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Eliseu Alberto Agostinho

Educação e Cidadania para a Efectivação dos Direitos Humanos

Licenciatura em Ensino de Filosofia, laboral 4ºano

Universidade Pedagógica
2022
Maputo
Eliseu Alberto Agostinho

Educação e Cidadania para a Efectivação dos Direitos Humanos

Licenciatura em Ensino de Filosofia, laboral 4ºano

Trabalho a ser apresentado na


Faculdade de Ciências Sociais e
Filosofia da Universidade Pedagógica.
Moçambique (UP-Maputo), como
requisito de avaliação, na cadeira de
Ética e Cidadania na pratica
Educacional sob orientação dada por:
Mestre. Dércia Chilengue

Universidade Pedagógica
Maputo
2022
Índice
Introdução.............................................................................................................................4
Educação ética e o exercício da cidadania............................................................................5
O desenvolvimento das ideias éticas e a sua relação com a educação..................................5
Ética Moderna.......................................................................................................................6
Cidadania e a participação política.......................................................................................7
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS..........................................9
Considerações finais...........................................................................................................12
Referências Bibliográficas
Introdução

A peculiaridade da existência humana é denotada essencialmente pela criação e pela


vigência de valores morais que servem de juízos de apreciação inerentes à conduta dos
indivíduos, susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal. Entretanto, a
reflecção sobre os valores morais é feita no cânone filosófico pela ética. Esta que
naturalmente tem sido determinante a toda e qualquer ação humana e, por esta razão, é
um elemento imprescindível na produção da realidade social.

Decerto, a educação desempenha neste contexto um papel deveras preponderante, pois é


através dela que são transmitidos os valores que permitem o pleno desenvolvimento dos
indivíduos. E assim ganham a consciência de exercer a sua cidadania.
No presente trabalho falaremos da relação entre a ética, educação e a cidadania, e o seu
desdobramento com os direitos humanos.

O trabalho está dividido em duas parte: na primeira, aborda-se acerca da educação ética e
a cidadania, recorrendo-se as suas origens na Grécia antiga, até os tempos modernos. E na
segunda, apresenta-se alguns artigos da declaração universal dos direitos humanos, que
estejam ligados com o exercício da cidadania.
1. Educação ética e o exercício da cidadania

1.1. O desenvolvimento das ideias éticas e a sua relação com a educação

As ideias éticas historicamente tem a sua origem na antiga Grécia entre os anos 500 – 300
a. C, através das observações de Sócrates e seus discípulos. Com efeito, o termo ética
deriva do grego ethos (caráter, modo de ser de uma pessoa). Ética pode ser definida como
um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade.

O surgimento da ética na Grécia verifica-se quando os filósofos de cultura ocidental


apontam suas teorias aos "contemporâneos dos mistérios do universo e das forças
cósmicas (cosmogonia), para a essência moral e o caráter dos indivíduos" (GALVÃO,
2002, p. 4), então o homem passa a ser objecto de pesquisa, iniciando a temática do
discurso moral e político como forma de enquadramento social, e essa tendência
movimenta o mundo das ideias, que, percorre em diversos períodos na visão de filósofos
até os dias atuais.

“Ethos; ética, em grego; designa a morada humana. O ser humano separa uma parte do
mondo para, moldando-a do seu jeito, construir um abrigo protector e permanente. A
ética, como morada humana, não é algo pronto e construído de uma só vez. O ser humano
está sempre tornando habitável a casa que construiu para si. Ético significa, portanto, tudo
aquilo que ajuda a tornar melhor o ambiente para que seja uma moradia saudável:
materialmente sustentável, psicologicamente integrada e espiritualmente fecunda”
(BOFF, p.).

Um dos filósofos a se preocupar com a ética e a educação foi Sócrates (470-399 a.C.) ele
considerava o problema ético individual como o problema filosófico central e a ética
como sendo a disciplina em torno da qual deveriam girar todas as reflexões filosóficas.
Para ele ninguém pratica voluntariamente o mal. Somente o ignorante não é virtuoso, ou
seja, só age mal, quem desconhece o bem, pois todo homem quando fica sabendo o que é
bem, reconhece-o racionalmente como tal e necessariamente passa a praticá-lo. Ao
praticar o bem, o homem sente-se dono de si e consequentemente é feliz.

A virtude seria o conhecimento das causas e dos fins das ações fundadas em valores
morais identificados pela inteligência e que impelem o homem a agir virtuosamente em
direcção ao bem. Assim, a educação dos indivíduos consistiria em despertar o tal
conhecimento da virtude, dado que qualquer um tinha dentro de si de forma inata o dito
conhecimento, e caberia ao educador ajudar ao educando a dar a luz das ideias, daí o seu
método maiêutico.

Platão (427-347 a.C.), por sinal discípulo de Sócrates, ao examinar a ideia do Bem a luz
da sua teoria das ideias, subordinou sua ética à metafísica. Sua metafísica era a do
dualismo entre o mundo sensível e o mundo das ideias permanentes, eternas, perfeitas e
imutáveis, que constituíam a verdadeira realidade e tendo como cume a ideia do Bem,
divindade, artífice ou demiurgo do mundo.
Devido a influência de Sócrates, Platão acabou concebendo a educação como uma
actividade em que consistiria na rememoração das ideias, visto que conhecer é
simplesmente rememorar o que a alma já contemplou no mundo supra-sensível. Porém,
na reencarnação ela esquecia-se de tudo. Isto explica-se pelo facto de Platão acreditar na
imortalidade da alma.

Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão, não só organizou a ética como disciplina
filosófica, mas além disso, formulou a maior parte dos problemas que mais tarde iriam se
ocupar os filósofos morais: relação entre as normas e os bens, entre a ética individual e a
social, relações entre a vida teórica e prática, classificação das virtudes, etc. Sua
concepção ética privilegia as virtudes (justiça, caridade e generosidade), tidas como
propensas tanto a provocar um sentimento de realização pessoal àquele que age quanto
simultaneamente beneficiar a sociedade em que vive. A ética aristotélica busca valorizar a
harmonia entre a moralidade e a natureza humana, concebendo a humanidade como parte
da ordem natural do mundo sendo, portanto uma ética conhecida como naturalista.

Na idade média, os valores éticos são marcados pela influência da religião católica e suas
doutrinas. Neste período a igreja manteve um forte domínio sobre o modo de pensar
fazendo com que o teocentrismo passasse a definir as formas de ver e sentir, contribuindo
para a formação ética medieval. Para a ética cristã medieval a igualdade só podia ser
espiritual ou no futuro para um mundo sobrenatural e a mensagem cristã tinha um
conteúdo moral, não havendo proposta por uma igualdade real dos seres humanos.Com
isto, a ética cristã procura regular o comportamento dos humanos com vistas ao outro
mundo, sendo o valor supremo encontrado em Deus. No entanto, Santo Agostinho e São
Tomás de Aquino, são os mais destacados neste período.

Santo Agostinho (354-430). Fundamentou a moral cristã, com elementos filosóficos da


filosofia clássica. O objetivo da moral é ajudar os seres humanos a serem felizes, mas a
felicidade suprema consiste num encontro amoroso do homem com Deus. Só através pela
graça de Deus podemos ser verdadeiramente felizes.

St. Tomás Aquino (1225-1274). No essencial concorda com Santo Agostinho, mas
procura fundamentar a ética tendo em conta as questões colocadas na antiguidade clássica
por Aristóteles.1.1.1.

1.1.1. Ética Moderna

A filosofia moderna reduz o homem à Razão. A ética doutrinante deste século é a ética
moderna. Aqui neste período, a ética se caracteriza pelo contraste à ética Teocêntrica e
Teológica da Idade Média. A ética moderna surge com a sociedade que sucede a
sociedade feudal da Idade Média, moldada pelas consequências da Reforma Protestante
que provoca um retorno aos princípios básicos da tradição cristã, porém o individuo passa
a ter responsabilidades, tomadas como mais importantes que obediências aos ditames
religiosos e a autoridades e costumes, assim, com essa transformação, em varias ordens,
leva o surgimento da ética moderna.
Neste período ocorrem mudanças na Ciência, na Política, na Economia, na Arte e
principalmente na Religião, onde se transfere o centro de Deus para o homem que passa a
adquirir um valor pessoal, que "[...] acabará por apresentar-se como o absoluto, ou como
o criador ou legislador em diferentes domínios, incluindo nestes a moral" (VASQUEZ,
1978, p. 248). De entre vários filósofos deste período podemos destacar Rousseau e Kant.
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), concebe o homem como um ser bom por natureza
(mito do "bom selvagem) e atribui a causa de todos os males à sociedade e à moral que o
corromperam. O Homem sábio é aquele que segue a natureza e despreza as convenções
sociais. A natureza é entendida como algo harmonioso e racional.

Kant (1724-1804). Partindo de uma concepção universalista do homem, afirma que


este só age moralmente quando, pela sua livre vontade, determina as suas acções com a
intenção de respeitar os princípios que reconheceu como bons. O que o motiva, neste
caso, é o puro dever de cumprir aquilo que racionalmente estabeleceu sem considerar as
suas consequências. A moral assume assim, um conteúdo puramente formal, isto é, não
nos diz o que devemos fazer (conteúdo da acção), mas apenas o princípio (forma) que
devemos seguir para que a acção seja considerada boa.
Imperativos da moral kantiana:

“Age de tal forma que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na de qualquer
outro, sempre e simultaneamente como um fim em si mesmo e nunca simplesmente como
um meio”.
“Age apenas seguindo as máximas que possas ao mesmo tempo querer como leis
universais”.

Habermas (1929). Após a 2a Guerra Mundial, Habermas surge a defender uma ética
baseada no diálogo entre indivíduos em situação de equidade e igualdade. A validade das
normas morais depende de acordos livremente discutidos e aceites entre todos os
implicados na acção.

1.2. Cidadania e a participação política

De modo geral a cidadania é entendida como o direito de ter uma ideia e poder expressa-
la. É poder votar em quem quiser sem constrangimento. É o direito de ser livre na
orientação sexual, sem ser descriminado. De praticar uma religião sem ser perseguido,
etc.

No sentido etimológico da palavra, cidadão deriva da palavra civita, que em latim


significa cidade, e que tem seu correlato grego na palavra politikos - aquele que habita na
cidade.
Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, "cidadania é a qualidade ou
estado do cidadão", entende-se por cidadão "o indivíduo no gozo dos direitos civis e
políticos de um estado, ou no desempenho de seus deveres para com este".

Cidadania é a pertença passiva e ativa de indivíduos em um estado - nação com certos


direitos e obrigações universais em um específico nível de igualdade (Janoski, 1998).
No sentido ateniense do termo, cidadania é o direito da pessoa em participar das
decisões nos destinos da Cidade através da Ekklesia (reunião dos chamados de dentro
para fora) na Ágora (praça pública, onde se agonizava para deliberar sobre decisões de
comum acordo). Dentro desta concepção surge a democracia grega, onde somente 10% da
população determinava os destinos de toda a Cidade (eram excluídos os escravos,
mulheres e artesãos).
Entretanto, como se fez referência anteriormente, os nossos conceitos atuais de
cidadania começaram a forjar-se na antiga Grécia. As revoluções políticas que aqui
ocorreram após o século VI a.C. forma no sentido de definirem o cidadão como aquele
que tinha um conjunto de direitos e deveres, pelo simples fato de serem originário de uma
dada cidade-estado. Estes direitos eram iguais para todos e estavam consignados em leis
escritas.
A cidadania confundia-se com a naturalidade e encontrava a sua expressão na Lei. O
mais levado dos direitos era o da participação dos cidadãos nas decisões da cidade,
podendo ser escolhido ou nomeado para qualquer cargo público. Todos os demais
habitantes da cidade, como as mulheres ou os estrangeiros (metecos) estavam afastados
desses direitos.

1.2.1. Idade Moderna


Entre os séculos XVI e XVIII, desenvolvem-se em toda a Europa três importantes
movimentos políticos que conduzem a uma nova perspectiva sobre a cidadania.
Na maioria dos países a centralização do Estado, implicou o fim do poder arbitrário
dos grandes senhores. Este processo foi quase sempre precedido pelo reforço do poder
dos reis, apoiados num sólido corpo de funcionários públicos. Os cidadãos passam a
reportar-se ao Estado e não a uma multiplicidade de senhores.
Em Inglaterra, em fins do século XVII os cidadãos colocam fim ao próprio poder
absoluto dos reis e consagram o principio da igualdade de todos face à lei. O Estado
enquanto instituição, só se justifica como garante dos seus direitos fundamentais, como a
liberdade, a igualdade e a propriedade.
Alguns teóricos, como Jhon Locke, vão mais longe e proclamam que todos os
homens independentemente do estado nação a que pertençam, enquanto seres humanos
possuem um conjunto de direitos inalienáveis. Nascia deste modo o conceito
Actualmente com a globalização , assistimos hoje a dois importantes movimentos
com reflexos profundos ao nível da cidadania.
Os estados nação estão a ser diluídos em organizações supra-nacionais, nas quais os
seus cidadãos têm cada vez menor poder de decisão. Muitos dos seus direitos tradicionais,
como os direitos políticos, tornam-se meras ficções.
Os estados nação com populações cada vez mais heterogêneas estão a ser
pressionados para alargar os seus critérios de atribuição da cidadania, tendo em vista
permitir o acesso à riqueza produzida e acumulada a todos aqueles que os procuram para
viver e trabalhar, como os imigrantes, refugiados, etc.
Num período de enorme mobilidade de pessoas à escala mundial, caminhamos para um
novo conceito de cidadania identificada com uma visão cosmopolita.

Por conseguinte, podemos deduzir que ser cidadão é respeitar e participar das decisões da
sociedade para melhorar suas vidas e a de outras pessoas. Ser cidadão é nunca se esquecer
das pessoas que mais necessitam. A cidadania deve ser divulgada através de instituições
de ensino e meios de comunicação para o bem estar e desenvolvimento da nação.

A cidadania consiste desde o gesto de não jogar papel na rua, não pichar os muros,
respeitar os sinais e placas, respeitar os mais velhos (assim como todas às outras pessoas),
não destruir telefones públicos, saber dizer obrigado, desculpe, por favor e bom dia
quando necessário... até saber lidar com o abandono e a exclusão das pessoas
necessitadas, o direito das crianças carentes e outros grandes problemas que enfrentamos
em nosso mundo.
"A revolta é o último dos direitos a que deve um povo livre para garantir os interesses
coletivos: mas é também o mais imperioso dos deveres impostos aos cidadãos."

2. Declaração Universal dos Direitos Humanos

Nesta secção vamos expor alguns artigos da declaração dos direitos


humanos adoptada e proclamada pela resolução 217 A (III) da
Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de Dezembro de 1948

No preâmbulo do documento está exposto o seguinte:

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da


família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da
justiça e da paz no mundo,

Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de


Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra
tirania e a opressão.

Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos
humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de
direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e
melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla.

Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mis alta
importância para o pleno cumprimento desse compromisso.

A Assembleia Geral Proclama

A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser
atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e
cada órgão da sociedade tendo sempre em mente esta declaração se esforcem, através do
ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela
adopção de medidas progressivas de carácter nacional e internacional, por assegurar o
seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos
próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.
Artigo I

Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e
consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

Artigo II
Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta
Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião,
opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou
qualquer outra condição
Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a
lei.

Artigo VII

Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual protecção da
lei. Todos têm direito a igual protecção contra qualquer discriminação que viole a
presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito
inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião
ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou
coletivamente, em público ou em particular.

Artigo XIX

Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade
de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias
por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Artigo XX
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo XXI

Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de sue país, directamente ou por
intermédio de representantes livremente escolhidos.
Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em
eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo
equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo XXII

Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização,
pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e
recursos de cada Estado, dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis à sua
dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo XXIII
1. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para protecção
de seus interesses.
1. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas
as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma protecção social.
Artigo XXVI
1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos
graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução
técnico-profissional será acessível a todos bem como a instrução superior, esta baseada
no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da
personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas
liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade
entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das
Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do género de instrução que será
ministrada a seus filhos.

Artigo XXVII
1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da
comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
2.Toda pessoa tem direito à protecção dos interesses morais e materiais decorrentes
de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.

Artigo XVIII
Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e
liberdades estabelecidas na presente declaração possam ser, plenamente realizados.

Artigo XXIV
1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno
desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às
limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido
reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas
exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos
contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XXX

Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o


reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer
atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e
liberdades aqui estabelecidos
Considerações Finais

Após a exposição das ideias inerentes à ética, educação e cidadania podemos inferir que estes
conceitos são intercambiáveis, e estão também directamente ligados à política. Pois os valores
que pertencem a esfera da ética só podem ser apreendidos mediante a educação, esta que por
sua vez permite que os indivíduos tenham consciência dos seus direitos e deveres como
cidadãos.
No entanto, a declaração universal dos direitos humanos acaba enfatizando a relevância
que a educação desempenha na expressão da liberdade dos indivíduos, que evidentemente
torna-se imprescindível no exercício da cidadania.
Por conseguinte, embora o conceito de cidadania na sua origem denotar alguma
selectividade, actualmente o mesmo evoluiu de forma considerável e consagra-se a qualquer
que esteja interessado com as questões do Estado, que afectam a todos. Razão pela qual
ninguém devia eximir-se de participar na vida política.
Referências Bibliográficas

BOFF, Leonardo. A aguia e a galinha. São Paulo: Martins Fontes, 2000.


Dimenstein, Gilberto. O cidadão de papel, A infância, adolescência e os Direitos Humanos
no Brasil. 20° Edição. Editora Ática, São Paulo, 1994. 184 p.

http://tpd2000.vilabol.uol.com.br/etica1.html

http://www.almg.gov.br/bancoconhecimento/tematico/EtiCid.pdf

http://recantodasletras.uol.com.br/textosjuridicos/504357

http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/herkenhoff/livro2/huniversal.html

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