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FACULDADE PITÁGORAS DE PARAUAPEBAS

BACHARELADO EM DIREITO

ALÍCYA GABRIELLY DE SOUSA BARRETO

ESPETACULARIZAÇÃO DO PROCESSO PENAL

PARAUAPEBAS – PA
2019
ALÍCYA GABRIELLY DE SOUSA BARRETO

ESPETACULARIZAÇÃO DO PROCESSO PENAL

Artigo de opinião apresentado para


obtenção parcial da nota na disciplina de
Direito Processual Penal Constitucional
do 6° período do curso de Direito, da
Faculdade Pitágoras de Parauapebas.
Professor: Bruno Farias Lima

PARAUAPEBAS – PA
2019
Espetacularização do Processo Penal

Um assunto bastante em voga ultimamente é a influência da mídia no processo


penal e as consequências disto, uma vez que os meios midiáticos são
ordinariamente utilizados para divulgação de investigações e processos de cunho
criminal.
Certamente, seria admirável se a divulgação de informações fosse o fim em si
mesma, o que não é, haja vista que o manuseio de dados é estruturado com o
intuito de aumentar a audiência, munindo os telespectadores com argumentos
muitas vezes equivocados acerca do processo penal.
É certo que, bem como os jornais televisivos podem cooperar com o poder
judiciário também conseguem complicar sua atuação. A má divulgação dos
acontecimentos de um processo penal, especialmente na fase investigativa (pré-
processual), que ainda está buscando indícios probatórios da autoria e materialidade
do delito, podem acarretar prejuízos para o processo da mesma maneira que para o
acusado.
Ao expor, por exemplo, o local aonde a polícia irá cumprir um mandado de
busca, os noticiários oportunizam que o investigado se livre de qualquer indícios do
crime ou da sua autoria, caso seja ele o autor. Outro ponto que merece análise é
que o acusado terá sua imagem exposta a todo momento sendo associada ao fato
delituoso, em tese por ele praticado, isto é, sofrerá desde logo uma condenação
social.
Em consequência disso, os mecanismos processuais, os direitos e garantias
individuas deixam de ser visto como limitadores do poder punitivo Estatal, passando
a ser percebidos como obstáculos à aplicação da justiça. Tais garantias são
fundamentais para o justo andamento do processo criminal, já que através delas
existe a possibilidade de garantir que o hipotético infrator não seja injustiçado,
independentemente de ser inocente ou culpado, tendo por base o princípio
constitucional do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LIV, CF/88).
Pode-se mencionar que está se enraizando cada vez mais na opinião pública o
anseio por prisões, proporcionando, falsamente, a sensação de justiça sendo feita,
pois há uma massificação da ideia de que a prisão é a solução mais viável e
eficiente para a maioria dos problemas sociais existentes.
Consolida-se esse pensamento quando, ao noticiar um delito, é embutido nele
um pré-julgamento desprovido de qualquer imparcialidade, ao passo que já tornam o
acusado como culpado, requerendo desde logo a prisão deste, afrontando outra
garanta constitucional, a qual ninguém será considerado culpado até o trânsito em
julgado da sentença penal condenatória (art. 5º, LVII, CF/88). Nota-se um choque
direto entre a liberdade de imprensa com outros direitos fundamentais, sendo que
aquela acaba por sobrepor a estes.
Nesta esfera do espetáculo, o público passa a ser determinante para o
julgamento da causa, forçando direta ou indiretamente a atuação do poder judiciário,
o que não é de todo ruim, entretanto supera-se esse pensamento quando a pressão
social é praticamente o único motivo para a determinação de algumas condenações,
excedendo até mesmo a lei, isto porque, por vezes, os responsáveis pelo
andamento dos processos se retraem no cumprimento de suas funções com receio
de sua decisão não ser socialmente aprovada.
Ainda nesse sentido, cabe destacar que o clamor social é condicionado pela
publicidade excessiva que se dá a casos específicos, outro fator extremamente
influente na construção do espetáculo. Aumentando, na população, o desejo pelas
condenações, promovendo a concepção de que se pode ultrapassar os limites legais
para alcançar esse fim.
Somando todos os fatores mencionados anteriormente, é notável a influência
que recai sobre o processo penal, através dos conceitos formados equivocadamente
e até mesmo sem base legal, que acabem por altera o rumo desses processos, até
gerando consequências graves, por exemplo os casos de cidadãos presos durante
anos por um crime erroneamente imputado a eles. Diante de uma situação dessa,
não há meios suficientes para restaurar a vida dessas pessoas que, além de ter seu
nome e sua imagem associados ao delito, também sofrem com a experiência de ser
réu em um processo penal, pois isso altera significativamente o interior do indivíduo,
não podendo terceiros mensurar a aflição. Assim como, criminosos declarados
culpados, que após cumprir sua pena buscam a efetiva ressocialização, e continuam
sendo alvos de publicidade condenatória, ou seja, mesmo que este tenha cumprindo
sua pena, não será capaz de pagar sua dívida social.
É por situações como esta que se faz necessário uma análise minuciosa, a
priori na consciência individual e depois dos meios pelos quais se alcançam as
decisões judiciais criminais. Chega-se à conclusão que, ultimamente, é ainda mais
necessário respeitar o sigilo das investigações, filtrar as informações que são
levadas a conhecimento público, fazendo um juízo de valor sobre aquilo que é
realmente necessário. Como também, os operadores do processo penal não ceder à
pressão social, condenando pessoas somente para não sofrerem críticas,
relativizando o direito de outros em prol do seu.
Por fim, existe um árduo caminho de desconstrução de conceitos para que se
garanta a efetividade de princípios constitucionais, porém se faz imprescindível para
uma tutela judicial justa e imparcial, onde o inocente não seja condenado, e o
culpado cumpra suas penalidades de forma proporcional.
Referência Bibliográfica

LONGO, Ana Carolina Figueiredo. Liberdade de Imprensa e Processo Penal.


Revista Direito Público. Disponível em:
<https://www.portaldeperiodicos.idp.edu.br/direitopublico/article/view/1429/896>.
Acesso: 13 de setembro de 2019.

CASARA. Rubens R. R.. A Espetacularização do Processo Penal. Disponível em:


<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3198910/mod_resource/content/1/Rubens
%20Casara%20%20a%20espetaculariza%C3%A7%C3%A3o%20do%20processo
%20penal.pdf>. Acesso em: 22 de setembro de 2019.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do


Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.

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