Causas da Segunda Guerra Mundial

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa A assinatura do tratado de paz no final da Primeira Guerra Mundial (Tratado de Versalhes) deixou a Alemanha humilhada e despojada de suas possessões. Perdeu seus territórios ultramarinos e, na Europa, a Alsácia-Lorena e a Prússia Oriental. Os exércitos aliados ocuparam a região do Reno, limitaram rigorosamente o tamanho do Exército e da Marinha alemães, e o seu país foi obrigado a pagar indenizações pela Primeira Guerra Mundial que logo provocaram o colapso de sua moeda e causaram desemprego em massa.

[editar] Causas subjacentes

Nacionalismo: Uma das causas mais fortes teria sido o nacionalismo, fonte das agressões da Alemanha, Itália e Japão. Os regimes fascistas existentes à época nestes países, foram sendo construídos com base num sentimento nacionalista. Adolf Hitler e o Partido Nazista usaram o sentimento nacionalista, na altura bastante explícito na sociedade alemã ,de maneira eficaz.Na Itália, a ideia da restauração de um Império Romano era atractivo para muitos habitantes desse país. No Japão, o nacionalismo, como sentimento de sentido de dever e honra, dedicado especialmente ao imperador, tinha já séculos de prevalência.

[editar] Causas na Europa

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Tratado de Versalhes: O tratado pode ser visto como a causa mais importante indiretamente para o início da guerra. Culpando apenas a Alemanha e os seus Aliados pela Primeira Guerra Mundial, o tratado impôs, além de intensos pagamentos por parte da Alemanha aos Aliados, aplicando um forte golpe na economia do país e elevando a inflação a índices astronômicos, um irrecuperável sentimento de humilhação para os cidadãos alemães. Primeira Guerra Mundial: Dito pelo então presidente Norte-Americano Woodrow Wilson, como a guerra para acabar com todas as guerras, não acabou sendo bem assim, principalmente para a Alemanha, que buscava meios de se vingar das humilhações sofridas pela derrota. Como disse Winston Churchill, Essa guerra é, de fato, uma continuação da anterior. Lebensraum: A preocupação primária de Hitler durante esse período foi com a necessidade alemã de Lebensraum, ou seja, espaço vital. Se o país devia passar de nação de segunda categoria para primeira potência mundial, necessitava de espaço para se expandir, e se precisava comportar uma população em rápido crescimento e exigindo prosperidade, necessitava de terras para cultivo e matérias-primas para energia e indústria Grande Depressão. Política de apaziguamento. Anti-semitismo. Polónia: Principalmente, com relação ao "corredor polonês (ou polaco)".

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Revolução Russa e o Anti-comunismo. Itália: Uma aliança entre a Alemanha e a Itália é um dos objetivos essenciais contidos no Mein Kampf. Os acontecimentos haviam mostrado quão úteis essas duas potências podiam ser uma à outra. A recusa alemã de participar das sanções contra a Itália diminuiu grandemente a eficiência dessas sanções. E agora os dois Estados estavam lutando lado a lado para esmagar o governo republicano da Espanha. E entre o entendimento a respeito da Espanha e a colaboração num âmbito europeu, ia apenas um passo.

[editar] Causas na Ásia
As relações entre os Estados Unidos e o Japão andavam tensas há algum tempo, e o principal ponto de discórdia eram as tentativas japonesas de colocar a China sob o controle do império do sol nascente, por meios bélicos. A Guerra Sino-Japonesa começara em 1937, provocando protestos americanos, visto que os Estados Unidos tinham fortes interesses na China. A recusa do Japão em dar ouvidos a esses protestos moveu o governo americano a declarar um embargo na exportação de certos produtos para o Japão, inclusive petróleo, o que gradualmente reforçou a disputa. Privados de uma importante fonte de combustível, os japoneses tinham duas alternativas: aceitar um acordo humilhante com uma América pretendendo a inviolabilidade da China; ou procurar petróleo em outro lugar, se necessário pela força.

Grande Depressão
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embora se encontrasse entre os vencedores.A fotografia Migrant Mother. Este período de depressão econômica causou altas taxas de desemprego. Esta quebra na bolsa de valores de Nova Iorque piorou drasticamente os efeitos da recessão já existente. mas a produção industrial americana já havia começado a cair a partir de julho do mesmo ano. desencadeando a Quinta-Feira Negra. A Grande Depressão. quando valores de ações na bolsa de valores de Nova Iorque. Assim. elevando assim drasticamente as taxas de desemprego. Califórnia. também chamada por vezes de Crise de 1929. Muitos perderam tudo o que tinham. de 32 anos de idade. ficou numa posição de inferioridade em relação aos outros três. O colapso continuou na Segunda-feira negra (o dia 28 de outubro) e Terça-feira negra (o dia 29). mãe de sete crianças. a New York Stock Exchange. que . bem como quedas drásticas na produção industrial. mostrando Florence Owens Thompson. uma das fotos americanas mais famosas da década de 1930. as potencias capitalistas foram divididas em dois grandes blocos: o dos vencidos (tendo à frente a Alemanha e a Áustria) e o dos vencedores (Inglaterra. por sua vez voltaram à antiga política de isolamento. terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial. em busca de um emprego ou de ajuda social para sustentar sua família. quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países. milhares de acionistas perderam. O dia 24 de outubro de 1929 é considerado popularmente o início da Grande Depressão. literalmente da noite para o dia. foi uma grande depressão econômica que teve início em 1929. Assim. EUA e Itália). em diversos países no mundo. e em praticamente todo medidor de atividade econômica. pois não conseguiu ampliar seus territórios coloniais. França. em Nipono. e que persistiu ao longo da década de 1930. causando grande inflação e queda nas taxas de venda de produtos. A Grande Depressão é considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do século XX. caíram drasticamente. março de 1936. a Inglaterra e a França dominaram a Liga das Nações (organização mundial. e morrera no mesmo ano. Seu marido havia perdido seu emprego em 1931. A Itália. Principais Causas da Segunda Guerra Mundial Após a Primeira Guerra Mundial e a assinatura do Tratado de Versalhes. causando um período de leve recessão econômica que se estendeu até 24 de outubro. que por sua vez obrigaram o fechamento de inúmeras empresas comerciais e industriais. grandes somas em dinheiro. Os EUA. interessados apenas nas suas próprias áreas de influência na América Latina e no Pacífico. preços de ações.

aspectos comuns têm de ser descobertos no comportamento dos indivíduos. Esta concepção da história não está baseada na negação da individualidade humana nem no menosprezo pela autonomia individual. em última análise. e as forças conservadoras. milhões de conflitos individuais. necessariamente. tais relações são. a história é explicada. obrigada a aceitar as humilhantes condições do Tratado de Versalhes. do completo entendimento do fato de que um número infinito de pressões individuais tende a criar movimentos aleatórios. Para que a história possua um padrão inteligível e não seja uma mera sucessão de fatos desconexos. extensamente sobredeterminada pela lógica interna de cada modo de produção específico. A Alemanha. estrutura de caráter ou valores. A crise econômica de 1929 contribuiu de modo decisivo para aprofundar esse confronto. relações de classe. Era professor da Universidade de Bruxelas e foi prisioneiro de um campo de trabalho nazista durante a Guerra. que tiveram sua expressão máxima no nazismo e no fascismo. A visão de que a história é configurada basicamente pelas forças sociais resulta. precisamente. O período que se seguiu à guerra caracterizou-se por uma imensa luta entre as forças da esquerda (socialistas e comunistas). que se auto-anulariam amplamente. se fossem exclusivamente individuais.tinha como principal objetivo garantir a paz) e passaram a ditar as regras da política européia. A primazia das relações e dos conflitos entre as forças sociais na determinação do curso da história é um dos pressupostos fundamentais do materialismo histórico. pois tanto o comunismo como o fascismo se apresentavam como alternativas para solucionar as dificuldades do período As causas da Segunda Guerra Mundial: os indivíduos e as classes sociais Ernest Mandel Historiador e economista recém-falecido. como a história das lutas entre as diversas classes sociais e suas frações essenciais. reforçadas pela Revolução Russa de 1917. foi o grande perdedor da Primeira Guerra. escolhas e direções possíveis parecem ter uma lógica determinada. que permite serem vistos como um paralelogramo real de . Deste modo. Deste modo. Nas sociedades divididas em classes.

não teria nenhuma chance de vencer uma guerra contra o vasto poder econômico da América do Norte. favoreçam ou contrariem os interesses das forças sociais que supostamente representam. a Alemanha nazista. materiais e sociais. poucos "grandes homens" podem ser dotados do poder de configurar eventos. Uma categoria adicional. Nos limites globais. seja por retardarem o reconhecimento dessas necessidades objetivas. a não ser que incorporasse com êxito todos os recursos naturais e industriais da União Soviética. podem ter influência incomum na história. dadas as respectivas forças produtivas da Europa capitalista e dos Estados Unidos em 1941. também atenuam o papel da maioria dos indivíduos na sociedade. é apenas uma aproximação elementar da relação entre forças sociais e indivíduos na configuração do curso dos acontecimentos. à medida que interpreta erroneamente seus interesses reais ou não prevê as conseqüências objetivas de suas ações. tal como ocorreu a partir de 31 de agosto de 1939. Personalidades excepcionais não podem mudar a tendência secular dos fatos. inclui as necessidades conjunturais dos grupos sociais. Se homens e mulheres fazem a história. sujeitas a um número finito de resoluções e conseqüências possíveis. não como super-homens. O déspota mais poderoso do mundo não pode escapar às implacáveis demandas da acumulação do capital. Segue-se nesse contexto que certos indivíduos. um processo que levaria anos. de modo paradoxal. elas podem impor decisões que. não nega que certos indivíduos podem desempenhar papéis excepcionais. Dessa maneira. Quando o materialismo histórico afirma a primazia das forças sociais sobre as ações individuais. Aqueles que negam a primazia das forças sociais na configuração do destino humano. mas essa perda de poder e de território foi precisamente a conseqüência da sucessão de eventos desencadeados pela invasão da .forças. mas exatamente como conseqüência de suas relações sociais. Só em circunstâncias nas quais a vasta maioria tenha sido excluída do fazer história. Através de sua influência. Do mesmo modo. entre os grandes movimentos seculares da história e as variações de prazo mais curto no desenvolvimento histórico. que resulta da estrutura da propriedade privada e da competição no mundo capitalista. certas personalidades podem influenciar a história. Hitler não pretendia reduzir o poder da classe dominante alemã à metade do Reich. mesmo após ter subjugado toda a Europa. é obvio. na determinação do curso da história. é sempre com uma certa consciência que pode. nem o talento individual nem a sede de poder podem alterar os limites da correlação material (sócio-econômica) de forças. Por exemplo. seja por possuírem uma percepção mais clara do que os outros das necessidades históricas de sua classe. Hitler e as causas da Guerra A distinção. essencial. na liderança de movimentos sociais. É isto o que acontece na história real. a curto prazo. ser uma falsa consciência. qualquer tentativa de repor a lógica da produção escravista (como Hitler tentou fazer) só poderá resultar em dificuldades enquanto persistir a tecnologia atual e a propriedade privada. Isto ocorre independentemente de sua vontade ou de suas intenções declaradas.

tardiamente. Daí a necessidade de pilhar as economias adjacentes e procurar escalas continentais de organização industrial. a Inglaterra. além disso. monomania. portanto. Por isso. provavelmente não foi acidental o fato de a classe dominante alemã. a curto prazo. de maneira surpreendente. entretanto. Naturalmente. a burguesia tem tentado repetidamente resolver os balanços desfavoráveis do poder de classe recorrendo à liderança parlamentar dos líderes trabalhistas reformistas. a guerra tornou-se virtualmente inevitável devido a dois fatores: 1) o rearmamento reativo dos principais rivais capitalistas da Alemanha — mais imediatamente. A invasão da Polônia. a tentação. a burguesia escolhe suas lideranças políticas dentro de sua própria classe. desejando preservar as estruturas e os valores básicos do regime capitalista: uma linhagem colaboracionista que vai de Ebert a McDonald. Era impossível continuar com a taxa de militarização sem a integração de recursos materiais adicionais aos estoques quase exauridos. Portanto. Disparada a ação dessa estratégia e iniciado o rearmamento maciço. da maioria da classe dominante alemã. mas também os Estados Unidos —. se a decisão final de ocasionar a Wehrmacht em 1o de setembro de 1939 foi sem dúvida de Hitler. fundamentalmente. 2) o ônus do rearmamento maciço conduziu a uma crise financeira mais profunda no capitalismo alemão. Por isso. enquanto indivíduo. o impulso em direção à guerra nasceu das avaliações. A Alemanha chegou. A influência política desproporcional dos junkers — um resultado do fracasso das tentativas do século XIX de uma revolução democrático-burguesa na Alemanha — acentuou os aspectos ousados e arrogantes da política externa alemã e ampliou o suporte para a expansão militar. incluíram uma série de ações que não representavam a única escolha possível para o bloco social-nazista. em troca. já no ano de 1932. As reservas em moeda tinham quase desaparecido e o pagamento de juros sobre a dívida nacional tinha-se tornado um peso insuportável. Ela expressou. apesar de seu orgulho cultural e suas tradições de sustentáculo da "lei e da ordem". possuía uma responsabilidade imediata. foram condicionadas pelas contradições internas do imperialismo alemão. que procuraram bloquear a suserania alemã sobre a Europa e sua conversão numa potência mundial. foi interpretado como a busca da reposição de um império na Europa.Polônia no dia seguinte. é verdade indubitável. oportunismo hábil. O fato de que a classe dominante esteve mais ou menos unificada no projeto de modificar agressivamente a divisão mundial do poder econômico não foi certamente acidental. os círculos principais da classe capitalista alemã tinham decidido — em consideração aos seus interesses conjunturais — que a única saída para a crise econômica da Alemanha era estabelecer a hegemonia sobre a Europa ocidental e central. Essas avaliações. Em períodos de crise. para o qual Hitler. cada vez maior. colocar o seu futuro nas mãos de um aventureiro negligente. de desencadear a guerra antes que as enormes forças produtivas do capitalismo americano tivessem sido mobilizadas e enquanto a Alemanha ainda desfrutava de certas vantagens em blindados e aeronaves modernas. para toda a liderança nazista. à arena das grandes potências para adquirir um império colonial fora da Europa que correspondesse a sua importância no mercado mundial. O seu "destino manifesto". de Hitler. as facetas contraditórias de sua personalidade: temeridade. que vinham de fora da Alemanha. acentuadas pelas crises sucessivas de 1919/23 e 1929/32. comparáveis àquelas dos Estados Unidos ou da União Soviética. bem como uma alternância ciclotímica entre indecisão paralisante e hipervoluntarismo. Esses fatos. a Léon . sob circunstâncias normais. Mas também é verdade que. foi uma decisão.

têm uma genealogia independente no pensamento marxista clássico.Blum. A psicologia social deve ser uma instância necessária na interpretação marxista do processo histórico e deve elucidar como mentalidades específicas apoderam-se de um dado grupo social. Para uma classe burguesa poderosa. mesmo quando expressam uma falsa consciência que distorce ou interpreta incorretamente interesses objetivos. o desemprego em massa da casta dos funcionários públicos. a superprodução de acadêmicos etc. A mentalidade de gângster já era claramente visível na formação dos Freikorps. Porque ela obteve o endosso das classes dominantes? Primeiro é necessário entender o papel das estruturas mentais coletivas. é. Trotsky caracterizou de forma competente os aventureiros deste tipo como wildgewordene kleinbürger (pequeno burguês tornado selvagem). agora tão úteis na história social ou nos estudos culturais. Engels. Wily Brandt e Helmut Schimidt. literalmente. as quais medeiam os interesses. centenas de Hitlers e Himmlers em potencial circulando na Alemanha após 1918 — muitos deles com feições ideológicas e de caráter quase idênticas àquelas do futuro Führer. no mesmo sentido. terminando provisoriamente com François Mitterrand. foi a crise social mais ampla da qual o "tipo Hitler" foi apenas um epifenômeno. Os conceitos de mentalités ou estruturas de sentimento. Sem essa estrutura mental que tem origem na experiência do trabalho na fábrica e na exploração em larga escala. Na verdade. insistiu corretamente na importância da solidariedade e do auto-sacrifício como características componentes de uma clara mentalidade proletária. os receios competitivos anti-semitas de médicos e advogados de poucos clientes. mais especialmente da pequena burguesia. as greves e outras ações coletivas do proletariado seriam quase impossíveis (ao contrário. os estratos declassés de todas as classes sociais. Mesmo a monomania de Hitler sobre os judeus pode agora ser vista como uma demência difundida entre os estratos reacionários da sociedade alemã. lançam um grande número de caráteres desesperados com o propósito de "resolver os problemas da nação" indiferentes ao custo. Sob tais condições de crise excepcional. Clement Attlee e Van Acker. Hitler. Spaak. portanto. Assim. em novembro de 1918. havia. em termos humanos ou materiais. insistiu sobre o fato de que os trabalhadores. em termos de valores tradicionais. Incomparavelmente mais significativa. muito menos. e. as greves por parte da pequena burguesia são extremamente raras). a maneira pela qual o Terceiro Reich emergiu do colapso da República de Weimar e pavimentou a estrada para outra guerra mundial foi determinada apenas em certa medida pelos talentos e debilidades particulares de Hitler como político individual. A psicologia social e a análise marxista A mentalidade de bandido tornou-se característica de certas camadas da sociedade alemã entre 1918 e 1919. a destruição de pequenas organizações financeiras. o produto de uma concatenação específica de circunstâncias: a ruína dos pequenos lojistas. desse modo. vivendo nas grandes cidades e labutando nas novas fábricas dos . enquanto um tipo de caráter político. patrocinar uma autoridade tipo Hitler implica circunstâncias muito excepcionais: uma profunda crise sócio-econômica que produz tensões sociais generalizadas de caráter pré-revolucionário. Kautsky.

por sua vez. por mais que determinem a personalidade. O exemplo clássico dessa transformação ocorreu no século XIX no seio da burguesia judia assimilacionista da Europa ocidental. os resultados históricos reais dependem das lutas sócio-políticas concretas. A maneira pela qual grupos especialmente oprimidos — judeus. A Escola de Frankfurt. étnicas e mesmo gastronômicas. O papel dos impulsos inconscientes no comportamento social do homem havia. as quais fortalecem a identidade e o respeito próprio contra a extensa violência e indignidade. as quais envolvem não apenas processos inconscientes mas também conscientes. determinam o desenvolvimento histórico. sido enfatizado por Engels meio século antes. afinal. Quando a ampla emergência do capitalismo irrompe nas antigas estruturas da opressão nacional ou étnica — mesmo se a discriminação mesquinha e o preconceito sobrevivem —. é muito mais provável que tais paixões criem disposições para desenvolvimentos completamente diferentes. nos anos 30. não podem diretamente dar forma às transformações sociais envolvendo milhões de seres humanos. ciganos. formam a primeira classe na moderna sociedade alemã que escapou à estreita perspectiva conformista. Ao mesmo tempo. esse tradicionalismo defensivo pode ser repentinamente revertido em favor da assimilação quase fanática e mesmo da superidentificação com a cidadania recentemente adquirida ou do status nacional. ou mais. comprova tanto uma práxis de resistência cultural como a manutenção de mentalités características. palestinos. Paixões individuais e impulsos inconscientes. o tema central é a suposta ambigüidade das estruturas autoritárias na sociedade alemã. Podem apenas criar potenciais ou disposições para tais desenvolvimentos. tentou amplamente desenvolver uma psicologia social através da síntese de idéias de Marx e Freud. porém. idéias. No caso da famosa análise da Escola de Frankfurt sobre o sucesso do hitlerismo. mesmo não estando ele em condições de investigar sua precisa natureza. as quais. havia sido simpático aos esforços da psicologia profunda em teorizar a origem e a dinâmica daqueles impulsos.anos 1880 e 1890. Não apenas classes mas também grupos étnicos podem manifestar estruturas mentais coletivas distintas. Mas esse tipo de estrutura mental geralmente persiste apenas enquanto o meio social básico é composto pela pequena burguesia pobre. As atitudes admiravelmente não conformistas e antiautoritárias da nova classe trabalhadora alemã para com o regime de Bismarck — especialmente a que foi revelada pela resistência maciça à lei Anti-Socialista (Sozialistemgesetz) — confirmaram a emergência de uma nova mentalité. senão opostos. tribos de todo o mundo etc — apegam-se tenazmente às tradições lingüísticas. A real debilidade da Escola de Frankfurt foi sua incapacidade em compreender os elos de mediação cruciais na dialética da infra-estrutura e superestrutura. O fracasso fundamental desta ambiciosa reconstrução tem origem menos na interrogação de Freud do que na sua apropriação mecânica do marxismo. dirigida por Horkheimer. religiosas. do que ideologias espontâneas e disposições inconscientes. Mas como pode esta análise sócio-psicológica (nós preferiríamos dizer sócio-individual) fornecer uma explicação para fatos como a habilidade da mesma classe trabalhadora . em última análise. Que linha de desenvolvimento ou ação será efetivamente empreendida não pode ser prevista pela análise desses próprios impulsos inconscientes. Mais propriamente. estratégias e restrições materiais tanto quanto. negros. porém podem ser notadas tendências contemporâneas entre os elementos da jovem burguesia negra dos Estados Unidos ou entre os segmentos anglófilos da classe média indiana expatriada. Trotsky.

o caminho através do qual são na verdade expressos tais limites se dá sempre na forma de uma refração através dos papéis particulares das organizações de massa e de suas lideranças. as pessoas podem compreender as exigências de sua situação histórica e agir de forma amplamente congruente com seus interesses objetivos. com exceção de alguns deputados comunistas que haviam sido privados de seus direitos civis pela sua oposição à "falsa Guerra". como Hegel insinuou. mas somente a usurpação da . foi um parlamento supostamente de "ala esquerda" que decidiu. classe ou nação. nós podemos entender como os indivíduos com talentos ou inclinações particulares podem sobressair-se por si próprios. que fracassou na greve contra Hitler em 1933. as peculiaridades pessoais dos indivíduos podem influenciar o tipo de organização e de liderança de classe que estão disponíveis. o texto de 1898 de Plekhanov é. No caso da queda da III República. apesar dos aspectos instintivos ou infantilizados da psique humana. uma análise notavelmente sutil e atualizada. Depois da derrota do corpo principal das forças francesas em maio-junho de 1940. Os marxistas entendem que. alguns ou mais indivíduos que personificam esses talentos estão disponíveis como candidatos para se tornarem os novos líderes de seu partido. um tipo particular de liderança. A história da Segunda Guerra Mundial fornece amplas ilustrações da perspicácia das teses de Plekhanov. paradoxalmente. Como isso pode ser explicado? A ascensão de Pétain não foi de maneira alguma a conseqüência inevitável da vitória dos tanques alemães. especialmente. essas tentativas de reduzir o peso decisivo das forças sociais na determinação da história realmente suavizam o papel das idéias e das personalidades muito mais do que faz o materialismo histórico clássico. ter tido sucesso. Plekhanov e o papel dos "grandes homens" na história A teoria marxista dos clássicos acerca do papel do indivíduo na história foi esboçada por Plekhanov em seu famoso ensaio que leva o mesmo título. em desencadear a greve geral mais bem sucedida na história contra o golpe de Von Kapp-Von Luttwitz? Certamente sua formação não tinha sido menos autoritária. substituir a República pelo État français de Pétain. mas esses "acidentes" estão entrelaçados com correlações particulares de forças sociais e materiais as quais. Plekhanov ainda acrescenta dois pontos. nesses momentos. nos pontos históricos decisivos ou nos momentos de crise. Ele desenvolve a tese básica de que. necessitam de talentos de natureza específica. pouco mais que uma década antes. quer dizer. de fato. do que nos anos anteriores a 1933! Mais uma vez. Sob tais condições e. Em segundo lugar. "a sorte das nações depende freqüentemente dos acidentes de segundo grau". por esmagadora maioria. Primeiro. em momentos de crise. as personalidades políticas que conduziram a França à capitulação em 1940 haviam sido todas elas amplamente eleitas em 1936. embora a infra-estrutura das relações de produção imponha certos limites materiais sobre a luta de classes. Embora freqüentemente associado a um marxismo reducionista. em troca. outras linhas de ação eram facilmente concebíveis. em 1920. limitam a esfera autônoma do fator individual. Geralmente. Somente quando esta dimensão da vontade racional é admitida no complexo paralelogramo de causação histórica.alemã. nem suas frustrações sexuais menos marcantes nas décadas que precederam 1920. as classes sociais.

ainda que sua repentina candidatura como Primeiro-ministro fosse apoiada por uma maioria esmagadora de deputados e senadores (incluindo. o Marechal Pétain — para formar um novo governo. o Presidente da República teve de recorrer a um defensor aberto do regime autoritário — neste caso. tal reversão radical do balanço de forças sociais e políticas entre trabalho e capital teria sido impossível na França. Pierre Laval. Contudo. Em segundo lugar. Paul Reynaud havia sido considerado um político obstinado e violento. Como realmente aconteceu. escolha o mais estúpido". com seu slogan "Trabalho.democracia francesa por Pétain correspondeu aos instintos majoritários da classe dominante francesa. é difícil negar que essa reversão radical das normas e hábitos comportamentais de centenas de políticos — seis ou sete dos quais desempenharam papéis decisivos na tragicomédia — pôde somente ocorrer porque estava de acordo com . em vez de convocar Pétain. Tivesse ele chamado Reynaud de volta. Laval estava disponível para essa operação desde. na atávica restauração cultural de Vichy. inábil. três condições políticas foram absolutamente essenciais. tornou mais fácil o êxito de tal manobra. orquestrados por aquele mestre de intrigas e chantagem. Na verdade. ele impôs a ditadura de Pétain. chamou une divine surprise. Primeiro. que tinha sido escolhido apenas por sua posição honorária e porque sua personalidade correspondia ao famoso dito de Clemenceau: "se você quer um Presidente. atitude que o colocou em minoria e o conduziu — contrariando completamente sua natureza — a renunciar. ele se permitiu ser manobrado numa ambígua votação de gabinete em que pedia não um armistício. com uma vontade e obstinação totalmente contrárias à sua natureza e possivelmente com a cumplicidade de Reynaud. e a tendência geral se tornou hegemônica dentro da classe dominante. Isso também permitiu uma sublimação ideológica da derrota. Em terceiro lugar. pelo menos. Também é verdade que a completa desmoralização de muitos parlamentares em junho de 1940. que estava determinada a usar a derrota para reparar os reveses e as humilhações da vitória da Frente Popular e da revolta trabalhista de 1936. Paralelamente. Sob circunstâncias normais. muitos dos parlamentares de "esquerda" de 1936). senadores e deputados juntos. Para ocorrer a transição de uma democracia parlamentar decadente para uma ditadura militar bonapartista aberta. tinha de estar disposta a enterrar a constituição da III República. Charles Maurras. Pátria". esta insignificância decidiu a crucial reviravolta dos eventos de 26 de junho de 1940. Até o fim de maio de 1940. Entretanto. No entanto. como já observamos. sem vontade própria. todas essas condições foram cumpridas sem hesitação quando surgiu uma necessidade social. Pétain foi o mecanismo que permitiu a ela alcançar o que seu mais talentoso e reacionário ideólogo. freneticamente. Mas. o último gabinete parlamentar dirigido por Paul Reynaud teve de renunciar sem resistência. a maioria do Parlamento. Família. como resultado da derrota atordoante e inesperada das tropas aliadas. hábil em manipular gabinetes e deputados. No entanto. mesmo que o velho Marechal fosse bastante popular — especialmente entre as celebridades burguesas — sua atuação parlamentar foi limitada antes de maio de 1940. até então o presidente Lebrun era de modo geral visto como uma pessoa completamente sem importância. "Nós precisamos é de Pétain" foi o grito de guerra da extrema-direita desde 1936. a III República teria sobrevivido por mais tempo. 1937 e vinha fazendo intrigas contra a República. mas apenas condições para um armistício com a Alemanha.

a maioria dos historiadores burgueses fracassou no teste do exemplo comparativo. Uma conjuntura simétrica. quando chegou para assinar a rendição incondicional da Wehrmacht em 1945. Mas. antes dos franceses também?" Certamente De Gaulle era uma personalidade excepcional. Em junho de 1944. ele permaneceu marginalizado. considerado meio louco e um aventureiro perigoso. como Franklin D. Alguns o consideraram pró-fascista. através de um diplomático coup de main. Aí. se admiradora ou crítica dos prévios papéis históricos de Churchill. aparentemente miraculosa. outros mais tarde o condenaram como um simpatizante comunista. Uma mudança radical do pessoal político e das alianças estava novamente na ordem do dia. No entanto. não apenas na França. 10. Novos "homens predestinados". O arrogante e inepto Marechal-de-campo Keitel. surgiu quando a classe dominante francesa defrontou-se com a iminência de um desembarque dos Aliados. era imperativo não apenas trocar de lado no meio da Guerra. enquanto suas virtudes não corresponderam às necessidades autodefinidas da burguesia francesa. tendo a sua disposição forças desprezíveis. Charles De Gaulle e seus colaboradores mais próximos. os Aliados ainda estavam prontos para impor uma ocupação militar à França. julgou corretamente as necessidades do capitalismo francês (e. com uma mente brilhante e uma vontade de ferro superior à maioria de sua classe.as necessidades coletivas e desejos conscientes da maioria da burguesia francesa. tem sido quase unânime em elogiar sua mudança para Downing Street. como resultado do avanço da Resistência) como às autoridades anglo-saxônicas. naturalmente. profundamente desacreditados aos olhos das massas por sua colaboração com os nazistas. Para aquela classe. era salvar tanto o capitalismo francês como um Estado burguês independente (e o Império) diante de um balanço de forças muito desfavorável vis-à-vis tanto à classe trabalhadora francesa (armada. estavam providencialmente disponíveis para empreender esta operação de salvamento. internacional) e obteve êxito ao estabelecer. o problema para a maioria dos capitalistas franceses. O caso de Churchill fornece outro tipo de corroboração para a visão de Plekhanov da relação entre personalidades decisivas e as exigências do domínio de classe. A historiografia tradicional. não teve outro comentário a fazer ao Comando Aliado reunido do que a exclamação: "Mas como. Mesmo um político e juiz de renome. Churchill indubitavelmente incorporou a decisão inabalável da classe dominante britânica e da larga maioria do povo inglês em não capitular à Alemanha sob quaisquer circunstâncias. ao romantizar seus atributos pessoais. incorporando a Resistência Comunista. De Gaulle. A questão central não é quais . mas oposta. Que ela tenha tido êxito foi uma surpresa para muitos contemporâneos acostumados aos líderes franceses pusilânimes. um regime parlamentar renascido. normalmente astuto. como chefe de um governo de coalizão incluindo o Partido Trabalhista. mas no resto da Europa. mas derrotar as conquistas reformistas do movimento trabalhista francês. em vez de partir de uma análise das atividades das forças sociais mais amplas. como principal ponto decisivo na Guerra. que a teria conduzido provavelmente a uma guerra civil ao estilo grego ou pior. Roosevelt — o consumado corretor de ações na história americana moderna — ridicularizava com freqüência De Gaulle e suas pretensões de vanglória.

Ao mesmo tempo. O momento era dramático e cheio de perigos. de forma similar. é necessário ampliar o conceito de Plekhanov de "disponibilidade socialmente determinada". sua posição mundial (mesmo se rapidamente sendo ultrapassada pelos Estados Unidos) era ainda mais forte do que a da Alemanha. profetizou Churchill corretamente num discurso secreto na Câmara dos Comuns. após ter sido considerado durante anos uma figura independente e ultrapassada. a França. fez diferença. desde que a Inglaterra pudesse vencer a crise imediata. enquanto os britânicos foram capazes de evacuar a maior parte de seu exército derrotado para sua fortaleza insular. Com certeza. Prosseguindo sob este aspecto. De fato. "Se nós resistirmos por três meses. mesmo que por um lado destruída nas Ardenas. a qual se tinha tornado uma prioridade política mais elevada que a tentativa de derrotar a competição alemã. junto com a matéria-prima e a mão-de-obra do Império. Por outro lado. com uma análise mais precisa dos vários mecanismos de escolha e promoção de pessoal político dentro de diferentes classes sociais. embora a hegemonia de Hitler sobre a Europa tenha comprometido claramente o Império Britânico. ele pôde ser repentinamente ressuscitado como o deus ex-machina de sua classe. uma voz clamando no deserto. Entretanto.acidentes de biografia fizeram de Churchill um indivíduo mais decisivo do que Chamberlain (ou. a burguesia inglesa não estava nem desmoralizada. em junho de 1940. enfrentaremos a vitória em três anos". a elite britânica estava convencida de que a ajuda eventual dos Estados Unidos. Aí está por que. por sólidas razões materiais. os mais informados observadores — incluindo o Embaixador americano Joseph Kennedy — consideraram a posição britânica como basicamente desesperançada. De Gaulle. nem derrotada. ainda possuía uma frota não derrotada (a segunda maior da Europa). A burguesia francesa tinha-se tornado derrotista de modo crescente. o fato de que as Forças Armadas francesas tivessem acabado de sofrer uma derrota humilhante. uma ampla esquadra na África do Norte — mais forte do que a que os ingleses tinham à sua disposição —. Churchill —. o deserto havia sido preenchido com milhões de pessoas. uma significativa reserva aérea e um Império Colonial intacto. mas o futuro pareceu amplamente garantido. Ela já havia reprimido seu próprio movimento trabalhista. A seleção social das lideranças Para se entender esses vários exemplos de seleção de liderança em crise — Pétain. ela estava obcecada principalmente em conter sua própria classe trabalhadora. mas por que Churchill foi capaz de reunir a maioria de sua classe e o povo em torno de si enquanto De Gaulle permaneceu uma figura isolada na França. Através de uma abrupta virada de eventos e de necessidades sociais. distinguiram De Gaulle de Pétain). economicamente em 1926. Ela havia-se mostrado econômica e militarmente incompetente para garantir o sistema de Versalhes na presença do rearmamento e da expansão agressiva da Alemanha. Mas. certos aspectos comuns . a diferença real entre a situação britânica e a francesa era menos suas condições militares do que as predisposições de suas classes dominantes. e politicamente em 1931/35. fazia da guerra contínua contra a Alemanha uma estratégia realista. E Churchill foi a escolha quase ideal para fortalecer a decisão inglesa até que os americanos entraram na Guerra. Além disso. Embora esses mecanismos de seleção sejam nacionalmente específicos. novamente.

Além disso. Comparada com a vida da classes desocupada — a aristocracia —. As classes dominantes raramente permitirão que pessoas ascendam a posições do poder central sem que elas tenham dado garantia prévia de que defenderão. as pressões e circunstâncias sociais pesam decisivamente sobre as disposições individuais. de precaução e astúcia. empresários e políticos profissionais surgem lado a lado como fluxos separados de carreira dentro do estrato burguês. optar por carreiras políticas. na paz e na guerra. Habitualmente. O ponto inicial. Qualidades positivas têm de ser selecionadas e testadas antes que a classe. mais freqüentemente do que se supõe. Em condições extraordinárias ou de extrema riqueza.podem ser notados entre a burguesia moderna. o processo de seleção envolve testes de vida e morte de força de vontade. Por esta razão. Mas o processo de seleção não é de forma alguma puramente negativo. pode ocorrer uma união pessoal entre os altos capitalistas financeiros e o topo do aparelho de Estado. apenas aquela parte da burguesia que não atua diretamente como empresária será capaz. as estruturas existentes de propriedade e de acumulação. é a divisão funcional do trabalho dentro da classe capitalista. dessa elite. Por essa razão. através dessas redes de seleção social (como o famoso "gabinete não-oficial" de patrocinadores ricos de Ronald Reagan). os indivíduos são recrutados por grupos iguais ou nomeados pelos superiores para iniciar carreiras políticas ou para ser responsáveis por cargos públicos. Naturalmente. ou os seus principais representantes. Mais tipicamente. Do mesmo modo. as quais qualificam candidatos para a . A função da hierarquia de poder é precisamente sua habilidade de eliminar candidatos erráticos ou indignos de confiança. são diferentes. O que atrai uma classe média ou um indivíduo abastado a seguir uma carreira política em vez de profissões liberais ou de negócios? A ambição pessoal. porém. A habilidade para entender e articular as necessidades coletivas de classe é vital. aceite uma pessoa como candidato à liderança nacional. Mas isto é uma exceção à regra. Mesmo os ditadores militares devem passar pelo crivo do processo de seleção de sua própria classe. naturalmente. entre um terço e a metade encontrará algum sucesso nos cargos públicos. em geral. muitos luminares locais ou demagogos (pense em Enoch Powell na Inglaterra) jamais chegarão ao topo da estrutura de poder racional. o fracasso em outros campos. as fileiras políticas são selecionadas para que apenas poucos milhares de candidatos seletos sejam enfeitados e promovidos para os níveis de autoridade e poder nacionais. assim como a correspondente capacidade para julgar as relações de força e para formular táticas de acordo com algum plano estratégico. Nos níveis mais elevados do poder político. presidentes ou ditadores. Afora isso. o negócio do lucro é uma profissão extraordinariamente absorvente. Combinações particulares de habilidades. o que freqüentemente aparece como força da convicção ideológica é ainda mais o peso da circunstância social e da pressão dos pares. ou desejará. a convicção ideológica. como ministros. ou fatos exteriores podem todos desempenhar papéis na orientação da escolha pessoal. de forma responsável. as qualidades necessárias em tempos de prosperidade e em tempos de crise. embora pela via do círculo dos militares ligados ao ambiente burguês ou aristocrático. a tradição de família. primeirosministros. e de suas fileiras reduzidas alguns continuarão a sobreviver aos testes finais de seleção política.

a mulher) geralmente será encontrado no lugar certo. persiste o caso de que o processo de seleção da liderança é irresistivelmente social e específico de classe. as quais moldam o indivíduo politicamente relevante através de sucessivos estágios de sua biografia. Y ou Z para posições elevadas. salons. se devido à sua própria práxis política sempre altera a situação em certa medida. o homem certo (ou. a forma real na qual o processo de seleção ocorreu torna quase inevitável que. após todas essas qualificações e esclarecimentos serem admitidos. Mais recentemente. socialmente relevantes. A verdadeira plasticidade das disposições biológicas ou psicológicas significa que uma personalidade individual formada definitivamente apenas emerge após muitas forças ambientais terem operado para preencher certos potenciais enquanto anulam outros. nada além de instituições sociais. . em última análise. no tempo certo. ocasionalmente. Mais propriamente. que influenciam a história através de sua práxis individual. Nenhuma teoria de conspiração é necessária para entender como isso funciona. Não é uma questão de altos monopolistas escolherem X. A Escola de Sociobiologia e a Escola de Psico-história têm desafiado a capacidade do materialismo histórico em explicar a mudança histórica de uma maneira compreensiva. E essas forças ambientais são. pode cometer erros na escolha dos "homens predestinados". agrupamentos. Sob essas circunstâncias. na sociedade burguesa. haja sempre no mínimo quatro ou cinco líderes centrais disponíveis para implantar soluções completamente diferentes. à medida que ignoram o fato de que indivíduos importantes. normalmente. os altos monopolistas — ou alguma rede mais ampla de poder de intermediários dentro da classe dominante — estabelecem barreiras suficientes e testes preliminares para assegurar que os defensores dos interesses da classe dominante que sejam "fracos de caráter" ou "indignos de confiança" não passarão o limiar do poder de Estado. Além disso. em cada país dado. "rede de panelinhas" e similares é completamente suficiente. Deste modo. ao invés de A.liderança em uma conjuntura. Contudo. há sempre certa discrepância entre os interesses de classe a curto e longo prazos. O problema do papel do indivíduo na história tem sido freqüentemente formulado de uma maneira que contrapõe o indivíduo ao grupo social. Geralmente a burguesia escolherá aquele que melhor preencha o que ela considera ser as necessidades prioritárias do momento. Além disso. apenas o fazem em virtude de características as quais são primariamente formadas pela sociedade. Nenhuma lei automática assegura que uma classe social escolha a liderança que ela precisa. em grande parte. Nenhuma coletividade pode sempre ser totalmente consciente da totalidade dos seus interesses de forma completamente objetiva. podem na verdade desqualificá-los para o comando em uma outra situação transformada. o papel dos grupos informais. impossibilitando um cálculo exato das conseqüências da ação. o que torna inevitável uma margem de erro no processo de liderança. o peso tremendo dos interesses privados remove qualquer congruência automática ou completa entre os motivos privados e os interesses de classe. B ou C. A burguesia. Os substratos biológicos ou instintivos das personalidades apenas criam potenciais os quais estão abertos a uma variedade de desenvolvimentos que depende de contextos sociais mais amplos. Mas ambas as aproximações são insatisfatórias. isto tem sido traduzido numa contraposição entre fatores biológicos e sociais.

a fim de estabelecer sua inquestionável autoridade no microcosmo do futuro Terceiro Reich. corporações. na sociedade burguesa. o sistema de educação (incluindo a instituição religiosa e outros aparelhos ideológicos).Na sociedade burguesa. redes de poder. antes. As lições que ele aprendeu durante sua luta implacável pela liderança determinaram seu modus operandi. e em vários pontos ele esteve à beira de perder o controle sobre o seu próprio partido para personalidades como Röhm. essas instituições incluem a família nuclear patriarcal. uma vez que atingiu o poder instalando padrões de crueldade. as quais seletivamente promovem candidatos promissores (partidos. do que uma sociedade na qual as relações básicas de produção estabelecem a cooperação voluntária e a solidariedade consciente como valores sociais centrais. . finalmente. todas essas instituições tendem a canalizar o impulso humano básico para a auto-afirmação (Lustprinzip) no sentido da competição individual para a riqueza privada e o poder. o impulso para a riqueza e o poder se tornariam socialmente irracionais. ela se expressaria através de um sistema inteiramente diferente de comportamento social: competição pela excelência em habilidade artística ou atlética. Mas em estruturas sociais fundamentalmente diferentes — comunalismo tribal. oportunismo e falsidade. agressivas e destrutivas. etc). e mesmo contrários à natureza humana. Mas os marxistas certamente formulam julgamentos e têm tradicionalmente afirmado que uma sociedade na qual o domínio do homo homini lupus prevalece. e assim por diante. o período mais difícil de sua carreira política. a direita era uma verdadeira floresta de führers imaginários. e é contenda específica do materialismo histórico que elas exercem a influência decisiva na formação da liderança social. Reconhecer esta especificidade histórica da individualidade formada socialmente é apenas admitir um fato empiricamente demonstrável e cientificamente visível e que não necessariamente requer um julgamento de valor. em outras palavras. feudalismo ou socialismo — este impulso primordial pode formar personalidades completamente diferentes com valorizações de auto-estima radicalmente diferentes. competição por servir à comunidade sem expectativa de recompensas materiais ou de poder. associações de empregados. sem dúvida. a matriz particular das organizações partisans. Hitler teve de sofrer críticas severas do seu próprio e relativamente pequeno partido. Além disso. Numa sociedade baseada numa produção socializada e democratizada. Elas são. à medida que elas "internalizam" os valores básicos que correspondem à estrutura e aos interesses daquela ordem. as poderosas fontes do conformismo social. Estes anos iniciais foram. por exemplo. competição pelo reconhecimento social. Para o nacionalista alemão. produzirá personalidades mais alienadas. Os cavaleiros brancos do apocalipse Impressiona o fato de que os historiadores têm-se inclinado a desvalorizar ou ignorar o processo de seleção institucional na ascensão de Hitler ao poder. as várias instituições estatais através das quais o indivíduo busca o poder e. moldando talentos e disposições em certas direções e não em outras. Elas geram personalidades que asseguram a defesa e a reprodução de uma ordem social dada. produzindo personalidades que correspondem às necessidades das classes sociais ou de suas frações principais. Isto não é porque a necessidade de auto-afirmação teria sido suprimida. entre os quais Hitler era inicialmente apenas primus inter pares. É um truísmo que nenhum indivíduo pode escapar à influência destas instituições poderosas. Muito antes de seu sucesso eleitoral em 1930.

a transformação de figuras decorativas em detentores do poder foi somente temporária. enquanto Hiroito. que nunca se intrometeu nos negócios de Estado ou impôs seus pontos de vista. durante vinte anos. Por tradição. O Rei e o Marechal. refugiou-se em seu tradicional papel cerimonial. eles não foram capazes de agir contra o seu apelo "divino". Tendo legitimado o militarismo japonês através do culto à divindade do Imperador. foram cúmplices servis do Duce. Mas. foi transformado de mera figura decorativa no líder político da classe dominante. ao invés de procurá-la no ambiente social da direita alemã pós-Versalhes. promovendo o Rei de fantoche supino a conspirador principal. colocada em pânico pela Invasão Aliada. Vitório Emanuel e sua dinastia inteira foram rapidamente banidos de cena. é outro exemplo impressionante de como forças sociais mais amplas são capazes.Procurar a origem desses traços na primeira biografia de Hitler. Longe de ser um gângster de nascença. foi porque lutou pela conquista da liderança durante uma década numa organização quase clássica de gângsters — o Partido Nazista —. mas como um escultor que martela continuamente os blocos de mármore. sob a clemência de McArthur. Frente à unanimidade da classe dominante italiana. As necessidades coletivas da burguesia italiana permitiram que a instituição da monarquia (bem como a repentinamente revivida liderança coletiva do Partido Fascista) se reativasse virtualmente de um dia para outro. literalmente. mas a reversão dramática das fortunas da classe dominante italiana. A derrota de Mussolini. sob circunstâncias imprevisíveis. aumentando sua voz através do rádio. o Imperador Hiroito havia sido um símbolo passivo para o grupo militar que governou o Japão desde meados dos anos 30. impôs a paz sobre os líderes militares intransigentes. de capturar os indivíduos. Se ele se tornou o gângster-mestre do século XX. incapaz de mobilizar mesmo algumas centenas de seguidores para defender uma ditadura que havia durado vinte anos! Assim também. o Imperador — aconselhado por Tsugeru Yoshida e seu círculo de políticos burgueses — habilmente manobrou os teimosos militares para uma capitulação incondicional. Não foi nenhum reservatório insuspeito de gênio ou de resolução que lhes permitiu depor Mussolini. distorce a verdadeira seqüência de eventos. Suas funções de curta duração como figuras nacionais decisivas foram o resultado de circunstâncias excepcionais que temporariamente dotaram instituições decorativas com poderes de emergência. que despojou o líder fascista do seu poder e suporte social. quando se evidenciou que a Força Aérea americana poderia destruir as bases urbano-industriais do capitalismo japonês e que não mais havia qualquer possibilidade séria para uma paz negociada. Repentinamente. em 1943. foi facilmente manobrado por seus auxiliares: o Monarca fantoche Vitório Emanuel III e o Marechal Badoclio. Mussolini. apanhando-os numa contradição político-ideológica inextricável. que não era diferente de organizações como a Máfia da Sicília e dos Estados Unidos. a fim de . Ele. totalmente ofuscados por sua inteligência e força de vontade. um mestre da intriga e do frio exercício do poder. o italiano e o japonês. ele foi uma figura decorativa. Nos dois casos. não como as aranhas capturam as moscas em sua teia. Hitler estava inclinado a uma carreira medíocre em arquitetura ou arte. o outrora "Todo-poderoso Duce" foi preso por um punhado de carabineiros.

enquanto a Guerra estava obviamente perdida. Havia. ou cortar as linhas telefônicas entre o ministério de Goebbels e a casamata de Hitler em Rastenburg. Hiroito ou Goebbels. o major de Leipzig. comparada com a posição dos conspiradores italianos de 1943 ou com o círculo social do Imperador do Japão durante o verão de 1945. o exército tinha sido derrotado e os centros urbanos. aparece como Gulliver entre os liliputianos. alternativamente.salvar os aparelhos de Estado da destruição iminente. ao contrário. Ele foi um planejador soberbo que. ao contrário dos casos italiano e . Na Alemanha. sem falar no major Remer. o exército ainda não havia sido vencido. O General Ludwig Beck foi. os soviéticos estavam ainda além do Vístula e é impossível dizer que seqüência de eventos poderia ter seguido o sucesso do seu golpe — se teriam ou não tido êxito em apelar para o anticomunismo para dividir o Bloco Aliado. as redes de poder tradicional — ao redor do Conde Acquarone em Roma. os conspiradores militares se lançaram contra Hitler em 20 de julho de 1944. por muitos anos. Por quê? Deveria alguém aceitar explicações convencionais de que a conspiração sofreu um colapso devido a uma contingência técnica — a colocação errada da bomba de Stauffenberg — ou. Carl Goerdeler. no caso. e ao redor do Príncipe Kanoye e do Marquês Kido em Tóquio — foram mobilizadas para juntas tecer intrigas sob a vigilância cuidadosa da classe dominante. Por volta de 1944. Na Itália e no Japão. Além disso. a sobrevivência absoluta de amplas seções da classe dominante alemã — sobretudo a elite prussiana — estava em risco. tornou-se claro para a maioria dos líderes financeiros e industriais alemães — sobretudo para as dinastias junkers prussianas — que a guerra estava perdida e o Reich seria desmantelado a menos que o avanço do Exército Vermelho fosse detido por uma paz separada com os americanos. Ainda mais que nos casos japonês. Na Alemanha. Além disso. Mesmo este planejador hábil e experiente fracassou miseravelmente até em assegurar regras elementares do coup d’état tais como ocupar as estações de rádio. deste modo. vacilando no momento crucial. o Chefe do Estado-Maior. o verdadeiro líder dos conspiradores. apoderar-se do controle do sistema de telecomunicações de Berlim. a opinião de que Beck. italiano ou francês. Mas. Havia apenas um caminho aberto para a classe dominante: terminar a Guerra imediata e incondicionalmente. em nenhum dos casos foi necessário iniciativa ou habilidade pessoal extraordinária: preferivelmente. um desejo unânime da burguesia de seguir uma trajetória de ação clara. Ele ainda possuía vastos recursos materiais e humanos para sustentar sua capacidade de luta por muitos meses. Por quê? Teria ele repentinamente perdido sua ousadia? É difícil crer numa análise do fracasso do golpe que recai sobre as fraquezas pessoais do General Beck ou de seu parceiro político. responsável não apenas pelo rearmamento eficaz do Reich. comparado com Vitório Emanuel. Incomparavelmente mais importante é a diferença na situação objetiva que os conspiradores alemães enfrentaram. foram expostos à Força Aérea Aliada. era uma personalidade "hamletiana" que. Quando. de fato. mas também pela idealização de muitas das primeiras vitórias militares. foi logrado e manobrado pelo diabólico Goebbels (auxiliado pela admiração pessoal do major Remer pelo Führer)? É evidente que não. uma operação de salvamento ainda mais ambiciosa foi tentada após o Desembarque dos Aliados na Normandia. sua ação foi um fracasso. sem auxílio.

Embora estivesse unida contra qualquer capitulação aos soviéticos e completamente convencida de que algum tipo de capitulação aos aliados anglo-saxões era a alternativa preferida. por sua vez. Enquanto alguns clamavam a imediata destituição de Hitler e a capitulação aos americanos. um reflexo das contradições objetivas e confusões reais. Mas há um epílogo para esse incidente que coloca o destino dos conspiradores do 20 de julho dentro de uma perspectiva irônica. Goerdeler. mas a expropriação e a destruição de sua posição de classe pelo Exército Vermelho. mas.japonês (ou dos primeiros exemplos da França e da Inglaterra). em contraste com a italiana ou a japonesa. Dessa forma. futuro Presidente do Bundesbank. estava profundamente dividida quanto aos rumos a serem tomados. Havia uma profunda diferença de opinião sobre esta questão nos círculos burgueses alemães. Stauffenberg e seus associados estavam preparando o seu golpe. altos funcionários do Ministério Nazista de Negócios Econômicos (sob a proteção de um dos líderes da SS) estavam pacientemente preparando um plano para uma Alemanha pós-guerra integrada a uma economia internacionalmente aberta. Nessas condições específicas. Suas maquinações hábeis contrastaram com o fracasso da Conspiração de Julho. destruiu o potencial que ainda restava aos setores da classe trabalhadora alemã para intervir como força . Enquanto Beck. a qual assegurou a liquidação dos junkers e a perda de quase a metade do Reich alemão. por mais que fizesse. e Ludwing Emminger. não foi o caráter "hamletiano" do General Beck que sentenciou o golpe. teria dividido o seu Exército e assegurado a guerra civil ou um colapso da linha de frente. mas as hesitações da totalidade da classe dominante alemã. estava dividida quanto à avaliação se os americanos e os ingleses aceitariam um acordo separado. Foi esta divisão — resultante do dilema objetivo do imperialismo alemão no verão de 1944 — que explica a vacilação fatal que levou ao fracasso do golpe. o futuro Chanceler. Enquanto eles haviam colaborado com os nazistas durante uma década. Como resultado dessas diferenças estratégicas. além dos efeitos do arrasador bombardeio dos Aliados. o golpe teria tido êxito em horas. A hierarquia do Partido Nazista tinha-se tornado profundamente desacreditada e poucas pessoas se teriam levantado para defendê-lo contra o Exército. baseada em livres movimentos do capital e em um marco conversível — isto é. Não foi o indivíduo que causou o desastre da classe. ou ambos. Este último bloco era a maioria. Se o anteriormente resoluto Beck vacilou no momento decisivo. outros duvidavam se valia a pena correr o risco do colapso da linha de frente sem garantias prévias dos Aliados. uma ruptura completa com todas as práticas autárquicas comerciais e financeiras do Terceiro Reich. desencadeado por Himmler após o fracasso do golpe. mudaram sua trajetória em 180 graus. o qual ainda desfrutava de imenso prestígio entre as classes médias. a classe dominante alemã enfrentava um perigo particularmente ameaçador: não apenas a perda de parte de seu poder e de sua riqueza. a classe que impediu o indivíduo de agir com êxito. antes. a classe capitalista alemã. Os arquitetos desta visão — compreendida posteriormente como o "milagre da República Federal"— não foram outros a não ser Ludwig Erhard. foi porque compreendeu que. como os italianos fizeram com o Rei e Badoglio. quando se tornou necessário para a sobrevivência de sua classe. Deve-se ainda observar que o terror nazista. que era. o Exército e o aparelho de Estado ficaram totalmente divididos. Se o EstadoMaior alemão tivesse apoiado Beck.

Com suas pregações totalitárias. da guerra e do nacionalismo. A situação social de fome. patrocinado pelo imperialismo americano e tolerado inicialmente por Stalin. A crise mundial de 1929. O rumo preparado por Erhard e Emminger. o único que enriqueceu. a inflação e o desemprego reduziam à miséria camponeses. Do ponto de vista econômico. que transformaram profundamente a história da Europa. rejeitava a democracia. a guerra arruinou até os países vitoriosos. implantou-se na Rússia um regime totalitário de esquerda. Na segunda década do século XX. facilitou a ascensão de Hitler. De maneira geral. miséria e desemprego. as frágeis democracias de alguns países europeus foram substituídas por regimes políticos de extrema-direita. que durante o governo do ditador Stalin atingiu um grau de repressão e violência jamais visto na história da Europa. Essa situação. da violência. o socialismo e o marxismo. caracterizada pelo intervencionismo estatal. na ditadura nazista. como o fascismo e o nazismo. notadamente a bélica. criou em algumas nações européias as condições necessárias para a implantação das ditaduras de direita e de esquerda. que prometia ao povo desesperado salvar o país dos efeitos da guerra. iniciada com a quebra da Bolsa de Nova York. Na Alemanha de pós-guerra. A recuperação dos Estados Unidos se deu com a adoção do New Deal.autônoma para terminar a Guerra. homens de negócios e industriais italianos. criado por Mussolini. agrupava elementos de várias tendências políticas. o liberalismo. a nova política econômica do presidente Roosevelt. Caracterizou-se pela exaltação da força. de que o fascismo seria a melhor solução para o crescimento nacional e para a neutralização dos movimentos operários. dentro dos limites de um dado modo de produção. somada ao fato de o governo se mostrar incapaz de solucionar os problemas nacionais. e negava o racionalismo. . foi causada por uma crise de superprodução e pela falta de interesse dos grandes capitalistas em avaliar os efeitos da crescente produção agroindustrial norte-americana. embora dentro de um Estado de território menor. com exceção dos Estados Unidos. principalmente devido ao crescimento extraordinário de sua produção industrial. bem como as constantes crises econômicas e políticas do pós-guerra. Mussolini conseguiu convencer os grandes capitalistas. O fascismo. O maciço afluxo de mais de 10 milhões de refugiados da Prússia oriental e outros territórios alemães perdidos criou um imenso exército industrial de reserva que manteve os salários baixos durante 15 anos e preservou as altas taxas de lucros originariamente geradas pela redistribuição da renda entre as classes. Segunda Guerra Mundial O PERÍODO ENTRE GUERRAS Como consequência da 1ª Guerra Mundial. Não poderia haver ilustração mais convincente de como a astúcia da história funciona através da apropriação dos talentos individuais pelas necessidades de classe. a guerra provocou a maior crise que o sistema capitalista conhecera até então: a crise de 1929. operários e a classe média. permitiu à classe dominante alemã emergir 20 anos depois com maior poder industrial e financeiro do que antes. que transformou os norte-americanos nos principais fornecedores de armas e munições para os países da Tríplice Entente e seus aliados.

A ascensão do franquismo na Espanha se deu depois de uma sangrenta guerra civil entre as forças populares e as conservadoras da Falange. o assassinato. o Japão. sem dúvida. iniciada 20 anos depois. que não foram respeitados. que visa à obtenção de lucro. A desejada paz mundial não foi alcançada após 1945. Noruega. O Japão finalmente assinou sua rendição em Setembro de 1945.O nazismo. existe a possibilidade de mobilidade social. que finalmente teve início quando os exércitos de Hitler invadiram a Polônia. uma das causas da 2ª Guerra Mundial. A partir de 1943. A partir do famoso Dia D. apresentou a singularidade da crença de que os alemães pertenciam a uma raça superior e do particular racismo contra os judeus. a tortura e a repressão física e psicológica foram métodos aplicados tanto por regimes totalitários de direita quanto de esquerda. que lançaram bombas atômicas sobre Hiroxima e Nagasáqui. A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL A paz humilhante e revanchista imposta no Congresso de Versalhes aos derrotados na 1ª Guerra Mundial foi. França e Inglaterra. Grécia. No período entre guerras. principalmente pelos alemães e italianos. Iugoslávia e outros geravam a crença de que Hitler poderia dominar o mundo. a corrida armamentista e acordos de não-agressão. e a Alemanha invadiu a União Soviética. a União Soviética. foi bombardeado pelos norte-americanos. além das mesmas características gerais do fascismo. a burguesia capitalista é dona dos meios de produção. que dirige a administra todos os meios de produção. As anexações da Áustria e da Tchecoslováquia pela Alemanha prenunciavam a eclosão da guerra. o mundo pós-guerra é cheio de conflitos e divergências entre os povos. os Estados Unidos entraram na guerra ao lado dos seus aliados tradicionais. Dinamarca. a violência. que temiam as reformas sociais e políticas do governo republicano. foram recuando para suas fronteiras até a rendição final. . que já sofriam sucessivas derrotas na frente oriental para os soviéticos. em Maio de 1945. a Itália e outras. Holanda. começou a supremacia dos exércitos soviéticos sobre as tropas alemães. Bélgica. Em síntese. que insistiu em continuar a guerra. a implantação dos regimes totalitários de direita e de esquerda e os interesses imperialistas e expansionistas de algumas das grandes potências mundiais. quebrando o acordo de não-agressão e neutralidade assinado por Hitler e Stalin em 1939. em qualquer lugar do mundo onde foram instalados. A entrada dos Estados Unidos na guerra e o fim da neutralidade soviética começaram a inverter tal situação. a crise de 1929. As vitórias alemães nos primeiros anos de guerra e a ocupação nazista de países como França. depois da vitória da União Soviética na Batalha de Stalingrado. o operariado para sobreviver vende a sua força de trabalho e a produção é organizada pelo capitalista. causas determinantes do segundo conflito mundial. como a Alemanha. os exércitos nazistas. No mundo socialista a economia é planificada e controlada pelo Estado. implantado por Hitler. as nações européias reiniciam suas políticas de alianças político-militares. O Japão. quando os aliados iniciaram a grande ofensiva para libertar a França. PANORAMA DO MUNDO PÓS-GUERRA Após a 2ª Guerra Mundial o mundo foi dividido em dois grandes blocos: o capitalista e o socialista. Pelo contrário. Em 1941. Podemos citar ainda. No mundo capitalista a propriedade privada é intocável.

A concentração da riqueza nas mãos de poucos e a miséria das massas camponesas e urbanas geram constantes crises políticas e tornam a América Latina receptiva às ideologias estrangeiras. onde os governos se submeteram à orientação da União Soviética. cujo exemplo maior são as rivalidades entre árabes e judeus. A 2ª Guerra Mundial trouxe também como consequência a descolonização da África e da Ásia. em 1955. fez os soviéticos recuarem. . Em vários países da América Latina predominam as multinacionais e as economias desnacionalizadas. esta última motivada pela pretensão soviética de instalar bases de lançamento de mísseis em Cuba. Nos países da América Latina predominam a dependência econômica em relação às grandes potências capitalistas e uma estrutura produtiva basicamente agrária. os países participantes não aceitaram a divisão do mundo em dois blocos . ouro. A estrutura política do Leste europeu foi profundamente afetada com a ascensão de Gorbatchev ao poder na União Soviética e com o conjunto de suas reformas econômicas e políticas. A Guerra Fria foi causada pelo expansionismo soviético do Leste europeu. No contexto pobre e miserável da quase-totalidade dos países africanos. uma guerra ideológica na qual cada uma delas procura ampliar sua área de influência.As disputas pela liderança mundial entre as duas superpotências – União Soviética e Estados Unidos – geraram a Guerra Fria. Porém. urânio e carvão. a África do Sul é uma exceção. Depois de um período de declínio no final dos anos 50. em que as oligarquias latifundiárias dominam a política e o latifúndio é responsável por profundas desigualdades sociais. A frágil estabilidade da paz mundial é constantemente ameaçada por conflitos armados e divergências entre vários povos. no Oriente Médio. devido ao fim do mito racista de superioridade do homem branco. É o país mais industrializado de todo o continente africano e o mais rico pelas suas minas de diamante. nascendo daí o chamado Terceiro Mundo. Na Conferência de Bandung. conhecido como apartheid. os meios de produção foram estatizados e a direção política acabou nas mãos dos partidos comunistas. pela Doutrina Truman e pelo Plano Marshall. a economia é controlada pelo Estado. A reação norte-americana. O expansionismo soviético no pós-guerra resultou na sovietização dos países do Leste europeu. a minoria branca dirigente da África do Sul impôs um regime segregacionista. as tensões mundiais aumentaram no início dos anos 60 com a construção do muro de Berlim e a crise dos mísseis. com base no falso mito da inferioridade biológica do negro. à crescente consciência nacionalista dos povos daqueles continentes e à luta pelo direito de autogoverno e autodeterminação defendidos pela ONU. com o bloqueio naval da ilha. conhecidas respectivamente por perestroika e glasnost.

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