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Caderno de Orientações para

Jornada Pedagógica

EDUCAÇÃO INFANTIL

Governador
Camilo Sobreira de Santana
 
Vice-Governadora
Maria Izolda Cela de Arruda Coelho
 
Secretária da Educação
Eliana Nunes Estrela
 
Secretário Executivo de Cooperação com os Municípios
Márcio Pereira de Brito
 
Coordenadora da Coordenadoria de Educação e Promoção Social
Francisca Aparecida Prado Pinto

Articuladora da Educação e Promoção Social


Antônia Araújo de Sousa

Assessora Técnica da Coordenadoria de Educação e Promoção Social


Sandra Maria Silva Leite
 
Orientadora da Célula de Apoio e Desenvolvimento da Educação Infantil
Aline Matos de Amorim

Equipe do Eixo de Currículo e Formação de Professores


Ellen Damares Felipe de Queiroz
Francisca Aline Teixeira da Silva Barbosa
Genivaldo Macário de Castro
Santana Vilma Rodrigues
Wandelcy Peres Pinto

Equipe do Eixo de Gestão da Educação Infantil


Iêda Maria Maia Pires
Mirtes Moreira da Costa
Rosiane Ferreira da Costa Rebouças
Temis Jeanne Filizola Brandão dos Santos

Organizadora
Aline Matos de Amorim
Wandelcy Peres Pinto

Autores
Aline Matos de Amorim
Ellen Damares Felipe de Queiroz
Francisca Aline Teixeira da Silva Barbosa
Genivaldo Macário de Castro
Iêda Maria Maia Pires
Temis Jeanne Filizola Brandão dos Santos
Wandelcy Peres Pinto

Design Gráfico
Aline Matos de Amorim
Francisca Aline Teixeira da Silva Barbosa

Sumário
Apresentação 07

Asas da imaginação... 09

O ninho: nossas bases legais 10

Uma revoada: a intersetorialidade na Educação Infantil 12

Asas de águia: conversando com a equipe gestora 13

Fortalecendo as asas: o olhar para os cuidados socioemocionais na unidade escolar


Temporada de migração: procedimentos legais para ajustar a rota
Ajustando as penas e traçando a rota: o Projeto Político-Pedagógico (PPP) na prática
Área de preservação: para além de receber com segurança... acolher!
Para o alto e avante: construindo a jornada pedagógica de 2022
Plano de ação

Batendo as asas: conversando com as professoras(es) 30

Um ninho no coração: cuidados socioemocionais para professoras(es) acolhedoras(es)


Voar voar... subir subir: o planejamento de práticas pedagógicas de professoras(es) para
acolhida de bebês e crianças
Voar em V: estratégias para um voo de longas distâncias
Várias trajetórias sob o mesmo radar: a documentação pedagógica
Migrando em um mundo de mudanças: a transição pedagógica da Educação Infantil
para o Ensino Fundamental
Voando pela primeira vez: a primeira semana letiva

Abra suas asas: dicas de leitura e aprofundamento 41

Para (não) concluir a jornada... 45

Referências 46
Apresentação
Caríssimas(os) Gestoras(es) e Professoras(es),

É com alegria que damos boas-vindas ao novo ano que se inicia e apresentamos as orientações
para a Jornada Pedagógica de 2022, a serem utilizadas pelas(os) profissionais da Educação
Infantil com o objetivo de apoiar a escola - gestoras(es) e professoras(es) - na organização, no
planejamento e na execução do plano de ação para o início do ano letivo.

Construído pela Equipe da Célula de Apoio e Desenvolvimento da Educação Infantil (CADIN),


no âmbito da Coordenadoria de Educação e Promoção Social (COEPS), este Caderno de
Orientações para a Jornada Pedagógica da Educação Infantil 2022 busca nortear ações
pedagógicas que promovam reflexões sobre as bases legais e outros estudos, a partir da
formação continuada, para fortalecer as perspectivas teórico-metodológicas de gestoras(es) e
de professoras(es), sugerindo ações e esclarecendo pontos importantes para o planejamento
letivo, a saber: intersetorialidade; plano de ação; proposta de calendário da jornada
pedagógica; matrícula e corte etário; registro escolares; Projeto Político Pedagógico (PPP);
preparação para o retorno, considerando os cuidados sanitários contra a Covid-19; preparação
do espaço escolar para receber as crianças e suas famílias; transição da Educação Infantil para
o Ensino Fundamental; avaliação; cuidados socioemocionais, dentre outros.

Assim, desejamos que este material, construído coletivamente, possa contribuir com as
reflexões, ações e metas das Instituições de Educação Infantil, a fim de que se busque, cada
vez mais, possibilitar uma educação que promova equidade e qualidade para bebês e crianças
cearenses.

Célula de Apoio e Desenvolvimento da Educação Infantil - CADIN

07
Asas da imaginação...

Amar é ter um pássaro pousado no dedo.


Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar.
(Rubem Alves)

Como é bom poder imaginar um mundo melhor, mais justo e feliz para nossas crianças! Como já
disse Rubem Alves, elas são como pássaros e o nosso papel, enquanto profissionais da Educação, é
fortalecer suas asas e garantir que os voos sejam o mais seguro possível. Por isso, decidimos
começar nosso diálogo falando sobre as asas! Como podemos fortalecê-las, como podemos ajudar a
“criar asas”, se nós não compreendermos seu real sentido?

Para muitos, as asas trazem leveza e liberdade. É a possibilidade de alçar voos, de mudar, de se
transformar. Para algumas etnias indígenas, por exemplo, as penas e as plumas simbolizam a
imersão em rituais e cerimônias socioculturais. Para algumas religiões, as asas são sinônimo de
espiritualidade (por vezes associadas a anjos).

Na antiguidade greco-romana, temos símbolos que remetem


às asas, como o Caduceu de Mercúrio (hoje também símbolo
das Ciências Contábeis), que reflete a união da terra com o ar,
do corpo com a mente… O filósofo Platão, em seu mito de
Fedro, também traz a figura das asas, na corrida entre deuses
e humanos, com seus cavalos e carruagens alados,
simbolizando a corrida ao divino, à perfeição.

Para nós, além de todo esse simbolismo, as asas nos


remontam à ESPERANÇA! A crença de que tudo pode ser
Imagem retirada de: crcsp.org.br
melhor e de que um mundo mais justo e feliz pode ser
oportunizado para todos os bebês e crianças cearenses.
Este Caderno de Orientações para a Jornada Pedagógica da Educação Infantil 2022 convida você,
assim como almejamos para nossas crianças, a também sair do ninho, a enrijecer as asas, a apoiar-
se uns nos outros e, em revoada, compartilharmos nossa rota.
Vamos migrar juntas(os)?

09
O ninho:

Nossas bases legais


"Inútil. A gaiola
nunca aprisiona
as penas do canto.”
(Yeda Prates Bernis)

Mesmo dentro de uma gaiola, os pássaros continuam voando e cantando. Nesta perspectiva, o
Governo do Estado do Ceará vem emitindo vários decretos e outros instrumentos normativos com
orientação e intenção de manter as atividades escolares em funcionamento, apesar "da gaiola" da
pandemia, e assim assegurar o direito à educação e à aprendizagem de bebês e crianças, de forma
remota e/ou híbrida, sem perder o foco na preservação da vida.

Aqui ressaltamos três decretos: o de nº 34.324, o de nº 34.399 e o de nº 34.418, os quais orientam para o
retorno das atividades presenciais e para a permanência das medidas de isolamento social contra a
Covid-19 no Estado do Ceará. Diante desses documentos, algumas atividades foram liberadas.

O Decreto Governamental, de nº 34.324, publicado dia 30 de outubro de 2021, dispõe as seguintes


orientações sobre as atividades presenciais de ensino:

Art. 4o Permanecem liberadas, nos mesmos termos e condições, as


atividades presenciais de ensino já anteriormente autorizadas, sem
limite de capacidade de alunos por sala, observado o distanciamento
mínimo previsto em protocolo sanitário.

§ 1o Continuam autorizadas as instituições de ensino a proceder à


transição da modalidade do ensino híbrido para o ensino presencial
integral, inclusive para a realização de avaliações a serem aplicadas no
horário normal definido para as aulas, assegurada, contudo, para todos
os efeitos, a permanência no regime híbrido ou virtual aos alunos que,
por razões médicas comprovadas mediante a apresentação de atestado
ou relatório, não possam retornar integral ou parcialmente ao regime
presencial.

§ 2o As atividades a que se referem este artigo deverão ser


desenvolvidas preferencialmente em ambientes abertos, favoráveis à
reciclagem do ar, além do que deverão respeitar o distanciamento, os
limites de ocupação e as demais medidas sanitárias previstas em
protocolo geral e setorial. (CEARÁ, 2021).

10
O Decreto Governamental de nº 34.399, de 13 de novembro de 2021, trouxe a dispensa para o
cumprimento do distanciamento mínimo adequado em sala de aula.

O último Decreto Governamental de nº 34.418, de 27 de novembro de 2021, emitido pelo Governo


trouxe as seguintes orientações na Seção II, sobre as atividades de ensino:

Art. 4º Das atividades de ensino, permanecem liberadas, nos mesmos


termos e condições, as atividades presenciais de ensino já anteriormente
autorizadas, sem limite de capacidade de alunos por sala.

§ 1º O cumprimento do distanciamento mínimo em sala de aula poderá


ser dispensado para aqueles estabelecimentos que exijam o passaporte
sanitário, nos termos deste Decreto, como condição de acesso ao local
por professores, colaboradores e alunos com idade igual ou superior a 12
(doze) anos.

§ 2º Continuam autorizadas as instituições de ensino a proceder à


transição da modalidade do ensino híbrido para o ensino presencial
integral, inclusive para a realização de avaliações a serem aplicadas no
horário normal definido para as aulas, assegurada, contudo, para todos
os efeitos, a permanência no regime híbrido ou virtual aos alunos que,
por razões médicas comprovadas mediante a apresentação de atestado
ou relatório, não possam retornar integral ou parcialmente ao regime
presencial.

§ 3º As atividades a que se refere este artigo deverão ser desenvolvidas


preferencialmente em ambientes abertos, favoráveis à reciclagem do ar,
além do que deverão respeitar o distanciamento, os limites de ocupação

e as demais medidas sanitárias previstas em protocolo geral e setorial,


observado o disposto no § 1º, deste artigo.

Dessa forma, podemos observar que os decretos não obrigam o retorno, mas compreendem que
precisamos ficar em alerta e orientam para que cada sistema de ensino e sua rede escolar possam
fazer sua opção pelo retorno presencial, conforme sua estrutura de ensino e suas condições
sanitárias.

Atenção!

Recomendamos que as instituições de ensino consultem os decretos de seu


município.

11
Uma revoada:
a intersetorialidade na Educação Infantil

“Uma andorinha só não faz verão.””


(Dito Popular)

A Rede Nacional da Primeira Infância incentivou, no ano de 2010, que todos os municípios
elaborassem o que chamaram de Plano Municipal da Primeira Infância, com base no Plano
Nacional da Primeira Infância. O plano nacional orienta o cumprimento de todos os direitos de
bebês e crianças e visa fortalecer e ampliar a intersetorialidade. Um dos objetivos principais para
conjugar essas ações mobilizadoras, de vários setores governamentais e não governamentais, são
ações de proteção absoluta e integral, nas áreas de educação, saúde, ação social, fortalecendo os
vínculos familiares e valorização da cultura e do lazer.

Nesse sentido, cabe às(aos) gestoras(es), professoras(es) e demais profissionais da Educação


Infantil continuar dando celeridade, sinergia e cooperação, conjugados com os vários setores da
sociedade para ampliar a visão e o atendimento holístico e intersetorial, com vistas ao atendimento
integral e integrado de qualidade, para bebês e crianças.

De acordo com o Guia Intersetorial - RNPI (2015, p.16) é importante nessa caminhada, definir
objetivos e metas para um planejamento multisetorial, além disso, ele recomenda que sejam
elaboradas perguntas que possibilitem diagnosticar ações que foram e ou que estão sendo
realizadas, em seu município, com este propósito.

Aqui no Ceará temos um exemplo muito profícuo de ações intersetoriais com o Programa Mais
Infância Ceará¹. O Governo do estado adotou políticas de intervenções que fortalecem e valorizam
a garantia de todos os direitos de bebês e crianças, desde a Educação Infantil. São políticas que
fortalecem o vínculo familiar, a valorização de ações formativas para profissionais que atuam junto
as famílias, por meio de visitas domiciliares. Outro aspecto que faz parte da política é a proteção
absoluta de maus-tratos, essas ações orientam, também, para a importância das interações e do
livre brincar como elemento fundamental para o desenvolvimento integral das crianças.

É papel da escola pensar em ações intersetoriais, contínuas, que garantam a qualidade e equidade
da Educação Infantil e que assegurem os direitos e benefícios dos bebês, das crianças e das famílias
cearenses.
12
Para saber mais sobre o Programa Mais Infância, acesse o e-book: https://www.ceara.gov.br/wp-content/uploads/2019/07/EBook-MaisInfanciaCeara-
2019.pdf
Asas de Águia:
conversando com a gestão

“Não importa o ninho, se o ovo é de águia.”


(Abraham Lincoln)

Estamos iniciando um novo ano e com ele grandes desafios e boas perspectivas para a primeira etapa da
Educação Básica! Sabemos da importância da Educação Infantil para o desenvolvimento social, emocional,
cultural e cognitivo de bebês e de crianças.

Consideramos aqui dois elementos fundamentais para construção de uma Educação Infantil de qualidade:
uma delas é uma boa relação entre escola e família e a outra é a necessidade de que a Instituição de Educação
Infantil seja um espaço onde as crianças possam interagir, brincar, conversar, construir algo junto com
outras crianças e com adultos de referência, aprendendo e se desenvolvendo por meio de vivências lúdicas
que assegurem seus direitos.

A Educação Infantil é entendida como um espaço que promove educação e cuidado, por meio de interações,
de brincadeiras que fortalecem vínculos emocionais, sociais, e que promovem o desenvolvimento integral de
bebês e de crianças, além de assegurar seus direitos de aprendizagem.

Lembramos que você, gestora(or) escolar, é uma peça fundamental nesta caminhada e contamos com seu
apoio para gerenciar esse recomeço das crianças da Educação Infantil.

Para apoiá-la(o) nesta caminhada, vamos falar sobre cuidados socioemocionais?

13
Fortalecendo as asas: o olhar para os cuidados
socioemocionais na unidade escolar

A comunidade escolar está voltando ao exercício de suas atividades presenciais. Após um longo
período de distanciamento social, com esse retorno, surge a necessidade da gestão escolar pensar
em como lidar com a reconfiguração da continuidade das práticas pedagógicas na Educação
Infantil.

Todos estão voltando ao “modo presencial” na instituição escolar, ou seja, todos e, aqui focando
as(os) professoras(es), voltam a frequentar a escola, usufruindo da estrutura física escolar (salas de
referência, pátios, brinquedotecas, parquinhos, bibliotecas, brinquedos) e do convívio com as
crianças. Elas, nos exercícios de suas interações e brincadeiras, voltam a vivenciar suas
experiências lúdicas e psicomotoras compartilhadas com seus pares, intensificando o corpo a
corpo, presencialmente, acompanhadas de seus professores.

A volta às atividades presenciais requer cautela, paciência e cuidado ao estado psicológico de


todas(os) que compõem a comunidade escolar, para assim, voltarmos emocionalmente harmônicos
e saudáveis.

Este é um momento que convida as(os) gestoras(es) escolares a lançar um olhar especial no retorno
da aprendizagem presencial, firmando sua atenção em si e nas(os) professoras(es), observando
como as(os) docentes estão retornando às suas atividades presenciais, afinal foi um longo período
marcado por muitos desafios, medos, isolamento social, perdas etc. Este tempo de agora requer,
sim, como sempre e com mais intensidade, um grande cuidado e zelo, afinal é preciso fazer uma
nova transição do trabalho docente remoto para o trabalho com práticas pedagógicas presenciais.

Gestoras(es), convidamos vocês a semearem os cuidados socioemocionais, olhando atentamente a


todos e a cada uma/um das(os) docentes, atentas(os) sobre como cada uma/um das(os)
professoras(es) está lidando com suas próprias emoções e como estão se relacionando consigo, com
a gestão, com seus pares e com as crianças. Ser capaz de colaborar, lidar com capacidade de
solucionar problemas e mediar os conflitos que naturalmente aparecem na rotina escolar diz
respeito às habilidades socioemocionais de cada docente.

É importante que as(os) gestoras(es) compreendam que o papel da(o) professora(or) na educação
integral da criança tem um compromisso com a aprendizagem, com o desenvolvimento cognitivo,
afetivo e psicomotor articulado pela educação socioemocional, propiciando o desenvolvimento de
aprendizagens para que professoras(es) e crianças sejam capazes de serem autônomas(os), capazes
de lidar com os desafios sociais, que saibam enfrentar seus problemas, que saibam dar soluções
por si mesmos, lidando com suas questões emocionais de forma saudável, ampliando a
sensibilidade das crianças, desde a infância, seres humanos mais sensíveis, que sabem se
relacionar de forma eficaz e ética, consigo e com os outros em sua vida diária.

Neste quesito o papel da(o) professora(or) é de grande relevância na educação da infância, visto que
as crianças aprendem muito mais pela experiência das interações vividas com os outros e com o
meio do que pelo que lhes é dito e imposto como regras. E assim surge a questão:

14
Como as(os) gestoras(es) podem contribuir com
seus(suas) professoras (es) para o desenvolvimento
dos cuidados socioemocionais das crianças?

É importante lembrar que as(os) professoras(es) são espelhos para suas crianças, afetando-as com
seus atos, atitudes e posturas, fato que nos convoca a pensar:

Como os professores fragilizados poderão dar suporte


socioemocional às suas crianças?

Este momento solicita que as(os) gestoras(es) priorizem algumas formas de escuta, acolhimento e
cuidados endereçados às(aos) docentes, fortalecendo uma rede de cuidados que se estendem e
afetam toda a comunidade escolar.

Dialogar fazendo uma escuta ativa, a fim de potencializar o fortalecimento dos laços nas
relações pessoais e de trabalho.

Procurar compreender as condições emocionais de cada um(a) das(os) docentes e assim


compreender como estão retornando ao trabalho presencial.

Oferecer apoio diante dos possíveis desafios, mostrando que estão todas(os) juntas(os) e
de mãos dadas.

Evitar julgamentos diante de algum impasse referente ao retorno presencial e propor


ajuda mostrando que o docente pode contar com o apoio da equipe gestora.

A instituição escolar é um ambiente de educação e de cuidados e de grandes construções de


conhecimentos e neste momento de retorno às atividades presenciais deve ser intensificado,
como um lugar de acolhimento e escuta, estabelecendo uma atmosfera propícia para interações
humanas afetivas e sociais. As atitudes pessoais com base nos cuidados socioemocionais, no
convívio da instituição escolar, são contribuições fundamentais para a formação de cidadãos
socialmente responsáveis por si, e colaboram para que cada um aprenda a lidar com suas próprias
emoções, assim como a se posicionar nas relações com os outros de sua comunidade escolar.

As(Os) professoras(es), quando fortalecidas(os) emocionalmente, colaboram naturalmente com o


desenvolvimento de suas crianças. Os cuidados socioemocionais assumem um papel importante
e necessário para que gestoras(es), professoras(es) e outros profissionais da escola se fortaleçam
no exercício de suas funções e adquiram controle consciente de suas próprias emoções.

Afinal, a condição necessária para que as(os) gestoras(es) possam acolher docentes, bebês,
crianças e famílias é que estejam bem. É assim que podemos pensar numa rede de apoio e
cuidados socioemocionais dentro de uma comunidade escolar.
15
Temporada de migração: procedimentos legais para
ajustar a rota

Diretoras(es) e coordenadoras(es), conversaremos agora sobre os aspectos legais que a escola


precisa ficar atenta no fechamento do ano letivo de 2021 e na organização dos documentos de cada
criança. Essas informações podem lhe ajudar na finalização de um ciclo letivo de trabalho e início
do outro. Veja as questões que trouxemos:

Como ficou o encerramento do ano escolar, quanto à carga horária e à promoção das
crianças da Educação Infantil em 2021/2022?

Como foi feito o registro do histórico escolar das crianças - 2021?

Como estão as matrículas de bebês e crianças em 2022?

E o corte etário, como fica depois da pandemia?

E a quantidade de crianças, em sala, por faixa etária?

A carga horária no encerramento de 2021

O Conselho Nacional de Educação, por meio da Resolução nº 2 do CNE, de 5 de agosto de 2021,


institui as Diretrizes Nacionais orientadoras para a implementação de medidas no retorno à presencialidade
das atividades de ensino e aprendizagem e para a regularização do calendário escolar.

Nesta mesma Resolução, no CAPÍTULO II - das DISPOSIÇÕES GERAIS que tratam da


EDUCAÇÃO BÁSICA – o Art. 4º diz:

As instituições escolares de Educação Básica,


observadas as diretrizes nacionais editadas
pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), a
Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e as
normas a serem editadas pelos respectivos
sistemas de ensino, ficam dispensadas, em
caráter excepcional, diante da situação
específica da persistência da pandemia da
COVID-19:

I - Na Educação Infantil, da obrigatoriedade


de observância do mínimo de dias de trabalho
educacional e do cumprimento da carga
horária mínima anual previstos no inciso II do
art. 31 da Lei nº 9.394/1996 [...] (BRASIL, 2021)

16
O trecho acima nos mostra, no parágrafo I, que na Educação Infantil não há a obrigatoriedade do
cumprimento mínimo de dias letivos (200 dias) e do cumprimento da carga horária (800 h/a),
enquanto durar o tempo pandêmico. É importante frisar que o Parecer do CEE 299/2020 concedeu,
“durante o estado de calamidade, reconhecido pelo Decreto no 6, de 20 de março de 2020, [...]”, o
abono de 60% de frequência às crianças da Educação Infantil.

Atenção!

Diante do exposto, considerando o dispositivo legal, estadual, supracitados, reitera-se


que, enquanto persistir o estado de calamidade ocasionado pela pandemia da COVID-
19, ficam abonadas as faltas para as crianças da Educação Infantil.

A promoção das crianças da Educação Infantil

O Conselho Estadual de Educação/CEE, por meio do Parecer nº 0386/2021, trata sobre o


encerramento os dois anos letivos de 2020 em 2021, sobre como as escolas poderiam proceder o
encerramento desses dois anos e como poderiam fazer o registro de escrituração escolar no
contexto da pandemia, atualizando e prorrogando os efeitos do Parecer nº 0299 de 10 novembro
2020.

O Conselho Nacional de Educação, por meio da Resolução nº 2 do CNE, de 5 de agosto de 2021,


institui as Diretrizes Nacionais orientadoras para a implementação de medidas no retorno à presencialidade
das atividades de ensino e aprendizagem e para a regularização do calendário escolar.

Nesta mesma Resolução, no CAPÍTULO II - das DISPOSIÇÕES GERAIS que tratam da


EDUCAÇÃO BÁSICA – o Art. 4º diz:

g) Assegurar o direito à promoção automática


dos estudantes da educação infantil e do 1° e 2º
anos do ensino fundamental: Os estudantes da
educação infantil I, II, III e IV terão promoção
automática ao nível subsequente, assim como
os estudantes do infantil V ao 1º ano.
Recomenda-se que, quando do início das
atividades presenciais, as escolas desenvolvam
ações de acolhimento e avaliação
socioemocional com as crianças. (CEARÁ, 2021.
Grifos nossos)

17
Atenção!

Recomendamos que as instituições de ensino consultem o Conselho Municipal de


Educação de seu município. Na ausência dele, pode-se observar o disposto pelo
Conselho Estadual de Educação | CEE.

Registro do histórico escolar

De acordo com a Lei no 12.796/2013, uma atualização da LDB 9394/1996 no seu Art. 31, determina
que a Educação Infantil seja organizada de acordo com regras comuns, no que se refere ao registro
das crianças. Diante a escola precisa observar o seguintes direcionamento:

V- Expedição de documentação que permita atestar


os processos de desenvolvimento e aprendizagem da
criança - observação crítica e criativa das atividades;
utilização de múltiplos registros realizados por
adultos e crianças (relatórios, fotos, desenhos);
continuidade dos processos de aprendizagens por
meio da criação de estratégias adequadas aos
diferentes momentos de transição vividos pela
criança; documentação específica que permita às
famílias conhecer o trabalho da instituição com as
crianças; e a não retenção da criança na Educação
Infantil.

IV- Controle de frequência pela instituição de


educação pré-escolar, exigida a frequência mínima de
60% (sessenta por cento) do total de horas; (BRASIL,
2013, p. 17)

Com a pandemia, a escola precisou reorganizar suas ações pedagógicas, registro e


acompanhamento das atividades escolares. Houve mudanças no espaço de aprendizagem e no
acompanhamento direto dessas ações. Antes da pandemia as atividades pedagógicas aconteciam
somente na escola, em caráter presencial. Durante a pandemia essas atividades passaram a ser
realizadas de forma remota, com a participação das(os) professoras(es), no panejamento das ações,
mas realizadas diretamente (presencial) pelos pais e/ou cuidadoras(es).

Diante disso, o registro do acompanhamento das aprendizagens das crianças da Educação Infantil
passou a ter um novo procedimento orientado pelo Parecer do CEE, nº 299 de novembro de 2020 (e
ratificada pelo Parecer 0386/2021), que apontava para o abono da exigência da frequência mínima
de 60% na Educação Infantil.

Observe:

18
EIXO II - Orientações para o Registro Escolar
A orientação para o registro escolar será dada
para cada uma das situações propostas no Eixo
I.

Situação 1

O resultado do desempenho acadêmico dos


estudantes que tiveram o ano letivo finalizado à
luz do Projeto Pedagógico e Regimento de cada
instituição, assim como a frequência mínima
obrigatória, concedida por este Parecer, serão
registrados na Ficha Individual do Aluno e no
Histórico Escolar. (BRASIL, 2021)

Atenção!

Recomendamos que as instituições de ensino consultem o Conselho Municipal de


Educação de seu município. Na ausência dele, pode-se observar o disposto pelo
Conselho Estadual de Educação | CEE.

Matrículas e o corte etário na Educação Infantil em 2022

Em 2020 e 2021, com o avanço da Covid-19, bebês e crianças tiveram perdas que deixaram marcas em
seu desenvolvimento integral e que, com certeza, serão evidenciadas em seu retorno presencial em
2022. Diante desse cenário, precisamos continuar fortalecendo todos os laços afetivos e nos
comprometer com um trabalho competente e de qualidade, para minimizar os efeitos nefastos
oriundos das consequências da pandemia. Sabemos que esse é um novo tempo e a escola, a cada dia,
se reinventa e precisa continuar planejando, com base em seu PPP, novas estratégias para trazer de
volta à escola seus bebês, crianças e família, acolhendo-os com amorosidade, respeito e humanidade.

Temos ciência de que professoras(es) e gestoras(es) estão fazendo de tudo para que haja motivação,
ambiente e espaços acolhedores, preparados com todas as orientações sanitárias para que todas(os)
se sintam motivadas(os) a permanecerem convivendo, brincando, aprendendo e interagindo
harmoniosamente dentro das instituições e em seu entorno.

Sabemos também que, com a pandemia, a Educação Infantil sofreu altas taxas de evasão escolar,
apesar das buscas ativas que gestoras(es) e professoras(es) realizaram nesse período. Muitas escolas
não conseguiram contato com algumas famílias e consequentemente diversas crianças, que estavam
matriculadas, não realizaram suas atividades - mesmo em casa orientadas pela escola. Esse contexto
se deu por diversos motivos, tais como a inacessibilidade às ferramentas digitais e ausência de
suporte dos familiares. Fatores esses que influenciaram negativamente na aprendizagem e no
desenvolvimento das crianças.

Essas situações acendem um alerta para as especificidades da Educação Infantil.


19
Atenção!
As matrículas de bebês e de crianças são efetuadas considerando o corte etário.
Diante disso, bebês e crianças que participaram ou não das atividades (incluindo
as famílias que não foram encontradas, por exemplo) terão o mesmo direito à
matrícula em 2022, asseguradas por meio da legislação do corte etário.

Vejam o que estabelece o Artigo 5º, da legislação que orienta sobre o corte etário, definido pela
Resolução do CNE/ CEB no 5/2009:

- A Educação Infantil, primeira etapa da


Educação Básica, é oferecida em creches (0 a
3 anos) e pré-escolas (4 e 5 anos) [...].

• § 2°. É obrigatória a matrícula na


Educação Infantil de crianças que
completam 4 ou 5 anos até o dia 31 de março
do ano em que ocorrer a matrícula.

• § 3o. As crianças que completam 6 anos


após o dia 31 de março devem ser
matriculadas na Educação Infantil.
(BRASIL, 2009. Grifos nossos).

Quantidade de crianças por turma na Educação Infantil

O Parecer do MEC, via CNE/CEB nº 20/2009, indica que as escolas de Educação Infantil devem
organizar suas turmas com a quantidade de crianças estabelecidas na seguinte orientação:

Atenção!

O número de crianças por professor deve possibilitar atenção, responsabilidade e


interação com as crianças e suas famílias.

20
Levando em consideração as características do espaço físico da unidade escolar e das crianças, no
caso de agrupamentos com criança de mesma faixa de idade, recomenda-se:

Número de crianças Faixa etária

Proporção de 6 a 8 crianças por


Crianças de zero a um ano.
professora(or).

Proporção de 15 crianças por


Criança de dois e três anos.
professora(or).

Nos agrupamentos de crianças de


Proporção de 20 crianças por
quatro e cinco anos.
professora(or).

(Adaptado de BRASIL, 2009, p.13).

Gestoras(es), é importante lembrar que essa organização precisa ser explicitada às famílias e
amplamente dialogada com os demais segmentos da comunidade escolar.

21
Ajustando as penas e traçando a rota: o Projeto
Político-Pedgógico (PPP) na prática

“As crianças têm seu canto da


manhã, como os pássaros.”
(Victor Hugo)

Diretoras(es) e coordenadoras(es), vocês certamente já ouviram falar do que é um Projeto Político-


Pedagógico (PPP). Como já vimos em outros documentos, ele é o norteador que representa a
identidade da escola, ou seja, a proposta educacional de uma instituição escolar, de forma a
organizar e integrar o trabalho pedagógico, envolvendo toda a comunidade na definição de metas e
prioridades, em articulação com a Base Nacional Comum Curricular, Diretrizes Curriculares
Nacionais para a Educação Infantil, Documento Curricular Referencial do Ceará e documento
municipal.

Sabemos que o PPP para a Educação Infantil também se configura como uma importante
ferramenta para o planejamento e a realização de todas as atividades, portanto, é fundamental que
ele seja conhecido, discutido e revisado de acordo com as políticas públicas educacionais vigentes.
O documento de Parâmetros para Promoção da Qualidade e Equidade da Educação Infantil
Cearense, publicado pela Secretaria da Educação do Estado do Ceará, apresenta, na dimensão 3,
parâmetro I, os indicadores pertinentes à elaboração, à revisão e ao acompanhamento do PPP,
cujas ações devem ser realizadas de maneira democrática e participativa, para o fomento ao direito
de aprendizagem e desenvolvimento integral de bebês e das crianças.

22
Outra publicação que pode orientar a construção e/ou atualização do PPP é o Caderno de Gestão
Pedagógica da Educação Infantil – fascículo 1, lançado em 2021, cujo texto traz elementos
indispensáveis para subsidiar nosso entendimento acerca da relevância desse projeto para as
creches, pré-escolas e escolas que ofertam Educação Infantil, além de toda comunidade escolar.
No referido caderno, são apresentados os marcos situacional, doutrinal ou filosófico e operacional
que caracterizam o PPP, bem como sugestões de como alinhar a Gestão Participativa às
necessárias discussões sobre o projeto, e alinhar a Formação profissional com a elaboração do
documento.

Utilizado como guia, o projeto político-pedagógico


pode auxiliar a gestão escolar e o corpo docente nas
tomadas de decisões de acordo com as necessidades
e demandas que surgem ao longo de cada ano
letivo. Por meio dele, é possível retomar e rever toda
a proposta educacional, avaliando as ações e
projetos pedagógicos que lograram êxito e aqueles
que precisam ser melhorados, sob a análise de cada
segmento escolar.

Vale ressaltar que após sua elaboração ou


atualização, o PPP precisa ser “desengavetado”,
tornar-se um documento vivo, acessível para toda
comunidade escolar no que diz respeito às
discussões e às reflexões pertinentes às
necessidades e sua adequação à realidade das
unidades de Educação Infantil.

23
Área de preservação: para além de receber com
segurança...acolher!

Nos últimos meses de 2020 e em 2021, o Governo estadual propôs o retorno seguro das atividades
presenciais nas escolas, portanto os cuidados com nossas crianças, com as(os) professoras(es) e com
todas(os) que fazem a escola devem seguir os protocolos sanitários e os decretos publicados, com o
intuito de reduzir os riscos de transmissão e tornar o ambiente seguro para todos que participam da
instituição.

Atenção!

Gestora(or),
Consulte o “Guia Estratégico para implementação do Contexto Híbrido e
retorno ao presencial na Educação Infantil: vínculo escola-família” para
rever orientações sobre a temática de organização de espaços.

24
Fonte: https://www.saude.ce.gov.br/2021/09/08/afericao-de-temperatura-deixa-de-ser-obrigatoria-nos-estabelecimentos-cearenses/

É de extrema importância que a unidade escolar procure promover o bem-estar e a qualidade


de vida das(os) professoras(es), das nossas crianças e de seus familiares. É necessário seguir
os princípios legais e observar as necessidades de cada município. Conforme o Guia
estratégico, toda prestação do serviço educacional da escola deve acontecer de acordo com o
PROTOCOLO SETORIAL ESPECÍFICO Nº 18 - ATIVIDADES EDUCACIONAIS.

Atenção!

O álcool em gel não deve ser utilizado por crianças menores de 5 anos. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda o uso obrigatório de
máscaras em crianças menores de 5 anos.

25
Um ambiente acolhedor

O acolhimento e a escuta deve ser uma ação integrada de toda a equipe da instituição de Educação
Infantil, desde a gestão escolar, as(os) professoras(es) e as(os) demais profissionais. Ao iniciar esse
novo ano letivo, faz-se necessário ter um olhar cuidadoso para esse momento tão importante.

Numa perspectiva integradora, a relação família-escola é um diferencial na construção de uma


educação de qualidade, pois ambas constituem-se como bases fundamentais para o
desenvolvimento físico, emocional, social e intelectual das crianças. Segundo FARIAS (2015),

O acolhimento na educação infantil é um dos pilares para a construção de uma relação de


parceria entre família e escola, além de constituir-se como elemento fundamental na rotina
do trabalho pedagógico em diferentes espaços e tempos na educação infantil (FARIAS, 2015,
p.1743).

Para tanto, é necessário que a instituição de Educação Infantil faça um planejamento que
contemple atividades receptivas envolvendo os pais e responsáveis, para que possam se sentir
parte do processo de aprendizagem e do cotidiano escolar de seus filhos, tomando conhecimento
da proposta pedagógica da unidade escolar, através do Projeto Político-Pedagógico, conhecendo a
gestão, os docentes e os funcionários, visitando os espaços e, numa perspectiva democrática,
participando não somente das reuniões, mas também dos projetos pedagógicos durante o ano
letivo, fortalecendo o vínculo família-escola, para que juntas possam dialogar e sugerir ações e
estratégias que possibilitem a promoção e qualidade da educação de bebês e crianças.

Quanto ao acolhimento às crianças, é imprescindível que a instituição de Educação Infantil


considere a criança como protagonista do seu processo de aprendizagem, a partir de projetos
escolares e atividades que promovam sua autonomia e reconheçam seus saberes e suas
habilidades, de acordo com a Resolução Nº 5 de 17 de dezembro de 2009, Art. 4º

As propostas pedagógicas da Educação Infantil deverão considerar que a criança, centro do


planejamento curricular, é sujeito histórico e de direitos que, nas interações, relações e práticas
cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, fantasia,
deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e
a sociedade, produzindo cultura.

Desde o primeiro dia até o encerramento do ano letivo, o acolhimento deve estar presente na
rotina escolar das crianças, através de atividades lúdicas e estratégias pedagógicas que despertem
seu protagonismo e desenvolvam diversas aprendizagens.

Atenção!

O álcool em gel não deve ser utilizado por crianças menores de 5 anos. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda o uso obrigatório de
máscaras em crianças menores de 5 anos.

26
Para o alto e avante: Construindo a jornada
pedagógica de 2022

Gestoras(es),

Após empreendermos os pontos-chaves para encerrar o ano letivo de 2021 e começarmos 2022,
vamos construir juntas(os) nossa jornada pedagógica? Compreendendo a autonomia que as
unidades escolares possuem para, a partir de seus diversos contextos, estabelecer uma rotina de
jornada, neste caderno vamos partir do que é essencial para o primeiro dia e o que não deve ser
deixado de lado nos demais.

Assim, cada creche, pré-escola e escola que oferta Educação infantil pode se organizar de acordo
com suas necessidades, utilizando quantos dias achar melhor e mapeando as trajetórias que mais
refletem suas práticas.

27
Plano de Ação
A todo mundo eu dou psiu, perguntando por meu bem
tendo o coração vazio, vivo assim a dar psiu
sabiá vem cá também [...]

Sabiá, de Luiz Gonzaga


1º dia de voo: fortalecendo as asas da comunidade escolar

Momento lúdico para acolhida da comunidade escolar - professoras(es), auxiliares,


gestoras(es), familiares.
MOMENTO ESCOLA - FAMÍLIA

* Gestoras(es), convidem previamente as famílias das crianças matriculadas para este momento. Mães,
pais, avós e/ou cuidadores podem ser convidados por WhatsApp, SMS, ligações.

Diálogo e escuta ativa da comunidade.

* Sugerimos uma dinâmica de apresentação e de escuta, na qual as famílias possam falar sobre suas
dificuldades, seus receios, seus desejos e as expectativas para o ano letivo.
O momento precisa ser curto, considerando as atividades das famílias. É preciso compreender também
que o foco, neste momento, são os adultos de referência e não as crianças, embora elas sejam o centro do
processo.

Palestra sobre os cuidados socioemocionais para o desenvolvimento infantil

* Esta oferta precisa ser bem planejada, com adaptação da linguagem, a fim de atender o público-alvo e
dinamicidade.
MOMENTO GESTÃO - DOCÊNCIA

Construção de Pauta Coletiva, pela equipe de gestores e corpo docente, a partir da


avaliação da escuta da comunidade escolar.

Palestra sobre o arranjo Curricular da Educação Infantil (jogando luz sobre a BNCC, o
DCRC e as OCPC).

Momento de estudo sobre decretos que fundamentam as ações no contexto


pandêmico e na retomada das atividades presenciais (Decreto 0386 /2021).

28
Diversos voos para uma jornada

Após as ações do primeiro dia de jornada pedagógica, o que colocaremos aqui são diversos
caminhos que podem ser seguidos de formas diferentes em cada unidade escolar. O importante é
que os pontos sejam abordados, respeitando a autonomia da escola e os vários contextos
socioculturais.

Pareceres e decretos

PPP

Guia Estratégico para Implementação do Contexto

Híbrido na Educação Infantil

Material Estruturado Nova Escola Ceará

Documentação pedagógica

Relatórios e diagnósticos coletivos e individuais

Calendário escolar

Ambientes de aprendizagem

1º P IL A R 2º PILAR IL A R
3 º P
Destacamos os momentos de Ressaltamos a construção coletiva
leitura crítica e estudos dos do calendário letivo, atentando-se
Evidenciamos o caráter documentos normativos, pois ao plano de ações traçado pelo
interativo e dialógico do são pontos fundamentais e serão município e aos momentos de
processo, uma vez que os base para a construção de celebrações coletivas de cada
papéis desempenhados por propostas didáticas. comunidade escolar. Além do
gestoras(es), professoras(es)
calendário, é necessário conversar
Nesse sentido, sugerimos que sua sobre a documentação
e famílias são
instituição realize esse momento pedagógica, a qual envolve “a
complementares e, portanto,
alternando entre trabalhos conjugação de três ações
essenciais. individuais, trabalhos em pequenos inseparáveis: observação, registro
grupos e ações com o coletivo de e reflexão.” (CEARÁ, 2019, p. 174,
profissionais da Instituição. grifos do documento).

CEARÁ, 2021, p. 07

29
Batendo as asas:
Conversando com as(os) professoras(es)

As andorinhas voltaram
E eu também voltei
Pousar num velho ninho
Que um dia aqui deixei.
(As andorinhas, Tonico & Tinoco)

Um ninho no coração: cuidados socioemocionais


para professoras(es) acolhedoras(es)

É chegado o momento da transição do trabalho pedagógico na Educação Infantil, que ficou de


modo remoto durante o auge da pandemia por causa da COVID-19 e agora vai passando para o
trabalho presencial. Como a escola está se preparando para receber as crianças nas atividades
presenciais? Quais os cuidados e apoios para acolher bem as crianças?

Professoras(es), crianças e alunas(os) são convidadas(os) a pensar sobre os possíveis desafios neste
retorno. Este é um momento em que as(os) docentes são convocados a lançar mão de uma máxima
capacidade de observação para compreender como todas as crianças (e como cada uma) estão
chegando à escola. O foco do momento deverá se pautar numa escuta ativa, assim como identificar
como estão suas estruturas socioemocionais. Às(os) professoras(es), também cabe lançar mão de
seus saberes e práticas dos cuidados socioemocionais como estratégias fundamentais para
colaborar com as famílias e crianças a enfrentarem os possíveis desafios referentes ao retorno
presencial.

A tônica deste momento é acolher e cuidar com o intuito de criar um vínculo afetivo de confiança
através do diálogo e de outras práticas possíveis de cunho lúdico e artístico, como jogos
psicomotores. Esses laços de confiança se estabelecem numa cadeia de cuidados socioemocionais.
Professoras(es) bem acolhidas(os) e confiantes afetam emocionalmente as crianças com mais
confiança e assim se fortalecem proliferando essa potente rede de acolhimentos e cuidados. 30
Para Wallon, não há aprendizagem sem afetividade e, quando ele afirma isso, está dizendo que,
para aprender, é fundamental que a criança esteja segura e imbuída de bons afetos, pois são estes
que lhes provocam expansão para o desejo de aprender.

É importante lembrar que estamos vivendo os efeitos causados pela pandemia e, por esta razão, o
ponto de partida é pensar num programa interventivo, criando ações restauradoras e
fortalecedoras nas relações pessoais na instituição escolar. A finalidade deste momento é observar
que cada uma das crianças solicita um tipo específico de cuidado e, dentre elas, algumas irão lidar
bem e outras podem enfrentar grandes dificuldades neste retorno ao presencial.

Portanto, quando as(os) professoras(es) optam por uma postura de acolhimento, estão declarando
o cuidado da instituição escolar endereçado às crianças e às famílias. Assim, assume um papel de
fundamental importância diante dos possíveis desafios nesta situação de transição. É desta forma
que as famílias, a escola e as crianças estreitam seus laços e constroem um senso de comunidade.
Estas são condições essenciais para enfrentar e superar os problemas e desafios nesta fase de
transição, e esta é uma condição para o fortalecimento de toda comunidade escolar, estimulando
os cuidados socioemocionais, tendo como foco basilar os cuidados, a resiliência, a abertura ao
novo, a amabilidade, o engajamento com os outros e a autogestão, assinalando que, apesar das
dificuldades, temos sim a grande capacidade de aprender e superar desafios de modo saudável.

É de extrema importância que as(os) gestoras(es) e professoras(es) se preparem para acolher as


crianças que estão retornando às atividades presenciais, e lembrar que elas não estão retornando
de um feriado prolongado ou férias, mas estão voltando de um longo período de pandemia e de
muitas privações sociais, lúdicas e psicomotoras.

É de extrema relevância escutar atentamente, abrindo espaços para


família e crianças, para que todos sintam-se abrigadas(os), sentindo que a
escola é um lugar de cuidado e acolhimento seguro.

Criar condições favoráveis para trocas de experiências nas salas de


referência e demais espaços das instituições de Educação Infantil,
oportunizando às crianças a dizerem como elas estão se sentindo
emocionalmente neste retorno ao presencial.

Perguntar sempre no início do dia como elas estão se sentindo e o que


querem falar sobre o momento presente. Cada dia é um novo dia e algo de
novo sempre pode acontecer!

Este é um momento favorável para escutar e perceber as condições


socioemocionais das crianças, registrando, respeitando e criando
maneiras para a permanência de modo saudável na escola.

O acolhimento e os cuidados socioemocionais das crianças neste retorno ao presencial, devem ser
de toda a instituição escolar, com o apoio máximo das(os) gestoras(es), afinal, as(os)
professoras(es) não conseguem fazer isso sozinhas(os). Faz-se necessário acolher, criando espaços
para escuta e saber como as crianças estão se sentindo. É importante identificar os sentimentos
que elas estão expressando, propiciar espaços para elas entrarem em contato com estes
sentimentos, falar sobre eles e desdobrá-los em desenhos, pinturas, jogos e/ou brincadeiras.
Quanto mais a criança entra em contato com os seus sentimentos, mais ela se conscientiza de
como está vivenciando cada momento e assim ela organiza-os. Afinal, quanto mais ela conhece e
sabe o que está vivenciando, mais há possibilidade de ela ter um maior controle de si mesma. 31
Voa voar… subir subir: o planejamento de práticas
pedagógicas de professoras(es) para acolhida de
bebês e crianças

Para falar de planejamento, vamos relembrar as orientações do


Caderno de Jornada Pedagógica do ano de 2021? Ele trouxe a
seguinte questão:

O que é a acolhida de bebês e crianças na


Instituição de Educação Infantil?

No ano passado, falamos sobre o que é e como pode ser o


acolhimento dentro da Escola de Educação Infantil e como a
intencionalidade pedagógica pode fazer a diferença no
atendimento às necessidades emocionais, físicas, educativas e
de cuidados para criança na primeira infância.

Este ano, com o avanço da retomada das atividades presenciais, é importante refletirmos sobre as
ações relacionadas à acolhida calorosa, humana, lúdica e potencializadora da socialização, da
interação e da construção de vínculos afetivos entre bebês, crianças e adultos de referência (na
família e na escola).

A sugestão é criar espaços intencionalmente adequados para as crianças expressarem seus


sentimentos e outros conteúdos internos por meio de desenhos, colagens, pinturas com
possibilidades de diálogos sobre suas experiências artísticas e criativas, assim como também, criar
espaços para brincadeiras e jogos.

Quais estratégias poderão ajudar a planejar e concretizar o acolhimento de bebês


e crianças?

Para início de conversa, precisamos de um grupo de pessoas que possam entender que bebês e
crianças vivem vários tipos de transição, sejam elas relacionadas às mudanças de espaços, isto é, à
saída de casa para a escola, ou mesmo à saída do convívio familiar para o convívio com colegas e
demais profissionais; mas também relacionadas às mudanças dentro das etapas da creche, da
creche para a pré-escola e da pré-escola para o Ensino Fundamental. Se o acolhimento for bem
planejado em todas essas fases, levando em consideração todas essas mudanças, certamente bebês
e crianças serão beneficiados(as).

Então, vamos pensar juntas(os) nesse planejamento?

32
A organização dos ambientes de aprendizagens

A organização dos espaços pode ser realizada de acordo com a faixa etária e com os objetivos de
aprendizagem e de desenvolvimento mobilizados. As salas de referências de bebês de 0 a 2 anos e
de crianças de 2 a 5 anos são estruturadas de maneira diferente, a fim de acolhermos contextos
diferentes. Junto com a equipe gestora, vocês podem olhar o que dizem os Parâmetros para a
Promoção da Qualidade e Equidade da Educação Infantil Cearense e efetivar as mudanças
necessárias.

O importante é que estes espaços possam potencialmente oferecer diferentes possibilidades de


brinquedos e materiais, diversas possibilidades de exploração sensório-motora, materiais
expressivos estruturados e não estruturados, livros adequados aos bebês e crianças, de modo que
todos possam usufruir do que lhes é oferecido e adequado às suas necessidades.

Professoras(es),
Vocês encontrarão o detalhamento dos espaços e
ambientes da Educação Infantil na dimensão 04
Atenção! (Espaços, materiais e organização dos ambientes), do
documento de Parâmetros para a Promoção da
Qualidade e Equidade da Educação Infantil
Cearense.

Recomendamos que o termo acolhimento possa ser usado no lugar de


“adaptação”. De acordo com BOLSI (2011, p.10), “adaptação significa ajustamento
e acomodação [...]. E devemos rejeitar essa ideia de adaptação por ter conotação de
conformismo e submissão.” Cientes disso, sugerimos que sejam feitas leituras e
reflexões sobre os documentos norteadores da Educação Infantil, desde as
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, passando pela
BNCC e pelo DCRC, até os documentos que explicitem os direitos
fundamentais das crianças, a fim de subsidiar as práticas pedagógicas de
acolhimento e de cuidados.

33
Voar em V: estratégias para um voo de longas
distâncias

Como sabemos, em bando as aves voam no formato de “V”. Essa estratégia é utilizada para
percorrer longas distâncias e não fragilizar os pássaros, que se revezam em suas posições ao longo
do percurso.

Assim como as aves, professoras(es) também podem utilizar-se de subsídios pedagógicos para
fortalecer suas práticas, de acordo com as diversas realidades em que estão imersos e,
principalmente, considerando as várias infâncias. Uma das estratégias pedagógicas é a utilização
do material educacional Nova Escola Ceará, que foi pensado e escrito em parceria com um grupo
de consultores convidados e profissionais da Educação Infantil do estado do Ceará.

Material Estruturado Nova Escola Ceará

Como sabemos, em bando as aves voam no formato de “V”. Essa estratégia é utilizada para
percorrer longas distâncias e não fragilizar os pássaros, que se revezam em suas posições ao longo
do percurso.

Assim como as aves, professoras(es) também podem utilizar-se de subsídios pedagógicos para
fortalecer suas práticas, de acordo com as diversas realidades em que estão imersos e,
principalmente, considerando as várias infâncias. Uma das estratégias pedagógicas é a utilização
do material educacional Nova Escola Ceará, que foi pensado e escrito em parceria com um grupo
de consultores convidados e profissionais da Educação Infantil do estado do Ceará.

O material está alinhado à BNCC (BRASIL, 2017) e o DCRC (CEARÁ, 2019) e objetiva assegurar os
direitos de aprendizagem e desenvolvimento de bebês e crianças, respeitando as especificidades do
currículo de Educação Infantil e a realidade dos municípios cearenses. Ele cumpre com a missão
de apoiar o planejamento e a execução das atividades a serem desenvolvidas por professoras(es)
que estão em sala, em contato direto com bebês e crianças.

O material é composto por dois volumes para cada faixa etária da Educação Infantil (bebês,
crianças bem pequenas e crianças pequenas), divididos em unidades. Cada unidade traz um
conjunto de Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento e Campos de Experiências respeitando
as orientações do Documento Curricular Referencial do Ceará (DCRC). As atividades são
apresentadas por meio de duas organizações didáticas: atividades recorrentes e sequências
didáticas.
34
As atividades recorrentes podem ser permanentes e não trazem uma sequência progressiva de
ações. As sequências didáticas guardam progressão entre si, ou seja, a segunda atividade faz
sentido após a primeira, e assim sucessivamente.

Professoras(es), vamos pensar juntas(os)?

Como o Material Educacional Nova Escola Ceará pode ser útil na prática de
atividades do dia a dia na escola de Educação Infantil com bebês e crianças?

Como esse material pode servir de reflexão e orientação para o trabalho da(o)
professora(or)?

O Material Estruturado Nova Escola Ceará propõe atividades tendo como referência as concepções
de criança protagonista, competente, participativa, potente e capaz, considerando-a como centro
do planejamento. Há sugestões que respeitam a realidade das escolas de Educação Infantil e é
fundamentado em teorias e práticas que levam em consideração o desenvolvimento integral de
bebês e de crianças bem pequenas e pequenas.

Nele, professoras(es), vocês encontrarão uma seção voltada para a relação escola - família,
buscando integração nas diferentes ações das crianças, como é o caso abaixo:

Seção “Como engajar a família”, que traz orientações para que os adultos de
referência possam acompanhar e participar do desenvolvimento das(os)
suas(seus) filhas(os).

Além desta seção, há perguntas para guiar as observações da(o) professora(or) durante a realização
das atividades, dicas de espaços onde podem ser realizadas as atividades e materiais utilizados
nelas, sugestões de filmes e livros e indicações para o momento de preparação e planejamento,
realizados antes das atividades.

No ano de 2020 e 2021, a CADIN publicou uma série de cadernos, cards e podcasts com jogos e
brincadeiras, a fim de também apoiar as práticas pedagógicas de professoras(es). O projeto,
denominado Brincando em Família, fortaleceu os vínculos afetivos entre a escola e a família num
dos períodos mais críticos da educação: a pandemia de coronavírus. Em 2021, algumas atividades
propostas foram adaptadas do material estruturado Nova Escola Ceará, somadas a um encarte
especial para bebês e contações de histórias infantis, via Youtube.

Vejam alguns exemplos:


35
Todo o material pode ser encontrado no site:
https://idadecerta.seduc.ce.gov.br/

Atenção!

Professoras(es),
Lembramos que este material visa apoiar o seu trabalho em todos os
momentos (desde o planejamento e a preparação até a execução da atividade).
Os cards, podcasts e demais materiais trazem brincadeiras e jogos que
possibilitam experiências e vivências de bebês e das crianças na Educação
Infantil cearense.

36
Várias trajetórias sob o mesmo radar: a
documentação pedagógica

Professoras(es), trazemos aqui algumas questões para refletirmos sobre a avaliação e o


planejamento, que são elementos diretamente interligados. Lembramos que as práticas cotidianas
precisam refletir a intencionalidade pedagógica. Como já conversamos sobre a avaliação da
aprendizagem, ela deve ser realizada na escola de Educação Infantil, não deve ter a finalidade de
reprovação ou promoção das crianças, como está na Resolução 05/09 do CNE.

A finalidade primordial é proporcionar o acompanhamento do desenvolvimento e o


aprimoramento do trabalho docente, cuja finalidade não é apontar as crianças que têm dificuldade
ou mesmo as que não alcançaram um determinado nível de desempenho, mas perceber
potencialidades que podem ser impulsionadas.

A avaliação deve, especialmente, ser um instrumento de reflexão sobre as práticas pedagógicas,


focando num planejamento que promova oportunidades, a fim de que as crianças possam interagir
e brincar e que atendam de forma lúdica, interativa e contínua as reais necessidades e interesses de
aprendizagens e desenvolvimento delas.

Outro ponto de destaque é considerar os diversos contextos de aprendizagem para que a avaliação
seja fidedigna, observando todas as especificidades das faixas etárias das crianças. Para tanto, o
registro pedagógico, coletivo e individual, é um instrumento de referência que abre diferentes
possibilidades para a(o) professora(r) registrar o processo de aprendizagem e desenvolvimento
seus(suas) bebês e crianças.

Migrando em um mundo de mudanças: a


transição pedagógica da Educação Infantil para o
Ensino Fundamental

Professora(or), a equipe de profissionais da Célula de Apoio e Desenvolvimento da Educação


Infantil - CADIN publica, bimestralmente, um caderno que trata sobre a transição pedagógica
entre as etapas e uma série de entrevistas com especialistas. O caderno apresenta temáticas
relacionadas às práticas das professoras(es) neste processo de transição, com experiências
significativas e abordagens científicas que refletem concepções e teorias para fortalecer a
compreensão da importância dessa transição.

Em 2021, produzimos dois cadernos que trazem as seguintes temáticas:

Afinal , o que é transição?

Impasses e desafios da transição pedagógica

37
Em nossas discussões, destacamos a criança como o centro do planejamento pedagógico e
sugerimos atividades que possibilitem interações e brincadeiras. Quando a criança faz sua
transição para o Ensino Fundamental de forma não harmônica, ela se sente “sozinha” por
encontrar outra realidade, outra organização curricular e uma outra organização do espaço escolar
diferente das que estava imersa e para as quais ela não foi preparada.

Tudo isso se constitui em um grande desafio a


ser perseguido pelas(os) gestoras(es),
professoras(es) e demais profissionais que lidam
com as duas etapas da Educação Básica.

Nossa sugestão é o constante diálogo, por meio de encontros pedagógicos permanentes, que
promovam estudos, reflexões e ações efetivas para melhorar a transição da Educação Infantil para
o Ensino Fundamental. O olhar observador e a escuta atenta das(os) professoras(es) são elementos
essenciais para o processo de desenvolvimento integral das crianças, além de chamar a atenção
para a concepção de criança cidadã, potente e capaz de desenvolver múltiplas linguagens.

Nesse processo, é preciso compreender e respeitar a organização curricular por campos de


experiências, na Educação infantil, e a organização curricular por áreas do conhecimento, no
Ensino Fundamental. É necessário pautar as práticas pedagógicas em experiências que beneficiem
o desenvolvimento integral das crianças em diversos aspectos: cognitivo, afetivo, físico, social,
moral e cultural, garantindo liberdade e dignidade.

Voando pela primeira vez: a primeira semana letiva

Professoras(es),

Para ajudá-las(os) a construir a primeira semana letiva, com foco no acolhimento de bebês e
crianças, sugerimos aqui duas atividades que refletem o que acreditamos e defendemos nas seções
anteriores: a criança no centro do processo e a intencionalidade educativa.

38
Propostas de atividades para acolhimento

Como pode, sem ensino


A gaivota pequenina
Tão menina voar pela primeira vez?

(Gaivota, de Oswaldo Montenegro)

ATIVIDADE 01 - Você conhece?


Esta atividade possibilita que bebês e crianças encontrem, nos seus primeiros dias na escola, um
ambiente de aprendizagem confortável, que suscite segurança.

Para preparar, você precisará de:

- Fotos da família da criança (pedir na jornada pedagógica) com ela.


- Cartolinas e material de corte e colagem.

Transforme as fotos das famílias das crianças em quadros e fixe na sala de referência. Nos
primeiros dias, leve as crianças, em grupo, para ver as fotos, perguntando se ela conhece
as pessoas e quem são elas.
Se possível, convide a família para esse momento, no início do turno. Assim, elas podem
vivenciar essa experiência juntas.

ATIVIDADE 02 - Construindo nossa sala


Esta atividade possibilita que bebês e crianças construam o ambiente de aprendizagens junto
às(aos) professoras(es).
Para preparar, você precisará de:
- Material de desenho, corte e colagem.

Convide as crianças a formarem grupos e pergunte a elas o que elas gostariam de ver nas
paredes da sala de referência (desenhos, fotos, calendário, nomes das crianças…).
Escute-as atentamente e organize os materiais de modo que elas possam construir o que
pensaram e fixar na parede.
Ao final do turno, convide as famílias a verem as paredes da sala, organizando uma
exposição de suas criações.

39
Atenção!

Professoras(es), entendemos que as salas de referências precisam ser lúdicas,


trazendo referências artísticas que façam sentido para bebês e crianças e que
estejam a seu alcance (na direção de seus olhares).
Por isso, acreditamos que tudo o que é exposto e disposto deve ter
intencionalidade educativa.

Para além do “decorar a sala”, precisamos oportunizar aprendizagens para que


as crianças vivenciem esse processo, inserindo-se no ambiente!

Percebam que, nas duas atividades, as crianças estão livres para realizar suas escolhas e as
atividades são desenvolvidas com todo o suporte pedagógico necessário, direcionada pela(o)
professora(or). Mais atividades como essas podem ser encontradas no material estruturado Nova
Escola Ceará e nos materiais de apoio pedagógico disponibilizados pela Célula de Apoio e
Desenvolvimento da Educação Infantil - CADIN.

40
Abra suas asas:
dicas de leitura e aprofundamento

E bem que viu o bem-te-vi


A sabiá sabia já
A lua só olhou pro sol
A chuva abençoou
O vento diz "ele é feliz"
A águia quis saber
Por quê, por quê, por qual será
O sapo entregou
Ele tomou um banho d'água fresca
No lindo lago do amor
Maravilhosamente clara água
No lindo lago do amor
(Lindo lago do amor, Gonzaguinha)

Professoras(es) e gestoras(es),

Nesta seção, vocês encontrarão sugestões de leituras diversas (desde documentos norteadores a
vídeos que tratam sobre Educação Infantil). Para acessá-los, clique nas imagens, abram as asas e
mergulhem nesse lago do conhecimento junto com a gente.

Aproveitem!

41
Base Nacional Comum Curricular - BNCC

Currículo nacional que orienta as práticas pedagógicas de todas as etapas da


Educação Básica.

Documento Curricular Referencial do Ceará - DCRC

Documento elaborado por técnicos da Secretaria da Educação do Estado do


Ceará em conjunto com equipe de consultoria pedagógica, a partir da BNCC. O
documento traz orientações curriculares que se alinham à realidade cearense.

Orientações Curriculares Prioritárias do Ceará - OCPC

Documento elaborado por técnicos da Secretaria da Educação do Estado do


Ceará em conjunto com equipe de consultoria pedagógica que apresenta
orientações para as práticas pedagógicas no período pandêmico.

Parâmetros para Promoção da Qualidade e Equidade da Educação Infantil


Cearense
Documento elaborado pela equipe da Célula de Apoio e Desenvolvimento da
Educação Infantil, da Secretaria da Educação do Estado do Ceará, e as
CREDEs, em conjunto com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e com a
UNDIME.

42
A intersetorialidade nas políticas para a primeira infância

LAFFITE, L.T.G., TUBELIS, P., MAIA, S.V., VITAL, D. (orgs). A


intersetorialidade nas políticas para a primeira infância. 2015. Disponível em
http://primeirainfancia.org.br/wp-content/uploads/2015/07/GUIA-
INTERSETORIAL.pdf Acesso em 22 dez 2021.

A intersetorialidade como estratégia técnica e política da Organização


Mundial da Saúde e do Banco Mundial.

ABREU, C.C. A intersetorialidade como estratégia técnica e política da


Organização Mundial da Saúde e do Banco Mundial. 2017. Universidade
Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas.
Disponível em:Inserir um pouquinho de texto
https://repositorio.ufes.br/bitstream/10/6865/1/tese_11515_Cassiane%20C.%20A
breu.pdf Acesso em 22 dez 2021.

Articulação entre educação infantil e anos iniciais: o direito à infância na


escola!
QUINTEIRO, J.; CARVALHO, D.C. Articulação entre educação infantil e anos
iniciais: o direito à infância na escola! In: FLÔR, D. C.; DURLI, Z. Educação
Infantil e Formação de Professores. Florianópolis: Ufsc, 2012. Disponível em:
https://ndi.ufsc.br/files/2013/09/Livro-educ_infantil-e-
forma%C3%A7%C3%A3o-de-professores.pdf Acesso em: 22 dez. 2021.

Guia para orientar ações intersetoriais na primeira infância

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de


Ações Programáticas Estratégicas. Guia para orientar ações intersetoriais na
primeira infância / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde,
Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Ministério da
Saúde, 2018. Disponível em
https://undime.org.br/uploads/documentos/phprjdlba_5e3064022386d.pdf
Acesso em: 22 dez. 2021.

Programa Mais Infância Ceará

Programa Mais Infância Ceará. Disponível em: https://www.ceara.gov.br/wp-


content/uploads/2019/07/EBook-MaisInfanciaCeara-2019.pdf Acesso em 22 dez
2021.

As ações da Secretaria da Educação do Estado do Ceará, no âmbito da


Coordenadoria de Educação e Promoção Social, por meio da Célula de Apoio e
Desenvolvimento da Educação Infantil, estão imersas no pilar Tempo de
Aprender. Além da produção e publicação de materiais de apoio pedagógico, a
célula oferta e monitora formação para professoras(es) e Gestoras(es) da
Educação Infantil, em rede.

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Como fazer o PPP funcionar

COMO FAZER O PPP FUNCIONAR, You Tube, 2014. 1 vídeo (15 min).
Publicado pelo canal Gestão Escolar. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=s_tnaiuAksM. Acesso em: 23 de
novembro de 2021.

A consultora pedagógica da Revista Gestão Escolar, Maura Barbosa, visita a


escola EMEB Professora Ana Isabel da Costa Ferreira, em Mogi Mirim (SP),
para falar sobre como fazer o PPP funcionar na prática, fazendo análise
conceitual desde a elaboração, problematização dos resultados e
características desse documento, até a adequação do mesmo às necessidades
da escola, de forma a transformá-lo em um documento vivo, funcional,
voltado para promoção e qualidade de aprendizagem das crianças e jovens.
Vale a pena assistir!

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Para (não) concluir...

“Um pássaro a voar: é ir com os olhos a voar com ele;


ir sobre os montes, sobre os rios, sobre os mares;
dar a volta ao mundo e continuar;
é ter um motivo de viver — é não ter chegado ainda.
(Branquinho da Fonseca)

Professoras(es) e gestoras(es),

Durante todo o período de pandemia, unimos esforços e mobilizamos estratégias, com as escolas e
as famílias, para garantir os direitos de aprendizagem das crianças. Nesse sentido, acreditamos
que foi possível, dentro das condições e contextos impostos, desenvolver ações que possibilitassem
o desenvolvimento de bebês e crianças cearenses.

Acreditamos e desejamos que, juntas(os), podemos avançar ainda mais e potencializar o que já foi
realizado, em busca de minimizar os efeitos causados neste ano, para que nossas crianças tenham
oportunidade, de forma equânime, de ter suas próprias experiências e construírem seus saberes de
forma significativa.

Esperamos que as contribuições colocadas neste Caderno de Orientações para a Jornada


Pedagógica da Educação Infantil 2022 possam ser amplamente consideradas, refletidas, estudadas
e utilizadas não só durante a Jornada Pedagógica, mas como na continuidade do ano letivo, nos
momentos de estudos, planejamentos e na reflexão diárias das ações pedagógicas.

Como trouxemos ao longo do caderno, é chegada de voar e (re) fazer mais uma longa jornada e,
inspirados por Branquinho da Fonseca, estamos de asas abertas para, sobre montes, rios e mares,
dar a volta ao mundo e continuar!

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Referências

AMORIM, A.M.(org.) [et al.]. Parâmetros para Promoção da Qualidade e Equidade da Educação
Infantil Cearense. Fortaleza: SEDUC, 2021. Disponível em
https://www.seduc.ce.gov.br/parametros-para-promocao-da-qualidade-da-educacao-infantil-
cearense/ Acesso em: 22 dez. 2021.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução Nº 2, de 9 de Outubro de 2018. Diretrizes


Operacionais complementares para a matrícula inicial de crianças na Educação Infantil e no
Ensino Fundamental, respectivamente, aos quatro e aos seis anos de idade. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/index.php - https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-cne/cp-n-2-
de-5-de-agosto-de-2021-336647801 . Acesso em 16/12/2021

BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº12.796, de 4 de abril de 2013. Altera a Lei no 9.394, de 20 de
dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a
formação dos profissionais da educação e dar outras providências. Brasília, DF, 04 de abril de
2013. Disponível em
https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/3003735 6/do1-2013-
04-05-lei-n-12-796-de-4-de-abril-de-2013-30037348 / Acesso em 22/12/2020. Acesso em: 22 dez.
2021.

BRASIL, Ministério da Educação. Resolução nº 2 de 5 de agosto de 2021. Institui Diretrizes


Nacionais orientadoras para a implementação de medidas no retorno à presencialidade das
atividades de ensino e aprendizagem e para a regularização do calendário escolar. Disponível em
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-cne/cp-n-2-de-5-de-agosto-de-2021-33664780
Acesso em: 22 dez. 2021.

BRASIL, Resolução Nº 5 de 17 de dezembro de 2009, fixa as Diretrizes Curriculares Nacionais para


a Educação Infantil. Diário Oficial da União, Brasília, 18 de dezembro de 2009, Seção 1, p. 18.
Disponível em http://www.seduc.ro.gov.br/portal/legislacao/RESCNE005_2009.pdf Acesso em: 22
dez. 2021.

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BOLSI, C.F. A ACOLHIDA INICIAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL. Rio de Janeiro: [s. n.], 2011. 32 p.
Disponível em:
https://grupoinfoc.com.br/publicacoes/monografias/BOLSI_Carolina_A_acolhida_inicial_na_educ
acao_infantil_Pre_Textuais.pdf. Acesso em: 22 dez. 2021.

CEARÁ. Secretaria da Educação do Estado do Ceará. Caderno de Gestão Pedagógica - Contextos


Educacionais, fascículo 1. Fortaleza: SEDUC, 2021.
Disponível em: https://idadecerta.seduc.ce.gov.br/index.php/fique-por-
dentro/downloads/category/345-2021-03-02-12-35-46 Acesso em: 22 dez. 2021.

CEARÁ. Conselho Estadual de Educação, Parecer nº 0386, de 17 de novembro de 2021. Responde à


consulta da Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc) sobre o encerramento dos anos
letivos de 2021 e 2022 e sobre procedimentos em relação aos registros de escrituração escolar
diante do contexto da pandemia, a serem adotados pelo sistema de ensino estadual, suas
instituições e redes escolares, públicas, privadas, comunitárias e confessionais e prorroga os
efeitos do Parecer CEE no 0299, de 10 de novembro de 2020, até 31 de dezembro de 2022, e dá
outras providências. Disponível em https://www.cee.ce.gov.br/wp-
content/uploads/sites/49/2021/03/PAR.0386.2021.pdf Acesso em: 22 dez. 2021.

FARIAS, F. C. Pode entrar a casa é sua! O Acolhimento na Educação Infantil e a Relação Família -
Escola. In: Pesquisa apresentada no XII Congresso Nacional de Educação, PUC/PR, 2015.
Disponível em: https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/20180_10104.pdf Acesso em: 22 dez.
2021.

SECRETARIA DA SAÚDE (Ceará). Aferição de temperatura deixa de ser obrigatória nos


estabelecimentos cearenses. In: Secretaria da Saúde (SESA). Fortaleza, 8 set. 2021. Disponível em:
https://www.saude.ce.gov.br/2021/09/08/afericao-de-temperatura-deixa-de-ser-obrigatoria-nos-
estabelecimentos-cearenses/. Acesso em: 22 dez. 2021.

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