.

__Pai, pai está vazio. Gritou Egary.

__Vazio?

__Sim pai, eles levaram todos os trabalhadores das minas.

__O quê? Levou a todos?

__Sim pai, ninguém está lá. Levou até os velhos.

__Ahhhh, eu vou matar aquele fedelho. Gritou Makhossa cheio de raiva.


Os guerreiros o perguntaram como fariam e quem trabalharia, com medo que eles fossem mandados às
minas.

Makhossa disse que tinha um trunfo, e que nenhum deles devia se preocupar.

Samuel recebeu informação pelos seus homens que estavam a trabalhar em Orela, que as actividades
estavam paradas, pois na noite anterior invadiram a zona baixa e levaram todos os escravos.

Samuel exigiu falar imediatamente com Makhossa.

__Agora que os seus interesses estão em causa já tens tempo para me escutar? Perguntou Makhossa.

__Quero saber tudo o que está a acontecer, já!

Exigiu Samuel.

__Olha aqui, eu não sou seu empregado, e você não é meu patrão. Baixa esse seu tom, antes que eu
desligue essa porcaria.

Samuel estava raivoso, mas tinha que se controlar. Ainda dependia de Makhossa.

__Está certo, vamos nos acalmar.

__Podes explicar-me o que aconteceu?

__Eu tentei falar consigo e pedir que enviasses as armas, pois já previa que isto acontecesse.

__As tropas da zona alta nos atacaram e retiraram todos homens daqui.

__Como fizeram isso? Afinal o rei não está moribundo?

__É isso que eu ia te contar quando estavas ocupado com coisas mais importantes.

__Tudo bem. Podes contar.

__O filho do rei voltou. Disse Makhossa.

__Que filho? Perguntou Samuel.

__Quantos filhos têm o rei? Ora bolas.

__Talib?

__Sim, Talib.
__Como ele voltou.

__Não sei.

__Mas ele é um fraco, e vivia aqui se embebedando. Como ele teve força para derrotar-te.

__Se eu soubesse já teria o matado. O certo é que ele matou o maior leão que já vimos na arena,
libertou os trabalhadores, e tem apoio do povo.

__Estás a dizer-me que ele já não é um covarde e que é tão forte quanto o pai?

__Arrisco-me a dizer que ele é mais forte que o pai, e com apoio do povo, do conselho, pouco poderei
fazer. É uma questão de dias para ele invadir a zona baixa, tomar tudo isto e expulsar seus homens
daqui.

__Precisamos fazer algo. Disse Samuel.

__Já teríamos feito se tivesses me ouvido. Disse Makhossa.

__O que queres? Temos que enfraquecê-lo.

__Mande as armas. Eu preciso das armas modernas, para acabar com tudo isto.

__Vou matar a todos que não me apoiarem e tomar o reino à força.

__Está bem. Deixa ver o que faço.

Samuel chamou por Martin urgentemente. Estava transtornado. Só de imaginar seus dólares ganhando
asas, se desesperava.

Frank ao ver aquele movimento, percebeu que algo grave estava a acontecer, arranjou uma forma de se
aproximar da sala de Samuel, para ouvir a conversa.

Então, Samuel contou para Martin o que ouviu de Makhossa e seus homens.

__Talib voltou à Orela? Perguntou Martin.

__Sim, ele está lá, destruindo todos nossos planos. Disse Samuel.

__Merda, devíamos ter dado ouvidos aos delírios de Chloe. Perdemos Talib de vista.
__Quem lhe abriu os olhos? Como ele pôde chegar a Orela, sem que nós soubéssemos.

__Não sei pai. Só sei que temos que agir e já!

__Makhossa pediu que lhe déssemos as armas de guerra. Disse Samuel.

__Pai vai dá-lo?

__Estarei a financiar uma guerra. Terei que investir muito dinheiro, as armas não são baratas. Estou com
as mãos e pés atados, terei que dar à eles armas, para que possam ocupar definitivamente aquele
território, para que possamos continuar a explorar aquela terra, com a mão de obra barata que eles
têm.

Frank quase foi apanhado ouvindo a conversa, então teve que disfarçar e seguir para sua sala.

Nem conseguiu se sentar, ficou apavorado só de imaginar que iriam usar armas de fogo contra Talib e
seu povo.

__Preciso fazer algo.

__Como vou falar com Talib se lá não usam telefones?

__Não, não posso ficar aqui parado. Preciso alertar Talib. Continuou lamentando Frank, enquanto
pensava em como alertaria Talib do perigo que estava se aproximando.

__Acho que estamos a precipitarmo-nos. Disse Martin.

__O que tens em mente?

__Será que vai ser eficiente? Não temos muito tempo.

__Vamos usar o ponto fraco dele.

__Que ponto fraco?

__Chloe.

__Como faremos isso, a última vez que estiveram juntos, ele disse que aceitava se separar, e que já não
a queria.

__Ele é louco por Chloe, ela é que deve manipula-lo.

__Mas se isso não der certo, nós vamos dar a Makhossa armas para que ele possa tomar o trono.
__Amanhã mesmo, entre em contacto com Basílio, e acerta com ele o assunto das armas, ele conhece
os fornecedores.

Martin contou o plano para o pai, acertaram alguns detalhes e foram ter com Chloe.

__Talib voltou à terra dele? Na selva? Perguntou Chloe.

__Sim, voltou, e como contamos, está a atrapalhar nossos negócios.

__Eu vou.

__Assim sem discutir?

__Sim. Ele ainda é meu marido e não pode sair da minha vida de qualquer maneira.

__Tenho quase certeza que a mulher com quem lhe viram em frente a empresa, era o grande amor
dele, a tal da Anastácia.

__Anastácia? Eles não têm esses nomes lá.

__Sei lá, é um nome parecido.

__Mas ela não perde por esperar. Eu vou à selva, vou levar meu extraterrestre, e quando eu já não o
quiser, eu vou joga-lo fora.

Para Martin e Samuel, estava perfeito. Chloe estava com seu orgulho ferido. Queria disputar com a tal
grande amor de Talib.

A zona alta estava em festa, e ficou assim durante dias, festejavam por Talib, o salvador de Orela.

__Veja só como devolveste a esperança ao povo. Disse Anaya.

__Consigo ver porque o povo de Orela é alegre. Ele só quer a paz, nada mais importa a eles. Disse Talib.

__E a ti, o que importa?

__Antes importavam as minhas dúvidas. Hoje, importa o que eu amo.

__E o que você ama?


__Meus pais, a minha terra, o meu povo.

Talib olhou para Anaya e levantou a cabeça dela, pelo queixo.

__E tu Anaya.

__Vamos parar com isso.

__Já me magoaste uma vez, não vou permitir que me magoes mais.

__O que tens de mais precioso? Perguntou Talib.

__ Orela. Respondeu Anaya.

__Então me confias Orela, e não consegues me confiar o seu coração?

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

*Grãos de Dólares*

_*Capítulo 48*_

Egary apresenta todos argumentos, coloca-se à disposição para ser testado. Talib pediu opinião dos
outros, a maioria não concordou em aceitá-lo.

- Vou aceitar que fiques aqui, mas não ficarás no palácio. Disse Talib.
- Aceito, da forma como decidirem. Disse Egary.

- A casa onde moravam foi ocupada por três, das famílias que ficaram sem casa. Então, Shona vai
encontrar algum lugar onde possas ficar.

- Tudo bem.

- Mais uma coisa.

- Sim.

- No primeiro erro que cometeres, serás expulso da zona alta, sem espaço para justificações.

Egary aceitou todas as condições que lhe foram impostas.

Aceitando Egary, Talib demonstrou ter compaixão. Um homem nobre, sabe perdoar, e só há união,
quando há perdão. Dessa forma, o guardião da água voltou para Orela, e uma vez mais, Kanga anunciou
seu regresso.

Assim que todos saíram, Talib vira-se para Ntsai e pergunta por Anaya, pois nem em casa dela estava.

- Viste Anaya? Ela disse alguma coisa? Perguntou Talib.

- Ahmm... não te disseram nada? Perguntou Ntsai.

- O que deveriam me dizer?

- Que iam a cachoeira.


- Quem foi a cachoeira?

- Anaya e Frank. Foram ver água cristalina.

- Os dois?

- Sim Talib, foram os dois.

Talib enche-se de ciúmes, e fica inquieto. Recusou-se de almoçar, e foi atrás deles.

Estava Talib a descer as escadas do palácio, quando viu Anaya e Frank caminhado alegremente.

Frank deu um beijo na mão de Anaya, despedindo-se, e entrou no palácio, cruzando-se com Talib que
estava no início das escadas.

- Irmão, falamos daqui a pouco, preciso trocar esta roupa, estou encharcado. Disse Frank.

- Okay. Disse Talib, com um sorriso falso.

- No mundo onde vocês estão já temos paz? Perguntou Talib.

- Como assim. Perguntou Anaya.

- Como assim? Sabes que precisamos de ti, desapareceste, o dia todo, sem dizer nada.

- Desculpa, não sabia que devia-te satisfações.

- Ahmm... é isso que tens a dizer-me?


- Talib, não exija coisas que não tem haver consigo. Deixa-me viver a minha vida.

Anaya, vai embora sem dizer mais nada.

Quando achavam que o único problema eram as armas de fogo, receberam a notícia que nos celeiros
tinham apenas comida para mais dois dias.

Talib chamou a todos, e disse que teriam de invadir a zona baixa, para tirar a comida que está no celeiro
grande que fica daquele lado.

Pensaram num plano, mas só pudiam efetivá-lo com as dicas de Egary.

Makhossa mandou que os atacassem com tudo e os impedisse de levar os mantimentos.

- Deixa-os tirarem os mantimentos com facilidade. Disse Whandia.

__Nunca, eu quero que eles moram a fome. Disse Makhossa.

- Eu sei o que estou a falar. Vamos dar-lhes confiança.

- Qual é o plano? Perguntou Makhossa.

- Eles só chegaram ao celeiro tão rápido, porque Egary está a ajudá-los. Então, deixe que Egary pouse
como o herói da zona alta.

E foi como aconteceu, Egary, ficou visto como o herói.

Não foi fácil, mas com ajuda de Egary, conseguiram tirar comida suficiente para mais um mês.
Anaya aproximou-se de Egary e o agradeceu pessoalmente por ter ajudado.

- Não precisas agradecer. Eu fiz o que devia fazer muito tempo, estar do lado certo. Disse Egary.

- Foste muito corajoso em largar seu pai. Disse Anaya.

- Dizes isso de coração, ou como os outros que não acreditam que estou aqui mesmo para ajudar?

- Eu já te disse que algumas vezes eu vejo o que ninguém mais vê.

- E o que vês em mim?

- Que não tens o mesmo coração que o teu pai.

- E consegues ver-te no meu coração?

- Não começa, sou bondosa, mas não sou atrapalhada.

Anaya despediu-se de Egary, e assim que se virou, deu de cara com Talib.

- Agora vais dar confiança a Egary também? Perguntou Talib.

- Pára de perseguir-me e de controlar tudo o que eu faço. Não te diz respeito. Disse Anaya.

- Porquê fazes isso? Estás a pisotear nos meus sentimentos.

- Falar com outras pessoas é pisotear em seus sentimentos?


- Anaya, eu não suporto ver outro homem ao seu lado.

- Não tens o direito de querer decidir quem fica ou não, ao meu lado.

- Estás a fazer isso para me machucar? Estás a vingar-te por eu ter te fugido antes de nos casarmos?

- Achas que tudo é sobre ti. Passaram-se sete anos, eu já te superei.

- Superaste? Então por quê não te casaste? Por quê não tiveste outra relação, outro homem?

- Deixa-me em paz, Talib.

- Anaya.

- Não me toca, deixa-me.

Anaya vai embora, deixando Talib furioso.

- Estás a jogar errado, Talib. Disse Shona.

- É a sua filha, vais defendê-la. Eu sou culpado, fui eu quem a deixou um dia antes do casamento. Fui eu
quem partiu o coração dela.

- Estou ciente disso, mas não me peça para eu não sentir o que sinto, e de não lutar pelo que eu quero.

- Quando sai daqui, também sofri muito, foi difícil viver anos distante dela, o meu sentimento sempre foi
verdadeiro. Estou a pagar por isso.

- Tenha calma, Príncipe de Orela. Com essa pressa, vais acabar atropelando-a.
- Talib, Talib, seu pai. Gritou Kanga.

Talib saiu correndo e foi ver seu pai.

Todos ficaram admirados com a situação de Tawarah, ele estava recuperando-se muito bem, ninguém
conseguia entender como ele, do nada teve essa alteração negativa.

- Pai, eu sei que o senhor me ouve. Disse Talib.

- Não faça isso com o seu povo, não faça isso com a Rainha, não desta maneira.

- Orela precisa de si, meu Rei. Volta para o seu povo.

Malua não se desesperou, permaneceu firme, enchendo de esperança seus filhos e o povo de Orela que
orava pela recuperação do Rei.

Aquela noite foi a mais longa dos últimos meses. Ninguém pregou o olho, estavam com medo que
Tawarah não resistisse e acabasse partindo.

Passaram-se alguns dias, Tawarah voltou a estabilizar-se. Talib cuidava atentamente do reino, apesar de
ser difícil separar os assuntos do reino e seu ciúme por Anaya.

Na tarde daquele dia, Talib e Ntsai passam pela varanda, e vêem Anaya e Frank conversando, enquanto
cuidavam das flores preferidas da Rainha.

- Esse é mesmo seu amigo? Perguntou Ntsai, pondo mais lenha.

- São só amigos. Disse Talib.


- Nem tu acreditas nisso. Ele sempre olha para ela.

- Devias enquadrá-lo, antes que o pior aconteça.

Não bastava o que ele estava a sentir, ainda tinha de lidar com o que ouvia. Ahhhh... não se segurou ao
ver Anaya e Frank.

Anaya quando vê os olhos cheios de raiva de Talib, despede-se de Frank e sai da varanda.

- Nem vem, Talib, não estou para aturar suas cenas hoje. Disse Anaya, dando um chega nele.

Talib vai até Frank e coloca entre a espada e a parede, claro, sem espada e sem parede.

- Estás sempre com ela, sempre em passeios, em conversinhas.

- Sabes o que sinto por ela. Qual é a sua intenção? O que queres com Anaya?

- É por ela que cá vieste? É por ela que cá ficaste?

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da mana Ancha ```

💎*Grãos de Dólares*💰
_*Capítulo 49*_

- Irmão, relaxa! Eu conheço seus sentimentos por ela, e conheço também os sentimentos dela, por mim.

- Anaya é uma amiga, nos damos bem, apenas. Talvez aqui em Orela, seja difícil aceitar amizade entre
homem e mulher, mas no meu mundo é normal. Disse Frank.

Talib senta-se em um banco e enterra a cabeça nas mãos.

Frank senta-se ao lado dele e o abraça.

- Talib dá-lhe espaço. Já te abriste para ela, deixa ela decidir se te aceita de volta ou não.

- É difícil estar perto dela e não poder tocá-la.

- Eu imagino. Mas se a sufocares com tanta pressão, vais a perder definitivamente.

- Ela quer espaço? Tudo bem. Eu vou lhe dar o espaço que ela quer.

- Fica calmo. Vamos lá. Hoje vou ajudar-te com os cálculos.

Ntsai também não se conteve, e calçou Anaya.

- Podes me explicar o que há entre ti e Frank? Perguntou Ntsai.


- Você também? Ahmmm, não. Disse Anaya.

- Responda-me! Se somos muitos a querer saber, é porque devem estar nas vistas.

- Frank é apenas um amigo. Nós nos damos bem só isso.

- Não é o que parece. Se o queres, é melhor assumirem logo, do que estarem a fazer vossos joguinhos.

- Ele não conhece ninguém, aqui.

- Não conhece porque não quer. Não és a única aqui.

- Te ouvindo falar assim, fica parecendo que estás com ciúmes.

- Gostas dele?

- Pelo amor de Deus, Anaya, me conheces. Sabes que não tenho tempo para essas besteiras.

- Achas que não notei que desde que ele chegou aqui, andas mais arrumada, mais linda.

- Coisas da sua cabeça. Continuo a mesma. Perguntei pelo meu irmão, conheces os sentimentos dele,
ele está a sofrer com tudo isso.

- Tu, Ntsai Tawarah, a defenderes teu irmão? As pessoas mudam mesmo.

Malua assiste de longe a discussão de Ntsai e Anaya e comenta com Kanga.

- Meu filho a ama. Disse Malua.


- Sem dúvida. Mas essa luta, ele terá que travar sozinho.

- É quase impossível juntar os cacos de um coração partido. Disse Kanga.

- Parece-me que ela está a aproximar-se do tal de Frank.

- Nenhum deles será feliz, minha Rainha, o destino desses jovens já foi traçado, uns pelas juras feitas
pelas suas bocas, e outros, pela mão de Deus.

Malua não deixou de comentar sobre a maneira estranha que Ntsai tem se comportado, por estar mais
vaidosa.

O reino ficou agitado quando ouviram helicópteros a aterrarem em Orela. Estavam convencidos que
eram os homens de Samuel levando armas de fogo para Makhossa.

O que ninguém podia esperar, é que era a família Scott que chegou à Orela. Quando digo família, falo de
Samuel, Martin e incluindo Chloe.

Martin e Samuel foram ver onde pararam o trabalho nas minas, e que quantidade tinham disponível
para transportar a cidade.

Makhossa foi ao encontro deles, e perguntou sobre as armas.

- As de fogo chegam na próxima semana. Disse Samuel.

- Mas nós trouxemos esta arma muito poderosa para neutralizar Talib. Disse Martin.
- Que arma? Perguntou Makhossa.

- A Chloe. A esposa dele. Disse Martin.

- Talib casou-se? Perguntou Whandia, fartando-se de rir, só de imaginar a cara de Anaya.

- Sim. Casaram-se na nossa cidade. Disse Martin.

- Temos que arranjar uma forma para que ela chegue à zona alta. Ela já sabe o que fazer. Disse Samuel.

Whandia ofereceu-se em levá-la.

- Seu marido quando fugiu daqui, deixou muitos casos mal parados. Disse Whandia.

- Tu foste um caso bem resolvido. Disse Chloe.

- Falo da noiva, ele estava prestes a casar.

- Eu sei.

- A fulana anda com o nariz empinado, pois ele voltou com a cauda entre as pernas, perdidamente
apaixonado por ela.

- Por isso te bandeaste para outro lado.

- Porque achas isso?

- Não preciso ser bruxa para notar que tens uma queda por ele.
- Eu não sou problema para si, engraçadinha. Seu problema está lá dentro, deixando seu marido
derretido.

- Isso porque eu não estava aqui. Talib é louco por mim.

- Não sei, não. Se fosse você, não entraria aí cheia de ares. Talib não é o que conheceste.

- Eu sou Chloe Scott, querida, em menos de vinte quatro horas, verão Talib a comer em minha mão, a
subir no helicóptero, sair desta selva, e a voltar comigo para nossa casa.

Chegadas no portão, Whandia explicou aos guardas que deviam deixá-la entrar, pois ela queria falar
com o Príncipe Talib.

Os seguranças levam Chloe ao palácio. Como Talib não estava, foi levada ao pátio para que fosse
atendida por Malua, estavam ali também Kanga, Ntsai e Anaya.

Viram pelas vestes que era uma mulher estrangeira, ficaram bastante surpresas.

- Preciso falar com Talib. Alguém pode ir chamá-lo? Perguntou Chloe.

- Qual é o assunto? Perguntou Malua.

- Não lhe diz respeito. Chame apenas o Talib. Disse Chloe.

- Talib, é lá no seu mundo, senhora. Aqui, é Príncipe Talib. Disse Malua.

- Isso é para vocês. Entre nós não existem essas formalidades.


- Como vieste aqui parar? Perguntou Malua.

- Fora desta selvajaria existe um mundo, minha senhora, onde as pessoas andam de carro, avião,
helicópteros, navios, e eu vim de helicóptero, aquilo que voa, acho que pelo menos já viu no céu. Disse
Chloe.

- Chloe? Chama Talib admirado.

- Talib. Temos tanto que conversar. Disse Chloe.

- Quem é essa senhora enxerida? Perguntou Chloe.

- É a minha mãe. Respondeu Talib.

- Talib, quem é essa mulher? Perguntou Malua, indignada.

- Sou a esposa dele, minha sogra. Disse Chloe.

- Esposa? Perguntam as três ao mesmo tempo.

- Sim, peço desculpas se fui indelicada, é por causa da viagem fiquei muito cansada, estou um pouco
impaciente.

- Talib casaste-te? Perguntou Malua.

- Minha Rainha, é uma longa história conto-lhe depois.

- É assim que recebes a sua esposa?


- Chloe, sabes muito bem o que há entre nós. Aliás o que não há.

- Não seja extremista. Como casal precisamos conversar.

- Eu vim aqui meu amor, porque te amo, e para provar o que sinto por ti, eu vou ficar contigo onde tu
quiseres ficar.

- Se é aqui onde és feliz, é aqui onde vou morar ao teu lado meu amor.

Talib pega Chloe pelo braço, e a leva para fora do palácio.

- Com licença. Disse Anaya, enquanto retirava-se.

- Anaya. Chamou Talib.

- Ele nunca olhou assim para mim. Disse Chloe para ela mesma.

Quando ia atrás dela, Chloe o segurou pelo braço.

- Chloe pára com este espetáculo desnecessário. Disse Talib.

- Eu vim para conversarmos e nos acertarmos.

- Olha para mim, baby, sou eu, a tua pérola. Estou com tantas saudades tuas, disse Chloe, enquanto
abraçava Talib...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```


💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 51_

— Meu Pai confrontou seu Tio, disse a ele que não estava certo.

— Makhossa disse que teu Pai era mau, e que o povo já estava farto, e foi por isso que tu fugiste,
porque não suportavas teu Pai.

— Tenta perceber meu Pai. Ele se sentiu culpado Talib, por isso não te contou nada. Dá-lhe uma chance
de explicar-se. Senta com eles, conversem como adultos. Lembra de tudo o que sempre fomos para ti.
Ouve-os, encontrem um consenso. Nós somos uma família. - Disse Chloe.

— Tudo bem! Vamos conversar, esclarecer as coisas e encontrar um consenso. - Disse Talib.

Ntsai encontrou Frank no terraço inquieto, andando de um lado para o outro.

— A sua amiga onde está? - Perguntou Ntsai.

— Que amiga? - Perguntou Frank.

— A única que tens, uma vez que no meio de dezenas de mulheres só vês a ela.

— Ahhh... Anaya. Não sei, não falei com ela hoje.

— Vês? Se existissem outras terias apresentado uma lista.

— Não tem nada a ver, apenas não quero ser inconveniente.

— Ahmmm... fazer amizade agora cria inconveniências? Acho que preciso sair de Orela, para aprender
algumas coisas.

— Terias que ser mais simpática, para cativar as pessoas.

— Hum... Já tinha me esquecido. Como me apelidaram mesmo?

— Já ultrapassamos isso. Apenas estava a comentar, que a forma como te expressas, o teu semblante,
dá a perceber que és alguém que não tem tempo para conversas.
— O velho lema de julgar o livro pela capa.

— Eu acho que a maioria das pessoas são fracas, e não estão preparadas para lidar com mulher que tem
personalidade forte.

— Achas que sou fraco?

— Me achas com personalidade forte?

Passa uma onda de silêncio.

— Sabes o que as pessoas acham de ti, com esses óculos ridículos?

— Óculos ridículos? Os meus? - Perguntou Frank, enquanto tirava os óculos para analisá-los e enquanto
viajava para o tempo que faziam bullying com ele.

— Mas mesmo pensando o que penso, por causa dos seus óculos, prefiro conversar contigo só para
saber se tenho ou não razão de pensar o que a tua cara e expressão mostram.

— Já agora o que achas, de mim?

— Não te preocupes com o que acham de ti, foca-te no que queres ser.

— Vais me contar o que está a deixar-te inquieto? Ou não tenho simpatia suficiente para saber.

— Estou preocupado com seu irmão. Temo que ele caia na lábia daquela _"krait malasiana"_.

— O que é isso?

— Uma das cobras mais lindas, quanto venenosa.

— Ahmmm... mas se ela estiver grávida, não teremos como, as nossas tradições são claras, deverá
permanecer aqui. E se os conselheiros assim decidirem, ele deverá casar-se com ela nas nossas
tradições, dando à ela o título de princesa e futura Rainha de Orela.

— Céus! Estamos perdidos. Vamos comer alguma coisa, estou faminto.

— Estás a convidar-me para lanchar? - Perguntou Ntsai.

— Não sou homem suficiente para convidar uma mulher com personalidade forte para lanchar.
Os dois riram, e caminham à cozinha para comer alguma coisa.

Chloe, acompanhada por guardas, foi até a zona baixa e informou a Martin e Samuel que Talib os
receberia na manhã do dia seguinte.

— Eu também vou fazer parte desse encontro, vamos dar-lhes um ultimato. - Disse Makhossa.

— Não vais, não. Só vou eu e Martin. - Disse Samuel.

— Nós estamos juntos nisto, é hora de colocarmos as cartas na mesa.

— Dei-te espaço para agires, só fizeste merda. Agora deixa-me fazer as coisas à minha maneira.

Estava tudo muito bem orquestrado sobre como as coisas seriam no dia seguinte. Eles convenceriam
Talib que tudo foi culpa de Makhossa, e o convenceriam que o povo merece um mundo melhor, e ele
tinha a missão de dar à eles o que viveu durante alguns anos.

Talib, depois de conversar com Chloe, pensou e repensou em tudo. Voltou ao tempo em que conheceu
Martin, e como tudo começou, da forma como entrou tão facilmente na família, e como da noite para o
dia Chloe decidiu cair em sua graça. Então, percebeu que alguma coisa não se encaixava.

Estava claro para Talib que algo a família Scott estava a tramar. Contudo, ele queria saber até onde
poderiam chegar, por isso decidiu que receberia Samuel e Martin.

— Por favor, não caia na lábia de Chloe novamente. Mesmo que ela esteja grávida de um filho seu, não
te esqueças de tudo o que ela te fez. - Disse Frank.

— Anaya está desapontada, nem quis ficar no palácio.

— Fora daqui ela tem alguém melhor que eu que a consola.

— O que queres que ela pense? Deste um quarto para Chloe, e vais entrar em um acordo com a família
dela.

— Anaya é sua amiga, não é? - Perguntou Talib.

— Sim, é. - Respondeu Frank.


— Diga para ela deixar de pensar que sou o mesmo Talib de antes. Não a procurei para conversar
porque estou a dar-lhe o espaço que ela exigiu. Mas se ela quiser saber o que eu penso, ou o que
pretendo fazer, que me procure e me pergunte.

De facto, estavam todos a especular sobre as decisões de Talib, mas nenhum deles quis saber o que ele
idealizava.

Talib vai atrás de Kanga, e procura saber o que ela descobriu.

— Tia Kanga, conseguiste ver o que te pedi? - Perguntou Talib.

— A moça é muito ousada, afirmou com convicção que é rapaz. - Disse Kanga.

— Isso é de menos, as tecnologias que eles utilizam, conseguem sim com algumas semanas saber se é
menina ou rapaz. Mas não é isso que me interessa. Quero saber se viste algo dentro dela.

— Como ela não é do nosso povo, eu não consigo ver nada que tem a ver com ela. Contudo, tem algo
que eu não vi.

— Fala baixo Tia, eu não quero que ninguém saiba disto.

— Tudo bem filho.

— Fala logo Tia, estás a deixar-me nervoso.

— Eu não vi luz dentro dela. - Disse Kanga.

— Não viste luz! - Exclamou Talib, não tão surpreso.

— Não, meu príncipe. Não tenho como saber se ela esta grávida ou não, mas se estiver mesmo, esse
filho não é seu pois, se tivesse sangue real, estaria a transbordar luz por todos os cantos.

Talib disse que já imaginava, no entanto pediu para que não comentasse com ninguém.

No caminho de regresso a casa, Kanga passa pela casa de Anaya, uma vez que ela não deu as caras no
palácio naquele dia.
— Fiquei preocupada. Passa-se algo? - Perguntou Kanga.

— Não, tinha coisas por fazer em casa. - Respondeu Anaya.

— Nem sabes fingir querida.

— Pois é, é o de sempre, Talib.

— Afinal não era o que querias? Que ele te desse espaço?

— Sim, mas era para que ele amadurecesse seus sentimentos, e não para ficar com ela.

— Ele não está com ela.

— Não viste a cara que ele fez de felicidade, era tanto o que ele queria, ser Pai de um filho dela.

— E depois, o que muda, se é a ti que ele ama.

— Ele tem obrigações.

— Sim, como Pai, se for mesmo a existir uma criança.

— Viste alguma coisa?

— Não vi nada. E se te concentrasses mais na sua missão do que nos teus sentimentos, terias visto as
coisas com mais clareza.

— Eu disse para a Rainha e para a Princesa Ntsai, e vou dizer para ti também. Não se enganem, Talib não
é mais o mesmo. Portanto, se o perderes, não será porque ele engravidou uma mulher, ou porque não
tem maturidade sentimental, mas sim porque não estás a altura de ser Rainha de Orela. Lembra-te
sempre, as gatas fogem e perdem sempre, mas as leoas lutam e quase sempre, vencem.

O sol invadiu Orela, quando Samuel e Martin já estavam acordados para o encontro com Talib.

Talib fez questão de vestir-se com os melhores trajes. Calças cozidas com linha de ouro, com enfeites de
diamantes pretos, tronco nu, apenas coberto com algo que parecia colete, mas todo ele feito com ouro,
decorado com safiras e esmeraldas, colocou em seus pulsos os mais bonitos braceletes decorados com
diamantes pretos. A coroa de Talib, para quem conhecia o valor de pedras preciosas, era o que tinha de
mais valor, linda e cheia de brilho, decorada com todos os diamantes que tinham no Reino, até os que
Samuel não havia encontrado ainda...

Cont...
_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

*Grãos de Dólares*

_*Capítulo 50*_

Antes que Chloe pudesse encosta-lo, Talib a desviou com a mão.

- Não podes tratar-me assim Talib. Eu sou a sua esposa. Disse Chloe.

- Ahmmm... minha esposa? Perguntou Talib.

- Agradecia que fossem discutir vossas pendências fora do meu palácio. Disse Malua.

- Não há nada para ser discutido, minha Rainha.

- Esta senhora tem plena certeza de que ficou tudo esclarecido e que não tem mais nada a fazer aqui.

Talib puxa Chloe para a porta de saída.

- Volta de onde vieste Chloe, e não volte mais para cá.


- Onde vou ficar, eu sou sua esposa.

- Não sei, mas aqui não ficas.

- Eu te amo.

- Eu não quero nada contigo. Vai embora.

Talib chamou os guardas, e pediu para que a levassem de volta a zona baixa.

Assim que chegaram aos portões, colocaram-na do lado de fora, e trancaram os novamente.

- Como eu vou até lá.

- Do mesmo jeito que veio, minha senhora.

- Sozinha? Está a escurecer, com este mato todo? Não vou sozinha.

- Isso é com a senhora. Pode dormir aí se quiser.

Chloe não tinha outra alternativa senão andar sozinha, até ao acampamento.

No Palacio.

- Coitada da Anaya. Disse Ntsai.

Talib cala-se, e sai atrás de Anaya.


Malua chama por Frank que estava escondido para não ser visto por Chloe.

- Conta tudo, que história é essa de casamento.

Frank contou desde o início como tudo começou. Como Talib foi enganado pela sua ingenuidade.

- Então eles aproximaram-se dele já com interesse? Perguntou Malua.

- Sim, alteza. O cúmulo mesmo foi terem forjado o casamento, aquilo destruiu Talib.

Chegou à casa de Anaya, bateu a porta e ficou a espera para ser atendido.

Egary abriu a porta, longe de imaginar que fosse Talib.

- Talib! Admira-se Egary.

Anaya choca-se ao ver como Talib olhava para ela depois de encontrar Egary ali, àquela hora, e depois
do que aconteceu.

- Desculpa, não queria incomodar. Disse Talib.

- Só estávamos conversando. Disse Egary.

- Não precisam justificar-se. A vida é vossa, vocês é que decidem o que fazer. Disse Talib.

- Adeus. Disse Talib deixando-os estatelados na porta.


No acampamento Chloe reclamava de tudo menos nada.

Martin, diz a ela para parar de falar coisas sem sentido e conta-los como foi a conversa.

- Um fiasco. Ele me destratou, correu comigo praticamente. Disse Chloe.

- O que achavas que ele se rastejaria aos seus pés? Perguntou Martin.

- Vocês precisavam ver como ele está vestido, e coberto por ouro.

- Pois é, tens que agir se queres te vestir de ouro também.

- Talib está diferente, ele fala diferente, olha diferente, não é o mesmo.

- Não te impressionaste demais?

- Não Martin, vamos ter que pensar muito bem como mover as próximas peças, Talib já não é tão idiota
quanto era.

- Então precisamos correr, só temos uma semana para resolver tudo e tirar Talib da jogada.

- Eu sei, não suporto mais ficar aqui.

- Agora temos que partir para o plano B. Disse Martin.

- Tudo bem. Mas amanhã, arranja formas de irem lá deixar-me sem que eu precise andar. E não
precisam esperar por mim, depois do que vou contar terei Talib beijando meus pés.

A família Scott foi recolher-se confiante que no dia seguinte o jogo viraria.
Como todas as manhãs juntaram-se todos no pátio para fazerem orações, por Orela e pela recuperação
do rei.

No entanto naquela manhã foram interrompidos com os gritos de Chloe que exigia ser atendida.

- De novo essa louca?

- Hoje vou coloca-la no lugar dela. Disse Ntsai.

- Deixem-na entrar. Disse Malua

- Eu vou entrar, eu já disse que não tenho nada para falar com ela. Disse Talib.

- Talib espera. Disse Chloe.

- Já falamos tudo. Disse Talib.

- Eu não te disse tudo. Deixa-me dizer-te o que tenho para falar, se depois disso a sua decisão for a
mesma eu irei respeitar, irei embora, e não te procurarei nunca mais.

- Fala logo.

- Vamos para um lugar mais reservado.

- Não é necessário Chloe, podes falar.

- Estou grávida. Vamos ser pais de um menino.


Anaya desmaiou no mesmo minuto. Talib socorreu Anaya, e a colocou em seus braços, e levou-lhe para
o quarto.

Talib fica incrédulo, dividido, metade dele estava feliz, pois ele quis tanto ser pai, sonhou tanto com
aquilo, mas outra parte dele estava triste porque amava Anaya.

Incrível como nem chegou a imaginar que poderia ser outro golpe.

- Minha sogra, nós temos culturas diferentes, mas eu amo seu filho. Muita coisa aconteceu eu sei, mas
eu o amo, e nós vamos ter um filho. Disse Chloe.

- Tens a certeza dessa gravidez? Perguntou Malua.

- Sim, tenho a certeza. Disse Chloe.

Malua chamou os criados, mandou que preparassem um quarto para que Chloe pudesse alojar-se.

- Mãe, como podes oferecer alojamento para essa mulher, depois e tudo que Frank contou? Perguntou
Ntsai.

- Ela carrega um Tawarah no ventre, não posso manda-la embora. Os guardiões, abandonariam este
reino novamente. Disse Malua.

- Meu Deus, Anaya não vai aguentar mais essa. Ela não vai nos perdoar mamã.

- Eu sei minha filha, mas ela terá que entender.


Chloe festeja em seu quarto certa de que seu plano havia dado certo.

Depois de deixar Anaya a descansar, Talib foi atrás de Chloe. Ele estava emocionado.

- Sabes que eu sempre quis ter um filho. Disse Talib.

- Eu sei, por isso pedi que me trouxessem, para contar-te.

- Um filho.

- Sim, fiz a ecografia o médico disse que é rapaz. Pensei que pudéssemos dar o nome do seu avô. Ou
poderia se chamar Talib Mambo Tawarah segundo o novo príncipe de Orela, e futuro rei de Orela.

- Vamos ver.

- Eu sei que errei muito consigo Talib. Mas eu estou arrependida, e quero ficar contigo, aqui se
preferires.

- Sobre isso vamos falar depois. Disse Talib.

- Vais ficar aqui, se precisares de algo chame os criados eles vão ajudar-te.

- Amor, outra coisa.

- Fala.

- Meu pai e meu irmão vieram comigo.


- E daí?

- Precisas ouvi-los. Dá-lhes uma oportunidade para conversarem, e eles poderem te explicar.

- Explicar o que Chloe?

- Como tudo aconteceu, como foi que seu Tio Makhossa os arrastou para tudo isto.

- Meu tio os arrastou?

- Sim, Martin e meu pai vierem aqui com boas intenções, queriam ajudar o seu reino, deu até uns dias
para que seu pai pudesse pensar. Mas por trás Makhossa quem os procurou. Foi seu tio que os
convenceu a tudo isto.

- Seu tio disse que seu pai não aceitaria mudar este reino, então disse para meu pai que poderia tirar as
pedras preciosas para vender e com esse dinheiro trazer um mundo novo para Orela e convenceria o rei
a mudar de ideia.

- Depois de umas semanas quando meu pai trouxe as primeiras máquinas e materiais, encontrou esta
situação, seu povo dividido e Makhossa a lutar para ser rei...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 52_
À hora marcada, abriram-se os portões, para que Samuel e Martin pudessem entrar. Enquanto
entravam, Talib ordenou que abrissem todas as cortinas, para que tivesse bastante claridade, como se
quisesse que vissem tudo o que lhe rodeava, e com detalhes, o que vestia.

— Muito obrigado Talib, por nos receber. - Disse Samuel. E de seguida retificou: — Desculpa, sua Alteza.

— Tudo bem! Como devem ter notado, o Reino está a ultrapassar tempos difíceis, há muito que se fazer,
então, peço para que sejamos breves e objetivos. - Disse Talib.

— Se fosse possível, sua Altezaa, poderíamos conversar em particular?

— O senhor veio com a sua família, o seu filho Martin, e sua filha Chloe. Eu estou acompanhado apenas
pela minha família, a Rainha Malua e a Princesa Ntsai. Como já devem saber, meu Pai está acamado, eu
assumi o trono, até que ele recupere-se. Então, como substituto do Rei, não posso conversar sem a
presença dos seus conselheiros diretos, Shona, Kanga, Surine e Ngovi, que se fazem acompanhar por
Anaya, eles não vão interferir na conversa, apenas irão acompanhar como mandam as nossas leis. Mas
fiquem à vontade, como se eles não estivesse.

— Tudo bem! - Disse Samuel.

Em seguida contou a mesma história com os mesmos pontos e vírgulas, que a Chloe contou.

— Quando Makhossa fez-me a proposta, eu vi o melhor para Orela, e não vou negar que também pensei
em ampliar os nossos negócios, e investir em extração e venda de pedras preciosas. Eu sei que é difícil
entender, mas me vi atado. Eu tentei proteger-te, não queria que sofresses sabendo da traição do teu
Tio. - Disse Samuel.

— Nós erramos muito por não ter te contado nada, e nos arrependemos por isso. Mas queria que
soubesses que é Makhossa quem está por dentro das guerras. - Disse Martin.

— As coisas já aconteceram, saíram do nosso controle. No entanto, nós mantemos a nossa proposta de
ajudar a tornar Orela na melhor cidade do mundo, porque tem recursos para isso, vamos trazer
desenvolvimento, tecnologia, modernidade, melhores condições para este reino e para o seu povo. Dê
um pouco ao seu povo, do que viveste do outro lado. - Disse Samuel.
Talib levantou-se, e começou a caminhar. Malua levantou a cabeça, enchendo-se de orgulho pois, Talib
tinha os mesmos tiques que seu Pai.

— Desde que comecei a pensar coisas com certa lógica, eu queria perceber porquê que o mundo era
grande no mapa, e eu só tinha esta área que está cercada, como meu mundo. Passei maior parte do
tempo da minha adolescência e juventude, enchendo a cabeça daquele homem ali, o Shona, da minha
mãe, e do meu Pai, com perguntas que não podiam me responder, pois, segundo as leis, não havia ainda
chegado o tempo para saber. Eu queria saber o que acontecia do outro lado dessas matas, e por que
pessoas de outros países, províncias podiam comunicar-se normalmente e nós não. Queria tanto saber
por que Orela não constava no mapa, por que ninguém podia entrar e nem sair daqui. Me consultei com
a pessoa errada, dei ouvidos a quem não devia, e a minha ingenuidade fez-me desacreditar na educação
e valores que meus Pais deram-me, fazendo-me acreditar que essas perguntas, eram mais importantes
que a minha família e o meu povo.

Dentro da minha razão, segui meu caminho em busca das respostas pois, era a única coisa em que podia
me agarrar. Conheci outros lugares, outras pessoas, tive acesso ao mundo inteiro à partir da tela de um
computador. Estudei, recebi até diploma de honra de melhor aluno, porém, não encontrei respostas
para as minhas perguntas.

No entanto, ganhei outro motivo para viver, o prazer das coisas boas, luxo, bebida, mulheres. Um bom
carro, um bom relógio, uma boa casa. Me fascinei por uma mulher, aí, me disseram que para tê-la eu
precisaria de agradá-la com celulares, rosas, jóias, carros, casa, foi então que aprendi que naquele
mundo onde estava, tudo tinha preço, e deixei de ser um extraterrestre, ridículo e passei a ser o
belíssimo Talib, quando provei a todos que tinha condições de pagar tudo aquilo.

Enquanto eu pensei que tivesse uma família, eu não percebi que tinha perdido o valor, quando uma vez
mais ingenuamente achei que estava a fazer o que eu queria, o melhor para Orela, mas sim haviam me
feito acreditar que o melhor era dar à Orela, o que eu conheci do outro lado do mundo.

— Então, o que tem de igual nas duas situações? Consegues me responder, Martin? - Perguntou Talib.

A sala ficou em silêncio, soando apenas os passos de Talib que continuava a andar de ponta a outra.

— Nas duas situações, eu apenas fui usado, na primeira para enfraquecer meu Pai, e enfraquecer Orela
para que Makhossa se tornasse Rei, como sempre quis. E na segunda, eu fui usado para que
encontrassem o poço com os grãos de dólares. - Disse Talib.

— Sua Alteza. - Chamou Samuel.


— Nunca mais me interrompa enquanto eu estiver a falar. E nem fale sem ser dado a palavra. - Disse
Talib, e continuou: — Então voltei a Orela, e vim encontrar meu povo dividido e a fazer trabalhos
forçados, minha terra separada com um murro, e meu pai inconsciente. Eu trouxe para Orela o que há
no vosso mundo. Uma coisa é certa: precisamos resolver esta situação. Por isso, estamos aqui.

— Samuel, uma vez que disse que é um homem de negócios, e que pensou em ampliar os seus negócios,
e investir em extração e venda de pedras preciosas, eu gostaria de saber que investimento fez, se está a
tirar tudo aqui a custo zero, e ainda com mão de obra grátis?

— Foi como disse, iremos pagar com a transformação desta cidade, numa das cidades mais luxuosas do
mundo.

— Hum... vai pagar, então não está investir no negócio de extração e venda de pedras preciosas, Orela é
que está a investir para satisfazer a sua vontade.

— Isso que está a fazer, senhor Samuel, tem outro nome: é exploração. A riqueza que viu aqui, está
neste Reino há séculos, então nós não somos pobres, só temos conceito de riquezas diferentes, e é aí
onde está a resposta as minhas perguntas. A paz.

— Querem um acordo? - Perguntou Talib.

Samuel e Martin, responderam que é o que lhes levou até lá.

— O acordo será feito nos seguintes termos, em dois dias, vão deixar tudo o que conseguiram tirar até
hoje, vão pegar em todas as vossas coisas, vão sair daqui e esquecer que um dia estiveram aqui. Melhor
oferta que esta, não terão, de certeza. - Disse Talib.

— Estás a ser tão arrogante quanto o seu Pai, quando viemos conversar com ele amigavelmente. - Disse
Samuel.

— Então vais responder-me o que respondeste para o meu Pai? Que irei-te conhecer?

— O país é nosso, e todos temos direitos. Não tens nenhum documento Talib, que atesta que esta terra
pertence ao Tawarah. Em dois dias, posso ter um documento assinado pelo ministro que me dá o direito
de uso e aproveitamento desta terra, aí tu vais pedir para mim, para te dar um pedaço de terra para que
possas dormir. - Disse Samuel
— A arrogância cabe apenas aos Reis, aos seres como tu, deveriam se agarrar a humildade. Podem sair,
já estamos conversados. - Disse Talib.

— Talib, não faça isso, nós somos uma família. - Disse Chloe.

— Vocês nunca me consideraram como parte da vossa família. - Disse Talib.

— Isso não é verdade, todos sempre te tratamos muito bem. - Disse Martin.

— Vamos nos poupar dessas falsidades. Chloe, eu ouvi muito bem a conversa que tiveste com a sua
mãe, na última vez que estava em vossa casa.

— Aquilo já passou, nós vamos ser Pais. Vamos nos dar uma oportunidade. - Disse Chloe.

Anaya caminhou e subiu até ao altar. Naquele dia, ela também estava bastante reluzente, uma saia feita
de bordados de ouro, com uma racha seguida por diamantes cor de rosa. Um top feito todo de
missangas de pérolas, um colar grandíssimo decorado com rubis, pulseira de esmeraldas, anéis de ouro
com diamantes rosas.

Ntsai se afastou e Anaya foi parar do lado esquerdo de Talib.

— Talib já escolheste uma vez, e escolheste mal. Desta vez quem vai escolher sou eu. Não vais ficar com
Chloe. - Disse Anaya.

A sala gelou.

— Como te atreves? Sua insolente. Eu estou à espera de um filho dele. - Disse Chloe.

— Eu sou a noiva dele, podem ter se casado lá na vossa selva luxuosa, mas aqui em Orela, a mulher dele,
sou eu...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_


[28/08, 15:51] Mano Serão: ``Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 53_

— Wakakakaka... - Gargalha Chloe, em tom de deboche. E continuou debochando a Anaya: — Não


chegas aos meus pés, se analise, senhora.

— Onde estás? O que vieste cá fazer? Estás a babar só de olhar para mim, coberta por tudo o que tanto
ambicionas, e do lado do homem que hoje tanto cobiças. Vais sair daqui sem nenhuma das duas coisas
que vieste cá buscar, sem as nossas riquezas, e sem o meu homem. Primeiro, tu e a sua quadrinha
familiar, encenaram um casamento e enganaram Talib. Fizeste Talib gastar dinheiro satisfazendo suas
viagens, seus caprichos, casa luxuosa, carro de último lançamento. Talib passou anos a implorar-te por
um filho, gastou toneladas de dinheiro supostamente em tratamentos, enquanto tomavas
anticoncepcionais.

Assim que alcançaram os vossos intentos fizeste-lhe viver um martírio, e nem como mulher o servias.

— Como se isso fosse pouco, te deitavas com teu ex namorado, com conhecimento da sua família,
fazendo com que Talib se deprimisse e mergulhasse no álcool. Para terminar, o escorraçaram como se
fosse um objecto descartável. Quem precisa se analisar és tu, senhora Chloe. Ahm, e mais uma coisa,
vais pegar o mesmo helicóptero que a sua família, pois quando Talib te quis, rotularam o seu preço, e
ele já pagou, não te deve mais nada. - Terminou Anaya.

— Vocês vão pagar por esta humilhação toda. Meu Pai e meu irmão não deixarão isto barato. - Disse
Chloe.

— Poderão até se vingar Chloe, mas não será por ti, será por eles mesmo. Está claro que eles não têm
respeito nem consideração nenhuma por ti. Só pessoas sem caráter venderiam seu próprio sangue. E
não te preocupes, o que mereces encontrarás na cidade, o homem perfeito para ti, que vale nada
quanto tu.

— Vocês do vosso mundo é que são extraterrestres, precisa ser um não humano para oferecer sua
mulher para outro homem por negócios. - Disse Talib.
— Eu já ouvi o suficiente por hoje. - Disse Malua, e ordenou: — Guardas, tirem esses senhores daqui. E
os acompanhem ate portão.

— Virei com tudo. Vocês vão implorar um punhado de terra. - Gritou Samuel.

— Vai gritar lá no seu planeta. - Disse Malua.

— Me larga, não quero que ninguém me toque. - Continuou gritando Samuel.

— Vão pagar. Juro que vão pagar, eu vou destruir tudo isto.

— A ver vamos ver. Vão aprender a não se meter com o povo de Orela. Não imaginam o que vos espera.

— Guardas, tirem-os daqui. Joguem-os fora do meu palácio.

Malua olhou para Talib e Anaya que estavam um ao lado do outro. Sorriu, virou-se para Kanga e chamou
Ntsai.

— Vamos, eu já posso reformar. Tenho quem me substitua a minha altura. - Disse Malua para Kanga.

Talib uma vez mais, provou que era outro homem, e que estava pronto para assumir as
responsabilidades que lhe cabiam.

— Então decidiste por mim? - Perguntou Talib.

— Claro! Achavas que te deixaria pensar entre ela e eu? - Perguntou Anaya.

— Confesso-te que quando disseste, _podem ter se casado lá na vossa selva, mas aqui em Orela, a
mulher dele sou eu_. Aiiii... não aguentei, fiquei excitado.

— Louco!

— Vem cá, se escolheste por mim então mereço um beijo pelo menos.

— Vamos lá para baixo, não podemos nos beijar aqui, seria desrespeito ao seu Pai.
Enfim juntos, um na frente do outro, pisando o mesmo chão, respirando o mesmo ar, sentiram que um
era do outro e os dois se encaixavam perfeitamente, como se um tivesse nascido para o outro. Talib
olhava sem piscar para os lábios de Anaya.

Ela passou suas mãos pelo corpo dele. Ele aproximasse ainda mais, como se quisesse roubar-lhe o ar.
Talib mordeu de leve o lábio de Anaya, inevitavelmente uma onda de calor se instala nela, e reage
cravando suas unhas nele.

Entrelaçados, o amor contagiou todo o ar, fazendo-os flutuar, enquanto deixavam-se levar pelo som da
flauta imaginária.

Naquele instante, já devem imaginar queridos leitores... risos... Kanga desmaiou, anunciando que o
último guardião, havia retornado, se juntando e deixando Orela verdadeiramente forte.

Samuel, Martin e Chloe, estavam furibundos, bufando por todos os lados. Makhossa estava feliz, uma
vez que o plano amigável não deu certo, certamente optariam pelas armas de fogo.

— Manda essas armas para ontem. Eu quero que elas sejam descarregadas aqui ainda hoje. - Gritava
Samuel ao telefone.

— Não me interessa, paga quem tiver que pagar, suborna quem precisar Basílio, mas quero essas armas
aqui.

— Não se preocupe com isso, o primeiro carregamento de pedras preciosas chegará depois de amanhã,
os camiões vão sair ainda esta noite.

— Os documentos de concessão de terra já têm autorização?

— Ótimo Basílio, mande para meu escritório.

Samuel desliga o telefone aliviado e confiante.

— Vou mandar isto tudo para os ares, e quem não estiver ao meu lado, vai explodir. - Disse Samuel.
— Está tudo certo, Pai? - Perguntou Martin.

— As armas e os homens de reforço chegarão ainda esta noite. Amanha vamos acabar com tudo isto.
Vais levar tua irmã para a cidade hoje.

— Não Pai, eu quero ver essa gente de joelhos implorando pela vida. Depois disso irei embora. - Disse
Chloe.

— Makhossa, acho melhor preparar os homens, deverão estar prontos.

— Tudo bem. Vou fazer isso agora mesmo.

— Pai, que fim darás a este homem? - Perguntou Martin.

— Quem Makhossa?

— Sim.

— Depois de destruirmos aquilo tudo, achas que ele terá o que reinar? - Perguntou Samuel, e
acrescentou: — Será um simples capataz aqui, ou o aniquilaremos junto com os outros.

— Seria melhor, para que não tenhamos problemas no futuro.

Depois de dar orientações as suas tropas, Makhossa mandou que um dos seus homens, se infiltrasse e
arranjasse formas de ir buscar Egary, para que pudessem conversar. Em seguida chamou Whandia, para
pedir que ela visse no fundo do alguidar.

— O que vai acontecer nesta última batalha?

Whandia olhava, e via mais fundo, sem dizer nada.

— Vai haver muito sangue, não é?

— Não vejo sangue, mas vejo pessoas fugindo.

— Veja bem. Como assim? Nós vamos usar armas de fogo, são rápidas e certeiras, capazes de atingir o
inimigo a distância, sem precisares fazer muito esforço físico. Diga então. O que vês.
— Sim, sim, terá muito sangue pelas ruas, pelos campos, muitas pessoas mortas e outras feridas, vai ser
um massacre. - Disse Whandia.

— Eu já sabia. Em fim, amanhã serei o Rei de Orela. - Disse Makhossa.

— Amor! - Chamou Talib.

— Sim príncipe de Talib. - Respondeu Anaya.

- Por que estás tão quieta, olhando para longe, como se estivesses perdida?

Anaya se levantou, deixando cair os grãos de areia que estavam na parte traseira da sua saia.

— Precisamos voltar ao palácio. - Disse Anaya.

— Vamos ficar mais um bocadinho, ainda quero sentir o mel dos seus lábios, seguindo a melodia das
ondas do mar.

— Precisamos ir agora, seu Pai.

— O que tem o meu Pai?

— Não sei Talib, mas precisamos ir já.

Quando chegaram ao palácio, tomaram um susto pois estava cheio de pessoas na entrada, no pátio, nos
corredores. Talib apenas caminhava, puxando Anaya pela mão, não se atrevia em perguntar o que havia
acontecido, tinha medo de que a resposta pudesse doer e o enfraquecer. Até que chegou à porta do
quarto, e abriu aquelas portas grandes. Talib levou as mãos a boca...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```


💎 *Grãos de Dólares*💰

_*Capítulo 54*_

- Pai! Chamou Talib.

- Quem é? Não o vejo bem? Perguntou Tawarah.

- É Talib. Respondeu Malua.

Naquele instante, Tawarah sentiu uma forte dor de cabeça e lhe veio à mente tudo o que aconteceu: a
fuga de Talib, a chegada de Samuel, a divisão do povo, as batalhas com Makhossa, e o golpe que sofreu.

- Onde está Ntsai? Perguntou Tawarah, pois tinha a visão pouco embaciada.

- Estou aqui, pai. Respondeu Ntsai.

- Eu não quero esse senhor aqui. Tudo o que aconteceu foi por culpa dele e de suas tolices. Não é digno
de estar aqui. Disse Tawarah, ainda quase sem voz.

- Saía daqui. Continuou dizendo Tawarah, perturbado e com dificuldades de se mover.


- Peço, por favor, que se acalme Majestade, já está consciente, mas ainda precisa recuperar-se, o seu
estado ainda carece de cuidados. Disse o médico.

- Mande-o embora do meu palácio e desta terra. Orela já não lhe pertence mais. Insistiu Tawarah.

- Peço que saiam, o Rei precisa descansar. Pediu o médico.

Todos tiveram que sair, deixando apenas o médico e Malua pois, ele não largava a mão da sua Rainha.

Talib estava nervoso, sabia que a qualquer momento Samuel e Makhossa poderiam atacar, e ele
precisaria estar ali para defender seu povo e sua família, Anaya levou-lhe ao pátio, para que ele pudesse
apanhar um pouco de ar.

- Ele expulsou-me. Nem quis ouvir-me. Disse Talib.

- Tens que ter calma. Disse Anaya.

- Esse sempre foi o problema dele, não me ouvir. Ele nunca me escutou, nunca fez esforço sequer de me
entender.

- Talib, tens de acalmar-te. Seu pai está magoado.

- Eu sei que errei, Anaya, e paguei por isso, e ainda estou a pagar, e posso pagar com a minha vida se for
necessário, mas estou arrependido e estou aqui.

- Diga isso a ele. Ao seu pai, não ao rei de Orela, seu pai é que precisa ouvir isso.
- Vem, Ntsai, vamos sentar lá em cima. Disse Frank.

- Precisas ficar calma.

- Como vou ficar calma, vendo tudo isto?

- Meu reino não era assim, as pessoas não viviam desta forma. Como poderemos devolver a paz, se meu
pai mandar embora Talib?

- Talib não irá a lugar algum.

- Ordem de um Rei, é lei. Se ele não mudar de ideia, Talib terá mesmo de ir embora.

- Seu pai está magoado, confuso, ele nem sabe o que aconteceu, nem como Talib veio aqui parar. Vamos
dar tempo para que ele possa estar a par dos acontecimentos, e depois tomará melhor decisão.

- Meu irmão errou, mas ele está aqui arrependido. Surpreendeu-nos a todos. Se ele não tivesse voltado
eu não teria dado conta de tudo.

Ntsai estava com lágrimas nos olhos, por um instante deixou de parecer aquela chefe da guarda durona,
e ficou apenas uma mulher doce e sensível.

Com sua mão suave, Frank enxugou as lágrimas retidas na berma dos olhos de Ntsai.

- Não fica assim.

- Mulheres lindas com personalidade forte não choram. Disse Frank.

Ntsai sorri.
- Agora é o momento do beijo. Disse Frank, sorrindo de volta.

- Não sei como se beija um homem que usa óculos. Disse Ntsai.

- Posso tirar. Disse Frank, enquanto tirava os óculos.

Os dois riram-se envergonhados.

Frank puxou Ntsai pela cintura, e ela correspondeu puxando-o pelo pescoço. O amor havia chegado na
vida de Ntsai, e pelos vistos usava óculos.

Egary, foi forçado a encontrar-se com o seu pai.

- Mandar-me levar à força, eu já tinha dito que não quero mais ter nada haver com o senhor. Disse
Egary.

- Escuta-me primeiro. Insistiu Makhossa.

- Há rumores que Tawarah despertou. Isso é verdade?

- Não sei de nada. Não vi nada.

- Foi para isso que me chamaste aqui?

- Chamei-te porque precisamos da sua ajuda.

- Ajuda de quê?

- Tu estás lá há algum tempo. Circulas com liberdade em todos os cantos. Queremos que facilites a
nossa entrada, e nos mostres os pontos vulneráveis para invadirmos o palácio com facilidade.
- Papá, isso nunca, esquece! Não vou trai-los. Prefiro que me mates aqui mesmo, mas não vou trai-los.

- Deixa de ser tolo. Se deixei que fosses para lá, foi porque sabia que precisaria de ti lá infiltrado.

- Eu não sou infiltrado. Estou lá porque acredito em Orela.

- Pai, eu tenho vergonha do que estás a fazer. Tenho mais vergonha ainda, por saber que todos
culparam Talib por esses homens terem chegado aqui, mas na verdade o culpado és tu, porque
colocaste dúvidas na cabeça de Talib, e insististe até convencê-lo a sair de Orela. Disse Egary.

- Tu és meu filho, gostando ou não, sou teu pai, e eu não te deixaria morrer.

- Nesta noite vamos receber armas de fogo, e vamos atacar Orela pela manhã, vai haver sangue filho. O
fim está prestes, e deves estar do lado certo meu filho.

- Qual é o lado certo? Este que cria contendas e divisão? Este que se alimenta de sangue dos seus
próprios irmãos?

- Egary, é o nosso momento, filho.

- Momento de quê? A que preço, pai?

- E se conseguires matar os Tawarah e os que lhes apoiam, reinarás a quem?

- Que respeito esse povo vai ter por ti?

- Quando ficaste frouxo? Eu te eduquei para seres um homem forte.


- Ser forte não é provocar, é resistir. E isso aprendi com Orela.

Makhossa, tentou pegar Egary à força, porém ele conseguiu soltar-se, saiu a correr e entrou pela mata,
sem que ninguém pudesse impedi-lo.

Um dos guardas que ficava no topo do palácio, viu Egary entrar clandestinamente, e foi contar para
Ntsai e Talib.

- Eu já imaginava que era um traidor. Estava claro que veio aqui com o único objetivo de espionar. Devia
ser jogado aos crocodilos. Disse Ntsai.

- Prendam-no e o tranquem nos calabouços, até que eu decida o que fazer com ele. Disse Talib.

- Por favor alteza, deixa-me explicar.

- Não é o que está a pensar Príncipe. Gritou Egary, desesperado.

- Eu acho que devias ouvi-lo. Disse Anaya.

- Sais em defesa do seu amiguinho? Julgas que não sei que vivia te cercando? Perguntou Talib.

- Não deixe se mover pelas emoções. Seja sábio. O que perdes em ouvi-lo? Insistiu Anaya.

- Eu juro alteza, eu não sou espião. Há um mal entendido. Meu pai mandou que me levassem a força, ele
queria informações, mas não dei, ele queria que eu ficasse lá porque amanhã irá destruir tudo com as
armas de fogo. Continuou Egary.

- O quê??? Perguntou Talib


- Esperem. Tragam-no de volta. Disse Talib.

- Eu vinha contar-te tudo quando os guardas me prenderam. Eu juro.

- Está bem. Acalme-se. Conte-me tudo.

Egary contou tudo como aconteceu, e que quando o pai tentou detê-lo, ele fugiu para alertar a todos.

- Disse que as armas chegam amanhã? Perguntou Talib.

- Não, as armas chegam esta noite. Amanhã de manhã, será o ataque. Disse Egary.

Talib estava pensativo, sem apoio do Pai o que poderia fazer...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

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_Capítulo 56_

Ntsai e Frank esqueceram-se de onde estavam, no meio do campo de concentração, juntaram seus
sentimentos e beijaram-se calorosamente, na frente de todos.
— Que brincadeira é aquela? - Perguntou Talib, enciumado.

— Não se meta, Talib, sua irmã merece um grande amor. - Disse Anaya.

— Grande amor? Frank não é de cá, ele voltará à capital quando tudo isto acabar.

— Nós não sabemos. Se não for para sempre, terá valido a pena o tempo que durar.

— Talib. - Chamou Anaya.

— Não começa com discursos meu amor. - Disse Talib.

— Tu vais a uma batalha, Talib.

— Sim, sou e volto, há espaço apenas para um beijo e um até já.


Não fica com essa cara. Odeio despedidas, da sensação de que as pessoas não voltaram a verem-se.
Também não vais me dizer nada do que eu já não saiba.

— Só queria dizer-te para confiares no que és e no poder de Orela. Quando tiveres que agir, não
duvides. A dúvida atrasa a vitória.

— Muito obrigado, meu amor.

— Despedida ou não, precisas saber novamente que amo-te mais que tudo.

— Também te amo, minha princesa.

— Controla aqueles dois velhos rabugentos.


— Deixa comigo, já combinei com Kanga, vamos dá-los um chá relaxante, nem vão conseguir pensar.
Minha única alegria é que quando isso tudo acabar, poderei perder tudo mas passarei minha vida ao teu
lado.

— Tenha bom ânimo. Te amo meu homem.

Antes de entrar no palácio, Talib deu um beijo em Anaya, garantindo que voltaria para ela.

Logo que as armas chegaram, Samuel deu a ordem para que o camião contendo as pedras preciosas,
partisse para Capital.

Depois, foi ao campo de treino, onde os guerreiros e seus homens testavam as armas.
Era possível ouvir o barulho de tiros em toda Orela.

Makhossa estava eufórico, imaginando como massacraria Talib e os seus.

— Temo por Egary. - Disse Whandia.

— Ele escolheu o lado que julgou melhor, agora terá que arcar com as consequências. - Disse Makhossa.

— É seu filho.

— Ele esqueceu-me disso quando virou-se contra mim. Se eu não sou um Pai para ele, ele não é um filho
para mim.
Whandia estava assustada com o vibrar antecipado de Makhossa, que não conseguiu lhe dizer o que viu
de verdade no alguidar.

Makhossa e Samuel, chamam os comandantes, e recapitulam pela última vez o trajecto que seguiriam, e
as estratégias que usariam em combate.
Minutos depois, Makhossa deu a ordem para que pudessem caminhar até ao campo de batalha. Antes
de Samuel sair, Chloe foi até ele.

— Pai, não mate Talib, quero que o tragas aqui a rastejar. - Disse Chloe.

— Ele chegará aqui rolando, sendo chutado com os nossos pés. - Disse Samuel.

— Jura para mim Pai.

— Eu prometo. Aquele extraterrestre jamais se esquecerá dos Scott’s.

Chloe sorriu maliciosamente. E Samuel apressou-se para alcançar as tropas.

O guarda que estava no topo da torre, tocou o berrante ou shofar (chifre de animal que emite um som)
anunciando que as tropas de Makhossa avançavam para o combate.

Ntsai dá ordens para que as tropas perfilem para partir.


Naquele momento, Talib que estava na sala do trono, tirou a coroa e colocou o capacete, que seu Pai
usava, e todos os seus avós também usaram.
Sua mãe estava em pé com o cetro na mão, enquanto via seu filho se preparando para a batalha.

— Mãe... Desculpa! Minha Rainha, eu vou conduzir as tropas à batalha. - Disse Talib.

— Aqui está o cetro, vai com ele. - Disse Malua.

— Eu tenho a espada, mãe, preciso combater. Como vou lutar com o cetro na mão.

Malua pegou o cetro e puxou fazendo surgir dentro dela uma espada, depois o fechou.

— Talib, este cetro comanda os guardiões, mas não existe uma aula que ensina como usá-lo.

— Então como farei?

— O seu coração descobrirá como usá-lo e como invocar os guardiões interligados, serás invencível
Talib. Tome, conquistaste-o.

Talib recebeu e agradeceu.

— Talib confie em seu coração. - Disse Malua.

— Se um dia conseguir, minha Rainha, perdoe este filho que já sofreu demais.
— Talib.

— Sim, minha Rainha.

— Se você morrer, nem pense em voltar para cá. Por favor, volte com vida.

Talib beijou a testa da sua mãe, e saiu da sala do trono.

Kanga diz a Malua e Anaya que tudo está pronto para o combate, e inicia então o seu ritual aos
guardiões ali mesmo na sala do trono.

— Somos fortes, pois é Deus quem nos sustenta. Vamos cumprir a nossa missão, e lutar com as nossas
vidas por Orela. - Disse Talib, e gritou: — Por Orela...

— Por Orela... - Gritam todos.

— Andemos... - Gritou Talib.

— Em pé, com firmeza e coragem... - Gritam todos

— Voltaremos... - Gritou Talib.

— Sim, sim, sim, sim... - Gritam todos.

— Somos Orela... - Gritam todos.


Foi nessa onda que caminharam até ao campo de batalha, Talib na linha da frente, ao seu lado sua irmã
firme e cheia de coragem.

As duas tropas estavam no campo de batalha, estavam frente a frente, uma da outra.

— Rendam-se enquanto é tempo. - Gritou Samuel.

— Jamais. - Respondeu Talib.

— Vais sacrificar esses pobres coitados por teimosia e orgulho vazio?

— Se Orela fosse vazio, não estarias aqui.

— Hoje eu vou fazer contigo o mesmo que fiz com seu Pai. - Disse Makhossa.

— Só para que saibas, meu Pai está bem, despertou, está em pé, e amanhã ele tomará seu trono
novamente. - Disse Talib.

Makhossa pega em sua arma, e no mesmo momento ele e Samuel disparam para o alto.

O som do disparo é tão forte, que desperta os pássaros, que rapidamente se fazem ao céu.
— Meu Deus, o que vai deter aquelas balas? Esta batalha será desigual. Nossos homens serão dizimados
Talib. - Disse Ntsai.

Talib se sente conectado ao cetro, bate no chão três vezes, olha para o nada e diz em tom de
brincadeira:

— O ar devia tapar os buracos das armas.

— Estás a começar a me irritar com tuas brincadeirinhas, estás a parecer aquele menino imaturo de
antigamente.

Os homens de Samuel se posicionam para atirar e assim que ouvem Makhossa gritar _"fogo",_ eles
apertaram o gatilho, mas as armas não dispararam.

— O que há com essas armas? Não funcionam. - Disse Makhossa.

— Não é possível. - Disse Samuel, enquanto tentava usá-la.

— Mas disparavam. Nós treinamos com elas. - Disse Martin, sem conseguir disparar também.

Samuel vira-se para um dos seus homens, mira para sua perna, e atira, então a arma dispara, ferindo
friamente um dos seus homens.
— Tentem novamente. - Disse Samuel.

— Fogo. - Gritou Makhossa.

E nada. Tentaram várias vezes, mas não funcionavam quando eram apontadas para os guerreiros de
Talib.

Samuel pega na rádio, e dá ordens para levantarem o helicóptero e usarem a arma de guerra, para
disparar contra Talib e os seus.

— Talib, está vir o helicóptero. - Disse Ntsai.

Talib volta a bater o cetro três vezes no chão, e depois disse:

— O ar formará uma parede que os impedirá de chegar neste campo.

Ntsai preferiu calar-se, uma vez que as armas não funcionaram, quando ele falou.

O helicóptero levantou, mas não conseguiu passar o acampamento onde ficavam Samuel e os homens
de Makhossa.
— O que se passa, o helicóptero está sobrevoando no mesmo lugar. - Disse Martin.

— Disparem as granadas. - Gritou Samuel.

Os homens lançaram as granadas, mas o impacto com o chão não fazia fogo, apenas fumaça branca.

— Mais alguma coisa, senhor Samuel? - Gritou Talib. E disse mais: — Eu disse que esta batalha seria de
igual para igual.
Vamos lutar como se luta em Orela.

— Avançar. - Gritou Talib...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_Capítulo 55_
Talib sabia que não tinha outro jeito senão enfrentar seu Pai. Foi até ao quarto onde ele estava
acamado, porém, o criado que lá estava, disse que o Rei exigiu que o transferissem para seu quarto.

Assim que ele abriu a porta, sua mãe tentou impedir que ele entrasse, mas ele insistiu que entraria.

— Esse homem ainda está no meu palácio?

— Eu não disse que não queria ele aqui? - Perguntou Tawarah.

— Talib, é melhor que te retires. - Disse Malua.

— Não vou sair. - Disse Talib.

— O quê, estás a desafiar-me? - Perguntou Tawarah, buscando forças para levantar-se da cama.

— Neste momento o senhor é que está a desafiar-me. - Disse Talib.

Tawarah olhou para Malua a espera que lhe desse alguma explicação para tamanha afronta.

— Não é o que estou a imaginar? - Perguntou Tawarah.

— Precisávamos dele. Não tivemos outra escolha. - Disse Malua, com lágrimas nos olhos.
— Então tudo isto foi arquitectado por ti, criar esta guerra para me destronar? - Perguntou Tawarah. E
disse ainda sem conseguir levantar-se da cama: — Chame já o conselho do Reino. Chame a todos.

— Rainha, não chame ninguém. Este assunto é entre mim e ele. - Disse Talib, aproximando-se ainda
mais da cama.

— Eu não tenho nada a tratar contigo, já me despertei, por lei vão tirar-te o poder e passar para mim.
Ainda sou o Rei de Orela, eu não morri.

— Ninguém vai passar para o senhor coisa alguma, não enquanto as condições forem estas. Primeiro, o
senhor não está em condições de enfrentar esta batalha, segundo, se eu trouxe estas pessoas para cá,
se eu criei tudo isto, sou eu quem devo resolver.

— Nem este povo, nem eu, precisamos de nada que venha de ti.

— Seu maior erro comigo, Pai, foi não de te dares tempo para ouvir-me. Estavas tão ocupado em ser
Rei, que não tiveste tempo para ser Pai quando eu precisei.
Não te estou a culpar por nada. Apenas estou a pedir para que pelo menos uma vez ouvir-me, com
intenção de entender-me e não de repreender-me.

Tawarah olhou para Malua, esta baixou a cabeça como sinal de que devia sim, ouvir Talib.
Então, Talib contou seu Pai a sua história, de onde surgiram as dúvidas, por quê decidiu sair de Orela,
quem lhe ajudou, como chegou até a Capital, como conheceu os Scott’s, como entregou Orela, no que
acreditou, quais eram suas intenções, o que lhe disseram, até o dia em que Anaya foi a Capital e lhe
acordou do sonho que estava a viver.

— Pai, eu voltei, voltei por Orela e pelo meu povo, voltei porque é minha obrigação remediar tudo o que
estraguei. E mesmo que o senhor queira expulsar-me, o momento não é este, pois, a nossa união
mantém os guardiões a favor de Orela. Makhossa queria tomar o trono de Ntsai, pois desvendou que
Ntsai não tem sangue real. Eu voltei, Pai, eu assumi meu erro perante a todos, não permiti que
Makhossa subisse ao trono, fiz á prova de bravura, eu matei o leão, o maior já enfrentando neste Reino,
eu cortei a cabeça dele Pai, e o trouxe aqui para que o senhor visse com seus olhos, que eu matei o leão
e me tornei um Homem.

— Pensei que fosse um sonho. - Disse Tawarah meio confuso, olhando para Malua.

— Não foi sonho, meu Rei, acordaste e viste a glória de Talib, e da nossa família. - Disse Malua.

— Depois desafiei Makhossa, junto com Ntsai e as nossas tropas, invadimos a zona baixa e resgatamos
os escravos. Dias depois, voltamos a invadir e tiramos alimento para o nosso povo. - Disse Talib, e
acrescentou: — Samuel veio aqui, tentou colocar a responsabilidade em Makhossa, e tentar um acordo
comigo para transformar Orela na cidade mais luxuosa do mundo, eu não dei ouvido, recusei a proposta
e os expulsei como o Rei fez.

— Samuel e Makhossa se uniram, meu Rei, chega hoje armamento de fogo, para lutar contra nós, e este
Reino, este povo, não resistirá se nós não estivermos unidos, e se o senhor não confiar em mim.
Não peço para ser aceite, nem tão pouco para que o Rei me veja como filho. Peço, apenas, para que me
deixe devolver a paz à Orela. Pode ficar sossegado que quando isto tudo acabar, eu lhe devolverei tudo,
e aí, poderei sair daqui conforme sua vontade, depois de ter cumprindo com a minha missão.

— Meu Rei, aceite, Talib ganhou a confiança do povo, não há mais nada a fazer, o confronto com
Makhossa e Samuel será amanhã.

Tawarah olhou para Talib, e viu nos seus olhos que seu filho havia se tornado Homem. Antes de seu
orgulho, estava seu povo e seu Reino, e o melhor para todos naquele momento, era que Talib
continuasse no trono e na frente das tropas.
Talib quis abraçar seu Pai como sinal de agradecimento, porém Tawarah o repeliu. Contudo, Talib
conformou-se pois, sabia que não seria da noite para o dia que ganharia o carinho do seu Pai. Respirou
fundo, e virou-se para retirar-se, aí ouviu a voz do seu Pai.

— Talib.

— Sim, meu Rei. - Respondeu Talib, se voltando ao Pai.

— Deus lhe abençoe, e que os guardiões te dêem sabedoria, iluminem e protejam Orela.

— Obrigado, meu Rei.

Em seguida, Tawarah deu sinal a Malua para que ela desvendasse a ele o poder do cetro.

Talib saiu do quarto do Pai, e encontrou os comandantes das tropas no pátio do palácio, aguardando por
ordens. O povo estava inquieto, pois rumores sobre a batalha final haviam se espalhado.

— Vão e descansem junto das vossas famílias. - Disse Talib.

— E se eles atacarem durante a noite? - Perguntou um dos comandantes.

— Não se preocupem, o que eles confiam ainda não chegou, e o que os trás não vêm silencioso. Temos
sentinelas de plantão. Eles nos alertarão assim que ouvirem movimento. - Disse Talib.
— Não achas que é ariscado, Talib? - Perguntou Ntsai.

— Princesa Ntsai, minha chefe da guarda, quem tem fé em Deus descansa tranquilo, quem tem
confiança em Deus não se aflige diante do inimigo, e quem tem guardiões de Orela tem luta para
vencer.
Vão meu povo, descansem tranquilamente, confiante que será uma batalha justa, e de que a vitória é
certa. - Disse Talib.

O povo de Orela na zona alta, descansou tranquilamente, conforme ordenou o príncipe Talib.

No entanto, na zona baixa estavam agitados, não descansaram, pois estavam ansiosos pela chegada das
armas, e bastante apreensivos pela batalha final. Samuel ligava de hora em hora, para pedir explicações
sobre as armas.

Quando o sol estava a levantar-se ouviu-se em estampido bem alto anunciando a chegada do fogo que
seria lançado sobre Orela e seu povo.

Talib levantou-se ainda na onda de tranquilidade, deu ordens às tropas para que se preparassem para a
batalha, mas antes, deveriam matabichar junto com suas famílias.

— Talib, estás a exagerar. Como consegues ficar tão tranquilo diante de tudo isto? - Perguntou Ntsai.

— Repetindo para ele mesmo várias vezes que está tranquilo. - Respondeu Anaya.
— Quando a sua mente repete várias vezes o que o seu coração deseja, o seu corpo fica invencível.
Te confesso que ele parece mesmo um Rei.

Minutos depois apareceu Egary, também equipado para lutar.

— Por favor, permitam que lute ao vosso lado. - Disse Egary.

— Melhor não. - Disse Ntsai.

— Todos somos Orela, minha irmã. - Disse Anaya.

- Já dei provas da minha lealdade, minha princesa. - Disse Egary.

Ntsai deu-lhe sinal para que se juntasse aos outros guerreiros.

— Ntsai, podemos falar? -Perguntou Frank.

— Agora não posso, devo dar orientações aos comandantes. - Respondeu Ntsai.

— Será rápido, peço apenas dois minutos.

Ntsai ainda não conseguia olhar para Frank, se derretia e ficava sem jeito.
— Eu nem sei por que estou dizendo isto, mas sinto que tenho que dizer-te. Sinto um medo por ires à
essa batalha.

— Esse é meu trabalho, é minha vocação, é minha missão, e faço com prazer.

— Tudo bem, tens razão. Mas... eu...

— Fala logo Frank, preciso ir.

— Tudo bem, Ntsai, quero que saibas que estarei aqui pensando em ti, torcendo para que corra tudo
bem. Eu vou te esperar Ntsai...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES*💰

_Capítulo 57_

— Porquê não ouvimos os disparos? - Perguntou Chloe.


— É o que eu vi. Os guardiões voltaram. A lenda dos guardiões é real. - Disse Whandia.

— Que lenda?

— Conta a história do nosso povo, que os antigos Reis dos Cinco Reinos desta terra, decidiram que não
haveria mais guerra que fosse originada pelas riquezas que tinham, então, procuraram o todo poderoso,
o invocaram, e fizeram um pacto, daí unificaram os Reinos, e o todo poderoso os tornou guardiões com
poderes, do Ar, da Água, da Terra, da Força, e outro já não me lembro, a única coisa que o todo
poderoso exigiu em troca dos poderes, é que deveriam manter Orela escondida, e assim foi por várias
gerações.
Quando começou esta confusão toda que vocês trouxeram, os guardiões sumiram, por isso, o Reino
ficou fraco. Mas agora, eu sinto que eles estão aqui, o ar está denso. A água está agitada.
Olha! - Whandia mostrou a água, no copo que não parava de se mexer.

Chloe ficou assustada.

— Isso é feitiçaria. - Disse Samuel a Martin, sem acreditar que gastou dinheiro em armamento que não
poderia usar.

— Avancem. - Gritou Ntsai.

A tropa de Ntsai avançou para o ataque, e iniciou o confronto. Lá estava Ntsai, bateu um, chutou outro,
empurrou dois, neutralizou um, e feriu o outro.

— Avançar... - Gritou Talib.


As tropas onde estava Egary, foram por outro lado e atacaram os outros homens de Makhossa.

Os homens de Makhossa estavam cansados, quase não dormiram no dia anterior aguardando pelas
armas, não se alimentaram, pois deviam treinar com as armas, enquanto que os homens de Talib,
descansaram o suficiente, alimentaram-se bem, estavam confiantes, e com muita moral.

— Avançar. - Gritou mais uma vez Talib, enquanto entrava a outra tropa que estava em seu comando.

O cetro era mesmo poderoso, Talib desejou em seu coração, que ele e seus homens tivessem força
destruidora, não para matar, mas para neutralizar o inimigo, e assim foi.

Samuel quando viu como as tropas de Talib esmagavam as de Makhossa, chamou seu filho e seus
homens e puseram-se em fuga.

— Vamos para os helicópteros, temos que sair daqui imediatamente. - Disse Samuel.

— Pai! Talib não pode vencer. - Disse Martin.

— Hoje nós não teremos como vencê-lo. Vamos embora, é o melhor que podemos fazer pelas nossas
vidas.
— Talib, estão a fugir. - Gritou Ntsai ao vê-los fugindo.

— Ninguém vai atrás deles. - Ordenou Talib, e disse: — Eu vou lhes dar motivo para correrem mais
rápido.

Talib voltou a bater o cetro, e como seu coração desejou, saíram das matas, leões, leopardos, búfalos,
elefantes, serpentes, que estavam atrás deles.

— Pai, veja aqueles animais vindo. - Disse Martin.

— O que é isto? Há muita feitiçaria aqui, vamos correr. - Disse Samuel.

Quando viram os animais cada vez mais perto, Samuel e parte dos homens dele, correram para o outro
lado e na tentativa de encurtar a distância, preferiram atravessar um pequeno pântano.

Só depois de entraram, perceberam que estavam infestado de crocodilos.

— [Ahhhhh]... - Só se ouviam gritos, revelando pânico.

Do outro lado corriam Martin e outros homens.


Uma serpente enorme, passou entre os pés de Martin e o rastejou, levando-o a cair assustado,
levantou-se rapidamente, porém, antes de poder se recuperar, um búfalo o derrubou, fazendo-o rebolar
pelo chão.

— Eu não quero morrer. - Disse Martin, antes de perceber que estava de cara com um leão.
O rangido daquele leão deixou Martin em choque. O leão levantou a pata e bateu nele, rasgando seu
rosto com as garras.

Martin começou a sangrar. Samuel tentou afugentar o leão, como os animais não deviam devorar
ninguém, o leão foi embora. Samuel levantou Martin e mandou que um dos seus homens o levasse para
o helicóptero.

— Rápido, vamos ao helicóptero. - Disse Samuel, e começou a gritar: — Chloe... Chloe. Vem. Corre!

— O que se passa? Acabou? Vencemos? Onde está Talib? - Perguntou Chloe.

— Pára de fazer perguntas e entra logo no helicóptero.

— [Ahhhh]... que animais são esses. Paaaaii... - Gritou Chloe.

— Levem-na para o helicóptero.

Enquanto as tropas combatiam, Samuel, seus filhos e seus homens, entraram nos helicópteros na
tentativa de fugir.

— Vamos logo. - Disse Samuel, e gritou alto: — Põe isso a funcionar já.

— Não funcionam, senhor. - Disse o piloto.


— E os outros?

— Também não funcionam.

Depois de toda aquela experiência, Samuel e seus homens estavam apavorados, mas ainda não tinham
permissão para sair, nenhum helicóptero arrancava.

Egary enfrentou seu Pai. Makhossa sem dó ném piedade foi para cima do filho, e bateu-lhe com força
até o colocar no chão. Antes que Makhossa o matasse com toda a raiva que estava sentir, Talib o
impediu. Então, chegou o momento em que Talib e Makhossa confrontaram-se.

— Vou acabar contigo, seu patife. - Disse Makhossa, a lançar sua espada para Talib com toda a sua força.

Talib que estava bem atento apenas desviou-se, e Makhossa acabou caindo. Levantou-se e foi
novamente para cima de Talib, mas ele voltou a esquivar-se, e uma vez mais Makhossa foi parar no
chão, e aquilo o enfraquecia.

Quando Talib viu que já não restava mais nada a Makhossa, golpeou-o por trás dos joelhos, deixando-o
de joelhos no chão.

— Mata-me! - Disse Makhossa, e acrescentou: — Prefiro morrer que ser derrotado.

— O chão de Orela não merece seu sangue. Já basta suportar seus pés sobre ele. A sua morte será a
vida. - Disse Talib.
Talib virou-se e pediu para que parassem, depois subiu em uma pedra, e gritou para o seu povo.

— Quem dividiu este povo fugiu, o que vocês confiaram não funciona, em quem vocês acreditaram e
seguiram cegamente está no chão de joelhos perante a mim. Orela venceu, sem derramar sangue de
nenhum dos seus filhos.
Eu sou benevolente, assim como Orela é. Sendo assim, quem desistir desta guerra, e se unir a nós, será
perdoado.

Os homens de Makhossa ficaram com medo, e murmuram que podia ser uma armadilha.

— Confiem em mim. Eu honro minhas promessas. - Disse Talib.

Eles se ajoelharam perante Talib e pediram perdão. Talib disse para eles que Orela os perdoava, pediu
que uma das tropas os acompanhasse para zona alta.

Cada um deles passou por Makhossa, e não deixaram de o insultar.

— Traidor...

— Mentiroso...

— Perdedor...
— Bandido...

— Bosta...

— Cão...

— Lixo...

Houve, até, os que cuspiram nele, outros o pisotearam.

Talib, chamou Ntsai e alguns dos seus homens, e seguiram até onde estava Samuel e os seus.

Samuel e os seus, estavam apavorados.

— Recolham todas as vossas coisas, e arrumem em vossos camiões, carros e helicópteros, agora mesmo.
Carreguem tudo podem colocar nos camiões, nos helicópteros, não quero nenhuma máquina, nenhuma
arma, aqui. - Ordenou Talib.

— Vocês os três também, saíam daí, e ajudem a carregar vosso luxo e lixo daqui. - Disse Ntsai...

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```


💎 *GRÃOS DE DÓLARES* 💰

_*Último Capítulo*_

_Parte I_

— Desde que te vi, aqui, senti imensa vontade de te perguntar. - Disse Tawarah.

— Sim, meu Rei. - Disse Talib.

— Encontraste as respostas que tanto procuravas?

Talib levantou a cabeça e olhou nos olhos do seu Pai, para que ele visse a sinceridade das suas palavras.

— Sim meu Rei, encontrei.

— O que descobriste?

— Primeiro descobri que a obediência não é aceitar, é respeitar. E nenhuma verdade pode custar a
quebra de um juramento ou promessa.

— O quê mais?

— Descobri que Orela é paz. E que a paz vale mais que todas riquezas que temos aqui, porque não tem
preço.
Malua e Tawarah olharam um para o outro, e seus olhos muito falaram, sem que a boca se abrisse.

A sala ficou gelada. Talib, então, para quebrar o gelo, insistiu no pedido de permanecer em Orela.

— Nenhum Pai que ama quer o mal do seu filho. Nenhum Pai que ama guarda mágoa de seu filho.
O que tu fizeste nos magoou muito, mas não diminuiu o amor que temos por ti, nem o bem querer que
te desejamos.
Eu, também, errei Talib, por não te ouvir como Pai, e não te entender como amigo. Ignorei os seus
sentimentos, as suas preocupações, coloquei a minha autoridade acima do entendimento.

Vista as suas roupas, coloque a sua coroa, tu Talib és o príncipe de Orela por mérito. Conquistaste
admiração e respeito do povo, encheste-nos de orgulho. Eu já posso descansar tranquilo filho, porque
tenho certeza que Orela terá um Rei a altura.

— O Rei chamou-me de filho?

— Sim chamei. É o que és, meu filho.

— Posso lhe chamar de Pai?

— Sou o único Pai que tens, filho.

Tawarah levantou-se e abriu os braços, Talib foi até ele e abraçaram-se, em um abraço forte que
significava amor, perdão, união, família, alegria, Orela.
— São novos tempos para Orela, o que passou serviu para nos fortalecer e darmos ainda mais valor ao
que somos. - Disse Tawarah.

Naquele mesmo dia, Talib pediu autorização à Shona, para retomar os planos de casamento com Anaya.

— Ela te esperou por sete anos, você voltou depois de sete anos, porque as vossas almas estão ligadas
para sempre. - Disse Shona.

As congas tocaram, os chifres apitaram, haverá casamento na família real.

Tawarah virou-se para Frank, e perguntou-lhe se já estava pronto para partir. Frank olhou para Ntsai,
por mais armada que estivesse, era inevitável que a dor de pensar em perder Frank a atingisse.

Puderam ver que por mais dura que fosse, não podia controlar as explosões que vinham de dentro para
fora, não tinha como conter as lágrimas.

— Eu nunca estarei pronto para partir Alteza. Porque o meu lugar é aqui, ao lado da mulher que eu amo,
e deste povo que também é meu. - Disse Frank.

Ntsai desparrou e atingiu os braços de Frank beijando-o apaixonadamente.

Tawarah estava preocupado pois, ter um homem do outro mundo ali, poderia ser perigoso, então,
Malua o lembrou dos riscos que Frank correu para chegar até lá.

— Ele vinha ao encontro da sua vida. - Disse Kanga.

Dessa forma, Tawarah autorizou que Frank ficasse em Orela.


Os barcos enviados para invadir a costa de Orela, não conseguiram localizar a terra.

— Os homens que estão nos barcos, dizem que não conseguem localizar Noroega. - Disse Basílio.

— Já te disse que é Orela. - Disse Samuel.

— O nome pouco importa, o que interessa, é que não há terra nenhuma.

— E os homens que estão nos carros?

— Esses também não localizaram nada.

Samuel não conseguia perceber o que estava a acontecer, pois eles também estavam sobrevoando em
Orela, mas não conseguiam ver nada, só mar e um campo limpo sem nada.

— Não é possível, eu estive aqui. - Disse Samuel.

— Já chega, corremos risco de ficar sem combustível, vamos voltar, não há nada aqui. - Disse Basílio, e
ordenou que todas as equipas, regressassem.

— Não, não podemos voltar.

— Podemos e vamos voltar. Já chega dessa palhaçada, não há nada aqui.

Horas depois os helicópteros aterraram no estaleiro de Samuel.

— Algo estranho está a acontecer, seguimos todas as coordenadas. Só pode ser bruxaria. - Disse Samuel.

— És inteligente o suficiente, para não acreditar em superstição. - Disse Basílio.

— Eu estive lá. A terra é real.

— Sobrevoamos horas, não há nada lá.

— Vamos para o camião, eu vou te mostrar todas as pedras preciosas que tiramos de lá. - Disse Samuel.
Samuel mandou que descarregassem todas as caixas.

— Abram-nas, abram-nas. Vou mostrar-vos que eu falo a verdade. Vejam, aqui tem rubis, nesta caixa
tem diamantes pretos, nesta outra tem esmeraldas...

— Samuel, Samuel... - Chamou Basílio super irritado. E disse: —Fizeste-nos gastar milhões em licenças,
escoltas, armamentos, por grãos de areia?

— Não, são pedras preciosas meu sócio Basílio, isto são grãos de dólares. - Disse Samuel.

— Olha bem, veja com seus olhos, aqui só tem grãos de areia.

Samuel continuava a insistir que tinham pedras preciosas, apesar de todos que lá estavam terem visto
apenas areia.

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *GRÃOS DE DÓLARES*💰

_Penúltimo Capítulo_

Encheram os camiões, os carros, e o que lá não coube colocaram nos helicópteros, junto com Samuel e
seu pessoal.

— Agora podem ir embora. - Disse Talib.

— Nada aceita dar start. - Disse um dos pilotos.

Talib bateu uma vez o cetro no chão. Depois disse que podiam ligar, só assim os carros, camiões, e
helicópteros puseram-se a funcionar.
— Vão embora e não voltem mais. Se contarem a alguém o que aconteceu aqui, dirão que estão loucos.
- Disse Talib, deixando os homens de Samuel mais apavorados ainda, nem sequer conseguiam falar,
tudo o que queriam mesmo era sair dali e esquecer tudo o que viveram em Orela.

Martin estava em choque, com o olhar perdido. Chloe ficou muda, tremendo de medo das serpentes.

— Porquê Talib? Porquê deixar esta terra no anonimato? - Perguntou Samuel.

— É o preço que Orela paga para ter a paz. - Disse Talib.

— Qual é o preço da paz, então?

— Essa não tem preço.

— Tudo tem seu preço.

— Para quem ama sua família mais que tudo, não. Vão embora, daqui. - Disse Talib, dando ordens para
decolar.

Samuel estava a ferver de raiva, e não conseguia conter-se, quando sentiu que já estava no ar, fez
ameaças a Talib.

— Eu voltarei.

— Estarei à sua espera, se conseguires encontrar-me novamente. - Disse Talib

Vendo Samuel e os seus já distantes. Ntsai e Talib abraçam-se felizes, e com sentimento de missão
cumprida.

— Os estrangeiros, para cá, não voltam mais. - Disse Talib.


Bateu o chão com o cetro, e a floresta voltou a fechar-se e camuflar-se, bateu outra vez, o mar fechou
Orela, fazendo nela uma miragem de continuação do mar, bateu outra vez, o céu camuflou Orela de
cima, mostrando a continuação do mar, não tinha nada de terra.

— Os estrangeiros já não estão em Orela. - Disse Anaya.

— Os cinco céus fecharam-se. - Disse Kanga.

— Orela voltou! - Exclamou Malua.

— Ganhamos a batalha. - Disse o Rei.

— Enfim temos a paz em Orela. - Disse Shona.

Estavam todos parados na porta do palácio, para receber Talib, Ntsai e todos os guerreiros. Talib, Ntsai e
os outros guerreiros foram recebidos com música, danças, flores, em uma verdadeira festa, como
antigamente vivia-se em Orela, só alegria.

Anaya correu para receber seu homem, abraçaram-se e beijaram-se calorosamente.

Ntsai correu para abraçar seus Pais, depois, deixou a vergonha de lado, caiu nos braços de Frank
beijando-o ardentemente

Tawarah e Malua, podiam não dizer, mas, os olhos gritavam o quão orgulhosos estavam. Talib subiu no
altar da pracinha e dirigiu-se ao povo.

— Olha meu Rei, veja como Talib tem postura de Rei. - Disse Malua

— Ehhh, lembra-me muito o meu avô. - Disse Tawarah.

Talib pediu um momento de atenção, e pôs-se a falar.

— O que não era daqui foi-se. E Orela voltou, meu povo!


— Ehhhhhh....! - Gritou o povo todo animado.

— A vitória de um povo com fé, não é comum, é invulgar, esmagadora, grandiloquente, espetacular e
retumbante, para que se torne uma lenda, e seja contada de geração em geração. Olha meu povo, isto
não acabou, aquela não era a batalha final. A batalha final vai começar agora, pois devemos reconstruir
Orela. Estão comigo, meu povo? - Perguntou Talib.

— Somos Orela. - Respondeu o Povo.

— Então, as mulheres e os médicos vão cuidar dos feridos, sem distinção, somos um só povo. Os outros
irão juntar-se a mim e nos dividiremos em grupos, para destruir aquele murro, e reconstruir as casas dos
que não as têm, e todas infraestrutura que estão destruída. - Disse Talib.

E, naquela mesma hora, iniciaram as obras de reabilitação de Orela.

Samuel e os seus chegaram à cidade. Samuel entrou em seu carro com seus filhos, e voltaram para casa.

— Como foi? - Perguntou Emma, ao ver Samuel a descer do carro. E perguntou também ao ver sua filha
toda descabelada: — Filha, o que tens? Meu Deus, Martin. - Disse Emma assustada ao ver seu filho com
marcas de feridas ensanguentadas no rosto. — Alguém pode me contar o que aconteceu?

— Mamã, tinhas razão de se recusar a ir. Orela acabou. - Disse Chloe.

— Não acabou, aquilo é nosso. Está no nosso país, eu já tenho título de propriedade daquela terra. Irei
para lá com a polícia, e terão que sair por bem ou por mal. - Disse Samuel.

— Pai, desiste. Aquele mundo não existe. - Disse Chloe.

— Eu investi muito dinheiro naquele negócio, investi em armas, em maquinaria, em helicópteros, em


pessoal. Não posso desistir agora. - Disse Samuel.

— Samuel, olha para seu filho. Veja como ele está por fazer tudo o que queres? Já chega. - Disse Emma.

— Não se mete nisso. Sua opinião não vale para nada. - Disse Samuel.
— Eu avisei-te que se teus negócios pusessem meus filhos em risco, eu deixaria-te.

— Ahmm, vais deixar-me? E vais viver de quê?

— Tu não vales nada. Eu desejo que sejas comido por aqueles leões, e não voltes nunca mais.

Samuel, como sempre, fez ameaças a Emma e a mandou calar. Disse que se ninguém quisesse o apoiar
ele seguiria sozinho e saiu de casa.

No dia seguinte, Samuel confirmou que tinha em sua posse o título de propriedade de Orela.

— Agora, sim! Tudo aquilo é meu. Terão que sair. - Disse Samuel.

Foi ter com Basílio, garantiu que estava a monitorar o camião e que em três dias estaria na Cidade.
Apresentou o problema, e Basílio que estava com cede dos graus de dólares, uniu-se a Samuel e disse
que iriam juntos com as tropas aéreas, marítimas, e terrestres invadir e conquistar Orela. Organizaram-
se para sair no dia seguinte.

Talib e Frank conversam, e Ntsai acaba ouvindo a conversa.

— Muito obrigado irmão. - Disse Talib.

— Eu só quis retribuir um pouco o que sempre foste para mim. - Disse Frank.

— Meu povo está bem, o Reino está seguro. Amanhã eu devolverei o trono ao meu Pai. Acho que
chegou a hora de voltares para sua família.

— Ehhh... penso nisso dia e noite, pois estou apaixonado pela sua irmã.

— Deu para perceber, mas acho que não deveria criar mais ilusões, vocês são de mundos diferentes.
Amanhã, depois da cerimônia, eu posso criar um caminho para que te vás.

Frank respondeu que estava tudo bem, mas dava para ver que ele estava em dúvida.
— Tu vais mesmo embora? - Perguntou Ntsai.

— Vou deixar-vos para que conversem. -Disse Talib.

— Responde. - Insistiu Ntsai.

— Eu não pertenço aqui. - Disse Frank.

— Nós pertencemos onde a nossa alma se encaixa. - Disse Ntsai, e acrescentou: — Para quê esperaste-
me, se não ias ficar comigo?

— Eu não tenho dúvidas em relação ao meu sentimento, Ntsai. Tenho dúvida em relação a ficar aqui. Eu
tenho uma vida lá fora.

— Me contaste que não és feliz nessa vida lá fora. E para piorar tudo, no ano passado descobriste que és
adotado e que seus Pais nem sabem de onde vieste, e como chegaste até eles.

— Eu não quero falar sobre isso. Dá-me um tempo, Ntsai, eu preciso pensar.

Frank dá um beijo a Ntsai e vai para seu quarto.

Ntsai procurou por Anaya, precisava conversar. Contou a ela o que aconteceu, e que tinha medo de ficar
sem Frank.

— O amo verdadeiramente, e não suportarei ficar sem ele.

— Precisas dar-lhe um tempo para ele pensar. Não o pressione, entenda-o.

— Mas...

— Mas nada, Ntsai. Deixarias teus Pais, Orela, para ir ficar com ele no mundo dele?

— Não sei. Eu acho que não, sei lá.

— Estás a ver?! E queres que ele tenha a resposta assim, tão facilmente? Aprenda, Ntsai, no amor, o
jogo de empatia é muito importante.

Ntsai acalmou-se, apesar de apreensiva.


O sol raiou em Orela, na mesma hora em que apareceu na capital também. Samuel e Basílio estavam
com tudo por todas as vias, contando as horas para chegarem em Orela.

Talib estava ansioso para devolver o trono ao Pai. A cerimônia estava linda e foi organizada na sala do
trono. Depois de devolver o cetro, a cadeira e todo o resto, Talib tirou as roupas da realeza que ele
trazia, e também a coroa e os anéis de príncipe, e entregou para sua mãe.

— Como disse quando voltei, e tornei a dizer quando o Rei acordou, eu queria mesmo devolver Orela,
consertar todo o estrago que eu causei. Sei que não sou digno de perdão, e nem de ser vosso filho.
Apenas peço para que me deixem ocupar um pedaço de terra para que possa construir uma casa e
morar com minha mulher.

— Tem algo que eu ainda não lhe perguntei, Talib. - Disse Tawarah.

Cont...

_Escrito por: Ancha Douglas_

[28/08, 15:51] Mano Serão: ```Contos da Mana Ancha```

💎 *Grãos de Dólares*💰

_*Ultimo Capítulo*_

_Parte ll_

Samuel estava obcecado porém Orela, só falava daquilo, em todo o lugar e a todo o momento,
buscando parceiros e sócios para invadir a tal terra prometida cheia de riquezas, e aos poucos ia
ganhando fama de louco.
Basílio desfez a sociedade, virou as costas a Samuel, disse ao Ministro que tudo o que Samuel contou
eram mentiras, e que ele não estava bem da cabeça.

Todos os homens de Samuel que participaram das batalhas, e que faziam trabalhos em Orela, quando
acordaram dias depois da batalha, não se lembraram de nada que tinha haver com Orela. Foram
perguntados, mas todos responderam que não conheciam e nunca tinham ido à tal terra.

Chateado, Samuel os demitiu.

— Não há mais necessidade de esconder o que temos. - Disse Emma.

— Concordo, já está tudo organizado. - Disse Dominic.

— Perfeito.

Samuel sempre subestimou Emma, não imaginava que ela era pior que ele. Emma, quando percebeu a
obsessão de Samuel e Martin em Orela, ela decidiu garantir seu futuro, pois nunca acreditou que Orela
existia e temia perder tudo, com os investimentos malucos que Samuel estava a fazer para se apoderar
de Orela. Então, decidiu se unir a Dominic, mantiveram um romance secreto, e juntos deram golpe nas
empresas e propriedades de Samuel, enquanto ele estava obcecado em Orela.

— Como foram capazes? - Perguntou Chloe.

— Não ia perder tudo por loucuras do seu Pai. - Disse Emma.

— Isso incluía o meu homem? - Perguntou Chloe.

— Tu aceitaste deixá-lo para alcançar objetivos do teu Pai e teu irmão, e por achar que Talib te daria
muito mais que Dominic podia te dar. Tu nunca o amaste. Não me olha assim Chloe, o homem que tu
amas não é Dominic.

— Nunca vou te perdoar mãe.

— Isso cabe a ti, viver conosco sabendo que Dominic e eu somos um casal, ou seguir seu caminho.
Emma e Dominic viveram desfrutando de luxo e boa vida, Martin que parecia um adolescente
perturbado, morava com eles.

Martin nunca mais foi o mesmo, Emma o levou para vários psiquiatras porém, ninguém conseguiu tratá-
lo.

Ele ficava horas a olhar para o infinito, falava pouco, não saia de casa, assustava-se até com pequenos
barulhos. Deixou de trabalhar, abandonou seus negócios. Os grão de dólares não compraram a sua
consciência de volta.

Samuel não se importou tanto com o golpe que sua mulher e Dominic deram, o único que lhe
interessava, era Orela e todas as riquezas que lá tinham.

— Conseguiste a audiência com o Presidente? - Perguntou Samuel.

— Pára de paranóia, ninguém vai acreditar nessas tuas histórias.

— Orela existe, eu não sou louco, tem muitas riquezas e podemos dividir.

— Não vou me meter nisso. Estás mesmo doido.

— Então, pelo menos deixa-me falar com o Ministro.

— O médico tem razão, estás com problemas psíquicos, é melhor buscar tratamento.

Samuel só falava em conquistar Orela. Gastou todos seus recursos procurando Orela em excursões pela
terra e pelo mar. E no fim, acabou por ficar pobre e a obsessão que tinha por Orela colocava-lhe numa
situação de loucura, mesmo falando a verdade.

Samuel andava pelas ruas, abordava pessoas falando da grande descoberta, das riquezas de Orela,
passava dias sem tomar banho, comendo restos na rua, só falava de grãos de dólares.

Chloe ao ver a loucura do seu Pai, e não suportar o que a mãe fez, não aguentou a pressão da sociedade,
e saiu da Capital.
Dominic contou a Emma que viu dançando Polly Dance num palco em Durban. Até procuram por ela,
mas não a encontraram.

Basílio ficou com prejuízos e nem tinha como exigir nada a Samuel, pois estava louco. E como se fosse
pouco, perdeu a confiança do Ministro.

— Mas ela/e podia estar a viver boa vida.

— Mas ele/a é burro/a, largou aquilo para viver na penúria.

— Sicrano negou a proposta de trabalhar naquela empresa. Não sabe o que perdeu.

— Fulano estaria a viver fora do país, mas preferiu continuar naquilo.

— Beltrano deixou o cargo à disposição, está a trabalhar como um simples operário.

— Epáh, dizem que largou o emprego onde recebia milhões, para ir abrir uma banquinha.

— Recusou-se a assinar o acordo, diz que não beneficiava nem em cinquenta porcento do que seu povo
merecia.

Enfim... são frases que já ouvimos, já dissemos, já esperamos. Acredito que muitas vezes, apenas
julgamos sem saber as reais motivações que fazem com que as pessoas não se vendam apenas aos
aparentes benefícios.

Existem benefícios que custam vidas, custam lares, custam sossego, custam a paz, e no final,
percebemos que não valem a pena.

Está claro que há um preço que devemos pagar para tudo. Há pessoas que pagam um preço alto para
ter paz, pois, conhecem o valor que ela tem, e por conhecer o valor que ela tem, não se atrevem a
vendê-la, nem tão pouco a colocá-la um preço, dizem alto e em bom tom, que a sua paz tem valor
porém, não tem preço.

O povo de Orela escolheu viver em paz pois, os dólares podiam até comprar os grãos que saiam da terra,
os grãos que saiam do mar, mas dólar nenhum comprava cada grão precioso da sua paz.
Orela fechou-se deves para ele só, e para seu povo.

Depois da derrota de Makhossa, Whandia foi à presença do Rei e pediu perdão. O Rei não a expulsou de
Orela, mas decidiu que ela não moraria no povoado por cinco anos, para que refletisse sobre a sua
traição. Então, em uma gruta fez sua moradia, lá investigou muito e aprimorou seus conhecimentos
como Xamã.

Depois de cinco anos, ganhou perdão do Rei mas, não se sentia digna de morar no povoado, continuou
morando na gruta, recebia lá pessoas que queriam-se consultar.

Whandia não se casou, os homens de Orela tinham medo de chegar perto dela com essa intenção. Viveu
sozinha, apenas fazendo seu trabalho como xamã. Sua mãe, também a perdoou, mas a relação delas
nunca mais voltou a ser como antes.

Kanga e Shona já eram velhos. Seus filhos haviam seguido seus caminhos, assim decidiram ficar juntos,
um fazendo companhia ao outro no tempo que lhes restava. Continuavam apoiando o Rei e a Rainha,
sempre que solicitados.

Apesar de seu Pai ser um homem sem escrúpulos, Egary tornou-se um bom homem. Era trabalhador e
bastante esforçado. Assim que se recuperou, deixou definitivamente de ser guerreiro e passou a
trabalhar no celeiro, fazendo registos de entradas e saídas, como fiel de armazém. Talib confiava nele,
também porque várias vezes deu provas da sua lealdade. Egary conheceu uma linda mulher, casou-se
com ela e tiveram uma filha.

_Escrito por: Ancha Douglas_

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