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Os imigrantes haitianos que vivem em Toledo, no Paraná já ultrapassa a marca de dois mil e

em 2018, foram registrados 200 nascimentos de descendentes haitianos. A grande parte dos
migrantes haitianos fala francês e compreende um pouco o português, mas notamos que a
maioria das mulheres é fluente no francês e no créole - língua natural falada por quase toda a
população do Haiti - e não compreendem a língua portuguesa. Essa barreira linguística ficou
muito evidente quando os estudantes da Universidade Federal do Paraná - Campus Toledo,
sob orientação da professora Patricia Leen Kosako Cerutii, fizeram um estágio na especialidade
de Obstetrícia na Unidade Básica de Saúde Vila Paulista, em Toledo, durante a Pandemia por
SARS-CoV-2, em 2020, e tiveram contato com muitas gestantes migrantes do Haiti. As
principais dificuldades enfrentadas pelos profissionais de saúde foram passar informações
básicas sobre o pré-natal. Por isso, nasceu o Projeto Haiti Mais.

O objetivo geral foi a elaboração de um guia de atenção primária à saúde para gestantes
imigrantes do Haiti traduzido para o francês e a tradução da Caderneta da Gestante, já
utilizada em todo o Paraná, para serem utilizados nos postos de saúde da cidade de Toledo-PR.
Um projeto que visa contornar a dificuldade de comunicação entre os profissionais de saúde e
a gestante haitiana, ampliando o acesso à saúde e educação à saúde para as haitianas,
alcançando um pleno entendimento sobre o pré-natal .

O projeto contou com a criação da cartilha contendo orientações sobre planejamento familiar
e anticoncepção, alterações fisiológicas da gestação, sinais de alarme e instruções sobre o que
fazer quando eles acontecerem, cuidados durante o puerpério, entre outros temas, traduzida
para o francês por integrantes do projeto. Contou, também, com a tradução da Cartilha da
Gestante já usada no estado do Paraná, formatada aos moldes do projeto. Além disso, ocorreu
a realização de atividades de promoção e prevenção à saúde para a comunidade haitiana,
exemplificada pela produção, por parte dos integrantes, de vídeos legendados em francês,
contendo instruções de saúde e apresentação do projeto, enquanto as cartilhas eram criadas.
Tais vídeos foram transmitidos em salas de espera das Redes de Atenção Primária do
Município e estão atualmente disponíveis no perfil do projeto no Instagram (@
projetohaitimais).

Os resultados já alcançados são a criação dos materiais já citados, a divulgação no Jornal local,
a aceitação por parte dos profissionais de saúde, o apoio da comunidade civil e a cooperação
por parte da Prefeitura de Toledo, na qual foi sinalizado positivamente pelo prefeito e pela
secretaria da saúde para a impressão das cartilhas do cartão da gestante traduzida para o
francê, para posterior encaminhamento aos postos de saúde de Toledo.

Além disso, como próximos passos temos a tradução da Caderneta de Saúde da Criança,
solicitada pelo prefeito da cidade, e a amplificação do projeto para outras cidades que dele
necessite

A concessão de vistos aos haitianos estimulou o fluxo para o país, no entanto, tal medida não
foi acompanhada de políticas públicas de inclusão, o que reforça a exclusão, o isolamento e,
consequentemente, a desigualdade social.

As medidas mobilizadas pelo Projeto Haiti Mais vão de encontro aos ditames de equidade e
integralidade do cuidado em saúde da gestante haitiana, contribuindo para a garantia da
dignidade de haitianos em território brasileiro, um dos direitos básicos da pessoa humana.

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