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Impacto da infraestrutura econômica sobre o desenvolvimento

Iansã Melo Ferreira Carlos Campos Neto

Há muito se reconhece a importância de uma


infraestrutura econômica adequada para a geração
de um ambiente propício ao desenvolvimento.
Todavia, muitos países em desenvolvimento ainda
investem pouco nessa área. A infraestrutura - quer
promovida pelo Estado, quer pela iniciativa privada
- tem o potencial de tornar mais rentáveis os
investimentos produtivos, pois eleva a
competitividade sistêmica da economia, melhorando as condições de transportes,
de comunicação e de fornecimento de energia, além de promover efeitos
multiplicadores e dinamizadores da economia. Um dos pontos importantes a serem
observados nos investimentos em infraestrutura é que seus impactos possuem
características próprias e específicas para cada setor, que não atuam de forma
linear sobre o crescimento. De fato, cada setor apresenta uma capacidade e um
formato na promoção do desenvolvimento, devendo ser observadas as
necessidades e potencialidades de cada região, a fim de planejar adequadamente
as aplicações a serem realizadas.

Serviços de infraestrutura são operacionalizados por meio de indústrias de rede, ou


seja, faz-se necessária a construção de uma grande estrutura física (funcional) para
a provisão desse serviço que, uma vez construída, deve ser partilhada pelos
ofertantes de serviços a ela associados, não havendo motivações econômicas para
a construção de estruturas paralelas. São características deste tipo de indústria: a
necessidade de altos investimentos iniciais com logos prazos de maturação -
reduzindo a atratividade destes e propiciando a ocorrência de monopólios -; e a
propensão a geração de economias de escala e escopo - fazendo com que sua
provisão seja mais adequada ao poder público. Tais características elevam a
necessidade de planejamento orçamentário adequado à realização das obras,
considerando os gastos futuros com manutenção e operação, o que reduz os
recursos disponíveis para novos investimentos e pode elevar o passivo contingente
do setor público.

Especialmente nos países em desenvolvimento, é possível observar um hiato entre


os recursos despendidos pelo governo para uma determinada obra e o valor efetivo
dos investimentos realizados. Essa divergência deriva de ineficiências
governamentais e burocráticas como instituições fracas - que geram instabilidade
contratual -, editais mal elaborados - passíveis de interpretações múltiplas ou que
não abordam de maneira clara pontos importantes do contrato - e atrasos em
pagamentos a empreiteiros e fornecedores - que passam a embutir no valor da
obra, bem ou serviço os custos dos atrasos que, já sabem, sofrerão seus
pagamentos.

Inversões em infraestrutura podem seguir dois padrões distintos: podem surgir em


resposta a demanda existente, ou se tratarem de investimento indutor de
demanda. O primeiro caso ocorre em duas situações distintas: quando da
viabilidade econômicofinanceira para a iniciativa privada; e o caso dos
investimentos tipicamente públicos.

Hoje, no Brasil, alguns grandes investimentos na área de infraestrutura econômica


estão sendo realizados por empresas privadas que adquiriram concessões,
permissões ou mesmo que compraram empresas estratégicas em planos de
privatização. É o caso, por exemplo, das empresas de telecomunicação,
distribuidoras de energia elétrica e das concessionárias ferroviárias. Alguns setores
são mais propícios a receber o capital privado, seus serviços ocorrem, geralmente,
mediante cobrança de tarifas, ou obtenção de receitas operacionais. É o caso das
telecomunicações, energia elétrica, terminais portuários etc. Estes setores
necessitam de uma regulação econômica, que deve garantir um equilíbrio entre a
remuneração adequada ao capital investido e a modicidade tarifária, visando a
proteção do usuário e gerando ganhos de bem-estar social. As tarifas devem refletir
o funcionamento de um mercado competitivo, considerando os custos, a segurança
do abastecimento e a produtividade, de forma que os ganhos de eficiência sejam
repartidos entre operadores e usuários.

Para investimentos caracterizados pelo elevado volume de capital exigido, baixa


taxa de retorno, riscos de demanda ou demanda insuficiente, não é possível atrair o
capital privado. Nesses casos, o Estado deve se responsabilizar pela realização das
obras pertinentes, de forma que a economia não sofra pela falta de acessibilidade
ou de suprimento de insumos essenciais. Ademais, nos investimentos onde a taxa
de retorno é inferior ao custo de oportunidade do capital, uma alternativa é a de o
poder público entrar complementando sua viabilidade financeira, por meio de
recursos fiscais. São as chamadas Parcerias Público-Privadas (PPP).

Finalmente, vale tratar do investimento em infraestrutura realizado de forma prévia


a existência de demanda. Grandes construções e investimentos que podem, a
princípio, parecer obras desmedidas ou simplesmente desperdício de dinheiro
público por vezes se mostram mais importantes e menos grandiosas após alguns
anos. Grandes rodovias, usinas de geração de energia, instalação de fiação
telefônica e elétrica destinadas a lugares remotos etc. podem ser julgadas de
maneira precipitada se vistas num espectro curto de tempo. Contudo, estes
investimentos têm, em geral, um potencial de atração produtiva, tendendo a
estimular a implantação de indústrias, grandes empresas, ou novos centros
urbanos. O importante, na concepção, planejamento e execução desses, é
implementar infraestruturas em diferentes setores, de forma a estabelecer uma
sinergia que favoreça o desenvolvimento regional sustentável, do ponto de vista
econômico, social e ambiental.

VISITA DE ESTUDO AO LOUSAL

1. A visita

A visita de estudo às minas do Lousal foi realizada no âmbito da disciplina de Geografia


e tinha como principal objectivo conhecer de perto um exemplo de uma mina, entre tantas
outras, cuja laboração já não ocorre nos nossos dias.
A visita consistiu em três fases essenciais: na primeira ouvimos o testemunho de um
antigo mineiro e visionámos dois filmes; na segunda visitámos um museu provisório onde
pudemos ver diversos equipamentos da mina; na terceira visitámos o Lousal, testemunhando
as condições actuais.
Assim, procurámos perceber o que representava a presença de uma mina numa terra e
a importância que teria para os habitantes dessa mesma terra. Pretendemos também perceber
um pouco da história das minas do Lousal e quais as razões que teriam levado ao seu
encerramento.
Mas, para além destes, tínhamos também outros objectivos com uma importância
acrescida:
- compreender os problemas na exploração dos recursos do subsolo;
- observar o impacto ambiental da actividade mineira passada e a necessidade de
recuperar o ambiente através da requalificação de áreas mineiras;
- compreender a importância da valorização do património natural e cultural para a
melhoria da qualidade de vida da população/importância da dinamização de áreas em
despovoamento.
Importa ainda salientar a enorme experiência que representou esta visita de estudo, na
medida em que todos nós ficámos a conhecer uma realidade a que não estávamos habituados.
Chegou mesmo a impressionar a maneira apaixonada como nos foi apresentada a mina do
Lousal por um senhor amabilíssimo que nos deu uma autêntica lição de devoção e lealdade
para com a terra a que estava enraizado por tradição.
Pode, por isso, dizer-se que esta foi uma visita bastante interessante em diversos
aspectos e que nos proporcionou uma nova maneira de ver estas realidades que às vezes nos
passam um pouco ao lado.

2. A Mina do Lousal

A Mina do Lousal está integrada na Faixa Piritosa


Ibérica e situa-se no Lousal, concelho de Grândola, distrito de
Setúbal. Esta mina foi explorada entre 1900 e 1988, ano em que
a extracção foi interrompida.
Em 1882, decorria o mês de Agosto, quando António
Manuel, um lavrador da região, requereu o reconhecimento por
ter descoberto o jazigo do Lousal. A mina e o direito à sua
exploração passou então por diversas mãos e empresas tais
como Alfredo Masson, Guilherme Pinto Basto, Minas dos
Barros, Lda, Henrique Burnay e Companhia, Sociétè Anonyme
Belge des Mines d’Aljustrel e a sociedade belga Mines et
Industries S. A..
Foi a partir da década de 30 que o Lousal passou a ser
alvo de uma exploração mais intensa muito por culpa da
importância cada vez mais notória das pirites cupríferas e do
ácido sulfúrico, atingindo o apogeu da exploração em 1945,
após ter terminado a II Guerra Mundial. A SAPEC era já o
principal proprietário das minas, juntamente com a CUF.
Entre os anos de 50 e 60 estudou-se a possibilidade de
mecanizar as minas, processo que ficou concluído por volta de
1962.
No entanto, esta longa caminhada haveria de terminar
no dia 31 de Março de 1988, por motivos económicos[a],
precisamente às 15 horas. Desde então nunca mais desceu um
mineiro nem nunca mais se ouviu o imenso ruído das picadoras.
A Mina dava lugar à desgraça e à descrença dos habitantes do
Lousal. Aquele dia foi um dia fatídico para todos. E o mesmo
relógio de então ainda lá está, a ocupar o seu lugar na parede e
a marcar as 15 horas, demonstrando que o tempo quase que
parou por aqueles lados.

3. A Mina e a popu1ação
Um dos aspectos
mais impressionantes
desta visita de estudo foi
perceber a importância
que a Mina do Lousal tinha
para os habitantes daquela
terra. Na realidade, pode
mesmo dizer-se que tudo
girava em torno da mina e
que tudo dependia do
sucesso da sua
exploração.
A mina tinha mais
de dois mil e quinhentos
trabalhadores que
constituíam, na maior parte
dos casos, agregados
familiares. Tudo era
pertença da mina: as
habitações, a casa de
saúde, a farmácia, o posto
médico, instalações
comerciais, a escola e até
mesmo o salão de festas,
bem como os empregados
em todos estes serviços.
Se analisarmos os
dados referentes à
população do Lousal de
1911 até 1960,
percebemos que houve um
acentuado acréscimo
populacional, situação que
se inverteu, numa primeira
fase devido á mecanização
do trabalho e, mais tarde,
ao encerramento da mina:
Percebe-se por isso a importância da mina. Se ela fechasse, fechava-se também a
vida de milhares de pessoas. Daí que, após o seu encerramento, se tivesse assistido a uma
grande tristeza e descrença por parte da população do Lousal.
O encerramento da mina levou a urna estagnação da economia da região e a uma
grande ruptura na vida da população[b]. Esta diminuiu drasticamente e envelheceu muito, por
causa da baixa esperança média de vida (os mineiros morrem prematuramente devido aos
acidentes de trabalho, poeiras que provocam a silicose e ruídos que provocam surdez), do
grande fluxo migratório de jovens para fora do Lousal e por causa de a maioria dos mineiros
não ter direito sequer à reforma por questões burocráticas.

4. O impacto ambiental

O minério que se pode encontrar no Lousal é formado por um conjunto de xistos


grafitosos que se encontram repletos com pirite. Também se pode encontrar mineralização em
rochas vulcânicas ácidas porfiríticas.
Destas explorações de sulfuretos ricos em metais fica-nos a herança de marcas na
paisagem do Lousal com numerosas escombreiras que deixam ao ar livre grandes quantidades
de material explorado e que são hoje um importante foco de poluição ambiental.
Estes sulfuretos reagem com as águas superficiais e libertam muitos metais prejudiciais
ao ser humano e a todos os seres vivos dessa região. Estas águas, com pH reduzido e com
teor em metais pesados tóxicos, poderão ter, daqui a alguns anos, efeitos imprevisíveis.
O impacto ambiental é, por isso, um dos grandes problemas da exploração dos
recursos do subsolo, pelo que se devem encontrar soluções que combatam esta poluição.

5. O projecto de musea1ização

A mina do Lousal tem óptimas condições geográficas


que fazem dela um recurso muito viável de investimento. A
proximidade do rio, a litoralização, os espaços verdes
circundantes, etc., fazem da mina uma potencial fonte de
receitas. Em 1992, Fernando Fantasia, novo administrador da
SAPEC, apercebeu-se disto mesmo e decidiu apostar no
aproveitamento das infra-estruturas existentes. Estava então
lançada a base para o projecto de musealização da mina do
Lousal.
Menos de dez anos após o encerramento das minas,
o antigo proprietário e o município local promoveram no
Lousal uma iniciativa de desenvolvimento integrado que
pretendia reabilitar socialmente e economicamente a região,
não esquecendo, no entanto, a componente cultural.
A promoção e gestão do Programa de
Desenvolvimento Integrado e de Redinamização do Lousal
pertencem à Fundação Frederic Velge, na qual estão
congregadas as duas instituições acima referidas. O
financiamento deste programa é, em parte, devido a fundos
comunitários.
Trata-se de um projecto que inclui diversos objectivos, tais como a criação de infra-
estruturas turísticas (hotelaria, espaços de lazer, campismo, turismo rural, restaurantes), de
formação profissional e a criação de pequenas empresas e de equipamentos culturais que
completem e assegurem a viabilidade deste projecto. Esta é a razão pela qual este projecto de
musealização implica a salvaguarda de interesses de todas as partes envolvidas: promotores e
população. Implica também um faseamento, ao longo de alguns anos.
Importa referir também que, assegurada a viabilidade deste projecto, o Relousal trata-
se de um projecto pioneiro em Portugal. A importância desta musealização é demonstrada
através da divulgação do trabalho dos mineiros já que, como importa lembrar, o sucessivo
encerramento de minas que se tem registado em Portugal descura, por vezes, este mesmo
trabalho.
O projecto do Lousal assume uma importância extrema na dinamização de uma região
e, em certa medida, até mesmo de um país.
Assim, culturalmente, permite preservar e reabilitar um património mineiro, nas suas
diversas vertentes: arqueologia, história mineira, história geológica e arqueologia industrial.
Cientificamente, permite um estudo e divulgação sobre esse mesmo património, com
destaque para um Centro de Documentação/Arquivo que será criado anexo ao Museu e para
as divulgações do mesmo.
Pedagogicamente, oferece-se ao público português, nomeadamente a estudantes e
outros interessados, a possibilidade de lidar de perto com o universo das minas, da mineração
e dos mineiros.
Pode, por tudo isto, dizer-se que este projecto ganha um carácter muito importante a
nível nacional, pois representa uma aposta sócio-cultural de que o país ainda carece.
Esta musealização assume então uma importância que se pode ver de um prisma
bidireccional. O da população local, pela oportunidade de dinamização sócio-económica e pela
reabilitação de um território e de um património sempre presentes no dia-a-dia dos habitantes.
O dos visitantes, pela apetência que possuem pelo mundo mineiro e que têm agora a
possibilidade de conhecer esta realidade e este universo oculto.
Para finalizar, importa evidenciar que este projecto visa colaborar no desenvolvimento
social e cultural tanto de habitantes como de visitantes, no renascimento económico local, no
acréscimo do bem-estar e da qualidade de vida da população do Lousal, ou seja, no
desenvolvimento completo e integral e não apenas nas questões económicas.
6. Conclusão

A visita de estudo ao Lousal representou uma viagem a um mundo novo,


desconhecido. Assim sendo, penso que todos pudemos tomar consciência do que envolve
realmente todo um processo que se desenrola em tomo de uma mina e que centraliza nela um
conjunto de factos que se mostram decisivos para a subsistência de milhares de pessoas.
Assim, ao testemunharmos de perto esta realidade apercebemo-nos da dificuldade que
constitui o trabalho de um mineiro e os perigos que esta actividade envolve. Para além disso,
ficámos a conhecer um pouco da história do Lousal e da mina e do projecto denominado
Relousal. É importante não esquecer também o impacto ambiental que está inerente ao
trabalho de exploração mineira.
Em síntese, pode dizer-se que a viagem se mostrou proveitosa e nos auxiliou no
estudo da matéria leccionada. De uma maneira mais pessoal, posso acrescentar que me
sensibilizou, de algum modo, a paixão demonstrada pelas palavras do nosso guia, também ele
um antigo mineiro e conhecedor da realidade daquela terra.
Em jeito de conclusão, resta dizer que o Lousal é uma terra em renascimento, cujos
habitantes mantém ainda bem vivos os laços que os ligam ao passado e, consequentemente, à
mina. A mina do Lousal e, mais especificamente, o projecto de musealização em vigor são
exemplos a seguir por outras identidades na preservação de um património que se deveria
manter.
Miguel Mochila 10ºM

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Angola: Mining Act


05.08.2009
P A R T E P R I M E I R
REGIME JURÍDICO COMUM
L I V R O I
se DOS DIREITOS MINEIROS EM GERAL
CAPÍTULO I
DO OBJECTO E DA POLÍTICA MINEIR
S e c ç ã o
Objecto e Âmbito de Aplicação
Artigo 1º
(Objecto)
O presente código regula toda a actividade geológicomineira, designadamente, o acesso e o exercíci
deveres relacionados com a investigação geológica, a descoberta, caracterização, avaliação, exploração,
uso e aproveitamento dos recursos minerais existentes no solo, no subsolo, nas águas territoriais
continental,
na zona económica exclusiva e nas demais áreas do domínio territorial e marítimo sob jurisdição da Repúb
A r t i g o 2
(Âmbito de Aplicação)
1. As disposições do presente código aplicamse aos seguintes actos decorrentes do seu objecto
a) Estudos geológicos e cartográficos;
b) Reconhecimento, prospecção, pesquisa, avaliação dos recursos
c) Exploração, lapidação e beneficiação dos recursos m
d) Comercialização dos recursos minerais ou outras formas de dispor do produto da
e) Restauração e/ou recuperação das áreas afectadas pela actividade
f) Outros fins relacionados com os acima de
2. O reconhecimento, prospecção, pesquisa, avaliação, exploração e comercialização de águas minerais
regime estabelecido neste código, bem como à legislação complementar que sobre a matéria venha a
3. Ao reconhecimento, prospecção, pesquisa, avaliação, exploração e comercialização de recursos minera
fundos marinhos da Zona Económica Exclusiva apli
com as devidas adaptações, as disposições estabelecidas no presente código, bem como a legislação com
a matéria que venha a ser aprova
4. Quaisquer outras actividades geológicomineiras como tal classificadas pelos órgãos competentes, f
regras estabelecidas neste código e na legislação especial que sobre a mesma venha a ser aprovada.
A r t i g o 3
(Exclusões)
Às actividades relativas ao reconhecimento, prospecção, pesquisa, avaliação e exploração dos hidrocarbo
gasosos, não é aplicável o regime estabelecido neste código, sendo regidos por legislação própria.
A r t i g o 4
(Classificação dos Minerais)
1. Para efeitos do presente código, os minerais classificamse de acordo com a tabela que constitui o An
que dele é parte integrante.
2. A actualização da tabela referida no número anterior é da competência do Governo, de acordo
científicos e tecnológicos que se registem quanto à matéria, e da necessidade de harmonização com as
da SADC ou de outras organizações internacionais de que Angola seja parte.
A r t i g o 5
(Definições)
O significado dos termos e expressões utilizados neste código constam do glossário que constitui o Anex
que dele é parte integrante.
S e c ç ã o I
Política e Estratégia para o Sector Min
S u b S e c ç ã o
Minerais em Geral
A r t i g o 6
(Competência do Governo)
1. Compete ao Governo aprovar a política mineira e a estratégia para a sua implementação, definindo os m
os prazos para a sua aplicação
2. Ao elaborar a política mineira, o Governo respeita os princípios e regras fundamentais da Consti
Económica, o regime económico em vigor, as normas deste código, bem como os princípios jurídicos
estratégicos da actividade mineira estabelecidos nos artigos seguintes.
A r t i g o 7
(Planeamento da Actividade Mineira)
1. Compete ao Governo orientar e planificar o desenvolvimento da indústria mineira nacional, em confo
princípios e regras estabelecidos neste código e com a política e estratégia do Governo para o
2. Ao planificar a actividade mineira, o Governo deve prever medidas eficazes de desenvolvimento econó
e de protecção dos direitos e interesses legítimos das comunidades locais, bem como o desenvolvimen
humanos nacionais.
A r t i g o 8
(Objectivos Estratégicos da Actividade Mineira
Constituem objectivos estratégicos da actividade mineira os s
a) Garantir o desenvolvimento económico e social sustentado do
b) Criar emprego e melhorar as condições de vida das populações que vivem nas áreas de explo
c) Garantir receitas fiscais para o Est
d) Apoiar e proteger o empresariado nacional, dando preferência aos empresários nacionais na conce
mineiros;
e) Harmonizar a legislação mineira nacional com a legislação mineira regional, tendo em conta as boas p
na indústria mineira da SADC;
f) Garantir a integração do género e o combate às práticas discriminatórias na indús
g) Proteger o ambiente e combater as práticas que atentem contra as regras
h) Combater o garimpo e outras práticas mineiras
i) Estabelecer um regime eficaz, célere e transparente de concessão de direitos mineiros, baseado no
acesso, no cumprimento estrito da lei e no enquadramento na política e estratégia mineira aprovada
j) Garantir o desenvolvimento sustentável dos quadros e trabalhadores nacionais, particularmente atrav
de desenvolvimento de recursos humanos;
k) Usar preferencialmente os recursos minerais para a sua transformação e comercialização no país, o
prima para a indústria transformadora, materiais de construção, aditivos para a agricultura e outras aplica
l) Evitar a exportação de recursos minerais que obriguem o País a importar o mesmo tipo de minerais a c
prazos;
m) Incentivar o reinvestimento no País dos rendimentos da exploração dos recurso
n) Reduzir o impacto negativos que as operações geológicomineiras possam causar ao ambiente, bem co
dos efeitos nefastos que forem provocad
o) Implementar, antes do encerramento das minas, empreendimentos que proporcionem novos
trabalhadores e evitem deslocações de habitantes e recessões económicas nas regiões mineiras abandona
A r t i g o 9
(Exploração Sustentável de Recursos Minerais
A exploração dos recursos minerais deve ser realizada de maneira sustentável e em benefício da econom
rigorosa observância das regras sobre a segurança, o uso económico do solo, os direitos das comunid
protecção e defesa do ambiente.
A r t i g o 1 0
(Intervenção do Estado no Sector Minei
O Estado poder intervir economicamente no sector mineiro, quer através de concessionárias nacionais,
empresas operadoras, ficando tais entidades sujeitas aos princípios e regras estabelecidos neste código
sobre investimento público e sobre empresas públicas ou de capitais públicos aplicável.
A r t i g o 1 1
(Áreas Disponíveis para a Actividade Mine
1. As áreas do domínio territorial ou marítimo sob jurisdição da República de Angola que não tenham sido
efeitos do exercício de outras actividades ou a elas não estejam afectadas, são consideradas disponíveis
concessão de direitos mineiros.
2. O Governo pode, nos termos do Artigo 200º (sobre Zonas de Reserva Mineira) declarar zonas de re
partes do território nacional que apresentem potencial mineiro considerável e que, em função disso, exija
de certas restrições quanto à circulação de pessoas e bens nessa
3. A declaração e criação de zonas de reserva mineira deve ter em conta a necessidade de garantir e pe
possível o desenvolvimento económico e social integrado das regiões, a estabilidade social e cultural das p
e a segurança dos direitos e dos bens patrimoniais públicos e privados.
A r t i g o 1 2
(Áreas Excluídas da Actividade Mineira)
1. Tendo em vista assegurar o desenvolvimento harmonioso da economia nacional, proteger os interes
com a defesa do país, a fauna, a flora e o ambiente, o Governo pode, nos termos da lei, estabelecer ár
condicionadas para a actividade geológicomineir
2. São considerados indisponíveis para a actividade mineira, sem prejuízo de outros casos de indisponibilid
a ser definidos por lei, os terrenos que fazem parte do domínio público, para uso comum ou privativo do E
dele não forem desafectados, e as áreas que, para efeitos do disposto no número anterior, estejam excluíd
geológica e mineira.
A r t i g o 1 3
(Configuração das Áreas)
A configuração das áreas geográficas objecto dos títulos de concessão de direitos mineiros têm uma form
regular e simples quanto possível, e é identificada através de pontos fixos definidos por coordenadas
geodésicas ou por acidentes naturais, em onformidade com o que vier a ser estabelecido pelo órgão de tu
A r t i g o 1 4
(Direitos das Comunidades)
1. A política mineira deve sempre ter em conta os direitos das comunidades das zonas em que é desenvolv
de mineração e contribuir para o seu desenvolvimento económico
2. O Ministério da Tutela, em coordenação com os órgãos locais do Estado e os titulares dos direitos min
mecanismos de consulta que permitam às comunidades locais afectadas pelos projectos mineir
activamente nas decisões relativas à protecção dos seus direitos e e
3. O órgão de consulta referido no número anterior pode ser um Conselho das Comunidades Locais, integr
de reconhecida idoneidade e reputação junto das comunidades, escolhidas pela própria comunidade, de
usos e costumes locais.
4. A consulta é obrigatória em todos os casos em que da implementação dos projectos mineiros possa resu
ou danificação de bens materiais, culturais ou históricos pertencentes à comunidade local como um todo.
A r t i g o 1 5
(Regime Especial para as Comunidades Loc
Para além dos direitos referidos neste código decorrentes do controlo de pessoas e bens nas áreas de act
as comunidades locais gozam dos direitos de compensação e de realojamento estabelecidos nos artigos se
A r t i g o 1 6
(Direito de Compensação)
1. As comunidades afectadas pelos projectos mineiros têm o direito de negociar com os concessionário
valores compensatórios, sempre que deste processo resultar para a comunidade mais vantagens do q
resultariam da compensação financeira legalmente estabe
2. O processo previsto no número anterior será sempre mediado por um corpo de cinco árbitros escolhid
cabendo a cada parte escolher dois árb
3. O quinto árbitro do corpo de arbitragem é o magistrado do Ministério Público sob cuja competência
enquadrada a zona da concessão objecto de nego
4. A arbitragem funcionará de acordo com a lei sobre arbitragem e as suas decisões são definitivas, i
cumprimento obrigatório.
5. Os custos da arbitragem são definidos pelos árbitros e suportados pelas partes, cabendo ao titular dos
60% desses custos.
A r t i g o 1 7
(Direitos de Realojamento)
1. As populações locais que sofram prejuízos habitacionais que impliquem a sua deslocação ou a pertu
condições normais de alojamento por causa das actividades mineira têm direito a se
2. O processo de compensação nunca poderá deixar de prever o realojamento condigno das comunidades
ser respeitados os hábitos, costumes, tradições e outros aspectos culturais inerentes às referidas comunida
A r t i g o 1 8
(Força de Trabalho Local)
Os concessionários dos direitos mineiros devem assegurar o emprego e a formação de técnicos e trabalha
preferencialmente dos que residirem nas áreas de exploração, de acordo com o que estiver estabelecido le
A r t i g o 1 9
(Protecção do Mercado Nacional)
1. Em condições de preços que não excedam 10% de diferença para mais, e de prazos de entrega que não
dias para mais, os titulares dos direitos mineiros devem dar preferência à utilização de materiais, ser
nacionais, cuja qualidade seja compatível com a economia, segurança e eficiência das operaç
2. As entidades que se sentirem prejudicadas no direito de protecção legal definido no Nº 1 deste artigo
das autoridades competentes, administrativas ou judiciais, a protecção ou o restabelecimento do mes
gerais do direito.
S u b S e c ç ã o I
Minerais Estratégicos
A r t i g o 2 0
(Classificação Legal)
1. Sempre que a sua importância económica, utilização para fins com carácter estratégico ou as especifici
sua exploração o justifiquem, alguns minerais poderão ser classificados como
2. São elementos para se classificar um mineral como estratégico os
a) Raridade;
b) Grande procura no mercado internacion
c) Impacto relevante no crescimento da econ
d) Criação de um número elevado de emp
e) Influência positiva relevante na balança de paga
f) Importância para a indústria milita
g) Importância relevante para as tecnologias de
3. Os elementos referidos no número anterior podem ser considerados isolada ou cum
4. São desde já considerados minerais estratégicos, e como tal devem ser tratados legalmente, os diama
minerais radioactivos.
A r t i g o 2 1
(Competência para Classificar)
Compete ao Conselho de Ministros classificar os minerais estratégicos, sempre que tal estatuto não resu
das definições do presente Código.
A r t i g o 2 2
(Regime Aplicável)
1. A exploração de minerais legalmente considerados estratégicos está sujeita aos princípios e regr
estratégia para os minerais em geral, com as adaptações que resultarem dos artigos seguintes, das re
estabelecidas neste código e da legislação complem
2. Em tudo que não esteja previsto em legislação especial, aplicamse às actividades de reconhecime
pesquisa e avaliação, exploração, tratamento e comercialização dos minerais estratégicos as normas
3. Fora dos casos previstos no presente código e sempre que se justificar, compete ao Governo aprovar as
destinadas a regular os aspectos específicos de certos minerais e
4. As normas refer idas no número anterior devem ser cr iadas e interpretadas de harmonia com as re
consagrados neste código.
A r t i g o 2 3
(Concessionárias Nacionais de Minerais Estratégico
1. Os direitos mineiros de prospecção e de exploração, tratamento e comercialização de minerais estraté
território nacional, incluindo a plataforma continental e zona económica exclusiva, pertencem ao Esta
exercidos em exclusividade por uma empresa pública específica, que assumirá o papel de concessionária
uma instituição pública autónoma, que exercerá funções de reguladora da actividade mineira estratég
2. As empresas concessionárias nacionais de direitos mineiros sobre minerais estratégicos são criada
competindolhes exercer directamente os direitos mineiros do mineral respectivo, ou em associação co
direito privado.
3. As instituições públicas reguladoras das actividades mineiras estratégicas podem ser criadas s
necessidade de regular de modo específico o exercício da actividade mineira respectiva, o mercado, os p
das exportações, a saúde pública e haja necessidade de existir um representante do Estado para t
relacionado com o investimento privado, a fiscalização da actividade e o acompanhamento sistemático d
4. As competências específicas das concessionárias nacionais e das inst ituições públicas reguladoras nã
poderes e competências genéricas do Governo, da tutela e de outras instituições do Estado com compet
nos termos deste código.
S u b S e c ç ã o I I
Mineração em Fundos Marinhos
A r t i g o 2 4
(Regime Legal)
1. O regime legal para o aproveitamento dos recursos minerais existentes nas águas territoriais, na plataf
e na zona económica exclusiva, é, com as necessárias adaptações, o que se aplica à prospecção, pesqui
exploração e comercialização de recursos minerais à escala industrial, definidos neste código
complementar.
2. As regras aplicáveis à atribuição e exercício de direitos mineiros de prospecção, pesquisa, investigação
recursos minerais nas águas territoriais, na plataforma continental e na zona económica exclusiva são
harmonia com a Convenção da Organização das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, designadamente
XII, sobre Protecção e Preservação do Meio M
3. A realização de outras actividades que não possam ser reguladas pelas normas relativas ao
prospecção, pesquisa, avaliação e exploração de recursos minerais no solo e subsolo, serão regula
aprovadas pelo Conselho de Ministros.
4. A criação de normas específicas para atribuição e exercício de direitos mineiros de prospecção, pesquis
exploração de recursos minerais nas águas territoriais, na plataforma continental e na zona económica ex
em conta os seguintes factores:
a) Os padrões internacionais para a mineração off
b) A tecnologia utilizada em países com maior tradição na recuperação mineral em fund
c) O efeito dessa actividade sobre o ambiente e a sua prevençã
d) O efeito sobre as outras formas de aproveitamento do
e) A forma específica de demarcação das áreas e de fiscalização do acesso às zonas restritas e de seguran
A r t i g o 2 5
(Investimento e Atribuição de Direitos)
1. O regime de investimento e de atribuição de direitos mineiros para a prospecção, pesquisa, investigação
recursos minerais em fundos marinhos é o aplicável ao investimento na indústria mineira definidos neste c
se trate de minerais comuns ou estratég
2. Os contratos de investimento para prospecção, pesquisa, investigação e exploração de recursos min
marinhos devem sempre conter cláusulas específicas sobre esta matéria, em função das particularidades d
minerais em fundos marinhos, designadamente sobre a demarcação, a preservação do ambiente, as norm
no trabalho e o regime de acesso às plataformas mineiras e de protecção dos trabalhadores face às cond
de trabalho.
A r t i g o 2 6
(Estudo de Viabilidade)
Quando se trate de exploração mineira em fundos marinhos, o Estudo de Viabilidade Técnica Económica e
se refere este código como condição para a aprovação dos respectivos contratos de exploração e a atribuiç
exploração mineira, estão sempre sujeitos a uma auditoria independente por parte de um auditor
concessionária nacional, quando esta exista, ou pelo ministério de tutela, quando
exista.
A r t i g o 2 7
(Determinação das Áreas de Concessão)
1. A determinação das áreas de concessão de direitos mineiros em fundos marinhos é feita com recu
geológicos e levantamentos geodésicos que exis
2. A atribuição dos direitos de prospecção, pesquisa, investigação e exploração de recursos minerais em
obedece aos planos de exploração dos fundos marinhos que
3. Enquanto não forem realizados estudos geológicos e levantamentos geodésicos dos fundos marinhos pa
a determinação das áreas e a atribuição de direitos é feita mediante estudos individualizados a realizar
depois de aprovados e demarcados pe
autoridades competentes.
A r t i g o 2 8
(Sobreposição de Áreas e de Actividade
1. Quando houver sobreposição de áreas para a exploração mineral em fundos marinhos de minerais de e
a preferência por um ou por outro é feita tendo em conta os interesses públicos relativos às explorações
termos definidos neste código.
2. Quando o pedido de concessão para a actividade mineira em fundos marinhos recair sobre uma área
usada para actividade turística ou de pesca, os agentes desses ramos de actividade podem reclamar os d
de protecção previstos no presente código para as com
3. As negociações entre os agentes da actividade turística ou piscatória e a empresa mineira podem ser fe
a um corpo de arbitragem, nos termos previstos neste código para as comunidades locais.
C A P Í T U L O I
INFORMAÇÃO GEOLÓGICA E CADASTRO MINEIR
S e c ç ã o
Investigação e Informação GeológicoMineira
A r t i g o 2 9
(Entidades Competentes)
1. A investigação geológicomineira e a produção de informação geológica competem ao Governo, atra
públicos de cadastro geológico e mineiro, abreviadamente Cadast ro Mineiro, e das suas est ruturas d
podendo ser autorizadas outras entidades, públicas ou privadas, a exercer tal actividade sob dependência
Cadastro
Mineiro.
2. No domínio da investigação geológicomineira constituem competências do Governo a
a) Execução da cartografia geológica do território nacional, podendose, quando não se possuir capaci
financeira própria, recorrer a contratos com empresas idóneas especializadas, nacionais ou estrangeir
acordos de cooperação internacional;
b) Guarda e controlo da informação geológica n
c) Compilação, publicação e divulgação da informação geológicomineira
d) Realização de estudos geológicos, estratigráficos, petrográficos, cristalográficos, paleontológicos,
geofísicos que forem necessários para a cartografia geológica do território nacional e a sua caracterizaçã
3. As entidades concessionárias de direitos mineiros para a pesquisa e prospecção de recursos minerais
estudos geológicos, no âmbito dos seus programas contratuais ou dos respectivos títulos d
4. As instituições de ensino e de investigação científica podem realizar estudos geológicos, mediante
protocolos de cooperação com o Cadastro Mineiro.
A r t i g o 3 0
(Organização e Subordinação do Cadastro Mine
1. O Cadastro Mineiro organizase segundo os níveis nacional, local e junto das concessioná
2. O Cadastro Mineiro a nível nacional funciona subordinado ao ministério da tutela responsável pelo l
actividade mineira.
3. O ministério da tutela pode autorizar que sejam criadas estruturas cadastrais nas direcções provinc
tutela, que funcionarão subordinadas e em coordenação com o cadastro
4. As concessionár ias nacionais possuem est ruturas cadast rais vocacionadas para o tipo de mineral so
exclusiva, funcionando como extensões especializadas do cadastro mineiro nacional.
A r t i g o 3 1
(Propriedade da Informação Geológicomineira)
1. A informação geológicomineira sobre os recursos minerais existentes no território nacional é proprie
ficando a entidade terceira que for contratada para realizar os estudos respectivos interdita de dispor
diferentes daqueles para os quais for autor
2. As entidades autorizadas a realizar estudos geológicos são obrigadas a prestar ao Cadastro Mine
regulares sobre o trabalho realizado e a fazer entrega de toda a informação geológi
3. As entidades que executarem trabalhos de sondagem, escavações e perfurações, bem como de geofísi
fora do âmbito de um título mineiro, independentemente do seu objecto, são obrigadas a comunicar
mesmos ao ministério da tutela, remetendo osteriormente àquele órgão as informações e dados obtidos.
A r t i g o 3 2
(Acesso à Informação Geológica)
1. Sempre que devidamente requerido, o Cadastro Mineiro fornecerá aos interessados em realizar estud
informação geológica pertinente disponível, nos termos definidos no artigo 100º (sobre Pedidos de Informa
para Concessão).
2. A informação a que se refere o número anterior será fornecida mediante o pagamento dos emolumen
cubram os serviços prestados e o custo dos trabalhos realizados, nos termos gerais da arrecadação de rece
A r t i g o 3 3
(Informação Geológica e Confidencialidade)
O acesso geral à informação geológica prestada pelas entidades referidas neste artigo está sujeita a
termos da lei, sendo obrigatório garantir o nível de confidencial idade das mesmas, conforme seja classifica
responsabilidade penal e civil nos termos da lei.
S e c ç ã o I
Cadastro Mineiro, Registos e Publicações
A r t i g o 3 4
(Cadastro Mineiro)
Cadastro mineiro é o conjunto de actos de registo e gestão do processo de licenciamento de actividade
nacional, com base em informação electrónica, digital, gráfica ou textual.
A r t i g o 3 5
(Registo Mineiro )
1. Os processos de atribuição, modificação, transmissão e de extinção de direitos mineiros são regista
Mineiro.
2. Compete ao Governo aprovar as normas de funcionamento do registo mineiro e os respectivos trâmites.
A r t i g o 3 6
(Troca de Informação entre Instituições)
1. O Cadastro Mineiro presta regularmente informação relativa às áreas mineiras outorgadas aos órg
responsáveis pelo registo e cadastro fundiário e agrícola, devendo aqueles reciprocamente forne
relevantes sobre o uso e aproveitamento da terra para
fundiários e agrícolas ao Cadastro Minei
2. O modo como a informação é trocada e a periodicidade é objecto de um protocolo estabelecido entr
competentes.
A r t i g o 3 7
(Armazenamento de Informação)
O cadastro mineiro deve organizar e dispor, entre outra, da seguinte informaç
a) Áreas vedadas à actividade mineir
b) Áreas requeridas para o exercício de direito mineiros e nome dos seus
c) Áreas outorgadas e dados sobre o título de outorga
d) Áreas livres;
e) Áreas declaradas legalmente reserva púb
f) Áreas para exploração mineira artesan
g) Outras áreas que exijam autorização especial;
A r t i g o 3 8
(Acesso à Informação Registada)
É permitido o acesso do público interessado à informação registada no cadastro mineiro, competindo ao ó
pelo cadastro definir as normas respectivas de requisição, autorização e acesso.
A r t i g o 3 9
(Publicidade dos Actos de Registo)
1. Tendo em vista dar a conhecer publicamente os resultados dos processos de atribuição, modificação, t
extinção de direitos mineiros, as decisões em que se onsubstanciam os respectivos actos devem
2. São publicadas na I Série do Diário da República todas as decisões sobre actos que resultem da interven
do Conselho de Ministros.
3. São publicados na III Série do Diário da República todas as decisões sobre actos que resultem d
aprovação do ministério da tutela.
4. As restantes decisões sobre actos que careçam de publicação exigida pelo presente código ou pela le
serão publicados na III Série do Diário da República, ou num dos jornais de maior circulação no país, ou em
nos locais apropriados, conforme o que se mostrar mais apropriado para a sua eficaz publicidade.
A r t i g o 4 0
(Sobreposição de Áreas Registadas)
1. Há sobreposição de áreas mineiras registadas quando uma mesma área geográfica é concedida, total ou
requerente diferentes.
2. A sobreposição é de boa fé quando ocorre sem intenção de prejudicar e tenha ocorrido observando
legais, e de má fé ou com dolo quando é feita com intenção de prejudicar e conseguida com uso de
3. Havendo sobreposição de áreas mineiras registadas ocorridas de boa fé, a competência para decidir é
Ministros, quando se trate de minerais estratégicos ou de investimentos de valor da alçada deste órgão d
ministro da tutela, nos outros caso
4. A decisão sobre disputas resultantes de sobreposição de áreas mineiras registadas assenta no critério
das concessões, prevalecendo os direitos atribuídos em primeiro
5. Havendo sobreposição de áreas mineiras registadas de má fé ou com dolo, é competente para dir
tribunal da comarca onde se situam as áreas sobrepostas, cabendo a iniciativa judicial à parte que se se
depois de obtidos os indícios ou a prova da má fé ou do dolo, sem prejuízo das competentes sanções di
elas houver lugar.
CA P Í T ULO I I
DOS DIREITOS MINEIROS
S e c ç ã o
Disposições Gerais
A r t i g o 4 1
(Propriedade dos Recursos Minerais)
Os recursos minerais existentes no solo, no subsolo, nas águas territoriais, na plataforma ontinental, na
exclusiva e nas demais áreas do domínio territorial ou marítimo sob jurisdição da República de Angola,
originária do Estado e fazem parte do seu domínio público.
A r t i g o 4 2
(Propriedade dos Produtos da Mineração)
Os minerais e os produtos da mineração explorados e extraídos de acordo com as regras deste código
complementar são propriedade do titular a quem tenham sido atribuídos os respectivos direitos mineiro
lei.
A r t i g o 4 3
(Concurso de outros Minerais)
1. Quando das operações mineiras ocorrer a descoberta de outros minerais não incluídos no respectivo títu
poderá o concessionário requerer que os direitos mineiros sobre os mesmos lhe sejam atribuídos, nos term
gozando do direito de preferência face a outros pretendentes, em igualdade de
2. A descoberta de minerais que concorram com os minerais titulados deve ser notificada ao órgão
concessionária nacional, num prazo não superior a 30 dias após a sua
3. Caso se trate de minerais estratégicos ou sujeitos a regime especial, os minerais encontrados se
concessionária nacional ou, na falta dessa entidade, ao órgão de tutela, sendo reconhecido ao conce
descobriu o direito a um prémio correspondente a 50% do valor dos minerais.
A r t i g o 4 4
(Regime Jurídico dos Minerais Acessórios)
Os minerais acessórios, como tal definidos neste código, são cobertos pelos títulos atribuídos para o m
excepto quando se tratar de minerais estratégicos ou em regime especial, casos em que serão aplic
definidos neste código e na legislação specífica.
A r t i g o 4 5
(Descoberta Casual de Minerais)
Qualquer cidadão, nacional ou estrangeiro, que, por simples inspecção do terreno, fora das áreas já conc
recursos minerais que o órgão competente da tutela comprove terem interesse económico, terá direi
pecuniário, a definir pontualmente pelo órgão de tutela.
S e c ç ã o I
Natureza Jurídica dos Direitos Mineiros
A r t i g o 4 6
(Autonomia Jurídica dos Direitos Mineiros)
Os direitos mineiros são autónomos, devendo ser tratados juridicamente como distintos de outros direitos,
dos direitos de propriedade do solo onde os mesmos são explorados e dos bens sobre ele existentes.
A r t i g o 4 7
(Transmissibilidade dos Direitos Mineiros)
1. Os direitos mineiros são transmissíveis em vida ou por morte do seu titular, podem ser dados em garan
são susceptíveis de penhora, nos termos da
2. Excluemse do regime estabelecido no número anterior os direitos mineiros para o desenvolvimen
mineira artesanal.
A r t i g o 4 8
(Falência e Dissolução de Titulares de Direitos M
1. A falência e a dissolução de sociedades comerciais ou outras entidades empresariais titulares de direi
reguladas pelo Código das Sociedades Comerc
2. Pela falência ou dissolução a sociedade titular dos direitos mineiros perde a sua titularidade, podendo
adjudicados a outras entidades, nos termos deste
3. Perdida a titularidades dos direitos mineiros nos termos do número anterior, os mesmos poderão se
concorrente que, reunindo os requisitos legais e regulamentares exigidos, apresentar a proposta de preço
A r t i g o 4 9
(Penhor e Hipoteca)
1. Os direitos mineiros só podem ser dados em penhor para efeito de garantia dos créditos contraídos pe
para financiar as actividades geológicomineiras objecto do título de
2. Os documentos a que se refere o artigo 682º do Código Civil são substituídos pela entrega ao credo
públicaforma do título e do contrato de concessão de direitos mineiros
3. O concessionário não perde, pela constituição do penhor, a posse nem o exercício dos direitos mineir
ficando, do mesmo modo, adstrito ao cumprimento de todas as obrigações legais e
4. Os direitos mineiros oferecidos em penhor não podem ser transmitidos pelo respectivo titular, nem por
novo, sem a prévia autorização expressa do credor pig
5. Vencida e não paga a dívida e requerida pelo credor pignoratício, nos termos deste código, a venda do
a esta o disposto nos artigos___º e____º da presente código.
A r t i g o 5 0
(Efeitos da Penhora)
1. Em caso de penhora, cessa a titularidade dos direitos mineiros
2. Havendo a cessação da titularidade dos direitos mineiros por penhora, os bens do concessionário afec
mineira exercida ao abrigo daquela concessão serão executados para pagamento das dívidas a ela re
preferência para os credores pignoratícios.
3. Sem prejuízo para os direitos dos credores preferenciais, os direitos mineiros executados serão adjudica
preço, em concurso organizado pelo órgão da tutela, com a consequente concessão dos direitos penhora
do presente código.
A r t i g o 5 1
(Proibição de Arresto)
Não é permitido o arresto de direitos mineiros.
S e c ç ã o I I
Suspensão e Extinção de Direitos Mineiros
A r t i g o 5 2
(Suspensão das Operações Mineiras)
1. O órgão de tutela pode ordenar a suspensão das operações mineiras em caso de risco grave para a vid
das populações, para a segurança das minas, a salubridade dos locais de trabalho, o ambiente, a fauna,
sanção prevista no presente código ou na legislação comp
2. O órgão de tutela deve, antes de ordenar a suspensão, notificar os interessados para que possam solu
de risco no prazo de 30 di
3. Em casos de risco grave para a vida e a saúde das populações e dos trabalhadores, ou para a segur
obrigação de suspender impende sobre o concessionário, que deverá informar ao órgão de tutela as medid
ultrapassar a situação, no prazo de até 8
4. O órgão de tutela pode, a pedido do concessionário e por razões de natureza técnica e económ
justificadas pelo requerente, autorizar a suspensão ou redução das operações mineiras por um determin
não comprometa a revitalização das operaçõ
5. A suspensão das operações mineiras ou a redução dessas actividades abaixo do nível estabelecid
trabalho, que não forem determinados por razões de força maior ou quaisquer outras razões atendívei
diploma de concessão, da presente código ou da legislação complementar, serão consideradas como in
contrato de concessão e susceptíveis de penalidades nos termos da lei.
A r t i g o 5 3
(Causas de Extinção de Direitos Mineiro
Os direitos mineiros extinguemse por qualquer das seguintes
a) Caducidade;
b) Rescisão do contrato ou revogação do título de c
c) Resgate;
d) Acordo entre as partes contratuais.
A r t i g o 5 4
(Caducidade)
Os direitos mineiros caducam nos seguintes
a) Pelo decurso do prazo devigência do título de c
b) Por se terem concluído antes do prazo as operações mineiras ou esgotados os recursos minerais objec
devidamente comprovado pelo órgão de tut
c) Por falência do titular dos direitos mi
d) Por dissolução da sociedade concessionária.
A r t i g o 5 5
(Rescisão)
1. Constituem fundamento de rescisão do contrato de concessão ou de revogação do título de concessã
a) Factos que, pelo contrato ou pelo título ,como tal específica e expressamente a ela
b) Inviabilidade técnicoeconómica superveniente do pro
c) Incumprimento das obrigações legais ou as resultantes do contrato ou do título d
d) Suspensão ou redução das operações mineiras, fora das condições estabelecidas neste código, ou no
contratos;
e) Suspensão das operações mineiras por motivo de força maior, por período superior a
f) Condenação pelo crime de desobediência qualificada, por factos resultantes de incumprimento de acto
código mandados executar pela autoridade competente, nos termos do Artigo 213º (sobre Não Cumpri
Administrativas).
g) Reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação ou exploração de recursos minerais não incluídos
título de concessão; h) Impossibilidade absoluta das prestações contratuais e outras
2. O incumprimento pelos concessionários das obrigações legais ou resultantes do contrato ou do títul
punível com qualquer das sanções administrativas previstas na presente código e na legislação complem
ser invocada como fundamento de rescisão em caso de
3. A rescisão por iniciativa do Estado é precedida de uma notificação do concessionário, indicando os m
rescisão, bem como os fundamentos de facto e as provas da existência dos mesmos, arbitrandose um pr
partir da data da notificação para responder e exercer o direito de
4. O órgão de tutela aprecia os argumentos de defesa e decide no prazo de 60 dias, cabendo recurso d
termos gerais do direito administrativo. A falta de decisão neste prazo significa indeferimento da resp
argumentos.
5. A rescisão por parte do concessionário de direitos mineiros é feita nos termos prescritos no n.º 3 dest
necessárias adaptações, sendo competente para dirimir eventuais conflitos o foro judicial da comarca s
tutela.
Artigo 56º
(Resgate)
1. A concessão poderá ser resgatada por razões de utilidade pública, mediante justa indemnização ao con
seguintes casos: a) Quando a concessão passar a fazer parte de urna área de utilidade pública, com
legalmente;
b) Quando tiverem sido descobertos recursos minerais estratégicos ou sujeitos a regime especial, cu
revista de maior interesse para a economia n
c) Nos demais casos previstos na
2. O resgate implica a substituição do concessionário pelo Estado, com transmissão para este da posse e d
todos os bens, incluindo os imóveis adquiridos para o exercício de direitos mineiros, a assunção pelo Estad
concessionário resultantes das actividades geológicas e mineiras e a subrogação nos respect
3. Sempre que possível, a seu pedido, o concessionário que vir o seu direito resgatado nos termos da alíne
presente artigo terá a possibilidade de participar na nova
4. No resgate de concessão para prospecção, para calcular a indemnização devida deverá atenders
factores:
a) Valores dos investimentos realizados;
b) No resgate de concessão para exploração, o valor do investimento realizado na fase de prospecção
recuperado;
c) Valor dos bens referidos no número anterior, assim como ao lucro médio estimado para os 10 an
exploração.
5. O resgate da concessão é da competência exclusiva do Conselho de Ministros, por proposta do órgão de
A r t i g o 5 7
(Extinção por Acordo entre as Parte
Quando a extinção dos direitos mineiros resultar de acordo entre as partes, os termos do respectivo
reduzido a escrito e assinando pelas entidades com a qualidade das que intervieram na assinatura
concessão extinto, definidose as condições da extinção.
A r t i g o 5 8
(Destino das Benfeitorias)
Salvo se de outro modo for convencionado entre as partes, extinta a concessão, revertem a favor do
construções levantadas e outras benfeitorias realizadas pelos concessionários nos terrenos abrangidos pel
ela afectos.
C A P Í T U L O I
RESPONSABILIDADES DOS TITULARES DE DIREITOS MIN
S e c ç ã o
Higiene, Saúde e Segurança no Trabalho
A r t i g o 5 9
(Regulamentos)
As medidas destinadas a proteger a higiene, a saúde e a segurança no trabalho, bem como a preve
profissionais e acidentes nos locais de trabalho, deverão constar de um regulamento próprio a aprovar pel
tutela da Geologia e Minas, da Administração Pública, Emprego e Segurança Social e da Saúde, sem prejuíz
presente diploma e na demais legislação aplicável.
A r t i g o 6 0
(Formação e Informação)
1. O titular de direitos mineiros deve promover as acções de formação necessárias em matéria de h
segurança no trabalho, bem como para uma correcta utilização das máquinas, dos materiais e dos utensí
2. É obrigatório participar ao ministérios da tutela e da Administração Pública, Emprego e Segurança So
acidentes de trabalho e as doenças profissionais ocorridos no exercício das actividades geológicas e min
relatórios semestrais a entregar no órgão local da administração do emprego e segu
S e c ç ã o I
Responsabilidades Financeiras
A r t i g o 6 1
(Taxas e Emolumentos)
1. Os serviços prestados a entidades terceiras pelas instituições públicas na realização dos actos e proced
e burocráticos previstos no presente código e na legislação complementar estão sujeitos a emolum
2. Compete aos ministros das finanças e da tutela aprovar o valor das taxas e dos emolumentos a que se
anterior.
3. As despesas decorrentes da publicação dos actos são custeadas pelos
4. Para garantia do pagamento de taxas, emolumentos e de outras despesas pode, nos termos a determin
tutela, ser exigido aos requerentes o adiantamento de preparos.
Artigo 62º
(Caução)
1. Aos titulares de direitos mineiros de prospecção ou exploração de recursos minerais à escala industri
prestação de uma caução para garantia do cumprimento das obrigações
2. O depósito da caução é feito a favor do Estado e a gestão da caução será nos termos que o Ministé
definir.
3. O disposto no número anterior não exclui que nos termos legais seja estabelecida uma caução para
danos ambientais.
4. A caução será prestada por garantia bancária, ou qualquer outra forma de garantia adm
5. A caução deverá ser reposta pelo concessionário, no valor primitivo e no prazo de 30 dias, sempre q
mesma, for efectuado algum pagamento devido por obrigação contratual
6. O valor da caução na fase de reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação será de até 2% (dois po
do investimento e na fase de exploração este valor será de até 4% (quatro
7. As cauções deverão ser entregues antes da assinatura do contrato, constituindo o documento de prova
condição legal para a assinatura do contrato pelo órgão competente, sem o qual a assinatura se consid
S e c ç ã o I I
Preservação do Ambiente
A r t i g o 6 3
(Legislação Aplicável)
1. Sem prejuízo do disposto no presente Código, os titulares dos direitos mineiros devem observar a
preservação do ambiente na actividade mineira, a ser aprovado conjuntamente pelo Ministro do Ambien
2. Durante a aprovação de normas complementares à regulação da questão ambiental na act ividade mine
tada a adopção de regulamentação que actua como barreiras desnecessárias para o comércio e invest
sempre ser tida em conta a relação entre os ricos para ambiente e as vantagens que actividade mineira
as comunidades.
3. São ainda aplicáveis actividade mineira os instrumentos internacionais em matéria de ambiente
subscritos por Angola, designadamente, a Convenção da iodiversidade, Protocolo de Cartagena, Agend
Internacional sobre os Resíduos, bem como as Estratégias e Programas Sectoriais Nacionais e Regionai
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
A r t i g o 6 4
(Restauração e Recuperação de Solos)
1. As actividades geológicas e mineiras devem processarse de acordo com as normas técnicas e reg
racionalidade mineira, por forma a permitir, na medida do possível, a estauração dos solos para o
destinavam antes de iniciadas as actividades mineiras, ou a sua recuperação para usos alternativos,
ambiente.
2. Os titulares de direitos mineiros devem, depois de terminados os trabalhos, proceder à estauração
recuperação paisagística, conforme previsto pelo estudo de impacte
3. Antes de abandonar definitivamente a área da concessão, os titulares de direitos mineiros devem solic
da tutela a vistoria da respective área das operações mineiras, a qual se fará nos termos do plano de
abandono das operações mineiras aprovado pelo órgão de tutela nos termos deste código.
A r t i g o 6 5
(Obrigações Ambientais dos Titulares de Direitos Mi
1. Os titulares de direitos mineiros devem zelar pela conservação e protecção da natureza e do ambien
respectivas normas legais e regulamentares
2. Sem prejuízo do estabelecimento de normas ambientais específicas à act ividade mineira, o apro
minerais deve ser feito, designadamente, em observância da Lei de Bases do Ambiente, da Lei dos Recu
Aquáticos, de Lei de Águas, das normas sobre
avaliação de impacte ambiental;
3. Os titulares de direitos mineiros estão especialmente obrigados a observar o seguin
a) Cumprir as obrigações decorrentes do estudo de impacto ambiental e do plano de gestão ambiental, n
estabelecidos;
b) Tomar as medidas necessárias para reduzir a formação e propagação de poeiras, resíduos e radiaçõ
exploração e nas zonas circundantes;
c) Prevenir ou eliminar a contaminação das águas e dos solos, utilizando os meios adequado
d) Não reduzir, nem, de qualquer outro modo, prejudicar o abastecimento normal de água à
e) Executar as operações mineiras de forma a assegurar a estabilidade
f) Reduzir o impacto do ruído e das vibrações a níveis aceitáveis determinados pelas autoridades comp
usar explosivos na proximidade das povoaçõ
g) Não lançar ao mar, correntes de água e lagoas, resíduos contaminantes nocivos à saúde humana, à
h) Informar as autoridades sobre qualquer ocorrência que tenha provocado ou seja susceptível de
ambientais.
A r t i g o 6 6
(Avaliação do Impacto Ambiental)
1. A aprovação da Avaliação do Impacto Ambiental (AIA) feita pelo operador mineiro é condição pr
aprovações necessária à obtenção dos direitos mi
2. Não se aplica à indústria mineira a aprovação tácita da Avaliação do Impacte Ambiental previsto no n.º
do Decreto n.º 51/04, de 23 de Julho.
A r t i g o 6 7
(Cláusulas Obrigatórias)
1. Para efeito de desenvolvimento de projectos mineiros a Avaliação do impacto Ambiental, não pode deix
os seguintes aspectos:
a) Avaliação dos efeitos do projecto sobre o ambiente, desde os estádios iniciais da actividade, inclu
acções preliminares como desvio de ri
b) Ter em consideração o impacte social dos p
c) Elaboração de um plano de gestão amb
d) Criação de um programa de acompanhamento am
e) Prever a realização auditorias ambientais, com a elaboração dos respectivos relatórios
f) Elaboração de programas de reabilitaç
g) Plano de abandono de sítio
h) Encargos financeiros ambientais;
i) Garantia financeira dos encargos ambient
j) Planos de uso de águas;
k) Planos de gestão de resíduos
l) Controlo de substâncias perigosas.
A r t i g o 6 8
(AutoRegulação
e Responsabilidade dos Operadores)
1. Os operadores Devem ainda criar condições para que os trabalhadores, a todos os níveis, rec
responsabilidade na gestão ambiental e assegurar que são disponibilizados recursos, pessoal e formação
implementar os planos ambientais.
2. Cabe às empresas, em colaboração com os organismos competentes do Estado, reforçar as infraestru
sistemas de informação, formação e qualificações em matéria de gestão ambiental nas opera
3. Os operadores da indústria mineira podem adoptar mecanismos de au
como códigos de conduta e regras internas das empresas em matéria ambiental, que prevejam m
favoráveis à preservação do ambiente do que as regras sobre a matéria em vigor na República de Angola
não contrariem as regras sobre a matéria existentes neste código e noutra
4. Em função dos resultados das auditoria, o sistema de gestão ambiental, pode ser revisto, para correc
que não assegurem a implementação da política ambiental da empresa.
A r t i g o 6 9
(Participação das Comunidades na Preservação do Am
1. As comunidades devem participar nos processos de tomada de decisões que a Avaliação do Impacte
poderem vir a afectar o ambiente da zona em que habitam, devendo ser informadas das medidas que o ti
mineiros pretende tomar para evitar ou mitigar eventuais prejuízos decorrentes da exploração
2. A consulta da comunidade inclui as autoridades locais, os habitantes da área da concessão e outr
devendo realizarse ao longo da execução do projecto.
A r t i g o 7 0
(Protecção da Flora e da Fauna
Sempre que seja desenvolvida actividade mineira numa área de comprovado potencial vegetal ou an
realizados estudos e criada uma base de dados sobre a biodiversidade local, contando com a parceri
especializadas.
A r t i g o 7 1
(Protecção dos Recursos Hídricos)
1. Os operadores mineiros devem criar as bacias de decantação para sedimentos retirados durante a fas
do minério, evitando deste modo a poluição e/ou assoreamento dos rios e lagoas de forma a garantir a qua
2. Devem ser criados circuitos de reciclagem de água permitindo o reaproveitamento da mesma nas
produção.
3. Devem ser feitas análises regulares da água em diversos pontos dos rios da concessão, de modo a perm
qualidade da mesma.
Artigo 72º
( Regras sobre o Ordenamento Urbano e Ter
1. As zonas onde a prospecção não tiver resultados positivos, devem ser encerradas, com a recuperação
cobertura vegetal e aproveitamento das infraestruturas, estradas e dos terrenos para o cultivo em
comunidades.
2. Devem ser aproveitadas e adaptadas as vias de acesso que não sejam necessárias para o Projecto, ma
possam ser aproveitadas para assentamentos populacionais, mediante compensação a negociar entre
órgão do Estado responsável pelas obras púb
3. As dimensões e ordenamento dos estaleiros devem ser criteriosamente fixadas, procurando reduzir ao m
negativo das infraestruturas da actividade mineira na p
Secção IV
Responsabilidades sobre o Uso e Aproveitamento do Solo
A r t i g o 7 3
(Utilização dos Solos)
1. A concessão de direitos mineiros não implica a transferência da propriedade sobre as áreas atribuídas p
geológicomineira ou sobre os terrenos onde se localizam as jazidas minerais, mas confere aos titula
mineiros respectivos, sempre que tais terrenos pertençam ao domínio público do Estado e não estejam
determinados, o direito de os utilizar e aproveitar nos termos e para os fins constantes das alíneas c) e) f)
93º (sobre direitos dos Titulares), contra o pagamento das taxas de superfície
2. Sendo os terrenos pertença de particulares ou do domínio privado do Estado ou de pessoas colectivas d
os titulares de direitos mineiros só poderão utilizálos ou aproveitálos com o consentimento dos respec
possuidores e nos termos autor izados ou convencionados entre
3. Só depois de suprido o consentimento referido no número anterior o titular dos direitos mineiros e
proceder aos trabalhos de investigação geológicomineira que impliquem a utilização d
4. Para além do acordo expresso, referido no nº 2 deste artigo, considerase suprido o onsentimento o d
anual e da caução provisória, fixadas nos termos do número 1 do a
5. Na fase de exploração, não chegando o concessionário a acordo com os donos ou possuidores dos t
dentro da área demarcada, as operações não poderão iniciarse sem o concessionário os adquirir
expropriação por utilidade pública, nos termos da lei.
Artigo 74º
(Servidões)
1. É concedida aos titulares de direitos mineiros a faculdade de obterem servidões para seu benefício, ab
as servidões de passagem, como também as demais previstas na lei que se considerem necessárias
respectiva actividade mineira.
2. As servidões serão constituídas nos termos da lei geral, sem prejuízo da possibilidade de o ministério da
sua constituição precária.
3. As servidões, constituídas nos termos da presente código, cessam com a extinção dos direitos mineiros
dos quais foram constituídas.
A r t i g o 7 5
(Protecção dos Solos e da Paisagem
1. As operações de prospecção devem ser executadas por forma a perturbar o menos possível o uso norma
seus donos ou possuidores e, concluídos os trabalhos, devem os titulares dos direitos de prospecção trata
entulhos e tapar as sanjas, poços e trincheiras, procurando devolver aos terrenos à sua antiga
2. As operações de extracção dos recursos minerais e de tratamento dos minerais extraídos devem efectu
não comprometer a reintegração paisagíst ica, a recuperação dos solos e o seu futuro aproveitamento.
A r t i g o 7 6
(Restauração e Recuperação de Solos)
1. As actividades geológicas e mineiras devem processarse de acordo com as normas técnicas e reg
racionalidade mineira, por forma a permitir, na medida do possível, a restauração dos solos para o
destinavam antes de iniciadas as actividades mineiras, ou a sua recuperação para usos alternativos,
ambiente.
2. Os titulares de direitos mineiros devem, depois de terminados os trabalhos, proceder à restauração
recuperação paisagística, conforme previsto pelo estudo de impacte
3. Antes de abandonar definitivamente a área da concessão, os titulares de direitos mineiros devem solic
da tutela a vistoria da respective área das operações mineiras, a qual se fará nos termos do plano de
abandono das operações mineiras aprovado pelo órgão de tutela nos termos deste código.
A r t i g o 7 7
(Deveres e Direitos dos Possuidores de S
Os possuidores ou proprietários de solos têm direito a uma renda pelo tempo que durarem as actividades
de prospecção, e a serem indemnizados pelos prejuízos que lhes causarem, mas deverão ter na devida
interesse relativo da produção mineira para a economia nacional, abstendose de criar entraves injustificad
de investigação geológicomineira.
A r t i g o 7 8
(Fixação de Renda Anual e de Caução por Ocupação de
1. Na falta de acordo com os donos ou possuidores dos terrenos a que se refere o artigo anterior, po
direitos mineiros de prospecção e/ou de exploração requerer aos ministros que tutelam a actividad
actividades exercidas pelo dono ou possuidor da terra que, de acordo com o seu prudente arbítrio
Despacho Conjunto, à fixação provisória
da renda anual, correspondente à respectiva utilização durante as operações de prospecção e/ou de expl
caução que garanta o pagamento dos prejuízos que aquelas operações possam vir
2. Na fixação da renda referida no número anterior deverá terse em consideração o rendimento líquido e
cuja utilização possa vir a ser perturbada, ou deixada de ser utilizada, ou prejudicada para a actividade a
afecta.
3. O valor da caução a ser fixado deve ter em conta a renda estabelecida nos termos do número anterior,
raest ruturas que previsivelmente venham a ser danificadas ou
4. Se o titular dos direitos sobre o terreno não concordar com os valores fixados, poderá, no prazo de 15
data de notificação do despacho conjunto dos ministros, referido no número 1 deste artigo, reco
territorialmente competente, que decidirá de harmonia com os preceitos do Artigo 1425º do Código do Pro
as adaptações necessárias à
natureza do pedido.
5. Da decisão do territorialmente competente cabe recurso, com efeito meramente devolutivo.
S e c ç ã o V
Responsabilidades Quanto ao Uso de Explosivos
A r t i g o 7 9
(Regime aplicável)
1. que as substitua, o qual deverá ser aprovado pelo Conselho de Ministro A aquisição, transporte, armaz
de substâncias explosivas para uso na actividade mineira são regulados pelas leis e regulamentos actualm
aplicadas pela Polícia Nacional, ou por diploma específico mediante proposta do Ministério do Interior e
tutela.
2. Em cada mina deverão ser adoptadas técnicas e medidas de segurança no planeamento, execução e m
uso de explosivos, que devem constar do Plano de Exploração da Mina.
A r t i g o 8 0
(Explosivos Permitidos na Actividade Mineira
As substâncias explosivas permitidas na actividade mineira são as pólvoras e os explosivos, podendo apres
ou encartuchadas.
A r t i g o 8 1
(Aquisição, Transporte e uso de Produtos Explo
A aquisição, transporte e uso de produtos explosivos, pólvoras e artifícios de iniciação deve ser f
devidamente habilitado e carece de autorização do Comando Geral da Policia Nacional.
A r t i g o 8 2
(Operador de Explosivos)
1. Todas as operações de manuseamento de substâncias explosivas e acessórios de fogo na indústr
executadas exclusivamente pelo operador de explosivos que cumpra os requisitos estabelecidos
2. O emprego de produtos explosivos na actividade mineira só pode ser efectuado por operador de expl
com a Cédula de Operador de Explosivos, emitida pelo Comando Geral da Políc
3. A Cédula de Operador de Explosivos pode ser retirada pela entidade emitente quando o operado
incompetência evidente ou desrespeite as regras estabelecidas sobre o uso de explosivos na actividade mi
A r t i g o 8 3
(Requisitos do Operador de Explosivos)
.O operador de explosivos deverá satisfazer as seguintes c
a) Ser angolano com mais de 18
b) Não ter antecedentes criminais;
c) Oferecer boas garantias de ordem pública e mo
d) Possuir como habilitação mínima o terceiro
e) Ser para este fim designado pelo director técnico da
2. Excepcionalmente, quando não haja técnicos nacionais com habilitação para o efeito, o pessoal de fog
nacionalidade estrangeira, mediante autorização prévia do Comando Geral da Polícia Nacional, sob pare
da tutela. Neste caso, é obrigatória a execução, pela empresa concessionária respectiva, de um programa
operadores de fogo angolanos que substituam o operador estrangeiro, num prazo que não exceda 5 anos.
A r t i g o 8 4
(Pessoal de Fogo)
1. Para efeito do presente código, integram a categoria de
a) Os paioneiros;
b) Os encarregados e subencarregados de escav
c) Os capatazes;
d) Os picadores e carregadores de fogo e seus a
e) Os electricistas das linhas de tiro e seus a
2. Cada picador ou carregador de fogo não pode ser auxiliado por mais de u
3. Aos fiscais oficiais determinados pelo Comando Geral da Polícia Nacional é fornecida a relação nominal
se refere o número um deste artigo, a qual deverá estar sempre actualizada, havendo em cada frente e em
4 picadores e 4 ajudantes. Em caso de grandes frentes de trabalho, o Comando Geral da Polícia Nacional p
maior
número de picadores e ajudantes.
A r t i g o 8 5
(Segurança do Pessoal de Fogo)
1. Durante o manuseamento das substâncias explosivas e acessórios de fogo, o pessoal de fogo deve tom
medidas de protecção mínimas:
a) Usar capacete e vestuário apropriados, que não dificultem os movimentos no acendimento do rastilho e
abrigos;
b) Não usar calçado com cordas ou com biqueiras
c) Dispor de sacola de couro ou de lona para transporte de
2. Os capacetes do pessoal de fogo, bem como as caixas ou bolsas para transporte de explosivos ou ac
devem ser listados com tinta fluorescente vermelha, capaz de proporcionar boa visibilidade de dia e de noi
A r t i g o 8 6
(Condições de Disparo)
1. Em cada mina onde seja necessário o uso de explosivos deve ser elaborado previamente o respectivo p
acordo com as regras e princípios específicos sobre a
2. O plano de fogo referido no número anterior deste artigo deve ser previamente submetido à aprovaç
Geral da Polícia Nacional.
3. Nenhuma explosão poderá ser provocada sem que o operador de explosivos verifique que todos os trab
convenientemente protegidos, que os acessos estão devidamente vigiados e que não haja o risco de pesso
atingidos.
A r t i g o 8 7
(Armazenamento)
Os explosivos e os detonadores são obrigatoriamente armazenados separadamente em paióis e paiolins, r
licenciados e fiscalizados pelo órgão competente da Policia Nacional.
A r t i g o 8 8
(Classificação e Licenciamento dos Paióis e Pa
1. A construção dos paióis e paiolins obedece aos critérios de construção, duração, instalação e lotaçã
Comando Geral da Polícia Nacional, de acordo com o regulamento sobre o uso de explosivos na ac
aprovado por esta instituição.
2. O licenciamento para a construção de paióis e paiolins é emitido pelos órgãos competentes da Policia Na
requerimento do concessionário de direitos mineiros respectivo, observadas as regras para a sua constru
número anterior.
A r t i g o 8 9
(Condições de Armazenamento)
Todas as estruturas utilizadas para o armazenamento de substâncias explosivas devem obedecer aos seg
mínimos obrigatórios:
a) Ser uma construção em betão e/ou alvenaria, com condições adequadas de segurança e resistência
explosivos a armazenar;
b) As portas devem possuir sistema de fecho com condições técnicas que garantam a seguranças d
impeçam o acesso às substâncias explosivas de pessoal não
c) Possuir um sistema eficaz de protecção contra descargas atmosféricas por meio d
d) Estar protegido com maciços de terra ou traveses de altura igual à do burel da cobert
e) Não possuir rede eléctrica de iluminação no interior
L I VRO I I
DO EXERCÍCIO DE DIREITOS MINEIROS
C A P I T U L O
TITULARIDADE DE DIREITOS MINEIROS
A r t i g o 9 0
(Títulos de Direitos Mineiros)
1. Os direitos mineiros são conferidos pela emissão de um dos seguint
a) Título de Prospecção, para o reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação de recur
b) Título de Exploração, para a exploração de recursos
c) Alvará Mineiro, para a prospecção ou exploração de recursos minerais aplicáveis na co
d) Senha Mineira, para a exploração artes
2. Os títulos mineiros são emitidos pelo ministro da tutela após concluídos e aprovados os respecti
obtenção das concessões de direitos mineiros, na forma prevista neste código, e depois do pagamento
taxas e emolumentos a que houver lu
3. Os títulos mineiros são numerados, datados e referenciados com a indicação codificada do processo de
respectivo, devendo conter os seguintes dados, entre
a) Identificação do titular;
b) Autoridade que autorizou a concessão do
c) O número do Diário da República que publicou a Decisão que aprovou a concessão do dire
d) Identificação do mineral a que se refere o título
e) Área das operações mineiras e sua localização ge
f) Duração do direito de concessão e data de e
g) As condições de prorrogação do período de validade do
h) Espaços para a inscrição de averbamentos resultantes de eventuais transmissão de direitos ou outra
legais;
i) Assinatura da autoridade emissora do título, data da assinatura e autenticação da assinatura.
A r t i g o 9 1
(Capacidade para o Exercício de Direitos Min
Só é permitido o exercício de actividade mineira a pessoas singulares ou colectivas, nacionais ou es
capacidade jurídica e comprovada aptidão para mobilizar meios técnicos e financeiros adequados
actividade mineira a que se proponham.
A r t i g o 9 2
(Garantias Jurídicas)
Os direitos mineiros legalmente titulados são protegidos nos termos deste código e demais legislação, sen
as seguintes garantias jurídicas:
a) Os pedidos de aceso aos direitos mineiros são registados e decididos de acordo com a ordem de ent
prazos legalmente estabelecidos;
b) Aos pedidos de concessão de direitos mineiros é prestada a devida
c) Aos titulares de direitos de prospecção é garantido o direito à exploração dos recursos minerais reve
prospecção, sem quaisquer restrições, a não ser das que resultem expressamente das normas dest
legislação complementar;
d) Os títulos para a exploração dos recursos minerais são atribuídos em regime de exclusividade, podendo
nos termos deste código;
e) Os órgãos do Estado prestam aos titulares dos direitos mineiros, nos termos deste código e da resta
apoio necessário para a realização das actividades mineiras e o respeito pelos direitos a e
f) Aos titulares de direitos mineiros é garantido o direito de dispor e comercializar livremente o produt
observadas as regras e procedimentos estabelecidos neste código e em legislação complementar sobre a m
A r t i g o 9 3
(Direitos dos Titulares)
1. Os titulares de direitos mineiros concedidos para o reconhecimento, prospecção, pesquisa, avaliação o
recursos minerais gozam, entre outros, dos seguintes
a) Obter ou consultar junto das estruturas competentes do órgão de tutela as informações geológico min
sobre a área abrangida pela concessã
b) Obter a colaboração das autoridades administrativas para a realização dos trabalhos de campo e para
servidões de passagem, nos termos da
c) Utilizar as infraestruturas públicas existentes, as águas superficiais e subterrâneas nas proximida
concessão que não se encontrem aproveitadas ou cobertas por outro título de exploração específica, s
direitos de terceiros e observandose sempre a legislação
d) Construir e implantar as infraestruturas e as instalações necessárias à execução das actividades geoló
e) Utilizar, nas condições legais e regulamentares pertinentes, os terrenos demarcados para a implantação
mineiras, dos edifícios e dos equipament
f) Alterar nos termos dos planos e programas de trabalho aprovados, e na medida necessária para
operações mineiras, a configuração natural das áreas objecto da
g) Realizar as actividades geológicomineiras necessárias à execução dos planos de trabalho aprova
limitações que não sejam as decorrentes das normas legais, do contrato de concessão, ou do despacho do
h) Extrair, transportar e beneficiar os recursos minerais objecto do contrato, nos term
i) Dispor dos recursos minerais extraídos e comercializalos, nos termos
j) Recuperar, através dos resultados da exploração, as despesas de investimento efectuadas na fase de
prospecção, pesquisa e avaliação;
k) Ser indemnizado pelos prejuízos que possam decorrer de quaisquer acções limitativas do exercício dos d
nos termos da lei, do contrato de concessão ou de despachos do órgão de tutela
A r t i g o 9 4
(Obrigações dos Titulares)
Os titulares de direitos mineiros têm, entre outras, as seguintes
a) Não dar início ao exercício das actividades geológic
sem estar
munido do competente título;
b) Iniciar os trabalhos de reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação no prazo de 180 dias cont
aprovação do contrato pelo órgão competente, salvo impossibilidade resultante de força maior demonstra
ao órgão de tutela ao à concessionária na
c) Assegurar o emprego de técnicos e trabalhadores angolanos, bem como providenciar acções de formaç
técnico professional dos mesmos, nos termos da
d) Aplicar os métodos mais aptos para obtenção de maior rendimento, compatíveis com as condições
mercado, com a protecção do ambiente e com o aproveitamento racional dos recursos minerais, n
exploração ambiciosa dos mesmos;
e) Proceder ao registo de todas as actividades de investigação geológicomineira qu
f) Comunicar periodicamente ao órgão de tutela e à concessionária nacional, nos termos estabelecido
tutela, o registo de dados técnicos resultantes das actividades geológico mineiras
g) Registar e contabilizar todas as despesas efectuadas, decorrentes da execução do plano de
prospecção, pesquisa e avaliação e do plano de inve
h) Permitir o controlo e a fiscalização da sua actividade por parte das competentes autoridades do órgã
concessionária nacional, incluindo o acesso ao registo de dados de natureza técnica, económica e financ
com as operações mineiras, bem como permitir a visita dos seus agentes à área d
i) Libertar progressivamente a área inicial abrangida pela atribuição dos direitos mineiros de prospecçã
condições deste código e do respectivo contrato de co
j) Cumprir o plano de exploração aprovado pelo órgão de tutela ou pela concessionár ia nacional , segund
legais e regulamentares e a melhor metodologia das operações
k) Cumprir os prazos de execução das operações mineiras e de programa de produção estabelecid
exploração em actividade, salvo nos casos de suspensão autorizada ou imposta oficialmente, ou
determinada por razões de força mai
l) Garantir e promover o cumprimento das normas de segurança e higiene n
m) Cumprir as imposições do estudo de impacto a
n) Desenvolver acções de protecção à natureza e ao ambiente, de acordo com o estudo de impacto am
pelas autoridades competentes;
o) Promover a segurança, saúde, higiene e salubridade pública, em conformidade com a regulament
internacional aplicável na República de Ang
p) Informar imediatamente às entidades competentes sobre todas as ocorrências de acidentes de tra
profissionais;
q) Comunicar as estatísticas do pessoal, as realizações de carácter social e, na fase de exploração, fornece
ao exercício anual, contendo elementos técnicos, sociais e
r) Informar as incidências da actividade mineira sobre a ocupação do solo e as características
s) Reparar os danos provocados a terceiros pelo exercício das actividades geoló
independentemente de terem agido sem culpa ou de os danos terem sido causados pelos associados ou su
A r t i g o 9 5
(Transmissão de Títulos Mineiros)
1. É permitida a transmissão de títulos mineiros a terceiros, desde que seja autorizada pelo órgão d
concessionária nacional.
2. Nos casos em que a atribuição de direitos mineiros é da competência do Conselho de Ministros, a au
transmissão do respectivo título mineiro depende de aprovação prévia des
3. A transmissão de títulos mineiros só pode ser autorizada se a entidade a favor de quem se pretender tra
requisitos exigidos aos concessionários originários de direitos estabelecidos pelo presente código e d
aplicável.
4. A transmissão de títulos mineiro é averbada no título transmitido e no registo cadastral respectivo com o
titular e os relativos à autorização de transmissão, devendo a alteração de titulares ser publicada nos me
publicação da concessão inicial do títu
5. A autorização para a transmissão de direitos mineiros referida no presente artigo está sujeita ao pagam
emolumentos e o respectivo pedido fica sem efeito se nos 08 dias de calendário após a notificação do int
efectuado o pagamento.
C A P Í T U L O V
ACESSO AOS DIREITOS MINEIROS
S e c ç ã o
Pedidos de Concessão de Direitos Mineiros
A r t i g o 9 6
(Condições de Acesso aos Direitos Mineir
1. O acesso aos direitos mineiros estabelecidos neste código e na legislação complementar é perm
singulares ou colectivas, nacionais ou estrangeiras, que, pretendendo exercer actividades mineiras no terri
em quaisquer áreas que se encontrem sob jurisdição da República de Angola, requeiram a respectiva conc
nos termos e
condições previstas neste código e na legislação compl
2. Não é permitido o aceso a direitos mineiros nos casos em que se verifique uma das seguinte
circunstâncias:
a) Pessoas com menos de 18 an
b) Pessoas condenadas pela prática de crimes contra a propriedade e contra a economia, como tal t
puníveis com pena de prisão maio
c) Pessoas consideradas por entidade competente, com decisão definitiva, como responsáveis por graves d
definidos como tal nos termos da
d) Devedores em mora por obrigações tributárias ou contribuições para a segura
e) Pessoas colectivas em processo de liquidação, fusão ou
f) Pessoas com processo de declaração de falência ou in
g) Pessoas colectivas cujos representantes ou mandatários estejam abrangidos pelos impedimentos e
alíneas b), d) e c) do número anterior.
A r t i g o 9 7
(Regras sobre a Atribuição de Direitos Min
1. A atribuição de direitos mineiros resulta de concurso público realizado por iniciativa do órgão de tutela
do interessado dirigido ao órgão de tutela, nos termos deste
2. A atribuição de direitos mineiros à escala industrial é sempre precedida de informação favorável do ór
do cadastro e de negociação no âmbito de um processo de investimento e de atribuição de títulos mine
estabelecidos neste código e na legislação complem
3. A atribuição de direitos mineiros à escala semiindustrial ou artesanal é precedida de informação fav
competente do cadastro, na base da qual é exarado Despacho de Concessão de direitos e do respectivo tít
da tutela, nos termos estabelecidos neste c
4. Sempre que não haja lugar a concurso público, os direitos mineiros de reconhecimento, prospecção, pe
eexploração são atribuí ao primeiro solicitante, desde que possua as capacidades técnicas e financeiras
desenvolver a actividade mineira requerida, cumpra as exigências formais e de procedimento previstas ne
comprometa a observar as exigências em matéria ambiental constantes da legislação em vigor.
A r t i g o 9 8
(Concurso Público)
1. O órgão de tutela abrirá obrigatoriamente concurso público para atribuição de direitos mineiros nos s
a) Quando, em razão de estudos realizados ou sancionados pelo Instituto Geo
a área seja considerada de elevado potencial ge
b) Quando se trate de um mineral considerado, nos termos deste código, de interesse
2. Periodicamente o órgão de tutela fará publicar a relação das áreas e recursos minerais cuja concess
concurso público.
3. O órgão de tutela abr i rá, igualmente, concur so, na fase de reconhecimento, prospecção, pesquisa e a
se trate de areas de elevado potencial geológico
de ouro.
A r t i g o 9 9
(Regras e Procedimentos do Concurso Públ
1. As regras e procedimentos do concurso público são, com as devidas adaptações, as aplicáveis aos conc
públicas, podendo ser elaborada regulamentação específica para o concurso público à concessão de di
2. Os termos de referência do concurso público são sempre divulgados em aviso mandado publicar pelo ór
Diário da República ou num dos jornais diários de maior circulação nacional.
A r t i g o 1 0 0
(Pedidos de Informação sobre Áreas para Conc
1. Os pedidos de informação sobre áreas para a concessão de direitos mineiros são feitos junto dos servi
do cadastro, devendo ser formulados em requerimento dirigido ao ministro da tutela, contendo os se
a) Identificação do requerente e a indicação do representante legal, caso se trate de pe
b) Indicação do mineral para cujos direitos mineiros de prospecção e/ou exploração solicit
c) Indicação, sob juramento de honra, de que não está abrangido por nenhum dos impedimentos referid
(sobre Condições de Acesso aos Direitos Mineiros) para ser titular dos direitos mineiros cuja informa
d) Mapa geodésico com a indicação exacta da área
2. O requerimento referido no número anterior dá entrada nos serviços competentes do cadastro, pas
número de entrada.
3. A informação deve ser prestada no espaço de 30 dias após a entrada do requerimento e está sujeita a
taxas e emolumentos.
4. A informação prestada em resposta ao pedido de informação não confere ao requerente qualquer direito
área em causa, podendo, contudo, servir de base para o pedido de concessão de direitos mineiros.
A r t i g o 1 0 1
(Pedido de Concessão de Direitos Mineir
1. O pedido para a concessão de direitos mineiros dá entrada no serviço competente do cadastro min
formulado através de requerimento dirigido ao ministro da tutela contendo os dados referidos no número
(relativo a Pedidos de Informação sobre Áreas para a C
2. O requerimento a que se refere o número 1 deste artigo é instruído com os documentos comprovativos
capacidades técnica e financeira do requerente, bem como da capacidade de satisfação das exigên
ambiental previstos nas leis e regulamentos nacionais e nos tratados e convenções internacionais de
parte.
3. O pedido para a concessão de direitos mineiros para a exploração artesanal, de minerais destinados á c
para a exploração de águas minerais dá entrada nos serviços competentes do cadastro mineiro, mas
acesso e o processo de outorga de direitos estão sujeitos ao regime especial estabelecido neste código
complementar para
cada um desses minerais.
4. Para efeitos de investimento externo, constitui comprovativo das capacidades técnicas e financeiras a a
requerente de um dossier contendo a seguinte info
a) Experiência do ente jurídico na área m
b) Experiência profissional do promotor do pro
c) Descrição dos meios técnicos e programa de t
d) Descrição das despesas mínimas;
e) Cópia do balanço e contas dos últimos 3 (três)
5. Do pedido para a concessão de direitos mineiros devem ainda constar informações credíveis sob
económicos a alcançar, a area pretendida, o compromisso de respeitar as exigências em matéria amb
técnicos e financeiros e o orçamento previs
6. Os pedidos que não preencherem os requisitos referidos nos nº 1 e 2 deste artigo não são atendidos,
facto o requerente, com indicação exacta das causas do não atendimento
7. Da decisão de não atendimento cabe reclamação e recurso, nos termos do procedimento e contencioso
A r t i g o 1 0 2
(Registo dos Pedidos)
1. Da recepção do requerimento entregue nos termos do artigo anterior é emitido um recibo passad
contendo os dados do requerente e da área requerida, bem como o número do requerimento, a hora e o
devendo ser assinado pelo funcionário competente do cadastro e
2. O original desse formulário é entregue ao requerente e a cópia é anexada ao respectivo processo.
A r t i g o 1 0 3
(Resposta aos Pedidos)
1. Os requerimentos são apreciados por ordem de entrada, devendo ser atendido o que tenha dado entra
primeiro lugar e não sofra de nenhum vício de forma quanto aos requisitos e formalidades do pedido d
acordo com as regras estabelecidas neste có
2. Os requerentes deverão, no prazo máximo de 30 dias úteis, ser informados sobre a disponibilidade
requerida, com indicação das causas da indisponibilidade, caso seja esta a informação
3. Da decisão de não atendimento cabe reclamação e recurso, nos termos do procedimento e contencioso
4. Em caso de disponibilidade da área requerida, o requerente é notificado e tem o prazo de 15 dias de cal
da data da notificação, para proceder ao pagamento das taxas e emolumentos exigíveis, findo o qua
procedido ao pagamento, o pedido considerase deserto e sem nenhum efeito.
A r t i g o 1 0 4
(Publicação de Editais sobre Pedidos)
1. Após o pagamento das taxas e emolumentos exigíveis, o Cadastro mandará publicar por éditos, e
separadas com intervalos de 2 dias entre cada publicação, em pelo menos 2 dos jornais de maior circula
da Web do órgão de tutela ou do cadastro, a informação sobre o pedido de concessão com os dados resum
artigo 101º (sobre
Pedido de Concessão de Direitos Mineiros), devendo ser arquivados no processo as cópias das respectivas
as datas de publicação visíveis.
2. Decorridos 15 dias após a 2ª e última publicação escrita dos éditos, sem que haja qualquer reclamação
do pedido, continuarseá com o processo de atribuição do respectivo titulo mineiro, de acordo com o
código.
A r t i g o 1 0 5
(Reclamações e Impugnações de Pedidos)
1. As reclamações e requerimentos de impugnação são dirigidos ao responsável máximo do Cadastr
entrada no órgão competente do cadastro m
2. Só poderão reclamar ou impugnar os pedidos de direitos mineiros as pessoas com legitimidade e capac
a reclamação ou impugnação e com interesse directo no
3. Têm interesse directo no caso para reclamar ou impugnar todos aqueles que sobre as áreas em causa
de propriedade, ou direitos pignoratícios, ou direitos da mesma natureza dos pedidos, ou direitos d
quaisquer direitos reais.
4. As pessoas que reclamarem ou impugnarem o pedido de concessão de direitos mineiros devem ju
documentos comprovativos dos seus direitos e de outras informações relevantes para a correcta e efica
caso e dos direitos reclamados ou impugn
5. A falta de documentos comprovativos torna os requerimentos de reclamação ou de impugnação inepto
ao seu indeferimento liminar e à continuação do processo de atribuição de direitos mineiro
6. Havendo reclamação ou impugnação do pedido devidamente formulado, o responsável máximo do cad
abrir um processo de averiguações para apurar a veracidade da reclamação ou da impugnação, devendo
instituições do Estado para proceder à sua verificação e autenticidade, notificando do resultado final
averiguação e da decisão o requerente do pedido de direitos mineiros respectivo e o
7. Da decisão sobre o inquérito cabe reclamação e recurso nos termos do procedimento e conten
administrativos.
A r t i g o 1 0 6
(Certificado de Pedido de Concessão Mine
1. Depois de apreciados e confirmada a sua viabilidade processual nos termos dos artigos anteriores
Cadastro Mineiro emite o Certificado de Registo de Pedido de Concessão Mine
2. O original do RPCM é entregue ao requerente e uma cópia do mesmo é encaminhado pelo Cadastro Min
com competência para negociar os contratos, ou para autorizar a atribuição dos respectivos títulos, consoa
CAPÍTULO VI I
DO INVESTIMENTO NO SECTOR MINEIRO
A r t i g o 1 0 7
(Investimento Público)
O investimento público em actividades mineiras é condicionado à necessidade objectiva de o
empresarialmente no sector mineiro, demonstrada através de estudos fundamentados, aprovados pelo Gov
A r t i g o 1 0 8
(Investimento Privado)
O investimento em actividades mineiras realizado por entidades privadas, nacionais ou estrangeiras, como
lei, está sujeito a autorização específica, nos termos definidos neste código.
A r t i g o 1 0 9
(Parcerias Comerciais)
1. Os direitos mineiros de prospecção e exploração podem ser atribuídos a entidades reunida
empresarialmente através de instrumentos de parceria permitidos por lei, desde que se mostrem reuni
requisitos:
a) Os associados satisfaçam as condições estabelecidas neste código para ter acesso ao exercício de d
b) O contrato de parceria seja aprovado pelo órgãos com competência para aprovar os contratos de conc
mineiros nos termos deste código;
c) O concessionário e seus associados consagrem no instrumento de parceria a sua responsabilidad
cumprimento das obrigações contraídas por qualquer um deles perante o Estado e perante terceiros,
exercício dos respectivos direitos mineiros.
2. No estabelecimento de parcerias comerciais deve ser dada preferência a parceiros ou empresas nacio
estabelecidos na Lei do Apoio ao Empresariado Nacional ou noutra legislação sobre o mesmo objecto.
A r t i g o 1 1 0
(Legislação Aplicável ao Investimento Privado
1. As regras sobre investimento privado na actividade mineira são as estabelecidas nos artigos seguin
capítulo.
2. Subsidiariamente aplicase ao investimento privado na actividade mineira as disposições da Lei do Inve
e da legislação cambial.
A r t i g o 1 1 1
(Regimes de Investimento Privado)
1. O investimento privado subdividese, segundo o sistema de exploração ou a categoria dos minerais
seguintes regimes processuais:
a) Regime Geral de Investimento Minei
b) Regime de Investimento em Minerais Estratégicos, como tal definidos na lei, explorados de fo
c) Regime de Invest imento Artesanal, para os minerais cuja exploração seja realizada de forma não indus
definidos neste código e regulamentação compleme
2. Em tudo quanto não esteja especialmente previsto neste código e em legislação complementar, ao inve
em explorações de materiais para a construção civil e em águas minerais, aplicamse as regras do
investimento mineiro.
C A P Í T U L O V I I
RREGIME GERAL DE INVESTIMENTO MINEIRO
S e c ç ã o
Disposições Gerais
A r t i g o 1 1 2
(Aprovação do Contrato de Investimento)
1. O investimento para a prospecção e exploração mineira industrial realizase mediante um contrato de
natureza administrativa, aprovado pelo ministro da tutela através de Decreto
2. Quando o valor do investimento for superior ao correspondido da USD 25 milhões, é competente para ap
ao Conselho de Ministros, através de Dec
3. O ministro da tutela é o interlocutor por parte do Estado em tudo o que diga respeito às disposições do c
A r t i g o 1 1 3
(Comissão de Negociação dos Contratos)
1. Os contratos de concessão de direitos mineiros para a exploração industrial de minerais são nego
Comissão de Negociações criada por Despacho do ministro da tutela, coordenada pelo membro do
integrada por um membro do Cadastro Mineiro, um membro da ANIP e, sempre que o investimento a reali
ao valor correspondente
a 5 milhões de dólares americanos, por representantes do governo da província onde se realizará
2. A Comissão de Negociações conduz, em nome do Estado, as negociações com o investidor e lavra uma a
finalizadas, onde relatará os nomes dos participantes da negociação e a qualidade em que intervêm
relevantes da negociação, a sua opinião e pro
sobre pedidos de isenções fiscais e/ou aduaneiras, e a informação sobre a data do fim das negociações e
devendo rubricar as folhas do contrato negociado, caso o resultado tenha sid
3. Findas as negociações, o Coordenador da Comissão Negocial remete a Acta e o contrato rubricado ao m
para os devidos efeitos.
A r t i g o 1 1 4
(Fases dos Contratos para Prospecção e Explo
Quando houver lugar a prospecção prévia, a concessão de direitos mineiros é precedida de negociaçõe
duas fases, repartidas pelos seguintes momentos do processo de
a) Contrato de investimento para reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação, abreviadame
Prospecção, a celebrar com as entidades investidoras com capacidade para tal, nos termos
b) Contrato de investimento para a exploração, abreviadamente Contrato de Exploração, a celebrar obriga
sociedades ou outras formas empresariais de direito angolano previstas na legislação angolana, desde q
exigências de acesso e capacidade
de exercício de direitos mineiros estabelecidas neste código.
A r t i g o 1 1 5
(Preferência Contratual para a fase da Explor
A entidade investidora com quem for celebrado um contrato de prospecção tem preferência em relação
para a celebração do contrato de exploração da segunda fase, podendo as condições de contratação para
do contrato de investimento para a prospecção.
A r t i g o 1 1 6
(Declaração de Intenção de Investimento)
1. Para o Contrato de Prospecção, o investidor apresenta ao órgão competente uma cópia do Certificad
Pedido de Concessão Mineira (CPCM) emitido nos termos do Artigo 106º (sobre a Emissão do CPCM), acom
Declaração de Intenção de Investimento, preenchida num modelo próprio, definindo a área e o program
com as suas etapas sucessivas, os custos previstos, as fontes de financiamento e os elementos de
investidor e dos seus representantes.
2. Os termos do contrato para a fase da prospecção e investigação sãos os estabelecidos na Secção II dest
a Concessão de Direitos Mineiros de Prospecção) para os contratos dessa natureza.
A r t i g o 1 1 7
(Contrato na Fase da Exploração)
1. Para o Contrato de Exploração, o investidor apresenta os comprovativos dos documentos que o habilita
Contrato de Exploração, designadamente o comprovativo de ter vencido o concurso público respectivo ou
Registo de Pedido de Concessão Mineira emitido pelo Cadastro Mineiro, que o habilite a candidatarse
Exploração
Mineira.
2. Quando ao contrato de exploração preceder um Contrato de Prospecção em que tenham sido definidas
Contrato de Exploração, devem estas ser observadas nesta fase, observando o princípio da preferência co
no Artigo 115º (sobre Preferência Contratual para a fase da E
3. Os termos do contrato para a fase da exploração sãos os estabelecidos na Secção III deste capítulo (sob
Direitos Mineiros de Exploração) para os contratos dessa natureza.
A r t i g o 1 1 8
(Estudos de Viabilidade e de Impacto Ambi
1. Em qualquer dos casos referidos nos números 1 e 2 do artigo anterior, o investidor deve apresenta
Viabilidade Técnica Económica e Financeira (EVTE) e um estudo de impacto ambiental e de reposição do a
actividades mineiras, os quais, uma vez assinado e aprovado o contrato, farão parte integrant
2. A autoridade com competência para negociar o contrato pode submeter o EVTE e o Estudo de Impacto
auditoria independente, devendo os custos dessa auditoria ser suportados pelo investidor como custos
podendo ser recuperados com o produto da exploração caso a negociação tenha êxito.
A r t i g o 1 1 9
(Participação da Concessionária Nacional)
1. Quando os minerais a explorar estiverem afectos a uma concessionária nacional, cabe a esta a co
negociar os termos da concessão de direitos mineiros, de acordo com as regras estabelecidas neste có
sempre participação societária na sociedade ou noutra forma empresarial de direito angolano que fo
exercício dos direitos mineiros de
exploração e comercialização.
2. Compete ao Governo definir as regras para a participação societária da concessionária nacional n
exploração e comercialização, atendendose sempre à conjuntura económica de cada momento, o interesse
parcerias, o justo equilíbrio de interesses públicos e privados e os factores comerciai
3. No caso de os direitos mineiros serem exercidos exclusivamente pela Concessionária Nacional, compete
Ministros aprovar o respectivo projecto de execução das operações mineiras para cada fase do processo de
havendo lugar à celebração de contrato.
A r t i g o 1 2 0
(Subcontratação de Serviços para Operações Mine
1. Aos titulares de direitos mineiros é permitida a subcontratação de serviços de terceiros para execuç
mineiras rest ritas ou de especialidade, desde que a subcontratação não envolva a transferência dos seus
empresas subcontratadas e desde que seja autorizado pelo órgão de tutela ou pela concessionária nacion
casos.
2. As empresas concessionárias de direitos mineiros não podem realizar os seus direitos através de u
substitua o titular desses direitos na gestão e operação dos jazigos
S e c ç ã o I
Contrato para a Concessão de Direitos Mineiros de Pr
S u b S e c ç ã o
Contrato de Prospecção
A r t i g o 1 2 1
(Regime Contratual)
1. O acesso a direitos mineiros de reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliaç
mediante um contrato de prospecção.
2. O Contrato de Prospecção é celebrado nos termos e condições que tenham resultado das negociações a
regime de investimento privado respectivo, estabelecido neste
3. O Contrato de Prospecção deve conter, sem prejuízo de outros que decorram de legislação aplicável e
respectivas, os seguintes elementos:
a) Identificação comercial, fiscal e domicilio do titular e/ou do seu represent
b) Indicação e delimitação da áre
c) Tipo de recurso mineral incluído na concessão r
d) Período inicial de vigência do contrato e condições para p
e) Condições de abandono progressivo da
f) Plano de prospecção;
g) Plano de investimento;
h) Periodicidade de apresentação de relatór
i) Valor e tipos das cauções a pr
j) Contribuição para o Fundo de Desenvolvimento Mineiro ou outro fundo, caso existam
k) Fundamentos para a rescisão do cont
l) Formas de resolução de litígios.
A r t i g o 1 2 2
(Dimensão da Área de Prospecção)
1. O contrato de prospecção deve definir a dimensão das áreas de concessão de direitos mineiros de prosp
em quilómetros quadrados ou hectares.
2. A dimensão da área de cada concessão de prospecção e pesquisa poderá
até ao máximo de 10.000 Km2, consoante o tipo de mineral a explorar e as características das operaçõ
processo de exploração.
3. Na negociação das áreas de cada concessão terseá em conta a existência ou não de estudos geológi
sobre as mesmas, os investimentos a realizar e os interesses públicos a
4. Cada concessionário apenas poderá obter direitos mineiros de prospecção para três concessões ao mesm
A r t i g o 1 2 3
(Execução do Plano de Prospecção)
Os titulares de direitos de prospecção de recursos minerais devem executar pontualmente o plano de pros
contrato de concessão, sob pena de incumprimento do contrato.
A r t i g o 1 2 4
(Alterações do Plano de Prospecção)
1. O minist ro da tutela, com base em parecer do organismo ou da concessionária que supervisiona
trabalhos mineiros, pode, excepcionalmente, autorizar alterações ao plano de prospecção inicialmente
que sejam requeridas e devidamente fundamentadas pelo int
2. Não são autorizadas alterações ao plano de prospecção que impliquem o alargamento da área inici
contrariando os princípios e regras deste código, esse alargamento for requerido e autorizado pelo órg
3. O órgão de tutela deve pronunciarse sobre o pedido de alteração do plano de prospecção até 45 dias
da data da sua recepção.
4. A alteração solicitada considerase tacitamente aprovada se o órgão de tutela não se pronunciar dentro
no número anterior deste artigo.
A r t i g o 1 2 5
(Avaliação das Reservas Minerais)
A avaliação e classificação das reservas minerais identificadas na fase da prospecção, assim como as alt
vierem a sofrer, compete a o s c o n c e s s io n á r io s e d e ve s e r f e i t a d e a c o rd o c
internacionalmente aceites, estando sujeitas à aprovação do órgão de tutela.
A r t i g o 1 2 6
(Duração e Prorrogação dos Direitos de Prospe
1. Os direitos mineiros de prospecção são atribuídos por um período inicial de até 5 anos, o qual poderá se
períodos sucessivos de um ano, até ao máximo de sete anos, sem prejuízo do disposto nos nos 5 e 6 do
2. As prorrogações referidas no número anterior são requeridas pelo titular dos direitos mineiros de prospe
antes do termo do período a que disser respeito, e são deferidas se o requerente não se encont
cumprimento das suas obrigações legais e contr
3. No fim do período inicial de 5 anos, o titular dos direitos mineiros de prospecção deverá libertar
concessão e, no fim de cada prorrogação, deverá libertar a área que, depois apreciados os resultados obti
período, for acordada entre o órgão da tutela e o conc
4. O t i tular dos di reitos minei ros de prospecção pode reduzi r a área de concessão antes do termo do p
contrato.
5. No fim do mesmo período inicial de 5 anos, caso o titular dos direitos mineiros queira reter a totalid
concessão, sujeitarseá a uma taxa de superfície suplementar, nos termos do regime fiscal para o sector
neste código e na legislação complement
6. Quando o período total de 7 anos se revelar insuficiente para a elaboração ou conclusão do estud
técnicoeconómica, o concessionário pode requerer uma prorrogação excepcional dos direitos mineiros,
máximo de um ano, nas condições definidas no número anterior dest
7. Findos os prazos definidos nos termos deste artigo e das prorrogações concedidas, caducam os respect
termos da alínea a) do artigo 54º (sobre Caducidade).
Su b Se c ç ã o I
Título de Prospecção
A r t i g o 1 2 7
(Emissão do Título de Prospecção)
1. Depois de aprovados o contrato pela entidade competente, o ministro da tutela emite o título mineiro
nos termos do Artigo 90º do presente código (sobre Títulos de Direitos Mineiros), e procede à entreg
respectivo titular.
2. Aprovado o contrato e emitido o título mineiro, o ministro da tutela envia por ofício cópias dos mesmo
província onde se realizará o investimento, para conhecimento, com cópia ao investido
3. Obtido o título mineiro, o respectivo titular fica habilitado com o direito de realizar as operações mineir
lugar, nos termos estabelecidos neste código e na legislação complementar.
A r t i g o 1 2 8
(Conteúdo do Título de Prospecção)
O título de prospecção, aprovado nos termos do Artigo 127º (sobre Emissão de Título de Prospecção)
seguinte dados:
a) Data de emissão e número do
b) Identidade do titular ou do seu mand
c) Minerais abrangidos;
d) Período de validade;
e) Identificação da área correspondente ao titulo de concessão, através da descrição das respectiv
geográficas;
f) Mapa topográfico da área abrangida pelo titulo de concessão, com a indicação das coordenada
g) Termos e condições a que o t i tular f icar sujei to, relat ivos, nomeadamente, ao prazo de prospecç
libertação da área, às taxas e mul tas, aos cuidados ambientais e
informação relevante, consoante o mineral.
S e c ç ã o I I
Contrato para a Concessão de Direitos Mineiros de E
S u b S e c ç ã o
Contrato de Exploração
A r t i g o 1 2 9
(Concessão de Direitos de Exploração Mine
1. Com a ressalva da excepção prevista no número 4 deste artigo, a concessão de direitos mineiros
exploração é conferida mediante um contrato de exploração, celebrado nos termos e condições que tenha
negociações a que se refere o regime de investimento privado respectivo, estabelecido
2. Se o pedido de concessão de direitos mineiros para a fase de exploração for formulado durante a negoci
de direitos mineiros de prospecção, o órgão competente para aprovar o contrato pode, mediante pare
órgão de tutela ou da concessionária nacional, autorizar a celebração do respectivo contrato de exploraç
da exploração.
3. A concessão de direitos de exploração não pode ser feita sem a prévia aprovação do estudo de via
económica e financeira, pelo órgão de tutela ou pela concessionária nacional, e do estudo de impacto
autoridade competente.
4. A concessão de direitos mineiros de exploração para materiais de origem mineira aplicáveis à indústria
para a mineração artesanal será feita de forma simplificada, mediante simples Despacho ou Credencial
pelo órgão da tutela.
A r t i g o 1 3 0
(Conteúdo do Contrato de Exploração)
Do contrato de concessão de direitos mineiros de exploração devem constar, além dos direitos e obrigaçõ
concessionário e do Estado, os seguintes elem
a) Identificação comercial e fiscal do titular da concessão, domicílio da sede e identificação do seu repres
for o caso;
b) Área necessária para levar a efeito o plano de exploração aprovado e para as instalações mineiras
industriais e auxiliares;
c) Tipo de recursos minerais a explo
d) Estudo de viabilidade técnicoeconómico;
e) Valor e tipo das cauções presta
f) Condições de reembolso dos investimentos efectuados na fase de reconhecimento, prospecção, pesqu
g) Prazo de vigência do contrato e as respectivas pro
h) Demais condições acordadas ou exigidas pelo presente código.
A r t i g o 1 3 1
(Acesso aos Direitos Mineiros de Exploração mediante Contrato
Prospecção)
1. Os direitos de exploração de recursos minerais descobertos e avaliados na sequência de um contrato
podem, cumpridos os requisitos estabelecidos na secção anterior, ser atribuídos às seguint
a) Titulares dos direitos mineiros de prospe
b) Sociedades constituídas ou a constituir, tendo em vista a exploração dos recursos minerais descobertos
quais os titulares de direitos mineiros de prospecção tenham participação não inferior a 25% do
2. Os direitos de exploração de recursos minerais já conhecidos e avaliados, mas não descobertos n
qualquer contrato de prospecção, são concedidos a quem, reunindo os requisitos legais, apresentar a mel
concurso público aberto pelo órgão de tutela para o
3. A concessão de direitos de exploração tem por base fundamental de avaliação e decisão o estudo de via
económica e financeira, o estudo de impacto ambiental e o plano de exploração, entre outros element
presente código e legislação complementar
4. Sempre que a grandeza do investimento e a complexidade técnica do mesmo assim o aconselhem, o mi
ou a concessionária nacional podem, nos termos do Artigo 118º (sobre Estudos de Viabilidade e de Imp
exigir do investidor a apresentação de uma auditoria independente do estudo de viabilidade técnic
financeira
apresentado, podendo indicar ou concordar com o investidor sobre o auditor a contratar.
A r t i g o 1 3 2
(Recusa de Concessão)
1. Para além da condição de recusa referida no n.º 3 do Artigo 129º (sobre Concessão de Direitos de Explo
de concessão de direitos mineiros de exploração só pode ocorrer nos seguin
a) Quando razões relevantes de interesse público conflituem e sejam incompatíveis com o interesse privad
requerida;
b) Quando a zona para o exercício dos direitos de exploração passarem a fazer parte de uma área reserv
c) Quando se constatar que existem na mesma área recursos minerais sujeitos a regime especial, cu
revista de maior interesse para o Est
2. As razões de interesse público invocadas para recusar a concessão têm de ser devidamente fundame
estiverem relacionadas com a segurança ou a defesa do
3. A recusa de concessão de direitos de exploração pelos motivos indicados no número 1 deste artigo obr
caso de ela ter sido requerida ao abrigo de um contrato de prospecção anterior, a indemnizar o resp
investimento realizado, acrescido dos juros leg
4. Nos casos de concurso, a indemnização terá por limite as despesas efectuadas pelo concorrente que tiv
melhor proposta e ganho o concurso.
Su b Se c ç ã o I
Título de Exploração Mineira
A r t i g o 1 3 3
(Emissão do Título de Exploração)
Aprovado o Contrato de Exploração nos termos definidos na Sub Secção I desta Secção e no regime
mineiro que a ele se aplique nos termos deste código, o órgão competente do ministério de tutela e
exploração mineira, de acordo com as regras estabelecidas neste código.
A r t i g o 1 3 4
(Conteúdo do Título de Exploração)
O título de exploração mineira contém os seguintes
a) Data de emissão e número do titulo de ex
b) Identidade do titular ou do mandat
c) Minerais abrangidos;
d) Período de validade;
e) Identificação da área do titulo de exploração através de coordenadas
f) Mapa topográfico da área abrangida pelo titulo de exploração, com a indicação das coordenad
g) Termos e condições a que o t itular f icar sujeito, relat ivos, nomeadamente, à exploração, proc
comercialização dos produtos minerais.
A r t i g o 1 3 5
(Tramitação do Título de Exploração)
1. Emitido o título de exploração mineira, o ministro da tutela entrega o original ao respectivo titular ou se
legal e envia por ofício cópias do mesmo às entidades a quem tenham sido enviadas cópias dos docu
mesmo processo na fase de prospecção e pesquisa, para os devidos
2. O título de exploração mineira emitido é entregue ao interessado após o pagamento das taxas e emolu
3. Se, após a comunicação da decisão de atribuição do título de exploração, o interessado não proceder ao
taxas e emolumentos devidos no prazo de trinta dias, o mesmo considerase cancelado.
A r t i g o 1 3 6
(Autonomia e Transmissibilidade do Título de Explo
O direito mineiro de exploração constante do Título de Exploração é distinto dos direitos de propriedade s
propriedades fundiárias e urbanas nele existentes e é susceptível de transmissão nos termos definidos
(sobre Transmissão de Títulos Mineiros).
A r t i g o 1 3 7
(Deveres do Titular do Título de Explora
1. Além dos deveres estabelecidos neste código, e dos termos e condições estabelecidos no contrato d
titular de direitos mineiros de exploração tem os seguintes
a) Demarcar a área por meio de marcos de betão facilmente identificáveis, no prazo máximo de noventa
data de emissão do título mineiro ou de alteração da
b) Em caso de exploração mineira no mar, a demarcação deve ser feita de acordo com as regras so
marítima, nos termos da legislação pertinen
c) Realizar as actividades de exploração mineira em conformidade com o plano de exploração submet
d) Apresentar às autoridades competentes os relatórios de trabalho e demais informação exigível nos ter
código;
e) Efectuar o pagamento dos impostos dev
2. A falta de demarcação tempestiva da área, nos termos estabelecidos nas alíneas a) e b) do número ant
a falta de pagamento dos impostos devidos referida na alínea e), constituem causas de revogação do título
A r t i g o 1 3 8
(Validade do Título de Exploração)
1. O título de exploração é válido durante o prazo fixado no mesmo, contado a partir da data da sua emiss
prazos de prorrogação concedidos, em conformidade com as regras estabelecidas no artigo 90º (sobre T
Mineiros).
2. No caso de o prazo do título de exploração expirar na pendência de um pedido de prorrogação, o mesm
até que haja uma decisão sobre o referido pedido.
A r t i g o 1 3 9
(Condições de Prorrogação do Título de Explo
1. O titular de um título de exploração mineira pode solicitar a sua prorrogação, devendo o respe
submetido com a antecedência mínima de doze meses antes do se
2. O pedido de prorrogação deve conter os seguintes
a) Indicação do prazo de prorrogação pretendido e fundamentação da necessidade de
b) Área que se pretende manter, delineada no mapa topográfico
c) Proposta de programa de operações a serem desenvolvidas durante o período de
3. O pedido de prorrogação deve ser acompanhado de um relatório detalhado contendo, n
a) Balanço de reservas;
b) Vida económica estimada da min
c) Outros aspectos que o requerente considere relevantes.
A r t i g o 1 4 0
(Decisão sobre o Pedido de Prorrogaçã
1. Compete ao ministro da tutela decidir sobre o pedido de prorrogação submetido nos termos do
2. O ministro de tutela concede a prorrogação no prazo de seis meses a partir da data de submissão do p
verificação das seguintes condições:
a) Ao abrigo do n.º 1 do presente artigo, o pedido tiver sido submetido pelo menos doze meses antes de
inicial do título de exploração;
b) Tiverem sido cumpridas as condições de exploração durante a vigência do tít
c) As condições do contrato mineiro tiverem sido cu
d) O titular não se encontrar em situação de incumprimento tributário e para com a Seg
3. Em caso de indeferimento do pedido de prorrogação, o interessado é informado por escrito, com a indic
cabendo reclamação e recurso dessa decisão, nos termos do procedimento e contenciosos administrativo.
Su b Se c ç ã o I I
Plano e Programa de Exploração Mineira
A r t i g o 1 4 1
(Plano de Exploração)
1. As actividades de exploração são realizadas de acordo com um plano de exploração, que faz par
viabilidade técnicoeconómica e que deve conter os elementos referidos no Artigo 142º (sobre Conteú
Exploração).
2. A cada plano de exploração corresponde uma concessão, sem prejuízo do disposto no artigo 147º d(sob
Minas).
3. O órgão da tutela pode, com base em parecer do organismo que supervisiona a execução
geológicomineiros, autorizar alterações às previsões iniciais do plano de exploração aprovado, quan
devidamente fundamentadas pelo concessionário.
A r t i g o 1 4 2
(Conteúdo do Plano de Exploração)
O plano de exploração deve conter os seguintes el
a) A descrição do esquema de mineração incluindo detalhes sobre a escala das operações, a prováve
principais operações de mineração, furos, poços, aterros e
b) Descrição detalhada dos métodos de mine
c) Data prevista de início de produção com
d) Perfil de produção e capacidad
e) Características e natureza dos produtos
f) Data prevista de início do desenvolvimento m
g) Em caso de mineração subterrânea, descrição das rochas de cobertura do depósito, declives fixos e
paredes da mina e terra superficia
h) Em caso de mineração a céu aberto, indicação da localização da
i) Em caso de mineração submarina, indicação dos dados técnicos e geológicos que permitam identificar
camada superior de água até á superfície, o sistema de exploração usado e os meios de defesa e preserva
marinho.
j) Decantação de resíduos;
k) Descrição dos sistemas de transporte, ventilação, iluminação, drenagem e
l) Descrição dos sistemas de abastecimento de água, energia e materia
m) Descrição dos procedimentos de beneficiação e, onde for adequado, a tecnologia de processamen
n) Descrição das infraestruturas necessárias para a exploração mineira e as propostas do requerente a
o) Propostas de medidas antipoluição, protecção do meio ambiente, restauração e reabilitação do terr
vegetação e, bem como, propostas para a minimização dos efeitos da exploração mineira no terreno e
localizada na área mineira, assim como
área adjacente;
p) Identificação de quaisquer riscos de segurança e saúde para o pessoal envolvido na exploração mineir
geral e propostas para o controlo, mitigação, monitoria e eliminação de quaisquer d
q) Necessidades de mãodeobra qualificada e não qua
r) Outros dados que o requerente considere relevantes, ou solicitados pela entidade competente.
A r t i g o 1 4 3
(Responsabilidade Civil e Criminal da Direcção Té
1. O Director Técnico responde civil e criminalmente para com o Estado, o titular da concessão e para com
actos que lhe sejam imputáveis enquanto responsável técnico da
2. Ao Director Técnico é legítimo eximirse das responsabilidades civis e criminais sobre aspectos concreto
desde que prove perante as autoridades competentes que, por escrito junto do titular do direito de
conhecimento ao órgão competente pela fiscalização do cumprimento do investimento, indicou em tem
razões da não
assunção de tais responsabilidades para cada caso em concreto e as medidas por si sugeridas p
insuficiências não foram atendidas.
3. Nos casos referidos no número anterior deste artigo e nos números 2 e 3 do artigo anterior, as respons
houver lugar recaem sobre o titular do direito de exploração.
A r t i g o 1 4 4
Direcção Técnica da Exploração
1. Para cada concessão mineira deve existir um director técnico a quem cabe a responsabilidade técnica
mina de que seja responsável, das condições técnicas da exploração da mesma e da boa execução do plan
podendo o mesmo director prestar serv
em mais do que uma concessão do mesmo
2. As qualificações técnicas da figura de Director Técnico são estabelecidas pelo órgão de tutela, d
especificidade da exploração de cada mine
3. As concessões mineiras para exploração de materiais de construção em pequena escala e para a ex
artesanal estão isentas da obrigação referida no n.º 1 deste
4. Compete ao ministro da tutela definir a necessidade, ou não, de um Director Técnico, em função da
dimensão da exploração mineira para minerais destinados à construção civil.
A r t i g o 1 4 5
(Programa de Trabalho)
1. O titular do título de exploração deve submeter até 31 de Maio de cada ano, um programa de trabalho
despesas mínimas a realizar no ano seguinte, bem como o plano de venda de produ
2. O titular do título de exploração pode, com motivos justificados, rever quaisquer pormenores do progra
submetido.
3. As revisões referidas no número anterior, carecem da aprovação da entidade competente para se tornar
A r t i g o 1 4 6
(Demarcação)
Cada direito de exploração respeitará a uma demarcação mineira, cujos limites deverão ser rigorosam
estabelecidos no espaço físico de exploração, devendo corresponder à área julgada necessária para leva
de exploração aprovado e para as instalações do complexo mineiro.
A r t i g o 1 4 7
(Integração de Minas)
1. O órgão competente para aprovar o contrato de atribuição de direitos mineiros de exploração p
integração de minas contíguas ou vizinhas e as respectivas demarcações numa só, quando pertencerem
e da integração resultar aproveitamento mais racional e com maior economia de meios dos respec
2. O disposto no número anterior é igualmente aplicável quando as minas e respectivas demarcações perte
titulares, mas, em tal caso, deverá ser apresentado novo plano de exploração e celebrado novo contrato
direitos mineiros de exploração, adaptado à circunstância de terem sido já atribuídos direitos mineiros.
A r t i g o 1 4 8
(Início dos Trabalhos de Mineração)
O titular do título de exploração mineira à escala industrial deve, dentro de trinta dias antes de iniciar a
exploração na área, apresentar ao órgão competente do ministério de tutela, ou à concessionária nacio
casos, informação escrita sobre o inicio dos trabalhos, bem como a título ambiental e a eventual autor
aproveitamento da terra a que houver lugar.
A r t i g o 1 4 9
(Alterações na Capacidade de Produção Mine
1. Sempre que haja mudança na capacidade instalada, o titular deve apresentar informação por es
Provincial respectiva ou ao órgão competente do ministério de tutela, sobre a capacidade instalada da min
de processamento mineiro, da planta de processa
2. Em caso de, durante cinco anos consecutivos, a produção permanecer igual ou inferior a 20% do poten
estudos e planos aprovados, a concessão do título de exploração pode ser revogada pelo órgão de tutela.
A r t i g o 1 5 0
(Relatório de Exploração Mineira)
1. Tendo em vista o acompanhamento e fiscalização da actividade mineira pelo órgão de tutela, o tit
exploração é obrigado a prestar ao órgão de tutela ou à concessionária nacional, conforme os ca
informação:
a) Até ao dia cinco de cada mês, informação mensal da produção e comercialização de substâncias minera
mês anterior;
b) No prazo de quinze dias após o termo de cada trimestre, o relatório das actividades realizadas no tri
c) Até 31 de Janeiro de cada ano, o relatório anual das actividades desenvolvidas durante o
2. A informação e relatórios referidos no número anterior são submetidos em quadruplicado, bem
digitalizada, devendo um exemplar ser entregue na Direcção Provincial respectiva e os restantes no órgã
tutela.
3. O relatório de exploração mineira obedece, na sua forma e conteúdo, ao estabelecido no normat
ministério de tutela.
A r t i g o 1 5 1
(Alargamento da Área de Exploração)
1. O titular do título de exploração pode requer junto do ministro da tutela o alargamento da área da
indicando os motivos.
2. O ministro da tutela pode autorizar o alargamento, fixando os termos e condições que se mostrem a
cada caso.
3. O indeferimento do pedido de alargamento da área pode ocorrer nos segui
a) O alargamento da área não assegure o aproveitamento eficaz dos recursos minerais e benefícios p
nacional;
b) A área requerida não esteja dispon
c) O requerente se encontre em situação de incumprimento das suas obrigações tributárias e de assis
relação ao Estado.
4. A decisão sobre o pedido de alargamento é notificada ao interessado no prazo máximo de quinze dias
especificando os motivos nos casos de indeferim
5. Em caso de deferimento do pedido, o averbamento do alargamento no respectivo título mineiro será e
pagamento das respectivas taxas, impostos devidos e apresentação da prova de pagamento da publicação
alargamento da área.
6. Se, após a comunicação da decisão de alargamento da área, o interessado não cumprir, no prazo de t
estabelecido no número anterior, a referida decisão con
cancelada.
7. O titular cujo alargamento tenha sido autorizado nos termos do presente artigo, não inicia nenh
desenvolvimento ou operações de mineração na área para a qual o alargamento foi autorizado, at
modificação dos respectivos planos de gestão ambiental e autorização de uso e aproveitamento da terra
legislação aplicável.
A r t i g o 1 5 2
(Abandono da Área de Exploração)
1. Sem prejuízo dos termos e condições previstos no cont rato de investimento respectivo, o titular do títu
pode, a qualquer altura durante a vigência do mesmo, mediante pré aviso não inferior a 180 dias, dirigid
tutela, abandonar parte ou toda a área m
2. O abandono de qualquer área nos termos do número anterior, não exonera o
a) Pagar os impostos, taxas, multas ou quaisquer compensações devidas até à data do abandono formalme
pelo órgão competente do ministério da t
b) Cumprir todas as obrigações relativas às questões am
c) Cumprir qualquer obrigação exigida por lei ou pelo contrato de investimento até à data em que o aba
produzir efeitos.
3. O abandono produzirá efeitos a partir da data estabelecida na notificação ao titular remetida pelo órgã
ministério da tutela, não devendo ser inferior a três (3) meses nem superior ao prazo d
4. Em caso de abandono total da área mineira, o título de exploração
5. Em caso de abandono parcial da área mineira, o titular obrigase a actualizar os limites da área remane
proceder ao averbamento, no título de exploração do registo da área
6. O abandono referido neste artigo só é possível se houver consentimento escrito de todas as pessoa
colectivas, que façam parte e sejam cotitulares do título de exploração.
Artigo 153º
(Seguros)
1. O titular do direito mineiros para exploração à escala industrial deve constituir seguro contra todo
conformidade com a capacidade instalada na mina ou o volume de i
2. O seguro referido no número anterior deve cobrir, designadamente, os segui
a) Danos às instalações mineiras;
b) Responsabilidade perante terceiros;
c) Acidentes de trabalho do pessoal envolvido nas operações mineiras
A r t i g o 1 5 4
(Reembolso dos Investimentos)
1. O reembolso dos investimentos realizados na fase de reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliaçã
de direitos de exploração somente pode efectuarse através dos resultados da exploração dos re
descobertos ao abrigo dos respectivos contratos de concessão, sem prejuízo do disposto no n__do artig
código.
2. O reembolso abrange todos os custos capitalizados e deverá efectuarse nos termos acordados contratua
S e c ç ã o I
Facilidades Fiscais e Investimento Externo
A r t i g o 1 5 5
(Obtenção de Facilidades Fiscais e Aduanei
Depois de aprovado o contrato e emitido o título mineiro, o ministro da tutela envia cópias dos mesmos
Finanças para apreciação do pedido de isenções fiscais e/ou aduaneiras, no caso de estas terem sid
propostas pela Comissão de Negociações e aprovadas pelo ministro da tutela.
A r t i g o 1 5 6
(Procedimentos Específicos para Investimento Extern
Tratandose de investidores externos, como tal definidos na lei, depois de aprovado o contrato e emitido
respectivo nos termos dos artigos anteriores, o ministro da tutela envia cópia do contrato à Agên
Investimento Privado (ANIP), que, por sua vez, emite
competente Certificado de Registo de Investimento Privado (CRIP), solicita ao Banco Nacional de
licenciamento da importação de capitais, e submete ao Ministério das Finanças o pedido de isenç
aduaneiras, no caso de estas terem sido negociadas e propostas pela Comissão de Negociações e aprovad
da tutela.
C A P Í T U L O I
TRAMITAÇÃO DO PROCESSO DE INVESTIMENTO MINEIRO
A r t i g o 1 5 7
(Prazos para a Realização do Investimen
1. Sempre que tal não seja estabelecido pelas regras deste código, de legislação específica ou d
investimento respectivos, os prazos para a realização do investimento por parte do investidor são os
regime geral de investimento privado aprovado pela Lei do Investimento Privado e seus regulamentos
fiscal e cambial, sujeitandose
às sanções previstas nessa legislação em caso de não cumprimento dos prazos para realizar o
2. Compete ao ministério da tutela ou à concessionária nacional, conforme os casos, fiscalizar os prazos p
do investimento pelo investidor, nos termos exactos das obrigações legais e contratuais assumidas por est
A r t i g o 1 5 8
(Prazos da Tramitação do Processo de Investim
Os prazos a observar na tramitação dos processos de investimento privado mineiro são
a) Resposta ao pedido de Concessão Mineira, 30 dias depois da entrada do requerimento no serviço
Cadastro;
b) Emissão do Certificado de Registo do Pedido de Concessão Mineira (CRPCM), 45 dias após a entrada do
serviço competente do cadastro;
c) Criação da Comissão de Negociação, no espaço de 30 dias após a apresentação da Declaração de In
imento, acompanhada do CRPCM ou do EVTE e do Estudo de
Ambiental, conforme os casos, pelo investid
d) Negociação dos contratos de concessão, até 60 dias após a criação da Comissão de
e) Formulação da Acta das Negociações e remessa à entidade competente para aprovação do contrato, a
de findas as negociações;
f) Aprovação do contrato pelo ministro da tutela, até 8 dias depois de recebida a Acta das
g) Emissão do Título Mineiro, até 8 dias depois da aprovação do contrato pelo órgão
h) Remessa de cópias do contrato ao Ministério das Finanças, ao governo da província e à ANIP, até 8
emitido o título mineiro pela entidade compe
i) Emissão do Certificado de Registo de Investimento Privado (CRIP) pela ANIP e remessa de cópia do m
Nacional, até 8 dias depois de recebida a cópia do contrato aprovado e do tít
j) Emissão da Título de Importação de Capitais, até 15 dias após a recepção pelo Banco Nacional da cópia
pela ANIP.
A r t i g o 1 5 9
(Prazos para o Concurso Público)
Nos procedimentos de concursos públicos aplicamse as regras e os prazos previstos na legislação sobre co
públicas, com as devidas adaptações;
A r t i g o 1 6 0
(Efeitos do não Cumprimento dos Prazo
O não cumprimento dos prazos por parte dos órgãos competentes para decidir significa recusa do pedido
legais do procedimento e do contencioso administrativo.
A r t i g o 1 6 1
(Controlo dos Prazos)
O controlo dos prazos do procedimento para o investimento privado no sector m
através de documentos protocolados de todos os passos da tramitação processual do investimento privad
da instituição e do funcionário que recebe ou envia os documentos, as datas, as horas, as assinaturas e,
carimbos em uso nas inst ituições intervenientes.
A r t i g o 1 6 2
(Penalizações por não Cumprimento de Praz
O não cumprimento, doloso ou culposo, dos prazos é passível de procedimento contencioso administrativ
legislação pertinente, submetendose as concessionárias nacionais e os seus representantes legais a este
do poder administrativo público que lhes é atribuído na negociação de contratos administrativos de conc
mineiros.
A r t i g o 1 6 3
(Reclamação e Recurso)
O não exercício do direito de reclamação ou recurso nos prazos estabelecidos na legislação sobre
contencioso administrativo tem como efeito a caducidade dos pedidos ou requerimentos de direitos minei
origem, nos termos da lei.
C A P Í T U L O
REGIME DE INVESTIMENTO EM MINERAIS ESTRATÉGICOS
A r t i g o 1 6 4
(Regras e Procedimentos Especiais)
1. O investimento privado na exploração de minerais considerados estratégicos nos termos deste código
complementar, realizase de acordo com as regras e procedimentos do regime geral estabelecido neste
seguintes adaptações:
a) A competência para negociar os cont ratos é exercida pela Concessionária Nacional, ou pelo órgão que
criar para regular o exercício de direitos de certos minerais estratégicos, os quais são revesti
administrativos públicos para efeitos de
negociação de direitos mineiros e da responsabilidade administrativa dos seu
b) A aprovação dos contratos é da competência do Conselho de
c) A competência para aprovar os contratos de investimento para a fase de investigação geológicomineira
pode ser delegada pelo Governo ao órgão de tutela, se, terminada a fase de prospecção, o investimen
primeiros cinco anos de exploração, se revelar igual ou inferior ao correspondente a USD
d) A elaboração dos termos de referência para o concurso público e a composição da Comissão de Nego
nos artigos988º (sobre Concurso Público) e 113º (sobre a Comissão de Negociação de Contratos) devem t
da Concessionária Nacional, ou do órgão que o Governo vier a criar para regular o exercício de direitos de
nos termos referidos nessas alíneas;
e) Cabe ao Chefe do Governo aprovar a comissão ou o órgão competente para negociar os contratos
objecto os minerais estratégicos que ainda não estejam sob a tutela de uma concessionária naci
determinado órgãopúblico regulador.
A r t i g o 1 6 5
(Tramitação dos Contratos depois de Aprovad
Depois de aprovados pelo Conselho de Ministros, os contratos são devolvidos ao órgão de tutela para e
mineiro, remessa de cópias do contrato e do título mineiro ao governo da província onde se realizará o
Ministério das Finanças, quando houver lugar a isenções fiscais aprovadas pelo Governo, e à ANIP, para efe
do CRIP e da Título de Importação de Capitais, sempre que haja investimento externo, nos termos estabel
de investimento privado geral da secção anterior deste código.
A r t i g o 1 6 6
(Realização do Investimento)
1. Compete ao ministério da tutela fiscalizar o cumprimento do investimento privado em minerais estra
estejam sob a alçada legal de uma concessionária nacional, nos mesmos termos da fiscalização d
investimento privado estabelecido no regime geral da secção anterior dest
2. Tratandose de minerais estratégicos sob a alçada legal de uma concessionária nacional, depois de apr
respectivo pelo Conselho de Ministros, e emitido o respectivo título mineiro pelo órgão de tutela, para alé
referidas no artigo anterior, o ministro da tutela envia igualmente cópias dos contratos e dos tít
Concessionária Nacional, no prazo de 5 dias úteis, competindo a esta fiscalizar a realização do investimento
após obtidos o CRIP e a Título de Importação de Capitais, no caso de investimento externo, nos me
fiscalização estabelecidos no regime de investimento privado geral da secção anterior deste código.
C A P Í T U L O X
REGIME DE INVESTIMENTO MINEIRO ARTESANA
S e c ç ã o
Investimento na Mineração Artesanal
Artigo 167º
(Definição)
1. Considerase mineração artesanal aquela em que não é empregue mão de obra assalariada e em
exclusivamente métodos e meios artesanais, sem intervenção de meios mecânicos auto propulsores,
mineira industrial.
2. Os materiais e equipamentos para a mineração artesanal são, nomeadamente, enxadas, picareta
peneiras ou crivos, bacias, baldes, luvas, pincelas, balanças, capacetes e botas.
A r t i g o 1 6 8
(Proibição de equipamentos Industriais)
1. É proibido o uso de qualquer equipamento ou meios diferentes do especificado no artigo anterior, fi
confisco os materiais proibidos que forem encontrados na posse dos mineradores, sem prejuízo de
determinadas pela lei e por este cód
2. O uso de geradores de até 5 KVA é permitido, mas apenas para iluminação, em caso de trabalho nocturn
A r t i g o 1 6 9
(Regime Legal e Enquadramento)
1. A mineração artesanal apenas é admitida nos termos do presente
2. O Governo pode aprovar regras suplementares para regular a actividade mineira artesanal, de
especificidade de cada mineral.
3. O ministério da tutela deve criar condições para a integração dos mineiros artesanais em cooperativas
organizadas de actuação, que resultem num melhor aproveitamento dos recursos naturais em benefícios d
harmonia com a política do Governo para o sector mineiro.
A r t i g o 1 7 0
(Regime de Investimento Artesanal)
1. O investimento em actividades mineiras artesanais realizase sob o regime de mineração artesanal, d
definição de produção artesanal e das regras estabelecidas para tal actividade neste código e nos respe
complementar.
2. Em tudo que não contrarie disposições específicas sobre investimento na produção artesanal estabeleci
e em legislação complementar, aplicamse no investimento em actividades mineiras artesanais, com
adaptações, as regras do regime geral de investimento privado e de atribuição de direitos mineiro.
A r t i g o 1 7 1
(Obtenção de Direitos para Mineração Artesa
1. O investimento em actividades mineiras artesanais realizase mediante títulos de concessão de direitos p
artesanal, atribuídos por Despacho do ministro da
2. O requerimento para a obtenção do título de concessão de direitos de mineração artesanal é dirig
contendo os dados que permitam identificar o investidor, o preenchimento das condições e requisitos e
código e em legiaslação complementares para a actividade mineira artesanal e o mapa da área requerida.
S e c ç ã o I
Concessão de Direitos de Mineração Artesanal
A r t i g o 1 7 2
(Áreas para a Mineração Artesanal)
1. Por decisão do Conselho de Ministros, podem ser reservadas ao exercício da mineração artesanal determ
ocorrências mineiras.
2. As áreas consideradas adequadas para a mineração artesanal, são apenas aquelas cujas característica
permitam a realização da actividade mineira em escala
3. Não podem ser reservadas à mineração artesanal aquelas áreas que estejam vedadas à actividade mine
objecto de outros tipos de direitos mineiros.
A r t i g o 1 7 3
(Licenciamento)
Os direitos para o exercício da actividade de mineração artesanal são atribuídos pelo ministro respons
mineiro ou por outra entidade a quem este delegue esta competência.
A r t i g o 1 7 4
(Dimensão das Áreas)
As dimensões das áreas para a mineração artesanal não pode exceder 5 km2, devendo ser demarcado nos
da demarcação das áreas de produção industrial.
Artigo 175º
(Duração)
Os direitos mineiros para o exercício da mineração artesanal são atribuídos por um período de três an
prorrogados por mais três anos, sendo posteriormente prorrogados por períodos sucessivos de u
esgotamento do recurso mineral explorável.
A r t i g o 1 7 6
(Requisitos de Acesso à Mineração Artesan
1. Os direitos mineiros para a produção artesanal apenas podem ser atribuídos a cidadãos nacionais maio
2. Quando se trate de minerais estratégicos os cidadãos referidos no número 1 deste artigo devem residir
menos 5 anos consecutivos.
3. É competente para emitir documento comprovativo de residência a autoridade administrativa do loc
ouvida a autoridade tradicional respectiva.
4. Os direitos mineiros poderão ser atribuídos a pessoas singulares ou colectivamente ao agregado familia
ou a cooperativas que reúnam os requisitos estipulados neste código e na regulamentação específica.
Artigo 177º
(Restrições)
1. Não é permitida a detenção pelo mesmo titular de mais de uma concessão para minera
2. Só pode realizar mineração artesanal quem estiver legalmente autorizado nos termos deste código
actividade estenderse ao seu agregado familiar nacional até um máximo de 1
3. Quando o titular do direito de mineração artesanal pretenda incluir na actividade os membros do seu a
estes deverão, a requerimento do titular do direito com indicação dos nomes, grau de parentesco, cópias
de identificação e comprovativo de residência, obter junto do órgão provincial competente, a indicar pe
tutela, o documento que os identifique como estando afectos àquele título. Este documento de identificaçã
modelo aprovado pelo ministério da tutela e tem a validade de 1 ano, renovável.
A r t i g o 1 7 8
(Obrigação de Identificação)
1. Todos os trabalhadores da mineração artesanal são obrigados a usar a identificação legalmente inst
estadia e laboração nas áreas atribuídas pare este
2. Só podem permanecer na área de exploração mineira artesanal o titular do direito e aqueles que seja
documento de identificação válido referido no artigo anterior deste artigo.
A r t i g o 1 7 9
(Isenção de Taxas de Superfície)
Os titulares de direitos de mineração artesanal estão isentos do pagamento da taxa de superfície.
Artigo 180º
(Cadastro)
Compete ao órgão de tutela do sector o estabelecimento de um cadastro específico para o acompanhame
actividade mineira artesanal.
A r t i g o 1 8 1
(Fiscalização)
Sem prejuízo das responsabilidades dos órgãos policiais e de segurança, compete ao órgão de tutela do
autoridades locais competentes, o acompanhamento e fiscalização legal e técnica da actividade mineira ar
A r t i g o 1 8 2
(Protecção Ambiental)
1. Os detentores de direitos mineiros para a mineração artesanal estão obrigados ao cumprimento das no
para este tipo de actividade mineir
2. O Órgão da tutela e demais autoridades competentes estão obrigados a prestar todo o apoio aos deten
mineiros de mineração artesanal, para que estes possam cumprir o estabelecido neste código e na demais
o ambiente
A r t i g o 1 8 3
(Extinção de Direitos)
À extinção dos direitos mineiros de mineração artesanal aplicamse, com as necessárias adaptações, as re
dos restantes direitos mineiros.
A r t i g o 1 8 4
(Suspensão da Mineração Artesanal)
1. Sempre que se justifique, por motivos de saúde pública, ambiental ou outras razões ponderos
fundamentadas e justificadas, poderão ser temporariamente suspensos os direitos de realização de qua
relativa à mineração artesanal numa determinada
2. A suspensão temporária apenas poderá ser mantida enquanto perdurarem as circunstâncias que tiverem
sua existência, salvo a ocorrência de novas situações que reúnam os requisitos exigidos no número
prolongamento da suspensão da actividade de mineração.
A r t i g o 1 8 5
(Direitos do Minerador Artesanal)
1. O titular do direito ao exercício da mineração artesanal tem o poder legal de realizar as operações min
do recurso mineral autorizado na área a si concedida, armazenar, transportar e comercializar o produto
com o presente código e os regulamentos que incidam sobre a actividade mineir
2. O titular do direito ao exercício da mineração artesanal pode ainda invocar em seu favor os direitos
direitos mineiros, salvo se das suas características decorrer claramente que os mesmos não podem ser
tipo de actividade.
A r t i g o 1 8 6
(Deveres do Minerador Artesanal )
1. O titular do direito ao exercício da mineração artesanal fica sujeito aos seguin
a) Realizar as actividades mineiras de acordo com o estabelecido neste código, nos regulamentos sobre
títulos de concessão;
b) Cumprir as normas ambientais ao abrigo da legislação
c) Colaborar com as autoridades, sempre que as circunstâncias o
d) Responder pelas falhas e incumprimentos das pessoas que consigo trabalham na concessão m
responsabilizarse solidariamente pelos prejuízos causados por eles ao Estado ou
e) Manter actualizadas os títulos de concessão e os documentos de identificação relativas ao exercício
mineração artesanal concedidos.
2. Aos titulares de direitos mineiros para exploração artesanal devem cooperar com as autoridades
denúncia de práticas de exploração ilegal, tráfico ilícito de minerais estratégicos e de todas as activida
configurar crimes ou infracções administrativas previstas por lei.
C A P Í T U L O X I
COMERCIALIZAÇÃO DE MINERAIS
S e c ç ã o
Disposições Comuns
A r t i g o 1 8 7
(Comercialização do Produto da Mineração)
Os titulares de direitos mineiros têm o direito de comercializar o produto da exploração mineira, deven
condições estabelecidas neste código sobre comercialização de minerais e às disposições dos respectiv
compra e venda.
A r t i g o 1 8 8
(Exportação de Minerais)
1. A exportação dos minerais extraídos da zona económica de jurisdição territorial de Angola se
licenciamento pelo órgão competente do Ministério do Comércio e de um despacho aduaneiro da Direcç
Alfândegas, dandose conhecimento do facto ao ministério da
2. É proibida a exportação de recursos minerais nacionais provenientes de explorações não autorizadas n
código, sem prejuízo das penalidades previstas neste código e noutra legislação aplicável.
A r t i g o 1 8 9
(Importação de Minerais)
1. A introdução de qualquer mineral em território nacional carece de parecer prévio do ministério da
permitida é sempre objecto de despacho aduaneiro
2. Logo que efectuadas as operações de importação de recursos minerais, devem os respectivos d
quantitativos ser levados ao conhecimento do ministério da tutela para efeitos estatísticos e
3. Excluemse do regime estabelecido neste artigo, a importação de matérias primas de origem mineral p
materiais de construção e as águas minerais, cujo regime é o estabelecido nos capítulos respectivos de
legislação especial.
S e c ç ã o I
Comercialização de Minerais Estratégicos
A r t i g o 1 9 0
(Regime Jurídico)
1. Salvo se de outro modo for definido pela legislação específica de cada mineral estratégico, como
Governo, a comercialização de minerais estratégicos é realizada com observância das regras da presen
código.
2. A comercialização de minerais estratégicos deve ter em conta o carácter específico e a especialidade d
avaliação dos mesmos, bem como as características particulares do mercado internacional, procurandos
recursos no interesse da economia nacional.
A r t i g o 1 9 1
(Canal Público de Comercialização)
1. A comercialização de minerais estratégicos é feita através de uma empresa ou instituição a criar pelo
função específica de canal público de comercialização para cada mineral estratégico, acautelandose sem
interesses dos produtores.
2. Cada órgão público de comercialização de minerais estratégicos tem direito a uma comissão para cobe
operacionais em que esteja envolvido, que não poderá exceder 2,5% do valor dos minerai
3. As empresas concessionárias produtoras de minerais estratégicos têm o direito de participar nas n
elaboração dos contratos ou acordos de comercialização dos minerais estratégicos que forem produzidos n
A r t i g o 1 9 2
(Exportação de Minerais Estratégicos)
1. As exportações de minerais estratégicos são objecto de licenciamento pelo organismo competente
Comércio e da Direcção Nacional das Alfândegas,
conhecimento do facto ao ministério da t
2. O órgão público de comercialização procederá, previamente à exportação, à classificação e avaliaç
estratégicos entregues pelos produtores.
3. Poderá ser efectuada uma avaliação provisória, sendo a avaliação definitiva realizada com a intervenção
podendose recorrer, sempre que as circunstâncias ou a natureza do mineral o exijam, a um avaliador int
conceituado, contratado quer para a avaliação provisória, quer para participar e certificar a avalia
4. Em todas as fases do processo de avaliação o produtor tem o direito de utilizar um avaliador por ele esco
Artigo 193º
(Certificação de Minerais Estratégicos para Exporta
1. É obrigatória a institucionalização, pelo ministério de tutela, de um sistema para a certificação de orig
estratégicos que se destinem à exportaç
2. Sempre que, relativamente a um mineral considerado estratégico, sejam verificados os motivos de fact
adopção da Certificação do Processo de Kimberly (CPK) para os diamantes, designadamente as razõ
Resolução n.º 55/56 da Assembleia Geral das Nações Unidas, deve ser emitido o competente certific
3. As normas nacionais adoptadas no quadro do CPK são supletivamente aplicáveis a outros miner
respeitadas as especificidades de cada mineral.
A r t i g o 1 9 4
(Extraterritorialidade das Regras de Certificação
1. É proibida a impor tação, t rânsi to, t ratamento, benef iciação, comercializados ou outro tipo de dispos
estratégicos cuja obtenção tenha implicado a prática de acções contrárias aos fins visados pelo sistem
vigentes em Angola.
2. Os termos do número anterior são igualmente aplicáveis a casos em que exista receio justifi
aproveitamento dos referidos minerais estratégicos haja sido
a) Sem a observância dos requisitos mínimos de preservação ambiental e de respeito às comunidad
República de Angola;
b) Mediante a utilização de mão de obra
c) Com recurso a trabalho forçado ou outras formas de prestação laboral proibida pelo ordenamento ju
3. Os minerais estratégicos que se prove terem sido aproveitados em desobediência ao disposto nos nú
serão objecto do mesmo tratamento que, em circunstâncias semelhantes, seria aplicado aos diamantes no
A r t i g o 1 9 5
(Comercialização dos Minerais Acessórios)
A comercialização de minerais acessórios que ocorrerem nos jazigos de minerais estratégicos em exploraç
termos da secção anterior deste capítulo, salvo tra
de outros minerais estratégicos, caso em que toda a produção será vendida nos termos referidos ne
legislação especial sobre a matéria.
A r t i g o 1 9 6
(Comercialização da Produção Artesanal de Minerais Estra
1. Os minerais estratégicos extraídos nas áreas de exploração artesanal são obrigatoriamente vendidos
de comercialização respectivo.
2. Previamente à venda dos minerais estratégicos referidos no número anterior, é feita uma avaliação
local, para efeitos de determinação do preço de
3. O valor de cada remessa de minerais estratégicos de origem artesanal adquirido pelo órgão público de
será pago ao minerador licenciado, imediatamente após a avaliação.
LIVRO III
DA CIRCULAÇÃO DE PESSOAS E BENS, DA FISCALIZAÇÃO E
PENAL IZAÇÕES
C A P I T U L O X I I
CIRCULAÇÃO DE PESSOAS E BENS NAS ÁREAS DE AC
MINEIRA
A r t i g o 1 9 7
(Limites à Circulação de Pessoas e B
1. O acesso, a circulação de pessoas e bens, a residência e o exercício de actividades económic
controlados, limitados ou proibidos nas áreas de actividade mineira ou a ela reservadas, nos termos do
artigos seguintes.
2. Para efeitos da presente código, as áreas de produção mineira dividemse em Zonas Restritas, Zonas
Zonas de Reserva.
3. As áreas de produção artesanal, de minerais para a construção civil e de águas minerais são consid
produção mineira para efeitos deste capítulo, sendo consideradas Zonas Restritas.
A r t i g o 1 9 8
(Zonas Restritas)
1. São Zonas Restritas as áreas de mineração, compreendendo os depósitos ou jazigos e as respectiva
beneficiação, até um raio de 1.000 metros, demarcadas ao abrigo do presen
2. As Zonas Restritas devem ser assinaladas no terreno, através de marcos e tabuletas, bem visíveis
voltadas para o exterior e situadas nos vértices das figuras geométricas que as definirem, assim com
cruzamento com as estradas e caminhos públicos, contendo os dizeres “Zona Restrita. Acesso Proibido”
título do direito mineiro e do seu respectivo
3. Constitui responsabilidade do titular do direito mineiro em causa construir, à sua custa e segundo o tra
indicado pelas autoridades competentes, vias de comunicação alternativas às estradas e caminhos públic
por uma zona restrita.
4. O titular do direito mineiro pode, no seu interesse e sem necessidade de autorização, delimitar com v
no todo ou em parte, as zonas restritas, bem como os depósitos, minas e as instalações situadas dentro de
A r t i g o 1 9 9
(Zonas de Protecção)
.São Zonas de Protecção as seguinte
a) As áreas correspondentes às faixas de terreno que envolvem as Zonas Restritas, num raio de até 5 K
por prudente critério do órgão competente, a partir dos limites externos dos depósitos ou jazigo
demarcação mineira;
b) As áreas correspondentes às ocorrências de minerais encontrados ao abrigo de uma título de prospecçã
uma faixa envolvente num raio de até 5 km, a estabelecer por prudente critério do órgão competente, a
externos dos depósitos ou jazigos protegidos, no período que decorrer entre a descoberta das ocorrência
dos direitos de mineração.
2. As Zonas de Protecção devem ser assinaladas no terreno através de marcos e tabuletas, bem visíveis
voltadas para o exterior e situadas nos vértices das figuras geométricas que as definirem, assim com
cruzamento com as estradas e caminhos públicos, contendo os dizeres “ Zona de Protecção de Minerai
Proibida” e a indicação do título do direito mineiro e do seu respecti
3. As Zonas de Protecção a que se refere a alínea b) do nº 1 devem manterse com os mesmos ou outros l
em que, nas ocorrências de minerais protegidos, sejam demarcadas zonas de produçã
4. As Zonas de Protecção são estabelecidas pelo ministério da tutela, a pedido das concessionárias,
prevenir a subtracção, extracção e tráfico ilícito de minerais, devendo a sua dimensão estar de acordo co
contextual objectiva, dentro de uma determinada zona, de prevenir aquelas
5. O ministério da tutela poderá estabelecer uma distância superior à consagrada neste artigo quando se t
de minerais estratégicos.
A r t i g o 2 0 0
(Zonas de Reserva Mineira)
1. São Zonas de Reserva Mineira as parcelas do território nacional que, nos termos do artigo 11º (sobre Á
para a Actividade Mineira), não tendo ainda sido objecto de qualquer concessão de direitos mineiros, são
vista ao desenvolvimento futuro de actividades mi
2. Compete ao Conselho de Ministros estabelecer as Zonas de Reserva Mineira sempre que haja conhecim
previsão de ocorrências de minerais em qualquer parcela do território
3. Os limites, a circulação de pessoas e bens, a residência e o exercício de actividades económicas nas Z
Mineira são regulados nos artigos seguintes.
A r t i g o 2 0 1
(Acesso e Circulação nas Zonas de Actividade M
1. É proibido o acesso às Zonas Restritas, salvo para o titular dos direitos mineiros em vigor, os seus rep
trabalhadores vinculados à actividade de produ
2. O acesso de entidades do Estado às Zonas Restritas, bem como de outras entidades ou pessoas
especialmente autorizadas pelo titular dos direitos mineiros, é permitido, desde que realizado m
comunicação formal ao titular do direito e às autoridades policiais
3. A circulação de pessoas dentro das Zonas Restritas é fiscalizada pelos titulares dos direitos mine
devendo tomar as medidas adequadas para prevenir os efeitos nocivos que estas restrições visam preveni
lei.
A r t i g o 2 0 2
(Circulação de Pessoas dentro das Zonas de Pro
1. A circulação de pessoas dentro das Zonas de Protecção só pode ser feita por estradas e caminhos públ
pessoas que por eles circularem fazerse acompanhar dos seguintes d
a) Bilhete de Identidade ou outro documento comprovativo da respectiva identidade que ten
b) Documento emitido pelos serviços a que pertencer, ou pela autoridade administrativa da área da resp
ou pela concessionária.
2. O trânsito pelas estradas e caminhos públicos existentes nas Zonas de Protecção está sujeito a fi
autoridades policiais competentes e pelos titulares dos direitos mineiros respectivos, sendo obrigatória a a
documentos referidos no número anterior deste artigo, sempre que solicitado por aquelas entidades, com
continuar o trânsito.
A r t i g o 2 0 3
(Circulação de Bens)
1. Nenhuma mercadoria pode entrar ou sair da Zona Restrita sem autorização do titular dos direitos mine
2. A circulação de mercadorias pela Zona de Protecção é permitida sempre que se fizerem acompan
expedição emitida pelo Governo Provincial, em que as mesmas estejam claramente identificadas, co
destinatário.
3. A circulação de mercadorias pela Zona de Protecção será igualmente permitida mediante credencial pas
dos direitos mineiros respectivos.
A r t i g o 2 0 4
(Actividades Económicas)
1. É vedada a realização de qualquer tipo de actividade económica nas Zonas Restritas e nas Zonas de Pro
for a sua natureza, industrial, comercial, agrícola ou outra, alheia à actividad
2. É responsabilidade dos titulares dos direitos mineiros respectivos indemnizar os titulares dos e
comerciais, industriais, agrícolas, pecuários ou outros, existentes à data da demarcação no interior das Z
das Zonas de Protecção, pelos prejuízos que a interdição referida no número anterior
3. É permitida a expropriação por utilidade pública de bens existentes nas Zonas Restritas e nas Zon
sempre que se trate de áreas de exploração de minerais estratégicos, ou para outros fins públicos releva
da lei.
Artigo 205º
(Residência)
1. É proibida a residência nas Zonas Restritas e nas Zonas de Protecção, salvo para as pessoas vinculada
de produção mineira.
2. Só é permitida a criação e demarcação de Zonas Restritas e/ou de Zonas de Protecção, desde q
reagrupamento residencial das populações aí residentes para fora dessas zonas, o mais possível
constituindose, em tal caso, os titulares dos direitos
respectivos no dever de observar o segu
a) A construção de habitações condignas, nunca inferiores às que possuíam as pessoas
b) A construção de infraestruturas sociais e comunitárias, designadamente escolas, centros de convívio, te
de abastecimento de água e outros, em condições equivalentes, pelo menos, às que existiam n
transferidos.
3. O disposto nas alíneas a) e b) do número anterior não se aplica aos edifícios e construções situados nas
e nas Zonas de Protecção que forem expropriados por utilidade pública nos term
4. Compete ao Governador da Província, em colaboração com os representantes das comunidades lo
aprovar o programa de reagrupamento das populações proposto pela concessionária, tendo em conta o es
artigo.
5. Os titulares de direitos mineiros sob cuja responsabilidade esteja o reagrupamento residencial de pop
em consideração os programas de fomento económico e de promoção social definidos pelo Governo
Governo da Província zelar pelo seu int
cumprimento.
A r t i g o 2 0 6
(Restrições nas Áreas de Mineração Artesa
O acesso, a circulação e a permanência nas áreas demarcadas para a mineração artesanal só são
portadores da respectiva título e àqueles que, nos termos deste código e do estabelecido em reg
trabalhem, sendo nelas rigorosamente proibida qualquer actividade económica estranha à produção mineir
A r t i g o 2 0 7
(Órgãos de Controlo de Pessoas e B
1. A vigilância e o controlo de pessoas e bens nas Zonas Restritas e nas Zonas de Protecção, assim como
respectivos jazigos e da actividade de produção mineira, são realizados pelos titulares dos direitos mine
com meios próprios e pessoal por elas contratado, em sistema de autodefesa, ou mediante a contratação
segurança
especializadas, nos termos em que a lei o
2. A vigilância e o controlo de pessoas e bens nas áreas demarcadas para produção artesanal são realiza
Quando as áreas estiverem inseridas nas zonas de produção industrial, a vigilância será feita em cola
titulares dos direitos mineiros respectivos.
3. Os poderes de vigilância e controlo de pessoas e bens atribuídos às entidades referidas nos número
prejudicam a competência genérica atribuída por lei à Polícia Nacional e aos órgãos de segurança.
A r t i g o 2 0 8
(Atribuições dos Titulares de Direitos Mineiros em Matéria de
1. No exercício das atribuições de vigilância, segurança e controlo de circulação de pessoas e bens que
confere, incumbe aos titulares de direitos mineiros e às empresas de
a) Manter em constante vigilância as zonas sob seu controlo e fiscalizar o trânsito de pes
b) Impedir a residência, o trânsito, o exercício de actividades económicas e o acesso de pessoas e bens às
lei interdita tais factos;
c) Prevenir a realização de toda e qualquer actividade de prospecção, pesquisa, reconhecimento e
autorizada de minerais;
d) Assegurar a protecção de jazigos e ocorrências, opondose a toda e qualquer actividade que aten
segurança;
e) Garantir a segurança das pessoas, das instalações, dos bens e dos serviços afectos ao exercício
mineiras;
2. No exercício das suas atribuições, podem as entidades e pessoas encarregadas da segurança e do contr
de pessoas e bens realizar os seguintes
a) Identificar e proceder a revistas de rotina aos seus trabalhadores e, de modo geral, às pessoas que entr
zonas restritas ou circulem ou se encontrem nas demais áreas sob seu controlo, assim como aos objectos e
que sejam portadoras ou que estejam sob sua respons
b) Exigir a apresentação de autorizações de acesso, credenciais ou guias de expedição de mercadorias
que o acesso á área careça dessas autoriz
c) Deter preventivamente os agentes dos crimes previstos na presente código, quando em flagrante delito
imediato ás autoridades policiais competentes
4. Para os efeitos do disposto na alínea c) do número anterior, os meios de transporte, as armas e
apetrechos de acampamento encontrados na posse dos agentes da infracção são considerados instrum
5. Os bens apreendidos e as pessoas detidas devem ser entregues ao magistrado do Ministério Público
Polícia Nacional que se encontrar mais próximo do local da detenção ou apreensão, nos termos e no praz
lei n.º 18A/ 92, de 17 de Julho, ou noutros termos e prazos que lhes venham legalmente
6. Compete aos titulares de direitos mineiros publicar regulamentos internos sobre matéria de vigilân
controlo, aplicáveis nas zonas restritas aos seus trabalhadores e às pessoas por lei autorizadas ou con
naquelas zonas.
7. Os Regulamentos referidos no número anterior devem ser remetidos previamente ao ministério da
parecer favorável, os enviará à aprovação do Ministério do Interior.
A r t i g o 2 0 9
(Trânsito de Minerais)
1. O trânsito de minerais está sujeito à observância de regras específicas que atendam à natureza d
necessidade de garantir a segurança dos mesmos, a protecção da saúde das pessoas e da salubridade do
transitem, bem como a defesa do ambi
2. Sem prejuízo de outras medidas a aprovar pelos órgãos competentes do Governo, constituem obrigaç
de direitos mineiros quanto ao trânsito de minerais os
a) Obter dos órgãos competentes as guias de trânsito que se
b) Dar notícia do trânsito de minerais às autoridades por onde transitarem os mesmos, sempre que tais
susceptíveis de causar danos à saúde das pessoas ou ao
c) Cumprir as regras e determinações das autoridades competentes sobre trânsito de bens sujeitos a cuid
d) Acondicionar ou embalar os minerais a transportar em embalagens e contentores adequados ao tra
e) Garantir que o acondicionamento e embalagem dos minerais tenham as condições de segurança necess
de mineral a transportar;
f) Garant ir a segurança das t ripulações, prevenindo riscos de contaminação do ar das cabines em que s
quedas ou desprendimentos de carga;
g) Prevenira prática de furtos ou de outros atentados à propriedade, tomando as medidas que se mostr
solicitando apoio às autoridades de segurança pública, sempre que tal necessidade
3. O trânsito de minerais para amostras laboratoriais ou outros fins transitórios, está sujeito ao regim
artigo, observandose as obrigações contratuais ou que constem dos títulos de direitos sobre amostras de
concreto.
C A P Í T U L O X I
TRANSGRESSÕES ADMINISTRATIVAS E SUA FISCALIZAÇÃO
A r t i g o 2 1 0
(Fiscalização)
1. Compete ao ministério da tutela fiscalizar o exercício das actividades geoló
2. A fiscalização da actividade mineira visa assegurar o desenvolvimento harmonioso da indústria minei
base numa sã e racional exploração e aproveitamento dos recursos minerais do país, garantir que a mesm
consonância com os interesse públicos e prevenir transgressões às disposições deste código e da legislaçã

3. A fiscalização mineira tem por finalidade, entre outras, prevenir e garantir


a) Que o exercício dos direitos mineiros concedido nos termos deste código e da legislação complemen
acordo com as respectivas regras normativ
b) Que o titular de direitos mineiros exerça as suas actividades de acordo com as normas técnic
administrativas e sociais em vigor;
c) Que as condições de trabalho nas minas e suas dependências estejam de acordo com as exigên
recomendações dos órgãos competentes;
d) Que a conservação e difusão da documentação de carácter geral sobre a exploração dos recursos mine
acordo com o que está estabelecido legal ou administrat
4. A fiscalização mineira deverá ser exercida de forma a não perturbar o normal funcionamento das activ
5. É proibida a intromissão na gestão das actividades mineiras a pretexto de fiscalização da actividade min
A r t i g o 2 1 1
(Penalizações das Infracções Administrativas)
1. Sem prejuízo das sanções penais previstas neste código e na restante legislação penal aplicável,
disposições da presente código e à legislação complementar são punidas como transgressões administrat
da lei, com sanções pecuniárias em moeda nacional, entre um mínimo equivalente a USD 1.000 e um máx
a USD 200.000, acrescidas da suspensão das operações geológica e mineiras até 90 dias s
natureza da infracção o exija.
2. É competente para aprovar as transgressões mineiras administrativas e estabelecer as sanções co
Conselho de Ministros.
3. As multas por transgressões mineiras administrativas revertem a favor do Estado ou de instituição púb
Decreto do Conselho de Ministros, reservandose uma comissão de até 10% do valor global das multas pa
fiscalização autuantes, nos termos e percentagens a definir por Decreto Executivo Conjunto dos ministro
finanças.
A r t i g o 2 1 2
(Tramitação Processual)
1. O processo de aplicação de sanções administrativas tem por base um auto de notícia ou um processo
2. A iniciativa e a tramitação processual são da competência do ministério da tutela e dos seus agentes, s
das sanções da competência do respectivo Ministro, sem prejuízo da faculdade de delegar esses poderes,
de transgressão punível exclusivamente com m
3. Quando a sanção a aplicar for a de suspensão das operações geológicas e mineiras ou a de multa super
moeda nacional equivalente a USD 10.000, deve ser ouvido o titular dos direitos mineiros respectivo, ant
aplicar a multa.
A r t i g o 2 1 3
(Efeitos do não Cumprimento de Penas Administr
O não cumprimento das penas aplicadas nos termos do Artigo 211º (sobre Penalizações das Infracções
depois da notificação do Despacho do ministro da tutela que a aplicou, por transgressão administrativa ou
imponham a suspensão das operações mineiras nos termos deste código e da legislação complementar
crime de desobediência qualificada e constitui fundamento para rescisão do contrato.
A r t i g o 2 1 4
(Responsabilidades os Órgãos de Segurança
O disposto no artigo anterior não prejudica o exercício das atribuições que, em matéria de vigilância, segu
de pessoas e bens, são conferidas aos órgãos de segurança e às empresas especializadas de segurança pr
Restritas, nas Zonas de Protecção e nas áreas demarcadas para exploração artesanal, nos termos do prese
A r t i g o 2 1 5
(Proibição de Instrução Penal)
Os titulares de direitos mineiros e os agentes de segurança privada referidos nos artigos anteriores
qualquer pretexto, realizar actividades de instrução criminal.
A r t i g o 2 1 6
(Dever de Colaboração com as Autoridad
O pessoal das empresas concessionár ias ou das empresas especializadas de segurança encarregadas
pessoas e bens nas áreas produtoras de minerais estratégicos deve, na prevenção e combate ao tráfico il
estratégicos e às demais actividades ilícitas previstas na presente código, agir em escrita colaboração com
policiais, de instrução criminal e judiciária e regerse pelo mais escrupuloso respeito dos direitos legítimo
das disposições legais em vigor
C A P Í T U L O X
SEGURANÇA DOS MINERAIS ESTRATÉGICOS
A r t i g o 2 1 7
(Corpo Especial de Segurança Mineira)
1. O Governo pode criar uma corporação policial especializada para a segurança de minerais estratégicos,
de Segurança Mineira, abreviadamente “Segurança Mineira”, com natureza de serviço administrativ
podendo ter autonomia financeira, integrado hierárquica e funcionalmente no Ministério
2. A Segurança Mineira realiza a sua actividade em estreita cooperação com as restantes corporações polic
A r t i g o 2 1 8
(Comando de Segurança Mineira)
1. A Segurança Mineira funciona sob a dependência e coordenação de um comando operativo único, des
de Segurança Mineira, abreviadamente CSM, a aprovar pelo Governo, que aprova também o seu Estatuto
Interno.
2. As funções do Comando de Segurança Mineira são a concepção, controlo, fiscalização e execução de a
de prevenção e repressão da exploração ilegal e do tráfico ilícito de minerais estratégicos e de outras
atentem contra as disposições legais pertinen
3. A acção do Comando de Segurança Mineira tem por finalidade a garantia do cumprimento da lei, d
minerais e da protecção dos meios e instrumentos de exploração mineira, tudo de harmonia com a lei e o i

4. Tendo em vista a execução plena e eficaz das suas atribuições, o CSM e os agentes da Segurança Mine
de regime remuneratório especial a aprovar pelo Governo.
A r t i g o 2 1 9
(Atribuições do Corpo de Segurança Mine
1. Em estreita dependência, e sob a coordenação das autoridades com competência legal para a realização
processoscrime, a Segurança Mineira pode realizar actos de investigação conducentes à recolha de provas
instrução de processoscrime,
nos termos estabelecidos pela lei para os órgãos de investigação e instru
2. Sem prejuízo das competências gerais dos órgãos policiais e de instrução penal estabelecidas por
Mineira são conferidas as seguintes atribuições esp
a) Assegurar o combate à exploração, ao tráfico ou à mera posse de minerais que seja realizada à
especialmente dos minerais estratégicos;
b) Organizar, controlar e executar toda a actividade operativa para prevenir e combater todas as acçõ
contra as leis mineiras e as políticas do Estado para o sector
c) Propor e aplicar medidas que garantam o desmantelamento de grupos, redes e indivíduos que se dediq
ao tráfico ilícito de minerais e a outras práticas
d) Zelar pela organização e execução do sistema de segurança industrial do sector mineiro nos casos em
incida sobre um mineral estratégico;
e) Executar a actividade de pesquisa operativa em todo o circuito de produção, tendente a prevenir furtos
ilícitas sobre minerais estratégicos;
f) Acompanhar as actividades desenvolvidas pelas empresas ligadas à prospecção, exploração, compra e
de minerais estratégicos, com vista à recolha de informações e demais elementos de interesse par
segurança dos mesmos;
g) Acompanhar e fiscalizar as operações de segurança realizadas autonomamente pelas empresas co
direitos mineiros em geral;
h) Emitir credenciais e outros documentos afins de acesso às zonas restritas e de reserva de minera
i) Emitir credenciais e outros documentos de acesso e de trabalho nas áreas de exploração artesanal, nos
neste código;
C A P Í T U L O X V
TRANSGRESSÕES PENAIS
S e c ç ã o
(Prevenção e Repressão)
A r t i g o 2 2 0
(Âmbito)
1. O regime penal estabelecido neste capítulo aplicase às pessoas e aos actos envolvendo minerais e
direitos e obrigações a eles associados, tipificados neste código como infrac
2. Nos casos não tipificados como crime pelo presente código, mas que constituam infracção penal envol
actos relacionados com a actividade minera, aplicase o regime penal comum.
A r t i g o 2 2 1
(Órgãos Competentes)
1. A prevenção e repressão dos crimes envolvendo minerais comuns compete, em todo o território naci
comuns de prevenção e repressão criminal do Estado, nos termos estabelecidos pela
2. A prevenção e repressão dos crimes envolvendo minerais estratégicos compete, em todo o territór
órgãos policias especiais de prevenção e repressão de crimes envolvendo minerais estratégicos, nos term
neste código e na lei comum
3. O Governo pode criar no interior dos órgãos judiciários de investigação e instrução processual com
especializadas de prevenção, investigação e instrução de processos penais de minerais estratégicos, as q
todo o caso, sujeitas a uma mesma direcção orgânica e a uma fiscalização comum do Mini
4. O Governo pode criar uma corporação policial especializada para a prevenção e repressão de cri
minerais estratégicos, nos termos definidos no Artigo.
A r t i g o 2 2 2
(Regimes Especiais de Remuneração)
O Conselho de Ministros pode estabelecer regimes especiais de remuneração para a Polícia Nacional
Judiciais e do Ministério Público, funcionários da justiça e demais trabalhadores dos restantes órgãos
repressão criminal, colocados nas áreas de produção de minerais, sempre que a necessidade de prevenção
o justifiquem.
A r t i g o 2 2 3
(Recompensa por Colaboração)
As pessoas que, por qualquer forma, determinarem a apreensão de minerais estratégicos, terão direi
equivalente a 25% do respectivo valor.
A r t i g o 2 2 4
(Minerais Apreendidos)
1. Os minerais apreendidos no âmbito de acção penal devem ser submetidos a exame e avaliação por peri
credenciados pelo Ministério da Tutela e entregues a este, que actuará como fiel depositária enquanto d
Depois de avaliados, e mediante requisição
órgãos competentes de investigação e de instrução processual, transitarão, sob termo de entrega, para a
2. Os minerais apreendidos serão depois do julgamento condenatório definitiva entregues aos seguinte
a) Às empresas detentoras de títulos de direitos de prospecção ou de exploração, quando estiver clarame
que foram extraídos ou furtados das jazidas de produção, instalações de escolha, de tratamento, d
segurança dos respectivos titulares;
b) Ao Estado, através do ministério da tutela ou dos órgãos públicos de comercialização de minerais estr
existirem, nos restantes casos.
S e c ç ã o I
Crimes Mineiros
A r t i g o 2 2 5
(Entrada não Autorizada em Zona Restri
1. O acesso e a permanência de pessoas numa zona restrita de produção mineral estratégica, fora dos ca
permite, é punidos com prisão e multa até 2
2. Havendo negligência, a pena é a de prisão até 6 meses ou multa até 1 ano.
A r t i g o 2 2 6
(Introdução Ilícita em Áreas de Mineração Arte
1. Todos os que se introduzirem, sem título, numa área demarcada para a exploração artesanal de mine
serão punidos com prisão até 6 meses ou multa até 1
2. A pena é a de prisão e multa até 2 anos, se o agente não tiver residência permanente na zona em
infracção.
3. Em caso de negligência a pena é a de prisão até 3 meses ou multa até 6 meses.
A r t i g o 2 2 7
(Actividade Ilícita de Prospecção)
1. A actividade de reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação de minerais estratégicos sem se
nos termos deste código e da legislação complementar, é punível com a pena de prisão e multa até 2 an
autores morais ou materiais.
2. A mesma actividade praticada por agentes ou mandatários dos autores morais ou materiais, é punida
cumplicidade.
A r t i g o 2 2 8
(Actividade Ilícita de Exploração)
A actividade de exploração de minerais estratégicos, assim como a sua simples extracção, sem o com
título de concessão de direitos de exploração, é punida como crime de furto com a pena de 2 a 8 anos
salvo se, havendo extracção, outra mais grave lhe couber, em razão do valor dos minerais extraídos.
A r t i g o 2 2 9
(Furto de Minerais Estratégicos)
1. O furto de minerais estratégicos em bruto é punível com pena de 8 a 12 anos de prisão maior, se outra
lhe couber, em razão do valor dos minerais extraídos e das circunstâncias em que o crime
2. O furto de minerais estratégicos transformados, depositados em locais de guarda e conservação, é puni
de furto, agravadas.
A r t i g o 2 3 0
(Posse Ilícita de Minerais Estratégicos)
1. A posse ou a mera detenção, fora dos casos legalmente autorizados, de minerais estratégicos em bruto,
pena de 2 a 8 anos de prisão
2. A posse ou mera detenção não autorizada de minerais estratégicos transformados, depositados em lo
conservação, sem que haja a intenção de furtar, é punida com a pena de prisão, podendo a pena ser subs
até 1 ano, em função da pouca gravidade do acto.
A r t i g o 2 3 1
(Tráfico Ilícito de Minerais Estratégicos)
1. Constitui tráfico ilícito de minerais estratégicos a compra, a venda, a dação em pagamento ou outra qu
transmissão, assim como a saída do território nacional, fora dos casos legalmente autorizados, de minerais
bruto.
2. O tráfico ilícito de minerais estratégicos é punível com a pena de 8 a 12 anos de
3. A comercialização de minerais estratégicos transformados, sempre que tal comercialização esteja sujeit
expressas ou a medidas de segurança especiais em razão da sua perigosidade para a saúde pública, é pu
de prisão e multa até 2 anos.
A r t i g o 2 3 2
(Introdução Ilícita de Minerais Estratégicos em Território
1. A introdução não autorizada em território nacional de minerais estratégicos em bruto, é punível com
anos de prisão maior.
2. Tratandose de minerais estratégicos perigosos para a saúde pública, em bruto ou transformados, a pen
anos de prisão maior.
A r t i g o 2 3 3
(Tráfico de Minerais sem Valor)
O tráfico de minerais sem valor fazendoos passar por minerais estratégicos, em bruto ou transformados,
pena de prisão e multa até 2 anos.
A r t i g o 2 3 4
(Condições de Punibilidade)
Os agentes dos crimes descritos nos artigos anteriores só são punidos se forem surpreendidos em flagrante
A r t i g o 2 3 5
(Actos Preparatórios, Cumplicidade e Encobriment
1. Os actos preparatórios dos crimes enunciados neste capítulo são puníveis com pena de prisão e multa
2. Os cúmplices de actos criminosos praticados por autores dos crimes previstos neste capítulo são punid
aplicáveis aos respectivos autores, mas atenua
3. O encobrimento de actos criminosos ou de pessoas que pratiquem os crimes previstos neste capítulo é
penas aplicáveis aos autores.
A r t i g o 2 3 6
(Multa Acessória)
1. A pena acessória de multa pela condenação por qualquer crime mineiro que a preveja não pode ser
valor dos minerais estratégicos objecto do crime cometido nem superior ao seu v
2. Se o crime for cometido por representantes, mandatários ou empregados de sociedades ou outras pesso
seu interesse, estas respondem solidariamente pelo pagamento da multa.
A r t i g o 2 3 7
(Medidas de Segurança)
1. Os agentes dos crimes previstos na presente capítulo que sejam estrangeiros nos termos da lei ango
expulsos do território nacional, depois de terem cumprido a
2. No caso de haver convenções internacionais ou bilaterais de que o Estado Angolano seja parte, sob
outras medidas semelhantes, serão estas aplicadas em conjugação com as penas previstas
3. Se os agentes dos mesmos crimes exercerem profissão titulada ou actividade económica sujeita a l
forem agentes ou administradores de sociedade legalmente constituída, poderá serlhes aplicada a pe
interdição do exercício da profissão, actividade de gerência, administração ou outra responsabilidade, pelo
anos.
4. Aplicase à interdição estabelecida no número anterior o disposto no nº 5 do artigo 70º do Código
necessárias adaptações.
A r t i g o 2 3 8
(Bens Perdidos a Favor do Estado
1. Nos crimes dolosos previstos neste capítulo, os minerais e materiais apreendidos devem ser declaradas
do Estado.
2. Incluemse nesta medida os equipamentos de produção ou de tratamento mineral usado para o crime
que, fora das condições previstas neste código, circulem nas áreas mineiras de acesso restrito, como ta
código, e as viaturas em que essas mercadorias e os agentes do crime forem transportados, salvo se perte
outras, a pessoas sem nenhuma participação no crime e que estejam de boa fé.
A r t i g o 2 3 9
(Atenuação Especial de Penas)
1. Em caso de confissão voluntária e útil para a descoberta de crimes e dos seus agentes, pode o tr
qualquer pena de prisão maior por penas de prisão e isentar os réus do cumprimento das penas de pri
acessória.
2. O tribunal pode igualmente reduzir qualquer pena de prisão maior até ao mínimo de 1 ano, ou subs
correccional nunca inferior a 6 meses, sempre que, pr
circunstâncias que justifiquem o uso da faculdade de atenuação especial da pena, o dano ou perigo de
sejam de valor reduzido ou insignificante.
A r t i g o 2 4 0
(Desobediência)
1. Os titulares de direitos mineiros que se recusem a cumprir as ordens e orientações transmitidas por ag
com poderes estabelecidos neste código ou na legislação comum, cometem o crime de desobediência, n
penal.
2. O crime de desobediência é agravado nos casos em que do acto resultem prejuízos para o Estado ou
casos em que o infractor deve responder acessoriamente pelos prejuízos causados.
L I V RO I V
DO REGIME TRIBUTÁRIO E ADUANEIRO
C A P Í T U L O X V I
REGIME TRIBUTÁRIO
S e c ç ã o
Disposições Gerais
A r t i g o 2 4 1
(Objecto e Âmbito)
As disposições constantes do presente Capítulo constituem o regime tributário aplicável a todas as entida
estrangeiras que exerçam as actividades de reconhecimento, pesquisa, prospecção e de exploração d
termos do presente código, em território nacional, bem como em outras áreas territoriais ou internacionais
direito ou os acordos
internacionais reconheçam poder de jurisdição tributária à República de Angola.
A r t i g o 2 4 2
(Encargos Tributários)
1. As entidades referidas no artigo anterior estão sujeitas, consoante a sua actividade, aos seguintes enca
a) Imposto de rendimento;
b) Imposto sobre o valor dos recursos minerais
c) Taxa de superfície;
d) Taxa de exercício da actividade min
e) Contribuição para o Fundo Ambient
2. Os encargos referidos no n.º 1 do presente artigo não excluem a sujeição das entidades referidas no a
Objecto e Âmbito do Regime Tributário) a outros impostos ou taxas, bem como direitos e demais impos
devidos por lei, pela prática de actos complementares ou acessórios das actividades referidas no artig
Capítulo, excepto quando deles estejam expressamente isentos, assim como dos emolumentos previstos n
A r t i g o 2 4 3
(Independência dos Encargos e das Obrigações Tribu
O cálculo da matéria colectável e a liquidação dos encargos tributários das entidades referidas no ar
Objecto e Âmbito do Regime Tributário) fazse, para cada concessão mineira, de forma autónoma, send
entre si as obrigações tributárias relativas a uma determinada concessão mineira e a quaisquer outras.
A r t i g o 2 4 4
(Imposto sobre Aplicação de Capitais)
Os dividendos distribuídos pelas sociedades ou associações, resultantes dos rendimentos obtidos na
exploração mineira, estão sujeitos ao imposto sobre aplicação de capitais, nos termos da lei.
A r t i g o 2 4 5
(Imposto sobre o Rendimento do Trabalh
Ostrabalhadores estrangeiros, residentes ou não, contratados pelos concessionários ou por quem, de form
a actividade de pesquisa, prospecção ou exploração de recursos minerais, bem como todos aqueles que fo
para prestar serviços técnicos, científicos ou artísticos, não tributados por outro imposto, ficam sujeitos ao
rendimento do trabalho, nos termos e condições previstos na lei.
A r t i g o 2 4 6
(Legislação Subsidiária)
Em tudo o que não estiver previsto no presente código sobre a tributação é aplicado, subsidiariamente
Tributário e demais legislação avulsa de natureza fiscal e administrativa.
S e c ç ã o I
Encargos Tributários
S u b s e c ç ã o
Imposto de Rendimento
Artigo 247º
(Definição)
O imposto de rendimento sobre a actividade mineira referido na alínea a), n.º 1, do artigo 242º
Tributários), é o imposto industrial que se encontra genericamente regulado na legislação comum.
A r t i g o 2 4 8
(Taxa)
A taxa do imposto de rendimento para a indústria mineira é de 35%. A
(Incidência)
1. O imposto de rendimento previsto neste diploma incide sobre os lucros imputáveis ao exercício das ent
ou estrangeiras que, nos termos do presente código, tenham adquirido os direito
2. As associações em par t icipação ou out ras associações sem personalidade jurídica são responsáveis p
da obrigação fiscal decorrente da sua actividade, sem prejuízo da responsabilidade solidária dos seus
medida das suas par t icipações, em caso
incumprimento.
3. Para os efeitos referidos no número anterior, as associações em participação e outras entidades se
jurídica devem proceder ao cadastro tributário junto da repartição fiscal respectiva, nos termos es
Ministério das Finanças.
Artigo 250º
(Isenções)
Ficam isentos do pagamento do imposto sobre o rendimento as entidades que, nos termos do presente
sujeitas ao pagamento da Taxa sobre o Exercício da Actividade Mineira.
A r t i g o 2 5 1
(Custos ou Perdas Dedutíveis)
1. Para efeitos de determinação do rendimento líquido tributável das entidades sujeitas ao imposto sob
nos termos deste código, consideramse custos ou perdas imputáveis ao exercício o
a) Encargos da actividade básica, acessória ou complementar, relativos à produção mineira, tais como o
matérias utilizadas, mãodeobra, energia e outros gastos gerais de fabricação, de conservação
b) Encargos de distribuição e venda, abrangendo os de transportes, publicidade e colocação dos mine
c) Encargos de natureza financeira, entre os quais juros de capitais alheios empenhados na empresa, d
transferências, oscilações cambiais, gastos com operações de crédito, cobrança de dívidas e emissõ
obrigações e prémios de reembolso;
d) Encargos de natureza administ rat iva, designadamente com remunerações, quotas, subsídios e compa
associações económicas e organismos corporativos, abonos de família, ajudas de custo ou subsídios diá
consumo corrente, transporte e comunicações, rendas, contencioso, pensão de reforma, previdência socia
excepção dos de vida a favor dos s
e) Encargos com análises, racionalização, investigação, consulta e especialização técnica do
f) Encargos fiscais e parafiscais a que estiver sujeito o contribuinte, sem prejuízo do disposto no
g) Reintegrações e amortizações dos elementos do activo sujeitos a deperecimento, mas com observância
artigo ____º deste Capítulo e dos artigos 30.º a 35.º do Código do Imposto
h) Encargos aduaneiros que tenham sido pagos por incorporação no preço dos bens de equipamento impor
internamente a não detentores de direitos mineiros que não beneficiem de isenções semelhantes ao
direitos mineiros, nos termos deste
código;
i) Provisões;
j) Indemnizações e prejuízos resultantes de eventos cujo risco não seja
k) Encargos emergentes da segurança das actividades
l) Imposto sobre o Valor dos Recursos Mi
m) Custos de prospecção e pesquis
n) Contribuição para o Fundo Ambient
2. As ofertas ou donativos feitas ao Estado ou para fins de natureza educativa, cultural, científica, caridad
desde que previamente autorizados pela autoridade fiscal, também são considerados custos ou perda
exercício.
A r t i g o 2 5 2
(Custos Fiscais de Amortizações e Reintegraç
São tidos como custos ou perdas do exercício, até ao limite das taxas anuais indicadas, os seguin
reintegração e amortização do activo imobiliz
a) Equipamentos mineiros fixos: 20%;
b) Equipamentos mineiros móveis: 25%;
c) Ferramentas e utensílios de mineração: 3
d) Equipamentos de acampamento: 20%;
e) Bens incorpóreos, incluindo despesas de prospecção e pesquisa: 25%.
A r t i g o 2 5 3
(Provisões para Recuperação Ambiental)
1. Os concessionários dos direitos de exploração que, nos termos do presente código, procedam à actividad
mineira, devem constituir uma provisão destinada a custear a restauração ou recuperação do ambiente
danos provocados pelas actividades geológicas e m
2. As taxas e o limite da provisão, são fixados pelo Ministro das Finanças, ouvidos os ministros de tute
mineira e do ambiente, de acordo com o montante determinado pelo estudo de impacto ambiental qu
estudo de viabilidade técnicoeconómica
no processo de obtenção dos direitos de expl
3. As despesas efectuadas com a recuperação ambiental são primeiramente abatidas ao valor acumul
existente e, no limite desta, antes que possam ser deduzidas a título de custo d
4. A provisão existente deverá ser utilizada até ao termo da concessão ou do contrato, devendo o titular d
respectivo ou a associação, no último ano de exploração, prestar uma caução, sob a forma de garantia ba
equivalente ao da provisão ou do seu remane
5. Havendo manifesta incúria do titular do direito mineiro ou de quem legalmente proceda a actividad
mineira, certificada pelos ministros de tutela da actividade mineira e do ambiente, e sem prejuízo da apl
medidas previstas em lei pelos organismos competentes, as despesas efectuadas para a respectiva recupe
não serão
dedutíveis da matéria colectável do imposto de rendimento.
A r t i g o 2 5 4
(Dedução de Prejuízos de Exercícios Anterio
Os prejuízos verificados num determinado exercício económico serão deduzidos nos lucros tributáveis,
cinco anos posteriores, devidamente corrigidos nos termos previstos na lei.
A r t i g o 2 5 5
(Custos ou Perdas não Dedutíveis)
1. Não se consideram custos ou perdas do e
a) O imposto de rendimento;
b) As despesas incorridas por falta grave, negligência grave ou dolo por parte do contribuinte ou quem
deste;
c) As comissões pagas aos intermediári
d) As indemnizações, multas ou penalidades por incumprimento das obrigações legais ou contratuais e as
verificação de eventos cujo risco seja segu
e) As despesas incorridas em processos de arbitragem, salvo quando realizadas para defesa das oper
f) As ofertas ou donativos que não tenham sido feitas ao Estado ou para fins de natureza educativa, cu
caridade e beneficência e com a autorização prévia da autoridade
g) Os juros intercalares pagos nos termos do parágrafo 2.º do artigo 192.º do Códig
h) As despesas de formação do pessoal expatriado e dos programas de formação que não respeitem os te
legislação aplicável;
i) Quaisquer impostos e contribuições devidos, seja a que título for, pelos trabalhadores residentes e nã
Angola, bem como pelos administradores, directores, gerentes, membros do Conselho Fiscal e outros
contribuinte, se este os substituir no pagamento de tais
j) As despesas de representação escrituradas a qualquer título, e ainda que devidamente documentada
exceda 20% da remuneração base;
k) As despesas de carácter pessoal de sócios ou accionistas do c
l) As contrapartidas oferecidas ao Estado pela atribuição de concessões
2. Não são permitidas deduções que se traduzam em duplicação.
A r t i g o 2 5 6
(Incentivos Fiscais)
1. A requerimento dos interessados, dirigido ao Ministro das Finanças, ouvido o parecer do ministro da tute
Nacional de Impostos, os titulares de direitos mineiros sujeitos a imposto industrial podem obter incentivos
de custos dedutíveis.
2. São passíveis de incentivos, designadamente, os seguintes actos relevantes para a econo
a) O recurso ao mercado local de bens e serviços compl
b) O desenvolvimento da actividade em zonas r
c) A contribuição para a formação e treinamento de recursos humano
d) A realização de actividades de pesquisa e desenvolvimento em cooperação com instituições académ
angolanas;
e) O tratamento e beneficiação local dos m
f) A relevante contribuição para o aumento das exp
3. Os titulares de direitos mineiros que o requeiram, nos termos do número um deste artigo, poderão obte
prémios de investimento (uplift) e períodos de graça no pagamento do importo de rendimento, sem
abrangidos pelas alíneas a)e b)do número 2 deste artigo.
S u b s e c ç ã o I
Imposto sobre o Valor dos Recursos Minerais (Royalty)
Artigo 257º
(Incidência)
1. O Imposto sobre o Valor dos Recursos Minerais, ou Royalty, incide sobre o valor dos minerais extraídos
ou, quando haja lugar a tratamento, sobre o valor dos con
2. Tratandose de mineração artesanal de diamantes, o roaylty incide sobre o valor dos lotes adquirid
públicos de comercialização, nos termos deste c
3. Tratandose de mineração artesanal de outros minerais, estratégicos ou não, o roaylty incide sobre o va
adquiridos pelos órgãos públicos de comercialização e outros compradores autorizados, nos termos do artig
A r t i g o 2 5 8
(Valor dos Minerais)
1. As entidades sujeitas ao Imposto sobre o Valor dos Recursos Minerais devem, até ao dia 15 de cada m
repartição fiscal competente, uma declaração Modelo D, em triplicado, ou outro documento que legalm
substituir, contendo as quantidades mensais produzidas no mês anterior, o seu valor, as bases u
determinação do seu preço e
outros elementos necessários ao cálculo do imposto
2. O valor dos minerais produzidos, para efeitos de cálculo do royalty é determinado em função do preç
das vendas feitas no período reportado ou, quando tal não seja possível, é fixado em relação à méd
internacionais.
3. Os exemplares da declaração referida no número 1 deste artigo, depois de visadas pelo Ministério
autenticadas com selo branco, destinamse um ao declarante, um para o processo existente no Ministério
outro para o ministério da tutela
4. As disposições contidas nos números anteriores deste artigo são aplicáveis às entidades comercial iz
termos deste capítulo, devem pagar o Imposto sobre o Valor dos Recursos Minerais dos minerais por
entidades que exercem exploração artesanal.
Artigo 259º
(Isenções)
1. Estão isentos do pagamento do Imposto sobre o Valor dos Recursos Minerais os minerais extraídos pela
exerçam apenas actividades de prospecção e pesquisa, cujo valor comercial seja
2. É competente para dirimir conflitos sobre a relevância ou irrelevância de minerais extraídos du
reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação, o ministro da tutela.
A r t i g o 2 6 0
(Taxa)
1. As taxas do royalty a aplicar sobre o valor dos recursos minerais são as
a) Minerais estratégicos: 5%;
b) Pedras e minerais metálicos preciosos:
c) Pedras semipreciosas: 4%;
d) Minerais metálicos não preciosos: 3
e) Materiais de construção de origem mineira e outros minera
2. Quando haja variação positiva dos preços dos minerais, face aos preços constantes do estudo
técnicoeconómica, às taxas referidas no número anterior serão acrescidas as taxas constantes da tabe
Anexo II deste código e que dele é parte integrante, consoante a proporção da variação do preço.
Artigo 261º
(Pagamento)
1. O pagamento do Imposto sobre o Valor dos Recursos Minerais é feito até ao final do mês estabelecido p
declaração a que se refere o artigo 258º (sobre Valor dos Minerais), podendo ser efectuado em dinheiro
2. Não havendo notificação para pagamento em espécie, este será sempre efectuado
3. Quando o Estado optar pelo recebimento do royalty em espécie, a obrigação da entrada da receita resp
do Estado transitará para o organismo oficial que for encarregado de receber e administrar os min
pagamento pelas empresas exploradoras, devendo as empresas exploradoras entregar mensalme
correspondentes a tal organismo.
4. O prazo de entrega dos minerais a que se refere o número anterior é de 15 dias, findo o período a
pagamento do imposto.
5. O organismo oficial de que trata o número 3 deste artigo fica obrigado a entregar nos cofres do te
documento de arrecadação de receitas, até ao último dia de cada mês, as receitas realizadas com a vend
mês anterior, ou comunicar, dentro do mesmo prazo, a circunstância de não ter havido vendas, se e
6. No caso de haver pagamento em espécie, declaração idêntica à referida no artigo 258º (sobre Valor do
prestada em quadruplicado ao organismo oficial de que trata este artigo, que ficará com um exemplar
restantes pelas entidades mencionadas nesse artigo.
A r t i g o 2 6 2
(Penalidades)
1. Sempre que, por facto imputável ao contribuinte, for retardado o pagamento do royalty,a este acrescer
refere o artigo 39º do Código Geral Tributário, sem prejuízo da multa aplicada
2. Decorridos 30 dias sobre o prazo referido no artigo anterior, será ainda devida multa de valor igual ao im

3. Decorridos mais 30 dias, sem que se achem pagos o imposto e acréscimos legais, será imposta multa ag
igual ao dobro do imposto não pago, sem prejuízo dos procedimentos legais para cobrança coerciva das dív
S u b s e c ç ã o I I
Taxa de Superfície
Artigo 263º
(Incidência)
Os titulares de direitos de prospecção mineira concedidos nos termos do presente código estão obrigado
anual de uma taxa de superfície que incide sobre a área da concessão.
A r t i g o 2 6 4
(Taxa)
1. Durante a vigência da título de reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação no período inicial
detentor fica sujeito ao pagamento da Taxa de Superfície, na unidade monetária com curso legal, por quiló
da área correspondente à cada título, nos seguintes
a) Para os diamantes: o equivalente a 7 dólares dos Estados Unidos da América, no primeiro ano;12 dól
ano;20 dólares no terceiro ano;30 dólares no quarto ano e 40 dólares no
b) Para os restantes minerais estratégicos: o equivalente a 5 dólares dos Estados Unidos da América no
dólares no segundo ano;15 dólares no terceiro ano;25 dólares no quarto ano e 35 dólares n
c) Para as pedras e metais preciosos: o equivalente a 5 dólares dos Estados Unidos da América no primeir
no segundo ano;15 dólares no terceiro ano;25 dólares no quarto ano e 35 dólares
d) Para pedras semipreciosas: o equivalente a 4 dólares dos Estados Unidos da América no primeiro a
segundo ano;10 dólares no terceiro ano;15 dólares no quarto ano e 20 dólares no
e) Para minerais metálicos não preciosos: o equivalente a 3 dólares dos Estados Unidos da América n
dólares no segundo ano;7 dólares no terceiro ano seis;12 dólares no quarto ano e 18 dólares n
f) Para os materiais de construção de origem mineira e outros minerais: o equivalente a 2 dólares dos Es
América no primeiro ano;4 dólares no segundo ano;6 dólares no terceiro ano;10 dólares no quarto ano
quinto ano.
2. Para cada período de prorrogação do período inicial de 5 anos, previsto no presente código, os valores
correspondentes ao dobro do valor do quinto ano, por cada ano de
3. Os valores da taxa de superfície estabelecidos no número1 deste artigo poderão ser alterados medi
Governo, com fundamento nas alterações cambiais, monetárias, inflacionistas e outras que tenham
motivem a necessidade objectiva de tais alter
4. Havendo retenção de parte da área de concessão, em conformidade com as disposições deste capít
direitos mineiros respectivo deve pagar o triplo dos valores estabelecidos para o quinto ano, recaindo sobre
de concessão não libertada.
Artigo 265º
(Pagamento)
1. Para obtenção do título de prospecção ou da sua prorrogação, os interessados devem proceder ao pag
de superfície junto da Repartição Fiscal competente, com base numa guia de pagamento a emitir em
ministério de tutela, onde conste:
a) O mineral objecto da título de prosp
b) Área abrangida pela título de prospecção, em quilómetros quadrados, e sua
c) A fase de reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação, dis
o período inicial ou prorrogação em que se deve e
d) O montante a pagar anualmente nos termos estabelecidos neste
2. Os pagamentos subsequentes ao primeiro ano deverão ser efectuados até 31 de Janeiro do ano a que
sendo dispensada a apresentação de nova guia, a menos que se verifique qualquer alteração nos
3. Os exemplares da guia referida no número 1 deste artigo, depois de averbados pela Repartição Fisca
elementos que comprovem o seu pagamento, destinamse um para apresentação no ministério da tu
integrar o processo da Repartição Fiscal e o terceiro para o interessado.
A r t i g o 2 6 6
(Penalidades)
1. O atraso no pagamento da taxa de superfície, até 60 dias, para além do prazo estabelecido no núm
anterior, é punido com multa igual ao dobro do valor da
2. Decorridos 30 dias após o prazo referido no número anterior, sem que se ache regularizado o pagam
taxa devida e as cominações neles previstas, o devedor ficará sujeito a uma multa equivalente a cinco
taxa.
3. No caso do prazo mencionado no número anterior ser excedido, ou ainda
reincidência na mora e sem prejuízo para a execução das penalidades anteriores, será anulado, n
adequada, o título de concessão.
Subsecção IV
Taxa Artesanal
A r t i g o 2 6 7
(Taxa Artesanal dos Minerais não Estratégic
As entidades que exerçam actividade de exploração mineira artesanal de minerais não estratégicos
presente código, estão sujeitas ao pagamento da Taxa sobre o Exercício da Mineração Artesanal, ou Taxa A
A r t i g o 2 6 8
(Taxa Artesanal e Pagamento)
1. A Taxa Artesanal referida no artigo anterior é estabelecida por Decreto do Governo, por proposta d
Finanças e da tutela.
2. O valor da Taxa Artesanal é fixado em Salários Mínimos, sendo distinto para cada tipo de min
3. As normas processuais para o pagamento da Taxa Artesanal serão estabelecidas no Decreto do Gov
taxa.
A r t i g o 2 6 9
(Impostos e Taxas dos Minerais Estratégic
1. O titular do título de exploração artesanal de minerais estratégicos está sujeito ao pagamento de impost
e a um royaltyde até 5% do valor dos m
2. O imposto e a taxa descritos no número anterior são retidos na fonte pelo órgão público de comercializa
estratégicos por cada pagamento efectivo e entregue nos cofres do Estado, através da repartição fi
exercício da actividade artesanal, devendo para o efeito entregar ao titular da título um recibo provisó
3. A liquidação e entrega dos impostos devidos são da responsabilidade do órgão público de comercializa
estratégicos, que responde pela totalidade de cada imposto e acréscimos no caso de não
4. O órgão público de comercialização de minerais estratégicos é responsável pela entrega do comprovativ
do royalty ao titular da título
5. As repartições fiscais devem manter organizados os processos de cada titular de título de exploraç
minerais estratégicos a quem atribuirão o respectivo número de contribuinte.
S u b s e c ç ã o
Fundo Ambiental
A r t i g o 2 7 0
(Dever de Contribuição)
1. Com excepção da actividade mineira artesanal, as entidades que exerçam a actividade de exploraçã
sujeitas ao pagamento de uma contribuição ao Estado que se destina à constituição de um Fun
2. A competência para criar o Fundo Ambiental e aprovar a sua orgânica e competências é do Governo, o q
o montante da contribuição referida no número anterior, bem como outras regras, incluindo a forma d
afectação das receitas respectivas.
C A P Í T U L O X V I I
REGIME ADUANEIRO
A r t i g o 2 7 1
(Objecto)
1. Os titulares de direitos mineiros concedidos ao abrigo do presente código ficam sujeitos ao regime ad
neste capítulo.
2. Em tudo quanto não se encontre estabelecido neste capítulo, é aplicável o regime g
A r t i g o 2 7 2
(Isenção para Operações de Prospecção)
1. É isenta de direitos e da taxa de serviço relativa aos emolumentos gerais adu
excepção do imposto de selo, da taxa estatística de 1/1000 e das restantes taxas de prestação de servi
importação de mercadorias destinadas exclusiva e directamente à execução das operações de prosp
reconhecimento, exploração e tratamento de recursos minerais, constantes de lista a aprovar por Decreto
proposta do Ministério das Finanças e da
2. Por solicitação do titular de direitos mineiros respectivo, e após parecer da Direcção Nacional das Alfând
acrescentadas às listas anexas, através de Decreto Executivo dos Ministros das Finanças e da tutela, ou
destinadas exclusiva e directamente à execução das operações mineiras referidas no número anterior.
A r t i g o 2 7 3
(Protecção da Indústria Nacional)
A isenção prevista no artigo anterior não é aplicável no caso de se produzirem em Angola as mercad
isenção, da mesma ou similar qualidade, e que estejam disponíveis para venda e entrega em devido tem
preço não exceda 10% relativamente ao custo do artigo importado, antes da aplicação dos encargos adua
inclusão dos custos de transporte e seguro com o método de avaliação do valor da Organização Mundial do
A r t i g o 2 7 4
(Exclusividade)
1. No acto de importação das mercadorias referidas no artigo anterior, deverá ser presente às autoridades
declaração de compromisso, visada pelo ministério da tutela, da sua aplicação exclusiva nas opera
presente decreto, cabendo àquelas autoridades a sua fisc
2. O visto a que se refere o número anterior só pode ser aposto por uma entidade do ministério de tutela
esteja reconhecida junto da Direcção Nacional das Alfâ
3. Sem prejuízo do disposto no número seguinte, constitui descaminho de direitos, previsto e puníve
aduaneira em vigor, a utilização dos bens, das matériasprimas e dos produtos cuja importação é isenta, re
anterior, para fins diferentes dos previstos e auto
4. O desvio da regra da exclusividade de aplicação nas operações dos bens importados com isenção adua
presente regime aduaneiro, bem como a sua alienação, deverá, nos termos da legislação em vigor,
requerido ao Ministro das Finanças, sendo os bens, no caso de o requerimento ser favoravelmente despa
do pagamento dos
encargos devidos.
A r t i g o 2 7 5
(Proibição de Venda)
Os bens importados no âmbito do regime de isenções previsto no artigo 272º (sobre Isenções par
Prospecção), não poderão ser vendidos no território Nacional, sem a prévia autorização da Direcç
Alfândegas e sujeitos ao pagamento dos direitos e demais imposições aduaneiras.
A r t i g o 2 7 6
(Importação para Venda, Uso ou Consumo dos Trabal
A isenção a que se refere o artigo 272º (sobre Isenções para Operações de Prospecção) não se aplic
importadas pelos titulares de direitos mineiros quando se destinam a venda aos seus trabalhadores e ao
individual e/ou colectivo destes.
A r t i g o 2 7 7
(Importação Temporária)
É permitida a importação temporária, com dispensa de caução, dos bens referidos no artigo 272º (sob
Operações de Prospecção), sendo livre de encargos aduaneiros a consequente reexportação, à excepçã
selo de despacho e das taxas normalmente devidas pela prestação de serviços.
A r t i g o 2 7 8
(Exportação Temporária)
1. É permitida a exportação temporária, com dispensa de caução, dos bens mencionados no artigo 272º
para Operações de Prospecção), que vão para reparação, beneficiação ou conserto, sendo livre de encarg
respectiva reimportação, devendo para o efeito apresentarse uma declaração de compromisso de reimpo
máximo de um ano.
2. A regra contida no número anterior aplicase às amostras extraídas durante as operações geológicomine
de ser analisadas no exterior do país, desde que não existam iguais condições de análise em Angola.
A r t i g o 2 7 9
(Importações de Bagagens e Objectos Pesso
A importação de bagagens e objectos de uso pessoal e doméstico pertença de técnicos estrangeiros
temporária no país, bem como dos familiares que os acompanhem e com eles coabitem, segue o conce
regime de bagagens em vigor no país.
A r t i g o 2 8 0
(Responsabilidade Fiscal)
As isenções previstas nos artigos anteriores não incluem eventuais multas e custas de processos por in
aduaneiras, as quais são sempre devidas.
A r t i g o 2 8 1
(Exportação de Minerais)
A exportação de recursos minerais legalmente ext raídos ou transformados, efectuada directa ou indi
titular de direitos mineiros, desde que devidamente licenciada nos termos da legislação em vigor, não
pagamento de direitos e demais imposições aduaneiras, incluindo taxa de serviço, à excepção do i
emolumentos pessoais e subsídios de transporte.
A r t i g o 2 8 2
(Exportação de Amostras)
A exportação de amostras minerais destinadas à análises e ensaios não está sujeita ao pagamento de d
imposições, a excepção do imposto de selo e taxas pela prestação de serviços.
A r t i g o 2 8 3
(Desalfandegamento Expedito)
1 . No c a s o d e me r c a d o r i a s q u e , p e l a s u a n a t u r e z a , e x i j am desalfandegam
autoridades aduaneiras devem autorizar a sua saída imediata, mediante medidas cautelares ad
responsabilidade do importador ultimar o respectivo bilhete de despacho no prazo máximo 3
2 . Para poderem beneficiar do sistema de desalfandegamento expedito referido no número anterior
direitos mineiros podem, caso assim o decida a Direcção Nacional das Alfândegas, prestar caução que cub
aduaneiras susceptíveis de pagamento no âmbito deste regime aduaneiro especial, bem como eventuais
de processos
resultantes do incumprimento dos prazos referidos no número anterior e outros procedimentos aduaneiros
A r t i g o 2 8 4
(Abertura de Posto Aduaneiro)
1. O Ministro das Finanças, sempre que razões ponderosas o justifiquem, pode autorizar a abertura de p
nas áreas onde se localizem projectos min
2. Pelo posto aduaneiro poderão ser desalfandegadas todas as mercadorias de qualquer natureza, que sej
luz do presente código e qualquer que tenha sido o local de entrada em Angola, desde que o seu a
obedeça as normas internacionais para circulação
mercadorias em transportes internacionais.
A r t i g o 2 8 5
(Fiscalização Aduaneira nas Áreas Mineiras)
As áreas de concessão mineira são consideradas sob fiscalização permanente das Alfândegas, pelo qu
aduaneira deve ser permitido o livre acesso a todos os locais das mesmas, respeitadas as restrições impos
P A R T E S E G U N D
REGIMES JURÍDICOS ESPECIAIS
C A P Í T U L O X I
PRODUÇÃO ARTESANAL DE DIAMANTES
A r t i g o 2 8 6
(Regime Jurídico)
1. Ao acesso e exercício de direitos mineiros de exploração artesanal de diamante
as regras deste código e, em especial, as regras definidas neste
2. Compete ao Governo aprovar as regras complementares para regular a actividade mineira artesanal
diamantes, sempre que se mostre necessário.
Artigo 287º
(Outorga de Direitos para Exploração Artesanal de Dia
1. Compete ao ministério da tutela, sob proposta da empresa concessionaria nacional dos direitos
diamantes, a outorga de direitos mineiros para a exploração artesanal de
2. A exploração artesanal de diamantes só pode realizarse nos jazigos aluvionares e, ainda assim, desde q
a sua exploração não pode ser feita à escala industrial.
Artigo 288º
(Título para a Exploração Artesanal)
1. O exercício da actividade de exploração artesanal de diamantes é permitido mediante a emissão d
ministério da tutela, designada Senha Mine
2. A área autorizada por cada título para o exercício de exploração artesanal é de até 1 (um) hect
delimitada e demarcada.
3. Não é permitida a acumulação de mais de um título por cada indivíduo.
A r t i g o 2 8 9
(Duração do Título)
1. A autorização para a exploração artesanal de diamantes é concedida por 1 (um) ano, contado a p
emissão do título, podendo ser prorrogada por iguais períodos, desde que o titular tenha cumprido cab
obrigações legais no período anterior.
2. Para o efeito do preceituado no N. 1 deste artigo, o requerimento deve ser entregue no ministério da t
órgão administrativo local, no prazo máximo de 45 dias, antes da caducidade da an
3. A falta de resposta ao pedido no prazo de 45 dias significa indeferimento, devendo cessar as operações
A r t i g o 2 9 0
(Requisitos para a Obtenção do Títul
1. Para a obtenção de um título para a exploração artesanal de diamantes os requerentes deverão preenc
requisitos:
a) Ser cidadão nacional com mais de 18 anos de
b) Residir há mais de dez anos nas comunas circundantes das áreas destinadas à exploração artes
2. A qualidade de cidadão nacional e de residente são reconhecidas, respectivamente, mediante a apresen
de Identidade e do Atestado de Residência emitido pela Administração
3. Em caso de dúvida sobre a informação prestada acerca da residência, esta deve ser comprovada
tradicional da área respectiva, mediante prova testemunhal feita perante o órgão da administração local
tutela, da qual se lavrará uma acta assinada pelos inter
4. Caso a autoridade tradicional não confirme a residência, o facto deve ser comunicado à Administraç
emitiu o Certificado de Residência e ao órgão policial competente para a sua solução antes de se prossegu
atribuição do título.
A r t i g o 2 9 1
(Direitos do Titular)
O titular do título para a exploração artesanal de diamantes tem, entre outros, os segu
a) Acesso às informações geológicomineiras disponíveis, junto do Órgão de tutela e da empresa
b) Comercializar os diamantes extraídos na área concedida, nos termos do regime estabelecido pelo presen
A r t i g o 2 9 2
(Obrigações do Titular)
O titular da título tem, entre outras, as seguintes o
a) Usar a credencial de identificação para o exercício da
b) Permitir o controlo e a fiscalização da actividade por parte do órgão de tutela, das autoridades competen
concessionária e dos órgãos policiais competen
c) Informar às autoridades competentes sobre a ocorrência de outros minerais que eventualmente sejam
decurso da actividade de exploração artesa
d) Vender os diamantes produzidos da actividade de exploração artesanal ao órgão público de com
diamantes, nos termos estabelecidas na presente s
e) Pagar pontualmente as taxas e impostos d
f) Informar às autoridades competentes a ocorrência de acidente de trabalho ou doenças
g) Preservar a natureza e reparar os danos causados ao
h) Garantir e promover o cumprimento das normas de segurança e higiene n
i) Depositar os diamantes extraídos e não vendidos na caixa forte da concessionária na presença de um r
órgão policial competente;
A r t i g o 2 9 3
(Competências do Órgão de Tutela)
Compete ao ministério da tutela as seguintes
a) Emitir, suspender o e revogar os títulos para o exercício da actividade de exploraç
b) Acompanhar e fiscalizar a actividade de exploração
c) Controlar e registar a produção artesanal de di
d) Organizar o cadastro único da actividade de exploração artesanal, em conformidade com o estipul
secção.
A r t i g o 2 9 4
(Obrigações da Concessionária Nacional)
1. É da responsabilidade da concessionária nacional dos direitos mineiros sobre ediamantes definir e de
para a exploração artesanal de diamantes, com fundamento nos resultados dos trabalhos de prospec
2. A concessionária nacional dos direitos mineiros sobre ediamantes deve cooperar com o ministério da
órgão policial competente no acompanhamento e fiscalização do exercício da actividade de exploração arte
A r t i g o 2 9 5
( A t r i b u i ç õ e s d a s A u t o r i d a d e s L o c a i s d a Administraçã
Constituem atribuições da Administração Municipal da Província, nas áreas em que o titular da títu
actividade, as seguintes:
a) Emitir o atestado de residência e declaração de honorabilidade dos candidatos à obtenção de título
certificação testemunhal da autoridade tradiciona
b) Confirmar por Declaração escrita que o candidato à obtenção da título reúne os requisitos exigidos por
exercer a actividade de produção artesanal de dia
c) Velar pela aplicação das normas referentes à circulação de pessoas e bens, bem como de activid
industriais, agrícolas ou outras alheias à produção de diamantes, nas áreas de exploraç
d) Garantira cooperação institucional entre as diversas instituições públicas sedeadas na província que c
actividade mineira, as empresas concessionárias e as autoridades tradicionais.
A r t i g o 2 9 6
(Procedimentos para a Obtenção do Títu
1. A solicitação para a obtenção de título é feita mediante requerimento dirigido ao ministro da tutela, co
de título de mineração artesanal préestabelec
2. O requerimento dá entrada no órgão administrativo local do ministério da tutela na província em que s
exploração requerida, e é registado em livro de entrada próprio, segundo a ordem de recepção, deven
respectivo recibo.
3. O requerimento deve ser acompanhado dos seguintes documentos do requerente e membros da equ
a) Atestado de residência;
b) Fotocopia do bilhete de identidad
c) Fotocópia do cartão de contribuint
d) Lista nominal dos membros da equipa de t
e) Registo criminal ou certificado de honorabilidade emitido pela administração
f) Três fotografias tipo passe;
4. Recebido o requerimento, o ministério da tutela notifica o órgão policial competente, juntando cópia d
análise, a fim de obter deste o respectivo
5. Após a emissão favorável do parecer pelo órgão competente da polícia, o ministério da tutela tem o pra
contar da data de entrada, para decidir sobre o requ
6. Aceite o pedido pelo ministério da tutela, este notifica o requerente através dos seus órgãos administra
o levantamento da respectiva título e creden
7. A entrega da título e das credenciais é feita pelos órgãos administrativos locais do ministério da
pagamento dos seguintes emolumentos:
a) Para a título, o correspondente a dois salários
b) Para a credencial, o correspondente a um salário mínimo por ca
8. A emissão de segundas vias da título e da credencial está sujeita ao pagamento de emolumentos corr
valores referidos no número anterior.
9. Os valores acima referidos devem ser pagos nas repartições fiscais do Ministério das Finanças da áre
entregue, sendo a cópia do Documento de Arrecadação de Receitas respectivo apresentado aos órgãos loc
da tutela e do órgão policial competente no acto do levantamento da título e da credencial.
A r t i g o 2 9 7
(Proibições Específicas)
1. Sem prejuízo de outras proibições previstas na lei, no exercício da actividade de exploração artesa
prática dos seguintes actos:
a) Introdução de produção de diamantes fora da área c
b) Inclusão de cidadãos estrangeiros na activ
c) Prestação de falsas declarações sobre o resultado da
d) Permissão da actividade de garimpo ou de tráfico ilícito de diamantes nos limites da área
e) Uso de equipamentos ou de meios não autorizados para a actividade
f) Comercialização de diamantes fora do circuito estabelecido neste código e pela autoridade
g) O exercício da actividade industrial agrícola ou outra, na área de exploração
h) O uso de equipamentos ou meios diferentes dos especificados neste código e nos regulamentos qu
aprovados.
A r t i g o 2 9 8
(Intransmissibilidade do Título)
1. É proibida a transmissão da título entre vivos e por morte do s
2. Em caso de morte ou incapacidade permanente do titular da título, qualquer membro do seu agregado
direito de preferência sobre a área concedida, desde que manifeste o interesse em dar continuidade a
mesma área, demonstre capacidade, reuna os requisitos previstos no presente regulamento e se candid
dos respectivos direitos.
3. Para o cumprimento do disposto no número anterior o interessado deve, por requerimento dirigido ao m
manifestar o seu interesse, no prazo de 30 dias após a morte ou a manifestação de incapacidade do titular
A r t i g o 2 9 9
(Suspensão do Título)
1. O ministro da tutela pode ordenar a suspensão da título para o exercício de direitos mineiros de explora
diamantes sempre que ocorra uma das seguintes si
a) Por razões de força maior
b) Incapacidade ou interdição declarada do titular da
c) Incumprimento das obrigações do titular da
d) Inobservância do dever de cooperação, previsto na presente
2. A autoridade competente deve manter actualizado o registo de suspensão
3. A suspensão de títulos pelas causas previstas nas alíneas a) e b) do número 1 deste artigo suspende
tempo da sua validade até que estejam ultrapassadas as razões da suspensão.
A r t i g o 3 0 0
(Rescisão do Título)
O ministro da tutela pode rescindir a título e as credenciais de mineração artesanal quando ocorrer um
situações:
a) Interesse público relevante, incompatível com a exploração artesanal e
b) Falsificação de prova de nacionalidade ou de re
c) Prestação de falsas informações sobre o resultado da actividade de exploração
d) Falsificação de registo de produçã
e) Incumprimento das proibições previstas no Artigo 297º (sobre Proibições
f) Violação do dever de cooperaçã
g) Inclusão directa ou indirecta de cidadãos estrangeiros na
h) Comercialização de diamantes fora do circuito legal;
A r t i g o 3 0 1
(Cessação do Direito ao Título)
Para além das causas previstas na lei, a título e a credencial emitidas no âmbito da presente secção, cessa
casos:
a) Por caducidade;
b) Por morte do titular;
c) Por rescisão.
A r t i g o 3 0 2
(Modelos de Título e de Credencia
O modelo da título para o exercício da actividade de exploração artesanal de diamantes e a sua validad
ministério da tutela sob proposta do órgão policial competente.
A r t i g o 3 0 3
(Avaliação dos Diamantes)
1. A avaliação dos diamantes provenientes da exploração artesanal é feita no momento
2. Os diferendos que eventualmente surgirem durante o processo de avaliação dos diamantes de explo
deverão ser dirimidos pela via negoci
3. No caso de persistir o diferendo, compete à central pública de comercialização de diamantes, ou ao
comercialização de minerais estratégicos, a mediação e solução definitiva da negociação.
A r t i g o 3 0 4
(Compra e Venda)
1. Os diamantes provenientes da exploração artesanal são obrigatoriamente vendidos ao órgão público de
de diamantes, directamente pelo titular do
2. O valor de cada lote de diamantes adquirido é pago pelo órgão público de comercialização de diaman
título imediatamente após a avaliação dos me
3. Com a compra dos diamantes, o órgão público de comercialização de diamantes emite um recibo do
especificação do lote e dos valores praticados para efeitos de
4. Os procedimentos para a compra e venda dos diamantes devem ser realizados na presença de um r
órgão policial competente.
A r t i g o 3 0 5
(Impostos e Taxas)
1. O titular da título de exploração artesanal de diamantes está sujeito ao pagamento de impostos e tax
royaltyde até 5% do valor dos diama
2. O imposto e a taxa descritos no número anterior são retidos na fonte pelo órgão público de com
diamantes por cada pagamento efectivo e entregue nos cofres do Estado, através da repartição fiscal da á
da actividade artesanal, devendo para o efeito entregar ao titular do título um recibo provisório
3. A liquidação e entrega dos impostos devidos são da responsabilidade do órgão público de comercializaçã
que responde pela totalidade de cada imposto e acréscimos no caso de não
4. O órgão público de comercialização de diamantes é responsável pela entrega do comprovativo de
royaltyao titular da título.
5. As repartições fiscais devem manter organizados os processos de cada titular de título de exploraç
diamantes a quem atribuirão o respectivo número de contribuinte.
A r t i g o 3 0 6
(Emolumentos)
Os actos públicos para a atribuição de direitos mineiros estão sujeitos ao pagamentos de emolumentos, n
código e da legislação aplicável.
C A P Í T U L O X
LAPIDAÇÃO DE DIAMANTES
A r t i g o 3 0 7
(Regime Económico)
A lapidação e quaisquer outras formas de tratamento e beneficiamento industrial de diamantes em bruto
alínea c), do nº 1, do artigo 2º (sobre Âmbito de Aplicação deste Código), considerada actividade mine
governamental do ministério competente.
A r t i g o 3 0 8
(Investimento na Indústria de Lapidação)
O regime de investimento na indústria de lapidação de diamantes é o estabelecido na legislaçã
investimento privado, com as seguintes adaptaç
a) A entrega das intenções de investimento é feita junto da empresa concessionária de diamantes, que a
Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP) com o respectivo parecer técnico, económico
b) A negociação dos contratos de investimento deve sempre contar com a participação da empresa co
diamantes e da Central Pública de Comercialização de Diamantes.
A r t i g o 3 0 9
(Regime Fiscal e Aduaneiro)
O regime fiscal e aduaneiro, incluindo o regime de incentivos fiscais e aduaneiros, são os estabelecidos nes
actividade mineira.
A r t i g o 3 1 0
(Licenciamento)
O exercício da actividade industrial de lapidação está sujeita à obtenção das respectivas títulos e alva
comuns da actividade económica e comercial, devendo ser observados os seguintes
a) Ser empresa de direito angolano, com participação maioritária de cidadãos nacionais, ou emp
igualmente com participação maioritária de cidadãos nacionais, quando não forem empre
b) Ter capacidade técnica e financeira adequadas ao exercício da actividade de lapidação e de inv
indústria;
c) Apresentar um Estudo de Viabilidade Técnica, Económica e Financeira, juntamente com a intenção
aprovação pelo órgão competente pela aprovação do investimento, podendo ser submetido a uma audito
antes da aprovação;
d) Indicar o local de instalação, a capacidade de produção anual da fábrica de lapidação, as característ
mesma e o tamanho mínimo e máximo de diamantes em bruto que está capaz de lapidar, bem como o m
dos diamantes lapidados,
e) Cumprir as exigências de segurança estabelecidas nesta secção.
A r t i g o 3 1 1
(Aquisição de Diamantes em Bruto)
1. A aquisição de diamantes em bruto, nos termos e para os fins referidos nesta se
pelas regras estabelecidas nos artigos seguin
2. A aquisição de diamantes em bruto para lapidação está sujeita aos impostos e taxas estabelecido
actividade comercial em geral e ao pagamento das taxas e comissões a que houver lugar para cobrir ga
processo de comercialização, promoção interna e externa dos diamantes e estabilidade do mercado.
A r t i g o 3 1 2
(Canais de Aquisição de Diamantes em B
1. A aquisição de diamantes em bruto para lapidação fazse pela
mercado de produção interna, ou pela via da imp
2. Qualquer das duas vias de aquisição de diamantes em bruto para lapidação, referidas no número 1 des
a intervenção da Central Pública de Comercialização de Diamantes, criada pelo Governo nos termos da leg
A r t i g o 3 1 3
(Regime de Importação de Diamantes em B
1. A importação de diamantes em bruto para lapidação segue os procedimentos comuns de importação, m
autorização prévia do ministro da tutela, mediante parecer favorável da Central Pública de Comercializaçã
2. O pedido de autorização de importação de diamantes em bruto é dirigido ao ministro da tutela, d
indicação da quantidade e da qualidade de diamantes a importar, a origem, o valor parcial e global e
necessidade da sua importação.
3. Só estão autorizados a importar diamantes em bruto para lapidar as empresas possuidoras de fábric
estabelecidas no País.
4. A importação de diamantes em bruto para lapidação está sujeita às formalidades de garantia e certificaç
processo de Kimberly (CPK) estabelecidas neste código e na legislação específica sobre a matéria.
A r t i g o 3 1 4
(Características e Volume das Pedras a Adq
1. As empresas possuidoras de fábricas de lapidação só podem adquirir, no mercado nacional ou externo
bruto de tamanho compatível com as características e a capacidade técnica da respe
2. As empresas possuidoras de fábricas de lapidação não podem constituir stocks de diamantes em br
capacidade de produção de 2 meses da respectiva fábrica.
A r t i g o 3 1 5
(Proibição de Comercializar e Exportar Diamantes em
1. As empresas possu idoras de fábricas de lapidação não podem comercializar nem exportar diama
2. Os diamantes em bruto que, por qualquer razão, não possam ser lapidados na respectiva fábrica, devem
à Central Pública de Comercialização de Diamantes, ao preço da compra, menos o valor dos impostos e
calculado em termos proporcionais em relação ao lote inicialmente
3. Quando se tratar de diamantes em bruto importados, que não possam ser lapidados na respectiva fábr
importadoras devem, até 3 meses após a sua importação, vendêlos à Central Pública de Comercialização d
preço da compra, acrescidos das taxas e impostos pagos pela importação.
A r t i g o 3 1 6
(Justificação de Posse de Diamantes em B
1. As empresa possuidoras de fábricas de lapidação ficam obrigadas a informar à Central Pública de Co
Diamantes, através de um relatóriotipo a aprovar e a homologar por esta, a existência de diamantes em
lapidados, relativamente a cada lote de diamantes brutos adquiridos, até 3 meses após a s
2. Para efeitos dos Artigo 230º (sobre Posse Ilícita de Minerais Estratégicos), constitui prova de autorizaçã
de diamantes em bruto o documento que comprove a sua aquisição e a informação sobre posse de diam
ainda não lapidados, regulada no número anterior, depois de homologada pela Central Pública de Com
Diamantes.
3. A não apresentação da prova da autorização legal de posse de diamantes em bruto referida no núme
artigo, faz incorrer o seu responsável no crime de Posse Ilícita de Minerais Estratégicos, previsto no Ar
Posse Ilícita de Minerais Estratégicos).
A r t i g o 3 1 7
(Sistema de Segurança)
1. As fábricas de lapidação de diamantes em bruto devem estar equipadas com os sistemas de segurança
a necessidade de prevenir adequadamente furtos das pedras de diamantes em bruto e lapidadas
2. O sistema de segurança deve fazer parte das especificações técnicas da fábrica que serão apresentad
de viabilidade técnica, económica e financeira, para efeitos de aprovação do
3. Os sistemas de segurança das fábricas de lapidação de diamante devem combinar adequadamen
vigilância humanos e electrónicos.
4. Compete ao Corpo Especial de Segurança Mineira, criado nos termos dos Artigos 217º e 218º (sobre
Comando da Segurança Mineira), emitir o parecer sobre os sistemas de segurança das fábricas, para efeito
do investimento.
5. O furto e eventuais desaparecimentos de pedras de diamantes em bruto ou lapidadas devem ser
imediato às autoridades competentes, por escrito, indicandose as circunstâncias do furto ou do desapareci
hora, as pessoas envolvidas e as pessoas suspeitas de terem praticado o furto.
C A P Í T U L O X X
COMERCIALIZAÇÃO DE DIAMANTES LAPIDADOS
S e c ç ã o
Normas Gerais
A r t i g o 3 1 8
(Liberdade Comercial)
A comercialização de diamantes lapidados no mercado nacional é livre, devendo, no entanto, obedece
formalidades definidas nos artigos seguintes, tendentes a garantir a estabilidade do mercado e a
transações.
A r t i g o 3 1 9
(Sistemas de Comercialização)
A comercialização de diamantes lapidados no mercado nacional realizase a grosso e a retalho.
A r t i g o 3 2 0
(Comercialização a Grosso)
1. Apenas as empresas possuidoras de fábricas de lapidação estão autorizadas a vender diamantes lapi
2. As empresas possuidoras de fábricas de lapidação que vendam diamantes lapidados a gross
previamente, junto da Central Pública de Comercialização de Diamantes, os respectivos certificados de
origem, com indicação das quantidades de lotes, sua origem e sua composição em termos de tamanho
pedras.
3. Podem adquirir a grosso, das fábricas de lapidação, diamantes lapidados, as seguinte
a) Joalharias e outros estabelecimentos similares licenciados para operar no mercad
b) Compradores nacionais legalmente autorizados a realizar o comércio internacional de diaman
c) Compradores estrangeiros que sejam autorizados a importar de Angola diamante
4. A autorização para realizar o comércio de diamantes lapidados a grosso e para importar de Angola diam
a grosso é conferida pelo ministério da tutela, mediante parecer favorável da Central Pública de Com
Diamantes.
5. Os compradores nacionais e os compradores estrangeiros apenas podem comprar a grosso, das empr
de fábricas de lapidação, diamantes lapidados, quando tais aquisições se destinem à revenda no mercad
6. As vendas a grosso de diamantes lapidados são efectuadas através de leilões a realizar no País, abert
similares, compradores nacionais e a compradores estrangeiros autorizados, cujas regras de organização
são aprovadas pelo ministério da tutela, mediante proposta da Central Pública de Comercialização de Diam
A r t i g o 3 2 1
(Comercialização a Retalho)
1. Apenas as joalharias e outros estabelecimentos similares, legalmente licenciados, estão autorizados a r
retalho de diamantes lapidados no mercado na
2. A venda a retalho de diamantes lapidados obedece às regras do comércio a retalho em geral, e está s
pelo estabelecimento de venda a retalho respectivo, de um certificado de qualidade e de garantia, de acor
aprovado pela Central Pública de Comercialização de Di
3. As joalharias e outros estabelecimentos similares, legalmente licenciados para o comércio a retalh
lapidados, devem enviar, mensalmente, para a Central Pública de Comercialização de Diamantes, para efe
relatórios sobre a quantidade dos diamantes comprados e vendidos no mês anterior, medidos em quilate
tamanhos e pedras especiais.
A r t i g o 3 2 2
(Investimento no Comércio a Retalho)
O investimento em joalharias e outros estabelecimentos para encastrar ou comercializar diamantes la
pedras preciosas para o comércio a retalho, obedece às regras do licenciamento da actividade comerci
termos gerais.
A r t i g o 3 2 3
(Segurança das Joalharias)
1. As joalharias e outros estabelecimentos autorizados a encastrar e/ou a comercializar jóias e pedras
tomar as medidas de segurança especiais que previnam adequadamente furtos dos diamantes lapidados
2. Tendo em vista prevenir furtos, as joalharias estão dispensadas da obrigação de indicar os preços das pe
dos diamantes lapidados cujos valores, individualmente considerados, sejam, pela sua grandeza, susceptí
a cobiça de criminosos e malfeitore
3. O furto e eventuais desaparecimentos de pedras de diamantes lapidadas devem ser comunicadas
autoridades policiais competentes, por escrito, indican
as circunstâncias do furto ou do desaparecimento, o local, a hora, as pessoas envolvidas e as pessoas su
praticado o furto.
A r t i g o 3 2 4
(Emolumentos)
A emissão, pelo ministério da tutela e pela Central Pública de Comercialização de Diamantes, dos certifica
e de origem estabelecidos nesta secção, está sujeita ao pagamento dos emolumentos respectivos.
A r t i g o 3 2 5
(Base de Dados Estatísticos)
1. As empresas possuidoras de fábricas de lapidação, as joalharias e outros estabelecimentos de comercia
de diamantes lapidados, ficam obrigadas const ituir, para efeitos estat íst icos, uma base de dados pe
actualizada com todas as informações técnicas referentes aos diamantes em bruto e lapidados compra
mencionando designadamente a quantidade, o peso, o corte, a cor e a
2. É competente para fiscalizar o cumprimento desta obrigação o ministério da tutela e o Corpo de Segur
Estratégicos.
S e c ç ã o I
Exportação de Diamantes Lapidados
A r t i g o 3 2 6
(Regime Legal)
A exportação de diamantes lapidados realizase nos termos gerais, com observância da seguin
a) Obtenção, junto da Central Pública de Comercialização de Diamantes, de um certificado de qualidade,
origem dos diamantes, a quantidade e a qualidade dos diferente
b) Obtenção, junto do ministério da tutela, do Certificado de Origem, nos mesmos termos dos exigidos p
de diamantes em bruto;
c) Obtenção das títulos de exportação respectivas, no termos gerais.
A r t i g o 3 2 7
(Entidades Autorizadas a Exportar)
A exportação de diamantes lapidados pode ser realizada pelas empresas possuidoras de fábricas de la
compradores nacionais e estrangeiros autorizados.
A r t i g o 3 2 8
(Prestação de Informação sobre Exportação
1. As empresas possuidoras de fábricas de lapidação devem enviar, mensalmente, para a Cen
Comercialização de Diamantes, para efeitos estatísticos, relatórios sobre a quantidade dos diamantes ex
anterior, medidos em quilates de cada pedra, agrupadas em lotes de tamanhos iguais, as pedras espe
diamantes exportados, por lotes e por pedras es
2. A Central Pública de Comercialização de Diamantes é obrigada a manter uma base de dados com inf
exportação de diamantes lapidados, incluindo os exportados pelas empresas possuidoras de fábricas d
exportados pelos compradores nacionais e estrangeiros autorizados, com indicação das datas da export
das pedras, por lotes e por unidade, preços de aquisição a grosso, fábricas de lapidação vendedoras, e
interesse estatístico.
S e c ç ã o I I
Importação de Diamantes Lapidados
A r t i g o 3 2 9
(Condições de Importação)
A importação de diamantes lapidados só é permitida se no mercado internos não houver diamante
quantidade e qualidade suficientes para os fins comerciais que cada agente comercial retalhista interno pre
A r t i g o 3 3 0
(Autorização para Importar)
A ent rada de diamantes lapidados no país, para efei tos de comercialização no mercado naciona
autorização específica do Ministério do Comércio, mediante parecer positivo da Central Pública de Co
Diamantes.
A r t i g o 3 3 1
(Empresas Autorizadas a Importar)
Apenas as joalharias e outros estabelecimentos licenciados para o encastramento ou a сomercialização d
preciosas podem importar diamantes lapidados.
A r t i g o 3 3 2
(Prestação de Informação sobre Importação
As empresas autorizadas a importar diamantes lapidados devem enviar, mensalmente, para a Ce
Comercialização de Diamantes, para efeitos estatísticos, relatórios sobre a quantidade dos diamantes im
anterior, medidos em quilates de cada pedra, agrupadas em lotes de tamanhos iguais, as pedras especi
diamantes importados, por lotes e por pedras especiais.
C A P Í T U L O X X I
MINERAIS PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL
Artigo 333º
(Definição)
1. É considerado mineral para a construção civil toda a substância de origem mineral usada directame
construção civil ou como matéria prima para o fabrico de produtos destinados à con
2. O Governo publica e actualiza, sempre que se torne necessário, a relação de substâncias de
consideradas, para os efeitos deste código, como minerais para a construção civil.
A r t i g o 3 3 4
(Regime Jurídico)
O regime jurídico aplicável aos minerais para a construção civil é o estabelecido neste código para os mine
estratégicos, com as devidas adaptações e tendo em conta os artigos seguintes.
A r t i g o 3 3 5
(Entidade Competente)
É competente para conceder direitos para a prospecção ou exploração de minerais destinados à construçã
que tutela a geologia e minas.
A r t i g o 3 3 6
(Condições de Concessão)
Os direitos mineiros para a prospecção ou exploração de minerais para a construção civil só podem s
cidadãos angolanos ou a pessoas colectivas de direito angolano detidas exclusivamente por cidadãos an
capital seja detido por cidadãos nacionais em pelo menos 2/3.
A r t i g o 3 3 7
(Tramitação Processual)
1. As entidades que pretendam prospectar ou explorar recursos minerais considerados por este código c
construção civil, deverão requerer ao ministro da tutela a concessão dos respectivos direitos, instruindo
com os dados referidos no Artigo 100º (sobre Pedidos de Informação de Áreas de
2. O requerimento a que se refere o número 1 deste artigo é entregue na estrutura competente do Cadastr
deve emitir e remeter ao ministro da tutela um parecer sobre o pedido no prazo de 30 dias apó
requerimento.
3. A concessão de direitos mineiros para prospecção ou exploração de recursos minerais destinados á c
feita por Despacho do ministro da tutela, podendo essa competência ser delegada nos órgãos administ
ministério da tutela, no prazo de 15 dias contados desta a entrada do parecer no gabinete do min
4. O Despacho de concessão de direitos mineiros para minerais destinados à construção civil é publica
República e dele decorre a emissão do Alvará Mineiro, nos termos do artigo 90º (sobre Títulos de Direitos M
A r t i g o 3 3 8
(Recusa do Pedido de Concessão)
A decisão de recusa de pedido de concessão de direitos mineiros destinados à construção civil só pode fu
lei e no interesse público, cabendo dela reclamação e recurso nos termos do procedimento e
administrativo.
A r t i g o 3 3 9
(Direitos dos Titulares)
Os titulares de direitos mineiros sobre recursos minerais para a construção civil gozam dos seguintes dire
a) Realizar as operações mineiras decorrentes do plano de trabalhos
b) Implantar as instalações e anexos necessários para execução dos trabalhos mineiros nas áre
c) Dispor dos recursos minerais explorados para a sua comercialização no território nacional e para exporta
legais.
A r t i g o 3 4 0
(Obrigações dos Titulares)
Os titulares de direitos mineiros sobre recursos minerais para a construção civil têm os seguintes deve
a) Remeter periodicamente ao ministério da tutela, através dos seus órgãos administrativos locais,
económicas e dados técnicos relevantes sobre a sua a
b) Fazer uso de tecnologia apropriad
c) Reparar os danos ambientais decorrentes da sua a
d) Cumprir as normas legais gerais e específicas sobre a sua actividade.
A r t i g o 3 4 1
(Perímetro de Protecção)
1. É obrigatória a fixação de um perímetro de protecção para garantia da segurança e disponibilidad
efectuado com base no trabalho de reconhecimento, prospecção, pesquisa e
2. A demarcação das áreas de prospecção e exploração é feita nos termos definidos neste código sobre as
de mineração, com as devidas adaptações.
A r t i g o 3 4 2
(Áreas para Prospecção)
A área para a prospecção de recursos minerais destinados à construção civil é de até 50 Km2, devendo a
definida pela entidade concedente, em função do pedido e das circunstâncias locais de uso do solo para ou
A r t i g o 3 4 3
(Áreas para Exploração)
Quando se trate de direitos mineiros de exploração, a área a conceder deve ser confinada ao depósito
instalações de beneficiação, até um raio de 1 Km, a fixar pela entidade concedente em função das condiç
exploração.
A r t i g o 3 4 4
(Demarcação)
A demarcação das áreas concedidas para prospecção ou exploração de recursos minerais para a construç
efectuada até 90 dias após a emissão do respectivo título de concessão de direitos, nos termos e condiçõ
neste código sobre as Zonas Restritas de mineração.
Artigo 345º
(Duração)
1. Os direitos mineiros para a prospecção de recursos minerais para construção civil são concedidos por u
de três (3) anos, podendo ser prorrogados por mais dois períodos de um
2. Os direitos de exploração dos recursos minerais, a que se refere o número anterior, terão a duraçã
necessária para o seu integral aproveitamento, mas serão atribuídos por um período inicial de
sucessivamente prorrogáveis por períodos de igual d
3. Os títulos de atribuição de direitos mineiros de exploração de minerais para a construção civil de
condições de prorrogação.
C A P Í T U L O X X I I
ÁGUAS MINERAIS
Artigo 346º
(Definição)
Para efeitos deste código são consideradas águas minerais as provenientes das fontes e reservas natura
elementos físicoquímicos distintos dos das águas comuns, com características que lhes confiram proprieda
ou efeitos especialmente
favoráveis à saúde humana.
A r t i g o 3 4 7
(Regime Jurídico)
1. Nos termos do n.º 2 do Artigo 2º (sobre o Âmbito de Aplicação deste Código), as águas minerais s
minerais, estando sujeitos à tutela do órgão do governo co
2. O reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação das águas minerais é feito de acordo com o es
código para os minerais comuns não estratégicos e pela legislação complementar específica que venha
pelos órgãos competentes, tendo em conta as regras estabelecidas nos artigos seguintes.
A r t i g o 3 4 8
(Classificação das Águas Minerais)
. As águas minerais são classificadas de acordo com os seguintes
a) Composição química;
b) Composição física;
c) Gases;
d) Temperatura.
2. Regulamentação específica a aprovar por decreto Executivo Conjunto do ministro da tutela e do mini
saúde estabelecerá o conjunto de características e os parâmetros para classificação das águas minerais d
critérios do número anterior deste artigo.
A r t i g o 3 4 9
(Reconhecimento, Prospecção, Pesquisa e Avaliação de Águas Minerais) Os trabalhos de reconhecime
pesquisa e avaliação das águas minerais devem incluir o estudo geológico e o estudo analítico das águas e
A r t i g o 3 5 0
(Condições de Exploração de Águas Miner
1. Por exploração de água mineral entendese todo o trabalho ou actividade relacionada com a capt
distribuição e comercialização de águas mine
2. A exploração de águas minerais é realizada de acordo com o estabelecido neste código para a explora
minerais, com as necessárias adaptações, e na legislação complementar específica que venha a ser apro
de tutela e/ou pelos órgãos com competências
razão das matérias a regular.
3. Quando a exploração de uma fonte de água mineral não estiver a ser feita de acordo com as cond
técnicas, ou higiénicas estabelecidas no presente código ou na legislação complementar, ela poderá s
completa reparação das falhas detectadas, podendo ser interdita se até 60 dias depois da notificação de su
reparada tal falha.
A r t i g o 3 5 1
(Concessão de Direitos Mineiros de Exploraç
1. É competente para conceder direitos mineiros para águas minerais o ministro que tutela a geo
2. O acesso ao exercício de direitos mineiros de exploração de águas minerais está condicionado aos mesm
acesso aos direitos mineiros para exploração de minerais destinados à construção civil, estabelecido no A
Condições de Concessão de direitos pa
minerais para construção civil).
A r t i g o 3 5 2
(Tramitação Processual dos Pedidos e da Conc
1. O regime da tramitação processual dos pedidos e da concessão de direitos mineiros para águas mine
aos pedidos e à concessão de direitos para minerais destinados à constr
2. A solicitação para a exploração de uma fonte ou reserva de água mineral deve ser acompanha
elementos:
a) Certificado de análise físicoquímica e bacteriológica da
b) Projecto de instalação e descrição dos processos utilizados para a captação e protecção das fon
distribuição das águas;
c) Dados sobre vazão e temperatura das fontes.
A r t i g o 3 5 3
(Perímetro de Protecção)
1. É obrigatória a fixação de um perímetro de protecção para garantia da disponibilidade e caracterís
efectuado com base no trabalho de reconhecimento, prospecção, pesquisa e
2. A demarcação das áreas de prospecção e exploração é feita nos termos definidos neste código sobre as
de mineração, com as devidas adaptações.
A r t i g o 3 5 4
(Comercialização de Águas Minerais)
1. Para a comercialização de águas minerais o titular do direito concedido deve fornecer ao órgão compete
da tutela, anualmente, até 30 de Março do ano seguinte ao que disser respeito, um número mínim
bacteriológicos, com espaços máimos de 2 meses entre cada exame, que comprovem e garantam a purez
águas engarrafadas, de
acordo com as normas estabelecidas complementarmente pelos ministérios de tutela da actividade geoló
da saúde
2. É obrigatório o uso de um rótulopadrão nas embalagens e nas garrafas de águas minerais engarrafada
dos resultados dos exames referidos no número anterior e de outros elementos de validade e de pure
serem definidos conjuntamente pelos ministros de tutela da actividade geológica e mineira
3. Só é permitida a comercialização de águas minerais, quando sejam cumpridos os requisitos estabelec
código e na demais legislação aplicável.
C A P Í T U L O X X I
DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
A r t i g o 3 5 5
(Entrada em Vigor)
O presente código entra em vigor na data de publicação da lei que o aprova.
A r t i g o 3 5 6
(Processos Pendentes)
Aos processos e actos que estejam a decorrer nos serviços competentes à data da entrada em vigor deste
que já tenham sido aprovados, aplicamse as disposições do mesmo, sempre que de tal aplicação não resu
mais gravosa para o interessado.
Anexo I
GLOSSÁRIO
1. Ministério da Tutela – O órgão do Governo que tutela a actividade geológica
2. Ministro da Tutela – O titular do órgão do Governo que tutela a actividade geológic
3. Órgão Competente – A entidade com poderes públicos a quem, nos termos deste código, são atribuíd
decidir ou conceder aprovação sobre as matérias nele r
4. Concessionária Nacional – A entidade empresarial a quem o Estado confere direitos exclusivos sob
minerais, nos termos da lei.
5. Concessionária – Titular de direitos mineiros decorrentes de contrato, despacho de concessão, decreto d
título de concessão, nos termos e condições estabelecidas neste código e demais legislação aplicável. São
(os) as entidades, públicas ou privadas, a quem tenham sido concedidos temporariamente direitos min
deste código.
Por vezes este termo vai referido a uma determinada Concessionária Nacional, devendo, neste caso, o sen
mesmo resultar do contexto gráfico e normativo em que se
6. Órgão Público para a Comercialização – Instituição pública criada pelo Governo para regular a com
minerais estratégicos e intervir como canal único de comercialização interna
7. Act ividade Minei ra – Conjunto de act ividades que incluem o reconhecimento, prospecção, pes
exploração, beneficiação e comercialização de recursos minerais. Esta actividade é também referida ne
mineração. (2)
8. Investigação Geológicomineira – Primeira fase de um projecto mineiro de raiz, compreende os estud
reconhecimento, a prospecção, pesquisa e a avaliação, de acordo com os termos deste códig
9. Estudos Geológicos – Estudos no âmbito da Geologia, ciência que estuda a história, a estrutura e a comp
destinados a obter o conhecimento sobre as características das formações geológicas. Na actividade mi
geológicos constituem a base da investigação geológicom
(2)
10. Estudos Cartográficos – Conjunto dos estudos e operações científicas, técnicas e artísticas que intervê
dos mapas a partir dos resultados das observações directas ou da exploração da documentação, be
utilização. A cartografia estuda a concepção dos mapas e trata de todas as informações recolhidas no c
representação final no
mapa, servindose de ferramentas como a fotografia aérea e de satélite, e de software variado na execu
processamento de dados e na representação da informação. A Cartografia encontrase no curso de uma l
revolução, iniciada em meados do século passado. A introdução da fotografia aérea e da detecção re
tecnológico nos métodos de gravação e impressão e, mais recentemente, o aparecimento e v
computadores, vieram alterar profundamente a forma como os dados geográficos são adquiridos,
representados, bem como o modo como os interpretamos e e
(Associação Cartográfica Internacional) (2)
11. Reconhecimento – Estudo, à escala regional, através do qual se identificam as áreas de forte potencial
mineralização por intermédio dos seguintes meios: resultados de estudos geológicos regionais, m
regionais, estudo preliminar no terreno, métodos aéreos e indirectos e extrapolação de dados
Reconhecimento tem como objectivo localizar áreas mineralizadas nas quais se justifiquem estudos sub
pormenorizados. (2)
12. Prospecção – Processo destinado à procura sistemática de um jazigo mineral através da delim
promissoras, isto, é, de forte potencial de mineralização. A prospecção usa métodos directos como a
afloramentos e a cartografia geológica, e métodos indirectos, tais como a geofísica e a geoquímica. Podem
sanjas, sondagens e recolha sistemática de amostras como métodos dire
13. Pesquisa– Processo inicial de delimitação de um depósito já identificado. Os métodos utilizados para
cartografia de superfície, a amostragem em sanjas e sondagens, em todos estes casos ainda bastante es
tendo em vista a avaliação preliminar da quantidade e da qualidade do minério, incluindo, se necess
laboratoriais, e por
fim, interpolações limitadas dos resultados obtidos com a aplicação de métodos indirectos. O objectivo
pesquisa é a determinação das principais características geológicas do epósito, fornecendo indicações ade
sua continuidade e uma primeira determinação das suas dimensões, configuração, estrutura e do teor do m
é também conhecida como pesquisa geral.
14. Avaliação – Delimitação pormenorizada e a três dimensões de um depósito já conhecido. Os métodos
avaliação são a colheita de amostras em afloramentos, sanjas, sondagens, galerias, poços, etc., e estud
das mesmas. A malha da amostragem deve ser apertada de maneira a que as dimensões, a configuraçã
depósito e o teor do minério e eventuais outras características possam ser conhecidos com elevado grau
fase de avaliação pode já tornarse necessário, promover ensaios de tratamento para o que se necessit
amostras da massa a granel, compatível com o objectiv
alcançar. O conjunto das informações obtidas na fase de avaliação permite efectuar o dimensionamento
do jazigo, o estudo das características de mineralização, o cálculo de reservas de minério e decidir da
efectuar um estudo de viabilidade. Esta fase é também conhecida como pesquisa porme
15. Preparação ou Tratamento de Minério – Conjunto de operações que têm como objectivo transformar os
em produtos utilizáveis ou comercializáveis no mercado de consumo final, utilizando as operações de
visam a libertação das espécies úteis dos minérios e as operações de separação para a obtenção do
incluindo a
lapidação e a industrialização de rochas ornamentais. O processo de preparação ou tratamento varia co
minério, indo da simples beneficiação, constituída por extracção da ganga por meio de simples lavagem
métodos de flutuação e bacteriológicos.
16. Beneficiação de Minérios – conjunto de operações que têm como objecto a transformação dos min
produtos utilizáveis ou comercializáveis no mercado de consumo final, nos mesmos termos da preparaçã
de mineiro.
17. Reserva Mineral – Quantidade de minério economicamente explorável existente num jazigo, tal
evidência pelos estudos de viabilidade efectua
18. Cálculo de Reservas – Resultado da avaliação e dos estudos de viabilidade, que indica a reserva mine
O cálculo de reservas deve ser efectuada por prof issional competente, de acordo com os procedimen
internacionalmente aceites e permitidas pelo órgão de tutela.
19. Exploração Actividade que se realiza em fase posterior à do reconhecimento, da prospecção, da
avaliação, abrangendo a preparação e a extracção, o carregamento e o transporte do minério em bruto
bem como o seu tratamento e beneficiação. Neste código em alguns casos vem referenciada como explor
termos correspondentes na língua inglesa são mining ou exploitati
20. Comercialização de Recursos Minerais – Conjunto de operações de avaliação, negociação e venda de
ou minérios concentrados. Também se utiliza a expressão comercialização dos produtos da m
21. Restauração de Áreas – Acções destinadas a devolver ao terreno afectado pela actividade mineira as c
existentes antes do início da actividade mineira, a realizar de acordo com o estudo de impacto ambien
148)
22. Recuperação de Áreas – Acções destinadas a devolver ao terreno afectado pela actividade mineira a
suportar um ou mais usos do solo, diferentes do uso anterior às actividades mineiras, sem prejuízo do a
em consideração o estabelecido no estudo de impacto ambiental aprovado.
23. Recursos Minerais – Substâncias minerais que ocorrem naturalmente no solo, subsolo, na plataform
noutros domínios territoriais estabelecidos em convenções ou acordos internacionais sobre os quais
soberania nacional, também designados apenas por minerais.
24. Produto Mineral – Minério extraído, com ou sem tratamento. Também designado por produto minei
utilizamse também os termos produtos da mineração e produto da actividade m
25. Mineração – Neste código utilizase com o mesmo sentido do termo actividade
26. Minerais Estratégicos – Recursos minerais como tal declarados pelo Conselho de Ministros, em
importância relevante para o País, designadamente pelo impacto que produzem no desenvolvimento eco
na segurança militar e na procura no mercado internacional. Nos termos deste código, os minerais es
submetidos a um regime de protecção jurídica mais acentuado, incluindo um regime penal com sançõe
liberdade. (7,89, 90)
27. Minerais para a Construção Civil – Designação genérica que engloba os recursos minerais directamen
construção civil. Também se utiliza a expressão materiais de construção de origem m
28. Substâncias Explosivas – Compostos químicos ou misturas de produtos químicos que podem produzir e
ou pirotécnicos. (7)
29. Direitos Mineiros – Faculdades subjectivas conferidas nos termos deste código e de outra legislação min
entidades jurídicas para a execução de estudos geológicos, reconhecimento, prospecção, pesquisa e ava
exploração, t ratamento e/ou benef iciação e comercialização de recursos minerais num horizonte tempor
área previamente delimitada. (12)
30. Operações mineiras Trabalhos realizados no âmbito de uma título de exploração, consistindo na prepar
carregamento e transporte dentro da mina do minério bruto, bem como o seu tratamento e ben
31. Órgão de Tutela – O órgão do Governo que superintende as actividades geoló
Actualmente esta tutela é exercida pelo Ministério da Geologia e Minas. Neste código também se usa o ter
Tutela. (12)
32. Estudo de Viabilidade TécnicoEconómico – Estudo que se realiza com base nos dados colhidos na fase
geológicomineira, com a finalidade de se avaliar a qualidade técnica e a viabilidade económica de um p
Serve para tomar decisões em matéria de investimentos e para a obtenção de financiamento do projecto
presente código
é um documento obrigatório para outorga dos direitos mineiros de exploração. Os dados relativos aos c
razoavelmente exactos. O conceito de exactidão inclui a quantificação das reservas por uma entidade idó
uma avaliação metodologicamente correcta das reservas minerais. Constitui um meio de auditoria a toda
geológicas, técnicas, do ambiente, jurídicas e sócioeconómicas do projecto. Contém a indicação d
exploração, do tratamento do minério, das instalações mineira
dos parques de apoio operacional e habitacional, assim como os cálculos dos respectivos investimentos
Algumas vezes é designado apenas por estudos de viabilidade
33. Título de Prospecção – Documento emitido com base num contrato ou título que certifica que o
autorizado a proceder às operações de reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação nele especific
referido neste código apenas por título de prospecção.
34. Título de Exploração – Documento emitido com base num contrato de exploração ou título certificando
está autorizado a realizar as operações mineiras de preparação e a extracção, o carregamento e transport
do minério bruto, o seu tratamento e beneficiação, assim como a sua comercialização, e a efectuar
restauração e/ou
recuperação dos terrenos como estabelecido no estudo de impacto ambiental apr
35. Alvará Mineiro – Título de direitos mineiros emitido pelo órgão de tutela para certificar que o seu titula
a realizar o reconhecimento, prospecção, pesquisa e avaliação ou a exploração de recursos minera
construção civil, nos termos definidos neste código e na legislação compleme
36. Senha Mineira – Título de direitos mineiros emitido pelo órgão de tutela, ou pela entidade a quem e
poder, certificando que o seu tiular está autorizado a realizar actividade mineira artesanal nos termos
código e na legislação complementar. (1
37. Certificado de Registo de Pedido de Concessão Mineira – Documento emitido pelo Cadastro Mineiro par
o seu titular cumpriu todos os requisitos e procedimentos legais o pedido de concessão mineira que o habil
obter, junto da entidade competente, um título mineiro para realizar operações mineiras. Este certif
designado pela
iniciais de RPCM.
38. Certificado – Documento emitido pela entidade competente para atestar a atribuição de poderes ou dir
ao seu titular, destinado a comprovar publicamente a sua atribuição le
39. Informação Geológicomineira Conjunto de documentos e informações resultante de trabalhos de estu
de outros no âmbito da investigação geológicomineira e dos estudos cartográ
40. Demarcação – Acção que consiste na colocação de marcos no terreno em cada vértice da figura geom
os limites da área previamente delimitada para exercício dos direitos mineiros.
41. Delimitação – Acção que consiste na definição em carta topográfica dos limites de uma área para realiz
autorizadas no âmbito dos direitos mineiros outor
42. Plano de Exploração – Documento que contempla a execução das operações mineiras, contendo
métodos, da tecnologia e das instalações, da programação das operações e da produção, das activida
estudo de impacto ambiental, da segurança industrial, assim como do cálculo dos custos e da previsã
económicos. (24, 81)
43. Exploração Ambiciosa – Exploração das partes mais ricas de uma jazida em detrimento de outras que
ricas, devem ser exploradas técnica e economicamente em conjunto com aquela
44. Jazida – Designação genérica que engloba a acumulação natural de recursos minerais, cuja utilidade e
ainda esta por determinar.(28)
45. Jazigo Mineral – Designação usada para referir a acumulação natural de recursos minerais, de re
económico e utilidade, determinada através de estudos geológicos e acções de reconhecimento, prospe
avaliação de jazidas minerais, susceptíveis de serem explorados economicamente.
46. Mina – A área devidamente demarcada para o exercício do direito mineiro de exploração, incluindo
objecto da concessão, e todos os meios técnicos e infra
necessárias para a realização das operações mineiras, bem como as benfeitorias de carácte
47. Garimpo – Actividade mineira ilegal, que consiste na exploração ilícita de minerais a partir de um
podendo ser realizada com recurso a métodos artesanais ou a métodos convenciona
48. Encerramento da Mina – Processo através do qual se finalizam as actividades mineiras numa determin
cujos direitos tenham sido concedidos ao abrigo dos direitos mineiros definidos neste código e noutra leg
mas que não termina com o esgotamento das reservas do jazigo ou término das operações mineiras. O tér
se verifica com a conclusão das acções de restauração e ou recuperação dos terrenos como previsto no es
ambiental aprovado.
49. Área de Concessão Demarcação geográfica definida pelo órgão responsável pelo cadastro mineiro
estabelecida no local de acordo com o contrato de concessão
50. Plano de Prospecção – Plano das actividades a serem realizadas pela concessionária no âmbito do direi
para a realização do reconhecimento, da prospecção, da pesquisa e da aval
51. Classificação de Reservas – Sistemas metodológicos utilizados para classificar as reservas e recurs
base nos resultados da investigação geológicamineira efe
52. Mineral Acessório Mineral de importância secundária numa rocha, não sendo necessária a definição
acessório ocorre em pequena quantidade em uma rocha. A sua presença ou ausência não afecta a analise
sendo essencial para a classificação da mesma. Os minerais acessórios podem ser menores ou acidenta
acessórios
menores os que ocorrem comumente em pequenas quantidades nas rochas, como a patita, hematita,
sendo comuns, muitas vezes, em determinados tipos de rochas;São minerais acessórios acidentais ou oc
que aparecem com menos frequência, podendo, em certos c a s o s , t o r n a r s e p r e d omi n a n t e s ,
d e r o c h a
metassomatizadas/hidrotermalizadas, como topázio, turmalina, etc., Estes minerais podem formar mas
local izadamente. (98)
53. Minerador – Pessoa que se dedica à actividade mineira artesanal nos termos deste código
complementar.
54. Minério – Formação geológica contendo um ou mais minerais úteis, no interior de um jazigo.

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Edições Online
"O Sector Mineiro Metálico Nacional no Último Decénio e
Perspectivas de Evolução Futura"
Luís Rodrigues da Costa - Presidente do IGM

Apresentado no "1º Colóquio de Jazigos minerais


metálicos de Portugal".
Academia das Ciências de Lisboa, 26 de Outubro
de 1999.

1 - Introdução

1.1 - A alteração do modelo nacional de desenvolvimento

O período que nos propomos analisar apresenta-se particularmente rico de


acontecimentos, tanto a nível político geral, como ao nível sectorial da indústria
mineira, quer no plano internacional, quer no plano nacional. No plano internacional e
nível geral, o acontecimento central foi a desintegração do bloco de países de economia
planificada – simbolicamente traduzida na queda do Muro de Berlim –, o que
desencadeou o processo de globalização em curso e a adopção generalizada dos
mecanismos de mercado livre como princípios reguladores da economia, embora com
variantes e tónicas distintas de país para país.

Esta alteração teve igualmente importantes reflexos em Portugal. Entre outras


consequências, houve que alterar profundamente o modelo de desenvolvimento, até
então orientado para um mercado vasto mas relativamente fechado, cujo acesso livre e
privilegiado havia sido alcançado com a concretização da adesão às Comunidades
Europeias, em 1986, mas que prosseguia a especialização económica anterior, baseado
em mão–de–obra barata e segmentos industriais de baixa tecnologia, com o predomínio
de formas de "competitividade-preço".

O impacte positivo da primeira fase da adesão e a capacidade de resposta evidenciada


pela generalidade da sociedade portuguesa às suas exigências, viria a determinar a
opção política do País se empenhar decididamente no processo de aprofundamento da
integração europeia, traduzido no Tratado de Maastricht e na criação da União
Económica e Monetária (UEM). Os critérios definidos para as condições de integração
na UEM determinaram a adopção de um novo modelo de desenvolvimento industrial e
das políticas públicas que o suportam. Este novo modelo passou então a ter que
desencadear novos potenciais de competitividade, baseados em capacidade de inovação
tecnológica, qualificação da força de trabalho, elevação das capacidades empresariais e
de gestão. Estas passaram a ser condições essenciais à alteração do padrão de
especialização industrial anterior e condições básicas para a emergência de produções
de alto valor acrescentado, orientadas para procuras diferenciadas e em expansão,
processo que se encontra em curso, mas cujo resultado final apresenta ainda um
apreciável nível de incerteza. Contudo, é a convicção da justeza desta estratégia para
proporcionar a aproximação aos padrões económicos e sociais das sociedades europeias
mais avançadas, em condições de competitividade num mundo "globalizado", que tem
orientado a generalidade das políticas públicas na área económica.

Como se caracteriza então a situação presente deste processo de globalização? Os seus


quatro elementos mais importantes são:
• a criação de mercados de capitais, de bens e de serviços globais;
• a criação de um espaço de comunicações e rede de informação globais;
• a emergência de valores globais;
• a criação de regras e orientações globais.

1.2 - Caracterização sucinta da evolução da indústria mineira


mundial ...

Este processo de globalização repercutiu-se na indústria mineira mundial, que teve que
acompanhar a mudança que se verificava nas relações económicas e geopolíticas
internacionais. No Ocidente, embora a indústria mineira tivesse já uma longa tradição
de operação em mercado aberto, a liberalização económica veio tornar acessíveis ao
investimento mineiro muitos novos países e regiões, quer na prospecção, quer na
exploração de recursos minerais, embora a ausência de infra-estruturas, a rigidez
administrativa e a insuficiência das garantias jurídicas dos direitos mineiros, constituam
sérios obstáculos à rápida concretização destas oportunidades. A globalização das
comunicações e da informação veio acelerar espectacularmente a velocidade de difusão
das actividades e experiências, mesmo em áreas remotas. A emergência de valores
globais, de certo modo consequência do ponto anterior, veio estabelecer uma densa rede
de interdependências e a percepção de que qualquer mudança num país pode ter
implicações económicas, sociais e ambientais em todos os outros. Contudo, foi a
consolidação dos valores ambientais aquela que teve maior impacte na indústria,
embora alguns admitam que a recente emergência de valores sócio-culturais possa ter,
ainda, um maior impacte no futuro. A generalidade dos países que consideram os
recursos minerais um elemento relevante do seu modelo de desenvolvimento sentiu a
necessidade de modernizar e tornar mais competitivas as suas economias o que
desencadeou a nível mundial uma onda de modernização do enquadramento legislativo
e regulamentar, de grande amplitude, e cujos efeitos se irão fazer sentir por um período
dilatado.

Como tendências dominantes na atracção do investimento assistimos ao crescimento do


interesse pela América Latina, em resultado de um processo generalizado de abertura
das suas economias e à "desnacionalização" e privatização da sua indústria mineira,
enquanto que no Canadá, Austrália e Estados Unidos, os regulamentos ambientais e os
direitos dos povos autóctones constituíam, cada vez mais, um factor condicionante das
decisões e repulsivo do investimento, elevando o limiar do jazigo economicamente
explorável. Alguns começam já a olhar para a África como o continente da próxima
década. Este processo desenvolveu-se também no plano europeu e traduziu-se no
encerramento de inúmeras minas metálicas e na reestruturação do sector carbonífero,
iniciado ainda na década de oitenta. Como consequência deste processo a produção
mineira metálica encontra-se reduzida a alguns países com mais forte vocação e
potencial mineiro, caso da Suécia, Finlândia, Irlanda, Espanha, Grécia e, claro, Portugal.
Contudo, a produção não metálica não parou de crescer, revelando mesmo uma
dinâmica económica muito apreciável.

Também a reciclagem de metais e outros produtos minerais, guiado por razões


ambientais ou de simples competitividade económica, tem vindo a alterar
consideravelmente o quadro de evolução da indústria, pois reduz a procura de matérias-
primas primárias e altera os padrões de produção e consumo.
A alteração das condições do exercício da actividade pode sintetizar-se do seguinte
modo.

Um mundo em mudança !

Anos 80 Anos 90

Globalização/hegemonia da
economia de mercado
Liberalização

Macroeconomia
Desestatização da economia

Privatização
Descentralização

Operador Regulador
Papel dos Governos
no sector mineiro
Detentor de activos Administrador de direitos

Observador nas economias


Sector Privado Principal investidor
emergentes

Importância crescente das ONG´s


Ambiente Emergência/aceitação
Integração

Aspectos sociais Pouco ou nada relevante Emergência/aceitação

Adoptado de van der Veen, Peter, 1999, "Attracting


Private Sector Investment in Mining: what
Governments can do", intervenção do
representante do Banco Mundial no EU-Russia
Workshop on Restructuring and Inprovement of
the Investment Climate in the Mining and Raw
Materials Sector, Bruxelas

1.3 - ... e da indústria mineira nacional

O novo contexto económico veio também influenciar marcadamente a indústria mineira


nacional. Particularmente, o abandono do modelo de desenvolvimento industrial
baseado em mão–de–obra barata e baixa tecnologia que referimos, inviabilizou o
retorno de cenários nos quais se haviam desenvolvido as pequenas minas, com realce
para as de estanho e tungsténio, mesmo que se tivesse verificado uma recuperação das
cotações, pois a sua viabilidade se baseava no baixo custo de mão-de-obra e na
desvalorização da moeda. A estes condicionalismos temos hoje que acrescentar a
necessidade de desenvolver a actividade em conformidade com padrões ambientais
modernos que vieram acentuar a vulnerabilidade económica de algumas explorações,
circunstância fortemente agravada nos últimos anos pela diminuição das cotações da
generalidade dos metais, a qual apresentou manifestações extremas nos casos do ouro e
do cobre, em meados do ano corrente. Assim, somente as minas competitivas puderam
subsistir, embora, por vezes, enfrentando sérias dificuldades económicas e financeiras,
obrigadas a um contínuo processo de redução de custos. Estão nestas condições as
minas de Neves-Corvo e da Panasqueira, verdadeiros jazigos de classe mundial.

Em contraponto desta tendência, a banalização das tecnologias de tratamento de


minérios de ouro de baixo custo (caso da lixiviação) e a razoável estabilidade das suas
cotações durante longo período de tempo, circunstância que se alterou recentemente,
como reacção do mercado à possibilidade de venda de reservas de ouro de bancos
centrais, despertou o interesse de muitos operadores estrangeiros pelo potencial aurífero
do território nacional. Do mesmo modo, prosseguiu o interesse continuado pela Faixa
Piritosa, guiado pela expectativa da descoberta de um novo jazigo tipo Neves-Corvo.

Contudo, esta realidade deve ser analisada num contexto mais amplo, particularmente
comparando a sua evolução com a dos restantes sectores da indústria extractiva, os
quais podem englobar-se na designação genérica de "não metálicos" (minerais não
metálicos, rochas ornamentais e rochas industriais), para o que se apresenta a estrutura
da produção em três anos distintos, separados por uma década de intervalo.

Uma alteração estrutural profunda !

1978 1988 1998

Energéticos 12,6% 7,3% 0,1%

Metálicos 24,8% 10,6% 21,0%

Não Metálicos 62,6% 82,1% 78,9%

Fonte: IGM

A análise do quadro evidencia o quase "desaparecimento" da produção de minérios


energéticos (cessação da produção de carvão e produção de urânio quase residual) e a
inflexão do declínio da produção de minérios metálicos, resultado do arranque da mina
de Neves-Corvo, e o paulatino crescimento da importância dos não metálicos. Mas
haverá alguma particularidade nesta evolução ou, pelo contrário, poderá ela inscrever-se
num modelo mais geral de desenvolvimento económico-social ?

1.4 - A importância dos minerais no desenvolvimento


económico-social
A extracção e transformação de substâncias minerais é essencial ao desenvolvimento e
bem estar das sociedades contemporâneas. Nomeadamente, a actividade de
determinados sectores da indústria transformadora de um país depende da capacidade de
obtenção de matérias-primas minerais, seja pela sua aquisição no mercado internacional,
seja pela utilização dos recursos do território nacional. Se tivermos presente que
determinadas matérias-primas têm limitado valor unitário e, por esta circunstância, as
indústrias suas utilizadoras têm a sua competitividade condicionada pelos custos de
transporte, concluímos que a estrutura industrial pode estar fortemente influenciada
pelos recursos minerais disponíveis, determinando padrões de especialização produtiva
que tendem a manter-se, mesmo quando se verificam alterações substanciais na oferta
de matérias-primas.

Como modelo global é reconhecida a maior importância dos recursos minerais


metálicos nos países menos desenvolvidos, os quais são predominantemente exportados
para os países industrializados. À medida que o país se desenvolve e o seu tecido
produtivo industrial se diversifica, a necessidade de minerais não metálicos aumenta,
ultrapassando em valor absoluto a dos minerais metálicos. Nos anos mais recentes tem-
se, contudo, assistido à tendência crescente para a deslocalização das metalurgias para
os países detentores das matérias-primas primárias, seja por efeito da banalização das
tecnologias, seja por pressão económica decorrente da necessidade de respeitar padrões
ambientais crescentemente exigentes e com impacte directo na economia das operações.

Em publicação recente comentámos a aderência deste modelo geral ao caso português,


em dois cenários distintos: o real e um virtual, que ignora o impacte do arranque da
produção na mina de Neves-Corvo. Nele se constatava que o padrão de evolução
nacional adere ao modelo geral e que a sua evolução tem que ser interpretada a partir
dele, conjugando esta análise com a ocorrência de acontecimentos singulares que o
influenciaram, por vezes de modo determinante. Temos, assim, construído o modelo
básico de análise que passaremos a desenvolver seguidamente.

2 - Principais Aspectos da Actividade Empresarial desde 1989 até ao


Presente

2.1 - No domínio da produção

No período que vimos analisando ocorreu um conjunto importante de acontecimentos


que alteraram profundamente o sector mineiro metálico nacional. No sistema produtivo,
o acontecimento, de longe, mais relevante foi o início da produção de concentrados de
cobre na mina de Neves-Corvo, em 1989, antecedida de um período experimental no
último trimestre de 1988. Em Maio de 1990 deu-se o arranque da produção de
concentrados de estanho comerciais. Assim, o perfil mineiro clássico de produção de
tungsténio e estanho passou a ser caracterizado pela produção de cobre e estanho,
passando o tungsténio a uma posição subalterna.

Em consequência desta mudança, na última década, a indústria mineira metálica


nacional produziu, predominantemente, concentrados de cobre (com prata), estanho,
tungsténio e, no início do período, metais preciosos. O elenco de produções completou-
se com uma pequena produção de minérios de ferro-manganés e de concentrados de
urânio. Para os três metais referidos (Cu, Sn, W) o País ocupou a posição de principal
produtor mineiro da UE, apenas com curta interrupção no caso do tungsténio.
Curiosamente, não existem metalurgias nacionais destes metais, pelo que os
concentrados são exportados e transformados no exterior. Somente os minérios de ferro-
manganés são enviados à unidade siderúrgica do Seixal e incluídos na alimentação do
alto-forno, na condição de uma produção cativa, pois não têm competitividade no
mercado internacional.

Apresenta-se no quadro seguinte a produção de minérios no período 1989-98. A


produção global quase atingiu 317 milhões de contos (valores correntes), tendo o cobre
representado 87,7 % daquele valor e o estanho 7,3%. Assim, Neves-Corvo representou
95,0 % do valor da produção no período que estamos considerando. A produção de
cobre de Neves-Corvo apresenta uma tendência decrescente ao longo do período, em
resultado do diminuição regular dos teores dos minérios extraídos e tratados
(presentemente em 5-6% Cu, enquanto no início da exploração este valor foi superior a
10% Cu), circunstância não totalmente compensada pelo aumento da tonelagem tratada
(um milhão de toneladas no primeiro ano até ao valor actual de 2,3 milhões). A
produção de concentrados de estanho apresenta um máximo em 1993, manifestando
uma tendência para declínio, à medida que se aproxima o esgotamento das reservas com
alto teor deste tipo de minério.

A produção de concentrados de tungsténio da Panasqueira apresenta algumas


flutuações, no essencial determinadas pelas condições de mercado no escoamento dos
concentrados. A mina interrompeu a actividade em 1994, tendo mesmo chegado a
apresentar um plano de encerramento que não se chegou a concretizar, pois deu-se uma
alteração accionista, tendo o novo detentor do capital da empresa, um importante
operador integrado no mercado do tungsténio, reiniciado a produção em 1995, após uma
redução significativa da mão-de-obra. A produção de minérios de ferro-manganés
apresenta um crescimento regular e estável ao longo do período, evidenciando uma
razoável estabilidade nas relações entre a mina do Cercal e a siderurgia. A produção de
urânio tem assumido um carácter quase residual, após o encerramento da Unidade de
Tratamento da Urgeiriça, em 1990, encontrando-se, em parte, associada a operações de
desactivação planeada de minas em produção, em íntima ligação com a implementação
de estratégias de recuperação ambiental e numa perspectiva estratégica de contenção até
à reunião de condições para o arranque da produção na mina de Nisa.

A mina de Aljustrel teve um curto período de actividade (1991-93), que comentaremos


no ponto seguinte. Com o encerramento da mina do Pejão cessou a produção de carvão
nacional, depois de quase 150 anos de actividade ininterrupta na Bacia Carbonífera do
Douro (1849-1994). Também a mina de Jales, ao fim de 56 anos de actividade contínua
(1936-1992), cessou a actividade por esgotamento de reservas.

2.2 - Principais projectos mineiros de produção

Apresenta-se no quadro seguinte o elenco dos projectos mineiros de produção


concretizados ou simplesmente iniciados, com apresentação formal do pedido junto dos
organismos oficiais. A sua análise mostra, mais uma vez, a importância do projecto de
Neves-Corvo, com um investimento global de 80 milhões de contos e a criação de 1 100
postos de trabalho, dos quais 75% recrutados na região. Ao emprego directo acrescem
mais 1 000 postos de trabalho indirectos o que teve um impacte de grande relevância na
economia, além de introduzir um maior dinamismo e capacidade de iniciativa nas
comunidades locais e induzido uma melhoria significativa das infra-estruturas locais
(abastecimento de água, estradas e caminho de ferro e ainda equipamentos colectivos
públicos de natureza social e cultural), expressão do seu enorme impacte regional, numa
região do País com escassez de factores de desenvolvimento.

Nos primeiros 10 anos de laboração o projecto apresenta o seguinte desempenho:

Minério tratado (Mt) 14,8

Teor médio de cobre (% Cu) 8,76

Teor médio de estanho (% Sn) 1,84

Cobre contido em concentrados (kt) 1 200

Estanho contido em concentrados (kt) 30

Vendas (MUS$) 1 993

Lucros antes de impostos (MUS$) 517

Mas também no plano da revelação de novos recursos o projecto apresenta um


desempenho positivo, pois os trabalhos de pesquisa têm mostrado um ritmo de
evidenciação de novos recursos que, praticamente, cobrem a deplecção de reservas
resultante da extracção, o que prolonga a vida útil da mina. Contudo, o projecto de
aproveitamento dos minérios complexos tem-se revelado de mais difícil concretização
do que se admitiu inicialmente, do mesmo modo que não foi possível demonstrar a
viabilidade económica de uma metalurgia do cobre em Portugal, com base nos
concentrados produzidos pela mina.

O projecto PPC, de produção de concentrados diferenciais de cobre, zinco e chumbo


(com alguma prata), em Aljustrel, representou um investimento global de quase 20
milhões de contos, aplicado na construção de uma nova lavaria, barragem de estéreis e
preparação e reequipamento da mina. Em 1991 iniciou-se a produção de concentrados
cobre e de zinco, a partir de minérios provenientes da massa do Moínho, na mina de
Aljustrel, a qual, contudo viria a ser interrompida no decorrer de 1993 (Maio), em
resultado da baixa de cotações dos metais extraídos, circunstância agravada por um
deficiente desempenho técnico dos processos de concentração de minérios (moagem e
flutuação em coluna), conjugada com a utilização de um método de desmonte de
inadequada selectividade e um planeamento mineiro que induzia acentuadas flutuações
nos teores de alimentação da lavaria.

O projecto Nível 3, da mina da Panasqueira, possibilitou a preparação para exploração e


equipamento de extracção de um novo nível de extracção, cuja exploração prolonga
vida da mina em 20 anos, além de criar as condições para o reconhecimento de níveis
inferiores, dispondo-se já de indicações muito positivas relativamente à possibilidade do
desenvolvimento de mais um nível de extracção. Não tendo criado novos postos de
trabalho, excepto no período em que se realizaram os trabalhos de acesso e preparação
do novo nível, veio proporcionar as condições para um significativo prolongamento da
exploração e dos benefícios económicos da actividade numa zona do interior fortemente
deprimida.

2.3 - Novos projectos de produção

Presentemente encontram-se em fase de preparação dois projectos mineiros, tendo


solicitado a licença para operar: o projecto Eurozinc, visando o rearranque da mina de
Aljustrel, com a produção de concentrados de zinco e chumbo, a partir da massa de
Feitais; o projecto de Nisa, para a produção de concentrados de urânio. Ambos os
projectos encontram-se em fase de avaliação do impacte ambiental, estando o projecto
Eurozinc na fase final do estudo de viabilidade.

O projecto de Castromil, visando a produção de um "bullion" de ouro a partir do


minério extraído do corpo Covas de Castromil, recebeu, muito recentemente, um
parecer negativo sobre o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) submetido ao Ministério
do Ambiente, não se conhecendo ainda qual a opção estratégica final do promotor
relativamente à sua continuação.

Os projectos de Nisa e Castromil têm limitada dimensão, embora no primeiro caso a


exploração de urânio possa criar as condições para o aproveitamento do apreciável
volume de reservas do Alto Alentejo (mais de 4000 toneladas de U3O8, com um valor
bruto de 20 milhões de contos), enquanto a exploração de Castromil terá que ser
reanalisada à luz da rejeição do EIA, tendo em consideração possíveis sinergias com
outros jazigos ocorrentes em regiões próximas, como é o caso da Faixa Dúrico-Beirã, na
margem direita do rio Douro.

Todos os projectos enfrentam situações de mercado relativamente adversas, muito


particularmente no caso do urânio, pois no caso do ouro parece estar-se a assistir a uma
inversão da situação. No caso do projecto de Castromil, à situação de mercado
sobrepõe-se ainda uma dificuldade adicional que é a existência de um grupo local,
muito activo, e que tem exercido grande pressão através dos órgãos da comunicação
social, no sentido de inviabilizar a exploração com base nos seus impactes na
envolvente imediata da mina, área com apreciável densidade de ocupação humana. A
rejeição do EIA veio reforçar muito esta posição e dificultar ainda mais a reunião das
condições para a exploração.

O projecto de produção de concentrados de zinco em Aljustrel, com um valor de


investimento ligeiramente inferior a 8 milhões de contos, beneficia grandemente da
infra-estrutura existente e desenvolvida para o projecto PPC. O escalão de produção é
de 1,5 Mt por ano, que originarão 150 000 toneladas de concentrados de zinco e 30 000
toneladas de concentrados de chumbo/prata. A concretização do projecto exigirá a
preparação e desenvolvimento mineiro da massa de Feitais e a readaptação da lavaria
industrial (circuitos de moagem, de flutuação e controlo das operações).

2.4 - No domínio da prospecção e pesquisa

A prospecção de minérios metálicos em Portugal, na década de 90, atingiu os níveis


mais elevados de sempre, principalmente como resultado da actividade desenvolvida
pelo sector empresarial, conforme se mostra no quadro seguinte.
Uma década de intensa actividade !

N.º contratos Área concedida Investimentos


assinados (km2) realizados (contos)

METAIS PRECIOSOS 27 5364,64 2 729 098

METAIS BÁSICOS 21 7535,62 4 934 128

OUTROS METAIS 2 1037,00 171 768

TOTAL 50 13 937,26 7 834 994

Fonte: IGM

O investimento médio anual situou-se ligeiramente abaixo dos 870 000 contos,
equivalendo a quase 5 MUS$, ou seja, mais de 0,15% do investimento a nível mundial
em prospecção e pesquisa. O investimento para metais preciosos representou 33% do
total, enquanto o investimento para metais básicos representou 60%. O seu valor
unitário foi 5,09 conto/ha (509 conto/km2), para os metais preciosos, e 6,55 conto/ha
(655 conto/km2), para os metais básicos. O investimento estrangeiro teve um ligeiro
predomínio (55%), sendo o remanescente nacional, mas no qual as empresas em que o
Estado Português detém uma posição accionista (directa ou indirecta) representaram a
quase totalidade. Contudo no caso da prospecção do ouro o investimento foi
predominantemente estrangeiro (85%), enquanto nos metais básicos teve uma menor
expressão (45%). No período em análise assistiu-se, igualmente, ao envolvimento de
operadores de menor dimensão ("junior companies), cujo volume de investimento
representou globalmente 21,5% do total, mas que atingiram mesmo uma posição
maioritária no caso dos metais preciosos, com 56% do investimento e cerca de 2/3 dos
contratos celebrados. A actividade desenvolvida pelo IGM acompanhou de alguma
forma esta evolução, focando a sua acção de prospecção e pesquisa de minérios
metálicos, nos metais preciosos e básicos, respectivamente, nas Zonas Centro-Ibérica e
de Ossa Morena e Sul-Portuguesa.

A actividade desenvolvida pelo sector privado está caracterizada no quadro


correspondente, do qual se podem extrair as seguintes conclusões:

• continua a registar-se uma maior importância da utilização da geoquímica na


prospecção de metais preciosos e da geofísica na de metais básicos;

• a cartografia geológica tem vindo a assumir uma importância crescente, quer regional,
quer localmente;

• a prospecção geoquímica evoluiu, em especial na parte analítica, tanto nos


equipamentos como nas metodologias. Assim, nos metais preciosos a utilização de
técnicas laboratoriais tais como o ICP-MS e a INAA (activação neutrónica) teve um
grande incremento, enquanto que métodos de lixiviação enzimática e MMI ("Mobile
Metal Ion") foram ensaiados pela primeira vez em Portugal na prospecção de metais
básicos;

• o uso de técnicas electromagnéticas no domínio da prospecção geofísica teve um


importante aumento na prospecção de metais básicos, registando-se ainda a inovadora
utilização de métodos sísmicos e magnetotelúricos;

• fracção considerável dos contratos (80%) atingiu a fase da pesquisa, com a realização
de trincheiras e/ou sondagens, e em 3 das áreas de prospecção dos metais preciosos,
atingiu-se mesmo a fase de abertura de poços e/ou megatrincheiras (não referidos no
quadro).

Como balanço global podemos referir que os trabalhos de pesquisa intersectaram zonas
mineralizadas com uma frequência bastante maior no caso dos metais preciosos.

Pensamos que este nível de actividade se deve, fundamentalmente, às características


geológicas e metalogenéticas do País, à estabilidade institucional, à segurança jurídica
dos direitos e, ainda, à informação e base de conhecimento geomineiro existente.

2.5 - Principais resultados obtidos na prospecção e pesquisa

Metais preciosos

Na prospecção de metais preciosos merecem realce os seguintes resultados:

• No jazigo de Castromil, anteriormente prospectado por operadores públicos e privados,


a empresa Connary Minerals investigou mineralização aurífera filoneana encaixada em
zonas silificadas intra-graníticas e relacionada com uma zona de cizalhamento, tendo
definido para Covas de Castromil reservas provadas de 2,147 Mt, com um teor médio
de 1,9 g/t Au, e reservas prováveis de 0,270 Mt, com 1,8 g/t Au, e para a zona
denominada Serra da Quinta, reservas prováveis de 0,743 Mt, com 2,8 g/t Au.

• Na zona de Jales/Gralheira, o Consórcio EDM/SM Bourneix (posteriormente


EDM/Target Europe) definiu recursos de 633 300 toneladas, com um teor médio de 7g/t
Au, numa zona caracterizada pela existência de filões de quartzo auríferos encaixados
em granitos (Jales) e uma zona de cizalhamento com várias estruturas mineralizadas e
que se desenvolve em xistos do Silúrico (Gralheira).

• Na área de Montemor-o-Novo a Sociedade Mineira RioArtezia definiu recursos


auríferos que foram posteriormente ampliados pelo consórcio Moriminas para números
globais de 4,45 Mt, com teor médio de 2,81 g/t Au, em que as mineralisações ocorrem
em zonas tabulares silicificadas, encaixadas numa sequência vulcano-sedimentar pré-
câmbrica,.

Como seria de esperar, o nível do investimento privado nas três primeiras áreas atingiu
valores incomparavelmente superiores às restantes, sendo de 621.681 contos para
Montemor-o-Novo, 412.000 contos no caso de Castromil e 409.746 contos em
Jales/Gralheira, totalizando 1.443.427 contos, ou seja, cerca de 60% do investimento
global realizado na prospecção de metais preciosos.
Também o IGM desenvolveu trabalhos de prospecção que, na década de 90, incidiram
nas áreas de Vila Verde/Pte. da Barca, Serra d’Arga, Portalegre, Caramulo, Castromil,
Alto Sobrido e Mirandela, tendo contribuído para a valorização do seu potencial
aurífero, atraindo assim o interesse do sector privado, o que conduziu a que para todas
elas fossem requeridos direitos de prospecção e pesquisa.

Metais Básicos

O facto mais marcante ocorrido no País na década de 90, no âmbito da prospecção de


metais básicos, foi a descoberta, em 1992, do jazigo de sulfuretos polimetálicos de
Lagoa Salgada pelo IGM, na sequência do trabalho realizado na Bacia do Baixo Sado, a
norte da falha de Grândola, que até então se considerava o limite NW da Faixa Piritosa
Ibérica (FPI).

As circunstâncias em que se verificou a descoberta terá contribuído para o reforço do


interesse da investigação do extremo SW, em Espanha, desta importante província
metalogenética, cujas características são idênticas ao sector NE, ou seja, com uma
cobertura de sedimentos terciários de espessura variável, sobrejacente às formações
paleozóicas. Os trabalhos realizados pela Rio Tinto culminaram com a descoberta, em
1994, do jazigo de Las Cruces, próximo de Sevilha.

Merece igualmente realce a descoberta feita pela Somincor, na área de Neves Corvo, de
uma estrutura tipo "stockwork", no sector de Lombador/Neves Corvo, atravessada numa
extensão de 159 metros, e de um horizonte de sulfuretos maciços com 6,70 m de
possança, evidenciado na anomalia do Monte dos Mestres. A espessura daquele
"stockwork" constitui uma das maiores até agora intersectada na FPI.

Merecem destaque, pela dimensão dos investimentos realizados, as seguintes empresas


e consórcios: RTZ (Grândola-Álcacer, 465 721 c. e Serra Branca, 304 280 c.), Somincor
(Corte Gafo, 747 065 c. e Neves Corvo, 534 020 c.), Consº Faixa Piritosa (Bacia do
Sado, 751.000 c.) e Consº Lagoa Salgada (Lagoa Salgada, 349 783 c.).

Refira-se, por último, que os já referidos estudos de avaliação que decorrem neste
momento na mina de Aljustrel, tendo em vista a reabertura da mina para a exploração de
zinco, chumbo e prata, se encontram associados à prospecção e pesquisa do jazigo da
Estação. Os trabalhos de reconhecimento da massa de Feitais possibilitaram já a
definição de uma reserva de 22 Mt de minério de zinco e uma reserva adicional de
"stockwork" cuprífero.

Outros metais

Relativamente aos outros metais salientamos o aparecimento na década de 90 dos


primeiros estudos de prospecção realizados em Portugal pelo sector privado, tendo
como objectivo as terras raras e os metais Ni, Co e Cr, no entanto, sem resultados
relevantes.

O IGM acompanhou esta tendência, realizando estudos de prospecção de terras raras


nas regiões da Beira Baixa e Norte do Alentejo e de Cr, Ni e metais associados no
maciço de Bragança. Nos trabalhos realizados destacamos a evidenciação do interesse
da estrutura de Vale de Cavalos (Portalegre), mineralizada em terras raras, onde se
estimaram 2,4 Mt de recursos, com um teor médio de 0,435% å terras raras e 0,465% å
terras raras + Sc+Y. Finalmente, na prospecção e pesquisa de jazidas litiníferas na
região do Barroso/Alvão, foram definidos recursos de 0,108 Mt, com 1,05% Li2O (zona
de Adagói) e 0,403 Mt, com 1,4% Li2O (zona de Alijó), embora estes minérios devam
ser encarados principalmente como fonte de lítio para pastas cerâmicas.

3 - Principais Alterações Ocorridas na Envolvente Empresarial no


Período 1989-1998

3.1 - A nova lei de Recursos Geológicos

A 16 de Março de 1990 saiu um pacote legislativo sobre a generalidade dos recursos


geológicos (com exclusão do petróleo), revogando o "velho" decreto 18 713, de 1 de
Agosto de 1930, que durante 60 anos regulou o regime de exploração e atribuição de
direitos sobre os recursos minerais do domínio público (substâncias minerais utilizáveis
na obtenção de metais nelas contidos, substâncias radioactivas, carvões, pirites, fosfatos,
amianto, talco, caulino, diatomite, barita, quartzo, feldspato, pedras preciosas e semi-
preciosas).

Com esta alteração o País passou a dispor de um quadro legal moderno, no qual se
acolheram novos conceitos e práticas de política mineira. Na base desta alteração está o
abandono das figuras do registo mineiro e do alvará de concessão, passando os direitos
mineiros a ser outorgados por contrato administrativo, tanto na fase de pesquisa como
na da exploração, negociados livremente entre o pretendente e o Governo (o Ministério
da Economia, através do Instituto Geológico e Mineiro), o que possibilita o acolhimento
e a consideração das características inerentes a cada projecto, passando a concessão a ter
um período limitado de tempo de duração, adequado ao volume de recursos evidenciado
e ao ritmo de exploração do jazigo. A concessão passa a ter a forma poligonal que
melhor se adapta à geometria do depósito a explorar, simplificando extraordinariamente
os processos administrativos e o cadastro mineiro, com claras vantagens para o
concessionário e para a Administração Pública.

Também as disposições de transição do anterior para o novo regime vieram "libertar"


novas áreas para actividade, uma das razões do seu importante crescimento no último
decénio. Finalmente, foram introduzidas disposições de natureza ambiental, com a
inclusão de um capítulo sobre preservação da qualidade do ambiente e recuperação
paisagística, determinando a obrigatoriedade de apresentação de estudos de impacte
ambiental, se a área de exploração for superior a 5 ha ou a produção anual superior a
150 000 toneladas, bem como a apresentação de cauções que respondem pelo integral
cumprimento das obrigações assumidas e pelas coimas que venham a ser aplicadas ao
concessionário. Mantiveram-se da anterior lei princípios cuja bondade se mantinha,
nomeadamente a obrigação de manter a concessão em estado de constante laboração, a
fazer o aproveitamento dos recursos segundo normas técnicas adequadas e em harmonia
com o interesse público do melhor aproveitamento dos recursos e a não realizar lavra
ambiciosa, bem como a apresentar planos e relatórios de actividade à Administração,
que lhe possibilite o acompanhamento do desenvolvimento da actividade e a contínua
acumulação de informação sobre os recursos minerais nacionais.
O intervalo de tempo transcorrido permite-nos já um balanço com base em alguns
parâmetros quantitativos, comparando a situação em 1990, último em que vigorou a
antiga legislação, e o final do ano de 1998, quando o processo de transposição de
regime se encontra praticamente concluído.

A racionalização da ocupação do território! 1990 1998

Nº de concessões em vigor 1 015 103

Área do território nacional coberta com direitos mineiros de exploração


73 413 21 827
(ha)

Área média de exploração (ha) 73,3 211,9

Área do território nacional coberta com direitos mineiros de exploração


0,82 0,24
(%)

Nº de contratos de prospecção em vigor 10 32

Área do território nacional coberta com direitos mineiros de prospecção


2 046 5 179
(km2)

Área do território nacional coberta com direitos mineiros de prospecção


2,33 5,89
(%)

Área média de contrato de prospecção (km2) 204,6 161,8

Fonte: IGM

O aspecto mais marcante da análise do quadro é a notável redução do número de


concessões (1 015 para 103) e que foi acompanhada de considerável redução da área do
território nacional coberta com direitos mineiros de exploração para menos de 1/3 da
área anteriormente ocupada, pois passou de 73 413 ha para 21 086 ha. Pelo contrário, a
área ocupada pelos detentores de direitos de prospecção mais que duplicou, passando de
cerca de 2 000 km2 para mais de 5 000 km2.

3.2 - A confirmação da relevância das questões relacionadas


com o ambiente

A década passada confirmou plenamente a relevância das questões ambientais na


actividade industrial, colocando a indústria mineira perante problemas e desafios novos.
Esta nova conjuntura veio alterar profundamente as características do projecto mineiro,
primeiramente ao introduzir um novo factor de risco, que se veio adicionar aos clássicos
riscos geológico, tecnológico e de mercado, ao fazer depender a decisão de autorização
administrativa para a exploração, da aprovação de um estudo de impacte ambiental.
Embora a bondade deste requisito seja inquestionável, constatamos que não se atingiu
ainda a fase de maturidade suficiente e na qual os seus objectivos estejam clara e
consensualmente reconhecidos por todos os intervenientes no processo de avaliação
ambiental. Esta fonte de incerteza da viabilidade do projecto aparece, frequentemente,
associada a tomadas de posição das comunidades locais, particularmente quando são
estimuladas e amplificadas por grupos de pressão ambientalista e quando a percepção
dos impactes positivos e negativos do projecto não é tratada com a devida cautela,
podendo gerar fortes reacções negativas que dificilmente são ultrapassadas ou
conduzem mesmo à inviabilização do projecto. Pode dizer-se que se trata de
circunstância idêntica à de qualquer outra actividade económica, contudo, no caso da
indústria mineira, o projecto ou se realiza naquele local ou não realiza !

Mas também a necessidade do encerramento e abandono do sítio da exploração ter que


ser feito em moldes que assegurem a sua reabilitação e devolução à comunidade para
utilizações alternativas, veio introduzir um perfil particular nos fluxos financeiros do
projecto, com a realização de despesas, geralmente de montante elevado, após a sua
vida útil, quando o volume de receitas já diminuiu muito ou cessou mesmo, o que
implica que os meios necessários têm que ser acumulados ao longo da vida útil da mina.
A legislação fiscal em Portugal reconhece a especificidade desta situação e possibilita a
constituição de provisões, isentas de IRC, para a realização das despesas de recuperação
previstas no plano de encerramento aprovado pelos organismos oficiais.

A indústria mineira tem, reconhecidamente, apreciáveis impactes ambientais, embora


existam tecnologias disponíveis para que aqueles se mantenham dentro dos valores
regulamentares, ainda que a sua utilização implique, geralmente, custos de produção
mais elevados. A opção por estas tecnologias eleva os limiares de explorabilidade
económica, reflectindo afinal o princípio da "internalização dos custos ambientais". No
caso das minas metálicas e afins, o principal problema ambiental relaciona-se com
resíduos de exploração, muito particularmente quando são radioactivos ou a sua
paragénese contem sulfuretos metálicos, os quais, se não forem convenientemente
depositados, podem originar águas ácidas, a contaminação de solos e aquíferos por
elementos metálicos e radioactivos. O problema dos resíduos assume hoje um carácter
universal e está na agenda política das questões ambientais, tendo sido tornado ainda
mais actual pelo acidente ambiental da rotura da barragem da mina de Aznalcollar
(Espanha), nele se jogando um ponto decisivo dos moldes em que a actividade se irá
desenvolver no futuro.

A experiência nacional é limitada, pois somente um número muito restrito de projectos


mineiros foi submetido a avaliação de impacte ambiental, sendo bastante maior no caso
de pedreiras. A primeira constatação é a de que se trata de assunto em rápida mutação,
com um número crescente de novos actores, particularmente, organizações ou simples
grupos de cidadãos, bem como das autarquias locais. Esta importância não tem cessado
de aumentar e não se atingiu ainda um novo equilíbrio entre os valores e os
protagonistas em presença, embora se procurem novos quadros de compatibilização
indústria-ambiente.

Na caracterização que se faz do estado do ambiente em Portugal, relativamente aos


diversos sectores industriais, constata-se que a indústria extractiva não integra os
sectores mais críticos. Contudo, o facto de as operações assumirem, frequentemente,
aspectos fácil e imediatamente perceptíveis pela opinião pública, particularmente nas
áreas de concentração de grandes explorações a céu aberto, tem contribuído para a sua
associação a práticas ambientais menos correctas. Mais recentemente, a divulgação pela
imprensa da situação de algumas minas abandonadas, com a frequente adopção de tons
sensacionalistas, tem ampliado a sensibilidade pública para as práticas da indústria.
Pensamos que a execução do programa de recuperação de minas abandonadas pode ter
um impacte muito positivo na correcção desta imagem, ao devolver à comunidade,
devidamente requalificados, sítios que eram exemplo de degradação ambiental,
paisagística e humana.

3.3 - A emergência das questões do período post-mina (minas


abandonadas e áreas mineiras desactivadas)

O encerramento de uma mina coloca sempre delicados problemas sociais, técnicos,


ambientais, financeiros e jurídicos, suscitando a necessidade de uma maior integração e
abrangência na sua análise, a qual deve contemplar a interligação entre as diversas fases
do projecto mineiro: prospecção, pesquisa, extracção, recuperação ambiental do sítio e
abandono. Analisado numa perspectiva distinta podemos considerar três períodos de
actividade: o ante-mina, a mina e o post-mina.

Os dois primeiros são clássicos e relativamente bem conhecidos, enquanto a


importância do período post-mina se tem vindo a impor pelo reconhecimento da
existência de sítios mineiros abandonados e no qual se desenvolvem processos naturais
causadores de impactes deletérios no ambiente, necessitando de intervenções de
requalificação ambiental (caso das minas de S. Domingos, Aljustrel, Lousal, Jales e as
minas de urânio, como as mais importantes). Contudo, se estas situações constituem um
passivo ambiental, por vezes muito elevado, também é frequente a existência de activos
potenciais de aproveitamento, habitualmente associados à valorização arqueo-
museológica dos sítios, numa perspectiva cultural e turística ou à simples preservação
de valores de identidade e referências das comunidades onde se integram. Esta
perspectiva é merecedora de atenta consideração em qualquer estratégia de
desenvolvimento endógeno das regiões onde situam as minas abandonadas.

A percepção desta realidade tem levado ao aparecimento de várias iniciativas de


aproveitamento destas oportunidades, caso da mina do Lousal, do Parque Mineiro da
Cova dos Mouros (Alcoutim) e outras ainda em fase de projecto, caso da mina de
Aljustrel, da Borralha e S. Pedro da Cova, entre outras.

Contudo, a maior tarefa que enfrentamos, aliás condição necessária para a consideração
da oportunidade que se referiu, é a já referida requalificação ambiental dos sítios
mineiros abandonados, caracterizando a natureza dos impactes e efectuando as
intervenções necessárias à sua correcção ou simples mitigação. Os próximos programas
operacionais, a vigorar entre 2 000 – 2 006, contemplam medidas específicas neste
domínio, com intervenções em quase uma centena de sítios, para o que está prevista
uma apreciável dotação financeira.

Mas a mina abandonada ou simplesmente inactiva pode também ser encarada como
repositório para deposição final de resíduos tratados (inertizados), aproveitando para tal
as cavidades de exploração, quer estas sejam subterrâneas quer a céu aberto. Embora
não exista ainda em Portugal nenhum projecto consistente neste domínio, pensamos que
existem condições para, num futuro não muito distante, esta possibilidade vir a ser
cuidadosamente encarada em ligação com a criação do Sistema de Tratamento de
Resíduos Industriais (STRI), particularmente para a deposição de resíduos industriais
tratados ou a deposição de resíduos radioactivos de baixo nível de actividade, para a
qual as formações salinas reúnem, geralmente, condições favoráveis pela sua
capacidade de confinamento e impermeabilidade.

3.4 - A nova natureza das questões relacionadas com o


ordenamento do território

A política de ordenamento é relativamente recente em Portugal, pois somente após a


adesão à Comunidade Europeia adquiriu o carácter geral e universal que hoje possui. O
objectivo principal da política de ordenamento é definir os princípios e as regras de
ocupação, uso e transformação do solo, encarado como recurso natural limitado, não
extensível e de difícil recuperação, essencial à actividade humana e à manutenção dos
ecossistemas. Reconhecidas e identificadas as diferentes funções do solo é possível
definir o elenco das mais importantes, caso do uso agrícola e florestal, ecológico (áreas
indispensáveis à estabilidade ecológica do meio ambiente e à utilização racional dos
recursos naturais), urbano e para a indústria extractiva. Com base nestes conceitos
elaboram-se planos de ocupação do território (nomeadamente, municipais ou regionais,
conforme a sua área de incidência) no qual se define o uso dominante de cada uma das
suas parcelas (cartas de ordenamento), sujeito aos constrangimentos das servidões
existentes à data da sua aprovação ou que se venham a constituir legalmente, em
momento posterior (cartas de condicionantes). Podemos afirmar que hoje o território
nacional se encontra coberto pelo planeamento municipal, embora em moldes que
apresentam frequentemente sérias deficiências, por inexperiência ou incapacidade das
equipas de planeamento que realizaram os estudos e elaboraram as propostas de
ordenamento, pressionadas pela necessidade de uma rápida conclusão dos trabalhos e
também, frequentemente, pouco sensíveis ao acolhimento da multiplicidade de
perspectivas que um exercício deste tipo envolve.

No caso da indústria extractiva somente 65% das câmaras solicitaram informações


sobre recursos geológicos e submeteram as suas propostas a parecer do IGM para
controlo de qualidade da informação constante dos planos e ajustamento dos respectivos
regulamentos às características das operações da indústria. Estas considerações mostram
que a indústria extractiva não está adequadamente contemplada em muitos dos planos
aprovados, além da natureza das operações associadas ao projecto mineiro nem sempre
serem cabalmente entendidas na sua incidência territorial, particularmente a prospecção
e pesquisa.

Esta situação resulta de uma inadequada percepção da natureza da indústria extractiva e


das suas características, as quais interessa ter presente numa correcta estratégia de
ordenamento do território, particularmente, reconhecer que:

• incide sobre recursos, em geral, não aparentes, situados no subsolo e, por esta razão,
carecidos de revelação através da prospecção e pesquisa;

• investimento (privado) na prospecção e pesquisa, em princípio, só é promovido pelos


agentes económicos se, à partida, estiver garantido, segundo critérios de
razoabilidade, o direito de explorar os recursos revelados;
• incide sobre recursos inamovíveis, cuja revelação e exploração ou se processa no local
da sua ocorrência ou não se faz;

• incide sobre recursos cuja revelação e aproveitamento obedece a regimes jurídicos


diferenciados em função da sua integração ou não no domínio público do Estado,
integração essa que tendo sede constitucional é caracterizada por critérios de raridade
e especial interesse para a economia nacional.

O acesso aos recursos situados no subsolo, supõe ou carece de alguma ocupação do


solo. Tal ocupação envolve impacto variável na sua intensidade, extensão e duração,
consoante esteja em causa a realização da actividade de prospecção e pesquisa ou a
exploração, ainda que, em qualquer caso, seja sempre limitada no tempo em função da
natureza dos trabalhos a desenvolver, do volume de recursos disponíveis e ritmo de
exploração.

A prática destes últimos anos tem sido bastante enriquecedora de ensinamentos e


experiências que podem e devem ser utilizadas, agora que se inicia o processo de
revisão dos actuais planos e que temos assistido à manifestação expressa pelos seus
responsáveis políticos de que esta segunda geração de planos directores municipais seja
conduzida num patamar superior de eficiência e eficácia. As iniciativas conjuntas em
curso com a Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Direcção-Geral do
Ambiente criam a fundada expectativa de uma melhoria desta situação.

3.5 - Um sector com muito baixo grau de iniciativa


empresarial privada nacional!

Pode dizer-se que a década que vimos analisando se iniciou com fundadas expectativas
relativamente à afirmação da importância do sector mineiro nacional. A primeira era a
do aparecimento de um grupo mineiro nacional forte que, a partir dos meios financeiros
libertos pela exploração de Neves-Corvo e baseado na capacidade técnica e na
experiência obtida com a realização do projecto, pudesse desencadear um processo de
internacionalização que possibilitasse a superação do constrangimento que constitui o
limitada extensão território nacional e conferisse condições de auto-sustentabilidade à
actividade. A segunda era a possibilidade de desenvolvimento de raiz de um projecto
totalmente nacional, com o projecto PPC, em Aljustrel, consolidando a nossa
capacidade tecnológica neste domínio. Sabemos como estas expectativas não foram
concretizadas, pelo menos até ao presente, e que as condições para a sua concretização
dificilmente voltarão a ser tão favoráveis.

Presentemente, a capacidade empresarial de raiz nacional, no sector mineiro metálico,


está reduzida à EDM (capitais públicos) e à Sociedade Mineira do Cercal, após a venda,
em 1995, da participação detida pelo IPE, na Beralt Tin, empresa que explora o jazigo
da Panasqueira, hoje em dia detida a 100% pela Avocet (Canadá). Com efeito, após o
desaparecimento das sociedades que exploravam as pequenas minas de estanho e
tungsténio (subsidiárias da SPE) e a mina de Jales, a capacidade empresarial nacional
ficou praticamente reduzida à holding mineira do Estado Português, a EDM, na qual
foram concentradas todas as participações detidas pelo Estado no sector mineiro
(Somincor, Pirites Alentejanas, ENU, Carbonífera do Douro, a que acrescem algumas
participações menores resultante de um processo de diversificação na área dos não
metálicos, entretanto abandonado). Contudo, esta função empresarial da EDM nunca foi
exercida de forma contínua, pois a empresa actuou, frequentemente, como intermediário
financeiro, canalizando a sua parte dos lucros da Somincor para a cobertura de défices
das suas participadas. Desde 1998, a nova administração assumiu uma estratégia de
saneamento financeiro que implica o encerramento das operações não rentáveis e a
diversificação de actividade, particularmente definindo como nova área de negócio para
a viabilização da empresa a prestação de serviços na área ambiental, nomeadamente na
recuperação de sítios mineiros abandonados, pelo menos até que seja gerado o "cash
flow" necessário às operações de risco.

Também na actividade de prospecção e pesquisa, passadas algumas tentativas muito


incipientes de actores nacionais, a actividade é dominada pelo investimento estrangeiro,
sendo o nacional proveniente da Somincor, EDM e Mineira do Cercal. Nos últimos
anos, o investimento canalizado por pequenos operadores ("junior companies"),
financiadas em bolsas estrangeiras com tradição mineira, tem vindo a assumir um relevo
crescente, particularmente para os metais preciosos como já referimos.

3.6 - A indústria mineira na União Europeia

A União Europeia, ultrapassada uma fase em que manifestou alguma preocupação com
o abastecimento de matérias-primas, não mostra qualquer apetência por políticas activas
com incidência na indústria mineira. Com efeito, o paradigma da generalidade das
economias desenvolvidas, talvez com a excepção dos EUA e do Japão, baseia-se na
convicção de que a situação de abundância existente, reflectida na baixa continuada das
cotações dos metais, é estrutural e de que a possibilidade de quaisquer acordo entre
produtores é altamente improvável ou mesmo impossível na presente situação do
comércio mundial.

Esta circunstância não tem impedido que alguns países, caso de Portugal e de Espanha,
em ligação com sectores da indústria, venham invocando algumas fortes razões para que
as coisas devam ser encaradas de modo distinto, nomeadamente:

• pela sua influência positiva, a montante, num importante sector de material de


equipamento e de serviços e, a jusante, na quase totalidade das indústrias
transformadoras, área em que a Europa detém algumas posições de liderança mundial;

• pela existência de importantes empresas que actuam no sector extractivo tanto no


território da União como fora deste.

• pelas reais potencialidades mineiras existentes nos países membros, com destaque
para Portugal, Espanha, Irlanda, Finlândia, Suécia aos quais se juntarão, no futuro, os
novos países aderentes (Hungria, Polónia, Roménia e Bulgária), com tradições no
domínio da indústria extractiva, o que introduzirá alterações na estrutura da indústria na
U.E.

• pela localização dos centros produtores que constituem, nas regiões onde se inserem,
um factor muito importante de desenvolvimento endógeno.

Na sequência da Resolução do Conselho de Ministros de 1989 e das conclusões do


Conselho de 1992, procedeu-se, primeiramente, a uma análise aprofundada do
significado económico e dos principais problemas da indústria mineira europeia.
Posteriormente, foi reconhecida a vantagem de uma orientação comum da União no que
respeita ao desenvolvimento daquela indústria num quadro da economia aberta e
competitiva para o que se deveriam elaborar medidas específicas nos domínios:

• Da promoção da actividade através da melhoria de acesso à informação geológico-


mineira e de maior transparência do quadro regulamentar.

• Da ponderação da dimensão ambiental incluindo a reabilitação das minas


abandonadas ou em fase de encerramento, fomentando, simultaneamente, o equilíbrio
entre os interesses económicos do sector e as exigências de protecção do ambiente.

• Da adopção das estruturas de formação às necessidades da indústria a nível


universitário e técnico e manutenção do património tecnico-científico que favoreça o
acesso a países terceiros.

• Do desenvolvimento de uma política de cooperação industrial com países terceiros que


possibilite assegurar às empresas da União o acesso aos recursos.

Em 1996 este assunto seria retomado, mas num plano ainda mais modesto.

Cabe aqui recordar que Portugal, durante a sua última presidência, desempenhou um
papel relevante e de influência na preparação dos documentos atrás referidos dado o
reconhecimento pela "Comissão" das nossas potencialidades mineiras no quadro da
União Europeia.

Uma avaliação dos resultados alcançados mostra que a expectativa nacional no domínio
mineiro, criada com a adesão europeia, não se materializou, restando, no plano dos
resultados concretos, a publicação do "European Minerals Yearbook" e o apoio a alguns
projectos na área da informação, mas com reduzida expressão financeira.

No momento presente, as orientações para a indústria pautam-se pelos grandes


princípios que visam a integração dos aspectos ambientais e do desenvolvimento
sustentável no mercado interno. O tratado de Amsterdão contem referências explícitas
ao "desenvolvimento sustentável" e ao "alto nível de protecção e melhoria da qualidade
do ambiente", como grandes objectivos da UE, pelo que os requisitos de protecção
ambiental devem integrar a definição e a aplicação das políticas comunitárias, ainda que
na formulação da política ambiental se deva ter em conta o desenvolvimento económico
e social da União como um todo, bem como um desenvolvimento equilibrado das
regiões.

As novas adesões previstas irão trazer para o interior do espaço da União países com
tradição mineira e com uma indústria ainda com razoável expressão (claro que trarão
também sérios problemas ambientais!), embora necessitando de programas de
reestruturação, o que pode constituir uma oportunidade para a procura de novos aliados,
embora no alargamento anterior não se tenha visto qualquer efeito significativo, apesar
do grupo de novos aderentes incluir a Suécia e a Finlândia.

4 - Que Perspectivas de Evolução ?

Realizar um exercício de previsão sobre a possível evolução de qualquer sector da


economia é tarefa de insucesso assegurado. A indústria mineira não foge a esta
evidência. Contudo, pode sempre ensaiar-se um exercício prospectivo, tentando
identificar quais são os principais factores actuantes na evolução da actividade e
tendências do seu comportamento actual, para, partindo desta análise, conduzir um
processo de observação permanente e sistemática que nos permita manter uma
actualizada visão estratégica, orientadora de políticas, tanto públicas como empresariais.
É o que procuraremos fazer seguidamente, concluindo com a referência a algumas
acções institucionais que julgamos adequadas às tendências identificadas.

4.1 - No domínio da produção

Na perspectiva restrita dos recursos conhecidos existem condições para a manutenção


dos actuais níveis de produção cobre, prata e tungsténio, tendo presentes o actual nível
de reservas e a competitividade internacional das minas de Neves-Corvo e Panasqueira.
Pelo contrário, a produção de estanho a partir de minérios ricos deve cessar, dentro de
2-3 anos, por esgotamento de reservas, passando, a partir de então a um escalão de
produção muito inferior ao actual. O padrão de produção poderá diversificar-se com o
possível arranque da produção de concentrados de zinco e chumbo em Aljustrel, a que
se seguirá, dentro de alguns anos, o aproveitamento dos minérios cupro-zincíferos de
Neves-Corvo, numa concepção de melhoria do aproveitamento dos recursos da jazigo
que prolonga a vida da mina. Também é de admitir que algum dos vários projectos de
ouro possa passar à fase produtiva, particularmente se se confirmarem e estabilizarem as
primeiras reacções dos mercados às decisões dos bancos centrais sobre as suas vendas
de ouro. Estas previsões estão muito fortemente condicionadas pelo comportamento das
cotações dos metais, sendo os projectos auríferos os mais vulneráveis, por efeito
conjugado da competitividade intrínseca dos jazigos nacionais, genericamente de baixo
teor. Já a produção de urânio vai depender da possibilidade da venda da produção a
preços superiores aos do mercado actual, aproveitando as prerrogativas do tratado
Euratom.

4.2 - No domínio da prospecção e pesquisa

O alvo tipo Neves-Corvo, para metais básicos, na Faixa Piritosa, e os recursos auríferos
deverão continuar a suscitar o interesse do investimento estrangeiro, embora a
perspectivas de evolução dos respectivos mercados seja determinante na sua
concretização. Com efeito, regista-se actualmente uma retracção nos investimentos em
prospecção e pesquisa a nível mundial, em consequência da baixa generalizada do preço
dos metais: em 1998 esses investimentos terão sido reduzidos a cerca de 1/3 dos
realizados em 1997, totalizando 3.500 milhões de dólares americanos. Esta situação,
conjugada com a existência de mais campo livre para prospecção e pesquisa, resultado
da abertura da generalidade das economias dos outros países, vai tornar mais dura a
concorrência pelo "dólar para a prospecção". A prática ausência de iniciativa privada
nacional neste domínio obriga a que o investimento para esta finalidade seja estrangeiro,
devendo o País oferecer condições favoráveis à sua aplicação. O País tem demonstrado
capacidade para a captura e acolhimento de investimento directo estrangeiro para esta
actividade, mas pensamos que estas podem ainda ser melhoradas.

Neste sentido a acção dos serviços oficiais deve orientar-se para a promoção
internacional do potencial mineiro do País, disponibilizando informação e
proporcionando facilidades de instalação aos potenciais investidores. O sistema de
informação resultante do projecto Geomist (cuja região-alvo é a Faixa Piritosa Ibérica)
deverá estender-se a todo o território nacional e à generalidade das substâncias,
proporcionando uma rápida tomada de decisão dos investidores, bem como uma
redução apreciável do período preparatório das operações. A participação em reuniões e
encontros especializados deverá completar aquela acção, apoiando-a com a elaboração
de documentação promocional de informação, tanto sobre o potencial mineiro do
território, como do ambiente económico geral do País. Esta presença proporcionará
também um melhor conhecimento do mundo dos pequenos operadores ("junior
companies"), cujo modelo de financiamento bolsista é vulnerável à penetração de
agentes movidos por simples critérios especulativos. Vimos a importância que nos
últimos anos os pequenos operadores assumiram no nosso País e podemos fazer um
balanço positivo da sua acção até ao presente, mas não devemos descuidar a
possibilidade de um recém-chegado ser motivado por outros critérios de negócio que
nada interessam à valorização do nosso potencial mineiro.

4.3 - No domínio da actividade económica post-mina

Como se referiu, o programa de requalificação de antigas minas, conjugada com a


mudança da oferta turística, vai criar condições para a multiplicação de projectos de
valorização dos sítios, podendo induzir o aparecimento de novas actividades
económicas. Esta actividade irá também contribuir para a alteração da percepção
pública da actividade e cria condições favoráveis ao aparecimento de franjas de opinião
que reconhece a importância económica e social da actividade mineira, particularmente
se a sua promoção se orientar para as camadas mais jovens, embora não se possa esperar
senão o crescimento da exigência de que a actividade se desenvolva com elevados
padrões ambientais.

4.4 - No domínio ambiental

Os próximos anos continuarão a reclamar da indústria mineira a continuada melhoria do


seu desempenho ambiental. A opinião pública estará cada vez mais sensível ao impacte
ambiental das práticas industriais inadequadas à preservação do ambiente e à qualidade
de vida. No caso português o impacte paisagístico é particularmente sensível num país
que se assume, crescentemente, como destino turístico de qualidade, no qual os valores
do património natural e cultural terão uma importância crescente. Existe hoje a
percepção generalizada por parte dos operadores industriais que a adaptação ambiental
da indústria mineira é um factor fundamental da sua sustentabilidade pelo que, numa
perspectiva moderna e actual, a actividade mineira tem que integrar a protecção
ambiental, através de métodos e processos que conduzam a um padrão de actuação
compatível com os princípios do desenvolvimento sustentável, embora o conceito não
esteja ainda plenamente operacionalizado na sua aplicação à generalidade das
actividades industriais. Entretanto, devem seleccionar-se as metodologias de
planeamento e controlo que assegurem a adopção das melhores alternativas técnico-
económicas e respeitem o quadro regulamentar aplicável. O Plano de Lavra, a
Avaliação do Impacte Ambiental, o Sistema de Gestão Ambiental e o Plano de
Encerramento surgem, assim, como os instrumentos indispensáveis à exploração dos
recursos minerais, num compromisso entre os benefícios económicos e sociais
resultantes do seu aproveitamento e a preservação da qualidade dos sistemas ambientais
de que dependem as gerações actuais e futuras. Quanto a nós, esta alteração marca a
mudança do paradigma do abastecimento, que vigorou no passado, para o da
sustentabilidade, que assumirá uma importância cada vez maior no futuro, e no qual a
clarificação e estabilização das exigências ambientais é um factor decisivo da
actividade.

No domínio da imagem da indústria deverão ser executadas acções de informação e


sensibilização que promovam a sua aceitação pública, particularmente divulgando as
boas práticas. Este será, aliás, um dos aspectos da importância dos factores psico-sociais
no desenvolvimento da actividade, muito particularmente no estabelecimento de novas
operações. As formas de crescente participação pública no processo de decisão de
licenciamento das operações (caso da audição pública na AIA) tenderão a aprofundar-se
e a ganhar uma importância crescente, não se reduzindo aos casos de manifestação
extrema (muito frequentemente de civismo discutível) a que hoje se assiste.

Também o alargamento do círculo de análise e debate das questões ambientais da


indústria deve ser alargado, evitando-se a sua redução ao tradicional âmbito das
geociências, o que possibilitará uma melhor compreensão dos processos e das posições
em presença. Na realidade, para que este tipo de acções seja plenamente efectivo
teremos que conhecer correctamente a percepção que os outros intervenientes têm da
actividade mineira.

A implementação do protocolo entre os Ministérios da Economia e do Ambiente, sobre


a requalificação e melhoria do desempenho ambientais da indústria extractiva,
recentemente assinado (Outubro), cria a expectativa de uma actuação e da aplicação de
políticas com maior grau de concertação.

4.5 - No domínio da fiscalidade e incentivos

A fiscalidade constitui, hoje em dia, um importante factor da competitividade de um


país relativamente ao investimento mineiro, seja na exploração, seja na prospecção e
pesquisa. A possibilidade de constituição de provisões, livres de IRC, para a realização
das despesas de recuperação previstas no plano de encerramento, conjugada com o
sistema geral de incentivos e apoios ao investimento industrial, constituem factores que
valorizam o exercício da actividade em Portugal. Contudo, para se conseguir uma
melhor aproximação aos regimes mais favoráveis, e porque se trata de actividade de
risco, deveria ser estendido às despesas de prospecção e pesquisa o regime de provisões
já em vigor para o encerramento das operações. O próximo Plano Operacional de
Economia (POE) terá uma medida específica aplicável à extracção mineira, abrangendo
os aspectos de requalificação de áreas mineiras abandonadas e melhoria do desempenho
ambiental da indústria, bem como a integração de explorações, além do sector poder
beneficiar de todas as medidas não específicas que se apliquem.

4.6 - No domínio legislativo e regulamentar

A importância das questões relacionadas com a gestão dos resíduos da indústria


mineira, particularmente os não inertes, coloca na primeira linha de necessidades a
aprovação de uma regulamentação específica. O Conselho de Ministros aprovou
recentemente um diploma que se espera venha a ter um impacte positivo na disciplina
da actividade extractiva (incluindo as pedreiras) pois contempla a especificidade da
indústria, eximindo-a da sujeição ao regime geral, inadequado ao sector.
Também as novas utilizações das cavidades mineiras, seja com finalidade recreativa ou
para a deposição de resíduos, vão determinar a necessidade de preparação de legislação
específica que regulamente este tipo de actividades. Refira-se, por fim, que uma revisão
da actual lei de minas pode revelar-se conveniente para assegurar um mais expedito e
eficaz encerramento da mina e início do período post-mina.

Mas será, provavelmente, no âmbito europeu, através do mecanismo de transposição de


directivas ambientais que a indústria deverá sofrer o principal impacte da
regulamentação da actividade. As áreas de protecção especial irão limitar o acesso aos
recursos ao impor restrições cuja severidade se traduzirá, na prática, por uma efectiva
impossibilidade do desenvolvimento de qualquer actividade industrial nessas áreas
(caso da Rede Natura). Também a directiva sobre aterros pode vir a ter as mais sérias
implicações para a indústria, particularmente se não vier a ser reconhecida a
especificidade da indústria, sem que tal corresponda à reclamação de um estatuto que a
dispense do cumprimento dos padrões ambientais em vigor para a generalidade da
actividade industrial. No actual ponto de preparação da directiva excluem-se,
expressamente, o solo não poluído e os inertes não perigosos resultantes da prospecção,
extracção, tratamento e armazenagem de minérios, contudo os resíduos não inertes e
não perigosos estão a ter um tratamento excessivamente rigoroso.

Ainda no âmbito europeu a harmonização legislativa e regulamentar é hoje encarada


como um elemento fundamental da reconciliação do princípio da liberdade de
circulação de bens e das preocupações ambientais no âmbito da criação do Mercado
Interno. Neste quadro a utilização de acordos voluntários e de sistemas de gestão e
auditorias ambientais, bem como a utilização dos procedimentos correspondentes às
melhores práticas são importantes, particularmente se aumentarem a competitividade
industrial na economia global sem a necessidade de novas regulamentações.

4.7 - No domínio da União Europeia

Referimos já a transposição e aplicação de legislação comunitária como uma das formas


de previsível maior impacte na envolvente da actividade industrial. No domínio das
políticas começa a fazer curso a ideia de que, do mesmo modo que as políticas sectoriais
devem ser objecto de avaliação ambiental, também as políticas ambientais devem ser
objecto de avaliação social e de impacte sobre a competitividade das empresas (o
conceito dos três pilares). Segundo este conceito o desenvolvimento sustentável deve
assentar em três pilares: crescimento económico, equilíbrio ecológico e progresso social
ou, numa formulação alternativa, competitividade, ambiente e desenvolvimento social,
correspondendo afinal à interacção dos grandes grupos de actores em presença: as
empresas, a administração pública e a sociedade civil. Nesta linha se estrutura um
documento de trabalho que a DG III - Mercado Interno e Assuntos Industriais, "EU non-
energy Extractive Industry - Sustainable Development Aspects of Globalisation and
Competitiveness" que tem vindo a ser preparado com estados membros e na qual se
desenham as principais linhas de orientação de política industrial para o sector.

4.8 - No domínio da I&D

No âmbito da metalogénese, os jazigos de sulfuretos maciços foram os que recolheram


a maior atenção dos investigadores, com particular destaque para os da FPI, em
particular devido à entrada em laboração de Neves Corvo e Los Frailles, entre outros.
Os processos de alteração do encaixante, o estabelecimento de novas ordenações
cronoestratigráficas a partir de estudos de micropalinologia, alguns estudos sobre as
distribuições de elementos menores nas paragéneses conhecidas e a preocupação no
estabelecimento de modelos estruturais de escala regional, marcaram indelevelmente os
objectivos dos principais projectos de investigação desenvolvidos na década, de que
GEOMINCOR é o exemplo mais marcante.

Para o futuro próximo perspectiva-se que a investigação seja fundamentalmente dirigida


para explorar a similitude dos processos metalogenéticos da FPI com os que actuaram
na formação dos jazigos provenientes do vulcanismo recente, desenvolvendo estudos
petrográficos mais especializados e explorando a importância dos processos de
mobilização de metais sob a forma de complexos de elevado potencial iónico. Será
igualmente desejável que se opere uma substancial redução de escala dos estudos
estruturais até à dimensão do jazigo, bem como um maior investimento na investigação
mineralógica para estabelecimento de tipologias mineralógicas, em contraposição às
tradicionais tipologias exclusivamente químicas, depositando-se neste dois pontos de
vista algumas expectativas no contributo para o estabelecimento de modelos
operacionalizáveis ao nível do planeamento mineiro.

No âmbito do processamento de minérios, a década de 90 foi fundamentalmente


marcada pela divulgação dos métodos de moagem autogénea e de flutuação em colunas
na valorização de sulfuretos complexos que exigem moagens a calibres extremamente
finos. Nos minérios da FPI, estas inovações tecnológicas foram introduzidas nos
projectos de Aljustrel e de Los Frailles. Se no caso de Aljustrel não foi possível
demonstrar as virtudes das opções, em Los Frailles pode falar-se já de um assinalável
sucesso. Paralelamente assistiu-se à utilização generalizada de sistemas de controlo
automático da operação das lavarias, baseados em cálculos de balanços de massa e de
reconciliação de dados superabundantes e em modelos de operações unitários mais ou
menos complexos.

Nos próximos anos perspectiva-se o incremento do desenvolvimento de modelos das


operações unitárias mais perfeitos e fenomenologicamente mais representativos, para
inclusão nos novos sistemas de controlo automático do tipo supervisor. Destaque
particular deverá ser dado aos modelos de libertação de fases mineralógicas por
fragmentação, como instrumento indispensável à optimização do processo
mineralúrgico. Sendo esses modelos fundamentais para articulação racional entre as
operações de fragmentação e de concentração, dos avanços da investigação nessa franja
do conhecimento poderá depender, no futuro, a rentabilização técnico-económica do
projecto mineiro. Contudo, como programa de grande dimensão permanece a
necessidade de demonstrar, à escala piloto, a viabilidade da construção de uma unidade
industrial hidrometalúrgica que processe concentrados globais de sulfuretos.

No âmbito da exploração mineira a operacionalização do enchimento com uma fracção


apreciável de resíduos de lavaria ("paste fill") irá ter um importante impacte na
economia das operações, diminuindo notavelmente o volume do investimento
necessário à deposição dos resíduos (barragem de estéreis) e à sua recuperação
ambiental.

No âmbito da informação sobre a infra-estrutura a conclusão do projecto GEOMIST


(programa ESPRIT), acrónimo de "Geological and Mining Information System on IPB",
um sistema telemático de informação geográfica geológica e mineira sobre a Faixa
Piritosa Ibérica, criou um demonstrador no qual a generalidade da informação de
natureza geológica, geofísica, geoquímica, mineira, bibliográfica e lexical, vem
possibilitar o acesso a dados que cobrem a globalidade da Faixa Piritosa (Portugal e
Espanha) de um modo integrado e coerente. Este demonstrador surge, assim, como um
aprofundamento do sistema europeu desenvolvido pelo projecto GEIX (Geologic
Electronic Information Exchange System), um sistema de meta-informação geológica
promovido pelo EuroGeoSurveys e que engloba também vários países europeus do
leste.

No domínio das infra-estruturas, aproveitando os programas comunitários verificou-se


uma melhoria generalizada. O IGM construiu o Centro de Dados Geológicos e Mineiros
o que proporcionou a instalação em condições funcionais dos seus serviços técnico-
científicos. A lavaria piloto de Aljustrel iniciou um período de diversificação após o
arranque da lavaria industrial de Pirites Alentejanas, tendo realizado ensaios de moagem
autogénea e flutuação diferencial sequencial com minério de Los Frailles,
desenvolvimento de diagramas de purificação de sienitos nefelínicos de Monchique,
ensaios piloto de lixiviação sulfúrica de concentrados de estanho de Neves-Corvo e
diversos projectos BRITE-EURAM (métodos industriais de controlo de colunas de
flutuação, novos reagentes para a flutuação selectiva de sulfuretos complexos e
diagramas de separação e recuperação de elementos menores em sulfuretos), como os
mais importantes. A unidade acaba de concluir um programa de ensaios com minérios
de Feitais e Moínho, para a EuroZinc, baseados numa moagem semi-autogénea seguida
de flutuação diferencial para a produção de concentrados de chumbo e zinco,
culminando um período de quase vinte anos de actividade.

4.9 - No domínio do ordenamento do território

A grande expressão territorial detida por algumas servidões administrativas e demais


restrições de utilidade pública e sua implantação em áreas geologicamente interessantes,
tem dificultado, crescentemente, o acesso aos recursos. Esta situação tem que ser
alterada, procurando-se um correcto e sensato equilíbrio entre a existência de "espaços
livres" para novas descobertas, o desenvolvimento de novos projectos de exploração e a
salvaguarda dos valores de ordenamento.

Pelas razões apontadas o IGM tem preconizado, junto dos competentes serviços do
ordenamento, a necessidade de definir e concretizar "os usos e acções compatíveis com
a REN" com vista a clarificar o regime desta condicionante nomeando os ecossistemas
compatíveis com a prospecção e a exploração e a tipologia de acções que podem ou não
ser viabilizadas na REN.

Para tal, a orientação superiormente proposta e aprovada prevê o seguinte:

• reservar, por decreto regulamentar, um conjunto seleccionado de áreas para IE


segundo um esquema de prioridades;

• aproveitar a abertura do processo de revisão dos vários PDM´s, à medida que ocorra,
para, com base nos conhecimentos existentes e a experiência adquirida com os
contratos de prospecção e pesquisa, inscrever nestes instrumentos áreas potenciais
para IE cingindo-as à classe de espaço rural e definindo-as como áreas favoráveis para
a pesquisa e eventual exploração de recursos geológicos;

• definir áreas para exploração entendidas como os espaços para IE onde existam
explorações ou, inserindo-se em áreas potenciais, possa vir a ser licenciada esta
actividade;

• elaborar um plano sectorial – instrumento de política sectorial com incidência territorial


no domínio dos recursos geológicos (artº 9º nº3 e artº 10º da Lei nº 48/98 de 11.8. – Lei
de Bases do Ordenamento do Território (LBOT).

A realização destas tarefas surgem, assim, como a sequência lógica e o desenvolvimento


natural do programa de acções que tem vindo a ser desenvolvido no quadro dos
Projectos Integrados de Exploração e Recuperação Paisagística (PAEIRP) e do trabalho
recentemente iniciado com a Direcção-Geral do Ordenamento do Território (DGOT), no
âmbito de um grupo de trabalho conjunto IGM-DGOT.

5 - Conclusão

Procuramos registar, com a fidelidade possível, a evolução do sector mineiro metálico


nacional na última década e identificar os principais factores actuantes na sua
envolvente. Qualquer exercício deste tipo tem sempre um marcado cunho pessoal, que
decorre da posição sob a qual acompanhámos e participámos nalguns dos
acontecimentos referidos, consideração igualmente aplicável às propostas de actuação e
ao sentido da evolução futura. Como tal deve ser tomado por todos os que lhe tenham
prestado alguma atenção.

Nos últimos vinte anos a indústria extractiva "desmetalizou-se", passando os recursos


minerais não metálicos a assumir uma importância económica e estrutural
predominante, pois constituem fonte de abastecimento de matérias-primas a importantes
sectores da indústria transformadora. Pensamos que esta importância continuará a
afirmar-se, embora os produtores estejam confrontados com a necessidades de conduzir
as suas operações em moldes que minimizem os correspondentes impactes ambientais e
com crescente incorporação tecnológica nos seus produtos, respondendo a um mercado
cada vez mais segmentado.

A indústria mineira metálica é uma indústria madura, com razoável risco e apreciáveis
impactes ambientais, e com taxas de rendibilidade muito mais baixas do que a de outros
sectores da economia industrial, pelo que somente no caso de jazigos excepcionais, de
elevados teores ou muito baixos custos de produção, se atingem desempenhos
económico-financeiros muito atractivos. Ainda assim, cremos que Portugal tem recursos
mineiros metálicos, em quantidade e qualidade, para num horizonte temporal de 10-15
anos, continuar a ter uma indústria mineira metálica com alguma importância
económica, diversificando mesmo as suas produções, embora a sua competitividade
venha a ser condicionada por circunstâncias externas, sejam elas a actuação dos
concorrentes directos, sejam os normativos ambientais e outros que, no plano interno
(entenda-se da UE) lhe venham a ser impostos. Em qualquer circunstância, parece
previsível antecipar que a indústria irá estar sobre grande pressão no sentido de que os
seus processos e produtos se venham a conformar com um novo padrão que emergirá da
aplicação dos grandes princípios de sustentabilidade ambiental. Na realidade, se nada
está definitivamente perdido para o futuro, também é verdade que nada está
definitivamente ganho, o que significa que o resultado final está, em grande parte, nas
nossa mãos.

Pensamos, igualmente, que este período será decisivo para definir o perfil empresarial
nacional neste sector. Seremos capazes de desenvolver uma indústria de base nacional
que, operando a partir de Portugal e que, aproveitando a infra-estrutura científica e
tecnológica e a rede de empresas prestadoras de serviços, possa operar nos espaços
económicos de afirmação da internacionalização da nossa economia ou ficaremos,
definitivamente, limitados à condição de país de acolhimento de iniciativa estrangeira e
de prestadores de serviços, mas destituídos de qualquer centro de decisão estratégica
empresarial do sector?

Lisboa, 20 de Outubro de 1999

Agradecimentos:

o autor é plena e exclusivamente responsável pelas opiniões expostas, contudo não pode
deixar de se referir e agradecer a todos os que, de algum modo, directa ou
indirectamente, ajudaram à preparação deste trabalho, nomeadamente: ao Dr Luís
Martins, Director do Departamento de Prospecção de Minérios Metálicos do IGM, o
contributo na compilação e análise dos dados históricos sobre a prospecção de minérios
metálicos; ao Dr Carlos Magno, Chefe de Divisão de Licenciamento, o contributo dado
nas questões de ordenamento do território; ao Dr Alcides Pereira, o contributo dado
para as questões relativas à política mineira na União Europeia; ao Machado Leite,
Director do Laboratório do IGM, o contributo para a área de I&D e pelo permanente
estímulo e convite à análise destas questões (e outras!); ao Engº Luís Santos, director da
Lavaria Piloto de Aljustrel (EDM), a parte relativa às campanhas realizadas na
instalação. Finalmente, ao Prof. Cotelo Neiva uma referência especial por ter suscitado
esta reflexão e a necessidade da sua passagem a escrito.

COMO CITAR ESTE ARTIGO (HOW TO CITE THIS ARTICLE):


Luís Rodrigues da Costa (1999). O Sector Mineiro Metálico Nacional no Último
Decénio e Perspectivas de Evolução Futura. 1º Colóquio de Jazigos Minerais Metálicos
de Portugal. Academia das Ciências de Lisboa, 26 de Outubro de 1999
Versão Online no site do INETI: http://e-
Geo.ineti.pt/geociencias/edicoes_online/diversos/artigos/lcosta_sector_mineiro.htm