Você está na página 1de 66

1

MARTIN SCHULMAN

O ASCENDENTE
Sua Porta Kármica

Tradução
CARMEN YOUSSEF

EDITORA PENSAMENTO
São Paulo

Título do original:
The Ascendant Your Karmic Doorway

Copyright © 1988 Martin Schulman Publicado pela primeira vez por Samuel Weiser, York
Beach, Maine, USA, como THE ASCENDANT.
2
Sumário

1 O Ascendente: Sua Porta Kármica 02


2 Os Ascendentes do Zodíaco 24
3 Interpretação de Horóscopo 59
Alegoria 65

A todos os que buscam a iluminação

A todos os que apreciam o valor do eu altruísta

Para minha esposa Diane, cujo amor altruísta é uma inspiração admirável

Para minha filha Penny Sue, para que possa sempre florescer na luz.

3
Capítulo I

O ASCENDENTE
Sua Porta Kármica

O Ascendente

Embora os estudiosos da astrologia entendam que O ascendente é um dos pontos mais


importantes do mapa, costuma haver muita confusão quanto a seu propósito e função. A
questão de saber se o ascendente tem mais ou menos importância que o signo solar não
chega a ser claramente respondida, porque nunca se obteve uma definição precisa a
respeito. A maioria dos estudiosos vê no ascendente apenas aquela parte do mapa que
influencia a aparência física, ou que determina a visão pessoal da vida. Tradicionalmente
considera-se o ascendente como a maneira pela qual expressamos o ego pessoal.
Entendemos o ego como a nossa concepção do eu. Se examinarmos um pouco mais a
fundo, perceberemos até que ponto nossa concepção de eu se baseia no relacionamento
efetivo entre nosso ser e o mundo exterior onde ele procura manifestar-se. Assim, o
ascendente simboliza a personalidade da pessoa, pois esta nada mais é do que o modo pelo
qual o ser interior faz contato com o ambiente exterior. Quando as pessoas não usam o
ascendente de maneira correta, o ser interior interpreta erroneamente seu relacionamento
com o mundo exterior. Por isso, algumas pessoas têm dificuldades pessoais ou problemas
de personalidade. Quando se usa o ascendente de modo correto, o ser interior e o
ambiente exterior fluem através da personalidade como por uma via de mão dupla,
fazendo com que ambos progridam:
Em geral, estudamos o horóscopo com o intuito de melhorar nossa vida e incrementar
nossa contribuição à evolução da espécie, e tendemos a ignorar o significado do
ascendente. A maioria dos estudiosos concentra-se nos posicionamentos e nos aspectos
das configurações planetárias. Procuramos potenciais, enquanto deixamos de ver a
realidade. Portanto, em vez de observar o indivíduo como ele realmente é, visualizamos
possibilidades futuras que podem ou não concretizar-se. O mapa de cada pessoa contém
em si todas as possibilidades necessárias para uma vida plena. Entretanto, só quando
estamos "conectados" com a maneira pela qual nosso ser interior ilumina e é iluminado
pelo ambiente externo é que a plenitude da vida se torna um fato realizável.
Creio que o ascendente é a expressão da realidade de cada pessoa. Quando pensamos
no mundo como um conjunto composto pela totalidade de todos os indivíduos, o
ascendente nos mostra a verdadeira estrutura dessa realidade. O potencial de uma pessoa,
ou a evolução potencial da raça humana como um todo, é um ideal importante. Entretanto,
a realidade das pessoas que atuam dentro daquilo com que estão em contato é o que
4
verdadeiramente faz do mundo o que ele é. O ascendente, assim, torna-se uma porta de
trada para entender a realidade - não através do potencial que pode atingir, mas sim
através da essência que está atingindo.
O ascendente, entendido como ‘porta de entrada’, passa a ser um filtro entre tudo o
que existe dentro do mapa e tudo o que existe no mundo exterior. E fácil entender este
conceito se encararmos o mapa como um círculo fechado cuja porta fica no ascendente.
Você tem uma série de pensamentos, sentimentos e ideias a seu respeito e a respeito dos
outros. Pode até pensar em milhares de maneiras diferentes de competir com os outros ou
de copiar as realizações que você admira no mundo exterior. Pode sentir que tem dentro
de si possibilidades que, por razões obscuras, de alguma forma você não consegue fazer
aflorar. É o ascendente que dá foco a todos esses pensamentos, sentimentos, ideias e
atividades, para que você possa, algum dia, expressar-se significativamente num mundo
pleno de significado. Se você pensasse no mapa sem o círculo que o envolve, todos os
pensamentos, ideias e possibilidades que você percebe dentro de si transbordariam para o
ambiente, criando uma vida dispersa, sem sentido. Você poderia ser magnetizado por
tantos fatores externos que se sentiria irremediavelmente pequeno num mundo
aparentemente grande demais para acolhê-lo. Entretanto, se fechamos o círculo, deixando
apenas o ascendente como porta de acesso para entrar no mundo exterior e sair dele,
teremos condições de focalizar e de concentrar as energias dentro de um campo
significativo de expressão. O ascendente é o filtro através do qual é possível conquistar-se o
controle de si mesmo.
O ser interior de um indivíduo é composto de muitos fatores - alguns pessoais, outros
não. É possível guardar dentro de si as lembranças íntimas de experiências passadas, o
conhecimento (pessoal e impessoal) adquirido, e uma ideia de percepção do mundo.
Naturalmente, os diferentes posicionamentos e aspectos planetários influem sobre como o
ser interior percebe tudo isso. Estudar o ser interior é enxergar apenas a metade do
quadro. O guru que medita no alto da montanha é capaz de entender muita coisa.
Entretanto, ele pode não ter a menor ideia do que é viajar num trem ou num ônibus
superlotado. A consciência total de algumas pessoas se espanta com o ambiente externo.
Essas são pessoas que observam tudo - de certa forma totalmente alheias à sensação de
fazer parte do que acontece no mundo. Os dois pontos de vista são desequilibrados, pois
nem a vida interior nem a exterior são completas em si mesmas. É o ascendente que as
une.
Quando se visualiza o mapa como um circulo fechado e o ascendente como sua porta
de entrada, começa-se a ver as fronteiras que, construtivamente, limitam a existência
àquilo que se é capaz de fazer da maneira mais positiva. O ascendente focaliza a
concentração do seu ego e da sua identidade nas área através das quais você pode ser você
mesmo. Depois de aprender a focalizar as energias do seu mapa através do ascendente,
começam a desaparecer as interferências sem sentido que impedem que você concretize o
seu potencial. Pelo contrário, o ego começa a definir-se e a estabelecer um Senso de
identidade por meio de uma noção clara do relacionamento entre o ser interior e o mundo
exterior. A questão da identidade não pode ser resolvida pela análise de complexos
psicológicos, que podem ser inerentes a determinadas posições planetárias dentro do
5
mapa. Esses posicionamentos, mesmo refletindo o seu ser interior, não representam a sua
integração com o mundo em que vive.
A medida que avançamos pela vida, incorporamos algumas coisas e repelimos outras.
Estamos sempre participando de um processo de dar e receber, ou de um fluxo yin e yang,
que constantemente remodela a personalidade. Se não usamos o ascendente, podemos
facilmente absorver tanta coisa do ambiente que fica difícil saber quem somos. No outro
extremo, podemos tentar expressar mais do que o nosso ambiente pode absorver.
Entretanto, essa corrente de duas mãos, quando mantida dentro dos perímetros do
ascendente, é muito semelhante a um fio elétrico bem isolado. Podemos, através desse
filtro protetor, focalizar e escolher seletivamente o que vem até nós e o que emana de nós.
Usando a analogia da corrente elétrica, o fluxo de eletricidade precisa ser igual nas duas
direções para que a lâmpada se acenda. Quando absorvemos mais do que sabemos
expressar, o fluxo da vida fica desequilibrado. Como consequência, guardamos demais
dentro de nós, e isso nos impede de ver a luz. Se expressamos mais do que absorvemos,
outra vez a corrente fica desequilibrada, e não há iluminação. Nem a passividade (ser
receptivo às influências da vida) nem a atividade (tentar deixar a marca do ser interior no
ambiente) representam a plenitude de vida que almejamos viver. E o que é ainda mais
interessante, os planetas do mapa não conseguem funcionar a pleno potencial quando o
fluxo de energia através do ascendente está desequilibrado. Se pensarmos nos planetas
como receptores ou transmissores de energia, e nos posicionamentos planetários como a
forma pela qual as diferentes energias podem ser interpretadas, fica fácil entender como o
excesso ou a escassez de corrente vindos pelo ascendente podem travar ou sobrecarregar
todo o mecanismo.
O ascendente preenche o vazio existente entre a pessoa interior e a realidade que ela
precisa enfrentar. Para atingir a condição de existência, é preciso ser capaz de relacionar
tudo o que emana de dentro do eu com uma realidade mais ampla capaz de acolhê-lo. Se
"tudo o que está dentro de alguém" não tem como sair, o ser interior é invadido por uma
sensação de desesperança e desperdício. Se, por outro lado, o mundo exterior é incapaz de
receber tudo o que o indivíduo tem possibilidade de oferecer, pode instalar-se no íntimo
da pessoa uma sensação de desespero e não-integração. O ascendente age como uma
balança, de modo que tudo o que está dentro do indivíduo pode, em última análise, ser
entendido através do contato com o ambiente externo.
Às vezes vemos pessoas que se escondem atrás de si mesmas, criando ilusões em seu
ser interior, enquanto observam como o ambiente exterior deixa nelas sua marca
impessoal através do ascendente. Às vezes vemos pessoas que acreditam que precisam
forçar o mapa através do ascendente - literalmente forçando a energia dos planetas e dos
aspectos a emergir. Com esse procedimento, essas pessoas tendem a perder seu ser
interior no ambiente. Os hindus dizem que viver é muito semelhante a ficar de pé sobre
uma ponte baixa observando a correnteza do rio. Os acontecimentos caminham na sua
direção e se afastam de você; enquanto isso, você os sente e os experimenta, mas o ser
interior permanece intato. O ascendente simboliza essa ponte baixa, ou local de encontro
entre o ser interior e os acontecimentos que serão experimentados na vida. Se você
permitir que o seu ser interior experimente a vida sem qualquer proteção, através de todas
6
as casas do mapa (como faz, infelizmente, a maioria das pessoas), você pode perder de
vista a "corrente" capaz de focalizar e direcionar suas experiências dentro de um referencial
naturalmente compreensível. Até o rio tem margens. O rio tem tamanho, profundidade,
forma e direção. Sem as margens, a água invadiria tudo. Experimentar a vida através das
diferentes casas do mapa sem estabelecer uma relação com o ascendente é muito
semelhante a observar as mudanças de forma e direção do rio sem saber sequer por que as
estamos observando. Quando a experiência de cada casa passa pelo referencial do
ascendente, pode-se manter um acordo equilibrado entre o ser interior e as experiências
externas. Isto é o que nos dá a sensação de que estamos controlando a nossa vida.
O ascendente é o seu ponto de consciência. Ele magnetiza e conduz o restante do
mapa em direção às experiências através das quais pode se estabelecer uma relação entre
o ser interior e o ambiente exterior. Quando uma pessoa usa seu ascendente de forma
correta, sente-se próxima das experiências de vida semelhantes às qualidades do seu
ascendente. Ao mesmo tempo, é capaz de sentir-se distanciada de todas as experiências do
ambiente que não se relacionem diretamente com seu ascendente. Dessa forma, o
ascendente magnetiza a consciência fixando-a em pontos do tempo e do espaço, de modo
que ela possa estabelecer contato com tudo o que tem de absorver da consciência
universal - e com tudo o que tem a oferecer à consciência universal - sem sofrer excessiva
interferência de vibrações, acontecimentos e circunstâncias que estão basicamente fora do
seu caminho. Para quem tem ascendente Gêmeos, é fácil estar em sintonia com a
qualidade atual dos jornais, das revistas, do rádio e da televisão porque esse signo
ascendente tem dentro de si a qualidade dos meios de comunicação. Ao mesmo tempo, a
pessoa com ascendente Áries estaria sintonizada com as vibrações de consciência
referentes à atividade pessoal e enfrentamento ousado dos desafios da vida. Há muitas
qualidades diferentes de vibrações e experiências no mundo exterior. Cada ascendente
ajusta seletivamente sua sintonia com as experiências mais semelhantes a ele mesmo. Por
isso, cada ascendente tem uma percepção diferente da vida. E, a despeito de qualquer
outro fator do mapa, a pessoa sente seu relacionamento com a vida através das percepções
focalizadas pelo ascendente. É assim que o ascendente conduz o restante do mapa. Quando
uma pessoa usa corretamente o ascendente, fica fácil, para ela, harmonizar-se consigo
mesma e com o ambiente.
Para entender isso, é preciso entender o que realmente significa o ascendente. Ele
simboliza o signo que estava surgindo no horizonte ao nascer do sol. Se uma pessoa
contempla o nascer do sol por alguns minutos, percebe facilmente a qualidade do dia que
vai surgir. O nascer do sol siboliza esperança, otimismo e o começo do desenvolvimento do
que está por vir. O signo que se eleva no ascendente ao nascer do sol (o signo em ascensão)
é a lente focal através da qual, na realidade, enxergamos o nascer do sol. Assim ela colore
as expectativas do individuo para o dia em eterno devir.
O sol nasce a cada dia e aparece em diferentes signos ascendentes. Entretanto em
termos individuais a pessoa conserva o mesmo signo ascendente por toda a vida. Suas
expectativas em relação a tudo o que está por vir em seu futuro são sempre vistas através
do mesmo ascendente. Se cada um de nós usar corretamente o ascendente, permitindo
que ele focalize o mapa no ponto de consciência no mundo com o qual está mais de acordo
7
e em seguida regular o fluxo de entrada e saída de informações e experiências feito pelo
ascendente, podemos ter verdadeira esperança de concretizar grande parte de nossas
expectativa pessoais. Entretanto, como é possível regular de fato o fluxo da experiências,
para dentro e para fora, dado que estamos engajados em relacionamento com o mundo
externo - sobre o qual aparentemente não temos controle algum? É verdade que o mundo
leva adiante sua sequencia de acontecimentos em mudança, a despeito dos nossos desejos.
Todavia, nem todos os acontecimentos do mundo nos dizem respeito. Frequentemente nos
sentimos inseguros no ambiente e tendemos a absorver mais do exterior do que realmente
precisamos. Quando estamos seguros no ambiente, entretanto, só recebemos o que é
necessário para nosso melhor rendimento. As pessoas inseguras tendem a espalhar-se em
todas as direções, tateando à procura de um "cabide" ou de um "corrimão" em que se
apoiar. Essas pessoas tendem a encarar praticamente tudo o que está fora delas como algo
que, de alguma maneira, é capaz de lhes dar mais segurança do que a que conseguem
perceber em seu íntimo. Para elas, o mundo exterior é pleno, e o mundo interior é vazio.
Dessa forma, tendem a absorver magneticamente tudo o que possa dar-lhes a plenitude
interior que procuram. Em consequência, podem absorver, de maneira indiscriminada,
muito mais do que seu ser interior é capaz de assimilar. A falta de discernimento resultante
costuma simplesmente perpetuar o sentimento original de insegurança. As pessoas seguras
sabem absorver seletivamente apenas aquilo de que precisam para ter um rendimento
criativo.
A questão da segurança e da insegurança - que com tanta frequência tentamos
resolver dando atenção intensa aos complexos psicológicos - é na realidade uma questão
de saber até que ponto cada pessoa sabe usar seu ascendente como filtro. Se uma pessoa
permanece dentro do ascendente, ancorada no ser interior, nada que perceba no mundo
exterior é capaz de abalar as raízes de sua estabilidade. Se, ao contrário, uma pessoa sai do
ascendente e tenta ver-se como os outros a veem, ela constrói sua vida com base num
falso senso de segurança. Quando um indivíduo procede dessa forma, tende a julgar de que
modo seu mapa deveria funcionar através do que criou no mundo exterior. Nesse caminho,
o resultado natural é um estilo de vida que "fica do lado de fora e olha para dentro". O
ambiente toma-se o centro ao qual o ser interior constantemente tenta agradar. Como o
ambiente está sempre mudando, o ponto focal do círculo, que o ser interior desloca
constantemente, também muda. Nessas circunstâncias, não é possível estabelecer um foco
central, pois o ponto de consciência da pessoa está sempre mudando. Mesmo que o ser
interior pudesse satisfazer as exigências mutáveis e inquietas que identifica no ambiente,
não haveria possibilidade de sentir-se realizado.
A satisfação em qualquer área da vida precisa vir da base. O universo, impessoalmente,
satisfaz-se a si mesmo. Qualquer indivíduo pode satisfazer-se pessoalmente. No entanto,
um indivíduo não pode satisfazer pessoalmente o universo, ou vice-versa. O ascendente é
usado de modo sadio quando a pessoa compreende que o universo tem muito a oferecer a
quem permanece no seu próprio centro. E, desse centro, a pessoa também pode oferecer
muito ao universo. A consciência precisa ter um ponto de referência individual; caso
contrário, não terá nenhum sentido.
Para usar corretamente o ascendente, é preciso entender que perceber-se em termos
8
das expectativas mundanas é identificar-se com um universo impessoal e mutável para o
qual não tem importância O fato de as pessoas serem individualmente satisfeitas.
Entretanto, perceber o lugar que se ocupa no universo através do ponto de vista pessoal do
ascendente é uma história bem diferente. Vamos considerar como esses dois pontos de
vista podem efetivamente fazer o ascendente funcionar de formas diferentes.
No primeiro caso, a pessoa vive fora de si mesma, identificando-se com um universo
impessoal. A entrada e a saída de energia (através do seu ascendente) são regidas pela
consciência universal. O mapa todo vibra de acordo com as exigências do mundo exterior, e
não de uma noção pessoal de ser. A entrada e a saída muitas vezes parecem estar além do
controle pessoal, e a vida se transforma numa série de experiências impessoalmente
ditadas pelos caprichos mutáveis da consciência exterior. No segundo caso, o indivíduo se
vê pessoalmente como um dos muitos atores que contribuem para formar a consciência
universal. O fluxo de entrada e saída (através do ascendente) transforma-se mais ou menos
numa questão seletiva de controle individual. Portanto, ou a pessoa é uma gota no oceano
- movida pela corrente impessoal e mutável - ou ela consegue ver o oceano, pescar, remar
nele, tirar água, consciência ou inspiração desse mar e, em última análise, aprender a
expressar seletivamente a sua essência. No primeiro caso, a pessoa, vive basicamente sem
nenhum controle sobre a sua vida. E forçada a suportar adversidades que podem
finalmente acabar convencendo-a de que o universo está testando sua capacidade de
sobrevivência. No segundo caso, a pessoa consegue, consciente e significativamente, sentir
a essência do seu ser interior através de partes selecionadas da consciência universal com
as quais está mais sintonizada. Assim, usado com sabedoria, o ascendente pode ser o ponto
de consciência através do qual a pessoa pode descobrir seu papel criativo no cenário
sempre mutável onde se desenrola a sua vida.
O ascendente desempenha um papel muito importante na maneira de cumprir nosso
destino kármico. Algumas pessoas cumprem grande parte do seu karma mais pesado no
começo da vida, enquanto outras tendem a arrastar suas cargas kármicas até uma idade
mais avançada. Superar os efeitos negativos devidos a causas de vidas passadas e aprender
a dar aos padrões de experiência uma expressão mais positiva e mais produtiva passa a ser
uma questão de perceber como concentrar-se nas condições que precisam ser trans-
formadas.
As pessoas que não aprenderem a fazer isto têm pouca chance de aliviar sua carga
kármica. Entretanto, quando o ascendente é usado de modo correto, ele passa a ser a
porta de entrada através da qual experiências novas ajudam a reestruturar padrões
negativos do passado. Para fazer isso eficazmente, é importante aprender a viver dentro
das energias do mapa, em vez de ficar de fora, olhando para dentro. De um ponto de vista
kármico, as pessoas que tentam agradar um mundo impessoal identificando-se com ele -
tentando fazer com que as energias do seu mapa (que são karmicamente individuais) se
ajustem ao todo coletivo - podem encontrar uma paz momentânea. Entretanto, a longo
prazo, descobrem que pouco contribuíram para fazer evoluir seu karma individual. O todo
coletivo está sempre mudando, enquanto nosso ascendente continua o mesmo por toda
vida. É importante tentar adaptar-se à mutabilidade do mundo exterior, mas é mais
importante identificar-se seletivamente com as circunstâncias que afetam de modo direto a
9
evolução do nosso próprio karma. Dessa forma, o ascendente passa a ser a porta de
entrada através da qual seletivamente expressamos e recebemos aquilo para o que nosso
ser está preparado.

KARMA

O conceito de karma como razão para a reencarnação das almas acrescenta à


astrologia as fascinantes nuanças do significado essencial da vida. Todos nós estamos aqui
para aprender lições. Passamos por diferentes experiências para adquirir a compreensão
que acaba levando à nossa evolução. Sem experiência, não há crescimento. E o foco de
nossas experiências é o ponto de consciência que percebemos através do ascendente.
Dessa forma, aprendemos qual é nosso lugar no mundo por meio de tudo o que precisa ser
revelado pela personalidade.
Às vezes, as lições são extremamente difíceis de aprender. De fato, é possível que
passemos por experiências semelhantes durante anos sem conseguir relacioná-las com o
que absorvemos do ambiente externo. Cada vez que aprendemos uma lição kármica, a vida
fica mais fácil, pois já não precisamos carregar o peso de informações, emoções ou atitudes
que faziam parte dessa lição. Por esse motivo, além de ficarmos ansiosos por descobrir o
nosso karma, também queremos encontrar formas de aprender eficazmente as lições que a
alma deseja que compreendamos. Uma das razões pelas quais tantas pessoas têm
dificuldade em cumprir suas obrigações kármicas é o fato de haver, na verdade, dois tipos
diferentes de karma.
Num plano, existe o karma pessoal. Ele compreende os erros ou equívocos de vidas
passadas relativos a pensamentos, sentimentos e atos, que a alma carrega consigo como
resíduo a ser corrigido nesta vida. Da mesma forma que nosso passado contém erros e
equívocos, os atos cometidos na vida presente também nos afetarão agora. Nos dois casos,
trata-se de karma pessoal. (1) Existe outro tipo de karma ao qual Carl Jung, o célebre
psicólogo, referiu-se ao dizer que "o karma recria-se impessoalmente". Nesse caso, Jung
estava aludindo às ações impessoais de um universo impessoal. Tudo o que consideramos
"atos de Deus" - tais como condições climáticas excepcionais, ocorrências raras, ou mesmo
a ação impessoal dos planetas - opera de acordo com as leis de causa e efeito que
denominamos karma. Nesse sentido, o karma não é pessoal, mesmo que as pessoas
possam ser impessoalmente afetadas por ele. Assim, vemos que a vida é, em parte, feita de
experiências individuais pelas quais passamos no caminho rumo à evolução pessoal, e em
parte por experiências impessoais das quais participamos à medida que o universo se
desenvolve.
As modas passageiras constituem um excelente exemplo de karma impessoal. Elas só
são pessoais para as pessoas que dão início a elas, ou talvez para aquelas que lucram com
as ondas de ressonância criadas por elas. Todas as outras pessoas seduzidas por essas
modas, diferentes a cada ano ou a cada década, se deixam influenciar pessoalmente por
segmentos do karma impessoal do mundo.

10
Algumas pessoas se deixam influenciar fortemente pelo que os outros pensam delas.
Essas pessoas tentam impressionar a si mesmas através da aprovação dos outros.
Naturalmente, isso reverte o ponto de consciência, porque o centro do ser fica ancorado
nos outros. Sua personalidade torna-se o produto de influências externas. Quando isso
ocorre, fica fácil entender por que algumas pessoas têm problemas de identidade, de ego
ou de relacionamento com o eu. O mais importante é o efeito dessas identificações sobre a
capacidade de lidar com o karma.
Se a personalidade coloca o seu centro nas condições externas do ambiente, corre o
risco de identificar-se com o karma impessoal. Dessa forma, a pessoa incorpora muito do
que lhe é imposto pela consciência externa. Seu ser interior é influenciado não apenas
pelas modas passageiras do mundo exterior, mas também pelos costumes e tradições
mutáveis de uma sociedade em constante transformação. Quando um determinado estilo
de roupa se torna popular, ela se sente obrigada a seguir a tendência, e assim por diante.
Sem perceber, pode acabar envolvendo-se pessoalmente com as variáveis da consciência
universal - ou, no íntimo, ficar na defensiva - o que tem como único resultado desviá-la do
seu karma pessoal. Nesse caso, pode ser que seu estilo de vida se resuma em ficar à altura
dos outros, ou em despender muito esforço para competir com aquilo que não é
competitivo num nível pessoal. Se a pessoa usar o seu ascendente dessa maneira, fica
praticamente impossível saber qual é o seu karma, quanto mais ter o devido ímpeto para
cumpri-lo. E, quando pensamos no grande número de pessoas que vivem a vida "de fora
para dentro", é fácil entender por que a evolução da espécie é tão opressivamente lenta!
Entretanto, quando a consciência se concentra na perspectiva correta, fica fácil para a
personalidade encarar o karma impessoal, conforme definido por Jung, como um palco
onde se desenrola a trama do karma pessoal. O ascendente pode servir como proteção
contra a participação num karma que não precisamos experimentar necessariamente, e
pode guiar-nos exatamente aos pensamentos, atos ou conhecimentos específicos que nos
ajudam a viver nosso karma pessoal.
Em todo ser humano existe uma personalidade e uma alma. Às vezes parece que a
alma está dormindo, pois ela ainda não foi despertada para o seu objetivo espiritual.
Nesses casos, a personalidade opera de maneira bastante aleatória, muito à semelhança de
um pedaço de cortiça flutuando na correnteza das emoções do dia-a-dia. Quando a alma
desperta para o seu objetivo, entretanto, a vida se modifica. Pelo contrário, tudo o que a
personalidade experimenta reflete a manifestação simbólica de um significado maior, uma
consciência mais elevada e um profundo senso de satisfação pessoal dentro do todo
impessoal. O que faz a alma despertar? Os Nodos da Lua simbolizam as lições individuais de
vida que precisam ser aprendidas para o crescimento da alma. Na realidade, eles
simbolizam o contato da alma da pessoa com os planos de Deus. Dessa forma, a linha reta
(ou oposição) entre os Nodos Sul e Norte transforma-se num caminho direto de progresso
vindo do passado, através do presente em constante devir, rumo às possibilidades do
futuro. Mesmo assim, uma coisa é saber quais são as nossas lições na vida, e outra, muito
diferente, é sermos capazes de lidar com elas. A humanidade, como expressão dos desejos
de Deus, é um conceito etérico e, como tal, de difícil apreensão pela mente individual.
Entretanto, a possibilidade de evolução pessoal, de auto-aperfeiçoamento e do
11
desabrochar final do ser é o que tem força suficiente para despertar a nossa sensibilidade e
tornar-se o ímpeto, em escala universal, da evolução do homem. Quando pensamos no
indivíduo, entretanto, é preciso que haja um ponto de contato entre as altas aspirações da
consciência e a capacidade de agir no mundo temporal. Os Nodos precisam ter um veículo
para operar, de modo que as lições da alma possam ser vivenciadas e demonstradas aqui
na Terra.
Esse veículo é o restante do mapa. Os diferentes posicionamentos planetários e os
aspectos entre eles mostram o potencial do indivíduo. Eles são, de fato, o esquema da vida
da pessoa. Os aspectos planetários dentro do mapa ajudam a situar o indivíduo no espaço.
Os vetores e qualidades desses aspectos agem como um parâmetro para que ele possa
entender a qualidade e a quantidade do seu potencial. Os Nodos colocam-no em contato
com a qualidade transcendental do tempo eterno. O mapa precisa operar dentro do
contexto revelado pelos Nodos. O potencial de um indivíduo se direciona para o caminho
que proporcionará à sua alma a maior evolução possível. Se o mapa não é visto dessa
maneira, o potencial humano fica sem uma estrutura referencial dentro da qual possa se
manifestar. O potencial de uma pessoa pode extravasar para áreas que não fazem sentido
para o ser interior, ou que pouco contribuem para promover a evolução da humanidade. O
mapa torna-se um mero veículo através do qual fluem as necessidades da alma. O
relacionamento entre os Nodos e o mapa poderia ser chamado de potencial latente
direcionado para um caminho específico. Entretanto, ainda falta um elo na corrente. A
pessoa pode saber quais as lições que deve aprender, por meio dos seus Nodos e pode até
estar ciente do potencial que tem para dominar essas lições através das energias e
posicionamentos planetários do mapa; mas, mesmo assim, precisa de um contato
significativo com o ambiente externo através da personalidade, para que essas lições sejam
uma parte do seu relacionamento com o mundo em que vive. Esse terceiro elo é fornecido
pelo ascendente. Com ele, o indivíduo pode expressar a direção da sua alma (os Nodos da
Lua) usando o potencial que tem (posicionamentos e aspectos planetários contidos no
mapa) num nível que está em direta ligação com sua experiência de vida cotidiana. O
ascendente transforma-se na porta de entrada através da qual se manifesta tudo o que um
indivíduo é e aspira ser.

1. Para uma maior compreensão do karma, sugerimos ao leitor a série Karmic


Astrology , volumes 1-4, de Martin Schulman (York Beach, ME: Samuel Weiser), e Edgar
Cayce's Story of Karma, de Mary Ann Woodward (Nova York: Berkeley, 1972).

KARMA IMPESSOAL

Já falamos da teoria de Jung, segundo a qual o karma se recria impessoalmente. Isso


é fácil de entender se pensarmos que é possível traçar um horóscopo para qualquer hora
do dia em qualquer localidade. Podemos saber o que o universo, em qualquer área
específica, oferece impessoalmente em qualquer momento específico. Para ver como isso
12
funciona, imagine um mapa ilustrativo: vamos supor que, num determinado dia, numa
localidade qualquer, o nascer do sol aconteça no quinto grau de Gêmeos. Podemos traçar
um horóscopo tendo como ascendente o quinto grau de Gêmeos. Usando o sistema de
casas iguais, em que a cúspide de cada casa também começa aos cinco graus, o signo
ascendente também muda a cada duas horas. Esse mapa representará o que está
disponível impessoalmente na consciência universal no decorrer de um determinado dia.
Mencionamos antes o tipo de pessoa que se vê pelos olhos dos outros. Para uma pessoa
assim, o mapa impessoal agirá como o seu centro durante o dia, enquanto o mapa pessoal
dá uma volta, mudando a qualidade de sua experiência e expressão a cada duas horas, de
acordo com o relógio externo, cósmico. Para ver como isso funciona, vamos considerar
alguém com ascendente Touro. Entretanto, em vez de essa pessoa entender como usar
corretamente o ascendente como um ponto de consciência através do qual se expressa o
potencial de crescimento da alma, vamos supor que ela tente encontrar-se aceitando o que
é imposto pelas forças externas. Esse tipo de atitude - viver do lado de fora olhando para
dentro - significa que a cada duas horas, no decorrer do dia, seus pensamentos,
sentimentos, emoções, atos e até experiências serão um produto da estimulação do seu
mapa por qualquer coisa que esteja entrando na sua consciência. Para ver como isso
funciona, pense no nosso mapa com ascendente Gêmeos. Ao nascer do Sol, Touro está na
décima segunda casa. Para simplificar, vamos supor que o nascer do Sol tenha ocorrido
aproximadamente às 6 da manhã. Como essa pessoa tem Touro por ascendente, seu
relacionamento com o meio, entre as 6 e as 8 da manhã, coloca seu ascendente na décima
segunda casa do mapa impessoal (com Gêmeos em ascensão). Assim, durante essas duas
horas, a pessoa pode identificar-se pessoalmente com os bastidores do que acontece, com
os pensamentos e sentimentos de isolamento e com a contemplação interior, que é a
qualidade básica da décima segunda casa. Nas duas horas seguintes (quando Câncer passa
a ser o ascendente no mapa impessoal), o signo de Touro se desloca para a décima
primeira casa. Durante esse período (de 8 às 10 da manhã) a pessoa pode desejar as
qualidades sociais da amizade. No período seguinte de duas horas (das 10 ao meio-dia),
quando Leão está em ascensão no mapa impessoal, Touro se desloca para a décima casa. A
pessoa pode sentir, nesse período, uma preocupação maior com assuntos relativos à
carreira, ao prestígio e à posição social. À medida que o dia avança, o ascendente do mapa
impessoal continua mudando. E, ao fazê-lo, o signo que corresponde ao ascendente natal
da pessoa (Touro, nesse caso) continua aparecendo em casas diferentes. O que significa
tudo isso? Se a consciência estiver concentrada no que o mapa impessoal estiver
oferecendo, a cada duas horas essa pessoa, literalmente, será urna pessoa diferente. Todo
o seu mapa, inclusive os Nodos, seguirão a correspondência do ascendente com as
diferentes casas do mapa impessoal. Em consequência, ela será basicamente incapaz de ter
controle sobre a sua vida. Seguidas experiências sem sentido transformam todo o seu ser
em produto do ambiente em constante mutação. Isso é natural para uma folha que flutua
ao vento. Mas não é nada natural para alguém com características humanas - inteligência,
sentimentos e possibilidades de evolução.
Quando alguém deixa que sua vida seja dirigida dessa maneira, suas atitudes permitem
que ele concorde com pessoas que não concordam entre si. Seus pensamentos permitem
13
que ele vivencie mais do que o seu ser interior é capaz de compreender. E seus atos podem
transformar-se numa sequencia sem sentido de experiências desconexas.
Quando, por outro lado, a pessoa percebe a ligação correta entre os Nodos, o
ascendente e o restante do mapa, e compreende o ascendente como a porta de entrada
através da qual a personalidade filtra o ser interior, a qualidade da sua vida assume uma
natureza diferente, à medida que ela entra em contato com o mundo exterior. Vamos
considerar a maneira como o mapa natal se relaciona com a roda móvel das casas do mapa
impessoal num determinado dia. Usaremos o mesmo exemplo: o mapa impessoal começa
com Gêmeos em ascensão; e o mapa individual tem o ascendente em Touro. O ascendente,
no mapa impessoal, mudará a cada duas horas, como antes. A diferença, nesse caso, é que
o referencial ou ponto de consciência vem de dentro da pessoa, e não das circunstâncias
externas.
A perspectiva individual da vida com ascendente Touro é de criatividade construtiva.
Essa pessoa procura construir algo com a matéria, algo que seja importante para ela. A
aquisição de bens e o desenvolvimento da autoconfiança através da beleza, da forma, da
harmonia, do dinheiro e dos lucros passa a ser o ponto focal da experiência da
personalidade. Em termos práticos, isso pode ser obtido mediante uma série de opções. A
pessoa pode desfrutar da harmonia da música, da beleza da pintura, da construção ou
aquisição de objetos que simbolizam riqueza e conforto, ou de qualquer uma das atividades
materiais que dão uma sensação de segurança interior. Vamos supor que essa pessoa seja
um pintor, tentando criar e desenvolver um estilo que expresse tudo o que sente no seu
íntimo. Vamos supor também que a pintura, que poderia tranquilamente ser a continuação
de uma vida passada, seja o destino final que a alma escolheu como alvo a ser atingido
através do seu Nodo Norte. Nesse caso, os Nodos estão direcionando o potencial interno
da pessoa para o ascendente, que precisa filtrar seletivamente as circunstâncias e
experiências temporais que, por sua vez, vão conduzi-la ao seu verdadeiro destino. Agora,
se considerarmos o relacionamento entre essa pessoa e a maneira pela qual o seu karma
pessoal (a pintura) está entrelaçado com o karma impessoal do ambiente externo, veremos
uma situação bastante diferente.
Entre 6 e 8 horas da manhã (supondo o nascer do sol às 6 da manhã, no nosso
exemplo) a pessoa precisa lidar com um ascendente Gêmeos no mundo exterior. Isto
significa que todas as suas necessidades de expressão pela pintura se manifestariam
durante esse período de duas horas através das qualidades de Gêmeos. Assim, pode ser
que ela use esse tempo para pensar no que deseja pintar, para refletir sobre as ideias que
gostaria de expressar e para entender a relação entre as coisas que vê e sua capacidade de
recriá-las. Se ela tentar pintar durante esse período, entretanto, a qualidade de sua pintura
teria em si muito conhecimento - com pouca referência aos sentimentos que extravasam
pelo ascendente Touro. Duas horas mais tarde, às 8 da manhã, o ascendente do mapa
impessoal muda de Gêmeos para Câncer. E as emoções que ela poderia experimentar, mas
com as quais poderia não ter um contato verdadeiro, assumem a qualidade cálida e
sensível de Câncer. Durante esse período, o ambiente externo oferece intuição emocional,
sensibilidade e aquela energia fluida que alimenta os pintores. Se a pessoa com ascendente
Touro fosse pintar durante esse período, a qualidade final de sua pintura estaria mais em
14
harmonia com o que ela está tentando expressar. Duas horas mais tarde, quando o
ascendente do mapa impessoal passa para Leão (formando uma quadratura com o
ascendente Touro do mapa natal), talvez ela se sinta descontente com sua capacidade de
chegar à expressão da energia grandiosa que sente no ambiente externo. Se ela se
mantiver dentro do filtro protetor de seu ascendente, perceberá rapidamente a diferença
entre ela mesma e as energias externas mutáveis que experimenta. Assim procedendo,
acaba por entender que o propósito inicial de sua pintura não é competir com as forças
criativas externas que sente no universo, e sim expressar tudo o que emana de seu interior.
Se ela decidir tentar pintar com o ascendente Leão do mapa impessoal, poderá, durante
um curto espaço de tempo, conectar-se com as grandes forças criativas da consciência
universal. E é bem possível que isso fique patente no produto final. Entretanto, como ela
está operando a partir do âmago do seu ser interior, nunca perde de vista esse ponto de
referência. Assim, a despeito do signo que esteja em elevação no mapa impessoal em
diferentes momentos do dia, o pintor continua sendo um pintor. Em diferentes momentos
do dia, a qualidade de sua expressão mudará, com a percepção de diferentes qualidades
dos diferentes ascendentes da consciência universal. E embora haja um certo grau de
infiltração da consciência externa, ela é filtrada pelo uso correto do ascendente. Como
pintor, a pessoa decide absorver as qualidades da natureza que potencializam seu ser
interior. Ao mesmo tempo, tem facilidade em descartar todas as trivialidades
desnecessárias, pois não têm relação com o seu propósito. Dessa forma, ela pode sentir e
experimentar a si mesma em relação ao seu ambiente sem perder o seu ponto de
consciência. No decorrer de dias, meses e anos, a pessoa desenvolve a intenção de sua
alma dentro da alma impessoal da humanidade. Suas pinturas podem, efetivamente, ser
uma contribuição para a humanidade, pois ela sem dúvida conectou-se com a força criativa
à disposição na consciência externa. E, nesse processo, nunca se perdeu.
Portanto, a questão de se perder ou de se encontrar - que é tão importante na busca
de uma identidade significativa - está na realidade baseada naquilo que se usa como ponto
de referência. Para ver o contrário dessa analogia, pensemos na pessoa que vive de fora
olhando para dentro, identificando-se com as ondas móveis da consciência universal, e que
se vê impelida a conseguir tudo o que sente fluir através de si mesma. Entretanto, por não
estar em contato com seu ser interior, não consegue expressar verdadeiramente o próprio
poder criativo. Pode ser que ela capte alguma ideia na consciência impessoal, mas ela
desaparece no momento seguinte, causando frustrações. Seguidas associações mentais
baseadas nesse tipo de identificação podem, na realidade, levar a pessoa a um estilo de
vida marcado pelo desperdício.
Quando o ambiente passa a ser o centro do nosso círculo, experimentamos sem querer
um karma que nem sequer é nosso. Nós nos identificamos pessoalmente com
pensamentos, sentimentos e atos que estão fora do nosso centro pessoal. Nossa vida corre
o risco de ser uma série de ações e experiências inconsequentes que estão meramente
manifestando as energias mutáveis que sentimos no éter. Nesse ínterim, a vida pessoal
pode ser uma ruína total, pois os gritos do ser interior, que precisa expressar-se, não são
ouvidos. Os muitos níveis de personalidade existentes são tão complexos que entendê-los
torna literalmente alguns anos. Se estamos de fora, olhando para dentro através desse
15
grande número de filtros, torna-se quase impossível conhecer ou suprir as necessidades do
nosso ser interior. Quando as pessoas vivem dessa forma, não conseguem nem mesmo
saber se têm ou não uma alma, quanto mais aprender a seguir seus desígnios. Se a
personalidade é tão complexa e seus filtros tão numerosos e capazes de fato de manter a
pessoa do lado de fora, é preciso supor que esse mesmo mecanismo tenha poder
suficiente para, igualmente, mantê-la sob proteção do lado de dentro. O pintor que
discutimos anteriormente cumpre seu karma porque é o seu karma, e não porque o
ambiente externo lhe diz o que fazer ou o que não fazer num determinado dia. Ele percebe
o mundo como algo que pode ser pintado, pois seu ser interior está pintando tudo. Dessa
forma, sua vida tem continuidade. Se o seu ponto de consciência estivesse ancorado nos
ascendentes móveis do ambiente impessoal, cada hora e cada dia de sua vida não estariam
ligados aquilo de onde emanaram. Num momento, ele teria uma qualidade, e no momento
seguinte, outra, sem relacionar-se com nenhuma das duas. Ele se sentiria como se sua vida
estivesse, de alguma forma, fora de controle. Entretanto, o indivíduo que permanece
dentro do seu mapa nunca passa por uma confusão dessas. O karma no mundo pode
recriar-se impessoalmente o tempo todo, e operar continuamente dentro de cada
indivíduo. Assim, tornamo-nos capazes de cumprir a tarefa muito mais fácil de viver o
nosso próprio karma, sem nos deixarmos confundir pelo karma impessoal dos outros ou
pelos pensamentos inconstantes de um mundo em transformação.
Podemos ver, então, como o ascendente atua como uma porta de entrada kármica. Ele
filtra e protege o ser interior, fazendo com que a pessoa se concentre naquilo que lhe é
realmente necessário e desviando-a de tudo o que não é.

INDIVIDUALIDADE
O signo do Sol, que é o que mais representa o potencial de expressão das pessoas, faz
parte do ser interior que precisa ser ativado. E interessante observar que as crianças
pequenas tendem a manifestar mais as qualidades do seu signo da Lua do que o do Sol. É
somente na meia-idade (em algum momento entre os 30 e os 40 anos), quando já
passamos por um número suficiente de experiências pessoais, que o Sol (a verdadeira
semente do ser) começa realmente a brilhar. Durante a vida toda, o Sol precisa ser filtrado
pelo ascendente antes de se expressar externamente. Se o ascendente não estiver
operando como deve, pode ser que a pessoa não seja capaz de expressar as qualidades
construtivas de um posicionamento poderoso do Sol. Por exemplo, imagine alguém com o
Sol em Leão e o ascendente em Peixes. Graças ao Sol em Leão, o ser interior tem muito
potencial. A vontade e o poder de fixar-se como centro da própria vida, de manter o
controle sobre o próprio eu, são possíveis com este signo do Sol. A personalidade,
entretanto, carrega as qualidades do ascendente Peixes, e como o ascendente representa a
concepção que se faz do alvorecer da vida, a pessoa pensa em si mesma como sendo
negativamente receptiva a muitas coisas da vida que enfraquecem e dissipam o poder do
eu. Confusões de identidade, ilusões e imagens tendem a permear muito do que a pessoa
pensa de si mesma. O que realmente ocorre é que o poder ígneo do Sol não consegue
16
atravessar com facilidade as águas diluentes do ascendente Peixes. Em vez disso, a
perspectiva alegre e otimista de Leão fica mais tímida quando opera através do filtro de
personalidade de um ascendente Peixes. Quando a pessoa direciona sua identidade para a
expressão em atividades externas, seu lugar no mundo é visto através de Peixes, e não de
Leão. Dessa forma, a pessoa percebe na consciência universal a aceitação da sua
criatividade, mas talvez não veja a sua capacidade de assumir o poder.
Se você tem uma Lua em Virgem, talvez sinta necessidade de disciplinar suas emoções.
Com um ascendente Capricórnio, você fica sensível às vibrações no mundo exterior que
simbolizam as realizações. Dessa forma, quando a Lua em Virgem é filtrada pelo
ascendente Capricórnio, você pode achar que a única maneira de realizar algo de valor
duradouro é ativar seu potencial de organizar sua estrutura emocional. Esse mesmo signo
da Lua, com um ascendente Libra, teria um estilo de vida muito diferente. Na sua posição
natural, libra simboliza o sol poente. Quando o potencial de uma Lua em Virgem é filtrado
pelo ascendente libra, a aguda necessidade de ordem se atenua, muito à semelhança do
sol poente (aproximadamente 6 da tarde). Dessa forma, o ser interior duvida de sua
capacidade de se impor ao ambiente externo.
Num exemplo bem diferente, pense no Sol em Peixes filtrado por um ascendente Leão.
Você gastaria muito do seu ser interior tentando preencher a energia que sente no
ascendente Leão.
Não é apenas o Sol que funciona dessa maneira. Todo planeta do mapa contém em si o
potencial da individualidade. E a combinação da maneira como esses planetas são filtrados
pela porta do ascendente que, em última análise, mostra a verdadeira individualidade da
pessoa. Um mapa forte com um ascendente fraco não denota uma vida. expansiva, vívida.
Ao mesmo tempo, um mapa mais modesto com um ascendente forte indica uma relação de
troca mais ampla entre o ser interior e tudo o que pode ser experimentado no ambiente. A
individualidade é o resultado das muitas maneiras diferentes pelas quais o mapa pode
manifestar-se através do ascendente. A individualidade com sentido pleno aparece quando
as lições da alma instigam as potencialidades do mapa a se manifestarem através da
personalidade. Naturalmente, quando você usa o ambiente como centro, as qualidades em
constante mudança da consciência externa fazem com que você pareça ter um estilo de
vida extremamente individualizado. Entretanto, como o centro está sempre mudando, essa
aparência de individualidade é um equívoco, pois você leva uma vida de extremos. A
individualidade que você aparenta não é pessoalmente sua.

COMO SUPERAR A NEGATIVIDADE


Um dos maiores problemas que enfrentamos - no mundo e também dentro de nós - é
a negatividade. Quer venha de atitudes, de pensamentos ou de ações, ela consegue
facilmente permear toda a concepção que fazemos de nós mesmos, bem como nossa
perspectiva de vida. A negatividade se origina do descontentamento. Muitas vezes,
procuramos a origem desse descontentamento no lugar errado, seguindo muitas
possibilidades tangenciais, sem jamais entender verdadeiramente a essência dessa
17
condição negativa. O karma impessoal do universo tanto pode ser positivo como negativo.
Entretanto, se estamos vivendo fora do mapa e identificando-nos com todo o karma
impessoal que sentimos no universo, uma sensação de insignificância pessoal começa a
tomar forma na estrutura da identidade. Sentimo-nos incapazes de manifestar a qualidade
e a quantidade de tudo o que flui através de nós. Esta é a principal causa da negatividade e,
na realidade, ela aumenta a negatividade do mundo.
Se você tem uma sensação de insignificância com relação à estrutura da sua identidade
(porque usa o ascendente de modo incorreto) é muito provável que você use todo o seu
mapa negativamente. Desse referencial (com centro na consciência impessoal e não no seu
próprio ser interior) você questiona o que o mundo está lhe fazendo. Na verdade, você está
tentando fazer com que o seu mapa consiga acompanhar tudo o que sente no ambiente
externo. Entretanto, isso é impossível, porque a quantidade de informações, pensamentos,
sentimentos e experiências existentes no karma impessoal sempre excederá sua
capacidade de absorção. Faça o que fizer, você terá sempre a sensação de estar, de certa
forma, perdendo uma corrida imaginária com o mundo, que progride e se expande mais
depressa do que você. O descontentamento daí resultante acarreta um estilo de vida
construído sobre uma identificação com a frustração, ou sobre um sentido geral negativo
do próprio valor. Para superar a negatividade, é preciso que o senso de identidade emane
do ser interior. Dessa forma, tudo o que você faz na vida advém do potencial que a sua
alma está incitando à ação através da personalidade. Como resultado, você não estará
competindo com as influências externas, e sim alegremente engajado na concretização de
suas possibilidades. Desse ponto de vista, a interrogação aterradora em relação ao
ambiente exterior, em vez de conduzir à negatividade, ajudará você a expressar-se
positivamente.

PERCEPÇAO INTUITIVA
Muitas pessoas falam da importância da percepção intuitiva para a evolução pessoal.
Talvez essa tenha sido a maior contribuição da astrologia ao mundo nesse sentido. Porém,
se quisermos realmente entender como alguém se transforma, cresce e se desenvolve,
precisamos reexaminar o significado prático e real da expressão "percepção intuitiva".
O caminho para a percepção de si mesmo pode seguir múltiplas e variadas vertentes.
Infelizmente, para que uma pessoa possa enxergar a si mesma, é preciso que ela esteja do
lado de fora. Nesse caso, a pessoa procura o conselho de outras que pareçam mais cultas.
Talvez consulte astrólogos, psicólogos, psiquiatras, gurus ou líderes espirituais para ajudá-la
a ver tudo o que ela não consegue perceber em seu ser interior. Para isso, entretanto, é
preciso que ela se identifique realmente com os pensamentos, emoções e ideias que lhe
são apresentados, originários do ambiente exterior. Depois, armada desses fragmentos de
karma impessoal que, segundo acredita, vão ajudá-la, ela se volta para sua personalidade,
tentando olhar para dentro de si mesma. Nesse momento, ela não está verdadeiramente
"em" si. Como resultado, a personalidade aumenta suas defesas, porque não sabe o que
está para ser acionado em termos de karma impessoal. Ao mesmo tempo, o potencial do
18
ser interior fica latente, pois não pode expressar-se através da personalidade, que o
ascendente bloqueia para defender-se da identidade (assimilada agora ao impessoal) que
tenta infiltrar-se no indivíduo. E por isso que os astrólogos e, em geral, as pessoas que se
preocupam com os outros encontram tanta resistência quando tentam fazer com que um
indivíduo confronte a si mesmo. Na Figura I, o problema pode ser visto claramente.

Figura 1. A percepção intuitiva (A) comparada com a interiorizaçâo (B).

Fica fácil entender como as pessoas podem realmente lutar contra si mesmas, ter
medo ou tomar-se resistentes. Todo o processo de ganho (seja qual for o meio escolhido)
transforma-se numa tarefa extremamente difícil. E o que torna as coisas ainda mais difíceis
é que quando se está de fora, olhando para dentro, a personalidade (simbolizada pelo
ascendente) se toma defensiva, mas não seletiva. A capacidade de discriminar
seletivamente o que é absorvido só pode ser controlada quando a identidade da pessoa
está ligada ao seu ser interior. Quando não existe seletividade, a tentativa de obter uma
percepção intuitiva pode, na realidade, permitir a entrada de uma quantidade muito maior
19
de informação do que é de fato necessária. Como resultado, o ser interior toma-se confuso
e pode se dispersar a ponto de acabar realmente esquecendo a razão de sua busca original
Entretanto, existe outro processo, muito mais desejável que a percepção intuitiva.
Nesse processo, que podemos chamar de "viver no seu íntimo", a identidade permanece
dentro do filtro do ascendente. A personalidade se liga ao ser interior, que por sua vez está
ligado à alma. Nesse caso, a pessoa pode ser ela mesma, em vez de tentar ver-se através
dos olhos dos outros. Pode ouvir conselhos e assimilar ideias do karma impessoal no
mundo exterior, mas tem facilidade em saber a diferença entre o que lhe parece verdadeiro
e o que simplesmente vai levá-lo à confusão. A pessoa não precisa gastar anos se
observando para poder ser. Podemos tentar nos conhecer durante vidas inteiras, num
sentido bastante literal, sem jamais entrar realmente em contato com o nosso ser interior.
Podemos descobrir todas as perguntas, mas nunca a solução. De fato, uma vez que o
indivíduo saia de si mesmo para se identificar com o karma impessoal, muitas vezes ele
sente muito medo de voltar para dentro, porque não sabe o que levará consigo. Quando
ele aprende a dar valor à interiorização e cria um lar dentro de si mesmo, a percepção
instintiva se transforma numa experiência natural e espontânea. Como a alma estimula o
potencial do ser interior a expressar-se através da personalidade, a pessoa logo descobrirá
que qualquer pergunta feita pela personalidade pode ser respondida pela alma, a primeira
a incitá-la a fazer perguntas.

O ASCENDENTE E OS NODOS

Quando o indivíduo está ligado ao eu através desse processo de interiorização, seu


crescimento é simplesmente natural. Entretanto, se a pessoa está de fora olhando para
dentro, o processo da evolução individual é refreado, pois o fluxo kármico corre na direção
errada. Mencionamos anteriormente algumas das influências negativas que resultam da
identificação com as circunstâncias externas. A mais importante delas é o que acontece
quando uma quantidade muito grande de karma impessoal infiltra-se através do
ascendente, que é incapaz de discriminar seletivamente o que deve entrar. Quando o ser
interior absorve demais, é preciso haver alguma descarga, em algum lugar, pois a pessoa só
consegue lidar com uma quantidade limitada de informações novas. O excesso precisa ser
descartado ou liberado de alguma forma através de uma parte do mapa que não impeça o
indivíduo de continuar funcionando. O Nodo Sul é a área natural de despejo dessa entrada
excessiva de informações. Como a consciência impessoal está sempre estimulando a ideia
do progresso e do avanço no indivíduo que se identifica com ela, a informação e a entrada
excessiva de informações filtradas através do Nodo Sul do mapa movimentam-se no
sentido do passado. Como há muita coisa se movimentando nessa direção, a pessoa é
magneticamente desviada de seu propósito atual, seja ele qual for. Dessa forma, tenta
absorver mais informação, ligar-se novamente ao presente, mas, quanto mais consome,
maior o fluxo em direção ao Nodo Sul. Como resultado, cria um ciclo vicioso que continua
20
remagnetizando o passado que ela está tentando superar.
Nesse caso, a pessoa descobre que a consciência do presente, absorvida do ambiente
externo, continua recarregando o passado, do qual ela está tentando se livrar. Como
resultado, são reestimulados padrões de hábitos indesejáveis. As lembranças conscientes e
inconscientes da infância (e até de outras vidas) podem ser acionadas por tudo o que a
pessoa acredita que vá ajudá-la a seguir em frente. Quanto mais absorve da consciência
impessoal, mais precisa voltar-se para o passado na tentativa de entender o arrasador
influxo que subjuga o presente. Se a pessoa tenta seguir em frente, absorve mais. Tentando
encontrar sua identidade, a pessoa está, na realidade, pedindo à alma que repita lições
passadas, porque a personalidade está subjugada pelo presente. Vivendo a vida dessa
forma, é possível que a pessoa gaste muitos anos tentando aprender lições obscuras que
talvez nunca a levem a seu pleno florescimento.
Por outro lado, a pessoa que tem dentro de si o seu ponto de consciência é capaz de
selecionar o fluxo de entrada e saída pelo ascendente, evitando absorver estímulos em
demasia do ambiente externo. O Nodo Sul pode, então, operar como uma válvula de
segurança, liberando o excesso já usado, enquanto o Nodo Norte pode potencializar o
mapa.
Quando pensamos no fluxo da vida, podemos considerar o símbolo da água - que
sempre flui dos lugares mais altos para os mais baixos. Nessa condição natural, o Nodo
Norte favorável verte o significado de suas lições para o potencial do mapa (e para a
personalidade) que, assim, pode operar com pleno significado. Torna-se mais fácil lidar com
o karma, porque o indivíduo não está forçando uma luta contra si mesmo. Quando o
indivíduo se identifica com o ambiente externo, pode haver tamanha luta em seu íntimo
que ele passa a provocar um curto-circuito no seu fluxo, fixando-se em pontos traumáticos
do karma passado. Dessa forma, ele age e reage como sempre fez (a despeito das maneiras
em que seu ascendente é estimulado), devido ao karma impessoal passado com o qual ele
já lidou. Não importa o modo como lidou com traumas passados; sua expectativa é a de
que todas as experiências presentes e futuras se curvem diante de seus métodos: ele criou
imagens mentais e emocionais acerca do mundo e do seu efetivo relacionamento com ele.
Na verdade, ele demonstra ter pouco contato com a realidade. Porém, como está de fora
olhando para dentro de si, justifica-se a identidade entre sua pessoa e o real: ele é, de fato,
a única pessoa que existe no real.
E muito mais fácil ser levado por um barco do que pilotá-lo. Não é preciso bússola nem
conhecimento de navegação para flutuar com a corrente sempre em mutação. Se alguém já
adquiriu a capacidade de flutuar dessa forma no passado, a tendência a repetir essa
maneira de lidar com a vida é muito forte. Quando isso ocorre, a personalidade está
tentando reger a alma. O que toma tão desassossegado esse estilo de vida é que a
personalidade fica perdida no karma impessoal do ambiente exterior. A alma perde o seu
caminho. É importante lembrar que, se uma pessoa quer crescer, desenvolver-se e evoluir,
é preciso que a alma conduza a personalidade, e não o inverso.
Tradicionalmente, entende-se que cada ascendente tem qualidades construtivas e
destrutivas. O que sempre foi difícil de compreender é a razão pela qual algumas pessoas
usam seu ascendente de modo construtivo, enquanto outras usam o mesmo ascendente de
21
forma não produtiva. Podemos entender isso percebendo que a personalidade sempre
operará de forma construtiva quando é controlada pela alma que a dirige. A personalidade
muitas vezes opera negativamente quando sente que está sendo controlada por um
ambiente externo que não lhe oferece nem proteção nem orientação.

NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA
Essencialmente, há três níveis básicos de consciência. Pode haver experiências e
pontos de vista multifacetados, e existem centenas ou milhares de outros níveis de
consciência dentro dos parâmetros desses três níveis.
Em primeiro lugar, existe a "consciência instintiva". Nesse nível, as experiências de vida
não se baseiam no pensamento, mas nos impulsos instintivos do ser, voltado para a
sobrevivência. Um animal evita instintivamente ir de encontro a uma árvore porque isso
está na sua natureza. Ele não pensa nisso antecipadamente, nem se regozija depois por ter
aplicado com sucesso o seu instinto de sobrevivência. Muitas das coisas que nós, como
seres humanos, fazemos, também se baseiam no instinto. Muitos de nossos movimentos
corporais e alguns modos inexplicáveis de conduta baseiam-se unicamente na consciência
instintiva. Depender completamente dela, entretanto, reduziria a capacidade humana de
pensar ao nível da consciência animal. A humanidade tem a oportunidade de experimentar
outros níveis de consciência que nos permitem transcender o nível puramente instintivo.
O segundo nível de consciência é a "consciência do eu". Nesse nível, o indivíduo
percebe o mundo e todas as suas experiências em termos de uma realidade subjetiva
pessoal. A pessoa vê o eu como uma entidade separada e distinta, contida dentro dos
limites de pensamentos, ideias e lembranças íntimas, com as quais ela se identifica. Nessa
consciência, procuramos encontrar o eu inferior. Vemos a identidade dos outros como
formas singularmente diferentes de expressão, as quais podemos imitar ou com as quais
podemos competir. Encaramos a vida como uma infindável sucessão de desafios, de
vitórias ou de derrotas; em meio a tudo isso é preciso, de alguma forma, conservar e
intensificar pessoalmente tudo o que significamos para nós mesmos. Somos
particularmente reativos às opiniões e atitudes daqueles com quem entramos em contato.
E, como a consciência está voltada para o eu, podemos ter atitudes e pontos de vista
particularmente possessivos e defensivos. Nesse nível de consciência, fica difícil as pessoas
se enxergarem, porque, quando tentamos momentaneamente afastar-nos um passo da
identidade pessoal perdemo-nos nas identidades pessoais dos outros. Como vemos as
coisas através da consciência do eu, o "eu" é o nosso limite de percepção em tudo o que
contemplamos.
O terceiro nível de consciência é a "superconsciência". Nesse nível, somos capazes de
ficar acima das exigências do eu pessoal. A identidade advém da alma e de seu
relacionamento (não só com outras almas, mas também com a alma que tudo rege).
Podemos contemplar o relacionamento com o karma impessoal de um ponto de vista que
está acima da personalidade íntima. Quando usamos a expressão "dar um passo fora de si
mesmo" para observar as coisas de um ponto de vista mais privilegiado, estamos nos
22
referindo na realidade à capacidade de abandonar o controle pessoal sobre a consciência
do eu. As pessoas podem perceber o eu inferior através do eu superior. Podem entender as
razões insignificantes que atuam nos níveis inferiores do eu, sem se envolverem
intimamente com situações capazes de desviá-las de sua verdadeira natureza divina.
A superconsciência implica numa compreensão de que o eu, por um lado, pode ser
claramente diferenciado de todas as outras entidades do universo; e, por outro, de uma
maneira muito especial, pode ser a mesma coisa. Nesse nível, a pessoa não deixa de lado o
ser ou o propósito pessoal em benefício dos outros, nem tenta ver a si mesma pelos olhos
dos outros. Fica fácil entender que a vida se assemelha a uma escada evolutiva. O degrau
onde está outra pessoa pode ser um nível diferente de consciência. Fica fácil permitir que
os outros se desenvolvam em seu próprio ritmo. Não é necessário ter inveja das pessoas
cuja consciência está acima da sua.
A capacidade de permanecer dentro do próprio ascendente não significa fechar-se
completamente, bloquear-se, nem trancar a identidade pessoal na separação da
consciência pessoal e íntima do eu. Implica, pelo contrário, a compreensão de que toda e
qualquer pessoa tem acesso virtual a tudo o que pode ser alcançado na vida.
Diz o Tao Te Ching: "O bom andarilho não deixa rastros." A pessoa pode vivenciar o
mundo sem tentar encontrar-se nele. Ela é, por meio das energias contidas no seu mapa,
um ser completo. No estado de superconsciência, os instintos funcionam naturalmente e o
eu é tão consciente quanto o permite ser em sua origem egocêntrica. A parte
superconsciente de qualquer pessoa é capaz de perceber o eu (e a consciência instintiva)
via um senso de propósitos mais elevado e mais significativo. Por esse intermédio, o
indivíduo sabe que a qualidade de tudo quanto busca está lentamente se desenvolvendo
dentro dele. O ambiente exterior pode espelhar o que está emanando dele, e pode
oferecer-lhe oportunidades de revelar suas capacidades, seu potencial interior. Mas o
ambiente exterior não pode proporcionar ao indivíduo o senso do eu que ele já tem.
Tentando-o, agita-o em todas as direções, e muitas vezes o leva a dispersar e a dissipar sua
própria plenitude. O próprio Jesus disse que "estou neste mundo, mas não sou deste
mundo". Essas palavras cuidadosamente escolhidas nos mostram que podemos fazer uma
distinção entre operar através do karma impessoal e participar da experiência do mundo -
mas não corno os orgulhosos galhos de árvores que crescem impessoalmente em jardins
alheios. A superconsciência tem implícita a dignidade da qualidade inerente da nossa alma,
e embora poucas pessoas tenham realmente atingido esse nível de consciência, a
oportunidade de chegar a ele está aberta a todos.
Cada um de nós tem um talento ou uma capacidade especial. Todos temos uma
bênção inerente, que é a dádiva de Deus à humanidade. Nesse sentido, não somos
diferentes de ninguém. Se procurássemos receber apenas as bênçãos dos outros,
tenderíamos a perder contato com aquilo que verdadeiramente nos está destinado.
A semente cresce porque esta é a vontade de Deus. A pessoa cresce mesmo que deseje
apenas imitar os outros. Se se mantiver dentro da porta de entrada do seu ascendente, sua
evolução será o produto de sua própria semente; o resultado final será a pura linhagem de
sua própria consciência, e não uma planta híbrida sem identidade própria.
A consciência egóica tem uma tendência tão forte a se comparar competitivamente
23
com a dos outros, que só é capaz de perceber claramente o que já passou. Quando se
examina um mapa como se não fosse nosso, às vezes fica fácil entender como as energias
do mapa foram usadas. Esse tipo de compreensão, entretanto, é um reflexo, não uma visão
verdadeira. Quando uma pessoa opera a partir do interior do eu, vislumbres do estado de
superconsciência tomam o lugar da consciência do eu e o indivíduo toma-se capaz de
comandar, de controlar e ensinar sua própria personalidade, em vez de tornar-se vítima
dela. Quando esse resultado é atingido, todo o ser da pessoa começa a se sintonizar outra
vez, de modo a operar através das vibrações superiores que criam uma experiência de vida
mais agradável.

Capítulo 2

OS ASCENDENTES DO ZODÍACO

ASCENDENTE ÁRIES

O Ascendente Áries representa um ponto de consciencia excepcional. Ele lhe dá a


oportunidade de focalizar o potencial do mapa através de uma identidade exclusiva. Diante
de sua firmeza mental, as opiniões e atitudes dos outros passam facilmente para um plano
secundário.
Se este é o seu ascendente e você se identifica com o karma impessoal, é mais do que
natural que o impulso do ascendente Áries opere em sentido contrário. Pode ser que você
tente impressionar a si mesmo em vez de expressar tudo que pode emanar da alma. Talvez
sinta muita frustração por não poder manter-se no nível de um mundo que,
sistematicamente, faz com que você se sinta inadequado. Assim, você adquire um forte
senso competitivo. Sejam quais forem suas realizações, elas nunca o satisfazem de fato,
porque as verdadeiras necessidades do seu ser interior não estão se manifestando.
A vontade de ser o primeiro jamais encontra descanso num mundo que está sempre
oferecendo novos pontos de partida. A sensação de fracasso por perder milhares de
oportunidades existentes no ambiente externo pode facilmente tornar-se esmagadora. É
possível que você se esforce por alcançar a paz de espírito sem entretanto consegui-Ia.
Você procura avançar rapidamente, esperando alcançar alguma meta que o coloque num
patamar onde possa descansar. Quanto mais tenta, mais você aumenta o poder da
consciência impessoal que toma, equivocadamente, por sua. Em consequência, você - se
sente como se estivesse competindo com todo o mundo, sem jamais perceber realmente
que está competindo com a sua própria identidade dissipada. A partir desse referencial, é
muito fácil entediar-se, e você precisará mudar a fonte de estímulo externo o tempo todo.
24
Você não consegue terminar tudo o que começa porque a energia do seu mapa pode não
ser capaz de lidar com a infinidade de oportunidades que alimentam a sua identidade
impessoal. Esse ascendente tem uma dificuldade especial quando se identifica apenas com
o karma externo, porque Áries tem uma qualidade muito pessoal. Sobrevém uma
frustração muito grande quando você não é capaz de personalizar tudo aquilo com que se
identifica. De fato, é possível que você empreenda grandes conquistas, mas sinta que
nunca sequer começou a conquistar coisa alguma. Os filtros de personalidade desse
ascendente estão sob a regência de Marte. A velocidade de pensamento, sentimento e
atividade são imperativos para expressar o restante do mapa. Quando você se identifica
com o karma impessoal, sente necessidade de conseguir certas coisas antes que outros o
façam; precisa agarrar as oportunidades antes que elas escapem. Sua personalidade pode
adquirir uma característica de egoísmo que tende a perpetuar uma falsa noção do eu.
Talvez seu potencial demore muitos anos para revelar-se. Uma flor pode morrer se a
forçarmos a abrir antes de estar pronta para florescer; uma criança não é capaz de
entender o trabalho de um adulto. Se a personalidade, equivocadamente, identifica-se com
o karma exterior, ela impinge objetos, pessoas e experiências ao ser interior com tanta
rapidez que você fica completamente fora de sintonia consigo mesmo. E possível que você
tente usar os recursos do ser interior antes que eles estejam maduros. Suas experiências de
vida podem deixar algo a desejar. Você pode começar um projeto atrás do outro, sem
nunca dar-se por satisfeito.
Como Áries é veloz, a identificação com o ambiente externo é capaz de trazer muitas
coisas para dentro de você com bastante rapidez, sem que você perceba. Os filtros de
personalidade desse ascendente masculino estão em geral acostumados a exercer um
impulso para fora. Quando você tenta impressionar-se pela absorção de coisas externas, na
realidade faz com que se trave uma guerra sob a porta do seu ascendente, o que cria um
estilo de vida pouco satisfatório. Você pode assumir uma atitude beligerante por qualquer
provocação, pois está sempre armado para guerrear consigo mesmo. Nas conversas com os
outros, pode tentar ser abrupto, ou ir direto ao essencial muito depressa ou de forma
muito incisiva. Usando os outros como seu centro, você terá dificuldade em sentir-se
satisfeito.
E possível que você ofenda facilmente a sensibilidade das pessoas de cujo amor
precisa, sem ao menos notar, pois o seu instinto básico é lançar-se aos desafios. Você se
empenha em demasia, em vez de permitir-se entrar suavemente no espaço psíquico dos
outros, pois seu desejo é liderar. Reluta em aceitar conselhos. Sentimentos de inveja,
cobiça ou ciúme podem facilmente fazer com que você viva fora de si mesmo. Quando isso
ocorre, as qualidades primitivas de Áries começam a assumir o controle do Nodo Sul. Como
consequência, você instintivamente salta antes de olhar, reenergizando lições do passado
que talvez já tenha dominado. Você rejuvenesce, mas também pode ficar mais
irresponsável e infantil à medida que os anos passam. O potencial do mapa natal passa a
ser usado para recomeçar as mesmas coisas uma vez atrás da outra. Talvez você tenha uma
sensação aparente de crescimento, começo e iniciativa, quando de fato está usando a
personalidade para empurrar o potencial do ser interior de volta ao passado.
O estilo de vida torna-se mais significativo quando você usa o espírito de Áries como
25
um filtro pelo qual o Nodo Norte pode dirigir o restante do mapa. Dessa forma, você fica
dentro das portas do ascendente, e é capaz de focalizar o mapa inteiro através de um único
referencial. Em vez de competir com o mundo, você tenta superar-se cada vez mais. Se o
seu olho é maior que o estômago, é somente porque a energia de Áries no karma
impessoal sempre supera a energia de Áries no mapa natal. Você percebe os desafios no
ambiente externo, mas só aceita aqueles que estão no seu interior. Em vez de lutar consigo
mesmo, você continua tomando novas iniciativas ao usar o seu potencial. Pode ser que
você esteja anos à frente do seu tempo, mas, se permanecer dentro da porta de entrada do
ascendente, isso não o incomodará. Somente no caso de você se comparar com os outros é
que poderá sentir a solidão de estar num ponto de consciência que ninguém mais ainda
atingiu.
A unificação do seu ser é o que o mantém ligado à sua fonte. Quando a sua
personalidade conseguir identificar-se com essa ideia, todo o mapa funcionará voltado para
um propósito único. Naturalmente, o propósito pode mudar à medida que algumas das
lições do Nodo são aprendidas e substituídas por outras. As experiências que estão em
desarmonia com a alma não são capazes de fragmentá-lo. A lição que o ascendente Áries
acaba por entender é que o que importa não é O que os outros pensam de você, e sim a
essência total do que você pensa de si mesmo. Mais importante ainda é a capacidade de
ser você mesmo, em vez de pensar no que poderia ser. Você pode tomar iniciativas na vida
durante muitos anos, sem realmente dar um início verdadeiro ao seu eu.
O Nodo Norte traz em si a qualidade do signo de Virgem, na sua busca da perfeição
humana. Não importa o signo ocupado pelo Nodo Norte(2) - é sempre a luta idealista em
direção à divindade superior desse signo que perpetua o otimismo da alma em relação ao
futuro. Quando a esperança de uma existência mais enriquecedora para a alma dirige o
mapa através de um ascendente Áries, ela tenta descobrir a auto-estima. Não é importante
superar as expectativas dos outros, a menos que o impulso nesse sentido venha do seu
posicionamento particular do Nodo Norte. É mais importante considerar seu próprio
potencial e saber, decididamente, como usá-lo. Pode ser que você tenha espírito de
pioneiro, mas não por vontade de impressionar os outros. O seu estranho senso de auto-
expressão emana da capacidade de apartar-se da dualidade para conectar-se com o ponto
essencial de consciência que simboliza a verdadeira identidade.
A lição espiritual desse ascendente é nunca comparar-se com as expectativas dos
outros. Seja capaz de estabelecer e controlar um ponto em si mesmo. Depois disso,
quaisquer sentimentos, pensamentos ou atos negativos que possa viver só podem ocorrer
se empregar mal a energia do seu ascendente. O verdadeiro desafio é permanecer dentro
desse ponto do eu, e confiar nele. Mesmo que você possa sentir-se à frente de si mesmo, é
preciso confiar que o Nodo Norte, e o restante do potencial que emana do seu ser interior,
estão lhe dando uma firme retaguarda, protegendo-o do fracasso ou proporcionando apoio
e orientação. E preciso não olhar para trás, caso contrário duvidará da firmeza de seu
alicerce. O ascendente Áries pode ser um poderoso ponto focal para tudo o que vem de
dentro e busca expressão exterior. O poder só tem força quando bem usado. A força só é
eficaz quando direcionada com significado. Se conseguir aprender a valorizar a modéstia,
não criará situações adversas que coloquem os outros entre você e seu ser interior. Você
26
pode regular a corrente do seu ascendente conforme o grau de necessidade de informação
advinda do ambiente externo, e pode usá-lo para cumprir o potencial do seu mapa.
Quando o espírito da personalidade Áries presta contas de si mesmo perante a alma,
torna-se fácil ver como, no seu caso, evitar as contradições internas é uma condição de
crescimento. Os filtros de personalidade desse ascendente são tais que você não precisa
prestar contas a ninguém mais pelo que pensa ou faz; entretanto, ao prestar contas a si
mesmo, terá de ser direto, autêntico e sincero. Somente assim a sua identidade é capaz de
se manter no contato com o ego impessoal do mundo externo.

2. Para as descrições de todos os posicionamentos do Nodo Norte, ver Karmic Astrology,


Volume 1: The Moon 's Nodes and Reincarnation, de Martin Schulman (York Beach,
ME:Samuel WeiseI, 1975).

O ASCENDENTE TOURO

O ascendente Touro tem a possibilidade inata de adquirir muita riqueza. Seu sentido
natural de cordialidade e afeto cria um fluxo suave entre o ser interior e o ambiente
externo. Você consegue ser firme e seguro sem ser frio, e sua grande afinidade com a
natureza coloca-o em sintonia com a harmonia natural.
Se você enraizar sua identidade no karma impessoal, tentando igualar-se aos outros,
pode facilmente deixar-se limitar por motivações mesquinhas. Pode tornar-se
obsessivamente preocupado com dinheiro, a ponto de acreditar que ele é a medida do seu
valor pessoal. Tende a comparar-se financeiramente com a esmagadora riqueza impessoal
do mundo. Talvez se considere inadequado. Esse ascendente pode demonstrar cobiça sem
ao menos perceber, pois quando o ascendente Touro se identifica com um mundo que é
grande demais para ele, você acaba por ver-se num patamar inferior. O apego às posses,
visando à sensação de segurança, pode ser obsessivo. Você sente a mudança no mundo e
tenta manter-se firme no lugar por meio de objetos e circunstâncias que representem a
estabilidade. Quanto mais procura imobilidade no mundo, mais sua paz interior passa a
depender de fatores externos. Você pode tornar-se extremamente sensível ao ambiente,
pois sua personalidade se identifica com tudo o que gera harmonia ou tumulto.
Como Touro é regido por Vênus, você é capaz de absorver muita coisa do ambiente.
Pode trazer para dentro de si, de forma mais ou menos permanente, as qualidades
duradouras do karma impessoal. Você tende a reter o que é assimilado, seja ou não
realmente útil. Então, sente dificuldade em desvencilhar-se de experiências passadas das
quais, com o passar do tempo, preferiria ter-se livrado.
Quando a energia de Touro se enraíza em influências externas, é possível que, devido à
sua natureza basicamente benévola, você inadvertidamente absorva os problemas dos
outros. Acreditando que o que possui é seu, na verdade acaba possuindo "parte" das

27
necessidades dos outros que, posteriormente, passa a achar que são suas. Infelizmente,
você é sensível demais aos elementos do karma com poder de permanência. Assim, tudo
aquilo em que se enreda pode, de fato, vir a escravizá-lo. Você acaba sendo possuído pela
necessidade de possuir objetos e pessoas. E como a sua natureza gentil e suave não gosta
de perturbar o mundo exterior (que interiorizou), é possível que encontre extrema
dificuldade para se recuperar, devido ao peso das cargas que se transformaram na sua
identidade.
A procura do prazer através da beleza, da musica, do dinheiro ou do sexo pode
efetivamente dominar o seu estilo de vida. Por meio dessas vias, você tenta reassegurar-se
do valor que tem. Pode até imaginar que possui os bens dos outros, porque,
inconscientemente, é possível que absorva a essência das realizações alheias,
convencendo-se de que são suas. Quando faz isso, entretanto, pode descuidar da
preservação dos seus próprios recursos. O que inicialmente era busca de segurança pode
acabar se transformando em fixação inconsciente na segurança dos outros, e, por fim, em
timidez, reserva e sensação de falta de valor num mundo que tem mais do que você jamais
poderia esperar conseguir.
Existe uma diferença entre ver o mundo e tentar ser o mundo. Quando você sente que
muitas coisas do mundo estão acontecendo dentro de você, não vê necessidade de mudar
um estilo de vida basicamente ineficaz. O que começa como inveja acaba se transformando
em falso senso de segurança, â medida que divide sua lealdade entre o eu impessoal, que
você acredita ser, e o eu pessoal, que está buscando a plenitude. O perigo de identificar-se
com a essência do outro, ou de alimentar-se da identidade do outro, pode passar a ser
muito real quando se tateia à procura de "arrimos" num mundo que muda depressa demais
para ser compreendido. É curioso que, com todo o esforço aí implícito, você pode deixar de
usar seus próprios recursos potenciais. Assim, se realizar alguma coisa, a realização não é
verdadeiramente sua: é algo que tomou ou emprestou do karma impessoal. Portanto,
talvez você sinta uma sensação de futilidade exatamente na área do objetivo de sua busca:
a posse de si mesmo.
Uma das maiores dificuldades kármicas desse ascendente ocorre quando você se
identifica com a consciência impessoal, pois tende a ver os outros não como são, e sim
como partes coesas do eu que acredita ser. Como você sabe inconscientemente que as
ideias sobre dinheiro, ciúme e insegurança vêm da consciência impessoal do mundo, pode
acreditar realmente que todas as outras pessoas pensam da mesma forma. Assim, traz os
outros para dentro de si, para confirmar suas convicções. Quanto mais faz isso, mais
encontra resistência por parte deles. Na visão deles, você é teimoso, rígido, ou alguém que
se recusa obstinadamente a perceber a diferença entre a sua compreensão pessoal do
mundo e a perspectiva alheia. Quando isso ocorre, você tem a sensação de ser rejeitado e
tende a voltar-se para dentro, apenas para constatar que não sabe usar a si mesmo, pois
está acostumado demais a identificar seus recursos e seu senso de plenitude com o
ambiente externo.
Quando permanece dentro da porta desse ascendente, entretanto, você descobre uma
perspectiva muito diferente na vida. Em vez de identificar-se com a substância impessoal
(que pode mudar em ocasiões que escapam totalmente ao seu controle), sua identidade
28
está ligada ao seu potencial de expressão. À medida que as energias do mapa se filtram
através do ascendente regido por Vênus, elas se fundem harmoniosamente com a sensação
de utilidade. Você vê o potencial do ambiente, porém seus pensamentos, atos e
sentimentos emanam do que percebe que de fato pode fazer. A sensação de segurança que
esse ascendente busca será atingida pelo lento aprendizado do emprego dos talentos e
capacidades inerentes ao horóscopo em coisas úteis. Dessa maneira, o mundo pode mudar,
porque você continua sentindo estabilidade dentro do eu. Você aprende a importância de
amar o eu em meio a situações e circunstâncias que impessoalmente podem ou não exalar
o amor que você tem. Os sentimentos vêm da alma; sua grande capacidade de sentir
culmina num estilo de vida de suave plenitude. Você pode fazer aquisições ou colecionar
objetos, e pode acumular muitas posses. Porém, nesse caso, o que o incita a adquirir posses
é uma grande apreciação da beleza, e não as posses em si mesmas para impressionar os
outros. Seja qual for o sentimento do ser interior (quando vem através do ascendente), ele
se torna efetivamente concreto através do amor prático e gentil que faz parte da natureza
do ascendente Touro. Você sabe fazer as coisas, e sabe fazê-las funcionar. Esse ascendente
também consegue desfrutar e apreciar a música sem precisar entendê-la do ponto de vista
técnico. Acima de tudo, a maneira de ver a realidade resulta num dos melhores filtros de
personalidade de todo o zodíaco, com excepcional capacidade de deixar de fora todo o
karma impessoal sem utilidade para a expressão do potencial interno. Você pode até
esquecer as interferências impessoais que poderiam, do contrário, desviá-lo de seus
propósitos. Você tem o dom da continuidade, e, depois de entrar em qualquer caminho,
consegue trilhá-lo calmamente até o fim. O ambiente externo pode apresentar distrações,
mas você é capaz de ignorá-las se, em última análise, não tiverem nenhum valor. Dessa
maneira, o ascendente Touro consegue perceber seu lugar no mundo na medida em que
você é útil, e você acaba descobrindo que quanto mais faz, mais tem capacidade de fazer.
Em vez de procurar "arrimos" na vida para escorar a sua segurança, você sente a sólida
terra e traz dentro de si o conhecimento do que fazer com ela. Talvez você nem sempre
verbalize tudo o que sabe, mas sua personalidade flui naturalmente. Os ascendentes Touro
são extremamente sensíveis às condições climáticas e podem sentir, de maneira
clarividente, como as vibrações de qualquer dia determinado podem dificultar ou facilitar a
realização do que já foi planejado.
O ascendente Touro tem o sentido da permanência, que vem da capacidade de planear
e seguir o plano até sua conclusão bem-sucedida. Se você fosse se identificar com algo
externo, encontraria interferência demais para que os planos pudessem concretizar-se de
fato. E somente quando permanece do lado de dentro que consegue deslizar seletivamente
pelas circunstâncias mutáveis do karma impessoal e ao mesmo tempo conservar o seu
propósito original.
Esse ascendente tem uma generosidade inata. O potencial do ser interior é usado pelo
ascendente Touro para tornar possível a doação. A sua personalidade deseja dar e sente-se
mais à vontade consigo mesma quando consegue agradar os outros, dando-lhes o que eles
valorizam. E, como Touro é O signo dos valores, você tem capacidade instintiva de conhecer
as necessidades das pessoas que ama. Dessa forma, a aquisição de dinheiro, riqueza e
plenitude destina-se a colocar mais beleza e amor no mundo. Você sabe como expressar de
29
forma coesa essas energias, construindo a si mesmo e a suas obras, e representa uma
dádiva de valor significativo às pessoas cuja vida você toca.
Unicamente através da ação com amor e da dádiva com sentimento, a personalidade
do ascendente Touro será autêntica.

O ASCENDENTE GÊMEOS

O ascendente Gêmeos se alicerça na instrução e na compreensão. Você tem uma


percepção aguda e a capacidade de expressar de forma eloquente tudo o que lhe vai pelo
íntimo. E capaz de entender, a natureza da dualidade, e mesmo que às vezes possa parecer
hipócrita, é a sua capacidade inata de entender ideias conflitantes que o torna popular.
Quando você vive do lado de fora e se identifica com o karma impessoal, cai na
armadilha da curiosidade. Como precisa conhecer tudo aquilo com que se identifica, logo
aprende a copiar os maneirismos, os atos e as ideias dos outros. Ao fazer isso, absorve
grande quantidade de informação: muito mais, na verdade, do que o seu ser interior é
capaz de manejar. Como resultado, você muda rapidamente de uma "personalidade" a
outra, evitando confrontar seu ser interior. Infelizmente, isso leva a um estilo de vida
baseado na comparação. Você pode logo ficar descontente com o que a sua vida
representa, pois vive, cobiçosamente e por delegação, muitas ideias dos outros. Sem
contato com seu próprio centro, muitas vezes você fala de coisas sobre as quais não tem
conhecimento real. Isso resulta em desafios verbais competitivos com os outros, que só
tendem a deixar você frustrado e disperso.
Embora a sua agilidade mental seja admirável, ela pode, frequentemente, não ter
propósito. E como não está operando a partir do seu centro, pode passar a depender dos
outros para dar foco ao potencial do seu ser interior. Este é o único ascendente que, com
tanta facilidade de perder-se nos outros, pode vir a enxergar-se apenas de maneira
superficial. Talvez a coisa menos confiável no karma impessoal seja o caleidoscópio -
mutável de ideias que existem a cada dia. Se você se identifica momentaneamente com
essas ideias mutáveis, perde a capacidade de enfocar de modo centralizado a realidade
para dar expressão a seu ser interior. Você pode ter muitos amigos e ser extremamente
popular devido às milhares de ideias que o interessam, mas mesmo assim pode levar uma
vida que, em última análise, não tem propósito.
Uma das maiores dificuldades que podem sobrevir a esse ascendente ocorre quando
você se identifica com o karma impessoal no ambiente externo e começa
subconscientemente a temer os efeitos das palavras sobre o seu ser interior. Você é
particularmente sensível à linguagem, às palavras e à forma como é percebido pelos outros.
Entretanto, graças ao seu desembaraço verbal, muitas vezes você esconde essa
sensibilidade, ou se esconde de si mesmo. É aqui que a dualidade de Gêmeos lhe apresenta
o maior desafio. Você quer que suas palavras tenham sentido para os outros, mas pode na
verdade ter medo da profundidade com que pode ser afetado pelas palavras dos outros.
Uma das experiências mais comuns com esse ascendente é que, mesmo participando

30
de milhares de atividades, você pode ter a sensação de que não está fazendo o que
deveria. Isso vem da identificação externa que, por ser impessoal, não pode realmente
dirigir a sua vida pessoal. Quanto mais você procura entender ideias, mais desassossegado
e mutável você se torna (em sintonia com as ideias mutáveis da consciência que podem tão
facilmente fragmentar o seu senso de propósito).
Ter interesse em tudo talvez não seja melhor do que não ter interesse em nada. Talvez
se orgulhe de ser a única pessoa, dentre as que você conhece, a saber o que é widget.
Entretanto, a identificação externa falha na hora de ajudá-lo a perceber que há coisas
melhores a fazer com sua capacidade de compreensão. A atração por palavras cruzadas,
jogos verbais, enigmas e as milhares de questões que a vida nos apresenta a cada minuto
podem levar a mente ao último estágio da análise. Durante todo esse tempo, o ser interior
fica inoperante, incapaz de reagir, porque você está ocupado demais com a identificação
fora do ascendente.
Quando a identidade está alicerçada dentro das portas do ascendente Gêmeos,
entretanto, você tem uma perspectiva completamente diferente da vida. Todos os
diferentes potenciais do mapa entram em foco por causa da capacidade de perceber suas
relações mútuas. Você sente que possui um grande manancial de recursos, e é capaz de
ativar ideias através de uma eloquente corrente mental que constantemente extravasa do
seu ser. Em vez de manifestar ideias e atitudes inspiradas nos outros, você sabe como
ordenar seus pensamentos para que eles expressem da melhor forma o que está sentindo.
Seu senso instintivo de curiosidade baseia-se no interesse, não na competição nem na
comparação. Como resultado, você é capaz de aprender muito com as ideias existentes no
karma impessoal, mas elas nunca o desviam das suas próprias ideias. Você é capaz de
entender os conceitos do mundo, que são esboços esquemáticos ou partes do todo
integrado que vêm do seu potencial íntimo. Você é um comunicador nato, e se ficar dentro
das portas do ascendente pode exercer um controle fácil sobre as ideias que transmite e
sobre os meios que usa para expressá-las. Você será um poeta, um escritor ou um
professor, pois as suas palavras (que não vêm de fragmentos desconjuntados do karma
impessoal) estão sendo estimuladas pelo ser interior, que é dirigido pela alma. Você tem
aptidão natural para usar todos os tipos de meios de comunicação na transmissão de
ideias. Seu verdadeiro talento, entretanto, está na capacidade de educar, de aprender e de
adquirir uma compreensão sempre maior de si mesmo.
Esse é um dos mais complexos ascendentes do zodíaco, pois Gêmeos é simbolizado
pelos gêmeos lendários, Castor e Pólux. Como um dos gêmeos é mortal e o outro imortal,
você sente a dualidade dessas duas perspectivas diferentes. O gêmeo mortal sabe que
acabará morrendo e, portanto, está sempre fugindo de tudo o que simboliza finalização. O
gêmeo imortal enxerga além desse fato e entende a vida como um eterno fluxo de ideias.
Esse gêmeo imortal em geral não tem dificuldade em ficar dentro das portas do
ascendente. O gêmeo mortal foge do eu sempre que você sente alguma forma de
conclusão (que o gêmeo mortal, temerosamente, interpreta como morte). Quando isso
ocorre, o gêmeo mortal tenta estabelecer uma identificação temporária com qualquer
outra coisa, para que possa ligar sua mente à ideia de sobrevivência. Você fica
eternamente dividido entre a identificação com o karma impessoal ou a consciência da
31
raça, e o karma pessoal, com o qual precisa lidar por meio do ser interior. Em
consequência, a personalidade tem uma clara sensação de desunião, as ideias passam a ter
dois lados, as questões têm verdades diferentes quando vistas sob prismas diferentes. Até
a noção do eu é uma dualidade. Você é tanto um transmissor quanto um receptor de
ideias. Se conseguir manter os dois gêmeos dentro do ascendente, poderá chegar à
compreensão de si mesmo. Mas se um dos gêmeos, por medo, sair do ascendente, a
identidade externa e a identidade interna sempre serão desarmônicas.
As pessoas que precisam comunicar-se querem ser entendidas pelos outros. Quem tem
ascendente Gêmeos se empenha tanto em chegar até os outros que, inconscientemente,
fica com a consciência da outra pessoa até assimilar as suas ideias, o que provoca mais
cisão. O ego do gêmeo mortal procura um lar aceitável para seus pensamentos na mente
de outros. Quando você percebe isso, é capaz de aprender a controlar o gêmeo mortal por
meio do conhecimento superior do gêmeo imortal. Dessa forma, em vez de sair de si
mesmo (por medo ou vontade de fazer com que os outros entendam melhor o que você
sabe) você pode manter suas duas metades dentro da porta do ascendente, e sentir que
sua mente entra em acordo no conjunto de sua própria expressão criativa. Isto não significa
que a realimentação do mundo externo seja desnecessária, porque é verdade que um
comunicador precisa ter contato com uma variedade de ideias para ser capaz de
acrescentar cor, dimensão e significado a tudo o que está tentando exprimir. Entretanto, a
maneira como você sente as ideias do karma impessoal deve ser impessoal. O ascendente
Gêmeos precisa aprender a usar as ideias oriundas dos outros sem tornar-se um mero
mímico.
Quando as duas metades do ascendente se alinham, forma-se um duplo canal de
entendimento. O gêmeo mortal questiona o que o gêmeo imortal sabe congenitamente. O
gêmeo mortal coleta e recorda informação do ambiente externo, para poder comprovar e
validar tudo o que o gêmeo imortal exprime através da personalidade. Cada vez que uma
ideia emana do ser interior, ela é confirmada por uma ideia parecida ou semelhante cuja
existência o gêmeo mortal já vislumbrou no karma impessoal; em seguida, a metade mortal
do ascendente descarta a ideia, enquanto a metade imortal pode expressar-se tendo como
retaguarda o pleno potencial do mapa do indivíduo. Dessa forma, um fluxo controlado de
informação opera sempre através do ascendente Gêmeos. E, através da confirmação e da
expressão desse processo de pensamento, você é capaz de validar constantemente o seu
relacionamento com o mundo das ideias.
Se você tem Gêmeos em elevação e vive do lado de fora, tende a identificar-se com os
comunicadores e escritores, o que o faz sentir-se mais culto e mais informado. Assim, pode
levar uma vida muito superficial. Pode ficar tão obcecado por detalhes insignificantes que
nunca chega a atingir aquela plenitude de entendimento que é, na verdade, o seu karma.
Quando você vive do lado de dentro, é capaz de ir além da identificação pessoal com as
pessoas que admira, conseguindo captar a essência do período histórico, do lugar na
civilização e da contribuição à cultura feitas por escritores e comunicadores, além de captar
o significado mais profundo do que está realmente sendo dito. Você pode se libertar da
análise dos significados específicos de palavras, frases ou formas de expressão e perceber o
verdadeiro espírito da comunicação, que é a sua contribuição para um mundo civilizado.
32
O ASCENDENTE CÂNCER

O ascendente Câncer traz consigo a capacidade de alimentar e de aquecer, e a essência


do que é sentir que o eu tem um lar. Sob a regência da Lua (diretamente ligada à alma),
esse ascendente muito especial é capaz de expressar o mapa todo no nível da alma. Você
tem muita sensibilidade aos valores de lealdade e devoção, e à qualidade protetora que
sustenta os sentimentos mais valiosos. Para verdadeiramente entender e usar esse
ascendente, é preciso perceber a diferença entre sentimento e emoção. O sentimento
caracteriza-se por uma permanência que se sobrepõe à maré mutável das emoções. A
capacidade de importar-se com coisas, pessoas ou com o mundo em geral é um sentimento
que emana da qualidade da alma. As emoções cotidianas que você sente derivam das
reações mutáveis ao ambiente. O sentimento depende menos do ambiente, e graças à sua
continuidade lhe confere a sensação de uma identidade estabilizada em seu interior. A
emocionalidade desse ascendente só se acentua quando existe identificação com o karma
externo.
O mundo está sempre mudando - seus estados de espíritos são mais variáveis que as
mudanças climáticas. Quem tem Câncer em elevação e procura encontrar-se através dos
outros tende a tomar-se particularmente sensível à absorção de emoções negativas. Seu
instinto natural é aquecer, suavizar, apaziguar e nutrir. Se você, inconscientemente, se
identifica com o karma impessoal, essas qualidades são ativadas sempre que faz o que
acredita ser uma tentativa de sentir-se seguro. Dessa forma, pode ficar mal-humorado e
tentar concentrar-se na lembrança de emoções positivas do passado, com o intuito de
aquietar e atenuar a emoção do presente. Mesmo assim, não percebe que essa emoção,
para início de conversa, nunca foi realmente sua.
O signo de Câncer reúne e retém; isso faz com que você assimile o ambiente quase
como um ímã. A atmosfera adere a você; mas como essas experiências, ou esses
sentimentos, na verdade têm origem em diferentes centros impessoais da consciência
externa, eles não contribuem para aumentar sua segurança. Sua intuição natural pode
beneficiar mais os outros do que você mesmo, caso você passe a solidarizar-se com todas
as queixas passageiras da consciência externa.
Você não pode dar estrutura a todos (na verdade, a ninguém) enquanto não encontrar
um lar dentro do eu. A identificação com as influências externas faz com que se apegue à
momentânea aparência de segurança dos outros. Você se desilude, se decepciona e se
desencanta inúmeras vezes, à medida que o mundo mutável cria e recria impessoalmente
seu karma.
Esse ascendente tem o dom da intimidade e da personalização; para você, é difícil ficar
indiferente a qualquer indivíduo. Em consequência, pode facilmente e de modo errôneo
interpretar as pequenas desconsiderações ou a falta de afeto que talvez sinta no ambiente
impessoal como uma rejeição à sua pessoa. E, como você está do lado de fora olhando para
dentro, é fácil usar negativamente a imaginação e voltar esse senso de rejeição pessoal
33
contra si mesmo. Nesse caso, é possível que imagine que suas necessidades passam
despercebidas num mundo grande demais ou ocupado demais para perceber o quanto,
pessoalmente, deseja fazer parte dele.
Você, frequentemente dá aos outros muito mais do que pensa. Isso acontece porque
as pessoas que recebem suas dádivas levam a vida em frente, enquanto você fica preso ao
passado. Essa ligação com as memórias passadas se explica em grande parte pela
identificação com a consciência exterior. Agir com autonomia é a condição básica para dar
andamento à vida no seu próprio ritmo. Porém, se você tentar buscar seu centro no karma
exterior, o conjunto de pensamentos e emoções em mutação muito lenta pode, de fato,
fazer com que você se imobilize na concepção de como o mundo era, em vez de perceber
qual é a sua relação com ele no presente. Esta afirmação, à primeira vista, parece
paradoxal, uma vez que o karma impessoal muda a cada minuto. Mas, no contexto dessas
mudanças, o grosso do karma mundial quase não muda. O ascendente Câncer pode ser
tragado por essa essência mais ampla de deterioração caso você, vivendo do lado de fora,
tente conservar sentimentos passados de segurança.
A esfera emocional da sua vida pode ser muito pontilhada de começos e recomeços
sem que você jamais consiga desenvolver realmente o senso de segurança emocional que
procura. Seu senso de lealdade e devoção volta-se para ideias e pessoas que sempre
parecem deixá-lo para trás. E quando tenta conservar o senso da família mundial por meio
da reconfortante proximidade, sua receptividade psíquica é constantemente desviada do
foco central que você tenta estabelecer. Uma das maiores alegrias da vida é dar, prover ou
observar como nasce, cresce e desabrocha aquilo que foi dado. Ao enraizar sua identidade
na consciência exterior, você fica incapacitado de viver esses sentimentos. Em vez disso, o
estilo da sua vida é o resultado da agitação febril da emoção impessoal que lhe corrói
constantemente os alicerces. Quanto mais você tentar garantir sua segurança, mais
absorverá e reterá as emoções sem sentido cujo centro não está dentro de você e que se
originam de tudo o que não faz parte da sua vida pessoal; por isso, a todo momento elas se
espalham em diferentes direções. Assim, suas emoções oscilam muito, causando grande
frustração.
Em tais circunstâncias, a sua vocação natural para conservar objetos, experiências e
pessoas trabalha contra você. Você retém cargas, e embora tente adquirir forças para arcar
com elas, reabsorve constantemente a emoção excedente de outras fontes, que acaba por
transformar-se em carga adicional. Assim, você vive um ciclo vicioso, agarrando-se a tudo o
que tenha a aparência de segurança emocional. Pode apegar-se a dinheiro e a pessoas, se
achar que isso pode protegê-lo e suprir suas necessidades. Ao agir dessa forma, o que você
dá como pagamento, inconscientemente, é a sua dependência emocional.
A maior parte do karma é consequência de lembranças emocionais. E como Câncer é
muito vulnerável e sensível às memórias emocionais do ambiente, você tem facilidade em
absorver o karma dos outros, sem ao menos perceber. Quando tenta encontrar sua
segurança pessoal num lar que está do lado de fora, você tende a criar e recriar os
problemas dos outros dentro do seu próprio território.
Quando a identidade é mantida dentro da porta do ascendente Câncer, toda a
perspectiva de vida é diferente. Você percebe tudo através dos sentimentos, e não das
34
emoções. Tudo o que está dentro, antes de ser expresso, é filtrado pela capacidade
intuitiva e instintiva de sentir a si mesmo e ao ambiente. Você consegue sentir a plenitude
dentro de si mesmo, em vez de buscá-la nos outros. Sente-se em casa consigo mesmo,
sente-se protegido, pois é orientado pelos sentimentos ligados à alma. Em vez de ser
afetado pelas emoções negativas do karma exterior, você é capaz de usar a sensibilidade
para sintonizar-se com os padrões móveis da natureza. Você entende o fluxo diário e
sazonal das correntes naturais; sabe como alimentar-se da beleza e da harmonia inerentes
à natureza. Até sabe, instintivamente, que alimentos fazem com que se manifeste o ritmo
natural da sua alma.
O ascendente Câncer tem uma bênção muito especial, pois simboliza o milagre do
nascimento. Quer se trate do nascimento físico ou do nascimento de uma ideia, ele é de
todo modo a fonte original do sentimento. Tudo o que está dentro de sua alma pode
manifestar-se se se identificar com seus verdadeiros sentimentos. Dessa forma, a sua
natureza divina, não afetada pelos estímulos externos, pode extravasar por seu intermédio
e impregnar tudo o que você faz. Ora infantil, ora um tanto superprotetor, você é a seiva
essencial da árvore, livrando o alimento aos galhos que dependem de você.
Sempre que contrariar seus verdadeiros sentimentos, estará sujeito às incontáveis
emoções deprimentes do karma impessoal. Entretanto, se der vazão aos seus verdadeiros
sentimentos, descobrirá que tem acesso às mais cálidas e gratificantes experiências que a
vida tem a oferecer.

O ASCENDENTE LEAO

O ascendente Leão traz em si o princípio criativo da vida. Você tem tanto a vontade
quanto o poder de exprimir a beleza radiante que sente em seu interior. Sabe como
aproveitar as oportunidades de ouro para deixar que seu ser interior se expanda através do
brilho solar da sua personalidade. Este é o mais esperançoso e otimista dos ascendentes do
zodíaco. E, como resultado desses dois atributos, você será capaz de ter sucesso em tudo o
que deseja realizar.

Às vezes, a força desse ascendente é esmagadora demais. Em vez de ater-se ao que lhe
vai pelo íntimo, você tenta ir além e começa a identificar-se com o karma impessoal. Sente-
se, então, atraído pelo brilho pelo glamour e pela insensatez de circunstâncias ou fatos
teatrais e melodramáticos que podem acabar ditando as regras de sua vida. O ego de Leão
é poderoso. Quando você se identifica com o ego impessoal do mundo exterior, ele tende a
multiplicar-se e escapar ao seu controle. O resultado é que esse ascendente pode
facilmente perder-se em tudo o que promove o auto-engrandecimento. Infelizmente, ao
agir dessa forma, absolutamente não é você que está sendo promovido - pelo contrário,
está promovendo os pensamentos, sentimentos e atos impessoais a que chama de sua
identidade. Assim, por mais bem-sucedido financeiramente que possa vir a ser, ou por mais
magnânimo, generoso e expansivo que de fato possa ser, resta sempre uma sensação

35
desagradável de estar faltando alguma coisa.
Mais que para qualquer outro ascendente, no seu caso é extremamente importante
ater-se à personalidade. O Sol simboliza o centro das coisas; para ser eficaz, seu 'poder
precisa emanar do centro do círculo para fora, em direção à circunferência. Quando você se
identifica com o karma impessoal no ambiente externo, isso não é possível. Em vez de estar
no centro do círculo, você tenta ficar no centro dos círculos de outras pessoas, e ser para
elas o que deveria de fato ser para si mesmo. Como resultado, você se desdobra para
chamar a atenção. Procura ser admirado e tenta mostrar aos outros tudo o que poderiam
estar fazendo com as suas vidas. Entretanto, o karma impessoal do ambiente muda e o
mesmo acontece com os exemplos que você dá aos outros. Em consequência, o seu ponto
de consciência está sempre mudando - uma forma de proteger do aniquilamento o ego
perdido.
Os interesses do ascendente Leão podem girar em torno da riqueza, da fama, da
notoriedade e do aplauso das pessoas que mantém por perto por serem inferiores em
certos aspectos. Entretanto, isso tudo é passageiro e na verdade não proporciona a esse
ascendente a oportunidade de desabrochar.
Você pode criar muitas ilusões a seu respeito e a respeito do mundo porque, quando
vive fora do eu, transforma-se em algo parecido a uma lente de aumento das ilusões do ego
que existem no karma impessoal. O exagero passa a ser um modo normal de vida, e o
orgulho é a carruagem de esplendor que você dirige. Qualquer ataque feito por alguém
costuma servir apenas para colocá-lo numa trilha cujo destino final é a busca do poder.
Você dá conselhos em abundância e com desembaraço, pois isso lhe dá uma falsa sensação
de estar numa posição de controle. É capaz de fazer algo pelos outros para mostrar-lhes
quão pouco fazem por si mesmos. Em resumo, pode facilmente transformar-se no modelo
de tudo o que todos desejam. E, para manter a imagem, também precisa adquirir um
poderoso complexo de mártir. Quanto mais você se sobrecarrega arrastando os outros,
mais facilmente consegue encontrar justificativas para fazê-lo. Em consequência, a sua
personalidade acaba às voltas com uma competição viciosa, onde você cria não apenas as
ações, mas também as reações dos outros. Nessas circunstâncias, é praticamente
impossível olhar para dentro, porque sua luz brilha demais, seu poder é demasiado, e seu
controle é forte demais para que o ser interior possa responder positivamente a uma tal
força. Dessa forma, você continua estimulando os outros e não a si mesmo. E quanto mais
descobre que é capaz de chamar a atenção dos outros criando ilusões dramáticas, menor a
sua necessidade de viver no mundo real. Como resultado, concebe um universo onde
somente você tem controle sobre as regras que valem para todos os outros. O
conhecimento e a compreensão estão acima de críticas nesse reino inconsciente onde
você, de certa forma, está isolado e acima das pessoas de cujo amor verdadeiramente
precisa.
É possível que você acabe acreditando que é a fonte do brilho dos outros. Você é a
esperança, a salvação e a única força mentora capaz de mostrar aos outros como
desvencilhar-se de suas dificuldades terrenas. Quanto mais você criar esse tipo de imagem,
mais precisará procurar, no ambiente externo, os objetos, pessoas ou circunstâncias que
lhe darão apoio. Em vez de ter controle sobre si, passará a ser controlado pelo ambiente.
36
Deixar-se-á seduzir pelos desafios. As promessas de sucesso e realização em áreas
divergentes podem desviá-lo de suas metas. E quando se rebaixar ao nível das
necessidades dos outros, poderá facilmente desperdiçar suas energias, tentando provar
tudo o que não tem realmente certeza de ser.
O princípio criativo tem uma bênção inata muito especial. É exatamente o primeiro
hexagrama do I Ching, o Livro das Mutações. Criar é imitar o Criador. É a própria inspiração
da vida em si. Por isso, tudo o que você cria é um reflexo da sua interpretação do poder
criativo do seu Deus. A criatividade, portanto, acarreta uma pesada responsabilidade. Seja
qual for a interpretação que você dê à ideia de divindade, parece provável que estamos
nesta Terra com o propósito de expressar a criação. Quando o seu ascendente Leão
aprende a ficar dentro do eu, tudo o que é criado, além de originar-se do potencial do ser
interior, é orientado para o aperfeiçoamento da alma. Dessa forma, em vez de ficar
obcecado pelo poder que não sabe usar, você é capaz de irradiar tudo o que busca
expressar-se a partir do seu íntimo. Quando vence um desafio, não é por espírito de
competição, e sim porque está em sua natureza dominar tudo o que enfrenta. Exercer
controle não é controlar os outros; é saber assumir o controle do ser interior. Em vez do
orgulho e do ego perdido (que em geral provoca orgulho), o que existe é a busca de uma
qualidade de vida que não faz das experiências um empecilho à emulação da noção de
Deus. Assim, dentro das portas do ascendente, você está em harmonia com a grandeza e
com o poder da expressão criativa do potencial da sua alma. E, dentro dessa grandeza, há
muito espaço para a humildade e a modéstia, pois você não está competindo com os
outros. Consegue discernir, no karma impessoal, o que seduz o ego, mas conhece seu
próprio propósito criativo, que o controla e o mantém a salvo dentro dos parâmetros da
sua trajetória pessoal de vida.
Regido pelo Sol, esse ascendente simboliza a quintessência da personalidade
iluminada. Quando a identidade é mantida dentro do ascendente, os atributos da
sinceridade, da lealdade e da decência moral transformam-se em pontos focais da
consciência do mapa como um todo. Em consequência, você pode participar diretamente
da bondade da vida que, criativamente, dá expressão a tudo o que é bom. Em vez de viver
através do falso orgulho, você pode usar sua poderosa noção do eu para evitar usar os
outros. Assim, um ascendente Leão pode ser um glorioso exemplo da grandeza da
humanidade em sua mais brilhante manifestação.

O ASCENDENTE VIRGEM

O ascendente Virgem simboliza a capacidade humana de ordenar a personalidade. Se


você tem Virgem em elevação, sabe discriminar o que é bom e o que, em última análise,
traz à tona a pureza da alma. Este é o mais sensível filtro de personalidade dentre todos os
ascendentes do zodíaco. Seu senso inato de decência corre por um canal extremamente
estreito, que se mantém dentro de seus limites e o protege de tudo o que poderia, de outra
37
forma, destruir a pureza dos ideais. Você pode ser solícito, cultivado e humano, dentro de
uma estrutura referencial racional que é a própria essência da sua personalidade.
Se você se identificar com o karma externo (e viver fora do ascendente) pode ter um
estilo de vida completamente frustrante. No decorrer de um único dia, literalmente
milhões e milhões de pensamentos e ideias fluem pelo éter. Sua grande sensibilidade, a par
da necessidade de instaurar a ordem, faz com que você examine criticamente todos os
pensamentos absorvidos. Isso pode ser sentido como um constante fluxo de nervosismo,
pois por mais que haja análise, nada pode ser solucionado. Seu comportamento pode ser
febril, impelindo-o incessantemente a criticar e a ocupar-se de karma que não é realmente
pessoal.
É possível que você se torne uma pessoa excessivamente preocupada com a saúde, ou
até mesmo hipocondríaca ou obsessiva, à mercê de manias do momento ou de conselhos
dos outros. Pode ter uma atitude mais do que exagerada e fastidiosa em relação ao
trabalho, para dar vazão à energia nervosa que sem querer está sendo criada. Ao examinar
o que realmente o perturba, pode ser que se envolva com tantos detalhes oriundos do
ambiente externo que talvez acabe se tornando vítima do perfeccionismo.
Quanto mais tentar ordenar pessoalmente o seu ambiente (que, impessoalmente,
precisa de qualquer forma obedecer à sua própria ordem), mais ficará fora de sintonia com
a realidade de sua relação com o mundo. Você tenta resolver enigmas cuja solução está
além de suas possibilidades, ou então reage ao equilíbrio mutável da natureza como se, de
certa forma, ele estivesse pessoalmente perturbando a ordem que idealizou.
Naturalmente, quando você vive do lado de fora e tem uma boa noção de ordem, pode
facilmente tomar a desordem do ambiente como uma afronta pessoal. O maior problema
da personalidade de ascendente Virgem (quando se identifica com as influências externas)
é a maneira de lidar com os outros enquanto seres humanos. Por causa do nervosismo e da
tentativa de isolar-se de tudo o que possa ser absorvido e que seja muito rude ou muito
desordenado para se encaixar na sua concepção pessoal e ideal do universo, você tende a
cristalizar a estrutura de sua personalidade. E possível que divida a si mesmo em pequenos
compartimentos, todos eles esmeradamente organizados. Você não sente o fluxo da vida
que permite à personalidade uma integração fácil com os outros. Na relação com os outros,
você se torna excessivamente mecânico, rigidamente defensivo ou criticamente
intolerante, ao mesmo tempo em que avalia se o seu universo pessoal está sendo aceito ou
arrasado.
Você se julga pelos seus ideais. Os outros, você julga pelos atos. E, sistematicamente,
tenta formar um círculo de amigos e conhecidos ajustado à ordem que delineou. Todas as
pessoas são imperfeitas, o que é decepcionante. Como você se identifica com os outros,
acredita na possibilidade de as imperfeições deles lhe serem transmitidas. De certa forma,
percebe o mundo como um lugar contagioso, onde ou precisa ser rigidamente defensivo
(para sobreviver) ou vê as pessoas como extensões do que fazem e possuem (em vez de vê-
las como os seres humanos que tentam ser).
Quando você vive dentro da porta protetora do seu ascendente, a percepção que tem
de si mesmo, bem como sua relação com os outros e com o mundo externo, são
radicalmente diferentes. Essa perspectiva significa que você já não pode ser juiz do mundo
38
externo. Você tenta purificar suas próprias motivações. É sensível ao potencial do seu ser
interior e sabe como expressá-lo através da ordem e da razão. Em vez de se criticar e aos
outros, você usa sua aguçada capacidade discriminatória para expressar-se da melhor
forma sempre que tem oportunidade.
Virgem é um ascendente excepcional. Quando você vive do lado de dentro, ele
desperta a qualidade e a pureza do mapa todo. Mesmo quando o horóscopo contém
aspectos característicos da natureza inferior da humanidade, eles vão sendo apurados à
medida que passam pelo filtro do ascendente Virgem. Se você vive do lado de fora, os
ideais do ascendente Virgem passam a ser inatingíveis, de tão elevados.
Assim, faça o que fizer, você nunca se satisfaz. Entretanto, quando vive dentro da porta
kármica do ascendente (ligado à sua fonte), você consegue facilmente operar em níveis
kármicos positivos. Nada pode emanar desse mapa que esteja abaixo dos padrões do seu
elevado caráter moral. Nesse sentido, você não transige, pois, em vez de criticar os outros,
procura manter um nível de consciência através do qual se possam manifestar os potenciais
mais elevados do ser interior. Você conhece O valor moral da identidade e sabe que precisa
obedecer a si mesmo, se quiser servir a si mesmo. Em vez de formar juízos de valor sobre as
normas da sociedade existentes no karma impessoal, você conserva dentro de si uma ética
discriminativa mais apurada. Se se identificasse com o karma externo, estaria identificando-
se pessoalmente com tudo o que precisa ser corrigido no mundo. Em consequência,
poderia parecer que tudo o que você pensa e faz está, em certo sentido, errado, ou que os
outros, em certo sentido, precisam corrigi-lo. Isso poderia resultar em acentuados
sentimentos de inferioridade. Para contrabalançar, talvez você critique os outros, o que
nunca o convence plenamente de que a sua personalidade opera adequadamente num
nível satisfatório para a alma. Assim, pode acabar sendo um perfeccionista sem objetivo.
Entretanto, quando a sua identidade está firmemente enraizada do lado de dentro,
consegue delinear sistemas com os quais se sente capaz de operar em qualquer situação.
Como é naturalmente atento aos detalhes, você tem tendência de examinar-se
mentalmente com frequência. Estuda e analisa maneiras de ordenar melhor a mente.
Idealiza métodos "de computador" para classificar e armazenar informações. Quando a sua
identidade tem raízes fora do ascendente, você tende a manipular a mente, e quanto mais
consegue descobrir locais ou categorias de armazenamento para tudo o que entra, mais
sente que a sua consciência pessoal é funcionalmente eficaz. A dificuldade aqui é que talvez
passe a vida toda resolvendo problemas de personalidade que só existem porque você
internalizou uma grande quantidade de informações, apenas para pôr à prova as formas
que encontrou para fazer a mente funcionar. Como consequência, você trabalha a mente,
em vez de trabalhar por meio dela, tentando mecanicamente criar uma consciência
aceitável. Ocupa-se de um grande número de pensamentos extras que levam a respostas,
mas não a soluções. Quanto mais tenta ordenar a consciência, na realidade mais você se
desumaniza. Como consequência, em vez de sentir a vida como ela é, pode cair na
armadilha de tornar-se um fantoche robótico, muitas vezes reagindo negativamente às
cordas puxadas e aos botões pressionados por você mesmo.
Quando fica do lado de dentro desse ascendente, você não precisa manipular. A fonte
de sua consciência passa a ser você, e não partes externas do karma impessoal que, de
39
certa forma, tentam juntar as peças do seu quebra-cabeça. Depois que essa consciência for
purificada e expressa, os ideais de Virgem atuam como filtro discriminador, permitindo que
você opere por meio da mente, em vez de trabalhar a mente. O que você procura na vida é
qualidade, não quantidade. E capaz de fazer isso sem precisar criticar o karma impessoal
que não lhe diz respeito. Divisa uma ordem nas coisas como são; deixa de ser
puritanamente crítico e passa a agir com modéstia e grandes resultados. Você tem muita
noção do aqui e agora, e sabe usar o melhor do potencial do seu mapa sem fragmentar-se.
Quanto mais opera a partir do ser interior, mais o ascendente Virgem o conduz para cima. É
capaz de sentir prontamente a essência divina nos objetos e nas ideias. Em vez de encher a
mente com ninharias externas, consegue ter um estilo de vida eficiente.
Como o Nodo Norte (por sua qualidade purificadora) é muito parecido com o signo de
Virgem, você consegue aprender com facilidade as lições indicadas pela sua alma. Não é
necessário transigir. O ascendente Virgem, adequadamente usado, não é um produto do
ego. Pelo contrário, você procura uma compreensão mais elevada do potencial do eu, não
apenas dentro do referencial da sua capacidade, mas também dentro do contexto do
cumprimento significativo das obrigações por meio do contato útil com o ambiente
impessoal. Assim, não precisa analisar-se para entender quem é. Tudo o que precisa fazer é
deixar que as diferentes partes de você funcionem através dos filtros categóricos do
ascendente Virgem.

O ASCENDENTE LIBRA
Este é um dos mais singulares ascendentes do zodíaco. Para entendê-lo, lembre-se de
que o ascendente, em si, significa o sol nascente. É a esperança da humanidade para o dia
todo. Otimistas, esperamos que, assim como o sol, despontem também nossos sonhos,
nossos planos e a necessidade de expressão que sentimos emanar do nosso ser. Quando
um dos seis primeiros signos do zodíaco ocupa o ascendente, a natureza inferior da pessoa
tende a seguir o curso expansivo do sol nascente. Assim, em âmbito reduzido, nossas
qualidades humanas simulam as qualidades naturais do universo em que vivemos.
Como sétimo signo do zodíaco, entretanto, Libra representa o sol poente. Depois que a
humanidade tenta expressar sua individualidade pessoal, chega a um ponto em que
percebe as implicações do pôr-do-sol. No ascendente Libra, a humanidade não conta com a
esperança nem com as expectativas otimistas do sol nascente para fazê-la atravessar o dia.
Pelo contrário, sente que o esforço pessoal se esgota e vê que é inútil tentar impor sua
vontade aos outros.
Para quem tem Libra no ascendente, a personalidade é composta de amor, de
harmonia e da capacidade de compartilhar cooperativamente a essência da beleza captada.
Benevolente por natureza, afável e amistoso, você acha que manifestar ostensivamente o
ego está fora da trajetória pacífica de vida a que tem direito. Você tem dificuldade para
acionar o seu ego, pois sua natureza não admite que você use o ego apenas para si mesmo.
Esse é o único ascendente realmente capaz de chegar ao estado de completa ausência de
egoísmo, à medida que atinge uma maior harmonia com o equilíbrio da natureza. Como
40
nesse caso a expressão do ego é extremamente fraca, é fácil viver do lado de fora.
Quando você permite que sua identidade fique ligada a forças de fora do ascendente,
leva um estilo de vida de extremos. Ao tentar sentir a harmonia e o amor dentro de si (o
que é, na verdade, a sua natureza básica), você faz um esforço contínuo para harmonizar
os diferentes tipos de karma impessoal que internaliza do ambiente. Daí resulta
frequentemente um desacordo interior, que o faz buscar uma tentativa de compensação. É
possível que você não viva suficientemente um determinado aspecto da vida e, numa
atitude radical, exagere algum outro aspecto, sem nenhuma relação com o primeiro, mas
que dá uma ilusão de equilíbrio. Dessa forma, pode ser que você veja televisão demais,
para contrabalançar sentimentos de rejeição que absorveu. Ou que coma demais, caso as
roupas que compra não satisfaçam seu apurado sentido de cores e padrões. Nos dois
exemplos, as soluções escolhidas, em última análise, não têm correspondência com o que
as motivou. Você pode absorver uma ideia desarmônica no decorrer de uma conversa do
dia-a-dia e depois fazer um esforço sobre-humano para encontrar uma ideia contrária
capaz de proporcionar uma falsa noção de equilíbrio. Dessa forma, pode vir a transformar-
se num caleidoscópio de opostos, sem jamais sentir ou incorporar nenhuma das ideias que
circulam, mas tentando, mesmo assim, conservar a noção de equilíbrio num mundo de
contrários.
Em conversas, muitas vezes você expõe o ponto de vista oposto, não necessariamente
por concordar com ele nem por querer defendê-lo, mas porque sente que é preciso
apresentar os dois lados de uma questão.
A natureza do amor não vem de um mundo de opostos, ela é a verdadeira aceitação de
tudo o que realmente existe. Quando você vive do lado de fora, não consegue ter essa
experiência. Em vez disso, o que sente é a desarmonia advinda da decepção do ego que
está implícita no karma impessoal. Você não consegue exprimir com convicção o cortejo
descontínuo de ideias que flui por seu intermédio, porque não está firme em sua fonte.
Assim, fica muito indeciso e pode nunca entender claramente a natureza da verdade. Em
vez de ser original e único, você tende a embaralhar-se com ideias de segunda mão e pode
não saber transformar ideias em atos.
Em níveis inconscientes, você se une a qualquer pessoa cujas ideias lhe proporcionem
uma sensação de aceitação pacífica. Assim, sutilmente, forma parcerias e relacionamentos
íntimos com muita gente. Descobre onde falta harmonia e amor em cada pessoa, e tenta
preencher esse vazio. Isso ajuda a superar possíveis sentimentos pessoais de rejeição.
Como essas sutis alianças inconscientes na realidade não são absolutamente pessoais, você
nunca sente de fato a plenitude do amor, que é o que a sua alma verdadeiramente procura.
A vida, nesse caso, se resume praticamente a um mundo de sonhos criado por você.
Entretanto, como o seu ascendente Libra se identifica com o karma impessoal, o sonho que
você vive nem mesmo é seu de fato! Você reflete o sonho dos outros; quando tenta se
enxergar, não vê quase nada por causa da névoa em que o mundo o envolveu, com o seu
consentimento. Praticamente obcecado em criar harmonia nos outros, muitas vezes você
tem dificuldade em saber realmente quais são as suas próprias necessidades. Assim, sua
sensação de bem-estar passa a depender quase totalmente das forças e de pessoas fora de
você. Você faz dos outros o sol nascente da sua vida, e em vez de irradiar a partir de um
41
único centro de ser, transforma-se num círculo que gira em torno dos centros dos outros.
Você pode acabar percebendo que as qualidades que expressa não são
verdadeiramente suas. Isso provoca frustração e dá uma sensação de que nada o levará ao
seu lugar especial no mundo. Você não é exigente consigo mesmo e, portanto, não
consegue competir com o ímpeto forte e expressivo de outros egos. É capaz de sentir maior
força identificando-se com os outros, mas, nesse caso, perde o sentido de identidade
pessoal.
Você está em busca de um estilo de vida suave e tranquilo; entretanto, quando se
atrela a outros egos para ganhar força, tende a perturbar sua própria sensação de
tranquilidade. E como inconscientemente sabe o quanto tira dos outros, sua natureza
divinamente doadora tende a fazer com que você compense a mais, na tentativa de
equilibrar os pratos da balança do karma. Assim, pode ajudar os outros a aprender lições
kármicas. Embora essa visão da vida seja praticamente isenta de egoísmo, mesmo assim
você tende a criar confusão interior. Seu guia é o ambiente, e não sua natureza interior.
Pode ser que você se transforme na expressão mutante da natureza interior dos outros,
incapaz de entender as suas próprias qualidades especiais.
Quando você vive dentro da porta de entrada do ascendente, entretanto, seu estilo de
vida é totalmente diferente. Todo o potencial do seu ser interior filtra-se através de uma
dádiva de amor, antes de manifestar-se. Você continua fazendo pelos outros, mas não por
querer ser aceito. Pelo contrário, você dá por ser um doador, e dá sem jamais reivindicar
crédito; entende silenciosamente que o dom da dádiva não está no que você dá, mas na
maneira como dá. Você se concentra numa identificação com o amor, e apesar de
continuar precisando compartilhar o que faz com os outros, não perde, nesse processo, seu
centro pessoal. O maior dom do ascendente Libra é a capacidade de dar-se aos outros. Para
isso, você deixa que o seu ser interior se expresse amorosamente pelo ascendente - sem
rodeios nem reservas. Na relação com os outros, você não é competitivo.
Você sabe que, quando está conectado ao ser interior, nada no mundo pode feri-lo ou
roubá-lo, porque você é amor; e o amor é uma torrente que flui interminavelmente, e que
se refaz na mesma proporção em que você a deixa fluir. Em vez de enxergar o mundo
através de lentes cor-de-rosa, você vê o potencial artístico e estético do seu ambiente.
Quando vive do lado de dentro do ascendente, consegue aceitar facilmente o cenário do
karma impessoal sem acreditar que tem a missão pessoal de mudá-lo. Você sabe deixar o
mundo em paz. A beleza desse ascendente do pôr-do-sol não vem da sensação de
esgotamento do ego, e sim da compreensão de que você não precisa de um ego poderoso
para operar harmonicamente no mundo.
Você usa o poder e a força do mundo, mas não está interessado em perfilar-se com
eles. Enquanto os outros competem para sobreviver, você consegue placidamente
desfrutar de uma sensação de contentamento. Os outros podem achar que você é
indolente, mas é a sua sensação de gratidão por tudo o que existe que faz com que evite
impor-se energicamente ao mundo do karma impessoal: Você sabe que não se pode
esmurrar uma pluma. Quanto mais alguém tenta ser mais que os outros, menos acaba
sendo para si mesmo.
Quando o potencial do seu ser interior filtra-se através da capacidade de amar da sua
42
personalidade, você passa a ter um estilo de vida de alta qualidade. O karma que pode ser
trabalhado pelo amor é controlado; o karma que não pode ser eliminado pelo amor é posto
de lado, como uma forma menor e mais primitiva de expressão. Você transpira cordialidade
e afeto, porque essas são as suas qualidades naturais, e não porque espera ganhar algo
com elas. Quando esse ascendente é usado de modo correto, você não precisa questionar
sua capacidade de amar. Karmicamente, você vê erros no mundo, causados pelo egoísmo
da humanidade, e sua maior satisfação é encontrar formas de proporcionar mais harmonia
e beleza ao mundo que você tanto ama.

O ASCENDENTE ESCORPIÃO
Este é o mais misterioso ascendente do zodíaco. Se você tem o ascendente em
Escorpião, sente um inesgotável poder de regeneração a aflorar através da sua
personalidade. Os ideais pessoais são extremamente elevados, e você se desdobra para
melhorar tudo o que sente que pode ser reformado. Você passa por grandes
transformações, e do fundo da verdade que traz consigo, discerne os planos inconscientes
de existência que iludem os outros.
Você é um pesquisador de primeira classe. Não contente em perscrutar a superfície das
coisas, sente que é preciso afastar tudo o que incomoda a sua natureza idealista, até
descobrir as causas do que quer que o esteja aborrecendo. Graças à capacidade de
entender intuitivamente o inconsciente, você é capaz de cortar a dissonância pela raiz,
tudo revestido de significado e de propósito, e realizando efetivamente suas expectativas
de um futuro melhor.
Quando vive do lado de fora, você pode ficar sensível demais às vibrações sexuais
inconscientes do karma impessoal. Pode ser que venha a acreditar que tem um impulso
sexual pessoal avassalador, quando na verdade está se identicando com os impulsos
sexuais dos outros. Como Escorpião é o signo da eliminação, e por meio dele a sociedade
elimina seus resíduos, pode ser que você sinta um tremendo grau de descontentamento e
frustração em relação a tudo o que lhe pertence. Pode ficar zangado, briguento, amargo ou
ressentido. Se estiver vibrando num nível negativo, pode facilmente acreditar que o mundo
age contra você, quando na verdade ele está apenas satisfazendo impessoalmente a si
mesmo. Com essa perspectiva, é possível que tenha sentimentos paranóides que o forçam
a procurar uma ilha ou um refúgio isolado - longe da incessante perseguição que sente.
Pode ser um crítico acerbo dos outros, pois vê o pior em todo o mundo. Seu modo de
pensar frequentemente é tendencioso; você reage com violência às emoções negativas do
ambiente externo.
É possível que você se preocupe com a morte, com o poder das forças ocultas ou com
milhares de crenças supersticiosas, acreditando, talvez, que o seu karma pessoal consista
em vencê-las. Assim, você fica se testando, fazendo sua personalidade enfrentar seguidos
desafios para provar que, no fim das contas, qualquer coisa pode ser subjugada. Quanto
mais tenta encontrar a razão da sua busca incessante, entretanto, mais fica obcecado com
o eu, sobre o qual não tem controle algum. Você passa a ser possuído pela cobiça, pela
43
inveja e pelo ciúme existentes no karma impessoal, e se torna incapaz de atingir o eu
superior. Sua perspicácia é mais esperta do que você, quando tenta se enxergar ou ver os
outros pelos olhos deles, você perde o seu senso naturalmente aguçado de percepção. É a
sua individualidade que aguça os seus sentidos. Quando você permite que a sua
individualidade se dissipe nos outros, perde a nitidez da visão e o senso de perspectiva.
Pode até achar que os outros sempre têm segundas intenções, ou que sempre existe um
motivo para ficar de sobreaviso. Em consequência, você vive em estado de vigilante
desconfiança, escondendo-se dos outros atrás de muralhas defensivas. Essa é a sua forma
de procurar abrigo de tudo o que sua mente cria de forma obsessiva.
Fica difícil "brilhar" quando tudo o que você percebe são os dejetos da sociedade.
Quem tem ascendente em Escorpião muitas vezes tenta recuperar esses dejetos, por
identificar-se com eles. Repudiar os dejetos seria repudiar a si mesmo. Assim, você se sente
compelido a fazer transformações que talvez não sejam possíveis e nem mesmo desejáveis.
Como resultado, pode ser que veja batalhas onde elas não existem. Pode atrelar-se a
reboque do karma impessoal, reclamando a todo instante porque não consegue deixar a
marca da sua personalidade no lugar especial que procura. Pode até adquirir uma forma de
dependência - procurando pessoas cuja luta interior proporcione o combustível necessário
para que você perpetue o seu fluxo negativo. Você é capaz de provar que está certo mesmo
quando não está. Descobre com facilidade os pontos fracos dos outros, o que o ajuda a
perpetuar o seu próprio mito. Quanto mais vê fraquezas nos outros mais consegue
convencer-se de que o seu quinhão na vida, comparado com os dejetos e entulhos da
sociedade, é suficientemente desejável. Ao competir com o lixo, você vence facilmente
qualquer corrida; trata-se, contudo, de. uma corrida de ratos, e você não percebe que só
está provando que pode ser o maior dos ratos.
Entretanto, como Escorpião no ascendente é extremamente intuitivo, alguma coisa no
seu íntimo sabe, de fato, que você não está sendo autêntico. A despeito do patamar em
que atue na vida, você conserva um Eu superior através do qual consegue perceber tudo o
que faz. Assim, quanto mais mentir para si mesmo, negando a verdadeira natureza do seu
ser interior, mais acabará se detestando. Quando isso acontece, você tenta destruir a sua
personalidade, pois sente a falta de valor do seu ser inferior, que tenta esconder-se das
suas qualidades idealistas mais elevadas.
Entretanto, quando você vive do lado de dentro da porta do seu ascendente, toda a
sua perspectiva de vida assume um aspecto diferente. O ascendente Escorpião tem muita
profundidade e pode agir como canal direto de emergência do potencial do seu ser interior.
Em vez de negar possibilidades que parecem estar acima da sua capacidade, você consegue
ver a plenitude dentro de si como a própria essência do seu ser pessoal.
Escorpião é o centro da alma. E através desse signo que você é capaz de perceber tudo
o que rege inconscientemente a vida. Quando esse ascendente está ligado ao potencial do
ser interior e às lições da alma, você imprime um forte senso de dedicação e propósito a
tudo o que faz. Em vez de tentar transformar o lixo da humanidade, você o verá como uma
interminável sucessão de experiências de crescimento. E, graças a essas experiências, pode
facilmente libertar-se do passado, pois ele já não existe na sua consciência.(3)
No caso de identificação com o karma impessoal, seria simplesmente natural
44
reconhecer de má vontade os erros passados e projetá-los nas experiências futuras. Isso
aconteceria devido ao padrão-eco por meio do qual o karma impessoal se recria
constantemente. Quando a identidade tem raízes fortes dentro da porta de entrada do
ascendente Escorpião, você sabe destruir as pontes que atravessou. Em vez de ser vítima
dos pensamentos destrutivos que perambulam pela sua mente, você é capaz de calar e de
eliminar tudo o que já não é necessário para o progresso futuro. Você tem os sentidos
apurados, a intuição aguda e é guiado pela forma como a alma decide usar o ser interior.
Assim, em vez de desperdiçar energias lutando contra os dejetos, ou de perscrutar a vida
dos outros sem uma razão justificável, você será capaz de controlar suas qualidades divinas
por meio de uma personalidade intensa que o habilita a realizar com êxito o que a alma
veio fazer aqui.
Enxergar o refugo do mundo não é identificar-se com ele. Você consegue contentar-se
com o seu Objetivo, independentemente de os outros estarem ou não usando o potencial
que têm. É menos importante transformar o mundo do que transformar a si mesmo. Em
vez de conservar possessivamente sentimentos relativos a objetos, pessoas ou
experiências, você descobre que é fácil recuperar-se quando se desprende do que não pode
controlar e tem o bom senso de entender que o máximo que jamais pode esperar dominar
é a si mesmo. Em consequência, não gasta energia demais com situações fúteis. Você é
funcional, preciso e vive por meio de uma corrente de consciência Líquida, mas profunda,
que lhe dá condições de desmascarar facilmente as imposturas da vida. Você tem o poder
da cura e é capaz de curar a si mesmo e aos outros, sem se perder. Pode sentir-se seguro
nas situações mais inseguras sem precisar edificar seus alicerces sobre derrotas alheias.
Você é essencialmente realista e, mesmo que consiga ver as coisas como elas poderiam
ser (através do seu esforço), nunca perde de vista a forma como as coisas realmente são.
Em vez de competir com os outros, você aceita os desafios internos; não mede o seu
sucesso na vida em termos dos resultados obtidos na competição com os outros, mas sim
pela manifestação da sua própria natureza divina.
Você é um solitário mas não está sozinho, pois sente em você o cumprimento dos
processos regenerativos da vida. Consegue renunciar facilmente a ideias em que já
acreditou, sem sentir que está perdendo nada de valor. E capaz de abandonar amigos,
relacionamentos ou casamentos de uma hora para outra, caso ouça um chamado superior.
Quando sua identidade tem raízes do lado de fora, você fica obsessivamente
preocupado em resolver os grandes problemas que identifica nos outros. Isso acontece
porque você se vê como parte daquela força impessoal do mundo que é o instrumento das
mudanças. Infelizmente, esse tipo de perspectiva pode levar ao martírio. Se olhar o mundo
através da aguda e perceptiva porta do construtivo ascendente Escorpião, você tem
oportunidade de entender a fundo os grandes mistérios da vida sem precisar envolver-se
pessoalmente com o karma dos outros.
Quando o ascendente Escorpião é usado dessa forma, seu estilo de vida não é egoísta.
Pelo contrário, sabe que as necessidades mais fundamentais sempre serão satisfeitas se
você permanecer no nível profundo que só esse signo é capaz de atingir. Nesse caso, torna-
se possível dissolver rapidamente uma grande quantidade de karma negativo e sentir
pessoalmente os milagres da evolução, que o levam a novos níveis de autopercepção.
45
Esse ascendente tem uma relação particularmente estreita com as próprias raízes da
vida. Quem tem Escorpião em elevação é capaz de sentir as sutis subcorrentes que
emanam das forças da natureza. Você entende o sentido oculto do que está dentro de você
e no mundo em que vive. Assim, está apto a captar o âmago da vida em sua essência mais
profunda, e ver como as aparências externas são o resultado da verdadeira natureza íntima
de tudo. Graças a essa perspectiva privilegiada, sua personalidade é dotada de profunda
sensibilidade em relação à essência básica da vida. Essa sensibilidade também ajuda a
entender a razão das mudanças radicais pelas quais você passa constantemente, à medida
que sua alma o impele a regenerar seu propósito e sua função, avançando para a conquista
final do domínio de si mesmo.

3. Ver Karmic Astrology , Volume IV: The Karma of the Now, de Martin Schulman (York
Beach, ME: Samuel Weiser, 1979).

O ASCENDENTE SAGITÁRIO

O ascendente Sagitário conhece a fartura de oportunidades em todas as áreas da vida.


Você tem muitas possibilidades de experimentar a abundância. Enquanto não se aprofunda
em nenhuma área, a amplitude e o alcance da sua visão profética lhe conferem um senso
inato de sabedoria. Você percebe instantaneamente o "conjunto" de qualquer situação
sem ter de começar pelo exame dos detalhes. Sua perspectiva espontânea e animadora é
uma verdadeira alegria para as pessoas que o cercam. E o seu dom de comunicação
espontânea é capaz de resumir em poucas palavras as milhares de preocupações que
confundem a mente inferior. Você é um mestre em chegar ao cerne das questões e em
encontrar formas engenhosas de expressar-se.
Quando você vive do lado de fora, entretanto, identificando-se com o karma
impessoal, fica completamente disperso. A atração por todas as formas de abundância da
vida faz de você uma vítima do exagero. Seu intervalo de concentração é curto; embora
tenha muitos interesses, eles mudam antes de começarem a render os dividendos da
satisfação. Como os ventos mutáveis de um incêndio na floresta, você parece soprar em
muitas direções ao mesmo tempo, e seu entusiasmo não resiste a repetidas frustrações
que obscurecem o seu dom de visão.
O grande número de oportunidades existentes no karma impessoal é tão vasto que
ninguém pode, de fato, esperar algum dia transformar nem mesmo uma pequena porção
delas em realidade. Quem tem Sagitário em ascensão e deixa a identidade ser influenciada
por todas as atrações momentâneas do karma impessoal fica desarmado. Primeiro, a
concepção que o ego faz de si mesmo cresce desmesuradamente. Depois, devido à
identificação com as possibilidades dos outros, a esperança de um dia vir a realizar alguma
coisa tem raízes falsas em forças exteriores, fora de controle.
Essa questão do controle é um problema especial do ascendente Sagitário. Como você
não se aprofunda muito em nada, tem dificuldade em lançar as âncoras da vida que dão um
46
firme sentido de alicerçamento. Assim, perdem-se o valor e o significado da vida quase com
a mesma rapidez com que foram encontrados. Você pode ser um homem dos sete
instrumentos sem nunca chegar a sentir de fato a satisfação que qualquer um deles poderia
proporcionar. Você tem tanto medo de deixar passar alguma coisa que não consegue
comprometer-se nem com o que considera significativo pois isso poderia excluir
oportunidades novas e atraentes que talvez estivessem em seu caminho no futuro.
De todos os signos do zodíaco, o ascendente Sagitário é o que mais se deixa atrair pelas
sensações mutáveis das influências externas. O casamento e outras experiências restritivas
são difíceis de suportar. Quanto mais você vê o mundo externo, mais desassossegado fica.
E, em última análise, acaba sendo possuído pela tremenda sede de viver e de experimentar.
Você faz demais, porém completa de menos. Inicia projetos diferentes,
relacionamentos diferentes, interessa-se por coisas diferentes ao mesmo tempo. Como
resultado, ganha bastante terreno muito depressa, mas olha para tão longe que raramente
vê o centro do seu próprio ser. Quando alguma coisa não dá certo, você procura outras
coisas, outras pessoas e novas experiências que tragam consigo a brilhante promessa de
esperança que busca. Quanto mais repete esse processo, mais a sua vida se transforma em
atividade incessante com pouco progresso. Muitas vezes essa grande movimentação pode
não passar de louca insensatez, impedindo-o de ser você mesmo. Quanto mais você se
identifica com o excesso de experiências do karma impessoal, mais começa a condenar
todas as coisas que não dão certo em sua vida. Entretanto, falta-lhe a capacidade de
discriminação, porque discriminar requer tempo, paciência e uma grande dose de reflexão
impessoal.
Sua identificação com o karma impessoal faz com que você seja jogado na arena da
vida, onde é incapaz de ficar a distância de experiências potencialmente prejudiciais. Na
verdade, parece que o mundo acontece dentro de você, em vez de você existir dentro dele.
Os maiores problemas aqui são o descontentamento e a frustração, porque o karma
impessoal muda tão depressa que você nunca se fixa de fato no que poderia valer a pena.
Sua grande atração por diversões de todo tipo faz com que vibre num ritmo rápido demais -
pode ser que não perceba o quanto está perdendo, na verdade, do sentido da vida. Parece
que você corre pela vida, em vez de parar para conhecer a sua essência. Você consome as
pessoas com uma certa rapidez e analisa tudo o que elas são sem apreciar, de fato, o que
elas têm a oferecer. Você tem uma decepção atrás da outra, mas o seu modo
entusiasmado e mutável de ver a vida continua cobiçando o que ainda não experimentou.
Curiosamente, nenhuma experiência nova é mais satisfatória do que a última - pois não é a
experiência que pode proporcionar o que você busca, e sim uma perspectiva mais realista,
que emana de um ponto de consciência mais centrado. Você passa facilmente ao
dogmatismo, sem sequer perceber, e pode ser que procure, na multiplicidade de opiniões,
uma forma de minimizar a importância isolada de qualquer opinião. Agindo dessa forma, é
possível justificar quase tudo. O mundo do karma impessoal tem razões para tudo. Ele
parece oferecer uma profusão de verdades, quando na realidade simplesmente esconde o
centro da verdade.
O ascendente Sagitário leva à procura da verdade. Porém, quanto mais você tenta
encontrá-la no ambiente externo, mais se confronta com as ilusões de verdade, produtos
47
das crenças dos outros. Assim, você descobre que, quanto mais sabe, mais confuso fica.
Esse ascendente tem muita afinidade com viagens. Quando você vive do lado de fora,
acredita que os lugares afetam a qualidade da sua vida, e raramente percebe que todos os
lugares estão dentro de você. Diferentes estruturas e qualidades vibratórias de diferentes
locais mostram contrastes sutis da natureza. Se você acreditar que o ambiente tem um
efeito poderoso sobre a sua perspectiva de vida, estará cometendo um equívoco. O
ambiente está aí para que você o aprecie. Ele proporciona um campo para a expressão de
sentimentos, interpretações e criatividade, mas você não é o seu ambiente. Você pode
perceber isso se entender que duas pessoas são capazes de sentir as mesmas
circunstâncias ambientais de forma diferente, porque cada uma lhes acrescenta algo
diferente.
Quando você se identifica com o karma impessoal, pode vir a idealizar urna filosofia (ou
modo de pensar) capaz, no fim das contas, de monopolizar todo o seu ser. Como há mais
vibrações de pensamento no karma impessoal do que jamais poderia haver dentro de
qualquer pessoa, talvez você acredite que uma filosofia é correta simplesmente devido ao
poder de pensamento inerente a ela. Isso pode manifestar-se como adesão imoderada a
movimentos comunitários ou espirituais, que confirmam sua identificação com algo maior
que você mesmo.
Você se envergonha do lugar que lhe cabe no mundo: é difícil aceitar a sua pequeneza
diante dele. É muito mais fácil alinhar-se com movimentos religiosos, espirituais ou
filosóficos, cujo alcance e tamanho fazem com que você se sinta em melhores condições de
lidar com a vida. Esse tipo de identificação, entretanto, é uma falsa verdade; pode levá-lo a
acreditar em falsos profetas ou a voltar-se para falsos movimentos espirituais.
Não é a quantidade que importa na vida; na verdade, é a quantidade de qualidade
que intensifica o sentido de estar vivo. A qualidade é uma característica que vem de dentro
do seu ser interior. Quando você vive dentro da porta do seu ascendente, pode sentir a
qualidade dentro de si. E, partindo dos seus sentimentos, pode começar a saber qual a
qualidade da vida. Se você se projetar em milhares de direções, não conseguirá ver a
verdade, pois não tem noção de perspectiva para medi-la. Se ficar do lado de dentro de si
mesmo, entretanto, você poderá ver o ambiente exterior a partir da qualidade do seu ser
interior. Você pode discriminar seletivamente o que tem aparência de verdadeiro e o que
soa como verdadeiro para o seu ser interior.
A verdade não pode ser provada matematicamente, nem é necessariamente uma
constante estatística. A verdade o toca no próprio núcleo do seu ser, e faz com que toda a
sua essência desperte para o poder espiritual interior. Quando você fica do lado de dentro
de si mesmo não pode ser logrado pela aparência da verdade, pela ilusão de palavras
insidiosas nem pelas ideias existentes no karma impessoal. Pelo contrário, você conhece a
natureza da verdade, pois você é a verdade! Quando a alma guia o potencial do mapa, só o
que é verdadeiro, em todos os níveis do seu ser, consegue filtrar-se através da sua
personalidade. Assim, em vez de julgar os outros, você é capaz de observar a si mesmo.
Quanto mais você faz isso, mais eleva a sua personalidade a um nível superior de
consciência. Como o seu sentido da verdade está ligado à alma, você pode adquirir muita
sabedoria. Sua visão ampla muitas vezes é profética. Por sondar o futuro distante ao
48
mesmo tempo em que permanece no presente, você pode captar facilmente o resultado de
qualquer curso de ação.
Se você ficar do lado de dentro desse ascendente, ele o conduzirá ao caminho da
iluminação. Não é necessário que você tenha qualquer experiência de vida que não serve
para aumentar a percepção da natureza divina que possui. Seu senso de intuição é
excelente, desde que não se misture com os pensamentos externos. Esse ascendente rege
a mente superior. Quer você viva do lado de dentro ou de fora, sua mente superior (ou
capacidade de entender a verdadeira essência das coisas) será seu guia na vida. Se você
viver do lado de fora, estará usando a intuição ou a energia em tolices fúteis, como a sorte
no carteado ou no jogo. Você pode ficar em evidência porque sabe estar no lugar certo na
hora certa, ou pode ser um oportunista bem-sucedido. Todos esses usos da mente
superior, entretanto, são perversões daquilo de que você realmente é capaz. Se permitir
que sua mente superior fique ligada à alma, poderá sentir uma qualidade superior de vida,
capaz de satisfazê-lo em todos os níveis. Você pode expressar seu potencial interno de
maneira fluente e tranquila por meio de um espírito jovial, e cheio de vida, centrado na
verdade. Sua capacidade de visão e expansão pode ser aplicada ao entendimento da
essência da alegria duradoura e você pode cumprir seu karma de modo triunfante, pois
sabe desembaraçar-se facilmente dos pensamentos inferiores da humanidade que, do
contrário, poderiam prendê-lo.
Esse ascendente simboliza o desenvolvimento. À medida que você cresce, o potencial
do seu mapa se abre como as pétalas de uma flor que desabrocha. Se você se identificar
com o karma impessoal, tentará apressar o processo de desenvolvimento, ficando fora de
cadência com a velocidade em que pode ser bem-sucedido na assimilação de
conhecimento. Se ficar dentro das portas do seu ascendente, estará em sintonia com o
mapa todo e conseguirá aprender a crescer na ordem e na direção que a sua alma planejou
para você. A flor do conhecimento abrir-se-á vagarosamente, pétala por pétala, à medida
que o seu ser interior aprender a buscar a sabedoria dos caminhos da natureza.

O ASCENDENTE CAPRICORNIO
Este é um dos mais difíceis ascendentes do zodíaco. Se o seu ascendente é
Capricórnio, você vive uma vida kármica. Os efeitos de causas passadas reverberam
constantemente por todo o seu ser. Como resultado, você tem um senso de dever e
punição um tanto vago, embora incorporado a você. Você sabe que é preciso ter cautela,
pois somente você colherá o que quer que semeie. Assim, você caminha prudentemente
pela vida, conferindo e reconferindo cada decisão ou motivação, de modo a não se colocar
numa situação em que poderia ter de arcar com as consequências. Seu senso de obrigação
e dever é tão forte que você subconscientemente cria sentimentos paranóides de estar
sendo observado por alguma força, autoridade ou entidade religiosa superior, caso pense
em fazer algo que vá contra a sua consciência.
Esse ascendente lhe dá a possibilidade de realizar grandes obras. A sensação de que a
sua vida está sendo observada pode ter um efeito positivo, fazendo com que se preocupe
49
de fato com a durabilidade e permanência de seus atos. Você procura viver para o futuro,
percebendo a importância do sentido essencial da vida. De certa forma, sua própria vida
precisa estar à altura de algum grande princípio tradicional que você valoriza. Você faz um
grande esforço para preservar esse princípio e só se sente seguro quando o toma como
referencial da sua identidade. Você pode ser o fundador de uma civilização, o guardião dos
códigos morais ou um advogado de normas que, no futuro, tornem possível o
florescimento da bondade humana. Na verdade, você é um construtor da sociedade. E,
através das normas, dos princípios e das tradições do ascendente Capricórnio, transforma-
se no verdadeiro alicerce de tudo o que a sociedade pode construir.
Você é prático, realista e sensato. Sabe que não é razoável esperar grandes realizações
no início de um empreendimento. Dispõe-se a fazer o esforço necessário para levar uma
ideia desde o início até a conclusão efetiva. Entretanto, vive sob o medo do fracasso
pressentido que, à menor rejeição, impregna profundamente o lado inseguro da sua
personalidade. Quanto mais inseguro ficar, com mais afinco você trabalhará; e quanto mais
seus esforços parecerem não ser recompensados, mais você será capaz de se empenhar em
atingir o princípio pelo qual decidiu pautar a sua vida.
O maior problema de quem tem esse ascendente é a falta de sintonia com seus
verdadeiros sentimentos. Você procura sair de si para ver o quanto vale aos olhos dos
outros. Ao agir assim, entretanto, começa a identificar-se pessoalmente com o karma
impessoal. Como precisa da aprovação e da inspiração dos outros para consumar a
grandeza que busca em si mesmo, você usa os padrões dos outros em vez de usar o seu
princípio ou o seu referencial interno de valor pessoal. Na realidade, pode ser que você siga
apenas alguns princípios, códigos ou preceitos morais específicos devido à importância
pessoal que eles têm para você. Quando você se coloca do lado de fora do ascendente,
tende inconscientemente a tomar para si toda a moral de uma civilização. Pode internalizar
a ética martirizadora de pessoas que pregam ideais que talvez nunca sejam capazes de
atingir. Nesse caso, você também passa a ser um propagador das normas restritivas
tradicionais, aparentemente responsáveis pela ordem social. Sua esperança é que as
normas o ajudem a descobrir que você está certo, para poder fundamentar, corroborar e
confirmar sua razão pessoal de existir.
Quase tudo pode dar-lhe um sentimento de culpa. Mas como você na realidade não
sabe quais são os seus sentimentos, costuma não perceber esse fato. Você inibe sua vida e,
cheio de medo, evita expandir sua consciência ou desprender-se da ligação com uma
sociedade que, segundo acredita, o protege. Na realidade, a sociedade é a sua prisão.
Através de suas normas, ela o possuí. A ética social faz com que você reprima o seu
inconsciente; os "olhos" da sociedade fazem com que você se refugie, temeroso, nos
esconderijos que encontrar. Quando você se identifica com o karma impessoal, pode achar
inconscientemente que os erros do mundo, sejam quais forem, na realidade são seus.
Como medida de defesa, talvez você assuma uma atitude negativa, tentando rejeitar tudo o
que, ao mesmo tempo, está absorvendo. Você trava consigo mesmo uma batalha na qual
não é nem o vencedor nem o vencido, mas o governante exausto incapaz de gerir seus
negócios.
Quando tenta imitar a maneira pela qual os outros chegam a postos elevados, você fica
50
preso demais ao dinheiro, a posses e a símbolos de riqueza. Você pode ser um caça-status
sem ao menos se dar conta disso.
A maior parte do karma é consequência do mau uso do ego. Criando degraus e níveis
numa imaginária escada do sucesso, você tende a posicionar mentalmente os outros acima
ou abaixo de você. Como resultado, ou precisa competir com eles (se estiverem acima) ou
dirigi-los (se estiverem abaixo). Nos dois casos, será incapaz de relacionar-se com os outros
de forma moderada. Em vez disso, percebe os outros através de uma imagem que você
mesmo criou, e que pode não ser nem um pouco exata. Este é um grande problema de
quem tem o ascendente em Capricórnio. A imagem que você faz da vida frequentemente é
uma miragem, mas está tão cristalizada, devido à sua procura de solidez, que você não
consegue enxergar além da sua própria muralha kármica. E trata-se, mesmo, de uma
muralha, pois quanto mais você vê os outros como melhores ou piores - e não como
diferentes - mais você se distancia da verdadeira essência da própria vida.
O instinto de Capricórnio se baseia na sobrevivência. Quando você fica além da porta
do seu ascendente, não se sente ameaçado pela força que vê nos outros. Em vez disso, é
capaz de sentir a solidez do seu potencial, que vai tomando forma através da
personalidade. Por esse enfoque, você consegue facilmente colocar sua vida em ordem.
Para tanto, restringe suas experiências ao que é útil e evita, sem arrependimentos, tudo o
que está fora do seu caminho significativo de vida. Você vê como os outros conquistam
honras e altas posições, mas sabe que você é a fonte de tudo que você há de ser. Assim,
você percebe que seguir os outros seria infrutífero, pois no máximo poderia alcançar
objetivos alheios, e não o seu. Se você apoia certas tradições, é porque acredita realmente
nelas e não porque elas podem significar algum tipo de aceitação externa ou
reconhecimento. Se você vive de acordo com determinadas regras, é porque acredita em
sua eficiência. Sua capacidade de conservar baseia-se na previsão e na visão, não no medo
da carência futura. Na verdade, todos os medos, fobias e inibições, tão comuns nesse
ascendente, só se manifestam quando você vive do lado de fora. Você precisa aprender que
o que importa é ter seu valor reconhecido por você mesmo, e não pelos outros. Essa
atitude é a sua fortaleza protetora, que impede que você seja arrastado pelas necessidades
e apetites de um mundo em contínua expansão.
Quando você fica dentro do ascendente, aprende a colher a plenitude do seu potencial.
Sem se importar com os rumos variáveis do ambiente, você segue o plano que sua alma lhe
traçou. Nunca se lamenta pelo que não fez. Usa a sua capacidade de consolidar como meio
de extrair o máximo do potencial que tem. Dessa forma, além de se organizar, você
desenvolve o senso de continuidade. As coisas que você faz perduram; sejam ou não
consideradas tradicionalmente aceitáveis, elas simbolizam exatamente as tradições reais
que você está criando para si. Assim, você consegue ter humildade perante os outros, e ao
mesmo tempo alcançar o verdadeiro status kármico que sua alma busca.
Graças à importância que atribui à vida, você entende que cada pessoa tem uma
missão pessoal a cumprir. Assim, vê nobreza em si mesmo e nos outros, e já não precisa
competir com eles.
Esse ascendente pode indicar uma vida iniciática na qual você descobre gradualmente
os tijolos espirituais do seu ser kármico. Assim, aprende constantemente maneiras
51
melhores e mais eficientes de existir em sintonia com o seu valor espiritual íntimo. Como
diz o I Ching, "Ele renuncia à criança e atinge a maturidade". Os valores da juventude são
abandonados pelo tesouro da sabedoria que é a meta do iniciado. Com ou sem formação
espiritual, você, de alguma forma, aprenderá as lições da autodisciplina. Quanto mais
disciplinado se tomar o potencial interno do mapa, maiores serão as suas realizações. Mas
aqui é preciso saber a diferença entre repressão, inibição, sublimação e um verdadeiro
senso de autodisciplina que dá foco a todo o mapa, pois o foco, nesse caso, cria um
referencial com limites protetores, de modo que você pode construir com segurança - na
forma e na matéria - tudo o que tem valor permanente, tudo o que o seu ser interior é
capaz de conceber.
O karma não é necessariamente uma série de experiências negativas. As
consequências dos atos são simplesmente tão positivas ou tão negativas quanto os
próprios atos. Como faz parte integrante desse ascendente uma consciência vigorosa, a
intenção dos seus atos é, em última análise, a causa do seu karma. Embora esse
ascendente possa aparecer em mapas de pessoas que se superaram ou que ultrapassaram
seus limites em encarnações anteriores, ele aponta de volta para a estrada da normalidade.
E, à medida que descobre que existem de fato uma estrada, um caminho e uma direção
com significado permanente, você acaba descobrindo que o karma é o resultado sempre
mutável da maneira como você, com sinceridade, se aproxima cada vez mais das
verdadeiras necessidades da sua alma.

O ASCENDENTE AQUÁRIO
Este é o ascendente da descoberta. Ele focaliza a consciência no desenvolvimento de
uma compreensão nova e futurista da vida. Há aqui muita inspiração, não apenas no
sentido da sua própria evolução espiritual, mas que também se manifesta como uma
preocupação impessoal com a evolução da humanidade. Com o ascendente em Aquário,
você tem uma mente inventiva capaz inclusive de captar a essência de ideias, teorias
originais e princípios cientifico e é dono de uma elevada percepção do mundo em geral.
Você tem a oportunidade de atingir um estado iluminado de consciência. Pode ser
desprendido e imparcial e por isso consegue ver, sem tendenciosidade, a verdadeira
natureza das situações em que se envolve. Quanto maior for sua imparcialidade, mais se
expande a sua consciência. A liberdade mental que você almeja pode então, levá-lo a
conhecer a sua alma.
Seu maior problema vem da curiosidade insaciável. Ese fator, sozinho, pode fazer com
que você viva fora do ascendente e se identifique com o karma impessoal. Nesse caso, você
se sente intensamente atraído por tudo o que o mudo tem e que representa a
possibilidade de interesses singulares e diferentes. Você consegue ter amizade com
pessoas com opiniões e atitudes diferentes das suas. Mesmo assim, é capaz de "ficar em
cima do muro", sem tomar partido. Se agir muito dessa forma, entretanto, ficará tão
acostumado a não se envolver que pode facilmente acabar perdendo o senso de
52
perspectiva. Pode estar perto de alguém e ao mesmo tempo tão distante que dá a
impressão de falar sobre qualquer assunto com um vago desinteresse.
Quando vive do lado de fora, você tende a absorver as ideias impessoais da
humanidade. Assim, transforma-se num verdadeiro banco de informações, juntando
conhecimento de fontes desconexas e construindo o seu ser a partir do que julga mais
válido em diferentes atitudes, religiões ou perspectivas de vida. Como resultado, você pode
criar inadvertidamente uma consciência de "mosaico". Mesmo que você a encare como
uma visão eclética da vida, ela tende a afastá-lo do seu verdadeiro centro de consciência.
Incapaz de comprometer-se com qualquer ideia, filosofia ou religião, por medo de deixar
passar outros importantes pontos de vista, é possível que você adote uma atitude
intolerante, orgulhoso da sua imparcialidade. Assim, pode tornar-se vítima de um ego
espiritual que faz com que você interprete erradamente a verdadeira posição que ocupa na
vida. Sem o perceber, você pode sentir pena das pessoas cujos pontos de vista mais parciais
levam-nas a se envolver com mais intensidade com suas crenças. Pode até achar que essas
pessoas estão em estágios de consciência que você já ultrapassou.
O karma impessoal está relacionado com o futuro e também com o passado. O
ascendente Aquário induz o interesse a focalizar-se nas formas pelas quais o karma futuro
é criado no presente. Entretanto, pode ser que você fique tão consciente das implicações
de seus pensamentos e atos que acabe, de fato, tendo medo de envolver-se em qualquer
situação com possíveis conotações kármicas. Assim, a despeito de todas as suas
necessidades de estímulo intelectual, pode ser que você se retire da vida, preferindo a
solidão do eremita à participação real na vida, fonte do crescimento.
Você é um subversivo que faz ruir as tradições que já não têm valor. Quando vive do
lado de fora do ascendente, entretanto, tende a absorver pensamentos e atitudes rebeldes
do karma impessoal. Como sua natureza basicamente não é discriminadora, parte do que
entra pode ser útil, mas a outra parte é, sem dúvida, um resíduo irrelevante de atitudes
revolucionárias que existem no mundo exterior. Como resultado, pode ser que você adote
uma série de posições que têm pouca afinidade entre si, exceto o fato de todas
simbolizarem a periferia do pensamento tradicional.
Pode ser que você seja excêntrico, pois não restringe suas normas de conduta aos
limites de nenhuma filosofia ou escola de pensamento em particular. O verdadeiro
problema é que você se interessa por tantas ideias e atividades diferentes e desconexas
que fica difícil dominar qualquer área. Ao que parece, você sabe um pouco a respeito de
tudo, mas as mudanças variadas e dispersas do ambiente externo jogam-no em tantas
direções que a dimensão da sua vida pode parecer quase insignificante. O não-
envolvimento torna difusa a sua consciência. Assim, você pode interessar-se por algo, mas
não o bastante para que esse interesse dê um foco à sua consciência. Mesmo que tenha
uma vida muito ativa, só poderá ter de fato uma sensação real de progresso quando der às
suas atividades um rumo intencional de acordo com um plano significativo.
Aquário é particularmente sensível às frequências de rádio e televisão. Quem tem esse
ascendente e se identifica com o karma externo tende a viver os enredos das novelas, as
vinhetas dos filmes, as letras das canções. Pode até descobrir, anos mais tarde, que na
verdade viveu isso tudo em suas experiências pessoais. As pessoas que fazem parte da sua
53
vida se transformam em personagens da telepatia inconsciente dos meios de comunicação
que você sempre está transmitindo. O rumo da sua vida, em vez de ser ditado por forças
superiores, pode de fato acompanhar a sequencia mensal e anual da programação da
televisão. Quanto mais você tenta ficar em sintonia com a consciência universal, mais
sensível se torna aos "níveis televisivos" da mente dos outros. Como resultado, sua
personalidade pode parecer efervescente - um estorvo tão grande que talvez você nunca
atinja o nível mental de que é capaz o ascendente Aquário. Mesmo que seja clarividente,
você pode descobrir que capta fragmentos dispersos do material transmitido mais
recentemente pelas ondas do ar. Sem perceber esse fato, talvez gaste tempo demais
refletindo sobre as teorias que passam pela sua cabeça, só para acabar percebendo que se
trata de uma informação universalmente disponível.
Sua verdadeira força só se revela quando você vive do lado de dentro do ascendente
Aquário. Dessa forma, você amortiza a sua sensibilidade às vibrações irrelevantes que, de
outra forma, poderiam arrancá-lo do seu centro. Como resultado, sua polaridade muda, e
você começa de fato a aprender a trazer à tona a plenitude do seu ser interior. Quando
deixa o mapa filtrar-se pelo ascendente, você inventa, usando os próprios recursos.
Percebe as realizações que se originam da alma, e acaba finalmente cumprindo seu
propósito universal.
Nesse ponto de consciência, sua insaciável curiosidade pode levá-lo a descobrir por que
está vivendo esta encarnação. Não mais atraído por influências externas, por diferentes
movimentos espirituais ou por várias escolas de pensamento, você pode descobrir,
impessoalmente, como funciona a sua consciência universal. Você cresce com a
originalidade e confia numa forma superior de inteligência que o guia. Dessa forma, o que
você faz na vida pode se apartar muito das normas estabelecidas, mas não se trata de
rebeldia. Em vez disso, é o resultado do seu singular senso de originalidade, livre de
preconceitos e das algemas da tradição.
Você está sintonizado com as forças cósmicas e é capaz de perceber, com grande
antecipação, a mudança das ideias do ambiente externo. Você é um precursor do futuro,
mas não porque gosta de liderar; é um corolário natural da verdadeira liberdade que sente
no seu interior. Você não se envolve com tendências ou modas passageiras. Pelo contrário,
o chamado superior de sua alma ajuda-o a entender o rumo da sua vida.
Entretanto, quando você vive do lado de fora de você mesmo, pode ser que tente
buscar o rumo da vida no karma impessoal. Tudo pode transformar-se em símbolo. Você é
capaz de atribuir significado a situações, circunstâncias e acontecimentos que, na
realidade, não significam nada para você pessoalmente. Dessa forma, você pode
desumanizar-se, criando urna realidade montada sobre uma fantasia intelectual. Quando
fica porta adentro do ascendente, todavia, você percebe claramente a diferença entre o
real e o irreal. Se ouvir vozes na sua cabeça, saberá que isso faz parte dos níveis astrais
externos aos quais está temporariamente sensível, por ter baixado o nível da consciência.
Você pode não concordar com as normas da sociedade, mas tem suas normas pessoais,
que ajudam a ordenar e centralizar a sua vida. A variedade de interesses, que de outra
forma poderia representar uma distração, é mantida sob controle pelo significado que
emana do restante do mapa.
54
Você encara a realidade como uma experiência de aprendizado, e cresce com o auto-
exame imparcial. Descobre maneiras novas de lidar com velhos problemas. E, mesmo que
suas ideias não sejam aceitáveis pela tradição, elas funcionam para você. Seu karma é
descobrir, investigar e experimentar uma consciência iluminada. Você pode surpreender-se
com suas próprias ideias e espantar-se com o milagroso fluxo de engenhosidade que
experimenta. Você é um inovador com uma grande dose de sabedoria natural. Vê suas
diferentes facetas e sabe dar valor a cada uma delas, conseguindo dessa forma
experimentar imparcialmente a plenitude do seu ser. Compreende a corrente da vida, e seu
papel kármico é o do catalisador da mudança, aquele que provoca mutações evolutivas e
revolucionárias em si mesmo e nos outros. O que você faz pelos outros, entretanto, não se
deve ao senso de obrigação nem à vontade de ser aceito. Pelo contrário, é o corolário
natural do desejo de refazer, de remodelar e de reestruturar a si mesmo, como
representação do símbolo impessoal do desejo humano de evoluir. Você é capaz de
quebrar os grilhões do karma passado e voltar a atenção para o potencial do homem num
novo futuro.
Como todo o seu ser está voltado para o futuro, você é capaz de trocar um tipo de vida
por outro, com grande facilidade. Isso pode acontecer muitas vezes, pois o seu karma é
conhecer os elos desconexos que formam a consciência universal. E, usando sua
capacidade de fazer de tudo um todo, você realmente cria uma consciência de mudança
que é a esperança da humanidade por um futuro melhor.

O ASCENDENTE PEIXES
Este é o mais criativo dos ascendentes do zodíaco. Quem tem ascendente em Peixes é
capaz de transcender o nível mundano da consciência e entender a qualidade da vida em
sua essência natural. Uma grande sensibilidade permite que você se integre e se misture,
delicadamente, com a infinita corrente de cores e impressões que fluem por você. Quando
vive do lado de fora do ascendente, entretanto, tem a tendência a perder o seu ponto de
referência. Como resultado, absorve impressões psíquicas e emocionais da mente
inconsciente impessoal do universo. Sem um ponto de referência, fica difícil classificar essas
impressões ou saber se o que você percebe tem algum significado profundo ou se é apenas
uma ilusão. O problema desse ascendente é que você precisa ter consciência do
inconsciente, para poder funcionar de forma significativa. Peixes é o regente das camadas
sutis de imagens, transparentes que a todo momento cruzam a sua mente. As vezes essas
imagens têm um significado muito definido para você. Mas se você escorregar para fora do
ascendente (sendo inapelavelmente arrastado pela maré da corrente emocional), você não
terá como distinguir o que é mero cenário astral do que tem um significado verdadeiro.
Quando isso acontece, o resultado é uma grande confusão. Você pode ficar tão
psiquicamente aberto a tudo que não entende o que está acontecendo com você. Sente
que está sitiado pelas circunstâncias da vida, pois parece estar sendo controlado pelas
mudanças do karma impessoal.
Como o inconsciente é muito sugestionável, você se sente particularmente confuso
55
num mundo onde o que vê são pessoas com uma vida aparentemente ordenada. Como a
sua relação é com a essência e não com as palavras, não é o que os outros dizem que o
influencia, e sim a essência do que são, que você sente em cada conversa. Assim, você
pensa que está usando camadas transparentes de diferentes cores, sombreados sutis ou
nuanças psíquicas, que interpreta por meio de sua sensibilidade pessoal. O grande
problema de identificação externa, nesse caso, é que você nunca está totalmente seguro de
si. Não sabe quem você é. Sua identidade muda a cada momento. É verdade que às vezes
você pode viver como um parasita, alimentando-se dos recursos dos outros para preencher
o vazio que sente em si. E aí que você cria um de seus mais graves problemas. Quando você
adapta sua identidade à dos outros, pode sentir, temporariamente, que faz parte do espaço
vital deles. Entretanto, cada vez que age dessa forma, você perde o seu centro, diminui a
noção do seu próprio valor e passa a ter uma vida sem propósito.
Para se valorizar, você costuma supercompensar. Encampa uma cruzada atrás da outra,
tentando criar uma noção de valor eterno. Isso pode resultar em ilusões de martírio,
perpetuando-se umas às outras. Este, inquestionavelmente, é o ascendente mais sensível
do zodíaco. Você sente a necessidade que tem a humanidade de ser necessária e útil. Sente
a solidão do ambiente externo. Quando deixa sua identidade disseminar-se do lado de fora,
comete inconscientemente um equívoco, tomando essa solidão como uma de suas
características pessoais. Nesse caso, pode até passar a ter sentimentos de rejeição, de
perseguição ou paranóia, graças a essa visão desfocada da vida. Você se sacrifica para
conquistar o amor das pessoas de quem precisa. Entretanto, seus sacrifícios raramente
surtem os efeitos esperados. Devido à sua grande sensibilidade emocional, seu limiar de
mágoa é baixo e você pode facilmente voltar contra si mesmo a negatividade que capta,
indo a extremos para negar o seu próprio valor. Pode viver uma vida de profecias negativas
auto-realizáveis, à medida que os sonhos desvanescentes dos outros fluem pelo seu ser,
enquanto você, impotente, vê como eles se extinguem gradualmente. A identificação com
o karma impessoal provoca uma sensação de "perda", difícil de superar.
Quando a sua identidade fica dentro das portas do ascendente Peixes, entretanto, a
perspectiva de vida é muito diferente. Em vez de se identificar com o karma impessoal,
você pode identificar-se com a qualidade etérea do "atman". (4) Você não vê a vida como
vitória nem como derrota, mas sim como uma trama infinita cujo conhecimento é a razão
da sua existência atual. Você é capaz de ver as ilusões da vida sem ser essas ilusões. Deixa
que o ser interior seja filtrado pelo dom da graça divina. Dessa forma, todo o potencial do
seu mapa assume uma conotação verdadeiramente espiritual. Você dissolve o que não tem
sentido, ao mesmo tempo em que continua atento às qualidades intangíveis que, para
você, são a realidade. Você constrói a sua segurança sobre a fé. Edifica a sua identidade
sobre a confiança no infinito. Tudo o que faz na vida depende da maneira pela qual o seu
potencial flui através da sua corrente de consciência. Dessa forma, quanto mais você age
para iluminar, expandir e entender lucidamente a sua consciência, mais pode consumar a
plenitude do seu próprio potencial.
Você é capaz de se desvencilhar das amarras e das pompas da vida para experimentar
a liberdade de que sua alma precisa. Quando desfruta dessa liberdade, começa a jorrar
uma rica criatividade, como um manancial. Você percebe o Yin e o Yang da vida e consegue
56
transcender a ambos, pois vê o propósito, a razão e a própria fonte da criação, quando
sente as bênçãos divinas do homem manifestando-se na sua vida.
Você caminha pela vida com leveza, tocando tudo com suavidade, buscando sempre a
"evolução" e não o "envolvimento". Seu maior dom é a imaginação, pois através dela você
pode atingir a consciência, que o ajuda a domar as águas da vida, em vez de ser sacudido
por cada onda. A imaginação é mais forte que a força de vontade. Depois de aprender isso,
você será capaz de descobrir a verdadeira força do seu ser. Para você, pode ser difícil
superar a fraqueza pessoal por meio do poder puro e simples, mas é fácil transformar
qualidades negativas em positivas pelo uso da vivacidade da sua imaginação. Você é capaz
de percorrer mentalmente séculos e séculos, escolhendo com cuidado os lugares mais
bonitos e positivos para fixar a sua consciência. Você consegue imaginar um cenário de
praia num dia chuvoso. Quando só nuvens são visíveis, você consegue imaginar o sol -
sabendo que, apesar do que vê, o sol continua brilhando. Dessa forma, é capaz de deslizar
pelas influências negativas do karma impessoal, enquanto o potencial do seu ser interior
continua sendo colorido pelo uso que você faz da imaginação criativa.
O signo de Peixes tem uma qualidade semelhante a Cristo. Entende a harmonia da
natureza e é capaz de unir-se a quase tudo. Se este é o seu ascendente e você vive do lado
de fora dele, o seu grande senso de compaixão pelos outros pode facilmente levá-lo ao
martírio. É provável que absorva a maneira pela qual os outros tentam resolver os
problemas e, de alguma forma, caia na ilusão de que é possível resolver o impossível. Você
vê como os outros tentam juntar as partes e chegar a conclusões. Entretanto, este não é o
seu caminho. Em vez de resolver problemas kármicos, seu caminho é dissolver o karma,
deixando os problemas para trás. Você pode libertar sua identidade da atração magnética
do karma impessoal e dissolver-se no mar infinito da sabedoria, que é o seu campo de
experiência. Cada vez que renuncia ao poder pessoal sobre alguma coisa, você aproxima-se
mais da sua consciência divina. Assim, aprende a fazer sem fazer. Aprende a criar sem estar
ligado ao que cria. E aprende a existir sem tentar reivindicar o mérito de existir. Quanto
mais dissolve o seu ego, mais você entende o significado sutil da falta de significado. Como
resultado, toda a força do mapa pode ser usada para soltá-lo da roda kármica em
incessante movimento.

4. O círculo eterno do ser, que não tem princípio nem fim.

A ILUSÃO DA APARÊNCIA
Tem-se mostrado a influência do ascendente sobre a aparência física e sobre a forma
como uma pessoa se apresenta ao mundo exterior. Os astrólogos têm pesquisado as
diferentes características físicas dos doze ascendentes. (5) Essa pesquisa, contudo,
mostrou-se um tanto restrita, pois tende a limitar a compreensão que se tem das pessoas a
um raio relativamente estreito. Mais importante do que os efeitos visíveis que qualquer
ascendente possa ter sobre a aparência física de uma pessoa é a forma como as pessoas se

57
relacionam com a própria aparência, e como baseiam suas opiniões na aparência física dos
outros. Muitas vezes ficamos tão deslumbrados ou fascinados por esse aspecto que
deixamos de ver a função verdadeira do ascendente, ou seja, a maneira pela qual ele ajuda
o restante do mapa a se manifestar.
É interessante observar que algumas pessoas excepcionalmente bonitas ou atraentes
gastam uma boa dose de tempo, energia e dinheiro melhorando ainda mais sua aparência
física por meio de roupas, acessórios, perfumes, joias, etc. Nesses casos, o mapa - em vez
de manifestar-se através do ascendente - é usado para intensificar, expandir e realçar a
aura de aparência do ascendente. Como resultado, essas pessoas raramente sentem tudo o
que seus mapas podem lhes proporcionar. Em vez disso, costumam ter uma perspectiva de
vida bastante unidimensional, e muitos de seus problemas giram em torno de sentimentos
de vazio e carência e de tentativas de valorização pessoal.
A orientação da consciência para a aparência física se transfere para outros níveis.
Quando alguém está preocupado com a própria aparência, também está perguntando:
"Meus pensamentos e ideias são aceitáveis para você?"; ou "Minha consciência tem
sentido para você?"; ou "Minhas opiniões e atitudes são aceitáveis?" Através de uma
interação osmótica natural entre um nível e outro, esse tipo de raciocínio coloca a pessoa
do lado de fora de si mesma. E ela, em consequência, pode ficar sujeita a uma ilusão atrás
da outra.
Para a maioria das pessoas, é difícil imaginar que alguém com uma forte estrutura
óssea e feições marcadas possa, de fato, ser intrinsecamente meigo. Também é difícil
imaginar que uma pessoa com feições tranquilas e suaves possa na verdade ter um ser
interior muito forte. Entretanto, esses dois casos extremos fornecem evidências suficientes
para percebermos como é fácil nos enganarmos quando damos importância demais à
aparência física.
E impossível que qualquer pessoa forme uma identidade real se não conhecer a
natureza da realidade. Em toda parte há milhares de pessoas lutando por auto-
engrandecimento, riqueza, poder e sensação de importância. Nenhum desses atributos
tem o poder de vencer o tempo. Muitas vezes uma pessoa se identifica pelo nome, pelo
sexo, pela religião, pela ocupação, etc. Mas também esses fatores contêm tantas ilusões
que a pessoa precisa reavaliar-se constantemente para descobrir quem ela é.
Recentemente, o poder do eu tornou-se uma questão de interesse, e aqui novamente a
ilusão esconde a verdadeira compreensão da realidade. Se alguém consegue ter poder
pessoal (em qualquer área de atividade), seguramente encontrará outras pessoas ainda
mais poderosas. O ciclo infindável da competição pelo valor pessoal continua a se
perpetuar.
O que Jesus queria dizer ao afirmar "Estou neste mundo, mas não pertenço a ele"?
Para entender isso, é preciso considerar o verdadeiro significado do ascendente. É verdade
que ele é a parte frontal de uma pessoa, a forma como ela encara o mundo exterior.
Entretanto, o que parece que a maioria das pessoas tem dificuldade em captar é "por que"
estamos de frente para o mundo exterior.
A essência da realidade é que estamos todos de passagem - vivemos e respiramos num
corpo, depois descansamos, depois aparentemente começamos de novo em outro corpo - e
58
assim vivemos um número interminável de encarnações. Pode a nossa identidade real ser
um nome, um sexo ou uma religião, se tudo isso muda a cada vida? Em todo o mundo, há
basicamente dois tipos de pessoas: as pessoas que sabem e as que não sabem. A menos
que uma pessoa entenda que está frequentando esta escola terrena para que sua alma
possa ajudar a manifestar aqui o propósito de Deus, ela está sujeita a cometer equívocos
quanto à sua verdadeira identidade; está sujeita a acreditar que seu próprio final lhe
pertence, e pode viver sob a ilusão de que, de alguma forma, é capaz de trapacear as forças
externas do karma impessoal para, de alguma forma, passar à frente dos outros. Esse tipo
de raciocínio (mesmo que seja mantido em segredo) está fadado a criar uma vida de ilusões
desarmônicas, levando a lutas malsucedidas, ao fracasso na busca da felicidade e à
desilusão final.
A única realidade que existe vem da unicidade universal. Se entendermos o mapa como
um símbolo de todas as possíveis energias e possibilidades que o universo nos dá, podemos
entender que o ascendente é o ponto através do qual a corrente incessante da consciência
divina extravasa por nosso intermédio e atinge o mundo exterior. Só quando percebemos
esse fato podemos começar a entender as implicações da identificação correta ou incorreta
por meio do ascendente.
Uma pessoa interage com o mundo exterior para poder manifestar na terra a vontade
divina e universal de uma consciência mais elevada. Ao agir assim, a face que mostra ao
mundo exterior transforma-se nos olhos de Deus. Cada período de vida ajuda-a a aprender
a expressar melhor o sentido divino que o universo está sempre ensinando. O ascendente
ajuda a pessoa a manifestar o mapa como ele foi feito para ser expresso - como parte do
plano cósmico que ela está concretizando.

5. A obra mais completa sobre o assunto é How to Judge a Nativity; de Alan Leo
(Rochester, VT: Inner Traditions, 1978).

Capítulo 3
INTERPRETAÇÃO DE HORÓSCOPOS

REMBRANDT VAN RIJN

No horóscopo de Rembrandt, o grande mestre pintor holandês, encontramos um


ascendente em Escorpião. Em geral, isto indica uma vida de mudanças, de transformações
e de constante abandono do passado para cumprir as esperanças do futuro. A maioria das
pessoas com esse ascendente vê o lado negativo da vida. Identifica-se com tudo o que a
59
sociedade está eliminando corno inútil e, em consequência, costuma abrigar secretamente
amargos ressentimentos contra um mundo que, acreditam, não lhes dá o melhor
tratamento. A identificação fora do ascendente provoca muita auto-destrutividade, quando
a paixão que emana das qualidades negativas do karna impessoal se volta contra o eu.
Pouco se pode fazer para alterar grandemente o curso da história. Mas pode-se fazer
muito dentro do âmbito do próprio destino. Assim, se o ascendente em Escorpião for usado
para eliminar todo o lixo e decadência que sente no karma impessoal, o indivíduo está
fadado a sentir que sua vida está sendo frustrada. E, mesmo que realize muita coisa,
continua havendo negatividade demais no mundo para que ele considere significativas as
suas realizações. Entretanto, quando o poder desse ascendente é usado para transformar a
própria consciência, cada novo dia é um glorioso começo, o fim do passado, e contém em si
a promessa da compreensão futura.

Mapa 1. Rembrandt van Rijn, nascido a 15 de julho de 1606, em Leiden, Holanda. Dados de
An Astrological Who's Who, de Mare Penfíeld (York Harbor, ME: Arcane Books, 1972).

60
Rembrandt viu o tormento da velhice e da pobreza. Percebeu a riqueza que resulta do
esforço humano, mas não se identificou com ele; em vez disso, fez dele o seu tema favorito
de estudo. Sem queixar-se das condições difíceis do mundo, como faria se sua identidade
estivesse assentada fora do ascendente, ele descobriu a grande beleza da eterna busca do
homem pela salvação. Assim, o trabalhador que nada tem senão o indispensável para viver,
o prisioneiro religioso que não pode confessar abertamente suas crenças, e os cansados, os
pobres e alquebrados membros da escória da sociedade transformaram-se, com
Rembrandt, em objetos de magnífica beleza.
Graças a todo o sofrimento que captou, seus quadros ficaram mais ricos, mais vívidos,
e penetraram mais fundo na essência do caráter humano. Cada ruga de um rosto descrevia
a capacidade humana de superar internamente as circunstâncias opressoras de sua vida.
O Sol em Câncer indica em geral um estilo de vida coeso, centrado nas raízes familiares,
nas tradições e nas emoções que são pacificamente protegidas das asperezas do karma
desconhecido. Rembrandt, á diferença de muitos grandes pintores, tinha uma família que
significava muito para ele. Até no sofrimento individual que mostrou em seus quadros ele
pintou os personagens como parte de um todo maior. Assim, um homem seria parte de
uma família ou de uma tradição; nesse contexto, o sofrimento isolado do indivíduo foi
simbolicamente retratado como a luta impessoal de todos os indivíduos que precisam viver
a vida num referencial semelhante. Dessa forma, podemos ver como o Sol em Câncer filtra-
se através do ascendente em Escorpião, que lhe dá a profundidade, a paixão e o significado
que permitiram às pinturas de Rembrandt transcender o pessoal, sem perder a própria
essência! O homem se preocupa sozinho, mas se preocupa por aqueles que ama. E não é
apenas um homem que se preocupa com o pão da família, a segurança da mulher e dos
filhos ou com a proteção do lar: são todos os homens. Rembrandt sempre se esforçou para
ficar em contato com os sentimentos básicos do verdadeiro núcleo da luta humana.
Quando o ascendente Escorpião é mal usado, a pessoa pode, com muita facilidade,
identificar-se com o karma sexual impessoal; dessa forma, desperdiça energias, capacidade
e potencial e acaba por se transformar em vítima do próprio abuso. Rembrandt não era um
homem desapaixonado. Sabia, porém, como é importante centrar-se dentro da porta do
ascendente. Como resultado, foi capaz não só de produzir obras da melhor qualidade, mas
também em imensa quantidade. Produziu mais ·de seiscentas pinturas magistrais, trezentas
gravuras e mais de dois mil desenhos.
Sri Chinmoy, o conhecido mestre espiritual, disse que "a qualidade do que fazemos
vem de Deus; mas a quantidade do que fazemos precisa vir de nós mesmos". As grandes
paixões tumultuadas do ascendente Escorpião, quando usadas corretamente, podem
produzir uma imensa quantidade de quaisquer talentos oriundos do restante do mapa.
Mesmo assim, a qualidade (as técnicas magistrais de pintura) e a quantidade (quase três
mil obras) não mostram todo o significado do ascendente Escorpião na vida de Rembrandt.
Netuno em Virgem poderia significar fetichização dos detalhes. Quando esse
posicionamento é visto através do ascendente Escorpião, entretanto, o detalhismo não visa
a exatidão, e sim o contato com o profundo núcleo oculto das pessoas, para poder retratar
sua essência inconsciente. Foi nessa área que Rembrandt atingiu seu nível mais elevado de
compreensão da natureza básica do homem. Se não conseguisse retratar o que sentia
61
numa pintura, haveria outra, e a seguir mais uma, até o pintor considerar-se
satisfatoriamente ligado ao centro de tudo o que sentia. Ele chegou a pintar mais de cem
auto-retratos para poder penetrar a fundo em sua própria identidade. Seguidamente,
perscrutava cada vez mais as qualidades pouco conhecidas ou mais ocultas da emoção que
jazem além da superfície. Entretanto, com toda essa intensidade, Rembrandt não foi um
homem egoísta - o que poderia ser difícil de entender, com a Lua e Marte em Escorpião na
primeira casa. O egoísmo, porém, é uma qualidade do karma impessoal, essencialmente
estranha à alma voltada para a doação.
Apesar de todas as suas outras obrigações e do imenso volume de sua obra, Rembrandt
sempre encontrou tempo para ensinar. Ensinou a vida toda, pois era um grande apreciador
das pessoas (Vênus em Gêmeos). Queria compartilhar com os outros a grande
profundidade que via além da superfície (Vênus em Gêmeos, filtrado pelo ascendente em
Escorpião). Em vez de identificar-se fora do ascendente - o que poderia fazer um artista ter
inveja de outras pessoas criativas - ele preferiu manter seu próprio curso, sabendo,
desprendidamente, que Deus lhe havia dado mais do que ele, sozinho, jamais poderia usar.
Muitas pessoas acreditam que um gênio criativo e o casarnento não costumam
combinar. Na carreira de Rembrandt, o casamento foi um ponto decisivo. Suas cores
ficaram mais vívidas. Seus sentimentos, enriquecidos pelo amor da esposa, impregnaram
sua obra. Com o dote dela, ele pôde comprar as vestimentas com as quais aparece em
muitos de seus futuros quadros (Urano em Touro, na sétima casa). Começou a procurar
desmascarar as aparências da vida usando as vestimentas para ver além delas (Urano em
Touro, filtrado pelo ascendente em Escorpião). Dessa forma, pôde ser um indivíduo, sem
ser um solitário. E pôde isolar a natureza individual do homem sem separar a humanidade
de sua fonte.
Plutão em Touro e Júpiter (retrógrado) em Peixes (6) deram a Rembrandt o poder, o
alcance e a compreensão que encontramos em suas obras. Em vez de usar esse
posicionamento como meio de autovalorização (uso negativo do ascendente Escorpião), ele
nunca deixou de zelar pelo filho único (Mercúrio em Câncer na oitava casa), nunca ignorou
os velhos, os abandonados e os pobres (Saturno em Capricórnio retrógrado) que pintou
durante a vida toda, e nunca ignorou os estudantes, com quem procurou compartilhar seus
dons (Vênus em Gêmeos na sétima casa).
Sem se importar com lucros ou perdas, e usando o ascendente Escorpião como filtro do
restante do mapa, Rembrandt foi capaz de viver uma vida bem-sucedida, realizada em
muitos níveis. Criou um legado (Escorpião rege a oitava casa natural) da luta eterna do
homem. Mostrou-nos como a vida era, como é e como sempre será. E mostrou-nos que, no
meio da luta dos esfarrapados, da hipocrisia e do sofrimento humano, a grande beleza da
alma humana nunca se perde.

6. Júpiter em Peixes retrógrado é um dos indicadores de talento artístico originário de


uma encarnação anterior. Ver Karmic Astrology, Volume 11: Retrogrades and
Reincarnation, de Martin Schulman (York Beach, ME: Samuel Weiser, 1977).

62
SIR ARTHUR CONAN DOYLE

Sir Arthur Conan Doyle criou um dos personagens mais realísticos de ficção mundial na
pessoa de Sherlock Holmes. Inteligente, sarcástico e dotado de aguçadíssima capacidade de
observação e análise, Holmes, visto pelos olhos de seu companheiro, o Dr. Watson, tornou-
se nada menos que uma lenda literária.
No horóscopo de Doyle, encontramos um ascendente Gêmeos, frequente indicador de
aptidão para escrever. Contudo, quando esse ascendente é usado de modo incorreto, a
pessoa tem grande tendência a acreditar que sua vida depende em grande parte da relação
com os outros. Isso é verdadeiro num certo nível; porém, é na relação da pessoa consigo
mesma que está o verdadeiro sentido da vida. A identificação fora do ascendente pode
causar um desejo exageradamente intenso de agradar, na esperança de criar uma
personalidade socialmente aceitável. Quando a pessoa fica dentro da porta desse
ascendente, o mapa todo adquire foco através dó livre fluxo das ideias que emanam de seu
íntimo, e que, como uma corrente contínua de consciência, colocam-na em contato com o
mundo exterior.

Mapa 2. Sir Arthur Conan Doyle, nascido a 22 de maio de 1859, em Edinburgh, Escócia. Dados de An
Astrological Who 's Who, de Marc Penfield (York Harbor, ME: Arcane Books, 1972).
63
Doyle começou sua carreira estudando medicina. Um de seus professores - Joseph Bell
- tinha uma personalidade tão marcante que acabou sendo personificado em Sherlock
Holmes. O ascendente Gêmeos tem tendência a emular mentores ou pessoas de ideias
notáveis. Entretanto, se Doyle estivesse se identificando com o karma impessoal fora do
ascendente, teria tentado moldar sua vida pela de Bell. De fato, quando jovem, ele
realmente tentou praticar a medicina. Como muito poucos pacientes se dignavam entrar
em seu consultório, começou a escrever ficção para diminuir o tédio. Foi a essa altura que o
seu ser interior começou a manifestar-se, pois agora Doyle era capaz de expressar as
qualidades que admirava transformando-as em literatura, através do ascendente Gêmeos.
A mente aguçada e penetrante do escritor (Marte em Gêmeos), apesar da formação
médica (Plutão em conjunção com Mercúrio, Escorpião na sexta casa), só poderia encontrar
seu verdadeiro ponto de consciência quando as ideias (Urano em Gêmeos) continuassem
sendo ideias através do foco do ascendente Gêmeos. Esse é um ponto da consciência
relativamente sutil. O ascendente Gêmeos serve à humanidade transferindo ideias, para
que a consciência de uma pessoa possa ser transmitida aos que sobreviverão a ela.
Uma questão extremamente interessante no horóscopo de qualquer escritor é saber
até que ponto o autor pode ser visto através do que escreve. Se Sherlock Holmes (como
personagem) tem sua grandeza, então a de Doyle deve ter sido maior, porque, na verdade,
o criador é sempre maior que a criatura. Em 1893, Doyle escreveu sua primeira história
com Holmes. Porém surpreendeu-se (Sol em conjunção com Urano filtrado pelo
ascendente Gêmeos), pois na história fez morrer o grande detetive. A história fez tanto
sucesso que foi preciso trazer Holmes de volta à vida. Esse incidente deu a Doyle seu
primeiro vislumbre de que há mais neste mundo e em outros do que sabemos
conscientemente (Netuno em Peixes).
Se o escritor estivesse se identificando com o karma impessoal fora do ascendente
Gêmeos, seu Júpiter em Gêmeos o teria forçado a tomar essa decisão com o objetivo de
agradar a seus leitores. Quando se manifesta negativamente através do karma impessoal,
Júpiter em Gêmeos tende a dispersar a mente, levando muitas vezes o escritor a dar
atenção insuficiente a um grande número de personagens diferentes, ideias incompletas e
conceitos frágeis. Graças à sua Lua em Aquário, entretanto, Doyle foi capaz de visualizar as
possibilidades futuras de Holmes como personagem completo. Dessa forma, usou seu
stellium de cinco planetas na décima segunda casa para levar avante o desenvolvimento de
Sherlock Holmes numa série de histórias. Cinco anos depois de ter aparecido a primeira
história de Holmes, Doyle já havia penetrado a fundo na personalidade de sua criatura,
sendo assim capaz de escrever o primeiro romance.
Se quisermos ver Doyle através de seus livros, precisamos entender o relacionamento
entre os personagens Holmes e Dr. Watson. Na dualidade (ascendente Gêmeos) do grande
detetive e do médico não-praticante que o admira está a chave da própria perspectiva de
vida de Doyle. Em parte, ele vê a vida de uma perspectiva prática e conservadora, de modo
a poder aceitar as limitações sem perder o agudo interesse por tudo o que parece ser
inacreditável (Saturno em Leão). Aqui encontramos a parte Dr. Watson da personalidade de
Doyle. Porém, com Sherlock Holmes, vemos a parte de Doyle que queria experimentar tudo
diretamente. Um espantoso superego (Vênus em Áries), impermeável a obstáculos e
64
limitações - incluindo a própria morte revela-se por meio dessa parte da imaginação do
escritor.
Assim, Doyle age através de Sherlock Holmes e observa através do Dr. Watson. Doyle
certamente tinha outra parte que, além de ver essas duas, era suficientemente cônscia de
ambas para distingui-las.
Quando a verdadeira identidade de uma pessoa tem seu centro dentro do mapa, ela é
capaz de agir, ver-se agindo e ainda assim saber que essas são partes menores do ser pleno
integrado que está sempre fluindo do nível da alma.
Em 1915, depois de escrever 56 contos e 3 romances, uma estranha virada do destino
(Sol conjunto a Urano, Plutão conjunto a Mercúrio) levou Doyle a um novo nível de
consciência. Durante anos, ele havia estudado os mais ínfimos detalhes, tentando
desvendar tramas misteriosas por meio dos vestígios menos óbvios. Tentava sempre
perceber o que os outros não conseguiam captar (Sol em Gêmeos na décima segunda casa,
manifestando-se através do ascendente Gêmeos). Depois da morte do filho, Doyle desviou
sua atenção da literatura e, com sua segunda esposa, começou a estudar seriamente o
espiritismo.
Doyle passou o resto da vida estudando a comunicação com os espíritos e dando
palestras sobre o tema. Assim, enquanto anos antes teve seu primeiro vislumbre de uma
noção quase ficcional da reencarnação, quando precisou trazer Sherlock Holmes de volta à
vida, agora estava plenamente convencido da existência de estados transicionais de
consciência.
Se Doyle estivesse se identificando com o karma impessoal, fora do ascendente, nunca
teria sido capaz de lidar com as estranhas e misteriosas experiências que ocorreram por
meio de sua décima segunda casa. Porém, permanecendo centrado em si mesmo, ele foi
capaz de testemunhar comunicações com espíritos e entendê-las como parte da incessante
busca do homem para aprender tudo o que Deus destinou ao seu conhecimento.
Assim, Sir Arthur Conan Doyle, como estudante, médico, escritor, conferencista e
espírita, aprendeu tudo o que pôde em todas as áreas. Através do ascendente Gêmeos,
descobriu a maneira de compartilhar seu conhecimento com o mundo. Podemos ver como
as lições kármicas de descoberta, investigação e busca curiosa das possibilidades
existenciais do Nodo Norte em Aquário se filtraram através desse ascendente, pois Doyle,
disposto a doar algo à humanidade (Aquário), conseguiu fazê-lo por meio de seus livros
(ascendente Gêmeos).

ALEGORIA

Era uma vez um rei que tinha dois filhos. Ele prometeu a ambos uma parte igual do seu
reino. Porém, disse aos filhos que nenhum deles saberia o que era o reino antes de passar
por um teste muito especial.
"Além do mais", continuou o pai, "não vou dizer-lhes qual é o teste. Em vez disso,
65
quero que vocês saiam pelo mundo e descubram o teste por si mesmos. Pode levar alguns
meses, ou pode levar muitos anos, mas logo que vocês decifrarem esse teste especial
podem voltar para reclamar sua parte do reino."
Os dois filhos ficaram perplexos, porém obedeceram à vontade do pai. Na manhã
seguinte, cada um deles partiu para descobrir o teste. Um dos filhos viajou para leste, o
outro para oeste. No começo da viagem, cada filho pensava que resolveria o teste dado
pelo pai quase instantaneamente. Quando os meses se transformaram em anos, ficou claro
que eles não estavam nem perto de descobrir a natureza do teste.
O filho que viajou para leste estava sempre de frente para o sol. Procurou em todos os
lugares iluminados. Quanto mais procurava, mais luz encontrava. Porém, de frente para o
sol, nunca conseguia ver sua própria sombra.
O filho que viajou para oeste via a própria sombra o tempo todo. De costas para o sol,
só podia encontrar escuridão.
Depois de muitos anos, cada filho tinha percorrido a metade do mundo. Então,
encontraram-se. Exaustos da longa viagem, fitaram-se nos olhos para ver se a resposta
havia sido encontrada. O filho que viajou para leste estava agora de frente para o oeste. O
filho que viajou para oeste estava agora de frente para o leste. Mas nenhum dos dois
descobriu o que estava procurando. Decidiram voltar para casa percorrendo o caminho
inverso, na esperança de que um pudesse ver o que havia escapado ao outro. Quando
chegaram a casa, o pai os saudou de braços abertos. Envergonhados, admitiram que nem
sequer tinham entendido o que era o teste.
O rei compreendeu a decepção dos filhos e sorriu. "Uma parte do reino não é o reino",
explicou. "Um de vocês olhou para a escuridão, e o outro olhou para a luz. Viajaram em
direções opostas e opostos a si mesmos. E fizeram muito esforço e empenho para procurar
o que sempre foi de vocês."
Nesse momento, os dois filhos olharam o rei e perceberam qual era o teste. Sem ter
deixado o lar, nem negligenciado suas obrigações, o pai podia ver tanto a escuridão como a
luz e, na verdade, algo mais acima delas.

66

Você também pode gostar