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EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO, DE IMPEDIEMENTO OU DE

INCOMPATIBILIDADE
As exceções, estão previstas a partir do art. 95 do Código de Processo Penal,
sendo que a doutrina considera com um meio de defesa indireta, que vai
ocorrer no momento em que estiver ausente alguma das condições da ação a
saber (legitimidade, interesse de agir, possibilidade jurídica do pedido, justa
causa) ou de seus pressupostos subjetivos e objetivos.
As exceções possuem regras, previstas no art. 111 do CPP, onde serão
processadas em autos apartados e como regra não possuem efeito
suspensivo.
Exceção de suspeição:
Ao falar de suspeição, faz-se necessário trazer o princípio da imparcialidade do
juiz, como sendo essencial ao devido processo legal. Consoante explica em
sua obra (Fábio Roque 2018, pág.56), “ A imparcialidade do juiz deve ser
objetiva (competência fixada antes do fato) e subjetiva (sem impedimentos –
art. 252, CPP, - Sem incompatibilidade – art. 253, CPP – e sem suspeições –
art. 254,CPP) ”.
Conforme explica, Nestor Távora, que quem alega é chamado de excipiente, já
excepto é a pessoa em face de quem se alega uma exceção. Que podem ser,
os magistrados art. (98, do CPP), os membros do MP (art. 104, CPP), os
peritos, interpretes, funcionários da justiça e serventuários (art. 105 do CPP) e
os jurados (art. 448 e 44, CPP).
A suspeição possui natureza dilatória, visa o afastamento do juiz do processo,
para que ocorra este afastamento faz-se necessário, uma petição
fundamentada, assinada pela própria parte ou por procurador com poderes
especiais (art. 98, do CPP).
É necessário saber quem são os legitimados para opor a exceção, consoante
explica o art. 98 do CPP, é legitimado qualquer das partes. Podendo ser o
acusado, o querelado, o querelante e o Ministério público. Sendo que Nestor
Távora, e boa parte da doutrina entende que o assistente de acusação também
possui legitimidade.
O juiz também possui legitimidade para reconhecer de oficio sua parcialidade,
que deverá fazer por escrito, declarando o motivo legal, remetendo de imediato
ao seu substituto legal (art. 97 do CPP).
Quanto ao momento, a parte ao tomar conhecimento da parcialidade do juiz,
poderá em qualquer ocasião dentro do curso do processo, opor exceção.
Conforme, Norberto Avena, explica em sua obra, caso seja descoberto a
parcialidade do juiz após a sentença, observando o disposto no art. 254, CPP,
a parte poderá pleitear anulação, onde deverá ser alegada em sede de recurso
nas preliminares. Ocorrendo o transitado em julgado a decisão, sendo de
sentença absolutória os atos não serão anulados. Sendo uma sentença
condenatória poderá a parte se valer de habeas corpos ou revisão criminal.
A exceção de suspeição, possui precedência no julgamento, onde caso ocorra
mais de uma exceção simultaneamente, dentro do mesmo processo, a
suspeição será primeiro analisada, art. 96, do CPP.
Quanto ao procedimento da exceção, Roberto Avena, explica que envolve duas
fases distintas;
I) O juiz acolhe e reconhece sua imparcialidade, juntando-a aos autos,
afastando-se do feito e encaminhando ao seu substituto (art. 99 do
CPP).
II) II) O juiz não acolhe a exceção de parcialidade, onde mandará autuar
em apartado petição, oferecendo resposta em 3 (três) dias, podendo
instrui-la com provas e testemunhas, encaminhando-a em 24h, ao
tribunal competente para o julgamento (art. 100 do CPP).
A suspenção poderá ser rejeitada liminarmente, sendo esta manifestamente
improcedente, (§ 2º, art. 100, do CPP)
Cabe ao relator receber ou rejeitar a exceção. Recebendo, ficarão nulos os
atos do processo principal, e o juiz pagará as custas, no caso de erro
inescusável, ao ser rejeitada a exceção, ficando evidenciado a má-fé do
excipiente, será imposta multa (art. 101, CPP).
De acordo com o art. 102 do CPP, quando a parte contrária reconhecer a
procedência da arguição, poderá ser sustado, através de requerimento o
processo principal, até ser julgado o incidente.
Quanto a validade dos atos praticado, Norberto Avena, explica que leva-se em
consideração a boa-fé do juiz, que ao receber a exceção de suspeição contra
ele, acolhe, e deixa de atuar no processo com base no art. 99 do CPP, o
entendimento é que os atos já realizados não serão anulados, tendo sua
natureza relativa. Porém caso seja verificado que a parcialidade do juiz tenha
ocasionado prejuízos, cabe a qualquer das partes buscar a renovação dos atos
que possuem de alguma forma, vicio, dentro do prazo do art. 571 do CPP.
Caso os atos não venha a ser renovados, aparte poderá pleitear a anulação
dos atos, impetrando habeas corpus ou mandado de segurança. Assim como
pode também, após o juiz decretar sentença, alegar vicio em preliminar de
apelação (Norberto, Avena, 2019, pag. 328).
Quando o juiz não acolhe a exceção, e encaminha os autos ao tribunal, sendo
julgado procedente e o processo encaminhado a outro juiz, Norberto Avena,
explica que neste caso ocorrerá a nulidade dos atos praticados pelo juiz
suspeito, art.101 do CPP.
Bibliografia:
Processo Penal didático/Klaus Negri Costa, Fábio Roque Araújo – Salvador:
Editora Jus Podivm, 2018. Pag. 56
- Curso de direito processual pena/ Norberto Avena
- Processo Penal/ Nestor Távora

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