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Aula 08

PETROBRAS (Engenharia de
Equipamento - Elétrica) Conhecimentos
Específicos - 2021 (Pós-Edital)

Autor:
Mariana Moronari

17 de Janeiro de 2022

05147124497 - Wanessa Morais de Araújo


Mariana Moronari
Aula 08

Sumário

1. Componentes Simétricas ....................................................................................................................... 5

1.1. Sistemas equilibrados ...................................................................................................................... 5

1.2. Teorema fundamental...................................................................................................................... 7

1.3. Operadores...................................................................................................................................... 16

1.4. Aplicação em sistemas trifásicos .................................................................................................. 19

2. Redes de Sequências ............................................................................................................................ 22

2.1. Carga ................................................................................................................................................ 23

2.1.1. Carga em Y aterrada ............................................................................................................... 23

2.1.2. Carga em Y não aterrada ....................................................................................................... 26

2.1.3. Carga em triângulo ................................................................................................................. 27

2.2. Gerador síncrono ............................................................................................................................ 30

2.3. Transformador ................................................................................................................................. 33

2.3.1. Configuração Y-Y ambos os lados aterrados ...................................................................... 36

2.3.2. Configuração Y-Y com secundário não aterrado ............................................................... 38

2.3.3. Configuração Y-∆ com primário aterrado ........................................................................... 39

2.3.4. Configuração Y-∆ com primário não aterrado ................................................................... 41

2.3.5. Configuração ∆-∆ .................................................................................................................... 42

2.3.6. Resumo dos esquemas ........................................................................................................... 43

2.3.7. Impedância de aterramento .................................................................................................. 44

2.3.8. Rede de sequência positiva e negativa ............................................................................... 45

2.4. Linha de transmissão ...................................................................................................................... 46

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3. Análise de Faltas .................................................................................................................................... 49

3.1. Curto-circuito no Sistema Elétrico ............................................................................................... 49

3.2. Gerador Síncrono ........................................................................................................................... 52

3.2.1. Curto-circuito trifásico ............................................................................................................ 54

3.2.2. Curto-circuito monofásico...................................................................................................... 58

3.2.3. Curto-circuito bifásico............................................................................................................. 61

3.2.4. Curto-circuito bifásico terra ................................................................................................... 65

3.2.5. Etapas ........................................................................................................................................ 67

3.3. Análise de Curto-Circuitos ............................................................................................................ 70

3.3.1. Circuito equivalente de Thévenin ......................................................................................... 72

3.3.2. Curto-circuito trifásico ............................................................................................................ 73

3.3.3. Curto-circuito monofásico...................................................................................................... 74

3.3.4. Curto-circuito bifásico............................................................................................................. 74

3.3.5. Curto-circuito bifásico-terra ................................................................................................... 75

4. Lista de Questões .................................................................................................................................. 83

5. Questões Comentadas ......................................................................................................................... 93

6. Referências bibliográficas ................................................................................................................... 125

7. Gabarito ................................................................................................................................................ 126

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INTRODUÇÃO
Olá! Seja muito bem-vindo(a) a aula de hoje!

Nessa aula, iremos estudar sobre componentes simétricas, redes de sequência e análise de faltas no
sistema elétrico de potência.

Além de fazer parte do cenário de concursos públicos para a área de engenharia elétrica, os assuntos
abordados nesta aula devem pertencer ao conhecimento básico de um engenheiro eletricista.

A análise de curto-circuitos (ou faltas) é essencialmente importante na proteção dos sistemas


elétricos para que seja possível dimensionar adequadamente os diversos componentes de proteção. As
consequências geradas pela ocorrência dos curto-circuitos podem ser extremamente prejudiciais ao
funcionamento do sistema e, por isso, eles devem ser prontamente eliminados.

Os curto-circuitos também podem ser chamados de "defeitos" ou "faltas" e ocorrem de maneira


aleatória nos sistemas. Portanto, não estranhe se usarmos esses sinônimos no decorrer da aula. Inclusive,
isso é bom para você se habituar com os termos que podem aparecer em prova.

O método das componentes simétricas (também denominado teorema de Fortescue) entra nesse
contexto como uma ferramenta analítica que facilita o estudo e a análise de faltas. Ele possibilitou a aplicação
das técnicas já conhecidas para a análise de circuitos trifásicos equilibrados aos sistemas desequilibrados (ou
desbalanceados) pelos curto-circuitos, utilizando-se uma nova modelagem.

Dessa forma, temos em mãos uma técnica que pode ser aplicada à análise de sistemas
desequilibrados bem como à análise de faltas no sistema elétrico de potência.

O capítulo 1 será destinado ao estudo mais introdutório e fundamental sobre o método das
componentes simétricas.

No capítulo 2, iremos estudar sobre as redes de sequência, que são utilizadas para modelar o sistema
segundo à decomposição obtida pelo método das componentes simétricas.

O capítulo 3 vai reunir e aplicar o conhecimento abordado nos outros capítulos para que seja possível
analisarmos as faltas que podem ocorrer no sistema elétrico de potência. Nele, iremos analisar os diversos
tipos de curto-circuito e calcular as correntes por eles produzidas.

Perceba que esses assuntos são extremamente correlacionados. Portanto, o conteúdo apresentado
nesta aula (desde o primeiro capítulo até o último) é cumulativo.

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1. COMPONENTES SIMÉTRICAS
O método das componentes simétricas é uma ferramenta poderosa para analisar circuitos
polifásicos desequilibrados.

Esse método foi desenvolvido por Fortescue em 1918 e se baseia em uma transformação
linear a partir de componentes de fase a uma novo conjunto de componentes, chamadas
de componentes simétricas.

Esse método pode ser formulado da seguinte forma:

Um sistema desequilibrado de n fasores correlacionados pode ser decomposto em n


sistemas de fasores equilibrados denominados componentes simétricas dos fasores
originais.

Ou seja, sua aplicação nos permite desacoplar uma rede complexa em uma rede sequencial mais
simples.

Apesar desse método ser aplicável a qualquer sistema polifásico, vamos nos restringir à aplicação
em sistemas trifásicos.

A aplicação do método das componentes simétricas tem como objetivo auxiliar o equacionamento
de sistemas desequilibrados e é indispensável ao estudo de curto-circuitos assimétricos, como veremos no
decorrer da aula.

Esse capítulo tem como objetivo introduzir o conceito de componentes simétricas a fim de
estabelecer uma base para análise de faltas assimétricas.

1.1. Sistemas equilibrados

Antes de começarmos, vamos relembrar a diferença entre sistemas equilibrados e desequilibrados


bem como a representação de sequência positiva e negativa.

As tensões de fase balanceadas correspondem a tensões senoidais que possuem a mesma amplitude
e estão defasadas 120° entre si.

𝑽𝑎𝑛 + 𝑽𝑏𝑛 + 𝑽𝑐𝑛 = 0

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|𝑽𝑎𝑛 | = |𝑽𝑏𝑛 | = |𝑽𝑐𝑛 |

Representando as tensões de fase no formato fasorial, temos que:

𝑽𝑎𝑛 = 𝑉𝑝 ∠0°

𝑽𝑏𝑛 = 𝑉𝑝 ∠ − 120°

𝑽𝑐𝑛 = 𝑉𝑝 ∠120°

Lembre-se que elas possuem a mesma amplitude e frequência, no entanto estão defasadas em 120°!

Quando a tensão Van possui um ângulo de fase igual a 0°, Vbn possui um ângulo de fase igual a -120°
e Vcn possui um ângulo de fase igual a 120°, essa sequência de fase será denominada sequência positiva ou
sequência abc (Fig.1-a). No caso em que a tensão Van se adianta com relação a Vcn, então teremos a sequência
negativa (sequência acb) (Fig.1-b).

Figura 1- Sequência (a) positiva (b) negativa. Fonte: Sadiku (2006).

Uma carga balanceada é aquela em que as impedâncias de cada fase possuem a mesma magnitude
e mesma fase. Isso vai influenciar nas correntes que flui em cada fase. Quando as correntes que saem das
fontes também estão defasadas em 120°, o sistema é considerado um sistema trifásico equilibrado.

Resumindo,

O conjunto composto por tensões e cargas balanceadas forma um sistema equilibrado!


Um sistema pode se tornar desequilibrado devido a fontes ou a cargas desbalanceadas.

Perceba então que tanto tensões quanto cargas desbalanceadas podem desequilibrar um sistema!
Tensões desequilibradas ou impedâncias desequilibradas (que tenham valores diferentes em uma das fases)
vão gerar correntes desequilibradas e, como consequência, teremos um sistema também desequilibrado.

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1.2. Teorema fundamental

De acordo com o método das componentes simétricas ( também denominado teorema de Fortescue),

Três fasores desequilibrados de um sistema trifásico podem ser decompostos em três


sistemas equilibrados de fasores.

Dessa forma, o método das componentes simétricas decompõe um sistema trifásico desequilibrado
em 3 sistemas trifásicos equilibrados, permitindo então um desacoplamento das fases.

Os três conjuntos equilibrados de componentes simétricas são as:

➔ Componentes de sequência positiva: formadas por três fasores de módulos iguais e


defasados em 120˚, caracterizados por ter a mesma sequência de fase dos fasores originais.
➔ Componentes de sequência negativa: formadas por três fasores de módulos iguais e
defasados em 120˚, caracterizados por ter uma sequência de fase oposta à dos fasores
originais.
➔ Componentes de sequência zero: formadas por três fasores de módulos iguais e com
nenhuma defasagem entre si, caracterizados justamente por uma defasagem nula.

Perceba que a sequência positiva mantém a mesma sequência dos fasores originais (que
pode ser ABC ou ACB). A sequência negativa apresenta justamente o contrário da
sequência original.

Já é costume por conveniência, considerarmos inicialmente que a sequência de fases do sistema seja
abc. Então a sequência de fase das componentes de sequência positiva dos fasores originais também vai ser
abc e a sequência de fase dos componentes de sequência negativa será acb.

De acordo com o método das componentes simétricas, cada um dos fasores originais pode ser
reescrito como a soma dos seus componentes. Vamos expressar matematicamente os fasores originais em
termos dos seus componentes:

𝑉𝑎 = 𝑉𝑎0 + 𝑉𝑎1 + 𝑉𝑎2

𝑉𝑏 = 𝑉𝑏0 + 𝑉𝑏1 + 𝑉𝑏2

𝑉𝑐 = 𝑉𝑐0 + 𝑉𝑐1 + 𝑉𝑐2

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A Figura (2) representa o conjunto de fasores equilibrados que são componentes de três fasores
desequilibrados.

Figura 2-Três conjuntos de fasores equilibrados que são componentes de três fasores desequilibrados. Fonte: Stevenson (1986).

Perceba a correlação e cada conjunto de componentes:

➢ Subíndice 0: se refere à sequência zero;


➢ Subíndice 1: se refere à sequência positiva;
➢ Subíndice 2: se refere à sequência negativa.

Como estamos nos referindo a um sistema trifásico, temos um sistema com 3 equações e 9 incógnitas.
Mas podemos reescrever as tensões em função das componentes da fase A, reduzindo o número de
incógnitas para 3, onde será possível achar uma única solução para o sistema de equações. Para isso temos
que levar em consideração o fator "a", como você pode ver a seguir:

𝑉𝑎 = 𝑉𝑎0 + 𝑉𝑎1 + 𝑉𝑎2

𝑉𝑏 = 𝑉𝑎0 + 𝑎2 𝑉𝑎1 + 𝑎𝑉𝑎2

𝑉𝑐 = 𝑉𝑎0 + 𝑎𝑉𝑎1 + 𝑎2 𝑉𝑎2

Calma, fique tranquilo(a) que estudaremos sobre o que se trata esse operador "a"! Mas adiantando,
é ele que proporciona a defasagem de 120˚ aos fasores que compõem cada sequência:

𝑎 = 1∠120˚

Inclusive, já podemos reescrever o sistema no formato matricial em função de uma matriz de


coeficientes (eliminando o subíndice a) da seguinte forma:

𝑉𝑎 1 1 1 𝑉0
𝑉𝑎𝑏𝑐 = [𝑉𝑏 ] = [ 1 𝑎2 𝑎 ] [𝑉1 ]
𝑉𝑐 1 𝑎 𝑎2 𝑉2

𝑽𝒑 = [𝐴]𝑽𝒔

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Onde:

Vp- Matriz de tensões de fase originais;

[A]- Matriz de transformação;

Vs- Matriz de tensões de sequência;

É bem comum as questões de concurso cobrarem a matriz de transformação [A]. Por isso,
a importância de apresentarmos as relações de transformação no formato matricial!

Perceba então que, de posse dos valores das tensões de sequência (matriz Vs), podemos calcular o
conjunto de valores das tensões originais (matriz Vp).

—Professora, mas e se eu tivesse os valores das tensões originais (Vp) e quisesse calcular os valores das
componentes de sequência (Vs)?

Sem problema algum. Apenas devemos considerar a matriz de transformação inversa isolando a
matriz Vs:

𝑽𝒔 = [𝐴]−1 𝑽𝒑

A inversa da matriz [A]-1 é dada por:

1 1 1 1
[𝐴]−1 = [1 𝑎 𝑎2 ]
3
1 𝑎2 𝑎

Para comprovar que essa é a matriz inversa de [A], basta aplicar a propriedade [A][A]-1= [I],
onde [I] é a matriz identidade!

Apenas consideramos o fator multiplicativo de 1/3 e trocamos a diagonal principal da matriz 2x2 que
possui o termo ao quadrado! O que vamos determinar agora é só uma questão de aplicar a representação
correta em função dos dados que temos!

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Assim, temos o seguinte:

𝑉0 1 1 1 𝑉𝑎
1
𝑉
[ 1] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝑉𝑏 ]
𝑉2 1 𝑎2 𝑎 𝑉𝑐

𝑽𝒔 = [𝐴]−1 𝑽𝒑

Essa expressão nos mostra como decompor três fasores assimétricos em componentes simétricas!
Devido à importância dessa relação, vamos escrevê-las separadamente na forma usual:

1
𝑉0 = 3 ( 𝑉a + 𝑉b + 𝑉c )

1
𝑉1 = 3 ( 𝑉a + 𝑎𝑉b + 𝑎2 𝑉c )

1
𝑉2 = 3 ( 𝑉a + 𝑎2 𝑉b + 𝑎𝑉c )

Da mesma forma que fizemos essa análise em função das tensões, podemos fazer em função das
correntes. Teremos o mesmo resultado, só que agora em termos de correntes desequilibradas originais e
correntes de sequência. O método das componentes simétricas aplicado às correntes é dado por:

𝐼𝑎 1 1 1 𝐼0
𝐼𝑎𝑏𝑐 = [𝐼𝑏 ] = [ 1 𝑎2 𝑎 ] [𝐼1 ]
𝐼𝑐 1 𝑎 𝑎2 𝐼2

𝑰𝒑 = [𝐴]𝑰𝒔

Onde:

Ip- representa a matriz de correntes de fase originais;

[A]- Matriz de transformação;

Is- Matriz de correntes de sequência;

Se quisermos as componentes de sequência em função das componentes de fase desequilibradas,


também devemos considerar também a matriz inversa:

𝐼0 1 1 1 𝐼𝑎
1
[𝐼1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝐼𝑏 ]
𝐼2 1 𝑎2 𝑎 𝐼𝑐

𝑰𝒔 = [𝐴]−1 𝑰𝒑

Vamos abrir essas equações para tirarmos algumas conclusões, certo?

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Fazendo multiplicação matricial, temos o seguinte:

1
𝐼0 = 3 ( 𝐼𝑎 + 𝐼𝑏 + 𝐼𝑐 )

1
𝐼1 = 3 ( 𝐼𝑎 + 𝑎𝐼𝑏 + 𝑎2 𝐼𝑐 )

1
𝐼2 = 3 ( 𝐼𝑎 + 𝑎2 𝐼𝑏 + 𝑎𝐼𝑐 )

Lembre-se que, em um sistema trifásico conectado em Y, a corrente de neutro equivale a soma das
correntes de linha:

𝐼𝑛 = 𝐼𝑎 + 𝐼𝑏 + 𝐼𝑐

Comparando a corrente de neutro com a corrente de sequência zero 𝐼0 , temos:

𝐼𝑛 = 3𝐼0

Portanto, a corrente de neutro é igual a três vezes a corrente de sequência zero!

Esse conceito é muito explorado nos problemas e nas questões de concurso. Não se
esqueçam dela de forma alguma!

Perceba então que, em um sistema balanceado conectado em Y, as correntes de linha não terão
componentes de sequência zero, dado que a corrente no neutro é 0 para o sistema balanceado!

Essa conclusão também deve ser estendida para sistemas conectados em Y (com três condutores,
sem neutro aterrado) bem como para sistemas conectados em ∆, pois nesses casos o sistema não possui
condutor neutro.

Quando nos referimos às correntes de sequência zero, podemos tirar algumas conclusões
importantes:

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➔ Se tivermos corrente de sequência zero, então o meu desequilíbrio vai envolver


corrente que retorna pelo neutro. Consequentemente, teremos sequência zero
apenas em sistemas desequilibrados em que haja a possibilidade de haver corrente
elétrica retornando pelo neutro do sistema trifásico;
➔ Sempre que não tivermos corrente retornando pelo neutro em um sistema
desequilibrado, então teremos apenas componentes de sequência positiva e
negativa. Consequentemente, as componentes de sequência zero serão nulas.
Parece meio óbvio, mas devemos ressaltar!
➔ Teremos correntes de sequência zero nulas, sempre que tivermos um sistema
equilibrado ou uma conexão que não preveja linha neutra (Y a três condutores ou
∆).

—Professora, mas o que acontece se aplicarmos o método das componentes simétricas a um sistema
trifásico equilibrado?

Se submetermos um sistema trifásico equilibrado à análise de componentes simétricas,


teremos apenas componentes de sequência positiva (apresentando resultado não nulo),
que serão iguais ao próprio sistema original. As componentes de sequência zero e negativa,
terão resultados nulos!

Por isso que não faz sentido aplicarmos a análise de componentes simétrica em sistemas trifásicos
equilibrados! Para tirar essas conclusões, basta considerar um sistema trifásico com tensões e correntes
equilibradas e decompor esses fasores em componentes simétricas! Faça o teste!

Essa conclusão é muito importante, inclusive para a continuidade do nosso estudo. Veremos mais
adiante que, pelo fato do gerador síncrono ser naturalmente projetado para gerar tensões equilibradas,
teremos apenas componentes de sequência positiva e consequentemente apenas a rede de sequência
positiva vai ser ativa. Mas calma... Mais pra frente você entenderá melhor o que quero dizer com isso.

Conforme a sua própria definição, as componentes de sequência positiva são formadas por três
fasores de módulos iguais defasados em 120̊, caracterizados por terem a mesma sequência de fase dos
fasores originais. Ou seja, as componentes simétricas de sequência positiva vão representar o sistema
original independentemente dele estar originalmente em sequência positiva ou negativa.

Justamente por esse motivo, é que, quando aplicamos o método das componentes simétricas em um
sistema equilibrado, teremos apenas componentes de sequência positiva não nula. Porque elas vão
representar o sistema original independentemente de termos originalmente uma sequência de fases abc ou
acb.

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Dessa forma, não podemos vincular que as componentes de sequência positiva sempre vão
ter uma sequência de fase abc e que as componentes de se negativa vão ter uma sequência
de fase acb.

Se o sistema tiver originalmente uma sequência de fase negativa, as componentes simétricas de


sequência positiva vão manter a mesma sequência de fase dos fasores originais (ACB) e as componentes
simétricas de sequência negativa vão apresentar uma sequência de fase oposta (ABC)!

O único cuidado que devemos tomar é fazer a devida alteração na ordem dos fasores originais, para
que de fato as componentes de sequência positiva mantenham a sequência de fases original.

— E como fazemos isso, professora?

Apenas trocamos a representação das tensões ou correntes da fase C com a B (que é justamente o
que acontece quando temos sequência de fase negativa) lá no nosso sistema de equações no formato
matricial. Ficaríamos com a seguinte representação:

𝑉𝑎 1 1 1 𝑉0
𝑉𝑎𝑐𝑏 = [ 𝑉𝑐 ] = [ 1 𝑎2 𝑎 ] [𝑉1 ]
𝑉𝑏 1 𝑎 𝑎2 𝑉2

Se estivéssemos trabalhando com correntes, procederíamos da mesma forma.

Indo mais fundo, também poderíamos manter a mesma ordem dos fasores (𝑉𝑎 , 𝑉𝑏 , 𝑉𝑐 )
e apenas alterar a matriz de transformação [A], invertendo a segunda linha com a terceira
linha. Isso porque agora as componentes de sequência positiva vão representar uma ordem
de fase negativa. Abrindo as expressões, teríamos o mesmo resultado. Mas aconselho a
não proceder dessa forma, para não alterar a nossa matriz de coeficientes e acabar não se
confundindo.

Resumindo, se o sistema tiver originalmente uma sequência de fase negativa, altere


apenas a ordem das fases C e B para mantermos a consistência. Se o sistema tiver
originalmente uma sequência de fase positiva, aí não precisamos alterar nada!
Procederemos da mesma forma que estudamos inicialmente nessa seção.

Vamos dar uma olhadinha em como esse tema pode ser cobrado nas questões de concurso?

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(Perito Criminal ITEP-RN- Instituto AOCP – 2018) De acordo com as definições de componentes
simétricos e faltas simétricas e assimétricas, considere o sistema trifásico desequilibrado de
correntes dadas por:

𝐼𝑎 = 10∠30° 𝐴

𝐼𝑏 = 30∠ − 60° 𝐴

𝐼𝑐 = 15∠145° 𝐴

Com base nas informações apresentadas, assinale a alternativa correta.

A) Os componentes de sequência positiva serão: 𝐼𝑎1 = 17,6∠45° 𝐴 ; 𝐼𝑏1 = 17,6∠285° 𝐴 ; 𝐼𝑐1 =


17,6∠165° 𝐴

B) Os componentes de sequência positiva serão: 𝐼𝑎1 = 27,4∠45° 𝐴 ; 𝐼𝑏1 = 27,4∠55° 𝐴 ; 𝐼𝑐1 =


27,4∠165° 𝐴

C) Os componentes de sequência positiva serão: 𝐼𝑎1 = 20,3∠15° 𝐴 ; 𝐼𝑏1 = 20,3∠85° 𝐴 ; 𝐼𝑐1 =


20,3∠15° 𝐴

D) Os componentes de sequência positiva serão: 𝐼𝑎1 = 11∠25° 𝐴 ; 𝐼𝑏1 = 11∠51° 𝐴 ; 𝐼𝑐1 = 11∠13° 𝐴

E) Os componentes de sequência positiva serão: 𝐼𝑎1 = 14∠45° 𝐴 ; 𝐼𝑏1 = 14∠185° 𝐴 ; 𝐼𝑐1 =


14∠265° 𝐴

Resolução e comentários:

A questão solicita que você encontre as componentes de sequência positiva, considerando as


correntes fornecidas para um sistema trifásico desequilibrado.

O procedimento para resolver essa questão consiste em aplicar o método das componentes
simétricas.

Conforme estudamos nessa seção da aula,

𝐼𝑎 1 1 1 𝐼0
[𝐼𝑏 ] = [ 1 𝑎2 𝑎 ] [𝐼1 ]
𝐼𝑐 1 𝑎 𝑎2 𝐼2

Abrindo as equações, temos:


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𝐼𝑎 = 𝐼0 + 𝐼1 + 𝐼2

𝐼𝑏 = 𝐼0 + 𝑎2 𝐼1 + 𝑎𝐼2

𝐼c = 𝐼0 + 𝑎𝐼1 + 𝑎2 𝐼2

Note que as componentes de sequência positiva são os "segundos" termos das expressões (que
visivelmente levam em consideração o subíndice 1, que representa a sequência positiva).

Ou seja, as componentes de sequência positiva são formadas por três fasores de módulos iguais e
defasadas em 120˚, caracterizados por ter a mesma sequência de fase dos fasores originais. O operador
"a" vai proporcionar a defasagem de 120˚ entre os fasores ( 𝑎 = 1∠120˚ ).

Lembre-se que a sequência positiva mantém a mesma sequência dos fasores originais (que pode
ser ABC ou ACB). A sequência negativa apresenta justamente o contrário da sequência original.

No caso da questão, temos correntes em sequência positiva, pois a fase A se adianta com relação
à fase B que, por sua vez, se adianta em relação à fase C, ou seja, sequência ABC. Portanto, como
resultado para as componentes simétricas de sequência positiva, teremos fasores de módulos iguais e
defasadas em 120˚ caracterizados por ter a mesma sequência de fase ABC.

Apenas com essa informação, poderíamos determinar a alternativa correta, já que a única que
apresenta defasagem de 120˚ e sequência positiva ABC é a alternativa A! Fique atento(a), pois isso
economizaria um tempo muito importante em sua prova.

Mas como a intenção aqui é fixar o conhecimento e aplicá-lo em uma questão, vamos ir pelo
caminho mais trabalhoso...

Para calcular as componentes de sequência positiva, basta calcular I1 e aplicar a sequência de fases
positiva, já que é a mesma sequência dos fasores originais!

De acordo com o que estudamos, se quisermos as componentes de sequência em função das


componentes de fase desequilibradas, temos que considerar a matriz inversa:

𝐼0 1 1 1 𝐼𝑎
1
[𝐼1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝐼𝑏 ]
𝐼2 1 𝑎2 𝑎 𝐼𝑐

Fazendo multiplicação matricial para abrir as expressões, temos o seguinte:

1
𝐼0 = 3 ( 𝐼a + 𝐼b + 𝐼c )

1
𝐼1 = 3 ( 𝐼a + 𝑎𝐼b + 𝑎2 𝐼c )

1
𝐼2 = 3 ( 𝐼a + 𝑎2 𝐼b + 𝑎𝐼c )

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Substituindo os valores fornecidos pelo enunciado da questão e o operador "a" apenas para o
cálculo de I1,

1
𝐼1 = 3 [(10∠30°) + (1∠120˚ )(30∠ − 60°) + (1∠120˚ )(1∠120˚ )(15∠145°)]

1
𝐼1 = 3 [(10∠30°) + (30∠60°) + (15∠385°)]

Resolvendo as expressões já considerando a conversão polar/retangular, temos:

1
𝐼1 = 3 (53∠45°)

𝐼1 = 17,6∠45°

Observe que apenas de posse desse valor também já poderíamos resolver a questão! No entanto,
vamos continuar...

Aplicando a sequência positiva por meio do operador "a",

𝐼𝑎1 = 𝐼1 = 17,6∠45°

𝐼𝑏1 = 𝑎2 𝐼1 = 17,6∠(45° + 240°)

𝐼c1 = 𝑎𝐼1 = 17,6∠(45° + 120°)

Temos como resultado,

𝐼𝑎1 = 𝐼1 = 17,6∠45° 𝐴

𝐼𝑏1 = 𝑎2 𝐼1 = 17,6∠285° 𝐴

𝐼c1 = 𝑎𝐼1 = 17,6∠165° 𝐴

Portanto,

A alternativa (A) é o gabarito da questão. Novamente ressalto que só de olhar os ângulos das
alternativas já seria possível determinar a resposta correta pela justificativa mencionada nos
comentários da questão!

1.3. Operadores

Ter um coeficiente para indicar a rotação de um fasor é muito conveniente. No método das
componentes simétricas, temos um coeficiente responsável pela defasagem dos componentes simétricos
das tensões e correntes no sistema trifásico.

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As letras "a" ou "α" são geralmente utilizadas para designar o operador que causa uma rotação de
120 ˚ no sentido anti-horário.

O operador "a" é um número complexo de módulo unitário e ângulo de 120˚.

Ele pode ser expresso da seguinte maneira na forma polar e retangular:

𝑎 = 1∠120˚ = −0,5 + 𝑗0,866

Se esse operador for aplicado duas vezes seguidas a um determinado fasor, teremos uma rotação de
240˚. Assim, teremos um operador a2 descrito da seguinte forma:

𝑎2 = 1∠240˚ = −0,5 − 𝑗0,866

Esse resultado é proveniente da multiplicação entre os dois operadores "a”. Como se trata de uma
multiplicação, apenas somamos os ângulos de fase.

Ressalto novamente que é comum as questões de concurso cobrarem a matriz de transformação A


em função do operador "a". Por isso, a importância de apresentarmos as relações de transformação no
formato matricial!

Vou resumir para você as identidades mais comuns que você pode precisar ao utilizar o operador "a":

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IDENTIDADES

𝑎2 = 𝑎 = 1∠120°
𝑎2 = 1∠240°
𝑎3 = 1∠0°
1 + 𝑎 + 𝑎2 = 0
1 − 𝑎 = 3∠ − 30°
1 − 𝑎2 = 3∠ + 30°
𝑎2 − 𝑎 = 3∠270°

j𝑎 = 1∠210°
1 + 𝑎 = −𝑎2 = 1∠60°
1 + 𝑎2 = −𝑎 = 1∠ − 60°
𝑎 + 𝑎2 = −1 = 1∠180°

(Transpetro- CESGRANRIO -Engenheiro Júnior-Elétrica – 2018) A equação matricial que relaciona


corretamente as correntes elétricas de um sistema trifásico às suas componentes simétricas é dada
por:

𝐼0 𝐼𝑎
1
[ 1 ] = 3 M [𝐼𝑏 ]
𝐼
𝐼2 𝐼𝑐

A expressão da matriz M é:

1 α α2
A) 𝑀 = [ 1 α2 α]
1 1 1
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1 1 1
B) 𝑀 = [ 1 α2 α]
1 α α2

1 1 1
C) 𝑀 = [ 1 α α2 ]
1 α2 α

1 1 1
D) 𝑀 = [ 1 α2 α2 ]
1 α α

1 1 1
E) 𝑀 = [ 1 α α]
1 α2 α2

Resolução e comentários:

A questão solicita que você determine a alternativa correta que corresponda à matriz de
transformação inversa.

De acordo com o que estudamos, se quisermos as componentes de sequência em função das


componentes de fase desequilibradas, temos que considerar a matriz inversa:

𝐼0 1 1 1 𝐼𝑎
1
[𝐼1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝐼𝑏 ]
𝐼2 1 𝑎2 𝑎 𝐼𝑐

Assim, [A]-1 equivale a:

1 1 1
[1 𝑎 𝑎2 ]
1 𝑎2 𝑎

Lembre-se que, com relação à matriz de transformação original, apenas trocamos a diagonal principal
da matriz 2x2 que possui o operador "a" (que neste caso é representado por α)!

Portanto,

A alternativa (C) é o gabarito da questão.

1.4. Aplicação em sistemas trifásicos

A potência consumida por um circuito trifásico pode ser calculada diretamente por meio das
componentes simétricas da tensão e da corrente.

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A demonstração desta afirmativa requer diferentes manipulações matriciais dos componentes


simétricos. Então, não vamos entrar em demonstrações para que seja possível preservar a objetividade e
simplicidade do material!

A potência complexa total consumida por um sistema desequilibrado em função das componentes
simétricas, é dada simplesmente por:

𝐼0 ∗
𝑺 = 3[𝑉0 𝑉1 𝑉2 ] [𝐼1 ]
𝐼2

Simples assim! Lembre-se que em um sistema desequilibrado, a potência consumida é calculada em


função da soma das potências de cada fase separadamente!

Abrindo os termos em função de cada fase, temos a seguinte representação:


7
𝑉𝑎 𝐼𝑎 ∗ + 𝑉𝑏 𝐼𝑏 ∗ + 𝑉𝑐 𝐼𝑐 ∗ = 3𝑉0 𝐼0 ∗ +
3𝑉1 𝐼1 ∗ + 3𝑉2 𝐼2 ∗

Mostrando que a potência complexa pode ser calculada em função das componentes simétricas das
tensões e das correntes de um sistema trifásico desequilibrado apenas considerando um fator multiplicativo
igual a 3.

(ALERJ-FGV-Especialista Legislativo-Engenharia Elétrica – 2017) Os componentes simétricos nas


sequências positiva, negativa e zero podem representar as grandezas fasoriais de um sistema elétrico
trifásico.

Nomenclaturas:

A potência complexa de um sistema trifásico equilibrado, em termos de componentes simétricos, é


dada por:

A) 3[V1 . (I1 ) * + V2 . (I2 ) * + V0 . (I0 ) * ]

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B) √3 [V1 . (I1 ) * + V2 . (I2 ) * + V0 . (I0 ) * ]

C) 3[V1 . I1 + V2 . I2 + V0 . I0 ) * ]

D) √3 [V1 . I1 + V2 . I2 + V0 . I0 ) * ]

E) V1 . (I1 ) * + V2 . (I2 ) * + V0 . (I0 )

Resolução e comentários:

A questão solicita que você determine a alternativa que represente a potência complexa em
função das componentes de sequência.

Conforme estudamos, a potência complexa total consumida por um sistema desequilibrado em


função das componentes simétricas, é dada por:
9
𝐼0 ∗
𝑺 = 3[𝑉0 𝑉1 𝑉2 ] [𝐼1 ]
𝐼2

Abrindo os termos:

𝐒 = 3𝑉0 𝐼0 ∗ + 3𝑉1 𝐼1 ∗ + 3𝑉2 𝐼2 ∗

Portanto,

A alternativa (A) é o gabarito da questão.

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2. REDES DE SEQUÊNCIAS
Baseando-se no método das componentes simétricas, é necessário obter modelos que representem
o sistema para cada componente de sequência.

Nessa seção vamos determinar as redes e as impedâncias de sequência considerando os principais


elementos do nosso sistema elétrico de potência:

➔ Cargas;
➔ Geradores;
➔ Transformadores;
➔ Linhas de transmissão;

Quando estão circulando correntes de sequência,


5 a impedância de um circuito será denominada de
acordo com a sequência considerada. Portanto, teremos impedância de sequência zero, impedância de
sequência positiva e impedância de sequência negativa.

Uma impedância de sequência é a impedância que um dispositivo elétrico apresente


frente a aplicação de um conjunto de tensões em sequência positiva, negativa e zero.

A determinação dessas impedâncias é muito importante pois a análise de faltas assimétricas consiste
justamente em determinar os componentes simétricos das correntes desequilibradas que estão circulando.

As correntes de qualquer sequência podem ser consideradas como circulando num circuito
independente composto por impedâncias apenas da sequência considerada. Por esse motivo, tiramos
vantagem ao utilizarmos as componentes simétricas!

Dessa forma, o circuito monofásico equivalente composto de impedâncias e correntes de uma


mesma sequência é denominado rede de sequência (ou, por vezes, também chamado de modelo de
sequência).

No próximo capítulo, iremos entender que as redes de sequência podem ser interligadas para
representar várias situações de faltas desequilibradas.

Portanto, é extremamente importante determinar as impedâncias de sequência e combiná-las para


formar as redes de sequência.

Então, neste capítulo, vamos nos ocupar com a representação dos elementos de uma rede por
diagramas sequenciais para posteriormente estudar a associação desses elementos em uma representação
completa da rede.

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As redes de sequência (determinadas separadamente para diferentes elementos)


podem ser facilmente combinadas no intuito de formar uma rede completa de
sequência, modelando o sistema em termos de componentes simétricas.

2.1. Carga

Nesta seção, vamos modelar as impedâncias de sequências para cargas. Conforme foi mencionado,
não entraremos em demonstrações, manipulações matriciais
b etc. Seremos objetivos!

2.1.1. Carga em Y aterrada

Vamos considerar primeiramente cargas conectadas em Y aterrada, pois isso facilitará a nossa análise
para as outras configurações.

A Figura (3) representa uma carga equilibrada conectada em Y. A impedância de cada fase corresponde
a ZY e a impedância entre neutro e a terra corresponde a Zn.

Figura 3-Impedâncias de carga balanceadas em Y aterrada. Fonte: Glover e Sarma (2003).

—Professora, mas como achamos as redes de sequência em termo de componentes simétricas?

Considerando o circuito da Figura (3), podemos estabelecer as equações para as tensões de fase (fase-
neutro) para cada fase do sistema. Posteriormente, aplicamos alguns procedimentos e manipulações
matriciais considerando o método das componentes simétricas.

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𝑉𝑎𝑔 (𝑍𝑌 + 𝑍𝑛 ) 𝑍𝑌 𝑍𝑌 𝐼a
[𝑉𝑏𝑔 ] = [ 𝑍𝑌 (𝑍𝑌 + 𝑍𝑛 ) 𝑍𝑌 ] [𝐼𝑏 ]
𝑉𝑐𝑔 𝑍𝑌 𝑍𝑌 (𝑍𝑌 + 𝑍𝑛 ) 𝐼c

Apenas pela simples análise do circuito da figura, podemos chegar no seguinte resultado em termos
de componentes simétricas (considerando tensões e correntes de sequência).

𝑉0 (𝑍𝑌 + 3𝑍𝑛 ) 0 0 𝐼0
[𝑉1 ] = [ 0 (𝑍𝑌 ) 0 ] [𝐼1 ]
𝑉2 0 0 (𝑍𝑌 ) 𝐼2

Essa matriz é simplesmente a aplicação da lei de Ohm em função dos valores de sequência para
tensões e correntes. Reescrevendo no formato de equações:

𝑉0 = (𝑍𝑌 + 3𝑍𝑛 )𝐼0 = 𝑍0 𝐼0

𝑉1 = 𝑍𝑌 𝐼1 = 𝑍1 𝐼1

𝑉2 = 𝑍𝑌 𝐼2 = 𝑍2 𝐼2

Ou seja, estamos considerando as componentes de sequência e não mais os fasores originais.

—Professora, então como podemos modelar esquematicamente a carga em um modelo de


sequências?

Basicamente, adotamos uma fase como referência (geralmente a fase A) e desenvolvemos o modelo
de sequência zero, positiva e negativa considerando as tensões, as correntes e as impedâncias de sequência.

Por meio desse resultado, podemos apresentar as redes de sequência zero, positiva e negativa para
uma carga equilibrada conectada em Y aterrada na Figura (4).

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Figura 4-Redes de sequência para uma carga conectada em Y aterrada. Fonte: Glover e Sarma (2003).

Note que apenas representamos o circuito original em termos de componentes simétricas


por meio da rede de sequência zero, rede de sequência positiva e rede de sequência
negativa. Observe que poderíamos voltar facilmente ao circuito original utilizando a matriz
de transformação A.

Agora, vamos entender melhor porque a impedância de sequência zero é diferente, aproveitando
para destacar algumas conclusões e características dessas redes!

Conforme comentamos anteriormente, uma impedância de sequência é a impedância que um


dispositivo elétrico apresenta frente a aplicação de um conjunto de tensões em sequência positiva, negativa
e zero. Então, podemos encarar as redes de sequência como resultado da aplicação de ensaios considerando
as respectivas tensões e correntes de sequência (0, + e -).

SEQUÊNCIA POSITIVA

Considerando a aplicação da sequência positiva (caracterizada por ser equilibrada, onde os fasores
de tensões possuem módulos iguais defasados em 120˚ e a fase A se adianta com relação a fase B), a
impedância encontrada vai ser a própria impedância ZY.

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Como as correntes são equilibradas, a corrente de neutro será nula, então não consideramos Z n!
Portanto, a impedância para sequência positiva Z1 é o próprio valor de Zy do circuito original, pois esse é o
valor que a carga vai apresentar frente a aplicação das tensões de sequência de fase positiva. Temos que:

𝑍1 = 𝑍𝑌

SEQUÊNCIA NEGATIVA

O mesmo ocorre quando aplicamos a sequência negativa. Se a sequência é ABC ou ACB não importa,
pois a carga vai apresentar a mesma impedância frente a este ensaio. Por isso,

𝑍2 = 𝑍1 = 𝑍𝑌

SEQUÊNCIA ZERO

Já para a sequência zero, temos uma situação diferente...

A sequência zero é caracterizada por tensões de módulos iguais e com nenhuma defasagem entre si.
Logo, as correntes no neutro serão somadas (lembre-se que In=3I0). Agora, teremos que considerar a
impedância da linha neutra Zn e a corrente que circula no neutro. Considerando a fase A (apenas como
exemplo) e aplicando a sequência zero na fig.3, temos como resultado:

𝑉0 = 𝐼0 𝑍𝑌 + 𝐼𝑛 𝑍𝑛

Substituindo In,

𝑉0 = 𝐼0 𝑍𝑌 + 3𝐼0 𝑍𝑛

Manipulando,

𝑉0 = 𝐼0 (𝑍𝑌 + 3𝑍𝑛 )

Temos como resultado em termos de impedância de sequência:

𝑍0 = 𝑍𝑌 + 3𝑍𝑛

Observe que, se tivéssemos uma carga solidamente aterrada, não deveríamos considerar a
impedância de aterramento na expressão, já que ela seria nula!

2.1.2. Carga em Y não aterrada

Comentamos inicialmente que teremos correntes de sequência zero nulas sempre que tivermos um
sistema equilibrado ou uma conexão que não preveja linha neutra, como por exemplo, Y a três condutores
ou ∆.

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Logo, na configuração de cargas em Y a três condutores (sem aterramento), vamos apenas considerar
o circuito aberto para a sequência zero! Simples assim!

—Por que, professora?

Porque, se não temos linha neutra, é como se o neutro estivesse aberto. Então, teríamos uma
impedância de neutro muito alta tendendo ao infinito! Logo,

𝑍0 = ∞

Para este caso, a rede de sequência zero deve ser modificada para cargas em Y a três condutores.
Ela pode ser visualizada na Figura (5).

Figura 5-Rede de sequência zero para carga Y sem neutro. Fonte: Glover e Sarma (2013).

A rede de sequência zero se torna um modelo aberto e, portanto, não existe corrente de
sequência zero! Para a sequência positiva e a sequência negativa, não há mudança alguma,
pois continuamos sem corrente retornando pelo neutro!

2.1.3. Carga em triângulo

Na configuração da carga em triângulo, temos que considerar a conversão de impedância de ∆ para


Y. Ou seja, passamos a carga em triângulo para o equivalente em Y, usando a seguinte relação:

𝑍∆
𝑍𝑌 = 3

Quando a carga em triângulo vira um Y equivalente, também não teremos neutro. Então,
continuamos com um circuito aberto para sequência zero, procedendo da mesma forma que fizemos no caso
anterior.

Para este caso, a rede de sequência zero também deve ser modificada prevendo a transformação da
carga de ∆ para Y bem como a impossibilidade de circulação de corrente no neutro (que originalmente não
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existe para cargas conectadas em ∆). As redes de sequência para cargas conectada em ∆ podem ser
visualizadas na Figura (6).

Figura 6- Redes de sequência para uma carga conectada em ∆. Fonte: Glover e Sarma (2003).

A rede de sequência zero também se torna um modelo aberto e, portanto, também não
existe corrente de sequência zero para este caso!

(SAP-SP-VUNESP-Engenheiro Eletricista– 2014) Uma carga trifásica, simétrica e equilibrada é ligada


em estrela. A impedância de cada fase da carga é 12 [Ω] e o centro estrela é aterrado por uma
reatância indutiva de valor 4 [Ω]. Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente,
as impedâncias de sequência positiva, negativa e zero dessa carga.

A) 12 [Ω], 12 [Ω] e 12 – j12[Ω]

B) 12 [Ω], 12 [Ω] e 12 + j 12[Ω]

C) 12 [Ω], 12 [Ω] e 0[Ω]


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D) 12 [Ω], 12 [Ω] e j12 [Ω]

E) 12 [Ω], 12 [Ω] e 24[Ω]

Resolução e comentários:

A questão solicita que você determine as impedâncias de sequência positiva, negativa e zero de
uma carga conectada em Y.

O procedimento para resolver essa questão consiste em utilizar as conclusões para as redes de
sequência de uma carga conectada em Y.

Conforme estudamos nessa seção da aula e já substituindo os dados do enunciado (𝑍𝑌 = 12Ω e
𝑍𝑛 = 𝑗4 Ω , temos as seguintes conclusões para cada impedância de sequência:

SEQUÊNCIA POSITIVA

A impedância encontrada vai ser a própria impedância ZY.

𝑍1 = 𝑍𝑌 = 12Ω

SEQUÊNCIA NEGATIVA

Se a sequência é ABC ou CBA não importa, pois a carga vai apresentar a mesma impedância frente
a este ensaio. Por isso,

𝑍2 = 𝑍1 = 𝑍𝑌 = 12Ω

SEQUÊNCIA ZERO

Agora temos que considerar a impedância da linha neutra Zn. A impedância de sequência zero é
dada por:

𝑍0 = 𝑍𝑌 + 3𝑍𝑛

Segundo as informações apresentadas no enunciado, a impedância de neutro é uma reatância


indutiva. Ou seja, possui apenas parte imaginária positiva equivalente a +𝑗4Ω! Isso é importante, pois
caso fosse capacitiva, iriamos utilizar o sinal negativo que alteraria a resposta da questão. Substituindo
os dados e fazendo as devidas conversões retangular/polar para os fasores, temos:

𝑍0 = 12 + 3(j4) = 12 + 3(4∠90°) = 12 + 12∠90°

𝑍0 = 12 + j12 Ω

Reunindo os resultados,

𝑍1 = 12Ω
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𝑍2 = 12Ω

𝑍0 = 12 + j12 Ω

Portanto,

A alternativa (B) é o gabarito da questão.

2.2. Gerador síncrono

A Figura (7) ilustra um gerador síncrono conectado em Y aterrado por uma impedância de neutro Zn. As
voltagens internas do gerador estão designadas por Ea, Eb, e Ec e as correntes de linhas Ia, Ib e I c

Figura 7-Gerador síncrono conectado em Y. Fonte: Glover e Sarma (2003).

O ponto principal para entender a rede de sequência de um gerador é que:

O gerador síncrono trifásico é projetado para produzir tesões de fase internas


equilibradas.

Conforme discutimos anteriormente, se aplicarmos o método das componentes simétricas em


sistemas equilibrados, teremos apenas tensões com componentes de sequência positiva (resultado não
nulo), que serão iguais ao próprio sistema original.

Dessa forma, apenas a rede de sequência positiva vai possuir uma fonte de tensão!

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Um conjunto de tensões trifásicas equilibradas é produzido em um gerador síncrono,


portanto a tensão interna da máquina, nos modelos de sequência, existe apenas na rede
de sequência positiva!

A Figura (8) ilustra as redes de sequência para o gerador síncrono conectado em Y.

Figura 8-Redes de sequência para o gerador síncrono em Y aterrada. Fonte: Glover e Sarma (2003).

Perceba que na sequência positiva, temos a tensão Eg1 que é a própria tensão interna do gerador da
fase A (Ea)!

Agora vamos voltar o nosso olhar para as impedâncias que constituem a rede de sequência!

Nas redes de sequência para o gerador, também devemos considerar as impedâncias de sequência
da máquina que, em geral, não são iguais. Elas estão designadas por Zg0, Zg1 e Zg2.

Como o gerador está conectado em Y aterrado, a rede de sequência zero ainda continua
considerando a impedância de sequência Zn da mesma forma que consideramos na seção 2.1.1.

A queda de tensão na impedância de neutro do gerador continua sendo equivalente a 𝐼𝑛 𝑍𝑛 , que


podemos escrever como 3𝐼0 𝑍𝑛 , dado que a corrente de neutro corresponde a três vezes a corrente de
sequência zero.

Dessa forma, adicionamos uma impedância de 3Zn na rede de sequência zero em série com a
impedância de sequência zero do gerador Zg0, como pode ser visualizado na figura (5).

Temos então:

𝑍0 = 𝑍𝑔0 + 3𝑍𝑛

𝑍1 = 𝑍𝑔1

𝑍2 = 𝑍𝑔2

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Para o gerador síncrono, o raciocínio utilizado é similar ao que foi estabelecido para a carga.
Só que agora estamos analisando o início do sistema considerando as impedâncias internas
de cada fase do gerador, sempre prestando atenção no fato de que teremos fonte de
tensão apenas para a sequência positiva.

Para as cargas, levamos sempre em consideração as diferentes configurações apresentadas na seção


anterior. Portanto, observe que poderíamos compor uma rede de sequência completa formada por
geradores e cargas representando assim um determinado sistema de potência.

É importante ressaltar que esse modelo de sequência é para um gerador síncrono que produz tensões
equilibradas!

—Professora, mas se o gerador gerasse um conjunto de tensões desequilibradas?

Neste caso, apenas teríamos que representar as tensões também na rede de sequência zero e
negativa! Simples assim!

Se considerássemos que o gerador está solidamente aterrado, então devemos


desconsiderar a impedância Zn. Isso faz toda diferença, pois, se ele for aterrado por meio
de impedância, deveremos considerar na rede de sequência zero o 3𝑍𝑛 . O mesmo deve ser
considerado quando tratarmos da rede de sequência para transformadores!

Portanto, cuidado com a expressão solidamente aterrado!

(Polícia Federal-CESPE-Perito criminal- 2013) Acerca da operação de máquinas trifásicas conectadas


a um sistema elétrico de potência, julgue os próximos itens.

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No caso de ocorrer uma falta assimétrica próxima a um gerador síncrono, para que seja
determinada a corrente de falta, o gerador poderá ser modelado, por componentes simétricas, como
uma fonte de tensão de sequência direta, gerando o valor nominal de tensão para a componente de
sequência direta, e como uma fonte de tensão de sequência inversa, gerando valor nominal de tensão
para a componente de sequência inversa, acrescendo-se as respectivas impedâncias.

Resolução e comentários:

A alternativa está incorreta. Quando o gerador é modelado por componentes simétricas, temos
como resultado:

SEQUÊNCIA POSITIVA (ou sequência direta)

Temos uma fonte de tensão em série com a impedância interna do gerador.

SEQUÊNCIA NEGATIVA (ou sequência inversa)

Não consideramos a fonte de tensão! Apenas a impedância interna do gerador. Perceba que a
afirmativa da questão também considera a existência da fonte para a sequência inversa!

SEQUÊNCIA ZERO

Também não consideramos a fonte de tensão, mas além da impedância interna, devemos levar
em conta a impedância de aterramento, caso ela exista.

Conclusão:

Para o gerador síncrono, vamos considerar as impedâncias internas de cada fase do gerador,
sempre prestando atenção no fato de que teremos fonte de tensão apenas para a sequência positiva.

Portanto,

O item está Errado.

2.3. Transformador

Precisamos dar uma atenção especial à rede de sequência zero de transformadores, pois as diferentes
combinações possíveis entre os enrolamentos do primário e do secundário vão alterar essa rede.

Vamos relembrar alguns pontos principais da teoria de transformadores.

De forma bem objetiva, o ensaio de curto-circuito é realizado para encontrar a impedância


equivalente em série Req +jXeq. Vamos considerar nesta análise que:

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O curto-circuito será aplicado ao secundário do transformador e a tensão ao primário.


Neste ensaio, é tomado como padrão considerar o lado de alta tensão como sendo o
primário.

Considere a Figura (9) como o circuito equivalente para o ensaio de curto-circuito.

Figura 9- Circuito equivalente para ensaio de curto-circuito. (a) Circuito equivalente T (b) Circuito equivalente L. Adaptado de:
Fitzgerald (2006).

A Figura (9 a) mostra que a impedância do secundário do transformador está referida ao lado primário
e que um curto-circuito está sendo aplicado ao secundário.

Note que a impedância de curto-circuito Zcc vista na entrada deste circuito equivalente é:

𝑍𝜑 (𝑅2 +𝑗𝑋𝑙2 )
𝑍𝑐𝑐 = 𝑅1 + 𝑗𝑋𝑙1 + 𝑍
𝜑 +𝑅2 +𝑗𝑋𝑙2

Como a impedância do ramo de excitação (𝑍𝜑 , denominada impedância de magnetização formada


pelo paralelo entre a resistência de perdas Rc e reatância de magnetização Xm) é muito maior do que a
impedância de dispersão do secundário, a impedância de curto-circuito pode ser aproximada por:

𝑍𝑐𝑐 ≈ 𝑍𝑒𝑞 = 𝑅𝑒𝑞 + 𝑗𝑋𝑒𝑞 = 𝑅1 + 𝑗𝑋𝑙1 + 𝑅2 + 𝑗𝑋𝑙2

Perceba que estamos apenas desprezando a corrente de magnetização, pelo fato da impedância de
magnetização ser alta!

O resultado dessa aproximação consiste justamente em transformar o circuito equivalente T no


circuito equivalente L da Fig. (9b).

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A impedância equivalente em série é formada pela combinação das impedâncias de


dispersão do primário e do secundário do transformador, chamada de impedância de
dispersão.

O ponto chave aqui é entender justamente que o ensaio de sequência positiva é o próprio ensaio de
curto utilizado para determinar a impedância de dispersão equivalente do transformador.

Logo, as impedâncias de sequência positiva e negativa são as tradicionais impedâncias


obtidas no ensaio de curto-circuito do transformador!

Dessa forma, a impedância de sequência zero será calculada mediante o ensaio de curto-circuito
simulando as condições de sequência zero definidas no teorema das componentes simétricas!

Como o transformador é um componente passivo, teremos a mesma impedância vista pelos


terminais da fonte de tensão. Ou seja, aplicando sequência positiva ou negativa, teremos uma mesma
impedância. Temos então,

𝑍1 = 𝑍2

A sequência de fases com o qual o transformador foi ensaiado não influencia no valor da
impedância calculada! Consequentemente, as redes de sequência positiva e negativa são
exatamente iguais.

A teoria de transformadores nos permite construir um circuito equivalente também de sequência


zero, que vai depender do tipo de configuração do transformador devido a possibilidade ou não de
aterramento. Ou seja, a possibilidade de um caminho de retorno para a terra.

A questão é o seguinte: cada configuração vai gerar uma rede de sequência diferente, pois o caminho
da corrente vai ser alterada mediante a configuração considerada. Então vamos analisar o percurso da
corrente em cada uma das configurações.

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A impedância de sequência zero vai ser determinada por meio do ensaio de curto-circuito
do transformador, aplicando uma tensão de sequência zero no primário e curto-circuitando
o secundário.

Por definição, as correntes de sequência zero são iguais nas três fases, logo só podem existir
se houver um caminho de retorno para a sua soma.

Serão apresentados alguns casos possíveis de configuração para transformadores trifásicos com
acoplamento entre dois enrolamentos bem como sua respectiva rede de sequência zero. Ao final da seção,
apresentarei comentários sobre a rede de sequência positiva e negativa.

2.3.1. Configuração Y-Y ambos os lados aterrados

A primeira configuração que vamos analisar é a configuração Y-Y, onde ambos os lados do
transformador estão solidamente aterrados (sem impedância de aterramento). Esse tipo de configuração
pode ser visualizado na Figura (10), a qual vamos utilizar para fazer as devidas considerações.

Figura 10- Transformador conectado em Y-Y com ambos os lados aterrados. Fonte: Adaptado de Kindermann (1997).

Como o transformador é aterrado no secundário, ele fornece um caminho de retorno para a corrente
elétrica circular no secundário.

A relação para a transformação de corrente entre o enrolamento primário e secundário de um


transformador ideal:

𝑁1 𝑖1 = 𝑁2 𝑖2

Ou seja, teremos corrente elétrica também nas bobinas do primário.

Considerando apenas uma fase, a impedância de sequência zero para essa configuração equivale a:

𝐸
𝑍0 = 𝐼
0𝑝

Portanto, vamos ler a impedância Z0 que será a própria impedância da bobina do transformador.

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Considerando que ambos os lados do transformador estão solidamente aterrados, não utilizando
impedância de aterramento, as impedâncias de sequência zero, positiva e negativa são iguais:

𝑍0 = 𝑍1 = 𝑍2

Perceba, que elas serão iguais apenas se o sistema for solidamente aterrado. Caso não seja,
teremos que considerar a impedância de aterramento Zn para a sequência zero e,
consequentemente, a impedância de sequência zero vai se diferenciar da positiva e da
negativa!

Na subseção 2.3.7, comentaremos sobre a impedância de aterramento e sua influência na rede de


sequência zero. Ok?

Para essa configuração, a rede de sequência zero pode ser visualizada na tabela abaixo:

SIMB. DIAGRAMA DE LIGAÇÕES REDE DE SEQUÊNCIA ZERO

Observe que, nessa rede, temos uma continuidade, pois temos caminho de retorno para as correntes
circularem! O primário vai ser conectado no terminal P e o secundário no terminal Q. A barra inferior é a
barra de referência.

Para essa configuração, a rede de sequência zero vai ser simplesmente uma impedância
entre os dois lados, onde a impedância de sequência zero (Z0 ) é igual a impedância de
sequência positiva e negativa (Z1 e Z2).

Temos uma linha contínua, justamente porque a corrente passa refletida do primário para o
secundário, podendo circular pela impedância até chegar ao secundário. Assim não temos nenhuma
separação entre o primário e o secundário.
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2.3.2. Configuração Y-Y com secundário não aterrado

Veremos agora a configuração Y-Y considerando que o secundário não está aterrado. Essa
configuração pode ser visualizada na Figura (11).

Figura 11-Transformador conectado em Y-Y com secundário não aterrado. Fonte: Adaptado de Kindermann (1997).

A configuração Y aterrada sempre vai fornecer um caminho de retorno para a corrente elétrica. Então,
inicialmente, poderíamos pensar que a corrente elétrica vai circular no primário.

Mas como o transformador não está aterrado no secundário, não temos mais um caminho de retorno
para a corrente elétrica circular no secundário (i2=0), ainda que tenhamos tensão induzida no secundário.
Em consequência da aplicação da expressão 𝑁1 𝑖1 = 𝑁2 𝑖2 também não teremos corrente circulando no
primário.

Pela lei das forças magnetomotrizes, se não existe corrente no secundário, também não
pode existir corrente no primário.

Dessa forma, a impedância vista por qualquer um dos lados do transformador equivale a:

𝑍0 = ∞

Para essa configuração, a rede de sequência zero pode ser visualizada na tabela abaixo:

SIMB. DIAGRAMA DE LIGAÇÕES REDE DE SEQUÊNCIA ZERO

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Perceba que agora a ligação da rede de sequência zero vai ficar aberta e que não temos conexão com
a barra de referência, pois não há mais passagem de corrente elétrica. Portanto, temos um circuito aberto
representando a impedância infinita.

2.3.3. Configuração Y-∆ com primário aterrado

A configuração Y-∆, com o primário aterrado, pode ser visualizada na Figura (12), a qual vamos
utilizar para a nossa análise.

Figura 12- Transformador conectado em Y-∆ com primário aterrado. Fonte: Adaptado de Kindermann (1997).

Como a fonte é a mesma nas três bobinas, teremos três tensões em fase (característica da própria
aplicação da sequência zero) no primário do trafo induzindo três tensões também em fase no secundário.

Dessa forma, a corrente elétrica vai circular dentro do triângulo em caminho fechado. Como existe
corrente elétrica circulando nas bobinas do secundário, também teremos corrente circulando no primário.
Então podemos aplicar a expressão 𝑁1 𝑖1 = 𝑁2 𝑖2 .

Mas observe que, embora tenhamos corrente circulando nas bobinas do secundário, as correntes nas
linhas (do lado em ∆) são iguais a zero!

—Mas porque professora?

Como estamos induzindo tensões em fase no secundário, a corrente vai estar toda em fase circulando
em loop fechado. Assim não há corrente "saindo" para as linhas.

Considerando o primário, a impedância de sequência zero vista pela fonte do lado em Y equivale a:

𝐸
𝑍0Y = 𝐼 = 𝑍1 = 𝑍2
0𝑝

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Da mesma forma que obtemos na seção 2.3.1 (configuração Y-Y ambos os lados aterrados.)

Lembre-se que elas serão iguais apenas se o sistema for solidamente aterrado. Caso não
seja, teremos que considerar a impedância de aterramento Zn para a sequência zero.
Veremos isso mais adiante!

Quando aplicamos a fonte no lado do secundário (em ∆), teremos o mesmo potencial nos vértices
do triângulo e assim nenhuma corrente vai circular, pois não existe diferença de potencial nas bobinas( bem
como também não temos caminho de retorno, para essa configuração, se existisse corrente circulando). Se
a corrente no lado em ∆ é zero, ela também será zero no lado em Y!

Consequentemente, a impedância de sequência zero vista pela fonte pelo lado em ∆ vai ser infinita
e será representada no modelo de sequência como um circuito aberto.

𝑍0∆ = ∞

Para essa configuração, a rede de sequência zero pode ser visualizada na tabela abaixo:

SIMB. DIAGRAMA DE LIGAÇÕES REDE DE SEQUÊNCIA ZERO

Perceba que, do lado Y, temos a impedância Z0Y e, do lado ∆, temos um circuito aberto representando
a impedância infinita.

Se tivermos algum desequilíbrio que gere componentes de sequência zero no lado em Y,


ela só vai ficar desse lado do circuito! As componentes de sequência zero vão existir apenas
dentro do transformador (circulando em loop fechado nas bobinas), não gerando
desequilíbrio para a outra parte do sistema que está à direta do transformador. Por isso
temos o circuito aberto no secundário!
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2.3.4. Configuração Y-∆ com primário não aterrado

Agora vamos analisar a situação em que o lado em estrela não está aterrado. Essa configuração pode
ser visualizada na Figura (13).

Figura 13-Transformador conectado em Y-∆ com primário não aterrado. Fonte: Adaptado de Kindermann (1997).

Aplicando a fonte no lado em Y, a corrente não vai ter caminho de retorno para a terra pois não há
aterramento. Assim a corrente obrigatoriamente é zero. Consequentemente, a corrente no secundário
também vai ser nula.

Da mesma forma, se aplicássemos a fonte de tensão no lado em ∆, continuaríamos sem corrente no


primário, pois não teríamos diferença de potencial bem como a inexistência de um caminho de retorno,
conforme também foi discutido na seção anterior.

Como a corrente de sequência zero não pode circular em ambos os lados, a impedância de
sequência zero será infinita!

Portanto, a impedância de sequência zero será:

𝑍0 = ∞

Para essa configuração, a rede de sequência zero pode ser visualizada na tabela abaixo:

SIMB. DIAGRAMA DE LIGAÇÕES REDE DE SEQUÊNCIA ZERO

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Essa rede é exatamente igual à configuração Y-Y com secundário não aterrado, justamente pelo fato
de não termos passagem de corrente de sequência zero!

2.3.5. Configuração ∆-∆

Por fim, vamos analisar a configuração ∆-∆, representada pela Figura (14).

Figura 14- Transformador conectado em ∆-∆. Fonte: Adaptado de Kindermann (1997).

Da mesma forma, aplicamos o ensaio de sequência zero. Conforme comentamos nas outras seções,
na configuração em ∆, não teremos diferença de potencial, pois a tesão é a mesma nos três pontos.
Consequentemente a corrente também será nula. Bem como também não temos caminho de retorno para
corrente circular em nenhum dos lados.

Novamente, se não existe corrente no primário, também não teremos no secundário! Assim, a
impedância vista do primário ou do secundário será:

𝑍0 = ∞

Para essa configuração, a rede de sequência zero pode ser visualizada na tabela abaixo:

SIMB. DIAGRAMA DE LIGAÇÕES REDE DE SEQUÊNCIA ZERO

Se associarmos essa rede com outras de sequência zero, a corrente elétrica não vai passar nem pelo
lado esquerdo nem pelo direito. Ela vai enxergar uma impedância infinita tanto pelo lado do primário quanto
do secundário!

A parte do meio da rede significa que:

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Embora a corrente possa circular (em loop fechado) pelos enrolamentos do transformador
em ∆, essa corrente não pode circular no sistema por não haver caminho de retorno para
a terra.

2.3.6. Resumo dos esquemas

Logo abaixo, temos uma tabela que resume os esquemas e as redes de sequência zero para cada
configuração estudada nessa seção.

SIMB. DIAGRAMA DE LIGAÇÕES REDE DE SEQUÊNCIA ZERO

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2.3.7. Impedância de aterramento

Agora vamos comentar sobre o caso de termos uma impedância de aterramento. Ou seja, situação
em que não termos um aterramento sólido!

Se a ligação do neutro para a terra apresentar uma impedância Zn, a rede equivalente de
sequência zero deve ter uma impedância de 3Zn em série com a impedância do
transformador.

Vamos proceder da mesma forma que fizemos para o caso do gerador síncrono!

Lembre-se que a queda de tensão na impedância de neutro equivale a 𝐼𝑛 𝑍𝑛 , que podemos escrever
como 3𝐼0 𝑍𝑛 , dado que a corrente de neutro corresponde a três vezes a corrente de sequência zero.

Dessa forma, vamos adicionar uma impedância de 3Zn na rede de sequência zero em série com a
impedância do trafo.

Por exemplo, no caso da configuração Y-Y (ambos os lados aterrados), devemos considerar uma
parcela de 3Zm (para o lado do primário) e outra de 3Zn (para o lado do secundário), conforme exemplificado
na Figura (15).

Figura 15-Rede equivalente com impedância de aterramento. Fonte: Kindermann (1997).

Se o transformador for solidamente aterrado é só retirar o respetivo termos associado à


impedância de aterramento do lado correspondente!

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2.3.8. Rede de sequência positiva e negativa

Diante do que já foi comentado sobre as redes de sequência positiva e negativa, o que precisamos
adicionar é o seguinte:

Independentemente da configuração do transformador, as redes de sequência positiva e


negativa serão iguais.

Lembre-se que para a sequência positiva e negativa não consideramos mais a impedância de
aterramento Zn. Portanto, caso ela exista, as impedâncias de sequência zero serão diferentes das
impedâncias de sequência positiva e negativa para determinadas configurações (conforme concluímos sobre
algumas configurações em que o sistema analisado estava solidamente aterrado)!

A rede de sequência positiva e negativa pode ser visualizada na tabela abaixo:

REDE DE SEQUÊNCIA POSITIVA E


DIAGRAMA DE LIGAÇÕES
NEGATIVA

TODAS

(UEFS- AOCP-Analista universitário –Engenharia elétrica- 2018) Assinale a alternativa que representa
o esquema de ligação do transformador de potência cujo circuito de sequência zero é apresentado
na Figura 2.

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A) Ligação estrela aterrada-delta.

B) Ligação estrela-delta.

C) Ligação estrela-estrela.

D) Ligação estrela-estrela com influência da impedância de aterramento do neutro.

E) Ligação delta-delta.

Resolução e comentários:

Conforme estudamos nessa seção da aula, a rede de sequência zero para o transformador na
configuração Y-∆ com o primário aterrado é representado da seguinte forma:

Essa rede de sequência é equivalente à rede apresentada no enunciado da questão.

Portanto,

A alternativa (A) é o gabarito da questão.

2.4. Linha de transmissão

Nessa seção vamos comentar sobre o último elemento, que são as linhas de transmissão do nosso
sistema elétrico de potência.

As linhas de transmissão são responsáveis por transportar a energia gerada, desde as centrais
geradoras até os centros de cargas do sistema.

Pelo fato dessas linhas serem longas, elas ficam expostas a todo tipo de risco, como por exemplo:
descargas atmosféricas, ventos, umidade, poluição, queimadas etc. Assim, são elementos muito vulneráveis,
se não os mais vulneráveis de todo o sistema. Os curto-circuitos ocorrem principalmente devido aos defeitos
nas linhas.
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As linhas de transmissão são caracterizadas por possuírem uma alta impedância, que pode se tornar
predominantemente indutiva devido ao aumento do nível de tensão.

As correntes de curto-circuito possuem ângulos de defasagem entre 20 e 85 graus, a


depender do nível de tensão, justamente pela impedância das linhas de transmissão.

Para o estudo de curto-circuito, também é necessário conhecer as impedâncias de sequência da linha


de transmissão.

A impedância da linha pode ser obtida por meio de cálculos (levando em consideração os parâmetros
da linha e disposições geométricas) ou por ensaios. Inclusive existem várias bibliografias especializadas em
descrever métodos para a sua obtenção.

Com relação à sequência positiva,

A impedância de sequência positiva é a própria impedância normal da linha de


transmissão.

O ensaio é realizado aplicando-se tensões trifásica equilibradas de sequência positiva no início da


linha com o final curto-circuito. Da mesma forma que consideramos nos outros elementos. Assim, a
impedância de sequência positiva é dada por:

𝐸𝑎1
𝑍1 = 𝐼𝑎1

A rede de sequência positiva por fase da linha está representada na figura (16).

Figura 16-Rede de sequência positiva para uma linha de transmissão. Fonte: Kindermann (1997).

Ou seja, simplesmente a representação da impedância respectiva no circuito equivalente de cada


sequência!
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Da mesma forma que o transformador, a linha de transmissão é um elemento estático do sistema e


assim seu comportamento não é alterado com a sequência de fases. Portanto, a impedância de sequência
negativa por fase é a mesma da sequência positiva:

𝑍1 = 𝑍2

A impedância de sequência zero terá um valor um pouco diferente e apresenta uma dificuldade maior
para a sua determinação. Isso ocorre porque, dependendo do local do curto, a corrente de sequência zero
pode retornar por vários caminhos (cabo de cobertura, torre, solo etc.)

Ela também pode ser obtida por meio de medição, simulando a sequência zero. Assim, teríamos por
fase:

𝐸𝑎1
𝑍0 = 𝐼0

Conforme Kindermann (1997), ela pode apresentar um valor de 2 a 6 vezes maior que Z1.

As redes de sequência para linha de transmissão apenas consideram a sua respectiva impedância de
sequência no circuito equivalente.

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3. ANÁLISE DE FALTAS
Após termos estudado sobre componentes simétricas e redes de sequência, vamos aplicar esses
conhecimentos no estudo de faltas no sistema elétrico de potência.

Mais especificamente, vamos estudar sobre diferentes tipos de curto-circuitos que podem ocorrer
em diferentes pontos do sistema. Eles são os seguintes:

➔ Curto-circuito trifásico;
➔ Curto-circuito fase-terra;
➔ Curto-circuito bifásico;
➔ Curto-circuito bifásico-terra;

Entenda falta como sinônimo de curto-circuito! Ok?

Vamos começar, de forma mais geral, comentado sobre as causas e as características dos curto-
circuitos. Em seguida, iremos analisar os diferentes tipos considerando apenas o gerador síncrono. Por fim,
estenderemos essa análise ao sistema elétrico de potência.

Ressalto que a análise realizada para os geradores síncronos vai nos dar uma base de
entendimento que poderá ser estendida para o SEP como análise geral.

3.1. Curto-circuito no Sistema Elétrico

Uma das principais característica do curto-circuito é o fato dele ser aleatório. Assim, esse defeito
pode ocorrer em qualquer ponto da rede. Se eles não forem rapidamente eliminados, os danos podem ter
grandes proporções.

Mesmo projetando o sistema adequadamente, levando em consideração a qualidade dos materiais


e desempenhos dos dispositivos, o sistema ainda sim estará vulnerável às mais diversas e imprevisíveis
condições.

Portanto, é muito importante que as correntes de curto-circuitos sejam conhecidas em todo o


sistema para todos os possíveis tipos de defeitos.

Apenas a título de contextualização, evidencio que o conhecimento da corrente de curto atende


diferentes objetivos importantes:

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➢ Conhecer a dimensão da sua magnitude;


➢ Dimensionar a linha de transmissão considerando o limite de elevação de temperatura;
➢ Dimensionar o disjuntor quanto à seção de seus contatos e capacidade disruptiva (extinção do arco
elétrico);
➢ Efetuar a coordenação de relés;
➢ Analisar sobretensões;
➢ Conhecer o tempo de eliminação do defeito.

Dessa forma, o estudo sobre faltas é de extrema importância, tanto no âmbito da engenharia elétrica
quanto no de concursos públicos para essa área.

Conforme Kindermann (1997), as falhas podem ocorrer devido a:

➔ Problemas de isolação: material empregado, problemas de fabricação, vida útil do material;


➔ Problemas mecânicos: vento, neve, contaminação etc.
➔ Problemas elétricos: descargas atmosféricas, surtos de manobra, sobretensão;
➔ Problemas térmicos: sobrecorrentes;
➔ Problemas de manutenção: substituição inadequada de equipamentos, falta de qualidade dos
materiais, inspeção não adequada da rede;
➔ Problemas de natureza diversas: queimadas, inundações, desmoronamentos etc.

Com relação à ocorrência dos defeitos, cada setor (GTD) contribui de forma diferente, devido às suas
características próprias.

Conforme comentamos anteriormente, as linhas de transmissão são os elementos mais vulneráveis


do sistema, principalmente devido à sua extensão territorial onde as linhas atravessam diferentes lugares do
país. Consequentemente, o setor de transmissão contribui de forma mais representativa para a ocorrência
de curto-circuitos.

Também podemos caracterizar as ocorrências em função dos tipos de curto-circuitos, obviamente


considerando um levantamento histórico. Inclusive já vi questões de prova cobrar esse conhecimento.

Pela própria natureza dos tipos de curto, o trifásico é o mais raro. Já o curto monofásico à
terra (fase-terra) é o mais comum! Os bifásicos (entre fases e entre fases e a terra) ficam
em uma faixa próxima intermediária.

Ainda podemos classificar os curto-circuitos em permanentes ou temporários:

➢ Curto-circuitos permanentes: são caracterizados por serem irreversíveis espontaneamente. Ou seja,


necessitam de conserto na rede pela equipe de manutenção para restabelecer o sistema.

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➢ Curto-circuitos temporários: são aqueles que ocorrem sem que haja defeito na rede. Após a atuação
da proteção, o sistema pode ser restabelecido sem problemas.

(Pref. Cascavel-PR- CONSULPLAN- Engenheiro Eletricista – 2016) A análise de curtos-circuitos


representa vital importância para um sistema elétrico; através desta análise são dimensionados os
circuitos de proteção. Sobre curtos-circuitos em sistemas elétricos de potência, assinale a afirmativa
INCORRETA.

A) Os curtos-circuitos temporários desaparecem após atuação do sistema de proteção.

B) O curto-circuito simétrico possui o mesmo valor da tensão eficaz da corrente de curto.

C) O curto-circuito bifásico sem contato de terra é equilibrado, possuindo corrente de curto igual nos
três condutores.

D) O curto-circuito bifásico com contato de terra é desequilibrado, possuindo corrente de curto


diferente nos três condutores.

E) Dentre as causas mais comuns para ocorrência de curto-circuito em um sistema elétrico de potência
são descargas atmosféricas e queimadas.

Resolução e comentários:

A questão solicita que você determine a alternativa incorreta. O procedimento para resolver a
questão consistem em julgar cada alternativa separadamente.

A) A alternativa está correta, pois os curto-circuitos temporários são caracterizados justamente


pelo fato do sistema ser reestabelecido sem problemas após a atuação da proteção.

B) A alternativa está correta. Veremos mais a frente que o curto-circuito trifásico (ou simétrico)
é equilibrado. Como já comentamos anteriormente, se aplicarmos o método das componentes
simétricas em um sistema equilibrado de sequência positiva, teremos apenas componentes de
sequência positiva (que são os próprios valores reais que teremos de tensões e correntes).

Para esse tipo de curto, o valor da corrente nas linhas (correntes de curto-circuito) é igual ao
valor da corrente de sequência positiva em módulo. Ou seja, temos um curto simétrico, onde as
correntes que circulam em cada fase são iguais!

Particularmente, eu achei a estrutura da afirmativa bem estranha. Mas acredito que a intenção
foi cobrar o conhecimento geral sobre a característica desse tipo de falta.
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C) A alternativa está incorreta. O único tipo de curto-circuito equilibrado é o curto-circuito


trifásico. O curto-circuito bifásico, independentemente de envolver ou não a terra, é desequilibrado!

D) A alternativa está correta. Conforme acabamos de comentar, o curto-circuito bifásico-terra


também é desequilibrado.

E) A alternativa está correta. As descargas atmosféricas e as queimadas são causas comuns para
a ocorrência de curto-circuito.

Portanto,

A alternativa (C) é o gabarito da questão.

3.2. Gerador Síncrono

Olha só. Vamos iniciar a nossa análise por meio dos geradores síncronos.

—Porque, professora?

Porque o gerador síncrono é o único elemento ativo do sistema. Ou seja, aquele que de fato gera
energia e alimenta o curto-circuito!

Dessa forma, vamos analisar quatro tipos diferentes de curto-circuitos nos terminais do gerador
síncrono nessa seção da aula.

Esse estudo é extremamente importante, pois todas as conclusões obtidas poderão ser estendidas
ao sistema elétrico de potência.

As conclusões obtidas para os terminais do gerador síncrono serão as mesmas para o ponto
de defeito do sistema elétrico.

Conforme foi comentado anteriormente, estudaremos os seguintes tipos de curto:

➔ Curto-circuito trifásico;
➔ Curto-circuito fase-terra;
➔ Curto-circuito bifásico;
➔ Curto-circuito bifásico-terra;

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Apenas o curto-circuito trifásico é equilibrado. Dessa forma, contém apenas componentes


de sequência positiva. Os outros são desequilibrados.

O nosso objetivo é determinar o valor da corrente de curto-circuito!

—Mas como professora?

Isso será possível por meio da combinação das redes de sequência que definimos no capítulo anterior
para o gerador síncrono. O que vai depender das condições impostas por cada tipo de curto-circuito.

Evidencio que não vamos entrar em demonstrações, pois temos que ser objetivos.

O importante é que você entenda as condições que devemos respeitar em cada tipo de curto e,
consequentemente, como iremos conectar as redes de sequência.

Mais especificamente, as análises serão efetuadas no gerador síncrono, girando à vazio na velocidade
síncrona com tensões nominais nos terminais.

A Figura (17) representa o gerador síncrono com todas as possibilidades de curto-circuito em seus
terminais.

Figura 17-Gerador síncrono. Fonte: Kindermann (1997).

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Perceba que, fechando adequadamente os disjuntores, podemos simular os curtos:

➢ Curto-circuito trifásico: fechamos os disjuntores a, b e c;


➢ Curto-circuito fase-terra: fechamos o disjuntor a;
➢ Curto-circuito bifásico: fechamos o disjuntor "bc";
➢ Curto-circuito bifásico-terra: fechamos o disjuntor b e c.

3.2.1. Curto-circuito trifásico

Começaremos com o único tipo de curto equilibrado, ou seja, o curto-circuito trifásico (ou também
chamado de simétrico). Por natureza de construção (bobinas idênticas e igualmente distribuídas na
armadura), o gerador síncrono é construído para estar em perfeito equilíbrio.

Conforme estudamos no capítulo 1, se aplicarmos o método das componentes simétricas em um


sistema equilibrado de sequência positiva, teremos apenas componentes de sequência positiva (que são os
próprios valores reais que teremos de tensões e correntes).

Portanto, o curto-circuito trifásico, nos terminais do gerador, terá somente componentes


de sequência positiva!

Para esse tipo de curto, o valor da corrente nas linhas (correntes de curto-circuito) é igual ao valor da
corrente de sequência positiva em módulo. Ou seja, temos um curto simétrico, onde as correntes que
circulam em cada fase são iguais!

A Figura (18) representa o curto-circuito trifásico no gerador síncrono.

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Figura 18-Curto-circuito trifásico no gerador síncrono. Fonte: Kindermann (1997).

O gerador síncrono produz tensões de fase equilibradas (mesmo valor em módulo e defasadas em
120 ˚). Então, se somarmos as tensões no ponto de encontro, teremos:

𝑉𝐴 ∠0° + 𝑉𝐵 ∠ − 120° + 𝑉𝐶 ∠120° = 0

Assim, no ponto de encontro, a tensão será igual a zero e não teremos corrente passando no condutor
que vai a terra (sem efeito). Teremos corrente apenas nas fases do gerador também equilibradas. Pela figura,
perceba também que os fasores de tensões têm como referência o potencial da terra.

O ponto principal é identificar as condições de defeito para cada de curto!

A condição de defeito trifásico nos terminais do gerador síncrono é:

𝑉𝑎 = 𝑉𝑏 = 𝑉𝑐 = 0

Aplicando o método das componentes simétricas, temos:

𝑉0 1 1 1 𝑉𝑎
1
[𝑉1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝑉𝑏 ]
𝑉2 1 𝑎2 𝑎 𝑉𝑐

Substituindo os valores de Va, Vb e Vc,


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𝑉0 1 1 1 0
1
[𝑉1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [0]
𝑉2 1 𝑎2 𝑎 0

Teremos as componentes de sequência também iguais a zero! Logo,

𝑉0 0
[𝑉1 ] = [0]
𝑉2 0

Esse resultado vai nos indicar como iremos trabalhar com as redes de sequência positiva, negativa e
zero do gerador! Ou seja, temos que respeitar a condição de que as tensões de sequência sejam iguais a
zero.

Considerando as três redes de sequência do gerador (Fig. 8 seção2.2), a única possibilidade é ligar os
terminais de cada sequência no potencial zero (da terra). A figura (19) ilustra justamente isso.

Figura 19- Rede de sequências em curto para o curto-circuito trifásico. Fonte: Kindermann (1997).

Como as três tensões de sequência de fases são nulas, as três redes de sequência
apresentadas na figura estão em curto!

O único circuito ativo é o modelo de sequência positiva, pois, conforme estudamos, apenas o modelo
de sequência positiva para o gerador síncrono possui fonte. Consequentemente, só vai existir corrente Ia1
(ou apenas I1 , subentendendo-se a letra a já que sempre tomamos a fase "a" como referência).

A corrente Ia1 vai ser dada por:

𝐸 𝐸
𝐼1 = 𝑗𝑋𝑎 = 𝑍 𝑎
1 𝑔1

𝐼0 = 𝐼2 = 0

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Calma! Não se confunda com os subíndices! Eu apenas generalizei a reatância jX1 da figura
como uma impedância de sequência de sequência positiva Zg1 do gerador.

Voltando os valores de correntes de sequência para os valores originais, temos:

𝐼𝑎 1 1 1 𝐼0
[𝐼𝑏 ] = [ 1 𝑎2 𝑎 ] [𝐼1 ]
𝐼𝑐 1 𝑎 𝑎2 𝐼2

Substituindo os valores,

𝐼𝑎 1 1 1 0
[𝐼𝑏 ] = [ 1 𝑎2 𝑎 ] [𝐼1 ]
𝐼𝑐 1 𝑎 𝑎2 0

Portanto, temos como resultado:

𝐼𝑎 = 𝐼1 ∠0°

𝐼𝑏 = 𝑎2 𝐼1 = 𝐼1 ∠ − 120°

𝐼𝑐 = 𝑎𝐼1 = 𝐼1 ∠ + 120°

Note que o valor da corrente nas linhas (correntes de curto-circuito) é igual ao valor da corrente de
sequência positiva em módulo. Ou seja, temos um curto simétrico, onde as correntes que circulam em cada
fase são iguais!

Por isso que, quando submetemos um sistema trifásico equilibrado ao método das componentes
simétricas, vamos obter apenas o valor da corrente de sequência positiva, a qual já vai nos fornecer os valores
das correntes reais de curto-circuito que circulam em cada fase do sistema original (aplicando-se obviamente
a os ângulos de fase da sequência positiva)!

Como conclusão temos o seguinte:

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A intensidade da corrente de curto-circuito trifásico depende apenas da impedância


equivalente de sequência positiva! Portanto, o curto-circuito trifásico depende somente
da sequência positiva.

3.2.2. Curto-circuito monofásico

A Figura (20) representa o curto-circuito monofásico (fase-terra) no gerador síncrono.

Figura 20-Curto-circuito monofásico no gerador síncrono. Fonte: Kindermann (1997).

Após identificarmos sobre qual tipo de curto que estamos lidando, temos que olhar as condições
iniciais de tensão e correntes para o caso em questão.

Neste caso, estamos considerando o curto na fase "a" do nosso sistema. Essa figura ilustra a
ocorrência do curto nessa fase, onde ligamos a fase "a" diretamente na terra (potencial zero). Logo, Va=0.
Sobre Vb e Vc ainda não podemos afirmar nada. Sabemos também que as correntes I b e Ic são iguais a zero,
pois não temos nenhuma carga.

Dessa forma, a característica do curto fase-terra impõe que:

𝑉𝑎 = 0

𝐼𝑏 = 𝐼𝑐 = 0

Aplicando o método das componentes simétricas,

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𝐼0 1 1 1 𝐼𝑎
1
[𝐼1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝐼𝑏 ]
𝐼2 1 𝑎2 𝑎 𝐼𝑐

Substituindo as condições iniciais,

𝐼0 1 1 1 𝐼𝑎
1
[𝐼1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [ 0 ]
𝐼2 1 𝑎2 𝑎 0

Resolvendo,

1
𝐼0 = 3 ( 𝐼a )

1
𝐼1 = 3 ( 𝐼a )

1
𝐼2 = 3 ( 𝐼a )

Assim, em termos de componentes de sequência, temos que respeitar a seguinte condição:

1
𝐼1 = 𝐼0 = 𝐼2 = 3 𝐼𝑎

Pelas redes de sequência individuais do gerador (Fig. 8 seção 2.2), podemos abrir as expressões para
as tensões de sequência nos terminais do gerador:

𝑉0 = −(𝑗𝑋0 + 3𝑍𝑁 )𝐼0

𝑉1 = 𝐸𝑎 − 𝑗𝑋1 𝐼1

𝑉2 = −𝑗𝑋2 𝐼2

Novamente ressalto que poderíamos generalizar a reatância de cada sequência como uma
impedância de sequência Zg do gerador (como fizemos na seção 2.2). Mas vamos deixar
apenas em função dos valores representados na figura que estamos utilizando para analisar
os curtos, para ficar mais fácil a visualização e o entendimento. Eu só preciso que você
entenda que, independentemente dos subíndices, estamos utilizando as redes de
sequências apresentadas na seção 2.2.

Quando estudamos componentes simétricas, vimos que 𝑉𝑎 = 𝑉0 + 𝑉1 + 𝑉2 , certo?


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Então, substituindo a expressão, temos:

𝑉0 + 𝑉1 + 𝑉2 = −(𝑗𝑋0 + 3𝑍𝑁 )𝐼0 + 𝐸𝑎 − 𝑗𝑋1𝐼1 + 𝑗𝑋2 𝐼2

Simplificando os termos e sabendo que 𝐼0 = 𝐼1 = 𝐼2 , chegamos a:

𝑉a = 𝐸𝑎 − (𝑗𝑋1 + 𝑗𝑋2 + 𝑗𝑋0 + 3𝑍𝑁 )𝐼1

Como a condição de defeito é que Va seja igual a 0, temos:

𝐸𝑎 = (𝑗𝑋1 + 𝑗𝑋2 + 𝑗𝑋0 + 3𝑍𝑁 )𝐼1

Perceba então que, para que essa condição seja satisfeita, a única solução é conectarmos as redes de
sequência positiva, negativa e zero em série. Dessa forma, as correntes de cada sequência será a mesma
(𝐼0 = 𝐼1 = 𝐼2 )! ==795b==

A Figura (21) ilustra justamente essa composição.

Figura 21- Rede de sequências ligadas em série para o curto-circuito monofásico. Fonte: Kindermann (1997).

Por meio da Figura (21), veja que ligando as redes de sequência em série satisfazemos as condições
impostas pelo curto monofásico!

As redes de sequência do gerador devem ser ligadas em série no caso do curto-circuito


fase-terra!

Para calcular as componentes de sequência, basta considerarmos a seguinte expressão:

𝐸𝑎
𝐼1 = (𝑗𝑋
1 +𝑗𝑋2 +𝑗𝑋0 +3𝑍𝑁 )

𝐼1 = 𝐼0 = 𝐼2
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Obviamente a corrente de curto-circuito Ia existe apenas na fase A, pois se trata de um curto


monofásico envolvendo a fase "a" (poderíamos ter escolhido outra fase!). A corrente de curto na fase "a”
pode ser pode ser calculada reaplicando o método das componentes simétricas. Vimos no início da seção:

1
𝐼1 = 𝐼0 = 𝐼2 = 3 𝐼𝑎

Logo, basta multiplicar o valor encontrado para componente de sequência positiva por três!

𝐼a = 3𝐼1

Lembre-se que a corrente de neutro se relaciona com a corrente de sequência zero


da seguinte forma:

𝐼n = 3𝐼0

Como sabemos que 𝐼a = 3𝐼1 e 𝐼1 = 𝐼0 , então:

𝐼a = 3𝐼0 = 𝐼𝑛

No curto-circuito monofásico, a corrente de neutro é igual a corrente de curto!

Isso é meio óbvio já que a corrente de curto deve circular pelo neutro para ter um
caminho e retorno né.

Mesmo assim, não custa ressalta isso para você!

3.2.3. Curto-circuito bifásico

Vamos agora entender e analisar o curto bifásico! Ou seja, aquele curto que ocorre entre duas fases
do sistema. A Figura (22) representa o curto-circuito bifásico nos terminais do gerador síncrono.

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Figura 22- Curto-circuito bifásico no gerador síncrono. Fonte: Kindermann (1997).

Por meio da figura, perceba que o curto ocorre entre as fases "b" e "c", apenas ligando as duas fases.
Mas ele poderia ocorrer entre quaisquer outras fases, ok?

Nessa situação, a tensão no ponto de encontro entre as duas fases é a mesma (V b é igual a Vc). Note
também que as correntes Ib e Ic estão em sentidos contrários, circulando no mesmo condutor. E, obviamente,
não há corrente circulando na fase "a", pois não temos carga.

Dessa forma, a característica do curto bifásico implica em três condições:

𝐼𝑎 = 0 ; 𝐼𝑏 = −𝐼𝑐 e 𝑉𝑏 = 𝑉𝑐

Aplicando o método das componentes simétricas para as correntes,

𝐼0 1 1 1 𝐼𝑎
1
[𝐼1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝐼𝑏 ]
𝐼2 1 𝑎2 𝑎 𝐼𝑐

Substituindo as condições iniciais para as correntes,

𝐼0 1 1 1 0
1 2] [ 𝐼 ]
[𝐼1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎 𝑏
𝐼2 1 𝑎2 𝑎 −𝐼 𝑏

Resolvendo,

1
𝐼0 = 3 (0 + 𝐼𝑏 − 𝐼𝑏 ) = 0

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𝐼b
𝐼1 = (𝑎 − 𝑎2 )
3

𝐼b
𝐼2 = − (𝑎 − 𝑎2 )
3

A primeira conclusão é que a corrente de sequência zero (I0) é igual a zero, porque o curto não envolve
a terra. Ou seja, o sistema não tem condições de fechar o circuito pela terra. Conforme comentamos antes,
se sistema não envolve a terra, não temos componentes de sequência zero!

A segunda é que:

𝐼1 = −𝐼2

Vamos precisar delas para conectarmos corretamente as redes de sequência!

Agora aplicando o método das componentes simétrica em função das tensões, temos:

𝑉0 1 1 1 𝑉𝑎
1
𝑉
[ 1] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝑉𝑏 ]
𝑉2 1 𝑎2 𝑎 𝑉𝑐

Substituindo a condição inicial para a tensão ( Vb=Vc):

𝑉0 1 1 1 𝑉𝑎
1
[𝑉1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝑉𝑏 ]
𝑉2 1 𝑎2 𝑎 𝑉𝑏

Resolvendo,

1
𝑉0 = 3 ( 𝑉a + 2𝑉b )

1
𝑉1 = 3 ( 𝑉a + 𝑎𝑉b + 𝑎2 𝑉b )

1
𝑉2 = 3 ( 𝑉a + 𝑎2 𝑉b + 𝑎𝑉b )

Logo, chegamos à conclusão que:

𝑉1 = 𝑉2

Perceba então que, para que as condições sejam satisfeitas ( 𝐼1 = −𝐼2 , 𝑉1 = 𝑉2 e 𝐼0 = 0), a única
solução é conectarmos as redes de sequência positiva, negativa e zero da forma apresentada pela Figura
(23).

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Figura 23-Rede de sequências ligadas em paralelo para o curto-circuito bifásico. Fonte: Kindermann (1997).

Com essa combinação, as correntes I1 e I2 estão em sentidos contrários bem como a tensão V1 é igual
à V2. Por isso as redes estão associadas em paralelo ( + com + e - com -).

Como o I0 é igual a zero, então o modelo de sequência zero fica em aberto! Outra consequência disso
é que a tensão V0 também será zero para essa situação.

Ressalto que a rede de sequência zero foi representada simplesmente por uma questão de coerência,
mas ela poderia ter sido eliminada. Mesmo assim podemos tirar conclusões importantes dela!

Analisando a expressão que achamos para V0, temos que:

1
𝑉0 = 3 ( 𝑉a + 2𝑉b ) = 0

Como conclusão:

𝑉a = −2𝑉b

Ou seja, o fato da tensão na fase "a" ser o dobro da fase "b" é mais uma condição
importante de curto-circuito bifásico!

Considerando a rede formada (Fig. 23) para o curto-circuito bifásico, podemos calcular as correntes de
sequência I1 e I2. Por meio delas, podemos reaplicar o método das componentes simétricas e calcular os
valores originais das correntes! Lembrando que, como condição inicial, tínhamos 𝐼𝑏 = −𝐼𝑐 e 𝐼𝑎 = 0. Então
precisamos apenas achar o valor de Ib!

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As redes de sequência positiva e negativa do gerador devem ser ligadas em paralelo no


caso do curto-circuito bifásico!

3.2.4. Curto-circuito bifásico terra

Continuaremos a analisar o curto-circuito bifásico. Mas agora um curto que envolve a terra.

A Figura (24) representa o curto-circuito bifásico-terra nos terminais do gerador síncrono.

Figura 24- Curto-circuito bifásico-terra no gerador síncrono. Fonte: Kindermann (1997).

Observe pela figura que o curto-circuito ocorre entre a fase "b" e "c" e a terra.

Nessa situação, a tensão no ponto de encontro entre as duas fases é a mesma (V b é igual a Vc), mas
que pelo fato de envolver a terra (potencial zero)., são equivalentes a zero. Continuamos com a consideração
de que não há corrente circulando na fase "a", pois não temos carga.

Dessa forma, a característica do curto bifásico implica em três condições:

𝐼𝑎 = 0 e 𝑉𝑏 = 𝑉𝑐 = 0

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Aplicando o método das componentes simétricas para as tensões,

𝑉0 1 1 1 𝑉𝑎
1
𝑉
[ 1] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝑉𝑏 ]
𝑉2 1 𝑎2 𝑎 𝑉𝑐

Substituindo as condições iniciais,

𝑉0 1 1 1 𝑉𝑎
1
[𝑉1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [ 0 ]
𝑉2 1 𝑎2 𝑎 0

Resolvendo,

1
𝑉0 = 3 ( 𝑉a )

1
𝑉1 = 3 ( 𝑉a )

1
𝑉2 = 3 ( 𝑉a )

Assim, em termos de componentes de sequência, temos que respeitar a seguinte condição para
tensões:

1
𝑉1 = 𝑉0 = 𝑉2 = 3 𝑉𝑎

Pelo método das componentes simétricas, a corrente original na fase "a" equivale a

𝐼a = 𝐼0 + 𝐼1 + 𝐼2

Pela condição inicial de defeito (𝐼𝑎 = 0),

𝐼a = 𝐼0 + 𝐼1 + 𝐼2 = 0

Então, em termos de componentes de sequência, também temos que respeitar a seguinte condição
para as correntes:

𝐼0 + 𝐼1 + 𝐼2 = 0

Agora podemos fazer a ligação das redes de sequência. A Figura (25) representa a ligação para esse
curto-circuito respeitando simultaneamente as condições de defeito para tensões e correntes de sequência.

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Figura 25-Rede de sequências ligadas em paralelo para o curto-circuito bifásico-terra. Fonte: Kindermann (1997).

Observando a figura que as correntes I0, I1 e I2 entram em um mesmo nó e, portanto, o seu somatório
equivale a zero (respeitando a LKC). Deixando as redes em paralelo (+ com + e -com -), atendemos a condição
para as tensões (V0=V1=V2).

Outras conclusões que podemos tirar neste tipo de curto, é que como a corrente de neutro é dada
por 𝐼n = 𝐼𝑎 + 𝐼𝑏 + 𝐼𝑐 e, neste caso, 𝐼𝑎 = 0, então a corrente de neutro será dada em função apenas da
corrente original na fase "b" e na fase "c".

Lembre-se também que a corrente de neutro se relaciona com a corrente de sequência zero da
seguinte forma por 𝐼n = 3𝐼0 . Então,

3𝐼0 = 𝐼𝑏 + 𝐼𝑐

Sabendo do valor para a corrente de neutro, podemos calcular a tensão entre o ponto B e neutro do
transformador que será igual a tensão entre o ponto C e o neutro. Ou seja, as tensões Vbn e Vcn. Vou
apresentar a expressão em função da corrente de sequência zero bem como em função da corrente de
neutro:

𝑉𝑏𝑛 = 𝑉𝑐𝑛 = 3𝑍n 𝐼0 = 𝑍n 𝐼𝑛 = 𝑍n (𝐼𝑏 + 𝐼𝑐 )

As redes de sequência do gerador devem ser ligadas em paralelo, considerando-se todas


as redes, no caso do curto-circuito bifásico!

3.2.5. Etapas

Para analisar os diferentes tipos de faltas, podemos seguir as seguintes etapas:

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Identificar qual o tipo de curto-circuito;


1

Identificar o estado das tensões e das correntes reais;


2

Usar o método das componentes simétricas para determinar as condições que


3 devem ser satisfeitas;

Determinar como as redes de sequência deverão ser interligadas;


4

Calcular as tensões e correntes de sequência;


5

Reaplicar o método das componentes simétricas para determinar os valores


6 originais das tensões e das correntes.

(ELETROBRÁS-BIORIO – Engenharia Elétrica-2013) Um gerador síncrono trifásico opera inicialmente


em vazio, com tensão terminal nominal. Suas reatâncias de sequência positiva, negativa e zero
valem, respectivamente, j0,20pu, j0,10pu e j0,05pu. O gerador está ligado em estrela, aterrado por
uma reatância de j0,05pu. Ocorrendo um curto-circuito monofásico, a amplitude da corrente de
curto-circuito em regime permanente, em pu, será:

A) 1/0,50pu

B) 1/0,40pu

C) 3/0,50pu

D) 3/0,40pu

E) 3/0,35pu

Resolução e comentários:

A questão solicita que você calcule a magnitude da corrente de curto-circuito, considerando um


curto-circuito monofásico nos terminais de um gerador a vazio.

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O procedimento para resolver essa questão consiste em aplicar as conclusões que tiramos para
esse tipo de curto-circuito.

Conforme estudamos nessa seção da aula, dependendo das condições do tipo de curto, temos que
interligar as redes de sequência positiva, negativa e zero de diferentes formas.

A característica do curto fase-terra impõe que 𝑉𝑎 = 0 e 𝐼𝑏 = 𝐼𝑐 = 0. Consequentemente após a


aplicação do método das componentes simétricas para a análise de correntes temos que, para o curto-
circuito monofásico, as redes de sequência do gerador devem ser ligadas em série, dado que devemos
respeitar a seguinte condição:

1
𝐼1 = 𝐼0 = 𝐼2 = 3 𝐼𝑎

As redes de sequência para o gerador em questão bem como o circuito equivalente estão
apresentados na figura abaixo.

Analisando o circuito equivalente, temos:

𝐸𝑎 = (𝑗𝑋1 + 𝑗𝑋2 + 𝑗𝑋0 + 3𝑍𝑁 )𝐼1

Isolando I1,

𝐸𝑎
𝐼1 = (𝑗𝑋
1 +𝑗𝑋2 +𝑗𝑋0 +3𝑍𝑁 )

O enunciado nos fornece o valor das impedâncias de sequência positiva, negativa e zero como
também o valor da impedância de aterramento! Logo, não podemos esquecer o termo 3Z n na rede de
sequência equivalente. Se a fonte fosse solidamente aterrada, aí deveríamos desconsiderar!

Com relação ao valor da tensão, o enunciado especifica que o gerador síncrono trifásico opera com
tensão terminal nominal. Consequentemente equivale a 1 pu já que consideramos a tensão do gerador
como tensão de base.

Substituindo os dados,

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1
𝐼1 = (𝑗0,2+𝑗0,1+𝑗0,05+3𝑗0,05)

1
𝐼1 = 𝑗0,5

1
Sabendo-se que para esse tipo de curto 𝐼1 = 𝐼0 = 𝐼2 = 3 𝐼𝑎 , temos que a corrente de curto-circuito
que circula equivale a:

𝐼𝑎 = 3𝐼1
3
𝐼𝑎 = 𝑗0,5 [𝐴]

Portanto,

A alternativa (C) é o gabarito da questão.

Observe que só temos fonte de tensão na rede de sequência positiva!

3.3. Análise de Curto-Circuitos

Após estudarmos os diferentes tipos de curto-circuitos, vamos estabelecer uma análise mais geral
que pode ser aplicada ao sistema elétrico de potência (tanto em configuração radial como em anel).

Dessa forma, vamos estender a análise realizada anteriormente nos terminais do gerador síncrono.

O essencial é calcular a corrente de curto no ponto de defeito. As correntes de contribuição de cada


trecho poderão ser obtidas a partir da corrente de curto-circuito principal, fazendo o retrocesso dos circuitos
equivalentes.

Vamos aplicar a mesma análise que fizemos para o gerador só que agora para o sistema elétrico de
potência inteiro (levando em consideração as impedâncias das linhas, dos transformadores e das cargas) de
acordo com a configuração que o sistema elétrico vai apresentar.

No ponto em que ocorre o curto-circuito, é possível obter um circuito equivalente de Thévenin,


ficando o circuito idêntico ao do gerador síncrono operando à vazio com o mesmo curto em seus terminais.
Dessa forma,

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Os circuitos equivalentes de Thévenin serão obtidos para cada modelo de sequência vistos
pelo ponto de defeito do sistema.

Portanto, devemos obter o circuito equivalente de Thévenin no ponto de defeito do sistema elétrico
e efetuar a correspondência como gerador síncrono.

—Mas como vamos efetuar essa correspondência, professora?

De qualquer forma, adianto que primeiramente vamos construir as três redes de sequência
identificando onde teremos as tensões terminais (V1, V2 e V3). Essa tensão terminal vai ter que estar
exatamente no ponto de defeito, ou seja, no ponto de curto-circuito que queremos simular.

Então, vamos identificá-las em cada um dos três diagramas e a partir dela vamos fazer o equivalente
de Thévenin.

Lembre-se que a tensão de Thévenin só vai existir na rede de sequência positiva, conforme
já comentamos.

Outro ponto que devo ressaltar é que as correntes de curto-circuito calculadas em nosso estudo são
apenas a contribuição das correntes quando consideramos o sistema elétrico operanda sem carga (ou a
vazio). Ou seja, sem carregamento pré-falta!

—Mas professora, então como iremos fazer já que, na realidade, o sistema está sempre operando com
carga?

É verdade! O curto-circuito também deve ser considerado nessa situação. Mas a questão é que, para
obtermos as correntes reais de curto-circuito no sistema operando com carga e sob defeito, é realizada uma
superposição do sistema operando normalmente com carga mais a situação em que opera sem carga
considerando o defeito. Obviamente isso só poderá ser realizado se o sistema for o mesmo com carga e sob
curto-circuito.

Dessa forma, em um mesmo ponto do sistema elétrico, fazendo-se a superposição das correntes de
carga com a corrente de curto (do sistema sem carga), podemos obter a corrente verdadeira de curto-circuito
do sistema operando em sua forma original pela seguinte expressão:

𝐼𝑣𝑒𝑟𝑑𝑎𝑑𝑒𝑖𝑟𝑎 𝑑𝑜 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎𝑐𝑐𝑜𝑚 𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎 𝑠𝑜𝑏 𝑑𝑒𝑓𝑒𝑖𝑡𝑜 = 𝐼𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎 𝑠𝑒𝑚 𝑑𝑒𝑓𝑒𝑖𝑡𝑜 + 𝐼𝑑𝑒𝑓𝑒𝑖𝑡𝑜 𝑠𝑒𝑚 𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎

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3.3.1. Circuito equivalente de Thévenin

Para efetuar a correspondência com o gerador síncrono, devemos obter o circuito equivalente de
Thévenin no ponto de defeito do sistema elétrico.

O esquema abaixo apresenta explica justamente a correspondência que devemos fazer!

Circuitos de Sequência do Gerador Síncrono Circuitos de Sequência do Sistema de


a Vazio Potência

𝐸𝑎1 → tensão de fase no local do defeito


𝐸𝑎1 → fem da fase "a" no terminal do (tensão de Thévenin antes do defeito)
gerador Síncrono a vazio Obs: a tensão deverá ser obtida com o
sistema alimentando normalmente as cargas

𝑍1 , 𝑍2 , 𝑍0 → Impedâncias de Sequência
𝑍1 , 𝑍2 , 𝑍0 → Impedâncias de Sequência do
equivalentes vistas no ponto de defeito
Gerador Síncrono
em cada um dos circuitos de sequência

𝐼𝑎 , 𝐼𝑏 , 𝐼𝑐 → Correntes nas fases a,b e c 𝐼𝑎 , 𝐼𝑏 , 𝐼𝑐 → Correntes que fluem do


durante o defeito sistema para o defeito no local de defeito

As impedâncias equivalentes de Thévenin do sistema elétrico são obtidas através das impedâncias
especificadas nas respectivas redes de sequência. Por meio das associações em série e em paralelo, podemos
simplificá-las para achar uma impedância equivalente.

Como as redes de sequência negativa e zero são passivas, o circuito equivalente de Thévenin é
representado apenas pelas impedâncias equivalentes. Ou seja, sem fonte de tensão.

Lembre-se que a tensão de Thévenin só vai existir na rede de sequência positiva, pois essa é a única
rede ativa, conforme já comentamos e explicamos anteriormente em outras seções.

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Para a sequência positiva, o circuito equivalente de Thévenin é representado pela tensão


de Thévenin em série com a impedância equivalente de sequência positiva.

O circuito de Thévenin de sequência positiva está representado na Figura (26).

Figura 26-Circuito de Thévenin de sequência positiva. Fonte: Kindermann (1997).

Agora podemos visualizar como ficarão os diferentes tipos de curto!

3.3.2. Curto-circuito trifásico

A condição inicial de curto-circuito trifásico é:

𝑉𝑎 = 𝑉𝑏 = 𝑉𝑐 = 0

Por meio dela, concluímos (na seção 3.2.1) que:

As redes de sequência positiva, negativa e zero estão curto-circuitadas. Como as redes de


sequência negativa e zero são passivas, só teremos o circuito de sequência positiva!

O circuito equivalente de sequência positiva para o curto-circuito trifásico está representado na


Figura (27).

Figura 27-Modelo em curto para o curto-circuito trifásico. Fonte: Kindermann (1997).

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Para este caso, só precisamos formar a rede de sequência positiva! Então, nada de gastar
tempo pensando nas sequências negativa e zero!

3.3.3. Curto-circuito monofásico

As condições iniciais de curto-circuito fase-terra são:

𝑉𝑎 = 0

𝐼𝑏 = 𝐼𝑐 = 0

Por meio delas, concluímos (na seção 3.2.2) que:

Os circuitos equivalentes de Thévenin das sequências positiva, negativa e zero, no local do


defeito, deverão ser conectados em série.

O circuito equivalente em série para o curto-circuito monofásico está representado na Figura (28).

Figura 28-Interligação em série das redes de sequência para o curto-circuito monofásico. Fonte: Kindermann (1997).

Para este caso, vamos precisar das redes de sequência positiva, negativa e zero!

3.3.4. Curto-circuito bifásico

As condições iniciais de curto-circuito bifásico são:

𝐼𝑎 = 0 ; 𝐼𝑏 = −𝐼𝑐 e 𝑉𝑏 = 𝑉𝑐

Por meio delas, concluímos (na seção 3.2.3) que:

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Os circuitos equivalentes de Thévenin das sequências positiva e negativa, no ponto de


defeito, deverão ser conectados em paralelo.

Como não há caminho de retorno pela terra, não utilizamos a sequência zero!

O circuito equivalente em paralelo para o curto-circuito bifásico está representado na Figura (29).

Figura 29-Interligação em paralelo das redes de sequência para o curto-circuito bifásico. Fonte: Kindermann (1997).

Para este caso, vamos precisar apenas das redes de sequência positiva e negativa!

3.3.5. Curto-circuito bifásico-terra

As condições iniciais de curto-circuito bifásico-terra são:

𝐼𝑎 = 0 e 𝑉𝑏 = 𝑉𝑐 = 0

Por meio delas, concluímos (na seção 3.2.4) que:

Os circuitos equivalentes de Thévenin das sequências positiva, negativa e zero, no ponto


de defeito, deverão ser conectados em paralelo.

O circuito equivalente em paralelo para o curto-circuito bifásico-terra está representado na Figura


(30).

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Figura 30-Interligação em paralelo das redes de sequência para o curto-circuito bifásico-terra. Fonte: Kindermann (1997).

Neste caso, vamos precisar das redes de sequência positiva, negativa e zero! Ou seja, de
todas!

Por fim, vamos aplicar os conhecimentos adquiridos em uma questão que vai reunir os assuntos
abordados em todos os capítulos da aula! Dessa forma, vou proceder de maneira mais detalhada para que
você possa fixar o conhecimento.

(EMAE-SP- FCC- Engenheiro Eletricista – 2018) Um gerador síncrono simétrico e de sequência positiva
alimenta uma linha de transmissão de 10 [km] por meio de um transformador cujos enrolamentos
do primário estão conectados em delta e do secundário em estrela solidamente aterrada.

DADOS:

− Gerador ligado em estrela aterrada; − Reatância de aterramento do gerador: 0,03 [pu]; − Reatância
de sequência zero do gerador: 0,20 [pu]; − Reatância de sequência positiva do gerador: 0,05 [pu]; −
Reatância de sequência negativa do gerador: 0,05 [pu]; − Reatância de sequência zero da linha de
transmissão: 0,02 [pu/km]; − Reatância de sequência positiva da linha de transmissão: 0,01 [pu/km]; e
− Reatância de curto-circuito do transformador: 0,05 [pu].

Considerando que a tensão do gerador em vazio é 1 [pu], o módulo da corrente de sequência positiva
na linha de transmissão, em [pu], para um curto-circuito dupla-fase-terra ao final da linha, com
impedância de curto-circuito nula, é, aproximadamente

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A) 7,2.

B) 4,2.

C) 5,2.

D) 6,2.

E) 3,2.

Resolução e comentários:

A questão solicita que você calcule a magnitude da corrente de sequência positiva (I1) na linha de
transmissão, considerando um curto-circuito bifásico-terra (ou dupla fase -terra) ao final da linha.

O procedimento para resolver essa questão consiste em determinar as redes de sequência


(positiva, negativa e zero) do sistema descrito na questão para que, assim, seja possível interligá-las.

Independentemente do tipo de curto, vamos primeiramente determinar as redes de sequência


considerando que o sistema, que segundo o enunciado, é formado por gerador, transformador e linha
de transmissão. Ou seja, teremos que considerar as redes de sequência positiva, negativa e zero de
cada um desses elementos.

REDES DE SEQUÊNCIA

O diagrama completo (considerando os três elementos) para cada rede de sequência pode ser
visualizado na figura abaixo.

Vamos fazer alguns comentários acerca de cada diagrama, visualizando essa figura!

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SEQUÊNCIA POSITIVA:

Apenas a rede de sequência positiva leva em consideração a fonte de tensão. Ela também é
formada considerando-se as impedâncias de sequência positiva do gerador (Zg1), do transformador
(ZT1) e da linha de transmissão (ZL1).

SEQUÊNCIA NEGATIVA

A rede de sequência negativa é formada apenas pelas impedâncias de sequência negativa do


gerador ( Zg2), do transformador (ZT2) e da linha de transmissão( ZL2). Essa rede não possui fonte, dado
que a única rede ativa é o de sequência positiva.

SEQUÊNCIA ZERO

A rede de sequência zero se diferencia bem mais das outra. Como sabemos, as redes de sequência
zero para o gerador e o transformador apresentam uma configuração mais complexa, conforme
estudamos no capítulo 3.

Como a configuração do gerador é ligado em Y aterrada com impedância de aterramento Z n,


tivemos que levar isso em consideração na sua rede de sequência.

Já o transformador está conectado em delta e estrela solidamente aterrada. Portanto, utilizamos


a configuração respectiva para esse tipo de ligação.

Conforme estudamos na seção 2.3.3, a rede de sequência zero para um tranformador ligado em
Y-∆ com primário aterrado é a seguinte:

Perceba que, para construir a rede de sequência zero da nossa questão, apenas invertemos a
imagem já que o enunciado indica que o trafo está conectado em ∆-Yaterrada. Como o transformador
está solidamente aterrado, não precisamos considerar impedância de aterramento. Até porque esse
valor nem foi fornecido pelo enunciado.

Com as redes de sequência formadas, podemos dar o próximo passo que é: determinar como as
redes de sequência serão interligadas!

INTERLIGAÇÃO DAS REDES DE SEQUÊNCIA

Conforme estudamos nessa seção, os circuitos equivalentes de Thévenin das sequências positiva,
negativa e zero, no ponto de defeito, deverão ser conectados em paralelo para o curto-circuito bifásico-
terra.

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Portanto, devemos considerar o seguinte arranjo:

Como o ponto de defeito é no final da linha de transmissão (informação dada pelo enunciado),
iremos conectar as redes exatamente nesse ponto. Vamos ligar positivo com positivo e negativo com
negativo para termos a configuração em paralelo e o sentido adequado para as correntes de sequência.

Para o circuito equivalente ficar mais simples, vamos considerar impedâncias totais para cada rede
de sequência completa (olhando lá para a figura apresentada anteriormente que ilustra cada rede de
sequência do sistema em questão).

SEQUÊNCIA POSITIVA

Para a rede de sequência positiva, temos apenas impedância em série. Dessa forma, a impedância
total para a rede positiva (Ztot1) equivale a:

𝑍𝑡𝑜𝑡1 = 𝑍𝑔1 + 𝑍𝑇1 + 𝑍𝐿1

SEQUÊNCIA NEGATIVA

Para a rede de sequência negativa, temos também apenas impedância em série. Dessa forma, a
impedância total para a rede negativa (Ztot2) equivale a:

𝑍𝑡𝑜𝑡2 = 𝑍𝑔2 + 𝑍𝑇2 + 𝑍𝐿2

SEQUÊNCIA ZERO

Para a rede de sequência zero, temos que fazer alguns apontamentos...

Note que, na rede de sequência zero, uma parte do circuito fica em aberto devido ao bloqueio do
transformador (primário em ∆). Dessa forma vamos desconsiderar as impedâncias Zg0 e 3Zn, já que a
corrente não vai circular nessa parte do circuito.

Portanto, a impedância total para a rede zero (Ztot0) equivale a:

𝑍𝑡𝑜𝑡0 = 𝑍𝑇0 + 𝑍𝐿0

O circuito equivalente considerando o curto-circuito bifásico-terra no final da linha de transmissão


está representado na figura abaixo.
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Por meio dele e dos dados fornecidos pelo enunciado, é possível achar a corrente de sequência
positiva 𝐼1 que a questão solicitou pela simples análise do circuito!

Analisando esse circuito, temos pela lei de ohm que:

𝐸1 = 𝐼1 𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒

Note que Zequivalente pode ser calculado por meio da seguinte expressão:

𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑍𝑡𝑜𝑡1 + 𝑍𝑡𝑜𝑡2 //𝑍𝑡𝑜𝑡0

DETERMINAÇÃO DAS IMPEDÂNCIA TOTAIS DE CADA REDE DE SEQUÊNCIA

SEQUÊNCIA POSITIVA:

Conforme comentado anteriormente,

𝑍𝑡𝑜𝑡1 = 𝑍𝑔1 + 𝑍𝑇1 + 𝑍𝐿1

De acordo com o enunciado:

A reatância de sequência positiva do gerador equivale a 0,05 [pu]. Assim:

𝑍𝑔1 = 𝑗0,05 𝑝𝑢

A reatância de sequência positiva do trafo é a própria reatância de curto-circuito do transformador


e equivale a 0,05 [pu].

𝑍𝑇1 = 𝑗 0,05 𝑝𝑢

A reatância de sequência positiva da linha de transmissão equivale 0,01 [pu/km]. Como a linha
possui um comprimento de 10 km, temos:

𝑍𝐿1 = 𝑗0,01 ∙ 10 = 𝑗0,1 𝑝𝑢

Substituindo os valores,

𝑍𝑡𝑜𝑡1 = 𝑗0,05 + 𝑗0,05 + 𝑗0,1

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𝑍𝑡𝑜𝑡1 = 𝑗0,2 𝑝𝑢

SEQUÊNCIA NEGATIVA

Conforme comentado anteriormente,

𝑍𝑡𝑜𝑡2 = 𝑍𝑔2 + 𝑍𝑇2 + 𝑍𝐿2

A reatância de sequência negativa do gerador equivale a 0,05 [pu]. Assim:

𝑍𝑔2 = 𝑗0,05 𝑝𝑢

Conforme estudamos, a reatância de sequência negativa do trafo também é a própria reatância


de curto-circuito do transformador, que equivale a 0,05 [pu]. Assim:

𝑍𝑇2 = 𝑍𝑇1 = 𝑗 0,05 𝑝𝑢

De acordo com o que foi estudado, a impedância de sequência positiva da linha de transmissão
também é igual à impedância de sequência negativa. Dessa forma,

𝑍𝐿2 = 𝑍𝐿1 = 𝑗0,1 𝑝𝑢

Substituindo os valores,

𝑍𝑡𝑜𝑡2 = 𝑗0,05 + 𝑗0,05 + 𝑗0,1

𝑍𝑡𝑜𝑡2 = 𝑗0,2 𝑝𝑢

SEQUÊNCIA ZERO

Conforme comentado anteriormente,

𝑍𝑡𝑜𝑡0 = 𝑍𝑇0 + 𝑍𝐿0

Para este caso, não será necessário usar a reatância de sequência zero e nem a reatância de
aterramento do gerador.

A reatância de sequência zero do trafo será a própria reatância de curto-circuito do transformador,


que equivale a 0,05 [pu]. Assim:

𝑍𝑇0 = 𝑗 0,05 𝑝𝑢

A reatância de sequência zero da linha de transmissão equivale 0,02 [pu/km]. Como a linha possui
um comprimento de 10 km, temos:

𝑍𝐿0 = 𝑗0,02 ∙ 10 = 𝑗0,2 𝑝𝑢

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Substituindo os valores,

𝑍𝑡𝑜𝑡0 = 𝑗0,05 + 𝑗0,2

𝑍𝑡𝑜𝑡0 = 𝑗0,25 𝑝𝑢

DETERMINAÇÃO DA IMPEDÂNCIA EQUIVALENTE:

De acordo com o que foi apresentado antes,

𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑍𝑡𝑜𝑡1 + 𝑍𝑡𝑜𝑡2 //𝑍𝑡𝑜𝑡0

Substituindo os valores,

𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑗0,2 + 𝑗0,2 //𝑗0,25

Calculando diretamente os elementos em série e em paralelo e considerando as devidas


conversões (retangular/polar e vice-versa), temos:

𝑗0,2∙𝑗0,25
𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑗0,2 + 𝑗0,2+𝑗0,25

0,2∠90°∙0,25∠90°
𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑗0,2 + = 𝑗0,2 + 𝑗0,11
0,45∠90°

𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑗0,31 = 0,31∠90° 𝑝𝑢

DETERMINAÇÃO DA CORRENTE DE SEQUÊNCIA POSITIVA 𝑰𝟏

Com o valor da impedância equivalente e com o valor da tensão (que equivale a 1pu), temos:

𝐸1 = 𝐼1 𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒

Como a questão solicita o valor em módulo, temos como resultado:

|𝐸1 | 1
|𝐼1 | = = 0,31 = 3,21 𝑝𝑢
|𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 |

|𝐼1 | ≅ 3,2 𝑝𝑢

Portanto,

A alternativa (E) é o gabarito da questão.

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4. LISTA DE QUESTÕES

1. (Petrobras- CESGRANRIO -Engenheiro Júnior-Elétrica – 2018) A teoria que envolve as componentes


simétricas de um sistema trifásico preconiza que a sequência

A) zero é composta por três fasores defasados de 120o na mesma sequência do fasor original.

B) positiva é composta por três fasores defasados de 120o na sequência contrária à do fasor original.

C) positiva é composta por três fasores defasados de 120o na mesma sequência do fasor original.

D) negativa é composta por três fasores de mesma fase.

E) negativa é composta por três fasores defasados de 120o na mesma sequência do fasor original.

2. (EBSERH-IBFC-Engenheiro Eletricista-2020) O método de componentes simétricas é largamente


empregado na análise de sistemas de potência polifásicos, especialmente no cálculo de curto-circuito.
Assinale a alternativa que descreve corretamente esta ferramenta.

A) O método de componentes simétricas pode ser empregado para representar com precisão qualquer
sistema polifásico

B) Cada um dos circuitos de sequência positiva, negativa e zero possui três fasores defasados 120° entre si

C) Dentre os tipos de curto-circuito apenas o equilibrado não causa a circulação de corrente pelo circuito de
sequência zero

D) São chamados curtos-circuitos equilibrados aqueles nos quais existe o contato entre a terra e pelo menos
uma das fases

E) A aplicação do teorema de Fortescue a um sistema trifásico permite desacoplar as três fases.

3. (DPE-RJ-FGV-Engenheiro eletricista-2019) Para um sistema trifásico a quatro fios composto por uma
fonte simétrica e uma carga desequilibrada, a relação entre a corrente de neutro - IN e a corrente de
sequência zero - I0 é dada por:
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A)𝐼𝑁 = 1/3𝐼0

B) 𝐼𝑁 = 𝐼0

C) 𝐼𝑁 = 3𝐼0

D) 𝐼𝑁 = 3√3𝐼0

E) 𝐼𝑁 = 2𝐼0

4. (CODEBA-FGV-Engenheiro elétrico-2016) Todo sistema trifásico desequilibrado pode ser decomposto


por três sistemas trifásicos denominados como componentes simétricos. O operador  (1  120)
estabelece as relações das grandezas fasoriais entre alguns de seus componentes simétricos. A tensão
VC , é representada, em função de seus componentes simétricos, por:

A) α𝑉0 + α2 𝑉1 + 𝑉2

B) 𝑉0 + α𝑉1 + α2 𝑉2

C) α𝑉0 + α2 𝑉1 + α𝑉2

D) 𝑉0 + α2 𝑉1 + α𝑉2

E) 𝑉0 + α𝑉1 + α𝑉2

5. (DEPASA-AC-IBADE-Engenheiro Eletricista– 2019) A figura abaixo representa uma carga trifásica


equilibrada. A linha da fase C foi rompida e a corrente nas fases A e B são 10 ∠0° e 10 ∠180°,
respectivamente. A corrente de sequência zero é igual a:

A) 0 A.

B) 10 A.

C) 6,7 A.
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D) 20 A.

E) 30 A.

6. (DEPASA-AC-IBADE-Engenheiro Eletricista– 2019) A figura a seguir mostra uma carga trifásica


terminada em estrela aterrada. As impedâncias de cada fase da carga, para a situação estudada, têm
os seguintes valores: 𝑍𝐴 = 20 Ω , 𝑍𝐵 = 20 Ω e 𝑍𝐶 = 0 Ω. As correntes em cada fase são desequilibradas e
apresentam os valores fatoriais: 𝐼𝐴 = 15 A , 𝐼𝐵 = −15 A e 𝐼𝐶 = 60 A. O circuito mostra a carga e seus
terminais e omite as ligações pertinentes ao gerador, que é aterrado, permitindo circulação de
correntes pela terra.

A partir dos dados e do circuito acima, a corrente de sequência zero é igual a:

A) 0 A.

B) 15 A.

C) 20 A.

D) 30 A.

E) 60 A.

7. (AL-GO-IADES-Engenheiro Eletricista– 2019) Considere um sistema trifásico desequilibrado com as


seguintes tensões de linha: Va = 300 ∠ 0° V, Vb = 270 ∠ -120° V e Vc = 270 ∠ 120° V. Com base nessas
informações, assinale a alternativa que indica, respectivamente, a componente de sequência zero e a
de sequência positiva desse sistema.

A) V0 = 280 ∠ 0° e V1 = 10 ∠ 0°

B) V0 = 280 ∠ -120° e V1 = 10 ∠ 0°

C) V0 = 10 ∠ -120° e V1 = 280 ∠ 0°

D) V0 = 10 ∠ 0° e V1 = 280 ∠ 0°
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E) V0 = 10 ∠ 0° e V1 = 280 ∠ 120°

8. (Petrobras- CESGRANRIO -Engenheiro de equipamento Júnior-Elétrica – 2011) O lado de baixa tensão


(BT) de um transformador trifásico é ligado em Y com o neutro solidamente aterrado. O lado de alta
tensão (AT) é ligado em triângulo. Sabe-se que a impedância de sequência zero do transformador é Z0.
Considerando-se as grandezas em valores por unidade, na base do transformador, o circuito
equivalente de sequência zero desse transformador é

A)

B)

C)

D)

E)

9. (Transpetro- CESGRANRIO -Engenheiro Júnior-Elétrica – 2018) Em um sistema elétrico de potência, um


transformador na configuração estrela, aterrado em um lado e estrela não aterrado para o outro, é
representado no diagrama de reatâncias de sequência zero por uma reatância

A) em série no sistema

B) aberta no sistema
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C) em paralelo no sistema

D) isolada em paralelo no sistema

E) em série no sistema e outra em paralelo

10. (Petrobras-CESGRANRIO-Engenheiro de equipamento Júnior-Elétrica– 2012) No circuito da figura, a


impedância de sequência zero vista a partir da fonte de tensão é:

A)𝑍𝑊 + 3𝑍𝑁

B) 𝑍𝑇 + 𝑍𝑊 + 3𝑍𝑁

𝑍𝑋
C) 𝑍𝑇 − 𝑍𝑊 + 𝑍𝑁 + 3

𝑍𝑋
D) 𝑍𝑇 + 𝑍𝑊 + 3𝑍𝑁 + 3

𝑍𝑋 𝑍𝑊
E) 𝑍𝑇 + 3𝑍𝑁 + 𝑍 .
𝑋 +3𝑍𝑊

11. (Petrobras- CESGRANRIO -Engenheiro Júnior-Elétrica – 2018) A Figura abaixo representa uma linha de
transmissão de energia elétrica com as três fases e a referência terra.

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Sabe-se que a equação matricial que relaciona os componentes simétricos com os seus respectivos fasores,
na situação de um curto-circuito, é dada por:

Essa falta refere-se a um curto-circuito entre

A) uma das fases e o terra

B) uma das fases e o terra através de impedância

C) duas fases

D) as três fases

E) as três fases através de impedância

12. (Petrobras- CESGRANRIO -Engenheiro Júnior-Elétrica – 2018) Em uma linha de transmissão de um


sistema elétrico trifásico, ocorreu um curto-circuito simétrico entre as três fases. A intensidade dessa
falta está condicionada à (às) componente(s) de sequência(s)

A) zero da impedância, vista no ponto da falta.

B) negativa da impedância, vista no ponto da falta.

C) positiva da impedância, vista no ponto da falta.

D) positiva e negativa da impedância, vistas no ponto da falta.

E) positiva e zero da impedância, vistas no ponto da falta.

13. (UFMA-Engenharia Elétrica – 2019) Em um ponto de um sistema de potência equilibrado, ocorre um


curto-circuito entre uma fase e o terra, através de uma impedância de curto Zcurto. As impedâncias
equivalentes de sequências positiva, negativa e zero do sistema, no ponto em que ocorreu o curto, são
Z1, Z2 e Z0, respectivamente, e a tensão de sequência positiva no ponto, antes de ocorrer o curto, é
igual a VP. O valor da corrente de curto que passa pela impedância Zcurto, em função dos dados
apresentados, é:

𝑉𝑝
A)3(𝑍
1 +𝑍2 +𝑍0 +3𝑍𝑐𝑢𝑟𝑡𝑜 )

𝑉𝑝
B) 𝑍
1 +𝑍2 +𝑍𝑐𝑢𝑟𝑡𝑜
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𝑉𝑝
C) 𝑍
1 +𝑍2 +𝑍0 +3𝑍𝑐𝑢𝑟𝑡𝑜

√3𝑉𝑝
D) 𝑍
1 +𝑍2 +𝑍𝑐𝑢𝑟𝑡𝑜

3𝑉𝑝
E) 𝑍
1 +𝑍2 +𝑍0 +3𝑍𝑐𝑢𝑟𝑡𝑜

14. (Pref. Salvador- FGV- Engenharia Elétrica – 2017) Considerando a utilização dos componentes
simétricos, assinale a opção que apresenta a correta associação desses componentes, diante de um
curto-circuito franco entre fase e terra.

A) Associação série dos equivalentes de Thèvenin de sequências positiva, negativa e zero no ponto da falta.

B) Associação série dos equivalentes de Thèvenin de sequências positiva e negativa no ponto da falta.

C) Associação série dos equivalentes de Thèvenin de sequências positiva e zero no ponto da falta.

D) Associação paralela dos equivalentes de Thèvenin de sequências positiva, negativa e zero no ponto da
falta.

E) Associação paralela dos equivalentes de Thèvenin de sequências positiva e negativa no ponto da falta.

15. (EMAE-SP- FCC- Engenheiro Eletricista – 2018) Um gerador síncrono simétrico e de sequência positiva
alimenta uma linha de transmissão de 10 [km] por meio de um transformador cujos enrolamentos do
primário estão conectados em delta e do secundário em estrela solidamente aterrada. Considerando
que a tensão do gerador em vazio é 1 [pu], o módulo da corrente de sequência positiva na linha de
transmissão, em [pu], para um curto-circuito trifásico ao final da linha, com impedância de curto-
circuito nula, é:

DADOS:

− Gerador ligado em estrela aterrada; − Reatância de aterramento do gerador: 0,03 [pu]; − Reatância de
sequência zero do gerador: 0,20 [pu]; − Reatância de sequência positiva do gerador: 0,05 [pu]; − Reatância
de sequência negativa do gerador: 0,05 [pu]; − Reatância de sequência zero da linha de transmissão: 0,02
[pu/km]; − Reatância de sequência positiva da linha de transmissão: 0,01 [pu/km]; e − Reatância de curto-
circuito do transformador: 0,05 [pu].

A) 5.

B) 4.

C) 1.

D) 2.
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E) 3

16. (EMAE-SP- FCC- Engenheiro Eletricista – 2018) Um gerador síncrono simétrico e de sequência positiva
alimenta uma linha de transmissão de 10 [km] por meio de um transformador cujos enrolamentos do
primário estão conectados em delta e do secundário em estrela solidamente aterrada. Considerando
que a tensão do gerador em vazio é 1 [pu], o módulo da corrente na fase A da linha de transmissão,
em [pu], para um curto-circuito fase-terra ao final da linha, com reatância de curto-circuito de
0,35/3[pu] é de :

DADOS:

− Gerador ligado em estrela aterrada; − Reatância de aterramento do gerador: 0,03 [pu]; − Reatância de
sequência zero do gerador: 0,20 [pu]; − Reatância de sequência positiva do gerador: 0,05 [pu]; − Reatância
de sequência negativa do gerador: 0,05 [pu]; − Reatância de sequência zero da linha de transmissão: 0,02
[pu/km]; − Reatância de sequência positiva da linha de transmissão: 0,01 [pu/km]; e − Reatância de curto-
circuito do transformador: 0,05 [pu].

A) 4.

B) 5.

C) 3.

D) 2.

E) 1.

17. (EMAE-SP- FCC- Engenheiro Eletricista – 2018) Um gerador síncrono simétrico e de sequência positiva
alimenta uma linha de transmissão de 10 [km] por meio de um transformador cujos enrolamentos do
primário estão conectados em delta e do secundário em estrela solidamente aterrada. Considerando
que a tensão do gerador em vazio é 1 [pu], o módulo da corrente de sequência positiva na linha de
transmissão, em [pu], para um curto-circuito dupla-fase ao final da linha, com impedância de curto-
circuito nula, é:

DADOS:

− Gerador ligado em estrela aterrada; − Reatância de aterramento do gerador: 0,03 [pu]; − Reatância de
sequência zero do gerador: 0,20 [pu]; − Reatância de sequência positiva do gerador: 0,05 [pu]; − Reatância
de sequência negativa do gerador: 0,05 [pu]; − Reatância de sequência zero da linha de transmissão: 0,02
[pu/km]; − Reatância de sequência positiva da linha de transmissão: 0,01 [pu/km]; e − Reatância de curto-
circuito do transformador: 0,05 [pu].

A) 5,5.

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B) 3,5.

C) 4,5.

D) 2,5.

E) 1,5

18. (DPE-RJ-FGV-Engenheiro eletricista-2019) A equação matricial 01 abaixo relaciona as componentes


simétricas com as fasoriais:

As condições de contorno apresentadas nas equações 02 e 03 referem-se, respectivamente, às faltas:

A) Fase – Terra e Fase – Fase;

B) Fase – Fase e Fase – Terra;

C) Fase – Terra e Trifásica;

D) Trifásica e Fase – Terra;

E) Trifásica e Fase – Fase.

19. (Polícia Científica-PE-CESPE-Perito Criminal-Engenharia Elétrica -2016) No que se refere a componentes


simétricos em redes trifásicas de sistemas elétricos de potência, assinale a opção correta.

A) Nas faltas trifásicas, o cálculo da corrente de falta exige os dados de sequência positiva e de sequência
negativa.

B) As faltas do tipo fase-fase-terra são exemplos de faltas simétricas.

C) As componentes de corrente de sequência positiva e de sequência negativa da corrente de curto-circuito


fase-fase têm magnitudes diferentes.

D) Curtos-circuitos, tanto monofásico quanto trifásico, são faltas do tipo assimétricas.

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E) Os dados de sequência zero são dispensáveis para se calcularem faltas do tipo fase-fase quando não há
contato com a terra.

20. (COMPESA-FGV-Engenheiro eletrotécnico-2018) Em um sistema elétrico a tensão de pré-falta é igual a


0,8 p.u.. A corrente de falta trifásica é igual a 10 kA em um setor onde a corrente de base é igual a 20
kA. A impedância do equivalente de Thèvenin de sequência positiva visto do ponto da falta, em p.u., é
igual a:

A) 1,0

B) 1,6

C) 2,2

D) 3,0

E) 3,2.

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5. QUESTÕES COMENTADAS

1. (Petrobras- CESGRANRIO -Engenheiro Júnior-Elétrica – 2018) A teoria que envolve as componentes


simétricas de um sistema trifásico preconiza que a sequência

A) zero é composta por três fasores defasados de 120o na mesma sequência do fasor original.

B) positiva é composta por três fasores defasados de 120o na sequência contrária à do fasor original.

C) positiva é composta por três fasores defasados de 120o na mesma sequência do fasor original.

D) negativa é composta por três fasores de mesma fase.

E) negativa é composta por três fasores defasados de 120o na mesma sequência do fasor original.

Resolução e comentários:

A questão solicita que você julgue as alternativas apresentadas a respeito da teoria das
componentes simétricas.

O procedimento para resolver essa questão consiste em julgar cada alternativa separadamente de
acordo com o estudado no capítulo 1 da aula.

A) A alternativa está incorreta. A sequência zero é caracterizada por três fasores de módulos iguais
com nenhuma defasagem entre si.

B) A alternativa está incorreta. A sequência positiva é formada por três fasores de módulos iguais e
defasados em 120˚, caracterizados por ter a mesma sequência de fase dos fasores originais e não
sequência contrária.

C) A alternativa está correta. A sequência positiva é formada por três fasores de módulos iguais e
defasados em 120˚, caracterizados por ter a mesma sequência de fase dos fasores originais.

D) A alternativa está incorreta. A sequência negativa é formada por três fasores de módulos iguais e
defasados em 120˚, caracterizados por ter uma sequência de fase oposta à dos fasores originais.

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E) A alternativa está incorreta. A sequência negativa é formada por três fasores de módulos iguais e
defasados em 120˚, caracterizados por ter uma sequência de fase oposta à dos fasores originais e não
na mesma sequência.

Portanto,

A alternativa (C) é o gabarito da questão.

2. (EBSERH-IBFC-Engenheiro Eletricista-2020) O método de componentes simétricas é largamente


empregado na análise de sistemas de potência polifásicos, especialmente no cálculo de curto-circuito.
Assinale a alternativa que descreve corretamente esta ferramenta.

A) O método de componentes simétricas pode ser empregado para representar com precisão qualquer
sistema polifásico

B) Cada um dos circuitos de sequência positiva, negativa e zero possui três fasores defasados 120° entre si

C) Dentre os tipos de curto-circuito apenas o equilibrado não causa a circulação de corrente pelo circuito de
sequência zero

D) São chamados curtos-circuitos equilibrados aqueles nos quais existe o contato entre a terra e pelo menos
uma das fases

E) A aplicação do teorema de Fortescue a um sistema trifásico permite desacoplar as três fases.

Resolução e comentários:

A questão solicita que você julgue as alternativas apresentadas sobre o método das componentes
simétricas.

O procedimento para resolver essa questão consiste em julgar cada alternativa separadamente de
acordo com o que foi apresentado no capítulo 1 da aula.

A) A alternativa está incorreta. O método das componentes simétricas é uma ferramenta poderosa
para analisar sistemas polifásicos desequilibrados (ou desbalanceados) e não qualquer sistema
polifásico. Ou seja, ele é válido para sistemas polifásicos com n fases de um sistema desequilibrado, o
qual decompõe um sistema desequilibrado em um sistema composto por fasores equilibrados
denominados componentes simétricas dos fasores originais.

B) A alternativa está incorreta. A sequência zero é caracterizada justamente por não obter nenhuma
defasagem entre os fasores. Apenas a sequência positiva e a negativa possuem essa defasagem.

C) A alternativa está incorreta. Não podemos generalizar dessa forma. Por exemplo, o curto-circuito
de bifásico (que não é desequilibrado) considera apenas a rede de sequência positiva e negativa, não
causando a circulação de corrente pelo circuito de sequência zero.

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D) A alternativa está incorreta. Essa não é a característica de curto-circuitos equilibrados. Os curtos-


circuitos equilibrados são caracterizados por terem apenas componentes de sequência positiva e não
necessariamente são aqueles nos quais existe o contato entre a terra e pelo menos uma das fases.
Inclusive o único curto equilibrado é o curto-circuito trifásico.

E) A alternativa está correta. O método das componentes simétricas ( também denominado teorema
de Fortescue) decompõe um sistema trifásico desequilibrado em 3 sistemas trifásicos equilibrados,
permitindo então um desacoplamento das fases.

Portanto,

A alternativa (E) é o gabarito da questão.

3. (DPE-RJ-FGV-Engenheiro eletricista-2019) Para um sistema trifásico a quatro fios composto por uma
fonte simétrica e uma carga desequilibrada, a relação entre a corrente de neutro - IN e a corrente de
sequência zero - I0 é dada por:

A)𝐼𝑁 = 1/3𝐼0

B) 𝐼𝑁 = 𝐼0

C) 𝐼𝑁 = 3𝐼0

D) 𝐼𝑁 = 3√3𝐼0

E) 𝐼𝑁 = 2𝐼0

Resolução e comentários:

A questão solicita que você julgue as alternativas apresentadas sobre a correta relação entre a
corrente de neutro e a corrente de sequência zero, utilizada no método das componentes simétricas.

Conforme estudamos na seção 1.2, a corrente de sequência zero é dada por:

1
𝐼0 = 3 ( 𝐼𝑎 + 𝐼𝑏 + 𝐼𝑐 )

Lembrando que, em um sistema trifásico conectado em Y, a corrente de neutro equivale a soma das
correntes de linha:

𝐼𝑛 = 𝐼𝑎 + 𝐼𝑏 + 𝐼𝑐

Comparando a corrente de neutro com a corrente de sequência zero 𝐼0 , temos:

𝐼𝑛 = 3𝐼0

Portanto,
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A alternativa (C) é o gabarito da questão.

4. (CODEBA-FGV-Engenheiro elétrico-2016) Todo sistema trifásico desequilibrado pode ser decomposto


por três sistemas trifásicos denominados como componentes simétricos. O operador  (1  120)
estabelece as relações das grandezas fasoriais entre alguns de seus componentes simétricos. A tensão
VC , é representada, em função de seus componentes simétricos, por:

A) α𝑉0 + α2 𝑉1 + 𝑉2

B) 𝑉0 + α𝑉1 + α2 𝑉2

C) α𝑉0 + α2 𝑉1 + α𝑉2

D) 𝑉0 + α2 𝑉1 + α𝑉2

E) 𝑉0 + α𝑉1 + α𝑉2

Resolução e comentários:

A questão solicita que você julgue as alternativas apresentadas sobre a correta representação da
tensão VC em função de seus componentes simétricos.

Conforme estudamos na seção 1.2, a tensão VC é dada por:

𝑉𝑐 = 𝑉0 + 𝑎𝑉1 + 𝑎2 𝑉2

Trocando 𝑎 por α, temos:

𝑉𝑐 = 𝑉0 + α𝑉1 + α2 𝑉2

Portanto,

A alternativa (B) é o gabarito da questão.

5. (DEPASA-AC-IBADE-Engenheiro Eletricista– 2019) A figura abaixo representa uma carga trifásica


equilibrada. A linha da fase C foi rompida e a corrente nas fases A e B são 10 ∠0° e 10 ∠180°,
respectivamente. A corrente de sequência zero é igual a:

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A) 0 A.

B) 10 A.

C) 6,7 A.

D) 20 A.

E) 30 A.

Resolução e comentários:

A questão solicita que você calcule a corrente de sequência zero para o sistema descrito na
questão.

O procedimento para resolver a questão consiste na simples aplicação do método das


componentes simétricas para as correntes.

Conforme comentamos na seção 1.2, teremos correntes de sequência zero nulas, sempre que
tivermos um sistema equilibrado ou uma conexão que não preveja linha neutra (Y a três condutores
ou ∆).

Como a carga está conectada em Y não aterrada, não temos caminho de retorno pela terra.
Consequentemente não temos corrente de sequência zero.

Apenas com esse raciocínio poderíamos resolver a questão. Mas vamos aplicar o método das
componentes simétrica da mesma forma.

As correntes de sequência podem ser calculadas por meio do seguinte sistema de equações em
função das correntes originais.

𝐼0 1 1 1 𝐼𝑎
1
[𝐼1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝐼𝑏 ]
𝐼2 1 𝑎2 𝑎 𝐼𝑐

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Fazendo multiplicação matricial, a componente de sequência zero (que é a única solicitada na


questão) será dada por:

1
𝐼0 = 3 ( 𝐼𝑎 + 𝐼𝑏 + 𝐼𝑐 )

Como a linha da fase C foi interrompida, a corrente IC é nula. Substituindo os dados fornecidos
pelo enunciado, temos:

1
𝐼0 = 3 ( 10∠0° + 10∠180° + 0)

Convertendo para o formato retangular:

1
𝐼0 = 3 ( 10 − 10 + 0)

Temos como resultado:

𝐼0 = 0 𝐴

Portanto,

A alternativa (A) é o gabarito da questão.

6. (DEPASA-AC-IBADE-Engenheiro Eletricista– 2019) A figura a seguir mostra uma carga trifásica


terminada em estrela aterrada. As impedâncias de cada fase da carga, para a situação estudada, têm
os seguintes valores: 𝑍𝐴 = 20 Ω , 𝑍𝐵 = 20 Ω e 𝑍𝐶 = 0 Ω. As correntes em cada fase são desequilibradas e
apresentam os valores fatoriais: 𝐼𝐴 = 15 A , 𝐼𝐵 = −15 A e 𝐼𝐶 = 60 A. O circuito mostra a carga e seus
terminais e omite as ligações pertinentes ao gerador, que é aterrado, permitindo circulação de
correntes pela terra.

A partir dos dados e do circuito acima, a corrente de sequência zero é igual a:

A) 0 A.

B) 15 A.

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C) 20 A.

D) 30 A.

E) 60 A.

Resolução e comentários:

A questão solicita que você calcule a corrente de sequência zero para o sistema descrito na
questão.

O procedimento para resolver a questão consiste na simples aplicação do método das


componentes simétricas para as correntes.

Segundo o enunciado, as cargas estão conectadas em Y aterrada. Com o aterramento, temos um


circuito fechado para a corrente circular. Portanto, temos corrente de sequência zero.

Conforme estudamos, as correntes de sequência podem ser calculadas por meio do seguinte
sistema de equações em função das correntes originais.

𝐼0 1 1 1 𝐼𝑎
1
[𝐼1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝐼𝑏 ]
𝐼2 1 𝑎2 𝑎 𝐼𝑐

Fazendo multiplicação matricial, a componente de sequência zero (que é a única solicitada na


questão) será dada por:

1
𝐼0 = 3 ( 𝐼𝑎 + 𝐼𝑏 + 𝐼𝑐 )

Substituindo os dados fornecidos pelo enunciado, temos:

1
𝐼0 = 3 ( 15 − 15 + 60)

60
𝐼0 = 3

𝐼0 = 20 𝐴

Portanto,

A alternativa (C) é o gabarito da questão.

7. (AL-GO-IADES-Engenheiro Eletricista– 2019) Considere um sistema trifásico desequilibrado com as


seguintes tensões de linha: Va = 300 ∠ 0° V, Vb = 270 ∠ -120° V e Vc = 270 ∠ 120° V. Com base nessas
informações, assinale a alternativa que indica, respectivamente, a componente de sequência zero e a
de sequência positiva desse sistema.
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A) V0 = 280 ∠ 0° e V1 = 10 ∠ 0°

B) V0 = 280 ∠ -120° e V1 = 10 ∠ 0°

C) V0 = 10 ∠ -120° e V1 = 280 ∠ 0°

D) V0 = 10 ∠ 0° e V1 = 280 ∠ 0°

E) V0 = 10 ∠ 0° e V1 = 280 ∠ 120°

Resolução e comentários:

A questão solicita que você calcule a componente de sequência zero e de sequência positiva das
tensões.

O procedimento para resolver a questão consiste na simples aplicação do método das


componentes simétricas para asas tensões.

Pelo método das componentes simétricas, temos o seguinte:

𝑉0 1 1 1 𝑉𝑎
1
𝑉
[ 1] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝑉𝑏 ]
𝑉2 1 𝑎2 𝑎 𝑉𝑐

Abrindo as expressões para as componentes zero e positiva, temos respectivamente:

1
𝑉0 = 3 ( 𝑉a + 𝑉b + 𝑉c )

1
𝑉1 = 3 ( 𝑉a + 𝑎𝑉b + 𝑎2 𝑉c )

CÁLCULO DA COMPONENTE DE SEQUÊNCIA ZERO

Substituindo os dados fornecidos pelo enunciado, temos que V0 equivale a:

1
𝑉0 = 3 ( 300∠0° + 270∠ − 120° + 270∠120°)

Transformando para o formato retangular:

1
𝑉0 = 3 [ 300 + 270 cos(−120°) + j270 sen(−120°) + 270 cos(120°) + j270sen (120°)]

Como a função seno é uma função ímpar e a função cosseno é uma função par, temos que:

sen(−120°) = −𝑠𝑒𝑛(120°)

cos(−120°) = cos(120°)

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Substituindo,

1
𝑉0 = 3 [ 300 + 270 cos(120°) − j270 sen(120°) + 270 cos(120°) + j270sen (120°)]

Simplificando,

1
𝑉0 = 3 [ 300 + 2 ∙ 270 cos(120°)]

Lembrando-se da simetria da função cosseno, temos que:

1
cos(120°) = − cos(60°) = − 2

Substituindo,

1 1 1
𝑉0 = 3 [ 300 + 2 ∙ 270(− 2)] = 3 (300 − 270)

1
𝑉0 = 3 (30) = 10

𝑉0 = 10 ∠0°

CÁLCULO DA COMPONENTE DE SEQUÊNCIA POSITIVA

Substituindo os dados fornecidos pelo enunciado, temos que V1 equivale a:

1
𝑉1 = 3 ( 𝑉a + 𝑎𝑉b + 𝑎2 𝑉c )

1
𝑉1 = 3 [ 300∠0° + (1∠120°)(270∠ − 120°) + (1∠240°)(270∠120°)]

Lembre-se que a2 provoca uma rotação de 240 graus no fasor! Simplificando,

1
𝑉1 = 3 ( 300∠0° + 270∠0° + 270∠360°)

Transformando para o formato retangular:

1 840
𝑉1 = (300 + 270 + 270) =
3 3

𝑉1 = 280

𝑉1 = 280∠0°

Portanto,

A alternativa (D) é o gabarito da questão.

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8. (Petrobras- CESGRANRIO -Engenheiro de equipamento Júnior-Elétrica – 2011) O lado de baixa tensão


(BT) de um transformador trifásico é ligado em Y com o neutro solidamente aterrado. O lado de alta
tensão (AT) é ligado em triângulo. Sabe-se que a impedância de sequência zero do transformador é Z0.
Considerando-se as grandezas em valores por unidade, na base do transformador, o circuito
equivalente de sequência zero desse transformador é

A)

B)

C)

D)

E)

Resolução e comentários:

A questão solicita que você julgue as alternativas apresentadas sobre a correta representação da
rede sequência zero para a configuração do transformador descrito no enunciado.

O procedimento para resolver essa questão consiste em identificar a rede de sequência zero
compatível com a configuração especificada.

Conforme o enunciado, o transformador está conectado em Y-∆ com o primário aterrado.

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De acordo com o estudado na seção 2.3.3, a rede de sequência zero para essa configuração deve
ser representada da seguinte forma:

Portanto,

A alternativa (E) é o gabarito da questão.

9. (Transpetro- CESGRANRIO -Engenheiro Júnior-Elétrica – 2018) Em um sistema elétrico de potência, um


transformador na configuração estrela, aterrado em um lado e estrela não aterrado para o outro, é
representado no diagrama de reatâncias de sequência zero por uma reatância

A) em série no sistema

B) aberta no sistema

C) em paralelo no sistema

D) isolada em paralelo no sistema

E) em série no sistema e outra em paralelo

Resolução e comentários:

A questão solicita que você julgue as alternativas apresentadas sobre a correta representação da
rede sequência zero para a configuração do transformador descrito no enunciado.

O procedimento para resolver essa questão consiste em identificar a rede de sequência zero
compatível com a configuração especificada.

Conforme o enunciado, o transformador está conectado em Y-Y com o primário aterrado e


secundário não aterrado.

De acordo com o estudado na seção 2.3.2, a rede de sequência zero para essa configuração deve
ser representada da seguinte forma:

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Dessa forma, um transformador vai ser representado, na rede de sequência zero, por uma
reatância aberta no sistema.

Portanto,

A alternativa (B) é o gabarito da questão.

10. (Petrobras-CESGRANRIO-Engenheiro de equipamento Júnior-Elétrica– 2012) No circuito da figura, a


impedância de sequência zero vista a partir da fonte de tensão é:

A)𝑍𝑊 + 3𝑍𝑁

B) 𝑍𝑇 + 𝑍𝑊 + 3𝑍𝑁

𝑍𝑋
C) 𝑍𝑇 − 𝑍𝑊 + 𝑍𝑁 + 3

𝑍𝑋
D) 𝑍𝑇 + 𝑍𝑊 + 3𝑍𝑁 + 3

𝑍𝑋 𝑍𝑊
E) 𝑍𝑇 + 3𝑍𝑁 + 𝑍 .
𝑋 +3𝑍𝑊

Resolução e comentários:

A questão solicita que você determine a impedância de sequência zero vista a partir da fonte de
tensão.

O procedimento para resolver essa questão é determinar a rede de sequência zero para o sistema
descrito na figura.

O primeiro ponto que devemos observar é que temos um conjunto de cargas em estrela aterrada
conectada em paralelo a um conjunto de cargas em triângulo.

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Conforme comentamos na seção 2.1.3, quando temos uma configuração da carga em triângulo,
temos que considerar a conversão de impedância de ∆ para Y. Ou seja, passamos a carga em triângulo
para o equivalente em Y, usando a seguinte relação:

𝑍∆
𝑍𝑌 = 3

Quando a carga em triângulo vira um Y equivalente, também não teremos neutro. Então,
continuamos com um circuito aberto para sequência zero, pois não há caminho de retorno para a
corrente. Dessa forma, a corrente de sequência zero não circula pelo triângulo.

Atente-se ao fato de que, como a carga estava em triângulo ( que não prevê linha neutra), a rede
de sequência zero fica aberta (para esta parte da rede) não gerando nenhuma corrente de sequência
zero. Portanto, ela não deve ser considerada na composição da impedância equivalente total da
sequência zero. A figura abaixo representa a rede de sequência zero.

A rede de sequência zero vai ser formada apenas pela impedância da linha( ZT), pela impedância
da carga em Y (ZW ) e pela impedância de aterramento (Zn).

Lembre-se que, quando a carga está aterrada através de uma impedância de aterramento, temos
que considerar a impedância da linha neutra de forma que impedância de sequência zero preveja o
termo 3Zn (dedução está apresentada na seção 2.1.1).

Para o sistema representado na figura, a impedância de sequência zero será dada por:

𝑍0 = 𝑍𝑇 + 𝑍𝑤 + 3𝑍𝑛

Portanto,

A alternativa (B) é o gabarito da questão.

11. (Petrobras- CESGRANRIO -Engenheiro Júnior-Elétrica – 2018) A Figura abaixo representa uma linha de
transmissão de energia elétrica com as três fases e a referência terra.

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Sabe-se que a equação matricial que relaciona os componentes simétricos com os seus respectivos fasores,
na situação de um curto-circuito, é dada por:

Essa falta refere-se a um curto-circuito entre

A) uma das fases e o terra

B) uma das fases e o terra através de impedância

C) duas fases

D) as três fases

E) as três fases através de impedância

Resolução e comentários:

A questão solicita que você identifique o tipo de curto-circuito em função da equação matricial
apresentada no enunciado da questão.

O procedimento para resolver essa questão é analisar as condições iniciais do curto-circuito por
meio da equação matricial apresentada.

Por meio da equação, perceba que a ordem das linhas está trocada. Alterando a ordem da matriz
dos coeficientes e a ordem das componentes de sequência, podemos reorganizar a equação para a
ordem original:

𝐼0 1 1 1 𝐼𝑎
1
[𝐼1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [𝐼𝑏 ]
𝐼2 1 𝑎2 𝑎 𝐼𝑐

Substituindo as informações do enunciado,

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𝐼0 1 1 1 0
1 2] [ 𝐼 ]
[𝐼1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎 𝐵
𝐼2 1 𝑎2 𝑎 −𝐼𝐵

Analisando esse sistema, podemos perceber que temos apenas correntes envolvendo a fase B e a
fase C e que a corrente na fase A é nula! Logo, temos um curto entre as fases B e C, envolvendo duas
fases do sistema. Essa é justamente equação matricial apresentada para o curto-circuito bifásico (seção
3.2.3), no qual temos como condições iniciais:

𝐼𝑎 = 0 ; 𝐼𝑏 = −𝐼𝑐

Aplicando o método das componentes simétricas para as correntes, chegamos exatamente na


equação matricial apresentada no enunciado da questão. Assim, esse curto-circuito é do tipo bifásico
que não envolve a terra.

Portanto,

A alternativa (C) é o gabarito da questão.

12. (Petrobras- CESGRANRIO -Engenheiro Júnior-Elétrica – 2018) Em uma linha de transmissão de um


sistema elétrico trifásico, ocorreu um curto-circuito simétrico entre as três fases. A intensidade dessa
falta está condicionada à (às) componente(s) de sequência(s)

A) zero da impedância, vista no ponto da falta.

B) negativa da impedância, vista no ponto da falta.

C) positiva da impedância, vista no ponto da falta.

D) positiva e negativa da impedância, vistas no ponto da falta.

E) positiva e zero da impedância, vistas no ponto da falta.

Resolução e comentários:

A questão solicita que você julgue as alternativas apresentadas para determinar quais
componentes de sequência devem ser levadas em consideração para calcular a intensidade da falta
associadas ao tipo de curto-circuito descrito no enunciado da questão.

De acordo com o enunciado, o curto-circuito é do tipo trifásico, pois ele é o único caracterizado
por ser simétrico (ou equilibrado) e envolver as três fases.

Conforme estudamos na seção 3.3.2, para esse tipo de curto-circuito, só precisamos formar a rede
de sequência positiva (única rede ativa)!

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Dessa forma, a intensidade da corrente de curto-circuito trifásico está condicionada à componente


de sequência positiva da impedância no ponto de defeito do sistema.

Portanto,

A alternativa (C) é o gabarito da questão.

13. (UFMA-Engenharia Elétrica – 2019) Em um ponto de um sistema de potência equilibrado, ocorre um


curto-circuito entre uma fase e o terra, através de uma impedância de curto Zcurto. As impedâncias
equivalentes de sequências positiva, negativa e zero do sistema, no ponto em que ocorreu o curto, são
Z1, Z2 e Z0, respectivamente, e a tensão de sequência positiva no ponto, antes de ocorrer o curto, é
igual a VP. O valor da corrente de curto que passa pela impedância Zcurto, em função dos dados
apresentados, é:

𝑉𝑝
A)3(𝑍
1 +𝑍2 +𝑍0 +3𝑍𝑐𝑢𝑟𝑡𝑜 )

𝑉𝑝
B) 𝑍
1 +𝑍2 +𝑍𝑐𝑢𝑟𝑡𝑜

𝑉𝑝
C) 𝑍
1 +𝑍2 +𝑍0 +3𝑍𝑐𝑢𝑟𝑡𝑜

√3𝑉𝑝
D) 𝑍
1 +𝑍2 +𝑍𝑐𝑢𝑟𝑡𝑜

3𝑉𝑝
E) 𝑍
1 +𝑍2 +𝑍0 +3𝑍𝑐𝑢𝑟𝑡𝑜

Resolução e comentários:

A questão solicita que você determine o valor da corrente de curto em função dos dados
apresentados no enunciado da questão.

O procedimento para resolver essa questão consiste em desenvolver as redes de sequência no


ponto de defeito para que seja possível interligar as redes, de acordo com o tipo de curto-circuito, e
calcular a corrente de falta.

De acordo com o enunciado, o curto-circuito é do tipo monofásico e ocorre através de uma


impedância de curto-circuito. Então, também devemos levar em consideração essa característica

Para esse tipo de falta, os circuitos equivalentes de Thévenin das sequências positiva, negativa e
zero, no local do defeito, deverão ser conectados em série.

O enunciado da questão já nos fornece o valor das impedâncias de sequência positiva, negativa e
zero bem como o valor da fonte de tensão. Dessa forma, as redes de sequência bem como o circuito
equivalente estão apresentados na figura abaixo.
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Lembre-se que só temos fonte de tensão na rede de sequência positiva!

Observe também que a impedância de curto foi inserida na rede de sequência zero, da mesma
forma que fazemos quando temos um gerador aterrado por meio de impedância. Ou seja, inserimos
3Zc em série com Z0.

Outra forma que você poderia proceder é considerar o valor de Z c em cada rede se sequência.
Como temos uma ligação em série das três redes, no final das contas, teríamos de qualquer forma o
valor de 3Zc. Sempre que tiver um curto-circuito monofásico através de uma impedância, você pode
proceder dessa forma.

CÁCULO DA CORRENTE E SEQUÊNCIA POSITIVA

Analisando o circuito equivalente, temos:

𝑉𝑝 = (𝑍1 + 𝑍2 + 𝑍0 + 3𝑍𝑐 )𝐼1

Isolando I1,

𝑉𝑝
𝐼1 = (𝑍
1 +𝑍2 +𝑍0 +3𝑍𝑐 )

CÁLCULO DA CORRENTE DE CURTO-CIRCUITO

1
Sabendo-se que para esse tipo de curto 𝐼1 = 𝐼0 = 𝐼2 = 3 𝐼𝑎 , temos que a corrente de curto-circuito
que circula na fase do sistema equivale a:

𝐼𝑎 = 3𝐼1
3𝑉𝑝
𝐼𝑎 = (𝑍
1 +𝑍2 +𝑍0 +3𝑍𝑐 )

Portanto,

A alternativa (E) é o gabarito da questão.


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14. (Pref. Salvador- FGV- Engenharia Elétrica – 2017) Considerando a utilização dos componentes
simétricos, assinale a opção que apresenta a correta associação desses componentes, diante de um
curto-circuito franco entre fase e terra.

A) Associação série dos equivalentes de Thèvenin de sequências positiva, negativa e zero no ponto da falta.

B) Associação série dos equivalentes de Thèvenin de sequências positiva e negativa no ponto da falta.

C) Associação série dos equivalentes de Thèvenin de sequências positiva e zero no ponto da falta.

D) Associação paralela dos equivalentes de Thèvenin de sequências positiva, negativa e zero no ponto da
falta.

E) Associação paralela dos equivalentes de Thèvenin de sequências positiva e negativa no ponto da falta.

Resolução e comentários:

A questão solicita que você julgue as alternativas apresentadas para determinar qual a correta
associação das redes de sequência de acordo com o curto-circuito apresentado.

De acordo com o enunciado, o curto-circuito é do tipo monofásico. Conforme estudamos na seção


3.3.3, os circuitos equivalentes de Thévenin das sequências positiva, negativa e zero, no local do
defeito, deverão ser associados em série. Dessa forma, precisamos das três redes de sequência!

Portanto,

A alternativa (A) é o gabarito da questão.

15. (EMAE-SP- FCC- Engenheiro Eletricista – 2018) Um gerador síncrono simétrico e de sequência positiva
alimenta uma linha de transmissão de 10 [km] por meio de um transformador cujos enrolamentos do
primário estão conectados em delta e do secundário em estrela solidamente aterrada. Considerando
que a tensão do gerador em vazio é 1 [pu], o módulo da corrente de sequência positiva na linha de
transmissão, em [pu], para um curto-circuito trifásico ao final da linha, com impedância de curto-
circuito nula, é:

DADOS:

− Gerador ligado em estrela aterrada; − Reatância de aterramento do gerador: 0,03 [pu]; − Reatância de
sequência zero do gerador: 0,20 [pu]; − Reatância de sequência positiva do gerador: 0,05 [pu]; − Reatância
de sequência negativa do gerador: 0,05 [pu]; − Reatância de sequência zero da linha de transmissão: 0,02
[pu/km]; − Reatância de sequência positiva da linha de transmissão: 0,01 [pu/km]; e − Reatância de curto-
circuito do transformador: 0,05 [pu].

A) 5.

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B) 4.

C) 1.

D) 2.

E) 3

Resolução e comentários:

A questão solicita que você calcule a magnitude da corrente de sequência positiva (I1) na linha de
transmissão, considerando um curto-circuito trifásico ao final da linha sem impedância de curto-
circuito.

O procedimento para resolver essa questão consiste em determinar as redes de sequência positiva
do sistema descrito na questão, já que, para esse tipo de curto, precisamos apenas dessa rede.

Essa questão leva em consideração o mesmo sistema descrito na questão comentada da seção
3.3.5. Portanto, vamos utilizar alguns resultados que obtivemos lá.

O diagrama completo (considerando os três elementos) para cada rede de sequência pode ser
visualizado na figura abaixo.

Para o curto-circuito trifásico, as redes de sequência positiva, negativa e zero estão curto-
circuitadas. Como as redes de sequência negativa e zero são passivas só teremos o circuito de
sequência positiva! Portanto, devemos considerar o seguinte arranjo:

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O circuito equivalente considerando o curto-circuito trifásico no final da linha de transmissão está


representado na figura abaixo.

Para a rede de sequência positiva, temos apenas impedância em série. Dessa forma, a impedância
total para a rede positiva (Ztot1) equivale a:

𝑍𝑡𝑜𝑡1 = 𝑍𝑔1 + 𝑍𝑇1 + 𝑍𝐿1

De acordo com o enunciado, a reatância de sequência positiva do gerador equivale a 0,05 [pu].
Assim:

𝑍𝑔1 = 𝑗0,05 𝑝𝑢

A reatância de sequência positiva do trafo é a própria reatância de curto-circuito do transformador


e equivale a 0,05 [pu].

𝑍𝑇1 = 𝑗 0,05 𝑝𝑢

A reatância de sequência positiva da linha de transmissão equivale 0,01 [pu/km]. Como a linha
possui um comprimento de 10 km, temos:

𝑍𝐿1 = 𝑗0,01 ∙ 10 = 𝑗0,1 𝑝𝑢

Substituindo os valores,

𝑍𝑡𝑜𝑡1 = 𝑗0,05 + 𝑗0,05 + 𝑗0,1

𝑍𝑡𝑜𝑡1 = 𝑗0,2 𝑝𝑢

Por meio do circuito e dos dados fornecidos pelo enunciado, podemos achar a corrente de
sequência positiva 𝐼1 que a questão solicitou pela simples análise do circuito!

Analisando o circuito, temos pela lei de ohm que:

𝐸1 = 𝐼1 𝑍𝑡𝑜𝑡1
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Com o valor da tensão (que equivale a 1pu), temos:

𝐸1 1 1
𝐼1 = 𝑍 = 𝑗0,2 = 0,2∠90°
𝑡𝑜𝑡1

Como a questão solicita o valor em módulo, temos como resultado:

|1|
|𝐼1 | = = 5 𝑝𝑢
|0,2|

Portanto,

A alternativa (A) é o gabarito da questão.

16. (EMAE-SP- FCC- Engenheiro Eletricista – 2018) Um gerador síncrono simétrico e de sequência positiva
alimenta uma linha de transmissão de 10 [km] por meio de um transformador cujos enrolamentos do
primário estão conectados em delta e do secundário em estrela solidamente aterrada. Considerando
que a tensão do gerador em vazio é 1 [pu], o módulo da corrente na fase A da linha de transmissão,
em [pu], para um curto-circuito fase-terra ao final da linha, com reatância de curto-circuito de
0,35/3[pu] é de :

DADOS:

− Gerador ligado em estrela aterrada; − Reatância de aterramento do gerador: 0,03 [pu]; − Reatância de
sequência zero do gerador: 0,20 [pu]; − Reatância de sequência positiva do gerador: 0,05 [pu]; − Reatância
de sequência negativa do gerador: 0,05 [pu]; − Reatância de sequência zero da linha de transmissão: 0,02
[pu/km]; − Reatância de sequência positiva da linha de transmissão: 0,01 [pu/km]; e − Reatância de curto-
circuito do transformador: 0,05 [pu].

A) 4.

B) 5.

C) 3.

D) 2.

E) 1.

Resolução e comentários:

A questão solicita que você calcule a magnitude da corrente na fase A (Ia) na linha de transmissão,
considerando um curto-circuito monofásico ao final da linha através de uma impedância de curto-
circuito.

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Perceba que agora teremos que calcular a corrente de curto-circuito que circula na fase A
envolvida no curto-circuito monofásico.

O procedimento para resolver essa questão consiste em determinar as redes de sequência


positiva, negativa e zero do sistema descrito na questão para que, assim, seja possível interligá-las
conforme o tipo de curto.

Essa questão continua levando em consideração o mesmo sistema descrito na questão comentada
da seção 3.3.5. Portanto, também vamos utilizar alguns resultados que já obtivemos lá.

O diagrama completo (considerando os três elementos) para cada rede de sequência pode ser
visualizado na figura abaixo.

Para o curto-circuito monofásico, os circuitos equivalentes de Thévenin das sequências positiva,


negativa e zero, no local do defeito, deverão ser conectados em série. Portanto, devemos considerar
o seguinte arranjo:

O circuito equivalente considerando o curto-circuito monofásico através de uma impedância de


curto-circuito no final da linha de transmissão está representado na figura abaixo.

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Como o ponto de defeito é no final da linha de transmissão (informação dada pelo enunciado),
iremos conectar as redes exatamente nesse ponto. Vamos ligar positivo com negativo para termos a
configuração em série.

Para o circuito equivalente ficar mais simples, vamos considerar impedâncias totais para cada rede
de sequência completa (olhando lá para a figura apresentada anteriormente que mostra as impedância
que compõem cada rede de sequência do sistema).

SEQUÊNCIA POSITIVA

Para a rede de sequência positiva, temos apenas impedância em série. Dessa forma, a impedância
total para a rede positiva (Ztot1) equivale a:

𝑍𝑡𝑜𝑡1 = 𝑍𝑔1 + 𝑍𝑇1 + 𝑍𝐿1

Segundo o enunciado:

𝑍𝑔1 = 𝑗0,05 𝑝𝑢 ; 𝑍𝑇1 = 𝑗 0,05 𝑝𝑢 e 𝑍𝐿1 = 𝑗0,1 𝑝𝑢

Substituindo os valores,

𝑍𝑡𝑜𝑡1 = 𝑗0,05 + 𝑗0,05 + 𝑗0,1

𝑍𝑡𝑜𝑡1 = 𝑗0,2 𝑝𝑢

SEQUÊNCIA NEGATIVA

Para a rede de sequência negativa, temos também apenas impedância em série. Dessa forma, a
impedância total para a rede negativa (Ztot2) equivale a:

𝑍𝑡𝑜𝑡2 = 𝑍𝑔2 + 𝑍𝑇2 + 𝑍𝐿2

Segundo o enunciado:

𝑍𝑔2 = 𝑗0,05 𝑝𝑢 ; 𝑍𝑇2 = 𝑗 0,05 𝑝𝑢 e 𝑍𝐿2 = 𝑗0,1 𝑝𝑢

Substituindo os valores,

𝑍𝑡𝑜𝑡2 = 𝑗0,05 + 𝑗0,05 + 𝑗0,1


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𝑍𝑡𝑜𝑡2 = 𝑗0,2 𝑝𝑢

SEQUÊNCIA ZERO

Para a rede de sequência zero, temos que fazer alguns apontamentos...

Note que, na rede de sequência zero, uma parte do circuito fica em aberto devido ao bloqueio do
transformador (primário em ∆). Dessa forma vamos desconsiderar as impedâncias Zg0 e 3Zn, já que a
corrente não vai circular nessa parte do circuito.

Portanto, a impedância total para a rede zero (Ztot0) equivale a:

𝑍𝑡𝑜𝑡0 = 𝑍𝑇0 + 𝑍𝐿0

Segundo o enunciado:

𝑍𝑇0 = 𝑗 0,05 𝑝𝑢 e 𝑍𝐿0 = 𝑗0,2 𝑝𝑢

Substituindo os valores,

𝑍𝑡𝑜𝑡0 = 𝑗0,05 + 𝑗0,2

𝑍𝑡𝑜𝑡0 = 𝑗0,25 𝑝𝑢

DETERMINAÇÃO DA IMPEDÂNCIA EQUIVALENTE:

Para essa sequência também devemos considerar a impedância de curto-circuito que foi
informada na questão.

Ela será inserida na rede de sequência zero, da mesma forma que fazemos quando temos um
gerador aterrado por meio de impedância. Ou seja, vamos inserir 3Zc em série com Ztot0.

Outra forma que você poderia proceder é considerar o valor de Zc em cada rede se sequência.
Como temos uma ligação em série das três redes, teríamos de qualquer forma o valor de 3Z c.

O circuito equivalente considerando o curto-circuito monofásico por meio de impedância no final


da linha de transmissão está representado na figura abaixo.

Analisando esse circuito, temos pela lei de ohm que:

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𝐸1 = 𝐼1 𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒

Note que Zequivalente pode ser calculado por meio da seguinte expressão:

𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑍𝑡𝑜𝑡1 + 𝑍𝑡𝑜𝑡2 + 𝑍𝑡𝑜𝑡0 + 3𝑍𝑐

Substituindo os respectivos valores, temos:

𝑗0,35
𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑗0,2 + 𝑗0,2 + 𝑗0,25 + 3( )
3

𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑗1 𝑝𝑢

Com o valor em módulo da impedância equivalente e da tensão (que equivale a 1pu), temos:

|𝐸1 | 1
|𝐼1 | = = 1 = 1 𝑝𝑢
|𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 |

Achamos a resposta? Não! A questão solicita o valor em módulo da corrente na fase A. Conforme
estudamos na seção 3.2.2, sabemos que para esse tipo de curto-circuito:

1
𝐼1 = 𝐼0 = 𝐼2 = 3 𝐼𝑎

Logo,

𝐼𝑎 = 3𝐼1 = 3 ∙ 1

𝐼𝑎 = 3 𝑝𝑢

Portanto,

A alternativa (C) é o gabarito da questão.

17. (EMAE-SP- FCC- Engenheiro Eletricista – 2018) Um gerador síncrono simétrico e de sequência positiva
alimenta uma linha de transmissão de 10 [km] por meio de um transformador cujos enrolamentos do
primário estão conectados em delta e do secundário em estrela solidamente aterrada. Considerando
que a tensão do gerador em vazio é 1 [pu], o módulo da corrente de sequência positiva na linha de
transmissão, em [pu], para um curto-circuito dupla-fase ao final da linha, com impedância de curto-
circuito nula, é:

DADOS:

− Gerador ligado em estrela aterrada; − Reatância de aterramento do gerador: 0,03 [pu]; − Reatância de
sequência zero do gerador: 0,20 [pu]; − Reatância de sequência positiva do gerador: 0,05 [pu]; − Reatância
de sequência negativa do gerador: 0,05 [pu]; − Reatância de sequência zero da linha de transmissão: 0,02

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[pu/km]; − Reatância de sequência positiva da linha de transmissão: 0,01 [pu/km]; e − Reatância de curto-
circuito do transformador: 0,05 [pu].

A) 5,5.

B) 3,5.

C) 4,5.

D) 2,5.

E) 1,5

Resolução e comentários:

A questão solicita que você calcule a magnitude da corrente de sequência positiva (I1) na linha de
transmissão, considerando um curto-circuito bifásico (dupla fase) ao final da linha sem impedância de
curto-circuito.

O procedimento para resolver essa questão consiste em determinar as redes de sequência positiva
e negativa do sistema descrito na questão, já que, para esse tipo de curto, precisamos apenas dessas
duas redes.

Essa questão continua levando em consideração o mesmo sistema descrito na questão comentada
da seção 3.3.5. Portanto, também vamos utilizar alguns resultados que já obtivemos lá.

O diagrama completo (considerando os três elementos) para cada rede de sequência pode ser
visualizado na figura abaixo.

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Para o curto-circuito bifásico, os circuitos equivalentes de Thévenin das sequências positiva e


negativa, no local do defeito, deverão ser conectados paralelo. Como não há caminho de retorno pela
terra, não utilizamos a sequência zero! Portanto, devemos considerar o seguinte arranjo:

Como o ponto de defeito é no final da linha de transmissão (informação dada pelo enunciado),
iremos conectar as redes exatamente nesse ponto. Vamos ligar positivo com positivo para termos a
configuração em "paralelo" das redes positiva e negativa. No caso particular, elas acabam ficando em
série justamente porque a sequência zero não está sendo considerada na interligação.

O circuito equivalente considerando o curto-circuito bifásico no final da linha de transmissão está


representado na figura abaixo.

SEQUÊNCIA POSITIVA

Para a rede de sequência positiva, temos apenas impedância em série. Dessa forma, a impedância
total para a rede positiva (Ztot1) equivale a:

𝑍𝑡𝑜𝑡1 = 𝑍𝑔1 + 𝑍𝑇1 + 𝑍𝐿1

Segundo o enunciado:

𝑍𝑔1 = 𝑗0,05 𝑝𝑢 ; 𝑍𝑇1 = 𝑗 0,05 𝑝𝑢 e 𝑍𝐿1 = 𝑗0,1 𝑝𝑢

Substituindo os valores,

𝑍𝑡𝑜𝑡1 = 𝑗0,05 + 𝑗0,05 + 𝑗0,1

𝑍𝑡𝑜𝑡1 = 𝑗0,2 𝑝𝑢

SEQUÊNCIA NEGATIVA

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Para a rede de sequência negativa, temos também apenas impedância em série. Dessa forma, a
impedância total para a rede negativa (Ztot2) equivale a:

𝑍𝑡𝑜𝑡2 = 𝑍𝑔2 + 𝑍𝑇2 + 𝑍𝐿2

Segundo o enunciado:

𝑍𝑔2 = 𝑗0,05 𝑝𝑢 ; 𝑍𝑇2 = 𝑗 0,05 𝑝𝑢 e 𝑍𝐿2 = 𝑗0,1 𝑝𝑢

Substituindo os valores,

𝑍𝑡𝑜𝑡2 = 𝑗0,05 + 𝑗0,05 + 𝑗0,1

𝑍𝑡𝑜𝑡2 = 𝑗0,2 𝑝𝑢

DETERMINAÇÃO DA IMPEDÂNCIA EQUIVALENTE:

Analisando esse circuito, temos pela lei de ohm que:

𝐸1 = 𝐼1 𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒

Note que Zequivalente pode ser calculado por meio da seguinte expressão:

𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑍𝑡𝑜𝑡1 + 𝑍𝑡𝑜𝑡2

Substituindo os respectivos valores, temos:

𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑗0,2 + 𝑗0,2

𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 = 𝑗0,4 𝑝𝑢

Com o valor em módulo da impedância equivalente e da tensão (que equivale a 1pu), temos:

|𝐸1 | 1
|𝐼1 | = = 0,4
|𝑍𝑒𝑞𝑢𝑖𝑣𝑎𝑙𝑒𝑛𝑡𝑒 |

|𝐼1 | = 2,5 𝑝𝑢

Portanto,

A alternativa (D) é o gabarito da questão.

18. (DPE-RJ-FGV-Engenheiro eletricista-2019) A equação matricial 01 abaixo relaciona as componentes


simétricas com as fasoriais:

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As condições de contorno apresentadas nas equações 02 e 03 referem-se, respectivamente, às faltas:

A) Fase – Terra e Fase – Fase;

B) Fase – Fase e Fase – Terra;

C) Fase – Terra e Trifásica;

D) Trifásica e Fase – Terra;

E) Trifásica e Fase – Fase.

Resolução e comentários:

A questão solicita que você identifique o tipo de curto-circuito em função das condições de
contorno apresentadas nas equações matriciais ( 02 e 03 ) fornecidas no enunciado.

O procedimento para resolver essa questão consiste em analisar cada sistema de equações
separadamente.

EQUAÇÃO 02:

Nesse sistema de equações, perceba que a ordem das linhas está correta bem como a matriz de
transformação [A]-1 também está de acordo com o que estudamos. O fator que vai indicar o tipo de
curto para este caso é justamente a corrente IF que está presente apenas no termo que corresponde à
corrente Ia. Consequentemente, temos apenas corrente de falta na fase A do sistema, não envolvendo
outras fases.

Conforme estudamos na seção 3.2.2, as condições de contorno para o curto-circuito monofásico


são representadas por:

𝐼0 1 1 1 𝐼𝑎
1
[𝐼1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎2 ] [ 0 ]
𝐼2 1 𝑎2 𝑎 0

Esse sistema de equações é compatível com a equação 02 apresentada no enunciado. Dessa


forma, ela representa o curto-circuito monofásico (fase-terra).

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EQUAÇÃO 03:

Por meio da equação, perceba que a ordem das linhas está trocada. Alterando a ordem da matriz
dos coeficientes e a ordem das componentes de sequência, podemos reorganizar a equação para a
ordem original:

𝐼0 1 1 1 0
1 2] [ 𝐼 ]
[𝐼1 ] = 3 [ 1 𝑎 𝑎 𝐵
𝐼2 1 𝑎2 𝑎 −𝐼 𝐵

Podemos perceber que temos apenas correntes envolvendo a fase B e a fase C e que a corrente
na fase A é nula! Logo, temos um curto entre as fases B e C do sistema. Essa é justamente a equação
matricial apresentada para o curto-circuito bifásico (seção 3.2.3), no qual temos como condições de
contorno:

𝐼𝑎 = 0 ; 𝐼𝑏 = −𝐼𝑐

Conforme estudamos na seção 3.2.3, as condições de contorno para o curto-circuito bifásico são
representadas justamente por esse sistema de equações. Dessa forma, a equação 03 representa o
curto-circuito bifásico (fase-fase) que não envolve a terra.

Portanto,

A alternativa (A) é o gabarito da questão.

Note como é comum as questões apresentarem os sistemas de equações para que você
identifique os tipos de faltas de acordo com as condições de contorno.

19. (Polícia Científica-PE-CESPE-Perito Criminal-Engenharia Elétrica -2016) No que se refere a componentes


simétricos em redes trifásicas de sistemas elétricos de potência, assinale a opção correta.

A) Nas faltas trifásicas, o cálculo da corrente de falta exige os dados de sequência positiva e de sequência
negativa.

B) As faltas do tipo fase-fase-terra são exemplos de faltas simétricas.

C) As componentes de corrente de sequência positiva e de sequência negativa da corrente de curto-circuito


fase-fase têm magnitudes diferentes.

D) Curtos-circuitos, tanto monofásico quanto trifásico, são faltas do tipo assimétricas.

E) Os dados de sequência zero são dispensáveis para se calcularem faltas do tipo fase-fase quando não há
contato com a terra.

Resolução e comentários:

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A questão solicita que você julgue as alternativas para determinar a correta, no que se refere às
componentes simétricas em redes trifásicas do SEP.

O procedimento para resolver essa questão consiste em analisar cada alternativa separadamente.

A) A alternativa está incorreta, pois, nas faltas trifásicas, o cálculo da corrente de falta necessita
apenas dos dados de sequência positiva.

B) A alternativa está incorreta, pois as faltas do tipo fase-fase-terra (curto bifásico-terra) não é
exemplo de falta simétrica. Apenas o curto-circuito trifásico é simétrico (equilibrado/balanceado).

C) A alternativa está incorreta. Conforme estudamos na seção 3.2.3, umas das conclusões tiradas
após a aplicação do método das componentes simétricas ao curto-circuito bifásico é que: 𝐼1 = −𝐼2 .
Logo, em termos de magnitude, as correntes de sequência positiva e negativa são iguais.

D) A alternativa está incorreta, pois o curto-circuito trifásico é caracterizado por ser uma falta
simétrica ( ou equilibrada/balanceada).

E) A alternativa está correta. Para falta bifásica, a rede de sequência zero pode ser desconsiderada
justamente porque o curto não envolve a terra. Ou seja, o sistema não tem condições de fechar o
circuito pela terra. Logo, se sistema não envolve a terra, os dados de sequência zero são dispensáveis.

Portanto,

A alternativa (E) é o gabarito da questão.

20. (COMPESA-FGV-Engenheiro eletrotécnico-2018) Em um sistema elétrico a tensão de pré-falta é igual a


0,8 p.u.. A corrente de falta trifásica é igual a 10 kA em um setor onde a corrente de base é igual a 20
kA. A impedância do equivalente de Thèvenin de sequência positiva visto do ponto da falta, em p.u., é
igual a:

A) 1,0

B) 1,6

C) 2,2

D) 3,0

E) 3,2.

Resolução e comentários:

A questão solicita que você determine a impedância equivalente de Thévenin de sequência


positiva vista do ponto de falta considerando um curto-circuito trifásico.

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O procedimento para resolver essa questão consiste em aplicar as considerações para esse tipo
de curto-circuito para, consequentemente, poder calcular a impedância de sequência positiva.

Conforme estudamos, quando tratamos do curto-circuito trifásico, as redes de sequência positiva,


negativa e zero estão curto-circuitadas. Como as redes de sequência negativa e zero são passivas, só
teremos o circuito de sequência positiva! Ou seja, precisamos apenas da rede de sequência positiva!

Teremos então apenas a tensão de Thévenin vista pelo ponto de defeito em série com a
impedância de sequência positiva.

Por meio do simples circuito formado, temos que:

𝐸1 = 𝐼1 𝑍1

Como o curto-circuito trifásico é equilibrado, temos apenas componentes de sequência positiva.


Lembre-se que o valor das correntes nas linhas (correntes de curto-circuito) é igual ao valor da corrente
de sequência positiva em módulo!

Dessa forma,

|𝐼𝑎 | = |𝐼1 |

De acordo com o enunciado, a corrente de falta trifásica equivale a 10 kA. Agora, precisamos
convertê-la para valores em p.u, já que também é fornecido a corrente de base do sistema (20kA).
Temos então:

𝐼𝑎 10
𝐼𝑎 (𝑝𝑢) = 𝐼 = 20 = 0,5 𝑝𝑢
𝑏𝑎𝑠𝑒

Dessa forma,

|𝐼1 | = |𝐼𝑎 | = 0,5 𝑝𝑢

De acordo com o enunciado, a tensão de pré-falta equivale a 0,8 pu. Calculando a impedância de
sequência positiva, temos:

𝐸1 0,8
𝑍1 = = 0,5
𝐼1

𝑍1 = 1,6 𝑝𝑢

Portanto,

A alternativa (B) é o gabarito da questão.

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6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FITZGERALD, A. E; UMANS, S. D. Máquinas elétricas: Com introdução à eletrônica de potência. 6a Edição. São
Paulo: Bookman, 2006.

GLOVER, J. Duncan; SARMA, Mulukluta. Sistema de Potência: análisis y diseño. 3a edição. Buenos Aires:
Ciencias e Ingenierias, 2003.

KAGAN, Nelson; et.al. Introdução a Sistemas Elétricos de Potência. 2a edição. São Paulo: Editora Edgard
Blucher LTDA, 1995.

KINDERMANN, Geraldo. Curto-circuito. 2a edição. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1997.

MONTICELLI, Alcir. Introdução a Sistemas de Energia Elétrica. 2a edição. São Paulo: Editora da Unicamp, 2011.

MAMEDE FILHO, João. Instalações elétricas industriais. 9a edição. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

SADIKU, M.O; ALEXANDER, C. K. Fundamentos de circuitos elétricos. 3a Edição. México: McGraw-Hill, 2006.

STEVENSON, William. Elementos de Análise de Sistemas de Potência. 2a edição. São Paulo: Mcgraw-Hill,
1986.

ZANETTA, Luiz. Fundamentos de Sistemas Elétricos de Potência. 1a edição. São Paulo: Editora Livraria da
Física, 2006.

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7. GABARITO

1. Letra C 8. Letra E 15. Letra A


2. Letra E 9. Letra B 16. Letra C
3. Letra C 10. Letra B 17. Letra D
4. Letra B 11. Letra C 18. Letra A
5. Letra A 12. Letra C 19. Letra E
6. Letra C 13. Letra E 20. Letra B
7. Letra D 14. Letra A

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