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REGRAS PARA DECISÕES

Texto - Capítulo 30 - Seção I

Trechos do Workshop efetuado na Academy & Retreat Center of the


Foundation for A Course in Miracles®

Kenneth Wapnick, Ph.D.

Introdução: Background Metafísico

É óbvio, pelo título do workshop, “Regras para decisões”, que vamos passar a maior parte
do tempo com essa seção em particular, do Capítulo 30 no texto, e que essa seção, na
verdade, será o ponto central desse workshop. Vamos examinar muitas outras partes do
Curso que abordam também os temas dessa seção. E também, é óbvio pelo título, que o
tema central que estaremos visando é a idéia de escolher ou decidir. O Curso todo, e em
particular esta seção, deixa claro que nós temos apenas duas escolhas possíveis abertas
para nós em todos os momentos: escolher o ego como nosso professor ou “conselheiro” –
o termo usado nesta seção -, ou Jesus e o Espírito Santo. Depois, vou passar um tempo
considerável falando sobre Jesus e o que significa escolhê-lo como nosso conselheiro ou
professor ao invés do ego. O que eu gostaria de fazer primeiro, entretanto, é prover algum
background metafísico para a idéia total de escolher o ego ou o Espírito Santo. Uma boa
parte do que vamos falar durante este workshop não será muito metafísica. Essa é uma
seção muito prática e terra-a-terra em termos do que experimentamos ao escolher o ego
ou o Espírito Santo. Mas, assim como em qualquer discussão sobre o Curso que esteja
relacionada ao específico ou prático – como nos comportamos dentro do sonho ou dentro
deste mundo -, se nós não entendermos a metafísica geral do Curso primeiro, então a
aplicação prática não terá sentido. Então, vamos começar com isso. Vou dar uma versão
bem rápida do que eu costumo passar muito mais tempo falando.

O seguinte diagrama representa o gráfico desenhado na lousa durante o workshop, e que


é citado freqüentemente nos comentários.

Céu

Vamos começar, como sempre fazemos, no Início que é o Céu, e Deus e Cristo sendo os
dois seres que se estendem no Céu. A característica principal do Céu é que ele é um
estado de perfeita Unicidade, o que significa literalmente que, como o Curso diz, não
existe lugar onde o Pai termina e o Filho começa (LE-pI.132.12:4). Em outras palavras,
não existe diferenciação no Céu entre Deus e Cristo. Não existe personalidade ou
consciência separada no Um, que possa observar a si mesmo em relação ao Outro. De
fato, no Céu, não existem os termos “Deus” ou “Cristo”. Esses são termos que nós
usamos dentro do sonho, dentro da ilusão, para tentar descrever o que é o estado de
Céu. Mas não existe forma aqui de alguém saber o que é um estado de perfeita unidade
ou perfeita unicidade. Vamos falar muito nesse fim de semana sobre a mente. No Céu,
estamos falando sobre a Mente – o Curso freqüentemente fala sobre a Mente de Deus ou
a Mente de Cristo. A Mente de Deus e a Mente de Cristo são totalmente unificadas de tal

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forma, novamente, que não existe lugar onde uma termina e a outra começa. Esses são
termos que só têm significado para nós aqui, mas não teriam significado no Céu. O que
isso também quer dizer, e essa é uma idéia importante que vamos construir, é que não
existe escolha no Céu. Não existe decisão no Céu. Não existe livre-arbítrio no Céu,
porque livre-arbítrio, decisão ou escolha refletem o pensamento de que existem
alternativas entre as quais escolher.

Agora, se tudo o que existe é a perfeita Unicidade, ou o que poderíamos chamar de um


estado de não-dualidade, então, não existe absolutamente nada entre o que escolher.
Não existe maneira de Cristo, o Filho de Deus, poder escolher ser outra coisa além do
que Ele é: uma criação de Deus, totalmente unificada com Sua Fonte. Então, essa idéia
judaica-cristã de que Deus dotou sua criação com o livre-arbítrio, uma vontade que
poderia escolher uma realidade ou um pensamento de ser outra coisa que não Deus, é
impossível da perspectiva do Curso. Esse é um sistema puramente não-dualista. Toda a
noção de Deus que encontramos na bíblia, que obviamente é a pedra angular tanto do
judaísmo quanto do cristianismo, é de um Deus dualista. É um Deus Que coexiste com o
diabo, um Deus bom Que coexiste com o mal. É um Deus que permite a Si Mesmo
escolher contra, como vemos na história de Adão e Eva, onde os dois pecadores
desobedeceram às regras de Deus e escolheram comer do fruto proibido. Isso é
impossível no estado do Céu sobre o qual o Curso nos ensina. Novamente, estamos
falando sobre um estado perfeitamente não-dualista no qual não existe nenhum tipo de
escolha, no qual não existe decisões. O que isso então significa – e essa será uma idéia
importante que vamos enfatizar mais tarde no workshop – é que todo o conceito de
escolha é uma ilusão, todo o conceito de tomar uma decisão é uma ilusão. Não há nada
real sobre isso. Isso não significa que esse não seja um conceito extremamente
importante: obviamente é. Mas é muito importante manter em mente que toda a noção de
escolher ou de tomar decisões é inerentemente irreal, porque o único estado de realidade
é, para repetir, o da perfeita Unicidade, ou o da não-dualidade.

A Mente Dividida

Agora vamos falar brevemente sobre o que o Curso chama de “diminuta e louca idéia”,
que é o pensamento da separação que pareceu esgueirar-se para dentro da mente do
Filho de Deus, e que, na realidade, nunca aconteceu de forma alguma: “Na eternidade,
onde tudo é um, introduziu-se uma idéia diminuta e louca, da qual o filho de Deus não se
lembrou de rir” (T-27.VIII.6:3-4). Na realidade, isso nunca poderia ter acontecido porque
nunca poderia ter havido um pensamento de nada além de Deus. Como poderia haver um
pensamento de imperfeição, um pensamento de dualidade, de separação na Mente da
perfeita Unicidade? Isso é impossível, e, portanto, nunca aconteceu – mas nós
acreditamos que aconteceu. Esse é o início do que o Curso chama de mente dividida
(sempre aparecendo em letra minúscula), a mente que resultou da “diminuta e louca
idéia”. Essa própria mente se dividiu em duas: a parte que chamamos de ego, e a parte
que chamamos de Espírito Santo. Eu deveria mencionar que em toda essa discussão,
nada que eu ou o Curso falemos em relação a isso deveria ser tomado literalmente – são
só símbolos. Na verdade, Jesus está nos contando um mito, e mitos não são reais. Mitos
tentam refletir uma realidade, mas em si mesmos não são verdadeiros. Eles são
símbolos, e, como Jesus diz no manual para professores: “Não nos esqueçamos,
entretanto, de que as palavras não são senão símbolos de símbolos. Estão, assim,
duplamente afastadas da realidade” (MP-21.1:10-12). Estamos falando sobre palavras

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que são símbolos de uma idéia ou de um pensamento, mas o pensamento em si mesmo
não é real. Essa é a linguagem do mito, ou a linguagem da metáfora.

Então, quando a “diminuta e louca idéia” pareceu subir à mente do Filho de Deus,
também emergiu dentro dessa mesma mente duas maneiras diferentes de olhar para
aquela “diminuta e louca idéia”. Uma é o que chamamos de ego, e a outra é o que
chamamos de Espírito Santo. A maneira do Espírito Santo de olhar para a “diminuta e
louca idéia” é aquela a qual o Curso se refere como o princípio da Expiação – a afirmação
de que a separação nunca aconteceu. É a forma do Espírito Santo de dizer ao Filho de
Deus: “O que você está vendo ou pensando é simplesmente um sonho tolo. Não deve ser
levado a sério, porque como poderia um pensamento como esse ter qualquer efeito sobre
a realidade?”. Existe uma frase maravilhosa na seção chamada “O pequeno obstáculo”:
“nenhuma nota na canção do Céu se perdeu” (T-26.V.5:9-10). Em outras palavras, essa
“diminuta e louca idéia”, esse pensamento de ser separado de Deus não teve efeitos no
Céu de forma alguma.

O Espírito Santo pode ser visto como a memória da perfeição de Deus, ou a perfeita
Unicidade de Deus e de Cristo, que o Filho levou com ele para dentro do sonho. E essa é
a memória que liga o Filho de volta a Deus, assim como a memória de alguém amado que
morreu nos liga àquela pessoa. Você pensa nessa pessoa que era muito querida para
você, e começa a sentir sua presença. Você chora, sente-se feliz pelos bons momentos
que tiveram, fica com raiva pelos momentos infelizes que viveu e pelas mágoas que está
carregando – mas é a sua memória daquela pessoa que o liga a ela, então você sente
agora o que poderia ter sentido enquanto aquela pessoa ainda estava viva. Portanto, a
função da memória em nossa experiência diária é que nos liga a algo do passado. Nesse
sentido, a memória de Quem nós somos como Cristo, é a ligação entre nossa experiência
atual e Quem nós realmente somos no Céu. Então, novamente, quando aquela “diminuta
e louca idéia” emergiu, também existia um pensamento na mente que disse que o
impossível nunca aconteceu – esse pensamento é o que o Curso chama de Espírito
Santo. Esse é o pensamento que diz que aquela “diminuta e louca idéia” é simplesmente
isso: um pensamento insignificante que não tem efeitos de forma alguma e é totalmente
insano. Quando Jesus usa a palavra “louca” ou “loucura’ no Curso, ele sempre a usa
como um sinônimo para “insanidade”.

Do outro lado, entretanto, está o ego, e o ego é um pensamento que diz não apenas que
a separação aconteceu, mas que foi um acontecimento terrível. O Filho de Deus cometeu
uma ofensa ultrajante contra seu Criador, sua Fonte. É isso o que significa a palavra
“pecado”. Essa foi uma ação muito séria pela qual o Filho deveria se sentir culpado; e ele
agora deveria estar aterrorizado pela ira de Deus que busca vingança em relação ao que
Ele fez. O que o Filho fez, de acordo com o ego, foi roubar o poder de Deus, a vida de
Deus, usurpar Seu papel como Criador, como Primeira Causa, e proclamar, sobre o corpo
morto de Deus, que ele mesmo é seu próprio criador e sua fonte. Essa é a versão do
Curso para o pecado original. Novamente, isso nunca aconteceu na realidade, mas,
dentro do sonho, esse é um ponto essencial. E, portanto, o que vai terminar acontecendo
se o Filho escolher o ego é que ele vai acreditar que se separou de Deus. Ele vai se sentir
sobrecarregado com a culpa em relação ao que fez, e agora vai acreditar que Deus vai
puni-lo.

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Existem duas escolhas abertas ao Filho de Deus. O Filho de Deus que precisa fazer uma
escolha, nós vamos representar nesse diagrama como um ponto azul – e vamos lhe dar
um nome: o tomador de decisões. Aqueles de nós que já estudam o Curso por algum
tempo sabem que o termo “tomador de decisões” nunca é usado no Curso nesse
contexto. Ele na verdade é usado uma vez no manual, mas em um contexto diferente. É
um nome que nós demos àquela parte da mente separada que precisa escolher entre
esses dois sistemas de pensamento. Muitas e muitas vezes Jesus está nos pedindo para
fazermos outra escolha. Certamente, nessa seção, “Regras para decisão”, existe um tema
central: que nós precisamos decidir, que precisamos escolher. Na verdade, poderíamos
dizer, como certamente vamos elaborar melhor depois, no workshop, que o ensinamento
central do Curso é que nós realmente temos outra escolha. Nós escolhemos errado, e
agora podemos escolher outra vez. Como vocês sabem, a última seção do Curso, aquela
linda seção chamada “Escolhe outra vez” reitera isso pela última vez. Portanto, a parte
das nossas mentes que precisa escolher, ou que precisa decidir, nós simplesmente
chamamos de tomadora de decisões – isso torna mais fácil nos referirmos a ela. Quando
Jesus se refere ao Filho de Deus no Curso, quando ele fala como o leitor como “tu”, é
esse o “tu” a quem ele está se dirigindo – essa parte de nossas mentes que precisa
escolher entre o ego e o Espírito Santo.

O que aconteceu – e todos nós somos testemunhas de que isso aconteceu – é que como
um Filho, nós nos voltamos para o ego e nos afastamos do Espírito Santo. Nós
basicamente dissemos que não acreditávamos na história do Espírito Santo; ao invés
disso, acreditamos no ego. Novamente, estamos falando de forma mitológica, então, não
é que tivéssemos conversado e falado todas essas idéias – mas, com efeito, o que
aconteceu na mente do Filho é que ele gostou de estar por conta própria. Na verdade, se
ele tivesse ouvido o Espírito Santo e se identificado com Seu princípio de Expiação,
então, a separação teria se dissolvido no mesmo instante em que pareceu acontecer.
Toda individualidade teria se dissolvido, e o Filho teria desaparecido no Coração de Deus,
e não mais teria existido como um ser separado. Dentro do sonho, o Filho agora existe
como um ser separado que tem a liberdade (ou a ilusão de liberdade) de escolher se vai
ouvir a Voz por Deus, como o Curso se refere ao Espírito Santo, ou a voz do ego. Ele
gosta de estar por conta própria. Ele gosta de autonomia. Ele gosta da individualidade
com a qual está começando a se identificar e a apreciar agora. O termo muito importante
que o Curso usa para resumir isto é: ele gosta do seu especialismo. No Céu, ele não é
especial. No Céu, ele não existe como uma personalidade separada. Agora, de repente,
ele se vê por conta própria e gosta disso – ele gosta de ser especial. E ele não está ciente
nesse momento do tremendo custo que terá, por se afastar do Espírito Santo e se voltar
para o ego.

De fato, nós poderíamos dizer que uma das coisas principais que Jesus nos diz no Curso
é para nos fazer entender o tremendo preço que pagamos por continuarmos a nos
identificar com nosso especialismo e com o ego. Ao trabalharmos com o Curso durante
um período de muitos anos, percebemos, para nosso próprio horror, que preço terrível,
horrível, isso tem tido. Se vocês pensarem que isso é ruim agora, esperem dez ou quinze
anos, quando realmente perceberem o ponto central disso e perceberem, com um horror
real, o que realmente fizeram. Quando vocês perceberem o que fizeram dentro do sonho,
vão entender porque sua culpa é tão forte. Na realidade, isso nunca aconteceu de forma
alguma, mas, desde que vocês acreditem estar aqui, desde que acreditem que são seres
individuais especiais, desde que acreditem que são uma personalidade separada, vão

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acreditar que realmente fizeram uma coisa muito, muito monstruosa. Entretanto, logo no
início, não estávamos conscientes do que fizemos. Pensávamos que estávamos apenas
brincando, pensávamos que realmente estávamos gostando da nossa recém-encontrada
liberdade e individualidade, e, então, escolhemos como um Filho – nesse ponto, ainda
estamos falando sobre o Filho de Deus - a acreditar no ego, o que quer dizer que nos
identificamos com ele. Uma vez que escolhemos acreditar no que o ego diz, não apenas
escolhemos acreditar, mas nos tornamos isso. Então, nos tornamos um ser pecador,
culpado, dominado pelo medo. Esse é o preço que foi pago pelo especialismo, e pelo
pensamento de estarmos fora do Céu e por conta própria.

O Mundo e o Corpo

Logo que o Filho fez isso, o ego percebeu que tinha um problema em potencial em suas
mãos, porque ele sabia que “jogou um véu” sobre os olhos do Filho. O problema que o
ego encara é: e se o Filho subitamente despertar em uma manhã e perceber o que fez?
Ele vai mudar sua mente, e vai escolher contra o ego e a favor do Espírito Santo. Ele vai
despertar do sonho, e vai desaparecer no Coração de Deus. Então: não vai mais existir
ego. Não vai mais existir individualidade. Não vai mais existir separação, nem
especialismo, nem personalidade. Não vai mais existir vida – como o ego a julga.

Agora que tem o Filho em suas garras, o ego faz mais uma coisa: assegura-se de que o
Filho nunca vai mudar sua mente. E ele faz isso com uma estratégia muito esperta; se o
ego pode tornar o Filho sem mente e fazê-lo esquecer-se de que tem uma, como o Filho
poderia mudar sua mente? Não podemos mudar o que não acreditamos ter. Então, o que
o ego faz depois é projetar-se para fora da mente e fazer ou – como o Curso diz logo no
início – fazer um mundo de separação, que não é nada mais do que o reflexo,
aparentemente externo, do pensamento que está dentro. O mundo resulta, em outras
palavras, de aceitarmos os conteúdos dessa caixa de mentalidade errada do ego de
pecado, culpa e medo, e todos os outros pensamentos que vêm com ela – simplesmente
pegando tudo isso de dentro e dizendo que agora está fora. Uma vez que o pensamento
da separação projetou-se para fora da mente, ele fez o que a separação faz: ele se
separou – e separou, e separou, fragmentos, divisões, sub-divisões, vezes sem fim. Esse
é um processo que parece acontecer durante bilhões de anos. Na realidade, acontece em
um instante; e na “realidade real”, se eu puder fazer uma distinção horrível, ele nunca
aconteceu de forma alguma. Uma vez que o processo de fragmentação foi completado,
então, cada um dos fragmentos aparentes foi colocado no que chamamos de corpo. O
corpo, se puderem perdoar o trocadilho, é o in-corporamento do ego. É o pensamento da
separação agora recebendo uma forma e sendo engaiolado dentro de um corpo, que, por
sua própria natureza, se separa dos outros corpos e dos outros objetos. Foi assim que o
mundo da separação surgiu.

O que regula o corpo, como nos é dito, é o cérebro. O cérebro não é a mente. O cérebro
existe fora da mente como um reflexo do pensamento que está dentro dela; mas não é a
mente. O que o ego então faz é colocar um véu sobre a mente do Filho de Deus, e esse é
o véu do esquecimento, que faz com que o Filho se esqueça de onde veio. Novamente,
de onde viemos é simplesmente uma projeção de um pensamento na mente. Um dos
princípios importantes do Curso é que “idéias não deixam sua fonte” (T-26.VII.4:7), o que
significa que a idéia de um corpo separado nunca deixou sua fonte, que é a mente. Isso,
por seu lado, significa que literalmente não existe um mundo lá fora. Existe uma crença de

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que há um mundo lá fora, mas o mundo que pensamos estar fora de nós é simplesmente
a projeção do que está dentro de nós. Entretanto, por causa desse véu que cobre nossas
mentes, nós nos esquecemos de onde viemos. A idéia e a fonte se separaram, a causa e
o efeito se separaram, e agora, acreditamos estar nesse mundo. Temos uma amnésia
total – não nos recordamos de forma alguma de onde viemos. Então, o ego agora foi bem
sucedido porque ele nos tornou sem mente. E, para repetir, a importância disso é que, se
não temos um mente, como poderíamos escolher?

Todas as escolhas que pensamos ter estão dentro da ilusão, e são todas manipuladas.
Isso porque não estamos realmente escolhendo nada – estamos simplesmente
escolhendo uma ilusão contra outra. Eu prefiro essa ilusão do que aquela. Existe esse
problema ilusório aqui, e existe esse solução ilusória ali. Na realidade, não existe nada. O
único problema, como o Curso nos diz muitas e muitas vezes, é simplesmente que nos
afastamos do Espírito Santo e nos voltamos para o ego. Com efeito, o que fizemos foi
apostar no cavalo errado. E não estamos cientes de que o cavalo caiu morto no portão de
partida, e não vai a absolutamente lugar algum. Agora, passamos todo nossos tempo
tentando ressuscitar esse cavalo morto e fazê-lo nos levar a algum lugar – e não existe
forma de ele fazer isso porque não está vivo. Então, o que Jesus está fazendo no Curso é
dizer para nós realmente: “Você apostou no cavalo errado. Esse cavalo não vai levá-lo a
lugar algum. Acredite em mim – eu vou levá-lo de volta para casa”. Mas nós somos tão
teimosos, estúpidos e insanos que persistimos em tentar fazer esse cavalo morto se
levantar. E isso leva a absolutamente lugar nenhum. Cada coisa que fazemos nesse
mundo é como tentar ressuscitar um cavalo morto, e fazê-lo chegar a algum lugar – e ele
não vai nos lugar a lugar nenhum. Ele não pode nos levar à terra prometida, não pode nos
levar para casa – ele está morto. Apenas imaginem-se sobre um cavalo morto. Vocês
estão chicoteando-o, estão tentando persuadi-lo, estão fazendo todo tipo de coisas, e ele
não ouve. Ele não faz absolutamente nada. É isso o que fazemos no mundo. É isso o que
fazemos com o corpo. Mas o corpo é um cavalo morto. Nós não sabemos o que estamos
fazendo porque não sabemos nada mais. Não é o cavalo que tem viseiras, nós temos
viseiras. Tudo o que nós vemos é o que o ego quer que vejamos: o que está fora de nós.
Ele não nos deixa ver onde está o problema real, que é dentro de nós – na mente.

Então, novamente, o único problema que temos é que nos afastamos do Espírito Santo e
nos voltamos para o ego, o que significa que a única solução para todos os nossos
problemas, ou o que pensamos ser todos os nossos problemas, é simplesmente
retornarmos àquele ponto de decisão em nossas mentes e fazer outra escolha – escolher
novamente contra o ego e agora a favor do Espírito Santo. É isso o que o milagre faz. É
por isso que isso é chamado de Um Curso em Milagres. O que o milagre faz é tirar nossa
atenção do mundo e trazê-la de volta para dentro das nossas mentes para que possamos
fazer outra escolha. Sem isso, essa seção, “Regras para decisão”, não teria sentido. O
que o milagre faz é tirar nossa atenção dos nossos problemas ou preocupações no
mundo, em nossos próprios corpos ou nos corpos de outras pessoas, e nos dizer: “Esse
não é o problema - o problema está de volta dentro da sua mente. Olhe para dentro dela”.
Isso é tudo o que o milagre faz. Como Jesus afirma muito claramente no Curso, o milagre
não escolhe por nós. Tudo o que ele faz é nos tornar conscientes da escolha que temos.
Ele traz o problema de volta para dentro de nossas mentes para que possamos fazer
outra escolha. Nós finalmente podemos olhar para o que escolhemos, olhar para o preço
que pagamos pelo que escolhemos, e perceber que foi algo estúpido – olhar para o
cavalo e perceber que ele não está vivo. Nesse ponto, então, a escolha se torna

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significativa porque agora podemos escolher novamente. nós agora percebemos que
existe outro cavalo, outro sistema de pensamento. Existe outra presença em nossas
mentes que podemos escolher. Se escolhermos essa presença, então, vamos realmente
encontrar a paz e o Amor de Deus.

Em pouca palavras, então, esse é o background para “Regras para decisão”. É realmente
uma maneira de nos ajudar a aprender que, na verdade, nós temos mesmo uma escolha.
Isso significa que a esfera de atividade, a esfera de ação não é o corpo, não é o cérebro,
e não é o mundo, mas a mente. Uma vez que voltemos para nossas mentes e
percebamos qual é a escolha, a escolha certa será óbvia.

Introdução

Antes de começarmos nossa análise linha por linha dessa seção, deixem-me primeiro
situá-la para vocês em termos de onde ela está no texto. A seção anterior que encerra o
Capítulo 29, é chamada de “O sonho de perdão”, que é uma seção maravilhosa
contrastando os sonhos de perdão com os sonhos de julgamento. Os sonhos de perdão
obviamente seriam a correção do Espírito Santo para os sonhos de julgamento do ego. O
último parágrafo naquela seção fala sobre “um novo começo”, que é quando o Filho de
Deus começa a se afastar dos sonhos de julgamento do ego – os sonhos de
especialismo, de ataque, de ódio, etc. –, e se voltar em direção aos sonhos de perdão do
Espírito Santo.

O que se torna muito claro na introdução dessa seção é que isso é um processo. Não é
algo que simplesmente possamos aprender de uma outra pra outra. É por isso que Jesus
fala sobre “um novo começo”. Aqueles de vocês que já trabalharam um pouco com o
Curso sabem que a visão de Jesus sobre o tempo decididamente é diferente da nossa.
Então, quando ele diz “começo” não está necessariamente dizendo um dia, ou uma
semana, ou um ano. Ele diz, na seção “Pois Eles vieram”: “O que são cem ou mil anos
para Eles, ou dezenas de milhares de anos?” (T-26.IX.4:1-2). Quando ficamos fora do
tempo como ele faz, todo tempo é o mesmo. Então, falar disso como “um novo começo”
não significa necessariamente que estará terminado e concluído em nenhum tempo
específico. Mas isso certamente significa que existe um começo – que vocês começam a
reconhecer o que são os sonhos de julgamento e especialismo do ego. Então, vocês
começam a perceber qual tem sido o custo – esse julgamento e especialismo não lhes
trouxe felicidade, nem paz. Toda individualidade e especialismo que vocês acreditaram ter
recebido, e lutaram para manter, não valem a pena porque não funcionaram. O
especialismo nunca vai lhes trazer felicidade. Nunca vai lhes trazer amor. Ele vai lhes
trazer um sentimento bom momentaneamente, mas nunca dura. E bons sentimentos
sempre têm um lado inferior: quando você está por cima, sempre vai cair. A paz de Deus
não tem lado inferior – é uma superfície plana, é equilibrada, é constante, e não sobe e
desce. Não é dramática, e não é hilariante. Não excitante, não é passional. Tudo isso vai
fazer várias pessoas dizerem: “Quem quer isso? Isso parece muito chato”. Mas isso vai
permanecer, e nunca vai falhar.

Jesus, portanto, está supondo, nesse ponto do currículo, - afinal, tudo isso está no
Capítulo 30, então, os estudantes já estiveram com o Curso durante algum tempo – que
os estudantes pelo menos começaram a reconhecer o que são as duas escolhas, mesmo
que ainda não estejam prontos para escolher. Lembrem-se, o milagre não escolhe por

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vocês; ele simplesmente estabelece que vocês realmente têm uma escolha. Agora, ele
está nos instigando, nessa seção, a escolher com ele ao invés de com o ego.

O que é especialmente interessante sobre essa seção, de um ponto de vista de formação,


que seu estilo inteiro é extremamente diferente das seções e capítulos que a precedem, e
das que a seguem. Ela é escrita em um estilo bem mais simples: ainda em versos
brancos, o que a torna ainda mais incrível. Mas, à parte disso, não está escrita da mesma
forma altamente poética como essa parte total do texto está. É quase como se o que
Jesus estivesse fazendo nessa seção é prenunciar o que virá depois, com o livro de
exercícios. Lembrem-se de que o livro de exercícios foi recebido por Helen depois que o
texto estava completo. O estilo dessa seção tem muito mais em comum com as lições do
livro de exercícios, especialmente as primeiras lições. Então, em termos de forma, é
quase uma anomalia aqui. É quase como uma pausa para o leitor respirar. É muito mais
fácil de ler e entender do que muitas outras partes, especialmente os últimos capítulos – é
por isso que essa seção é particularmente favorita para muitos estudantes do Curso. Mas,
de um ponto de vista temático, ela se encaixa perfeitamente.

Deixem-se mencionar também, como uma precaução, que, ainda que Jesus nessa seção
fale sobre sete regras para decisão, ele realmente está dando-as para nos prover com um
sentido do processo que estamos para aprender, para distinguir entre o que o ego e o
Espírito Santo estão oferecendo. Elas não deveriam ser tomadas literalmente como
passos que todas as pessoas precisam seguir de forma exata. O processo de todos é
diferente – a forma do processo é diferente. No final do manual para professores, Jesus
diz que “o currículo é altamente individualizado” (MP-29.2:6). O conteúdo é o mesmo para
todos: a idéia de olhar para dentro da mente, ver quais são as duas escolhas, olhar para o
que a escolha de especialismo do ego trouxe, e, então, finalmente, fazer outra escolha. O
conteúdo é o mesmo para todos, mas a maneira com que o estudante vai passar por isso
é decididamente diferente. Portanto, usem essas sete regras para decisão realmente
como um guia básico para ajudá-los a perceber como é o processo total. Isso é similar ao
que vocês deveriam fazer com os estágios no desenvolvimento da confiança que vêm no
início do manual para professores (MP-4-I). Lá, Jesus dá seis estágios. Eles não devem
ser tomados literalmente também – achar que todos tenham que passar por esses seis
estágios da forma que aparecem lá. Eles são descritos como uma forma de nos dar uma
visão ampla do processo geral de ultrapassarmos o ego e atingirmos o mundo real, que é
o estágio final daqueles seis estágios.

Nesse sentido, então, não tomem essas sete regras como sendo literalmente verdadeiras
– achar que vocês realmente têm que dizer essas palavras exatamente como Jesus as
dá, e que precisam seguir essa seqüência exata. Seu propósito realmente é nos prover
com uma moldura geral para entendermos o que acontece quando fazemos a escolha
errada. Então, podemos corrigi-la. Essa seção, portanto, é um exemplo maravilhoso do
que Jesus quis dizer no fim do Capítulo 1, quando ele chamou seu curso de “um curso em
treinamento mental” (T-1.VII.4:1). Isso é uma forma de ajudá-los a treinarem suas mentes
para pensarem de acordo com as linhas que ele está estabelecendo, ao invés de com as
linhas que o ego estabeleceu. É uma forma de treinar nossas mentes para não serem
induzidas pelos véus e pelas ilusões e distrações que o ego nos dá no mundo – nós
podemos atravessar tudo isso e voltar para aquele lugar em nossas mentes onde a
escolha se torna significativa. Isso requer uma tremenda quantidade de trabalho. Muitas e
muitas vezes, Jesus diz o quanto o seu curso é simples – e, entretanto, não enfatiza

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demais que ele é fácil. O que é simples e fácil sobre ele é que diz apenas uma coisa o
tempo todo: o que é verdadeiro é verdadeiro, e o que é falso é falso. É isso! Então, como
ele diz no final do texto: tu não poderias pedir nada mais simples do que isso (T-31.I.1).
Mas é necessária uma imensa quantidade de concentração e dedicação para realmente
aprender o que ele quer dizer, e para ser capaz de usar aqueles princípios todas as vezes
em que nos percebermos ficando irritados, transtornados, cheios de pensamentos de
especialismo, de vingança, de depressão, de dor, de doença, etc. É preciso uma
disciplina tremenda e trabalho duro para sermos capazes de perceber que nossos
problemas não estão aqui, no mundo, mas dentro de nossas mentes. Então, novamente,
essa seção deixa claro que estamos falando sobre um processo.

Vamos começar agora a percorrer a seção. Vamos começar com a Introdução.

(Sentença 3) A rapidez com que ela [nossa meta] pode ser alcançada depende de uma
única coisa: a tua disponibilidade para praticar cada passo. Cada um ajudará um pouco a
cada vez que for tentado.

Isso é muito claro. Ele está falando sobre muitos passos, não sobre um. Infelizmente, as
pessoas geralmente pensam que é muito fácil – elas pensam que estão a um passo do
mundo real, senão no próprio mundo real, simplesmente porque querem estar no mundo
real. Elas não estão conscientes da sua forte identificação inconsciente com seus egos, e
com seu especialismo, que sempre age contra sua aquisição de um verdadeiro estado de
paz. Isso acontece porque elas pulam passagens e seções como essas. Jesus está
falando sobre a necessidade de praticar cada passo, e cada passo realmente significa
estar ciente com tanta freqüência quanto for possível durante o dia, do que estamos
escolhendo. Antes, no texto, Jesus disse a Helen, ainda que obviamente estivesse
destinado a todas as outras pessoas: “Tu és tolerante demais com as divagações da tua
mente” (T-2.VI.4:6). “Divagações da mente” é a divagação da mente de si mesma através
da projeção, terminando em um mundo. Em outras palavras, você divaga da sua mente.
Agora, todos os seus pensamentos são para o mundo fora de você – e o seu corpo está
tão fora de você quanto os corpos de qualquer outra pessoa. Isso é assim porque o “você”
de que estamos falando é a mente. Lembrem-se, o “tu” no Curso é sempre o Filho de
Deus, ou o tomador de decisões dentro da mente. Então, o que acontece quando nós
“divagamos” é que nossos pensamentos deixam sua fonte dentro da mente, e agora
parecem estar fora da mente, no mundo. Mas nós nos esquecemos como eles chegaram
lá. Então, nos percebemos ficando transtornados com todo tipo de coisas no mundo.

A única razão pela qual estamos com medo é que escolhemos o ego. Não estamos com
medo porque nosso corpo tem uma doença fatal, ou porque não temos dinheiro suficiente
para o pagamento da próxima hipoteca mensal, ou porque uma guerra pode começar, ou
porque um animal selvagem está nos rondando. Esse é um exemplo de divagação da
mente – pensar que estamos com medo e transtornados, ou desejando algo que está fora
de nós. Na realidade, tudo é uma projeção do que está dentro de nós. É por isso que
precisamos de treinamento específico, e porque temos que praticar: porque somos
“tolerantes demais com a divagação da nossa mente”. Nós amamos nosso especialismo.
Nós amamos ser indulgentes com ele – seja um especialismo que nos torne felizes ou um
que nos faça chorar. Quando nosso especialismo nos faz chorar, existe uma parte de nós
que secretamente está feliz, porque então, podemos afirmar que somos uma vítima
inocente do que outra pessoa nos fez. Então, existe uma parte perversa das nossas

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mentes que ama sofrer para que possamos apontar um dedo acusador para outra pessoa
e dizer: “Você fez isso comigo”. Tudo isso é um exemplo de divagação da mente. É por
isso que temos que praticar, e praticar, e praticar. É por isso que este é um Curso muito
difícil: porque ele é tão simples! Ele é inflexível – não faz exceções. Não existe
absolutamente nada nesse mundo que possa nos ajudar, assim como não há
absolutamente nada nesse mundo que possa nos machucar. Absolutamente nada: pela
simples razão de que não existe mundo!

Um dos objetivos de qualquer professor, assim como o objetivo de Jesus em seu Curso, é
ajudar o estudante a generalizar – a aprender exemplos específicos e então generalizar.
Um simples exemplo disso é como nós todos aprendemos a somar, subtrair, multiplicar e
dividir. Nós aprendemos certos princípios e então praticamos com exemplos específicos.
Quando dominamos isso, não havia um número no mundo que não pudéssemos
manipular através da adição, subtração, multiplicação e divisão. Nós não tínhamos mais
que praticar com cada possibilidade no mundo. Nós aprendemos alguns princípios
básicos, os praticamos até dominá-los, e, então, generalizamos, então agora, podemos
adicionar, subtrair, multiplicar e dividir qualquer conjunto de números no mundo.

É exatamente sobre isso que Jesus está falando aqui – que nós pratiquemos com todas
as coisas específicas em nossas vidas diárias que nos transtornam ou preocupam; com
todas as coisas que acontecem dentro de nossos relacionamentos especiais; todas as
coisas em nossas vidas que são problemas para nós – nossos empregos, nossos corpos,
etc. E, conforme aprendermos a aplicar os princípios que essa seção nos dá, um dia
vamos alcançar o ponto em que vamos generalizar. Então, não haverá absolutamente
nada nesse mundo que possa jamais nos causar dor ou nos trazer angústia. Esse é o fim
do currículo – quando dominamos esses princípios e os aplicamos o tempo todo.

(Sentença 11-12) Agora nós buscamos fazer com que sejam hábitos, de tal forma que
venhas a tê-los à mão para qualquer necessidade.

Eles vão se tornar tão habituais para nós quanto o sistema de pensamento do ego o é
agora. É realmente um hábito excessivamente aprendido ficar doente, irritado, ou ansioso,
ou ficar transtornado com qualquer coisa que aconteça fora de nós. Então, o que Jesus
quer que façamos é ter o mesmo poder mental que aprendeu todos esses hábitos
insanos, para aprender seu hábito são de nos tornarmos mais e mais observadores de
nós mesmos. É isso o que ele quer dizer quando fala que deveríamos ser muito honestos
com ele e não escondermos nada (T-4.III.8:2). Nós deveríamos nos tornar mais e mais
observadores e honestos conosco mesmos, para que possamos começar a perceber
quando saímos dos trilhos. A maioria do tempo, nós percebemos isso quando o estrago já
está feito. O que queremos fazer é voltar cada vez mais profundamente àquele ponto em
nossas mentes quando fizemos a primeira escolha contra o amor, a verdade, contra
Jesus – porque esse é o início, a causa do que acabou levando ao efeito: estarmos
angustiados, transtornados, irritados, deprimidos, doentes, etc. O tempo entre a causa e o
efeito vai ficar cada vez mais curto conforme progredimos com o Curso.

Em uma definição maravilhosa sobre o milagre, Jesus diz que ele funciona para restaurar
à causa sua função de causalidade (T-28.II.9:3). A mente é a causa; o mundo é o efeito.
Sempre que tivermos um problema no mundo, é porque nos esquecemos a causa que
está em nossas mentes. O que o milagre faz é restaurar a mente (a causa) à sua função

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de ser o agente causador de tudo o que sentimos. Isso é tudo o que o Curso está nos
treinando para fazer. Isso é extremamente importante, porque se não entendermos isso,
faremos uma massiva viagem de culpa em nós mesmos. Vamos pensar que estamos
falhando com esse Curso porque ainda estamos escolhendo com nossos egos.

A função do milagre não é nos fazer escolher nossos egos, é nos deixar conscientes de
que estamos escolhendo o ego. Novamente, não posso enfatizar isso o suficiente. Isso é
o que leva a maioria dos estudantes do Curso em Milagres a saírem dos trilhos. Eles
então acreditam que estão escolhendo o Espírito Santo quando não estão fazendo isso
de forma alguma – porque eles pensam que escolher o Espírito Santo é o objetivo do
Curso. O objetivo do Curso é escolhermos o milagre, o que significa que finalmente
estamos entendendo o que estamos escolhendo e, então, aprendemos a perdoar a nós
mesmos por continuamente escolhermos nosso especialismo. Se fizermos isso, o que
estamos fazendo de fato é deixar Jesus olhar para nosso ego conosco. Mais tarde, no
workshop, vamos elaborar melhor isso, quando falarmos sobre o significado de Jesus.
Mas é isso o que o milagre é: voltarmos para nossas mentes e, com Jesus ou o Espírito
Santo ao nosso lado, olharmos para nosso ego e percebermos que o escolhemos – ainda
que em qualquer momento, até naquele mesmo momento, ainda não desejemos deixar o
ego. Pelo menos vamos saber o que estamos fazendo e, então, vamos acabar
percebendo, como estudantes do Curso, o quanto somos absolutamente insanos –
literalmente – pelo fato de continuamente escolhermos o ego e nosso especialismo. Mas
agora, pelo menos, saberemos que estamos fazendo isso, o que significa que não
podemos culpar mais ninguém por isso. Não podemos culpar nosso ambiente, a pessoa
que acabou de nos violentar, ou que nos tirou dinheiro, ou nos insultou. Não podemos
culpar nossos genes, nosso mau karma – não podemos culpar nada. Agora, vamos
entender que se ficarmos transtornados exatamente nesse momento, é porque queremos
ficar transtornados exatamente nesse momento; nós não queremos a paz de Deus. Nós
queremos uma parte da ação do ego. Nós queremos uma parte do nosso especialismo.
Não queremos a paz de Deus, mas pelo menos sabemos agora o que estamos fazendo.
Esse é o objetivo do Curso. Nós completamos o Curso com sucesso, porque, uma vez
que fizermos isso, é apenas uma questão de tempo antes de percebermos que isso tudo
aqui não vale mais a pena. Esse passo vai acontecer automaticamente.

Essa é outra forma de entender o que Jesus quer dizer quando fala sobre “a pequena
vontade”, sua vontade de praticar cada passo. É a pequena vontade de simplesmente
saber o que você está fazendo. Não é necessária uma grande vontade, o que implicaria
em escolher contra o ego, a favor de Deus. Simplesmente por saber o que está fazendo,
você deveria aceitar total responsabilidade pelo seu especialismo, por sua miséria, sua
dor – seja ela física ou emocional. Você iria perceber que ninguém além de você é
responsável por isso. Então, iria aprender que isso não é pecador, não é vicioso, não é
mau: é simplesmente tolo. E, se você puder dizer que é tolo, estará começando a
entender o que o Espírito Santo diz logo no início: A diminuta e louca idéia não é má, não
é viciosa, não é pecadora: é tola. Esse é o significado da linha que citei antes: “”Na
eternidade, onde tudo é um, introduziu-se uma idéia diminuta e louca, da qual o Filho de
Deus se esqueceu de rir” (T-27.VIII.6?3-4). Nós olhamos para nosso especialismo, para
nossa escolha pelo especialismo ao invés de pelo amor de Jesus, e sorrimos da tolice
disso tudo. Ainda que estivermos abraçando isso, ainda que o estejamos defendendo,
ainda que nos deliciemos com a dor que ele traz, pelo menos vamos saber o que estamos

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fazendo, e esse é o objetivo do Curso. Isso requer uma prática tremenda, porque nós não
queremos aceitar a responsabilidade – nós queremos culpar outra pessoa.

Nós podemos inclusive culpar o próprio ego – como se ele estivesse fora de nós. As
pessoas fazem com o Curso exatamente o que os cristãos fizeram durante séculos: “O
diabo me fez fazer isso”. As pessoas algumas vezes dizem: “Meu ego me fez fazer isso!”
– como se existe um ego em forma de pessoa fora delas. Em um ponto do Curso, Jesus
se desculpa por falar sobre o ego como se ele fosse uma entidade de algum tipo, agindo
por conta própria (T-4.VI.1). Ele faz isso por razões pedagógicas, como ele mesmo
explica, para podermos externalizar o ego e o Espírito Santo e, dessa forma, sermos mais
capazes de entender que temos uma escolha. Na realidade, o ego é nosso próprio
pensamento – estamos escolhendo o ego. Da mesma forma, o Espírito Santo está em
nosso próprio pensamento – o pensamento do Amor de Deus que vem conosco ao sonho.
O Espírito Santo não é um ser separado, ou uma pessoa ou entidade separadas. Ele é
realmente o pensamento que é Quem nós somos e de Quem nos separamos. Nós
pensamos no Espírito Santo como separado porque pensamos em nós mesmos como
separados – assim como pensamos no ego como separado. Na realidade, o ego é o
pensamento do ódio e da separação, e o Espírito Santo é o pensamento do Amor, ou o
pensamento da Expiação. Mas ambos estão dentro de nossas mentes; ambos são parte
de nossas mentes.

O que é extremamente útil ao trabalhar com esse Curso é ter pelo menos algum
background em psicologia, porque isso vai ajudá-los a entender o funcionamento do
inconsciente, e a respeitá-lo. Vocês não têm que ser grandes estudantes de psicologia,
mas acho que a noção geral do inconsciente é extremamente importante. O que isso nos
diz é que existe uma parte de nossas mentes com a qual não estamos em contato, que
está escolhendo contra o que queremos conscientemente. Então, assim como Freud
disse que o objetivo da psicanálise era tornar consciente o inconsciente, Jesus diria a
mesma coisa. O objetivo do seu Curso é tornar nossas decisões inconscientes
conscientes. E o que torna algo inconsciente é o medo, é só isso o que é. Existe algum
pensamento que me traz muita ansiedade – isso me traz muita culpa também. Portanto,
não vou vê-lo, porque vê-lo me deixa desconfortável. Nesse ponto, nosso medo dita que
olhemos para longe, e é isso o que a repressão ou a negação são. O Curso nos faz
reconhecer que é isso o que temos feito. Nós ainda podemos escolher nosso ego, mas
agora pelo menos sabemos o que estamos fazendo, e esse é um grande primeiro passo.

I. Regras para decisão

(Parágrafo 1 – Sentenças 4-7) Não é sábio deixar-te ficar demasiadamente preocupado


com cada passo que dás. O padrão adequado, adotado conscientemente a cada vez que
despertas, vai fazer com que avances bem.

O que Jesus está dizendo é: não fique obsessivo com isso; não analise cada pensamento
que você tiver em cada minuto do dia. Uma boa regra para se lembrar quando estiver
trabalhando com o Curso e aplicando-o a sua própria vida é o bom senso, e não é bom
senso analisar cada movimento que você faz. Se você analisar o que acontece quando
amarra os cadarços de manhã, nunca terá os sapatos amarrados. Se você analisar o que
acontece quando desce um lance de escadas, garanto que não vai atingir último degrau
em pé, porque descer um lance de escadas é psicologicamente muito, muito complicado.

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Escovar seus dentes é muito complicado. Então, ele não está dizendo que você tem que
analisar cada coisa que faz. O que você quer fazer é se tornar cada vez mais consciente
de quando está irritado, transtornado, ansioso, culpado. E, depois de um período de
tempo, vai aprender a distinguir entre o que realmente é uma lição importante para você,
e o que não é. É isso o que ele está dizendo. O que você encontra nessa sessão,
incidentalmente, são alguns conselhos muitos claros e práticos sobre o que fazer e o que
não fazer. Esse é um exemplo disso.

O “padrão adequado” é realmente perceber a escolha que você tem – essa, novamente, é
a função do milagre. Jesus está dizendo que tão logo puder, quando acordar, lembre-se
do que está fazendo aqui. Você não está aqui para ganhar um monte de dinheiro, ou para
criar seus filhos, ou para ser feliz, ou para salvar o mundo através do seu trabalho santo,
sua profissão, etc. Você está aqui para aprender que fez a escolha errada, e agora pode
fazer outra escolha. Esse é o “padrão” sobre o qual ele está falando. Essa é a função do
milagre: restaurar sua mente, que é a causa, à sua função de ser o agente causador de
tudo que você acredita e que experimenta. Esse, novamente, é o aspecto de treinamento
mental do Curso. Você está sendo treinado para se lembrar logo que possível depois de
acordar, e, então, durante todo o dia, porque está aqui e quais são suas lições.

O Curso fala muito sobre função. Todos têm funções comportamentais específicas no
mundo, e não há nada errado com isso. Mas, sem encontrar realmente sua verdadeira
função, sua função externa cairá nas mãos do ego. Sua verdadeira função é perdoar. É
isso o que Jesus quer dizer sempre que usa o termo função no Curso. Ele não está
falando sobre comportamento de forma alguma. Ele está falando sobre a função que
todos compartilhamos, que é perceber, novamente, que apostamos no cavalo errado, que
cometemos um erro. Nós escolhemos a mentira do ego ao invés da verdade do Espírito
Santo. Nossa função é perceber isso a cada vez que formos tentados a tornar algum
aspecto do nosso mundo real, ou a justificar nossa experiência de vitimação. Ser uma
vítima é o nome do jogo do ego – é isso o que mantém o sistema de pensamento do ego
no lugar. Então, sempre que você se sentir tentado a se perceber como uma vítima,
lembre-se da sua função, que é aprender que “eu não sou uma vítima do mundo que
vejo”, e que “eu nunca estou transtornado pela razão que imagino”, que são duas lições
iniciais do livro de exercícios. Novamente, esse é o “padrão” de que ele está falando,
sobre o qual deveríamos tentar pensar de forma consciente.

O que é muito útil quando você tenta fazer isso, é ver com que rapidez o esquece. Você
pode ter uma firme resolução, bem aqui, essa noite, nesse workshop, e, quando voltar
para sua casa, dizer: “Eu realmente vou tentar me lembrar disso quando acordar de
manhã”. Perceba com que rapidez esquece disso. Você pode conseguir durante cinco
minutos, uma hora, cinco horas, e, de repente, dizer: “Oh, meu Deus, eu me esqueci do
que estava fazendo”. Isso não acontece porque você é uma má pessoa; é porque você é
uma pessoa aterrorizada. Isso é porque o seu ego sabe que se você começar a fazer
isso, vai se afastar da sua identificação com seu corpo e o mundo, e voltar para sua
mente. Isso, por seu turno, significa que em algum ponto, você vai perceber o que
escolheu, o tremendo custo do que escolheu, que tem sido um grande tolo, e que agora
vai fazer outra escolha. É isso que o ego quer evitar. Na extensão em que você se
identificar com o ego, vai se identificar com a estratégia do ego, e, então, vai ficar com
medo do poder da sua mente. O ego diz: “Se você voltar a ter contato com o poder da sua
mente, vai voltar a ter contato com a parte que roubou Deus, que o assassinou, e que

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usurpou Sua função. Vai voltar a ter contato com essa espantosa verdade sobre si
mesmo: que você matou Deus, destruiu Cristo, e sobre Seus pobres corpos construiu seu
próprio ser”.

Ninguém quer entrar em contato com isso. É por isso que todos estão aterrorizados em
relação a suas mentes. E é por isso que, por exemplo, muitas disciplinas da Nova Era que
o encorajam a entrar em contato com o poder da sua mente realmente vão terminando
machucando-o. sua mente é mesmo poderosa, mas, se você não liberar sua culpa, vai
inevitavelmente usar mal esse poder outra vez. Esse não é um Curso que quer que você
entre em contato com o poder da sua mente para mover copos sobre mesas, para atrair
riqueza ou uma linda pessoa para você, para transformar uma célula cancerígena em
uma célula benigna, ou qualquer uma dessas coisas. Esse Curso quer que você entre em
contato com o poder da sua mente que escolheu a culpa, para que você agora possa
fazer outra escolha. Esse é o poder da mente de que Jesus está falando. Não é o poder
da sua mente para provocar uma mudança no mundo ou em você mesmo. Esses tipos de
abordagens podem funcionar muito bem: mas não as confunda com o Um Curso em
Milagres. Nenhuma delas vai desfazer a culpa. Nesse sentido, elas não são diferentes de
tomar uma aspirina ou outro remédio. Isso não significa que elas não possam funcionar
para aliviar um sintoma, mas não vão funcionar para aliviar a culpa.

(Parágrafo 1 – Sentenças 7-8) E se achares que a tua resistência é muito forte e que a
tua dedicação é pouca, não estás pronto. Não lutes contigo mesmo.

Nós provavelmente deveríamos passar três dias inteiros com essas duas sentenças. A
razão para essas sentenças, e a razão pela qual a segunda sentença está em itálico, é
que Jesus está nos ensinando que não deveríamos fingir que estamos prontos para algo
quando ainda não estamos. Isso é arrogância, não humildade. É muito mais avançado
espiritualmente ser capaz de dizer: “Eu sei o que estou fazendo e, dane-se, não quero
parar. Eu sei que quero meu especialismo. Eu sei que quero ser diferente. Eu sei que
quero culpar outras pessoas. Eu sei que quero o que eu quero, quando quero, e tudo
bem!”.

“Não lutes contigo mesmo”. Se você lutar contra o seu ego, obviamente vai acreditar que
ele é real. Esse é o significado da linha bíblica “não resistai ao mal”, que é uma linha
poderosa em termos do Curso. Quando você resiste ao mal, quando resiste ao seu ego, o
torna real. Obviamente, se você resiste a algo, precisa acreditar que está lá. Se você
acreditar que o ego ou seu especialismo está lá, então, fez exatamente o que o ego quer.
É isso o que torna o Curso tão diferente como espiritualidade, certamente em termos do
mundo ocidental. Ele não diz nada sobre tentar mudar o seu ego, ou lugar contra ele, ou
jogá-lo fora. Ele simplesmente diz: olhe para o seu ego e sorria para ele, porque ele não é
nada. Quando você luta contra ele em você mesmo, está tornando-o real. Então, quando
se esquece da sua lição diária do livro de exercícios, ou se esquece do quanto essas
regras básicas são simples, não fique surpreso. Não se irrite, não se deprima, não se
sinta culpado. Simplesmente diga: “Ah! Isso é o meu ego em ação. Obviamente, ainda
estou com um pouco de medo do Amor e da paz de Deus”. Então, você estará sendo
absolutamente honesto. E terá ganho um milhão de anos simplesmente fazendo isso,
porque estará aprendendo o processo de dar um passo atrás e olhar para o seu ego sem
julgá-lo, sem lugar contra ele, sem resistir a ele, sem tentar mudá-lo – simplesmente

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olhando para ele e dizendo: “Isso é o meu ego, eu não quero liberá-lo, e isso não é um
pecado”.

Conforme você pratica isso em cada momento do seu dia, está aprendendo a desfazer o
erro original, que foi olhar para a diminuta e louca idéia, e criar um grande caso em
relação a ela. É por isso que isso é tão importante. É por isso que essa seção é tão
importante, se você a ler de forma correta e cuidadosa. O que ela vai fazer é treiná-lo, no
mundo e na esfera da experiência na qual você acreditar estar, para re-viver aquele
momento original quando você, como parte do único Filho, olhou para as duas escolhas e
escolheu contra o Espírito Santo. Você olhou para o seu ego e o levou muito, muito a
sério. Você tornou o pensamento do ego sério, ao invés de tolo. Algumas linhas depois
daquela que fala da “diminuta e louca idéia da qual o Filho de Deus se esqueceu de rir”,
Jesus diz: “significa que o tempo não existe” (T-27.VIII.6:8-10). É uma piada pensar que
essa diminuta e louca idéia tenha o poder de interferir com a eternidade. O que você quer
fazer é cultivar, como uma disciplina constante, olhar para o seu ego e não levá-lo a sério.
Se você lutar contra si mesmo, o estará tornando real. Se você perceber que sua
resistência a escolher Jesus é forte, e sua dedicação a ele e ao seu Curso é fraca, então,
simplesmente reconheça isso e diga: “Ainda estou com medo demais do Amor de Deus,
mas está tudo bem com isso”. São essas palavras “está tudo bem com isso”, que são as
palavras mais importantes de todas, porque você não está mais julgando seu ego como
terrível, pecador, mau ou perverso. Você está olhando para o seu ego e dizendo: “É isso o
que eu estou escolhendo, mas isso não tem efeitos sobre o amor de Jesus por mim, e
nem sobre o Amor do Espírito Santo por mim”.

Isso não tem efeito algum! Só terá um efeito se você lhe der um efeito dentro do seu
sonho, porque dentro do seu sonho você pode fazer qualquer coisa que quiser. Jesus diz,
antes no texto, que “sonhos são cenas temperamentais da percepção, nos quais
literalmente gritas: ‘Quero que seja assim!’” (T-18.II.4:1-2). É como uma criança pulando
para cima e para baixo e gritando: “É isso o que eu quero, mamãe. Dê pra mim!”. Isso é o
que os sonhos são – tanto os que você tem enquanto está dormindo, quanto os que tem
quando está acordado. Então, o que você quer ser capaz de fazer é olhar para o que está
fazendo e dizer: “É isso o que estou mesmo escolhendo, mas tudo bem. Não é algo
terrível. Eu estou simplesmente fazendo o que quero, porque tenho medo do que está por
trás disso: o fim do meu especialismo. E quero realmente escolher a insanidade dessa
vez, porque não quero liberar o meu especialismo – mas tudo bem”. Essa será a forma de
refletir a escolha original que todos nós fizemos, mas que agora podemos fazer outra vez:
olhar para a diminuta e louca idéia – a idéia de estarmos separados de Deus – e dizer:
“Isso não é nada. É um sonho tolo. É uma brincadeira”. Nós olhamos para esse
pensamento, como diz o Curso, com um riso gentil. Qualquer que seja esse pensamento
dentro de você: não o justifique, não o racionalize, não se sinta culpado sobre ele, não o
julgue. Simplesmente olhe para ele pelo que é, e sorria. É isso que realmente significa
tudo isso.

Pelo menos, então, você estará sendo honesto e aberto consigo mesmo e, portanto, com
Jesus. É isso o que vai poupar milhares de anos. O objetivo não é ficar sem o seu
especialismo, sua culpa, seus pensamentos de ataque, sua doença. O objetivo é estar
consciente de que você os escolheu, e que pode fazer outra escolha quando estiver
pronto para isso. Ninguém está lá de pé, apontando uma arma para sua cabeça, exigindo
eu você faça isso hoje. Se você pensar que Jesus está fazendo isso, então, está lendo o

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livro errado, com o autor errado. Não é isso o que ele faz. Ele nunca fez isso a Helen. Ele
não faz isso para ninguém. Ele simplesmente nos lembra com gentileza. Bem no final do
texto, ele diz: “”Em toda dificuldade, toda aflição e a cada perplexidade, Cristo te chama e
gentilmente diz: ‘Meu irmão, escolhe outra vez’” (T-31.VIII.3:4-6).

Ele não faz a escolha por você. Ele simplesmente diz:

Você está transtornado porque está escolhendo contra a paz de Deus, e tudo está certo
assim. Vou ficar amorosamente ao seu lado, e vou continuar a lembrá-lo até que esteja
pronto. Você é o único que tem o direito de decidir sua própria prontidão: eu não vou fazer
isso por você, porque, no final, isso não importa. Eu não vou violar o poder da sua mente
de escolher.

Novamente, é isso o que está por trás dessas afirmações. Elas são extremamente
importantes. Se você realmente entendê-las e aprendê-las, sua experiência de Jesus será
muito mais amorosa e gentil; e, portanto, você será muito mais amoroso e gentil consigo
mesmo. E todas as pessoas ao seu redor serão muito gratas, porque você
inevitavelmente será muito mais amoroso e gentil com elas. Você terá a experiência do
amor e gentileza do Céu, e isso se tornará cada vez mais uma parte sua, que você
inevitavelmente vai compartilhar com todos os outros. Então, não lute contra o seu
especialismo. Está tudo bem em dizer que você não está pronto para liberá-lo. Pelo
menos você está consciente do que é essa questão.

(Parágrafo 1 – Sentenças 9-11) Mas, pensa no tipo de dia que queres, e dize a ti mesmo
que há um caminho no qual esse dia pode acontecer exatamente assim. Então, tenta
mais uma vez ter o dia que queres.

Jesus está dizendo simplesmente: “Lembre-se de que você tem uma escolha”. Quando
ele diz que você pode ter o dia que quer, não está falando sobre um dia no qual você
ganha a loteria, ou um relacionamento subitamente funciona, ou você consegue a
promoção ou o trabalho que quer. O dia que você quer é ou um dia de paz ou um dia de
conflito; um dia de perdão, ou um dia de culpa. Essas são as únicas duas possibilidades
que qualquer pessoa já teve.

Esse Curso é tão simples porque só existem duas emoções: medo e amor. Só existem
duas escolhas: culpa ou perdão, ataque ou paz, conciliação ou guerra, o ego ou o Espírito
Santo, crucificação ou ressurreição, e assim por diante. Esses são símbolos diferentes
para a mesma idéia. Então, o dia que você quer é um dia no qual realmente vai conhecer
a paz de Deus, ou um dia no qual vai ter ansiedade. Quando você se agarra às suas
mágoas contra alguém, está dizendo: “Eu quero um dia no qual vou ter ansiedade, no
qual vou ter conflito, no qual vou ter tumulto. E tudo bem. Eu digo que quero um dia de
paz, mas obviamente não quero”. Como você sabe que não quer paz? Porque está
guardando mágoas! Você está se agarrando à ansiedade em relação a um encontro que
terá hoje. Está se agarrando à dor, para não se sentir bem. Isso está lhe dizendo que
você não quer a paz. Então, bater em sua cabeça com Um Curso em Milagres e dizer a si
mesmo que não quer a paz não ajuda. O que ajuda é perceber que qualquer tipo de
desconforto – emocional ou físico – vem de uma escolha de estar com o seu ego ao invés
de com Jesus, o que é uma escolha para estar em conflito, ao invés de estar em paz, e
tudo bem com isso.

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Com freqüência me perguntam como eu classifico experiências como excitação e alegria.
Elas também são do ego? Começo perguntando: “Você tem certeza de que quer que eu
responda a isso?”, porque não estou tão certo de que eles realmente querem ouvir a
resposta: Sim, alegria, excitação, êxtase, e assim por diante, todos são parte do ego. Se
vocês pensarem sobre o que é a alegria, ou a excitação, o êxtase, o entusiasmo, ou até a
paixão, ou até a paixão, sempre vão perceber que é algo externo. Algo os estimula, os
excita sexualmente, os faz se sentirem maravilhosos – mas é sempre algo fora de vocês.
É por isso que é do ego. Se você acredita que o corpo pode lhe dar prazer, o Curso diz,
ainda vai acreditar que ele pode lhe trazer dor (T-19.IV-ª17:11). Isso não é porque Deus
os está punindo, mas porque se vocês encontram prazer, paz ou felicidade fora de si
mesmos, o que estão fazendo? Estão substituindo Deus por algo novamente, o que é re-
encenar o momento original quando se separaram de Deus e realmente disseram: “Eu
quero algo mais do que tudo. O Céu não é suficiente, eu quero mais”.

Foi aí que a culpa nasceu, e é daí que vem toda a dor. Então, sempre que vocês
buscarem o prazer fora de si mesmos e o tornarem real para si mesmos, vão se sentir
culpados e, portanto, com dor. Isso não quer dizer que, como um bom estudante do Curso
em Milagres, vocês não possam apreciar as coisas no mundo. Mas, quando levam o
mundo à sério e algo no mundo se torna a salvação para vocês – o tudo e o objetivo final
da sua existência -, vão pagar um preço. Mas, para repetir, isso não significa que não
possam desfrutar das coisas físicas ou emocionais e psicológicas em seu mundo –
apenas percebam que existe uma parte de vocês que está escolhendo isso às custas da
paz de Deus. Se vocês puderem estar conscientes disso, não se sentirão culpados. E, se
não se sentirem culpados, não pagarão o preço.

Novamente, apenas para finalizar isso: Quando vocês perceberem que sua resistência é
forte, e sua dedicação é fraca, estão simplesmente dizendo: “Eu não estou pronto”. Mas
também querem dizer a si mesmos: “Eu sei que o meu especialismo não vai me dar o que
realmente quero. Ele vai me dar um dia que meu ego quer, mas não o dia que eu
realmente quero, o que significa que ainda tenho uma mente dividida. E isso não me torna
mau, miserável ou pecador, mas realmente significa que não vou encontrar felicidade real
hoje. E não vou encontrá-la porque não quero. E tudo bem com isso”.

Regra 1

(Parágrafo 2 – Sentenças 1-2) O enfoque [que é o enfoque do padrão de que Jesus vem
dizendo que deveríamos adotar quando despertamos pela manhã] começa com o
seguinte: Hoje, eu não tomarei decisões por minha conta.

Claramente, isso significa que não tomaremos decisões com nosso ego, porque isso seria
tomar decisões com nossos seres. Pelo contrário, isso é um apelo para que tomemos as
decisões com Jesus. De forma interessante, no final dessa seção, ele parece dizer o
oposto. Ele diz lá que “tu não podes tomar decisões por ti mesmo” (T-30.I.14:3). Ele faz
esse tipo de coisa através de todo o Curso – dizendo uma coisa em um lugar e, depois, o
aparente oposto em outro. Isso é oposto na forma, mas não no conteúdo – ele apenas
está mostrando uma outra perspectiva. Aqui, o ponto é: não tome uma decisão com o seu
ego, que é equivalente a tomá-la por si mesmo. Ao invés disso, faça isso comigo. O ponto
que ele está mostrando no final dessa seção é que você não pode tomar uma decisão

17
sozinho, significando: o Filho de Deus precisa escolher ou o ego ou o Espírito Santo.
Então, o conteúdo é consistente, ainda que a forma freqüentemente não o seja.

Isso, obviamente, é um tema principal no Curso, e é repetido o tempo todo: que não
devemos tomar decisões sozinhos. Uma dessas referências no texto – sobre não
escolhermos sozinhos – que eu quero examinar com vocês é a seguinte:

Sempre que escolhes tomar decisões por conta própria [o que significa tomá-las com o
seu ego, ao invés de com Jesus ou o Espírito Santo] estás pensando de maneira
destrutiva e a decisão estará errado (T-14.III.9:1-2).

A razão pela qual é “pensamento destrutivo” é que pensar por conta própria e excluir o
Espírito Santo simboliza a exclusão original de Deus. Quando você exclui Deus, está
buscando destruí-Lo, porque, ao excluir Deus, está dizendo: “Eu sou separado de Deus”.
Se uma das definições de Deus é que Ele é perfeita unicidade e perfeita unidade, então,
dizer que você é separado Dele é dizer a Deus Quem Ele é, e o ego interpreta isso como
matar Deus. Quando você diz que está por conta própria está dizendo: “Eu sou o meu
próprio criador”, o que então significa negar a Deus Seu papel como o Criador. Se você
negar a Deus Seu papel e Sua identidade, Ele deixa de ser Deus.

Essa, então, é mais uma maneira de perceber como o sistema de pensamento do ego é
literalmente baseado no assassinato de Deus. Isso é pensamento destrutivo. Qualquer
coisa que você faça à partir dessa base logicamente vai ter os mesmos elementos de
destruição, ataque e assassinato. Sempre que você tenta tirar o lugar de alguém, usar
alguém para atender às suas próprias necessidades, ou ver a si mesmo como separado
de qualquer outra pessoa e justificado em ser separado – sempre que você manifestar
qualquer aspecto do problema de autoridade, como todos fazem o tempo todo – vai
refletir o problema original de autoridade e o conflito com Deus. Portanto, sempre que
você se separa da Voz do Espírito Santo, ou de Jesus, também está se separando de
todas as outras pessoas. Se Jesus representa o Cristo, se ele representa a unicidade da
criação de Deus, e você se separa dele, obviamente também está se separando de
Cristo. Isso significa que você está atacando sua verdadeira identidade como Cristo, e
todas as outras pessoas também.

“Ela irá ferir-te [ a decisão irá ferir-te] devido ao conceito de decisão que levou a ela” (T-
14.III.9:2-3).

Essa é a frase crucial que eu quero enfatizar: “o conceito de decisão que levou a ela”. O
que realmente vai feri-lo quando você decide por contra própria não é a decisão
específica. O que vai feri-lo é o pensamento subjacente. Quando você decide por conta
própria está dizendo: “Eu sei melhor do que Jesus; eu sei melhor do que o Espírito Santo;
eu sei melhor do que Deus”. Esse é o conceito que vai feri-lo, porque isso vai lembrá-lo do
seu “pecado” original, do seu ataque original a Deus – e por isso você vai se sentir muito
culpado. E, pelo fato da culpa sempre exigir punição, você vai acreditar que merece ser
punido. É daí que vem o medo; essa é a fonte de toda dor. Todo sofrimento vem da idéia
de que eu posso fazer isso por conta própria. Lembrem-se das linhas da famosa canção
de Frank Sinatra: “Eu faço isso à minha maneira”. Essa é a canção do ego. Então, quando
você toma uma decisão por conta própria, não é que Deus vá puni-lo, é que você vai
acreditar que Deus vai puni-lo. E, se você não pensar conscientemente em Deus, como a

18
maioria das pessoas não o faz, então, haverá alguns símbolos da punição de Deus: O
mau tempo vai puni-lo. O mercado de ações vai puni-lo. A pessoa com a qual você está
vivendo vai puni-lo. Seus filhos vão puni-lo. Seu chefe vai puni-lo. Não importa. Você vai
acreditar que merece ser punido pelo que acreditou que fez primeiro. Novamente, o que
vai feri-lo não é a decisão que você tomou no nível da forma. O que vai feri-lo é o conceito
da decisão que o levou a escolher seja o que for que você tiver escolhido.

Uma das coisas importantes a se lembrar quando trabalhos com o Curso (e isso sempre
ajuda a nos manter fora de problemas com o Curso para que não distorçamos o que ele
diz) é que esse não é um curso sobre forma; não é um curso sobre efeito. Esse não é um
curso em nada que tenha a ver com o mundo do comportamento. Esse é um curso em
conteúdo, em causa. É um curso apenas sobre mudar sua mente. Indo ainda mais
diretamente ao ponto, e muito relevante para esse workshop, esse é um curso em ajudá-
lo a mudar de professor ou de conselheiro: mudar do ego como seu guia, para o Espírito
Santo ou Jesus como seu guia. O que vai feri-lo não é o que está fora de você, não é o
que você acredita que vá feri-lo. O que vai feri-lo é o seu sistema de pensamento que diz
que você pode estar por conta própria, que você deveria estar por conta própria, que é
verdade que você está por conta própria. Esse pensamento em si mesmo, que é o
conceito de decisão, vai reforçar seu senso de separação e pecado, o que
automaticamente vai levar à sua experiência de culpa, e isso, por seu lado, vai sempre
demandar que você seja punido. Não existe saída pra isso. É por isso que o conceito de
escolha nesse Curso é tão criticamente importante. Nós realmente temos que reconhecer
o que estamos escolhendo e com quem o estamos fazendo, para que então possamos
fazer outra escolha.

Essa primeira regra para decisão, “Hoje, eu não tomarei decisões por minha conta”, não
deveria ser tomada como um imperativo. Jesus está nos dizendo, ao invés disso, que
essa é a diretriz que deveríamos usar se realmente queremos ser felizes. Vai ficar claro,
conforme prosseguirmos com essa seção, como está claro através de todo o Curso, que
ele não está esperando que seus estudantes façam o que ele diz. Se ele esperasse isso
deles, teria parado com a primeira linha do Curso. Ele espera totalmente que não
prestemos atenção. Então, não se sintam culpados quando não prestarem atenção. Tudo
o que vocês querem fazer tão rapidamente quanto puderem é ficar conscientes de que
não estão prestando atenção, porque não querem prestar atenção, porque estão com
medo de liberarem o seu ego. Mas não se sintam culpados pelo fato de não estarem
prestando atenção.

(Parágrafo 2 – Sentença 3) Isso significa que estás optando por não seres o juiz do que
fazer.

A grande ilusão com a qual todos nós lidamos nesse mundo é que nós sabemos o que é
melhor: que nós entendemos o que está acontecendo, que entendemos o que é
necessário para uma situação, e que sabemos o que fazer sobre isso. É por isso que
muitas e muitas vezes Jesus brinca de forma gentil com todos e diz: “Não há maneira de
você poder julgar, porque você não conhece todos os detalhes envolvidos em uma
situação. Você não sabe qual é o significado”. Acima de tudo, o que ele realmente está
dizendo a nós é:

19
Não existe possibilidade de saber, porque você pensa que está aqui, no mundo. Você
pensa que existem coisas acontecendo aqui no mundo, e que existem problemas a serem
resolvidos aqui, no mundo. A realidade é que o único problema está lá na sua mente, que
você escolheu o ego ao invés de mim. Mas, uma vez que você acredita estar nesse
mundo, então, como teria a possibilidade de entender o que é necessário em uma
situação?

É por isso que existe uma lição logo no início do livro de exercícios que diz: “”Eu não
percebo os meus maiores interesses” (LE-pi.24). E não é só que nós não os percebemos,
nós não podemos percebê-los, porque não compreendemos. Nós realmente pensamos
estar aqui. Nós realmente pensamos ter problemas a serem resolvidos aqui, e que somos
aqueles que podem julgar isso. Então, isso reforça a idéia de como, em nossas mentes
certas, queremos entender que não queremos tomar uma decisão por conta própria.

(Parágrafo 2 – Sentenças 3-5) Isso significa que estás optando por não seres o juiz do
que fazer. Mas também tem que significar que não julgarás as situações às quais serás
chamado a responder.

Agora, deixem-me acrescentar a palavra situações ao gráfico, porque ela virá novamente
na leitura. Nós nos encontramos em todos os tipos de situações que pedem uma
resposta. Ele está dizendo: “Você vai acreditar que existe, e que terá que dar uma
resposta. Mas tente não dar a resposta por conta própria”. Então, ele não está dizendo
que não há coisas que você tem que fazer nesse mundo que requerem julgamento:
obviamente, há. Ele está dizendo: “Tente não fazer os julgamentos por conta própria”.

(Parágrafo 2 – Sentenças 5-8) Pois se as julgares [se julgares as situações que te


encontram na tua vida], terás estabelecido as regras segundo as quais deves reagir a
elas.

Na época em que chegamos aos trinta, quarenta, cinqüenta anos – o que o mundo chama
de maturidade -, nós já estabelecemos um conjunto de regras e diretrizes baseadas em
nossas experiências passadas, que esperamos que nos guiem ao reagirmos ao mundo e
nos relacionarmos com outras pessoas. Nós sempre falhamos nisso. Muitas delas terão a
concordância da maioria das pessoas no mundo; e, porque a maioria das pessoas
concordaria com elas, nós pensamos que isso as torna válidas. Nós não reconhecemos,
entretanto, que todos nesse mundo são insanos. Então, você nunca deveria usar o que o
mundo diz como uma diretriz para o que deve fazer. Lembrem-se, o mundo é insano
porque ele acredita estar aqui. As pessoas nascem e realmente pensam que vieram para
esse mundo: e, então, elas têm que aprender o que esse mundo tem para ensinar a elas.
É isso o que chamamos de educação, ou socialização. Nós não nos lembramos – porque
esse é o propósito do véu – que literalmente fizemos esse mundo para escondermos a
verdade. A verdade repousa no Espírito Santo, em nossas mentes certas. Ela precisa ser
escolhida pelo tomador de decisões – e é disso que o ego tem medo. Então, ele bloqueia
tudo isso e faz o mundo como uma cortina de fumaça. O mundo, então, reflete não a
mente certa e o Espírito Santo, mas o pecado, a culpa e o medo do ego, e a mente
errada. O mundo reflete o especialismo, o ódio, o conflito, e o campo de batalha que é o
sistema de pensamento do ego. O perdão é necessário, então, como uma correção para
o que o ego sonhou primeiro. O mundo é o sonho do ego. Olhar para o mundo sem
julgamento é o desfazer do sonho.

20
Então, não existe forma de podermos perceber quais são os nossos maiores interesses,
sem falar dos maiores interesses de todas as outras pessoas. E, ainda assim, essa é a
forma em que o mundo funciona. Algumas vezes, isso toma a forma do mundo julgando
algo como mau: assim como certas pessoas oprimindo ou impondo sua vontade sobre
outras pessoas – seja isso feito individualmente em atos de estupro ou assassinato, ou
coletivamente, em ditaduras e na opressão de um país por outro. Existem as outras
formas que são tão letais, na verdade mais letais, porque parecem ser outra coisa. Essas
são as várias formas nas quais as pessoas parecem estar ajudando outras. Elas julgam o
que está errado com o mundo e, então, vão consertá-lo, porque sabem. Elas são tão
insanas quanto as pessoas que odeiam, matam e oprimem, porque pensam que sabem o
que está certo. “Certo” para eles significa que outra pessoa vai pagar um preço.
Assassinato e opressão são claramente insanos no pensamento do mundo, mas ser “útil”,
pelo fato de você pensar que sabe o que é melhor para as pessoas, é tão insano quanto.
Jesus não está dizendo que não podemos fazer coisas em nosso mundo pessoal, ou no
mundo como um todo. Ele só está dizendo: “Não presuma que você sabe o que deveria
fazer. Pergunte-me primeiro”. O que perguntar a ele realmente faz é tirar o seu ego do
caminho. A maneira de perguntar a ele o que você deveria fazer em um nível
comportamental é primeiro olhar com ele para o que o ego está tentando fazer. Olhar para
o investimento que o seu ego tem em seu especialismo. Quando você pode olhar para
isso com o gentil amor de Jesus ao seu lado, seu especialismo começa a desaparecer.
Conforme ele começa a desaparecer, você vai se tornar cada vez mais capaz de ouvir
sua voz. Então, o foco não está em ouvir sua voz: o foco está em desfazer a interferência
a ouvir sua voz.

Regra 1

(Parágrafo 3 – Sentenças 1-2) Esse é o teu maior problema agora. Ainda tomas a tua
decisão e então resolves perguntar o que deves fazer.

Obviamente, todos entendem o que isso quer dizer. O que é tão surpreendente é que
quando lemos essas palavras em um workshop como esse, seu significado é claro.
Entretanto, quando vamos embora e voltamos para nosso ritual diário de perguntar ao
Espírito Santo o que fazer, nos esquecemos inteiramente do que era tão óbvio aqui.
Jesus está dizendo aqui que você não está consciente e que quando pede ajuda a ele ou
ao Espírito Santo, o que realmente está fazendo é dizendo a eles o que eles deveriam lhe
dizer. E, pelo fato de isso ser o que você pensa que eles vão lhe dizer, é isso o que você
vai ouvir deles. Então, você terá certeza de estar ouvindo a voz deles quando, na
verdade, tudo o que está ouvindo é sua própria projeção. E isso é muito sutil e insidioso.

Muitos de vocês, tenho certeza, através de sua própria experiência com o Curso e com a
experiência de outras pessoas que o estudam, têm visto vezes suficientes com que
freqüência as pessoas juram estar ouvindo o Espírito Santo, e é óbvio que não estão: elas
não estão agindo de forma amorosa ou consistente, e certamente não estão trazendo paz
a ninguém. Mas, elas estão tão certas de que tem razão porque, afinal, elas fecharam os
olhos, abriram seus ouvidos e ouviram uma voz. Elas se esqueceram de que a mente
dividida pode ouvir duas vozes. A voz do ego é alta, rouca e aguda. A voz do Espírito
Santo, para citar a bíblia, é quieta e macia, e muito gentil. Ela não será ouvida enquanto a
voz do especialismo estiver gritando em seus ouvidos. É por isso que é tão essencial,

21
como um estudante do Curso, que vocês trabalhem para reconhecer essa voz estridente
do especialismo. É só reconhecendo o que ela é, e que vocês a escolheram e porque o
fizeram, que vão começar a perdoar a si mesmos por não terem feito nada. Então, o
alarido vai diminuir, e vocês vão ouvir a Voz gentil e amorosa. Mas vocês não vão ouvi-la
enquanto estiverem identificados com seu especialismo. Não se enganem: todos nesse
mundo estão totalmente identificados com seu especialismo, do contrário, não estariam
aqui. Isso é muito, muito importante. É isso o que significa cultivar uma atitude de
humildade enquanto trabalhamos com este Curso. Humildade significa que você não nega
o poder do seu ego, o que realmente significa que você não nega o poder da sua
identificação com o seu ego.

Jesus está nos ensinando que, quando resolvemos algo, e depois decidimos perguntar o
que deveríamos fazer, o conflito é um resultado inevitável, porque nós temos uma
intenção oculta em relação ao que queremos ouvir. Nós temos uma intenção oculta sobre
o que queremos que resulte dessa situação, o que significa que nós não queremos ouvir o
que Jesus tem a dizer, porque já sabemos o que é certo, o que, por seu lado, significa
que vamos ter medo de ouvir sua voz. Este é o conflito, o conflito nascido de uma mente
dividida. Existe uma parte de nós que sabe, em algum nível, que o que estamos fazendo,
vendo e acreditando não é real – não é certo e é do ego. Mas, estamos aterrorizados com
a idéia de deixá-lo ir, porque estamos com mais medo daquela Voz amorosa que significa
o fim do nosso especialismo. É isso o que o medo realmente é. Então, quanto mais
amedrontados nos sentimos em relação à Voz do Espírito Santo, mais temos que atacá-
la, glorificando nosso especialismo. Quanto mais glorificamos nosso especialismo,
atacando o Espírito Santo, mais culpados vamos nos sentir. Quanto mais culpados nos
sentirmos, mais vamos acreditar que merecemos ser punidos por Ele. E, então, vamos
em frente, nesse círculo muito vicioso. Não existe maneira de sair dele exceto entender o
que é que estamos fazendo. Mas, antes de podermos entender o que estamos fazendo,
temos que olhar para isso, e, antes de olharmos para isso, primeiro temos que entender
que existe um sério problema em nossas mentes. Só pelo fato do Curso dizer que o
problema foi inventado, isso não significa que realmente acreditamos nisso. Se
acreditássemos, não precisaríamos do Um Curso em Milagres, e não estaríamos nessa
sala de aula conhecida como o mundo.

Então, o que essa primeira regra para decisão está mostrando é que nós estamos todos
trabalhando sob um conflito tremendo. Parte de nós quer, mais do que qualquer outra
coisa no mundo, ouvir a voz de Jesus, segurar sua mão, e voltar para casa. Existe outra
parte de nossas mentes que está aterrorizada com isso. É isso o que os antigos
psicólogos costumavam chamar de conflito aproximação-evitação: você quer se
aproximar de algo mais do que qualquer outra coisa, mas também quer evitá-lo porque
acredita que vai lhe trazer dor. E nós acreditamos que o Amor de Deus vai nos trazer dor
porque foi isso que o ego nos disse. Infelizmente, o diabo que conhecemos é melhor do
que o diabo que não conhecemos e, então, estamos mais aterrorizados em relação ao
Amor do Espírito Santo. Estamos mais aterrorizados de ouvir Sua resposta, porque Ela
significa o fim da nossa resposta. Não podemos ter duas respostas contraditórias
coexistindo. Se a resposta do Espírito Santo é verdadeira, o que profundamente dentro de
nossos corações nós sabemos que é, então, no final, nossa resposta é falsa. E nossa
resposta é não apenas a resposta específica para um problema específico, a resposta é
nossa própria identidade. Isso significa que se a resposta de Jesus for verdadeira, não
apenas minha resposta é falsa, mas isso que eu também sou falso; o que significa que

22
deixo de existir. Esse é o terror. Esta é a motivação oculta que está por trás do que
parece ser uma teimosia obstinada em nos recusarmos a ouvir o que Jesus nos diz. Nós
precisamos realmente reconhecer que o que está subjacente à nossa recusa é a crença
aterrorizante de que, se eu estou errado, meu especialismo é fora de propósito, o que
significa que eu deixo de existir.

Então, o que ele está nos pedindo agora é para ficarmos conscientes de que a maior
parte do tempo, quando estamos pedindo ajuda, pedindo uma resposta específica a um
problema, estamos estabelecendo isso de tal forma que possamos ouvir a resposta que
queremos ouvir. Tendo esquecido que estabelecemos isso dessa forma, vamos acreditar
que a voz que ouvimos é a Voz do Espírito Santo. É por isso que é tão fácil sair dos trilhos
com este Curso. Este não é um curso em ouvir o Espírito Santo, ou um curso em
conseguir orientação específica. Este é um Curso em Milagres, e o milagre é perceber
que temos uma escolha entre duas vozes. Este não é um curso em efeito; este não é um
curso em aprender como decidir o que deveríamos fazer com nossas vidas. Não há nada
no Curso que nos diga isso. O que o Curso nos diz é quais passos devemos dar para
deixarmos nosso ego e nos unirmos ao Espírito Santo. Este é um curso em causa, que é
um curso em mente. Não é um curso no corpo, no mundo, no efeito. A forma de
resolvermos situações e problemas no mundo é irmos à única Reposta que está sob
todos os problemas. E, conforme nos identificamos com esta única Resposta e
experimentamos esse Amor, Ele automaticamente se traduz em todas as coisas
específicas que pensamos precisar aqui. Nós não temos que fazer a tradução, ela será
feita para nós automaticamente. O que temos que fazer é nos unir àquele Amor em
nossas mentes. É isso o que é importante. Novamente, nós realmente temos que entrar
em um contato crescente com o especialismo que requer que a situação seja da forma
que pensamos ser, e, portanto, que precisa de uma solução que nossa experiência
passada nos diz que vai funcionar. Nós temos que perceber que estamos sempre
errados, e que é melhor estarmos errados do que certos.

(Parágrafo 3 – Sentenças 2-4) E o que ouves pode não resolver o problema da maneira
como o encaraste a princípio.

Ele agora está se referindo a ouvir o Espírito Santo. Então, a resposta que ouvimos talvez
não resolva o problema da forma com que o percebemos, que é através os olhos do
especialismo. Isso significa que todos os problemas que percebemos são sempre através
dos olhos do nosso próprio auto-interesse: O que está nisso para mim? Eu realmente não
me importo com o que acontece com você. Tudo o que me importa é que minhas próprias
necessidades sejam satisfeitas. É isso o que é o especialismo. O que é melhor para
minha família, o que é melhor para meu grupo social, para meu grupo religioso, para meu
grupo racial, para meu partido político, para o meu país, para Um Curso em Milagres,
para o sindicato do qual faço parte, para o grupo de lobistas em Washington onde atuo –
é sempre o que é melhor para mim e para o grupo com o qual me identifico. Nunca é o
que é melhor para toda a Filiação. O ego não apenas não se importa com toda a Filiação,
mas ele nem mesmo sabe o que isso significa, porque ele não sabe o que é totalidade.
Ele sabe o que é separação, diferenciação, fragmentação. Ele não tem nem uma pista
sobre o que é totalidade.

O ego é o pensamento da separação – ele não pode conceber algo além de si mesmo.
Isso é o mesmo que dizer que o ego não tem a menor idéia do que é o amor. Ele

23
certamente sabe o que é o amor especial, porque foi isso o que fez. Ele não sabe o que é
o amor, porque o amor é totalidade. Se Deus é Amor e perfeita totalidade, e se o ego é o
pensamento de ser separado desse Amor e totalidade, como poderia entender o Amor e a
totalidade? É por isso que este não é um curso em amor. De fato, Jesus diz logo na
introdução do texto: “Esse curso não almeja ensinar o significado do amor, pois isto está
além do que pode ser ensinado” (T-Intro.1:6). Vocês não podem aprender sobre o amor
aqui. O que vocês podem aprender a fazer, como ele diz, é remover os bloqueios à sua
consciência da presença do amor. Este é um curso em desfazer o ego, não em aprender
sobre o amor. Não existe nenhuma maneira de entendermos o que são a unicidade ou a
totalidade nesse mundo. Portanto, sempre que você estiver pedindo ajuda específica,
saiba que isso é o seu ego, porque nada que o Espírito Santo responderia a você poderia,
de uma forma ou de outra, ajudar toda a Filiação. Essa é outra razão pela qual Jesus nos
diz para pedirmos a ajuda dele do que a nossa própria, porque nós não sabemos o que
são os maiores interesses para todos. Não existe forma de podermos saber disso.
Portanto, é nosso maior interesse liberar a ilusão que conhecemos – essa é nossa única
responsabilidade: liberar a ilusão que conhecemos.

(Parágrafo 3 – Sentenças 2-5) E o que ouves pode não resolver o problema da maneira
como o encaraste a princípio. [Ele está sendo gentil. Não é que o que você ouve pode
não resolver – ele não pode e não vai resolver o problema da maneira como você o
encarou a princípio] Isso conduz ao medo, porque contradiz o que percebes e assim te
sentes atacado. E, portanto, com raiva.

É por isso que as pessoas não amam Jesus. Elas odeiam Jesus, porque ele representa o
oposto exato do que elas acreditam. É por isso que o mundo odiou Jesus e sua
mensagem, e modificou esta mensagem quando ele estava aqui, há dois mil anos. É por
isso que o mundo ainda o odeia e à sua mensagem. Sua mensagem significa o fim do
especialismo. E, na extensão em que você se identificar com seu especialismo, precisa
odiar aquele que representa o seu fim – porque isso significa o seu fim. Não pode haver
transigência nisso. Se você pensar que ama Jesus, está muito enganado. Se você o
amasse, ainda estaria com ele no Céu! É por isso que, neste Curso, ele não diz que você
deveria amá-lo, mas que deveria perdoá-lo, porque, ao perdoá-lo, estará desfazendo os
bloqueios que você colocou entre você e ele. O que você quer fazer, portanto, é entrar em
contato com a parte de você que não gosta ele, não com a parte que gosta. Você quer
entrar em contato com a parte de você que tem vergonha dele e acredita que ele tem
vergonha de você, a parte que o vê como um rival, como alguém que, se você deixar
entrar na sua vida, vai destruí-lo. (Do ponto de vista do ego, é claro, isso é verdade). Essa
parte de você vai levá-lo a temer o que ele representa e a temer qualquer coisa que
venha dele. Em um sentido geral, você vai temer este Curso, e em um sentido específico,
vai temer qualquer coisa que você experimentar em um nível pessoal. É isso o que ele
está dizendo.

Se você tiver um interesse investido em perceber a situação como você a estabeleceu, e


em ter o resultado que quer, então, vai ter que ter medo e vai sentir como uma imposição
uma resposta que vier de algum outro lugar. Jesus não vê a situação como você a vê. Ele
não vê situação isolada. Ele a vê como mais um reflexo fragmentado do problema que
toda a Filiação compartilha como uma. Nós percebemos a Filiação como fragmentada.
Ele a conhece como ela é: como uma. Existe um Filho no Céu, e um erro foi cometido.
Essa é outra forma de entender porque Jesus fica dizendo que esse é um curso muito

24
simples: Existe um único problema, e existe uma única resposta para este problema.
Novamente, estabelecer as coisas de forma a que você tenha um interesse investido no
resultado vai levar ao medo, “porque contradiz o que percebes e assim te sentes atacado.
E, portanto, com raiva”. A raiva, então, será direcionada ao que é percebido como o
inimigo. Em última instância, o inimigo será o Curso, será Jesus, será o Espírito Santo,
será Deus.

(Parágrafo 3 – Sentenças 5-7) Existem regras através das quais isso não acontecerá.
Mas de fato ocorre a princípio, enquanto ainda estás aprendendo como ouvir.

Mais uma vez - e vamos ver isso durante todo o tempo – está Claro que Jesus vê isso
como um processo – algo que temos que aprender e praticar. Ele está nos dizendo: “Eu
espero mesmo que vocês não façam o que estou lhes dizendo. A princípio, vocês
certamente vão colocar sua vontade à frente da minha, pois vocês acreditam que sabem
melhor do que eu quais são seus maiores interesses e quais são os interesses do
mundo”. Então, vocês não precisam mais fingir que são esse estudante santo do Curso
em Milagres. O que os torna um estudante santo do Curso em Milagres é perceber o
quanto vocês são não-santos. Esse não é um curso em fazer; é um curso em desfazer.
Isso é extremamente importante. Não deixem ninguém lhes dizer que esse Curso é sobre
qualquer outra coisa. Ele não é um curso em fazer nada. Não é um curso em ser nada.
Não é um curso em ser amoroso. Esse é um curso em perceber o quanto vocês estão
cheios de ódio e de especialismo: este é o problema. Passagens como esta tornam claro
que Jesus realmente espera que seus estudantes não liberem seu especialismo apenas
porque ele está pedindo.

Este é o Capítulo 30, e ele está dizendo a mesma coisa aqui que disse no início. Agora,
ele está nos dando algumas regras. E, por regras, ele quer dizer diretrizes – não regras
no sentido “você tem que fazer isso”. Essas são diretrizes que vão ajudá-lo a aprender
que você já fez uma escolha errada, o que automaticamente significa que pode fazer uma
escolha certa. Aprender que você fez a escolha errada precisa significar que houve mais
alguma coisa contra a qual você escolheu. Este é o propósito desta seção, e também o do
Curso: nos fazer reconhecer que realmente existe uma escolha. Lembrem-se novamente:
o ego nos fez escolher o ego, contra o Espírito Santo. Então, isso fez com que
esquecêssemos do que fizemos, porque o ego nos tornou sem mente. Essa palavra “sem
mente” no gráfico, é extremamente importante. O ego nos tornou sem mente, para que
não estivéssemos conscientes de que tivemos uma escolha. O propósito do Curso é nos
lembrar – que é o que o milagre é – que essa escolha não tem significado com relação ao
que é externo às nossas mentes. A escolha tem significado apenas em relação ao que
está dentro de nossas mentes. E esta escolha é sempre entre a voz do ego, a voz do
especialismo, e a voz do Espírito Santo, a Voz de desfazer o especialismo.

Essas são diretrizes que ele vai nos dar: sejamos claros sobre o quanto não queremos a
salvação – sobre o quanto não queremos aprender e fazer o que o Curso diz. A razão
pela qual as pessoas têm tanto problema em entender o Curso não é que elas sofram de
um défict de atenção. A razão pela qual elas têm tanto trabalho em aprender esse Curso
e compreendê-lo é que elas não querem saber o que ele diz, porque isso é o oposto exato
do que nós acreditamos, e do que nós acreditamos ser.

Regra 2

25
(Parágrafo 4 – Sentenças 1--5) Durante todo o dia, a qualquer momento em que penses a
respeito disso e tenhas um momento quieto para reflexão, dize mais uma vez a ti mesmo
qual é o tipo de dia que queres, os sentimentos que queres ter, as coisas que queres que
te aconteçam e as coisas que queres experimentar...

Agora, a razão pela qual ele diz “dize mais uma vez a ti mesmo” é que obviamente você já
se esqueceu. Eu não estou inventando isso, certo? As palavras estão bem aqui! Ele está
tentando nos ajudar a começar o programa de treinamento. Vocês podem ver como essa
passagem prenuncia o livro de exercícios: o treinamento mental que vai ajudá-lo a
perceber que a razão pela qual se sente miserável durante qualquer dia em particular é
que você fez desse o seu objetivo. Se você está se sentindo miserável, precisa ter
escolhido se sentir miserável.

Deixem-me retornar um pouco ao que discutimos em nossa última seção. Se realmente o


mundo todo é uma ilusão e foi feito como um ataque a Deus como o Curso diz (LE-
pII.3.2:1), e para ser uma distração e uma cortina de fumaça para esconder o que
realmente está acontecendo em nossas mentes, então, literalmente, não há nada fora de
nós. Eu citei antes um princípio importante do Curso, “idéias não deixam sua fonte”. A
idéia de um mundo separado não deixou sua fonte em nossas mentes. Isso significa que
a causa e o efeito não estão separados; eles estão unidos – assim como no Céu, Deus é
a primeira Causa e Cristo, Seu Filho, é o Efeito. “Idéias não deixam sua fonte”. Esse
mesmo princípio também funciona dentro do sonho. O efeito, o mundo, está totalmente
unificado com a causa, a idéia na mente – o que literalmente significa que não existe
mundo fora de nossas mentes. A tremenda importância disso é que se não existe nada
fora de nós, então, qualquer coisa que pensarmos, percebermos ou sentirmos só pode ter
vindo de dentro de nossas mentes. Essa é outra forma de perceber porque você precisa
entender a metafísica do Curso se vai praticá-lo. Esse não é algum conceito intelectual
abstrato com o qual você flerta. Esse é o coração e a alma do que Um Curso em Milagres
ensina. Você não pode entender o perdão, sem falar da prática, sem falar do que significa
ouvir o Espírito Santo, a menos que realmente entenda o que é a metafísica subjacente.
Literalmente não existe mundo fora de nossas mentes.

É por isso que eu não posso culpá-lo por nada que eu sentir. Se eu estiver me sentindo
miserável, ansioso, culpado, doente ou deprimido, e não há nada fora de mim, então, de
onde vêm esses pensamentos e sentimentos? Eles só podem vir de dentro de mim,
porque não há nada nem ninguém mais – o que significa que eu os coloquei lá. Eu estou
me tornando doente e deprimido – não é um vírus que está me provocando febre, não são
os seus guinchos roucos que estão me dando dor de cabeça, não é a comida que eu comi
na noite passada que está me provocando um transtorno no estômago. Isso é
extremamente importante.

Agora, se eu me tornei miserável – se eu me dei esses pensamentos -, tem que haver


uma razão. O Curso nos diz qual é essa razão: eu me tornei doente para não
experimentar o Amor e a paz de Deus. A doença é uma cobertura para a culpa. Eu me
esqueci de que a culpa está na minha mente, a projetei para fora, e, voilá, meu corpo está
doente. Então, os cientistas no mundo explicam para mim como e porque eu fiquei
doente. O mundo é muito bom e perspicaz em nos dizer porque não estamos bem – em
qualquer nível. Seja um médico tradicional, um médico da Nova Era, ou qualquer outra

26
variedade de médico, todos eles são muito bons em dizer porque não estamos bem. Quer
seja nosso karma, a forma com que nossas mães nos carregaram no ventre, a maneira
com que nascemos, o ambiente em que crescemos, seja o que for, sempre existem essas
explicações para estarmos doentes, emocional ou fisicamente. E todas essas explicações
estarão erradas, porque todas elas começam com a premissa de que existe um mundo lá
fora que impinge tudo isso em nós. Quando você entende que não existe mundo lá fora,
não cai nesse erro.

Pensar que o Espírito Santo faz coisas para você no mundo, e torna as coisas melhores
para você no mundo, é o mesmo erro. Como Ele pode tornar as coisas melhores para
você em um mundo que não existe? Ele torna as coisas melhores para você na sua
mente – simplesmente por estar na sua mente. É por isso que você precisa de um milagre
para tirá-lo do mundo e levá-lo de volta para sua mente, onde o Seu Amor está. Esse
Amor é a resposta para todos os problemas.

Onde estamos agora com essa segunda regra é percebendo em algum ponto durante o
dia, que esse dia não está indo tão bem para mim, mas, com a compreensão de que se
ele não está funcionando bem para mim é porque eu não quis que ele funcionasse bem.
Isso nos leva agora ao conceito importante de que nós estabelecemos a meta e não
estamos conscientes disso. Portanto, não estamos conscientes de que o que está
acontecendo conosco durante o dia – o que estamos sentindo e experimentando durante
o dia inteiro – é um efeito direto da meta que nós estabelecemos. Nós nos esquecemos
de que estabelecemos essa meta, e, então, pensamos que as coisas estão acontecendo
fora do nosso controle.

Eu gostaria de elaborar mais algumas dessas idéias, lendo para vocês a seção no
Capítulo 17 do texto, chamada “Estabelecer a meta”.

Estabelecer a Meta (T-17.VI)

(Parágrafo 1 – Sentenças 1-3) A aplicação prática do propósito do Espírito Santo é


extremamente simples, [Jesus usa essas palavras em muitas outras passagens –
obviamente, os propósitos do curso e do Espírito Santo são idênticos] mas é inequívoca.
De fato, para poder sem simples, é preciso que seja inequívoca.

Jesus continua dizendo que este é um curso muito simples. E aqui nós vemos porque ele
é simples: ele é inequívoco. Não existem duas formas diferentes de interpretar este curso.
Não existem duas vozes diferentes que você possa ouvir que sejam igualmente válidas.
Existe uma Voz. Existe uma mensagem neste curso, não mensagens diferentes. Ele teve
como objetivo explicar a Helen que não havia interpretações diferentes em relação ao
material que estava dando a ela. O Curso é o que é. Ele diz o que diz. Ele não diz coisas
diferentes para pessoas diferentes. É isso o que diz a primeira lei do caos: que a verdade
é relativa (T-23.II.2). Aqueles de vocês que conhecem Platão iriam reconhecer nisto o
argumento dos sofistas com o qual Sócrates sempre se confrontou: que a verdade é
relativa, não absoluta. Sócrates continuou dizendo que a verdade é absoluta. A verdade é
o que é – não se pode dizer que ela é algo diferente para pessoas diferentes. Bem, é isso
o que as pessoas tentam fazer com o Curso também. Elas dizem que ele significa coisas
diferentes para pessoas diferentes, e que existem interpretações diferentes igualmente
válidas. Novamente, este é um exemplo gritante da primeira lei do caos que afirma que

27
existe uma hierarquia de ilusões e que a verdade é relativa. O Curso é simples porque é
inequívoco: ele diz o que ele diz. Ele não afirma uma coisa e depois a qualifica com “mas
você poderia afirmar alguma outra coisa”.

(Parágrafo 1 – Sentenças 3-5) Só é simples aquilo que é facilmente compreendido e para


tanto é evidente que precisa ser claro.

Jesus está falando aqui especificamente sobre o propósito do Espírito Santo, mas é muito
fácil generalizar isso para o seu curso como um todo. Ele pensa que seu curso é muito
claro e facilmente compreensível. A razão pela qual praticamente ninguém concorda com
ele nisso não é que ele não é claro e facilmente compreensível, é que ele é claro demais,
e facilmente compreensível demais. Você não quer compreender o que ele está dizendo.
Uma vez que o seu medo e a sua culpa tenham diminuído o suficiente, você vai entender
o que ele diz, e vai ficar espantado de nunca ter sabido disso antes. As palavras usadas
aqui não são difíceis. Os conceitos são extraordinariamente difíceis porque representam o
oposto exato dos conceitos do mundo. Nesse sentido, o Curso é difícil, mas não porque o
que ele diz é difícil. É difícil porque nós não queremos reconhecer o que ele diz. Ele é um
curso muito simples e claro, e quer dizer exatamente o que diz.

Jesus está dizendo a mesma coisa sobre o propósito do Espírito Santo. Para o Espírito
Santo, tudo nesse mundo tem o mesmo propósito – todas as situações que parecem
existir e que parecem nos confrontar a cada dia. O propósito que Ele dá a elas é nos fazer
perceber – através da prática do perdão – que não estamos aqui, o que significa que
perdoamos o que não está lá fora. Nós perdoamos nosso irmão pelo que ele não fez. Isso
não significa que em um nível comportamental ele não tenha feito algo. Significa que ele
nem mesmo está lá em um nível comportamental. Significa que tudo o que pensamos ver
do lado de fora é uma projeção do que está dentro. É por isso que isso é tão simples. O
ego fez este mundo para atacar, matar e nos manter separados. O Espírito Santo pega o
mesmo mundo e o usa como um espelho, para que, através do mecanismo do milagre,
nós possamos olhar nesse espelho e reconhecer que o que ele está refletido de volta
para nós é nada mais do que o sistema de pensamento em nossas mentes. É esse o
único propósito do Espírito Santo para o mundo. Nós agora estamos treinados através do
nosso estudo e prática do Curso para observar que o que parece estar fora é um reflexo
direto ou uma sombra do que está dentro. E, portanto, agora si o que está dentro da
minha mente. Ainda melhor, eu agora sei que tenho uma mente! Se eu realmente
entender que não há nada nem ninguém lá fora, e que tudo o que estou vendo é uma
sombra do que está dentro de mim, isso tem que significar que existe algo dentro de mim.
Este é o início do fim do ego. Este é o propósito do milagre: nos tornar conscientes de que
nós temos uma mente, o que significa que nos tornamos atentos ao invés de
descuidados. Este é o valor do mundo. Nosso propósito não é fazer as coisas no mundo
lá fora, nos unirmos a outras pessoas, ou salvarmos outras pessoas. Nosso propósito é
perceber que não existem outras pessoas – o que parece estar fora está realmente
dentro. Quando você pode realmente curar sua mente, o amor nela vai se expressar
dentro do sonho no qual as outras pessoas acreditam que elas e você estão. Você então
pode se perceber muito ativo no mundo, e fazendo coisas muito amorosas no mundo.
Mas elas serão realmente amorosas, porque não estarão baseadas em escolher lados.
Elas não serão baseadas em vítimas e vitimadores, nem em fragmentar a Filiação ainda
mais. Elas serão baseadas no amor que vem de uma visão que vê todos como um.

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Mais uma vez, o que Jesus está dizendo nessas passagens não significa que você não
deve fazer coisas no mundo. Significa, pelo contrário, que o que você faz nesse mundo é
irrelevante. O que é relevante é o que você faz na sua mente. Então, esse amor virá
através de você automaticamente, e você pode se descobrir fazendo e dizendo muitas
coisas amorosas no mundo, mas não terá investimento nelas. Você vai saber que a
realidade é esse lugar de amor em sua mente, no qual você agora se uniu a Jesus ou ao
Espírito Santo. Novamente, é isso o que torna o curso tão simples, e é isso o que torna o
propósito do Espírito Santo tão simples. Tudo no mundo se torna uma sala de aula: e, se
nós deixarmos Jesus ser nosso professor, ele vai nos mostrar que o que percebemos do
lado de fora é um espelho do que está dentro, o que significa que eu agora percebo que
existe um lado de dentro, uma mente. O próximo passo a partir daqui é perceber que uma
mente tem uma escolha e, então, daí, automaticamente, eu faço outras escolhas
amorosas.

(Parágrafo 1 – Sentenças 5-7) A colocação da meta do Espírito Santo é geral. Agora Ele
irá trabalhar contigo para fazer com que ela seja específica. [A frase “para fazer com que
ela seja específica” não está na primeira edição]

Por “geral” Jesus quer dizer abstrata – em outras palavras, ela é universal, ela está em
nossas mentes, e não é específica. “Aplicação” significa que nós fazemos algo no nível
comportamental: nós a aplicamos a nossas vidas diárias; usamos essas circunstâncias e
relacionamentos de nossas vidas como um laboratório. Isso significa passarmos do
princípio geral da Expiação, que diz que a separação nunca aconteceu e que não há nada
fora de nós, para a aplicação a situações específicas. Você – a pessoa com a qual estou
vivendo, ou a pessoa com a qual estou trabalhando – que não está fora de mim. Você e
eu não somos separados. Nós temos que praticar em situações específicas, nas
circunstâncias de nossas vidas pessoais. Nós precisamos aplicar o princípio abstrato ou
geral a situações específicas. É isso o que diz o Curso como um todo. É isso o que diz o
currículo como um todo.

(Parágrafo 1 – Sentenças 7-8) Existem algumas orientações muito específicas que Ele
provê para qualquer situação [as sete regras para decisão], mas lembra-te que ainda não
reconheces que a sua aplicação é universal.

Afirmações como esta deixam claro mais uma vez que Jesus concebe isso como um
processo. “Tu ainda não reconheces” obviamente implica que existe um crescimento pelo
qual ainda não passamos, passos que ainda não demos. Nós ainda pensamos que
existem coisas específicas que temos que fazer neste mundo, relacionamentos
específicos que temos que perdoar; e, portanto, pelo fato de pensarmos em termos
específicos, ele nos dá orientações específicas. Nós um dia vamos perceber que todas
elas são partes de uma única lição, e então vamos generalizar. Mas ainda não chegamos
lá.

(Parágrafo 1 – Sentenças 9-13) Por conseguinte, é essencial a essa altura usá-las


separadamente em cada situação até que possas enxergar com maior segurança além de
cada uma delas, em uma compreensão muito mais ampla do que a que possuis agora.

Esta passagem aparece aproximadamente no meio do texto, então, ele está dizendo que
ainda temos um longo caminho a percorrer. Aí chegamos ao Capítulo 30, e ele diz a

29
mesma coisa. Então, chegamos ao fim do livro de exercícios e ele diz: “Este curso é um
início, não um fim” (LE-ep.1:1). Esse é um estudo de longo prazo que estamos fazendo, e
nós deveríamos desconfiar de nós mesmos ou de outros estudantes que digam que já
fizeram tudo nesse curso e afirmam o quanto ele é fácil e maravilhoso: “Eu entrego tudo
ao Espírito Santo e todos os meus problemas são resolvidos, todas as minhas perguntas
são respondidas”. Eles perderam o ponto central disso tudo e não leram cuidadosamente
essas passagens. Seus olhos passaram além delas porque seu ego disse ao seu cérebro
para não olhar para elas – elas são chatas demais -, e então, o cérebro enviou essa
mensagem aos seus olhos. É por isso que podemos chegar ao final de um parágrafo e
esquecer cada palavra que lemos: ou podemos pensar que lemos seções como essas
dúzias de vezes e então, nós as ouvimos e dizemos, “Meu Deus, eu nunca vi isso antes”.
Esta seção, assim como a “Regras para decisão”, está escrita com muita clareza – então,
as sentenças não são complicadas. Nós quase sempre sabemos a que os pronomes se
referem, enquanto em muitas outras passagens, temos que adivinhar. A escrita aqui é
simples e clara, mas, pelo fato de não querermos vê-la, não a vemos.

O que esta passagem está dizendo é que até que estejamos prontos para generalizar
estes princípios a tudo, nós primeiro temos que praticar de forma específica. As mesmas
instruções são encontradas no livro de exercícios. De fato, na Introdução da Revisão VI,
ele diz que se nós realmente tivéssemos feito uma lição, teríamos feito todas. Mas, até
generalizarmos, temos que praticar cada seção separadamente:

Cada um [pensamento] contém todo o currículo se for compreendido, praticado, aceito e


aplicado a todos os acontecimentos aparentes durante o dia. Um é suficiente. Mas nele,
não pode haver exceções. E assim precisamos usá-los todos e deixá-los fundirem-se em
um só, à medida em que cada um contribui para o todo que estamos aprendendo. (LE-
pI.rVI.2:3-8)

É por isso que são 365 lições, não uma só. Cada lição é exatamente a mesma que
qualquer outra se for realmente compreendida. Todas elas contém a mesma mensagem
de ensinamento. Mas, pelo fato de estarmos tão aterrorizados de sua universalidade, o
que fazemos, ao invés disso, é fragmentado. Nós aplicamos um ensinamento a uma
situação e decidimos que não estamos prontos para aplicá-lo a outra. Ou nós perdoamos
esta pessoa mas não aquela. Ou pedimos a ajuda de Jesus nesta situação, mas dizemos
que podemos lidar com aquela por conta própria. O que temos que perceber é que todas
elas são a mesma, e, até percebermos isso, precisamos praticar cada uma
separadamente.

Regra 2

Comentários sobre “Estabelecendo a Meta” (Continuação)

(Parágrafo 2 – Sentenças 1-3) Em qualquer situação na qual estejas incerto, a primeira


coisa a considerar, muito simplesmente, é “O que eu quero que resulte disso? Para quê
serve isso?”.

“Propósito” é outro tema chave no Curso. Em outra parte do texto, Jesus diz que a única
pergunta que deveríamos fazer sobre qualquer coisa é: “Para que serve isso?” (T-
24.VII.6:1). Seu propósito vai nos ajudar a compreender a situação. Isso, também, reflete

30
a natureza muito simples do Curso. Só existem dois propósitos possíveis em todo o
universo. Um é o de permanecermos no universo, que é o propósito do ego de manter o
especialismo e nos manter a todos dentro do sonho. O outro é o de deixarmos o universo,
o que é alcançado através do perdão. Um é o reforço do especialismo e da separação, e
o outro é o desfazer do especialismo através do perdão. Não existe nenhum outro
propósito para coisa alguma. Portanto, o propósito é um tema principal do Curso. Se
vocês tiverem passado por todo o livro de exercícios, vão reconhecer isso –
especialmente nas primeiras lições onde existe muita discussão sobre para que as coisas
servem. Isso também é verdadeiro em relação ao texto.

Sob a luz da primeira e da segunda regras para decisão isso significa que deveríamos
tentar estar tão conscientes quanto pudermos durante todo o dia de que estamos
escolhendo um desses dois propósitos. O mundo vai nos dar todos os tipos de propósitos
para nos distrair: ter um dia bem sucedido no trabalho, com essa pessoa, na bolsa de
valores, ou seja no que for que estivermos interessados e pensamos ser importante.
Sempre tentem manter em mente – esta é a parte do treinamento mental do Curso – que
vocês querem ir além da situação e do propósito específicos que vocês estabeleceram
para suas vidas ou para o dia em particular, e voltar para os únicos dois propósitos que
são importantes: o propósito do ego, que é manter a separação e o especialismo, ou o
propósito do Espírito Santo, que é desfazer a separação e o especialismo.

Se vocês pensarem que são muito sérios em estudar e aprender este Curso, então,
precisam ser muito sérios sobre o objetivo último dele que é nosso despertar do sonho.
Se vocês estiverem certos de que é isso o que querem, então, isso precisa significar que
vão lutar para ver todo o seu dia como orientado em direção à meta. No que vocês
querem prestar atenção especial é com que freqüência vão fazer exatamente o oposto.
Quando vocês se perceberem transtornados, doentes, sentindo-se mal por si mesmos,
vitimados, guardando mágoas, etc, é porque trocaram as metas e não perceberam que
fizeram isso. Esse é o aspecto de treinamento mental do curso: Observem seu
comportamento, reações e sentimentos. Então, dêem um passo atrás em relação a eles –
o atalho do milagre -, da sua percepção e experiência do seu corpo para o pensamento
que trouxe seja o que for que estiverem experimentando. Como eu já disse, se vocês se
perceberem irritados, transtornados, miseráveis ou com qualquer tipo de dor, isso não
pode ter vindo de nada fora de vocês, porque não existe nada fora de vocês.

Vocês são o sonhador do sonho. O sonho não está sonhando vocês. Qualquer coisa que
estiverem sentindo, vocês puseram lá. E vocês a puseram lá para satisfazer um desses
dois propósitos, para atingir uma dessas duas metas: para permanecerem enraizados no
sonho da separação e do especialismo, ou para dar os passos que vão levá-los a
despertar do sonho. Este tema é claramente descrito em duas seções muito importantes
do Capítulo 27: “O sonhador do sonho” e “O herói do sonho” (T-2.VII, VIII). Nada nos
acontece por acaso, porque é o nosso sonho. De forma similar, quando nós sonhamos à
noite, enquanto estamos dormindo, nada está acontecendo a não ser dentro de nossas
próprias mentes. O que vemos no sonho é a projeção dos pensamentos dentro de nossas
próprias mentes. Esses pensamentos tornam-se imagens e formas. Eles se tornam
símbolos no sonho. Como eu estava dizendo antes, ao analisarmos sonhos, nosso
objetivo deveria ser nos movermos do conteúdo manifesto para o conteúdo latente – da
forma do sonho para o seu significado subjacente. Todo o nosso mundo é um sonho, e
nossas experiências são sonhos, quer pensemos estar acordados ou dormindo. Nós, na

31
verdade, não estamos de nenhuma das duas formas. O corpo não dorme e ele não
desperta. É a mente que sempre está adormecida dentro do sonho – assim como dentro
do Céu a Mente está desperta. “Tu estás em casa, em Deus, sonhando com o exílio”,
como o Curso afirma (T-10.I.2:1). Nós somos os sonhadores do sonho. Portanto, assim
como à noite nós somos responsáveis por todos os personagens e por tudo o que
acontece dentro do sonho, da mesma forma, nós somos responsáveis por tudo o que
acontece dentro do nosso sonho. Metafisicamente falando, tudo é o meu sonho. Tudo o
que eu experimento eu coloquei lá. Todos os outros aparentes fragmentos têm feito a
mesma coisa.

Em termos de nossa experiência prática como fragmentos aparentemente individuais


dentro do sonho, isso não significa que somos responsáveis pelo que as outras pessoas
fazem. Entretanto, isso significa que somos responsáveis pela forma como reagimos ao
que as outras pessoas fazem, pela forma como percebermos o que as outras pessoas
fazem. Esta é uma distinção extremamente importante. Este é o nosso sonho apenas no
sentido de que temos que assumir a responsabilidade por nossas reações e percepções.
Qualquer coisa que experimentemos em nossas vidas diárias vem diretamente da meta
que estabelecemos no início. O problema é que nós esquecemos que estabelecemos a
meta, e, então, pensamos que as coisas acontecem a nós e que coisas externas têm um
efeito sobre nós. Nós nos esquecemos de que somos totalmente responsáveis por nossos
próprios sonhos. O propósito desta seção, para afirmar mais uma vez, é nos ajudar a
perceber que nós estabelecemos a meta sem percebermos que fizemos isso, e que tudo
o que experimentamos daquele momento em diante terá servido ao propósito de alcançar
aquela meta.

O Curso fala muito sobre “os meios e o fim” (veja por exemplo “O corpo como meio ou
fim” [T-8.VIII] e “A consistência entre meios e fim” [T-20.VII]); e, embora esses termos
exatos não tenham sido usados nesta seção, as idéias são as mesmas. Nós
determinamos o fim, e tudo o mais então se torna um meio de nos ajudar a atingir esse
fim. O problema nunca são os meios ou a situação específica. O problema é a meta ou o
fim que nós estabelecemos para a situação. A idéia, novamente, é levar de volta cada vez
mais rapidamente àquele ponto de escolha em nossas mentes quando estabelecemos
nossa meta para o dia, ou para um encontro ou situação em particular. A meta não tem
absolutamente nada a ver com circunstâncias externas. Ela simplesmente tem a ver com
se eu quero o conflito, a culpa e a ansiedade, ou o perdão e a paz.

(Parágrafo 2 – Sentenças 3-4) O esclarecimento da meta tem que estar no início, pois é
isso o que vai determinar o resultado.

O resultado citado aqui não é sobre comportamento específico. Não é sobre o resultado
de um encontro difícil do qual você vai participar, ou o resultado de um encontro ao qual
você vai esta noite. O resultado é se eu vou me sentir mais culpado, amedrontado,
ansioso, especial, ou se vou me sentir mais pacífico. Nós vemos muitas e muitas vezes
que o que torna este curso tão simples é que tudo é visto apenas em termos de “dois”.
Existem duas emoções, dois mundos, duas avaliações – tudo em termos de dois. Um dos
dois será verdadeiro, o outro será falso. É por isso que é tão simples.

(Parágrafo 2 – Sentenças 4-6) No procedimento do ego, isso é revertido. A situação vem


a ser o que determina o resultado, que pode ser qualquer coisa.

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Em outras palavras, eu vou me sentir pacífico se o encontro terminar da forma que eu
quero. Portanto, o resultado – a paz – é diretamente dependente da situação, o que me
torna vulnerável e uma vítima de forças além do meu controle. “Se a minha febre
cedesse, eu me sentiria melhor. Se aquela pessoa que se afastou de mim voltasse, eu me
sentiria melhor”. O ego sempre fala em um contexto de “se apenas”. Quando o que
queremos acontece, então nos sentimos bem. Isso significa que não estamos no controle
de nós mesmos, porque nossa felicidade e paz dependem de algo fora de nós – assim
como nossa infelicidade, doença, ansiedade, dor e culpa dependem de algo fora de nós.
O Curso está nos ensinando algo inteiramente diferente. Ele está dizendo que o resultado
depende da meta que escolhemos logo no início. Se a paz for a nossa meta, então, o
resultado precisa ser a paz, o que significa que tudo o que acontece agora será entendido
sob a luz da sua habilidade de nos ajudar a atingir nossa meta, o que, por seu turno,
significa que cada situação se torna idêntica a qualquer outra. Não importa se eu sou
capturado e torturado como um prisioneiro de guerra, ou se sou libertado. Não importa se
nada acontece externamente para me deixar mais confortável. Isso não vai fazer
diferença. Se a minha meta é a paz e eu sei que Jesus está comigo, absolutamente nada
pode mudar isso. Eu sou o autor do meu próprio sonho. Se eu digo que quero ter um
sonho de paz, então é isso o que vai acontecer – não importando a situação.

Obviamente, o melhor exemplo seria a própria vida e morte de Jesus. O que aconteceu a
ele na cruz foi totalmente irrelevante para o seu estado mental. Seu estado mental era um
de absoluto e perfeito amor. Portanto, o que as pessoas fizeram a ele não fez diferença
alguma para ele, porque ele não era a pessoa na cruz. Ele sabia disso. Ele sabia que isso
era um sonho e que ele não era uma parte dos sonhos das outras pessoas. Ele estava
ciente dos sonhos das outras pessoas, mas não se permitiu ser uma parte deles. Isso
significou que, enquanto as pessoas o estavam vitimando, ele não experimentou a si
mesmo como uma vítima. Em “A mensagem da crucificação”, ele diz que aos olhos do
mundo ele foi “traído, abandonado, espancado, rasgado e finalmente morto”, mas ele não
compartilhou dessa percepção (T-6.I.5:6-7; 9:4-5). Ele não percebeu a si mesmo dessa
forma, portanto, isso não aconteceu dessa forma. Outras pessoas tiveram outros sonhos.
De fato, toda a religião do cristianismo tem sido baseada nos sonhos de outras pessoas,
sonhos que não têm nada a ver com a realidade, que é porque o cristianismo não tem
sido a religião do amor. O que aconteceu na cruz foi totalmente mal compreendido. E a
correção para essa falta de compreensão é um dos propósitos do Curso.

As pessoas simplesmente não compreendem que a meta é estabelecida primeiro. Para


afirmar esse ponto ainda mais uma vez: o propósito do Curso e dessas seções é nos
levar a entender verdadeiramente isso, para que, quando as coisas não correrem bem
para nós e nos sentirmos transtornados, percebamos que as coisas não estão indo bem
porque nós fizemos a escolha errada – nós escolhemos o ego ao invés do Espírito Santo.
Esse é o problema. A situação não é o “determinante”, a causa, do que estamos sentindo.
Lembrem-se, não existe nada fora de nós. Esse é um conceito extremamente importante
no Curso como eu venho dizendo, e como Jesus diz muito claramente na Lição 132: “Não
há mundo! Este é o pensamento central que o curso tenta ensinar” (LE-132.6:2-3).

Se não há mundo, então, eu sou o único responsável por como me sinto. Ninguém pode
me fazer sentir nada que eu não escolha sentir. Em nossa experiência deste mundo, pode
haver outras pessoas que tenham poder sobre nossos corpos, mas elas não têm controle

33
sobre nossas mentes. Novamente, foi esta a lição que Jesus ensinou da cruz. As pessoas
podem ter controle sobre nossos corpos e os corpos daqueles com quem nos
importamos, mas isso não tem absolutamente nada a ver com o estado de nossas
mentes. E se nem mesmo estamos aqui no corpo – tudo isso é parte de um sonho – que
diferença isso faz? O que importa são nossos pensamentos. Ninguém pode tirar Jesus de
você. Você pode afastar Jesus de você, em seu sonho.

Em outras palavras, se você estiver certo sobre o resultado, então, vai perceber que
qualquer coisa que aconteça em sua vida é uma sala de aula na qual você agora
escolheu Jesus como seu professor para ajudá-lo a aprender a lição de que não há nada
fora de você que possa feri-lo, não há nada fora de você que possa ajudá-lo – de fato:
não há nada fora de você.

(Parágrafo 2 – Sentenças 6-10) A razão dessa abordagem desorganizada é evidente. O


ego não sabe o que quer que resulte da situação. Ele está ciente do que não quer, mas
somente disso. Ele não tem absolutamente nenhuma meta positiva.

O ego não sabe de nada positivo, porque o ego é, literalmente, um pensamento que nega
o que é positivo – é um pensamento de negação. Acho que algumas vezes, as pessoas
no passado falaram do diabo como sendo o grande negador. Neste sentido, o ego seria
similar, exceto que ele não está fora de nós. O ego não é nada positivo, ele é literalmente
o oposto de Deus. Ele é o ataque a Deus, o desfazer da perfeita Unicidade de Deus.
Então o ego não sabe nada sobre o amor. Ele realmente sabe sobre a antítese do amor, a
oposição ao amor: ódio, especialismo, morte, separação, culpa, etc.

O ego está ciente do que ele não quer: ele não quer deixar de existir. O que vai fazer com
que o ego deixe de existir é nós segurarmos a mão de Jesus e olharmos para o
especialismo com um sorriso gentil, ao invés de com horror e culpa. O ego é muito bom
em nos ajudar a olhar para o especialismo com horror, dizendo: “Isso é terrível, nunca
mais vou olhar para isso”. Mas o ego não sabe sobre olhar para o que é positivo. Então, o
ego é a negação da verdade. É por isso que Jesus diz antes, no texto, que a
responsabilidade, a função, ou tarefa do trabalhador de milagres é negar a negação da
verdade (T-12.II.1:5). Nada é dito sobre qualquer coisa que seja positiva. Uma vez que o
ego é a negação da verdade, o que nós fazemos é olhar para a negação da verdade e
negar que ela faz qualquer diferença. Esse é o desfazer do ataque do ego a Deus. Se o
ataque do ego a Deus é o véu que mantém o Amor de Deus escondido de nós, e ele for
removido através do perdão, então, o ataque a Deus termina e o que resta é Deus e o
Amor.

É por isso, que estamos dizendo, que este não é um curso em amor, não é um curso
sobre o que é positivo, não é um curso em ter lindas experiências ou lindos sentimentos.
Este é um curso em entrar em contato com os sentimentos e experiências negativas,
porque elas são interferências à consciência do Amor de Deus. Quando você pode olhar
para sua negatividade, para sua oposição a Deus e para todas as outras pessoas, que
são a glorificação do especialismo, e puder vê-los sem julgar a si mesmo por elas, estará
negando a negação da verdade. Você estará desfazendo o que nunca foi, e, então, o que
resta é o Amor que sempre esteve presente.

34
Regra 2

Comentário sobre “Estabelecendo a meta” (continuação)

(Parágrafo 3 – Sentenças 1-3) Sem uma meta clara, positiva, estabelecida no ponto de
partida, a situação apenas parece acontecer e não faz sentido enquanto não tiver
acontecido.

Pensem em qualquer coisa em particular em suas vidas que seja importante – um


relacionamento com uma pessoa, uma reunião de que vocês precisam participar, uma
decisão que têm que tomar, etc – e percebam como a estão estabelecendo em sua mente
para que o que aconteça realmente faça uma diferença. Vai realmente fazer diferença se
esta pessoa prestar ou não atenção em mim. Realmente vai fazer diferença se esta
pessoa me aprovar ou não, se o meu chefe aprovar meu trabalho e me der uma
promoção. Todas essas coisas fazem diferença – é isso o que significa essa sentença.
Nada vai fazer sentido enquanto não tiver acontecido, porque o ego não sabe o que quer.
Ele só está certo sobre o que não quer. Não existe nada de positivo sobre o ego.

O que Jesus está nos dizendo, portanto, é para sermos claros sobre a meta positiva que
queremos. Neste contexto, ele está falando sobre a verdade como a meta. Você pode
substituir a paz, o perdão, etc, como a meta também. Se for isso o que você quiser como
sua meta, então, vai perceber que não importando o que aconteça, o significado já está
lá. O significado não tem que esperar até que o evento aconteça, porque você já deu
significado ao evento antes que ele aconteça. Portanto, não importa o que vai acontecer
nessa reunião da qual vou participar, porque minha meta já foi estabelecida. Quer a
reunião termine da forma que eu quero ou da forma que eu não quero, ainda posso vê-la
como uma oportunidade de praticar o aprendizado do perdão – de aprender que nada
externo importa. Se eu vou a um encontro com uma pessoa e realmente me importo com
ela, não vai fazer diferença se ela gosta de mim ou não, porque eu percebo que tenho
uma meta maior em mente do que a satisfação do meu especialismo. A meta maior é que
eu vou aprender o perdão, o que significa o desfazer de todas as interferências que eu
coloquei entre o Amor de Deus e eu. É isso o que eu quero. E, quando eu sou claro sobre
o que quero, não importa o que acontece externamente.

Isso não significa que você não faça coisas no mundo e preste atenção a elas. Mas sua
paz mental, o Amor de Deus dentro de você, não está condicionado ao que acontece com
você externamente. Aplicando os princípios do curso à sua vida desta forma, sua vida
nesse mundo se torna muito mais simples e fácil, porque o que acontece externamente
não faz mais diferença. Agora, você pode ter que agir como se isso fizesse uma diferença
no mundo, mas em algum lugar dentro de você, existe um sorriso gentil que diz: “Não
importa como a votação no congresso vai acontecer, não importa como a votação da
equipe de diretores vai acontecer, não importa o que acontece dentro da minha família –
não importa porque eu sei que o amor de Jesus está comigo, independente do resultado.
E nada nem ninguém pode tirar isso de mim”. Mas essa será sua experiência apenas se
for isso o que você quiser. É por isso que é tão importante voltarmos àquele ponto de
escolha na sua mente, o tomador de decisões – porque é lá que a ação está. Em outras
palavras, você aprende a não dar seu poder a ninguém mais. Todo poder no Céu e na
terra repousam dentro de você, o que é a reinterpretação de Jesus no Curso, das
passagens das escrituras. Não é apenas que ele tenha todo o poder no Céu e na terra,

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nós temos todo o poder no céu e na terra, o que significa que nós temos todo o poder de
escolher o Céu, ou de escolher a terra ou o ego. Esta é a reinterpretação do Curso sobre
as passagens das escrituras.

(Parágrafo 3 – Sentenças 3-4) Então, tu a olhas em retrospectiva [a situação que


aconteceu] e tentas compor o que ela significou.

Nós perguntamos de alguma forma: “Isso foi bom para mim, ou isso não foi bom para
mim?”. Eu cresci em um lar judeu, como a maioria de vocês sabe, e com a maneira com
que a maioria dos judeus pensa sobre as coisas (e realmente não é diferente de qualquer
outro grupo), mas os judeus sempre vão dizer: “Isso é bom para os judeus?”. Isso era
algo que sempre era ouvido na minha casa: “Isso foi bom para os judeus?”. O presidente
tomou uma decisão: “Isso foi bom para os judeus?”. Este é um exemplo do que estamos
falando. Você olha de volta para o que aconteceu, e tenta compor o que isso significou. E
sua compreensão do que deveria significar sempre será no contexto de “Isso é bom para
mim, ou pra o grupo com o qual me identifico?”.

(Parágrafo 3 – Sentença 4) E estarás errado.

Você não tem idéia sobre o significado porque sempre vai olhar para a situação através
dos olhos do seu especialismo, o que já é uma distorção. Isso é assim porque o
especialismo afirma que existem pessoas especiais e grupos de interesse especiais
dentro da Filiação, e eu sou um membro desses grupos. Portanto, o que é bom para esse
grupo, o que é bom para mim, é bom – e eu não me importo com todas as outras
pessoas. Conseqüentemente, eu preciso estar errado, porque não estou vindo de uma
percepção unificada que percebe todas as pessoas como a mesma. Se isso é bom para
mim, precisa ser bom para todos os membros da Filiação. Se isso é bom para qualquer
parte da Filiação, precisa ser bom para mim e para todos os outros. Não pode ser bom
para um grupo e não para outro. É óbvio quando você pensa sobre sua vida pessoal, sem
falar no que acontece no mundo, que isso é o oposto exato do que o mundo pensa – o
oposto exato. O pensamento do mundo sempre está baseado em nós – eles, meu grupo
versus outro grupo. E eu só me importo com que o meu grupo seja cuidado, com que
minha família seja cuidada. Eu posso não desejar particularmente nenhum mal a ninguém
mais, mas também não me importo particularmente com eles. Tudo o que me importo é
comigo mesmo. Portanto, preciso estar errado, porque Jesus olha da perspectiva do
Cristo unificado e da Filiação unificada – que precisa beneficiar a todos, pois do contrário,
não beneficiará ninguém. É tudo ou nada.

(Parágrafo 3 – Sentenças 4-6) Não somente o teu julgamento está no passado, mas não
tens nenhuma idéia do que deveria acontecer.

Isso é assim porque, novamente, o que pensamos que deveria acontecer é apenas o que
vai beneficiar uma certa parte da Filiação. E, ainda mais do que isso, nós temos a
arrogância de acreditar que realmente sabemos quais são nossos maiores interesses.
Nossos maiores interesses sempre serão o que pensamos que satisfaz nosso
especialismo. E tudo o que isso faz é reforçar ainda mais a própria culpa que nos trouxe
ao mundo em primeiro lugar.

36
(Parágrafo 3 – Sentenças 6-7) Nenhuma meta foi estabelecida para que se pudesse
alinhar os meios a ela.

O que ele está falando aqui é a meta real, ou a meta positiva. Nós não trazemos a meta
da paz ou a meta da verdade para nossas mentes, o que então significaria que veríamos
tudo o que acontece em nossos dias como um meio de nos ajudar a atingir nossas metas
egóicas. Tudo é uma sala de aula, tudo é uma oportunidade de aprendizado. Não importa
que forma a sala de aula tenha. Tudo o que importa é que nós a percebemos como uma
sala de aula com Jesus como nosso professor. E, se fizermos isso, sempre vou aprender
sua lição, não importando a forma, não importando o resultado específico. Por outro lado,
o ego realmente tem uma meta com a qual alinhar todos os meios – mas é uma meta
falsa. A meta do ego é reforçar o especialismo, o isolamento e a separação, e, então, tudo
será visto sob essa luz. Se sua meta, portanto, for re-estabelecer que você é uma vítima,
então, vai atravessar seu dia buscando que as pessoas o deixem transtornado, o
insultem, o rejeitem, o vitimem. Então, isso irá acontecer ou parecerá acontecer
(freqüentemente, isso nem mesmo acontece no mundo – você apenas pode acreditar que
acontece) e, então, você vai experimentar exatamente o que quis que resultasse dessa
situação. Você quis que alguém o transtornasse, o rejeitasse, o traísse, o abandonasse,
e, com certeza, eles o fizeram.

Então, nesse sentido, também, os meios foram alinhados aos fins: você quis se sentir
vitimado e injustamente tratado. Então, percebeu tudo em seu mundo naquele dia como
servindo àquele propósito, e, portanto, tudo serviu ao propósito de fazê-lo se sentir
daquela forma. Portanto, quando Jesus diz: “Nenhuma meta foi estabelecida para que se
pudesse alinhar os meios a ela”, ele realmente quer dizer nenhuma meta verdadeira.

(Parágrafo 3 – Sentenças 7-9) E agora, o único julgamento que sobra para ser feito é se o
ego gosta ou não do resultado [é bom para o meu grupo?]: é aceitável ou exige vingança?

É assim que sempre pensamos. Algo acontece e então meu ego interpreta: Eu gosto
disso, isso é bom para mim? Se for, então tudo é maravilhoso. Isso é amor especial. Se
não for, então, existe ataque, contra-ataque ou vingança. Isso é ódio especial.

(Parágrafo 3 – Sentenças 9-11) A ausência de um critério para o resultado previamente


estabelecido faz com que a compreensão seja duvidosa e a avaliação impossível.

Essa é a forma de Jesus dizer que não existe forma de você entender nada nesse mundo.
Não existe forma alguma porque você vai tentar entender isso através dos olhos ou do
estado mental de um pensamento ilusório – o pensamento ilusório de ser separado.
Lembre-se: o ego construiu toda a sua existência logo no início do julgamento: “O que é
bom para mim não é bom para Deus, mas eu não me importo; Ele não existe mais de
forma alguma, porque Ele foi nocauteado”. Esse é o paradigma básico que está
subjacente a forma na qual percebemos nossas vidas e todos os nossos relacionamentos
neste mundo.

(Parágrafo 4 – Sentenças 1-3) O valor de decidir com antecedência o que é que queres
que aconteça, simplesmente está em que perceberás a situação como um meio de fazer
com que isso aconteça.

37
Esse é o tipo de pensamento que você quer cultivar conforme trabalhar com o Curso. É
uma forma totalmente diferente de experimentar a si mesmo no mundo. A idéia ligando
isso a “Regras para decisão” é que, tão rapidamente quanto possível, quando você
despertar pela manhã, deveria tentar realmente pensar sobre o que quer que resulte
desse dia. Se você se pegar dizendo, “Eu quero conseguir o que eu quero quando eu
quiser”, não resista a isso, e não lute contra si mesmo. Apenas fique ciente de que você
vai conseguir o que quer e isso não vai torná-lo feliz. Especialismo nunca funciona – ele
nunca vai fazê-lo verdadeiramente feliz. Ele pode fazê-lo feliz a curto prazo. Mas, se você
acreditar que conseguiu o que queria, vai acreditar que o conseguiu porque o roubou:
você manipulou e seduziu outras pessoas para conseguir o que queria. Além disso, pelo
fato de tê-lo roubado, você vai acreditar que isso não é realmente seu, o que significa que
em algum nível vai acreditar que a pessoa de quem o roubou tem todo o direito de roubá-
lo de volta de você. Isso significa que vai haver medo real de que o que você conseguiu
não será capaz de manter.

Por exemplo: eu realmente queria desesperadamente sua afeição, sua atenção, sua
preocupação e seu amor, e os consegui. Mas eu sei que não os consegui de forma justa –
eu os roubei de você, o que significa que não vou conseguir mantê-los. Agora, eu sempre
vou estar esperando que você os pegue de volta. Eu vou pensar, portanto, que talvez
você goste de mim agora, mas que na hora seguinte não vai gostar. Eu sempre terei que
estar atento e vigilante para manter o que roubei, e para impedi-lo de roubar de volta de
mim. Isso dificilmente é uma forma pacífica de viver. Entretanto, é assim que todos vivem
neste mundo. No nível mais geral que nós conhecemos como indivíduos, a vida que
pensamos ter, nós secretamente sabemos que roubamos de Deus. É por isso que
estamos sempre aterrorizados que nossa pequena chama seja extinta. Estamos sempre
tentando manter a nós mesmos vivos um pouco mais, um pouco melhor. Mas, no final,
sabemos que Deus vai arrebentar tudo e pegar de volta o que pegamos Dele, porque
todos morrem. Portanto, nós vivemos em um estado mortal de terror desde o momento
em que temos idade suficiente para estarmos cientes disso – de que se não tivermos
cuidado, seremos mortos.

Nós podemos ser mortos em um acidente de carro, por um germe, por um má nutrição,
por termos um coração ruim, por comer certas comidas, etc, etc. Ou nós poderíamos ser
psicologicamente devastados por um olhar raivoso de nossos pais ou de alguma figura de
autoridade. Um medo tremendo permeia nossas vidas inteiras, porque nós sabemos que
a vida que pensamos possuir não é nossa – nós a roubamos. E o Um de Quem a
roubamos, em algum momento, vai pegá-la de volta. Se vocês puderem entender isso,
então vão entender os pequenos medos, as pequenas ansiedades, e os pequenos
terrores que vivemos dia a dia, porque todos são parte desse medo maior. Portanto, o que
vocês querem fazer é serem muito claros sobre essa ser a meta que estabeleceram para
si mesmos: preservar sua vida como a conhecem. E vocês querem estar muito certos de
que isso é uma luta, uma batalha, que vocês nunca, nunca mesmo, vão vencer. Estejam
muito certos durante seu dia de que estão conseguindo o que querem. Então, em algum
ponto, terão que decidir: o que estou conseguindo, o que eu quis, não está realmente me
fazendo feliz. Isso sinaliza o início do fim do ego – o reconhecimento de que aquilo em
que vocês estão baseando toda sua vida realmente não está lhes trazendo a felicidade e
a paz que vocês pensaram que traria. Em algum ponto vocês vão dizer: “Deve haver outra
forma de fazer isso”. Esse é o início do efeito do milagre: que existe outra forma, existe
outra escolha que eu posso fazer.

38
Regra 2 (continuação)

Comentário sobre “Estabelecendo a meta”

(Parágrafo 4 – Sentenças 1-6) O valor de decidir com antecedência o que é que queres
que aconteça, simplesmente está em que perceberás a situação como um meio de fazer
com que isso aconteça. [Então, agora, você vai ver que a situação é o meio que vai trazer
a você o fim que você já escolheu] Farás, portanto, todos os esforços para não ver o que
interfere com a realização do teu objetivo e concentrar-te-ás em tudo aquilo que te ajuda a
realizá-lo.

Quando você estabelece a meta da verdade para si mesmo, percebe que não quer uma
ilusão. Por exemplo, vamos dizer que estou em um relacionamento com você e estabeleci
em minha mente, antes, que o perdão é o que eu quero que resulte desse
relacionamento. Eu quero entender que os seus interesses e os meus não são separados.
Eu quero entender que não posso encontrar a felicidade às suas custas, que você não é
um objeto que eu quero usar para satisfazer minhas próprias necessidades – físicas ou
emocionais –, e que você e eu realmente somos uma parte de um todo maior. Eu não sou
separado de você, e você não é separado de mim. Se essa for a minha meta, o que eu
quero aprender, então, não vou ver qualquer coisa que aconteça entre nós que tenha o
sabor do especialismo. Quando Jesus diz para “não ver”, ele não quer dizer que você não
olhe. Na verdade, ele quer dizer exatamente o oposto: você olha para isso, mas não vê a
interpretação do ego sobre isso. Você não dá nenhum poder a ela.

Eu então vou ver as mesmas coisas que você faz ou diz, e que ontem, com a meta do
especialismo em mente, eu teria agarrado e colocado toda minha atenção como uma
forma de provar que você é uma pessoa terrível, que tudo o que quer é me ferir, me
abandonar, me rejeitar. Mas agora vou ver tudo isso e dizer, “Não é uma tolice? Talvez
seja isso o que você está fazendo, mas esse é seu pedido de ajuda, e isso é um espelho
do meu próprio pedido de ajuda”. É isso o que Jesus quer dizer com “não ver o que
interfere com a realização do teu objetivo”. Isso não significa que você não vê o ego na
outra pessoa, nem que não vê o ego em você mesmo. De fato, se você for fazer isso
direito, precisa ver o ego em si mesmo. Mas, então, a idéia é não criar um grande caso
em relação a isso – não o julgue, não condene a si mesmo ou a qualquer outra pessoa
por isso.

Para repetir, isso não significa que você não vê o que está acontecendo entre você e a
outra pessoa, mas agora que a culpa não é a sua meta, você não vai tornar o ego na
outra pessoa ou em você mesmo, algo notável. Você não vai usar isso como uma forma
de justificar sua própria crença no especialismo. Você vai ver que o que a outra pessoa
está fazendo é simplesmente parte da sua sala de aula: ordinariamente, isso o teria
tentado a tornar seu especialismo real, mas agora você diz: “Isso é algo que eu posso
escolher ver de forma diferente’. E, então, você “não vê o que interfere com a realidade do
seu objetivo”, e se concentra em tudo o que o ajuda a realizá-lo. Se o meu objetivo é ver
que você e eu compartilhamos um interesse em comum, e que compartilhamos o mesmo
objetivo, então, se você fizer algo que pareça torná-lo diferente de mim, vou agora
perceber que você não é diferente de mim. Talvez você seja diferente de mim na forma,
em seu comportamento, mas não no sentido de que ambos compartilhamos a mesma

39
mente dividida. Ambos temos uma parte de nós que se sente atraída pelo ego, e ambos
temos uma parte de nós que quer voltar para casa com o Espírito Santo. Mas eu
realmente nego que o que estou vendo faça diferença. Esse não é um curso em negação.
É um curso em realmente olhar diretamente para todos os pensamentos e sentimentos
negativos em mim mesmo e em outra pessoa, e então perceber que eles não fazem
qualquer diferença.

Ao praticarmos isso, o que realmente estaremos praticando, como já disse, é o retorno


àquele momento original ontológico quando olhamos para a “diminuta e louca idéia” e
dissemos: “Isto é sério”. Nós poderíamos tão facilmente quanto isso, ter olhado para ela e
dito: “Isso é tolice”. Existe uma parte de nossas mentes na qual fizemos isso. E é essa
parte que queremos acessar. A forma de acessá-la é continuarmos a praticar bem onde
acreditamos estar – com todos os relacionamentos e circunstâncias em nossas vidas,
nesse exato momento. Nós não vamos negar as diferenças óbvias, mas, ao invés disso,
vamos negar que elas façam diferença. Não importando o quanto nossos pensamentos e
comportamentos possam ser odiosos e viciosos, eles não são nada mais do que um
reflexo da “diminuta e louca idéia” original. E nós tanto podemos vê-los como algo sério,
chamando-os de pecaminosos, o que então significa que eles têm que ser punidos em
você ou em mim, quanto podemos vê-los simplesmente como pensamentos tolos que não
têm efeito algum, porque a verdade que está sob nossas diferenças aparentes é a
verdade de que somos todos um no Amor de Deus.

Se esse for o meu objetivo, o que eu quero aprender, então, vou ver qualquer coisa que
acontecer entre você e eu como algo que vai me trazer para mais perto da minha meta, e
serei grato por isso. Isso não significa que no nível da forma sou grato por seu ódio ou por
sua malignidade. Sou grato pela oportunidade por esse sonho, essa sala de aula que eu
escolhi, na qual Jesus agora me ensina que não importando o que você faça, eu ainda
posso ficar em paz. Quando ele diz no Curso: “Veja-me como seu modelo de
aprendizagem”, é isso o que ele quer dizer. Veja-me como o modelo para que, quando
você for tentado a se sentir tratado de forma injusta, vai pensar em mim, e perceber que
existe outra forma de olhar para o que está acontecendo.

Vamos voltar ao livro de exercícios por um momento, Lição 24, “Eu não percebo os meus
maiores interesses”. Vou ler os dois primeiros parágrafos que são basicamente um eco do
que temos falado em “Regras para Decisão” e “Estabelecendo a meta”.

(Lição 24 – Parágrafo 1 – Sentenças 1-3) Em nenhuma situação que surja, reconheces


qual é o resultado que te faria feliz. Portanto, não tens nenhum guia para a ação
apropriada, e nenhum modo de julgar o resultado.

Pelo fato de entendermos tudo ao contrário, pensamos que “ação apropriada” é o que vai
satisfazer nossas necessidades e nos fazer felizes. “Ação apropriada” é qualquer coisa
que nos ensine as lições de perdão do Espírito Santo. Em outras palavras, a situação é o
meio que vai nos ajudar a atingir a meta que estabelecemos.

(Lição 24 – Parágrafo 1 – Sentenças 3-6) O que fazes é determinado pela tua percepção
da situação e essa percepção está errada [porque, novamente, a maneira com que vamos
perceber a situação é em termos do que vai atender às nossas necessidades de
especialismo]. Assim, é inevitável que não sirva aos teus maiores interesses.

40
Nosso maior interesse real é desfazer nosso ego e realmente encontrarmos a paz. Essa é
a última coisa no mundo que o ego quer.

(Lição 24 – Parágrafo 1 – Sentenças 6-8) No entanto, eles são a tua única meta em
qualquer situação que seja corretamente percebida [o que significa, nossos maiores
interesses]. De outra forma, não reconhecerás quais são eles.

Então, nós vemos tudo no mundo como o que vai atender aos nossos interesses
separados especiais, não o interesse que vai nos devolver à consciência de que somos
todos um, e que o que acontece com um afeta a todos.

(Lição 24 – Parágrafo 2 – Sentenças 1-3) Se reconhecesses que não percebes os teus


maiores interesses, seria possível ensinar-te o que eles são. Mas, na presença da tua
convicção de que sabes, não podes aprender.

Muito do curso é direcionado a nos fazer entender que nós não sabemos coisa alguma.
Perto do fim do texto, há uma passagem que resume isso enfaticamente: ‘Não há
declaração que o mundo tenha mais medo de ouvir do que essa: Eu não sei o que sou e,
portanto, não sei o que estou fazendo, onde estou ou como olhar para o mundo ou para
mim mesmo” (T-31.V.17:11-15). O que isso realmente significa é que eu inventei tudo e,
portanto, não posso entender nada. Essa é uma clássica afirmação do Curso sobre
desfazer a aparente certeza e arrogância do ego. Entretanto, o ego vai responder com:
“Bem, se você não sabe quem é, isso precisa significa que você não é nada – porque se
você não está comigo, você não é nada”. O propósito do ego nisso, então, é deixar você
confuso e amedrontado. O que o ego não diz a você é que se você não está com ele (o
ego), vai estar com Deus. O ego tenta confundir você sobre não ser confundido. Confusão
é uma defesa contra conhecer a verdade. Primeiro existe um medo de conhecer a
verdade, e, depois, a confusão é uma defesa contra isso.

Deixem-me apenas elaborar isso um pouco mais. O ego nos faria acreditar que nós
realmente entendemos a diferença entre o que é verdadeiro e o que é falso, o que é
importante para mim, e o que não é. Então, a coisa mais importante, para repetir, é
entender que nós não entendemos. É isso o que Jesus quer dizer com a diferença entre
humildade e arrogância, o que é um tema importante no Curso. A arrogância diz: “Eu
realmente sei, eu realmente entendo”. A arrogância diz: “Eu posso ler esse Curso uma
vez , duas ou cinco vezes e entender o que ele diz”. A humildade diz: “Eu não tenho idéia
de quem eu sou, portanto, como posso ter uma idéia do que o Curso significa?”.

Então, muito disso, como está claramente afirmado nessa passagem, está nos ajudando
a perceber que nós não sabemos. Mas se nós pensarmos que sabemos, não vamos
acreditar que temos que ser ensinados. Portanto, como pode Jesus nos ajudar com esse
Curso? Esse é um Curso de ensino. É um caminho espiritual que está diretamente
voltado para o ensino, o que significa que, como um estudante desse caminho, você tem
que estar aberto a ser ensinado. Se você pensar que já sabe o que é o mundo, se você
pensar que já sabe o que é o perdão, não existe forma do Curso ensinar tudo isso a você.
Não existe maneira de ninguém ensinar isso a você, porque você já está certo de que
entende. Eu disse antes que as pessoas pensam que existem diferentes interpretações
válidas desse Curso. Se for isso o que você pensar, nunca vai aprender o que o Curso

41
significa, porque vai pensar que a sua interpretação é válida porque ela é sua e é válida.
Não é válida. Você não vai saber o que o Curso está ensinando a você precisamente
porque você está tão totalmente certo que o compreende. Conseqüentemente, não estará
aberto a ser ensinado.

Esse é um Curso em ensinar, com Jesus como o professor, e sua mensagem vem
através desses livros. Se você pensar que já as compreende, como vai aprender com
elas? Então, você até mesmo vai pensar que pode ensiná-las! O que ele está dizendo é
que é muito importante que você entenda que não compreende. Você não entende seus
melhores interesses, então, como poderia entender um curso cujo propósito é ensiná-lo o
quanto você não sabe, e o quanto você é insano. E simplesmente estar nesse mundo é
uma prova de que você é insano! Pensar que você tem um cérebro que pensa é insano,
porque o cérebro não pensa: ele é o reflexo, ou a sombra de um sistema de pensamento
na sua mente. Mas, se você é sem mente, como pode saber que existe um problema?

Esse não é um curso que você possa dominar no nível intelectual. Não há dúvida de que
ele foi escrito em um nível altamente intelectual, e é destinado a ser estudado e
contemplado. Mas, se você pensar que a compreensão vem do seu pensamento sobre
ele, vai perder todo o ponto central. Sua compreensão virá apesar do seu pensamento
sobre ele. O que faz dele uma ferramenta espiritual tão poderosa é que ele parece estar
fazendo uma coisa, quando realmente faz o oposto exato. Ele é escrito, novamente, em
um nível intelectual, e está destinado a ser estudado muitas e muitas vezes. Jesus disse a
Helen e a Bill: “Estudem estas notas. Vocês não estão estudando estas notas, e foi por
isso que aconteceu o que aconteceu ontem – porque você não estudam o que eu dito a
vocês”. Então, ele queria que essas “notas” sejam estudadas, da mesma forma que um
texto é estudado na escola. Mas, conforme você estuda, vai começar a perceber, depois
de um período de tempo, que está aprendendo o oposto exato do que pensou estar
fazendo. Esse é um curso que vai levá-lo além do seu intelecto e do seu cérebro, para
uma experiência de amor. E, conforme você passa pelo processo de estudá-lo e praticá-
lo, fazendo exatamente o que ele diz, será levado em uma jornada que é o oposto exato
do que pensa estar fazendo. Essa é uma jornada que vai levá-lo, por sua própria
natureza, ao coração do problema, que é a sua mente.

É por isso que quando as pessoas tentam mudar esse Curso de qualquer forma (por
exemplo, vindo com uma maneira diferente de fazer o livro de exercícios, ou de estudar o
texto), elas não estão conscientes de que estão adulterando o próprio coração e a alma
desse livro, porque o currículo é fazer exatamente o que Jesus diz aqui: estudar o texto
como ele o transmitiu, fazer o livro de exercícios como ele diz que devemos fazê-lo. O
próprio fato de você fazê-lo dessa forma automaticamente vai levá-lo à jornada com ele
como seu guia. Quando você o modifica, quando você escreve versões condensadas e
reduzidas, o que está realmente fazendo é atacar esse Curso e seu autor, dizendo: “Eu
posso fazer isso melhor do que ele. Você não precisa de 365 lições; você precisa de uma
quantidade x de lições. Existem atalhos para estudar esse texto. Você não tem que
passar por toda essa dificuldade – afinal, é apenas a mesma bobagem de novo e de
novo”. O que você está realmente fazendo é subverter o processo pedagógico, que,
novamente, é o alimento do Curso. O atalho para esse Curso é que não existe atalho!
Você deveria fazê-lo exatamente da maneira que é dado. Por que você iria querer fazê-lo
de outro modo, a menos que pensasse que poderia fazer um trabalho melhor do que ele
fez? Não é pecaminoso você fazer diferente. Não é pecaminoso você fazer as lições do

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livro de exercícios ao contrário; é apenas outro reflexo do problema de autoridade. Você
não será punido por isso, mas também não vai encontrar a paz e a verdade. Uma das
melhores formas de aprender esse Curso é observar o quanto seu ego será sutil em
tentar subvertê-lo, mudá-lo, distorcê-lo, e fazê-lo à sua própria imagem, ao invés de
tornar-se a imagem que ele (o Curso) dá a você.

Fazer o Curso da forma que ele o deu é a maneira de você “des-aprender” o seu ego. E
você não tem que entender como isso acontece – isso vai acontecer apesar da sua
aparente compreensão. Existe aquela linha maravilhosa no texto: “Ainda estás
convencido de que a tua compreensão é uma contribuição poderosa para a verdade e faz
dela o que ela é” (T-18.IV.7:7-8). Essa é outra linha que o ego odeia, porque estamos
sempre tentando entender. A forma de entender esse Curso é fazer o que ele diz, que é
olhar para nosso especialismo e para nossa culpa com o amor de Jesus ao nosso lado. É
assim que você vai entender este Curso. Entender não é alcançado com a mestria
intelectual de seus princípios. Você pode declamar o Curso perfeitamente e não ter a
mínima idéia do que ele diz. Você não tem que distorcer o Curso mudando o que ele diz
intelectualmente: você pode repetir exatamente o que ele diz intelectualmente, mas não
vai entender o que ele está dizendo, porque não se tornou parte do processo. A mestria
intelectual do Curso é a pedra fundamental em direção à experiência que o Curso vai lhe
dar. Este é um currículo cuidadosamente concebido e planejado: não tentem mudá-lo.
Simplesmente façam o que ele diz o melhor que puderem. O aprendizado e a
compreensão virão de outra parte da sua mente – eles certamente não virão do seu
cérebro.

(Lição 24 – Parágrafo 2 – Sentenças 3-5) A idéia para o dia de hoje [Eu não percebo os
meus maiores interesses] é um passo em direção a abrir a tua mente para que o
aprendizado possa começar.

Dizer que o propósito do Curso é abrir sua mente é dizer que esse é um curso em
desfazer. No manual de professores, Jesus afirma que o “verdadeiro aprendizado” nesse
mundo é “desaprender” (M-10.3:7). Você não tem que ser ensinado nada, porque a
verdade já está presente em sua mente através do Espírito Santo. Você tem que ser
ensinado a “desaprender” o que o ego fez no lugar da verdade. Isso é sobre abrir suas
mentes, porque nossas mentes estão totalmente fechadas. Essa é outra forma de dizer o
que significa ser “sem mente”. Nossas mentes se prendem totalmente à culpa, então, a
colocam para fora, e, agora, somos tão positivos que entendemos o que acontece nesse
mundo. Entendemos como sobreviver nesse mundo, porque vivemos em um mundo que
parece estar fora de nós – que parece ser hostil e ameaçador para nós. É um mundo no
qual nós experimentamos a nós mesmos como extremamente vulneráveis. Estamos tão
certos de entender como as coisas funcionam nesse mundo. Estamos tão certos de
entender como o corpo funciona. Nós temos todos esses cientistas brilhantes que são tão
claros sobre como o corpo funciona. Todos eles estão mortalmente errados! O corpo não
funciona em si mesmo, ele funciona porque a mente diz a ele que deveria funcionar
daquela forma.

A razão pela qual essa moeda cai quando eu a jogo não é pela lei da gravidade.
Praticamente todos nesse mundo vão dizer que a moeda cai por causa da lei da
gravidade. Isso não é verdade. A moeda cai porque nós fizemos um mundo com uma lei
da gravidade que resulta em objetos caindo, porque essa é outra forma de provar que

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esse é um mundo legítimo que obedece a princípios que sempre continuam. Toda a coisa
é inventada! A razão pela qual a moeda cai é que nós escolhemos escutar o ego. E,
então, à partir daquela crença, daquela escolha, passo a passo, nós fizemos um mundo
que espelha o sistema de pensamento do ego. A lei da gravidade não é uma lei; é uma
distorção de uma lei. O corpo não funciona por todas as razões que as pessoas dizem:
ele funciona porque nós escolhemos o ego ao invés do Espírito Santo.

Se você realmente quer fazer uma mudança significativa no mundo, mude sua mente.
Para citar a linha famosa: “...não busques mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua
mente sobre o mundo” (t-21.in.1:6-7). Se você for sincero sobre querer mudar o mundo,
mude a si mesmo – porque você é o mundo. Não existe mundo lá fora, lembrem-se. Não
existe mundo fora de você, então, por que você quer mudar um mundo que não existe?
Você quer mudar a sua mente, ou um pensamento que diz que você existe um mundo lá
fora. Mude sua mente, então, sua mente vai se identificar totalmente com o amor. E,
então, essa presença do amor vai ser refletida no sonho, e vai trabalhar através de você,
para que você aja de forma amorosa no mundo. Mas seu único foco será o Amor de Deus
na sua mente. Isso é muito simples – você não tem que se preocupar com o mundo. O
amor vai funcionar através de você e vai guiá-lo no mundo sem nenhum esforço da sua
parte. Por causa do equívoco muito difundido sobre esses princípios vale a pena observar
novamente que a concentração do Curso em minha reação ao que você faz, de forma
alguma apóia uma atitude de indiferença em relação ao que está acontecendo no mundo.
Pelo contrário, uma vez que os pensamentos do meu ego estejam fora do caminho, o
amor vai se expressar através de mim, e, portanto, eu automaticamente vou fazer o que
atender aos maiores interesses de todos, ao invés de ser motivado somente pela urgência
de ter minhas necessidades especiais atendidas. Mas, para que isso aconteça, você
primeiro precisa ter uma atitude de humildade e dizer: “Eu não entendo nada”. Dessa
forma, estará abrindo sua mente para que possa ser ensinado. Se você tiver a atitude de
ser como uma criancinha, como Jesus continuamente diz aos seus estudantes no Curso,
então, como uma criancinha você vai aprender. Essa é a atitude que você deveria ter: eu
sou um bebê e não entendo nada, mas, graças a Deus, existe um irmão amoroso dentro
de mim que vai me ensinar. E esse ensino vem de dentro de mim; ele não vem de fora.

Regra 2 (continuação)

Comentário sobre “Estabelecendo a meta” (conclusão)

Voltando agora ao “Estabelecendo a meta”, deixem-me reler a terceira sentença no


parágrafo quatro:

(Parágrafo 4 – Sentenças 3-5) Farás, portanto, todos os esforços para não ver o que
interfere com a realização do teu objetivo e concentrar-te-ás em tudo aqui o que te ajuda
a realizá-lo.

Para reiterar, você não nega o que vê; você simplesmente nega que o que você vê tenha
qualquer validade. Você não nega o que percebe, apenas nega que isso tenha qualquer
validade em determinar como vai se sentir.

(Parágrafo 4 – Sentenças 6-9) É bastante marcante que essa abordagem tem te trazido
para mais perto da seleção que o Espírito Santo faz da verdade e da falsidade. O que

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pode ser usado para realizar a meta vem a ser verdadeiro. O que é inútil deste ponto de
vista vem a ser falso.

Conforme você pratica isso mais e mais, vai começar a entender a diferença entre a
verdade e a falsidade, a verdade e a ilusão, que não é a forma do mundo olhar para a
diferença. Essa é uma abordagem prática totalmente utilitária.

Não há nada nesse mundo que seja verdadeiro. O perdão não é verdadeiro. Esse Curso
em Milagres “santo” não é verdadeiro. Nada é verdadeiro nesse mundo. A verdade é
apenas de Deus. Nós podemos, entretanto, ter o reflexo da verdade nesse mundo. Esse
Curso, portanto, é o reflexo da verdade. Outros caminhos espirituais são reflexos da
verdade. O perdão é um reflexo da verdade. Ele não é a verdade, mas, ao invés disso, o
reflexo da verdade. É por isso que Jesus diz que o amor não é possível nesse mundo,
mas que o perdão nesse mundo é equivalente ao Amor do Céu. A santidade não é
possível nesse mundo, mas é possível ser um reflexo da santidade. De fato, “O reflexo da
santidade” é uma pequena seção no Capítulo 14, no texto. Jesus fala sobre o
relacionamento santo como sendo o “mensageiro da eternidade”. Ele não é a eternidade,
mas é o precursor da eternidade. Portanto, o que é verdadeiro nesse mundo é tudo o que
reflita a verdade do Céu, qualquer coisa que ajude você a despertar do sonho.

Novamente, estamos falando sobre uma forma puramente prática de entender a verdade.
Isso certamente não significa que qualquer coisa nesse mundo seja verdadeiro. Significa,
ao invés disso, que eu posso dar a esse mundo um propósito que reflita a verdade. Se a
verdade do Céu é a perfeita unicidade e a perfeita unidade, então, o propósito nesse
mundo que reflete essa verdade é perceber que todos nós compartilhamos os mesmos
interesses e a mesma meta. Pelo fato de eu não ver os seus interesses como separados
ou à parte dos meus, estou refletindo a verdade do Céu de que somos um. É isso o que
Jesus quer dizer quando fala que o que é verdadeiro é o que atende nossa meta de paz.
Isso não é literalmente verdadeiro porque a verdade é apenas de Deus, mas é o reflexo
da verdade. A percepção de você como separado de mim se torna falsa, porque ela é o
reflexo da idéia original falsa do ego de que eu posso ser separado de Deus.

O que é verdadeiro não é baseado no fato, na forma. É o conteúdo ou o propósito que o


estabelece como verdadeiro. A segunda das dez características dos professores de Deus
descritas no manual é a honestidade. E a definição que Jesus dá para honestidade não é
em termos de forma; ao invés disso, é que o seu comportamento seja consistente com o
seu pensamento. Se os seus pensamentos forem amorosos, então, qualquer coisa que
faça será honesta, mesmo que aos olhos do mundo isso não seja verdadeiro. Em outras
palavras, você poderia dizer algo que não seja literalmente verdadeiro, e, ainda assim,
seria honesto porque serve a um propósito amoroso. É isso o que chamamos de mentira
branca, por exemplo. Obviamente, é preciso ser muito cuidadoso para não abusar ou usar
mal esse princípio. Mas a definição de honestidade está centrada no propósito. A
definição de verdade nesse Curso também está centrada no propósito – pelo menos
neste mundo, dentro do sonho. Então, novamente, você pode ver que Jesus pega a
mesma idéia e a aplica a pensamentos aparentemente separados. Tanto a verdade
quanto a honestidade são definidas, interpretadas e compreendidas no Curso pela
fidelidade ao propósito. Se o seu propósito for o amor, tudo o que fizer será honesto e
verdadeiro.

45
Portanto, uma vez que tenha estabelecido a meta (que você quer se lembrar quem é
como uma criança de Deus), uma vez que tenha estabelecido a meta da verdade, tudo o
que acontecer em seu dia vai servir a esse propósito. E você vai ver tudo sob essa luz. É
isso o que vai tornar isso verdadeiro. Uma falsa interpretação, por exemplo, “o que tem aí
para mim?”, você não vai levar em conta, porque não vai contribuir para a meta. Você não
vai dar significado, importância ou poder a isso. Quando sua meta é o especialismo, você
vai dar um tremendo poder ao sistema de pensamento do ego. Você apenas vai esperar
até que alguém faça algo à partir do seu ego. E, se não fizerem, você vai inventar isso de
qualquer forma. Você quer que as pessoas reflitam o ego porque é isso o que vai provar
que a meta do especialismo foi servida. Mas se a sua meta é a verdade e o desfazer do
especialismo, você vai ser o especialismo das outras pessoas como sem qualquer efeito
sobre você. E vai perceber que é o pedido de ajuda delas que espelha o seu pedido de
ajuda.

(Parágrafo 4 – Sentenças 10-11) A situação agora tem significado, mas somente porque a
meta fez com que fosse significativa.

Se você pensar nas primeiras lições do livro de exercícios, vai recordar que Jesus quer
que nós vejamos que nada nessa sala significa coisa alguma, nada ao nosso redor
significa coisa alguma – tudo é sem significado. A razão pela qual é sem significado é que
o ego tem dado a tudo um significado. Essas primeiras lições nos ajudam a perceber o
que é significativo. E o que é significativo nesse mundo é qualquer coisa que preencha ou
reflita o propósito do Espírito Santo. Em outro nível, nada nesse mundo tem significado,
porque não existe mundo. O único Significado está no Céu. Dentro do sonho, entretanto,
o que é sem significado é qualquer coisa que nos enraíze ainda mais no sonho, e o que é
significativo é qualquer coisa que nos leve além do sonho.

Tudo nesse mundo, então, vai se tornar significativo para você se você o vir como uma
maneira de perceber que você projetou sua culpa inconsciente adormecida no mundo.
Agora, o mundo a mostra para você, e você pode olhar para ela e dizer: “Não, não está lá
fora, está em mim”. Isso torna a situação muito significativa. O que torna uma situação
sem significado é pensar que realmente existe algo lá fora que você quer – ou apenas
algo lá fora, e ponto final. Para resumir: o que estabelece alguma coisa como sem
significado é que ela recebeu o significado do ego; o que a estabelece como significativa
é que ela recebeu o significado do Espírito Santo. Isso significa que é você, só você em
todo o universo, que pode controlar o significado da vida para você mesmo, porque você
é aquele que escolher se identificar com o seu ego, o que torna tudo em sua vida sem
significado, ou escolher Jesus ou o Espírito Santo como seu professor, o que torna tudo
em sua vida totalmente significativo. É você quem está no controle disso. A Lição 253 diz:
“Quem rege o universo é o meu ser”. É o meu universo, meu sonho. E esse sonho pode
ser qualquer coisa que eu escolha que ele seja. Seja o que for que o meu sonho se torne,
é somente minha responsabilidade. Não existe absolutamente ninguém que possa fazer
isso para mim.

(Parágrafo 5 – Sentenças 1-4) A meta da verdade tem outras vantagens práticas. Se a


situação é usada em favor da verdade e da sanidade, o seu resultado tem que ser a paz.
E isso está bastante à margem do que seja o resultado.

46
Este segundo “resultado” é algo comportamental, externo. O “resultado” citado na
sentença dois é um resultado na sua mente. Aqui novamente você vê, em duas
sentenças, como Jesus usa as palavras de forma diferente. Se a situação é usada para a
verdade (ex., essa é uma sala de aula que eu escolhi, e eu escolhi Jesus como meu
professor para poder aprender que os seus interesses e os meus não são separados),
então, o resultado precisa ser a paz. Isso é assim porque, se essa é a meta que eu
estabeleci e é o meu sonho, então, vou conseguir o que eu quero. Eu preciso conseguir o
que eu quero porque tudo está acontecendo dentro da minha mente. Se eu quero paz,
estarei em paz. Se eu quero conflito, vou ter conflito. Ninguém fora de mim pode fazer
isso para mim. De tal forma que, novamente, se eu vejo a situação como os meios que eu
escolhi para alcançar a verdade e a sanidade, então, ela terá que ser assim, e eu estarei
em paz. E isso é totalmente independente do que acontece externamente. O que
acontece externamente é irrelevante. Para usar um exemplo extremo: você poderia estar
em Auschwitz, onde o resultado físico não é muito indutor de felicidade. Mas, se a meta
de você estar lá é aprender que você não é o seu corpo, e que eles não podem fazer
nada a você – e o ‘eles’ não é realmente um ‘eles’; os alemães são tanto uma parte da
Filiação quanto você; nós todos somos partes do mesmo todo; eles não são nossos
inimigos. O “inimigo” é o tomador de decisões dentro de nossas próprias mentes que
percebe os outros como inimigos. Se esse for o seu objetivo, que você aprenda aquela
lição, então, não importando o que aconteça naquele campo da morte, a você ou às
outras pessoas que você ama, não importando o que aconteça, você ainda estará em
paz. É isso o que tudo isso quer dizer.

Novamente, o que essas sentenças no início do parágrafo estão dizendo é que uma vez
que você tenha estabelecido a meta da verdade, não importando a forma da sala de aula,
não importando o que aconteça a você ou ao seu redor, você ainda vai encontrar a
verdade porque foi isso o que quis. Você vai ver que a situação é a sala de aula que vai
ajudá-lo a aprender isso. Seu resultado será de paz, portanto, à parte do resultado
externo. Isso lhe dá liberdade perfeita. Não há absolutamente nada nesse mundo que
possa aprisioná-lo. Não há nada nesse mundo que possa tirar o Amor de Deus de você.
E, em sua forma mais extrema, que foi o que Jesus ensinou, não há nada nesse mundo
que possa tirar a vida de você – porque você vai perceber, em algum ponto, que não está
vivo aqui, e também não está morto aqui. Você apenas, obviamente, não está aqui. Você
não nasceu, não morreu, não está aqui. Tudo isso é um sonho. Portanto, ninguém pode
tirar sua vida de você. A razão pela qual Jesus estava perfeitamente em paz e não tinha
nenhuma dor na cruz foi que ele sabia que não estava aqui. Ele sabia que não era seu
corpo. Uma vez que ele é parte da mente da Filiação, ele estava ciente do sonho. Mas ele
também sabia que era parte de Deus e, portanto, que isso era apenas um sonho e que
nada estava acontecendo. Portanto, para ele, literalmente, nunca tinha acontecido. Muitas
coisa pareceu ter acontecido aos olhos do mundo, mas nada aconteceu a ele, porque ele
sabia que não estava aqui.

Essa é a forma mais extrema, mas é isso o que você aprende quando sua meta é amor e
paz, e você sabe que o amor e a paz estão dentro de você, e que você simplesmente
escolheu contra eles. Reconhecendo isso, você então vê todas as situações e
circunstâncias da sua vida como oportunidades de aprender das formas específicas
necessárias para isso. Nós aprendemos através de formas específicas que escolhemos
contra o amor, mas poderíamos com a mesma facilidade agora escolher a favor dele. A
situação então se torna um laboratório ou uma sala de aula na qual nós praticamos

47
aquela lição. E o significado final da lição é que eu simplesmente estou me lembrando do
que já está dentro de mim. Eu não tenho que encontrar Jesus; eu simplesmente tenho
que aceitá-lo, porque ele já está presente em mim. Então, eu posso aprender aquela lição
não importando a forma que a minha sala de aula assuma. Eu sou aquele que escolhe a
forma da sala de aula, porque é o meu roteiro. Eu escolho a forma da sala de aula na qual
meu ego falou primeiro e de forma errada, me dizendo que eu era uma vítima. Agora, eu
volto à mesma sala de aula com um professor diferente e aprendo uma lição totalmente
diferente. O Curso diz que o ego fala primeiro e está errado, e que o Espírito Santo é a
Resposta (i.e., T-5.VI.2:5; T-6-IV.1:2). Então, nós passamos pelos mesmos roteiros
muitas e muitas vezes, até aprendermos a lição.

Quando aprendemos a lição, o roteiro desaparece. Quando a mente certa corrige a mente
errada, ambas desaparecem. Quando meu sonho de ataque e separação com você,
como um relacionamento específico em minha vida, é substituído pelo sonho do perdão, o
sonho desaparece. Então, nós não temos mais que estar juntos em uma sala de aula.
Nós ainda podemos estar juntos fisicamente, mas as lições terminaram. Quando você
aprende a lição do perdão que desfaz a lição do julgamento, então, ambas desaparecem.
O único propósito do perdão é corrigir e desfazer o pensamento de julgamento do ego.
Quando o pensamento de julgamento é desfeito, o perdão serviu ao seu propósito e não é
mais. Bem no final do processo, bem antes de você atingir o mundo real, seu ego é
substituído de uma vez por todas pelo Espírito Santo – o que significa que ele
desaparece, o Espírito Santo desaparece, e você se torna, como Jesus era, a
manifestação do Espírito Santo, não mais separado de você. Isso acontece no exato fim
do processo.

O que nos ajuda a seguir nosso caminho passo a passo é manter em mente nossa meta
da verdade, a meta de realmente querermos aprender o que é o perdão. Conforme
aprendemos isso cada vez mais, nós vemos mais e mais que tudo o que acontece em
nossas vidas é simplesmente outra oportunidade de aprender essa lição.

(Parágrafo 5 – Sentenças 4-5) Se a paz é a condição da verdade e da sanidade e não


pode haver paz sem elas, onde está a paz, elas têm que estar.

O que Jesus está dizendo é que se a sua meta for a verdade e, portanto, você vir a
situação como sendo o meio de atingir essa verdade, então, você vai se sentir em paz. E
é por essa paz que você vai saber que alcançou o propósito da situação, que é a verdade.

(Parágrafo 5 – Sentença 5) A verdade vem por si mesma.

Em outras palavras, você não tem que se preocupar com a verdade. Isso é o mesmo que
dizer que você não tem que se preocupar com o amor, você não tem que se preocupar
com Deus. Tudo o que você tem que fazer é remover as interferências que você colocou
entre você e a verdade. Existe uma passagem no Capítulo 16, na qual Jesus diz: “A tua
tarefa não é buscar o amor [verdade], mas simplesmente buscar e achar todas as
barreiras que construíste dentro de ti contra ele”. (T-16.IV.6:1-2). Então, novamente, é por
isso que esse não é um Curso em nada positivo, não é um Curso em amor, é um Curso
em Milagres, porque é o milagre que o ajuda a remover as interferências que você
colocou entre você mesmo e o amor.

48
(Parágrafo 5 – Sentenças 5-7) A verdade vem por si mesma. Se vivencias a paz é porque
a verdade veio a ti e verás o resultado verdadeiramente, pois o engano não pode
prevalecer contra ti.

Se você quer a verdade, se essa é a sua escolha, então, qualquer ilusão ao seu redor não
vai ter efeito em você. “Ilusão” aqui é apenas outro termo para o sistema de pensamento
do ego. Se você se afastar do sistema de pensamento do ego e se voltar para Jesus ou
para o Espírito Santo – o que significa que a sua meta agora é a verdade (o que é o que o
princípio da Expiação afirma) – então, qualquer comportamento ou pensamento egóico
que estiverem acontecendo ao seu redor não terão efeito sobre você de forma alguma.
Você só pode ser afetado por sua própria escolha de se identificar com o ego, não pelo
que o ego de qualquer pessoa faça a você.

(Parágrafo 5 – Sentenças 7-10) Irás reconhecer o resultado porque estás em paz. Aqui,
mais uma vez, vês o oposto da maneira de ver as coisas do ego, pois o ego acredita que
a situação traz a experiência.

Eu experimento a paz porque a situação aconteceu de uma determinada maneira. Eu


experimento a felicidade, alegria, amor, seja o que for, porque a situação aconteceu de
uma certa forma. Nós sempre, então, somos as vítimas do que outras pessoas fazem.
Nós estamos à mercê de forças além do nosso controle, como o Curso diz em um trecho
(T-19.IV-D.7:4). Nós somos afetados pelo sonho: o sonho está nos sonhando, ao invés de
– que é o que é verdade – sermos nós quem sonhamos o sonho.

(Parágrafo 5 – Sentenças 10-11) O Espírito Santo sabe que a situação é como a meta a
determina e é vivenciada de acordo com a meta.

Portanto, não existe nada objetivo no mundo. O que dá o significado ou o propósito a


qualquer coisa, e nos ajuda a entendê-la, é a meta que nós atribuímos a ela – os meios
que nós atribuímos à situação para nos ajudar a alcançar a meta que escolhemos no
início. Então, o ponto central disso tudo é que nós somos solicitados a estabelecer a meta
primeiro, então, automaticamente, veremos a situação, o relacionamento, o encontro, ou
as circunstâncias como um meio de nos ajudar a atingir essa meta. Se a meta é o reforço
do especialismo, então é isso o que vamos experimentar em nossa vida diária. Se a meta
é o fim do especialismo através do perdão, então, é isso o que vamos experimentar. E a
experiência não tem absolutamente nada a ver com a situação. Ela, ao invés disso, tem a
ver com qual professor escolhemos. O mundo, então, como é, é irrelevante para isso.

É até aí que vamos nessa seção (“Estabelecendo a meta”). Antes de voltarmos à segunda
regra na seção “Regras para decisão”, quero voltar ao significado e aplicação do “perdão”
usando uma situação de uma de nossas estudantes para ilustrar o que viemos
ensinando. Ela ainda está muito irritada com seu ex-marido, e está ciente de que não quer
perdoá-lo. Ela não está em luta consigo mesma, mas percebe que não pode ter paz sem
perdão. Eu expliquei a ela que ela não está conseguindo a paz porque não a quer. E é aí
que ela tem que parar. A razão pela qual ela não vai perdoar seu ex-marido e, ao invés
disso, sustentar que ela está justificada em guardar mágoas contra ele, é que ela não
quer a paz que viria de liberar as mágoas. E essa é uma informação muito útil para se ter,
porque agora, ela sabe a razão pela qual está transtornada: não é por causa do seu ex-
marido!

49
A tentação nesse ponto – para qualquer pessoa envolvida nesse tipo de situação – é
sentir que falhou no perdão. E, entretanto, ela estará fazendo exatamente o que o perdão
pede. Uma das melhores definições de perdão vem do sumário do livro de exercícios
chamado: “O que é o perdão?”. É lá que Jesus diz: “O perdão... é quieto e na quietude
nada faz... Apenas olha e espera e não julga” (LE-pII.1.4:1-4). Então, ela está fazendo
isso. Ela está olhando para o seu ego em ação e percebendo que ainda quer se agarrar a
ele. Então, ela espera pacientemente até que esteja pronta para liberá-lo, e durante todo
esse tempo, ela não se julga. O perdão, portanto, como Jesus usa o termo, não perdoa da
forma que o mundo entende isso. O perdão envolve o processo de perceber que o
problema não está fora de mim, em alguém, mas está dentro de mim, porque eu escolhi
tê-lo dentro de mim. E o milagre basicamente é o termo que o Curso usa pra a dinâmica
através da qual o perdão acontece – eles são virtualmente permutáveis.

O perdão não significa que seu coração esteja cheio de doçura e luz. O perdão significa
que você perdoa a si mesmo porque seu coração está cheio de maldade, escuridão,
pecado e assassinato. Você é muito mais honesto consigo mesmo dessa forma. E, então,
você não tem que sentir que tem que criar a crença de que está sentindo algo que não
está. Vá em frente e sinta todo o ódio, toda a obstinação de se agarrar ao que quer, mas
esteja ciente de que está fazendo isso porque não quer ser pacífico. Lembre-se do
primeiro obstáculo para a paz, explicado no Capítulo 19 do texto. Na Introdução, Jesus
fala sobre como são esses obstáculos que impedem a paz de simplesmente fluir através
de você. O primeiro obstáculo à paz é desejo de ficar livre dela. Esse é o primeiro
obstáculo a paz: você não a quer! Então, o problema é que a maioria das pessoas não
está ciente de que não é isso o que quer. Elas diriam que querem paz, amor e alegria, e
querem fazer o que o Curso diz, e, que querem perdoar e todas essas tolices. E elas não
têm essa intenção de forma alguma!

A lição do livro de exercícios “Quero a paz de Deus” começa com a sentença, “Dizer estas
palavras não é nada. Mas dizê-las com real intenção é tudo” (LE-pI.185.1:1-2). Como eu
venho dizendo esse tempo todo, uma afirmação como essa deixa muito claro que Jesus
compreende seus estudantes muito bem. Por que ele diria algo assim se não fosse pelo
fato de que a maioria das pessoas não quer a paz de Deus? E, entretanto, essas pessoas
diriam essas palavras da boca pra fora, mas não têm essa intenção. E o que o Curso nos
ajuda a entender é porque nós não temos essa intenção. Todos nós em nossas mentes
certas diríamos: “É claro que eu quero a paz de Deus”. Mas não estamos cientes de que
dizer “Eu quero a paz de Deus” significa dizer, “Eu não quero o meu especialismo”. Esse
é o protesto.

É isso o que Jesus quer dizer na seção “A última questão sem resposta”, quando ele fala
sobre quatro perguntas, as três primeiras das quais são relativamente fáceis de
responder. É a quarta que é muito difícil, e é aquela que nós ainda não respondemos: “E
quero eu ver aquilo que neguei porque é a verdade?” (T-21.VII.5:20). Eu quero ver o que
eu neguei, que é o Amor de Deus, porque é a verdade? E, em sua discussão sobre isso,
Jesus explica que a razão pela qual não respondemos isso ainda é que não entendemos
que dizer sim (que nós queremos ver o que negamos porque é a verdade), significa que
primeiro precisamos dizer não. Essa é exatamente a mesma afirmação que discutimos
antes, de que a tarefa do trabalhador de milagres é negar a negação da verdade. Negar a
negação significa que você olha para o sistema de pensamento do ego que é a negação

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do sistema de pensamento de Deus, ou do Espírito Santo (que é o não), e então olha
para isso e diz: “Eu não quero isso”.

Então, dizer: “Sim, eu quero a paz de Deus, eu quero estar com Jesus, eu quero seu
amor, eu quero praticar seu curso”, significa que você precisa olhar para o especialismo
do ego (que é a negação ou a recusa do Amor do Espírito Santo) e dizer: “Eu não quero
mais isso”. Quantas pessoas vão dizer isso e ter essa intenção? Muito, muito poucas.
Especialmente quando elas começam a entender o que estão realmente dizendo. Dizer
“Eu não quero o meu especialismo” é dizer “Eu não quero mais a minha individualidade.
Eu não quero minha singularidade. Eu não quero o que me torna diferente de qualquer
outra pessoa, seja isso pior ou melhor”. E o ego não se importa se você é a melhor
pessoa no mundo, ou a própria ralé da sociedade. Ele não se importa, desde que você
seja diferente e especial.

Aqueles de vocês que cresceram no catolicismo provavelmente conseguem se lembrar de


algumas vezes terem discutido sobre quem era o pecador mais miserável. Alguns dos
santos mais amplamente conhecidos no cristianismo são aquelas pessoas que se
proclamaram os mais miseráveis pecadores. E o ego não se importa, desde que seja o
“mais”. O mais miserável ou o melhor – eu simplesmente inventei isso. Então, vocês
precisam perceber que a razão pela qual não querem a paz de Deus, realmente, é que
vocês não querem desistir do seu ser, da sua auto-importância, do seu especialismo. Eu
acho que o que acontece quando você trabalha com o Curso durante muitos e muitos
anos, é que você começa a entender o que isso realmente significa. Isso demora um
tempo para começar a penetrar, porque é muito fácil ler esse livro e pular todas as
passagens assustadoras – aquelas que lidam com sangue derramado, violência,
malignidade, assassinato, culpa e ódio – e ver apenas as passagens maravilhosas, que
falam sobre amor, paz, alegria, unidade e unicidade. Quando você começa a prestar
atenção nas passagens do ego, percebe o que elas realmente estão falando, e o que
realmente é o sistema de pensamento do ego, e o quanto você está identificado com esse
sistema de pensamento. Novamente, é muito, muito assustador perceber isso.

Então, dizer sim para Jesus é dizer não para o ego, o que significa que você não pode
dizer sim até primeiro ser capaz de olhar para o sistema de pensamento do ego e dizer:
“Não quero mais pagar esse preço”. Quando você olha para isso e diz: “Obviamente, eu
ainda quero pagar o preço”, então diz, “Tudo bem. Eu não estou tão adiantado quando
gostaria, mas pelo menos estou adiantado a ponto de saber que não estou tão
adiantado”. Esse é um progresso maravilhoso. Então, existe esperança!

Trechos das Regras 3 e 4

(A regra 2 não foi incluída nesses trechos)

(Parágrafo 6 – Sentenças 1-2) (3) Lembra mais uma vez [em outras palavras, vamos
voltar ao início] do dia que queres e reconhece que alguma coisa ocorreu que não é parte
dele.

Por “o dia que queres”, Jesus quer dizer o dia que você realmente quer, que é um dia de
paz e de felicidade. Algo agora aconteceu que não é parte disso: você não está feliz.
Você está desapontado, irritado, ou se sentindo triunfante porque conseguiu o que queria.

51
Novamente, acho que já disse antes que o triunfo não é paz. Êxtase não é paz. Alegria
não é paz. Grande drama não é paz. A paz é a paz de Deus, o que significa que é
constante e estável – ela não sobe e desce.

Então, o que você é solicitado a fazer é monitorar a si mesmo durante o dia e perceber
tão rapidamente quanto puder, que algo está fora de lugar. Você saiu dos trilhos porque
não está em paz.

(Parágrafo 6 – Sentenças 2-4) Então, reconhece que colocaste uma pergunta por conta
própria e necessariamente estabeleceste uma resposta nos teus próprios termos.

Aqui, novamente, ele está dizendo que a pergunta que estamos fazendo ao Espírito Santo
não é realmente uma pergunta. É uma afirmação: “Eu quero isso. Eu quero que você me
diga que está tudo certo em eu querer isso”. “Eu quero” significa que estamos no sistema
de pensamento do ego, o que então significa que a resposta que vamos receber tem que
vir nesses termos. Esse é um ponto extremamente importante.

O suplemente “A canção da oração”, que Helen recebeu de Jesus um ano depois do


Curso ser publicado, foi originalmente escrito para Helen – e depois para todos – para
corrigir o conceito errôneo que pedir ajuda ao Espírito Santo era pedir vagas no
estacionamento, onde fazer compras, onde viver, o que fazer com sua vida – quer seja
algo que rotulemos de trivial ou que pensemos ser importante. O que Jesus explicou a ela
(primeiro em uma mensagem especial que depois foi reescrita para uma audiência geral,
que agora está no suplemento) foi que embora não haja nada errado com esse tipo de
pedido, esse é apenas o passo inicial e não é realmente o que você quer. Sempre que
você faz ao Espírito Santo uma pergunta específica, está, na verdade, dizendo a Ele qual
deveria ser a resposta. Você não está deixando a Ele nenhum espaço para nada que Ele
possa querer dizer, porque você está dizendo a Ele o que Ele deveria dizer. Quando você
pergunta: “Devo aceitar o emprego A ou o B?”, a única reposta que você vai se permitir
ouvir é A ou B, porque foi assim que formatou a pergunta. O que você não está ciente é
de que esse é um ataque muito sutil e uma tentativa de controlar Deus novamente, da
mesma forma que tentamos fazer logo no início.

Então, fazer uma pergunta específica é realmente uma tentativa de controlar a resposta.
Não vai parecer que você está realmente tentando controlar Deus. O que Jesus diz no “A
canção da oração” é que, quando você pergunta algo específico, é exatamente o mesmo
que olhar para o pecado, torná-lo real, e então perdoá-lo. Depois, no suplemento, ele
cunha um novo termo, perdão-para-destruir, que não é usado no Curso, embora o
processo seja descrito. Eu torno o pecado real quando digo que você fez algo errado para
mim, mas, na bondade do meu coração, vou deixar passar – depois de torná-lo real. É
isso o que ele chama de perdão-para-desturir. Ele está dizendo que perguntar ao Espírito
Santo algo específico é exatamente a mesma coisa, então, embora não seja um termo
que ele use aqui, nós poderíamos dizer que esse é um exemplo de perguntar-para-
destruir. E, ainda assim, parece ser a coisa certa a se fazer. O Curso diz que você deveria
pedir ajuda, deveria rezar, etc. mas você não entende que o seu especialismo está
realmente tendo o controle.

Na “Canção da Oração”, ele diz que as peculiaridades da canção da oração não é o que
você quer; você quer a canção em si. Em outras palavras, não são as respostas

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específicas a perguntas específicas que você quer. Você quer o amor que as inspira.
Você quer a canção em si mesma, não os contornos da canção, não a melodia, não a
harmonia, não os intervalos. Não é a forma da canção que você quer, é o amor que a
inspirou. Em “A canção esquecida”, uma linda seção no início do Capítulo 21 no texto,
Jesus fala sobre a canção esquecida como aquele presença do Amor do Espírito Santo
em nossas mentes, o que nos lembra da canção do Céu. Ele diz que “as notas não são
nada”. As partes da canção, a forma que ela assume, não são nada. É a canção que você
quer.

Então, o que ele está falando é que o que você quer é uma experiência do amor de
Jesus. Quando você insiste que o que você quer são respostas específicas a perguntas
específicas, está arrancando seu amor da sua mente, e colocando-o no mundo, porque é
aí que você acredita estar. Então, você vai em frente e diz: “Resolva isso para mim!”.
Você nega o fato de que você inventou o problema para poder resolvê-lo, para poder
cuidar do seu amor, para que não tivesse que experimentá-lo. Imagine a arrogância disso:
Aqui estamos nós – nós fizemos um mundo, fizemos um problema para excluir o amor de
Jesus, e, então, nós envolvemos em tantos problemas que o trazemos aqui e suplicamos:
“Por favor, resolva isso!”. E ele diz: “Não”. Não porque ele esteja irritado ou vingativo, mas
porque ele diz que não há nada a resolver. “Não me peça para resolver seus problemas
específicos. Ao invés disso, peça-me para me unir a você, o que vai desfazer a causa de
todos os seus problemas específicos”. A causa de todos os nossos problemas específicos
é a crença de que nós somos separados do Amor de Deus. Nós chamamos essa
separação de pecado. Então, nós nos sentimos culpados pelo que fizemos, e acreditamos
que merecemos ser punidos por nossa propensão para o pecado. Essa é a fonte de toda
a nossa angústia – em qualquer forma. Portanto, ao pedirmos para nos unir a Jesus e
pedir sua ajuda (o que realmente é uma forma de pedir a nós mesmos para nos unirmos a
ele), estamos desfazendo a separação do Amor de Deus que é a causa de todos os
problemas. E é por isso que esse Curso é tão simples.

Para complica tudo, os estudantes do Curso em Milagres arrastam Jesus ou o Espírito


Santo da mente onde Eles estão para um mundo onde Eles não estão, para um mundo
onde nós não estamos, e exigem que Eles resolvam as coisas para eles aqui. E, então,
ficamos perturbados e irritados quando eles não fazem isso. A Canção da Oração cita
todas essas idéias do Curso porque as pessoas não estão prestando atenção. A Canção
da Oração foi ditada para que todos os erros que já estava começando a acontecer dentro
de um ano de vida do Curso fossem corrigidos. O problema, é claro, é que as pessoas
nunca se importaram com o panfleto (agora chamado de suplemento) porque elas nunca
se importaram com o que o Curso realmente diz. Então, agora, os mesmos erros têm sido
repetidos muitas e muitas vezes, tendo se tornado quase universais entre as pessoas.

As pessoas não prestam atenção ao que o Curso diz porque elas pensam que entendem
o que ele diz simplesmente porque podem ler inglês. Elas não percebem que o significado
do Curso não está nas palavras (ou, como eu já disse, na compreensão intelectual). O
significado está em se tornar parte do mesmo processo de nos unirmos ao amor que
inspirou o Curso. Isso significa, novamente, que você realmente tem que cultivar uma
atitude de humildade quando trabalha com isso, porque é muito fácil pensar que está
ouvindo o Espírito Santo quando tudo o que está fazendo é ouvir a ressonância da sua
própria voz. É isso o que quer dizer.

53
(Parágrafo 6 – Sentenças 2-5) Então, reconhece que colocaste uma pergunta por conta
própria e necessariamente estabeleceste uma reposta nos teus próprios termos [o que
significa que você vai ouvir exatamente o que quer, e foi assim que estabeleceu isso].
Então, dize [essa é a terceira regra]: Eu não tenho nenhuma pergunta. Eu esqueci o que
decidir.

Esse é o começo da verdadeira humildade. Não é apenas que eu não tenho uma
pergunta: eu nem mesmo sei o que perguntar. Pelo menos agora você está esquecendo o
passado. Pelo menos agora você está retirando a arrogância que diz: Eu sei qual é o meu
problema. Eu sei qual é a solução. E eu tenho um “acordo” com o Espírito Santo – Ele vai
resolver isso para mim. E se você for muito bom nisso, vai dizer a seus amigos: “Eu vou
fazer com que Ele resolva seus problemas para você também – porque Ele fala através
de mim. E, se você vier a mim, Ele vai falar através de mim com você”. Bem, adivinhe o
que isso significa? Isso me torna muito especial, porque eu tenho um “acordo” com essa
Voz maravilhosa. E isso torna você especial, porque você é privilegiado de se sentar ao
meu lado. Toda a coisa está tão cheia de especialismo, que é espantoso que as pessoas
façam isso me nome do Um Curso em Milagres e não percebam o que estão fazendo.
Quando você entende o que é o especialismo, pode ver claramente o que está
acontecendo. As pessoas que fazem isso não são más nem mesquinhas. São apenas
pessoas amedrontadas pelo que realmente é a mensagem do Curso, e, então, elas a
substituem por sua própria mensagem, inconscientes do que estão fazendo.

(Parágrafo 6 – Sentenças 6-7) Isso anula os termos que estabeleceste e deixa que a
resposta te mostre qual foi realmente a questão.

Se a sua mente estiver em branco, então, a reposta será alguma experiência do amor de
Jesus, e você vai entender qual a questão realmente deveria ter sido. Isto é, a questão
tem a ver com o ego não ser mais seu professor, e sua vontade de ter Jesus como seu
professor ao invés disso. Então, a questão nunca é “Eu faço A ou B?”. A questão é, “Qual
professor eu vou escolher? Qual conselheiro eu vou escolher? Qual guia eu vou escolher
para me ajudar a aprender qual é a coisa “certa” a se fazer?”. O que você quer fazer, o
que, novamente, é a mensagem da Canção da Oração, é se unir ao amor de Jesus. E,
nesse amor, você vai encontrar todas as respostas para questões específicas que você
pensa ter.

Na Canção da Oração, ele cita a famosa linha do Sermão da Montanha: “Buscai primeiro
o Reino do Céu e tudo o mais vos será dado por acréscimo”. E ele diz nessa única
reposta – unindo-se ao meu amor, à minha canção, todas as pequenas respostas serão
encontradas; você não tem que se preocupar com elas. Isso não significa que você não
tenha que fazer uma escolha entre o emprego A e o emprego B, permanecer no emprego
A ou deixá-lo, permanecer em um relacionamento ou deixá-lo. É claro que você tem que
tomar uma decisão. E você faz o melhor que pode a cada momento quando a decisão
tem que ser tomada. Mas, acima de tudo, tente se envolver com o processo subjacente
de ir além do investimento do seu ego na resposta – você sabe, “Diabos! O que eu
faço?!”. Ir além disso, em direção à questão real é perguntar, “Por que eu continuo
escolhendo meu ego quando o Amor de Deus está lá a meu pedido?”.

Então, a terceira regra agora é desfazer nosso esquecimento sobre as primeiras duas.
Então, nós dizemos, “Eu não tenho perguntas. Eu esqueci o que decidir”.

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(Parágrafo 7 – Sentenças 2-6) E o teu medo de receber uma resposta diferente do que a
tua versão da pergunta pede crescerá em velocidade proporcional ao tempo, até que
acredites que o dia que queres é aquele no qual consegues a tua reposta para a tua
pergunta.

A palavra “até”, aqui, é usada de forma um pouco diferente daquela que é usada em
inglês popular. O que isso significa é que a sua versão para a questão vai ter força até, e
incluindo o ponto no qual você acredita que o seu dia feliz virá quando sua questão for
respondida com sua resposta – em outras palavras, quando você conseguir o que quer.
Então, isso basicamente é a culminância do processo. E você se agarra a isso mais e
mais porque não quer ouvir outra resposta – porque você sabe, em algum lugar dentro de
você, que a outra resposta significa que você está errado, o que, por seu lado, significa
que você não existe. Esse é o terror sobre estar errado. Estar errado se torna um símbolo
de um pensamento muito maior que diz que se eu estiver errado, então, o Espírito Santo
precisa estar certo – porque é sempre um ou outro. Um dos carimbos oficiais do sistema
de pensamento do ego é “um ou outro”. Você nunca tem mais do que duas escolhas,
então, e é sempre uma ou outra. É uma gangorra: se um lado está para cima, o outro tem
que estar para baixo. Se um está certo, o outro tem que estar errado. Se um é inocente, o
outro precisa ser culpado. E não existe escolha nisso. Uma vez que você se identifique
com o sistema do ego, é isso o que está aceitando: a idéia de que é um ou outro. O ego
não conhece a palavra ‘o mesmo’. A palavra ‘o mesmo’ não existe no vocabulário dele,
porque toda a sua existência está fundada na idéia de que Deus e o Filho são diferentes,
através da qual o ego também significa separado.

Deus e o Filho são o mesmo – esse é o princípio da Expiação. Deus e Cristo são
totalmente um. Eles são o mesmo espírito. Deus é o Criador, Cristo é a criatura. Deus é a
Causa Primeira; Cristo é o Efeito. Mas, como já mencionei, na verdade, não existem Deus
e Cristo no Céu, nenhuma Causa e Efeito no Céu. Essas são categorias que nós
introduzimos no mundo dual para nos ajudar a entender o mundo que está além da
dualidade. Todo o sistema de pensamento do ego começa com e repousa na premissa de
que Deus e Seu Filho são separados e diferentes. Conseqüentemente, se é isso o que o
sistema de pensamento do ego é, tudo o que vem dele precisa compartilhar dessa idéia.
Entretanto, se nós somos todos o mesmo, não somos fragmentados, e se nós, como
espírito, somos o mesmo que Deus, então, não somos separados Dele. Esse é o fim do
ego. É isso o que é o princípio da Expiação.

Então, o ego só conhece a diferença – que eu sou diferente de Deus e, portanto, diferente
de todas as outras pessoas. Essa é uma das formas de entender o que é o especialismo.
A própria palavra especial implica em comparação. Alguém é mais especial do que outra
pessoa; alguém é diferente de outra pessoa. Portanto, novamente, se eu estou certo,
você não pode estar, porque nós não podemos ser o mesmo. Nós precisamos ser
diferentes. Vamos usar algo trivial como um exemplo – um simples fato no mundo: você
diz que a capital do estado de Nova Iorque é a cidade de Nova Iorque. Outra pessoa diz
que não é Nova Iorque, é Albany. Fica provado que você está errado, e você fica
transtornado. Por que você está ficando transtornado? Porque isso é um símbolo – não
de que você está errado sobre a capital do estado, mas de que você está errado, ponto
final. É por isso que com tanta freqüência encontramos pessoas que não podem estar
erradas – elas sempre tem que estar certas, e ficam muito transtornadas se não

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estiverem. Elas ficam transtornadas porque o pensamento subjacente é “eu estou errado”,
ponto final. Se eu estou errado, é só porque o Espírito Santo está certo. E se o Espírito
Santo está certo, então, todo esse sistema de pensamento está errado – todo esse
mundo está errado. O que significa que eu deixo de existir como uma criatura do ego.
Esse é o terror. É por isso que nós lutamos tanto para sempre estarmos certos, o que
significa que sempre seremos especiais; e que sempre provamos que Deus está errado.

Esse é o problema de tudo isso. Nosso medo é que vai ficar provado que estamos
errados, o que significa que nós não sabemos quais são nossos maiores interesses.

Então, novamente:

(Parágrafo 7 – sentenças 2-7) E o teu medo de receber uma resposta diferente do que a
tua versão da pergunta pede crescerá em velocidade proporcional ao tempo, até que
acredites que o dia que queres é aquele no qual consegues a tua resposta para a tua
pergunta. E não a conseguirás, pois ela destruiria o dia por roubar-te aquilo que realmente
queres.

A distinção aqui é entre o que você quer e o que você realmente quer. O que você
realmente quer é a paz de Deus. O que você quer é a versão do ego a esse respeito –
alguma indulgência e satisfação do seu especialismo. Então, o que Jesus está dizendo é
que você nunca vai conseguir o que quer porque o que quer está em conflito com o que
realmente quer. Em outras palavras, ainda que você consiga o que quer, nunca será
suficiente. Todos nessa sociedade estão cientes disso: nunca é o suficiente. Você sempre
quer mais e mais. Seja mais comida, mais dinheiro, mais sexo, mais fama, ou mais coisas
materiais – você sempre quer mais, você sempre quer melhor – porque nunca é
suficiente. Você consegue o que pensa que quer, mas isso realmente não o satisfaz,
porque em algum lugar, profundamente dentro de você, existe esse senso corrosivo de
que algo está faltando.

O que está faltando é o Amor de Deus que você jogou fora. Mas o ego nunca vai deixá-lo
saber disso. Pelo contrário, ele diz que esse senso de falta em você está vindo do fato de
que você é imperfeito. É a isso que o Curso está se refere como “princípio da escassez”.
O que resulta disso é que você sempre tem que tirar algo de fora para preencher o vazio
corrosivo interior. E é por isso que o que você consegue nunca é suficiente. O vazio
corrosivo nunca é preenchido, e nunca poderá ser até que você mude sua mente sobre a
decisão original. É por isso que esse Curso sempre volta a isso, e é para isso que você
sempre tem que olhar. É por isso que Jesus diz que você nunca vai conseguir o que quer,
“pois ela destruiria o dia por roubar-te aquilo que realmente queres”. Então, Jesus está
nos fazendo ao dizer: “Você tem uma mente dividida. Sim, você tem uma mente egóica
que só quer, quer e quer, e vai matar para conseguir; mas você tem outra parte da sua
mente também – a mente certa”. Uma vez que você entenda que sua mente é dividida,
então, o conceito de um tomador de decisão se torna incrivelmente significativo, porque
agora sua escolha é significativa. Você está escolhendo entre o sistema de pensamento
do ego, que é uma ilusão e uma mentira, e o sistema de pensamento do Espírito Santo,
que é a verdade. E ainda que você não exercite essa escolha imediatamente, pelo menos
vai entender agora que tem uma escolha – entre o que você quer como um ego, e o que
você realmente quer, que é voltar para casa.

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P: Suponha que você tenha atingido o ponto onde as coisas do mundo como
relacionamentos sexuais e comida não funcionam mais para você. Você acha que não os
quer. Você percebe que não tem mais qualquer investimento neles – isso é similar a
perceber que você continua batendo a porta nos seus dedos, e então, a coisa a se fazer é
parar de bater a porta nos seus dedos. Como você pode dizer, no entanto, se está
negando tudo isso?

R: Essa é uma questão extremamente importante, porque a solução que você está
propondo não vai funcionar. Sim, se você continua batendo a porta nos seus dedos, pelo
amor de Deus pare de bater a porta nos seus dedos – se essa for a causa da sua dor. Se
você acreditar que a causa da sua dor são todos esses relacionamentos ruins nos quais
continua se envolvendo, que nunca vão funcionar de qualquer forma, então, está
absolutamente justificada em dizer: “Não quero mais relacionamentos. Vou me tornar uma
freira”.

P: Isso também não funciona.

R: Certo! Porque não é esse o problema. O problema não é o relacionamento – o


problema é a culpa na sua mente e a escolha que você fez em relação a quem vai ajudá-
la com a sua culpa: o ego ou o Espírito Santo. Se você está neste mundo, neste corpo,
então, você está aqui para poder aprender lições. Os relacionamentos são salas de aula
por excelência. É por isso que o Curso está cheio de material sobre esse tópico – é sobre
isso que esse Curso é -, porque nossa culpa é mais clara e poderosamente expressa em
nossos relacionamentos especiais. Nós levamos a culpa conosco, e a jogamos sobre
outra pessoa.

Ontologicamente, a forma com que tudo isso começa é o fato de literalmente dividirmos
uma parte de nós mesmos que não queremos, fazendo uma nova pessoa com ela.
Basicamente, seu relacionamento especial, seu parceiro especial, é uma parte separada
do mesmo todo do qual você é uma parte separada. É por isso que é tão importante que
vocês não vejam um ao outro como separados. Tentar resolver isso no nível do corpo
nunca vai funcionar: você só continua batendo a porta nos seus dedos de novo e de novo.
E, então, você vai parecer justificadas em concluir que simplesmente não vai mais se
envolver em relacionamentos porque eles não funcionam. Mas esses relacionamentos
são perfeitas salas de aula. O que o Curso diria é: “Não desista dos relacionamentos. Ao
invés disso, convide-me a entrar [Jesus ou o Espírito Santo] para que eu agora possa
ensiná-lo através dessa sala de aula. Se você fechar a porta para os relacionamentos,
como poderei ensiná-lo? Você tem que vir para esse mundo em um corpo com todos
esses parceiros especiais ao seu redor – passados, presentes e futuros – só para atingir a
compreensão de que eu poderia ser o seu professor. E só quando você atingir esse
ponto, vai fechar a porta e declarar: ‘Chega de relacionamentos’. Então, eu [Jesus] vou
ficar desempregado!”.

O que você quer perceber é que o problema não é o que acontece de errado entre você e
a outra pessoa. O problema é o que acontece de errado na sua mente – quando você
escolhe contra Jesus e a favor do ego. Esse é o problema. O ego vai tentar convencê-la
de que o problema são as situações ou os relacionamentos em sua vida. E, uma vez que
você tenha identificado isso como o problema, a solução é fácil: desista deles! Foi assim
que os monastérios começaram. Literalmente! Eles começaram no século cinco, quando

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os homens fugiram dos males da cidade (o que realmente significa os males das
mulheres) e se tornaram monges – erroneamente pensando que queriam estar a sós com
Deus. Estar a sós com Deus significava para eles que não podiam ter nada com mais
ninguém. Certamente não tinha nada a ver com sexo! Porque o ego diria que o problema
é entre corpos; portanto, a solução é só ignorar ou negar o corpo. O Curso diz, através do
milagre, que o problema não é o corpo – o problema é com quem você está olhando para
o corpo, isto é, com o seu ego.

O problema sempre volta à esse ponto de escolha na sua mente. Portanto, o que você
quer ver é que os relacionamentos são salas de aula perfeitas, e que, é claro, você vai
atrapalhar tudo. Eles vão começar com especialismo, florescer no especialismo, e
terminar no especialismo. Essa é a forma perfeita de você aprender que o especialismo
não é a resposta. Mas você precisa escolher um professor diferente. Então, quando você
entrar em um relacionamento, pode dizer a si mesma ‘é claro que eu vou detonar tudo
isso, eu sei que vou fazê-lo’. Mas, agora eu posso ter Jesus junto comigo enquanto faço
isso, e posso me observar fazendo todas as escolhas pelo especialismo com ele ao meu
lado. A diferença será que agora eu não tenho que me sentir culpada sobre elas. Eu não
tenho que ter medo delas. Eu não tenho que sentir vergonha delas.

Esse será o início do processo de aprender a liberá-las inteiramente – não o


relacionamento, mas o especialismo do relacionamento. Então, você não quer
necessariamente desistir do relacionamento. O que você quer é desistir do professor que
escolheu para ensiná-la na sala de aula.

Então, voltando à última sentença que eu li:

(Parágrafo 7 – Sentenças 6-9) E não conseguirás [isto é, você não vai conseguir sua
resposta para sua questão – você não vai conseguir o que quer], pois ela destruiria o dia
por roubar-te aquilo que realmente queres. Isso pode ser muito difícil de ser reconhecido,
uma vez que já tenhas decidido por tua própria conta as regras que te prometem um dia
feliz.

Aqui está uma dessas passagem onde, se você ler cuidadosamente, vai ouvir Jesus
dizendo a você: “Isso não é fácil!”. Ninguém, mais uma vez, quer ouvir que está errado,
porque, como já expliquei, se você está errado, isso significa que sua própria existência é
uma mentira. O que significa que você nem mesmo está aqui. Isso é muito assustador, se
você está convencido de que está aqui. É sobre isso que ele está falando.

Então, uma vez que você tenha feito isso por si mesmo, é muito difícil mudar a marcha.
Você sabe que isso é verdade – apenas olhe para o que tem acontecido no mundo. Nós
fizemos a escolha por conta própria – nós não precisamos de Deus como nossa Fonte
porque nós nos tornamos nossa própria fonte -, nós não precisamos do Espírito Santo
como nosso Professor porque agora temos um professor melhor, isto é, o ego – e, desse
ponto em diante, estávamos fora e correndo, glorificando e nos deleitando com nosso
especialismo, em nosso egoísmo, e em nossa auto-importância. E nós nunca, nunca
vamos desistir disso – certamente não sem uma grande luta! E, dessa identificação
original veio todo esse mundo e todas as coisas que acontecem nele. Ele apenas
continua sempre e sempre.

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No início do manual para professores, Jesus fala sobre como esse mundo só se
desenrola exaustivamente (M-1.4:4-5) – porque nada nunca funciona. As pessoas estão
começando a ver que nada nunca funciona. Você tem um vislumbre de esperança, e sabe
exatamente o que vai acontecer – porque sempre acontece. Você tem um vislumbre de
esperança aqui com a economia, por exemplo, e sabe o que vai acontecer. Isso é assim
porque o sistema de pensamento subjacente a tudo isso é o sistema de pensamento de
eu, eu, eu – é um sistema de pensamento de especialismo. Não é um sistema de
pensamento que diz que nós todos somos partes de uma Filiação. É um sistema de
pensamento que diz que nós somos partes de uma filiação especial, e minha parte
especial é melhor do que a sua parte especial. É por isso que nada nunca funciona – e as
pessoas percebem isso. É por isso que esse Curso é tão imensamente importante, e
também porque ninguém presta qualquer atenção a ele – porque ele é tão importante.
Realmente prestar atenção a ele significa que você precisa olhar para o seu próprio
especialismo, o que significa minar a sua própria existência como você a estabeleceu.

Então agora, mais uma vez, ele está dizendo: “Eu lhe dei uma terceira regra, mas você
não vai ouvir esta também”. Então, agora, ele tem que nos dar uma quarta regra.

Trechos da Regra 4:

(Parágrafo 8 – Sentenças 1-4) (4) Se estás tão pouco disposto a perceber que não podes
sequer abrir mão da tua pergunta, podes começar a mudar a tua mente com isso: Pelo
menos, eu posso decidir que não gosto do que sinto agora.

Se eu não quero liberar o meu especialismo ou o meu investimento em estar certo, pelo
menos posso dizer que não gosto do jeito como estou me sentindo. Eu ainda posso me
sentir tentado a culpar você por isso, mas pelo menos me permito ficar ciente de que não
gosto da forma como me sinto. A razão pela qual isso é importante é que – como várias
pessoas já comentaram – com muita freqüência, é fácil enganar a si mesmo pensando
que você está realmente feliz e pacífico, e não tem mágoas contra ninguém. Quando, na
verdade, você está furioso – você está muito deprimido e ansioso, mas está encobrindo
isso. Então, o que Jesus está dizendo aqui é: “Pelo menos tente ser honesto consigo
mesmo a esse ponto: admita que você não gosta do que está sentindo – que você está se
sentindo irritado, inquieto, com dor; você está se sentindo culpado, solitário, amedrontado.
Você isso, você aquilo. Pelo menos seja honesto com isso: nunca o encubra”.

Nós temos um termo para pessoas que encobrem sua dor: “abençoadófilas”. Você não vai
encontrar esse termo no Curso, mas “abençoadófilas” são pessoas que fazem uma cara
feliz e dizem que tudo está maravilhoso. Elas não apenas tentam convencer as outras
pessoas, mas a si mesmas. Esse não é um curso em ser feliz. Esse é um curso em
reconhecer o quanto você é infeliz. Perdoe a si mesmo por causa da infelicidade, e então,
será feliz. Jesus não é contra a felicidade, obviamente. Mas ele está dizendo que se você
realmente quer ser feliz, precisa liberar todas as decisões que tomou de ser infeliz, e
culpando depois outras pessoas por sua infelicidade.

Novamente, a felicidade que o Curso nos promete é o resultado do processo de primeiro


percebermos o quanto somos infelizes, deprimidos, ansiosos, amedrontados e raivosos.
Isso não é pecado: nós temos que ser todas essas coisas. Como alguém poderia ser sem
teto e órfão, e não ficar deprimido e zangado? Todos nesse mundo são sem teto e órfãos,

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dentro do seu sistema de crenças, porque acreditam que fugiram de casa. E acreditam
também que Deus foi morto por eles, ou que Deus está tão zangado que os repudiou.
Ninguém nesse mundo pode ser feliz porque ninguém nesse mundo acredita que está em
casa. E você só pode ser verdadeiramente feliz quando está em casa. Portanto, tentar
fingir que está feliz aqui, que poderia tornar esse mundo um lugar melhor para você
mesmo e um lar no qual você poderia ser feliz é alimentar o próprio sistema de
pensamento que o colocou em encrenca para início de conversa. Esse é um curso em
ajudar você a perceber o quanto é infeliz, porque não está em casa. E, então, ele o ajuda
a perceber que a razão pela qual você não está em casa é uma escolha que fez. Isso não
tem nada a ver com algo que outra pessoa ou Deus tenham feito. E se você não perceber
que foi uma escolha que fez, como poderia mudá-la? É por isso que, para reforçar esse
ponto, você não pode mudar a sua mente a menos que primeiro saiba que 1) você tem
uma mente, e 2) e que a sua mente escolheu o sistema de pensamento errado.

Enquanto você pensar que está feliz, e cheio de pensamentos de amor e paz, nunca vai
estudar esse Curso em Milagres. Você pode pensar que o está estudando, mas o que
está fazendo é reescrevê-lo para que ele diga o que você quer que ele diga. Esse Curso é
para pessoas que não sabem o quanto são infelizes, miseráveis, solitárias, alienadas e
deprimidas, para que elas possam aprender que é isso o que sentem, e compreendam de
onde veio o sentimento – não de nada no mundo, mas de sua própria escolha. Uma vez
que entendam que é a sua própria escolha, podem então fazer uma escolha melhor. É
assim que o Curso cumpre o seu propósito. Mas, se você pensar que já é feliz, ou que se
tornou feliz, perdoado e pronto a perdoar porque “fez” as lições do livro de exercícios
durante um ano, e leu todo o texto algumas vezes, então, não está realmente prestando
atenção ao que ele diz. A razão é que não é tão fácil liberar uma identificação à qual você
está tão fortemente agarrado. A felicidade real nesse Curso vem de olhar para sua culpa,
para o seu auto-ódio e para a sua propensão para o pecado, e perdoar-se por isso. É daí
que vem a verdadeira felicidade. Não é algo que você pode impor a si mesmo, e, por meio
disso, empurrar para baixo todos esses pensamentos odiosos. Isso só pode vir quando
você olhar para esses pensamentos odiosos com o amor de Jesus ao seu lado, e então
perceber que não há nada lá. Então, a felicidade virá, uma felicidade nascida do
reconhecimento: “Obrigado, Deus, eu estava errado. Eu não estava certo”.

Se nós acreditarmos que somos felizes e pacíficos, não haverá motivação para mudar. E
então, a fonte de todos os nossos problemas, tanto individual quanto coletivamente, vai
continuar escondida em nosso inconsciente. Toda aquela culpa vai permanecer lá,
continuamente lançando uma sombra, mas nós não vamos saber de onde a sombra está
vindo, e vamos sempre confundi-la com a realidade. Aqueles de vocês que se lembram
de Platão, vão se lembrar de que esse foi seu ponto principal na Alegoria da Caverna: as
pessoas pensam que as sombras são a realidade. E, então, vamos ver toda a dor e
sofrimento ao nosso redor, mas não vamos perceber que eles são as sombras da culpa
que está em nossa própria mente individual, e na mente da Filiação. É o fato de nos
permitirmos experimentar nossa infelicidade e de não estarmos felizes com a forma com
que estamos nos sentindo que vai nos motivar a começar a explorar de onde a
infelicidade está vindo.

Antes de continuarmos, eu gostaria de fazer mais alguns poucos comentários sobre a


preocupação que as pessoas têm quando começam a levar isso a sério – o que é, o
sentimento de que sua “rede de proteção” está sendo tirada delas, e os sentimentos de

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confusão que vêm quando elas aceitam que não estão mais confortáveis em perguntar a
Jesus “O que eu devo fazer?”, e outras perguntas como essa.

É verdade, como eu venho dizendo, que seu ego vai pular no seu caminho se você pedir
a Jesus para ajudá-lo dessa forma. Mas é diferente quando você pede a Jesus para
ajudá-lo a olhar para o problema, porque então, você percebe que o problema não é se
você faz A ou B. o problema é que você quer fazer isso com o seu ego. Se você tivesse
escolhido Jesus, não haveria indecisão, hesitação ou confusão – você apenas o faria.
Como Gloria diz: então, você se torna “pensado”. Então, a resposta, o Amor de Deus,
apenas vem através de você, e você automaticamente faz o que for mais amoroso. A
questão é deixar seu ego fora do caminho. Pedir ajuda a Jesus significa pedir a ele para
ajudá-lo a olhar para o problema, sendo que o problema é: eu não sei o que deveria fazer
porque já escolhi o meu ego. Então, ao pedir a ajuda dele, você já está desfazendo a
causa da confusão, que é você ter se separado dele. Se você pedir a ajuda dele, estará
se unindo a ele e, portanto, desfazendo o problema.

Você nem mesmo tem que saber como escutar. Veja, o problema novamente é quando
você pensa que realmente sabe. O fato de não saber pode parecer confuso para você,
mas a razão pela qual isso acontece, é que toda a sua vida você trabalhou com a idéia de
que entendia e sabia como agir. Agora, de repente, você reconhece que não entende
coisa alguma. Esse é um grande, imenso, salto, ainda que você não se sinta dessa forma.

Deixem-me ler as linhas do final do texto que eu cito com freqüência. “Não há declaração
que o mundo tenha mais medo de ouvir do que essa: Eu não sei o que sou e, portanto,
não sei o que estou fazendo, onde estou ou como olhar para o mundo ou para mim
mesmo” (T-31.V.17:11-15). Isso descreve todos nessa sala nesse momento? Você têm
muita companhia! Lembrem-se novamente de como isso começou: “Não há declaração
que o mundo tenha mais medo de ouvir do que essa...”. É por isso que nos sentimos tão
desconfortáveis – porque agora percebemos que não sabemos nada. Parecia que esse
Curso estava dizendo que deveríamos ouvir o Espírito Santo, mas agora percebemos que
nem mesmo sabemos o que isso significa ou como fazê-lo. Mas agora, a forma disso
terminar é: “Entretanto, é aprendendo isso que nasce a salvação. E O Que tu és te falará
de Si Mesmo” (T-31.V.17:16-17).

Lembrem-se da Lição 24 do livro de exercícios que enfatiza a idéia de que nós não
percebemos nossos maiores interesses. O problema é que nós pensamos que o fazemos;
e, portanto, não acreditamos que temos que ser ensinados, porque já sabemos o que
fazer. Se você já sabe como ouvir (assim você pensa), então, não será ensinado como
ouvir. E, então, vai pensar que está ouvindo, quando o tempo todo na verdade está
ouvindo, mas à voz do ego, não à Voz do Espírito Santo. Compreender que você não
entende nada, especialmente como ouvir, ou o que significa perguntar ao Espírito Santo,
é muito, muito útil, porque agora sua mente está clara. Agora você está à salvo da sua
própria arrogância, e, então, “O Que tu és te falará de Si Mesmo”. Agora, você abriu
espaço para Jesus vir até você e falar com você. E você percebe que ouvir significa tirar o
ego do caminho. Lembrem-se do que falamos antes sobre a última questão sem resposta
– que dizer sim significa dizer não ao não. Dizer sim a Jesus ou ao Espírito Santo, dizer
“Sim, eu quero sua ajuda, eu quero seu conselho” significa que você precisa olhar para o
seu ego e dizer “Eu não quero mais isso”.

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É isso o que ouvir realmente é: tirar a interferência do caminho. Então, você pode estar
cada vez mais certo de que a voz que está ouvindo (e, é claro isso é uma metáfora, você
não ouve literalmente uma voz) não é a sua própria, mas está vindo do Espírito Santo.
Isso parece muito desconfortável – é por isso que “Não há declaração que o mundo tenha
mais medo de ouvir do que essa”. A maioria das pessoas têm orgulho de si mesmas
quando atingem um nível de maturidade, pensando que elas realmente sabem como
passar pelo mundo: elas sabem como o mundo funciona. Elas podem não gostar dele,
mas pelo menos sabem como ele funciona, e como sobreviver nele. De repente, é dito a
vocês que tudo no que acreditavam está errado. Isso é muito desconcertante. Em uma
série de afirmações, Jesus descreve a experiência como perturbada, desunida e
angustiante (T-17.V.2:3). É isso o que acontece quando vocês repentinamente percebem
que tudo em que acreditaram é falso, e parece que não há nada para tomar seu lugar. É
aí que o ego é tentado a entrar afobadamente e chamar um médium, talvez porque então
outra pessoa vá lhe dizer o que fazer. Isso é muito bom, porque então você não tem que
fazer seu próprio trabalho de desfazer seu ego. O ego de outra pessoa vai lhe dizer o que
fazer e, então, vai dizer que é a Voz do Espírito Santo, ou que está canalizando isso. É
muito tentador pegar essa rota quando você está se sentindo tão desconfortável. É
melhor, entretanto, apenas ficar no mesmo lugar e não fazer nada, porque seu ego vai
querer entrar de roldão e preencher o espaço vazio, e o espaço vazio sempre será
preenchido por ele mesmo, pelo ego. Se você puder ficar parado, então, seu medo vai
diminuir, e, depois, aquela Voz amorosa vai realmente falar com você, e você vai saber o
que ela está dizendo.
Outro ponto adicional: Muitos estudantes caem em uma armadilha quando tentam levar a
sério que “eu não sei o que sou”. Eles param de encarar todos os seus papéis a sério,
mas de forma errada. Usando um exemplo de uma estudante aqui: Você nunca pára de
ser mãe, amiga, filha, amante ou esposa – você nunca desiste desses papéis. O que você
começa a perceber é que são papéis, não é você. Mas é um papel que você escolheu,
então, pode aprender lições nele. Isso é realmente importante, outra forma, seria pular
esse passo e dizer que isso é tudo, que foi tudo inventado – eu não sou nada dessas
coisas. É importante que você reconheça que sua identidade não está no papel. Mas, no
entanto, o papel é algo que você escolheu porque não acredita realmente na sua
verdadeira identidade. Você pode começar a entender que não é a pessoa que pensava
ser, mas existe uma parte de você que ainda não quer entender ou se lembrar do Ser que
realmente é. Então, você precisa de passos que vão levá-lo através do seu medo. Esses
passos são as salas de aula que nós escolhemos – os papéis. Então, o truque é
realmente sermos cada vez mais fiéis ao papel – não porque ele significa alguma coisa,
mas porque ele é uma sala de aula para nós.

Insisto que vocês estudem a Lição 184 – parágrafos nove a onze – a esse respeito. O
material nesses parágrafos é extremamente importante para esclarecer essa questão
principal: se o mundo é uma ilusão, porque eu deveria prestar qualquer atenção ao que
não estou fazendo aqui? Esses parágrafos na Lição 184 tornam muito claro porque vocês
deveriam prestar atenção. No parágrafo onze, por exemplo:

(LE-pI.184.11) Usa todos os pequenos nomes e símbolos que delineiam o mundo da


escuridão. [Novamente, esses são todos os símbolos do seu trabalho, todos símbolos da
sua vida pessoal, todos os papéis nos quais você está engajado: use-os, não se separe
deles]. Mas não os aceites como tua realidade. [Isso, novamente, é a visão dividida: você
ainda é uma mãe, ainda é um pai, ainda é uma criança, ainda é um amigo, ainda é um

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esposo, ainda é um amante, ainda tem seja qual for a sua profissão. Mas você percebe
que isso é uma sala de aula]. O Espírito Santo usa todos eles, mas Ele não se esquece
de que a criação tem um único Nome, um Significado e uma única Fonte Que unifica
todas as coisas em Si Mesma. Usa todos os nomes que o mundo lhes dá, apenas por
conveniência, mas não te esqueças de que eles compartilham o Nome de Deus junto
contigo.

Isso é um reflexo do ponto que eu tenho enfatizado com freqüência durante esse
workshop: esse é um curso muito, muito simples. O reflexo da unidade do Céu nesse
mundo é a idéia de que tudo e todos servem ao mesmo propósito único. Nós não somos
unidos aqui, na forma, de modo algum, mas somos unidos em propósito, o que então se
torna um reflexo da união que todos nós compartilhamos em Cristo e com Deus. Não
existe maneira nesse mundo de saber o que é a unicidade, mas nós podemos ser o
reflexo dela quando percebemos que tudo e todos compartilham o mesmo propósito. É
isso o que você se lembra quando sua mente deixa o mundo, volta para a mente (que é o
que o milagre faz), e então, você se lembra; “Ah! Tudo é a mesma coisa! Tudo isso é uma
oportunidade de aprendizado para mim, que eu escolhi, e, portanto, posso me lembrar do
motivo pelo qual estou aqui, e agora escolhi Jesus como meu professor. Eu não estou
aqui para fazer todas as coisas que o mundo pensa que estou aqui para fazer; estou aqui
para me lembrar Quem eu sou como o único Filho de Deus. E a forma com que vou me
lembrar disso é assistindo a certas aulas. Essa situação na qual estou nesse exato
momento é uma de minhas aulas. Pode parecer uma aula muito dolorosa, mas pode ser
útil se eu escolher o professor certo. Isso vai me poupar milhares de anos, porque vai
desfazer uma grande parte da minha culpa. E eu vou perceber que essa é a forma em
que eu vou aprender que meus interesses não são separados dos de ninguém mais,
especialmente dos daquelas pessoas com as quais estou envolvido nesse exato
momento”.

Trechos das Regras 4 a 7

Vamos voltar ao último parágrafo do Capítulo 5, que é uma elaboração maravilhosa dessa
quarta regra para decisão: “pelo menos eu posso decidir que não gosto do que sinto
agora”. Não posso enfatizar o suficiente o quanto é importante que você se permita sentir
sua dor, sentir o sistema de pensamento do seu ego em qualquer forma que ele vier até
você. Se você não se permitir senti-lo, o que novamente é o que os “abençoadófilos”
tentam fazer (em outras palavras, encobri-lo e dizer que tudo é maravilhoso), então, não
haverá motivação para aprender e praticar esse curso. Se você realmente acreditar que é
feliz e está em paz, então, por que vai precisar de um curso? O propósito desse curso é
lhe dar uma forma de desfazer a sua dor. Se você não acreditar que tem qualquer dor,
então, não precisa disso. Então, novamente, uma das primeiras idéias ao se trabalhar
com esse curso é entender que um dos propósitos principais de Jesus é fazê-lo
reconhecer que você não reconhece quanta dor sente.

(Capítulo 5 – VII - Parágrafo 6 – Sentenças 1-3) A decisão não pode ser difícil. Isso é
óbvio, se reconheces que já tens que ter tomado a decisão de não ser totalmente feliz, se
é assim que te sentes.

Tudo isso repousa na idéia de que você está se permitindo ficar consciente de que não
está se sentindo alegre ou feliz – que está se sentindo ansioso, culpado, solitário, triste,

63
deprimido, amedrontado, etc. Se você não se permitir sentir isso, então, nada mais será
possível. Outra premissa é a idéia de que se você não está se sentindo alegre, foi você
que escolheu isso, como já dissemos. Se não há mundo fora da sua mente, então, não há
nada que possa ter qualquer efeito sobre você. Se você está infeliz, é o único que tornou
a si mesmo infeliz.

(Parágrafo 6 – Sentenças 3-5) Portanto, o primeiro passo para desfazer isso é o


reconhecer que tu ativamente decidiste errado, mas podes de forma igualmente ativa,
decidir outra coisa.

Agora, o que é interessante sobre isso é que essas afirmações aparecem no Capítulo 5, e
não é a primeira vez que Jesus fala a esse respeito. As “Regras para decisão” estão no
Capítulo 30 – e ele diz exatamente a mesma coisa. Novamente, isso nos mostra que
Jesus não está esperando que entendamos isso da noite para o dia. Ele diz a mesma
coisa vezes sem conta, porque percebe a tremenda resistência que as pessoas têm em
desfazer o sistema egóico, e aceitar a responsabilidade pela forma com que estão se
sentindo. Existe grande resistência em dizer: “É o meu sonho, e eu sou o sonhador do
sonho; não é o sonho de outra pessoa. Não são eles que estão me sonhando: é o meu
sonho”. A resistência a isso é enorme porque – voltando àquele instante original – o ego
disse que se você olhasse para sua culpa, sobre sua responsabilidade por ter se
separado de Deus e de Cristo, e depois ter literalmente destruído o Céu e feito um mundo
oposto a ele – se você olhar para sua culpa e aceitar a responsabilidade pelo que fez, em
seguida, o Deus irado e vingativo vai destruí-lo. É daí que vem o terror. É isso o que se
desenrola nos subterrâneos da mente de todas as pessoas. Esse mundo inteiro se torna
uma maciça camada de tolice, apenas para manter a dor desse pensamento distante de
nós. E toda a coisa é inventada porque todo o sistema de pensamento de pecado e culpa
foi inventado. Mas você não sabe que ele foi inventado até olhar para ele – é por isso que
esse tema é tão importante.

Então, novamente, o primeiro passo para desfazer, que é o desfazer da decisão e do


efeito da decisão (que é se sentir muito mal), é reconhecer que você ativamente decidiu
de forma errada, mas pode ativamente decidir diferente. A palavra chave aqui é
ativamente. Jesus está lhe dizendo muito claramente que você escolheu isso ativamente.
Essa foi uma escolha deliberada: você não quer estar com Jesus. Você não quer estar
com o Amor de Deus. Você quer estar por conta própria. Você quer estar com o seu
especialismo. Então, essa é uma escolha ativa. Então, ele torna esse ponto ainda mais
claro:

(Parágrafo 6 – sentenças 5-8) Sê muito firme contigo mesmo nisso [em perceber que
você escolheu ativamente o ego] e permanece plenamente ciente de que o processo de
desfazer, que não vem de ti, está apesar de tudo dentro de ti porque Deus o colocou aí.

Em outras palavras, como egos, não somos nós que podemos desfazer o ego – esse é o
papel de Jesus e do Espírito Santo. Então, estamos realmente falando sobre o tomador
de decisões, a parte de nossas mentes que escolhe, que se afastou de Jesus e se voltou
para o ego; portanto, é a mesma parte de nossas mentes que agora precisa escolher
contra o ego e se voltar para Jesus. Nosso trabalho é fazer isso. Uma vez que nos
unamos a ele, o que novamente significa que nós olhamos sem julgamento para o nosso
ego ou o de qualquer outra pessoa, então, teremos completado nossa parte na Expiação.

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Essa próxima linha afirma isso claramente.

(Parágrafo 6 – Sentenças 8-10) A tua parte é meramente fazer voltar o teu pensamento
ao ponto no qual o erro foi feito e entregá-lo em paz à Expiação.

Essa é uma afirmação maravilhosamente clara da sua parte. É isso o que é a pequena
boa vontade: “voltar o teu pensamento”. Antes, eu discuti a idéia de “divagação da mente’,
onde Jesus disse a Helen que ela era muito tolerante com as divagações da mente dela
(T-2.VI.4). Sua mente divaga quando seus pensamentos do ego divagam da sua mente
para o mundo, e agora você pensa que eles estão no mundo. Ele está dizendo para
voltarmos nosso pensamento e nossa atenção do lugar para onde eles divagaram – o
mundo – de volta para a mente, para aquele ponto de escolha onde o erro foi feito. Esse é
o tomador de decisões. Esse é o problema inteiro. Não existe problema no mundo, não
existe problema na sua mente egóica – existe um problema na sua mente, no tomador de
decisões que escolheu acreditar na mente egóica, e então escolheu deixar a mente e
fazer um mundo. Então, essa é a sua única parte: “voltar o teu pensamento ao ponto no
qual o erro foi feito e entregá-lo em paz à Expiação”. Nesse ponto, então, você
legitimamente o volta para o Espírito Santo – você legitimamente oferece seu medo e sua
culpa ao Espírito Santo porque agora você realmente viu o erro. Você viu o fato de que o
escolheu, o tornou real, e agora pode reverter a decisão, o que então significa dá-lo ao
Espírito Santo. “Entregá-lo” significa que você agora olha para ele com o Seu Amor ao
seu lado, e sem julgamento.

Basicamente, o que temos agora é uma maravilhosa descrição do que é o perdão como
um processo. De forma que, quando nós falamos do perdão como um processo, podemos
ver que o primeiro passo para o desfazer é reconhecer que nós ativamente decidimos de
forma errada, mas podemos da mesma forma ativa decidir de outra forma. Então, nossa
parte é meramente voltarmos nosso pensamento ao ponto no qual o erro foi cometido e
dá-lo à Expiação em paz. Isso é realmente o que é o processo de perdão.

Vamos voltar agora para o livro de exercícios, Lição 23. Aqueles de vocês que já leram
meus livros anteriores e já me ouviram falar há vários anos sabem que eu costumava falar
sobre os “três passos para o perdão”. Eu tirei isso da passagem no final do Capítulo 5 que
acabei de ler, e do parágrafo 5 da Lição 23, que vou ler agora...

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Nota do editor: Esse comentário sobre a Lição 23 não foi incluído nesses trechos.
Revendo o processo do perdão como especificamente expresso nesse parágrafo final do
Capítulo 5, portanto: o processo começa com a idéia – eu não estou me sentindo bem,
algo está errado. eu não estou em paz. Eu agora percebo que não é que eu não estou em
paz porque algo externo aconteceu ou não; eu não estou em paz porque escolhi não estar
em paz. E, em algum ponto, serei capaz de escolher estar em paz. Então, em outras
palavras, eu percebo que a causa do meu problema está na minha mente, não fora dela.
Fui eu que coloquei o problema na minha mente, só eu posso removê-lo, e a forma de
removê-lo é unindo-me com Jesus ou com o Espírito Santo. E, ao me unir com eles e
olhar para o meu ego, eu desfiz a causa do problema e o sofrimento. Então, nesse ponto
agora, Jesus nos dá alguma ajuda com esse processo.

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(Parágrafo 6 – Sentenças 10-12) Dize isso a si mesmo da maneira mais sincera possível,
lembrando que o Espírito Santo vai responder plenamente à tua mais leve invocação.

Agora, por que Jesus diria “da maneira mais sincera possível”? porque ele sabe que
ninguém é sincero. Ele não está julgando você, ele não o está atacando, ele não está
zombando de você, nem ridicularizando-o. Ele está tentando aliviá-lo da sua culpa,
deixando que você saiba que ele sabe que você está mentindo. Então, não existe culpa
nisso. Essa é uma forma de aprender a olhar para a “diminuta e louca idéia” de querer ser
separado de Deus e dizer: “Isso não é grande coisa”. Então, você não tem que sentir que
tem enganá-lo.

“O Espírito Santo vai responder plenamente à tua mais leve invocação” é uma forma
metafórica de descrever o fato de que o Espírito Santo está totalmente presente. Você só
bateu a porta na cara dele. Então, só precisa abrir a porta e Ele está lá. Você não tem que
mandar um convite a Ele esperar que Ele responda. Ele não responde de uma forma
ativa. Sua própria Presença é a resposta. Ele está lá. Sua luz está brilhando – e você a
encobriu. O que o perdão faz é remover os véus. E, então, Seu Amor, que sempre esteve
lá, está ali para que você se lembre dele.

Agora, Jesus nos dá uma seqüência de afirmações. Você não tem necessariamente que
repeti-las de forma literal, mas você realmente quer conseguir o conteúdo subjacente à
forma em cada uma dessas afirmações.

Devo ter decidido errado, porque não estou em paz.

Tomei a decisão por mim mesmo, mas posso também decidir de outra forma.

A terceira afirmação é uma afirmação positiva do que nós queremos:

(Parágrafo 6 – Sentença 16) Quero decidir de outra forma, porque quero estar em paz.

De novo e de novo, no Curso, Jesus está apelando aos motivos puramente egoístas de
todos. Aqui está o gancho novamente. ele está dizendo: “Você realmente quer ser feliz e
pacífico? Se quiser, faça o que eu digo. Não faça isso porque eu disse, mas porque essa
é a palavra santa de Deus. Faça isso para você se sentir melhor”. Novamente, ele está
apelando para os motivos mais básicos de todos: para se sentir melhor. Ele também está
nos dizendo que nós não sabemos o que vai nos fazer sentir bem, mas ele sabe, então,
deveríamos pedir a ele que nos ensinasse. Nós pensamos que o que vai nos fazer sentir
bem é conseguir o que queremos. Isso nunca vai nos fazer sentir bem! Temporariamente,
pode ser que sim, mas depois vai nos lembrar que nos sentimos bem por termos matado
Deus. Em uma das seções importantes sobre os relacionamentos especiais, no Capítulo
16, Jesus nos pede para considerar: “Se percebesses o relacionamento especial como
um triunfo contra Deus, ainda iria querê-lo?” (T-16.V.10:1). Se você realmente entendesse
que conseguindo o que quer de outra pessoa – conseguir que suas necessidades sejam
satisfeitas – estaria aliviando o instante original quando triunfou sobre Deus e se sentiu
tão bem porque finalmente tinha saído debaixo do Seu Amor, e agora estava por conta
própria – se você percebesse que é isso o que está fazendo, iria continuar escolhendo a
mesma coisa?

66
Bem, a resposta óbvia é que nós continuamos escolhendo isso porque não sabemos que
é isso o que estamos fazendo. É isso o que ele está nos ensinando: que nós realmente
queremos nos sentir melhor, realmente melhor, com a paz real de Deus que não depende
de nada externo. É por isso que queremos fazer outra escolha.

(Parágrafo 6 – Sentenças 17-18) Não me sinto culpado porque o Espírito Santo vai
desfazer todas as conseqüências da minha decisão errada se eu Lhe permitir.

“As conseqüências erradas” são os pensamentos de dor e sofrimento em nossas mentes.


Isso não está falando sobre o Espírito Santo sacudir uma varinha mágica que vai desfazer
todos os erros no mundo. É muito óbvio, à partir da própria vida de Jesus, que ele (Jesus)
não faz isso – e, se essa foi a missão dele, ele falhou miseravelmente. Ele não tornou o
mundo um lugar melhor externamente. Ele lembrou o mundo de que a coisa a se fazer
como o mundo e o deserto é partir. As pessoas não gostaram muito dessa resposta, e
primeiro o mataram para que ele não pudesse ensinar mais nada. Então, reescreveram o
que ele ensinou, para que todos acreditassem que ele disse que nós estávamos aqui para
fazer do mundo um lugar melhor. Esse é o oposto exato do que ele ensinou! É isso o que
as pessoas estão tentando fazer com esse Curso também, exceto que é mais difícil,
porque pelo menos agora sabemos o que ele disse. Ninguém sabe com certeza o que ele
disse há 2.000 anos.

Então, o Espírito Santo não tira as conseqüências externas, porque não existem
conseqüências externas. Existem reflexos e sombras externas que vêm de
conseqüências internas. O que acontece quando você se sente culpado? Você se sente
muito mal, ansioso, aterrorizado e doente. Quando você escolhe o Espírito Santo ao invés
do ego, está se unindo ao Amor de Deus do qual se separou, o que desfaz o “pecado” de
estar separado de Deus. Isso desfaz a culpa e todas as terríveis conseqüências dela.
Então, não é que o Espírito Santo, de forma ativa, leve embora todos os maus
pensamentos e sentimentos que você tem. Você os leva embora porque foi você que os
colocou lá. Mas você faz isso unindo-se a Ele. É por isso que unir-se a Ele ou a Jesus é
tão importante no Curso. É por isso que pedir a ajuda Deles é tão importante no Curso.
Pedir ajuda é dizer: “Eu não sei, mas você sabe”.

Finalmente:

(Parágrafo 6 – Sentenças 19-20) Escolho permitir-Lhe, deixando que Ele decida a favor
de Deus por mim.

Eu não decido a favor de Deus, porque o Deus pelo qual eu decido é o meu deus-ego:
esse é o deus do especialismo. Esse é o deus da religião formal. Ao invés disso, deixo o
Espírito Santo escolher Deus por mim. E, basicamente, tudo o que isso significa é que, ao
me unir ao Espírito Santo, eu agora aceito Seu entendimento de Deus, que é que Deus é
perfeito Amor. Quando eu me uno ao ego, meu entendimento de Deus é que Ele é um
Deus de especialismo, Que acredita na separação, pecado, vingança, forma, ritual, etc.,
etc.

Então, ao nos unirmos ao Espírito Santo, o que estamos realmente fazendo é desfazer
nossas crenças insanas sobre o que Deus é.

67
Vamos voltar agora a “Regras para Decisão” – Capítulo 30 no texto – Regra 5.

(Parágrafo 9 – Sentenças 1-3) (5) Tendo decidido que não gostas do modo como te
sentes, o que poderia ser mais fácil do que continuar com: E assim eu espero ter estado
errado.

isso é muito difícil. Nós já estivemos nesse caminho. Agora estamos conscientes, tendo
dado todos aqueles passos (novamente, não estamos falando sobre passos literais, mas,
ao invés disso, a descrição geral do processo de querer a paz e então ficar com medo
dela), de que queremos segurar a mão de Jesus e depois queremos soltá-la para segurar
a mão do ego outra vez. Então, em algum ponto, nós queremos entender que estamos
errados: eu pensei que o que estava fazendo estava certo, mas não está me fazendo
sentir bem. Esse é o passo crucial: fazer uma conexão causal entre não me sentir bem (o
efeito) e a causa (eu decidi errado) – o que significa que cometi um erro. E isso significa
que eu não sei o que é melhor para mim. Agora, o que é muito importante sobre a
afirmação ”E assim eu espero ter estado errado” é que se eu estiver certo, e estou me
sentindo tão miserável, então, não existe saída. Se eu estiver ciente de estar me sentindo
inquieto, ansioso, culpado, infeliz e com dor, e ainda assim estiver certo em tudo o que fiz,
então, literalmente não existe esperança. A esperança vem de pensar: bem, talvez eu
esteja errado. Agora perceba que a afirmação nem mesmo diz: “e então eu sei que estava
errado”. Ela diz: “Eu espero estar errado”. Se eu estiver errado, então, existe uma
resposta certa, porque certo e errado são opostos. Se eu estiver errado, então, precisa
existir uma resposta certa em algum lugar. Esse é o início, mais uma vez, de nos
voltarmos para Jesus. Talvez ele saiba melhor do que eu.

A premissa aqui é que eu não estou me sentindo feliz, e que a causa de eu não estar me
sentindo feliz é que eu fiz uma escolha errada. Se esse é o caso, eu agora posso admitir
que:

Isso funciona contra o senso de resistência...

Porque agora eu não vou mais perceber Jesus como meu inimigo. Agora estou rezando
para que ele ainda seja meu amigo, e para que não esteja zangado comigo – eu não me
vejo mais em oposição a ele. Se eu sempre tenho que estar certo, então, ele tem que
estar errado, porque meu medo é, obviamente, que ele saiba mais do que eu. Então, eu
sempre tenho que insistir que estou certo, o que significa que eu me coloquei novamente
naquele momento original, ontológico, quando acreditei, como um Filho, que eu estava
certo e Deus estava errado. o “estar certo” de Deus é Ele dizer que “não há nada além de
Mim – que Minha realidade, que também é a sua, ´o perfeito não-dualismo. Ele é perfeita
Unicidade. Não há nada mais”. Se eu quiser existir como um ser separado, isso significa
que Deus está errado e eu estou certo. É isso o que nós revivemos de novo e de novo.
Esse é o problema de autoridade. Eu quero estar certo, o que significa que Deus precisa
estar errado. isso significa que eu sempre acredito que estou em competição com Deus. E
isso significa que estou em competição com Jesus. E isso precisa significar que estou em
competição com seu curso, porque seu curso está me dizendo muitas e muitas vezes que
eu estou errado, e ele está certo. Eu vou me ressentir disso amargamente até poder
determinar para mim mesmo que foi a minha insistência em estar certo que me levou a
me sentir tão mal. E isso significa que eu agora espero que ele realmente esteja certo e
eu errado.

68
Jesus agora é percebido como seu amigo, como alguém que pode ajudá-lo, porque você
está em uma confusão miserável e não pode mais ajudar a si mesmo. Você já sabe que
nada lá fora vai funcionar, e agora você percebe que você também não funciona. E,
então, espera que exista mais alguém que realmente tenha a resposta certa. Então,
basicamente, Jesus não está pedindo que sejamos seu amigo para que o seu ego se
sinta bem – ele não tem um ego. Ele está pedindo isso porque está dizendo: “Se você
realmente quiser ajuda, eu vou ajudá-lo. Mas não posso fazer isso a menos que você se
una a mim”.

(Parágrafo 9 – Sentenças 4-6) Isso funciona contra o senso de resistência e lembra-te


que a ajuda não está sendo imposta a ti, mas é algo que queres e da qual necessitas
porque não gostas da maneira como te sentes.

Até atingir esse ponto, você pode acreditar em Jesus, pode até acreditar no Um Curso em
Milagres, mas vai existir uma parte de você que sente que ele está sendo empurrado a
você contra a sua vontade. Existirá uma parte sua que vai teimosamente insistir que você
está certo. E você vai tentar teimosamente empurrá-lo para longe. E, se você estiver com
medo demais dessa parte sua, ela vai para o inconsciente e você vai fazer tudo isso de
maneiras muito sutis. Uma das maneiras mais sutis, como já vimos, é tentar mudar o que
esse Curso diz e fazer com que ele signifique algo que não significa. Essa é uma das
maneiras sutis. A maneira não sutil é apenas dizer a ele que vá para o inferno, ou
simplesmente jogar o livro no chão e dizer: “Isso não funciona, eu quero alguma outra
coisa”.

Então, novamente, a idéia de esperar que você esteja errado, o que diretamente implica
que Jesus está certo, “funciona contra o senso de resistência e lembra-te que a ajuda não
está sendo imposta a ti, mas é algo que queres”. Mas ele primeiro tem que nos lembrar de
que nós não sabemos o que queremos, então, ele tem que nos ensinar o que nós
queremos, e que nós na verdade queremos e precisamos disso. Com muita freqüência
em círculos religiosos, e certamente isso é verdadeiro no cristianismo, as pessoas
sentiram que não tinham escolha. Elas tinham que fazer o que o Jesus da bíblia, ou o
Jesus da igreja, dizia. E elas não faziam isso porque queriam. Elas não tinham escolha,
porque, se não o fizessem, seriam punidas. Aqui, Jesus está dizendo: “Faça o que estou
lhe dizendo, não porque será um pecador se não fizer, mas porque você não será feliz –
não porque eu disse isso, ou a bíblia, ou a igreja, mas porque você mesmo vai dizer tão
logo entenda que, se você realmente quer paz, precisa fazer isso à minha maneira,
simplesmente porque eu sei melhor do que você. E eu estou certo e você errado”.

A maior parte do tempo – na verdade, o tempo todo -, o ego em você vai resistir a isso
com muita veemência: “Eu não quero ouvir que você está certo e eu errado”. esse é o
problema de autoridade. É isso que leva muito tempo. Você tem que trabalhar por isso, e
perceber que vai estar bem melhor em estar errado. essa é uma pílula muito amarga para
o ego de qualquer um engolir. Vejam, nós odiamos Deus porque Ele está certo. E Ele está
certo sobre o fato de que nós não existimos – o fato de que a vida existe somente no Céu.
Nada fora do Céu, nada em um estado de dualidade, nem mesmo existe – é por isso que
O odiamos. Sua própria Presença, Seu próprio Ser está dizendo: vocês não contam, e
vocês não existem, o que significa que seu especialismo está fora de questão.

69
E nós odiamos Jesus porque ele reflete essa mensagem, em palavras e uma linguagem
que podemos entender. Ele basicamente diz: “Você pode protestar, gritar, chorar o quanto
quiser, mas, no final, sinto muito ter que lhe dizer: você está errado e eu estou certo”.
Apenas imaginem-se na presença de alguém que fale com vocês dessa forma! Vocês
querem matá-lo! Foi por isso que as pessoas o mataram então, e é por isso que elas
estão tentando matá-lo agora. É extremamente importante que vocês percebam isso
muito literalmente e compreendam o quanto isso os deixa aterrorizados e zangados – que
aqui esteja essa pessoa dizendo: “Você está errado e eu estou certo”. Essas palavras são
verdadeiras, e elas significam exatamente o que dizem. Você não pode interpretá-las;
você não pode mudá-las – elas significam o que dizem. E seu ego vai se levantar, com
fúria.

É muito importante que você entenda que é isso o que ele está falando aqui. O ponto de
virada vem quando você percebe que é a causa da sua própria infelicidade, e que sua
arrogância é a causa de tudo que aconteceu de errado em sua vida. Então, você vai
começar a desenvolver aquela gratidão que diz: “Obrigado, Deus, eu estava errado.
Obrigado, Deus, existe alguém ainda dentro de mim que me ama, que não me condena,
que vai me mostrar os meus erros”. É por isso que Jesus se refere a ele mesmo como um
irmão mais velho. Um irmão mais velho é alguém que guia os irmãos mais novos. A
humildade está em ser capaz de dizer: “Eu estava errado. Obrigado Deus, eu estava
errado. Sobre tudo! Não apenas sobre uma questão específica no mundo. Eu estava
errado sobre tudo!”. E é nesse ponto, então, que você percebe que quer essa ajuda –
você precisa dessa ajuda, porque está tão infeliz. Acima de tudo, você pode ver que esse
é um curso em desenvolver a humildade. E a gratidão vem lado a lado com a humildade.
É por isso que “o amor é a maneira de andarmos em gratidão”, como a lição do livro de
exercícios diz.

(Parágrafo 9 Sentenças 6-9) Essa abertura diminuta [que simplesmente é: “Eu espero
estar errado”. você nem mesmo tem que dizer afirmativamente “Eu estava errado” –
apenas “Eu espero estar errado”] será suficiente para permitir que vás adiante com
apenas mais alguns poucos passos que precisas dar para que te permitas ser ajudado.

Então, Jesus nem está falando sobre aceitar ajuda nesse ponto – lembre-se, estamos
falando sobre um processo. Ele está falando sobre pelo menos ter esperança de que
talvez eu esteja errado, e que há ajuda. Se você der esse passo, então, inevitavelmente,
vai dar todos os outros.

(Parágrafo 10 – Sentenças 1-5) Agora atingiste o momento da decisão, porque te ocorreu


que sairás ganhando se o que decidiste não for assim,. Até que esse ponto seja
alcançado, acreditarás que a tua felicidade depende de estares certo. [Todos nesse
mundo acreditam nisso: é por isso que as pessoas vêm para esse mundo] Mas esse tanto
de razão já atingiste: viste que estarias melhor caso estivesses errado.

O ponto de decisão, novamente, é perceber que você estava errado. Apenas pense,
interiormente, o quanto isso é difícil – o quanto é difícil dizer isso para alguém que é
superior a você, ou uma autoridade na sua vida – sem falar em alguém como Jesus que
vem até nós e diz: “Minha própria existência na sua vida está mostrando que você está
errado”. apenas observe o quão teimosa e ferozmente você resiste a isso. Ninguém quer
ouvir que está errado, porque, como já falamos no workshop, ouvir que está errado sobre

70
qualquer coisa específica é um reflexo direto do medo original: eu estava errado sobre
tudo. Eu estava errado sobre Deus, sobre o céu, sobre mim mesmo. E, portanto, eu estou
errado sobre tudo o que vejo no mundo.

Esse é um ponto de decisão real.

Vamos voltar ao Capítulo 29, seção VII, “Não busques fora de ti mesmo”. Aqui está a linha
citada no que acabamos de ler: “Você prefere estar certo ou ser feliz?”. “Não busque fora
de ti mesmo” é um tema importante no Curso. Antes, Jesus fala sobre a máxima
fundamental do ego: “Busca e não ache”. O que o ego faz depois de inventar o problema
da culpa é dizer, como já vimos, “Não olhe para ela; vamos colocar a culpa fora de nós”.
Então, o problema agora é visto no mundo e, portanto, precisamos encontrar uma solução
para o problema do mundo. Isso é literalmente o que fez esse mundo. Lembre-se, esse
mundo é uma imensa distração ou uma cortina de fumaça para impedir o problema real
de ser alguma vez resolvido. O problema real é que nós escolhemos nos identificar com
nossa culpa e com nosso ego. Portanto, a única solução que pode ser encontrada é voltar
àquele ponto de escolha e então fazer outra escolha. O medo que o ego tem disso, como
já vimos, é tão grande que o que ele faz é negar a mente totalmente e colocar seu
conteúdo de pecado, culpa e medo fora, no mundo. Ele está fora de você, em seu próprio
corpo, em sua própria psique, que não está na mente. A psique freudiana é algo derivado
do cérebro; ela não tem nada a ver com a mente. Então, quando os psicólogos falam
sobre a psique ou o inconsciente, sua conceituação sempre vai terminar, se você os
pressionar o suficiente, com algum aspecto do cérebro. O próprio Freud, perto do fim da
sua vida, disse que, em algum ponto, as pessoas vão descobrir que todas as dinâmicas
de que ele falou podem ser explicadas eletroquimicamente. Ele nunca deixou de ser um
médico em primeiro lugar – tudo o que ele viu foi em termos do corpo. E, então, a psique
de que ele falou, ainda está no corpo. Então, quer você diga que tem um problema na sua
psique ou no seu corpo, ou que existe um problema no mundo, ainda está buscando fora
de si mesmo por uma solução para um problema que está fora de você.

Isso, novamente, é porque esse curso é tão radicalmente diferente. O único problema,
para afirmar isso ainda mais, repousa na mente. Esse mundo todo, coberto por esse véu
– esse véu de negação que faz com que nós esqueçamos a culpa em nossas mentes -,
todo esse mundo é feito como uma defesa contra isso. Então, o ego está dizendo: “Na
verdade, você tem muitos problemas, mas eles estão todos fora da sua mente – em seu
corpo, mental ou fisicamente, ou no mundo. E, portanto, vamos continuar tentando
encontrar a solução para todos esses problemas”. Então, a máxima do ego é “busque
mas não ache”. Essa afirmação, é claro, foi tirada da famosa passagem do Sermão da
Montanha, onde Jesus diz “buscai e achareis”. Esse verso da escritura é citado com muita
freqüência no Curso. Muitas e muitas vezes você vai ver referências sobre buscar e
encontrar – seja do ponto de vista do Espírito Santo, onde você busca o problema na sua
mente e o encontra, ou do ponto de vista do ego, que está sempre buscando uma solução
fora de você. De acordo com o ego, o problema está fora de você, e, se você olhar para si
mesmo no mundo, vai encontrar uma solução.

Então, o tema da seção é Jesus dizendo: “Não busques fora de ti mesmo”. O problema
não está fora de você e, portanto, a solução não está fora de você. O ego continuamente
tenta buscar uma solução para um problema, mas nunca vai encontrá-la. Ele não diz que
você nunca vai encontrar a solução. Quando você não a encontra, o ego diz que é porque

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não tentou o suficiente, ou que você não é esperto o suficiente. Ou ele diz para esperar
cem anos e depois a cura para esta doença vai ser descoberta. É sempre em algum
ponto no futuro que você vai encontrá-la. O que o ego nunca diz é que todo o sistema,
que é o mundo, está estabelecido de tal forma que você nunca vai encontrar uma
solução, porque a solução do problema está na mente. E o ego nunca vai nos deixar
lembrar da mente. Portanto, o que Jesus nos está exortando a fazer aqui, nessa seção, é
“não buscarmos fora de nós mesmos” a solução para nossos problemas.

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Nota do editor: algumas linhas de um comentário, seguidas pelos três primeiros
parágrafos de “Não busques fora de ti mesmo”, do Capítulo 29, no texto, não foram
incluídas nesses trechos.
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Vamos voltar ao “Regras para Decisão”. Nós estamos no fim da quinta regra, que é que
nós esperamos ter estado errados. Nós olhamos para “Não busques fora de ti mesmo”
para podermos realmente elaborar e deixar claro porque estamos errados, e o quanto
estamos errados. Então, não estamos errados só sobre coisas específicas; estamos
errados sobre a própria substância da nossa existência. Então, a última linha antes da
Regra 6 é:

(Parágrafo 10 – Sentenças 4-5) Mas esse tanto de razão já atingiste: viste que estarias
melhor caso estivesses errado.

Porque é assim que vamos ser felizes.

E, agora, vamos passar à Regra 6.

(Parágrafo 11 – Sentenças 1-4) (6) Esse diminuto grão de sabedoria bastará para levar-te
adiante. Não és obrigado a nada, mas simplesmente esperas receber uma coisa que
queres. E podes dizer com perfeita honestidade: Quero um outro modo de olhar para isso.

“Esse diminuto grão de sabedoria’ é a idéia de que você estaria melhor se estivesse
errado. então, você ainda não aceitou totalmente que está errado e que Jesus está certo.
Mas você agora reconhece com esperança que realmente estaria melhor se estivesse
errado. Você ainda não está convencido de que está errado, mas pelo menos está aberto
à sugestão de que está errado e ele está certo. Lembre-se, nós damos passos bem
pequenos.

A sentença 2 é a mesma idéia que vimos na regra anterior. Ninguém está empurrando
isso a você. Isso é algo que você quer. É por isso que leva muito tempo: porque você tem
que ser convencido de que não está perdendo nada. Esse é o medo real: eu realmente
estou com medo de que se fizer o que Jesus diz e desistir do meu especialismo e de
todas as coisas que valorizo no mundo, não sobrará nada. Ainda existe esse pensamento
na minha mente de que o ego simplesmente pode estar certo, e que Deus não é de
confiança. É isso o que leva tanto tempo, e é por isso que é tão importante que sua
experiência de Jesus ou do Espírito Santo, e sua experiência do Curso seja um
ensinamento muito, muito gentil. Ninguém o está forçando a fazer nada, em momento

72
algum. Tudo o que Jesus está fazendo é uma sugestão para você considerar o que ele
está lhe ensinando, e que você estaria melhor com ele do que com o seu ego.

Existem duas linhas no texto, separadas por aproximadamente 400 páginas, que nós
juntamos e lemos: “Demite-te agora mesmo do cargo de professor de ti mesmo, pois foste
mal ensinado” (T-12.V.8:5; T-28.I.7:1). E, basicamente, o que ele está dizendo é: “Olhe
honestamente para o que o seu ego tem ensinado e perceba que ele não tem feito isso
muito bem para você. Você não está feliz. Você consegue algumas poucas migalhas de
vez em quando, mas a felicidade não dura. E você passa todo o seu tempo tentando
negar o quão infeliz realmente é. Então, por que você não me dá uma chance?”. É isso o
que ele está pedindo aqui. É por isso que ele o incita a dar passos muito pequenos,
totalmente consciente de que você vai ficar aterrorizado com cada passo que der. Então,
tudo o que você tem que fazer é só pensar sobre o que ele está ensinado aqui (o que
obviamente faz muito sentido) e, depois, pensar sobre o que você ensinou a si mesmo, e
deixou o mundo ensinar. Então, perceba que isso não faz sentido algum.

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Nota do editor: o resto do comentário sobre a Regra 6 não foi incluído nesses trechos.
Vamos finalizar com a Regra 7).
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(Parágrafo 12) (7) Esse passo final não é senão o reconhecimento da ausência de
resistência para perceberes ajuda. É a declaração de uma mente aberta, que ainda não
está certa, mas está disposta que lhe mostrem algo: Talvez haja um outro modo de olhar
para isso. O que posso perder por perguntar? Assim podes agora colocar uma pergunta
que faz sentido e assim a resposta também fará sentido. Tampouco lutarás contra ela,
pois vês que és tu que serás ajudado por ela.

Outra forma de entender tudo isso é que, recordando o momento ontológico original, o
ego nos fez acreditar que o Espírito Santo era um inimigo. Isso é extremamente
importante de se entender, porque foi isso que pôs em movimento toda uma série de
pensamentos dentro de nós. E, o produto final desse processo, é a formação das religiões
formais. O ego transformou o Espírito Santo em inimigo, porque Ele é visto como
representando Deus, Que tornou o pecado real. Onde a religião formal estaria sem o
pecado? Esse Deus, Que obviamente é o Deus do ego do especialismo, tornou o pecado
real, e depois nos ameaçou com punição se nós não fizermos o que ele quer. Então,
Deus agora é percebido como um inimigo, e nós estamos em oposição a Ele. Essa é toda
a idéia do campo de batalha. É isso o que realmente é o sistema de pensamento do ego,
e também a mente errada: um campo de batalha onde nós nos opomos a Deus – onde
Deus está firmemente decidido a nos destruir por causa dos nossos pecados contra Ele.
Tudo isso, obviamente, foi inventado, mas esse é o conto de fadas do ego para nos
ajudar a não prestar atenção ao Espírito Santo, e para nos fazer ter medo de permanecer
dentro da mente, que agora é um campo de batalha. É como um campo minado, onde o
ego diz: “Veja por onde anda, porque se você der um passo errado, vai explodir”.

Então, o que foi estabelecido foi que Deus, verdade, amor, o Espírito Santo, Jesus,
salvação, perdão – todas essas palavras são realmente sinônimos aqui – são vistos como
o inimigo e em oposição a nós. Se você ler “As leis do caos” novamente, no Capítulo 23,
vai reconhecer o que são essas cinco leis: a insanidade de acreditar que estamos em

73
oposição a Deus, e Deus (o Deus insano que nós inventamos) está em oposição a nós. E
não há esperança. Essa mesma idéia é descrita no manual para professores, na seção
“Como os professores de Deus lidam com pensamentos mágicos?”, que é uma descrição
muito poderosa e sucinta dessa insanidade. E ela, também, diz que não há esperança. É
aí que a frase “Matar ou ser morto” é encontrada. Não há esperança. A única esperança
aqui é esquecer – esse é o uso da negação pelo ego. Toda essa idéia está tão carregada
de terror (de que a qualquer momento Deus vai precipitar-se sobre nós e nos destruir),
que a única maneira de lidar com ela é esquecer a coisa toda, e fugir de nossas mentes, e
fazer um mundo no qual nos escondemos – e termos esperança em cima de esperança
de que nunca, jamais, vamos pensar nisso outra vez.

O único problema é que o pensamento se infiltra através disso o tempo todo. Ele se infiltra
nas religiões. Você o encontra na bíblia. Você o encontra em todos os tipos de coisas –
até mesmo em sistemas que não têm forma religiosa. Você o encontra no conto de fadas
da Pequena Galinha – onde o céu vai cair e nos esmagar. Então, o pensamento sempre
se infiltra em tudo. E, quando o faz, nós sempre tentamos dar um jeito de tirá-lo do
caminho ou de racionalizá-lo, mas não torná-lo real para nós. Então, é contra isso que
Jesus é com esse curso, que é porque ele está totalmente ciente de que ninguém vai
prestar qualquer atenção a ele – certamente não da forma certa. Existe uma inverdade
inerente a ele, porque ele representa a verdade e o Amor de Deus. E o ego nos ensinou a
não acreditar na verdade de Deus – ela vai nos destruir. Nós somos o produto direto, a
sombra daquele sistema de pensamento. Se o corpo é a incorporação do ego, e o ego é o
sistema de pensamento que proclama que nós pecamos contra Deus, Deus vai nos
destruir como uma punição por nosso pecado, pois nós somos a incorporação daquele
sistema de pensamento. Então, dentro de cada fibra de nosso ser está o pensamento de
que não podemos confiar em Deus, não podemos confiar no Espírito Santo, nem em
Jesus. Se vocês lerem o Novo e o Velho Testamento, vai ficar muito óbvio porque não
deveríamos confiar em Deus. Você dá um passo em falso e está acabado!

O Novo Testamento é tão brutal quanto o Velho. Cristãos costumavam orgulhar-se de que
sua bíblia era civilizada, e era toda sobre amor, e o Velho Testamento era sobre
julgamento, lei e tudo o mais. E eles não estão cientes de que um é continuação do outro.
Quer você leia a bíblia, como um judeu ou um cristão, vai tremer nas bases. Você sabe
que se fizer um movimento em falso, tudo vai cair em cima de você. Agora, por que o livro
foi escrito dessa forma? E por que esse livro tem um apelo tão grande para a consciência
ocidental? Porque ele fala a verdade a partir do ponto de vista do ego. E nós somos
criaturas do ego, então, o reconhecemos. O semelhante sempre atrai o semelhante: isso
fala de nós. É por isso que Jesus está contra tudo isso com o Curso. E é por isso que é
tão fácil interpretá-lo de forma errada e mudá-lo, e distorcê-lo. Ele diz exatamente o
oposto, não apenas daquilo que você acredita, mas do que você acreditar ser. É por isso
que ele continua falando sobre a idéia de que você acredita que ele está em oposição a
você. Então, em algum ponto, você precisa começar a acreditar que existe algo muito,
muito errado com o seu pensamento. E, então, o que você encontra nessa seção é uma
descrição muito simples, ainda que clara, do processo de ir para frente e para trás – o que
realmente significa examinar o que você realmente acredita -, o que significa que você
realmente tem que entender o cerne do seu sistema de pensamento, e como você
realmente pensa que sabe o que é melhor.

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Regra 7 “Talvez haja um outro modo de olhar para isso. O que posso perder por
perguntar?” é só um tipo de tentativa, certo? Não é uma afirmação nítida do que você
quer, mas pelo menos está dizendo “Eu não posso perder nada porque eu sei que já sou
um perdedor. Não posso perder mais do que já perdi”.

Então, pelo menos você agora reconhece que o ego não está certo, porque ele diz: “Se
você perguntar, vai perder muito: você vai perder a sua vida. Se você pedir a ajuda do
Espírito Santo ou de Jesus, vai perder”. O que essa regra está realmente expressando é a
quebra da aliança com o ego. Nesse instante original, quando nós escolhemos o ego, o
que nós basicamente fizemos foi um compromisso com um juramento eterno de que
nunca, jamais, iríamos desistir do ego. O ego tornou-se nosso amigo, e nós “colocamos
todos os nossos ovos na mesma cesta”, jurando nunca confiarmos no Espírito Santo ou
em Jesus outra vez. O que essa passagem está dizendo agora como parte desse
processo é que talvez seja no ego que não possamos confiar. Então, uma vez que nossa
confiança no ego não nos trouxe nada que valesse a pena de forma alguma, o que
podemos perder por perguntar ao outro lado? Isso pelo menos abre a possibilidade.

Essas, então, são as sete regras. O processo não pára, mas isso é o mais longe que
Jesus vai aqui. E você não tem que ir muito mais longe, porque a porta está aberta.
Lembre-se novamente de que o que o milagre faz é basicamente deixar essa porta
aberta. Ele traz você de volta para sua mente, e o lembra de que você realmente tem uma
escolha. Ele não faz a escolha por você, mas diz que você realmente tem uma escolha.
Essa é exatamente a posição na qual estamos agora, depois dessa sétima regra. Pelo
menos agora estamos dizendo que temos uma escolha. Ainda não fizemos essa escolha
certa, mas pelo menos sabemos que não fizemos. E isso é o mais longe que esse Curso
vai levá-lo porque é o mais longe que ele tem que levá-lo. Uma vez que tenha chegado
tão longe, o resto é inevitável.

Trechos da Regra 7 e Conclusão

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Nota do Editor: Um comentário linha por linha foi apresentado nos últimos parágrafos da
seção “Regras para decisões”. Alguns trechos estão a seguir:
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(Parágrafo 14 – Sentenças 1-4) Nós dissemos que podes dar início a um dia feliz com a
determinação de não tomares decisões por tua própria conta. Isso parece ser uma
decisão real em si mesma. E, no entanto, não és capaz de tomar decisões por ti mesmo.

Se você pensar que ele o está trazendo ao ponto inicial aqui, está absolutamente certo.
Exceto que agora ele está dizendo que pode falar a você sobre esse outro nível. Como
vamos ver, ele vai falar sobre essa primeira regra de uma forma diferente da que ele fez
no início, porque agora você já atravessou o processo e tem uma compreensão melhor –
pelo menos é isso o que essa seção está presumindo – do seu investimento em estar
certo, e como estar certo não o faz feliz. De fato, isso faz você muito infeliz. E,
novamente, essa é basicamente a forma com que ele aborda tudo no texto, que é porque
ele diz a mesma coisa vezes sem conta. Ele está gentilmente levando você através de um
processo, mesmo que você não esteja consciente de que ele está fazendo isso, o que vai
ajudá-lo a ultrapassar muito do seu investimento no seu ego, então, você pode começar a

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entender o que ele diz na página 1, ainda que ele o diga na página dois, e na dez, e na
vinte, e por todo o texto.

Então, agora ele está nos levando de volta à regra um, mas está fazendo isso em um
nível mais profundo de sofisticação. O que ele vai explicar agora – deixem-me fazer isso
primeiro – é que o tomador de decisões precisa decidir entre o ego e o Espírito Santo. Ele
não pode decidir com um ou com o outro, e também não pode decidir com os dois. É por
isso que não é uma decisão. A regra da mente é que o tomador de decisões não pode
fazer qualquer coisa sem o ego ou sem o Espírito Santo. É como se o tomador de
decisões fosse neutro, e não importando o quanto ele apertasse o pedal do acelerador, o
carro não andaria até que ele engrenasse uma de duas marchas. A marcha do ego leva
para trás, a do Espírito Santo leva pra frente, apenas para fazer mais uma analogia. Mas
ele precisa fazer uma coisa ou outra; não pode fazer ambas. Você não pode engrenar o
seu carro em marcha-ré ou em primeira ao mesmo tempo. E, se você ficar neutro, nada
vai acontecer. É exatamente isso que ele está falando quando fala sobre um tomador de
decisões, ou o poder da mente de escolher. Você precisa escolher um ou outro; não
nenhum dos dois, e não ambos. Você certamente pode ir para frente e para trás, como
todos fazem. Então, novamente, isso clareia ainda mais a idéia do quanto é importante
saber que você tem uma escolha, e que você esteja totalmente consciente do que está
envolvido nas duas escolhas.

É isso o que temos visto nessa seção, e certamente o Curso todo é sobre isso, onde
Jesus estabelece para nós muito diligentemente como é o sistema de pensamento do
ego, e o que vai acontecer se você escolhê-lo - os horrores do especialismo, toda a
desolação do medo, todas as atrocidades que acontecem quando escolhemos o ego. Mas
você precisa saber disso porque, sem isso, não poderá fazer uma escolha significativa.
Por outro lado, ele então explica o que acontece se você o escolher. E, quando você vê
claramente entre que opções pode fazer essa escolha, quais alternativas existem, então,
não há problema em escolher. E, novamente, é isso o que o milagre faz. Ele deixa claro
para nós que: 1) nós temos uma escolha, e 2) entre que opções é feita essa escolha.
Então, é isso o que ele está dizendo agora: você não pode fazer uma escolha por conta
própria.

(Parágrafo 14 – Sentenças 6-8) A primeira regra, então, não é coerção, mas uma simples
declaração de um simples fato. Não tomarás decisões por conta própria seja o que for
que venhas a decidir.

Porque você não pode tomar decisões por conta própria! Lembre-se, ele está falando
sobre a mesma regra, mas de forma totalmente diferente. Na primeira apresentação da
Regra 1, Jesus quis dizer: não decida com o seu ego; decida comigo. Agora, ele está
entendendo isso de forma mais sofisticada (porque nós atravessamos esse processo), o
que significa que você não pode decidir por conta própria – você precisa escolher ou o
seu ego ou o Espírito Santo. O que é importante sobre isso é que, se o que ele está
dizendo é verdade (que você precisa escolher entre o ego e o Espírito Santo), quem é o
você que está escolhendo? Em outras palavras, o que essa afirmação reflete é que você
realmente tem um tomador de decisões. Existe uma parte da sua mente que escolhe
entre o ego e o Espírito Santo. Por que isso é importante? Porque então você não é mais
o seu ego. Veja, o ego nos convenceu de que, quando o escolhemos, esse foi o fim do
jogo: nós éramos o ego. Não havia mais qualquer Espírito Santo. Deus agora se tornou

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uma parte separada do nosso próprio ser. E não havia nada mais. É por isso que o
mundo é tão sem esperança, e existe tanta dor, sofrimento e miséria, culminando com a
morte. Porque não há esperança. Quando nós escolhemos o ego, nos tornamos o ego, e,
para todos os propósitos e intenções, a mente certa desapareceu. Na realidade, é claro,
isso não aconteceu – mas nós acreditamos que sim. Deus desapareceu, e Seu lugar foi
tomado por um ídolo; que é uma parte separada do nosso próprio ser egóico.

Então, o que ele está refletindo aqui é que isso não é verdade. Você não é o ego. Você
escolheu o ego. E existe uma parte da sua mente – que estamos chamando de tomador
de decisões – que escolhe o ego. E, se ela escolhe o ego, agora pode fazer outra
escolha. É por isso que é tão importante. O “você” ao qual ele está se dirigindo quando
diz que “você não vai tomar decisões por conta própria!” é o tomador de decisões. Esse é
o Filho de Deus – aquele que escolhe – e, portanto, aquele que tem tremendo poder em
sua mente. Então, a idéia é começar a separar você do ego, que é porque olhar para o
seu ego é tão essencial para o perdão. De fato, isso é o perdão. Se você está olhando
para o seu ego, quem é o “você” que está olhando para ele? Obviamente, não é o seu
ego! Novamente, esse é um Curso muito lógico, de argumentos muito bem amarrados.
Mesmo que você possa não concordar com isso ou com aquilo, a lógica é apresentada de
forma muito precisa. Se você está olhando para o seu ego, não pode ser o seu ego. Você
precisa ser algo separado do seu ego que está olhando para ele. Se você está olhando
para o seu ego com julgamento, não está olhando de forma alguma. Então, é apenas o
ego fazendo truques com você. Mas, quando você olha sem julgamento e diz: “Ah! Lá
está o meu ego de novo! Ele está de novo com seus velhos truques de atacar o amor,
atacar essa pessoa, atacar aquela, criar problema, deixar-me doente, deixar todos os
outros doentes, me confundir, tornar o mundo real, tornar o corpo real... “, e então, diz:
“Ah! Esse é o meu ego, qual é a novidade? É isso o que egos fazem!”, então está
começando o processo de separar a si mesmo daquele sistema de pensamento. Você
está rompendo a identificação que colocou o mundo inteiro em problemas – de fato, isso
fez o mundo. Lembrem-se novamente: quando o Filho de Deus escolheu o ego, ele se
tornou o ego, e não sabia de mais nada. Jesus veio e disse: “Espere um minuto, existe
algo mais. Olhe para mim e verá o reflexo de algo mais em você”. Foi essa a sua
mensagem há 2.000 anos, e é essa a sua mensagem que está outra vez agora, no Curso.
É isso o que você tem que entender – que você não é o ego. É por isso que é tão
importante, novamente, ser capaz de olhar para ele sem julgamento. Quando você o
julga, o torna real.

Outra forma de dizer isso, que é o que eu já disse, é que o ego não tem poder em si
mesmo. Ele não tem absolutamente nenhum poder em si mesmo. Quando você se
identifica com ele, dá a ele um poder total. O poder está no tomador de decisões – no
poder da mente do Filho de escolher. O que dá ao sistema de pensamento de ego o seu
poder é a sua identificação com ele. Novamente, todo o poder aparente que o ego tem,
em um nível físico, em um nível emocional, em um nível pseudo-espiritual, é encontrado
todo dentro da crença do Filho nele.

Quando você começa a se separar dele, o ego começa a perder seu poder. E, quanto
mais você se separar, seu poder mingua mais e mais, até que, no final, você está
totalmente separado dele. Isso significa que você agora escolhe o Espírito Santo, porque
é um ou outro. Seja o que for que você invista no ego, você tirou do Espírito Santo; seja o
que for que você invista no Espírito Santo, tirou do ego. Quando todo o poder se vai,

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então, o ego, como eu já disse, desaparece no nada de que foi feito. O processo de olhar
é desengatar as marchas. Então, o ego simplesmente vai desaparecer. O que dá ao ego
o seu poder é você ter se unido a ele, ter se identificado com ele. Quando você luta contra
ele, obviamente, o torna muito real. É por isso que você não quer lutar com ele. Quando
você quer mudá-lo, o está tornando real. Quando você quer amá-lo e abraçá-lo, está
tornando-o real. Quando você olha para ele com um sorriso gentil e doce, então, ele
começa a desaparecer, porque então, você está dizendo: “Isso é apenas uma idéia tola”.
E você volta para aquele erro original quando todos nós olhamos para a “diminuta e louca
idéia” e dissemos que ela era séria. Agora, você começa o processo de desfazer isso.
Você olha para a “diminuta e louca idéia”, em qualquer forma que ela venha até você em
sua experiência, e diz: “Isso não é sério; isso é tolo!”. Mas você precisa ser capaz de dar
um passo atrás e olhar para ela.

(Parágrafo 15 – Sentenças 1-7) O teu dia não é ao acaso. Ele é determinado por aquilo
com o qual escolhes vivê-lo e pelo modo que o amigo a quem procuraste para pedir
conselhos percebe a tua felicidade. Tu sempre pedes conselho antes de te decidires por
qualquer coisa que seja. Deixa que isso seja compreendido e verás que não pode existir
coerção aqui, nem justificativas para resistência para que possas ser livre.

Você pode ver com que freqüência essa seção volta a essa idéia de coerção e imposição,
porque, novamente, ele está totalmente consciente de como as pessoas se sentem em
relação a ele. Ele está totalmente consciente de como as pessoas se sentem sobre esse
Curso. Infelizmente, os estudantes do Curso não estão totalmente conscientes de como
se sentem sobre o Curso. Mas ele está totalmente consciente de como eles se sentem
sobre ele. Seria bom se eles perguntassem a ele, ao invés de julgarem por si mesmos.

Novamente, é fácil demais sentir que você está sendo coagido – que Jesus é mais forte,
ele representa Deus, e você não tem nem uma chance. Então, é melhor fazer o que ele
diz, ainda que não goste particularmente disso. Tudo isso é parte da versão do ego para
Deus, que é uma parte separada dele mesmo. Esse Deus é duro, impositivo, e
dificilmente é amoroso. Ele pode agir de forma amorosa quando você dá a Ele o que Ele
quer, mas, quando não o faz, Ele é raivoso. Esse é, novamente, o Deus no qual
acreditamos, porque esse foi o Deus que inventamos. E você sabe que inventou esse
Deus e ainda acredita nele porque foi para fugir desse Deus que o mundo foi feito. O
mundo foi feito para nos escondermos desse Deus feroz, um Deus que nós acreditamos
que estava em oposição a nós, porque esse Deus acredita que nós estamos em oposição
a Ele. Nós projetamos tudo em Deus, então, parecemos ser vítimas inocentes. Nós
esquecemos que atiramos a primeira pedra, que nós atacamos primeiro, e que o Deus
que nós inventamos foi uma projeção ou uma parte separada da nossa própria crença no
pecado e na culpa.

Então, uma vez que você entenda o propósito ao qual o mundo foi feito para servir no
nível macro-cósmico, e o propósito a que o corpo foi feito para servir em um nível micro-
cósmico, então, não terá problemas em entender todas essas coisas no Curso. Elas são
logicamente deduzidas a partir da idéia de que nós fizemos Deus à nossa própria
imagem, um Deus Que iria nos destruir. Nós tivemos que fugir Dele e fazer um
esconderijo, que é o mundo. Nós tivemos que fazer um corpo, que é nosso esconderijo
individual. Essa é a natureza da nossa existência. Nós estamos sempre fugindo do ódio
de Deus e da Sua punição, que o ego chama de Amor de Deus. É por isso que o amor é

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tão amedrontador nesse mundo; é por isso que as pessoas então se tornaram tão
amedrontadas de deixar outras pessoas chegarem perto delas, a menos que elas possam
estar no controle. O medo é sempre: se eu baixar a minha guarda, ou as minhas defesas,
serei vulnerável, e serei ferido, serei subjugado. Isso não o torna o único no mundo a
experimentar essa sensação. Todos experimentam isso.

Lembrem-se, o mundo foi feito como um esconderijo, uma defesa, um ataque a Deus. E o
corpo é o forte individual que você fez para protegê-lo da parte separada de você mesmo
com a qual não quer fazer nada. Novamente, nós fizemos esse Deus irado para nos
livrarmos da culpa que achamos inaceitável em nós mesmos. Esse é o paradigma
subjacente a tudo o que fazemos o tempo todo, em cada aspecto do nosso sonho. Existe
uma parte de mim mesmo que eu não gosto: eu a separo, a projeto para fora, e faço você
– e, então, é claro, eu tenho que odiá-lo, porque acredito que você vai fazer comigo o que
fiz com você. Eu faço um corpo como um forte e dou um corpo a você, porque isso o
mantém separado de mim, assim como o meu corpo me mantém separado de você.
Estou aterrorizado, então, de ter esses limites violados: é por isso que as pessoas ficam
tão malucas com violações de limites. As nações ficam loucas a esse respeito, as
pessoas individuais ficam loucas sobre isso, os proprietários de casas ficam loucos sobre
isso – todos ficam loucos sobre isso. Não importa se você está falando sobre limites
físicos ou psicológicos, porque é isso que o protege da ira de Deus. Todos têm esse
pensamento dentro de si. É por isso que você não vai querer abraçar esse Curso sem
muito trabalho duro e prática. Novamente, se você ler essa seção muito cuidadosamente,
vai ver com que freqüência Jesus fala sobre essa questão de oposição e coerção. É isso
o que acreditamos. É por isso, novamente, que existem sete regras para decisões ao
invés de uma! Porque estamos tão aterrorizados da primeira.

(Parágrafo 16 – Sentenças 10-12) Quem é o senhor do mundo para ti hoje? Que tipo de
dia decidirás ter?

Essas, basicamente, são as questões finais da seção. Quem é senhor do mundo para ti
hoje: o reino é do ego, da raiva, do especialismo, assassinato, morte; ou ele é do Espírito
Santo, que é um reino de perdão e paz? E o que você escolhe vai determinar o tipo de dia
que vai ter.

O que acontece depois desse parágrafo é que existe um passo intermediário que não é
especificado. Esse passo é que você fez a escolha certa, i.e., ter Jesus ou o Espírito
Santo como seu conselheiro. Você então vai entender o que Jesus fala no último
parágrafo. Unir-se ao Espírito Santo permite que você entenda a importância de não ver
os interesses de outra pessoa como separados dos seus próprios. O que é dito no último
parágrafo não é a união com o Espírito Santo – você já fez isso. Esse é o passo
intermediário que não é especificado aqui. Uma vez que você tenha se unido a Jesus ou
ao Espírito Santo, vai compreender que, quando encontrar alguém, será um encontro
santo. E o que ele realmente está falando, que é o que eu vou elaborar depois, é que
essa pessoa especial com a qual você está envolvido (e você sempre está envolvido com
uma pessoa em qualquer momento específico de sua vida – uma pessoa especial que é o
objeto da sua atenção e pensamentos) é literalmente uma parte separada de um ser
maior, do qual você é uma parte separada. E é a união com a outra pessoa que você
pensa que está fora de você (porque você pensa que está fora da mente) que realmente
representa uma união ou re-união com você mesmo. Unir-se é desfazer a dinâmica da

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separação e de fazer um ser que você agora acredita ser outra pessoa e estar fora de
você. Não existe maneira de entender isso sem primeiro unir-se ao Espírito Santo. O que
se segue a essas questões “Quem é o senhor do mundo para ti hoje? Que tipo de dia
decidirás ter?” é que agora você escolhe que é Jesus. E, uma vez tendo feito isso, vai
compreender o que ele ensina a você no próximo parágrafo.

SUMÁRIO

Antes de irmos para a parte final do workshop, quero fazer um breve sumário do que já
percorremos:

No início, quando nós tivemos a “diminuta e louca idéia”, quando acreditamos que éramos
separados de Deus, nossa mente separada – a mente que acreditamos que tinha se
separado de Deus -, agora se divide de novo, e nós nos dividimos em dois sistemas de
pensamento: o do ego e o do Espírito Santo. O sistema de pensamento do ego diz que a
separação é real e, portanto, eu sou real como um ser separado. O sistema de
pensamento do Espírito Santo, que é refletido no princípio da Expiação, diz que a
separação nunca aconteceu, e que a pessoa que você pensa ser não existe. Você
continua em casa, em Deus.

O tomador de decisões, que é a parte de nossas mentes que tem que escolher entre
esses dois sistemas de pensamentos, escolheu o ego. Nesse ponto, o que ele fez foi se
separar do Espírito Santo, de forma que tudo o que parece ser realidade agora é o
sistema de pensamento do ego. Como já vimos, quando escolhemos o sistema de
pensamento do ego, nós nos tornamos esse sistema. Um termo psicológico para
descrever isso é “dissociação”, onde você se dissocia de algo: você se separa. É isso o
que o mundo literalmente significa: você estava associado ao Espírito Santo e agora está
dissociado – você se afastou dele (‘dis’ é um prefixo negativo). Então, a dissociação
meramente quer dizer a separação, que especificamente aqui significa que nós nos
separamos do Espírito Santo , portanto, esquecendo tudo sobre Ele. Aquilo em direção a
que nós nos separamos, isto é, o ego, tornou-se a única realidade para nós. Então, o ego
inventou toda essa grande história, que é basicamente o que nos atraiu em primeiro lugar:
a idéia que o especialismo era realmente formidável, e que nós realmente seríamos
felizes estando certos, enquanto Deus estaria errado. Então, seguindo o sistema de
pensamento do ego em termos de sua lógica inevitável, o Amor de Deus tornou-se
terrível, vingativo, raivoso e punitivo. Então, nós tivemos que escapar, e aí fizemos o
mundo.

O que acontece quando nós fazemos o mundo é que nós nos separamos, basicamente,
de nossas mentes. Então, em certo sentido, estamos sempre atravessando um processo
de divisão. Esse processo de divisão da mente – projetando para fora, no mundo – dá
vazão a todo um processo de fragmentação. A seção “A realidade substituta”, no início do
Capítulo 18, explica e descreve isso claramente. O resultado desse processo de
fragmentar e subdividir, e subdividir ainda outra vez, muitas e muitas vezes, é esse
mundo – o que os hindus chamam de mundo da multiplicidade. Em nosso contexto, nós
podemos nos referir a ele como um mundo de fragmentação e separação: o oposto exato
da totalidade. E aquele Filho único de Deus que fez essa escolha, então se fragmentou
em bilhões e bilhões de fragmentos. Cada um de nós, agora, é um representante de um

80
desses fragmentos. Cada fragmento acredita que está por conta própria, e que é seu
próprio universo auto-contido.

E, nesse ponto, nós parecemos desesperançadamente aprisionados, porque não existe


saída, uma vez que nos encontramos aqui. Não existe saída, é isso, exceto nos
lembrarmos de que não estamos aqui, e de que tudo isso aconteceu porque nós
simplesmente fizemos uma escolha errada. Nós caímos em um estado de negligência, um
estado de sono profundo, e a única forma de despertar desse sonho é nos lembrarmos.
Isso, mais uma vez, é o que o milagre faz: ele nos lembra de que tudo isso aconteceu
simplesmente porque fizemos a escolha errada. Nós escolhemos contra o Espírito Santo,
contra a verdade. Nós nos dissociamos dela, e então nos identificamos com o sistema de
pensamento do ego. Esse é o problema. A solução, então, é nos lembrarmos disso.

Jesus é o nome que nós damos a um desses fragmentos, uma dessas partes da Filiação
que se lembrou de quem nós todos somos. Não existe nada no Curso que poderia indicar
quando ele se lembrou – todos sempre querem saber quando ele fez isso. Por favor, não
se voltem para a bíblia, porque os escritores da bíblia certamente não sabiam nada sobre
Jesus – ao contrário, o livro não teria saído do jeito que saiu. Basicamente, você tem que
ir para dentro de si mesmo, e conseguir essa resposta por conta própria. E, é claro, não
importa quando ele se lembrou, porque não existe tempo de qualquer forma. Então, isso
simplesmente se torna algo que você gostaria de discutir quando fica um pouco bêbado
ou algo assim. Não existe nada importante nisso. Simplesmente seja grato por ele ter feito
isso.

Uma vez que ele é parte da Filiação, e nós todos somos unidos como um pensamento
naquela mente, então, ele permanece dentro da nossa mente como o exemplo brilhante e
um lembrete de que podemos fazer o que ele fez. O que ele fez foi perceber que tudo isso
era uma tolice. Quando o Curso diz que o Filho de Deus não se lembrou de rir... ele riu,
porque percebeu que é simplesmente absurdo achar que poderíamos nos separar do
nosso Criador e da nossa Fonte – que uma parte de Deus poderia arrancar a si mesma
do Tudo e da Totalidade. Portanto, quando nos unimos a Jesus, estamos nos unindo com
aquele pensamento. No Curso, ele diz: “Eu estou a cargo do processo de Expiação” (t-
4.III.1:1). Em outro trecho, ele diz: “Eu sou a Expiação” (T-I.III.4:1) – porque ele é o
princípio de correção. Nele encontramos a resposta, porque em sua lembrança de que
nada aconteceu, ele sabia que ainda era parte de Cristo. E Cristo é perfeitamente uno,
perfeitamente completo, e perfeitamente unido a Sua Fonte. Então, ao nos unirmos com
Jesus, estamos nos unindo com a unicidade e, portanto, estamos nos unindo com Cristo.

É por isso que é tão importante que você se una a ele – porque ele é o símbolo do fim do
sonho. Ele é o princípio da Expiação. Ele também diz, antes, no texto, que o princípio da
Expiação que veio a existir no momento em que a separação pareceu acontecer (que é o
que o Espírito Santo é), é basicamente geral demais, e tem que ser posto em ação (T-
2.II.4?2-3). O que ele realmente quer dizer com isso é que era necessário um símbolo
concreto dentro do mundo com o qual as pessoas poderiam se identificar e que poderiam
reconhecer. Ele é esse símbolo. Ele deixa claro que não é o único símbolo. Ele realmente
diz que é o primeiro. Mas, claramente, ele não é o único símbolo. Para nossos propósitos,
uma vez que estamos estudando dentro do contexto do seu Curso, vamos falar dele como
um símbolo. Mas também é importante que você perceba que ele não é o único. Mas ele
foi aquele que colocou o princípio da Expiação em movimento – a frase usada no Curso

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(ET-6.2:4). E tudo isso realmente são metáforas para simplesmente descrever o fato de
que Jesus, dentro do nosso sonho, é o símbolo do princípio da Expiação – de que
separação de Deus nunca aconteceu. Se ele é o Amor de Deus, se ele é a manifestação
do Amor de Deus na forma e no sonho, então, ao nos unirmos com ele e aceitarmos seu
amor como verdade, o que realmente estamos fazendo é nos unirmos ao mesmo princípio
que ele representa.

Então, nós nos tornamos como ele, como está expresso naquele lindo poema de Helen,
Uma Oração a Jesus. Ele diz no Curso que é a manifestação do Espírito Santo. Ele então
pede, em um ponto, que nós nos tornemos sua manifestação no mundo (ET-6.5:1). Então,
assim como ele simbolizou para todos nós o Amor de Deus na presença do sonho, ele
pede, com estudantes do seu Curso, que nós nos tornemos mais e mais como ele, para
nos tornarmos símbolos dentro do sonho para outras pessoas do que significa realmente
aceitar a Expiação para si mesmo. Em um sentido, você poderia dizer que esse é o único
propósito do Curso: levar as pessoas a fazerem isso. Basicamente, só um é necessário,
como já vimos, porque existe só um único Filho. Mas, uma vez que existe a ilusão de
muitos, então, temos a ilusão de que muitas pessoas têm que fazer isso. É uma ilusão,
como já vimos antes. Toda essa idéia de quantificar a salvação é uma ilusão, mas,
novamente, uma vez que acreditamos estar aqui, temos essa ilusão. Então, o propósito
do Curso é fazer com que mais e mais pessoas se tornem como Jesus. Embora na
realidade sejamos todos apenas uma única pessoa, somos todos partes separadas dessa
única pessoa.

Eu quero fazer mais uma seção com vocês antes de ir para o último parágrafo de “Regras
para decisões”, e concluir o workshop. Essa é uma seção do Capítulo 8 do texto chamada
“A vontade sem divisão da Filiação”. É uma seção muito linda e tocante em vários níveis,
especialmente em termos da clareza do que Jesus diz, assim como seu apelo para que
todos os seus estudantes se unam a ele. Essa é uma das afirmações mais claras no
Curso sobre esse tema, embora ela seja citada em muitos outros lugares.

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Nota do Editor: um comentário linha a linha sobre essa seção se seguiu a isso, e, depois,
o último parágrafo de “Regras para decisões’. Esse comentário não foi incluído nesses
trechos. Nós concluímos essa série com um dos adoráveis poemas de Helen Schucman,
UMA ORAÇÃO A JESUS, que foi lido como uma meditação durante o workshop.
Para aqueles que não conhecem a poesia de Helen, ele está reunida em um livro
chamado As Dádivas de Deus. Sua poesia “veio” e foi escrita da mesma forma do Curso.
Esses não são poemas que a própria Helen escreveu, embora pudesse ter escrito algo
por si mesma. Ela experimentou o mesmo processo de quando estava transcrevendo o
Curso. A única diferença é que, com a poesia, ela sempre sentia que sua voz estava em
alguma parte, assim como a de Jesus – que, basicamente, a poesia era um aventura em
parceria, enquanto o Curso não era. Em outras palavras, ela sentia que não tinha
absolutamente nada a ver com a transmissão ou a escrita do Curso. Mas, com a poesia,
ela sentia que sua voz era como uma parte de Jesus fazendo isso – não sua voz como
ela se identificava como um ego. Todos os poemas – os iniciais, que eram relativamente
simples, assim como os últimos, que eram mais complexos – lidavam com temas que
estão no Curso de uma forma ou de outra.

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Existe uma outra série de poemas que lidam especificamente com Jesus e com o
relacionamento de Helen com ele. Esse, Uma Oração a Jesus, que é um dos meus
poemas favoritos, entretanto, não lida especificamente com Helen. A pessoa que fala no
poema realmente poderia ser um de vocês. É realmente uma oração endereçada de cada
um de nós para Jesus. E ele realmente deixa muita clara sua importância em nossas
vidas – o modelo que ele mantém para nós, de que podemos nos tornar como ele e nos
unir a ele. Outro tema importante nesse poema é que, ao nos unirmos com ele, também
estamos nos unindo a todas as outras pessoas. Então, o que você encontra nesse poema
é exatamente o que vamos passar algum tempo falando agora, isto é, a importância da
nossa união com ele e com todas as outras pessoas, e que, na verdade, é impossível nos
unirmos às outras pessoas sem nos unirmos a ele, e é igualmente impossível nos unirmos
a ele e não nos unirmos aos outros.

Para aqueles que não conhecem o poema, deixem-me também mencionar que ele
começa com a frase: “Uma Criança, um Homem, e então, um Espírito” – que se refere a
Jesus e sua vida. Duas estrofes abaixo, a mesma frase aparece, mas agora ela se refere
a nós – novamente com a esperança de que possamos nos tornar como ele. E as linhas
bem no final do poema são baseadas na oração do cardeal Newman, um católico
convertido, famoso no século 19, na qual ele basicamente disse o que está ecoando aqui.
Sua oração era a de que quando as pessoas olhassem para ele, não o vissem, mas
apenas vissem Jesus. É com essa oração que esse poema termina.

UMA ORAÇÃO A JESUS

Uma Criança, um Homem e então um Espírito, veio


Em toda a Sua amorosidade. A menos que Tu brilhes
Sobre minha vida, é uma perda para Ti,
E o que é uma perda para Ti, também é para mim.

Eu não posso calcular por que estou aqui


Exceto para isso: eu sei que vim
Para buscar a Ti aqui e encontrar-Te. Em Tua vida
Tu mostraste o caminho para meu eterno lar.

Uma criança, um homem e então um espírito. Então,


Eu segui no caminho que Tu me mostraste
Para que eu possa, afinal, ser como Tu.
O que além da Tua semelhança eu iria querer?

Existe um silêncio onde Tu falas comigo


E me dás palavras de amor para dizer por Ti
Para aqueles que Tu me envias. E eu sou abençoada
Porque eu vejo a Ti brilhando através deles.

Não existe gratidão que eu possa dar


Por uma dádiva como essa. A luz ao redor da Tua cabeça
Precisa falar comigo, pois eu estou perdida sem
A Tua mão gentil através da qual minha alma é conduzida.

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Eu tomo Tua dádiva em mãos santas, por Tu
As abençoaste com as Tuas próprias. Venham, irmãos, vejam
O quanto eu sou semelhante a Cristo, e a vós
A quem Ele abençoou e mantêm como um comigo.

Uma perfeita imagem do que eu posso ser


Tu mostras a mim que eu posso ajudar a renovar
A visão falha dos Teus irmãos. Conforme eles olham para cima
Que não vejam a mim, mas apenas a Ti.

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