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LISTA DE EXERCÍCIOS 2 – APNPS HISTÓRIA II

( E ) da necessidade de controle dos brancos sobre a


QUESTÃO 1 população indígena, objetivando sua adaptação às
A história de São Paulo no século XVII se confunde exigências do trabalho regular.
com a história dos povos indígenas. Os índios não se
limitaram ao papel de tábula rasa dos missionários ou
vítimas passivas dos colonizadores. Foram QUESTÃO 3
participantes ativos e conscientes de uma história que Durante as obras relativas ao projeto urbanístico Porto
foi pouco generosa com eles. Maravilha, na zona portuária do Rio de Janeiro, foram
(Adaptado de John M. Monteiro, “Sangue Nativo”, encontradas, na escavação da área, as lajes de pedra
em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/cap do antigo Cais do Valongo. Esse cais de pedra foi
a/sangue-nativo. Acessado em 14/07/2013.) construído no local que era utilizado para o
Sobre a atuação dos indígenas no período colonial, desembarque de africanos escravizados desde o
pode-se afirmar que: século XVIII. Quase um quarto de todos os africanos
escravizados nas Américas chegou pelo Rio de
( A ) A escravidão foi por eles aceita, na expectativa Janeiro, podendo esta cidade ser considerada o maior
de sua proibição pela Coroa portuguesa, por pressão porto escravagista do mundo.
dos jesuítas. a) Considerando as atividades econômicas
( B ) Sua participação nos aldeamentos fez parte importantes do século XVIII que utilizavam
da integração entre os projetos religioso e bélico predominantemente mão de obra escravizada,
de domínio português, executados por jesuítas escreva, na legenda do mapa da página de respostas,
e bandeirantes. duas dessas atividades e as localize no mapa
( C ) A existência de alianças entre indígenas e utilizando os números I e II.
portugueses não exclui as rivalidades entre grupos
indígenas e entre os nativos e os europeus.
( D ) A adoção do trabalho remunerado dos indígenas
nos engenhos de São Vicente contrasta com as
práticas de trabalho escravo na Bahia e Pernambuco.

QUESTÃO 2 b) Indique dois motivos que explicam por que, no


A experiência que tenho de lidar com aldeias de Brasil, durante o período colonial, a mão de obra
diversas nações me tem feito ver, que nunca índio fez escravizada dos indígenas foi substituída pela mão de
grande confiança de branco e, se isto sucede com os obra escravizada dos africanos.
que estão já civilizados, como não sucederá o mesmo
com esses que estão ainda brutos.
NORONHA, M. Carta a J. Caldeira Brant. 2 jan.1751. QUESTÃO 4
Apud CHAIM, M. M. Aldeamentos indígenas Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado
(Goiás: 1749-1811). São Paulo: Nobel, Brasília: INL, porque padeceis em um modo muito semelhante o
1983 (adaptado). que o mesmo Senhor padeceu na sua cruz e em toda
Em 1749, ao separar-se de São Paulo, a capitania de a sua paixão. A sua cruz foi composta de dois
Goiás foi governada por D. Marcos de Noronha, que madeiros, e a vossa em um engenho é de três.
atendeu às diretrizes da política indigenista pombalina Também ali não faltaram as canas, porque duas vezes
que incentivava a criação de aldeamentos em função entraram na Paixão: uma vez servindo para o cetro de
escárnio, e outra vez para a esponja em que lhe
( A ) das constantes rebeliões indígenas contra os deram o fel. A Paixão de Cristo parte foi de noite sem
brancos colonizadores, que ameaçavam a produção dormir, parte foi de dia sem descansar, e tais são as
de ouro nas regiões mineradoras. vossas noites e os vossos dias. Cristo despido, e vós
( B ) da propagação de doenças originadas do despidos; Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em
contato com os colonizadores, que dizimaram boa tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros,
parte da população indígena. as prisões, os açoites, as chagas, os nomes
( C ) do empenho das ordens religiosas em proteger o afrontosos, de tudo isto se compõe a vossa imitação,
indígena da exploração, o que garantiu a sua que, se for acompanhada de paciência, também terá
supremacia na administração colonial. merecimento de martírio.
( D ) da política racista da Coroa Portuguesa, VIEIRA, A. Sermões. Tomo XI. Porto: Lello e Irmão,
contrária à miscigenação, que organizava a sociedade 1951 (adaptado). O trecho do sermão do Padre
em uma hierarquia dominada pelos brancos. Antônio Vieira estabelece
O trecho do sermão do Padre Antônio Vieira
estabelece uma relação entre a Paixão de Cristo e

( A ) a atividade dos comerciantes de açúcar nos


portos brasileiros.
( B ) a função dos mestres de açúcar durante a safra
de cana.
( C ) o sofrimento dos jesuítas na conversão dos
ameríndios.
( D ) o papel dos senhores na administração dos
engenhos.
( E ) o trabalho dos escravos na produção de açúcar.

QUESTÃO 5
“Quando os portugueses começaram a povoar a
terra, havia muitos destes índios pela costa junto
das Capitanias. Porque os índios se levantaram contra
os portugueses, os governadores e capitães os
destruíram pouco a pouco, e mataram muitos deles.
Outros fugiram para o sertão, e assim ficou a costa
despovoada de gentio ao longo das Capitanias. Junto
delas ficaram alguns índios em aldeias que são de paz
e amigos dos portugueses.”
(Pero de Magalhães Gandavo, Tratado da Terra do
Brasil,
em http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/ganda1
.html. Acessado em 20/08/2012.)
Conforme o relato de Pero de Gandavo, escrito por
volta de 1570, naquela época,

( A ) as aldeias de paz eram aquelas em que a


catequese jesuítica permitia o sincretismo religioso
como forma de solucionar os conflitos entre indígenas
( A ) Os donatários eram impedidos pela Coroa
e portugueses.
Portuguesa de vender suas terras. A Lei de Terras
( B ) a violência contra os indígenas foi exercida com
definiu que as terras públicas poderiam tornar-se
o intuito de desocupar o litoral e facilitar a
propriedade privada somente pela compra.
circulação do ouro entre as minas e os portos.
( B ) Os donatários se isentavam da defesa de suas
( C ) a fuga dos indígenas para o interior era uma
terras, convocando o poder real para fazê-la. Com a
reação às perseguições feitas pelos portugueses
vinda dos imigrantes, a Lei de Terras possibilitou a
e ocasionou o esvaziamento da costa.
apropriação aos desprovidos de recursos.
( D ) houve resistência dos indígenas à
( C ) Os recursos empregados pelos donatários
presença portuguesa de forma semelhante às
viabilizaram o pleno sucesso do modelo das
descritas por Pero Vaz de Caminha, em 1500.
capitanias. Com a Lei de Terras, expandiu-se o
domínio do setor industrial pelo monopólio do poder
econômico.
QUESTÃO 6 ( D ) O sistema de capitanias vigorou até o século XIX
Observe as figuras 1 e 2 a seguir e responda: quando aconteceram as insurreições do Maranhão e
A colonização no Brasil pela coroa portuguesa teve da Bahia. A Lei de Terras impediu que a mão de obra
sua origem no sistema de Capitanias Hereditárias que livre pudesse se locomover para as atividades
definiu a propriedade e a posse das terras. No início industriais.
do século XIX, com a vinda de imigrantes europeus ( E ) A Coroa tinha o direito de confiscar todos os
para o Brasil, estabeleceu-se a Lei de Terras de 1850, metais preciosos extraídos das capitanias. A Lei de
com o intuito de normatizar a propriedade e o seu uso. Terras facilitou a ocupação ilegal e o arrendamento
Sobre o domínio de terras no Brasil, no contexto das das terras consideradas devolutas.
Capitanias Hereditárias e da Lei de 1850, assinale a
alternativa correta.
( C ) Transmitir o conhecimento dos indígenas sobre
QUESTÃO 7 o potencial econômico existente.
Se o açúcar do Brasil o tem dado a conhecer a todos ( D ) Realçar a pobreza dos habitantes nativos para
os reinos e províncias da Europa, o tabaco o tem feito demarcar a superioridade europeia.
muito afamado em todas as quatro partes do mundo, ( E ) Criticar o modo de vida dos povos autóctones
em as quais hoje tanto se deseja e com tantas para evidenciar a ausência de trabalho.
diligências e por qualquer via se procura. Há pouco
mais de cem anos que esta folha se começou a
plantar e beneficiar na Bahia [...] e, desta sorte, uma QUESTÃO 9
folha antes desprezada e quase desconhecida tem A experiência que tenho de lidar com aldeias de
dado e dá atualmente grandes cabedais aos diversas nações me tem feito ver, que nunca índio fez
moradores do Brasil e incríveis emolumentos aos grande confiança de branco e, se isto sucede com os
Erários dos príncipes. que estão já civilizados, como não sucederá o mesmo
André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil com esses que estão ainda brutos.
por suas drogas e minas. São Paulo: EDUSP, 2007. NORONHA, M. Carta a J. Caldeira Brant. 2 jan.1751.
Adaptado. Apud CHAIM, M. M. Aldeamentos indígenas
O texto acima, escrito por um padre italiano em 1711, (Goiás: 1749-1811). São Paulo: Nobel, Brasília: INL,
revela que 1983 (adaptado).
Em 1749, ao separar-se de São Paulo, a capitania de
( A ) o ciclo econômico do tabaco, que foi anterior ao Goiás foi governada por D. Marcos de Noronha, que
do ouro, sucedeu o da cana-de-açúcar. atendeu às diretrizes da política indigenista pombalina
( B ) todo o rendimento do tabaco, a exemplo do que que incentivava a criação de aldeamentos em função
ocorria com outros produtos, era direcionado à
metrópole ( A ) das constantes rebeliões indígenas contra os
( C ) não se pode exagerar quanto à lucratividade brancos colonizadores, que ameaçavam a produção
propiciada pela cana-de-açúcar, já que a do tabaco, de ouro nas regiões mineradoras.
desde seu início, era maior ( B ) da propagação de doenças originadas do
( D ) os europeus, naquele ano, já conheciam contato com os colonizadores, que dizimaram boa
plenamente o potencial econômico de suas colônias parte da população indígena.
americanas ( C ) do empenho das ordens religiosas em proteger o
( E ) a economia colonial foi marcada pela indígena da exploração, o que garantiu a sua
simultaneidade de produtos, cuja lucratividade se supremacia na administração colonial.
relacionava com sua inserção em mercados ( D ) da política racista da Coroa Portuguesa,
internacionais contrária à miscigenação, que organizava a sociedade
em uma hierarquia dominada pelos brancos.
( E ) da necessidade de controle dos brancos sobre a
QUESTÃO 8 população indígena, objetivando sua adaptação às
De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e exigências do trabalho regular.
muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar,
muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos
ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito QUESTÃO 10
longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja O que queremos destacar com isso é que o tráfico
ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; atlântico tendia a reforçar a natureza mercantil da
nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons sociedade colonial: apesar das intenções
ares [...]. Porém o melhor fruto que dela se pode tirar aristocráticas da nobreza da terra, as fortunas
me parece que será salvar esta gente. senhoriais podiam ser feitas e desfeitas facilmente. Ao
Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A.; mesmo tempo, observa-se a ascensão dos grandes
BERUTTI, F.; FARIA, R. História moderna através negociantes coloniais, fornecedores de créditos e
de textos. São Paulo: Contexto, 2001. escravos à agricultura de exportação e às demais
A carta de Pero Vaz de Caminha permite entender o atividades econômicas. Na Bahia, desde o final do
projeto colonizador para a nova terra. Nesse trecho, o século XVII, e no Rio de Janeiro, desde pelo menos o
relato enfatiza o seguinte objetivo: início do século XVIII, o tráfico atlântico de escravos
passou a ser controlado pelas comunidades mercantis
( A ) Valorizar a catequese a ser realizada sobre os locais (...).
povos nativos. (João Fragoso et alli. A economia colonial brasileira
( B ) Descrever a cultura local para enaltecer a (séculos XVI-XIX), 1998)
prosperidade portuguesa. O texto permite inferir que
( A ) o tráfico atlântico de escravos prejudicou a toma o maço, e o cinzel na mão, e começa a formar
economia colonial brasileira porque uma enorme um homem, primeiro membro a membro, e depois
quantidade de capitais, oriunda da produção feição por feição, até a mais miúda: ondeia-lhe os
agroindustrial, era remetida para a África e para cabelos, alisa-lhe a testa, rasga-lhe os olhos, afia-lhe
Portugal. o nariz, abrelhe a boca, avulta-lhe as faces, torneia-lhe
( B ) as transações comercias envolvendo a África e a o pescoço, estende-lhe os braços, espalma-lhe as
América portuguesa deveriam, necessariamente, mãos, divide-lhe os dedos, lança-lhe os vestidos: aqui
passar pelas instâncias governamentais da Metrópole, desprega, ali arruga, acolá recama: e fica um homem
condição típica do sistema colonial. perfeito, e talvez um santo, que se pode pôr no altar.”
( C ) a monopolização do tráfico negreiro nas mãos Antônio Vieira. Sermões. Porto: Lello e Irmão, 1959.
de comerciantes encareceu essa mão de obra e O texto, escrito no século XVII, pode ser interpretado
atrasou o desenvolvimento das atividades como
manufatureiras nas regiões mais ricas da América ( A ) o reconhecimento da humanidade intrínseca dos
portuguesa. indígenas e africanos, que deveriam possuir os
( D ) as rivalidades econômicas e políticas entre mesmos direitos dos europeus.
fidalgos e burgueses, no espaço colonial, impediram o ( B ) uma analogia entre o trabalho de evangelização
crescimento mais acelerado da produção de outras desenvolvido nas colônias e a criação do homem por
mercadorias além do açúcar e do tabaco. Deus.
( E ) nem todos os fluxos econômicos, durante o ( C ) a exigência da escravização dos indígenas que,
processo de colonização portuguesa na América, através do trabalho forçado, poderiam alcançar a
eram controlados pela Coroa portuguesa, revelando salvação eterna.
uma certa autonomia das elites coloniais em relação à ( D ) um discurso contra o trabalho desenvolvido nas
burguesia metropolitana. missões jesuíticas implantadas pelos europeus nas
colônias americanas.

QUESTÃO 11
Os estudos históricos por muito tempo explicaram as QUESTÃO 13
relações entre Portugal e Brasil por meio da noção de A colonização, apesar de toda violência e disrupção,
pacto colonial ou exclusivo comercial. Sobre esse não excluiu processos de reconstrução e recriação
conceito, é correto afirmar que: cultural conduzidos pelos povos indígenas. É um erro
comum crer que a história da conquista representa,
( A ) Trata-se de uma característica central do para os índios, uma sucessão linear de perdas em
sistema colonial moderno e um elemento constitutivo vidas, terras e distintividade cultural. A cultura
das práticas mercantilistas do Antigo Regime, que xinguana – que aparecerá para a nação brasileira nos
considera fundamental a dinâmica interna da anos 1940 como símbolo de uma tradição estática,
economia colonial. original e intocada – é, ao inverso, o resultado de uma
( B ) Definia-se por um sistema baseado em dois história de contatos e mudanças, que tem início no
polos: um centro de decisão, a metrópole, e outro século X d.C. e continua até hoje.
subordinado, a colônia. Esta submetia-se à primeira Carlos Fausto. Os índios antes do Brasil. Rio de
através de uma série de mecanismos político- Janeiro: Zahar, 2005.
institucionais. Com base no trecho acima, é correto afirmar que
( C ) Em mais de uma ocasião, os colonos
reclamaram e foram insubordinados diante do pacto ( A ) o processo colonizador europeu não foi violento
colonial, ao exigirem sua presença e atuação nas como se costuma afirmar, já que ele preservou e até
Cortes dos reis ou ao pedirem a presença do Marquês mesmo valorizou várias culturas indígenas
de Pombal na colônia. ( B ) várias culturas indígenas resistiram e
( D ) A noção de pacto colonial é um projeto sobreviveram, mesmo com alterações, ao processo
embrionário de Estado que acomodava as tensões colonizador europeu, como a xinguana
surgidas entre os interesses metropolitanos e ( C ) a cultura indígena, extinta graças ao processo
coloniais, ao privilegiar as experiências do “viver em colonizador europeu, foi recriada de modo mitológico
colônia”. no Brasil dos anos 1940
( D ) a cultura xinguana, ao contrário de outras
culturas indígenas, não foi afetada pelo processo
QUESTÃO 12 colonizador europeu
“Concedo-vos que esse índio bárbaro e rude seja uma ( E ) não há relação direta entre, de um lado, o
pedra: vede o que faz em uma pedra a arte. Arranca o processo colonizador europeu e, de outro, a
estatuário uma pedra dessas montanhas, tosca, bruta, mortalidade indígena e a perda de sua identidade
dura, informe, e depois que desbastou o mais grosso, cultural.
também é muito necessário para a terra, outros usam
QUESTÃO 14 de navios que andam buscando mantimentos e
O índio era o único elemento então disponível para tratando pela terra conforme ao regimento que tenho
ajudar o colonizador como agricultor, pescador, guia, posto, outros são mestres de engenhos, outros
conhecedor da natureza tropical e, para tudo isso, mestres de açúcares, carpinteiros, ferreiros, oleiros e
deveria ser tratado como gente, ter reconhecidas sua oficiais de fôrmas e sinos para os açúcares e outros
inocência e alma na medida do possível. A discussão oficiais que ando trabalhando e gastando o meu por
religiosa e jurídica em torno dos limites da adquirir para a terra, e os mando buscar em Portugal,
liberdade dos índios se confundiu com uma disputa na Galiza e nas Canárias às minhas custas, além de
entre jesuítas e colonos. Os padres se apresentavam alguns que os que vêm fazer os engenhos trazem, e
como defensores da liberdade, enfrentando a cobiça aqui moram e povoam, uns solteiros e outros casados,
desenfreada dos colonos. e outros que cada dia caso e trabalho por casar na
CALDEIRA, J. A nação mercantilista. São Paulo: terra.”
Editora 34, 1999 (adaptado). Gonsalves de Mello e Albuquerque. Cartas de Duarte
Coelho a El Rei. Recife: Fundação Joaquim Nabuco,
Entre os séculos XVI e XVIII, os jesuítas buscaram a 1997, p. 114.
conversão dos indígenas ao catolicismo. Essa A carta, enviada pelo donatário de Pernambuco ao rei
aproximação dos jesuítas em relação ao mundo de Portugal em 1549, mostra que os
indígena foi mediada pela
( A ) colonos exerciam diversas atividades produtivas
(A) demarcação do território indígena. no Brasil colonial, o que gerava a presença de muitos
(B) manutenção da organização familiar. trabalhadores livres sob a ordem escravocrata. .
(C) valorização dos líderes religiosos indígenas. ( B ) escravos desempenhavam todas as atividades
(D) preservação do costume das moradias coletivas. produtivas no Brasil colonial, o que permitia aos
(E) comunicação pela língua geral baseada no tupi. colonos portugueses o desfrute do ócio e o
enriquecimento rápido.
QUESTÃO 15 ( C ) senhores de engenho controlavam todas as
relações de trabalho e de produção no Brasil colonial,
Seguiam-se vinte criados custosamente vestidos e
o que impedia que a Corte portuguesa lucrasse
montados em soberbos cavalos; depois destes,
efetivamente com a empresa colonizadora.
marchava o Embaixador do Rei do Congo
( D ) nobres portugueses eram os donatários das
magnificamente ornado de seda azul para anunciar ao
principais capitanias no Brasil colonial, o que limitava
Senado que a vinda do Rei estava destinada para o
a ascensão social dos escravos alforriados
dia dezesseis. Em resposta obteve repetidas vivas do
povo que concorreu alegre e admirado de tanta
grandeza. QUESTÃO 17
Coroação do Rei do Congo em Santo Amaro, “O Descobrimento da América, no quadro da
Bahia apud DEL PRIORE, M. Festas e utopias no expansão marítima europeia, deu lugar à unificação
Brasil colonial. In: CATELLI JR., R. Um olhar sobre microbiana do mundo. No troca-troca de vírus,
as festas populares brasileiras. São Paulo: bactérias e bacilos com a Europa, África e Ásia, os
Brasiliense, 1994 (adaptado). nativos da América levaram a pior. Dentre as doenças
Originária dos tempos coloniais, a festa da Coroação que maior mortandade causaram nos ameríndios
do Rei do Congo evidencia um processo de estão as 'bexigas', isto é, a varíola, a varicela e a
rubéola (vindas da Europa), a febre amarela (da
(A) exclusão social. África) e os tipos mais letais de malária (da Europa
(B) imposição religiosa. mediterrânica e da África). Já a América estava
(C) acomodação política. infectada pela hepatite, certos tipos de tuberculose,
(D) supressão simbólica. encefalite e pólio. Mas o melhor 'troco' patogênico que
(E) ressignificação cultural. os ameríndios deram nos europeus foi a sífilis
venérea, verdadeira vingança que os vencidos da
QUESTÃO 16 América injetaram no sangue dos conquistadores.
Traços do trauma provocado por essas doenças
Leia o texto abaixo para responder à questão.
parecem ter-se cristalizado na mitologia indígena.
“Entre todos os moradores e povoadores uns fazem
Quatro entidades maléficas se destacavam na religião
engenhos de açúcar porque são poderosos para isso,
tupi no final do Quinhentos: Taguaigba ('Fantasma
outros canaviais, outros algodoais, outros
ruim'), Macacheira ou Mocácher ('O que faz a gente se
mantimentos, que é a principal e mais necessária
perder'), Anhanga ('O que encesta a gente') e
cousa para a terra, outros usam de pescar, que
Curupira ('O coberto de pústulas'). É razoável supor
que o curupira tenha surgido no imaginário tupi após o ( A ) tentativa de descobrir formas de cura para
choque microbiano das primeiras décadas da doenças até então desconhecidas pela população
descoberta.” nativa.
Luiz Felipe de Alencastro. “Índios perderam a ( B ) narrativa voltada a assustar as crianças, que
guerra bacteriológica”. Folha de S. Paulo, associavam as doenças aos conquistadores vindos da
12.10.1991, p. 7. Adaptado. Europa.
O texto expõe uma das características mais ( C ) disposição de analisar e compreender, de forma
importantes da expansão marítima europeia dos lógica e racional, a relação entre vencidos e
séculos XV e XVI, conquistadores.
( D ) representação simbólica da mortandade
( A ) seu esforço saneador, que garantiu o acesso provocada pelas doenças pustulentas trazidas pelos
das populações americana, asiática e africana aos conquistadores.
avanços técnicos europeus.
( B ) sua dimensão eurocêntrica, que assegurou uma
dominação pacífica da América e da África pelos
QUESTÃO 19
conquistadores europeus. [Os tupinambás] têm muita graça quando falam [...];
( C ) seu caráter globalizador, que permitiu articular mas faltam-lhe três letras das do ABC, que são F, L, R
os continentes, estabelecendo maior circulação de grande ou dobrado, coisa muito para se notar; porque,
pessoas e mercadorias. se não têm F, é porque não têm fé em nenhuma coisa
( D ) sua concepção lógica, que orientou o que adoram; nem os nascidos entre os cristãos e
planejamento minucioso da conquista, evitando que os doutrinados pelos padres da Companhia têm fé em
europeus enfrentassem imprevistos. Deus Nosso Senhor, nem têm verdade, nem lealdade
a nenhuma pessoa que lhes faça bem. E se não têm
L na sua pronunciação, é porque não têm lei alguma
QUESTÃO 18 que guardar, nem preceitos para se governarem; e
“O Descobrimento da América, no quadro da cada um faz lei a seu modo, e ao som da sua vontade;
expansão marítima europeia, deu lugar à unificação sem haver entre eles leis com que se governem, nem
microbiana do mundo. No troca-troca de vírus, têm leis uns com os outros. E se não têm esta letra R
bactérias e bacilos com a Europa, África e Ásia, os na sua pronunciação, é porque não têm rei que
nativos da América levaram a pior. Dentre as doenças os reja, e a quem obedeçam, nem obedecem a
que maior mortandade causaram nos ameríndios ninguém, nem ao pai o filho, nem o filho ao pai, e cada
estão as 'bexigas', isto é, a varíola, a varicela e a um vive ao som da sua vontade [...].
rubéola (vindas da Europa), a febre amarela (da (Gabriel Soares de Souza. Tratado descritivo do Brasil em 1587, 1987.)
África) e os tipos mais letais de malária (da Europa
mediterrânica e da África). Já a América estava Os comentários de Gabriel Soares de Souza expõem
infectada pela hepatite, certos tipos de tuberculose,
encefalite e pólio. Mas o melhor 'troco' patogênico que ( A ) a dificuldade dos colonizadores de reconhecer
os ameríndios deram nos europeus foi a sífilis as peculiaridades das sociedades nativas.
venérea, verdadeira vingança que os vencidos da ( B ) o desejo que os nativos sentiam de receber
América injetaram no sangue dos conquistadores. orientações políticas e religiosas dos colonizadores.
Traços do trauma provocado por essas doenças ( C ) a inferioridade da cultura e dos valores dos
parecem ter-se cristalizado na mitologia indígena. portugueses em relação aos dos tupinambás.
Quatro entidades maléficas se destacavam na religião ( D ) a ausência de grupos sedentários nas Américas
tupi no final do Quinhentos: Taguaigba ('Fantasma e a missão civilizadora dos portugueses.
ruim'), Macacheira ou Mocácher ('O que faz a gente se ( E ) o interesse e a disposição dos europeus de
perder'), Anhanga ('O que encesta a gente') e aceitar as características culturais dos tupinambás.
Curupira ('O coberto de pústulas'). É razoável supor
que o curupira tenha surgido no imaginário tupi após o
choque microbiano das primeiras décadas da
QUESTÃO 20
descoberta.” O comércio foi de fato o nervo da colonização do
Luiz Felipe de Alencastro. “Índios perderam a Antigo Regime, isto é, para incrementar as atividades
guerra bacteriológica”. Folha de S. Paulo, mercantis processava-se a ocupação, povoamento e
12.10.1991, p. 7. Adaptado. valorização das novas áreas. E aqui ressalta de novo
O texto sugere que o surgimento do Curupira, no o sentido da colonização da época Moderna; indo em
imaginário tupi do final do século XVI, pode ser curso na Europa a expansão da economia de
explicado como uma mercado, com a mercantilização crescente dos vários
setores produtivos antes à margem da circulação
de mercadorias – a produção colonial era uma
produção mercantil, ligada às grandes linhas do tráfico ( E ) ao respeito por Deus, à obediência aos pais e à
internacional. aceitação dos estrangeiros.
(Fernando A. Novais. Portugal e Brasil na crise do
Antigo Sistema Colonial (1777-1808), 1981.
Adaptado.)
QUESTÃO 22
O mecanismo principal da colonização foi o comércio Prova da barbárie e, para alguns, da natureza não
entre colônia e metrópole, fato que se manifesta humana do ameríndio, a antropofagia condenava as
tribos que a praticavam a sofrer pelas armas
( A ) na ampliação do movimento de integração portuguesas a “guerra justa”.
econômica europeia por meio do amplo acesso de Nesse contexto, um dos autores renascentistas que
outras potências aos mercados coloniais. escreveram sobre o Brasil, o calvinista francês Jean
( B ) na ausência de preocupações capitalistas por de Léry, morador do atual Rio de Janeiro na segunda
parte dos colonos, que preferiam manter o modelo metade da dé- cada de 1550 e quase vítima dos
feudal e a hegemonia dos senhores de terras. massacres do Dia de São Bartolomeu (24.08.1572),
( C ) nas críticas das autoridades metropolitanas à ponto alto das guerras de religião na França, compara
persistência do escravismo, que impedia a ampliação a violência dos tupinambás com a dos católicos
do mercado consumidor na colônia. franceses que naquele dia fatídico trucidaram e, em
( D ) no desinteresse metropolitano de ocupar as alguns casos, devoraram seus compatriotas
novas terras conquistadas, limitando-se à exploração protestantes:
imediatista das riquezas encontradas. “E o que vimos na França (durante o São
( E ) no condicionamento político, demográfico e Bartolomeu)? Sou francês e pesa-me dizê-lo. O fígado
econômico dos espaços coloniais, que deveriam gerar e o coração e outras partes do corpo de alguns
lucros para as economias metropolitanas. indivíduos não foram comidos por furiosos assassinos
de que se horrorizam os infernos? Não é preciso ir à
América, nem mesmo sair de nosso país, para ver
QUESTÃO 21 coisas tão monstruosas”.
[Os tupinambás] têm muita graça quando falam [...]; (Luís Felipe Alencastro. “Canibalismo deu pretexto
mas faltam-lhe três letras das do ABC, que são F, L, R para escravizar”. Folha de S.Paulo, 12.10.1991.
grande ou dobrado, coisa muito para se notar; porque, Adaptado.)
se não têm F, é porque não têm fé em nenhuma coisa A partir do texto e de seus conhecimentos, é correto
que adoram; nem os nascidos entre os cristãos e afirmar que
doutrinados pelos padres da Companhia têm fé em
Deus Nosso Senhor, nem têm verdade, nem lealdade ( A ) as experiências de canibalismo relatadas tinham
a nenhuma pessoa que lhes faça bem. E se não têm significados opostos, pois representavam, entre os
L na sua pronunciação, é porque não têm lei alguma tupinambás, a rejeição ao catolicismo e, entre os
que guardar, nem preceitos para se governarem; e franceses, a adesão à Igreja de Roma.
cada um faz lei a seu modo, e ao som da sua vontade; ( B ) o calvinista francês acusava os colonizadores
sem haver entre eles leis com que se governem, nem portugueses de aceitar o canibalismo dos tupinambás,
têm leis uns com os outros. E se não têm esta letra R pois a prática fazia parte da tradição religiosa católica.
na sua pronunciação, é porque não têm rei que ( C ) o calvinista francês defendia a tolerância ao
os reja, e a quem obedeçam, nem obedecem a canibalismo, pois o considerava uma forma adequada
ninguém, nem ao pai o filho, nem o filho ao pai, e cada de derrotar e submeter os inimigos religiosos.
um vive ao som da sua vontade [...]. ( D ) as experiências de canibalismo relatadas tinham
(Gabriel Soares de Souza. Tratado descritivo do Brasil em 1587, 1987.) origem diversa, pois representavam, entre os
O texto destaca três elementos que o autor considera tupinambás, um ritual religioso e, no caso dos
inexistentes entre os tupinambás, no final do século franceses, vingança.
XVI. Esses três elementos podem ser associados, ( E ) as experiências de canibalismo relatadas
respectivamente, mostram que a antropofagia era prática religiosa
comum na América e na Europa e, em virtude disso,
( A ) à diversidade religiosa, ao poder judiciário e às os colonizadores erravam ao condenar os tupinambás.
relações familiares.
( B ) à fé religiosa, à ordenação jurídica e à hierarquia
política.
QUESTÃO 23
( C ) ao catolicismo, ao sistema de governo e ao O Brasil colonial foi organizado como uma empresa
respeito pelos diferentes. comercial resultante de uma aliança entre a
( D ) à estrutura política, à anarquia social e ao burguesia mercantil, a Coroa e a nobreza. Essa
desrespeito familiar. aliança refletiu-se numa política de terras que
incorporou concepções rurais tanto feudais como Coroa, quanto a orientação principal do uso da terra
mercantis. para a monocultura exportadora.
(Emília Viotti da Costa. Da Monarquia à República, 1987.) ( D ) garantiu tanto a prevalência da agricultura de
A afirmação de que “O Brasil colonial foi organizado subsistência, quanto a difusão, na região amazônica
como uma empresa comercial resultante de e nas áreas centrais da colônia, das práticas da
uma aliança entre a burguesia mercantil, a Coroa e a pecuária e da agricultura de exportação.
nobreza” indica que a colonização portuguesa do ( E ) assegurou tanto o predomínio do minifúndio no
Brasil Nordeste brasileiro, quanto uma regular distribuição de
terras entre camponeses no Centro-Sul, com o
( A ) desenvolveu-se de forma semelhante às objetivo de estimular a agricultura de exportação.
colonizações espanhola e britânica nas Américas, ao
evitar a exploração sistemática das novas terras e
privilegiar os esforços de ocupação e povoamento.
QUESTÃO 25
( B ) implicou um conjunto de articulações políticas e O conceito de “guerra justa” foi empregado, durante a
sociais, que derivavam, entre outros fatores, do colonização portuguesa do Brasil, para
exercício do domínio político pela metrópole e de uma
política de concessões de privilégios e ( A ) justificar a captura, o aprisionamento e a
vantagens comerciais. escravização de indígenas.
( C ) alijou, do processo colonizador, os setores ( B ) justificar a instalação de missões jesuíticas em
populares, que foram impedidos de se transferir para a áreas de colonização francesa.
colônia e não puderam, por isso, aproveitar as novas ( C ) impedir a prisão e o exílio de lideranças e
oportunidades de emprego que se abriam. comunidades nativas hostis à colonização.
( D ) incorporou as diversas classes sociais existentes ( D ) impedir o acesso de protestantes e judeus às
em Portugal, que mantiveram, nas terras coloniais, áreas de produção de açúcar.
os mesmos direitos políticos e trabalhistas de que ( E ) impedir que os nativos fossem utilizados como
desfrutavam na metrópole. mão de obra na lavoura.
( E ) alterou as relações políticas dentro de Portugal,
pois provocou o aumento da participação dos
burgueses nos assuntos nacionais e eliminou a
QUESTÃO 26
De ponta a ponta, é tudo praia-palma, muito chã e
influência da aristocracia palaciana sobre o rei.
muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar,
muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos
QUESTÃO 24 ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito
O Brasil colonial foi organizado como uma empresa longa. Nela, até agora, não pudemos saber que haja
comercial resultante de uma aliança entre a ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro;
burguesia mercantil, a Coroa e a nobreza. Essa nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons
aliança refletiu-se numa política de terras que ares [...]. Porém o melhor fruto que dela se pode tirar
incorporou concepções rurais tanto feudais como me parece que será salvar esta gente.
mercantis. Carta de Pero Vaz de Caminha. In: MARQUES, A.;
(Emília Viotti da Costa. Da Monarquia à República, 1987.)
BERUTTI, F.; FARIA, R. História moderna através
A constatação de que “Essa aliança refletiu-se numa de textos. São Paulo: Contexto, 2001.
política de terras que incorporou concepções A carta de Pero Vaz de Caminha permite entender o
rurais tanto feudais como mercantis” justifica-se, pois projeto colonizador para a nova terra. Nesse trecho, o
a política de terras desenvolvida por Portugal durante relato enfatiza o seguinte objetivo:
a colonização brasileira
( A ) Valorizar a catequese a ser realizada sobre os
( A ) permitiu tanto o surgimento de uma ampla povos nativos.
camada de pequenos proprietários, cuja produção se ( B ) Descrever a cultura local para enaltecer a
voltava para o mercado interno, quanto a prosperidade portuguesa.
implementação de sólidas parcerias comerciais com o ( C ) Transmitir o conhecimento dos indígenas sobre
restante da América. o potencial econômico existente.
( B ) determinou tanto uma rigorosa hierarquia ( D ) Realçar a pobreza dos habitantes nativos para
nobiliárquica nas terras coloniais, quanto o confisco demarcar a superioridade europeia.
total e imediato das terras comunais cultivadas por ( E ) Criticar o modo de vida dos povos autóctones
grupos indígenas ao longo do litoral brasileiro. para evidenciar a ausência de trabalho.
( C ) envolveu tanto a cessão vitalícia do usufruto de
terras que continuavam a ser propriedades da
unificação, Portugal também adotou uma ação
QUESTÃO 27 expansionista.
TEXTO I II. Roma, além de conquistar territórios para o seu
Documentos do século XVI algumas vezes se referem desenvolvimento econômico, também procurava criar
aos habitantes indígenas como “os brasis”, ou “gente um grande Império, aumentando sua supremacia em
brasília” e, ocasionalmente no século XVII, o termo todo Oriente e Ocidente. Da mesma forma, Portugal,
“brasileiro” era a eles aplicado, mas as referências ao com o início do processo de expansão marítima, no
status econômico e jurídico desses eram muito mais século XIV, almejava criar uma grande nação
populares. Assim, os termos “negro da terra” e “índios” ultramarina, restaurando o antigo Império Romano.
eram utilizados com mais frequência do que qualquer III. O processo português de colonização correspondia
outro. ao modelo mercantilista europeu, no qual a exploração
SCHWARTZ, S. B. Gente da terra braziliense da das colônias objetivava enriquecer a metrópole, sem a
nação. Pensando o Brasil: a construção de um povo. preocupação de desenvolvê-las. No caso romano,
In: MOTA, C. G. (Org.).Viagem incompleta: a além da necessidade econômica, visando manter o
experiência brasileira (1500-2000). São Paulo: Senac, escravismo, almejavam criar um grande Império,
2000 (adaptado). possibilitando que seus habitantes pudessem se
TEXTO II tornar cidadãos de Roma.
Índio é um conceito construído no processo de Assinale a alternativa correta.
conquista da América pelos europeus.
Desinteressados pela diversidade cultural, imbuídos (A) Somente a I está correta.
de forte preconceito para com o outro, o indivíduo de (B) Somente a II está correta.
outras culturas, espanhóis, portugueses, franceses e (C) Somente a III está correta.
anglo-saxões terminaram por denominar da mesma (D) Somente a I e a II estão corretas.
forma povos tão díspares quanto os tupinambás e os (E) Somente a II e a III estão corretas.
astecas.
SILVA, K. V.; SILVA, M. H. Dicionário de conceitos
históricos. São Paulo: Contexto, 2005. QUESTÃO 29
Ao comparar os textos, as formas de designação dos A população indígena brasileira aumentou 150% na
grupos nativos pelos europeus, durante o período década de 1990, passando de 294 mil pessoas para
analisado, são reveladoras da 734 mil, de acordo com uma pesquisa divulgada pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
( A ) concepção idealizada do território, entendido O crescimento médio anual foi de 10,8%, quase seis
como geograficamente indiferenciado. vezes maior do que o da população brasileira em
( B ) percepção corrente de uma ancestralidade geral.
comum às populações ameríndias. http://webradiobrasilindigena.wordpress.com,
( C ) compreensão etnocêntrica acerca das 21/11/2007.
populações dos territórios conquistados. A notícia acima apresenta
( D ) transposição direta das categorias originadas no
imaginário medieval. ( A ) dado pouco relevante, já que a maioria das
( E ) visão utópica configurada a partir de fantasias de populações indígenas do Brasil encontra-se em fase
riqueza. de extinção, não subsistindo, inclusive, mais nenhuma
população originária dos tempos da colonização
portuguesa da América.
QUESTÃO 28 ( B ) discrepância em relação a uma forte tendência
Ao longo de toda a História, a formação de colônias histórica observada no Brasil, desde o século XVI,
permitiu que a espécie humana pudesse se distribuir mas que não é uniforme e absoluta, já que nas últimas
pelo mundo. Contudo, o crescimento populacional e décadas não apenas tais populações indígenas têm
econômico, verificado em algumas civilizações, crescido, mas também o próprio número de indivíduos
determinou um novo tipo de colonização, que passou que se autodenominam indígenas.
a ter o caráter de dominação e conquista territorial. Ao ( C ) um consenso em torno do reconhecimento da
compararmos o processo de colonização romana com importância dos indígenas para o conjunto da
o português, fazem-se as seguintes afirmações: população brasileira, que se revela na valorização
I. O sucesso em superar suas lutas sociais internas histórica e cultural que tais elementos sempre
possibilitou aos romanos implantar o regime de mereceram das instituições nacionais.
império, implicando uma ação conquistadora, que, ( D ) resultado de políticas públicas que provocaram o
graças à ação do exército, levou à incorporação de fim dos conflitos entre os habitantes de reservas
novas regiões. Da mesma forma, após sucessivas indígenas e demais agentes sociais ao seu redor,
guerras religiosas internas, para conquistar sua como proprietários rurais e pequenos trabalhadores.
( E ) natural continuidade da tendência observada João III, escrita em Paris, em 17/02/1538. Seu
desde a criação das primeiras políticas conteúdo mostra
governamentais de proteção às populações indígenas,
no começo do século XIX, que permitiram a reversão ( A ) a persistência dos ataques franceses contra a
do anterior quadro de extermínio observado até América, que Portugal vinha tentando colonizar de
aquele momento. modo efetivo desde a adoção do sistema de
capitanias hereditárias.
( B ) os primórdios da aliança que logo se
QUESTÃO 30 estabeleceria entre as Coroas de Portugal e da França
e que visava a combater as pretensões expansionistas
Eu por vezes tenho dito a V. A. aquilo que me parecia
da Espanha na América.
acerca dos negócios da França, e isto por ver por
( C ) a preocupação dos jesuítas portugueses com a
conjecturas e aparências grandes aquilo que podia
expansão de jesuítas franceses, que, no Brasil,
suceder dos pontos mais aparentes, que consigo
vinham exercendo grande influência sobre as
traziam muito prejuízo ao estado e aumento dos
populações nativas.
senhorios de V. A. E tudo se encerrava em vós,
( D ) o projeto de expansão territorial português na
Senhor, trabalhardes com modos honestos de fazer
Europa, o qual, na época da carta, visava à
que esta gente não houvesse de entrar nem possuir
dominação de territórios franceses tanto na Europa
coisa de vossas navegações, pelo grandíssimo dano
quanto na América.
que daí se podia seguir.
( E ) a manifestação de um conflito entre a recém-
Serafim Leite. Cartas dos primeiros jesuítas do
criada ordem jesuíta e a Coroa portuguesa em torno
Brasil, 1954.
do combate à pirataria francesa.
O trecho acima foi extraído de uma carta dirigida pelo
padre jesuíta Diogo de Gouveia ao Rei de Portugal D.

GABARITO 10) E
11) B
1) C 12) B
2) E 13) B
14) E
15) E
16) A
17) C
18) D
19) A
20) E
21) B
22) D
23) B
24) C
25) A
26) A
3) 27) C
4) E
28) C
5) C
29) B
6) A
30) A
7) E
8) A
9) E

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