UNIVERSIDADE POSITIVO Curso de Comunicação Social – Habilitação Jornalismo

AVESSOS

GIOVANNA GARCIA DE LIMA

CURITIBA 2010

GIOVANNA GARCIA DE LIMA

AVESSOS
Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial à obtenção de grau de Bacharel em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo ao Setor de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, da Universidade Positivo, sob orientação do professor Marcelo Lima

CURITIBA 2010

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ................................................................................................. 6 2. OPINIÃO NO JORNALISMO BRASILEIRO .............................................. 9 2.1 CLASSIFICAÇÃO DE GÊNEROS ................................................................. 12 2.2 O SURGIMENTO DO FOLHETIM: INSPIRAÇÃO FRANCESA ................ 14 2.3 PANORAMA HISTÓRICO: DO FOLHETIM À CRÔNICA ......................... 15 2.4 ESCRITORES (E) JORNALISTAS................................................................. 19 2.1 CRÔNICA ATUAL.......................................................................................... 22 3. O JOVEM PÓS-MODERNO .......................................................................... 24 3.1 MODERNIDADE ............................................................................................ 24 3.2 PÓS-MODERNIDADE .................................................................................... 25 3.3 INDÚSTRIA CULTURAL .............................................................................. 27 3.4 JOVEM PÓS-MODERNO ............................................................................... 28 3.5 DEFINIÇÕES DE TRIBO ............................................................................... 29 3.6 JOVEM E A LEITURA ................................................................................... 30 4. INTERNET ....................................................................................................... 33 4.1 INTERNET NO BRASIL................................................................................. 35

4.2 JORNALISMO DIGITAL................................................................................ 36 4.3 BLOG ............................................................................................................... 38 4.4 CARCTERÍSTICAS DO BLOG ...................................................................... 41 4.5 SEGMENTAÇÃO: A DESCOBERTA DE UM NICHO ................................ 43 5. PRODUTO ........................................................................................................ 45 5.1 CONTEÚDOS .................................................................................................. 48 5.1.1 CRÔNICAS NA INTERNET........................................................................ 49 5.2 CONCORRENTES E DIFERENCIAIS .......................................................... 50 5.3 ANÁLISE MACRO E MICRO AMBIENTAL ............................................... 57 5.3.1 ANÁLISE MACRO AMBIENTAL .............................................................. 57 5.3.2 ANÁLISE MICRO AMBIENTAL .............................................................. 60 5.4 DESCRIÇÃO E VIABILIDADE TÉCNICA.................................................. 62 5.4.1 ESTRUTURA DO LAYOUT ...................................................................... 62 5.4.2 ESCOLHA DE CORES E FONTES ............................................................ 63 5.5 DESCRIÇÃO E VIABILIDADE FINANCEIRA ........................................... 65 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 67 7. CRONOGRAMA .............................................................................................. 71 REFERÊNCIAS ................................................................................................... 72

ÍNDICE DE ANEXOS ANEXO A .............................................................................................................. 77 ANEXO B............................................................................................................... 79 ANEXO C............................................................................................................... 85 ANEXO D .............................................................................................................. 87 ANEXO E ............................................................................................................... 89 ÍNDICE DE TABELAS TABELA 1 ............................................................................................................. 51 TABELA 2 ............................................................................................................. 55 ÍNDICE DE FIGURAS FIGURA 1 .............................................................................................................. 64 FIGURA 2 .............................................................................................................. 65 FIGURA 3 .............................................................................................................. 65 FIGURA 4 .............................................................................................................. 71

RESUMO O trabalho em questão visa a explorar o percurso da crônica e da Internet ao longo dos anos, destacando as respectivas mudanças e desdobramentos. Ao analisar esses dois elementos de uma forma mais aprofundada, percebe-se que o blog é um veículo originado a partir do surgimento da internet que compartilha muitas semelhanças com a crônica, como a liberdade de forma e conteúdo, a representação como panorama de um período e capacidade de serem ferramentas importantes para gerar discussões. No mundo contemporâneo, o jovem pósmoderno é o que mais está em contato com a internet, especialmente com os blogs. O objetivo foi mesclar os benefícios propostos pela crônica com os referentes aos blogs, a fim de gerar reflexão sobre temas atuais.

PALAVRAS-CHAVE Blog; Crônica, Internet, Jornalismo, Jovem pós-moderno, Virtual, Web.

ABSTRACT This thesis intends to explore chronicle and Internet course over the years, highlighting the respective changes and outspreads. When analyzing these two elements more deeply, it is observed that the blog is a vehicle originated from Internet appearance, which shares many similarities with chronicles as form and content freedom, representation as a perspective of a period and capacity of being an important tool to bring out argumentations. In the contemporary world, the post-modern young people are the ones most related to Internet, especially with blogs. The purpose was to mix the benefits proposed by chronicles with the ones regarding blogs in order to provide reflections about current matters.

KEYWORDS Blog; Chronicle, Internet, Journalism, Post-modern young people, Virtual, Web.

1. INTRODUÇÃO

A Internet revolucionou os padrões de comunicação como nenhum outro veículo fez até hoje. Todas as plataformas – imagens, sons e textos - encontramse em um só lugar. E com uma série de vantagens além da praticidade: rapidez, dinamismo, variedade de formatos e de conteúdos. Inserido nesse contexto multifacetado da Internet, existem os blogs, ferramentas de fácil publicação que ganharam popularidade logo depois de que surgiram, no final da década de 90. Inicialmente, eram tratados como meros diários virtuais. Ao longo dos anos, ganharam força e solidez, tornando-se uma das principais mídias usadas para leitura nos tempos atuais. O panorama da geração de hoje pode ser percebido através de uma análise nos conteúdos dispostos nos blogs. Mas não são somente os blogs que funcionam como um panorama de um tempo. A crônica, que inicialmente funcionava somente como registro histórico, hoje, tem muitas outras funções, mas continua sendo um objeto de representação de cada época. Para se saber a cultura, os costumes, o palavreado, os ídolos, a cultura de um certo período basta procurar uma crônica referente a tal momento. Desde o registro histórico até os dias de hoje, a crônica já passou pela mão de diversos escritores (e) jornalistas. Como fonte de sustento ou por próprio prazer, o gênero conquistou pela mistura singular entre literatura e jornalismo. Muitos dizem que é um gênero mais leve, mas isso não quer dizer superficialidade. A intenção dos cronistas é instigar a reflexão através das entrelinhas das situações do cotidiano. A crônica é acima de tudo, um gênero mais livre. E liberdade, tem muito a ver com os jovens. A pós-modernidade abre caminhos para que o jovem desfrute da liberdade. O produto em questão – o blog Avessos - procura atender os interesses desse jovem pós-moderno que está ou já esteve na universidade, promovendo crônicas que ampliem as discussões.
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O nome do blog foi escolhido por fazer referência a um lado “inverso” da notícia divulgada pelos meios de comunicação. A intenção é mostrar um sentido diferente para situações rotineiras e sugerir novas reflexões sobre modelos de comportamento. O objetivo principal do trabalho foi produzir um blog de crônicas que, com sua linguagem familiar e coloquial, contribua para a discussão dos jovens em temas ligados ao comportamento. A seleção de alguns possíveis temas ligados ao comportamento que podem ser usadas para a produção de crônicas foi feita através de pesquisa (ANEXO B, p. 78). Novos assuntos podem, dependendo das pautas que forem surgindo na mídia convencional, das temáticas que forem tratadas como invisíveis pela imprensa, da repercussão das notícias ou situações nas redes sociais ou por meio da participação dos leitores. Entre os objetivos específicos, o Avessos visa a motivar o questionamento sobre temas em pauta na imprensa e também assuntos que de certa forma são ignorados por ela. Dessa forma, criam-se novas pautas a serem discutidas. Vale lembrar que as redes sociais também vão colaborar com esse processo, sugerido questões para serem exploradas nas crônicas. Outro objetivo específico diz respeito à intenção de promover legibilidade nos textos, fornecendo uma fonte de leitura informal e alternativa à mídia de massa. A ideia é sugerir aos leitores relatos não-usuais, diferentes, singulares. Mas também, e talvez mais importante, instigar a reflexão sobre os padrões de comportamento impostos pela sociedade. Assim como a matéria, a reportagem, o artigo de opinião e a entrevista, a crônica pode representar a complexidade do mundo exterior – papel que é inerente ao jornalismo. A intenção é produzir relatos não-usuais, capturando e reproduzindo através dos textos, singularidades do cotidiano. A escolha pelo blog como produto e meio de divulgação das crônicas se deu em primeiro momento pelo crescimento cada vez maior da Internet como meio de obtenção de informação, principalmente para os jovens. Outro motivo
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é o intenso poder de segmentação encontrado nessa ferramenta. Diferente dos veículos da mídia tradicional, o blog não tem pretensão de ser imparcial. Para Raquel Recuero (2003), a personalização gera empatia e debate pelo motivo dos leitores saberem que é a opinião de um indivíduo comum e não uma “fonte todo-poderosa”. Outra qualidade fundamental o blog é que ele promover uma a aproximação entre emissor e receptor. O leitor pode comentar a cada nova publicação. Tal atitude, quando usada com inteligência pelo autor, pode influenciar diretamente na produção de conteúdo e na qualidade do que é publicado. Enquanto tantos incentivos fazem se intensificar o acesso a internet, a venda dos jornais despenca. Antônio Candido (1980) defende que a crônica é filha do jornal, que somente quando a tiragem começou a ser diária é que efetivamente a crônica surgiu. O veículo que já foi o principal meio de comunicação hoje tem dúvidas se irá sobreviver. Um ponto positivo nessa questão, é que a crônica não perdeu sua consagração. Uma boa parcela dos jornais parece sustentar suas vendas graças aos colunistas (e) cronistas. Aproveitando-se dos benefícios propostos pelo gênero crônica e pela popularização do blog, principalmente entre os jovens, nasce o Avessos. Depois de duas pesquisas e algumas análises em relação aos concorrentes, foi percebido que nenhum possui deles as características do produto em questão. A proposta é que o público colabore através de comentários ou via rede social, fim de promover um blog que traga satisfação. Alterações no projeto podem acontecer a qualquer momento caso haja necessidade. A primeira parte do trabalho foi realizada através da elaboração da fundamentação teórica e corresponde aos seguintes capítulos: A opinião no jornalismo brasileiro; Jovem pós-moderno e Internet. Durante a segunda etapa, foram feitas análises para o desenvolvimento do blog Avessos. Tais constatações podem ser encontradas no último capítulo, intitulado de “Produto”.

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2. OPINIÃO NO JORNALISMO BRASILEIRO

Jornalismo e opinião sempre andaram juntos. É curioso pensar que nos primeiros momentos dentro da tão sonhada faculdade de jornalismo, escuta-se muito sobre a importância e dever da imparcialidade. Entretanto, quando se estuda esse terreno da comunicação mais a fundo acaba-se por descobrir que a imparcialidade é um mito. O homem é um ser parcial e subjetivo, repleto de valores, preconceitos, dúvidas, julgamentos, experiência de vida. O jornalista não deixa de ser humano para atuar em sua profissão. A escolha das palavras, de fontes, de ângulos, de títulos, enfim, todas as escolhas feitas por esse homemjornalista (ou jornalista-homem) transformam-no em um indivíduo

indubitavelmente parcial e subjetivo. Os jornais norte-americanos do início do século XIX trouxeram essa onda de imparcialidade e objetividade sob influência da ciência. A tentativa era de superar o período de sensacionalismo anterior através do espírito científico pelo respeito pelos fatos empíricos, dando rigor às técnicas de apuração e tratamento de informação (LAGE, 2000). Antes disso, até 1830, os jornais americanos ofereciam serviços a partidos políticos. Ciro Marcondes Filho (2002, p.11) define esse período como primeiro jornalismo. “É a época de ebulição do jornalismo político-literário, em que as páginas impressas funcionam como caixa acústica da ressonância, programas político-partidários, plataformas de políticos (...)”. Além disso, é importante destacar que nesse período os fins econômicos eram secundários. Nas palavras de Felipe Pena (2005, p.41):
Não que a informação/ notícia estivesse ausente das páginas. Mas a forma como era apresentada é que era diferente. As reportagens não escondiam a carga panfletária, defendendo explicitamente as posições dos jornais (e de seus donos) sobre os mais variados temas. (..)Antes de ir ao verdadeiro assunto da matéria, os textos faziam longas digressões, relacionando-a com a linha de pensamento do veículo (..) Não havia objetividade ou impacialidade (...)

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Posteriormente, o próprio Pena (2005) esmiúça essa polêmica, concluindo que esses dois valores não existem até os dias de hoje. Uma nova etapa do jornalismo começou aí. O espaço para a opinião e informação foram divididos dentro do jornal. A informação ganhou uma parte significativa, visto que propunha um conteúdo padronizado, feito especialmente para o consumo, como observa José Marques de Melo (1994, p.23): “O jornalismo informativo afigura-se como categoria hegemônica, no século XIX, quando a imprensa norte-americana acelera seu ritmo produtivo, assumindo feição industrial e convertendo a informação de atualidade em mercadoria. Carlos Eduardo Lins da Silva (1991, p.61) completa: “os jornais passaram a vender um produto (a notícia) a um público e a vender o seu público a anunciantes interessados em aumentar a venda de seus próprios produtos”. Uma análise que merece ser colocada é de Carlos Chaparro lembrada por Felipe Pena (2005) que explica que a reserva de espaços destinados para a opinião contribui para a confusão da população. Isso acontece porque as pessoas acreditam que quando se trata de informação, imagina-se um conteúdo puro, isento o ponto de vista do jornalista. “A divisão entre notícias e comentários não representou uma separação entre informação e opinião, mas entre dois tipos de texto, um com uma estrutura formal argumentativa, outro com estrutura formal narrativa” (apud PENA, 2005 p. 52) Sabe-se que as mudanças feitas no jornalismo norte-americano condiziam com as transformações da sociedade, da economia e da política do país. Schudson (apud SILVA, 1991, p.61) explica com clareza o contexto pelo qual os Estados Unidos estavam passando:
Nesse período, o país foi transformado de uma república mercantilista liberal ainda calcada em valores aristocráticos, em uma democracia de mercado igualitária, onde dinheiro tinha um novo poder, o indivíduo uma nova postura e a busca de autointeresse uma nova honra.. Uma democratização da vida estava em progresso. Com isso, eu quero dizer simplesmente que mais pessoas estavam ingressando num nexo de dinheiro e crédito e se transformando em investidores e em consumidores de bens produzidos fora das esferas do domicílio e que suas atitudes e suas ambições sendo crescentemente condicionadas por este fato.

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Como conseqüência desse processo, houve o surgimento de jornais de notícia. Esses novos modelos de jornais colaboraram para a expansão da sociedade de mercado pelas seguintes formas:
(..) com os anúncios, ampliaram a oferta de bens de consumo e incentivaram a produção e venda desses produtos; ao se transformarem eles mesmos em produto de consumo de massa, abriram uma nova frente de negócios e de mobilização e acumulação de capital, como vendedores de informações lidas por milhares de pessoas, se converteram em poderosos agentes veiculadores de ideologia, ajudando a construir a hegemonia cultural dos valores do livre mercado. (SILVA, 1991, p.62)

Pouco mais de um século depois, o Brasil começa a adotar os passos da imprensa norte-americana. Na década de 1940, depois de passar um tempo nos EUA, o brasileiro Pompeu de Souza, que na época era chefe de redação do Diário Carioca começou a realizar modificações no jornal, visando a objetividade. Em 1950, o Diário Carioca lançou o primeiro manual de redação e estilo escrito por Pompeu de Souza, cujo título era “Regras de redação do Diário Carioca”. Além disso, o lead é adotado como uma norma. O mesmo jornal também foi o que criou o copydesk – uma espécie de grupo de revisores de matérias que seguiam os mandamentos do manual do jornal. O modelo brasileiro que começou a ser incorporado nesse período seguiu muitas das características do norte-americano. Entre elas estão: a utilização da ordem direta, a linguagem simples, as frases curtas, o uso modo verbal no indicativo. Sobretudo, a utilização do lead (um parágrafo introdutório que deve responder seis perguntas essenciais – quem, que, quando, onde, como, e por que) respondendo a demanda de rapidez da sociedade industrial. Outro destaque (que acompanha o lead) é a pirâmide invertida – uma narração feita seguindo a relevância das informações. Essas duas técnicas de estruturação dos textos deveriam ser utilizadas com o intuito de o leitor não precisar chegar ao fim de uma matéria – caso não tivesse tempo - para saber o que estava acontecendo. Ciro Marcondes Filho no livro “Comunicação e Jornalismo: A saga dos cães perdidos” categoriza essa fase (de 1830 a 1900) como segundo jornalismo. Nesse período, o conceito de imprensa de massa é utilizado, com a

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profissionalização dos jornalistas, a utilização da publicidade e a solidificação da economia de empresa (2002). Como já foi dito, isso não quer dizer que a opinião limitou-se a ficar somente no espaço destinado a ela. Tomando emprestadas as idéias de José Marques de Melo (1994), não importa qual seja o artifício narrativo utilizado, cada processo jornalístico terá uma dimensão ideológica própria. Toda subjetividade, interpretação, opinião, enfim, todo lado homem continuava lá, em cada letra, em cada olhar, em cada linha proposta pelo jornalista. Apesar disso, com o passar do tempo, do desenvolvimento cada vez maior dos jornais e também com a transformação dos leitores, foi natural surgirem variados estilos de escrita e diferentes linguagens a serem utilizadas. Como de costume, os estudiosos buscaram catalogar cada um desses novos estilos a fim de mapear o sujeito para a leitura do jornal, como explica Melo (1994, p. 26):
Pelo menos, essa é a tendência corrente nos países capitalistas, onde o jornalismo torna-se cada dia mais um negocio poderoso e suas formas de expressão buscam adequar-se aos desejos dos consumidores ou equipara-se aos padrões das mensagens não-jornalísticas que fluem através do mass media.

As novas empresas jornalísticas que surgiam necessitavam de classificações para se manterem organizadas, situando e satisfazendo o público.

2.1.Classificação de gêneros

Alguns estudiosos optaram por aprofundar-se classificando os gêneros mesmo com a impossibilidade de classificação exata e absoluta. No completo livro de José Marques de Melo (1994), “A opinião no jornalismo brasileiro”, percebe-se que mundo afora muitos se dedicaram a realizar essa catalogação. Entretanto, no país, segundo Melo, somente um pesquisador fez essa divisão: Luiz Beltrão. As três categorias propostas por Beltão (apud MELO, 1994) são: jornalismo informativo, que engloba a notícia, reportagem, história de interesse
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humano e informação pela imagem; jornalismo interpretativo que foca a reportagem em profundidade e por último jornalismo opinativo - composto pelo editorial, artigo, crônica, opinião ilustrada e opinião do leitor. Na visão de Melo (1994, p. 60), a classificação feita por Beltrão não se ateve ao estilo, estrutura narrativa e técnica de codificação de cada gênero, “mas obedeceu ao senso comum que rege a própria atividade profissional, estabelecendo limites e distinções entre as „matérias‟.” Beltrão levou em consideração apenas a questão funcional dos gêneros: a informação, interpretação e opinião. O pesquisador deixou de lado as especificidades de cada gênero. Para remover essa lacuna, Melo sugere uma nova classificação de gêneros visando a produção jornalística do Brasil. O estudioso levou em conta a Geografia, o contexto sociopolítico, a cultura, os modos de produção e a corrente de pensamentos. De acordo com o autor, é necessário reunir os gêneros em categorias que dizem respeito à intencionalidade dos relatos através de que se configuram. Duas vertentes são identificadas por ele, a primeira diz respeito a reprodução do real e leitura do real. “Reproduzir o real significa descrevê-lo jornalisticamente a partir de dois parâmetros, o atual e o novo. Ler o real significa identificar o valor do atual e do novo” (MELO, 1994, 62). A segunda procura catalogar os gêneros a partir da natureza estrutural dos relatos observáveis nos processos jornalísticos. Dessa maneira, o autor não se refere leitura especificamente à estrutura do texto, sons ou imagem que representem a realidade. “Tomamos em consideração a articulação que existe do ponto de vista processual entre os acontecimentos (real), sua expressão jornalística (relato) e a apreensão pela coletividade (leitura)” ( MELO, 1994, p. 64). Nesse sentido, a classificação feita por Melo (1994) é dividida em jornalismo informativo do qual fazem parte a nota, notícia, reportagem e entrevista e jornalismo opinativo: editorial, comentário, artigo, resenha, coluna, crônica, caricatura e carta. Alguns gêneros se confundem dentro dessa classificação proposta pelo autor. Mesmo se perguntarmos para um cidadão que está familiarizado com
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jornalismo ele terá dificuldades em diferenciar comentário e artigo, por exemplo. Isso acontece porque os gêneros têm características semelhantes. Entretanto, pode-se que dizer que a crônica é facilmente reconhecida, pois é a única que mescla elementos do jornalismo e da literatura, com uma leveza e coloquialismo peculiares. Além de, sobretudo, dar uma imensa liberdade ao autor.

2.2.O surgimento do folhetim: inspiração francesa

A versão brasileira da crônica, inicialmente chamada de folhetim, teve como modelo a imprensa francesa da década de 1830. O feuilleton-roman (romance-folhetim) como era chamado inicialmente foi concebido por Émile de Girardin, que notou a necessidade de transformar o jornal em um produto democrático. Para isso, mudanças haviam de ser além de financeiras – barateando o custo dos jornais através do uso da publicidade - e lingüísticas, tornando a escrita mais acessível. Convém lembrar que desde o início do século XIX já existia o feuilleton (folhetim), que propunha assuntos mais leves que o resto do jornal, investindo em variedades. Críticas literárias, anúncios, resenhas teatrais e receitas culinárias faziam parte do feuilleton, que estava situado no rodapé do jornal. Marylise Meyer (1996, p. 23) explica como se deu a glorificação do folhetim:
O folhetim vai ser completado com a rubrica “variedade”, que é cunha por onde penetra a ficção, na forma de contos e novelas curtas. O passo decisivo é dado quando Girardin, utilizando o que já vinha sendo feito para os periódicos, decide publicar ficção em pedaços. Está criado o máximo chamariz „continua no próximo número‟(...)

O romance espanhol Lazarillo de Tormes é o primeiro romance-folhetim publicado, 1836. No final do mesmo ano, Giradin encomenda para Honoré de Balzac uma novela para ser publicadas aos pedaços, La vielle fille (A Menina Velha).
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Na década de 1840, o feuilleton-roman alcança seu ápice com Eugéne Sue e Alexandre Dumas. O sucesso da publicação aumentou a tiragem dos jornais e irritou os críticos – que consideravam os escritos uma literatura industrial. Segundo Cristiane Costa (2005, p. 239) “o gênero ficou rotulado como subliteratura, por sua relação intrínseca com a nascente indústria cultural”. O folhetim é definido por muitos especialistas como o primeiro produto da indústria cultural que estava surgindo.

2.3. Panorama histórico do país: do folhetim à crônica

Jornalista é quem tem habilidade para narrar um fato. José Marques de Melo explica que do ponto de vista histórico, a crônica significa uma narração de fatos (1994). Os primeiros cronistas, dessa forma, podem ser considerados jornalistas. Há quem diga - Jorge de Sá, por exemplo – que a crônica brasileira existia desde a época de Pero Vaz de Caminha. Nessa época, porém, ela funcionava unicamente como registro histórico. Era simplesmente uma narração cronológica. De acordo com Soares Amora (apud CASTRO e GALENO, 2005 p. 140) falta valor artístico na „literatura de informação sobre o novo mundo‟. Para ela, os cronistas desse período estavam mais preocupados em conquistar riquezas do que em obter glorificações com a literatura. Entretanto, mesmo sem intenções de reconhecimento com a escrita, foram os viajantes os primeiros jornalistas. “Foi com esse sentido de relato histórico que a crônica chegou ao jornalismo. Trata-se de um embrião da reportagem. Ou seja, uma narrativa circunstanciada sobre os fatos observados pelo jornalista num determinado espaço de tempo” (MELO, 1994, p. 147). A idéia de tempo sempre foi ligada intimamente com a crônica:

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A crônica pela própria etmologia – chronos/crônica – é um gênero colado ao tempo. Se em sua acepção original, aquela linhagem dos cronistas coloniais, ela pretende-se registro ou narração dos fatos em sua ordenação cronológica, tal, como estes pretensamente ocorreram de gato, na virada do século XIX para o século XX, sem perder seu caráter de narrativa e registro, incorpora uma qualidade moderna: a do lugar conhecido à subjetividade do narrador” (apud COSTA, p. 246 e 247)

O conceito de crônica como gênero literário inicia-se com o folhetim. “O cronista literário deixa, assim de ser o intérprete da visão das classes dominantes, para ser o porta-voz dos sentimentos do homem comum, fazendo da crônica o relato de fatos e episódios que a historiografia tradicional não registrava”. (COUTINHO, 2008). Segundo José Marques de Melo (1994), o folhetim era um espaço semanal destinado ao registro dos acontecimentos. Os responsáveis por esse registro eram os escritores. A primeira aparição pelo país do folhetim foi em 1838, com a publicação de O capitão Paulo, de Alexandre Dumas, traduzida por J. C. Muzzi. (MEYER, 1996, p. 32). De acordo com Afrânio Coutinho (apud MELO 1994) o folhetim nasceu com autores brasileiros com Francisco Otaviano em 1852 e posteriormente teve nomes como José de Alencar, Manuel Antônio de Almeida, Machado de Assis, Raul Pompéia e Coelho Neto. O folhetim conquista o público do país e vai se transformando desde a definição de costumes e modos até ferramenta incentivadora da leitura. “Ler o folhetim virou hábito familiar, tanto na Corte quanto nos serões das províncias, e durante sua leitura oral era permitida a presença das mulheres e a participação dos analfabetos, que eram a maioria (SODRÉ, 1977, p. 279)”. Ao estudar a trajetória histórica da crônica, Antonio Candido (1980) conclui que a crônica que existe hoje não nasceu do jornal, porém, somente quando ele teve tiragens diárias e disponibilizou um conteúdo acessível é que ela ganhou de fato vida. O mesmo autor define a crônica como “filha do jornal e da era da máquina”. Cristiane Costa (2005) explica as influências dos diversos tipos de folhetim usados como modelo para o formato do folhetim brasileiro:
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Híbrido por natureza, o folhetim não seguia um modelo, mas vários: o romance em folhetim, capaz de manter sua integridade literária quando reunido em livro o mirabolante folhetim folhetinesco, uma obra aberta cujas soluções oscilavam ao gosto do leitor; além do ensaio, da crítica e da crônica. O conceito de folhetim muda de sentido ao longo do tempo e até na obra de um mesmo autor, tornando difícil sua definição em regras rígidas, como, por exemplo, ficção e não ficção. O que se pode dizer com certeza é que originalmente palavra feiulleton se referia não a um estilo, mas um espaço geográfico preciso, o rodapé do jornal, quase sempre na primeira página.(2005, p.239,240)

É somente na segunda metade do século XIX que o conceito de folhetim realmente se firma: “com a fundamental participação de escritores jornalistas do porte de Joaquim Manuel de Macedo e José de Alencar, que deram início a uma raça de „cães vadios, livres farejadores do cotidiano, batizados com outro nome de vale-tudo: crônica”. (COSTA, 2005, p. 247). Para Wellignton Pereira (2004), a diferença consiste na evolução estético-semântica que a crônica foi adquirindo ao longo dos anos:
A diferença entre crônica e folhetim não se resume apenas a uma questão semântica, mas se estabelece na relação que ambos mantêm com o espaço jornalístico. Neste sentido, a crônica marca uma certa evolução estético-semântica, através das diversas linguagens que o cronista incorpora ao seu texto. O folhetim, ao contrário, permanece marcado pela referencialidade do texto jornalístico ou pelo grau de literariedade, quando assume as características do romance ou até mesmo da opinião jornalística. (2004, p. 40)

Segundo Antônio Candido (1980, p.7): “Aos poucos o “folhetim” foi encurtando e ganhando certa gratuidade, certo ar de quem está escrevendo à toa, sem dar muita importância. Depois, entrou francamente pelo tom ligeiro e encolheu de tamanho, até chegar ao que é hoje”. O mesmo autor propõe o período histórico da solidificação da crônica no país:
Acho que foi no decênio de 1930 que a crônica moderna se definiu e consolidou no Brasil, como gênero bem nosso, cultivado por um número crescente de escritores e jornalistas, com seus rotineiros e os seus mestres. Nos anos 30 se afirmaram Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, e apareceu aquele que de certo modo seria o cronista, voltado de maneira praticamente exclusiva para este gênero: Rubem Braga. (1980, p. 9)

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Rubem Braga é um nome corajoso e essencial quando o assunto é crônica brasileira. Braga foi o único que praticou somente esse gênero e foi o que mais trouxe transformações para o mesmo. Davi Arrigucci explica:
[Braga] forjou, na verdade, uma forma literária única, feita com a mescla de elementos variados, vindos até onde se pode perceber, da antiga tradição do narrador oral (...) e da bagagem do cronista moderno, associado à imprensa e experimentando na labuta das grandes cidades de nosso tempo. (1987, p.55)

O próprio cronista afirma “A verdade não é o tempo que se passa, a verdade é o instante” (BRAGA apud SÁ 2001, p.12). Através do relato do fugaz, da retratação de memórias, da preocupação com a narrativa e do lirismo reflexivo ele mudou o rumo desse gênero no país. A crônica nunca mais foi a mesma depois de Rubem Braga. É importante destacar que mesmo com o passar das décadas os textos de Braga não ficaram empoeirados em um canto qualquer do país. Isso se dá (além do fato de ele ser um cronista no mais puro sentido da palavra) pois, segundo Arrigucci, a crônica “parece penetrar agudamente da substância íntima do seu tempo e esquivar-se da corrosão dos anos(..).” (1987, p. 53). O coloquialismo e a simplicidade explorados por Braga acrescidos de um toque pessoal singelo reformularam o conceito de crônica no país. Ao discutir essa questão, Melo pontua que os cronistas dessa geração moderna assumem a palpitação e agilidade do jornalismo que estava em mutação. “A crônica moderna gira permanentemente em torno da atualidade, captando com argúcia e sensibilidade o dinamismo da notícia que permeia toda produção jornalística” (1994, p. 154). Dessa forma, entende-se que para que o formato do texto crônica chegasse ao que é hoje foi necessário perpassar diversos fatores, desde o temporal ao literário, fazendo com que esse gênero se tornasse, finalmente, ímpar.

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2.4. Escritores (e) jornalistas

A matéria-prima tanto de escritores como dos jornalistas é a palavra. As atividades começaram juntas no país, em 1808, com a autorização da publicação de impressos, fruto da vinda da Coroa Portuguesa. (COSTA, 2005). Inicialmente, os escritores tinham uma relação harmoniosa com a imprensa. Ela oferecia capital para os literatos, enquanto estes recebiam reconhecimento. É importante destacar que o jornalismo aproveitou-se a literatura para sua difusão, através dos folhetins feitos pelos escritores. Assim com a literatura aproveitouse do jornalismo, obtendo divulgação em um período que era extremante caro publicar um livro. Posteriormente, a relação entre jornalismo e literatura foi ficando conturbada, principalmente pela profissionalização e do jornalismo e do outro lado a frustração de uma vivência especialmente literária, que conseguisse ligar a publicação de livros a algo rentável. O abismo entre esses dois gêneros começou a tomar grandes proporções, como destaca Cristiane Costa: “Uma vez demarcadas as fronteiras, a literatura será identificada com alta cultura e o jornalismo com a cultura de massa” (2005, p.14). Existe uma questão chave que engloba toda essa discussão: falta mercado para literatura no Brasil. A impossibilidade de trabalhar em tempo integral com a escrita aterroriza os escritores há muito tempo. Ser escritor sempre foi deixado para segundo plano. Em primeiro lugar, vem a ideia de uma profissão que seja de fato rentável. Inglês de Souza (apud COSTA, 2005 p. 23) destaca o fato de não só os jornalistas serem frustrados com a dificuldade de se tornar um escritor profissional: “também há diretores e amanuenses de secretaria e outros rabiscadores de papel que são excelentes poetas e grandes romancistas. O que não quer dizer que a burocracia seja fator bom para a arte literária”. Cristiane Costa (2005) analisa a dicotomia “jornalismo X literatura” seguindo um caminho percorrido por João do Rio. Em 1904, o escritor e

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repórter fez uma enquete1 com os principais intelectuais do país. Foram analisadas 11 entrevistas e 26 cartas de autores responderam a cinco perguntas, originalmente enviadas a mais de cem pessoas. Alguns anos depois, essas respostas foram reunidas no livro “O momento literário”. Atualmente, o livro é visto como um documento fundamental sobre a vida intelectual brasileira na virada do século XX. O resultado dessa pesquisa feita por João do Rio foi empate técnico: dos 37 intelectuais que responderam ao questionário, 10 afirmaram que o jornalismo prejudica a vocação literária, 10 disseram que não, 11 responderam que tanto ajuda quanto atrapalha e seis não quiseram ou souberam responder. Retomando a indagação de João do Rio, a autora propõe uma pergunta difícil de ser respondida: “Estaria o trabalho burguês assalariado aniquilando o artista, desinteressado e boêmio? Ou, ao contrário, abrindo as portas da fama, prosperidade e do coração dos leitores?” (2005, p. 25). A idéia de que somente a literatura é a arte pura e digna surgiu com a massificação dos jornais, como detalha Costa:
Se na fase dos grandes publicistas, como Hipólito da Costa; dos políticos-jornalistas escritores- como José Bonifácio; e mesmo na dos pollígrafos, como Olavo Bilac, os dois tipos de homens de letras ocupavam praticamente o mesmo espaço no jornal e na vida literária, a partir da virada do século XX a literatura se constituiu como um campo separado, em que um ideal de arte pura e desinteressada se contrapõe à possibilidade de profissionalização, sinônimo de massificação, do texto jornalístico (2005, p. 13)

Esse processo fica mais intenso entre as décadas de 20 e 50, coincidindo com o primeiro “boom” do mercado editorial brasileiro e com o impressionante crescimento dos jornais (COSTA, 2005). A partir desse momento, as atividades foram empiricamente separadas. “Curiosamente, será por meio do trabalho na imprensa de um Oswald de Andrade, de um Carlos Drummond de Andrade e de um Graciliano Ramos, a partir dos anos 20, que a literatura (ou antes, beletrismo) será expulsa das páginas dos jornais” (2005, p. 15). Esses escritores consagrados vão ser incorporados como mão-de-obra interna, especialmente como copidesques, consertando vícios e defeitos do texto jornalístico. (COSTA,
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Enquete detalhada: COSTA, Cristiane. Pena de Aluguel. São Paulo: Cia das Letras, 2005.

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2005). Tudo isso visando o modelo objetivo e imparcial de jornalismo, importado da imprensa norte-americana. A fim de atualizar a discussão de João do Rio, Cristiane Costa propôs a seguinte pergunta: "Trabalhar em jornal é bom ou mau para quem deseja ser escritor?". A indagação foi conduzida a 30 jornalistas cujas atuações têm sido pautadas pelo exercício da literatura. Arnaldo Bloch, Bernardo Carvalho, Bernardo Ajzenberg, Luiz Ruffato, Michel Laub, Marçal Aquino, Fernando Molica, José Castello e outros escritores jornalistas forneceram respostas. A pesquisa feita por Costa deu origem a uma discussão teórica, que resultou na tese de doutorado "Jornalistas escritores no Brasil", defendida em junho na Escola de Comunicação da UFRJ, sob a orientação do professor Muniz Sodré (2005, p. 345). “Por mais que tenha entrevistado jornalistas escritores contemporâneos, vasculhando vidas e obras dos que não estão mais vivos, garanto ser impossível formular uma resposta”, explica a autora. E completa: “Cada momento literário ou jornalístico tem seus próprios dilemas. Cada autor, uma forma de lidar com o problema”. Entretanto, é preciso esclarecer que o jornalismo não é o grande vilão, como revela a autora em uma colocação excelente:
O jornalismo costuma ser a porta de entrada, a formula de divulgação e ate a instancia de consagração de seus nomes. No entanto, muitos permanecem presos ao mito de que o verdadeiro escritor é quem consegue ser artistas em tempo integral, sem concessões.Não se dão conta de que se trata de um personagem social construído pela mesma modernidade que os aproxima e afasta de seus objetivos, integrando-os ao campo literário, mas obrigando-os a vender seu tempo e seu talento. (2005, p.36 - 37)

A necessidade de ganhar dinheiro, de transformar o tempo em dinheiro revolucionou as forma de fazer jornalismo. Houve a profissionalização do jornalista, o que não aconteceu com o escritor. Essa questão é analisada por Costa (2005, p. 27):
O movimento é circular. O desenvolvimento da imprensa é o indício do aumento da população escolarizada, da expansão do mercado de bens culturais e de sua democratização no Brasil. Ele alimenta-se de uma crescente população de jovens literatos sem fortuna, que incentivados pela valorização social da figura do escritor, vão tentar „viver de uma arte que não pode fazê-los viver.

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Além de ser demasiadamente caro publicar um livro, enquanto o jornal tinha um público abrangente, a literatura contava com poucos e raros leitores. O jornal sempre foi mais acessível, levando em consideração o preço e a linguagem. A dificuldade imensa de viver de literatura até hoje frustra grande parte dos escritores. Costa completa: “presos à visão ambivalente do escritor como um intelectual aristocrata ou um marginal da sociedade burguesa, eles não vêem que produzem seus livros contra essas determinações e ao mesmo tempo, graças a elas.” (2005, p. 37) Ou seja, as frustrações dos escritores são seu próprio ofício e matéria, visto que também possuem (como o jornalismo) dependência com o sistema vigente para que possam ter público renda e seus livros publicados. Até hoje jornalistas (e) escritores estão presos entre a arte e o mercado, o tempo e o dinheiro, a escrita livre e a escrita condicionada.

2.6. Crônica atual

É impossível chegar a uma conclusão definitiva sobre como é realmente a crônica brasileira nos dias de hoje. Sabe-se, por exemplo, que ela não funciona unicamente como um registro histórico, apesar de poder ser usada para ilustrar o comportamento, a linguagem, o pensamento, enfim os costumes de uma época. Sabe-se também que ela não é como um folhetim – denso e longo – mas pode ter alguma dessas características eventualmente. O que se pode concluir é que a crônica atual dá uma imensa autonomia para o cronista no momento da criação. Essa autonomia completa para o escritor só é permitida na literatura. Os gêneros jornalísticos dificilmente, ou nunca, dão uma liberdade (política, ideológica, social, cultural, lingüística) tão ampla. Lourenço Diaféria (apud MELO, 1994, p. 161) discorre magistralmente sobre essa liberdade: “a crônica é aquele pedaço da imprensa onde se cultiva a sensação de que o mundo continua livre- como os pardais, as nuvens e os vagabundos”. Além disso, como os romancistas, que se utilizam de pretextos da vida para construírem uma história,
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os cronistas misturam realidade como ficção. “A associação de ideias, o jogo de palavras e conceitos, as contraposições, misturam o real e o imaginário como forma de fazer realçar o primeiro”. (LETRIA; GOULÃO apud MELO, p. 149). Não se pode negar também que ela é um gênero jornalístico, pois nasceu do jornal e faz parte dele. Sobretudo, se utiliza da contemporaneidade e do cotidiano como inspiração. A própria imprensa é matéria da crônica. Melo analisa: “(...) a crônica obedece as três condições essenciais de qualquer atividade jornalística: atualidade, oportunidade e difusão coletiva.” (1994, p. 159). Entretanto, por inúmeras vezes ela parece despreocupada, diferente do resto do jornal. Para Marcelo Coelho (2002) a crônica pode servir como um outro avesso da notícia, insistindo na “desimportância” enquanto as notícias tentam mostrar o relevante de tudo. Existem milhares de definições de crônica encontradas país afora – algumas inclusive de próprios cronistas. Assim como são essas definições, variadas e contraditórias são as crônicas. Estas podem ser tudo que quiserem: esclarecedoras, vagas, polêmicas, conservadoras, cotidianas, ficcionais, ácidas, doces. Enquadrá-las em uma classificação única seria uma grande injustiça com a originalidade do escritor.

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3. JOVEM PÓS-MODERNO

3.1 Modernidade O termo moderno é bem mais antigo que a modernidade, segundo Harvey. O projeto de modernidade (denominação feita por Habermas) entrou em vigor no século XVIII, através de um extremo esforço dos iluministas para “desenvolver a ciência objetiva, a moralidade e a lei universais e arte autônoma nos termos da própria lógica interna delas”. (HABERMAS apud HARVEY, 1989, p.23). Diversas pessoas trabalhando livremente deveriam buscar a emancipação humana. O período era caracterizado pelo extremo racionalismo superando antigos mitos e superstições. Teixeira Coelho (2005) explica que o projeto da modernidade estaria na distinção clara entre três domínios que antes estavam imbricados num único: ciência, arte e moral e com o aparecimento posterior, de outras áreas autônomas, com a lei e a política. Coelho (2005, p. 20) completa:

O projeto dos iluministas consistiu em firmar os campos distintos em que o pensamento e a ação poderiam exercitar-se: a fé de um lado, a verdade (da ciência) de outro, o comportamento em seus círculos próprios e a arte por sua conta.

Segundo Harvey, “„A Modernidade‟, escreveu Baudelaire em seu artigo seminal „The painter of modern life‟ [O pintor da vida moderna, publicado em 1863], „é o transitório, o fugidio, o contingente; é uma metade da arte, sendo a outra o eterno e o imutável” (1989, p. 21). O mesmo autor lembra: “há abundantes evidências a sugerir que a maioria dos escritores „modernos‟ reconheceu que a única coisa segura na modernidade é sua insegurança.” (HARVEY, 1989, p. 22) Berman (1982, p.111) lembra que fazer parte do
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universo moderno é, como colocou Marx, estar onde “tudo é sólido e se desmancha no ar”. A corrente iluminista que permeou a época pregava a ideia do progresso. A modernidade tem uma ligação visível com a Revolução Francesa, explorando conceitos como liberdade-igualdade-fraternidade. Segundo Touraine (1994. p. 139): “O pensamento modernista se apoia na correspondência afirmada entre a libertação do indivíduo e o progresso histórico”. Através do uso da razão era possível chegar a uma excelência individual, controlar as forças da natureza e promover o bem estar da humanidade. Em sua dissertação de mestrado, “Hipertexto: universo em expansão”, Isabela Lara Oliveira explica as contradições em relação ao projeto de modernidade:

(...) os vários princípios interagindo entre si não foram capazes de cumprir com as propostas modernas que visavam, entre outros objetivos, a prosperidade social a partir do desenvolvimento da técnica, da ciência aplicada e do livre mercado. Se por um lado a ciência e a técnica avançaram, talvez, além do esperado, a contrapartida de prosperidade social e cultural não se concretizou (OLIVEIRA, 1999).

A razão visando acima de tudo o desenvolvimento na ciência é uma característica marcante desse período.

3.2 Pós-modernidade Nas últimas décadas do século XX ocorreram mudanças significativas na sociedade. As marcações modernas se diluíram abrindo espaço para a característica principal e fundamental desse período nomeado como pósmoderno: o efêmero. Outro ponto que é indispensável sublinhar é que há uma rejeição aos valores desenvolvidos no período iluminista bem como das práticas racionais universalizantes. Os pesquisadores não chegaram em um acordo para intitular esse período, como explica Sérgio Czajkowski Júnior (2006): “Muitos o chamam de Pós-Modernidade (ANDERSON, 1999; LYON, 1988; LYOTARD, 1998;
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HARVEY, 1989), Era da Informação (LYON, 1992), Sociedade do Conhecimento (LÉVY, 1994) ou então Sociedade em Rede (CASTELLS, 1999)”. Não há uma preocupação em solucionar questões existenciais e vangloriar o uso da razão. Bauman (2001) firma que a sociedade pós-moderna possui especificidades como o descrédito, o escárnio e a perda da busca intensa por ambições, deixando de lado, então, as características modernistas que buscavam, acima de qualquer outra coisa, o progresso da sociedade. A constante mutação do indivíduo e seus ideais e as diferentes formas de percepção da realidade são parte desse contexto. Vale lembrar que durante a Segunda Guerra Mundial e as décadas seguintes foram descobertas novas tecnologias na área eletrônica (como o transistor e o primeiro computador programável) que revolucionaram os três ramos da tecnologia – microeletrônica, computadores e telecomunicação (CASTELLS, 2006, p. 76). As mudanças impostas pela pós-modernidade se consolidaram na década de 70, como ressalta Manuel Castells: “(...) as novas tecnologias da informação difundiram-se amplamente, acelerando seu desenvolvimento sinérgico e convergindo em um novo paradigma.” (2006, p. 76). A industrialização e o capitalismo são fatores concomitantes dessa década, e daí em diante, gerando uma explosão de novas tecnologias e intensificando a sociedade de consumo, como observa Holgonsi Soares Gonçalves Siqueira (2002) no terceiro capítulo de sua tese de Doutorado „ “Pós-modernidade, Política e Educação”: “As novas formas referentes ao consumo estão relacionadas com os meios de comunicação, com a alta tecnologia, com as indústrias da informação (buscando expandir uma mentalidade consumista, a serviço dos interesses econômicos) e com as maneiras de ser e de ter do homem pós-moderno.” (2005) Ademais, as áreas da comunicação e da informação ganharam prioridade, como afirma Pierre Levy (1999, p. 13): “As telecomunicações geram esse novo dilúvio por conta da natureza exponencial, explosiva e caótica de seu
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crescimento. A quantidade bruta de dados disponíveis se multiplica e se acelera.” Os novos conceitos que rondavam o mundo fizeram com que fossem desenvolvidas novas definições, como ciberespaço e cibercultura. Entende-se por ciberespaço, segundo estudos de Pierre Levy (1999, p.17) “(...) o novo meio de comunicação que surge da conexão mundial dos computadores.” A cibercultura, por sua vez, especifica “o conjuto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que de desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço” (1999, p. 17). O mesmo autor conclui: “As tecnologias digitais surgiram, então, como a infraestrutura do ciberespaço, novo espaço de comunicação, de sociabilidade, de organização e transação, mas também novo mercado de informação e conhecimento” (1999, p.32). O fenômeno da industrialização também fez com que surgissem funções inter-relacionadas: os meios de comunicação de massa, a cultura de massa e indústria cultural (COELHO, 2000). A sociedade passou a comprar cada um dos seus valores, inclusive os culturais.

3.3. Indústria Cultural O termo “Indústria Cultural” foi cunhado por Max Horkheimer e Theodor W. Adorno para criticar as produções culturais, que, para os autores circundavam apenas a obtenção de lucros. Os dois teóricos faziam parte da Escola de Frankfurt, criada em 1924, foi fortemente influenciada pelas concepções marxistas. A indústria cultural surgiu com os primeiros jornais e a cultura de massa com a publicação do folhetim (em meados do século XIX) - e outros mecanismos de interação dentro dos mesmos. O capital estava presente em cada aspecto da sociedade e determinava até mesmo a personalidade dos indivíduos.

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O mercado dita as regras de toda produção artística e da moda. Quem dá as regras é este monstrengo devorador de economias chamado capital (...). A produção estética integrou-se à produção de mercadorias. Desta forma, a arte passa a integrar um sistema cultural onde o mercado produz um tipo de leitor-ouvinte-espectadorconsumidor que são um só (...) (PONTES , 2007).

A produção de cultura valorou todo tipo de informação que divulgaria, ou seja, o conhecimento, a crítica e a expressão foram transformados em alienação e conformismo social. O indivíduo acabou por perder a identidade própria e a consumir uma proposta de fuga da realidade e prazer que retiraria sua capacidade de reflexão sobre si mesmo e o meio (COELHO, 2000). As características da Indústria Cultural se fortaleceram ainda mais com a intensificação do capitalismo. Atualmente, o indivíduo é ainda bastante influenciado por essa indústria, que instrui sua maneira de pensar (ou não pensar) e agir. Ou seja, a identidade do sujeito é diretamente ligada à Indústria Cultural. Em relação a identidade do cidadão pós-moderno, pode-se dizer que ela não é bem estruturada e portanto, variável: “Esse processo produz o sujeito pós moderno, (...) como não tendo uma identidade fixa essencial ou permanente. A identidade tornou-se uma „celebração móvel: formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam.” (HALL, 2003, p. 12-13). Essa inconstância nas identidades é extremamente visível nos jovens dos dias atuais.

3.4. Jovem pós moderno

As concepções atuais referentes aos jovens são inúmeras. Os conceitos são múltiplos, não havendo uma regra geral ou definições fixas. Henry Giroux (1994) afirma que essa nova geração de jovens têm identidade híbrida, influenciados diretamente pela cultural ocidental e suas tecnologias de comunicação, bem como com as práticas culturais locais e espaços públicos plurais. Giroux (1994) prossegue dizendo que há nessa idade a perda da fé nos discursos modernos de trabalho e emancipação, o imediatismo como forma de
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viver, experiência do tempo e espaço como comprimidos e fragmentários, pouca segurança psicológica, econômica ou intelectual. A perda total de utopias é um ponto inerente. Como diz Hery Giroux, “ (..) faz-se difícil imaginar qualquer tipo de luta coletiva” (apud CASTELLS, 1994, p.74).Um outro ponto essencial é que os jovens pós-modernos de uma forma geral tentam delongar a passagem para a fase adulta. “(...) Entrar na vida adulta no final deste século significa perder a esperança e tentar adiar o futuro em vez de aceitar o desafio moderno de tentar construí-lo”, explica Giroux (apud CASTELLS,1994, p. 74). É impossível possuir uma personalidade sólida no período atual, devido às milhares de influências constantemente sofridas pelos jovens. Stuart Hall( 2003,p.13) explica bem essa questão: “(...) à medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar – ao menos temporariamente”. Essa personalidade instável forma grupos de jovens que dividem interesses em comum - as tribos.

3.5. Definições de tribo

A industrialização intensa promoveu o êxodo rural. As chances de emprego estavam nas grandes cidades. Buscando uma melhor condição de vida, muitos migraram para as metrópoles, que ficaram cada vez mais abarrotadas de gente. Adiantando algumas décadas, percebe-se que ritmo frenético das cidades saturou o indivíduo, além de desencadear problemas como a violência urbana, o desemprego, a desigualdade econômica e social. Esse indivíduo buscou se inserir em um contexto de socialização com outras pessoas que tivessem os mesmos interesses e inquietações. Michel Maffesoli (2000, p.70), o primeiro a usar a expressão tribo para grupos sociais urbanos, usou tal definição: “(..) diversas redes, grupos de afinidades e de interesse, laços de vizinhança que
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estruturam nossas megalópoles”. O período atual, ou seja, a pós-modernidade, é caracterizado pelo neotribalismo.
[...] o neotribalismo é caracterizado pela fluidez, pelos ajuntamentos pontuais e pela dispersão. E é assim que podemos descrever o espetáculo da rua nas megalópoles modernas. O adepto do jogging, o punk, o look retrô, os “gentebem”, os animadores públicos, nos convidam a um incessante travelling. Através de sucessivas sedimentações constitui-se a ambiência estética da qual falamos.E é no seio de uma tal ambiência que, pontualmente, podem ocorrer essas “condensações instantâneas” (Hocquenghem-Scherer), tão frágeis, mas que, no seu momento são objeto de forte envolvimento emocional (MAFFESOLI, 2000, p. 107).

José Guilherme Cantor Magnani (2005) revela que a expressão ganhou divulgação e notoriedade principalmente pelo livro “O tempo das tribos,” escrito por Maffesoli em 1987. Além disso, Magnani fala que a expressão “tem apelo e é imediatamente reconhecida, especialmente pela mídia” .Ao produzir estereótipos relacionados às tribos, a mídia transforma o mecanismo de integração em reproduções de rótulos do senso comum. José Machado Pais e Leila Maria da Silva Blass (2004) discorrem sobre essa questão no livro “Tribos urbanas: produção artística e identidades”. Para os autores, o próprio sentido etimológico do termo “tribo” tem um significado pejorativo.
Com efeito, tribo é um elemento de composição de palavras que exprime a ideia de atrito (do grego tribé), isto é, a resistência de corpos que se opõem quando se confrontam. Esta dimensão de resistência grupal, subtantivamente ligada à ideia de atrito, encontra-se presente no fenômeno das tribos urbanas. Aliás, em muitas palavras da família tribo a ideia de atrito está presente. Não é certamente por acaso que muitos grupos de jovens levam com o apodo de tribo. É que suas condutas são vistas como desalinhadas, confrontativas, exóticas. De facto, a designação de “tribo juvenil” é usada para traduzir sociabilidades juvenis que pautam vivências consideradas “desestruturadas” contestáveis, subservidas (2004, p.13)

Deste modo, é essencial deixar de lado o rótulo imposto pela mídia e compreender que a existência de grupos contribui para o desenvolvimento do jovem, no sentido que promove a alteridade.

3.6. O jovem e a leitura

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Sabe-se que esse jovem pós-moderno está inserido no mundo de novas tecnologias. Ele tende a ter intimidade com o computador, Internet e de seus dispositivos. Deste modo, ele está acostumado com o fluxo intenso de informações propagadas pela mídia e pelos mecanismos de comunicação. A bibliografia no campo da definição específica de um perfil do jovem pósmoderno como leitor é escassa, entretanto é possível chegar a algumas conclusões gerais, e dessa forma incluí-los nas classificações de Lúcia Santaella, através de uma análise do livro “Navegar no ciberespaço – O perfil cognitivo do leitor imersivo” (2004). O uso desse livro se deu porque a autora explora como tema principal o leitor que está familiarizado com a informação em rede. O jovem pós-moderno certamente pode ser incluído nesse grupo. Santaella (2004) pontua que os meios virtuais possuem uma diversidade de maneiras de veicular seu conteúdo e o leitor, então, interage nesse plurissensorial (imagens, sons, textos, vídeos, etc). Segundo a autora, esse leitor pode ser divido em três classificações: leitor contemplativo (ou mediativo), leitor movente (ou fragmentado) e leitor imersivo (ou virtual); lembrando que, como a atualidade sugere um cumulativo de posturas, um não anula a existência do outro, embora sejam organizados por períodos. O leitor contemplativo surge no Renascimento e faz parte da idade préindustrial. É o leitor do livro impresso, de uma imagem fixa, no qual a leitura é de manuseio, de intimidade. É disciplinado e está predisposto a dedicar-se à leitura. O segundo leitor, movente, é o do mundo em constante movimento, um mundo híbrido, cheio de signos. Esse leitor é filho da Revolução Industrial, nasce com a tiragem diária dos jornais e em um universo que engloba também o telefone, cinema e a fotografia. Esse perfil é o que lê fatias do cotidiano e a informação (e a percepção da mesma) e retém a notícia somente no tempo que ela perdura. O leitor movente é marcado pelo transitório, pelo cenário instável das cidades (SANTAELLA, 2004). Já o leitor imersivo se ajusta aos novos ritmos que vão surgindo, o que é bem sintetizado por Analu Andriguetti:

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A evolução dos perfis dos leitores está relacionada principalmente ao aumento das linguagens e mídias envolvidas no processo de comunicação e à velocidade em que este acontece. A leitura imóvel, atenta, passa pelo transtorno das imagens em movimento, do controle remoto da TV e dos videoclipes frenéticos para chegar à virtualidade do ciberespaço, que requer um usuário ativo (...) sempre plugado. (2007, in FERRARI, p. 97-98)

Este leitor também chamado de virtual tem variadas percepções e sensações, e decodifica sinais e rotas a partir de um simples toque ao mouse. Tudo é revolucionário: desde as maneiras de deter esse leque de possibilidades à escolha de suportes para os mesmos (SANTAELLA, 2004). O leitor imersivo possui liberdade de escolha e iniciativa de buscas de direções e rotas que sendo exploradas levam a outras no ciclo grandioso da hipermídia. Está entregue ao imediatismo que o computador permite e à ilimitação de canais que a Internet propõe. Se for considerado o jovem um leitor imersivo em potencial e agregarmos essa característica à questão das comunidades cibernéticas e a necessidade notória da identificação e de pertencimento a um grupo, abrimos então uma outra discussão: a da existência das tribos eletrônicas. Maffesoli (apud SCHULLER, 2008, p.47) define esse novo segmento: “Na Internet o aspecto interativo predomina sobre o utilitário (...) o essencial está em reconhecer-se, em ver-se, em fazer parte de uma comunidade presencial ou virtual.” A informática possibilita uma temporalidade próxima entre essas tribos e o conteúdo divulgado, além de ser uma matriz comunicacional de configurações e objetivos diversos, podendo fazer surgir um tribalismo ocasional ou estendido. Além disso, há na rede também uma lei de ofertaprocura, o que contribui para as oportunidades desse espírito coletivo que tem acesso a ela (MAFFESOLI, 2000). A exploração de um segmento específico na área virtual facilita a abordagem de temas com os quais o leitor possui familiaridade, sendo assim há uma colaboração mútua para o aprimoramento da ferramenta utilizada.

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4. INTERNET

A crônica consolidou-se graças ao jornal impresso. Esse veículo que por tanto tempo foi principal e até mesmo única fonte de informação da sociedade está em uma gravíssima crise O desenvolvimento de novos meios de comunicação fizeram a venda dos jornais despencarem. Nas últimas décadas, surgiu um revolucionário veículo que reduziu ainda mais as chances do veículo impresso de reerguer-se. Esse novo veículo é a Internet, o único meio capaz de juntar todas as características das mídias em uma só plataforma. Essa nova mídia surgiu oficialmente na década de 1960, fruto de uma ousadia imaginada pelos da militares norte-americanos da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (ARPA) do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A Guerra Fria estava em vigor e os guerrilheiros temiam a destruição do sistema norte-americano pelos soviéticos, caso houvesse uma guerra nuclear. Os centros de alta tecnologia dos EUA ficaram assustados com o lançamento do primeiro Sputnick2, em fins da década de 1950. Se algum centro importante fosse atingido, as informações secretas poderiam ser roubadas. O cientista Manuel Castells (2006, p.44) ilustra bem a consequência dessa empreitada:
O resultado foi uma arquitetura de rede, que como queriam seus inventores, não pode ser controlada partir de nenhum centro e é composta por milhares de computadores autônomos com inúmeras maneiras de conexão, contornando barreiras eletrônicas.
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Sputnick: Satélite artificial lançado pela União Soviética.

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A Internet teve sua primeira denominação como ARPANET - Advanced Research and Projects Agency ou Agência de Pesquisas em Projetos Avançados. O que inicialmente era para ser um sistema para manter em segurança as informações do país, tomou proporções cada vez maiores. “O tráfico de dados cresceu rapidamente e entre os novos usuários havia pesquisadores universitários com trabalhos na área de segurança e defesa.” (FERRARI, 2003, p.15). Através do backbone3 da ARPANET (na tradução literal espinha dorsal), foi possível estabelecer interligações entre subredes conectadas a esse sistema. Além de utilizarem a rede, que era privilégio de poucos, eles dedicavam-se a expandir essa nova forma de comunicação. A invasão de cientistas e universitários para a rede separou os fins militares. Foi liberado, nesse momento, o acesso para cientistas de todas as instâncias. Em 1983 houve a divisão entre ARPANET dedicada a fins científicos e a MILNET – responsável pelas questões militares. Outras redes, como a CSNET e BITNET surgiram, oferecendo acesso para outras organizações e universidades que lidavam com a área da pesquisa no país. Porém, a ARPANET ainda servia com backbone desse sistema. Durante a década de 1980, surgiria então uma rede que substituiria a ARPANET nessa função de espinha dorsal, a ARPA-INTERNET – que posteriormente foi intitulada de INTERNET. O ano de 1989 foi marcante para a cronologia da Internet. Tim Berners Lee, pesquisador e cientista do Conseil Européen pour La Recherche Nucléaire (Conselho Europeu de Pesquisas Nucleares) inventou O World Wide Web (WWW), um sistema de informações organizado de modo que junta todos os outros sistemas de informação disponíveis na Internet. Logo surgiram outros mecanismos que facilitariam ainda mais o acesso a rede, como a linguagem de marcação de hipertexto (HTML) e os navegadores.
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Backbone: “(inf) Do ing., literalmente “espinha dorsal”. Principal segmento de interligação de uma grande rede de computadores, formada por diversas redes menores ligadas entre si. Os backbones estabelecem conexões rápidas entre as maquinas, que pode se comunicar em qualquer lugar do mundo. Hábackbones feitos por fibra ótica, cabo coaxial,links de rádio etc” (BARBOSA;RABAÇA, 2002, p. 54).

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A partir desse momento o acesso a internet tomou proporções inimagináveis no mundo todo. A Internet tem tido um índice de penetração mais veloz do que qualquer outro meio de comunicação na história: “Nos Estados Unidos, o rádio levou trinta anos para chegar a sessenta milhões de pessoas, a TV alcançou esse nível de difusão em 15 anos; a Internet o fez em apenas três anos após a criação da teia mundial” (CASTELLS, 2006 p.493). Atualmente a Internet aparece como o meio de comunicação em maior crescimento. E cada dia, se torna mais viável o acesso ao mundo virtual.

4.1. Internet no Brasil

No país, as primeiras aparições da Internet foram em 1988, conectando universidades e centros de pesquisa do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre a instituições nos Estados Unidos. No mesmo ano, o Instituto Brasileiro de Análises Econômicas e Sociais (Ibase) começou a testar o AlterNex o primeiro serviço brasileiro de internet que não tinha intuitos nem governamentais – como no caso do primeiro momento da Internet nos EUA – nem acadêmicos. Segundo Moura (2002. p. 22) a AlterNex foi “o primeiro serviço internacional de correio de conferências eletrônicos no Brasil, operado por uma entidade privada, utilizando um sistema básico que, em breve, comportaria a Internet”. No ano de 1989, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) criou a RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa), com o objetivo de unir essas redes até então embrionárias e formar uma espinha dorsal a fim de obter uma abrangência nacional. Dois anos mais tarde, em 1991 foi implantada em território nacional uma rede que interligaria 11 capitais do país. Nos anos seguintes, a RNP esforçou-se para mostrar as possibilidades de conexões em rede que estava aberta para todos os estados brasileiros. Posteriormente, em 1994, se inicia a exploração comercial da Internet. O governo concede responsabilidade à Embratel, que fez um teste experimental
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com cinco mil usuários. Contudo, Moura (2002) destaca o fato de a população ainda ser leiga em relação ao conceito de Internet. Segundo o autor, curiosamente, a novela “Explode Coração”, transmitida pela Rede Globo, foi a responsável por revelar o funcionamento da comunicação em rede por milhões de brasileiros. Moura (2002, p. 23) explica: “Quase que em conseqüência da trama televisa, o primeiro “boom” da Internet no Brasil aconteceu ao longo de 1996, tanto pelo crescimento do mercado (que já apontava diversos provedores de acesso) como pela melhoria dos serviços, graças à Embratel”. A partir daí, o número de usuários cresceu de forma impressionante. Dados da empresa pela empresa de estatísticas comScore4 informam que a quantidade de internaturas no Brasil é ultrapassa 73 milhões. Outra pesquisa5, realizada pelo Centro de Estudo sobre as tecnologias da Informação e Comunicação setembro de 2010 concluiu que 32,3 milhões de brasileiros acessam frequentemente a internet em casa.

4.2. Jornalismo digital

Sabe-se que os primeiros usuários da Internet usavam-na apenas como correio eletrônico. O surgimento da World Wide Web revolucionou os conceitos, tornando possível não só a comunicação, como também a visualização de todo tipo de informação que tivesse disponível na rede através dos sites. O jornalismo, tendo como principal ferramenta de sustentação a divulgação de informações, tratou de interagir com esse novo sistema. André Borges (apud FERRARI, 2007, p.42) faz uma colocação excelente sobre o impacto do jornalismo digital sobre a imprensa tradicional. “Não é a primeira vez na história da comunicação – tampouco será a última – que uma

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Dados retirados da matéria “Veja os números do Twitter” Disponível http://info.abril.com.br/noticias/mercado/veja-os-numeros-do-twitter-21032010-3.shl Acesso novembro de 2010.
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em: em

Dados retirados da pesquisa: Indicadores mensais. Disponível http://www.cetic.br/usuarios/ibope/tab02-01-2010.htm Acesso em novembro de 2010.

em:

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nova ferramenta ou meio promete colocar em xeque o seu próprio futuro. No entanto, o fenômeno digital atinge em cheio o coração do fazer jornalístico” Reparando, no contexto mundial, o New York Times foi o primeiro jornal a lançar sua versão online. Segundo Luciana Moherdaui (2000, p.21):

O início da era da informação digital se dá nos Estados Unidos, no final dos anos 1980. Na época, a transposição da produção jornalística para a internet estava resumida aos serviços de notícias específicas para um segmento do público, oferecidos por provedores como a America Online.

Iniciativas isoladas como as do Grupo “O Estado de São Paulo” foram responsáveis pela entrada das empresas jornalísticas na grande rede. Moherdaui (2000, p.23) explica: “A expansão do jornalismo digital no Brasil deu-se a partir do êxito de versões similares de revistas e jornais norte-americanos e ingleses, em meados de 1995”. No mesmo ano, ocorreu a primeira cobertura completa no ramo da Internet pelo Jornal do Brasil. Ligados nesse sistema de acesso a informação que se expandia de forma surpreendente e consequentemente proporcionavam um mercado em potencial, os grandes grupos de comunicação brasileiros decidiram conectar-se ao mundo virtual. Porém, inicialmente, ainda não familiarizados com o nova tecnologia, os jornais apenas reproduziam o conteúdo da mídia impressa para Internet. Segundo Ferrari (2006, p.23): “Apenas numa etapa posterior é que começaram a surgir veículos realmente interativos e personalizados.” O pioneiro nessa questão de personalização e interatividade foi o norte-americano The Wall Strett Journal, em „1995. É curioso pensar que, mesmo tendo passado tanto tempo, alguns jornais ainda não aprenderam a explorar esses recursos da rede. J B Pinho (2003, p.113) explica a revolução causada pelo jornalismo feito na internet:

(...) O jornalismo digital é uma síntese de todas as mídias, com as vantagens visuais da TV, a mobilidade do rádio, a capacidade de detalhamento e análise do jornal e da revista, e a interatividade da multimídia - esses elementos tornam promissor o jornalismo na Web e podem representar uma revolução para a atividade.

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Uma questão que vale o destaque é que o mérito do “furo” não é mais exclusividade do jornalista depois da consolidação da Internet. Qualquer indivíduo tem a possibilidade de descobrir a “última notícia” e divulgá-la. Em relação ao público consumidor da informação digital encontra-se o indivíduo que já possui uma familiaridade com computador e que já passou das barreiras da forma de comunicação da grande mídia. Para Analu Andrigueti :

A evolução dos perfis dos leitores está relacionada principalmente ao aumento de linguagens e mídias envolvidas no processo de comunicação e à velocidade em que esse acontece. A leitura imóvel, atenta, passa pelo transtorno das imagens em movimento do controle remoto da TV e dos videoclipes frenéticos, para chegar à virtualidade do ciberespaço, que requer um usuário ativo, que busca informação, sempre plugado a um computador ou a um dispositivo móvel que permita a transmissão de dados (ANDRIGUETI in FERRARI, 2007, p. 97-98).

Diversos atrativos da web, como a interface, a interatividade e a personalização de conteúdo – por exemplo, são responsáveis por conquistar esse novo leitor. Segundo uma pesquisa6 feita pela Folha Online, Datafolha e iBest em 2001, a porcentagem de internautas brasileiros é maior entre os 14 e 24 anos (58%). Os indivíduos com idade entre 25 e 34 anos ocupam o segundo lugar, com 21%. Somente 13% dos internautas têm de 35 a 44 anos. Existem alguns formatos em que jornalismo na web pode se apoiar para conquistar esse leitor: sites, portais, fóruns, hotsites, blogs. Dentre essas tantas possibilidades, o blog aparece como um meio cada vez mais utilizado, por possuir inúmeras vantagens e ser o mais democrático na rede.

4.3. Blog

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Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/2001-ibrandspesquisa_sexo_instrucao.shtml> Acesso em novembro de 2010.

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Foi em 1999 que os primeiros blogueiros começaram sua jornada. A “Pitas” lançou a primeira ferramenta de manutenção de sites via Web. No mesmo ano, foi lançado o Blogger. Adriana Amaral et al (2008) afirma que sucesso desses sistemas para os mais diversos usos se deu devido à facilidade de publicação e manutenção – visto que não exigiam conhecimento da linguagem HTML. Alguns anos mais tarde, já existiam blogs com todo tipo conteúdo. A heterogeneidade é um traço marcante quando se fala desse tipo de ferramenta Chris Anderson destaca a revolução causada pelos blogs:
Embora tenha sido a fotocopiadora que primeiro desmentiu o aforismo de que “o poder da imprensa só beneficia os donos”, foram os blogs (abreviação de weblóg) que desencadearam a renascença da editoração amadora. Hoje, milhões de pessoas lançam publicações diárias para um público que, no conjunto, é maior que o de qualquer veículo da grande mídia. Por sua vez, os blogs são consequência da democratização das ferramentas: o advento de softwares e de serviços simples e baratos que facilitam a tal ponto a editoração on-line que ela se torna acessível a todos (ANDERSON, 2006, p. 45).

Artus Vasconcellos de Araujo expõe que o termo blog foi um neologismo criado pelo norte-americano John Barger para “designar seu site, uma home page pessoal caracterizada por uma coleção de comentários com links para outras páginas da Internet que terminava com uma seção na qual o autor mantinha um diário”. (2004, p.1) Amaral (et al, 2008) baseou-se em diversos autores para chegar à seguinte conclusão: existem dois tipos de conceituação feitas pelos autores quando o assunto é blog. A primeira é a estrutural, que diz respeito ao formato dessa ferramenta. Blood (apud Amaral et al, 2008) afirma que a estrutura é definida pelos textos com a publicação mais recente no topo da página e a possibilidade de links que apontam para sites similares. A segunda é a

funcional, tratando os blogs um mecanismo que tem como função primária a comunicação. Além disso, Amaral (et al, 2008) destaca a conceituação feita por Nishant Shah que classifica os blogs como artefatos culturais. Segundo Shah, o blog representa uma oportunidade de aproximação do contexto sócio-histórico a
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partir do olhar subjetivo dos escritores (apud Amaral, et al, 2008). Outro ponto, colocado por Amaral ( et al, 2008) é que perceber o blog como artefato cultural significa considerá-lo também um virtual settlement (ou comunidade virtual) “uma vez que são eles o repositório das marcações culturais de determinados grupos e populações no ciberespaço, nos quais é possível, também, recuperar seus traçados culturais.” (Amaral et al, 2008, p.4 ). Relações sociais são estabelecidas, portanto, através dessa participação dos indivíduos no mundo virtual. Por falta de conhecimento ou puro preconceito, o senso comum ainda rotula os blogs como meros diários virtuais.
Muito embora a imprensa insista em considerá-los meros diários online, reduzindo-os a ferramentas de publicação individual e de celebração do ego, a verdade é que os blogs são hoje espaços fundamentais de interação e partilha do conhecimento (PRIMO e SMANIOTTO, 2006).

Um fato que notoriamente nega essa conceituação única de diário virtual foi o surgimento do IBSN7 (Internet Blog Serial Number), há quatro anos. O serviço oferecendo um número de indexação que visa garantir o direito dos autores de um blog sobre as produções literárias postadas e obriga que sejam feitas referências aos conteúdos publicados. O blog, portanto, aparece como um objeto capaz de completar a mídia de massa e mesmo servir como alternativa capaz de promover a discussão de temas retratados na grande imprensa. André Borges ( In: FERRARI, 2007 ) destaca o fato da maioria dos blogs jornalísticos se basearem na repercussão das notícias veiculadas pelo rádio e TV para tecerem seus comentários. Segundo Amaral (et al, 2008), a utilização do blog também como prática jornalística contribui para a visibilidade dos assuntos tratados pela mídia:

A percepção dos blogs como espaços de sociabilidade, como constituintes de redes sociais está presente nesta vertente. Blogs como meios de comunicação implicam também sua visibilidade enquanto meios de práticas jornalísticas, seja através de relatos opinativos, seja através de relatos informativos. (AMARAL, et al, 2008, p. 4).
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Internet Blog Serial Number: http://ibsn.org/

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Ana Sofia Bentes Marcelo completa, lembrando as vantagens dessa ferramenta do mundo virtual:
Através dos novos dispositivos o Homem liberta-se de todos os grilhões refereciais que o aprisionavam no mundo real e aventura-se na criação de novos mundos virtuais. O Homem lança-se assim numa nova aventura, no âmbito da qual a própria noção de espaço e tempo é subevertida, protagonizada pelos novos media, disponistivos tecnológicos que operam a recontextualizaçao comunicacional dos nossos dias (MARCELO apud RODRIGUES, 2006, p.14).

Merecem atenção algumas dos dispositivos propostos pelo blog, como a interatividade, proximidade, o dinamismo, a segmentação e a liberdade para o autor.

4.4. Características do blog

A forma de comunicação que antes era determinada por um único emissor para vários receptores mudou sua configuração. Agora, o consumidor de informação virou também emissor. A interatividade, nesse cenário, ganha vida, com o leitor participando ativamente ao revelar sua opinião. A pesquisadora Raquel Recuero (2003) expõe que os leitores do blog interagem ainda mais que os dos jornais online:
(...) os blogs, bem como os jornais online encontram-se imbuídos dela. [interatividade].Entretanto, os blogs a incorporaram de um modo ainda maior do que os jornais, que ainda parecem receosos de permitir a interação direta entre jornalistas/leitores e outros jornalista.

A manifestação do leitor também gera intervenções no espaço público. Catarina Rodrigues (2006) ressalta que o aparecimento do jornalismo industrial gerou uma crise no espaço público moderno, “na medida em que os jornais passaram a ser empresas orientadas para o lucro do que para o debate o e confronto políticos” (RODRIGUES, 2006, p. 6). Para a autora o blog aparece como ferramenta capaz de ultrapassar as regras onde assenta o jornalismo,
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usando como justificativa as regras editoriais e rotinas produtivas. Quebra-se, portanto, a via de mão única do jornalismo tradicional através da interatividade. Catarina Rodrigues (2006) constata que no blog a interatividade parece atingir plenitude. A autora acrescenta que a maioria dos blogs permite comentários sobre o conteúdo de publicação praticamente em tempo real. Para Rodrigues (2006, p.28): “Esses dispositivos, acabam por cumprir aquela que sempre foi uma promessa da web, a comunicação e troca de informação entre as pessoas, de uma forma instantânea, independente de sua posição geográfica. Em seu livro “Blog: Comunicação e escrita íntima na internet”, Denise Schittine (2004, p.150) lembra que um fator indispensável em um blog é dar atenção ao leitor. “A troca com o público é uma das coisas mais importantes, é necessário responder aos seus comentários, se basear neles para escrever um novo texto.” Além da interatividade, outra característica importante do blog é o dinamismo. As notícias podem ser publicadas no exato momento em que acontecem. Novas tecnologias deixam ainda o processo mais rápido. É necessário abrir um parênteses nesse momento para falar sobre o Twitter, um serviço de microblog. A ferramenta faz sucesso entre os internautas, que trocam mensagens curtas – de até 140 caracteres – em tempo real. O Twitter atingiu cerca de 75 milhões de usuários segundo dados da pesquisa8 feita nesse ano pelo Sysomos. No blog em si ou no microblog, o dinasmismo atrai milhares de indivíduos. Se há alguns anos atrás era necessário ligar o rádio ou a televisão para saber as últimas novidades, agora, é preciso apenas digitar um endereço eletrônico no navegador. Em relação ao formato da escrita pode se dizer que não existem amarras jornalísticas nesse espaço. Em um jornal, normalmente precisa-se obedecer a política da empresa jornalística. No blog, adquire-se uma autonomia e liberdade no quesito opinião. Ademais, o jornalista pode exercer a escrita livre
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Dados retirados da matéria “Veja os números do Twitter.Disponível http://info.abril.com.br/noticias/mercado/veja-os-numeros-do-twitter-21032010-3.shl Acesso novembro de 2010.

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de padrões como o lead, a formalidade e a objetividade exigida pelos jornais. Como lembra Denise Schittine (2004, p.156):

(...) [os jornalistas] buscam uma escrita mais leve, menos informativa e mais ficcional do que aquela que realizam no seu dia-a-dia. (...) a verdade é que os blogs acabam sendo um meio caminho entre a ficção e a informação, entre o jornalismo e o escrito íntimo, isso quando não misturam uma coisa com a outra.

A criatividade, portanto, pode ser amplamente explorada nesse veículo. Assim, a personalidade dos blogueiros ganha destaque. Segundo Efimova e Hendrick (apud Amaral, et al, 2008) Os blogs são formas de publicação distintas e tornam uma forma de apropriação do ciberespaço como modo de expressar a identidade de quem escreve. Efimova e Hendrick (apud Amaral et al, 2008, p. 5) completam "até mesmo weblogs que não passam de uma coleção de links e de comentários curtos dizem algo sobre os seus autores" . Ademais, a segmentação aparece como uma característica essencial quando veículo em questão é o blog.

4.5 Segmentação: descoberta de um nicho

Não pode ser deixado de lado o poder de segmentação do blog. O leitor pode encontrar um conteúdo aprofundado sobre seu tema de interesse em um único lugar, ou até mesmo um resumo do assunto desejado. Dessa forma, os visitantes contribuem para o desenvolvimento do blog, através da troca de idéias e opiniões. Além disso, uma linguagem específica pode ser explorada, visto que o público leitor não terá dificuldades por estar acostumado a tal linguagem. Para Weisten (1995) existem quatro benefícios principais encontrados na segmentação de mercado: Projetar produtos que atendam eficazmente às necessidades do mercado; elaborar estratégias promocionais eficazes e de baixo custo; avaliar a concorrência, especialmente a posição de mercado da empresa e prover insights junto às estratégias de marketing atuais.
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Denise Schittine (2004, p. 90) destaca a formação de nichos no campo da Internet: “A aldeia global da visão de Macluhan se vê dividida em pequenos grupos, grupos que se agregam em torno de interesses comuns”. No que diz respeito à segmentação, o seguinte trabalho pretende atingir um nicho de mercado, ou seja, um mercado que tem a demanda inexplorada. Marcos Cobra (2001) define nichos de mercado como oportunidades de mercado. Foi detectado que um não existe no mercado um produto com as especificidades propostas pelo blog em questão.

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5. O PRODUTO

O blog e a crônica compartilham algumas características, como por exemplo, a informalidade, a atualidade, a personalização, o reflexo como cultura de um período e a liberdade na forma e conteúdo. Certamente, juntar esse gênero com o formato irá ter resultados positivos. O produto em questão está focado em jovens que tem ensino superior incompleto ou completo – de 18 a 30 anos de ambos os sexos. O público alvo do blog é justamente o que mais acessa a internet. O dado foi confirmado através da aplicação de uma pesquisa quantitativa e qualitativa pela autora, que buscou analisar a faixa etária, grau de escolaridade, meios de informação, hábitos de leitura, se as pessoas lêem crônicas, etc. O questionário foi publicado na internet através do Twitter e Facebook9 da autora, além de ter sido divulgado por outras pessoas que integram essas duas redes sociais. O levantamento de dados foi analisado após ser respondido por 152 pessoas. (ANEXO B, p. 78) Com a apuração desse questionário foi possível perceber que a maioria dos pesquisados estão entre 18 e 30 anos, com 87% da porcentagem total. Além disso, 63% das pessoas disseram ter o Ensino Superior Incompleto. Em segundo lugar, aparecem os que têm o Superior Completo, com 20%. Ao analisar esses números, concluiu-se que essa faixa etária, bem como esse nível de escolaridade, predominam no âmbito da Internet.

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Facebook: rede social que reúne milhões de usuários em todo o mundo. Fonte: autora.

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Outro ponto importante é que a maioria das pessoas que responderam a pesquisa (74%) disseram passar mais de quatro horas acessando a Internet. (ANEXO B, p. 78). Esse grupo que passa várias horas do dia utilizando a grande rede é o que interessa ao produto. O ineditismo da proposta está em criar um blog que contenha unicamente o gênero crônica, direcionado para jovens. Depois de uma análise nos endereços eletrônicos, foi percebido que não existe um site ou blog com o gênero em questão direcionado para esse público. Dessa forma, trata-se de um nicho – grupo cujos desejos não estão sendo atendidos. A escolha pelo blog como produto como destinado a divulgação das crônicas se concretizou pelas semelhanças do blog com o gênero crônica e também pelo crescimento cada vez maior da Internet como meio de obtenção de informação e formação de opinião, principalmente para os jovens. Foi confirmado que o público alvo do produto tem familiaridade com o universo virtual bem como o uso da Internet como meio fundamental para obtenção de informação. Segundo a pesquisa 100% dos entrevistados utilizam a Internet para leitura. Também segundo o questionário, observou-se que dentro do campo da Internet, os blogs são os veículos mais utilizados, com 86%. Portanto, o produto em questão condiz com os hábitos de leitura do público que pretende atingir. Já que o blog é o veículo que tem mais preferência entre os internautas, existem chances concretas de o produto ser consumido. Apesar desses pontos vantajosos, foi constatado também esses jovens, apesar de ter um contato íntimo com a Internet, ficam divididos no que diz respeito ao quesito “ler crônicas pela internet”. 54% dos entrevistados disseram que não leem crônicas na grande rede, enquanto 46% falaram que tem o costumem de lê-las. Encontra-se aqui uma oportunidade, de conquistar essa fatia de entrevistados que não tem o hábito de ler o gênero em questão. Para essa parcela que respondeu que não costuma ler crônicas na internet, foi perguntado o motivo – a resposta podia ser quantitativa e qualitativa. As alternativas eram: não há linguagem interessante; não há assuntos relevantes;
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não há um layout chamativo; não há familiaridade com o gênero e outros – resposta aberta. A opção “Outros” foi a mais escolhida, com 41%. Várias pessoas preferiram não explicar quais eram os “outros motivos”. Entre as que responderam, cinco revelaram que não há conforto em ler pelo computador, quatro afirmaram não conhecer blogs de crônicas, três disseram não ter interesse, dois responderam não ter hábito de ler crônicas e outros dois falaram que a maioria dos sites se apropria de mais de um gênero e que não há divulgação de um blog unicamente de crônicas. As outras respostas foram ignoradas por serem irrelevantes. Dentro das alternativas fechadas, 41% marcaram a opção “não há familiaridade com o gênero”, 18% “não há assuntos relevantes”, 16% não há um layout chamativo e 14% como “não há linguagem interessante”. Para suprir essas lacunas e tentar atrair esse público que não lê crônicas pela internet vão necessárias algumas medidas. A primeira dela é trabalhar com textos curtos com cerca de 2500 caracteres. J. B Pinho (2003) no livro “Jornalismo de Internet: Planejamento e produção da informação on-line” coloca os textos curtos como orientação para redatores da área digital. Além disso, sabe-se que os leitores distraem muito fácil nesse universo virtual. A produção de crônicas curtas é um artifício que visa “segurar” esse público que não considera confortável a leitura pelo computador. A segunda medida é familiarizar esses indivíduos que não conhecem o gênero, através da divulgação em redes sociais a cada nova atualização do blog. Além disso, um layou10t atrativo vai ser desenvolvido para despertar interesse e motivar o público a consumir o conteúdo publicado no blog. A última medida é produzir textos que tenham uma linguagem condizente com o público jovem a fim de aproximá-lo e satisfazê-lo. A produção de textos livres de amarras jornalísticas também irão trazer benefícios para o leitor no que diz respeito a estética. Sabe-se que as crônicas contribuem para melhorar a legibilidade dos temas abordados pela mídia. Pretende-se explorar os recursos lingüísticos que favoreçam a

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Layout: Parte visual, design, de uma página da Internet.

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legibilidade a fim de tornar a leitura uma atividade mais interessante e prazerosa. Discutir os temas das entrelinhas da grande mídia através da crônica traz o público para perto do universo do texto. A pluralidade do gênero permite uma riqueza de sentidos e significados. A crônica motiva o leitor, assim como a literatura, a degustar o texto de acordo com sua experiência de vida, sua visão de mundo e preferências pessoais. Ao mesmo tempo, ela segue alguns passos do jornalismo prezando o lado humano, mostrando novos caminhos e perspectivas sociais e culturais e de alteridade. Através do uso do blog, será possível atrair o jovem que faz parte de produzir um conteúdo altamente segmentado. Sabe-se, por exemplo, que os portais têm o objetivo de agradar variados leitores, sendo muitas vezes bastante imparciais. O blog, ao contrário, se propõe a atrair a atenção de um público específico, nesse caso os jovens. Ademais, uma consideração importante pode ser feita através da análise das respostas fornecidas pela pergunta aberta: “você se encaixa em alguma tribo urbana?” A maioria das pessoas deixou a resposta em branco ou escreveu “não”. Constatou-se assim o público em questão vê o fato de fazer parte de uma tribo urbana como pejorativo. Portando, o blog vai ser desenvolvido para um grupo que não se sente inserido em nenhuma tribo ou para aquele que se sente inserido ao mesmo tempo em várias tribos urbanas. A escolha do nome (“Avessos”) está relacionada com o fato de a crônica mostrar o outro lado das notícias e situações. Através dos avessos, do “nãoexplícito”, dos elementos incomuns, das entrelinhas é que se constrói uma crônica.

5.1. Conteúdos

No questionário (ANEXO B, p. 78) também foi desenvolvida uma pergunta que estava relacionada aos assuntos que chamam ou chamariam mais atenção desse público na hora de ler uma crônica. O entrevistado podia escolher
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quantas alternativas quisesse nessa questão. Em primeiro lugar, ficou “Amor” com 76%. Em seguida, Sexo, com 66%. Um pouco mais distante está a Literatura, com 66% e Nostalgia, com 57%. Posteriormente aparecem “Transtornos psiquiátricos”, com 53% e “Drogas, com 52% e “Preconceito” com 45%. Os demais temas (como “Jornalismo”, “Família”, “Medicamentos”, “Trabalho”, “Tecnologia” “Gastronomia” e “Outros” tiveram uma porcentagem inferior. Para que o resultado almejado seja alcançado esses temas vão aparecer no conteúdo produzido. . Obviamente, a intervenção do leito através dos comentários, emails e redes sociais pode originar novas crônicas. Sabe-se que o produto em questão tem um caráter altamente interativo, tornando o receptor do conteúdo uma espécie de colaborador. Dessa forma, o material publicado vai atender cada vez mais os interesses e expectativas do público-alvo. Além disso, a autora vai estar atenta aos conteúdos publicados na imprensa, nos blogs e nas redes sociais. Pretende-se produzir um conteúdo altamente relacionado com as pautas contemporâneas. Não deve ser descartada também a possibilidade de serem utilizadas, quando a autora considerar interessante, fotografias, ilustrações, charges relacionados a cada texto. Vale lembrar que as atualizações do blog vão ser feitas duas vezes por semana. Esse número foi estabelecido visando não tornar cansativa a leitura pelo computador. Tal periodicidade também evita que o conteúdo fique monótono, repetitivo, como muitas vezes ficam as matérias diárias publicadas pelos jornais.

5.1.1 Crônicas na Internet

Sabe-se que a mídia tradicional costumava se utilizar de conceitos como a centralização, a totalidade, a unanimidade em suas publicações. Alguns teóricos citam a agenda jornalística para ilustrar esse fato. Felipe Pena (2005, p. 142) pontua: “A teoria do agendamento defende a ideia de que os consumidores de
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notícias tendem a considerar mais importantes os assuntos que são veiculados na imprensa, sugerindo que os meios de comunicação agendam nossas conversas”. Porém, esse paradigma está sendo destruído. Com o surgimento da Internet e avanço das novas mídias Novos produtores de conteúdo aparecem nesse contexto, “roubando” o domínio do que é repercutido e mudando a maneira unilateral característica comunicação tradicional. Raquel Recuero (2000) explica bem essa mudança:

É a aldeia global de McLuhan concretizada muito além do que ele havia previsto. Uma aldeia repletas de vias duplas de comunicação, onde todos pode construir, dizer, escrever, falar e serem ouvidos, vistos, lidos. Com o surgimento deste novo meio, diversos paradigmas começam a ser modificados e nossa sociedade depara-se com uma nova revolução, tanto ou mais importante do que a invenção da escrita.(..). Ao mesmo tempo, o advento do ciberespaço, um espaço novo, não concreto, mas igualmente real sugere uma reconfiguração dos espaços já conhecidos, das relações entre as pessoas e da própria estrutura de poder.

A redução do poder da grande mídia traz como consequência uma democracia no campo da informação. Recuero (2000) cita o teórico Pierre Levy que acredita que a Internet pode trazer um futuro mais democrático para a humanidade. A descentralização do poder, acrescida a ideia de pluralidade de conteúdos reconfiguram o conceito de comunicação. As crônicas produzidas no blog, portanto, nem sempre vão citar alguma notícia ou matéria publicadas na mídia de massa. Novas mídias – como os blogs e as redes sociais – podem ser utilizadas como fonte para o desenvolvimento dos textos, já que elas repercutem os assuntos comentados pela opinião pública. Ou até mesmo, não utilizar referências – já que o blog também funciona como um produtor de conteúdo. Quebra-se, dessa maneira, o conceito de agenda jornalística – que sugere que a grande mídia diz aos cidadãos sobre o que falar. É importante pontuar que não referenciar a mídia de massa não implica em desenvolver textos vagos ou com temas ultrapassados. Obviamente, os temas apresentados nos textos vão ser baseados em questões inerentes a atualidade. Assuntos ainda não discutidos podem dessa forma assim ganhar visibilidade, gerando novas reflexões.
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5.2 Concorrentes e diferenciais

Para que o blog alcance o objetivo estipulado, é necessário encontrar um diferencial, além de torná-lo interessante, competitivo e superior. O diferencial do “Avessos” diz respeito à um blog somente com o gênero crônica com textos feitos especialmente para o público jovem. Como se trata de um nicho – um grupo que tem os desejos não atendidos – não existem concorrentes diretos. Porém, é necessário fazer uma análise dos concorrentes indiretos e substitutos para obter um panorama geral, percebendo pontos positivos e eventuais falhas. Mesmo que não compartilhem a mesma fatia de mercado, os concorrentes indiretos podem afetar de alguma forma o padrão de consumo dos consumidores potenciais. Para análise dos concorrentes indiretos, foram utilizadas respostas dos entrevistados no primeiro questionário (ANEXO B, p.78). Depois da questão: “Você costuma ler crônicas pela internet” foi colocada tal pergunta aberta: “Se sim, em quais endereços eletrônicos?” Ao examinar as respostas da primeira pesquisa quantitativa e qualitativa (ANEXO B, p.78), alguns concorrentes indiretos foram encontrados. Vale ressaltar que se fez um exame nos concorrentes indiretos, que se relacionam com os atributos do produto a fim de perceber quais as qualidades e diferenciais de cada um deles. (TABELA 1) Sete dos entrevistados afirmaram ler regularmente o blog do escritor, jornalista e professor universitário Fabrício Carpinejar11. Seu blog, portanto, aparece como um forte concorrente indireto. O site “Vida breve12”, que conta com a participação de diversos cronistas aparece em segundo lugar, citado por três pessoas. Além disso, a redatora e roteirista Tati Bernardi foi citada por um dos entrevistados. Apesar de não ser lembrado, seu site13 certamente é um concorrente indireto, por utilizar uma linguagem que voluntariamente ou não
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Fabrício Carpinejar publica suas crônicas em: http://carpinejar.blogspot.com/ Acesso em novembro de 2010. 12 Vida Breve conta com 14 colaboradores, entre eles cronistas e ilustradores: http://vidabreve.com/ Acesso em novembro de 2010. 13 Tati Bernadi publica seus textos em: http://tatibernardi.com.br Acesso em novembro de 2010.

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agrada o universo jovem – muito mais que “Carpinejar” e “Vida breve”, que produzem um conteúdo mais generalista. É válido pontuar nesse momento que o site da Tati Bernadi não entra como um concorrente direto por ter alguns textos que se assemelham mais ao conto do que a crônica. Além disso, a autora dá ênfase ao tema “Amor” e não abre espaço para comentários em suas publicações. Dessa forma, conclui-se que é mais um site de “mão única”, onde há somente um produtor de conteúdo e não existe um foco no público jovem e em seus interesses e opiniões. Dentre os quatro concorrentes indiretos citados, “Carpinejar” é o que tem maior volume de comentários em cada postagem. Provavelmente esse fato se dá pelo autor já ter reconhecimento devido à publicação de livros. Através de uma nova pesquisa, dessa vez analisando somente os concorrentes, foi possível obter dados sobre como o público avalia a qualidade dos mesmos. (ANEXO D, p. 86). Pôde-se perceber que a maior parte das 124 pessoas que responderam a pesquisa nunca haviam lido os textos dos três concorrentes indiretos – “Carpinejar”, “Vida Breve” e “Tati Bernadi”. Dentre as que liam, “Carpinejar” foi o mais bem-votado no quesito qualidade de conteúdo, considerada “Muito boa” pela maior parte dos entrevistados, com 30%. “Vida breve” teve a qualidade de conteúdo ponderada pela maioria como “Boa”, por 20% das pessoas. “Tati Bernardi” também foi avaliada como “Boa” em sua maioria (20%).
CONCORRENTES INDIRETOS – TABELA 1

Veículo/ Atributo Linguagem informal Layout chamativo Atualizações constantes Conteúdo direcionado

Carpinejar (blog) Sim Sim Sim Não

Vida breve (site) Sim Sim Sim Não

Tati bernardi (site) Sim Não Sim Sim 52

pra jovens Participação dos leitores via comentário Qualidade de conteúdo
Fonte: Autora (2010)

Muita Muito boa

Pouca Boa

Não há opção Boa

Os concorrentes substitutos, por sua vez, se relacionam ao mesmo público, porém, oferecendo um produto diferente. A análise nesse momento trata do benefício proposto por certo produto que pode afetar o padrão de escolha do consumidor pelo blog em questão. Foram analisados, portanto, os seguintes benefícios: linguagem informal, uso de humor, atualizações constantes, conteúdo direcionado para jovens, interatividade e qualidade de conteúdo. Para avaliar a qualidade de conteúdo dos concorrentes, foi utilizada a nova pesquisa citada anteriormente (VER ANEXO D, p.86). Um ponto que difere os concorrentes substitutos é que a maioria das pessoas já teve algum contato com a maioria produtos citados, diferente dos concorrentes indiretos. Os veículos analisados pela pesquisa foram o Twitter (rede social), a “Trip” (revista), o “Legendários” e “CQC” (ambos programas de TV). Os jornais e livros não foram incluídos na pesquisa, pois estão sendo analisados, nesse momento, de uma forma mais generalista. Eles foram colocados em um panorama geral, por existem em grande variedade no mercado. Seria difícil decidir quais são os mais importantes, dependendo, além do gosto pessoal, da região e forma de pensamento de cada indivíduo. O Twitter aparece com uma mídia forte em relação aos outros concorrentes, por apresentar pontos positivos em todos os quesitos examinados. A rede social – que é uma das mais usadas no país – permite que usuário modele seu perfil de acordo com seus interesses. Esses certamente podem ser a linguagem coloquial, o uso de humor e as atualizações constantes. A qualidade de conteúdo depende da seleção feita pelo usuário. Obviamente o indivíduo não vai seguir o conteúdo que considera desinteressante ou irrelevante. Segundo a
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pesquisa feita para analisar os concorrentes, o público considera a qualidade de conteúdo do Twitter boa de uma forma geral, com 52% das respostas. Outro ponto que vale destaque no Twitter é a interatividade: os usuários podem trocar informações e opiniões em tempo real. A interatividade tem um volume inferior nos outros veículos examinados. O programa de TV “Legendários” tem bastante interação com o público, usando o próprio Twitter como ferramenta para obtenção da mesma. Os comentários dos telespectadores feitos durante o programa via Twitter aparecem na própria tela da TV. O “Legendários” peca apenas na qualidade de conteúdos, considerado “Regular” pela maioria das pessoas que assistiram o programa – 30% . A autora fez uma análise do “Legendários” e concluiu que o programa muitas vezes produz matérias com conteúdos banais ou explorando os temas de maneira superficial. O programa de televisão “CQC”, por sua vez, também possui méritos em relação à linguagem informal, a utilização do senso de humor e acerta em propostas para agradar o público jovem. No quesito “interatividade”, o “CQC” dispõe de um espaço para os comentários dos telespectadores via Twitter, que aparecem no site durante o programa. Além disso, existe um quadro denominado “Proteste Já”, que divulga os problemas relacionados com as obras públicas não finalizadas, transporte ineficaz e mau atendimento. No quadro, o telespectador pode sugerir um pauta para os repórteres realizarem uma matéria com a questão que ele deseja que seja efetivada ou melhorada. A qualidade de conteúdo no “CQC” foi avaliada como “Boa” pela maioria dos entrevistados – 40% do total. A autora também examinou tal programa de TV. As matérias do “CQC” tratam de temas importantes repercutidos durante a semana, com inteligência e humor. Diversos temas de interesse público – como política, eleições, manifestações - são explorados de maneiras inusitadas nas reportagens. Tratando-se de qualidade de conteúdo, a revista “Trip” apresenta um valor considerável. Com reportagens esclarecedoras, bom uso da coloquialidade na linguagem e pautas relacionadas a dia-a-dia, a revista é apreciada especialmente por jovens. As reportagens geram repercussão em redes sociais e
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colaboram para a formação de opinião. Segundo dados da pesquisa feita pela autora, o público que já teve contato com a revista, considera a “Trip” como “Boa” ( 33 %). Em relação à interatividade, caso o indivíduo esteja lendo pela Internet, ele pode fazer comentários e compartilhar os textos via email ou redes sociais. Apesar disso, o site da revista não tem grande número de comentários. No mais, a “Trip” tem periodicidade mensal e já foi eleita por dois anos consecutivos uma das 10 mais revistas admiradas nos país, em pesquisa 14 feita pela editora Meio & Mensagem e pela Troiano Consultoria. Em um aspecto geral, as colunas e crônicas dos jornais – impressos ou digitais -apresentam uma linguagem mais leve do que a utilizada em outros espaços inseridos dentro dos jornais. O uso do humor ou não depende de cada autor. O leitor pode optar por textos com essa característica caso tenha preferência. As atualizações seguem o ritmo dos jornais, sendo dessa maneira, constates. A maioria dos textos de colunas ou crônicas não são focadas no jovem, porém esse público pode ter alguma identificação com os temas ou a forma com que são escritos. A interação do leitor com o produtor de conteúdo é pouca, no máximo por meio de comentários ou emails. E, normalmente, o autor não é influenciado pelas opiniões ao escrever um texto. Apesar disso, a qualidade de conteúdo é alta, visto que quem escreve para esses jornais são pessoas experientes, com uma boa formação e com um ótimo poder de articulação. Em uma última análise, estão os livros, que aparecem como um meio importante de leitura, entretenimento, reflexão e formação de opinião. A linguagem pode ser informal, dependendo totalmente da escolha do leitor. Caso este prefira um conteúdo mais humorístico, também pode encontrar nos livros. A variedade é imensa e a opção por um conteúdo direcionado para jovens pode certamente ser feita. Os pontos negativos dos livros são dois: a demora de atualizações e a interatividade. Se o leitor tem preferência por um autor X, por exemplo, vai ter que esperar um bom tempo até ter acesso á sua próxima
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Dados retirados do site oficial da revista Trip: http://revistatrip.uol.com.br/. Acesso em novembro de 2010.

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publicação. Além disso, o contato entre autor e leitor é mínimo, quando não é nulo. Apesar disso, apenas uma fatia (ainda muito pequena) de escritores divulgam textos em blogs e compartilham em redes sociais. O contato pode ser mais fácil nesse sentido. Porém, ainda são poucos escritores que dão essa abertura para o público. De uma forma geral, o conteúdo proposto nos livros depende completamente das ideias, experiência de vida e poder intelectual do autor. A intervenção do público, portanto, é pífia.

CONCORRENTES SUBSTITUTOS – TABELA 2 Twitter (rede Trip Legendários social) (revista) (TV) Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Livros Crônicas (impressos e colunas ou (Jornais) digitais) Sim Depende Sim Depende Depende Não

Veículo/ Atributo Linguagem informal Uso de humor Atualizações constantes Conteúdo direcionado para jovens Interatividade Qualidade de conteúdo

CQC (TV) Sim Sim Sim

Sim Muito alta Boa

Sim Regular Muito boa

Sim Alta Regular

Sim

Depende

Depende Nenhuma Muito boa

Regular Pouca Muito Boa boa

Fonte: Autora (2010)

Depois desse exame detalhado nos concorrentes indiretos e substitutos, pode-se notar que para que o resultado almejado no blog em questão seja alcançado é necessário focar-se na produção de conteúdo para os jovens. Nos concorrentes, muitas vezes não se tem essa pretensão, e quando se tem peca-se na qualidade de conteúdo e na questão da interatividade. É preciso dar voz ativa para o público, satisfazendo seus anseios e suprindo suas necessidades. Para atingir tal objetivo, além de dispor no blog a opção “Comentários”, o email para contato e a possibilidade de compartilhar o conteúdo via Twitter e
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Facebook, a autora atender o gosto do público em relação aos temas a serem explorados nas crônicas. Além disso, será utilizado o Twitter e Facebook – redes que agradam o público jovem – para divulgar o trabalho e ouvir as opiniões.

5.3 Análise macro e micro ambiental

5.3.1 Análise macro ambiental

Esse tipo de análise consiste no estudo dos fatores que podem interferir diretamente na concepção do produto, mas que estão fora de controle do realizador. Deve ser pontuado que “estar fora de controle” não denota um sentido negativo. Alguns fatores podem auxiliar para o funcionamento do

produto e até mesmo impulsionar o desenvolvimento do blog em questão. Tais fatores podem ser considerados como macro-ambientais: - Tecnologia - Economia - Cultura - ProUni - Repercussão dos assuntos imprensa - Invisibilidade dos assuntos na imprensa - Repercussão dos assuntos nas redes sociais - Interatividade

Sabe-se que o produto em questão está diretamente relacionado com a tecnologia. Somente com o desenvolvimento da Internet foi possível que os blogs surgissem. E somente com a democratização da mesma esse meio ganhou notoriedade. A inclusão digital é uma realidade que vem sendo promovida

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através de medidas governamentais. Segundo uma pesquisa15 feita pela empresa de estatísticas comScore em maio desse ano, a população online do país ultrapassa 73 milhões de brasileiros. Além da democratização cada vez maior da Internet, a economia está colaborando para o ingresso da rede. Os preços referentes aos notebooks (computadores portáteis) estão despencando ao longo dos anos. Nesse ano, cerca em torno de 6,9 milhões de notebooks foram vendidos, segundos dados16 da Abinee. A expectativa para o ano de 2014 é que em cerca 12 milhões notebooks sejam comprados, representando, assim 75% do mercado de computadores pessoais. Em entrevista para a Folha de São Paulo (2010), o diretor de informática da Abinee Antonio Hugo Valério falou: “Há quatro anos, os notebooks representavam apenas 8% das vendas gerais de PCs no Brasil. No próximo ano [2011], a previsão é que os notes representem mais de 50% das vendas de computadores”. A rapidez e convergência midiática que a Internet propõe fazem o indivíduo consumidor das mídias tradicionais migrar para o campo virtual. Além disso, o sujeito que não se identifica com as outras mídias, pode encontrar-se no âmbito digital. Grande parte da leitura, da informação, da opinião, enfim da riqueza cultural dos indivíduos da sociedade atual são fruto do conteúdo online. Segundo a primeira pesquisa feita pela autora, 100% dos entrevistados disseram utilizar a internet para a leitura e a maioria dessa leitura é realizada nos blogs (ANEXO B, p. 78). Dessa forma, a Internet, e em especial o blog, aparece com uma ferramenta capaz de promover a cultura de uma forma geral. Em relação ao público alvo, nota-se que uma mudança está ocorrendo. O público da universidade particular hoje é mais diversificado, conseqüência do

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Fonte: Total da população on-line ultrapassa 73 milhões no Brasil. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/tec/759895-total-da-populacao-on-line-ultrapassa-73-milhoes-nobrasil.shtml> Acesso em novembro de 2010.
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Fonte: Dados e entrevistas disponíveis em: <http://economia.ig.com.br/empresas/comercioservicos/consumo+de+notebooks+deve+dobrar+no+brasi l+em+cinco+anos/n1237781865261.html%3E Acesso em novembro de 2010.

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trabalho desenvolvido pelo ProUni. O programa universidade para todos (ProUni) concede bolsas de estudos (parciais ou integrais) em cursos de graduação e sequenciais em instituições privadas. Tal iniciativa, criada pelo governo federal em 2004 e institucionalizada em 2005, é dirigida aos estudados do Ensino Médio da rede pública ou da rede particular na condição de bolsistas integrais, com renda per capita familiar máxima de três salários mínimos. Vale lembrar que o ProUni possui também ações conjuntas que visam manter o estudante nas universidades, como a Bolsa Permanência, o convênio de estágio MEC/CAIXA e o FIES - Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior. Segundo dados17 do site oficial, o programa atendeu desde sua criação até o processo seletivo do segundo semestre de 2010, 747 mil estudantes, sendo 70% com bolsas integrais. De acordo com gráficos sobre o programa, observase que o número de bolsas ofertadas cresceu de 112.275 no ano de 2005 para 247.643 em 2009. O site também informa que o ProUni colabora para o cumprimento de uma das metas do Plano Nacional de Educação, que prevê a oferta de educação superior até 2011 para, pelo menos, 30% dos jovens de 18 a 24 anos. Outro fator determinante nesse momento é repercussão e a invisibilidade dos assuntos na imprensa. Assuntos que já tiveram repercussão podem originar pautas. Assuntos que não tiveram, por outro lado, podem ganhar representação e visibilidade nesse processo. Em ambos os casos, a reflexão será incitada. As redes sociais (como o Twitter e o Facebook) também vão colaborar nesse processo, podendo gerar temas para serem discutidos nas crônicas. O que pode ser percebido depois dessa análise nos fatores macroambientais é que a Internet conquista cada vez mais o espaço de meio de comunicação mais lido. O “Avessos” pode aproveitar-se da familiaridade que os indivíduos vem com ela (e que tende a aumentar muito mais) para promover a o gênero crônica, a leitura a reflexão. Além disso, os indivíduos que o blog em questão pretende atingir (universitários ou formados) estão em volume maior
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Dados retirados do site do programa: http://prouniportal.mec.gov.br/ Acesso em novembro de 2010.

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devido a projetos como o ProUni. A repercussão dos assuntos na mídia e nas redes sociais pode ter bem aproveitada para a produção de crônicas, assim como a invisibilidade também pode, trazendo para a discussão assuntos

contemporâneos que a imprensa não dá importância ou até mesmo ignora.

5.3.2 Análise micro-ambiental

Entende-se por análise micro-ambiental as considerações sobre os fatores que influenciam na concepção de produto que podem ser controladas mais facilmente pelo realizador. No presente trabalho, podem ser observados tais pontos: - Público-alvo -Domínio da Tecnologia -Linguagens de programação -Web design - Produção de textos -Concorrentes

A escolha do público alvo se manteve igual ao surgimento do projeto até sua concretização, com exceção do acréscimo dos jovens já formatos junto ao público universitário. Tal acréscimo foi realizado após uma pesquisa feita pela autora, em que se conclui que os indivíduos com Ensino Superior Completo eram a segunda maioria de usuários da internet, com 20%. Em primeiro lugar, bem à frente, estava o sujeito com Ensino Superior Incompleto, com 63%. O jovem já formado não irá prejudicar o desenvolvimento do conteúdo produzido – já que, olhando para esse contexto de forma geral, ele possui uma “bagagem” cultural igual ou maior ao univesitário.
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Optou-se pelos jovens de 18 a 30 anos como público algo justamente por eles serem o grupo em mais abundância na rede. Além disso, acresceu-se a vontade da autora de escrever sobre temas com os quais tivesse familiaridade. A preferência feita por jovens que já estiveram ou ainda estejam na universidade foi para poder produzir textos mais livres e reflexivos – fugindo dos estereótipos e do senso-comum. Além de poder “ousar”, tratando de maneira menos

moralista e consequentemente mais liberal algumas temáticas polêmicas, como drogas e homossexualidade. Outra questão refere-se ao fato de essa fatia de mercado estar mais familiarizada com algumas ferramentas da linguagem, como a ironia e o sarcasmo. O suporte do blog foi feito pela plataforma Wordpress versão 3.0. O Worpress usa a ferramenta Open Source (código aberto) que permite a distribuição livre do programa, bem como o incremento de códigos programação é por qualquer indivíduo possa contribuir para a melhoria do mesmo. Além disso, o suporte possibilita que customizações em um novo design e modificações repentinas sejam feitas com rapidez e facilidade. O Wordpress também conta com uma grande quantidade de plugins18 – que integram outras mídias ao blog, como Twitter, por exemplo. Outro destaque é que o Wordpress possibilita a garantia de direitos autorais sob os textos publicados no blog. O layout e a programação foram desenvolvidos pelo web designer Daniel Imaeda. As linguagens utilizadas no Avessos são XHTML. CSS e PHP. Em relação às linguagens de programação, a autora tem um conhecimento muito básico. Caso seja necessária alguma mudança no blog, portanto, a autora pode pedir auxílio para o web designer que vai estar disponível para qualquer ajuste que precise ser feito. Vale lembrar que uma análise nos concorrentes indiretos e substitutos foi feita para buscar o melhor desempenho e resultados do produto em questão (PÁGINA 49).
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Plugins: programas de computadores que oferecem recursos adicionais a outros programas, oferecendo alguma funcionalidade específica.

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Em um último momento, observa-se que um fator imprescindível para o sucesso do Avessos diz respeito às atualizações constantes. A autora se propõe a produzir e publicar textos pelo menos duas vezes por semana. Vale lembrar que as crônicas serão comportamentais e a escolha do tema vai ser feita tendo como base a primeira pesquisa feita pela autora.

5.4 Descrição e viabilidade técnica

5.4.1 Estrutura do Layout

O layout do Avessos chama atenção pela ilustração no canto superior esquerdo. O desenho foi proposto pela autora, por relacionar-se com o conceito de avesso, condizendo ao título do blog. A ilustração é um homem com a cabeça cortada ao meio. Dentro da cabeça, existe o cérebro, com alguns objetos em sua composição como uma caneta, dois cigarros apagados, uma ampulheta, pílulas e um papel amassado. Os elementos referenciam-se aos pensamentos dos indivíduos (como a escrita), ficando expostos para provocar o leitor a enxergar esse “avesso”. Além de fazer referência à contemporaneidade, através da própria ampulheta que remete a questão de tempo e das pílulas e dos cigarros, elementos bastante rotineiros na vida dos jovens. Além disso, a ilustração descrita acima se remete também à autora. Já que a crônica tem muito da visão pessoal de quem a escreve, se faz necessária essa identificação. Segundo Aline Damasceno (2005) o layout de um blog funciona como identificação de seu dono. Do lado direito do cérebro e abaixo dele, existem literalmente “avessos”, com fontes e tons de preto variados. Esses “avessos” existem para fazer referência à diversidade e abrangência. No centro da coluna de layout, na linha dos olhos de quem visualiza o blog, existe uma espécie fita crepe (como se ela segurasse o texto) como um
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menu de navegação, com tais links19: home, perfil, eu indico, contato seguido de uma barra de busca. Felipe Memória pontua a importância que barra de busca representa: “o recurso de busca é, reconhecidamente, um dos mais importantes elementos de interface de um website grande. (...) O ideal seria que todos os websites (...) oferecessem esse recurso a seus visitantes” (MEMÓRIA, 2005, p.60). Abaixo do menu de navegação, encontra-se o conteúdo referente ao conteúdo do blog. Esse formato de layout de coluna foi escolhido para dar atenção total ao texto. Em um portal, por exemplo, existem diversas notícias e artigos em destaque, o que acaba por deixar o leitor aberto para escolha da onde irá clicar. A coluna central com o texto busca conduzir o público diretamente para leitura. Aos lados da coluna central do texto, existe uma flecha estilo “feita à mão” para que o leitor possa ter contato com publicações mais antigas. O texto que fica em destaque na página é sempre o mais recente. Abaixo do texto, estão dispostos dois ícones para o leitor compartilhar a crônica em seu Facebook e Twitter, caso tenha interesse. Logo abaixo, existe um link para comentários. No final da coluna central, abaixo dos comentários, existem duas colunas com tais links: do lado esquerdo – “Últimos posts” e “Feed” e do lado direito “Arquivo” e “Páginas”. Esses quatro elementos foram colocados nesse local para que o leitor tenha fácil acesso a outros textos. Ao lado direito da coluna central, há uma garrafa de cerveja com o nome da autora acompanhada por um cinzeiro com alguns cigarros. Sabe-se que a crônica é um gênero leve, descomprometido, como uma espécie de “conversa de bar”. Optou-se por esses dois elementos por eles representarem essa despreocupação, que certamente casa com o gênero em questão.
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Link: “(inf, int, tc) 3. Ligação entre páginas ou informações de um mesmo site ou diferentes sites. Os links, recursos característicos da linguagem de hipertexto, aparecem nos documentos como palavras grafadas em destaque (sublinhadas ou em cor diferente) do restante do texto. 4. Cada uma das ligações de hipertexto que estão embutidas em um documento de hipermídia, permitindo que o usuário salte de um pedaço de informação para outro item relacionado, não importando onde ele esteja armazenado. Nessa acepção, diz-se tb. âncora e hiperlink.” (BARBOSA e RABAÇA, 2002, p. 433).

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5.4.2 Escolha de fontes e cores

As cores do layout foram pensadas para facilitar a leitura. Optou-se por não usar o branco por ele causar desconforto nos olhos diante da exposição excessiva perante a tela do computador. Como a ilustração é chamativa, as outras cores do layout precisavam ser neutras, a fim de evitar quaisquer conflitos. A cor da parte de fora da coluna é creme e a de dentro cinza. O menu de navegação, como é uma fita crepe, possui um tom puxado para o creme. Vale acrescentar aqui que a cor da fita crepe em questão é mais escura, por representar um pedaço de fita mais gasto, mais sujo. Os links do menu de navegação são cinza escuros Porém, quando o indivíduo seleciona algum item da barra, o link selecionado fica rosa. Esse rosa é em um tom pastel, acompanhando a cor do cérebro da ilustração. Por fim, a cor da fonte do texto é um cinza bem escuro, quase preto. As fontes do layout foram escolhidas para combinar com o conteúdo do blog. Para os “avessos” ao lado do cérebro, o webdesginer customizou à mão uma nova fonte. Para o menu de navegação, foi escolhida uma fonte mais básica do sistema, a Arial. A fonte do título é Museo 1000. Nesse caso, optou-se por uma fonte mais expressiva para despertar a atenção do visitante do blog para a leitura do texto. Para o corpo do texto, foi usada uma fonte com legibilidade, a Geórgia. Para as colunas com links abaixo do texto, a fonte utilizada foi Verdana. A combinação desses elementos resultou no layout do Avessos, como pode ser observado abaixo: FIGURA 1

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FIGURA 2

FIGURA 3

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5.5 Descrição e viabilidade financeira

Não houve custo de hospedagem no blog em questão. O web designer gentilmente ofereceu a hospedagem que ele tinha para colocar o Avessos no ar. Caso o número de visualizações fique muito grande e atrapalhe a rapidez, uma nova hospedagem pode ser adquirida. O domínio www.avessos.com.br foi adquirido através do registro para domínios de Internet no Brasil – oferecido pelo site http://www.registro.br/ e teve um custo de manutenção anual de R$ 30, 00. O software Wordpress 3.0, usado para suporte, manutenção e gerenciamento do blog é gratuito, não envolvendo nenhum tipo de custo. O layout e a programação não tiveram custos, pois a autora se propôs a escrever releases e realizar outros tipos de trabalho de assessoria de imprensa para a empresa do web designer como forma de pagamento. O Avessos não tem finais lucrativos. A manutenção do domínio é anual e tem um preço reduzido, além ter hospedagem gratuita oferecida pelo (amigo) webdesigner. Não existe prejuízo, portanto, em manter o blog de uma forma não-rentável. A proposta da autora é divulgar seu trabalho como cronista para conquistar um espaço dentro de uma revista ou um jornal. A autora tem
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condições de atualizar o blog duas vezes por semana, independente de quaisquer afazeres. O link para acesso do produto é www.avessos.com.br.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Não havia como fugir dessa realidade: os jovens leem mais pela internet. Utilizar alguma outra mídia não iria atender os interesses e hábitos de consumo do público. Tal fato foi confirmado a partir da primeira pesquisa realizada (ANEXO B, p. 78), em que 100% das pessoas entrevistadas afirmam que utilizam a internet para a leitura. Nesse contexto, os blogs têm um papel importante nesse universo virtual, tornando-se cada vez mais ferramentas responsáveis pelo repertório dos indivíduos, seja para entretenimento e/ou formação de opinião. A escolha pelo gênero crônica foi feita nos primórdios, nos tempos de pré-projeto. Textos jornalísticos da imprensa costumam ser secos, sem vida. Somente por meio da crônica era possível explorar singularidades, oralidades,
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informalidades e obter maior liberdade em relação a forma e o conteúdo do texto. Um fato que foi percebido via pesquisa é que muitos jovens ainda não leem crônicas (ANEXO B, p.78). A ideia é mostrar essa possibilidade para o jovem, torná-lo familiarizado e até mesmo íntimo dessa modalidade tão rica e plural. A parte mais difícil desde o primeiro projeto foi me ater à linguagem científica. Tantas formalidades, principalmente durante a fundamentação teórica, me levaram à exaustão. Quando pensava em desistir, lembrava do escritor Charles Bukowski dizendo: “se você for tentar vá até o fim, senão nem comece” e voltava ao trabalho. Apesar de cansativa, a experiência foi prazerosa. Foram tantos conhecimentos adquiridos que não saberia nem pontuá-los. A parte “jornalistas (e) escritores” talvez tenha tido um gosto mais saboroso. Foi confirmado através da fundamentação teórica que a crônica realmente se difere (e muito) dos outros gêneros. Em nenhum outro campo do jornalismo poderia ter essa liberdade em relação à escrita. Outra constatação importante é que a crônica e o blog compartilham muitas características, como a liberdade já citada, o poder de explorar a criatividade, o dinamismo, a pluralidade de estilos e temáticas, e a capacidade de segmentação. Ambos também atuam como ferramentas que podem ser usadas para fazer uma análise de certo tempo e são, indubitavelmente, instrumentos capazes de gerar a discussão e formar opinião. Por meio das aulas do Sérgio Czajkowski Júnior e posteriormente da fundamentação teórica, foi possível perceber que estava lidando com um nicho, isso é, uma demanda que não estava sendo explorada. Não existe no campo da Internet um produto exclusivamente com o gênero crônica direcionado para jovens que estão ou já estiveram na universidade. Os blogs de crônicas já existentes têm uma linguagem mais ampla e obtém sucesso por serem escritos por pessoas já renomadas. Dirigir o produto para um grupo específico fez com que o produto chegasse muito próximo dos seus interesses e desejos.
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Sabe-se que a crônica tem uma parcela importante de opinião, da visão do indivíduo que escreve. Agradar o público em sua totalidade seria uma tarefa impossível. Falo isso com toda sinceridade, por mais clichê que isso possa parecer. Nem sempre o público concordou com meu ponto de vista em algumas crônicas, apesar disso, foi percebido que a linguagem e conteúdo chamavam de fato sua atenção. Portando, mesmo discordando, o público mostrava interesse em ler o que era publicado. Uma dificuldade durante a fundamentação teórica que merece ser citada é a escassez de teóricos para o assunto “O jovem e a leitura”. Não foi encontrado material específico para suprir essa lacuna. A saída encontrada foi analisar o livro “Navegar no ciberespaço - O perfil cognitivo do leitor imersivo”, da Lucia Santaella. A obra não trata especificamente do leitor jovem, mas pode ser utilizada pois trata do indivíduo que está familiarizado com o universo virtual. O jovem tende a ser o indivíduo que tem mais contato com meio, já que cresceu durante essa explosão e democratização da tecnologia. Certamente, ele é o que mais utilizou esses benefícios da inclusão digital. Outro ponto que foi confirmado, através da fundamentação teórica e da primeira pesquisa (ANEXO B, p.78) é que os jovens não apreciam ser rotulados em tribos. Isso se deve principalmente à exposição da mídia de forma pejorativa das tribos urbanas. Foi proposta a seguinte pergunta: “Você se encaixa em alguma tribo urbana?” A maioria dos entrevistados respondeu “não” ou deixou em branco. Observando esse quadro, foi percebido que era impossível dirigir o trabalho usando as tribos urbanas como enquadramento para esses jovens. Na produção das crônicas, tentei ao máximo propor um conteúdo mais livre, direcionando para esse jovem pós-moderno, que tem a pluralidade como característica marcante. Esse trabalho não poderia ser realizado sem as referências e a ajuda da premiada (com direito a ambiguidades) da Luísa Barwinski. O Paliteiro foi uma bússola em diversos momentos do projeto. Após a primeira publicação no Avessos foi confirmado, como na primeira pesquisa (ANEXO B, p.78) , que muitos comentários não são feitos no
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blog propriamente dito. Recebi opiniões e elogios especialmente no Twitter. Além disso, várias pessoas compartilharam o endereço do blog também via rede social. Isso foi extremamente gratificante. Minha intenção é continuar publicando crônicas nesse endereço mesmo após a apresentação para a banca. Essa continuação pode ser feita pelo menos por um ano – período em que não se faz necessária a renovação do pagamento do domínio. O reconhecimento do público e a capacidade de promover discussões me movem para o prolongamento do projeto. A princípio possuía o desejo de realizar um livro de crônicas como projeto final. Escrevo, não só crônicas, e todo escritor quer ter um livro publicado. O orientador me alertou: “Os jovens leem mais blogs do que livros” e decidi mudar o projeto, de livro para blog. Um pouco desconfiada, fui explorando ao longo dos meses esse caminho. Mantendo um pouco de distância das minhas certezas, percebi que o livro é só um detalhe. Existem outras formas do jornalista-escritor ser publicado, uma delas é através dos blogs. Depois de todo esse processo, percebo que não teria como ser de outra forma. Para o Avessos atingir o público-alvo almejado, era preciso uma mídia contemporânea, dinâmica, interativa e eficaz como o blog. Antigos (pré)conceitos meus já foram quebrados. Através da divulgação dessas crônicas, espero que os jovens possam quebrar muitos outros.

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6. CRONOGRAMA

FIGURA 4
Quadro de ações Elaboração de pesquisa bibliográfica Elaboração do projeto Protocolo do projeto Correção baseada nas anotações do professor Produção de um esboço da fundamentação teórica

JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

Protocolo da primeira versão da fundamentação teórica

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Pesquisa quantitativa e qualitativa para desenvolvimento do blog Pesquisa qualitativa para análise dos concorrentes Lançamento do blog Produção no blog Redação final sobre o produto

Fonte: Autora (2010)

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ANEXO A- QUESTIONÁRIO QUANTITATIVO E QUALITATIVO PARA DESENVOLVIMENTO DE BLOG DE CRÔNICAS 1. Qual sua idade? ( ) Até 18 anos ( ) De 18 a 30 anos ( )Acima de 30 anos 2. Qual seu grau de escolaridade? ( ) Ensino fundamental incompleto ( )Ensino fundamental completo ( )Ensino Médio Incompleto ( )Ensino Médio Completo ( )Ensino Superior Incompleto

( )Ensino Superior Completo ( ) Pós Graduação Incompleta ( )Pós-graduado ( )Mestre ( )Doutor(a)
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3. Qual seu sexo? ( )Masculino ( )Feminino 4. Você se encaixa em alguma tribo urbana? __________________________ 5. Sua leitura se dá por quais meios? ( ) Revistas ( )Jornais impressos ( )Internet ( )Livros ( )Outros 6. Se marcou "Internet", quais veículos costuma utilizar? ( )Portais ( )Jornal Oline ( )Blogs ( )Sites específicos ( )E-books ( )Redes sociais ( )Revista Online ( )Outros 7.Como você fica sabendo das atualizações dos veículos citados na pergunta anterior? ( )Redes sociais ( )Email ( )RSS ( )SMS ( )Outros

4

7. Se marcou "Outros", quais? __________________________

8. Quanto tempo você passa acessando a internet diariamente? ( )Até 1 hora ( )De uma a 2 horas ( )De 2 a 3 horas ( )Mais de 4 horas 9. Em que local se dá tal acesso? ( )Casa ( )Trabalho ( )Faculdade ( )Celular ( )Casa de amigos/parentes ( )Lan house 10. Você costuma ler crônicas pela Internet? ( )Sim ( )Não 11. Se sim, em que endereços eletrônicos? __________________________

12. Se não, por quê? ( ) Não há linguagem interessante ( )Não há assuntos relevantes ( )Não há um layout chamativo ( )Não há familiaridade com o gênero ( )Outros 13. Se marcou “Outros, quais? ______________________________

14. Você costuma comentar, na Internet, os textos que considera interessantes? ( ) Sim ( )Não 15. Seu comentário se dá: ( )Não comento ( )No próprio site/blog/portal ( )Via rede social
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( )Via email 16. Quais assuntos te chamam ou chamariam mais atenção na hora de ler uma crônica? ( )Sexo ( )Amor ( )Família ( )Drogas ( )Tecnologia ( )Jornalismo ( )Literatura ( )Medicamentos ( )Nostalgia ( )Gastronomia ( )Preconceito ( )Transtornos Psiquiátricos ( )Outros

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ANEXO B – RESULTADO DO QUESTIONÁRIO QUANTITATIVO E QUALITATIVO PARA DESENVOLVIMENTO DE BLOG DE CRÔNICAS ( VIA GOOGLE DOCS)

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ANEXO C- PESQUISA QUANTITATIVA PARA ANÁLISE DO CONTÉUDO DOS CONCORRENTES

1.Como você considera a qualidade de conteúdo do blog do Carpinejar? www.carpinejar.blogspot.com ( ( ( ( ( )Nunca li )Muito boa )Boa )Regular )Baixa

2. Como você considera a qualidade de conteúdo do site Vida Breve? www.vidabreve.com ( ( ( ( ( )Nunca li )Muito boa )Boa )Regular )Baixa

3. Como você considera a qualidade de conteúdo do site da Tati Bernardi? http://www.tatibernardi.com.br/textos.php?id=402&y=2010&tit=Inferno ( ( ( ( ( )Nunca li )Muito boa )Boa )Regular )Baixa

4. Em relação ao Twitter, você acha que tem uma boa qualidade de conteúdo? Leve em conta as pessoas que você segue. ( ( ( ( ( )Não tenho Twitter )Muito boa )Boa )Regular )Baixa

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5.Em relação a Revista Trip, como você analisa o seu conteúdo? http://revistatrip.uol.com.br/ ( ( ( ( ( )Nunca li )Muito boa )Boa )Regular )Baixa

6. Em relação ao programa de TV "Legendários", qual sua opinião sobre o conteúdo? Transmitido pela Record aos sábados às 21h45 ( ( ( ( ( )Nunca assisti )Muito boa )Boa )Regular )Baixa

7. Em relação ao programa de TV "CQC", o que você pensa sobre seu conteúdo? Transmitido pela Band nas segundas às 22h15

( ( ( ( (

)Nunca assisti )Muito boa )Boa )Regular )Baixa

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ANEXO D – RESULTADO DA PESQUISA QUANTATIVA PARA ANÁLISE DO CONTEÚDO DOS CONCORRENTES (VIA GOOGLE DOCS)

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ANEXO E

AUTORIZAÇÃO

Eu, Marcelo Lima, professor orientador da aluna do curso de Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo, da Universidade Positivo, autorizo a aluna Giovanna Garcia de Lima a utilizar os serviços de web desginer de Daniel Imaeda, para composição de um template para fins didáticos em seu Trabalho de Conclusão de Curso. Curitiba, ___ de____________ de 2010.

_____________________________________ Marcelo Lima

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