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UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI

Bacharelado em Engenharia Química


Arthur Pessoa Morais
Gabriela Cirilo Machado
João Vitor Mendes Cordeiro Dias

TROCADOR DE CALOR

Diamantina
2021
Arthur Pessoa Morais
Gabriela Cirilo Machado
João Vitor Mendes Cordeiro Dias

TROCADOR DE CALOR

Relatório apresentado a disciplina de ENQ301 –


Laboratório de Engenharia Química do curso de
Engenharia Química da Universidade Federal
dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, como nota
parcial para conclusão da disciplina.

Professor: João Vinícius Wirbitzki da Silveira

Diamantina
2021
RESUMO

A troca térmica gerada por dois fluidos em diferentes temperaturas pode ocorrer em um
dispositivo chamado trocador de calor. Os trocadores de calor são diferenciados a partir
da configuração de seu escoamento e seu formato de construção. Dentre os mais comuns,
pode-se citar o trocador de calor do tipo casco e tubo (utilizado no presente experimento),
que apresenta uma área de troca térmica conhecida e onde ocorre as transferências de
calor provenientes dos fluidos em diferentes temperaturas. Este trabalho tem o intuito de
determinar o coeficiente global de transmissão de calor em diferentes configurações de
escoamento e valores de vazões em um trocador de calor casco e tubo cuja área de troca
térmica é 0,15 m². A análise foi baseada a partir de cálculos da quantidade de calor (Q) e
de ∆Tml. Tanto para escoamento paralelo quanto para contracorrente, as vazões de fluidos
quente e frio utilizados incialmente foram de 1,20 L/min, posteriormente reduzindo pela
metade a vazão do líquido quente nos tubos. Foram obtidos os valores de Q e ∆Tml e por
fim foi possível obter o coeficiente global de troca térmica (U). O modo operacional com
escoamento contracorrente e vazões iguais forneceu o maior valor de ∆Tml (30,70 ºC),
entretanto, foi a configuração do escoamento em paralelo com vazões iguais dos fluidos
que forneceu o maior valor de U (262,03 W/m2 ºC).

Palavras-chave: Troca térmica. Trocador de Calor. Termodinâmica. Operações Unitárias.

Mecânica dos Fluidos.


ABSTRACT

The heat exchange generated by two fluids at different temperatures can take place in a
device called a heat exchanger. Heat exchangers are differentiated based on their flow
configuration and construction format. Among the most common, we can mention the
hull and tube type heat exchanger (used in the present experiment), which has a known
heat exchange area and where heat transfers from fluids at different temperatures occur.
This work aims to determine the global heat transfer coefficient in different flow
configurations and flow values in a shell and tube heat exchanger whose thermal
exchange area is 0.15 m². The analysis was based on calculations of the amount of heat
(Q) and ∆Tml. For both parallel and countercurrent flow, the flow rates of hot and cold
fluids used initially were 1.20 L/min, subsequently reducing the flow of hot liquid in the
tubes by half. The values of Q and ∆Tml were obtained and finally it was possible to obtain
the global coefficient of thermal exchange (U). The operating mode with countercurrent
flow and equal flow rates provided the highest value of ∆Tml (30.70 ºC), however, it was
the flow configuration in parallel with equal flow rates of the fluids that provided the
highest value of U (262.03 W/m2 ºC).

Keywords: Thermal exchange. Heat exchanger. Thermodynamics. Unitary Operations.


Fluid Mechanics.
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 11
2 OBJETIVOS ................................................................................................................... 13
2.1 Objetivo geral ............................................................................................................... 13

2.2 Objetivos específicos................................................................................................ 13

3 REVISÃO DE LITERATURA ..................................................................................... 15


3.2 Casco e tubo ............................................................................................................. 16

3.2 Balanço térmico ....................................................................................................... 17

3.3 Diferença da temperatura média logarítmica....................................................... 18

3.4 Coeficiente global de transferência de calor ......................................................... 18

4 MATERIAIS E MÉTODOS ......................................................................................... 21


4.1 Materiais................................................................................................................... 21

4.2 Métodos .................................................................................................................... 21

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................... 23


6 CONCLUSÃO ................................................................................................................ 33
7 REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 35
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1. INTRODUÇÃO

Um trocador de calor é um equipamento têm como finalidade facilitar a transferência


de energia térmica entre dois ou mais fluidos. Essas máquinas são utilizadas em uma ampla
gama de aplicações: sistemas de aquecimento/resfriamento de casas, radiadores de automóveis,
colunas de destilação, produção de energia em usinas, e inúmeros outros processos que
contenham alguma etapa de variação de temperatura entre os fluidos de trabalho. De maneira
geral, utiliza-se os trocadores de calor pois, no processo em questão, há a intenção de troca
térmica entre os fluidos, porém sem que haja mistura direta de um material com o outro. A
superfície e os componentes do equipamento são responsáveis por impedir o contato direto dos
fluidos.
O trocador de calor é fabricado levando em consideração o tipo de material, de
preferência de alta condutividade térmica, elevando, assim, a eficiência do trocador.
Segundo ÇENGEL e GHAJAR, 2002, o tipo mais comum de trocador de calor em
aplicações industriais é o do tipo casco e tubo, sendo projeto para operar em diferentes
escoamentos e configurações. Esse equipamento apresenta versatilidade e larga escala de uso,
sendo considerado o mais utilizado na indústria química, de processamento, usinas nucleares,
termoelétricas, geotérmicas e de ondas para a geração de energia (MUKHERJEE, 2004).
O presente trabalho se baseia em experimento realizado em um trocador de calor com
dois passes no casco e dois nos tubos e tem como intuitos analisar a influência da configuração
do escoamento (paralelo e contracorrente) e das vazões dos fluidos no valor final do coeficiente
global de troca térmica. Para a realização de uma parte dos cálculos, escolheu-se o método da
diferença de temperatura média logarítmica, ∆𝑇𝑚𝑙, para assim determinar a variação de
temperatura média no trocador de calor e então obter o valor do coeficiente por meio da equação
de projeto de trocadores de calor casco e tubo.
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2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral


Determinar o coeficiente global de transmissão de calor (U) para as diferentes
configurações de um trocador casco e tubos com área de troca térmica de 0,15 m².

2.2 Objetivos específicos


• Acompanhar a variação de temperatura das correntes de entrada e saída do sistema
alimentado com água para os fluxos em “paralelo” e “contracorrente”, com vazões
iguais e diferentes entre os dois fluidos.

• Determinar a diferença de temperatura média logarítmica (ΔT ml) e o coeficiente global


(U) dos sistemas.

• Comparar a eficiência dos processos em termos de ΔT ml e U.


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3 REVISÃO DE LITERATURA

Os trocadores de calor são amplamente utilizados em diversas aplicações que


envolvam processamento de fluido, geração de energia e refrigeração, sendo comum na
Engenharia Química, de Alimentos, entre outras (Puntel, 2020). Nesse sentido, Mortean (2014)
define trocadores de calor como equipamentos utilizados no processo de troca térmica entre
dois fluidos, entre uma superfície sólida e um fluido ou entre um fluido e partículas sólidas, em
temperaturas diferentes.
Quando a troca térmica ocorre entre fluidos, os trocadores de calor são
caracterizados como os que permitem o contato direto entre os fluidos e os que não permitem
esse contato. Neste último caso, os fluidos encontram-se separados por uma superfície de troca
térmica (MARTINELLI et al., 2007; ÇENGEL e GHAJAR, 2012).
De acordo com Incropera et al., (2008), os trocadores de calor são classificados
quanto a configuração do escoamento e o tipo de construção. As formas mais usuais de
escoamento são as de fluxo paralelo e de fluxo contracorrente, como pode ser visto na Figura
1. No arranjo de fluxo paralelo, os fluidos quente e frio entram na mesma extremidade enquanto
que, no arranjo de fluxo contracorrente, os fluidos entram em extremidade opostas.

Figura 1 – Trocadores de calor de tubos concêntricos: (a) Escoamento paralelo; (b)


Escoamento contracorrente.

Fonte: ÇENGEL e GHAJAR, (2012).

Essa diferença entre os escoamentos em paralelo e em contra corrente pode ser


visualizada na Figura 2, através dos gráficos comportamento das temperaturas dos fluidos ao
longo dos trocadores. Segundo Çengel e Ghajar (2012), em um fluxo contracorrente, a
temperatura de saída do fluido frio pode exceder a temperatura de saída do fluido quente mas,
fisicamente, não pode exceder a temperatura de entrada desse mesmo fluido.
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Figura 2 – Perfil das temperaturas dos fluidos em relação ao comprimento do


trocador de calor em: (a) Escoamento paralelo; (b) Escoamento contracorrente.

Fonte: ÇENGEL E GHAJAR, (2012).

Quanto as formas de construção, eles podem ser classificados em trocadores de


calor do tipo tubular (casco e tubo, tubo duplo e serpentina) e do tipo placas paralelas.

3.2 Casco e tubo

Os trocadores de calor do tipo casco e tubos são compostos por um casco,


normalmente cilíndrico, e um feixe de tubos dentro do casco. Um fluido escoa dentro dos
tubos, enquanto o outro escoa através e ao longo do eixo do trocador. Geralmente, o fluxo das
correntes é em contracorrente, pois proporciona maiores diferenças de temperatura entre os
fluidos, o que melhora a transferência de calor (FERREIRA, 2014; MONGELLI, 2020).
O escoamento nesse tipo de trocador difere em relação ao número de passes no
casco e nos tubos, sendo sua forma mais simples com um único passe nos tubos e no casco
(FERREIRA, 2014), como apresentado na Figura 3.

Figura 3 – Trocador de calor casco e tubo com um passe no casco e um passe no tubo com
modo de operação contracorrente.

Fonte: INCROPERA et al., 2008.


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As chicanas são instaladas no casco para melhorar o rendimento da operação,


aumentando a turbulência e o coeficiente de transferência de calor. Além disso, as chicanas
apoiam fisicamente os tubos, reduzindo as vibrações dos tubos induzida pelo escoamento
(INCROPERA et al., 2008).

3.2 Balanço térmico

Depois de estabelecidos o arranjo dos fluxos e a alocação dos fluidos, o balanço


térmico de energia pode ser calculado (SOUZA, 2013).
O fluido quente, que será resfriado pelo fluido frio, entra no tubo interno a uma
temperatura 𝑇𝑞,1 e sai a uma temperatura 𝑇𝑞,2 . De maneira equivalente, o fluido frio entra pelo
tubo externo a uma temperatura 𝑇𝑓,1 e sai do sistema a uma temperatura 𝑇𝑓,2 . A partir das
premissas, a primeira lei da termodinâmica exige que a taxa de calor transferida para o fluido
mais frio seja equivalente a taxa extraída do fluido mais quente. Assim, o balanço de energia
nos fluidos fornece as seguintes relações:

𝑞𝑞 = 𝑤𝐶𝑝𝑞 ∆𝑇𝑞 (1)

𝑞𝑓 = 𝑤𝐶𝑝𝑓 ∆𝑇𝑓 (2)

Onde w é a vazão mássica do fluido, C𝑝 é o calor especifico do fluido, e ∆𝑇 é a diferença de


temperatura ne entrada e saida do fluido. Os índices q e f indicam fluido quente e frio,
respectivamente.
A taxa de transferência de calor também pode ser expressa na forma análoga à
lei de Newton do resfriamento (OGATA, 2020), representado na Equação 3

𝑞 = 𝑈𝐴𝑌∆𝑇𝑚𝑙 (3)

Onde U é o coeficiente global médio de transferência de calor, A é a área de troca e ∆𝑇𝑚𝑙 é a


diferença de temperatura adequada entre os dois fluidos. A área de troca pode ser determinada
a partir das dimensões do equipamento. Contudo, o coeficiente U e a diferença de temperaturas
∆𝑇𝑚𝑙 devem ser calculados.
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3.3 Diferença da temperatura média logarítmica

A diferença de temperatura entre os escoamentos varia ao longo do trocador de


calor. Por isso, é conveniente ter uma diferença apropriada de temperatura para o uso da
Equação 3. Este parâmetro é chamado de diferença de temperaturas medias logarítmicas (∆𝑇𝑚𝑙 )
(OGATA, 2020). Esta diferença é calculada da seguinte forma:

(∆𝑇2 − ∆𝑇1 ) (4)


∆𝑇𝑚𝑙 =
∆𝑇
ln⁡ (∆𝑇2 )
1

Onde ∆𝑇1 e ∆𝑇2 são as diferenças de temperatura das correntes de fluidos na entrada e na saída
do trocador. Como os valores de ∆𝑇1 e ∆𝑇2 dependem da configuração do trocador de calor,
temos:
• Para trocadores de fluxo paralelo:

∆𝑇1 = ∆𝑇𝑞,1 − ∆𝑇𝑓,1 (5)

∆𝑇2 = ∆𝑇𝑞,2 − ∆𝑇𝑓,2 (6)

• Para trocadores de fluxo contracorrente:

∆𝑇1 = ∆𝑇𝑞,𝑒𝑛𝑡 − ∆𝑇𝑓,𝑠𝑎𝑖 (7)

∆𝑇2 = ∆𝑇𝑞,𝑠𝑎𝑖 − ∆𝑇𝑓,𝑒𝑛𝑡 (8)

3.4 Coeficiente global de transferência de calor

O coeficiente global de transmissão térmica, U, define a habilidade global de


barreiras condutivas ou convectivas para transmitirem calor (INCROPERA et al., 2008).
Segundo Ogata (2020), no trocador de calor, a energia é transferida do fluido quente para a
parede por convecção, através da parede por condução e da parede para o fluido frio por
convecção, sendo então duas resistências de convecção e uma de condução.
Logo, a parede do tubo interno (que separa os fluidos) tem uma resistência térmica
𝑅𝑐𝑜𝑛𝑑 . Entre a superfície da parede e os fluidos, existem as resistências 𝑅𝑖 e 𝑅𝑜 devido a
convecção. A resistência térmica total pode ser escrita da seguinte maneira:

𝑅𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑅𝑖 + 𝑅𝑐𝑜𝑛𝑑 + 𝑅𝑜 (9)


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Os somatórios das resistências à transferência de calor entre dois fluidos separados


por uma superfície sem incrustações podem ser determinados pela Equação 10.

𝑑𝑜
1 1 𝑙𝑛 ( )
= + 𝑑𝑖 + 1 (10)
∑ 𝑅𝑇 ℎ𝑖 𝐴𝑖 2𝜋𝑘𝐿 ℎ𝑒 𝐴𝑒

Onde 𝐴𝑖 e 𝐴𝑒 são as áreas das superfícies internas e externas da parede dos tubos,
respectivamente, em m², ℎ𝑖 e ℎ𝑒 são os coeficientes convectivos de transferência de calor das
correntes interna e externa, em kW/m².°C e L o comprimento do tubo (m) e o k a condutividade
térmica da parede do tubo (kW/m.°C), 𝐷𝑖 diâmetro interno do tubo (m) e o 𝐷𝑒 diâmetro externo
do tubo (m).
Pode-se, então, calcular o coeficiente global de transferência de calor U fazendo
uma relação com as resistências do sistema (OGATA, 2020).

1 1
𝑅𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = ∴𝑈=
𝑈𝐴 𝑅𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝐴 (11)
20
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4 MATERIAIS E MÉTODOS

Os materiais utilizados no experimento de sedimentação em batelada foram


disponibilizados pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri para
realização das práticas propostas pela disciplina Laboratório de Engenharia Química I,
supervisionada pelo Professor Doutor João Vinícios Wirbitzki da Silveira.

4.1 Materiais

• Módulo didático laboratorial de trocador de calor casco e tubo, composto por:


• Dois reservatórios, utilizados para armazenamentos dos fluidos quentes e frio;

• 2 bombas centrífugas;

• Sensores para medição de temperatura (termopar PT100);

• 2 rotâmetros (medidores de vazão), do tipo esfera;


• Válvulas solenoides;

• Tanque de aquecimento para o fluido quente;

• Válvulas reguladoras tipo gaveta e globo;

• Computador com o software controlador do módulo trocador de calor;

• Trocador de calor do tipo Casco e Tubo, com dois passes no casco e 2


passes nos tubos, com uma área de troca térmica de 0,15 m². O casco é
constituído de acrílico e os tubos de aço inox.
• Chicanas de aço inox, com suporte de acrílico;

• Câmera de distribuição de aço inox.

4.2 Métodos

Inicialmente, verificou se os reservatórios continham água em níveis adequados


para prosseguir com a realização do experimento e se a mangueira de saída estava colocada
no tanque de água quente. Certificou se todas as válvulas estavam devidamente fechadas.
Posteriormente, fizeram-se todas as configurações necessárias no software do trocador de
calor instalado no computador e ativou o equipamento.
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Com o fluxo na configuração contracorrente, as bombas centrífugas foram ligadas


e as válvulas de saída dos reservatórios quente e frio foram abertas, sendo as vazões das
bombas ajustadas para 1,20 L/min. Aguardou o casco do trocador de calor ser preenchido
totalmente com a água fria que, por sua vez, tem seu reservatório de água fria abastecido
constantemente.
Para a realização do experimento a temperatura do fluido quente foi ajustada para
60,00 ºC. Entretanto, essa temperatura não se mantem constante, variando em torno do
setpoint. Com isso, as leituras de temperaturas foram ativas no computador e deu-se inicio á
coleta dos dados da primeira configuração, até que o sistema atinja estado estacionário, sem
variação das temperaturas de saída. Em seguida, foi alterada apenas a configuração do fluxo
para paralelo, mantendo a vazão de ambos os fluidos em 1,20 L/min e novamente os dados
foram coletados.
Permanecendo na configuração do fluxo em paralelo, a vazão da água quente foi
diminuída para 0,60 L/min e os demais parâmetros se mantiveram constantes. Após a coleta
dos dados, a configuração do fluxo foi alterada para contracorrente e todos os outros
parâmetros conservaram-se inalterados.
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5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Tomando os dados obtidos pelo software acoplado ao módulo didático de trocador


de calor do tipo casco e tubo, foi possível obter os gráficos referentes às temperaturas de entrada
e saída dos fluidos quente e frio em função do tempo, em quatro cenários distintos. Nas Figuras
4, 5, 6 e 7, as nomenclaturas C1 e C4 correspondem às temperaturas de entrada e saída,
respectivamente, do fluido frio no casco. Da mesma forma, F1 e F4 correspondem às
temperaturas de entrada e saída, respectivamente, do fluido quente nos tubos. É válido ressaltar
que essas temperaturas foram escolhidas e utilizadas para o cálculo das variáveis limitantes do
sistema pois, além de representarem as condições de entrada e saída, apresentam maior
confiabilidade de medição, levando em consideração principalmente a posição dos medidores
das temperaturas intermediárias do processo.

Figura 4 - Fluxo contracorrente: Vazões dos fluidos quente e frio iguais a 1,20 L/min.

Fonte: Autoria própria


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Figura 5 - Fluxo contracorrente: Vazões dos fluidos quente e frio iguais a 0,60
L/min e 1,20 L/min, respectivamente.

Fonte: Autoria própria.

Figura 6 - Fluxo paralelo: Vazões dos fluidos quente e frio iguais a 1,20 L/min.

Fonte: Autoria própria


25

Figura 7 - Fluxo paralelo: Vazões dos fluidos quente e frio iguais a 0,60 L/min e 1,20
L/min, respectivamente.

Fonte: Autoria própria.

Analisando as Figuras 4 a 7, nota-se que a entrada do fluido frio (C1) apresenta uma
variação na temperatura ao longo do tempo. Isso se dá porque o fluido frio não passa por um
processo de resfriamento, apresentando então uma temperatura igual ou semelhante à
temperatura ambiente. Como a temperatura do ambiente apresenta mínimas variações, o fluido
tenderá a permanecer constante.
A temperatura de entrada do fluido quente (F1) é a mais alta do sistema. Esta, por
sua vez, passa por um aquecimento até atingir a temperatura de 60,00 ºC e é controlada pelo
sistema eletrônico. Entretanto, nota-se que, nas Figuras 4 a 7, apesar da tendência a permanecer
constante, a temperatura de entrada varia ao redor da temperatura do projeto, chamada de
setpoint ou temperatura de referência. A resistência utilizada para o processo de aquecimento
permanece ligada até o fluido atingir um valor máximo, minimamente superior ao setpoint, e é
posteriormente desligada, para que o fluido esfrie até valores próximos do setpoint. Esse
processo automático é repetido ao longo do tempo até a temperatura estabilizar, e isso explica
a variação da temperatura de entrada do fluido quente.
As temperaturas de saída dos fluidos, C4 e F4, passam por um regime transitório,
ou seja, variando constantemente até atingir a estabilização. Ao estabilizar, o regime
estacionário é atingido. Como ocorre uma transferência de calor entre o fluido e o sistema, ao
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fim do processo, o fluido frio apresentará uma temperatura de saída superior à sua temperatura
de entrada e, por consequência, a temperatura de saída do fluido quente será menor que a
temperatura em sua entrada, o que pode ser visto nas Figuras 4 a 7.
A partir dos dados coletados, foram realizadas médias aritméticas das três últimas
leituras de temperatura de entrada e saída dos fluidos tanto no casco, quanto nos tubos, para
todas as análises quando alcançaram o regime estacionário. Os resultados foram expressos na
Tabela 1.

Tabela 1 - Temperaturas de entrada e saída em 4 cenários distintos.

Vazões (L/min) Temperaturas (°C)

Fluxo Casco Tubo C1 C4 F1 F4

Contracorrente 1,20 1,20 20,00 28,17 60,53 49,10

Paralelo 1,20 1,20 19,40 30,10 60,30 46,10

Contracorrente 1,20 0,60 19,43 28,20 59,40 41,17

Paralelo 1,20 0,60 19,50 28,33 60,20 43,00


Fonte: Autores

Tomando os dados da Tabela 1, foram construídos esboços do perfil de troca


térmica para facilitar o cálculo da diferença de temperatura média logarítmica (𝛥𝑇 ). Os
𝑚𝑙

resultados obtidos estão representados nas Figuras 8, 9, 10 e 11.

Figura 8 - Esboço do fluxo contracorrente: vazões dos fluidos iguais a 1,20 L/min.

Fonte: Autores.
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Figura 9 - Esboço do fluxo contracorrente: vazões dos fluidos quente e frio iguais a 0,60
L/min e 1,20 L/min, respectivamente.

Fonte: Autores

Figura 10– Esboço do fluxo paralelo: vazões dos fluidos iguais a 1,20 L/min

Fonte: Autores.

Figura 11 - Esboço do fluxo paralelo: vazões dos fluidos quente e frio iguais a 0,60
L/min e 1,20 L/min, respectivamente.

Fonte: Autores.
28

Com o auxílio das Figuras 8 a 11 e da Tabela 1, calculou-se, para cada


configuração de fluxo, as variações de temperatura de entrada e saída do trocador de calor,
isto é, ∆T1 e ∆T2, utilizando-se das Equações 5 a 8. Posteriormente, através da Equação 4,
pode- se realizar o cálculo de ∆Tml. Os resultados obtidos são mostrados na Tabela 2. Essa
tabela foi elaborada tomando-se como evidência os valores de vazão nos tubos, uma vez que
nos cascos o fluido frio mantém sua vazão constante próxima ao valor de 1,20 L/min durante
o intervalo de tempo da realização do experimento.

Tabela 2 – Valores de ∆𝐓 , ∆𝐓 e ∆𝐓 em nos cenários distintos.


𝟏 𝟐 𝐦𝐥

Vazão nos
Fluxo tubos ∆T1 (°C) ∆T2 (°C) ∆Tml (°C)
(L/min)

Contracorrente 1,20 32,36 29,10 30,70

Paralelo 1,20 40,90 16,00 26,53

Contracorrente 0,60 31,20 21,74 26,19

Paralelo 0,60 40,70 14,67 25,51

Fonte: Autores.

Ao se analisar a Tabela 2, pode-se observar que o fluxo contracorrente resultou


em um ∆Tml maior quando comparado ao fluxo em paralelo, para ambas as vazões nos
tubos. Segundo Souza (2013), em um trocador de calor em configuração contracorrente,
a diferença de temperatura entre os fluidos não apresenta grandes variações, ao contrário do
que ocorre na configuração em paralelo, o que acarreta em uma diferença média maior
entre os pontos de temperatura obtidos.
Nesse sentido, os valores de ∆Tml encontrados estão coerentes, pois como se trata
de uma média, estes devem estar entre ∆T1 e ∆T2.
Ainda de acordo com a Tabela 2, observa-se que, no fluxo paralelo, o ∆T1 foi
maior que ∆T2 para ambos os cenários. Isso está de acordo com a literatura, uma vez que ∆T2
tende a ser mínimo, visto que a diferença de temperatura diminui com o passar do tempo
(INCROPERA et al., 2008).
29

Enquanto isso, no fluxo contracorrente, não houve uma diferença significativa


entre ∆T1 e ∆T2 quando as vazões no casco e nos tubos eram iguais, o que está de acordo com
Foust et al. (2006), que diz que a diferença de temperatura ao longo do comprimento do
trocador de calor se mantém praticamente constante. Entretanto, nota-se que a diferença entre
∆T1 e ∆T2 é bastante expressiva para o caso em que a vazão nos tubos (fluido quente) é
reduzida pela metade, o que pode ser explicado pelo maior tempo em que o fluido quente
permanecerá no trocador de calor para ocorrer troca térmica.
O cálculo da quantidade de calor entre os fluidos foi realizado usando as Equações
1 e 2. Como o experimento se dispõe de quatros cenários que retratam a troca térmica entre
dois fluidos com temperaturas diferentes, deve-se dispor de oitos valores resultantes do cálculo
de quantidade de calor “Q”. O cálculo do calor específico (Cp) da água nos diferentes
contextos foi realizado de acordo com (MITH, J. M., VAN NESS, H. C), evidenciado na
Tabela 3, cujo cada temperatura de Cp foi determinada realizando uma média aritmética entre
a temperatura de entrada e saída do fluido no trocador de calor. De forma semelhante, o cálculo
∆𝐓q foi feito a partir das diferenças das temperaturas do fluido quente na entrada e saída do
fluido no trocador de calor. Analogamente, obteve-se ∆𝐓f. Ressalta-se que esse cálculo não
deve ser confundido com a obtenção dos valores de ∆Tml previamente elucidados (Figuras 8 a
11 e Equação 4). Percebe-se que as temperaturas máximas e mínimas de operações estão na
faixa compreendida pela equação.

Tabela 3 – Cálculo da capacidade calorífica de líquidos

Fonte: MITH, J. M., VAN NESS, H. C


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Dessa forma, a Tabela 4 retrata as variáveis envolvidas nos cálculos de Q, para cada
configuração de fluxo e vazão realizadas no experimento.

Tabela 4 – Determinação das variáveis envolvidas no cálculo do fluxo de calor

Vazões nos Cpq (J/Kg.K)/ Cpf (J/Kg.K)/


Escoamento tubos Temperatura ∆𝐓q (K) Temperatura ∆𝐓f (K)
(L/min) (K) (K)
4184,76/297,24
Contracorrente 1,20 4200,89/327,97 11,43 8,18
Paralelo 1,20 4200,06/326,38 14,14 4185,08/297,85 10,80

Contracorrente 0,60 4198,52/323,44 18,23 4184,62/296,97 8,77

Paralelo 0,60 4199,21/324,75 17,20 4184,67/297,07 8,83

Fonte: Autores.

Por fim, a Tabela 5 apresenta o valor dos fluxos de calor provenientes da troca
térmica entre os fluidos quentes e frios, que posteriormente serão utilizados para determinar o
coeficiente de troca térmica - U.

Tabela 5 – Quantidade de transferência de calor dos fluidos quente e frio em cada


configuração de operação

Vazões
Escoamento nos tubos Qq (W) Qf (W)
(L/min)
Contracorrente 1,20 957,44 682,57
Paralelo 1,20 1184,21 901,27
Contracorrente 0,60 763,09 731,78
Paralelo 0,60 720,10 736,80
Fonte: Autores.

A análise da tabela 3 é baseada na comparação dos valores de taxa líquida entre o


calor do fluído quente e a taxa líquida de calor do fluido frio. Sendo assim, pode-se examinar
que a taxa líquida quente é maior nos três primeiros fluxos analisados. Isso indica que houve
perdas de calor do fluido quente para o ambiente.
O cálculo do coeficiente global de transmissão de calor (U) é realizado com os
dados obtidos na Tabela 5. No entanto, por obter valores diferentes de transferência de calor,
foi feita uma média aritmética entre o fluxo líquido quente e o fluxo líquido frio. Ainda sobre
o cálculo do U, é necessário pontuar que a área de troca térmica do trocador de calor é de
31

0,15m2 e que os valores de ∆Tml podem ser encontrados na Tabela 2. Por fim, há de se dizer
que o trocador de calor utilizado possui dois passes no casco e dois passes nos tubos, portanto
o fator de correção (Y) é 1. Assim, a Equação 12 é simplificada em:

U=Q A 𝛥𝑇𝑚𝑙 (12)

Desta forma, foi possível calcular o coeficiente global de transmissão de calor para
os processos, apresentados na Tabela 6 seguir.

Tabela 6 – Coeficientes de troca térmica das diferentes configurações realizadas no


experimento

Vazões
Escoamento nos tubos Q (W) ∆Tml (ºC) U (W/m2 ºC)
(L/min)
Contracorrente 1,20 820,01 30,7 178,07
Paralelo 1,20 1042,74 26,53 262,03
Contracorrente 0,60 747,44 26,19 190,26
Paralelo 0,60 728,45 25,51 190,37

Fonte: Autores.

Os valores encontrados do coeficiente U estão dentro de um intervalo entre 178,00


e aproximadamente 260,00 W/m².ºC. No entanto, este valor encontrado foge dos valores
esperados pelo livro de Çengel e Ghajar (2012), uma vez que estes dispõem um intervalo de
850 a 1700 W/m².ºC. Entre os fatores que se podem elencar como responsáveis pela não
obtenção dos parâmetros de troca térmica indicados na literatura estão perda de calor para o
ambiente, tipo do material do trocador e das chicanas, erros nos posicionamentos e precisão dos
sensores de leitura de temperatura, formação de uma bolha na parte superior do casco e na
superfície dos tubos, faixa de trabalho de temperatura, vazões e pressões muito baixas, entre
outros. Logo, os valores experimentais do coeficiente U são aceitáveis serem inferiores que os
valores tabelados na literatura.

A configuração em paralelo obteve o maior valor para o coeficiente. Em


contrapartida, a mesma vazão de 1,20 L/min em ambos os fluidos e fluxo contracorrente, teve-
se o menor valor para o coeficiente U. Esse resultado confronta parcialmente o que se ecoontra
na literatura, uma vez a configuração em contracorrente tende a possibilitar um contato maior
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entre os fluidos, resultando em maiores valores para o coeficiente global. Como tal
configuração foi a primeira a ser realizada no experimento, pode-se inferir que o regime
transiente prejudicou a análise e obtenção dos resultados aferidos pelos equipamentos, assim
como houve interferência de outros fatores já retratados, como as especificações técnicas do
trocador (área dos tubos, casco, superfície), material de fabricação do equipamento e dos
componentes (mangueiras), posição dos medidores, dentre outros.
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6 CONCLUSÃO

Os valores de taxa de transferência de calor quente e frio obtidos entre si foram distintos,
como se esperava, já que não se utilizou da aproximação de Cp constante, mesmo em
temperaturas diferentes da condição normal. Apesar do refino do cálculo, os valores obtidos
dessa grandeza não se distinguiram drasticamente do valor à temperatura de 25 ºC.
De uma forma geral, o experimento não acompanhou o esperado na literatura, pois a
operação em paralelo com as vazões de fluidos iguais apresentou maior valor da grandeza U
(262,03 W/m2 ºC) em detrimento ao escoamento em contracorrente, ou seja, houve uma melhor
transferência de calor entre os fluidos nesse modo operacional.
Analisando os parâmetros de vazão, para valores maiores dessa grandeza, espera-se
coeficientes globais de transferência de calor maiores, uma vez que o aumento da turbulência
do fluxo dos fluidos corrobora com o aumento no número de Reynolds e, consequentemente,
ao de Nusselt. Porém, no escoamento em contracorrente, percebe-se pela Tabela 6 que a
diminuição da vazão de um dos fluidos proporciona um acréscimo do módulo de U, sendo
plausível justificar que uma menor quantidade do fluido se deslocando por unidade de tempo
favoreceu a troca térmica no sistema como um todo. Já no escoamento em paralelo, observou-
se que o decréscimo da vazão também interferiu na diminuição do valor de U.
Por fim, nota-se que para a vazão do sistema de 0,60 L/min nos dois modos de
escoamento, obteve-se praticamente os mesmos valores de coeficiente de troca térmica. Para o
módulo específico utilizado no laboratório, esse resultado carrega muitas informações a
respeito do funcionamento do equipamento, podendo servir de parâmetro para futuras análises
de otimização das práticas.
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7 REFERÊNCIAS

ÇENGEL, Y. A.; GHAJAR, A. J. Transferência de Calor e Massa. 4ª. ed. São Paulo. v. Único,
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