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Manual Técnico Especializado

Obras em Estradas Rurais


PROGRAMA CIDADANIA NO CAMPO – ROTAS RURAIS
Governador do Estado
João Doria

Secretário de Agricultura e Abastecimento


Gustavo Diniz Junqueira

Secretária-executiva
Gabriela Redona Chiste

Chefe de Gabinete
Juliana Cardoso

Coordenador CDRS
José Luiz Fontes

Coordenadora Codeagro
Elizabete Gonçalves Alvarez

Coordenador CDA
Luiz Henrique Barrochelo

Coordenador Apta
Antonio Batista Filho
Manual Técnico Especializado
Obras em Estradas Rurais
PROGRAMA CIDADANIA NO CAMPO – ROTAS RURAIS

Responsável pelo Programa de Obras do


Cidadania no Campo – Rotas Rurais
Eduardo Pereira de Sena

Corpo Técnico do Núcleo de Engenharia/Secretaria de Agricultura e Abastecimento


Sílvio Begosso
Rodrigo Santiago S. F. Azevedo – engenheiro civil

Coordenação do Manual Técnico/Organização do Texto


Henrique Carlos Montefeltro Fraga – engenheiro agrônomo

São Paulo
Maio de 2021
Sumário

Apresentação......................................................................................i

Introdução.........................................................................................1

Estradas Rurais – ConsiderAções Técnicas................................3

Fatores que Interferem Diretamente na Qualidade da


Malha Viária Rural..........................................................................6

Caracterização das Estradas Rurais.........................................9

Problemas Comuns das Estradas e Soluções Técnicas........12

Técnicas Comumente Utilizadas em Estradas Rurais...........22

Obras Complementares.................................................................30

Tratamentos Primários.................................................................35

Tipos de Obras a Serem Financiadas..........................................41

Estruturação do Projeto Técnico.............................................45

Anexo 1– IteNS Essenciais que Devem Constar do


Memorial Descritivo......................................................................51

Anexo 2 – Plantas Baixas...............................................................53

Anexo 3 – Planilhas OrçamentáriaS..........................................54

Anexo 4 – Cronograma Físico-Financeiro ...............................55

Anexo 5 – Relatório Fotográfico...............................................56


Anexo 6 – Glossário de Termos Técnicos..................................57

Anexo 7 – Composição e Critérios de Medição.......................58

Glossário (Conceitos e Terminologias)....................................60

Referências Bibliográficas...........................................................67
Lista de Figuras

Figura 1 – Ondulações................................................................................9

Figura 2 – Rodeiros...................................................................................10

Figura 3 – Atoleiro....................................................................................11

Figura 4 – Areião de baixada.....................................................................12

Figura 5 – Rocha aflorante........................................................................13

Figura 6 – Costela de vaca.........................................................................13


Figura 7 – Pista derrapante.......................................................................14

Figura 8 – Pista escorregadia.....................................................................15

Figura 9 – Segregação lateral.....................................................................16

Figura 10 – Erosão do leito .......................................................................17

Figura 11 – Erosão do leito........................................................................17

Figura 12 – Erosão lateral..........................................................................18


Figura 13 – Limpeza do material orgânico para posterior elevação do
greide da estrada com solo das faixas marginais (bota-dentro).....................19
Figura 14 – Esquema apontando os elementos da seção transversal de
uma estrada rural.....................................................................................20
Figura 15 – Abaulamento da pista de rolamento.........................................22
Figura 16 – Construção de lombada...........................................................23
Figura 17 – Locação de segmentos de terraços (“bigodes”).........................24
Figura 18 – Esquema de locação de bacias de captação...............................28
Figura 19 – Bacia de captação...................................................................29
Figuras 20 A e B – Exemplo de berço de concreto e rejuntamento................30
Figura 21 – Alvenaria em blocos cerâmicos, de concreto e pré-moldados......31
Figura 22 – Instalação de drenagem profunda com feixes de bambu.............32
Figura 23 – Abertura de vala e instalação de drenagem profunda.................32
Figura 24 – Esquema de construção de dreno profundo com brita, tubo
drenante e manta geotêxtil.......................................................................33
Figura 25 – Execução de canaletas de concreto em estrada rural..................34
Figura 26 – Execução de canaletas vegetadas em estrada rural.....................34
Figuras 27 A, B, C e D – Lançamento do material granular (A),
escarificação (B), incorporação (C), mistura solo-brita homogênea.................36
Figuras 28 e 29 – Teste expedito para verificação da umidade adequada
de compactação.......................................................................................37
Figuras 30 e 31 – Umedecimento da mistura solo-brita e posterior
compactação...........................................................................................37
Figura 32 – Trecho após execução da compactação, pronto para
receber o acabamento..............................................................................38
Figura 33 – Trecho sendo “selado” com o auxílio de um
caminhão-irrigadeira................................................................................38
Figura 34 – Trecho após conclusão do revestimento....................................39
Figura 35 – Croqui do local........................................................................46
Figura 36 – Imagem aérea identificando os trechos de estradas rurais
a serem trabalhados.................................................................................46
APRESENTAÇÃO

A diretriz de política pública “Cidadania no Campo 2030” é uma iniciativa do Governo paulista,
implantada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Ela foi criada para promover
o desenvolvimento do nosso Estado, por meio do agronegócio, e tem como missão levar os
serviços e as estruturas das cidades para toda a área rural, contemplando segurança, mobilidade,
conectividade, preservação ambiental, saneamento, entre outras diretivas, transformando a
necessidade de igualar a vida dos cidadãos do campo à dos da cidade, em uma decisão de
governo focada na solução de problemas.

Nesse contexto, entendemos que a mobilidade em espaços rurais se mostra carente de ins-
trumentos que viabilizem o acesso às propriedades e o deslocamento de pessoas, produção,
insumos, serviços de emergência, segurança, entregas e outros. E essa ausência compromete
a qualidade de vida, as atividades socioeconômicas e o pleno exercício da cidadania pelas po-
pulações rurais. Sendo assim, é com grata satisfação que apresentamos o Programa Cidadania
do Campo – Rotas Rurais, implementado com o objetivo de construir instrumentos capazes de
solucionar essa lacuna presente no ambiente rural.

Com um espectro amplo de ações que visam ao desenvolvimento sustentável e ao bem-estar


social no campo, o Rotas Rurais abrange duas vertentes essenciais: o mapeamento de estradas
rurais e a criação de endereçamento digital, em uma parceria com o Google; bem como obras
de manutenção e adequação em estradas rurais, para garantir o amplo exercício de cidadania
da população rural, em seu direito de ir e vir e atendimento de suas necessidades básicas e de
escoamento da produção agropecuária.

A vertente sobre as obras de manutenção e adequação em estradas rurais prevê a transferência


de conhecimento técnico produzido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agri-
cultura e Abastecimento, às prefeituras municipais conveniadas, para que possam elaborar seus
projetos de obras, os quais possibilitarão receber o repasse de recursos financeiros do Programa
Cidadania no Campo – Rotas Rurais, provenientes do Tesouro do Estado ou ofertados por emen-
das parlamentares.

Nessa parceria do poder público estadual com o municipal, nosso objetivo é criar um ambiente
de capacitação e aprendizado, favorecendo o engajamento das prefeituras nas soluções de pro-
blemas, bem como almejamos que os municípios possam se emancipar tecnicamente, realizando
a conservação da malha viária rural de forma independente, adequada e sustentável!

Gustavo Junqueira
Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo
1. INTRODUÇÃO

O Manual Técnico Especializado – Obras em Estradas Rurais foi elaborado com


o objetivo de assegurar a continuidade das Boas Práticas voltadas à melhoria da malha
viária rural do Estado de São Paulo.

As tecnologias relacionadas à manutenção, conservação e adequação de


estradas, com ênfase à conservação do solo e da água, além da formação de mão
de obra especializada junto às prefeituras e empresas que atuam no segmento,
disponibilizadas neste Manual, balizarão os projetos das prefeituras que passarão a ser
diretamente responsáveis pela execução das obras e dos serviços, com frota e pessoal
próprios e/ou tercerizados, mediante à celebração de convênios com o Governo do
Estado, por intermédio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

1.1. Base legal para elaboração do Manual Técnico


Para elaboração do Manual Técnico foi considerada uma ampla legislação,
sendo: Decreto n.o 65.183, de 17 de setembro de 2020, que serviu para reformular e
unificar os Programas Melhor Caminho e Rotas Rurais, instituídos, respectivamente,
pelo Decreto n.o 41.721, de 17 de abril de 1997, e pelo Decreto n.o 63.764, de 22 de
outubro de 2018; Resolução SAA n.o 17/2021, a qual estabeleceu critérios para a par-
ticipação dos municípios paulistas, detalhando os requisitos previstos nos artigos 5.o e
6.o do Decreto n.º 65.183/2020; e as diretrizes da política pública denominada “Cida-
dania no Campo 2030”, conforme o Decreto n.o 64.320/2019.

O presente Manual detalhará as obras e os serviços a serem contemplados pelo


Programa, conforme estabelecido na Resolução SAA n.o 17/2021, Artigo 7.o, item II e
tem seu embasamento no Artigo 9.o da mesma Resolução, como segue:

“Artigo 7.o – As obras e serviços a serem beneficiados com o Programa se darão na


seguinte conformidade:

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(...)
I. obras em estradas (com repasse financeiro)
a. manutenção básica de estradas
(...)
b. revitalização de obras já realizadas pelo Programa
(...)
c. construção de estradas
(...)
d. adequação de estradas rurais
Artigo 9.o – A execução das obras de recuperação de estradas se dará em conformida-
de com o Manual Técnico Especializado, que será divulgado no site oficial da Secretaria
de Agricultura e Abastecimento.

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2. ESTRADAS RURAIS
CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS

2.1. Malha viária paulista e o Programa Cidadania no Campo – Rotas Rurais


É notório que há muito ainda a ser feito em relação à situação da qualidade
técnica da extensa malha viária rural paulista. Com seus 163 mil quilômetros, ela é
composta, em sua maioria, por estradas municipais de terra (82%), cuja baixa quali-
dade técnica se traduz na precariedade das condições dessa malha, causando graves
problemas sociais, econômicos e ambientais.
O Governo do Estado de São Paulo, por meio do Programa Cidadania no
Campo – Rotas Rurais apresenta uma nova forma de atuação, no sentido de trabalhar
de maneira conjunta com o poder municipal e envolvendo também, na medida do
possível a iniciativa privada, por meio de estímulos às parcerias.

2.2. Proposta técnica do Manual


A principal finalidade deste Manual é orientar inicialmente os profissionais
responsáveis pela elaboração dos projetos técnicos, bem como os responsáveis
técnicos pela execução das obras a serem financiadas pelo Programa, para que, de
forma simples e objetiva, possam atender minimamente às condições estabelecidas
pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, entre as quais:
• as prefeituras elaborarem projetos técnicos a partir de suas necessidades e partici-
parem ativamente da execução das obras;
• estabelecer padrões mínimos exigidos para elaboração de projetos técnicos, respal-
dando em todos os níveis as responsabilidades das partes envolvidas nos convênios
oriundos do Programa;
• estimular a formação, o treinamento e o engajamento de equipes das prefeituras
que atuam em obras e serviços relacionados à malha viária do município;
• proporcionar condições para que as prefeituras deem continuidade aos serviços,
com base em planos de gestão da malha viária elaborados a partir de estreito co-
nhecimento, elaboração de projetos, planejamentos, execução técnica de serviços,
provisões de orçamentos etc.

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Da mesma forma, define-se que o presente trabalho não tem a intenção de es-
gotar o assunto em relação às tecnologias de estradas rurais, bem como determiná-las
e/ou indicá-las de forma restritiva na elaboração de projetos técnicos, ou seja, cabe
aos profissionais devidamente habilitados e capacitados, lançar mão de todas as tec-
nologias disponíveis, com base nas Boas Práticas de engenharia, visando à elaboração
de projetos e utilização dessas na execução das obras vinculadas ao Programa Rotas
Rurais.
Assim, espera-se também a obtenção de projetos técnicos personalizados, os
quais atendam, da melhor forma possível, às prioridades dos municípios, além de con-
templarem as necessidades técnicas específicas em relação aos trechos de estradas
a serem projetados, considerando sempre a melhor relação custo/benefício, evitando
ainda superdimensionamentos e/ou subdimensionamentos, os quais tendem a acar-
retar prejuízos às partes envolvidas no convênio, sejam por excessos de gastos ou
insucessos das obras, respectivamente.
Considerando ser um bom projeto técnico o conjunto de documentos que,
partindo de uma situação pré-estabelecida consegue propor ações lastreadas em
definições técnicas, descrevê-las e orçá-las de forma clara e objetiva, aos demais
profissionais que destas forem fazer uso, possibilitando o fiel cumprimento do conteúdo
proposto. No caso em questão, objetivamos especificamente obter projetos técnicos que
balizem ações a serem desenvolvidas em obras financiadas pelo Programa Cidadania no
Campo – Rotas Rurais, e que resultem em uma boa estrada rural.
Como parâmetro inicial, estabelece-se que uma boa estrada rural, deve con-
templar minimamente, entre outras, as seguintes características:
• tráfego ano todo;
• segurança aos usuários;
• não dar causa a problemas ambientais;
• baixo custo de manutenção;
• confortável.
Assim, é responsabilidade do técnico projetista fazer inicialmente a análise,
o reconhecimento e a definição exata dos problemas potenciais e/ou existentes nos
trechos de estradas a serem trabalhados, definindo e conhecendo suas causas em uma
segunda etapa, para só então propor, de forma assertiva, possíveis soluções técni-
cas. Essa situação de estabelecer, de forma clara, problemas, causa e soluções, evita
a proposição de ações paliativas, as quais se caracterizam por atuar diretamente nos
problemas, sem, contudo, resultarem na solução definitiva de suas respectivas cau-
sas. A previsível consequência da adoção desse tipo de postura/rotina, é a certeza da
recorrência de problemas técnicos, resultando em retrabalhos, consumindo grande
disponibilidade de frotas e recursos humanos e financeiros de forma contínua.

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Um exemplo clássico e muito significativo sobre uma forma paliativa de se
conservar estradas rurais no Estado de São Paulo e em todo o País, é o sistema de
“simples patrolagem do leito”. Essa prática é considerada como a mais prejudicial às
malhas viárias, em função de resultados pouco consistentes, serviços que se perdem
logo nas primeiras chuvas, benefícios insatisfatórios aos usuários das estradas, graves
problemas ambientais pelo arrastamento de solo e custos recorrentes de manutenção
pela citada fragilidade.

Assim, a simples patrolagem deve ser afastada dos projetos financiados pelo
Programa, bem como, de forma gradual, ser abandonada pelas prefeituras municipais
em suas atividades.

Finalizando, na intenção de atingir resultados satisfatórios, bem como resguar-


dar as partes envolvidas no convênio, as prefeituras precisarão providenciar os pro-
fissionais responsáveis pela elaboração do projeto técnico, bem como os que forem
designados como responsáveis técnicos para acompanhamento e execução das obras
(quadro próprio e/ou terceirizados), os quais deverão ter comprovada experiência na
elaboração de Projetos e Execução de Obras de Adequação e Conservação de estradas
rurais, com ênfase na conservação de solo e água. Indispensável, ainda, o recolhimen-
to de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).

Os serviços de Acompanhamento e Responsabilidade Técnica das obras, assim


como serviços de topografia para execução de obras, poderão integrar a planilha orça-
mentária do projeto, a serem custeados pelo Programa, nos casos em que as prefeitu-
ras municipais não disponham desse tipo de profissional qualificado em seu quadro de
pessoal.

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3. FATORES QUE INTERFEREM DIRETAMENTE
NA QUALIDADE DA MALHA VIÁRIA RURAL

A qualidade de uma malha viária rural tem relação direta com o nível tecnoló-
gico empregado na sua construção e manutenção, fator este possível de ser controlado
pelas prefeituras. Porém deve-se considerar ainda que problemas comuns em estradas
rurais estão diretamente relacionados aos fatores meio físico e tipo de trânsito ‒ os
quais independem das prefeituras ‒, porém requerem grande atenção na elaboração
de projetos técnicos.

3.1. O meio físico


Em relação ao meio físico em que a estrada está inserida, o projetista deve
considerar os seguintes componentes como os mais relevantes:

• relevo;

• solo;

• clima.

3.1.1. Tipos de relevo


O tipo de relevo influencia fortemente em relação à técnica aplicada na cons-
trução e manutenção de estradas, pois tem estreita relação com as diversas declivida-
des e comprimentos de rampas dos traçados das estradas. Eles são classificados em:
relevos suaves, suaves ondulados e ondulados (serras).

Relevos fortemente ondulados, característicos de regiões serranas, os


quais inclusive determinam construções de trechos de estradas em “meia encosta”,
requerem dos projetistas especiais atenção principalmente aos aspectos relacionados
à drenagem de águas pluviais de forma diferenciada e revestimento primários do leito,
influenciando não só na qualidade/longevidade da obra, mas também em aspetos de
segurança. Com relação à drenagem de águas pluviais, em regra essas condições de
serras não permitem o seu armazenamento, restando somente a condução destes
volumes de forma técnica e adequada no sentido de evitarmos processos erosivos.

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Obras em relevos suaves e suaves ondulados permitem aos projetistas a utili-
zação de uma maior variedade de técnicas, incluindo o armazenamento de águas plu-
viais, no sentido de se obter uma boa estrada rural em relação às suas características
técnicas e construtivas.

3.1.2. Solo (tipos de materiais)


O solo constitui o material básico construtivo de uma estrada rural. Assim os
diversos tipos de solo, caraterizados por diferentes constituições granulométricas, in-
fluenciam sobremaneira nas condições das estradas, exigindo diferentes técnicas para
cada tipo de solo, no sentido de obter-se a mesma qualidade e longevidade das obras.
Juntamente com a declividade dos trechos (relevo), os tipos de solos influenciam dire-
tamente nos dimensionamentos relacionados principalmente com o necessário parce-
lamento e condução de volumes de águas pluviais.

Os principais componentes dos solos paulistas são argila, areia, saibro, siltes,
cascalhos, pedregulhos e piçarras. Pode-se fazer as seguintes observações genéricas
sobre os materiais:

• areia e argila são os principais constituintes de leitos e subleitos de estradas, sendo,


via de regra, a proporção de 3:1 destes materiais, considerada boa para estabilidade
das pistas de rolamento. Há tipos de argilas expansivas que comprometem a estabi-
lidade dos leitos;

• cascalhos e pedregulhos geralmente são utilizados em tratamentos primários;

• é preciso ter atenção com solos siltosos (siltes), pois apresentam vários problemas
estruturais às estradas de terra.

Em relação à granulometria dos solos, é importante conhecer não apenas a


sua superfície, mas todo o perfil do solo em questão. Solos mais profundos, bem for-
mados e bem drenados resultam em melhores condições técnicas e construtivas para
as estradas rurais. Assim, a constituição granulométrica dos perfis de solos está rela-
cionada aos seguintes aspectos, entre outros:

• erodibilidade;
• permeabilidade (infiltração de água);
• capacidade de suporte da pista de rolamento das estradas.

3.1.3. Clima (pluviosidade)


Sendo a erosão hídrica a principal causa de deterioração de estradas rurais, a
pluviosidade de uma região é fator fundamental em relação às técnicas de construção

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e conservação de estradas. O volume de chuvas anuais, bem como a sua distribuição
ao longo do ano são fatores a serem conhecidos e considerados pelos projetistas. Chu-
vas intensas têm grande poder de erosividade.

3.2. Tipo de trânsito


O tipo de trânsito ao qual a estrada estará sujeita está diretamente relaciona-
do à sua intensidade, bem como às características dos veículos utilizados na via, sendo
classificado em:
• trânsito intenso ou pouco intenso: intensidade de tráfego (quantidade de veículos
por determinado período);
• trânsito leve, médio ou pesado: tipos de veículos (porte).
O tipo de trânsito de uma estrada determina as técnicas e dimensionamentos
a serem empregadas na sua construção e manutenção. Fatores relacionados ao tipo de
trânsito que merecem especial atenção dos projetistas são os seguintes, entre outros:
• Dimensionamento de plataforma e pista de rolamento;
• Capacidade de suporte do leito da estrada;
• Tratamento Primário (tipo de material e dimensionamentos).
Observação importante: considerando a diversidade do meio físico, bem como os ti-
pos de trânsito encontradas nas diversas regiões do estado de São Paulo, conclui-se
que não há como padronizar a recomendação e aplicação de técnicas e/ou conjunto
de técnicas a serem utilizadas na construção ou recuperação de uma estrada rural.
Esta decisão irá depender exclusivamente da situação de cada trecho a ser projetado,
o que, entre outros fatores, está intimamente relacionada às condições do meio físico
e tipo de trânsito a que a estrada estará submetida, conforme visto acima.

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4. CARACTERIZAÇÃO DAS ESTRADAS RURAIS

4.1. Classificação
• Radiais – partem da sede do município atingindo seus limites. São consideradas es-
tradas principais.

• Transversais – interligam as vias radiais e são consideradas estradas secundárias.

• Caminhos – permitem o acesso de glebas ou terrenos às vias municipais ou estadu-


ais ou federais, geralmente sendo de propriedade de particulares.

4.2. Características técnicas


Conjunto de características adotadas no traçado da estrada, que atendam ao
tráfego que a utiliza, e trazem segurança e conforto aos usuários.

4.2.1. Da construção
• Plataforma da estrada (faixa da estrada) é a soma em metros da largura da pista de
rolamento e do acostamento e, conforme o caso, de uma faixa livre reservada a fu-
turos alargamentos.

• Pista é a parte da plataforma da estrada destinada e preparada para o rolamento dos


veículos.

• Acostamento é a parte da plataforma da estrada destinada ao estacionamento tem-


porário de veículos, e/ou para a construção de sistemas de escoamento de águas
pluviais.

• Velocidade diretriz (VD) consiste na que é desenvolvida pelos veículos com plena
condição de conforto e segurança, no traçado que a estrada deverá permitir. Está
relacionada com certas características técnicas, tais como raio de curvatura, supere-
levação e distância de visibilidade. Exemplos:

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ƒƒ regiões planas ‒ VD = 60km/hora;

ƒƒ regiões onduladas ‒ VD = 40km/hora;

ƒƒ regiões montanhosas ‒ VD = 30km/hora.

• Raio mínimo de curvatura:

ƒƒ regiões planas ‒ R>100m;

ƒƒ regiões onduladas ‒ R >50m;

ƒƒ regiões montanhosas ‒ R >30m.

• Distância de visibilidade é a distância necessária para que dois motoristas de ha-


bilidade média conduzam veículos que percorram, em sentidos opostos, o eixo da
mesma faixa de tráfego e evitem o choque, recorrendo aos freios. O ponto de visão
do motorista deve estar a 1,2m acima da pista.

• Superelevação máxima é a inclinação transversal da pista nas curvas horizontais,


para compensar o efeito da força centrífuga sobre os veículos. (% por raio mínimo de
curvatura de até 200m)

• Declividade máxima:

ƒƒ regiões planas ‒ até 5%;

ƒƒ regiões onduladas ‒ até 10%;

ƒƒ regiões montanhosas ‒ até 15%.

4.2.2. Da operação
São características essenciais de operação de estradas rurais:

• boa capacidade de suporte – pistas com baixa capacidade de deformação (ausência


de lama em épocas de chuvas, afundamentos localizados, ondulações transversais,
rodeiros e facões);

• boa condição de rolamento e aderência – pistas sem irregularidades (esburacamen-


tos, materiais soltos etc.); pistas com boas condições de atrito, boa aderência (não
permitir a “patinação” das rodas dos veículos);

• boas condições de drenagens – superficiais de águas pluviais (considerar águas


lindeiras), corrente e subsuperficiais (minas e lençóis freáticos aflorando).

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4.2.3. Regras básicas para estradas de terra
• O leito das estradas de terra deve se manter o máximo possível à superfície do ter-
reno, pois:
ƒƒ os solos superficiais são, geralmente, mais resistentes à erosão e por sua com-
posição granulométrica, mais facilmente compactados;
ƒƒ os solos mais profundos (solos residuais) mostram baixa resistência à erosão
(% baixa de argila) e são mais difíceis de compactar (componentes siltosos);
ƒƒ para viabilizar a drenagem.
• Um bom sistema de drenagem é essencial para a estrada de terra. Sem uma eficien-
te drenagem, por melhores que sejam as condições técnicas da pista, mais cedo ou
mais tarde sua deterioração será total. Além disso, também é importante para o
escoamento das águas das chuvas recebidas em seu próprio leito e as provenientes
de áreas adjacentes.

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5. PROBLEMAS COMUNS DE ESTRADAS E
SOLUÇÕES TÉCNICAS

Didaticamente, podemos dizer que as causas dos problemas técnicos de


estradas rurais estão localizadas em um dos seguintes componentes relacionados com
as vias:

• no subleito (alicerce);
• no leito das estradas;
• nas áreas marginais.

Dessa forma, repetindo a linha de atuação proposta anteriormente de deixar


de lado soluções paliativas e atuar sempre nas causas dos problemas, recomenda-se
novamente conhecer bem quais são os problemas técnicos existentes e/ou potenciais
(descrição), suas causas (definição e localização), para, somente então, propor solu-
ções técnicas a serem desenvolvidas com base nos projetos.

5.1. Principais tipos de problemas que comprometem as condições de uso das


estradas rurais

5.1.1. Ondulações
As ondulações compõem-se de sulcos em intervalos regulares ou irregulares
no sentido perpendicular à direção do tráfego. Na grande maioria das vezes, as ondu-
lações se formam por conta da baixa capacidade de suporte da pista de rolamento por
onde passa o tráfego, bem como ausência ou deficiência de drenagem superficial.

Solução: definir a causa da falta de capacidade de suporte. Se houver lençol próximo


da superfície, bem como influência de águas pluviais, deve-se promover a drenagem.
Alguns tipos de solo apresentam baixa capacidade de suporte por natureza e, neste
caso, devemos promover técnicas de reforço de subleito.

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Arquivo Codasp

Figura 1 – Ondulações

5.1.2. Rodeiros
Também conhecidos por trilha de rodas, são depressões na superfície da es-
trada ao longo das trajetórias dos pneus dos veículos. Caracteriza-se pelo afundamen-
to longitudinal da pista no sentido/direção do tráfego, devido à compressibilidade dos
solos e às cargas repetidas de tráfego, especialmente quando se tem baixa capacidade
de suporte da pista de rolamento, sendo o problema intensificado nos períodos chu-
vosos.
Solução: por se tratar de mais uma causa de deformação da pista de rolamento, em
função da baixa de capacidade de suporte, a solução é a mesma das ondulações. Se
houver lençol próximo da superfície, bem como influência de águas pluviais, devemos
promover a drenagem. Alguns tipos de solo apresentam baixa capacidade de suporte
por natureza; neste caso devem-se promover técnicas de reforço de subleito.
Arquivo Codasp

Figura 2 – Rodeiros

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5.1.3. Atoleiros
É provocado pela presença do lençol freático muito próximo da superfície do
terreno ou já aflorado, reduzindo a capacidade de carga desse solo e promovendo
afundamento do tráfego local, ou por problemas de drenagem superficial, que impe-
dem a saída das águas pluviais, mantendo-a confinada no leito da estrada, reduzindo
a capacidade de suporte do leito.
Solução: caso o problema seja causado pela presença do lençol freático muito
próximo da superfície do terreno, é necessário realizar a drenagem profunda para
rebaixamento do lençol freático. Nos casos em que o problema ocorre em função
da drenagem superficial deficiente, realizar as obras de adequação que permitam a
drenagem das águas pluviais e se necessário fazer também o revestimento primário
da pista de rolamento.
Arquivo Codasp

Figura 3 – Atoleiro

5.1.4. Areiões de espigão


Em regiões de solos arenosos, onde é muito pequena ou inexistente a ação do
componente ligante (argila), é comum a formação de areiões, pela ação combinada do
tráfego e da lavagem do material pela água de chuva. São trechos por vezes bastantes
extensos, onde a plataforma é dominada por uma camada de areia solta que, em tem-
po seco, torna-se um sério problema para a continuidade e segurança do tráfego.

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Solução: promover a mistura de argila com areia do leito. A adição de cerca de 30% de
argila propicia a formação de uma camada de boa qualidade como pista de rolamento,
tornando coesivo o material que já apresenta boas condições de suporte.

5.1.5. Areiões de baixada


Acúmulo de material sólido arrastado pela enxurrada e depositado por conta
da perda de velocidade dessa vazão, acumulando parte no leito da estrada e parte
lançada em cursos d’água à jusante, provocando o processo conhecido como assorea-
mento.
Solução: contenção da vazão de escoamento superficial à montante do problema.
Retirada do areião (ou aproveitamento para solo-fino) e revestimento com solo-
brita.
Arquivo Codasp

Figura 4 – Areião de baixada

5.1.6. Excesso de poeira


A formação de pó na superfície de rolamento das estradas ocorre em função
da liberação da fração fina de partículas de sua camada de base ou revestimento, cuja
presença na mistura possui teor excessivo. A formação de poeira não é apenas um
simples desconforto ao usuário, pois causa problemas de visibilidade, elevando a pro-
babilidade de ocorrência de acidentes.
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Solução: uma das melhores correções para este problema é um revestimento primário
selante. No caso dos solos finos siltosos, o problema se agrava, pois a formação de
poeira é mais intensa e a capacidade de suporte desse material é baixa. Nesse caso,
adição de argila e/ou execução do revestimento primário são soluções técnicas reco-
mendadas.

5.1.7. Rocha aflorante


Nas regiões onde a camada de solo é pouco espessa (solo raso), a ação de
processos erosivos ‒ geralmente provocados pela constante patrolagem ‒ pode expor
o leito rochoso (rocha-mãe aflora para a superfície). Nesse caso, a pista se torna bas-
tante irregular e, por vezes, escorregadias, prejudicando ou mesmo inviabilizando o
tráfego.
Arquivo Codasp

Figura 5 – Rocha aflorante

Solução: para corrigir esse problema, deve-se executar aterramento com solo estabi-
lizado (areno-argiloso), no mínimo, e com uma altura mínima de 0,4m, com posterior
revestimento primário de cobertura (solo-brita). Geralmente, essas exposições de ro-
chas se dão em trechos curtos, o que ‒ dependendo do tipo de tráfego e da importân-
cia da via ‒ justifica o recobrimento do trecho com concreto armado, podendo ser em
área total ou apenas em faixas de rodeiros.

16 | Rotas Rurais
5.1.8. Costela de vaca
As corrugações, popularmente chamadas de “costelas de vaca”, são geralmen-
te encontradas em traçados com material granular (cascalhos, pedregulhos e mesmo
areias) solto sobre a superfície da pista de rolamento, que, geralmente, por conse-
quência do tráfego, vai se acumulando transversalmente em equidistâncias, devido a
pequenas patinadas (giros em falso) dos pneus.
Arquivo Codasp

Figura 6 – Costela de vaca

Podemos também observar que esse fato ocorre com frequência em traçados
de baixíssima declividade, pois, no caso de declividades maiores, esse material não
se acumula na superfície, mas rola para a lateral, formando o processo de segregação
lateral (8.11).
Solução: por se tratar de material granular solto na superfície do terreno, há necessi-
dade de fixá-lo (cravar) na pista de rolamento. As simples homogeneização e compac-
tação podem ser suficientes, dependendo dos tipos de materiais e das quantidades
envolvidas. O revestimento primário do leito pode ser uma técnica necessária e/ou
mais viável, dependendo da situação encontrada.

5.1.9. Pista derrapante


Se considerarmos a definição dada ao processo de costela de vaca, ou seja,
material granular solto na superfície da pista de rolamento, além da formação da
costela de vaca, esse material granular anula a aderência dos pneus, provocando a
possibilidade de derrapamento dos veículos que compõem o tráfego local.

Rotas Rurais | 17
Arquivo Codasp

Figura 7 – Pista derrapante

Solução: nesse caso, há necessidade de “consumir” o material granular solto na su-


perfície da pista de rolamento, podendo ser por incorporação no leito ou retirada do
excesso. Ele pode ser descartado ou aproveitado, dependendo, entre outros fatores,
da qualidade e quantidade do material solto.

5.1.10. Pista escorregadia


Em situação similar à pista derrapante, a escorregadia ocorre quando numa
situação de excesso de pó sobre a pista de rolamento, quando, sob certas condições
de umidade, o tráfego fica sujeito a deslizar por falta de aderência dos pneus.
Arquivo Codasp

Figura 8 – Pista escorregadia

18 | Rotas Rurais
Solução: assim como nos casos similares, onde a estrutura do solo ficou prejudicada,
resolver a causa da umidade ‒ se for contínua (lençol) ‒ e executar revestimento pri-
mário do leito. A simples adição de certa porcentagem de material arenoso pode ser
suficiente para correção do problema (mistura areia/argila).

5.1.11. Segregação lateral


Acúmulo de material granular solto na superfície da pista de rolamento, mate-
rial esse que com o tráfego local será lançado lateralmente pelos pneus para as laterais
do traçado, acumulando-se nessa área. Ocorre mais intensamente em lançantes decli-
vosas.
Arquivo Codasp

Figura 9 – Segregação lateral

Solução: a solução indicada para o problema de pista derrapante (capítulo 8.9) aplica-
-se nesse caso.

5.1.12. Buracos
Várias são as causas da formação de buracos na superfície de rolamento das
estradas. Segundo o Manual Técnico para Conservação e Recuperação do IPT (Santos
et al, 1988), os buracos surgem pela contínua expulsão de partículas sólidas do leito,
quando da passagem de veículos sobre um local onde há empoçamento de água. Ou
seja, o aparecimento de buracos é um sintoma de uma plataforma mal drenada (dre-
nagem superficial), ou da ausência de partículas aglutinantes na composição dos ma-
teriais da superfície, da inexistência de tratamento primário, ou então da deficiência
do componente ligante (argila) do próprio tratamento primário.

Rotas Rurais | 19
Solução: a correção desses problemas deve começar pela drenagem das águas da pla-
taforma, por meio de abaulamento transversal e construção de lombadas e terraços,
promovendo a drenagem superficial. Os buracos isolados devem, em seguida, ser ta-
pados, utilizando para isso material externo (preferencialmente uma mistura solo-brita
na proporção de 2:1), evitando cortar a plataforma com a lâmina da motoniveladora,
a fim de desaparecer com o buraco. Dependendo da extensão do problema, aplicar e/
ou refazer (revitalizar) o revestimento primário do leito pode ser a opção mais viável.
Arquivo Codasp

Figura 10 – Erosão do leito

5.1.13. Erosão
As erosões representam um dos mais sérios problemas das estradas rurais e
são causadas pela falta ou deficiência de um sistema de drenagem superficial adequa-
do. Elas surgem inicialmente na forma de pequenas ravinas e, sob a ação da enxur-
rada, evoluem para grandes erosões, podendo em algumas ocasiões alcançar o nível
das águas do aquífero freático, o qual passa a participar do processo erosivo. Em tal
situação são denominadas voçorocas, cujo desenvolvimento pode apresentar grandes
dimensões e rápida evolução.
Erosão lateral é o nome dado a um tipo específico de erosão, verificado às
margens do traçado de qualquer estrada de terra, provocando arrastamento de mate-
rial sólido para as áreas de baixada, ou, ainda, sendo desviado para as áreas lindeiras.
Solução: o combate à erosão se dá pela implantação de um eficiente sistema de dre-
nagem superficial, o qual deve buscar os seguintes objetivos:
• evitar que as águas corram em grande volume e velocidade, arrastando partículas
de solo;
20 | Rotas Rurais
• retirar o máximo possível de água da plataforma da estrada, por meio de sangras das
estruturas de captação e armazenamento de água;
• evitar que as águas corram ou empocem sobre a pista de rolamento, executando o
abaulamento transversal.
Arquivo Codasp

Figura 11 – Erosão do leito


Arquivo Codasp

Figura 12 – Erosão lateral

Rotas Rurais | 21
6. TÉCNICAS COMUMENTE UTILIZADAS EM
OBRAS DE ESTRADAS RURAIS

6.1. Locação da faixa de trabalho


A faixa de trabalho refere-se à área ao longo da estrada rural que sofrerá in-
tervenções durante os serviços de adequação. As áreas ocupadas pelas estruturas de
armazenamento de águas pluviais não estão necessariamente contidas nesta faixa.
Tem como objetivo delimitar a faixa a ser trabalhada, servindo de referência
aos operadores de máquinas, evitando a movimentação de solo em excesso ou em
volumes inferiores ao necessário. Sua locação se faz necessária quando a obra contem-
plar retaludamento para a elevação do greide estradal (abatimentos de barrancos).
A relação de corte ideal para se conseguir rampa com declividade que
possibilite drenagem superficial é de 3:1 a 5:1. Deve-se acrescentar a essa faixa de
corte a área para deposição do material de limpeza, bem como a área para manobra
de equipamentos. Locar por intermédio de estaqueamento ao longo do trecho a ser
trabalhado.

6.2. Área de limpeza


A limpeza da faixa de corte diz respeito à remoção de materiais inservíveis
para a elevação do perfil longitudinal da estrada (greide). Em especial, é a remoção de
todo material vegetal, juntamente com a camada de solo superficial que contém tam-
bém elevados teores de matéria orgânica, inadequados para a composição de aterros.
Essa operação tem como objetivo fornecer material apropriado à obra seja das
faixas marginais da estrada ou de áreas de empréstimo, bem como reservar a camada
orgânica para posterior devolução sobre áreas de subsolos expostas, contribuindo com
o processo de restabelecimento da vegetação nas áreas terraplenadas.
Executar a raspagem da superfície da faixa de corte a uma profundidade de até
0,2m e depositar esse material além do limite da faixa de limpeza. O material deposita-
do ao término dos serviços de terraplenagem será reposto como material de cobertura
na faixa de corte.

22 | Rotas Rurais
Em caso de áreas de empréstimo (jazidas), distantes do corpo estradal, a ras-
pagem superficial também deverá acumular material para o posterior recobrimento
do terreno. Após os trabalhos de recuperação, providenciar a vegetação e a manuten-
ção dos taludes, canais, terraços e bacias de captação, caso a devolução do material de
limpeza não seja suficiente para promover a revegetação da área explorada.
Arquivo Codasp

Figura 13 – Limpeza do material orgânico para posterior elevação do


greide da estrada com solo das faixas marginais (bota-dentro).

6.3. Adequação de taludes e leito


Trata-se do conjunto de operações adotadas em relação aos taludes, espe-
cialmente os de corte (barrancos) e leitos das estradas, levando-se em consideração
características técnicas e construtivas desejáveis.
Tem como objetivo a adição de solo de melhor qualidade ao leito da estrada,
melhorando assim suas características construtivas, bem como viabilizando a drena-
gem de águas pluviais de forma técnica, possibilitando o parcelamento de lançantes,
além da adequação das dimensões das plataformas, de modo a propiciar o trânsito de
forma segura. Após a limpeza de todo o material indesejável à constituição do leito e
da estrada, inicia-se o retaludamento (quebra de barranco) a partir da faixa de corte
previamente estabelecida e demarcada. Essa operação (bota-dentro), ao mesmo tem-
po que fornece material para a elevação do leito da estrada, deverá assegurar a nova
conformação dos taludes.
Simultaneamente ao retaludamento (quebra de barrancos), promove-se a de-
posição do material resultante dessa operação (solo) em local que irá compor a nova
plataforma da estrada. Essa operação não deve ser realizada em camadas espessas,
uma vez que tal procedimento dificultará os processos de acomodação e/ou compac-
tação do material, podendo comprometer a capacidade de suporte necessária ao leito
da estrada, tendo como consequência sua deformação.

Rotas Rurais | 23
Em locais onde o terreno apresenta-se com inclinação transversal em relação
ao eixo da estrada, e desde que necessitem de retaludamento nas duas laterais, deve-
se abater primeiramente o lado de montante (mais alto) e complementar, se necessá-
rio, com o lado de jusante (mais baixo).
Arquivo Codasp

Figura 14 – Esquema apontando os elementos da seção transversal de uma estrada rural

Para efeito das obras de adequação a serem desenvolvidas, a plataforma da


estrada é a seção transversal que contém a pista de rolamento mais o espaço ocupa-
do pelos canais laterais de drenagem (sarjetas). A regularização da plataforma tem a
finalidade de definir as conformações da pista de rolamento com devido abaulamento
transversal, promover correções na inclinação das rampas, inclinação de taludes e,
também, estabelecer cotas convenientes para os canais laterais de drenagem em rela-
ção ao eixo da estrada.
Após os serviços topográficos de locação da plataforma, essa operação,
executada com a motoniveladora (corte/aterro), deverá manter as cotas das bordas
laterais da pista de rolamento em relação à do eixo da estrada (abaulamento da pista),
à largura da pista e à conformação das sarjetas.
Abaulamento é o nome dado à forma convexa que se dá à secção transversal
da estrada, para que a água da chuva não permaneça sobre ela, devendo promover a
rápida remoção dessas águas, não permitindo que a água permaneça por muito tempo
na superfície. (Griebeler et al, 2009). A declividade de rampa é fator determinante na
inclinação do abaulamento, e deve ser determinado pela tabela a seguir (Tabela 1). A
comodidade dos usuários também deve ser considerada, uma vez que o abaulamento
em excesso leva os condutores a trafegarem somente no centro da pista.
24 | Rotas Rurais
Tabela 1 – Abaulamento máximo e mínimo em função da declividade da rampa

Declividade Abaulamento Abaulamento


da rampa mínimo áximo
0 - 5% 3% 10%
5 - 10% 3% 8%
10 - 15% 3% 6%
15 - 20% 3% 4%
Fonte: Codasp

Após a execução da regularização da estrada, faz-se a conferência mediante


topografia. Quando da detecção de pontos (ou trechos) fora do padrão, opera-se sua
imediata correção.
Adaptado de Baesso e Gonçalves, 2003

Figura 15 – Abaulamento da pista de rolamento

Em estradas rurais, a compactação do solo visa promover sua estabilização e/


ou impermeabilização. Portanto, esse tipo de operação deverá ser empregado quando
houver deposição de materiais, visando minimizar o processo erosivo e desgaste da
pista durante os trabalhos de adequação de estradas. A necessidade de compactação
e a metodologia a ser empregada dependem de vários fatores, cujo detalhamento se
encontra no item 6.3 deste Manual.

Rotas Rurais | 25
6.4. Lombadas

São estruturas de reforço ao sistema de drenagem superficial, dispostas per-


pendicularmente ao eixo da estrada. Permitem que as águas pluviais sejam encaminha-
das às estruturas de armazenamento e infiltração. Também servem como estruturas
educativas (redutoras de velocidade de trânsito) e integração do sistema conservacio-
nista das áreas agrícolas lindeiras com a estrada rural.

Fazer a locação com o auxílio do nível de precisão, estaqueando as laterais da


estrada, indicando assim a posição da lombada. Devem-se também locar a sua largura
e seu comprimento, que terá, no mínimo, a largura da plataforma e a altura da crista
da lombada, que deve estar contida entre uma faixa de 0,1m e 0,3m (compactada)
acima da cota do pé do talude de montante no eixo da pista. Quanto ao comprimento,
deve-se saber que a jusante deve possuir o dobro do comprimento da montante.
Arquivo Codasp

Figura 16 – Construção de lombada

Para a construção, toma-se como referência de corte o estaqueamento pré


-estabelecido na locação. Utilizando o material do próprio local, inicia-se o corte pelas
laterais da estrada, transportando o material até o ponto da lombada, esparramando e
compactando em camadas de no máximo 0,3m. Também pode-se construir a lombada
com material importado de jazida, transportando-o até o ponto da lombada, esparra-
mando e compactando em camadas de no máximo 0,3m.

26 | Rotas Rurais
6.5. Segmentos de terraços
São estruturas de armazenamento e infiltração de águas pluviais drenadas su-
perficialmente da plataforma da estrada, conhecidas como bigodes. São estruturas
com maior capacidade de infiltração por apresentar uma grande área de contato da
água armazenada com o solo por onde esse volume fluirá, se comparado com as bacias
de captação.

Tão logo a plataforma da estrada esteja regularizada, inicia-se a locação. De


posse das cotas respectivas dos pontos de locação da lombada (quando for o caso) nos
canais de drenagem laterais, locar com desnível de até 0,25m as cotas dos terraços,
partindo de cada extremidade da lombada.

A última estaca do terraço, a partir da lombada, deverá ter cota coincidente


com a cota da estaca do canal de drenagem que originou a locação. Em solo pouco
permeável deve-se abrir os segmentos de terraços, com a última estaca 0,05m mais
baixa em relação à cota da estaca que originou a locação.
Arquivo Codasp

Figura 17 – Locação de segmentos de terraços (“bigodes”)

Em propriedades rurais já terraceadas deve-se considerar os terraços já exis-


tentes, trazendo suas cotas até as margens da estrada e construindo as lombadas nes-
ses pontos, integrando o sistema conservacionista das áreas agrícolas lindeiras com a
estrada rural.
Para a construção dos terraços, utilizam-se tratores de esteira com lâmina
frontal, escavadeira hidráulica, pá-carregadeira e/ou motoniveladoras, tomando-se
como referência de corte o estaqueamento pré-estabelecido na locação.
No caso dos tratores de esteira e/ou pá-carregadeira, o primeiro corte sempre
é frontal, isto é, posicionamento perpendicular da máquina em relação ao alinhamen-
to das estacas, onde se verifica uma maior movimentação de solo na formatação do

Rotas Rurais | 27
terraço. Nas demais passadas, a posição de trabalho é longitudinal ao alinhamento das
estacas, iniciando assim o processo de acabamento da forma do terraço, que pode ter
tanto seção transversal, com formato trapezoidal, como triangular.
No caso da utilização da motoniveladora, a posição de trabalho da máquina
é sempre longitudinal ao alinhamento das estacas, sendo que o posicionamento dos
cortes no caso é dado pela angulação da lâmina.

6.6. Bacias de captação


São estruturas de armazenamento de águas pluviais drenadas superficialmen-
te da plataforma das estradas rurais. Permitem que as águas pluviais drenadas sejam
armazenadas, possibilitando sua infiltração no lençol freático e, ainda, transportar
esse volume até o manancial receptor, quando construídas em série e em cotas de-
crescentes até os locais onde esse volume transportado possa ser lançado. Construí-
das em substituição aos terraços, quando a área disponível para a construção dessas
estruturas de armazenamento for insuficiente, ou, ainda, transpor volumes precipita-
dos, quando as condições topográficas forem desfavoráveis ao livre escoamento.
Tão logo a plataforma da estrada esteja regularizada, inicia-se a locação. De
posse das cotas respectivas dos pontos de locação da lombada, locar com desnível
aproximado de 1% o ponto B (Figura 18), conhecido como ponto de referência.
Arquivo Codasp

Figura 18 – Esquema de locação de bacias de captação

Mantendo o comprimento C – D, com o ponto B fixo, rotacionar a bacia de


modo que os pontos C e D ocupem a mesma cota no terreno. Posteriormente, locar os
pontos B’, C’ e D’, mantendo o mesmo raio BC ou BD, sendo que nos pontos B’, C’ e D’
deve-se deixar uma borda livre de no mínimo 30cm acima da cota original.
28 | Rotas Rurais
Considerando a declividade do terreno original, onde a bacia está locada, es-
taquear os pontos B’, C’ e D’ com estacas suficientemente altas para que possamos
transferir a cota do ponto B diretamente para as estacas C, D, B’, C’ e D’. A cota do
ponto B transferida para as estacas C, D, B’, C’ e D’ deverão ser visíveis para o operador
da máquina, pois elas serão a referência de altura do aterro a ser construído.

Seu dimensionamento segue metodologia proposta pelo Boletim Técnico 207


– CATI (Bertolini et al, 1993). Após a construção do aterro, a escarificação do fundo da
bacia de captação é indispensável para facilitar a infiltração do volume acumulado,
principalmente nos solos mais argilosos.

Observação 1: no acabamento da bacia, respeitando o dimensionamento até agora


calculado, a formatação do aterro tendendo mais para a forma circular do que semi-
circular é bastante recomendável, pois aumenta a capacidade de armazenamento e
consiste numa forma prática de se poderem amenizar as rampas, diminuindo significa-
tivamente o surgimento de sulcos erosivos internos.
Observação 2: manter a cota da crista em C na mesma cota do canal de admissão em
A’. A cota da crista deverá ser superior ao “na” (cota do nível da água), ao longo de
toda a crista.
Arquivo Codasp

Figura 19 – Bacia de captação

Rotas Rurais | 29
7. OBRAS COMPLEMENTARES

7.1. Tubulação de fluxo transversal

Os tubos de fluxo transversal são elementos de drenagem que servem para


transpor a água de um lado para outro da estrada ou dar passagem livre a drenagens
naturais permanentes, como córregos, ou temporárias, como enxurradas. Em regra,
são utilizados tubos de concreto, de preferência de concreto armado, devendo-se
sempre obedecer às especificações do fabricante, lembrando que seu topo deverá es-
tar a uma profundidade mínima igual a uma vez e meia seu diâmetro ou altura.

As dimensões do bueiro devem ser calculadas por meio dos métodos usuais.
Em estradas rurais deve ter no mínimo 40cm de diâmetro. O início do assentamento
deve ser à jusante, com a bolsa do tubo voltada à montante (sentido oposto ao flu-
xo). Adotar declividade entre 0,5% e 5% (Dias Junior e Palaro, 2014). Para melhorar a
capacidade de suporte do fundo (especialmente quando alagado), bem como em vias
de tráfego pesado, adotar um berço em concreto ou um lastro em brita (figura 20A).
O embolsamento (ou rejuntamento) deve ser feito logo depois da instalação do tubo
(figura 20B).
Arquivo Codasp

A B
Figuras 20 A e B – Exemplo de berço de concreto e rejuntamento

30 | Rotas Rurais
O reaterro deve ser realizado com solo de boa qualidade, isento de impurezas
(entulho etc.) e/ou vegetação (nem sempre o solo local). A tubulação deve estar rejun-
tada para evitar entrada de terra e a compactação pode ser feita com o auxílio de um
sapo mecânico.
As caixas e alas têm como funções manter as extremidades da tubulação,
evitando solapamento, bem como o direcionamento do fluxo d’água. Devem ser
construídas de alvenaria, como bloco cerâmico, bloco de concreto ou pré-moldados
(Figura 21).
Arquivo Codasp

Figura 21 – Alvenaria em blocos cerâmicos, de concreto e pré-moldados

Essas estruturas auxiliares da tubulação de fluxo transversal devem receber


reboco em areia e cimento. Evitar o uso de cal, bem como evitar uso de areia da
estrada, pois podem causar fissuramento excessivo. Sarrafear e desempenar.

Pode-se utilizar como alternativa aos tubos de fluxo transversal, em estradas


rurais onde os recursos financeiros para a recuperação ou a manutenção sejam extre-
mamente limitantes, bem como se o volume de água permitir estruturas chamadas
de passagem molhada. São dispositivos de drenagem construídos em rachão (pedra
de mão), que permitem a transposição das águas superficiais de um lado ao outro da
plataforma, onde as condições de deságue lhes são mais favoráveis.

Rotas Rurais | 31
7.2. Drenagem profunda
Drenagem profunda (ou drenagem subterrânea) é a utilização/instalação de
estruturas drenantes em áreas subsuperficiais da estrada, seja no subleito e/ou nas
margens da plataforma, para o rebaixamento do nível da água subterrânea (lençol
freático). É aplicada quando há ocorrência de afloramento do lençol freático na pista
de rolamento ou nas laterais. Sua aplicação se dá, também, quando há umidade no
subleito da estrada, prejudicando a capacidade de suporte da mesma.
A drenagem profunda constitui-se de valas ou camadas, preenchidas por um
ou mais materiais, com permeabilidade bem maior que a do material trabalhado, cuja
função é a de recolher as águas que se infiltram no pavimento e conduzi-las para fora
da plataforma da estrada (Demarchi et al, 2003).
Podem ser utilizados os mesmos materiais adotados pela engenharia rodoviária,
como o tubo drenante corrugado, a manta geotêxtil e a trincheira drenante, havendo
também soluções mais baratas para utilização em estradas rurais, situação na qual os
recursos financeiros destinados à recuperação ou manutenção sejam limitados.
Arquivo Codasp

Figura 22 – Instalação de drenagem profunda com feixes de bambu


Arquivo Codasp

Figura 23 – Abertura de vala e instalação de drenagem profunda

32 | Rotas Rurais
Adaptado de Baesso e Gonçalves, 2003

Figura 24 – Esquema de construção de dreno profundo com brita, tubo drenante e manta geotêxtil

A escavação para instalação deve ser realizada da jusante para a montante,


permitindo o escoamento da água, evitando seu confinamento (para aqueles que
forem trabalhar com manilhas, pouco usuais atualmente, instalar de montante para
jusante, evitando a obstrução dos poros pela lama).

7.3. Aterros

O material utilizado para elevação do greide das estradas rurais é, na maioria


das vezes, obtido nas laterais da própria estrada. No entanto, quando esse material
é extremamente arenoso ou brejoso, geralmente nas baixadas, torna-se necessário
importar material de uma jazida próxima.
Pode-se afirmar que a construção dos aterros é uma das fases em que os
maiores cuidados devem ser tomados no emprego correto dos procedimentos, pois a
má execução desse trabalho tem sempre consequências muito negativas.
O material importado deve ser isento de matérias orgânicas. É preferível não
iniciar os trabalhos quando há grande possibilidade de ocorrência de chuva. Deve ser
realizado um espalhamento do material em camadas sucessivas, em toda a largura da
seção transversal, com posterior compactação, obrigatoriamente executada em cama-
das de 0,2m a 0,3m, com umidade adequada.

7.4. Canaletas
Quando existe algum impedimento para a quebra de barranco, impedindo a
drenagem superficial, uma alternativa é a condução da água pelas canaletas, pequenas
Rotas Rurais | 33
valetas laterais executadas ao longo dos bordos da pista de rolamento, objetivando a
captação e condução das águas superficiais, conduzindo-as para um talvegue natural
ou artificial, tubulação de fluxo transversal, segmento de terraço ou bacia de captação.
Essas canaletas devem ser revestidas, para evitar que a água corra em grande
volume e velocidade, promovendo processos erosivos. Nesse revestimento podem-se
utilizar canaleta gramada (vegetal), canaleta concretada (alvenaria) e canaletas com
pedras arrumadas (rachão).
Arquivo Codasp

Figura 25 – Execução de canaletas de concreto em estrada rural


Arquivo Codasp

Figura 26 – Execução de canaletas vegetadas em estrada rural

34 | Rotas Rurais
8. TRATAMENTOS PRIMÁRIOS

8.1. Revestimento primário


É um tratamento superficial, onde uma camada de mistura homogeneizada
é colocada diretamente sobre o subleito ou sobre o reforço executado, regularizando
a superfície de rolamento, com o objetivo de melhorar as condições de rolamento e
aderência nas estradas de terra. A mistura pode ser executada na própria jazida, no
trecho em obras, ou em qualquer pátio que se mostre adequado.

A espessura dessa camada vai depender do volume e tipo do tráfego, além das
condições de suporte do subleito, variando geralmente entre 0,1m a 0,2m (Silva Filho,
2001).

O objetivo da adição de argila no material granular é o de atuar como ligante e


regularizar a superfície final de rolamento. Já o objetivo do uso do material granular é
aumentar o atrito da pista com as rodas dos veículos (Oda, 2001). A dimensão máxima
ideal do material granular é de 2,5cm (Santos et al, 1988).

Em regra, nas obras executas em estradas rurais, a mistura é realizada na


própria pista que será revestida, distribuindo-se o material granular de forma que a
camada apresente espessura constante e, em seguida, promovendo-se a mistura com
o auxílio de um trator agrícola com grade de discos. A seguir, veremos as etapas de
execução do revestimento primário.

8.1.1. Preparo da sub-base


Considerando que a estrada está sendo recuperada, já houve compactação e a
tal se encontra com o subleito preparado, obedecendo às condições de alinhamento,
com abaulamento e estruturas de captação e armazenamento de água, permitindo a
drenagem superficial. Caso a intenção seja revestir uma estrada que não acabou de
passar pelo processo de recuperação, abrir a caixa a fim de compactar a sub-base,
conformar a plataforma e garantir que ela tenha drenagem superficial, pois, caso con-
trário, todo o trabalho e os insumos dispensados no revestimento serão perdidos.

Rotas Rurais | 35
8.1.2. Lançamento e homogeneização
Depositar o material de revestimento na área central da pista, com espaçamento
suficiente para se obter a espessura final desejada. Pode-se utilizar uma corrente na
tampa traseira do caminhão basculante para facilitar esta operação. Em seguida,
espalhar o material homogeneamente sobre a pista, com o auxílio da motoniveladora.
A mistura para composição do solo-brita é realizada com a grade de discos. Pode-se
previamente utilizar o escarificador da motoniveladora para facilitar esta operação.
Após a incorporação, deve-se reconformar a plataforma.
Arquivo Codasp

Figuras 27 A, B, C e D – Lançamento do material granular (A), escarificação (B),


incorporação (C), mistura solo-brita homogênea.

8.1.3. Compactação
O material (solo-brita) a ser compactado deve ser umedecido com caminhão-
-irrigadeira (pipa). No caso de excesso de umidade, haverá necessidade de se aerar o
material, revolvendo-se o solo com arados ou grades de discos, expondo-o à ação dos
raios solares e do vento, para se obter evaporação rápida.
Para se verificar se o teor de umidade do solo está bom para a compactação,
faz-se um controle visual, realizando o chamado teste expedito (o solo não deve estar
nem seco nem encharcado). Baesso e Gonçalves (2003) explicam que, nesse teste,
toma-se um punhado do material e faz-se uma leve pressão com os dedos. Se ao abrir
a mão a mistura tender a se desmanchar, esfarelando, ela está seca. Caso esteja lama-
centa, está muito úmida. Se a pressão deixar na mistura a marca dos dedos, o teor de
umidade apresenta condições ideais de uso.
36 | Rotas Rurais
Arquivo Codasp

28 29
Figuras 28 e 29 – Teste expedito para verificação da umidade adequada de compactação

A compactação deve ser realizada dos bordos para o eixo da estrada. Nas cur-
vas, a compactação deve iniciar-se no sentido do bordo interno para o externo. Baesso
e Gonçalves (2003) orientam que o equipamento compactador deve proceder tantas
passadas quanto forem necessárias, executando o trabalho por faixa de rolamento. A
cada passada, o rolo compactador deve sobrepor metade da passada anterior.

No que tange ao gerenciamento das estradas sob jurisdição municipal,


ao considerarmos limitações de ordem operacional quanto ao desprovimento de
quaisquer estruturas de pessoal e equipamentos de laboratório para controle dos
serviços de compactação, há que se introduzir certa dose de criatividade, de forma que
se apliquem controles expeditos conjugados com a experiência do pessoal de campo,
como testar a passagem em velocidade reduzida de caminhões basculantes carregados
e, se verificada a inexistência de deformações na pista, considerar a compactação
concluída. Caso contrário, dar continuidade ao trabalho do rolo compactador (Baesso
e Gonçalves, 2003).
Arquivo Codasp

30 31
Figuras 30 e 31 – Umedecimento da mistura solo-brita e posterior compactação

Rotas Rurais | 37
Arquivo Codasp – Regional Nordeste

Figura 32 – Trecho após execução da compactação, pronto para receber o acabamento

8.1.4. Acabamento
O acabamento deve ser executado com motoniveladora, exclusivamente em
operação de corte (lixamento). Posteriormente, a plataforma deve ser “selada” em
toda sua extensão transversal, com o auxílio de um rolo compactador liso, podendo
tal operação ser também realizada com um caminhão (basculante ou irrigadeira), por
meio de repetidas passadas no trecho, alternando suas passadas, até que se cubra
toda a extensão transversal da plataforma.
Arquivo Codasp

Figura 33 – Trecho sendo “selado” com o auxílio de um caminhão-irrigadeira

38 | Rotas Rurais
Arquivo Codasp

Figura 34 – Trecho após conclusão do revestimento

8.2. Agulhamento
É o tratamento primário onde ocorre a operação de cravação, por compactação,
de material granular grosseiro diretamente no subleito (se este for argiloso) ou sobre
uma camada argilosa colocada sobre ele.
O objetivo é a melhoria das condições de rolamento e aderência nas estradas
de terra, onde a execução do revestimento primário se mostre problemática ou muito
onerosa, ou para estradas de terra de menor porte e baixo volume de tráfego.
O agulhamento tem um resultado técnico, em termos de durabilidade e
desempenho, inferior ao revestimento primário, visto tratar-se da incorporação de
pequenas quantidades de granulares visando à formação de uma camada delgada,
apresentando condições de suporte superiores ao subleito (Baesso e Gonçalves, 2003).
Portanto, é indicado para situações nas quais a execução do revestimento primário se
mostre problemática ou muito custosa, ou para estradas de terra de menor porte e
baixo volume de tráfego. Os materiais granulares mais indicados para o agulhamento
são os pedregulhos limpos, cascalhos e piçarras resistentes, com dimensão superior a
2,5cm (Santos et al, 1988).
Para a execução do agulhamento, é necessária a regularização da pista de
rolamento, mantendo o abaulamento da estrada e posterior escarificação do subleito
(ou lançamento de camada de argila). Em seguida, o lançamento e espalhamento
do material granular, bem como o revolvimento dos materiais. Faz-se necessário o
umedecimento (ou secagem quando necessária) para posterior compactação.
Rotas Rurais | 39
8.2. Mistura areia/argila
Em regra, a composição ideal para estabilização de solos que compõem a pista
de rolamento, é constituída de 3:1 na relação areia e argila, sendo a areia com a função
estruturante e a argila com a função de ligante. Quando essa relação está muito fora
da referida proporção ideal, o leito da poderá apresentar problemas estruturais bem
como problemas de falta de aderência, entre outros.
A mistura areia/argila consiste em estabelecer ou mesmo restabelecer a pro-
porção ideal, pela adição por importação do componente que se encontra em menor
quantidade na composição do solo, seguido de homogeneização e subsequente com-
pactação.
Em situações de severidade dos problemas apresentados, sugere-se utilizar
análise granulométrica laboratorial, para definir as efetivas porcentagens dos respecti-
vos materiais existentes nos solos originais, bem como na jazida de importação.

40 | Rotas Rurais
9. TIPOS DE OBRAS A SEREM FINANCIADAS

O município poderá optar pelo tipo obra que será realizada na estrada deman-
dada, de acordo com a situação atual da via, tipo de utilização e de tráfego.
Pelo histórico do Programa, verificamos haver uma tendência de se executar,
em seu âmbito, apenas obras de adequação de estradas, que se caracterizam, em ge-
ral, por atuar em pontos críticos das estradas, os quais demandam obras com grandes
volumes de solo a serem movimentados, tecnologias mais complexas e, consequente-
mente, custos mais elevados. Assim, apesar de não haver impedimento nesse sentido,
diante da nova filosofia do Programa, entende-se que essa questão deve ser objeto de
discussões prévias entre gestores e técnicos dos municípios, definindo com base na
efetiva realidade da malha viária, em quais as prioridades e, consequentemente, em
maiores necessidades em relação aos tipos de serviços a serem financiados pelo Pro-
grama. Dessa forma, devemos considerar que, mesmo os serviços de menores custos e
complexidade, como por exemplo o de manutenção básica, são de grande importância
no contexto da conservação da malha viária municipal, pois desenvolvendo serviços
com base em boas tecnologias evitamos que esses trechos devidamente conservados
evoluam ao estado de deterioração de pontos críticos. Passa-se então a atuar de forma
preventiva e não apenas no sentido de adequar o que já se encontra muito deteriora-
do, situação essa que em um conceito mais amplo de gestão de malhas viárias pode se
encaixar perfeitamente.
No detalhamento a seguir, onde estão especificados os tipos de serviços a se-
rem executados em cada tipo de obra, é verificada uma grande coincidência em rela-
ção aos mesmos, o que é perfeitamente natural e compreensivo. Porém a forma e o
volume em que os tipos de serviços são empregados, em cada tipo de obra, é o que
irá diferenciá-los nas indicações técnicas, principalmente em relação aos valores dos
orçamentos.

9.1. Manutenção básica de estradas

9.1.1. Tipos e características das estradas


Enquadram-se nesse tipo de serviços de manutenção básica os trechos de es-
tradas com as seguintes características:

Rotas Rurais | 41
• pouco erodidos, em que a plataforma da estrada ainda se encontra próxima à
superfície do terreno;
• estradas que, mesmo “encaixadas”, estejam em condições as quais permitam a
drenagem de águas pluviais (dependendo de alturas de barrancos, meia encosta,
declividades);
• muito “encaixados” (relativamente curtos, dependendo de largura da plataforma, de
tipo de solo, condições de drenagem no final e revestimento de canaletas).

9.1.2. Tipos de serviços em manutenção básica


Enquadram-se nesse tipo de manutenção de estradas os seguintes serviços:
• limpeza (material orgânico) – por afastamentos e bota fora;
• regularização da plataforma – tipo (conformações), dimensões, base (reforços de
subleito);
• drenagem superficial – abaulamento transversal do leito, canaletas laterais,
lombadas, tubos, estruturas de armazenamento (em áreas lindeiras), contribuição
de áreas lindeira – retenção de águas pluviais;
• drenagem profunda – utilização de materiais próprios para essa atividade (exem-
plos: mantas geotêxteis, material granular etc.);
• revestimentos primários – cascalhos, estabilizantes, brita, agregado misto da cons-
trução civil – ARM;
• tubulações transversais – dimensionamentos, tubos de concreto, tubos PAD, caixa
e alas pré-moldadas.

9.2. Revitalização de obras realizadas pelo Programa

9.2.1. Tipos e características das estradas


Enquadram-se nesse tipo de serviço de revitalização de obras realizadas os
trechos de estradas já trabalhados pelo Programa Melhor Caminho há pelo menos oito
anos e que apresentem sinais de deterioração.

9.2.2. Tipos de serviços em revitalização de obras já executadas


Enquadram-se nesse tipo de revitalização/manutenção de estradas os seguin-
tes serviços:
• limpeza (material orgânico) – por afastamentos, bota fora;

42 | Rotas Rurais
• regularização da plataforma – reconformações, base (reforços de subleito);
• drenagem superficial e recuperação – abaulamento transversal do leito; canaletas
laterais; lombadas; tubos; estruturas de armazenamento (em áreas lindeiras); con-
tribuição de áreas lindeiras – retenção de águas pluviais;

9.2.3. Drenagem profunda


Utilização de materiais próprios para esta atividade (exemplos: mantas geo-
têxteis, material granular etc.).

9.2.4. Revestimentos primários – recuperação


Cascalhos, estabilizantes, brita e ARM.

9.2.5. Tubulações transversais


Dimensionamentos, tubos de concreto, tubos PAD e caixa e alas pré-moldadas.

9.3. Construção de estradas

9.3.1. Tipos e características das estradas


Enquadram-se neste tipo de serviços de construção de estradas os trechos a
serem construídos com as seguintes características:
• os quais são de aberturas de estradas de interesse do município;
• aqueles de estradas a serem construídas em áreas já abertas e cultivadas, ou seja,
que não estejam em áreas de vegetação nativa.

9.3.2. Tipos de serviços em construção de estradas


Enquadram-se nesse tipo de construção de estradas os seguintes serviços:
• limpeza (material orgânico) – por afastamentos e bota-fora;
• construção da plataforma – tipo (conformações); dimensões e base (reforços de
subleito);
• implantação do sistema de drenagem superficial – abaulamento transversal do
leito, canaletas laterais, lombadas, tubos, estruturas de armazenamento (em áreas
lindeiras), contribuição de áreas lindeiras – retenção de águas pluviais;
• drenagem profunda – utilização de materiais próprios para essa atividade (exem-
plos: mantas geotêxteis, material granular etc.);

Rotas Rurais | 43
• aplicação de revestimentos primários – cascalhos, estabilizantes, brita, ARM;
• construção de tubulações transversais – dimensionamentos, tubos de concretos,
tubos PAD, caixa e alas pré-moldadas.

9.4. Adequação de estradas rurais

9.4.1. Tipos e características das estradas


Enquadram-se nesse tipo de serviços de adequação de estradas os trechos
com as seguintes características:
• em avançado estado de erosão, em que a plataforma da estrada se encontra bastante
rebaixada em relação à superfície do terreno;
• aqueles de estradas que, uma vez “encaixadas” em relação à superfície do terreno,
as condições não permitam a drenagem de águas pluviais (dependem alturas de
barrancos, meia-encosta, declividades);
• os muito encaixados (dependendo de largura da plataforma, tipo de solo, condições
de drenagem no final e revestimento de canaletas).

9.4.2. Tipos de serviços em adequação de estradas


Enquadram-se nesse tipo de adequação de estradas os seguintes serviços:
• limpeza (material orgânico) – por afastamentos, bota-fora.
• construção da plataforma – tipo (conformações), dimensões, adequação de taludes
(grandes volumes de terraplenagem), base (reforços de subleito).
• implantação do sistema de drenagem superficial – abaulamento transversal do lei-
to, canaletas laterais, lombadas, tubos, estruturas de armazenamento (em áreas lin-
deiras), contribuição de áreas lindeiras – retenção de águas pluviais;
• drenagem profunda – utilização de materiais próprios para esta atividade (exem-
plos: mantas geotêxteis, material granular etc.).
• aplicação de revestimentos primários – cascalhos, estabilizantes, brita, ARM;
• construção de tubulações transversais – dimensionamentos, tubos de concretos,
tubos PAD, caixa e alas pré-moldadas;
• cercas – remoção e construção.

44 | Rotas Rurais
10. ESTRUTURAÇÃO DO PROJETO TÉCNICO

O tópico apresenta o conteúdo mínimo a ser produzido pelos responsáveis


técnicos na elaboração projeto, no sentido de nortear a execução das obras de estra-
das a serem financiadas pelo Programa, bem como respaldar os gestores envolvidos.
Para cada trecho de estradas a ser trabalhado nos municípios deverá ser ela-
borado um projeto básico.
As relações entre prefeitura municipal e os proprietários lindeiros (áreas mar-
ginais às estradas trabalhadas) é fator importante a ser levado em consideração pelos
projetistas, uma vez que não há como se realizar bons trabalhos nessa área, sem con-
siderar as interações naturais que ocorrem entre as estradas rurais e referidas proprie-
dades lindeiras.
Todos os municípios que passaram por alguma etapa do extinto programa Me-
lhor Caminho tinham como requisito para assinatura do convênio a aprovação de uma
Lei Municipal de Estradas Rurais. Dessa forma, além das regulamentações federais e
estaduais, devem os técnicos projetistas atentarem-se às disposições das referidas leis
municipais.

10.1. Projeto básico (modelo)

10.1.2. Adequação em estradas rurais em terra

AAA – XXX, município de XXXXXX/SP

• Natureza e localização
ƒƒ A presente obra compreende a reforma e recuperação das estradas rurais.
AAA- 000 (2,92km) / BBB – 000 (3,66KM), no município de XXXXXXXXX/SP.
Trata-se de adequação de 6,58km de estrada vicinal em terra, que seguirá as indica-
ções deste Memorial Descritivo/Termo de Referência e as planilhas orçamentárias, o
projeto, o edital de licitações, bem como os demais documentos que se tornam partes
inseparáveis do processo.

Rotas Rurais | 45
• COORDENADAS
Denominação da Coordenadas Coordenadas
Bairro
estrada ou trecho iniciais finais
766.668 mE 769.229 mE
AAA- 000 Areias
7.679.721 mN 7.677.311 mN
766.668 mE 769.229 mE
BBB- 000 Areias
7.679.721 mN 7.677.311 mN
Fonte: Codasp

• Croqui do local
Arquivo Codasp

Figura 35 – Croqui do local


Arquivo Codasp

Figura 36 – Imagem aérea identificando os trechos de estradas rurais a serem trabalhados

46 | Rotas Rurais
• Dispositivos preliminares
No desenvolvimento desse projeto básico foram adotadas e cumpridas, no que
couberam, as disposições contidas no Decreto n.o 56.565, de 22 de dezembro de 2010.
Foram analisados e considerados os itens quanto à funcionalidade, adequação
ao interesse público, segurança, durabilidade, economia, facilidade na execução e con-
servação.
Os materiais e a mão de obra constantes no projeto básico foram especifica-
dos considerando a oferta existente no local da obra.
Todos os serviços deverão ser executados atendendo-se às Normas Regula-
mentadoras constantes da Portaria n.o 3.214, de 8/6/1978, relativas à Segurança e
Medicina do Trabalho.
Além das disposições aqui manifestas, a execução dos serviços deverá obedecer
também aos projetos, pelos quais entendem-se os desenhos, as especificações técnicas,
as instruções de serviços ou qualquer documento afim, fornecido ou aprovado pela
CONVENIADA, dando indicação de como os serviços deverão ser executados.
Além dos que estão explicitamente indicados nos projetos, os serviços deve-
rão obedecer às especificações definidas neste Memorial Descritivo e nas Normas da
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Os materiais a serem utilizados serão todos de primeira qualidade. A expres-
são “De Primeira Qualidade” tem, nas presentes especificações, quando existirem di-
ferentes gradações de qualidade em um mesmo produto, a gradação de qualidade
superior.
Conforme disposto no artigo 8.o, do Decreto Estadual n.o 53.047, de 2 de junho
de 2008, “Artigo 8.o – todas as contratações de obras e serviços de engenharia realizadas
no âmbito da Administração Estadual Direta e Indireta, a partir de 1.o de junho de
2009, que envolvam o emprego de produtos e subprodutos florestais listados no artigo
1.o deste Decreto, deverão contemplar no seu processo licitatório a exigência de que
referidos bens sejam adquiridos de pessoas jurídicas cadastradas no Cadmadeira”.
Conforme disposto na Lei Estadual n.o 12.684/07 e à exigência contida na Lei
Estadual n.o 16.775/2018, está proibido o uso de produtos, materiais ou artefatos que
contenham quaisquer tipos de amianto ou asbesto ou outros minerais que, acidental-
mente, tenham fibras de amianto em sua composição.
Os funcionários da CONVENIADA deverão trabalhar devidamente identifica-
dos; de forma ordeira e com segurança; utilizar Equipamentos de Proteção Individual
(EPIs) em número suficiente, compatível com o trabalho desempenhado, os quais de-
vem ser fornecidos pela CONVENIADA. Além disso, devem respeitar a fiscalização da
Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Rotas Rurais | 47
O aceite e, posterior, pagamento de cada item só será feito após ele ser com-
pletamente realizado e não serão aceitos materiais para efeito de pagamento, somen-
te postos na obra.
A CONVENIADA é a única responsável por danos que venham a ocorrer, por
imperícia, negligência ou imprudência, especialmente às propriedades de terceiros e
lindeiros à obra.
A execução de todos os serviços contratados obedecerá aos projetos forne-
cidos e ao presente MEMORIAL DESCRITIVO e ao Plano de Trabalho. Deverão ser ob-
servadas, também, as demais instruções contidas no edital de licitações e na planilha
orçamentária, com seus critérios de medição.
Todas as medidas deverão ser conferidas no local, não cabendo nenhum servi-
ço extra, por diferenças entre as medidas constantes no projeto e o existente.
Compete à CONVENIADA fazer prévia visita ao local da obra, para proceder
minucioso exame das condições locais, averiguar os serviços e o material a empregar.
Qualquer dúvida ou irregularidade observada nos projetos ou nas especificações
deverá ser previamente esclarecida junto à FISCALIZAÇÃO, visto que, após apresentada
a proposta, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento não acolherá nenhuma
reivindicação.
Não será permitida a alteração das especificações, exceto a juízo da Secretaria
de Agricultura e Abastecimento e com autorização por escrito dela.
Ficará a CONVENIADA obrigada a demolir e a refazer os trabalhos impugnados
logo após o recebimento da Ordem de Serviço correspondente, sendo por sua conta
exclusiva as despesas decorrentes dessas providências, ficando a etapa corresponden-
te considerada não concluída.
Durante a execução dos serviços, todas as edificações e construções ‒ tais
como residências, barracões, cercas, muros, postes, fiações elétricas e de dados, pavi-
mentos, tubulações etc. ‒ eventualmente atingidas pela obra deverão ser recuperadas
utilizando-se material idêntico ao existente no local. Todo e qualquer dano causado
às instalações lindeiras retrocitadas, por máquinas ou funcionários da CONVENIADA,
deverá ser reparado exclusivamente pela própria, sem ônus para a Secretaria de Agri-
cultura e Abastecimento.
A obra deverá ser entregue desimpedida de todo e qualquer entulho, restos
de vegetação, montes de terra que não fazem parte das estruturas de captação e infil-
tração ou qualquer pertence da CONVENIADA e com as estruturas em perfeito funcio-
namento.
No intuito de se tomarem todas as precauções necessárias a evitar a ocorrên-
cia de acidentes na obra, durante a execução dos trabalhos deverá ser rigorosamente
observada “Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho n.o 18” (NR-18 Obras

48 | Rotas Rurais
de Construção, Demolição e Reparos), bem como as normas aplicáveis aos trabalhos
executados, especialmente a NBR 7678, da ABNT. Além disso, deverão ser tomados os
cuidados no fornecimento das refeições aos funcionários, notadamente no sentido de
prover áreas de vivência em número e localização adequados. Além disso, deverão ser
dispostos banheiros químicos em número e localização adequados à necessidade dos
funcionários em obra.

A obra deverá permitir o trânsito por meio de desvios e sinalização adequada;


o acesso de pessoas nas áreas e durante o período de execução é de responsabilidade
da CONVENIADA, que deverá responder por eventuais acidentes ocorridos entre usu-
ários das estradas em obras e equipamentos da CONVENIADA.

O início da execução dos serviços só será autorizado após a inspeção de todos


os equipamentos e posterior aprovação pela Secretaria de Agricultura e Abastecimen-
to. Os equipamentos deverão ser capazes de executar os serviços sob as condições
especificadas e atingir a produção requerida no prazo de execução contratado.

A responsabilidade civil e ético-profissional pela qualidade, solidez e seguran-


ça da obra ou serviço é inteiramente da CONVENIADA.

• Licenças e taxas

Será encargo da CONVENIADA o pagamento de eventuais taxas que se fizerem


necessárias à execução dos serviços, junto à prefeitura municipal, como taxa/alvará de
instalação de canteiro de obras, Imposto Sobre Serviços (ISS), entre outros.

• Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)

Antes do início dos trabalhos, a CONVENIADA deverá apresentar a ART do res-


ponsável técnico pela execução da obra.

• Quadro de obra

A CONVENIADA deverá manter integralmente na obra ENGENHEIRO ou MES-


TRE DE OBRAS que comande, instrua e responda diariamente pelos trabalhos da obra.
Esse será responsável pelo preenchimento de DIÁRIO DE OBRA, conforme normativo
do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea/SP). Além disso, essa pessoa
será de quem a FISCALIZAÇÃO cobrará providências imediatas. A permanência de pes-
soa não capacitada nessa função dará direito à Secretaria de Agricultura e Abasteci-
mento de tomar as medidas cabíveis, inclusive de paralização dos trabalhos.

• Prazos

O prazo máximo para execução desses serviços será de 65 dias.

Rotas Rurais | 49
• Anexos – Elementos do Projeto Básico
Anexo 1 – Memorial Descritivo
Anexo 2 – Plantas e demais elementos gráficos
Anexo 3 – Planilha Orçamentária Quantitativa
Anexo 4 – Cronograma Físico-Financeiro
Anexo 5 – Relatório Fotográfico
Anexo 6 – Glossário de Termos Técnicos
Anexo 7 – Composição ‒ Preço Unitário ‒ Planilha Orçamentária

Local, ___/___/___

Responsável técnico pelo projeto: ________________________

• Detalhamentos para desenvolvimento dos anexos

50 | Rotas Rurais
ANEXO 1
Itens essenciais que devem constar do Memorial Descritivo

Serviços preliminares:
• placa de identificação de obra,
• instalação de canteiro de obra, locação de vias, calçadas, tanques e lagoas.

Serviços de terraplanagem:
• limpeza da área (locação da faixa de corte/faixa de limpeza);
• intervenções com retalhamento (quebra de barranco);
• intervenções com suavização de taludes de corte (sem quebra de barranco);
• transporte de solo de primeira e segunda categorias por caminhão até o
quilômetro “x”;
• espalhamento de solo em bota-fora com compactação sem controle;
• escavação carga mecanizada em solo de primeira categoria, em campo aberto;
• escavação mecanizada de valas ou profundidade de até 2m;
• reaterro compactado mecanizado de vala ou cava com compactador;
• compactação de aterro mecanizado mínimo de 95% pn (proctor normal), sem
fornecimento de solo em campo aberto;
• regularização e compactação mecanizada de superfície, sem controle do pn (proctor
normal);
• compactação de subleito mínimo de 95% do pn (proctor normal);
• transporte de material solto para distâncias superiores a “x” quilômetros.

Adequação de estradas rurais – método executivo:


• adequação de taludes e regularização do leito (intervenções com retaludamento –
quebra de barranco e sem retaludamento – sem quebra de barranco);
• plataforma da estrada/pista – locação e execução, definição, locação, abaulamento
da pista de rolamento, execução, metodologia, equipamentos a utilizar;

Rotas Rurais | 51
• lombadas, abaulamento da pista de rolamento, execução, metodologia e equipa-
mentos a utilizar;
• lombadas, execução;
• terraços, definição e tipo, objetivos/aplicação, locação, dimensões, método de exe-
cução;
• bacias de captação, locação, execução e equipamentos;
• drenagem profunda, aplicação, materiais, metodologia de execução, equipamentos
a utilizar;
• locação, execução e equipamentos;
• instalação de tubos em concreto, materiais, tubo de concreto, execução e equipa-
mentos a utilizar;
• revestimento primário, definição, requisitos dos materiais granulares a serem
utilizados;
• requisitos dos agregados, equipamentos a utilizar na aplicação;
• execução, critérios técnicos para aceitação dos serviços de revestimento;
• sinalização temporária e segurança dos usuários das vias.

Dimensionamentos e quantitativos:
• comprimento dos trechos;
• dimensionamento da plataforma;
• quantitativos e diretrizes de execução.

52 | Rotas Rurais
ANEXO 2
Plantas Baixas

As plantas baixas deverão representar:


• perfil da estrada;
• localização de estruturas;
• seções transversais e relatórios voluméricos;
• detalhes construtivos.

Rotas Rurais | 53
ANEXO 3
Planilhas Orçamentárias (Modelo)

Planilha Orçamentária das Obras de Reforma e Recuperação das Estradas Rurais


XXX-000, no Município de XXXX (SP)
Descrição dos Serviços com Preço
Código Item Quantidade Quantidade Total
Fornecimento de Materiais Unitário
1 Serviços Preliminares R$ 50.520,17
Acompanhamento e Responsabilidade
DER s/ BDI 32.412,00
1.01 Técnica por Engenheiro Pleno – horas 300,00 108,04
35.04.31 Temporário
DER s/ BDI Serviços de Topografia para Execução 14.991,00
1.02 horas 300,00 49,97
35.04.51 de Obras – Topógrafo Temporário
Composição 1 1.03 Instalação de Canteiro de Obra un. x mês 2,00 1.050,19 2.100,38
CPOS 2,66 382,19 1.016,79
1.04 Placa de Identificação da Obra m2
(02.08.020)
2 Limpeza de Área R$ 32.060,84
DER s/ BDI Limpeza de Área, sem 36.457,28 0,27 9.843,47
2.01 m2
(02.01.01.99) Destocamento de Árvores
Limpeza de Área, com Destoca de 3.112,20 2,45 7.624,89
CPOS 2.02 Diâmetro de 15 a 20cm e Remoção m2
(02.09.130) em Bota-Fora
DER s/ BDI Limpeza de Área, com Destoca de 1355,78 0,50 677,89
2.03 m2
(02.01.01.99) Diâmetro de 25
Espalhamento e Regularização de 40.925,26 0,34 13.914,59
Composição 2 2.04 m2
Materiais em Bota-Fora
3 Terraplanagem R$ 109.328,30
Aterro Compensado – Adequação 3.790,30 9,03 34.226,41
Composição 3 3.01 m
de Taludes (barranco até um metro)
Aterro Compensado - Construção 20,00 259,68 5.193,60
Composição 4 3.02 un.
de Lombadas – tipo 1
Aterro Compensado - Construção 3,00 375,08 1.125,24
Composição 5 3.03 un.
de Lombadas – tipo 2
Aterro Compensado - Construção 2.150,00 8,12 17.458,00
Composição 6 3.04 m
de Terraço – tipo base média
Aterro Compensado - Construção 5,00 1.110,40 5.552,00
Composição 7 3.05 un.
de Bacia de Captação (raio = 8cm)
Composição 8 3.06 Regularização de Plataformas m 2.311,77 19,80 45.773,05
4 Tratamento Primário R$ 77.629,34
Composição 9 4.01 Revestimento primário m 2.311,77 33,58 77.629,24
5 Obras Complementares R$ 12.100,44
Composição Tubulação de Fluxo Transversal 24,00 151,91 3.645,84
5.01 m
10 (PA-1), DN = 600mm
Composição Conjunto de Alas para Tubos com 2,00 1.003,30 2.006,60
5.02 un.
11 DN= 600mm
Sinap Construção de Aterros 1.193,53 5,41 6.457,00
5.03 m
(79473) (aterro compensado)
Subtotal R$ 234.244,99
BDI 29,71% R$ 69.594,19
Total Geral R$ 303.839,18
Obs.: Orçamento Elaborado Conforme Boletim de Preços - CPOS 171 - Sinap 12/6/2019 - DER 31/3/2019
Local ___/____/____ Eng. Responsável

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ANEXO 4
Cronograma Físico-Financeiro (Modelo)

OBRAS DE REFORMAS E RECUPERÇÃO DAS ESTRADAS RURAIS


AAA-XXX, NO MUNICÍPIO XXX(SP)
ORGANOGRAMA FÍSICO/FINANCEIRO
Descrição dos Serviços com
Item Valor do Item 30 dias 60 dias
Fornecimento de Material
1 Serviços Preliminares 3.113,17 1.558,59 1.558,58
2 Limpeza de Área 32.066,84 16.030,42 16.030,42
3 Terraplenagem 109.328,30 54.664,15 54.664,15
4 Terraplenagem Primária 77.629,24 38.814,62 38.814,62
5 Obras Complementares 12.109,44 6.054,72 6.054,72
Total Parcial 234.244,99 117.122,50 117.122,50
BDI 29,71% 69.594,19 34.797,09 34.797,09
Total Acumulado com BDI 303.839,18 151.919,59 303.839,18

Local ___/____/____ Eng. Responsável


Fonte: Codasp

Rotas Rurais | 55
ANEXO 5
Relatório Fotográfico (Modelo)

Bairro: XXXXXXX Estrada municipal: AAA-000 Extensão total: 2,3km

Lançante 1: km 0,00 ao 0,32 (baixada/divisor)

Lançante 1: baixada km 0,00 Lançante 1: divisor km 0,32

Lançante 2: km 0,32 ao 0,96 (divisor / baixada)

Lançante 2: divisor km 0,32 Lançante 2: baixada km 0,96

Fonte: Codasp

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O relatório fotográfico deverá representar, de forma significativa, a situação
atual do trecho de estrada a ser projetado:
• com proporção mínima de cinco fotos por quilômetro projetado;
• com identificação de pontos aos quais as fotos se referem (exemplo: km 00+100m);
• com indicação de pontos notáveis (pontes, erosões, drenos etc.);
• com descrição da situação encontrada (problemas técnicos).

ANEXO 6
Glossário de Termos Técnicos

Poderá ser utilizado o glossário constante do Manual (Capítulo 11), acrescido


de possíveis termos técnicos faltantes.

Rotas Rurais | 57
ANEXO 7
Composições e Critérios de Medições (Modelo)

Composições dos preços unitários da planilha orçamentÁria


Obras de reforma e recuperação das estradas rurais
XXX, no município XXX (SP)
Descrição Custo
Código Tabela Item Unidade
de Serviço Unitário
Composição 1 1.01 Instalação de canteiro de obras un. x mês R$ 1.050,19

Composição do Item
Custo
Item n.o Tabela Código Descrição Unidade
Unitário
Locação de container tipo alojamento
1 CPOS 02.02.120 un. x mês 571,2
– áreamínina 13,80 m2
Banheiro químico tipo alojamento
2 CPOS 02.01.180 Standart, com manutenção un. x mês 479,17
conforme exigência da Cetesb
Total un. x mês 1.050,19

espalhamento e regularização de
Composição 2 2.04 m2 R$ 0,34
material em Bota-Fora

Composição do Item
Custo
Item n.o Tabela Código Descrição Unidade Quantidade
Unitário
Espalhamento/regularização/
1 DER 22.02.09.99 compactação de material em m3 1,69
Bota-Fora
– – – Volume de material por área m3/m2 0,20
– – – Valor por área m2 0,34
Total m2 0,34

Aterro compensado – Adequação


Composição 3 3.01 m R$ 9,03
de talude (barranco até 1m)

Composição do Item
Custo
Item n.o Tabela Código Descrição Unidade Quantidade
Unitário
1 Sinap 79473 Corte e aterro compensado m3 5,41
Volume de corte por metro linear-
– – – m3/m 1,67
barranco altura até 1m
– – – Valor por metro linear de barranco m 9,03
Total m 9,03

Aterro compensado – Construção de


Composição 4 3.02 un. R$ 259,68
lombadas – tipo 1

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Composição do Item
Custo
Item n.o Tabela Código Descrição Unidade Quantidade
Unitário
1 Sinap 79473 Corte e aterro compensado m2 5,41
Volume de lombada tipo 1 por
– – – unidade (comprimentos 20m, altura m3 48,00
total 0,36m, largura 12m)
– – – Valor por unidade un. 259,68
Total un. 259,68

Fonte: Codasp

Observação importante: em projetos de estradas pavimentadas (rodovias) é comum


adotarem-se quantitativos de serviços a serem trabalhados/executados em volume de
solos movimentados. Apesar de tratarem-se de estradas, há pouca similaridade nas tec-
nologias utilizadas em obras de estradas rurais, comparadas às obras de rodovias pavi-
mentadas. Uma vez admitido isso, existe também grande diferença na elaboração de
projetos técnicos e na execução da obra em si. Projetos e obras de rodovias pavimenta-
das caracterizam-se por normas, parâmetros e técnicas de engenharia, todas pré-esta-
belecidas, exigindo assim um grande universo de informações para definições de situa-
ções a serem atingidas ao final da obra.
Dessa forma, esses projetos partem de levantamentos topográficos planialtimé-
tricos primitivos altamente detalhados, o que permite projetar, calcular e orçar itens com
base em volumetria de solos movimentados, de onde os mesmos serão medidos ao final
da obra, por um segundo levantamento topográfico, o qual permite aferir por diferenças
os volumes, para fins de medições e remuneração.
Considerando as características das tecnologias a serem utilizadas nas obras de
estradas rurais, não se justifica a elaboração de projetos técnicos executivos na mesma
forma dos exigidos em obras de rodovias pavimentadas (exemplo: cotas finais do greide
das estradas). Dessa forma, os projetos em questão permitem que se parta de levanta-
mentos topográficos mais simples, por meio de perfis transversais das estradas, os quais
permitem projetar, com boa assertividade, os volumes e serviços a serem executados.
Caso seja essa a situação adotada (o que é recomendado), partindo de
levantamentos primitivos mais simples e menos detalhados, ela não permite realizar
medições em volumes movimentados de solos, havendo então necessidade de que unidades
sejam orçadas e representadas em quantidades (un.), comprimento (m) e/ou área (m2).
Dessa forma, será possível proceder com medições, de forma simples e confiável, passíveis
de verificações (exemplo: metros de barrancos abatidos na proporção projetada, número
de lombadas construídas nas dimensões projetadas, número de terraços construídos com
as dimensões projetadas, quilômetros de revestimento primário etc.).
Porém, caso adote projetar por volumetria, o técnico deverá proceder levanta-
mento topográfico primitivo, de acordo com as normas técnicas de engenharia de forma
detalhada, prevendo novos levantamentos topográficos por época das medições de
serviços.

Rotas Rurais | 59
11. GLOSSÁRIO
(CONCEITOS E TERMINOLOGIAS)

Este capítulo foi criado para apresentar os principais termos ou as expressões


empregadas quando se tratam de recuperação e manutenção de estradas rurais,
utilizando definições das diferentes publicações referenciadas no capítulo 12 deste
Manual.
• Abaulamento: inclinação da seção transversal, a partir do eixo da estrada, visando
melhorar a vazão superficial da plataforma.
• Abatimento de barrancos: conjunto de atividades destinadas a cortar/quebrar os
barrancos, permitindo o manejo das águas pluviais.
• Adequação de taludes e leito: conjunto de operações adotadas em relação aos talu-
des, especialmente os de corte (barrancos) e leitos das estradas, levando-se em con-
sideração características técnicas e construtivas desejáveis. A adequação de taludes
de corte, de aterro e leitos de estradas tem como principais objetivos estabilizar os
taludes, por meio de inclinações pré-estabelecidas; adição de solo de melhor quali-
dade ao leito da estrada, melhorando assim suas características construtivas; viabi-
lizar a drenagem de águas pluviais de forma técnica, possibilitando o parcelamento
de lançantes; adequar as dimensões das plataformas, de forma a atender ao trânsito
de forma segura.
• Agregado: termo utilizado para designar materiais oriundos de jazidas ou artificial-
mente produzidos e inertes à ação da água.
• Bacia hidrográfica: área delimitada por uma linha de contorno de maiores cotas ge-
ográficas, cuja declividade convirja para um dreno principal, composto por uma linha
de cotas geográficas mais baixas.
• Bacias de captação: estruturas de armazenamento construídas em formato circular,
com função de armazenar e infiltrar águas pluviais.
• Bigode/segmento de terraço: dispositivo utilizado para conduzir e/ou armazenar as
águas superficiais conduzidas para fora da plataforma das estradas.
• Borda: linha que delimita a plataforma de uma estrada/pista de rolamento, ou as
partes externas e internas de uma curva.

Rotas Rurais | 60
• Borrachudo: ocorrência localizada ou generalizada onde há perda da capacidade de
suporte do solo pela falta de coesão entre as partículas, em razão do excesso de
umidade local.
• Bota-fora: remoção para fora da faixa de corte/trabalho, ou do corpo estradal, de ma-
teriais inservíveis existentes ou gerados pela obra, como tocos, excedentes de mate-
riais vegetais, solo, rochas e outros, acomodando-os de forma adequada em locais
previamente escolhidos, onde não venham a causar problemas de ordem ambiental.
• Britagem: processo de esmagamento a que são submetidas as rochas para a produção
de agregados dos mais diferentes diâmetros, para uso em trabalhos diversos.
• Canaleta: dispositivo localizado ao lado da estrada, construído em solo, grama ou
concreto, com finalidade de conduzir as águas pluviais.
• Compactação: processo manual ou mecânico que visa, por compressão do terreno,
reduzir o volume de vazios do solo, melhorando as suas características de resistência,
deformidade e permeabilidade.
• Condições de rolamento e aderência: propriedades de uma superfície que asseguram
o deslocamento de um veículo.
• Conservação: conjunto de práticas, visando à recuperação ou mesmo adequação
após definição de um programa executivo, podendo ter ações corretivas, rotineiras
ou emergenciais.
• Corpo estradal: faixa constituída pela plataforma da estrada.
• Desassoreamento: remoção de depósitos de materiais geralmente transportados
pela ação da água.
• Drenagem: compreende o conjunto de serviços relativos à execução de dispositivos
de escoamento das águas superficiais ou subterrâneas, para manter seca e sólida a
infraestrutura da estrada.
• Drenagem profunda: instalação de estruturas drenantes em áreas subsuperficiais,
seja no subleito e/ou às margens da plataforma com finalidade para rebaixamento
do lençol freático.
• Drenagem superficial: toda drenagem de água pluvial que se verifica no nível da
superfície do terreno.
• Elevação do leito: método utilizado para elevação do perfil longitudinal do traçado,
onde o seu greide encontre-se excessivamente encaixado.
• Empolamento ou expansão volumétrica: fenômeno característico dos solos e simi-
lares que, ao serem escavados no seu estado de compactação natural, sofrem uma
expansão volumétrica bastante considerável.

61 | Rotas Rurais
• Encosta: área adjacente à estrada com grande declividade à montante do leito da
estrada.
• Erosões: alterações nas superfícies causadas pela ação da água ou do vento, geral-
mente pelo transporte dos materiais finos.
• Escada hidráulica: estrutura utilizada para amenizar o escoamento da vazão
superficial até seu destino de lançante.
• Escarificação: operação de desagregação de uma camada superficial de um solo
compactado.
• Espigões: linha formada pela junção dos pontos de maior cota em uma curva de ní-
vel; também conhecidos nos meios rodoviários pelo termo divisores de águas.
• Estrada encaixada: aquela cuja seção transversal apresenta forma de U, resultante
do rebaixamento do seu leito natural ou do terreno.
• Estruturas: dispositivos construídos ao longo do traçado para absorção, armazena-
mento e reservação das águas pluviais, promovendo sua infiltração, abastecendo o
lençol freático.
• Faixa de corte: área já delimitada, que sofrerá intervenções de retaludamento du-
rante os serviços de adequação, servindo de referência aos operadores de máquinas.
• Faixa de trabalho: área delimitada em uma estrada onde serão efetuadas intervenções
destinadas a readequá-la tecnicamente.
• Granulometria: tamanho dos grãos e partículas apresentados por solos, agregados e
outros materiais fraturados oriundos de rochas.
• Greide: perfil do eixo da pista, referido à superfície acabada da estrada. Quando o
perfil do eixo for referido à plataforma terraplanada, é especificado como greide de
terraplenagem.
• Greide encaixado: greide da estrada que sofreu um rebaixamento de sua condição
original por condições altimétricas de projeto, visando ao alcance de rampas em
declividades enquadradas em determinados padrões, ou por falta de manutenção
adequada.
• Incorporação: é a mistura do material granular no leito ou fora da estrada.
• Intervenção: conjunto de atividades executadas na estrada destinadas à sua recon-
formação.
• Jazidas: ocorrências naturais de materiais, para uso em camadas mais nobres de um
pavimento, revestimento primário ou reforço do subleito. Como também aquelas
áreas cujos materiais são destinados à conformação dos corpos dos aterros.

Rotas Rurais | 62
• Jusante: área adjacente situada em cotas inferiores (abaixo) da estrada.

• Lançante: extensão de trecho de estrada em declividade entre a cota mais alta e a


cota mais baixa.

• Leira: elevação de terra entre dois sulcos, usada também para as elevações longitu-
dinais de terra resultantes do patrolamento das estradas.

• Lençol freático: nível das águas subterrâneas.

• Limpeza da faixa de corte: remoção de materiais inservíveis à adequação do traçado


de um modo geral. Em especial, é a remoção de todo material vegetal, juntamente
com a camada de solo superficial.

• Lindeiras: propriedades existentes nas áreas adjacentes ao longo do traçado.

• Lindeiros: proprietários ou arrendatários de terras situados às margens da extensão


do traçado.

• Linha d’água: nível da água; altura que ela alcança em determinados dispositivos.

• Locação: demarcação em campo das áreas de intervenção e dos elementos do pro-


jeto a serem construídos.

• Lombadas: estruturas de reforço ao sistema de drenagem superficial, dispostas per-


pendicularmente ao eixo da estrada. Permitem fracionar as distâncias, diminuindo
a velocidade das águas pluviais, direcionando as tais para as estruturas construídas
(bacia de captação ou terraços), ao longo do traçado.

• Manta geotêxtil: manta de poliéster utilizada em estruturas de drenagem como ele-


mento filtrante.

• Materiais granulares: materiais constituídos basicamente por grãos inertes à ação


da água e apresentando os mais variados tamanhos e formas.

• Meio ambiente: conjunto de unidades ecológicas que funcionam como um sistema


natural, abrangendo toda vegetação, animais, micro-organismos, solo, rocha, atmos-
fera e fenômenos naturais que podem ocorrer em seus limites.

• Microbacia hidrográfica: área geográfica delimitada entre dois divisores de água e


basicamente drenada por um curso natural.

• Montante: áreas adjacentes situadas em cotas superiores (acima) da estrada.

• Obras de arte: na área rodoviária, são assim denominados os dispositivos/obras de


drenagem destinados à transposição das águas de um lado para o outro das estradas
e constituídos de bueiros em geral, pontes/pontilhões.

63 | Rotas Rurais
• Passagem molhada: aquela de pequena profundidade executada no leito das estra-
das rurais, constituída por colchão drenante, com o objetivo de conduzir as águas
superficiais de um lado para o outro da estrada.
• Pedra amarroada ou marroada: tamanho de pedra característico, que pode ser
carregada com as mãos e é produto da ação de marrões ou marretas.
• Pedra de mão: pedra bruta quebrada a marrão; pedra que pode ser manuseada.
• Pedregulho: material formado basicamente por seixo rolado, apresentando em sua
mistura partículas finas de areia, silte e argila.
• Perfil: linha que representa, de forma contínua, a situação altimétrica de um alinha-
mento sobre uma superfície plana.
• Perfil do terreno: perfil de uma linha (por exemplo, o eixo ou um bordo de pista)
disposta sobre a superfície terrestre.
• Pista de rolamento: faixa da plataforma destinada à circulação de veículos.
• Planta: projeção horizontal dos elementos de um projeto.
• Plataforma da estrada: faixa localizada entre as canaletas de drenagem lateral, com-
posta de pista de rolamento e largura das canaletas laterais.
• Proteção vegetal: atividade destinada à proteção das superfícies de corte e aterro
das estradas dos efeitos erosivos das chuvas, bem como a ação de promover a re-
composição paisagística das demais áreas exploradas (jazidas, empréstimos etc.),
por intermédio de seu revestimento com espécies de gramíneas, arbustivas ou ainda
arbóreas.
• Rampa: plano inclinado no sentido da subida; aclive.
• Reconformação: alteração do traçado, abaulamento e largura da estrada.
• Recuperação: conjunto de atividades que visam corrigir situações críticas, especial-
mente quanto às variações climáticas. Essas atividades envolvem técnicas de ajuste
do traçado, adequando-o ao tipo de tráfego utilizado.
• Reforço do subleito: cravação de material granular de maior diâmetro para estabili-
zação do leito da estrada.
• Relocação: locar novamente, recuperar no campo os dados de um projeto.
• Retaludamento: atividade executada para alterar o formato e a declividade de talu-
des para facilitar o sistema de drenagem superficial, bem como receber raios solares,
ajudando a fixar sementes e vegetação.
• Revestimento: melhoria da capacidade de suporte e rolamento de uma estrada, por
meio da incorporação de material granular.

Rotas Rurais | 64
• Revestimento primário: tratamento superficial, onde uma camada de mistura
homogeneizada é colocada diretamente sobre o subleito ou sobre o reforço
executado, regularizando a superfície de rolamento.
• Sangradouro: dreno controlado para manutenção da linha d’água, dispositivo
utilizado para desviar a água.
• Seção de vazão: área útil de escoamento dos dispositivos de drenagem, superficiais,
correntes ou especiais (pontes e pontilhões).
• Seção transversal: para fins de projeto geométrico, representa o alinhamento su-
perficial que conforma transversalmente ao eixo da estrada, incluindo a pista de ro-
lamento, acostamentos onde houver, plataforma e taludes, até a interseção com o
terreno natural.
• Seção transversal-tipo: seção transversal constante, empregada repetitivamente em
trechos contínuos de estradas ou trechos destas.
• Sedimentos: depósitos formados por detritos carreados por um fluxo de água ou
vento.
• Segregação: processo de separação dos materiais que compõem uma mistura.
• Solo-brita: mistura de solo e agregado (brita, cascalho, agregados da construção
civil), a qual é utilizada em revestimento primário para elevar a capacidade de
suporte de estrada.
• Solo orgânico: é um solo superficial rico em material orgânico existente nas áreas
das faixas de intervenções.
• Solo “vegetal”: aquele com grande teor de material resultante da decomposição de
matéria orgânica, geralmente de cor escura.
• Suavização: correção das deflexões que ocorrem na formatação da plataforma, de
taludes e/ou na construção das estruturas que compõem o projeto.
• Subleito: maciço teoricamente infinito que serve de fundação a uma estrada.
• Superelevação: declividade transversal imposta à pista de rolamento em segmentos
compostos por curvas horizontais, com inclinação orientada para a borda interna,
cujo objetivo é contrabalançar a atuação da força centrífuga.
• Superlargura: acréscimo de largura da pista de rolamento, ao longo das curvas de
concordância horizontal, para possibilitar a manutenção dos afastamentos transver-
sais necessários entre veículos em movimento, em condições de segurança.
• Talude: para fins de projeto geométrico, é a face do corpo estradal que se estende
além dos bordos da plataforma. Sua inclinação sobre a horizontal, denominada de

65 | Rotas Rurais
inclinação do talude, pode ser expressa sob a forma de fração ordinária de numera-
dor unitário, cujo denominador representa a distância horizontal correspondente a
um metro de diferença de nível.
• Talvegue: linha de maior profundidade (cotas mais baixas) no leito de um curso
d’água.
• Terraceamento: patamar construído em terreno inclinado, destinado a proteger o
solo da ação das águas pluviais.
• Terraço: porções de solo dispostas em nível em relação ao declive do terreno, cuja
finalidade é a de fragmentar o comprimento de rampa, possibilitando a redução da
velocidade da água e subdividindo o volume do deflúvio superficial para possibilitar
sua infiltração no solo, ou disciplinar o seu escoamento até um leito estável de dre-
nagem natural.
• Traçado: extensão longitudinal percorrida por uma estrada, respeitando as caracte-
rísticas topográficas ao longo de toda a trajetória, a hidrologia das regiões, as con-
dições geológicas e geotécnicas do terreno, bem como as benfeitorias ao longo de
toda a faixa de domínio.
• Vegetação de canais e taludes: consiste no revestimento com vegetação de canais
de drenagem superficiais, encostas e taludes. Tem como objetivo minimizar o carre-
amento do solo e, consequentemente, a erosão nos canais de drenagem, bem como
promover a contenção e estabilização dos taludes.

66 | Rotas Rurais
12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BENEDETTI, T.C. Recuperação e manutenção de estradas rurais – São Paulo, 2018

68 | Rotas Rurais
ACESSE O
MANUAL

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