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PAIXÃO DE CRISTO - CAMINHADA COM JESUS - TEXTO COMPLETO 2020

(Durante a música de abertura)


Nar. No princípio era o verbo e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por
intermédio dele e sem ele nada se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. Era a luz
verdadeira, que ilumina todo homem, que vem a este mundo. Ele estava no mundo, mas o mundo não o
conheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos que o receberam, àqueles
que crêem em seu nome, deu-lhes o poder de virem a ser filhos de Deus; os quais não nasceram do
sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o verbo se fez carne e
habitou entre nós; vimos a sua glória, a glória do Unigênito do Pai, cheia de graça e verdade.

1. A ÚLTIMA CEIA

Nar. Eram os dias que antecediam a festa da Páscoa, sabendo Jesus, que tinha chegado a sua hora de passar
desse mundo para o Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, amou-os até o extremo.
Ao raiar o dia dos pães sem fermento, em que se devia imolar a Páscoa, Jesus enviou dois de seus
discípulos para que preparassem a ceia pascal, aquela que seria a última no meio deles.
Jes. Pedro; João; ide até a cidade e preparai-nos a ceia da Páscoa.
João Onde queres que a preparemos, Mestre?
Jes. Ide à Jerusalém, e sairá ao vosso encontro um homem carregando um jarro de água. Sigam-no e, onde ele
entrar, dizei ao dono da casa: “O Mestre pergunta: Onde está a sala em que devo comer a Páscoa com os
meus discípulos?” Ele vos mostrará uma grande sala no andar superior, mobiliada e pronta. Fazei ali os
preparativos.
Nar. Partiram eles e acharam tudo como Jesus lhes havia dito, e prepararam a Páscoa. Chegando a tarde,
dirigiu-se Jesus para lá, com os doze. Durante a ceia, o Demônio já havia lançado no coração de Judas,
filho de Simão Iscariotes, o propósito de trair Jesus. Jesus sabia que o Pai tinha colocado tudo em suas
mãos. Sabia também que tinha saído de junto de Deus e que estava voltando para Deus.
Jes. Eis que eu vos digo! Os reis das nações têm poder sobre elas, e os que sobre elas exercem autoridade são
chamados benfeitores (Jesus vai em direção ao jarro com água). Mas entre vós não deverá ser assim.
Pelo contrário, o maior seja como o menor; e quem governa, seja como aquele que serve. Eu vos
pergunto: quem é o maior? Aquele que está sentado à mesa ou aquele que está servindo? Não é aquele
que está sentado à mesa? Eu, porém, estou no meio de vós como quem está servindo. (Jesus vai lavando
os pés dos apóstolos até chegar a vez de Pedro).
Ped. Senhor, tu vais lavar os meus pés? Não sou digno de que o Mestre me lave os pés!
Jes. O que ora faço não entendes. Mais tarde compreenderás.
Ped. Não, Senhor, jamais me lavarás os pés!
Jes. Se não te lavar os pés, não terás parte comigo.
Ped. Senhor, então podes lavar não só os meus pés, mas até as mãos e a cabeça.
Jes. Quem se banhou necessita somente lavar os pés, pois está todo limpo. Vós estais limpos, mas não todos.
(Jesus termina de lavar os pés dos apóstolos, volta e senta-se)
Compreendeis o que vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque o sou. Se eu, pois,
Mestre e Senhor, vos dei este exemplo, também vós deveis lavar-vos os pés uns dos outros. Em verdade
vos digo: o escravo não é maior que o senhor, nem o mensageiro maior do que aquele que o enviou. Se
compreenderdes isto e o praticardes, sereis felizes. (Pausa. Jesus vai e senta-se)
Eu desejei muito comer convosco esta ceia pascal, antes de sofrer. Pois eu vos digo: nunca mais a
comerei, até que ela se realize no reino de Deus. (tomando o pão) Tomai e comei. Isto é o meu corpo que
será entregue por vós. (tomando o cálice). Tomai este cálice e bebei dele todos, pois isto é o meu sangue,
o sangue da aliança, que será derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados. Eu vos digo: de
hoje em diante não beberei desse fruto da videira, até o dia em que, convosco, beberei o vinho novo no
reino de meu Pai. Fazei isto em minha memória. (pausa)
Eu conheço aqueles que escolhi, mas é preciso que se cumpra o que está na escritura. Por isso vos digo:
um de vós, que come comigo, há de me entregar. (murmúrios entre os apóstolos)
Ped. (põe a mão no ombro de João e diz em voz baixa) João, pergunte a Ele quem é o traidor.
João (olhando para Jesus) Senhor, quem é? Por acaso serei eu?
Jes. (diz somente a João) É aquele a quem vou dar o pedaço de pão. (Jesus pega um pedaço de pão e olhando
para Judas) O que tens a fazer, faça-o depressa. (Judas come o pão, levanta-se e sai).

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Nar. Os demais não entenderam o porque Jesus havia lhe disto isso, mas como Judas era o responsável pelo
dinheiro, acreditaram que o tinha mandado comprar o necessário para a Páscoa ou dar alguma coisa aos
pobres.
Jes. Agora o Filho do homem foi glorificado e Deus nele. Filhos, ainda um pouco estarei convosco. Vós me
procurareis, mas aonde vou, não podeis vir. Esta noite será para todos vós, uma ocasião de queda, porque
conforme está escrito, o Pastor será ferido e as ovelhas do rebanho se dispersarão; mas depois da minha
Ressurreição, eu vos precederei na Galiléia.
Ped. (levanta-se) Senhor, mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás!
Jes. Pedro, Pedro... Em verdade te digo, nesta mesma noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes
Ped. Mestre, mesmo que seja necessário morrer contigo, jamais te negarei!
(murmúrio entre os Apóstolos) (pausa)
Escutai! Também vos digo agora: um novo mandamento eu vos dou: que vos ameis uns aos outros.
Assim como eu vos amei, amai-vos uns aos outros. Todos reconhecerão que sois meus discípulos, se vos
amardes uns aos outros. (pequena pausa).Agora vamos. Temos que vigiar e orar. (todos saem junto com
Jesus)

2. OS SUMOS SACERDOTES E JUDAS

Nar. Os Sumos-Sacerdotes e os Escribas haviam combinado com Judas para que ele lhes entregasse Jesus em
troca de dinheiro. Judas esperava então uma ocasião oportuna para entregar Jesus. E esta ocasião havia
chegado.
M.J. Mestre Caifás, temos que tomar uma atitude rápida a respeito de Jesus de Nazaré, pois logo é Páscoa e
não queremos tumulto nesse dia. Somente a chegada dele a Jerusalém já causou uma grande agitação
entre o povo!
Anás. Este homem está acusando os mercadores e vendedores de estarem pecando dentro do templo e não
respeitou sua autoridade de ancião do povo, Mestre Caifás. Ele faz muitos sinais, se o deixarmos assim,
todos crerão nele e os romanos virão e destruirão a cidade e toda a nação!
Zer. Irmãos!... Judas Iscariotes nos entregará Jesus. Ele tem um acordo para cumprir conosco.
Anás. Não confio naquele homem, ainda mais, sendo ele um dos seguidores de Jesus!
Nic. Sinceramente, irmãos, nós representamos o verdadeiro testamento e as aspirações do povo de Israel. Não
estou certo de que temos o direito de fazer algo contra este homem...
Caif. Mestre Nicodemos, eu respeito sua defesa a este homem. Mas explique-nos então: porque Jesus ousa
proclamar que é o filho de Deus, o Messias?
Nic. Bem, concordo que proclamar-se ser o filho de Deus é blasfêmia, mas se Jesus não for o filho de Deus,
ele só pode ser um profeta! Sim! Pois somente um profeta pode assumir o poder de Deus!
M.J. Mestre Nicodemos, Jesus está perdoando os pecados das pessoas e isso, nem mesmo os profetas podem
fazer, somente Deus!
Anás. E se um profeta faz coisas que Deus não autorizou, ele deve morrer! (murmúrios entre os Sacerdotes.
Zerás vai até a entrada onde Judas aparece. O diálogo dos Sacerdotes continua).
Caif. Ora irmãos, este homem, não é um profeta! Considerando a atual situação do nosso povo, pensemos bem,
seria melhor um só homem morrer do que uma nação inteira perecer!
Nic. Mas mestre Caifás, não podemos condenar alguém sem que antes seja julgado!
Zer. Caifás, Judas Iscariotes, o discípulo com o qual tratamos está aqui.
Caif. E então Judas? Vieste cumprir o nosso acordo?
Jud. (com certo temor) Sim, estou aqui para entregar-vos Jesus. Sei onde Ele se encontra e posso levár-vos até
lá. Porém, quero receber o que havíamos combinado... Trinta moedas... Trinta moedas de prata!
Caif. (pega as moedas) Muito bem, aqui estão suas trinta moedas de prata. (joga as moedas para Judas)
Zer. Zerás se aproxima de Judas) Onde Jesus está Judas?
Jud. Ele está no jardim do outro lado do riacho, no Getsêmani.
Zer. Há mais alguém com Ele?
Jud. Sim. Eles estão em doze.
Zer. Em doze? E como saberemos qual deles é Jesus?
Jud. Aquele que eu beijar é Jesus de Nazaré.
Zer. Guardas reúnam a tropa! Vamos imediatamente Judas! Leve-nos até Jesus.

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3. JESUS É PRESO NO HORTO

Nar. Jesus saiu com seus discípulos, e foi para o outro lado do riacho do Cedron, onde havia um jardim
denominado Getsêmani. Ele entrou no jardim com os discípulos e como era costume irem até lá, Judas
sabia que Jesus estaria neste lugar.
Jes. Assentai-vos aqui enquanto eu vou ali orar. (pausa) Pedro, Tiago, João... Vamos um pouco mais a
diante... A minha alma está numa tristeza de morte, ficai aqui e vigiai... (Jesus se afasta um pouco mais e
se ajoelha) Abba! Pai! Tudo é possível para ti. Afasta de mim este cálice! Contudo, não seja o que eu
quero, mas sim o que tu queres. (pausa) (Jesus levanta-se e vai até os três apóstolos que estão dormindo)
Pedro!? Estás dormindo? Não pudestes vigiar sequer uma hora comigo? Orai para não cairdes em
tentação, pois o espírito está pronto para resistir, mas a carne é fraca. (Jesus se afasta novamente) Abba!
Abba! Se não é possível que este cálice passe sem que eu beba, faça-se a Tua vontade... (volta-se para os
apóstolos) É chegada a minha hora. Eis que o filho do homem vai ser entregue ao poder dos pecadores.
Levantai-vos! Vamos! Aquele que vai me trair já está chegando.
Nar. Jesus ainda falava quando chegou Judas e com ele uma multidão de gente armada, enviada pelos chefes
dos sacerdotes, doutores da lei e anciãos do povo.
Jes. A quem procurais?
Guar. A Jesus o Nazareno.
Jes. Sou eu. (os guardas recuam) A quem procurais?
Guar. A Jesus o Nazareno.
Jes. Já vos disse que sou eu. Se estais me procurando, deixai os outros irem embora. (O guarda então
empurra Judas para frente) Essa é a tua hora Judas, a hora das sombras...
Jud. Salve ó mestre.
Jes. Judas, é com um beijo que trais o filho do Homem?
Zer. Aquele é o homem! Prendei-o! (tumulto entre os guardas e os apóstolos. Pedro fere o guarda)
Jes. Parem, parem! Pedro! Guarda tua espada! Será que não devo beber do Cálice que o Pai me deu? (Jesus
vai e coloca a mão na orelha direita do guarda). Sempre estive no meio de vós e nunca levantastes as
mãos contra mim. Agora me procurais armados. Mas esta é a vossa hora e o poder das trevas. É a mim
que procurais! (Os guardas prendem Jesus e os apóstolos fogem. Levam Jesus até o outro lado do palco,
passando pela frente e ficam aguardando para entrar em cena)

4. MARIAS

(Maria entra em cena somente com um foco luz. Entra a voz de Simeão e acende-se a luz).
Sim. Eis que este menino está destinado a ser ocasião de queda e elevação de muitos. Quanto a ti, uma
espada te transpassará a alma!... (ecos)
Mar. Jesus!... (em tom de susto)
M.M. (M. Cléofas e M. Madalena entram rapidamente em cena e se aproximam de Maria) Maria, o que tens?
Aconteceu algo?
M.C. O que foi Maria? Porque ainda estás acordada? Tu não estás bem?
Mar. Sinto o coração apertado... Sei que algo está a acontecer...
M.M. Como assim Maria?
Mar. Uma grande aflição toma conta do meu ser... Lembro-me claramente das palavras do velho Simeão
quando eu e José apresentamos Jesus no Templo: “Uma espada te transpassará a alma”... (com grande
pesar)
M.M. O que queres dizer com isso?
M.C. O que é que está acontecendo?
João. (Entra correndo, ofegante) Maria, Maria!... Mãe, eles o prenderam! Prenderam Jesus!
M.C. O que está dizendo João? E os outros? Não estavam com ele?
João. Fugiram todos... Inclusive eu... Judas o entregou aos Sacerdotes! Estão levando ele para julgamento!
Mar. É chegada a hora... Temos que ir! Eu tenho que estar junto dele! Vamos! (fala com tristeza e
preocupação e saem de cena)

5. INTERROGATÓRIO DOS SACERDOTES

Nar. Levaram Jesus a casa do sumo sacerdote para julgamento. (Tumulto entre os sacerdotes)

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M.J. Irmãos! Irmãos! Acalmai-vos! Sei que não é da vossa vontade estar acordados a esta hora da manhã, mas
é preciso. Temos um julgamento para realizar. (voltando-se para Jesus) Jesus, não era a nossa intenção
tratá-lo como um criminoso, mas queremos que explique a esta assembléia a natureza de seus
ensinamentos e que doutrina é esta que andas pregando.
Jes. Eu falei as claras ao mundo, ensinei na sinagoga e no templo, onde todos os Judeus se reúnem, nada falei
escondido, porque me interrogais? Pergunte aos que me ouviram o que eu lhes falei. Eles sabem o que eu
disse.
Guar. Ora essa, é assim que respondes ao sumo sacerdote? Com essa arrogância? (tapa)
Jes. Se falei mal, mostra-me em quê, mas se falei bem, porque me bates? (O guada se afasta)
Anás Foi-nos dito que tu devolveste a visão a um cego. O que garante que não foi um truque ou uma
encenação? Como tu nos provarias que realmente foi um milagre?
M.J. E quanto a Lázaro? Dizem que tu o trouxeste de volta à vida depois de quatro dias que já estava morto.
Podes nos explicar este milagre? Ou tudo não passou de uma grande farsa para atrair mais seguidores
para ti? (murmúrios entre os sacerdotes)
Nic. Caifás! O que estão fazendo com este homem não é não é certo! Onde estão os outros membros do
Sinédrio? E porque fazer isso a esta hora? Não há nada que incrimine Jesus! Vamos solta-lo!
Caif. Ora Nicodemos! Este homem representa perigo para nosso povo e devemos interrogá-lo! Se não acha
justo este julgamento, saia! Sua presença aqui não se faz necessária!
Nic. Pois bem! Se não sou necessário aqui, então sairei. Não vou concordar com tamanha barbaridade! O que
fazeis a Jesus é errado! (sai de cena, murmúrios mais exaltados entre os sacerdotes)
Zer. Há testemunhas, irmãos, de que ele declarou que podemos destruir o Templo de Deus e Ele é capaz de
reconstruí-lo em três dias! (murmúrios de espanto entre os sacerdotes)
Caif. (olhando pra Jesus) Nada tens a responder aos que testemunham contra ti? (Jesus continua calado)
Agora lhe pergunto, em nome do altíssimo, és de fato o Messias? O filho do Deus Bendito?
Jes. Eu sou. (murmúrios de espanto entre os sacerdotes agora mais exaltados) Eis que vereis o filho do
Homem sentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.
Caif. (Caifás rasga a roupa) Basta! Isto é suficiente! Que necessidade temos de mais perguntas? Vós ouvistes
a blasfêmia ser pronunciada pela boca dele! O Deus nosso Senhor é um Deus único! O que vos parece,
irmãos?
M.J. Sem dúvida, ele deve ser condenado à morte!
Anás. Exatamente! Merece morrer!
Zer. Nosso interrogatório está terminado! Todos concordamos que este homem deve ser condenado à morte.
Vamos levá-lo diante do governador Pôncio Pilatos, autoridade final. A decisão está nas mãos dele!
(Caifás e os guardas saem levando Jesus)

6. NEGAÇÃO DE PEDRO

Nar. Pedro seguiu Jesus à distância. Conseguindo entrar no pátio da casa do Sumo Sacerdote, permaneceu ali,
tentando aquecer-se, pois fazia frio. (Pedro entra em cena com frio, assustado, olhando para a direção
para onde Jesus foi levado)
Mul 1. (As mulheres se aproxima de Pedro) Hei, por acaso não és um dos discípulos daquele homem?
Pedr. Não! Eu não sou!
Mul 2. Sim, eu o vi junto Dele no Templo!
Mul 3. Este homem é um discípulo do Nazareno!
Pedr. Nem sei do que estás falando mulher! Nem compreendo o que dizes! (as mulheres saem de cena)
Hom. (O homem se aproxima de Pedro) Tu não fazes parte daqueles que o seguiam?
Ped. Não! Não é verdade, eu nem o conheço!
Hom. É claro que tu és um deles, pois tu és Galileu!
Ped. Não conheço este homem de quem estás falando! (Então o homem sai de cena)
Guar. (o guarda se aproxima de Pedro) Não te vi com ele no horto? Sim eu te vi, tu és um dos seguidores
daquele homem.
Ped. Não! Já disse que não o conheço. Deixem-me! Não sei do que estão falando! (O guarda sai de cena e
imediatamente o galo canta. Jesus passa na frente de Pedro. Os dois se olham. Jesus é levado. Pedro
fica em cena e ouve a fala de Jesus: “hoje mesmo tu me negarás...”) Oh meu Deus! Agora eu entendo o
que ele me disse! Como fui covarde! Eu não sou digno! Eu o neguei! Eu o neguei! Por três vezes! (Pedro
sai de cena chorando)

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7. ARREPENDIMENTO DE JUDAS

Jud. (Judas entra em cena correndo, assustado e ofegante). Zeras!... Zerás! Não está certo o que estão
fazendo com Jesus, eu pequei entregando sangue inocente! Soltem-no!
Zer. O que temos nós haver com isto? Se pensas que pecaste isto é problema teu! Tu já recebeste o teu
dinheiro.
Jud. Não, tome de volta, eu não quero mais este dinheiro! (joga as moedas no chão)
Anás. Agora é tarde Judas. Não há mais o que fazer!
M.J. Vamos, pegue o seu dinheiro e saia daqui!
Jud. Não, eu não quero, ele é inocente, soltem-no! (Se joga no chão e começa a chorar. Ouvem-se vozes
intercaladas e começa a fala da consciência. Durante a fala, aos poucos o choro de Judas vai
aumentando, ele pode levantar e andar, mas só volta a falar no final).
Con. Judas?... Estás feliz?... Sou eu quem falo Judas... Tua consciência que tanto pesa agora... Sim... Tu o
entregaste... Traíste teu mestre com um beijo... Ele que tanto te amou... Tanto te ensinou... E até lavou os
teus pés!... Vês, Judas, o mal que fizeste? Traíste o salvador do mundo... Agora estás aí sem direção, sem
rumo... Percebes Judas... Entregaste um inocente à morte!
Jud . Ora, me deixe em paz, por favor! (Judas pega uma corda que está ele e começa a fazer um laço)
Con. Agora queres paz...Como queres ficar em paz com tua consciência? Eu faço parte de ti. Jamais terás paz...
E agora Judas, já sabes o que fazer... Tu não podes mais viver! Não podes mais viver! Não podes mais
viver!... (enquanto isso Judas vai saindo de cena)
Jud. Não!!! (e sai correndo)

8. JESUS E PILATOS

(Pilatos chega a cavalo em meio a barulho, tira o capacete, joga para o soldado e vai lavar as mãos).
Pil. Que tumulto é este que está acontecendo? E quem é este tal Barrabás de quem o povo fala?
Sol*. Bem governador, Barrabás é um assassino. Ele matou um guarda romano durante uma revolta. Porém, o
tumulto é porque temos um problema no Templo.
Pil. Se forem falsos profetas novamente, não estou interessado! Isso é um problema dos judeus.
Sol*. Há uma delegação comandada por Caifás querendo falar contigo Governador. Eles trazem um judeu para
ser julgado.
Pil. Disseste Caifás?
Sol*. Sim governador.
Pil. Bem, deve ser importante, já que o próprio Caifás está à frente... Traga-os, vamos.
Sol*. (O soldado desce a escada) Venham, o governador irá receber-vos. (E sobe a escada novamente)
Pil. O que vos trás até mim? (os sacerdotes não sobem a escada e Jesus é mantido um pouco mais atrás)
Caif. Governador, aqui trouxemos um homem chamado Jesus, ele é acusado de traição e declara-se ser o
Messias esperado pelo nosso povo...
Pil. Olhe, não preciso de explicações sobre vossa religião! É só dar um pouco de liberdade a vós sumos
sacerdotes e vejam o transtorno que causaram. Vou lhes mostrar como se comanda um povo!
Anás. Se nós governássemos nossa nação, teríamos o poder de puni-lo, conforme as leis de Moisés.
Pil. Poder... Pra que poder? Se um simples homem vós não soubestes julgar que o trouxestes a mim! O que
quereis que eu faça?
M.J. Governador... Para nós, este homem é um blasfemador. Queremos que ele seja punido!
Pil. Isto quem decide sou eu!... Quais acusações trazeis mais contra este homem?
Zer. Governador, achamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo, proibindo pagar impostos a
César e afirmando ser Ele o rei dos Judeus.
Pil Rei dos judeus... Rei dos judeus...
Caif. Se não fosse um malfeitor, não o teríamos trazido a ti.
Pil. Pois bem, tomai-o vós e julgai-o então de acordo com a vossa lei.
M.J. Nós não temos permissão para mandar ninguém para a morte, governador.
Pil. Morte? É necessária uma acusação grave para merecer a morte... Falarei com o vosso Jesus.
Anás. Nosso não!
Pil. Então de quem é este Jesus? Meu é que não é! O grande Rei dos Judeus!... Vamos... Tragam-no... (Os
guardas entregam Jesus aos soldados e descem. Pilatos diz olhando para os Sacerdotes) Este é o homem
que considerais tão perigoso?... (Se aproxima de Jesus) Então és um rei. Eu te pergunto: és tu o rei dos
Judeus?
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Jes. Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que te disseram de mim?
Pil. Acaso sou eu Judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Não vês de quanta coisa
eles te acusam? Que fizeste?
Jes. O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam
lutado para que eu não fosse entregue aos Judeus. Mas o meu reino não é deste mundo.
Pil. És, portanto, rei?
Jes. Tu o dizes... Eu nasci para um propósito. Levar a verdade a todos... Todos os que a aceitam a verdade.
Pil. Verdade? E o que é essa verdade? (Volta-se para os sacerdotes) Não vejo culpa neste homem. Não posso
condená-lo.
Caif. Mas governador, ele está provocando revolta entre o povo com seus ensinamentos. Começou na Galiléia,
passou por toda Judéia e agora chegou aqui.
Pil. Espere, este homem é galileu?
M.J. Sua família é de Nazaré, Governador.
Pil. Se é um galileu, está sob a jurisdição de Herodes e ele está em Jerusalém nestes dias. Muito bem, levem-
no para Herodes, para que seja julgado por ele. (os soldados de Pilatos saem levando Jesus)

9. JESUS E HERODES

Nar. Jesus foi levado a Herodes. (Os sacerdotes entram em cena, Jesus fica com os Soldados mais para trás.
Herodes entra em cena com as mulheres o abanando.)
Her. Creio que se trate de um assunto urgente, para que o Conselho venha a mim a essas horas! (em tom de
escárnio)
Zer. O Governador Pôncio Pilatos ordenou-nos que trouxéssemos um réu para ser julgado por ti Herodes.
Her. Ora, ora, Pilatos manda-me um réu para que eu o julgue... E quem é o réu que o próprio Pilatos me
manda?
Anás. É Jesus, o nazareno!
Her. Jesus?! (com espanto)
M.J. Sim, temos inúmeros testemunhos contra ele...
Her. O que estão esperando?! Deixem-me falar com Ele! (Jesus é colocado à frente de Herodes) Então, tu és
Jesus de Nazaré, de quem tanto o povo fala? Quanta honra tê-lo em meu humilde palácio... Há tempo
gostaria de conhecê-lo... Do que te acusam?... O que fizeste?... Se te trouxeram a mim para ser julgado, é
porque algo fizeste... Diga-me... Não queres falar?... Todos comentam muito sobre seus ensinamentos,
suas pregações, seus milagres... Sabe Jesus, não tenho boas recordações de João, aquele que promovia
batismos no Jordão, mas diga-me... És tu aquele de quem João falava? És tu o filho de Deus?...
Responda!... Por que permaneces tão calado?... Já sei como poderei acreditar... Realize um milagre para
que eu creia. Sim! Jesus, isto é tudo que eu te peço: um milagre... Transforma este vaso em ouro, livra-te
das correntes que te prendem! Vamos Jesus, mostre teu poder! Realize um milagre diante dos meus olhos
para que eu possa crer... Jesus de Nazaré... Muda esta água em vinho para que possa beber... Ora! Negas
um milagre ao teu rei? Tirem este pobre infeliz daqui! Este homem não é o Messias!
Caif. Herodes, este homem está se proclamando rei!
Her. Ora essa! Eu sim é que sou um rei!
Caif. Mas Ele representa perigo para o povo com seus ensinamentos subversivos! Ele deve ser condenado!
Her. Que perigo este homem oferece? Não diz se quer uma palavra em sua defesa... E não é capaz de realizar
os milagres que dizem! Ele não passa de um louco, de um tolo! Não posso condená-lo!... Levem-no de
volta a Pilatos! (os sacerdotes e os soldados levam Jesus novamente)
Nar. A partir de então, Pilatos e Herodes fizeram as pazes, pois antes eram inimigos um do outro.

10. BARRABÁS É SOLTO E PILATOS MANDA FLAGELAR JESUS

Clau. (entra em cena e se aproxima de Pilatos com aflição) Pilatos meu marido...
Pil. Cláudia! Porque está assim? O que te aflige?
Clau. Pilatos não te envolvas com esse justo, pois esta noite foi atormentada em sonhos por causa dele...
Pil. Mas o que posso fazer?
Clau. Eu te peço... Não te envolvas com ele! Este homem é santo!

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Pil. Cláudia, minha esposa, eu compreendo o que dizes, mas estou de mãos atadas. Se eu condená-lo, os
seguidores dele começarão uma revolta. Se não o fizer, Caifás é quem começará. Deixemos Herodes
decidir o que fazer com ele.
Sol.* Governador! Governador! A situação está piorando. Herodes se recusa a condenar o galileu. Os membros
do sinédrio estão trazendo-o de volta.
Pil. (olhando para Cláudia) Verei o que posso fazer. (Cláudia sai de cena e os sacerdotes e Jesus voltam)
Nar. Então levaram Jesus novamente a Pilatos.
Pil. (Pilatos diz para os Sacerdotes e para o povo) Vós trouxestes este homem como se fosse um agitador do
povo! Já o interroguei diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes dos quais o acusais. Herodes
também não encontrou, pois mandou-o de volta para nós. Como podeis ver, ele nada fez para merecer a
morte.
Caif. Por nossa lei, blasfêmia é crime de morte! (gritos entre os Sacerdotes)
Pil. Contudo, existe um costume entre vós, que seja libertado um prisioneiro na Páscoa. Soldados tragam-me
Barrabás. (Barrabás é posto em cena) Temos dois prisioneiros: Jesus de Nazaré considerado Rei dos
Judeus e Barrabás, assassino de um guarda romano. Qual dos dois será libertado por vós? Jesus ou
Barrabás?
Caif. Solta-nos Barrabás!
Grup. Barrabás! Solte-nos Barrabás! Solte-nos Barrabás! (Pilatos faz sinal para que o povo se cale)
Pil. Perguntarei mais uma vez! Quem vós quereis que eu liberte? Jesus ou Barrabás?
Grup. Barrabás! Solte-nos Barrabás! Crucifica-o! Solte-nos Barrabás! (Pilatos faz sinal novamente)
Pil. (para os soldados) Fazei o que eles querem. Que Barrabás seja solto! (Barrabás é solto e desce para o
meio do povo)
Grup. Barrabás! Barrabás! Viva Barrabás! (Pilatos faz sinal novamente)
Pil. O que farei então com Jesus de Nazaré?
Grup. Crucifica-o! Crucifica-o! Crucifica-o! (Pilatos faz sinal novamente)
Pil. Mas que mal fez esse homem, só porque se declarou ser o Filho de Deus?
Grup. Fora! Crucifica-o! Crucifica-o!
Pil. Não! Este homem não merece a morte! Vou castigá-lo e depois o libertarei!
Caif. Governador...
Pil. Podem leva-lo! (então todos os sacerdotes saem de cena). Soldado, certifique-se de que ele não seja
morto e traga-o de volta até mim.

11. O FLAGELO DE JESUS

Nar. Os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador e reuniram-se em volta dele, a fim de
flagelá-lo. (Hora de chicotear. Risos, insultos, tapas, chutes).
Sol.1 Vejam! Hoje temos um rei entre nós!
Sol.2 Um rei? Então ele precisa de um manto! Todo rei tem que ter um belo manto sobre seus ombros!
Sol.3 Eis aqui seu manto! Vamos vesti-lo em vossa majestade!
Sol.4 E olhem que beleza, temos também um cetro para vossa alteza!
Sol.1 Mas esperem um pouco, se ele é rei, então precisa de uma coroa! Vejam que bela coroa! Digna de um
verdadeiro rei!
Sol.3 Salve vossa majestade!
Sol.4 Aí está! O grande rei dos Judeus! (risadas)
Sol*. Parem! Parem com isso! Pilatos o quer vivo! Levem-no de volta! Agora!
Sol.2 Ande, majestade, vamos! Ande logo! (Mais risadas e Jesus é levado para trás do cenário)

12. JESUS É CONDENADO À CRUZ

Nar. Após ser açoitado, Jesus foi novamente levado a Pilatos. (Sacerdotes entram em cena antes de acender a
luz)
Grup. Crucifica-o! Crucifica-o! Crucifica-o! (Pilatos faz sinal novamente)
Pil. Vejam! Vou mandar trazer o homem para que fiqueis sabendo que não encontro culpa alguma nele!
(Jesus entra em cena trazido pelos soldados) Eis o homem...
Grup. Crucifica-o! Matai-o! Crucifica-o!
Sol*. Calem-se! Calem-se!
Caif. Nós temos uma lei e segundo esta lei ele deve morrer, porque se declarou ser o filho de Deus!
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Nar. Estas palavras impressionaram a Pilatos que perguntou a Jesus.
Pil. O que tens a dizer?... Quem és tu?... Queres morrer?... Não me respondes? Não sabes que tenho poder
para te soltar e poder para te crucificar?
Jes. Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fosse dado, por isso quem me entregou a ti, tem
pecado maior.
Nar. Por causa disto Pilatos procurava soltar Jesus.
Pil. Eu irei libertar este homem!
M.J. Se soltar este homem não és amigo de César! Todo aquele que se faz rei, se coloca contra César.
Pil. Mas vou crucificar o vosso rei?
M.J. Não temos outro rei além de César! Crucifica-o!
Grup. Crucifica-o! Crucifica-o! Crucifica-o!
Nar. Pilatos via que nada adiantava, mas que ao contrário o tumulto crescia.
Pil. (olhando para as servas) Tragam-me água. (voltando-se para os sacerdotes e para o povo) Tomai-o vós
e crucificai-o! Eu não sou responsável pelo sangue deste homem, este é um problema vosso! Aqui lavo as
minhas mãos.
Caif. Que o sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos! (Gritos entre o povo)
Sol*. Silêncio! Calem-se! O governador pronunciará a sentença!
Pil. Que seja feito o vós quereis! Que Jesus seja... crucificado. (Gritaria. Jesus é levado pelos soldados e sai
carregando a cruz.)

13. JESUS ENCONTRA MARIA

(Ainda no palco, Jesus cai, Maria entra em cena e vai até Ele. João e as outras Marias ficam no canto.)
Nar. Jesus caiu tamanho o peso de sua cruz. Ao se levantar, encontrou Sua Mãe junto do caminho por onde
Ele passava. Com imenso amor Maria olha para Jesus, e Jesus olha para a Sua Mãe; os Seus olhares
encontram-se, e cada coração vê no outro a Sua própria dor. A alma de Maria fica mergulhada em
amargura, na amargura de Jesus. (Um dos soldados retira Maria para longe de Jesus)

14. VIA SACRA (caminhada)

15. VERÔNICA E SIMÃO CIRINEU

(Verônica entra em cena com um pano nas mãos em meio ao tumulto)


Nar. Verônica, uma das mulheres que seguia Jesus, ao ver o Seu sofrimento, sofre junto com Ele. Ao vê-lo
ensanguentado e desfigurado pega um pano e tenta enxugar o sangue e o suor daquele rosto. (Verônica
vai até Jesus)
Ver. Meu Senhor... Permita-me... (e enxuga o rosto dele)
Sol.2 Vamos mulher! Saia do caminho! Não vês que estás atrapalhando?!
(Os soldados retiram Verônica. Jesus continua o caminho enquanto ela mostra o pano)
Nar. Jesus sem forças cai novamente.
Sol*. Homens! Parem! Não estão vendo que este homem já não consegue mais carregar essa cruz? Ajudem-no!
Sol.1 Ei, tu! Venha aqui! Tu irás carregar a cruz para este homem!
Cir. Não, nada tenho haver com isso!
Sol.1 Não quero saber! Vamos! Isso é uma ordem judeu! Carregue a cruz!
Cir. Se não tenho escolha, então carregarei... Mas que todos saibam que sou um inocente forçado a carregar a
cruz de um condenado!
(O Cirineu vai e levanta Jesus com a cruz e cai até o Calvário)

16. CRUCIFICAÇÃO E MORTE DE JESUS

Nar. Chegando ao lugar denominado Gólgota, que significa “lugar da Caveira”, crucificaram Jesus entre dois
ladrões. (crucificação)
Sol.5 Vamos segurem a mão dele! (batidas)
Sol.* A outra mão também! Vamos! (batidas)
Sol.6 Passe a marreta! Temos que pregar também os pés! (batidas)
Sol.* Certifiquem-se de que Ele está bem preso!
Sol.5 Está tudo pronto! Ele já está amarrado e pregado! A cruz já pode ser erguida!
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Sol.* Vamos então! Vamos homens! Puxem as cordas! Vamos! Puxem! Força! (ergue-se a cruz. Demais
soldados ficam em posição de guarda na frente das cruzes. Pausa)
Sol. 2 O que faremos com as vestes Dele?...
Sol. 1 Eu sei o que devemos fazer: vamos reparti-las entre nós! Como um prêmio por nosso trabalho!
(E dividem o pano em quatro partes)
Sol. 3 E vejam que bela túnica Ele tinha! O que faremos com ela?
Sol. 4 Vamos reparti-la também!
Sol. 3 Não! Ela é uma peça muito bonita para ser rasgada. Quero ficar com ela sem rasgá-la!
Sol. 1 Vamos então tirar na sorte e o vencedor fica com ela.
Sol. 4 Que seja! (Faz-se o sorteio)
Sol. 2 Vejam só! Quanta sorte! (Pega a túnica das mãos do outro soldado) A túnica do rei dos judeus agora é
minha. É um belo troféu... (Risadas entre os soldados)
Nar. Assim se cumprira a escritura que diz: repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a
minha túnica.
Jes. Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem!
Zer. Tu que ias destruir o templo e reconstruí-lo em três dias, salva a ti mesmo, se és o filho de Deus!
Anás. A outros salvaste e a ti mesmo não pode salvar, ó Cristo de Deus? Desça agora da cruz e acreditaremos!
M.J. És rei de Israel? Que Deus o livre agora, se é que Ele o ama!
Nar. Pilatos mandou colocar um letreiro na cruz de Jesus com o motivo de sua condenação... (O soldado
coloca a placa) Nele estava escrito: JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEUS.
Caif. Não!... Não faça isso! É um insulto contra nós! Não escreva Rei dos Judeus, mas sim o que ele mesmo
disse: eu sou o Rei dos Judeus!
Nar. Então Pilatos respondeu aos Judeus que o que havia escrito estava escrito. (pausa) Um dos ladrões ainda
tentava Jesus dizendo:
Lad.1 Não és tu o Cristo? Se tiveres poder, salva a ti mesmo e também a nós! Vamos! Livra-nos desta cruz!
Lad.2 Pare com isso! Nem tu temes a Deus, quando sofres a mesma condenação? Para nós é justo o castigo que
estamos recebendo, mas este, nada fez. Jesus, quando chegares ao teu reino, lembra-te de mim.
Jes. Em verdade te digo, hoje mesmo estarás comigo no paraíso.
Sol.6 Quem és tu mulher? Saia daqui!
Sol.5 Deixe-a passar! Ela é a mãe daquele homem!
Sol.6 E vós, o que quereis aqui?
Sol.5 Também são da família dele. Deixe-os passar.
Nar. Maria mãe de Jesus, Maria de Cléofas e Maria Madalena estavam junto à cruz. Jesus viu a mãe e, ao lado
dela, João, o discípulo que ele amava. Então disse a sua mãe:
Jes. Mulher, eis aí o teu filho. (pausa) Eis aí a tua mãe.
Nar. Dessa hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. (pausa, João e as Marias saem de cena) Era quase a
hora sexta quando a escuridão cobriu toda a terra, até a nona hora.
Jes. Eli, Eli, lamá sabactâni?
Nar. Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
Zer. Ele está chamando Elias!
Anas. Tu não citas as escrituras? Porque teu Deus não o salva?
Caif. Deixem, vejamos se Elias vem o libertar!
Nar. Em seguida, sabendo Jesus, que estavam para se cumprir as escrituras, disse:
Jes. Tenho sede.
Sol.6 Tens sede? Pois não alteza, matarei a tua sede! Tome! Vinagre para vossa majestade!
Jes. Tudo está consumado. (pausa) Pai! Em tuas mãos entrego o meu espírito. (Trovão. Durante o trovão e
os estrondos, todos que estão na encenação, ao redor das cruzes, devem fazer gestos denotando medo,
como por exemplo, se abaixar e olhar para cima ou levar as mãos à cabeça. Os soldados devem sair
todos da posição de guarda e correr assustados)
Nar. Eis que o véu do templo rasgou-se em duas partes de alto a baixo, a terra abalou com um grande trovão e
as rochas partiram. Vendo o que havia acontecido o oficial do exercito glorificou a Deus.
Sol.* De fato, este homem era o Filho de Deus. Não merecia a morte, porque falava a verdade, sempre amando,
fazendo o bem, curando os doentes, perdoando os pecados. Ó meu Deus, perdoai o que fizemos com
Jesus.
Nar. Era dia da preparação para a Páscoa, os Judeus queriam evitar que os corpos ficassem na Cruz durante o
Sábado, e vendo que Jesus estava morto um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança (pequena
pausa) e logo saiu sangue e água. (pausa) Ao entardecer, chegou um homem de Arimatéia chamado José,
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que também se tornara discípulo de Jesus. Ele foi procurar Pilatos, e pediu o corpo de Jesus. Então
Pilatos deu ordem para que o cadáver fosse entregue a ele. E assim, José de Arimatéia e Nicodemos, o
sacerdote que tentara defender Jesus na noite anterior, retiraram o corpo da cruz. (Descida da Cruz)
Sol.* A família pode levar o corpo.
Nar. Jesus é entregue ao colo de Maria. O mesmo ventre que o havia gerado, agora o recebia sem vida em
meio a uma profunda dor.
Mar. Sangue do meu sangue, carne da minha carne... Meu filho, o que fizeram contigo?... (lê-se a mensagem e
todos saem acompanhando os soldados carregando Jesus para ser sepultado enquanto canta-se a música
para reflexão)

A TODOS QUE PARTICIPAM DA CAMINHADA COM JESUS:

REPRESENTAR A PAIXÃO DE CRISTO É REVIVER O MAIOR AMOR JÁ EXISTENTE. E É POR ESTE


AMOR QUE NÃO DEVEMOS APENAS REPRESENTAR, MAS SIM, VIVER CADA PERSONAGEM.
QUANDO TRABALHAMOS DE CORAÇÃO PARA DEUS, JESUS SE FAZ PRESENTE EM NOSSO MEIO.
DEDIQUE-SE À ENCENAÇÃO E DEUS IRÁ RECOMPENSÁ-LO. QUE ELE TE ABENÇOE.

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