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Juízo: Vara Adjunta do JEC - Estância Velha

Processo: 9000616-31.2021.8.21.0095
Tipo de Ação: Indenização por Dano Moral :: Protesto Indevido de Título
Autor: JOÃO BATISTA GOULART FERNANDES
Réu: RGE - Rio Grande Energia S.A.
Local e Data: Estância Velha, 29 de novembro de 2021

PROPOSTA DE SENTENÇA
Juizado Especial Cível da Comarca de Estância Velha – RS
Processo nº: 9000616-31.2021.8.21.0095
Autor(a): JOÃO BATISTA GOULART FERNANDES
Requerido(a): RGE SUL DISTRIBUIDORA DE ENERGIA SA
Juíza Leiga: Jane de Fátima Pagel Trapp

Vistos, etc.
Dispensado relatório, na forma do artigo 38 da Lei nº 9.099/95, passo de imediato à
fundamentação.

Trata-se de ação na qual a parte autora postula a condenação da requerida a lhe devolver o
valor pago de R$ 254,48, bem como ao pagamento de indenização por danos morais, sob o
argumento, em síntese, que no mês de maio/21 houve a cobrança em duplicidade de
faturas, sendo uma no valor de R$ 255,05 e outra no valor de R$ 254,48.

Fundamentou, ainda, que após contato telefônico com o 0800 fora orientado a efetuar o
pagamento de apenas uma fatura, todavia para a sua surpresa para evitar o corte de
energia elétrica, mesmo após solicitações pelo 0800 e até mesmo presencialmente, viu-se
obrigado a efetuar o pagamento.

Por sua vez, a Requerida, em sede de contestação, fundamenta que não há duplicidade das
cobranças mesmo estas tendo sido emitidas para pagamento no mês de maio referem-se a
períodos de faturamento distintos.

A relação estabelecida entre as partes é de consumo, sobre a qual incidem as normas da


Lei 8.078/90, como se depreende do conceito de consumidor e fornecedor constante dos
arts. 2º e 3º do CDC.

A partir de uma interpretação teleológica da norma protetiva do CDC, aplicável no caso sub
examine, de modo a igualar as partes contratantes, em ordem a permitir uma justa solução
para a lide. Até porque, presente a vulnerabilidade de uma das partes – tal como se verifica
“in casu” -, não há como deixar de pensar no CDC como instrumento garantidor da equidade
contratual. Incide na hipótese a previsão do inciso VIII, do art. 6º, do Código do Consumidor,
ou seja, a inversão do ônus da prova.

Desta feita, o ônus probatório pertence à parte ré em comprovar que não houve a
duplicidade de cobranças da prestação de serviço, dada a absoluta impossibilidade da parte
autora em produzir prova negativa. Isso se impõe, não apenas pela facilitação da defesa do
consumidor em Juízo estabelecida pelo CDC, mas também em razão do encargo atribuído à
parte ré pelo inciso II, do artigo 373, do Código de Processo Civil.

Assinado eletronicamente por Carlos Fernando Noschang Júnior


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Com efeito, para análise da emissão de fatura em duplicidade, no mínimo, incumbia a
requerida ter carreada aos autos as cobranças e os períodos de consumo a que se referem
os últimos doze meses, todavia deteve-se a juntar apenas as faturas em discussão e do
período a partir de março.

Ademais, não é crível que a cobrança relativa ao faturamento de março seja apenas
cobrada no mês maio. Primeiro, no mínimo, porque deve ter ocorrido uma falha no sistema,
caso seja existente o valor. Segundo, porque o consumidor tem o direito de optar pelo
pagamento da fatura na data escolhida, sob pena de ser extremamente onerado e ocorrer
desequilíbrio em suas finanças.

Assim, dada a ausência de prova concreta, tenho que a pretensão da parte autora de
devolução do valor pago de R$ 254,48 à requerida prospera.

É de bom alvitre destacar que o fornecedor de serviços responde pela reparação dos danos
causados aos consumidores, por defeitos relativos à prestação, tenha ou não culpa no
evento. É a chamada responsabilidade objetiva pelo fato do serviço, segundo a qual quem
se dispõe a praticar atividade no campo do fornecimento de bens e serviços tem o dever de
responder pelos fatos e vícios deles resultantes independentemente de culpa. Ele só afasta
a sua responsabilidade se provar a ocorrência de alguma das hipóteses que excluem o nexo
causal, ou seja, inexistência do defeito e culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro, nos
termos do § 3º do art. 14 do CDC.

Nesse contexto, restaram caracterizados os danos morais, pois a situação a que foi
submetido a parte autora extrapola os dissabores toleráveis de uma relação de consumo.

Assim, configurado o agir ilícito na falha na prestação de serviços somado ao descaso da


empresa requerida em relação ao consumidor, está caracterizado o dano moral daí advindo.

Quanto à aferição do dano moral, o arbitramento judicial deve respeitar critérios de


prudência e equidade, observando padrões utilizados pela doutrina e jurisprudência,
evitando com isso que as ações indenizatórias se tornem mecanismos de extorsão ou de
enriquecimento ilícito, reprováveis e injustificáveis, ou, resultem em valor irrisório que não
possa atender a esses requisitos.

Assim, entre outros, os seguintes critérios norteiam o caso concreto, para a fixação do
quantum indenizatório: a inexistência de débito e de relação contratual entre as partes; o
tempo de duração da ilicitude; a situação econômico-financeira da ré e da parte autora; a
repercussão do fato ilícito; a duplicidade de fins a que a indenização se presta,
compensatória e pedagógica, o valor será fixado em R$ 2.000,00 (dois mil reais),
atendendo, ainda, aos critérios da proporcionalidade e razoabilidade.

Pelo exposto, opino pela PROCEDÊNCIA para condenar a requerida a devolver ao autor a
importância de 254,48 (duzentos e cinquenta e quatro reais e quarenta e oito centavos),
atualizados e corrigidos monetariamente pelo IGP-M, desde a data do desembolso,
acrescidos de juros de mora de 1% ao mês a contar da citação. Condeno, ainda, a
Requerida ao pagamento de indenização a título de danos morais no valor de R$ 2.000,00
(dois mil reais), atualizados e corrigidos monetariamente pelo IGP-M, desde a data da
prolação da sentença, acrescidos de juros de mora de 1% ao mês a contar da citação.

Assinado eletronicamente por Carlos Fernando Noschang Júnior


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Com o trânsito da decisão e não cumprido voluntariamente o julgado, prossiga-se a
execução, dispensada nova citação, consoante o art. 52, inc. IV da Lei n° 9.099/95 e
conforme preceitua a Súmula n° 21 das nossas Turmas Recursais.

Dispensados de custas e honorários na forma do art. 55 da Lei nº 9.099/95.

Ao Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito para os fins do art. 40 da Lei 9.099/95.

Estância Velha, 29 de novembro de 2021.

Jane de Fátima Pagel Trapp,


Juíza Leiga.

Estância Velha, 29 de novembro de 2021

Jane de Fátima Pagel Trapp - Juiz Leigo

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Autor: JOÃO BATISTA GOULART FERNANDES
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Local e Data: Estância Velha, 29 de novembro de 2021

SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA
Nos termos do art. 40 da Lei nº 9.099/95, homologo a proposta de decisão, para que
produza efeitos como sentença.Sem custas e honorários, na forma da Lei.As partes
consideram-se intimadas a partir da publicação da decisão, caso tenha ocorrido no prazo
assinado; do contrário, a intimação terá de ser formal.

Estância Velha, 29 de novembro de 2021

Dr. Carlos Fernando Noschang Júnior - Juiz de Direito

Rua Sete de Setembro, 70 - Centro - Estância Velha - Rio Grande do Sul - 93600-000 - (51) 3561-1910

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RIO -G R
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
CA AN
LI

PODER JUDICIÁRIO
D

B

EN
RE

SE

TRIBUNAL DE JUSTIÇA

DOCUMENTO ASSINADO POR DATA


Carlos Fernando Noschang Júnior 29/11/2021 18h05min

Este é um documento eletrônico assinado digitalmente conforme Lei Federal


nº 11.419/2006 de 19/12/2006, art. 1º, parágrafo 2º, inciso III.

Para conferência do conteúdo deste documento, acesse, na internet, o


endereço https://www.tjrs.jus.br/verificadocs e digite o seguinte

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