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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

Trabalho do Campo

Xavier Victor Júnior – 708183600

Curso: Licenciatura em Ensino de Língua Portuguesa


Turma: C
Disciplina: Literaturas Africanas em Língua Portuguesa II
Ano de Frequência: 4º Ano
Docente: Benedito Cesário Ngozo

Chimoio, Agosto de 2021


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 Índice 0.5

Estrutura Aspectos  Introdução 0.5


organizacionais
 Discussão 0.5

 Conclusão 0.5

 Bibliografia 0.5

 Contextualização
(indicação clara do 2.0
problema)
Introdução

 Descrição dos objectivos 1.0

 Metodologia adequada
ao objecto do trabalho 2.0
Conteúdo
 Articulação e domínio
do discurso académico
(expressão escrita
Análise e 3.0
cuidada, coerência /
discussão coesão textual)

 Revisão bibliográfica
nacional e internacionais 2.0
relevantes na área de
estudo

 Exploração de dados 2.5

Conclusão  Contributos teóricos


práticos 2.0

Aspectos Paginação, tipo e tamanho


gerais Formatação de letra, parágrafo, 1.0
espaçamento entre linhas
Normas APA
Referências 6ª edição em  Rigor e coerência das
Bibliográficas citações e citações/referências 2.0
bibliografia bibliográficas

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Recomendações de melhoria
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ÍNDICE

I. Introdução................................................................................................................................1
1.1. Objectivos do Trabalho........................................................................................................2
1.1.1. Objectivo Geral.................................................................................................................2
1.1.2. Objectivos Específicos......................................................................................................2
1.2. Metodologia do Trabalho.....................................................................................................2
II. Exercício................................................................................................................................3
III. Conclusão............................................................................................................................11
IV. Referências Bibliográficas..................................................................................................12

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I. Introdução

Desde a década de 1970, as relações entre Portugal e suas ex-colónias sofreram profundas
alterações, a partir das quais se promoveu uma revisão dos conceitos que lhes davam sustentação
pragmática e ideológica, sobretudo no que se refere à tão debatida questão colonial.
Actualmente, quando se discute abertamente as directrizes e os resultados preliminares do amplo
processo de globalização por que passam todas as nações politicamente organizadas, faz-se ainda
mais necessário uma amplificação de nossas perspectivas culturais, redireccionando nossos
interesses para realidades pouco contempladas pelas abordagens culturalistas tradicionais.

Nesse contexto, destaca-se a necessidade de retomada das relações político-culturais entre os


países de língua portuguesa, relevando o aspecto peculiar de suas respectivas culturas. Sob essa
óptica, compreende-se a importância assumida, no presente momento, pelo estudo das literaturas
africanas de expressão portuguesa, por meio do qual se busca promover uma aproximação entre
culturas que, historicamente, sempre estiveram unidas.

No entanto, a importância e reconhecimento que, a par disso, a literatura africana em português


tem merecido da crítica nacional e internacional vem mostrar a pertinência de se estudar e
divulgar com mais afinco e empenho alguns de seus mais representativos nomes, abordando não
apenas aspectos que revelam a competência estética de seus autores em criar uma literatura
autónoma e original, mas também que demonstrem como essa literatura pode interagir com todo
o processo de construção da identidade cultural africana, equacionando, assim, as contradições
que foram historicamente implantadas por um sistema de colonização.

Foi, portanto, pensando neste aspectos que procura-se neste trabalho, abordar o contributo de
Mia Couto e de Ungulani Ba Ka Khosa na literatura moçambicana e também a contribuição de
Castro Soromenho e Luandino Vieira na literatura Angolana.

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1.1. Objectivos do Trabalho

1.1.1. Objectivo Geral

 Descrever o contexto do surgimento da literatura angolana.

1.1.2. Objectivos Específicos

 Identificar as principais características nas escritas de Mia Couto desde a publicação do seu
primeiro livro “A Contemplo Ranidade”;
 Explicar como se manifesta a multiplicidade etno-cultural a partir da obra de Mia Couto
“Vozes anoitecidas”;
 Mencionar as características estético-estilística que podemos encontrar na obra “Ualalapi”
de Ungulane Ba Ka Cossa;
 Demonstrar através de explicações clara, o porquê da obra de Castro Soromenho é realista
ou naturalista;
 Discutir o lema “vamos todos discutir angola” apresentados pelos defensores da revista
Cultura II, na perspectiva literária;
 Explicar a operacionalização da renovação da literatura angolana à partir de José Luandino
Vieira;
 Explicar o motivo que leva a obra de Lundino Vieira ser veiculado de valores sociais e
expressões próprias de uma sociedade que pouco domina regras da língua portuguesa;
 Explicar em que medida se espelha a história de angola e a guerra de libertação à partir das
obras “Yaka e Mayombe” do escritor Pepetela.

1.2. Metodologia do Trabalho

A metodologia é o conjunto de métodos e técnicas utilizadas para a execução de uma pesquisa.


Entretanto para a execução deste trabalho recorremos ao método bibliográfico, através do qual
procuramos consultar vários manuais que serviram de suporte.

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II. Exercício

1. Com Mia Couto a literatura moçambicana ganhou novo ímpeto e paradigmas.

a) Descreva as características principais das escritas de Mia Couto, desde a publicação do


seu primeiro livro “A Contempo ranidade”.

RESPOSTA: Laranjeira (1995) aponta quatro principais elementos que compõem o que ele chama
de “modo de moçambicanidade” inscrito na obra Coutiana:
 A criatividade da linguagem;
 O realismo na composição das acções e dos caracteres;
 A intromissão do imaginário ancestral, que transforma esse realismo em “realismo
animista”;
 O humor, que comparece em seis instâncias: na intriga, nas situações/acontecimentos, nos
antropónimos, na narração (modo de contar), na enunciação e na linguagem.
Para Fernanda Cavacas (1999, p.16), “a beleza da obra Coutiana é um conjunto de muitas formas
que a distingue das outras obras de outros escritores, e que dão um sabor específico”. Acerca dos
elementos que marcam a escrita do autor, Cavaca destaca:
 A forma oralizante do discurso – o ritmo da frase, a colocação das palavras, as pausas, a
respiração do texto, a utilização constante de máximas ou sentenças, a presença de vozes
múltiplas narradoras que se entrecruzam num diálogo sempre subjacente com o leitor (para
além das falas propriamente ditas das personagens);
 A organização sintáctica que serve o texto;
 Os variados recursos estilísticos que profusamente emprestam ao texto polissemias e
ilustram situações que vão do mágico, mítico e simbólico mais incomum ao comezinho e ao
quotidiano;
 O léxico criado sempre a partir da língua portuguesa de Moçambique e de outras línguas que
com ela coabitam o espaço moçambicano.

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2. A partir da obra “Vozes anoitecidas” de Mia Couto, como é que se manifesta a
multiplicidade étno – cultural.

RESPOSTA: De acordo com Leite (2014, p. 41), a língua utilizada pelo Mia Couto na escrita dos
contos “Vozes anoitecidas” é uma forma de nos informar sobre a constante crise que a sociedade
moçambicana vive através das histórias trágicas do seu quotidiano. Porém, a língua é um dos
meios escolhidos pelo autor para recuperar as marcas culturais da oralidade da sociedade
tradicional, a visão do mundo mítica e o onirismo, ou seja, a relação entre o homem, a natureza e
a comunidade.

Parafraseando Silva (2010), a escrita de Mia Couto é baseada na oralidade, uma oralidade que
transmite uma certa cultura e uma certa identidade. A partir da obra “Vozes anoitecidas”, a
multiplicidade étno-cultural manifesta-se no uso constante do antropomorfismo, da animização,
da concretização das noções abstractas, da materialização do inefável e da sensibilização
relacional das personagens com os objectos e ainda pela memória que torna-se mais do que um
elemento individual para se transformar em Memória Ancestral (memória de muitas vozes e
muitos tempos), através da qual o autor (e as vozes nele amalgamadas) procura exprimir uma
Cultura Fundadora da identidade moçambicana.

3. Que característico estético estilístico pode se retirar em “Ualalapi” de Ungulane Ba ka


Khosa.

RESPOSTA: Em Ualalapi de Ba ka Khosa nota-se claramente a valorização nítida da oralidade, à


qual atribui-se poder e capacidade de permanência no tempo, como revela esta passagem de
“Ualalapi”, em que a propósito dos assuntos do império, se diz que o imperador os resolvia “com
a voz e os gestos, pois papel não havia e as ordens eram escritas pela voz tonitruante que
ressoava nas manhãs e tardes chuvosas e secas” (Khosa apud Covane, 2016, p.54).

Com essa afirmação, nota-se que o poder é simbolizado pelo adjectivo que qualifica a voz,
enquanto a ideia de permanência é dada pela “metáfora irónica” que destacámos com o itálico.
Portanto estamos em presença do contraste entre a escrita e a oralidade, mas no qual se
estabelece a valorização da oralidade que se exprime através de uma desvalorização da escrita,
simbolizada pelo papel, a que as personagens se referem sempre em termos pejorativos.

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4. Descreva o surgimento da literatura angolana e caracterize a periodização da literatura
angolana.

RESPOSTA: Se exceptuarmos as obras historiográficas e fotográficas que abordam os temas


angolanos (ex. História Geral das Guerras Angolanas de António Oliveira de Cadórnega), o
início da literatura angolana pode ser ligado à introdução da imprensa (1845): Boletim (1845)
que passou a ser Boletim Oficial de Angola, Jornal de Loanda (1878), A Civilização da África
Portuguesa (1886), Luz e Crença (1902–1903), a colectânea Voz de Angola Clamando no
Deserto (1901), sem deixar de mencionar o importantíssimo Almanach de Lembranças (1851–
1900). Entretanto, como a primeira obra literária angolana é considerado o livro de poemas de
José da Silva Maia Ferreira (Espontaneidades da Minha Alma, 1849). Mais tarde, aparece uma
noveleta de influência queirosiana, Nga Mutúri (1882) de Alfredo Troni, bem como a obra de
Cordeiro da Matta.

Porém, na primeira metade do século XX, dado o contexto histórico-político (o Estado Novo
com o seu nacionalismo e colonialismo imperial), aparecem alguns textos de carácter ambíguo,
de temas angolanos mas com uma propensão ao exotismo e celebração do colono português.
Dentro desta linha “luso-tropicalista” insere-se a obra de Tomás Vieira da Cruz e de Geraldo
Bessa Víctor. Por outro lado, começam a aparecer autores, intelectuais assimilados, que trazem
novos temas à literatura (os costumes angolanos), de certo sabor etnográfico mas com uma
perspectiva interior, bem longe da literatura africanista portuguesa. É o caso de António Assis
Júnior (O Segredo da Morta, 1929, publicado em folhetim) e de Óscar Ribas (Uanga, 1951). Um
caso à parte é Castro Soromenho que, a partir de 1949 envereda pelo caminho da ficção
neorrealista (Terra Morta, 1949, Viragem, 1957, A Chaga, 1970).

Em 1948 surge o Movimento dos Novos Intelectuais de Angola (MNIA) com o lema “Vamos
descobrir Angola”, que dá impulso ao aparecimento da revista Mensagem em 1951, em cujo
redor se encontram autores como António Jacinto (Poemas, 1961), Viriato da Cruz (Poemas,
1961), Agostinho Neto (autor da posterior Sagrada Esperança, 1974). Na sua sequência surge
ainda a revista Cultura (II série, 1957–1970), ligada a Mário António, Henrique Abranches,
Luandino Vieira (Luuanda, 1964) entre outros. Ferreira (1987, p.84) afirma que “não podem ser
também esquecidas as iniciativas literárias, promovidas na Metrópole pela Casa dos Estudantes
do Império (CEI) que reúne jovens autores preocupados com a questão da identidade”.

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Com a eclosão da guerra de libertação (1961), os autores angolanos expressam e lutam
abertamente pela “angolanidade”, oposta ao colonialismo português. A seguir, começam a
aparecer autores da chamada Geração de 70 (David Mestre, Arlindo Barbeitos, Ruy Duarte de
Carvalho, João Maria Vilanova) que representam a ruptura estética com as gerações precedentes.

Portanto, após a independência, para além dos autores já reconhecidos (como Luandino Vieira),
a literatura angolana enriquece-se por novos nomes que trazem, cada um por si, novas ideias,
perspectivas, temas e estilos à literatura angolana: Pepetela, Uanhenga Xitu, Manuel Rui, João
Melo, José Eduardo Agualusa, entre outros.

Parafraseando Covane (2016, pp.61-62), pode-se dividir a literatura angolana em sete períodos,
nomeadamente:

 1.° Período (das origens até 1848) – é o chamado período da Incipiência;


 2.° Período (1849 à 1902) – é o chamado período dos primórdios ou ainda o período da
chamada imprensa livre. Este período começa com a publicação de Espontaneidades da
minha alma, de José da Silva Maia Ferreira, em 1849. Destacam-se Alfredo Troni com Nga
mutúri (1882). Cordeiro da Matta;
 3.° Período (1903 à 1947) – é o chamado período de prelúdio. Assiste-se aqui o nascimento
do nacionalismo da literatura colonial;
 4.° Período (1948 à 1960) – é o chamado período da Formação da literatura. Nasce com a
criação de movimentos culturais organizados, como é o caso de Movimento dos Novos
Intelectuais de Angola (MNIA) de 1948, com o lema “Vamos descobrir Angola”. Destaca-se
Viriato da Cruz, Antonio Jacinto, que editou em 1950, Antologia dos novos poetas
angolanos. Em 1951 sai Mensagem. Mensagem marca, assim, o início da poesia moderna de
Angola. Nesta revista participa uma plêiade de escritores que serão os responsáveis pela
construção da literatura do novo país.
 5.° Período (1961-1971) – assiste-se aqui um incremento da actividade editorial ligada ao
Nacionalismo, surgem textos de temática guerrilheira. Em 1962, por exemplo, Alfredo
Margarido publica Poetas angolanos. Dois anos mais tarde, em 1964, José Luandino Vieira
recebe o Grande Premio de Novelística por Luuanda (enquanto estava preso em Cabo
Verde).

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 6.° Período (1972 a 1980) – o da Independência. Publica-se colectânea Angola, poesia 71. E
em 1975 funda-se a União dos Escritores Angolanos (UEA) e fundam a gazeta Lavra &
Oficina.
 7.° Período (1981-1993) – o de Renovação, que começa com a formação da Brigada Jovem
de Literatura, preparar os jovens para os cursos superiores.

5. Mostre até que ponto a obra de Castro Soromenho escritor angolano é realista ou
naturalista.

RESPOSTA: A obra de Soromenho é naturalista porque procura relatar os acontecimentos regados


por violência, exploração, mentira, sofrimento e racismo para com negros e mulatos, como
explicitado em Terra Morta “[...] Rebenta-lhe as unhas! Depois de surrado, as mãos inchadas a
escorrem sangue, o sipaio caiu de borca na varanda da Administração, a gemer com a boca no
chão. É para outra vez ouvires as ordens do branco[...]” (Soromenho, 2001). Este excerto mostra
o castigo que o negro recebe por não ter seguido as ordens do administrador.

A narrativa termina na noite em que ocorre um incêndio da administração da vila do Camaxilo,


no dia seguinte os administradores decidem mudar-se para Caungula e junto deles seguiram
negros angolanos, o que se evidencia no seguinte fragmento do romance “Manhã cedo, filas de
negros, com às cargas as costas, deixaram Camaxilo, rumo a Cuaungula, nova vila e sede, e vila
da circunscrição” (Soromenho, 2001).

Partindo da obra em análise, nota-se o desejo de Castro Soromenho, por meio do romance Terra
Morta, representar a problemática colonial, procurando dar a voz aos sujeitos à margem da
sociedade angolana, denunciar os abusos como as cobranças de impostos e a escravidão, o que
permite caracterizar a obra como narrativa realista e naturalista.

6. De uma forma sintética, faça uma discussão ao lema “Vamos discutir Angola”
apresentado pelos defensores da revista cultura II.

RESPOSTA: Depois do período de “Prelúdio” na primeira metade do século XX, segue entre
1948 e 1960 o período de “Formação” da literatura. Esta época decisiva é considerada como a da
organização literária da Angola com a fundação em 1948 do Movimento dos Novos Intelectuais
de Angola (MNIA) que tinha por lema: “Vamos descobrir Angola!”.

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Depois de uma fase de escrita nostálgica e acrítica, os escritores, pela intersecção de línguas
coloniais com temas locais, procuram dar voz aos seus ideais e projectar as suas literaturas no
Mundo. (Ribeira, 2009, p.4).

O desejo de emancipação, na década de 1950, manifesta-se sobretudo na poesia, com o verso


livre e os temas arrojados. Na continuidade do MNIA forma-se a Geração de Mensagem em
1950, poetas como Viriato da Cruz, Humberto da Sylvana e António Jacinto agrupam e marcam
o início de “uma Cultura Nova, de Angola, e por Angola, fundamentalmente angolana, que os
jovens da Nossa Terra estão construindo” (Ferreira, 1977, p.15).

Na revista literária Mensagem os poetas apresentam a nova poesia de Angola como um meio de
protesto popular contra a ocupação portuguesa. Nos anos seguintes, os temas literários
continuavam a ser os dos sofrimentos do colonizado, da falta de liberdade e da ânsia de tomar o
destino nas próprias mãos (Laranjeira, 1995, p.36-43).

No fim dos anos 1950 vários pequenos grupos anticoloniais uniram-se no Movimento Popular de
Libertação de Angola (MPLA), que dirigido pelos poetas Agostinho Neto e Viriato da Cruz, em
1961 começaram a luta armada contra a dominação colonial de Angola por Portugal.

Ainda mesmo antes de 1975 publicam- se, algumas obras que mudam o rumo literário da
literatura angolana, mas claramente a independência de Angola é o facto histórico que revolve
por completo a sociedade, a vida quotidiana, a organização política e a cultura do país. Logo a
seguir à independência, constitui-se a União dos Escritores Angolanos (UEA), congregando
quase todos os autores de Angola.

Portanto, pode-se afirmar que o movimento literário “Vamos descobrir Angola” trouxe uma nova
abordagem literária, tendo esse movimento transformando-se no Movimento dos Novos
Intelectuais de Angola (MNIA), adquirindo um carácter quase exclusivamente literário.

7. Como é que foi operacionada a renovação da literatura angolana à partir de José


Luandino Vieira?

RESPOSTA: A obra de Vieira desempenha, sobretudo no contexto em que foi criada, relevante
papel político-social. Do ponto de vista dos temas e motivos literários representados na obra de
Vieira, destaca-se, sem dúvida alguma, a temática social, sempre reconstruída a partir da óptica

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literária, com a exposição dos conflitos raciais e a exploração da dicotomia entre civilização
(europeus) e barbárie (africanos), temas construídos a partir de uma visão deliberadamente
pessimista da sociedade. Não se trata, evidentemente, de um pessimismo desalentador, que
enrijece a vontade de luta e mudança, mas um pessimismo aliciante, que instiga à revolta contra
as distorções sociais apontadas na trama de suas efabulações.

8. A Obra de Luandino Vieira é veículo de valores sociais e expressões próprias de uma


sociedade que pouco domina regras da língua portuguesa ou de discurso coloquial.

a) Defenda esta afirmação.

RESPOSTA: A obra de Vieira não obstante ter tratado de temática social, de uma ideologia
cerrada, suas principais conquistas estéticas concentra-se também no campo da estilística, isso
porque, com a prosa ficcional de Luandino Vieira a literatura angolana atinge seu ponto máximo
de expressão artística, sobretudo no que diz respeito ao tratamento linguisticamente inovador do
texto literário. Tal inovação pode ser verificada tanto no âmbito sintáctico, levando o autor a
promover verdadeira ruptura no encadeamento oracional do português, quanto nos âmbitos
morfológico – com sua indefectível criatividade lexical – e fonológico, em que o emprego
deliberado de uma linguagem coloquial e o uso de artifícios próprios da oralidade, incorporados
ao texto escrito, fazem de suas transgressões linguísticas uma ocorrência esteticamente
programática. “É essa transgressão de natureza linguajeira, portanto, que dita o trabalho de
reescritura da Língua Portuguesa levada a termo por Luandino Vieira” (Silva, 2007) e incidindo
directamente sobre a constituição de uma consciência nacionalista, já que a nova linguagem
forjada no âmbito de sua produção literária acaba servindo de substrato ideológico e expressivo
ao conceito de angolanidade.

Portanto, pode-se aqui afirmar que, a obra de Vieira confere à cultura nacional uma identidade
própria, já que Luandino dá a imagem da sociedade angolana em processo de simbiose ou de
influências, onde traços de diferentes culturas se atritam e disputam primazias. “Um desses
traços, a fala, isto é, o quimbundo ou o português dialectizado, por oposição à língua, o
português de Portugal, funciona também como código de identificação no conjunto de factores
que passam a caracterizar a angolanidade”. (Santilli, 1985, p. 18)

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9. Em que medida se espelha a história de angola e a guerra de libertação à partir das
obras “yaka e Mayombe” do escritor Pepetela?

RESPOSTA: Com as obras Yaka e Mayombe, Pepetela consegue exprimir literariamente uma
realidade onde conflitos raciais e outras formas de comprometimentos sociais são trazidos à tona,
revelando a complexa e traumática herança da colonização do continente africano.

Com desprendimento e paixão, Yaka por exemplo, procura narrar o conturbado relacionamento
entre Angola e os colonizadores portugueses, revelando, além de tudo, uma intensa consciência
histórica por parte do autor. A linguagem empregada para levar adiante essa denúncia procura,
contudo, mesclar a prosódia do colonizador (no caso, a língua portuguesa) e a do colonizado (no
caso, o quimbundo), dando assim aos factos narrados um maior realismo.

Discriminações mais explícitas e brutais surgem ao longo de todo o romance, exprimindo ora um
sentimento de supremacia racial, que acaba por tomar conta dos colonos brancos, ora um
desprezo propriamente dito pelos negros. E esses são apenas alguns exemplos do alcance da
temática do racismo na obra de Pepetela, sobrepondo-se mesmo a outros temas que aparecem ao
longo da narrativa: o desgosto dos colonos, quase que obrigados a viver sob o peso de um eterno
desterro; as constantes ameaças que estes mesmos colonos sentem diante de uma realidade que,
vez por outra, lhes parece completamente hostil etc. Somando isso tudo, Yaka “resulta num dos
mais contundentes relatos dos sofrimentos do povo angolano e numa das mais expressivas obras
de literatura em língua portuguesa que o final do século XX concebeu” (Santos, 2009, p.15).

Contudo, pode-se afirmar que as Obras Mayambe e Yaka de Pepetela, trata-se do despertar da
consciência colectiva de um povo pela ênfase dada ao social, espelhando assim, a história de
angola e a guerra de libertação nacional.

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III. Conclusão

As literaturas africanas em língua portuguesa tiveram seu desenvolvimento a partir da segunda


metade do século XIX. Na sua maioria eram dotados por culturas de tradição oral (embora não
exclusivamente). Diferentemente da produção colonial africana, as literaturas africanas
adoptaram um ponto de vista do colonizado, “de dentro para fora”.

Em Moçambique, dos vários autores, destacou-se neste trabalho a criatividade literária de Mia
Couto emanada na obra “Vozes Anoitecidas e também as características estéticas linguísticas
patentes no romance de Ungulane Ba Ka Khosa, intitulada Ualalapi.

A literatura de Mia Couto ocupa na história de literatura moçambicana, antes de tudo, o papel de
aglutinadora das tendências que a precederam. Já Ba Ka Khosa, ao trazer as formas e ao recriar
um certo imaginário da tradição oral na sua obra, deseja provavelmente chamar a atenção para a
cultura anulada e considerada como superstição nos primeiros anos de independência, que
procurou eliminar os valores do mundo tradicional.

A literatura angolana dividida em sete períodos, destacaram-se neste trabalho os seguintes


escritores: Castro Soromenho e Luandino Vieira. Na literatura angolana, destaca-se ainda o lema
“vamos discutir angola”, defendida pelos escritores da revista cultura II, que trouxe uma nova
abordagem literária, tendo esse movimento transformando-se no Movimento dos Novos
Intelectuais de Angola (MNIA), adquirindo um carácter quase exclusivamente literário.

Portanto, pode-se afirmar que literatura tanto de Moçambique assim como de angola, apresentam
aspectos em comum que entrelaçados, procuraram trazer uma nova forma de pensar sobre os
povos, particularmente os povos colonizados. Foi no entanto, a partir destes movimentos
literários que se viu nascer os movimentos de luta de libertação nacional.

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IV. Referências Bibliográficas

 Covane, L. (2016). Manual do Curso de Licenciatura em Ensino de Língua Portuguesa:


Literaturas Africanas em língua Portuguesa II. Beira: UCM-CED.
 Ferreira, M. (1987). Literaturas africanas de expressão portuguesa. Vol. II. Lisboa: Instituto
de cultura portuguesa.
 Laranjeira, P. (1995). Literaturas Africanas de Expressão portuguesa. Lisboa: Universidade
Aberta.
 Mata, I. (2001). Literatura angolana: silêncios e falas de uma voz inquieta. Lisboa: Mar
Além.
 Ribeira, M. (2009). A Definição de uma Literatura – Literatura Angolana. Braga:
Universidade do Minho.
 Santilli, M. (1980). A “Luuanda” de Luandino Vieira. Edições 70. Lisboa: Laban.
 Santos, A. (2009). O Narratário: um estudo de seu papel na construção de João Vêncio: os
seus amores, de José Luandino Vieira. Luanda: União dos Escritores Angolanos.
 Silva, A. (2010). Literatura Africana de Língua Portuguesa: Literatura de Moçambique.
São Paulo: editora Unesp.
 Soromenho, C. (2001). Terra Morta. Porto: Campo das Letras.

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