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Marido no Papel

(Paper Husband)
— Hayden "Hank" Grant e Dana Mobry —

Diana Palmer
Homens do Texas 15

Onde está escrito que a filha de um fazendeiro


tenha que casar-se, com um texano alto e bonito, para não perder o rancho?
Acatando a vontade de seu pai,
Dana Mobry descobriu que seu pretendente neste matrimônio de conveniência
não era outro que o vaqueiro mais sexy do Texas: Hank Grant!

OBS: Dane Lassiter é protagonista do livro: “Sempre te Amei” (The Case of the Mesmerizing
boss – Most Wanted 1)

Disponibilização/Tradução/Revisão: Ana Mota


Revisão Final: Sky
Formatação: Gisa
PROJETO REVISORAS TRADUÇÕES
Homens do Texas 15

Capítulo 1

O sol de verão estava subindo. Julgando pela sua posição no céu, Dana Mobry acreditava
que eram aproximadamente onze horas. Isso significava que ela tinha estado em seu atual dilema
por mais de duas horas, e o dia estava ficando cada vez mais quente.
Ela suspirou com tristeza resignada enquanto dava uma olhada rápida para sua perna
direita elevada onde a calça jeans tinha sido cortada em duas pelo arame farpado. A bota estava
presa nas teias do arame farpado que compunha a cerca, e as pernas estavam enroladas porque
ela tinha se torcido ao cair. Ela estava tentando remendar a cerca de arame farpado para impedir
que o gado saísse. Estava usando as ferramentas do pai para fazer isto, mas, tristemente, ela
não tinha a força dele. Em horas assim ela sentia uma falta insuportável do pai, e fazia apenas
uma semana desde seu enterro.
Ela deu um puxão na gola de sua pequena camisa de algodão e levou as mechas úmidas do
cabelo loiro para trás prendendo-as em sua arrumada trança embutida. Não tão arrumada agora,
ela pensou, pois deveria estar desordenada e despenteada com a queda. Perto, inconsciente do
dilema de sua ama, a égua castanha, Bess, pastava. Acima, um falcão fazia desenhos graciosos
contra o céu sem nuvens. Ao longe era possível ouvir o som do tráfico na auto-estrada distante
em volta de Jacobsville indo até a pequena fazenda do Texas onde Dana estava presa na cerca
de arame.
Ninguém sabia onde ela estava. Ela viva só na pequena casa decadente que tinha
compartilhado com o pai. Eles tinham perdido tudo depois que a mãe dela os tinha abandonado
sete anos antes. Depois daquele baque terrível, o pai, que tinha sido criado em um rancho, tinha
decidido voltar a se estabelecer na cidade em que a família tinha morado antigamente. Ela não
tinha nenhum outro parente, a menos que se pudesse contar um primo que morava, a mais de
três mil quilômetros, em Montana.
O pai de Dana tinha provido o lugar com um pequeno rebanho de gado de corte e uma
horta. Era uma vida magra, se comparada à mansão próxima a Dallas que era mantida pela
riqueza da mãe dela. Quando Carla Mobry se divorciou inesperadamente do marido, ele teve que
achar um modo de viver sozinho, e depressa. Dana escolheu ir com ele para a casa de sua
juventude em Jacobsville, que era melhor do que suportar a presença indiferente da mãe. Agora o
pai estava morto e ela não tinha mais ninguém.
Ela tinha amado o pai, e ele a tinha amado. Eles viviam muito felizes juntos, mesmo sem
uma grande renda. Mas a pressão do trabalho físico intenso no coração dele, que ela não sabia
que tinha problemas, tinha sido demais. Ele tinha sofrido um ataque cardíaco alguns dias antes, e
tinha morrido durante o sono. Dana o tinha encontrado na manhã seguinte quando havia entrado
em seu quarto para chamá-lo para o café da manhã.

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Hank tinha vindo imediatamente por causa do telefonema frenético de Dana. Ela não tinha
pensado em chamar, em primeiro lugar, a ambulância em vez de seu mais próximo, e muito anti-
social, vizinho. Mas isso foi porque Hank era muito capaz. Ele sempre sabia o que fazer. Este dia
tinha sido assim, também. Depois de dar uma rápida olhada no pai dela, ele tinha telefonado para
uma ambulância e conduzido Dana para fora do quarto. Mais tarde ele tinha dito que tinha
percebido imediatamente que era muito tarde para salvar o pai dela. Ele tinha passado um tempo
fora do país no exército, onde tinha visto muitas mortes para poder se confundir.
A maioria das pessoas evitava Hayden Grant tanto quanto possível. Ele possuía o armazém
e o moinho local, e criava gado em suas terras enormes ao redor de Jacobsville. Ele tinha achado
petróleo na mesma terra, então falta de dinheiro não era um de seus problemas. Mas com pavio
curto, antipatia legendária a mulheres e uma reputação de franqueza o fazia impopular na maioria
dos lugares.
Ele gostava de Dana, porém. Isso a tinha fascinado desde o início, porque ele era um
misógino e não fazia nenhum segredo do fato. Talvez ele considerasse que ela estava segura por
causa da diferença de idade. Hank tinha trinta e seis e Dana tinha apenas vinte e dois. Ela era
esbelta e de altura média, com cabelo loiro escuro, rosto pequeno e comum que se tornava
interessante por causa dos olhos azuis escuros e enormes que o dominavam. Ela tinha o queixo
firme e arredondado, junto com o nariz reto e boca em formato de um arco perfeito com tom rosa
claro natural, sem maquilagem. Ela não era bonita, mas seu conjunto era delicado, mesmo
quando usava calça jeans azul e camisa de algodão desbotada com dois botões faltando, estes
tinham sido arrancados quando ela tinha caído. Ela fez uma careta. Não tinha perdido tempo
procurando um sutiã no cesto de roupa limpa nessa manhã porque estava com pressa de
consertar a cerca antes que algum touro saísse para a estrada. Ela parecia uma stripper juvenil,
com as curvas firmes dos seios muito notáveis onde os botões estavam faltando.
Ela sombreou os olhos com a mão e deu uma olhada rápida ao redor. Não havia nada a
quilômetros além de Texas e mais Texas. Ela devia ter prestado mais atenção ao que estava
fazendo, mas a morte do pai a tinha arrasado. Ela tinha chorado por três dias, especialmente
depois que o advogado da família tinha dito a ela sobre aquela cláusula humilhante no testamento
que ele tinha deixado. Ela não poderia suportar a vergonha de contá-la a Hank. Mas como ela
poderia evitar quando isso envolvia os dois? Papai, ela pensou tristemente, como pôde fazer isso
comigo? Podia ter me deixado um pouco de orgulho!
Ela enxugou as lágrimas. Chorar não ajudaria. Seu pai estava morto e ela teria que lidar
com o testamento dele.
Um som chamou sua atenção. No silêncio do campo, era um som muito alto. Tinha ritmo.
Depois de um minuto, ela soube por que soava familiar. Era o galopar de um garanhão puro-
sangue. E ela sabia exatamente a quem aquele cavalo pertencia.

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E então, um minuto depois um cavaleiro alto surgiu. Com seu chapéu de aba larga bem
abaixado sobre o rosto magro e bronzeado, junto com o jeito elegante de montar, Hank Grant era
bem fácil de localizar, mesmo de longe. Mesmo que ele não fosse tão notável, o cavalo, Cappy,
era. Cappy era um Palomino com linhagem impecável, utilizado para procriação. Ele era
notavelmente gentil para um cavalo não adestrado, embora pudesse ficar nervoso às vezes.
Ainda assim, ele não permitiria ninguém, exceto Hank, em suas costas.
Enquanto Hank ficava ao lado do corpo prostrado dela, ela podia ver a indulgência divertida
em seu rosto antes que pudesse ouvir sua voz profunda.
"De novo?", ele perguntou resignado, obviamente se recordando das outras vezes que tinha
salvado-a.
"A cerca tinha caído” , ela disse de modo hostil, tirando uma mecha de cabelo loiro da boca.
"E para usar essa porcaria de ferramenta para cerca é necessário ser um atleta!".
"Certo, querida” , ele disse lentamente, cruzando os antebraços sobre a cerca. "As cercas
não sabem nada sobre o movimento de liberação das mulheres” .
"Não comece com isso de novo” , ela murmurou.
A boca dele se curvou para cima. "Você não está em posição de lançar desafios, não é?",
ele murmurou secamente, seus olhos escuros viram mais do que deveriam enquanto deslizaram
pelo corpo dela. Por um momento algo relampejou neles quando eles descansaram brevemente
sobre as curvas reveladas dos seios dela.
Ela se moveu inconfortavelmente. "Vamos, Hank, solte-me” , ela pediu, ziguezagueando.
"Eu estou presa aqui desde as nove horas e estou louca por algo frio para beber. Está muito
quente” .
"Certo, criança” . Ele desceu da sela e passou as rédeas de Cappy por sobre a cabeça do
animal, deixando-o pastar por perto. Ele se agachou por entre as pernas presas dela. A calça
jeans dela estava apertada contra os músculos poderosos das pernas dele e ela teve que
friccionar os dentes por causa do prazer que sentia só de olhar para ele. Hank era lindo. Com o
tipo de beleza masculina que faz até as mulheres muito mais velhas suspirarem quando o veem.
Ele tinha a aparência de um gracioso cavaleiro, e um rosto que uma agência de publicidade
amaria. Mas ele era totalmente desavisado de seus próprios atrativos. A esposa o tinha
abandonado dez anos antes, e ele nunca tinha desejado se casar com nenhuma outra mulher
desde o divórcio. Sabia-se na comunidade que Hank tinha apenas um uso para as mulheres. Ele
era discreto e taciturno quanto às suas ligações, e apenas Dana parecia saber que ele as tinha.
Ele era notavelmente franco com ela. De fato, ele conversava com ela sobre coisas particulares
que não compartilhava com mais ninguém.
Ele estava inspecionando o dano, os lábios frisados pensativamente, antes de ele começar
a tentar desenredar o arame farpado com as mãos enluvadas. Hank era metódico em tudo que

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fazia, sincero e deliberado. Nunca agia sem pensar. Era outra característica que não passava
despercebida.
"Não, isso não vai dar” , ele murmurou e colocou a mão no bolso. "Eu vou ter que cortar o
jeans para te soltar, querida. Sinto muito. Eu te darei uma nova calça jeans” .
Ela corou. "Eu não estou na miséria ainda!".
Ele olhou para baixo, para os olhos azuis escuros dela e viu a cor de suas bochechas. "Você
é tão orgulhosa, Dana. Nunca pediria ajuda, mesmo que isso te fizesse morrer de fome” . Ele
abriu o canivete. "Acho que é por isso que nos damos tão bem. Somos semelhantes em muitas
coisas".
"Você é mais alto do que eu e tem cabelo preto. Eu sou loira", ela disse intencionalmente.
Ele sorriu amplamente, como ela sabia que iria. Ele não sorria muito, especialmente ao
redor das outras pessoas. Ela amava o modo como os olhos dele cintilavam quando sorria.
"Eu não estava falando sobre diferenças físicas” , ele explicou desnecessariamente. Cortou
o jeans para soltar o arame. Era uma boa coisa ele estar usando luvas, porque o arame farpado
era afiado e traiçoeiro. "Por que você não usa cerca eletrificada como os rancheiros modernos?".
"Porque eu não posso pagar, Hank” , ela disse simplesmente.
Ele fez uma careta. Cortou o último arame e puxou-a fazendo-a se sentar, o que tinha sido
inesperadamente íntimo. A blusa dela caiu aberta quando ela se debruçou para frente e, como
qualquer homem, ele encheu os olhos com a visão dos seios firmes, macios e suaves dela, com
os mamilos intumescidos em montículos rosa suaves. Ele prendeu a respiração audivelmente.
Envergonhada, ela pegou as extremidades da camisa e juntou-as bem apertado, corando.
Ela não conseguia encontrar os olhos dele. Mas estava ciente de seu olhar fixo, cheio de
intenções; do cheiro de couro e da essência lânguida de água-de-colônia que estava impregnada
na pele dele e do cheiro de limpo que vinha de sua camisa de manga longa de cambraia. Os
olhos dela foram até a base da garganta dele, onde o cabelo preto espesso era visível. Ela nunca
tinha visto Hank sem camisa. E sempre tinha desejado ver.
A mão magra dele alisou a bochecha dela e seu polegar apertou o queixo dela. Os olhos
procuraram os olhos tímidos dela. "É isso o que eu mais gosto em você” , ele disse rouco. "Você
não mente. Todos os movimentos que faz são honrados” . Ele manteve o olhar dela. "Eu não
seria muito como um homem, sabe, se desviasse os olhos. Seus seios são bonitos, como
mármore rosa com pequenas pontas firme que fazem eu me sentir muito masculino. Você não
deveria ter vergonha de uma reação natural assim” .
Ela não estava muito certa do que ele queria dizer. "Reação... natural?", ela hesitou, com os
olhos arregalados.
Ele fez uma carranca. "Você não entende?".
Ela não entendia. A vida dela tinha sido notavelmente fechada. Ela tinha descoberto seus

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sentimentos por Hank quando tinha apenas dezessete anos, e ela nunca tinha olhado para
nenhum outro homem. Ela tinha saído apenas com dois meninos. Os dois tinham sido tímidos e
um pouco nervosos com ela, e quando um deles a beijara, tinha achado desagradável.
Ela já tinha visto filmes, alguns muito explícitos. Mas eles não explicavam o que acontecia
fisicamente com as pessoas, apenas mostravam.
"Não” , ela disse finalmente, fazendo uma careta. "Bem, sou uma inútil, acho. Não tenho
encontros, não tenho tempo para ler romances picantes...!"
Ele estava observando-a muito próximo. "Algumas lições custam um preço alto. Mas é
seguro o suficiente comigo. Aqui” .
Ele tomou a própria mão dela e, surpreendentemente, tirou o tecido de perto do seio dela e
pôs o dedo sobre o bico firme. Ele observava o corpo dela enquanto fazia isso, tornando a
experiência mais sensual.
"É o desejo que causa isto” , ele explicou tranquilamente. "O corpo do homem incha onde
ele é mais masculino. O intumescer dos seios da mulher torna os mamilos duros. É uma reação
que vem da excitação, não é nada para se envergonhar” .
Ela mal respirava. Sabia que o rosto estava vermelho, e o coração batia absurdamente. Ela
estava sentando no meio de um campo aberto deixando Hank olhar para seus seios e explicar a
ela o que era desejo. A coisa inteira parecia uma fantasia tão grande que a fez arregalar os olhos.
Ele sabia disso. E sorriu. "Você é bonita” , ele disse suavemente, removendo a mão dela e
juntando as pontas da blusa. "Não faça uma tempestade. É natural, não é, conosco? Sempre tem
sido assim. É por isso que eu posso conversar com você muito facilmente sobre as coisas mais
íntimas” . Ele fez uma ligeira carranca. "Eu desejava minha esposa o tempo todo, já te disse
isso? Ela me provocava e me deixava louco para tê-la, de forma que eu faria qualquer coisa para
conseguir isto. Mas eu não era rico o suficiente para ela. Meu melhor amigo tinha ganhado muito
com imóveis e ela ficava o tempo todo atrás dele como um cachorro atrás do osso. Eu acho que
ela nunca olhou para trás quando me deixou, mas eu não dormi por semanas, desejando-a. Eu
ainda a desejo, de vez em quando” . Ele suspirou rouco. "E agora ela está de volta, ela e Bob.
Eles estarão na cidade por algumas semanas enquanto ele se livra de todos os investimentos que
possui. Ele está se aposentando, e quer me vender seu cavalo de corrida. Que situação dos
diabos, não é?", ele murmurou friamente.
Ela sentiu a dor dele e não o deixou perceber como isso a tinha perturbado. "Obrigada por
me soltar” , ela disse sem ar, desviou dele, e começou a se levantar.
A mão dele a fez parar. Ele parecia que a estava estudando e avaliando. "Não faça isso. Eu
quero tentar algo” .
Os dedos dele foram para as casas dos botões da camisa de cambraia e ele começou a
desabotoá-la, puxando a camisa para fora da calça jeans à medida que ela saía. Seu tórax era

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largo e bronzeado, com pelos espessos.


"O que você está fazendo?", ela sussurrou surpresa.
"Eu te disse. Quero tentar algo” . Ele a colocou de joelhos, e desabotoou os botões
restantes da camisa. Ele olhava de modo perspicaz para a expressão dela. Ela estava muito
chocada para protestar, e então ele a puxou para perto, deixando-a sentir pela primeira vez na
vida o choque da seminudez de um homem contra seu próprio corpo.
A respiração dela era forte e audível. Havia maravilha em seus olhos quando ela os ergueu
para ele com curiosidade fascinada.
As mãos dele foram até as costelas dela e ele a puxou lenta e sensualmente, contra a
almofada áspera de seu tórax. Fez cócegas nos seios dela e os mamilos ficaram ainda mais
firmes. Ela pegou nos ombros dele, aprofundando as unhas involuntariamente enquanto todos os
sonhos dela pareciam se realizar de uma só vez. Os olhos dele ardiam como um fogo negro. Que
desceu até a boca dele que se curvou na direção dela.
Ela sentiu o calor firme dos lábios dele lentamente nos dela, abrindo-os, provocando-os. Ela
prendeu a respiração, saboreando-o como um vinho raro. Vagamente ela sentiu a mão dele ir
entre os seios dela ternamente e acariciar um seio inchado. Ela ofegou novamente, e sua cabeça
ergueu de forma que ele pudesse ver os olhos dela.
O dedo polegar dele brincou com o bico firme e ela estremeceu por toda parte, impotente no
abraço dele.
"Sim” , ele sussurrou distraidamente, "isto é exatamente o que eu tinha pensado. Eu podia
me deitar com você aqui mesmo, agora mesmo” .
Ela apenas o ouvia. Seu coração estava agitado. Os dedos a tocavam, provocando seu
corpo. Ela arqueou na direção dele, desesperada para não perder o contato.
Os olhos dele estavam por toda parte do rosto dela; os seios nus dela apertados muito junto
dele. Ele sentia o toque até a alma. "Eu te quero” , ele disse tranquilamente.
Ela soluçou, porque não deveria ter sido assim. O próprio corpo dela tinha-a traído,
mostrando todos os segredos guardados a muito custo.
Mas havia dúvida nele. A mão estava parada sobre o seio dela, a boca pairava acima da
dela enquanto seus olhos escuros sondavam, observavam.
"Você ainda é virgem, não é?", ele perguntou asperamente.
Ela tragou, os lábios inchados com o toque dos dele.
Ele suavemente a agitou. "Diga-me!".
Ela mordeu o lábio inferior e olhou para a garganta dele. Ela podia ver a pulsação batendo
lá. "Você já sabe disto” . Ela falou com dificuldade.
Ele não pareceu respirar por um minuto, então houve uma lenta e fraca exalada de
respiração. Ele a envolveu com os braços e se sentou abraçando-a bem firme, balançando-a, o

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rosto dela enterrado na garganta quente dele, contra a pulsação rápida.


"Sim. Eu apenas queria ter certeza” , ele disse depois de um minuto. Ele a soltou
centímetro por centímetro e sorriu tristemente enquanto fechava a blusa dela novamente.
Ela se soltou dele, confusa. Os olhos dela se agarraram aos dele como que procurando
sanidade.
Os lábios dela estavam inchados. Os olhos tão redondos quanto um pires azul escuro em
um rosto lívido. Naquele momento ela era mais bonita do que ele jamais tinha pensado que ela
pudesse ser.
"Tudo bem” , ele disse suavemente. "Nós aprendemos mais um sobre o outro do que
sabíamos antes. Nada vai mudar. Nós ainda somos amigos” .
Ele tinha feito a frase soar como uma pergunta. "É... claro” , ela gaguejou.
Ele se levantou, ajeitando a própria camisa e desamassando-a enquanto olhava para ela
com uma nova expressão. Possessividade. Sim, era isto. Ele olhava para ela como se ela
pertencesse a ele agora. Ela não entendia a própria reação que sentia pelo olhar dele.
Ela ficou de pé, movendo-se para ver se havia algo machucado.
"O arame não rasgou a pele, sorte sua” , ele disse. "Esta calça jeans é de tecido grosso,
firme. Mas você precisa de uma vacina antitetânica, da mesma maneira. Se você não tomou
ainda, eu te levo à cidade” .
"Eu tomei no ano passado” , ela disse, evitando os olhos dele enquanto começava a andar
na direção de Bess, que estava olhando para o garanhão com um pouco de curiosidade. "É
melhor você pegar Cappy antes que ele comece a ter alguma ideia” .
Ele pegou a rédea de Cappy e teve que acalmá-lo. "É melhor você tirá-la daqui enquanto
pode” , ele aconselhou. "Eu não sabia que você tinha vindo nela, se soubesse não teria trazido
Cappy. Você normalmente monta o Toast” .
Ela não quis dizer a ele que tinha vendido Toast para poder pagar uma das dívidas que seu
pai tinha deixado.
Ela a viu montar na sela e fez a mesma coisa mantendo-se afastado o máximo possível com
o garanhão. O desejo de acasalar não era uma coisa somente humana.
"Eu virei te ver mais tarde” , ele gritou para ela. "Nós temos algumas coisas para discutir” .
"Como o quê?", ela perguntou.
Mas Hank não respondeu. Cappy estava ficando descontrolado enquanto ele tentava
controlá-lo. "Não agora. Vá para casa!".
Ela girou a égua e galopou na direção do rancho, esquecendo-se da cerca com a pressa
impetuosa. Ela teria que voltar mais tarde. Pelo menos agora ela podia sair do sol e beber algo
frio.
Quando ela chegou à casa pequena, olhou-se no espelho do banheiro após uma chuveirada

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e não pôde acreditar que era a mesma mulher que tinha saído para o pasto de manhã. Ela
parecia tão diferente. Havia algo novo em seus olhos, algo mais feminino, misterioso e reservado.
Ela sentiu novamente o toque lento e explorador dos dedos firmes de Hayden Grant e corou.
Tinha existido uma rara e bela magia entre eles lá no campo. Ela o amava tanto. Não havia
o toque de nenhum outro homem em seu corpo, nunca nenhum outro homem havia existido em
seu coração. Mas como ele iria reagir ao saber do conteúdo do testamento do pai dela? Ele não
queria se casar novamente. Tinha dito isso vezes suficientes. E embora ele e Dana fossem
amigos há longo tempo, ele tinha recuado quando a tinha feito admitir que era inocente. Ele
queria um caso, obviamente, mas tinha percebido que seria impossível se justificar com a própria
consciência. Ele não podia seduzir uma mulher inocente.
Ela entrou no quarto e colocou calça comprida e uma camisa azul de tricô, deixando o
cabelo recentemente lavado e seco solto ao redor dos ombros. Ele disse que eles conversariam
mais tarde. Isso significava que ele tinha ouvido a fofoca sobre o testamento? Ele iria pedir a ela
que o contestasse?
Ela não tinha nenhuma ideia do que esperar. Talvez fosse melhor assim. Ela teria menos
com o que se preocupar.
Ela caminhou em torno da sala de estar os olhos sobre a mobília triste e gasta que ela e o
pai tinham comprado tantos anos atrás. Não tinha havido nenhum dinheiro no último ano para
comprar novos tapetes ou novos adornos. Eles tinham colocado todo o dinheiro que tinham
naquelas poucas cabeças de gado de corte e no progenitor do rebanho. Mas o mercado de gado
estava em baixa e se um inverno rigoroso viesse, não haveria meio de ela conseguir comprar
alimento para eles. Ela teria que plantar bastante feno e milho para conseguir passar pelo
inverno. Mas o melhor peão tinha deixado-a depois da morte do pai, e agora tudo o que ela tinha
eram dois ajudantes de meio período, que ela mal podia pagar. Mesmo uma mulher cega seria
capaz de ver que ela não conseguiria se manter agora.
Ela poderia lamentar as chances perdidas. Ela não tinha mais do que o segundo grau e
nenhum jeito real de conseguir sobreviver. Tudo o que ela sabia era como ajudar a parir os
bezerros, cuidar da alimentação e vender a linhagem. Ela tinha ido a leilões e sabia como vender,
comprar e escolher o gado em boas condições. Ela sabia muito menos sobre cavalos, mas isso
dificilmente importava. Ela tinha apenas Bess e um dos homens de meio período cuidava dela—e
de Toast, até que ele tinha sido vendido— tratava, alimentava e dava água. Ela sabia ao menos
selar o animal. Mas para Dana, um cavalo era uma ferramenta para usar com o gado. Hayden
tinha se encolhido quando ela tinha dito isto. Ele tinha Palominos puro-sangue e amava todos
eles. Ela não conseguia imaginar ninguém que amasse os cavalos tanto quanto ele.
Estranhamente, era o único ponto em que não concordavam. Na maioria das outras coisas
eles concordavam, inclusive em política e religião. E eles gostavam dos mesmos programas de

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televisão. Ela sorriu, lembrando-se de quantas vezes eles tinham compartilhado entusiasmos
semelhantes por uma série semanal, especialmente uma de ficção científica. Hank tinha sido
gentil com o pai dela, também, tão paciente quando podia com um homem que tinha desistido da
própria vida como um cavalheiro da cidade para, de repente, se tornar um rancheiro aos
cinquenta e cinco anos. Fazia Dana triste pensar quanto mais o pai dela poderia ter vivido se
tivesse começado a seguir uma profissão menos exaustiva. Ele tinha um bom cérebro e tanto
ainda para dar.
Ela arrumou um almoço leve e uma garrafa de café e pensou em voltar para tratar da cerca
caída. Mas outro desastre seria demais. Ela ficava muito propensa a agir desastradamente
quando Hank estava próximo dela, e ela parecia rapidamente estar ficando assim mesmo quando
ele não estava por perto. Ele a tinha salvado de touros loucos, pés presos em cercas de currais,
salvado uma vez de um cascavel e duas vezes de fardos de feno. Ele deveria estar se
perguntando se não haveria um modo de se libertar dela de uma vez por todas.
De qualquer forma, tinha sido legal da parte dele não ter mencionado esses incidentes
quando a tinha salvado na cerca. Com certeza ele tinha ficado tentado a isso.
Tentado. Ela ficou corada de novo ao se lembrar da intimidade que eles tinham
compartilhado. Nos sete anos em que eles se conheciam, ele nunca a tinha tocado até hoje. Ela
se perguntava o porquê de ele ter feito isso agora.
O som de um carro vindo da estrada tirou-a da cozinha e levou-a até a porta da frente, na
hora certa de ver o carro preto de luxo de Hank aparecer na calçada. Ele não era um homem do
tipo chamativo, e não se cercava de coisas luxuosas. Isso fazia de seu carro uma exceção. Ele
tinha fascínio por carros grandes que nunca pareciam envelhecer, porque os trocava a cada dois
anos—para outro preto.
"Você não fica cansado da cor?", ela tinha perguntado uma vez.
"Por quê?", ele respondeu laconicamente. "Preto combina com tudo” .
Ele surgiu na varanda, e a expressão em seu rosto era uma que ela ainda não tinha visto.
Ele estava como sempre, bem vestido, barbeado e devastadoramente bonito, mas havia uma
diferença. Depois do interlúdio breve deles no pasto, a atmosfera entre eles estava um pouco
tensa.
Ele estava com a mão nos bolsos enquanto dava uma olhada rápida para o corpo dela no
bonito e amarrotado vestido azul.
"Isto tudo é para mim?", ele perguntou.
Ela corou. Normalmente usava apenas calças jeans, shorts jeans ou camisetas regatas. Ela
quase nunca usava vestidos pelo rancho. E seu cabelo estava solto ao redor dos ombros em vez
de sua habitual trança.
Ela encolheu os ombros em sinal de derrota. "Sim, acho que é” , ela disse, encontrando os

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olhos dele com um sorriso sentido. "Desculpe” .


Ele agitou a cabeça. "Não há necessidade de se desculpar. Não mesmo. De fato, o que
aconteceu esta tarde me deu algumas ideias e é sobre elas que eu quero conversar com você” .
O coração dela saltou no peito. Ele iria pedi-la em casamento? Oh, Deus, se ele fizesse
isso, não teria que ficar sabendo daquela estúpida cláusula no testamento do pai dela!

Capítulo 2

Ela foi na frente para a cozinha e colocou sobre a mesa um prato com salada, molho e frios
no centro da mesa, na qual ela já tinha colocado dois partos. Ela despejou o café em duas
canecas, deu uma a ele e se sentou. Ela não tinha que perguntar se ele queria algo no café,
porque já sabia que ela gostava de café puro, da mesma maneira que ela. Era uma das muitas
coisas que eles tinham em comum.
"O que você queria me perguntar, Hank?", ela aventurou depois que ele tinha se servido de
muita salada e duas xícaras de café. Os nervos dela estavam gritando com expectativa e
antecipação.
"Oh. Isto” . Ele se debruçou contra a cadeira com a xícara de café pela metade na mão. "Eu
me perguntava se você estaria disposta a me ajudar com um pouco de encenação para minha ex-
esposa” .
Todas as esperanças que ela tinha ruíram. "Que tipo de encenação?", ela perguntou,
tentando soar desinteressada.
"Eu quero que você finja estar envolvida comigo” , ele disse francamente, encarando-a.
"Pelos acontecimentos dessa manhã, não deve ser muito difícil fingir que nós não conseguimos
tirar as mãos um do outro. Não é mesmo?", ele perguntou com um sorriso zombeteiro.
Tudo se encaixou no lugar; as observações estranhas, a "experiência" lá fora no pasto, o
comportamento curioso dele. Sua amada ex-esposa estava voltando à cidade e ele não queria
que todo mundo soubesse como ela o tinha ferido ou como ele tinha lamentado perdê-la. Então
Dana tinha sido jogada como seu novo amor. Ele não queria uma nova esposa, ele queria uma
atriz.
Ela olhou fixamente para o próprio café. "Eu não acho que você queira se casar novamente,
não é?", ela perguntou com um descuido propositado.
Ele viu através da pergunta esquiva. "Não, eu não quero” , ele disse abruptamente. "Uma
vez foi o suficiente” .
Ela fez uma careta. O pai a tinha colocado em uma posição intolerável. De alguma maneira,
ele devia ter suspeitado que estava com tempo limitado. Caso contrário, por que iria tão longe

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para ter certeza de que a filha fosse provida depois de sua morte?
"Você tem agido de forma estranha desde que seu pai morreu” , ele disse de repente, e
seus olhos se estreitaram. "Há algo que você não me disse?".
Ela fez um movimento desajeitado com o ombro.
"Ele ficou endividado e não te deixou nada, é isto?".
"Bem...”
"Porque se for esse o caso, eu posso resolver o problema” , ele continuou imperturbável.
"Você me ajuda enquanto Betty estiver aqui, e eu saldarei quaisquer dívidas existentes. Você
pode pensar nisso como um trabalho” .
Ela queria se jogar no chão e gritar. Nada estava dando certo. Ela olhou para ele com
angústia. "Oh, Hank” , ela gemeu.
Ele fez uma carranca. "Vamos. Não pode ser tão ruim assim. Desembucha” .
Ela respirou para tentar se estabilizar e ficou de pé. "Há um jeito mais simples. Eu acho...
seria melhor você ler o testamento de papai. Eu vou pegá-lo” .
Ela entrou na sala de estar e retirou da gaveta da escrivaninha o testamento que o pai tinha
deixado. Ela o levou até a cozinha e o deu para um perplexo Hank, e observou as mãos magras e
elegantes dele abrirem o documento.
"E antes que você comece a gritar, eu não sabia de nada sobre esta cláusula” , ela
acrescentou por entre os dentes. "Foi um choque e tanto para mim assim como está sendo para
você” .
"Cláusula?", ele murmurou enquanto esquadrinhava o testamento. "Que cláusula... Oh, meu
Deus!".
"Então, Hank” , ela começou a fazer um esforço para frustrar a ameaça de explosão que via
crescer no rosto magro dele.
"Deus do céu!", ele ficou de pé, batendo o testamento contra a mesa. O rosto foi de
vermelho a branco no espaço de segundos. "Que diabo de escolha eu tenho! Ou me caso com
você ou acabarei com uma pista de corrida de carros na extremidade do meu celeiro, onde estão
minhas éguas! Mover o maldito celeiro me custaria meio milhão de dólares!".
"Se você me der a chance de falar” , ela disse com força. "Hank, pode haver um meio de
anular o testamento—"
"Oh, certo, nós podemos dizer que ele estava louco!", os olhos pretos dele reluziam como
diamantes.
Ela corou. Ele estava notoriamente insultando-a. Ela poderia amá-lo, mas não tinha que
aturar esse tipo de tratamento, nem mesmo dele. Ela ficou de pé e o encarou. "Ele devia estar
mesmo, por querer que eu me casasse com você!", ela gritou. "O que te faz achar que é um
prêmio, Hank? Em primeiro lugar, você é muito velho para mim, e em segundo lugar, que mulher

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Homens do Texas 15

em sã consciência iria querer se casar com um homem que ainda está apaixonado pela ex-
esposa?".
Ele mal respirava. Sua raiva era tão aparente que Dana sentia os joelhos fracos, apesar das
palavras corajosas.
Os olhos pretos dele, cheios de desprezo, estavam sobre ela. "Eu posso gostar de olhar
para o seu corpo, mas, no meu mundo, uns beijos e um pouco de carinho não dão direito a uma
proposta de casamento” .
"Nem no meu” , ela disse com orgulho escaldado. "Por que você não vai para casa?".
Os punhos dele se fecharam ao lado do corpo. Ele ainda não podia acreditar no que tinha
lido no testamento. Era além da compreensão entender como o pai dela, seu amigo, tinha
apunhalado-o pelas costas deste modo.
"Ele deveria ter ficado doido” , ele rangeu. "Eu poderia ficar com a sua custódia ou algo
assim, mas ele não tinha que especificar casamento como uma condição para você herdar o que
é legalmente seu!".
Ela ergueu o queixo. "Eu não posso perguntar quais eram as razões dele” , ela o lembrou.
"Ele está morto” . As palavras eram severas e ocas. Ela estava ainda no meio do pesar pela
morte do pai. Ela pensou que Hank não estava tendo consideração pela dor que ela estava
passando, ou talvez ele apenas não se importasse. Ele estava muito bravo para raciocinar.
Ele respirou deliberadamente. "Sua pequena fraude” , ele a acusou. "Você tem uma queda
por mim há anos, e eu tolerava. Era divertido. Mas agora não é nada engraçado. Isto é baixo e
mentiroso. Eu pensaria melhor de você se admitir que fez seu pai fazer isso” .
"Eu não dou a mínima para o que você pensa de mim” , ela disse sufocada. Seu orgulho
estava em farrapos. Ela estava lutando contra as lágrimas de pura ira. "Quando você tiver tempo
para se recuperar do choque, eu gostaria que você fosse ver meu advogado. Os dois juntos, com
certeza, vão conseguir achar um meio de ajeitar as coisas. Porque eu não me casaria com você
mesmo que você viesse com uma assinatura da minha revista favorita e uma Ferrari nova! Eu tive
uma queda por você uma vez. Mas isso é história antiga!".
Ele fez um som pelo nariz. "Então o que foi aquilo esta manhã no pasto?", ele a repreendeu.
"Luxúria!", ela jogou nele.
Ele pegou o chapéu e a estudou com um desprezo frio. "Eu verei o que posso fazer sobre o
testamento. Você poderia contatar sua mãe” , ele acrescentou intencionalmente. "Ela é rica.
Estou certo de que ela não te deixará passar fome” .
Ela cruzou os braços em frente aos seios. "Eu não pediria a minha mãe um pedaço de pano
mesmo que eu estivesse sangrando até a morte, e você sabe disso” .
"Estas são circunstâncias desesperadas” , ele disse intencionalmente, um pouco mais
tranquilo agora.

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Homens do Texas 15

"Minhas circunstâncias não são mais da sua conta” , ela disse com uma voz
perturbadoramente tranquila. "Adeus, Hank” .
Ele enfiou o chapéu na cabeça até os olhos e foi para a porta da frente, mas hesitou com a
maçaneta na mão e olhou por sobre o ombro. Ela estava pálida e seus olhos estavam com uma
luminosidade trêmula. Ele sabia que ela estava sofrendo por causa do pai. Deveria ser
assustador, também, ter sua herança envolvida em uma demanda impossível. Se ele não se
casasse com ela, ela iria perder tudo, até a casa. Ele estremeceu.
"Adeus” , ela repetiu firmemente. Os olhos dela o surpreenderam com sua escuridão azul
fria. Ela parecia que o odiava.
Ele retraiu uma respiração baixa. "Olhe, nós daremos um jeito” .
"Eu tenho vinte e dois anos de idade” , ela disse orgulhosamente. "Já passou da hora de eu
começar a cuidar de mim mesma. Se eu perder o rancho, pedirei uma bolsa de estudos e voltarei
a estudar. De qualquer maneira, já completei o ensino médio” .
Ele não pensou que ela pudesse ir embora. De repente sua vida estava ainda mais de
pernas para o ar do que antes. Betty estava a caminho de volta para a cidade, o pai de Dana
tentava prendê-lo à força em um casamento que ele não queria e agora Dana estava indo
embora. Ele se sentia abandonado.
Ele deixou sair uma palavra que ela nunca o tinha ouvido usar antes. "Então vá, se é o quer,
vá para o inferno” , ele disse furiosamente. "Será um prazer não ter que te salvar de meia dúzia
de desastres por dia” .
Ele bateu a porta no caminho para fora e ela afundou em uma cadeira, sentindo a umidade
morna e súbita das lágrimas que tinha estado muito orgulhosa para deixar que ele as visse. Pelo
menos agora ela sabia como ele se sentia sobre ela. Ela achava que seria sensata se
aprendesse a viver com isto.
O resto do dia foi um pesadelo. Ao final dele ela estava doente com as memórias da casa. O
pesar e a humilhação a dirigiram ao telefone. Ela ligou para Joe, o mais velho dos seus dois
funcionários de meio período do rancho.
"Eu vou sair por uns dias” , ela disse a ele. "Quero que você e Ernie cuidem do gado para
mim. Certo?".
"Certo, a senhora manda. Aonde vai?".
"Para longe” .
E desligou.
Ela levou alguns minutos para fazer uma reserva em um hotel de preço moderado no centro
da cidade de Houston, e lotou o antigo Bronco cinza que dirigia com roupas suficientes para o
final de semana. Ela estava fechando a casa sem perder tempo. Joe tinha uma chave caso
precisasse entrar.

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Homens do Texas 15

Ela passou o fim de semana na TV a cabo e experimentando novos penteados. Ela andou
pelo centro da cidade para ver as lojas, embora não tivesse comprado nada. Ela tinha que poupar
dinheiro agora, até que pudesse solicitar uma bolsa de estudos e entrar na faculdade. Levada
pelo impulso, ela telefonou para algumas faculdades próximas e solicitou que alguns catálogos
fossem enviados para sua casa em Jacobsville.
O final de semana fugitivo tinha sido uma extravagância, mas ela precisava fugir. Ela se
sentia como uma turista enquanto vagava ao redor de todos os lugares interessantes, inclusive o
famoso monumento de San Jacinto e o canal onde os navios vinham e entravam na cidade do
porto. A chuva pesada apareceu no segundo dia, com uma enchente repentina, e ela foi forçada a
ficar um dia extra ou usar seu Bronco como barcaça, porque as ruas próximas ao hotel estavam
muito inundadas para permitirem uma viagem segura.
Já era tarde na segunda-feira quando ela entrou na auto-estada para o rancho. E a primeira
coisa que ela notou quando se aproximava da fazenda foi a quantidade de veículos oficiais.
Chocada, ela parou e desligou o carro. "O que está acontecendo? Alguém arrombou minha
casa?", ela perguntou ao primeiro homem uniformizado que encontrou, um assistente do xerife.
As sobrancelhas dele se ergueram. "Você mora aqui?", ele perguntou.
"Sim. Sou Dana Mobry” .
Ele riu e chamou outros três homens, um era policial na cidade de Jacobsville. "Aqui está
ela! Ela não estava envolvida em assassinato nenhum” .
Eles vieram correndo, com um Joe que parecia ter sido coagido junto a eles.
"Oh, senhorita Mobry, obrigado Senhor” , Joe disse torcendo as mãos. O cabelo estava
mais cinza do que nunca, e olhos pareciam sombrios.
"O que há de errado?", ela perguntou.
"Eles pensavam que eu a tinha assassinado e escondido o corpo!", Joe lamentou, olhando
nervosamente para os oficiais da lei.
Os olhos de Dana se arregalaram. "Por quê?".
"O Sr. Grant veio e não conseguiu te achar” , Joe disse freneticamente. "Eu disse a ele que
você tinha saído, mas que não sabia aonde tinha ido, e ele explodiu e começou a me acusar de
todo o tipo de coisa por que eu não dizia a ele onde você estava. Quando você não voltou hoje
cedo, ele chamou a polícia. Estou tão contente por te ver, senhorita Mobry. Eu estava com medo
de que eles me colocassem na prisão!".
"Eu sinto muito por você ter passado por isto, Joe” , ela disse reconfortantemente. "Eu
deveria ter dito a você que estava indo a Houston, mas nunca pensei que o Sr. Grant se
importasse aonde eu iria” , ela acrescentou amargamente.
O assistente do xerife sorriu ampla e timidamente. "Sim, ele disse que vocês tinham
discutido e que ele tinha medo de que você pudesse ter feito algo drástico...”

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Homens do Texas 15

Ela o encarou tão furiosamente que ele parou bruscamente. "Se isto não é vaidade, então
eu não sei o que é! Eu não me mataria por causa de um homem egoísta, convencido, dominador
e intolerável como o Sr. Grant a menos que eu fosse louca! Eu pareço louca?".
Ele limpou a garganta. "Oh, não, madame, a senhorita não parece nada louca para mim!".
Enquanto ele estava se defendendo, Hank veio do lado da casa onde o grupo de busca
tinha desaparecido, e parou quando viu Dana. "Então você está aí!", ele começou furiosamente,
seminu e com olhos furiosos quando se juntou a ela. "Onde diabos você estava? Você faz ideia
de quantos problemas causou?".
Ela ergueu o queixo. "Eu estava em Houston. Desde quando ir a Houston é um crime? E
desde quando eu tenho que te informar do meu paradeiro?".
Ele bufou. "Eu sou um vizinho preocupado” .
"Você é uma dor de dente, e eu deixei a cidade para fugir de você” , ela retrucou. "Eu não
quero te ver ou conversar com você!".
Ele endireitou os ombros e a boca se comprimiu. "Já que você acha que está certa” .
"Você poderia se desculpar com o pobre Joe sobre tudo isto” , ela acrescentou
intencionalmente. "Ele estava desesperado, pensando que seria mandado para a prisão por ter
acabado comigo” .
"Eu nunca disse nada disso” , ele murmurou. E deu uma olhada rápida para Joe. "Ele sabe
que eu não tinha pensado que ele tivesse feito algo com você” .
Isso foi o mais próximo que ele chegaria de um pedido de desculpas, e Joe aceitou com
menos rancor do que Dana teria.
"Obrigado por terem vindo” , Hank disse ao xerife e aos outros. "Ela estava sumida por dois
dias e eu não sabia onde ela estava. Qualquer coisa poderia ter acontecido” .
"Oh, ele sabe disso” , o policial da cidade, Matt Lovett, disse com um sorriso, jogando o
dedo polegar na direção do assistente do xerife. "Ele e a esposa tiveram uma discussão e ela foi
embora para a casa da mãe. No caminho o carro morreu. E ela o deixou na ponte sobre o rio e
pegou um táxi até a cidade para achar um mecânico” .
“ Matt...!", o xerife murmurou.
Matt ergueu uma mão. "Estou chegando à melhor parte. Ele a seguiu, viu o carro e pensou
que ela tinha saltado da ponte. Quando ela voltou com o mecânico, o pessoal da defesa civil
estava lá fazendo uma busca no rio” .
"Bem, ela poderia ter se jogado lá” , o xerife se defendeu com o rosto vermelho. Ele sorriu
amplamente para Hank. "E a senhorita Mobry poderia ter sido comida por um de seus bois
novos” .
"Ou abduzida por alienígenas” , Matt brincou, sarcástico.
"É por isso que nossa força policial está sempre à disposição, senhorita Mobry, para

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Homens do Texas 15

oferecer proteção a qualquer cidadão que precise dela. Eu adoraria te proteger durante um filme
uma noite qualquer na semana que vem” , ele acrescentou com olhos verdes cintilantes.
"Qualquer noite que você queira. Um bom filme e um grande e gostoso hambúrguer com batatas
fritas” .
Os olhos de Dana estavam cintilando agora, também.
Hank entrou entre ela e o policial. "Eu acho que ela vai precisar de um pouco de descanso
depois da excitação de hoje, mas estou certo de que ela agradece a oferta, Matt” .
As palavras não combinavam com a ameaça sombria em seus olhos. Matt só tinha
provocado, porque se ele realmente quisesse sair com Dana, todas as ameaças no mundo não o
teriam parado.
"Você provavelmente está certo” , Matt concordou. Ele piscou para Dana. "Mas a oferta
permanece, do mesmo jeito” .
Ela sorriu para ele. Ele era realmente legal. "Obrigada, Matt” .
Os agentes se despediram e saíram para tarefas maiores, deixando Dana, Joe e Hank de pé
e sem rumo sobre o jardim.
"Eu irei para casa agora, senhorita Mobry. Estou tão contente que você esteja bem” , Joe
disse novamente.
"Obrigada, Joe” , ela respondeu. "Eu sinto muito por todos os problemas que você teve” .
"Não se preocupe” .
Ele foi embora andando largadamente. Dana cruzou os braços na direção dos seios e
encarou Hank furiosamente.
Ele tinha as mãos bem enfiadas nos bolsos. E parecia mais desconfortável do que ela já
tinha visto antes.
"Bem, como eu poderia saber que você não tinha feito algo desesperado?", ele quis saber.
"Eu disse algumas coisas severas para você” . Ele evitou os olhos dela, porque ficava perturbado
ao se lembrar do que tinha dito. Nos poucos dias em que Dana tinha estado sumida, ele tinha
ficado pensando em muitas coisas, principalmente como Dana era uma grande parte da vida
dele, e a amizade longa que ele compartilhava com ela. Ele não tinha nenhum direito de ter
depreciado os sentimentos dela do modo como tinha feito. De fato, tinha abalado seu mundo
quando percebeu há quanto tempo ele os tinha deliberadamente ignorando. Ele tinha ficado
perdido entre o seu amor prolongado por Betty e seus confusos sentimentos por Dana. Era uma
crise sentimental que ele nunca tinha enfrentado antes. E sabia que não estava lidando com isso
muito bem.
Dana não se moveu um centímetro. "Eu já decidi o que vou fazer, no caso de você ainda ter
quaisquer preocupações restantes” , ela disse a ele friamente. "Se você achar algum furo, algum
modo de anular o testamento, eu vou vender o lugar e voltar a estudar. Eu receberei catálogos de

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Homens do Texas 15

três faculdades” .
O rosto dele ficou rígido. "Eu pensei que você gostasse de administrar a fazenda” .
Ela fez um som divertido, amargo. "Hank, eu não posso nem usar uma ferramenta na cerca.
Eu não posso puxar um bezerro sem a ajuda de Joe ou Ernie. Eu posso alimentar o gado, tratar
os ferimentos e checar doenças, mas não posso carregar peso ou consertar maquinaria. Eu não
tenho a força física necessária, e estou ficando sem dinheiro para contratar quem faça o
trabalho” . Ela jogou as mãos para o alto. "Se eu tentasse conseguir um trabalho no rancho de
outra pessoa, com a minha falta de habilidade, eles ririam de mim. Como eu poderia cuidar de um
rancho?".
"Você poderia vendê-lo para mim e eu poderia cuidar dele para você” , ele disse seco.
"Você pode alugar a casa e ficar aqui” .
"Como o quê?", ela persistiu. "Vigia? Eu quero mais do que isso da vida” .
"Como?", ele perguntou.
"Deixa para lá” , ela disse evasivamente, porque uma resposta pronta não se apresentou
propriamente. "Você conversou com o meu advogado?".
"Não” .
"Então você poderia, por favor?".
Ele enfiou as mãos nos bolsos. "Escute, Dana, nenhum tribunal em Jacobsville vai jogar por
terra o testamento de seu pai alegando que ele era incapaz. Ele tinha a mente tão sã quanto a
minha e conhecia o negócio pelo avesso” .
O coração dela afundou. "Ele poderia ter estado temporariamente perturbado quando inseriu
aquela cláusula” .
"Talvez estivesse” , ele concordou. "Talvez ele tivesse com um pouco de dor no peito ou
tivesse tido uma premonição. Estou certo de que ele fez isso como uma forma de ter certeza que
você não ficasse só, sem suporte, depois que ele se fosse. Mas suas razões não importam. Ou
você se casa comigo ou os dois iremos perder muito dinheiro” .
"Você não quer se casar comigo” , ela o lembrou com um prazer doloroso. "Você disse
isso” .
Ele retraiu uma respiração longa, cansada e procurou o rosto pálido e pequeno dela. "Deus,
estou cansado” , ele disse inesperadamente. "Minha vida está de cabeça para baixo. Eu não sei
aonde estou indo, ou porquê. Não, Dana, eu não quero me casar você. Isso é honesto. Mas há
muito em jogo naquele testamento” . Ele moveu os ombros, como se isso aliviasse sua rigidez.
"Eu prefiro esperar algumas semanas, pelo menos até que a visita de Betty tenha terminado. Mas
há um prazo no testamento também. Com um mês depois da morte do seu pai, creio, todas as
condições devem ter sido cumpridas” .
Ela anuiu com a cabeça miseravelmente.

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Homens do Texas 15

"De certa forma, seria bom para mim, estar casado agora” , ele refletiu solenemente. "Eu
não quero que Betty veja como ela me machucou, ou quanto eu ainda a quero. Eu poderia ficar
tentado a tentar acabar com o casamento dela, e esse não é o tipo de homem que eu quero
ser” .
"E quanto ao marido dela?".
"Bob não se importa com o que ela faz” , ele respondeu. "Ele anda totalmente indiferente a
ela, e ele não é mais um gigante financeiro. Acho que não seria necessário muito esforço para
tirá-la dele. Mas você não percebe que ela me deixou porque ele tinha mais dinheiro?", ele
acrescentou intencionalmente. "Meu Deus, eu não posso me deixar ser pego, novamente, na
mesma velha armadilha, não importa o que eu sinta por ela!".
Ela sentia pena por ele. Imaginando a situação. Ela juntou as mãos sobre o estômago.
"Então o que você quer fazer, Hank?", ela perguntou tranquilamente.
"Casar. Mas apenas no papel” , ele acrescentou deliberadamente, os olhos escuros firmes
e cheios de significado. “ Apesar da atração física que eu senti por você no pasto aquele dia, eu
não quero ter uma relação física com você. Vamos deixar isso claro desde o início. Eu quero um
documento que te dê o direito de me vender essas terras. Em retorno, eu te darei um pagamento
acima do valor de mercado, e te colocarei de volta nos estudos” .
Soou justo o suficiente para Dana, que estava extenuada de tensão sentimental. "E eu fico
aqui, na minha própria casa” , ela acrescentou.
"Não” .
As sobrancelhas dela se arquearam rapidamente.
"Eu quero que você fique na minha casa, comigo” , ele respondeu, "já que Betty e Bob
estarão na cidade. Embora esse seja um casamento legal, eu não quero que Betty saiba que eu
sou só um marido no papel” .
"Oh, entendo” , ela respondeu. "Você quer que a gente finja que existe uma relação
normal” .
"Exatamente” .
Ela não queria concordar. Ele a tinha ferido, feito observações horríveis, insultado-a e
envergonhado-a como se ela fosse uma predadora. Mas ela precisava vender o rancho. Seria a
fuga dela de uma pobreza sentimental de amor para onde não havia nenhuma esperança de
reciprocidade.
"Certo” , ela disse após um minuto. "Nós temos que fazer um teste sanguíneo e pedir uma
licença no cartório civil?".
"Nós voaremos até Las Vegas e nos casaremos lá” , ele disse a ela. "Assim que nós
completarmos as manobras legais e Betty não estiver mais me enchendo a paciência, nós
faremos um divórcio, que será fácil da mesma maneira” .

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Homens do Texas 15

Casamento fácil. Divórcio fácil. Dana, com seus sonhos de amor correspondido e bebês
para criar, sentiu a dor das palavras até a alma.
"Uma anulação evitará qualquer sugestão posterior de escândalo” , ele continuou. "Você
pode se graduar e achar alguém para compartilhar a vida. Ou parte dela” , ele acrescentou com
um sorriso zombeteiro. "Eu não acho que há alguém hoje em dia que ainda tenha ilusões sobre
casamentos até a morte” .
Os pais dela tinham se divorciado. Hank tinha se divorciado. Mas Dana viu casais ficarem
junto e vivido apaixonado por anos. Os irmãos Ballenger com seus casamentos felizes vieram
imediatamente à mente dela.
"Eu não sou tão cínica” , ela disse depois de um minuto. "E acho que crianças devem ter
ambos os pais enquanto estão crescendo, se isso for possível. Bem” , ela acrescentou, "desde
que isso não se torne uma guerra diária” .
"Sua família era assim?", ele perguntou suavemente.
Ela concordou com a cabeça. "Minha mãe odiava meu pai. Ela disse que ele não tinha
nenhuma ambição, nenhuma inteligência, e que ele era tão enfadonho quanto uma lava-louça.
Ela queria festas e feriados o tempo todo. Ele queria se acomodar com um bom livro e mordiscar
um queijo” .
Ela sorriu tristemente, lembrando-se dele, e teve que lutar contra as lágrimas fáceis que
brotaram prontamente nos olhos.
"Não chore” , ele disse seco.
Ela ergueu o queixo. "Eu não iria” , disse asperamente. Ela se lembrou dele segurando-a
no enterro do pai dela, murmurando palavras confortantes suavemente em seu ouvido. Mas ele
tinha pouca paciência com emoções, como regra.
Ele respirou fundo. "Eu arrumarei tudo e te informarei quando nós tivermos que ir” , ele
disse.
Ela queria discutir, mas a hora disso já tinha passado. Ela concordou com a cabeça. Ele
ficou esperando, mas quando ela não disse mais nada, ele voltou para o carro, entrou e foi
embora.

Capítulo 3

Las Vegas ficava no meio do deserto. Dana nunca tinha estado lá, e o local a fascinou. Não
apenas porque fosse como uma cidade de neon, o resplendor se estendia até as pessoas que
trabalhavam sob a luz noturna. Dana achava o modo como as mulheres se vestiam na rua muito
fascinante e quase caiu da janela do carro de luxo alugado por Hank ao tentar olhar para elas.

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Homens do Texas 15

Mas quando Hank disse a ela o que elas faziam para viver, ela desistiu de observar. Foi
interessante descobrir que o que elas faziam era legal e que elas podiam até anunciar os próprios
serviços.
“ Aqui estamos” , ele disse rudemente, parando em frente a uma das capelas de
casamento noturnas.
Parecia chamativo, entretanto, assim como o resto. Hank ofereceu um braço a ela, mas ela
recusou, caminhando ao lado dele com a bolsa apertada na mão. Ela estava usando um terninho
amarelo simples. Ela não tinha um véu ou mesmo um buquê, e sentia a omissão deles até os
dedos dos pés. Era muito, muito diferente do modo como ela tinha pressentido que seria o dia de
seu casamento.
Hank não parecia notar ou se importar. Ele lidou com as preliminares, eles assinaram um
documento e ele apareceu com um anel que ela nem sabia que ele tinha comprado. Cinco
minutos mais tarde eles estavam oficialmente casados, com anel, um beijo frio e tudo. Dana olhou
para o marido e não sentiu nada, nem mesmo tristeza. Ela parecia entorpecida da cabeça aos
pés.
"Nós vamos viajar direto de volta?", ela perguntou enquanto eles entravam no carro mais
uma vez.
Ele deu uma olhada rápida para ela. Ela parecia destituída de emoção. Era o dia do
casamento dela. Ele não tinha dado a ela uma escolha sobre o anel de casamento. Ele não tinha
se oferecido para comprar um buquê. Ele nem mesmo tinha perguntado a ela se ela queria um
casamento na igreja, que poderia ter sido organizado. Ele tinha estado olhando para o negócio
sob seu próprio ponto de vista. Dana merecia algo melhor do que esta junção fria, cínica.
“ Nós podemos ficar em um hotel durante a noite, se você quiser, e assistir um show” .
Ela não queria parecer ávida. O único show que ela já tinha visto tinha sido em um cinema
em Victoria.
"Bem” , ela disse indecisamente.
"Eu vou te apresentar ao ‘ bandido de um braço’ ” , ele acrescentou, rindo com a
expressão dela.
"Se você acha que nós podemos” , ela murmurou, e isso era até onde estava disposta a se
comprometer. "Mas eu não trouxe roupa para passar a noite” .
"Sem problema. O hotel tem lojas” .
E tinha mesmo. Ele comprou para ela um vestido, uma bolsa e todos os artigos de toalete
que ela precisava. Ela notou que ele não comprou nenhum pijama, mas ela achou que isso não
era nada de mais. De qualquer maneira, com certeza, eles teriam quartos separados.
Mas eles não tiveram. Havia muitas convenções na cidade, e eles conseguiram o último
apartamento que o hotel tinha—um com uma cama king size e um sofá pequeno.

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Homens do Texas 15

Hank olhava fixamente para a cama com tristeza. "Desculpe” , ele disse. "Mas é isso ou
dormir no chão” .
Ela limpou a garganta. "Somos ambos adultos. E é só um casamento no papel” , ela
gaguejou.
"Sim, é” , ele brincou, mas os olhos escuros se estreitaram enquanto eles avaliavam a
figura esbelta e perfeita dela e se lembrou da visão dela no pasto com a blusa aberta e a
sensação dos seios dela apertados firmemente contra o peito dele.
Ela deu uma olhada rápida para cima, encontrando o olhar quente e fixo dele, cheio de
intenções. Ela corou. "Eu não vou fazer sexo com você, Hank” , ela disse brevemente.
As sobrancelhas dele arquearam. "Eu pedi?", ele disse lenta e sarcasticamente. "Escute,
querida, as ruas estão cheias de mulheres de primeiro nível, caso eu queira” .
Os olhos dela soltavam faíscas para ele. "Não ouse!", ela disse furiosa. "Não se atreva,
Hank!".
Ele começou a sorrir. "Bem, bem, nós já estamos possessivos?".
"Essa não é a questão. Você fez um voto. Até que nós tenhamos isto desfeito, estamos
casados” . Ela olhou fixamente para os próprios sapatos. "Eu não vou correr atrás de um gigolô
na minha noite de núpcias” .
"Claro que você não iria” . Ele se moveu para mais perto, as mãos achando a cintura
pequena dela, e a trouxe suavemente para ele. A respiração dele tocava levemente a testa dela.
"Eu posso ouvir a sua respiração” , ele sussurrou. "Nervosa?".
Ela tragou. "Bem... sim... um pouco” .
Os lábios dele tocaram o cabelo dela. "Não há necessidade. É uma cama grande. Se você
não quiser, nada acontecerá” .
De certa forma ela se sentia desapontada. Eles estavam legalmente casados. Ela o amava.
Ele realmente não a queria mesmo?
Ele ergueu o rosto dela até os olhos escuros e curiosos dele. "Por outro lado” , ele disse
suavemente, "se você quiser saber como é, eu te ensinarei. Não haverá nenhuma consequência.
E você irá gostar” .
Ela sentiu as palavras até a pontinha dos dedos dos pés. Mas ela não iria ser conquistada
tão facilmente, ainda que o necessitasse mais do que o próprio ar.
"Sem chance, é?", ele brincou depois de um minuto. "Certo. Que tal ir ao andar de baixo e
tentar a sorte?".
"Por mim, certo” , ela disse, ansiosa para ir a qualquer lugar longe daquela cama.
Então eles andaram pelo cassino e brincaram em todas as máquinas até o vinte-e-um. O
brilho das fantasias dos dançarinos no palco fascinava Dana, como tudo o mais nessa cidade de
fantasia. Ela comeu bife bem passado, assistiu aos shows, e na maior parte do tempo foi

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Homens do Texas 15

maravilhoso porque Hank a tratava como uma parceira estimada. De fato, era isso que ela era.
Eles nunca tinham saído juntos em todos os anos que se conheciam. Nessa noite eles colocaram
em dia o tempo perdido.
Eles subiram logo após a meia-noite. Dana tinha exagerado nas piñas coladas, a única
bebida que podia tolerar. Mas tinha menosprezado a quantidade de rum que o garçom do bar
tinha colocado nelas. Ela estava se segurando na porta, para a diversão de Hank.
Ele deslizou o cartão codificado na fenda e quando a luz verde piscante indicou que ela
estava destrancada, ele abriu a porta.
"Casa, novamente” , ele murmurou, saindo do caminho para deixá-la entrar.
Ela deslizou a alça do vestido preto de sobre o ombro. Como o resto do breve guarda-roupa,
era o resultado das compras rápidas da tarde. Além do vestido para noite até o joelho, ela tinha
uma camisola preta, extremamente reveladora, e nenhum robe. Ela esperava que Hank fosse
gentil o suficiente para deixá-la se despir na escuridão.
"Você pode tomar banho primeiro” , ele convidou. "Eu ouvirei as notícias” .
"Obrigada” . Ela juntou o vestido com a roupa íntima e entrou no banheiro para se banhar.
Quando ela terminou, Hank estava sentando na extremidade da cama. Ele tinha tirado tudo,
exceto a calça comprida. Ele se levantou, e ela teve que suprimir um calafrio de prazer ao vê-lo
nu da cintura para cima. Ele tinha braços musculosos e um tórax escuro e sensual com um tufo
de pelos pretos enrolados através dele. O cabelo estava sobre a testa e bagunçado. Ele parecia
lascivo porque precisava se barbear.
"Que bom que eu trouxe meu barbeador” , ele brincou, levantando uma bolsa pequena que
sempre levava quando viajava. "Tenho que me barbear duas vezes por dia” . Os olhos escuros
dele deslizaram sobre o corpo dela na camisola curta, demorando onde os braços dela estavam,
defensivamente, cruzados sobre o tecido fino que não cobria os seios dela da visão dele. "Nós
estamos casados” , ele a lembrou. "E eu já vi a maior parte do seu corpo” .
Ela limpou a garganta. "Qual lado da cama você gosta?", ela perguntou timidamente.
"O direito, mas eu não me importo com qualquer um dos dois. Você pode escolher
primeiro” .
"Obrigada” .
Ela pôs a roupa descartada em uma cadeira e subiu depressa na cama, parando as
cobertas na altura do queixo.
Ele ergueu uma sobrancelha. "Fique assim mesmo” , ele persuadiu, "e quando eu terminar,
te contarei um bom conto de fadas” .
Ela o encarou através de uma névoa rosada. "Eu provavelmente estarei adormecida. Nunca
tinha bebido tanto” .
Ele concordou com a cabeça devagar. "Isso pode ser uma boa coisa” , ele disse

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Homens do Texas 15

enigmaticamente, e entrou no banheiro.


Ela não estava adormecida quando ele terminou. Ela tentou estar, mas a mente não
cooperava. Ela perscrutou através das pestanas e o viu se mover em torno do quarto apagando
as luzes. Ele tinha uma toalha ao redor dos quadris e quando ele apagou a última luminária ao
lado da cama, ela o viu soltar a toalha e jogá-la na parte de trás da poltrona de vinil.
Ela enrijeceu quando ele se deitou ao lado dela e começou a se esticar preguiçosamente.
"Eu posso te sentir se eriçando” , ele murmurou secamente. "É uma cama grande, querida,
e eu não sou sonâmbulo. Você está segura” .
Ela limpou a garganta. "Sim, eu sei” .
"Então por que você está estremecendo?".
Ele rolou para cima e se moveu para mais perto. Ela podia sentir o calor do corpo dele
através de sua camisola fina. Ela tremeu ainda mais quando a perna longa dele deslizou contra a
dela.
"Estremecendo” , ele continuou, e se moveu para mais perto, "e respirando como uma
corredora olímpica” . Ele deslizou um longo braço debaixo dela e a fez deslizar diretamente
contra ele. "Eu ainda não me esqueci dos sinais de quando uma mulher me quer” , ele sussurrou
enquanto as mãos alisavam por sobre a camisola através do corpo dela. "E você me quer,
Dana” .
Ela iria começar a protestar, mas a boca dele já estava cobrindo a dela. Ele girou e a puxou
para ele, de forma que ela pudesse sentir o corpo nu dele completamente sobre o dela. Ele era
firme e quente, e mesmo a inocência dela estava ciente de que ele a queria muito.
As mãos magras dele deslizaram pela barriga lisa dela, descendo até a junção das pernas
longas dela. O dedo polegar dele foi entre as pernas dela e tocou suavemente em um lugar que
ela não tinha sonhado que ele tocaria.
Ela o empurrou.
"Não” , ele disse suavemente. "Não me empurre. Isto não vai doer. Vai fazer mais fácil
quando eu te possuir” . Os dedos dele eram lentos, sensuais e insistentes. Ela estremeceu, e a
pressão cresceu. A boca dele provocou os lábios dela separados enquanto ele ensinava ao corpo
dela a se render ao prazer que aumentava.
"Parece bom?", ele sussurrou.
"Sim” , ela soluçou.
"Não lute contra” , ele respirou. A boca deslizou até os seios dela e os explorou em um
silêncio que cresceu tenso enquanto o movimento da mão produzia sensações cambaleantes que
curvaram o corpo dela como um arco.
Ele estava fazendo algo. Não era mais o dedo dele agora, era uma parte do corpo dele, e
ele estava se abaixando e empurrando, penetran...!

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Homens do Texas 15

"Dói” , ela sussurrou freneticamente.


"Assim” , ele sussurrou, movendo-se rapidamente. Ele se moveu novamente, e ela
estremeceu, mas não por causa da dor. "Sim, assim” , ele disse depressa. "Assim mesmo,
querida!".
Ela estava inconscientemente seguindo-o, deixando-o posicioná-la, estocando
repetidamente. Ela sentia a pele dele correr contra a dela, ouvindo o sussurro suave que fazia a
mente dela girar. Ela estava fazendo sons que não reconhecia, vindos do fundo da garganta, e se
agarrando a ele com toda a força.
"Eu... quero...!", ela disse sufocando.
"Quer o quê?", ele disse, lutando para respirar. "O que você quer? Eu farei qualquer coisa!".
"Quero... a luz... acesa” , ela conseguiu dizer.
"Oh, céus...” , ele gemeu.
Ele tentou alcançar o interruptor, mas naquele momento, um choque de prazer o pegou de
guarda baixa e penetrou seu corpo copo uma faca doce e quente. Ele desistiu de qualquer
pensamento sobre luz e se dirigiu de encontro a ela com toda a força, segurando os quadris dela
enquanto os dois entravam, juntos, na espiral de prazer. Ele a ouviu clamar o nome dele e
agradeceu a Deus por ela poder sentir algo, porque o único pensamento são que ele tinha era
que se ele não achasse sua liberação logo, iria morrer...
"Dana!", ele gritou quando achou o que procurava, estremecendo e tremendo enquanto
dava a si mesmo a doçura do êxtase.
As mãos dela o acalmaram quando ele desceu novamente, estremecendo após o ato. Ela
afagou o cabelo dele e a nuca, com beijos apertados e tenros em suas bochechas, olhos e nariz.
"Foi bom” , ela sussurrou. "Foi tão lindo, tão doce. Oh, Hank, faça novamente!".
Ele não conseguia achar respiração suficiente para rir. "Querida, eu não posso” , ele
sussurrou rouco. "Não ainda” .
"Por quê? Eu fiz algo de errado?", ela perguntou francamente.
Ele negou com a cabeça e beijou a boca suave dela. "O corpo do homem não é como o da
mulher” , ele disse suavemente. "Eu tenho que descansar por alguns minutos” .
"Oh” .
Ele a beijou preguiçosamente, estirando os músculos cansados e respirando fundo antes de
trazê-la para mais perto contra ele novamente e suspirar.
“ Doeu muito?'', ele murmurou cheio de sono.
"Um pouco, no princípio” . Ela se esticou contra ele. "Céus, é como morrer” , ela observou
maravilhada. "E você não se importa se vai morrer, porque é tão bom” . Ela riu maldosamente.
"Hank, acenda a luz” , ela sussurrou.
"Eu achava que você era uma puritana” , ele provocou.

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Homens do Texas 15

"Não, acho que sou uma voyeur” . Ela o corrigiu. "Eu quero olhar para você” .
"Dana!".
"E não finja estar chocado, porque sei que não está. Aposto que você quer me olhar,
também” .
"Realmente quero” .
"Bem, e então?".
Ele acendeu a luz e jogou as colchas para longe. Ela olhou para ele abertamente, corando
um pouco ao ver a nudez descarada dele. Ele não enrubesceu. Apenas olhou e olhou, fixamente,
enchendo os olhos com a visão do corpo dela.
"Deus, que espetáculo” , ele murmurou rouco. Ele estendeu os braços. "Venha aqui” .
Ela entrou neles, sentiu-o posicioná-la e erguê-la, e então a abaixou sobre ele para que se
ajustassem com uma intimidade lenta, sensual.
"Agora” , ele sussurrou rouco, movendo as mãos até os quadris dela. "Vamos um observar
o outro explodir” .
"Vamos... agora?", ela sussurrou de volta, movendo-se lentamente junto com ele.
Ele concordou com a cabeça, porque não conseguia articular as palavras. Os olhos pretos
brilhavam enquanto as sensações começavam a se formar de novo. Seu último pensamento
consciente foi que ele nunca conseguiria ficar cansado dela...

Ele estava distante na manhã seguinte. Dana tinha esperado uma nova e maravilhosa
intimidade por causa da noite anterior, mas Hank estava mais quieto e reservado do que ela já
tinha visto alguma vez antes.
"Algo errado?", ela perguntou preocupada.
Ele encolheu os ombros. "O que poderia estar errado?", ele verificou o relógio. "É melhor
nós irmos. Eu tenho um compromisso no escritório esta tarde, e não posso faltar. Já arrumou
suas coisas?".
Ela anuiu com a cabeça, ainda um pouco confusa. "Hank... você está arrependido por causa
de ontem à noite, não é?", ela perguntou inquieta.
"Claro que não!", ele disse, e forçou um sorriso. "Eu apenas estou correndo para chegarmos
em casa. Vamos” .
E então eles partiram e foram para casa.

Capítulo 4

Dana perscrutou novamente a aliança espessa de ouro em sua mão. Elas estavam de volta

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Homens do Texas 15

a Jacobsville por duas semanas, e ela estava vivendo em sua extensa mansão de tijolos agora. A
empregada, a senhorita Tilly, já estava com Hayden há muito tempo. Ela era esbelta, amigável e
secretamente tinha se divertido com a maneira arbitrária como Hayden tinha administrado seu
casamento, mas não disse uma palavra. Ela cozinhava, limpava e ficava fora do caminho.
Dana estava preocupada a princípio. Seu marido não usava a aliança, e ela não queria
sugerir que ele o fizesse por medo de soar possessiva. Mas a fazia se sentir desconfortável
pensar que ele não queria mostrar abertamente seu estado de casado. Com certeza ele não
estava pensando em já ter um caso, estava?
Esse era um pensamento natural, porque apesar de seu ardor em Las Vegas na noite de
núpcias, ele não a tinha tocado mais. Ele tinha sido cortês, atencioso e até afetuoso. Mas ele não
a tinha tocado como um amante. Ele era como um amigo agora. Ele insistiu que eles vivessem
em quartos separados sem dar qualquer explicação, e tinha se afastado ao ponto de não querer
sequer tocar as mãos dela. E isso dava nos nervos de Dana.
O comportamento dele começou a fazer sentido na manhã seguinte quando Tilly foi atender
à campainha e um casal estranho entrou na casa como se fossem os donos do local.
"Onde está Hank? Ele viu Bob no banco e o convidou para almoçar” , a mulher, uma
morena impressionante, anunciou de modo taxativo. "Ele não disse que estaria de volta por esse
horário, Bob?", ela perguntou ao homem muito mais velho e ligeiramente calvo ao seu lado. Ele
parecia pálido e sem saúde, e encolheu os ombros, como se não se importasse muito. Ele deu
uma olhada rápida para Dana com um sorriso de desculpas, mas parecia sem energias, até
mesmo para falar.
"Eu não sei onde ele está. Acabei de chegar” , Dana disse. Ela estava muito consciente da
própria aparência. Estava usando uma calça jeans, botas e uma camisa empoeirada, porque
tinha ido verificar o pequeno rebanho que possuía. Ela cheirava a cavalos e a sua trança, assim
como o resto do cabelo, não estavam tão limpos quando antes, quando ela tinha começado o
trabalho.
"E quem é você, garota do estábulo?", a mulher perguntou com um sorriso zombeteiro.
Dana não gostou da atitude da mulher, sua aparência muito elegante, ou o modo como ela
cheirava a perfume caro com o qual parecia ter tomado banho.
"Eu sou a Sra. Hayden Grant” , ela respondeu com formalidade seca. "E quem você pensa
que é para entrar na minha casa e me insultar?", ela acrescentou, para garantir, com faíscas nos
olhos azuis.
A mulher estava chocada, não só pelo nome que ela tinha apresentado, mas também pela
rápida hostilidade.
Ela escolheu desajeitadamente as palavras. "Eu sou Betty Grant. Quer dizer, Betty
Collins” , ela emendou, falando em disparada e corando. "Eu não sabia que Hank... tinha casado

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Homens do Texas 15

de novo! Ele não me disse nada sobre isto” .


"Nós nos conhecemos há anos, mas estamos casados há apenas algumas semanas” ,
Dana respondeu, furiosa com Hank por tê-la colocado nesta posição tão inesperadamente. Ele
não tinha dito nada que a ex-esposa lhes faria uma visita. "Tilly, mostre a eles a sala de estar” ,
ela disse à empregada esbelta. "Tenho certeza de que Hank já vai aparecer” , ela acrescentou
seca. "Se você me dá licença, tenho coisas a fazer” . Ela ofereceu ao homem um sorriso, porque
ele não tinha sido indelicado, mas não disse nada a Betty. Ela tinha sido dilacerada pela pergunta
severa da mulher.
Ela caminhou para a escadaria sem dar um olhar sequer para trás.
"Ela não é muito receptiva” , Betty disse ao marido com um olhar frio na direção da
escadaria.
"Ela não estava te esperando” , Tilly disse com irritação. Ela nunca tinha gostado da ex Sra.
Grant e gostava menos agora. "Se você quiser esperar aqui, trarei café quando o Sr. Grant vier” .
Betty deu à empregada um olhar estreito. "Você nunca gostou de mim, não é, Tilly?".
"Eu trabalho para o Sr. Grant, senhora” , ela respondeu com dignidade. "Meus gostos e
antipatias são da conta dele somente. E da Sra. Grant, claro” , ela acrescentou intencionalmente.
Enquanto o sangue aflorava às bochechas de Betty, a empregada saiu do cômodo e fechou
a porta. Ela foi até a cozinha e quase colidiu com Hayden, que entrava pela porta dos fundos.
"Whoa” , ele disse, parando-a. "O que te deixou desse jeito?".
"Sua ex-esposa acabou de entrar com o marido” , ela disse severamente, notando a dor no
olhar dele surgida com a declaração dela. "Ela já aborreceu a Sra. Grant, que devolveu na
mesma moeda” , ela acrescentou com um sorriso.
Ele prendeu a respiração. "Bom Deus, esqueci de telefonar e dizer a Dana que os tinha
convidado. Ela está muito chateada?".
"Bem, senhor” , Tilly riu, "ela perdeu a calma. Mas não ergueu a voz ou disse um palavrão,
e ainda assim colocou Betty no devido lugar. Betty tinha dito que ela era uma garota de
estábulo” .
O rosto dele ficou frio e firme. "Como ela está?".
"Dana?".
Ele agitou a cabeça. "Betty” .
"Ela parece muito rica, muito altiva e muito bonita, da mesma maneira que costumava ser” .
Ela fez uma carranca. "Senhor, não vai deixar que ela te desequilibre novamente, não é?".
Ele não podia responder. A memória de Betty em sua cama o atormentava desde o divórcio,
apesar do êxtase que Dana tinha dado a ele na noite em que estiveram juntos.
"Não” , ele disse tardiamente. "Certamente eu não vou dar a ela a corda para me
enforcar” .

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Homens do Texas 15

"Deveria pensar em dizer isso a Dana” , Tilly meditou. "Ela não vai ficar nada bem com o
choque que acabou de receber. Especialmente por causa do acordo de camas que há por aqui” .
Ele abriu a boca ardentemente para responder, mas ela já tinha passado pela porta da
cozinha. Ele ficou olhando na direção dela. A fraqueza de Tilly era irritante às vezes. Ela estava
certa, o que não ajudava na situação.
"Traga uma bandeja de café para a sala de estar” , ele berrou depois dela.
Não houve nenhuma resposta, mas ele assumiu que ela tinha ouvido. Assim como,
provavelmente, metade do município.
Ele foi para a sala de estar, tentando não pensar sobre como iria ser afetado ao ver Betty.
Ele não estava tão preparado quanto pensava. Foi um choque absoluto. Ela tinha vinte anos
quando o tinha deixado, uma menina inconstante que gostava de paquerar e ter homens para
comprar as coisas bonitas que desejava. Dez anos tinham se passado. Ela tinha trinta agora, e
estava bonita como sempre, mais amadurecida, muito mais sensual. Os anos desapareceram e
ele estava cheio de desejo dessa mulher que o provocava e tinha assumido o comando sobre ele
completamente.
Ela viu a reação dele e sorriu de volta com o corpo inteiro. "Bem, Hank, como você está?",
ela perguntou se aproximando.
Com o marido assistindo, ela o alcançou e beijou em cheio na boca, sem se apressar. Ela
riu suavemente quando ele não recuou. Ela podia sentir a tensão nele, e não era de rejeição.
Ele odiou que ela soubesse como ele se sentia, mas ainda assim não pôde resistir ao desejo
de corresponder ao beijo. E ele fez, completamente. A habilidade dele deve tê-la surpreendido
porque ele ouviu a arfada dela logo antes de erguer a cabeça.
"Nossa, você mudou, amado!", ela exclamou com uma risada rouca.
Ele observou os olhos dela, procurando por emoções, amor. Mas não havia lá. Nunca tinha
havido. O que quer que seja que ele tivesse sentido por ela, Betty nunca tinha sido capaz de
corresponder. O sorriso vitorioso dela devolveu, parcialmente, os sentidos dele. Dez anos tinham
sido muito tempo. Ele tinha mudado, assim como ela. Ele não devia perder de vista o fato de que,
apesar de seu corpo primoroso e beijos sedutores, ela o tinha deixado por um homem mais rico.
E agora Hank estava casado. Dana era sua esposa, na total acepção da palavra.
Ele piscou. Por um espaço de segundos ele tinha beijado a ex-esposa, Dana tinha fugido de
sua mente. E ele se sentiu culpado.
"Você parece bem” , ele disse a Betty. Os olhos dele foram dela para o amigo Bob, ao
longe. Ele estendeu a mão. "Como você está, Bob?", ele perguntou, mas sem o calor que poderia
ter usado antes do divórcio.
Bob sabia disto e seu sorriso era cansado enquanto agitava a mão oferecida. "Eu estou
bem, acho” , ele disse. "Diminuindo a velocidade um pouco, mas já estava na hora. Como

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Homens do Texas 15

está?".
"Prosperando” , Hayden respondeu com um sorriso lânguido e zombeteiro.
"Eu percebi” , o homem mais velho disse agradavelmente. "Você fez um grande alvoroço
no meio dos criadores, e ouvi dizer que uma das suas crias de dois anos vai estrear este ano nas
corridas” .
"Esse é o âmago da questão. Como está o negócio avícola?".
"Eu me desfiz da maior parte dos meus bens” , Bob disse. E fez uma careta. "Eu estava tão
ocupado viajando que não percebi que tinha perdido controle até haver uma briga por causa de
uma procuração e eu perdi” , ele acrescentou sem olhar para Betty. "Então eu tive um golpe
secundário, e até as minhas ações não valem mais a pena. Estamos vivendo confortavelmente
por causa de dividendos de várias fontes” .
"Confortavelmente dificilmente é a palavra” , Betty ridicularizou. "Mas nós temos uma posse
premiada remanescente que pode nos ajudar a entrar nos negócios novamente. Essa é uma das
razões de estarmos aqui hoje” . Ela sorriu flertando com Hank, que parecia muito desconfortável,
e deliberadamente se debruçou contra a escrivaninha dele em uma pose sedutora. "Quando você
se casou, Hank? Foi quando ouviu que nós viríamos aqui?".
O rosto dele endureceu. "Esse, dificilmente, é um motivo para se casar” .
“ É o que me pergunto. Sua nova noiva é terrivelmente jovem, e parece preferir o ar livre a
ser uma anfitriã. Ela não foi muito amigável. Ela é a menina da fazenda cujo pai acabou de
morrer? Ela não está nem no seu nível social, está?".
"Oh, eu não diria isto” , veio uma voz da entrada.
Hank girou a atenção para a esposa e não a reconheceu. O cabelo loiro descia ao redor dos
ombros, limpo e brilhante, e ela estava usando um vestido de seda que fez até Bob olhar
fixamente para ela.
Ela estava usando maquilagem adequada, e perfume na medida certa. Os olhos de Hank
desceram através das longas e elegantes pernas dela e sentiu o corpo inteiro ficar rígido com a
lembrança de como tinha se sentido ao beijá-la. O rosto dele refletiu a memória, para a
consternação de Betty.
Dana entrou, o corpo gingando graciosamente, e tomou Hank possessivamente pelo braço.
Ela estava muito contente por ter comprado este vestido exclusivo para se vestir para Hank. A
ocasião não tinha surgido antes, então ela o tinha guardado. "Eu pensei que você tivesse
esquecido o convite” , ela disse preguiçosamente, olhando para Betty. "Nós nos casamos muito
recentemente, sabe” , ela acrescentou com afeto indulgente.
O rosto de Betty corou novamente com a perda de paciência. Ela cruzou as pernas
enquanto se debruçava de volta na escrivaninha. Os olhos dela se estreitaram. "Casaram muito
recentemente, nós ouvimos. Eu só estava perguntando a Hank qual o motivo da pressa” .

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Homens do Texas 15

Dana sorriu afetadamente e a mão alisou a barriga. "Bem, estou certa de que você sabe
como ele é impetuoso” , ela murmurou com voz rouca, e não olhou para cima.
O gesto foi o suficiente. Betty parecia que iria sufocar.
Hank ficou surpreso com o controle imediato da situação pela esposa, e seus instintos
protetores. Ele tinha sido horrível com ela, e aqui estava ela salvando seu orgulho. Ele tinha
passado do limite com Betty novamente, e aqui estava Dana para trazê-lo de volta à segurança.
Considerando a frieza dele com ela desde o casamento, e o fato de ela ter sido pega de surpresa
hoje, era incrivelmente amável da parte dela.
O braço dele se contraiu ao redor da cintura dela e ele sorriu para ela com aprovação
genuína. “ Uma criança foi a nossa primeira prioridade, mas nós meio que colocamos o carro na
frente dos bois” , ele acrescentou, mentindo por entre os dentes enquanto ajudava-a a seguir
com a mentira. "Nós estamos esperando um filho” .
Bob parecia melancólico enquanto Betty fungou. "Eu teria gostado de uma criança” , ele
disse a eles. "Mas, não era para ser” .
"Crianças são um incômodo” , Betty murmurou. "Pequenas irritações que crescem” .
"Você teve sorte da sua mãe não ter pensado assim", Dana devolveu suavemente.
Betty se levantou. Ela tinha esperado uma presa fácil, e estava conseguindo, até que a
venenosa noiva-criança tinha entrado e atrapalhado tudo. As coisas não estavam indo de maneira
nenhuma como ela tinha planejado. "Bob já te falou sobre o cavalo de corrida? Ele desejava que
você estivesse disposto a ir até Corpus Christi conosco e dar uma olhada nele, Hank” , ela disse,
indo diretamente ao ponto. "Ele é um vencedor comprovado, com boa linhagem, e nós não te
roubaremos. Faremos um bom preço” .
Por que ele não tinha percebido que Betty poderia ter um motivo escondido quando Bob
tinha se convidado junto com Betty para o almoço? Ele tinha pensado que ela tinha sugerido isso
inesperadamente porque quisesse vê-lo novamente, talvez porque tivesse lamentado o divórcio.
Mas era exatamente como nos velhos tempos. Ela estava atrás do dinheiro e o via como um meio
de fazer o ninho dela—e de Bob. O corpo dela o tinha cegado novamente. Furioso, ele trouxe
Dana para mais perto. "Eu não acho que Dana se sentiria bem de viajar agora mesmo” , Hank
respondeu, continuando com a ficção da gravidez.
"Nós não temos que levá-la conosco” , Betty disse seca.
Bob riu. "Betty, eles são recém-casados” , ele disse com um embaraço notável. "O que
você está tentando fazer?".
"Essa seria a minha próxima pergunta, Sr. Collins” , Dana respondeu tranquilamente.
"Embora eu tenha que dizer a você, agora mesmo, que o meu marido não viaja sem mim” . Ela
pegou as mãos dele nas dela, e ele ficou surpreso de ver como ela estava fria, e como era
possessiva.

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Homens do Texas 15

“ Oh, você, com certeza, não acha que eu estou atrás do seu marido” , Betty a
ridicularizou. "Eu... nós... apenas queremos ver nosso cavalo de corrida em boas mãos. Ninguém
entende de cavalos puros-sangues como Hank” . Ela mudou de postura, para fazer efeito. Ela
tinha uma forma perfeita e não se importava de deixar isto aparecer sempre que possível, se
fosse em benefício próprio. "Você deve estar muito insegura em seu casamento, querida, se não
confia que seu marido saia das suas vistas com uma mulher casada e o marido dela. E essa é
uma declaração bastante triste sobre a sua relação” .
Dana corou. Ela podia dizer que Hank estava de repente com suspeitas. Ele olhou para ela
com olhos estreitos, como se tivesse levado a fundo o insulto de Betty. E sua mão estava morta
na dela, como se ele não sentisse nada quando a tocava.
Dana sentiu a retirada dele. Ela puxou os próprios dedos. A pretensão era demais, ela
decidiu. "Hank e eu só estamos casados há duas semanas” , ela disse.
"Sim, querida, mas se você está grávida, isso dificilmente significa que vocês só dormiram
juntos depois que se casaram, ou será que eu não sei contar?", ela perguntou intencionalmente.
A afirmação pôs Dana entre a cruz e a espada. Ela não podia admitir que ela e Hank só
tivessem dormido juntos depois do casamento, a menos que ela quisesse ser considerada uma
mentirosa por causa da gravidez. Ela deu uma olhada rápida para Hank, que tinha começado o
engodo, mas não estava ajudando-a agora. De fato, ele parecia estar odiando estar amarrado a
ela quando Betty estava no comando. O marido dela não parecia ser ciumento mesmo. Era um
pensamento assustador para uma mulher apaixonada pelo marido cujos motivos para o
casamento tinham sido suspeitos desde o início, e que admitira que ainda sentia algo poderoso
pela ex-esposa. Ele tinha dito, também, que não tinha nenhum amor a oferecer a Dana; somente
afeto.
"Além disso, não é como se eu estivesse tentando acabar com o seu casamento” , Betty
continuou. "Bob e eu estamos em uma posição financeira terrível. Essa é a razão pela qual nós
temos que desistir de todas as nossas posses por todo o Texas e nosso cavalo de corrida. Ainda
que Hank não queira comprar o cavalo, ele pode ser capaz de nos ajudar a achar alguém que o
queira. Com certeza ele não vai deixar de nos dar um pequeno conselho, pelos velhos tempos,
certo? É apenas Corpus Christi , afinal, não é um país estrangeiro. Significa apenas uma noite
longe de casa” .
Hank estava oscilando, então Betty avançou sobre Bob e se jogou contra ele com um sorriso
sedutor, como se estivesse fazendo uma oferta. "Diga a ele, querido” , ela disse lenta e
sedutoramente.
O rosto de Bob ficou de um vermelho vivo enquanto olhava para ela e se movia
desconfortável. "Vamos, Hank” , ele disse. "O estábulo onde está o cavalo fica na beira da
estrada, a mais ou menos dezesseis quilômetros de onde nós moramos. Nós temos vários

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Homens do Texas 15

quartos. Você pode passar a noite e voltar amanhã” . Ele deu um sorriso fraco. "Nós realmente
não temos condições de esperar mais. Eu tive alguns problemas de saúde, então tenho que
arranjar isso agora. Nós fomos bons amigos um dia, Hank” .
Você está sendo feito de idiota, Dana queria gritar. Ela está usando-o para chegar até você,
ela está subornando ele com o corpo para te persuadir até Corpus Christi para que assim ela
possa te seduzir a comprar aquele cavalo.
Hank sentia a tensão em Dana. Os olhos dele se estreitaram enquanto olhava para ela
abaixo e reconheceu o ciúme, a desconfiança. Ele estava se sentindo muito ameaçado por Betty,
e estava desconcertado pela indecisão tempestuosa que seus próprios sentimentos faziam por
dentro dele. Ele se sentia preso entre as duas mulheres, uma que ele queria ao ponto da loucura
e a outro que tinha descartado seu coração e agora parecia desejá-lo novamente—apesar do
próprio marido.
Ele foi do rosto fixo de Dana até o rosto bravo de Betty persuadindo-o e se sentiu oscilar.
"A sua esposa não te tem em um cabresto, não é?" Betty perguntou intencionalmente.

Capítulo 5

O orgulho masculino se impôs. "Eu posso me dar um dia ou dois” , Hayden disse a Bob
com um clarão significante para o rosto corado de Dana. "Afinal, nós somos pessoas civilizadas.
E o divórcio foi anos atrás. É estúpido guardar rancor” .
Betty irradiou. Ela tinha ganhado e sabia disso. "Que coisa boa de dizer, Hank. Mas você
sempre foi um doce” .
Dana se sentiu deixada de lado. Os outros dois assumiram o comando da conversa, e num
instante eles estavam se recordando dos velhos tempos e conversando sobre pessoas que Dana
não conhecia. Ela despejou o café nas xícaras, que uma enfadada Tilly tinha trazido na bandeja
com bolo, e os serviu para os convidados. Mas ela podia ser invisível, pela atenção que Hank
dava a ela. Depois de alguns minutos ela se desculpou e deixou o cômodo, sem estar realmente
certa de que ele notaria a ausência dela.
Tilly foi na direção da cozinha, levando a bandeja, à frente de Dana, murmurando para si
mesma que os homens não podiam ver o que estava debaixo de seus próprios narizes.
Normalmente Tilly divertia Dana quando conversava consigo mesma, mas ela estava
extremamente preocupada hoje para notar.
Ela subiu os degraus e foi até o quarto que ocupava sozinha e começou a empacotar as
próprias coisas. Se Hank estava indo embora, ela também estava. Ela já tinha aguentado o
suficiente, já estava cansada de ser uma pessoa extra na vida dele, na casa dele. Se ela tinha

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Homens do Texas 15

alguma esperança de que ele pudesse um dia aprender a amá-la, ela tinha virado pó com a
chegada da ex-esposa dele. Qualquer um podia ver como ele ainda se sentia sobre ela. Ele
estava tão obcecado que nem tinha notado Dana assim que Betty tinha relampejado aquele
sorriso falso para ele. Bem, deixe-o partir com a ex-esposa, sob o pretexto que quiser, e boa sorte
para eles!
Levou dez minutos para que ela terminasse. Ela tirou o vestido que usava e colocou calça
jeans, um top de tricô e as botas. Ela trançou o cabelo e se olhou no espelho. Sim, ela ficava
melhor assim. Ela poderia ter sido uma garota da cidade um dia, mas agora ela era apenas uma
rancheira pobre. Ela podia ter a aparência que quisesse, e Hank, com certeza, não sentiria falta
dela se ela partisse, não quando Betty estava pronta, disposta e à mão.
Aparentemente ele não se importava por Betty ainda estar casada, gananciosa, e apenas
usando-o para fazer lucro com o cavalo. Deus sabia que ele tinha condições de comprá-lo, e a
mulher parecia não se importar de vender a ele por um preço um pouco abaixo para recompensá-
lo.
Ela estava observando as gavetas para ter certeza de que não tinha deixado nada para trás
quando a porta se abriu e Hank entrou.
Ele esperou encontrá-la chorando. Ela tinha natureza sensível e ele tinha sido indelicado
com ela, especialmente no andar de baixo na frente dos convidados. As observações da Betty
tinham feito ele se sentir como uma posse de Dana, e ele tinha reagido instintivamente jogando
Dana para escanteio. Agora ele se sentia culpado. Sua consciência o tinha beliscado quando ela
saiu com uma quieta dignidade, sem ao menos olhar para ele, e ele tinha vindo para encontrá-la,
confortá-la, desculpar-se por fazê-la se sentir inoportuna. Mas aparentemente iria levar um pouco
mais do que uma desculpa, se aquelas malas indicavam as intenções dela.
"Indo a algum lugar?", ele perguntou educadamente, e sem sorrir.
"Estou indo para casa” , ela disse com um orgulho silencioso. "Você e eu sabemos que isso
foi um engano. Você pode ter o divórcio quando quiser. O testamento exigia apenas um
casamento no papel. A propriedade é minha agora e prometo a você que não irei vendê-la para
qualquer empreendimento que possa ameaçar os cavalos” .
Ele não estava preparado para isso. Ele olhava fixamente para ela com sentimentos
misturados.
"É uma casa grande” , ele disse, porque não conseguiu pensar em qualquer outra coisa
para dizer.
"Você e Tilly não sentirão minha falta. Ela está ocupada com assuntos domésticos e você
nunca está aqui, de qualquer maneira” . Ela não encontrou os olhos dele enquanto dizia isto,
porque não queria que ele visse o quanto as ausências frequentes dele a faziam se sentir
indesejada. "Eu pensei em ter um cachorro” .

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Homens do Texas 15

Ele riu friamente. "Para substituir um marido?".


"Não é difícil substituir um marido que nem dorme comigo...!", ela parou, como uma estátua,
quando percebeu que a porta estava aberta e Betty estava ali mesmo, escutando.
O cessar abrupto da conversa e o olhar horrorizado dela o fez girar para olhar, também.
Betty não estava nem envergonhada. Sorriu vitoriosa. "Estava procurando um banheiro.
Desculpe se interrompi alguma coisa” .
"O banheiro é no corredor de baixo, como você sabe, a terceira porta à direita” , Hank disse
brevemente.
"Obrigada, querido” . Os olhos dela percorreram o rosto pálido e as malas de Dana, e ela
sorriu novamente enquanto os deixava.
O rosto de Hank não tinha nenhuma expressão. Dana ergueu a mala. "Eu levarei isso
comigo. Se você não se importaria, poderia pedir a um dos seus homens que entreguem o resto
das minhas coisas? Eu ainda tenho meu Bronco na garagem, certo?".
"Não fiz nada com ele” .
"Obrigada” .
Ela passou por ele. Ele pegou o braço dela, e sentiu a firmeza e tensão nela.
A respiração dele era morna na testa dela. "Não vá” , ele disse por entre os dentes.
Ela não se permitiu fraquejar, ser pega em um triângulo sórdido. Betty o queria, e ele
sempre a tinha amado e não fazia nenhum segredo disto. Dana era uma pessoa extra na vida
dele. Ela não se ajustava à situação.
Os olhos azuis escuros dela se ergueram para os olhos marrons dele. "A pena não é uma
boa razão para se casar. Assim como um testamento não é. Você não me ama, não mais do que
eu não te amo” , ela acrescentou, mentindo por entre os dentes, porque ela sempre o adoraria.
Os olhos dela se abaixaram, "eu não quero mais ficar aqui” .
A mão dele soltou o braço dela como se estivesse enojado. "Saia, então, se é isso o que
quer. Eu nunca teria me casado com você, em primeiro lugar, a não ser que eu sentisse pena de
você” .
O rosto dela estava muito mais pálido agora. "E há o modo como você se sente sobre a sua
ex-esposa” , ela devolveu.
Ele a encarava divertido. "Sim. Há Betty” .
Doeu ouvi-lo admitir. Ela passou por ele sem olhar para cima. O corpo dela estava
tremendo, o coração estava estourando dentro do peito. Ela não queria partir, mas não tinha
escolha, tinha sido forçada a isso. Mesmo quando ela descia pela escadaria, pôde ouvir a voz
questionante e suave de Betty ao falar com Hank.
Dana se dirigiu à porta da frente, e uma voz a chamou da sala de estar.
"Bom Deus, você não está partindo, está?", Bob perguntou espantado. "Não é por nossa

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Homens do Texas 15

causa, é?".
Ela o encarou sem expressão. "Sim, estou partindo. Você é tão vítima quanto eu, acho” ,
ela disse.
A boca dele se abriu para refutar, mas a tristeza em seus olhos matou as palavras. Ele
encolheu os ombros e riu brevemente. "Acho que sim. Mas eu já vivo com isso há dez anos,
desde que tomei Betty de Hank com o meu talão de cheques. Engraçado como a vida te faz
pagar por ter ferido outras pessoas. Você pode conseguir o que quer, mas terá que viver com
isto. Algumas escolhas carregam com ela o castigo” .
"Não é mesmo?", ela devolveu. "Adeus” .
"Ela realmente não o quer” , ele disse suavemente, de forma que a voz não se elevou. "Ela
quer um modo de voltar a viver tão bem quanto costumávamos, com um orçamento ilimitado. Eu
perdi minha conta bancária, então me tornei desnecessário. É o dinheiro o que ela quer, não o
homem. Não desista se você o ama” .
Ela ergueu o queixo. "Se ele me amasse, eu ficaria, e lutaria até meu último suspiro” , Dana
respondeu. "Mas ele não me ama. E eu não sou valente o suficiente para ter meu coração
arrancado todos os dias da minha vida, sabendo que ele olha para mim e deseja ela” .
Bob estremeceu.
"É isso o que você tem feito por dez anos, não é?", ela continuou com sensibilidade. "Você é
muito mais valente do que eu, Sr. Collins. Acho que você a ama tanto que não se importa” .
"Não é amor” , ele disse friamente, com o maior desprezo por si próprio que ela já tinha
ouvido na voz de um homem.
Ela suspirou. As necessidades dos homens eram estranhas e inexplicáveis para ela. "Acho
que ambos não temos sorte” . Ela deu uma olhada rápida em direção à escadaria com os olhos
ficando escuros com dor. "Que tola eu fui de vir para cá. Ele disse que não tinha nada para me
dar. Exceto riqueza. Que vida vazia teria sido” .
Bob Collins fez uma carranca. "O dinheiro não significa nada para você, não é?", ele
perguntou como se não pudesse compreender uma mulher que desejasse um homem pobre.
Ela olhou para ele. "Tudo que eu queria era que ele me amasse” , ela disse. "Não há
pobreza pior do que ser privado da única pessoa com a qual se importa no mundo” . Ela fez uma
pequena careta e virou o rosto. "Cuide-se, Sr. Collins” .
Ele a viu ir embora, viu a porta se fechar como a tampa de um caixão. Oh, seu tolo, ele
pensou, Hank, você é um tolo por desistir de uma mulher que te ama assim!

Dana se ajeitou na antiga casa sem grandes dificuldades, a não ser o fato de que agora
sentisse ainda mais a falta do pai. Ela sentia falta de Hank. Ele não ficava muito em casa,
provavelmente porque estava tentando evitá-la, mas pelo menos ele tinha dado a ela a ilusão de

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Homens do Texas 15

pertencer a algum lugar.


Ela olhou para as mãos nuas enquanto lavava os pratos. Ela tinha deixado as alianças para
trás, as duas, sobre a cômoda. Ela se perguntou se ele já as tinha achado. Ela não tinha mais
nenhuma razão para usar a aliança já que não era mais uma esposa. Hank tinha se casado com
ela porque não queria que Betty soubesse como ele se sentia sobre ela. Mas a ex-esposa estava
tão ávida para tê-lo de volta que um homem cego poderia ver. Ele nunca tinha feito segredo de
seus sentimentos por Betty. Que ironia a ex-esposa dele ter voltado justamente agora, depois de
todo esse tempo, quando Dana poderia ter tido alguma pequena chance de ganhar seu coração.
Betty entrou e assumiu o comando sem lutar. Ela imaginava se poderia esquecer o olhar nos
olhos escuros de Hank enquanto olhava fixamente para a ex-esposa com tal dor e desejo. Ele
ainda a amava. Era impossível não saber isto. Ele poderia ter gostado de dormir com Dana, mas
mesmo assim, ele nunca tinha mostrado nenhum grande desejo de repetir a experiência.
Ela colocou os pratos no lugar e foi assistir às notícias da noite. O pai dela gostava dessa
hora do dia quando tinha acabado o trabalho e eles comiam e depois ele podia se sentar com
uma xícara de café e ver as notícias. Ele e Dana discutiam sobre os eventos do dia e então
desligavam a televisão e liam. Ela tinha sentido a falta disso na casa elegante de Hank. Era vazia
e fria. A televisão ficava no escritório dele, não na sala de estar, e ela nunca tinha se sentido
confortável de entrar lá para assisti-la. Lá ela não tinha nenhum dos seus livros favoritos, e os
livros dele eram todos sobre cavalos, gado e genética. Ele não lia biografias, também, e havia
alguns best-sellers de capa dura que pareciam nunca terem sido abertos.
Hank não tinha tempo para ler por prazer, ela supunha. A maior parte de seu material
parecia ser relacionada a negócios.
Ela se enrolou na poltrona do pai com lágrimas brotando nos olhos. Ela não tinha deixado as
lágrimas fluírem em todo o tempo em que tinha estado casada, e não iria desmoronar agora,
também, mas sentia vontade de expressar um pouco da tristeza que sentia enquanto não havia
ninguém para ver.
Ela tocou de leve a lágrimas, perguntando-se por que Hank tinha tentado impedi-la de partir
já que ele disse que não a queria mais. Talvez fosse o pensamento de terminar o casamento tão
rápido. Devia ser difícil para o orgulho de um homem admitir que tivesse falhado mais uma vez
como marido.
Depois de um tempo, ela se levantou e colocou um filme. Era um que ela já tinha visto meia
dúzia de vezes, mas ela apenas queria o som como companhia. Ela tinha que pensar no que iria
fazer pelo resto da vida. Neste momento, ela estava certa de que não conseguiria não morrer de
fome se lutasse para manter o pequeno rancho de gado. Ela não tinha o capital para o trabalho,
as instalações adequadas ou dinheiro para negociar mais gado. O melhor caminho seria apenas
passar a coisa toda para Hank antes que ela quebrasse, e usar o capital de confiança que a mãe

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Homens do Texas 15

tinha dado a ela para pagar por uma graduação. Com isso, ela poderia achar um trabalho e se
sustentar. Ela não precisaria da ajuda de ninguém; muito menos de um marido relutante. Não
havia pensão no Texas, mas Hank tinha consciência e iria desejar mantê-la depois do divórcio.
Ela gostaria de poder dizer a ele que não precisava do dinheiro.
Os planos temporários dela se fixaram em sua mente, ela voltou à atenção para o filme. Era
bom para ter as coisas definidas.

Hayden Grant não tinha nada definido, muito menos na mente. Ele estava a caminho de
Corpus Christi com Bob e Betty, apenas entendendo a metade do que ouvia no rádio enquanto
seguia o casal, eles no Mercedes deles, e ele no seu próprio Lincoln.
Ele podia ter ido no carro com eles; algo que ele achava que Betty estava desejando
secretamente. Mas ele queria estar só. A ex-esposa dele tinha estragado tudo com sua
reaparição intempestiva. Os insultos dela fizeram com que ele fosse cruel com Dana, que não
tinha nada dele, exceto dor. Ele a tinha forçado a se casar com ele, ela querendo ou não, tinha
seduzido-a em uma febre de desejo, e então tinha trazido-a para sua casa e literalmente tinha
ignorado-a por duas semanas. Pensando agora, ele não conseguia explicar o próprio
comportamento irracional.
Desde a noite que ele tinha passado com Dana, seu único pensamento é que tinha sido
lindo fazer amor com ela. Ele nunca tinha sonhado que poderia querer alguém tanto assim. Mas
os seus próprios sentimentos o tinham assustado por serem tão intensos, e ele tinha se afastado
dela. A intervenção de Betty tinha sido o golpe de misericórdia, criando um muro entre ele e
Dana.
Mas desejo não era a única coisa que ele sentia por sua jovem esposa, e pela primeira vez
ele teve que admitir isto. Ele se lembrou de Dana aos dezesseis anos, abraçando um filhote de
cachorro, ferido por algum menino cruel com um tiro de rifle, e chorando com raiva enquanto
insistia que Hank a levasse até o veterinário. O filhotinho tinha morrido, e Hank tinha confortado a
jovem menina cujo coração parecia que iria se partir. Dana sempre tinha sido assim com as
coisas pequenas e impotentes. O coração dela abraçava o mundo inteiro. Como ele poderia tê-la
machucado tanto, uma mulher assim?
Ele gemeu alto. E se perguntou se tinha perdido a razão com o retorno de Betty. Ele tinha
temido porque achava que ainda estava apaixonado por Betty. Mas ele não estava. Ele soube
disto, de repente, quando viu Dana com lágrimas nos olhos e a mala na mão. Dana tinha vivido
com ele por duas semanas, e ele nem a tinha tocado desde a noite de núpcias. Ele pensou sobre
isso com incredulidade. Agora ele tinha percebido o que o próprio comportamento tinha
mascarado. Ele teve medo de se apaixonar tão profundamente por ela como tinha sido com Betty.
Só que Dana não era uma mercenária. Ela o desejava, e parecia ter vergonha de se sentir desse

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Homens do Texas 15

modo. Mas ela tinha um coração terno, e se importava com ele. Se ele tentasse, poderia tê-la
feito amá-lo. O pensamento, uma vez temido, era agora a essência do céu.
Porém, era muito tarde. Ele a tinha deixado ir e ele não conseguiria trazê-la de volta. Ele a
tinha perdido. O que diabos ele estava fazendo dirigindo para Corpus Christi com duas pessoas
das quais ele nem gostava?
Enquanto ele pensava, percebeu que eles já estavam saindo dos limites da cidade. Era
muito tarde para voltar agora. Ele faria o que tinha prometido, pensou, mas depois disto, iria até a
casa de Dana. Ele iria trazê-la de volta, custasse o que custasse.

Se apenas fosse tão fácil assim. Eles tinham acabado de sair do carro na mansão de tijolos
brancos de Collins quando Bob gemeu e caiu. Ele morreu ali mesmo no gramado verde antes que
a ambulância pudesse chegar, apesar do esforço que Hank tinha feito para reavivá-lo. Ele tinha
sofrido outro derrame.
Betty ficou em pedaços e Hank se viu na posição irônica de organizar um enterro para o
segundo marido da ex-esposa, e seu amigo de outros tempos.
Em casa, Dana ouviu sobre a morte de Bob Collins; estava por toda a parte nos rádios. Ele
tinha sido um homem proeminente na indústria avícola do estado, sendo famoso e querido. Seu
enterro tinha sido grande e muitas pessoas importantes tinham comparecido. Dana viu recortes
de jornal com Hank apoiando o lamento da viúva. Ela não conseguia imaginar aquela mulher de
olhos frios sofrendo com a morte do marido. Se Betty estava chorando, era porque a política do
seguro de vida de Bob provavelmente tinha perdido a validade.
Dana se repreendeu por esses pensamentos nada caridosos e jogou o jornal no lixo. Bom,
uma coisa era certa, Hayden Grant pediria o divórcio para se recasar com a mulher que
realmente tinha amado. Se Betty fosse o que ele desejava, ele deveria tê-la. Dana se lembrava
de ter dito a Bob Collins que ela não era valente o suficiente para ter o coração arrancado todos
os dias por toda a vida, sabendo que ele olharia para ela e desejaria outra pessoa. Pobre Bob,
tinha sido exatamente isto o que ele tinha feito, firmemente, por dez longos anos. Dana ofereceu
uma oração muda a ele. Pelo menos agora talvez ele tivesse paz.

Duas longas semanas se passaram, sem uma palavra de Hank. Na manhã seguinte Dana
foi ver o advogado da família e pediu a ele que iniciasse o processo de divórcio. Isso significava
que ela teria que mexer no seu pequeno capital de confiança para pagá-lo, mas ela não se
importava com isso. Ela queria que Hank fosse feliz.
"Isto não é prudente” , o advogado tentou aconselhá-la. "Você está chateada e ele também.
Você deveria esperar, considerar cuidadosamente a situação” .
Ela agitou a cabeça. "Eu fiz tudo o que podia fazer. Quero as ações prontas para a minha

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Homens do Texas 15

assinatura para entregá-las a Hank, junto com os documentos do divórcio. Estou jogando a
toalha. Betty está livre agora e Hank merece um pouco felicidade. Deus sabe que ele esperou
muito tempo para tê-la de volta” .
O advogado estremeceu enquanto olhava para a mulher vulnerável e pálida sentada na
frente dele. Ela sofria, julgando pela magreza do rosto e pelos olhos azuis sombrios. Ele não
conseguia imaginar um homem louco o suficiente para não corresponder a um amor tão violento
e abnegado. Mas se ela estava certa, tinha sido exatamente isso o que Hayden Grant tinha feito.
Ele suspirou interiormente. Isso é o que eu chamo de dar pérolas aos porcos! Alguns homens não
sabem a sorte que têm.
"Eu deixarei tudo pronto até amanhã de manhã. Você está absolutamente certa?".
Ela anuiu com a cabeça.
"Então considere feito” .
Ela o agradeceu e foi para casa. A casa estava muito vazia e ela se sentia da mesma forma.
Havia uma nova vida à frente dela. Ela esteve fechando uma porta velha para abrir uma nova
para o amanhã. O pensamento ficou firme na mente até a manhã seguinte quando começou a
vomitar como se estivesse morrendo. Foi então até o escritório do advogado para assinar os
documentos, mas estava muito doente para viajar.
Temerosa de estar com algum vírus que a impedisse de se mudar, ela marcou uma consulta
na Dra. Lou Coltrain, recentemente casada e membro da comunidade médica local.
Lou a examinou, fez perguntas pertinentes e começou a assobiar suavemente quando Dana
começou a olhar para ela com horror.
"Deve ter sido na noite de núpcias” , Lou disse, sarcástica, "porque você está casada há
apenas um mês e eu conheço Hayden Grant, ele não a teria tocado até que o anel estivesse no
lugar” .
"Lou, você é terrível!", Dana gemeu, corando.
"Bem, eu sou, também” . Ela bateu levemente no ombro da mulher mais jovem. "Faltam
duas semanas para fazer os testes que digam algo concreto. Volte então. Mas enquanto isso,
cuide da medicação que você toma e descanse bastante, porque eu já vi muita gravidez para me
confundir. Parabéns” .
"Obrigada. Mas você, hmm, não vai dizer nada, certo?", Dana perguntou suavemente.
"Seu segredo está seguro comigo” . A médica riu. "Quer fazer uma surpresa, não é?".
"Isso mesmo” , Dana disse imediatamente, pensando a surpresa que poderia ter sido.
"Volte e me veja em duas semanas” , Lou repetiu, "e eu te mandarei para Jack Howard em
Victoria. Ele é o melhor obstetra que eu conheço, e é muito mais perto do que Houston” .
"Obrigada, Lou” .
"Às ordens” .

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Homens do Texas 15

Dana foi para casa sobre uma nuvem de medo, apreensão e alegria. Ela estava quase que
certamente grávida, e seu casamento estava em frangalhos. Mas ela sabia o que iria fazer.
Primeiro ela deveria achar um jeito de ir para Houston, achar um apartamento e arrumar um
emprego. Ela tinha dado as ações da propriedade do pai e a petição de divórcio para o advogado
para que ficasse à disposição. Presumivelmente, ele já as tinha enviado para Hank em Corpus
Christi aos cuidados da Sra. Collins, de luto. Ela havia cortado as ligações dos dois e não havia
mais volta.

Desavisada do que acontecia em Corpus Christi , Dana partiu para Houston na manhã
seguinte, trabalhando dolorosamente em um futuro sem Hank enquanto um homem alto com
olhos escuros e chocados via uma petição de divórcio e xingava até ficar rouco.
Hank pegou o telefone, inconsciente do olhar fixo e chocado de Betty, e discou o número do
telefone do advogado, que era também um amigo.
"Luke, que diabos está acontecendo?", ele exigiu saber, agitando os documentos de divórcio
no receptor. "Eu não pedi a ela as ações do rancho, e, com certeza, não me lembro de ter pedido
o divórcio!".
"Calma, cara, acalme-se” , Luke disse firmemente. "Ela disse que era a melhor coisa para
os dois. Além disso, você está voltando com a Betty” .
"Eu estou?” , ele perguntou chocado.
"Foi o que a Dana disse para mim. Olhe bem, Hank, você está abandonando uma boa
mulher. Ela não pensou em si mesma nenhuma vez. Era o que você desejava, queria, precisava
e que o faria feliz que ela considerou quando organizou tudo. Ela disse que te daria a chance de
ter toda a felicidade que tinha perdido há dez anos, e que estava contente por você” .
"Contente por mim” . Ele olhou para os documentos e deu uma olhada rápida, irritado, para
a Betty que estava tentando há duas semanas, mesmo de luto, emaranhar Hank em sua teia
novamente. Ela não tinha conseguido sucesso. Ele estava desenredando as finanças de Bob
para ela, e elas estavam em uma incrível bagunça. Tinham feito-o perder um tempo que ele não
queria gastar aqui, mas por causa do Bob ele tinha feito isto. Agora ele apenas queria ir para casa
e recuperar a esposa, mas ele estava segurando a prova de que ela não queria ser recuperada.
"Ela sabia que você ficaria muito feliz em ter o assunto resolvido antes de voltar” , ele
continuou. "Escute, se você não contestar o divórcio—e por que iria, certo? — eu posso arrumá-lo
em um instante” .
Hank hesitou, respirando deliberadamente para que não começasse a xingar a plenos
pulmões. As palavras nas páginas borraram sua visão e ele se lembrou da última vez que tinha
visto Dana. Ele se lembrou de novo das coisas cruéis e odiosas que tinha dito a ela. Não era
nenhuma maravilha que ela estivesse se divorciando dele. Ela não sabia como ele se sentia; ele

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Homens do Texas 15

nunca tinha dito a ela. Ela achava que ele a odiava. Que piada!
"Você pode parar isto para mim durante algumas semanas?", ele pediu ao advogado. "Eu
tenho algumas coisas para arrumar aqui para a viúva do Bob, e eu não posso voltar para casa por
uma semana, possivelmente por mais tempo” .
"Eu posso, mas ela não vai gostar” , Luke disse.
"Não diga a ela” .
"Hank...”
“ Não diga a ela,'' ele repetiu. ''Deixe-me voltar primeiro” .
Houve um suspiro pesado. "Se ela me perguntar, preto no branco, não vou mentir” .
"Então tenha certeza de não dar a ela a oportunidade de te perguntar” .
"Eu vou tentar” .
"Obrigado” .
Ele desligou. Sentia náuseas. Deus, que bagunça ele tinha feito na própria vida!
Betty se moveu para o lado dele e se debruçado contra seu braço, usando um fino negligee.
"Pobre querido, ela está te deixando?", ela perguntou suavemente. "Eu sinto muito. Por que você
não vem comigo para cima para que eu te beije até que você melhore?".
Ele olhou para ela como se não tivesse ouvido direito. "Betty, seu marido foi enterrado na
semana retrasada” , ele disse.
Ela deu de ombros. "Ele tinha ficado sem dinheiro e quase não conseguia mais andar
sozinho” . Ela sorriu de um modo superficial, pueril, e ele percebeu que ela era exatamente
assim—infantil. Ela não tinha nenhuma profundidade de emoções mesmo, havia apenas coisas
que queria e que precisava satisfazer como sabia melhor, com o próprio corpo. Ele tinha vivido
com ela por dois anos, desejado-a por mais dez, e ele não sabia o tipo de pessoa que ela
realmente era até que se envolveu com Dana. Agora ele podia ver a real diferença entre as duas
mulheres.
Ele removeu a mão dela de seu braço. "Eu tenho algumas coisas para terminar” , ele disse
a ela. "Nós conversaremos mais tarde. Certo?".
Ela sorriu. "Certo, amado” .

Capítulo 6

Foram mais dez dias até que Hayden conseguisse resolver os problemas na vida de Bob e
colocado os negócios dele seguramente nas mãos de um bom advogado local. Bob tinha um
advogado, mas o homem tinha sido evasivo e quase impossível de se localizar. Finalmente foi
necessário uma ameaça de litígio para que ele entregasse os documentos necessários. E

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Homens do Texas 15

posteriormente, o homem—que tinha uma formação em direito de uma interessante, mas


desacreditada universidade estrangeira—desapareceu. Não era de se admirar que Bob tivesse
perdido a maior parte do dinheiro. O charlatão tinha desviado. Por sorte ainda havia o suficiente
sobrando, que acrescentado ao seguro de vida, manteria Betty bastante segura, se fosse
cuidadosa.
Foi somente quando ele explicou as coisas a ela que então ela percebeu que ele não iria
pedi-la em casamento e acabou caindo na real.
"Mas você me ama” , ela exclamou. "Sempre amou. Olhe como você se casou depressa
com aquela criança apenas para que eu não pensasse que você ainda arrastava um bonde por
mim!".
"Pode ter sido assim no começo” , ele respondeu tranquilamente. "Mas não foi como
terminou. Eu não tenho condições de perdê-la agora” .
"Oh, ela tem dinheiro, acho” .
Ele fez uma carranca. "Não. Ela não tem onde cair morta nesse mundo. Você sempre atribui
ao dinheiro a causa de todas as decisões?".
"É claro que sim” , ela disse, e sorriu vagamente. "A segurança é a coisa mais importante
no mundo. Eu não tinha nada quando era criança. Passei fome às vezes. Prometi a mim mesma
que não passaria por isso de novo” . Ela fez um gesto desajeitado com o ombro. "Foi por isso
que eu te deixei, sabe. Você estava ficando com dívidas e eu fiquei assustada. Eu te amava, do
meu modo, mas havia Bob e ele tinha muito dinheiro e me queria” . Ela sorriu. "Eu não tive
nenhuma escolha, realmente” .
"Não creio que você tivesse” . Ele estava se lembrando de Dana que não tinha nada, e
estava dando a ele a única coisa de valor que possuía, as ações das terras, para que ele não
tivesse nenhuma ameaça de um vizinho perigosamente ruidoso. Ele deveria se amaldiçoar por tê-
la deixado sair da sua casa em primeiro lugar.
"Eu me senti meio que com pena dela” , ela acrescentou pensativamente. "Ela não é
sofisticada, não é? Ela tinha medo de mim” . As sobrancelhas dela se encontraram. "Por que
você não dormia com ela?".
Ele evitou os olhos dela. "Isto não é da sua conta” .
"É, de certo modo. Você não dorme comigo, também. Por quê?".
Ele fez uma careta. "Eu não te quero” , ele admitiu relutantemente. "Sinto muito” .
"Você queria antes” , ela recordou. "Você me desejava o tempo todo. Eu achei que a minha
partida iria te matar” .
"Cheguei muito perto disso. Mas as coisas mudaram” . Os olhos dele ficaram tristes e
quietos. "Eu sinto muito, Betty. Pela sua perda, por tudo” .
"Bob não era um mau homem” , ela disse. "Eu gostava dele. E acho que sentirei sua

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Homens do Texas 15

faltarei, de um certo modo” . Ela olhou para cima. "Você está certo de que não me quer?".
Ele concordou com a cabeça.
Ela suspirou e sorriu novamente. "Bem, então é isto. Pelo menos eu terei dinheiro o
suficiente para as minhas necessidades, graças a você. E ainda sou jovem o suficiente para fazer
um bom terceiro casamento!".
Com isso, ele disse adeus e voltou para o hotel onde estava dormindo. Era agradável ter o
peso das finanças desastrosas de Betty fora de seus ombros, embora ele tivesse gostado de
arrumar a bagunça. Agora ele iria ir para casa e cuidaria dos próprios problemas.

Ele olhou para a petição de divórcio e as ações, e seus olhos se estreitaram. Dana não tinha
perdido tempo algum ao devolver o rancho para ele. Ele fez uma carranca. Onde ela iria viver
sem a casa?
Ele pegou o telefone e discou o número do advogado, mas foi informado de que Luke estava
no tribunal em um caso e que ele não poderia falar com ele. Realmente preocupado agora, ele
discou para o número da fazenda. Chamou duas vezes e a linha foi conectada. Ele começou a
falar. Na mesma hora uma voz mecânica informou que o número tinha sido desligado.
Frustrado e preocupado, o próximo telefonema foi para a própria casa, onde achou Tilly.
"Certo, que diabos está havendo? Aonde Dana foi?", ele exigiu saber sem preâmbulos.
"Ela não me deixou ligar para você” , Tilly disse fria. "Eu implorei, mas ela não cedeu. Dei
minha palavra. Não podia voltar atrás” .
"Onde ela está?".
"Ela se foi” , veio a resposta concisa. "Disse que você tinha as ações e que Joe e Ernie
ficariam de olho no lugar até que você fizesse os outros arranjos, mas você teria que pagá-los” .
"Oh, para o inferno o rancho!", ele retrucou. "Onde ela está?".
"Tomou um táxi até a rodoviária. Pegou um ônibus para Houston. E não sei aonde ela foi
depois de lá” .
A esperança surgiu. "Houston! Tilly, você é uma maravilha!".
"Há, hmm, outra coisa. A enfermeira que trabalha para a Dra. Lou Coltrain é minha prima.
Parece que Dana foi ver a Dra. Lou antes de deixar a cidade. Se você não achá-la em breve, terá
que procurar por duas pessoas em vez de uma” , ela disse, e desligou.
Ele olhava fixamente para o telefone inexpressivamente e sentiu todo o sangue drenar de
seu rosto. Dana estava grávida? Ele pensou na noite de núpcias e percebeu que nenhum dos
dois tinha pensado em precauções. Sua Dana iria ter um bebê, e o tinha deixado! Que idiota ele
tinha sido!
Ele ligou para o aeroporto. Houston era um bom lugar para começar, graças a Tilly, que o
tinha dispensado de horas seguindo pistas. Mas era uma cidade grande, e ele não sabia por onde

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Homens do Texas 15

começar. Ele se amaldiçoou por todas as coisas dolorosas que tinha dito a ela. Não podia ser
muito tarde para convencê-la do quanto ele se importava, não podia ser!

Ele logo percebeu como seria impossível localizar Dana em Houston. Ela tinha pouco
dinheiro, que acabaria logo se não conseguisse um emprego. Ele tinha que achá-la depressa,
então foi diretamente a um dos melhores e mais conhecidos detetives de Houston, e disse a ele
tudo o que sabia sobre Dana, incluindo sua descrição.
"Você tem uma fotografia da sua esposa, Sr. Grant?", Dane Lassiter perguntou ao homem
do outro lado da escrivaninha. Um antigo guarda-florestal do Texas, Dane, tinha feito sua agência
do nada, e agora tinha reputação nacional por fazer o impossível.
A pergunta surpreendeu Hank, que não a esperava. Ele parecia desconfortável. "Não” , ele
disse.
O outro homem não disse nada, mas seus olhos estavam fixos e curiosos. O que não era de
se estranhar já que na mesa atrás da escrivaninha de Lassiter havia uma fotografia da família do
detetive, a esposa atraente e os dois filhos jovens que se pareciam muito com ele.
"Nós somos recém casados” , Hayden se sentiu constrangido a explicar. "Foi um
casamento rápido” .
Dane não disse uma palavra. Estava ocupado anotando coisas. "Ela fugiu, Sr. Grant?", ele
perguntou de repente, e seus olhos pretos alfinetaram o outro homem.
Hayden respirou bravo e com força. "Sim” , ele disse por entre os dentes. "Eu fiz algo
estúpido e mereço perdê-la. Mas não acho que posso suportar, mesmo assim” . Ele se debruçou
para frente e apoiou os cotovelos sobre os joelhos em uma posição de derrota. "E ela está
grávida” , ele acrescentou por entre os dentes.
Os apuros de Hank soavam muito familiar a Dane Lassiter. Ele sabia tudo sobre mulheres
grávidas que fugiam.
"Nós a acharemos” , Dane disse ao homem, agora não tão distante. "Você nos deu boas
dicas, nós vamos verificar. Onde posso te encontrar?".
Hayden deu o nome de um hotel local. "Eu ficarei lá esperando seu contato” , ele
acrescentou, e tinha o olhar de um homem que planejava ficar lá até a virada do século se fosse
necessário.
"Certo. Eu cuidarei disso” . Ele se levantou e eles apertaram as mãos. "Mulheres precisam
de muita ternura. Elas se machucam facilmente, e guardam segredos” , ele disse
surpreendentemente. "Mas se isso ajuda, você aprenderá a lidar com elas com o tempo” .
Hayden sorriu. "Obrigado” .
Dane encolheu os ombros. Ele sorriu de volta. "Estou casado há muito tempo. Ninguém
começa no paraíso. É necessário trabalhar para isto” .

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Homens do Texas 15

"Eu me lembrarei disto. Espero que eu consiga começar com o pé direito agora” .

Foram necessários dois dias para que Dane localizasse Dana em uma pequena pensão nos
subúrbios de Houston. Durante aquele tempo, Hayden tinha perdido o sono e tinha se
atormentado pensando em todas as coisas que poderiam ter acontecido a sua errante esposa
grávida. Isso não melhorava seu humor, ou sua aflição.
Quando Dane ligou, ele ficou nas nuvens. Ele não desperdiçou nenhum segundo para
chegar à pensão da Sra. Harper, mas quando parou em frente à entrada com o Lincoln que tinha
alugado no aeroporto quando tinha chegado a Houston, ele não sabia o que dizer. Ele olhava
fixamente para a grande casa branca com desejo e apreensão. Sua esposa estava lá, mas não o
queria. Ela tinha tentado se divorciar dele, tinha se mudado para cá e se esforçado para apagar a
presença dele na vida dela. Ela não tinha dito nenhuma palavra sobre a gravidez. O que ele teria
que dizer a ela para acabar com a dor que tinha causado em seu coração?
Ele saiu do carro e abordou a casa lentamente. Os passos eram arrastados, porque ele
temia o que estava por vir. Ele subiu os degraus e tocou a campainha. Uma rechonchuda e
sorridente mulher de idade avançada abriu a porta.
"Em que posso ajudar?", ela perguntou educadamente.
"Sou Hayden Grant” , ele disse com tom de voz baixo. "Minha esposa está morando aqui,
creio. O nome dela é Dana” .
"A senhorita Mobry é sua esposa?", ela perguntou perplexa. "Mas eu estou certa de que ela
tinha me dito que não era casada” .
"Ela é casada, sim” , ele respondeu. E retirou o chapéu Stetson cor de creme, tardiamente,
e deixou a mão vazia cair para o lado do corpo. “ Eu gostaria de vê-la” .
Ela mordeu o lábio inferior e o franziu. "Bem, ela não está aqui no momento” , ela disse.
"Ela foi ver um novo filme de aventura no shopping. Com o Sr. Coleman” .
Ele pareceu vagamente homicida. "Quem é o Sr. Coleman?", ele perguntou brevemente.
"Ele mora aqui, também” , ela gaguejou nervosa com o brilho negro dos olhos dele. "Ele é
um jovem muito agradável...”
"Qual o shopping e qual o filme?", ele exigiu.
Ela disse a ele. Não se atreveu a não dizer.
Ele entrou de volta no carro, bateu a porta e saiu.
"Oh, céus, oh, céus” , Sra. Harper murmurou. "Será que eu não deveria ter mencionado que
David tem onze anos de idade...”
Tristemente desavisado da idade do companheiro de ‘ encontro’ de Dana, Hank dirigiu
para o shopping, estacionou o carro e foi diretamente para o cinema. Por sorte, o filme tinha
justamente acabado e as pessoas estavam saindo da sala em três saídas. Ele ficou de pé,

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Homens do Texas 15

observando, até que Dana apareceu.


Ela estava conversando com um menino pequeno com um boné de beisebol, o rosto
animado, sorrindo. O coração dele saltou quando a viu sair do grande edifício. Ele a amava. Não
sabia. Ele honestamente não sabia até então. O coração dele se acelerou de modo
descontrolado, mas os olhos começaram a arder com uma silenciosa, alerta e vigilante adoração.
Dana estava muito longe para ver a expressão dele. Mas quando o viu, parou como uma
estátua no meio do caminho. O menino estava dizendo algo, mas ela não estava escutando. O
rosto estava totalmente branco.
Hank a abordou, alerta a qualquer movimento súbito. Se ela tentasse correr, ele a pegaria
antes que ela desse três passos.
Mas ela não fugiu. Ergueu o queixo como se estivesse se preparando para uma batalha e as
mãos apertaram com força a bolsa pequena que ela segurava contra a cintura da saia jeans.
"Oi, Dana” , ele disse quando já estava próximo.
Ela olhou para ele cautelosamente. "Como você me achou?", ela perguntou.
"Eu não achei. Uma agência de detetive que a achou” .
Ela parecia ainda mais pálida. "Eu assinei todos os documentos necessários” , ela disse
seca. "Você está livre” .
Ele enfiou as mãos, bem fundo, nos bolsos. "Estou?".
Dana girou para David e deu a ela uma nota de cinco dólares. "Por que você não volta lá e
brinca no fliperama por um minuto ou dois enquanto eu falo com este homem, David?", ela
perguntou.
Ele sorriu amplamente. "Claro senhorita Mobry, obrigado!".
Ele saiu disparado.
"Então você veio com um menino, não com um outro homem” , Hank murmurou
distraidamente.
Ela corou. "Como se eu fosse confiar de novo no meu julgamento para homens! A mãe do
David está no trabalho, então eu me ofereci para trazê-lo ao cinema” .
"Você gosta de crianças, não é?", ele perguntou, e seus olhos eram muito suaves enquanto
desciam até a cintura dela. "Isto é uma sorte” .
"Não é assim que eu chamaria” , ela disse obstinadamente.
Ele suspirou. Não sabia o que dizer, mas esse, certamente, não era o lugar ideal para
conversar. "Olha, por que você não busca o menino e nós não voltamos para a pensão? Você
veio dirigindo?".
Ela agitou a cabeça. "Nós pegamos um ônibus da cidade” . Ela queria discutir, mas ele
parecia que iria bater o pé quanto a isso. Ela não podia entender por que ele estava aqui, quando
Betty estava livre. Talvez fosse isso o que ele queria explicar. Ela parecia não ter nenhuma

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Homens do Texas 15

escolha a não ser fazer como ele tinha dito.


"Um ônibus na cidade!", ele murmurou, na condição em que está! Mas ele não ousou
mencionar que sabia sobre a gravidez. Não ainda. "Traga o menino” , ele disse seco. "Vou te
levar para casa” .
Ela foi achar David, e Hank os levou até a pensão. David agradeceu e se foi. A Sra. Harper
apareceu, mas um clarão firme de Hank a despachou logo para longe.
Ele fechou a porta atrás de si e se sentou em uma cadeira no quarto de Dana, enquanto ela
se sentava na cama um pouco nervosa.
"Onde está Betty?", ela quis saber.
"Em Corpus Christi , eu acho” , ele disse. "Estou sozinho” .
"Não ficará só por muito tempo” , ela o lembrou. "Você se casará novamente” .
"Eu já sou casado” , ele disse tranquilamente. "E tenho uma esposa jovem e muito
bonita” .
Ela corou. "Eu me divorciei de você” .
Ele negou com a cabeça. "Eu parei o divórcio” .
"Por quê?", ela perguntou miseravelmente, os olhos eloquentes em um rosto que parecia
uma folha de papel de arroz. "Você não tem que ficar casado comigo agora que ela está livre!".
Ele estremeceu. Ele ergueu a mão e tocou na bochecha dela, mas ela o empurrou para
longe.
Ele evitou o rosto dela e ficou olhando fixamente para o chão. "Eu não quero me casar
novamente com a Betty” .
Ela olhou fixamente para a face dele, sem estar convencida. "Você nunca conseguiu se
esquecer dela, Hank” , ela disse tristemente. "Você mesmo tinha dito que essa era parte da
razão pela qual estava se casando comigo, para que ela não soubesse como você tinha sofrido
desde que ela tinha se divorciado de você” .
"Talvez fosse aquela velha história de querer o que não se pode ter, ou a ideia de que a
grama do vizinho é sempre mais verde” , ele aventurou.
Ela retraiu uma respiração longa. "Ou talvez você apenas nunca tenha deixado de amá-la” ,
ela acrescentou, e os olhos dela que procuravam os dele eram melancólicos e tristes. "Oh, Hank,
nós não podemos nos obrigar a amar. Temos que nos conformar com o que podemos ter nessa
vida” . Os olhos dela foram para o chão. "Eu voltarei a estudar para me formar e serei feliz” .
Os olhos dele deslizaram até os dela. "Sem mim?", ele perguntou abruptamente.
Ela não estava certa do quanto ele sabia. Ela piscou e juntou os pontos que ela sabia. "Betty
não quer se casar com você?", ela perguntou cheia de suspeitas.
"Quer mais do que nunca” , ele afirmou.
“ Então qual é o problema? ''.

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Homens do Texas 15

"Eu te disse. O problema é que eu não quero me casar com ela” .


"Eu não entendo” , ela disse desconfortável.
Ele sorriu melancolicamente. "Eu costumava invejar os homens que levavam seus filhos
para acampamentos e viagens de pescas com eles. Eu nunca pensei que poderia ter um filho
meu. Mas uma menina seria bom, também. Eu acho que as meninas podem pescar e caçar como
os meninos, se desejarem” . Os olhos dele se ergueram para os dela. "Você gosta de atirar, se
eu me lembro bem” .
"Eu não gosto de caçar” , ela respondeu desconfortável com o modo como ele estava
falando sobre crianças. Ele não podia saber...
Ele deu de ombros. "Eu te ensinei a fazer tiro ao pássaro” .
"Certo, mas eu não os cozinho” .
Ele riu. "Mas isso não suaviza em nada” .
"Eu sei qual o objetivo do tiro” . Ela retraiu outra respiração. O modo como ele a estava
tocando fazia os dedões do pé dela formigam. "Betty poderia mudar de ideia sobre ter uma
criança” .
Ele fez que não com a cabeça. "E ainda que fizesse, ela não os desejaria ou amaria. Você
irá. Você vai querer nossas crianças e vai mimá-las se eu não tomar cuidado” . Os olhos dele se
ergueram. "Tilly já está esperando ansiosamente por isto. Ela comprou um processador de
alimentos para fazer comida fresca para o bebê” .
Ela corou. "Ela está botando o carro na frente dos bois” .
"Não, não está” , ele disse com um sorriso. "Uma parente dela trabalha como enfermeira no
consultório da Dra. Lou Coltrain” .
"Oh, meu Deus!", ela disse com uma explosão.
Ele encolheu os ombros. "Eu sei. O mundo não vai acabar porque você não me contou” .
Os olhos dele escureceram. "Eu sinto muito por ter dificultado as coisas a ponto de você achar
que não podia me contar” .
Ela o encarou. "Eu não vou voltar” .
Os ombros dele pareceram cair. "Eu sei que cometi muitos enganos” , ele disse. "Mas você
tem que levar algumas coisas e consideração. Até algumas semanas eu achava que ainda estava
apaixonado pela minha ex-esposa. Eu tive que vê-la novamente para perceber que era uma
ilusão. A realidade com Betty era muito áspera depois de você” .
"Eu não entendo” .
"Não?", ele suspirou. "Bem, Dana, eu suponho que tenha criado uma imagem idealizada
dela depois que ela partiu. O que foi embora é sempre melhor do que o que ficou” .
"Você não agia como alguém que não estava mais apaixonado pela ex-esposa” , ela o
lembrou de todas as coisas dolorosas que ele tinha dito a ela num instante de fúria.

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"Foram necessárias duas semanas em Corpus Christi para me curar” , ele retrucou. Ele se
debruçou para frente e apoiou os cotovelos nos joelhos e olhou fixamente para o chão. "Ela é
superficial” , ele disse olhando para Dana. "Superficial, egoísta e mimada. E eu tinha ficado tanto
tempo longe dela que tinha esquecido. Partiu meu coração quando percebi que você tinha ido
embora porque achava que eu ainda queria Betty ao invés de você. Eu sinto muito por isto” .
"Você não pode evitar desejar outra pessoa...”
"Eu quero você, Dana” , ele disse com um sorriso inquisitivo.
Ela apertou as mãos com firmeza na cintura. "Você só está tentando se dar bem, não é?
Você sabe sobre o bebê, sabe como eu me sinto por você e sente pena de mim” .
O coração dele saltou. "Como você se sente?", ele a incitou a falar.
"Você sabe que sou apaixonada por você” , ela disse, evitando o olhar penetrante dele.
"Que sou, desde os meus dezessete anos” .
O coração dele não estava saltando mais, tinha parado. Ele mal podia respirar. A voz dele
tinha sido roubada.
Ela encolheu os ombros enquanto assumia que o silêncio dele era devido ao
arrependimento que sentia por ela, porque ele não tinha nada a oferecer a ela. "Vergonhoso, não
é? Eu ainda era uma criança. Eu não conseguia nem deixar os meninos me beijarem, porque
ficava pensando em você. Eu vivi como uma freira por todos estes anos, esperando e desejando,
e tinha que acabar assim... você foi forçado a se casar justamente quando sua ex-esposa estava
livre novamente” .
Ele não sabia que ela o amava. Ele sabia que ela o desejava, o que era uma coisa
completamente diferente. Ele ficou atordoado por um momento, então desarmado e por último
exultante.
"Eu sinto muito” , ela disse com uma respiração longa. "Acho que ambos estamos
aprisionados” .
"Você precisará de algumas roupas de maternidade” , ele observou, limpando a garganta.
"Roupas para vestir quando dermos festas. Afinal, eu sou um homem rico. Não vamos querer que
as pessoas pensem que eu não tenho condições de te vestir corretamente, não é?".
Ela fez uma carranca. "Eu não vou voltar...”
"Eu posso transformar o terceiro quarto de convidados em um berçário” , ele continuou,
como se ela não tivesse falado nada. "É ao lado do dormitório principal, e nós podemos deixar a
porta aberta de noite. Eu colocarei um monitor, também” , ele acrescentou pensativamente. "Se
o bebê tiver qualquer problema durante a noite, posso colocar um alarme próximo a nossa cama.
Ou poderíamos conseguir uma enfermeira pelos primeiro meses. Você gostaria?".
Ele a tinha deixado muda com seus planos. "Eu não tinha pensado nada sobre isto” , ela
gaguejou.

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Homens do Texas 15

"Você não quer uma vida estável para o nosso bebê, com uma mãe e o pai que o ama?", ele
persistiu.
Ele tinha tirado o chão dela com a última pergunta. O que ela poderia dizer? Claro que ela
queria uma vida estável para sua criança. Mas se Hank ainda amasse Betty, que tipo de vida
poderia ser?
Os olhos dela refletiam todas as preocupações. Ele tocou a bochecha dela, e então alisou
para trás o cabelo bagunçado. “ Eu estava tentando viver no passado porque não tinha um
presente, ou um futuro, a menos que você conte fazer dinheiro como futuro. Isso não é mais
verdade. Eu tenho algo para esperar ansiosamente agora, algo que me desafia, me faz
continuar” . Ele sorriu. "Acho que Tilly me fará sofrer durante uma semana, me fará pagar pelo
modo como te tratei. Eu não terei permissão para esquecer nenhuma das coisas imundas que te
disse, e ela queimará o pudim de banana todas as vezes que eu a pedir que faça” . Ele suspirou.
"Mas valerá a pena, apenas se você voltar para casa, Dana. Tilly está toda radiante com o
pensamento de ter um bebê em casa” .
"Nós já discutimos sobre isto” , ela começou.
Ele se curvou e tocou os lábios ternamente nos dela. "Para falar a verdade não” , ele
murmurou. "Abra os seus lábios um pouco, eu não posso te saborear assim” .
"Eu não que...”
“ Hmm, assim” , ele sussurrou suavemente, e aprofundou o beijo.
Ela se esqueceu do que estava tentando dizer a ele. Os braços dela se enroscaram ao redor
do pescoço dele e ela deixou que ele a erguesse acima das pernas, de forma que ele pudesse
segurá-la suavemente contra o corpo dele. Ele era gentil, lento e muito firme. Quando ele
finalmente ergueu a cabeça, ela não podia mais pensar.
"Eu vou gostar de ser pai” , ele a assegurou. "Eu não me importo de te fazer companhia
quando os dentes estiverem nascendo, quando tiver que dar mamadeiras ou trocar as fraldas” .
"Isso é bom” .
Ele sorriu. "Você tem muito para empacotar?".
"Apenas algumas saias, blusas e sapatos. Mas eu não disse que vou com você” .
"O que está te impedindo de voltar?", ele perguntou suavemente.
"Você não me explicou por que não quer Betty de volta” .
"Oh. Isto” . Ele deu de ombros. "Eu não a amo. E não estou certo de que já tenha feito isso
um dia. Eu a desejava, mas há uma grande diferença entre luxúria e amor” .
"Você está certo disso?".
"Considerando o tipo de homem que eu sou—acho que você já deve me conhecer bem—
você acha que sou capaz de fazer amor com uma mulher quando estou apaixonado por outra?".
Ela observou os olhos dele. "Bem, não, acho que não. Você é bem antiquado para essas

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Homens do Texas 15

coisas” .
Ele concordou com a cabeça. "Então como eu poderia ter feito amor tão completamente
com você naquela única vez se eu ainda estivesse realmente apaixonado por Betty?".
"Estou certa de que a maioria dos homens não recusaria algo que fosse oferecido” .
"Nós estamos falando sobre mim. Eu faria isso?".
Ela fez uma careta. "Não” .
“ Sendo esse o caso, fazer amor com você foi como uma declaração minha, não foi?".
Sim, era verdade. A respiração dela ficou presa. "Oh, meu Deus. Eu nunca tinha pensado
isto” .
” Nem eu, até que estava a caminho de Corpus Christi” , ele admitiu. "Eu chamei de culpa,
remorso e de emoção fora de propósito, neguei para mim mesmo e para você. Mas no fim, eu
voltei porque te amo. E você não estava lá” . Ele sorriu tristemente. "Eu pensei que você lutaria
com a Betty. Nunca esperei que fugisse” .
"Eu não achei que você me queria. As mulheres só lutam quando sabem que são amadas.
Eu não era” . Ela observou os olhos dele, fascinada. "Será que você gostaria de... dizer?".
Ele fez uma careta. "Para falar a verdade não” .
"Oh” .
"Mas eu poderia. Se é tão importante” . Ele olhou para baixo, para a barriga dela. "Eu acho
que as crianças gostam de ouvir isto, também, não é?".
Ela concordou com a cabeça. "O tempo todo” .
Ele limpou a garganta. "Certo. Dê-me um minuto para me acostumar à ideia” .
Ela sorriu com excitação e exultação crescentes. "Você pode ter o tanto que precisar” .
"Certo. Eu... amo você” .
Ela ergueu as sobrancelhas.
"Eu amo você” , ele repetiu, e desta vez soou como se quisesse realmente dizer isto. Ele
olhava fixamente para ela, maravilhado. "Por Deus, eu te amo” , ele sussurrou rouco. "Com todo
o meu coração, Dana, ainda que não tivesse percebido isso” .
Ela se moveu para mais perto e deslizou o rosto contra a garganta quente dele, enrolando-
se nele como uma gatinha. "Eu também te amo, Hank” .
Ele sorriu trapaceiramente, olhando fixamente além da cabeça dela para a porta. Ele não
tinha esperado que fosse tão fácil confessar suas emoções mais profundas. Ele nunca tinha feito
isto antes, nem mesmo com Betty. Os braços dele se fecharam ao redor dela. "Acho que nós não
somos as primeiras pessoas que já se apaixonaram” .
"Mas parece que é assim, não é?", ela perguntou lentamente. "Oh, Hank, eu queria que meu
pai ainda estivesse vivo, então ele saberia” .
A mão dele alisou o cabelo dela. "Ele sabe, Dana” , ele disse próximo à testa dela, a voz

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profunda, baixa e amorosa. "De alguma forma, estou certo de que ele sabe” .
Ela se enrolou mais junto dele. "Talvez ele saiba” .

Capítulo 7

O bebê nasceu às duas horas da manhã. Tilly estava sentada no cubículo do quarto de
emergência de robe, chinelos, cabelo em bobes, encarando o homem bagunçado à sua frente,
sentado, com o rosto pálido, sobre a mesa de exames agradecendo ao médico pelo seu filho
recém-nascido.
"É um menino!", ele exclamou quando o médico saiu da área de visão. "E Dana está bem!
Eu poderei vê-la assim que eles a trouxerem do quarto de recuperação!".
"Você já a viu” , ela murmurou para ele enquanto erguia uma sobrancelha em seu rosto
vermelho. "Logo antes de desmaiar...”
"Nada disso!", ele disse. "Eu tropecei naquele vestido que eles me fizeram vestir na sala de
parto!".
"Aquele que só ia até o seu joelho?", ela perguntou de propósito. "Dana estava rindo tanto,
que não precisou nem fazer força. O bebê apenas saiu” .
"Eu tive uma noite frenética” , ele começou defensivamente.
"Claro, negando que eram as dores do parto, até que a bolsa estourou. “ É alarme falso,
querida, você está com apenas oito meses e três semanas” , você disse. E depois tivemos que
sair apressados com ela para o hospital porque você teve medo de esperar pela ambulância, e eu
estou de camisola, também! E assim que entramos na sala de parto, quando você viu o bebê
começar a sair, caiu duro no chão!".
Ele a encarou. "Eu não desmaiei, tropecei...!"
Ela abriu a boca para discutir justamente quando uma enfermeira apareceu na esquina. "Sr.
Grant, sua esposa está te chamando” .
"Vou já” .
"Está se sentindo melhor agora?", ela perguntou.
"Eu tropecei” , ele disse com firmeza.
A enfermeira e Tilly trocaram olhares divertidos, mas ele não os viu. "Sim, senhor, eu sei
que sim, mas nós não podemos omitir nenhuma queda em um hospital” .
"Certo. Eu sei disto".
Ele seguiu a enfermeira pelo corredor até que ela parou em frente a um quarto particular e
saiu do caminho para deixá-lo entrar.
Dana estava sentada na cama com o filho nos braços, lágrimas de pura alegria nos olhos

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Homens do Texas 15

enquanto assistia a enfermeira dar a Hank um vestido e uma máscara.


"Regras do hospital” , ele murmurou.
"Sim, senhor, tudo para proteger o bebê, e nós sabemos que o senhor não se importa” , ela
respondeu com um sorriso.
Ele riu. "Claro que não” .
Ela deu o último nó e o deixou com sua pequena família.
"Você está bem?", ela perguntou.
Ele concordou com a cabeça. "Apenas um pouco trêmulo, e eu não desmaiei” , ele
acrescentou.
"Claro que não, querido” , ela concordou. "Venha ver o que eu tenho para mostrar” .
Ela puxou o lenço e mostrou um perfeito e pequeno menino. Os olhos nem tinham aberto
ainda, e ele parecia minúsculo.
"Ele vai crescer, não vai?", Hank perguntou preocupado.
"Claro que vai!".
Ele tocou a cabeça minúscula, fascinado. O bebê era menor do que ele esperava, tão frágil,
tão novo. As lágrimas brotaram em seus olhos enquanto ele olhava para o próprio filho.
Segundos mais tarde, a boca minúscula abriu e começou a chorar. Dana riu enquanto
pegava a camisola e deixava-a deslizar pelo ombro, expondo um seio firme e inchado. Enquanto
Hank assistia, encantado, ela guiar a boca minúscula até um mamilo duro e a respiração dela
prendeu quando o bebê começou a se amamentar.
Corada, ela viu a expressão de pura maravilha no rosto do marido.
"Eu sei que nós conversamos sobre mamadeiras” , ela começou.
"Esqueça o que nós falamos sobre isso” , ele respondeu. Ele permaneceu acima dela, os
olhos tão cheios de amor que faiscavam. "Espero que você possa fazer isso por um ano ou mais,
porque amo assistir” .
Ela riu um pouco inconscientemente. "Eu amo sentir” , ela confessou, afagando a cabeça
minúscula. "Oh, Hank, nós temos um bebê” , ela disse cheia de êxtase. "Um real, vivo e
saudável pequeno menino!".
Ele concordou com a cabeça. Estava muito sufocado para falar.
"Eu te amo” .
Ele respirou para se controlar. "Eu te amo, querida” , ele respondeu. Os olhos a
observavam cheios de desejo. "Com todo o meu coração” .
"Meu marido no papel” , ela murmurou.
"Se lembrando?", ele provocou. "Eu, também. Mas me sinto bem de carne e osso agora” .
“ Parece mesmo” . Ela o trouxe para baixo e o beijou através da máscara. "Você esqueceu
que dia é hoje?".

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Homens do Texas 15

Ele fez uma carranca. "Bem, com toda a excitação...”


"É o seu aniversário!".
As sobrancelhas dele se curvaram.
"Sim, é” . Ela sorriu amplamente para ele. "Como é o seu presente?", ela acrescentou,
movimentando a cabeça na direção do bebê que se alimentava de seu seio.
"Eu amo” , ele respondeu. "Eu terei um deste todos os anos?", ele provocou.
"Não vou prometer, mas veremos” .
"Então está feito” .
Tilly juntou-se a eles minutos mais tarde, ainda usando a camisola, robe e o cabelo em
bobes.
"Por Deus, você ainda não foi para casa?", Hank perguntou espantado.
Ela deu a ele um sorriso divertido. "Como?".
"Você poderia...” , ele franziu os lábios. "Sem dinheiro para o táxi, e você não sabe dirigir” .
"Isso mesmo” .
Ele parecia embaraçado. "Eu te levarei para casa agora mesmo” . Ele se curvou e beijou
Dana e a criança. "Voltarei assim que deixar a Tilly. Tem alguma coisa que você quer que eu
traga?".
Ela concordou com a cabeça. "Sorvete de morango” .
"Eu voltarei num instante!".
E ele voltou. Nos anos seguintes, o pequeno staff do hospital falava sobre o dia em que
Donald Mandel Grant tinha nascido, quando o papai orgulhoso tinha satisfeito o desejo da esposa
Dana por sorvete de morango trazendo um caminhão do mais caro sorvete para a porta do
hospital. Dana disse que era uma pena o bebê ser muito jovem para apreciar, mas Hank
prometeu que ele não iria ficar de fora. Hank tinha acabado de comprar uma companhia de
sorvetes, e estava esperando pela primeira festa de aniversário do filho com pura euforia!
***FIM***

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O monumento de San Jacinto tem 172,9 m de altura e está localizado no Canal de


Houston, Texas. O monumento possuiu uma estrela de 220 toneladas que
comemora o sítio da Batalha de San Jacinto, a batalha decisiva da Revolução do
Texas.
O museu de Historia de San Jacinto está localizado na base do monumento, e
retrata a história da Batalha de San Jacinto, e a cultura do Texas.

One-Armed Bandit, traduzido como “ Bandido de um braço” .

Piña colada - coquetel originário de Porto Rico.


Ingredientes
1/2 dose de rum, 1 xícara (café) de suco de abacaxi, 1/2 dose de leite de coco, 4
pedras de gelo moído e leite condensado a gosto

Piña Colada Virgem : quando não contém álcool


Preparo
Bater (ou mexer) os ingredientes e servir em copo de long drink. Decorar com meia
fatia de abacaxi.

À direita, Stetson, tradicional chapéu de vaqueiros.

PALOMINO - Originário dos Estados Unidos, não é considerado


exatamente uma raça, mas sim uma cor de pelagem. Esses cavalos
não possuem registro de criação, pois não reproduzem
necessariamente a cor da pelagem, exceto nos Estados Unidos,
onde é feito um registro das cores. São animais para sela,
caminhada, rodeios e lida. Possuem temperamento inteligente e
estatura acima de 1,40 metro. A pelagem apresenta coloração
dourada, com crina e caudas claras.

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