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To escrevendo isso pra ver se consigo organizar essa ideia, acho que vou deixar salvo, se hoje

não é dia 11/01/2022 e você está lendo isso significa que eu salvei ou não terminei de escrever
hoje, enfim.

*eu estava no “*” la embaixo quando resolvi deixar um recado aqui caso eu mande isso pra
alguém, eu estou tentando ser o mais honesto da forma mais clara possível nesse texto, boa
leitura :).

Minha cabeça está um caos de um jeito estranho que eu não sei definir direito, resumindo, eu
sinto que meu subconsciente está escondendo alguma coisa importante de mim; eu tive alguns
bloqueios de memória e os principais que eu descobri foram relacionados a minha vó e ao meu
relacionamento (que vai ser o assunto principal daqui a pouco), eu esqueci de momentos que
vivi com a minha vó, o que talvez seja mais estranho considerando que eu fui próximo a minha
vó minha vida toda praticamente, então tem umas falhas que eu preciso fazer algum esforço
pra lembrar, mas não lembro de coisas que ela falou e não tenho nenhuma lembrança de um
momento em que eu tenha olhado o rosto dela, eu ainda lembro como é pelas fotos e tal, mas
em lembranças de momentos da minha vida com ela eu não tenho essa imagem; eu não lembro
de como era meu relacionamento com a Kim antes de minha vó falecer e ter começado a
pandemia, eu sei que tratava ela super bem, fazia questão de estar sempre presente, fazer ela
se sentir importante, mostrar o quanto ela era importante pra mim, mas o que eu lembro
mesmo são de flashes (sim, eu procurei no google como é o plural de flash) de alguns momentos,
tipo o que a gente estava na pista de skate, mas eu não lembro de como eu me relacionava com
ela, no sentido de conversar, interagir e afins, tanto que me assustei quando vi algumas
mensagens que eu salvei como um presente pra ela, eram umas coisas muito apaixonantes,
papo de filme adolescente mesmo, algumas dessas mensagens eu enviei de noite pra ela ler
quando acordasse, tinha o costume de fazer isso, mas as vezes eu tinha a impressão de que ela
não se importava muito porque ela meio que só falava um “obrigado, também te amo” ou coisa
assim, talvez isso tenha sido um ponto pra eu ter parado depois que minha cabeça bugou, mas
as vezes ela respondia com um textinho também e normalmente ela demora um pouco pra ter
um raciocínio completo depois que acorda então é meio esperado que ela não respondesse
alguma coisa muito elaborada nesses momentos, mas quando ela já estava acordada a um
tempo ela respondia melhor. Já que estou nesse embalo, algumas vezes eu senti que ela só dizia
que se importava, que me amava ou coisa do tipo, quando eu dizia antes, como se no caso de
eu não dizer ela também não iria, talvez não por não sentir isso, mas acho que ela fazia e faz isso
como um teste, pra saber se eu me importo/amo ela, quando a gente vai se despedir pra dormir
ela só fala que me ama se eu disser antes; acho que ela faz isso porque ela é muito insegura
pelas coisas que aconteceram na vida dela e quer ‘se proteger’ de alguma forma de se
decepcionar, mas depois de três anos de relacionamento isso é meio estranho, eu sei que não
sou a pessoa que passa mais confiança no mundo ainda mais depois de ter mudado, mas sei lá,
as vezes eu também preciso que isso seja demonstrado da parte dela de forma um pouco mais
espontânea, sem ser um “também te amo”, preciso que ela tire um pouco essa armadura. Eu
sempre tive muito medo de falar essas coisas porque na hora sempre parece bobo, parece uma
reclamação a toa e tenho que admitir que mesmo escrevendo assim as vezes sinto que não
deveria estar falando/pensando/escrevendo essas coisas, porque sinto que se eu falar isso pra
ela vai ser tão frustrante quanto outras vezes que tentei falar pra ela de coisas que me
incomodavam em que eu acabei saindo como errado por não valorizar tudo que ela já fez por
mim, isso é um sentimento muito parecido com o de quando eu tentei falar pros meus pais
coisas que estavam me incomodando, me deixando mal e eles reagiram como se eu fosse um
doido ingrato que estava falando um monte de besteira, o que é um trauma bem significativo
pra mim.

Está na hora de mudar de parágrafo e falar um pouco mais especificamente sobre mim e sobre
o que eu realmente tinha pensado em escrever né. Eu comecei esse texto com a ideia de passar
a limpo porque eu acho que é melhor eu pedir pra dar um tempo com a Kim e se realmente isso
parece a melhor opção disponível; primeiro, contexto, como já citei antes, depois que minha vó
faleceu e começou a quarentena minha cabeça deu uma bugada; no velório da minha vó eu não
consegui chorar, eu não estava segurando nem nada, simplesmente não vinha, eu sabia que
deveria estar chorando, mas não estava, só teve um momento que a Kim veio me falar que a
Paloma (prima dela de uns 6 anos que vê umas coisas que não é normal que ela veja) perguntou
pra mãe dela “porque as pessoas estão chorando lá (no velório)? Eu vi a vovó sorrindo com o
papai do céu”, isso bateu uma vontadezinha de chorar, mas essa eu segurei rs, fora isso, nesse
dia eu não consegui chorar, eu acho que não tinha caído a ficha ainda, eu não tinha aceitado o
que tinha acontecido, tanto que um dia eu sonhei que tinha sido tudo uma armação e que ela
estava viva, fiquei alguns minutos acreditando de verdade que ela estava viva, mas com o tempo
foi caindo a ficha e sempre que eu pensava nela eu tinha muita vontade de chorar e meio que
bloqueava aquele pensamento, me forçava a esquecer ele e focar em outra coisa, o que eu
acredito ter sido um dos motivos do B.O. que eu falei antes: eu esqueci de momentos que vivi
com a minha vó, acho que tem alguma coisa a mais nisso porque esqueci coisas do meu
relacionamento também e nunca fiquei tentando evitar pensar nele; enfim, depois que isso
aconteceu, eu comecei focar muito na faculdade que eu estava começando, estava tentando
me ocupar o máximo possível pra não ter tempo de pensar nessas coisas porque eu não teria
como resolver naquele momento e pensar sobre só me deixaria mal, era isso que eu pensava
enquanto estava vivendo tudo isso, porém o futuro (destino) é uma astronave que tentamos
pilotar, não tem tempo, nem piedade, nem tem hora de chegar, sem pedir licença muda nossa
vida e depois convida a chorar ou choraar... dito isso, depois de três semanas de aula, começou
a pandemia da Covid-19, com ela chegou a quarentena feat. distanciamento social que nos leva
ao segundo ponto do nosso contexto; a quarentena enfiou meu plano de ocupar minha cabeça
na melhor das hipóteses no ralo, eu não parei de estudar nem de trabalhar, mas fazer tudo isso
em casa é completamente diferente, eu tinha muito mais tempo livre em casa pra ficar
pensando, vale citar que eu tenho um raciocínio até que rápido, o que quando você está na
escola é bom, mas quando você é extremamente ansioso, tem tempo disponível e está tentando
não pensar em uma coisa específica é um inferno, o que era exatamente meu caso; ainda assim,
eu me mantinha ocupado todo o tempo possível e quando tinha um tempo livre fazia questão
de ocupar minha cabeça com qualquer coisa, o que na maior parte das vezes me levava para o
youtube onde ficava vendo qualquer coisa que chamasse minha atenção o suficiente pra não
pensar na minha vida; e advinha... meu plano funcionou :), porém deu bosta, se não eu não
estaria aqui escrevendo isso agora né rs, meu plano funcionou tão bem que eu parei de pensar
na minha vida e focar toda a energia que eu tinha na faculdade, porém teve um ponto que eu
não parei pra pensar e na real nada disso foi pensado, eu só fui fazendo o que parecia que ia
doer menos, mas a Kim fazia parte da minha vida e ela ficou de lado junto com todo o resto da
minha vida, até porque a Kim por alguma razão que eu não entendo direito me lembra minha
vó e na época isso era muito mais forte porque (psicologia, neurociência e afins explicam, só não
me disseram como ainda), então ela ficou de lado e eu fiz isso sem perceber, eu só fui reparar
nisso quando ela veio falar comigo e mostrou o quanto isso estava afetando ela, aqui vale
ressaltar mais um detalhe, eu não lembro de quase nada da minha vida desse período, lembro
de algumas lições da faculdade, mas de conversas com outras pessoas, coisas que eu fiz em casa
e daí vai, eu não lembro, bloqueei também, eu passei voltar um pouco pro mundo real depois
dessa conversa, na real eu não sei exatamente o que rolou nesse período, eu só consigo fazer
um analogia à isso, é como se quando minha vó faleceu eu tivesse estrado numa caverna, num
lugar escuro e vazio, depois dessa conversa eu comecei enxergar a vida fora disso de novo e
desde então eu estou tentando sair desse lugar mas alguma coisa, que eu não sei o que é, está
dificultando muito pra eu não sair e as vezes eu penso que talvez realmente seja melhor ficar lá,
eu estava indo bem na faculdade, estava conseguindo desenvolver bem as atividades e tal, mas
eu sei que se eu ficar lá eu vou morrer; eu estou lutando contra uma força subconsciente que
eu não sei o que é e contra parte do meu consciente pra tentar sair disso, até agora eu tive
momentos que consegui avançar um pouco mais, mas tive momento que eu recuei bastante
também, parece que tudo de ruim que acontece na minha vida me empurra um pouco de volta,
as vezes é uma coisa que me falam, as vezes é uma coisa que eu penso e daí vai, mas coisas que
me fazem mal me empurram um pouco de volta; eu não quero ficar nesse lugar, eu sei que lá
eu posso focar 100% na minha faculdade, na minha carreira e com certeza eu vou ser bem
sucedido de forma financeira, a não ser que eu infarte antes rs, mas além desse risco de infartar,
eu tenho certeza que se eu ficar naquele lugar eu vou ficar lá sozinho, ficar totalmente sozinho
é um dos maiores medos que eu tenho, se eu ficar lá eu nunca vou ter uma relação real com
alguém, as relações que eu tenho vão desaparecer e eu não vou conseguir criar nenhuma outra,
eu não quero isso pra minha vida, eu quero ser bem sucedido mas acima disso eu quero ter paz,
quero ter pessoas que eu amo comigo.

Contexto dado, agora vem a questão que me trouxe aqui (sim, já era motivo pra cacete pra eu
ir buscar ajuda, mas tenho bloqueio com psicólogo e isso é assunto pra outro texto, tchau, beijo),
porque eu acho que devo pedir um tempo com a Kim: usando aquela analogia como base (que
eu particularmente achei ótima), a Kim no momento é uma questão que afeta muito o quanto
eu estou próximo ou longe daquele lugar, porque eu estou afetando muito ela, isso me faz
querer sair de lá, porque o fato de estar nesse meio termo entre fora e dentro é o que faz com
que eu fique distante dela e isso deixa ela mal e consequentemente me deixa mal também e o
que me deixa mal me empurra pra lá de volta, sacou o paradoxo? A Kim me faz querer sair de
lá, mas o fato de eu estar mal e afetar ela me empurra pra lá de volta, ela também está mal e
não é só por causa de mim, ela também tem as questões dela pra lidar, eu reforçar algumas
questões dela deixa ela um pouco pior, quanto pior ela fica, mais eu volto pra lá e ela fica pior e
eu vou mais pra lá e ela piora e eu volto, deu pra entender né, por isso eu acho que a gente estar
junto agora não vai ser bom pra nenhum de nós, ter esse nível de responsabilidade afetiva um
com o outro num momento em que os dois mal conseguem lidar consigo próprios só vai piorar
a situação dos dois. Eu amo a Kim de verdade e não tenho dúvida disso, eu amo tanto ela que
não quero que ela fique mal por egoísmo meu de fazer questão que ela fique aqui suprindo
minha carência enquanto ela não se sente bem e fica torcendo por uma melhora que eu espero
que venha, mas não tenho nenhuma previsão disso, não tenho nem como garantir que vai
acontecer, principalmente se as coisas continuarem do jeito que estão, é meio tosco/sem
sentido querer que as coisas mudem tendo as mesmas atitudes.

A minha ideia é que a gente se afaste mesmo, vá cada um cuidar das próprias questões e depois
a gente se reencontre, desde quando comecei a pensar nisso (mesmo que de um jeito mais
simples) eu sempre achei que deveria deixar a Kim livre pra fazer o que ela quisesse e achasse
que fosse bom pra ela, o que inclui ter um relacionamento com outra pessoa, não acho que ela
faria isso, mas acredito que eu devo dar pra ela essa liberdade de escolher, até porque eu sei o
quanto faz diferença pra ela ter alguém que seja realmente um companheiro do lado dela, coisa
que eu não estou sendo faz dois anos; dito isso é bom frisar que eu não quero e não vou me
envolver com ninguém, eu quero fazer isso tudo pra ser a pessoa que a Kim merece, mas não
posso negar que eu tenho dúvidas, no meu caso, esse tempo seria pra, além de me tratar, uma
experiência de autoconhecimento, porque eu não me conhecia muito bem antes de tudo isso
acontecer e depois do que aconteceu eu sinto que eu mudei muito na minha personalidade,
então eu me conheço menos ainda, honestamente eu não sei o que vai acontecer, mas eu sei
que se eu não souber ser sozinho eu não vou saber ser um par, o Dennis (meu primo que é
psicólogo e foi com quem eu fiz terapia por um tempo) me indicou o livro “O Cavaleiro Preso na
Armadura”, esse livro inteiro é ótimo, mas tem um ponto que eu nunca esqueci: todo ser
humano tem uma necessidade que acompanha a gente a vida toda, a necessidade de ser amado,
se eu não for a fonte desse amor, eu vou buscar esse amor em outras pessoas, vou procurar
pessoas que me amem pra suprir de forma um pouco egoísta essa necessidade, então o ‘amor’
que eu sinto por outra pessoa pode não ser tão real, pode ser só uma carência; eu nunca me
amei de verdade, isso foi uma coisa que ficou na minha cabeça pra sempre, sempre que tinha
alguma questão que envolvesse amor eu pensava nisso, eu acredito que eu realmente ame a
Kim de verdade, mas eu sei que mesmo amando ela, parte disso é carência, parte disso é porque
ela supre essa minha necessidade. Voltando um pouco na questão de ‘dar um tempo’, eu sei
que isso tem pontos bem negativos, o primeiro é a primeira recepção da informação por parte
da Kim, ela já me disse algumas vezes que não existe esse lance de ‘dar um tempo’ em um
relacionamento, acho que isso foi um ponto que me fez relutar muito em fazer isso (inclusive eu
ainda tem uma possibilidade de eu nem mandar esse texto pra ninguém e ficar só ai no vácuo
do meu pc)*, além disso acho que isso vai ser difícil pra ela, ela já lutou muito por esse
relacionamento e dizer que a solução pra ele dar certo é “não lutar” pode soar péssimo, mas
não é isso, a questão é que um relacionamento se trata da vida de duas pessoas conectadas,
mas a gente está com um acúmulo absurdo de coisas que atrapalham nossas conexões com
outras pessoas, nós dois estamos mal, cheios de gatilhos emocionais e cheios de traumas de
relacionamentos, por isso eu não acho que dê pra gente tentar resolver do jeito que estamos
tentando ate agora, mas vou falar mais sobre isso daqui a pouco, outro ponto é a possibilidade
dela encontrar outra pessoa, o que talvez seja bom pra ela, mas eu não sei o efeito que isso
pode ter em mim, eu não quero que isso aconteça, mas eu quero menos ainda que continue do
jeito que está, sendo levado do jeito que dá até chegar um ponto que fique insuportável ou que
a gente acabe terminando mal um com o outro, eu acho que se continuar do jeito que está vai
caminhar pra isso, se a gente mantiver assim e acabar casando a gente pode acabar repetindo
os erros que a gente já viu e desejou que nunca acontecessem com a gente.

Eu estou cansado, muito cansado, eu já tentei lutar contra tudo isso, mas não deu certo, eu não
quero mais continuar vivendo desse jeito, me sentindo mal, sentindo que faço mal pras pessoas
que eu mais amo, sentindo que estou sendo um peso na vida da Kim, sentindo que estou em
um relacionamento que esta prestes a acabar por minha culpa e eu não consigo fazer nada pra
impedir, tudo que eu faço piora as coisas de algum jeito, a gente sentiu que essa era a vontade
de Deus, que a gente ficasse juntos, então se realmente é da vontade dele, ele vai fazer as coisas
se ajustarem, to cansado desse peso, está sufocante, honestamente eu não sei se esse é o certo
a se fazer, mas depois de pensar muito foi o melhor que consegui pensar pra chegar em uma
solução, não vai ser fácil, mas parece que é a única chance que pode dar certo.

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