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UFRJ – CLA – EBA Desenho Industrial – Teoria da informação e comunicação Professor: José

UFRJ CLA EBA Desenho Industrial Teoria da informação e comunicação Professor: José Augusto Aluna: Nathália Cirne DRE: 111232190 2011/01

Lógica da mistificação, ou: O chicote da Tiazinha

Na linguagem articulada a comunicação entre o falante e o ouvinte ultrapassa a barreira do anímico comum, ou seja, ele deixa de se comunicar como animais ao emitirem os mesmo sons e passa a se comunicar como o homem. Nela é possível diferenciar o falante do ouvinte, sendo o primeiro, o responsável transmitindo uma mensagem respondível ao último, o ouvinte respondente. A linguagem articulada possibilita ao homem criar o futuro com base nos seus ancestrais e apresenta sua plena expressão na linguagem formal. A linguagem formal é onde há a máxima clareza na atribuição das responsabilidades que terminam de libertar o homem de seu isolamento dando-lhe a possibilidade de tomar parte consciente na vida histórica da sociedade inteira. Na sociedade organizada, porém, quando a linguagem formal cumpre os seus fins, a mesma pode ser esquecida e perder a importância, gerando então uma maneira mais flexível e relaxada de comunicação, a linguagem informal. Ao contrário da linguagem formal, a linguagem informal permite criar uma proximidade entre o falante e o ouvinte que acaba “escondendo” a atribuição das responsabilidades. Um dos principais traços dessa linguagem é a possibilidade do falante se manifestar pulando de uma idéia a outra sem precisar conservar a memória de todo o trajeto manifestado, como também descartar a necessidade de responder pela confiabilidade das vias por onde conduz o ouvinte, sendo assim, esse ouvinte acaba se deixando levar como se ele mesmo fosse o falante. Quando a linguagem informal atinge a sociedade política, tudo indica que o senso das responsabilidades estão desaparecendo, onde a liderança foge de toda cobrança se escondendo em uma linguagem capaz de induzir o ouvinte apoiar decisões no qual o mesmo nem conseguiu compreender, e assim acabam sendo culpados por erros que não cometeram. Essa invasão da linguagem informal aos domínios superiores é uma situação alarmante e inequivocadamente a situação brasileira. Esses domínios superiores não devem ser invadidos pela fala informal e jamais conseguiriam tal fato em estado puro pois a mesma seria facilmente identificadas e denunciadas à primeira vista. Para que a informalidade consiga atingir esses domínios ela precisa primeiramente se enfeitar para se passar por uma linguagem aceitável, ou seja, precisa tomar a forma de uma falsa linguagem formal. Criar uma falsa linguagem formal é relativamente simples, basta utilizar o vocabulário de uma determinada área de estudos adaptando-o à moda informal, inserindo nele

maliciosamente todas as opiniões pessoais ou grupais do autor tornando quase impossível para o leitor comum e até aos estudiosos principiantes verificar a veracidade ou falsidade dessas idéias

e opiniões, e ainda assim, esse vocabulário especializado gera uma idéia de respeitabilidade

intelectual (o prestígio do autor também ajuda) de modo que o leitor mesmo quando percebe algo, automaticamente supõe que trata-se de algo simples para esses “dominadores do assunto” que não há necessidade de ser explicitado. Na leitura, se o autor for esperto, o mesmo consegue espalhar vários “sinais de reconhecimentos” como se fossem senhas que induzem o leitor a confirmar que há perfeita harmonia entre seus sentimentos pessoais e o todo o texto. Se o leitor examinasse o texto mais profundamente conseguiria perceber que foi induzido a aceitar idéias absurdas, sendo enganado

e desrespeitado, onde essas idéias jamais seriam aceitadas por ele se o sentido delas estivessem realmente claros. Devido à essas artimanhas do autor, a leitura simplesmente deixa de ser uma reflexão para se tornar uma sugestão hipnótica de afinidades ilusórias.

Usando esse tipo de linguagem um escritor consegue em poucas páginas ou palavras induzir o leitor ou ouvinte a acreditar em erros e e confusões que por compactação dos mesmos, não poderão ser identificados senão mediante a técnicas lógicas não conhecidas pelo leitor típico que é dirigido, o estudante, o militante operário, a dona de casa, ou mesmo o homem letrado sem treino especial de filosofia. Como exemplo, no texto de D. Marilena, por meio de técnicas absurdas é possível ser conduzido a aceitar mansamente diversas idéias que se revelam assutadoramente infantis. Segundo D. Marilena na teoria das quatro causas que privilegia a causa final e a ideologia inconsciente de uma sociedade aristocrática, essa causa final corresponde ao senhor que dá as ordens do alto de seu castelo sendo essa causa final a inteligência contemplativa, a classe dominante, e a causa eficiente, a inteligência prática, o escravo que mete a mão na massa para transformar a realidade é relegado humilhantemente ao segundo plano, sendo assim a classe dominada. A analogismo fácil, o esquematismo barato dá a essas explicações mais que uma credibilidade automática, de repente e sem qualquer esforço o leitor se sente num posto de observação mais elevado que o de Aristóteles e Descartes, de onde é possível observar as forças sociais que determinaram inconscientemente o curso do pensamento desses dois filósofos, e então, esse leitor imaginava ingenuamente estar descrevendo fenômenos objetivos da realidades, porém, coitado, estava apenas repetindo o discurso do interesse de classe, isto é, da aristocracia escravagista e da burguesia industrial. Nessa magia de argumentação elíptica, D. Marilena consegue num texto tão breve fazer o leitor engolir tantas mentirinhas tolas, principalmente se o mesmo não leu os expositores originais da teoria da ideologia. Todas essa elipses enganosas correspondem aos silogismos controversos da dialética aristotélica (silogismos que tomam como universalmente aceitar certas premissas que não são de maneira alguma universalmente aceitas) montados de maneira oculta. Há nisso uma arte e deve- se reconhecer. Por isso, o mistificador se benificia não só da distração do leitor como também do efeito dissuasivo do comodismo humano e das limitações do espaço que a imprensa torna inviável a publicação de análises e críticas que desmascariam o renome científico de centenas de mandarins acadêmicos.