CENTRO UNIVERSITÁRIO METODISTA DO IPA CURSO DE ENFERMAGEM

Carla de Azevedo Rangel

QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO DOS ENFERMEIROS DE UM CENTRO CIRÚRGICO

PORTO ALEGRE 2009

Carla de Azevedo Rangel

QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO DOS ENFERMEIROS DE UM CENTRO CIRÚRGICO

Trabalho de Conclusão do Curso apresentado ao curso de Enfermagem do Centro Acadêmico do IPA, como requisito parcial para obtenção de grau de Bacharel em Enfermagem. Orientadora Profª. Ms Mª. Lectícia Machry de Pelegrini.

PORTO ALEGRE 2009

AGRADECIMENTOS

Agradeço às pessoas que comigo conviveram durante essa longa jornada de estudos. Agradeço principalmente ao meu companheiro inseparável Paulo Renato pelo apoio e o carinho quando eu mais precisei. Aos meus pais Suzane e Orlando, pela confiança que em mim depositaram, mostrando para mim que eu sou capaz de vencer. À minha querida orientadora Maria Lectícia, pela paciência, dedicação e apoio, com a certeza do dever cumprido. Agradeço a todos os professores com quem compartilhei todo meu período de formação e a quem devo muito.

RESUMO

A QVT é hoje uma ferramenta de gestão, pois auxilia a repensar os processos de trabalho para o melhor desempenho dos profissionais. Este estudo teve como objetivo verificar a Qualidade de Vida no Trabalho dos enfermeiros dentro de uma unidade de Centro Cirúrgico em um hospital de grande porte da cidade de Porto Alegre. Foi realizado estudo descritivo-exploratório, com o universo de enfermeiros do Centro Cirúrgico do referido hospital. A coleta dos dados se deu por meio de questionário fechado com gradientes de respostas baseado na metodologia de Fernandes (1996) utilizada para mensurar a QVT. A análise dos dados foi realizada com abordagem quantitativa através de uma análise estatística de freqüência composta de 11 blocos, tendo uma escala polarizada de 7 níveis que avaliam o posicionamento pessoal sobre a QVT, a percepção dos enfermeiros quanto ao tratamento dado pela empresa a sua QVT e a percepção dos enfermeiros quanto ao grupo de trabalho. Os resultados mostram que uma distribuição homogênea quanto ao gênero, a maioria na faixa etária dos 20 aos 30 anos e com mais de 5 (cinco) anos de tempo de serviço na empresa, não havendo nenhum duplo vínculo empregatício. 100% dos entrevistados estão satisfeitos quanto a sua QVT. E a maioria (75%) se identifica com a função que exerce e se dizem satisfeitos com suas funções. Pode-se observar através desse estudo, que a QVT depende do equilíbrio entre 4 principais pontos: satisfação pessoal, salário, reconhecimento e relações interpessoais. Nas relações interpessoais tiveram 55,56% de satisfação dos entrevistados. Quanto à garantia de emprego, o grupo esteve dividido no seu posicionamento. Já quanto à remuneração, a maioria (66,67%) dos entrevistados manifestou-se satisfeitos com o seu salário e 33,33% levemente satisfeitos. Assim, cabe salientar que os participantes se consideram satisfeitos quanto aos seus salários e satisfação pessoal. Já em relação ao ambiente de trabalho e ao exemplo dado pela chefia os enfermeiros manifestaram-se neutros. Pode ser observado que na maioria das variáveis investigadas os enfermeiros manifestaram-se dentro dos gradientes de satisfação positiva quanto a sua QVT.

PALAVRAS CHAVE: Qualidade de Vida; Gestão em Enfermagem; Qualidade de Vida no Trabalho.

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Perfil etário dos enfermeiros da área fechada do HNSC Gráfico 2 – Tempo de serviço na instituição Gráfico 3 – Percepção dos enfermeiros quanto à sua QVT Gráfico 4 – Percepção dos enfermeiros quanto as relações interpessoais Gráfico 5 – Quanto ao reconhecimento das suas atividades pela instituição Gráfico 6 – Quanto à orientação fornecida aos empregados Gráfico 7 – Quanto à garantia de emprego Gráfico 8 – Quanto aos benefícios proporcionados pela empresa Gráfico 9 – Quanto aos meios de comunicação utilizados pela instituição Gráfico 10 – Em relação ao fluxo de informações Gráfico 11 – Em relação à comunicação das metas de produção Gráfico 12 – Quanto à comunicação das decisões tomadas pela direção da instituição Gráfico 13 – Identificação pessoal quanto aos ideais da empresa Gráfico 14 – Recepção dos enfermeiros em relação à instituição Gráfico 15 – Quanto à percepção dos enfermeiros sobre a visão da comunidade Gráfico 16 – Quanto ao comprometimento e responsabilidade Gráfico 17 – Quanto à satisfação do apoio emocional disponibilizado pela empresa Gráfico 18 – Quanto à orientação oferecida pela empresa Gráfico 19 – Quanto à igualdade de tratamento na empresa Gráfico 20 – Quanto ao gerenciamento proposto Gráfico 21 – Quanto à empresa propor inovações Gráfico 22 – Quanto à percepção dos enfermeiros referente aos grupos de trabalho Gráfico 23 – Quanto à percepção do ritmo de trabalho na empresa Gráfico 24 – Quanto à percepção dos enfermeiros referente à existência de tarefas na empresa

28 29 29 33 34 34 35 36 38 38 39 39 40 40 41 41 42 43 43 44 45 45 46 46

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Quanto às Condições de Trabalho Tabela 2 – Quanto à Saúde Tabela 3 – Quanto à Participação

31 32 37

LISTA DE ABREVIATURAS

CC – Centro Cirúrgico CC – Centro Cirúrgico CEDOC – Centro de Documentação CEP – Comitê de Ética e Pesquisa CME – Centro de Materiais e Esterilização COFEN – Conselho Federal de Enfermagem COREN – Conselho Regional de Enfermagem EPI (s) – Equipamento de Proteção Individual (ais) GHC – Grupo Hospitalar Conceição HNSC – Hospital Nossa Senhora da Conceição NR (s) – Normas Regulamentadora (s) PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional QV – Qualidade de Vida QVT – Qualidade de Vida no Trabalho RBE – Roteiro Básico de Entrevista RH – Recursos Humano SOBECC – Sociedade Brasileira de Enfermagem em Centro Cirúrgico SR – Sala de Recuperação TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido WHOQOL – Qualidade de Vida – Instrumento da Organização Mundial da Saúde

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO................................................................................................ 1.1 PROBLEMA DE PESQUISA........................................................................ 1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA........................................................................ 1.2.1 Objetivo geral.......................................................................................... 1.2.2 Objetivos específicos............................................................................. 1.3 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DA PESQUISA........................................ 2 REFERENCIAL TEÓRICO............................................................................. 2.1 UNIDADE DE CENTRO CIRÚRGICO......................................................... 2.2 A ENFERMAGEM E O CENTRO CIRÚRGICO............................................ 2.3 SAÚDE DO TRABALHADOR...................................................................... 2.3.1 Estresse................................................................................................... 2.3.2 Qualidade de vida (QV)........................................................................... 2.3.3 Qualidade de vida no trabalho (QVT).................................................... 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS....................................................... 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA........................................................... 3.2 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA.................................................................... 3.3 TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS......................... 3.4 TÉCNICAS DE ANÁLISE DE DADOS......................................................... 3.5 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS........................................................................ 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO...................................................................... 4.1 PERFIL DO GRUPO ESTUDADO............................................................... 4.2 POSICIONAMENTO PESSOAL SOBRE A QVT DA INSTITUIÇÃO HOSPITALAR..................................................................................................... 4.3 PERCEPÇÃO DOS ENFERMEIROS QUANTO AO TRATAMENTO DADO PELA EMPRESA A SUA QVT............................................................................. 4.4 PERCEPÇÃO DOS ENFERMEIROS QUANTO AO GRUPO DE TRABALHO........................................................................................................ 5 CONCLUSÃO................................................................................................. REFERÊNCIAS.................................................................................................. Apêndice I – Roteiro de Entrevistas................................................................

09 10 10 10 11 11 12 12 14 16 18 19 19 23 23 23 24 25 26 28 28 29 30 42 48 51 54

9 1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como tema a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) de enfermeiros em um Centro Cirúrgico (CC). A realização deste estudo partiu da experiência vivenciada em CC onde a pesquisadora atua como técnica de enfermagem. Neste ambiente, os trabalhadores passam todo o seu turno de trabalho em salas fechadas, sem iluminação natural, vestidas de “pijamas”, ou seja, roupas próprias do local, sem qualquer personalização, com circulação restrita de pessoas. Soma-se a este fato os procedimentos que ocorrem neste ambiente, ou seja; os pacientes depositam a esperança de melhora dentro de um curto espaço de tempo, que é o ato cirúrgico. No ato cirúrgico, há a perda da consciência e do controle de sua vida pelo paciente, tornando o ambiente ainda mais “tenso” para os profissionais de enfermagem. A literatura é unânime ao apontar o ato cirúrgico como algo preciso e cercado de grande estresse, sendo necessário a perícia técnica, o perfeito funcionamento de materiais e, grande sincronia das equipes que atuam no setor: equipe cirúrgica, equipe de anestesia, equipe de enfermagem e todos os demais setores de apoio. Por esses fatores, todas as pessoas que convivem no ambiente do CC estão submetidas ao estresse. E o que diferencia a enfermagem dos demais profissionais? Acredita-se que o estresse da enfermagem seja ainda maior visto que, as demais equipes circulam pelos diferentes centros cirúrgicos e, demais setores das organizações hospitalares, enquanto a enfermagem permanece durante toda a sua jornada de trabalho dentro deste ambiente, com a qual estabelece um vínculo empregatício e sendo, muitas vezes, o representante do serviço frente aos cirurgiões, anestesistas e os usuários. A Qualidade de Vida no Trabalho vem ganhando espaço nas discussões uma vez que, com o desenvolvimento da gestão, associa-se que o desempenho profissional das pessoas está associado à sua Qualidade de Vida (QV). Estudos, como de Moleda (2008), mostram que a mensuração da qualidade de vida no trabalho em unidades fechadas de hospitais traz respostas importantes para o planejamento de ações. Estes estudos realizados através de instrumentos

10 padronizados de coletas de dados permitem a comparação de resultados, possibilitando assim uma discussão ampliada das melhorias a serem realizadas. Razão pela qual foi proposto estudar o nível de QVT dos enfermeiros que trabalham em unidades fechadas, como é o Centro Cirúrgico.

1.1 PROBLEMA DE PESQUISA

Autores como Miranda (2006), Oler et al (2005), Stumm, Maçalai e Kirchner (2006), Kussler (2007) afirmam que o CC é um local com grande nível de estresse porque é onde o limite da vida das pessoas sob cuidado. Os enfermeiros são profissionais que, historicamente, exercem a chefia destes locais, conciliando os diferentes conflitos existentes entre equipes assistenciais (equipe cirúrgica e de enfermagem) e administração (manutenção e insumos), sendo também a equipe que permanece continuamente no local. Por essa razão, está exposta a um maior desgaste. Desta forma emerge o questionamento norteador deste trabalho: como está a QVT dos enfermeiros que trabalham em CC de um hospital de grande porte da cidade de Porto Alegre?

1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA

A seguir, serão descritos os objetivos traçados para a validação do estudo.

1.2.1 Objetivo geral

Verificar a qualidade de vida no trabalho dos enfermeiros dentro de uma unidade de Centro Cirúrgico, em um hospital de grande porte da cidade de Porto Alegre.

11 1.2.2 Objetivos específicos

a) Verificar a auto-percepção dos enfermeiros quanto à sua QVT; b) Verificar a percepção dos enfermeiros quanto ao tratamento dado pela empresa à sua QVT; c) Verificar a percepção da QVT dos enfermeiros do Centro Cirúrgico quanto ao ambiente de trabalho.

1.3 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DA PESQUISA

O acompanhamento do cotidiano dos profissionais de enfermagem e suas dificuldades no trabalho motivaram a pesquisadora para esta investigação. O monitoramento da QVT é hoje uma ferramenta de gestão, pois auxilia a repensar formas de qualificar e implantar melhorias dos processos de trabalho para o melhor desempenho dos profissionais. Assim, acredita-se que a relevância deste trabalho é oferecer ferramentas à gestão para a melhoria de processos, assim como promover junto aos enfermeiros uma discussão sobre suas práticas.

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2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 UNIDADE DE CENTRO CIRÚRGICO

Autores, como Miranda (2006), descrevem que o CC merece um cuidado especial das organizações, pois além da estrutura física, gestão de materiais e a estrutura funcional, encontram-se atuando no CC diversas equipes, como a equipe médica e suas diversas especialidades, assim com a enfermagem desenvolvendo atividades inerentes à profissão. “Grande parte das organizações hospitalares conta, em sua estrutura, com o Centro Cirúrgico - CC, que é o local destinado a ações imprescindíveis dessas organizações, e que não podem ser transferidos para serviços não

especializados”(KUSSLER, 2007, p.16). O CC, como refere Rodrigues e Sousa (1993), é uma unidade com uma equipe multiprofissional, equipamentos e materiais para consumo adequados à função que ali será desempenhada, com a finalidade de fornecer subsídios que garantam o processo do ato terapêutico, dando condições para que as equipes, médica e de enfermagem, atendam às necessidades do paciente. Kussler (2007) define Centro Cirúrgico como sendo:
[...] um lugar especial dentro do hospital onde realizam-se procedimentos cirúrgicos que, pelo alto índice de complexidade, podem colocar em risco a vida dos pacientes. Pela singularidade do local, observa-se a necessidade de uma constante avaliação do processo, para que se atinjam os resultados esperados da melhor maneira e da forma mais segura para o paciente, equipe e hospital (KUSSLER, 2007, p.18).

Conforme Stumm, Maçalai e Kirchner (2006), devido ao elevado número de procedimentos entre anestésicos e cirúrgicos que são realizados no CC, exige-se que o enfermeiro tenha um conhecimento científico, responsabilidade, habilidade técnica, estabilidade emocional, alheio a tudo isso, o conhecimento das relações humanas, sendo importantes para uma boa administração de conflitos que possam surgir por se tratar de uma diversidade de profissionais.

13 Miranda (2006) define o CC como sendo uma unidade em que se faz necessário uma estrutura físico-funcional que seja compatível com a complexidade das ações, levando em consideração os vários tipos de cirurgias e seus potenciais de contaminação, sendo necessário que se tenham profissionais qualificados, aptos para atuarem em quaisquer circunstâncias. Além disso, é uma unidade onde os profissionais lidam com diversas situações, umas mais simples e outras mais complexas. Somado a este fator, Miranda (2006) aponta que, dentro de um Centro Cirúrgico, há uma falta de compreensão por parte da equipe cirúrgica no que diz respeito à falta de materiais, onde a responsabilidade recai sobre os componentes da equipe de enfermagem, proporcionando desgaste emocional. Autores como Duarte e Lautert (2006) descrevem as características do Centro Cirúrgico como sendo:
[...] um setor com características próprias, por ser um ambiente fechado e de acesso restrito, onde todos os profissionais usam o mesmo uniforme e onde todos os atores vivem situações de estresse. Os pacientes, na maioria das vezes, usam somente camisolas, todas iguais, sem objetos pessoais e sem familiares (DUARTE; LAUTERT, 2006, p.212).

Os autores ressaltam a importância desses profissionais para com a instituição na qual trabalham, cumprindo as metas que lhe são impostas, por muitas vezes sem infra-estrutura, dando o máximo de si, fazendo com que o cansaço, o estresse e a pressa faz com que ocorram, com mais freqüência uma série de erros, negligências, imprudências e imperícias (DUARTE E LAUTERT 2006). Em relação às condições legais para o exercício da função, conforme a Sociedade Brasileira de Enfermeiros do Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização (SOBECC), são necessários vários aspectos de compreensão técnica, relacionamento e recursos materiais, além de interação com pacientes e familiares, o que torna o ambiente do Centro Cirúrgico bastante complexo (SOBECC, 2009).

14 2.2 A ENFERMAGEM E O CENTRO CIRÚRGICO

O trabalho da enfermagem em Centro Cirúrgico, como diz Rodrigues e Sousa (1993), é diferenciado, pois trabalha com um coletivo e cada elemento desse grupo desempenha uma tarefa, sendo que a enfermeira atuante neste setor, por muitas vezes, utiliza de recursos para a melhora do trabalho delegando aos auxiliares e técnicos de enfermagem o manejo e execução de alguns trabalhos que são da sua função. Os autores afirmam ainda que o trabalho da enfermeira no CC “nasceu” para atender às necessidades da equipe cirúrgica, ou seja, para organizar o processo de trabalho, bem como o preparo de material e equipamentos indispensáveis para a realização de cirurgias. A equipe de enfermagem, por tratar diretamente com a vida de pessoas que depositam toda a sua confiança e credibilidade em suas atividades diárias, necessita estar com a sua saúde intacta para poder proporcionar a assistência adequada ao paciente, restabelecendo sua saúde, assim não interferindo de maneira negativa no seu quadro de recuperação. Ao justificarem a crescente preocupação com o cuidado, Santo e Porto (2006) nos dizem que o cuidado se tornou o principal alicerce da base de ensino e da prática da enfermagem, mas que, no entanto, é a partir de Florence Nightingale que a base científica na enfermagem foi moldada. E junto a ela o campo do conhecimento foi sistematizado, enfatizando a necessidade de se ter uma equipe mais formal, organizada e científica. E nos diz mais:
[...] então, a enfermeira passa a assumir o trabalho de supervisão e controle, solidificando seu papel de trabalhador intelectual da Enfermagem, detentora de um saber que inicialmente era sobre as técnicas de enfermagem e, agora, com a institucionalização do ensino, reveste-se de uma complexidade que se reflete no saber administrar e ensinar (SANTO; PORTO, 2006, p.540).

No Brasil, conforme Mininel (2006), o Conselho Regional de Enfermagem (COFEN) classificou a categoria da enfermagem em três categorias

interdependentes - os enfermeiros, os técnicos e os auxiliares de enfermagem, caracterizando a enfermagem como uma equipe própria de trabalho onde a

15 supervisão fica sob a responsabilidade do enfermeiro. Em se tratando de enfermeiros, Montanholi, Tavares e Oliveira (2006) nos diz que os profissionais enfrentam uma sobrecarga de trabalho tanto quantitativa evidenciada pela responsabilidade pelo setor, quanto qualitativa decorrente da complexidade das relações humanas tanto da equipe interna, quanto da equipe de saúde e especialmente com familiares das pessoas em tratamento. Conforme a SOBECC (2008), é de extrema importância que os componentes que atuam em uma unidade de CC trabalhem de forma harmoniosa e integrada uns com os outros para com isso haver uma melhor segurança do paciente e na eficiência do que será o ato cirúrgico. Ressalta a importância de que, mesmo sob um ambiente de tensão, haja entre a equipe uma boa relação humana e o profissionalismo entre os profissionais daquele setor. Para Oler et al (2005), a equipe de enfermagem no Centro Cirúrgico possui:
[...] características próprias de uma unidade fechada com rigorosas técnicas assépticas, exercendo atividades de responsabilidades fundamentais que vão desde a aquisição, manuseio e manutenção de equipamentos específicos, à assistência ao paciente no pré, intra e pós-operatório (OLER et al., 2005, p.103).

Ao longo dos anos, ressalta Mininel (2006) que vários foram os pesquisadores que dedicaram seus estudos em prol da saúde dos trabalhadores de enfermagem, buscando com isso conhecer quais os determinantes que causam os desgastes e morbi-mortalidade, objetivando com isso possíveis intervenções junto à instituição onde trabalham e, aos enfermeiros gerenciais, formas de amenizar e proteger seus trabalhadores dos riscos a que se expõem. Ainda como ressalta Mininel (2006), a importância do processo saúde-doença:
O processo saúde-doença pode ser compreendido como decorrente da reprodução social de um grupo com características específicas, que vai acarretar no aparecimento de manifestações patológicas no corpo do indivíduo sadio (MININEL, 2006, p.30).

Da mesma forma, este local não pode ser a razão de doenças degenerativas e psicológicas destes profissionais que se dedicam a curar doenças e contraditoriamente estão adoecendo em locais que se pressupõem sejam de cura. Nesse ambiente, conforme Cruz e Varela (2002), a enfermeira, enquanto

16 administradora e coordenadora da assistência de enfermagem fazem parte dele e, como tal, compartilha e vivencia aquilo que é interpretado por todos.

2.3 SAÚDE DO TRABALHADOR

“Acredita-se que o trabalho tanto de forma individual como social tem como importante instrumento a própria organização, que deve ser considerada a partir da adequação do ambiente, quer seja físico ou social, ao processo de trabalho” (VILLAR, 2002, p.15). A saúde do trabalhador se faz necessária e essencial para todas as classes de trabalhadores. “A luta pela saúde, a possibilidade do trabalho como fonte de prazer e de desenvolvimento, estão presentes mais como luta contra o sofrimento que como ampliação da capacidade de ação” (SILVA, 2002, p.04). O trabalhador deve ser visto como um todo, de maneira integral. É através de pesquisas no próprio ambiente em que se encontra esse profissional que é possível verificar qual o grau de exposição a riscos em que se encontram esses profissionais e quais as incidências negativas dessas influências. Villar (2002) aponta que a organização do trabalho atualmente se tornou um grande desafio nas empresas por haver divergências entre trabalhadores e empregadores, fazendo com que as condições físicas, ambientais e organizacionais da execução do trabalho causem aos trabalhadores um maior desgaste e sofrimento. Desde 2004, a “[...] Política Nacional de Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde visa à redução dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, mediante a execução de ações de promoção, reabilitação e vigilância na área de saúde” (BRASIL, 2008). De acordo com o Ministério da Saúde, todo trabalhador tem direito à saúde [ ]. Além do ambiente de trabalho são necessários todos os equipamentos de

proteção, observação da jornada de trabalho, verificação do número mínimo de profissionais por pacientes atendidos (BRASIL, 2008).

17 Da mesma forma, conforme o Código de Ética dos profissionais de enfermagem, do COFEN, Seção I, das relações com a pessoa, família e coletividade, direitos, em seu art. 10, é possível verificar o amparo da lei às condições insalubres de trabalho: “recusar-se a executar atividades que não sejam de sua competência técnica, científica, ética e legal ou que não ofereçam segurança ao profissional, à pessoa, família e coletividade” (COFEN, 2007). Todo profissional que trabalha na área da saúde é protegido pelas Normas Regulamentadoras (Nrs), que são as normas que garantem com que profissional tenha saúde e segurança no trabalho (BRASIL, 2008). Destacamos aqui as normas de maior interesse para o trabalhador de enfermagem: NR 06 - Equipamento de Proteção Individual – EPI: é a norma que estabelece os critérios para a utilização de Equipamentos de Proteção Individual adequados ao risco e fornecidos gratuitamente pelo empregador ao empregado. NR 07 - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO: é a norma que estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores, do PCMSO dos empregados. NR 17 – Ergonomia: é a norma que estabelece parâmetros de adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. NR 32 - Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde: é a norma que estabelece as diretrizes básicas para a implementação de medidas de proteção à segurança e à saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, classifica e lista os agentes biológicos, cria a Comissão Tripartite Permanente Nacional da NR-32, formada pelo governo, empregadores e trabalhadores para controle periódico do cumprimento. O que se verifica é que, apesar da legislação do COFEN amparar amplamente o profissional de saúde, na prática, a situação é muito complexa, havendo diferentes cenários quanto às condições instaladas. Conforme salienta o COFEN (2007), a situação das entidades públicas são diferentes das privadas, sendo que nas primeiras, poderá ocorrer o descaso e falta de verbas, e nas privadas, apesar de terem um quadro financeiro melhor, não existe uma política de amparo aos trabalhadores, o que acaba desgastando os trabalhadores em ambas as situações, tornando o local de trabalho estressante e desestimulante, e assim

18 prejudicial à saúde desse profissional. Quando existem equipamentos de proteção, não existe acompanhamento psicológico para os problemas resultantes do ambiente ao qual profissional é submetido. Diante de tudo isso, o estresse e o desgaste físico são razões pela quais os termos serão abordados a seguir.

2.3.1 Estresse

Hoje em dia o assunto se tornou banalizado quando se trata de estresse pela maneira que as pessoas se expressam. Por muitas vezes dizemos por qualquer coisa que “estamos estressados”, no entanto o estresse atualmente é uma das patologias mais detectadas nos profissionais da área da saúde. O estresse sempre fez parte da vida de todos nós; com intensidades diferentes e de diversos modos de se manifestar, os sintomas se diferenciam de pessoa para pessoa, de um tipo de ambiente para o outro. Segundo Montanholi, Tavares e Oliveira (2006) os profissionais de enfermagem, principalmente os enfermeiros, estão relacionados intimamente a fatores estressantes. Esses fatores podem levar a uma desvalorização do profissional, acarretando uma baixa estima:
[...] através do conhecimento dos principais fatores de risco para o estresse, é possível desenvolver atividades coletivas no trabalho, com vistas a diminuir o estresse, promover a saúde dos trabalhadores em enfermagem e melhorar a qualidade de assistência prestada à população (MONTANHOLI, TAVARES E OLIVEIRA, 2006, p.662).

Sem dúvida que tudo o que diz respeito ao profissional de enfermagem, aos malefícios que se acumulam para sua saúde futura, a que se submete ou acaba se submetendo, reflete tanto em sua vida em família, sobre os que estão à sua volta e até mesmo aos seus pacientes. Quando se trabalha sob pressão, seja ela qual for, facilmente nos estressamos. Macedo et al (2007) afirmam que a reação do nosso organismo diante do estresse é de enfrentamento ou de fuga diante de situação ameaçadoras. Com isso, ocasiona estímulos que fazem com que nossos batimentos cardíacos,

19 respiração, taxa da glicose e energia se alterem durante esse estágio de alerta, voltando ao normal após cessarem os estímulos. De acordo com Mangolin et al. (2003, p.21), “o estresse emocional é um dos fatores propiciadores de doenças psicossomáticas em indivíduos de diferentes classes profissionais”. Esta situação está associada à QV que será apresentada a seguir.

2.3.2 Qualidade de vida (QV) e Qualidade de Vida no Trabalho (QVT)

As definições sobre Qualidade de Vida são muitas. Segundo Seidl e Zannon (2004, p.587) “a QV tem suscitado pesquisas e cresce a sua utilização nas práticas desenvolvidas nos serviços de saúde por equipes profissionais que atuam junto a usuários acometidos por enfermidades diversas”. “As definições de qualidade de vida são inúmeras e engloba uma série de condições que podem afetar a maneira do indivíduo perceber o mundo, seus sentimentos e comportamentos no cotidiano, inclusive sua situação de saúde” (BRASIL et al, 2008, p.384). “Considerando-se a QV dos indivíduos, há um consenso de que a saúde parece ser um domínio considerado de especial relevo, o qual parece estar também relacionado com a noção de bem estar, satisfação ou felicidade” (MIRANDA, 2006, p.28). Brasil et al. (2008) definem ainda Qualidade de Vida como:
[...] uma percepção subjetiva que fica entre o que é idealizado e o vivenciado pelo indivíduo - o que deseja e o que é possível. Ou seja, a despeito da presença da dor crônica, as pessoas ainda se consideram bem de saúde. Aceitam a condição e convivem com ela da maneira possível (BRASIL et al. 2008, p.390).

De acordo com Miranda (2006) o trabalho no Centro Cirúrgico interfere sim na QV dos profissionais, decorrente de fatores como o próprio trabalho que exige do profissional atenção redobrada, ética profissional, um salário digno e justo. Miranda ainda salienta que “o local de trabalho é a continuidade do lar e uma boa qualidade

20 de vida repercute positivamente no desempenho profissional, elevando a autoestima, tornando este profissional tão produtivo quanto possível” (MIRANDA, 2006, p.15). Não havendo condições de trabalho adequadas, o profissional tende a ficar desmotivado, comprometendo a sua saúde e tornando os erros mais evidentes. Conforme Miranda (2006) a qualidade da atividade que é desenvolvida no Centro Cirúrgico depende da qualidade de vida das pessoas que estão envolvidas com o desempenho de tarefas relacionadas. “Por isso, o gerenciamento de qualidade de vida no trabalho é um instrumento importante para que se possam alcançar os objetivos da qualidade de vida do trabalhador não só no bloco cirúrgico, mas em todos os setores do hospital” (MIRANDA, 2006, p.32). Em estudo realizado por Oler et al (2005) foi visto que as condições de trabalho dos profissionais estão relacionadas à QVT e que não há um consenso entre os autores sobre esse assunto. Consideram que os trabalhadores de unidades de Centro Cirúrgico, por ter uma característica própria da unidade, possuem um agravo maior para a qualidade de vida desses profissionais. O autor diz ainda que estiver saudável associa-se à satisfação das necessidades humanas básicas e o trabalho é considerado um elemento fundamental para a saúde das pessoas. No ambiente fechado do Centro Cirúrgico, convivendo diariamente com pessoas doentes, lidando muitas vezes com a morte, a tristeza dos pacientes e familiares, em condições insalubres, aliado a uma jornada de trabalho que muitas vezes é realizada em mais de uma instituição, torna o profissional de saúde vulnerável a uma série de enfermidades físicas e psicológicas. As mais observada são: tendinite, bursite, problemas emocionais e doenças muitas vezes relacionadas ao próprio ambiente hospitalar, com infecções de manejo ao paciente e de ambiente infectado. Villar (2002) nos fala sobre a importância do campo da saúde onde:
[...] busca-se o conhecimento sobre o processo de trabalho com enfoque no sentido coletivo, sua organização e a necessidade de um olhar voltado para a qualidade de vida do trabalhador no seu ambiente de trabalho. É um campo que apresenta grandes desafios, além de problemáticas a vencer, dentro do cenário determinado pelo contexto político e econômico do país (VILLAR, 2002, p.31).

21 Estas condições de trabalho também contribuem para que se instale um ambiente de tensão, nervosismo e estresse, fazendo com que as pessoas que trabalham neste setor tenham ansiedade, angústia e, muitas vezes, dependendo da situação que estão vivenciando, falta de entusiasmo e a não satisfação do trabalho. Muitos adoecem sem saber por que, outros por motivos mesmo de problemas de esforço físico como dores musculares, coluna, tendinites e outras situações impostas pelas atividades hospitalares. Em virtude de baixos salários, Schmidt e Dantas (2006) dizem que:

[...] a maioria dos trabalhadores da enfermagem é obrigada a optar por mais
de um emprego, o que leva essas categorias a permanecerem no ambiente dos serviços de saúde a maior parte do tempo de suas vidas produtivas. Essa situação leva ao aumento do período de exposição aos riscos existentes nesses locais, podendo haver prejuízo para sua Qualidade de Vida no Trabalho (SCHMIDT E DANTAS, 2006, p.58).

Diante disso, fica clara a percepção, de que, para se poder oferecer uma assistência adequada ao paciente, é necessário que se tenha, em primeiro lugar, uma boa QVT; e em segundo lugar, uma boa remuneração. Não esquecendo de que um apoio psicológico, amenizando ansiedades e angústias, é um ingrediente muito importante também para a saúde do profissional da saúde. Isso nos leva a entender porque é fundamental que o profissional de enfermagem deva saber da importância que é de se ter uma boa QVT, e, com isso, fazendo com que ocorra uma influência positiva sobre a QV na assistência de enfermagem. Estudos sobre a QVT, segundo Sousa e Motta (2008), surgem com a idéia de humanizar o trabalho desses profissionais, englobando aspectos que motivam a satisfação no trabalho, fatores ambientais e ergonômicos, criando assim, uma visão geral das relações do homem com seu ambiente de trabalho, bem-estar, saúde e segurança física. A busca de um instrumento para avaliar a QV, segundo Fleck et al (1999), fez com que a OMS desenvolvesse um projeto colaborativo multicêntrico, que possibilitou a elaboração da WHOQOL-100, que é um instrumento de avaliação da QV composta por 100 itens, na sua versão para o português foi desenvolvida no Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Universidade Federal do Rio

22 Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil (FLECK et al, 1999). O modelo desenvolvido pela OMS, embora validado mundialmente, tem restrições para o uso devido a seu detalhamento, o que o torna financeiramente pouco viável, em estudo sem financiamento específico. Desta forma, outros instrumentos continuam sendo delineados e usados. Entre os instrumentos específicos destinados a medir a QV do trabalhador também dispomos do Roteiro Básico de Entrevista (RBE), criado por Fernandes (1996), que tem como objetivo fazer um levantamento da percepção dos profissionais em nível de satisfação com as condições e a organização da empresa na qual trabalham, com isso, criando subsídios para a gestão de estratégias de Recursos Humanos (RH). Esta será a metodologia utilizada nesta pesquisa, que passa a ser apresentada no próximo capítulo.

23 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Os procedimentos metodológicos a seguir têm como objetivo analisar e delimitar a pesquisa, informando sobre as técnicas e os instrumentos de coleta que foram utilizados nesta pesquisa.

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA

A presente pesquisa teve caráter descritiva-exploratória que, de acordo com Gil (2002) e Rodrigues (2007), tem como objetivo principal descrever as características de uma determinada população ou fenômeno, estabelecendo relações entre as variáveis, utilizando técnicas padronizadas de coletas de dados. Quanto à abordagem dos dados, os mesmos serão tratados de forma quantitativa. Estudos quantitativos, definidos por Portela (2004) como sendo uma abordagem que busca manifestar relações funcionais entre as variáveis, procurando identificar os elementos que constituem o objeto de estudo, estabelecendo uma estrutura e evolução nas relações entre esses elementos. A partir desta caracterização é que foi então delimitado o estudo para identificar a QVT dos enfermeiros do Centro Cirúrgico.

3.2 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA

A pesquisa propôs abranger a todos os enfermeiros da unidade do Centro Cirúrgico. Foram excluídos os enfermeiros que se encontravam em férias e/ ou afastados do trabalho por licença de 15 dias ou mais, inclusive enfermeiros das unidades do Centro de Materiais e Esterilização (CME) e Sala de Recuperação (SR), visto que estes também atuam em conjunto com os enfermeiros do Centro Cirúrgico.

24 Desta forma, do universo de 11 enfermeiros foram selecionados 10 para entrevista, visto que um profissional encontrava-se de férias no período. No entanto, um entrevistado entregou o questionário fora do cronograma estipulado, ficando-se assim com 9 (nove) sujeitos da pesquisa.

3.3 TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS

Para a coleta de dados, inicialmente, foi feito contato com a chefia da unidade do CC, onde através dela é que a pesquisadora abordou a equipe de enfermeiros do Centro Cirúrgico de um Hospital de grade porte da cidade de Porto Alegre, realizando marcação da entrevista de acordo com o tempo disponível de cada participante da pesquisa, em seu turno de trabalho. A todos os participantes da pesquisa foi apresentado o projeto de pesquisa com seus objetivos e junto o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) conforme ANEXO II, que foi devidamente aceito e assinado por todos os entrevistados. A coleta foi realizada através de perguntas fechadas, conforme o instrumento de coleta de dados o Roteiro Básico de Entrevista (RBE), baseado na metodologia de Fernandes (1996) utilizada para mensurar a QVT conforme o ANEXO I, composto de 11 blocos, que serviram de levantamento sobre a percepção dos enfermeiros diante dos elementos organizacionais, ambientais e comportamentais presentes na sua QVT, tendo uma escala polarizada de satisfação de 7 (sete) níveis:

1 2 3 4 5 6 7

bastante insatisfeito insatisfeito levemente insatisfeito neutro levemente satisfeito satisfeito bastante satisfeito

25 3.4 TÉCNICAS DE ANÁLISE DOS DADOS

A análise dos dados foi de abordagem quantitativa através de uma análise estatística de freqüência dos blocos descritos abaixo, conforme o nível de escala acima. Bloco 0 – Dados de Identificação – nos diz sobre o sexo, idade, se tem filhos e quantos, tempo de formação, turno de trabalho, tempo de serviço na empresa e se tem vínculo empregatício em outra empresa. Bloco 1 – Questão introdutória – nos diz sobre a percepção da QVT no hospital. Bloco 2 – Quanto às Condições de Trabalho – nos diz sobre a satisfação do enfermeiro com as condições de limpeza, arrumação, segurança e insalubridade. Bloco 3 – Quanto à Saúde – nos diz sobre a satisfação dos enfermeiros no que se refere à assistência aos empregados, assistência aos familiares, educação\ conscientização e saúde ocupacional. Bloco 4 – Quanto à Moral – nos diz sobre a efetividade das ações gerenciais no que se refere a aspectos psicossociais como: identidade na tarefa, relações interpessoais, reconhecimento, orientação as pessoas e garantia de emprego. Bloco 5 – Quanto à Compensação – nos diz sobre a satisfação dos enfermeiros quanto às práticas de trabalho e políticas de remuneração. Bloco 6 – Quanto à Participação – nos diz sobre a satisfação dos enfermeiros em ações de participação efetiva através de oportunidades relacionadas à criatividade, expressão pessoal, repercussão de idéias dadas, programas de participação e capacitação para a função. Bloco 7 – Quanto à Comunicação – nos diz sobre o nível de informação sobre aspectos como: conhecimento de metas, fluxos de informações e veículos formais de comunicação. Bloco 8 – Quanto à Imagem da Empresa – nos diz sobre a percepção dos enfermeiros quanto a aspectos como: identificação com a empresa, imagem interna, imagem externa, responsabilidade comunitária e enfoque no cliente. Bloco 9 – Quanto à Relação Chefe X Enfermeiro – nos diz sobre a satisfação

26 em relação à orientação técnica, igualdade de tratamento e gerenciamento pelo exemplo. Bloco 10 – Quanto à Organização do Trabalho – nos diz sobre a satisfação com as propostas de: inovação/método/processos, grupos de trabalho, variedade de tarefas e ritmo de trabalho. Os dados coletados foram transferidos para banco de dados e, através do programa Microsoft Excel® foram elaborados tabelas e gráficos que permitiram demonstrar os resultados encontrados que serão apresentados na próxima seção deste trabalho.

3.5 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS

Com base na resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 196/96, todas as instituições que realizem pesquisa envolvendo seres humanos deverão constituir um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) para assegurar e defender os interesses dos sujeitos da pesquisa em sua integridade, dignidade, respeitando sua autonomia, ponderação entre riscos e benefícios, tanto atuais como potenciais, individuais ou coletivos, cabendo-lhe a responsabilidade primária pelas decisões sobre a ética da pesquisa a ser desenvolvida na instituição. Neste sentido, a presente investigação está regida por responsabilidade ética quanto ao TCLE conforme Apêndice I, onde a cada entrevista foi apresentado ao enfermeiro entrevistado do CC, esclarecendo os objetivos do estudo e assegurando o sigilo da identidade. Este termo foi elaborado em 2 (duas) vias, onde, uma ficou sob cuidado da pesquisadora e a outra com o participante da pesquisa. Quanto a guarda dos dados coletados, os mesmos serão armazenados e guardados no período de 5 (cinco) anos pelas pesquisadoras, após esse período, serão destruídos. Quanto à divulgação dos dados, a pesquisadora comprometeu-se que o relatório da pesquisa, com os resultados e conclusões da pesquisa seja apresentado aos participantes da pesquisa, aos setores pertinentes e demais interessados, bem como esta sendo encaminhado para publicação junto ao Centro

27 de Documentação do Grupo Hospitalar Conceição (CEDOC/GHC). O trabalho foi apreciado e aprovado pelo CEP do Centro Universitário Metodista do IPA conforme parecer de aprovação no ANEXO III e do CEP do GHC conforme parecer de aprovação no ANEXO IV.

28 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 PERFIL DO GRUPO ESTUDADO

No universo pesquisado, quanto ao sexo, houve uma distribuição homogênea, do grupo pesquisado sendo do sexo feminino 55,55% da amostra, enquanto o sexo masculino é de 44,45%. Este dado chama atenção, visto ser a enfermagem uma profissão predominantemente exercida por mulheres. Em relação à idade, a faixa etária do grupo estudado, em sua maioria, encontram-se entre 20 aos 30 anos (lideram o percentual com 44,45%, equivalendo a 4 enfermeiros) o que permite dizer que trata-se de um grupo jovem. Na faixa entre os 31 aos 40 anos, encontram-se 33,33% do grupo o que equivale a 3 (três) enfermeiros. Nas faixas etárias superiores de 41 aos 50 anos, de + 50 anos foram de 11,11%, o equivalente a 1 (um) enfermeiro em cada faixa etária. Esta distribuição pode ser visualizada no gráfico 1.

11,11% 11,11% 44,45%

20 a 30 anos 31 a 40 anos 41 a 50 anos +50 anos

33,33%

Gráfico 1: Perfil etário dos enfermeiros das áreas fechadas do HNSC Fonte: Dados da pesquisa

Quanto ao tempo de formação, 100% dos enfermeiros estudados são formados há mais de 3 (três) anos. O tempo de serviço na empresa dos participantes da pesquisa, foi bastante variável, embora a sua maioria (com de 44,45%) tenha mais de 5 (cinco) anos de empresa, e os menos tempo (11,11%) é de -1(um) ano. Encontram-se também pessoas com menos de 1 (um) ano na empresa e pessoas com 1 (um) a 2 (dois)

29 anos e 3 (três) a 4 (quatro) anos, conforme mostra gráfico 2.

9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 - 1 ano 1 a 2 anos 3 a 4 anos 4 a 5 anos + 5 anos

Gráfico 2: Tempo de serviço na instituição Fonte: Dados da pesquisa

Quanto à dupla jornada de trabalho foi identificado que não há duplo vínculo, todos os profissionais declararam não trabalhar em outra instituição. Foi então investigado a percepção destes enfermeiros quanto a sua QVT que passa a ser apresentado a seguir.

4.2 POSICIONAMENTO PESSOAL SOBRE A QVT DA INSTITUIÇÃO HOSPITALAR

Quanto à percepção do enfermeiro sobre a sua Qualidade de Vida no Trabalho, 66,67% dos entrevistados se declaram “levemente satisfeitos”, 33,33% declaram-se “satisfeitos” com a QVT dentro da instituição em que trabalham. Não houve nenhum “insatisfeito”, estes dados podem ser evidenciados no gráfico 3.

33, 33%

levem ente s atis feito s atis feito

66, 67%

Gráfico 3: Percepção dos enfermeiros quanto a sua QVT. Fonte: Dados da pesquisa.

30 Pelo que podemos observar no gráfico 3 entre os enfermeiros entrevistados o quanto fica evidenciado o pensamento positivo em relação a QVT. Mas conforme Miranda (2006) o trabalho desenvolvido no centro cirúrgico por ser desgastante pode interferir na qualidade de vida dos profissionais de enfermagem em decorrência de vários fatores dentre eles o trabalho em si que requer presteza, ética, salários dignos para satisfação de suas necessidades básicas, além de outros como, por exemplo, a satisfação no trabalho. Os dados apontam que os enfermeiros manifestam-se positivamente quanto à sua QVT. Foi então investigada qual a percepção dos enfermeiros quanto ao tratamento dado pela empresa a sua QVT.

4.3 PERCEPÇÃO DOS ENFERMEIROS QUANTO AO TRATAMENTO DADO PELA EMPRESA A SUA QVT

Inicialmente foi analisado as condições de limpeza, organização física do ambiente, Equipamentos de Proteção Individual (EPI) oferecidos e percepção de condições nocivas no trabalho pelo enfermeiro. A situação encontrada está demonstrada na tabela 1 e, cabe salientar que, não houve registro entre os entrevistados de enfermeiros no gradiente “bastante insatisfeito” e “insatisfeito” com as condições de trabalho. Quanto à limpeza do ambiente, a maioria (44,45%) respondeu estarem “levemente satisfeitos”, e 22,22% estão “levemente insatisfeitos” e “neutros” para cada nível, e apenas 11,11% manifestaram-se “bastante satisfeito”. Quanto à organização do ambiente de trabalho, a maioria dos enfermeiros (44,45%) manifestou-se “levemente satisfeitos”, tendo os níveis de “satisfeito” e “bastante satisfeito” os de menor valor, com 11,11% cada um. Neste aspecto entrevistado 11,11% manifestou-se de forma “neutro” quanto à organização do ambiente de trabalho. Na percepção quanto à segurança de EPIs, a maior parte dos enfermeiros (55,56%) estão “satisfeitos”, o restante estão divididos em “levemente satisfeito” e

31 “bastante satisfeito” com 22,22% cada nível. Quanto às condições nocivas de trabalho, a maioria (33,34%) dos enfermeiros declarou estarem “levemente satisfeitos” e com 33,33% para o nível de “levemente satisfeito”. O restante com 22,22% declarou-se “levemente insatisfeito” e apenas 11,11% mantiveram-se “neutro”, como podemos observar na tabela 1.

Tabela 1: Quanto às condições de trabalho
Quanto às Condições de Trabalho Percepção sobre a limpeza (nº participantes) Percepção sobre a arrumação do serviço (nº participantes) Percepção sobre a segurança – EPIs – (nº participantes) Percepção sobre condições de trabalho (nº participantes)

Bastante Insatisfeito Insatisfeito Levemente Insatisf. Neutro Levemente Satisfeito Satisfeito Bastante Satisfeito Fonte: Dados da pesquisa

0 0 2 2 4 0 1

0 0 2 1 4 1 1

0 0 0 0 2 5 2

0 0 2 1 3 3 0

Analisando a tabela 1, podemos observar que não houve escolha pelas opções de “bastante insatisfeito” e nem “insatisfeitos”. Também podemos observar que na sua grande maioria, o nível de “levemente satisfeito” foi o mais apontado quanto às condições de trabalho na empresa. Segundo Sluchak (1992), citado por Villar (2002), a ergonomia leva em conta diferenças existentes entre cada trabalhador e planeja um ambiente de trabalho flexível sem sacrificar a segurança ou a produtividade. Para análise o homem em seu ambiente de trabalho é necessário consideram alguns fatores importantes como à educação, o treinamento, a motivação, a satisfação, a antropometria e o uso de EPI. Em relação à assistência em saúde oferecida pela empresa aos seus funcionários, conforme demonstrado na tabela 2, com algum nível de insatisfação, pode ser observado uma diversa percepção. Em relação à assistência em saúde oferecida pela empresa aos seus funcionários, conforme demonstrado na tabela 2, com algum nível de insatisfação, pode ser observado uma diversa percepção.

32 Já em relação à assistência prestada aos familiares dos funcionários pela instituição a maioria (33,34%) dos entrevistados manteve-se “neutro” na resposta. Outros mostraram estar “bastante insatisfeitos” e “levemente insatisfeitos” com 22,22% a cada grupo. Apenas 1 (um) enfermeiro manifestou-se positivo quanto a assistência prestada a seus familiares.

Tabela 2: Quanto à Saúde
Quanto à Saúde Assistência ao funcionário (nº participantes) Assistência ao familiar (nº participantes) Promoção de Educação em Saúde (nº participantes) Valorização da saúde ocupacional (nº participantes)

Bastante Insatisfeito Insatisfeito Levemente Insatisf. Neutro Levemente Satisfeito Satisfeito Bastante Satisfeito Fonte: Dados da pesquisa

0 3 2 0 2 2 0

2 1 2 3 1 0 0

0 1 1 3 3 1 0

1 1 2 4 0 1 0

Quanto ao fato da instituição promover ações de educação em saúde aos seus funcionários as respostas obtidas encontraram-se diluídas entre os enfermeiros sendo que 33,34% dos enfermeiros se dizem “levemente satisfeitos”, assim como “neutros” em relação a essa ação da organização, e 11,11% ou seja, apenas um enfermeiro manifestou como: “insatisfeitos”, “levemente insatisfeitos” ou “satisfeitos”. Nenhum enfermeiro se posicionou nos extremos. Da mesma forma a manifestação quanto à valorização da saúde ocupacional, 44,45% dos enfermeiros optaram em ficar “neutros” e 22,22% dos entrevistados estão “levemente insatisfeitos”, os demais (um em cada grupo) se manifestaram como “insatisfeitos” e “bastante insatisfeitos”, no entanto ao contrário da pergunta anterior apareceu aqui um enfermeiro “bastante insatisfeito”. Pode-se notar através da tabela 2 que enfermeiros entrevistados não se sentem “bastante satisfeitos” com relação aos cuidados de saúde oferecidos pela empresa. E que na sua grande maioria preferiram se mantiver “neutros” diante do bloco quanto à saúde.

33 Conforme Nunes (2004), citado por Oler et al (2005), os profissionais de enfermagem desse setor suportam cargas de trabalho cada vez maiores [...] com turnos rotativos, com baixa remuneração, manipulando substâncias tóxicas e a presença constante de fatores de risco pertinentes ao ambiente, levam a uma situação de sobrecarga de trabalho, causando com isso, consequentemente a frustração e o descontentamento em relação à responsabilidade e exercício profissional, desencadeando muitas vezes transtornos físicos e psicológicos afetando sua saúde e levando a um comprometimento de sua QV. Foi também investigado se os enfermeiros se identificaram com as funções que executa no hospital, como percebem as relações interpessoais e

reconhecimento pela empresa de seu trabalho, e também se os enfermeiros se sentem suficientemente orientados para a execução das atividades e qual a segurança de emprego percebida. Quanto à identificação com as funções que executam na empresa 75% dos enfermeiros se manifestam “satisfeitos” com as mesmas e 25% “levemente insatisfeitos” com as funções desempenhadas. Em relação às relações interpessoais, as respostas foram majoritariais dos funcionários “satisfeitos” (55,56%), funcionários “levemente satisfeitos” (22,22%) e funcionários “bastante satisfeitos” e “neutros”, conforme pode ser visualizado no gráfico 4, cabe salientar que não houveram enfermeiros que manifestaram alguma insatisfação.

11,11%

11,11% 22,22%

neutros levem ente s atis feitos s atis feitos bas tante s atis feitos

55,56%

Gráfico 4: Percepção dos enfermeiro quanto as relações interpessoais Fonte: Dados da pesquisa

Quanto ao reconhecimento de suas atividades pela instituição os enfermeiros manifestaram-se dispersos entre os grupos de “satisfeitos”, “neutros” e “levemente satisfeitos” e havendo uma pequena concentração no grupo dos “satisfeitos”,

34 conforme gráfico 5. Novamente não houve manifestação de nenhuma insatisfação.

33,34% 22,22%

levem ente ins atis feito neutro levem ente s atis feito s atis feito

22,22% 22,22%

Gráfico 5:Reconhecimento dos enfermeiros quanto as suas atividades pela instituição. Fonte: Dados da pesquisa.

Segundo Miranda (2006), os profissionais que compõem o quadro de RH de qualquer empresa devem ser extremamente motivados para desempenhar suas funções com muita satisfação visando resultar em qualidade. E para que este processo ocorra, é necessário que o profissional também tenha uma QV no próprio local onde trabalha. Quanto as orientações recebidas para a realização do trabalho, pode ser evidenciado no gráfico 6 uma concentração maior de enfermeiros, em níveis elevados de satisfação, ou seja, a medida de satisfação aumenta o numero de enfermeiros proporcionalmente. No entanto, é significativo o número de enfermeiros “neutros” neste item investigado.

9 8 7 6 5 4 3 2 1 0

insatisfeito

levemente insatisf eito

neutro

levemente satisfeito

satisfeito

Gráfico 6: Orientação fornecida aos empregados. Fonte: Dados da pesquisa.

35 Quanto à garantia de emprego o grupo dividiu-se em três grupos idênticos: “levemente satisfeitos”, “levemente insatisfeitos” e “satisfeitos”. Como demonstrado no gráfico 7.

33,33%

33,34%

levem ente insatisfeito levem ente satisfeito satisfeito

33,33%

Gráfico 7: Garantia de emprego dos enfermeiros. Fonte: Dados da pesquisa.

Pode ser observado uma dispersão de opiniões do grupo investigado quanto à satisfação do reconhecimento da empresa pelo seu trabalho. Já quanto à remuneração, a maioria (66,67%) dos entrevistados

manifestaram-se “satisfeitos” com o seu salário e 33,33% se sentem “levemente satisfeitos”. Em relação à participação dos resultados da empresa, houve novamente dispersão nas respostas, enquanto 33,34% dos enfermeiros se manifestam “satisfeitos” com a participação dos resultados pela empresa aos seus funcionários, ainda com relevância 22,22% dos enfermeiros manifestaram-se “levemente insatisfeito”, a mesma proporção de enfermeiros foram encontrados enfermeiros que se dizem “neutros” em relação à participação da empresa aos resultados. Um enfermeiro se manifestou “bastante insatisfeito” e outro “insatisfeito”. Quanto aos benefícios que a empresa proporciona aos trabalhadores, as opiniões são uniformemente dividas entre todos os gradientes de satisfação investigados conforme pode ser verificado no gráfico 8.

36
11,11% 22,23%

22,22%

bas tante ins atis feito ins atis feito neutro levem ente s atis feito s atis feito

22,22% 22,22%

Gráfico 8: Benefícios proporcionados aos enfermeiros pela empresa. Fonte: Dados da pesquisa.

Como mostra o gráfico 8, é possível observar que não houve manifestações de enfermeiros nos dois extremos, ou seja: “bastante insatisfeitos” ou “bastante satisfeitos”, mostrando desta forma uma heterogeneidade de percepção deste grupo de enfermeiros quanto aos benefícios da empresa aos funcionários. Na investigação sobre a satisfação pessoal dos enfermeiros desta área assistencial da instituição, foram feitas cinco perguntas onde os entrevistados foram questionados quanto a possibilidade de ser criativo no trabalho, sua percepção de valorização de suas idéias, se sente respeitado no setor e se existe programa de participação e se os mesmos são estimulados a atualização de conhecimentos. Conforme pode ser evidenciada na tabela 3, a satisfação foi o grupo de resposta mais significativo nas questões referentes ao respeito percebido dentro do setor e a oportunidade oferecida pela empresa para atualização dos funcionários. Esta foi percebida também, embora com peso menor no total dos entrevistados quanto à valorização da empresa as idéias apresentadas. Já as manifestações quanto à valorização da instituição à criatividade dos funcionários e aos programas de participação oferecidos pela instituição foram onde as respostas encontraram-se dispersas manifestando assim uma diversidade de percepção dos enfermeiros quanto a esses aspectos participação oferecida pela empresa na qualidade vida de seus funcionários.

37 Tabela 3: Quanto à Participação
Valorização da criatividade (nº partici) Respeito dentro do setor (nº partici) Idéias valorizadas na empresa (nº partici) Programa de participação (nº partici) Oportunidade de atualização (nº partici)

Quanto à Participação

Bastante Insatisfeito Insatisfeito Levemente Insatisf. Neutro Levemente Satisfeito Satisfeito Bastante Satisfeito

1 0 3 1 3 1 0

0 0 0 0 3 6 0

0 0 2 1 2 4 0

0 0 1 2 1 3 1

0 0 1 1 2 5 0

Fonte: Dados da pesquisa

Conforme pode ser observado na tabela 3, não houve para nenhuma das questões deste bloco enfermeiros que tenham se manifestado como “insatisfeitos”. Assim como apenas um enfermeiro se manifestou como “bastante satisfeito” quanto aos programas de participação oferecidos pela empresa aos funcionários. Conforme assinado por Duarte e Lautert (2006) uma ação comunicativa bem sucedida produz um acordo entre os falantes sobre o significado das mensagens transmitidas, e é um meio para se obter o entendimento, além de coordenar ações para este, favorecendo a relação entre o sujeito e o mundo, de maneira direta ou reflexiva, contribuindo assim para qualidade de vida no trabalho. Desta forma neste trabalho os aspectos da comunicação investigados neste trabalho foram se a instituições utiliza meios adequados de comunicação entre os diversos segmentos, se esses fluxos de comunicação entre os enfermeiros são adequados e se existe comunicação das metas de produção e decisões da direção para com o grupo investigado. Em relação aos meios de comunicação utilizados pela instituição, as respostas encontradas ficaram localizados entre um pequeno número de enfermeiros “levemente insatisfeitos” e “bastante satisfeitos”, o grupo mais significativo dos resultados foi de enfermeiros “satisfeitos” quanto à forma desta comunicação, conforme pode ser visualizado no gráfico 9. Outra parte dos enfermeiros se manifestou “neutros” ou “levemente satisfeitos” neste aspecto.

38
9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 levemente insatisfeito neutro levemente satisf eito satisfeito bastante satisf eito

Gráfico 9: Meios de comunicação utilizados pela instituição. Fonte: Dados da pesquisa.

Em relação ao fluxo de informações é interessante destacar a dispersão de percepção dos enfermeiros investigados. As manifestações foram uniformes entre gradientes de “levemente insatisfeitos”, “neutros” e “levemente satisfeitos”, com um ligeiro aumento entre os “satisfeitos”. Novamente não houve manifestações nos extremos de satisfação como pode ser visualizados no gráfico 10.

33,34%

22,22%

levem ente ins atis feito neutro levem ente s atis feito s atis feito

22,22% 22,22%

Gráfico 10: Fluxo de informações dentro do setor. Fonte: Dados da pesquisa.

Em relação à comunicação da instituição quanto às metas de produção é importante notar que não houve registro de enfermeiros que manifestassem algum nível de insatisfação, ou seja, grande parte do grupo investigado se manifestou “satisfeito” ou “bastante satisfeito” neste aspecto da comunicação, havendo apenas um enfermeiro “neutro” e outro enfermeiro “levemente insatisfeito” quanto à qualidade da comunicação das metas de produção da empresa ao setor de trabalho. Este dado pode ser visualizado no gráfico 11.

39
11,11% 33,33% 11,11%

neutro levem ente s atis feito s atis feito bas tante s atis feito

44,45%

Gráfico 11: Comunicação das metas de produção. Fonte: Dados da pesquisa.

Já quanto aos conhecimentos das decisões tomadas pela direção da instituição às respostas encontram-se mais dispersas: novamente não houve manifestações extremas, a maior parte do grupo de manifesta “levemente satisfeito” quanto à forma de comunicação das decisões e de forma homogênea esta os enfermeiros que se sentes “satisfeitos” ou “neutros”, conforme gráfico 12.

9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 insatisfeito levemente insatisfeito neutro levemente satisfeito satisfeito

Gráfico 12: Comunicação das decisões tomadas pela direção da instituição. Fonte: Dados da pesquisa.

Conforme Gadamer (1990), citado por Cruz e Varella (2202), nos diz que a comunicação de um ser que fala uma tradição que precisa ser reconhecida e compreendida, uma historia de vida expressada através da linguagem, com suas idéias e conjecturas (pré-julgamentos e julgamentos) e que têm importância na interpretação de possíveis resultados da ação terapêutica da enfermagem. Essas constituem possibilidades de abertura de novas alternativas, para a interpretação e compreensão do que se passa consigo naquele momento de sua história de vida. A imagem da empresa pelo funcionário expressa a o prazer do mesmo quanto

40 a seu trabalho. Neste grupo pesquisado, o maior número de pessoas esta no grupo dos “satisfeitos”, sendo que 33,34% dos entrevistados sentem-se “satisfeitos” com os ideais da empresa e 22,22% “levemente satisfeitos” e “bastante satisfeitos” para cada nível, perfazendo 77,78% os demais se distribuíram igualmente entre os “levemente insatisfeitos” ou “neutros” (com 11,11% cada), conforme evidenciado no gráfico 13.

11,11% 22,22% 11,11%

levemente insatisfeito neutro levemente satisfeito satisfeito bastante satisfeito

22,22% 33,34%

Gráfico 13: Identificação pessoal quanto aos ideais de empresa. Fonte: Dados da pesquisa.

Quanto à percepção dos enfermeiros em relação à instituição onde trabalham 44,45% se declaram “levemente satisfeitos”, 22,22% “satisfeitos” e “bastante satisfeitos” para cada nível. Apenas 11,11% se declaram “neutro”, não tendo nenhum registro de “insatisfação”, como pode ser visto no gráfico 14.

22,22%

11,11%

neutro levem ente s atis feito s atis feito bas tante s atis feito

22,22%

44,45%

Gráfico 14: Percepção dos enfermeiros em relação à instituição. Fonte: Dados da pesquisa.

Quanto à visão da comunidade diante da empresa onde trabalham 44,45% dos enfermeiros entrevistados se sentem “satisfeitos”. O restante dos entrevistados ficou com as opiniões divididas igualmente entre os que se sentiram “insatisfeitos”,

41 “levemente insatisfeitos” e “bastante satisfeitos” ou “neutros”.

11,11%

11,11% 11,11%

ins atis feito levem ente ins atis feito neutro levem ente s atis feito s atis feito bas tante s atis feito

11,11% 44,45% 11,11%

Gráfico 15: Quanto à percepção dos enfermeiros sobre a visão da comunidade Fonte: Dados da pesquisa

Nota-se no gráfico 15 nitidamente a diferença que o grau de satisfação tem em relação aos outros níveis. Isso nos mostra que 4 (quatro) dos 9 (nove) enfermeiros entrevistados acreditam que sua empresa é bem vista pela comunidade em que se insere. A maior parte (55,56%) dos enfermeiros entrevistados se diz “satisfeitos” com o comprometimento e responsabilidade de programas voltados à saúde comunitária que a sua empresa tem para com a comunidade, que associados aos “bastante satisfeitos” (11,11%) perfazem 66,67% dos com manifestações positivas neste aspecto. No entanto, 22,22% dos entrevistados manifestam-se “neutros” e 11,11% se sentem “levemente insatisfeitos” em relação ao comprometimento da empresa frente à comunidade.

9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 levemente insatisfeitos neutro satisfeito bastante satisfeito

Gráfico 16: Comprometimento e responsabilidade voltados à saúde comunitária. Fonte: Dados da Pesquisa.

42 Nesta situação, representada no gráfico 16 observamos claramente que 5 (cinco) dos 9 (nove) enfermeiros estão “satisfeitos” quanto a sua empresa estar comprometida e responsável com o programa voltado à saúde comunitária.

4.4 PERCEPÇÃO DOS ENFERMEIROS QUANTO AO GRUPO DE TRABALHO

Quando investigado 55,56% dos enfermeiros entrevistados se declaram “neutros” quanto ao apoio emocional que a empresa disponibiliza para seus funcionários, 22,22% dizem estar “levemente insatisfeitos”, e com 11,11% manifestaram-se por estarem “levemente satisfeitos” e “bastante satisfeitos” para cada nível, evidenciados no gráfico 17.

11,11% 11,11%

22,22%

levem ente ins atis feito neutro levem ente s atis feito bastante s atis feito

55,56%

Gráfico 17: Satisfação do apoio emocional disponibilizado pela empresa. Fonte: Dados da pesquisa.

De acordo com Krahl (2001) citado por Miranda (2006) esses conflitos parecem acentuar-se dentro do Centro Cirúrgico, pois o ambiente é crítico [...] as questões éticas relacionadas à profissão devem ser respeitadas bem como as normas reguladoras, assistenciais e administrativas que promovem diretrizes no gerenciamento de enfermagem setorial. Muitos autores como Miranda (2006), Oler et al (2005), Stumm et al (2006), Kussler (2007) manifestam que o CC é um local com grande nível de estresse porque é onde o limite da vida está exposto. Os enfermeiros são profissionais que, historicamente, exercem a chefia destes locais, conciliando os diferentes conflitos

43 existentes entre equipes assistenciais (equipe cirúrgica e de enfermagem) e administração (manutenção e insumos), sendo também a equipe que permanece continuamente no local. Por essa razão, está exposta a um maior desgaste. Com relação às orientações técnicas prestadas pela empresa, às respostas ficaram dispersas entre “levemente insatisfeitos”, “neutros” e “satisfeitos” sendo cada um com 22,22%. Com uma pequena diferença (33,34%) dos enfermeiros entrevistados optaram por estarem “levemente satisfeitos” com relação às orientações técnicas que a empresa oferece como nos mostra o gráfico 18.

22,22%

22,22%

levem ente ins atis feito neutro levem ente s atis feito s atis feito

22,22% 33,34%

Gráfico 18: Orientação oferecida pela empresa aos empregados. Fonte: dados da pesquisa.

Quanto a forma de tratamento dado pela empresa aos seus funcionários, a maioria de 55,56% dos enfermeiros entrevistados manifesta-se “levemente insatisfeitos” com relação a existir ou não igualdade de tratamento dentro da sua empresa. E 22,22% responderam se sentirem “satisfeitos”, na sua minoria (11,11%) “insatisfeita” e 11,11% para “neutros” conforme nos mostra o gráfico 19.

9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 insatisfeitos levemente insatisf eito neutro satisfeito

Gráfico 19: Quanto à igualdade de tratamento na empresa Fonte: Dados da pesquisa

44 Este desconforto é novamente manifestado quando investigado sobre o julgamento feito pelos enfermeiros da forma de gerenciamento do serviço. Quando investigado se o exemplo dado pela chefia esta de acordo com a orientação dada pela mesma, a maioria (57%) dos entrevistados optou por ficarem “neutros” na resposta e 29% se declaram “levemente insatisfeitos”, e apenas a minoria (14%) se manifesta “satisfeitos” com o exemplo dado pela chefia para gerenciamento da unidade. Sendo que em um questionário a pergunta não foi respondida, alegando não compreensão da mesma. Conforme evidenciado no gráfico 20.

14%

29%

levem ente ins atis feito neutro s atis feito

57%

Gráfico 20: Forma de gerenciamento proposto. Fonte: Dados de pesquisa.

Conforme Stamps (1997) e Lino (2004), citados por Schmidt e Dantas (2006), satisfação no trabalho é considerada um dos importantes indicadores de QVT e sua medida tem sido utilizada em estudos no Brasil e no exterior. Dejours e Abdoucheli (1994) citados por Villar (2002), afirmam que “a organização do trabalho é, de certa forma, a vontade do outro. Ela é, primeiramente, a repartição entre os trabalhadores, isto é, a divisão de homens: a organização do trabalho recorta assim, de uma só vez, o conteúdo da tarefa e as relações humanas de trabalho". Também citado por Villar (2002), Faria (1984) trata a organização do trabalho como sendo um conjunto de conhecimentos oriundos da ciência social e humana, da ciência exata, da lógica, da tecnologia, para estabelecer não simplesmente métodos, mas, sobretudo às condições mais favoráveis à satisfação, à saúde e a produtividade do homem ao trabalho. Quanto à capacidade da empresa propor inovações, o grupo de “levemente

45 satisfeitos” e os “levemente insatisfeitos” foram os de minoria, apenas 11,11%; não tendo nenhuma manifestação de “bastante satisfeitos” nem bastante insatisfeitos”. A maioria (33,34%) se diz “neutros”, quanto à capacidade da empresa em propor inovações e 22,22% se sentem “insatisfeitos” e “satisfeitos” para cada nível quanto à capacidade de inovação proposta pelo hospital.

22,22%

22,22%

ins atis feito levem ente ins atis feito neutro levem ente s atis feito s atis feito
11,11%

11,11% 33,34%

Gráfico 21: Capacidade da empresa propor inovações. Fonte: Dados da pesquisa.

Analisando o gráfico 21, notamos que o grupo de entrevistados está bem disperso quanto à possibilidade de inovar neste quesito, tendo uma concentração na escolha de estarem “neutros”. Já em relação à percepção dos enfermeiros entrevistados referente aos grupos de trabalho onde atua as respostas foram também dispersas, e novamente uma concentração entre os “neutros” ou “insatisfeitos” com 66,66% do total, sendo: 11,11% “insatisfeitos”, 22,22% “levemente insatisfeitos” e 33,33% “neutros”. No grupo dos entrevistados “satisfeitos”, 22,22% estão igualmente distribuídos entre “bastante satisfeitos” e “levemente satisfeitos”.

9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 insatisfeito levemente insatisfeito neutro levemente satisfeito bastante satisfeito

Gráfico 22: Percepção dos enfermeiros referente aos grupos de trabalho. Fonte: Dados da pesquisa.

46 Notamos no gráfico 22 que a concentração maior, podendo dizer assim, focalizou em “neutros” tendo 3 (três) dos 9 (nove) enfermeiros, sendo que os outros entrevistados se dispersaram com respostas em outros níveis. Quanto ao ritmo de trabalho imposto pela empresa 49% dos entrevistados se manifestam “satisfeitos” e 38% “levemente satisfeitos”, apenas 13% se manifestaram “neutros” e um questionário não respondeu essa questão. Chama a atenção que não houve nenhuma manifestação de insatisfação quanto ao ritmo de trabalho imposto pela organização, evidenciado no gráfico 23.

38% 49% 13%

levem ente ins atos feito neutro s atis feito

Gráfico 23: Percepção dos enfermeiros quanto ao ritmo de trabalho na empresa. Fonte: Dados da pesquisa.

Quanto à percepção do enfermeiro quanto à variedade das tarefas na empresa, 33,34% permaneceram “neutros” e 22,22% estiveram distribuídos igualmente entre “levemente insatisfeitos”, “satisfeitos” e “bastante satisfeitos” para cada nível.

22,22%

22,22%

levem ente ins atis feito neutro s atis feito bas tante s atis feito

22,22% 33,34%

Gráfico 24: Percepção dos enfermeiros referente à existência de tarefas na empresa. Fonte: Dados da pesquisa.

47 Percebe-se por meio do gráfico 24 que existe quase uma unanimidade nas respostas dos enfermeiros entrevistados, mostrando com isso o quanto o grupo está dividido em relação à percepção referente à existência de variedade de tarefas na empresa. Ainda, Duarte e Lautert (2006) ressaltam a importância desses profissionais para com a instituição na qual trabalham, cumprindo as metas que lhe são impostas, por muitas vezes sem infra-estrutura, dando o máximo de si, fazendo com que o cansaço, o estresse e a pressa faz com que ocorram, com mais freqüência uma série de erros, negligências, imprudências e imperícias. Em se tratando de enfermeiros, Montanholi, Tavares e Oliveira (2006) nos dizem que os profissionais enfrentam uma sobrecarga de trabalho evidenciada pela responsabilidade pelo setor decorrente da complexidade das relações humanas tanto da equipe interna quanto da equipe de saúde e especialmente com familiares das pessoas internadas.

48 5 CONCLUSÃO

Os resultados apontam que há uma distribuição homogênea quanto ao sexo tendo 55,55% do sexo feminino e 44,45% do sexo masculino, chamando a atenção sendo a enfermagem uma profissão predominantemente exercida por mulheres. Tendo na sua grande maioria na faixa etária dos 20 aos 30 anos e tempo de serviço na empresa há mais de 5 (cinco) anos, não havendo nenhum duplo vínculo empregatício. Quanto ao posicionamento pessoal sobre a QVT da instituição hospitalar, a percepção dos enfermeiros quanto a sua QVT foi praticamente 100% de satisfação não havendo nenhum insatisfeito. O estudo permitiu verificar a percepção dos enfermeiros quanto ao tratamento dado pela empresa a sua QVT, na sua maioria (75%) se identifica com a função que exerce e se dizem “satisfeitos” com suas funções. Quanto às condições de limpeza, organização física do ambiente, EPIs e percepção de condições nocivas no trabalho pelo enfermeiro, não houve “insatisfação” por parte dos enfermeiros, cabendo salientar que, quanto a percepção à segurança de EPIs obteve-se 55,56% de “satisfação”. À assistência em saúde prestada aos seus funcionários pode-se observar que 55,56% (sendo 33,34% “insatisfeitos” e 22,22% “levemente insatisfeitos”) dos enfermeiros se manifestaram com algum nível de “insatisfação”. Quanto à assistência à saúde prestada aos familiares, 33,34% se posicionaram “neutros”. Em relação ao reconhecimento de suas atividades na instituição, novamente não houve “insatisfeitos”. O mesmo ocorreu quanto à valorização da saúde ocupacional com 44,45% “neutros”. Também podemos destacar que as relações interpessoais tiveram 55,56% de “satisfação” dos entrevistados. Notou-se quanto à garantia de emprego, que o grupo teve uma divisão idêntica entre os níveis de “levemente insatisfeito”, “levemente satisfeito” e “satisfeito”; já quanto à remuneração, a maioria com 66,67% dos entrevistados manifestou-se “satisfeitos” com o seu salário e 33,33% “levemente satisfeitos”. Há uma heterogeneidade de percepção deste grupo de enfermeiros quanto aos benefícios da empresa aos funcionários. A “satisfação” foi o grupo de resposta mais significativo nas questões referentes ao respeito percebido dentro do setor e a oportunidade oferecida pela

49 empresa para atualização dos funcionários. A valorização da instituição à criatividade dos funcionários obteve respostas dispersas, manifestando assim uma diversidade de percepção dos enfermeiros quanto a esses aspectos de participação oferecida pela empresa na QV de seus funcionários, não havendo “insatisfação” por parte dos enfermeiros. Diante da imagem da empresa neste grupo pesquisado, houve uma distribuição quase homogênea, com 33,34% de “satisfação” em relação aos ideais da empresa, 44,45% “levemente satisfeitos” quanto à percepção dos enfermeiros em relação à instituição onde trabalham, com 44,45% de “satisfação” quanto à visão da comunidade diante da empresa onde trabalham e com 55,56% de “satisfação” em relação ao comprometimento e responsabilidade quanto à saúde comunitária em relação à comunidade. À percepção dos enfermeiros diante do grupo de trabalho, ao apoio emocional disponibilizado pela empresa aos seus funcionários e ao gerenciamento, houve uma neutralidade significativa com 55,56% para cada pergunta dos enfermeiros entrevistados, seguidos com o mesmo percentual de manifestações de “levemente insatisfeitos” à forma de tratamento que a empresa dá aos seus funcionários. Essa situação repete-se quanto à possibilidade de inovação na empresa. Quanto à percepção dos enfermeiros em relação aos grupos de trabalho, esses permanecerem, em sua maior parte neutra. Com 49% obtivemos a “satisfação” dos enfermeiros entrevistados, chamando atenção que não houve nenhuma manifestação de “insatisfação”. O que se pode verificar quanto à auto-percepção dos enfermeiros quanto a sua QVT, cerca de 6 (seis) dos 9 (nove) enfermeiros conseguem ter essa percepção positivamente em seu ambiente de trabalho. Ao verificar a percepção dos enfermeiros ao tratamento dado pela empresa à sua QVT, observou-se que a percepção sobre a segurança teve um resultado significativo, mostrando a preocupação dos enfermeiros entrevistados quanto ao uso dos EPIs. Outro ponto relativamente significativo nesse estudo é a “satisfação” do grupo com relação às relações interpessoais mostrando o entrosamento presente do grupo. Importante salientar que se consideram “satisfeitos” quanto aos seus salários e satisfação pessoal. Ao verificar a percepção da QVT dos enfermeiros do Centro Cirúrgico no

50 ambiente de trabalho, podem-se perceber quanto ao apoio emocional disponibilizado pela empresa ao seu funcionário, os enfermeiros, na sua maioria optaram por ficarem “neutros”. Autores como Duarte e Lautert (2006) ressaltam a importância desses profissionais para com a instituição na qual trabalham, cumprindo as metas que lhe são impostas, por muitas vezes sem infra-estrutura, dando o máximo de si, fazendo com que o cansaço, o estresse e a pressa faz com que ocorram, com mais freqüência uma série de erros, negligências, imprudências e imperícias. Muitos dos entrevistados mantiveram-se “neutros” quando questionados quanto ao exemplo dado pela chefia para o gerenciamento da unidade, deixando o restante em grau mais baixo de satisfação e 2 (dois) dos 9 (nove) enfermeiros “satisfeitos”. Diante da análise de todos os blocos com suas respectivas respostas, que grande parte das respostas dos enfermeiros entrevistados teve como nível de maior escolha o de “satisfeito” e em segundo os níveis “neutro” e “levemente satisfeito” mostrando com clareza o gradiente de escolha que mais lhes agradou. O que se pode observar através desse estudo, que a Qualidade de Vida no Trabalho depende do equilíbrio entre 4 (quatro) principais pontos: satisfação pessoal, salário, reconhecimento e relações interpessoais. Pode-se observar a partir desses 4 (quatro) principais ponto que, entre eles houve um grau de “satisfação” bem significativo. Sendo que quanto ao reconhecimento, foi o índice de menor grau de “satisfação” (4 de 9 enfermeiros), quanto às questões de relações interpessoais (5 de 9 enfermeiros) com grau mediano de “satisfação” e, de salário e satisfação pessoal com 6 (seis) dos 9 (nove) enfermeiros “satisfeitos”. Acredita-se que através dos resultados mostrados devam contribuir para a elaboração e planejamento das políticas de gestão de pessoal. Sugere-se que o estudo seja expandido para outros setores da instituição hospitalar para uma análise e comparação de resultados, visto que, a literatura nos mostra que a mensuração da Qualidade de Vida no Trabalho em unidades fechadas de hospitais traz respostas importantes para o planejamento de ações.

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54 APÊNDICE I – Roteiro de Entrevistas

Instruções para responder a entrevista Será realizado um Roteiro Básico de Entrevista (RBE) composto por dez blocos, utilizando a metodologia proposta por Fernandes (1996) para mensurar a QVT, que servirão como base de análise da percepção das enfermeiras frente aos elementos organizacionais, ambientais e comportamentais, que influenciam na sua QVT na unidade do Centro Cirúrgico. Para responder aos questionamentos propostos na entrevistas, será necessária uma codificação da sua percepção e que será proposta por uma escala de satisfação variando de 1 a 7, sendo 1= bastante insatisfeito, 2= insatisfeito, 3= levemente insatisfeito, 4= neutro, 5= levemente satisfeito, 6= satisfeito e 7= bastante satisfeito.
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |

----------------------------------------------------------------------bastante bastante insatisfeito satisfeito

Instruções: a partir das respostas aos questionamentos ao entrevistado, codificar sua percepção em termos quantitativos, conforme a escala abaixo:

Bloco 0 01 02 03 04 05 06 07 Sexo? Feminino ( Tens Filho(s)? Não ( ) Sim (

Dados de Identificação ) Masculino ( ) 1 ) 2( ) 3( ) +3 ( ) ) ) ) 41 a 50 ( ) + de 50 ( ) ) Quantos? ) 31 a 40 ( Manhã ( Sim ( ) 1 a 2anos (

Qual a sua idade? 20 a 30 ( Tempo de Formação? -1 ano ( Turno em que Trabalha?

) 2 a 3anos ( ) Noite ( )

) + 3anos (

) Tarde ( ) Não (

Tempo de Serviço na Empresa? -1ano( ) 1 a 2ano ( ) 3 a 4anos( ) 4 a 5anos( ) +5anos( ) Tem outro vínculo empregatício?

Bloco 1 Questão 08

Posicionamento Pessoal sobre a QVT da Instituição Hospitalar Perguntas Qual sua percepção sobre a QVT? Nível 1234567

55
Bloco 2 Questão 09 10 11 12 Quanto às Condições de Trabalho Perguntas Qual sua percepção sobre a limpeza? Como você percebe a arrumação do serviço? Qual a percepção em relação à segurança (EPI) na empresa? Nível 1234567 1234567 1234567

Qual a sua percepção em relação às condições nocivas de trabalho em 1 2 3 4 5 6 7 sua empresa?

Bloco 3 Questão 13 14 15 16

Quanto à Saúde Perguntas Nível Como você percebe a assistência à funcionários proporcionada pela 1 2 3 4 5 6 7 empresa? Como você visualiza a assistência familiar prestada pelo serviço? 1234567

Você acredita que a empresa proporciona educação e conscientização 1 2 3 4 5 6 7 aos seus empregados? Na sua empresa a saúde ocupacional é valorizada de forma adequada? 1234567

Bloco 4 Questão 17 18 19 20 21

Quanto à Moral Perguntas Você se identifica nas tarefas que executa em sua empresa? Qual a sua percepção referente às relações interpessoais? Nível 1234567 1234567

A sua empresa proporciona um retorno de suas atividades e você percebe 1 2 3 4 5 6 7 que estas são reconhecidas? As orientações fornecidas para os empregados são adequadas? 1234567 Você se sente seguro no que diz respeito à garantia de emprego em sua 1 2 3 4 5 6 7 empresa?

Bloco 5 Questão 22 23 24

Quanto à Compensação Perguntas Você acredita que a empresa lhe fornece remuneração satisfatória? Nível 1234567

Qual a sua percepção em relação a sua participação nos resultados da 1 2 3 4 5 6 7 empresa? Você acredita que os benefícios que a empresa proporciona aos seus 1 2 3 4 5 6 7 trabalhadores são satisfatórios? Quanto à Participação Perguntas Você acredita que a empresa valoriza sua criatividade? Você acredita que dentro do seu setor é respeitada sua opinião? Nível 1234567 1234567

Bloco 6 Questão 25 26 27

Você percebe que as idéias dos enfermeiros são devidamente valorizadas 1 2 3 4 5 6 7

56
na empresa? 28 29 A empresa tem algum programa onde seja prevista a participação dos 1 2 3 4 5 6 7 empregados nos rumos da empresa? A empresa oferece oportunidades de atualização para o desempenho de 1 2 3 4 5 6 7 suas funções?

Bloco 7 Questão 30 31

Quanto à Comunicação Perguntas Você conhece as metas de produção do seu setor? Nível 1234567

Você acha que as decisões da direção são devidamente informadas a 1 2 3 4 5 6 7 vocês no Centro Cirúrgico? O fluxo de informações entre enfermeiros do Centro Cirúrgico são 1 2 3 4 5 6 7 adequados? Os meios de comunicação da empresa – jornais, murais informativos, 1 2 3 4 5 6 7 mala direta eletrônica, funcionam adequadamente?

32 33

Bloco 8 Questão 34 35

Quanto à Imagem da Empresa Perguntas Você se identifica com os ideais da empresa? Qual sua percepção em relação a instituição onde você trabalha? Nível 1234567 1234567

36 37

Como você acredita que a comunidade percebe sua empresa?

1234567

A empresa é comprometida e responsável com programas voltados à 1 2 3 4 5 6 7 saúde comunitária?

Bloco 9 Questão 38 39 40 41

Quanto à Relação Chefe-enfermeiro Perguntas O apoio emocional disponibilizado pelo serviço, é satisfatório? A empresa oferece orientação técnica adequada? Você acredita que existe a igualdade de tratamento na sua empresa? Nível 1234567 1234567 1234567

Você acha que o gerenciamento proposto considera e aplica o exemplo 1 2 3 4 5 6 7 como uma maneira de gerenciar?

Bloco 10 Questão 42 43 44 45

Quanto à Organização do Trabalho Perguntas Você acredita que sua empresa propõe inovações? Qual sua percepção referente aos grupos de trabalho em sua empresa? Como você percebe o ritmo de trabalho de sua empresa? Você acredita que existe variedade de tarefas na empresa? Nível 1234567 1234567 1234567 1234567

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