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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Os desafios da educação universitária no Brasil

Introdução: A introdução poderia ter uma contextualização mais detalhada. O parágrafo conta
apenas com dois períodos: o ideal é que se façam pelo menos 3! O verbo “acarretar” não rege
preposição “em’.

Desenvolvimento I: Há que tomar cuidado com as repetições desnecessárias, como “universi-


dade”; há a falta de um conectivo encabeçado o parágrafo e a ausência de uma fechamento
do argumento 1. Atente-se apara o fato do uso da primeira pessoa do plural sem o menor apelo
argumentativo, isto é, ele pode ser evitado, já que não agrega valor ao argumento.

1 Com o intuito de democratizar o acesso, o Enem, o fies e o Prouni, bem como as


2 ações afirmativas assumiram papel fundamental, o que acarretou no aumento e a diversi-
3 ficação do público, o crescimento de unidades, a proliferação das instituições particulares e
4 a formação de novos cursos. Embora tenha havido notórias melhorias, ainda há muito a se
5 fazer para que se continue garantindo ao cidadão os direitos constitucionais, como o acesso à
6 educação de qualidade.
7 Dizemos que o horizonte do ensino superior brasileiro é indefinido. Posto que seu
8 próprio presente não parece ter uma clara descrição, cria-se uma dilema : de um lado, ainda
9 há a concepção clássica – criada na Idade Média, para a qual o meio universitário é o lugar
10 da excelência do conhecimento, centralizador da busca pela verdade e aprimorador da vida
11 intelectual; de outro, movida por razões fundamentalmente econômicas, há a vertente que
12 entende a universidade como um espaço de capacitação profissional, por meio do qual o es-
13 tudante obtém o diploma para ingressar no mercado. Em sua constituição, a visão tradicional
14 é elitista, por reservar a universidade a poucos.
15 Entretanto, apesar de, a princípio, as duas definições parecerem constituir um pa-
16 radoxo, a universidade pode sim ser simultaneamente espaço de produção de conhecimento
17 e realizar uma função pragmática de formar pessoas para o comércio. O problema é que, no
18 mundo concreto e real e idealizado, no momento de gerir uma universidade, por exemplo,
19 diante da escassez de recursos, o reitor acaba por privilegiar áreas mais consagradas e que
20 supostamente trazem fundos para a instituição por meio de patrocinadores. Desta forma,
21 esse financiamento para a criação de uma revista referência em filosofia analítica ou qualquer
22 tipo de conteúdo das áreas humanas, mesmo que, a longo prazo, gerassem estágios para os
23 alunos, é negligenciado. Conciliar essas duas concepções, então, parece o grande desafio do

24 ensino superior. Com efeito, os órgãos competentes devem analisar os problemas desse nicho

25 educacional para agir de forma incisava sobre as questões a ele intrínsecas.

26 Contudo, o poder público, aliado ao setor privado, deve investir igualmente nas áreas

27 de conhecimento, garantindo aos futuros universitários boas opções tanto de trabalho quanto

28 de carreira acadêmica, objetivando anteder às demandas práticas da sociedade e das pesso-

29 as, bem como de coletivizar a cesso aos estudos, garantindo cidadania e dignidade às massas

30 pagadoras de impostos.

Desenvolvimento II: Atente-se para o fato da repetição da conjunção “E” (mundo concreto
e real e idealizado), dos pronomes “esse/essa”. Atenção: prefira “em longo prazo” a “a longo
prazo”.

Conclusão: A proposta de intervenção começa com um conectivo adversativo: cuidao! Não há a retomada da tese nem
um fechamento do parágrafo.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Os desafios da educação universitária no Brasil

Sugestão de reescrita:

1 O ensino superior, no Brasil, passou por uma série de transformações bruscas, cujos impactos foram

2 positivos. Com o intuito de democratizar o acesso, o Enem, o fies e o Prouni, bem como as ações afirmativas

3 assumiram papel fundamental. Isso acarretou o aumento e a diversificação do público, o crescimento de uni-
4 dades, a proliferação das instituições particulares e a formação de novos cursos. Embora tenha havido notórias
5 melhorias, ainda há muito a se fazer para que se continue garantindo ao cidadão os direitos constitucionais,
6 como o acesso à educação de qualidade.

7 Em primeiro lugar, pode-se dizer que o horizonte do ensino superior brasileiro é indefinido. Posto

8 que seu próprio presente não parece ter uma clara descrição, cria-se uma dilema : de um lado, ainda há a

9 concepção clássica – criada na Idade Média, para a qual o meio universitário é o lugar da excelência do conhe-

10 cimento, centralizador da busca pela verdade e aprimorador da vida intelectual; de outro, movida por razões

11 fundamentalmente econômicas, há a vertente que entende a universidade como um espaço de capacitação

12 profissional, por meio do qual o estudante obtém o diploma para ingressar no mercado. Em sua constituição,
13 a visão tradicional é elitista, por reservar as graduações e outras atividades a poucos. Todavia, se boas condições
14 de trabalho requerem do indivíduo o 3º grau, a academia deve ser um ambiente amplamente inclusivo.
15 Entretanto, apesar de, a princípio, as duas definições parecerem constituir um paradoxo, a universi-
16 dade pode ser simultaneamente o espaço de produção de conhecimento e de realização de uma função prag-
17 mática de formar pessoas para o comércio. O problema é que, no mundo concreto e real, no momento de
18 gerir uma universidade, por exemplo, diante da escassez de recursos, o reitor acaba por privilegiar áreas mais
19 consagradas e que supostamente trazem fundos para a instituição por meio de patrocinadores. Desta forma, o
20 financiamento para a criação de uma revista referência em filosofia analítica ou qualquer tipo de conteúdo das
21 áreas humanas, mesmo que, em longo prazo, gerassem estágios para os alunos, é negligenciado. Conciliar as
22 duas concepções, então, parece o grande desafio do ensino superior. Com efeito, os órgãos competentes devem
23 analisar os problemas desse nicho educacional para agir de forma incisava sobre as questões a ele intrínsecas.
24 Urge, portanto, que a dinâmica do ensino universitário continue sendo repensada e repaginada. O
25 poder público, aliado ao setor privado, deve investir igualmente nas áreas de conhecimento, garantindo aos
26 futuros universitários boas opções tanto de trabalho quanto de carreira acadêmica, objetivando anteder às
27 demandas práticas da sociedade e das pessoas, bem como de coletivizar a cesso aos estudos, garantindo cida-
28 dania e dignidade às massas pagadoras de impostos. Sendo assim, será possível perceber, de fato, um futuro na
29 universidade brasileira.
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