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CENTRO UNIVERSITÁRIO METODISTA DO IPA

CURSO DE ENFERMAGEM

Carla de Azevedo Rangel

QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO DOS ENFERMEIROS


DE UM CENTRO CIRÚRGICO

PORTO ALEGRE
2009
Carla de Azevedo Rangel

QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO DOS ENFERMEIROS


DE UM CENTRO CIRÚRGICO

Trabalho de Conclusão do Curso


apresentado ao curso de Enfermagem do
Centro Acadêmico do IPA, como requisito
parcial para obtenção de grau de Bacharel
em Enfermagem.

Orientadora Profª. Ms Mª. Lectícia Machry


de Pelegrini.

PORTO ALEGRE
2009
AGRADECIMENTOS

Agradeço às pessoas que comigo conviveram durante essa longa jornada de


estudos.
Agradeço principalmente ao meu companheiro inseparável Paulo Renato pelo
apoio e o carinho quando eu mais precisei.
Aos meus pais Suzane e Orlando, pela confiança que em mim depositaram,
mostrando para mim que eu sou capaz de vencer.
À minha querida orientadora Maria Lectícia, pela paciência, dedicação e
apoio, com a certeza do dever cumprido.
Agradeço a todos os professores com quem compartilhei todo meu período de
formação e a quem devo muito.
RESUMO

A QVT é hoje uma ferramenta de gestão, pois auxilia a repensar os processos


de trabalho para o melhor desempenho dos profissionais. Este estudo teve como
objetivo verificar a Qualidade de Vida no Trabalho dos enfermeiros dentro de uma
unidade de Centro Cirúrgico em um hospital de grande porte da cidade de Porto
Alegre. Foi realizado estudo descritivo-exploratório, com o universo de enfermeiros
do Centro Cirúrgico do referido hospital. A coleta dos dados se deu por meio de
questionário fechado com gradientes de respostas baseado na metodologia de
Fernandes (1996) utilizada para mensurar a QVT. A análise dos dados foi realizada
com abordagem quantitativa através de uma análise estatística de freqüência
composta de 11 blocos, tendo uma escala polarizada de 7 níveis que avaliam o
posicionamento pessoal sobre a QVT, a percepção dos enfermeiros quanto ao
tratamento dado pela empresa a sua QVT e a percepção dos enfermeiros quanto ao
grupo de trabalho. Os resultados mostram que uma distribuição homogênea quanto
ao gênero, a maioria na faixa etária dos 20 aos 30 anos e com mais de 5 (cinco)
anos de tempo de serviço na empresa, não havendo nenhum duplo vínculo
empregatício. 100% dos entrevistados estão satisfeitos quanto a sua QVT. E a
maioria (75%) se identifica com a função que exerce e se dizem satisfeitos com suas
funções. Pode-se observar através desse estudo, que a QVT depende do equilíbrio
entre 4 principais pontos: satisfação pessoal, salário, reconhecimento e relações
interpessoais. Nas relações interpessoais tiveram 55,56% de satisfação dos
entrevistados. Quanto à garantia de emprego, o grupo esteve dividido no seu
posicionamento. Já quanto à remuneração, a maioria (66,67%) dos entrevistados
manifestou-se satisfeitos com o seu salário e 33,33% levemente satisfeitos. Assim,
cabe salientar que os participantes se consideram satisfeitos quanto aos seus
salários e satisfação pessoal. Já em relação ao ambiente de trabalho e ao exemplo
dado pela chefia os enfermeiros manifestaram-se neutros. Pode ser observado que
na maioria das variáveis investigadas os enfermeiros manifestaram-se dentro dos
gradientes de satisfação positiva quanto a sua QVT.

PALAVRAS CHAVE: Qualidade de Vida; Gestão em Enfermagem; Qualidade de


Vida no Trabalho.
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Perfil etário dos enfermeiros da área fechada do HNSC 28


Gráfico 2 – Tempo de serviço na instituição 29
Gráfico 3 – Percepção dos enfermeiros quanto à sua QVT 29
Gráfico 4 – Percepção dos enfermeiros quanto as relações interpessoais 33
Gráfico 5 – Quanto ao reconhecimento das suas atividades pela 34
instituição
Gráfico 6 – Quanto à orientação fornecida aos empregados 34
Gráfico 7 – Quanto à garantia de emprego 35
Gráfico 8 – Quanto aos benefícios proporcionados pela empresa 36
Gráfico 9 – Quanto aos meios de comunicação utilizados pela instituição 38
Gráfico 10 – Em relação ao fluxo de informações 38
Gráfico 11 – Em relação à comunicação das metas de produção 39
Gráfico 12 – Quanto à comunicação das decisões tomadas pela direção da 39
instituição
Gráfico 13 – Identificação pessoal quanto aos ideais da empresa 40
Gráfico 14 – Recepção dos enfermeiros em relação à instituição 40
Gráfico 15 – Quanto à percepção dos enfermeiros sobre a visão da 41
comunidade
Gráfico 16 – Quanto ao comprometimento e responsabilidade 41
Gráfico 17 – Quanto à satisfação do apoio emocional disponibilizado pela 42
empresa
Gráfico 18 – Quanto à orientação oferecida pela empresa 43
Gráfico 19 – Quanto à igualdade de tratamento na empresa 43
Gráfico 20 – Quanto ao gerenciamento proposto 44
Gráfico 21 – Quanto à empresa propor inovações 45
Gráfico 22 – Quanto à percepção dos enfermeiros referente aos grupos de 45
trabalho
Gráfico 23 – Quanto à percepção do ritmo de trabalho na empresa 46
Gráfico 24 – Quanto à percepção dos enfermeiros referente à existência 46
de tarefas na empresa
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Quanto às Condições de Trabalho 31


Tabela 2 – Quanto à Saúde 32
Tabela 3 – Quanto à Participação 37
LISTA DE ABREVIATURAS

CC – Centro Cirúrgico
CC – Centro Cirúrgico
CEDOC – Centro de Documentação
CEP – Comitê de Ética e Pesquisa
CME – Centro de Materiais e Esterilização
COFEN – Conselho Federal de Enfermagem
COREN – Conselho Regional de Enfermagem
EPI (s) – Equipamento de Proteção Individual (ais)
GHC – Grupo Hospitalar Conceição
HNSC – Hospital Nossa Senhora da Conceição
NR (s) – Normas Regulamentadora (s)
PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional
QV – Qualidade de Vida
QVT – Qualidade de Vida no Trabalho
RBE – Roteiro Básico de Entrevista
RH – Recursos Humano
SOBECC – Sociedade Brasileira de Enfermagem em Centro Cirúrgico
SR – Sala de Recuperação
TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
WHOQOL – Qualidade de Vida – Instrumento da Organização Mundial da Saúde
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO................................................................................................ 09
1.1 PROBLEMA DE PESQUISA........................................................................ 10
1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA........................................................................ 10
1.2.1 Objetivo geral.......................................................................................... 10
1.2.2 Objetivos específicos............................................................................. 11
1.3 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DA PESQUISA........................................ 11
2 REFERENCIAL TEÓRICO............................................................................. 12
2.1 UNIDADE DE CENTRO CIRÚRGICO......................................................... 12
2.2 A ENFERMAGEM E O CENTRO CIRÚRGICO............................................ 14
2.3 SAÚDE DO TRABALHADOR...................................................................... 16
2.3.1 Estresse................................................................................................... 18
2.3.2 Qualidade de vida (QV)........................................................................... 19
2.3.3 Qualidade de vida no trabalho (QVT).................................................... 19
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS....................................................... 23
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA........................................................... 23
3.2 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA.................................................................... 23
3.3 TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS......................... 24
3.4 TÉCNICAS DE ANÁLISE DE DADOS......................................................... 25
3.5 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS........................................................................ 26
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO...................................................................... 28
4.1 PERFIL DO GRUPO ESTUDADO............................................................... 28
4.2 POSICIONAMENTO PESSOAL SOBRE A QVT DA INSTITUIÇÃO 29
HOSPITALAR.....................................................................................................
4.3 PERCEPÇÃO DOS ENFERMEIROS QUANTO AO TRATAMENTO DADO 30
PELA EMPRESA A SUA QVT.............................................................................
4.4 PERCEPÇÃO DOS ENFERMEIROS QUANTO AO GRUPO DE 42
TRABALHO........................................................................................................
5 CONCLUSÃO................................................................................................. 48
REFERÊNCIAS.................................................................................................. 51
Apêndice I – Roteiro de Entrevistas................................................................ 54
9
1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como tema a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT)


de enfermeiros em um Centro Cirúrgico (CC). A realização deste estudo partiu da
experiência vivenciada em CC onde a pesquisadora atua como técnica de
enfermagem.
Neste ambiente, os trabalhadores passam todo o seu turno de trabalho em
salas fechadas, sem iluminação natural, vestidas de “pijamas”, ou seja, roupas
próprias do local, sem qualquer personalização, com circulação restrita de pessoas.
Soma-se a este fato os procedimentos que ocorrem neste ambiente, ou seja; os
pacientes depositam a esperança de melhora dentro de um curto espaço de tempo,
que é o ato cirúrgico. No ato cirúrgico, há a perda da consciência e do controle de
sua vida pelo paciente, tornando o ambiente ainda mais “tenso” para os profissionais
de enfermagem.
A literatura é unânime ao apontar o ato cirúrgico como algo preciso e cercado
de grande estresse, sendo necessário a perícia técnica, o perfeito funcionamento de
materiais e, grande sincronia das equipes que atuam no setor: equipe cirúrgica,
equipe de anestesia, equipe de enfermagem e todos os demais setores de apoio.
Por esses fatores, todas as pessoas que convivem no ambiente do CC estão
submetidas ao estresse. E o que diferencia a enfermagem dos demais profissionais?
Acredita-se que o estresse da enfermagem seja ainda maior visto que, as demais
equipes circulam pelos diferentes centros cirúrgicos e, demais setores das
organizações hospitalares, enquanto a enfermagem permanece durante toda a sua
jornada de trabalho dentro deste ambiente, com a qual estabelece um vínculo
empregatício e sendo, muitas vezes, o representante do serviço frente aos
cirurgiões, anestesistas e os usuários.
A Qualidade de Vida no Trabalho vem ganhando espaço nas discussões uma
vez que, com o desenvolvimento da gestão, associa-se que o desempenho
profissional das pessoas está associado à sua Qualidade de Vida (QV).
Estudos, como de Moleda (2008), mostram que a mensuração da qualidade
de vida no trabalho em unidades fechadas de hospitais traz respostas importantes
para o planejamento de ações. Estes estudos realizados através de instrumentos
10
padronizados de coletas de dados permitem a comparação de resultados,
possibilitando assim uma discussão ampliada das melhorias a serem realizadas.
Razão pela qual foi proposto estudar o nível de QVT dos enfermeiros que trabalham
em unidades fechadas, como é o Centro Cirúrgico.

1.1 PROBLEMA DE PESQUISA

Autores como Miranda (2006), Oler et al (2005), Stumm, Maçalai e Kirchner


(2006), Kussler (2007) afirmam que o CC é um local com grande nível de estresse
porque é onde o limite da vida das pessoas sob cuidado. Os enfermeiros são
profissionais que, historicamente, exercem a chefia destes locais, conciliando os
diferentes conflitos existentes entre equipes assistenciais (equipe cirúrgica e de
enfermagem) e administração (manutenção e insumos), sendo também a equipe
que permanece continuamente no local. Por essa razão, está exposta a um maior
desgaste. Desta forma emerge o questionamento norteador deste trabalho: como
está a QVT dos enfermeiros que trabalham em CC de um hospital de grande porte
da cidade de Porto Alegre?

1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA

A seguir, serão descritos os objetivos traçados para a validação do estudo.

1.2.1 Objetivo geral

Verificar a qualidade de vida no trabalho dos enfermeiros dentro de uma


unidade de Centro Cirúrgico, em um hospital de grande porte da cidade de Porto
Alegre.
11
1.2.2 Objetivos específicos

a) Verificar a auto-percepção dos enfermeiros quanto à sua QVT;


b) Verificar a percepção dos enfermeiros quanto ao tratamento dado pela empresa à
sua QVT;
c) Verificar a percepção da QVT dos enfermeiros do Centro Cirúrgico quanto ao
ambiente de trabalho.

1.3 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DA PESQUISA

O acompanhamento do cotidiano dos profissionais de enfermagem e suas


dificuldades no trabalho motivaram a pesquisadora para esta investigação.
O monitoramento da QVT é hoje uma ferramenta de gestão, pois auxilia a
repensar formas de qualificar e implantar melhorias dos processos de trabalho para
o melhor desempenho dos profissionais.
Assim, acredita-se que a relevância deste trabalho é oferecer ferramentas à
gestão para a melhoria de processos, assim como promover junto aos enfermeiros
uma discussão sobre suas práticas.
12
2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 UNIDADE DE CENTRO CIRÚRGICO

Autores, como Miranda (2006), descrevem que o CC merece um cuidado


especial das organizações, pois além da estrutura física, gestão de materiais e a
estrutura funcional, encontram-se atuando no CC diversas equipes, como a equipe
médica e suas diversas especialidades, assim com a enfermagem desenvolvendo
atividades inerentes à profissão.
“Grande parte das organizações hospitalares conta, em sua estrutura, com o
Centro Cirúrgico - CC, que é o local destinado a ações imprescindíveis dessas
organizações, e que não podem ser transferidos para serviços não
especializados”(KUSSLER, 2007, p.16).
O CC, como refere Rodrigues e Sousa (1993), é uma unidade com uma
equipe multiprofissional, equipamentos e materiais para consumo adequados à
função que ali será desempenhada, com a finalidade de fornecer subsídios que
garantam o processo do ato terapêutico, dando condições para que as equipes,
médica e de enfermagem, atendam às necessidades do paciente.
Kussler (2007) define Centro Cirúrgico como sendo:

[...] um lugar especial dentro do hospital onde realizam-se procedimentos


cirúrgicos que, pelo alto índice de complexidade, podem colocar em risco a
vida dos pacientes. Pela singularidade do local, observa-se a necessidade
de uma constante avaliação do processo, para que se atinjam os resultados
esperados da melhor maneira e da forma mais segura para o paciente,
equipe e hospital (KUSSLER, 2007, p.18).

Conforme Stumm, Maçalai e Kirchner (2006), devido ao elevado número de


procedimentos entre anestésicos e cirúrgicos que são realizados no CC, exige-se
que o enfermeiro tenha um conhecimento científico, responsabilidade, habilidade
técnica, estabilidade emocional, alheio a tudo isso, o conhecimento das relações
humanas, sendo importantes para uma boa administração de conflitos que possam
surgir por se tratar de uma diversidade de profissionais.
13
Miranda (2006) define o CC como sendo uma unidade em que se faz
necessário uma estrutura físico-funcional que seja compatível com a complexidade
das ações, levando em consideração os vários tipos de cirurgias e seus potenciais
de contaminação, sendo necessário que se tenham profissionais qualificados, aptos
para atuarem em quaisquer circunstâncias.
Além disso, é uma unidade onde os profissionais lidam com diversas
situações, umas mais simples e outras mais complexas. Somado a este fator,
Miranda (2006) aponta que, dentro de um Centro Cirúrgico, há uma falta de
compreensão por parte da equipe cirúrgica no que diz respeito à falta de materiais,
onde a responsabilidade recai sobre os componentes da equipe de enfermagem,
proporcionando desgaste emocional.
Autores como Duarte e Lautert (2006) descrevem as características do Centro
Cirúrgico como sendo:

[...] um setor com características próprias, por ser um ambiente fechado e


de acesso restrito, onde todos os profissionais usam o mesmo uniforme e
onde todos os atores vivem situações de estresse. Os pacientes, na maioria
das vezes, usam somente camisolas, todas iguais, sem objetos pessoais e
sem familiares (DUARTE; LAUTERT, 2006, p.212).

Os autores ressaltam a importância desses profissionais para com a


instituição na qual trabalham, cumprindo as metas que lhe são impostas, por muitas
vezes sem infra-estrutura, dando o máximo de si, fazendo com que o cansaço, o
estresse e a pressa faz com que ocorram, com mais freqüência uma série de erros,
negligências, imprudências e imperícias (DUARTE E LAUTERT 2006).
Em relação às condições legais para o exercício da função, conforme a
Sociedade Brasileira de Enfermeiros do Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e
Centro de Material e Esterilização (SOBECC), são necessários vários aspectos de
compreensão técnica, relacionamento e recursos materiais, além de interação com
pacientes e familiares, o que torna o ambiente do Centro Cirúrgico bastante
complexo (SOBECC, 2009).
14
2.2 A ENFERMAGEM E O CENTRO CIRÚRGICO

O trabalho da enfermagem em Centro Cirúrgico, como diz Rodrigues e Sousa


(1993), é diferenciado, pois trabalha com um coletivo e cada elemento desse grupo
desempenha uma tarefa, sendo que a enfermeira atuante neste setor, por muitas
vezes, utiliza de recursos para a melhora do trabalho delegando aos auxiliares e
técnicos de enfermagem o manejo e execução de alguns trabalhos que são da sua
função. Os autores afirmam ainda que o trabalho da enfermeira no CC “nasceu” para
atender às necessidades da equipe cirúrgica, ou seja, para organizar o processo de
trabalho, bem como o preparo de material e equipamentos indispensáveis para a
realização de cirurgias.
A equipe de enfermagem, por tratar diretamente com a vida de pessoas que
depositam toda a sua confiança e credibilidade em suas atividades diárias, necessita
estar com a sua saúde intacta para poder proporcionar a assistência adequada ao
paciente, restabelecendo sua saúde, assim não interferindo de maneira negativa no
seu quadro de recuperação.
Ao justificarem a crescente preocupação com o cuidado, Santo e Porto (2006)
nos dizem que o cuidado se tornou o principal alicerce da base de ensino e da
prática da enfermagem, mas que, no entanto, é a partir de Florence Nightingale que
a base científica na enfermagem foi moldada. E junto a ela o campo do
conhecimento foi sistematizado, enfatizando a necessidade de se ter uma equipe
mais formal, organizada e científica. E nos diz mais:

[...] então, a enfermeira passa a assumir o trabalho de supervisão e controle,


solidificando seu papel de trabalhador intelectual da Enfermagem, detentora
de um saber que inicialmente era sobre as técnicas de enfermagem e,
agora, com a institucionalização do ensino, reveste-se de uma complexidade
que se reflete no saber administrar e ensinar (SANTO; PORTO, 2006,
p.540).

No Brasil, conforme Mininel (2006), o Conselho Regional de Enfermagem


(COFEN) classificou a categoria da enfermagem em três categorias
interdependentes - os enfermeiros, os técnicos e os auxiliares de enfermagem,
caracterizando a enfermagem como uma equipe própria de trabalho onde a
15
supervisão fica sob a responsabilidade do enfermeiro.
Em se tratando de enfermeiros, Montanholi, Tavares e Oliveira (2006) nos diz
que os profissionais enfrentam uma sobrecarga de trabalho tanto quantitativa
evidenciada pela responsabilidade pelo setor, quanto qualitativa decorrente da
complexidade das relações humanas tanto da equipe interna, quanto da equipe de
saúde e especialmente com familiares das pessoas em tratamento.
Conforme a SOBECC (2008), é de extrema importância que os componentes
que atuam em uma unidade de CC trabalhem de forma harmoniosa e integrada uns
com os outros para com isso haver uma melhor segurança do paciente e na
eficiência do que será o ato cirúrgico. Ressalta a importância de que, mesmo sob um
ambiente de tensão, haja entre a equipe uma boa relação humana e o
profissionalismo entre os profissionais daquele setor.
Para Oler et al (2005), a equipe de enfermagem no Centro Cirúrgico possui:

[...] características próprias de uma unidade fechada com rigorosas técnicas


assépticas, exercendo atividades de responsabilidades fundamentais que
vão desde a aquisição, manuseio e manutenção de equipamentos
específicos, à assistência ao paciente no pré, intra e pós-operatório (OLER
et al., 2005, p.103).

Ao longo dos anos, ressalta Mininel (2006) que vários foram os pesquisadores
que dedicaram seus estudos em prol da saúde dos trabalhadores de enfermagem,
buscando com isso conhecer quais os determinantes que causam os desgastes e
morbi-mortalidade, objetivando com isso possíveis intervenções junto à instituição
onde trabalham e, aos enfermeiros gerenciais, formas de amenizar e proteger seus
trabalhadores dos riscos a que se expõem. Ainda como ressalta Mininel (2006), a
importância do processo saúde-doença:

O processo saúde-doença pode ser compreendido como decorrente da


reprodução social de um grupo com características específicas, que vai
acarretar no aparecimento de manifestações patológicas no corpo do
indivíduo sadio (MININEL, 2006, p.30).

Da mesma forma, este local não pode ser a razão de doenças degenerativas
e psicológicas destes profissionais que se dedicam a curar doenças e
contraditoriamente estão adoecendo em locais que se pressupõem sejam de cura.
Nesse ambiente, conforme Cruz e Varela (2002), a enfermeira, enquanto
16
administradora e coordenadora da assistência de enfermagem fazem parte dele e,
como tal, compartilha e vivencia aquilo que é interpretado por todos.

2.3 SAÚDE DO TRABALHADOR

“Acredita-se que o trabalho tanto de forma individual como social tem como
importante instrumento a própria organização, que deve ser considerada a partir da
adequação do ambiente, quer seja físico ou social, ao processo de trabalho”
(VILLAR, 2002, p.15).
A saúde do trabalhador se faz necessária e essencial para todas as classes
de trabalhadores. “A luta pela saúde, a possibilidade do trabalho como fonte de
prazer e de desenvolvimento, estão presentes mais como luta contra o sofrimento
que como ampliação da capacidade de ação” (SILVA, 2002, p.04).
O trabalhador deve ser visto como um todo, de maneira integral. É através de
pesquisas no próprio ambiente em que se encontra esse profissional que é possível
verificar qual o grau de exposição a riscos em que se encontram esses profissionais
e quais as incidências negativas dessas influências.
Villar (2002) aponta que a organização do trabalho atualmente se tornou um
grande desafio nas empresas por haver divergências entre trabalhadores e
empregadores, fazendo com que as condições físicas, ambientais e organizacionais
da execução do trabalho causem aos trabalhadores um maior desgaste e
sofrimento.
Desde 2004, a “[...] Política Nacional de Saúde do Trabalhador do Ministério
da Saúde visa à redução dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho,
mediante a execução de ações de promoção, reabilitação e vigilância na área de
saúde” (BRASIL, 2008).
De acordo com o Ministério da Saúde, todo trabalhador tem direito à saúde
[_]. Além do ambiente de trabalho são necessários todos os equipamentos de
proteção, observação da jornada de trabalho, verificação do número mínimo de
profissionais por pacientes atendidos (BRASIL, 2008).
17
Da mesma forma, conforme o Código de Ética dos profissionais de
enfermagem, do COFEN, Seção I, das relações com a pessoa, família e
coletividade, direitos, em seu art. 10, é possível verificar o amparo da lei às
condições insalubres de trabalho: “recusar-se a executar atividades que não sejam
de sua competência técnica, científica, ética e legal ou que não ofereçam segurança
ao profissional, à pessoa, família e coletividade” (COFEN, 2007).
Todo profissional que trabalha na área da saúde é protegido pelas Normas
Regulamentadoras (Nrs), que são as normas que garantem com que profissional
tenha saúde e segurança no trabalho (BRASIL, 2008). Destacamos aqui as normas
de maior interesse para o trabalhador de enfermagem:
NR 06 - Equipamento de Proteção Individual – EPI: é a norma que estabelece os
critérios para a utilização de Equipamentos de Proteção Individual adequados ao
risco e fornecidos gratuitamente pelo empregador ao empregado.
NR 07 - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO: é a norma
que estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte de
todos os empregadores, do PCMSO dos empregados.
NR 17 – Ergonomia: é a norma que estabelece parâmetros de adaptação das
condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores.
NR 32 - Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde: é a norma que
estabelece as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à
segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, classifica e lista os
agentes biológicos, cria a Comissão Tripartite Permanente Nacional da NR-32,
formada pelo governo, empregadores e trabalhadores para controle periódico do
cumprimento.
O que se verifica é que, apesar da legislação do COFEN amparar
amplamente o profissional de saúde, na prática, a situação é muito complexa,
havendo diferentes cenários quanto às condições instaladas. Conforme salienta o
COFEN (2007), a situação das entidades públicas são diferentes das privadas,
sendo que nas primeiras, poderá ocorrer o descaso e falta de verbas, e nas
privadas, apesar de terem um quadro financeiro melhor, não existe uma política de
amparo aos trabalhadores, o que acaba desgastando os trabalhadores em ambas as
situações, tornando o local de trabalho estressante e desestimulante, e assim
18
prejudicial à saúde desse profissional. Quando existem equipamentos de proteção,
não existe acompanhamento psicológico para os problemas resultantes do ambiente
ao qual profissional é submetido. Diante de tudo isso, o estresse e o desgaste físico
são razões pela quais os termos serão abordados a seguir.

2.3.1 Estresse

Hoje em dia o assunto se tornou banalizado quando se trata de estresse pela


maneira que as pessoas se expressam. Por muitas vezes dizemos por qualquer
coisa que “estamos estressados”, no entanto o estresse atualmente é uma das
patologias mais detectadas nos profissionais da área da saúde. O estresse sempre
fez parte da vida de todos nós; com intensidades diferentes e de diversos modos de
se manifestar, os sintomas se diferenciam de pessoa para pessoa, de um tipo de
ambiente para o outro.
Segundo Montanholi, Tavares e Oliveira (2006) os profissionais de
enfermagem, principalmente os enfermeiros, estão relacionados intimamente a
fatores estressantes. Esses fatores podem levar a uma desvalorização do
profissional, acarretando uma baixa estima:

[...] através do conhecimento dos principais fatores de risco para o estresse,


é possível desenvolver atividades coletivas no trabalho, com vistas a
diminuir o estresse, promover a saúde dos trabalhadores em enfermagem e
melhorar a qualidade de assistência prestada à população (MONTANHOLI,
TAVARES E OLIVEIRA, 2006, p.662).

Sem dúvida que tudo o que diz respeito ao profissional de enfermagem, aos
malefícios que se acumulam para sua saúde futura, a que se submete ou acaba se
submetendo, reflete tanto em sua vida em família, sobre os que estão à sua volta e
até mesmo aos seus pacientes.
Quando se trabalha sob pressão, seja ela qual for, facilmente nos
estressamos. Macedo et al (2007) afirmam que a reação do nosso organismo diante
do estresse é de enfrentamento ou de fuga diante de situação ameaçadoras. Com
isso, ocasiona estímulos que fazem com que nossos batimentos cardíacos,
19
respiração, taxa da glicose e energia se alterem durante esse estágio de alerta,
voltando ao normal após cessarem os estímulos.
De acordo com Mangolin et al. (2003, p.21), “o estresse emocional é um dos
fatores propiciadores de doenças psicossomáticas em indivíduos de diferentes
classes profissionais”.
Esta situação está associada à QV que será apresentada a seguir.

2.3.2 Qualidade de vida (QV) e Qualidade de Vida no Trabalho (QVT)

As definições sobre Qualidade de Vida são muitas. Segundo Seidl e Zannon


(2004, p.587) “a QV tem suscitado pesquisas e cresce a sua utilização nas práticas
desenvolvidas nos serviços de saúde por equipes profissionais que atuam junto a
usuários acometidos por enfermidades diversas”.
“As definições de qualidade de vida são inúmeras e engloba uma série de
condições que podem afetar a maneira do indivíduo perceber o mundo, seus
sentimentos e comportamentos no cotidiano, inclusive sua situação de saúde”
(BRASIL et al, 2008, p.384).
“Considerando-se a QV dos indivíduos, há um consenso de que a saúde
parece ser um domínio considerado de especial relevo, o qual parece estar também
relacionado com a noção de bem estar, satisfação ou felicidade” (MIRANDA, 2006,
p.28).
Brasil et al. (2008) definem ainda Qualidade de Vida como:

[...] uma percepção subjetiva que fica entre o que é idealizado e o vivenciado
pelo indivíduo - o que deseja e o que é possível. Ou seja, a despeito da
presença da dor crônica, as pessoas ainda se consideram bem de saúde.
Aceitam a condição e convivem com ela da maneira possível (BRASIL et al.
2008, p.390).

De acordo com Miranda (2006) o trabalho no Centro Cirúrgico interfere sim na


QV dos profissionais, decorrente de fatores como o próprio trabalho que exige do
profissional atenção redobrada, ética profissional, um salário digno e justo. Miranda
ainda salienta que “o local de trabalho é a continuidade do lar e uma boa qualidade
20
de vida repercute positivamente no desempenho profissional, elevando a auto-
estima, tornando este profissional tão produtivo quanto possível” (MIRANDA, 2006,
p.15).
Não havendo condições de trabalho adequadas, o profissional tende a ficar
desmotivado, comprometendo a sua saúde e tornando os erros mais evidentes.
Conforme Miranda (2006) a qualidade da atividade que é desenvolvida no Centro
Cirúrgico depende da qualidade de vida das pessoas que estão envolvidas com o
desempenho de tarefas relacionadas.
“Por isso, o gerenciamento de qualidade de vida no trabalho é um instrumento
importante para que se possam alcançar os objetivos da qualidade de vida do
trabalhador não só no bloco cirúrgico, mas em todos os setores do hospital”
(MIRANDA, 2006, p.32).
Em estudo realizado por Oler et al (2005) foi visto que as condições de
trabalho dos profissionais estão relacionadas à QVT e que não há um consenso
entre os autores sobre esse assunto. Consideram que os trabalhadores de unidades
de Centro Cirúrgico, por ter uma característica própria da unidade, possuem um
agravo maior para a qualidade de vida desses profissionais. O autor diz ainda que
estiver saudável associa-se à satisfação das necessidades humanas básicas e o
trabalho é considerado um elemento fundamental para a saúde das pessoas.
No ambiente fechado do Centro Cirúrgico, convivendo diariamente com
pessoas doentes, lidando muitas vezes com a morte, a tristeza dos pacientes e
familiares, em condições insalubres, aliado a uma jornada de trabalho que muitas
vezes é realizada em mais de uma instituição, torna o profissional de saúde
vulnerável a uma série de enfermidades físicas e psicológicas. As mais observada
são: tendinite, bursite, problemas emocionais e doenças muitas vezes relacionadas
ao próprio ambiente hospitalar, com infecções de manejo ao paciente e de ambiente
infectado.
Villar (2002) nos fala sobre a importância do campo da saúde onde:

[...] busca-se o conhecimento sobre o processo de trabalho com enfoque no


sentido coletivo, sua organização e a necessidade de um olhar voltado para
a qualidade de vida do trabalhador no seu ambiente de trabalho. É um
campo que apresenta grandes desafios, além de problemáticas a vencer,
dentro do cenário determinado pelo contexto político e econômico do país
(VILLAR, 2002, p.31).
21
Estas condições de trabalho também contribuem para que se instale um
ambiente de tensão, nervosismo e estresse, fazendo com que as pessoas que
trabalham neste setor tenham ansiedade, angústia e, muitas vezes, dependendo da
situação que estão vivenciando, falta de entusiasmo e a não satisfação do trabalho.
Muitos adoecem sem saber por que, outros por motivos mesmo de problemas de
esforço físico como dores musculares, coluna, tendinites e outras situações
impostas pelas atividades hospitalares.
Em virtude de baixos salários, Schmidt e Dantas (2006) dizem que:

[...] a maioria dos trabalhadores da enfermagem é obrigada a optar por mais


de um emprego, o que leva essas categorias a permanecerem no ambiente
dos serviços de saúde a maior parte do tempo de suas vidas produtivas.
Essa situação leva ao aumento do período de exposição aos riscos
existentes nesses locais, podendo haver prejuízo para sua Qualidade de
Vida no Trabalho (SCHMIDT E DANTAS, 2006, p.58).

Diante disso, fica clara a percepção, de que, para se poder oferecer uma
assistência adequada ao paciente, é necessário que se tenha, em primeiro lugar,
uma boa QVT; e em segundo lugar, uma boa remuneração. Não esquecendo de que
um apoio psicológico, amenizando ansiedades e angústias, é um ingrediente muito
importante também para a saúde do profissional da saúde.
Isso nos leva a entender porque é fundamental que o profissional de
enfermagem deva saber da importância que é de se ter uma boa QVT, e, com isso,
fazendo com que ocorra uma influência positiva sobre a QV na assistência de
enfermagem.
Estudos sobre a QVT, segundo Sousa e Motta (2008), surgem com a idéia de
humanizar o trabalho desses profissionais, englobando aspectos que motivam a
satisfação no trabalho, fatores ambientais e ergonômicos, criando assim, uma visão
geral das relações do homem com seu ambiente de trabalho, bem-estar, saúde e
segurança física.
A busca de um instrumento para avaliar a QV, segundo Fleck et al (1999), fez
com que a OMS desenvolvesse um projeto colaborativo multicêntrico, que
possibilitou a elaboração da WHOQOL-100, que é um instrumento de avaliação da
QV composta por 100 itens, na sua versão para o português foi desenvolvida no
Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Universidade Federal do Rio
22
Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil (FLECK et al, 1999).
O modelo desenvolvido pela OMS, embora validado mundialmente, tem
restrições para o uso devido a seu detalhamento, o que o torna financeiramente
pouco viável, em estudo sem financiamento específico. Desta forma, outros
instrumentos continuam sendo delineados e usados. Entre os instrumentos
específicos destinados a medir a QV do trabalhador também dispomos do Roteiro
Básico de Entrevista (RBE), criado por Fernandes (1996), que tem como objetivo
fazer um levantamento da percepção dos profissionais em nível de satisfação com
as condições e a organização da empresa na qual trabalham, com isso, criando
subsídios para a gestão de estratégias de Recursos Humanos (RH).
Esta será a metodologia utilizada nesta pesquisa, que passa a ser
apresentada no próximo capítulo.
23
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Os procedimentos metodológicos a seguir têm como objetivo analisar e


delimitar a pesquisa, informando sobre as técnicas e os instrumentos de coleta que
foram utilizados nesta pesquisa.

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA

A presente pesquisa teve caráter descritiva-exploratória que, de acordo com


Gil (2002) e Rodrigues (2007), tem como objetivo principal descrever as
características de uma determinada população ou fenômeno, estabelecendo
relações entre as variáveis, utilizando técnicas padronizadas de coletas de dados.
Quanto à abordagem dos dados, os mesmos serão tratados de forma quantitativa.
Estudos quantitativos, definidos por Portela (2004) como sendo uma
abordagem que busca manifestar relações funcionais entre as variáveis, procurando
identificar os elementos que constituem o objeto de estudo, estabelecendo uma
estrutura e evolução nas relações entre esses elementos.
A partir desta caracterização é que foi então delimitado o estudo para
identificar a QVT dos enfermeiros do Centro Cirúrgico.

3.2 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA

A pesquisa propôs abranger a todos os enfermeiros da unidade do Centro


Cirúrgico. Foram excluídos os enfermeiros que se encontravam em férias e/ ou
afastados do trabalho por licença de 15 dias ou mais, inclusive enfermeiros das
unidades do Centro de Materiais e Esterilização (CME) e Sala de Recuperação (SR),
visto que estes também atuam em conjunto com os enfermeiros do Centro Cirúrgico.
24
Desta forma, do universo de 11 enfermeiros foram selecionados 10 para
entrevista, visto que um profissional encontrava-se de férias no período. No entanto,
um entrevistado entregou o questionário fora do cronograma estipulado, ficando-se
assim com 9 (nove) sujeitos da pesquisa.

3.3 TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS

Para a coleta de dados, inicialmente, foi feito contato com a chefia da unidade
do CC, onde através dela é que a pesquisadora abordou a equipe de enfermeiros do
Centro Cirúrgico de um Hospital de grade porte da cidade de Porto Alegre,
realizando marcação da entrevista de acordo com o tempo disponível de cada
participante da pesquisa, em seu turno de trabalho.
A todos os participantes da pesquisa foi apresentado o projeto de pesquisa
com seus objetivos e junto o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)
conforme ANEXO II, que foi devidamente aceito e assinado por todos os
entrevistados.
A coleta foi realizada através de perguntas fechadas, conforme o instrumento
de coleta de dados o Roteiro Básico de Entrevista (RBE), baseado na metodologia
de Fernandes (1996) utilizada para mensurar a QVT conforme o ANEXO I, composto
de 11 blocos, que serviram de levantamento sobre a percepção dos enfermeiros
diante dos elementos organizacionais, ambientais e comportamentais presentes na
sua QVT, tendo uma escala polarizada de satisfação de 7 (sete) níveis:

1 bastante insatisfeito
2 insatisfeito
3 levemente insatisfeito
4 neutro
5 levemente satisfeito
6 satisfeito
7 bastante satisfeito
25
3.4 TÉCNICAS DE ANÁLISE DOS DADOS

A análise dos dados foi de abordagem quantitativa através de uma análise


estatística de freqüência dos blocos descritos abaixo, conforme o nível de escala
acima.
Bloco 0 – Dados de Identificação – nos diz sobre o sexo, idade, se tem filhos
e quantos, tempo de formação, turno de trabalho, tempo de serviço na empresa e se
tem vínculo empregatício em outra empresa.
Bloco 1 – Questão introdutória – nos diz sobre a percepção da QVT no
hospital.
Bloco 2 – Quanto às Condições de Trabalho – nos diz sobre a satisfação do
enfermeiro com as condições de limpeza, arrumação, segurança e insalubridade.
Bloco 3 – Quanto à Saúde – nos diz sobre a satisfação dos enfermeiros no
que se refere à assistência aos empregados, assistência aos familiares, educação\
conscientização e saúde ocupacional.
Bloco 4 – Quanto à Moral – nos diz sobre a efetividade das ações gerenciais
no que se refere a aspectos psicossociais como: identidade na tarefa, relações
interpessoais, reconhecimento, orientação as pessoas e garantia de emprego.
Bloco 5 – Quanto à Compensação – nos diz sobre a satisfação dos
enfermeiros quanto às práticas de trabalho e políticas de remuneração.
Bloco 6 – Quanto à Participação – nos diz sobre a satisfação dos
enfermeiros em ações de participação efetiva através de oportunidades relacionadas
à criatividade, expressão pessoal, repercussão de idéias dadas, programas de
participação e capacitação para a função.
Bloco 7 – Quanto à Comunicação – nos diz sobre o nível de informação
sobre aspectos como: conhecimento de metas, fluxos de informações e veículos
formais de comunicação.
Bloco 8 – Quanto à Imagem da Empresa – nos diz sobre a percepção dos
enfermeiros quanto a aspectos como: identificação com a empresa, imagem interna,
imagem externa, responsabilidade comunitária e enfoque no cliente.
Bloco 9 – Quanto à Relação Chefe X Enfermeiro – nos diz sobre a satisfação
26
em relação à orientação técnica, igualdade de tratamento e gerenciamento pelo
exemplo.
Bloco 10 – Quanto à Organização do Trabalho – nos diz sobre a satisfação
com as propostas de: inovação/método/processos, grupos de trabalho, variedade de
tarefas e ritmo de trabalho.
Os dados coletados foram transferidos para banco de dados e, através do
programa Microsoft Excel® foram elaborados tabelas e gráficos que permitiram
demonstrar os resultados encontrados que serão apresentados na próxima seção
deste trabalho.

3.5 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS

Com base na resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 196/96, todas as


instituições que realizem pesquisa envolvendo seres humanos deverão constituir um
Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) para assegurar e defender os interesses dos
sujeitos da pesquisa em sua integridade, dignidade, respeitando sua autonomia,
ponderação entre riscos e benefícios, tanto atuais como potenciais, individuais ou
coletivos, cabendo-lhe a responsabilidade primária pelas decisões sobre a ética da
pesquisa a ser desenvolvida na instituição.
Neste sentido, a presente investigação está regida por responsabilidade ética
quanto ao TCLE conforme Apêndice I, onde a cada entrevista foi apresentado ao
enfermeiro entrevistado do CC, esclarecendo os objetivos do estudo e assegurando
o sigilo da identidade. Este termo foi elaborado em 2 (duas) vias, onde, uma ficou
sob cuidado da pesquisadora e a outra com o participante da pesquisa.
Quanto a guarda dos dados coletados, os mesmos serão armazenados e
guardados no período de 5 (cinco) anos pelas pesquisadoras, após esse período,
serão destruídos. Quanto à divulgação dos dados, a pesquisadora comprometeu-se
que o relatório da pesquisa, com os resultados e conclusões da pesquisa seja
apresentado aos participantes da pesquisa, aos setores pertinentes e demais
interessados, bem como esta sendo encaminhado para publicação junto ao Centro
27
de Documentação do Grupo Hospitalar Conceição (CEDOC/GHC).
O trabalho foi apreciado e aprovado pelo CEP do Centro Universitário
Metodista do IPA conforme parecer de aprovação no ANEXO III e do CEP do GHC
conforme parecer de aprovação no ANEXO IV.
28
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 PERFIL DO GRUPO ESTUDADO

No universo pesquisado, quanto ao sexo, houve uma distribuição homogênea,


do grupo pesquisado sendo do sexo feminino 55,55% da amostra, enquanto o sexo
masculino é de 44,45%. Este dado chama atenção, visto ser a enfermagem uma
profissão predominantemente exercida por mulheres.
Em relação à idade, a faixa etária do grupo estudado, em sua maioria,
encontram-se entre 20 aos 30 anos (lideram o percentual com 44,45%, equivalendo
a 4 enfermeiros) o que permite dizer que trata-se de um grupo jovem. Na faixa entre
os 31 aos 40 anos, encontram-se 33,33% do grupo o que equivale a 3 (três)
enfermeiros. Nas faixas etárias superiores de 41 aos 50 anos, de + 50 anos foram
de 11,11%, o equivalente a 1 (um) enfermeiro em cada faixa etária. Esta distribuição
pode ser visualizada no gráfico 1.

11,11% 20 a 30 anos
11,11% 31 a 40 anos
44,45% 41 a 50 anos
+50 anos

33,33%

Gráfico 1: Perfil etário dos enfermeiros das áreas fechadas do HNSC


Fonte: Dados da pesquisa

Quanto ao tempo de formação, 100% dos enfermeiros estudados são


formados há mais de 3 (três) anos.
O tempo de serviço na empresa dos participantes da pesquisa, foi bastante
variável, embora a sua maioria (com de 44,45%) tenha mais de 5 (cinco) anos de
empresa, e os menos tempo (11,11%) é de -1(um) ano. Encontram-se também
pessoas com menos de 1 (um) ano na empresa e pessoas com 1 (um) a 2 (dois)
29
anos e 3 (três) a 4 (quatro) anos, conforme mostra gráfico 2.

9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
- 1 ano 1 a 2 anos 3 a 4 anos 4 a 5 anos + 5 anos

Gráfico 2: Tempo de serviço na instituição


Fonte: Dados da pesquisa

Quanto à dupla jornada de trabalho foi identificado que não há duplo vínculo,
todos os profissionais declararam não trabalhar em outra instituição.
Foi então investigado a percepção destes enfermeiros quanto a sua QVT que
passa a ser apresentado a seguir.

4.2 POSICIONAMENTO PESSOAL SOBRE A QVT DA INSTITUIÇÃO HOSPITALAR

Quanto à percepção do enfermeiro sobre a sua Qualidade de Vida no


Trabalho, 66,67% dos entrevistados se declaram “levemente satisfeitos”, 33,33%
declaram-se “satisfeitos” com a QVT dentro da instituição em que trabalham. Não
houve nenhum “insatisfeito”, estes dados podem ser evidenciados no gráfico 3.

levem ente s atis feito


s atis feito
33, 33%

66, 67%

Gráfico 3: Percepção dos enfermeiros quanto a sua QVT.


Fonte: Dados da pesquisa.
30
Pelo que podemos observar no gráfico 3 entre os enfermeiros entrevistados o
quanto fica evidenciado o pensamento positivo em relação a QVT. Mas conforme
Miranda (2006) o trabalho desenvolvido no centro cirúrgico por ser desgastante
pode interferir na qualidade de vida dos profissionais de enfermagem em
decorrência de vários fatores dentre eles o trabalho em si que requer presteza, ética,
salários dignos para satisfação de suas necessidades básicas, além de outros como,
por exemplo, a satisfação no trabalho. Os dados apontam que os enfermeiros
manifestam-se positivamente quanto à sua QVT.
Foi então investigada qual a percepção dos enfermeiros quanto ao
tratamento dado pela empresa a sua QVT.

4.3 PERCEPÇÃO DOS ENFERMEIROS QUANTO AO TRATAMENTO DADO PELA


EMPRESA A SUA QVT

Inicialmente foi analisado as condições de limpeza, organização física do


ambiente, Equipamentos de Proteção Individual (EPI) oferecidos e percepção de
condições nocivas no trabalho pelo enfermeiro. A situação encontrada está
demonstrada na tabela 1 e, cabe salientar que, não houve registro entre os
entrevistados de enfermeiros no gradiente “bastante insatisfeito” e “insatisfeito” com
as condições de trabalho.
Quanto à limpeza do ambiente, a maioria (44,45%) respondeu estarem
“levemente satisfeitos”, e 22,22% estão “levemente insatisfeitos” e “neutros” para
cada nível, e apenas 11,11% manifestaram-se “bastante satisfeito”.
Quanto à organização do ambiente de trabalho, a maioria dos enfermeiros
(44,45%) manifestou-se “levemente satisfeitos”, tendo os níveis de “satisfeito” e
“bastante satisfeito” os de menor valor, com 11,11% cada um. Neste aspecto
entrevistado 11,11% manifestou-se de forma “neutro” quanto à organização do
ambiente de trabalho.
Na percepção quanto à segurança de EPIs, a maior parte dos enfermeiros
(55,56%) estão “satisfeitos”, o restante estão divididos em “levemente satisfeito” e
31
“bastante satisfeito” com 22,22% cada nível.
Quanto às condições nocivas de trabalho, a maioria (33,34%) dos enfermeiros
declarou estarem “levemente satisfeitos” e com 33,33% para o nível de “levemente
satisfeito”. O restante com 22,22% declarou-se “levemente insatisfeito” e apenas
11,11% mantiveram-se “neutro”, como podemos observar na tabela 1.

Tabela 1: Quanto às condições de trabalho

Quanto às Condições Percepção sobre Percepção sobre Percepção sobre Percepção sobre
a limpeza a arrumação do a segurança condições de
de Trabalho
(nº participantes) serviço – EPIs – trabalho
(nº participantes) (nº participantes) (nº participantes)

Bastante Insatisfeito 0 0 0 0
Insatisfeito 0 0 0 0
Levemente Insatisf. 2 2 0 2
Neutro 2 1 0 1
Levemente Satisfeito 4 4 2 3
Satisfeito 0 1 5 3
Bastante Satisfeito 1 1 2 0
Fonte: Dados da pesquisa

Analisando a tabela 1, podemos observar que não houve escolha pelas


opções de “bastante insatisfeito” e nem “insatisfeitos”. Também podemos observar
que na sua grande maioria, o nível de “levemente satisfeito” foi o mais apontado
quanto às condições de trabalho na empresa.
Segundo Sluchak (1992), citado por Villar (2002), a ergonomia leva em conta
diferenças existentes entre cada trabalhador e planeja um ambiente de trabalho
flexível sem sacrificar a segurança ou a produtividade. Para análise o homem em
seu ambiente de trabalho é necessário consideram alguns fatores importantes como
à educação, o treinamento, a motivação, a satisfação, a antropometria e o uso de
EPI.
Em relação à assistência em saúde oferecida pela empresa aos seus
funcionários, conforme demonstrado na tabela 2, com algum nível de insatisfação,
pode ser observado uma diversa percepção. Em relação à assistência em saúde
oferecida pela empresa aos seus funcionários, conforme demonstrado na tabela 2,
com algum nível de insatisfação, pode ser observado uma diversa percepção.
32
Já em relação à assistência prestada aos familiares dos funcionários pela
instituição a maioria (33,34%) dos entrevistados manteve-se “neutro” na resposta.
Outros mostraram estar “bastante insatisfeitos” e “levemente insatisfeitos” com
22,22% a cada grupo. Apenas 1 (um) enfermeiro manifestou-se positivo quanto a
assistência prestada a seus familiares.

Tabela 2: Quanto à Saúde

Assistência ao Assistência ao Promoção de Valorização da


Quanto à Saúde funcionário familiar Educação em saúde
(nº participantes) (nº participantes) Saúde ocupacional
(nº participantes) (nº participantes)

Bastante Insatisfeito 0 2 0 1
Insatisfeito 3 1 1 1
Levemente Insatisf. 2 2 1 2
Neutro 0 3 3 4
Levemente Satisfeito 2 1 3 0
Satisfeito 2 0 1 1
Bastante Satisfeito 0 0 0 0
Fonte: Dados da pesquisa

Quanto ao fato da instituição promover ações de educação em saúde aos


seus funcionários as respostas obtidas encontraram-se diluídas entre os enfermeiros
sendo que 33,34% dos enfermeiros se dizem “levemente satisfeitos”, assim como
“neutros” em relação a essa ação da organização, e 11,11% ou seja, apenas um
enfermeiro manifestou como: “insatisfeitos”, “levemente insatisfeitos” ou “satisfeitos”.
Nenhum enfermeiro se posicionou nos extremos.
Da mesma forma a manifestação quanto à valorização da saúde ocupacional,
44,45% dos enfermeiros optaram em ficar “neutros” e 22,22% dos entrevistados
estão “levemente insatisfeitos”, os demais (um em cada grupo) se manifestaram
como “insatisfeitos” e “bastante insatisfeitos”, no entanto ao contrário da pergunta
anterior apareceu aqui um enfermeiro “bastante insatisfeito”.
Pode-se notar através da tabela 2 que enfermeiros entrevistados não se
sentem “bastante satisfeitos” com relação aos cuidados de saúde oferecidos pela
empresa. E que na sua grande maioria preferiram se mantiver “neutros” diante do
bloco quanto à saúde.
33
Conforme Nunes (2004), citado por Oler et al (2005), os profissionais
de enfermagem desse setor suportam cargas de trabalho cada vez maiores [...]
com turnos rotativos, com baixa remuneração, manipulando substâncias tóxicas e a
presença constante de fatores de risco pertinentes ao ambiente, levam a uma
situação de sobrecarga de trabalho, causando com isso, consequentemente a
frustração e o descontentamento em relação à responsabilidade e exercício
profissional, desencadeando muitas vezes transtornos físicos e psicológicos
afetando sua saúde e levando a um comprometimento de sua QV.
Foi também investigado se os enfermeiros se identificaram com as funções
que executa no hospital, como percebem as relações interpessoais e
reconhecimento pela empresa de seu trabalho, e também se os enfermeiros se
sentem suficientemente orientados para a execução das atividades e qual a
segurança de emprego percebida.
Quanto à identificação com as funções que executam na empresa 75% dos
enfermeiros se manifestam “satisfeitos” com as mesmas e 25% “levemente
insatisfeitos” com as funções desempenhadas.
Em relação às relações interpessoais, as respostas foram majoritariais dos
funcionários “satisfeitos” (55,56%), funcionários “levemente satisfeitos” (22,22%) e
funcionários “bastante satisfeitos” e “neutros”, conforme pode ser visualizado no
gráfico 4, cabe salientar que não houveram enfermeiros que manifestaram alguma
insatisfação.

11,11% 11,11% neutros


levem ente s atis feitos
22,22% s atis feitos
bas tante s atis feitos

55,56%

Gráfico 4: Percepção dos enfermeiro quanto as relações interpessoais


Fonte: Dados da pesquisa

Quanto ao reconhecimento de suas atividades pela instituição os enfermeiros


manifestaram-se dispersos entre os grupos de “satisfeitos”, “neutros” e “levemente
satisfeitos” e havendo uma pequena concentração no grupo dos “satisfeitos”,
34
conforme gráfico 5. Novamente não houve manifestação de nenhuma insatisfação.

33,34% levem ente ins atis feito


neutro
levem ente s atis feito
22,22%
s atis feito

22,22%
22,22%

Gráfico 5:Reconhecimento dos enfermeiros quanto as suas atividades pela instituição.


Fonte: Dados da pesquisa.

Segundo Miranda (2006), os profissionais que compõem o quadro de


RH de qualquer empresa devem ser extremamente motivados para desempenhar
suas funções com muita satisfação visando resultar em qualidade. E para que este
processo ocorra, é necessário que o profissional também tenha uma QV no próprio
local onde trabalha.
Quanto as orientações recebidas para a realização do trabalho, pode ser
evidenciado no gráfico 6 uma concentração maior de enfermeiros, em níveis
elevados de satisfação, ou seja, a medida de satisfação aumenta o numero de
enfermeiros proporcionalmente. No entanto, é significativo o número de enfermeiros
“neutros” neste item investigado.

9
8

7
6
5
4

3
2
1
0
insatisfeito levemente neutro levemente satisfeito
insatisf eito satisfeito

Gráfico 6: Orientação fornecida aos empregados.


Fonte: Dados da pesquisa.
35
Quanto à garantia de emprego o grupo dividiu-se em três grupos idênticos:
“levemente satisfeitos”, “levemente insatisfeitos” e “satisfeitos”. Como demonstrado
no gráfico 7.

levem ente insatisfeito


33,33% 33,34% levem ente satisfeito
satisfeito

33,33%
Gráfico 7: Garantia de emprego dos enfermeiros.
Fonte: Dados da pesquisa.

Pode ser observado uma dispersão de opiniões do grupo investigado quanto


à satisfação do reconhecimento da empresa pelo seu trabalho.
Já quanto à remuneração, a maioria (66,67%) dos entrevistados
manifestaram-se “satisfeitos” com o seu salário e 33,33% se sentem “levemente
satisfeitos”.
Em relação à participação dos resultados da empresa, houve novamente
dispersão nas respostas, enquanto 33,34% dos enfermeiros se manifestam
“satisfeitos” com a participação dos resultados pela empresa aos seus funcionários,
ainda com relevância 22,22% dos enfermeiros manifestaram-se “levemente
insatisfeito”, a mesma proporção de enfermeiros foram encontrados enfermeiros que
se dizem “neutros” em relação à participação da empresa aos resultados. Um
enfermeiro se manifestou “bastante insatisfeito” e outro “insatisfeito”.
Quanto aos benefícios que a empresa proporciona aos trabalhadores, as
opiniões são uniformemente dividas entre todos os gradientes de satisfação
investigados conforme pode ser verificado no gráfico 8.
36
11,11% bas tante ins atis feito
22,23%
ins atis feito
neutro
levem ente s atis feito
22,22% s atis feito

22,22%
22,22%

Gráfico 8: Benefícios proporcionados aos enfermeiros pela empresa.


Fonte: Dados da pesquisa.

Como mostra o gráfico 8, é possível observar que não houve manifestações


de enfermeiros nos dois extremos, ou seja: “bastante insatisfeitos” ou “bastante
satisfeitos”, mostrando desta forma uma heterogeneidade de percepção deste grupo
de enfermeiros quanto aos benefícios da empresa aos funcionários.
Na investigação sobre a satisfação pessoal dos enfermeiros desta área
assistencial da instituição, foram feitas cinco perguntas onde os entrevistados foram
questionados quanto a possibilidade de ser criativo no trabalho, sua percepção de
valorização de suas idéias, se sente respeitado no setor e se existe programa de
participação e se os mesmos são estimulados a atualização de conhecimentos.
Conforme pode ser evidenciada na tabela 3, a satisfação foi o grupo de
resposta mais significativo nas questões referentes ao respeito percebido dentro do
setor e a oportunidade oferecida pela empresa para atualização dos funcionários.
Esta foi percebida também, embora com peso menor no total dos entrevistados
quanto à valorização da empresa as idéias apresentadas.
Já as manifestações quanto à valorização da instituição à criatividade dos
funcionários e aos programas de participação oferecidos pela instituição foram onde
as respostas encontraram-se dispersas manifestando assim uma diversidade de
percepção dos enfermeiros quanto a esses aspectos participação oferecida pela
empresa na qualidade vida de seus funcionários.
37
Tabela 3: Quanto à Participação

Valorização da Respeito Idéias Programa de Oportunidade


Quanto à Participação criatividade dentro do setor valorizadas na participação de
(nº partici) (nº partici) empresa (nº partici) atualização
(nº partici) (nº partici)
Bastante Insatisfeito 1 0 0 0 0
Insatisfeito 0 0 0 0 0
Levemente Insatisf. 3 0 2 1 1
Neutro 1 0 1 2 1
Levemente Satisfeito 3 3 2 1 2
Satisfeito 1 6 4 3 5
Bastante Satisfeito 0 0 0 1 0
Fonte: Dados da pesquisa

Conforme pode ser observado na tabela 3, não houve para nenhuma das
questões deste bloco enfermeiros que tenham se manifestado como “insatisfeitos”.
Assim como apenas um enfermeiro se manifestou como “bastante satisfeito” quanto
aos programas de participação oferecidos pela empresa aos funcionários.
Conforme assinado por Duarte e Lautert (2006) uma ação comunicativa bem
sucedida produz um acordo entre os falantes sobre o significado das mensagens
transmitidas, e é um meio para se obter o entendimento, além de coordenar ações
para este, favorecendo a relação entre o sujeito e o mundo, de maneira direta ou
reflexiva, contribuindo assim para qualidade de vida no trabalho. Desta forma neste
trabalho os aspectos da comunicação investigados neste trabalho foram se a
instituições utiliza meios adequados de comunicação entre os diversos segmentos,
se esses fluxos de comunicação entre os enfermeiros são adequados e se existe
comunicação das metas de produção e decisões da direção para com o grupo
investigado.
Em relação aos meios de comunicação utilizados pela instituição, as
respostas encontradas ficaram localizados entre um pequeno número de
enfermeiros “levemente insatisfeitos” e “bastante satisfeitos”, o grupo mais
significativo dos resultados foi de enfermeiros “satisfeitos” quanto à forma desta
comunicação, conforme pode ser visualizado no gráfico 9. Outra parte dos
enfermeiros se manifestou “neutros” ou “levemente satisfeitos” neste aspecto.
38
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
levemente neutro levemente satisfeito bastante
insatisfeito satisf eito satisf eito

Gráfico 9: Meios de comunicação utilizados pela instituição.


Fonte: Dados da pesquisa.

Em relação ao fluxo de informações é interessante destacar a dispersão de


percepção dos enfermeiros investigados. As manifestações foram uniformes entre
gradientes de “levemente insatisfeitos”, “neutros” e “levemente satisfeitos”, com um
ligeiro aumento entre os “satisfeitos”. Novamente não houve manifestações nos
extremos de satisfação como pode ser visualizados no gráfico 10.

22,22% levem ente ins atis feito


33,34% neutro
levem ente s atis feito
s atis feito

22,22%
22,22%

Gráfico 10: Fluxo de informações dentro do setor.


Fonte: Dados da pesquisa.

Em relação à comunicação da instituição quanto às metas de produção é


importante notar que não houve registro de enfermeiros que manifestassem algum
nível de insatisfação, ou seja, grande parte do grupo investigado se manifestou
“satisfeito” ou “bastante satisfeito” neste aspecto da comunicação, havendo apenas
um enfermeiro “neutro” e outro enfermeiro “levemente insatisfeito” quanto à
qualidade da comunicação das metas de produção da empresa ao setor de trabalho.
Este dado pode ser visualizado no gráfico 11.
39
11,11% neutro
33,33% 11,11% levem ente s atis feito
s atis feito
bas tante s atis feito

44,45%

Gráfico 11: Comunicação das metas de produção.


Fonte: Dados da pesquisa.

Já quanto aos conhecimentos das decisões tomadas pela direção da


instituição às respostas encontram-se mais dispersas: novamente não houve
manifestações extremas, a maior parte do grupo de manifesta “levemente satisfeito”
quanto à forma de comunicação das decisões e de forma homogênea esta os
enfermeiros que se sentes “satisfeitos” ou “neutros”, conforme gráfico 12.

9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
insatisfeito levemente neutro levemente satisfeito
insatisfeito satisfeito

Gráfico 12: Comunicação das decisões tomadas pela direção da instituição.


Fonte: Dados da pesquisa.

Conforme Gadamer (1990), citado por Cruz e Varella (2202), nos diz que a
comunicação de um ser que fala uma tradição que precisa ser reconhecida e
compreendida, uma historia de vida expressada através da linguagem, com suas
idéias e conjecturas (pré-julgamentos e julgamentos) e que têm importância na
interpretação de possíveis resultados da ação terapêutica da enfermagem. Essas
constituem possibilidades de abertura de novas alternativas, para a interpretação e
compreensão do que se passa consigo naquele momento de sua história de vida.
A imagem da empresa pelo funcionário expressa a o prazer do mesmo quanto
40
a seu trabalho. Neste grupo pesquisado, o maior número de pessoas esta no grupo
dos “satisfeitos”, sendo que 33,34% dos entrevistados sentem-se “satisfeitos” com
os ideais da empresa e 22,22% “levemente satisfeitos” e “bastante satisfeitos” para
cada nível, perfazendo 77,78% os demais se distribuíram igualmente entre os
“levemente insatisfeitos” ou “neutros” (com 11,11% cada), conforme evidenciado no
gráfico 13.

11,11% levemente insatisfeito


22,22% neutro
11,11% levemente satisfeito
satisfeito
bastante satisfeito

22,22%
33,34%

Gráfico 13: Identificação pessoal quanto aos ideais de empresa.


Fonte: Dados da pesquisa.

Quanto à percepção dos enfermeiros em relação à instituição onde trabalham


44,45% se declaram “levemente satisfeitos”, 22,22% “satisfeitos” e “bastante
satisfeitos” para cada nível. Apenas 11,11% se declaram “neutro”, não tendo nenhum
registro de “insatisfação”, como pode ser visto no gráfico 14.

neutro
22,22% 11,11% levem ente s atis feito
s atis feito
bas tante s atis feito

22,22% 44,45%

Gráfico 14: Percepção dos enfermeiros em relação à instituição.


Fonte: Dados da pesquisa.

Quanto à visão da comunidade diante da empresa onde trabalham 44,45%


dos enfermeiros entrevistados se sentem “satisfeitos”. O restante dos entrevistados
ficou com as opiniões divididas igualmente entre os que se sentiram “insatisfeitos”,
41
“levemente insatisfeitos” e “bastante satisfeitos” ou “neutros”.

11,11% 11,11%
ins atis feito
levem ente ins atis feito
11,11% neutro
levem ente s atis feito
s atis feito
bas tante s atis feito
11,11%

44,45%
11,11%

Gráfico 15: Quanto à percepção dos enfermeiros sobre a visão da comunidade


Fonte: Dados da pesquisa

Nota-se no gráfico 15 nitidamente a diferença que o grau de satisfação tem


em relação aos outros níveis. Isso nos mostra que 4 (quatro) dos 9 (nove)
enfermeiros entrevistados acreditam que sua empresa é bem vista pela comunidade
em que se insere.
A maior parte (55,56%) dos enfermeiros entrevistados se diz “satisfeitos” com
o comprometimento e responsabilidade de programas voltados à saúde comunitária
que a sua empresa tem para com a comunidade, que associados aos “bastante
satisfeitos” (11,11%) perfazem 66,67% dos com manifestações positivas neste
aspecto. No entanto, 22,22% dos entrevistados manifestam-se “neutros” e 11,11%
se sentem “levemente insatisfeitos” em relação ao comprometimento da empresa
frente à comunidade.

9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
levemente neutro satisfeito bastante satisfeito
insatisfeitos

Gráfico 16: Comprometimento e responsabilidade voltados à saúde comunitária.


Fonte: Dados da Pesquisa.
42
Nesta situação, representada no gráfico 16 observamos claramente que 5
(cinco) dos 9 (nove) enfermeiros estão “satisfeitos” quanto a sua empresa estar
comprometida e responsável com o programa voltado à saúde comunitária.

4.4 PERCEPÇÃO DOS ENFERMEIROS QUANTO AO GRUPO DE TRABALHO

Quando investigado 55,56% dos enfermeiros entrevistados se declaram


“neutros” quanto ao apoio emocional que a empresa disponibiliza para seus
funcionários, 22,22% dizem estar “levemente insatisfeitos”, e com 11,11%
manifestaram-se por estarem “levemente satisfeitos” e “bastante satisfeitos” para
cada nível, evidenciados no gráfico 17.

11,11% levem ente ins atis feito


22,22% neutro
11,11% levem ente s atis feito
bastante s atis feito

55,56%

Gráfico 17: Satisfação do apoio emocional disponibilizado pela empresa.


Fonte: Dados da pesquisa.

De acordo com Krahl (2001) citado por Miranda (2006) esses conflitos
parecem acentuar-se dentro do Centro Cirúrgico, pois o ambiente é crítico [...] as
questões éticas relacionadas à profissão devem ser respeitadas bem como as
normas reguladoras, assistenciais e administrativas que promovem diretrizes no
gerenciamento de enfermagem setorial.
Muitos autores como Miranda (2006), Oler et al (2005), Stumm et al (2006),
Kussler (2007) manifestam que o CC é um local com grande nível de estresse
porque é onde o limite da vida está exposto. Os enfermeiros são profissionais que,
historicamente, exercem a chefia destes locais, conciliando os diferentes conflitos
43
existentes entre equipes assistenciais (equipe cirúrgica e de enfermagem) e
administração (manutenção e insumos), sendo também a equipe que permanece
continuamente no local. Por essa razão, está exposta a um maior desgaste.
Com relação às orientações técnicas prestadas pela empresa, às respostas
ficaram dispersas entre “levemente insatisfeitos”, “neutros” e “satisfeitos” sendo cada
um com 22,22%. Com uma pequena diferença (33,34%) dos enfermeiros
entrevistados optaram por estarem “levemente satisfeitos” com relação às
orientações técnicas que a empresa oferece como nos mostra o gráfico 18.

22,22% 22,22%
levem ente ins atis feito
neutro
levem ente s atis feito
s atis feito

22,22%

33,34%

Gráfico 18: Orientação oferecida pela empresa aos empregados.


Fonte: dados da pesquisa.

Quanto a forma de tratamento dado pela empresa aos seus funcionários, a


maioria de 55,56% dos enfermeiros entrevistados manifesta-se “levemente
insatisfeitos” com relação a existir ou não igualdade de tratamento dentro da sua
empresa. E 22,22% responderam se sentirem “satisfeitos”, na sua minoria (11,11%)
“insatisfeita” e 11,11% para “neutros” conforme nos mostra o gráfico 19.

9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
insatisfeitos levemente neutro satisfeito
insatisf eito

Gráfico 19: Quanto à igualdade de tratamento na empresa


Fonte: Dados da pesquisa
44

Este desconforto é novamente manifestado quando investigado sobre o


julgamento feito pelos enfermeiros da forma de gerenciamento do serviço. Quando
investigado se o exemplo dado pela chefia esta de acordo com a orientação dada
pela mesma, a maioria (57%) dos entrevistados optou por ficarem “neutros” na
resposta e 29% se declaram “levemente insatisfeitos”, e apenas a minoria (14%) se
manifesta “satisfeitos” com o exemplo dado pela chefia para gerenciamento da
unidade. Sendo que em um questionário a pergunta não foi respondida, alegando
não compreensão da mesma. Conforme evidenciado no gráfico 20.

levem ente ins atis feito


14% neutro
29% s atis feito

57%

Gráfico 20: Forma de gerenciamento proposto.


Fonte: Dados de pesquisa.

Conforme Stamps (1997) e Lino (2004), citados por Schmidt e Dantas (2006),
satisfação no trabalho é considerada um dos importantes indicadores de QVT e sua
medida tem sido utilizada em estudos no Brasil e no exterior.
Dejours e Abdoucheli (1994) citados por Villar (2002), afirmam que “a
organização do trabalho é, de certa forma, a vontade do outro. Ela é, primeiramente,
a repartição entre os trabalhadores, isto é, a divisão de homens: a organização do
trabalho recorta assim, de uma só vez, o conteúdo da tarefa e as relações humanas
de trabalho".
Também citado por Villar (2002), Faria (1984) trata a organização do trabalho
como sendo um conjunto de conhecimentos oriundos da ciência social e humana, da
ciência exata, da lógica, da tecnologia, para estabelecer não simplesmente métodos,
mas, sobretudo às condições mais favoráveis à satisfação, à saúde e a
produtividade do homem ao trabalho.
Quanto à capacidade da empresa propor inovações, o grupo de “levemente
45
satisfeitos” e os “levemente insatisfeitos” foram os de minoria, apenas 11,11%; não
tendo nenhuma manifestação de “bastante satisfeitos” nem bastante insatisfeitos”. A
maioria (33,34%) se diz “neutros”, quanto à capacidade da empresa em propor
inovações e 22,22% se sentem “insatisfeitos” e “satisfeitos” para cada nível quanto à
capacidade de inovação proposta pelo hospital.

22,22% 22,22% ins atis feito


levem ente ins atis feito
neutro
levem ente s atis feito
s atis feito
11,11% 11,11%

33,34%

Gráfico 21: Capacidade da empresa propor inovações.


Fonte: Dados da pesquisa.

Analisando o gráfico 21, notamos que o grupo de entrevistados está bem


disperso quanto à possibilidade de inovar neste quesito, tendo uma concentração na
escolha de estarem “neutros”.
Já em relação à percepção dos enfermeiros entrevistados referente aos
grupos de trabalho onde atua as respostas foram também dispersas, e novamente
uma concentração entre os “neutros” ou “insatisfeitos” com 66,66% do total, sendo:
11,11% “insatisfeitos”, 22,22% “levemente insatisfeitos” e 33,33% “neutros”. No
grupo dos entrevistados “satisfeitos”, 22,22% estão igualmente distribuídos entre
“bastante satisfeitos” e “levemente satisfeitos”.

9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
insatisfeito levemente neutro levemente bastante
insatisfeito satisfeito satisfeito

Gráfico 22: Percepção dos enfermeiros referente aos grupos de trabalho.


Fonte: Dados da pesquisa.
46
Notamos no gráfico 22 que a concentração maior, podendo dizer assim,
focalizou em “neutros” tendo 3 (três) dos 9 (nove) enfermeiros, sendo que os outros
entrevistados se dispersaram com respostas em outros níveis.
Quanto ao ritmo de trabalho imposto pela empresa 49% dos entrevistados se
manifestam “satisfeitos” e 38% “levemente satisfeitos”, apenas 13% se manifestaram
“neutros” e um questionário não respondeu essa questão. Chama a atenção que não
houve nenhuma manifestação de insatisfação quanto ao ritmo de trabalho imposto
pela organização, evidenciado no gráfico 23.

levem ente ins atos feito


neutro
38% s atis feito

49%

13%

Gráfico 23: Percepção dos enfermeiros quanto ao ritmo de trabalho na empresa.


Fonte: Dados da pesquisa.

Quanto à percepção do enfermeiro quanto à variedade das tarefas na


empresa, 33,34% permaneceram “neutros” e 22,22% estiveram distribuídos
igualmente entre “levemente insatisfeitos”, “satisfeitos” e “bastante satisfeitos” para
cada nível.

22,22% levem ente ins atis feito


22,22% neutro
s atis feito
bas tante s atis feito

22,22%
33,34%

Gráfico 24: Percepção dos enfermeiros referente à existência de tarefas na empresa.


Fonte: Dados da pesquisa.
47
Percebe-se por meio do gráfico 24 que existe quase uma unanimidade nas
respostas dos enfermeiros entrevistados, mostrando com isso o quanto o grupo está
dividido em relação à percepção referente à existência de variedade de tarefas na
empresa.
Ainda, Duarte e Lautert (2006) ressaltam a importância desses profissionais
para com a instituição na qual trabalham, cumprindo as metas que lhe são impostas,
por muitas vezes sem infra-estrutura, dando o máximo de si, fazendo com que o
cansaço, o estresse e a pressa faz com que ocorram, com mais freqüência uma
série de erros, negligências, imprudências e imperícias.
Em se tratando de enfermeiros, Montanholi, Tavares e Oliveira (2006) nos
dizem que os profissionais enfrentam uma sobrecarga de trabalho evidenciada pela
responsabilidade pelo setor decorrente da complexidade das relações humanas
tanto da equipe interna quanto da equipe de saúde e especialmente com familiares
das pessoas internadas.
48
5 CONCLUSÃO

Os resultados apontam que há uma distribuição homogênea quanto ao sexo


tendo 55,55% do sexo feminino e 44,45% do sexo masculino, chamando a atenção
sendo a enfermagem uma profissão predominantemente exercida por mulheres.
Tendo na sua grande maioria na faixa etária dos 20 aos 30 anos e tempo de serviço
na empresa há mais de 5 (cinco) anos, não havendo nenhum duplo vínculo
empregatício. Quanto ao posicionamento pessoal sobre a QVT da instituição
hospitalar, a percepção dos enfermeiros quanto a sua QVT foi praticamente 100% de
satisfação não havendo nenhum insatisfeito.
O estudo permitiu verificar a percepção dos enfermeiros quanto ao tratamento
dado pela empresa a sua QVT, na sua maioria (75%) se identifica com a função que
exerce e se dizem “satisfeitos” com suas funções. Quanto às condições de limpeza,
organização física do ambiente, EPIs e percepção de condições nocivas no trabalho
pelo enfermeiro, não houve “insatisfação” por parte dos enfermeiros, cabendo
salientar que, quanto a percepção à segurança de EPIs obteve-se 55,56% de
“satisfação”. À assistência em saúde prestada aos seus funcionários pode-se
observar que 55,56% (sendo 33,34% “insatisfeitos” e 22,22% “levemente
insatisfeitos”) dos enfermeiros se manifestaram com algum nível de “insatisfação”.
Quanto à assistência à saúde prestada aos familiares, 33,34% se posicionaram
“neutros”. Em relação ao reconhecimento de suas atividades na instituição,
novamente não houve “insatisfeitos”. O mesmo ocorreu quanto à valorização da
saúde ocupacional com 44,45% “neutros”. Também podemos destacar que as
relações interpessoais tiveram 55,56% de “satisfação” dos entrevistados. Notou-se
quanto à garantia de emprego, que o grupo teve uma divisão idêntica entre os níveis
de “levemente insatisfeito”, “levemente satisfeito” e “satisfeito”; já quanto à
remuneração, a maioria com 66,67% dos entrevistados manifestou-se “satisfeitos”
com o seu salário e 33,33% “levemente satisfeitos”. Há uma heterogeneidade de
percepção deste grupo de enfermeiros quanto aos benefícios da empresa aos
funcionários. A “satisfação” foi o grupo de resposta mais significativo nas questões
referentes ao respeito percebido dentro do setor e a oportunidade oferecida pela
49
empresa para atualização dos funcionários. A valorização da instituição à
criatividade dos funcionários obteve respostas dispersas, manifestando assim uma
diversidade de percepção dos enfermeiros quanto a esses aspectos de participação
oferecida pela empresa na QV de seus funcionários, não havendo “insatisfação” por
parte dos enfermeiros. Diante da imagem da empresa neste grupo pesquisado,
houve uma distribuição quase homogênea, com 33,34% de “satisfação” em relação
aos ideais da empresa, 44,45% “levemente satisfeitos” quanto à percepção dos
enfermeiros em relação à instituição onde trabalham, com 44,45% de “satisfação”
quanto à visão da comunidade diante da empresa onde trabalham e com 55,56% de
“satisfação” em relação ao comprometimento e responsabilidade quanto à saúde
comunitária em relação à comunidade.
À percepção dos enfermeiros diante do grupo de trabalho, ao apoio emocional
disponibilizado pela empresa aos seus funcionários e ao gerenciamento, houve uma
neutralidade significativa com 55,56% para cada pergunta dos enfermeiros
entrevistados, seguidos com o mesmo percentual de manifestações de “levemente
insatisfeitos” à forma de tratamento que a empresa dá aos seus funcionários. Essa
situação repete-se quanto à possibilidade de inovação na empresa.
Quanto à percepção dos enfermeiros em relação aos grupos de trabalho,
esses permanecerem, em sua maior parte neutra. Com 49% obtivemos a
“satisfação” dos enfermeiros entrevistados, chamando atenção que não houve
nenhuma manifestação de “insatisfação”.
O que se pode verificar quanto à auto-percepção dos enfermeiros quanto a
sua QVT, cerca de 6 (seis) dos 9 (nove) enfermeiros conseguem ter essa percepção
positivamente em seu ambiente de trabalho. Ao verificar a percepção dos
enfermeiros ao tratamento dado pela empresa à sua QVT, observou-se que a
percepção sobre a segurança teve um resultado significativo, mostrando a
preocupação dos enfermeiros entrevistados quanto ao uso dos EPIs. Outro ponto
relativamente significativo nesse estudo é a “satisfação” do grupo com relação às
relações interpessoais mostrando o entrosamento presente do grupo. Importante
salientar que se consideram “satisfeitos” quanto aos seus salários e satisfação
pessoal.
Ao verificar a percepção da QVT dos enfermeiros do Centro Cirúrgico no
50
ambiente de trabalho, podem-se perceber quanto ao apoio emocional disponibilizado
pela empresa ao seu funcionário, os enfermeiros, na sua maioria optaram por
ficarem “neutros”. Autores como Duarte e Lautert (2006) ressaltam a importância
desses profissionais para com a instituição na qual trabalham, cumprindo as metas
que lhe são impostas, por muitas vezes sem infra-estrutura, dando o máximo de si,
fazendo com que o cansaço, o estresse e a pressa faz com que ocorram, com mais
freqüência uma série de erros, negligências, imprudências e imperícias.
Muitos dos entrevistados mantiveram-se “neutros” quando questionados
quanto ao exemplo dado pela chefia para o gerenciamento da unidade, deixando o
restante em grau mais baixo de satisfação e 2 (dois) dos 9 (nove) enfermeiros
“satisfeitos”.
Diante da análise de todos os blocos com suas respectivas respostas, que
grande parte das respostas dos enfermeiros entrevistados teve como nível de maior
escolha o de “satisfeito” e em segundo os níveis “neutro” e “levemente satisfeito”
mostrando com clareza o gradiente de escolha que mais lhes agradou.
O que se pode observar através desse estudo, que a Qualidade de Vida no
Trabalho depende do equilíbrio entre 4 (quatro) principais pontos: satisfação
pessoal, salário, reconhecimento e relações interpessoais.
Pode-se observar a partir desses 4 (quatro) principais ponto que, entre eles
houve um grau de “satisfação” bem significativo. Sendo que quanto ao
reconhecimento, foi o índice de menor grau de “satisfação” (4 de 9 enfermeiros),
quanto às questões de relações interpessoais (5 de 9 enfermeiros) com grau
mediano de “satisfação” e, de salário e satisfação pessoal com 6 (seis) dos 9 (nove)
enfermeiros “satisfeitos”.
Acredita-se que através dos resultados mostrados devam contribuir para a
elaboração e planejamento das políticas de gestão de pessoal. Sugere-se que o
estudo seja expandido para outros setores da instituição hospitalar para uma análise
e comparação de resultados, visto que, a literatura nos mostra que a mensuração da
Qualidade de Vida no Trabalho em unidades fechadas de hospitais traz respostas
importantes para o planejamento de ações.
51
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enfermeiros em um centro cirúrgico. Texto contexto – Enferm. v.15, n.3 ,
Florianópolis – Julho/Setembro, 2006. p.464-471. Disponível em:
www.scielo.br/pdf/tce/v15n3/v15n3a11.pdf Acessado em: 18.04.2009.

VILLAR, R. M. S. Produção do conhecimento em ergonomia na enfermagem.


Dissertação de Mestrado do Curso de Engenharia da Produção da Universidade
Federal de Santa Catarina. Aprovado em 17 de Outubro de 2002. Florianópolis. 132
p. Disponível em: bvsde.per.paho.org/bvsacd/cd49/8423.pdf Acessado em:
05.05.2009.
54
APÊNDICE I – Roteiro de Entrevistas

Instruções para responder a entrevista


Será realizado um Roteiro Básico de Entrevista (RBE) composto por dez
blocos, utilizando a metodologia proposta por Fernandes (1996) para mensurar a
QVT, que servirão como base de análise da percepção das enfermeiras frente aos
elementos organizacionais, ambientais e comportamentais, que influenciam na sua
QVT na unidade do Centro Cirúrgico.
Para responder aos questionamentos propostos na entrevistas, será
necessária uma codificação da sua percepção e que será proposta por uma escala
de satisfação variando de 1 a 7, sendo 1= bastante insatisfeito, 2= insatisfeito, 3=
levemente insatisfeito, 4= neutro, 5= levemente satisfeito, 6= satisfeito e 7= bastante
satisfeito.
1 2 3 4 5 6 7
| | | | | | |
-----------------------------------------------------------------------
bastante bastante
insatisfeito satisfeito

Instruções: a partir das respostas aos questionamentos ao entrevistado,


codificar sua percepção em termos quantitativos, conforme a escala abaixo:

Bloco 0 Dados de Identificação


01 Sexo? Feminino ( ) Masculino ( )
02 Tens Filho(s)? Não ( ) Sim ( ) Quantos? 1 ) 2( ) 3( ) +3 ( )
03 Qual a sua idade? 20 a 30 ( ) 31 a 40 ( ) 41 a 50 ( ) + de 50 ( )
04 Tempo de Formação? -1 ano ( ) 1 a 2anos ( ) 2 a 3anos ( ) + 3anos ( )
05 Turno em que Trabalha? Manhã ( ) Tarde ( ) Noite ( )
06 Tempo de Serviço na Empresa? -1ano( ) 1 a 2ano ( ) 3 a 4anos( ) 4 a 5anos( ) +5anos( )
07 Tem outro vínculo empregatício? Sim ( ) Não ( )

Bloco 1 Posicionamento Pessoal sobre a QVT da Instituição Hospitalar


Questão Perguntas Nível
08 Qual sua percepção sobre a QVT? 1234567
55
Bloco 2 Quanto às Condições de Trabalho
Questão Perguntas Nível
09 Qual sua percepção sobre a limpeza? 1234567

10 Como você percebe a arrumação do serviço? 1234567


11 Qual a percepção em relação à segurança (EPI) na empresa? 1234567
12 Qual a sua percepção em relação às condições nocivas de trabalho em 1 2 3 4 5 6 7
sua empresa?

Bloco 3 Quanto à Saúde


Questão Perguntas Nível
13 Como você percebe a assistência à funcionários proporcionada pela 1 2 3 4 5 6 7
empresa?
14 Como você visualiza a assistência familiar prestada pelo serviço? 1234567

15 Você acredita que a empresa proporciona educação e conscientização 1 2 3 4 5 6 7


aos seus empregados?
16 Na sua empresa a saúde ocupacional é valorizada de forma adequada? 1234567

Bloco 4 Quanto à Moral


Questão Perguntas Nível
17 Você se identifica nas tarefas que executa em sua empresa? 1234567
18 Qual a sua percepção referente às relações interpessoais? 1234567
19 A sua empresa proporciona um retorno de suas atividades e você percebe 1 2 3 4 5 6 7
que estas são reconhecidas?
20 As orientações fornecidas para os empregados são adequadas? 1234567
21 Você se sente seguro no que diz respeito à garantia de emprego em sua 1 2 3 4 5 6 7
empresa?

Bloco 5 Quanto à Compensação


Questão Perguntas Nível
22 Você acredita que a empresa lhe fornece remuneração satisfatória? 1234567
23 Qual a sua percepção em relação a sua participação nos resultados da 1 2 3 4 5 6 7
empresa?
24 Você acredita que os benefícios que a empresa proporciona aos seus 1 2 3 4 5 6 7
trabalhadores são satisfatórios?

Bloco 6 Quanto à Participação


Questão Perguntas Nível
25 Você acredita que a empresa valoriza sua criatividade? 1234567
26 Você acredita que dentro do seu setor é respeitada sua opinião? 1234567
27 Você percebe que as idéias dos enfermeiros são devidamente valorizadas 1 2 3 4 5 6 7
56
na empresa?
28 A empresa tem algum programa onde seja prevista a participação dos 1 2 3 4 5 6 7
empregados nos rumos da empresa?
29 A empresa oferece oportunidades de atualização para o desempenho de 1 2 3 4 5 6 7
suas funções?

Bloco 7 Quanto à Comunicação


Questão Perguntas Nível
30 Você conhece as metas de produção do seu setor? 1234567
31 Você acha que as decisões da direção são devidamente informadas a 1 2 3 4 5 6 7
vocês no Centro Cirúrgico?

32 O fluxo de informações entre enfermeiros do Centro Cirúrgico são 1 2 3 4 5 6 7


adequados?
33 Os meios de comunicação da empresa – jornais, murais informativos, 1 2 3 4 5 6 7
mala direta eletrônica, funcionam adequadamente?

Bloco 8 Quanto à Imagem da Empresa


Questão Perguntas Nível
34 Você se identifica com os ideais da empresa? 1234567
35 Qual sua percepção em relação a instituição onde você trabalha? 1234567

36 Como você acredita que a comunidade percebe sua empresa? 1234567


37 A empresa é comprometida e responsável com programas voltados à 1 2 3 4 5 6 7
saúde comunitária?

Bloco 9 Quanto à Relação Chefe-enfermeiro


Questão Perguntas Nível
38 O apoio emocional disponibilizado pelo serviço, é satisfatório? 1234567
39 A empresa oferece orientação técnica adequada? 1234567
40 Você acredita que existe a igualdade de tratamento na sua empresa? 1234567
41 Você acha que o gerenciamento proposto considera e aplica o exemplo 1 2 3 4 5 6 7
como uma maneira de gerenciar?

Bloco 10 Quanto à Organização do Trabalho


Questão Perguntas Nível
42 Você acredita que sua empresa propõe inovações? 1234567
43 Qual sua percepção referente aos grupos de trabalho em sua empresa? 1234567
44 Como você percebe o ritmo de trabalho de sua empresa? 1234567
45 Você acredita que existe variedade de tarefas na empresa? 1234567