Causas da Segunda Guerra Mundial

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa A assinatura do tratado de paz no final da Primeira Guerra Mundial (Tratado de Versalhes) deixou a Alemanha humilhada e despojada de suas possessões. Perdeu seus territórios ultramarinos e, na Europa, a Alsácia-Lorena e a Prússia Oriental. Os exércitos aliados ocuparam a região do Reno, limitaram rigorosamente o tamanho do Exército e da Marinha alemães, e o seu país foi obrigado a pagar indenizações pela Primeira Guerra Mundial que logo provocaram o colapso de sua moeda e causaram desemprego em massa.

[editar] Causas subjacentes

Nacionalismo: Uma das causas mais fortes teria sido o nacionalismo, fonte das agressões da Alemanha, Itália e Japão. Os regimes fascistas existentes à época nestes países, foram sendo construídos com base num sentimento nacionalista. Adolf Hitler e o Partido Nazista usaram o sentimento nacionalista, na altura bastante explícito na sociedade alemã ,de maneira eficaz.Na Itália, a ideia da restauração de um Império Romano era atractivo para muitos habitantes desse país. No Japão, o nacionalismo, como sentimento de sentido de dever e honra, dedicado especialmente ao imperador, tinha já séculos de prevalência.

[editar] Causas na Europa

   

Tratado de Versalhes: O tratado pode ser visto como a causa mais importante indiretamente para o início da guerra. Culpando apenas a Alemanha e os seus Aliados pela Primeira Guerra Mundial, o tratado impôs, além de intensos pagamentos por parte da Alemanha aos Aliados, aplicando um forte golpe na economia do país e elevando a inflação a índices astronômicos, um irrecuperável sentimento de humilhação para os cidadãos alemães. Primeira Guerra Mundial: Dito pelo então presidente Norte-Americano Woodrow Wilson, como a guerra para acabar com todas as guerras, não acabou sendo bem assim, principalmente para a Alemanha, que buscava meios de se vingar das humilhações sofridas pela derrota. Como disse Winston Churchill, Essa guerra é, de fato, uma continuação da anterior. Lebensraum: A preocupação primária de Hitler durante esse período foi com a necessidade alemã de Lebensraum, ou seja, espaço vital. Se o país devia passar de nação de segunda categoria para primeira potência mundial, necessitava de espaço para se expandir, e se precisava comportar uma população em rápido crescimento e exigindo prosperidade, necessitava de terras para cultivo e matérias-primas para energia e indústria Grande Depressão. Política de apaziguamento. Anti-semitismo. Polónia: Principalmente, com relação ao "corredor polonês (ou polaco)".

 

Revolução Russa e o Anti-comunismo. Itália: Uma aliança entre a Alemanha e a Itália é um dos objetivos essenciais contidos no Mein Kampf. Os acontecimentos haviam mostrado quão úteis essas duas potências podiam ser uma à outra. A recusa alemã de participar das sanções contra a Itália diminuiu grandemente a eficiência dessas sanções. E agora os dois Estados estavam lutando lado a lado para esmagar o governo republicano da Espanha. E entre o entendimento a respeito da Espanha e a colaboração num âmbito europeu, ia apenas um passo.

[editar] Causas na Ásia
As relações entre os Estados Unidos e o Japão andavam tensas há algum tempo, e o principal ponto de discórdia eram as tentativas japonesas de colocar a China sob o controle do império do sol nascente, por meios bélicos. A Guerra Sino-Japonesa começara em 1937, provocando protestos americanos, visto que os Estados Unidos tinham fortes interesses na China. A recusa do Japão em dar ouvidos a esses protestos moveu o governo americano a declarar um embargo na exportação de certos produtos para o Japão, inclusive petróleo, o que gradualmente reforçou a disputa. Privados de uma importante fonte de combustível, os japoneses tinham duas alternativas: aceitar um acordo humilhante com uma América pretendendo a inviolabilidade da China; ou procurar petróleo em outro lugar, se necessário pela força.

Grande Depressão
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Esta quebra na bolsa de valores de Nova Iorque piorou drasticamente os efeitos da recessão já existente. embora se encontrasse entre os vencedores. elevando assim drasticamente as taxas de desemprego. Califórnia. pois não conseguiu ampliar seus territórios coloniais. Seu marido havia perdido seu emprego em 1931. uma das fotos americanas mais famosas da década de 1930. ficou numa posição de inferioridade em relação aos outros três. EUA e Itália). Muitos perderam tudo o que tinham. milhares de acionistas perderam. interessados apenas nas suas próprias áreas de influência na América Latina e no Pacífico.A fotografia Migrant Mother. bem como quedas drásticas na produção industrial. literalmente da noite para o dia. também chamada por vezes de Crise de 1929. por sua vez voltaram à antiga política de isolamento. preços de ações. terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial. e morrera no mesmo ano. em Nipono. quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países. Assim. mostrando Florence Owens Thompson. foi uma grande depressão econômica que teve início em 1929. e em praticamente todo medidor de atividade econômica. em diversos países no mundo. e que persistiu ao longo da década de 1930. Este período de depressão econômica causou altas taxas de desemprego. Assim. A Itália. caíram drasticamente. mãe de sete crianças. França. quando valores de ações na bolsa de valores de Nova Iorque. O colapso continuou na Segunda-feira negra (o dia 28 de outubro) e Terça-feira negra (o dia 29). A Grande Depressão. a New York Stock Exchange. Principais Causas da Segunda Guerra Mundial Após a Primeira Guerra Mundial e a assinatura do Tratado de Versalhes. grandes somas em dinheiro. a Inglaterra e a França dominaram a Liga das Nações (organização mundial. de 32 anos de idade. A Grande Depressão é considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do século XX. as potencias capitalistas foram divididas em dois grandes blocos: o dos vencidos (tendo à frente a Alemanha e a Áustria) e o dos vencedores (Inglaterra. em busca de um emprego ou de ajuda social para sustentar sua família. março de 1936. mas a produção industrial americana já havia começado a cair a partir de julho do mesmo ano. desencadeando a Quinta-Feira Negra. causando um período de leve recessão econômica que se estendeu até 24 de outubro. causando grande inflação e queda nas taxas de venda de produtos. O dia 24 de outubro de 1929 é considerado popularmente o início da Grande Depressão. que . que por sua vez obrigaram o fechamento de inúmeras empresas comerciais e industriais. Os EUA.

relações de classe. a história é explicada. extensamente sobredeterminada pela lógica interna de cada modo de produção específico. foi o grande perdedor da Primeira Guerra. pois tanto o comunismo como o fascismo se apresentavam como alternativas para solucionar as dificuldades do período As causas da Segunda Guerra Mundial: os indivíduos e as classes sociais Ernest Mandel Historiador e economista recém-falecido. Esta concepção da história não está baseada na negação da individualidade humana nem no menosprezo pela autonomia individual. reforçadas pela Revolução Russa de 1917. e as forças conservadoras. Deste modo. A primazia das relações e dos conflitos entre as forças sociais na determinação do curso da história é um dos pressupostos fundamentais do materialismo histórico. tais relações são. Era professor da Universidade de Bruxelas e foi prisioneiro de um campo de trabalho nazista durante a Guerra. Deste modo. que se auto-anulariam amplamente. como a história das lutas entre as diversas classes sociais e suas frações essenciais. Para que a história possua um padrão inteligível e não seja uma mera sucessão de fatos desconexos. milhões de conflitos individuais. que tiveram sua expressão máxima no nazismo e no fascismo. estrutura de caráter ou valores. A crise econômica de 1929 contribuiu de modo decisivo para aprofundar esse confronto. obrigada a aceitar as humilhantes condições do Tratado de Versalhes. em última análise. se fossem exclusivamente individuais. O período que se seguiu à guerra caracterizou-se por uma imensa luta entre as forças da esquerda (socialistas e comunistas). escolhas e direções possíveis parecem ter uma lógica determinada.tinha como principal objetivo garantir a paz) e passaram a ditar as regras da política européia. aspectos comuns têm de ser descobertos no comportamento dos indivíduos. do completo entendimento do fato de que um número infinito de pressões individuais tende a criar movimentos aleatórios. necessariamente. A Alemanha. A visão de que a história é configurada basicamente pelas forças sociais resulta. precisamente. Nas sociedades divididas em classes. que permite serem vistos como um paralelogramo real de .

é sempre com uma certa consciência que pode. seja por possuírem uma percepção mais clara do que os outros das necessidades históricas de sua classe. não nega que certos indivíduos podem desempenhar papéis excepcionais. mesmo após ter subjugado toda a Europa. a Alemanha nazista. Só em circunstâncias nas quais a vasta maioria tenha sido excluída do fazer história. não teria nenhuma chance de vencer uma guerra contra o vasto poder econômico da América do Norte. Hitler não pretendia reduzir o poder da classe dominante alemã à metade do Reich. Nos limites globais. ser uma falsa consciência. mas essa perda de poder e de território foi precisamente a conseqüência da sucessão de eventos desencadeados pela invasão da . Quando o materialismo histórico afirma a primazia das forças sociais sobre as ações individuais. a não ser que incorporasse com êxito todos os recursos naturais e industriais da União Soviética. materiais e sociais. certas personalidades podem influenciar a história. Através de sua influência. nem o talento individual nem a sede de poder podem alterar os limites da correlação material (sócio-econômica) de forças. na liderança de movimentos sociais. podem ter influência incomum na história.forças. Uma categoria adicional. essencial. Segue-se nesse contexto que certos indivíduos. na determinação do curso da história. elas podem impor decisões que. inclui as necessidades conjunturais dos grupos sociais. O déspota mais poderoso do mundo não pode escapar às implacáveis demandas da acumulação do capital. que resulta da estrutura da propriedade privada e da competição no mundo capitalista. sujeitas a um número finito de resoluções e conseqüências possíveis. tal como ocorreu a partir de 31 de agosto de 1939. não como super-homens. é apenas uma aproximação elementar da relação entre forças sociais e indivíduos na configuração do curso dos acontecimentos. Isto ocorre independentemente de sua vontade ou de suas intenções declaradas. qualquer tentativa de repor a lógica da produção escravista (como Hitler tentou fazer) só poderá resultar em dificuldades enquanto persistir a tecnologia atual e a propriedade privada. Personalidades excepcionais não podem mudar a tendência secular dos fatos. também atenuam o papel da maioria dos indivíduos na sociedade. Dessa maneira. favoreçam ou contrariem os interesses das forças sociais que supostamente representam. É isto o que acontece na história real. dadas as respectivas forças produtivas da Europa capitalista e dos Estados Unidos em 1941. Se homens e mulheres fazem a história. Aqueles que negam a primazia das forças sociais na configuração do destino humano. Hitler e as causas da Guerra A distinção. é obvio. a curto prazo. Por exemplo. Do mesmo modo. à medida que interpreta erroneamente seus interesses reais ou não prevê as conseqüências objetivas de suas ações. mas exatamente como conseqüência de suas relações sociais. seja por retardarem o reconhecimento dessas necessidades objetivas. de modo paradoxal. um processo que levaria anos. entre os grandes movimentos seculares da história e as variações de prazo mais curto no desenvolvimento histórico. poucos "grandes homens" podem ser dotados do poder de configurar eventos.

Por isso. de desencadear a guerra antes que as enormes forças produtivas do capitalismo americano tivessem sido mobilizadas e enquanto a Alemanha ainda desfrutava de certas vantagens em blindados e aeronaves modernas. as facetas contraditórias de sua personalidade: temeridade. Mas também é verdade que. provavelmente não foi acidental o fato de a classe dominante alemã. Em períodos de crise. além disso. Essas avaliações. sob circunstâncias normais. Daí a necessidade de pilhar as economias adjacentes e procurar escalas continentais de organização industrial.Polônia no dia seguinte. O seu "destino manifesto". cada vez maior. foi uma decisão. foram condicionadas pelas contradições internas do imperialismo alemão. entretanto. a curto prazo. os círculos principais da classe capitalista alemã tinham decidido — em consideração aos seus interesses conjunturais — que a única saída para a crise econômica da Alemanha era estabelecer a hegemonia sobre a Europa ocidental e central. o impulso em direção à guerra nasceu das avaliações. Ela expressou. em troca. desejando preservar as estruturas e os valores básicos do regime capitalista: uma linhagem colaboracionista que vai de Ebert a McDonald. a tentação. comparáveis àquelas dos Estados Unidos ou da União Soviética. se a decisão final de ocasionar a Wehrmacht em 1o de setembro de 1939 foi sem dúvida de Hitler. 2) o ônus do rearmamento maciço conduziu a uma crise financeira mais profunda no capitalismo alemão. oportunismo hábil. Disparada a ação dessa estratégia e iniciado o rearmamento maciço. para toda a liderança nazista. a burguesia tem tentado repetidamente resolver os balanços desfavoráveis do poder de classe recorrendo à liderança parlamentar dos líderes trabalhistas reformistas. incluíram uma série de ações que não representavam a única escolha possível para o bloco social-nazista. apesar de seu orgulho cultural e suas tradições de sustentáculo da "lei e da ordem". A influência política desproporcional dos junkers — um resultado do fracasso das tentativas do século XIX de uma revolução democrático-burguesa na Alemanha — acentuou os aspectos ousados e arrogantes da política externa alemã e ampliou o suporte para a expansão militar. A invasão da Polônia. A Alemanha chegou. que vinham de fora da Alemanha. enquanto indivíduo. para o qual Hitler. bem como uma alternância ciclotímica entre indecisão paralisante e hipervoluntarismo. As reservas em moeda tinham quase desaparecido e o pagamento de juros sobre a dívida nacional tinha-se tornado um peso insuportável. O fato de que a classe dominante esteve mais ou menos unificada no projeto de modificar agressivamente a divisão mundial do poder econômico não foi certamente acidental. colocar o seu futuro nas mãos de um aventureiro negligente. já no ano de 1932. foi interpretado como a busca da reposição de um império na Europa. monomania. mas também os Estados Unidos —. a Léon . Naturalmente. de maneira surpreendente. portanto. Era impossível continuar com a taxa de militarização sem a integração de recursos materiais adicionais aos estoques quase exauridos. tardiamente. à arena das grandes potências para adquirir um império colonial fora da Europa que correspondesse a sua importância no mercado mundial. Portanto. Por isso. é verdade indubitável. a guerra tornou-se virtualmente inevitável devido a dois fatores: 1) o rearmamento reativo dos principais rivais capitalistas da Alemanha — mais imediatamente. que procuraram bloquear a suserania alemã sobre a Europa e sua conversão numa potência mundial. de Hitler. Esses fatos. fundamentalmente. a burguesia escolhe suas lideranças políticas dentro de sua própria classe. da maioria da classe dominante alemã. possuía uma responsabilidade imediata. a Inglaterra. acentuadas pelas crises sucessivas de 1919/23 e 1929/32.

Na verdade. em termos de valores tradicionais. Wily Brandt e Helmut Schimidt. Porque ela obteve o endosso das classes dominantes? Primeiro é necessário entender o papel das estruturas mentais coletivas. as greves e outras ações coletivas do proletariado seriam quase impossíveis (ao contrário. é. o produto de uma concatenação específica de circunstâncias: a ruína dos pequenos lojistas. insistiu corretamente na importância da solidariedade e do auto-sacrifício como características componentes de uma clara mentalidade proletária. as quais medeiam os interesses. mais especialmente da pequena burguesia. Incomparavelmente mais significativa. insistiu sobre o fato de que os trabalhadores. Spaak. havia. os estratos declassés de todas as classes sociais. o desemprego em massa da casta dos funcionários públicos. literalmente. Sem essa estrutura mental que tem origem na experiência do trabalho na fábrica e na exploração em larga escala. A psicologia social deve ser uma instância necessária na interpretação marxista do processo histórico e deve elucidar como mentalidades específicas apoderam-se de um dado grupo social. mesmo quando expressam uma falsa consciência que distorce ou interpreta incorretamente interesses objetivos. a destruição de pequenas organizações financeiras. agora tão úteis na história social ou nos estudos culturais. portanto. Clement Attlee e Van Acker.Blum. Hitler. no mesmo sentido. em novembro de 1918. Mesmo a monomania de Hitler sobre os judeus pode agora ser vista como uma demência difundida entre os estratos reacionários da sociedade alemã. Engels. centenas de Hitlers e Himmlers em potencial circulando na Alemanha após 1918 — muitos deles com feições ideológicas e de caráter quase idênticas àquelas do futuro Führer. vivendo nas grandes cidades e labutando nas novas fábricas dos . a maneira pela qual o Terceiro Reich emergiu do colapso da República de Weimar e pavimentou a estrada para outra guerra mundial foi determinada apenas em certa medida pelos talentos e debilidades particulares de Hitler como político individual. Kautsky. Para uma classe burguesa poderosa. patrocinar uma autoridade tipo Hitler implica circunstâncias muito excepcionais: uma profunda crise sócio-econômica que produz tensões sociais generalizadas de caráter pré-revolucionário. desse modo. A psicologia social e a análise marxista A mentalidade de bandido tornou-se característica de certas camadas da sociedade alemã entre 1918 e 1919. e. Assim. lançam um grande número de caráteres desesperados com o propósito de "resolver os problemas da nação" indiferentes ao custo. Trotsky caracterizou de forma competente os aventureiros deste tipo como wildgewordene kleinbürger (pequeno burguês tornado selvagem). têm uma genealogia independente no pensamento marxista clássico. Os conceitos de mentalités ou estruturas de sentimento. as greves por parte da pequena burguesia são extremamente raras). A mentalidade de gângster já era claramente visível na formação dos Freikorps. em termos humanos ou materiais. foi a crise social mais ampla da qual o "tipo Hitler" foi apenas um epifenômeno. enquanto um tipo de caráter político. Sob tais condições de crise excepcional. muito menos. os receios competitivos anti-semitas de médicos e advogados de poucos clientes. terminando provisoriamente com François Mitterrand. a superprodução de acadêmicos etc.

determinam o desenvolvimento histórico. étnicas e mesmo gastronômicas. é muito mais provável que tais paixões criem disposições para desenvolvimentos completamente diferentes. Não apenas classes mas também grupos étnicos podem manifestar estruturas mentais coletivas distintas. O exemplo clássico dessa transformação ocorreu no século XIX no seio da burguesia judia assimilacionista da Europa ocidental. No caso da famosa análise da Escola de Frankfurt sobre o sucesso do hitlerismo. os resultados históricos reais dependem das lutas sócio-políticas concretas. Que linha de desenvolvimento ou ação será efetivamente empreendida não pode ser prevista pela análise desses próprios impulsos inconscientes. em última análise. idéias. A real debilidade da Escola de Frankfurt foi sua incapacidade em compreender os elos de mediação cruciais na dialética da infra-estrutura e superestrutura. Mais propriamente. por sua vez. as quais fortalecem a identidade e o respeito próprio contra a extensa violência e indignidade. esse tradicionalismo defensivo pode ser repentinamente revertido em favor da assimilação quase fanática e mesmo da superidentificação com a cidadania recentemente adquirida ou do status nacional. nos anos 30. O papel dos impulsos inconscientes no comportamento social do homem havia. ou mais. não podem diretamente dar forma às transformações sociais envolvendo milhões de seres humanos. formam a primeira classe na moderna sociedade alemã que escapou à estreita perspectiva conformista. dirigida por Horkheimer. Mas esse tipo de estrutura mental geralmente persiste apenas enquanto o meio social básico é composto pela pequena burguesia pobre. Podem apenas criar potenciais ou disposições para tais desenvolvimentos. As atitudes admiravelmente não conformistas e antiautoritárias da nova classe trabalhadora alemã para com o regime de Bismarck — especialmente a que foi revelada pela resistência maciça à lei Anti-Socialista (Sozialistemgesetz) — confirmaram a emergência de uma nova mentalité. estratégias e restrições materiais tanto quanto. do que ideologias espontâneas e disposições inconscientes. palestinos. por mais que determinem a personalidade. as quais. ciganos. afinal. Mas como pode esta análise sócio-psicológica (nós preferiríamos dizer sócio-individual) fornecer uma explicação para fatos como a habilidade da mesma classe trabalhadora . o tema central é a suposta ambigüidade das estruturas autoritárias na sociedade alemã. O fracasso fundamental desta ambiciosa reconstrução tem origem menos na interrogação de Freud do que na sua apropriação mecânica do marxismo. porém. havia sido simpático aos esforços da psicologia profunda em teorizar a origem e a dinâmica daqueles impulsos. Paixões individuais e impulsos inconscientes. Trotsky. senão opostos. as quais envolvem não apenas processos inconscientes mas também conscientes. A maneira pela qual grupos especialmente oprimidos — judeus. sido enfatizado por Engels meio século antes. comprova tanto uma práxis de resistência cultural como a manutenção de mentalités características. mesmo não estando ele em condições de investigar sua precisa natureza. tribos de todo o mundo etc — apegam-se tenazmente às tradições lingüísticas. negros. Ao mesmo tempo. porém podem ser notadas tendências contemporâneas entre os elementos da jovem burguesia negra dos Estados Unidos ou entre os segmentos anglófilos da classe média indiana expatriada. Quando a ampla emergência do capitalismo irrompe nas antigas estruturas da opressão nacional ou étnica — mesmo se a discriminação mesquinha e o preconceito sobrevivem —. religiosas. A Escola de Frankfurt. tentou amplamente desenvolver uma psicologia social através da síntese de idéias de Marx e Freud.anos 1880 e 1890.

em troca. nem suas frustrações sexuais menos marcantes nas décadas que precederam 1920. do que nos anos anteriores a 1933! Mais uma vez. alguns ou mais indivíduos que personificam esses talentos estão disponíveis como candidatos para se tornarem os novos líderes de seu partido. de fato. uma análise notavelmente sutil e atualizada. apesar dos aspectos instintivos ou infantilizados da psique humana. No caso da queda da III República.alemã. Sob tais condições e. paradoxalmente. mas somente a usurpação da . que fracassou na greve contra Hitler em 1933. as classes sociais. mas esses "acidentes" estão entrelaçados com correlações particulares de forças sociais e materiais as quais. as pessoas podem compreender as exigências de sua situação histórica e agir de forma amplamente congruente com seus interesses objetivos. limitam a esfera autônoma do fator individual. A história da Segunda Guerra Mundial fornece amplas ilustrações da perspicácia das teses de Plekhanov. "a sorte das nações depende freqüentemente dos acidentes de segundo grau". necessitam de talentos de natureza específica. nos pontos históricos decisivos ou nos momentos de crise. substituir a República pelo État français de Pétain. o caminho através do qual são na verdade expressos tais limites se dá sempre na forma de uma refração através dos papéis particulares das organizações de massa e de suas lideranças. Ele desenvolve a tese básica de que. Embora freqüentemente associado a um marxismo reducionista. outras linhas de ação eram facilmente concebíveis. Geralmente. em 1920. especialmente. em momentos de crise. Depois da derrota do corpo principal das forças francesas em maio-junho de 1940. Plekhanov ainda acrescenta dois pontos. nesses momentos. Primeiro. Os marxistas entendem que. as personalidades políticas que conduziram a França à capitulação em 1940 haviam sido todas elas amplamente eleitas em 1936. as peculiaridades pessoais dos indivíduos podem influenciar o tipo de organização e de liderança de classe que estão disponíveis. ter tido sucesso. em desencadear a greve geral mais bem sucedida na história contra o golpe de Von Kapp-Von Luttwitz? Certamente sua formação não tinha sido menos autoritária. um tipo particular de liderança. essas tentativas de reduzir o peso decisivo das forças sociais na determinação da história realmente suavizam o papel das idéias e das personalidades muito mais do que faz o materialismo histórico clássico. Plekhanov e o papel dos "grandes homens" na história A teoria marxista dos clássicos acerca do papel do indivíduo na história foi esboçada por Plekhanov em seu famoso ensaio que leva o mesmo título. quer dizer. nós podemos entender como os indivíduos com talentos ou inclinações particulares podem sobressair-se por si próprios. pouco mais que uma década antes. o texto de 1898 de Plekhanov é. classe ou nação. embora a infra-estrutura das relações de produção imponha certos limites materiais sobre a luta de classes. como Hegel insinuou. Em segundo lugar. por esmagadora maioria. com exceção de alguns deputados comunistas que haviam sido privados de seus direitos civis pela sua oposição à "falsa Guerra". foi um parlamento supostamente de "ala esquerda" que decidiu. Somente quando esta dimensão da vontade racional é admitida no complexo paralelogramo de causação histórica. Como isso pode ser explicado? A ascensão de Pétain não foi de maneira alguma a conseqüência inevitável da vitória dos tanques alemães.

ele impôs a ditadura de Pétain. e a tendência geral se tornou hegemônica dentro da classe dominante. em vez de convocar Pétain. Contudo. tornou mais fácil o êxito de tal manobra. como resultado da derrota atordoante e inesperada das tropas aliadas. freneticamente. três condições políticas foram absolutamente essenciais. hábil em manipular gabinetes e deputados. Em terceiro lugar. pelo menos. tal reversão radical do balanço de forças sociais e políticas entre trabalho e capital teria sido impossível na França. Charles Maurras. que estava determinada a usar a derrota para reparar os reveses e as humilhações da vitória da Frente Popular e da revolta trabalhista de 1936. Paralelamente. ele se permitiu ser manobrado numa ambígua votação de gabinete em que pedia não um armistício. escolha o mais estúpido". o Presidente da República teve de recorrer a um defensor aberto do regime autoritário — neste caso. "Nós precisamos é de Pétain" foi o grito de guerra da extrema-direita desde 1936. com uma vontade e obstinação totalmente contrárias à sua natureza e possivelmente com a cumplicidade de Reynaud. Pierre Laval. tinha de estar disposta a enterrar a constituição da III República. chamou une divine surprise. esta insignificância decidiu a crucial reviravolta dos eventos de 26 de junho de 1940. No entanto. Pátria". Tivesse ele chamado Reynaud de volta. Isso também permitiu uma sublimação ideológica da derrota. a maioria do Parlamento. muitos dos parlamentares de "esquerda" de 1936). Também é verdade que a completa desmoralização de muitos parlamentares em junho de 1940.democracia francesa por Pétain correspondeu aos instintos majoritários da classe dominante francesa. sem vontade própria. No entanto. Família. orquestrados por aquele mestre de intrigas e chantagem. Em segundo lugar. atitude que o colocou em minoria e o conduziu — contrariando completamente sua natureza — a renunciar. mesmo que o velho Marechal fosse bastante popular — especialmente entre as celebridades burguesas — sua atuação parlamentar foi limitada antes de maio de 1940. 1937 e vinha fazendo intrigas contra a República. com seu slogan "Trabalho. que tinha sido escolhido apenas por sua posição honorária e porque sua personalidade correspondia ao famoso dito de Clemenceau: "se você quer um Presidente. na atávica restauração cultural de Vichy. Pétain foi o mecanismo que permitiu a ela alcançar o que seu mais talentoso e reacionário ideólogo. como já observamos. Mas. ainda que sua repentina candidatura como Primeiro-ministro fosse apoiada por uma maioria esmagadora de deputados e senadores (incluindo. é difícil negar que essa reversão radical das normas e hábitos comportamentais de centenas de políticos — seis ou sete dos quais desempenharam papéis decisivos na tragicomédia — pôde somente ocorrer porque estava de acordo com . Laval estava disponível para essa operação desde. Para ocorrer a transição de uma democracia parlamentar decadente para uma ditadura militar bonapartista aberta. mas apenas condições para um armistício com a Alemanha. Paul Reynaud havia sido considerado um político obstinado e violento. Entretanto. Na verdade. Até o fim de maio de 1940. até então o presidente Lebrun era de modo geral visto como uma pessoa completamente sem importância. Sob circunstâncias normais. inábil. o último gabinete parlamentar dirigido por Paul Reynaud teve de renunciar sem resistência. a III República teria sobrevivido por mais tempo. senadores e deputados juntos. o Marechal Pétain — para formar um novo governo. todas essas condições foram cumpridas sem hesitação quando surgiu uma necessidade social. Como realmente aconteceu. Primeiro.

surgiu quando a classe dominante francesa defrontou-se com a iminência de um desembarque dos Aliados. considerado meio louco e um aventureiro perigoso. No entanto. Aí. mas no resto da Europa. um regime parlamentar renascido. Que ela tenha tido êxito foi uma surpresa para muitos contemporâneos acostumados aos líderes franceses pusilânimes. como chefe de um governo de coalizão incluindo o Partido Trabalhista. se admiradora ou crítica dos prévios papéis históricos de Churchill. Mas. Em junho de 1944. A historiografia tradicional. como principal ponto decisivo na Guerra. não teve outro comentário a fazer ao Comando Aliado reunido do que a exclamação: "Mas como. julgou corretamente as necessidades do capitalismo francês (e. 10. mas oposta. a maioria dos historiadores burgueses fracassou no teste do exemplo comparativo. tendo a sua disposição forças desprezíveis. incorporando a Resistência Comunista. Para aquela classe. ao romantizar seus atributos pessoais. antes dos franceses também?" Certamente De Gaulle era uma personalidade excepcional. estavam providencialmente disponíveis para empreender esta operação de salvamento.as necessidades coletivas e desejos conscientes da maioria da burguesia francesa. O arrogante e inepto Marechal-de-campo Keitel. naturalmente. com uma mente brilhante e uma vontade de ferro superior à maioria de sua classe. que a teria conduzido provavelmente a uma guerra civil ao estilo grego ou pior. não apenas na França. internacional) e obteve êxito ao estabelecer. O caso de Churchill fornece outro tipo de corroboração para a visão de Plekhanov da relação entre personalidades decisivas e as exigências do domínio de classe. quando chegou para assinar a rendição incondicional da Wehrmacht em 1945. o problema para a maioria dos capitalistas franceses. A questão central não é quais . aparentemente miraculosa. como Franklin D. Uma conjuntura simétrica. enquanto suas virtudes não corresponderam às necessidades autodefinidas da burguesia francesa. De Gaulle. os Aliados ainda estavam prontos para impor uma ocupação militar à França. Novos "homens predestinados". em vez de partir de uma análise das atividades das forças sociais mais amplas. era salvar tanto o capitalismo francês como um Estado burguês independente (e o Império) diante de um balanço de forças muito desfavorável vis-à-vis tanto à classe trabalhadora francesa (armada. outros mais tarde o condenaram como um simpatizante comunista. Alguns o consideraram pró-fascista. normalmente astuto. Uma mudança radical do pessoal político e das alianças estava novamente na ordem do dia. Roosevelt — o consumado corretor de ações na história americana moderna — ridicularizava com freqüência De Gaulle e suas pretensões de vanglória. ele permaneceu marginalizado. através de um diplomático coup de main. tem sido quase unânime em elogiar sua mudança para Downing Street. era imperativo não apenas trocar de lado no meio da Guerra. Charles De Gaulle e seus colaboradores mais próximos. mas derrotar as conquistas reformistas do movimento trabalhista francês. Churchill indubitavelmente incorporou a decisão inabalável da classe dominante britânica e da larga maioria do povo inglês em não capitular à Alemanha sob quaisquer circunstâncias. como resultado do avanço da Resistência) como às autoridades anglo-saxônicas. profundamente desacreditados aos olhos das massas por sua colaboração com os nazistas. Mesmo um político e juiz de renome.

fez diferença. sua posição mundial (mesmo se rapidamente sendo ultrapassada pelos Estados Unidos) era ainda mais forte do que a da Alemanha. distinguiram De Gaulle de Pétain). desde que a Inglaterra pudesse vencer a crise imediata. e politicamente em 1931/35. Através de uma abrupta virada de eventos e de necessidades sociais. o deserto havia sido preenchido com milhões de pessoas. Ela havia-se mostrado econômica e militarmente incompetente para garantir o sistema de Versalhes na presença do rearmamento e da expansão agressiva da Alemanha. Com certeza. embora a hegemonia de Hitler sobre a Europa tenha comprometido claramente o Império Britânico. O momento era dramático e cheio de perigos. mesmo que por um lado destruída nas Ardenas. certos aspectos comuns . A burguesia francesa tinha-se tornado derrotista de modo crescente. Além disso.acidentes de biografia fizeram de Churchill um indivíduo mais decisivo do que Chamberlain (ou. de forma similar. junto com a matéria-prima e a mão-de-obra do Império. nem derrotada. Churchill —. enquanto os britânicos foram capazes de evacuar a maior parte de seu exército derrotado para sua fortaleza insular. o fato de que as Forças Armadas francesas tivessem acabado de sofrer uma derrota humilhante. a diferença real entre a situação britânica e a francesa era menos suas condições militares do que as predisposições de suas classes dominantes. uma ampla esquadra na África do Norte — mais forte do que a que os ingleses tinham à sua disposição —. uma voz clamando no deserto. a burguesia inglesa não estava nem desmoralizada. Prosseguindo sob este aspecto. ele pôde ser repentinamente ressuscitado como o deus ex-machina de sua classe. a França. a qual se tinha tornado uma prioridade política mais elevada que a tentativa de derrotar a competição alemã. enfrentaremos a vitória em três anos". profetizou Churchill corretamente num discurso secreto na Câmara dos Comuns. a elite britânica estava convencida de que a ajuda eventual dos Estados Unidos. A seleção social das lideranças Para se entender esses vários exemplos de seleção de liderança em crise — Pétain. Aí está por que. Ela já havia reprimido seu próprio movimento trabalhista. mas por que Churchill foi capaz de reunir a maioria de sua classe e o povo em torno de si enquanto De Gaulle permaneceu uma figura isolada na França. Embora esses mecanismos de seleção sejam nacionalmente específicos. em junho de 1940. De fato. uma significativa reserva aérea e um Império Colonial intacto. Ao mesmo tempo. Por outro lado. com uma análise mais precisa dos vários mecanismos de escolha e promoção de pessoal político dentro de diferentes classes sociais. economicamente em 1926. os mais informados observadores — incluindo o Embaixador americano Joseph Kennedy — consideraram a posição britânica como basicamente desesperançada. mas o futuro pareceu amplamente garantido. Mas. fazia da guerra contínua contra a Alemanha uma estratégia realista. ela estava obcecada principalmente em conter sua própria classe trabalhadora. novamente. por sólidas razões materiais. Entretanto. é necessário ampliar o conceito de Plekhanov de "disponibilidade socialmente determinada". "Se nós resistirmos por três meses. após ter sido considerado durante anos uma figura independente e ultrapassada. ainda possuía uma frota não derrotada (a segunda maior da Europa). E Churchill foi a escolha quase ideal para fortalecer a decisão inglesa até que os americanos entraram na Guerra. De Gaulle.

o processo de seleção envolve testes de vida e morte de força de vontade. assim como a correspondente capacidade para julgar as relações de força e para formular táticas de acordo com algum plano estratégico. o fracasso em outros campos. o negócio do lucro é uma profissão extraordinariamente absorvente. Combinações particulares de habilidades. ou os seus principais representantes. O que atrai uma classe média ou um indivíduo abastado a seguir uma carreira política em vez de profissões liberais ou de negócios? A ambição pessoal. Afora isso. Mas o processo de seleção não é de forma alguma puramente negativo. Naturalmente. empresários e políticos profissionais surgem lado a lado como fluxos separados de carreira dentro do estrato burguês. as qualidades necessárias em tempos de prosperidade e em tempos de crise. dessa elite. Mesmo os ditadores militares devem passar pelo crivo do processo de seleção de sua própria classe. Qualidades positivas têm de ser selecionadas e testadas antes que a classe. de forma responsável.podem ser notados entre a burguesia moderna. Do mesmo modo. embora pela via do círculo dos militares ligados ao ambiente burguês ou aristocrático. são diferentes. Além disso. de precaução e astúcia. as estruturas existentes de propriedade e de acumulação. Nos níveis mais elevados do poder político. é a divisão funcional do trabalho dentro da classe capitalista. a tradição de família. mais freqüentemente do que se supõe. aceite uma pessoa como candidato à liderança nacional. os indivíduos são recrutados por grupos iguais ou nomeados pelos superiores para iniciar carreiras políticas ou para ser responsáveis por cargos públicos. O ponto inicial. Em condições extraordinárias ou de extrema riqueza. presidentes ou ditadores. naturalmente. como ministros. em geral. ou desejará. na paz e na guerra. as pressões e circunstâncias sociais pesam decisivamente sobre as disposições individuais. a convicção ideológica. pode ocorrer uma união pessoal entre os altos capitalistas financeiros e o topo do aparelho de Estado. A habilidade para entender e articular as necessidades coletivas de classe é vital. as quais qualificam candidatos para a . Por esta razão. Habitualmente. Comparada com a vida da classes desocupada — a aristocracia —. primeirosministros. muitos luminares locais ou demagogos (pense em Enoch Powell na Inglaterra) jamais chegarão ao topo da estrutura de poder racional. As classes dominantes raramente permitirão que pessoas ascendam a posições do poder central sem que elas tenham dado garantia prévia de que defenderão. e de suas fileiras reduzidas alguns continuarão a sobreviver aos testes finais de seleção política. apenas aquela parte da burguesia que não atua diretamente como empresária será capaz. Mais tipicamente. optar por carreiras políticas. entre um terço e a metade encontrará algum sucesso nos cargos públicos. porém. Mas isto é uma exceção à regra. as fileiras políticas são selecionadas para que apenas poucos milhares de candidatos seletos sejam enfeitados e promovidos para os níveis de autoridade e poder nacionais. o que freqüentemente aparece como força da convicção ideológica é ainda mais o peso da circunstância social e da pressão dos pares. A função da hierarquia de poder é precisamente sua habilidade de eliminar candidatos erráticos ou indignos de confiança. ou fatos exteriores podem todos desempenhar papéis na orientação da escolha pessoal. através dessas redes de seleção social (como o famoso "gabinete não-oficial" de patrocinadores ricos de Ronald Reagan). Por essa razão.

normalmente. impossibilitando um cálculo exato das conseqüências da ação. apenas o fazem em virtude de características as quais são primariamente formadas pela sociedade. Y ou Z para posições elevadas. A Escola de Sociobiologia e a Escola de Psico-história têm desafiado a capacidade do materialismo histórico em explicar a mudança histórica de uma maneira compreensiva. que influenciam a história através de sua práxis individual. o homem certo (ou. em grande parte. . nada além de instituições sociais. após todas essas qualificações e esclarecimentos serem admitidos. A verdadeira plasticidade das disposições biológicas ou psicológicas significa que uma personalidade individual formada definitivamente apenas emerge após muitas forças ambientais terem operado para preencher certos potenciais enquanto anulam outros. há sempre certa discrepância entre os interesses de classe a curto e longo prazos. Não é uma questão de altos monopolistas escolherem X. o peso tremendo dos interesses privados remove qualquer congruência automática ou completa entre os motivos privados e os interesses de classe. Nenhuma lei automática assegura que uma classe social escolha a liderança que ela precisa. os altos monopolistas — ou alguma rede mais ampla de poder de intermediários dentro da classe dominante — estabelecem barreiras suficientes e testes preliminares para assegurar que os defensores dos interesses da classe dominante que sejam "fracos de caráter" ou "indignos de confiança" não passarão o limiar do poder de Estado. agrupamentos. Nenhuma coletividade pode sempre ser totalmente consciente da totalidade dos seus interesses de forma completamente objetiva. isto tem sido traduzido numa contraposição entre fatores biológicos e sociais. o que torna inevitável uma margem de erro no processo de liderança. Deste modo. as quais moldam o indivíduo politicamente relevante através de sucessivos estágios de sua biografia. em última análise. Mais recentemente. socialmente relevantes. Além disso. a mulher) geralmente será encontrado no lugar certo. Os substratos biológicos ou instintivos das personalidades apenas criam potenciais os quais estão abertos a uma variedade de desenvolvimentos que depende de contextos sociais mais amplos. B ou C. Sob essas circunstâncias. em cada país dado. salons. "rede de panelinhas" e similares é completamente suficiente. ao invés de A. Contudo.liderança em uma conjuntura. haja sempre no mínimo quatro ou cinco líderes centrais disponíveis para implantar soluções completamente diferentes. podem na verdade desqualificá-los para o comando em uma outra situação transformada. à medida que ignoram o fato de que indivíduos importantes. se devido à sua própria práxis política sempre altera a situação em certa medida. E essas forças ambientais são. Nenhuma teoria de conspiração é necessária para entender como isso funciona. ocasionalmente. Geralmente a burguesia escolherá aquele que melhor preencha o que ela considera ser as necessidades prioritárias do momento. A burguesia. Mas ambas as aproximações são insatisfatórias. no tempo certo. persiste o caso de que o processo de seleção da liderança é irresistivelmente social e específico de classe. O problema do papel do indivíduo na história tem sido freqüentemente formulado de uma maneira que contrapõe o indivíduo ao grupo social. na sociedade burguesa. o papel dos grupos informais. pode cometer erros na escolha dos "homens predestinados". Mais propriamente. a forma real na qual o processo de seleção ocorreu torna quase inevitável que. Além disso.

Isto não é porque a necessidade de auto-afirmação teria sido suprimida. uma vez que atingiu o poder instalando padrões de crueldade. Os cavaleiros brancos do apocalipse Impressiona o fato de que os historiadores têm-se inclinado a desvalorizar ou ignorar o processo de seleção institucional na ascensão de Hitler ao poder. agressivas e destrutivas. a fim de estabelecer sua inquestionável autoridade no microcosmo do futuro Terceiro Reich. competição pelo reconhecimento social. e em vários pontos ele esteve à beira de perder o controle sobre o seu próprio partido para personalidades como Röhm. Mas os marxistas certamente formulam julgamentos e têm tradicionalmente afirmado que uma sociedade na qual o domínio do homo homini lupus prevalece. e assim por diante. ela se expressaria através de um sistema inteiramente diferente de comportamento social: competição pela excelência em habilidade artística ou atlética. associações de empregados. do que uma sociedade na qual as relações básicas de produção estabelecem a cooperação voluntária e a solidariedade consciente como valores sociais centrais. as várias instituições estatais através das quais o indivíduo busca o poder e. Para o nacionalista alemão. Elas geram personalidades que asseguram a defesa e a reprodução de uma ordem social dada. Muito antes de seu sucesso eleitoral em 1930. competição por servir à comunidade sem expectativa de recompensas materiais ou de poder. Mas em estruturas sociais fundamentalmente diferentes — comunalismo tribal. Hitler teve de sofrer críticas severas do seu próprio e relativamente pequeno partido. Reconhecer esta especificidade histórica da individualidade formada socialmente é apenas admitir um fato empiricamente demonstrável e cientificamente visível e que não necessariamente requer um julgamento de valor. e mesmo contrários à natureza humana. corporações. em outras palavras. redes de poder. feudalismo ou socialismo — este impulso primordial pode formar personalidades completamente diferentes com valorizações de auto-estima radicalmente diferentes. o período mais difícil de sua carreira política. todas essas instituições tendem a canalizar o impulso humano básico para a auto-afirmação (Lustprinzip) no sentido da competição individual para a riqueza privada e o poder. na sociedade burguesa. as poderosas fontes do conformismo social. por exemplo. o impulso para a riqueza e o poder se tornariam socialmente irracionais. oportunismo e falsidade. Além disso. finalmente. produzirá personalidades mais alienadas. É um truísmo que nenhum indivíduo pode escapar à influência destas instituições poderosas.Na sociedade burguesa. antes. a direita era uma verdadeira floresta de führers imaginários. a matriz particular das organizações partisans. moldando talentos e disposições em certas direções e não em outras. o sistema de educação (incluindo a instituição religiosa e outros aparelhos ideológicos). Numa sociedade baseada numa produção socializada e democratizada. As lições que ele aprendeu durante sua luta implacável pela liderança determinaram seu modus operandi. à medida que elas "internalizam" os valores básicos que correspondem à estrutura e aos interesses daquela ordem. produzindo personalidades que correspondem às necessidades das classes sociais ou de suas frações principais. essas instituições incluem a família nuclear patriarcal. Estes anos iniciais foram. e é contenda específica do materialismo histórico que elas exercem a influência decisiva na formação da liderança social. as quais seletivamente promovem candidatos promissores (partidos. Elas são. entre os quais Hitler era inicialmente apenas primus inter pares. . etc). sem dúvida.

Mussolini. Tendo legitimado o militarismo japonês através do culto à divindade do Imperador. foi facilmente manobrado por seus auxiliares: o Monarca fantoche Vitório Emanuel III e o Marechal Badoclio. Nos dois casos. Mas. aumentando sua voz através do rádio. Se ele se tornou o gângster-mestre do século XX. impôs a paz sobre os líderes militares intransigentes. Repentinamente.Procurar a origem desses traços na primeira biografia de Hitler. o italiano e o japonês. A derrota de Mussolini. que não era diferente de organizações como a Máfia da Sicília e dos Estados Unidos. Vitório Emanuel e sua dinastia inteira foram rapidamente banidos de cena. que despojou o líder fascista do seu poder e suporte social. refugiou-se em seu tradicional papel cerimonial. Longe de ser um gângster de nascença. o Imperador — aconselhado por Tsugeru Yoshida e seu círculo de políticos burgueses — habilmente manobrou os teimosos militares para uma capitulação incondicional. mas como um escultor que martela continuamente os blocos de mármore. Não foi nenhum reservatório insuspeito de gênio ou de resolução que lhes permitiu depor Mussolini. distorce a verdadeira seqüência de eventos. enquanto Hiroito. de capturar os indivíduos. que nunca se intrometeu nos negócios de Estado ou impôs seus pontos de vista. não como as aranhas capturam as moscas em sua teia. foram cúmplices servis do Duce. O Rei e o Marechal. Suas funções de curta duração como figuras nacionais decisivas foram o resultado de circunstâncias excepcionais que temporariamente dotaram instituições decorativas com poderes de emergência. totalmente ofuscados por sua inteligência e força de vontade. sob circunstâncias imprevisíveis. apanhando-os numa contradição político-ideológica inextricável. quando se evidenciou que a Força Aérea americana poderia destruir as bases urbano-industriais do capitalismo japonês e que não mais havia qualquer possibilidade séria para uma paz negociada. sob a clemência de McArthur. As necessidades coletivas da burguesia italiana permitiram que a instituição da monarquia (bem como a repentinamente revivida liderança coletiva do Partido Fascista) se reativasse virtualmente de um dia para outro. eles não foram capazes de agir contra o seu apelo "divino". Ele. em 1943. ele foi uma figura decorativa. incapaz de mobilizar mesmo algumas centenas de seguidores para defender uma ditadura que havia durado vinte anos! Assim também. colocada em pânico pela Invasão Aliada. foi porque lutou pela conquista da liderança durante uma década numa organização quase clássica de gângsters — o Partido Nazista —. Por tradição. foi transformado de mera figura decorativa no líder político da classe dominante. o Imperador Hiroito havia sido um símbolo passivo para o grupo militar que governou o Japão desde meados dos anos 30. um mestre da intriga e do frio exercício do poder. o outrora "Todo-poderoso Duce" foi preso por um punhado de carabineiros. a fim de . literalmente. ao invés de procurá-la no ambiente social da direita alemã pós-Versalhes. durante vinte anos. a transformação de figuras decorativas em detentores do poder foi somente temporária. Hitler estava inclinado a uma carreira medíocre em arquitetura ou arte. mas a reversão dramática das fortunas da classe dominante italiana. promovendo o Rei de fantoche supino a conspirador principal. Frente à unanimidade da classe dominante italiana. é outro exemplo impressionante de como forças sociais mais amplas são capazes.

Por volta de 1944. deste modo.salvar os aparelhos de Estado da destruição iminente. a sobrevivência absoluta de amplas seções da classe dominante alemã — sobretudo a elite prussiana — estava em risco. Ainda mais que nos casos japonês. o Chefe do Estado-Maior. alternativamente. Na Itália e no Japão. comparada com a posição dos conspiradores italianos de 1943 ou com o círculo social do Imperador do Japão durante o verão de 1945. tornou-se claro para a maioria dos líderes financeiros e industriais alemães — sobretudo para as dinastias junkers prussianas — que a guerra estava perdida e o Reich seria desmantelado a menos que o avanço do Exército Vermelho fosse detido por uma paz separada com os americanos. Na Alemanha. sem auxílio. foram expostos à Força Aérea Aliada. Hiroito ou Goebbels. apoderar-se do controle do sistema de telecomunicações de Berlim. Mas. mas também pela idealização de muitas das primeiras vitórias militares. Quando. o exército ainda não havia sido vencido. comparado com Vitório Emanuel. ao contrário dos casos italiano e . de fato. por muitos anos. O General Ludwig Beck foi. o major de Leipzig. Além disso. e ao redor do Príncipe Kanoye e do Marquês Kido em Tóquio — foram mobilizadas para juntas tecer intrigas sob a vigilância cuidadosa da classe dominante. Por quê? Teria ele repentinamente perdido sua ousadia? É difícil crer numa análise do fracasso do golpe que recai sobre as fraquezas pessoais do General Beck ou de seu parceiro político. aparece como Gulliver entre os liliputianos. os conspiradores militares se lançaram contra Hitler em 20 de julho de 1944. o exército tinha sido derrotado e os centros urbanos. vacilando no momento crucial. ou cortar as linhas telefônicas entre o ministério de Goebbels e a casamata de Hitler em Rastenburg. Na Alemanha. os soviéticos estavam ainda além do Vístula e é impossível dizer que seqüência de eventos poderia ter seguido o sucesso do seu golpe — se teriam ou não tido êxito em apelar para o anticomunismo para dividir o Bloco Aliado. foi logrado e manobrado pelo diabólico Goebbels (auxiliado pela admiração pessoal do major Remer pelo Führer)? É evidente que não. no caso. uma operação de salvamento ainda mais ambiciosa foi tentada após o Desembarque dos Aliados na Normandia. Por quê? Deveria alguém aceitar explicações convencionais de que a conspiração sofreu um colapso devido a uma contingência técnica — a colocação errada da bomba de Stauffenberg — ou. a opinião de que Beck. as redes de poder tradicional — ao redor do Conde Acquarone em Roma. Ele foi um planejador soberbo que. um desejo unânime da burguesia de seguir uma trajetória de ação clara. responsável não apenas pelo rearmamento eficaz do Reich. italiano ou francês. Havia apenas um caminho aberto para a classe dominante: terminar a Guerra imediata e incondicionalmente. Havia. enquanto a Guerra estava obviamente perdida. em nenhum dos casos foi necessário iniciativa ou habilidade pessoal extraordinária: preferivelmente. Ele ainda possuía vastos recursos materiais e humanos para sustentar sua capacidade de luta por muitos meses. Incomparavelmente mais importante é a diferença na situação objetiva que os conspiradores alemães enfrentaram. sua ação foi um fracasso. sem falar no major Remer. Mesmo este planejador hábil e experiente fracassou miseravelmente até em assegurar regras elementares do coup d’état tais como ocupar as estações de rádio. era uma personalidade "hamletiana" que. Além disso. o verdadeiro líder dos conspiradores. Carl Goerdeler. ao contrário.

destruiu o potencial que ainda restava aos setores da classe trabalhadora alemã para intervir como força . Stauffenberg e seus associados estavam preparando o seu golpe. estava profundamente dividida quanto aos rumos a serem tomados. que era. quando se tornou necessário para a sobrevivência de sua classe. estava dividida quanto à avaliação se os americanos e os ingleses aceitariam um acordo separado. altos funcionários do Ministério Nazista de Negócios Econômicos (sob a proteção de um dos líderes da SS) estavam pacientemente preparando um plano para uma Alemanha pós-guerra integrada a uma economia internacionalmente aberta. Goerdeler. Mas há um epílogo para esse incidente que coloca o destino dos conspiradores do 20 de julho dentro de uma perspectiva irônica. um reflexo das contradições objetivas e confusões reais. A hierarquia do Partido Nazista tinha-se tornado profundamente desacreditada e poucas pessoas se teriam levantado para defendê-lo contra o Exército. a classe capitalista alemã. Se o EstadoMaior alemão tivesse apoiado Beck. Os arquitetos desta visão — compreendida posteriormente como o "milagre da República Federal"— não foram outros a não ser Ludwig Erhard. Não foi o indivíduo que causou o desastre da classe. o qual ainda desfrutava de imenso prestígio entre as classes médias. Se o anteriormente resoluto Beck vacilou no momento decisivo. o futuro Chanceler. foi porque compreendeu que. Como resultado dessas diferenças estratégicas. Deve-se ainda observar que o terror nazista. Havia uma profunda diferença de opinião sobre esta questão nos círculos burgueses alemães. não foi o caráter "hamletiano" do General Beck que sentenciou o golpe. e Ludwing Emminger. Embora estivesse unida contra qualquer capitulação aos soviéticos e completamente convencida de que algum tipo de capitulação aos aliados anglo-saxões era a alternativa preferida. o Exército e o aparelho de Estado ficaram totalmente divididos.japonês (ou dos primeiros exemplos da França e da Inglaterra). antes. como os italianos fizeram com o Rei e Badoglio. além dos efeitos do arrasador bombardeio dos Aliados. ou ambos. Nessas condições específicas. uma ruptura completa com todas as práticas autárquicas comerciais e financeiras do Terceiro Reich. Foi esta divisão — resultante do dilema objetivo do imperialismo alemão no verão de 1944 — que explica a vacilação fatal que levou ao fracasso do golpe. baseada em livres movimentos do capital e em um marco conversível — isto é. Enquanto alguns clamavam a imediata destituição de Hitler e a capitulação aos americanos. mudaram sua trajetória em 180 graus. mas as hesitações da totalidade da classe dominante alemã. por mais que fizesse. Suas maquinações hábeis contrastaram com o fracasso da Conspiração de Julho. outros duvidavam se valia a pena correr o risco do colapso da linha de frente sem garantias prévias dos Aliados. futuro Presidente do Bundesbank. a qual assegurou a liquidação dos junkers e a perda de quase a metade do Reich alemão. por sua vez. o golpe teria tido êxito em horas. teria dividido o seu Exército e assegurado a guerra civil ou um colapso da linha de frente. mas a expropriação e a destruição de sua posição de classe pelo Exército Vermelho. mas. desencadeado por Himmler após o fracasso do golpe. Enquanto eles haviam colaborado com os nazistas durante uma década. Dessa forma. em contraste com a italiana ou a japonesa. a classe que impediu o indivíduo de agir com êxito. a classe dominante alemã enfrentava um perigo particularmente ameaçador: não apenas a perda de parte de seu poder e de sua riqueza. Este último bloco era a maioria. Enquanto Beck.

da guerra e do nacionalismo. o único que enriqueceu. criado por Mussolini. bem como as constantes crises econômicas e políticas do pós-guerra. O fascismo. miséria e desemprego. foi causada por uma crise de superprodução e pela falta de interesse dos grandes capitalistas em avaliar os efeitos da crescente produção agroindustrial norte-americana. A crise mundial de 1929. na ditadura nazista. iniciada com a quebra da Bolsa de Nova York. Segunda Guerra Mundial O PERÍODO ENTRE GUERRAS Como consequência da 1ª Guerra Mundial. Com suas pregações totalitárias. implantou-se na Rússia um regime totalitário de esquerda. Caracterizou-se pela exaltação da força. de que o fascismo seria a melhor solução para o crescimento nacional e para a neutralização dos movimentos operários. criou em algumas nações européias as condições necessárias para a implantação das ditaduras de direita e de esquerda. Na Alemanha de pós-guerra. como o fascismo e o nazismo. caracterizada pelo intervencionismo estatal. o liberalismo. homens de negócios e industriais italianos. O rumo preparado por Erhard e Emminger. da violência. O maciço afluxo de mais de 10 milhões de refugiados da Prússia oriental e outros territórios alemães perdidos criou um imenso exército industrial de reserva que manteve os salários baixos durante 15 anos e preservou as altas taxas de lucros originariamente geradas pela redistribuição da renda entre as classes. Não poderia haver ilustração mais convincente de como a astúcia da história funciona através da apropriação dos talentos individuais pelas necessidades de classe. que transformou os norte-americanos nos principais fornecedores de armas e munições para os países da Tríplice Entente e seus aliados. a guerra provocou a maior crise que o sistema capitalista conhecera até então: a crise de 1929. De maneira geral. embora dentro de um Estado de território menor. e negava o racionalismo. . com exceção dos Estados Unidos. que transformaram profundamente a história da Europa. A situação social de fome. Na segunda década do século XX.autônoma para terminar a Guerra. as frágeis democracias de alguns países europeus foram substituídas por regimes políticos de extrema-direita. facilitou a ascensão de Hitler. a guerra arruinou até os países vitoriosos. Do ponto de vista econômico. notadamente a bélica. Essa situação. Mussolini conseguiu convencer os grandes capitalistas. rejeitava a democracia. agrupava elementos de várias tendências políticas. permitiu à classe dominante alemã emergir 20 anos depois com maior poder industrial e financeiro do que antes. o socialismo e o marxismo. que prometia ao povo desesperado salvar o país dos efeitos da guerra. dentro dos limites de um dado modo de produção. operários e a classe média. que durante o governo do ditador Stalin atingiu um grau de repressão e violência jamais visto na história da Europa. A recuperação dos Estados Unidos se deu com a adoção do New Deal. a nova política econômica do presidente Roosevelt. somada ao fato de o governo se mostrar incapaz de solucionar os problemas nacionais. a inflação e o desemprego reduziam à miséria camponeses. principalmente devido ao crescimento extraordinário de sua produção industrial. patrocinado pelo imperialismo americano e tolerado inicialmente por Stalin.

Em síntese. A desejada paz mundial não foi alcançada após 1945. e a Alemanha invadiu a União Soviética. como a Alemanha. Em 1941. apresentou a singularidade da crença de que os alemães pertenciam a uma raça superior e do particular racismo contra os judeus. A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL A paz humilhante e revanchista imposta no Congresso de Versalhes aos derrotados na 1ª Guerra Mundial foi. que finalmente teve início quando os exércitos de Hitler invadiram a Polônia. uma das causas da 2ª Guerra Mundial. Bélgica. Grécia. No período entre guerras. quebrando o acordo de não-agressão e neutralidade assinado por Hitler e Stalin em 1939. começou a supremacia dos exércitos soviéticos sobre as tropas alemães.O nazismo. a corrida armamentista e acordos de não-agressão. . A partir de 1943. implantado por Hitler. França e Inglaterra. que temiam as reformas sociais e políticas do governo republicano. as nações européias reiniciam suas políticas de alianças político-militares. que já sofriam sucessivas derrotas na frente oriental para os soviéticos. que não foram respeitados. o mundo pós-guerra é cheio de conflitos e divergências entre os povos. o Japão. além das mesmas características gerais do fascismo. A ascensão do franquismo na Espanha se deu depois de uma sangrenta guerra civil entre as forças populares e as conservadoras da Falange. iniciada 20 anos depois. principalmente pelos alemães e italianos. A entrada dos Estados Unidos na guerra e o fim da neutralidade soviética começaram a inverter tal situação. foi bombardeado pelos norte-americanos. PANORAMA DO MUNDO PÓS-GUERRA Após a 2ª Guerra Mundial o mundo foi dividido em dois grandes blocos: o capitalista e o socialista. a tortura e a repressão física e psicológica foram métodos aplicados tanto por regimes totalitários de direita quanto de esquerda. a implantação dos regimes totalitários de direita e de esquerda e os interesses imperialistas e expansionistas de algumas das grandes potências mundiais. As vitórias alemães nos primeiros anos de guerra e a ocupação nazista de países como França. a violência. O Japão finalmente assinou sua rendição em Setembro de 1945. foram recuando para suas fronteiras até a rendição final. o assassinato. Holanda. Pelo contrário. existe a possibilidade de mobilidade social. Iugoslávia e outros geravam a crença de que Hitler poderia dominar o mundo. A partir do famoso Dia D. No mundo capitalista a propriedade privada é intocável. No mundo socialista a economia é planificada e controlada pelo Estado. quando os aliados iniciaram a grande ofensiva para libertar a França. em Maio de 1945. o operariado para sobreviver vende a sua força de trabalho e a produção é organizada pelo capitalista. O Japão. As anexações da Áustria e da Tchecoslováquia pela Alemanha prenunciavam a eclosão da guerra. que insistiu em continuar a guerra. Podemos citar ainda. a União Soviética. depois da vitória da União Soviética na Batalha de Stalingrado. causas determinantes do segundo conflito mundial. sem dúvida. que dirige a administra todos os meios de produção. que visa à obtenção de lucro. que lançaram bombas atômicas sobre Hiroxima e Nagasáqui. os exércitos nazistas. em qualquer lugar do mundo onde foram instalados. os Estados Unidos entraram na guerra ao lado dos seus aliados tradicionais. a Itália e outras. Noruega. Dinamarca. a crise de 1929. a burguesia capitalista é dona dos meios de produção.

no Oriente Médio. A frágil estabilidade da paz mundial é constantemente ameaçada por conflitos armados e divergências entre vários povos. em 1955. A reação norte-americana. onde os governos se submeteram à orientação da União Soviética. esta última motivada pela pretensão soviética de instalar bases de lançamento de mísseis em Cuba. A 2ª Guerra Mundial trouxe também como consequência a descolonização da África e da Ásia. nascendo daí o chamado Terceiro Mundo. cujo exemplo maior são as rivalidades entre árabes e judeus. O expansionismo soviético no pós-guerra resultou na sovietização dos países do Leste europeu. devido ao fim do mito racista de superioridade do homem branco. com base no falso mito da inferioridade biológica do negro. A concentração da riqueza nas mãos de poucos e a miséria das massas camponesas e urbanas geram constantes crises políticas e tornam a América Latina receptiva às ideologias estrangeiras. conhecidas respectivamente por perestroika e glasnost. Na Conferência de Bandung. Depois de um período de declínio no final dos anos 50. os países participantes não aceitaram a divisão do mundo em dois blocos . urânio e carvão. pela Doutrina Truman e pelo Plano Marshall. a África do Sul é uma exceção. com o bloqueio naval da ilha. Porém. Nos países da América Latina predominam a dependência econômica em relação às grandes potências capitalistas e uma estrutura produtiva basicamente agrária. à crescente consciência nacionalista dos povos daqueles continentes e à luta pelo direito de autogoverno e autodeterminação defendidos pela ONU.As disputas pela liderança mundial entre as duas superpotências – União Soviética e Estados Unidos – geraram a Guerra Fria. A estrutura política do Leste europeu foi profundamente afetada com a ascensão de Gorbatchev ao poder na União Soviética e com o conjunto de suas reformas econômicas e políticas. fez os soviéticos recuarem. a economia é controlada pelo Estado. conhecido como apartheid. uma guerra ideológica na qual cada uma delas procura ampliar sua área de influência. em que as oligarquias latifundiárias dominam a política e o latifúndio é responsável por profundas desigualdades sociais. No contexto pobre e miserável da quase-totalidade dos países africanos. . as tensões mundiais aumentaram no início dos anos 60 com a construção do muro de Berlim e a crise dos mísseis. os meios de produção foram estatizados e a direção política acabou nas mãos dos partidos comunistas. ouro. É o país mais industrializado de todo o continente africano e o mais rico pelas suas minas de diamante. Em vários países da América Latina predominam as multinacionais e as economias desnacionalizadas. A Guerra Fria foi causada pelo expansionismo soviético do Leste europeu. a minoria branca dirigente da África do Sul impôs um regime segregacionista.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful