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PROJETO 1

Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP

Grupo 5:

Aline Beatriz Soares Passerini (148849)


Amanda Calil Barcellos Leite (150005)
Caroline Ciola Andriotti (150712)
Kriscia Pompolino Santinoni (148958)
Mateus Fernandes Suares (139925)

UC: Fenômenos de Transporte I


Professor: Werner Hanisch
Matéria: Viscosidade Dinâmica
07/11/2021
I.Utilizando fluidos comuns do dia a dia, expliquem o comportamento dos fluidos em
relação à sua viscosidade;

Grande parte dos produtos utilizados no cotidiano estão inclusos em um universo


desconhecido para uma parte das pessoas. Estes produtos são chamados de fluidos, um
fluido é uma substância que se deforma continuamente sob a aplicação de uma tensão de
cisalhamento, seja esta tensão grande ou pequena. Utiliza-se diariamente, pastas de dente,
tintas, mel, água, óleo vegetal, entre tantos outros, sem perceber ou questionar o
comportamento mecânico desses produtos.

Basta analisar ligeiramente a pasta de dentes, algo que é muito usado em sociedades
modernas (MEZGER, 2015). Não é desejado uma pasta de dentes muito mole, sem
firmeza, pois, ao se colocar a pasta de dentes na escova de dentes, esse fluido escorrer
antes de chegar a boca. Por outro lado, a pasta de dentes não pode ser muito rígida ou
muito firme, porque, ao se iniciar uma escovação, a mesma pode ferir as gengivas. Assim,
algo simples como a pasta de dentes deve ter características singulares de acordo com o
momento de sua aplicação (ARDAKANI et al., 2011)

Os fluidos do dia a dia escolhidos foram mel, óleo vegetal e água, sendo estes
newtonianos. Os fluidos newtonianos seguem a Lei da viscosidade de Newton, e todos os
fluidos que possuem comportamento diferente dos apresentados pela Lei são chamados
de não-newtonianos.

Fluidos Newtonianos são fluidos que possuem uma relação linear entre a tensão de
cisalhamento e a taxa de cisalhamento, ou seja, em sistemas dentro do regime laminar
apresentam valor de viscosidade apenas dependente da temperatura e pressão
(MACHADO, 2002).

Para explicar o comportamento dos fluidos em relação à sua viscosidade, foram realizados
testes de aplicação de tensões de cisalhamento sobre os produtos escolhidos (IMAGEM
1).
IMAGEM 1 - Testes dos fluidos mel, óleo e água respectivamente.

Fonte: Imagem do autor.


Nota-se que ao exercer uma tensão de cisalhamento cada vez maior sobre o mel, óleo
vegetal e água, a viscosidade não se altera. O mel possui maior dificuldade para escoar
da colher, isso ocorre devido a sua composição molecular lhe dar uma alta fricção interna,
retendo uma proporção considerável de mel na colher, demonstrando uma grande
resistência à deformação, desse modo, maior será a sua viscosidade. O Óleo vegetal ao
escoar da colher sua composição molecular lhe proporciona um pouco de fricção interna,
resultando em uma sobra de pequena camada de óleo na colher, apontando uma
viscosidade mediana e resistência mediana à deformação. A água apresenta facilidade
para escoar da colher, sendo a sua composição molecular com baixa fricção interna, a
retenção de água na colher é quase nula, apontando menor resistência à deformação, e
consequentemente, menor viscosidade.

II. Tente diferenciar os diferentes tipos de fluidos vistos em aula, sejam os fluidos
newtonianos, dilatantes, pseudo-plásticos e de Bingham. Faça um vídeo explicando o
comportamento desses fluidos. Mostrem no vídeo também;

IMAGEM 2- Classificação dos fluidos pelo comportamento reológico

Fonte: Imagem do autor

Dilatantes:

Os fluidos não newtonianos considerados dilatantes são fluidos que possuem sua
viscosidade dinâmica aumentada quando sofrem a uma tensão de cisalhamento crescente,
mas que independe de uma tensão de cisalhamento inicial. (WHITE, 2018)

A velocidade de deformação angular aumenta a viscosidade aparente desse tipo de fluido,


ou seja, com as moléculas se movendo mais rapidamente, as partículas necessitam de um
maior espaço e o fluido dilata como um todo. Sendo assim, de modo prático, tais fluidos
tornam-se mais espessos quando sofrem uma tensão cisalhante. (STAKE, 2016)

No vídeo do projeto, o amido de milho e água quando em conjunto formam um exemplo


de fluido dilatante, quando a suspensão sofre uma força de cisalhamento relativamente
grande o fluido fica mais espesso, se assemelhando ao comportamento de um sólido e,
quando uma força menor é aplicada, o mesmo aparenta maior fluidez.
IMAGEM 3: Suspensão de amido de milho e água sofrendo diferentes tensões de
cisalhamento

Fonte: Imagem do autor

Fluidos Pseudoplásticos:

Outro fluido não newtoniano com diversas aplicações em setores industriais é o


pseudoplástico, nos quais a viscosidade aparente diminui com o aumento da taxa de
deformação angular (LEAL, 2005). Para tanto, tais fluidos independem de uma tensão
inicial cisalhante e tornam-se mais finos quando sujeitos a tensão cisalhante, dado o
alinhamento das moléculas em meio a altas velocidades de cisalhamento (STAKE, 2016).

Como exemplificado no vídeo, a tinta de látex quando espalhada com uma maior
velocidade de deformação gerada pela tensão cisalhante, torna-se mais fina, ou seja, ao
mexermos o material, a substância se tornou mais fluida, apresentando maior viscosidade.

IMAGEM 4 - Comparativo antes e após mexer a tinta de látex.


Fonte: Imagem do autor.

Plásticos de Bingham:

São fluidos que dependem de uma tensão de cisalhamento inicial. Antes disso, até
alcançarem esse limite de carga, se comportam como se fossem sólidos (ÇENGEL, 2015).
Porém assim que o limite é ultrapassado eles passam a se comportar como fluidos,
apresentando uma relação linear entre a taxa de deformação e a tensão aplicada (COSTA,
2017).

III.Expliquem o que representa esta propriedade e a importância dela em Fenômenos de


Transporte;

Fluidos são caracterizados por sofrerem constante deformação quando submetidos a uma
tensão. Nesse aspecto, a viscosidade é uma propriedade definida como a resistência ao
movimento de escoamento de um material, sendo utilizada para diversos fins no ramo da
engenharia. (MOTTA, 2012)

Em Fenômenos de Transporte são abordadas possíveis explicações a respeito de


transferência de grandezas de um ponto ao outro, bem como a dispersão em determinados
meios. Sendo assim, a viscosidade está diretamente relacionada com a maneira que
ocorrem os escoamentos e deslocamentos dos fluidos, visto que há atuação de forças entre
o fluido e os corpos em que este está em contato. Por isso, o estudo desta propriedade em
Fenômenos de Transporte é tão importante, uma vez que a viscosidade pode interferir de
modo direto no deslocamento desses fluidos.
IV. Mostrem no relatório como se pode determinar esta propriedade;

Para medir a viscosidade aparente dos fluidos, são usados aparelhos chamados
viscosímetros, portanto estes não são bons medidores para os não-newtonianos. Eles
se baseiam ou na relação entre o arrasto e a velocidade de escoamento ou no atrito
entre um fluido e as paredes do viscosímetro.

Alguns dos viscosímetros são:

A. Viscosímetro de Cilindros coaxiais: são dois cilindros que compartilham o


mesmo eixo de simetria, o mais externo é a parte fixa e o mais interno é o móvel que gira
a fim de movimentar o fluido presente na pequena espessura entre eles. O sistema interno
pode ser modelado como duas placas paralelas separadas por um fluido (ÇENGEL,
2015).

IMAGEM 5- Viscosímetro de cilindros coaxiais

Fonte: Çengel, 2015. Viscosímetro de dois cilindros.

Equação que mede a viscosidade:

B. Viscosímetro de Esfera: é um mecanismo simples, um tubo de altura conhecida


preenchido com o líquido de estudo. Mede-se, portanto, o tempo que a esfera leva para
percorrer a distância conhecida. As forças que agem na esfera são o peso dela própria, no
sentido contrário desta age o empuxo do fluido e por fim a força de arrasto - ou resistência
ao avanço. (BRUNETTI, 2008).

IMAGEM 6: Viscosímetro de Esfera

Fonte: Brunetti, 2008. Viscosímetro de esfera.

Equação que rege a viscosidade:

C. Viscosímetro de Saybolt: um tipo especial de viscosímetro, ele mede a


quantidade de tempo que 60 cm³ de fluido leva para escoar pelo tubo capilar na base do
cone em que o fluido se encontra. A unidade de medida é em segundos Saybolt, pois
representam o tempo que exatamente essa quantidade de fluido leva para escoar.

IMAGEM 7 : Viscosímetro de Saybolt


Fonte: Brunetti, 2008. Viscosímetro de Saybolt.

Esse tipo de viscosímetro mede a viscosidade cinemática, pois o escoamento capilar


depende da viscosidade dinâmica e da massa específica do fluido. Portanto, fluidos com
viscosidades dinâmicas diferentes podem levar o mesmo tempo em segundos Saybolts
para escoar (BRUNETTI, 2008).

Equação que relaciona a viscosidade cinemática com os segundos Saybolt:

D. Viscosímetro de tubos: esse instrumento mede o tempo que um fluido demora


para escoar em um sistema de tubos, o mais comum é um tubo em U, como mostrado na
figura.

O princípio de operação baseia-se, após o reservatório inicial (Bulk B, na figura) cheio,


no tempo em que o líquido demora para atingir a marca D (FONTANA, 2018).

IMAGEM 8: Viscosímetro de Tubos

Fonte: Fontana, 2018. Viscosímetro de tubo em U.

A equação que calcula a viscosidade é:


E. Viscosímetro Copo Ford: Esse instrumento consiste num copo cilíndrico
sustentado por três hastes ajustáveis e com um orifício na base. Nele coloca-se o fluido e
mede-se o tempo de vazão. A contagem do tempo se inicia no exato instante em que a
vazão começa e termina ao primeiro sinal de descontinuidade da mesma (BARBOSA,
2004). Tal instrumento se encontra ilustrado na figura 6:

IMAGEM 9- Viscosímetro Copo Ford

Fonte: Barbosa, 2004, p. 1

A equação que relaciona o tempo de escorrimento com a viscosidade, que é a equação


que permite usar esse viscosímetro, é a equação 1:

𝑃 = (3,846 𝑥 𝑇) − 17,30 (𝑒𝑚 𝑚²/𝑠) (1)

Fonte: Santos, 2008, p. 4

Sendo P a viscosidade cinemática e T o tempo em segundos.

V. Relacionem as unidades usuais de medição e outras que podem ser encontradas


na literatura;

A viscosidade pode ser encontrada em diversas unidades de medida, porém existem duas
que são mais usuais, a do sistema SI é (Pa.s) que condiz à N.s.m E também na unidade
-2.

de medida do sistema do CGS é o denominado Poise, que corresponde à g.cm .s-1. -1

(PINTO, 2010).

Onde a relação entre as unidades é 1 Pa.s= P, além disso quando se mede a viscosidade
da água a 20º C constata-se que é muito próxima de 1 centipoise (cP), os valores de
viscosidade passaram a ser tabelados em cP. Um centipoise corresponde a 0,01 P, e
relacionando a unidade do Sistema Internacional temos a conversão de 1 mPa.s= 1 cP.
(PILLING)

Abaixo encontra-se uma tabela com alguns fluidos com a viscosidade medida
demonstrada pelo cP, que mesmo não sendo a unidade do sistema internacional é bastante
usual.

IMAGEM 10: Viscosidade de matérias comuns do dia a dia


Fonte: Tabela de Viscosidade de materiais comuns
http://jsglasslinedequip.com/profile/material-viscosity/169398/0/

Referências Bibliográficas

PINTO, M. R., “Viscosidade de soluções diluídas de polímeros”. Instituto de Química


da Unicamp, departamento de físico-química.

PILLING, S. “Prática 4, Determinação da Viscosidade de Líquidos”. Instituto de


Engenharia Química da Univap, físico-química experimental. Disponível em:
https://www1.univap.br/spilling/FQE1/FQE1_EXP4_ViscosidadeLiquidos.pdf. Acesso
em: 31 out. 2021.

WHITE, Frank. M. Mecânica dos Fluidos. Porto Alegre. Grupo A, 2018.


9788580556070. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556070/. Acesso em: 03 nov.
2021.

STAKE, L. Reologia dos fluidos. 2016. 12 p. Universidade de Caxias do Sul de


ciências exatas e tecnologia departamento de engenharia mecânica, Caxias do Sul, 2016.
Disponível em: https://d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net/52169005/Reologia_-
_Lucas_Stake-with-cover-page-
v2.pdf?Expires=1635967536&Signature=gtWmFiOrnZz~UISJcR0qdqxFtj2ORyTV724
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PEkVlNIhnDJReKbEgWEbpj5ixP1ss92FifsATsC0H9RA__&Key-Pair-
Id=APKAJLOHF5GGSLRBV4ZA. Acesso em: 03 nov. 2021

LEAL. B, A. Estudo do Escoamento de Fluidos Não Newtonianos em dutos. 2005.


120 p. Tese(Mestrado em Ciências em Engenharia Química) Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, 2005. Disponível em:
https://cursos.ufrrj.br/posgraduacao/ppgeq/files/2019/08/Disserta%C3%A7%C3%A3o_
Adelson.pdf . Acesso em: 03 nov. 2021

MOTTA, C. F. Caracterização da condutividade térmica, viscosidade dinâmica e


ângulo de contato de nanofluidos baseados em partículas de alumina-gama em
água. 2012. 102 p. Tese (Mestrado em Engenharia Mecânica). Universidade de São
Paulo, São Carlos, 2012. Disponível em:
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18147/tde-20062012-
161828/publico/Franciane.pdf. Acesso em: 03 nov. 2021

ÇENGEL, Yunus. UMA.; CIMBALA, John. M. Mecânica dos fluidos . Porto Alegre:
Grupo A, 2015. 9788580554915. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580554915/. Acesso em: 04 nov.
2021.

FONTANA, E. Determinação da Viscosidade de Fluidos Newtonianos. 2018. 9p.


Universidade Federal de Santa Catarina. Disponível em:
https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/56/o/FQExp_viscosidade.pdf. Acesso em 04 nov.
2021.

COSTA, Camila Moreira; NACCACHE, Monica Feijó; VARGES, Priscilla.


Caracterização reológica de fluidos complexos. Revista Brasileira de Iniciação
Científica, v. 4, n. 7, 2017.

BARBOSA, Alex Pablo Ferreira et al. Nova metodologia para calibração de


viscosímetros do tipo copo Ford. 2004.

DOS SANTOS, Mario A. Valença; COSTA, Waldir D. ISOLAMENTO DE POÇOS–


MISTURA ALTERNATIVA SEM AS LIMITAÇÕES DA PASTA COM CIMENTO
PURO. Águas Subterrâneas, 2008.

MACHADO, J. C.V. Reologia e escomamento de fluidos, ênfase na indústria do


petróleo. 1.a ed. Rio de Janeiro: Interciência. 2002.

ARDAKANI, H. A. et al. Thixotropic flow of toothpaste through extrusion dies.


Journal of Non-Newtonian Fluid Mechanics 166 (2011) 1262–1271.

MEZGER, T. G. Applied Rheology. 1st edition. Anton Paar GmgH. Austria. 191p. 2015

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