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CENTRO UNIVESITÁRIO FACULDADES ATIBAIA – UNIFAAT

SUZANA AMARAL REZENDE FERRAZ HOLZHAUSER

A RELAÇÃO TERAPÊUTICA NO ATENDIMENTO ONLINE NA


ABORDAGEM COGNITIVO COMPORTAMENTAL

ATIBAIA/SP
2020
SUZANA AMARAL REZENDE FERRAZ HOLZHAUSER

A RELAÇÃO TERAPÊUTICA NO ATENDIMENTO ONLINE NA


ABORDAGEM COGNITIVO COMPORTAMENTAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como


exigência parcial para obtenção do grau de Bacharel em
Psicologia pelo Centro Universitário UNIFAAT, sob
orientação do Professor Juliano Rodrigues Afonso.

ATIBAIA/SP
2020
CURSO DE PSICOLOGIA

TERMO DE APROVAÇÃO

SUZANA AMARAL REZENDE FERRAZ HOLZHAUSER

“A relação terapêutica no atendimento online na abordagem cognitivo


comportamental.”

Trabalho apresentado no curso de Psicologia, para apreciação do professor


orientador Juliano Rodrigues Afonso, que após sua análise considerou o Trabalho
APROVADO com nota 7,5 (sete e meio)

Atibaia, 14 de Dezembro de 2020.

Prof. Esp. Juliano Rodrigues Afonso


Dedico esse trabalho aos meus pais e a
meu marido.
AGRADECIMENTOS

Agradeço em especial:
Aos familiares que me apoiaram nesse momento, não me deixaram desistir e
acreditaram em minha escolha.
A minha mãe Flavia e meu pai Jose que me proporcionaram esse estudo, me
apoiaram e acreditaram no meu potencial. Amo muito vocês!
Ao meu marido Luccas, que me ajudou a não desistir, me ajudou a me manter
firme, aguentou meu choro e meus momentos difíceis. Obrigada por ser minha força
e inspiração ao longo desses anos. Te amo!
Aos professores da UNIFAAT que contribuíram para que esse momento fosse
possível, me ensinaram a ser uma boa profissional, sensível e ética. Obrigada por
esses ensinamentos, levarei para minha vida toda.
Ao meu Orientador de TCC Juliano, que acreditou em meu potencial e me fez
ir além do que eu imaginava. Foi sensível em meus momentos difíceis que andaram
lado a lado com o TCC.
A minha queria Profa. Dra. Valquiria, obrigada por sua sensibilidade e ética,
suas críticas construtivas e que me fizeram amadurecer ao longo desse trabalho
A minha amiga, parceira e mãe adotiva Sandra que levarei comigo para a vida,
companheira de jornada, sorrisos e lágrimas.
Aos meus amigos Camila, Claudia, Niko, Gabriel, Thayna, Leticia, Nathany,
Leo, Dani, Lucas, Alan, Taty e Filippo por estarem do meu lado, me incentivando,
apoiando, animando e não me deixando desistir.
Aos meus amigos da UNIFFAT e de supervisão da Teoria cognitivo-
comportamental pelos sorrisos, pelas conversas, pelas risadas, pelas histórias
compartilhadas.
O que quer dizer cativar? É uma coisa muito
esquecida... Significa criar laços. – O Pequeno
Príncipe
RESUMO

O trabalho que segue intitulado “a relação terapêutica no atendimento online na


abordagem cognitivo comportamental”, tem por objetivo discorrer sobre que é a
relação terapêutica/aliança terapêutica a partir de determinadas áreas da Abordagem
Cognitivo-Comportamental. Segundo, contextualizar o atendimento online, suas
normativas e demonstrá-lo como ferramenta terapêutica. E, terceiro, indicar qual a
aderência dos pacientes ao tratamento no ambiente virtual e quais pontos facilitam ou
dificultam o atendimento e a eficácia. Assim problematizando as seguintes questões:
como se constrói a relação terapeuta-paciente no atendimento não presencial e qual
a eficácia e aderência deste atendimento. É de suma importância a construção da
aliança terapêutica, no processo psicoterapêutico, uma vez que a relação cliente e
terapeuta tem papel fundamental para um desfecho favorável. A aliança terapêutica é
construída de maneira colaborativa, marcada por com desenvolvimento conjunto entre
paciente e terapeuta. O capítulo 1, apresenta um breve histórico da do que é a Teoria
Cognitivo-Comportamental, traz a importância do relacionamento terapeuta-paciente
e enfatiza como é a aliança terapêutica na abordagem cognitivo-comportamental. No
capítulo 2 foi discorrido sobre o atendimento online, sua história e resoluções
associadas, se faz uma breve menção a terapia relacionada ao COVID-19 e as
questões éticas que circundam o atendimento online. Finalizando, com o capítulo 3
quais são as vantagens e desvantagens da terapia online, fazendo uma diferenciação
entre o atendimento presencial e online e no atendimento online qual a aderência. Nas
considerações finais apresentou-se criticamente sobre a falta de materiais e a
necessidade de aprendizado sobre o atendimento online.

Palavras-chave: Psicologia. Teoria cognitivo-comportamental. Atendimento Online.


Covid-19. Ética.
ABSTRACT

The following work entitled "the therapeutic relationship in online care in the cognitive
behavioral approach", aims to discuss what is the therapeutic relationship/therapeutic
alliance from certain areas of the Cognitive-Behavioral Approach. Second,
contextualize online care, its regulations and demonstrate it as a therapeutic tool. And,
third, indicate the adherence of patients to treatment in the virtual environment and
which points facilitate or hinder care and effectiveness. Thus, problematizing the
following questions: how to build the therapist-patient relationship in the nonface care
and the effectiveness and adherence of this care. The construction of the therapeutic
alliance in the psychotherapeutic process is of paramount importance, since the client
and therapist relationship play a fundamental role for a favorable outcome. The
therapeutic alliance is built in a collaborative way, marked by joint development
between patient and therapist. Chapter 1, presents a brief history of what is the
Cognitive-Behavioral Theory, brings the importance of the therapist-patient relationship
and emphasizes how is the therapeutic alliance in the cognitive-behavioral approach.
Chapter 2 discussed online care, its history and associated resolutions, a brief mention
of therapy related to COVID-19 and the ethical issues surrounding online care. Finally,
with chapter 3, what are the advantages and disadvantages of online therapy,
differentiating between face-to-face and online care and online care, what is the
adherence. In the final considerations, he was critical about the lack of materials and
the need to learn about online care.

Keywords: Psychology. Cognitive-behavioral theory. Online Care. Covid-19. Ethics.


SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 3
1 UM BREVE HISTÓRICO DA TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL ......... 7
1.1 O RELACIONAMENTO TERAPÊUTICO .......................................................... 10
1.2 A ALIANÇA TERAPÊUTICA NA ABORDAGEM COGNITIVO-
COMPORTAMENTAL .............................................................................................. 12
2 A TERAPIA ONLINE ................................................................................................ 14
2.1 A TERAPIA ONLINE E O COVID-19................................................................. 16
2.2 PRINCÍPIOS ÉTICOS ......................................................................................... 18
3 O ATENDIMENTO ONLINE .................................................................................... 19
3.1 VANTAGENS E DESVANTAGENS DA TERAPIA ONLINE ............................ 19
3.2 OS DIFERENCIAIS DO ATENDIMENTO PRESENCIAL E ONLINE............... 21
3.3 A ADERÊNCIA DO ATENDIMENTO ONLINE.................................................. 22
CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 23
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 25
3

INTRODUÇÃO

A internet é o meio que concretiza a comunicação entre as pessoas que


interagem no ambiente virtual e estabelecem laços pessoais e profissionais. Vivemos
na era da Informação, segundo Molina (2013), um tempo dos meios de comunicação,
dentre esses a Internet considerada como uma grande invenção tecnológica por seu
alto poder de alcance, dotada de informações em tempo real e principalmente por sua
capacidade de conectar pessoas do mundo todo.
A internet propiciou uma nova forma de viver em sociedade. Ao minimizar as
distâncias e a noção de tempo, a comunicação se tornou imediata impondo uma nova
noção de espaço-tempo, segundo Molina (2013). O imediatismo convidou e favoreceu
o crescimento do número acesso de pessoas, serviços, programas, informações
online em diversas partes do mundo.
Segundo dados da pesquisa “TIC Domicílios”, realizada pelo Cetic.br em 2018,
medida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI-Br), o crescimento de usuários
com acesso à internet no Brasil passou de 61% (2016) para 67% (2017). O Brasil
passou a ter 120,7 milhões de usuários da internet que acessam a rede dos quais
71% estão em área urbana e 81% a acessam quase diariamente. A pesquisa ainda
aponta que o 42,1 milhões de domicílios estavam conectados à Internet em 2017, o
que significa 61% das residências do país, sendo que 38,8 milhões encontram-se na
área urbana.
Com o aumento do número de usuários da internet, por uma demanda da
categoria de psicólogo se uma Assembleia realizada em dezembro de 2017 sobre
Políticas, Administração e Finanças (APAF), o Conselho Federal de Psicologia no
Brasil (CFP) acabou por revogar a resolução CFP nº 11/2012 e autorizar as
intervenções psicoterapêuticas online por meio da Resolução CFP nº
11/2018,mediado por uma ação responsável do profissional de Psicologia. O mesmo
será responsabiliza do por seu ajustamento e pertinência dos métodos e técnicas em
seus serviços, não possuindo obrigação de conexão a um site (CFP, 2018).
O Conselho Federal de Psicologia divulgou a Resolução CFP nº 11 em 2018,
revogando a Resolução CFP nº 11/2012 sobre atendimento psicológico não
presencial e os demais serviços executados por meios de comunicação a distância. A
última resolução amplia a oferta de serviços de Psicologia vinculados as Tecnologias
4

da Informação e Comunicação (TIC) e às normas previstas para a profissão, o


profissional estando de acordo com cadastro individual no E-Psie as orientações do
profissional junto ao Conselho Regional de Psicologia para eventuais avaliações em
caso de atuação incorreta do serviço.
Segundo o Conselho Federal de Psicologia (2018), os psicólogos poderão
ofertar atendimentos de diferentes tipos e abordagens via as tecnologias da
informação. A abordagem cognitivo-comportamental, que está constantemente
evoluindo de acordo com o sujeito, segundo Judith Beck (2013), enfatiza que a terapia
deve moldar-se a cada paciente.

Cada tecnologia utilizada deverá guardar coerência e fundamentação na


ciência, na legislação e nos parâmetros éticos da profissão. O atendimento,
portanto, não poderá ocorrer de qualquer maneira, cabendo ao profissional
fundamentar, inclusive nos registros da prestação do serviço, se a tecnologia
utilizada é tecnicamente adequada, metodologicamente pertinente e
eticamente respaldada. (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2018)

Dessa forma, Bahls e Navolar (2004) expressam que a abordagem cognitivo-


comportamental contextualiza os sujeitos como seres biopsicossociais que atribuem
significados a fatos do cotidiano, pessoas, sentimentos, emoções e outras partes de
sua vida, a partir disso emitem um determinado comportamento e constroem
diferentes ideias sobre futuro e si, ou seja, suas crenças.
Segundo Rangé e Souza (1998), fundamentalmente, a Terapia Cognitivo
Comportamental possui um tipo de tratamento conciso, diretivo, com a participação
constante e ativa do paciente para a identificação e alteração dos pensamentos e
crenças disfuncionais que são determinantes para o estado de humor, o afeto e o
comportamento do sujeito.
Nesse sentido, é importante conhecer a conceituação dos autores da Terapia
Cognitivo Comportamental sobre aliança terapêutica, suas crenças e como elas se
estruturam, o surgimento e desenvolvimento da relação terapêutica, as variáveis dos
pacientes e terapeutas, as problemáticas da prática relativos à relação terapêutica e
a qualidade a efetividade da relação.
Para Pieta(2014) a terapia cognitiva comportamental só será eficiente se
estabelecer uma aliança terapêutica adequada. Para tal o paciente deve ser adepto à
terapia, da mesma forma o terapeuta deve ter competência e capacidade de
comunicação, além do interesse genuíno pelo paciente.
5

Da mesma maneira a empatia e assimilação com o paciente permitem ao


terapeuta buscar entender os sentidos dos conhecimentos vivenciados,
transformando em dados plausíveis a serem explicados dentro do campo de
entendimento do paciente. Somente através desses dados é que se pode estabelecer
uma aderência ao processo terapêutico, manifestada por uma afinidade coparticipante
entre terapeuta e paciente, corroborando para o sucesso da terapia (RANGÉ &
SOUZA, 1998).
Segundo Maia et al (2017) desde o princípio do atendimento é de suma
importância a construção da aliança terapêutica, no processo psicoterapêutico, uma
vez que a relação cliente e terapeuta tem papel fundamental para um desfecho
favorável. A aliança terapêutica é construída de maneira colaborativa, marcada por
desenvolvimento conjunto entre paciente e terapeuta.
A aliança terapêutica possui três componentes interrelacionados: os objetivos,
tarefas e vínculo. Os objetivos estão ligados às expectativas de resultados de curto e
longo prazo entre terapeuta e paciente. As tarefas são propostas de acordo com a
demanda e a queixa e podem ser desenvolvidas de maneiras colaborativa, no
contexto da terapia e atividades externas. Já o vínculo está adjunto à relação afetiva
entre terapeuta e cliente (BORDIN, 1979 APUD MAIA ET AL, 2017).
Assim, ao considerar que a aliança terapêutica é um componente essencial
para se implementar a prática psicoterapêutica na abordagem cognitivo-
comportamental, esse trabalho busca entender a formação da relação terapêutica no
ambiente não presencial e após a relação estabelecida qual a aderência dos pacientes
ao tratamento.
Em 2014, Rodrigues alertava que o medo da relação terapêutica ficar
comprometida por uma fragilidade na comunicação, por perda na visualização do
comportamento não verbal, meio considerado essencial para entendimento do sujeito
e vital à interação entre paciente e terapeuta, pode ser transposto com o uso correto
das TIC.
Para atingir seu objetivo geral, este trabalho buscará contemplar as seguintes
questões, divididas em três objetivos específicos: primeiro, contextualizar e definir o
que é a relação terapêutica/aliança terapêutica a partir de determinadas áreas da
Abordagem Cognitivo-Comportamental. Segundo, contextualizar o atendimento
online, suas normativas e demonstrá-lo como ferramenta terapêutica. E, terceiro,
6

indicar qual a aderência dos pacientes ao tratamento no ambiente virtual e quais


pontos facilitam ou dificultam o atendimento e a eficácia.
Segundo Rodrigues (2014), a proposta de psicoterapia online não pode ser
vista como algo a ser utilizado de forma indiscriminada e não deve substituir os
atendimentos convencionais face a face. Ambas podem ser usadas pelo profissional.
No entanto, é passível de realização resguardadas as orientações normativas tais
como as preocupações éticas relacionados ao sigilo de informações, identidade real
do terapeuta e do paciente bem como o manejo de situações de emergenciais.
A construção de uma aliança terapêutica, segundo Maia et al (2017), é de suma
importância no processo psicoterapêutico, uma vez que a relação paciente e terapeuta
tem papel fundamental para um desfecho favorável de uma terapia. Segundo Beck
(2013), a aliança terapêutica deve ser construída com confiança desde o primeiro
momento com o paciente.
Assim, a presente pesquisa buscará problematizar as seguintes questões:
como se constrói a relação terapeuta-paciente no atendimento não presencial e qual
a eficácia e aderência deste atendimento.
A justificativa pessoal foi pautada no interesse pela abordagem cognitivo
comportamental, pelo manejo da aliança terapêutica com ênfase no manejo online.
Ao considerara velocidade e a facilidade dos meios de comunicação, e o crescimento
e disseminação do acesso à internet no Brasil, juntamente com a nova lei do
Conselho, associada ao conhecimento adquirido ao longo do estágio e dos últimos 4
anos de estudo, somado ao fato de ter um familiar que faz terapia virtual, ocorreu o
questionamento da eficácia da terapia.
Como justificativa social, apresenta-se o grande o aumento do número de
usuários da internet e a revogação da CFP nº 11/2012 pelo Conselho Federal de
Psicologia no Brasil por uma demanda da categoria de psicólogos. Assim, fica
autorizado intervenções psicoterapêuticas online por meio da Resolução CFP nº
11/2018, aumentando o campo de atuação do profissional de Psicologia para o
ambiente não presencial.
7

A Resolução CFP nº 11/2018 está embasada no fato de que as(os)


profissionais de Psicologia serão responsáveis plenos pela adequação e
pertinência dos métodos e técnicas na prestação de serviços, não havendo
necessidade de vinculação a um website. Cada tecnologia utilizada deverá
guardar coerência com o tipo de serviço prestado. A responsabilidade plena
da(o) profissional de Psicologia é uma exigência estruturante do Código de
Ética Profissional do Psicólogo - CEPP para a prestação de todos os serviços
de Psicologia. Neste sentido, este documento foi produzido com o objetivo de
estabelecer orientações para as(os) profissionais que tiverem interesse em
oferecer esse tipo de serviço, desde que tecnicamente adequados,
metodologicamente pertinentes e eticamente respaldados. (CFP, 2018)

Com base nos parágrafos anteriores, a metodologia utilizada nesse trabalho


constituiu-se em uma pesquisa exploratória. Segundo Gerhardt e Souza (2009), a
pesquisa exploratória “[...] tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o
problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou construir hipóteses.”
Desta forma, para o delineamento serão utilizados materiais bibliográficos,
artigos, livros, teses, um estudo de caso, entre outros. Ainda para Gerhardt e Souza
(2009), a pesquisa bibliográfica pode ser conceituada como um levantamento de
referências já publicadas e analisadas, em meios escritos ou eletrônicos. Todo
trabalho começa com uma pesquisa bibliográfica e pode, entretanto, basear-se
unicamente nesses levantamentos a fim de recolher informações ou conhecimentos
prévios sobre o problema do qual busca resposta.
Assim definido, os elementos levantados durante a pesquisa bibliográfica
servirão como base para a construção do trabalho. Um estudo de caso que demostra
a terapia no ambiente online, não importando a abordagem, será usado para indicar
para justificar os problemas de pesquisa apresentados.

1 UM BREVE HISTÓRICO DA TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL

A Terapia Cognitivo-Comportamental, surgiu do questionamento aos modelos


estritamente comportamentais, o estimulo e resposta, o psicodinâmico, as técnicas e
o modelo psicanalítico. A crescente atenção aos aspectos cognitivos e ao
desenvolvimento do ser humano foi suma importância para o desenvolvimento da
TCC, junto a isso uma identificação de um grande número de terapeutas que se
orientavam em uma perspectiva cognitivo comportamental, como por exemplo a
Terapia Racional-Emotiva de Albert Ellis e a Terapia Cognitiva de Aaron T. Beck
8

vindos de um contexto psicanalítico e Mahoney, Goldfried vindos de um contexto


comportamental (DOBSON E SCHERRER, 2009).
Segundo Judith Beck (2013) inúmeras fontes serviram de base para formação
da psicoterapia na Terapia Cognitivo-Comportamental, como por exemplo, autores da
Filosofia, incluindo filósofos iniciais como Epiteto, Comportamentais e Cognitivistas. A
autora ainda diz que passaram a existir variadas formas de atuação da terapia
cognitivo-comportamental, cada uma relacionada a conceitos e ênfases
característicos no tratamento. A psicoterapia na TCC foi sendo adaptada conforme o
paciente, ligando-se as variações de renda, cultura, idade, ou seja, a uma
contextualização sócio-histórica.
Psicoterapia cognitivo-comportamental é uma prática de ajuda psicológica que
se baseia em uma ciência e uma filosofia do comportamento caracterizada por
uma concepção naturalista e determinista do comportamento humano, pela
adesão a um empirismo e a uma metodologia experimental como suporte do
conhecimento e por uma atitude pragmática quanto aos problemas
psicológicos (RANGÉ, Vol 1, 2001, p.35).

Bahls e Navolar (2004) expressam que a Terapia Cognitivo-Comportamental


tem foco nos problemas e pensamentos que são apresentados no momento da
terapia, com o objetivo de identificar e estabelecer estratégias para se operar no
ambiente e promover mudanças necessárias.
Conforme Judith Beck (2013), nossos pensamentos atuam e intercedem na
forma na qual nos sentimos e agimos, dando a abertura para que possamos melhorar
nosso estado de humor ao controlarmos os pensamentos que temos, fazendo com
que o indivíduo exerça um efeito realista em sua abordagem dos sentimentos perante
si mesmo e o mundo ao seu redor.
Sobre os pensamentos, Beck explica que, a maneira como eles estão
associados influenciam nossas emoções e nosso comportamento, para se trabalhar
a modificação de crenças, ou seja, ver a situação, pensamento, ação de maneira mais
realista possível, podendo assim se adaptar melhor, alterando-se as emoções e o
comportamento.
A TCC, conforme Rangé (2001), é uma abordagem ativa orientada para o
problema, e se caracteriza por aplicar uma variedade de processos e procedimentos
clínicos e de aprendizagem, visando corrigir preocupações baseadas em
comportamentos, trazendo o sentimento e a atitude para um parâmetro mais próximo
da realidade. As atitudes perturbadas, o comportamento alterado e os sentimentos
9

negativos tendem a alterar a percepção do ser humano em relação a um problema


em que esteja vivendo.
Judith Beck (2013) enfatiza que, a terapia deve moldar-se a cada paciente,
portanto, é necessário se balizar em princípios. A TCC traz princípios básicos para
sucesso do tratamento, como o desenvolvimento contínuo do paciente para auxiliar
na resolução de problemas. A aliança terapêutica é a base do relacionamento
terapêutico e está ligada ao andamento e realização da terapia com a participação
colaborativa, um trabalho conjunto, entre terapeuta e paciente.
Na TCC conceitos fundantes são os de crenças e pensamentos automáticos
desenvolvidas na infância. As crenças sobre si, outras pessoas e de seu mundo, são
muitas vezes profundas e fundamentais na essência da pessoa, são vistas como
verdades inquestionáveis, podendo causar emoções, pensamentos disfuncionais.
Crenças que, ao serem questionadas, não conseguem ser refutadas pela pessoa. Ela
só as encara como verdades, modificando o entendimento em determinadas situações
e tornando-as pensamentos automáticos e crenças irracionais. (Judith Beck, 2013).
Ainda segundo a autora, a TCC é concebida em sessões de curta duração
direcionadas a solução de problemas, modificação de pensamentos e
comportamentos disfuncionais. O tratamento pode ser direcionado para compreensão
de cada paciente sobre suas crenças e padrões de comportamento. A TCC pode ser
adaptada a pacientes com diferentes níveis de educação e renda, bem como uma
variedade de culturas e idades, abrangendo desde crianças pequenas até idosos com
idade mais avançada, e pode ser utilizada em formato individual, de grupo, casal e
família.
Judith Beck, em seu livro Terapia Cognitivo-comportamental: Teoria e Prática,
publicado em 2013, apresenta os dez princípios que norteiam o tratamento na TCC e
que são a base para que o terapeuta e o paciente se encontrem dentro da teoria e
possam fazer um uso melhor dela.
Primeiro princípio: a terapia cognitivo-comportamental é balizada no
desenvolvimento contínuo dos problemas dos pacientes e na avaliação individual em
termos cognitivos.
Segundo princípio: a necessidade de uma aliança terapêutica consolidada, ou
seja, é necessário que o terapeuta tenha competência teórica para analisar de forma
coesa a fala do paciente, escuta atenta e interesse genuíno, o afeto, a empatia, a
atenção.
10

Terceiro princípio: a colaboração recíproca e participação frequente e


empenhada, o paciente precisa entender que a terapia é trabalho em equipe onde o
terapeuta auxilia o paciente a encontrar caminhos para solucionar seus problemas.
Quarto princípio: o foco são os problemas que o paciente enfrenta e como isso
afeta os pensamentos, comportamentos e sua vida diariamente.
Quinto princípio: o tratamento destaca problemas atuais e situações específicas
que são angustiantes para o paciente.
Sexto princípio: a TCC é um processo de educação e reeducação no qual
busca-se ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta e prevenir possíveis recaídas.
Ou seja, promover que o paciente analise si próprio e encontre soluções realistas.
Sétimo princípio: a quantidade de sessões é limitada de acordo com o problema
apresentado e com o desenvolvimento que o paciente apresente. As sessões e
frequência variam de acordo com a situação de cada paciente.
Oitavo princípio: as sessões são estruturadas de acordo com a necessidade do
paciente, focadas em potencializar a eficiência e eficácia da sessão e os exercícios
acertados no encontro anterior são revistos e na parte final um feedback mútuo da
sessão.
Nono princípio: ensinar os pacientes como identificar, avaliar e responder aos
seus pensamentos automáticos, comportamentos e crenças disfuncionais.
Décimo princípio: são muitas técnicas envolvidas pela TCC para mudar o
pensamento, humor e o comportamento, assim é necessário encontrar e adaptar as
técnicas e abordagens de acordo com a necessidade. O tratamento pode variar de
acordo com o nível intelectual, desenvolvimento, gênero, origem cultural, momento
pessoal, e ênfase no tratamento em transtorno(s) específico(s).

1.1 O RELACIONAMENTO TERAPÊUTICO

Beck (1997) explana que há diversas técnicas nos tratamentos utilizados pela
TCC e que cada uma deve ser aplicada de acordo com o paciente, planejada com
antecedência e de maneira científica e lógica. Mas, para o sucesso da realização
dessas técnicas, a relação terapeuta-paciente, vice-versa, deve ocorrer de maneira
empática e harmônica.
11

O relacionamento terapêutico, segundo Araújo e Lopes (2015),é um processo


que envolve o terapeuta e seu cliente e tem caráter fundamental para
desenvolvimento da terapia e para sua eficácia. O terapeuta deve trabalhar de modo
genuíno, dedicando-se totalmente ao paciente no momento da terapia, ser empático,
receptivo, buscar entender constantemente suas próprias crenças em busca de que
elas não atrapalhem seu relacionamento com o paciente.
Ainda segundo as autoras, estudar o relacionamento terapêutico é relevante
para o terapeuta pois auxilia a compreensão dos problemas que dificultam a terapia
progredir e evoluir. Araújo e Lopes ressaltam que o problema não está relacionado
somente ao paciente como também ao terapeuta, pois alguns terapeutas podem ter
reações negativas diante das crenças demonstradas pelo paciente, podendo impactar
em respostas agressivas como defesa do terapeuta afligindo diretamente o paciente,
sua autoestima e o progresso terapêutico.
Segundo Judith Beck (2013), o terapeuta deve prestar atenção em seus
pensamentos e humor relacionados aos pacientes, pois esses podem vir a intervir no
processo terapêutico
Os estudos de Beck (2013) demonstram que a dificuldade de formação do
relacionamento terapêutico é mais comum do que se parece, mesmo entre os
terapeutas, que dominam as técnicas cognitivas, mas sofrem com esses pesares.
A dificuldade na manutenção do vínculo pode ocorrer especialmente em
situações de conflito, nas quais as manifestações emocionais costumam se
exceder e exigem um nível maior de autocontrole do terapeuta. Nesses
momentos, uma postura empática promove efeitos positivos, sendo capaz de
reduzir as queixas, a raiva e a probabilidade de rompimento. Por isso, em
situações de conflito, é importante que o terapeuta procure compreender as
razões do comportamento do paciente a fim de facilitar um diálogo de
entendimento. (ARAÚJO e LOPES, 2015)

Judith Beck (2013) ressalta que o relacionamento bem estabelecido auxilia a


terapia ser eficaz e destaca que alguns pacientes apenas conseguiriam resultados em
decorrência de um relacionamento terapêutico saudável, que possuía apoio e
empatia, que os auxiliaram a evoluir com a terapia e dar respostas emocionais,
comportamentais e cognitivas.
Práticas terapêuticas executadas corretamente auxiliam na eficácia do
tratamento, na formação de uma aliança terapêutica sólida. Tais práticas estão
relacionas à cooperação durante a terapia, os feedbacks do paciente e como ele se
sente sobre a terapia e as reações do terapeuta.
12

1.2 A ALIANÇA TERAPÊUTICA NA ABORDAGEM COGNITIVO-


COMPORTAMENTAL

Portela (2008) destaca que, inicialmente, a TCC foi criticada pela falta de
atenção à aliança terapêutica. Porém, atualmente, muitos terapeutas afirmam a que a
relação terapêutica é parte integral do tratamento e sem ela não é possível ocorrer
mudanças e dar continuidade e eficácia no tratamento.
A autora coloca que os terapeutas em função de estabelecer uma forte aliança
com seu paciente devem ser abertos, genuínos e empáticos para que consigam,
juntamente com o paciente, estipular objetivos terapêuticos, executar tarefas e realizar
mudanças na vida do paciente. O terapeuta deve abrir espaço para seu paciente dar
feedbacks sobre as sessões, colocando sua visão sobre os acontecimentos de
maneira racional, gerando uma confiança recíproca entre paciente-terapeuta e
fortalecendo a relação.
Segundo Singulane e Sartes (2017),é fundamental o estabelecimento de uma
boa e sólida aliança terapêutica, pois ela sustentará um ambiente de segurança e
confiança as quais darão condições para a aplicação de técnicas e práticas
necessárias na terapia.
A TCC, principalmente, utiliza a aliança como meio para um processo de
negociação constante. A aliança é essencial no processo de mudança e a resolução
de problemas pois, a partir dela estabelecida, o terapeuta tem como auxiliar o
paciente. Judith Beck (2013) afirma que a relação terapêutica deve ser trabalhada
desde o primeiro encontro com o paciente e reestabelecida a cada primeira parte de
sessão em busca do estreitamento dos laços com o paciente proporcionando conforto,
confiança e apoio.
Há três pilares do relacionamento terapêutico que estão ligados à aliança
terapêutica, segundo Singulane e Sartes (2017):
[...] objetivos, tarefas e vínculo. Os objetivos dizem respeito ao consenso
sobre expectativas de resultados de curto e longo prazo entre terapeuta e
cliente. As tarefas podem ser definidas como acordos ou consensos entre
terapeuta e cliente no que diz respeito ao que deve ser feito na terapia e como
atividades diversas na terapia contribuirão para a resolução do problema do
cliente. Já o vínculo está associado à ligação afetiva entre terapeuta e cliente.
13

Rangé (2001) e Judith Beck (2007) concordam que na Terapia Racional


Emotiva Comportamental e na Terapia Cognitiva de Beck, sem um bom vínculo
terapêutico não há eficácia no tratamento, mesmo que alguns paciente não
demonstrem o valor dessa relação. Ao usufruir apenas das ferramentas do terapeuta,
muitos deles apenas conseguem absorver e utilizar as técnicas e estratégias em
busca de modificar suas cognições, comportamentos e respostas emocionais se
estiverem meio a uma relação de apoio e empatia.
Junto a isso, Judith Beck (2007) complementa que a aliança terapêutica pode
ser facilmente estabelecida com pacientes que possuem atitudes positivas, que têm
uma visão otimista sobre o futuro de tratamento e sobre o terapeuta. Já alguns
pacientes com uma visão distorcida e negativa podem apresentar dificuldades para o
angariamento das sessões. A relação terapêutica pode ser um caminho para visão
mais positiva deles próprios e do mundo, podendo, assim, mostrar que é possível
entender e verificar a existência de problemas e resolvê-los.
A terapia do esquema, aplicada na década de 1990 por Jeffrey Young, Falcone
(2011),é aplicada especialmente em casos crônicos e de transtornos da
personalidade. Tem como base a teoria cognitivo-comportamental de Beck,
assumindo seus conceitos básicos, como a aliança terapêutica, porém inclui dados de
outras abordagens como a Gestalt terapia e a Psicanálise.
Pinto-Gouveia e Rijo (2001) demostram que a relação entre paciente e
terapeuta dentro da Terapia focada em Esquemas é um instrumento fundamental para
a identificação e transformação do paciente. O terapeuta deve interagir e observar
buscando as reações emocionais e as tendências do mesmo. A relação terapêutica é
usada como ferramenta para simular situações para a ativação dos esquemas do
indivíduo. Assim pode ser utilizada para debater as situações e gerar hipóteses nos
esquemas interpessoais existentes.
Cavalheiro e Melo (2016) explicam a Terapia Comportamental Dialética (TCD)
como uma das abordagens centrais da Terceira Onda em Terapia Cognitiva. Na TCD,
a relação terapêutica possui destaque no tratamento dos pacientes. A abordagem foi
criada pela psicóloga Marsha Linehan. Pertence as terapias cognitivo-
comportamentais, concentra diferentes estratégias fundamentadas em técnicas de
aceitação, métodos e conceitos da ciência comportamental, práticas zen e outros
métodos tais como mindfulness.
14

Ainda segundo Cavalheiro e Melo, as abordagens da Terceira Onda têm


características de integrar suas intervenções e a maioria delas enfatiza o
relacionamento terapeuta paciente. A própria aliança terapêutica é ferramenta de
reestruturação cognitiva, regulação emocional e modificação comportamental. A TCD
coloca a aliança terapêutica como artefato central na execução da psicoterapia, essa
ferramenta é uma tática para o sucesso do tratamento, dentro disso a dialética, que é
validação e aceitação dos pacientes como eles são, ao mesmo tempo é o que auxilio
na mudança, sem esse vínculo há uma dificuldade e até uma impossibilidade de se
trabalhar os objetivos terapêuticos.
Cavalheiro e Melo (2016) destacam, ainda, alguns atributos na relação
terapêutica na TCD, como a empatia enquanto habilidade de estar em sintonia com o
paciente e suas emoções, ao conseguir dar forma e significado. A empatia é vista
como elemento central na formação da relação terapêutica em qualquer transtorno.
Outro grande elemento é fato do paciente visualizar seu terapeuta como uma figura
que promove cuidado e proteção, dentro de um ambiente reflexivo ,constituído de
maneira flexível e versátil, no qual as desarmonias são resolvidas com habilidade no
transcorrer do tratamento.

2 A TERAPIA ONLINE

Segundo Ruffo (2016), no Brasil em 1990 grandes mudanças políticas


ocorreram que facilitaram a entrada dos meios de tecnologia. Em 1998, o CFP
percebendo o interesse na classe dos psicólogos pelo uso da internet promoveu um
primeiro seminário relacionado ao tema de uso de tecnologias.
A autora pontua que em setembro de 2000 é publicada a primeira Resolução
(03/2000) relacionada ao atendimento mediado por tecnologia, ao estabelecer que
poderiam ser realizados os atendimentos que provarem seu caráter científico.
Após 5 anos ocorre a primeira revisão na Resolução 03/2000, contudo não
trouxe mudanças significativas. Em 2012 é revogada a resolução de 2005 (Resolução
CFP Nº 11/2012) após vários encontros, simpósios regionais e nacionais. Essa nova
resolução apresenta mudanças ao que é vetado e o que não é ao psicólogo exercer,
porém, a psicoterapia continua proibida a não ser em caráter experimental. Pela
15

Resolução de 2012 é permitido a Orientação Psicológica que se caracteriza pelo


atendimento em até 20 encontros, processos seletivos, supervisões do trabalho
psicológico de maneira eventual, e o atendimento esporádico para pacientes em
processo de mudança de residência, estado ou pais e/ou pacientes impossibilitados
de realizar o atendimento presencial.
Rodrigues (2014) coloca enquanto no Brasil, o Conselho Federal de Psicologia
(CFP) não permitia a psicoterapia online restrita apenas para uso de pesquisas, em
outros países como Austrália, Estados Unidos e Reino Unido a terapia online já havia
sido adotada como uma prática comum e legalizada. A Resolução CFP Nº 11/2012
veio para regulamentar o atendimento online em caráter experimental realizado por
meios tecnológicos, o atendimento psicoterapêutico online não seria mais vedado às
pessoas ou grupos em emergências ou violação de direitos.
A Resolução CFP Nº 11/2012foi revogada em maio de 2018, através da
Resolução CFP Nº 11/2018, o Conselho Federal de Psicologia autorizou e
regulamentou a atuação de serviços psicológicos realizados por meio de tecnologias.
Segundo Galvão (2019), procedimentos foram adotados como um cadastro aprovado
no E-Psi juntamente com o Conselho Regional de Psicologia, especificando
procedimentos para determinado público como deficientes, instrumentos aprovados e
vigentes. Porém, permanece vedado o atendimento online a pessoas e grupos em
emergência e desastres, assim como a pessoas e grupos em situação de violação de
direitos ou de violência, segundo a Resolução CFP Nº 11/2018 art.6:
O atendimento de pessoas e grupos em situação de urgência e emergência
pelos meios de tecnologia e informação previstos nesta Resolução é
inadequado, devendo a prestação desse pode serviço ser executado por
profissionais e equipes de forma presencial.

No dia 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS), declara


uma nova infecção respiratória provocada pelo Corona vírus de Síndrome Respiratória
Aguda Grave 2, o COVID-19. No dia 11 de março de 2020, a COVID-19 foi
caracterizada pela OMS como uma pandemia.
Pimentel (2020) coloca que a pandemia do Corona vírus, trouxe ao contexto
mundial diversas e profundas mudanças na vida cotidiana das pessoas. Forçando
uma adaptação súbita ao novo cenário que surgia. No contexto da pandemia os
serviços clínicos psicológicos mediados pelas TIC se tornaram valiosos, em
decorrência do distanciamento social (físico), isolamento domiciliar e/ou em
quarentena e potencialização as demandas da população brasileira na realidade
16

social digital e virtual, como a angústia, depressão, a ansiedade e o que ameaçam a


boa saúde mental.
O autor traz que o Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou em suas
mídias digitais diversas notas de informação e orientação aos psicólogos para o
período da pandemia. O CFP divulgou ainda a Resolução nº 04/2020 que orienta os
psicólogos quanto ao atendimento online durante o período da pandemia,
suspendendo de forma temporária alguns dispositivos da Resolução CFP nº 11/2018.
A resolução nº 04/2020 foi uma forma de flexibilizar esta modalidade de
atendimento, evitando dessa maneira a descontinuidade de assistência à
população neste período. Ela reforça ainda o cumprimento do Código de Ética
Profissional da categoria e o cadastro prévio na plataforma e-Psi junto com
Conselho Regional de Psicologia, porém, flexibiliza-se que o profissional não
precisa aguardar o retorno da análise para confirmação de inscrição para
iniciar os atendimentos. (PIMENTEL, 2020)

2.1 A TERAPIA ONLINE E O COVID-19

Siegmund e Lisboa (2015) colocam que a internet pode ser considerada uma
grande ferramenta para o processo de prática psicológica, pois pode ser usada como
conexão social, como meio de informação, é mais econômica, auxilia no
enfrentamento da inibição e timidez e pode auxiliar na educação e autoeducação.
Porém, colocam que os “comportamentos e costumes estão sofrendo alterações
significativas e novas formas de relacionamento entre as pessoas surgem, mediadas
pelo campo virtual.”
Segundo os autores, vivemos em um momento crucial na história, pois com o
avanço tecnológico é possível estar em contato com diversas partes do mundo em
tempo real e é muito difícil colocar um limite entre a necessidade de uso da tecnologia
e a dependência. Assim, se faz necessário buscar meios de usar as tecnologias de
maneira eficaz e saudável.
Pimentel (2020) aponta que, durante a pandemia do Covid-19, a liberação da
terapia online na Resolução CFP nº 04/2020 e Resolução CFP nº 05/2020 indicam
uma maneira de prosseguir com os atendimentos online diante da pandemia. Foi uma
maneira de ampliar e flexibilizar os atendimentos visando não interromper a amparo a
população em um momento delicado a saúde mental.
17

A pandemia acarreta muitas demandas psicológicas à população e que, mesmo


que ocorra o término do contágio do vírus, isso trará muitas consequências
psicológicas. Haverá necessidade da criação e aplicação de protocolos específicos
para pandemias com isolamento social, de acordo com o que a população passou,
como por exemplo os profissionais da saúde de linha de frente, pessoas que foram
contaminadas, famílias que perderam entes e pessoas que ficaram muito tempo sem
contato social (ZWIELEWSKI, GRAZIELE et al, 2020).
Os autores afirmam que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem
demostrado resultados positivos no atendimento online, pois dispõe de procedimentos
e ferramentas que auxiliam as demandas provocadas pela pandemia. A população
em sua grande parte sofre de variadas maneiras os desconfortos da quarentena, com
a quantidade de informações incorretas, o medo, a solidão, e outros problemas
advindos dessa situação emergencial, os quais requerem processos educativos sobre
como reagir e enfrentar os problemas de maneira racional e lógica para diminuir a
ansiedade e o descontrole emocional.
Ainda segundo os autores, há necessidade de bons programas de
psicoeducação durante a pandemia e após para diminuir os impactos do isolamento,
dos estigmas sociais e o afugentamento das pessoas entre si do convívio nos grupos.
As TCCs partem de pressupostos cognitivos para explicar as reações
psicológicas e os padrões comportamentais relacionados aos sintomas: a) a
avaliação de si mesmo, dos outros e das consequências das suas decisões;
b) as crenças e padrões emocionais funcionais e disfuncionais relacionadas
desencadeadas frente às situações estressoras; c) os erros de julgamento e
decisão para promover o enfrentamento de problemas. De fato, há evidências
de que intervenções psicológicas baseadas na TCC, inclusive aquelas
realizadas online ou por telefone, podem contribuir na compreensão do
processo de proliferação de doenças dessa magnitude de exposição e suas
repercussões na saúde e no comportamento pessoal e dos familiares.
(ZWIELEWSKI, GRAZIELE ET AL, 2020)

Oliveira, Ayres et al (2020) trazem um estudo sobre uma análise das técnicas
e estratégias da TCC para minimizar as consequências da pandemia da Covid-19. As
autoras iniciam pela regulação emocional, que é a competência para identificar e
compreender suas próprias emoções, de onde vem, qual o sentimento atribuído, quais
os comportamentos e respostas fisiológicas que as emoções causam. E em meio a
pandemia é de grande destaque pois é essencial para que a pessoa abarque o que
está sendo vivido e diminua o impacto que isso cause a ela.
A reestruturação cognitiva é uma das estratégias da regulação emocional, que
irá auxiliar o sujeito a perceber, identificar suas crenças distorcidas, que geram
18

pensamentos disfuncionais, que ocasionam pensamentos, emoções, sentimentos


negativos que levam a ações e comportamentos que prejudicam o sujeito. A covid-19,
o isolamento social, prejudicam as crenças, então coma reestruturação cognitiva o
paciente toma consciência de seus pensamentos. (OLIVEIRA E AYRES ET AL, 2020)
A desregulação emocional estabelecida no momento da pandemia pode causar
incerteza e estresse, segundo Oliveira, Ayres et al (2020). As pessoas apresentam
dificuldade em lidar com as tarefas do cotidiano, com as experiências ou
processamento das emoções, assim podendo provocar problemas interpessoais e na
autoestima. Junto a isso, é normal o sentimento de angústia, preocupação durante a
pandemia, os pensamentos podem ficar mais catastróficos evitando enxergar pontos
positivos. Assim, a TCC vai provocar o conhecimento desses pensamentos e trabalhá-
los de forma racional e trocar por pensamentos mais positivos ou adaptativos.
Segundo ainda autoras, é de suma importância se prevenir dos fatores
estressantes, como por exemplo tomar cuidado com o excesso de informações
notificadas nas redes sociais e noticiários e com a confiabilidade das informações,
pois as mesmas podem causar diversos gatilhos ao sujeito. Uma outra sugestão das
autoras é definir uma rotina de atividades diárias, que promovam o bem estar como
por exemplo atividades físicas, cuidado com o sono, meditações e o cuidado
psicológico.
A pandemia é um momento de muito difícil enfrentamento, muitas pessoas não
conseguem lidar com a angustia e dificuldades, o que reforça a necessidade dos
canais de escuta psicológica que não precisam de contato social que podem ser feitos
de maneira online ou por telefone (OLIVEIRA E AYRES ET AL, 2020).

2.2 PRINCÍPIOS ÉTICOS

Rodrigues e Araújo Tavares (2016) apontam que aos psicólogos que atendem
via TICs é imposto os mesmos princípios éticos do ambiente presencial, abrangendo
a conservação do sigilo do paciente, disponibilidade em casos de emergência, de
estar à disposição para intervir caso o paciente tente prejudicar a si ou/e outra pessoa.
Siegmund et al (2020) pontua que os códigos de ética mudam entre os países,
de acordo com sua cultura e legislações podem a pontos comuns, sendo condição
básica, como confidencialidade e o sigilo no serviço psicológico em qualquer instancia.
19

Já Rodrigues e Araújo Tavares criticam o baixo número de produções empíricas


acerca do padrão ético da prática da psicoterapia online.
Siegmund et al (2020) pontua que se deve incluir um termo de consentimento
descrevendo os riscos que os TICs podem trazer e se o cliente aceita tais condições.

Em princípio, atendimentos on-line requerem o reconhecimento da identidade


do cliente para assegurar que ele(a) é quem diz ser. Transações por cartão
de crédito podem ajudar a verificar a identidade do usuário. Para pacientes
com potencial de dano a si mesmo ou a outros, obter informações pessoais
como endereço e número de telefone pode ser um pré-requisito para o
atendimento. Nesses casos, o cliente deve ser informado sobre providências
a serem tomadas caso se coloque em risco e deve concordar previamente
com isso(SIEGMUND ET AL, 2020).

Rodrigues e de Araújo Tavares (2016) pontuam que os aspectos éticos em


situações de crise são desaconselháveis em atendimentos online para casos graves
como automutilação, suicídio, surto psicótico e em quadros graves.
Para os autores, um ponto central para um atendimento online bem sucedido e
seguro é um termo de consentimento informando as características desse tipo de
atendimento e informações como esse atendimento é realizado, como vai ser os
procedimentos e uma rede de apoio do paciente para casos de risco.

3 O ATENDIMENTO ONLINE

3.1 VANTAGENS E DESVANTAGENS DA TERAPIA ONLINE

Rodrigues e de Araújo Tavares (2016) defendem o uso da terapia online a partir


do grande crescimento tecnológico emergente e frisam a terapia online como
tendência irreversível que estará presente na vida de cada um nos próximos anos. Os
autores pontuam que a tecnologia é vista como ameaça, porém, ela pode ser uma
grande aliada à saúde mental visto que muitas pessoas divulgam online seu momento
e estado mental.
20

Segundo as autoras também é possível notar a confusão sobre as principais


diferenças entre psicoterapia online e serviços psicológicos oferecidos de forma
remota. Com isso é necessário, classificar as diferenças dos serviços permitidos
online e divulgar de forma ampla essas diferenças para que tais serviços não possam
causar prejuízos.
As autoras colocam que a psicoterapia, tanto online quanto presencial, tem o
potencial de reparar ou desestruturar a psique, usando, como por exemplo, a aliança
terapêutica, quando não realizada corretamente, misturando as funções dos
atendimentos online, o manejo das práticas se torna inadequado, trazendo mais
aspectos negativos que positivos.
Rodrigues (2014)ressalta as vantagens do atendimento remoto pelo fato dele
ser uma ferramenta de auxílio para o atendimento presencial, podendo evitar faltas,
possibilitar o atendimento de pessoas em regiões afastadas, em outros países, com
dificuldade de transportes e locomoção e pacientes que viajam com muita frequência,
e para pacientes que possuem dificuldade com o atendimento face a face visando não
perder a possibilidade de uma terapia e a continuidade da mesma, aumentando a
flexibilidade de horário, diminuição dos custos como aluguel, luz e agua.
Rodrigues (2014) destaca em seu texto
[...] arrola como potenciais vantagens da psicoterapia online, além de
propiciar maior acessibilidade, a conveniência, o desenvolvimento de senso
de responsabilidade no paciente e capacitação dele para conhecer a si
mesmo e interpretar os problemas conforme sua própria visão de mundo

Ainda segundo Rodrigues e de Araújo Tavares (2016), a experiência da


psicoterapia online é positiva no processo de avaliação das sessões durante o
processo, mesmo que elas variem a cada sessão. Com a avaliação qualitativa, o
processo permitiu concluir que a construção da relação terapêutica online, apesar dos
desafios e vantagens, é muito semelhante à presencial, incluindo o fato da correlação
entre a aliança terapêutica ser estável e bem estabelecida e os resultados positivos
dos processos terapêuticos.
Temos em contra partida segundo Rodrigues (2014) as desvantagens, há
muitas perdas no contato visual, ou seja, perda de ações e comportamentos do
paciente pela limitação causada pelo tamanho da tela ou falha de rede, perda na fala
dos pacientes novamente por questões de rede e dificuldades com o sigilo e
confiabilidade das conversas.
21

Para Rodrigues e de Araújo Tavares (2016), o atendimento psicológico ainda


pode gerar mal-entendidos interculturais e problemas de jurisdição comparados aos
atendimentos face a face. Para os pacientes existem dúvidas a respeito da
confidencialidade das consultas e conversa se sobre as maneiras de assegurar que
ambas as partes estão em segurança, tanto para os riscos quanto para os benefícios,
dentre outros aspectos envolvidos.

.
3.2 OS DIFERENCIAIS DO ATENDIMENTO PRESENCIAL E ONLINE

Pieta e Gomes (2014) indicam que as diferenças entre o atendimento


presencial e online na TCC investigado em diversas pesquisas estrangeiras não
resultou em uma diferença significativa entre os atendimentos. Ou seja, a interação,
aliança e o relacionamento nas duas modalidades apresentaram resultados similares
mesmo com transtornos diferentes, atendimentos individuais ou grupais. O
ambiente/setting tradicional terapêutico não demostrou diferenças possíveis de serem
evidenciadas.
Os resultados obtidos foram similares aos encontrados na terapia
tradicional, mesmo quando efeitos de interação como tipo de terapia online
(se auto monitorada ou provida por um profissional), tipo de medida de
resultados, tempo de medida de resultados (pós-terapia ou follow-up), tipo de
transtorno, abordagem terapêutica e modalidade de comunicação. (PIETA E
GOMES, 2014)

Rodrigues (2014) denomina a psicoterapia online como um atendimento


psicológico que se assemelha ao presencial, porém sob mediação virtual. Cita, ainda,
que existem dois tipos de comunicação na terapia virtual: assíncrona quando o contato
é simultâneo, por exemplo, via Skype, Google Meet, Zoom, etc.e a assíncrona quando
a conectividade não precisa ser simultânea por exemplo, pelo WhatsApp, e-mail e
mensagens.
.
Pieta e Gomes (2014) explicitam algumas diferenças entre psicoterapia e as
intervenções online: a primeira se refere precisamente às terapias realizadas de modo
virtual síncrona ou assíncrona e não exclui a possibilidade de encontros presenciais.
Já intervenções baseadas na internet são referentes a programas computadorizados
de terapia com CD e DVDs com atividades, realidade virtual, aplicativos para
22

computador e celular, podendo ou não ter a participação direta de um terapeuta. Esses


programas podem ser fornecidos em websites ou prescritos e têm como função ajudar
na prevenção e auxiliar no tratamento. Porém,
Os autores concluíram que um mínimo de contato com o terapeuta é
necessário para reduzir o abandono de terapia e para aliviar os sintomas. As
terapias online auto monitoradas apresentaram maior índice de abandono e
efeitos reduzidos em comparação com as que envolveram interação com o
terapeuta. (PIETA E GOMES, 2014)

3.3 A ADERÊNCIA DO ATENDIMENTO ONLINE

Segundo Singulare e Sarte(2017) a terapia online no exterior há mais de dez


anos cresce com resultados positivos. A aderência aos tratamentos não apresenta ter
diferenças do atendimento tradicional, e, muitas vezes, é facilitada pela ampla
possibilidade de atendimento, pois o paciente pode estar em casa, em viagem etc.
Junto a isso foi visto que tratamentos sem a participação do terapeuta têm
apresentado resultados positivos.
Pieta e Gomes (2014) pontuam que uma boa participação do paciente deriva
muito de como o terapeuta irá se relacionar com o ambiente virtual e com o próprio
paciente. Segundo as autoras, as terapias auto monitoradas, nas quais o paciente tem
pouca interação com terapeuta e apenas cumpre tarefas partir do objetos online,
proporcionam um maior índice de abandono quando comparadas a uma terapia com
contato mesmo que apenas visual ou por telefone ou presencial.
Porém, Pieta e Gomes (2014) apud Titov (2011) afirmam que tratamentos feitos
virtualmente, mesmo que com baixa interação do terapeuta, quando bem formulados
e devidamente estruturados podem vir a atingir bons resultados.
Os autores concluíram que um mínimo de contato com o terapeuta é
necessário para reduzir o abandono de terapia e para aliviar os sintomas. As
terapias online auto monitoradas apresentaram maior índice de abandono e
efeitos reduzidos em comparação com as que envolveram interação com o
terapeuta. (PIETA E GOMES, 2014)

É evidenciado que existem aspectos que atrapalham a adesão e a


desconcentração do paciente e terapeuta como por exemplo a internet não ter com
boa recepção ou falhar, estar em um local não privado, a mal estruturação do
ambiente do computador ou celular usado tendo distrações como mensagens e-mails,
dificultando a concentração dele. (PIETA E GOMES, 2014)
23

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com a pandemia Covid-19, o mundo teve de se adaptar diante do sofrimento


psíquico causado pelo isolamento social, pela doença e mortes de amigos e parentes,
como indica Pimentel (2020), para quem a pandemia do Corona vírus trouxe ao
contexto mundial diversas e profundas mudanças na vida cotidiana das pessoas , seja
um resultado do distanciamento social (físico), isolamento domiciliar e/ou em
quarentena o que potencializou as demandas da população brasileira na realidade
social digital e virtual, como a angústia, depressão, a ansiedade que ameaçam a boa
saúde mental.
Entre os aspectos negativos e positivos dos atendimentos online com base na
abordagem da Terapia Cognitivo Comportamental, discutido no presente trabalho, e
embora seja uma prática relativamente recente permitida no Brasil, há de se notar que
os benefícios para o bem-estar psíquico da sociedade só tendem a aumentar com o
bom uso das tecnologias empregadas pelos psicólogos. Desde que, aconteça um
mínimo de contato entre terapeuta e paciente para que o abandono da terapia, mesmo
que virtual, não ocorra (PIETA E GOMES, 2014).
Há elementos científicos fundamentais para o bom exercício profissional do
atendimento online descritos neste trabalho. Teorias claras, que embasam tanto
cientificamente como eticamente, são apresentadas pelos autores da TCC. Em
particular, na visão de Rodrigues e de Araújo Tavares (2016), de que a experiência da
psicoterapia online é positiva segundo avaliação das sessões, há feedback positivo
no processo terapêutico aplicado de modo virtual, embora ainda haja aspectos
negativos e inseguranças e muito a se descobrir no trabalho de atendimento de forma
mediada.
Por isso, se faz necessário mais estudos sobre a prática terapêutica online no
Brasil onde há uma escassez de material, pesquisas e estudos. Muitos dos materiais
procedem de países estrangeiros como Estados Unidos, França, Portugal etc., pelo
fato da terapia de modo virtual ser algo mais comum, enquanto a prática no Brasil está
apenas iniciando.
24

O uso das TICs é algo inevitável, já que o crescimento por adesão às mesmas
é diário. Todos os dias somos bombardeados com novas tecnologias, meios e modos
de se comunicar digitalmente e o psicólogo deve estar informado, e disposto a
aprender e usufruir do uso dessa ferramenta em sua atuação profissional. O psicólogo
que conseguir separar um tempo para aprender e compreender as nova formas de
estar mais próximo de seus pacientes, tanto virtualmente quanto pessoalmente,
poderá ampliar a sua rede de atuação. Pois, tanto o profissional quanto o paciente ao
entender e usar as tecnologias da informação e comunicação, sentirão a sensação de
insegurança e exposição minimizadas. Rodrigues (2014) indica se paciente e
terapeuta têm conhecimento da ferramenta que está sendo utilizada a tendência é
haver uma diminuição na fala dos pacientes das questões de rede e dificuldades com
o sigilo e confiabilidade das conversas.
Ao longo desse trabalho foi demostrado por diversos autores que não há
diferença significativa na aliança formada entre terapeuta e paciente, em virtude do
modo (presencial ou virtual) de relacionamento, pois durante o processo de avaliação
permitiu concluir que a construção da relação terapêutica online, apesar dos desafios
e vantagens, é muito semelhante à presencial (RODRIGUES E TAVARES, 2016),
Essa conexão deve ocorrer em ambos os tipos de atendimento, pois é algo vital na
construção da relação com o paciente. Pieta e Gomes (2014) reiteram que uma boa
participação do paciente deriva muito de como o terapeuta irá se relacionar com o
ambiente virtual e com o próprio paciente. Dai a necessidade do psicólogo não ter
preconceitos diante das tecnologias e aprender a operá-las de maneira quase que
natural ao aguçar o seu fazer e olhar mediado.
Por fim, pode-se perceber que a adesão da terapia de modo virtual está em
ascensão, justamente pelo mundo moderno caminhar diariamente para um uso cada
vez crescente da tecnologia, com novas ferramentas e meios de trabalho que podem
auxiliar tanto paciente quanto terapeuta. Porém, ressalta-se que a efetividade desse
atendimento, depende da qualidade da relação entre paciente e terapeuta – da aliança
terapêutica propugnada em bases científicas pela TCC - independentemente da
terapia ser presencial ou por meios virtuais, de modo síncrono e assíncrono.
25

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