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Garantias Relativas à Prisão

1. Previsões Constitucionais – art. 5º, LXI. LXII, LXIII, LXIV, LXV, LXVI, LXVII.
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos
casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou
à pessoa por ele indicada;
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de
advogado;
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial;
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a
do depositário infiel;

2. Finalidade das garantias constitucionais. As garantias relativas à prisão servem de tutela ao direito fundamental
à liberdade contra arbitrariedades de autoridades públicas, tendo, como seu maior instrumento de proteção, o
Habeas Corpus.

3. Espécies de prisão. Renato Brasileiro prevê três modalidades


a) Prisão penal – prisão pena.
b) Prisão extrapenal – subdividido em prisão civil, administrativa e disciplinar.
c) Prisão cautelar – subdividido em prisão em flagrante, preventiva e temporária.

3. 1. Prisão extrapenal. A Constituição proíbe a prisão civil por dívida, salvo nos casos de inescusável obrigação
alimentícia e do depositário infiel.
*A prisão civil por inadimplemento de pensão alimentícia é previsto no CPC, 528, o qual dispõe que eventual
inadimplemento autoriza a decretação do alimentante pelo período de 1 a 3 meses. O STJ elaborou o entendimento
sumulado, segundo o qual dispõe que o débito alimentar que autoriza a prisão do alimentante é o que compreende
as 3 prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo.
*A prisão civil do depositário infiel tornou-se inoperante em função da hierarquia supralegal conferida aos Tratados
Protecionistas internacionais, que foram incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro antes da promulgação da
EC 45/2004. O STF, por seu turno, editou o enunciado vinculante 25, o qual vincula os órgãos do Poder Judiciário,
com exceção do próprio Tribunal Constitucional, o qual prevê que, em respeito ao Pacto de San José da Costa Rica,
a decretação da prisão civil em face do depositário infiel possui afeições ilícitas. Assim sendo, atualmente, a única
possibilidade de um indivíduo sofrer restrição em sua liberdade decorrente de prisão civil, é no caso do
inadimplemento de alimentos.
*A prisão administrativa: na atualidade jurídica brasileira, conforme Marcelo Novelino, apenas em Estados de
Legalidade Extraordinária, como é o caso do Estado de Defesa e do Estado de Sítio, quando a prisão por crime
contra o Estado pode ser determinada pelo executor da medida, devendo ser imediatamente comunicada à
autoridade judiciária competente. Guilherme de Souza Nucci, por sua vez, sustenta que a prisão para fins de
extradição caracteriza-se como prisão administrativa.
*A prisão disciplinar: é permitida nos casos de transgressão militar, e crime propriamente militar definidos em lei. A
exceção constitucional se justifica em razão das peculiaridades estruturais das instituições militares brasileiras,
organizadas na disciplina e na hierarquia. Por força desse entendimento advindo do Constituinte originário, a
própria constituição afasta o cabimento de Habeas Corpus, permitindo que apenas seja conhecido no caso de
ilegalidade da medida disciplinar. Caso um militar das FA impetre HC, a competência será da JF; se impetrado por
militar estadual, será d TJM, aonde houver, a competência para processo e julgamento do HC.

3. 2. Prisão cautelar. Trata-se de medida decretada antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória, e
não possui o condão de sanção ao sujeito passivo, mas, sim, visa buscar a efetividade das investigações e das
medidas proferidas no âmbito processual criminal.
*Prisão em flagrante: trata-se da única hipótese de prisão cautelar que dispensa ordem e escrita e
fundamenta da autoridade judiciária competente. Para sua efetivação, considerando a imediatividade de sua
observância, a Constituição autoriza, inclusive, a entrada forçada violadora do domicílio alheio, independentemente
da hora, quando constatado que no interior do domicílio, ocorre situação de flagrância.
*Prisão preventiva: poderá ser decretada para garantia da ordem pública, da ordem econômica, por
conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência
de crime e indício suficiente de autoria.
*Prisão temporária: é uma espécie de prisão cautelar, com prazo de duração pré-estabelecido em sua
legislação, destinada à tutela das investigações policiais. São diferenças entre a prisão preventiva e temporária: a)
prisão temporária só pode ser decretada na fase de investigação preliminar; b) prisão temporária não pode ser
decretada de ofício; c) há rol taxativos que servem de fundamento à decretação da prisão temporária, na preventiva
não; d) prisão temporária possui prazo pré-estabelecido em lei.
4. Princípio da não autoincriminação. Postulado que protege o indivíduo contra determinação estatal no sentido de
impor ao indivíduo que produza provas contra si mesmo, seja na fase investigatória, seja no curso da instrução
processual ou em comissão parlamentar de inquérito. Cumpre-se esclarecer que é dever da autoridade responsável
informar o interrogado sobre seu direito de permanecer em silêncio, sendo que eventual ausência do Aviso de
Miranda, os elementos e provas colhidos serão maculados pela nulidade dos atos. Cumpre-se lembrar que o silêncio
do interrogado não acarretará a ela nenhuma sanção penal, eis que está ao abrigo do exercício de um direito
constitucionalmente assegurado.
*Direito a falsear a verdade? No âmbito de proteção constitucional ao silêncio do acusado, não está previsto o
direito de falsear a verdade sobre sua identidade, eis que se assim fizer, o interrogado será processado pelo crime
de falsa identidade.
*Desdobramento do direito constitucional ao silêncio: Renato Brasileiro elenca outros desdobramentos do princípio
do nemo tenatur se detegere. São eles:
 direito de não ser constrangido a confessar a prática de ilícito penal;
 inexigibilidade de dizer a verdade;
 direito de não praticar qualquer comportamento ativo que posso incriminá-lo.
 direito de não produzir prova invasiva sem o se consentimento.

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